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segunda-feira, maio 29, 2017

Dobradinha épica

Derrotámos o V. Guimarães por 2-1 no Jamor e conquistámos a 26ª Taça de Portugal do nosso palmarés, e a nossa 11ª dobradinha. Foi o final perfeito de uma época que já era histórica graças ao tetra e assim ainda ficou mais valorizada com o triplete (só foi pena aquele jogo com o Moreirense para a Taça da Liga…).

Esta final foi verdadeiramente épica: desde 1980 que só perdi ao vivo a final da Taça que ganhámos (3-1) ao CRAC em 1984/85 e, mesmo nas que não participámos, não tenho memória de haver um dilúvio destes em pleno mês de Maio (ou Junho) no Jamor. Choveu quase ininterruptamente ao longo dos 90’ o que, para quem tem (e teve) sempre lugar coberto no Estádio da Luz, tornou esta experiência absolutamente inesquecível. Só me fez lembrar outra chuvada épica (mas que vi pela televisão) também em Maio de 1994… Claro que, se as coisas não tivessem corrido bem ontem, seria uma desilusão ainda maior, mas assim a gigantesca molha valeu a pena!

O Rui Vitória resolveu (e muito bem) não facilitar e, para ganhar títulos, têm que jogar os que estão em melhor forma: neste sentido, foi com alegria que vi que íamos jogar com o Ederson (naquele que terá sido o seu último jogo pelo Benfica) na baliza. De resto, a equipa já esperada, com o Jiménez a continuar na frente e o enorme Cervi na esquerda. A 1ª parte não foi nada fácil, com o V. Guimarães embalado (há que admiti-lo sem complexos nenhuns) por uns adeptos fantásticos a fazer-nos a vida negra e até as criar as melhores (embora muito poucas) oportunidades: uma boa defesa do Ederson a um remate do Hernâni e uma cabeçada muito perto do poste num canto, enquanto nós só num cabeceamento do Luisão num livre é que criámos perigo. Para piorar as coisas, ficámos sem o Fejsa aos 24’ num lance em que o Marega teve uma entrada muito dura que fez com que o sérvio tivesse que levar a distância que a lagartada ficou de nós no campeonato no joelho!

A 2ª parte para foi muito melhor em termos de futebol. Entrámos fortíssimos e inaugurámos o marcador logo aos 48’ na sequência de um remate de fora da área do Jonas, que o Miguel Silva defendeu para a frente, e o Jiménez muito rápido picou a bola sobre o guarda-redes. Foi o delírio nas bancadas do Jamor! Não desacelerámos e aos 53’ fizemos o 2-0: cruzamento da direita do Nélson Semedo e cabeçada extraordinária do Salvio a fazer lembrar os Águas que também marcaram naquele palco. Um golão! O jogo teve inevitavelmente que abrir e nós aproveitámos a subida do V. Guimarães para criar muito perigo em contra-ataque. Numa boa jogada pouco depois da hora de jogo, o Grimaldo cruzou na esquerda e o Jonas cabeceou à barra, o Samaris teve um bom remate de fora da área defendido pelo guarda-redes, mas aos 78’ foi o v. Guimarães a reduzir para 2-1 num cabeceamento completamente à vontade do Zungu num canto. A nossa defesa foi (excepcionalmente) a dormir neste lance, porque o jogador do V. Guimarães cabeceou praticamente na pequena-área! Fiquei muito apreensivo para os últimos minutos, mas foram nossas as melhores oportunidades até ao final: remate do Salvio desviado por um defesa, uma bola picada pelo Pizzi só com o guarda-redes pela frente saiu ligeiramente por cima e um falhanço inacreditável do Jiménez, quando só tinha que encostar e resolveu rematar com força, também só com o Miguel Silva pela frente. Quando o Sr. Hugo Miguel apitou pela última vez, foi o êxtase no relvado e nas bancadas! Os jogadores celebraram como se tivesse sido o primeiro título conquistado na vida, o que dá bem conta da união e do compromisso de vitória que tem esta equipa. Uma palavra final para o V. Guimarães e seus adeptos que, no final, também deram espectáculo nas bancadas, com uma união entre ambos que só os honra e que muito clube gostaria de ter, mas só poucos o conseguem.

