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segunda-feira, março 20, 2017

Empate

Não conseguimos melhor que um 0-0 em Paços de Ferreira e, como aposto os meus dois braços em como o CRAC ganha amanhã ao V. Setúbal em casa, iremos recebê-los na Luz no 2º lugar a um ponto deles. Desde a 5ª jornada que estamos no 1º lugar, já os tivemos a seis pontos e, consubstanciada esta ultrapassagem, temo bem que o sonho do tetra se tenha começado a desmoronar hoje, porque o momentum está todo do outro lado

Este seria o início do post que eu estive quase para escrever ontem no final do nosso jogo. Estava absolutamente convencido que o CRAC, vindo de nove vitórias consecutivas para o campeonato, não desperdiçaria uma oportunidade flagrante destas para nos passar à frente. Mas só não escrevi logo ontem o post, pela mesma razão porque não comprei uma camisola deste ano (nota prévia: só compro as camisolas campeãs nacionais) que estava com 50% de desconto numa altura em que tínhamos seis e oito pontos de vantagem, pela mesma razão porque só a cinco minutos do fim, e com 3-0 a nosso favor, eu começo a achar que o jogo está resolvido, ou pela mesma razão porque não comprei os bilhetes para a final da Taça da Liga deste ano antes da meia-final com o Moreirense: não dou nada por adquirido até o árbitro apitar para o final dos jogos. Trocado por miúdos: superstição! As bruxas não existem, mas não vale a pena provocá-las…!

Tal como se esperava, a ida a Paços de Ferreira foi bastante complicada ou não tivesse esta equipa também tirado dois pontos ao CRAC. A reentrada na equipa do Nélson Semedo foi a única alteração em relação ao Belenenses e deveríamos ter-nos colocado em vantagem logo aos 9’, quando o Salvio falhou incrivelmente o desvio depois de um centro do Jonas na esquerda. Durante a 1ª parte, contam-se pelos dedos de uma mão (e sobram) as vezes que o Paços passou de meio-campo, mas nós nunca tivemos engenho e arte para conseguir criar grandes situações de perigo. Perante uma defesa muito fechada, mas nunca a fazer antijogo (louve-se isso), eram raras as vezes em que imprimíamos velocidade ao nosso futebol, a que não é alheio o facto de os extremos Salvio e Zivkovic serem dois dos nossos piores jogadores. A única vez que estivemos perto do golo foi numa bomba ao poste do Eliseu aos 26’.

Na 2ª parte, o Paços abriu-se um bocado mais, mas nós continuávamos muito pouco inspirados. Mesmo assim, ainda tivemos algumas ocasiões, com destaque para uma do Jonas em boa posição, mas em que o defesa cortou, outra do Luisão de cabeça num canto, mas tendo acertado mal na bola, e um centro-remate do Nélson Semedo que o guarda-redes Defendi desviou. O Paços também teve uma grande chance num livre do Welthon que o Ederson tocou para o poste. O Rui Vitória lá se decidiu fazer substituições e foi sem surpresa que melhorámos com as entradas do Cervi, Rafa (este um pouco menos) e Jiménez. Na parte final do jogo, o Pizzi teve um bom remate à entrada da área, mas a bola não saiu tão ao ângulo quanto se desejava e, mesmo no último lance do encontro, o Jonas atirou por cima de cabeça já na pequena-área na sequência de um livre. Foi a nossa melhor oportunidade, num lance em que há mãos nas costas do Jonas, mas em que eu acho que o Sr. João Pinheiro fez bem ao não assinalar nada. É a velha questão da intensidade e, aliás, o Jonas nem protestou.

Em termos individuais, o Samaris foi dos melhores, bem como os centrais Luisão e Lindelof. O Pizzi defendeu-se muitíssimo bem quanto aos amarelos e foi igualmente dos poucos clarividentes na equipa. Continuo sem perceber a ostracização ao Cervi, claramente o nosso melhor extremo. Viu-se bem o que a equipa melhorou com ele em campo e, além disso, o Salvio e o Zivkovic estiveram, como já referi, particularmente mal (na senda dos últimos jogos, acrescente-se). O Jonas continua ainda à procura da sua forma e passou muito ao lado do jogo, assim como o Mitroglou que não teve praticamente bolas à sua mercê. O Nélson Semedo desceu bastante na 2ª parte e foi pena que o Eliseu não tenha quebrado o seu jejum de golos (desde o Braga na Luz há dois anos que não marca) com aquela bomba ao poste.

Tivemos uma benesse com que ninguém contava (uma palavra para o V. Setúbal que não perdeu nenhum dos quatro jogos contra nós e o CRAC - gostava de saber qual, e quando, foi a última equipa a conseguir este feito), mas o facto de continuarmos na frente não nos pode fazer esquecer de algo fundamental: o caminho do tetra passa por ganharmos ao CRAC na Luz. Depois do que se passou neste fim-de-semana, com o seu empate nestas condições que é impossível não lhes abalar o moral, uma vitória nossa (para além de dilatar a vantagem pontual que nos salvaguarde de uma possível futura derrota) faria pender bastante a balança a nosso favor. Não a desperdicemos, por favor!

terça-feira, março 14, 2017

Fácil

Goleámos o Belenenses na Luz por 4-0 e mantivemos a vantagem de um ponto perante o CRAC e os 12 em relação à lagartada. Depois de um compromisso europeu, o que mais se deseja é um jogo tranquilo e uma vitória confortável, que foi o que felizmente acabou por acontecer.

Com o Nélson Semedo a constituir-se como baixa de última hora, o Rui Vitória voltou a apostar no André Almeida, indiscutivelmente o jogador mais útil do plantel. Incompreensivelmente, no entanto, foi ter colocado o Cervi, um dos melhores em Dortmund, no banco. Não percebo porque é que o argentino é sucessivamente preterido, quando é quanto a mim o extremo com melhor rendimento do plantel. Entrámos muito fortes na partida e o Belenenses mal passava do meio-campo. Inaugurámos o marcador aos 12’ no primeiro golo de sempre do André Almeida para o campeonato, aproveitando uma falha incrível do Miguel Rosa, depois de um passe longo do Pizzi. Marcávamos bastante cedo o que, desejar-se-ia, nos catapultasse para uma boa exibição, mas isso não aconteceu na 1ª parte. Depois de golo, baixámos bastante a velocidade e, como o adversário praticamente não criava perigo, fomos deixando correr o marfim até ao intervalo sem criar grandes situações de perigo.

Na 2ª parte, o jogo ameaçava não mudar e até foi o Belenenses a ter a primeira grande ocasião num remate do Miguel Rosa de fora da área ao poste. No entanto, logo na jogada seguinte aos 52’, começámos a arrumar de vez a questão com o 2-0 num remate do Mitroglou de fora da área, bastante colocado, depois de uma assistência do Salvio. Pouco depois, só a aselhice do Maurides não permitiu ao Belém reduzir, quando cabeceou ao lado completamente sozinho. Continuamos a revelar momentos de desconcentração preocupantes que, perante adversários mais fortes, nos podem sair bastante caros. Aos 60’, tudo ficou resolvido em definitivo com o Salvio a marcar o terceiro golo num remate rasteiro de fora da área depois de um passe do Zivkovic. O jogo ficou ainda mais aberto, com algumas boas combinações atacantes da nossa parte que não resultaram em golo porque o último toque não saía bem e o Belenenses a ter igualmente um par de ocasiões perigosas, uma das quais proporcionou ao Ederson a melhor defesa do encontro. Já em tempo de compensação, o Samaris isolou o Mitroglou, que estava ligeiramente adiantado em relação ao defesa, o nosso goleador não foi egoísta e deu para o Jonas desviar do guarda-redes Cristiano e fechar a contagem nos 4-0.

Os espectadores da Luz escolheram o André Almeida para melhor em campo e não se pode dizer que estivessem errados. Já o disse várias vezes e nunca é demais repetir: espero bem que ele faça a carreira completa no Benfica, porque é muito complicado arranjar um jogador que faça tantas posições em campo de um modo tão regular. Além disso, é tricampeão, é dos mais velhos no plantel e a mística passa por jogadores assim. O Pizzi parece querer voltar à boa forma e, especialmente na 1ª parte, foi dos poucos a querer dar um safanão ao jogo. O Salvio estava a ser dos piores, mas termina a partida com um golo e uma assistência. Não se pode criticar um jogador assim. Ao invés, o Zivkovic já esteve em muito melhor forma do que agora o que torna ainda mais difícil de compreender, digo-o mais uma vez, a ostracização do Cervi… Depois de dois jogos menos conseguidos, o Eliseu voltou à regularidade habitual. Na frente, espero que o golo ajude o Jonas a recuperar mais rapidamente o seu nível e o Mitroglou continua a facturar sem espinhas.

