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segunda-feira, março 09, 2020

Angustiante

Empatámos em Setúbal (1-1) no sábado e só não dissemos já adeus ao título, porque o Rio Ave foi empatar (também 1-1) a Mordor duas horas depois. Caso o CRAC tivesse ganho, ficaria três pontos (na prática quatro) à frente e teria o campeonato no bolso. Mesmo assim, pela amostra da nossa lamentável exibição em Setúbal, dificilmente festejaremos em Maio, mas pelo menos a manutenção de um ponto de desvantagem serviu para não estragar completamente o meu aniversário no dia de ontem (cujo dia mais épico foi sem dúvida este!).

O Bruno Lage colocou o Weigl e o Rafa no banco, fazendo avançar o Cervi e Chiquinho, sendo o meio-campo constituído pelo Samaris e Taarabt. No entanto, a nossa 1ª parte foi absolutamente inenarrável! Jogámos a uma só velocidade: parados e paradinhos! É que nem sequer fomos lentos...! Sim, o V. Setúbal fechou-se a sete chaves e só teve uma oportunidade de golo (por acaso até a melhor), mas o Bruno Lage não pode vir dizer que a nossa 1ª parte não foi assim tão má, porque o V. Setúbal quase não passou de meio-campo! Não pode! Fizemos uma 1ª parte hedionda, com uma única verdadeira oportunidade de golo (cabeçada do Samaris num canto). Nunca conseguimos contrariar a defesa do V. Setúbal, que nem sequer fez antijogo. Ou seja, temos de estar mais que preparados para equipas que só defendam. Chegar a Março e criticar o adversário, porque se limita a defender (ainda por cima sem fazer antijogo) não é admissível. Se não conseguimos superar isso, não merecemos ganhar títulos, meu caro Bruno Lage. É tão simples quanto isto.

A 2ª parte não poderia ter começado pior, com o golo do adversário logo no primeiro minuto: nossa equipa amorfa e o Carlinhos a aparecer no meio correspondendo a um passe da direita para desfeitear o Vlachodimos. Pensei “já fomos”, porque da maneira como (não) estávamos a jogar, não estava a ver como iríamos marcar. No entanto, respondemos aos 51’ através de um penalty a castigar cotovelada sobre o Rúben Dias num canto (falta vista pelo VAR e assinalada pelo Sr. João Pinheiro). Depois de ter falhado dois penalties frente ao Moreirense, o Pizzi continuou a marcá-los e atirou para o lado direto da baliza, contrário ao que costuma fazer, tendo batido o Makaridze. Nem estávamos a jogar mal e até marcámos outra vez (só que o Carlos Vinícius estava fora-de-jogo), mas o Bruno Lage achou por bem fazer entrar o Rafa para o lugar do Chiquinho. Não concordei com o timing da substituição e não acho de todo que tenhamos melhorado com ela, porque o Rafa está longe da melhor forma e o último passe continua a não sair. A pouco menos de 20’ do fim, entraram o Weigl e o Dyego Sousa para os lugares do Samaris e Cervi, e foi o avançado a assistir a partir da esquerda o Pizzi para este falhar um golo certo, atirando clamorosamente por cima da baliza quase da marca de penalty. Aos 75’, tivemos a grande hipótese de dar a volta ao jogo: depois de, neste mesmo estádio há uns anos, não ter visto um penalty do tamanho do mundo muito perto do final, o Sr. João Pinheiro viu uma clara mão de um defesa que desviou um remate do Grimaldo. O Pizzi voltou à marca de penalty, mas eu não estava nada confiante. Infelizmente não me enganei e o nº 21 falhou o terceiro penalty em dois jogos consecutivos, atirando ao lado. Aliás, em dois destes três nem acertou na baliza! Até final, ainda tivemos uma óptima oportunidade num remate do Grimaldo que o parvalhão do Makaridze defendeu para canto e uma cabeçada do Dyego Sousa também defendida pelo guarda-redes.

Em termos individuais, não houve ninguém que se tenha destacado positivamente. O Taarabt parece estar a perder o gás, o Samaris começou bem com as suas variações de flanco, mas depois de levar amarelo ficou condicionado até sair pouco depois, e os centrais não tiveram muito trabalho, mas o golo adversário foi na sua zona de acção. Quanto ao Pizzi, deveria mesmo passar algum tempo no banco até para sua própria salvaguarda. Está numa péssima forma, sem confiança nenhuma, não consegue passar por um adversário e, por favor, já chega de ser ele o marcador de penalties! É que, mesmo a jogar pessimamente, caso ele tivesse concretizado os quatro penalties de que dispôs nos últimos dois jogos estaríamos três pontos à frente do CRAC...

O panorama está muito negro para nós. Ou mudamos radicalmente ou isto vai ser um suplício até final. Não nos estou a ver com capacidade para irmos ganhar a Famalicão ou a Vila do Conde, mas como alguém me disse, a jogar desta maneira, nem ao Tondela em casa ganhamos! Uma vitória nos últimos oito jogos é algo que nos deveria envergonhar a todos! O que se passa, Benfica...?!

terça-feira, março 03, 2020

Descalabro

Empatámos em casa ontem frente ao Moreirense (1-1) e perdemos a liderança do campeonato, estando agora um ponto atrás do CRAC (2-0 ao Santa Clara nos Açores). Foi há menos de um mês (8 Fevereiro) que fomos a Mordor com sete pontos de vantagem. Repito: s e t e  p o n t o s de vantagem! Quatro jogos depois, oito pontos foram ao ar, com a agravante de cinco deles terem sido na Luz! Foi um mês verdadeiramente horripilante, em que, para piorar ainda mais as coisas, fomos eliminados precocemente das competições europeias. E o único aspecto positivo, a qualificação para a final da Taça de Portugal, foi conseguida de uma maneira muito lisonjeira e graças a São Vlachodimos.

O Bruno Lage tinha dito que para este jogo era “Samaris e mais dez” e o grego correspondeu sendo um dos melhores em campo. O Moreirense defendeu muito na 1ª parte e nós tivemos bastantes dificuldades em conseguir superá-los, até porque o Taarabt fugia da zona de finalização e o Carlos Vinícius estava invariavelmente sozinho no meio de ‘n’ defesas contrários. Para (não) ajudar, nem sempre empregávamos a velocidade necessária e estávamos coxos do lado direito, porque o Tomás Tavares parecia que tinha uma corda a impedi-lo de progredir até à linha de fundo. Mesmo assim, ainda tivemos umas quantas boas oportunidades, com o C. Vinícius a ultrapassar o guarda-redes, mas a ficar com pouco ângulo, tendo o remate sido interceptado por um defesa, um remate do Pizzi na direita que o Pasinato defendeu para canto e, na melhor jogada da 1ª parte, com o Rúben Dias a iniciar e finalizar com um remate de carrinho, que passou rente ao poste. Quase em cima do intervalo, foi o Grimaldo a atirar ao poste num centro-remate, com a recarga do Rafa a ser cortada por um defesa. Do outro lado, houve dois jogadores do Moreirense que apareceram frente-a-frente com o Vlachodimos, mas da primeira vez este foi rapidíssimo e conseguiu sair aos pés do avançado contrário, e da segunda o cabeceamento passou por cima da barra.