Em termos individuais, o Salvio foi o melhor em campo: um golão e uma 2ª parte em alto nível, incluindo em termos defensivos (fez um corte magnífico já perto do final, que impediu um contra-ataque adversário que poderia ter sido bastante perigoso). O Pizzi também subiu imenso na 2ª parte e só foi pena que não tivesse conseguido marcar aquele o golo perto do fim. No conjunto, toda a equipa melhorou imenso após o intervalo, o que é demonstrativo da nossa capacidade actual não só de gerir os jogos, mas também de não nos enervarmos caso as coisas não estejam a correr de feição (tal como durante toda a 1ª parte).

Esta dobradinha soube-me extraordinariamente bem! É sempre bom terminar a época a ganhar e, se se faz história, ainda melhor. Aliás, esta época inolvidável será objecto de um post nos próximos dias.

VIVA O BENFICA!

quinta-feira, abril 06, 2017

Displicência inadmissível

Empatámos com o Estoril (3-3) e estamos na final da Taça de Portugal. A segunda parte da frase anterior é tudo o que de positivo teve o jogo de ontem. Depois do triunfo por 2-1 na Amoreira, esperava-se que a nossa qualificação fosse selada de forma tranquila. Puro engano! De tal maneira que nos arriscámos mesmo a ter sofrido uma das maiores humilhações da nossa história. Se há jogos em que não ganhamos e eu saio deles relativamente satisfeito, outros há em que conseguimos o objectivo e eu saio tão furioso como se tivéssemos perdido. Foi o caso de ontem.

O Rui Vitória já deveria ter percebido que, depois do que se passou no Algarve na Taça da Liga, há limites para o risco. Pode vir com as justificações todas que quiser, mas a muita da culpa do que se passou ontem é dele. Manter apenas dois titulares (Lindelof e Samaris, o Rafa é um titular intermitente) numa meia-final da segunda competição mais importante do nosso calendário foi obviamente um erro, que nos poderia ter custado muito caro. A tendência repete-se invariavelmente: muitas alterações na equipa dão (quase) sempre errado, não só porque a maior parte dos jogadores não tem ritmo, como também porque dá a sensação de desvalorizar o adversário. E toda a gente, dentro e fora de campo, percebe isso. Já assim foi logo no primeiro jogo desta edição da Taça (curiosamente também no Estoril, embora naquele caso justificada) e repetiu-se ontem. Com o Rafa e o Zivkovic a pontas-de-lança (total de dois golos, ambos do português, em toda a época), jamais se poderia esperar uma goleada, ainda para mais porque já se sabe que o Rafa isolado nunca marca (ontem, esteve para aí pela 5ª vez – contabilidade generosa – só com o guarda-redes pela frente e eu nem senti ponta de emoção, porque já calculava o desfecho) e com a altura de ambos era escusado fazer cruzamentos. O meu receio era que o Estoril marcasse primeiro, dado que isso iria inevitavelmente pôr-nos nervosos. E isso aconteceu aos 31’ num excelente remate de fora da área do Bruno Gomes. Felizmente empatámos dois minutos depois, num grande frango do Luís Ribeiro, que falhou um soco na bola e proporcionou depois ao Carrillo um remate fácil. Até ao intervalo, o Júlio César ainda voou num livre para evitar novo golo adversário.

Na 2ª parte, fomos nós a sair com a bola, mas nove segundos(!) depois ela já estava dentro da nossa baliza. Eu repito: nove segundos depois! Erro crasso do André Almeida num passe lateral e o Carlinhos rematou rasteiro, com o Júlio César a parecer-me que poderia ter feito algo mais. Ou seja, logo no reinício, a eliminatória ficou empatada. Incrível! No entanto, reagimos bem e o Zivkovic e o Cervi tiveram duas perdidas enormes ao permitirem a defesa do guarda-redes quando só o tinham pela frente, depois de dois cruzamentos da direita. Aos 54’, porém, o Zivkovic estreou-se finalmente a marcar pelo Benfica, num golão de fora da área, com um remate em arco de pé esquerdo. O jogo estavam completamente partido e eu esperei que, com a entrada do Pizzi para o lugar do (novamente lesionado) Filipe Augusto (a propósito, há uma grande diferença entre este e o Danilo, certo…? E o André Horta, porque é que fica na bancada, enquanto este, digamos, joga…?!), as coisas acalmassem. Mas o mal já estava feito e, ao não conseguirmos estancar os ataques do Estoril, era impossível ter tranquilidade. Estivemos, mesmo assim, à beira de nos colocarmos finalmente em vantagem com um chapéu do Carrillo ao poste, mas também vimos o Júlio César a negar o golo ao Estoril por duas vezes(!) na mesma jogada. Como as coisas estavam, era óbvio que tinha que entrar o Jonas e o brasileiro, só precisou de três minutos em campo para nos colocar à frente do marcador aos 72’, num desvio de pé direito depois de uma assistência do Cervi. Erradamente pensei que as coisas estavam finalmente resolvidas, mas esqueci-me que o Lisandro estava na defesa e, num mau alívio de cabeça deste, o Estoril entrou novamente na discussão do apuramento aos empatar aos 78’ num bis do Bruno Gomes. Até final, foi uma tremedeira desgraçada da nossa parte, a não conseguirmos ter posse de bola e o Estoril a ter uma grande oportunidade já à beira do 90’, num cabeceamento do Kléber que embateu nas costas do Grimaldo quando me pareceu que ia na direcção da baliza, com o Júlio César batido.