Teremos agora a deslocação a Paços de Ferreira antes da pausa das selecções. Como a seguir a esta receberemos o CRAC, é mais do que nunca fundamental garantir os três pontos. Estamos longe de encantar a nível exibicional, mas isso é de somenos importância perante o mais importante: a possibilidade de conseguir algo inédito na nossa história.

sexta-feira, março 10, 2017

Sonhámos

Perdemos em Dortmund por 0-4 e dissemos adeus à Liga dos Campeões. Esta frase pode parecer contraditória em relação ao título do post, mas por incrível que pareça acho que jogámos melhor do que na 1ª mão. E os resultados foram completamente antagónicos... No entanto, quem consegue ver para além do marcador final, não poderá deixar de concordar que até aos 59’ a partida esteve equilibrada de uma maneira que todos os 90’ da 1ª mão nunca estiveram. O problema foi, ao contrário da Luz, a eficácia dos alemães.

Com o Fejsa em Lisboa, o Rui Vitória apostou (e muito bem) no reforço do meio-campo com o André Almeida ao lado do Samaris e no Cervi (até qu’enfim!) na esquerda do ataque. Num ambiente absolutamente fabuloso, entrámos praticamente a perder com o golo do Aubameyang logo aos 4’ na sequência de um canto. A eliminatória ficou logo empatada e confesso que temi o pior. Mas, à semelhança, do que aconteceu em Munique há um ano, conseguimos equilibrar o jogo a seguir a termos sofrido o golo. O Borussia não teve grandes oportunidades até ao intervalo, enquanto nós criámos algum perigo num remate do Cervi e num cabeceamento do Luisão ambos defendidos pelo Burki. O intervalo chegava connosco perfeitamente dentro da eliminatória, o que se via pelo facto de os alemães estarem estranhamente silenciosos durante boa parte do jogo, enquanto a nossa bancada não se calou inclusive durante o tempo de descanso.

A 2ª parte começou com a nossa melhor oportunidade, num remate frontal de ressaca do Cervi, já dentro da área, que um defesa desviou para canto. Foi pena, porque a bola ia na direcção da baliza... O Ederson fez duas defesas magistrais em lances anulados por fora-de-jogo, mas a eliminatória começou a ficar decidida aos 59’ com o 0-2 através do Pulisic, que se desmarcou bem e picou a bola à saída do nosso guardião. Em dois minutos terríveis, tudo ficou decidido com novo golo do Aubameyang aos 61’, que só teve que encostar depois de um cruzamento na esquerda. Nós acusámos claramente o toque e nunca mais fomos os mesmos até final, com as entradas do Jonas, Zivkovic e Jiménez (este aos 82’ para o lugar do Cervi e indo jogar para a extrema-esquerda... Não percebi a lógica...) a não acrescentarem nada à equipa. O Borussia ainda atirou uma bola à ao poste, antes de fazer o 0-4 aos 85’ com o hat-trick do Aubameyang, noutro golo só de encostar desta feita depois de um cruzamento da direita. O gabonense marcou com juros todos os golos que falhou em Lisboa... Apesar do resultado, os jogadores do Benfica foram brindados no final com uma enorme ovação e cânticos sem parar da nossa bancada. A qualificação do Borussia é obviamente justa, mas conseguimos ganhar-lhes um jogo (algo que nenhuma outra equipa portuguesa conseguiu) e acho que demos uma boa imagem durante boa parte da 2ª mão. Chegámos novamente à fase a eliminar da Champions, o que convenhamos é ligeiramente melhor do que ser eliminados por uns Legias desta vida...

Em termos individuais, gostei bastante do André Almeida (sempre muito generoso a correr atrás dos adversários), do Cervi (que mostrou porque é que tem que deixar de ser o quarto extremo na hierarquia do lado esquerdo para passar a ser o primeiro!), e do Pizzi e do Salvio (ambos durante a 1ª parte).

Vamos agora concentrar-nos naquilo que é verdadeiramente essencial, que é entrar para a história com o primeiro tetra do nosso palmarés.

P.S. – Acerca da viagem, apesar do cansaço e da chuva, como disse um amigo meu, “correu mal, mas valeu a pena”. O estádio é fantástico e no início da partida o famoso muro amarelo fez uma coreografia com os jornais e o galhardete de 1963 quando nos deram 5-0 na 2ª mão. Pontos pela criatividade numa bancada que impressiona, mas que só se ouviu de forma consistente a partir do 0-2. A organização dos alemães não tem nada a ver com a nossa e o facto de tratarem os adeptos do clube visitante como... lá está, pessoas, torna tudo mais simples. Quando fui perguntar a um stewart, ainda antes de o jogo começar, se tínhamos que lá ficar uma hora no final, o tipo olhou para mim de um modo completamente surpreendido e perguntou: “why do you want to stay here for one hour after the game...?!” Toda a gente saiu ao mesmo tempo e não houve nenhum problema. Foi pena que não se tivesse visto a nossa bancada na televisão, mas ao que me dizem ouviu-se e bem. O apoio foi fabuloso e, como já disse, nem no intervalo parou. Mesmo durante cerca de 10’ depois de o jogo acabou ainda se cantava como se pode ver no vídeo abaixo. Os adeptos do Benfica deram nova demonstração do que é um clube com uma Grandeza Incomparável! A nossa bancada aplaudiu o agradecimento do Borussia ao muro amarelo e os alemães aplaudiram-nos de volta. Foi inesquecível e, sinceramente, só por isso já teria valido a pena ir. Não tive a prenda mais desejada no dia do meu 41º aniversário, mas mesmo que a tivesse também a trocaria por uma ainda maior em Maio. Vamos a isto! VIVA O BENFICA!

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segunda-feira, março 06, 2017

Difícil

Vencemos no sábado o Feirense em Santa Maria da Feira por 1-0 e mantivemos a distância de um ponto para o CRAC, que goleou o Nacional por 7-0. A lagartada resolveu festejar a reeleição do desequilibrado mental do seu presidente empatando em casa com o V. Guimarães (1-1) e está agora a 12 pontos de nós. É o que se chama um começo auspicioso de mandato!

Com o Jonas de volta, mas no banco, o Rui Vitória pôs o Rafa a fazer-lhe companhia, dando a titularidade ao Carrillo e colocando o Zivkovic nas costas do Mitroglou. Com o Nélson Semedo castigado, foi naturalmente o André Almeida a ocupar a lateral direita. Perante um adversário que subiu imenso de produção (e resultados) desde que trocou o José Mota pelo Nuno Manta Santos, a partida foi tremendamente complicada. Com o Pizzi sempre muito marcado e uma falta de inspiração gritante dos três homens no apoio ao Mitroglou, raramente conseguimos criar situações de perigo na 1ª parte. Só num contra-ataque de 3x1(!) que o Salvio estragou ao preferir rematar em vez de passar ao Mitroglou, que estava isolado, e numa cabeçada do grego, defendida pelo Vava Alves a dois tempos, é que estivemos perto do golo. Quanto ao Feirense, poderia ter logo aberto o marcador no primeiro minuto, num remate do grego Karamanos que foi desviado pelo Luisão e ia traindo o Ederson, e num falhanço escandaloso do Luís Machado quase na pequena-área. A três minutos do intervalo, um pouco caído do céu, chegámos ao golo: boa abertura do Carrillo e grande jogada do Pizzi já na área, a tirar um adversário do caminho e a enganar o guarda-redes, atirando para o lado contrário dele. Foi um golo na altura certa!

