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quarta-feira, outubro 19, 2005

Com um pouco mais de ambição…

Confesso que estava com muito medo deste jogo. Só passaram 72 horas sobre a soberba vitória de Sábado, a equipa não deveria estar tão fresca quanto desejável e o Villarreal tinha feito descansar o Riquelme e o Forlán no fim-de-semana tendo o Sorin jogado só durante uma hora. Na constituição inicial, o Koeman surpreendeu ao colocar o Ricardo Rocha a defesa-esquerdo, tendo o Léo ficado no banco. Fiquei um pouco céptico em relação a isto, já que presumivelmente abdicaríamos de ter um defesa-esquerdo que apoiasse o (contra-)ataque, o que se veio mais ou menos a confirmar, embora sem consequências negativas.

Todavia, este meu temor não se justificava de todo já que assim que começou o jogo ficou bem visível a diferença de potencial neste momento entre as duas equipas. O Villarreal desiludiu-me bastante, já que entrou com muito medo e não conseguiu ligar o jogo do meio-campo para a frente. Nós controlámos perfeitamente a situação durante toda a 1ª parte, tendo criado algumas situações de perigo. Infelizmente, não as concretizámos pelo que o empate ao intervalo me pareceu algo injusto. Para além de tudo, ainda tivemos o azar da lesão do Quim que fez com que um guarda-redes de 19 anos, Rui Nereu, fizesse a estreia na equipa principal logo na Liga dos Campeões e no campo do (teoricamente) 2º adversário mais difícil!

Na 2ª parte a pressão dos espanhóis foi ligeiramente superior, mas só tiveram uma verdadeira oportunidade de golo, em que o Rui Nereu faz uma defesa magistral para canto num remate à queima-roupa. No entanto, acabaríamos por sofrer um golo num penalty um pouco polémico. Não me parece que o Ricardo Rocha vá com intenção de fazer falta, mas o que é certo é que não toca na bola e toca no adversário. Se tivesse entrado menos à bruta, certamente não teria cometido a infracção. É esta a diferença em relação ao Anderson, que para o bem e para o mal é muito mais cuidadoso a disputar a bola. Estávamos a pouco mais de um quarto-de-hora do fim do jogo e o sentimento de injustiça era enorme. Logo na jogada seguinte, o Simão cai na área, mas o árbitro não assinala nada (como não houve repetição não se percebeu bem se era falta ou não, mas o lance parece-me semelhante ao do Ricardo Rocha…). O que valeu foi que o momento do jogo (atrevo-me a dizer de toda a Liga dos Campeões até agora) aconteceu pouco depois. Na sequência de uma tabela com o Nuno Gomes (a meias com o defesa contrário), a bola ressalta para o Manuel Fernandes que a domina com o peito e, sem a deixar cair na relva, remata de primeira fazendo a bola passar por cima do guarda-redes! Um golão! Aproveitem para apreciar bem ao vivo o Manuel Fernandes durante esta época que para o ano de certeza não vai haver mais… A justiça estava reposta e até final voltámos a controlar completamente o jogo e tivemos uma grande oportunidade, em que o Nuno Gomes isolado frente ao guarda-redes lhe faz um passe para as mãos.

Quanto aos jogadores estiveram outra vez todos muito bem, tal como na casa do clube regional, sendo o destaque desta vez para o Manuel Fernandes não só pelo golão que marcou como por ter anulado o Riquelme durante a maior parte do jogo. O Nuno Gomes voltou a mostrar que está em forma, só foi pena ter falhado o 2-1 perto do fim, o Petit foi o tampão do costume e o Nelson é cada vez mais uma certeza. O Rui Nereu entrou a frio, mas portou-se muito bem (pareceu-me pela sujidade na sua camisola no início a 2ª parte - não tendo ele feito nenhuma defesa até ao intervalo - que durante o descanso esteve a trabalhar com o treinador de guarda-redes; se assim aconteceu, foi uma medida acertadíssima do nosso treinador).

A impressão com que se ficou deste jogo é que o Benfica jogou para o empate e conseguiu, mas com um pouco mais de audácia poderíamos perfeitamente ter ganho o jogo. É um óptimo resultado fora de casa, mas poderia ter sido ainda bem melhor. Não sei se teve a ver com um pouco de cansaço trazido de Sábado, mas houve momentos em que me exasperei por passarmos a bola para o lado e para trás, em vez de procurarmos a baliza. Ainda por cima com o empate em casa do Manchester com o Lille teríamos voltado ao 1º lugar do grupo. Este resultado em Old Trafford não nos favorece, já que as equipas estão todas muito juntas (2, 3, 4 e 5 pontos) e a última coisa que precisamos é que o Manchester necessite do último jogo na Luz para se apurar para os oitavos-de-final. Daqui a 15 dias é fundamental ganhar ao Villarreal, já que assim certamente pelo menos a Taça Uefa não nos fugirá. Com o que se viu até agora somos claramente uma das equipas mais fortes do grupo e a passagem à fase seguinte está perfeitamente ao nosso alcance.