Sou absolutamente contra assobiar-se jogadores do Benfica durante os jogos, mas a equipa merecia uma tremenda vaia no final. Aquilo não foi nada e estivemos mesmo perto de uma das piores derrotas de sempre. Sofremos três golos em casa de uma equipa que luta para não descer! Eu repito: sofremos três golos do 15º classificado do campeonato! Os jogos nunca estão ganhos à partida: mentalizem-se disto! O que se viu ontem foi, acima de tudo, uma falta de respeito por todos nós, particularmente os 25.010 que foram à Luz. E isso é inadmissível!

quarta-feira, março 01, 2017

Em vantagem

No dia do nosso 113º aniversário, vencemos o Estoril na Amoreira (2-1) na 1ª mão das meias-finais da Taça de Portugal e estamos em excelente posição para voltarmos ao Jamor. Foi o terceiro jogo na Amoreira este ano (dois Estoril e um 1º de Dezembro) e a terceira vitória sofrida pela margem mínima. Mais uma vez, estivemos longe de fazer uma boa exibição, mas a justeza do nosso triunfo não se contesta.

O Rui Vitória fez algumas alterações e entraram o Júlio César, Jardel, Filipe Augusto e Carrillo. Deveríamos ter-nos colocado em vantagem logo aos 5’, mas quase em cima da pequena-área o Rafa conseguiu(!) que o guarda-redes Luís Ribeiro defendesse para canto o seu remate. Falhanço inacreditável de um jogador que deveria mesmo fazer treino específico de finalização (se o faz, não se nota nada...!). Pouco depois, o Júlio César inventou com os pés, mas felizmente o Estoril não conseguiu marcar. Os canarinhos davam boa réplica e nós tínhamos muitas dificuldades em criar lances de perigo. Até que aos 36’, o Zivkovic tirou um óptimo cruzamento da esquerda e o inevitável Mitroglou atirou lá para dentro. O mais difícil estava aparentemente conseguido, mas quatro minutos depois o Eliseu resolveu esticar estupidamente o braço na nossa área depois de um cruzamento. Penalty indiscutível que o Kléber não falhou. Neste lance, o Filipe Augusto, que já estava queixoso, lesionou-se de vez e entrou o Pizzi. Mesmo antes do intervalo, tivemos um golo anulado por fora-de-jogo, porque o Mitroglou se fez ao lance num cruzamento do Carrillo que acabou por entrar na baliza. Foi pena que não estivéssemos a jogar com as camisolas do Boavista...

Na 2ª parte, o Estoril foi a primeira equipa a criar perigo, mas o remate do Kléber passou a rasar o poste depois de um centro. A partir daqui, os canarinhos deram o berro fisicamente (acho inacreditável que se tenha obrigado o Estoril a jogar contra os lagartos e nós com três dias de intervalo) e só nós é que tentámos marcar. No entanto, tivemos sempre muitas dificuldades em criar lances de perigo, porque o adversário se fechou muito bem atrás. Só tivemos duas verdadeiras oportunidades: o Rafa permitiu novamente a intervenção do guarda-redes quando estava em boa posição e um remate do Mitroglou foi desviado por um defesa quando a com boa direcção. Até que aos 89’ marcámos finalmente o segundo golo: grande lance do Eliseu na esquerda, que isolou o Cervi (entretanto entrado) de calcanhar e este assistiu para Mitroglou dominar e desviar do guarda-redes. Vê-se na televisão que o grego está com o tronco e cabeça em fora-de-jogo mas os pés em jogo. É um fora-de-jogo milimétrico e só os desonestos intelectualmente (e já se sabe que os há aos milhares) vão achar que foi um escândalo. É não ligar aos grunhidos. Antes de terminar, o Zivkovic falhou inacreditavelmente de cabeça o terceiro golo.

