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domingo, julho 23, 2017

Derrota enganadora

Perdemos ontem com o Hull City (0-1) em novo jogo no estádio do Algarve. Perante uma equipa que desceu esta época à II Divisão inglesa, fomos claramente superiores, especialmente na 2ª parte, e o resultado não reflecte o que se viu em campo.

Com o segundo jogo em três dias, o Rui Vitória alterou bastante a equipa e não se pode dizer que na etapa inicial os maioritariamente suplentes tenham aproveitado a oportunidade. Jogo muito lento da nossa parte, com escassas oportunidades. A 2ª foi bem melhor, apesar de termos sofrido o golo logo aos 59’ num disparate do Lisandro que tentou sair a jogar da nossa área e acabou por perder a bola. Quando entrou a artilharia pesada, as coisas melhoraram muito e, num bom lance do Seferovic, o Hull City acabou por ficar a jogar com 10, porque o suíço se preparava para ficar isolado, quando foi derrubado. No entanto, a falta de pontaria e o guarda-redes adversário impediram-nos de conseguir um resultado volumoso (sim, tivemos oportunidades para ganhar pelo menos dois jogos).

Para além do Jonas, Seferovic e Zivkovic, que mexeram bastante com a equipa, também gostei das entradas do Willock e do Chrien. Este esteve muito bem na posição oito, o que deverá tirar espaço ao André Horta que na 1ª parte poderia ter feito melhor, e o inglês parece que tem um turbo em comparação com o Carrillo (quase todos os jogadores parecem um Ferrari ao pé dele, mas enfim…). O Buta na lateral-direita pode ser que se faça jogador, mas acho muito arriscado apostar já nele a 100%. Na esquerda, o Eliseu dá garantias de uma época ao nível das anteriores, quando o Grimaldo estiver no estaleiro. Quanto aos menos, o Filipe Augusto continua sem me convencer nada, o Lisandro até nem estava a jogar mal quando teve uma das suas paragens cerebrais, e os miúdos João Carvalho e Diogo Gonçalves passaram ao lado do jogo, mas nota-se que têm toque de bola.

Já estamos em Inglaterra para o último estágio antes do início oficial da época e no próximo fim-de-semana participaremos na Emirates Cup. De preferência com melhores resultados do que da última vez que lá estivemos, sff…

sexta-feira, julho 21, 2017

Algarve Cup

Vencemos o Bétis de Sevilha por 2-1 no Estádio do Algarve e conquistámos este troféu de pré-temporada. Foi um jogo melhor do que os anteriores, embora ainda haja muito para corrigir.

Depois da goleada frente ao Young Boys, um novo desaire poderia quebrar um pouco da confiança que se quer para a equipa, razão pela qual o Rui Vitória não facilitou muito nem na equipa inicial, nem nas substituições. Inaugurámos o marcador aos 15’ num golão do Seferovic (um chapéu) depois de uma boa abertura do Jonas. Facilitámos na defesa aos 32’ e os andaluzes empataram pelo Sergio León. Na 2ª parte, marcámos o golo da vitória aos 50’, novamente pelo Seferovic bem isolado pelo Rafa.

Com três jogos já dá para tirar algumas conclusões. Por exemplo, o Pedro Pereira é para esquecer. Pode ser muito bom rapaz e tal, mas os tempos do Dudic e Okunowo (felizmente) já lá vão. Como alguém comentava, até o Luís Filipe era melhor. Mesmo o Buta, que o substituiu ao intervalo, pareceu um génio ao pé dele, mas não podemos pensar que temos Nélson Semedos aos magotes vindos da equipa B prontos para entrar na equipa. Precisamos de um lateral-direito e rápido. No meio-campo, o Filipe Augusto é outro que não dá. Pelo menos como nº 8. Lento, complicativo, pouco criativo não acrescenta nada à equipa. (A propósito, o que se passará com o André Horta...?) O Jardel terá que adquirir rapidamente a forma. Eu sei que esteve praticamente um ano parado, mas como vai ser titular indiscutível era bom que melhorasse rapidamente. O Seferovic é bom. Marcou dois excelentes golos, mas estou com receio que o Mitroglou ou o Jiménez saiam, porque três potenciais titulares para um lugar parece-me demais. O Rafa está melhor em termos defensivos e fez um bom remate cruzado, embora tenha saído ao lado (já é um princípio...). O Hermes não é nenhum génio, mas como o Grimaldo passa a vida magoado e o Eliseu já não vai para novo (e também esteve lesionado no ano passado durante um par de meses) se calhar é de o manter no plantel, até porque o bombeiro de serviço (André Almeida) não deverá poder ser desviado para a esquerda, porque vai ser preciso na direita. O Júlio César também tem que ter concorrência (e boa) na baliza.

Amanhã defrontaremos o Hull City e estamos a duas semanas da Supertaça. Era muito conveniente que recebêssemos os reforços necessários a tempo de a jogarem. Um troféu oficial é sempre para ganhar.

domingo, julho 16, 2017

Muito mau

No segundo jogo da pré-temporada, fomos ontem copiosamente derrotados (1-5) pelo Young Boys da Suíça. Mesmo tendo em conta que três dos golos foram apontados nos últimos 15’, já depois das muitas substituições, e que estamos no início da época, é um resultado que não pode deixar de nos preocupar. Sem histerismos, nem a pensar que este ano nem à Liga Europa vamos (de certeza que há malta que já acha isso), mas também não vale a pena tapar o sol com a peneira: sim, precisamos de reforços nalgumas posições-chave.

A partida até nem começou mal, connosco a chegar à vantagem aos 22’ num livre do Jonas que desviou na barreira e enganou o guarda-redes. Mas não a gozámos muito, porque os suíços empataram logo três minutos depois num mau alívio do Lisandro que acabou por se tornar uma assistência. Até ao intervalo, ainda sofremos uma bola no poste. Mas o pior estava guardado para a 2ª parte, com o Jonas a marcar muito mal um penalty e o Cervi a falhar só com o guarda-redes pela frente, e depois com cada bola que ia à nossa baliza a entrar, ajudada igualmente por muita inépcia futebolística principalmente da nossa defesa.

Tomando em conjunto estas duas primeiras partidas, há alguns jogadores que poderão sempre dizer aos netos que jogaram com a camisola do Benfica. Mas, para nosso bem, esperemos que seja só em jogos particulares. Outras há que são bons para estar no plantel (nenhuma equipa do mundo pode ter 24 Messis), mas nunca como titulares. Falando em titulares, há três indiscutíveis que saíram e até agora não entrou ninguém para o lugar deles. O que quer dizer que quem os está a substituir é quem já cá estava. Que era suplente deles no ano passado. Logo, não é preciso fazer um desenho para perceber se (até agora) perdemos ou não qualidade na equipa, pois não...?

sexta-feira, julho 14, 2017

Início

Vencemos o Neuchâtel Xamax por 2-0 no primeiro jogo da pré-temporada para a Taça Uhren. Os golos foram apontados ainda na 1ª parte, pelo Jonas de penalty aos 5’ e pelo Seferovic (estreia a marcar é sempre de saudar) aos 19’. A justiça da nossa vitória nunca esteve em causa, até porque o adversário, da 2ª Divisão suíça, se revelou bastante inferior a nós.

Com as vendas do Ederson, Lindelof e Nélson Semedo, e as ausências de 11 jogadores (entre lesionados e férias prolongadas por causa das selecções), a equipa que se apresentou estava longe de ser a que vai jogar mais vezes, pelo que o interesse destes jogos é ver quem dos novos jogadores é que se pode constituir como alternativa a curto prazo. E nesse capítulo, gostei bastante do Diogo Gonçalves (a abertura para o Jonas no lance em que este é derrubado na área é brilhante). O eslovaco Chrien, apesar de um erro enorme num atraso, pareceu-me bom jogador, o toque de bola não engana e chega facilmente à área contrária. Pode ser que se torne uma alternativa válida ao Pizzi. O Seferovic, apesar do golo, nota-se que ainda não está muito à vontade nas movimentações da equipa (o contrário é que seria de espantar). No entanto, espero que a sua vinda não implique a saída do Jiménez nem do Mitroglou. Quanto aos restantes, não houve nenhuns que se tenha destacado por aí além.

O próximo teste, frente ao Young Boys que irá disputar os play-off da Champions, deverá ser mais complicado.

domingo, julho 02, 2017

Portugal - 2 - México - 1 (a.p.)

Vencemos os mexicanos e conseguimos o 3º lugar na Taça das Confederações. Mesmo sem o Cristiano Ronaldo (que teve dispensa para conhecer os seus filhos gémeos) e com bastantes alterações no onze, ficámos com o último lugar no pódio, o que não deixa de ser meritório.

Na 1ª parte, fomos bastante superiores ao adversário e demo-nos ao luxo de falhar um penalty pelo André Silva e um golo de baliza aberta pelo Nani (cabeceou por cima).A 2ª parte começou praticamente com o golo deles (54’), num lance infeliz do Neto, que colocou a bola dentro da baliza, mas nós vingámo-nos do jogo da fase de grupos ao igualar aos 91’, num excelente pontapé de karaté do Pepe, depois de um centro do Quaresma. No prolongamento, novo penalty indiscutível a nosso favor (mão do Layún) e, ao fim de quatro falhanços, lá conseguimos finalmente marcar através do Adrien (104’). Até final, destaque negativo para os duplo amarelos a dois jogadores do Glorioso (Nélson Semedo e Raúl Jiménez) e para uma boa defesa do Rui Patrício já mesmo no final, a remate do Herrera.

Em termos individuais e falando do conjunto dos jogos, o Bernardo Silva e o Gelson Martins deixaram de ser promessas para se tornarem claramente opções para a titularidade, e o Pizzi merecia mais minutos (foi dos melhores neste último jogo). No meio-campo e à semelhança do Europeu, continuo a achar que o Danilo é bastante melhor do que o William Carvalho. O Nani estará no fim da linha (mesmo o Quaresma esteve melhor do que ele), mas não faltam opções ofensivas de modo inversamente proporcional ao que se passa no centro da defesa, em que todos já passaram dos 30 anos.

Esta participação inédita tem um travo agridoce, porque tínhamos claramente equipa para ir à final, mas ao mesmo tempo não é todos os dias que ficamos no pódio numa competição organizada pela FIFA.

quinta-feira, junho 29, 2017

Portugal - 0 - Chile - 0 (0-3 pen.)

