origem

segunda-feira, dezembro 09, 2019

Categórico

Vencemos o Boavista no Bessa por 4-1 na passada 6ª feira e, com o inesperado empate do CRAC no Jamor frente ao Belenenses SAD (1-1) ontem, temo-los agora a quatro pontos de nós. Foi uma vitória imaculada que, espero, seja reveladora de que estamos finalmente a voltar à forma da época passada.

Depois da Taça da Liga, o Bruno Lage voltou aos titulares habituais para o campeonato. Introduzimos a bola na baliza logo nos primeiros minutos, numa abertura fabulosa do Ferro para o Pizzi fazer um bonito chapéu, mas o VAR anulou porque o nº 21 estava meia-dúzia de centímetros fora-de-jogo. Qualquer dia dedico um texto a explicar porque é que eu odeio o VAR (pelo menos, no modo como se definiu o protocolo), mas não vai ser agora. À passagem da dezena de minutos, o Sr. Jorge Sousa amarelou o Cervi por pretensamente simular um penalty, mas eu fiquei com dúvidas no lance. Continuámos muito fortes e a não deixar o Boavista responder. À meia-hora, o Chiquinho recuperou uma bola e preparava-se para entrar na área isolado, quando foi derrubado. No CRAC – V. Guimarães, um lance destes mereceu vermelho logo nos minutos iniciais. Neste jogo, só deu amarelo. Típico...! Finalmente aos 34’, lá inaugurámos o marcador, numa rápida e bonita transição ofensiva com um magnífico passe do Pizzi para o Carlos Vinícius dominar muito bem de pé esquerdo e rematar sem hipóteses para o Bracali. Um golão! O Boavista mal respondia, mas na única jogada ofensiva que fez conseguiu o empate aos 44’: centro para a área, o Rúben Dias não chegou à bola, o Ferro ficou nas covas e o Stojilkovic cabeceou desviando do Vlachodimos à sua saída. Foi um balde de água fria completamente imerecido.

Confesso que estava com algum receio que este golo caído do céu (ou melhor, do inferno) pesasse sobre a equipa na 2ª parte, mas felizmente isso não aconteceu e voltámos tão fortes quanto fomos na maior parte da 1ª. O Chiquinho teve um bom remate à entrada da área que o Bracali defendeu para canto e aos 52’ recolocámo-nos em vantagem com um golo do Cervi a corresponder bem a uma assistência do C. Vinícius. O Sr. Jorge Sousa ainda recorreu ao VAR, mas a decisão só podia ser a de validar o golo, porque o Cervi se antecipou ao defesa e tocou a bola para a baliza, antes de ser pontapeado por ele. Sim, era mais que penalty se não fosse golo! Aos 62’, demos uma machadada quase definitiva no jogo com o bis do C. Vinícius, num golão em arco de fora da área de pé esquerdo (a fazer lembrar o grande Tacuara), depois de uma recuperação de bola do Grimaldo a meio-campo, que fez também a assistência. O Sr. Jorge Sousa continuava a sua senda de apitar tudo contra nós nos lances divididos, mas ainda bem que os jogadores do Benfica não se desconcentraram com uma das arbitragens mais habilidosas que vimos nos últimos tempos. Controlámos bem o Boavista no tempo restante e só num par de remates de fora da área é que eles criaram perigo, e mesmo assim relativo, porque o Vlachodimos estava a controlar bem os lances. Já no tempo de compensação (92’), fizemos o resultado final num golo de cabeça do Gabriel na sequência de um livre do Grimaldo.

Em termos individuais, óbvio destaque para o C. Vinícius com dois golos e uma assistência. O Grimaldo também voltou a ser influente com duas assistências e o Pizzi fez o magnífico passe para a abertura do marcador. O Cervi lá um golo, que é um prémio mais que merecido para quem tem sido de uma utilidade enorme e uma grande ajuda ao Grimaldo. A dupla de meio-campo (Gabriel e Taarabt) continua a funcionar bastante bem e parece que finalmente encontrámos a dinâmica que se impunha naquela parte do terreno.

Foi uma vitória muito importante no campo de uma equipa que está a fazer um bom campeonato e que ainda não tinha sofrido mais do que um golo por jogo (não há dúvida de que o Lito Vidigal é bom treinador). Receberemos amanhã o Zenit para a despedida da Liga dos Campeões, mas convinha mesmo que não fosse a nossa despedida das provas europeias, porque seria uma vergonha para o nosso historial vermos a Europa no sofá em 2020. A equipa parece querer regressar às boas exibições da segunda parte da época passada e esperemos que isso se confirme frente aos russos.

quinta-feira, dezembro 05, 2019

Contas (muito) complicadas

Empatámos na Covilhã (1-1) na 3ª feira e, com a vitória de ontem do V. Guimarães em Setúbal (2-0), ficámos dependentes de terceiros para seguir para a final four da Taça da Liga. Ou seja, depois do desaire da não-qualificação para os oitavos da Champions (e com a ida à Liga Europa também nada fácil), somamos o segundo falhanço da temporada em pouco tempo. Claro que a Taça da Liga é o penúltimo troféu na hierarquia nacional (só tem a Supertaça abaixo dela), mas tínhamos um histórico muito bom (sete vitórias nas nove primeiras edições) que conviria manter. No entanto, o mais provável é irmos para o quarto ano consecutivo sem a ganhar.

Com uma série de jogos bastante próximos, o Bruno Lage fez a esperada gestão do plantel, mas surpreendeu ao dar a titularidade ao Zivkovic, proporcionando-lhe os primeiros minutos da temporada. E o que se pode dizer é que o sérvio demonstrou porque não tem jogado... Aliás, a nossa primeira parte foi péssima (à semelhança de Vizela) e só criámos duas boas situações, com uma cabeçada do Gedson à barra quando estava sozinho na sequência de um livre (tinha obrigação de ter feito golo) e um bom movimento de rotação do Raúl de Tomás na área, com o guarda-redes contrário a defender para canto.

A 2ª parte não poderia ter começado pior, com o golo do Covilhã logo aos 13 segundos! Recomeço do jogo, bola para a frente, um ressalto no Samaris isolou o Bonini, que bateu o Zlatan à sua saída. Se as coisas estavam difíceis, mais ficaram. O Carlos Vinícius já tinha substituído o Florentino ao intervalo, mas aos 60’ entraram o Pizzi e o Taarabt e finalmente começámos a jogar um pouco à bola. Dois centros quase seguidos do Nuno Tavares foram bater inadvertidamente no poste e uma cabeçada do C. Vinícius também deveria ter dito melhor direcção. Aos 82’, conseguimos finalmente o empate, através do Jota, que assim se estreou a marcar pela equipa principal, num remate de ressalto de fora da área na sequência de um canto. Ainda tivemos algum tempo até final para dar a volta e, num lance semelhante ao golo, um remate do Jota passou a rasar o poste com o guarda-redes somente a olhar.

