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segunda-feira, outubro 11, 2021

Rescaldo Eleitoral 2021

Como era previsível, o Rui Costa ganhou as eleições no passado sábado, tornando-se assim no 34º presidente do nosso clube. No entanto, o grande vencedor é indiscutivelmente o Sport Lisboa e Benfica, dado que, com 40 085 votantes, batemos o recorde das eleições de 2020 (38 102) e a nível mundial aparentemente só o Barcelona teve umas eleições com maior participação do que esta. Impressionante! E revelador da grandeza do Glorioso. Claro que o facto de esta eleição ter sido a um sábado potenciou esta votação, porque já se sabia de antemão que a diferença entre os dois candidatos seria bastante superior à do ano passado. É uma ilação que eu espero que fique para o futuro: fazer sempre as eleições a um sábado.

A vitória do Rui Costa foi esmagadora com 84,48% dos votos (correspondente a 33 754 votantes), tendo o Francisco Benitez ficado com 12,24% (correspondente a 5043 votantes). Os votos brancos (1071) e nulos (217) é que mais que triplicaram em relação às eleições do ano passado (375 que só puderam ser brancos, por causa do voto electrónico), tendo sido na soma dos dois 3,28%. Como disse aqui, eu contribui para isso.
 
Com esta votação, a responsabilidade do Rui Costa, aliás, como o próprio disse na tomada de posse, aumenta bastante. Espero que ele mantenha o rumo que vinha a ser seguido em termos de resultados financeiros, inverta o que tem de ser invertido em termos desportivos (como fez neste último mercado de transferências, em que não houve comboios de jogadores a entrar e contratámos predominantemente internacionais A pelos seus países) e mude radicalmente em termos de postura (não, Sr. Luís Filipe Vieira, a "democracia a mais" NUNCA faz mal), política de comunicação (as eleições terem tido cobertura mediática nos órgãos de comunicação do clube e o regresso dos debates eleitorais foi um excelente começo, debate esse que, como se viu, foi bastante favorável ao incumbente) e relação com os sócios (o dono do clube seremos sempre todos nós, portanto não podemos ser vistos apenas como "clientes" e as AGs como uma maçada que se preferia que não houvesse). Se assim acontecer, o clube ficará a ganhar. Bastante.

sexta-feira, outubro 08, 2021

Eleições no Benfica – um ano depois...

Here we go again... Na verdade, é menos de um ano depois que voltamos às urnas para eleger o novo presidente do Benfica e ontem houve um debate na BTV com os dois candidatos, Rui Costa e Francisco Benitez. Portanto, mais do que se justifica este post que, aviso já, vai ser longo (as minhas desculpas!), mas há várias coisas que têm de ser ditas:
 
1) Se vai haver eleições agora, é porque o 7 de Julho de 2021 foi o dia mais VERGONHOSO da história do Benfica. Sim, a bold, maiúsculas e sublinhado. Não há outra maneira de o dizer. Infelizmente. O dia em que um presidente em funções do Sport Lisboa e Benfica é preso é, a milhas de distância, o pior dia da história do clube. Ainda por cima, com a acusação de ter roubado o próprio clube! Mesmo que ele seja absolvido quando o processo terminar (e vai durar vários anos), desta vergonha já ninguém nos livra. A honra do clube terá esta nódoa para sempre. E isso é imperdoável.
 
2) Espero sinceramente que o Luís Filipe Vieira seja absolvido por todas as razões que se imaginam. Porque, apesar de ter sido uma pessoa fundamental no clube a determinada altura e a quem devemos muito, uma eventual condenação fará tudo isso implodir, passar para um plano secundário, e torná-lo-á pior do que o Vale e Azevedo. Sim, pior, porque, para além de ter deixado o clube envolvido numa série de outros processos, também o terá roubado. Mas, principalmente, espero que ele seja absolvido por causa do próprio Sport Lisboa e Benfica, para que o clube saia o menos chamuscado possível disto tudo.
 
3) Dito isto, parece-me urgente tomarmos medidas para que uma situação destas não volte a acontecer. E a principal, para mim, é a limitação de mandatos. Fico bastante contente por ver que os dois candidatos estão de acordo quanto a isto. Três mandatos (12 anos), tal como nas autarquias, é tempo mais do que suficiente para se deixar obra e para que um líder se rodeie de pessoas competentes e idóneas, que o poderão eventualmente substituir e continuar essa obra. Porque ninguém é insubstituível e confundir-se o clube com uma pessoa é algo de inimaginável no Benfica. Além de que, quanto mais tempo uma pessoa está no poder, mais vícios cria e deixa criar à sua volta, mais compadrios e esquemas se potenciam, e isso, como se pode ver, deu o resultado que deu...
 
4) Outra medida que é urgente é deixarmo-nos de utopias e percebermos que a direcção do clube e, em especial o seu presidente, TEM DE ser remunerado. Já não estamos em tempos de romantismos ou de carolice. Gerir um monstro como o Sport Lisboa e Benfica não pode ser um part-time, algo que se só faça a partir das 18h. Caso contrário, só pessoas ricas é que terão disponibilidade para serem presidentes do Benfica e ficarem quatro anos sem receber salário. Porque, se não forem ricas, a não-remuneração também potencia a que se vá buscar rendimentos a outros lados. Como em comissões de transferências de jogadores ou outros negócios menos claros. O presidente ganhar o mesmo que o jogador de futebol mais mal pago do plantel pode ser um compromisso interessante.
 
4) Estas eleições tiveram o mérito de trazer de volta os debates democráticos ao nosso clube 21 anos depois! É muitíssimo tempo e a culpa também é nossa, dos sócios, que deixámos que se normalizasse uma anormalidade destas. Como se viu ontem, é possível discutir-se ideias sem insultos, nem berrarias. Quem forçou isto a voltar a acontecer (lista B) e quem aceitou que voltasse (lista A) estão ambos de parabéns.
 
5) Alguém que caísse de Marte ontem e visse o debate, não teria dúvidas em votar em Rui Costa, que se mostrou muitíssimo mais bem preparado do que Francisco Benitez. O que é natural, porque já está há 13 anos como dirigente. Mas esse também é o seu grande problema. É tempo demais de ligação a Luís Filipe Vieira e, como disse o Ricardo Araújo Pereira, o melhor que podemos pensar de Rui Costa é que foi “totó” e não reparou no que aparentemente acontecia à sua volta. Porque, senão, foi cúmplice ou conivente. E aí já seria um caso de polícia. E é precisamente por causa desse passado que eu não posso votar em Rui Costa agora. Sou absolutamente insuspeito para dizer isto, porque sempre foi dos jogadores que eu mais admirei, um enorme ídolo, é dele uma das duas únicas camisolas do Benfica com o nome de jogadores que tenho (a outra, obviamente, do grande Nuno Gomes; também deveria ter do Cardozo, mas distraí-me...) e, se fosse hoje, escreveria isto outra vez sem pestanejar. Mas votar nele, neste momento, não consigo. Terá de dar mostras no futuro que foi, de facto, “totó” e afastar-se do modus faciendi que imperou no clube nos últimos 18 anos (o regresso da visibilidade das eleições nos órgãos de comunicação do clube e os debates eleitorais são um óptimo princípio). Cumprindo satisfatoriamente esse período de nojo, daqui a quatro anos poderei pensar nisso.
 
6) Francisco Benitez tem o mérito de se ter candidatado quando mais ninguém o fez, mesmo sabendo que irá perder, permitindo assim que houvesse confronto de ideias. E isto não é de todo uma questão de somenos importância. No entanto, no debate de ontem perdeu de goleada. Era um combate desigual (alguém que foi um ídolo em campo versus outro que era desconhecido), louve-se-lhe a coragem, mas cometeu alguns erros graves: era o Rui Costa do outro lado, chamar sempre “o candidato da lista A” ficou-lhe muito mal; a rábula de procurar o papel certo sobre determinado assunto e não ter decorado nem a intervenção inicial, nem principalmente a final (em que era suposto estar a olhar directamente para a câmara, para os olhos dos benfiquistas, e não para baixo), foi confrangedor; a ideia de que se poderia ter retido um jogador por quem ofereceram 120 M€ é de um desconhecimento do mundo do futebol actual dificilmente aceitável; e o ter dito a Rui Costa que ele poderia ter voltado mais cedo como jogador permitiu que o Rui Costa lhe desse a estocada final, porque sentiu isso como uma acusação muito injusta quando ele não podia ter feito nada na época (esteve sempre sob contrato quer da Fiorentina, quer do Milan). Por todas estas razões e, consequentemente, pela impreparação que revelou para o cargo (levou outro banho na questão das pessoas para a SAD, que defendeu que tinham todas de perceber de futebol, quando é óbvio que também é preciso gestores), também não irei votar nele.
 
