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segunda-feira, março 18, 2019

Poderoso

Goleámos o Moreirense em Moreira de Cónegos por 4-0 e mantivemo-nos na liderança do campeonato com os mesmos pontos do CRAC, que derrotou o Marítimo por 3-0. Depois das horas extra frente ao Dínamo Zagreb, estava muito apreensivo para este jogo, porque iríamos defrontar uma das melhores equipas da Liga, que está num surpreendente 5º lugar, com menos de 72h entre jogos. A nossa resposta não poderia ter sido melhor e mais categórica!

De regresso à equipa-tipo dos últimos tempos, deveríamos ter começado a ganhar logo aos 3’, quando o Pizzi bem isolado pelo Rafa atirou ao lado da baliza. Aquela bola tinha que entrar...! Pouco depois, o João Aurélio deu uma pisadela no tornozelo do Grimaldo e nem amarelo levou! O nosso lateral ficou a contorcer-se no relvado, temi o pior, mas felizmente conseguiu recuperar. Aos 6’, o mesmo João Aurélio deu outra pantufada no Pizzi e levou amarelo. Que deveria ter sido o segundo, obviamente! Se dúvidas houvesse quanto à nossa resposta física, elas ficaram dissipadas logo desde o início, porque imprimimos uma pressão constante sobre o Moreirense, com o Samaris e o Gabriel a destacarem-se no meio-campo. Variávamos de flanco de forma rápida e foi assim que o Rafa, depois de brilhantemente dominar a bola enviada pelo Samaris desde o flanco oposto, flectiu da esquerda para o centro e rematou cruzado ao lado. Ainda apanhámos outro susto, com o Gabriel a queixar-se da virilha ainda relativamente cedo, mas a conseguir recuperar a tempo de alinhar praticamente o jogo inteiro. A meio da 1ª parte, o Jonas foi bem isolado pelo Samaris, mas em vez de rematar à baliza preferiu passar para o Pizzi, tendo a bola sido interceptada por um defesa. Pouco depois da meia-hora, marcámos através do mesmo Jonas, mas o Pizzi que lhe fez a assistência estava ligeiramente adiantado e o Sr. Nuno Almeida, depois de alertado pelo VAR, anulou a jogada. Aos 37’, fizemos finalmente o 0-1 num passe longo do Grimaldo para o João Félix, que aproveitou a falha de um defesa, que não interceptou a bola, para fuzilar o guarda-redes Trigueira. Aos 43’, aumentámos a vantagem num canto muito bem marcado pelo Pizzi, com o Samaris a corresponder com um óptimo cabeceamento sem hipóteses para o guarda-redes. Era fundamental chegar ao intervalo com esta vantagem e, para isso, muito contribuiu o Vlachodimos, com uma defesa difícil para canto, depois de um cabeceamento do Pedro Nuno.

Nos últimos anos, na jornada a seguir aos jogos europeus, geralmente só durávamos a meia-parte. Razão pela qual era importante ter uma vantagem de pelo menos dois golos, mas melhor ainda era marcar logo no reinício e acabar (quase) de vez com o jogo. Foi o que fizemos logo aos 49’, numa boa assistência do Jonas, que isolou o Rafa, tendo este picado a bola por cima do Trigueira, que ainda lhe tocou, mas não a conseguiu desviar da baliza. Por causa da porcaria do VAR, não festejei logo, porque fiquei com dúvidas acerca da posição do nº 27, mas a repetição dissipou-as todas. O Moreirense sentiu este terceiro golo, como é natural, e não conseguiu criar-nos muitas dificuldades, excepção a um livre do Chiquinho no qual o Vlachodimos fez uma boa defesa. Nós fomos gerindo a equipa e o jogo, mas sem nunca deixar de ter a baliza contrária em vista. Isto é uma das grandes melhorias em relação ao que se via no passado: seja qual for o resultado, com maior ou menor rapidez de processos, nós tentamos sempre aumentá-lo. O que deixa naturalmente o adversário de pé atrás. E, quanto a durar só meia-parte depois dos jogos europeus, estamos conversados... O Gedson e depois o Florentino entraram para os lugares do desgastado Pizzi e do Gabriel, e aos 80’ o Jonas viu a bola ser cortada por um defesa, depois de a dominar bem de peito, quando se preparava para rematar. Três minutos depois, foi o Florentino a estrear-se a marcar na equipa principal e fazer o 0-4 num canto do Grimaldo: saída em falso do guarda-redes, a bola sobrou para um defesa, que a tentou dominar, mas o nosso jogador foi muito inteligente na forma como adivinhou o lance e antecipou-se com um remate para a baliza deserta.

O melhor em campo foi o Samaris, que culminou uma exibição perfeita em termos defensivos com o nosso segundo golo. Também o Rafa merece muito destaque, pelas constantes rupturas que criou na defesa contrária e vai numa sequência muito interessante a marcar (cinco golos nos últimos seis jogos para o campeonato). Para quem já começava a falar de um abaixamento de produção, o João Félix respondeu em grande com uma exibição muito solta e valorizada com o nosso primeiro golo. O Gabriel voltou a ser um monstro no meio-campo, mesmo com algumas limitações físicas. O Jonas ficou em branco, mas contribuiu para o resultado com uma assistência para o terceiro golo. O Vlachodimos foi essencial por ter mantido a nossa baliza em branco em alturas importantes do jogo. Quanto ao resto da equipa, esteve igualmente num nível bastante elevado de produção.

Chegámos à pausa das selecções em primeiro lugar no campeonato, como era desejável. Esperemos que ninguém se lesione nos jogos internacionais, como infelizmente já aconteceu no passado. E vamos estar todos a torcer para que o Seferovic recupere a tempo da recepção ao Tondela. Iremos entrar na fase final da época e convinha ter o máximo possível de jogadores operacionais.

sexta-feira, março 15, 2019

Nos quartos

Vencemos o Dínamo Zagreb no prolongamento por 3-0, depois de 1-0 no tempo regulamentar, e qualificámo-nos para os quartos-de-final da Liga Europa. Foi uma qualificação justa, mas com um possível preço alto em termos físicos, porque jogámos mais meia-hora do que era suposto e temos um jogo muito importante para o campeonato em Moreira de Cónegos a menos de 72h deste.

O Bruno Lage fez algumas poupanças na equipa titular e lançou o Yuri Ribeiro, Fejsa, Zivkovic e Jota. Infelizmente, demos 45’ de avanço aos croatas, porque raramente os conseguimos pressionar e consequentemente as ocasiões de golo foram escassas. A ala esquerda (Yuri e Zivkovic) desperdiçou esta oportunidade e já nem voltou para a 2ª parte. O Jota teve algumas movimentações interessantes, mas não me parece que seja para jogar a avançado. Fez dupla com o Rafa e, como seria de esperar, não conseguimos ter presença na área. Com o Jonas no banco, faltou um avançado de raiz e continuo a achar que a decisão de deixar sair os dois avançados em simultâneo em Janeiro é muito questionável. Só dois remates, do Pizzi e Rafa, e ambos já depois dos 35’ colocaram o guarda-redes adversário à prova.

Logo no reinício, entraram o Jonas e o Grimaldo e tudo melhorou de forma quase imediata. Pressionámos muito mais o Dínamo Zagreb, mas continuámos a falhar alguns passes em zona decisiva e a ter alguma cerimónia na hora de rematar à baliza. Esgotámos as substituições com a entrada do João Félix para o lugar do Jota aos 62’ e marcámos finalmente o golo que igualou a eliminatória aos 71’: bola conduzida pelo Ferro, lançamento para o Pizzi na área, este amortece de cabeça para trás, onde o Jonas se enquadra e remata de primeira sem hipóteses para o Livakovic. Tentámos evitar o prolongamento, mas um remate em arco do Jonas foi defendido pelo guarda-redes e noutro lance o João Félix falhou completamente o desvio na sequência de um livre, tendo a bola saído pela linha lateral. No último minuto da compensação, foi a vez do Vlachodimos estar bem ao desviar a bola num canto, quando um adversário por trás se preparava para cabecear.

O prolongamento não estava no programa, mas o principal era conseguirmos o apuramento e foi neste período que estivemos melhor em temos exibicionais. Até pertenceu aos croatas a primeira oportunidade, com o Vlachodimos a não conseguir agarrar um remate de meia-distância e o Rúben Dias a atirar para canto, todavia respondemos logo a seguir noutro remate do Jonas sacudido pelo Livakovic. Aos 94’, aconteceu o principal momento do jogo: canto curto a nosso favor, a defesa croata alivia mal, o Ferro recupera a bola e, à entrada da área, remata muito colocado ao ângulo inferior direito da baliza. Que golão! Foi o delírio nas bancadas, mas logo de seguida uma desconcentração defensiva só não resultou no golo do Dínamo Zagreb, porque o avançado falhou completamente o remate, quando estava só perante o Vlachodimos, depois de um cruzamento na esquerda. Aos 104’, um defesa contrário cometeu hara-kiri ao ver dois amarelos seguidos por protestar com o árbitro e, no minuto seguinte, o Grimaldo praticamente fechou com o jogo com novo golão, num remate à Grimaldo com a bola a subir e depois a descer muito rápido, tendo o Livakovic ficado pregado ao relvado. Na 2ª parte do prolongamento, com dois golos de vantagem e mais um jogador, esperava que o Bruno Lage fizesse a quarta substituição, mas só a realizou em cima dos 120’ (entrou o Gedson para o lugar do Pizzi). Noutra desconcentração nossa, os croatas poderiam ter reduzido a 10’ do fim, mas o Atiemwen rematou a rasar o poste quando estava isolado, depois de passar no meio do Rúben Dias e Ferro. Não se percebe como os deixámos ter esta oportunidade a jogarem com 10... Quanto a nós, de quando em vez acelerávamos o jogo que ficava completamente partido, mas geralmente não conseguíamos meter o penúltimo passe e só tivemos uma real situação para aumentar a vantagem, com o guarda-redes a evitar o quarto golo ao defender brilhantemente um remate do Pizzi.

