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segunda-feira, novembro 06, 2017

Surpreendente

Vencemos ontem o V. Guimarães na cidade-berço por 3-1 e reduzimos para um ponto a desvantagem para a lagartada (empatou 2-2 aos 94’ de penalty com o Braga em casa), mantendo os cinco para o CRAC (venceu no sábado o Belenenses em Mordor). Quatro meses depois do início da temporada e depois da Supertaça e da 1ª jornada com o Braga, voltámos a apresentar algum futebol! Já não era sem tempo!

O Rui Vitória inovou ao apresentar um onze com o Krovinovic em campo e o Jonas como ponta-de-lança. Confesso que tive bastantes dúvidas acerca disto, porque me lembro sempre deste jogo de tão má memória com o Jonas sozinho na frente, mas desta feita a coisa correu muito bem. Fundamentalmente por uma razão: ter alguém no meio-campo que jogue para a frente e arraste a equipa com ele faz toda a diferença. O Krovinovic foi ontem esse jogador e foi dele a tabelinha com o André Almeida, que lhe proporcionou um cruzamento rasteiro para o Jonas abrir o marcador aos 22’. Claro que muitos de nós terão imediatamente pensado: “pronto, acabou-se o nosso futebol, vai ser sempre sofrer até ao fim.” No entanto, ao contrário da quase totalidade dos nossos encontros anteriores, conseguimos continuar a jogar à bola depois de marcarmos primeiro! Milagre! O V. Guimarães praticamente não se acercou da nossa baliza e, até ao intervalo, poderíamos ter aumentado o marcador, com remates do Diogo Gonçalves ao lado num canto do Pizzi directo para ele e do Salvio defendido pelo Miguel Silva.

Na 2ª parte, como seria expectável, o V. Guimarães entrou mais pressionante e nós andámos ali a patinar durante um bocado. Um remate em arco do Heldon passou perto do poste, mas quando o Rui Vitória decidiu colocar o Samaris para reequilibrar o meio-campo, voltámos a ter o controlo do jogo. E foi mesmo o grego a dar a machadada final, ao marcar o segundo golo aos 76, depois de uma tabelinha com o Jonas lhe ter proporcionado uma arrancada desde meio-campo, aguentando uma tentativa de carga de um defesa e rematando para o ângulo mais perto do guarda-redes, enganando-o. Nunca na vida o Pizzi faria uma jogada destas, porque raramente corre para a frente e na carga teria ido logo ao relvado. Três minutos depois, uma abertura perfeita do Diogo Gonçalves isolou o Salvio que, à saída do guarda-redes, lhe picou a bola por cima fazendo o 0-3. O Rui Vitória já tinha o Jiménez pronto para entrar, mas estou convencido que este terceiro golo o fez tirar o Fejsa (já com um amarelo) do que o Jonas. Depois também entrou o Cervi, que acabou por estar ligar ao golo do V. Guimarães, ao fazer um mau corte que fez com que a bola sobrasse para o Rafael Martins, que rematou para meio da baliza com o Svilar a ser apanhado em contrapé num lance em que tinha a obrigação de estar melhor posicionado. Mesmo em cima do tempo de compensação, o André Almeida agarrou inexplicavelmente um adversário já dentro da área, mas felizmente o avançado Tallo marcou o penalty bem por cima.

Em termos individuais, destaque para o Jonas, que esteve nos três golos do Benfica. Dizem os jornais que igualou a marca do gente ilustre como Julinho e Eusébio com nove jornadas consecutivas a marcar. É obra! Apesar de ter algumas arestas para limar, o Krovinovic não engana nas suas capacidades. Os extremos (Salvio e Diogo Gonçalves) estiveram muito activos no ataque. A defesa teve uma noite relativamente tranquila, com o Svilar a cometer ainda alguns erros de principiante, felizmente sem consequências de maior.

O campeonato irá agora para durante cerca de duas semanas para as selecções e a Taça de Portugal, e regressará para a segunda das nossas sessões com o V. Setúbal em casa (a outra é precisamente para a taça numa semana antes). Iremos então ver se esta melhoria exibicional tem sequência no futuro.

sábado, novembro 04, 2017

Manchester United - 2 - Benfica - 0

Perdemos na passada 3ª feira em Old Trafford e vai ser preciso um milagre para não vermos as competições europeias no sofá a partir de Dezembro.

Uma semana infernal, com vários trabalhos a competir entre eles, impediu-me de postar mais cedo, mas de qualquer maneira achei que mais valia tarde do que nunca… O Filipe Augusto fez o favor de se lesionar no aquecimento e entrou o Samaris em vez dele. O Douglas regressou à equipa e fez uma das maiores idiotices que eu já vi, ao derrubar com as mãos um adversário na grande área. O que valeu foi que o Svilar foi buscar o remate do Martial ao canto. Pouco depois, tivemos das nossas melhores oportunidades com um remate em arco do Diogo Gonçalves, muito bem defendido pelo De Gea. No entanto, aos 41’ sofremos mesmo o golo, num remate de longe do Matic, que bateu no poste e nas costas do Svilar, acabando por entrar na baliza! Falando em falta de sorte…

Na 2ª parte, foi novamente o Diogo Gonçalves a criar perigo, com o De Gea novamente em destaque. Aos 65’, tivemos uma ocasião soberana, com um erro clamoroso de um defesa do Man Utd a isolar o Jiménez, que acossado por um adversário atirou ao poste. A pouco mais de 10’ do fim, o Samaris faz um penalty escusado sobre o Rashford e o Blind rematou para o meio da baliza, enganando o Svilar. Até final, ainda poderíamos ter reduzido o marcador, mas terminou tudo na mesma.

Em termos individuais, os melhores foram os miúdos: à cabeça o Rúben Dias, com uma exibição muito personalizada e a não se atemorizar perante o tanqueLukaku; bem secundado pelo Svilar, com a mais-valia de ter defendido um penalty; finalmente, o Diogo Gonçalves ao qual, apesar ainda de não durar o jogo todo, pertenceram os nossos melhores remates. 

Os números são frios e não mentem: ao fim de quatro jornadas de Champions, vindos do pote 1, temos zero pontos e 1-10 em golos! Não há como enganar e assumir que esta é, até agora, a pior campanha de sempre. Apesar de o objectivo principal ser o penta, uma carreira europeia deste calibre é uma vergonha para a nossa história.

segunda-feira, outubro 30, 2017

Confrangedor

Vencemos o Feirense por 1-0 na passada 6ª feira, mas como os outros dois também ganharam continuamos a três pontos da lagartada e a cinco do CRAC. Há sempre coisas positivas a serem tiradas dos jogos, mas no caso deste isso resume-se aos três pontos. Tudo o resto foi mau demais para ser verdade.