Na 2ª parte, poderíamos ter simplificado muito as coisas logo no reinício. Aos 47’ o Tomás Tavares centrou da direita e um defesa cortou a bola com o cotovelo aberto. No penalty respectivo, o Pizzi atirou excepcionalmente para o lado direito da baliza, enganando o guarda-redes, mas a bola... saiu ao lado! Logo a seguir, entrou finalmente na baliza através do Rafa, todavia o lance foi invalidado pelo VAR, porque o Pizzi fez um carrinho em que atirou a bola ao poste, mas esta bateu-lhe na mão, antes de sobrar para o nº 27. A partida parecia enguiçada e por volta da hora de jogo o Bruno Lage fez sair o Weigl para entrar o Dyego Sousa. O Samaris já tinha amarelo, mas o que é facto é que estava a jogar melhor que o alemão e o Lage decidiu arriscar a sua continuidade. (Eventualmente poderia ter saído o Ferro, recuando o Weigl para o centro da defesa...) No entanto, o balde de água fria surgiu aos 67’ com o golo do Moreirense: jogada pelo lado esquerdo com centro para a área, o Ferro (lá está...) não cortou o lance (quiçá com medo de mais um autogolo) e o Fábio Abreu entrou de rompante nas suas costas, atirando sem hipóteses para o Vlachodimos. As coisas ficaram muito negras e o Bruno Lage não ajudou nada no banco (para variar...): fez entrar (e bem) o Cervi, mas tirou o Rafa que, apesar de não estar a fazer um jogo brilhante, é sempre imprevisível, e, pior ainda, colocou o Jota no lugar do... Taarabt! Saía o único jogador nosso que parte para cima dos adversários e arrisca a fintar e criar desequilíbrios... Quer dizer: em Mordor acabámos com os três pontas-de-lança em campo e o Pizzi a lateral-direito, ontem todos os defesas ficaram em campo até final...! Incompreensível! O C. Vinícius teve um remate por cima, depois de assistido pelo Grimaldo na esquerda, mas pouco mais perigo criámos, porque... não havia ninguém para desequilibrar a defesa! Num contra-ataque venenoso, o Moreirense só não fechou o jogo, porque o remate do Pedro Nuno isolado saiu ao lado. Em cima dos 90’, o Cervi antecipou-se a um defesa na área e foi pontapeado por trás. O Sr. Fábio Veríssimo assinalou o respectivo penalty, o C. Vinícius ainda pegou na bola, mas o Pizzi quis marcar novamente o penalty. Atirou, como de costume, para o lado esquerdo da baliza, muito pouco colocado, o guarda-redes defendeu, mas felizmente para a frente e o nº 21 fez o empate. Teve uma sorte enorme no ressalto! Até final, o Dyego Sousa e o Pizzi ainda remataram, mas o Pasinato defendeu sem muitas dificuldades. Acabou assim um jogo em que era fundamental ganharmos e só não perdemos por pouco...

Em termos individuais, gostei do Samaris, que é o jogador mais parecido com o Gabriel a variar o flanco com passes em profundidade. Continuo sem perceber, porque é que o Lage só agora se lembrou dele... O Taarabt não esteve tão bem como em jogos anteriores, mas neste momento é dos poucos que arrisca desequilibrar. Foi das pouquíssimas vezes que assobiei contra nós, mas não me consegui conter na altura da sua substituição! (Será que o Lage não vê o mesmo jogo que nós vemos...?!) E, por favor, alguém eu diga ao Tomás Tavares que pode (e deve) subir pelo flanco direito para criar desequilíbrios, especialmente em jogos como este...! Obrigado.

Claro que só estamos a um empate de voltar à liderança, mas sinceramente o panorama apresenta-se-nos muito negro. Perder oito pontos em menos de um mês e deixar de depender de si próprio para chegar ao título tem um enorme efeito negativo em nós e positivo nos outros. Não nos estou a ver com capacidade para inverter isto. O plantel parece descrente e joga sob brasas, e o treinador está a ter uma série de opções a partir do banco nos últimos jogos que só estragam a equipa. Não percebo como é que ninguém lá dentro vê isto... Conseguimos dar cabo de uma vantagem de sete pontos em apenas quatro jogos e maioritariamente em casa...! Vai custar muito perder um campeonato assim.

Benfica FM em directo

Disse "claro que sim" a mais um convite do meu amigo Nuno Picado antes do descalabro de ontem. Vai ser uma catarse bastante difícil...

Para ver hoje em directo aqui a partir das 21h30.


sexta-feira, fevereiro 28, 2020

Desilusão

Empatámos na Luz frente ao Shakhtar Donetsk (3-3) e fomos eliminados nos dezasseis-avos de final da Liga Europa. Foi um tremendo revés, dado que tínhamos a esperança de poder chegar pelo menos aos quartos-de-final tal como na temporada passada. Foi-nos prometido um Benfica Europeu e ficámos muito aquém disso, portanto este falhanço deverá servir para tirar ilações para o futuro.

Relativamente a Barcelos, o Bruno Lage fez entrar o Dyego Sousa e o Chiquinho, saindo o Carlos Vinícius (tocado) e o Samaris. Entrámos muito bem e logo aos 9’ num remate rasteiro muito colocado do Pizzi. Ficámos em vantagem na eliminatória, mas não por muito tempo. O Shakhtar igualou aos 12’ num autogolo do Rúben Dias depois de uma desmarcação na direita do ataque, que apanhou a nossa defesa em contrapé, e um cruzamento para área em que o Ferro e o Rúben Dias tentaram evitar que a bola chegasse ao avançado, mas este último acabou por inadvertidamente colocá-la na nossa baliza. Pouco depois, as coisas poder-se-iam ter complicado muito, mas o Vlachodimos desviou para o poste um remate já com pouco ângulo do Ismaily. Aos 36’, igualámos a eliminatória, ao fazer o 2-1 através de uma óptima cabeçada do Rúben Dias depois de um canto do Pizzi na direita. Até ao intervalo, o Dyego Sousa poder-se-ia ter estreado a marcar por nós, mas o remate rasteiro foi defendido pelo Pyatov.

A 2ª parte não poderia ter começado melhor: fizemos o 3-1 logo aos 47’ através do Rafa, depois de um disparate tremendo de um defesa ucraniano, que colocou a bola nos pés do Dyego Sousa, que assistiu o nº 27. À semelhança da primeira parte, nem tivemos para saborear a vantagem, dado que o Shakhtar empatou logo dois minutos depois através de uma forte cabeçada do Stepanenko na sequência de um canto. Este golo abanou-nos, como seria expectável e o Bruno Lage fez entrar o Seferovic a pouco mais de 20’ do fim saindo o Chiquinho. O suíço teve uma óptima ocasião para marcar de cabeça depois de um livre do Pizzi, mas a bola saiu ao lado. Aos 71’, a eliminatória praticamente acabou com o 3-3 do Alan Patrick no enésimo contra-ataque rápido dos ucranianos (aquilo que nós nunca fizemos no jogo da 1ª mão, em que saímos sempre muito devagarinho para o ataque). Até final, ainda entraram o C. Vinícius e o Jota, mas já nada conseguiram fazer para mudar a eliminatória. Ao menos que tivéssemos ganho o jogo, mas nem isso lográmos fazer.

Em termos individuais, o Taarabt foi o que apresentou rendimento mais constante e o Vlachodimos salvou-nos da derrota por duas ou três vezes. O Pizzi também não esteve mal, com um golo e uma assistência. Quanto ao Rafa acabou por ter um rendimento em crescendo, principalmente na 2ª parte, com o golo e, perto do final, em que fez um par de sprints perigosos. Todavia (e já não é deste jogo) o último passe não lhe está a sair nada bem. Quanto ao Seferovic, não se percebe a insistência do Lage em fazê-lo entrar logo em primeiro lugar. É que há uma série de jogos que não acrescenta nada à equipa.