Fomos derrotados nos penalties pela selecção chilena e perdemos uma oportunidade (quiçá única) de ir à final da Taça das Confederações. Tal como se previa, foi uma partida bastante equilibrada, em que a selecção da América do Sul conseguiu ter mais bola, mas nós fizemos mais remates à baliza.

Com a recuperação física do Bernardo Silva, apresentámos a equipa que era expectável (com o José Fonte a substituir o castigado Pepe) e até entrámos bem na partida. No entanto, íamos sofrendo um golo logo nos primeiros minutos, mas o Rui Patrício fez bem a mancha. Pouco depois, era a nossa vez de falharmos uma excelente ocasião, com o André Silva a permitir a defesa do Cláudio Bravo. Até ao intervalo, houve muita luta, mas quase nenhumas chances claras de golo.

Na 2ª parte, as equipas pareceram sempre mais interessadas em não sofrer do que em marcar e até as nossas substituições correram particularmente mal, já que o Nani e o Quaresma não trouxeram nada de novo. Sem grande surpresa, fomos para prolongamento. Depois de um penalty contra nós ter sido perdoado pelo árbitro, que nem sequer solicitou a ajuda do vídeo-árbitro, no último minuto do prolongamento fomos bafejados pela sorte: bola no poste e na barra na mesma jogada!

Quando aos penalties, começaram eles, o que é logo uma desvantagem. De qualquer modo, cometemos a proeza de falhar todos os três penalties de que dispusemos! Assim, não há equipa que resista.

A equipa esteve uns furos abaixo do que se esperava, mas em termos individuais o Cédric e o William Carvalho (alvíssaras, alvíssaras!) foram dos melhores. Também gostei do Bernardo Silva enquanto teve pernas. Os centrais (José Fonte e Bruno Alves) foram irrepreensíveis.

Iremos agora jogar para os 3º e 4º lugares no próximo domingo. Haverá certamente alguma rotação na equipa, mas já agora conseguíamos o pódio, não?

domingo, junho 25, 2017

Nova Zelândia - 0 - Portugal - 4

A goleada frente aos neo-zelandeses permitiu-nos ficar no 1º lugar do grupo, tendo o México derrotado a Rússia (2-1) e ficado em segundo. Perante a equipa mais fraca do grupo, o Fernando Santos resolveu não facilitar e colocou a melhor equipa em campo. Mas como não há bela sem senão, o Pepe levou um amarelo idiota e ficará de fora das meias-finais.

À semelhança do jogo frente ao México, não entrámos nada bem, mas fomo-nos recompondo ao longo da 1ª parte. Criámos perigo num cabeceamento do Cristiano Ronaldo que o guarda-redes defendeu para o poste e inaugurámos o marcador aos 33’ pelo mesmo C. Ronaldo, num penalty indiscutível sobre o Danilo na sequência de um canto. Quatro minutos depois, a partida ficou praticamente decidida, com o 2-0 numa boa abertura do Quaresma para o Eliseu, que centrou atrasado para o Bernardo Silva marcar e lesionar-se ao cair mal (saiu ao intervalo rendido pelo Pizzi).

Na 2ª parte, voltámos a entrar lentos, mas aí com a desculpa de estarmos a ganhar, e a Nova Zelândia teve uma boa oportunidade salva pela perna do Bruno Alves. Entretanto, entrou o Nani para que o C. Ronaldo pudesse descansar e selámos definitivamente o 1º lugar (o México estava a ganhar por 2-1 e, portanto, um golo deles ou da Nova Zelândia atirar-nos-ia para o 2º lugar) com o 3-0 pelo André Silva, numa boa iniciativa individual aos 80’. No início da compensação, ainda houve tempo para o Nani fazer o 4-0 num remate rasteiro de pé esquerdo.

Iremos agora defrontar o Chile nas meias-finais na próxima 4ª feira e veremos se a estupidez do Pepe não nos será prejudicial. Quando ao resto da equipa, parece-me que o Bernardo já é indiscutível e o Danilo bastante melhor do que o William Carvalho (como no Euro 2016, já agora). Teremos de ter bastante atenção, porque os chilenos serão o adversário mais difícil até agora.

quinta-feira, junho 22, 2017

Rússia - 0 - Portugal - 1

Vencemos ontem a selecção anfitriã da Taça das Confederações e estamos a um empate de nos qualificarmos para as meias-finais. Como o próximo adversário é a já eliminada Nova Zelândia, era só o que mais faltava não passarmos à fase seguinte.

Com jogos de três em três dias, o Fernando Santos mexeu na equipa e a entrada do Bernardo Silva foi fundamental para a melhoria exibicional da selecção. Especialmente na 1ª parte, dominámos completamente os russos que sentiram imenso o nosso golo logo aos 8’, num belo centro do Raphael Guerreiro a que o Cristiano Ronaldo correspondeu com uma óptima cabeçada. Tivemos mais algumas oportunidades, mas o Akinfeev lá foi resolvendo. Na 2ª parte, as coisas alteraram-se, os russos foram muito mais pressionantes, mas acabámos por ser nós a ter as melhores oportunidades em contra-ataque, com o André Silva e Cédric a proporcionaram ao guardião russo óptimas defesas, e o C. Ronaldo a falhar incrivelmente de cabeça um golo feito. Num canto no último minuto, só não aconteceu o empate, porque o cabeceamento de um jogador russo saiu ligeiramente por cima.

No outro grupo, o Chile tem os mesmos pontos, mas vantagem na diferença de golos perante a Alemanha e veremos o que nos reservam os últimos jogos dos grupos para saber o emparelhamento das meias-finais.

segunda-feira, junho 19, 2017

Portugal - 2 - México - 2

Empatámos ontem na estreia na Taça das Confederações que decorre na Rússia. Perante um adversário que se mostrou durante algum tempo muito mais aguerrido do que nós, tivemos a inteligência de nos colocar por duas vezes em vantagem, mas deixá-la fugir já nos descontos.

O Fernando Santos inovou ao colocar o Nani e Quaresma de início, relegando o André Silva para o banco. E se o jogador do Besiktas foi dos melhores, marcando o nosso primeiro golo aos 34’, depois de uma abertura fabulosa do Cristiano Ronaldo na sequência de um deslize de um defesa mexicano, já o do Valência passou ao lado do jogo. Em cima do intervalo, aos 43’, o México empatou pelo Javier Hernandéz num falhanço incrível do Raphael Guerreiro que terá feito dos piores jogos de sempre com a camisola da selecção.

Na 2ª parte, estivemos melhor do que os mexicanos, mas só conseguimos marcar aos 86’ pelo Cédric, numa jogada de insistência dele em que aproveitou uma assistência do Herrera. No entanto, num canto já depois dos 90’, o José Fonte (outro que esteve muito mal) preocupou-se mais em não deixar o Héctor Moreno jogar a bola, mas este conseguiu na mesma cabecear e fazer a igualdade.

Com a vitória da Rússia perante a Nova Zelândia, não podemos mesmo perder frente à equipa da casa na próxima jornada. Há que aproveitar bem a oportunidade de disputar este troféu, porque será provavelmente uma ocasião única (convenhamos que ganhar outra vez um Europeu ou um Mundial não será muito provável).

segunda-feira, junho 12, 2017

Letónia - 0 - Portugal - 3

Vencemos em Riga na 6ª feira e, com a vitória da Suíça nas Ilhas Faroé (2-0), continuamos três pontos atrás dos helvéticos na qualificação para o Mundial da Rússia. Na 1ª parte, tivemos algumas dificuldades em conseguir espaços para criar perigo e só dois remates fora da área do Cristiano Ronaldo proporcionaram boas intervenções do guarda-redes. No entanto, aos 41’, lá conseguimos marcar num cabeceamento do José Fonte ao poste e recarga vitoriosa também de cabeça do C. Ronaldo.

Tendo feito o mais difícil neste tipo de jogos, que é sempre marcar o primeiro golo, a exibição melhorou substancialmente na 2ª parte e fizemos mais dois: aos 63’, centro do entretanto entrado Quaresma que ressaltou num defesa e foi parar à cabeça do C. Ronaldo, e quatro minutos depois tudo ficou selado com um óptimo roubo de bola do André Silva à saída da área dos letões, o William Carvalho dá de primeira para o C. Ronaldo, que assiste o mesmo André Silva para este rematar cruzado à saída do guarda-redes. Até final, controlámos perfeitamente o jogo, sem deixar o adversário criar perigo.

A grande surpresa desta ronda foi a vitória de Andorra sobre a Hungria (1-0) e a ida a Budapeste será o teste mais difícil antes da recepção à Suíça na última jornada. Teremos de ganhar todos os quatro jogos até final para ficarmos em primeiro lugar no grupo. Como o primeiro factor de desempate é a diferença de golos (e neste campo levamos dez de vantagem), nem sequer temos de superar o 0-2 de Basileia. Basta-nos ganhar o jogo.

segunda-feira, maio 29, 2017

Dobradinha épica

Derrotámos o V. Guimarães por 2-1 no Jamor e conquistámos a 26ª Taça de Portugal do nosso palmarés, e a nossa 11ª dobradinha. Foi o final perfeito de uma época que já era histórica graças ao tetra e assim ainda ficou mais valorizada com o triplete (só foi pena aquele jogo com o Moreirense para a Taça da Liga…).

Esta final foi verdadeiramente épica: desde 1980 que só perdi ao vivo a final da Taça que ganhámos (3-1) ao CRAC em 1984/85 e, mesmo nas que não participámos, não tenho memória de haver um dilúvio destes em pleno mês de Maio (ou Junho) no Jamor. Choveu quase ininterruptamente ao longo dos 90’ o que, para quem tem (e teve) sempre lugar coberto no Estádio da Luz, tornou esta experiência absolutamente inesquecível. Só me fez lembrar outra chuvada épica (mas que vi pela televisão) também em Maio de 1994… Claro que, se as coisas não tivessem corrido bem ontem, seria uma desilusão ainda maior, mas assim a gigantesca molha valeu a pena!