Em termos individuais, destaque para o Ferro e não só pelo golo: esteve muito seguro nos duelos individuais e só naquele tal lance da 2ª parte do prolongamento foi batido. Tem meia-dúzia de jogos pela equipa principal e já fez três golos. Não vai sair da equipa tão cedo. O Pizzi também fez um jogo em crescendo, assim como o Rafa que se fartou de fazer sprints, alguns com a pecha de terem o último passe transviado. O Jonas e o Grimaldo materializaram com golos o facto de terem sido fundamentais na melhoria exibicional. O Fejsa revelou alguma natural falta de ritmo, mas aguentou fisicamente os 120’. O Gabriel também fez uma boa exibição, especialmente a partir da 2ª parte, tal como a maior parte da equipa.

É muito bom estarmos nos quartos-de-final de uma competição europeia, mas estou com bastante receio das repercussões físicas para o jogo de domingo, porque o Moreirense é uma das revelações do campeonato e nós deixámos de ter margem de manobra para errar. É fundamental chegarmos à última pausa para as selecções antes do final do campeonato na frente.

P.S. – Calhou-nos o Eintracht Frankfurt no sorteio com a 1ª mão na Luz. Eu preferia o Slavia Praga, mas dado que também poderíamos ter apanhado o Nápoles, Arsenal, Valência ou Chelsea (se passarmos, devemos levar com estes nas meias-finais), acabou por não ser muito mau. Mas cuidado com os alemães, que estão a fazer uma excelente época (5º classificado no campeonato). Seria é bom que chegássemos a estes jogos com o plantel todo operacional...

terça-feira, março 12, 2019

Infantilidades

Empatámos ontem com o Belenenses SAD na Luz (2-2) e ficámos sem margem de manobra para o CRAC, que venceu domingo em Santa Maria da Feira por 2-1. Estão colados a nós com os mesmos pontos, embora percam no confronto directo. Eu pensei que já tinha visto tudo desde que o Luisão se estreou pelo Benfica a 14 de Setembro de 2003 no Estádio Nacional, onde até marcou um golo, mas não conseguiu evitar que o Belenenses marcasse dois depois dos 90’(!) e empatasse o jogo (3-3). Até ontem! Quando o Samaris fez o 2-0 aos 63’, não havia uma única alminha na Terra que perspectivasse o que viria a suceder: dois erros clamorosos e dignos dos infantis fizeram com que perdêssemos dois pontos contra o mesmo Belenenses de forma inglória. E até patética, há que acrescentar.

Com a lesão do Seferovic e o castigo ao Gabriel, entraram o Jonas e o Florentino na equipa. O que quer dizer que o Bruno Lage não gostou muito do Gedson em Zagreb. Compreende-se. Deveríamos ter entrado a ganhar, mas o Rafa, em boa posição, atirou ao lado depois de uma jogada de insistência do Samaris. Tal como se esperava, o Belenenses dificultou-nos muito a vida, porque é uma equipa que troca bem a bola e defende bem. De tal modo que as oportunidades escassearam na 1ª parte, só havendo outro remate do Rafa em excelente posição, que saiu muito por cima. Não estivemos tão dinâmicos como em partidas anteriores, com a equipa a ressentir-se (e muito) das ausências do Gabriel e Seferovic. Mesmo os que não estiveram na Croácia (André Almeida, Pizzi e Jonas) não conseguiram mostrar nenhuma frescura adicional.

Na 2ª parte, as coisas foram diferentes e conseguimos encostar mais o adversário às cordas. Depois de um remate de ressalto do Pizzi muito por cima, inaugurámos finalmente o marcador aos 56’, num grande golo do Jonas (que praticamente não se tinha visto até então): dominou muito bem uma bola centrada pelo André Almeida e rematou de pronto sem hipóteses para o Muriel. O mais difícil estava feito, mas era curto e convinha marcarmos um segundo golo para que pudéssemos descansar, dado que iremos ter mais dois jogos em sete dias. E conseguimo-lo através do Samaris ao tal minuto 63’, num remate de ressalto à entrada da área, que ainda tabelou num defesa. Numa fantástica publicidade ao anti-VAR, o Sr. João Capela esperou pela indicação do mesmo para ver se ninguém estava fora-de-jogo. Ou seja, não conseguimos festejar decentemente o golo num lance que não oferece a mais pequena dúvida! A partir daqui, o jogo estava ganho, certo? Pois... estaria se nós não nos tivéssemos lembrado de (literalmente) oferecer dois golos ao adversário aos 68’ e 71’! Num livre bombeado para a área, o Vlachodimos achou melhor perder tempo e deixar a bola seguir para fora em vez de a agarrar. O problema foi que perdeu a noção de onde estava o poste e a bola entrou na baliza com ele a abrir os braços para não lhe tocar. Demasiado patético para ser verdadeiro! Mas, se o nosso guarda-redes ainda tem muito crédito já que nos safou várias vezes, pouco depois o Rúben Dias teve o segundo erro clamoroso em jogos consecutivos, ao falhar completamente um atraso para o Vlachodimos, isolando um adversário que o bateu sem dificuldade. Inacreditavelmente, deixámos o Belenenses empatar com dois dos golos mais ridículos do campeonato! Claro que ficámos afectados por isso e até final procurámos o golo com muito menos discernimento do que é habitual. Só numa cabeçada do Jonas ao lado e num remate em arco do entretanto entrado Jota é que conseguimos criar perigo, mas em ambos os casos relativo dado que a bola nem sequer foi à baliza. O jogo chegou ao fim com um enorme sentimento de frustração em todos nós.

Em termos individuais, gostei bastante do Ferro, especialmente na 1ª parte e o Samaris fez igualmente uma exibição bem razoável. O André Almeida fez mais uma assistência e melhorou de produção na 2ª parte, o que também não era difícil dado o que (não) tinha mostrado na 1ª. Assim como o Pizzi, acrescente-se. O João Félix esteve relativamente apagado, dando a sensação de estar a acusar em termos físicos os jogos consecutivos que tem feito. Quanto ao Rúben Dias, é bom que volte a ter a cabeça no lugar. Já o lance no último minuto nas Aves, em que arriscou um segundo amarelo escusadíssimo com o jogo ganho (e com o Ferro já expulso) não augurou nada de bom, mas o que fez ontem juntamente com o penalty na Croácia tornam esta a semana mais negra da sua carreira até agora. É bom que se recomponha rapidamente.

Os próximos dois jogos (Dínamos Zagreb e Moreirense) serão fundamentais, mas temo bastante pela capacidade física da equipa. Teremos muito poucos dias de intervalo entre eles e já mostrámos estar mais fortes no aspecto físico do que agora. E serão dois jogos sem segundas oportunidades. Não gosto nada de ter de prescindir de uma competição, mas as fichas têm que estar todas no campeonato. A ida a Moreira de Cónegos irá ser especialmente difícil e, se jogarem muitos titulares na 5ª feira, não sei se nos conseguiremos apresentar nas melhores condições no domingo. Perder dois pontos desta maneira foi o pior que nos poderia ter acontecido nesta altura.

sexta-feira, março 08, 2019

Fraco

Perdemos ontem em Zagreb frente ao Dínamo (0-1) e estamos em desvantagem nos oitavos-de-final da Liga Europa. Ao 15º jogo da era Bruno Lage, fizemos finalmente uma má exibição e até tivemos sorte de não voltar a Lisboa com a eliminatória já perdida, dado que o Vlachodimos foi um dos melhores em campo. Como se não bastasse a derrota, a pior notícia da noite foi a lesão do Seferovic, cuja extensão ainda estamos para saber.

À semelhança do que fez em Istambul, o Bruno Lage fez algumas alterações no onze, deixando o André Almeida e Pizzi em Lisboa e apostando no Corchia, Florentino, Gedson e Krovinovic. E até entrámos bem, com uma enorme oportunidade do Grimaldo, brilhantemente desmarcado pelo João Félix, que, isolado frente ao guarda-redes, permitiu a defesa deste com a perna. Foi logo aos 7’ e foi a nossa melhor oportunidade no jogo inteiro. O Dínamo Zagreb estudou-nos muito bem e foi fechando os espaços com inteligência, não tendo nós a sagacidade necessária para contornar a defesa deles. Os extremos (Gedson e Krovinovic) flectiam muito para o meio e raramente procuravam os desequilíbrios no flanco. As coisas começaram a correr mal aos 31’, quando o Seferovic saltou e ficou a agarrar-se à virilha. Entrou o Cervi para o seu lugar e, se estávamos com dificuldades em encontrar o nosso futebol até aí, a partir da saída do suíço isso foi só uma miragem. O Vlachodimos já tinha efectuado um par de boas defesas até então e aos 38’ o Rúben Dias derrubou escusadamente um adversário, quando este fazia um movimento em direcção à bandeirola de canto! O árbitro assinalou penalty, que o Petkovic converteu para o meio da baliza (o Vlachodimos esteve quase a tocar na bola…). Até ao intervalo, um erro de posicionamento do Ferro fez com que um adversário se isolasse, valendo-nos o Vlachodimos para manter o jogo em aberto.

