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segunda-feira, setembro 19, 2022

Mão-cheia

Goleámos ontem o Marítimo na Luz (5-0) e alcançamos a 13ª vitória consecutiva. Para além disso, fruto de mais uma jornada quase perfeita, aumentámos a vantagem para o CRAC para cinco pontos (empatou 1-1 no Estoril, com um penalty já nos descontos) e para a lagartada para onze (perdeu no Bessa por 1-2). Quem está mais perto de nós continua a ser o Braga (2-0 em casa ao Vizela), a apenas dois pontos.
 
Entrámos em campo já conhecedores dos resultados dos rivais e sabendo que, defrontando o último classificado só com derrotas, era uma ocasião que não poderíamos desperdiçar. O Marítimo justificou a razão de estar no lugar que está e estacionou o autocarro durante a maior parte do tempo. O Roger Schmidt colocou o Aursnes no lugar do Florentino e foi a única alteração que fez em relação a Turim. Não entrámos com a impetuosidade habitual, mas inaugurámos o marcador aos 28’ numa tabelinha entre o Gonçalo Ramos e o Rafa, que o extremo concretizou só com o guarda-redes pela frente. Felizmente longe vão os tempos em que o Rafa falhava nove em 10 oportunidades destas...! Até ao intervalo, deveríamos ter resolvido a partida, com o João Mário e o Gonçalo Ramos a falharem imperdoavelmente dois golos feitos.
 
Não resolvemos antes do intervalo, resolvemos logo a seguir: aos 47’ centro do Bah na direita, na primeira vez que foi à linha (a sério, alguém lhe atou uma corda na 1ª parte...?!), e desvio vitorioso de calcanhar do Gonçalo Ramos, com o guarda-redes Miguel Silva ainda a tocar, mas sem conseguir impedir o golo. Com o que o Marítimo (não) mostrava, ficou a sensação de que o jogo estava decidido, mas felizmente a versão 22/23 do Glorioso não se satisfaz com pouco. À passagem da hora de jogo, grande jogada do Enzo Fernández na direita e estoiro do António Silva ao poste! Até que, aos 64’, tudo ficou decidido de vez com o Rafa a isolar brilhantemente o Gonçalo Ramos para um bis, picando a bola por cima do guarda-redes, que voltou a tocar-lhe. O Roger Schmidt começou, e bem, a gerir o esforço da equipa e tirou o Enzo Fernández e Rafa para as entradas do Florentino e Draxler. O João Mário é que não estava nos seus dias e falhou uma segunda bola completamente isolado frente ao guarda-redes, mas aos 82’ uma recuperação muito à frente do Florentino sobrou para o David Neres, que rematou rasteiro e colocado, fazendo o 4-0. Entretanto, já tínhamos novos laterais, com o Gilberto e o Ristic, que viram em campo a estreia do Draxler a marcar com o manto sagrado, num autêntico balázio aos 88’ (sinceramente não me lembro da última vez que vi uma bola entrar e sair logo a seguir da baliza...!). Até final, ainda deu para a estreia do central John Brooks para a saída do muito aplaudido António Silva.
 
Em termos individuais, o Rafa foi o melhor do Benfica, com um golo, uma assistência e muito dinamismo na frente. O Enzo Fernández, à semelhança da equipa, subiu imenso na 2ª parte e aquela jogada brilhante merecia que o poste não a tivesse estragado. O Gonçalo Ramos voltou aos golos, e logo a dobrar, e isso é fundamental num ponta-de-lança. O António Silva não estou muito bem a ver como é que vai sair da equipa quando regressarem os lesionados. A continuar assim, não sai mesmo. O Aursnes é mesmo reforço, com a vantagem de fazer os dois lugares de meio-campo. O Bah precisa de procurar mais vezes a linha. Na 1ª parte, chegou a exasperar-me pela quantidade de vezes que vinha para trás...
 
Foi um triunfo categórico na véspera de o campeonato parar por causa das selecções. O estádio transbordou de felicidade ontem, especialmente na 2ª parte. Voltámos finalmente a ter dias felizes, com futebol muito atraente e resultados a condizer. Já não era sem tempo!

sexta-feira, setembro 16, 2022

Soberbo

Vencemos a Juventus em Turim (2-1) na 4ª feira e conseguimos uma vantagem de seis pontos perante eles, decorridas que estão duas jornadas da Champions. Foi um jogo brilhante da nossa parte, com um triunfo muito justo e que peca por defeito. Há 25 anos que não vencíamos em Itália, mas matámos o borrego!
 
Na casa do principal adversário ao 2º lugar no grupo, o Roger Schmidt não vacilou e colocou a equipa habitual. Ou seja, não reforçou o meio-campo com o Aursnes. No entanto, não entrámos nada bem na partida e sofremos o 0-1 logo aos 4’: livre para a nossa área e o Milik a cabecear completamente à vontade sem hipóteses para o Vlachodimos. Trememos um bocado nos minutos seguintes e valeu-nos a fraca pontaria dos adversários contrários, com remates que não chegaram à nossa baliza. Começámos a responder por volta dos 20’ e uma cabeçada do Gonçalo Ramos em excelente posição foi direita para as mãos de Perín. Pouco depois, foi o Rafa a atirar em arco com a bola a embater em cheio no poste. Por esta altura, já nós estávamos mais do que por cima do jogo e a merecida igualdade surgiu aos 43’ numa pisadela sobre o Gonçalo Ramos que o VAR assinalou, com o João Mário a não tremer na altura do penalty (escusado era ter levado um amarelo, ainda que forçado, pelos festejos).
 
Na 2ª parte, a nossa superioridade foi aumentando, embora a primeira chance fosse dos italianos, com um remate do Milik que desviou no João Mário, obrigando o Vlachodimos a corrigir a trajectória em pleno voo. No entanto, aos 55’ demos a volta ao marcador com o 2-1 através do David Neres numa recarga a um remate do Rafa bem defendido pelo Perín, depois de uma jogada brilhante do Enzo Fernández e de um possível penalty não assinalado sobre o Gonçalo Ramos (pareceu-me claramente empurrado). Nos minutos seguintes, demos um verdadeiro show com uma série de oportunidades para fechar o encontro: um corte providencial do Bonucci a um remate do Bah que ia lá para dentro, remate de fora da área do Rafa defendido pelo Perín, que também defendeu outro do David Neres com o pé direito. Entretanto, já tinha entrado o Di María, que agitouum pouco as águas, embora tenha sido do também entrado Kean um centro-remate que terminou no nosso poste. O Schmidt foi fazendo alterações a partir dos dez minutos finais e, em cima dos 90’, o central Bremer atirou por cima quando estava em boa posição. Praticamente no último lance da partida, falhámos inacreditavelmente o terceiro golo por inépcia do Chiquinho, que tinha substituído o Neres, depois de uma boa insistência do igualmente substituto Musa, que, todavia, não esteve bem no último passe que seria para o Diogo Gonçalves, tendo depois a bola sobrado para o nº 22.
 