O Rui Vitória resolveu (e muito bem) não facilitar e, para ganhar títulos, têm que jogar os que estão em melhor forma: neste sentido, foi com alegria que vi que íamos jogar com o Ederson (naquele que terá sido o seu último jogo pelo Benfica) na baliza. De resto, a equipa já esperada, com o Jiménez a continuar na frente e o enorme Cervi na esquerda. A 1ª parte não foi nada fácil, com o V. Guimarães embalado (há que admiti-lo sem complexos nenhuns) por uns adeptos fantásticos a fazer-nos a vida negra e até as criar as melhores (embora muito poucas) oportunidades: uma boa defesa do Ederson a um remate do Hernâni e uma cabeçada muito perto do poste num canto, enquanto nós só num cabeceamento do Luisão num livre é que criámos perigo. Para piorar as coisas, ficámos sem o Fejsa aos 24’ num lance em que o Marega teve uma entrada muito dura que fez com que o sérvio tivesse que levar a distância que a lagartada ficou de nós no campeonato no joelho!

A 2ª parte para foi muito melhor em termos de futebol. Entrámos fortíssimos e inaugurámos o marcador logo aos 48’ na sequência de um remate de fora da área do Jonas, que o Miguel Silva defendeu para a frente, e o Jiménez muito rápido picou a bola sobre o guarda-redes. Foi o delírio nas bancadas do Jamor! Não desacelerámos e aos 53’ fizemos o 2-0: cruzamento da direita do Nélson Semedo e cabeçada extraordinária do Salvio a fazer lembrar os Águas que também marcaram naquele palco. Um golão! O jogo teve inevitavelmente que abrir e nós aproveitámos a subida do V. Guimarães para criar muito perigo em contra-ataque. Numa boa jogada pouco depois da hora de jogo, o Grimaldo cruzou na esquerda e o Jonas cabeceou à barra, o Samaris teve um bom remate de fora da área defendido pelo guarda-redes, mas aos 78’ foi o v. Guimarães a reduzir para 2-1 num cabeceamento completamente à vontade do Zungu num canto. A nossa defesa foi (excepcionalmente) a dormir neste lance, porque o jogador do V. Guimarães cabeceou praticamente na pequena-área! Fiquei muito apreensivo para os últimos minutos, mas foram nossas as melhores oportunidades até ao final: remate do Salvio desviado por um defesa, uma bola picada pelo Pizzi só com o guarda-redes pela frente saiu ligeiramente por cima e um falhanço inacreditável do Jiménez, quando só tinha que encostar e resolveu rematar com força, também só com o Miguel Silva pela frente. Quando o Sr. Hugo Miguel apitou pela última vez, foi o êxtase no relvado e nas bancadas! Os jogadores celebraram como se tivesse sido o primeiro título conquistado na vida, o que dá bem conta da união e do compromisso de vitória que tem esta equipa. Uma palavra final para o V. Guimarães e seus adeptos que, no final, também deram espectáculo nas bancadas, com uma união entre ambos que só os honra e que muito clube gostaria de ter, mas só poucos o conseguem.

Em termos individuais, o Salvio foi o melhor em campo: um golão e uma 2ª parte em alto nível, incluindo em termos defensivos (fez um corte magnífico já perto do final, que impediu um contra-ataque adversário que poderia ter sido bastante perigoso). O Pizzi também subiu imenso na 2ª parte e só foi pena que não tivesse conseguido marcar aquele o golo perto do fim. No conjunto, toda a equipa melhorou imenso após o intervalo, o que é demonstrativo da nossa capacidade actual não só de gerir os jogos, mas também de não nos enervarmos caso as coisas não estejam a correr de feição (tal como durante toda a 1ª parte).

Esta dobradinha soube-me extraordinariamente bem! É sempre bom terminar a época a ganhar e, se se faz história, ainda melhor. Aliás, esta época inolvidável será objecto de um post nos próximos dias.

VIVA O BENFICA!

segunda-feira, maio 22, 2017

Despedida

Empatámos no sábado no Bessa (2-2) na última jornada do campeonato e, com a magnífica vitória de ontem do Moreirense (grande Petit!) sobre o CRAC (3-1), acabámos por lhes ganhar um ponto, tendo terminado o campeonato com seis de vantagem sobre eles e 12 sobre a lagartada. Ainda por cima, estes resultados deram-nos o melhor ataque e a melhor defesa da prova, com mais um golo marcado e menos um sofrido do que o CRAC. Fantástico!

O Rui Vitória tinha dito que um dos objectivos para esta partida era fazer de todo o plantel campeão e entrámos em campo com o Pedro Pereira, Kalaica e Hermes, que ainda não tinham jogado um único minuto. Aliás, nenhum jogador dos onze que alinharam é titular neste momento, pelo que era expectável que as coisas não corressem como habitualmente. Aos 16’ sofremos o primeiro golo, quando ficámos com a defesa a dormir e o Renato Santos só teve que encostar depois de um centro na direita. Tínhamos dificuldades em ligar o jogo atacante e estávamos coxos no lado esquerdo do ataque, porque o Hermes é um lateral e estava a jogar a extremo. Só o Zivkovic e a espaços o André Horta é que mostravam algum inconformismo.

Na 2ª parte, o Rui Vitória lançou o Rafa saindo o Hermes, mas foi do mesmo Rafa um erro clamoroso no domínio da bola que permitiu a jogada que deu o 2-0 ao Boavista aos 52’: remate cruzado do Schembri com o Júlio César a poder ter feito mais, já que a bola não foi assim com tanta força. Entretanto, entrou o Jiménez para o lugar do lento e previsível Filipe Augusto, e a equipa deu mostras de começar a reagir. Verdade seja dita que já desde o reinício que tínhamos entrado melhor e materializámos essa subida de produção aos 71’: boa jogada do Rafa desde o nosso meio-campo, que soltou no timing exacto para o Mitroglou, que se tinha libertado do defesa de forma muito inteligente, rematar cruzado para o fundo da baliza. Aos 78’, deu-se a merecida entrada do Paulo Lopes, o único elemento que faltava ser campeão. Já agora, seria uma boa despedida do campeonato e uma prenda para os adeptos do Norte não perdermos o jogo, pensámos nós e terão pensado os jogadores, que pressionaram ainda mais o adversário. Um remate de trivela do Rafa passou muito perto do poste e finalmente conseguimos o empate em cima dos 90’ num canto do Zivkovic e excelente entrada de cabeça do estreante Kalaica a fazer a bola bater no poste e bater no relvado já para além da linha. Um golo que pôs em delírio as bancadas do Bessa, que puderam assim festejar com outro espírito este fantástico tetracampeonato.

Em termos individuais, gostei do Zivkovic, que tinha claramente mais ritmo que os colegas. Espero que na próxima época o André Horta seja mais regular e tenha mais sorte com as lesões, porque é sem dúvida bom jogador. O Mitroglou mostrou-se quando foi preciso meter a bola lá dentro. Quanto aos estreantes, são todos para rever noutro contexto: o Hermes pareceu-me claramente fora de posição, o Pedro Pereira algo nervoso, o que não é de estranhar porque ainda só tem 19 anos e o Kalaica, com 18, foi o mais promissor deles e não só pelo golo.

Para a semana, teremos o último jogo da época com a final da Taça de Portugal e uma oportunidade de conseguir a sempre desejada dobradinha. Eu já tenho a minha conta de finais perdidas de forma inglória, portanto espero bastante concentração da equipa, porque o V. Guimarães não vai ser um adversário nada fácil. E se um tetracampeonato é muito bom, com uma dobradinha será indiscutivelmente muito melhor!

segunda-feira, maio 15, 2017

TETRACAMPEÕES NACIONAIS

Goleámos o V. Guimarães no sábado por 5-0 e conseguimos um feito inédito em 113 anos da gloriosa história do nosso clube: ser tetracampeões nacionais! Têm sido dias tão intensos, que só agora é que tive disponibilidade para escrever o post sobre o jogo do título, com o tempo e a calma que um quarto troféu de campeão consecutivo merece.

Sabendo que estávamos a uma vitória do sonho, tivemo-la na melhor exibição da época. De longe! Em relação à partida de Vila do Conde, o Rui Vitória manteve o Jiménez no onze e fez entrar o Salvio para o lugar do Rafa. Entrámos em campo a todo o gás, dando mostras de querermos resolver as coisas cedo. Ou seja, alguma ansiedade que houvesse ficou bem disfarçada, até porque inaugurámos o marcador logo aos 11’ através do Cervi na recarga a um remate rasteiro do Jonas defendido pelo Douglas. No ano passado, foi o Gaitán a começar a desbloquear o jogo do título, esta época foi o seu substituto. Até então, já tínhamos circundado a baliza vimaranense com perigo, principalmente através do Jiménez. Aos 16’, a vantagem aumentou quando o Ederson(!) assistiu o mesmo Jiménez para o 2-0, num pontapé de baliza que encontrou o mexicano, que não dominou a bola na perfeição, mas conseguiu passá-la por cima do Douglas e cabecear para a baliza, tendo ainda um defesa tocado nela antes de entrar. As coisas estava a correr bem e poderiam ter ficado melhor logo depois, com um remate de pé esquerdo do Nélson Semedo que passou perto do poste e principalmente dois falhanços incríveis do Jonas só com o guarda-redes pela frente. No entanto, aos 37’ fizemos finalmente o 3-0 numa excelente combinação do Jonas com o Pizzi, com o brasileiro a fazer a assistência para o nº 21 ensiná-lo como se marca isolado frente ao Douglas…! Se com 3-0 as coisas estavam muito bem encaminhadas (eu, como sou um pessimista por natureza, lembrei-me logo do jogo frente ao Besiktas para não começar a festejar prematuramente…), com o 4-0 aos 44’ até eu achei que o título estava garantido: foi o melhor golo da tarde, um chapéu magnífico do Jonas, que começou assim a sua redenção dos falhanços incríveis.

Na 2ª parte, continuámos com a mesma tendência embora em menor velocidade, obviamente, e tivemos oportunidades pelo Luisão (de cabeça) e duas vezes pelo Pizzi, na primeira um remate ao lado e noutra com um defesa a tirar mesmo sobre a linha de golo um remate em chapéu tão bom quanto o do Jonas. Aos 67’, fizemos o 5-0 através de um penalty indiscutível por empurrão do Marega ao Cervi, com o Jonas a rematar colocado e em força. Até final, ainda atirámos uma bola ao poste pelo Jiménez e vimos o Douglas defender remates do Jonas e Pizzi. Poderíamos ter construído um resultado ainda mais histórico…!