Em termos individuais, não houve ninguém a destacar-se por aí além. O Jota estava um pouco trapalhão, mas fica ligado ao resultado pela positiva. O Raúl de Tomás continua a passar muito ao lado dos jogos, mas aquele movimento na 1ª parte merecia ter tido melhor sorte. Dos laterais Tavares, o Tomás deve ter algum futuro, mas o mesmo não me parece que vá acontecer com o Nuno. O Zivkovic já tem pouco tempo para dar a volta à sua situação, no entanto, não sei se estará interessado em tal. Quanto ao Gedson, está uns bons furos abaixo do que mostrou no passado, porém acho que o seu lugar tem de ser a oito e não sobre a direita ou a 10.

Claro que o mais importante é o campeonato, mas custa-me sempre ver-nos perder a oportunidade de disputar troféus oficiais desta maneira. Por outro lado, isto é sintoma de que o plantel é algo desequilibrado e, à semelhança de épocas anteriores, não podemos ter o azar de ver alguns titulares a lesionarem-se (Vlachodimos e Grimaldo à cabeça), senão as nossas hipóteses de títulos estarão muito provavelmente hipotecadas.

P.S. - A arbitragem do Sr. Rui Oliveira foi muito infeliz (para dizer o mínimo). Tenho dúvidas no possível penalty sobre o Raúl e Tomás na 1ª parte (parece-me que ele já vai em queda antes de ser tocado pelo guarda-redes), mas o pouco tempo de compensão para as paragens que houve, mais a inacreditável falta marcada sobre o Jardel mesmo a terminar (que deveria ser ao contrário e resultaria num livre muito perigoso a nosso favor) mostraram exemplarmente ao que o árbitro vinha.

segunda-feira, dezembro 02, 2019

Melhor da época

Goleámos o Marítimo no sábado por 4-0 e vamos manter o 1º lugar no campeonato com pelo menos dois pontos de vantagem (o CRAC só joga hoje). Além disso, com a derrota da lagartada em Barcelos perante o Gil Vicente (1-2) estamos agora 13 pontos à frente deles.

Três dias depois da frustração em Leipzig, fizemos a melhor exibição da época. O Marítimo até entrou bem, com boa circulação de bola decorrente do novo treinador (José Gomes), mas nós tivemos uma eficácia fabulosa: marcámos aos 8’ e aos 17’ nos dois primeiros remates à baliza que fizemos. Os intervenientes nos lances foram os mesmos com os papéis trocados: no primeiro, assistência do Carlos Vinícius para o Pizzi, no segundo foi o inverso, numa excelente combinação ofensiva pela direita envolvendo o Chiquinho, André Almeida e Taarabt, que isolou o Pizzi na área, o qual, perante a saída do guarda-redes, deu um toque para o lado para o C. Vinícius só ter que encostar. Aos 31’ o jogo ficou praticamente resolvido com o nosso terceiro golo, novamente pelo C. Vinícius, numa boa jogada da nossa parte, com um remate cruzado do Pizzi pela direita, que o Amir não conseguiu agarrar, e o C. Vinícius a atirar para a baliza. A bola entraria na mesma, mas um defesa fez um carrinho e desviou-a da trajectória em que ia, tendo obviamente entrado na mesma. Viemos a saber no final do jogo que o Sr. Fábio Veríssimo considerou que foi... autogolo do Grolli! Mas falaremos desta criatura mais adiante... Até ao intervalo, o C. Vinícius falhou o golo mais fácil, ao atirar ao lado depois de um magnífico contra-ataque nosso na sequência de um canto do Marítimo.

A 2ª parte começou com o Tomás Tavares no lugar do tocado André Almeida. O jogo manteve-se na mesma, connosco a aumentarmos o marcador aos 55’: remate de fora da área do Chiquinho, defesa para a frente do Amir e o C. Vinícius a recargar para o poste mais distante, com a bola ainda a bater nele antes de entrar. O Benfica preparava-se para um jogo com números do ano passado, quando o Gabriel teve uma paragem cerebral: no meio-campo deles(!), entra de carrinho sobre um adversário e vê o segundo amarelo aos 60’. O Bruno Lage ficou fulo e não era caso para menos. Ficámos a jogar com dez sem necessidade absolutamente nenhuma! Claro que, a partir daqui, o jogo não foi mais o mesmo: retraímo-nos mais e não tivemos tantas oportunidades. Até final, só um remate cruzado do entretanto entrado Jota, depois de uma boa abertura do Taarabt, deu a sensação de golo.

Em termos individuais, óbvio destaque para os três golos do C. Vinícius, um deles roubado (literalmente) pelo Sr. Fábio Veríssimo. O Pizzi também foi decisivo com um golo e uma assistência, e o Taarabt terá feito das melhores exibições com a gloriosa camisola. O Vlachodimos fez uma intervenção importante ainda com 0-0 e está bastante melhor nas saídas dos postes. O Chiquinho está cada vez mais participativo nas acções defensivas e é um elemento imprescindível nas combinações atacantes. De negativo, só mesmo a estupidez do Gabriel.

Esperemos que esta retoma exibicional seja para manter. Já contra o Rio Ave estávamos melhor e depois voltámos a baixar na qualidade futebolística. Entraremos agora num ciclo infernal com três jogos até à recepção ao Zenit na 3ª feira da próxima semana. O primeiro será já amanhã na ida à Covilhã para a Taça da Liga. E teremos de ganhar para mantermos esperanças em ir à final four.

P.S. – O meu amigo JG escreveu o seguinte no Twitter:
Não poderia estar mais de acordo! Cada vez que marcávamos um golo, demorava meia-hora a falar com o VAR (certamente para ver se o conseguia invalidar), um critério disciplinar inacreditável, cada vez que um jogador adversário ficava no chão parava o jogo, levando a imensas quebras de ritmo, quatro minutos de compensação quando deveria ser pelo menos o dobro e, a cereja no topo do bolo, o roubo do hat-trick ao C. Vinícius no relatório. Numa partida fácil de dirigir, fez questão em tornar-se uma das figuras principais. Costumava dizer-se que havia dois tipos de árbitros em Portugal: os que não eram maus, mas roubavam e os que não roubavam mas eram maus. No caso do Fábio Veríssimo, isto ainda se aplica e ele até faz o pleno: é um ladrão e é um péssimo árbitro!

quinta-feira, novembro 28, 2019

Frustrante

Empatámos em Leipzig por 2-2 e dissemos adeus à Liga dos Campeões. Se me propusessem este resultado antes do jogo (e dado o nosso miserável histórico recente), diria logo que sim, mas chegar aos 89’ a ganhar por 2-0 e depois empatar a partida foi uma desilusão muito grande.