Em termos individuais, há vários destaques a fazer: grande jogo do David Neres, Enzo Fernández e Florentino. O primeiro, depois de um início fraco, abriu o livro e foi um quebra-cabeças para os italianos, os outros dois encheram o campo: recuperações, transições atacantes, you name it...! O Rafa também esteve em destaque com bons remates, um dos quais ao poste, e o outro do qual resultou o segundo golo. Na defesa, custa a acreditar que o António Silva não tenha sequer meia-dúzia (literalmente!) de jogos na equipa principal, o Bah sofreu bastante na parte inicial (continua a parecer-me que é bem melhor a atacar do que a defender), mas subiu imenso no segundo tempo, e o Otamendi e Grimaldo fizeram valer a sua experiência. O Gonçalo Ramos lutou imenso na frente e acabou por ter participação directa nos dois golos. O João Mário não se esconde nestes grandes jogos e o Vlachodimos resolveu bem o pouco trabalho que acabou por ter. Quanto a quem entrou, o Aursnes continua a convencer-me, ao invés do Diogo Gonçalves (fez logo uma falta disparatada e perigosa quando entrou, e parece uma barata tonta a defender). Já o Chiquinho foi mais esclarecido a ajudar a defender, mas tem aquela intervenção desastrosa no lance que daria o terceiro golo. O Musa ainda conseguiu fazer essa jogada e o Draxler não teve tempo para se salientar.
 
É um triunfo que vai ficar na história por ter sido em casa de quem foi e da maneira que foi. Voltámos a ser convincentes e categóricos na Europa e, no fundo, a honrar a nossa história. Finalmente, três anos depois voltámos a jogar futebol e a demonstrar alegria em campo. Os resultados naturalmente aparecem assim. Já não era sem tempo!

segunda-feira, setembro 12, 2022

11ª vitória

Vencemos em Famalicão no passado sábado por 1-0 e continuamos 100% vitoriosos desde o início da temporada. Tal como resultado indica, foi um jogo muito complicado como costumam ser os entre jogos europeus, ainda para mais fora de casa. No entanto, a justeza do nosso triunfo não pode ser colocada em causa.
 
Com as expulsões do Gonçalo Ramos e João Mário frente ao Vizela, teria mesmo de haver alterações no onze-base, tendo entrado o Musa e se estreado o Draxler. O Famalicão só tinha um golo marcado em cinco jogos e só por uma vez colocou o Vlachodimos à prova, em cima do intervalo, com um remate fora da área. Foram nossas as melhores oportunidades, mas o guarda-redes Luiz Júnior começou a destacar-se, tendo impedido o David Neres, por duas vezes, e, principalmente, o Enzo Fernández de inaugurarem o marcador, embora o argentino tenha tido algum demérito na forma como rematou (fraco).
 
Para a 2ª parte, saiu o apagadíssimo Draxler, que não jogava há seis meses e está completamente fora dela, e entrou o Diogo Gonçalves. Mas a equipa também reentrou mais comprometida e começou a apertar mais o Famalicão. O Musa, numa das raras vezes que rematou à baliza, e o David Neres continuaram a manter as mãos do Luiz Júnior ocupadas, mas aos 63’ inaugurámos finalmente o marcador através do Rafa, num golo muito semelhante ao marcado aos israelitas: centro do Grimaldo na esquerda e desvio do nº 27. O Roger Schmidt já tinha planeado três substituições mesmo antes do golo e manteve-as, tendo entrado o Rodrigo Pinho, Bah e Chiquinho para as saídas do Musa, Gilberto e Neres. Tínhamos sangue fresco na frente, mas baixámos o ritmo e conseguimos mais ou menos controlar o jogo. A entrada do Aursnes para o lugar do Enzo Fernández a cinco minutos do final também foi nesse sentido. Não conseguimos criar mais perigo a seguir ao golo, mas também não deixámos o Famalicão fazê-lo.
 
Em termos individuais, destaque para o Rafa com o golo, para o Neres, que pareceu melhor do que nos últimos jogos, e para o Florentino no meio-campo. Ao invés, o Enzo Fernández terá feito o jogo menos conseguido desde que cá está e o Gilberto também não esteve feliz. O Musa é muito bom nas tabelinhas e combinações com os colegas, já rematar à baliza é algo que tem de ser (muito) melhorado... O Draxler deve precisar de uns tempitos para mostrar o que vale, porque seis meses sem tocar na bola é muito tempo.
 
Com esta estupidez de termos um Mundial em Novembro, o calendário não pára e temos jogos da Champions em semanas consecutivas. Iremos a Turim nesta 4ª feira, defrontar a Juventus, e veremos como será a resposta da equipa, dado que no sábado pareceu que, principalmente depois do golo, ela já estava a pensar no jogo europeu.

quinta-feira, setembro 08, 2022

Trabalhoso

Vencemos na 3ª feira o Maccabi Haifa na Luz por 2-0 e começámos da melhor maneira a Liga dos Campeões. Apesar de a nossa vitória ter sido indiscutível, o jogo não foi nada fácil perante a equipa com pior ranking de todas as que participam na Champions deste ano, mas que demonstrou a razão de ter eliminado o Olympiacos e o Estrela Vermelha.
 
Só com a habitual rotação na lateral direita, desta feita jogou o Bah em vez do Gilberto, a 1ª parte foi muito equilibrada e escassearam as oportunidades de golo. Só com um remate em arco do Rafa, bem defendido pelo guarda-redes Josh Cohen, criámos algum perigo. Do lado contrário, o Vlachodimos também foi posto à prova uma vez.
 
Ao intervalo, o Roger Schmidt promoveu a alteração do amarelado Gonçalo Ramos pelo Musa. Apanhámos um susto praticamente no recomeço, com uma perda de bola do Florentino, que deixou um adversário isolado, mas felizmente este não dominou bem a bola e o Vlachodimos fez bem a mancha. Reagimos logo a seguir, porque aos 49’ inaugurámos o marcador através de um desvio subtil do Rafa a centro do Grimaldo, na sequência de um bom desenvolvimento atacante, com o Musa a tocar para o Rafa e este a abrir na esquerda para o Grimaldo, que depois o assistiu. O Maccabi Haifa ainda voltou a assustar novamente, com um remate fora da área que não passou longe do alvo. Até que aos 54’ aconteceu o momento do jogo: golão do Grimaldo num remate de fora da área! A partir daqui, acalmámos um pouco o jogo e começámos a gerir a posse de bola, mas, com um pouco mais de calma e critério no último passe, poderíamos ter aumentado a vantagem, porque chegámos a ter superioridade numérica num par de lances. O Aursnes entrou para o lugar do apagado David Neres para segurar o meio-campo e os israelitas nunca mais se acercaram com perigo da nossa baliza. O Enzo Fernández fez um par de remates com algum perigo e, mesmo em cima dos 90’, atirou uma bola ao poste, que depois embateu nas costas do guarda-redes, mas foi para... canto.
 