Quando aos 11’ o Jonas marcou um golo na sequência de um ressalto num canto, depois de um início interessante da nossa parte e em que o brasileiro já tinha tido uma oportunidade depois de jogada do Diogo Gonçalves, comentei jocosamente com os meus companheiros de bancada: “bem, já podemos ir embora, porque, seguindo a tradição deste ano, vamos deixar de jogar à bola...!” Sinceramente, num jogo em casa, frente ao Feirense (não desfazendo...), não acreditava que isso acontecesse. Mas, pela enésima vez, aconteceu mesmo! A partir do momento em que nos vemos em vantagem no marcador, parece que deixamos de estar interessados em jogar à bola! Houve um lance paradigmático perto do final da 1ª parte, em que numa jogada rápida ganhamos um lançamento lateral no meio-campo adversário, estamos praticamente em igualdade numérica e com hipóteses de apanhá-los em contrapé e... o Salvio deixa a bola para o André Almeida fazer o lançamento calmamente, enquanto a defesa do Feirense se recompõe. Ok, já sei: estávamos a ganhar...! Foi exasperante!

A 2ª parte não foi muito diferente da primeira e só tivemos uma real oportunidade, em que o Salvio isolado permitiu a defesa com alguma sorte do guarda-redes Caio para canto. É certo que o Feirense acabou por não criar grande perigo, mas como estamos agora a jogar com dois(!) trincos (Fejsa e Filipe Augusto) também melhor fora...

A nossa exibição foi tão paupérrima que, por uma questão de decoro, não vou mencionar ninguém individualmente. Aliás, saí do estádio bastante chateado (podemos sair chateados mesmo quando ganhamos da mesma maneira que, às vezes, há derrotas que não nos fazem muita mossa, certo?) e com a certeza de que, a (chamemos-lhe) jogar assim, não vamos longe de certeza. É que já estamos em Novembro, a época já se iniciou há quatro meses e não se vêem melhorias nenhumas. Antes pelo contrário! Ainda por cima, agora estamos a jogar na máxima força, nem sequer há as desculpas das lesões. Eu sei que saíram jogadores importantes e que essas saídas não foram colmatadas, mas o plantel actual tem mais que capacidade para ser melhor frente ao...Feirense... em casa! Custa-me a crer que fomos afortunadamente enganados durante dois anos, mas este “marcamos e depois vamos todos lá para trás” só pode ser ordem do treinador. É que está sempre a suceder nesta época. E isto, lamento, mas é táctica de equipa pequena. Desde a época do Quique que não víamos futebol tão mau na Luz.

Amanhã iremos a Old Trafford e antevê-se o pior. Ainda por cima, sem Luisão nem André Almeida na defesa. Mas o que me preocupa mesmo é o jogo do próximo domingo em Guimarães. Nesta jornada, os outros dois foram ganhar a campos onde nós perdemos pontos (os lagartos 1-0 em Vila do Conde e o CRAC 3-0 no Bessa) e, portanto, nós continuamos com tolerância zero. Mas a jogar desta maneira, não sei como iremos conseguir ganhar.

segunda-feira, outubro 23, 2017

Regresso

Depois de dois meses e uma semana (14 de Agosto), voltámos finalmente às vitórias fora de casa, ao derrotar o Aves por 3-1. Como seria de esperar, não foi um jogo fácil, porque na nossa forma actual isso é simplesmente impossível, mas fizemos uma exibição ligeiramente melhor do que as anteriores (também pior era impossível), onde conseguimos não adormecer totalmente depois de nos colocarmos em vantagem.

O Rui Vitória manteve a aposta no Svilar e Diogo Gonçalves, mas colocou o Pizzi e o Jiménez no banco, alinhando com o Filipe Augusto e Seferovic. O início da partida foi movimentado, com uma oportunidade para nós (grande remate em arco do Diogo Gonçalves e defesa não menos vistosa do Quim) e para o adversário (remate do Vítor Gomes com o Svilar quase a ser enganado pela trajectória da bola, mas a corrigir a tempo – seria um novo frango...). O Salvio ainda teve dois lances em que o Quim foi novamente protagonista, mas aos 28’ o Washington fez uma falta tão escusada quanto evidente sobre o Diogo Gonçalves na área. No respectivo penalty, o Jonas não perdoou e atirou com força para o meio da baliza. Até ao intervalo, ainda tivemos uma oportunidade soberana pelo Salvio, mas quando só tinha que encostar de cabeça num óptimo centro do André Almeida, conseguiu atirar a bola por cima... No entanto, para não destoar, foi o Aves a vir para cima de nós, sem que conseguíssemos manter a bola longe das imediações da nossa área: o Svilar andou aos papéis num centro e foi o Rúben Dias a salvar, um remate em boa posição do Vítor Gomes saiu ao lado e uma cabeçada do Defendi bateu na parte superior da barra. Felizmente, entretanto veio o intervalo, porque mais um bocadinho e muito possivelmente sofreríamos um golo.

Na 2ª parte, havia a curiosidade para saber se o Aves conseguiria manter o ritmo, mas levou logo um balde de água fria aos 50’ com o 0-2 pelo Seferovic, depois de um remate de longe do Jonas bater no suíço e ressaltar para o Salvio na área, que rematou cruzado em esforço, com o mesmo Seferovic a confirmar o golo sobre a linha. E ainda bem que o fez, porque não sei se um defesa em carrinho não teria conseguido cortá-la. O adversário sentiu bastante o golo e não conseguiu, nem de perto nem de longe, criar o mesmo perigo da 1ª parte. Ao invés, fomos nós que estivemos mais perto de aumentar o marcador, mas o Jonas rematou muito fraco e à figura, e o Seferovic num ressalto proporcionou nova magnífica intervenção do Quim. Como muitas vezes sucede esta época, bastou ao adversário ir uma vez com perigo à nossa área para marcar e isso aconteceu num pontapé de canto aos 76’, com uma cabeçada ao primeiro poste do Defendi. Adivinhavam-se uns minutos finais complicados, mas isso acabou por não acontecer, porque aos 80’ fizemos o 1-3. Há uma falta do Jonas no meio-campo que o Sr. Nuno Almeida não assinalou e, na sequência do lance, o entretanto entrado Pizzi foi derrubado na área. O Jonas mais uma vez não perdoou, atirando a meia altura para o lado esquerdo da baliza. Até final, ainda deu para o Seferovic ser derrubado na área num contra-ataque nosso, sem ser marcada falta (claro que para os antis isto não vai compensar a falta do Jonas a meio-campo, mas sinceramente já não tenho paciência para estas discussões em que uma falta a meio-campo é equiparável a um penalty não assinalado ou um golo mal anulado), para o Derley atirar ao nosso poste (como é que nós permitimos nessa altura uma bola ao poste num contra-ataque?!), e para o Krovinovic (que tinha substituído o Jonas) fazer o Quim brilhar novamente. O jogo não terminou sem antes o Pizzi e o Fejsa terem visto dois escusados amarelos.

