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sábado, dezembro 27, 2025

Difícil

Vencemos o Famalicão pela margem mínima na passada 2ª feira (1-0), mas manteve-se tudo igual na frente, porque os outros dois também ganharam (o CRAC 3-0 em Alverca e a lagartada 4-1 em Guimarães). Ou seja, tal como o resultado espelha, a nossa foi a partida mais complicada de todas, apesar de termos sido os únicos a jogar em casa.

O Prestianni foi a novidade no onze perante o impedimento do Leandro Barreiro, tendo o Tomás Araújo permanecido ao lado do Otamendi no centro da defesa. O Famalicão está a fazer um bom campeonato e o 6º lugar que ocupava no início desta jornada era óptimo cartão-de-visita. O jogo começou logo mal, com o Famalicão a trocar-nos as voltas na escolha do campo, algo que me irrita solenemente. Em termos de futebol jogado, o Sudakov num remate fora da área criou algum perigo, mas o guarda-redes Carevic defendeu. Pouco depois, foi o Dahl com um remate cruzado a voltar a pôr à prova os reflexos do Carevic. Aos 35’, num livre a nosso favor, o de Hass abriu demasiado os braços no salto e atingiu o Otamendi. O VAR interveio e foi naturalmente penalty para nós (depois da vergonha nos Açores para a Taça, era só o que mais faltava isto não ser penalty...!). O Pavlidis concretizou (até bem demais, porque a bola quase me pareceu que fosse à barra ou por cima...) o seu 14º golo no campeonato. Quase à beira do intervalo, o sangue gelou-se-nos com um remate do Van de Looi a desviar num jogador contrário e quase a trair o Trubin. Foi, de resto, a melhor chance contrária em toda a partida.

Na 2ª parte, manteve-se o nosso controlo do jogo, só com a excepção de praticamente não deixarmos o Famalicão criar perigo. Quanto a nós, o Dedic teve uma boa incursão da direita para o meio, culminada com um remate de pé esquerdo que saiu ao lado e o Prestianni colocou o Aursnes na cara do golo, mas o norueguês falhou novamente isolado, só com o guarda-redes pela frente. Uma boa jogada do Sudakov culminou num bom remate do Prestianni, que o Carevic defendeu para canto e foi tudo o que se passou de relevo nos últimos 45’, com o Famalicão a revelar grandes dificuldades para chegar à nossa baliza. Só num lance, com um erro do Trubin, é que criou algum frisson, mas o nosso guarda-redes depois conseguiu emendar o facto de não ter conseguido agarrar uma bola.

Em termos individuais, gostei do jogo do Prestianni, o Aursnes está a subir de forma (pelo menos, parece) e o Sudakov também não esteve mal. O Pavlidis continua a ter 100% de eficácia nos penalties e espero que assim continue. A defesa esteve muito segura, mesmo que o Tomás Araújo tivesse de sair precocemente na 2ª parte para entrada do António Silva.

Iremos amanhã a Braga para o último jogo de 2025 e que será uma nova final, dado que estamos a oito pontos do 1º lugar e não nos podemos dar ao luxo de perder mais pontos.

sexta-feira, dezembro 19, 2025

Tranquilo

Vencemos o Farense no São Luiz na passada 4ª feira (2-0) e qualificámo-nos para os quartos-de-final da Taça de Portugal. Ao contrário das duas eliminatórias anteriores, encarámos esta partida de um modo mais sério e nunca passámos por calafrios, com a nossa vitória a pecar por não ter sido mais dilatada.

O Mourinho promoveu alguma rotação na equipa, com uma frente de ataque totalmente nova (Prestianni, Ivanović e Schjelderup), o regresso do Manu à titularidade depois da grave lesão, o Tomás Araújo na lateral-direita e o Samuel Soares na baliza. A maneira como entrámos no jogo deu logo o mote, apesar de uma cabeçada contrária na sequência de um canto nos ter assustado, mas felizmente o Samuel Soares estava atento. A nossa reacção foi categórica, com o 1-0 a surgir pouco depois, aos 11’, pelo Richard Ríos, depois de um livre lateral batido pelo Sudakov, com um remate de primeira já dentro da área. Antes da meia-hora, tivemos uma ocasião soberana de aumentar a vantagem e nos salvaguardar de algum imprevisto, num penalty descarado sobre o Schjelderup, mas o Otamendi, à semelhança do encontro frente ao Atlético, voltou a permitir a defesa do guarda-redes... Se calhar, está na altura de não termos defesas-centrais como batedores de penalties, não...? Até ao intervalo, ainda vimos o Sudakov sair lesionado por causa de uma joelhada na coxa, entrando o Aursnes, o Ivanović ver um golo seu anulado por fora-de-jogo e o Schjelderup bater bem um livre directo, com a bola a sair muito perto do poste, com o guardião contrário batido.