Correndo o risco de ser repetitivo, é impossível não destacar novamente o Mitroglou. Nono golo no sexto jogo consecutivo a marcar tornam o grego o jogador mais fundamental do Benfica actual. Grande Mitro! A contrário do que vi muita gente a dizer, acho que o Carrillo não esteve nada mal: sempre muito em jogo, a vir várias vezes atrás ajudar na defesa e a fazer desarmes, especialmente na 1ª parte foi dos nossos melhores jogadores. Já o Rafa, com o seu problema crónico de finalização, esteve novamente abaixo do que deve render. O Zivkovic, tirando o centro para o 1º golo, também não esteve no seu nível habitual. Ao invés, o Nélson Semedo fez outra vez uma boa exibição e vai fazer muita falta em Santa Maria da Feira. O Jardel também regressou bem à equipa depois da debacle na Taça da Liga.

Só o Nápoles é que ganhou esta época na Luz, mas convém não facilitar no jogo da 2ª mão. Também aqui há uns anos tínhamos ganho 2-0 fora e depois levámos uma banhada de 1-3 em casa. Bem sei que o adversário era outro, mas se por acaso sofrermos algum golo antes de marcarmos as coisas vão ficar tremidas. E, infelizmente, temos já bastantes exemplos no passado recente de más experiências em meias e inclusive finais da Taça. A não repetir, sff!

P.S. - Espero que o lugar em que fiquei no estádio seja bom prenúncio para esta época!

quinta-feira, janeiro 19, 2017

Goleada

Estamos nas meias-finais da Taça de Portugal ao derrotar o Leixões por 6-2. Perante um adversário que está nos últimos lugares da II Liga, mal feito fora que nos deixássemos eliminar ainda por cima em casa, mas de qualquer maneira já se sabe que nenhum jogo está ganho antes de ser jogado.

Consciente da fase da competição em que estamos, o Rui Vitória acabou (e bem) por não mexer muito na equipa: só mudou o guarda-redes (Júlio César), os centrais (Lisandro e Jardel) e os extremos (Carrillo e Zivkovic). Encarámos a partida de uma maneira séria e logo desde o início que procurámos o golo. Um remate do Zivkovic ia provocando um grande frango e acabámos por inaugurar o marcador aos 21’ através de um remate de pé esquerdo do Pizzi, depois de um alívio da defesa a um centro do Nélson Semedo da direita. Pouco depois, o mesmo Pizzi falhou incrivelmente o segundo golo ao atirar por cima em excelente posição depois de uma boa jogada do Carrillo (ena, ena, alvíssaras, alvíssaras!) na esquerda. O segundo golo acabou por surgir aos 31’ num centro em arco do André Almeida que o Mitroglou não chega a desviar. Foi o primeiro golo oficial do nosso Veloso dos tempos modernos, razão pela qual houve grande festa no campo e no banco. Aos 38’, aumentámos a vantagem através do Jonas num desvio precioso, depois da intercepção de um defesa a um remate do Mitroglou (tinha obrigação de ter marcado, já que o guarda-redes estava fora do lance). Quando se pensava que iria ser um jogo mais que tranquilo, o Leixões reduziu a desvantagem mesmo antes do intervalo (44’) numa boa jogada atacante concretizada pelo Porcellis.