Na 2ª parte, com os espaços que o Feirense necessariamente criou, melhorámos o nosso nível exibicional. No entanto, e para não variar, o Ederson foi absolutamente decisivo na manutenção da vantagem ao sair de modo rapidíssimo aos pés de um adversário pouco depois do recomeço e, a vinte minutos do fim, ao defender com os pés (por instinto) um cabeceamento na pequena-área na sequência de um canto, num lance em que o Lindelof se deixou antecipar pelo adversário. Quanto a nós, tivemos um rol de oportunidades desperdiçadas, com destaque para duas do Mitroglou, com um remate já sem o guarda-redes na baliza, que foi interceptado por um defesa, depois de o Salvio ter ganho a bola ao guarda-redes, e um cabeceamento à vontade que saiu ao lado. Também o Salvio teve um falhanço clamoroso, ao atirar um lado depois de uma assistência do entretanto entrado Cervi, e o próprio Cervi viu um remate seu que ia na direcção da baliza ser cortado por um defesa. Como não acabámos com o jogo, ficámos sempre à mercê de um lance fortuito que o empatasse, mas felizmente isso não aconteceu.

O destaque terá de ir para o Pizzi por nos ter garantido os três pontos e para o Ederson por os ter mantido na nossa posse. Continuo sem perceber porque é que o Cervi é o último extremo na lista do Rui Vitória: a equipa melhorou a olhos vistos quando ele entrou em campo! O Nélson Semedo fez falta, apesar de o André Almeida ser de uma regularidade constante cada vez que joga. O Zivkovic já esteve em muito melhor forma do que agora, o Carrillo lutou bastante em termos defensivos e acabou por fazer a assistência para o golo, mas foi muito intermitente, e o Salvio foi o pior dos três.

Na próxima 4ª feira, iremos tentar a segunda qualificação seguida para os quartos-de-final da Champions. Por ser um dia muito especial para mim, por não ter visto isto ao vivo nesse dia e porque estamos a falar de um estádio com um ambiente mítico, estarei em Dortmund a gritar pelo Glorioso. Espero uma boa prenda, mas troco-a imediatamente pelo 36 em Maio...!

quarta-feira, março 01, 2017

Em vantagem

No dia do nosso 113º aniversário, vencemos o Estoril na Amoreira (2-1) na 1ª mão das meias-finais da Taça de Portugal e estamos em excelente posição para voltarmos ao Jamor. Foi o terceiro jogo na Amoreira este ano (dois Estoril e um 1º de Dezembro) e a terceira vitória sofrida pela margem mínima. Mais uma vez, estivemos longe de fazer uma boa exibição, mas a justeza do nosso triunfo não se contesta.

O Rui Vitória fez algumas alterações e entraram o Júlio César, Jardel, Filipe Augusto e Carrillo. Deveríamos ter-nos colocado em vantagem logo aos 5’, mas quase em cima da pequena-área o Rafa conseguiu(!) que o guarda-redes Luís Ribeiro defendesse para canto o seu remate. Falhanço inacreditável de um jogador que deveria mesmo fazer treino específico de finalização (se o faz, não se nota nada...!). Pouco depois, o Júlio César inventou com os pés, mas felizmente o Estoril não conseguiu marcar. Os canarinhos davam boa réplica e nós tínhamos muitas dificuldades em criar lances de perigo. Até que aos 36’, o Zivkovic tirou um óptimo cruzamento da esquerda e o inevitável Mitroglou atirou lá para dentro. O mais difícil estava aparentemente conseguido, mas quatro minutos depois o Eliseu resolveu esticar estupidamente o braço na nossa área depois de um cruzamento. Penalty indiscutível que o Kléber não falhou. Neste lance, o Filipe Augusto, que já estava queixoso, lesionou-se de vez e entrou o Pizzi. Mesmo antes do intervalo, tivemos um golo anulado por fora-de-jogo, porque o Mitroglou se fez ao lance num cruzamento do Carrillo que acabou por entrar na baliza. Foi pena que não estivéssemos a jogar com as camisolas do Boavista...

Na 2ª parte, o Estoril foi a primeira equipa a criar perigo, mas o remate do Kléber passou a rasar o poste depois de um centro. A partir daqui, os canarinhos deram o berro fisicamente (acho inacreditável que se tenha obrigado o Estoril a jogar contra os lagartos e nós com três dias de intervalo) e só nós é que tentámos marcar. No entanto, tivemos sempre muitas dificuldades em criar lances de perigo, porque o adversário se fechou muito bem atrás. Só tivemos duas verdadeiras oportunidades: o Rafa permitiu novamente a intervenção do guarda-redes quando estava em boa posição e um remate do Mitroglou foi desviado por um defesa quando a com boa direcção. Até que aos 89’ marcámos finalmente o segundo golo: grande lance do Eliseu na esquerda, que isolou o Cervi (entretanto entrado) de calcanhar e este assistiu para Mitroglou dominar e desviar do guarda-redes. Vê-se na televisão que o grego está com o tronco e cabeça em fora-de-jogo mas os pés em jogo. É um fora-de-jogo milimétrico e só os desonestos intelectualmente (e já se sabe que os há aos milhares) vão achar que foi um escândalo. É não ligar aos grunhidos. Antes de terminar, o Zivkovic falhou inacreditavelmente de cabeça o terceiro golo.

Correndo o risco de ser repetitivo, é impossível não destacar novamente o Mitroglou. Nono golo no sexto jogo consecutivo a marcar tornam o grego o jogador mais fundamental do Benfica actual. Grande Mitro! A contrário do que vi muita gente a dizer, acho que o Carrillo não esteve nada mal: sempre muito em jogo, a vir várias vezes atrás ajudar na defesa e a fazer desarmes, especialmente na 1ª parte foi dos nossos melhores jogadores. Já o Rafa, com o seu problema crónico de finalização, esteve novamente abaixo do que deve render. O Zivkovic, tirando o centro para o 1º golo, também não esteve no seu nível habitual. Ao invés, o Nélson Semedo fez outra vez uma boa exibição e vai fazer muita falta em Santa Maria da Feira. O Jardel também regressou bem à equipa depois da debacle na Taça da Liga.

Só o Nápoles é que ganhou esta época na Luz, mas convém não facilitar no jogo da 2ª mão. Também aqui há uns anos tínhamos ganho 2-0 fora e depois levámos uma banhada de 1-3 em casa. Bem sei que o adversário era outro, mas se por acaso sofrermos algum golo antes de marcarmos as coisas vão ficar tremidas. E, infelizmente, temos já bastantes exemplos no passado recente de más experiências em meias e inclusive finais da Taça. A não repetir, sff!

P.S. - Espero que o lugar em que fiquei no estádio seja bom prenúncio para esta época!

segunda-feira, fevereiro 27, 2017

Trabalhoso

Vencemos o Chaves na Luz na passada 6ª feira (3-1), mas como a lagartada foi derrotou o Estoril na Amoreira (2-0) e o CRAC trinfou no Bessa (1-0) mantém-se novamente tudo igual na frente. Foi um jogo tremendamente difícil, sendo os transmontamos uma das melhores equipa que passaram pela Catedral este ano.

Com o Jonas já no banco mas com o Fejsa na bancada, o Rui Vitória fez duas alterações em relação a Braga (entradas do Samaris e regresso do Ederson) e o jogo iniciou-se a bom ritmo. Logo aos 6’, o Fábio Martins teve uma entrada sobre o Samaris que deveria ser vermelho directo, mas o sr. Nuno Almeida nem amarelo mostrou. Aos 18’, inaugurámos o marcador através da cabeça do Mitroglou depois de um centro do Nelson Semedo. Houve a dúvida sobre se o nosso avançado teria empurrado o defesa (que surgiu estatelado no relvado), na televisão não deu para a dissipar, mas felizmente há sempre alguém com uma câmara por perto que regista o lance todo. Como se vê, os dois jogadores estão com os braços esticados, até que o defesa do Chaves resolve atirar-se para o chão. Não há falta nenhuma! Quando se esperava que este golo intranquilizasse o Chaves, nada disso aconteceu, porque os flavienses continuaram a jogar (e bem) da mesma maneira, sempre a procurar a nossa baliza. Quanto a nós, tivemos um bom par de ocasiões, mas a última decisão nunca saía bem (Rafa e Salvio, nomeadamente) e até o Mitroglou falhou um penalty em andamento. Até que aos 44’, um erro de marcação do Samaris deixou o Bressan sozinho à entrada da área e este aplicou um belo remate indefensável para o Ederson. O Chaves igualava numa péssima altura!