Finalmente, ao quinto jogo da Champions, resolvemos jogar com os habituais titulares. E, surpresa das surpresas(...!), fizemos a nossa melhor exibição. O meio-campo foi formado pelo Gabriel e Taarabt, e estivemos compactos a maior parte do tempo, embora a não sair tantas vezes para o ataque como seria desejável. Inaugurámos o marcador aos 20’, numa rara jogada de transição ofensiva, com uma troca de bola de primeira entre o Vinícius e o Taarabt, o marroquino a centrar atrasado, um defesa a cortar mal, e o Pizzi a rematar de primeira de pé esquerdo, com a bola ainda a desviar num defesa antes de entrar. Os alemães sentiram um pouco o golo, apesar de logo a seguir a ele nos ter valido o Vlachodimos que defendeu o remate de um adversário isolado. Até ao intervalo, ainda tiveram um par de remates algo perigosos, mas com o desenrolar do tempo conseguimos ir sacudindo a pressão e em cima do intervalo tivemos uma óptima oportunidade, com o Pizzi a atirar à barra depois de um canto.

Na 2ª parte, defendemos um pouco melhor e, devido a esse facto, conseguimos passar mais vezes do meio-campo. Numa dessas ocasiões, aos 59’, o Taarabt fez um passe para o Carlos Vinícius, que dominou mal a bola, mas defesa atrás dele escorregou, o que o permitiu isolar-se e, perante a saída do guarda-redes, desviasse a bola para a baliza, fazendo o 2-0. Como acidentalmente bateu com a perna na cabeça do guarda-redes Gulácsi, este teve que ser substituído, o que, juntamente com a verdadeira agressão que o Vlachodimos sofreu um pouco antes (e que o árbitro nem amarelo mostrou) fez com que houvesse nove minutos de compensação no final da partida, o que acabou por nos prejudicar. Se este resultado se mantivesse no final, bastar-nos-ia ganhar ao Zenit para nos qualificamos para os oitavos da Champions. Os alemães pressionaram-nos, mas a nossa defesa esteve bem durante grande parte do jogo, embora ainda apanhássemos um ou outro susto. A pouco menos de dez minutos do fim, o Raúl de Tomás entrou para o lugar do estourado C. Vinícius e logo depois esteve perto de marcar o golo do ano: remate de antes do meio-campo que o guarda-redes contrário defendeu com a ponta dos dedos…! Estava tudo mais ou menos controlado, quando aos 89’ numa bola bombeada para a área, o Rúben Dias mancha a sua fantástica exibição até ao momento e faz um penalty por agarrão ao adversário. É certo que este tinha ganho a posição ao nosso central e estava preparado para rematar, mas um penalty por agarrão é sempre um penalty estúpido, porque nem sequer se tenta jogar a bola. O Forberg não perdoou e reduziu para 1-2. Ainda com nove minutos para jogar, igualávamos o resultado de Lisboa, o que faria com que estivéssemos dependentes de uma não-vitória do Lyon no último jogo para podermos seguir na Champions (tendo sempre que ganhar aos russos, claro está). Só que aos 93’, os neurónios do Bruno Lage só podem ter adormecido, porque ele achou que o que precisávamos era de colocar o Caio Lucas em campo…! Claro que o Pizzi estava estourado, mas era óbvio que era o Florentino quem devia ter entrado para travar o forcing final alemão. Ou ele ou até o Zlobin para o meio-campo, mas nunca alguém que preenche a quota de Cerci futebolístico brasileiro, que aparentemente temos sempre que ter no nosso plantel (Paulo Almeida, Everson, Edcarlos, Éder Luís, Felipe Meneses, Bruno Cortez, Emerson, Felipe Augusto, Douglas a lista é infelizmente infindável). Aos 95’, um erro de marcação na área permitiu ao Forberg cabecear à vontade, empatar o jogo, qualificar os alemães, atirar-nos para fora da Champions e com a ida à Liga Europa muito tremida (não basta ganhar aos russos). No último lance do jogo, tivemos uma excelente oportunidade, mas infelizmente a bola foi para o Caio Lucas e abstenho-me de comentar aquilo que ele fez…

Em termos individuais, o Rúben Dias estava a ser dos melhores, mas aquele penalty estragou tudo. O Chiquinho também se movimentou muito bem em termos defensivos. O Vlachodimos salvou-nos um par de vezes e não teve culpa nos golos. De resto, não houve grandes exibições individuais, mas muita capacidade de luta e sacrifício. Quanto ao Caio Lucas, desejo-lhe um feliz Natal no Brasil e que dê a todos nós a melhor prenda possível: leve todos os seus pertences de volta!

Tivemos nós jogado sempre a Liga dos Campeões com este empenho (e esta equipa, já agora) e não estaríamos a chorar agora uma eliminação. Aliás, o que me preocupa mais é mesmo a possível não ida à Liga Europa (ou ganhamos 2-0 aos russos ou, se eles marcarem, terá de ser por uma diferença de três golos). Ver a Europa no sofá em 2020 é péssimo para o nosso prestígio, que já tem sido bem posto em causa com estas prestações vergonhosas nas três últimas Champions.

segunda-feira, novembro 25, 2019

Penoso

Vencemos em Vizela por 2-1 e qualificámo-nos para os oitavos-de-final da Taça de Portugal. E, pronto, (quase) tudo de positivo sobre o jogo de sábado resume-se a este facto. Foi mais uma exibição da nossa parte a roçar o hediondo perante uma equipa do Campeonato de Portugal (na prática a III Divisão nacional), que jogou mais de uma hora com dez jogadores!

O Bruno Lage não fez grandes alterações na equipa habitualmente titular (Zlobin, Jardel, Samaris, Jota e Raúl de Tomás foram as novidades), mas entrámos em campo a dormir. De tal forma, que aos 9’ já estávamos a perder por 0-1 com um golo do Samu num remate rasteiro de fora de área, em que o Zlobin se fez à bola em câmara lenta. Um livre do Grimaldo, que passou perto da barra, foi o nosso lance mais perigoso da 1ª parte e nem a expulsão por (justo) segundo amarelo aos 26’ nos motivou a jogar com mais velocidade, o que teria permitido que criássemos mais desequilíbrios na defesa contrária.

Na 2ª parte, entrou o Carlos Vinícius, mas continuámos a ter muitas dificuldades para criar perigo. Perante uma equipa do Campeonato de Portugal a jogar com dez jogadores. Repito: perante uma equipa do Campeonato de Portugal a jogar com dez jogadores...! As coisas estavam a ficar feias e o tempo a passar, mas aos 70’ lá conseguimos finalmente marcar num bom lance do Jota pela direita, com um centro bem medido para o Raúl de Tomás só ter que encostar. Logo a seguir, o Vizela ia-se adiantando novamente, mas felizmente o avançado chegou atrasado a um centro da esquerda. Mas nós também tivemos um remate do Grimaldo, que bateu com estrondo na barra, e uma cabeçada do C. Vinícius bem defendida pelo guarda-redes. Quando já se perspectiva o prolongamento, aos 86’, o entretanto entrado Caio Lucas enganou-se e fez um passe óptimo que isolou o C. Vinícius, que protegeu bem a bola do defesa nas suas costas e atirou rasteiro sem hipóteses para o guarda-redes.