Com uma exibição tão perfeita, custa fazer destaques individuais, mas mesmo assim voltei a gostar do Jiménez, que surge muito confiante e em forma neste final de época, do Cervi, um pequeno-grande poço de energia, do Salvio, que fez a sua melhor exibição da época (foi pena ter-lhe faltado as forças para o remate num slalom que fez na 2ª parte… Teria sido um dos golos do campeonato), e do Pizzi por ter sido mais uma vez o cérebro da equipa. Quanto ao Jonas, dois golos são sempre de saudar, mas ficou a dever-nos outros dois (pagas na final da Taça e não se fala mais nisso, pode ser?).

Estamos em festejos merecidíssimos desde sábado e para a semana vamos ao Bessa fechar o campeonato. É muito provável que todos aqueles que ainda não jogaram nenhum minuto o possam fazer para poderem ser considerados também campeões nacionais. Ainda bem que resolvemos a questão do título duas semanas antes da ida ao Jamor, não só pelo que acabei de dizer, mas principalmente para podermos preparar a final com outra concentração. É que eu já tenho a minha dose de finais da Taça perdidas de forma inglória, portanto vamos lá atacar a dobradinha, sff! 

VIVA O BENFICA! TETRACAMPEÃO NACIONAL!

segunda-feira, maio 08, 2017

Perto

Ganhámos ontem em Vila do Conde por 1-0 e, com o empate da véspera do CRAC nos Barreiros (1-1), ficámos com cinco pontos de vantagem a duas jornadas do fim do campeonato. Ou seja, estamos a dois pontos de nos sagrarmos pela primeira vez na nossa história tetracampeões nacionais. Para ajudar ainda mais este fim-de-semana a ser memorável, o Belenenses, depois de sete(!) derrotas consecutivas, foi ganhar ao WC (3-1) ao fim de 62 anos!

Já se sabia que este encontro com o Rio Ave iria ser dos mais difíceis da época. Desde a chegada do Luís Castro que os vilacondenses se têm tornado uma das equipas com melhor futebol e, com ele, ainda não tinha perdido em casa. O empate do CRAC no sábado tirava um pouco da pressão que tínhamos, mas à luz das nossas últimas exibições eu não estava nada confiante num triunfo. O Rui Vitória colocou o Rafa e o Jiménez em vez do Salvio e Mitroglou, e desde o início se percebeu que foi uma aposta ganha. Entrámos bastante concentrados, a controlar bem o adversário, mas tivemos um calafrio logo no início com uma má saída do Ederson a um cruzamento que fez com que a bola pingasse na nossa pequena-área com o Pizzi a aliviar. Foi a única vez em que o Rio Ave esteve perto de marcar na 1ª parte, enquanto nós tivemos um par de oportunidades pelo Jonas (num desvio num cruzamento bem defendido pelo Cássio e num remate já dentro da área ao lado da baliza), remates do Pizzi e Cervi sem a força necessária, que tornaram a defesa do guarda-redes bastante fácil, e outro do Nélson Semedo que lhe proporcionou uma boa intervenção.

Na 2ª parte, entrámos ainda melhor e sufocámos o Rio Ave durante um bom bocado. Um remate à meia-volta do Jiménez obrigou o Cássio à melhor defesa do jogo e uma cabeçada do Jonas ia com boa direcção, mas bateu no Tarantini. Por volta da hora de jogo, o Rio Ave respondeu num contra-ataque com o Héldon a remate em arco com bastante perigo, tendo a bola passado muito perto do poste. O jogo começava a ficar um pouco partido e o Rui Vitória resolveu mexer, fazendo entrar o Salvio para o lugar do Rafa. Depois de um remate enrolado Pizzi, conseguimos finalmente o golo num canto… do Rio Ave! Contra-ataque magistral, com o Cervi a abrir para o Jonas e este a desmarcar genialmente o Salvio ainda no nosso meio-campo. O argentino geriu muito bem o timing da jogada, porque era uma situação de dois-para-um e, no momento certo, passou para o Jiménez que ficou cara-a-cara com o guarda-redes e à sua saída colocou a bola rasteira no canto inferior direito da baliza. Foi o delírio! O mais difícil estava feito e havia que defender com unhas e dentes esta vantagem. Desta vez, o Rui Vitória colocou (e bem) o Samaris no lugar do Jonas, mas o meu coração ainda parou aos 87’: bola ao poste do Gonçalo Paciência, que aproveitou um corte do Luisão que bateu nas costas do Lindelof e sobrou para ele, com o Héldon na recarga a atirar por cima…! Tivemos azar com o ressalto de bola que proporcionou esta oportunidade, mas é certamente a isto que se chama “estrelinha de campeão”…!

Em termos individuais, destaque para o Jiménez por ser o responsável pelo segundo ano consecutivo por uma vitória em Vila do Conde, para o Cervi, num jogo de enorme entrega (algumas vezes até demais, já que deve conter melhor os ímpetos especialmente quando tem um amarelo), e para a dupla de meio-campo, Fejsa e Pizzi, o primeiro a ser o tampão habitual e o segundo a organizar novamente bem todo o nosso ataque. O Rafa fez uma partida bastante razoável e o Jonas foi magistral na jogada do golo. A defesa esteve muito concentrada, sempre comandada pelo enorme Luisão. O Salvio participou activamente no golo e só por isso entra nos mais da equipa, mas houve outros lances em que poderia ter sido menos complicativo.

No próximo sábado, receberemos o V. Guimarães e, em caso de triunfo, festejaremos o tetra em nossa casa. Nesta altura, tendo de conseguir dois pontos em dois jogos, parece quase impossível que não o consigamos. Como parecia impossível que não ganhássemos ao Belenenses na estreia do Luisão em 2003/04, quando estava 3-1 aos 90’, ou como parecia impossível que não ganhássemos ao Estoril em casa há quatro anos (o que teria feito com que estivéssemos agora à beira de um penta, nunca é demais referir…). Portanto, muita calma que nenhum jogo está ganho antes de ser jogado e a bazófia e excesso de confiança já nos custaram muito caro no passado.

P.S. – Depois da derrota em Setúbal e empate em Paços de Ferreira, finalmente lá ganhámos um jogo arbitrado pelo Sr. João Pinheiro. Se cada equipa pode reivindicar um penalty (do Rafa na 1ª parte e sobre o Nélson Semedo no início da 2ª), há um lance inacreditável já na 2ª parte em que o Rafa iria ficar quase isolado e que o árbitro beneficia claramente o infractor ao marcar uma falta anterior. Se as jogadas de penalty são ambas um pouco atabalhoadas (e logo motivo de dúvidas), esta decisão é incompreensível.

segunda-feira, maio 01, 2017

À rasca

Vencemos o Estoril (2-1) no sábado e mantivemos os três pontos de vantagem para o CRAC que foi ganhar a Chaves (2-0). Foi um jogo bastante mais complicado do que se esperava a priori e em que só se salva mesmo o resultado. Que é obviamente o mais importante. Antes assim!

Depois de no fim-de-semana passado termos empatado do WC, mas conservado os três pontos de vantagem graças ao também empate do Feirense em Mordor, era expectável que nós entrássemos em campo a sufocar o adversário, porque temos tudo a nosso favor. Mesmo sabendo que este Estoril se revelou um osso muito duro de roer há três semanas nas meias-finais da Taça de Portugal, como agora alinhávamos com a principal equipa reforçada pelo regresso do Jonas, era de prever uma entrada determinada da nossa parte. Mas infelizmente isso não aconteceu. O Rui Vitória lá se decidiu a dar a titularidade ao Cervi em vez do inofensivo Rafa, mas o nosso maior problema continua a ser a lentidão de processos, o que perante equipas fechadas faz com que as ocasiões de golo sejam raras. Um remate do Salvio desviado por um defesa foi a única vez em que estivemos perto do golo, antes do penalty indiscutível sobre o Nélson Semedo que o Jonas concretizou para o lado oposto do Moreira aos 29’. Como o (teoricamente) mais difícil estava feito e era uma inevitabilidade o Estoril ter de atacar e abrir espaços, pensei que o jogo se tornaria mais fácil para nós. E a verdade é que tivemos duas óptimas ocasiões para alargar a vantagem, mas tanto o Cervi como o Salvio, ambos em posição privilegiada, atiraram ao lado. Quanto ao Estoril, o Kléber ainda apareceu frente-a-frente com o Ederson, mas não conseguiu fazer o desvio com força suficiente.

Um pouco à semelhança do jogo da Taça, o início da 2ª parte foi catastrófico para nós. É certo que não sofremos um golo logo na reposição de bola, mas vimos o Estoril vir para cima de nós sem conseguirmos praticamente passar de meio-campo. Só nos primeiros quinze minutos, o Kléber voltou a aparecer isolado perante o Ederson, mas a atirar-lhe a bola para as mãos, e sofremos duas bolas nos postes (Ailton e Mattheus Oliveira)! Até que aos 59’, o Estoril empatou mesmo pelo Kléber, que, beneficiando de uma escorregadela do Ederson quando ia arrancar para lhe fazer frente, atirou a bola por baixo das pernas do nosso guarda-redes. Da maneira como o jogo estava, teríamos de mudar radicalmente para conseguir voltar a estar em vantagem. Ou isso, ou ter o Jonas em campo. E foi o genial brasileiro a arrancar um remate do meio da rua para fazer o 2-1 aos 66’. Indiscutivelmente, um dos melhores golos do campeonato! Entretanto, o Carrillo já tinha entrado para o lugar do Salvio, apostando também o Rui Vitória no Jiménez (saiu o Mitroglou) e no Filipe Augusto (saiu o Jonas esgotado aos 77’). Até final, por duas vezes poderíamos ter acabado com o jogo, mas o Jiménez rematou na atmosfera, quando estava em excelente posição depois de um centro do Nélson Semedo na direita, e o Grimado atirou ao lado quando só tinha o Moreira pela frente. Com mais um homem no meio-campo (mesmo que seja o Filipe Augusto…), conseguimos controlar melhor o ataque do Estoril, que deixou de ter as auto-estradas dos primeiros quinze minutos da 1ª parte. Mesmo assim, ainda houve dois livres deles para a nossa área já mesmo em cima dos 90’, que felizmente não criaram perigo.