7) Resta o voto em branco, que é o que irei fazer. Devo dizer que fiquei bastante desiludido com a não-candidatura do Noronha Lopes, em quem votei na eleição anterior. Aí, sim, teríamos uma competição a sério, porque é muitíssimo melhor candidato que o Benitez. Aparentemente, as circunstâncias na sua vida mudaram em relação há um ano, mas então ele deveria ter dito logo em Julho, na entrevista à TVI, que não se recandidataria. No entanto, deixou isso em aberto, dando esperança a pessoas como eu. Até pode ser que não ir a jogo agora seja a atitude mais racional, mas, entre a racionalidade e o benfiquismo, eu tombo sempre para o benfiquismo. Por outro lado, nessa entrevista em Julho defendeu que as eleições deveriam ser marcadas o mais rapidamente possível e depois, quando foram marcadas, disse que eram cedo demais. Incongruências que não se percebem. A bomba atómica caiu em Julho, soube-se logo que haveria eleições, estamos agora em Outubro, passaram-se três meses e eu esperaria outro tipo de organização por parte da oposição. Infelizmente, não houve.
 
8) A mensagem final mais importante é a do costume nestes casos: vão votar! Na lista A, na lista B ou em branco, é muito importante que façamos ouvir a nossa voz. E, não, o voto em branco não é um voto desperdiçado. Imaginem só que haveria 20% de votos em branco. Acham que isso não iria dar um sinal claro ao vencedor das eleições? Pois...! Não se abstenham! VOTEM! VIVA O BENFICA!

segunda-feira, outubro 04, 2021

Inesperado

À 8ª jornada, perdemos os primeiros pontos no campeonato, foram logo os três e em casa frente ao Portimonense (0-1). Depois do brilharete europeu frente ao Barcelona, muito pouca gente estaria à espera disto. Não se pode dizer propriamente que tenhamos jogado mal, aliás, o público (e bem) saudou a equipa no final com uma tremenda ovação, mas não podemos entrar tão apáticos e, principalmente, não podemos falhar tantos golos.
 
É mais fácil fazer o totobola à 2ª feira, mas o Jesus não esteve bem ao repetir a equipa que alinhou frente ao Barcelona. Que já tinha sido a mesma que tinha ido a Guimarães. Ou seja, deveria ter feito o mesmo que no meio das pré-eliminatórias de acesso à Champions: rodá-la. Entrámos muito apáticos e em 35’ só tivemos uma oportunidade (e bem grande, por sinal), num centro do Grimaldo na esquerda e o Yaremchuk quase na pequena-área a rematar para a primeira das grandes defesas do Samuel Portugal, que foi indiscutivelmente o melhor em campo. Nos últimos 10’ da 1ª parte, por três(!) vezes o guarda-redes do Portimonense impediu o nosso golo, com defesa a um livre do Grimaldo, ao Rafa que lhe apareceu isolado na frente e a um cabeceamento também do Grimaldo. Foi das melhores exibições de um guardião na Luz nos últimos tempos. Pelo meio, o Darwin falhou um desvio de cabeça a centro do Rafa. Do outro lado, um remate de fora da área do Aylton Boa Morte proporcionou ao Vlachodimos uma boa intervenção.
 
Ao intervalo, o Jesus colocou o Gil Dias em vez do Gilberto e a 2ª parte começou praticamente com um golo nosso, pelo Yaremchuk, mas infelizmente o VAR assinalou fora-de-jogo. Este lance acabou por nos desconcentrar, o Portimonense não nos dava espaço e as coisas pioraram muito aos 66’ com o 0-1 pelo Lucas Possignolo, de cabeça na sequência de um canto. Carregávamos, ganhávamos cantos em barda, mas o Jesus resolveu tirar o Grimaldo e Weigl para colocar o André Almeida e Taarabt. Confirma-se o prejuízo que o Conselho de Disciplina nos fez ao não suspender o Taarabt uma época inteira pela expulsão na final da Taça. O marroquino esteve inenarrável como sempre e obviamente piorámos muito o nosso futebol com ele em campo. Um remate seu à entrada da área, sozinho, que passou muito ao lado foi um bom exemplo do erro que foi a sua entrada em campo. Ou, melhor dizendo, a sua presença no plantel. É que, ao menos, o Weigl faz a equipa jogar e não emperra tudo. Enfim... Até final, dois dos centrais tiveram boas chances, com uma cabeçada do Lucas Veríssimo ao lado, com o guarda-redes batido, e o Otamendi com a baliza aberta a permitir um corte sobre a linha de um defesa. O Darwin também falhou o seu segundo desvio de cabeça a um centro, ainda entraram o Gonçalo Ramos e o Everton, e, mesmo sob a hora, o Otamendi atirou ao poste num remate à entrada da área. Como disse o Jesus no final, poderíamos estar até ao dia seguinte em campo que a bola provavelmente não entraria.
 
Em termos individuais, não houve ninguém que se destacasse por aí além. As acelerações do Rafa causam sempre perigo, mas ele esteve mal na finalização, e o Gil Dias também agitou o nosso jogo, sendo dos poucos que conduziu a bola em velocidade. O meio-campo, João Mário e Weigl, esteve mais discreto, eventualmente a pagar a factura de 4ª feira e o Darwin passou ao lado do jogo, aliás, não percebo porque é que não foi ele a sair em vez do Yaremchuk para entrar o Everton.
 
Teria sido eventualmente mais proveitoso entrar em campo com três ou quatro não-titulares e depois colocar os titulares se as coisas não estivessem a correr bem. Por essa Europa fora, houve algumas surpresas nesta jornada pós-Champions (Bayern e PSG perderam), o que espero que nos sirva de lição para o futuro. Temos agora só um ponto de vantagem perante os rivais (ganharam ambos 2-1, o CRAC em casa frente ao Paços de Ferreira e a lagartada em Arouca), mas continuamos na frente do campeonato. Haverá a pausa para as selecções e quando regressarmos iremos à Trofa para a Taça de Portugal.

quinta-feira, setembro 30, 2021

Épico

Derrotámos o Barcelona na Luz por 3-0 e estamos no 2º lugar do nosso grupo da Champions com quatro pontos. Foi o regresso de uma noite europeia que vai ficar na memória de todos nós, na senda desta e desta, porque se é certo que não deu nenhum título, também é verdade que não é todos os dias que se derrota um colosso europeu. Nem todos os dias, nem todos os anos e nem todas as décadas neste caso particular, porque só o tínhamos vencido uma vez na memorável final de Berna da Taça dos Campeões de 1961. Portanto, há 60 anos que não vencíamos o Barça, que também não perdia em Portugal há 34 anos, desde o golo do Mapuata do Belenenses em 1987...!
 
O Jesus apostou na mesma equipa de Guimarães e a ousadia pagou aos 3’ com o golo inaugural através do Darwin, que flectiu da esquerda para o meio, trocou as voltas ao Eric Garcia e rematou rasteiro para o poste mais próximo do Ter Stegen. A Luz explodiu! Pouco depois, um remate do Yaremchuk saiu à figura quando tinha tudo para ser mais bem colocado. O Barça reagiu, sempre comandando pelo fabuloso Pedri, e criou algumas situações de perigo, sem, no entanto, acertar na baliza. Os nossos três centrais estiveram muito bem, com destaque para um corte impossível do Lucas Veríssimo num lance que acabou por ser fora-de-jogo. Em termos atacantes, não conseguimos produzir muito mais neste período, mas deveríamos ter ido para o intervalo com mais um jogador, porque o Piqué foi vergonhosamente poupado ao segundo amarelo pelo italiano Sr. Daniele Orsato. Tanto assim deveria ter sido, que o Koeman o substituiu logo a seguir. Em cima dos 45’, o Lazaro lesionou-se e entrou o Gilberto para o seu lugar.
 