Na 2ª parte, o Dínamo ainda abdicou mais da posse de bola, mas foi perigoso no contra-ataque. Quanto a nós, tivemos sempre enormes dificuldades para conseguir chegar à área contrária, sentindo imenso a falta de um ponta-de-lança de raiz. O Rafa entrou por volta da hora de jogo, mas passou muito ao lado dele. Ainda entrou também o Zivkovic que deu razão ao Bruno Lage por não o colocar a jogar mais vezes. Assim como o Cervi, acrescente-se, que fez dos piores jogos que me lembro com a camisola do Benfica (salvo os aspectos defensivos no últimos minutos). Nunca demos a sensação de estar perto do golo e devemos à aselhice adversária (em dois ou três lances) ainda podermos ter esperança na qualificação.

Em termos individuais, destaque óbvio para o Vlachodimos. O Corchia foi dos menos maus, mas não se safou praticamente mais ninguém. O João Félix ficou desprotegido depois da saída do Seferovic e não é para jogar como ponta-de-lança. O Krovinovic acusou muita falta de ritmo (habitual), o Gabriel também esteve a léguas do que tem vindo a produzir. O Grimaldo não dá para tudo e é outro que infelizmente é insubstituível. O Gedson na direita de início não resultou e o Florentino acabou por ser dos sacrificados quando colocámos mais homens na frente, se bem que o o Cervi e o Zivkovic tenham sido demasiado inoperantes. O Rúben Dias tem definitivamente que ter mais cuidado na forma como aborda os lances: já na Vila das Aves, salvou-se de um segundo amarelo já nos descontos com o jogo resolvido a nosso favor nem sabe como e ontem o penalty é escusadíssimo. Não sei se a braçadeira de capitão lhe pesou no braço, mas há que ter a inteligência de perceber a melhor forma de se fazer aos lances. E este disparate de ontem, custou-nos muito caro.

Em sete dias, vamos ter três jogos que irão definir muito daquilo que será a nossa época. Começaremos frente ao Belenenses na Luz, que está numa boa fase e bem classificado, e, ainda por cima, quase de certeza que não teremos o Seferovic. E teremos o Dínamo Zagreb três dias depois e a ida a Moreira de Cónegos três dias a seguir. Vai ser muito desgastante e vamos ver como a equipa irá reagir a esta série infernal.

P.S. - Logo aqui, eu fui um dos que manifestaram preocupação por irmos enfrentar metade da época só com um ponta-de-lança de raiz. Era muito duvidoso que o Seferovic pudesse aguentar tantos jogos seguidos sem poder descansar. Só espero que a lesão seja facilmente recuperável, porque o suíço é dos mais insubstituíveis do plantel. Vamos lá a ver se o erro que cometemos em Janeiro (se era inevitável a saída do Ferreyra e Castillo, dever-nos-íamos ter acautelado com a contratação de outro ponta-de-lança) não nos vai custar títulos. É que o Jonas tem as limitações físicas que tem (nem foi à Croácia) e nem o Félix, nem o Rafa, nem o Jota são pontas-de-lanças no sentido daqueles três. Aliás, viu-se ontem como o Félix baixou logo de produção quando passou a jogar no meio dos centrais.

segunda-feira, março 04, 2019

Soberbo

Vencemos em Mordor no sábado (2-1) e assumimos a liderança do campeonato com dois pontos de vantagem sobre o CRAC. No dia 2 de Janeiro, quando perdemos em Portimão, ficámos a sete pontos deles e, dois meses depois, conseguimos recuperar nove pontos! É verdadeiramente impressionante o que conseguimos em tão pouco tempo, tanto em termos de resultados como principalmente em termos de qualidade futebolística. Mérito total (apesar de ele ter a humildade dos grandes e passar a responsabilidade para os jogadores) para o Bruno Lage.

Entrámos em Mordor com a mesma personalidade dos jogos anteriores e isso foi logo um óptimo início. Ou seja, não exibimos aquele temor habitual sempre que visitávamos a casa do CRAC e que, muitas vezes conjugado com a inclinação que existe sempre naquele campo, nos fazia começar o jogo já a perder. Com a equipa-tipo e à semelhança da meia-final da Taça da Liga em Braga, a primeira oportunidade foi deles, num remate fora da área do Alex Telles que o Vlachodimos defendeu para a linha lateral. Nos primeiros minutos, estiveram eles mais próximos da nossa área, mas sem conseguirem mais pôr à prova o nosso guarda-redes. Respondemos por volta do quarto de hora, num lance em que o Pizzi é puxado pelo Manafá na área. Voltamos à questão da intensidade, mas de uma coisa tenho certeza: se fosse ao contrário, o Sr. Jorge Sousa teria assinalado penalty. Aos 20’, o CRAC colocou-se em vantagem: livre directo do Adrián López, a bola bate na barreira, ressalta para ele que remata mais devagar (pareceu que quis assistir um colega na área), a bola desvia no peito do Marega, o Pepe baixa-se e o Vlachodimos não consegue chegar-lhe. É muito duvidoso que o Pepe esteja em linha com o Rúben Dias na altura do remate do Adrián López, mas o que não é nada duvidoso é que, quando a bola desvia no peito do Marega, o Pepe está claramente fora-de-jogo e a sua acção influencia o Vlachodimos. O VAR Sr. Tiago Martins achou que não e o Sr. Jorge Sousa nem sequer foi consultar as imagens! Típico (quando é contra nós)...! Não poderíamos ter reagido mais rapidamente, com o Pizzi a ficar frente-a-frente com o Casillas, mas o remate saiu à figura e o espanhol conseguiu defender com as pernas. Aos 26’, conseguimos a igualdade, numa bola ganha a meio-campo pelo incansável Gabriel ao Adrián López, sobrou para o Manafá que perdeu no corpo-a-corpo com o Seferovic e o suíço assistiu o João Félix que, na marca de penalty, fuzilou o Casillas. O CRAC sentiu muito o golo e, até ao intervalo, só através do Brahimi, num remate que acabou muito bem interceptado pelo André Almeida criou perigo e mesmo assim relativo. Quanto a nós, tivemos mais uma oportunidade flagrante em cima do intervalo pelo Seferovic, isolado pelo Pizzi, que rematou à figura do Casillas.

Na 2ª parte, mantivemos a tendência do final da 1ª e colocámo-nos em vantagem aos 52’ numa excelente combinação atacante, com o Pizzi a reter a bola na área e a soltá-la na altura exacta para o Rafa que, com um remate rasteiro e colocado já dentro da área, desfeiteou o guardião espanhol. O CRAC naturalmente reagiu e começou a colocar mais gente na frente, mas nós estivemos bastante bem a defender. Remates do Brahimi por cima e do Marega à figura do Vlachodimos não deram a sensação de golo. Em termos atacantes, acabámos por não conseguir ter grande produção, porque o CRAC pressionava, mas mesmo assim o Seferovic isolou o Rafa pouco depois da hora de jogo, sendo o lance anulado por pretensa mão do suíço. Só houve uma repetição e não vi falta nenhuma! O Pizzi na direita não estava a conseguir suster o Alex Telles e o Gedson entrou aos 71’ para o seu lugar. Pouco depois, o Samaris safou um golo certo ao cortar a bola no último momento, quando o Herrera já tinha armado o remate. Conseguimos reagir a seguir, com o Rafa a ter uma ocasião parecida com a do golo, mas o remate saiu infelizmente ao lado. Aos 78’, o Gabriel viu dois amarelos no mesmo lance(!) e foi expulso. O Sr. Jorge Sousa até pode ter a lei do seu lado (o nosso nº 8 agarrou o Otávio e depois reagiu mal ao facto de este lhe ter batido nas costas), mas não me lembro de muitas vezes em que um jogador visse dois amarelos no mesmo lance. Mais: tenho a certeza absoluta que, se fosse ao contrário, isto jamais teria sucedido. A partir daqui, a pressão dos de Mordor intensificou-se e o Felipe teve duas ocasiões num cabeceamento que bateu na parte superior da barra, depois de um canto inexistente, e num grande remate de fora da área, em que o Vlachodimos fez outra fantástica defesa. Perto do fim, nova boa defesa do guardião grego a desvio do Marega na pequena área, mas se entrasse o lance teria de ser (espero eu) invalidado por fora-de-jogo. O Corchia e o Cervi também entraram para ajudar a defender e o final do jogo surgiu finalmente com um enorme suspiro de alívio da nossa parte.

Em termos individuais, destaque para o Gabriel, que teria sido o melhor em campo, não fosse a expulsão. Independentemente de eu achar que foi exagerada, o nosso nº 8 não tinha nada que reagir daquela maneira à palmada que levou. Tem que ter a consciência de contra quem está a jogar e em que campo. Todo o cuidado é pouco e as desculpas para se expulsar jogadores nossos são muito pequenas. O Rafa foi decisivo no golo da vitória, assim como o Pizzi, apesar de este nem ter feito um jogo por aí além. Palavra também para a nossa defesa, em especial a dupla de centrais (Rúben Dias e Ferro), que esteve intratável. O Vlachodimos foi novamente essencial a garantir os três pontos, assim como o Samaris naquele corte providencial. O Seferovic desta feita ficou em branco, mas somou mais uma assistência ao currículo.

