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terça-feira, agosto 15, 2017

Sofrido mas merecido

Um golo do Seferovic aos 92’ deu-nos uma vitória ontem por 1-0 em Chaves que teve tanto de sofrida como de justa. Num campo que já se sabia que seria difícil, fizemos uma exibição razoável e especialmente na 2ª parte subjugámos completamente os flavienses.

O Rui Vitória repetiu a equipa titular frente ao Braga e voltámos a entrar bem na partida com o Salvio a ter várias oportunidades para marcar durante o primeiro tempo. Mas ou por causa do guarda-redes Ricardo, ou por manifesta falta de pontaria, ou por o Nuno André Coelho tirar a bola quase sobre a linha(!), nunca o conseguiu. O lance em que foi isolado pelo Cervi e tentou um chapéu terá sido o falhanço pior. O Chaves dava boa réplica, especialmente através da velocidade do Matheus Pereira, emprestado pela lagartada, mas não criava muito perigo para a nossa baliza e os poucos lances mais difíceis foram bem resolvidos pelo Bruno Varela. Perto do intervalo, boa iniciativa do Seferovic, novamente cortada in extremis pelo Nuno André Coelho.

O reinício da partida foi marcado por duas grandes oportunidades de ambos os lados: corte falhado de cabeça do André Almeida e remate do Jorginho para grande defesa do Varela (com a bola ainda a desviar no Luisão), e bola no poste do Jonas depois de boa jogada do Salvio na direita, com o Cervi a ver a recarga embater num defesa. Um remate cruzado do Cervi defendido pelo pé do Ricardo e uma cabeçada do Seferovic por cima, quando estava em boa posição, aumentavam o rol de oportunidades que desperdiçávamos. Vieram as substituições, com o Rui Vitória a fazer entrar o Rafa para o lugar do Cervi e o Jiménez para o do Salvio. Entretanto num livre, já o Luisão tinha atirado de cabeça fazendo a bola ainda tocar no poste. As substituições afunilaram um pouco o nosso jogo, porque passámos só a jogar com um extremo de raiz, mas foi precisamente esse extremo (Rafa) a assistir o Seferovic, depois de uma abertura genial do Pizzi, para o suíço ter um toque de classe que fez a bola entrar pelas pernas do guarda-redes, que estava à espera de tudo menos de um remate de primeira daquele ângulo. Um golão! Até final ainda entrou o Filipe Augusto para manter o meio-campo, mas o Chaves, que já tinha revelado grandes dificuldades físicas durante a 2ª parte, não conseguiu aproximar-se mais da nossa baliza.

O destaque vai obviamente para o Seferovic pelo importantíssimo golo que nos permitiu não perder pontos para os rivais que também já tinham triunfado por 1-0 nesta jornada: a lagartada em casa frente ao V. Setúbal, com um penalty que foi fotocópia daquele que sofreu o Lindelof lá no ano passado (só que este não foi marcado) e o CRAC na visita ao Tondela. O Pizzi também esteve muito bem, comandando todo o nosso jogo atacante. Os centrais Luisão e Jardel foram dois esteios da nossa defesa, e o Eliseu levou com o Matheus Pereira, que lhe fez a cabeça em água na 1ª parte. Gosto muito do André Almeida, fico muito contente que tenha renovado contrato, mas há partidas que exigem mais de um lateral-direito. Ontem foi uma delas. O Jonas foi muito bem marcado, mas ainda teve tempo de atirar uma bola ao poste.

Não me venham com tretas do golo tardio, porque não só a lagartada também o teve (e de penalty), como nós temos um crédito praticamente vitalício neste capítulo desde aqueles malfadados quatro dias em Maio de 2013. Receberemos o Belenenses na próxima jornada antes da complicadíssima visita a Vila do Conde. É fundamental chegarmos à primeira pausa do campeonato com quatro vitórias, pelo que esperemos que a equipa mantenha o nível exibicional que apresentou até agora.

quinta-feira, agosto 10, 2017

A ganhar

Depois de nove épocas consecutivas(!!!) a não ganhar na 1ª jornada, pelo quarto ano consecutivo conseguimos triunfar, desta feita frente ao Braga por 3-1. As boas impressões deixadas na Supertaça confirmaram-se ontem e voltámos a realizar uma exibição muito positiva, sendo a nossa vitória absolutamente indiscutível.

