origem
Mostrar mensagens com a etiqueta Campeonato 2022/23. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Campeonato 2022/23. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, maio 29, 2023

38

Vencemos o Santa Clara no sábado na Luz por 3-0 e conquistámos o nosso 38º título de campeão nacional. Conseguimos o mais importante, sem dúvida, que era quebrar o ciclo de quatro anos sem sermos campeões e, pior do que isso, três anos e meio sem qualquer título, mas terminá-la na última jornada e com apenas dois pontos de avanço sobre o segundo classificado, depois de uma temporada em que nos exibimos a grande nível durante grande parte dela, acaba por deixar um ligeiro travo amargo. Merecíamos ter festejado bem mais cedo. Confesso que o sentimento de alívio quase iguala a alegria que sinto.
 
Com o Bah de regresso à titularidade e do Aursnes ao meio-campo, o Roger Schmidt mostrou o seu conservadorismo colocando o David Neres no banco e mantendo o João Mário na equipa titular. No entanto, entrámos bastante fortes e foi muito importante inaugurarmos o marcador logo aos 7’ numa cabeçada do Gonçalo Ramos a centro na direta do Bah. Tirávamos uma pedra de cima muito cedo, o que ajudou a equipa a descomprimir. O Santa Clara, já despromovido, jogava sem pressão, mas raramente criava perigo para o Vlachodimos e foi até num livre para a nossa área que fizemos o 2-0 aos 28’: contra-ataque magnífico conduzido entre o João Mário e o Rafa, com assistência daquele para este rematar com a bola ainda a desviar num defesa, enganando o guarda-redes. Em cima do intervalo, um remate de fora da área do defesa-esquerdo MT foi a única ocasião em que o Vlachodimos teve trabalho na etapa inicial
 
A 2ª parte seguiu a tendência da primeira, connosco a controlar completamente o jogo, mas sem acelerar muito. Aos 60’, se dúvidas houvesse, ficaram de vez dissipadas com o 3-0 num penalty a castigar mão na bola (de uma maneira tão evidente que é incrível que tivesse de ser o VAR a assinalar...): o João Mário deixou que fosse o Grimaldo a marcar e o espanhol não rematou nada bem, foi à figura, o guarda-redes ia defendendo, mas felizmente a bola acabou por entrar. Com a partida decidida, fomos fazendo substituições, mas o ritmo manteve-se baixo, tendo o Vlachodimos conseguido manter as redes invioladas com um par de defesas atentas. O jogo não terminaria sem o Samuel Soares entrar para ser igualmente campeão.
 
Em termos individuais, o João Neves terá sido novamente o melhor, bem secundado pelo João Mário, que, depois de um par de meses completamente fora dela, voltou a estar em bom plano no último jogo da época. O Aursnes também esteve no seu nível habitual e, ao contrário de Portimão, gostei do Morato no lugar do castigado António Silva. O Rafa e o Gonçalo Ramos marcaram cada um o seu golito, mas nota-se o cansaço em ambos de uma época desgastante.
 
O mérito deste título é em grande medida do Roger Schmidt. Mudou a mentalidade da equipa e a nossa forma de jogar, praticámos um futebol entusiasmante durante a maior parte do ano, em que só parávamos de tentar marcar golos quando o árbitro apitava. O balanço é altamente positivo. Cometeu os seus erros, é um facto, sendo o conservadorismo nas substituições e o espremer sempre os mesmos possivelmente os maiores, mas sem ele não haveria 38 e não teríamos chegado a sonhar irmos mais longe na Champions. Faltaram opções mais robustas para rodar mais a equipa na fase crítica da temporada, mas esperemos que a nova época as traga.
 
SOMOS CAMPEÕES! VIVA O BENFICA!
 
P.S. – Apenas um reparo à entrega da taça de campeão no estádio: deixar o público 1h30(!) à espera depois do final do jogo foi uma enorme falta de respeito! Nunca no passado isto aconteceu e é uma situação a rever no futuro. Depois da entrega da taça no relvado, podem dar as entrevistas e fazer as fotos todas que quiserem, mas, por favor, não nos voltem a obrigar ter de passar por uma seca semelhante! Obrigado.

segunda-feira, maio 22, 2023

Bipolar

Empatámos ontem no WC (2-2) e desperdiçámos a oportunidade de nos sagrarmos já campeões nacionais. Temos agora apenas dois pontos de vantagem perante o CRAC, que ganhou na véspera em Famalicão por 4-2, numa partida em que o Sr. Fábio Veríssimo assinalou três penalties(!) a favor deles, o que deverá constituir certamente recorde mundial. É a terceira vez no meu tempo de vida em que podemos ser campeões em casa dos rivais e é a terceira vez que falhamos...
 
O Roger Schmidt só fez uma alteração na equipa em relação a Portimão, com o previsível regresso do capitão Otamendi, mas isso acabou por ser um erro evidente. Com o devido respeito, a lagartada não é o Portimonense e não era preciso ser um adivinho para prever que, continuar com o Aursnes a defesa-direito e sem o tampão Florentino no meio-campo, iria dar enormes problemas. Como deu durante a 1ª parte toda, em que voltámos a levar um banho de bola da lagartada. Só tivemos uma ocasião de golo, com uma cabeçada do Rafa por cima, quando só tinha o guarda-redes Franco Israel pela frente. Do outro lado, o Pedro Gonçalves encarnou o Bryan Ruiz e falhou inacreditavelmente um golo feito, o Vlachodimos defendeu bem um remate do Esgaio, e sofremos dois golos aos 39’ e 44’ pelo Trincão, num lance em que o António Silva falhou a intercepção e o Trincão ainda teve tempo de fazer a recarga ao seu próprio remate(!), e Diomande, num cabeceamento num canto. Fomos para o intervalo em muito maus lençóis.
 
Para a 2ª parte, o Schmidt tirou o inexistente (há já várias jornadas, acrescente-se...) João Mário e colocou o Bah, avançando o Aursnes para o meio-campo. Transformámo-nos da noite para o dia. Dominámos completamente os segundos 45’ e, com o passar do tempo, fomos remetendo a lagartada cada vez mais para o seu meio-campo. Um remate do Aursnes à entrada da área logo no reinício foi bem defendido pelo guarda-redes e o mesmo Aursnes não chegou por muito pouco a um centro largo do Grimaldo na esquerda. Entre estes dois lances, houve outro em que o Bah caiu na área depois de o Nuno Santos lhe tocar nas costas. Para mim, não é penalty, mas, se fosse a favor do CRAC, em cada 10 lances semelhantes, seriam marcados 11 penalties...! Estávamos por cima, mas sem grande poder de fogo na frente, razão pela qual o Schmdit trocou o Rafa e Gonçalo Ramos pelo Gonçalo Guedes e Musa, e o croata deve uma arrancada pouco depois de entrar, desde o meio-campo até à área, que culminou com um remate cruzado de pé esquerdo que o guarda-redes desviou com a ponta dos dedos. Aos 71’, reduzimos finalmente o marcador para 1-2 numa boa cabeçada do Aursnes a cruzamento do Grimaldo. A lagartada teve duas hipóteses em contra-ataque, mas o remate do Morita saiu por cima e o Vlachodimos defendeu perante o Paulino isolado. Até que, já em tempo de compensação, aos 93’, veio o desejado golo do empate: livre a nosso favor, bola bombeada para a área, cabeçada do Musa para trás, confusão, com o Florentino (que tinha substituído o Chiquinho) a ganhar bola, que sobrou para um primeiro remate do João Neves que foi interceptado, mas na recarga não perdoou! Foi o delírio na nossa bancada! Não dava para sermos já campeões, mas não perder este jogo era muito importante para o nosso ego e moral.
 
Em termos individuais, e baseando a análise essencialmente na 2ª parte, o Aursnes foi dos melhores e não só pelo golo que marcou, sendo incompreensível como é que o Schmidt ainda insiste no João Mário na sua actual forma. O João Neves, depois de uma 1ª parte muito apagada, subiu imenso na 2ª e o Grimaldo conduziu muito jogo pela esquerda, sendo dele o centro para o primeiro golo. O Chiquinho esteve mais discreto do que em jogos anteriores, assim como o David Neres, e não foi por acaso que, para o o nosso pressing final, a entrada do Florentino tenha contribuído de sobremaneira. Os dois da frente (Rafa e Ramos) participaram muito pouco do jogo e a equipa melhorou bastante com as substituições. Pode ser que o Roger Schmidt esteja a aprender finalmente a fazê-las...
 
Na última jornada, iremos receber o já despromovido Santa Clara na Luz e, apesar de termos 11 golos de vantagem no confronto directo com o CRAC, nunca se sabe quantos penalties serão marcados em Mordor frente ao V. Guimarães e, portanto, é mesmo melhor ganharmos o nosso. Além de que, perante o que fizemos em boa parte deste campeonato, seria inacreditável sermos campeões em igualdade pontual com o segundo classificado. De qualquer forma, nenhum jogo está ganho antes de ser jogado. No entanto, se porventura não formos campeões, isso fará com que o trauma Kelvin se torne uma brincadeira de crianças...

terça-feira, maio 16, 2023

Amasso

Vencemos em Portimão no sábado por 5-1 e conseguimos o que era fundamental, que era ir ao WC na penúltima jornada com quatro pontos de vantagem (o CRAC ganhou em Mordor 2-1 aos 92’ ao Casa Pia no domingo). Deste modo, não iremos enfrentar um adversário que disputaria a sua própria final da Champions, se por acaso tivesse oportunidade de nos afastar do 1º lugar.
 
Com o Morato no lugar do castigado Otamendi e perante um Portimonense que tem sido uma sucursal do CRAC nos últimos (largos) anos, entrámos muito fortes com o João Neves a atirar ao poste logo no segundo minuto. Não demorámos muito mais a inaugurar o marcador, o que aconteceu aos 4’ através do Grimaldo, depois de um centro do Aursnes na direita, num lance em que não se percebeu logo imediatamente se a bola entrou ou não. Tanto VAR, tanto golo anulado por 1 e 2 cm e depois não há tecnologia da linha de golo em Portugal...! Brilhante! No entanto, pelas repetições dá toda a sensação que o guarda-redes toca na bola já dentro da baliza. Não descansámos com a vantagem e o João Mário colocou novamente a bola na baliza, mas estava em claro fora-de-jogo. Todavia, o golo deveria ter vindo antes nessa jogada, porque o Gonçalo Ramos rematou muito mal, quando estava em boa posição, tendo a bola depois sobrado para o nº 20. O David Neres era o nosso maior desequilibrador e rematou rasteiro com muito perigo e o Gonçalo Ramos teve um tiraço de fora da área à barra (seria uma bela homenagem ao golão do João V. Pinto em Alvalade nos 6-3, cujo 29º aniversário foi um dia depois, no domingo). O Portimonense fez a sua primeira incursão na nossa área com um cabeceamento por cima a seguir, mas aos 28’ marcámos o merecido segundo golo: centro do João Mário na direita e autogolo do Filipe Relvas. As coisas estavam bem encaminhadas, mas uma bola parada fez-nos sofrer o 1-2 aos 38’ num livre para a nossa área, em que o Morato não cortou a bola depois de um ressalto e o Pedrão atirou sem hipóteses para o Vlachodimos. Na jogada seguinte, o Gonçalo Ramos trabalhou bem, mas permitiu a defesa do guarda-redes Nakamura, quando só o tinha pela frente. Era importantíssimo chegar ao intervalo com os dois golos de vantagem e felizmente conseguimo-lo, com o regresso do Gonçalo Ramos aos golos passados vários jogos (já não marcava desde o Rio Ave, há seis jornadas) num belo trabalho individual depois de um roubo de bola do Chiquinho no meio-campo e contra-ataque conduzido pelo David Neres, que abriu para o nº 88.
 