Em termos individuais, menção apenas para o Jota que, no lado esquerdo do ataque, foi o único a ir para cima dos defesas e a tentar algo diferente das exasperante tabelinhas e lateralizações do nosso jogo. A sério, alguém que diga ao Chiquinho que não tem no contrato a obrigatoriedade de tabelar com o Pizzi, sempre que este lhe passa a bola...! O problema com o Jota é que me parece que ele rende melhor no flanco esquerdo do que no meio, mas esse lugar no flanco esquerdo será do Rafa quando este voltar. O C. Vinícius voltou a ser decisivo com o golo. Quanto aos menos, o Pizzi esteve muito longe do que tem feito, o Gabriel continua horrível desde os Açores (com a agravante de ter visto um amarelo bastante idiota por pontapear a bola depois de o árbitro lhe assinalar uma falta; o Bruno Lage devê-lo-ia ter substituído logo ali) e o Samaris também não esteve nada bem, talvez fruto da falta de ritmo. O Raúl de Tomás estava a fazer um jogo péssimo, mas pode ser que o golo lhe dê a confiança de que necessita (aqueles domínios de bola na grande-área não podem ser só fruto por acaso...). Quanto ao Zlobin, segurar a bola à primeira é algo que não lhe assiste… O Caio Lucas fez um bom passe para a desmarcação do C. Vinícius no 2-1 e já pode dizer aos netos que a sua passagem pelo Benfica teve um ponto alto.

Exibição para esquecer num jogo em que, se não tivesse havido a expulsão, não estava bem a ver como o poderíamos ganhar. Veremos quem nos vai calhar no sorteio de amanhã, mas a jogar assim duvido que consigamos grandes feitos esta época.

quarta-feira, novembro 20, 2019

No Euro 2020

Vencemos na passada 5ª feira a Lituânia no Algarve por 6-0 e no domingo no Luxemburgo por 2-0, e estamos na fase final do Euro 2020. Foi uma qualificação mais complicada do que se previa, fruto de só termos vencido um de quatro jogos perante adversários directos.

A partida frente aos lituanos foi fácil demais, ou não fosse eles a pior equipa do grupo. O Cristiano Ronaldo aproveitou para fazer um hat-trick, com o Pizzi, Gonçalo Paciência e Bernardo Silva a marcar os restantes golos. Um penalty logo aos 7’ ajuda a desbloquear qualquer jogo e o adversário praticamente nem passou do meio-campo.

Três dias depois, no Luxemburgo, as coisas seriam mais complicadas. Os luxemburgueses estão longe de ser aquela selecção que sofria goleadas nos anos 80 (juntamente com Malta). Aliás, na 1ª parte tiveram até as melhores ocasiões para marcar, mas a eficácia esteve do nosso lado com uma abertura fabulosa do Bernardo Silva para o Bruno Fernandes dominar e rematar de primeira aos 39’, fazendo o primeiro golo. Num relvado em péssimo estado, marcar antes do intervalo ajudou imenso a acalmar a selecção nacional, que estava a fazer um jogo péssimo. Na 2ª parte, não demos tantas veleidades aos luxemburgueses, mas a exibição continuou muito medíocre. Aos 86’, lá marcámos o golo que selou a vitória, através do C. Ronaldo, depois de um remate do entretanto entrado Diogo Jota, que entraria na mesma sem o toque do capitão.

Como a nossa fase de qualificação não foi brilhante, iremos ficar no pote 3 no sorteio, o que pode levar a que fiquemos num grupo com Alemanha e França, por exemplo. Mas dia 30 de Novembro lá saberemos a nossa sorte. E temos sempre a jurisprudência de 2016, em que fomos campeões europeus a jogar muito pouco. Pode ser que se repita...

quarta-feira, novembro 13, 2019

Poucochinho

Vencemos o Santa Clara no sábado (2-1) e mantivemos na liderança do campeonato com os mesmos dois pontos de vantagem para o CRAC (1-0 no Bessa). Aproveitando a ida aos Açores, resolvi fazer uns dias de férias com a família (e levar os meus miúdos ao primeiro away), razão pela qual este post só sai hoje.

E estes dias poderiam ter começado muito mal, porque a nossa exibição foi simplesmente lamentável. Então os primeiros 45 minutos foram dos piores da era Lage. Trocas de bola lentíssimas, incapacidade gritante de entrar na área contrária (o nosso primeiro remate foi já no tempo de compensação!), o Gabriel a falhar n variações de flanco (com passes directamente... para a linha lateral) e, para piorar tudo, o André Almeida a dormir na forma aos 17’ e a ser batido infantilmente de cabeça pelo Carlos Carvalho, que inaugurou assim o marcador. Do nosso lado, só um penalty indiscutível sobre o Cervi que o Sr. Artur Soares Dias não quis ver é que se salvou do marasmo completo.

Na 2ª parte, entrou o Carlos Vinícius para o lugar do apagado Florentino, mas os primeiros minutos foram novamente do Santa Clara, que criou perigo em duas ocasiões, com um remate ao lado e uma falha incrível do Jardel a proporcionar depois uma boa defesa ao Vlachodimos. Eu estava a ver o panorama mesmo muito negro, quando o Pizzi resolveu inventar pela direita a jogada do nosso primeiro golo aos 54’, com um cruzamento rasteiro para o C. Vinícius só ter que encostar (mas a ter o mérito de estar lá). O Santa Clara protestou uma eventual falta do Chiquinho no início do lance, mas há um empurrão mútuo com o jogador adversário. Um pouco antes, já tínhamos criado perigo num remate de primeira do Rúben Dias num canto, com o guarda-redes a defender por instinto, mas depois continuámos a revelar inúmeras dificuldades em superar a boa organização defensiva dos açorianos. Estávamos mais subidos no terreno e a pressionar mais, mas sem criar grandes ocasiões até ao golo salvador aos 78’ pelo Pizzi: mau passe do Santa Clara na saída para o ataque, jogada do Seferovic que isolou o Pizzi, que à saída do guarda-redes desviou a bola subtilmente para a baliza. Foi um golo caído do céu! Logo a seguir, o Seferovic teve uma oportunidade de acabar com o jogo, mas o remate saiu à figura. No entanto, já nos descontos, as coisas poderiam ter piorado muito, porque o entretanto entrado Ukra teve um remate cruzado que saiu a rasar o poste. Demorei algum tempo a recuperar os batimentos cardíacos depois deste lance.

Em termos individuais, destaque óbvio para o Pizzi com uma assistência e um golo. O C. Vinícius continua com uma média de golos por minuto muito interessante, embora não tenha tido muitas mais oportunidades, porque não lhe chegou muito jogo. Todos os outros estiveram a um nível muito medíocre, com o Gabriel a subir muito ligeiramente na 2ª parte depois de uma 1ª para esquecer.