6 comentários:

D'Arcy disse...

Não concordo com a apreciação ao Petit. Já ontem tinha ficado com a impressão de que ele tinha sido um dos piores jogadores do Benfica (conforme escrevi no meu blog), e hoje ao ler A Bola confirmei isto, já que ele recebe a pior nota.

Eu acho que, durante a primeira parte, não jogámos para o empate, mas após o intervalo pareceu que ficámos convencidos que o empate era um mal menos, e pagámos por isso. Mas pelo que vi ontem, acho que é perfeitamente possível ganharmos ao Villarreal em casa. Só é preciso controlarmos o Riquelme como o fizemos na primeira parte.

S.L.B. disse...

O Petit não esteve bem na transição para o ataque, mas em termos defensivos cumpriu a sua missão, mesmo apesar de ter perdido algumas bolas a meio-campo. Juntamente com o Manuel Fernandes acho que teve responsabilidades na menor produção atacante do Villarreal.

BP disse...

Olhem, eu até acho que o Petit esteve bem... sim, sim, estão a lembrar-se e bem que eu não gosto muito dele. mas a questão é que quando ele se limita a fazer o que sabe (defender) ele é bem bom! o problema na segunda parte foi, para mim, sobretudo fisico. depois do golo do Riquelme houve sobretudo vontade e querer e mesmo assim as pernas ja nao deixaram fazer grande coisa...

mas enfim... mais uma grande exibição e a Europa a olhar pra nós com outros olhos!
Abraços

tma disse...

O Petit, na 2ª parte, deixou o Riquelme mais solto, o que permitiu que o passe para o Sorin, do qual resultou o penalty, pudesse ser feito sem pressão.
O penalty temos que o aceitar: não interessa se o RR tem ou não a intenção de fazer falta, pois não é isso que os árbitros têm de julgar. Ele antecipou-se ao Sorin, é verdade, mas a maneira como fez levou a que o árbitro tenha considerado que a queda do Sorin tenha sido provocada pela entrada do RR.
Quanto à falta de ambição, temos que compreender que a equipa ainda está em crescimento, pelo que acho compreensível (embora, como adepto, naturalmente desejo sempre mais) que a opção seja não arriscar tanto quanto a qualidade da equipa até permitiria.
Tal como o jogo em Manchester, acho que o mais importante do jogo de ontem, para além do resultado, foi a experiência proporcionada.
A pouco e pouco, o Benfica vai-se afirmando a nível europeu, e acho preferível fazê-lo de forma segura a ir com peneiras tipo Adriaanse e deitar tudo a perder. Mesmo tendo perdido em Manchester, a forma como o Benfica jogou e a consciência que a própria equipa tem disso acabou por ajudar a construir a confiança nas próprias capacidades.
Claro que tudo isto são teorias, mas depois de 10 anos de travessia do deserto, há que ser paciente.

REDrigues disse...

Serviço Público no marvermelho


EHEHHHEHE

Anónimo disse...

É verdade que o Petit não esteve espectacular ontem (sobretudo a partir da 2.ª parte) mas em compensação assinou uma exibição histórica no estádio do Ladrão.

Achei que no Sábado o Petit fez apenas a melhor exibição desde que está de águia ao peito (inesgotável na recuperação, nas dobras - incluindo duas dobras importantíssimas aos centrais - e na qualidade do passe, algo que o nosso manelele ainda tem que melhorar um pouco...) e sendo assim desculpo-o por uma 2.ª parte menos conseguida.

Mais, o Petit é na minha opinião um dos jogadores a par do Simão que mais foi decisivo no regresso, desde há 3 anos para cá, do Benfica ao trilho da Glória.

Quando o Petit está em campo a equipa é mais rápida a chegar à bola e tem mais tendência para não desistir dos lances, mesmo ao minuto 90. Além de que o exemplo dele foi contagiante para o Tiago (quase 10 milhões de euros) e mais recentemente para o manelele (por quanto tempo mais no nosso clube? e por que valores sairá?)...

Por tudo isso e por muito mais, o meu MUITO OBRIGADO, PETIT...ÉS ENORME!!!!!!