Ao intervalo, tivemos de fazer outra substituição forçada, desta feita na baliza, com a entrada do Trubin por problemas físicos do Samuel Soares. Logo no reinício, o Sr. Hélder Malheiro não acatou a opinião do VAR sobre uma expulsão de um jogador do Farense por ter feito falta sobre o Ivanović, que ficaria isolado, e manteve o cartão amarelo... Inacreditável! No livre directo, o Ríos atirou muito por cima. No entanto, não passou muito tempo até fazermos o 2-0 e praticamente acabar com a eliminatória. Aos 56’, a jogada principiou no Ivanović, que abriu muito bem para o Dahl na esquerda, este rematou cruzado, o guarda-redes Tannander defendeu e o ponta-de-lança croata, muito oportuno na recarga, só teve de encostar para a baliza deserta. Daqui até final, a partida entrou em velocidade de cruzeiro, connosco a controlá-la completamente. Ainda vimos a estreia de outro campeão mundial sub-17 na equipa principal, o lateral-direito Banjaqui, e um golo contrário ser anulado por empurrão ao António Silva, antes de um cabeceamento vitorioso num canto. No entanto, tendo a bola sido cabeceada na pequena-área, continuo sem perceber como é que o Trubin não sai nestes lances...

Em termos individuais, voltei a gostar do Ivanović, apesar de continuar com alguns problemas no domínio da bola, do Dahl, que está a subir de produção de jogo para jogo, e do Ríos, embora com menor destaque em relação às duas partidas anteriores. O Sudakov estava a fazer um jogo interessante finalmente na sua posição de nº 10, mas levou uma pancada forte de teve de sair. Saúda-se o regresso do Manu a tempo inteiro, mas está declaradamente com falta de ritmo, o que é perfeitamente natural. O Prestianni esteve melhor do que o Schjelderup, que infelizmente deixou a oportunidade passar-lhe um pouco ao lado, ao não tomar sempre a melhor decisão.

Iremos agora a Mordor nos quartos-de-final da Taça, dado que eles, como seria de esperar, eliminaram o Famalicão em casa (4-1). A equipa está a subir de produção e não seria a primeira vez que ganharíamos lá numa eliminatória da Taça, mas de qualquer forma o jogo é só o daqui a um mês. No entanto, a grande notícia desta eliminatória é a forma vergonhosa como a lagartada eliminou o Santa Clara nos Açores (3-2), após prolongamento, com o golo que empatou o jogo a surgir num penalty inacreditável (e inexistente, como é óbvio) aos 90’, assinalado pelo VAR Sr. Rui Silva e mantido pelo Sr. João Pinheiro, depois de uma interrupção de 12 minutos(!) para decidir o lance... Isto tem entrada directa para os maiores escândalos de arbitragem de todos os tempos! Que roubo!!!

quarta-feira, dezembro 17, 2025

Pavlidis x 3

Vencemos o Moreirense fora por 4-0 no passado sábado, mas, como os outros dois também ganharam, manteve-se tudo igual na frente do campeonato. Uma saída a Moreira de Cónegos é sempre difícil (nas últimas cinco vezes, só tínhamos ganho uma!), o Moreirense está a fazer um bom campeonato, mas aproveitámos muitíssimo bem os erros contrários e obtivemos uma vitória mais tranquila do que se esperava.

O Mourinho só fez entrar o Pavlidis em vez do Ivanović em relação ao Nápoles e foi o grego a ser rasteirado na área logo nos minutos iniciais, mas inacreditavelmente nem o Sr. Hélder Carvalho, nem o VAR Sr. Rui Oliveira assinalaram penalty...! Uma vergonha! A partida foi equilibrada durante metade da 1ª parte, embora sem grandes ocasiões para nenhum dos lados, porque a maior parte dos remates foram interceptados pela defesa do Moreirense e, do nosso lado, o Trubin agarrou a única bola que lhe chegou. Aos 37’, inaugurámos o marcador pelo Pavlidis, de cabeça, depois de um cruzamento da direita do Aursnes na sequência de um canto, que nasceu de uma recuperação nossa em zona ofensiva, depois de uma má saída de bola desde a área contrária. Marcar primeiro em jogos destes é sempre meio-caminho andado para a vitória. Até ao intervalo, outro cabeceamento do Tomás Araújo e um desvio do Pavlidis ao primeiro poste ainda deram algum trabalho ao André Ferreira, guarda-redes contrário.

