origem

quarta-feira, junho 12, 2019

Final Four

A selecção nacional venceu a Suíça por 3-1 há precisamente uma semana nas meias-finais e conquistou a 1ª edição da Liga das Nações ganhando 1-0 à Holanda no passado domingo. As duas últimas semanas de intenso trabalho impediram-me de postar mais cedo, mas de qualquer maneira não queria deixar de saudar este facto. É uma competição nova da UEFA, uma espécie de Taça da Liga, mas é oficial e portanto é prestigiante para nós sermos os primeiros vencedores. Jogámos em casa, é certo, mas como infelizmente sabemos desde 2004 isso por si só não era garantia de nada.

No jogo da meia-final, o Fernando Santos tentou inovar o sistema (4-4-2) com a estreia absoluta do João Félix ao lado do Cristiano Ronaldo, mas as coisas não resultaram bem, com aquele a passar ao lado do jogo. Os três golos de Portugal foram marcados pelo C. Ronaldo (25’, 88’, 90’) depois de o Felix Brych (este ladrão, lembram-se?) ter assinalado com a ajuda do VAR um penalty mais que duvidoso do Nélson Semedo, permitindo a igualdade dos suíços aos 57’. A exibição da selecção não foi nada de especial, os suíços equilibraram durante grande parte do tempo, mas o C. Ronaldo fez tombar a balança a nosso favor.

Na final frente à Holanda, o Fernando Santos deixou o Félix no banco, promoveu a titularidade do Gonçalo Guedes e voltou ao 4-3-3. Portugal melhorou consideravelmente em relação ao jogo anterior, com a equipa a parecer bastante mais concentrada e coesa. A 1ª parte foi muito boa, a Holanda praticamente não chegou à nossa baliza, mas acabámos por fazer o golo da vitória só na 2ª através de um forte remate do Gonçalo Guedes à entrada da área, depois de uma assistência do Bernardo Silva (60’). Depois do golo, defendemos muito bem com o Rúben Dias em destaque e fomos uns justos vencedores.

O Bernardo Silva foi considerado o melhor jogador da final four, o C. Ronaldo foi absolutamente decisivo na meia-final e o Rúben Dias valorizou-se imenso com estes dois jogos. Em Setembro, voltarão os jogos de qualificação para o Euro 2020, onde se espera que consigamos corrigir a falsa partida de dois empates consecutivos em casa.

domingo, junho 02, 2019

José Antonio Reyes (1983-2019)

Foi um prazer ver-te com o manto sagrado. Tive pena que só estivesses na época 2008/09 com ele, mas os golos frente à lagartada e ao Nápoles vão ficar para sempre na nossa memória. E quando voltaste à Luz na pré-temporada de 2009/10, tiveste a ovação merecida.

Um acidente de viação tirou-te ontem a vida. Todos nós ficámos em choque. Descansa em paz!

domingo, maio 19, 2019

O trinta e sete

Vencemos ontem o Santa Clara por 4-1 e sagrámo-nos campeões nacionais pela 37ª vez no nosso historial. Foi o quinto título nos últimos seis anos e esperemos que esta reconquista signifique igualmente o reinício de uma senda gloriosa que foi infelizmente interrompida na época passada.

Bastava-nos um ponto para sermos campeões, mas não só nenhum jogo se ganha antes de ser jogado, como também seria um pouco frustrante terminar o campeonato com um empate em casa e não ter conseguido assim uma brilhante série de 18 vitórias nos últimos 19 jogos. (E aquele empate com o Belenenses SAD foi tão escusado quanto estúpido…) Neste sentido, encarámos esta partida com a seriedade que se impunha, até porque há que dizer que o Santa Clara mostrou que pratica bom futebol e nunca desistiu durante todo o jogo. No entanto, nós revelámos uma eficácia enorme e marcámos em praticamente todas as ocasiões que tivemos. O primeiro golo surgiu aos 16’ numa abertura fantástica do Samaris, que isolou o Seferovic na área, este dominou de peito e à meia-volta rematou sem hipóteses para o guarda-redes Marco Pereira. Chegávamos aos 100 golos no campeonato! Impressionante! Os açorianos reagiram pouco depois e, na sequência de um canto, só não igualaram porque a cabeçada do Fábio Cardoso na pequena-área saiu ligeiramente por cima. Aos 23’, ampliámos a vantagem numa jogada de insistência do Rafa, com a bola a sobrar para o João Félix, que com uma simulação partiu os rins ao César (nosso ex-central) e fuzilou o guarda-redes. O trinta e sete estava perto, mas o Santa Clara voltou a criar perigo num livre do Bruno Lamas (bom jogador!) a passar muito perto do poste do Vlachodimos. A nossa vantagem começou a ficar insuperável com o 3-0 aos 39’: centro do André Almeida na direita, o Seferovic não conseguiu acertar bem na bola de cabeça, esta ressaltou num defesa e ficou à mercê do Rafa, que só teve que disparar para dentro da baliza. Mesmo em cima do intervalo, noutra boa jogada de combinação da nossa parte, o João Félix em excelente posição entro da área rematou ligeiramente por cima da barra.

Na 2ª parte, poderíamos ter aumentado o marcador logo no recomeço, mas o Rafa não dominou bem uma bola que tinha sido recuperada pelo Pizzi. O Santa Clara também teve uma boa chance, num remate de trivela do Ukra depois de uma bola perdida pelo Ferro em zona proibida, mas o remate saiu ao lado. Ainda assim fizemos o 4-0 relativamente cedo: centro do Grimaldo na esquerda aos 56’ e bis do Seferovic num remate de primeira de pé esquerdo. Igualávamos o nosso melhor registo de sempre de golos em campeonatos, conseguido em 1963/64, com o incrível número de 103! Pouco depois, aos 59’, o Santa Clara reduziu (justamente, diga-se) através de um canto, com o César a marcar na recarga, depois de uma cabeçada do Fábio Cardoso ao poste. Num gesto bonito e apesar de só ter estado uma época no Benfica, o nosso ex-central pediu desculpa pelo golo. Um dos momentos do jogo foi a entrada do Jonas aos 69’ para o lugar do João Félix. Quiçá a fazer o último jogo da carreira, o genial brasileiro entrou muito emocionado em campo e teve a equipa a tentar dar-lhe um golo, o que de certa maneira impediu que estabelecêssemos um novo recorde de golos no campeonato. Ainda teve duas ou três situações para marcar, mas o guarda-redes defendeu uma no limite e nas outras a pontaria esteve bastante desafinada. Do outro lado, o César poderia ter bisado, mas o Vlachodimos defendeu quase por instinto o remate de cabeça num canto e a recarga saiu muito por cima. Até final, ainda houve uma bola a bater na parte superior da nossa barra, entraram o Taarabt e o Salvio, para os aplausos ao Samaris (bem merecido para um jogador essencial na equipa e no plantel, e que tinha finalmente renovado esta semana) e Rafa, mas o resultado não se alterou mais.

Em termos individuais, destaque para o bis do Seferovic, que ajudou a torná-lo o melhor marcador do campeonato com 23 golos. O João Félix não começou bem o jogo, mas foi subindo de produção ao longo dele e também marcou o seu golito. O Rafa é outro dos imprescindíveis e acaba a época no 3º lugar dos marcadores com 17 golos. Incrível para quem nos anos anteriores tinha tido sempre uma relação muito difícil com a baliza…! O Samaris voltou a estar imperial no meio-campo, bem secundado pelo Florentino. Menos positiva é a prestação da nossa defesa e terminamos a época com 31 golos sofridos em 34 jogos, o que é manifestamente muito.

A análise desta brilhante conquista merecerá um post à parte, mas os números praticamente falam por si. E só quem não tem cérebro pode tirar mérito a esta vitória.

CAMPEÕES, CAMPEÕES, NÓS SOMOS CAMPEÕES!!!

segunda-feira, maio 13, 2019

Só mais um

Vencemos o Rio Ave em Vila do Conde por 3-2 e estamos a um singelo ponto de festejarmos o 37º título de campeão do nosso historial. Tal como se esperava, foi um jogo muito complicado, em que o Rio Ave mostrou a razão de estar a fazer uma excelente ponta final de campeonato que lhe permitiu empatar com o CRAC há duas jornadas.