Faltam dez jogos para o final do campeonato. Conseguimos o mais difícil e que era impensável há meia dúzia de jornadas. Ganhámos no WC e em Mordor na mesma época pela primeira vez deste 1990/91! Há que manter o foco para conseguirmos um feito histórico. Estamos a jogar um futebol maravilhoso, como há muito não se via, e seria uma injustiça se não conseguíssemos títulos. Mas a história do futebol está cheia de injustiças...

P.S. – O Pepe continua uma criatura execrável. O modo como ele se virou ao João Félix, num lance em que nem sequer foi tocado diz tudo acerca do seu “carácter”. Grande “carácter” tem também o Sérgio Conceição, que deixou o João Félix de mão estendida no final do jogo. Estão ambos MUITO bem no clube onde estão.

terça-feira, fevereiro 26, 2019

Inteligência

Vencemos o Chaves por 4-0 e mantivemos a distância de um ponto para o CRAC (3-0 em Tondela) a uma semana de irmos a Mordor. Com a derrota do Braga em casa frente ao Belenenses (0-2) e o empate na lagartada no Marítimo (0-0), temos agora sete e dez pontos de vantagem sobre eles, respectivamente. Depois da vitória do CRAC na 6ª feira, estávamos pressionados para não os deixar alargar a vantagem na véspera de os visitarmos e jogámos com grande paciência e inteligência emocional, conseguindo uma vitória tranquila e mais que justa.

Apesar de estar nos lugares de descida, o Chaves até entrou bem no jogo e pôs à prova o Vlachodimos por duas vezes no primeiro quarto de hora. E terminou aí as iniciativas flavienses no jogo! Nós respondemos entre esses dois lances com um cabeceamento(!) do Rafa à figura, mas inaugurámos o marcador aos 19’ através do mesmo Rafa, num dos inúmeros passes teleguiados do Gabriel para o flanco oposto, onde o Pizzi centrou, o João Félix teve uma recepção deliciosa e cruzou para o centro da área, onde um jogador do Chaves chutou contra outro, tendo a bola sobrado para o nº 27 só ter que encostar. Pouco depois, o mesmo Rafa teve uma boa oportunidade de bisar, mas o remate de primeira a centro do Grimaldo saiu por cima, e o Seferovic falhou uma recarga relativamente fácil a um cabeceamento do João Félix, que o António Filipe não conseguiu segurar. No entanto, aos 37’, marcámos o segundo graças à dupla de avançados: boa desmarcação do João Félix a passe do Seferovic, remate forte do miúdo que o guarda-redes só teve tempo de rechaçar para a frente, com o Félix a fuzilar na recarga de pé esquerdo. A bola entrou e ainda bem, mas o remate poderia ter sido colocado em vez de com força, porque deu a sensação que, caso o Félix não tivesse acertado bem na bola, ela não teria levado a direcção da baliza. Em cima do intervalo (43’), fizemos o 3-0 noutra abertura fabulosa do Gabriel a isolar o Seferovic e o suíço a desfeitear o guarda-redes, mesmo tendo sofrido um empurrão por trás. Aliás, eu já estava de pé a gritar penalty, quando a bola entrou.

Para a 2ª parte, esperava-se a reacção do Chaves, mas ela não aconteceu. Pareceu que estavam a tentar minimizar os prejuízos para não levarem uma dose igual à do Nacional. E, se foi isso, conseguiram-no. Mesmo assim, isso só aconteceu, porque também não estivemos tão felizes na concretização, com um remate do Félix logo no reinício muito por cima, quando estava em excelente posição na área, e um par de grandes defesas do António Filipe a remates do Pizzi, muito bem desmarcado pelo Gabriel (outro inacreditável lançamento longo) e pelo entretanto entrado Jonas. O Grimaldo tentou marcou um golo igual ao frente ao Boavista, mas o guarda-redes voltou a defender, porém no último minuto fizemos finalmente o quarto golo através do Jonas, bem desmarcado pelo Félix, que recargou com êxito um remate seu defendido pelo guarda-redes. Foi bom que não tivesse ficado 0-0 na 2ª parte.

Em termos individuais, destaque absoluto para o Gabriel cuja precisão no passe é superior ao GPS dos nossos telemóveis e, ainda por cima, decidiu jogar apesar de ter sabido da morte de um familiar muito próximo horas antes da partida. O Florentino exibiu-se novamente em grande plano e não engana ninguém: é craque. O Samaris, que recuou para central para o lugar do castigado Ferro, deu conta do recado e o Corchia também não esteve mal no lugar do André Almeida. O Rafa teve as melhores oportunidades na 1ª parte e está com uma veia goleadora de saudar, assim como grande parte da equipa: não me lembro de haver uma época em que tivéssemos cinco jogadores entre os oito primeiros(!) na tabela dos goleadores, sendo esta liderada pelo Seferovic com 15 golos (o Jonas está com nove e o Pizzi, João Félix e Rafa com oito).

Teremos agora finalmente quase uma semana para preparar o próximo jogo, que será em Mordor. Em condições normais, com uma arbitragem decente, não duvido que teríamos boas hipóteses de ganhar. Mas, pela amostra da Taça da Liga em Braga, tenho grandes dúvidas que isso possa acontecer. De qualquer maneira, estamos a jogar um grande futebol e não há nenhum benfiquista que não esteja contente com isso. A maneira como nesta partida fomos variando a forma de jogar para tentar entrar numa defesa superpovoada roçou o brilhantismo. E demonstra como a equipa está a crescer de jogo para jogo, relevando uma inteligência colectiva como há muito não se via: não perdemos a calma, sabemos ser pacientes, desaceleramos e aceleramos quando é preciso, é um gosto ver o Benfica actualmente. Veremos o que se irá passar no sábado.

sexta-feira, fevereiro 22, 2019

Q.B.

Empatámos com o Galatasaray (0-0) na 2ª mão dos 16 avos-de-final da Liga Europa e conseguimos assim qualificar-nos para os oitavos. Foi um jogo com muito menos intensidade do que temos vindo a exibir, mas isso fez parte da estratégia, que passou muito por não dar espaço aos turcos e, de facto, eles não tiveram praticamente oportunidades de golo.

Ao contrário da partida da 1ª mão, o Bruno Lage só trocou três jogadores: a dupla de meio-campo (Samaris e Gabriel por Florentino Luís e Gedson) e o Cervi na esquerda no lugar do Rafa. Ou seja, André Almeida, Grimaldo e Pizzi foram titulares. Depois de surpreender o adversário uma vez, convinha não repetir a dose, que deixaria de ser surpreendente. Na 1ª parte, cedemos a iniciativa ao Galatasaray, tentando partir em contra-ataques rápidos quando ganhássemos a bola. E foi desta maneira que criámos uma boa oportunidade pelo Cervi, logo nos minutos iniciais, mas o seu remate saiu ao lado. Tivemos igualmente oportunidades pelo Pizzi, que permitiu a defesa do guarda-redes num remate fora da área, e pelo André Almeida, mas um defesa cortou a bola antes de o lateral poder rematar. O Vlachodimos não teve praticamente trabalho nenhum.

Na 2ª parte, carregámos mais logo nos minutos iniciais e o João Félix teve uma excelente oportunidade num canto, depois de um desvio de cabeça do Ferro, mas atirou por cima, quando tinha a baliza muito perto. O Seferovic teve uma óptima jogada na direita, mas o passe atrasado para o Félix não saiu na perfeição e o remate deste foi defendido pelo Muslera. Os turcos tentavam principalmente de bola parada, mas a nossa defesa esteve muito bem. O Bruno Lage fez entrar o Rafa para o lugar do Cervi, numa tentativa de aumentar a velocidade e criar mais desequilíbrios. Rafa, esse, que já perto do final teve uma boa iniciativa, mas o remate saiu frouxo e ao lado. Uma perda de bola do Gedson em zona mais que proibida teria dado golo, se o jogador do Galatasaray não estivesse fora-de-jogo. A cinco minutos do final, o Galatasaray meteu novamente a bola na baliza, mas foi assinalado outro fora-de-jogo, este bastante mais duvidoso (o jogador parece em linha).

Em termos individuais, grande jogo do Ferro, só é pena ter tido aquela expulsão na Vila das Aves, que o vai tirar da partida frente ao Chaves. O Florentino foi outro que encheu o campo, com números inacreditáveis em termos de desarmes. O Seferovic deu imensa luta aos centrais, mas acabou o jogo de rastos fisicamente (continuo sem perceber porque é que despachámos dois pontas-de-lança em Janeiro e não veio ninguém para o lugar de pelo menos um deles….). Todos os outros estiveram a um nível mediano, mas ontem não era dia daquelas cavaladas de outros jogos. Sinceramente, achei uma exibição muito consistente da nossa parte, em que reduzimos o espaço ao adversário e não o deixámos acercar-se da nossa baliza.

Acabámos por ter alguma sorte no sorteio, porque entre vários tubarões acabou por nos calhar o Dínamo Zagreb. Até a ordem dos jogos é favorável, porque não só a eliminatória se resolverá em Lisboa, como o jogo seguinte é em Moreira de Cónegos. E com três dias de intervalo entre jogos, é bom que os jogadores não se cansem escusadamente em viagens.

Na próxima 2ª feira, receberemos o Chaves para o campeonato e temos imperiosamente de ganhar para irmos a Mordor só com um ponto de desvantagem.

terça-feira, fevereiro 19, 2019

Consistência

Vencemos ontem na Vila das Aves por 3-0 e mantivemos a distância de um ponto para o CRAC (2-0 ao V. Setúbal em casa), aumentando para quatro a nossa vantagem frente ao Braga (0-3 no WC). Treinado pelo inenarrável Inácio, o Aves melhorou substancialmente, o que tornava este jogo complicado, ainda por cima porque estava no meio da eliminatória europeia. Mas a nossa resposta foi muito boa e a vitória incontestável.