À semelhança das demais equipas portuguesas, fomos eliminados numa altura muito precoce (parece que há 21 anos que não ficávamos todos de fora tão cedo). No entanto, temos de ter consciência do seguinte: a nossa história só é grande pelo que fizemos em termos europeus, portanto não podemos de todo relegar para segundo plano este aspecto. Sejamos honestos: fora do próprio país, ninguém liga nenhuma a algum campeonato tirando os principais (Inglaterra, Alemanha, Espanha e Itália). Quem é que vê regularmente o campeonato belga, holandês ou russo? Claro que o tetra foi histórico e quantos mais campeonatos ganharmos melhor, obviamente. Não troco as idas ao Marquês por nada. Mas a dimensão europeia não pode ser descurada, como tem sido nos últimos anos, sob pena de ficarmos restringidos ao nosso pequeno quintal. E de assim não honrarmos a nossa história.

terça-feira, fevereiro 25, 2020

Importante

Vencemos ontem o Gil Vicente em Barcelos (1-0) e mantivemo-nos na liderança do campeonato com um ponto de vantagem sobre o CRAC, que marcou aos 87’ frente o Portimonense em casa (1-0). Foi uma vitória fundamental num campo onde os outros dois tinham perdido e para mais no meio de uma jornada europeia na Liga Europa.

O Bruno Lage mexeu na equipa e colocou o Samaris no meio, avançando o Taarabt para trás do Carlos Vinícius, com o Rafa na esquerda. E o que se pode dizer é que fizemos uma boa 1ª parte, com o Samaris em destaque no meio-campo com duas ou três variações de flanco muito boas. Tivemos uma boa oportunidade logo nos minutos iniciais, mas o Pizzi atirou à malha lateral quando já tinha pouco ângulo. Fizemos o único golo da partida aos 15’ num livre, em que a bola sobrou para a esquerda, o Taarabt centrou e o C. Vinícius de cabeça não deu hipóteses ao Denis. O Gil Vicente reagiu bem e logo a seguir poderia ter chegado ao empate, mas o desvio do avançado depois de uma bola metida na área saiu ligeiramente ao lado. Até ao intervalo, o Vlachodimos fez mais um par de boas defesas que permitiram manter as nossas redes invioladas. Quanto a nós, também tivemos ocasiões, mas geralmente falhávamos no último passe.

Fruto do jogo na 5ª feira, esperava alguma quebra física da nossa parte no segundo tempo. Felizmente isso não se verificou muito, embora o Gil Vicente como seria expectável tenha atacado mais. Todavia acabámos por estar mais seguros a defender do que em partidas anteriores e o Vlachodimos foi dando conta do recado como tem sido hábito. O jogo poderia ter sido mais tranquilo se tivéssemos marcado logo no reinício, mas um defesa desviou para canto um remate do C. Vinícius que ia com boa direcção. Contra-atacámos algumas vezes, mas o último passe voltou a não estar perfeito (o Rafa teve pelo menos duas ocasiões em que falhou redondamente passes que não eram nada difíceis). A nossa melhor ocasião foi um disparo do Taarabt à trave, depois de passar a bola por cima de um adversário naquilo que seria um golão! Para os minutos finais, o Bruno Lage fez entrar o Dyego Sousa, Cervi e Chiquinho, que ajudaram a conter o último fôlego do Gil Vicente.

Em termos individuais, destaque pelo C. Vinícius pelo golo e pela outra ocasião em que só não marcou, porque o defesa desviou a bola, para o Samaris pela consistência que emprestou ao meio-campo e pela participação nas acções ofensivas (aliás, gostaria que o Bruno Lage me explicasse porque é que um jogador que foi fundamental para o título no ano passado tem tido tão poucas oportunidades esta época), para o Taarabt, embora ache que o marroquino esteja mais à vontade como nº 8 do que como 10, e claro para o Vlachodimos, que terá uma enorme quota de responsabilidade em tudo o que de bom conseguirmos esta temporada. O Pizzi esteve melhor do que em partidas anteriores, assim como o Ferro. Também gostei muito da entrada do Dyego Sousa, bastante mais activo do que o Seferovic, e naturalmente do Cervi, pese embora o seu falhanço só com o guarda-redes pela frente já na compensação. Não tão bem esteve o Rúben Dias, que perdeu pelo menos por duas vezes a bola em sítio proibido.

A meio da jornada europeia, estes jogos são ainda mais difíceis do que é normal. Demos uma resposta melhor do que nos últimos tempos e isso é bastante positivo. Teremos agora o Shakhtar na 5ª feira e o tempo de descanso entre os jogos vai ser muito curto. Espero que a equipa consiga dar a volta à eliminatória, porque seria muito frustrante se saíssemos já da Europa.

sexta-feira, fevereiro 21, 2020

Sem chama

Perdemos na Ucrânia frente ao Shakhtar Donetsk por 1-2 e partimos em desvantagem para o encontro da 2ª mão na Luz. Foi um jogo que infelizmente confirmou a tendência dos últimos (exceptuando talvez o do Braga), ou seja, não estamos de todo a passar por uma boa fase.

Perante a indisponibilidade por castigo do Weigl, o Bruno Lage fez entrar o Florentino, tendo igualmente trocado a dupla atacante (Chiquinho e Seferovic em vez do Rafa e Carlos Vinícius). Contra um adversário que está há dois meses na pausa de Inverno, voltámos a demonstrar a pobreza franciscana das exibições fora nas competições europeias: velocidade zero, vontade para marcar golos zero, limitamo-nos a tentar não sofrer enquanto o jogo está empatado. Muito, muito pouco para uma equipa como nós que tem um estatuto a defender na Europa do futebol. A meio da 1ª parte, tivemos uma decisão do VAR a nosso favor, anulando um golo por fora-de-jogo milimétrico, depois de uma transição ofensiva do Shakhtar na sequência de um péssimo passe do Florentino na nossa em zona de ataque. Mantenho a coerência em relação ao VAR: estes lances que a olho nu não se percebe se são fora-de-jogo ou não são para deixar seguir. No entanto, não posso deixar de notar a rapidez com que a decisão foi tomada. Fosse no campeonato português e ainda estaríamos lá agora à espera da decisão. O Pizzi jogou atrás do Seferovic, com o Chiquinho a fechar o lado direito, mas só chegámos à baliza contrária perto do intervalo, com um remate ao lado do mesmo Pizzi depois de uma jogada do Cervi na esquerda.

Se a 1ª parte não tinha sido nada de especial, os primeiros minutos da 2ª foram bastante piores. Os ucranianos aceleraram um pouco e nós fomos encostados às cordas. Já na 1ª parte, o Vlachodimos tinha feito um par de boas intervenções, que aumentaram substancialmente na 2ª. No entanto, nada conseguiu fazer aos 56’ com um remate de fora da área do Alan Patrick a inaugurar o marcador. O Shakhtar estava a ameaçar há algum tempo pelo que isto não foi surpresa para ninguém. Tivemos uma boa reacção (porque é que não jogámos assim desde o início...?!) e empatámos aos 66’ num penalty do Pizzi (bem marcado) a castigar falta sobre o Cervi. Todavia, esta infracção só foi sinalizada pelo VAR ao árbitro, porque tínhamos marcado golo pelo Tomás Tavares e ficámos todos na dúvida se havia ou não fora-de-jogo do Cervi, que lhe fez a assistência. Aposto que ninguém se apercebeu do penalty. O meu ponto é este: deveria ter sido golo do Tomás Tavares! A falta sobre o Cervi é menos de um segundo antes do golo, pelo que se o árbitro a tivesse visto só teria apitado depois de a bola ter entrado na baliza. Imaginemos que o Pizzi falhava o penalty. Como seria?! Quando se esperava que, a seguir a um golo caído do céu, conseguíssemos finalmente jogar algum futebol, o Rúben Dias resolveu comer uma série de erros na mesma jogada e o Kovalenko fez o 1-2 aos 72’. Até final, os ucranianos fecharam-se bem e só num remate de pé direito do Grimaldo colocámos o Pyatov à prova. Ainda sofremos uns quantos contra-ataques, mas felizmente sem consequências.