Com a goleada deles no Nacional (4-0) mesmo antes de entrarmos em campo, a ténue esperança de podermos ser já campeões ontem esfumou-se logo. Eu estava obviamente bastante nervoso, mas as coisas não poderiam ter começado melhor: golo do Rafa aos 3’ a aproveitar muito bem um mau alívio de um defesa a um centro do André Almeida, depois de uma boa transição da nossa parte, com o Pizzi a abrir muito bem na direita no nº 34. O mais difícil estava (teoricamente) feito e tínhamos o resto do tempo para assentar o nosso jogo e aproveitar eventuais falhar contrárias. Ainda antes do quarto de hora, o Pizzi deveria ter feito melhor, num remate em arco depois de tirar um adversário no caminho, quando estava em boa posição. A meio da 1ª parte, foi o Vlachodimos a ajudar-nos a garantir a vitória, numa excelente defesa a um livre directo do Nuno Santos. Depois de um golo bem anulado ao Tarantini por claro fora-de-jogo, foi novamente o Pizzi a colocar o Leo Jardim em respeito por duas vezes, com remates perto da entrada da área. Em cima do intervalo, aumentámos a vantagem através do João Félix, numa jogada de contra-ataque bem construída pelo trio Félix, Seferovic e Pizzi, com aquele a isolar o nº 21, que não chegou à bola, mas o Léo Jardim deu um grande frango ao não agarrá-la na saída, e o Félix só teve que encostar. O Rio Ave protestou muito o lance por uma hipotética falta do Florentino na nossa área, mas a haver falta (o que, para mim, não é de todo claro) ela começa fora da área, portanto teria de ser aí marcada. O Sr. Hugo Miguel ouviu o VAR (Sr. Luís Godinho) e validou o golo.

Com uma vantagem de dois golos no recomeço, tínhamos tudo a nosso favor. No entanto, já deveríamos ter mais que percebido, desde o WC na Taça e Frankfurt, que nós não sabemos “gerir o jogo”. Reentrámos muito adormecidos e o Rio Ave reduziu logo aos 50’ pelo Tarantini que, depois de um passe/remate do Nuno Santos, apareceu isolado frente ao Vlachodimos, porque o André Almeida não acompanhou o resto da defesa e o colocou em jogo. Reagimos muito bem e aos 56’ voltámos a ter uma diferença de dois golos: excelente abertura do Ferro na esquerda para o Grimaldo, centro atrasado, a bola ressalta num defesa e vai ter com o nosso lateral-esquerdo outra vez, novo centro que encontra o Pizzi perto da marca de penalty e remate rasteiro deste de pé direito, com a bola ainda a bater no poste antes de entrar. Não deixámos o Rio Ave ter tempo para saborear a diferença mínima e o jogo entrou numa fase de loucos com parada-resposta. Por volta da hora de jogo, jogada parecida, com o Pizzi a variar o flanco para a esquerda para o Grimaldo, centro deste que encontrou o André Almeida sozinho perto da pequena-área, mas o remate de pé esquerdo foi defendido com o pé pelo guarda-redes. A resposta veio logo depois, com nova excelente defesa do Vlachodimos a um cabeceamento do Gelson Dala (bom jogador que os lagartos aqui têm). Esta toada estava longe de nos ser favorável, porque tínhamos dois golos de vantagem e estávamos a ficar muito expostos aos contra-ataques adversários. O Bruno Lage mandou (e bem) acalmar o jogo, fechámos linhas e o Seferovic poderia ter dado a machadada final a 15’ do fim, mas o seu remate, depois de passe de calcanhar do Rafa, foi bem cortado pelo Rúben Semedo. Entretanto, entrou o Gedson, saindo o Pizzi, para dar mais consistência ao nosso meio-campo, mas o Rio Ave conseguir mesmo reduzir aos 84’ num bom cabeceamento do entretanto entrado Ronan. Bem vistas as coisas, ainda tínhamos uma margem de dois golos que nos manteria no 1º lugar, mas não conseguir ganhar um jogo com esta marcha do marcador teria sido muito frustrante e inevitavelmente deixaria a equipa nervosa para a última jornada. O Cervi e o Jonas ainda entraram para refrescar a equipa e tivemos engenho para não deixar o Rio Ave criar grande perigo nos minutos finais. Ao invés, o Rúben Semedo terá feito um dos cortes do campeonato mesmo em cima dos 90’, impedindo o remate do Jonas de chegar à baliza. Teria sido o nosso golo 100 no campeonato, mas esperemos que ele surja para a semana.

Em termos individuais, o Samaris foi dos melhores em campo e será pouco menos que incompreensível se não renovar. Tanto dinheiro gasto em Filipes Augustos, Lemas, Contis e afins, que me custa a perceber que não haja dinheiro para um jogador não só desta qualidade, como com estes anos de casa. O Rafa voltou a ser muito importante pelo golo e pela maneira como acelera o nosso jogo. O João Félix já fez jogos melhores, mas muito do sucesso do nosso jogo atacante passa pela maneira como ele trata a bola. O Vlachodimos fez duas defesas que salvaram os dois pontos de vantagem que temos.

Falta-nos um ponto e recebemos o Santa Clara na Luz na última jornada. Nada está ganho ainda, o futebol reserva-nos muitas surpresas e imponderáveis (pode sempre haver uma expulsão nossa logo aos 5’ num lance de penalty), mas sejamos realistas: caso não sejamos campeões, será uma tragédia pior do que a do Kelvin. No entanto, da mesma maneira que o prato principal é o mais importante num restaurante, eu quero menu completo! Ou seja, acima de tudo obviamente o 37, mas também uma vitória (até porque ela significará chegar aos 100 golos) e o Seferovic como melhor marcador (tem um golo de vantagem sobre o Bruno Fernandes, que irá a Mordor pelo que não é expectável que faça muitos golos). Vamos lá, Glorioso, está quase! VIVA O BENFICA!

segunda-feira, maio 06, 2019

Goleada stressante

Vencemos o Portimonense na Luz por 5-1 no sábado e mantivemo-nos com dois pontos de vantagem perante o CRAC, que ganhou em Mordor ao Aves por 4-0. Quem olhar para o resultado sem saber nada do jogo, não ficará a perceber as dificuldades por que passámos: não só estávamos a perder aos 53’, como só tínhamos a vantagem de um golo aos 83’. Portanto não, uma “goleada stressante” não é um oxímoro.

Com o Jardel no lugar do castigado Rúben Dias, até nem entrámos mal no jogo e logo aos 9’ deveríamos ter inaugurado o marcado, quando, desmarcado pelo João Félix, o Seferovic conseguiu falhar isolado perante o guarda-redes pela terceira(!) jornada consecutiva: a tentativa de chapéu saiu muito curta e o Ricardo Ferreira só teve que levantar os braços para agarrar a bola. A partir daqui e até ao intervalo, a partida foi toda do Portimonense: não só trocava muito bem a bola, como manietava as nossas saídas logo a partir do guarda-redes e poderia ter inaugurado o marcador por três(!) vezes: dois remates do Dener (ao lado e por cima) em excelente posição, só com o Vlachodimos pela frente, e outro isolado em que o nosso guardião defendeu com o pé poderiam ter dado ao marcador números difíceis para nós superarmos. Do nosso lado, dois remates do Pizzi relativamente frouxos e um grande livre do Samaris mesmo à beira do intervalo, bem defendido pelo Ricardo Ferreira, levaram algum perigo à baliza dos algarvios, mas muito menos do que o do lado contrário.