Para a 2ª parte, veio o Rodrigo Rêgo no lugar do lesionado Leandro Barreiro, que sofreu uma falta que eventualmente teria sido merecedora de vermelho directo... Aos 57’, demos um passo de gigante com vista ao triunfo, com o 2-0, também pelo Pavlidis, na sequência de outro erro de saída do bola do Moreirense, com o Aursnes a assistir o grego, que ainda beneficiou de um ligeiro desvio de um defesa no remate. Aos 71’, o Pavlidis completou o seu hat-trick, noutro erro de saída de bola, neste caso, um defesa que lhe passou directamente o esférico e o grego de pé esquerdo não perdoou. O resultado final de 4-0 foi feito aos 76’, num chapéu do Aursnes, que aproveitou outro mau passe(!) na zona defensiva, neste caso, do guarda-redes André Ferreira. Até final, o Mourinho aproveitou para ir rodando a equipa, colocou novamente o José Neto, e foi do entretanto entrado Schjelderup a última oportunidade, num remate interceptado por um adversário para canto.

Em termos individuais, óbvio destaque para o Pavlidis que, com mais três golos, saltou para a frente dos melhores marcadores, agora com 13. Grande avançado no qual eu sempre acreditei! Vamos lá a ver se é este ano que um jogador nosso volta a ganhar este troféu... Depois talvez do pior período desde que chegou ao Benfica, o Aursnes foi outro dos destaques, com um golo e duas assistências. Também gostei do Dedic na lateral-direita, que imprime sempre muito dinamismo à equipa. Todos os outros estiveram num patamar bastante razoável (até o Barrenechea!), com o Schjelderup a entrar novamente bem, depois de ter sido decisivo na vitória frente ao Nacional.

Atravessamos a melhor fase desde que o Mourinho chegou e daqui a um bocado entrar vamos em campo em Faro para tentar prosseguir na Taça de Portugal. Espero naturalmente que esta boa fase tenha sequência e que possamos ir a Mordor (irão certamente ganhar ao Famalicão amanhã) disputar os quartos-de-final de um dos grandes objectivos da temporada, no qual temos um vergonhoso histórico nas últimas três décadas.

sexta-feira, dezembro 12, 2025

Finalmente!

Vencemos o Nápoles na Luz por 2-0 na 4ª feira e mantivemo-nos na luta pelo play-off da Champions. Depois da desilusão do campeonato, arriscávamo-nos a ficar com a época muito comprometida neste jogo, mas a resposta da equipa foi à altura da importância da ocasião. Já não era sem tempo!

O Mourinho surpreendeu ao dar a titularidade ao Tomás Araújo e Ivanović, ficando o António Silva e o Pavlidis no banco. Ao contrário da partida frente aos lagartos, a nossa entrada foi muito boa, tendo tido logo duas enormes chances para marcar, com o Ivanović a permitir a defesa do guarda-redes Milinkovic-Savic, quando estava só perante ele, e o Aursnes a fazer ainda pior, com um remate atabalhoado ao lado, estando numa posição ainda melhor do que o croata. Isto já depois de, na continuação do lance do Ivanović, rematado para fora, quando também estava em boa posição. No entanto, aos 20’, inaugurámos mesmo o marcador num desvio do Ríos depois de uma assistência de cabeça do Ivanović, na sequência de um centro do Dahl para a área. Depois de tanto falhanço, estávamos por fim na frente de um encontro onde só tínhamos uma opção: ganhar. A partir daqui, baixámos o ritmo na tentativa de controlar a resposta contrária, o que até conseguimos, dado que os italianos não criaram assim grande perigo. Da nossa parte, na sequência de um canto, o Otamendi teve duas oportunidades no mesmo lance, com um remate acrobático que bateu no Ivanović e tendo a recarga saído muito por cima.