Em termos individuais, destaque para o Jonas pelos golos (de penalty, mas é preciso marcá-los) e para a 1ª parte do Diogo Gonçalves. Nota-se que o miúdo ainda está verde (salvo seja!), não consegue manter um rendimento constante nos 90’, mas tem definitivamente qualidade. Outro que também está verde é o Svilar, mas este é bom que amadureça depressa, porque joga numa posição em que não pode mesmo falhar. O Filipe Augusto no meio-campo não esteve tão horrível quanto em jogos anteriores, o que é sempre de saudar. O Fejsa anda longe da sua melhor forma, assim como o Seferovic, embora este tenha melhorado em relação a partidas anteriores e pode ser que o regresso aos golos lhe faça bem. O Rúben Dias teve uma escorregadela comprometedora na 1ª parte, mas o lugar é indiscutivelmente dele nesta altura.

Receberemos o Feirense na próxima 6ª feira e veremos se esta relativa melhoria tem continuidade ou não. Como os outros dois golearam em casa (o CRAC 6-1 ao Paços de Ferreira e a lagartada 5-1 ao Chaves), as distâncias mantêm-se e continuamos sem margem de manobra para perder pontos.

P.S. - Estando ainda fora do país, quero aqui dizer uma coisa: a VPN é a melhor invenção desde a roda! (E da internet, vá...)

quinta-feira, outubro 19, 2017

Erro

Perdemos com o Manchester United na Luz (0-1) e, não só reduzimos as hipóteses de qualificação para os oitavos da Champions a uma questão matemática (do género: é matematicamente possível que o Tondela ainda seja campeão), como também corremos o enorme risco de voltar a passar pela vergonha de ficarmos fora da Europa no novo ano. Nós, que viemos do pote 1, recordemo-nos...! Os mais optimistas dirão que ganhámos o bicampeonato no ano em que também ficámos fora da Europa, mas entre as fezadas e o que vemos em campo, eu tendo a seguir mais o que vemos em campo.

Por motivos profissionais, tive que me ausentar do país, o que fez com que tenha perdido ao vivo o terceiro jogo do Benfica nos 371 que houve desde que o novo Estádio da Luz foi inaugurado. Depois de uma vitória e um empate, a minha terceira ausência saldou-se por uma derrota. No entanto, graças às novas tecnologias, consegui ver o jogo em diferido sem saber o resultado. Comecei logo por ficar surpreendido pelo onze inicial: o Rui Vitória manteve a aposta no Svilar (tornou-se no mais jovem guarda-redes de sempre a ser titular na Champions), o Douglas tinha mesmo que jogar (o André Almeida está castigado), mas o que foi verdadeiramente novo foi que jogámos em 4-3-3, com o Filipe Augusto no meio-campo e o Diogo Gonçalves na primeira titularidade em jogo oficiais (e logo numa partida destas!) na esquerda, a acompanhar o Salvio e o Jiménez. O nosso começo foi muito bom, com a equipa junta a não permitir muitas veleidades atacantes ao Man. United e a tentar atacar com rapidez. Porém, quando chegámos ao capítulo ‘rematar à baliza’ é que estava tudo estragado. Tivemos uma boa oportunidade numa grande jogada do Grimaldo, com intervenção do Diogo Gonçalves e remate do Salvio ao lado, mas a partir da meia-hora os ingleses assumiram o jogo e criaram-nos algumas dificuldades. Apesar disso, acabámos por estar bem na defesa, com realce para o Rúben Dias a demonstrar que foi um erro enorme não ter sido titular em Basileia.

A 2ª parte foi diferente, dado que já não tivemos capacidade física para pressionar o United. O jogo ia decorrendo com os ingleses a controlarem-no sem grandes oportunidades, até que aos 64’ o Rashford cobra um livre directamente para a nossa área e o Svilar, mal colocado, vai recuando e, em vez de socar a bola, agarra-a e entra com ela pela baliza adentro. Erro de principiante que nos custou muito caro. O Zivkovic já tinha entrado para o lugar do Pizzi (continua numa forma lamentável), entraram igualmente o Jonas e o Cervi, mas não tivemos capacidade para chegar sequer à grande-área contrária. Só num canto é que o Rúben Dias em boa posição atirou por cima, mas a bola também não era fácil. Para tornar as coisas piores, o Luisão viu o segundo cartão amarelo e vai falhar o jogo em Old Trafford (uma defesa com o Lisandro ou com o Jardel na sua forma actual, vai ser lindo...!).

Em termos individuais, gostei do Rúben Dias, que perante o tanque Lukaku não se atemorizou (volto a repetir: a ausência em Basileia é injustificável), e das primeiras partes do Diogo Gonçalves, que demonstra algum potencial (pelo menos mais do que o corredor de 100 m que já nem convocado foi...), e do Salvio. O Jiménez teve pouco jogo e poucos companheiros com quem combinar, o Filipe Augusto não destoou completamente, mas ainda falhou um ou outro passe comprometedor, no entanto, neste capítulo o óscar vai indiscutivelmente para o Douglas, que confirmou tudo o que vimos em Olhão: alguma criatividade a atacar, mas defender não é com ele, com a agravante de ter lançado uns quantos contra-ataques... do adversário! Ora, dado que joga a defesa-direito, temos aqui um problema pelo menos para as partidas teoricamente mais complicadas... O Svilar teve um jogo histórico no bom e mau sentido da palavra, mas percebe-se que há ali potencial indiscutível. O problema é que a nossa margem de manobra é diminuta e, depois do Bruno Varela no Bessa, é o segundo jogo que perdemos por causa de um frango... Aliás, esta época do Benfica resume-se muito facilmente: três jogos na Liga dos Campeões, três guarda-redes utilizados. Acho que não é preciso acrescentar mais nada.

Já se sabe que os encontros pós-Champions são sempre muito complicados e este ano calham-nos todos fora. Iremos à Vila das Aves no domingo e aí, sim, teremos de mostrar que conseguimos mais do que o ‘futebol sem balizas’ que apresentámos ontem. A ver a Europa por um canudo, temos ainda mais que apostar as fichas todas no campeonato. Até porque, convém sempre relembrar, que, quanto mais não seja, o terceiro lugar deixou de dar acesso à Champions...

segunda-feira, outubro 16, 2017

Paupérrimo

Vencemos no sábado o Olhanense (1-0) no Estádio do Algarve e qualificámo-nos para a 4ª eliminatória da Taça de Portugal. Depois da paragem das selecções e com a promessa do nosso treinador de que iríamos ter um “ciclo de melhoria”, estava curioso para ver como seria este jogo. De facto, tivemos uma “melhoria”, mas só porque ganhámos, dado que quanto ao resto...

Correndo o risco de me tornar repetitivo, podia bem remeter esta crónica para uma das anteriores: marcámos muito cedo (4’), num golão do Gabriel Barbosa de chapéu na sequência de uma óptima abertura do Pizzi, e depois foi uma modorra até final. Alinhámos com alguns titulares e outros menos utilizados, mas não se notou diferença nenhuma em relação ao que temos visto: futebol muito previsível, pouca velocidade e uma grande incapacidade de criar muitas situações de perigo. O Rafa e o Rúben Dias ainda tiveram boas hipóteses, mas os remates foram interceptados por um defesa e guarda-redes, respectivamente.