Em termos individuais, destaque óbvio para o Grimaldo com um golão e uma assistência. Deveríamos mesmo tentar um esforço para lhe renovar o contrato, porque não estou a ver ninguém para o substituir nos tempos mais próximos. O Rafa também se destacou e não só pelo golo, ao contrário do Neres, que me parece estar a baixar de forma (já contra o Vizela foi muito fraco, pese embora o golão que marcou). Quem não me convenceu muito foi o Bah, embora esteja à vista que seja bom jogador, mas o Gilberto tem muito mais dinâmica neste momento e notou-se bem a diferença, especialmente na 1ª parte. O Enzo Fernández voltou a elevar o nível exibicional e pareceu mais fresco do que no último jogo. O Florentino também esteve bem, embora tenha tido aquele erro que nos poderia ter custado caro no início da 2ª parte. O Vlachodimos fechou a nossa baliza quando foi necessário.
 
Para a semana iremos a Turim, defrontar a Juventus, numa partida que irá definir muito da nossa sorte. Os italianos perderam (1-2) em Paris e será com eles que disputaremos o 2º lugar no grupo. Mas, já neste sábado, teremos a ida a Famalicão, naquele que é o principal objectivo da época. É bom que não nos esqueçamos disso.

domingo, setembro 04, 2022

Épico

Vencemos o Vizela na passada 6ª feira por 2-1 e mantivemos o registo 100% vitorioso neste início de época. Foi um jogo muito difícil dado que aos 75’ estávamos a perder e só marcámos o golo da vitória no final do período de descontos.
 
Era de prever que isto acontecesse: entrámos em campo só com o Gilberto em vez do Bah (para além da alteração forçada do lesionado Morato pelo António Silva) em relação à equipa que defrontou o Paços de Ferreira e, com o terceiro jogo em seis dias, a equipa ressentiu-se naturalmente do esforço. Confesso que não percebo bem esta gestão física: se o campeonato é o mais importante (e é!), porque é que não espaçámos mais os dias de descanso antes do jogo da Liga do Campeões? Em vez de ter três jogos em seis dias e depois quatro dias até ao encontro europeu, porque é que não fizemos o intervalo de quatro entre o Paços de Ferreira e o Vizela? Ainda por cima, tendo nós tido o Agosto que tivemos com as pré-eliminatórias. Foi notório o cansaço da equipa e a falta do sufoco habitual aos adversários, nomeadamente na 1ª parte. Atirámos, ainda assim, duas bolas aos postes (Gonçalo Ramos e João Mário num livre, esta desviada pelo guarda-redes), mas do lado contrário a bola que foi ao poste entrou! Foi aos 20’ num remate do Osmajic em que o Vlachodimos foi mal batido, porque defender aquele poste era da sua responsabilidade. O Vizela trocava bem a bola, mas assim que se viu em vantagem começou a abusar do antijogo, o que é típico nas equipas portuguesas. Tanto assim foi, que a 1ª parte teve logo quatro minutos de compensação.
 
Na 2ª parte, o Enzo Fernández teve dois remates muito mal colocados quando até estava em boa posição. O Rafa teve outro que foi à baliza, mas o guarda-redes Buntic encaixou. Do lado contrário, quando não estavam no chão, os jogadores do Vizela ainda fizeram um ou outro contra-ataque perigoso e estiveram quase a voltar a marcar num canto, mas felizmente o cabeceamento saiu ao lado. Cantos era o que nós tínhamos com fartura, mas as cabeçadas nunca atingiam o alvo. Um bom movimento do Gonçalo Ramos proporcionou ao Buntic a primeira defesa digna desse nome, num remate quase à queima-roupa à passagem da hora de jogo. A meio da 2ª parte, o Roger Schmidt mexeu finalmente na equipa, tirando o meio-campo titular (Florentino e Enzo Fernández) e colocando o Musa e o Aursnes. Com sangue novo, intensificámos a pressão, mas a bola estava difícil de entrar. A 15’ do fim, entrou o Bah para o lugar do estoirado Gilberto e aos 76’ finalmente conseguimos a igualdade num golo de fora da área do David Neres, ele que até estava a passar ao lado do jogo. A partir daqui, o Vizela foi completamente amassado, mas o António Silva e o Gonçalo Ramos, ambos em cantos, voltaram a não acertar na baliza de cabeça. Entretanto, o Sr. Fábio Veríssimo dava mostras de não saber controlar o jogo e encheu-nos de amarelos por protestos e por lances que nem falta foram (o do Gonçalo Ramos, por exemplo). Gonçalo Ramos, esse, que foi claramente derrubado na área no início da compensação e que... foi expulso por acumulação de amarelos! Decisão INACREDITÁVEL do Sr. Fábio Veríssimo, que nem sequer deu tempo de ir ao VAR! Com o antijogo que o Vizela fez, naturalmente que teve de haver 8’ de compensação e, apesar de estarmos com menos um jogador em campo, no último lance do jogo, o Rafa rematou de fora da área e um defesa contrário virou-se de costas, mas abriu-se demais o cotovelo, tendo a bola batido nele. O Sr. Fábio Veríssimo (nem sei como...!) assinalou penalty! É um lance que depende muito do critério do árbitro, mas o que é certo é que muitos ‘especialistas’ nos jornais disseram que foi a decisão certa, porque o jogador do Vizela aumentou a volumetria dos braços com aquela rotação. Para mim, o penalty sobre o Ramos é bem mais escandaloso, mas esse não foi marcado. O João Mário não tremeu e fez o 2-1 perante uma festa imensa no estádio. O que ele não pode fazer é esquecer-se que já tinha um amarelo (por protestos...) e ter tirado a camisola. Levou o segundo e acabámos o jogo com nove em campo. Como já se tinha esgotado há muito o tempo de compensação, o Sr. Fábio Veríssimo acabou o jogo logo a seguir, mas caso contrário a coisa poderia ter-se complicado.
 
Em termos individuais, e apesar deste esquecimento que não se pode voltar a repetir, o João Mário foi o melhor do Benfica. Parece que a veia goleadora o está a motivar e tanto na esquerda, como no meio depois da saída do meio-campo titular, foi dos mais esclarecidos em campo. O António Silva voltou a destacar-se e demonstra uma maturidade assinalável para quem ainda só tem 18 anos. Fez um corte na 2ª parte que levantou o estádio e foram dele os melhores passes a rasgar que fizemos. O Aursnes revelou novamente bastante esclarecimento, ainda por cima tendo entrado numa fase complicada do jogo. O Rafa é sempre importante nas acelerações, mas aquele último passe continua a precisar de ser aprimorado. Quanto aos outros, regra geral, notou-se a sobrecarga de jogos.
 