Em termos individuais, óbvio destaque para o Jonas que com um bis nos deu os três pontos. Pelo que lutou e se entregou ao jogo, logo atrás vem o Cervi, cuja titularidade há muito eu venho defendendo. Todo o resto da equipa esteve bastante sofrível, com o Pizzi a passar muito ao lado do jogo, o Mitroglou idem, idem, aspas, aspas, mas nenhum tão mau como o Salvio. Eu até gosto bastante do argentino, mas está a atravessar uma fase terrível em termos de confiança e por duas ou três vezes estragou contra-ataques prometedores nossos. O maior problema é que o seu substituto foi o Carrillo, que me abstenho de comentar… Não percebo porque é que o Zivkovic ficou na bancada. Outra questão é a insistência no Filipe Augusto com o Samaris também no banco. Ou o grego está de castigo internamente pela estupidez de Moreira de Cónegos (e aí nem no banco deveria estar), ou não percebo esta opção do Rui Vitória.

Faltam três jogos e precisamos de sete pontos para o desejado tetra. Neste momento, temos que apelar ao coração e espírito de sacrifício dos nossos jogadores, porque os tempos das goleadas, e consequente qualidade exibicional, do ano passado estão muito distantes. Temos saídas muito difíceis a Vila do Conde e ao Bessa e uma recepção sempre complicada ao V. Guimarães. Vai ser certamente sofrer até final.

P.S. – É certo que não estamos a jogar ao nível de épocas anteriores, mas estar a ganhar por 1-0 em casa a quatro jornadas do fim e haver benfiquistas(?) que assobiam a equipa é simplesmente estúpido. Se querem ver espectáculo, vão ao circo, sff! Nesta altura do campeonato, é simplesmente para ganhar e, se a equipa o está a fazer, é preciso ser-se bastante acéfalo para assobiá-la. Por alguma razão, a equipa não agradeceu no final como é hábito. E fez muito bem em mostrar desagrado pela situação. Cambada de idiotas!

segunda-feira, abril 24, 2017

Fundamental

  
Empatámos no sábado no WC (1-1), mas com o magnífico empate do Feirense em Mordor ontem (0-0) mantivemos os três pontos de distância para o CRAC. Perante uma equipa que estava a jogar a sua final da Champions, fizemos uma partida com bastante personalidade e o resultado acaba por ser justo.

Depois de o Braga ter tornado a nossa Páscoa melhor na semana passada, ao empatar com o CRAC (1-1), sabíamos que desde que não perdêssemos continuaríamos na liderança. Mas o jogo não poderia ter começado pior: logo aos 5’, o Ederson domina mal uma bola num atraso do Luisão e faz penalty indiscutível sobre o Bas Dost (aliás, já frente ao Marítimo na jornada anterior, tinha brincado em zona perigosa…). Infelizmente, não foi o Bast Dost a marcar o penalty, mas sim o Adrien que atirou para o lado contrário do nosso guarda-redes. Numa partida em que não poderíamos perder, começámos logo em desvantagem… Ainda por cima, estávamos sem o Jonas, que não recuperou da lesão contraída há uma semana, tendo o Rui Vitória apostado (finalmente!) no Cervi, com o Rafa e Mitroglou na frente. Confesso que eu teria colocado Samaris e Fejsa no meio-campo, mas ainda bem que assim não foi, porque logo aos 5’ essa estratégia teria ruído. Reagimos bem ao golo, dominámos, mas não conseguimos criar grandes oportunidades. Verdade seja dita que a lagartada, essa, nem sequer atacava e deixou de rematar à nossa baliza aos 7’…! Nos últimos cinco minutos da 1ª parte, o jogo aqueceu com três penalties(!) não assinalados a nosso favor pelo Sr. Artur Soares Dias: derrube do Schelotto ao Grimaldo, empurrão do Bruno César ao Lindelof, quando este estava no ar preparado para cabecear, e puxão do William ao Rafa, que não o permitiu rematar em boas condições. Do sítio onde eu estava, confesso que não me apercebi bem destes dois últimos, mas por algum motivo o árbitro está no relvado e não na bancada… Ainda antes do intervalo, tivemos um livre perigoso à entrada da área, em que o Grimaldo proporcionou uma boa defesa ao Rui Patrício.

Na 2ª parte, voltámos a não entrar bem e a lagartada teve duas oportunidades pelo Bas Dost, uma de cabeça e outra num remate atabalhoado, mas ambas nem chegaram à baliza. O Rui Vitória apercebeu-se disso a tempo e colocou o Jiménez no lugar do inoperante (pela enésima vez…) Rafa. Pouco depois, numa boa jogada nossa, o Pizzi abriu para o Mitroglou, que rematou com perigo para o Rui Patrício defender. Até que aos 66’, tivemos novo livre perto da área, por derrube ao Salvio: quando todos estavam à espera que fosse novamente o Grimaldo a bater, eis que apareceu o Lindelof a colocá-lo na gaveta! O Rui Patrício nem se fez ao lance! Foi o delírio entre nós e o meu grito de golo veio bem cá de dentro (até porque no ano passado tinha sido a primeira vez na vida que não me tinha levantado num golo do Benfica). Desforrei-me e bem! Estávamos por cima do jogo e tenho a sensação que, se tivéssemos forçado um pouco, poderíamos ter conseguido algo mais. No entanto, o Rui Vitória achou por bem manter um pássaro na mão e trocou o Mitroglou pelo Filipe Augusto a dez minutos do final. Mais uma vez, eu teria colocado o Samaris para dar maior consistência, mas desta feita o brasileiro até entrou bem na partida. O jogo prosseguiu com intensidade até ao fim, mas sem haver lances de verdadeiro perigo em ambas as balizas. Foi pena que o Carrillo, que tinha substituído o Salvio, não tenha conseguido desembaraçar-se de um adversário quando estava só num-para-um com ele… Teria sido a cereja no topo do bolo!

Em termos individuais, destaque óbvio para o Lindelof pelo importantíssimo golo. Depois do Jardel há dois anos, temos novamente um central a ser decisivo no WC. Para além disso, em termos defensivos também esteve muito bem, à semelhança do fantástico Luisão, a provar que velhos são os trapos! Grande capitão! O Grimaldo teve muitas dificuldades perante o melhor jogador deles (Gelson), mas o Nelson Semedo no lado contrário fez uma exibição muito segura. No meio-campo, estiveram outros dois destaques: o Fejsa a ser o varredor do costume e o Pizzi a subir de produção num jogo grande, demonstrando grande classe. Na frente, o Mitroglou teve pouca bola, mas a que teve em condições obrigou o guarda-redes contrário a aplicar-se e o Cervi lutou bastante como é habitual. Aliás, tendo em conta que os nossos piores jogadores foram o Salvio e principalmente o Rafa, para mim o Cervi deveria ser titular indiscutível. O Jiménez entrou bem e deu bastante luta aos centrais, o Carrillo não destoou e o Filipe Augusto, como disse anteriormente, também não. Quando ao Ederson, espero que não se esqueça disto, para não voltar a repetir. Tem sido decisivo ao longo da época e desejo que o continue a ser… mas a nosso favor!

Faltam quatro jogos e precisamos de 10 pontos para o ambicionado e inédito tetracampeonato. No entanto, acho que todos éramos nascidos em 2013 e eu ainda não recuperei bem daquele choque, portanto cabeça fria até final, sff…!

VIVA O BENFICA!

sábado, abril 15, 2017

Justo

Vencemos o Marítimo por 3-0 e aguardamos pelo desfecho logo à noite do CRAC em Braga para saber com quantos pontos de vantagem iremos ao WC. Foi um triunfo indiscutível perante uma equipa que se limitou a defender na 1ª parte e que, depois quando quis, já não teve arte para nos conseguir criar problemas.

O Rui Vitória apostou no mesmo onze de Moreira de Cónegos, algo que perante a exibição sofrível que tivemos não deixou de me espantar. Especialmente levando em linha de conta que a equipa tinha melhorado naquele jogo com as entradas do Cervi e Zivkovic. E os primeiros 34’ desta partida frente ao Marítimo não foram muito diferentes da semana passada: com um futebol lento e previsível, era de facto difícil criar oportunidades de golo. Um par de remates do Jonas defendidos pelo Charles e uma boa intervenção deste depois de um corte defeituoso de um companheiro foram os únicos lances de relativo perigo que conseguimos. Do lado contrário, o Marítimo só assustou numa estupidez do Ederson a tentar fintar um adversário. Até que aos 34’ utilizámos pela primeira vez velocidade e inaugurámos o marcador: bola bem ganha pelo Rafa na esquerda, centro de trivela para a área e o Luís Martins, ao tentar impedir a bola de chegar ao Mitroglou (que só teria que encostar), acabou por colocá-la na baliza. Dois minutos depois, aumentámos a vantagem para 2-0 num bom remate de fora da área do Jonas, rasteiro e colocado, depois de uma combinação na esquerda entre o Rafa, o Pizzi e o próprio Jonas. Logo a seguir, numa das melhores jogadas do encontro, o Mitroglou falhou escandalosamente o terceiro golo, ao não acertar bem na bola quando só tinha o guarda-redes pela frente, depois de um centro do Nélson Semedo na direita. Mesmo em cima do intervalo, a partida ficou definitivamente resolvida com o 3-0, novamente pelo Jonas, numa recarga a um seu próprio remate depois de uma cabeçada do Luisão na sequência de um canto.

Tendo em conta que a diferença de golos pode ser um factor importante na resolução deste campeonato, pensei que aproveitaríamos esta oportunidade na 2ª parte para reduzir a nossa desvantagem perante o CRAC neste capítulo. Puro engano. Limitámo-nos a controlar a partida e a pensar mais no importantíssimo jogo da próxima semana no WC. Um remate de primeira do Mitroglou a centro do Rafa e uma perdida incrível do Salvio, isolado perante o guarda-redes pelo mesmo Rafa, foram as duas únicas ocasiões em que estivemos perto do golo. Quanto ao Marítimo, não me recordo de o Ederson ter efectuado uma única defesa. A única nota menos positiva foi a saída do Jonas aos 60’ por problemas musculares (entrou o Zivkovic), que espero não sejam impeditivos de o fazer alinhar na próxima semana.