Em termos individuais, destaque absoluto e exclusivo para o Vlachodimos. Há uma série de partidas que tem sido o nosso melhor jogador, o que quer dizer muito da maneira como (não) estamos a jogar. O Taarabt foi dos poucos a tentar levar a equipa para a frente, mas desceu muito na 2ª parte e o Chiquinho também não foi dos piores, especialmente na ajuda defensiva que deu. Do outro lado, o Pizzi está pouco mais que inenarrável (não consegue criar um desequilíbrio, nem fazer um passe de ruptura), o Ferro voltou a ser um passador, o Seferovic é um a menos e o Florentino demonstrou novamente a necessidade termos contratado alguém como o Weigl (joga invariavelmente para o lado e para trás, para além de ter perdido uma ou duas bolas incríveis que deram origem a contra-ataques perigosos).

Não irá ser fácil eliminar os ucranianos, ainda para mais com o pouco tempo de descanso antes da 2ª mão. Todavia, antes disso teremos a difícil deslocação a Barcelos frente ao Gil Vicente. Era nesta altura que os sete pontos de vantagem seriam muito importantes. Uma coisa parece certa neste momento: ou mudamos radicalmente a qualidade das nossas exibições, ou isto irá ser muito penoso até final da época.

segunda-feira, fevereiro 17, 2020

Inglório

Perdemos no sábado frente ao Braga na Luz (0-1) e, com a vitória do CRAC em Guimarães no dia seguinte (2-1), temos agora somente um ponto de vantagem sobre eles. Em pelo menos 75% dos jogos desta época fizemos exibições piores, mas ganhámos, o que torna este desaire particularmente doloroso. Não só isto, como o facto de numa semana vermos esfumar-se uma vantagem confortável de sete pontos.

Entrámos muito bem na partida e o Rafa aproveitou um erro de um central para se isolar logo nos primeiros minutos, mas o remate saiu ligeiramente ao lado. Aliás, na 1ª parte demos um show de golos falhados, com o Cervi também a ganhar a bola a um defesa e a rematar ao lado e o Carlos Vinícius a cabecear por cima depois de um bom centro do Pizzi (a única coisa de jeito que fez na etapa inicial). Em cima do intervalo, o Braga criou perigo pela primeira vez, mas o Vlachodimos fez bem a mancha a um adversário que de repente lhe surgiu isolado pela frente numa bola parada (não se percebe como é que a nossa defesa permite lances destes em todos os jogos). Na sequência do canto, um enorme balde de água fria caiu sobre as nossas cabeças com o golo de cabeça do João Palhinha, que deixou o Ferro nas covas.

Tentámos inverter a injustiça do marcador na 2ª parte e o C. Vinícius atirou ao poste, depois de uma boa iniciativa individual a passe do Grimaldo. O Braga defendeu-se bem durante grande parte do segundo tempo e só numa grande jogada individual do Pizzi (a única coisa de jeito que fez nos segundos 45’) voltámos a criar perigo, mas o Matheus defendeu para canto. Com o passar do tempo, o Braga começou a fazer contra-ataques perigosos e por mais de uma vez foi o Vlachodimos a permitir-nos continuar na discussão do resultado. À semelhança de Mordor, quando o Bruno Lage começou a mexer na equipa ficou tudo estragado. Deve ter um fetiche qualquer com o Seferovic, que tem que ser o primeiro a entrar. Ainda por cima, com o Pizzi a arrastar-se e o Rafa a quebrar fisicamente, foi o Cervi a sair aos 62’ o que lhe valeu uma enorme assobiadela. Para piorar as coisas, aos 79’ fez sair o Weigl para entrar o Chiquinho. O alemão tinha acabado de fazer um passe longo que isolou o Pizzi e era dos que mais fazia a bola rolar, e com esta substituição o Taarabt, que era o único a quebrar linhas e levar a bola para a frente, recuou para trinco e ficou longíssimo da baliza. Resultado? Deixámos de criar perigo. Na fase do desespero aos 86’ saiu o Tomás Tavares para entrar o Dyego Sousa. Novamente três ponta-de-lança em campo, novamente sem uma única bola a chegar à frente. Porquê? Porque não havia ninguém para a pôr lá! Esta táctica pode parecer excelente em termos teóricos e o Lage explicou-a mais uma vez na conferência de imprensa, mas o que é facto é que na prática não resulta. Viu-se em Mordor e comprovou-se outra vez no sábado. Por favor, alguém que diga ao nosso treinador que três pontas-de-lança, com o Seferovic a descair para a extrema-esquerda, o Pizzi a defesa-direito e o Taarabt a trinco é obviamente uma confusão de todo o tamanho e um enorme favor que fazemos aos adversários. Se estamos rotinados para jogar de determinada maneira, e até nem o fizemos mal durante grande parte do jogo, para quê isto...?!

Em termos individuais, destaque mais uma vez para o Vlachodimos que só não defendeu o indefensável. O Taarabt foi dos mais esclarecidos e deveria ter ficado a jogar mais perto da baliza até final do jogo. O Cervi lutou muito como de costume e, quando saiu, deixámos de jogar pelo corredor esquerdo. Quanto aos menos, o Rafa parece cansado e o Pizzi continua a decair a olhos vistos.

Confesso que cheguei a sonhar com a possibilidade de fazermos alguma gestão no campeonato em favor da Liga Europa. Afinal, tínhamos sete pontos de vantagem. Em apenas duas jornadas, tudo se esfumou e o panorama está muito negro. A lesão do Gabriel veio complicar muito as nossas contas pelo equilíbrio que dava ao meio-campo. Ainda por cima, as competições europeias regressam já esta semana e o plantel parece muito curto para a carga de jogos que vamos ter.

P.S. – Foi obviamente NOJENTO o que se passou em Guimarães com o Marega. Qualquer pessoa que tenha neurónios percebe isso. Mas não foi caso único e, naquele mesmo estádio, o Nélson Semedo sofreu algo semelhante (em menor proporção) há uns anos. Espero que agora haja finalmente coragem para se pôr cobro a isto em definitivo e irradiar permanentemente dos estádios os energúmenos desta estirpe.

quarta-feira, fevereiro 12, 2020

Passámos

Empatámos em Famalicão (1-1) e passados três anos vamos voltar ao Jamor para a final da Taça. E, pronto, o positivo acerca do jogo de ontem resume-se a isto. Três dias depois da derrota em Mordor, fizemos uma exibição muito pobre com uma 2ª parte do pior que já foi visto esta época. E acho bem que acendamos todos uma velinha a São Vlachodimos, porque se vamos à final da Taça a ele o devemos.

O Bruno Lage promoveu duas alterações em relação à partida de sábado, com as entradas do Florentino e Cervi para os lugares do Weigl e Chiquinho, tendo o Rafa passado novamente para as costas do Carlos Vinícius. O encontro começou mais ou menos equilibrado e conseguimos colocar-nos em vantagem aos 24’: perda de bola do Famalicão em zona proibida, recuperação do Pizzi, abertura na esquerda no C. Vinícius, centro para a pequena-área, toque do Cervi de calcanhar para trás, que tirou o guarda-redes do caminho e o Pizzi atirou com sucesso para a baliza deserta. Logo a seguir ao golo, tivemos uma boa jogada em que poderíamos ter feito o xeque-mate à eliminatória, mas um defesa do Famalicão cortou o lance. A partir daí, foi o Vlachodimos a entrar a acção: tirou dois autênticos golos ao Toni Martínez e Diogo Gonçalves que lhe apareceram isolados pela frente, em ambos os casos (mas especialmente no primeiro) com grandes culpas do Ferro e em cima do intervalo defendeu outro remate de fora da área novamente do Toni Martínez. O Famalicão ainda marcou um golo, num livre para a área em que há um jogador que não só empurra o Rúben Dias(!) como abalroa o Vlachodimos(!), mas como foi fora da pequena-área o Sr. Jorge Sousa deixou passar, tendo-nos valido que estava em fora-de-jogo por 31 cm. Inacreditável como não se marca aquela falta sobre o nosso guarda-redes!