Como os outros dois também ganharam (ambos por 2-0, a lagartada no Estoril e o CRAC no Gil Vicente), mantivemos as distâncias de oito e três pontos, respectivamente. Caso sejamos felizes no final da temporada, lembrar-nos-emos deste jogo com um dos mais importantes. No entanto, agora não há tempo para pensarmos nisso dado que, nestes meses loucos até ao Mundial em Novembro, iremos na 3ª feira começar a Champions num jogo contra o Maccabi Haifa na Luz, em que temos absolutamente de ganhar se quisermos ter aspirações aos oitavos-de-final. Veremos como irá a equipa responder, especialmente em termos físicos.

quarta-feira, agosto 31, 2022

Complicado

Vencemos ontem o Paços de Ferreira (3-2) na Luz, em jogo em atraso da 3ª jornada, e assumimos a liderança isolada do campeonato com dois pontos de vantagem sobre o Braga, três sobre o CRAC e oito sobre a lagartada. Foi um triunfo bem mais complicado do que se estava à espera, dado que, apesar de só ter derrotas até agora e estar muito desfalcado por lesões (que pena que ainda não foi desta que voltámos a aplaudir o Gaitán...), o Paços apresentou bom futebol e fez-nos sofrer na parte final da partida.
 
Em relação à equipa-tipo, o Roger Schmidt só fez uma alteração com a entrada do Bah para o lugar do Gilberto. Entrámos da maneira habitual, muito pressionantes, mas também muito perdulários na frente. No entanto, até acabou por ser o Paços a ter a primeira grande chance com um centro rasteiro para a área que o Grimaldo, arriscando um autogolo, cortou para canto. Do nosso lado, o Gonçalo Ramos falhou à sua conta um par de oportunidades que deveriam ter entrado. Por outro lado, o Sr. Soares Dias voltou a revelar-se um adversário complicado e a equipa desconcentrou-se de um modo claro com algumas decisões suas especialmente na 1ª parte (a certa altura, depois de uma falta evidente não-assinalada sobre o Rafa, andou nitidamente a provocá-lo para ver se este respondia para lhe dar o segundo amarelo...). Por volta da meia-hora, ainda festejámos um golo do Otamendi, mas o lance foi invalidado por fora-de-jogo do Rafa, que fez a assistência. Aos 39’ aconteceu um balde de água fria, com o 0-1: canto, alívio do Morato para fora-da-área, remate de primeira do Antunes e desvio de cabeça do Koffi sem hipóteses para o Vlachodimos. Todavia, a nossa reacção até ao intervalo foi esmagadora. Fizemos o 1-1 aos 42’ através do David Neres, com um grande frango do guarda-redes Zé Oliveira. Pouco depois, o João Mário tem um remate rasteiro de fora-da-área ao poste e, já na compensação, o Zé Oliveira abalroa o Bah a saltar para a bola e inacreditavelmente o Sr. Soares Dias assinalou um penalty a nosso favor na Luz! Deve estar para cair um santo do altar! O João Mário atirou rasteiro, bem melhor do que no Bessa, e o guarda-redes não conseguiu defender, apesar de ter adivinhado o lado. Íamos para o intervalo em vantagem, o que pareceu muito imporovável especialmente depois de termos sofrido o golo tão perto dos 45’.
 
Esperava-se que alargássemos a vantagem no início da 2ª parte para que pudéssemos fazer a gestão do esforço, dado que estamos com uma sobrecarga de jogos. E voltámos ter um golo (bem) invalidado pelo VAR, porque o Bah estava em fora-de-jogo, depois de uma abertura do Rafa. No entanto, aos 56’ marcámos mesmo o 3-1 através de um desvio do Gonçalo Ramos a corresponder à ponta-de-lança a um centro da esquerda do João Mário, depois de uma abertura do Rafa. Uma vantagem de dois golos era mais confortável, mas só com três é que eu fico descansado. E tivemos mais do que uma oportunidade para a ter, em especial pelo Gonçalo Ramos, que rematou de modo um pouco displicente, quando foi isolado pelo Rafa. Pouco depois, o avançado português foi substituído pelo Musa, que também falhou à sua conta um golo cantado. O Paços de Ferreira não criava perigo, o Enzo Fernández ia marcando um golão de fora-da-área, com a bola a bater na rede superior e o Roger Schmidt começou a gestão física da equipa, ao retirar o (apagado) David Neres e o Rafa, fazendo entrar o Diogo Gonçalves e o Henrique Araújo. Logo a seguir a estas substituições, o jogo voltou a reabrir com o 2-3 aos 80’: buraco no lado esquerdo da nossa defesa, centro para a área e desvio do Koffi, que assim poderá contar aos netinhos que bisou no estádio da Luz. De repente, estávamos na iminência de ter uma parte final sofrida, quando nada o faria prever. E podê-la-íamos não ter tido se o Henrique Araújo não tivesse falhado logo a seguir um golo feito, ao atirar por cima quase na pequena-área, depois de assistência do Musa, que não foi nada egoísta, já que poderia ter rematado. No entanto, este falhanço ia saindo-nos caro, já que o Paços no último lance da partida se acercou com perigo da nossa baliza, com um centro largo para a área que felizmente ninguém conseguiu desviar. Suspirámos todos de alívio quando surgiu o apito final!
 
Em termos individuais, o João Mário com um golo e uma assistência voltou a ser considerado o homem do jogo, mas eu gostei novamente bastante do Florentino, que qualquer dia está a recuperar uma bola ao guarda-redes contrário! Enquanto teve forças, o Enzo Fernández esteve ao seu nível habitual, mas começa a preocupar-me a quantidade de minutos que tem sem nenhum descanso. Por exemplo, frente o Dínamo Kiev e o Boavista, com o jogo decidido algum tempo antes dos 90’, o Roger Schmidt devê-lo-ia ter substituído mais cedo. O David Neres, apesar do golo, fez o jogo mais fraco até agora e na 1ª parte estragou dois contra-ataques em que estávamos com superioridade numérica. O Gonçalo Ramos marcou um golo, mas ficou a dever-nos outros dois e o Henrique Araújo deve ter falhado o golo mais fácil da sua carreira. O Rafa, com as suas acelerações, é sempre um desequilibrador, mas por vezes não se desembaraça da bola no timing devido. O Vlachodimos sofreu dois golos sem ter feito nenhuma defesa. O Diogo Gonçalves voltou a mostrar a necessidade de ainda irmos a tempo de arranjar outra opção válida para extremo.
 
Iremos jogar novamente já na 6ª feira frente ao Vizela, na Luz, antes do início da Champions. Têm sido sessões contínuas, mas acho que a equipa se começa ressentir fisicamente, porque os últimos 20’ do jogo de ontem foram bastante abaixo do que costumamos fazer. Veremos como será a resposta nos jogos seguintes e o que este último dia do mercado nos reserva.

segunda-feira, agosto 29, 2022

Assertivo

Vencemos no sábado o Boavista no Bessa por 3-0 e mantemos um registo 100% vitorioso desde o início da temporada. Aliás, todas as jornadas deveriam ser assim, já que o CRAC foi derrotado em Vila do Conde frente ao Rio Ave por 3-1 e a lagartada perdeu em casa frente ao Chaves por 0-2. Dois primodivisionários a roubarem seis pontos aos nossos rivais... Que maravilha!
 