A 2ª parte foi bastante diferente, porque não só defendemos melhor, não dando tanto espaço ao Barça para manobrar no nosso meio-campo, como estivemos sempre de olho na baliza contrária. Pouco depois do reinício, numa saída extemporânea do Ter Stegen, o Darwin contornou-o, mas o remate ainda de longe e de ângulo complicado foi ao poste. O Barcelona também atirou ao poste num livre para a nossa área, mas o jogador que fez a assistência estava fora-de-jogo. Estávamos mais próximos de marcar e a nossa superioridade ficou ainda mais vincada com a saída do Pedri, que provavelmente não aguentaria os 90’, dado que acabou de vir de lesão. Aos 69’, houve resultados práticos dessa superioridade, com o 2-0 numa recarga de trivela do Rafa, depois de uma boa combinação entre o Yaremchuk e o João Mário, com este a ficar cara-a-cara com o Ter Stegen, mas a permitir a sua defesa, com a bola a ressaltar para o nº 27 não falhar. O Jesus fez entrar o Taarabt e o André Almeida para os lugares do Yaremchuk e do amarelado Grimaldo, e aos 77’ tudo ficou decidido com o Darwin a fazer o 3-0 de penalty a castigar uma mão na área depois de uma cabeçada do Gilberto. O Sr. Daniele Orsato, que, diga-se de passagem, teve uma arbitragem muito tendenciosa, foi ao VAR e não teve outra solução que não assinalar a evidente mão. Até final, nada de mais relevante se passou, com o jogo a terminar com o estádio em euforia. Bem justificada, diga-se.
 
Em termos individuais, óbvio destaque para o Darwin, com um bis e uma 2ª parte de óptimo nível, para o Rafa, que é um acelerador que destrói qualquer defesa, e para a dupla de meio-campo, Weigl e João Mário, na qual reside muita da explicação para a nossa enorme melhoria em relação à temporada passada. O facto de não perderem bolas e ela sair sempre redondinha dos pés de ambos contribui indelevelmente para isso. A defesa também esteve imperial, em especial na 2ª parte, com o Lucas Veríssimo a fazer a melhor exibição desde que chegou ao Benfica. O Vlachodimos acabou por não ter grande trabalho, mas sinceramente não gostei das suas não-saídas a muitos cruzamentos. O Yaremchuk não esteve em tão grande destaque como o seu colega avançado, mas não engana: é óptimo jogador. O Gilberto entrou muitíssimo bem e até ficámos a ganhar com a sua entrada em relação ao Lazaro.
 
Foi uma jornada memorável, mas agora há que descer à realidade para defrontar o Portimonense no próximo domingo, antes de nova paragem para as selecções. Quanto à Champions, o que parecia impossível no papel (a qualificação para os oitavos) torna-se agora um objectivo passível de ser atingido.

segunda-feira, setembro 27, 2021

Categórico

Vencemos no sábado em Guimarães por 3-1 e mantivemos o registo 100% vitorioso de sete vitórias em sete jornadas. Como a lagartada ganhou no último minuto da compensação (novamente de penalty do Porro) ao Marítimo (1-0) e o CRAC também ganhou em cima dos 90’ em Barcelos ao Gil Vicente (2-1), continuamos com quatro pontos de vantagem sobre ambos. Num jogo que se perspectiva difícil, tornámo-lo mais fácil ao conseguir uma óptima 1ª parte em que só marcámos dois golos. E o ‘só’ é mesmo para ser lido literalmente.
 
Com o Lazaro no lugar do lesionado Diogo Gonçalves, entrámos a todo o gás com o tridente Rafa, Darwin e Yaremchuk a dar cabo da cabeça dos vimaranenses, que tiveram muitas dificuldades em assentar o seu futebol nos primeiros 45’. Mesmo assim, o Estupiñán ainda assustou numa cabeçada por cima, mas se o Rafa tivesse dominado uma bola passada pelo Grimaldo teria ficado isolado frente ao guarda-redes. Noutro lance, foi o Yaremchuk a rematar já de ângulo difícil com o Darwin sozinho no meio da área... O ucraniano voltou a estar muito activo pouco depois ao rematar por cima, com o Rafa a atirar a rasar o poste na sequência de um canto no minuto seguinte. A partida já deveria estar resolvida, mas ainda estava a zeros quando aos 30’ finalmente lá inaugurámos o marcador, através do Yaremchuk, que se desmarcou muitos bem num passe longo do Vertonghen e picou a bola com muita classe por cima do guarda-redes. O V. Guimarães ainda teve um remate de longe que o Vlachodimos blocou com segurança, mas aos 41’ aumentámos a vantagem novamente pelo Yaremchuk, a aproveitar bem uma perda de bola de um adversário que deu origem a um ataque do Rafa, que assistiu o ucraniano, tendo este alguma sorte num ressalto com o guarda-redes Trmal e no facto de a bola ainda ter batido num defesa e num poste(!), antes de entrar. Com o V. Guimarães completamente desnorteado, poderíamos ter ido para o intervalo com o terceiro golo do Yaremchuk, mas este permitiu a mancha do Trmal e logo depois foi um chapéu do Darwin à saída do Trmal a passar por cima da barra. Era inacreditável como saímos para o descanso sem o jogo estar completamente decidido.
 
A 2ª parte foi bastante diferente, com o V. Guimarães a entrar com outra disposição e a colocar-nos mais problemas. Poderia ter reduzido logo no recomeço, mas o remate do Edwards na marca de penalty saiu por cima. O mesmo Edwards isolou-se logo a seguir, numa falha incrível do Lucas Veríssimo, mas o Vertonghen conseguiu cortar in extremis, já depois do avançado ter passado pelo Vlachodimos (todavia, não sei se não estaria fora de jogo, dado que a bola parece-me ter vindo de um colega seu que a ganhou ao Lucas Veríssimo). Só por volta da hora de jogo é que conseguimos responder, num contra-ataque de três para um com o Darwin a resolvê-lo pessimamente. O mesmo Darwin e o Rafa não tiveram engenho para colocar a bola na baliza alguns minutos volvidos, quando estavam ambos em boa posição, mas aos 73’ finalmente marcámos num contra-ataque conduzido pelo Rafa, que assistiu o João Mário para um remate forte à entrada da área, que ainda ressaltou num defesa. O Jesus começou a pensar no Barcelona e a fazer alterações, porém aos 78’ o V. Guimarães reduziu para 1-3 através do Bruno Duarte num penalty perfeitamente idiota do Lucas Veríssimo. No entanto, até final nunca mais deixámos o V. Guimarães ter veleidades e o nosso triunfo foi justíssimo.
 
Em termos individuais, destaque para o Yaremchuk com o seu bis, o Rafa não esteve tão acertado como em jogos anteriores, mas acabou por fazer duas assistências, o João Mário e o Weigl continuam a tornar o nosso jogo bem mais simples e viu-se bem a diferença quando foram substituídos, e o Darwin esteve sofrível. O Lucas Veríssimo tem de ter mais concentração, porque aquele penalty é inadmissível, mas o resto da defesa esteve bem.
 
Na próxima 4ª feira, receberemos o Barcelona para a Champions e acho que temos uma boa oportunidade para voltarmos a ganhar-lhes em jogos oficiais, algo que já não conseguimos desde a primeira conquista da Taça dos Campeões em 1960/61. Estamos em boa forma e eles passam por muita instabilidade com a saída do Messi. Dificilmente voltaremos a ter uma oportunidade tão boa como esta.

terça-feira, setembro 21, 2021

Convincente

Vencemos ontem na Luz o Boavista por 3-1 e temos pela primeira vez o pleno de vitórias nas primeiras seis jornadas do campeonato, desde a saudosa temporada de estreia do grande Sven-Goran Eriksson (1982/83). Foi um triunfo justo, numa partida em que os axadrezados deram boa réplica ou não fossem treinados pelo João Pedro Sousa, um treinador que não usa o autocarro e tenta colocar as suas equipas a jogar futebol.
 