A 2ª parte não poderia ter começado melhor, com o 2-0 logo aos 49’, numa óptima jogada entre o Ivanović e o Ríos, com o colombiano a assistir o Leandro Barreiro um desvio de calcanhar, surpreendendo o guardião contrário. A partir daqui, e é uma das grandes vantagens do Mourinho, quando é preciso trancar a baliza, ele sabe como o fazer. O Nápoles bem tentou, mas só num remate do David Neres é que colocou à prova o Trubin e, mesmo assim, sem grandes problemas para defender para canto. Do lado contrário, num contra-ataque já no último quarto-de-hora conduzido pelo Barrenechea, o entretanto entrado Pavlidis rematou para defesa para canto do Milinkovic-Savic. O mesmo Pavlidis, noutro contra-ataque, ficou frente-a-frente com o guarda-redes, mas o gigantismo dele (2,02cm) impediu o grego de ser feliz. No entanto, felizmente, não precisámos desse golo para nos mantermos a salvo, porque, apesar de ir pondo avançados, o Nápoles não conseguiu criar perigo, também porque o Moutinho, quando foi preciso, não teve pejo em colocar um terceiro central (António Silva).

Em termos individuais, o Ríos foi outra vez o melhor em campo e está a subir a olhos vistos. Bom jogo igualmente do Dahl, apesar de o Neres o ter posto à prova especialmente na 1ª parte, e do Ivanović, que espero ter aqui adquirido uma segunda vida no Benfica. É um jogador para jogar em profundidade, que era o que precisávamos neste jogo (e cheira-me que precisamos também nos dois que faltam, em Turim e na recepção ao Real Madrid). O Dedic foi o toiro do costume e o resto da defesa também esteve muito bem. 

Champions só regressa daqui a um mês e, até lá, temos jogos muito importantes no calendário nacional, incluindo uma Taça (da qual somos detentores) para atribuir, pelo que espero que o boost de energia e confiança que tivemos nesta partida se prolongue o mais tempo possível.

quarta-feira, dezembro 10, 2025

Finito

Empatámos com a lagartada (1-1) na passada 6ª feira e, com a vitória do CRAC (2-0) em Tondela, estamos agora a oito pontos deles e mantivemos os três de distância para o 2º lugar. Quer isto dizer na prática que, no início de Dezembro, estamos com o campeonato já perdido. Bestial...!

Num jogo em que não havia outra opção que não fosse ganhar, o Mourinho colocou a sua equipa Champions, o que quer dizer o Leandro Barreiro a 10 e apenas o Pavlidis como opção declaradamente ofensiva (vá, OK, o Sudakov também pode ser incluído como médio mais atacante). Foi outra vez pouco, muito pouco. Entrámos pessimamente na partida, muitíssimo nervosos e a lagartada só não marcou logo a abrir num erro do Aursnes, porque o Trubin defendeu com o pé um remate do Luís Suárez. Continuámos a andar aos papéisaté que sofremos mesmo um golo num péssimo passe à queima do Trubin para o Barrenechea, que perdeu em bola logo à saída da área para o inimputável Hjulmand, que depois a deu para o Pedro Gonçalves fazer um passe para a baliza... Mas nem assim o Trubin defendeu... Estávamos no minuto 12 e o panorama era muito negro. A lagartada continuou por cima, com dois remates do Maxi Araújo que, apesar de não terem acertado na baliza, criaram perigo, mas fomos nós a marcar, completamente contra a corrente do jogo, aos 27’, numa óptima abertura do Ríos para o Dedic centrar e o Sudakov à segunda atirar lá para dentro. O golo caiu-nos do céu, mas a tendência do jogo virou nesta altura. Começámos a pressionar melhor a lagartada, que deixou de manobrar tão à-vontade no nosso meio-campo, embora não tivemos criado grandes oportunidades. O Pavlidis atrapalhou o Dedic que estava em boa posição para alvejar a baliza contrária e, do outro lado do campo, foi o Otamendi a fazer um corte fabuloso ao Suárez, quando este se aprestava para rematar.