O jogo no Bessa começou muito repartido, com o Boavista a conseguir equilibrar as coisas durante os primeiros 15’. Com a expulsão do Otamendi frente ao Boavista, o Roger Schmidt deu oportunidade ao António Silva de se estrear oficialmente com o manto sagrado e o jovem central correspondeu bem, ainda por cima porque viu o amarelo logo aos 7’ e conseguiu conter-se até final. A partir do quarto-de-hora, começámos a tomar conta da partida e a acercarmo-nos com algum perigo da baliza contrária, até que aos 30’ inaugurámos o marcador numa cabeçada do Morato num canto marcado pelo David Neres, sem levantar os pés do chão. Até ao intervalo, o Gonçalo Ramos viu um bom remate seu desviado pelo pé do guarda-redes César e mesmo em cima dos 45’ o João Mário teve um dos falhanços da temporada, ao atirar para fora com a baliza escancarada, depois de uma assistência do Rafa. Fiquei mais do que fulo com ele, o que valeu foi que compensou na 2ª parte.
 
Nos segundos 45’, o Boavista voltou a entrar atrevido, mas fomos nós a criar as melhores oportunidades, nomeadamente um desvio subtil do Rafa a rasar o poste. À passagem da hora de jogo, o Roger Schmidt mexeu a triplicar na equipa, com as entradas do Bah, Diogo Gonçalves e Musa para os lugares do Gilberto, David Neres e Gonçalo Ramos. E a equipa melhorou com as substituições, tendo os níveis físicos subido, dado que estes jogadores estão bem mais frescos do que os titulares. Aos 63’, fizemos o 2-0 num centro do Grimaldo que o Musa amorteceu para o João Mário se começar a redimir do clamoroso falhanço em cima do intervalo, com um remate forte que ainda foi ligeiramente desviado pela perna de um defesa. Com o Boavista a tentar responder, o jogo ficou de feição para os nossos contra-ataques e o Rafa atrapalhou-se com a bola quando estava em boa posição. Aos 79’, o VAR assinalou (e bem) um penalty a nosso favor a castigar falta sobre o Musa, que o sr. João Pinheiro não viu, e o João Mário fez o bis enganando o guarda-redes (que, se tivesse adivinhado o lado, teria defendido nas calmas, mas o que interessa é que foi lá para dentro). Até final, ainda deu para as estreias do Aursnes (bom toque de bola) e do Ristic.
 
Em termos individuais, o melhor para mim foi o Florentino, que encheu novamente o campo e fez cortes providenciais. O Enzo Fernández nunca joga mal e aproveitemos bem para o ver que para o ano já não estará cá de certeza. O João Mário acabou por se redimir com os dois golos, mas aquele falhanço é inconcebível. O Gonçalo Ramos ainda estava algo inferiorizado com o choque de cabeças com o Rafa no jogo anterior, mas mesmo assim teve um bom remate que merecia melhor sorte. A defesa acabou por não ter grande trabalho, com o Vlachodimos sempre atento e a resolver bem o pouco que foi necessário.
 
Com a lagartada no 13º lugar com 4 pontos e a derrota do CRAC, iremos amanhã colocar o calendário em dia com a recepção ao Paços de Ferreira. Uma vitória colocar-nos-á em 1º lugar isolados, o que é sempre bom. Mas há que ter a concentração no máximo, especialmente porque estamos com muitos jogos em poucos dias e os deslizes são mais frequentes nestas ocasiões. No entanto, é uma oportunidade de ouro de começar a colocar pressão nos rivais que não podemos desperdiçar!

quarta-feira, agosto 24, 2022

Na Champions

Vencemos o Dínamo Kiev por 3-0 na 2ª mão do play-off e, pela 12ª vez em 13 épocas, qualificámo-nos para a Liga dos Campeões. Foi uma vitória construída na 1ª parte e a nossa superioridade foi incontestável, perante um adversário que tem os condicionalismos que todos sabemos e lamentamos.
 
Com o adiamento da 3ª jornada, tivemos uma semana para preparar as duas mãos e isso foi notório no modo como entrámos em campo. Com a equipa-tipo, começámos a todo o gás e submetemos os ucranianos a uma pressão intensa que poderia ter resultado em golo bastante mais cedo. Logo nos primeiros minutos, foi o Rafa a não conseguir desviar a bola do guarda-redes, depois o Grimaldo num livre fez a bola ainda tocar no poste e o David Neres num pontapé de bicicleta proporcionou ao guarda-redes Bushchan uma defesa complicada. Mas finalmente aos 27’ inaugurámos o marcador através do Otamendi, de cabeça, a corresponder bem a um centro do Neres na sequência de um canto. A partir daqui, diminuímos um pouco o ritmo, mas o Dínamo Kiev não conseguia criar perigo. Até que a cinco minutos do intervalo, um erro incrível do Syrota, num atraso mal medido, converteu-se numa assistência para o Rafa fazer o 2-0. Dois minutos depois, aos 42’, fizemos o resultado final num contra-ataque bem delineado, em que o Gonçalo Ramos assistiu o Neres para um golo de belo efeito, num remate em arco sem hipóteses para o guarda-redes.
 
Confesso que, para a 2ª parte, desejei que o Roger Schmidt fizesse logo as cinco substituições para que o resultado não se avolumasse mais, porque tudo o que os ucranianos não precisavam era de levarem um cabaz cheio. Não precisavam, nem mereciam. O segundo tempo começou praticamente com um choque de cabeças muito feito entre o Rafa e o Gonçalo Ramos, que levou a que o nosso avançado tivesse de ser substituído – e levado 15(!) pontos – pelo Musa, que assim fez a estreia com a gloriosa camisola. Tentámos sempre fazer um futebol positivo, mas sem a intensidade da 1ª parte. Uma boa jogada do Neres culminou num remate relativamente frouxo e outro do entretanto entrado Diogo Gonçalves também foi parar às mãos do guarda-redes. Já perto do fim, foi o Enzo Fernández quase na pequena-área a acertar igualmente no Bushchan. A única ocasião em que o Dínamo Kiev esteve perto de marcar teria sido um golo do outro mundo, num remate ainda antes do meio-campo, que bateu na rede superior da baliza do Vlachodimos. Não me custa nada a admitir que, se tivesse entrado, eu teria aplaudido o golo de pé.
 
Em termos individuais, o David Neres terá sido dos melhores em campo. Quiçá motivado pela presença do seleccionador brasileiro, deu cabo da cabeça aos adversários, principalmente na 1ª parte. Outro que também se motivou nesta vinda foi o Gilberto, que voltou a fazer uma óptima partida. O Gonçalo Ramos não marcou, mas trabalhou imenso enquanto esteve em campo, o Rafa só sabe fazer as coisas a alta velocidade e o João Mário subiu o nível em relação a jogos anteriores. O Florentino e o Enzo Fernández foram as muralhas habituais no meio-campo e a defesa teve muito pouco trabalho. Os substitutos entraram com a eliminatória já resolvida e não se destacaram por aí além.
 
