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quarta-feira, janeiro 15, 2020

“Agora sem mãos”

Vencemos o Rio Ave na Luz por 3-2 e estamos nas meias-finais da Taça de Portugal. Pela segunda vez em quatro dias, tivemos de dar a volta ao marcador, sendo que ontem até o fizemos duas vezes no próprio jogo. O Rio Ave tem a fama de ser das equipas que melhor futebol pratica e não deixou o seu crédito por mãos alheias. Até aos 64’, estávamos a ver o Jamor por um canudo, mas felizmente tudo mudou graças a um dos patinhos feios do 3º anel.

Começámos a partida praticamente a perder, com o 0-1 logo aos 4’. Lançamento em profundidade, o Zlobin tem certamente uma trela em fio invisível que o prende aos postes, não saiu para cortar a bola e o Rúben Dias teve que fazer uma falta quase à entrada da área. No livre, o Lucas Piazon marcou um grande golo. Reagimos bem e aos 13’ restabelecemos a igualdade através do Cervi, num remate forte de pé direito(!), depois de uma assistência do Carlos Vinícius. O Rio Ave não se limitava a defender e passámos por alguns calafrios na defesa, até porque o Ferro está muito longe da melhor forma. Perto da meia-hora, o Chiquinho sofre um claro toque no pé de apoio na grande-área, mas nem o Sr. Artur Soares Dias, nem o VAR sr. Tiago Martins acharam por bem marcar penalty. Na sequência do lance, sofremos o 1-2 pelo Taremi, num chapéu de cabeça(!) de fora da área, porque, lá está, a trela invisível do Zlobin fê-lo ficar a meio caminho entre ficar nos postes e sair deles... Até ao intervalo, ambas as equipas poderiam ter marcado e o Sr. Artur Soares Dias reverteu (e bem) um penalty inexistente a nosso favor.

Na 2ª parte, a nossa pressão aumentou bastante e o Rio Ave já não conseguiu sair com o mesmo perigo do primeiro tempo. Como o volume de jogo era muito grande e continuávamos sem marcar, à passagem da hora de jogo o Bruno Lage fez entrar o Seferovic para o lugar do Ferro, recuando o Weigl para central. E foi o suíço a resolver a eliminatória a nosso favor. Depois de um trio de falhanço incríveis frente ao Aves, aos 64’ restabeleceu a igualdade de pé esquerdo em nova assistência do C. Vinícius já dentro da área e aos 71’ colocou-nos pela primeira vez em vantagem, na sequência de uma insistência do Pizzi na direita, com um remate de primeira de pé direito. Sem um defesa-central e sem trinco, fomos tentando contrariar a expectável subida no terreno do adversário e até nem nos demos mal. No entanto, acho que o Lage deveria ter optado por fazer entrar o Samaris mais cedo, porque a partir do momento em que o fez (pouco depois dos últimos 10’) fechámos ainda melhor os caminhos para a nossa baliza. Até final, ainda deu para o Chiquinho atirar uma bola à barra e o Seferovic falhar escandalosamente a recarga, e o Rafa regressar à competição quase três meses depois substituindo o Cervi.

Cervi, esse, que foi provavelmente o melhor em campo e pôs a Luz a gritar por mais de uma vez o seu nome. Sempre gostei do extremo argentino, que não tem a magia dos seus antecessores (Di María e Gaitán), mas é um lutador nato, acabou o jogo esgotado fisicamente, depois de ajudar mais uma vez o Grimaldo na defesa e ainda teve tempo para marcar um belo golo. Outra boa exibição foi a do Taarabt a meio-campo, apesar de uns quantos passes falhados na 1ª parte. O C. Vinícius não marcou, mas fez mais duas assistências e foi naturalmente decisivo. Por outro lado, espero que este bis devolva ao Seferovic a confiança que tanta falta lhe tem feito. O Pizzi acabou por fazer uma assistência, mas está claramente numa fase de menor fulgor e durante boa parte do jogo só fez disparates.

Mas vamos então falar do elefante no meio da sala: será que a equipa técnica do Benfica não esteve em Setúbal na Taça da Liga?! Será que não viu como sofremos os dois golos?! Que ideia é esta de não rodar ninguém, excepto somente talvez a posição mais importante de uma equipa: o guarda-redes?! Será que estamos a tentar provar que conseguimos ganhar uma competição sem guarda-redes?! É que parece mesmo aquela anedota, mas ou muito me engano ou se o Bruno Lage insistir neste disparate, da próxima vez vai ser mesmo “sem dentes”! Quase apetece dizer: volta, Bruno Varela, que estás perdoado! (Lage: por favor, já chega, sim?!)

segunda-feira, janeiro 13, 2020

A ferros

Vencemos o Aves na passada 6ª feira por 2-1, mas como o CRAC também triunfou em Moreira de Cónegos (4-2) ficou tudo na mesma na frente no campeonato. Ao contrário do que seria expectável (estávamos a defrontar o último classificado), foi uma partida extremamente difícil em que aos 75’ estávamos a perder por 0-1 e só marcámos o golo da vitória aos 89’.

Com o amarelo forçado do Taarabt, estreou-se o Julian Weigl e o Gabriel avançou para a posição 8. Para além disso, o Lage também deu a titularidade ao Jota e Seferovic, em vez do Cervi e Carlos Vinícius, e o André Almeida regressou finalmente depois de lesão. Entrámos algo relaxados e isso custou-nos um golo sofrido aos 22’ pelo Mohammadi, depois de dar um nó cego ao Ferro. Aliás, nos dois últimos jogos, o Ferro foi batido naquele tipo de lance três vezes! Situação a rever com urgência. Reagimos como seria de esperar, mas aí entrou em cena a nossa tremenda falta de pontaria e também um Beunardeau, que deve ter feito das melhores exibições da carreira. Os primeiros 45’ revelaram que precisamos mesmo de encontrar uma alternativa ao C. Vinícius que dê algum rendimento, porque o Seferovic está numa fase muito má, em que simplesmente não consegue acertar na baliza num misto de falta de confiança e bastante aselhice. Por outro lado, o Jota continua a desperdiçar as oportunidades que lhe estão a ser dadas, ainda por cima no seu lugar de origem (na esquerda do ataque). Mesmo assim, poderíamos ter chegado ao intervalo já com o resultado virado, mas um defesa tirou em cima da linha uma bola picada pelo Pizzi e o guarda-redes fez bem a mancha ao Chiquinho noutra ocasião.

Na 2ª parte, entrou o C. Vinícius para o lugar do inoperante Jota e as coisas melhoraram um pouco. O Gabriel, que tinha estado péssimo, subiu bastante de produção, especialmente a partir da hora de jogo, quando recuou para 6 com a saída do Weigl para a entrada do Cervi. Continuávamos a criar oportunidades, o Aves mal passava do meio-campo, mas a bola teimava em não entrar. Ainda apanhámos um susto quando o André Almeida viu o cartão vermelho num carrinho, mas depois de consultar as imagens o Sr. Carlos Xistra reverteu a decisão para amarelo. Aos 76’, conseguimos finalmente a igualdade num penalty sobre o C. Vinícius, que o Pizzi bateu bem. O nosso forcing final resultou já no último minuto, com um centro do Cervi para a área, o C. Vinícius a ajeitar para o André Almeida rematar rasteiro perto da marca de penalty, com um defesa a desviar ligeiramente a bola desfeiteando o Beunardeau. Foi o delírio no estádio! Até final, conseguimos manter a vantagem, se bem que com um ou outro lance que poderia ter sido melhor defendido.

Em termos individuais, realce para o C. Vinícius que acaba por estar nos dois golos, embora não tenha marcado nenhum, para o André Almeida precisamente pelo golo da vitória, mas o melhor do Benfica terá mesmo sido o Rúben Dias, que não só esteve intransponível na defesa, como ainda foi lá à frente criar um par de oportunidades e isolar o Seferovic na 2ª parte, para um falhanço incrível do suíço só com o guarda-redes pela frente. A estreia do Weigl não foi má, percebe-se que o alemão tem óptimos pés e excelente qualidade de passe, resta saber se consegue ser igualmente um tampão no meio-campo.