Para a 2ª parte, esperava-se alguma reacção da nossa parte, mas estivemos ainda pior. Não só não conseguimos ligar dois passes seguidos em zona de ataque, como começámos a defender muito atrás e deixámos que o Famalicão nos encostasse às cordas durante praticamente todo o tempo. Voltou a valer-nos o Vlachodimos que lá foi resolvendo como pôde, mas aos 78’ sofremos mesmo o empate através do Toni Martínez: variação de flanco para a direita, centro do Diogo Gonçalves e o avançado a antecipar-se à tentativa de corte em carrinho do Rúben Dias. Mais um golo deles e estaríamos fora do Jamor. Sofremos um bom bocado ainda, com alguns remates de fora da área, mas que passaram por cima, e tivemos a segunda(!) oportunidade de golo já nos descontos, quando o entretanto entrado Seferovic conseguiu atirar ao lado só com o guarda-redes pela frente, depois de uma boa jogada individual do Chiquinho que o isolou. Quando se ouviu o apito final, foi um enorme alívio!

Em termos individuais, só o Vlachodimos merece destaque. E que destaque! Devemos-lhe o Jamor. Sem exagero nenhum. O Taarabt ainda tentou construir alguma coisa, especialmente na 1ª parte, mas não teve parceria à altura. O Pizzi marcou o golo da vitória, mas como vem sendo habitual passou ao lado do jogo, e esse golo tem o carimbo do Cervi, que voltou à titularidade e foi novamente o combativo do costume. O Rafa também ainda está muito longe da sua condição habitual e, com os desequilibradores ausentes, é muito difícil construirmos algo de jeito. Muito preocupante é a forma do Ferro! Está um autêntico passador e o pior de tudo é que teremos de adaptar um jogador para o seu lugar, quando ele for para o banco. E ou melhora muito rapidamente, ou vai mesmo ter que ir! Já se sabe que o Grimaldo não é um muro a defender e com o Ferro nesta forma temos ali um buraco que urge resolver rapidamente.

Daqui a uns tempos ninguém se irá lembrar de mais nada deste jogo sem ser o resultado. E ainda bem, porque ele significou mais uma final da Taça (tal como este que foi horrível e sofrido, mas que também valeu a ida ao Jamor). No entanto, temos que melhor a qualidade exibicional muito rapidamente, porque a jogar desta maneira não vamos estar a sorrir no final da época.

domingo, fevereiro 09, 2020

Frustrante

Perdemos com o CRAC em Mordor (2-3) e vimos a nossa vantagem reduzida a quatro pontos (que na realidade são três, porque eles têm vantagem no confronto directo). Foi um resultado inglório, porque deu sempre a sensação de que fornecemos oxigénio a um adversário que estava quase a ficar sem ele.

Com o impedimento do Gabriel, o Bruno Lage colocou a esperada dupla Weigl e Taarabt no meio-campo, mas inovou ao tirar o Cervi e dar a titularidade ao Chiquinho, desviando o Rafa para a esquerda. E começámos a perder o jogo logo aí: o argentino tem sido dos nossos melhores jogadores, dá uma ajuda tremenda ao Grimaldo e, curiosamente ou talvez não, os três golos do CRAC surgiram todos pelo nosso lado esquerdo. Não entrámos nada bem na partida e cedo fomos encostados às cordas. Deixámos o caceteiro do Pepe surgir isolado na sequência de um livre e o que valeu foi a sua má pontaria de cabeça, mas logo aos 10’ ficámos em desvantagem através de um golo do Sérgio Oliveira depois de o Otávio ter trocado os olhos ao Grimaldo e centrado para a área. Reagimos bem e igualámos aos 18’ pelo inevitável Carlos Vinícius numa recarga a um bom cabeceamento do Chiquinho defendido para cima pelo Marchesín na sequência de um centro do Rafa na direita. Na televisão vê-se o nosso avançado mais do que em linha, mas o inefável VAR validou o golo por 5 cm! Não acabem com esta bosta que não é preciso...! O jogo equilibrou-se, mas o Sr. Artur Soares Dias começou a condicionar-nos no meio-campo com amarelos, nomeadamente ao Taarabt e Weigl. Se não percebo como é que ninguém responsável do Benfica instruiu o marroquino sobre as provocações que ia ter e para se afastar dela a sete pés, porque seria sempre um candidato natural a ver cartões, o alemão nem sequer tocou no adversário (acho muita piada o VAR servir para ver 5 cm de foras-de-jogo, mas para corrigir um amarelo claramente mal mostrado, que pode resultar num segundo amarelo e expulsão, já não serve...!). Claro que a nossa pressão no meio-campo baixou logo e o CRAC chegou novamente perto da nossa baliza, com um remate do Sérgio Oliveira ao lado. Aos 38’, num livre para o CRAC do lado direito a bola foi centrada para a área, o Soares empurrou o Ferro, cabeceou, o nosso jogador abriu os braços com o empurrão e, de costas para a bola, toca nela. O Sr. Tiago Martins no VAR (lembramo-nos muito bem dele, certo...?!) chamou o Sr. Artur Soares Dias e eles assinalaram o óbvio em Mordor: penalty para o CRAC! I N A C R E D I T Á V E L!!! O Alex Teles não deu hipóteses ao Vlachodimos. A um minuto do intervalo, novamente pelo lado esquerdo(!) da nossa defesa, o Marega bateu o Ferro em velocidade, cruzou para o meio e o Rúben Dias interceptou a bola para... dentro da nossa baliza. Chegávamos ao intervalo com uma desvantagem muito complicada.

No entanto, a 2ª parte começou bastante bem e reduzimos logo aos 50’ novamente pelo C. Vinícius, com um remate cruzado de pé esquerdo já dentro da área, depois de assistido pelo Rafa, que foi desmarcado num passe longo do Rúben Dias. O CRAC abanou claramente com o nosso golo e só através de contra-ataques conseguiu criar perigo, apanhando-nos em contrapé. Em contra-ataques e nas bolas paradas, claro, em que mais uma vez deixámos o Pepe sozinho na área, mas o remate saiu muito torto. O Taarabt estava a arriscar muito o segundo amarelo, tinha que sair, mas o Bruno Lago apostou na entrada do Seferovic. O suíço está claramente fora de forma e demonstrou-o mais uma vez, colocando-se em fora-de-jogo numa boa jogada do Rafa e não conseguindo chegar a tempo a um centro do C. Vinícius, o qual, se fosse ao contrário, teria certamente feito o empate (para além disto, no último minuto de compensação, deixou a bola ir para canto, arriscando-se a que o árbitro acabasse com a partida, em vez de rematar...!). Noutra ocasião, foi um remate do Chiquinho à entrada a área a dever ter tido melhor destino. Do outro lado, valeu-nos o Vlachodimos num remate do Luis Díaz e o Ferro a interceptar outro remate deste mesmo jogador já perto do final. O Bruno Lage fez ainda entrar o Samaris para o lugar do amarelado Weigl, mas já não percebi a entrada do Dyego Sousa aos 85’ em vez do lesionado André Almeida. Com três pontas-de-lança(!) em campo e o Chiquinho a defesa-direito, fizemos hara-kiri nos minutos finais. O jogo teve seis minutos de compensação e, caso conseguíssemos milagrosamente o empate, queria ver como conseguiríamos manter o resultado nesse tempo todo. Isto para além de, como é evidente, a bola não ter chegado em condições lá à frente, não só porque não havia ninguém para a pôr lá, como os avançados chocavam uns com os outros.