A impressão generalizada na bancada durante o descanso era a que estávamos a acusar a pressão de ter de ganhar, agravada pelo facto de o Portimonense estar a jogar muito bem. Ao contrário do que seria de esperar, as coisas não se alteraram muito no início da 2ª parte. Continuámos manietados e, para piorar as coisas, sofremos um golo aos 53’ através do Tabata, depois de uma triangulação que o deixou sozinho frente ao Vlachodimos. Foi um enorme balde de água fria, mas a Luz começou a despertar e respondeu com palmas e incentivos à equipa. Por volta da hora de jogo, entrou o Jonas para o lugar do Samaris e seguiu-se não 15’, mas uma meia-hora à Benfica! Tudo começou num excelente passe do Rafa, que isolou o João Félix, mas um defesa conseguiu acompanhá-lo e cortou a bola. Aos 62’, fizemos a igualdade pelo Refa, que ganhou muito bem a bola a um defesa numa zona proibida e, à saída do guarda-redes, picou-a por cima dele. Pouco depois, o mesmo Rafa permitiu a defesa do Ricardo Ferreira, depois de uma boa jogada de combinação da nossa parte, com o Seferovic a atirar à barra na recarga, mas já em fora-de-jogo. A nossa pressão era asfixiante e o Grimaldo teve um remate fora da área, que o guarda-redes defendeu para a lateral. Finalmente aos 66’, a Luz deu um grito que não se ouve muitas vezes com o 2-1 pelo Rafa, a concluir uma jogada de insistência, com o Pizzi a isolar o Seferovic, este a centrar para trás, ressalto no Grimaldo para o nº 27 concluir com êxito. O grito da Luz foi uma autêntica panela de pressão que explodiu, semelhante ao primeiro golo do tri. Ainda faltava muito tempo para o fim e a equipa não estava tranquila, até porque com a saída do Samaris, havia espaço a mais no nosso meio-campo. O Florentino fez um mau passe na saída para o ataque, mas felizmente o remate do Tabata foi defendido pelo Vlachodimos. Pouco depois, foi o Lucas Fernandes a rematar à vontade à entrada da nossa área e a permitir nova defesa ao Vlachodimos. Para terminar, o Jonas homenageou o Pizzi frente ao V. Setúbal no ano do tri e isolou um adversário, mas o Vlachodimos por uma vez foi lesto a sair da baliza e, na sequência do lance, o Jardel fez um corte providencial. Estávamos a pouco mais de 10’ e um golo sofrido nessa altura teria sido muito complicado. Com visíveis dificuldades em segurar o jogo, o Bruno Lage fez entrar o Gedson para o lugar do exausto João Félix e começámos a reequilibrar as coisas. Aos 84’, finalmente suspirámos todos de alívio com o 3-1 do Seferovic a corresponder com um bom remate cruzado a uma assistência do Pizzi. A partir daqui, o Portimonense foi às cordas e ainda marcámos mais dois golos: aos 88’, bis do suíço (importante para conseguir ganhar o troféu de melhor marcador), depois de uma jogada de contra-ataque e um centro rasteiro do André Almeida; e, já na compensação, o Jonas voltou aos golos, noutra jogada de contra-ataque iniciada por ele, com outro centro do André Almeida para o nosso nº 10 fazer de cabeça o 300º golo da sua carreira.

Em termos individuais, óbvio destaque para o Rafa que desbloqueou o jogo para nós com o seu bis. O Pizzi, apesar de um jogo menos conseguido, fez mais uma assistência e o André Almeida mais duas. Ambos têm números inacreditáveis de passes para golo! O Samaris estava a ser dos menos maus, mas teve que ser sacrificado para a entrada do Jonas. O Florentino não pode arriscar tanto quando está no nosso meio-campo, mas há que ter noção de que tem apenas 19 anos. O Seferovic teve um falhanço escandaloso no início, mas somou mais dois golos (e ainda bem, porque o Bruno Fernandes fez um hat-trick frente ao Belenenses e o suíço só tem dois golos de vantagem agora). O João Félix, desta vez, passou mais despercebido, mas não se pode ser genial em todos os jogos.

Para a semana, vamos a Vila do Conde para a penúltima das finais. Faltam quatro pontos para sermos felizes. Está tão perto e ainda falta sofrermos tanto...!

segunda-feira, abril 29, 2019

Estofo

Vencemos em Braga por 4-1 e demos um passo muito importante na desejada conquista do 37, porque o CRAC empatou no Rio Ave na 6ª feira (2-2), depois de estar a ganhar por 2-0 aos 84’, e ficámos assim com dois pontos de vantagem sobre eles. Foi um fim-de-semana absolutamente maravilhoso!

Com quase dois dias para absorver a benesse de Vila do Conde, todos nós estávamos em pulgas pelo jogo de domingo. Teoricamente seria o jogo mais complicado até final do campeonato e havia que nos mentalizarmos que, quando o jogo começasse, estávamos um ponto atrás do CRAC (e não dois à frente!). Com um Lexotan no bucho, porque eu não arrisco nos finais dos campeonatos, estava obviamente muito nervoso e a 1ª parte veio dar razão aos nossos temores. Fomos completamente manietados pelo Braga, que raramente nos deixou sair a jogar, o Samaris e o Florentino no meio-campo pareciam perdidos, a bola quase nunca chegou em condições aos dois da frente e, para piorar as coisas, sofremos o 0-1 aos 35’ num penalty marcado pelo Wilson Eduardo: duplo erro nosso, do Florentino que foi batido pelo Fransérgio e não o derrubou, deixando-o entrar na área, e do Rúben Dias, que fez a falta numa altura em que o jogador do Braga flectia para a direita e o Vlachodimos estava pronto para fazer a mancha. Apesar da pressão exercida sobre nós, as oportunidades de golo tinham-se equivalido até então, com o Rafa a falhar escandalosamente um centro para o Seferovic, que estava completamente isolado, logo aos 3’, e um remate rasteiro do André Almeida, que saiu perto do poste. Quanto a eles, um lance do Paulinho que rematou contra o Rúben Dias poderia ter criado grande perigo e uma cabeçada do Wilson Eduardo, que se antecipou ao Grimaldo, saiu muito por cima.

Ao intervalo, o panorama estava muito negro, porque não só estávamos a perder, como não tínhamos dado sinais na 1ª parte de conseguir inverter isso. Havia, no entanto, também a expectativa de saber se o Braga conseguiria manter o nível de pressão do primeiro tempo. Não conseguiu. Entrámos fortíssimos na 2ª parte e um remate do João Félix foi defendido pelo Tiago Sá para o poste logo no reinício e já depois de um livre do Grimaldo, ainda muito longe, ter também sido defendido para o lado pelo guarda-redes. O Braga mal saía do seu meio-campo e aos 59’ beneficiámos de um penalty por falta do Esgaio sobre o João Félix. Há por aí muita polémica, mas é para malta que tem problemas de visão (ou de verticalidade na coluna): vê-se bem numa repetição que o pé esquerdo do Félix é tocado pelo defesa do Braga que, aliás, nem protesta! Deve ter sido dos poucos penalties em Portugal em que um jogador não esboçou um único protesto! O Pizzi rematou rasteiro para o lado esquerdo do guarda-redes, que se atirou para o lado contrário. Ainda com a 1ª parte muito fresca na memória, por mim, o jogo poderia ter acabado logo ali. No entanto, ainda bem que os jogadores do Benfica tinham outras ideias. Aos 66’, o Sr. Tiago Martins marcou o terceiro penalty do jogo, segundo a nosso favor, por mão do Bruno Viana depois de uma boa combinação atacante entre o Pizzi e o João Félix. O passe é um pouco à queima, mas o jogador do Braga abre os braços. Já vi muitos penalties marcados por muito menos. Pareceu-me nas imagens que o João Félix foi perguntar ao Pizzi se ele queria marcar, o nº 21 disse que sim e ainda marcou melhor do que o primeiro: remate para o mesmo lado, mas para o canto superior da baliza que não daria hipóteses ao guarda-redes, mesmo que ele tivesse acertado no lado. Dávamos a volta ao jogo e três minutos depois, aos 69’, criámos uma distância de segurança com o 1-3 pelo Rúben Dias, a corresponder muito bem de cabeça a um belo canto do Pizzi. Foi a loucura no nosso banco e o meu grito também se deve ter ouvido em Braga. Escaldados com o que se passou na 6ª e também com o nosso jogo frente ao Belenenses, havia que ter muita concentração para não sofrer um golo que pudesse abrir novamente o jogo. E jogámos de forma muito inteligente, defendendo bem e tentando sempre o contra-ataque para colocar o Braga em sentido. O Abel Ferreira ainda colocou o Dyego Sousa em campo, que numa bicicleta criou perigo, mas a bola saiu à figura do Vlachodimos. Quanto a nós, tivemos mais do que uma ocasião para aumentar a vantagem, com o João Félix a proporcionar mais uma defesa ao Tiago Sá, com o Rafa na recarga de cabeça a atirar também na direcção do guarda-redes, mas conseguimo-lo aos 90’: o Rafa isolou o Seferovic, que permitiu uma defesa do guarda-redes com o pé, a bola sobrou para um jogador do Braga que ficou a dormir, o Rafa roubou-a e fez uma jogada à Maradona, passando por três adversários, e atirando a bola com o pé esquerdo para um dos cantos da baliza. Estava dada a machadada final e selada a nossa brilhante vitória.