A 2ª parte foi totalmente nossa. Só no reatamento é que houve um centro do Catamo que criou algum frisson, mas ninguém tocou na bola e a partir daí dominámos completamente a lagartada, mas, lá está, sem conseguirmos criar muitas situações de perigo. Um remate rasteiro do Sudakov ou outro à meia-volta do Aursnes foram defendidos pelo Rui Silva, um livre para a área em que o Suárez tirou o pão da boca do Leandro Barreiro, depois de uma assistência de cabeça do António Silva, e um remate do Ríos ao lado foi tudo o que conseguimos. Destes lances todos, só o do Ríos é que deu a sensação de golo, especialmente a quem, como eu, estava do lado contrário do campo. O Mourinho mexeu pela primeira vez só aos 81’, mas tirou o Sudakov para colocar o Prestianni, quando se esperava que arriscasse um pouco mais. E, quando resolveu colocar o Ivanovic, também tirou o Pavlidis pouco depois. O nosso eventual assalto final às redes lagartas foi por água abaixo com a expulsão do Prestianni, que cortou um contra-ataque perigoso contrário de uma forma mais impetuosa. Se fosse ao contrário, se calhar o Sr. António Nobre ter-se-ia ficado pelo amarelo, mas enfim... Não percebi a opção nos minutos finais de, quando a bola estava no Trubin, não tentar um pontapé para a frente para tentar aproveitar o Ivanovic, que tem esse perfil de atarcar a bola em profundidade... Dir-se-ia que estávamos satisfeitos com o empate, porque não acelerámos nem um pouquinho...

Em termos individuais, o Ríos foi de longe o melhor e até que enfim que começa a justificar a fortuna que pagámos por ele. Com o excesso de jogadores de tendências defensivas, os desequilíbrios são causados pelo Dedic, que também esteve em relativo destaque. O Sudakov fez uma péssima 1ª parte, mas estava a subir na 2ª, quando foi substituído. O Aursnes continua na sua pior fase desde que chegou ao Benfica e o Barrenechea ainda me está para provar que é um upgrade em relação ao Florentino... Desta vez foi dele o erro, mas o nosso histórico até agora é oitavo ponto perdido em casa, oitavo ponto perdido graças a clamorosos erros defensivos...

Enfim, com o sorteio da Taça de Portugal a colocar-nos em Mordor se eliminarmos o Farense e passarmos aos quartos-de-final, com a Champions muitíssimo complicada e o campeonato perdido sem termos chegado ao Natal, não será a Taça da Liga (se acontecer) que irá salvar uma temporada que se perspectiva tenebrosa. Depois de tanto dinheiro gasto do Verão, continuamos com evidentes lacunas no plantel, que, aliás, é bem mais fraco do que na temporada passada. Há coisas muito difíceis de entender, mas a maioria dos benfiquistas votou pela continuidade desta modorra muito recentemente...

sexta-feira, dezembro 05, 2025

A ferros

Há quase uma semana, no passado sábado, vencemos o Nacional na Choupana por 2-1. Tendo sido esta uma semana de loucos em termos de trabalho, só hoje consegui postar sobre este jogo, mas não queria deixar de o fazer. Dado que aos 88’ estávamos a perder por 0-1, dá bem para perceber as dificuldades que tivemos para vencer.
 
O Rodrigo Rêgo mereceu a titularidade com o impedimento do Richard Ríos por amarelos. Fartámo-nos de dominar, tivemos diversas ocasiões, mas nunca atinámos com a baliza contrária. Remates do Leandro Barreiro e do Sudakov permitiram defesas ao guarda-redes Kaique, assim como uma cabeçada do Pavlidis a centro do Rêgo, talvez a melhor oportunidade que tivemos, tendo o avançado grego visto ainda um golo anulado por claro fora-de-jogo. Do lado contrário, o Trubin foi um mero espectador.
 
Na 2ª parte, o Nacional percebeu que existia uma baliza do lado contrário e o Ramírez obrigou o Trubin a uma boa defesa para canto num remate de longe. Todavia, à passagem da hora de jogo, o Leandro Barreiro teve um dos falhanços do campeonato, ao trocar os pés na altura de encostar para a baliza deserta, depois de um centro da esquerda... Inacreditável! Pouco depois, aos 60’ aconteceu um balde de água fria, com o 0-1 do Nacional depois de um falhanço clamoroso do Otamendi, que falhou um passe e colocou a bola num adversário, apanhando-nos em contrapé e proporcionando ao Ramírez a inauguração do marcador. A partir do golo sofrido, fomos para cima deles e o Pavlidis voltou a pôr à prova o guarda-redes com um remate de pé esquerdo, tendo o Aursnes atirado rasteiro ao lado pouco depois. A 15’ do fim, o António Silva teve uma soberana chance para marcar, antecipando-se ao guarda-redes num centro do Sudakov, mas cabeceando por cima. E tiveram de ser dois suplentes a dar a volta ao jogo a nosso favor. Aos 88’, o Prestianni, desmarcado pelo Dedic na direita, conduziu a bola e fuzilou o guarda-redes, num remate ao ângulo já dentro da área. Com as perdas de tempo nojentas do Nacional, principalmente desde que se viu em vantagem, o árbitro deu nove minutos de compensação e foi aos 95’ que fizemos o 2-1, numa óptima jogada do Schjelderup pela esquerda, tabela com o Otamendi e assistência para um desvio do Pavlidis na pequena-área para dentro da baliza. Foi o delírio completo e uma vitória muito merecida. Apesar do golo e dos festejos, o Sr. Iancu Vasilica não estendeu o jogo para lá dos nove minutos. Acho muito bem que não se premeie o antijogo de uma equipa, dando-lhe minutos adicionais quando se vê em desvantagem!
 