Em termos individuais, destaque óbvio para o Jonas pelo bis, o Rafa não começou nada bem, mas foi subindo e acabou por participar nos nossos lances mais perigosos (se souber definir melhor o último passe e, principalmente, rematar à baliza pode tornar-se um caso sério, mas caso contrário podemos sempre transferi-lo para a secção de atletismo...), e o Luisão esteve irrepreensível na defesa. De jogo para jogo, o Grimaldo vai naturalmente subindo de forma e pode ser importante neste final de época, e com o Fejsa no meio-campo as coisas são sempre diferentes. Quanto aos menos, o Pizzi passou muito ao lado do jogo e o Salvio esteve de fugir.

Faltam cinco partidas para terminar o campeonato, mas a do próximo sábado no WC vai definir bastante do que se irá passar até final. Seria bom ter alguma margem de manobra (cada vez que penso que já tivemos seis pontos de vantagem, dá-me vontade de chorar...), mas isso não depende directamente de nós. De qualquer forma, sabendo que para o adversário este jogo será a final conjunta da Champions, Campeonato da Europa e Campeonato do Mundo, e que se esquecerá rapidamente da época miserável que está a fazer, se conseguir o prémio mais desejado por aqueles lados que é sempre atrasar-nos na luta pelo título, temos que ir lá para ganhar!

segunda-feira, abril 10, 2017

Lisonjeiro

Vencemos o Moreirense em Moreira de Cónegos por 1-0 e continuamos com um ponto de vantagem perante o CRAC (que derrotou o Belenenses por 3-0) e oito em relação à lagartada (4-0 ao Boavista). Em teoria, este seria o segundo jogo mais fácil até final do campeonato (superado apenas pela recepção ao Estoril), mas o que se viu deixa-me bastante apreensivo para as jornadas que se seguem (não estou mesmo a ver-nos ganhar algum dos três encontros fora que faltam a jogar desta maneira…). Se conseguimos sair com os três pontos desta partida, a um único factor isso se deve: aselhice do adversário. Algo que, como as próximas equipas são melhores, provavelmente não voltará a acontecer.

E finalmente em Abril, jogámos pela primeira vez com o Ederson, Grimaldo, Fejsa e Jonas como titulares. O que quer dizer que, a menos de dois meses(!) do final da época, estamos na máxima força (os únicos lesionados são o Jardel e o Jiménez, que não são titulares há muito tempo). Já não era sem tempo, mas em campo não se viram melhorias nenhumas. Aliás, ainda conseguimos fazer uma exibição pior do que em relação ao jogo com o Estoril na passada 4ª feira, em que alinhámos com uma maioria de suplentes. A 1ª parte define-se numa palavra: zero. Criámos zero oportunidades de golo, mas, provando que se calhar os milagres existem mesmo, marcámos um golo! Foi aos 42’ da única maneira possível: bola parada, livre bem marcado pelo Pizzi e cabeçada do Mitroglou lá para dentro. O Moreirense, treinado agora pelo Petit, fechou-se muito bem e nós nunca tivemos engenho para os desequilibrar defensivamente, porque o Pizzi está longe da melhor forma, o Rafa continua a ser um reforço mas é para a secção de atletismo, o Jonas fez dos piores jogos com a nossa camisola, o Salvio continua sem conseguir criar desequilíbrios e assim era difícil as bolas chegarem ao Mitroglou.

Pensei que na 2ª parte, como o Moreirense tinha que necessariamente atacar, o jogo fosse mais fácil para nós. Puro engano! O Moreirense atacou, sim, mas ao invés de aproveitar os espaços nas costas da sua defesa, nós não só não conseguimos fazer isso como permitimos que eles manobrassem muito à vontade no nosso meio-campo. Já se sabe que, com a gestão dos amarelos, a capacidade de luta do Pizzi (que já não é muita) baixa ainda mais e o Fejsa, que não jogava há quase dois meses, não está naturalmente na sua plenitude. Assim sendo, não é de espantar que o Moreirense tenha criado três flagrantes oportunidades de golo (uma salva pelo Lindelof já sem o Ederson na baliza, outra num remate disparatado ao lado quando o avançado só tinha o Ederson pela frente e já nos descontos um remate clamorosamente falhado na sequência de um canto). Quanto a nós, só por uma vez pelo Mitroglou estivemos à beira do golo, mas o Makaridze fez bem a mancha. Quando o Rui Vitória lá se decidiu a mexer na equipa, nós melhorámos. As entradas do Cervi (o que é que o rapaz terá feito para não ser titular…?!) e Zivkovic, substituindo o apagado Salvio e o sprinter Rafa, fizeram com que tivéssemos mais bola na frente e, principalmente, a presença do Samaris nos últimos 10’ fechou (finalmente!) o nosso meio-campo.

O Pizzi fez um bom cruzamento e a cabeçada do Mitroglou foi excelente. São os destaques individuais que me apraz fazer.

Por alguma razão, o Rui Vitória disse no final que este jogo já estava feito e ia já para o arquivo. Costuma dizer-se que o fica para o futuro é o resultado: no caso deste jogo, ainda bem! Porque tirando isso, não há mesmo nada que se possa aproveitar dele.

P.S. – Está já a preparar-se um clamor fora de campo sobre as entradas do Luisão e do Samaris. Se a do nosso capitão é na disputa de um lance (levou amarelo, mas como atinge o adversário no calcanhar se fosse vermelho não me chocava, apesar de se ver isto em ‘n’ vezes e raramente o jogador ir para a rua), a do Samaris é escusadíssima e poderá valer-lhe uma suspensão no futuro. Não percebo qual a necessidade que ele tem de entrar nestas confusões. Como as coisas estão, já se sabe que os nossos adversários pegam em tudo e isto é dar-lhes de borla lenha para a fogueira. Ainda por cima, viu-se bem o que a equipa melhorou com a sua entrada em campo. Que estupidez atroz!

quinta-feira, abril 06, 2017

Displicência inadmissível

Empatámos com o Estoril (3-3) e estamos na final da Taça de Portugal. A segunda parte da frase anterior é tudo o que de positivo teve o jogo de ontem. Depois do triunfo por 2-1 na Amoreira, esperava-se que a nossa qualificação fosse selada de forma tranquila. Puro engano! De tal maneira que nos arriscámos mesmo a ter sofrido uma das maiores humilhações da nossa história. Se há jogos em que não ganhamos e eu saio deles relativamente satisfeito, outros há em que conseguimos o objectivo e eu saio tão furioso como se tivéssemos perdido. Foi o caso de ontem.

O Rui Vitória já deveria ter percebido que, depois do que se passou no Algarve na Taça da Liga, há limites para o risco. Pode vir com as justificações todas que quiser, mas a muita da culpa do que se passou ontem é dele. Manter apenas dois titulares (Lindelof e Samaris, o Rafa é um titular intermitente) numa meia-final da segunda competição mais importante do nosso calendário foi obviamente um erro, que nos poderia ter custado muito caro. A tendência repete-se invariavelmente: muitas alterações na equipa dão (quase) sempre errado, não só porque a maior parte dos jogadores não tem ritmo, como também porque dá a sensação de desvalorizar o adversário. E toda a gente, dentro e fora de campo, percebe isso. Já assim foi logo no primeiro jogo desta edição da Taça (curiosamente também no Estoril, embora naquele caso justificada) e repetiu-se ontem. Com o Rafa e o Zivkovic a pontas-de-lança (total de dois golos, ambos do português, em toda a época), jamais se poderia esperar uma goleada, ainda para mais porque já se sabe que o Rafa isolado nunca marca (ontem, esteve para aí pela 5ª vez – contabilidade generosa – só com o guarda-redes pela frente e eu nem senti ponta de emoção, porque já calculava o desfecho) e com a altura de ambos era escusado fazer cruzamentos. O meu receio era que o Estoril marcasse primeiro, dado que isso iria inevitavelmente pôr-nos nervosos. E isso aconteceu aos 31’ num excelente remate de fora da área do Bruno Gomes. Felizmente empatámos dois minutos depois, num grande frango do Luís Ribeiro, que falhou um soco na bola e proporcionou depois ao Carrillo um remate fácil. Até ao intervalo, o Júlio César ainda voou num livre para evitar novo golo adversário.

Na 2ª parte, fomos nós a sair com a bola, mas nove segundos(!) depois ela já estava dentro da nossa baliza. Eu repito: nove segundos depois! Erro crasso do André Almeida num passe lateral e o Carlinhos rematou rasteiro, com o Júlio César a parecer-me que poderia ter feito algo mais. Ou seja, logo no reinício, a eliminatória ficou empatada. Incrível! No entanto, reagimos bem e o Zivkovic e o Cervi tiveram duas perdidas enormes ao permitirem a defesa do guarda-redes quando só o tinham pela frente, depois de dois cruzamentos da direita. Aos 54’, porém, o Zivkovic estreou-se finalmente a marcar pelo Benfica, num golão de fora da área, com um remate em arco de pé esquerdo. O jogo estavam completamente partido e eu esperei que, com a entrada do Pizzi para o lugar do (novamente lesionado) Filipe Augusto (a propósito, há uma grande diferença entre este e o Danilo, certo…? E o André Horta, porque é que fica na bancada, enquanto este, digamos, joga…?!), as coisas acalmassem. Mas o mal já estava feito e, ao não conseguirmos estancar os ataques do Estoril, era impossível ter tranquilidade. Estivemos, mesmo assim, à beira de nos colocarmos finalmente em vantagem com um chapéu do Carrillo ao poste, mas também vimos o Júlio César a negar o golo ao Estoril por duas vezes(!) na mesma jogada. Como as coisas estavam, era óbvio que tinha que entrar o Jonas e o brasileiro, só precisou de três minutos em campo para nos colocar à frente do marcador aos 72’, num desvio de pé direito depois de uma assistência do Cervi. Erradamente pensei que as coisas estavam finalmente resolvidas, mas esqueci-me que o Lisandro estava na defesa e, num mau alívio de cabeça deste, o Estoril entrou novamente na discussão do apuramento aos empatar aos 78’ num bis do Bruno Gomes. Até final, foi uma tremedeira desgraçada da nossa parte, a não conseguirmos ter posse de bola e o Estoril a ter uma grande oportunidade já à beira do 90’, num cabeceamento do Kléber que embateu nas costas do Grimaldo quando me pareceu que ia na direcção da baliza, com o Júlio César batido.