O campeonato irá agora parar duas semanas com as selecções e a Taça de Portugal. Eu sei que tivemos muitos jogos seguidos e que esta saída não era nada fácil. Mas isso não serve de desculpa para a nossa paupérrima exibição. Há que dizer que não perdemos pontos com alguma sorte e duvido que cheguemos longe a continuar a jogar desta maneira.

quarta-feira, novembro 06, 2019

Confrangedor

Perdemos em Lyon (1-3), hipotecámos quase definitivamente as hipóteses de continuar na Champions e mesmo a Liga Europa não é nada fácil. As últimas exibições pareciam indicar que estávamos novamente no bom caminho, mas tivemos um choque de realidade na Europa. Não há como fugir às evidências: não temos andamento para este nível futebolístico e o que temos exibido tem roçado o patético.

Jogo decisivo para a continuidade na Liga dos Campeões e o Tomás Tavares é titular do Benfica pela 4ª vez, todas na maior competição de clubes do mundo. Ou seja, deixa-se o André Almeida esgotar-se no campeonato para descansar na Champions. Racional isto? Não faço ideia. Por outro lado, o Bruno Lage deu igualmente a titularidade ao Gedson na direita, ele que, cada vez que entra, tem sido invariavelmente o pior jogador do Benfica. Mais uma vez, conferiu. A nossa 1ª parte foi de fugir. Sofremos o primeiro golo logo aos 4’ pelo Andersen de cabeça, num canto curto muito mal defendido por todos, especialmente os centrais. A este começo maravilhoso, seguiu-se uma 1ª parte que não lhe ficou atrás. Lentidão exasperante de processos, o Lyon chegava sempre primeiro à bola, muito pouca precisão nos passes e nos remates, enfim, um marasmo quase por completo. Para além disso, ao contrário de nós na Luz, os franceses tentavam sempre contra-atacar com perigo, apesar de nos darem a iniciativa. E foi num desses lances que fizeram o 2-0 aos 33’: o Tomás Tavares ficou duas vezes nas covas na direita, centro para a área e o Depay não perdoou. Até ao intervalo, poderíamos ter reduzido num canto, mas o Gedson falhou o desvio ao segundo poste.

Na 2ª parte, entrámos finalmente com onze com o Seferovic no lugar do Gedson. Era a segunda substituição, porque já tínhamos perdido o Ferro relativamente cedo devido a um choque com o Vlachodimos. Melhorámos um bocado, mas sempre a fazer as coisas em esforço e sem desenvoltura nenhuma. Ainda assim, um livre do Chiquinho e um remate do Seferovic criaram algum perigo ao Anthony Lopes. Entretanto, esgotámos as substituições a pouco mais de 15’ do fim, com a entrada do Pizzi para o lugar do esgotado Cervi. E foi o Pizzi a fazer uma óptima abertura para o Seferovic reduzir para 1-2 aos 76’. O fiscal-de-linha começou por levantar a bandeirola, mas o VAR confirmou que não havia fora-de-jogo nenhum. Ainda houve a esperança de pressionar o Lyon com vista à igualdade, mas os franceses defenderam-se muito bem e nós não tivemos arte para sequer chegar à baliza deles. Ao invés, foram eles a chegar à nossa aos 89’ e a fazer o 3-1: o Jardel não só deixou o Traoré virar-se depois de correr para apanhar a bola, como lhe deu o lado de dentro do campo, mesmo a jeito do seu pé esquerdo, que rematou em arco não dando hipóteses ao Vlachodimos. Outra péssima acção defensiva, ainda mais incompreensível por ter sido feita pelo Jardel, que está longe de ser inexperiente.

Em termos individuais, o Gabriel foi dos poucos a tentar remar contra a maré, o Cervi lutou muito, mas sem resultados atacantes visíveis, e o Chiquinho a espaços ainda conseguiu fazer qualquer coisa. O Vlachodimos também não esteve mal sempre que foi chamado, não tendo tido culpa nenhuma nos golos, e o Pizzi fez uma boa assistência para o Seferovic marcar. Todos os outros estiveram num nível muito baixo, em especial o já referido Gedson, o Florentino, que deve ter feito dos piores jogos com a camisola do Benfica, e o Tomás Tavares, que se arrisca a ficar queimado se só for titular na Champions.

Os números não enganam: 13 derrotas nos últimos 17 jogos na Champions envergonham a nossa história. Parece que entramos em campo já vencidos, manietados por um temor que sinceramente não se percebe. Estamos a jogar a mais prestigiante competição de clubes do mundo com o espírito da Taça da Liga (com o devido respeito). É algo que tem de ser mudado. E rapidamente.

segunda-feira, novembro 04, 2019

Retoma

Vencemos o Rio Ave por 2-0 no sábado e mantivemos os dois pontos de vantagem para o CRAC (1-0 em casa ao Aves). Foi uma vitória justa, em que a exibição na 2ª parte nos deixou a todos mais esperançados.

Três dias depois, novo jogo para o campeonato, e os regressos do Florentino e Pizzi ao onze em detrimento do Samaris e Gedson. Comandado pelo Carlos Carvalhal, o Rio Ave apresentou-se muito bem na Luz e o jogo foi muito complicado na 1ª parte. Sem medo de sair a jogar desde o guarda-redes, os vilacondenses trocavam muito bem a bola, saíam da nossa pressão com mestria, embora não tenham conseguido criar oportunidades de golo. Só que nós também não, porque éramos demasiado lentos a sair para o ataque e nunca conseguímos apanhar o adversário em contrapé. Um remate do Cervi de fora da área foi o lance de maior perigo antes do 1º golo aos 32’. Só podia ser de bola parada: canto do Pizzi na direita e entrada fulminante de cabeça do Rúben Dias. Até ao intervalo, uma oportunidade para cada lado, com um estoiro do Carlos Vinícius de pé esquerdo de fora da área (a fazer lembrar o grande Tacuara), a sair ligeiramente por cima, e o nosso ex-jogador Nuno Santos numa boa arrancada pela esquerda a deixar o André Almeida para trás, mas felizmente a bola bateu no poste (no entanto, há uma falta clara sobre o Cervi no início da jogada, que o sr. Carlos Xistra não quis ver).

A 2ª parte foi totalmente diferente, porque conseguimos manietar por completo o Rio Ave e estivemos quase sempre instalados no seu meio-campo. Claro que a nossa melhoria exibicional foi ajudada pelo 2-0 logo aos 51’ numa abertura do Gabriel para o Grimaldo na esquerda, este deixou para o Cervi, que centrou atrasado e o Pizzi, depois de tirar um defesa do caminho, rematou forte sem hipóteses para o Kieszek. A partir daqui, tivemos um cheirinho do que se passou na época transacta, porque recuperávamos a bola cedo e muito à frente no campo, e fazíamos combinações atacantes que baralharam a defesa do Rio Ave. O Rúben Dias teve oportunidade de bisar num livre, mas o seu desvio saiu ligeiramente ao lado, o Cervi teve uma boa iniciativa individual, porém o remate na passada também saiu ao lado, e o mesmo Cervi, depois de assistido pelo C. Vinícius, atirou de pé direito para defesa difícil do guarda-redes. Foi pena não termos conseguido marcar mais um golo, porque a nossa exibição neste período assim o merecia.