Temos de ser honestos: ao contrário de muitas vezes, tivemos sorte em ambos os sorteios neste acesso à Champions. Acabou por nos calhar, em ambos os casos, as equipas menos difíceis das que eram possíveis. No entanto, fizemos o nosso trabalho com louvor e distinção, e agora aguardemos pelo sorteio para ver até onde poderemos ir. Sabendo que este ano, por causa do Mundial, as jornadas da Champions serão muito menos espaçadas. Haja saúde e plantel para aguentarmos isso.

quinta-feira, agosto 18, 2022

Bem encaminhado

Vencemos hoje por 2-0 o Dínamo Kiev em Lodz e estamos em excelente posição para chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões. Fizemos uma exibição inteligente em grande parte do encontro, mas o resultado deveria ter sido um pouco mais dilatado, porque especialmente no segundo tempo relaxámos mais do que deveríamos e baixámos de produção.
 
Entrámos em campo com o onze base deste início de temporada e marcámos logo aos 9’ num óptimo remate do Gilberto, sem hipóteses para o guarda-redes, depois de uma jogada de envolvimento, em que a bola passou por vários jogadores nossos. Do outro lado, era o Tsygankov a visar mais a nossa baliza, mas felizmente os remates saíram ao lado. A meio da 1ª parte, o João Mário num remate em arco, com o guarda-redes batido, viu a bola rasar o poste, mas aos 37’ aumentámos a vantagem para 2-0 numa perda de bola adversária, com recuperação do David Neres e concretização do Gonçalo Ramos. Até ao intervalo, poderíamos ter fechado a eliminatória de vez, com remates do David Neres e Rafa a passarem muito perto do alvo. O Dínamo Kiev foi-se abaixo com a perda de bola de que resultou o segundo golo e nós deveríamos ter sabido aproveitar esse facto.
 
A 2ª parte foi mais dividida, porque não apresentámos uma pressão tão grande quanto na primeira, mas a nossa vitória nunca esteve em causa. Mesmo assim um remate de fora da área do David Neres obrigou o Bushchan a uma defesa a dois tempos. Com as substituições que serviram para fazer algumas poupanças, o nosso ritmo baixou consideravelmente e foram do Dínamo Kiev as melhores oportunidades até final, especialmente pelo Karavaev, porém o Vlachodimos voltou a demonstrar o quão pouco lógico é eventualmente estarmos a pensar num novo guarda-redes, com um trio de defesas que impediram que fôssemos para Lisboa com a vantagem mínima. No ataque, os substitutos não tomaram tão boas decisões quanto os titulares e, tirando uma cabeçada do Henrique Araújo num canto, não conseguimos criar muito perigo.
 
Em termos individuais, o Florentino foi um gigante no meio-campo, o Gilberto marcou um golo e penso que defende melhor do que o Bah (que entrou a meio da 2ª parte), o David Neres desequilibrou muito enquanto as pilhas duraram e o Gonçalo Ramos continua a molhar o bico. O Vlachodimos foi fundamental para manter a nossa baliza a zeros, o Enzo Fernández não sabe jogar mal e o João Mário melhorou imenso em relação ao Casa Pia. Menos bem, esteve o Morato com umas duas ou três perdas de bola em saídas a jogar, que poderiam ter sido comprometedoras, e o Yaremchuk que, entrando na 2ª parte, continua muito fora dela.
 
Numa boa decisão, até porque temos somente seis dias entre os dois jogos, adiámos a jornada do campeonato no fim-de-semana, para prepararmos melhor a 2ª mão. Temos tudo a nosso favor e teria de haver um resultado escandaloso na nossa própria casa para não nos qualificarmos. No entanto, nunca fiando e, como diz o Roger Schmidt, há que manter a concentração e não dar nada como garantido. Faltam somente 90’ para voltarmos à Liga dos Campeões.

quarta-feira, agosto 17, 2022

Difícil

Vencemos o Casa Pia em Leiria no passado sábado (1-0) e temos duas vitórias em dois jogos no campeonato. Depois de exibições bem conseguidas, chocámos de frente com o muro que é típico de muitas equipas do futebol português, de onze jogadores atrás da linha da bola, e sentimos enormes dificuldades para impormos o nosso futebol. Por outro lado, também me pareceu que a equipa acusou um pouco o esforço físico da sucessão de partidas.

Vicissitudes várias impediram de escrever sobre este encontro mais cedo, mas também não há muito para dizer sobre ele. Com o David Neres ainda fora da equipa, o golaço europeu valeu a titularidade do Diogo Gonçalves em vez do Chiquinho, mas a 1ª parte foi muito complicada, porque não conseguimos criar os desequilíbrios necessários para desorganizar a defesa do Casa Pia. Por isso mesmo, as oportunidades de golo rareavam e só um lance do Rafa com assistência para o Gonçalo Ramos é que esteve em vias de dar golo, mas um defesa contrário salvou perto da linha (embora me tenha parecido que a bola não entrasse). O Casa Pia só criava algum frisson com as arrancadas do Saviour Godwin, mas não chegaram para criar verdadeiro perigo para o Vlachodimos.

Para a 2ª parte, o Roger Schmidt trocou o apagado Gilberto pelo Bah e as coisas melhoraram um pouco. Aplicámos mais velocidade nas trocas de bola e começámos a criar mais perigo do que no primeiro tempo. No entanto, o Casa Pia aproveitou o nosso balanceamento atacante para também se acercar da nossa baliza. Felizmente, acabámos por marcar relativamente cedo (58’), numa jogada em que o João Mário abriu para o Rafa, que furou pela defesa contrária, centrou para a área e o Gonçalo Ramos antecipou-se a um defesa e depois desviou com mestria a bola do guarda-redes. Antes do golo, o Schmidt tinha duas substituições preparadas e manteve-as mesmo assim, tendo entrado o Yaremchuk e o Weigl para os lugares do Diogo Gonçalves e do amarelado Florentino (sim, porque isto com o sr. Tiago Martins nunca fiando...). A partir do golo, controlámos melhor o jogo, com o Casa Pia praticamente a nem se acercar do Vlachodimos e foram do Rafa as duas melhores chances até final, com dois remates perigosos de fora da área, mas a passarem ambos ao lado do poste. Mesmo em cima dos 90’, o sr. Tiago Martins não desiludiu e ainda conseguiu expulsar o Otamendi com um duplo amarelo, revelando uma dualidade de critérios gritante.

Em termos individuais, destaque para o Gonçalo Ramos pelo golo à ponta-de-lança e para o Rafa, porque foram dele as nossas jogadas de maior perigo. Quanto aos menos, o João Mário fez uma 1ª parte de fugir, mas depois acabou por estar no lance do golo, o Gilberto acusou algum cansaço e o Diogo Gonçalves também nunca será um David Neres.