Na 2ª parte, o Olhanense teve a sua melhor chance logo no início (remate à rede lateral, com o guarda-redes batido), mas a melhor de todas foi nossa num remate fabuloso do Diogo Gonçalves de fora da área, que levou a bola a embater com estrondo na barra. Até final, lá conseguimos manter a baliza a zeros, porque do outro lado estava uma equipa do Campeonato de Portugal (o terceiro escalão). Caso contrário, muito provavelmente aconteceria o mesmo que nos jogos anteriores.

Em relação aos jogadores, salvou-se a estreia do Svilar na baliza. Com apenas 18 anos, deixou boas indicações (rápido a sair dos postes, por exemplo) e pode ser que tenhamos guarda-redes para dois anos (se for mesmo bom, irá acontecer-lhe o mesmo que ao Ederson, não tenhamos ilusões com a história do “guarda-redes para o futuro”, porque isso não existe). Outra estreia absoluta foi a do Douglas: a atacar esteve razoavelmente bem, mas a defender desde o Okunowo que não via ninguém assim... Perdi a conta às vezes que o extremo contrário (Jefferson Encada), emprestado pelo lagartada, o ultrapassou, o que vale é que os jogadores do Manchester United não devem ser tão bons como ele... O Gabriel Barbosa marcou um grande golo, com uma boa desmarcação, mas a partir daí só fez disparates. O Pizzi fez a abertura para o golo, mas é indisfarçável a sua má forma. Falando em má forma, o Grimaldo também está a anos-luz do seu real valor e o Seferovic parece que desaprendeu de jogar. O Rafa, bem, continua a não haver muito a acrescentar: está claramente na modalidade errada. O Krovinovic andou um pouco perdido em campo e chocou muitas vezes com o Pizzi. Só a entrada do Diogo Gonçalves agitou um pouco as coisas já na 2ª parte e o João Carvalho, embora durante menos tempo, justificou uma nova oportunidade.

Se olharmos para o lado positivo, podemos sempre dizer que foi a 3ª eliminatória da Taça mais fácil dos últimos três anos. Mas este nosso nível exibicional não engana e não iremos longe a jogar assim.

P.S. - Nós jogámos no Estádio do Algarve, que sempre é mais perto de Olhão, do que o Restelo é de Évora, onde jogou o CRAC frente ao Lusitano. No entanto, se é para não jogar nos estádios dos clubes originais, mais vale acabar com esta regra de as equipa da I Liga terem que actuar como visitantes na primeira eliminatória em que entram. A festa da Taça é suposto levá-la aos locais de onde são originários os clubes. Que estupidez!

quinta-feira, outubro 12, 2017

No Mundial

Dois triunfos por 2-0, no sábado em Andorra e na 3ª feira na Luz frente à Suíça, colocaram-nos no Mundial da Rússia. Numa fase de qualificação muito competitiva, tudo se resumiu à diferença de golos entre nós e os suíços (32-4 vs. 23-7), embora, como referiu o Fernando Santos, pelo critério antigo do confronto directo também seríamos nós a ter o apuramento directo.

Na partida frente a Andorra, o Fernando Santos começou por poupar alguns jogadores, incluindo o Cristiano Ronaldo. Num relvado sintético e bastante pequeno, a nossa 1ª parte foi muito sofrível e teve que entrar o capitão ao intervalo para resolver o jogo. O C. Ronaldo marcou o primeiro golo aos 63’ e teve papel determinante no segundo aos 86’ pelo André Silva. Fomos a única equipa a vencer por dois golos no principado, o que demonstra a dificuldade de jogar num campo daqueles.

No tudo ou nada frente ao concorrente directo, a Luz naturalmente encheu. A Suíça, à qual bastaria um empate, até entrou melhor do que nós, a trocar bem a bola, embora sem criar oportunidades de golo. O jogo foi decorrendo praticamente sem balizas (só um remate do Bernardo Silva foi defendido pelo guarda-redes) até que aos 41’ acabámos por ter a estrelinha de campeão, num bom centro rasteiro do Eliseu na esquerda com o João Mário a tentar antecipar-se ao guarda-redes, mas este a defender contra o Djourou, que fez a bola entrar na baliza. Como estava o jogo na altura, foi um golo caído do céu. A 2ª parte foi completamente diferente, connosco a dominar o tempo todo, e fazendo o segundo golo logo aos 57’, numa bela jogada pela direita com assistência do Bernardo Silva para o André Silva. Até final, ainda poderíamos ter aumentado o marcador (o C. Ronaldo falhou só com o Sommer pela frente) e não permitimos que a Suíça tivesse uma única oportunidade.

Se no jogo de Andorra, o destaque individual tem que ir para o C. Ronaldo, frente aos suíços, o Bernardo Silva foi o melhor em campo, muito bem secundado pelo William Carvalho (espero que perca esta boa forma rapidamente…!). Mas no geral toda a equipa esteve em bom plano, sabendo sempre o que fazer em campo e nunca se desconcentrando, mesmo quando as coisas não estavam a correr particularmente bem na 1ª parte.

Iremos ao Mundial como campeões da Europa, o que nos dá um estatuto que nunca tivemos até agora. Veremos como decorrerão as coisas, sabendo de antemão que os milagres raramente se repetem. Mas raramente não é nunca…

segunda-feira, outubro 02, 2017

Adeus ao penta

Empatámos na Madeira com o Marítimo (1-1) e deixámos fugir uma oportunidade de ouro para reduzir distâncias para os outros dois que também empataram (0-0) no WC. Ou seja, continuamos a cinco pontos do CRAC e a três da lagartada. Antes da paragem para as selecções, depois do descalabro de Basileia e já sabendo o resultado deles quando entrámos em campo, teríamos de dar uma resposta capaz e ganhar o jogo. No batatal em que o relvado estava transformado, desse como desse, com a desvantagem que tínhamos, se quiséssemos ser pentacampeões, não poderia haver desculpas e não poderíamos desperdiçar esta oportunidade. Ainda por cima, colocámo-nos em vantagem logo aos 2’! Mas à semelhança de jogos anteriores, não só não a conseguimos manter, como se olha para a equipa e é um deserto de ideias. E é principalmente por isso que o sonho do penta se esfumou ontem para mim. Porque não se vê como é que as coisas podem melhorar.

Com o Salvio no lugar do Zivkovic, eu poderia copiar um dos posts anteriores para resumir o jogo. Não poderíamos ter entrado melhor com um golão do Jonas logo aos 2’ (já antes tínhamos criado perigo pelo Salvio), mas quando nos colocámos em vantagem, deixámos de jogar à bola. E foi assim durante toda a 1ª parte. A história repete-se consecutivamente este ano. Sempre. É certo que o Marítimo não teve lances de golo iminente, mas dominou-nos quase por completo neste período e já se sabe que esta época a nossa defesa é tudo menos fiável. Portanto, é escusado tentar manter o resultado só com um golo de vantagem. O que mais me custa aceitar é precisamente esta falta de inteligência da nossa parte de não ver as nossas próprias limitações e achar que esse tal golo de vantagem é suficiente. Porque, caso contrário, não se percebe porque é que não aproveitamos o facto de a equipa contrária ter necessariamente que subir no terreno porque está a perder, para contra-atacar e tentar marcar o segundo golo. Isto acontece há n jogos! Assim que ganhamos a posse da bola, desaceleramos imediatamente e jogamos para o lado e para trás. Com a defesa adversária recomposta, são raros os lances de perigo que criamos. Depois do nosso golo, só num remate do Jonas na sequência de um lançamento lateral é que obrigámos o Charles a uma defesa apertada.