Perder pontos contra o último classificado em casa não estava nos planos de ninguém, mas foi por pouco que não aconteceu. Vamos ao WC com os mesmo quatro pontos de vantagem e, seja qual for o resultado, sairemos de lá isolados no 1º lugar. Mas seria muito importante seguirmos neste rumo vitorioso, pelo menos até à ida a Mordor.

segunda-feira, janeiro 06, 2020

Lisonjeiro

Vencemos em Guimarães no sábado por 1-0, mas como o CRAC ganhou no WC ontem (2-1) ao fim de 10 anos, tudo se mantém igual na frente connosco quatro pontos à frente deles e com a lagartada agora a 16 pontos de distância.

O primeiro jogo depois da pausa de Natal é sempre complicado e, por isso, em muitos anos anteriores tem sido da Taça da Liga. Este ano o calendário determinou não só que fosse do campeonato, como ainda por cima uma ida a Guimarães. Os vitorianos fizeram boa figura na Liga Europa, têm um óptimo treinador (Ivo Vieira) e, portanto, esperava-se uma partida difícil. E confirmou-se: tirando a do CRAC, foi a mais complicada desta época. Marcámos aos 23’ na praticamente única oportunidade flagrante de golo que tivemos: jogada iniciada e concluída pelo Cervi, bola para o Chiquinho, este a abrir na direita no Pizzi, que centrou recuado para o argentino dominar e rematar rasteiro de pé direito, com o Douglas a dar a sensação de que podia ter feito mais, mas possivelmente a ter a visão tapada por um defesa. Até ao intervalo, limitámo-nos a ver o V. Guimarães jogar, que teve um trio de oportunidades, tendo-nos valido o Vlachodimos.

Quando se esperava que assentássemos o nosso jogo na 2ª parte e que o V. Guimarães abrandasse um pouco a pressão, só este segundo factor se verificou e mesmo assim só por volta dos 70’. Raramente conseguimos sair transição ofensiva, porque nos faltou alguma velocidade na frente e alguma exactidão no passe. Numa dessas poucas vezes, o Carlos Vinícius arrancou pela esquerda e rematou rasteiro para defesa com o pé do Douglas. Na nossa baliza, o V. Guimarães não teve tantas oportunidades como na 1ª parte, mas mesmo assim o Vlachodimos continuou a safar-nos, inclusive num lance em que foi ele próprio a largar uma bola fácil para depois fazer uma defesa por instinto que impossibilitou o empate. Com a aproximação do final da partida, o V. Guimarães abrandou o ritmo (também seria impossível aguentá-lo durante os 90’) e nós conseguimos controlar melhor, especialmente depois da entrada do Samaris a cerca de dez minutos do fim. Já em tempo de compensação, o Gabriel teve um livre de longe muito perigoso, com o Douglas a defender por cima da barra.

Em termos individuais, destaque para o Cervi pelo golo e pela ajuda defensiva que deu, para o Taarabt por ter enchido o campo todo e pelo Chiquinho, que não parou quieto um segundo. Ao invés, o Pizzi terá feito dos jogos menos conseguidos desta temporada, mas fica com mais uma assistência no currículo. Uma palavra final para o Vlachodimos, que nos garantiu os três pontos.

Conseguimos passar num sítio onde nem todos vão ganhar, sem fazermos uma grande exibição e até com alguma sorte. Se formos ao Marquês em Maio, este vai ser dos jogos que mais contribui para isso. Confesso que ontem estava com alguma esperança que a lagartada mostrasse que servia para alguma coisa, mas viu-se que não (aquele idiota do Vietto ainda vai ter que explicar como é que se falha dois golos daqueles de baliza aberta...). Paciência, mantemo-nos com os quatro pontos e seria importante que, quando fôssemos a Mordor daqui a cinco jornadas, ainda os conservássemos.

P.S. – Não percebo, sinceramente, como é que se acha que se favorece a equipa a deitar tochas para o relvado a meio de um jogo. Queria ver quem é que se responsabilizava se tivéssemos sofrido um golo nos minutos adicionais de compensação que houve por causa disso...

domingo, dezembro 22, 2019

Taças distintas

Vencemos o Braga na Luz (2-1) na passada 4ª feira e apurámo-nos para os quartos-de-final da Taça de Portugal. Ao invés, empatámos ontem em Setúbal (2-2) na 3ª jornada da fase de grupos da Taça da Liga, mas mesmo que tivéssemos vencido não nos teríamos apurado, porque o V. Guimarães ganhou em casa ao Covilhã e vai à final four desta competição.

Em relação ao jogo frente aos minhotos, só entrou o Zlobin em vez do Vlachodimos e o resto da equipa foram os habituais titulares. A partida era bastante difícil, mas a nossa resposta foi positiva e valorizada pelo facto de termos estado a perder relativamente cedo com um autogolo do Ferro aos 14’. A resposta veio pouco depois, com o Pizzi a igualar num remate de fora da área aos 19’. Apanhámos novo susto perto da meia-hora num livre do defesa-esquerdo Sequeira, que passou rente ao poste, mas respondemos em cima do intervalo com um remate rasteiro ao poste do Chiquinho.

Entrámos melhor na 2ª parte e o Carlos Vinícius teve um cabeceamento defendido pelo Tiago Sá, quando estava em boa posição depois de um centro largo do Pizzi. E foi o mesmo C. Vinícius a colocar-nos finalmente em vantagem aos 62’, num remate já de pouco ângulo, depois de desmarcado pelo Taarabt, com o guarda-redes contrário a ser mal batido, ao tocar na bola e fazer com que ela rodopiasse para dentro da baliza. Com a sequência de jogos dos últimos tempos, começámos a quebrar fisicamente e não fomos tantas vezes à procura do terceiro golo quanto seria desejável. O Braga lá foi respondendo, ainda meteu a bola na baliza, mas em claro fora-de-jogo (inacreditável o tempo que o Sr. Artur Soares Dias e o VAR Carlos Xistra – que dupla...! – demoraram a decidir) e teve a melhor ocasião num remate do Paulinho por cima, quando estava em boa posição. Na parte final do jogo, deveríamos ter marcado o golo da tranquilidade, mas o Tiago Sá defendeu bem um remate cruzado do Pizzi e o entretanto entrado Seferovic tirou o golo ao mesmo Pizzi mesmo em cima dos 90’.

Em termos individuais, destaque para o Pizzi, com mais um golo, para o Chiquinho que se vai consolidando no onze, também pelo seu trabalho de recuperação de bola, e novamente para a dupla Gabriel-Taarabt pela dinâmica que imprimem ao nosso jogo.

Uma última palavra para a arbitragem do Sr. Artur Soares Dias: depois do Fábio Veríssimo frente ao Marítimo, pensei que não poderia ver pior. Enganei-me. Há uma sequência de faltas a nosso favor na 1ª parte que inacreditavelmente não foram assinaladas, o tempo que demorou no golo anulado ao Braga (cujo fora-de-jogo é claríssimo) é vergonhoso, por comparação ao tempo que (não) demorou no lance de possível mão na área a nosso favor. Enfim, dá a sensação de que este senhor perde as estribeiras muito facilmente quando o jogo começa a fugir ao seu controlo. O pior é que é sempre contra uma certa equipa...