Em termos individuais, destaque somente para o C. Vinícius. Dois golos em Mordor não é para todos e só é pena que não tenham servido para nada. O meio-campo foi condicionado muito cedo, mas o Taarabt foi enquanto jogou o único que conseguia transportar a bola para a frente. O Chiquinho também subiu de produção quando recuou para lá na 2ª parte. Quanto aos menos, há uma série deles: Grimaldo fez das piores exibições defensivas de sempre, o Ferro foi um passador, o Pizzi continua a passar despercebido em 2020 e o Seferovic não acrescenta nada.

Tínhamos uma oportunidade de outro de dar quase xeque-mate no campeonato, mas ao invés permitimos o ressuscitar de uma equipa quase moribunda. No entanto, essa equipa só nos ultrapassará se nós deixarmos e deslizarmos não uma, mas duas vezes. Está tudo nas nossas mãos, mas antes de voltarmos ao campeonato teremos um jogo importantíssimo já esta 3ª feira em Famalicão. Uma não-ida ao Jamor especialmente depois do resultado deste encontro seria um revés enorme e poderia ter consequências muito negativas no resto da época.

quarta-feira, fevereiro 05, 2020

Complicado

Vencemos ontem o Famalicão na Luz por 3-2 na 1ª mão das meias-finais da Taça de Portugal. Tal como o resultado indica, foi uma partida extremamente complicada em que, para mais, aos 78’ estávamos a perder por 1-2.

Felizmente em relação aos jogos anteriores da Taça, o Bruno Lage lá considerou que tínhamos de jogar com guarda-redes e o Vlachodimos estreou-se a titular nesta competição. Para além disso, entraram também o Jardel, Chiquinho e Seferovic, tendo a dupla de meio-campo sido Gabriel e Taarabt por via do impedimento do Weigl. O Famalicão mostrou desde cedo que não estava na Luz para o empate e o jogo foi muito repartido praticamente desde o início. Nós voltámos a evidenciar grandes dificuldades para ter um jogo escorreito, nomeadamente pela falta de velocidade no último terço do campo. A 1ª parte foi por isso algo sensaborona apenas com duas grandes oportunidades para cada lado, mas tanto o Chiquinho como o Pedro Gonçalves atiraram ao lado, quando estavam em muito boa posição. Nós ainda tivemos outro lance de perigo, mas o Seferovic chegou atrasado a um centro-remate do Pizzi.

Na 2ª parte, as coisas alteraram-se com muito mais velocidade de ambas as equipas. Inaugurámos o marcador aos 53’através do Pizzi, na marcação de um penalty indiscutível por braço de um defesa. Quando se esperava que fôssemos capazes de controlar a partida e tentar aumentar a vantagem sem sofrermos golos, aconteceu exactamente o contrário. O Pedro Gonçalves passou por vários dos nossos jogadores aos 60’, abriu na direita no Diogo Gonçalves, que lhe devolveu a bola para ele desfeitear o Vlachodimos. Pouco depois, poderíamo-nos ter colocado novamente na posição de vencedor, mas o Chiquinho preferiu cair na área em vez de marcar, tendo depois sido assinalado um fora-de-jogo ao Cervi. Aos 73’, vimos o Jamor por um canudo com o 1-2 do Toni Martínez numa jogada de contra-ataque finalizada com um remate rasteiro sem hipóteses para o Vlachodimos. Pouco antes disso, já tinham entrado o Carlos Vinícius e o Rafa para os lugares do Chiquinho e Rafa, e foram eles os dois a fabricar o golo do empate aos 78’: remate na área do C. Vinícius que o Vaná não conseguiu agarrar e recarga vitoriosa do Rafa. Logo a seguir, valeu-nos o Vlachodimos que impediu novo golo do Famalicão numa defesa de recurso, depois de um remate contrário ter sido desviado por um defesa nosso. Como já nos estávamos a dever há algum tempo, conseguimos fazer o golo da vitória no último minuto de compensação (95’) num canto do Grimaldo na esquerda e entrada de rompante do Gabriel. Foi um triunfo precioso mesmo ao cair do pano, porque a 2ª mão seria totalmente diferente se tivéssemos que ir atrás do resultado.

Em termos individuais, o Taarabt voltou a ser o melhor do Benfica e o único que fez algum transporte de bola para a frente com qualidade. O Vlachodimos mostrou novamente como é importante jogar com guarda-redes. De resto, ninguém mais se destacou por aí além, com o Gabriel a ter uma lentidão por vezes exasperante no meio-campo, mas quem marca o golo da vitória está automaticamente perdoado, e o Pizzi a demonstrar que está completamente fora de forma (meu rico Salvio, por onde andas...?!). Quanto ao Seferovic, a crise de confiança é enorme e notou-se logo a diferença quando entrou o C. Vinícius.

A 2ª mão disputar-se-á na próxima 3ª feira, apenas três dias depois da ida a Mordor. Vai ser extremamente difícil dado que o Famalicão foi provavelmente a melhor equipa que vimos este ano na Luz. Bela ocupação do espaço, manietação da nossa saída de bola e velocidade e qualidade na frente. Veremos como será, mas tendo sempre presente que uma não-ida ao Jamor seria um falhanço enorme.

domingo, fevereiro 02, 2020

Stressante

Vencemos o Belenenses SAD na 6ª feira por 3-2 e, com o habitual passeio do CRAC em Setúbal (4-0), iremos a Mordor no próximo sábado com sete pontos de vantagem. Foi uma partida em que não soubemos gerir a vantagem que obtivemos antes do intervalo e que se tornou bastante complicada.

Não entrámos muito bem na 1ª parte, parecendo algo amorfos. De tal maneira que na primeira meia-hora, só um livre do Grimaldo pôs à prova o André Moreira. Também num livre, o Silvestre Varela obrigou o Vlachodimos a uma óptima defesa. Aos 31’ adiantámo-nos no marcador depois de um slalom fantástico do Taarabt, que passou por entre cinco jogadores adversários, abriu na esquerda, o Cervi colocou a bola na cabeça do Carlos Vinícius que atirou à barra, mas teve o grande mérito de ir atrás da recarga e rematar cruzado, sem hipóteses para o guardião contrário. Um golão! Pouco depois, foi o Rafa a obrigar o André Moreira a uma das melhores defesas do encontro. Aos 38’, alargámos a vantagem na sequência de um canto do Pizzi na esquerda, cabeça do André Almeida no segundo poste para o meio e o Taarabt a fuzilar o guarda-redes. Chegávamos ao intervalo com o jogo bem encaminhado.

No entanto, na 2ª parte assistimos a uma cópia do que se passou em Paços de Ferreira, ou seja, desacelerámos bastante com dois golos de vantagem. Com a diferença que o Beleneses SAD mostrou ser mais perigoso que os pacenses e poderia ter reduzido logo dez minutos depois do recomeço, mas o desvio ao segundo poste do Licá saiu felizmente ao lado. O Vlachodimos foi importantíssimo para manter as nossas redes invioladas por mais do que uma vez, mas nada pode fazer aos 70’ num centro da esquerda do Varela e autogolo do Ferro a meias com o Licá. Um pouco antes já o Chiquinho tinha entrado para o lugar do Pizzi e foi o mesmo Chiquinho a dar-nos alguma tranquilidade aos 78’, ao fazer o 3-1, depois de um passe do Rúben Dias para o meio, toque primoroso do C. Vinícius a isolar o nº 19, que contornou o guarda-redes e não se desconcentrou com a presença de um defesa, atirando para a baliza deserta. Parecia que podíamos respirar até final, mas aos 87’ o Rafa fez aparentemente falta na área sobre o Varela e o Licá reduziu para 3-2. Até ao último apito do árbitro, ainda permitimos que o Belenenses SAD se acercasse da nossa baliza com algum perigo, tendo-nos valido a saída da área de cabeça do Vlachodimos numa das vezes.