No início da 2ª parte, voltámos a ter uma boa oportunidade, mas o Cervi atirou de pé direito por cima. Antes de o Rodrigo Pinho proporcionar ao Júlio César uma óptima defesa num remate em arco de fora da área, há um lance do Salvio na área do Marítimo que poderia bem ter sido penalty por mão na bola, mas o Sr. Jorge Sousa nada assinalou. Logo a seguir, o mesmo Salvio teve das nossas melhores oportunidades, num trabalho individual colmatado com um remate de pé esquerdo que o guarda-redes defendeu com o pé. Até que aos 65’, o inevitável golo contrário lá surgiu: centro largo da direita (o Rui Vitória disse que a equipa estava avisada que poderia sofrer golos assim; o que faria se não estivesse…!!!), o André Almeida fica nas covas e o Rodrigo Valente cabeceou sem hipóteses para o Júlio César. O Rui Vitória ia fazer entrar o Filipe Augusto, mas claro que teve que ser o Krovinovic a substituir o Pizzi, que terá feito dos piores jogos de sempre pelo Benfica. Ainda entraram o corredor de 100m e o Seferovic, mas só conseguimos criar verdadeiro perigo já nos descontos com um remate de fora da área do Jiménez que o Charles defendeu e um defesa cortou a recarga do Salvio, que até ia com boa direcção. Portanto, em 25 minutos, criámos uma oportunidade flagrante de golo! E mesmo assim não tão flagrante quanto a do Marítimo, numa escorregadela imperdoável do Jardel que fez com que um avançado se isolasse, mas valeu-nos o Júlio César que defendeu para canto.

O Salvio foi o único que se salvou do marasmo quase total. O Jonas marcou um golão e sete dos últimos nove golos que marcámos para o campeonato, mas mesmo assim o Rui Vitória lembrou-se de o tirar nos últimos dez minutos...! O Pizzi está numa forma lastimável, assim como o Jardel, que só não nos custou a derrota, porque o Júlio César fez frente a um adversário isolado. Aliás, um dos erros crassos do Rui Vitória foi ter tirado o Rúben Dias sem este ter feito nada que o justificasse (ao contrário do Bruno Varela). Outro, ontem, foi apostar no corredor de 100m, quando tinha o Zivkovic no banco. Não se percebe...!

É certo que só agora entrámos em Outubro e nada me dará mais prazer do que vir aqui no final da época engolir tudo isto, mas depois de ontem acho que o penta só por milagre (e, pelo que se tem visto, já gastámos a nossa quota de milagres nos dois anos anteriores…). Por várias razões, mas uma essencial: o discurso não cola com o que se vê em campo. “Equipa de campeões”, que “vai dar a resposta devida”, “homens de carácter”, “grande união entre todos”, mas depois o que se vê em campo é esta pobreza franciscana: equipa cheia de medo, vê-se em vantagem e parece que não aconteceu nada, deserto de ideias a maior parte do tempo, incapacidade gritante de ir para cima do adversário assim que sofre um golo, escassíssimas oportunidades de golo, ninguém para pegar no nosso jogo atacante (o Pizzi está num estado deplorável), duas velocidades utilizadas: devagar e parado, e nunca a dar a sensação de que podemos ir lá.

O campeonato só regressa daqui a três semanas, porque depois da pausa das selecções há Taça de Portugal frente ao Olhanense e Champions na Luz frente ao Manchester United (que deu 4-1 em Moscovo frente ao CSKA). Ou acontece um milagre ou teme-se o pior…

quarta-feira, setembro 27, 2017

Desastre

Fomos goleados por 0-5 em Basileia na 2ª jornada da Liga dos Campeões. A seguir a Vigo, foi a pior derrota europeia da nossa história. Porque foi frente ao... Basileia! Começámos praticamente a perder e sofremos golos que não são admissíveis nem nos distritais. Para embelezar ainda mais as coisas, o André Almeida entrou a pés juntos como desforço depois de uma falta (evidente) sobre ele que não foi assinalada e foi naturalmente expulso. Já estava 0-3 e ainda levámos mais dois. Do Basileia, senhores! Do Basileia...!

Foi tudo tão inacreditavelmente mau (o Júlio César que não saía da baliza, o Luisão que parecia em câmara lenta, o Fejsa que terá feito o pior jogo de sempre pelo Benfica, o Pizzi que fez uma assistência para um dos golos adversários, o Jardel sem ritmo que entrou para o lugar do Rúben Dias, que nem na bancada esteve - porquê, Rui Vitória?!) que não vale a pena acrescentar muito mais. Fizemos história pela negativa e arriscamo-nos muito seriamente a passar a vergonha de sermos eliminados da Europa em Dezembro. Nós, que viemos do pote 1! Veremos a repercussão que isto irá ter na deslocação à Madeira no domingo, onde é imperioso ganhar.

segunda-feira, setembro 25, 2017

Melhor

Regressámos às vitórias no sábado frente ao Paços de Ferreira (2-0) e encurtámos a distância para três pontos da lagartada (1-1 em Moreira de Cónegos), mantendo os cinco para o CRAC (5-2 em casa frente ao Portimonense). O resultado é sempre o mais importante, mas a equipa fez uma exibição bastante positiva, com o senão de terem ficado uma meia dúzia de golos por marcar.

Entrámos muito bem na partida e o Jonas teve logo um cabeceamento semelhante ao do Bessa, mas mais à figura, permitindo a defesa do guarda-redes, Mário Felgueiras. Atirámos duas bolas ao poste (Grimaldo num livre e Jonas), mas aos 20’ inaugurámos finalmente o marcador com um remate de primeira do Cervi depois de assistência do Zivkovic na direita. Até ao intervalo, não abradámos o ritmo, o Seferovic centrou largo fazendo a bola ir pela terceira vez aos ferros(!) e o Luisão teve uma cabeçada num canto que ainda estou para saber até agora como é que o guarda-redes defendeu. Íamos para o descanso com a vantagem mínima, algo que até o treinador do Paços de Ferreira, Vasco Seabra, reconheceu no final ser muito lisonjeiro para a sua equipa.