No regresso do intervalo, o Roger Schmidt colocou (e bem) o Florentino no lugar do amarelado e pouco inspirado Chiquinho, demonstrando que queria salvaguardar-nos de algum imprevisto arbitral do Sr. Artur Soares Dias... Voltámos a entrar fortes com o Rafa a meter a bola na baliza, mas estando 9 cm fora-de-jogo...! As oportunidades sucediam-se em catadupa, com o David Neres a não picar suficientemente a bola sobre o Nakamura pouco depois e este a brilhar num remate do Grimaldo de fora-da-área. O Portimonense ia fazendo alterações, mas praticamente não conseguia chegar à nossa baliza. A excepção foi um contra-ataque rápido com um centro largo para a área, em que o Aursnes se antecipou ao avançado, que só teria de encostar. Nos últimos cinco minutos, entraram o Musa e o Gonçalo Guedes para os lugares do David Neres e Gonçalo Ramos, e o croata mostrou logo serviço no minuto seguinte num contra-ataque conduzido pelo Rafa na sequência de um canto contra nós, em que teve sangue-frio para sentar um defesa e o guarda-redes e atirar para a baliza deserta. Aos 89’, o mesmo Musa fez o seu bis ao aproveitar muito bem um enorme frangodo guarda-redes Nakamura, que não conseguiu agarrar uma bola, com o nosso avançado a antecipar-se bem, atirando para a baliza.
 
Em termos individuais, o melhor em campo foi o João Neves que o encheu completamente. Esteve em todo o lado, não parou quieto um minuto, defendeu, atacou, rematou, deu um show inversamente proporcional ao seu tamanho! O David Neres também voltou a estar muito bem, sendo neste momento o nosso atacante em melhor forma. O Rafa, passado bastante tempo, está a readquirir a sua forma e já não era sem tempo...! O Gonçalo Ramos voltou aos golos, o que é de saudar, ia marcando outro que seria um golão (mas a barra não deixou), porém falhou outros dois em excelente posição, o que deverá ser motivo de auto-reflexão. Na defesa, não gostei muito do Morato, que esteve longe de fazer esquecer o Otamendi e está no lance do golo sofrido. O Musa, apesar de eu continuar a achar que é um cepo, está decididamente melhor nesta parte final da época do que em grande parte dela.
 
Faltam dois jogos e temos quatro pontos de vantagem. Iremos ao WC no próximo fim-de-semana e depois receberemos o Santa Clara na Luz. Temos tudo a nosso favor e seria preciso um cataclismo para não festejarmos o 38. A equipa está a subir novamente de produção e devemos estar confiantes. Mas as catástrofes inimagináveis por vezes acontecem e, portanto, há que continuar a estar muito concentrados. Até esses três pontos estarem do nosso lado, nada está decidido.
 
P.S. – O Grimaldo assinou ontem pelo Bayer Leverkusen, depois de sete épocas na Luz. Foi três vezes (esperemos que quatro nos próximos dias...) campeão e um dos jogadores mais importantes dos últimos anos. Por isso, agradeço-lhe tudo o que fez enquanto jogador do Benfica. Preferiu ir para outro campeonato, ganhar mais do dobro do que ganhava na Luz, mesmo que isso signifique ficar arrecado de troféus. Está no seu direito. Mas a última imagem é a que fica e, sinceramente, não percebo MESMO NADA o timing deste anúncio. Na semana decisiva do campeonato, é que se torna isto público?! Qual seria o problema de esperar mais uma ou duas semanas...?! A transferência já não se daria dessa forma?! Desrespeitar o clube e nós, adeptos, desta forma era algo perfeitamente evitável.

terça-feira, maio 09, 2023

Retoma

Vencemos o Braga na Luz no sábado por 1-0 e colocámo-los fora da luta pelo título, dado que estão agora a nove pontos de nós, mas com a vitória do CRAC ontem em Arouca (1-0) continuamos com quatro pontos de vantagem perante o 2º classificado. Finalmente, volvidos quase dois meses (desde a recepção ao V. Guimarães), voltámos a fazer uma boa exibição e a justeza da nossa vitória é incontestável.

Com o Florentino no banco e o regresso do Chiquinho ao onze, entrámos muito fortes e o Braga mal passou do meio-campo na 1ª parte. No entanto, como o último passe era invariavelmente mal feito, não tivemos assim tantas oportunidades quanto o nosso volume de jogo justificava. O Gonçalo Ramos ficou em boa posição por duas vezes, mas resolveu centrar para o João Mário na primeira e deixou-se antecipar por um defesa na segunda, perdendo assim boas hipóteses de rematar à baliza. Também o Rafa falhou um desvio quase na pequena-área e o Borja cortou para canto. Só conseguimos colocar o Matheus à prova uma vez num remate do David Neres, bem defendido pelo guardião bracarense. Em cima do intervalo, uma arrancada de Bruma colocou-nos em sentido e foi a única aproximação do Braga à nossa baliza, mas cedemos canto.

Confesso que esperava que os bracarenses subissem de produção na 2ª parte, porque praticamente fizeram figura de corpo presente na 1ª, mas a tendência do jogo manteve-se. O que foi de estranhar, dado que só a vitória lhes interessava para se manterem colados aos primeiros lugares. Um remate em balão do Rafa, que saiu ao lado, foi a primeira ocasião que tivemos, mas a melhor de todas foi num centro rasteiro do Grimaldo em que o Gonçalo Ramos totalmente à vontade rematou de primeira com a bola ainda a bater no poste. Mas deveria ter sido golo, já que o nosso avançado só tinha o Matheus pela frente! Continuávamos a pressionar o Braga e o David Neres teve uma boa iniciativa pela esquerda, com o remate a voltar a ser defendido pelo Matheus. Até que aos 67’, o estádio explodiu de alegria com o muito merecido golo. Rápido contra-ataque nosso, desde o nosso meio-campo, com o Gonçalo Ramos a colocar no David Neres, que fez uma abertura fantástica a isolar o Rafa, que partiu ainda no nosso meio-campo. O nº 27, somente com o Matheus pela frente, conseguiu colocar a bola fora do seu alcance. O ruído que o estádio fez foi ensurdecedor! O golo não estava a aparecer e o que se ouviu foi o som do alívio de todos nós. O mesmo Rafa falhou o golo da tranquilidade pouco demais, num lance em que também ficou isolado frente ao Matheus, mas o chapéu saiu por cima. O Braga ia fazendo substituições, o Pizzi entrou e foi aplaudido (e bem) pelo Estádio da Luz (afinal, foi quatro vezes campeão com as nossas cores), mas era só através do Bruma que criava perigo e mesmo assim em pouca quantidade. O único lance em que poderiam ter chegado ao golo foi já perto do final numa boa jogada do Bruma pela esquerda, com um centro para a área e o Simon Banza, felizmente desenquadrado com a baliza, a cabecear por cima.

Em termos individuais, óbvio destaque para o Rafa, que já não marcava há séculos, mas escolheu bem a altura para regressar aos golos. O David Neres foi o nosso melhor jogador e foi dele o passe decisivo para o golo. O Aursnes, novamente a lateral-direito, sentiu dificuldades perante o Bruma, mas achei-o mais envolvido no nosso ataque do que em jogos anteriores. O centrais António Silva e Otamendi estiveram muito seguros, mas o argentino viu um (injusto) amarelo e não vai poder jogar em Portimão. No meio-campo, o João Neves e o Chiquinho estiveram imperiais, e o miúdo já não vai sair da equipa até final do campeonato. Quanto ao Florentino, achei que deveria ter entrado mais cedo, até porque o João Mário continua a ser um jogador a menos. O Gonçalo Ramos também está em baixo de forma, mas o Musa tem entrado bem quando o substitui.

Era um dos obstáculos mais difíceis e foi superado. E superado com distinção, porque o nosso nível exibicional voltou a ser bem agradável. Iremos a Portimão no próximo sábado naquele que poderá ser o jogo mais decisivo da época. Faltam duas vitórias para sermos campeões e é fundamental chegarmos ao WC a precisar só de uma delas, caso contrário a lagartada ter a sua final da Champions para nos tentar roubar o título. Portanto, máxima concentração, até porque são conhecidas as ligações do clube do Algarve ao CRAC e motivação não lhes irá faltar...

terça-feira, maio 02, 2023

Alívio

Vencemos o Gil Vicente em Barcelos no passado sábado (2-0) e continuamos com quatro pontos de vantagem perante o CRAC (1-0 em casa frente ao Boavista) e seis para o Braga (4-1 em casa contra o Portimonense). Defrontando um adversário que já tirou pontos ao CRAC e à lagartada nesta temporada, e estando nós muito longe da forma que evidenciámos durante muito tempo, este era um jogo que se antevia bastante complicado. O que se confirmou dado que o primeiro golo só surgiu aos 73’.
 
Em relação à partida frente ao Estoril, o Schmidt deixou o Chiquinho no banco e fez entrar o Florentino, mantendo o João Neves na equipa. No entanto, não entrámos nada bem no jogo e foi o Gil Vicente a dominar as coisas durante os primeiros minutos. Revelávamos alguma dificuldade em fechar os caminhos para a nossa baliza e permitimos uns quantos remates, algo que não tem sido nada habitual. Felizmente o Vlachodimos revelou-se bastante atento e, com maior ou menor dificuldade, resolveu o que lhe ia aparecendo pela frente. A partir de metade da 1ª parte, assumimos o controlo do jogo para não mais o perder até final. Colocámos a bola na baliza por duas vezes, mas ambos os lances foram invalidados por fora-de-jogo. Porém, tivemos uma ocasião soberana pelo David Neres que, isolado pelo Rafa, conseguiu acertar no peito do guarda-redes Andrew... Até ao intervalo ainda tivemos mais duas boas ocasiões, pelo Florentino (especialmente esta) e Grimaldo, mas o primeiro remate saiu atabalhoado e a recarga do Neres foi parada pelo guarda-redes, e o segundo saiu ao lado.
 