Com o regresso dos habituais titulares, não poderíamos ter tido melhor entrada na partida, pois inaugurámos o marcador logo aos 3’ através do Seferovic a corresponder muito bem a um centro do Samaris, que o colocou só com o guarda-redes pela frente e o suíço picou brilhantemente a bola sobre ele. O Aves estava aturdido e nós poderíamos ter aproveitado para dilatar a vantagem pouco depois, mas o Rafa não se conseguiu isolar depois de dominar a bola de peito e passou-a ao João Félix, que rematou torto quando estava descaído na direita. O mesmo Félix teve pouco depois um remate rasteiro, mas o Beunardeau defendeu para o lado, com o Seferovic a ver a sua recarga ser cortada por um defesa, tendo a bola ficado para o Grimaldo, que também rematou forte para novo corte de um defesa. Três oportunidades no mesmo lance! A partir dos 25’, o Aves equilibrou e criou perigo num livre na direita, que foi batido directamente para a baliza com o Vlachodimos a defender bem para canto. Curiosamente foi quando o Aves estava melhor no jogo, que fizemos o 0-2 aos 37’ através do Rafa, num excelente remate muito colocado de pé direito, já dentro da área, depois de partir os rins a um defesa.

Com a vantagem alargada, a 2ª parte tinha tudo para ser tranquila, assim nós marcássemos mais um golo. E tentámos fazê-lo logo desde o reinício, ao mesmo tempo que conseguimos controlar melhor as investidas atacantes do adversário. O João Félix com um grande remate de fora da área bem defendido pelo guarda-redes e uma boa combinação atacante entre o Rafa e o Seferovic estiveram quase a dar-nos o descanso merecido, mas foi o Ferro aos 59’ a fazer o 3-0: canto da direita e o nosso central a ser oportuno na recarga a um remate seu que ficou entalado num defesa. Logo na jogada a seguir, outra boa combinação atacante deixou o Pizzi só com o guarda-redes pela frente, mas o nº 21 picou a bola ligeiramente ao lado. O jogo estava de feição para permitir uma gestão do esforço e quiçá a estreia do Jota no campeonato, se não fosse o Ferro ter cometido um enorme erro aos 64’: agarrou o Derley quando este seguia isolado para a baliza e foi naturalmente expulso. Terá sido a inexperiência a tramar o nosso central, dado que teve tempo de fazer a falta quando o avançado brasileiro ainda não tinha passado por ele e aí só teria levado o amarelo. O Samaris recuou para central, mas adaptámo-nos bem a essa mudança e o Aves, apesar de ter dominado, não teve assim grandes oportunidades. O Bruno Lage aguardou para ver como a equipa reagia e só fez entrar o Gedson aos 78’, o que permitiu reassumir novamente o controlo do meio-campo, com a maior chance de golo a acontecer para nós, num remate rasteiro do João Félix que saiu a rasar o poste. Perto do final, o Jonas primeiro e o Zivkovic depois entraram para permitir (pouco) descanso ao Seferovic e ao mesmo Félix.

Em termos individuais, destaque para o Seferovic, que vai no sétimo jogo seguido a marcar para o campeonato, para o Rafa, que tem a mira bastante mais afinada do que em anos anteriores, e para o Samaris que, apesar do amarelo escusado, foi sempre muito regular no meio-campo. Mas toda a equipa se exibiu a um plano muito aceitável.

Era uma partida difícil e nós tivemos o condão de a tornar menos complicada. Gostei especialmente de ver a transformação da 1ª para a 2ª parte, com o Bruno Lage a explicar no final como a equipa percebeu o que estava a fazer mal, que permitiu ao Aves reequilibrar o jogo na segunda metade do primeiro tempo, e a corrigir isso ao intervalo. Estamos com confiança, a jogar bem e com os resultados naturalmente a aparecerem. Está a dar muito gozo ver este Benfica a jogar.

P.S. – Surgiu hoje a confirmação de que o Bruno Lage será o nosso treinador para as próximas quatro épocas e meia. Por princípio, não gosto de contratos de treinador muito longos, mas neste caso acho que é seguro abrir uma excepção. Sabendo todos nós, e o Bruno Lage obviamente também, que está sempre tudo dependente dos títulos. Mas jogar bem e bonito é um excelente princípio para tal.

sexta-feira, fevereiro 15, 2019

Personalidade

Vencemos o Galatasaray na Turquia por 2-1 e estamos bem lançados para conseguir a qualificação para os oitavos-de-final da Liga Europa. Foi a primeira vez que vencemos em solo turco, após sete tentativas goradas, e fizemo-lo com uma equipa recheada de não-titulares e seis jogadores vindos da formação! Inacreditável!

Quando vi a equipa, com Corchia, Yuri Ribeiro, Florentino, Gedson (os três primeiros a fazerem a sua estreia nas competições europeias), Salvio, o Cervi e o já esperado Ferro (mas que está a fazer apenas o terceiro jogo na equipa principal) a serem titulares num terreno muito complicado contra uma equipa que foi campeã no ano passado e, portanto, veio da Liga dos Campeões, confesso que temi o pior. A Liga Europa, por ter um intervalo menor entre os jogos do que a Champions, obriga a uma gestão do plantel, mas lá que o Bruno Lage estava a arriscar muito, estava. No entanto, o que se viu em campo foi maravilhoso! Os miúdos do Seixal & Cia controlaram muito bem o adversário, com o Florentino a ser um tampão no meio-campo e os centrais a não darem veleidades aos avançados. De tal forma que o Galatasaray criou muito menos situações de perigo do que seria expectável, a maior das quais terá sido um remate do nigeriano Onyekuru, desviado pelo Corchia. Sempre que tínhamos a bola fazíamos o que é suposto fazer num jogo de futebol: atacar e tentar marcar na baliza contrária. E foi assim que inaugurámos o marcador aos 27’, num penalty do Salvio a castigar braço de um defesa após cruzamento do Yuri Ribeiro: remate muito colocado do argentino com a bola a entrar pela malha lateral, tornando infrutífera a estirada do Muslera. Até ao intervalo, os gregos não conseguiram criar mais perigo e, quanto a nós, pareceu-me que ficou outro penalty por marcar por derrube ao João Félix.

A 2ª parte começou praticamente com a lesão do Salvio, que teve que ser substituído pelo Gabriel, passando o Gedson para a direita. Gedson esse que, aos 54’, deixou o defesa-esquerdo Nagatomo centrar à vontade para o Luyindama bater o Yuri Ribeiro (que devia ter abordado o lance de outra maneira) e de cabeça fazer a igualdade. Não era bom os turcos conseguirem a igualdade tão cedo, mas a nossa resposta voltou a ser excelente. O Seferovic teve uma boa jogada, depois de um erro defensivo do mesmo Luyindama, que culminou num remate na passada que foi pena ter ficado nas pernas do Muslera. No entanto, aos 64’ um passe longo do Rúben Dias lançou o Seferovic em corrida, o suíço bateu o defesa no corpo-a-corpo e à saída do Muslera atirou ao ângulo esquerdo da baliza. Grande golo! Apesar da vantagem, nunca deixámos de atacar quando tínhamos a bola, mas foi o Galatasaray a ter as duas oportunidades finais, num remate do Feghouli que passou perto do poste e numa excelente defesa do Vlachodimos a um cabeceamento do Luyindama na sequência de um livre.

Em termos individuais, destaque para o Florentino por uma simples razão: estamos a falar de um miúdo de 19 anos, que tinha feito há quatro dias os primeiros 30’ na equipa principal e joga em Istambul como com uma calma olímpica. Impressionante! O Ferro é outro que parecia que já estava há muitos anos na equipa. Grande jogo igualmente do Rúben Dias, um patrão na defesa. O Corchia e Yuri Ribeiro estiveram bem melhor do que eu estava à espera, dado que não jogavam há muito tempo. A dupla de avançados (Seferovic e João Félix) continua a articular-se muito bem, com o suíço na melhor forma de sempre. Só os extremos (Salvio e Cervi) não estiveram ao nível que nos habituaram, com o primeiro a agarrar-se muito à bola e o segundo com algumas más decisões no capítulo do passe.

Li por aí com muita graça que a equipa principal do Benfica continua sem ganhar na Turquia. De facto, se me dissessem há dois meses que íamos ganhar lá com uma defesa que incluía Corchia, Ferro e Yuri Ribeiro, eu teria achado que a pessoa, no mínimo, estava ébria. Grande vitória e, quatro dias após os 10-0, voltámos a fazer história! Vivemos, sem dúvida, dias muitos felizes, em que nos dá muito gozo ver a constante evolução desta equipa. Digo isto agora, de propósito, porque ainda não ganhámos nada e a meu ver esta decisão não deve estar dependente de conquistarmos ou não títulos este ano: não sei o que o presidente do Benfica está à espera para anunciar que o Bruno Lage irá ser o treinador principal na(s) próxima(s) época(s).

segunda-feira, fevereiro 11, 2019

D E Z__A__Z E R O!!!

Tivemos ontem o privilégio de assistir a algo que já não acontecia desde 1964, ou seja há 55 anos: ganhámos por 10-0 ao Nacional da Madeira. Nunca será demais repetir: dez a zero! DEZ A ZERO! Como na 6ª feira, o CRAC empatou 1-1 em Moreira de Cónegos (e só marcou ao malfadado minuto 92), a diferença está agora reduzia a um singelo ponto, com o Braga (2-1 ao Chaves) a dois do 1º lugar.