Com a mesma equipa de Aveiro, excepção feita à entrada do Eliseu para o lugar do lesionado Grimaldo, não entrámos muito bem na partida e nos primeiros minutos foi o Braga a mostrar-se mais atrevido, sem no entanto criar grandes lances de perigo. Quanto a nós, marcámos logo na primeira oportunidade que tivemos: aos 15’, o Seferovic desmarca o Jonas na esquerda, corre para a área, o brasileiro finta um opositor, cruza e o suíço só tem que encostar lá para dentro. Grande combinação atacante entre os dois avançados e um bonito golo. Os 15’ seguintes foram absolutamente loucos e, logo a seguir ao nosso golo, poderíamos ter sofrido o empate, mas o Eliseu cortou a bola mesmo antes de ela chegar ao Rui Fonte. Um passe magistral do Pizzi desmarcou o Seferovic sobre a esquerda e este, já de ângulo muito apertado, desferiu um petardo que o Matheus defendeu para canto. Jogávamos bem e um cabeceamento do Jonas passou a rasar o poste na sequência de um canto, antes de o Salvio fazer uma burrice enorme ao não desmarcar o Cervi na direita, preferindo antes rematar de muito longe à baliza. O mesmo Salvio poderia ter voltado a marcar logo a seguir num remate acrobático a centro do Cervi, mas a bola saiu por cima. O merecido segundo golo, aliás, um golão(!), lá chegou aos 30’, num remate de primeira do Jonas sem deixar a bola cair no chão depois de um alívio de cabeça de um defesa. À semelhança da Supertaça, deveríamos ter ido para intervalo com o jogo resolvido e fomos com a vantagem mínima, porque, depois de uma boa abertura do Esgaio, o Jardel foi batido nas costas pelo Hassan, que picou a bola por cima do Bruno Varela à saída deste aos 44’. Ainda antes do descanso, o Salvio voltou a ter uma óptima chance praticamente na jogada a seguir, mas rematou cruzado ao lado quando só tinha o Matheus pela frente.

A 2ª parte não teve tantas oportunidades, mas o ritmo continuou bem interessante. Um erro de um defesa isolou o Seferovic, mas veio o outro central e cortou a bola mesmo antes de o suíço rematar. O Braga teve um golo bem anulado por fora-de-jogo do Hassan e voltámos a ter dois golos de diferença aos 57’, numa boa jogada do Cervi na esquerda que centrou para a área, o Raul Silva desviou para a baliza, mas o Salvio ainda tocou na bola antes de ela entrar. Ainda faltava mais de meia hora para o final, mas conseguimos controlar muito bem o jogo, com oportunidades do Seferovic (grande remate defendido pelo guarda-redes depois de assistência de calcanhar do Pizzi) e Jonas (remate ao lado com o Matheus já batido) para aumentar ainda mais o marcador, tendo o Braga mais um golo bem anulado ao Ricardo Horta também por fora-de-jogo. Em cima dos 90’, ainda deu para o Rui Vitória promover a estreia do Diogo Gonçalves em partidas oficiais.