Apesar do subrendimento de alguns jogadores, voltou o mesmo onze para a 2ª parte, que se antevia bastante complicada. Felizmente, voltámos a marcar bastante cedo, logo aos 50’, numa boa abertura do Samaris para o Nelson Semedo na direita e centro deste para o Rafa atirar para a baliza, com o António Filipe a defender a bola já para além da linha de golo. Como as coisas não estavam fáceis nos primeiros cinco minutos, o Rui Vitória já se preparava para fazer entrar o Jonas quando se deu o golo e, ao contrário do que eu achei que devia, continuou com a substituição (saiu o Salvio) mesmo com o golo. Ou muito me engano, ou se fosse o Cervi ou outro que tal, a substituição não seria feita… E o que é certo é que o Jonas não acrescentou muito à equipa. Nos minutos subsequentes ao golo, tivemos algumas hipóteses de acabar com o jogo, mas os remates do Mitroglou, Zivkovic e Jonas saíram para fora. Numa das melhores jogadas do encontro com o Zivkovic e Mitroglou, o Jonas ficou isolado já dentro da área, mas houve um corte providencial para canto no último momento. O Chaves não tinha tanta liberdade como na 1ª parte, mas ainda obrigou o Ederson a uma das melhores defesas do jogo num remate de fora da área aos 82’. Aos 89’, pudemos finalmente respirar de alívio com o bis do Mitroglou, que ganhou uma bola aérea no corpo-a-corpo com um defesa e, perante o guarda-redes, desviou a bola.

Individualmente, novo destaque para o deus grego: Mitroglou! Mais dois golos na sua melhor sequência de jogos desde que chegou ao Benfica. O Rafa fez uma 1ª parte muito fraca, mas como foi desviado para a esquerda na 2ª subiu exponencialmente de produção, já que teve muito mais espaço. O Nélson Semedo, com duas assistências para golo, é outro dos destaques óbvios, mas como levou um amarelo vai ficar de fora em Santa Maria da Feira. O Ederson voltou a fazer uma defesa decisiva e os centrais (Luisão e Lindelof) também estiveram bem. O resto da equipa esteve num nível aceitável, apenas achei um pouco temerário por parte do Rui Vitória jogar os últimos 15’ com dois habituais suplentes (Samaris e Filipe Augusto) no meio-campo. Apesar de não estar a fazer um jogo por aí além, o Pizzi deveria (mesmo levando em conta estar tapado nos amarelos) ter-se mantido em campo até final (poderia ser desviado para a direita e ter saído o Zivkovic, por exemplo)

Continuamos a não ser muito constantes em termos de exibição durante os 90’, mas lá vamos conseguindo as vitórias. O problema é que o CRAC foi buscar o Soares que lhes garantiu mais três pontos (marcou em todos os jogos desde que chegou!). Confesso que depois do jogo frente à Juventus, estava com esperanças de uma escorregadela deles no Bessa, mas marcaram muito cedo. Se as coisas se mantiverem assim, é imperioso derrotá-los quando vieram à Luz no início de Abril, porque (nunca me cansarei de repetir) temos que chegar ao WC com margem de manobra.

segunda-feira, fevereiro 20, 2017

Mitroglou

Obtivemos uma vitória importantíssima em Braga por 1-0 e continuamos na liderança do campeonato com o CRAC a um ponto e a lagartada a dez. Pelo segundo jogo consecutivo, o Mitroglou resolveu e desta feita com um do melhores golos do campeonato. Tal como se esperava, foi uma partida complicadíssima em que só marcámos a dez minutos do fim, mas numa altura em que estávamos a ser a melhor equipa.

Já se sabe que as jornadas depois da Champions têm sempre um nível de dificuldade acrescido (basta ver os resultados de todas as equipas que participam naquela competição) e não ajudava nada que esta fosse a ida a Braga, mesmo que os locais não passem por um bom momento. Com o Jonas ainda sem estar recuperado, voltou a jogar o Rafa no seu lugar, tendo reentrado o Zivkovic na equipa em vez do Carrillo. Entrámos melhor nos primeiros minutos, mas foi sol de pouca dura, porque o adversário foi superior na maior parte do primeiro tempo. Mesmo assim, as (poucas) oportunidades foram repartidas, porque o Mitroglou desviou por cima num lance em que o Marafona ainda tocou na bola antes de ela chegar ao grego e levámos com uma bola ao poste pelo Battaglia, na sequência de um canto já perto do intervalo.

A 2ª parte principiou na mesma toada, mas com o passar o tempo o Braga foi-se afundando e nós subindo de produção. O problema foi que não conseguíamos rematar à baliza, porque o último passe invariavelmente não saía e nós tínhamos alguma cerimónia perto da área. Os treinadores foram fazendo substituições, mas as nossas acrescentaram mais do que as deles, com destaque para a entrada do Jiménez que acabou por ter acção no golo: roubo de bola do Pizzi ao Assis aos 80’, contra-ataque nosso com o mexicano a abrir no Mitroglou descaído sobre a direita, o grego parecia que estava a demorar muito, mas num espaço mínimo de terreno desenvencilhou-se de dois defesas, aguentou a carga de um terceiro e atirou por entre as pernas do Marafona! Um lance genial que não desmereceria ao Messi! Até final, conseguimos manter o Braga longe da nossa área, com excepção de um livre já depois dos 90’ em que deixámos um adversário cabecear à vontade, mas a bola foi fraca para as mãos do Júlio César.

Em termos individuais, o Mitroglou é obviamente o homem do jogo. Um golo daqueles, ainda por cima sendo o único, é razão mais do que suficiente. Também gostei bastante do Rafa, que terá feito o melhor jogo desde que chegou. Bastante rápido, a antecipar-se muitas vezes aos defesas, tem que aprender a definir melhor o último passe e a aprender a rematar. O Lindelof estava a fazer um óptimo jogo, mas aquela última bola foi responsabilidade sua. O Eliseu estava igualmente bem, mas resolveu sair a fintar no meio-campo a meio da 2ª parte e provocou um contra-ataque muito perigoso ao Braga. Grande parte do nosso problema neste jogo (e frente ao Dortmund) residiu no facto de tanto o Pizzi como o Fejsa não estarem na sua melhor forma. O nosso meio-campo nunca se conseguiu impor de forma consistente e acho que o Rui Vitória terá de pensar numa solução alternativa em partidas perante adversários mais fortes: claramente neste momento só Pizzi e Fejsa não são suficientes.

Depois do que se viu na 6ª feira (com o CRAC a ganhar 4-0 ao Tondela, mas com o primeiro golo perto do intervalo a sair de um penalty inventado e logo a seguir uma expulsão por duplo amarelo em que foi o Soares a fazer falta sobre o defesa, cortesia do sr. Luís Ferreira), este jogo era crucial para mostrar que, apesar de estarem a fazer tudo para puxar outra equipa lá para cima, nós não nos deixamos abater assim tão facilmente. Mesmo não tendo feito uma exibição por aí além, conseguimos o mais importante e, se ficarmos todos felizes em Maio, ir-nos-emos lembrar desta vitória no final da época como um dos momentos mais marcantes.

P.S. – Nomear o sr. Tiago Martins, que tinha expulsado o Rui Vitória na meia-final da Taça da Liga, para este jogo foi claramente uma provocação. Se o golo invalidado ao Mitroglou ainda se pode aceitar, porque é muito difícil de ver, e no penalty sobre o Salvio a maneira como ele cai pode suscitar dúvidas (mas é penalty, porque é rasteirado na perna esquerda), há dois lances que o definem enquanto árbitro. Na 1ª parte, o Rafa é rasteirado, mas a bola sobra para o Salvio que ia fazer um ataque perigoso, mas ele não dá a lei da vantagem e apita para mostrar o amarelo ao jogador do Braga. Na 2ª parte, o Eliseu agarra o Rui Fonte, este cai e tenta passar a bola para dois colegas que ficariam em boa posição para um ataque perigoso, mas não o consegue e só aí o árbitro assinalou a falta e o amarelo. Ou seja, esteve claramente à espera para ver no que o lance ia dar antes de apitar. De falta de coerência não pode ser acusado...!

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Sorte e eficácia

Vencemos o Borussia Dortmund por 1-0 na 1ª mão dos oitavos-de-final da Champions. Perante um adversário fortíssimo, não me custa nada a admitir que tivemos bastante sorte, um grande guarda-redes e que o resultado foi lisonjeiro para nós. Mas o futebol consegue ser imprevisível e sabe muito bem quando é a nosso favor!