Em termos individuais, destaque para o Taarabt por ter enchido o campo, especialmente na 1ª parte, valorizada com um golo e a participação fundamental noutro. Também o C. Vinícius foi essencial, pois fez um golo e uma assistência. Gostei igualmente do Weigl, mais na 1ª do que na 2ª parte, porque deu imensa fluidez ao nosso jogo, libertando sempre a bola jogável para a frente. O Vlachodimos continua a ser dos jogadores mais fundamentais do plantel e é bom que rezemos a Eusébio para que nada lhe aconteça até final da época... Muito menos exuberante do que o costume esteve o Pizzi e o Rafa também já fez jogos melhores.

Antes da ida a Mordor, teremos a 1ª mão das meias-finais da Taça de Portugal frente ao Famalicão na Luz nesta 3ª feira. Escusado será dizer que temos obrigação de estar no Jamor em Maio. Assim sendo, e dado que a 2ª mão é já para a semana, apenas três dias depois de ir a casa do CRAC, seria de todo conveniente que fizéssemos um resultado que nos desse alguma tranquilidade (para tal, ajudaria muito que o Bruno Lage resolvesse jogar com um guarda-redes na Taça...).

quinta-feira, janeiro 30, 2020

Obrigado, Fejsa!

Seis anos e meio de Benfica, cinco vezes Campeão Nacional (e um tetracampeonato), duas Taças de Portugal, três Taças da Liga e quatro Supertaças. Foste imprescindível em grande parte destas conquistas e tens um lugar reservado entre os mais importantes jogadores da nossa história. Muito obrigado, Fejsa!

P.S. - À semelhança de outros nomes grandes recentes (Cardozo, Salvio, Luisão), não percebo porque é que esta despedida não é no Estádio da Luz em dia de jogo...!

segunda-feira, janeiro 27, 2020

Cruzeiro

Vencemos ontem em Paços de Ferreira (2-0) e estamos provisoriamente com dez pontos de vantagem perante o CRAC que, depois de um pleno fantástico na Taça da Liga (quatro finais, quatro derrotas!), só jogará amanhã em Mordor com o Gil Vicente. Depois da importante vitória no WC e do alargamento da diferença para o 2º classificado para sete pontos, eu estava na expectativa de como a equipa reagiria a isso num jogo perante um adversário menos cotado e a resposta foi muito boa.

O Bruno Lage só promoveu uma alteração com a entrada do Rafa para o lugar do Chiquinho. O Paços já não sofria golos há uma série de minutos, mas logo à passagem da dezena de minutos o Grimaldo num livre proporcionou ao Ricardo Ribeiro uma óptima defesa. Na sequência do respectivo canto, foi o Carlos Vinícius a atirar de cabeça à barra. Perto dos 20’, voltámos a assistir ao inenarrável VAR: tivemos um golo anulado pelo facto de o C. Vinícius estar aparentemente 4 cm em fora-de-jogo! Quatro centímetros!!! Nem vou aqui falar do ridículo que é alguém pensar que (supostamente) 4 cm adiantado num jogo de futebol é uma vantagem decisiva para se marcar um golo, mas do facto de ainda ninguém responsável ter respondido a uma singela pergunta: quantos frames tem um pontapé na bola? É que certamente não é só um, pelo que anular um golo por 4 cm é completamente idiota, porque depende da altura do toque na bola em que se pára a imagem. E aposto que estará dentro da margem de erro. Além de que não deveria haver linhas nenhumas: vê-se a olho nu e, se houver dúvidas, faz-se como sempre se fez: favorece-se a equipa que ataca. Seja qual for. Andar a medir centímetros em lances destes é matar o futebol e a sua emoção! Acabe-se com esta fantochada! JÁ! Felizmente não nos desconcentrámos com esta decisão e o Rafa teve um remate já em posição difícil para nova defesa do guarda-redes. Continuávamos a tentar, mas estava difícil meter a bola na baliza e, quando já se perspectivava o nulo ao intervalo, uma óptima abertura do Rúben Dias para o Rafa aos 39’ desbloqueou finalmente o marcador a nosso favor: o nº 27 tirou um defesa do caminho já na grande-área e rematou sem hipóteses para o guarda-redes. Em cima do intervalo, foi o Ricardo Ribeiro a voltar a impedir um golo nosso a um remate de pé esquerdo do Pizzi.

Se a 1ª parte tinha acabado bem, a 2ª começou na mesma toada: aos 47’ fizemos o 0-2 noutro passe longo desta feita do Ferro, que apanhou a defesa do Paços em contrapé e desmarcou o Rafa na direita, este centrou rasteiro para a área onde o C. Vinícius atirou sem hipóteses para o Ricardo Ribeiro. O Pizzi também se fez à bola, mas felizmente não lhe tocou, porque caso contrário não teria sido golo. Claro que este golo nos acalmou ainda mais e tirou algum do dinamismo que o Paços poderia ter trazido do intervalo. No entanto, acho que poderíamos ter jogado mais no meio-campo adversário, porque durante grandes períodos limitámo-nos a controlar o jogo sem criar lances de perigo. Vimos novo golo anulado, desta feita bem, porque se percebe o fora-de-jogo do C. Vinícius mesmo sem linhas. A menos de um quarto-de-hora do final, o Lage começou a fazer substituições e entraram o Taarabt e o Seferovic para os lugares do Pizzi e C. Vinícius. E foi o suíço a falhar escandalosamente o 0-3 na pequena-área(!), já em cima dos 90’, depois de um centro do Grimaldo e com o guarda-redes completamente fora da jogada.

Destaque individual óbvio para o Rafa, que nem fez um jogo por aí além, mas com um golo e uma assistência também não precisava de mais. Também gostei da segurança do Weigl no meio-campo, que, mesmo com um amarelo injusto ainda na 1ª parte, conseguiu nunca dar azo a pudesse levar o segundo. O Gabriel também fez um jogo pendular, assim como todo o nosso quarteto defensivo, com o Ferro a merecer uma menção especial, depois de uma série de jogos menos conseguidos.

Esta exibição deu todo o ar de estarmos em velocidade de cruzeiro, o que seria óptimo nesta altura. Estamos com muita confiança, a criar muitas oportunidades e a dar poucas veleidades atacantes aos nossos adversários. Receberemos o Belenenses SAD nesta 6ª feira, no último jogo para o campeonato antes da ida a Mordor. Muito do que será o campeonato definir-se-á nas próximas duas semanas.

domingo, janeiro 19, 2020

Rafa

Vencemos no WC por 2-0 na passada 6ª feira e, com a magnífica ajuda do Braga que foi ganhar a Mordor por 2-1, temos agora sete pontos de vantagem sobre o CRAC. Foi uma vitória que nos assenta bem, dado que fomos bastante superiores à lagartada na 1ª parte, sendo a 2ª mais equilibrada.

O Bruno Lage apresentou a equipa-tipo dos dias de hoje, mas o colocou o Weigl e Gabriel no meio-campo, com o Taarabt no banco. Com 16 pontos de vantagem sobre a lagartada, entrámos a todo o gás, possivelmente motivados pelo resultado em Mordor que tinha acabado de acontecer. O Cervi logo no segundo minuto teve uma boa oportunidade, mas a bola acertou no peito e na cara de um defensor contrário, depois de uma assistência do Carlos Vinícius, que já tinha passado pelo guarda-redes, Luís Maximiano. Pouco depois, foi o mesmo C. Vinícius a rematar por cima em boa posição e o Pizzi permitiu ao guardião contrário uma boa defesa num remate com o pé esquerdo. Todavia, a melhor ocasião do primeiro tempo foi da lagartada, num falhanço comprometedor do Ferro, que deixou o Rafael Camacho isolar-se e atirar ao poste já de ângulo difícil. Uma cabeçada do Gabriel num canto permitiu nova defesa ao Luís Maximiano, assim como do outro lado foi o Vlachodimos a rechaçar também uma cabeçada do Rafael Camacho. Até ao intervalo, o André Almeida teve duas ocasiões na sequência de bolas paradas, mas em ambas atirou ao lado.