Confesso que estava apreensivo para a 2ª parte, porque marcar primeiro não tinha garantido vitórias nos jogos anteriores e estávamos a ser muito perdulários. Logo ao início, o Paços de Ferreira teve a sua melhor oportunidade num cabeceamento na sequência de um canto que não passou muito longe da baliza do Júlio César. Não estávamos com a mesma dinâmica do primeiro tempo, mas ainda assim fomos criando oportunidades pelo Jonas (defesa do guarda-redes) e do André Almeida (ao lado, depois de uma boa combinação com o nº 10). Aos 61’, começámos a respirar melhor com o 2-0 através do Jonas, que respondeu bem a um desvio de cabeça do Seferovic na sequência de um canto. Até final, ainda deu para desperdiçar mais três oportunidades pelo Pizzi (remate defendido pelo guarda-redes depois de uma boa assistência do Cervi), Krovinovic (entretanto entrado, com um remate muito torto quando estava em boa posição) e Jiménez (que substituiu o Seferovic e voltou aos seus primeiros tempos de Benfica, quando falhava isolado perante o guarda-redes). Quanto aos Paços, nunca conseguiu importunar verdadeiramente o Júlio César.

Em termos individuais, destaque para o Cervi e não só pelo golo. Não pára quieto um minuto, ajuda na defesa, marca golos e faz assistências. O que é que se pode querer mais de um extremo?! O Zivkovic na direita também esteve muito bem (o Salvio está lesionado) e fez a importante assistência para o primeiro golo. Na baliza, voltou o Júlio César o que era de prever depois do que aconteceu no Bessa. Tenho pena pelo Bruno Varela, mas há erros que não se podem cometer. Mas a grande diferença para a nossa exibição ser melhor chama-se Fejsa. A segurança que transmite ao meio-campo faz com a equipa (Pizzi especialmente) pareça outra. Defendemos muito mais acima, o adversário tem muito menos espaço, perde a bola mais facilmente e mais perto da sua própria área. Estamos completamente dependentes dele. O Ruben Dias está a impor-se ao lado do Luisão e parece-me que temos ali central. Quanto aos menos, há que referir o Seferovic, que está a perder um pouco o gás.

Foi importante termos aproveitado o deslize de um dos rivais para nos aproximarmos, até porque há que ter sempre em mente que nesta época só os dois primeiros têm acesso à Champions. Veremos se esta melhoria se mantém na próxima 4ª feira em Basileia, mas importante mesmo é a ida à Madeira defrontar o Marítimo no próximo domingo. Os outros dois vão ter o seu jogo amigável também nesse dia e é imprescindível não desperdiçarmos a oportunidade de reduzir distâncias.

quinta-feira, setembro 21, 2017

Incompreensível

Empatámos em casa com o Braga (1-1) na 1ª jornada da Taça da Liga e estamos há três jogos consecutivos sem vencer. Desde o empate com o V. Setúbal em 2007, na 1ª edição desta competição, que não perdíamos pontos em casa na Taça da Liga. Quase me apetecia remeter-vos para os dois posts anteriores para saberem como foi a nossa exibição com a única diferença de não termos perdido desta vez.

Como seria expectável, o Rui Vitória fez uma série de alterações, das quais se destaca a estreia absoluta do Krovinovic e não se pode dizer que entrámos mal no jogo. Bem pelo contrário. Apresentámos algum dinamismo na manobra atacante, com variações de flanco e chegámos à vantagem aos 11’ num golo de recarga do Jiménez depois de um livre para a área. E, pronto, o nosso futebol acabou aí! À semelhança dos jogos anteriores, depois de marcarmos primeiro, deixamos de jogar à bola. Não se percebe! Aliás, o treinador do Braga disse no final do jogo que o golo do Benfica lhes deu tranquilidade. Connosco acontece exactamente o contrário! O pior que nos pode suceder nestes dias é marcar primeiro e cedo, porque depois fechamos a loja à espera de... sofrermos um golo! O que tem acontecido sempre. Em vez de aproveitarmos a natural subida no terreno do adversário para sermos incisivos no contra-ataque, parece que desaprendemos de ter a bola no pé. Claro que há sempre uma ou outra situação em que poderíamos aumentar a contagem, mas surge sempre uma defesa do guarda-redes ou um falhanço isolado do inefável Rafa... 

A 2ª parte trouxe mais do mesmo, connosco a ter grande dificuldades para encontrar a baliza contrária e a assistir com indescritível impotência à aproximação do adversário à nossa. O Sr. Bruno Esteves anulou um golo ao Gabriel Barbosa, mas deu a sensação na TV que ele estava em linha e aos 68’ chegou a igualdade através do central Ricardo Ferreira a desviar de cabeça um canto, com o Júlio César a ficar a meio da viagem. Até final, o Rui Vitória, curiosamente, não inventou nas substituições (o Eliseu fez o jogo todos e o Zivkovic não acabou a defesa-esquerdo), mas só um remate do Jonas de primeira, depois de um passe de cabeça do Jiménez, ia dando golo se não fosse a intervenção do André Moreira.

Em termos individuais, é difícil destacar alguém, porque nem os titulares, nem o Zivkovic, Jonas e Pizzi que também entraram, jogaram grande coisa. O Gabriel Barbosa jogou sobre a direita e passou muito ao lado do jogo (não era suposto ser ponta-de-lança...?). O Krovinovic, depois de uma 1ª parte muito apagada melhorou bastante na 2ª, mas precisa de mais atitude defensiva para jogar a 8. O Filipe Augusto teve uma atitude inacreditável ao sair (abrandando o passo e aplaudindo ironicamente quem o estava a assobiar, fazendo-nos perder ainda mais tempo!) e o Rafa continua a ser um grande reforço para a secção de atletismo, porque a bola atrapalha-o muito... O Jiménez marcou um bom golo, mas esteve demasiado discreto e, dos que entraram, o Pizzi mostrou a forma deplorável em que está.

Como a final four é em Braga, é natural que a equipa da casa queria estar presente e portanto antevê-se um grupo muito difícil. Eu já vi muitas crises desportivas no Benfica, mas sinceramente não me recordo de uma assim, em que parece que ficamos com alergia aos golos marcados e acabamos inevitavelmente por sofrê-los. Não estou bem a ver como é que isto se vai resolver num futuro próximo...

segunda-feira, setembro 18, 2017

“Agora sem dentes”

Perdemos no Bessa por 1-2 e, à 6ª jornada, estamos já a cinco pontos dos rivais, que continuam a contabilizar só vitórias (a lagartada 2-0 em casa ao Tondela e o CRAC 2-1 em Vila do Conde). É impossível não sentir aqui um cheirinho a 2010/11 e, curiosamente, por causa de motivos semelhantes. Mas já lá vamos.