Ontem, em Setúbal, o Bruno Lage fez o que já tinha avisado e colocou uma equipa sem um único titular (a excepção foi o Tomás Tavares porque o André Almeida continua lesionado). Não estávamos dependentes de nós, mas tínhamos obrigação de ter jogado melhor, especialmente na 1ª parte que foi bastante fraca e só um livre do Gedson deu a sensação de golo. A 2ª parte não poderia ter começado melhor, porque aos 49’ um erro clamoroso de um jogador do V. Setúbal num atraso ao guarda-redes isolou o Raúl de Tomás, que não perdoou. O Seferovic atirou uma bola ao poste, aproveitando a descoordenação entre defesa e guarda-redes, e aos 73’ parecia que tínhamos acabado com o jogo com o 2-0 num golão do Jota, num remate em arco sobre o lado esquerdo. No entanto, aos 83’ foi a vez do Zlobin entrar negativamente na história do jogo com um frango monumental, ao não conseguir desviar uma bola cruzada em balão e permitir ao Hélder Guedes reduzir de cabeça para 1-2. E, já em tempo de compensação (92’), deixámos fugir a vitória com novo golo do H. Guedes num remate acrobático em balão com a canela de fora da área, aproveitando outro falhanço clamoroso, desta feita do estreante Morato e uma má colocação nos postes do Zlobin, que teve tempo para dar um passo atrás, que lhe teria permitido afastar em bola. Deixámos fugir a vitória de uma maneira inconcebível.

Destaque positivo só para o agora titular Tomás Tavares. Todos os outros foram muito medianos para não dizer pior. O Chiquinho, quando entrou, imprimiu logo outra dinâmica, mas não foi suficiente para nos fazer ganhar o jogo. E isto, porque o nosso guarda-redes ofereceu literalmente dois golos. É urgente irmos agora ao mercado buscar um possível substituto do Vlachodimos, porque se este se lesiona toda a nossa época pode estar em causa. É que ou muito em engano ou com o Zlobin ainda teríamos saudades do Bruno Varela... Também o estreante Morato teve uma falha enorme no segundo golo e não me convenceu por aí além. Ou evolui muito ou para Edcarlos já cá tivemos um.

segunda-feira, dezembro 16, 2019

Goleada

Vencemos o Famalicão no sábado na Luz por 4-0 e, como o CRAC irá ganhar hoje em casa frente ao Tondela, iremos continuar quatro pontos à frente deles. Demonstrámos mais uma vez que estamos a subir de forma , mas também apanhámos a (até agora) surpresa do campeonato em fase descendente. Mesmo assim, revelou ser uma boa equipa, que troca a bola em qualquer zona do terreno e criou-nos algumas dificuldades, especialmente na 1ª parte.

O Bruno Lage voltou a apostar no onze dos últimos tempos, mas foi o Famalicão a entrar melhor, com bastante posse de bola a testar a segurança do Vlachodimos. Nós demorámos um pouco a adaptar-nos, mas uma grande jogada do Pizzi por volta da meia-hora só não deu golo, porque o Defendi fez bem a mancha. Pouco depois, foi um remate do Cervi que ia com boa direcção ser interceptado por um defesa. A nossa pressão aumentava e o guarda-redes voltou a negar um golo ao Pizzi, até que aos 39’ inaugurámos finalmente o marcador através do Carlos Vinícius, que só teve que encostar depois de um centro do Chiquinho na direita, na sequência de uma combinação ofensiva em que também participaram Tomás Tavares e Pizzi. Já estávamos a merecer e foi um alívio irmos para o intervalo em vantagem.

A 2ª parte não poderia ter começado melhor, aliás na sequência do que se passou frente ao Zenit. O Taarabt teve um remate de trivela que saiu ligeiramente ao lado logo a abrir e aos 48’ fizemos o 2-0: lançamento lateral rápido do Tomás Tavares, centro do Chiquinho, mau alívio de um defesa na área e o Pizzi rematou de primeira com o pé esquerdo sem hipóteses para o guarda-redes. O Famalicão ainda não tinha desistido e o Vlachodimos teve de sair da área, e cortar com o pé, para impedir um avançado contrário de se isolar. Nós continuávamos a tentar aumentar o marcador e o Tomás Tavares iniciou uma boa combinação atacante com o Pizzi e Chiquinho, mas o seu remate de pé esquerdo saiu com pouca força e foi interceptado para canto. Aos 63’, acabámos de vez com as dúvidas ao fazer o 3-0 num bis do Pizzi, novamente de pé esquerdo depois de receber um passe do Chiquinho e tirar um adversário do caminho. Até final, os treinadores fizeram substituições que foram quebrando o ritmo do jogo e a provar que o Natal é mesmo tempo de milagres ainda fizemos mais um golo, aos 89’, pelo... Caio Lucas! Boa jogada de contra-ataque da nossa parte, com o Pizzi a abrir para o brasileiro sobre a esquerda, que quando entrou na área flectiu para o meio, passou por um defesa e rematou rasteiro para o canto inferior esquerdo da baliza. Já tem muito para contar aos netos: não só teve o privilégio de jogar com a camisola do Benfica, como ainda marcou um golo! É mesmo Natal...!

Destaque individual óbvio para o Pizzi, com dois golos e uma assistência, para o C. Vinícius que continua com uma fantástica média de golos (um a cada 66’ em campo!) e para o Chiquinho, que fez duas assistências para golo. O meio-campo voltou a carburar muito bem e a defesa está praticamente intransponível.

O campeonato só voltará para o novo ano com a sempre difícil ida a Guimarães, mas até 2020 ainda temos dois jogos muito importantes nas Taças. Na da Liga, fruto da incompetência do passado, já não dependemos de nós para ir à final four, mas na de Portugal, frente ao Braga na próxima 4ª feira na Luz, não podemos falhar, porque a ida ao Jamor tem de ser sempre um dos grandes objectivos da temporada (e há que começar a reverter rapidamente o nosso histórico recente na Taça, que nas duas últimas décadas é muito fraco).

P.S. – Houve hoje o sorteio para os dezasseis-avos de final da Liga Europa. Não tivemos muita sorte, porque apesar de sermos cabeças-de-série calhou-nos o Shakhtar Donetsk, crónico campeão da Ucrânia e, tal como nós, vindo da Liga dos Campeões. Aliás, parece sina desta fase do sorteio nós apanharmos uma equipa vinda da Champions. Os jogos serão só em Fevereiro e a nosso favor pode estar apenas o facto de eles estarem em pré-temporada nessa altura. Mas será em todo o caso uma eliminatória bastante complicada.

quarta-feira, dezembro 11, 2019

Continuidade

Vencemos o Zenit na Luz por 3-0 na última jornada da fase de grupos da Champions e conseguimos a qualificação para a Liga Europa. Era o principal objectivo do jogo e lográmo-lo obter com uma boa exibição, que veio confirmar a tendência de subida de forma desde a partida em Leipzig.

Entrámos em campo com a equipa-base destes últimos tempos, só com o Tomás Tavares no lugar do ainda lesionado André Almeida. Os russos entraram em campo no 2º lugar do grupo e não poderiam perder se quisessem manter-se nas competições europeias. Quanto a nós, tínhamos de lhes ganhar por 2-0 ou diferença de três golos, caso o Lyon não perdesse em casa com o Leipzig, porque nesse caso ‘bastaria’ a vitória. Entrámos bem na partida, o Pizzi teve um bom remate de fora da área, mas a bola saiu ligeiramente por cima e o Chiquinho, num óptimo movimento já na área, enquadrou-se com a baliza, mas o remate de pé esquerdo saiu ao lado. Os russos iam tentando responder sempre muito à base de gigantismo do Dzyuba (um óptimo jogador), mas não tiveram ocasiões muito flagrantes. Nós fomos tentando atacar, mas também algo cautelosos, porque se sofrêssemos um golo tudo estaria perdido.