Iremos agora saltar uma jornada do campeonato por causa do play-off da Champions, com a 1ª mão frente ao Dinamo Kiev já hoje à tarde. Muito do que será a nossa temporada passará por estes dois jogos. Estamos todos solidários com a Ucrânia, mas, como é óbvio, teremos de fazer aqui uma excepção.

quarta-feira, agosto 10, 2022

Fernando Chalana (1959-2022)

Nasceu num dia 10 (de Fevereiro) e partiu noutro dia 10 (de Agosto). Morreu hoje um dos mais geniais jogadores que tive o privilégio de ver com a camisola do Glorioso. Um jogador que faz parte das minhas primeiras memórias de infância e o primeiro 10 da minha vida. Foi com ele que aprendi que o nº 10, no futebol, é o número do craque da equipa. Quando era miúdo, tinha uma camisola branca do Benfica com o 10 nas costas. Tive uma grande tristeza quando o Bordéus o levou em 1984 e uma enorme alegria quando voltou três anos depois. Lembro-me, como se fosse hoje, da primeira finta que fez no jogo em que regressou, frente ao Salgueiros, em que o defesa-direito caiu(!) assim que o viu em direcção a ele. Foi um dos maiores de sempre e parte cedo demais. Descansa em paz, grande Chalana!


P.S. - Deixo aqui um post que fiz há uns anos, com alguns lances que exemplificam bem a genialidade que tivemos a oportunidade de assistir.

Tranquilo

Voltámos a vencer ontem o Midtjylland por 3-1 e qualificámo-nos para o play-off da Liga dos Campeões. Com a vantagem de 4-1 da 1ª mão, esperava-se que controlássemos bem o jogo, mas não deixássemos de tentar mais uma vitória, tão importante que é para o nosso ranking na UEFA. Mas o Benfica deste ano continua a dar mostras de que só tenta deixar de marcar golos quando o árbitro apita para o final, o que é uma melhoria significativa em relação ao que temos visto nos últimos anos.

Com a lesão do David Neres, entrou o Chiquinho para o seu lugar, mas de resto o Roger Schmidt manteve a mesma equipa que vem alinhando desde o início da pré-temporada. Entrámos concentrados, que era o que se pedia, mas sempre tendo em vista a baliza contrária. Aos 23’, começámos a fechar a eliminatória de vez, com um golo do Enzo Fernández a cruzamento do Gonçalo Ramos. A seguir ao golo, desconcentrámo-nos um bocado na defesa e os dinamarqueses só não marcaram graças a boas intervenções do Vlachodimos. Uma questão a rever para o futuro.

Para a 2ª parte, o Schmidt deixou, e bem, os amarelados Gonçalo Ramos (que cartão tão estúpido, a colocar-se em frente à bola num livre, já com o 1-0 a nosso favor; se falhar algum jogo europeu importante por acumulação de cartões, vai lembrar-se bem deste lance...!) e Rafa e fez entrar o Yaremchuk e Henrique Araújo. E o madeirense não precisou de muito tempo para molhar o bico, com um excelente cabeceamento aos 56’ a responder a um cruzamento do João Mário. Estava tudo decidido, mas os dinamarqueses reduziram para 1-2 aos 63’ numa recarga do Sisto a um cabeceamento ao poste de um colega. Apesar deste golo, o Midtjylland nunca esteve perto de igualar e fomos nós a fechar o resultado em 3-1 com um golão do entretanto entrado Diogo Gonçalves, num remate ao ângulo de fora da área. Em cima dos 90’, o VAR assinalou um fora-de-jogo, que impediu os dinamarqueses de chegarem à margem mínima que, a bem da verdade, não era merecida.

Em termos individuais, destaque para o Enzo Fernández: três jogos oficiais, três golos e isto num nº 8! Que saudades do Taarabt e dos seus dois golos em 129 jogos...! Também voltei a gostar imenso do Florentino, que está a construir uma dupla fantástica com o argentino. A defesa não esteve tão segura como habitualmente e teve algumas desconcentrações que não deveriam ter acontecido. O Henrique Araújo entrou muito bem e tem um faro de golo que não engana.

Iremos agora defrontar o Dinamo Kiev no play-off e não teremos jogo do campeonato a meio da eliminatória, pelo que se espera que estejamos fresquinhos para conseguir a tão desejada qualificação para a Liga dos Campeões. No entanto, antes disso, já neste sábado vamos apadrinhar o regresso do Casa Pia ao campeonato e só é pena que o jogo não seja em Pina Manique.

segunda-feira, agosto 08, 2022

Início goleador

Entrámos bem no campeonato na 6ª feira passada, com um triunfo por 4-0 frente ao Arouca. Apenas três dias depois da excelente exibição europeia, o Roger Schmidt apostou no mesmo onze e a resposta foi positiva, apesar de se perceber que a equipa não estava (nem podia estar) a 100% em termos físicos.
 
Perante um adversário que muitas vezes tinha quase 11 homens na grande-área, tivemos o condão de desbloquear muito cedo o jogo com o 1-0 a surgir logo aos 8’ numa cabeceamento fulgurante do Gilberto a centro do Grimaldo. Depois do golo, adoptámos uma postura mais calma e com menos correrias do que na 3ª feira passada, mas sempre a controlar bem o adversário e à espreita de uma falha que potencializasse um contra-ataque. Aos 34’, tivemos um contratempo com a lesão do João Mário, que o obrigou a ser substituído pelo Chiquinho. Do modo como a partida se estava a desenrolar, era muito importante que chegássemos ao intervalo com uma vantagem superior para que pudéssemos ter um segundo tempo relaxado, algo que acabou por acontecer a dobrar: aos 42’, o Rafa fez o 2-0 de cabeça(!), numa recarga vitoriosa a um cabeceamento ao poste do Gonçalo Ramos, e, em cima do intervalo, o Enzo Fernández fez o terceiro golo num remate de primeira à entrada da área, depois de um mau alívio adversário. Entre os dois golos, o Sr. Manuel Mota, alertado pelo VAR Vasco Santos, trocou um amarelo por um vermelho para um jogador que derrubou o Rafa, quando este ficaria em boa posição. Como o nosso jogador estava desviado para a esquerda, se calhar, eu não o teria expulso, mas de qualquer maneira o jogo já estava bastante a nosso favor com dois golos de vantagem.
 
Na 2ª parte, contra dez jogadores, a vitória estava mais do que decidido, mas mesmo assim jogámos sempre um futebol positivo e a tentar aumentar a vantagem. Algo que foi conseguido já muito perto do final (86’) com o bis do Rafa, assistido com um centro da direita pelo entretanto entrado Bah, desmarcado pelo também substituto Yaremchuk. Entretanto, o Roger Schmidt já tinha aproveitado para rodar um pouco a equipa, com as entradas do Weigl e do Bah, mas provavelmente devê-lo-ia ter feito um pouco mais cedo.
 
