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segunda-feira, abril 24, 2017

Fundamental

  
Empatámos no sábado no WC (1-1), mas com o magnífico empate do Feirense em Mordor ontem (0-0) mantivemos os três pontos de distância para o CRAC. Perante uma equipa que estava a jogar a sua final da Champions, fizemos uma partida com bastante personalidade e o resultado acaba por ser justo.

Depois de o Braga ter tornado a nossa Páscoa melhor na semana passada, ao empatar com o CRAC (1-1), sabíamos que desde que não perdêssemos continuaríamos na liderança. Mas o jogo não poderia ter começado pior: logo aos 5’, o Ederson domina mal uma bola num atraso do Luisão e faz penalty indiscutível sobre o Bas Dost (aliás, já frente ao Marítimo na jornada anterior, tinha brincado em zona perigosa…). Infelizmente, não foi o Bast Dost a marcar o penalty, mas sim o Adrien que atirou para o lado contrário do nosso guarda-redes. Numa partida em que não poderíamos perder, começámos logo em desvantagem… Ainda por cima, estávamos sem o Jonas, que não recuperou da lesão contraída há uma semana, tendo o Rui Vitória apostado (finalmente!) no Cervi, com o Rafa e Mitroglou na frente. Confesso que eu teria colocado Samaris e Fejsa no meio-campo, mas ainda bem que assim não foi, porque logo aos 5’ essa estratégia teria ruído. Reagimos bem ao golo, dominámos, mas não conseguimos criar grandes oportunidades. Verdade seja dita que a lagartada, essa, nem sequer atacava e deixou de rematar à nossa baliza aos 7’…! Nos últimos cinco minutos da 1ª parte, o jogo aqueceu com três penalties(!) não assinalados a nosso favor pelo Sr. Artur Soares Dias: derrube do Schelotto ao Grimaldo, empurrão do Bruno César ao Lindelof, quando este estava no ar preparado para cabecear, e puxão do William ao Rafa, que não o permitiu rematar em boas condições. Do sítio onde eu estava, confesso que não me apercebi bem destes dois últimos, mas por algum motivo o árbitro está no relvado e não na bancada… Ainda antes do intervalo, tivemos um livre perigoso à entrada da área, em que o Grimaldo proporcionou uma boa defesa ao Rui Patrício.

Na 2ª parte, voltámos a não entrar bem e a lagartada teve duas oportunidades pelo Bas Dost, uma de cabeça e outra num remate atabalhoado, mas ambas nem chegaram à baliza. O Rui Vitória apercebeu-se disso a tempo e colocou o Jiménez no lugar do inoperante (pela enésima vez…) Rafa. Pouco depois, numa boa jogada nossa, o Pizzi abriu para o Mitroglou, que rematou com perigo para o Rui Patrício defender. Até que aos 66’, tivemos novo livre perto da área, por derrube ao Salvio: quando todos estavam à espera que fosse novamente o Grimaldo a bater, eis que apareceu o Lindelof a colocá-lo na gaveta! O Rui Patrício nem se fez ao lance! Foi o delírio entre nós e o meu grito de golo veio bem cá de dentro (até porque no ano passado tinha sido a primeira vez na vida que não me tinha levantado num golo do Benfica). Desforrei-me e bem! Estávamos por cima do jogo e tenho a sensação que, se tivéssemos forçado um pouco, poderíamos ter conseguido algo mais. No entanto, o Rui Vitória achou por bem manter um pássaro na mão e trocou o Mitroglou pelo Filipe Augusto a dez minutos do final. Mais uma vez, eu teria colocado o Samaris para dar maior consistência, mas desta feita o brasileiro até entrou bem na partida. O jogo prosseguiu com intensidade até ao fim, mas sem haver lances de verdadeiro perigo em ambas as balizas. Foi pena que o Carrillo, que tinha substituído o Salvio, não tenha conseguido desembaraçar-se de um adversário quando estava só num-para-um com ele… Teria sido a cereja no topo do bolo!

Em termos individuais, destaque óbvio para o Lindelof pelo importantíssimo golo. Depois do Jardel há dois anos, temos novamente um central a ser decisivo no WC. Para além disso, em termos defensivos também esteve muito bem, à semelhança do fantástico Luisão, a provar que velhos são os trapos! Grande capitão! O Grimaldo teve muitas dificuldades perante o melhor jogador deles (Gelson), mas o Nelson Semedo no lado contrário fez uma exibição muito segura. No meio-campo, estiveram outros dois destaques: o Fejsa a ser o varredor do costume e o Pizzi a subir de produção num jogo grande, demonstrando grande classe. Na frente, o Mitroglou teve pouca bola, mas a que teve em condições obrigou o guarda-redes contrário a aplicar-se e o Cervi lutou bastante como é habitual. Aliás, tendo em conta que os nossos piores jogadores foram o Salvio e principalmente o Rafa, para mim o Cervi deveria ser titular indiscutível. O Jiménez entrou bem e deu bastante luta aos centrais, o Carrillo não destoou e o Filipe Augusto, como disse anteriormente, também não. Quando ao Ederson, espero que não se esqueça disto, para não voltar a repetir. Tem sido decisivo ao longo da época e desejo que o continue a ser… mas a nosso favor!

Faltam quatro jogos e precisamos de 10 pontos para o ambicionado e inédito tetracampeonato. No entanto, acho que todos éramos nascidos em 2013 e eu ainda não recuperei bem daquele choque, portanto cabeça fria até final, sff…!

VIVA O BENFICA!

sábado, abril 15, 2017

Justo

Vencemos o Marítimo por 3-0 e aguardamos pelo desfecho logo à noite do CRAC em Braga para saber com quantos pontos de vantagem iremos ao WC. Foi um triunfo indiscutível perante uma equipa que se limitou a defender na 1ª parte e que, depois quando quis, já não teve arte para nos conseguir criar problemas.

O Rui Vitória apostou no mesmo onze de Moreira de Cónegos, algo que perante a exibição sofrível que tivemos não deixou de me espantar. Especialmente levando em linha de conta que a equipa tinha melhorado naquele jogo com as entradas do Cervi e Zivkovic. E os primeiros 34’ desta partida frente ao Marítimo não foram muito diferentes da semana passada: com um futebol lento e previsível, era de facto difícil criar oportunidades de golo. Um par de remates do Jonas defendidos pelo Charles e uma boa intervenção deste depois de um corte defeituoso de um companheiro foram os únicos lances de relativo perigo que conseguimos. Do lado contrário, o Marítimo só assustou numa estupidez do Ederson a tentar fintar um adversário. Até que aos 34’ utilizámos pela primeira vez velocidade e inaugurámos o marcador: bola bem ganha pelo Rafa na esquerda, centro de trivela para a área e o Luís Martins, ao tentar impedir a bola de chegar ao Mitroglou (que só teria que encostar), acabou por colocá-la na baliza. Dois minutos depois, aumentámos a vantagem para 2-0 num bom remate de fora da área do Jonas, rasteiro e colocado, depois de uma combinação na esquerda entre o Rafa, o Pizzi e o próprio Jonas. Logo a seguir, numa das melhores jogadas do encontro, o Mitroglou falhou escandalosamente o terceiro golo, ao não acertar bem na bola quando só tinha o guarda-redes pela frente, depois de um centro do Nélson Semedo na direita. Mesmo em cima do intervalo, a partida ficou definitivamente resolvida com o 3-0, novamente pelo Jonas, numa recarga a um seu próprio remate depois de uma cabeçada do Luisão na sequência de um canto.

Tendo em conta que a diferença de golos pode ser um factor importante na resolução deste campeonato, pensei que aproveitaríamos esta oportunidade na 2ª parte para reduzir a nossa desvantagem perante o CRAC neste capítulo. Puro engano. Limitámo-nos a controlar a partida e a pensar mais no importantíssimo jogo da próxima semana no WC. Um remate de primeira do Mitroglou a centro do Rafa e uma perdida incrível do Salvio, isolado perante o guarda-redes pelo mesmo Rafa, foram as duas únicas ocasiões em que estivemos perto do golo. Quanto ao Marítimo, não me recordo de o Ederson ter efectuado uma única defesa. A única nota menos positiva foi a saída do Jonas aos 60’ por problemas musculares (entrou o Zivkovic), que espero não sejam impeditivos de o fazer alinhar na próxima semana.

Em termos individuais, destaque óbvio para o Jonas pelo bis, o Rafa não começou nada bem, mas foi subindo e acabou por participar nos nossos lances mais perigosos (se souber definir melhor o último passe e, principalmente, rematar à baliza pode tornar-se um caso sério, mas caso contrário podemos sempre transferi-lo para a secção de atletismo...), e o Luisão esteve irrepreensível na defesa. De jogo para jogo, o Grimaldo vai naturalmente subindo de forma e pode ser importante neste final de época, e com o Fejsa no meio-campo as coisas são sempre diferentes. Quanto aos menos, o Pizzi passou muito ao lado do jogo e o Salvio esteve de fugir.

Faltam cinco partidas para terminar o campeonato, mas a do próximo sábado no WC vai definir bastante do que se irá passar até final. Seria bom ter alguma margem de manobra (cada vez que penso que já tivemos seis pontos de vantagem, dá-me vontade de chorar...), mas isso não depende directamente de nós. De qualquer forma, sabendo que para o adversário este jogo será a final conjunta da Champions, Campeonato da Europa e Campeonato do Mundo, e que se esquecerá rapidamente da época miserável que está a fazer, se conseguir o prémio mais desejado por aqueles lados que é sempre atrasar-nos na luta pelo título, temos que ir lá para ganhar!

segunda-feira, abril 10, 2017

Lisonjeiro

Vencemos o Moreirense em Moreira de Cónegos por 1-0 e continuamos com um ponto de vantagem perante o CRAC (que derrotou o Belenenses por 3-0) e oito em relação à lagartada (4-0 ao Boavista). Em teoria, este seria o segundo jogo mais fácil até final do campeonato (superado apenas pela recepção ao Estoril), mas o que se viu deixa-me bastante apreensivo para as jornadas que se seguem (não estou mesmo a ver-nos ganhar algum dos três encontros fora que faltam a jogar desta maneira…). Se conseguimos sair com os três pontos desta partida, a um único factor isso se deve: aselhice do adversário. Algo que, como as próximas equipas são melhores, provavelmente não voltará a acontecer.