Para memória futura, vou fazer algo que nunca fiz neste blog, ou seja, colocar a ficha de jogo, porque algo que foi histórico merece ficar perpetuado:

Vlachodimos; André Almeida, Rúben Dias, Ferro e Grimaldo; Pizzi, Samaris (Florentino Luís, 62’), Gabriel e Rafa; João Félix (Krovinovic, 68’) e Seferovic (Jonas, 72’). Marcadores: Grimaldo (1’), Seferovic (21’ e 27’), João Félix (50’), Pizzi (54’ pen.), Ferro (56’), Rúben Dias (64’), Jonas (85’ e 90’) e Rafa (88’).

O meu amigo Bakero regozijou-se com o facto de o resumo que irá fazer do jogo ter pelo menos 15’ (e bem, porque a história merece ser vista com a atenção devida), mas este post, se fosse normal, teria de ter umas três páginas. Portanto, vou poupar-vos a isso e condenso tudo nalguns pontos:

- Já li por aí a curiosidade de terem sido 10 golos no dia do 60º aniversário do enorme Fernando Chalana (um dos mais míticos 10 do Benfica), sendo ontem dia 10, e com o nosso 10 actual a marcar o 10º golo. 

- Também já vi por aí comentado que o Nacional não existiu e isto foi bater em mortos. Não, meus caros, “não existir” e “bater em mortos” equivale a marcar alguns golos, e depois abrandar o ritmo e ser condescendente com o adversário. O que se passou ontem foi muito mais do que isso: foi jogar cada minuto a seguir aos golos, como se estivesse 0-0. Foi fazer uma pressão sufocante que obrigou a muitos erros do adversário. Foi ter respeito pelo público, pelo jogo e pelo adversário, de tal modo que, assim que o jogo acabou, a primeira coisa que os jogadores do Benfica fizeram foi confortar os colegas de profissão. E não se ouviu um único olé das bancadas durante toda a partida. E não se driblou o adversário em modo de gozo. E não se colocou o Vlachodimos a marcar o penalty. E o Pizzi e o Bruno Lage voltaram a dar uma palavra aos jogadores do Nacional na flash interview. Isto, sim, é respeito!

- O jogo de ontem deu para tudo: primeiro golo aos 33 segundos! Estreia do Ferro a titular e logo com um golo. Estreia do Florentino Luís, que em apenas 30’ foi o jogador com mais desarmes de todo o jogo (seis)! Regresso do Krovinovic e regresso do Jonas (que ainda teve tempo para bisar). É difícil pensar em algo que pudesse ter corrido melhor.

- O que eu mais gosto de ver no Benfica actual é a exigência de cada jogador em fazer as coisas bem. Vi o André Almeida genuinamente chateado consigo próprio na 2ª parte, quando um passe seu não chegou ao destino. Quase como se se sentisse um dos membros da orquestra que tivesse desafinado e estragasse o conjunto. Aliado a isto está a urgência absoluta em recuperar a bola quando a perdemos (Gabriel de novo em grande!), como se a bola fosse nossa e o adversário não tivesse direito a ela.

- Outra coisa que ressalta à vista e está ligada à anterior é a alegria com que os jogadores do Benfica jogam à bola. Quase como se fôssemos nós, adeptos, que daríamos a vida para estar lá dentro com aquela camisola. E é isso que cria esta ligação enorme que existe neste momento entre a equipa e o público. Como o Bruno Lage disse, logo quando tomou conta da equipa, o público conquista-se pelas exibições. E não com expressões como “temos de estar unidos”, “juntos somos muito fortes” e depois fazer exibições miseráveis mesmo que valham vitórias. Porque o público percebe que se está muito mais perto de não ganhar se jogarmos mal, do que se jogarmos bem.

- Contabilizem os cantos e os livres bem marcados pelo Pizzi agora por comparação ao que se passava antes de 3 de Janeiro. E os golos que conseguimos agora de bola parada. Treinar tem as suas certas vantagens...

- Quem não me conhece assim tão bem, fica espantado quando eu digo com genuína mágoa que lamento não ter visto ao vivo todos jogos na nova Luz: dos 406 que fizemos, só vi 403. É, meus caros, porque eu não quero NUNCA correr o risco de não estar presente num momento histórico como o do ontem. Não me perdoaria se não tivesse visto aquilo ao vivo. E, também por isso, faz-me tanta, mas tanta confusão que ainda ontem tenha visto alguns adeptos sair antes do final do jogo. Foram menos do que é habitual, mas ainda assim houve alguns. Repito o que já aqui escrevi: a não ser que tenham recebido uma chamada para irem ver um familiar muito próximo à beira de falecer, é indesculpável!

Vamos entrar novamente num ciclo terrível com imensos jogos em pouco tempo: na 5ª feira, estaremos em Istambul para defrontar o Galatasaray para a Liga Europa. Veremos como a equipa irá reagir à história que acabou de escrever, mas é inevitável que estejamos todos entusiasmados por ver o Benfica em campo outra vez.

quinta-feira, fevereiro 07, 2019

Vantagem

Três dias depois, voltámos a vencer a lagartada (2-1) desta feita para a 1ª mão das meias-finais da Taça de Portugal. Foi um jogo completamente diferente do do campeonato, em que poderíamos ter conseguido uma diferença mais tranquila para a 2ª mão, que é só daqui a dois meses. E muita coisa pode mudar entretanto.

Com o Salvio no lugar do Rafa e o Svilar na baliza, entrámos bem e tivemos duas oportunidades pelo Gabriel, num remate por cima à entrada da área depois de um cruzamento do Salvio, e pelo Seferovic, com um remate fora da área que ia com boa direcção, mas desviou num defesa. Concluímos esta boa fase com o golo aos 16’, noutra rápida jogada atacante com o Salvio a romper, a dar no meio para o Pizzi e este a abrir na esquerda para a entrada do Gabriel, que rematou muito forte, com o Renan Ribeiro a ser enganado pela trajectória da bola. A lagartada teve mais posse de bola, mas só num remate à entrada da área pelo Bruno Fernandes é que criou algum perigo, com o Svilar a socar para a frente. Como eles trocaram meia equipa, apresentavam-se mais frescos, enquanto nós não conseguimos impor o ritmo avassalador do campeonato. O Sr. Luís Godinho teve um critério muito discutível e o Jardel foi amarelado por um lance que nem falta foi. Perto do intervalo, o mesmo Jardel lesionou-se e foi substituído pelo Ferro, que fez assim a estreia na equipa principal. Até final da 1ª parte, ainda deu para o Svilar ter uma hesitação infantil a agarrar a bola e o Luiz Phellype quase ficou com ela.

Na 2ª parte, fomos mais consistentes e estivemos mais tempo no meio-campo da lagartada. No entanto, ainda assim eles criaram perigo através do Wendel, que apareceu isolado frente ao Svilar, mas o remate saiu muito torto. Respondemos logo a seguir numa cabeçada do Rúben Dias num livre, mas a bola saiu à figura. Desde o reinício que o Salvio passou para a esquerda e o Pizzi para direita, mas já se sabe que o argentino não consegue render no flanco oposto e portanto a substituição era uma questão de tempo. Entrou o Rafa e pouco depois, aos 64’, fizemos o 2-0 noutro lance rápido desde a nossa defesa, com o Pizzi a receber a bola no meio-campo e a fazer um passe comprido para o Seferovic na esquerda, que fez um centro-remate para o lado oposto, onde estava a João Félix, que rematou com força tendo a bola sido desviada pelo Tiago Ilori para dentro da baliza. Foi autogolo, porque o remate não ia com a direcção da baliza, mas o que interessa é que entrou. A lagartada abanou muito com este golo e poderia ter sofrido o terceiro logo a seguir numa óptima combinação pela esquerda entre o Rafa, o Seferovic e o Grimaldo, com o centro do suíço a colocar o espanhol em boa posição, mas o remate deste a sair infelizmente torto. Com o desenrolar da 2ª parte, fomos decaindo em termos físicos e a lagartada conseguiu ser mais pressionante, criando uma boa oportunidade num remate do Wendel à entrada da área, que foi desviado pelo olhar do Svilar (uma especialidade do nosso guarda-redes...). Apesar da quebra física, tentámos sempre marcar mais um golo, mas o remate do Seferovic saiu à figura do Renan e outro do Grimaldo, depois de uma boa jogada do Rafa, saiu ao lado. Ainda entrou o Cervi para o lugar do Pizzi, mas um mau corte do Ferro (quando tinha tempo para dominar a bola) deu origem a um ataque da lagartada, que terminou com uma falta do Cervi sobre o Bruno Fernandes aos 82’. O livre foi a uns bons 30 m da baliza, mas o mesmo Bruno Fernandes conseguiu meter a bola na baliza. Apesar de o Svilar eventualmente poder ter sido mais rápido a reagir, foi um golão. Até final, o Bas Dost carregou o Svilar e o golo que fez a posteriori já não valeu e, no último minuto, o Grimaldo foi agarrado pelo Coates à entrada da área, mas o agarrão prolongou-se durante um bocado e não sei mesmo se não terá parado em cima da linha. No entanto, o Sr. Luís Godinho assinalou falta fora da área.