Em termos individuais, voltei a gostar bastante do Seferovic, que luta, preocupa-se sempre em dar a bola jogável, remata muito bem e marca golos (o que é que se pode pedir mais a um avançado?!). Um dos melhores em campo foi sem dúvida o André Almeida, não só a defender, como a ajudar no ataque, cruzando muitas vezes de forma exemplar. Ver o Jonas jogar é sempre um regalo para os olhos e o Pizzi faz-lhe excelente companhia. O Cervi, para mim, é indiscutível, porque ainda para mais se farta de ajudar a defender, ao invés, o Salvio não esteve nada bem, apesar do golo (no entanto, é tetracampeão e terá sempre o meu respeito por isso). A defesa não esteve mal, embora o Jardel tenha responsabilidades no golo. O Bruno Varela voltou a estar em plano razoável. O Filipe Augusto entrou novamente para segurar o meio-campo e ajudou a consegui-lo.

Perante um bom adversário era essencial começar a ganhar, até porque os outros dois já o tinha feito (2-0 da lagartada em Aves e 4-0 do CRAC em casa frente ao Estoril). Na próxima jornada, teremos uma deslocação bastante complicada a casa do Chaves, agora treinado pelo Luís Castro. Será um bom teste para se verificar se esta nossa subida de rendimento é consistente.

P.S. – O vídeo-árbitro confirmou (e bem) os golos anulados ao Braga pelo sr. Carlos Xistra, mas infelizmente não foi requerido por este para ver dois penalties a nosso favor (agarrão ao Jardel num canto perto do intervalo e pontapé no braço do André Almeida já na 2ª parte). Mas há por aí uma cambada de acéfalos que acha que nós fomos beneficiados…! Hilariante!

segunda-feira, agosto 07, 2017

Começo auspicioso

Vencemos o V. Guimarães (3-1) no sábado em Aveiro e conquistámos a sétima Supertaça do nosso historial. Nas últimas épocas, a tendência tem sido quase sempre a mesma: a pré-temporada raramente corre bem, mas quando chegam os jogos a sério aumentamos exponencialmente a nossa produção e ganhamos. Que seja sempre assim!

Uma rotura muscular num jogo de futebol com amigos na passada 2ª feira atirou-me para duas canadianas. Vi o caso mal parado nos primeiros dias (não conseguia mesmo andar), mas a partir de meio da semana a coisa foi melhorando (de qualquer maneira, antes eu que o Jonas!). Como me disse o meu amigo Bakero (um dos companheiros de viagem), quando soube disso pensou por segundos que eu já não poderia ir, mas depois lembrou-se que era eu e eu só não iria a um jogo do Benfica se estivesse mesmo a morrer! Confere. Gosto que os meus amigos me conheçam bem…! :-) Isto tudo para dizer que lá fui para Aveiro apoiado numa canadiana e em choque quando soube que o Júlio César não iria jogar. Quem tem a paciência de seguir este blog habitualmente, já sabe que eu não acho que qualquer Dudic ou Escalona sejam automaticamente génios só por vestir o manto sagrado e claro que tive bastante receio do Bruno Varela, a quem ainda não vi qualidades suficientes para ser uma opção válida para a nossa baliza. Aliás, tendo o Ederson dito no relvado do Jamor, há mais de dois meses, que aquele iria ser o último jogo dele pelo Benfica, custa-me muito aceitar que ainda não tenhamos ido buscar um guarda-redes que pudesse competir com o Júlio César pela titularidade. Ainda por cima, com os problemas físicos que o brasileiro tem tido nos últimos tempos… Fizemos mais de 100 M€ em vendas e não há 10 M€ para dar por um guarda-redes que dê garantias…?! Enfim, aguardemos, mas entretanto começam as competições a sério e recordo que o affair Roberto nos custou uma série de pontos logo no início do campeonato que depois nunca conseguimos recuperar. Espero que a história não se repita. Isto tudo para dizer que o Bruno Varela, excepção ao golo do V. Guimarães, até esteve em bom plano. Mas que é urgente que venha mais alguém é incontestável.