Com um tridente atacante formado pelo Rafa, Yaremchuk e Darwin, entrámos bem no jogo e o uruguaio teve uma boa oportunidade num centro do ucraniano, mas o remate de primeira saiu ao lado. No entanto, não demorou muito até chegarmos à vantagem, pelo mesmo Darwin, num óptimo cabeceamento a um cruzamento teleguiado do Diogo Gonçalves aos 14’. O Boavista reagiu bem e proporcionou ao Vlachodimos uma boa defesa num remate fora da área. E foi também de fora da área, depois de uma perda de bola comprometedora do Weigl, que chegou à igualdade aos 32’ através do Sauer, com um golão sem hipóteses para o nosso guarda-redes. No entanto, o Weigl redimiu-se, e bem, logo a seguir (34’) ao fazer de cabeça o 2-1, depois de um cruzamento largo do João Mário para área e assistência também de cabeça do Otamendi para o alemão.
 
Ao intervalo, o Diogo Gonçalves ficou no balneário, aparentemente por problemas físicos, e entrou o Lazaro. Não melhorámos, antes pelo contrário. O Boavista entrou bem e colocou o Vlachodimos em sentido, mas do outro lado também o Yaremchuk num remate forte de primeira obrigou o Bracali a defender para canto. Num canto, o Lucas Veríssimo deveria ter tido melhor direcção no cabeceamento, mas aos 61’ conseguimos aumentar a vantagem num bis do Darwin, depois de assistência do Rafa, isolado num passe em profundidade do Lucas Veríssimo. A meio da 2ª parte, o Jesus resolveu dar descanso ao Yaremuck e dar a enésima oportunidade ao Everton, mas foi o Darwin a falhar o seu terceiro golo, ao permitir a defesa do Bracali com o pé, quando estava isolado perante ele depois de um passe a rasgar do Grimaldo. O mesmo Bracali defendeu para canto um cabeceamento do Everton que iria lá para dentro, mas o Boavista também nunca deixou de tentar marcar, tendo o Vlachodimos revelado a sua segurança habitual.
 
Em termos individuais, destaque para o Darwin com novo bis depois dos Açores. É o tipo de jogador que fica bastante confiante quando marca golos e o facto de ter tido o Yaremchuk ao lado faz com que os centrais contrários tenham de dividir atenções, o que nos favoreceu. O ucraniano não marcou, mas percebe-se a milhas que é bom jogador. O Rafa é outro a passar um belo momento de forma, com acelerações que desestabilizam as defesas contrárias, só tendo de melhorar no último passe (tal como fez no terceiro golo). Os três centrais (Lucas Veríssimo, Otamendi e Vertonghen) estiveram imperiais e o nosso meio-campo dá gosto de ver com o Weigl e João Mário sempre a simplificar processos e dar fluidez ao nosso jogo. Que diferença em relação ao ano passado...!
 
Teremos no próximo sábado a saída sempre complicada a Guimarães antes do regresso da Champions. Será o jogo doméstico mais difícil até agora, mas a equipa tem vindo a subir de forma de jogo para jogo e espera-se naturalmente mais uma vitória.

quarta-feira, setembro 15, 2021

Empate

Estreámo-nos ontem na fase de grupos da Liga dos Campeões com uma igualdade (0-0) em Kiev frente ao Dínamo. Durante a maior parte da partida demonstrámos que somos superiores, mas o pesadelo que foi o período de compensação acaba por tornar o resultado justo.
 
Como seria de esperar, alinhámos com três centrais e, na frente, o Yaremchuk e o Rafa regressaram em relação aos Açores, mantendo-se o Everton a titular. Todos os comentadores diziam que o Dínamo Kiev era forte no ataque e fraco na defesa, mas como domina no campeonato ucraniano essas dificuldades defensivas não eram muito testadas. Ora, o que se viu foi uma equipa super-fechada e com muito respeito por nós. Entregou-nos o comando do jogo, mas nós raramente conseguimos criar oportunidades na 1ª parte, porque fomos sempre muito lentos. Paciência e segurança a circular a bola é bom, mas quando é demasiado não leva a lado nenhum. Só por duas vezes criámos situações complicadas aos ucranianos, num erro deles a sair a jogar que o Everton desaproveitou devido à sua lentidão e num remate de primeira do Yaremchuk, que saiu um pouco à figura do guarda-redes Boyko, embora este tenha tido de o defender para a frente. Do outro lado, um livre directo na parte inicial da partida foi muito bem defendido pelo Vlachodimos, que para não variar começou a evidenciar-se.
 
Na 2ª parte, as coisas mantiveram-se na mesma, connosco a dominar, mas a criar poucas ocasiões para esse domínio. A nossa melhor situação de golo foi através do Yaremchuk, com um remate de pé esquerdo quase na pequena-área na sequência de uma insistência do Rafa, com a bola a sobrar para o nosso ucraniano proporcionar ao Boyko uma defesa que nem sabe bem como. Por volta da hora de jogo, fizemos uma tripla substituição com as entradas do Darwin, Lazaro e a estreia do Radonjic para os lugares do Yaremchuk, Gilberto e o inoperante Everton, mas a equipa piorou. Deixámos de conseguir fazer com que a bola chegasse ao ataque, embora o sérvio Radonjic tenha tido um par de arrancadas que fizeram prometer algo, que infelizmente não se cumpriu. Continuaram a ser as acelerações do Rafa a causar problemas ao Dínamo Kiev, embora fossem cada vez menos com o decorrer do tempo. E foram mesmo os ucranianos que terminaram o jogo em cima de nós, com três oportunidades na compensação que incluíram uma bola ao poste (na verdade foram duas, porque o Otamendi ia fazendo um autogolo), duas boas defesas do Vlachodimos e um golo mesmo a acabar anulado pelo VAR, por fora-de-jogo do jogador que fez a assistência. Foi um enorme suspiro de alívio, porque estivemos mesmo à beira de perder um jogo que deveríamos ter ganho.
 
Em termos individuais, se ficámos a zeros na Europa devemos mais uma vez ao Vlachodimos, que se mostra como uma das grandes figuras deste início de temporada. Outro que fez um jogão foi o Weigl no meio-campo, sempre a pressionar os adversários e a recuperar muitas bolas. O Rafa foi praticamente o único que conseguiu desestabilizar os ucranianos, ao contrário do Everton, que continua a ser um corpo estranho na equipa: muito, muito lento, sempre com a mesma finta para dentro, falta de espontaneidade no remate, enfim, custa a perceber porque é que continua a ser titular... Nas substituições, para o tipo de jogo que estávamos a fazer, de tabelinhas e combinações atacantes, teria sido melhor entrar o Gonçalo Ramos do que o Darwin na 2ª parte. O Radonjic criou algumas expectativas, dado que parece ser o tipo de jogador que não tem medo de enfrentar os adversários e consegue acelerar o nosso jogo, tal como o Rafa. A rever.
 
Como o Bayern Munique foi ganhar 3-0 em Nou Camp, a nossa recepção ao Barcelona na próxima jornada será muito importante para definir o 2º lugar no grupo. O Barça parece-me bastante mais fraco esta temporada, pelo que podemos ter aqui uma boa oportunidade para fazermos uma gracinha...

segunda-feira, setembro 13, 2021

Cada tiro, cada melro

Goleámos no sábado o Santa Clara nos Açores (5-0) e, com o empate (1-1) entre a lagartada e o CRAC, temos agora quatro pontos de vantagem perante ambos. Quem vir só o resultado, poderá pensar que o jogo foi um passeio, mas não foi bem assim, dado que o primeiro golo só surgiu perto do intervalo e depois de uma 1ª parte bastante fraca. No entanto, se este jogo está na memória de todos nós como um dos mais azarados da nossa história, o do passado sábado deve ser um dos com maior grau de eficácia, porque fomos cinco vezes à baliza e marcámos cinco golos!

Voltámos ao esquema dos três centrais, com a novidade Rodrigo Pinho na frente ao lado do Darwin e o Everton na ala, indo o Pizzi para o banco e tendo regressado igualmente o Diogo Gonçalves na direita. O jogo começou repartido, mas rapidamente o Santa Clara tomou conta das coisas na 1ª parte, de tal forma que atirou uma bola ao poste na sequência de um livre e proporcionou ao Vlachodimos uma defesa difícil a um remate de fora da área. Na única ocasião que tivemos, aos 42’, inaugurámos o marcador: abertura do Grimaldo e remate de primeira na passada do Rodrigo Pinho de pé esquerdo, sem hipóteses para o guarda-redes Marco. Íamos para o intervalo em vantagem, mas bastante lisonjeira.