E finalmente em Abril, jogámos pela primeira vez com o Ederson, Grimaldo, Fejsa e Jonas como titulares. O que quer dizer que, a menos de dois meses(!) do final da época, estamos na máxima força (os únicos lesionados são o Jardel e o Jiménez, que não são titulares há muito tempo). Já não era sem tempo, mas em campo não se viram melhorias nenhumas. Aliás, ainda conseguimos fazer uma exibição pior do que em relação ao jogo com o Estoril na passada 4ª feira, em que alinhámos com uma maioria de suplentes. A 1ª parte define-se numa palavra: zero. Criámos zero oportunidades de golo, mas, provando que se calhar os milagres existem mesmo, marcámos um golo! Foi aos 42’ da única maneira possível: bola parada, livre bem marcado pelo Pizzi e cabeçada do Mitroglou lá para dentro. O Moreirense, treinado agora pelo Petit, fechou-se muito bem e nós nunca tivemos engenho para os desequilibrar defensivamente, porque o Pizzi está longe da melhor forma, o Rafa continua a ser um reforço mas é para a secção de atletismo, o Jonas fez dos piores jogos com a nossa camisola, o Salvio continua sem conseguir criar desequilíbrios e assim era difícil as bolas chegarem ao Mitroglou.

Pensei que na 2ª parte, como o Moreirense tinha que necessariamente atacar, o jogo fosse mais fácil para nós. Puro engano! O Moreirense atacou, sim, mas ao invés de aproveitar os espaços nas costas da sua defesa, nós não só não conseguimos fazer isso como permitimos que eles manobrassem muito à vontade no nosso meio-campo. Já se sabe que, com a gestão dos amarelos, a capacidade de luta do Pizzi (que já não é muita) baixa ainda mais e o Fejsa, que não jogava há quase dois meses, não está naturalmente na sua plenitude. Assim sendo, não é de espantar que o Moreirense tenha criado três flagrantes oportunidades de golo (uma salva pelo Lindelof já sem o Ederson na baliza, outra num remate disparatado ao lado quando o avançado só tinha o Ederson pela frente e já nos descontos um remate clamorosamente falhado na sequência de um canto). Quanto a nós, só por uma vez pelo Mitroglou estivemos à beira do golo, mas o Makaridze fez bem a mancha. Quando o Rui Vitória lá se decidiu a mexer na equipa, nós melhorámos. As entradas do Cervi (o que é que o rapaz terá feito para não ser titular…?!) e Zivkovic, substituindo o apagado Salvio e o sprinter Rafa, fizeram com que tivéssemos mais bola na frente e, principalmente, a presença do Samaris nos últimos 10’ fechou (finalmente!) o nosso meio-campo.

O Pizzi fez um bom cruzamento e a cabeçada do Mitroglou foi excelente. São os destaques individuais que me apraz fazer.

Por alguma razão, o Rui Vitória disse no final que este jogo já estava feito e ia já para o arquivo. Costuma dizer-se que o fica para o futuro é o resultado: no caso deste jogo, ainda bem! Porque tirando isso, não há mesmo nada que se possa aproveitar dele.

P.S. – Está já a preparar-se um clamor fora de campo sobre as entradas do Luisão e do Samaris. Se a do nosso capitão é na disputa de um lance (levou amarelo, mas como atinge o adversário no calcanhar se fosse vermelho não me chocava, apesar de se ver isto em ‘n’ vezes e raramente o jogador ir para a rua), a do Samaris é escusadíssima e poderá valer-lhe uma suspensão no futuro. Não percebo qual a necessidade que ele tem de entrar nestas confusões. Como as coisas estão, já se sabe que os nossos adversários pegam em tudo e isto é dar-lhes de borla lenha para a fogueira. Ainda por cima, viu-se bem o que a equipa melhorou com a sua entrada em campo. Que estupidez atroz!

quinta-feira, abril 06, 2017

Displicência inadmissível

Empatámos com o Estoril (3-3) e estamos na final da Taça de Portugal. A segunda parte da frase anterior é tudo o que de positivo teve o jogo de ontem. Depois do triunfo por 2-1 na Amoreira, esperava-se que a nossa qualificação fosse selada de forma tranquila. Puro engano! De tal maneira que nos arriscámos mesmo a ter sofrido uma das maiores humilhações da nossa história. Se há jogos em que não ganhamos e eu saio deles relativamente satisfeito, outros há em que conseguimos o objectivo e eu saio tão furioso como se tivéssemos perdido. Foi o caso de ontem.

O Rui Vitória já deveria ter percebido que, depois do que se passou no Algarve na Taça da Liga, há limites para o risco. Pode vir com as justificações todas que quiser, mas a muita da culpa do que se passou ontem é dele. Manter apenas dois titulares (Lindelof e Samaris, o Rafa é um titular intermitente) numa meia-final da segunda competição mais importante do nosso calendário foi obviamente um erro, que nos poderia ter custado muito caro. A tendência repete-se invariavelmente: muitas alterações na equipa dão (quase) sempre errado, não só porque a maior parte dos jogadores não tem ritmo, como também porque dá a sensação de desvalorizar o adversário. E toda a gente, dentro e fora de campo, percebe isso. Já assim foi logo no primeiro jogo desta edição da Taça (curiosamente também no Estoril, embora naquele caso justificada) e repetiu-se ontem. Com o Rafa e o Zivkovic a pontas-de-lança (total de dois golos, ambos do português, em toda a época), jamais se poderia esperar uma goleada, ainda para mais porque já se sabe que o Rafa isolado nunca marca (ontem, esteve para aí pela 5ª vez – contabilidade generosa – só com o guarda-redes pela frente e eu nem senti ponta de emoção, porque já calculava o desfecho) e com a altura de ambos era escusado fazer cruzamentos. O meu receio era que o Estoril marcasse primeiro, dado que isso iria inevitavelmente pôr-nos nervosos. E isso aconteceu aos 31’ num excelente remate de fora da área do Bruno Gomes. Felizmente empatámos dois minutos depois, num grande frango do Luís Ribeiro, que falhou um soco na bola e proporcionou depois ao Carrillo um remate fácil. Até ao intervalo, o Júlio César ainda voou num livre para evitar novo golo adversário.

Na 2ª parte, fomos nós a sair com a bola, mas nove segundos(!) depois ela já estava dentro da nossa baliza. Eu repito: nove segundos depois! Erro crasso do André Almeida num passe lateral e o Carlinhos rematou rasteiro, com o Júlio César a parecer-me que poderia ter feito algo mais. Ou seja, logo no reinício, a eliminatória ficou empatada. Incrível! No entanto, reagimos bem e o Zivkovic e o Cervi tiveram duas perdidas enormes ao permitirem a defesa do guarda-redes quando só o tinham pela frente, depois de dois cruzamentos da direita. Aos 54’, porém, o Zivkovic estreou-se finalmente a marcar pelo Benfica, num golão de fora da área, com um remate em arco de pé esquerdo. O jogo estavam completamente partido e eu esperei que, com a entrada do Pizzi para o lugar do (novamente lesionado) Filipe Augusto (a propósito, há uma grande diferença entre este e o Danilo, certo…? E o André Horta, porque é que fica na bancada, enquanto este, digamos, joga…?!), as coisas acalmassem. Mas o mal já estava feito e, ao não conseguirmos estancar os ataques do Estoril, era impossível ter tranquilidade. Estivemos, mesmo assim, à beira de nos colocarmos finalmente em vantagem com um chapéu do Carrillo ao poste, mas também vimos o Júlio César a negar o golo ao Estoril por duas vezes(!) na mesma jogada. Como as coisas estavam, era óbvio que tinha que entrar o Jonas e o brasileiro, só precisou de três minutos em campo para nos colocar à frente do marcador aos 72’, num desvio de pé direito depois de uma assistência do Cervi. Erradamente pensei que as coisas estavam finalmente resolvidas, mas esqueci-me que o Lisandro estava na defesa e, num mau alívio de cabeça deste, o Estoril entrou novamente na discussão do apuramento aos empatar aos 78’ num bis do Bruno Gomes. Até final, foi uma tremedeira desgraçada da nossa parte, a não conseguirmos ter posse de bola e o Estoril a ter uma grande oportunidade já à beira do 90’, num cabeceamento do Kléber que embateu nas costas do Grimaldo quando me pareceu que ia na direcção da baliza, com o Júlio César batido.

Sou absolutamente contra assobiar-se jogadores do Benfica durante os jogos, mas a equipa merecia uma tremenda vaia no final. Aquilo não foi nada e estivemos mesmo perto de uma das piores derrotas de sempre. Sofremos três golos em casa de uma equipa que luta para não descer! Eu repito: sofremos três golos do 15º classificado do campeonato! Os jogos nunca estão ganhos à partida: mentalizem-se disto! O que se viu ontem foi, acima de tudo, uma falta de respeito por todos nós, particularmente os 25.010 que foram à Luz. E isso é inadmissível!

segunda-feira, abril 03, 2017

Péssimo resultado

Empatámos em casa como CRAC (1-1) no sábado e continua a haver um ponto a separar as duas equipas, com a lagartada (que ganhou 2-1 em Arouca), agora a oito pontos de nós. Não só perdemos uma excelente oportunidade de nos colocar a salvo de uma qualquer escorregadela até final do campeonato, como abrimos novamente a luta pelo título a três. Nós e o CRAC pelo título de campeão nacional e a lagartada por um maior do que esse: impedir o Benfica de ser campeão.

Com o Fejsa ainda sem estar em condições, a única alteração foi a titularidade do Rafa em detrimento do Zivkovic. Era fundamental vencer esta partida e tivemos uma entrada muito forte em campo. Colocámo-nos em vantagem logo aos 7’ num penalty indiscutível do Felipe sobre o Jonas, que o mesmo Jonas concretizou: remate rasteiro para o meio da baliza, mais que defensável se o Casillas não se tem mexido, o que felizmente aconteceu. O CRAC esteve bastante aturdido durante os primeiros 15’, depois lá se restabeleceu, mas sem nunca criar grande perigo junto à nossa baliza. Quanto a nós, tivemos mais do que uma ocasião para dilatar a vantagem, soubéssemos ter mais cabeça fria na hora da decisão: o Nélson Semedo, depois de uma boa jogada individual, resolveu rematar de pé esquerdo(!) fora da área, quando tinha o Jonas sozinho na meia-lua em excelente posição; o Rafa ganhou uma bola em velocidade ao traidor uruguaio, mas não conseguiu fazer o passe para o Jonas ou Mitroglou que estavam literalmente só com o Casillas pela frente(!); e uma cabeçada do Luisão num livre saiu ligeiramente por cima com o guarda-redes completamente batido. Quando ao CRAC, só um livre rasteiro do Brahimi é que proporcionou ao Ederson uma boa defesa. Deveríamos ter chegado ao intervalo com a partida praticamente decidida.