Na 2ª parte, entrámos ainda com mais determinação e inaugurámos o marcador logo aos 47’ numa boa combinação atacante, com o Carlos Vinícius a segurar a bola na área e a abrir para o Pizzi na direita, que centrou para o meio onde apareceu o Cervi de rompante a encostar. Segundo jogo consecutivo do argentino a marcar um golo muito importante e sem dúvida merecido, porque tem sido dos nossos melhores jogadores. O Leipzig chegou ao intervalo a ganhar por 2-0 ao Lyon, mas nunca fiando e por isso tínhamos de continuar a tentar marcar o segundo golo para só dependermos do nosso jogo. Até porque o Lyon reduziu também pouco depois do início da 2ª parte... Esse golo que nos dava a qualificação para a Liga Europa surgiu aos 58’ num penalty evidente por mão na bola de um adversário (que, para além, disso viu o segundo amarelo) muito bem concretizado pelo Pizzi. Ainda faltava mais de meia-hora para o final e estávamos com um dilema: precisávamos de mais dois golos para termos margem de manobra, mas se sofrêssemos um antes seríamos certamente eliminados. Só que, a jogar contra dez, as coisas foram mais fáceis, porque conseguimos circular bem a bola e, de facto, fomos tentando marcar mais golos. Numa jogada entre vários jogadores, com alguns toques de primeira, o Cervi rematou para um defesa salvar perto da linha (embora num dos ângulos da televisão dê a sensação de a bola ir para fora) e o C. Vinícius teve um remate potente de pé esquerdo com a bola a ir às malhas laterais. Já depois dos 15 minutos finais, o Zenit teve a única grande ocasião para marcar, mas o Vlachodimos fez a melhor defesa do encontro. Logo a seguir, tivemos a melhor oportunidade da partida, com o C. Vinícius isolado, depois de uma escorregadela de um defesa, a não conseguiu superar a mancha do guarda-redes, num centro do Pizzi depois de um óptimo contra-ataque. Aos 79’, fizemos o 3-0 com um autogolo do Azmoun depois de um canto do mesmo Pizzi na esquerda. Na prática, este golo não mudava nada, porque só o quarto nos dava tranquilidade, mas a vida começou a correr muito mal aos russos com o empate do Lyon perante o Leipzig, porque isso fez com que tombassem do 2º para o 4º e último lugar do grupo. Logo depois do nosso golo, o Bruno Lage fez entrar o Seferovic e Samaris para os lugares do Cervi e Gabriel, mas os minutos finais foram de nervosismo, porque um golo dos russos colocar-nos-ia fora das competições europeias. Estávamos a jogar contra dez e talvez para equilibrar as coisas, o Bruno Lage resolver fazer entrar o Caio Lucas para o período de compensação. Ou isso, ou é a tal quota da CERCI futebolística brasileira que temos que cumprir...! Apesar de uma ou outra falta escusada, que fez com que a bola fosse bombeada para a nossa área, conseguimos manter o marcador a zeros e assegurar assim a continuidade nas competições europeias.

Em termos individuais, destaque para o Pizzi com participação nos três golos, para a dupla de meio-campo (Gabriel e Taarabt), a grande responsável da nossa melhoria exibicional, para o Chiquinho, imprescindível na manobra ofensiva e com a mais-valia de defender bem, e para o Vlachodimos, cuja defesa perto do final nos garantiu a qualificação. Mas no geral toda a equipa esteve muito bem.

Veremos o que nos reservará o sorteio da próxima 2ª feira, mas já agora era simpático que conseguíssemos ser cabeças-de-série. No entanto, os jogos são só em finais de Fevereiro e até lá ainda temos um 1º lugar no campeonato para cimentar. Como já neste sábado, dia em que receberemos o Famalicão, que está num surpreendente 3º lugar. Esperemos que esta nossa melhoria se confirme.

P.S. – Antes do jogo, cumpriu-se um minuto de silêncio pela morte do Rogério Pipi. E cumpriu-se mesmo! Parabéns a todo o estádio por ter finalmente percebido que um minuto de silêncio não é um minuto de palmas!

segunda-feira, dezembro 09, 2019

Categórico

Vencemos o Boavista no Bessa por 4-1 na passada 6ª feira e, com o inesperado empate do CRAC no Jamor frente ao Belenenses SAD (1-1) ontem, temo-los agora a quatro pontos de nós. Foi uma vitória imaculada que, espero, seja reveladora de que estamos finalmente a voltar à forma da época passada.

Depois da Taça da Liga, o Bruno Lage voltou aos titulares habituais para o campeonato. Introduzimos a bola na baliza logo nos primeiros minutos, numa abertura fabulosa do Ferro para o Pizzi fazer um bonito chapéu, mas o VAR anulou porque o nº 21 estava meia-dúzia de centímetros fora-de-jogo. Qualquer dia dedico um texto a explicar porque é que eu odeio o VAR (pelo menos, no modo como se definiu o protocolo), mas não vai ser agora. À passagem da dezena de minutos, o Sr. Jorge Sousa amarelou o Cervi por pretensamente simular um penalty, mas eu fiquei com dúvidas no lance. Continuámos muito fortes e a não deixar o Boavista responder. À meia-hora, o Chiquinho recuperou uma bola e preparava-se para entrar na área isolado, quando foi derrubado. No CRAC – V. Guimarães, um lance destes mereceu vermelho logo nos minutos iniciais. Neste jogo, só deu amarelo. Típico...! Finalmente aos 34’, lá inaugurámos o marcador, numa rápida e bonita transição ofensiva com um magnífico passe do Pizzi para o Carlos Vinícius dominar muito bem de pé esquerdo e rematar sem hipóteses para o Bracali. Um golão! O Boavista mal respondia, mas na única jogada ofensiva que fez conseguiu o empate aos 44’: centro para a área, o Rúben Dias não chegou à bola, o Ferro ficou nas covas e o Stojilkovic cabeceou desviando do Vlachodimos à sua saída. Foi um balde de água fria completamente imerecido.

Confesso que estava com algum receio que este golo caído do céu (ou melhor, do inferno) pesasse sobre a equipa na 2ª parte, mas felizmente isso não aconteceu e voltámos tão fortes quanto fomos na maior parte da 1ª. O Chiquinho teve um bom remate à entrada da área que o Bracali defendeu para canto e aos 52’ recolocámo-nos em vantagem com um golo do Cervi a corresponder bem a uma assistência do C. Vinícius. O Sr. Jorge Sousa ainda recorreu ao VAR, mas a decisão só podia ser a de validar o golo, porque o Cervi se antecipou ao defesa e tocou a bola para a baliza, antes de ser pontapeado por ele. Sim, era mais que penalty se não fosse golo! Aos 62’, demos uma machadada quase definitiva no jogo com o bis do C. Vinícius, num golão em arco de fora da área de pé esquerdo (a fazer lembrar o grande Tacuara), depois de uma recuperação de bola do Grimaldo a meio-campo, que fez também a assistência. O Sr. Jorge Sousa continuava a sua senda de apitar tudo contra nós nos lances divididos, mas ainda bem que os jogadores do Benfica não se desconcentraram com uma das arbitragens mais habilidosas que vimos nos últimos tempos. Controlámos bem o Boavista no tempo restante e só num par de remates de fora da área é que eles criaram perigo, e mesmo assim relativo, porque o Vlachodimos estava a controlar bem os lances. Já no tempo de compensação (92’), fizemos o resultado final num golo de cabeça do Gabriel na sequência de um livre do Grimaldo.

Em termos individuais, óbvio destaque para o C. Vinícius com dois golos e uma assistência. O Grimaldo também voltou a ser influente com duas assistências e o Pizzi fez o magnífico passe para a abertura do marcador. O Cervi lá um golo, que é um prémio mais que merecido para quem tem sido de uma utilidade enorme e uma grande ajuda ao Grimaldo. A dupla de meio-campo (Gabriel e Taarabt) continua a funcionar bastante bem e parece que finalmente encontrámos a dinâmica que se impunha naquela parte do terreno.

Foi uma vitória muito importante no campo de uma equipa que está a fazer um bom campeonato e que ainda não tinha sofrido mais do que um golo por jogo (não há dúvida de que o Lito Vidigal é bom treinador). Receberemos amanhã o Zenit para a despedida da Liga dos Campeões, mas convinha mesmo que não fosse a nossa despedida das provas europeias, porque seria uma vergonha para o nosso historial vermos a Europa no sofá em 2020. A equipa parece querer regressar às boas exibições da segunda parte da época passada e esperemos que isso se confirme frente aos russos.

quinta-feira, dezembro 05, 2019

Contas (muito) complicadas

Empatámos na Covilhã (1-1) na 3ª feira e, com a vitória de ontem do V. Guimarães em Setúbal (2-0), ficámos dependentes de terceiros para seguir para a final four da Taça da Liga. Ou seja, depois do desaire da não-qualificação para os oitavos da Champions (e com a ida à Liga Europa também nada fácil), somamos o segundo falhanço da temporada em pouco tempo. Claro que a Taça da Liga é o penúltimo troféu na hierarquia nacional (só tem a Supertaça abaixo dela), mas tínhamos um histórico muito bom (sete vitórias nas nove primeiras edições) que conviria manter. No entanto, o mais provável é irmos para o quarto ano consecutivo sem a ganhar.