Na 2ª parte, voltámos a não entrar bem e o Vlachodimos mostrou-se novamente num remate fora da área do Pedro Tiba. À passagem da hora de jogo, o Schmidt mexeu na equipa e colocou o Gilberto e Gonçalo Guedes nos lugares do David Neres e do apagadíssimo João Mário, tendo o Aursnes, que estava a lateral-direito, avançado para extremo. Se em relação à saída do João Mário não há nada a dizer, já a do Neres não concordei nada, porque até estava a ser dos menos maus. Não conseguíamos criar tanto perigo como na 1ª parte e o Schmidt teve de voltar a mexer aos 72’, com as entradas do Chiquinho e Musa para os lugares do Florentino e Gonçalo Ramos. Precisávamos imperiosamente de ganhar e o nosso treinador tirou os dois melhores marcadores, mas as coisas saíram-lhe melhor do que a encomenda. No minuto seguinte a ter entrado, aos 73’, o Chiquinho desbloqueou o jogo com uma óptima cabeçada a centro do Aursnes na direita, depois de este ter sido desmarcado pelo Musa. Foi a explosão de alegria no estádio e não só, porque se sentia a tensão em todo o lado. Com o Sr. Fábio Veríssimo a arbitrar, todo o cuidado era pouco e, por isso, era muito importante marcar mais um para acabar com as dúvidas. E esse golo surgiu aos 86’ num penalty de VAR do Grimaldo a castigar pretensa mão na área. O lance suscita algumas dúvidas, mas onde não há nenhumas é no agarrão claro ao Otamendi, que aconteceu no seu desenrolar, que não lhe permitiu cabecear em condições (todavia, o Gonçalo Guedes na recarga a essa cabeçada deveria ter feito golo...). O Grimaldo enganou o guarda-redes na conversão do penalty e selou a partida. Até final, ainda deu para o Musa acertar na barra e para o Rafa na recarga ter permitido o corte a um defesa.
 
Em termos individuais, destaque para o Chiquinho pelo golo que nos abriu a vitória. Para além disso, julgo que a sua falta se fez notar, especialmente no aspecto defensivo, porque vi o Gil Vicente manobrar demasiado à vontade no nosso meio-campo. O Florentino e João Neves não entraram bem no jogo, mas foram subindo de rendimento no seu desenrolar. No entanto, acho mesmo que o Chiquinho deve voltar à titularidade frente ao Braga, porque definitivamente dá mais poder de choque no meio-campo. O Musa também entrou bem e ajudou a agitar o nosso ataque, até porque as principais figuras (Gonçalo Ramos, Rafa e João Mário) estão muito fora dela. Por outro lado, com a recuperação do Bah, espero que a experiência do Aursnes a defesa-direito seja para terminar, porque ele é bem mais útil na frente e menos um atrás.
 
Comentei com uma amiga minha no final que, pelo segundo jogo consecutivo, não conseguia estar contente quando a partida terminou, tal a carga de stress que se foi acumulando. Respondeu-me ela que, assim que o jogo acaba, só consegue sentir alívio. É que é isso mesmo! Isto está a ser um processo tão sofrido que no fim só se consegue sentir alívio.
 
No próximo sábado, recebemos o Braga na Luz. Outra partida fulcral em que uma vitória nos coloca em excelente posição e qualquer outro resultado pode significar o começo de um enorme pesadelo...
 
P.S. – No jogo do CRAC frente ao Boavista, tivemos direito a um momento inédito em que o Sr. Rui Gomes Costa teve o descaramento de apitar para o final da partida quando um jogador do Boavista estava a entrar na área (fez um centro perigoso, que acabou por dar canto). Ao início, achei uma vergonha ele não deixar marcar o canto, quando tinha havido perdas de tempo nos quatro minutos de compensação, mas afinal a coisa foi bem pior. O Sr. Rui Gomes Costa cortou mesmo a jogada!

segunda-feira, abril 24, 2023

Ansiedade

Depois de quatro jogo sem vencer, derrotámos ontem o Estoril na Luz (1-0) e mantivemos os quatro pontos de vantagem perante o CRAC (2-0 em Paços de Ferreira) e os seis perante o Braga (1-0 no Casa Pia). Teoricamente, a par da recepção ao Santa Clara na última jornada, esta seria a partida menos difícil destas últimas seis, mas não me deixou nada confiante para o que aí vem.
 
O Roger Schmidt inovou ao colocar o Aursnes a defesa-direito e o João Neves no meio, para além do expectável regresso à titularidade do David Neres, saindo o Florentino e o Gilberto em relação ao Inter. E, de facto, o Neres e o Neves foram os dois melhores em campo. Nada a dizer da atitude da equipa durante praticamente o jogo todo, mas estamos realmente a atravessar uma fase de muita descrença nas nossas próprias capacidades. O que não deixa de espantar, dado a época que fizemos até há quatro jogos. A equipa mostra-se muito nervosa e com muita ânsia de fazer tudo bem e rápido, o que é manifestamente impossível. Perante um adversário que está a lutar para fugir ao play-off de descida, tivemos naturalmente o domínio da partida e foi do João Neves a primeira grande oportunidade, numa cabeçada num canto que saiu por cima, quando tinha só o guarda-redes pela frente. O Rafa também não esteve melhor ao não aproveitar um ressalto que lhe foi parar os pés na pequena-área, com o remate também a sair por cima. Aos 35’, tivemos a melhor oportunidade até então, com um penalty assinalado pelo VAR a castigar falta sobre o João Mário, mas este rematou à figura do guarda-redes Dani Figueira, que defendeu com os pés, e na recarga o Rafa não conseguiu desviar para a baliza, permitindo o corte da defesa para canto. Logo a seguir, o Estoril criou a sua única situação de algum perigo no jogo todo, com uma cabeçada do Cassiano ao lado. Um calcanhar do Rafa depois de brilhante jogada do Neres na esquerda também saiu ao lado, mas já em cima do intervalo deu-se a explosão na Luz com o merecido golo. Foi na sequência de um canto aos 44’ que o Neres fez outra boa jogada na direita, passando por dois adversários e centrando de pé direito para o Otamendi meter a bola na gaveta numa óptima cabeçada. O estádio suspirou de alívio, porque sentiu que era importantíssimo chegarmos ao intervalo a ganhar.
 
Na 2ª parte, esperava-se que, estando na frente do marcador e mais tranquilos, conseguíssemos aumentar a vantagem para fechar a partida. No entanto, fruto da conjunctura actual não tivemos discernimento para criar tantas oportunidades como no primeiro tempo. Aos 65’, o Schmidt colocar o Florentino e o Musa nos lugares do Chiquinho e Gonçalo Ramos. A presença do Florentino permitiu-nos equilibrar mais as coisas a meio-campo, até porque o Chiquinho terá feito a sua pior exibição desta temporada. O Neres teve uma boa hipótese de resolver a partida, mas rematou ao lado quando tinha sido bem desmarcado pelo Rafa. A cerca de 15’ do fim, ainda se festejou um golo do Musa, mas o Aursnes estava fora-de-jogo no início da jogada. Perto do fim, uma arrancada do Rafa resultou num remate com o peito do João Mário ao poste. O Gonçalo Guedes tinha entrado pouco antes e também teve um remate rasteiro defendido pelo Dani Figueira. Não conseguimos marcar mais nenhum golo, mas tivemos o mérito de controlar bem o Estoril, não o deixando criar praticamente nenhuma oportunidade. No entanto, sentiu-se até final que a equipa e os adeptos estavam obviamente muito apreensivos.
 
Em termos individuais, destaque para o David Neres, principalmente na 1ª parte, e para o miúdo João Neves, que encheu o campo. Vamos lá a ver se não arranjámos nós próprios um novo Moutinho... O Otamendi merece um apalavra por ter marcado o golo, mas defensivamente não esteve no seu melhor. O Rafa melhorou um bocado em relação aos jogos anteriores, com mais arrancadas perigosas, mas o João Mário continua uma lástima e, sinceramente, não percebo porque é que tem tanto tempo de jogo.
 
No próximo sábado, teremos uma saída dificílima a Barcelos e a minha única esperança é a semana inteira que temos para preparar esse jogo. Quero muito acreditar que isso se reflectirá na equipa, tranquilizando-a mais, porque se voltarmos a jogar com este nível de ansiedade as coisas serão bastante complicadas.

segunda-feira, abril 17, 2023

Estouro

Perdemos em Chaves no sábado (0-1) e já só temos quatro pontos de vantagem sobre o CRAC (ganhou 2-1 em casa ao Santa Clara) e seis sobre o Braga (1-0 em casa ao Gil Vicente). Foi a terceira derrota consecutiva em apenas uma semana, num ciclo verdadeiramente tenebroso. Escolhemos a pior altura da época para nos eclipsarmos.
 
Esta partida era fundamental, porque era pós-Champions e pós-derrota com o CRAC. Tínhamos de dar um sinal inequívoco de que o foco principal está no campeonato. Exigia-se uma resposta à altura da equipa e ela simplesmente não surgiu. Até nem entrámos mal no jogo, mas sem nunca criar grandes oportunidades. Porém, foi sol de pouca dura, porque a nossa capacidade de acelerar o jogo está pelas ruas da amargura e os adversários já perceberam como é que nos podem anular. Dois remates do Rafa e António Silva, ambos por cima, foram as melhores ocasiões até ao intervalo. Do lado oposto, o Vlachodimos foi um mero espectador.
 
A 2ª parte começou com a nossa grande ocasião. Aliás, dupla ocasião através do João Mário que não conseguiu marcar nem à primeira, nem na recarga, com a baliza quase escancarada! Pouco depois, gelou-se-nos o sangue quando o Juninho se conseguiu isolar perante o Otamendi, todavia o Vlachodimos fez bem a mancha. Continuávamos cada vez mais lentos e o Schmidt só fez a primeira substituição aos 70’ com a entrada do Gonçalo Guedes, mas a saída do David Neres...! David Neres, o responsável por grande parte do nosso perigo na 1ª parte. Ainda por cima, com o João Mário e o Rafa em péssima forma! O Aursnes ainda teve um remate perigoso, mas a bola saiu ao lado, antes do o Schmidt lançar o Tengstedt e o João Neves para os lugares do João Mário e... Gonçalo Ramos?! Estamos a precisar de ganhar e tiramos o ponta-de-lança?! Já em cima dos 90’, ainda entrou o Musa para o lugar do Gilberto e tivemos uma grande oportunidade num canto, com o Otamendi a cabecear à figura, mas a ser posteriormente pisado por um adversário e com a perna agarrada pelo guarda-redes na recarga. Claro que o VAR António Nobre nada viu...! (De salientar que os nossos rivais tiveram dois penalties a seu favor assinalados, tendo ambos só convertido um deles...) Já estávamos em período de descontos, mas ainda deu tempo para o Otamendi ter uma péssima abordagem numa bola lançada na sua direcção, ter escorregado e ter sido impotente para travar a caminhada triunfal do Abassal para o 1-0. Foi um enorme balde de água fria sobre todos nós mesmo no final do jogo!
 