Em termos individuais, óbvio destaque para o Pizzi com dois golos e mais uma assistência, para o Rafa que dinamitou a defesa contrária na 2ª parte e para o Ferro, que foi sempre imperial na nossa defesa. O João Félix não marcou, mas muito do nosso jogo passou por ele, e o Seferovic está numa fase em que falha muitos golos, mas o seu trabalho de desgastar a defesa contrária é insubstituível. Em geral, toda a equipa subiu muito na 2ª parte e a justeza da vitória é indiscutível.

Faltam três jogos e sete pontos. Nunca é demais relembrar que já estivemos numa situação ainda melhor que esta, em que também faltavam três jogos, dois dos quais em casa, tínhamos não dois, mas quatro pontos de vantagem e conseguimos perder esse campeonato. Portanto, toda a concentração é pouca, porque ainda não ganhámos nada.

quarta-feira, abril 24, 2019

Moralizador

Vencemos o Marítimo por 6-0 na 2ª feira e reassumimos a liderança do campeonato, com os mesmos pontos do CRAC, mas com uns incríveis 25 golos marcados a mais (87 contra 62). Foi uma boa exibição, mas só na 2ª parte, apesar de os madeirenses raramente terem criado perigo durante todo o jogo.

O Marítimo trocou-nos as voltas e atacámos para a baliza sul na 1ª parte, ao contrário do que costumamos fazer. Com o castigo do Rafa, foi o Cervi a ocupar o seu lugar e não poderíamos ter começado melhor, com o 1-0 logo aos 3’ num golão do João Félix, na sequência de um canto à Camacho do Pizzi (finalmente resultou!). O mais difícil estava aparentemente feito, mas a nossa exibição foi um pouco descolorida no primeiro tempo. O Marítimo continuava a fechar-se muito e nós não tínhamos a dinâmica de jogos passados, sendo algo lentos nas variações de flanco. Mesmo assim, um remate do Grimaldo permitiu ao Charles uma defesa incompleta e o Seferovic começou a sua lista interminável de falhanços, ao permitir também a defesa do guarda-redes, quando estava isolado depois de um passe fantástico do João Félix. Pelo meio, o Marítimo colocou a bola na baliza num canto, mas o Vlachodimos não lhe conseguiu tocar por causa de um defesa que lhe fez parede na pequena-área. O Sr. Luís Godinho assinalou (e bem, para mim) a falta, mas o nosso guarda-redes tinha obrigação de sair de outra forma.

Na ressaca de um jogo europeu, as segundas partes costumam ser mais difíceis do que as primeiras, por causa da quebra física. No entanto, e apesar de a chuva ter caído quase ininterruptamente durante o jogo todo, isso não aconteceu desta vez. Voltámos a marcar muito cedo, aos 49’, pelo Pizzi na sequência de um centro do André Almeida, depois de o canto do Grimaldo ter sido aliviado para o nosso nº 34. O remate do Pizzi ainda desviou num defesa, antes de passar por baixo das pernas do guarda-redes. O resultado já nos punha a salvo de um erro que pudesse acontecer, mas uma das vantagens do Benfica actual é que não se sacia e fomos à procura de aumentar o marcador. O que deveria ter acontecido pouco depois, mas o Seferovic falhou provavelmente o golo mais fácil do ano, na marca de penalty só com o guarda-redes pela frente, depois de um passe do Pizzi. Aos 64’, dissipávamos as dúvidas de vez com o 3-0, num bis do João Félix de primeira depois de um centro da direita do André Almeida. Aos 74’, começámos a construir a goleada através do Cervi, que picou a bola à saída do Charles, depois de brilhantemente desmarcado pelo João Félix. Com o jogo ganho, o nº 79 foi descansar para entrar o Jonas. Jonas esse que assistiu a cabeça do Seferovic, mas o suíço estava definitivamente infeliz na concretização e a bola saiu muito ao lado. Entretanto, já o Rúben Dias tinha saído, não lhe fosse passar uma coisa má pela cabeça e visse um amarelo que o tirasse de Braga, entrando o Taarabt e depois foi a vez do Pizzi ir descansar para o Salvio poder acumular minutos. O Marítimo dava pancada escusada (o Samaris e o Ferro que o digam), mas não se livrou de sofrer mais um golo, aos 89’ num bis do Cervi, com um remate de ressalto de fora da área que entrou rasteiro junto ao poste. Em cima dos 90, ainda fizemos a meia-dúzia num excelente cabeceamento do Salvio a corresponder ao centro largo do Grimaldo.

Em termos individuais, destaque para o João Félix com um bis e uma assistência. Apesar de o que disse o nosso presidente, temo bem que tenha sido a antepenúltima vez que o vimos ao vivo na Luz... O Cervi, que até nem estava a fazer uma grande exibição, também merece destaque pelos golos, que espero que lhe aumentem a moral. O Samaris continua o patrão do meio-campo, muito bem acompanhado pelo Florentino que foi dos melhores em campo (seria mesmo o melhor para mim, caso o João Félix não tivesse feito dois golos e uma assistência). Falando em assistências, o André Almeida lá somou mais duas e o Pizzi mais uma para os respectivos currículos. O Vlachodimos não teve grande trabalho, mas tem que melhorar bastante as saídas dos postes.

No próximo domingo, teremos possivelmente o jogo mais complicado até final do campeonato. A ida a Braga poderá decidir muita coisa, porque se um resultado negativo deitará tudo a perder, um positivo dar-nos-á uma moral muito grande para os restantes três jogos. Espero que este resultado frente ao Marítimo tenha dado o alento à equipa que ela precisa, para entrar com tudo em Braga e voltar às exibições categóricas para o campeonato no WC e Mordor. Se assim for, a probabilidade de sairmos contentes de Braga é bastante grande.

domingo, abril 21, 2019

Desilusão

Perdemos em Frankfurt frente ao Eintracht (0-2) na passada 5ª feira e dissemos ingloriosamente adeus à Liga Europa. Depois do que vimos da 1ª mão, já se sabia que ia ser complicado, mas o que não se esperava é que déssemos uma tão pálida imagem daquilo que valemos.

O Bruno Lage lançou o Jardel, o Fejsa e o Gedson, como já tinha feito no jogo da Luz, mas o resto da equipa foram os habituais titulares. Apesar disto, cometemos o mesmo erro da Taça no WC: não entrámos para marcar um golo e ficámos na expectativa. Desde há muito tempo, e particularmente agora, que não temos equipa para estar à espera do que o adversário vai fazer. Quando entramos para ganhar, geralmente ganhamos. Foi assim no WC e em Mordor para o campeonato. Quando não fizemos, fomos eliminados de duas provas. Ao contrário do que eu esperaria, o Eintracht não entrou a todo o gás, parecendo temer o nosso contra-ataque que, diga-se de passagem, nunca existiu, até porque o Rafa terá feito dos piores jogos esta época. Obviamente que é mais fácil dizer isto a posteriori, mas colocá-lo na direita não terá sido grande ideia… Estava tudo a correr na modorra que pretendíamos, quando sofremos o primeiro golo aos 36’: remate ao poste do Gacinovic e o Kostic em claríssimo fora-de-jogo a marcar na recarga. Erro grosseiro da equipa de arbitragem do italiano Daniele Orsato que, como não há VAR na Liga Europa, não foi corrigido. Para piorar as coisas, o Bruno Lage foi expulso do banco por causa deste lance. A um golo da eliminação, ficou evidente que teríamos de mudar de atitude e tentar marcar.