Sou absolutamente contra assobiar-se jogadores do Benfica durante os jogos, mas a equipa merecia uma tremenda vaia no final. Aquilo não foi nada e estivemos mesmo perto de uma das piores derrotas de sempre. Sofremos três golos em casa de uma equipa que luta para não descer! Eu repito: sofremos três golos do 15º classificado do campeonato! Os jogos nunca estão ganhos à partida: mentalizem-se disto! O que se viu ontem foi, acima de tudo, uma falta de respeito por todos nós, particularmente os 25.010 que foram à Luz. E isso é inadmissível!

segunda-feira, abril 03, 2017

Péssimo resultado

Empatámos em casa como CRAC (1-1) no sábado e continua a haver um ponto a separar as duas equipas, com a lagartada (que ganhou 2-1 em Arouca), agora a oito pontos de nós. Não só perdemos uma excelente oportunidade de nos colocar a salvo de uma qualquer escorregadela até final do campeonato, como abrimos novamente a luta pelo título a três. Nós e o CRAC pelo título de campeão nacional e a lagartada por um maior do que esse: impedir o Benfica de ser campeão.

Com o Fejsa ainda sem estar em condições, a única alteração foi a titularidade do Rafa em detrimento do Zivkovic. Era fundamental vencer esta partida e tivemos uma entrada muito forte em campo. Colocámo-nos em vantagem logo aos 7’ num penalty indiscutível do Felipe sobre o Jonas, que o mesmo Jonas concretizou: remate rasteiro para o meio da baliza, mais que defensável se o Casillas não se tem mexido, o que felizmente aconteceu. O CRAC esteve bastante aturdido durante os primeiros 15’, depois lá se restabeleceu, mas sem nunca criar grande perigo junto à nossa baliza. Quanto a nós, tivemos mais do que uma ocasião para dilatar a vantagem, soubéssemos ter mais cabeça fria na hora da decisão: o Nélson Semedo, depois de uma boa jogada individual, resolveu rematar de pé esquerdo(!) fora da área, quando tinha o Jonas sozinho na meia-lua em excelente posição; o Rafa ganhou uma bola em velocidade ao traidor uruguaio, mas não conseguiu fazer o passe para o Jonas ou Mitroglou que estavam literalmente só com o Casillas pela frente(!); e uma cabeçada do Luisão num livre saiu ligeiramente por cima com o guarda-redes completamente batido. Quando ao CRAC, só um livre rasteiro do Brahimi é que proporcionou ao Ederson uma boa defesa. Deveríamos ter chegado ao intervalo com a partida praticamente decidida.

A 2ª parte não poderia ter começado pior, porque o CRAC empatou logo aos 49’ pelo traidor uruguaio, num bom lance do Brahimi na esquerda (este gajo estava tão bem fora do plantel, o Otávio é que era a 8ª maravilha do mundo, quem é que mandou recuperá-lo?!) que proporcionou três remates(!) na nossa área, tendo o último entrado. Claro que fomos muito pouco lestos a aliviar a bola. Ainda faltava praticamente toda a 2ª parte, mas o CRAC só criou verdadeiro perigo mais uma vez pelo Soares, que tirou o Nélson Semedo do caminho no um-para-um, mas viu o Ederson sair rapidíssimo aos seus pés e ficar com a bola. Festejei como se tivesse sido um golo! Quanto a nós, à semelhança da época passada, lá proporcionámos ao Casillas nova exibição de luxo: remate rasteiro em arco do Jonas e defesa para canto; outra vez o Jonas a desviar já na pequena-área um centro do Salvio e o espanhol conseguiu incrivelmente desviar a bola outra vez para canto; e num livre, depois de uma cabeçada do Luisão, o Mitroglou rematou praticamente à queima-roupa e o Casillas voltou a defender não só este, como a recarga do Jonas! Com uma mulher tão bonita em casa, o que é que este tipo vem fazer ao Estádio da Luz?!

Em termos individuais, gostei do começo do jogo do Salvio, que depois foi descendo de nível, o Rafa terá feito dos melhores jogos pelo Benfica (mas ainda longe do nível que se exige a alguém que custou aquele preço), o Samaris foi o mais consistente ao longo de toda a partida e o Luisão foi imperial na defesa. O Pizzi passou um pouco ao lado do jogo, o Mitroglou foi bem marcado e não teve muitas oportunidades e o Jonas não conseguiu aguentar os 90’. Fundamental foi novamente o Ederson com aquela saída aos pés do Soares. Os laterais tiveram regulares, com o Nélson melhor na primeira do que na segunda parte, e o Eliseu sempre atento ao Corona. O Lindelof, que teve problemas físicos durante a semana, jogou como se nada tivesse acontecido. Quanto aos substitutos, o Cervi não agitou tanto as coisas como se desejava e o Carrillo entrou já muito perto do fim. A enésima lesão do Jiménez ao serviço da selecção (julgo que teremos mais do que justa causa para o impedir de voltar à selecção!) prejudicou-nos, porque o seu poderio físico teria sido muito útil naqueles minutos finais.

Sempre disse que deveríamos chegar ao WC com quatro pontos de vantagem e esta partida era crucial para que isso acontecesse. Razão pela qual saí chateadíssimo do estádio. Iremos ver o que nos reservam os próximos jogos fim, mas perdemos uma excelente oportunidade de dar um passo enorme rumo ao tetra.

segunda-feira, março 27, 2017

Portugal - Hungria

Vencemos a Hungria no Estádio da Luz no passado sábado por 3-0, mas com a vitória da Suíça frente à Letónia (1-0) continuamos a três pontos dos helvéticos. Foi um triunfo indiscutível, apesar de até ao primeiro golo pelo André Silva aos 32’ as coisas terem parecido complicadas. O Cristiano Ronaldo acabou por desbloqueá-las, inventando essa jogada e abrindo na esquerda para o Raphael Guerreiro cruzar para o ponta-de-lança só ter que encostar e marcando ele o segundo golo aos 36’, num óptimo remate de pé esquerdo de fora da área, depois de uma assistência de calcanhar do mesmo André Silva. Na 2ª parte, tudo ficou resolvido de vez aos 65’ num livre do C. Ronaldo.

O capitão da selecção foi obviamente o jogador em maior destaque, mas também gostei dos laterais (Cédric e Raphael Guerreiro) e do jogo em crescendo do João Mário. A Hungria mostrou muito pouco e não se percebe como é que nós conseguimos empatar com eles no Euro 2016... Amanhã irá haver um particular com a Suécia na Madeira e o meu desejo é o de sempre: que ninguém do Benfica se lesione!

segunda-feira, março 20, 2017

Empate

Não conseguimos melhor que um 0-0 em Paços de Ferreira e, como aposto os meus dois braços em como o CRAC ganha amanhã ao V. Setúbal em casa, iremos recebê-los na Luz no 2º lugar a um ponto deles. Desde a 5ª jornada que estamos no 1º lugar, já os tivemos a seis pontos e, consubstanciada esta ultrapassagem, temo bem que o sonho do tetra se tenha começado a desmoronar hoje, porque o momentum está todo do outro lado

Este seria o início do post que eu estive quase para escrever ontem no final do nosso jogo. Estava absolutamente convencido que o CRAC, vindo de nove vitórias consecutivas para o campeonato, não desperdiçaria uma oportunidade flagrante destas para nos passar à frente. Mas só não escrevi logo ontem o post, pela mesma razão porque não comprei uma camisola deste ano (nota prévia: só compro as camisolas campeãs nacionais) que estava com 50% de desconto numa altura em que tínhamos seis e oito pontos de vantagem, pela mesma razão porque só a cinco minutos do fim, e com 3-0 a nosso favor, eu começo a achar que o jogo está resolvido, ou pela mesma razão porque não comprei os bilhetes para a final da Taça da Liga deste ano antes da meia-final com o Moreirense: não dou nada por adquirido até o árbitro apitar para o final dos jogos. Trocado por miúdos: superstição! As bruxas não existem, mas não vale a pena provocá-las…!

Tal como se esperava, a ida a Paços de Ferreira foi bastante complicada ou não tivesse esta equipa também tirado dois pontos ao CRAC. A reentrada na equipa do Nélson Semedo foi a única alteração em relação ao Belenenses e deveríamos ter-nos colocado em vantagem logo aos 9’, quando o Salvio falhou incrivelmente o desvio depois de um centro do Jonas na esquerda. Durante a 1ª parte, contam-se pelos dedos de uma mão (e sobram) as vezes que o Paços passou de meio-campo, mas nós nunca tivemos engenho e arte para conseguir criar grandes situações de perigo. Perante uma defesa muito fechada, mas nunca a fazer antijogo (louve-se isso), eram raras as vezes em que imprimíamos velocidade ao nosso futebol, a que não é alheio o facto de os extremos Salvio e Zivkovic serem dois dos nossos piores jogadores. A única vez que estivemos perto do golo foi numa bomba ao poste do Eliseu aos 26’.

Na 2ª parte, o Paços abriu-se um bocado mais, mas nós continuávamos muito pouco inspirados. Mesmo assim, ainda tivemos algumas ocasiões, com destaque para uma do Jonas em boa posição, mas em que o defesa cortou, outra do Luisão de cabeça num canto, mas tendo acertado mal na bola, e um centro-remate do Nélson Semedo que o guarda-redes Defendi desviou. O Paços também teve uma grande chance num livre do Welthon que o Ederson tocou para o poste. O Rui Vitória lá se decidiu fazer substituições e foi sem surpresa que melhorámos com as entradas do Cervi, Rafa (este um pouco menos) e Jiménez. Na parte final do jogo, o Pizzi teve um bom remate à entrada da área, mas a bola não saiu tão ao ângulo quanto se desejava e, mesmo no último lance do encontro, o Jonas atirou por cima de cabeça já na pequena-área na sequência de um livre. Foi a nossa melhor oportunidade, num lance em que há mãos nas costas do Jonas, mas em que eu acho que o Sr. João Pinheiro fez bem ao não assinalar nada. É a velha questão da intensidade e, aliás, o Jonas nem protestou.

Em termos individuais, o Samaris foi dos melhores, bem como os centrais Luisão e Lindelof. O Pizzi defendeu-se muitíssimo bem quanto aos amarelos e foi igualmente dos poucos clarividentes na equipa. Continuo sem perceber a ostracização ao Cervi, claramente o nosso melhor extremo. Viu-se bem o que a equipa melhorou com ele em campo e, além disso, o Salvio e o Zivkovic estiveram, como já referi, particularmente mal (na senda dos últimos jogos, acrescente-se). O Jonas continua ainda à procura da sua forma e passou muito ao lado do jogo, assim como o Mitroglou que não teve praticamente bolas à sua mercê. O Nélson Semedo desceu bastante na 2ª parte e foi pena que o Eliseu não tenha quebrado o seu jejum de golos (desde o Braga na Luz há dois anos que não marca) com aquela bomba ao poste.