Com uma série de jogos bastante próximos, o Bruno Lage fez a esperada gestão do plantel, mas surpreendeu ao dar a titularidade ao Zivkovic, proporcionando-lhe os primeiros minutos da temporada. E o que se pode dizer é que o sérvio demonstrou porque não tem jogado... Aliás, a nossa primeira parte foi péssima (à semelhança de Vizela) e só criámos duas boas situações, com uma cabeçada do Gedson à barra quando estava sozinho na sequência de um livre (tinha obrigação de ter feito golo) e um bom movimento de rotação do Raúl de Tomás na área, com o guarda-redes contrário a defender para canto.

A 2ª parte não poderia ter começado pior, com o golo do Covilhã logo aos 13 segundos! Recomeço do jogo, bola para a frente, um ressalto no Samaris isolou o Bonini, que bateu o Zlatan à sua saída. Se as coisas estavam difíceis, mais ficaram. O Carlos Vinícius já tinha substituído o Florentino ao intervalo, mas aos 60’ entraram o Pizzi e o Taarabt e finalmente começámos a jogar um pouco à bola. Dois centros quase seguidos do Nuno Tavares foram bater inadvertidamente no poste e uma cabeçada do C. Vinícius também deveria ter dito melhor direcção. Aos 82’, conseguimos finalmente o empate, através do Jota, que assim se estreou a marcar pela equipa principal, num remate de ressalto de fora da área na sequência de um canto. Ainda tivemos algum tempo até final para dar a volta e, num lance semelhante ao golo, um remate do Jota passou a rasar o poste com o guarda-redes somente a olhar.

Em termos individuais, não houve ninguém a destacar-se por aí além. O Jota estava um pouco trapalhão, mas fica ligado ao resultado pela positiva. O Raúl de Tomás continua a passar muito ao lado dos jogos, mas aquele movimento na 1ª parte merecia ter tido melhor sorte. Dos laterais Tavares, o Tomás deve ter algum futuro, mas o mesmo não me parece que vá acontecer com o Nuno. O Zivkovic já tem pouco tempo para dar a volta à sua situação, no entanto, não sei se estará interessado em tal. Quanto ao Gedson, está uns bons furos abaixo do que mostrou no passado, porém acho que o seu lugar tem de ser a oito e não sobre a direita ou a 10.

Claro que o mais importante é o campeonato, mas custa-me sempre ver-nos perder a oportunidade de disputar troféus oficiais desta maneira. Por outro lado, isto é sintoma de que o plantel é algo desequilibrado e, à semelhança de épocas anteriores, não podemos ter o azar de ver alguns titulares a lesionarem-se (Vlachodimos e Grimaldo à cabeça), senão as nossas hipóteses de títulos estarão muito provavelmente hipotecadas.

P.S. - A arbitragem do Sr. Rui Oliveira foi muito infeliz (para dizer o mínimo). Tenho dúvidas no possível penalty sobre o Raúl e Tomás na 1ª parte (parece-me que ele já vai em queda antes de ser tocado pelo guarda-redes), mas o pouco tempo de compensão para as paragens que houve, mais a inacreditável falta marcada sobre o Jardel mesmo a terminar (que deveria ser ao contrário e resultaria num livre muito perigoso a nosso favor) mostraram exemplarmente ao que o árbitro vinha.

segunda-feira, dezembro 02, 2019

Melhor da época

Goleámos o Marítimo no sábado por 4-0 e vamos manter o 1º lugar no campeonato com pelo menos dois pontos de vantagem (o CRAC só joga hoje). Além disso, com a derrota da lagartada em Barcelos perante o Gil Vicente (1-2) estamos agora 13 pontos à frente deles.

Três dias depois da frustração em Leipzig, fizemos a melhor exibição da época. O Marítimo até entrou bem, com boa circulação de bola decorrente do novo treinador (José Gomes), mas nós tivemos uma eficácia fabulosa: marcámos aos 8’ e aos 17’ nos dois primeiros remates à baliza que fizemos. Os intervenientes nos lances foram os mesmos com os papéis trocados: no primeiro, assistência do Carlos Vinícius para o Pizzi, no segundo foi o inverso, numa excelente combinação ofensiva pela direita envolvendo o Chiquinho, André Almeida e Taarabt, que isolou o Pizzi na área, o qual, perante a saída do guarda-redes, deu um toque para o lado para o C. Vinícius só ter que encostar. Aos 31’ o jogo ficou praticamente resolvido com o nosso terceiro golo, novamente pelo C. Vinícius, numa boa jogada da nossa parte, com um remate cruzado do Pizzi pela direita, que o Amir não conseguiu agarrar, e o C. Vinícius a atirar para a baliza. A bola entraria na mesma, mas um defesa fez um carrinho e desviou-a da trajectória em que ia, tendo obviamente entrado na mesma. Viemos a saber no final do jogo que o Sr. Fábio Veríssimo considerou que foi... autogolo do Grolli! Mas falaremos desta criatura mais adiante... Até ao intervalo, o C. Vinícius falhou o golo mais fácil, ao atirar ao lado depois de um magnífico contra-ataque nosso na sequência de um canto do Marítimo.

A 2ª parte começou com o Tomás Tavares no lugar do tocado André Almeida. O jogo manteve-se na mesma, connosco a aumentarmos o marcador aos 55’: remate de fora da área do Chiquinho, defesa para a frente do Amir e o C. Vinícius a recargar para o poste mais distante, com a bola ainda a bater nele antes de entrar. O Benfica preparava-se para um jogo com números do ano passado, quando o Gabriel teve uma paragem cerebral: no meio-campo deles(!), entra de carrinho sobre um adversário e vê o segundo amarelo aos 60’. O Bruno Lage ficou fulo e não era caso para menos. Ficámos a jogar com dez sem necessidade absolutamente nenhuma! Claro que, a partir daqui, o jogo não foi mais o mesmo: retraímo-nos mais e não tivemos tantas oportunidades. Até final, só um remate cruzado do entretanto entrado Jota, depois de uma boa abertura do Taarabt, deu a sensação de golo.

Em termos individuais, óbvio destaque para os três golos do C. Vinícius, um deles roubado (literalmente) pelo Sr. Fábio Veríssimo. O Pizzi também foi decisivo com um golo e uma assistência, e o Taarabt terá feito das melhores exibições com a gloriosa camisola. O Vlachodimos fez uma intervenção importante ainda com 0-0 e está bastante melhor nas saídas dos postes. O Chiquinho está cada vez mais participativo nas acções defensivas e é um elemento imprescindível nas combinações atacantes. De negativo, só mesmo a estupidez do Gabriel.

Esperemos que esta retoma exibicional seja para manter. Já contra o Rio Ave estávamos melhor e depois voltámos a baixar na qualidade futebolística. Entraremos agora num ciclo infernal com três jogos até à recepção ao Zenit na 3ª feira da próxima semana. O primeiro será já amanhã na ida à Covilhã para a Taça da Liga. E teremos de ganhar para mantermos esperanças em ir à final four.