Em termos individuais, destaque para o Rúben Dias, que voltou a estar em evidência na defesa e teve a mais-valia de abrir o marcador, continuo a gostar bastante do Cervi, que com a confiança está a melhorar a olhos vistos, e a dupla Chiquinho-C. Vinícius também esteve bem, apesar de não ter marcado nesta partida. O Pizzi nem estava a fazer um jogo por aí além, mas quem marca um golo nunca pode ser criticado.

Iremos amanhã jogar a nossa continuidade nas competições europeias. Não podemos perder em Lyon, sob pena de irmos para o sofá ver a Europa em 2020. No entanto, um jogo desta importância não poderia ter vindo em melhor altura, porque o nosso nível exibicional está a melhorar. Esperemos é que isto se reflicta também na Champions.

P.S. – Disseram-me que este é o último ano em que teremos o (des)prazer de ver o Sr. Carlos Xistra espalhar a sua magia pelos relvados. Ainda falta todo um ano, diria eu! O empurrão ao André Almeida na área é grosseiro, mas coitado do Xistra não teve sorte nenhuma, porque do canto resultou o nosso primeiro golo. E esse era impossível anular. Isso e uma dualidade de critérios gritante na 1ª parte, que naturalmente não valia a pena continuar na 2ª quando o marcador passou para uma diferença de dois golos, é algo que não vai deixar saudades nenhumas no futuro. Que ainda está tão longe…

P.S. 2 – À atenção da organização de jogos: quando é que acaba esta fantochada dos foguetes e fogo preso na entrada das equipas…?! Já ganhámos o 38 e ninguém me avisou…?! Quantas quotas de quantos sócios são desperdiçadas naquele disparate…?! Será que quem se lembrou daquilo já se deu conta que com barulho nem dá para ouvir os aplausos à equipa na vénia…?! Vamos lá acabar com esse circo, por favor, que ir ver o Benfica é uma coisa séria. Obrigado.

quinta-feira, outubro 31, 2019

Melhoria

Goleámos ontem o Portimonense por 4-0 e, com o inesperado empate do CRAC no Marítimo (1-1), ficámos isolados no 1º lugar do campeonato, dois pontos à frente deles e do Famalicão. Foi uma partida que valeu essencialmente pela 2ª parte, já que a 1ª foi (infelizmente) muito parecida com as que temos vindo a efectuar.

Com a catrefada de jogos em poucos dias, o Bruno Lage fez cinco alterações no onze em relação ao Tondela: entraram o Jardel, Samaris, Gedson, Chiquinho e Carlos Vinícius para os lugares do Ferro, Florentino, Pizzi, Taarabt e Seferovic. E o que se pode dizer é que, apesar destas mudanças, durante a 1ª parte não se notou nada de novo. Dinâmica muito fraca, velocidade perto do zero, muitas dificuldades em criar perigo, foi tudo mais do mesmo. A boa notícia é que estamos melhor em termos defensivos, porque o Portimonense só teve uma verdadeira oportunidade, logo aos 11’ num remate rasteiro depois de um cruzamento da direita, que o Vlachodimos defendeu com os pés. Aos 17’ inaugurámos o marcador, depois de um canto do Chiquinho na direita, desvio do Gabriel ao primeiro poste e cabeçada forte do André Almeida ao segundo, sem hipóteses para o Ricardo Ferreira. E ficámos por aqui na 1ª parte, tal e qual como frente ao Tondela deixámos de jogar depois de marcar o golo.

A 2ª parte não poderia ter começado melhor com o 2-0 logo aos 47’: canto na direita novamente pelo Grimaldo, cabeçada em balão do André Almeida à barra, bola sobra novamente para o Grimaldo, que faz outro centro para o Rúben Dias se antecipar a um defesa e fuzilar o guarda-redes. A partir daqui, é natural que o jogo se tenha tornado mais fácil, mas o Benfica fez finalmente aquilo que não tem feito nos últimos jogos: saídas rápidas em transição desde a defesa, que naturalmente dão azo a oportunidades de golo. Parece simples, mas não o tem sido. Assim aconteceu pelo Chiquinho, depois de jogada do Cervi na esquerda, que rematou para uma defesa a dois tempos do guarda-redes. O Portimonense tentou respondeu, mas estivemos sempre bem na defesa, com o Vlachodimos a resolver as poucas bolas que lhe chegavam. Aos 63’, nova assistência do Grimaldo para novo golo do Benfica, com o C. Vinícius a deixar a bola passar ao seu lado em velocidade, a ganhar posição frente ao último defesa e a contornar o guarda-redes para fazer o 3-0. Decorrente do lance, sentiu uma cãibra, foi assistido e voltou ao campo aos 65’ para fazer o seu bis e o 4-0, desta feita depois de um passe de trivela do Chiquinho, com o brasileiro a rematar na passada. Até final, falhámos a manita pelo Gedson, com uma defesa do Ricardo Ferreira que se ia tornando num frango descomunal, e pelo entretanto entrado Jota, numa cabeçada por cima, depois de um centro largo do André Almeida.

Em termos individuais, destaque óbvio para o C. Vinícius com o seu bis, que lhe deve ter garantido o lugar de titular nos próximos jogos, para o Grimaldo, porque fez as assistências para os três primeiros golos, para o Samaris no meio-campo (não percebi porque é que depois do bom jogo na Taça ficou na bancada nos dois jogos seguintes) e para o Cervi, que vai melhorando de jogo para jogo (só lhe falta voltar a ser mais incisivo no ataque). O Chiquinho também esteve bem, especialmente na 2ª parte, mas precisa de afinar mais o remate. Quanto aos menos, novo jogo negativo do Gedson, que parece muito pouco à-vontade no lugar de extremo-direito.

Saímos todos satisfeitos do estádio e com desejo que isto seja a retoma exibicional tão ansiada. Teremos já no sábado a possibilidade de confirmar isto, com a recepção ao Rio Ave. Caso não aconteça, que ao menos ganhemos para manter a liderança isolada.

terça-feira, outubro 29, 2019

Pouca chama

Vencemos no domingo em Tondela (1-0) e, com a vitória do CRAC (3-0) frente ao antigo líder Famalicão, estamos agora ambos no 1º lugar com 21 pontos. Os jogos depois de jornadas europeias são sempre complicados e, ainda mais dos que nos outros, o que mais importa é sem dúvida ganhar. Por isso é que este jogo foi bom. Só por isso, acrescento.