Para a 2ª parte, o Rui Vitória deu descanso ao Pizzi, fazendo entrar o André Horta. Logo de entrada, o Mitroglou atirou de cabeça à barra e, poucos minutos volvidos, o grego proporcionou uma boa defesa ao guarda-redes Assis numa óptima assistência do Jonas. Mas, aos 60’, o Mitroglou marcou mesmo de penalty depois de um agarrão ao Zivkovic na área. Palavra muito elogiosa para o Jonas que deu a bola ao seu companheiro para ser ele a marcar o castigo máximo. Para além de grande jogador, é um grande homem! O Leixões nunca deixou de lutar e foi recompensado com o segundo golo aos 67’, novamente pelo Porcellis, depois de uma triangulação atacante. No entanto, nós nem os deixámos respirar com isso, porque aumentámos de novo o marcador aos 70’, outra vez pelo Mitroglou, depois de uma jogada fantástica do Zivkovic na direita, com a bola ainda a ser desviada por um defesa para assistir inadvertidamente o grego. Já em tempo de compensação, fizemos o 6-2 final numa assistência do Carrilo na esquerda para o Mitroglou concretizar o hat-trick.

Quem marca três golos num só jogo, merece indiscutivelmente destaque e, neste sentido, o Mitroglou foi mesmo o melhor em campo. Todavia, muito perto ficou o Zivkovic, que baralhou completamente os adversários e está a tornar-se um caso sério na equipa. O André Almeida esteve igualmente num plano elevado, reforçado pelo golo que marcou. O André Horta entrou melhor do que em Guimarães para o campeonato, o que é bom, porque o Pizzi precisa de algum descanso.

Iremos agora defrontar o Estoril em duas mãos nas meias-finais, mas, com a eliminação da lagartada em Chaves (0-1), somos os claros favoritos à conquista do troféu. No entanto, já se sabe que é sempre preciso levar tudo muito a sério e estarmos concentrados ao máximo, porque se esta época pode ser inédita a nível nacional, ainda temos muitos obstáculos para superar até lá.

quinta-feira, dezembro 15, 2016

Superioridade

Vencemos o Real Massamá por 3-0 na sua casa emprestada de Belém e qualificámo-nos para os quartos-de-final da Taça de Portugal. Perante um adversário do terceiro escalão do futebol português, mas que está na frente do seu campeonato, fizemos uma 1ª parte para esquecer, mas melhorámos bastante na 2ª.

Em relação à lagartada, o Rui Vitória só manteve o Ederson (até porque o Júlio César está lesionado) e o André Almeida. Ou seja, havia outros nove jogadores que tinham uma óptima oportunidade para se afirmarem como opção. Mas tal não pareceu especialmente durante a 1ª parte. Esperava que tivessem aprendido alguma coisa com o susto com o 1º de Dezembro, mas os primeiros 45’ foram uma cópia ipsis verbis. Já se sabe que, quando o Carrillo está em campo, é como se estivéssemos com 10, mas o Danilo também fez um primeiro tempo de fugir. Só um remate do Zivkovic e uma cabeçada do Mitroglou é que criaram perigo, ao passo que o Real Massamá também teve um remate desviado pelo Lisandro que ia na direcção da baliza.

Na 2ª parte, o Rui Vitória achou por bem voltar a jogar com 11 e entrou o Gonçalo Guedes. A mudança foi da noite para o dia. Claro que, marcar logo aos 47’, ajudou a tranquilizar a equipa: canto do Zivkovic e cabeçada do Mitroglou ao primeiro poste. Depois do golo não abrandámos e tivemos algumas oportunidades para fazer o segundo, nomeadamente num remate do Guedes muito por cima quando estava em boa posição e noutro do Cervi, quando só tinha o guarda-redes pela frente. O Real Massamá teve um livre perigoso, mas o Ederson fez uma boa defesa. Até que aos 81’, fizemos finalmente o golo que dissipou todas as dúvidas, num penalty indiscutível sobre o Guedes muito bem concretizado pelo Mitroglou. Entretanto, já tinha entrado o Pizzi e entrou a seguir ao golo o Jiménez, que ainda foi a tempo de fazer o 0-3 aos 86’ num remate forte depois de tirar um defesa da frente.

Em termos individuais, destaque óbvio para o Gonçalo Guedes pelo que mexeu no jogo da nossa equipa. Bem sei que, entrando para o lugar do Carrillo, basta-lhe correr para ser imediatamente melhor, mas para além disso teve participação activa nos golos. O Cervi foi outro que se destacou enquanto esteve em campo e dos poucos que, na 1ª parte, tentou combater a marasmo geral. Regresso que se saúda é o do Jardel. O Zivkovic subiu imenso na 2ª parte, mas ainda não está de todo ao nível do Markovic quando chegou à Luz. O Danilo foi péssimo na 1ª parte e passou mais despercebido na 2ª. Quanto ao Carrillo, vamos entrar em período de Natal, espero sinceramente que não volte do Peru depois das férias. O problema não é tanto a nulidade que é, mas sim a falta de vontade que demonstra!