E foi isso mesmo que tentámos fazer no início da 2ª parte, em que tivemos finalmente algumas oportunidades. Uma boa jogada pela esquerda do João Félix não encontrou o desvio pretendido na área e uma excelente abertura do Samaris para a cabeça do Seferovic deu a sensação que poderia ser golo, mas a bola não fez o arco suficiente para passar por cima do guarda-redes Trapp. Os alemães responderam e acabaram por marcar o golo da qualificação aos 67’: mau alívio da nossa defesa e remate do Rode à vontade à entrada da área, que fez a bola entrar no canto inferior direito da baliza. Tudo a dormir entre defesas e médios nossos! A necessitar de marcar um golo, o Bruno Lage começou a fazer substituições, mas a meu ver não foi feliz a escolher o Samaris para sair (estava a ser dos nossos menos maus jogadores) para entrar do Pizzi. Pouco depois, o Salvio regressou aos relvados desde o jogo de Istambul e saiu o Rafa. Na fase do desespero, ainda entrou o Jonas para o lugar do André Almeida. Os alemães foram defendendo bem, connosco a ter uma oportunidade ainda que relativa pelo João Félix de cabeça num livre e principalmente num remate de primeira do Salvio ao poste, após centro do Grimlado, com o guarda-redes a tocar muito ligeiramente na bola (nem canto foi), mas se calhar o suficiente para não entrar. Nos últimos minutos, não tomámos as melhores opções no ataque (muito mais coração do que cabeça) e não conseguimos criar mais perigo.

Em termos individuais, não vou destacar ninguém, porque a exibição foi fraca colectivamente. Quanto aos menos, se o Jardel começou mal, mas depois se recompôs, o mesmo não se poderá dizer do Fejsa: muito lento na reacção, os adversários passaram por ele com facilidade e as dificuldades habituais a fazer fluir o jogo. Neste momento, o jogador mais vezes campeão do plantel está completamente ‘fora dela’. Gosto imenso do Fejsa, mas até para ser protegido é melhor que só volte quando estiver em plena forma.

Jogaremos amanhã em casa frente ao Marítimo na única prova que poderemos ganhar este ano. Que é também o troféu mais desejado. Não podemos mesmo falhar, porque depois da recuperação que fizemos, morrer na praia seria inglório. Força Benfica!

segunda-feira, abril 15, 2019

Complicado

Vencemos o V. Setúbal na Luz por 4-2 e mantemo-nos na liderança do campeonato com os mesmos pontos do CRAC, que venceu 3-0 em Portimão. Foi mais um jogo em que tivemos que suar bastante para conseguir os três pontos, mas a justeza da nossa vitória é incontestável.

Com o regresso dos titulares, o Florentino voltou a ocupar a posição do Gabriel e não poderíamos ter tido melhor entrada no jogo: marcámos logo aos 2’ através do Rafa, a corresponder bem a um centro da direita do João Félix. Depois da partida europeia há apenas três dias, marcar logo no início era o melhor que nos podia acontecer para nos tranquilizar. Durante os minutos seguintes, continuámos a exercer enorme pressão e tivemos mais duas oportunidades, num pontapé de bicicleta falhado pelo Pizzi e, principalmente, numa jogada do João Félix que passou por vários adversários e rematou com a bola a ser desviada por um defesa para canto, com o Makaridze preso ao relvado. Do lado contrário, só um remate do Jhonder Cádiz criou perigo, ainda que relativo, porque o Vlachodimos estava a controlar a trajectória da bola. Aos 26’ tivemos uma ocasião soberana para fazer o segundo golo num penalty a castigar mão do Rúben Micael a desviar o remate do João Félix. O Sr. Rui Gomes Costa (continuo a recusar-me poluir o nome ‘Rui Costa’ com este senhor) teve que ir ver as imagens para o assinalar, mas o Pizzi rematou para defesa do Makaridze. Pouco depois foi uma cabeçada por cima do João Félix e outra tentativa (dupla) do Rafa que deveriam ter tido melhor destino, mas aos 36’ fizemos finalmente o 2-0: bis do Rafa a corresponder bem a mais uma assistência do João Félix, que ganhou a bola a um defesa depois de uma insistência do Seferovic. Deveríamos ter ido para o intervalo com esse conforto de dois golos de vantagem, mas sofremos o 2-1 aos 39’ numa boa jogada de contra-ataque, conduzida pelo Berto na direita, que bateu o Ferro, e bem concretizada pelo Nuno Valente, depois de uma assistência do Rúben Micael.

Nas partidas depois das competições europeias, há sempre o temor resposta física da equipa, que geralmente costuma ressentir-se na 2ª parte. E, de facto, não recomeçámos bem ao permitir ao V. Setúbal ter mais bola, sem no entanto criar ocasiões para marcar. Era imprescindível aumentar-nos de novo a vantagem que nos desse alguma folga e assim o fizemos aos 56’ numa jogada em que o Florentino roubou uma bola a meio-campo (já se fizeram os testes devidos para saber se não estamos em presença de um plastic man...? Eu iria jurar que vi a perna aumentar para fazer o corte...), esta sobrou para o Pizzi, que centrou para o João Félix fuzilar de primeira. O V. Setúbal não desarmou e o Berto teve um remate por volta da hora de jogo que proporcionou ao Vlachodimos a defesa da noite. Iríamos conseguir selar definitivamente a vitória aos 77’ no golo da praxe do Seferovic, a corresponder bem com um remate muito colocado de pé esquerdo a uma assistência do Rafa, numa jogada iniciada pelo próprio suíço que colocou a bola no nº 27 para depois a receber de novo. A dois minutos dos 90’, o Sr. Rui Gomes Costa voltou a recorrer às imagens para assinalar um penalty contra nós, por pretensa falta do Rúben Dias sobre o Vasco Fernandes na sequência de um livre. O Jhonder Cádiz (a propósito, se calhar deveríamos considerá-lo para reforçar o plantel para o ano, não? Estamos com falta de pontas-de-lança, este é alto, rápido, marca golos e deu imenso trabalho aos nossos centrais) marcou à Panenka e fez o resultado final. Que poderia não o ter sido, se o Jonas (entrou para o lugar do Seferovic) não tivesse falhado um dos golos mais fáceis da carreira ao atirar de cabeça ao lado, quando só tinha o Makaridze pela frente, depois de um centro perfeito do Taarabt (que também tinha entrado para o lugar do João Félix).

Em termos individuais, destaque para a dupla Rafa e João Félix: o primeiro com um bis e uma assistência, e o segundo com um golo e duas assistências foram absolutamente vitais para a nossa vitória. Voltei a gostar muito do Samaris no meio-campo e o Florentino também fez uma boa partida. O Pizzi esteve uns furos abaixo do habitual, mas lá fez mais uma assistência. Os centrais tiveram muito trabalho com o Jhonder Cádiz e o Rúben Dias tem que ter mais cuidado na abordagem aos lances, porque embora o penalty seja duvidoso, não o seria se ele tivesse tido esse cuidado.

Iremos agora a Frankfurt tentar selar o nosso apuramento para as meias-finais da Liga Europa, antes de recebermos o Marítimo. Será uma partida complicadíssima, mas, apesar de o 37 ser a prioridade,  esperemos que o nosso caminho para Baku não seja interrompido.

sexta-feira, abril 12, 2019

Conversas à Benfica

Depois de convidados ilustres como o Nicolia, o ex-treinador Rui Vitória, o grande Ricardo Rocha e o enorme Nuno Gomes, o Sérgio Engrácia resolveu convidar um palerma...! Teme-se o pior!

 

P.S. - Muito obrigado ao Sérgio pelo convite! Foi obviamente um prazer e um honra. Se se divertirem tanto a ver como nós a fazer, terá valido a pena.