P.S. – O meu amigo JG escreveu o seguinte no Twitter:
Não poderia estar mais de acordo! Cada vez que marcávamos um golo, demorava meia-hora a falar com o VAR (certamente para ver se o conseguia invalidar), um critério disciplinar inacreditável, cada vez que um jogador adversário ficava no chão parava o jogo, levando a imensas quebras de ritmo, quatro minutos de compensação quando deveria ser pelo menos o dobro e, a cereja no topo do bolo, o roubo do hat-trick ao C. Vinícius no relatório. Numa partida fácil de dirigir, fez questão em tornar-se uma das figuras principais. Costumava dizer-se que havia dois tipos de árbitros em Portugal: os que não eram maus, mas roubavam e os que não roubavam mas eram maus. No caso do Fábio Veríssimo, isto ainda se aplica e ele até faz o pleno: é um ladrão e é um péssimo árbitro!

quinta-feira, novembro 28, 2019

Frustrante

Empatámos em Leipzig por 2-2 e dissemos adeus à Liga dos Campeões. Se me propusessem este resultado antes do jogo (e dado o nosso miserável histórico recente), diria logo que sim, mas chegar aos 89’ a ganhar por 2-0 e depois empatar a partida foi uma desilusão muito grande.

Finalmente, ao quinto jogo da Champions, resolvemos jogar com os habituais titulares. E, surpresa das surpresas(...!), fizemos a nossa melhor exibição. O meio-campo foi formado pelo Gabriel e Taarabt, e estivemos compactos a maior parte do tempo, embora a não sair tantas vezes para o ataque como seria desejável. Inaugurámos o marcador aos 20’, numa rara jogada de transição ofensiva, com uma troca de bola de primeira entre o Vinícius e o Taarabt, o marroquino a centrar atrasado, um defesa a cortar mal, e o Pizzi a rematar de primeira de pé esquerdo, com a bola ainda a desviar num defesa antes de entrar. Os alemães sentiram um pouco o golo, apesar de logo a seguir a ele nos ter valido o Vlachodimos que defendeu o remate de um adversário isolado. Até ao intervalo, ainda tiveram um par de remates algo perigosos, mas com o desenrolar do tempo conseguimos ir sacudindo a pressão e em cima do intervalo tivemos uma óptima oportunidade, com o Pizzi a atirar à barra depois de um canto.

Na 2ª parte, defendemos um pouco melhor e, devido a esse facto, conseguimos passar mais vezes do meio-campo. Numa dessas ocasiões, aos 59’, o Taarabt fez um passe para o Carlos Vinícius, que dominou mal a bola, mas defesa atrás dele escorregou, o que o permitiu isolar-se e, perante a saída do guarda-redes, desviasse a bola para a baliza, fazendo o 2-0. Como acidentalmente bateu com a perna na cabeça do guarda-redes Gulácsi, este teve que ser substituído, o que, juntamente com a verdadeira agressão que o Vlachodimos sofreu um pouco antes (e que o árbitro nem amarelo mostrou) fez com que houvesse nove minutos de compensação no final da partida, o que acabou por nos prejudicar. Se este resultado se mantivesse no final, bastar-nos-ia ganhar ao Zenit para nos qualificamos para os oitavos da Champions. Os alemães pressionaram-nos, mas a nossa defesa esteve bem durante grande parte do jogo, embora ainda apanhássemos um ou outro susto. A pouco menos de dez minutos do fim, o Raúl de Tomás entrou para o lugar do estourado C. Vinícius e logo depois esteve perto de marcar o golo do ano: remate de antes do meio-campo que o guarda-redes contrário defendeu com a ponta dos dedos…! Estava tudo mais ou menos controlado, quando aos 89’ numa bola bombeada para a área, o Rúben Dias mancha a sua fantástica exibição até ao momento e faz um penalty por agarrão ao adversário. É certo que este tinha ganho a posição ao nosso central e estava preparado para rematar, mas um penalty por agarrão é sempre um penalty estúpido, porque nem sequer se tenta jogar a bola. O Forberg não perdoou e reduziu para 1-2. Ainda com nove minutos para jogar, igualávamos o resultado de Lisboa, o que faria com que estivéssemos dependentes de uma não-vitória do Lyon no último jogo para podermos seguir na Champions (tendo sempre que ganhar aos russos, claro está). Só que aos 93’, os neurónios do Bruno Lage só podem ter adormecido, porque ele achou que o que precisávamos era de colocar o Caio Lucas em campo…! Claro que o Pizzi estava estourado, mas era óbvio que era o Florentino quem devia ter entrado para travar o forcing final alemão. Ou ele ou até o Zlobin para o meio-campo, mas nunca alguém que preenche a quota da CERCI futebolística brasileira, que aparentemente temos sempre que ter no nosso plantel (Paulo Almeida, Everson, Edcarlos, Éder Luís, Felipe Meneses, Bruno Cortez, Emerson, Felipe Augusto, Douglas a lista é infelizmente infindável). Aos 95’, um erro de marcação na área permitiu ao Forberg cabecear à vontade, empatar o jogo, qualificar os alemães, atirar-nos para fora da Champions e com a ida à Liga Europa muito tremida (não basta ganhar aos russos). No último lance do jogo, tivemos uma excelente oportunidade, mas infelizmente a bola foi para o Caio Lucas e abstenho-me de comentar aquilo que ele fez…

Em termos individuais, o Rúben Dias estava a ser dos melhores, mas aquele penalty estragou tudo. O Chiquinho também se movimentou muito bem em termos defensivos. O Vlachodimos salvou-nos um par de vezes e não teve culpa nos golos. De resto, não houve grandes exibições individuais, mas muita capacidade de luta e sacrifício. Quanto ao Caio Lucas, desejo-lhe um feliz Natal no Brasil e que dê a todos nós a melhor prenda possível: leve todos os seus pertences de volta!

Tivemos nós jogado sempre a Liga dos Campeões com este empenho (e esta equipa, já agora) e não estaríamos a chorar agora uma eliminação. Aliás, o que me preocupa mais é mesmo a possível não ida à Liga Europa (ou ganhamos 2-0 aos russos ou, se eles marcarem, terá de ser por uma diferença de três golos). Ver a Europa no sofá em 2020 é péssimo para o nosso prestígio, que já tem sido bem posto em causa com estas prestações vergonhosas nas três últimas Champions.

segunda-feira, novembro 25, 2019

Penoso

Vencemos em Vizela por 2-1 e qualificámo-nos para os oitavos-de-final da Taça de Portugal. E, pronto, (quase) tudo de positivo sobre o jogo de sábado resume-se a este facto. Foi mais uma exibição da nossa parte a roçar o hediondo perante uma equipa do Campeonato de Portugal (na prática a III Divisão nacional), que jogou mais de uma hora com dez jogadores!

O Bruno Lage não fez grandes alterações na equipa habitualmente titular (Zlobin, Jardel, Samaris, Jota e Raúl de Tomás foram as novidades), mas entrámos em campo a dormir. De tal forma, que aos 9’ já estávamos a perder por 0-1 com um golo do Samu num remate rasteiro de fora de área, em que o Zlobin se fez à bola em câmara lenta. Um livre do Grimaldo, que passou perto da barra, foi o nosso lance mais perigoso da 1ª parte e nem a expulsão por (justo) segundo amarelo aos 26’ nos motivou a jogar com mais velocidade, o que teria permitido que criássemos mais desequilíbrios na defesa contrária.

Na 2ª parte, entrou o Carlos Vinícius, mas continuámos a ter muitas dificuldades para criar perigo. Perante uma equipa do Campeonato de Portugal a jogar com dez jogadores. Repito: perante uma equipa do Campeonato de Portugal a jogar com dez jogadores...! As coisas estavam a ficar feias e o tempo a passar, mas aos 70’ lá conseguimos finalmente marcar num bom lance do Jota pela direita, com um centro bem medido para o Raúl de Tomás só ter que encostar. Logo a seguir, o Vizela ia-se adiantando novamente, mas felizmente o avançado chegou atrasado a um centro da esquerda. Mas nós também tivemos um remate do Grimaldo, que bateu com estrondo na barra, e uma cabeçada do C. Vinícius bem defendida pelo guarda-redes. Quando já se perspectiva o prolongamento, aos 86’, o entretanto entrado Caio Lucas enganou-se e fez um passe óptimo que isolou o C. Vinícius, que protegeu bem a bola do defesa nas suas costas e atirou rasteiro sem hipóteses para o guarda-redes.