Já disse aqui várias vezes que adoro ir ao Jamor e, portanto, é com satisfação redobrada que assisto às nossas vitórias na Taça. Veremos o que nos reserva o sorteio dos quartos-de-final.

P.S. – Na passada 2ª feira, aconteceu o sorteio dos oitavos-de-final da Champions: eu preferia o Leicester, mas acabou por nos calhar o Dortmund, com a 1ª mão na Luz a 14 de Fevereiro e a 2ª na Alemanha a 8 de Março, uma data muito especial para mim. Por isso e porque aquele estádio é mítico para quem gosta de futebol, se tudo correr bem, lá estarei a apoiar o Glorioso.

segunda-feira, novembro 21, 2016

De gala

Goleámos o Marítimo no sábado por 6-0 e estamos nos oitavos-de-final da Taça de Portugal. Há casos em que o resultado coincide com a exibição e esta foi indiscutivelmente a melhor da época. O que mais saltou à vista foi a consistência que apresentámos (espelhada nos 3-0 da 1ª parte e 3-0 na 2ª), dado que jogámos os 90’ como se estivesse sempre 0-0. E isso é algo que me agrada imenso.

Claro que marcar logo aos 2’ é o melhor tónico que se pode pedir para uma partida: recuperação do Samaris perto da área adversária, a bola vai ter com o Mitroglou, que permite a defesa do Gottardi, o Salvio não desiste do ressalto, rouba a bola a um adversário e assiste o Cervi para marcar. Os primeiros minutos foram sufocantes para o Marítimo, que praticamente não saía do seu meio-campo. Tivemos oportunidades pelo Guedes (desarmado quando ia rematar), Salvio (isolado pelo Pizzi, viu o guarda-redes fazer-lhe a mancha), Eliseu (remate de longe desviado para canto) e livre directo do Pizzi (defendido para canto pelo Gottardi). Eu começava a ficar apreensivo, porque era essencial chegar ao intervalo com dois golos de vantagem e lembro-me sempre de ‘n’ jogos destes, com oportunidades falhadas e que depois nos custam caro. Mas aos 38’, lá fizemos o segundo, numa combinação entre Mitroglou, Salvio e Pizzi, com alguns ressaltos à mistura, que permitiu ao nº 21 atirar cruzado e rasteiro para o fundo da baliza. Estava tudo bem encaminhado e melhor ficou aos 43’ com o terceiro golo: grande jogada do Nélson Semedo, a não permitir que a bola saísse pela linha de fundo, a tirar magistralmente o defesa do caminho, a ter sorte de a bola ter voltado para ele depois de ter sido interceptada no primeiro centro e finalmente a assistir a cabeça do Mitroglou, que só teve que encostar para a baliza deserta.

Em vésperas de uma partida muito importante para a Champions e com a eliminatória praticamente resolvida, era expectável que a equipa baixasse o ritmo na 2ª parte. E se o Júlio César continuou a ser um espectador, resto da equipa, não! Continuámos a jogar da mesma maneira e, depois de ter rematado por cima numa boa jogada individual, o Gonçalo Guedes repetiu a dose em termos de jogada, mas desta feita assistiu o Mitroglou para o 4-0 aos 53’. Até para mim, a eliminatória ficou fechada! Entretanto, entrou o Jiménez para a poupança do Mitroglou e foi o mexicano a marcar o 5-0 aos 68’. Penalty a punir braço de um defesa que impediu que o remate do Salvio entrasse, expulsão respectiva, e o Jiménez lá marcou no seu estilo peculiar (que eu não gosto nada, porque se o guarda-redes acerta no lado defende facilmente, mas pelos vistos resulta porque nunca falhou um penalty na vida e já lá vão 16). Também deu para o Rafa regressar mais de dois meses depois da lesão e de fecharmos o marcador aos 88’ num golão do Gonçalo Guedes, com um remate de primeira de fora da área depois de um canto do Pizzi directamente para ele.