Em relação à partida frente ao Lyon, entrou o Taarabt para o lugar do Rafa e o expectável regresso do Pizzi em vez do Gedson. Os primeiros 20’ fizeram-me crer que um pouco do Benfica do início de 2019 estava de volta. Tivemos alguma dinâmica, com o regresso do meio-campo titular (Florentino e Gabriel) defendemos muito mais à frente, o que faz com que recuperemos a bola mais rapidamente, e a nossa exibição prometia subir alguns patamares. No entanto, mesmo assim, não foi por isso que o Tondela deixou de ter as suas oportunidades, com o Vlachodimos a exibir-se a grande nível e a manter as nossas redes invioladas. Na sequência de um canto do Grimaldo na esquerda, aos 19’, inaugurámos o marcador numa cabeçada do Ferro, praticamente sem tirar os pés do chão e depois de contornar muito bem a um defesa. E, pronto, tudo de bom acabou ali. Estes primeiros 20’ (apesar das oportunidades do Tondela) não tiveram continuação durante o resto do jogo. Todo. Parecia que os jogadores do Benfica estavam seguros que o adversário não seria capaz de marcar e, por isso, a partida estava ganha. Até ao intervalo, não criámos mais perigo e ainda vimos o Tondela ter uma boa chance numa cabeçada por cima.

Na 2ª parte, se quisermos ver o copo meio-cheio, poderemos dizer que o Tondela não teve uma verdadeira oportunidade de golo. Se quisermos ver o contrário, poderemos dizer que rematámos pela primeira vez com (algum) perigo aos 75’(!), através do Chiquinho, que tinha substituído o inoperante Taarabt. Aliás, o marroquino não pode jogar a 10: abusa das tabelinhas (invariavelmente para trás), raramente se vira na direcção da baliza e o seu remate está longe de ser minimamente razoável. Só com a entrada do Chiquinho, tivemos a capacidade de levar o jogo para a frente, com alguma rapidez e tentando apanhar a defesa contrária em contrapé. Irá certamente ser titular dentro de pouco tempo, até porque demonstra alguma facilidade de remate e, nos tempos actuais, precisamos disso como do pão para a boca. E o jogo lá acabou, com a nossa vitória pela margem mínima que é o único facto que valerá a pena relembrar no futuro.

Em termos individuais, destaque para a dupla de centrais, com o Rúben Dias como um intransponível patrão e o Ferro a ser decisivo nos três pontos com o golo. Também o Vlachodimos foi muito importante com as suas intervenções na 1ª parte. De todos os outros, continuo a gostar da forma como o Cervi se entrega ao jogo: nunca vira a cara a luta, farta-se de ajudar o Grimaldo e, hoje em dia, já me dou por satisfeito só com isso.

Teremos agora uma série de jogos seguidos, com poucos dias de intervalo entre eles, e veremos como a equipa vai responder. Encantado da vida se continuarmos a ganhar, mesmo sem jogar bem, mas algo que me faz confusão em relação à época passada é precisamente esta falta de killer instinct. Era a nossa grande mais-valia no passado: só tentávamos deixar de tentar marcar golos quando o árbitro apitava para o final. Daí os 10-0 ao Nacional e as goleadas todas que infligimos. Ora, perdeu-se completamente isso este ano. E a saída do João Félix parece-me muito pouco como explicação. Só a falta de um jogador (por muito bom que seja) não deveria ser razão para tão grande mudança. É o que mais me preocupa actualmente: falta alegria a jogar à bola, algo que havia no passado e deu o resultado que deu. Ao invés, sinceramente, não vejo grande futuro a apresentar este nível de futebol. Oxalá me engane!

quinta-feira, outubro 24, 2019

Do céu

Derrotámos o Lyon pela margem mínima (2-1) e conseguimos finalmente a primeira vitória nesta edição da Champions. No entanto, há que ter a noção das coisas e dizer que tivemos muita sorte neste triunfo, porque a (digamos) qualidade do nosso futebol deixa imenso a desejar.

Novo jogo da Liga dos Campeões na Luz, novas surpresas no onze. O Pizzi ficou no banco e entrou o Gedson para o seu lugar e o Cervi para a esquerda. Saúde-se, no entanto, o regresso da dupla de meio-campo Florentino-Gabriel, que deu logo outra consistência defensiva. Falando em consistência defensiva, a nossa exibição resumiu-se praticamente a isso durante a maior parte do tempo. Marcámos logo aos 4’ numa jogada com alguns ressaltos e em que a bola acabou por ir parar aos pés do Rafa, que rematou sem hipóteses para o Anthony Lopes. Enquanto esteve em campo, o Rafa ainda imprimiu alguma velocidade nas transições, mas infelizmente ressentiu-se da lesão e foi substituído aos 20’ pelo Pizzi. E nós acabámos aí. O Lyon teve uma grande oportunidade na 1ª parte, mas o Grimaldo interceptou brilhantemente o remate do adversário, quando já só tinha o Vlachodimos pela frente. Nós só voltámos a fazer uma jogada de jeito perto do intervalo, com um centro atrasado do Tomás Tavares a encontrar o Seferovic, mas o remate deste de primeira foi muito bom... para o rugby.

Esperava-se que acordássemos um pouco na 2ª parte, mas não aconteceu. Ao invés, continuámos sempre a dar a iniciativa aos franceses, que também revelaram um futebol deveras confrangedor. O problema foi o de sempre: quando não se tenta matar o jogo (as transições atacantes praticamente não existiam), acaba-se invariavelmente por sofrer um golo. Foi o que se passou aos 70’ através do holandês Memphis Depay, de longe o melhor jogador deles, a rematar cruzado depois de um centro largo para a área não ser interceptado por nenhum defesa nosso. Entretanto, já tinha entrado o Carlos Vinícius para o lugar do também lesionado Seferovic e a pouco mais de 10’ do fim, arriscámos com o Raúl de Tomás a substituir o esgotadíssimo Cervi. A cinco minutos do fim, o Pizzi lembrou-se que estava em campo e arrancou um remate de fora da área, que embateu no poste. No minuto seguinte, recebeu uma bola vinda directamente das mãos do Anthony Lopes(!) e atirou de longe para a baliza deserta. Com um golo caricato e repetível uma vez em cada 100, lá ganhámos finalmente um jogo na Liga dos Campeões, mantendo-nos desta maneira na luta pelo apuramento para os oitavos-de-final.

Em termos individuais, gostei imenso do Cervi, que se destacou especialmente nas tarefas defensivas. Aliás, não percebo que mal terá feito o argentino para ter muito menos oportunidades do que a abécula do Caio Lucas... O Rafa estava a prometer ser o melhor em campo, mas saiu muito precocemente (e vamos ver quanto tempo estará de fora com a reincidência da lesão...). Os centrais Rúben Dias e Ferro também estiveram quase intransponíveis e o Grimaldo subiu igualmente de produção em relação a partidas anteriores. A dupla de meio-campo Florentino-Gabriel permite-nos jogar mais à frente, embora não tenhamos aproveitado isso ontem.