Na 2ª parte, o Jesus fez entrar o Rafa logo de início, tendo saído o Rodrigo Pinho. Estranhei bastante a substituição, dado que tinha sido o marcador do golo e havia outros jogadores que também estavam a passar ao lado do jogo, mas dar moral a algum jogador nunca foi apanágio do Jesus. De qualquer maneira, acabou por resultar (não tanto a saída dele, mas a entrada do Rafa), porque marcámos quatro golos em 23 minutos! Aos 53’, excelente abertura do Everton (provavelmente a única coisa de jeito que fez em toda a partida) a isolar o Darwin, que atirou contra a relva, mas enganou o guarda-redes. Aos 58’, golão do Rafa com um remate de fora da área, em que o guarda-redes nem se mexeu. Aos 62’, bis do Darwin com um remate de pé esquerdo, que foi desviado por dois(!) defesas. Finalmente, aos 68’, o recém-entrado Yaremchuk correspondeu muito bem a um centro rasteiro do Grimaldo na esquerda. O Santa Clara nem percebeu bem o que se passou com este autêntico atropelamento... Com o jogo decidido, ainda deu para estrear o Valentino Lazaro e para perceber que o Gedson deve ser a primeira alternativa ao João Mário, dado que entrou bastante bem na partida e é muito melhor do que o Taarabt (também não é difícil...). Até final, o Vlachodimos esteve atento e impediu que os açorianos conseguissem o golo de honra.

Em termos individuais, se é certo que o Darwin bisou, a considerável melhoria exibicional deve-se fundamentalmente à entrada do Rafa, que incutiu na equipa a velocidade de processos que faltou durante praticamente toda a 1ª parte. Bom jogo igualmente do Grimaldo com duas assistências e saúda-se o regresso do Diogo Gonçalves. Os centrais estiveram bem, com destaque para o Vertonghen. O Vlachodimos foi importante para manter a baliza a zeros, mas aquela saída extemporânea na 1ª parte, que lhe valeu o amarelo, deveria ter sido evitada. Quanto ao Lazaro, ainda não deu para ver grande coisa, mas o Everton continua muito fora dela.

Cinco jogos, cinco vitórias na Liga e os rivais a quatro pontos. Claro que é muito cedo na temporada, mas sempre é melhor um começo assim do que o contrário. Porém, temos de mudar o chip, porque teremos amanhã a estreia na Champions em Kiev e é muito importante começar também com uma vitória, para que pelo menos a Liga Europa fique bem encaminhada.

quinta-feira, setembro 09, 2021

Irlanda e Azerbaijão

Conseguimos seis pontos nesta jornada de selecções (2-1 em casa frente à Irlanda e 3-0 em Baku) e, com o empate da Sérvia na Irlanda (1-1), estamos agora com dois pontos de vantagem sobre os sérvios. Ou seja, estamos muito bem lançados para nos qualificarmos directamente para o Qatar 2022.

Na 4ª feira, dia 1 de Setembro, recebemos a Irlanda no Estádio do Algarve e não nos livrámos de um enorme susto, quando sofremos o 0-1 em cima do intervalo e estivemos a perder até aos 89'! Foi das piores exibições de que me lembro da selecção, a que eventualmente não será alheio o facto de quase não termos treinado, tal como referiu o Fernando Santos. Esta janela de selecções agora tem três jogos numa semana, o que é uma brutalidade e uma estupidez. Basta ver os resultados de muitas selecções. Um bis do Cristiano Ronaldo de cabeça (89' e 96'), a centros do Gonçalo Guedes e João Mário, salvou-nos de complicarmos (muito) as contas para um apuramento directo e tornou-o o melhor marcador de sempre de selecções, agora com 111 golos. Pronto, agora que o recorde está batido, talvez possamos jogar mais sem ser sempre só para ele, não...?!

Como o C. Ronaldo festejou o golo da vitória tirando a camisola, o respectivo amarelo tirou-o da ida ao Azerbaijão na passada 3ª feira. Mas a nossa exibição foi bastante melhor e resolvemos o jogo logo na 1ª parte, como golos do Bernardo Silva (que golão!) aos 26' e André Silva aos 31'. Desperdiçámos a oportunidade de uma goleada, mas ainda fizemos o 3-0 aos 75' numa cabeçada do Diogo Jota.

Entre os dois jogos, tivemos um particular com o Qatar na Hungria, que vencemos por 3-1, com golos do André Silva, Otávio (na estreia de mais um naturalizado brasileiro que tenho a certeza de que, tal como o Deco e Liedson, manterá muitas raízes em Portugal quando acabar a carreira...) e Bruno Fernandes, de penalty.

segunda-feira, agosto 30, 2021

A ferros

Vencemos o Tondela na Luz por 2-1 e, com o empate da lagartada em Famalicão (1-1), isolámo-nos na frente do campeonato à 4ª jornada. Estes jogos contra o Tondela na Luz têm sido quase sempre muito stressantes, porque já perdemos, já empatámos (e demos cabo de um campeonato com este empate) e já ganhámos perto do final. Neste caso, como esta época, dado que o golo da vitória só foi marcado a dois minuto do fim!
 
Apesar de já terem passado cinco dias desde o jogo em Eindhoven e vir a pausa das selecções, o Jesus voltou a fazer rotação da equipa e voltámos ao 4-4-2, com o Darwin e Gonçalo Ramos na frente. Como o Conselho de Disciplina nos fez o favor (sem itálico, nem ironias) de castigar o Taarabt por causa da expulsão na final da Taça, o meio-campo foi com o Meïté e o João Mário, com o Pizzi e Everton nas alas, enquanto que, na defesa, o André Almeida regressou à titularidade. No entanto, oferecemos 45’ ao adversário, já que a nossa 1ª parte foi péssima. Nunca encontrámos verdadeiro antídoto para ultrapassar a boa organização defensiva dos beirões, que não se limitaram a defender e abriram o marcador aos 22’ através do Salvador Agra, num remate cruzado em que o Vlachodimos eventualmente poderia ter feito mais. Com o Pizzi e o Everton completamente fora dela, as bolas quase não chegavam à frente. Um par de remates do Darwin e outro do João Mário para defesa do guarda-redes Babacar Niasse foi o melhor que conseguimos, mas tudo sem perigo eminente.
 
A 2ª parte começou logo com três alterações: Gilberto, Weigl e Rafa para os lugares do André Almeida, Meïté e Pizzi. E a transformação foi imediata, com uma cabeçada por cima do Gilberto, na sequência de um canto e alguns ressaltos, que deveria ter tido melhor direcção, já que foi feita praticamente em cima da baliza. Dez minutos depois do recomeço, foi o Gonçalo Ramos com um grande remate de primeira a proporcionar ao Niasse uma grande defesa. Logo a seguir, o Sr. Tiago Martins e o Sr. Hugo Miguel no VAR não consideraram falta um óbvio derrube ao Rafa na área. O habitual...! À passagem da hora de jogo, o Darwin foi substituído pelo estreante Rodrigo Pinho (o Jesus ainda me há-de explicar porque é que acha que este é melhor do que o Carlos Vinícius, mas enfim...) e pouco depois o João Mário e o Grimaldo ajudaram o Niasse a tornar-se o melhor em campo, com mais duas boas intervenções. Até que, aos 71’, finalmente conseguimos o golo num canto do João Mário na direita, desvio do Weigl ao primeiro poste e o Rafa no segundo a atirar lá para dentro. O primeiro obstáculo estava superado, mas faltava o segundo, porque uma oportunidade destas de colocar os rivais atrás não se podia desperdiçar. A quinze minutos do fim, o Jesus resolveu tirar o Gonçalo Ramos e colocar o Seferovic. Íamos para a parte final do jogo tendo como pontas-de-lança um jogador que fazia a estreia pelo Benfica e outro que só tinha feito cerca de meia-hora no primeiro jogo da época. Não é que o Gonçalo Ramos estivesse a fazer uma exibição de encher o olho, mas estava bastante esforçado e a mexer-se muito no ataque. Viu-se bem a diferença para o Seferovic, que naturalmente não pode ter o mesmo ritmo nesta altura. Enfim... Perdemos um bocado o ímpeto com que estávamos, mas aos 88’ o golo da vitória surgiu por um dos improváveis: jogada entre o Gilberto e o João Mário na direita, centro deste para a área, um corte atabalhoado de um defesa e o Gilberto muito bem, com a parte de fora do pé, a colocar a bola rasteiro no canto inferior direito da baliza. Grande golo de um jogador que incompreensivelmente tem tantos benfiquistas que não gostam dele. Está MUITO longe de ser dos piores laterais-direitos que passaram por cá. Até final, conseguimos gerir a posse de bola e selar uma vitória bastante importante para fechar este ciclo infernal de jogos.
 