Em tempos individuais, destaque evidente para o Rafa com o seu bis e para a enorme alegria que está a exibir quando está em campo. O Enzó Fernández é uma delícia ver no meio-campo, bem secundado novamente pelo Florentino. A defesa não teve grande trabalho e o Gilberto e o Grimaldo aproveitaram para ter participação activa no primeiro golo.
 
Entrámos a ganhar no campeonato, algo que temos vindo a fazer com bastante regularidade desde há quase uma década. No entanto, amanhã teremos um compromisso bastante importante, que poderá definir muito da nossa época. Ainda por cima, dado que temos uma vantagem relativamente confortável, tudo o que não for a qualificação para o play-off será um revés de proporções bíblicas.

quinta-feira, agosto 04, 2022

Prometedor

Goleámos na 3ª feira o Midtjylland da Dinamarca na Luz (4-1) e estamos em muito boa posição para avançar para o play-off da Liga dos Campeões. Foi um jogo muito bem conseguido da nossa parte a dar sequência à pré-temporada vitoriosa que tivemos até então.
 
Em primeiro lugar (e até porque tinha falado nisso num texto anterior), quero dizer que acabei por não fazer um post de balanço da temporada anterior por manifesta falta de paciência. E desilusão com o que se tem passado no clube de há três anos para cá. Porque continuo à espera de que me expliquem o que se passou na 2ª volta de 2019/20, em que tínhamos sete pontos de avanço e conseguimos perder esse campeonato...! Continuo na minha de que, o descalabro que tem sido daí para cá, teve origem nessa altura. E nunca nada nos foi explicado sobre a razão para aquele estoiro, quando tínhamos tudo a nosso favor. Desde Agosto de 2019, faz agora três anos(!), que não ganhamos um título. Nem sequer estou a falar DO título (o grande objectivo todos os anos), mas NEM UMA mísera Taça da Liga temos para amostra. Além de que a política desportiva teve uma inversão de 180º neste período, com as consequências que estiveram à vista, e se passou o que passou em termos directivos. Uma enorme tristeza, para resumir.
 
Para esta temporada, voltámos a um treinador estrangeiro, o alemão Roger Schmidt e confesso que gostei logo do que vi naquele treino aberto que foi transmitido pela Benfica TV. Em especial, no facto de os jogadores estarem em constante pressão sobre os adversários para recuperarem a bola, ainda no meio-campo contrário. Algo que já não víamos há muito tempo e que, pelo que se tem visto até agora, se revela uma imagem de marca do Benfica deste ano. Nos jogos particulares que fizemos, aconteceu isto durante grande parte deles, para além de termos a equipa numa busca constante pelo golo. Demo-nos bem e conseguimos ganhá-los todos (3-0 ao Nice, 5-1 ao Fulham, 4-2 ao Girona e 3-2 ao Newcastle na Eusébio Cup; peço desculpa, mas jogos em que alinhamos com equipamento de treino e sem número na camisola – leia-se Reading – para mim não contam). É arriscado fazer esta pressão pelo espaço que fica nas nossas costas? Claro que sim. Estar sempre balanceados para a frente pode fazer com que soframos mais golos? Evidente. Mas dá muito mais gozo ver o Benfica jogar assim? OBVIAMENTE! Como me perguntou retoricamente por mensagem uma amiga minha no final deste jogo: “como é que se chama este desporto que o Benfica está a jogar...?”. Respondi-lhe, como é bom de calcular, “Futebol. Há já três anos que não o jogávamos.”
 
Para além destes pressupostos de jogo do Roger Schmidt que se vêem desde o início, há outra coisa que eu gostei nele até agora: mal ou bem, escolheu um onze e foi com esse que alinhámos de início em quase todos os jogos. Só com uma ou outra alteração. E foi esse onze que jogou contra os dinamarqueses. Não houve cá surpresas de última hora ou cartas tiradas do baralho. Apostou naqueles, jogou com eles. No entanto, nos primeiros cinco minutos foram os dinamarqueses a assumir o jogo, situação que foi rapidamente corrigida. Escudados num meio-campo em que o Florentino e o Enzo Fernández (que craque! Aproveitemos bem para desfrutar dele que para o ano já não vai cá estar...) se fartaram de recuperar bolas e lançar a equipa para a frente, e com um David Neres (felizmente parece que do Everton só herdou o número da camisola...) endiabrado, marcámos o primeiro golo aos 16’ num centro do Neres para entrada fulgurante de cabeça do Gonçalo Ramos. Situação que se repetiu, com os mesmos protagonistas, aos 33’. Em cima do intervalo, e à semelhança do que aconteceu nos jogos particulares, aparentemente voltámos a saber marcar cantos e o Enzo Fernández fez o 3-0 aos 40’ num remate de primeira, depois de um canto do João Mário.
 
Na 2ª parte, o Gonçalo Ramos completou o hat-trick aos 61’ numa assistência do Rafa, com um bom movimento à ponta-de-lança. Para além dos quatro golos, ficámos a dever-nos pelo menos outros tantos, com o Ramos com mais duas ou três chances, o Neres a tirar uma à barra e os entretanto entrados Henrique Araújo e Yaremchuk também a falharem os seus golitos. O que não estava no programa foi a entrada imprevidente do Morato aos 77’ a provocar um desnecessário penalty que o Sisto marcou à Panenka.
 
Em termos individuais, óbvio destaque para o Gonçalo Ramos com três golos, para o terror para os adversários que é o David Neres na direita, para a classe do Enzo Fernández e para o polvo Florentino no meio (com um jogador destes, formado no clube, no plantel, qual a necessidade de ter gastado dinheiro num Meïté no ano passado...?). Para além destes, o Gilberto está super-confiante, o Morato vai ser difícil perder o lugar e o Grimaldo até já acerta os livres todos na baliza.
 
Teremos já amanhã a estreia no campeonato frente ao Arouca em casa, para depois viajarmos à Dinamarca na próxima 3ª feira. Vai ser uma sucessão de jogos importantes neste mês de Agosto e a minha única dúvida é como a equipa irá reagir em termos físicos, dado que as segundas linhas não estão ao nível dos titulares. Veremos o que irá acontecer, mas até agora os sinais têm sido muito positivos.

domingo, junho 26, 2022

Benfica FM | Temporada 1995/96

Mais um serão bem passado com os meus amigos Nuno Picado e Bakero do Benfica FM, em que nos debruçámos sobre uma época que não correu bem, mas em que ganhámos a Taça de Portugal no triste jogo do very light. Por isso mesmo, defendo que isto ainda não é bem o Vietname, porque uma temporada que termina com a conquista da Taça de Portugal não é algo de se deitar fora. O pior viria depois, com oito anos seguidos de seca de títulos de qualquer espécie. Em termos individuais, foi provavelmente a melhor época do João Vieira Pinto com o manto sagrado.