Com o Jonas indisponível por problemas na coluna e o Zivkovic castigado ainda do tempo do Partizan, o Rui Vitória apostou no Rafa e manteve o Carrillo a titular. Entrámos bem nos primeiros cinco minutos, em que o Salvio deveria ter feito melhor quando estava em boa posição, mas o remate saiu demasiado torto. E, pronto, foi tudo da nossa parte até ao intervalo… Os alemães controlaram completamente a partida e foram criando oportunidades para marcar, mas o Aubameyang & Cia tiveram felizmente um jogo para esquecer em termos de finalização. O gabonês falhou isolado perante o Ederson pouco depois dos dez minutos, o Lindelof cortou um remate do Dembélé que ia para a baliza e o Fejsa não conseguiu proteger a bola perante o Raphael Guerreiro, que ainda centrou, mas o Aubameyang chegou atrasado. Ou seja, poderíamos bem ter chegado ao intervalo com a eliminatória decidida contra nós. A posse de bola do Dortmund era brutal e nós não conseguíamos ligar um passe.

Para a 2ª parte, o Rui Vitória decidiu que estava na altura de voltar a jogar com 11 e tirou o Carrillo, que depois da grande exibição frente ao Arouca (ah, não, espera, afinal só marcou um bom golo…!) voltou ao nível com que nos habituou. Para o seu lugar, avançou o Filipe Augusto e a equipa ficou mais sólida no meio-campo. Entrámos novamente bem e fomos altamente eficazes ao marcar na única vez em que um remate nosso chegou à baliza: canto do Pizzi aos 48’, cabeçada do Luisão que o guarda-redes Burki provavelmente defendia, se o Mitroglou não tem desviado a bola e atirado posteriormente para a baliza. Golo à ponta-de-lança! A partir daqui, o Borussia voltou a vir para cima de nós e valeu-nos São Ederson que fez uma exibição a lembrar a do Preud’homme frente à Fiorentina em 1996/97: defesas perante o Dembélé, Reus, Piszczek e a um remate do Pulisic que foi desviado pelo Jiménez! Com se isto não bastasse, pelo meio ainda defendeu um penalty do Aubameyang aos 58’, a punir um carrinho do Fejsa com o braço demasiado levantado. O mesmo Aubameyang que, completamente isolado, já tinha atirado novamente por cima antes disso. Quanto a nós, defendíamos com muita garra, para além da do Filipe Augusto a entrada do Cervi também contribuiu para isso, mas por umas quantas vezes não conseguimos meter o passe que poderia criar uma situação de desequilíbrio a nosso favor.

O destaque óbvio do jogo, por tudo o que já referi, é o Ederson, que ontem terá selado definitivamente a sua saída no final da época. Depois do que se viu, será impossível que algum tubarão não o venha buscar. Outro em grande evidência foi o capitão Luisão, que fica com muito para contar no seu 500º(!) jogo pelo Benfica. É o Maior! O Lindelof foi igualmente muito importante para manter a nossa baliza a zeros. O Salvio foi o melhor na 1ª parte, mas esteve mais discreto na 2ª, quiçá a ressentir-se fisicamente do esforço. O Pizzi passou bastante ao lado do jogo e também já vi o Fejsa fazer melhor. Não é fácil conter o ataque dos alemães, é certo, mas ambos pareceram um pouco perdidos especialmente na 1ª parte. O Mitroglou marcou um golo importante e merece naturalmente uma palavra por isso. Quanto ao Carrillo, já disse o que tinha a dizer e o Rafa também quase não se viu. A diferença para o Cervi foi brutal, aliás, não percebo porque é que o argentino é muitas vezes preterido em favor daqueles dois…

Foi uma vitória que nos dá bastante prestígio, iremos sofrer na 2ª mão, mas neste momento estamos em vantagem. A estatística vale o que vale, mas das 13 vezes que fomos para a 2ª mão com uma vantagem de 1-0 só numa fomos eliminados (Anderlecht na pré-eliminatória da Champions em 2004/05). No entanto, o que me interessa mesmo é o campeonato e veremos como a equipa reagirá a este desgaste em Braga.

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

Agradável

Vencemos na 6ª feira o Arouca por 3-0 e, com as posteriores vitórias do CRAC em Guimarães (2-0) e da lagartada em Moreira de Cónegos (3-2), manteve-se tudo igual na frente, com um ponto de vantagem sobre os assumidamente corruptos e dez sobre os outros. Foi uma partida bem conseguida da nossa parte, em que estávamos a fazer uma boa exibição até aos 41’ quando o Ederson foi expulso e depois fomos inteligentes na maneira como soubemos aguentar (e até aumentar) a vantagem.

O Rui Vitória surpreendeu ao apostar no Carrillo no lugar do lesionado Salvio, mas foi o Zivkovic a estar em destaque logo desde o início ao conduzir boa parte dos nossos ataques. O Arouca tentava responder na medida do possível, mas fomos nós a criar as maiores situações de perigo com destaque para um remate do Luisão em boa posição num canto para uma defesa do Bolat. Depois de termos visto um golo anulado ao Mitroglou por fora-de-jogo do Jonas que teve intervenção no lance, aos 25’, inaugurámos o marcador com um centro milimétrico do Jonas para a cabeça do mesmo Mitroglou. Pouco depois, nova assistência do Jonas para um remate de primeira do nº 11 que o guarda-redes blocou, mas dez minutos depois do primeiro o grego bisou com um remate também de primeira já dentro da área, na sequência de uma insistência do Eliseu na esquerda, que posteriormente fez a assistência. Aos 41’, o Sr. Manuel Mota demorou uma eternidade, mas acabou por expulsar o Ederson por indicação do fiscal-de-linha. O nosso guarda-redes saiu um pouco extemporaneamente da área para tentar cortar um ataque contrário, quando ainda havia dois defesas nossos na jogada, e de facto atinge o jogador adversário. Saiu o Mitroglou para entrar o Júlio César, mas logo na altura me pareceu que seria melhor ter saído o Jonas, dado o desgaste que se antevia com menos um.

Um jogo que deveria já estar decidido ficou assim em dúvida para a 2ª parte. No entanto, logo aos 49’ demos uma machadada fortíssima no Arouca ao fazer o 3-0 pelo Carrillo: grande jogada do Nélson Semedo desde a nossa defesa, tabela com o Mitroglou Jonas, bola para o Pizzi e assistência num timing perfeito para o Carrillo picar por cima do guarda-redes. Um golão! O Arouca, apesar de ter continuado a tentar, sentiu o nosso terceiro golo e só teve uma verdadeira oportunidade à passagem da hora de jogo, com um cabeceamento desviado inadvertidamente pelo Nélson Semedo que proporcionou ao Júlio César uma grande defesa por instinto. Nós lá substituímos o Jonas pelo regressado Jiménez e o Filipe Augusto voltou a render o Pizzi. Até final, o Luisão teve uma boa chance num livre, mas rematou por cima. Teria sido uma óptima maneira de comemorar o seu 499º(!) jogo pelo Glorioso.

Em termos individuais, o Mitroglou com dois golos merece obviamente uma menção, mas quem me continua a encher as medidas é o Zivkovic, que vai fazer muita falta frente ao Borussia Dortmund por conta da expulsão que teve ainda no Partizan. O Carrillo marcou um grande golo, melhorou um bocadinho o seu nível exibicional, mas ainda está muito longe de me convencer. Ao invés, os laterais (Nélson Semedo e Eliseu) estiveram bastante bem e muito participativos no ataque. Espero que a excelente defesa que fez contribua para que o Júlio César readquira confiança, porque vem aí uma deslocação muito difícil a Braga.

Amanhã teremos a Champions na Luz, mas o jogo mais importante será o do próximo domingo na Pedreira. Não nos podemos distrair, porque deixámos de ter margem de manobra e a entrada do Soares no CRAC continua a fazer mossa: continuam sem jogar nada, mas agora a bola entra...

segunda-feira, fevereiro 06, 2017

Normalidade

Vencemos o Nacional por 3-0 e continuamos com um ponto de vantagem para o CRAC que venceu a lagartada por 2-1 (não é que fossem necessárias mais provas, mas mais uma vez se demonstra que a lagartada não serve mesmo para coisa nenhuma). Perante um dos adversários mais fracos que passaram esta época pela Luz, o nosso triunfo foi justo e nem foi preciso jogarmos um grande futebol.