Não há como esconder: estamos a jogar um futebol péssimo. O Lyon igualou a 20’ de fim, mas nem assim conseguimos acelerar o jogo para criar desequilíbrios. Aliás, as lentas trocas de bola exasperaram muitas vezes os adeptos. Sinceramente não sei o que se passa, porque a equipa é praticamente a mesma do ano passado e custa a perceber uma descida tão abrupta na qualidade de futebol, mesmo levando em conta a saída do João Félix. O que se passa, Benfica?

P.S. – Este marasmo deve ser contagioso, porque estiveram 53.035 espectadores no estádio e por vezes consegui ouvir(!) os jogadores a falarem em campo. Qualquer semelhança com o “Inferno da Luz” é pura coincidência.

segunda-feira, outubro 21, 2019

Normal

Vencemos o Cova da Piedade em Almada (4-0) na 6ª feira e qualificámo-nos para a 4ª eliminatória da Taça de Portugal. Foi uma vitória natural e expectável, mas que só se confirmou em pleno na 2ª parte.

Depois da paragem para as eleições e selecção, o Bruno Lage utilizou naturalmente grande parte dos titulares, até porque vem aí um jogo muito importante frente ao Lyon. No entanto, a 1ª parte foi muito lenta, na senda do que vínhamos fazendo até agora. O Cova da Piedade fechou-se muito bem na defesa, embora raramente tenha passado de meio-campo. Quando se esperava um nulo ao intervalo, abrimos o marcador em cima dos 45’ através do Pizzi, depois de uma boa tabelinha com o Carlos Vinícius, numa das poucas jogadas de jeito que fizemos na 1ª parte. O próprio Pizzi já tinha falhado escandalosamente um golo praticamente feito, em que foi isolado pelo mesmo C. Vinícius e permitiu a defesa do guarda-redes.

A 2ª parte foi bem mais tranquila, não só porque já estávamos a ganhar, como principalmente pelo facto de termos marcado o segundo golo logo aos 49’: bis do Pizzi, numa recarga a um remate do Raúl de Tomás, defendido para a frente pelo guarda-redes. A eliminatória ficou decidida e a dúvida era saber quantos golos marcaríamos. Aos 64’, fizemos o terceiro através do C. Vinícius na sequência de um engano do Caio Lucas, que conseguiu (ao menos uma vez na vida!) ganhar uma bola a um adversário na linha, tendo tirado partido de uma tabela involuntária com as pernas dele (claro... só assim é que conseguiu!). O jogo ainda deu para o regresso do Florentino, depois da malfadada lesão em Braga e fechámos o marcador já na compensação com novo golo do C. Vinícius, num remate muito forte, depois de uma boa insistência do entretanto entrado Gedson.

Em termos individuais, destaque para os marcadores dos dois golos, Pizzi e C. Vinícius, com o brasileiro a manter uma média muito interessante de golos por minutos. Tirando os golos, o melhor para mim foi o Samaris, com muito mais dinâmica do que em jogos anteriores, sempre em cima do lances e a recuperar inúmeras bolas. O Raúl de Tomás continua com uma relação difícil com a baliza, ou é o guarda-redes, ou um defesa ou o remate que é fraco demais, ou tem mais azares que os outros avançados todos juntos. É provavelmente tudo isso, mas lá que está a ser difícil marcar lá isso está. Quanto ao Caio Lucas, acho que já se pode dizer que preenchemos o mínimo exigível no âmbito da “quota Carrilho” e em Dezembro poderemos desejar-lhe “boa sorte para o resto da carreira”. Não dá mesmo.

Veremos o que nos reserva a próxima eliminatória da Taça, mas agora está na altura de nos concentrarmos na Champions, porque vem aí um jogo decisivo para a continuidade nas provas europeias e seria muito mau que assistíssemos à Europa no sofá em 2020. O que será o desfecho mais provável caso não ganhemos ao Lyon.

quinta-feira, outubro 17, 2019

Luxemburgo e Ucrânia

Jornada dupla agridoce da selecção nacional: vencemos o Luxemburgo por 3-0 na passada 6ª feira, mas perdemos na Ucrânia por 1-2 na 2ª feira e deixámos a qualificação para ser decidida nos últimos dois jogos em Novembro.

Contra os luxemburgueses, fizemos o que se esperava, com golos do Bernardo Silva na 1ª parte, e do Cristiano Ronaldo e Gonçalo Guedes na 2ª. O adversário nunca deu muita luta e a vitória foi mais que natural. Já contra os ucranianos, as coisas piaram mais fino. Entrámos muito mal no jogo e a 1ª parte foi para esquecer, de tal modo que fomos para o intervalo a perder por 0-2. Na 2ª parte, carregámos sobre os ucranianos, mas sem grande inspiração. Ainda reduzimos para 1-2 aos 73’ num penalty do C. Ronaldo (que fez assim o 700º golo da carreira), mas não conseguimos aproveitar o facto de o adversário ter ficado com dez até final. Há que dizer, no entanto, que tivemos algum azar, com uma bola ao poste do Danilo mesmo em cima dos 90’.

Iremos ao Luxemburgo e receberemos a Lituânia em Novembro, e duas vitórias dar-nos-ão a qualificação directa para o Euro 2020 no 2º lugar do grupo. Seria um escândalo que não o conseguíssemos.

sexta-feira, outubro 11, 2019

E agora para algo (mesmo) muito importante

Não poderia estar mais de acordo com isto. A direcção do Sport Lisboa e Benfica não pode ser conivente (por omissão) com um excremento.

Esta é uma carta aberta escrita para a Tribuna Expresso e dirigida à direção do clube da Luz e é sobre alguém que chegou ao Parlamento e que é "conhecido apenas e só por ser do Benfica"

Somos um pequeno grupo de benfiquistas que vem por este meio expressar indignação perante um facto que já passou todos os limites: André Ventura usou e usa o Benfica para criar uma persona política. 

A instrumentalização política do Benfica é errada por princípio.

Neste caso, é ainda mais grave, porque o Chega é um partido de extrema-direita abertamente anti-sistema e xenófobo, isto é, um partido que é a negação da identidade do Benfica. 

O clube de Eusébio, Coluna, Renato e Gedson, entre outros, não pode ser associado a uma figura xenófoba. 

A claque do Benfica tem brancos, mestiços e negros. O Benfica é um clube de angolanos, cabo-verdianos, moçambicanos.

O Benfica é clube mais popular de Portugal, é de ricos e pobres, de brancos e negros, de muçulmanos e ciganos. A direcção do Benfica não pode continuar a pactuar com a evidência mediática: o Chega chegou ao parlamento porque é liderado por uma personagem que é conhecida apenas e só por causa do Benfica. 

Com os melhores cumprimentos,

Jacinto Lucas Pires 
Henrique Raposo 
Pedro Norton 
José Eduardo Martins 
Ricardo Araújo Pereira