Entrámos muito fortes na partida e sufocámos o V. Guimarães durante a maior parte da etapa inicial. Fizemos o 1-0 aos 6’ numa recarga do Jonas depois de um mau alívio do Miguel Silva, guarda-redes contrário, a um cruzamento do Pizzi na direita. Cinco minutos depois, aumentámos a vantagem pelo estreante Seferovic, que foi isolado de maneira magistral pelo mesmo Pizzi e, perante o guarda-redes, rematou cruzado por baixo do corpo dele. Grande jogada e grande golo! A partida não poderia ter começado melhor. O V. Guimarães reduziu à beira do intervalo, mas até lá tivemos quatro(!) oportunidades para matar de vez o jogo: remate cruzado do André Almeida bem defendido pelo guarda-redes e três(!!!) lances em que o Salvio está cara-a-cara com o Miguel Silva e permite sempre a defesa deste. Incrível! Claro que se estava mesmo a ver o que iria acontecer: aos 43’, o Varela fica aos papéis num cruzamento para a área, não afasta bem a bola e o Raphinha marca de cabeça. Íamos para intervalo com o jogo em aberto, quando deveria já estar mais que decidido a nosso favor!

A 2ª parte foi completamente diferente. Não conseguimos manter o mesmo ritmo e, apesar de o Seferovic ter chegado atrasado a um cruzamento do Jonas e ter rematado muito torto quando até estava em boa posição, a melhor oportunidade foi sem dúvida do V. Guimarães: aos 59’, o Hurtado ainda agora deve estar para perceber como é que, só tendo que encostar depois de um centro da direita, conseguiu rematar contra o seu próprio pé! Como disse logo na altura o Bakero, “volta Bryan Ruiz, que estás perdoado!” Aos 65’, o Rui Vitória tirou o Salvio e colocou o Filipe Augusto. Em teoria estava certo, porque estávamos claramente a perder o meio-campo, mas dado que era o Filipe Augusto a entrar levei as mãos à cabeça… No entanto, adoro quando a realidade me desmente de forma positiva e o brasileiro, dado que não esteve horrível como durante a pré-temporada toda, acabou por ter um rendimento aceitável. As coisas reequilibraram-se no meio-campo, o Grimaldo voltou aos problemas físicos (mais do mesmo…), o que vale é que continuamos a ter o grande Eliseu e o Pizzi permitiu a defesa do Miguel Silva, quando só tinha pela frente, com o Seferovic a falhar a recarga. Aos 81’, entrou o Jiménez para o lugar do esgotado Jonas e acabou com o jogo dois minutos depois: falha de um adversário e assistência magistral do Pizzi para o mexicano marcar um belo golo em arco. Foi o delírio! O Sr. Artur Soares Dias resolveu dar uns inacreditáveis seis minutos de compensação, mas o resultado não se alterou.

Em termos individuais, o Pizzi foi considerado o melhor em campo, porque esteve directamente envolvido nos três golos. Estava a gostar bastante do Salvio, mas não se podem falhar três oportunidades daquelas! O Jardel subiu imenso de produção da 1ª para a 2ª parte e espero que não tenha os problemas físicos do ano passado. O Cervi destacou-se sobretudo na ajuda à defesa, até porque o Grimaldo está longe da condição ideal. Outro destaque indiscutível é o Seferovic: possante, rápido para a envergadura física que tem, preocupa-se sempre em dar a bola jogável, inclusivamente quando disputa lances de cabeça. Marcou um grande golo e, com a entrada do Jiménez, ocupou a posição do Jonas, coisa que eu não sabia que ele podia fazer. Assim sendo, é bom que não deixemos sair nenhum dos outros dois avançados (até porque agora é o Mitroglou a estar lesionado). Palavra final para o Grande Luisão que, com o seu 20º título, passou a ser o jogador mais galardoado da história do Benfica! Parabéns, grande capitão!

Com este triunfo, atingimos os 82 títulos oficiais, tendo agora o CRAC a oito de distância (74) e a lagartada a 35 (47)! Iniciaremos a tentativa da conquista do penta em casa frente ao Braga já depois de amanhã. Espera-se que as boas indicações que demos em Aveiro sejam mantidas. VIVA O BENFICA!