A 2ª parte não poderia ter começado pior, porque o CRAC empatou logo aos 49’ pelo traidor uruguaio, num bom lance do Brahimi na esquerda (este gajo estava tão bem fora do plantel, o Otávio é que era a 8ª maravilha do mundo, quem é que mandou recuperá-lo?!) que proporcionou três remates(!) na nossa área, tendo o último entrado. Claro que fomos muito pouco lestos a aliviar a bola. Ainda faltava praticamente toda a 2ª parte, mas o CRAC só criou verdadeiro perigo mais uma vez pelo Soares, que tirou o Nélson Semedo do caminho no um-para-um, mas viu o Ederson sair rapidíssimo aos seus pés e ficar com a bola. Festejei como se tivesse sido um golo! Quanto a nós, à semelhança da época passada, lá proporcionámos ao Casillas nova exibição de luxo: remate rasteiro em arco do Jonas e defesa para canto; outra vez o Jonas a desviar já na pequena-área um centro do Salvio e o espanhol conseguiu incrivelmente desviar a bola outra vez para canto; e num livre, depois de uma cabeçada do Luisão, o Mitroglou rematou praticamente à queima-roupa e o Casillas voltou a defender não só este, como a recarga do Jonas! Com uma mulher tão bonita em casa, o que é que este tipo vem fazer ao Estádio da Luz?!

Em termos individuais, gostei do começo do jogo do Salvio, que depois foi descendo de nível, o Rafa terá feito dos melhores jogos pelo Benfica (mas ainda longe do nível que se exige a alguém que custou aquele preço), o Samaris foi o mais consistente ao longo de toda a partida e o Luisão foi imperial na defesa. O Pizzi passou um pouco ao lado do jogo, o Mitroglou foi bem marcado e não teve muitas oportunidades e o Jonas não conseguiu aguentar os 90’. Fundamental foi novamente o Ederson com aquela saída aos pés do Soares. Os laterais tiveram regulares, com o Nélson melhor na primeira do que na segunda parte, e o Eliseu sempre atento ao Corona. O Lindelof, que teve problemas físicos durante a semana, jogou como se nada tivesse acontecido. Quanto aos substitutos, o Cervi não agitou tanto as coisas como se desejava e o Carrillo entrou já muito perto do fim. A enésima lesão do Jiménez ao serviço da selecção (julgo que teremos mais do que justa causa para o impedir de voltar à selecção!) prejudicou-nos, porque o seu poderio físico teria sido muito útil naqueles minutos finais.

Sempre disse que deveríamos chegar ao WC com quatro pontos de vantagem e esta partida era crucial para que isso acontecesse. Razão pela qual saí chateadíssimo do estádio. Iremos ver o que nos reservam os próximos jogos fim, mas perdemos uma excelente oportunidade de dar um passo enorme rumo ao tetra.

segunda-feira, março 27, 2017

Portugal - Hungria

Vencemos a Hungria no Estádio da Luz no passado sábado por 3-0, mas com a vitória da Suíça frente à Letónia (1-0) continuamos a três pontos dos helvéticos. Foi um triunfo indiscutível, apesar de até ao primeiro golo pelo André Silva aos 32’ as coisas terem parecido complicadas. O Cristiano Ronaldo acabou por desbloqueá-las, inventando essa jogada e abrindo na esquerda para o Raphael Guerreiro cruzar para o ponta-de-lança só ter que encostar e marcando ele o segundo golo aos 36’, num óptimo remate de pé esquerdo de fora da área, depois de uma assistência de calcanhar do mesmo André Silva. Na 2ª parte, tudo ficou resolvido de vez aos 65’ num livre do C. Ronaldo.

O capitão da selecção foi obviamente o jogador em maior destaque, mas também gostei dos laterais (Cédric e Raphael Guerreiro) e do jogo em crescendo do João Mário. A Hungria mostrou muito pouco e não se percebe como é que nós conseguimos empatar com eles no Euro 2016... Amanhã irá haver um particular com a Suécia na Madeira e o meu desejo é o de sempre: que ninguém do Benfica se lesione!

segunda-feira, março 20, 2017

Empate

Não conseguimos melhor que um 0-0 em Paços de Ferreira e, como aposto os meus dois braços em como o CRAC ganha amanhã ao V. Setúbal em casa, iremos recebê-los na Luz no 2º lugar a um ponto deles. Desde a 5ª jornada que estamos no 1º lugar, já os tivemos a seis pontos e, consubstanciada esta ultrapassagem, temo bem que o sonho do tetra se tenha começado a desmoronar hoje, porque o momentum está todo do outro lado

Este seria o início do post que eu estive quase para escrever ontem no final do nosso jogo. Estava absolutamente convencido que o CRAC, vindo de nove vitórias consecutivas para o campeonato, não desperdiçaria uma oportunidade flagrante destas para nos passar à frente. Mas só não escrevi logo ontem o post, pela mesma razão porque não comprei uma camisola deste ano (nota prévia: só compro as camisolas campeãs nacionais) que estava com 50% de desconto numa altura em que tínhamos seis e oito pontos de vantagem, pela mesma razão porque só a cinco minutos do fim, e com 3-0 a nosso favor, eu começo a achar que o jogo está resolvido, ou pela mesma razão porque não comprei os bilhetes para a final da Taça da Liga deste ano antes da meia-final com o Moreirense: não dou nada por adquirido até o árbitro apitar para o final dos jogos. Trocado por miúdos: superstição! As bruxas não existem, mas não vale a pena provocá-las…!

Tal como se esperava, a ida a Paços de Ferreira foi bastante complicada ou não tivesse esta equipa também tirado dois pontos ao CRAC. A reentrada na equipa do Nélson Semedo foi a única alteração em relação ao Belenenses e deveríamos ter-nos colocado em vantagem logo aos 9’, quando o Salvio falhou incrivelmente o desvio depois de um centro do Jonas na esquerda. Durante a 1ª parte, contam-se pelos dedos de uma mão (e sobram) as vezes que o Paços passou de meio-campo, mas nós nunca tivemos engenho e arte para conseguir criar grandes situações de perigo. Perante uma defesa muito fechada, mas nunca a fazer antijogo (louve-se isso), eram raras as vezes em que imprimíamos velocidade ao nosso futebol, a que não é alheio o facto de os extremos Salvio e Zivkovic serem dois dos nossos piores jogadores. A única vez que estivemos perto do golo foi numa bomba ao poste do Eliseu aos 26’.

Na 2ª parte, o Paços abriu-se um bocado mais, mas nós continuávamos muito pouco inspirados. Mesmo assim, ainda tivemos algumas ocasiões, com destaque para uma do Jonas em boa posição, mas em que o defesa cortou, outra do Luisão de cabeça num canto, mas tendo acertado mal na bola, e um centro-remate do Nélson Semedo que o guarda-redes Defendi desviou. O Paços também teve uma grande chance num livre do Welthon que o Ederson tocou para o poste. O Rui Vitória lá se decidiu fazer substituições e foi sem surpresa que melhorámos com as entradas do Cervi, Rafa (este um pouco menos) e Jiménez. Na parte final do jogo, o Pizzi teve um bom remate à entrada da área, mas a bola não saiu tão ao ângulo quanto se desejava e, mesmo no último lance do encontro, o Jonas atirou por cima de cabeça já na pequena-área na sequência de um livre. Foi a nossa melhor oportunidade, num lance em que há mãos nas costas do Jonas, mas em que eu acho que o Sr. João Pinheiro fez bem ao não assinalar nada. É a velha questão da intensidade e, aliás, o Jonas nem protestou.

Em termos individuais, o Samaris foi dos melhores, bem como os centrais Luisão e Lindelof. O Pizzi defendeu-se muitíssimo bem quanto aos amarelos e foi igualmente dos poucos clarividentes na equipa. Continuo sem perceber a ostracização ao Cervi, claramente o nosso melhor extremo. Viu-se bem o que a equipa melhorou com ele em campo e, além disso, o Salvio e o Zivkovic estiveram, como já referi, particularmente mal (na senda dos últimos jogos, acrescente-se). O Jonas continua ainda à procura da sua forma e passou muito ao lado do jogo, assim como o Mitroglou que não teve praticamente bolas à sua mercê. O Nélson Semedo desceu bastante na 2ª parte e foi pena que o Eliseu não tenha quebrado o seu jejum de golos (desde o Braga na Luz há dois anos que não marca) com aquela bomba ao poste.

Tivemos uma benesse com que ninguém contava (uma palavra para o V. Setúbal que não perdeu nenhum dos quatro jogos contra nós e o CRAC - gostava de saber qual, e quando, foi a última equipa a conseguir este feito), mas o facto de continuarmos na frente não nos pode fazer esquecer de algo fundamental: o caminho do tetra passa por ganharmos ao CRAC na Luz. Depois do que se passou neste fim-de-semana, com o seu empate nestas condições que é impossível não lhes abalar o moral, uma vitória nossa (para além de dilatar a vantagem pontual que nos salvaguarde de uma possível futura derrota) faria pender bastante a balança a nosso favor. Não a desperdicemos, por favor!

terça-feira, março 14, 2017

Fácil

Goleámos o Belenenses na Luz por 4-0 e mantivemos a vantagem de um ponto perante o CRAC e os 12 em relação à lagartada. Depois de um compromisso europeu, o que mais se deseja é um jogo tranquilo e uma vitória confortável, que foi o que felizmente acabou por acontecer.