João Félix

Vencemos o Eintracht Frankfurt por 4-2 na 1ª mão dos quartos-de-final da Liga Europa. Se me propusessem este resultado antes do jogo, assiná-lo-ia de cruz. Mas com as condicionantes da partida, nomeadamente o facto de termos ficado a jogar contra dez aos 20’ e termos sofrido dois golos em superioridade numérica, o resultado acaba por ser curto e iremos ter muitas dificuldades na Alemanha na próxima semana.

O Bruno Lage rodou a equipa, como tem vindo a ser habitual na Liga Europa. Confesso que estranhei tantas mudanças (não só entraram o Corchia, Jardel, Fejsa, Cervi e Gedson, como jogámos em 4-3-3 com o João Félix a ponta-de-lança e não no habitual 4-4-2), mas como costuma dizer-se “o treinador é que sabe” e o Bruno Lage já provou que sabe mesmo. Mesmo assim, os primeiros 20’ foram muito complicados e, enquanto houve igualdade numérica, a superioridade dos alemães foi clara, a justificar o facto de estarem em 4º lugar na Bundesliga. A pressão deles a meio-campo era enorme e nós tínhamos grandes dificuldades para sair a jogar. Uma enorme asneira do Jardel permitiu que o Jovic se isolasse, mas felizmente o Grimaldo foi rápido na dobra. Jovic esse que viu o primeiro amarelo do jogo logo aos 4’ por agarrar o Rafa num contra-ataque nosso. (Se fosse no campeonato português, o árbitro teria aconselhado calma porque estávamos no início do jogo. Diferenças...) Depois de mais um par de remates à nossa baliza, aos 20’surgiu o lance que mudou o jogo: fabulosa abertura do João Félix a isolar o Gedson, que foi claramente empurrado pelas costas dentro da área, quando se preparava para rematar. Penalty claro e expulsão do Ndicka. Sem Jonas, nem Pizzi, nem Salvio na equipa, estava curioso para ver quem marcava o penalty. Foi o João Félix, que não acusou a responsabilidade e rematou muito colocado para o lado esquerdo da baliza, tornando infrutífera a estirada do Trapp (claro está que, pessimista como sou, quando vi que era ele a marcar lembrei-me logo do penalty que falhou na pré-temporada frente à Juventus... Felizmente não o repetiu!). Esperava que, em vantagem no marcador e em termos numéricos, pudéssemos construir um resultado confortável para a 2ª mão, mas os alemães deram logo mostras de que conseguiam equilibrar o jogo mesmo com dez. Naturalmente que não fizeram a pressão do início, mas foi a suficiente para aproveitarem um enorme erro do Fejsa aos 40’, que se deixou antecipar depois de receber um passe do Corchia (que também esteve mal, porque movimentou-se em direcção aos jogadores alemães, em vez de dar uma linha de passe ao sérvio) e proporcionou um contra-ataque vitorioso concretizado pelo Jovic. Foi um balde de água fria, bem escusado. No entanto, respondemos em grande três minutos depois num golão do João Félix, que recebeu um passe do Cervi e rematou rasteiro de fora da área ao canto inferior esquerdo da baliza. Antes do intervalo, o Cervi teve uma dupla oportunidade, num remate que saiu à figura e noutro, na sequência desse canto, muito por cima. Poderia e deveria ter feito melhor em ambos os casos. Mesmo em cima do intervalo, os alemães tiveram um golo anulado por fora-de-jogo, depois de um livre lateral em que eu não percebo como é que nós deixámos um adversário rematar à vontade à entrada da área.

Reentrámos em grande na 2ª parte e tivemos 10’ ‘muita’ fortes (como diria o outro). O Rafa atirou ao poste numa boa jogada, mas o lance foi invalidado por fora-de-jogo. Logo a seguir, aos 50’, fizemos o 3-1 na sequência de um canto, com um desvio ao primeiro poste de cabeça do João Félix e o Rúben Dias a mergulhar para colocar a bola na baliza. Os alemães abanaram e aos 54’ o resultado avolumou-se para 4-1: boa jogada colectiva com a bola a passar por vários jogadores, o Cervi abriu na esquerda no Grimaldo, este centrou e o João Félix fez o seu primeiro hat-trick com a gloriosa camisola, com um remate rasteiro de primeira que passou pelo meio das pernas do Trapp. Aos 60’, o Bruno Lage tirou o Rafa para entrar o Seferovic e aos 66’ tivemos o azar da lesão do Corchia, que fez com que o Gedson tivesse que recuar para lateral, entrando o Pizzi. Perdemos um pouco de gás, mas mesmo assim poderíamos ter feito mais um golo, com o Seferovic isolado brilhantemente pelo João Félix a rematar rasteiro para grande defesa com o pé do guardião contrário. Seria provavelmente o golpe de misericórdia na eliminatória, mas o que aconteceu foi o inverso: aos 72’, num canto para os alemães, o entretanto entrado Gonçalo Paciência reduziu para 4-2, com os nossos centrais a ficarem mal na fotografia, dado que nem saltaram. A bola entrou em arco no poste oposto. Foi outro balde de água fria, ainda mais escusado do que o primeiro. Abanámos com este golo e foram os alemães que poderiam ter feito mais um, num remate por cima do Kostic em boa posição. Ainda entrou o Zivkovic para o lugar do Samaris, num sinal do Bruno Lage para o campo de que queria mais um golo, mas o resultado não se alterou mais.

Em termos individuais, é impossível não destacar a noite de sonho do João Félix: três golos, uma assistência (e outra para o penalty) e tem a Europa a seus pés. Temo muito que tenhamos apenas mais sete (esperemos que dez) jogos para usufruirmos dele com o manto sagrado. Vai ser muito difícil mantê-lo apesar de, para a sua própria carreira, ser melhor que ficasse mais um (ou dois) anos cá. Há ‘n’ casos de jogadores que saíram novos demais de Portugal e não tiveram sucesso. Enfim, aguardemos para ver o que se irá passar. Outro que fez um jogo fantástico foi o Samaris. Imprescindível no meio-campo, já mais que justificou a renovação e tem o extra de ser uma das vozes mais importantes no balneário. É para ficar! O Gedson também reapareceu em grande e foi o que mais procurou entrar na defensiva contrária. Acabou a defesa-direito, onde não comprometeu. Menos bem estiveram o Jardel e principalmente o Fejsa, que denotaram clara falta de ritmo. O Corchia, que se acabou por lesionar, também mostrou porque é que o André Almeida é um titular indiscutível. O Cervi esforça-se imenso, ajuda muito o Grimaldo, mas as coisas já lhe correram melhor.

Na próxima semana em Frankfurt, é imprescindível marcarmos primeiro. Caso aconteça o contrário, iremos sofrer bastante, porque em igualdade numérica os alemães revelaram um poderio considerável. Claro que o foco principal é o campeonato, mas depois deste resultado seria frustrante não chegarmos às meias-finais da Liga Europa.

segunda-feira, abril 08, 2019

Difícil

Vencemos o Feirense em Santa Maria da Feira por 4-1 e mantivemo-nos em 1º lugar, em igualdade pontual com o CRAC (2-0 em casa com o Boavista, com mais um penalty muito duvidoso que desbloqueou o marcador). Ao contrário do que o resultado indica, foi um jogo muito complicado para nós e em que só perto do apito final pude respirar de alívio.