Em termos individuais, depois de um início problemático, o Gilberto lá se recompôs e foi dos menos maus da equipa. Tal como o Chiquinho, que foi dos poucos a imprimir alguma velocidade ao nosso jogo. Em sentido contrário, continuam o Rafa e João Mário, completamente irreconhecíveis em relação que que já fizeram.
 
Porém, quem voltou a estar francamente mal foi o nosso treinador nas substituições. Não se percebe a saída do Neres, quando havia opções mais óbvias. Quem está mal fisicamente N Ã O pode jogar! É muito simples de perceber! É preferível um João Neves a 90%, do que um João Mário a 50%. Porque aquele, ao menos, corre e imprime alguma dinâmica à equipa.
 
Estamos, infelizmente, à beira de conseguir algo histórico, que é desperdiçarmos 10 pontos a 8 jornadas do fim. Gostaria muito de saber se esta proeza alguma vez foi conseguida por alguma equipa ou se corremos o risco de ser os primeiros. Por isso mesmo, é que eu apostaria todas as fichas no campeonato e esquecia a Champions. Com uma derrota por 2-0 em casa, é missão impossível darmos a volta à eliminatória. Portanto, por mim, jogaríamos com a equipa B em Milão e concentrávamo-nos na recepção ao Estoril.

segunda-feira, abril 10, 2023

Anjinhos

Perdemos na passada 6ª feira com o CRAC (1-2) na Luz e vimos a nossa vantagem reduzida para sete pontos, a sete jornadas do fim do campeonato. Quando estávamos 10 pontos à frente deles, a jogar em casa, com uma oportunidade de ouro para os afastar de vez da luta pelo título e objectivamente garantir esse mesmo título, voltámos a mostrar todos os defeitos que temos vindo a demonstrar sempre que os defrontamos e o resultado é mais do que justo.
 
Para tornar as coisas ainda piores, começámos a ganhar logo aos 10’(!) com um autogolo do Diogo Costa que viu a bola cabeceada à barra pelo Gonçalo Ramos ressaltar-lhe nas costas e entrar na baliza. Tínhamos as condições ideais para esperar a resposta deles e resolvermos o jogo em transições rápidas. Mas nada disso aconteceu, nunca conseguimos sair a jogar, fomos sempre manietados e vimo-los chegar à igualdade em cima do intervalo (45’) num remate cruzado do Uribe. Revelando uma descontração total, ainda sofremos um segundo golo na compensação(!) num bloqueio mental do António Silva, que deixou o Galeano sozinho, tendo sido salvos pelo VAR por ridículos 6 cm. No entanto, não aprendemos nada com isto e, na 2ª parte, voltámos a fazer erros infantis que resultaram no segundo golo do CRAC pelo Taremi aos 54’. Daí até final, uma mão chega e sobra para contar as oportunidades(?) que tivemos para marcar e nunca deu a sensação de que conseguíssemos lá chegar.
 
Uma série de jogadores fizeram exibições absolutamente horríveis, com o Rafa a voltar a estar totalmente fora dela (tal como em Vila do Conde), o Aursnes e Grimaldo a fazerem as piores exibições de que me lembro, o António Silva irreconhecível e mesmo o Vlachodimos a dever ter feito muito mais no segundo golo. Só o Chiquinho e o Gonçalo Ramos escaparam à mediocridade quase geral.
 
Como já deu para perceber, tenho muito pouca vontade de dissecar o jogo. Manifesto só a minha total INCOMPREENSÃO para o facto de, estando nós 10 pontos atrás ou 10 pontos à frente, jogarmos sempre com um medo cénico injustificável contra eles. Já se sabe que são uma equipa nojenta, bem exemplificado por este comentário que li nas redes sociais Limpinho! Fomos melhor em tudo. Foi pena não ter sido roubado, dava mais gozo ainda. É que é exactamente isto! Se não for roubado, as vitórias não lhes sabem da mesma maneira, especialmente se for contra nós! No entanto, há que lhes dar crédito numa coisa: quando nos defrontam, jogam sempre de faca nos dentes, com um empenho excedível e uma agressividade a ultrapassar os limites. E nós, nada! Anjinhospatinhosmolinhos, uma verdadeira desgraça! N-Ã-O S-E P-E-R-C-E-B-E!!! Eh pá, proponho que, na semana que antecede o jogo contra eles, chamem um de nós, sócios, para lhes dar uma palestra durante 10’. Uma por dia! É suficiente! Mudam os treinadores, mudam os jogadores e é sempre a mesma coisa! Nunca os igualamos em vontade de os esmagar! E isso é inadmissível!
 
Depois, ficamos muito ofendidos por falarem em “salão de festas”...! Os números não mentem: este foi o 20º confronto para o campeonato na nova Luz, eles ganharam nove e nós quatro! Nos últimos seis jogos, perdemos quatro! A época de 2000/01 foi a última em que conseguimos a segunda vitória consecutiva! Há 22 anos, portanto!!! É vergonhoso!
 
Iremos defrontar amanhã o Inter Milão na 1ª mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões, mas o verdadeiro jogo da época é em Chaves no próximo sábado. E não devia ser!

segunda-feira, abril 03, 2023

Sofrido

Vencemos ontem o Rio Ave em Vila do Conde por 1-0 e vamos receber o CRAC na Luz na próxima jornada com uma inédita vantagem (no meu tempo de vida, pelo menos) de 10 pontos sobre eles (também ganharam 1-0 em casa ao Portimonense). Tal como se esperava, foi uma partida bastante difícil, especialmente porque já se sabe que, a seguir às selecções, demoramos sempre algum tempo para readquirir o ritmo que vínhamos exibindo.
 
Demonstrando perceber como se passam as coisas em Portugal, o Roger Schmidt deixou o Florentino no banco, dado que tem quatro amarelos. Entrámos bem na partida e o Rafa teve uma oportunidade soberana de isolar o João Mário logo no início, mas preferiu a jogada individual e só ganhou um canto. Conseguíamos ir desmontando a defensiva do Rio Ave, mas estávamos muito complicativos na altura do último passe, que raramente saiu bem. O Rafa e principalmente o Gonçalo Guedes destacaram-se pela negativa nesse aspecto e, se o primeiro esteve na selecção, o segundo não, mas pareceu que sim, porque apresentou uma lentidão de processos nada habitual. O David Neres voltou a estar na esquerda e o João Mário na direita, quando eu acho que eles rendem mais ao contrário. Um centro da esquerda do David Neres para remate de primeira do Gonçalo Ramos, que o Jhonatan defendeu, terá sido a nossa melhor ocasião, e um remate rasteiro de fora da área do brasileiro deveria ter saído com mais pontaria. Do outro lado, sofremos um calafrio com uma cabeçada ao poste, mas a recarga em fora-de-jogo foi anulada. O nulo ao intervalo castigava a nossa pouca intensidade.
 
A 2ª parte, porém, não poderia ter começado melhor. Fizemos o único golo da partida logo aos 46’ num fuzilamento do Gonçalo Ramos de recarga, depois de um centro do João Mário na direita. Excelente trabalho do nº 20, a passar a bola por entre as pernas de um defesa e a centrar para o ponta-de-lança fazer um primeiro remate interceptado, mas depois com uma velocidade de reacção fantástica a voltar a rematar de primeira sem hipótese para o Jhonatan. A partir daqui, não tivemos engenho nem arte para aproveitar a subida no terreno do Rio Ave para criar perigo em contra-atque e, quando o fizemos por uma vez, o Rafa atirou muito por cima depois de desmarcado pelo João Mário. Ao invés, nos cruzamentos para a nossa área, passámos por alguns calafrios, nomeadamente numa cabeçada do Boateng por cima, quando só tinha o Vlachodimos pela frente. Já nos descontos, foi um remate do Hernâni a colocar à prova o Vlachodimos que defendeu para canto.
 
Em termos individuais, com o golo da vitória, o Gonçalo Ramos merece uma palavra, apesar de ter estado longe de ter feito uma exibição memorável. Quem se exibiu a alto nível foi o Aursnes, a jogar no meio durante grande parte do encontro, o Chiquinho ao seu lado e o Otamendi na defesa. O resto da equipa não passou do mediano, apesar de nunca ter virado a cara à luta.
 
É daqueles jogos que será recordado no futuro pelo mais importante: a vitória. Era essencial chegarmos ao jogo frente ao CRAC mantendo a vantagem que tínhamos, para que em termos anímicos não ficássemos desfavorecidos. Assim, o ónus da partida está todo do outro lado e se é certo de que, sem a vitória, as forças do Mal verão o seu objectivo do título muito comprometido, não faz parte da essência do Benfica jogar para o empate. Assim sendo, poder obter duas vitórias sobre o CRAC na mesma época é algo que não deveremos menosprezar. Termine a temporada como terminar.

segunda-feira, março 20, 2023

Dez pontos

Goleámos o V. Guimarães no sábado por 5-1 e, com o empate ontem na Pedreira entre o Braga e o CRAC (0-0), aumentámos a vantagem para 10 pontos para o 2º lugar (e 12 para o 3º). Foi obviamente um fim-de-semana de luxo (roubando a expressão ao nosso treinador)!
 
Em relação ao onze anterior, saiu o castigado Aursnes e reentrou o recuperado da gripe, Rafa. Mesmo estando a defrontar o 5º classificado, entrámos a todo o gás e praticamente resolvemos o jogo na 1ª parte. Inaugurámos o marcador logo aos 13’ numa cabeçada à ponta-de-lança do Gonçalo Ramos a corresponder muito bem a uma assistência também de cabeça do Rafa, depois de um centro do David Neres na esquerda. Pouco depois, uma abertura brilhante do Chiquinho desmarcou o Rafa que, perante a saída do guarda-redes Celton Biai, rematou em arco, mas a bola saiu ao lado da baliza. Logo a seguir, foi o Gonçalo Ramos a não conseguir aproveitar um alívio de cabeça do guarda-redes de fora da área, com um balão pouco depois do meio-campo que saiu ao lado. Mas aos 28’ fizemos finalmente o 2-0 através de um penalty do João Mário a castigar derrube pelas costas ao Rafa. O terceiro golo esteve próximo numa bola parada, mas a cabeçada do Otamendi foi ao poste e o António Silva no desenrolar da jogada atirou também de cabeça à figura do guarda-redes praticamente na pequena-área. No entanto, o 3-0 surgiu mesmo aos 36’ na melhor jogada da partida, com um contra-ataque venenoso desde a defesa em que participaram o David Neres, Rafa e Gonçalo Ramos, que assistiu o João Mário para picar a bola sobre o guarda-redes à sua saída. Um golão!
 