Já se sabe que, nestas partidas até entrar o primeiro golo, as coisas nunca são fáceis. Felizmente conseguimo-lo ainda na 1ª parte, o que ajudou a superar os traumas que vinham de duas derrotas consecutivas. Que os houve e foram visíveis. O Pizzi conseguiu recuperar de Setúbal (nem sei bem como...), mas notou-se que não estava no pleno da sua forma. Começámos a partida imprimindo velocidade e as ocasiões foram surgindo, com o Jonas em destaque por lhe terem pertencido grandes parte delas, mas os remates ou saiam fracos ou por cima. Até que aos 26’, finalmente, o nosso 10 conseguiu atinar com a baliza e fazer o 1-0 de cabeça depois de um centro teleguiado do Zivkovic. E foi o mesmo Jonas, depois de ter levado um amarelo escusadíssimo por ter atirado a bola contra o chão (num jogador com a experiência dele, não se percebe uma reacção daquelas com o resultado já a nosso favor), a aumentar a vantagem para 2-0 com um excelente remate rasteiro em arco de pé esquerdo de fora da área. Até ao intervalo, poderíamos ter resolvido definitivamente o jogo, mas o cabeceamento do Mitroglou, depois de nova assistência do Zivkovic, saiu ao lado.

Para a 2ª parte, a tendência da partida manteve-se: o Nacional não conseguia chegar à nossa baliza e nós íamos controlando a partida, mas já sem grande velocidade. Os madeirenses deveriam ter ficado com 10 à passagem da hora de jogo, porque o Rui Correia atingiu por trás o Salvio sem hipóteses de jogar a bola, mas o sr. Luís Godinho incompreensivelmente só mostrou o amarelo. Dado que não estamos a atravessar uma fase positiva, era importante marcamos o terceiro para dissiparmos quaisquer dúvidas e o Mitroglou teve uma cabeçada à figura do Adriano, quando estava em boa posição. Entretanto, começaram a surgir as substituições (estreou-se o Filipe Augusto) e foi o recém-entrado Rafa a assistir o mesmo Mitroglou aos 81’, permitindo-lhe finalmente marcar o seu golito.

Em termos individuais, o destaque tem que ser dado ao Jonas pelo primeiro bis da época. Nota-se que ele não está ainda na sua melhor forma, o que o deixa frustrado e nervoso (o estúpido amarelo pode ser reflexo disso), mas façamos votos para que estes golos o ajudem a atingi-la. Outro dos melhores em campo foi indiscutivelmente o Zivkovic, que está cada vez mais preponderante na equipa, não só com as suas assistências, mas também pelo que ajuda em termos defensivos. Quanto ao Salvio, que tem alguns (inacreditáveis para mim) anticorpos entre os benfiquistas, claro que (ainda... espero) não é o jogador que nos habituou, mas tem o mérito de nunca desistir. E, de vez em quando, as coisas saem-lhe bem (subiu bastante de produção na 2ª parte). A defesa esteve segura, mas o Nacional nunca a colocou verdadeiramente à prova. Ter-se-á de rever num futuro próximo, mas não desgostei do Filipe Augusto: pareceu-me inteligente na abordagem dos lances, a perceber para onde é que a bola ia e com boa capacidade de passe.

Teremos novo jogo em casa na próxima sexta-feira, perante o Arouca, e não se espera menos do que uma nova vitória. Desperdiçámos de maneira inglória uma vantagem muito confortável que teremos de reaver em parte sob pena de ainda fazermos a lagartada ganhar a época. Aposto que esqueceriam tudo de mau que têm feito, se pudessem roubar-nos o campeonato e oferecê-lo ao CRAC quando tivermos que ir ao WC perto do final de Abril. Mas ainda há muitos jogos até lá e não podemos de todo voltar a facilitar.

terça-feira, janeiro 31, 2017

Zero

Perdemos em Setúbal por 0-1 e ficámos só com um ponto de vantagem para o CRAC no 2º lugar. Parece quase impossível que ainda há três semanas tenhamos tido uma dupla vitória em Guimarães, que alargou a nossa diferença para seis pontos, com a perspectiva de ter quatro jogos em casa nos seguintes cinco e assim poder aumentá-la, e apenas três partidas depois estejamos agora nesta situação. Atravessamos indiscutivelmente a pior fase da época e o futuro não está nada risonho.

Claro que tudo poderia ter sido diferente se os remates do Mitroglou e do Cervi não tivessem passado a rasar o poste nos primeiros cinco minutos. O V. Setúbal demonstrava muito mais garra do que nós na disputa da bola e marcou o golo na primeira vez que foi à nossa baliza: escorregadela comprometedora do Lindelof e, na sequência da jogada, há um centro para a área, o Luisão ficou nas covas e o Zé Manuel (emprestado pelo CRAC) cabeceou sem hipóteses para o Ederson. Estávamos no 21’, mas tive logo a sensação de que, se não marcássemos até ao intervalo, as coisas ficariam muito feias. Tivemos um remate perigoso do Pizzi por cima e um cabeceamento em balão do Luisão que um defesa tirou sobre a linha, mas na maior parte do tempo não conseguíamos imprimir velocidade no ataque, o que, com o V. Setúbal bem posicionado defensivamente, tornava tudo muito complicado.

Para a 2ª parte, entrou o Rafa em vez do apagado Cervi, mas à semelhança do encontro frente ao Moreirense entrámos completa e incompreensivelmente a dormir! Continuávamos com duas velocidades, lentos e parados, e nem chegávamos à área contrária. Só a partir dos 60’ começámos a ter oportunidades, mas sobram dedos de uma só mão para as contabilizar. Um desvio do Mitroglou por cima, quando só tinha o Bruno Varela pela frente, e outro remate de primeira também do grego à figura já nos descontos foram as duas melhores chances que tivemos. Muito, muito, muito pouco para quem tinha obrigação de ganhar.

Em termos individuais, é praticamente impossível destacar alguém. Talvez o Zivkovic tenha sido o menos mau. O Fejsa reentrou na equipa depois da lesão, mas errou uma série de passes, os centrais foram batidos infantilmente no golo, o André Almeida fez das piores exibições dos últimos tempos, mas o nosso grande problema é o estoiro físico do Pizzi e do Jonas. O 21 tem sido a nossa grande figura até agora, mas ontem esteve péssimo e foi patética a maneira como jogou praticamente ao pé coxinho durante grande parte da 2ª parte, quando ainda só tínhamos feito uma substituição! Incompreensível! Ainda para mais, estando lesionado, também não se compreende como não aproveitou para limpar os amarelos, já que é muito duvidoso que jogue para a semana. Quanto ao Jonas, está longe de estar na sua melhor forma física, o que não é de espantar dado que perdeu grande parte da época.

Eu percebo que 30M€ sejam muito difíceis de recusar, mas veremos se esta saída a meio da época de quem nos fez esquecer do melhor jogador dos últimos dois anos durante a 1ª volta não nos irá custar o 36... É que não estou a ver ninguém no plantel com a capacidade rompedora do Gonçalo Guedes, a aguentar fisicamente com os adversários e com alguma capacidade de remate de fora da área. Outra questão muito preocupante é a posição 8: o Pizzi não vai dar para a época toda, o André Horta passa muito tempo lesionado e não há mais ninguém! Vejo nuvens muito negras no nosso horizonte..

P.S. – Independentemente da nossa miserável exibição, não pode ser deixado passar em claro um penalty do tamanho do mundo no último minuto de compensação sobre o Carrillo: entra na área, puxa a bola para trás sobre a linha de fundo e é passado a ferro por um adversário! O Sr. João Pinheiro apitou... para o final do jogo! QUE ROUBO! E já nem falo do amarelo ao Nuno Pinto, que deveria ter sido vermelho, logo aos 57’ por entrada duríssima sobre o Luisão... Aquela célere reunião do Conselho de Arbitragem com os clubes, a pedido do CRAC e da lagartada, já começa a fazer os seus efeitos. Desde aí, já tivemos um 3º golo do Boavista irregular e agora este penalty mais que evidente não assinalado. A coisa promete...!

quinta-feira, janeiro 26, 2017

INCONCEBÍVEL!