Com a lesão do Gabriel e o castigo do Rafa, o Bruno Lage apostou no Florentino e na surpresa Taarabt para os seus lugares. Entrámos bem na partida, com o João Félix a tentar um par de remates, mas sem sucesso, no entanto foi o Feirense a adiantar-se no marcador aos 10’ pelo Sturgeon de cabeça, a aproveitar o espaço entre o André Almeida e o Vlachodimos. O nosso defesa-direito não ficou bem na fotografia, já que não acompanhou a movimentação do adversário. Reagimos bem, com a dupla de avançados Seferovic e João Félix em destaque, porém com a pontaria desafinada. Todavia, foi o Feirense a colocar novamente a bola na baliza, num livre lateral para a área que entrou directo, mas com um jogador a movimentar-se à frente do Vlachodimos. O fiscal-de-linha levantou a bandeirola e o VAR confirmou a posição irregular do jogador. A câmara disponível não estava no enfiamento da jogada, mas deu para perceber uma camisola azul ligeiramente à frente das vermelhas. Ora, como estava em diagonal, é fácil perceber que se estivesse alinhada veríamos mais facilmente esse adiantamento. O Feirense começou a fechar-se muito lá atrás e numa boa jogada individual, em que passou por vários defesas, o Taarabt só pecou por rematar com pouca força. O mesmo Taarabt teve uma oportunidade bem melhor, numa recarga a um remate do Pizzi bem defendido pelo Caio Secco, mas a bola saiu muito por cima. Aos 40’ fizemos finalmente o golo, através de um penalty do Pizzi a sancionar falta sobre ele mesmo. O Sr. João Pinheiro não assinalou logo na altura, mas o VAR deu-lhe a indicação que o jogador do Feirense tocou na bota do Pizzi quando estavam os dois a tentar chegar à bola. Logo a seguir, o João Félix marcou na pequena-área na sequência de um bom cruzamento do Seferovic, mas o lance foi invalidado por fora-de-jogo do nº 79. Era importante chegarmos ao intervalo em vantagem e conseguimo-lo já nos descontos da 1ª parte, com o André Almeida a ser bem desmarcado pela cabeça do Samaris, num canto marcado pelo Pizzi, e a fuzilar o guarda-redes.

A 2ª parte não poderia ser recomeçado melhor, com o 1-3 logo aos 49’: bola bombeada pelo Grimaldo para a área, o guarda-redes sai, mas um defesa corta-a de cabeça a frente, e o Seferovic de primeira faz um chapéu magnífico. Grande golo! O Feirense sentiu o golo e, nos minutos seguintes, poderíamos (e deveríamos) ter aproveitado esse facto: um cabeceamento do André Almeida, que se antecipou ao guarda-redes num livre, saiu por cima da barra e um remate do Grimaldo na área foi desviado por um braço de um defesa, mas o árbitro considerou casual. Não demos o golpe de misericórdia e o Feirense deu um ar de sua graça a partir dos 70’. Tiveram mais bola, acercaram-se da nossa baliza, mas não conseguiram criar verdadeiras oportunidades. Só num par de vez, com o Vlachodimos a socar bolas que deveria ter agarrado, conseguiram criar perigo relativo. Nós começámos a fazer substituições, o Jonas entrou para o lugar do apagado João Félix e teve um remate perigoso a passe do Seferovic, defendido para a frente pelo guarda-redes. No último minuto, demos o golpe final num grande cruzamento do Grimaldo, depois de um canto no lado oposto, a encontrar a cabeça do Seferovic, que cabeceou para o lado mais distante do guarda-redes, ou seja, da maneira que deveria ter feito naquele último lance no WC na passada 4ª feira.

Em termos individuais, bom regresso do Seferovic à titularidade no campeonato com um bis. O Ferro fez um jogão, com cortes impecáveis, e seria um sério candidato a homem do jogo não tivéssemos nós feito quatro golos. O Grimaldo também foi muito importante ao conduzir, como habitualmente, muito jogo nosso e a ter acção directa em dois dos golos. Gostei igualmente bastante do Samaris, que continua rei do nosso meio-campo e muito menos conflituoso do que no passado (se calhar, já renovava o contrato, não?). O Pizzi subiu ligeiramente em relação aos jogos anteriores e o Taarabt evidenciou o que de positivo tinha feito como substituto: muito critério no passe, tentar jogar sempre para a frente e cabeça levantada para ter boas opções na resolução das jogadas. O João Félix parece-me numa fase de menor fulgor, mas esperemos que seja passageira.

Ultrapassado este obstáculo, iremos agora defrontar o Eintracht Frankfurt na Luz na 5ª feira. É outra competição, eu gostaria muito de voltar a outra final europeia, mas o principal objectivo é o campeonato.

P.S. – O CRAC e seus acólitos têm de facto uma lata descomunal para vir protestar lances deste jogo, (ainda por cima sem razão nenhuma) depois de tudo o que já beneficiaram (e ainda beneficiam) neste campeonato. Já sabemos que eles gostam de reescrever a história (começam logo com a da fundação do clube), mas nenhum de nós tem a memória curta. Não sejam ridículos!

sexta-feira, abril 05, 2019

Fracasso

Perdemos no WC (0-1) na passada 4ª feira e dissemos adeus ao segundo grande objectivo da época, a Taça de Portugal. Depois da 1ª mão na Luz há dois meses, em que fomos claramente mais fortes, mas deixámos a lagartada marcar um golo que manteve a eliminatória viva, na 2ª mão tivemos uma versão muito pálida do Benfica, a fazer lembrar tempos não muitos distantes. Jogámos para o empate, perdemos. É quase sempre assim.

Como é hábito nas taças, o Bruno Lage voltou a apostar no Svilar em vez do Vlachodimos. Achei mal, mas não foi por aí que a corda se partiu. O Jardel também regressou à equipa (não jogava precisamente desde essa 1ª mão) e os outros foram os habituais titulares. A lagartada preferiu atacar para a baliza onde estão as suas claques na 1ª parte, quando o habitual é fazê-lo na 2ª. Estranhei a opção, mas o que é facto é que eles entraram bem no jogo, connosco a relevarmos uma apatia pouco habitual desde que o Bruno Lage tomou conta da equipa. O 2-4 do campeonato permitiu-lhes tirar ilações e tivemos sempre muitas dificuldades em sair a jogar desde a nossa baliza. Para piorar as coisas, o Gabriel lesionou-se com gravidade logo aos 18’, entrando o Gedson, e não volta a jogar esta época. A vontade que eles demonstravam não chegou para criarem grandes situações de golo, mas nós também não as tivemos, excepção feita a um remate do Fejsa quando tinha colegas melhor colocados e um lance perto do final da 1ª parte, em que um defesa desviou uma bola que ia chegar redondinha ao Seferovic, com o suíço a acertar mal nela por causa disso.

Na 2ª parte, tivemos logo no início uma oportunidade de ouro de acabar com a eliminatória, quando o Pizzi isolou o Seferovic, que não se posicionou bem e teve que rematar com o pé direito em vez do esquerdo, tendo a bola saído ao lado, quando só tinha o Renan pela frente. Logo a seguir, o inevitável Bruno Fernandes atirou um livre à barra. A lagartada continuava com o domínio do jogo, mas as ocasiões não abundavam. O Bruno Lage resolveu mexer, tirando o muito apagado João Félix e colocando o Jonas. Jonas, esse, que teve uma grande oportunidade aos 70’, num penalty em andamento que saiu muito por cima, depois de um centro do Pizzi na direita. Cinco minutos depois, aconteceu o balde de água fria: perda de bola do Rafa e depois do Grimaldo que tentaram sair a jogar muito perto da nossa área, o Bruno Fernandes ficou com ela, fintou o Grimaldo e rematou fortíssimo de pé esquerdo sem hipóteses para o Svilar. Ainda faltavam cerca de 15’ para o final, mais os descontos, mas não conseguimos pressioná-los tanto quanto deveríamos, porque houve uma tendência que se manteve no jogo todo: fizemos incontáveis passes errados. Ainda entrou o Taarabt para o lugar do Fejsa e o marroquino, mais uma vez, teve algum critério na posse de bola. Mas só uma cabeçada do Seferovic ao lado, a centro do Gedson, criou algum perigo. Falhámos ingloriamente um dos grandes objectivos da época e, como se isto e a lesão do Gabriel não fossem suficientes, o Rafa envolveu-se com uns jogadores lagartos já depois do final do jogo e viu o segundo amarelo, indo por isso falhar a deslocação ao Feirense.

Em termos individuais, não vou destacar ninguém. A equipa esteve mais uma vez (à semelhança do Tondela) algo presa de movimentos, a não conseguir sair a jogar e mudámos do dia para a noite em relação à ida ao WC em Fevereiro. Ainda continuamos em duas provas, mas o campeonato é obviamente o maior objectivo. Sem o Gabriel, as coisas vão ser mais complicadas e (espero bem que me engane) parece-me que os nossos melhores dias já passaram. O João Félix está a decrescer de forma, assim como o Pizzi, e deste modo o nosso jogo atacante sai muito menos fluído. Veremos como a equipa vai reagir a estes contratempos, mas seria muito frustrante acabar esta época sem nenhum título.