A 2ª parte foi muito mais calma, porque nós abrandámos o ritmo e o V. Guimarães não teve grande arte para nos colocar problemas na defesa, apesar de logo no recomeço um remate cruzado ter colocado o Vlachodimos finalmente à prova. Nós respondemos igualmente com perigo num livre lateral do Grimaldo, em que um defesa desvia quase para golo antecipando-se ao Gonçalo Ramos. No entanto, só fizemos o 4-0 aos 69’ num autogolo do Dani Silva depois de uma jogada em que participaram o Rafa e o João Mário, que centrou para a bola ressaltar neste jogador, indo na direcção da baliza, sendo cortada sobre a linha por um defesa para voltar a bater no Dani Silva e entrar! Incrível! A 15’ do fim, o Roger Schmidt começou a rodar a equipa e a saída do Florentino notou-se logo, porque o V. Guimarães reduziu aos 79’ através do André Silva, depois de um cruzamento da esquerda. Mas ainda fomos a tempo da mão-cheia de golos, num cruzamento do David Neres depois de um canto, em que o Musa tenta cabecear para a baliza, mas a bola sai tortíssima e transforma-se numa assistência para o António Silva também de cabeça atirar lá para dentro.
 
Em termos individuais, destaque para o João Mário, com novo bis, para o Gonçalo Ramos, com um golo e uma assistência, para o Florentino, que foi a vassoura do costume no meio-campo (e salvou-se do amarelo, mas terá de ter cuidado em Vila do Conde para não ficar de fora contra o CRAC) e para o David Neres, que apesar de não ter feita uma exibição de encher o olho, também participou em dois golos.
 
Iremos ter agora a pausa para as selecções, em que fico sempre com o coração pequenino por causa de eventuais lesões. Claro que fiquei contente com o alargamento da vantagem, mas aquele falhanço do Pizzi na Pedreira no último lance do jogo tirou-me a euforia que teria, caso o CRAC tivesse perdido. Faltam nove jogos e precisamos de ganhar seis para sermos campeões. É aquilo que tem de estar na nossa cabeça, porque nesta altura ninguém mais pode ganhar o campeonato. Só nós o poderemos perder...
 
P.S. – Realizou-se na passada 6ª feira o sorteio para os quartos-de-final e meias-finais da Liga do Campeões. Iremos defrontar o Inter Milão e, se passarmos, o vencedor do Milan – Nápoles. Está esparramado por este blog inteiro o meu crónico pessimismo (só com 3-0 a 5’ do fim é que eu acho que temos algumas possibilidades de ganhar o jogo...), mas até tremo só de pensar nisto, com medo que dê azar. Em termos teóricos é muito simples: com os tubarões Real Madrid, Manchester City e Bayern Munique do outro lado do sorteio e com o que estamos a jogar este ano, será difícil termos no futuro tão boas condições para voltarmos a uma final da Liga dos Campeões. Há só um pequeno pormenor: temos de o provar em campo.

segunda-feira, março 13, 2023

Poderoso

Vencemos o Marítimo no Funchal por 3-0 e manteve-se tudo igual na frente, porque os outros três também ganharam (o CRAC 3-2 em casa frente ao Estoril, o Braga 4-0 em Vizela e a lagartada 3-0 em casa ao Boavista). Para a semana, haverá um Braga – CRAC que inevitavelmente irá trazer alterações à classificação.
 
Sem o Rafa, com gripe, e o Gonçalo Gudes, que teve de ter operado ao joelho (que sorte a nossa...!), e com um adversário temível, como é o Sr. Fábio Veríssimo, confesso que estava bastante apreensivo com este jogo. O Roger Schmidt fez o óbvio, que foi colocar o David Neres no lugar do nº 27. Durante os primeiros 10’, o Marítimo ainda conseguiu passar do meio-campo, mas daí até final o jogo foi todo nosso. O João Mário começou por se evidenciar pela negativa, com dois falhanços incríveis, sozinho na área, a atirar a bola por cima da barra em ambos os casos. Mas o maior falhanço do João Mário viria à passagem da meia-hora, com um penalty, a castigar falta sobre o Aursnes, a ser atirado também para as nuvens. Pouco depois, foi o David Neres a ver um remate seu na pequena-área ser defendido(!) pelo guarda-redes Marcelo Carné. Depois de uma 1ª parte deste calibre, seria muito frustrante ir para o intervalo a zeros, mas felizmente já em tempo de compensação inaugurámos o marcador através do David Neres, a desviar para a baliza um centro da direita do João Mário, depois de uma jogada de insistência da sua parte. Pela maneira com o nosso banco festejou este 1-0, percebeu-se bem a importância de irmos para o intervalo na frente do marcador. E a vantagem até poderia ter sido maior, porque o Marcelo Carné conseguiu ir buscar uma bola rematada pelo Grimaldo ao canto da baliza, mesmo antes do apito para o intervalo.
 
Na 2ª parte, não abrandámos o ritmo e conseguimos resolver a partida em pouco tempo. Aos 50’, fizemos o 2-0 numa jogada colectiva com o Aursnes a abrir na esquerda no Grimaldo, este a centrar largo, o Gonçalo Ramos e o guarda-redes a não conseguirem chegar, e a bola a sobrar para o João Mário marcar, já de ângulo difícil. Sete minutos depois, a partida ficou fechada com o 3-0 num bis do David Neres, depois de um contra-ataque maravilhoso com a participação do Aursnes, Grimaldo e Neres, com o brasileiro a marcar de pé direito, depois de uma assistência de calcanhar do espanhol. A partir daqui, com o jogo praticamente decidido, baixámos o ritmo e o Marítimo cresceu um pouco, até por causa das substituições. No entanto, acabaram por nunca colocar o Vlachodimos verdadeiramente à prova. Quanto a nós, só começámos a mexer na equipa dentro dos últimos 10’ minutos e os dois nórdicos (Tengstedt e Schjelderup) estrearam-se finalmente. Poderíamos ter conseguido uma goleada, mas o também entretanto entrado João Neves permitiu a mancha do guarda-redes, quando estava isolado, e o Schjelderup perdeu muito tempo de remate, quando só tinha um defesa pela frente.
 
Em termos individuais, se é certo que o David Neres marcou um bis e qualquer destaque não pode deixar de passar por ele, o Aursnes encheu o campo e esteve em muitos dos nossos lances perigosos, com assistências que só não deram golo devido a alguma inépcia do João Mário & Cia. João Mário, esse, que apesar de três falhanços clamorosos, conseguiu entrar na ficha do jogo com um golo e uma assistência. Mixed feelings acerca disto. O Gonçalo Ramos não marcou, mas nunca pára quieto durante o jogo. A defesa não teve muito trabalho e resolveu quando foi preciso. Quanto aos nórdicos, estiveram muito pouco tempo em campo, mas deu para ver que o Schjelderup ainda está um pouco verde (salvo seja!).
 
Foi uma resposta categórica num campo complicado e depois de saber que o 2º e 3º classificado tinham ganho. Não nos desconcentrámos com a quantidade de falhanços no início, nem com o penalty para as nuvens. E até ao apito final fomos tentando aumentar a vantagem, naquilo que tem sido a nossa imagem de marca esta época. Iremos receber o V. Guimarães no próximo sábado, sem o Aursnes que viu o 5º amarelo. Será uma baixa de peso, mas espero que a consigamos ultrapassar.

segunda-feira, março 06, 2023

Incerteza

Vencemos o Famalicão por 2-0 na passada 6ª feira e mantivemos a distância para os perseguidores, que também venceram todos (o CRAC 3-1 em Chaves, o Braga 2-0 em casa frente ao Rio Ave e a lagartada 1-0 em Portimão). É o terceiro jogo consecutivo em que ganhamos por dois golos, mas em que a vitória só fica assegurada no tempo de compensação. Portanto, tem sido sofrimento até ao fim.
 
Perante uma equipa bem organizada na defesa e com as baixas do Chiquinho e Gonçalo Guedes, ambos por lesão, tivemos bastantes dificuldades em criar perigo durante praticamente todo o jogo. A primeira oportunidade (e única durante os 90’) até acabou por ser do Famalicão, com um remate de fora-da área do Sanca que não sei se o Vlachodimos conseguiria defender, caso fosse à baliza. Do nosso lado, houve um remate do David Neres à entrada da área que saiu ao lado e o golo aos 36’ numa boa abertura do Otamendi para o Grimaldo e este a conseguir (à segunda) centrar para o Gonçalo Ramos atirar de primeira, de pé esquerdo, sem hipóteses para o Luiz Júnior. Foi um golo um pouco caído do céu, porque honestamente não estávamos assim tanto a justificá-lo.
 
Na 2ª parte, conseguimos criar mais perigo com rês remates de fora da área pelo Grimaldo, David Neres e Gonçalo Ramos, mas só este obrigando o guarda-redes a uma boa defesa (embora me tivesse parecido na televisão que a bola não ia à baliza). A melhor oportunidade foi uma cabeçada do Rafa ao poste até que aos 93’ selávamos finalmente a vitória com novo golo do Gonçalo Ramos, de recarga, a um remate do Grimaldo que o Luiz Júnior não conseguiu agarrar. Parece pouco, mas nada de mais relevante se passou. No entanto, não deixa de ser relevante termos sido bastante eficazes sobre o ponto de vista defensivo, porque não deixámos o Famalicão criar perigo nenhum.
 
Em termos individuais, óbvio destaque para o bis do Gonçalo Ramos, que recuperou a liderança dos melhores marcadores com 15 golos. O Rafa pareceu melhorzinho na 1ª parte em relação a jogos anteriores, mas ainda está longe da forma que estava a evidenciar antes da lesão. O Otamendi foi imperial na defesa e o Grimaldo teve participação activa nos dois golos. O Florentino voltou a ser importante a recuperar bolas no meio-campo, mas o Aursnes já esteve em melhor forma. Com as duas ausências referidas por lesão, não tivemos foi banco à altura, razão pela qual só fizemos a primeira substituição bem dentro dos dez minutos finais.
 
Amanhã regressa a Champions com a 2ª mão dos oitavos-de-final frente ao Brugge. Depois de um 2-0 fora, tudo o que não seja qualificarmo-nos para os quartos-de-final seria uma trágica surpresa, mas teremos de estar bastante concentrados, porque se por acaso sofrermos um golo primeiro a eliminatória fica de novo em aberto.

segunda-feira, fevereiro 27, 2023

Complicado

Vencemos no sábado em Vizela por 2-0 e, com a magnífica vitória do Gil Vicente ontem em Mordor (2-1, com o CRAC a terminar com nove jogadores e ainda a sofrer um penalty contra; deve estar para cair um meteorito na Terra...!), aumentámos a vantagem para eles para oito pontos (o Braga e a lagartada só jogam hoje).