Com o Nélson Semedo a constituir-se como baixa de última hora, o Rui Vitória voltou a apostar no André Almeida, indiscutivelmente o jogador mais útil do plantel. Incompreensivelmente, no entanto, foi ter colocado o Cervi, um dos melhores em Dortmund, no banco. Não percebo porque é que o argentino é sucessivamente preterido, quando é quanto a mim o extremo com melhor rendimento do plantel. Entrámos muito fortes na partida e o Belenenses mal passava do meio-campo. Inaugurámos o marcador aos 12’ no primeiro golo de sempre do André Almeida para o campeonato, aproveitando uma falha incrível do Miguel Rosa, depois de um passe longo do Pizzi. Marcávamos bastante cedo o que, desejar-se-ia, nos catapultasse para uma boa exibição, mas isso não aconteceu na 1ª parte. Depois de golo, baixámos bastante a velocidade e, como o adversário praticamente não criava perigo, fomos deixando correr o marfim até ao intervalo sem criar grandes situações de perigo.

Na 2ª parte, o jogo ameaçava não mudar e até foi o Belenenses a ter a primeira grande ocasião num remate do Miguel Rosa de fora da área ao poste. No entanto, logo na jogada seguinte aos 52’, começámos a arrumar de vez a questão com o 2-0 num remate do Mitroglou de fora da área, bastante colocado, depois de uma assistência do Salvio. Pouco depois, só a aselhice do Maurides não permitiu ao Belém reduzir, quando cabeceou ao lado completamente sozinho. Continuamos a revelar momentos de desconcentração preocupantes que, perante adversários mais fortes, nos podem sair bastante caros. Aos 60’, tudo ficou resolvido em definitivo com o Salvio a marcar o terceiro golo num remate rasteiro de fora da área depois de um passe do Zivkovic. O jogo ficou ainda mais aberto, com algumas boas combinações atacantes da nossa parte que não resultaram em golo porque o último toque não saía bem e o Belenenses a ter igualmente um par de ocasiões perigosas, uma das quais proporcionou ao Ederson a melhor defesa do encontro. Já em tempo de compensação, o Samaris isolou o Mitroglou, que estava ligeiramente adiantado em relação ao defesa, o nosso goleador não foi egoísta e deu para o Jonas desviar do guarda-redes Cristiano e fechar a contagem nos 4-0.

Os espectadores da Luz escolheram o André Almeida para melhor em campo e não se pode dizer que estivessem errados. Já o disse várias vezes e nunca é demais repetir: espero bem que ele faça a carreira completa no Benfica, porque é muito complicado arranjar um jogador que faça tantas posições em campo de um modo tão regular. Além disso, é tricampeão, é dos mais velhos no plantel e a mística passa por jogadores assim. O Pizzi parece querer voltar à boa forma e, especialmente na 1ª parte, foi dos poucos a querer dar um safanão ao jogo. O Salvio estava a ser dos piores, mas termina a partida com um golo e uma assistência. Não se pode criticar um jogador assim. Ao invés, o Zivkovic já esteve em muito melhor forma do que agora o que torna ainda mais difícil de compreender, digo-o mais uma vez, a ostracização do Cervi… Depois de dois jogos menos conseguidos, o Eliseu voltou à regularidade habitual. Na frente, espero que o golo ajude o Jonas a recuperar mais rapidamente o seu nível e o Mitroglou continua a facturar sem espinhas.

Teremos agora a deslocação a Paços de Ferreira antes da pausa das selecções. Como a seguir a esta receberemos o CRAC, é mais do que nunca fundamental garantir os três pontos. Estamos longe de encantar a nível exibicional, mas isso é de somenos importância perante o mais importante: a possibilidade de conseguir algo inédito na nossa história.

sexta-feira, março 10, 2017

Sonhámos

Perdemos em Dortmund por 0-4 e dissemos adeus à Liga dos Campeões. Esta frase pode parecer contraditória em relação ao título do post, mas por incrível que pareça acho que jogámos melhor do que na 1ª mão. E os resultados foram completamente antagónicos... No entanto, quem consegue ver para além do marcador final, não poderá deixar de concordar que até aos 59’ a partida esteve equilibrada de uma maneira que todos os 90’ da 1ª mão nunca estiveram. O problema foi, ao contrário da Luz, a eficácia dos alemães.

Com o Fejsa em Lisboa, o Rui Vitória apostou (e muito bem) no reforço do meio-campo com o André Almeida ao lado do Samaris e no Cervi (até qu’enfim!) na esquerda do ataque. Num ambiente absolutamente fabuloso, entrámos praticamente a perder com o golo do Aubameyang logo aos 4’ na sequência de um canto. A eliminatória ficou logo empatada e confesso que temi o pior. Mas, à semelhança, do que aconteceu em Munique há um ano, conseguimos equilibrar o jogo a seguir a termos sofrido o golo. O Borussia não teve grandes oportunidades até ao intervalo, enquanto nós criámos algum perigo num remate do Cervi e num cabeceamento do Luisão ambos defendidos pelo Burki. O intervalo chegava connosco perfeitamente dentro da eliminatória, o que se via pelo facto de os alemães estarem estranhamente silenciosos durante boa parte do jogo, enquanto a nossa bancada não se calou inclusive durante o tempo de descanso.

A 2ª parte começou com a nossa melhor oportunidade, num remate frontal de ressaca do Cervi, já dentro da área, que um defesa desviou para canto. Foi pena, porque a bola ia na direcção da baliza... O Ederson fez duas defesas magistrais em lances anulados por fora-de-jogo, mas a eliminatória começou a ficar decidida aos 59’ com o 0-2 através do Pulisic, que se desmarcou bem e picou a bola à saída do nosso guardião. Em dois minutos terríveis, tudo ficou decidido com novo golo do Aubameyang aos 61’, que só teve que encostar depois de um cruzamento na esquerda. Nós acusámos claramente o toque e nunca mais fomos os mesmos até final, com as entradas do Jonas, Zivkovic e Jiménez (este aos 82’ para o lugar do Cervi e indo jogar para a extrema-esquerda... Não percebi a lógica...) a não acrescentarem nada à equipa. O Borussia ainda atirou uma bola à ao poste, antes de fazer o 0-4 aos 85’ com o hat-trick do Aubameyang, noutro golo só de encostar desta feita depois de um cruzamento da direita. O gabonense marcou com juros todos os golos que falhou em Lisboa... Apesar do resultado, os jogadores do Benfica foram brindados no final com uma enorme ovação e cânticos sem parar da nossa bancada. A qualificação do Borussia é obviamente justa, mas conseguimos ganhar-lhes um jogo (algo que nenhuma outra equipa portuguesa conseguiu) e acho que demos uma boa imagem durante boa parte da 2ª mão. Chegámos novamente à fase a eliminar da Champions, o que convenhamos é ligeiramente melhor do que ser eliminados por uns Legias desta vida...

Em termos individuais, gostei bastante do André Almeida (sempre muito generoso a correr atrás dos adversários), do Cervi (que mostrou porque é que tem que deixar de ser o quarto extremo na hierarquia do lado esquerdo para passar a ser o primeiro!), e do Pizzi e do Salvio (ambos durante a 1ª parte).

Vamos agora concentrar-nos naquilo que é verdadeiramente essencial, que é entrar para a história com o primeiro tetra do nosso palmarés.

P.S. – Acerca da viagem, apesar do cansaço e da chuva, como disse um amigo meu, “correu mal, mas valeu a pena”. O estádio é fantástico e no início da partida o famoso muro amarelo fez uma coreografia com os jornais e o galhardete de 1963 quando nos deram 5-0 na 2ª mão. Pontos pela criatividade numa bancada que impressiona, mas que só se ouviu de forma consistente a partir do 0-2. A organização dos alemães não tem nada a ver com a nossa e o facto de tratarem os adeptos do clube visitante como... lá está, pessoas, torna tudo mais simples. Quando fui perguntar a um stewart, ainda antes de o jogo começar, se tínhamos que lá ficar uma hora no final, o tipo olhou para mim de um modo completamente surpreendido e perguntou: “why do you want to stay here for one hour after the game...?!” Toda a gente saiu ao mesmo tempo e não houve nenhum problema. Foi pena que não se tivesse visto a nossa bancada na televisão, mas ao que me dizem ouviu-se e bem. O apoio foi fabuloso e, como já disse, nem no intervalo parou. Mesmo durante cerca de 10’ depois de o jogo acabou ainda se cantava como se pode ver no vídeo abaixo. Os adeptos do Benfica deram nova demonstração do que é um clube com uma Grandeza Incomparável! A nossa bancada aplaudiu o agradecimento do Borussia ao muro amarelo e os alemães aplaudiram-nos de volta. Foi inesquecível e, sinceramente, só por isso já teria valido a pena ir. Não tive a prenda mais desejada no dia do meu 41º aniversário, mas mesmo que a tivesse também a trocaria por uma ainda maior em Maio. Vamos a isto! VIVA O BENFICA!

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segunda-feira, março 06, 2017

Difícil

Vencemos no sábado o Feirense em Santa Maria da Feira por 1-0 e mantivemos a distância de um ponto para o CRAC, que goleou o Nacional por 7-0. A lagartada resolveu festejar a reeleição do desequilibrado mental do seu presidente empatando em casa com o V. Guimarães (1-1) e está agora a 12 pontos de nós. É o que se chama um começo auspicioso de mandato!

Com o Jonas de volta, mas no banco, o Rui Vitória pôs o Rafa a fazer-lhe companhia, dando a titularidade ao Carrillo e colocando o Zivkovic nas costas do Mitroglou. Com o Nélson Semedo castigado, foi naturalmente o André Almeida a ocupar a lateral direita. Perante um adversário que subiu imenso de produção (e resultados) desde que trocou o José Mota pelo Nuno Manta Santos, a partida foi tremendamente complicada. Com o Pizzi sempre muito marcado e uma falta de inspiração gritante dos três homens no apoio ao Mitroglou, raramente conseguimos criar situações de perigo na 1ª parte. Só num contra-ataque de 3x1(!) que o Salvio estragou ao preferir rematar em vez de passar ao Mitroglou, que estava isolado, e numa cabeçada do grego, defendida pelo Vava Alves a dois tempos, é que estivemos perto do golo. Quanto ao Feirense, poderia ter logo aberto o marcador no primeiro minuto, num remate do grego Karamanos que foi desviado pelo Luisão e ia traindo o Ederson, e num falhanço escandaloso do Luís Machado quase na pequena-área. A três minutos do intervalo, um pouco caído do céu, chegámos ao golo: boa abertura do Carrillo e grande jogada do Pizzi já na área, a tirar um adversário do caminho e a enganar o guarda-redes, atirando para o lado contrário dele. Foi um golo na altura certa!