Tivemos uma benesse com que ninguém contava (uma palavra para o V. Setúbal que não perdeu nenhum dos quatro jogos contra nós e o CRAC - gostava de saber qual, e quando, foi a última equipa a conseguir este feito), mas o facto de continuarmos na frente não nos pode fazer esquecer de algo fundamental: o caminho do tetra passa por ganharmos ao CRAC na Luz. Depois do que se passou neste fim-de-semana, com o seu empate nestas condições que é impossível não lhes abalar o moral, uma vitória nossa (para além de dilatar a vantagem pontual que nos salvaguarde de uma possível futura derrota) faria pender bastante a balança a nosso favor. Não a desperdicemos, por favor!

terça-feira, março 14, 2017

Fácil

Goleámos o Belenenses na Luz por 4-0 e mantivemos a vantagem de um ponto perante o CRAC e os 12 em relação à lagartada. Depois de um compromisso europeu, o que mais se deseja é um jogo tranquilo e uma vitória confortável, que foi o que felizmente acabou por acontecer.

Com o Nélson Semedo a constituir-se como baixa de última hora, o Rui Vitória voltou a apostar no André Almeida, indiscutivelmente o jogador mais útil do plantel. Incompreensivelmente, no entanto, foi ter colocado o Cervi, um dos melhores em Dortmund, no banco. Não percebo porque é que o argentino é sucessivamente preterido, quando é quanto a mim o extremo com melhor rendimento do plantel. Entrámos muito fortes na partida e o Belenenses mal passava do meio-campo. Inaugurámos o marcador aos 12’ no primeiro golo de sempre do André Almeida para o campeonato, aproveitando uma falha incrível do Miguel Rosa, depois de um passe longo do Pizzi. Marcávamos bastante cedo o que, desejar-se-ia, nos catapultasse para uma boa exibição, mas isso não aconteceu na 1ª parte. Depois de golo, baixámos bastante a velocidade e, como o adversário praticamente não criava perigo, fomos deixando correr o marfim até ao intervalo sem criar grandes situações de perigo.

Na 2ª parte, o jogo ameaçava não mudar e até foi o Belenenses a ter a primeira grande ocasião num remate do Miguel Rosa de fora da área ao poste. No entanto, logo na jogada seguinte aos 52’, começámos a arrumar de vez a questão com o 2-0 num remate do Mitroglou de fora da área, bastante colocado, depois de uma assistência do Salvio. Pouco depois, só a aselhice do Maurides não permitiu ao Belém reduzir, quando cabeceou ao lado completamente sozinho. Continuamos a revelar momentos de desconcentração preocupantes que, perante adversários mais fortes, nos podem sair bastante caros. Aos 60’, tudo ficou resolvido em definitivo com o Salvio a marcar o terceiro golo num remate rasteiro de fora da área depois de um passe do Zivkovic. O jogo ficou ainda mais aberto, com algumas boas combinações atacantes da nossa parte que não resultaram em golo porque o último toque não saía bem e o Belenenses a ter igualmente um par de ocasiões perigosas, uma das quais proporcionou ao Ederson a melhor defesa do encontro. Já em tempo de compensação, o Samaris isolou o Mitroglou, que estava ligeiramente adiantado em relação ao defesa, o nosso goleador não foi egoísta e deu para o Jonas desviar do guarda-redes Cristiano e fechar a contagem nos 4-0.

Os espectadores da Luz escolheram o André Almeida para melhor em campo e não se pode dizer que estivessem errados. Já o disse várias vezes e nunca é demais repetir: espero bem que ele faça a carreira completa no Benfica, porque é muito complicado arranjar um jogador que faça tantas posições em campo de um modo tão regular. Além disso, é tricampeão, é dos mais velhos no plantel e a mística passa por jogadores assim. O Pizzi parece querer voltar à boa forma e, especialmente na 1ª parte, foi dos poucos a querer dar um safanão ao jogo. O Salvio estava a ser dos piores, mas termina a partida com um golo e uma assistência. Não se pode criticar um jogador assim. Ao invés, o Zivkovic já esteve em muito melhor forma do que agora o que torna ainda mais difícil de compreender, digo-o mais uma vez, a ostracização do Cervi… Depois de dois jogos menos conseguidos, o Eliseu voltou à regularidade habitual. Na frente, espero que o golo ajude o Jonas a recuperar mais rapidamente o seu nível e o Mitroglou continua a facturar sem espinhas.

Teremos agora a deslocação a Paços de Ferreira antes da pausa das selecções. Como a seguir a esta receberemos o CRAC, é mais do que nunca fundamental garantir os três pontos. Estamos longe de encantar a nível exibicional, mas isso é de somenos importância perante o mais importante: a possibilidade de conseguir algo inédito na nossa história.

sexta-feira, março 10, 2017

Sonhámos

Perdemos em Dortmund por 0-4 e dissemos adeus à Liga dos Campeões. Esta frase pode parecer contraditória em relação ao título do post, mas por incrível que pareça acho que jogámos melhor do que na 1ª mão. E os resultados foram completamente antagónicos... No entanto, quem consegue ver para além do marcador final, não poderá deixar de concordar que até aos 59’ a partida esteve equilibrada de uma maneira que todos os 90’ da 1ª mão nunca estiveram. O problema foi, ao contrário da Luz, a eficácia dos alemães.

Com o Fejsa em Lisboa, o Rui Vitória apostou (e muito bem) no reforço do meio-campo com o André Almeida ao lado do Samaris e no Cervi (até qu’enfim!) na esquerda do ataque. Num ambiente absolutamente fabuloso, entrámos praticamente a perder com o golo do Aubameyang logo aos 4’ na sequência de um canto. A eliminatória ficou logo empatada e confesso que temi o pior. Mas, à semelhança, do que aconteceu em Munique há um ano, conseguimos equilibrar o jogo a seguir a termos sofrido o golo. O Borussia não teve grandes oportunidades até ao intervalo, enquanto nós criámos algum perigo num remate do Cervi e num cabeceamento do Luisão ambos defendidos pelo Burki. O intervalo chegava connosco perfeitamente dentro da eliminatória, o que se via pelo facto de os alemães estarem estranhamente silenciosos durante boa parte do jogo, enquanto a nossa bancada não se calou inclusive durante o tempo de descanso.

A 2ª parte começou com a nossa melhor oportunidade, num remate frontal de ressaca do Cervi, já dentro da área, que um defesa desviou para canto. Foi pena, porque a bola ia na direcção da baliza... O Ederson fez duas defesas magistrais em lances anulados por fora-de-jogo, mas a eliminatória começou a ficar decidida aos 59’ com o 0-2 através do Pulisic, que se desmarcou bem e picou a bola à saída do nosso guardião. Em dois minutos terríveis, tudo ficou decidido com novo golo do Aubameyang aos 61’, que só teve que encostar depois de um cruzamento na esquerda. Nós acusámos claramente o toque e nunca mais fomos os mesmos até final, com as entradas do Jonas, Zivkovic e Jiménez (este aos 82’ para o lugar do Cervi e indo jogar para a extrema-esquerda... Não percebi a lógica...) a não acrescentarem nada à equipa. O Borussia ainda atirou uma bola à ao poste, antes de fazer o 0-4 aos 85’ com o hat-trick do Aubameyang, noutro golo só de encostar desta feita depois de um cruzamento da direita. O gabonense marcou com juros todos os golos que falhou em Lisboa... Apesar do resultado, os jogadores do Benfica foram brindados no final com uma enorme ovação e cânticos sem parar da nossa bancada. A qualificação do Borussia é obviamente justa, mas conseguimos ganhar-lhes um jogo (algo que nenhuma outra equipa portuguesa conseguiu) e acho que demos uma boa imagem durante boa parte da 2ª mão. Chegámos novamente à fase a eliminar da Champions, o que convenhamos é ligeiramente melhor do que ser eliminados por uns Legias desta vida...

Em termos individuais, gostei bastante do André Almeida (sempre muito generoso a correr atrás dos adversários), do Cervi (que mostrou porque é que tem que deixar de ser o quarto extremo na hierarquia do lado esquerdo para passar a ser o primeiro!), e do Pizzi e do Salvio (ambos durante a 1ª parte).

Vamos agora concentrar-nos naquilo que é verdadeiramente essencial, que é entrar para a história com o primeiro tetra do nosso palmarés.

P.S. – Acerca da viagem, apesar do cansaço e da chuva, como disse um amigo meu, “correu mal, mas valeu a pena”. O estádio é fantástico e no início da partida o famoso muro amarelo fez uma coreografia com os jornais e o galhardete de 1963 quando nos deram 5-0 na 2ª mão. Pontos pela criatividade numa bancada que impressiona, mas que só se ouviu de forma consistente a partir do 0-2. A organização dos alemães não tem nada a ver com a nossa e o facto de tratarem os adeptos do clube visitante como... lá está, pessoas, torna tudo mais simples. Quando fui perguntar a um stewart, ainda antes de o jogo começar, se tínhamos que lá ficar uma hora no final, o tipo olhou para mim de um modo completamente surpreendido e perguntou: “why do you want to stay here for one hour after the game...?!” Toda a gente saiu ao mesmo tempo e não houve nenhum problema. Foi pena que não se tivesse visto a nossa bancada na televisão, mas ao que me dizem ouviu-se e bem. O apoio foi fabuloso e, como já disse, nem no intervalo parou. Mesmo durante cerca de 10’ depois de o jogo acabou ainda se cantava como se pode ver no vídeo abaixo. Os adeptos do Benfica deram nova demonstração do que é um clube com uma Grandeza Incomparável! A nossa bancada aplaudiu o agradecimento do Borussia ao muro amarelo e os alemães aplaudiram-nos de volta. Foi inesquecível e, sinceramente, só por isso já teria valido a pena ir. Não tive a prenda mais desejada no dia do meu 41º aniversário, mas mesmo que a tivesse também a trocaria por uma ainda maior em Maio. Vamos a isto! VIVA O BENFICA!

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