Em termos individuais, destaque para os três jogadores que entraram no início da 2ª parte: os golos foram de dois deles e o Weigl colocou toda a equipa a rodar. O Meïté é bom para segurar jogos, mas perante este tipo de adversário o Weigl tem naturalmente outra técnica e classe que é muito mais útil. Para além dos golos, o Rafa e o Gilberto imprimiram uma velocidade ao nosso jogo que está milhas à frente do Pizzi e André Almeida. O João Mário enche-me cada vez mais as medidas, com um tipo de futebol muito simples, mas cheio de classe. Não é de grandes arrancadas para a frente, mas mete a bola a rolar para os companheiros. Que diferença em relação aos outros médios que jogam ali...! (Amanhã fecha o mercado. Não se arranja aí um clubezinho para o Taarabt...? Ou precisamos de pedir uma cunha ao Conselho de Disciplina para estender o castigo até... sei lá... final da temporada?). A defesa esteve algo insegura na 1ª parte, com o Vertonghen a ser batido em velocidade em alguns lances, mas na 2ª o Tondela mal passou de meio-campo. O Everton tem de rever rapidamente o que se passa, porque voltou à forma com que iniciou a época passada. Ou seja, completamente inconsequente, complicativo e a nunca tentar ganhar a linha.
 
Iremos agora parar duas semanas para as selecções. Felizmente, digo eu, que este mês de Agosto foi demasiado intenso, mas felizmente pleno de sucesso.

quarta-feira, agosto 25, 2021

Épico

Empatámos em Eindhoven frente ao PSV (0-0) e estamos, passado um ano, novamente na fase de grupo da Liga dos Campeões. Este adjectivo já terá sido utilizado em vários títulos, mas de facto não há nenhum melhor, dado que estivemos a jogar com dez jogadores desde os 32’, por duplo amarelo do Lucas Veríssimo. Como bem nos recorda essa série de programas que todo o benfiquista deve ouvir, a História Gloriosa, dos meus amigos Nuno Picado, Filipe Inglês (Bakero) e dessa enciclopédia viva de benfiquismo chamada Alberto Minguéns, a nossa história faz-se de conquistas, mas igualmente de grandes sacríficos. E o jogo de ontem tem entrada directa nesses jogos inolvidáveis, como o de Turim ou de Trondheim, apenas para nomear dois jogos mais recentes.
 
Eu estava bastante apreensivo, porque os holandeses foram muito fortes na Luz, mas entrámos muito bem na partida, mesmo estando a jogar com dez desde o início (a sério, não há quem nos faça o favor de levar o Taarabt para longe da Luz...?!). Conseguimos controlar perfeitamente o PSV até à expulsão e até tivemos uma ótima oportunidade através do Rafa, cujo remate em boa posição foi cortado por um defesa para canto. Pouco depois, o PSV teve igualmente uma boa ocasião num remate à malha lateral depois de um cruzamento da direita. Até que veio o minuto 32 e eu vi Mozer em Parma em 1993/94 all over again. Depois de um amarelo perfeitamente idiota por ter falhado um passe, o Lucas Veríssimo meteu 37 milhões de euros em causa ao saltar com o braço aberto, metendo-se a jeito para o Sr. Slavko Vincic lhe mostrar o segundo. Se as coisas nos estavam a correm bem até então, a partir dali perspectivava-se o pior. Até ao intervalo, ficámos com os quatro defesas e vimos o Vlachodimos assumir-se como o homem da eliminatória, ao defender com a perna um remate do Madueke que lhe apareceu isolado pela frente sob a direita. Madueke, esse, que já antes num remate em arco tinha criado bastante perigo.
 
Na 2ª parte, dado que tínhamos de defender o 0-0, eu esperava a entrada do Meïté para o lugar desse erro chamado Taarabt e do Gonçalo Ramos, porque defende bastante melhor do que o Yaremchuk. Porém, não houve alterações e a equipa voltou ao esquema dos três centrais, com o Gilberto como um deles e o Rafa a fechar a lateral-direita. Mais estranho não poderia ser, até porque o Rafa deveria estar na frente, porque era o único cuja velocidade poderia causar problemas aos holandeses. Claro que aquela disposição táctica estava condenada a não durar muito tempo e aos 54’ entrou o Vertonghen para o lugar do equívoco Taarabt. Voltávamos a estar com dez novamente! Num raro contra-ataque, foi o Yaremchuk a conduzi-lo e a rematar já em esforço por cima, quando eventualmente poderia ter resolvido de outra forma. O PSV naturalmente dominava e goleava-nos em posse de bola, mas o Jesus respondia muito bem tacticamente e à passagem da hora de jogo entraram o André Almeida e o Gonçalo Ramos para os lugares do Gilberto e Yaremchuk. O único erro do Morato no jogo deu a melhor oportunidade ao PSV, com o Madueke na direita a assistir o isolado Zahavi no meio, mas este a atirar ao poste com a baliza completamente escancarada. Os deuses estiveram connosco, mas pareceu-me na repetição que o israelita estava ligeiramente fora-de-jogo. Nunca saberemos o que aconteceria caso a bola tivesse entrado... Felizmente aos 70’, o treinador dos holandeses resolveu tirar o Madueke e as coisas melhoraram um pouco para nós. A equipa mostrava-se bastante solidária e conseguimos não dar espaços ao PSV para entrar na nossa área. A 15’ do fim, esgotámos as substituições com o Everton e Meïté para os lugares do Rafa e João Mário, que já tinha visto um amarelo. Com a saída deste, deixámos de conseguir ter posse de bola, mas estando já amarelado seria um alvo fácil. O Everton ainda teve uma jogada típica sua, flectindo da esquerda para o meio, mas o remate saiu à figura. Do outro lado, continuava o show Vlachodimos a suster os poucos remates que lhe chegavam, entre os quais um duplo já a 5’ do fim, em que o grego esteve brilhante especialmente na defesa à recarga. Quando o esloveno sr. Slavko Vincic apitou para o final, dei um berro que se deve ter ouvido em Eindhoven. Foi uma catarse absolutamente necessária para uma camada de nervos que já não tinha provavelmente desde que fomos campeões com o Lage.
 
Em termos individuais, ÓBVIO destaque para o Vlachodimos. O Jesus bem pode continuar na teimosa de não o reconhecer directamente, mas o grego foi o homem da eliminatória. Ponto. Se estamos na Champions, a ele o devemos. Parágrafo. É um facto que qualquer pessoa que não seja cega vê! Realce também para as grandes exibições do Weigl (correu 12 km!) e do Grimaldo, que depois de ter uma 1ª mão muito difícil perante o Madueke, conseguiu ontem não ser batido uma única vez por ele. Os centrais foram muito importantes como muralha defensiva, apenas com o tal erro do Morato que nos poderia ter custado caro. O Lucas Veríssimo é bom que reflicta sobre o que se passou, pois esteve prestes a ter uma nódoa dificilmente apagável no seu currículo. Livrou-se de boa!
 
Como disse o Rui Costa aos jogadores no balneário, podem levar este jogo para o resto das suas vidas. Foi uma qualificação com enorme sofrimento, mas muito merecida precisamente por essa capacidade de ultrapassar as contrariedades. Assistimos a uma jornada heróica que não desmerece em nada a nossa história. Já andávamos a precisar disto há algum tempo. Viva o BENFICA!
 