Perdemos com o Moreirense (1-3) na final four da Taça da Liga e fomos eliminados. Vou voltar a repetir: perdemos com o Moreirense (o M-o-r-e-i-r-e-n-s-e!) por 1-3 e não vamos à final da Taça da Liga. Ou seja, perdemos a oportunidade de fazer história ao nível do futebol português e ganhar na mesma época todos os troféus nacionais em disputa. Porque, lá está, perdemos com o Moreirense!

Ainda para mais, não poderíamos ter desejado melhor começo de jogo e marcámos logo aos 6’ pelo Salvio, num golão depois de um óptimo centro do Eliseu. No entanto, a partir daqui, os jogadores do Benfica acharam que tinham o jogo ganho e a desaceleração foi evidente. O Moreirense praticamente não criou perigo na 1ª parte, o que ajudou a sedimentar essa impressão de que a vitória estava garantida. Mesmo assim, ainda tivemos algumas oportunidades para aumentar a vantagem, mas o Jonas e o Salvio permitiram duas boas defesas ao Makaridze, e o André Almeida não conseguiu chegar à bola e desviar para a baliza um cabeceamento do Lisandro num canto.

Na 2ª parte, as camisolas do Benfica entraram em campo e jogaram sozinhas até aos 75’. Claro está que assim sendo foi fácil ao Moreirense marcar três golos! (Repito: sofremos T-R-Ê-S golos do Moreirense!) Logo aos 46’, pelo recém-entrado Dramé, aos 54’, pelo Boateng (na sequência de um livre, em que há um puxão nítido ao Eliseu que o impede de disputar a bola), e aos 71’, novamente pelo Boateng, depois de uma incrível perda de bola a meio-campo do Jardel. Aos 75’, os jogadores do Benfica lá se decidiram entrar em campo e o Jonas ainda atirou duas bolas aos ferros, o Salvio teve um cabeceamento a rasar o poste e o Makaridze fez um par de boas defesas. Tivéssemos jogado sempre como nesses últimos 15’ e outro resultado haveria…

É quase um sacrilégio fazer destaques individuais depois de uma exibição destas, mas o Salvio foi dos melhores enquanto teve pernas, o Eliseu não pareceu estar há dois meses sem jogar e o Zivkovic deveria ter entrado mais cedo. Quanto aos outros, foi quase tudo de fugir, mas mesmo assim nenhum bate o Carrillo…!

O que mais me preocupa nesta debacle é que já não é a primeira vez (nem a segunda) que acontece: já em Istambul, tivemos três golos de vantagem e desligámos o cérebro e esse mesmo desligar aconteceu há bem pouco tempo na primeira meia-hora contra o Boavista. Como é possível uma equipa como a nossa desconcentrar-se desta maneira e andar completamente à nora durante 30’ num jogo em que entrámos a ganhar logo aos 6’?! Sinceramente, não se compreende! Jamais me conformarei com a perda desta oportunidade de ouro para ganhar tudo, ainda por cima quando nas taças já não estavam nenhum dos outros dois. Veremos a repercussão que isto terá para o futuro, mas as últimas exibições (e a catrefada de golos sofridos!) não me deixam nada confiante para os próximos tempos.

segunda-feira, janeiro 23, 2017

Goleada enganadora

Vencemos o Tondela por 4-0 no primeiro jogo da 2ª volta e mantivemos os 4 pontos de vantagem sobre o CRAC (4-2 em casa ao Rio Ave), tendo aumentado para 10 em relação à lagartada, que empatou na Madeira com o Marítimo (2-2). Quem olhar para o resultado sem ter visto o jogo pode pensar que foi uma vitória fácil e tranquila do tricampeão. Puro engano: basta referir que desde a 2ª jornada, contra o V. Setúbal em Agosto, que não ficávamos a zeros ao intervalo em jogos para as provas nacionais.

O Rui Vitória deu a titularidade ao Zivkovic em detrimento do Salvio e foi essa a única alteração em relação ao onze base dos últimos jogos. O Tondela, apesar de estar em último lugar, fez um jogo defensivamente muito bem conseguido (em alguns períodos com o inevitável antijogo, mas já se sabe…) e nós tivemos tremendas dificuldades para criar perigo no primeiro tempo. Um remate do Jonas que proporcionou ao Cláudio Ramos uma boa defesa e uma cabeçada do Mitroglou a centro do mesmo Jonas foram as duas ocasiões que tivemos para marcar. Quanto à defesa, não tivemos dificuldades de maior, excepto num lance em que o Tondela ainda marcou, mas em claro fora-de-jogo.

Para a 2ª parte, saiu o apagado Cervi (desta feita, a substituição do argentino foi justa) e entrou o Salvio. Mas, mais importante do que isso, é que entrámos com outro espírito e começámos a pressionar o Tondela como nunca o tínhamos feito até então. A atacar para a baliza grande, o Zivkovic ia marcando logo de entrada, num remate de ressaca, não fosse o guarda-redes fazer a defesa do jogo. Aos 59’, começámos finalmente a desatar o nó, com o Pizzi a inaugurar o marcador num remate cruzado de pé esquerdo, já dentro da área, depois de uma assistência do Samaris. A partir daqui, milagrosamente, os visitantes deixaram de estar lesionados e o jogo foi muito mais fluido. O Tondela ia tentando responder, deixando de ter tantas preocupações defensivas, ao que nós respondemos com velocidade na tentativa de fechar a partida. O Mitroglou teve um problema físico (esperemos que passageiro…) e teve que ser substituído pelo Rafa aos 70’. Pouco depois, aconteceu o único lance em que o Tondela criou perigo, num remate de fora da área do Francisco Ferreira defendido pelo Ederson a dois tempos. De seguida, o Salvio não conseguiu dominar bem a bola, quando estava isolado, permitindo a intercepção do Cláudio Ramos, mas aos 76’ o desfecho do jogo ficou decidido com o 2-0: grande abertura do Samaris para o Nélson Semedo na direita fazer um centro atrasado para o Pizzi bisar. Grande jogada! Já nos últimos dez minutos, o Rafa assistiu o Salvio para um remate cruzado que rasou o poste e aos 84’ foi o mesmo Rafa a estrear-se FINALMENTE a marcar pelo Glorioso: grande passe do Jonas e o internacional português a fazer o 3-0 num chapéu magistral ao guarda-redes. A equipa caiu em cima dele nos festejos! Para terminar em beleza, fizemos o 4-0 já nos descontos num penalty do Jonas a punir um puxão ao André Almeida.

Em termos individuais, óbvio destaque para o Pizzi pelos seus dois golos, para o Samaris pelas jogadas nesses mesmos golos, e para o Zivkovic que foi dos que mais procurou criar desequilíbrios. A defesa praticamente não teve trabalho e o Ederson foi pouco mais que um espectador.

Como disse o Rui Vitória no final, e bem, esta partida demonstrou que isto vai ser muito difícil até final. Nada está garantido e mesmo equipas nos últimos lugares da tabela podem tornar-se bastante complicadas. Uma das coisas que mais gosto na nossa equipa é que raramente perdemos a cabeça em campo e começamos a jogar à maluca se as coisas não estiverem a correr bem. A mudança da 1ª para a 2ª parte é bem exemplo disso: bastou imprimir mais velocidade para as coisas melhorarem. Sabemos perfeitamente o que temos de fazer em cada momento do jogo e isso é sinal de muita maturidade competitiva. Para o próximo fim-de-semana, temos a final four da Taça da Liga e esperamos sair de lá com o segundo troféu da temporada.

P.S. – O Gonçalo Guedes ficou de fora dos convocados, indiciando uma venda iminente. Fala-se em 30 milhões de euros, uma quantia irrecusável, principalmente em jogadores que não são titulares absolutos. No entanto, não sou nada fã destas transferências a meio da época e, esperando estar enganado, acho que vai fazer falta.

quinta-feira, janeiro 19, 2017

Goleada

Estamos nas meias-finais da Taça de Portugal ao derrotar o Leixões por 6-2. Perante um adversário que está nos últimos lugares da II Liga, mal feito fora que nos deixássemos eliminar ainda por cima em casa, mas de qualquer maneira já se sabe que nenhum jogo está ganho antes de ser jogado.