Na 2ª parte, com os espaços que o Feirense necessariamente criou, melhorámos o nosso nível exibicional. No entanto, e para não variar, o Ederson foi absolutamente decisivo na manutenção da vantagem ao sair de modo rapidíssimo aos pés de um adversário pouco depois do recomeço e, a vinte minutos do fim, ao defender com os pés (por instinto) um cabeceamento na pequena-área na sequência de um canto, num lance em que o Lindelof se deixou antecipar pelo adversário. Quanto a nós, tivemos um rol de oportunidades desperdiçadas, com destaque para duas do Mitroglou, com um remate já sem o guarda-redes na baliza, que foi interceptado por um defesa, depois de o Salvio ter ganho a bola ao guarda-redes, e um cabeceamento à vontade que saiu ao lado. Também o Salvio teve um falhanço clamoroso, ao atirar um lado depois de uma assistência do entretanto entrado Cervi, e o próprio Cervi viu um remate seu que ia na direcção da baliza ser cortado por um defesa. Como não acabámos com o jogo, ficámos sempre à mercê de um lance fortuito que o empatasse, mas felizmente isso não aconteceu.

O destaque terá de ir para o Pizzi por nos ter garantido os três pontos e para o Ederson por os ter mantido na nossa posse. Continuo sem perceber porque é que o Cervi é o último extremo na lista do Rui Vitória: a equipa melhorou a olhos vistos quando ele entrou em campo! O Nélson Semedo fez falta, apesar de o André Almeida ser de uma regularidade constante cada vez que joga. O Zivkovic já esteve em muito melhor forma do que agora, o Carrillo lutou bastante em termos defensivos e acabou por fazer a assistência para o golo, mas foi muito intermitente, e o Salvio foi o pior dos três.

Na próxima 4ª feira, iremos tentar a segunda qualificação seguida para os quartos-de-final da Champions. Por ser um dia muito especial para mim, por não ter visto isto ao vivo nesse dia e porque estamos a falar de um estádio com um ambiente mítico, estarei em Dortmund a gritar pelo Glorioso. Espero uma boa prenda, mas troco-a imediatamente pelo 36 em Maio...!

quarta-feira, março 01, 2017

Em vantagem

No dia do nosso 113º aniversário, vencemos o Estoril na Amoreira (2-1) na 1ª mão das meias-finais da Taça de Portugal e estamos em excelente posição para voltarmos ao Jamor. Foi o terceiro jogo na Amoreira este ano (dois Estoril e um 1º de Dezembro) e a terceira vitória sofrida pela margem mínima. Mais uma vez, estivemos longe de fazer uma boa exibição, mas a justeza do nosso triunfo não se contesta.

O Rui Vitória fez algumas alterações e entraram o Júlio César, Jardel, Filipe Augusto e Carrillo. Deveríamos ter-nos colocado em vantagem logo aos 5’, mas quase em cima da pequena-área o Rafa conseguiu(!) que o guarda-redes Luís Ribeiro defendesse para canto o seu remate. Falhanço inacreditável de um jogador que deveria mesmo fazer treino específico de finalização (se o faz, não se nota nada...!). Pouco depois, o Júlio César inventou com os pés, mas felizmente o Estoril não conseguiu marcar. Os canarinhos davam boa réplica e nós tínhamos muitas dificuldades em criar lances de perigo. Até que aos 36’, o Zivkovic tirou um óptimo cruzamento da esquerda e o inevitável Mitroglou atirou lá para dentro. O mais difícil estava aparentemente conseguido, mas quatro minutos depois o Eliseu resolveu esticar estupidamente o braço na nossa área depois de um cruzamento. Penalty indiscutível que o Kléber não falhou. Neste lance, o Filipe Augusto, que já estava queixoso, lesionou-se de vez e entrou o Pizzi. Mesmo antes do intervalo, tivemos um golo anulado por fora-de-jogo, porque o Mitroglou se fez ao lance num cruzamento do Carrillo que acabou por entrar na baliza. Foi pena que não estivéssemos a jogar com as camisolas do Boavista...

Na 2ª parte, o Estoril foi a primeira equipa a criar perigo, mas o remate do Kléber passou a rasar o poste depois de um centro. A partir daqui, os canarinhos deram o berro fisicamente (acho inacreditável que se tenha obrigado o Estoril a jogar contra os lagartos e nós com três dias de intervalo) e só nós é que tentámos marcar. No entanto, tivemos sempre muitas dificuldades em criar lances de perigo, porque o adversário se fechou muito bem atrás. Só tivemos duas verdadeiras oportunidades: o Rafa permitiu novamente a intervenção do guarda-redes quando estava em boa posição e um remate do Mitroglou foi desviado por um defesa quando a com boa direcção. Até que aos 89’ marcámos finalmente o segundo golo: grande lance do Eliseu na esquerda, que isolou o Cervi (entretanto entrado) de calcanhar e este assistiu para Mitroglou dominar e desviar do guarda-redes. Vê-se na televisão que o grego está com o tronco e cabeça em fora-de-jogo mas os pés em jogo. É um fora-de-jogo milimétrico e só os desonestos intelectualmente (e já se sabe que os há aos milhares) vão achar que foi um escândalo. É não ligar aos grunhidos. Antes de terminar, o Zivkovic falhou inacreditavelmente de cabeça o terceiro golo.

Correndo o risco de ser repetitivo, é impossível não destacar novamente o Mitroglou. Nono golo no sexto jogo consecutivo a marcar tornam o grego o jogador mais fundamental do Benfica actual. Grande Mitro! A contrário do que vi muita gente a dizer, acho que o Carrillo não esteve nada mal: sempre muito em jogo, a vir várias vezes atrás ajudar na defesa e a fazer desarmes, especialmente na 1ª parte foi dos nossos melhores jogadores. Já o Rafa, com o seu problema crónico de finalização, esteve novamente abaixo do que deve render. O Zivkovic, tirando o centro para o 1º golo, também não esteve no seu nível habitual. Ao invés, o Nélson Semedo fez outra vez uma boa exibição e vai fazer muita falta em Santa Maria da Feira. O Jardel também regressou bem à equipa depois da debacle na Taça da Liga.

Só o Nápoles é que ganhou esta época na Luz, mas convém não facilitar no jogo da 2ª mão. Também aqui há uns anos tínhamos ganho 2-0 fora e depois levámos uma banhada de 1-3 em casa. Bem sei que o adversário era outro, mas se por acaso sofrermos algum golo antes de marcarmos as coisas vão ficar tremidas. E, infelizmente, temos já bastantes exemplos no passado recente de más experiências em meias e inclusive finais da Taça. A não repetir, sff!

P.S. - Espero que o lugar em que fiquei no estádio seja bom prenúncio para esta época!

segunda-feira, fevereiro 27, 2017

Trabalhoso

Vencemos o Chaves na Luz na passada 6ª feira (3-1), mas como a lagartada foi derrotou o Estoril na Amoreira (2-0) e o CRAC trinfou no Bessa (1-0) mantém-se novamente tudo igual na frente. Foi um jogo tremendamente difícil, sendo os transmontamos uma das melhores equipa que passaram pela Catedral este ano.

Com o Jonas já no banco mas com o Fejsa na bancada, o Rui Vitória fez duas alterações em relação a Braga (entradas do Samaris e regresso do Ederson) e o jogo iniciou-se a bom ritmo. Logo aos 6’, o Fábio Martins teve uma entrada sobre o Samaris que deveria ser vermelho directo, mas o sr. Nuno Almeida nem amarelo mostrou. Aos 18’, inaugurámos o marcador através da cabeça do Mitroglou depois de um centro do Nelson Semedo. Houve a dúvida sobre se o nosso avançado teria empurrado o defesa (que surgiu estatelado no relvado), na televisão não deu para a dissipar, mas felizmente há sempre alguém com uma câmara por perto que regista o lance todo. Como se vê, os dois jogadores estão com os braços esticados, até que o defesa do Chaves resolve atirar-se para o chão. Não há falta nenhuma! Quando se esperava que este golo intranquilizasse o Chaves, nada disso aconteceu, porque os flavienses continuaram a jogar (e bem) da mesma maneira, sempre a procurar a nossa baliza. Quanto a nós, tivemos um bom par de ocasiões, mas a última decisão nunca saía bem (Rafa e Salvio, nomeadamente) e até o Mitroglou falhou um penalty em andamento. Até que aos 44’, um erro de marcação do Samaris deixou o Bressan sozinho à entrada da área e este aplicou um belo remate indefensável para o Ederson. O Chaves igualava numa péssima altura!

Apesar do subrendimento de alguns jogadores, voltou o mesmo onze para a 2ª parte, que se antevia bastante complicada. Felizmente, voltámos a marcar bastante cedo, logo aos 50’, numa boa abertura do Samaris para o Nelson Semedo na direita e centro deste para o Rafa atirar para a baliza, com o António Filipe a defender a bola já para além da linha de golo. Como as coisas não estavam fáceis nos primeiros cinco minutos, o Rui Vitória já se preparava para fazer entrar o Jonas quando se deu o golo e, ao contrário do que eu achei que devia, continuou com a substituição (saiu o Salvio) mesmo com o golo. Ou muito me engano, ou se fosse o Cervi ou outro que tal, a substituição não seria feita… E o que é certo é que o Jonas não acrescentou muito à equipa. Nos minutos subsequentes ao golo, tivemos algumas hipóteses de acabar com o jogo, mas os remates do Mitroglou, Zivkovic e Jonas saíram para fora. Numa das melhores jogadas do encontro com o Zivkovic e Mitroglou, o Jonas ficou isolado já dentro da área, mas houve um corte providencial para canto no último momento. O Chaves não tinha tanta liberdade como na 1ª parte, mas ainda obrigou o Ederson a uma das melhores defesas do jogo num remate de fora da área aos 82’. Aos 89’, pudemos finalmente respirar de alívio com o bis do Mitroglou, que ganhou uma bola aérea no corpo-a-corpo com um defesa e, perante o guarda-redes, desviou a bola.