 

O Roger Schmidt fez entrar o David Neres e o Gonçalo Guedes para o onze inicial, tendo remetido o Rafa e o Chiquinho para o banco. E, de facto, entrámos bem na partida, remetendo o Vizela ao seu meio-campo durante os minutos iniciais. O Guedes foi dos mais interventivos em campo, embora nem sempre tenha tomado as melhores decisões. Foram dele os primeiros remates perigosos, com o Gonçalo Ramos a ter igualmente outra oportunidade num remate interceptado por um defesa. A partir dos 15’, o Vizela equilibrou as coisas e até teve a melhor oportunidade, com um erro do António Silva a atrasar uma bola muito difícil para o Vlachodimos e este a dominar ainda pior de peito, tendo a bola ficado à mercê de um avançado, que conseguiu atirar por cima quando tinha a baliza à disposição. Antes disso, o nosso guardião tinha sido importante ao defender com o pé uma bola que entraria na baliza. Uma boa jogada do Grimaldo foi mal resolvida pelo próprio, quando rematou já na área de pé direito com os Gonçalos ao lado, até que aos 38’ inaugurávamos o marcador, num contra-ataque muito rápido conduzido pelo Guedes, com a bola a sobrar para o David Neres, que depois assistiu o João Mário na área para um remate que ainda desviou num defesa e foi tocado pelo guarda-redes, mas o que interessou foi que entrou...!

 

Na 2ª parte, esperava-se uma exibição mais bem conseguida da nossa parte, mas nada disso sucedeu. Antes pelo contrário. O Vizela foi muito mais agressivo do que nós na disputa dos lances e ganhou a maioria das segundas bolas. Ainda tivemos um remate do Neres à figura no reinício, mas depois sofrermos bastante, porque nunca tivemos engenho para reter a bola e a fazer circular. Num livre em que estávamos a dormir, o Vlachodimos defendeu um remate cruzado que ia na direcção da baliza, mas a melhor oportunidade dos vizelenses, com um duplo remate aos ferros pareceu-me nitidamente fora-de-jogo no primeiro deles (com a Sport TV a ter a habilidade de nunca mostrar uma repetição para esclarecer esse facto...!). O Vizela fartava-se de protestar com cada decisão contrária do árbitro e reclamou um pretenso penalty do Bah, mas, apesar de haver um encosto do nosso jogador, sinceramente não vi onde é que ele terá pisado o adversário. O Chiquinho entrou aos 60’ para o lugar do Guedes e isso ajudou a estabilizar o nosso meio-campo, mas mesmo assim só com as entradas do Rafa e Musa já bem dentro dos 10’ finais voltámos a aproximarmo-nos da grande área contrária, o que foi igualmente ajudado pelo segundo amarelo a um defesa contrário. Já no período de compensação, o Grimaldo foi derrubado na área e o João Mário, desta feita, não falhou o penalty, apesar de ter atirado rasteiro (bastava o guarda-redes ter adivinhado o lado que...). Até final, ainda vimos o nosso treinador ser expulso por ter devolvido uma garrafa da água para a bancada, que lhe tinha sido atirada...!

 

Em termos individuais, destaque para novo bis do João Mário, que assim assumiu a liderança dos melhores marcadores com 14 golos. De resto, mais ninguém se destacou e, aliás, até houve pêndulos da equipa que estiveram muito abaixo do seu nível, como, por exemplo, o Aursnes.

 

Se formos felizes no final da temporada, estes dois jogos com o Vizela serão dois capítulos incontornáveis para esse desenlace. Dependendo do resultado hoje do Braga em Guimarães, logo veremos se ficamos com sete ou oito pontos de diferença para o segundo classificado. É certo que ainda estamos muito longe de final, mas esta é obviamente uma vantagem importante.

terça-feira, fevereiro 21, 2023

A ferros

Vencemos ontem o Boavista na Luz por 3-1 e mantém-se tudo igual na frente do campeonato, porque os outros três também já tinham vencido (o CRAC 1-0 em casa ao Rio Ave, com os vila-condenses a falharem inúmeras oportunidades...(!), o Braga 2-0 em casa ao Arouca e a lagartada 3-2 em Chaves). Portanto, mantemos os cinco, sete e 15 pontos de vantagem, respectivamente. No entanto, quem só olhe para o resultado fica longe de perceber que este foi um dos nossos jogos mais difíceis desta temporada.

Já se sabe que a jornada a seguir às competições europeias é sempre problemática, mas, sinceramente, com cinco dias de intervalo entre os jogos, pensei que conseguíssemos superar esse facto. Puro engano. Alinhámos quase com a mesma equipa da Bélgica, somente com o Gilberto no lugar do Bah (castigado), mas essa estratégia não se revelou a mais correcta, porque o Boavista limitava-se a defender e, com o João Mário e Aursnes nas alas, não tínhamos ninguém rompedor, até porque o Rafa ainda não voltou à forma que tinha pré-lesão. Portanto, a 1ª parte foi completamente desperdiçada e só chegámos duas vezes à baliza contrária: logo no início o Rafa, em boa posição, rematou cruzado ao lado e, em cima do intervalo, o Gonçalo Ramos teve um cabeceamento que poderia ter sido mais potente, porque estava quase me cima da linha de golo e permitiu a defesa do Bracalli.

Era inevitável o Roger Schmidt alterar as coisas após o intervalo e entrou o David Neres para o lugar do apagado Florentino. Melhorámos quase instantemente e empurrámos os axadrezados para a sua grande-área. O Rafa e o Gonçalo Ramos ficaram a pedir penalty em duas jogadas, o David Neres em excelente posição permitiu a defesa do Bracalli, mas aos 55’ finalmente inaugurámos o marcador: cruzamento do Grimaldo na esquerda, cabeçada do Rafa para nova defesa do Bracalli, mas a bola sobrou para o Gilberto que, na recarga, inaugurou o marcador. O estádio explodiu de alegria, porque sentiu que a muralha axadrezada estava difícil de ser derrubada. Infelizmente, foi sol de pouca dura, porque três minutos depois, permitimos a igualdade no primeiro(!) remate do Boavista: centro rasteiro da esquerda e o Yusupha de primeira não deu hipóteses ao Vlachodimos. Foi um balde de água fria que a equipa e o estádio sentiram, e demorámos um bocado a recompormo-nos. Tivemos uma chance caída do céu, com um penalty de VAR a castigar pisão sobre o Rafa, mas o João Mário, que tinha tido bastante sorte nos últimos penalties que marcou, viu essa mesma sorte acabar-se e, com um remate muito fraco e denunciado, permitiu a defesa do Bracalli, tendo o Rafa na recarga rematado também muito mal proporcionando nova defesa ao guardião brasileiro. Estávamos a 20’ do fim e eu estava a ver o caso muito mal parado. Cinco minutos depois entrou o Gonçalo Guedes para o lugar do Rafa e demos novo safanão na partida. Esta nova investida deu frutos aos 82’ num golão do Gonçalo Ramos: o Gilberto está de novo numa jogada de golo, neste caso assistindo o Ramos, que partiu os rins a um defesa e rematou de bico, desviando a bola do alcance do guarda-redes. Foi o delírio no estádio, porque toda a gente percebeu a importância de não escorregarmos nesta altura, quando todos os outros tinham ganho. O Ramos saiu pouco depois para entrar o Musa, tendo o esgotado Gilberto também sido substituído pelo Lucas Veríssimo, com o António Silva a passar para a lateral-direita. Uma das grandes vantagens do Benfica desta época é que não defende resultados, portanto continuámos a jogar para a frente e o Gonçalo Guedes teve um remate muito intencional, que ainda tocou no poste. No entanto, fomos mesmo premiados com o terceiro golo aos 92’ num cruzamento do João Mário para bom cabeceamento do Musa. Num dos últimos lances da partida, o Vlachodimos fez a sua única defesa.

Com um golo e uma assistência, é impossível não destacar o Gilberto, embora, no restante tempo, tenha estado longe de fazer uma boa exibição, provavelmente consequência de já não ser titular há uma série de tempo. O Gonçalo Ramos também passou um pouco ao lado do jogo, mas foi decisivo quando foi necessário. O Aursnes melhorou bastante quando passou para o meio na 2ª parte e o David Neres foi fundamental para abanar a estrutura defensiva do Boavista. Uma última palavra para dizer que o António Silva não pode jogar na lateral-direita. Bem sei que o Gilberto rebentou, mas tivemos alguns calafrios por aquele lado na parte final da partida.

Depois de, em temporadas anteriores, termos passado por isto e isto, confesso que ontem temi bastante uma nova reedição daqueles jogos. Felizmente isso não aconteceu e, se formos felizes no final da época, sabemos que este jogo terá sido muito importante para isso.

segunda-feira, fevereiro 06, 2023

Irrepreensível

Vencemos o Casa Pia no sábado na Luz por 3-0 e mantivemos a distância para o Braga e CRAC, qua também ganharam em casa (4-1 ao Famalicão e 2-0 ao Vizela, respectivamente). Perante a equipa-sensação do campeonato, num fantástico 5º lugar, e novamente desfalcados do Rafa e Gonçalo Ramos, demos uma óptima resposta e fizemos uma partida muito inteligente.
 
Entrámos novamente bem no jogo, extremamente pressionantes e o Casa Pia mal saía do seu meio-campo. Tivemos uma grande ocasião logo no início, mas o João Mário atirou incrivelmente por cima quando estava em boa posição. Pouco depois foi o David Neres a ver um remate seu desviado por um defesa e quase enganava o guarda-redes Ricardo Baptista, que, uns instantes depois, defendeu por instinto um calcanhar do Gonçalo Guedes. Aos 35’, inaugurámos finalmente o marcador, numa excelente abertura do Grimaldo para a desmarcação do David Neres, centro atrasado deste para o João Mário atirar sem hipóteses para o guarda-redes. Conseguíamos desbloquear o resultado e ainda aumentámos a vantagem aos 43’, com um bis do João Mário de carrinho a corresponder bem a um centro do Grimaldo na esquerda, depois de uma boa abertura do Chiquinho para o espanhol.
 
Na 2ª parte, o Casa Pia foi mais afoito, mas nós fizemos uma exibição quase perfeita em termos defensivos, praticamente sem lhes darmos hipóteses de criar perigo. Um remate, e mesmo assim torto, do japonês Soma foi a excepção. Do nosso lado, iam avolumando-se as oportunidades, com o Aursnes em boa posição de cabeça a atirar ao lado e um remate de longe do Neres, que não passou muito longe, até que aos 71’ acabámos com todas as dúvidas, ao fazer o 3-0 numa jogada de costa a costa do Bah, que terminou com um remate de pé esquerdo de fora da área, ligeiramente desviado por um defesa, sem dar hipóteses ao guarda-redes. Até final, ainda poderíamos ter aumentado a vantagem com outro desvio de cabeça do Aursnes ao lado, quando seria o culminar perfeito da provavelmente melhor jogada da partida, com o entretanto entrado Rafa a permitir a mancha do guarda-redes e com o Grimaldo, num pontapé de primeira de ressaca à entrada da área, a quase marcar o golo do campeonato, mas a bola passou a rasar o poste!
 
Em termos individuais, óbvio destaque para o João Mário, com o segundo bis consecutivo que o fez igualar o Gonçalo Ramos nos melhores marcadores, para o Chiquinho, que está a aproveitar muito bem a oportunidade no lugar do Enzo que ficou vago, e para o Otamendi, que foi uma parede defensiva e muito responsável pela parca produção atacante do Casa Pia. Mas, em geral, toda a equipa se apresentou num nível muito elevado, sempre pressionante e a recuperar a bola muito rapidamente, numa exibição quase perfeita em termos tácticos. Faltou só a faltar mais um ou dois golinhos para ser uma das melhores desta temporada.
 