Em termos individuais, o Gonçalo Guedes destacou-se sobremaneira. Aliás, o melhor elogio que se lhe pode fazer é que, em termos objectivos, não temos sentido a falta do Jonas: a equipa continua a jogar bem e a ganhar. Também o Pizzi está bastante à vontade a manobrar a equipa a meio-campo e, com a reincidência da lesão do André Horta, o lugar será dele por um bom bocado. Menção igualmente para o Mitroglou, porque dois golos são sempre de realçar. O Salvio esteve muito activo e com participação directa nos golos. E, last but not least, o Nélson Semedo confirmou que não vai passar muito tempo na Luz. Que exibição!

Como já disse várias vezes ao longo dos anos, gosto imenso da Taça de Portugal, porque adoro ir ao Jamor no final da época. E fico sempre bastante chateado quando somos eliminados precocemente. Espero que possamos finalmente lá voltar este ano.

segunda-feira, outubro 17, 2016

À rasca

Vencemos o 1º de Dezembro no Estoril por 2-1 e qualificámo-nos para a 4ª eliminatória da Taça de Portugal. Perante uma equipa do terceiro escalão do futebol português (agora denominado Campeonato de Portugal), tivemos dificuldades acima do esperado e só conseguimos o golo da vitória no sexto e último minuto de compensação.

Já se sabe que os jogos depois das selecções são sempre complicados e, perante adversários de divisões inferiores, há a tendência para os desvalorizar. O Rui Vitória apostou numa equipa de segundas linhas e pode dizer-se que o chumbo foi quase colectivo. A 1ª parte teve duas velocidades da nossa parte: devagarinho e parado. O 1º Dezembro, expectavelmente, fechou-se na defesa e nós não conseguimos imprimir o ritmo necessário para os desposicionar. Só uma cabeçada do José Gomes, perto do intervalo, deu a sensação de golo.

Na 2ª parte, voltámos a jogar com 11, porque saiu a nulidade exasperante Carrillo e entrou o Gonçalo Guedes. O aumento do ritmo deu frutos logo aos 50’, num bom lance do Danilo, que simulou perante um adversário, tirou-o do caminho e meteu a bola por baixo das pernas do guarda-redes. Estávamos a controlar mais ou menos o jogo, quando o Celis resolveu oferecer um penalty ao adversário, ao atrasar mal a bola ao Ederson e fazendo com que este fizesse penalty. Como agora acabou a lei da tripla penalização (penalty, expulsão e suspensão), desde que tente jogar a bola, um jogador não é expulso mesmo que derrube um adversário que está em vias de fazer golo. Só me lembrei disto a posteriori, pelo que durante o jogo pensei que o sr. Hélder Malheiro (má arbitragem, muito permissivo com as entradas duras do 1º Dezembro) tinha errado ao não expulsar o nosso guarda-redes. O Martim Águas (filho do grande Rui e neto de enorme José) fez a igualdade aos 62’. Até final, pressionámos mais, o Pizzi já tinha entrado antes do golo e ainda entrou o Mitroglou, mas teve que ser o grande Luisão a marcar possivelmente um dos golos mais tardios da nossa história, aos 96’ (confesso que não percebi o porquê de tanto tempo de desconto), com um óptimo cabeceamento num canto do Pizzi. Respirávamos todos de alívio, porque seria muito mau termos que disputar um prolongamento nestas circunstâncias.

O Luisão foi, claro, o grande destaque da equipa. Estou muito contente por esta subida de forma do capitão, pela sua reentrada em pleno no onze titular e espero que isto se mantenha ao longo da época. O Danilo marcou um bom golo, mas está naturalmente sem ritmo. O José Gomes batalhou muito na frente, mas sozinho durante grande parte do jogo era difícil. O Cervi e o Zivkovic poderiam ter aproveitado melhor a oportunidade, mas nada que se compare aos dois do costume: o Carrillo continua sem interiorizar que tem um processo de higienização a fazer e nem 10% faz; o Celis, eu juro que até estava a gostar minimamente dele (e há testemunhas disso), mas depois resolve voltar ao seu estado natural de oferecer golos aos adversários (é a terceira vez!). Ou muito me engano, ou são dois jogadores que escusam de regressar depois do Natal.

Foi um jogo que não vai deixar saudades. Salvou-se o resultado e pouco mais. Na próxima eliminatória, seria bom que jogássemos melhor, porque eu gosto muito de ir ao Jamor em Maio.