Consciente da fase da competição em que estamos, o Rui Vitória acabou (e bem) por não mexer muito na equipa: só mudou o guarda-redes (Júlio César), os centrais (Lisandro e Jardel) e os extremos (Carrillo e Zivkovic). Encarámos a partida de uma maneira séria e logo desde o início que procurámos o golo. Um remate do Zivkovic ia provocando um grande frango e acabámos por inaugurar o marcador aos 21’ através de um remate de pé esquerdo do Pizzi, depois de um alívio da defesa a um centro do Nélson Semedo da direita. Pouco depois, o mesmo Pizzi falhou incrivelmente o segundo golo ao atirar por cima em excelente posição depois de uma boa jogada do Carrillo (ena, ena, alvíssaras, alvíssaras!) na esquerda. O segundo golo acabou por surgir aos 31’ num centro em arco do André Almeida que o Mitroglou não chega a desviar. Foi o primeiro golo oficial do nosso Veloso dos tempos modernos, razão pela qual houve grande festa no campo e no banco. Aos 38’, aumentámos a vantagem através do Jonas num desvio precioso, depois da intercepção de um defesa a um remate do Mitroglou (tinha obrigação de ter marcado, já que o guarda-redes estava fora do lance). Quando se pensava que iria ser um jogo mais que tranquilo, o Leixões reduziu a desvantagem mesmo antes do intervalo (44’) numa boa jogada atacante concretizada pelo Porcellis.

Para a 2ª parte, o Rui Vitória deu descanso ao Pizzi, fazendo entrar o André Horta. Logo de entrada, o Mitroglou atirou de cabeça à barra e, poucos minutos volvidos, o grego proporcionou uma boa defesa ao guarda-redes Assis numa óptima assistência do Jonas. Mas, aos 60’, o Mitroglou marcou mesmo de penalty depois de um agarrão ao Zivkovic na área. Palavra muito elogiosa para o Jonas que deu a bola ao seu companheiro para ser ele a marcar o castigo máximo. Para além de grande jogador, é um grande homem! O Leixões nunca deixou de lutar e foi recompensado com o segundo golo aos 67’, novamente pelo Porcellis, depois de uma triangulação atacante. No entanto, nós nem os deixámos respirar com isso, porque aumentámos de novo o marcador aos 70’, outra vez pelo Mitroglou, depois de uma jogada fantástica do Zivkovic na direita, com a bola ainda a ser desviada por um defesa para assistir inadvertidamente o grego. Já em tempo de compensação, fizemos o 6-2 final numa assistência do Carrilo na esquerda para o Mitroglou concretizar o hat-trick.

Quem marca três golos num só jogo, merece indiscutivelmente destaque e, neste sentido, o Mitroglou foi mesmo o melhor em campo. Todavia, muito perto ficou o Zivkovic, que baralhou completamente os adversários e está a tornar-se um caso sério na equipa. O André Almeida esteve igualmente num plano elevado, reforçado pelo golo que marcou. O André Horta entrou melhor do que em Guimarães para o campeonato, o que é bom, porque o Pizzi precisa de algum descanso.

Iremos agora defrontar o Estoril em duas mãos nas meias-finais, mas, com a eliminação da lagartada em Chaves (0-1), somos os claros favoritos à conquista do troféu. No entanto, já se sabe que é sempre preciso levar tudo muito a sério e estarmos concentrados ao máximo, porque se esta época pode ser inédita a nível nacional, ainda temos muitos obstáculos para superar até lá.

segunda-feira, janeiro 16, 2017

Percalço

Empatámos na Luz com o Boavista (3-3) e, como o CRAC ganhou ao Moreirense (3-0), vimos a nossa vantagem reduzida para 4 pontos. O que valeu foi que a lagartada não aproveitou o nosso deslize e empatou em Chaves (3-3), mantendo-se a 8 pontos de distância.

Quando aos 25’ o Boavista fez o 0-3, os que têm idade para isso ter-se-ão lembrado desse mesmo resultado em 1999, quando o Souness resolveu estrear britânicos sofríveis acabados de chegar num jogo decisivo. Está longe de ser a mesma coisa, mas quando vi a nossa formação inicial, torci logo o nariz: jogar na Luz, perante um adversário teoricamente inferior, sem nenhum ponta-de-lança de raiz, parece-me SEMPRE um mau princípio. Bem sei que o Gonçalo Guedes foi brilhante e decisivo em Guimarães, mas é diferente jogar fora para a Taça da Liga, numa partida em que nos bastaria o empate, do que em casa para o campeonato. Além disso, a equipa tinha feito uma boa exibição em Guimarães para o campeonato, com o Mitroglou na frente e a participar nos dois golos, pelo que colocar o grego no banco foi manifestamente um erro. Claro que tudo poderia ter sido diferente se o mesmo Gonçalo Guedes, depois de uma jogada fantástica do Rafa, tivesse desfeiteado o Agayev logo aos 12’, mas, mesmo estando isolado e só com ele pela frente, atirou ao lado. Dois minutos depois, o Sr. Luís Ferreira não assinalou uma falta sobre o Rafa à entrada da nossa área, mas sim uma falta do Pizzi logo a seguir. Golo do Boavista num livre do Iuri Medeiros, com a bola ainda a bater na barra antes de entrar. Nós tentámos ripostar, mas foram os axadrezados a aumentar a vantagem aos 20’, numa cabeçada do Lucas depois de um livre do mesmo Iuri Medeiros. Queixámo-nos de um braço do Lucas sobre o André Almeida, mas o jogador do Boavista é bastante mais alto do que o nosso. Eu também não marcaria falta. Completamente diferente é o lance que deu o 0-3 aos 25’: o Schembri estica a perna para tentar tocar na bola em claro fora-de-jogo, esta vai para o Iuri Medeiros que estava isolado e assiste para o mesmo Schembri só ter que encostar. O avançado do Boavista faz-se ao lance, pelo que obviamente é mais do que fora-de-jogo! O choradinho dos outros a fazer o seu feito...! O Rui Vitória lá corrigiu a mão e colocou o Mitroglou no lugar do Rafa aos 37’ e foi o grego a reduzir a desvantagem aos 41’ com uma assistência do Salvio, depois de a bola lhe ter sobrado defendida pelo Agayev a um remate do Pizzi. Acabámos a 1ª parte completamente em cima do Boavista e o André Almeida tem um lance imperdoável ao não assistir o isolado Mitroglou no meio, quando só tinha o guarda-redes pela frente depois de a defesa contrária ter ficado a dormir! Resolveu rematar e o Agayev defendeu para canto. Foi algo que nos custou muito caro no final!

Tínhamos uma tarefa hercúlea para a 2ª parte, em que o Rui Vitória sacrificou o Luisão logo no reinício para colocar o Cervi e jogarmos só com três defesas. É tão fácil fazer o mais óbvio na constituição da equipa... Foi precisamente sobre o Cervi que foi feito o derrube que deu um penalty aos 52’ convertido pelo Jonas (das poucas coisas que o genial brasileiro fez de bem no jogo). A Luz acreditava na reviravolta total e a equipa também. O Guedes não estava nas melhores condições físicas e entrou o Zivkovic aos 66’. E foi do sérvio, no minuto seguinte, o centro para a igualdade num autogolo de cabeça do Fábio Espinho. A partir daqui, não houve ninguém que não acreditasse que conseguiríamos uma recuperação épica, até pelo tempo que ainda faltava até final, mas a equipa começou a ressentir-se fisicamente e, sem mais substituições para fazer, deixámos de criar tanto perigo: só tivemos um lance em que o Mitroglou rematou de primeira ao lado, quando eventualmente poderia ter tentado dominar a bola. Ao invés, podemos agradecer é ao Ederson o empate, porque teve duas magníficas intervenções perante adversários que só o tinham pela frente.

Em termos individuais, merecem destaque o Ederson, por ter mantido o empate na parte final, o Samaris, grande espírito de sacrifício com as inúmeras alterações tácticas durante a partida, e o Cervi, que foi decisivo quanto entrou na 2ª parte (não percebo porque é que ele é dos primeiros a ser sacrificados quando há mudanças na equipa. Para mim, é titular mais que absoluto). O resto da equipa teve grande coração, mas as exibições estiveram longe de ser perfeitas.

Poderia ter sido muito pior, mas falhámos no objectivo de ter os três pontos. Depois de uma brilhante vitória em Guimarães, escorregámos quando nada o faria prever. Pode ser que isto alerte os nossos jogadores de que nada é fácil nem garantido, e que devem sempre manter a concentração em alta em todos os jogos. Reduzimos margem de manobra e que este seja um jogo a não repetir no futuro.