Iremos agora a Braga na próxima 5ª feira para a importantíssima eliminatória da Taça de Portugal. Depois de termos lá levado uma banhada para o campeonato, está na hora da vingança, até porque a conquista deste troféu é igualmente crucial (e recordo pela enésima vez o nosso vergonhoso histórico de três taças de Portugal ganhas nos últimos 25 anos...!)
 
P.S. – Antes do jogo, houve a despedida do André Almeida, depois de 12 anos e 12 títulos com a gloriosa camisola. ATÉ QU’ENFIM que fazemos uma despedida como deve ser a um jogador que foi marcante no clube e nos ajudou a conquistar muitos troféus! Antes dele, só o Jonas e o Rui Costa tiveram direito a algo semelhante, o que é ABSOLUTAMENTE incompreensível. Jogador com história no clube TEM DE se despedir dos adeptos antes de um jogo, para poder sentir o carinho e o agradecimento de todos nós! Não é difícil perceber isto quando se gosta de futebol e se entende o jogo! Não basta uma entrevista à BTV e ‘tá feito! Assim de cabeça, Luisão, Cardozo, Fejsa, Jardel e Salvio, todos eles deveriam ter tido tratamento semelhante. Espero que isto mude doravante e que esta despedida do André Almeida faça jurisprudência!

quinta-feira, fevereiro 02, 2023

Categórico

Vencemos em Arouca na passada 3ª feira por 3-0 e temos agora, com mais um jogo, o 2º classificado a oito pontos (o CRAC ganhou no Marítimo por 2-0), porque o Braga foi goleado na lagartada (0-5) e ficou neste momento a dez. No dia em que vimos o Enzo Fernández tornar-se o médio mais caro de sempre e a maior transferência da história da Premier League, demos uma boa resposta num campo difícil.
 
Para além da falta do argentino, também não tivemos o Rafa e o Gonçalo Ramos por lesão. Com três titulares indiscutíveis de fora e perante uma equipa que está a fazer um bom campeonato, tinha bastante receio desta partida. O Gonçalo Guedes e o David Neres jogaram na frente, o que revela igualmente a (não) confiança no Musa, que ficou no banco. No entanto, a nossa resposta foi muito boa, porque entrámos bastante pressionantes, como tem sido habitual ao longo da temporada, e o Arouca mal teve tempo para passar do meio-campo nos primeiros minutos. Todavia, não criámos grande situações de golo, porque eles se fecharam sempre bem lá atrás. Um desvio do Gudes ao primeiro poste, cortado por um defesa, foi a nossa melhor ocasião, antes de inaugurarmos o marcador aos 25’ numa óptima combinação atacante entre o Neres e o Aursnes, com este a centrar para a área, onde o João Mário só teve de encostar. Foi muito importante desbloquear o encontro ainda na 1ª parte e até ao intervalo nada de mais relevante se passou, até porque nunca deixámos o Arouca acercar-se da nossa baliza.
 
Voltámos a entrar bem na 2ª parte e aumentámos a vantagem ainda relativamente cedo. Aos 54’, nova boa triangulação entre o João Mário, Guedes e Aursnes, com o primeiro a bisar de pé esquerdo. Cortámos logo pela raiz qualquer ímpeto do Arouca no recomeço do jogo. No entanto, ainda apanhámos um susto com um remate na nossa área que felizmente embateu num adversário, num lance em que o Bah também foi importante a importunar o atacante. A meio da 2ª parte, o Roger Schmidt fez entrar o Musa para o lugar do Guedes e foi o croata a fazer o 3-0 aos 80’ e selar a nossa vitória: excelente abertura do Aursnes a isolar o Neres, que sofreu uma falta à entrada da área, mas a bola sobrou para o Musa desviar do guarda-redes, salvando o Arouca de ficar a jogar com dez, mas colocando a partida fora de qualquer alcance. Três remates, três golos não foi nada mau.
 
Em termos individuais, destaque para o bis do João Mário e para outro enchimento de campo do Florentino. O Aursnes teve participação activa nos três golos e terá agora um papel mais preponderante, porque deverá ser o substituto natural do Enzo Fernández. O Chiquinho, que neste jogo actuou no lugar do argentino, também não esteve mal. O David Neres não começou muito bem a partida, mas foi melhorando ao longo do tempo e o Gonçalo Guedes dá sempre aquele toque de imprevisibilidade.
 
Enquanto estávamos a jogar, estava o Enzo Fernández a fazer as malas para o Chelsea. Veremos como nos vamos safar sem um dos melhores jogadores do campeonato, que foi uma das principais causas para a nossa melhoria exibicional este ano. Só que pensar que quem jogava naquele lugar no ano passado era o Taarabt até me dá vontade de chorar... No entanto, o Enzo Fernández não se portou nada bem connosco e não irá ficar no nosso coração. Pode ser que no futuro perceba que há que respeitar o clube onde está e os adeptos, e que não é admissível bater no peito e dizer que fica depois de marcar um golo e, à segunda oportunidade, fazer chantagem para se ir embora. Mas provavelmente só lhe interessa ficar de bolsos cheios e lá isso conseguiu. Mesmo que tenha de jogar num clube novo-rico sem qualquer tipo de alma.

sexta-feira, janeiro 27, 2023

Repetição

Vencemos ontem em Paços de Ferreira por 2-0 em partida antecipada da 20ª jornada, que seria disputada entre o jogo da Taça e a Champions, pelo que teríamos muito poucos dias de descanso entre jogos. Uma decisão boa da Liga...! Ena, ena! O jogo pareceu tirado a papel químico da visita aos Açores, porque a uma 1ª parte muito impositiva e até entusiasmante a espaços, sucedeu uma 2ª, que foi bastante pior e até nos colocámos a jeito de ter algum dissabor, caso o Paços de Ferreira tivesse um pouco mais de pontaria.
 
Com o Gonçalo Guedes a titular, tenho naturalmente rendido o Draxler que continua a funcionar a gasóleo, entrámos muito fortes na partida. De tal maneira que aos 11’, já tínhamos o resultado feito. Um livre directo superiormente executado pelo Grimaldo abriu o marcador aos 7’ e uma óptima jogada do Guedes, que isolou o Aursnes para este atirar contra o guarda-redes, tendo a bola depois sobrado para o João Mário encostar para a baliza deserta, faziam prometer um jogo avassalador da nossa parte. O que não se veio a verificar. Na 1ª parte, ainda tentámos mais algumas vezes fazer com que a partida acabasse mesmo, nomeadamente pelo Aursnes com um tiraço a fazer brilhar o guarda-redes Marafona e pelo Guedes a concluir uma combinação brilhante entre ele e o norueguês com um remate a rasar o poste. Do outro lado, o Gaitán já não está para grandes correrias, mas continua naturalmente com uma classe imensa e ainda mexe alguns cordelinhos. No entanto, foi o extremo Thomas com um tiraço de fora da área a acertar no poste e a colocar-nos calafrios mesmo antes do intervalo.
 
Na 2ª parte, esperava-se que dissipássemos quaisquer dúvidas em relação ao vencedor, mas deixámos que o jogo permanecesse sempre em aberto. A lesão e posterior saída do Gonçalo Ramos por volta da hora de jogo não ajudou nada, porque o Musa está muitos furos abaixo dele. É certo que fomos tentando o futebol positivo que é nosso apanágio esta temporada, mas não conseguimos criar grandes oportunidades de marcar. Ao invés, o Paços de Ferreira atirou por mais duas vezes(!) a bola ao poste e, verdade seja dita, nunca virou a cara a luta. As substituições também não acrescentaram grande coisa, com o Draxler a continuar a revelar-se um corpo estranho na equipa.
 
Em termos individuais, não houve nenhum jogador que se destacasse por aí além. O Guedes, sendo o jogador mais parecido ao Rafa no plantel (no sentido de acelerar muito o jogo), esteve em evidência na 1ª parte, mas foi-se apagando ao longo do tempo. Os marcadores dos dois golos, à parte esse lance, não estiveram muito felizes. A defesa, apesar de ter ficado a zeros, permitiu que o adversário atirasse por três vezes ao poste, o que não é muito abonatório.
 
Ganhámos, que é obviamente o mais importante, mas teremos de rever esta nossa postura quando nos encontramos em vantagem e ainda temos muito tempo para jogar. Porque nem todos são o último classificado da Liga. E o próximo jogo, em Arouca, promete ser bastante mais difícil do que este.

segunda-feira, janeiro 23, 2023

Rentrée

Vencemos no sábado o Santa Clara nos Açores por 3-0 e mantivemos a distância para os perseguidores, que também venceram (o Braga – 2-1 em Paços de Ferreira – continua a quatro pontos, o CRAC – 1-0 em Guimarães – a cinco, e a lagartada – 2-1 em casa ao Vizela – a 12). Depois de alguns jogos menos conseguimos desde o regresso do Mundial, finalmente voltámos a ter um cheirinho de grande parte da época até agora: exibição categórica e vitória indiscutível.
 
Com o Rafa de fora por lesão e o Otamendi por amarelos, e estando o Gonçalo Guedes já no banco (com apenas um treino depois de assinar), não poderíamos ter entrado melhor com o 1-0 a surgir logo aos 9’ na estreia do Aursnes a marcar com a gloriosa camisola: centro ao Enzo Fernández para a área e cabeceamento exemplar do norueguês sem hipóteses para o guarda-redes. Não demos tréguas e aos 16’ já estávamos a ganhar por 2-0: o Enzo novamente na jogada a abrir para o Grimaldo na esquerda, centro rasteiro deste e desvio à ponta-de-lança pelo Gonçalo Ramos. Depois disto, baixámos um pouco o ritmo, mas mesmo assim deveríamos ter marcado mais um golo dado que tivemos uma série de oportunidades para isso. O Gonçalo Ramos teve mais duas (um remate à figura do guarda-redes e ouro lance em que contornou o guarda-redes, mas ficou sem ângulo de remate) e o Draxler teve uma escandalosa, com um desvio muito por cima quando tinha a baliza à mercê depois de um cruzamento do Bah na direita.
 