P.S. – Estamos no pote 3 no sorteio. Portanto, por mim, pode ser o Villarreal, PSG e Sheriff. Adoraria ver o Messi, Neymar, Mbappé e Donnarumma na Luz, acho que teríamos hipóteses na luta pelo 2º lugar e a Liga Europa estaria em princípio garantida.

domingo, agosto 22, 2021

Difícil

Vencemos ontem o Gil Vicente em Barcelos por 2-0 e mantivemo-nos na frente do campeonato, juntamente com a lagartada, que derrotou o Belenenses SAD por 2-0, enquanto o CRAC empatou no Marítimo (1-1) e está com menos dois pontos. Continuo à espera que alguém me explique porque é que algumas eliminatórias da Champions têm seis dias de intervalo (4ª e 3ª feira) e outras oito (3ª e 4ª feira), em vez de terem ambas sete (as duas 3ªs feiras e as duas 4ªs, obviamente), mas assim sendo, e estando nós no primeiro caso, já era esperado que o Jesus fizesse alterações na equipa. O que tornou esta partida ainda mais complicada e só com a entrada dos titulares as coisas melhoraram, mas mesmo assim só marcámos o primeiro logo já bem dentro dos últimos 10’.

Entrámos bem no jogo e o Taarabt enganou-se atirando uma bola ao poste, tendo nós ainda outra bola ao poste e posterior golo de recarga do Gilberto, mas o Everton que fez a assistência estava claramente em fora-de-jogo. Controlávamos bem o Gil Vicente em termos defensivos, mas no ataque só tivemos mais duas boas ocasiões, num livre do Taarabt defendido pelo guarda-redes Kritciuk e noutro remate por cima do Yaremchuk, que deveria ter feito melhor porque estava em excelente posição, depois de ser isolado por um calcanhar do Everton. Do lado contrário, o Vlachodimos conseguiu resolver o pouco que lhe apareceu pela frente.

A 2ª parte começou logo com uma grande jogada individual do Gonçalo Ramos, que só não deu golo porque o Kritciuk cedeu canto in extremis. Tivemos novo golo anulado de cabeça por fora-de-jogo, desta feita do Yaremchuk, e íamos pressionando cada vez mais e empurrando o Gil Vicente para o seu meio-campo. O Jesus lançou o Pizzi, André Almeida e João Mário ainda antes da hora de jogo, mas logo a seguir das substituições foi o Vlachodimos a safar-nos com uma defesa com o corpo a um remate do Murilo praticamente isolado. O Gonçalo Ramos teve das melhores ocasiões num cabeceamento de cima para baixo, que nem se percebeu como o guarda-redes defendeu. O Gil Dias e o Pizzi também poderiam ter feito melhor em termos de remate quando estavam em boa posição e, a pouco menos de 20’ do fim, entraram o Darwin e o Grimaldo. O João Mário viu um remate seu prometedor a ser interceptado, como interceptado pelo Lucas Veríssimo foi também (e felizmente!) um fraquíssimo remate do Pizzi, com o central brasileiro a ter só de atirar para a baliza deserta, já que o Kritciuk se tinha lançado à primeira bola. Estávamos nos 84’ e o suspiro de alívio foi enorme! O Gil Vicente sentiu imenso o golo, como seria de esperar, e aos 88’ o Grimaldo fechou as contas com um golão de fora-da-área.

O destaque individual vai obviamente para o Lucas Veríssimo, cuja inteligência foi bem demonstrada na sua acção no primeiro golo: percebeu que o remate do Pizzi não ia a lado nenhum e resolveu corrigi-lo. Para além disso, em termos defensivos esteve irrepreensível. Neste capítulo defensivo, também menção muito honrosa para o Morato, que aparenta estar a crescer de jogo para jogo. No meio-campo, o Meïté fez uma exibição em crescendo e viu-se bem a diferença de quando entrou o João Mário para o lugar da abécula Taarabt. O Everton continua igual ao que começou a temporada passada e espero que reencontre rapidamente o Everton que acabou a época. O Yaremchuk esteve mais discreto do que em relação aos outros jogos e o Gonçalo Ramos acabou por ter algum azar, pois viu o guarda-redes tirar-lhe dois golos feitos. O Vlachodimos voltou a mostrar-se seguro e a não dar razão a algumas desvalorizações que o Jesus lhe faz.

Depois de ultrapassado este obstáculo bastante complicado, mas teremos outro ainda mais na próxima 3ª feira. É fundamental irmos à Liga dos Campeões e, para tal, teremos de fazer um jogo muito inteligente em Eindhoven. Espero que o descanso do Rafa o torne uma seta ao PSV, porque as rápidas transições ofensivas vão ser cruciais.

quinta-feira, agosto 19, 2021

Justo

Vencemos ontem o PSV na Luz (2-1) na 1ª mão do play-off de acesso à Liga dos Campeões. Foi um resultado muito bom, eventualmente até um pouco lisonjeiro para nós, num jogo bastante complicado perante um adversário que só tinha somado vitórias até agora.


No regresso esperado dos três centrais, o Yaremchuk foi o ponta-da-lança e foi dele a abertura para o Rafa inaugurar o marcador logo aos 10’. Não poderíamos ter tido melhor começo! No entanto, daí até perto do intervalo o jogo foi todo dos holandeses. Especialmente pelo seu lado direito, onde o Madueke deu cabo da cabeça do Grimaldo, o PSV pressionou-nos como nenhuma equipa tinha feito até agora. Lá conseguimos não os deixar criar grandes oportunidades, apesar de terem goleado na posse de bola. O Weigl perdeu umas quantas bolas em zona de perigosa, felizmente sem consequências, mas redimiu-se dessas falhas pouco habituais ao fazer o 2-0 aos 42’, aproveitando um ressalto na área depois de um canto do Pizzi. O PSV dominava e nós marcávamos. Não estava mal...!


Na 2ª parte, esperava-se que tivéssemos mais posse de bola e até voltámos a começar bem, com o Yaremchuk a rematar ao lado, mas o lance foi anulado por fora-de-jogo. Logo a seguir, foi o Rafa a ter uma boa oportunidade depois de uma combinação com o Grimaldo, mas o remate saiu fraco e o guarda-redes defendeu sem dificuldade. Aos 51’, um balde de água fria com o golo dos holandeses através do Gakpo, que cortou um ataque nosso e iniciou ele próprio um contra-ataque venenoso que concluiu com um remate de fora da área. Sentimos o golo e os holandeses voltaram a dominar grande parte do segundo tempo. O jogo estava bastante rápido e fisicamente começámos a dar o berro, pelo que o Jesus fez quatro substituições de uma só vez, que tiveram o condão de estabilizar a equipa, nomeadamente a entrada do Meïté para o meio-campo. Até final, contámos com o Vlachodimos para manter a nossa baliza inviolada.


Em termos individuais, destaque novamente para o Yaremchuk que assistiu num golo e participou no ressalto que deu o segundo. No entanto, o melhor do Benfica foi indiscutivelmente o Vlachodimos com pelo menos quatro defesas de golo. (Não percebi de todo as declarações do Jesus no final do jogo a desvalorizar a exibição do grego...! É claramente melhor do que o Helton Leite.) O Rafa é quem mais cria desequilibrios atacantes e fica indiscutivelmente na história deste jogo pelo golo marcado. Os centrais estiveram globalmente bem, com o Morato a não tremer e o Lucas Veríssimos inclusive a participar nas acções atacantes com um belo remate de fora da área na 1ª parte, que proporcionou ao guarda-redes uma excelente defesa. para canto Quanto aos menos, o Pizzi passou indiscutivelmente ao lado do jogo e desta vez não tem uma assistência ou um golo para compensar.


Iremos passar um mau bocado na Holanda, porque este PSV me parece de outro calibre. Teremos obrigatoriamente de marcar e, provavelmente só um golo não chega. Eu reforçaria o meio-campo com Meïté e Weigl, avançando o João Mário e colocando o Pizzi no banco. É imperativo fazermos um jogo muito inteligente, até porque a vantagem de se marcar fora deixou de existir e, portanto, só não perdendo o jogo é que nos conseguiremos apoiar (sim, eu sei que pode haver penalties depois de uma derrota por um golo, mas estava a falar de jogo corrido.). No entanto, antes disso temos uma difícil deslocação a Barcelos, onde se prevê que o Jesus faça uma grande rotação na equipa. As segundas linhas terão mais uma oportunidade para justificarem que merecem fazer parte do plantel.

terça-feira, agosto 17, 2021

Escasso

Vencemos o Arouca no sábado na Luz por 2-0 e obtivemos a segunda vitória em dois jogos no campeonato. O jogo ficou indiscutivelmente marcado pela indiscutível expulsão precoce do guarda-redes do Arouca, que tornou a nossa tarefa mais simples, mas, apesar de termos chegado ao intervalo com o resultado feito, ficámo-nos a dever uma mão cheia de golos.