P.S. – A arbitragem do Sr. Hugo Miguel não teve influência directa no resultado, mas foi lamentável. O critério disciplinar foi absurdo, parecendo ser obrigatório termos que ser nós a levar o primeiro amarelo, mesmo depois de dois ou três lagartos o merecerem.

terça-feira, abril 02, 2019

A ferros

Um golo do Seferovic aos 84’ deu-nos a vitória sobre o Tondela (1-0) no sábado e permitiu-nos assim continuar na frente do campeonato com os mesmos pontos do CRAC (que ganhou em Braga por 3-2, com dois penalties a favor). Todas as épocas há pelo menos um jogo destes em que temos que sofrer vários AVCs até conseguir a vitória. Foi o golo do Jonas na época do tri, o do Jiménez no tetra e esperemos que seja este o da reconquista.

A paragem das selecções deu para recuperar o Seferovic, que no entanto ficou no banco, tendo o Bruno Lage apostado na mesma equipa que derrotou o Moreirense. Apesar de não ter conseguido estrear-se na selecção por causa de uma lesão, o João Félix também conseguiu debelá-la e foi titular. Começámos bem, com oportunidades pelo Rafa (duas vezes, uma das quais isolado frente ao Cláudio Ramos) e João Félix, (também duas vezes) mas três dos remates saíram ao lado e no isolado o guarda-redes defendeu com a perna. Aos 10’, o Samaris entrou na área, mas foi rasteirado por um defesa. O Sr. Carlos Xistra nada assinalou e o VAR (Sr. Hélder Malheiro) inacreditavelmente também não. Um roubo autêntico! Pouco depois foi a perna do Jonas a estar ligeiramente adiantada, o que inviabilizou o golo do André Almeida. Em cima do intervalo, o Tondela teve uma grande oportunidade, mas o cruzamento não encontrou destino na área, porque o avançado deixou a bola passar-lhe ao lado.

No início da 2ª parte, o Bruno Lage optou logo pela entrada do Seferovic tendo saído o Samaris. O grego até estava a ser dos melhorzitos da equipa, com o Pizzi, por exemplo, a ter uma actuação muito fraca. É mais fácil comentar no final do jogo, mas a saída do Samaris desequilibrou-nos e o Tondela acabou por ter mais espaço na 2ª parte. Voltámos a colocar a bola na baliza aos 50’, mas o André Almeida tocou-lhe com o braço antes do remate vitorioso do Jonas. A equipa de arbitragem tinha a tendência muito irritante de nunca marcar foras-de-jogo contra nós à espera da decisão do VAR, o que fazia com que os nossos defesas se desgastassem em vão e o público se exasperasse com foras-de-jogo evidentes que não eram logo assinalados. Curiosamente a nosso favor eram logo marcados... Coincidências...! Não estávamos a conseguir entrar na defesa adversária e o Bruno Lage fez estrear o Taarabt no lugar do Pizzi. Achei mais fezada do que outra coisa, até porque estava o Gedson no banco, mas o marroquino nem entrou mal (excepção feita àquela entrada estúpida e imprudente perto do final). Logo a seguir, o Tondela proporcionou ao Vlachodimos a defesa da noite num remate em arco do Xavier. A cerca de 10’ do fim, o João Félix fez uma das poucas coisas boas do jogo e centrou para a cabeça do Jonas, que atirou ao lado quando raramente falha ocasiões daquelas. Pouco depois, um remate em arco do mesmo Jonas proporcionou ao Cláudio Ramos uma excelente defesa. E aos 84’ finalmente surgiu o tão desejado golo, num excelente cruzamento em arco do Grimaldo na esquerda, com o Seferovic a corresponder com um magnífico cabeceamento sem hipóteses para o guarda-redes. O jogo deveria ter acabado logo ali, mas ainda permitimos uma oportunidade flagrante ao Tondela no último minuto da compensação, num cruzamento da direita (culpa do João Félix que não cortou a linha de passe para o lateral) com o Patrick na pequena-área a atirar por cima, quando só tinha o Vlachodimos pela frente.

Em termos individuais, destaque para o Seferovic pelo golo. E poucos mais, porque a equipa pareceu muito presa de movimentos depois dos 15’ iniciais, com a paragem das selecções aparentemente a ter-nos feito mal. O Bruno Lage também não esteve particularmente brilhante nas substituições, com a equipa a ficar ainda mais perra na 2ª parte.

Iremos já amanhã tentar selar a ida à final do Jamor no WC e teremos jogos decisivos no campeonato e Liga Europa já na próxima semana. Esperemos que esta não tão-boa exibição seja apenas consequência de a equipa ter estado dispersa nas selecções, porque precisamos de estar na melhor forma possível para conseguir superar os opositores em campo. E na sala do VAR.

P.S. – Um misto de trabalho e normalização dos batimentos cardíacos, que param várias vezes no sábado, fizeram com que este post só pudesse sair hoje. Aqui ficam as minhas desculpas.

terça-feira, março 26, 2019

Ucrânia e Sérvia

Começámos mal a qualificação para o Euro 2020 ao empatar na Luz com a Ucrânia (0-0) na 6ª feira e ontem com a Sérvia (1-1). É uma tradição nossa não começar estas qualificações com bons resultados, mas costuma ser só no primeiro jogo. Desperdiçar quatro pontos em casa com os dois principais opositores não augura nada de bom.

Se calhar é melhor alguém avisar a selecção que, se conseguiu ser campeã europeia a ganhar um só jogo nos 90’, não vai conseguir qualificar-se para o próximo Europeu só com empates. Melhor dizendo, é melhor alguém avisar o Fernando Santos que, alinhar com dois trincos e um médio semi-defensivo (William, Rúben Neves e Moutinho) com os ucranianos e dois trincos (William e Danilo) com os sérvios, não será uma boa opção para quem tem que construir muito jogo atacante. E que só fazer a terceira substituição a 5’ do fim em ambos os jogos é poucochinho. Notou-se mais na 6ª feira do que ontem, mas a lentidão de processos da selecção fez muito lembrar o Benfica do Rui Vitória. 

Os ucranianos defenderam muito, mas mesmo assim poderiam ter ganho o jogo no último lance da partida, quando uma defesa incompleta do Rui Patrício a um remate de longe proporcionou uma recarga já na pequena área, cortada pelo Rúben Dias. Quanto a nós, só um par de remates do Cristiano Ronaldo na 1ª parte criaram situações iminentes de golo, mas o Pyatov defendeu ambos para canto. A equipa pareceu muito presa de movimentos e com uma grande tendência em jogar para o Cristiano Ronaldo. É verdade que é praticamente só ele que remata à baliza, mas o jogo colectivo é nitidamente pior com ele em campo, como se houvesse uma obrigatoriedade de tudo passar por ele. Parece que o Fernando Santos ainda não percebeu uma maneira de o potenciar melhor.

Ontem, frente aos sérvios jogámos melhor, mas começámos praticamente a perder com um penalty escusado do Rui Patrício, que o Tadic concretizou em golo aos 7’. O Cristiano Ronaldo saiu por lesão por volta da meia-hora, mas conseguimos empatar num golão do Danilo aos 41’, com um remate indefensável de fora da área. No resto do jogo, demos um recital de como falhar golos. Alguns deles em que era praticamente só encostar. Já se sabia que a Sérvia atacava melhor do que a Ucrânia, mas foram mais perigosos na 1ª do que na 2ª parte. Por último, há que salientar que fomos prejudicados pelo Sr. Szymon Marciniak da Polónia que, aconselhado pelo fiscal-de-linha, voltou atrás na decisão de marcar um penalty contra os sérvios por claro braço na bola a dez minutos do fim. Incompreensível. (Embora, na 1ª parte, tenha perdoado um vermelho claro ao Pepe por pisão ao Tadic...)

Na próxima pausa para selecções, teremos a fase final da Liga das Nações, pelo que só em Setembro voltaremos a esta fase de qualificação. É imprescindível que melhoremos a concretização, caso contrário arriscamo-nos a ter que ir ao play-off para podermos estar presentes no Euro.