Na 2ª parte, pareceu que acusámos o esforço de termos jogado há apenas três dias e baixámos muito o ritmo. A lagartada tentou vir para cima de nós, mas sem criar grandes oportunidades. Um remate do Doumbia defendido pelo Vlachodimos para canto terá sido a melhor oportunidade. A certa altura, pela forma como estávamos a jogar, parecíamos satisfeitos com o empate, mas a cerca de 15’ do fim entrou o Rafa para o lugar do Chiquinho e tudo mudou. Aos 80’, na sequência de um lançamento lateral, a bola vai para a área, há uma confusão de jogadores a tentar ficar com ela, até que sobra para o C. Vinícius que tenta furar, acabando por dar um toque para o lado para o Rafa que estava liberto e atirou rasteiro sem hipóteses para o guarda-redes. Foi o delírio na nossa bancada, mesmo apesar de o Sr. Hugo Miguel ter demorado três minutos(!) a validar o golo, porque esteve a ouvir o VAR Sr. Jorge Sousa tentar descobrir alguma ilegalidade. Infelizmente para eles não conseguiram. Como é natural, a lagartada acusou muito o golo e só chegou perto da nossa baliza num remate acrobático do Mathieu, que saiu muito por cima. Como as claques deles tinham-se entretido a atirar tochas para o relvado nos primeiros cinco minutos da 2ª parte, mais o VAR no nosso primeiro golo, mais as substituições, houve dez(!) minutos de tempo de compensação. A um minuto do final deste, acabámos definitivamente com as dúvidas com o 0-2 numa assistência do entretanto entrado Seferovic para o Rafa rematar de trivela num golão!

Em termos individuais, destaque óbvio para o Rafa, que já leva o que contar aos netos. Dois golos a dar a vitória no WC fica sempre bem no currículo. Gostei igualmente bastante do Rúben Dias, imperial no centro da defesa. Toda a equipa esforçou-se imenso, o Gabriel conseguiu controlar os ímpetos com um amarelo ainda na 1ª parte e só o Ferro me parece muito em baixo de forma, só não tendo mais uma vez comprometido porque o poste estava lá.

Acabamos a primeira volta com sete pontos de avanço para o segundo classificado (e 19 para a lagartada!). Sinceramente, não me lembro de alguma vez isto ter acontecido. No entanto, nunca é demais recordar (como já fizeram os nossos responsáveis) que no ano passado também tínhamos esta desvantagem pontual nesta altura e fomos campeões. Portanto, todo o cuidado é pouco. Mas lá que foi uma 6ª feira em cheio, lá isso foi!

quarta-feira, janeiro 15, 2020

“Agora sem mãos”

Vencemos o Rio Ave na Luz por 3-2 e estamos nas meias-finais da Taça de Portugal. Pela segunda vez em quatro dias, tivemos de dar a volta ao marcador, sendo que ontem até o fizemos duas vezes no próprio jogo. O Rio Ave tem a fama de ser das equipas que melhor futebol pratica e não deixou o seu crédito por mãos alheias. Até aos 64’, estávamos a ver o Jamor por um canudo, mas felizmente tudo mudou graças a um dos patinhos feios do 3º anel.

Começámos a partida praticamente a perder, com o 0-1 logo aos 4’. Lançamento em profundidade, o Zlobin tem certamente uma trela em fio invisível que o prende aos postes, não saiu para cortar a bola e o Rúben Dias teve que fazer uma falta quase à entrada da área. No livre, o Lucas Piazon marcou um grande golo. Reagimos bem e aos 13’ restabelecemos a igualdade através do Cervi, num remate forte de pé direito(!), depois de uma assistência do Carlos Vinícius. O Rio Ave não se limitava a defender e passámos por alguns calafrios na defesa, até porque o Ferro está muito longe da melhor forma. Perto da meia-hora, o Chiquinho sofre um claro toque no pé de apoio na grande-área, mas nem o Sr. Artur Soares Dias, nem o VAR sr. Tiago Martins acharam por bem marcar penalty. Na sequência do lance, sofremos o 1-2 pelo Taremi, num chapéu de cabeça(!) de fora da área, porque, lá está, a trela invisível do Zlobin fê-lo ficar a meio caminho entre ficar nos postes e sair deles... Até ao intervalo, ambas as equipas poderiam ter marcado e o Sr. Artur Soares Dias reverteu (e bem) um penalty inexistente a nosso favor.

Na 2ª parte, a nossa pressão aumentou bastante e o Rio Ave já não conseguiu sair com o mesmo perigo do primeiro tempo. Como o volume de jogo era muito grande e continuávamos sem marcar, à passagem da hora de jogo o Bruno Lage fez entrar o Seferovic para o lugar do Ferro, recuando o Weigl para central. E foi o suíço a resolver a eliminatória a nosso favor. Depois de um trio de falhanço incríveis frente ao Aves, aos 64’ restabeleceu a igualdade de pé esquerdo em nova assistência do C. Vinícius já dentro da área e aos 71’ colocou-nos pela primeira vez em vantagem, na sequência de uma insistência do Pizzi na direita, com um remate de primeira de pé direito. Sem um defesa-central e sem trinco, fomos tentando contrariar a expectável subida no terreno do adversário e até nem nos demos mal. No entanto, acho que o Lage deveria ter optado por fazer entrar o Samaris mais cedo, porque a partir do momento em que o fez (pouco depois dos últimos 10’) fechámos ainda melhor os caminhos para a nossa baliza. Até final, ainda deu para o Chiquinho atirar uma bola à barra e o Seferovic falhar escandalosamente a recarga, e o Rafa regressar à competição quase três meses depois substituindo o Cervi.

Cervi, esse, que foi provavelmente o melhor em campo e pôs a Luz a gritar por mais de uma vez o seu nome. Sempre gostei do extremo argentino, que não tem a magia dos seus antecessores (Di María e Gaitán), mas é um lutador nato, acabou o jogo esgotado fisicamente, depois de ajudar mais uma vez o Grimaldo na defesa e ainda teve tempo para marcar um belo golo. Outra boa exibição foi a do Taarabt a meio-campo, apesar de uns quantos passes falhados na 1ª parte. O C. Vinícius não marcou, mas fez mais duas assistências e foi naturalmente decisivo. Por outro lado, espero que este bis devolva ao Seferovic a confiança que tanta falta lhe tem feito. O Pizzi acabou por fazer uma assistência, mas está claramente numa fase de menor fulgor e durante boa parte do jogo só fez disparates.

Mas vamos então falar do elefante no meio da sala: será que a equipa técnica do Benfica não esteve em Setúbal na Taça da Liga?! Será que não viu como sofremos os dois golos?! Que ideia é esta de não rodar ninguém, excepto somente talvez a posição mais importante de uma equipa: o guarda-redes?! Será que estamos a tentar provar que conseguimos ganhar uma competição sem guarda-redes?! É que parece mesmo aquela anedota, mas ou muito me engano ou se o Bruno Lage insistir neste disparate, da próxima vez vai ser mesmo “sem dentes”! Quase apetece dizer: volta, Bruno Varela, que estás perdoado! (Lage: por favor, já chega, sim?!)