Na 2ª parte, afrouxámos o ritmo e o Santa Clara cresceu no jogo. Mesmo assim, tivemos uma óptima oportunidade de fechar de vez a partida praticamente no reinício, com o Gonçalo Ramos a atirar ao lado à saída do guarda-redes depois de ser isolado pelo Grimaldo. Perante o crescimento dos açorianos, era imperativo fazer alguma coisa a partir do banco, mas o Roger Schmidt teve uma decisão incompreensível ao tirar o Florentino (que estava a ser dos melhores e nem sequer tinha amarelo) para colocar o Chiquinho a trinco... Foi uma substituição tripla, porque também tirou o Aursnes e João Mário e entraram o David Neres e o Gonçalo Guedes, que assim voltou a vestir o manto sagrado seis anos depois. Foram substituições muito temerárias a meu ver (saíram dois jogadores de tendência defensiva para entrarem dois claramente ofensivos), mas felizmente as coisas correram bem. Bastaria só ter tirado o Draxler em vez do Florentino para a coisa ter muito mais lógica, mas enfim... Pouco depois, o Santa Clara teve a única verdadeira oportunidade, com um remate já na área que entraria se o António Silva não tivesse defendido com a cabeça para canto! Estávamos a 20’ do final e o jogo seria muito complicado se essa bola tivesse entrado. Ainda bem que isso não aconteceu e fomos nós a ter outro falhanço clamoroso, desta feita do David Neres, depois de um cruzamento do Grimaldo na esquerda, que ainda conseguiu rematar pior do que o Draxler...! Aos 80’, fechámos de vez a partida, com uma assistência do Enzo Fernández para o Gonçalo Guedes tornar ainda mais inesquecível o seu regresso, com um remate vindo da esquerda para o meio que ainda ressaltou num defesa e enganou o guarda-redes. Até final, ainda tivemos mais duas oportunidades na mesma jogada, com o entretanto entrado Musa a revelar novamente a sua inépcia e o Gonçalo Guedes a não acertar bem na bola, que entretanto tinha sobrado, mas já de um ângulo complicado.
 
Em termos individuais, óbvio destaque para o Enzo Fernández, que  esteve presente nos três golos...! E o mês de Janeiro que nunca mais acaba...! O Grimaldo fez igualmente uma boa partida, assim com o Bah na direita. O Morato substituiu bem o castigado Otamendi e o António Silva safou um golo certo. O Aursnes estreou-se a marcar e esteve a um nível superior em relação partida anteriores e o Florentino estava a ser dos melhores até sair. Mais um golito do Gonçalo Ramos e uma palavra especial para o regresso do Gonçalo Guedes, que poderá vir a ser muito importante, até porque tínhamos uma falta evidente de extremos no plantel.
 
Iremos agora a Paços de Ferreira num jogo antecipado da jornada que precede a deslocação para a Champions e esperemos que esta rentrée exibicional se volte a confirmar.

terça-feira, janeiro 17, 2023

Justo

Empatámos com a lagartada (2-2) no passado sábado na Luz e vimos os mais directos perseguidores encurtarem a diferença para nós. O Braga (1-0 em casa ao Boavista) está agora a quatro pontos e o CRAC (4-1 em casa ao Famalicão) a cinco. O 4º classificado mantém os 12 pontos de distância que tinha.
 
Com as recuperações do Grimaldo e Rafa, alinhámos praticamente na máxima força. No entanto, o Rafa, especialmente, notou-se que não estava a 100% e isso também ajuda a que não estejamos a carburar como antes do Mundial. O onze da lagartada tinha um pendor muito atacante e o que é facto é que durante a 1ª parte foram eles que estiveram por cima do jogo e conseguiram manietar-nos muitas vezes, não nos deixando sair a jogar. Apesar disto, tivemos duas boas ocasiões pelo João Mário e Rafa, que deveriam ter rematado melhor quando só tinham o Adán pela frente. Do outro lado, o Porro obrigou o Vlachodimos a uma defesa num livre, mas ao 27’ vimo-nos em desvantagem através de um autogolo do Bah, depois de um cruzamento da direita do Edwards, com o Aursnes a não acompanhar a movimentação do inglês e a deixá-lo centrar à vontade. Um livre do Grimaldo ainda um pouco longe pôs à prova o Adán, mas aos 37’ conseguimos a igualdade num golo à ponta-de-lança do Gonçalo Ramos, a antecipar-se a um defesa e desviar para a baliza um cruzamento do Rafa na direita, depois de uma boa jogada deste.
 
Se era importante não irmos para o intervalo em desvantagem, também era importante não sofrermos um golo logo no reinício, coisa que infelizmente aconteceu. Aos 53’, o Pedro Gonçalves fez o 1-2 num penalty a castigar uma possível falta do António Silva sobre o Paulinho. O Sr. Artur Soares Dias não assinalou nada num primeiro momento, mas depois, alertado pelo VAR Luís Godinho, foi rever as imagens, demorou eternidades, mas decidiu-se pelo penalty. Eu até acho que pode ser penalty, mas é indiscutivelmente um lance duvidoso e, se há dúvidas, o protocolo do VAR não é suposto dizer para seguir a decisão inicial do árbitro...? Estávamos novamente em desvantagem, mas voltámos a não demorar muito a repor a igualdade (64’), outra vez num desvio do Gonçalo Ramos desta feita a um cruzamento do Grimaldo na esquerda. A lagartada sentiu muito este golo e praticamente deixou de nos criar dificuldades em termos defensivos. Porém, apesar de termos dominado até final, nós também não conseguimos criar muitas oportunidades para ganhar o jogo, tendo o Roger Schmidt feito entrar o David Neres, mas este confirmou a razão de ter sido suplente, não acrescentando nada à equipa. Aliás, é elucidativo que esta tenha sido a única substituição que fizemos (o Chiquinho entrou já na compensação) em cinco possíveis, o que demonstra bem que precisamos de melhorar o banco (espero que os dois nórdicos que chegaram se constituam como opções válidas). A última oportunidade até acaba por ser da lagartada com um remate do entretanto entrado Chermiti muito por cima, quando até estava em boa posição.
 
Em termos individuais, destaque óbvio para o Gonçalo Ramos pelo bis. O Florentino esteve imperial no meio-campo e o Enzo Fernández subiu muito na 2ª parte. Ao invés, o Aursnes a jogar sobre a esquerda é quase sempre menos um. O João Mário esteve algo complicativo e o Rafa não fez tantas acelerações quanto precisávamos, mas a lesão recente é bem capaz de ter sido a causa disso. Na defesa, gostei bastante do Otamendi, mas o António Silva, apesar de não ter jogado mal, acaba por estar ligado ao empate com o penalty (teve um erro crasso na 1ª parte com aquele atraso, mas depois resolveu-o bem).
 
Para quem já teve oito pontos de vantagem sobre o 2º classificado, ter agora quatro é definitivamente um retrocesso. Dado que estivemos duas vezes a perder, o empate é um mal menor, mas o resultado até se aceita, porque a lagartada jogou muito melhor do que se estava à espera e nós pior. As próximas jornadas serão fundamentais para se perceber se voltamos a adquirir o élan da 1ª volta.

domingo, janeiro 08, 2023

Perdulários

Voltámos aos triunfos na passada 6ª feira, ao derrotar o Portimonense por 1-0 na Luz. Com o empate do CRAC ontem perante o Casa Pia no Jamor (0-0), aumentámos a vantagem para eles para sete pontos, estando agora o Braga (4-0 nos Açores ao Santa Clara) no 2º lugar a seis pontos. Depois da paupérrima imagem de Braga e a uma semana de receber a lagartada, foi o melhor que nos podia ter acontecido.
 
Com a novela Enzo-Chelsea ainda em vigor e tendo o argentino ido a casa sem autorização para a passagem de ano, ficou naturalmente de fora deste jogo. Nada nem ninguém está acima do Benfica, é bom que ele (e principalmente os seus representantes) se mentalizem disso. O Chelsea quer o jogador? Muito bem, deposite os 120 M€ da cláusula na nossa conta e boa viagem. O Chelsea só oferece 119 999 999€? Lamentamos, mas é abaixo da cláusula e, portanto, o jogador não vai a lado nenhum. Para além do Enzo, também o Rafa por causa dos amarelos não esteve em campo e o David Neres ficou no banco, porque não tinha condições físicas para os 90’. Eram três titulares indiscutíveis de fora, mas mesmo assim entrámos muito bem na partida e inaugurámos o marcado logo aos 9’ num penalty do João Mário a castigar falta do guarda-redes Nakamura sobre o Gonçalo Ramos. Já no estádio me pareceu, e confirmei-o na televisão, que o penalty não foi nada bem marcado e que o guarda-redes o poderia ter defendido, porque não esticou os braços na altura certa. Talvez por isso, aos 17’ num segundo penalty a nosso favor por indiscutível derrube ao Bah, o João Mário tenha deixado ser o Aursnes a marcar. O norueguês até rematou com mais força do que o João Mário e a bola foi até mais puxada ao ângulo, mas o guarda-redes estirou-se bem e fez uma boa defesa. No canto que se seguiu, o António Silva atirou à barra! Até ao intervalo ainda tivemos um par de boas ocasiões, nomeadamente pelo João Mário numa boa jogada colectiva, outra vez defendida pelo Nakamura, e pelo Florentino num remate de pé esquerdo, igualmente defendido pelo nipónico. O Portimonense só tinha criado relativo perigo num cabeceamento num canto logo nos minutos iniciais e depois praticamente não passou do seu meio-campo.
 
Na 2ª parte, era importante marcarmos o segundo golo para segurarmos a vitória sem preocupações, mas isso não aconteceu. Só à sua conta, o Gonçalo Ramos deverá ter falhado umas quantas oportunidades, algumas por falta de pontaria e outras ajudando a promover o Nakamura a homem do jogo. O que valeu foi que defendemos relativamente bem e os algarvios só tiveram uma oportunidade num centro para a área, em que o ponta-de-lança não conseguiu fazer o desvio. É certo que gelou o sangue a todos nós no estádio, estávamos a pouco mais de 15’ do fim, mas depois nunca mais se acercaram com perigo da nossa área. O Roger Schmidt ainda fez umas quantas alterações, mas falta-nos opções credíveis no banco. O jogo terminou com um bom remate de fora da área do entretanto entrado João Neves, que passou por cima.
 
Em termos individuais, o João Mário fez uma partida razoável e acaba por estar ligado à vitória, embora com um penalty nada bem marcado. O Florentino errou alguns passes, mas esteve bem na recuperação de bolas. O Chiquinho, que jogou no lugar do Enzo, não destoou, o que é dizer muito, mas o Aursnes, no lugar do Rafa, pareceu um pouco peixe fora de água. Quanto ao Draxler, continua a jogar a passo, não cria desequilíbrios, não imprime velocidade nas suas acções, mas coloca muito bem a bola e às vezes descobre espaço para os colegas onde ele não existe. Fez isso umas duas ou três vezes, mas não pode jogar sobre as alas, porque aí emperra muito o jogo. No entanto, terá de fazer muito mais para justificar a fama com que veio. Gostei da genica do João Neves e do Henrique Araújo quando entraram, e não percebo porque é que este não é a primeira opção ao Gonçalo Ramos, em vez do cepo do Musa.
 
Teremos na 3ª feira uma deslocação difícil à Póvoa de Varzim para a Taça (não esquecer que foram eles que eliminaram os lagartos), antes do grande derby no domingo na Luz. No entanto, é imprescindível termos consciência da importância do próximo jogo, até porque é num campo que eu sempre detestei porque sempre foi muito difícil para nós, porque uma das taças já foi ao ar e porque nunca é demais recordar o nosso vergonhoso histórico dos últimos 20 anos na Taça de Portugal...