Em termos individuais, o Gabriel foi o melhor e estreou-se a marcar pelo Benfica logo num derby. O Samaris também esteve em destaque e melhorou em relação a domingo. O Salvio participou no primeiro golo, mas ele e o Pizzi não podem jogar ao mesmo tempo nas alas, porque ambos só rendem na direita. O João Félix não esteve tão interventivo como há três dias e o Seferovic foi outro que esteve fisicamente pior. Aliás, continuo sem perceber como é que vamos encarar o resto da temporada, ainda por cima com a Liga Europa que tem mais jogos do que a Champions, só com um ponta-de-lança de raiz. Se acontecer alguma coisa ao Seferovic e com a condição física do Jonas a ser pouco viável, quero ver quem é que vai jogar a ponta-de-lança...

Naquelas situações que são muito comuns no futebol português, a 2ª mão só irá disputar-se em Abril. Também por esta imprevisibilidade, era importante ter conseguido um resultado mais confortável para o jogo no WC. Não foi possível, mas partimos em vantagem. Esperemos que daqui a dois meses ainda estejamos melhor do que agora.

segunda-feira, fevereiro 04, 2019

Demolidor

Vencemos no WC por 4-2 e, como o CRAC empatou (0-0) em Guimarães, reduzimos a desvantagem para eles para apenas três pontos, o que quer dizer que voltámos a depender só de nós para vencermos o campeonato. Em termos psicológicos, e com a equipa a crescer a olhos vistos, é um facto nada despiciendo. Outra consequência é termos agora a lagartada oito pontos atrás de nós, com o Braga a manter-se a um ponto (ganhou 2-0 na Vila das Aves).

Se me tivessem proposto, antes do jogo, uma vitória por 4-2 no WC, eu assinaria de cruz. No entanto, chegado ao final, julgo que não deverá haver um único benfiquista que não sinta que isto soube a pouco. A nossa superioridade foi tão, mas tão evidente que só dois golos de vantagem é manifestamente insuficiente para o que vimos em campo. Ficámos a um pequeno passo de conseguir um resultado histórico, que todos vislumbrámos caso o João Félix tivesse feito o 5-1 naquele incrível falhanço. Num onze sem surpresas, entrámos muito fortes e uma boa jogada do Grimaldo na esquerda poderia ter-nos colocado em vantagem logo nos primeiros minutos. Não demorou muito até o conseguirmos, aos 11’, num cabeceamento do Seferovic, depois de um centro do mesmo Grimaldo na esquerda, brilhantemente desmarcado pelo Gabriel. Um livre do Bruno Fernandes à barreira foi a tímida resposta do outro lado, enquanto o Seferovic não conseguiu meter a bola no Rafa, isolado no meio, depois de bem desmarcado pelo Félix na esquerda. Teria sido só encostar... Voltámos a meter a bola na baliza, num remate colocadíssimo de pé esquerdo do João Félix, que o Sr. Artur Soares Dias anulou, depois de consultar o VAR, por uma acção do mesmo Félix sobre o Wendel, que em Inglaterra nunca seria falta. Comparar esta falta com a que sofreu o Gabriel no primeiro golo do CRAC na Taça da Liga é uma brincadeira de mau gosto. A lagartada estava completamente perdida em campo e nós, em vez do malfadado ‘controlar o jogo’, tentámos sempre marcar mais. Uma insistência do Pizzi resultou num remate de trivela do Félix, que infelizmente saiu com pouca força, mas no minuto seguinte (36’) fizemos finalmente o 2-0: óptima abertura do Seferovic a isolar o João Félix que, à saída do Renan Ribeiro, desviou a bola para dentro da baliza. Deveríamos ter ido com este resultado para o intervalo, mas aos 43’ o Samaris, que até fez um bom jogo, fez um tremendo disparate a meio-campo, perdendo a bola e dando azo a um contra-ataque da lagartada, que culminou num bom remate do Bruno Fernandes sem defesa para o Vlachodimos.

Para a 2ª parte, o Marcel Keiser tirou o Nani para colocar o Diaby e eu achei muito bem. As coisas não poderiam ter começado melhor para nós, porque fizemos o 3-1 logo aos 47: livre do Pizzi na direita e cabeçada ao ângulo do Rúben Dias. É muito mais fácil marcar golos de bola parada, quando, lá está, se treina... Uma das coisas que mais gosto neste Benfica do Bruno Lage é que, independentemente do resultado, só deixamos de procurar o golo aos... 90’. Assim fizemos no WC e o Jardel esteve próximo de marcar numa cabeçada num canto que saiu perto do poste. A lagartada fartava-se de falhar passes e nós metemos mais uma vez a bola na baliza, num contra-ataque muito bem feito, com remate do Pizzi e recarga do Seferovic, mas desta vez o Sr. Artur Soares Dias tinha mesmo razões para o anular, porque o suíço estava ligeiramente adiantado. Uma das poucas ocasiões do adversário foi um livre descaído para a direita em que o Raphinha atirou ao poste, mas creio se tivesse ido mais para dentro o Vlachodimos defendia. Mais uma vez em contra-ataque, o Seferovic não conseguiu fazer o que o João Félix fez na semana passada frente ao Boavista e o passe para o mesmo Félix foi cortado por um defesa. O nº 79 ficaria só com o guarda-redes pela frente... Um remate do André Almeida, quase sem ângulo, embateu na malha lateral, mas aos 73’ fizemos finalmente o merecido quarto golo através de um penalty não muito bem marcado pelo Pizzi (o Renan tocou na bola e por pouco não defendeu), a castigar um derrube do guarda-redes da lagartada ao João Félix. Três minutos depois veio o tal lance que poderia ter lançado este resultado para a história: novo contra-ataque nosso muito bom, com o Pizzi a centrar para o Seferovic atirar ao poste e, na recarga e na mesma baliza, o João Félix resolveu imitar o Bryan Ruiz...! Incrível! Logo a seguir, o nosso novo menino de ouro saiu para entrar o Cervi, mas eu achei que teria feito mais sentido sair o Seferovic, porque estava de rastos em termos físicos e temos novo jogo contra eles na 4ª feira. A pouco mais de 10’ do fim, a lagartada marcou pelo Diaby, mas o golo foi bem anulado pelo VAR por fora-de-jogo. No entanto, aos 88’, o indiscutível 1º classificado no ranking dos penalties aumentou a sua vantagem e o Bas Dost fez o 2-4 perante o Svilar, porque... o Vlachodimos foi expulso(!) por uma falta sobre o mesmo Bas Dost. E eu que pensava que a tripla penalização (penalty, expulsão e golo) tinha deixado de existir, mas aparentemente foi desde que isso não seja a nosso favor. O Sr. Artur Soares Dias e o VAR João Pinheiro acharam que o Vlachodimos não protegeu a cabeça quando o Bas Dost saltou por cima dele e mandaram-no para a rua. Sem comentários! Conseguimos controlar muito bem os sete minutos de compensação apesar de estarmos com menos um em campo. Grande personalidade da equipa a contrastar imenso com este jogo, em que delapidámos uma vantagem de dois golos em muito pouco minutos.

Enorme exibição de toda a equipa, com destaque para o João Félix, que encheu o campo. Marcou dois golos, só contou um e foi pena ter falhado o golo mais fácil da sua carreira. O Seferovic também está em grande forma e forma uma dupla temível com o Félix. O Pizzi renasceu desde que passou para a direita e o Gabriel mostrou mais uma vez a sua qualidade, apesar de ter sempre um ou outro lance em que perde uma bola fácil. Enorme personalidade do Rúben Dias que, nos jogos grandes, sobe sempre um patamar nas suas exibições. Bom jogo igualmente do Jardel, a não dar muitas veleidades ao Bas Dost. O Samaris esteve muito interventivo, mas aquela falha que deu origem ao primeiro golo deles é imperdoável. O Rafa foi outra seta apontada à baliza adversária e neste momento é uma peça imprescindível no nosso jogo.

Não me lembro de uma exibição assim tão demolidora no WC há muito tempo. Os números pecam por escasso, mas não nos deixemos inebriar. Voltaremos a defrontá-los na 4ª feira e é muito importante conseguir um resultado confortável na Luz para a 2ª mão da Taça de Portugal, que só irá decorrer daqui a dois meses. Ninguém se esquecerá desta situação, em que também houve dois meses entre as duas mãos. É muito tempo e muita coisa pode mudar, portanto é de aproveitar este bom momento para dar um passo muito firme em direcção ao Jamor. Seria uma lástima se não conseguíssemos um troféu este ano e a Taça de Portugal é o que, neste momento, está mais ao nosso alcance.

VIVA O BENFICA!

quarta-feira, janeiro 30, 2019

Nos carris

Goleámos o Boavista por 5-1 no regresso à Luz quase um mês depois do último jogo. Este tipo de resultado não mente e fizemos uma boa exibição, com o lado ofensivo em natural destaque, dando uma resposta forte depois da roubalheira de que fomos vítimas na semana passada.