Em termos individuais, destaque para os dois substitutos (Prestianni e Schjelderup), que foram essenciais para a vitória. Convinha o Mourinho perceber que, frente a equipas que se fecham imenso, o Leandro Barreiro como segundo avançado pura e simplesmente não resulta. Foi principalmente a partir das substituições que começámos a amassar o Nacional. Outro problema actual que temos é a evidente fora de forma do Aursnes, que já vem de há uns jogos para cá. E o Barrenechea que ainda me está para provar que foi um upgrade em relação ao Florentino...
 
Tivemos uma semana para preparar o derby frente aos lagartos, em que qualquer resultado que não uma vitória nos afastará na prática do título.

sexta-feira, novembro 28, 2025

À tona

Vencemos na 3ª feira o Ajax em Amesterdão (2-0) e conseguimos a primeira vitória nesta fase de Liga da Champions. Ao quinto jogo, caso não ganhássemos íamos imediatamente de vela, pelo que, mesmo sem grandes rasgos, o importante foi sairmos dos Países Baixos com três pontos. Claro está que estávamos a defrontar a única equipa que, tal como nós, também só tinha averbado derrotas e, portanto, temos de pôr as coisas em perspectiva.

Sem o Lukebakio até Fevereiro, o Aursnes voltou ao lado direto do ataque, com o resto a ser a equipa-tipo Champions, o que quer dizer com a titularidade do Leandro Barreiro. Na defesa, o António Silva parece ter passado à frente do Tomás Araújo, por enquanto. A partida não poderia ter melhor início para nós, dado que inaugurámos o marcador logo aos 6’, numa bomba do Dahl na sequência de um canto, em que o guarda-redes defendeu uma cabeçada do Ríos, tendo a bola depois sobrado para o sueco que fuzilou desviado para a esquerda, mas já dentro da área. O Pavlidis ainda teve um remate em boa posição, que saiu ao lado, mas praticamente deixámos de jogar no resto da 1ª parte. Não fazíamos as coisas com rapidez suficiente para causar calafrios ao Ajax, mas também não os deixávamos criar perigo, com excepção a uma defesa do Trubin num remate do Klaassen na direita quase à queima.

Na 2ª parte, a toada do jogo não mudou muito, embora o Ajax tenha entrado mais forte e tenha tido uma soberana ocasião outra vez pelo Klaassen, que surgiu isolado perante o Trubin, depois de uma boa combinação atacante com a nossa equipa a ficar a dormir, mas felizmente atirou escandalosamente ao lado. Depois disso, praticamente não conseguiu entrar na nossa área e nós só nos últimos 15’ é que nos lembrámos que havia uma baliza do lado contrário. Um remate do Dedic saiu ao lado, porém em cima dos 90’ selámos de vez a vitória com um grande golo do Leandro Barreiro, que dominou de peito uma bola no meio-campo, fez uma tabelinha com o Aursnes, isolou-se e fuzilou de pé esquerdo. Até final, ainda deu para o regresso do Manu depois de (longa) lesão e para a estreia do Rodrigo Rêgo na Champions.

Em termos individuais, gostei do jogo do Ríos e do Leandro Barreiro. O Sudakov, por vezes, desaparece do jogo, mas, quando surge, coloca bolas na frente como poucos. O António Silva esteve bem na defesa, aliás, como os restantes companheiros, só falhando naquele lance no início da 2ª parte. O Dahl marcou um golão, mas sentiu algumas dificuldades na 1ª parte perante o extremo-direito, tendo subido de produção na 2ª. O Trubin resolveu bem quando foi chamado a intervir.