Pelo segundo jogo consecutivo, estamos a ganhar e permitimos a reviravolta no marcador. O que torna as coisas muito piores, porque mina a confiança da equipa nela própria. Com o Lisandro indisponível, o Rui Vitória lançou o Rúben Dias, que até deu boas indicações. O jogo não poderia ter começado melhor para nós, com um centro teleguiado do Zivkovic aos 7’ para uma cabeçada do Jonas lá para dentro. Fizemos uma 1ª parte bastante razoável, com umas quantas oportunidades a remates do Jonas (mais do que um) e Zivkovic, mas ou o guarda-redes Vagner defendia ou a bola saía não muito longe do poste. Poderíamos (e deveríamos) ter dado a machadada final na partida, não o conseguimos e a história iria voltar a repetir-se…

A 2ª parte começou logo mal com mais uma lesão do Salvio. Não se percebeu muito bem em que lance, presume-se que seja muscular, mas gastámos uma substituição bastante cedo. O Cervi deve ter feito alguma coisa terrível, porque basta-lhe fazer um jogo menos conseguido para descer dois ou três lugares nas opções e, por isso, o Rui Vitória preferiu fazer entrar o corredor de 100m (Rafa) do que ele. Aos 55’, sofremos o golo do empate num lançamento lateral. Eu repito: num lançamento lateral! Bola para a área, o Luisão corta de cabeça, o Jonas não acerta bem na bola para fazer o alívio e ela fica à mercê do Renato Santos, que atira cruzado. À semelhança do segundo golo que sofremos no Bessa na última jornada da época passada, acho que o guarda-redes (neste caso, o Bruno Varela) poderia ter chegado à bola. Tal como no jogo frente aos russos, não reagimos nada bem ao golo sofrido. Ainda tivemos um remate do Jonas, que o Vagner defendeu para canto, mas não conseguíamos criar as situações de perigo da 1ª parte. E tudo piorou imenso aos 75’ num livre do Fábio Espinho ainda muito longe da área, mas com o Varela a dar um frango descomunal. Dos que não víamos desde os saudosos tempos do Roberto. Até final, jogámos mais com o coração do que com a cabeça e só num lance em que o Rafa poderia ter cabeceado e o Gabriel Barbosa (entretanto entrado) rematou fraco é que demos a sensação de golo.

O que se viu na 2ª parte apagou quase completamente o bom que se viu na 1ª, altura em que o Zivkovic foi dos que criaram mais perigo e as combinações entre ele, o Grimaldo, o Jonas e, por vezes, o Pizzi até foram surtindo efeito. Mas todos caíram a pique no segundo tempo. Falando em cair a pique, o Seferovic passou outra vez ao lado do jogo e o Filipe Augusto na posição seis continua sem convencer. Já disse várias vezes que gosto bastante do André Almeida, espero que faça a carreira toda no Benfica, mas precisamos de algo mais num titular na lateral-direita. Quanto ao Varela, é considerado o réu deste jogo, mas é a vida de um guarda-redes: nem tinha estado mal até agora, mas simplesmente não é possível sofrer-se um golo daqueles. E é um rombo enorme na confiança que havia nele (que já não era muito grande…).

No entanto, acabo por ilibar os jogadores deste mau momento. Alguns não dão mais porque não podem. Nem sabem. Não há milagres, já se sabe, e é muito irresponsável começar-se uma época sem três titulares indiscutíveis na defesa e não os substituir com alguma qualidade (nem digo semelhante, só alguma…). Tentámos conquistar o penta com o espírito daquela anedota do “olha, para mim, a andar de bicicleta sem mãos… agora sem pés…”. A probabilidade de ficarmos “sem dentes” era óbvia. As lesões continuam a suceder-se (tal como no ano passado), só que as opções de qualidade diminuíram. Junta-se a isso a má forma de elementos fundamentais na equipa e estamos a dez pontos (no total) do 1º lugar em meados de Setembro! A dez pontos! Ainda por cima, os outros já ganharam em campos muito difíceis como Guimarães (a lagartada), Braga e Vila do Conde (o CRAC). À semelhança de 2010/11, com a história do Roberto, a soberba vai custar-nos muito caro. E estando em causa a conquista de um inédito penta e a possibilidade de igualar um dos poucos recordes que não nos pertence, considero isso imperdoável.

quarta-feira, setembro 13, 2017

A jeito

Perdemos com o CSKA Moscovo (1-2) na Luz e não poderíamos ter pior início de Liga dos Campeões. Nós, equipa do pote 1, perdemos em casa com os russos do pote 4. Já se sabia que nos tinha calhado a fava deste pote 4, mas mesmo assim poderíamos perfeitamente ter tido um resultado melhor, se não tivéssemos feito, à semelhança das últimas, uma exibição paupérrima.

Como vem sendo habitual, oferecemos a 1ª parte. O Grimaldo regressou da lesão e, em relação ao Portimonense, entraram também o Filipe Augusto e o Salvio para os lugares do Samaris e Cervi. Lentíssimos e sem criatividade, só criámos perigo num remate ao poste do Grimaldo. Para tornar as coisas piores, ainda tivemos que levar com espanhol Alberto Undiano Mallenco, que não quis ver um agarrão claro ao Seferovic na área, quando estava a rodar para tomar posição.

A 2ª parte começou muito bem, já que marcámos logo aos 5’ numa boa abertura do Grimaldo para a esquerda, centro preciso do Zivkovic e desvio do Seferovic a antecipar-se ao Akinfeev. Todos pensámos que embalaríamos para uma exibição mais consentânea com a nossa qualidade, até porque os russos não tinham mostrado nada na 1ª parte. Puro engano! A papel químico da partida frente ao Portimonense, desacelerámos e começámos a trocar a bola cá atrás! Faltavam 40’ para acabar o jogo! Tudo muito bem, se aproveitássemos a subida dos russos para lançar contra-ataques, mas para isso era preciso fazer passes de ruptura, que foi coisa que nunca se viu. Estávamos convencidos que conseguiríamos manter a posse de bola longe da nossa baliza até ao final do jogo, é? Pusemo-nos a jeito e claro que aconteceu exactamente o oposto! Como é possível que ainda não nos tenhamos dado conta de que não temos equipa para fazer este tipo de jogo?! Aos 63’, o André Almeida tentou disfarçar que tinha tocado a bola com o braço, mas o árbitro, como era contra nós, viu o penalty (curiosamente, perto do final, num livre do Grimaldo, não conseguiu ver um braço descarado de um russo perto do limite da grande área). O Vitinho não deu quaisquer hipóteses ao Bruno Varela que até se lançou bem. Ficámos desorientados e sofremos o segundo golo aos 71’. A nossa defesa ficou a dormir por duas vezes, não colocando o adversário em fora-de-jogo e a seguir a uma óptima defesa do Varela, permitindo a recarga do Zhamaletdinov. Como o jogo estava, muito dificilmente conseguiríamos inverter as coisas e até final só um remate do Jiménez criou perigo (embora relativo). Seguindo a tendência, o Rui Vitória foi tirando defesas e colocando avançados, mas quando a bola não chega lá à frente, torna-se difícil. Não percebi especialmente a vantagem de ter saído o Lisandro com o Almeida a passar para central para entrar o Rafa. Faltava muito pouco para o final, é certo, mas será que o Lisandro não seria mais útil do que o Almeida, especialmente nas bolas paradas...? 

Quando um dos menos maus do Benfica é o Filipe Augusto, acho que não é preciso acrescentar mais nada. O Grimaldo também esteve razoável, enquanto teve pernas e acabou por lhe pertencer o nosso remate mais perigoso. Mas o grande problema actual do Benfica é a má forma do Jonas e do Pizzi. Sem estes dois, a equipa simplesmente não funciona. Por outro lado, não existem milagres e quando saem tantos titulares na defesa que não são substituídos, é natural que estas coisas aconteçam... O Gabriel Barbosa estreou-se e deu para ver que tem toque de bola, embora não me pareça que seja um avançado tipo Mitroglou (e convinha nós termos um com esse perfil).