Em termos individuais, menção apenas para o Jota que, no lado esquerdo do ataque, foi o único a ir para cima dos defesas e a tentar algo diferente das exasperante tabelinhas e lateralizações do nosso jogo. A sério, alguém que diga ao Chiquinho que não tem no contrato a obrigatoriedade de tabelar com o Pizzi, sempre que este lhe passa a bola...! O problema com o Jota é que me parece que ele rende melhor no flanco esquerdo do que no meio, mas esse lugar no flanco esquerdo será do Rafa quando este voltar. O C. Vinícius voltou a ser decisivo com o golo. Quanto aos menos, o Pizzi esteve muito longe do que tem feito, o Gabriel continua horrível desde os Açores (com a agravante de ter visto um amarelo bastante idiota por pontapear a bola depois de o árbitro lhe assinalar uma falta; o Bruno Lage devê-lo-ia ter substituído logo ali) e o Samaris também não esteve nada bem, talvez fruto da falta de ritmo. O Raúl de Tomás estava a fazer um jogo péssimo, mas pode ser que o golo lhe dê a confiança de que necessita (aqueles domínios de bola na grande-área não podem ser só fruto por acaso...). Quanto ao Zlobin, segurar a bola à primeira é algo que não lhe assiste… O Caio Lucas fez um bom passe para a desmarcação do C. Vinícius no 2-1 e já pode dizer aos netos que a sua passagem pelo Benfica teve um ponto alto.

Exibição para esquecer num jogo em que, se não tivesse havido a expulsão, não estava bem a ver como o poderíamos ganhar. Veremos quem nos vai calhar no sorteio de amanhã, mas a jogar assim duvido que consigamos grandes feitos esta época.

quarta-feira, novembro 20, 2019

No Euro 2020

Vencemos na passada 5ª feira a Lituânia no Algarve por 6-0 e no domingo no Luxemburgo por 2-0, e estamos na fase final do Euro 2020. Foi uma qualificação mais complicada do que se previa, fruto de só termos vencido um de quatro jogos perante adversários directos.

A partida frente aos lituanos foi fácil demais, ou não fosse eles a pior equipa do grupo. O Cristiano Ronaldo aproveitou para fazer um hat-trick, com o Pizzi, Gonçalo Paciência e Bernardo Silva a marcar os restantes golos. Um penalty logo aos 7’ ajuda a desbloquear qualquer jogo e o adversário praticamente nem passou do meio-campo.

Três dias depois, no Luxemburgo, as coisas seriam mais complicadas. Os luxemburgueses estão longe de ser aquela selecção que sofria goleadas nos anos 80 (juntamente com Malta). Aliás, na 1ª parte tiveram até as melhores ocasiões para marcar, mas a eficácia esteve do nosso lado com uma abertura fabulosa do Bernardo Silva para o Bruno Fernandes dominar e rematar de primeira aos 39’, fazendo o primeiro golo. Num relvado em péssimo estado, marcar antes do intervalo ajudou imenso a acalmar a selecção nacional, que estava a fazer um jogo péssimo. Na 2ª parte, não demos tantas veleidades aos luxemburgueses, mas a exibição continuou muito medíocre. Aos 86’, lá marcámos o golo que selou a vitória, através do C. Ronaldo, depois de um remate do entretanto entrado Diogo Jota, que entraria na mesma sem o toque do capitão.

Como a nossa fase de qualificação não foi brilhante, iremos ficar no pote 3 no sorteio, o que pode levar a que fiquemos num grupo com Alemanha e França, por exemplo. Mas dia 30 de Novembro lá saberemos a nossa sorte. E temos sempre a jurisprudência de 2016, em que fomos campeões europeus a jogar muito pouco. Pode ser que se repita...

quarta-feira, novembro 13, 2019

Poucochinho

Vencemos o Santa Clara no sábado (2-1) e mantivemos na liderança do campeonato com os mesmos dois pontos de vantagem para o CRAC (1-0 no Bessa). Aproveitando a ida aos Açores, resolvi fazer uns dias de férias com a família (e levar os meus miúdos ao primeiro away), razão pela qual este post só sai hoje.

E estes dias poderiam ter começado muito mal, porque a nossa exibição foi simplesmente lamentável. Então os primeiros 45 minutos foram dos piores da era Lage. Trocas de bola lentíssimas, incapacidade gritante de entrar na área contrária (o nosso primeiro remate foi já no tempo de compensação!), o Gabriel a falhar n variações de flanco (com passes directamente... para a linha lateral) e, para piorar tudo, o André Almeida a dormir na forma aos 17’ e a ser batido infantilmente de cabeça pelo Carlos Carvalho, que inaugurou assim o marcador. Do nosso lado, só um penalty indiscutível sobre o Cervi que o Sr. Artur Soares Dias não quis ver é que se salvou do marasmo completo.

Na 2ª parte, entrou o Carlos Vinícius para o lugar do apagado Florentino, mas os primeiros minutos foram novamente do Santa Clara, que criou perigo em duas ocasiões, com um remate ao lado e uma falha incrível do Jardel a proporcionar depois uma boa defesa ao Vlachodimos. Eu estava a ver o panorama mesmo muito negro, quando o Pizzi resolveu inventar pela direita a jogada do nosso primeiro golo aos 54’, com um cruzamento rasteiro para o C. Vinícius só ter que encostar (mas a ter o mérito de estar lá). O Santa Clara protestou uma eventual falta do Chiquinho no início do lance, mas há um empurrão mútuo com o jogador adversário. Um pouco antes, já tínhamos criado perigo num remate de primeira do Rúben Dias num canto, com o guarda-redes a defender por instinto, mas depois continuámos a revelar inúmeras dificuldades em superar a boa organização defensiva dos açorianos. Estávamos mais subidos no terreno e a pressionar mais, mas sem criar grandes ocasiões até ao golo salvador aos 78’ pelo Pizzi: mau passe do Santa Clara na saída para o ataque, jogada do Seferovic que isolou o Pizzi, que à saída do guarda-redes desviou a bola subtilmente para a baliza. Foi um golo caído do céu! Logo a seguir, o Seferovic teve uma oportunidade de acabar com o jogo, mas o remate saiu à figura. No entanto, já nos descontos, as coisas poderiam ter piorado muito, porque o entretanto entrado Ukra teve um remate cruzado que saiu a rasar o poste. Demorei algum tempo a recuperar os batimentos cardíacos depois deste lance.

Em termos individuais, destaque óbvio para o Pizzi com uma assistência e um golo. O C. Vinícius continua com uma média de golos por minuto muito interessante, embora não tenha tido muitas mais oportunidades, porque não lhe chegou muito jogo. Todos os outros estiveram a um nível muito medíocre, com o Gabriel a subir muito ligeiramente na 2ª parte depois de uma 1ª para esquecer.

O campeonato irá agora parar duas semanas com as selecções e a Taça de Portugal. Eu sei que tivemos muitos jogos seguidos e que esta saída não era nada fácil. Mas isso não serve de desculpa para a nossa paupérrima exibição. Há que dizer que não perdemos pontos com alguma sorte e duvido que cheguemos longe a continuar a jogar desta maneira.

quarta-feira, novembro 06, 2019

Confrangedor

Perdemos em Lyon (1-3), hipotecámos quase definitivamente as hipóteses de continuar na Champions e mesmo a Liga Europa não é nada fácil. As últimas exibições pareciam indicar que estávamos novamente no bom caminho, mas tivemos um choque de realidade na Europa. Não há como fugir às evidências: não temos andamento para este nível futebolístico e o que temos exibido tem roçado o patético.