Individualmente, novo destaque para o deus grego: Mitroglou! Mais dois golos na sua melhor sequência de jogos desde que chegou ao Benfica. O Rafa fez uma 1ª parte muito fraca, mas como foi desviado para a esquerda na 2ª subiu exponencialmente de produção, já que teve muito mais espaço. O Nélson Semedo, com duas assistências para golo, é outro dos destaques óbvios, mas como levou um amarelo vai ficar de fora em Santa Maria da Feira. O Ederson voltou a fazer uma defesa decisiva e os centrais (Luisão e Lindelof) também estiveram bem. O resto da equipa esteve num nível aceitável, apenas achei um pouco temerário por parte do Rui Vitória jogar os últimos 15’ com dois habituais suplentes (Samaris e Filipe Augusto) no meio-campo. Apesar de não estar a fazer um jogo por aí além, o Pizzi deveria (mesmo levando em conta estar tapado nos amarelos) ter-se mantido em campo até final (poderia ser desviado para a direita e ter saído o Zivkovic, por exemplo)

Continuamos a não ser muito constantes em termos de exibição durante os 90’, mas lá vamos conseguindo as vitórias. O problema é que o CRAC foi buscar o Soares que lhes garantiu mais três pontos (marcou em todos os jogos desde que chegou!). Confesso que depois do jogo frente à Juventus, estava com esperanças de uma escorregadela deles no Bessa, mas marcaram muito cedo. Se as coisas se mantiverem assim, é imperioso derrotá-los quando vieram à Luz no início de Abril, porque (nunca me cansarei de repetir) temos que chegar ao WC com margem de manobra.

segunda-feira, fevereiro 20, 2017

Mitroglou

Obtivemos uma vitória importantíssima em Braga por 1-0 e continuamos na liderança do campeonato com o CRAC a um ponto e a lagartada a dez. Pelo segundo jogo consecutivo, o Mitroglou resolveu e desta feita com um do melhores golos do campeonato. Tal como se esperava, foi uma partida complicadíssima em que só marcámos a dez minutos do fim, mas numa altura em que estávamos a ser a melhor equipa.

Já se sabe que as jornadas depois da Champions têm sempre um nível de dificuldade acrescido (basta ver os resultados de todas as equipas que participam naquela competição) e não ajudava nada que esta fosse a ida a Braga, mesmo que os locais não passem por um bom momento. Com o Jonas ainda sem estar recuperado, voltou a jogar o Rafa no seu lugar, tendo reentrado o Zivkovic na equipa em vez do Carrillo. Entrámos melhor nos primeiros minutos, mas foi sol de pouca dura, porque o adversário foi superior na maior parte do primeiro tempo. Mesmo assim, as (poucas) oportunidades foram repartidas, porque o Mitroglou desviou por cima num lance em que o Marafona ainda tocou na bola antes de ela chegar ao grego e levámos com uma bola ao poste pelo Battaglia, na sequência de um canto já perto do intervalo.

A 2ª parte principiou na mesma toada, mas com o passar o tempo o Braga foi-se afundando e nós subindo de produção. O problema foi que não conseguíamos rematar à baliza, porque o último passe invariavelmente não saía e nós tínhamos alguma cerimónia perto da área. Os treinadores foram fazendo substituições, mas as nossas acrescentaram mais do que as deles, com destaque para a entrada do Jiménez que acabou por ter acção no golo: roubo de bola do Pizzi ao Assis aos 80’, contra-ataque nosso com o mexicano a abrir no Mitroglou descaído sobre a direita, o grego parecia que estava a demorar muito, mas num espaço mínimo de terreno desenvencilhou-se de dois defesas, aguentou a carga de um terceiro e atirou por entre as pernas do Marafona! Um lance genial que não desmereceria ao Messi! Até final, conseguimos manter o Braga longe da nossa área, com excepção de um livre já depois dos 90’ em que deixámos um adversário cabecear à vontade, mas a bola foi fraca para as mãos do Júlio César.

Em termos individuais, o Mitroglou é obviamente o homem do jogo. Um golo daqueles, ainda por cima sendo o único, é razão mais do que suficiente. Também gostei bastante do Rafa, que terá feito o melhor jogo desde que chegou. Bastante rápido, a antecipar-se muitas vezes aos defesas, tem que aprender a definir melhor o último passe e a aprender a rematar. O Lindelof estava a fazer um óptimo jogo, mas aquela última bola foi responsabilidade sua. O Eliseu estava igualmente bem, mas resolveu sair a fintar no meio-campo a meio da 2ª parte e provocou um contra-ataque muito perigoso ao Braga. Grande parte do nosso problema neste jogo (e frente ao Dortmund) residiu no facto de tanto o Pizzi como o Fejsa não estarem na sua melhor forma. O nosso meio-campo nunca se conseguiu impor de forma consistente e acho que o Rui Vitória terá de pensar numa solução alternativa em partidas perante adversários mais fortes: claramente neste momento só Pizzi e Fejsa não são suficientes.

Depois do que se viu na 6ª feira (com o CRAC a ganhar 4-0 ao Tondela, mas com o primeiro golo perto do intervalo a sair de um penalty inventado e logo a seguir uma expulsão por duplo amarelo em que foi o Soares a fazer falta sobre o defesa, cortesia do sr. Luís Ferreira), este jogo era crucial para mostrar que, apesar de estarem a fazer tudo para puxar outra equipa lá para cima, nós não nos deixamos abater assim tão facilmente. Mesmo não tendo feito uma exibição por aí além, conseguimos o mais importante e, se ficarmos todos felizes em Maio, ir-nos-emos lembrar desta vitória no final da época como um dos momentos mais marcantes.

P.S. – Nomear o sr. Tiago Martins, que tinha expulsado o Rui Vitória na meia-final da Taça da Liga, para este jogo foi claramente uma provocação. Se o golo invalidado ao Mitroglou ainda se pode aceitar, porque é muito difícil de ver, e no penalty sobre o Salvio a maneira como ele cai pode suscitar dúvidas (mas é penalty, porque é rasteirado na perna esquerda), há dois lances que o definem enquanto árbitro. Na 1ª parte, o Rafa é rasteirado, mas a bola sobra para o Salvio que ia fazer um ataque perigoso, mas ele não dá a lei da vantagem e apita para mostrar o amarelo ao jogador do Braga. Na 2ª parte, o Eliseu agarra o Rui Fonte, este cai e tenta passar a bola para dois colegas que ficariam em boa posição para um ataque perigoso, mas não o consegue e só aí o árbitro assinalou a falta e o amarelo. Ou seja, esteve claramente à espera para ver no que o lance ia dar antes de apitar. De falta de coerência não pode ser acusado...!

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Sorte e eficácia

Vencemos o Borussia Dortmund por 1-0 na 1ª mão dos oitavos-de-final da Champions. Perante um adversário fortíssimo, não me custa nada a admitir que tivemos bastante sorte, um grande guarda-redes e que o resultado foi lisonjeiro para nós. Mas o futebol consegue ser imprevisível e sabe muito bem quando é a nosso favor!

Com o Jonas indisponível por problemas na coluna e o Zivkovic castigado ainda do tempo do Partizan, o Rui Vitória apostou no Rafa e manteve o Carrillo a titular. Entrámos bem nos primeiros cinco minutos, em que o Salvio deveria ter feito melhor quando estava em boa posição, mas o remate saiu demasiado torto. E, pronto, foi tudo da nossa parte até ao intervalo… Os alemães controlaram completamente a partida e foram criando oportunidades para marcar, mas o Aubameyang & Cia tiveram felizmente um jogo para esquecer em termos de finalização. O gabonês falhou isolado perante o Ederson pouco depois dos dez minutos, o Lindelof cortou um remate do Dembélé que ia para a baliza e o Fejsa não conseguiu proteger a bola perante o Raphael Guerreiro, que ainda centrou, mas o Aubameyang chegou atrasado. Ou seja, poderíamos bem ter chegado ao intervalo com a eliminatória decidida contra nós. A posse de bola do Dortmund era brutal e nós não conseguíamos ligar um passe.

Para a 2ª parte, o Rui Vitória decidiu que estava na altura de voltar a jogar com 11 e tirou o Carrillo, que depois da grande exibição frente ao Arouca (ah, não, espera, afinal só marcou um bom golo…!) voltou ao nível com que nos habituou. Para o seu lugar, avançou o Filipe Augusto e a equipa ficou mais sólida no meio-campo. Entrámos novamente bem e fomos altamente eficazes ao marcar na única vez em que um remate nosso chegou à baliza: canto do Pizzi aos 48’, cabeçada do Luisão que o guarda-redes Burki provavelmente defendia, se o Mitroglou não tem desviado a bola e atirado posteriormente para a baliza. Golo à ponta-de-lança! A partir daqui, o Borussia voltou a vir para cima de nós e valeu-nos São Ederson que fez uma exibição a lembrar a do Preud’homme frente à Fiorentina em 1996/97: defesas perante o Dembélé, Reus, Piszczek e a um remate do Pulisic que foi desviado pelo Jiménez! Com se isto não bastasse, pelo meio ainda defendeu um penalty do Aubameyang aos 58’, a punir um carrinho do Fejsa com o braço demasiado levantado. O mesmo Aubameyang que, completamente isolado, já tinha atirado novamente por cima antes disso. Quanto a nós, defendíamos com muita garra, para além da do Filipe Augusto a entrada do Cervi também contribuiu para isso, mas por umas quantas vezes não conseguimos meter o passe que poderia criar uma situação de desequilíbrio a nosso favor.

O destaque óbvio do jogo, por tudo o que já referi, é o Ederson, que ontem terá selado definitivamente a sua saída no final da época. Depois do que se viu, será impossível que algum tubarão não o venha buscar. Outro em grande evidência foi o capitão Luisão, que fica com muito para contar no seu 500º(!) jogo pelo Benfica. É o Maior! O Lindelof foi igualmente muito importante para manter a nossa baliza a zeros. O Salvio foi o melhor na 1ª parte, mas esteve mais discreto na 2ª, quiçá a ressentir-se fisicamente do esforço. O Pizzi passou bastante ao lado do jogo e também já vi o Fejsa fazer melhor. Não é fácil conter o ataque dos alemães, é certo, mas ambos pareceram um pouco perdidos especialmente na 1ª parte. O Mitroglou marcou um golo importante e merece naturalmente uma palavra por isso. Quanto ao Carrillo, já disse o que tinha a dizer e o Rafa também quase não se viu. A diferença para o Cervi foi brutal, aliás, não percebo porque é que o argentino é muitas vezes preterido em favor daqueles dois…

Foi uma vitória que nos dá bastante prestígio, iremos sofrer na 2ª mão, mas neste momento estamos em vantagem. A estatística vale o que vale, mas das 13 vezes que fomos para a 2ª mão com uma vantagem de 1-0 só numa fomos eliminados (Anderlecht na pré-eliminatória da Champions em 2004/05). No entanto, o que me interessa mesmo é o campeonato e veremos como a equipa reagirá a este desgaste em Braga.