A próxima partida na Champions é em Basel e, caso não consigamos um resultado positivo, a nossa presença na Europa em Fevereiro torna-se problemática. No entanto, temos que nos preocupar é já no próximo sábado com a ida ao Bessa. De recordar que o Boavista é uma das equipas à qual não conseguimos ganhar na época transacta. E não nos podemos dar ao luxo de deixar os outros dois fugirem na frente.

P.S. – Jogo de Champions e 38.323 espectadores na Luz... Já na época passada, em que tivemos uma inédita média de 55.994 espectadores no campeonato, em quatro jogos de Liga dos Campeões nunca conseguimos encher o estádio. Para reflectir...

domingo, setembro 10, 2017

Medíocre

Vencemos na 6ª feira o Portimonense por 2-1 na Luz, mas como os outros dois também ganharam (a lagartada 3-2 na Vila da Feira e o CRAC 3-0 em casa frente ao Chaves) continuamos a dois pontos deles. O título deste post acaba até por ser benevolente em relação ao nosso jogo e podemos considerar-nos felizes por o ter ganho.

O Samaris no lugar do Filipe Augusto e o Zivkovic no do Rafa foram as alterações em relação a Vila do Conde, mas à semelhança desta partida voltámos a desperdiçar a 1ª parte. Um remate do Jonas por cima logo no início e um cabeceamento também dele ao lado foram os nossos únicos lances de perigo, enquanto do outro lado o Bruno Varela foi obrigado à melhor defesa do jogo. O Portimonense surpreendeu-me pela boa qualidade do seu futebol (o japonês Nakajima deu-nos água pela barba especialmente nos primeiros 45 minutos) e fiquei a perceber porque é que o Vítor Oliveira fez as suas equipas subirem dez vezes da Liga de Honra.

Na 2ª parte, entrou o Salvio para o lugar do apagadíssimo Cervi, mas o jogo continuou muito complicado. E pior ficou quando aos 56’ sofremos o 0-1 através do Fabrício, que depois de bater o Luisão sobre a esquerda rematou rasteiro em arco, não dando hipóteses ao Varela. Pelo modo como estavam as coisas, connosco a nem sequer conseguir criar oportunidade, temi o pior, mas no futebol tudo pode mudar num segundo e assim foi aos 59’, quando o Salvio foi derrubado na área. Como estava isolado, o adversário foi expulso e o Jonas não perdoou no penalty. Logo a seguir, entrou o Filipe Augusto para o lugar do Lisandro, recuando o Samaris para central. Estando a jogar com mais um era uma substituição que fazia sentido. A partir daqui, começámos efectivamente a melhorar a nossa exibição, mas foi a altura de o guarda-redes contrário, Ricardo Ferreira, entrar em acção com um par de boas defesa a remates do Jonas e Seferovic. Também o Eliseu teve uma oportunidade soberana, mas puxou para a bola para o pé direito e o remate saiu tortíssimo. Foi no minuto anterior a sair aos 73’ para dar lugar ao Jiménez. Logo na altura pareceu-me uma substituição injustificada. Não só porque estava a ser o nosso melhor período, estávamos a criar oportunidades, o Zivkovic a extremo-esquerdo estava a ser dos melhores (e iria recuar para defesa com esta substituição), já tínhamos prescindindo do Lisandro e fazer 20’ (pelo menos) só com dois defesas de raiz era arriscado, até porque o Portimonense, mesmo com dez, não se coibia de atacar, e infelizmente e o que se passou veio a dar-me razão. Na sequência de um livre, o Luisão teve uma excelente chance de cabeça, mas atirou por cima e aos 78’ chegámos finalmente à vantagem num golão inadvertido do André Almeida que falhou maravilhosamente um centro! Ainda faltava bastante tempo para o final e cometemos um erro crasso: começámos a recuar no terreno, a jogar para os lados, a chamar o adversário, mas não conseguíamos sair a jogar em velocidade para os apanhar em contrapé. O problema era que, lá está, perdíamos a bolae só tínhamos dois defesas de raiz, o que fez com que o Portimonense se acercasse com muito perigo da nossa área. O Samaris ia imitando o Lisando em Vila do Conde, mas o corte saiu ao lado da baliza e aos 88’, como já se estava a prometer há muito, o Portimonense fez um golo. Pela primeira vez na vida, senti o que era falecer e ressuscitar pouco depois, porque a bola já estava no meio-campo quando o árbitro recebeu a indicação do vídeo-árbitro de que havia fora-de-jogo na jogada do golo e o anulou. E havia mesmo, foi milimétrico, mas para isso é que existe o VAR! Pouco depois, o jogo acabou e o alívio foi enorme.

Em termos individuais, gostei do Zivkovic, não só a atacar como a defender (embora, claro que tenha sofrido quando passou para lateral). O André Almeida acabou por ser decisivo na vitória com aquele golaço sem querer e não foi pelo Bruno Varela que a corda se ia partindo. Todos os outros estiveram muito sofríveis e já se sabe que, quando o Pizzi e o Jonas, não estão bem, todo o nosso jogo se ressente.

Foi por pouco que não ficámos já a quatro pontos dos primeiros e espero que este nível exibicional mereça a preocupação do Rui Vitória. Vem aí a Champions, mas o penta é o grande objectivo da época. No entanto, a jogar desta maneira é quase certo que não o vamos conseguir…

segunda-feira, setembro 04, 2017

Ilhas Faroé e Hungria

Vencemos os dois jogos desta etapa da qualificação por 5-1 e 1-0, respectivamente. Se no primeiro jogo no Bessa na 5ª feira passada, a vitória já era esperada, o jogo de ontem em Budapeste foi bastante complicado, mesmo tendo em conta que jogámos em superioridade numérica a partir dos 30’.

Na partida frente aos ilhéus, o Cristiano Ronaldo marcou um hat-trick, tendo o William Carvalho e o Nélson Oliveira marcado os restantes golos, mas a novidade foi termos sofrido pela primeira vez um golo das Ilhas Faroé. A vitória nunca esteve em causa, mesmo que tenhamos ido para intervalo com 2-1 no marcador. Frente à Hungria e até à expulsão, já tínhamos construído oportunidades suficientes para acabar com o jogo, mas só marcámos no início da 2ª parte através do André Silva, depois de um centro do C. Ronaldo. Controlámos até final, mas no último lance do jogo, na sequência de uma falta idiota e desnecessária do Bruno Alves, só não sofremos o empate de cabeça, porque o jogador húngaro revelou muita falta de qualidade.

Como a Suíça ganhou os seus jogos (com o Seferovic a marcar três golos!), está tudo na mesma na frente. Precisamos de ganhar em Andorra e à Suíça no último jogo para assegurarmos a qualificação directa.