Com necessidade de rodar novamente a equipa, fruto do play-off com o PSV, o Jesus voltou ao esquema dos quatro defesas, com o Morato a titular. Na frente, o Yaremchuk estreou-se na equipa inicial, tendo o Waldschmidt ao seu lado, enquanto no meio-campo o Meïté fez companhia ao João Mário. Logo aos 8’, deu-se o momento do jogo, com uma desatenção incrível do guarda-redes Victor Braga, que não percebeu que o Sr. Manuel Mota tinha mandado seguir o jogo depois de um fora-de-jogo nosso. Atirou a bola para a frente para marcar o suposto livre, o Yaremchuk interceptou-a, o guarda-redes foi ao seu encontro e defendeu com as mãos fora da área. Expulsão evidente. No livre directo, dupla bola nos ferros(!) da nossa parte: do Waldschmidt na cobrança e do Everton na recarga de cabeça com a baliza totalmente à mercê. Incrível! Com menos um, o Arouca fechou-se ainda mais e tivemos muitas dificuldades em desmontar a sua defesa. Um remate do Everton de fora da área por cima à passagem da meia-hora foi o melhor que conseguimos até virem os golos muito perto do intervalo. Aos 38’, contra-ataque perfeito da nossa parte com o João Mário a abrir na direita para o Yaremchuk, que correu, bateu um defesa e assistiu o Waldschmidt no centro da área, que só teve de encostar. O único remate perigoso do Arouca em toda a partida surgiu logo a seguir, com o Vlachodimos a defender para canto. Aos 43’, resolvemos o jogo, com o 2-0 através do Yaremchuk a corresponder muito bem a um centro do Pizzi na direita. Claro que ainda tivemos o momento habitual de esperar que o VAR validasse os centímetros todos para podermos festejar à vontade...! (Já aqui disse que ABOMINO o VAR, não já?)


A 2ª parte foi um fartote de golos falhados! Alguns de forma escandalosa! O João Mário ia marcando o golo do campeonato logo a abrir, mas o remate de longe saiu a rasar o poste. O Jesus começou a fazer poupanças ainda antes da hora de jogo e saíram o João Mário, Pizzi e Yaremchuk para entrarem o Taarabt, Rafa e Gonçalo Ramos. De saudar igualmente o regresso do André Almeida depois de longa lesão. Quanto a oportunidades, o Rafa rematou por cima em boa posição, o Waldschmidt falhou inacreditavelmente uma recarga com a baliza aberta, depois de o Rafa isolado ter permitido a defesa do guarda-redes, e o Gonçalo Ramos, também só com o guarda-redes pela frente, atirou ao poste! Ainda colocámos a bola na baliza pelo Waldschmidt, mas o VAR anulou por fora-de-jogo, apesar de me ter parecido que foi um defesa a colocar a bola no alemão. Até final, ainda deu para vermos novamente o Carlos Vinícius em campo com a nossa camisola, facto que foi bastante saudado pelo público.


Em termos individuais, destaque óbvio para o Yaremchuk com uma assistência e um golo no seu primeiro jogo a titular. Tem facilidade de remate, o que é sempre de saudar, mas terá de melhorar as tabelinhas e alguns domínios de bola. Também gostei bastante do Meïté no meio-campo, com muito mais dinâmica do que em Moreira de Cónegos. O Gil Dias fez igualmente um jogo melhor do que em Moreira, embora ainda tenha as minhas dúvidas que seja uma alternativa válida ao Grimaldo. O Pizzi fartou-se de estragar jogo, mas como fez uma assistência tudo o resto parece ficar esquecido.


Acabou por ser uma vitória relativamente tranquila, o que foi benéfico, porque temos amanhã a 1ª mão do play-off da Champions frente ao PSV. Estamos num razoável momento de forma para esta altura da época, mas veremos se será suficiente para passar os holandeses. É sem dúvida um dos momentos mais importantes desta temporada.

quarta-feira, agosto 11, 2021

Em frente

Na recepção ao Spartak Moscovo, voltámos a vencê-los por 2-0 e qualificámo-nos para o play-off de acesso à Champions, onde iremos defrontar o PSV Eindhoven. Foi outro triunfo indiscutível em que a nossa superioridade ainda esteve mais vincada do que no jogo da 1ª mão.
 
Com o regresso do público à Luz (FINALMENTE!), fizemos uma partida bastante inteligente em que praticamente não deixámos os russos passarem de meio-campo. Depois do descanso em Moreira de Cónegos, os titulares voltaram todos, mas à semelhança de Moscovo não conseguimos marcar na 1ª parte. O Spartak fechou-se ainda mais lá atrás e não conseguimos ter o mesmo número de oportunidade da 1ª mão. Dois remates do Pizzi no mesmo lance, ambos interceptados por defesas, foi o melhor que conseguimos. Do lado contrário, um remate enrolado, que desviou num defesa nosso e foi defendido pelo Vlachodimos, foi a única(!) (meia-)oportunidade dos russos em toda a partida.
 
Ao intervalo, o Vertonghen saiu lesionado e entrou o Morato, que fez logo um disparate na primeira vez que tocou na bola, mas depois conseguiu equilibrar-se no resto do tempo. O jogo manteve igual ao que estava, com o Spartak sem passar de meio-campo, e a eliminatória ficou praticamente decidida aos 57’ na estreia do João Mário a marcar, na recarga a um primeiro remate do Rafa, que fez a aceleração decisiva que desmontou a defesa adversária. Com tudo a nosso favor, o Jesus foi começando a poupar jogadores e promoveu a estreia do Yaremchuk para o lugar do esgotado Gonçalo Guedes Ramos. Também o Everton substituiu o Pizzi e foi o brasileiro a ter uma excelente oportunidade, com um remate por cima quando estava em posição de fazer muito melhor. A qualificação estava garantida, mas já agora convinha ganhar o jogo até porque os pontos para o ranking nunca são de desprezar. Depois de um livre para a nossa área que poderia ser perigoso, mas o Vlachodimos aliviou, conseguimos o segundo golo já na compensação (92’), numa boa combinação entre o Yaremchuk e o João Mário, com o ucraniano a rematar contra um adversário, tendo a bola ressaltado num outro, o Gigot, e entrado na baliza. O estádio ficou em êxtase que se prolongou na despedida da equipa do relvado no final, pouco depois.
 
Em termos individuais, o Rafa foi possivelmente o melhor, com as suas acelerações a serem decisivas para desmontar a estratégia contrária. Outro que me está a encher as medidas (e que confesso não esperava) é o João Mário: pezinhos de lã, muita objectividade, sempre a tentar jogar para a frente, não é do tipo todo-o-terreno a conduzir a bola, mas ao menos não emperra o jogo (e basta isso para ser uma melhoria considerável em relação ao passado recente!). Além disto tudo, abrilhantou a sua exibição com o importantíssimo primeiro golo. Na 1ª parte, o Diogo Gonçalves esteve bastante activo na direita, embora nem sempre os centros lhe tenham saído bem. A defesa esteve muito segura, com o Otamendi a revelar-se imperial. Esperemos que a lesão do Vertonghen não seja para muito tempo, porque convinha estar disponível para o PSV. O Weigl é o pêndulo que se sabe, mas levou um amarelo muito estúpido que me tirou do sério. O Yaremchuk mostrou que tem facilidade de remate, mas neste momento o lugar é do Gonçalo Ramos.
 
O PSV será um adversário bastante mais complicado, mas as indicações que temos dado são boas. Prevê-se uma rotação bastante grande da equipa para defrontar o Arouca na Luz, antes da recepção aos holandeses, mas o nosso plantel dá garantias que o nível exibicional se possa manter mais ou menos o mesmo.