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

Agradável

Vencemos na 6ª feira o Arouca por 3-0 e, com as posteriores vitórias do CRAC em Guimarães (2-0) e da lagartada em Moreira de Cónegos (3-2), manteve-se tudo igual na frente, com um ponto de vantagem sobre os assumidamente corruptos e dez sobre os outros. Foi uma partida bem conseguida da nossa parte, em que estávamos a fazer uma boa exibição até aos 41’ quando o Ederson foi expulso e depois fomos inteligentes na maneira como soubemos aguentar (e até aumentar) a vantagem.

O Rui Vitória surpreendeu ao apostar no Carrillo no lugar do lesionado Salvio, mas foi o Zivkovic a estar em destaque logo desde o início ao conduzir boa parte dos nossos ataques. O Arouca tentava responder na medida do possível, mas fomos nós a criar as maiores situações de perigo com destaque para um remate do Luisão em boa posição num canto para uma defesa do Bolat. Depois de termos visto um golo anulado ao Mitroglou por fora-de-jogo do Jonas que teve intervenção no lance, aos 25’, inaugurámos o marcador com um centro milimétrico do Jonas para a cabeça do mesmo Mitroglou. Pouco depois, nova assistência do Jonas para um remate de primeira do nº 11 que o guarda-redes blocou, mas dez minutos depois do primeiro o grego bisou com um remate também de primeira já dentro da área, na sequência de uma insistência do Eliseu na esquerda, que posteriormente fez a assistência. Aos 41’, o Sr. Manuel Mota demorou uma eternidade, mas acabou por expulsar o Ederson por indicação do fiscal-de-linha. O nosso guarda-redes saiu um pouco extemporaneamente da área para tentar cortar um ataque contrário, quando ainda havia dois defesas nossos na jogada, e de facto atinge o jogador adversário. Saiu o Mitroglou para entrar o Júlio César, mas logo na altura me pareceu que seria melhor ter saído o Jonas, dado o desgaste que se antevia com menos um.

Um jogo que deveria já estar decidido ficou assim em dúvida para a 2ª parte. No entanto, logo aos 49’ demos uma machadada fortíssima no Arouca ao fazer o 3-0 pelo Carrillo: grande jogada do Nélson Semedo desde a nossa defesa, tabela com o Mitroglou Jonas, bola para o Pizzi e assistência num timing perfeito para o Carrillo picar por cima do guarda-redes. Um golão! O Arouca, apesar de ter continuado a tentar, sentiu o nosso terceiro golo e só teve uma verdadeira oportunidade à passagem da hora de jogo, com um cabeceamento desviado inadvertidamente pelo Nélson Semedo que proporcionou ao Júlio César uma grande defesa por instinto. Nós lá substituímos o Jonas pelo regressado Jiménez e o Filipe Augusto voltou a render o Pizzi. Até final, o Luisão teve uma boa chance num livre, mas rematou por cima. Teria sido uma óptima maneira de comemorar o seu 499º(!) jogo pelo Glorioso.

Em termos individuais, o Mitroglou com dois golos merece obviamente uma menção, mas quem me continua a encher as medidas é o Zivkovic, que vai fazer muita falta frente ao Borussia Dortmund por conta da expulsão que teve ainda no Partizan. O Carrillo marcou um grande golo, melhorou um bocadinho o seu nível exibicional, mas ainda está muito longe de me convencer. Ao invés, os laterais (Nélson Semedo e Eliseu) estiveram bastante bem e muito participativos no ataque. Espero que a excelente defesa que fez contribua para que o Júlio César readquira confiança, porque vem aí uma deslocação muito difícil a Braga.

Amanhã teremos a Champions na Luz, mas o jogo mais importante será o do próximo domingo na Pedreira. Não nos podemos distrair, porque deixámos de ter margem de manobra e a entrada do Soares no CRAC continua a fazer mossa: continuam sem jogar nada, mas agora a bola entra...

segunda-feira, fevereiro 06, 2017

Normalidade

Vencemos o Nacional por 3-0 e continuamos com um ponto de vantagem para o CRAC que venceu a lagartada por 2-1 (não é que fossem necessárias mais provas, mas mais uma vez se demonstra que a lagartada não serve mesmo para coisa nenhuma). Perante um dos adversários mais fracos que passaram esta época pela Luz, o nosso triunfo foi justo e nem foi preciso jogarmos um grande futebol.

Já se sabe que, nestas partidas até entrar o primeiro golo, as coisas nunca são fáceis. Felizmente conseguimo-lo ainda na 1ª parte, o que ajudou a superar os traumas que vinham de duas derrotas consecutivas. Que os houve e foram visíveis. O Pizzi conseguiu recuperar de Setúbal (nem sei bem como...), mas notou-se que não estava no pleno da sua forma. Começámos a partida imprimindo velocidade e as ocasiões foram surgindo, com o Jonas em destaque por lhe terem pertencido grandes parte delas, mas os remates ou saiam fracos ou por cima. Até que aos 26’, finalmente, o nosso 10 conseguiu atinar com a baliza e fazer o 1-0 de cabeça depois de um centro teleguiado do Zivkovic. E foi o mesmo Jonas, depois de ter levado um amarelo escusadíssimo por ter atirado a bola contra o chão (num jogador com a experiência dele, não se percebe uma reacção daquelas com o resultado já a nosso favor), a aumentar a vantagem para 2-0 com um excelente remate rasteiro em arco de pé esquerdo de fora da área. Até ao intervalo, poderíamos ter resolvido definitivamente o jogo, mas o cabeceamento do Mitroglou, depois de nova assistência do Zivkovic, saiu ao lado.

Para a 2ª parte, a tendência da partida manteve-se: o Nacional não conseguia chegar à nossa baliza e nós íamos controlando a partida, mas já sem grande velocidade. Os madeirenses deveriam ter ficado com 10 à passagem da hora de jogo, porque o Rui Correia atingiu por trás o Salvio sem hipóteses de jogar a bola, mas o sr. Luís Godinho incompreensivelmente só mostrou o amarelo. Dado que não estamos a atravessar uma fase positiva, era importante marcamos o terceiro para dissiparmos quaisquer dúvidas e o Mitroglou teve uma cabeçada à figura do Adriano, quando estava em boa posição. Entretanto, começaram a surgir as substituições (estreou-se o Filipe Augusto) e foi o recém-entrado Rafa a assistir o mesmo Mitroglou aos 81’, permitindo-lhe finalmente marcar o seu golito.

Em termos individuais, o destaque tem que ser dado ao Jonas pelo primeiro bis da época. Nota-se que ele não está ainda na sua melhor forma, o que o deixa frustrado e nervoso (o estúpido amarelo pode ser reflexo disso), mas façamos votos para que estes golos o ajudem a atingi-la. Outro dos melhores em campo foi indiscutivelmente o Zivkovic, que está cada vez mais preponderante na equipa, não só com as suas assistências, mas também pelo que ajuda em termos defensivos. Quanto ao Salvio, que tem alguns (inacreditáveis para mim) anticorpos entre os benfiquistas, claro que (ainda... espero) não é o jogador que nos habituou, mas tem o mérito de nunca desistir. E, de vez em quando, as coisas saem-lhe bem (subiu bastante de produção na 2ª parte). A defesa esteve segura, mas o Nacional nunca a colocou verdadeiramente à prova. Ter-se-á de rever num futuro próximo, mas não desgostei do Filipe Augusto: pareceu-me inteligente na abordagem dos lances, a perceber para onde é que a bola ia e com boa capacidade de passe.

Teremos novo jogo em casa na próxima sexta-feira, perante o Arouca, e não se espera menos do que uma nova vitória. Desperdiçámos de maneira inglória uma vantagem muito confortável que teremos de reaver em parte sob pena de ainda fazermos a lagartada ganhar a época. Aposto que esqueceriam tudo de mau que têm feito, se pudessem roubar-nos o campeonato e oferecê-lo ao CRAC quando tivermos que ir ao WC perto do final de Abril. Mas ainda há muitos jogos até lá e não podemos de todo voltar a facilitar.

terça-feira, janeiro 31, 2017

Zero

Perdemos em Setúbal por 0-1 e ficámos só com um ponto de vantagem para o CRAC no 2º lugar. Parece quase impossível que ainda há três semanas tenhamos tido uma dupla vitória em Guimarães, que alargou a nossa diferença para seis pontos, com a perspectiva de ter quatro jogos em casa nos seguintes cinco e assim poder aumentá-la, e apenas três partidas depois estejamos agora nesta situação. Atravessamos indiscutivelmente a pior fase da época e o futuro não está nada risonho.

Claro que tudo poderia ter sido diferente se os remates do Mitroglou e do Cervi não tivessem passado a rasar o poste nos primeiros cinco minutos. O V. Setúbal demonstrava muito mais garra do que nós na disputa da bola e marcou o golo na primeira vez que foi à nossa baliza: escorregadela comprometedora do Lindelof e, na sequência da jogada, há um centro para a área, o Luisão ficou nas covas e o Zé Manuel (emprestado pelo CRAC) cabeceou sem hipóteses para o Ederson. Estávamos no 21’, mas tive logo a sensação de que, se não marcássemos até ao intervalo, as coisas ficariam muito feias. Tivemos um remate perigoso do Pizzi por cima e um cabeceamento em balão do Luisão que um defesa tirou sobre a linha, mas na maior parte do tempo não conseguíamos imprimir velocidade no ataque, o que, com o V. Setúbal bem posicionado defensivamente, tornava tudo muito complicado.

Para a 2ª parte, entrou o Rafa em vez do apagado Cervi, mas à semelhança do encontro frente ao Moreirense entrámos completa e incompreensivelmente a dormir! Continuávamos com duas velocidades, lentos e parados, e nem chegávamos à área contrária. Só a partir dos 60’ começámos a ter oportunidades, mas sobram dedos de uma só mão para as contabilizar. Um desvio do Mitroglou por cima, quando só tinha o Bruno Varela pela frente, e outro remate de primeira também do grego à figura já nos descontos foram as duas melhores chances que tivemos. Muito, muito, muito pouco para quem tinha obrigação de ganhar.