Com o Fejsa e o Jonas ainda de fora, o Rui Vitória [que acto mais que falhado!] Bruno Lage voltou a apostar na mesma equipa que defrontou o CRAC, exceptuando a troca de guarda-redes. Não entrámos bem e um erro inacreditável do Gabriel num atraso para o Vlachodimos quase ia proporcionando o golo ao Boavista, mas o remate saiu ao poste. Reagimos de pronto e inaugurámos o marcador aos 9’ através de uma cabeçada do João Félix, a corresponder brilhantemente a um livre do Pizzi devido a falta sobre o próprio João Félix. Continuámos a insistir e o Seferovic iniciou a sua senda de golos falhados só com o guarda-redes pela frente, num passe excepcional do João Félix que o isolou. Pouco depois, foi o Rúben Dias num livre a atirar ao poste, mas aos 28’ fizemos o 2-0 pelo Pizzi: jogada iniciada pelo Gabriel, um passe de trivela do Rafa a isolar o Seferovic, o remate deste a ser novamente defendido pelo Helton Leite e o ressalto em balão a ir ter ao Pizzi, que atirou de primeira para dentro da baliza. O Boavista quase não passava do meio-campo, mas teve um canto aos 42’ e reduziu para 2-1 pelo Talocha, depois de ganhar um ressalto na área, num lance em que a nossa defesa deveria ter feito melhor para aliviar a bola.

Na 2ª parte, os axadrezados tentaram ser mais perigosos, ainda tiveram um remate bem blocado pelo Vlachodimos, mas nós voltámos a ter dois golos de vantagem aos 54’ num óptimo contra-ataque pelo João Félix, que ultrapassou um defesa, avançou pela direita e depois colocou a bola no único sítio possível entre o defesa e o guarda-redes para o Seferovic rematar vitoriosamente (não sem antes a bola ter ainda batido no Helton Leite...!). Pouco depois, o mesmo Seferovic falhou um desvio relativamente fácil a um remate do Gabriel, mas conseguimos finalmente descansar de vez aos 73’, ao fazermos o 4-1 no bis do suíço, de recarga, depois de um remate cruzado do Pizzi que o guarda-redes defendeu para o lado. O Seferovic cedeu o seu lugar ao Ferreyra minutos depois, mas foi o Grimaldo a destacar-se até final com o seu golão de fora da área a fazer o 5-1 aos 86’. No último minuto, uma imprudência do Samaris deu um penalty ao Boavista, mas o Vlachodimos brilhou a grande altura ao defender o remate do Mateus.

Em termos individuais, destaque para o João Félix, Pizzi e Seferovic que estiveram presentes em quase todos os nossos golos, sejam marcando-os, seja fazendo as assistências. Bom jogo novamente do Gabriel (desatenção inicial à parte), que tem o grande mérito de saber colocar a bola na frente a 30 m. Também gostei do Samaris, embora tenha de ter mais cuidado quando tenta aliviar bolas dentro da nossa grande-área. Uma palavra final para o Vlachodimos, que efectuou uma enorme defesa no penalty.

Só não vê quem não quer o que melhorámos em poucas semanas com o Bruno Lage. A equipa está mais confiante, muito mais subida em campo, o pressing que faz para recuperar a bola é impressionante, a saída a jogar desde a defesa não tem comparação com o passado, enfim, estamos finalmente a jogar futebol. Iremos agora ter um duplo confronto com a lagartada, que irá permitir ver até que ponto vai esta nossa evolução. Só espero que, caso haja uma estagnação dessa evolução, ela não se deva a outros elementos que não os jogadores adversários. É que dava jeito que jogássemos só contra onze.

segunda-feira, janeiro 28, 2019

Benfica FM em directo

Logo à noite, às 21h30, vou estar à conversa sobre a maior roubalheira dos últimos 20 anos com os grandes Nuno Picado e Bakero. Em directo aqui.


quarta-feira, janeiro 23, 2019

R O U B A L H E I R A__N O J E N T A !

Marcámos dois golos limpos e sofremos dois irregulares, e perdemos com o CRAC por 1-3 na final four da Taça da Liga em Braga. Numa partida bem disputada, em que as equipas deixaram o calculismo de lado, tivemos o privilégio de usufruir de uma magnífica viagem até aos maravilhosos anos 90, onde arbitragens como a de ontem eram prática corrente nos jogos com o CRAC (mais do que eu escrever, que tal recordar isto, isto e isto?).

O Bruno Lage voltou a dar a baliza ao Svilar, como tem sido prática nas taças, e o Rafa também regressou à titularidade. Os primeiros minutos foram loucos, com o guardião belga a evitar um golo do Marega isolado e num canto o João Félix a cabecear para defesa do Vaná, com o Jardel e o Seferovic a não conseguirem fazer a recarga. E isto tudo com apenas 2’ de jogo! A 1ª parte foi toda assim, com ocasiões para ambos os lados, até que aos 24’ o CRAC inaugurou o marcador através do Brahimi: o Gabriel está a proteger a bola de costas para o Oliver, este empurra-o e fica naturalmente com ela, lança o Marega que tenta picar sobre o Svilar, o nosso guarda-redes defende com o pé, mas a bola sobra para o Brahimi que só teve que encostar. Nem o Sr. Fábio Veríssimo, o VAR, nem o Sr. Carlos Xistra, o árbitro, consideraram que era um lance de dúvida e que valia a pena o árbitro revê-lo na televisão. Nada! Zero! Respondemos bem com uma oportunidade de Rafa, que infelizmente tabelou nas pernas de um defesa quando ia com a direcção da baliza, mas conseguimos a igualdade aos 31’ numa boa jogada atacante, com o Pizzi a cruzar, o João Félix a baixar-se para o Seferovic ficar isolado, este a permitir a defesa do guarda-redes, mas a bola a sobrar para o Rafa de primeira marcar. Havia quatro jogadores do CRAC de frente para o Seferovic e nenhum deles protestou (e faziam-no a cada lance dividido em que iam parar ao chão), mas mesmo assim o Sr. Carlos Xistra resolveu ir ver as imagens e milagrosamente considerou o que toda a gente viu: o domínio do Seferovic foi mais que com o peito! Mas já se tinha percebido antes e voltou a perceber-se pouco depois que esta decisão dele foi mesmo um milagre! Este interlúdio com o VAR (que durou 4’) desconcentrou a nossa equipa e o CRAC respondeu com o 2-1 no reatamento aos 35’: centro do Brahimi na esquerda sem que o Pizzi fizesse oposição, o Rafa também não acompanhou o Corona, que recebeu a bola na direita e cruzou para o meio onde o Marega, que tinha empurrado o Grimaldo aquando do primeiro centro e portanto estava sem marcação, atirou para a baliza com a bola a passar por baixo das pernas do Svilar. Novo golo precedido de falta que não mereceu ida ao VAR. Tudo certo…! Voltámos a reagir bem e o Seferovic atirou ao lado de pé esquerdo quando estava em boa posição, mas em cima do intervalo aconteceu o MAIOR ROUBO do séc. XXI: jogada de contra ataque nossa, com o Seferovic a isolar o Rafa, este correu e, à saída do Vaná, deu para o lado para o Pizzi atirar para a baliza deserta. O VAR não disse nada e o Sr. Carlos Xistra anulou o golo SEM consultar as imagens! Repito: SEM consultar as imagens!

Agradeço que alguém me elucide qual é a penalização por uma equipa abandonar o campo na Taça da Liga. É que, se for só a exclusão desta competição, era mesmo isto que nós deveríamos ter feito! Já deixámos de jogar uma final da Taça de Portugal em hóquei em patins por uma vergonha deste calibre e teria sido uma mensagem muito forte a todos: fiquem lá com a taça que vocês sempre desmereceram que uma ROUBALHEIRA destas é ASQUEROSA e nós não pactuamos com ela! No entanto, infelizmente voltámos para a 2ª parte.

Durante grande parte do segundo tempo, o controlo do jogo foi nosso. O Seferovic voltou a ter uma excelente oportunidade só com o Vaná pela frente, conseguiu atirar por baixo dele, mas a bola foi ao lado e o João Félix e o Rafa tiveram ocasiões em excelente posição na grande-área, mas ambos os remates saíram muito tortos. As substituições do Bruno Lage não resultaram, o Gedson e o Castillo não trouxeram nada de especial, até porque as saídas do Gabriel e Pizzi tiraram-nos capacidade de colocar a bola na frente. Ainda entrou o Salvio para o lugar do André Almeida, mas aos 86’ num contra-ataque em que o Gedson não pressionou o Soares a meio-campo, este isolou o Fernando Andrade, que desviou do Svilar à sua saída para fazer o 1-3.

Com o jogo nos foi espoliado, não se justifica muito falar de exibições individuais, até porque não acho que estivéssemos estado mal perante uma equipa com processos muito mais definidos e trabalhados do que nós. Vou antes voltar a realçar que assistimos a algo histórico que iremos recordar daqui a 20 anos, tal como ainda hoje nos lembramos desta maravilha made by Donato Ramos (a minha preferida entre todas deste género!). Houve quatro golos na 1ª parte, três deles em lances duvidosos. Qual é o ÚNICO em que o Sr. Carlos Xistra vai ver as imagens? Precisamente aquele que não oferece dúvidas nenhumas! E isto é que é a principal questão: a não-consulta das imagens em lances duvidosos é a maior prova de que isto foi, de facto, o MAIOR ROUBO do século! Para mim, há faltas claras sobre o Gabriel no primeiro e o Grimaldo no segundo golo deles, mas eu até dou isso de barato.













Agora, achar que estas imagens não oferecem dúvidas nenhumas sobre o Rafa estar em fora-de-jogo e que portanto nem é preciso o árbitro ir ver as imagens é a maior prova de que houve um ROUBO INTENCIONAL do Sr. Fábio Veríssimo com a conivência do Sr. Carlos Xistra. E, como bem disse o Luís Filipe Vieira, quem olha para isto e não tem dúvidas de que há fora-de-jogo não pode apitar mais jogos. Porque ou é profundamente incompetente ou é absolutamente desonesto. Em qualquer dos casos, RUA!