Jogo decisivo para a continuidade na Liga dos Campeões e o Tomás Tavares é titular do Benfica pela 4ª vez, todas na maior competição de clubes do mundo. Ou seja, deixa-se o André Almeida esgotar-se no campeonato para descansar na Champions. Racional isto? Não faço ideia. Por outro lado, o Bruno Lage deu igualmente a titularidade ao Gedson na direita, ele que, cada vez que entra, tem sido invariavelmente o pior jogador do Benfica. Mais uma vez, conferiu. A nossa 1ª parte foi de fugir. Sofremos o primeiro golo logo aos 4’ pelo Andersen de cabeça, num canto curto muito mal defendido por todos, especialmente os centrais. A este começo maravilhoso, seguiu-se uma 1ª parte que não lhe ficou atrás. Lentidão exasperante de processos, o Lyon chegava sempre primeiro à bola, muito pouca precisão nos passes e nos remates, enfim, um marasmo quase por completo. Para além disso, ao contrário de nós na Luz, os franceses tentavam sempre contra-atacar com perigo, apesar de nos darem a iniciativa. E foi num desses lances que fizeram o 2-0 aos 33’: o Tomás Tavares ficou duas vezes nas covas na direita, centro para a área e o Depay não perdoou. Até ao intervalo, poderíamos ter reduzido num canto, mas o Gedson falhou o desvio ao segundo poste.

Na 2ª parte, entrámos finalmente com onze com o Seferovic no lugar do Gedson. Era a segunda substituição, porque já tínhamos perdido o Ferro relativamente cedo devido a um choque com o Vlachodimos. Melhorámos um bocado, mas sempre a fazer as coisas em esforço e sem desenvoltura nenhuma. Ainda assim, um livre do Chiquinho e um remate do Seferovic criaram algum perigo ao Anthony Lopes. Entretanto, esgotámos as substituições a pouco mais de 15’ do fim, com a entrada do Pizzi para o lugar do esgotado Cervi. E foi o Pizzi a fazer uma óptima abertura para o Seferovic reduzir para 1-2 aos 76’. O fiscal-de-linha começou por levantar a bandeirola, mas o VAR confirmou que não havia fora-de-jogo nenhum. Ainda houve a esperança de pressionar o Lyon com vista à igualdade, mas os franceses defenderam-se muito bem e nós não tivemos arte para sequer chegar à baliza deles. Ao invés, foram eles a chegar à nossa aos 89’ e a fazer o 3-1: o Jardel não só deixou o Traoré virar-se depois de correr para apanhar a bola, como lhe deu o lado de dentro do campo, mesmo a jeito do seu pé esquerdo, que rematou em arco não dando hipóteses ao Vlachodimos. Outra péssima acção defensiva, ainda mais incompreensível por ter sido feita pelo Jardel, que está longe de ser inexperiente.

Em termos individuais, o Gabriel foi dos poucos a tentar remar contra a maré, o Cervi lutou muito, mas sem resultados atacantes visíveis, e o Chiquinho a espaços ainda conseguiu fazer qualquer coisa. O Vlachodimos também não esteve mal sempre que foi chamado, não tendo tido culpa nenhuma nos golos, e o Pizzi fez uma boa assistência para o Seferovic marcar. Todos os outros estiveram num nível muito baixo, em especial o já referido Gedson, o Florentino, que deve ter feito dos piores jogos com a camisola do Benfica, e o Tomás Tavares, que se arrisca a ficar queimado se só for titular na Champions.

Os números não enganam: 13 derrotas nos últimos 17 jogos na Champions envergonham a nossa história. Parece que entramos em campo já vencidos, manietados por um temor que sinceramente não se percebe. Estamos a jogar a mais prestigiante competição de clubes do mundo com o espírito da Taça da Liga (com o devido respeito). É algo que tem de ser mudado. E rapidamente.

segunda-feira, novembro 04, 2019

Retoma

Vencemos o Rio Ave por 2-0 no sábado e mantivemos os dois pontos de vantagem para o CRAC (1-0 em casa ao Aves). Foi uma vitória justa, em que a exibição na 2ª parte nos deixou a todos mais esperançados.

Três dias depois, novo jogo para o campeonato, e os regressos do Florentino e Pizzi ao onze em detrimento do Samaris e Gedson. Comandado pelo Carlos Carvalhal, o Rio Ave apresentou-se muito bem na Luz e o jogo foi muito complicado na 1ª parte. Sem medo de sair a jogar desde o guarda-redes, os vilacondenses trocavam muito bem a bola, saíam da nossa pressão com mestria, embora não tenham conseguido criar oportunidades de golo. Só que nós também não, porque éramos demasiado lentos a sair para o ataque e nunca conseguímos apanhar o adversário em contrapé. Um remate do Cervi de fora da área foi o lance de maior perigo antes do 1º golo aos 32’. Só podia ser de bola parada: canto do Pizzi na direita e entrada fulminante de cabeça do Rúben Dias. Até ao intervalo, uma oportunidade para cada lado, com um estoiro do Carlos Vinícius de pé esquerdo de fora da área (a fazer lembrar o grande Tacuara), a sair ligeiramente por cima, e o nosso ex-jogador Nuno Santos numa boa arrancada pela esquerda a deixar o André Almeida para trás, mas felizmente a bola bateu no poste (no entanto, há uma falta clara sobre o Cervi no início da jogada, que o sr. Carlos Xistra não quis ver).

A 2ª parte foi totalmente diferente, porque conseguimos manietar por completo o Rio Ave e estivemos quase sempre instalados no seu meio-campo. Claro que a nossa melhoria exibicional foi ajudada pelo 2-0 logo aos 51’ numa abertura do Gabriel para o Grimaldo na esquerda, este deixou para o Cervi, que centrou atrasado e o Pizzi, depois de tirar um defesa do caminho, rematou forte sem hipóteses para o Kieszek. A partir daqui, tivemos um cheirinho do que se passou na época transacta, porque recuperávamos a bola cedo e muito à frente no campo, e fazíamos combinações atacantes que baralharam a defesa do Rio Ave. O Rúben Dias teve oportunidade de bisar num livre, mas o seu desvio saiu ligeiramente ao lado, o Cervi teve uma boa iniciativa individual, porém o remate na passada também saiu ao lado, e o mesmo Cervi, depois de assistido pelo C. Vinícius, atirou de pé direito para defesa difícil do guarda-redes. Foi pena não termos conseguido marcar mais um golo, porque a nossa exibição neste período assim o merecia.

Em termos individuais, destaque para o Rúben Dias, que voltou a estar em evidência na defesa e teve a mais-valia de abrir o marcador, continuo a gostar bastante do Cervi, que com a confiança está a melhorar a olhos vistos, e a dupla Chiquinho-C. Vinícius também esteve bem, apesar de não ter marcado nesta partida. O Pizzi nem estava a fazer um jogo por aí além, mas quem marca um golo nunca pode ser criticado.

Iremos amanhã jogar a nossa continuidade nas competições europeias. Não podemos perder em Lyon, sob pena de irmos para o sofá ver a Europa em 2020. No entanto, um jogo desta importância não poderia ter vindo em melhor altura, porque o nosso nível exibicional está a melhorar. Esperemos é que isto se reflicta também na Champions.

P.S. – Disseram-me que este é o último ano em que teremos o (des)prazer de ver o Sr. Carlos Xistra espalhar a sua magia pelos relvados. Ainda falta todo um ano, diria eu! O empurrão ao André Almeida na área é grosseiro, mas coitado do Xistra não teve sorte nenhuma, porque do canto resultou o nosso primeiro golo. E esse era impossível anular. Isso e uma dualidade de critérios gritante na 1ª parte, que naturalmente não valia a pena continuar na 2ª quando o marcador passou para uma diferença de dois golos, é algo que não vai deixar saudades nenhumas no futuro. Que ainda está tão longe…

P.S. 2 – À atenção da organização de jogos: quando é que acaba esta fantochada dos foguetes e fogo preso na entrada das equipas…?! Já ganhámos o 38 e ninguém me avisou…?! Quantas quotas de quantos sócios são desperdiçadas naquele disparate…?! Será que quem se lembrou daquilo já se deu conta que com barulho nem dá para ouvir os aplausos à equipa na vénia…?! Vamos lá acabar com esse circo, por favor, que ir ver o Benfica é uma coisa séria. Obrigado.