Em termos individuais, é praticamente impossível destacar alguém. Talvez o Zivkovic tenha sido o menos mau. O Fejsa reentrou na equipa depois da lesão, mas errou uma série de passes, os centrais foram batidos infantilmente no golo, o André Almeida fez das piores exibições dos últimos tempos, mas o nosso grande problema é o estoiro físico do Pizzi e do Jonas. O 21 tem sido a nossa grande figura até agora, mas ontem esteve péssimo e foi patética a maneira como jogou praticamente ao pé coxinho durante grande parte da 2ª parte, quando ainda só tínhamos feito uma substituição! Incompreensível! Ainda para mais, estando lesionado, também não se compreende como não aproveitou para limpar os amarelos, já que é muito duvidoso que jogue para a semana. Quanto ao Jonas, está longe de estar na sua melhor forma física, o que não é de espantar dado que perdeu grande parte da época.

Eu percebo que 30M€ sejam muito difíceis de recusar, mas veremos se esta saída a meio da época de quem nos fez esquecer do melhor jogador dos últimos dois anos durante a 1ª volta não nos irá custar o 36... É que não estou a ver ninguém no plantel com a capacidade rompedora do Gonçalo Guedes, a aguentar fisicamente com os adversários e com alguma capacidade de remate de fora da área. Outra questão muito preocupante é a posição 8: o Pizzi não vai dar para a época toda, o André Horta passa muito tempo lesionado e não há mais ninguém! Vejo nuvens muito negras no nosso horizonte..

P.S. – Independentemente da nossa miserável exibição, não pode ser deixado passar em claro um penalty do tamanho do mundo no último minuto de compensação sobre o Carrillo: entra na área, puxa a bola para trás sobre a linha de fundo e é passado a ferro por um adversário! O Sr. João Pinheiro apitou... para o final do jogo! QUE ROUBO! E já nem falo do amarelo ao Nuno Pinto, que deveria ter sido vermelho, logo aos 57’ por entrada duríssima sobre o Luisão... Aquela célere reunião do Conselho de Arbitragem com os clubes, a pedido do CRAC e da lagartada, já começa a fazer os seus efeitos. Desde aí, já tivemos um 3º golo do Boavista irregular e agora este penalty mais que evidente não assinalado. A coisa promete...!

quinta-feira, janeiro 26, 2017

INCONCEBÍVEL!

Perdemos com o Moreirense (1-3) na final four da Taça da Liga e fomos eliminados. Vou voltar a repetir: perdemos com o Moreirense (o M-o-r-e-i-r-e-n-s-e!) por 1-3 e não vamos à final da Taça da Liga. Ou seja, perdemos a oportunidade de fazer história ao nível do futebol português e ganhar na mesma época todos os troféus nacionais em disputa. Porque, lá está, perdemos com o Moreirense!

Ainda para mais, não poderíamos ter desejado melhor começo de jogo e marcámos logo aos 6’ pelo Salvio, num golão depois de um óptimo centro do Eliseu. No entanto, a partir daqui, os jogadores do Benfica acharam que tinham o jogo ganho e a desaceleração foi evidente. O Moreirense praticamente não criou perigo na 1ª parte, o que ajudou a sedimentar essa impressão de que a vitória estava garantida. Mesmo assim, ainda tivemos algumas oportunidades para aumentar a vantagem, mas o Jonas e o Salvio permitiram duas boas defesas ao Makaridze, e o André Almeida não conseguiu chegar à bola e desviar para a baliza um cabeceamento do Lisandro num canto.

Na 2ª parte, as camisolas do Benfica entraram em campo e jogaram sozinhas até aos 75’. Claro está que assim sendo foi fácil ao Moreirense marcar três golos! (Repito: sofremos T-R-Ê-S golos do Moreirense!) Logo aos 46’, pelo recém-entrado Dramé, aos 54’, pelo Boateng (na sequência de um livre, em que há um puxão nítido ao Eliseu que o impede de disputar a bola), e aos 71’, novamente pelo Boateng, depois de uma incrível perda de bola a meio-campo do Jardel. Aos 75’, os jogadores do Benfica lá se decidiram entrar em campo e o Jonas ainda atirou duas bolas aos ferros, o Salvio teve um cabeceamento a rasar o poste e o Makaridze fez um par de boas defesas. Tivéssemos jogado sempre como nesses últimos 15’ e outro resultado haveria…

É quase um sacrilégio fazer destaques individuais depois de uma exibição destas, mas o Salvio foi dos melhores enquanto teve pernas, o Eliseu não pareceu estar há dois meses sem jogar e o Zivkovic deveria ter entrado mais cedo. Quanto aos outros, foi quase tudo de fugir, mas mesmo assim nenhum bate o Carrillo…!

O que mais me preocupa nesta debacle é que já não é a primeira vez (nem a segunda) que acontece: já em Istambul, tivemos três golos de vantagem e desligámos o cérebro e esse mesmo desligar aconteceu há bem pouco tempo na primeira meia-hora contra o Boavista. Como é possível uma equipa como a nossa desconcentrar-se desta maneira e andar completamente à nora durante 30’ num jogo em que entrámos a ganhar logo aos 6’?! Sinceramente, não se compreende! Jamais me conformarei com a perda desta oportunidade de ouro para ganhar tudo, ainda por cima quando nas taças já não estavam nenhum dos outros dois. Veremos a repercussão que isto terá para o futuro, mas as últimas exibições (e a catrefada de golos sofridos!) não me deixam nada confiante para os próximos tempos.

segunda-feira, janeiro 23, 2017

Goleada enganadora

Vencemos o Tondela por 4-0 no primeiro jogo da 2ª volta e mantivemos os 4 pontos de vantagem sobre o CRAC (4-2 em casa ao Rio Ave), tendo aumentado para 10 em relação à lagartada, que empatou na Madeira com o Marítimo (2-2). Quem olhar para o resultado sem ter visto o jogo pode pensar que foi uma vitória fácil e tranquila do tricampeão. Puro engano: basta referir que desde a 2ª jornada, contra o V. Setúbal em Agosto, que não ficávamos a zeros ao intervalo em jogos para as provas nacionais.

O Rui Vitória deu a titularidade ao Zivkovic em detrimento do Salvio e foi essa a única alteração em relação ao onze base dos últimos jogos. O Tondela, apesar de estar em último lugar, fez um jogo defensivamente muito bem conseguido (em alguns períodos com o inevitável antijogo, mas já se sabe…) e nós tivemos tremendas dificuldades para criar perigo no primeiro tempo. Um remate do Jonas que proporcionou ao Cláudio Ramos uma boa defesa e uma cabeçada do Mitroglou a centro do mesmo Jonas foram as duas ocasiões que tivemos para marcar. Quanto à defesa, não tivemos dificuldades de maior, excepto num lance em que o Tondela ainda marcou, mas em claro fora-de-jogo.

Para a 2ª parte, saiu o apagado Cervi (desta feita, a substituição do argentino foi justa) e entrou o Salvio. Mas, mais importante do que isso, é que entrámos com outro espírito e começámos a pressionar o Tondela como nunca o tínhamos feito até então. A atacar para a baliza grande, o Zivkovic ia marcando logo de entrada, num remate de ressaca, não fosse o guarda-redes fazer a defesa do jogo. Aos 59’, começámos finalmente a desatar o nó, com o Pizzi a inaugurar o marcador num remate cruzado de pé esquerdo, já dentro da área, depois de uma assistência do Samaris. A partir daqui, milagrosamente, os visitantes deixaram de estar lesionados e o jogo foi muito mais fluido. O Tondela ia tentando responder, deixando de ter tantas preocupações defensivas, ao que nós respondemos com velocidade na tentativa de fechar a partida. O Mitroglou teve um problema físico (esperemos que passageiro…) e teve que ser substituído pelo Rafa aos 70’. Pouco depois, aconteceu o único lance em que o Tondela criou perigo, num remate de fora da área do Francisco Ferreira defendido pelo Ederson a dois tempos. De seguida, o Salvio não conseguiu dominar bem a bola, quando estava isolado, permitindo a intercepção do Cláudio Ramos, mas aos 76’ o desfecho do jogo ficou decidido com o 2-0: grande abertura do Samaris para o Nélson Semedo na direita fazer um centro atrasado para o Pizzi bisar. Grande jogada! Já nos últimos dez minutos, o Rafa assistiu o Salvio para um remate cruzado que rasou o poste e aos 84’ foi o mesmo Rafa a estrear-se FINALMENTE a marcar pelo Glorioso: grande passe do Jonas e o internacional português a fazer o 3-0 num chapéu magistral ao guarda-redes. A equipa caiu em cima dele nos festejos! Para terminar em beleza, fizemos o 4-0 já nos descontos num penalty do Jonas a punir um puxão ao André Almeida.

Em termos individuais, óbvio destaque para o Pizzi pelos seus dois golos, para o Samaris pelas jogadas nesses mesmos golos, e para o Zivkovic que foi dos que mais procurou criar desequilíbrios. A defesa praticamente não teve trabalho e o Ederson foi pouco mais que um espectador.

Como disse o Rui Vitória no final, e bem, esta partida demonstrou que isto vai ser muito difícil até final. Nada está garantido e mesmo equipas nos últimos lugares da tabela podem tornar-se bastante complicadas. Uma das coisas que mais gosto na nossa equipa é que raramente perdemos a cabeça em campo e começamos a jogar à maluca se as coisas não estiverem a correr bem. A mudança da 1ª para a 2ª parte é bem exemplo disso: bastou imprimir mais velocidade para as coisas melhorarem. Sabemos perfeitamente o que temos de fazer em cada momento do jogo e isso é sinal de muita maturidade competitiva. Para o próximo fim-de-semana, temos a final four da Taça da Liga e esperamos sair de lá com o segundo troféu da temporada.

P.S. – O Gonçalo Guedes ficou de fora dos convocados, indiciando uma venda iminente. Fala-se em 30 milhões de euros, uma quantia irrecusável, principalmente em jogadores que não são titulares absolutos. No entanto, não sou nada fã destas transferências a meio da época e, esperando estar enganado, acho que vai fazer falta.