Continuamos com uma tarefa muito difícil na Liga dos Campeões, mas pelo menos não ficámos já de fora e ainda mantemos a esperança no apuramento para o play-off. E já não sairemos da Europa com zero pontos...!

sábado, novembro 22, 2025

Muito sofrível

Eliminámos ontem o Atlético (2-0) para a 4ª eliminatória da Taça de Portugal em jogo que decorreu no Estádio do Restelo. Tenho sempre pena que estas equipas de escalões secundários não possam receber os grandes em sua casa nos jogos da Taça, mas estamos subjugados pela ditadura das televisões.

O Mourinho inovou ao apresentar uma táctica de três centrais, mas a 1ª parte foi do pior que se viu esta temporada. Só se salvou (e, aliás, durou o jogo) a estreia absoluta do Rodrigo Rego, primeiro na lateral-esquerda e, na 2ª parte, como extremo-direito. O miúdo tem toque de bola, tem dinâmica e tem desfaçatez, visível pelas vezes em que não se coibiu de rematar à baliza. O resto foi uma desgraça, com muito gente a desperdiçar a oportunidade, razão pela qual o Mourinho fez quatro(!) substituições ao intervalo (para memória futura, saíram o Ivanović, João Rego, Barrenechea e Tomás Araújo) e disse na flash que, se pudesse, teria feito nove!

Na 2ª parte, o Atlético já não conseguiu chegar tantas vezes à nossa baliza, mas o nosso golo só apareceu aos 73’ na estreia do Ríos (entrado ao intervalo) a marcar com o manto sagrado, num cabeceamento num canto. Quatro minutos depois, o Leandro Barreiro (também entrado ao intervalo) foi derrubado na área e o Pavlidis concretizou o penalty (embora o remate tenha saído quase à figura, com o guarda-redes a não defender por pouco...). O resultado estava feito e só não se avolumou, porque o Otamendi falhou um penalty já nos descontos (o Pavlidis tinha entretanto saído), com uma boa defesa do guarda-redes Rodrigo Dias.

Em termos individuais, só vou destacar mesmo o Rodrigo Rego. Tenho curiosidade para perceber se isto foi só um one shot, tipo o Pepa aqui há uns (largos) anos, ou se terá alguma continuidade. Pelo menos aquele lugar (extremo-direito) vai estar vago nos próximos tempos por causa da lesão do Lukebakio. Fizemos a nossa obrigação, que era passar à eliminatória seguinte, mas sem nenhum brilhantismo e com uma 1ª parte que deveria ser objeto de reflexão por parte de todo o plantel...

Iremos a Amesterdão na próxima 3ª feira jogar a nossa continuidade na Champions frente ao Ajax. Se não ganharmos, podemos esquecê-la e esta época será relembrada no futuro como uma das piores de sempre nas competições europeias.

sexta-feira, novembro 21, 2025

Irlanda e Arménia

As ligas nacionais pararam no passado fim-de-semana por causa da última jornada de qualificação para o Mundial de 2026. Tal como era esperado, Portugal qualificou-se embora tenha precisado do terceiro match-point para o conseguir, dado que perdemos na Irlanda por 2-0 e a qualificação só tenha surgido na goleada (9-1) frente à Arménia.

O jogo frente aos irlandeses foi parecido com o que houve em casa, com eles a defenderem muito bem, muito agressivos e nós a termos grandes dificuldades em entrar na muralha contrária. Só não foi igual, porque eles foram muito mais perigosos quando contra-atacavam, tendo atirado uma bola ao poste antes de nos marcarem dois golos ainda na 1ª parte, ambos pelo Troy Parrott (17’ e 45’). A perder por dois ao intervalo, o Roberto Martínez não se lembrou de mais nada do que... substituir dois defesas...! Na 2ª parte, as esperanças de mudarmos o resultado foram arruinadas aos 59’, quando o Cristiano Ronaldo deu um murro nas costas de um defesa e foi naturalmente expulso. A primeira vez que aconteceu ao serviço da selecção, mas ao menos teve o mérito de não jogar o jogo seguinte, até porque o Gonçalo Ramos, que só entrou a 12’(!) do fim, fez mais remates nesse tempo do que o Cristiano Ronaldo no outro todo.

Frente à Arménia, em casa, era só o que mais faltava se não ganhássemos. Nem mereceríamos ir ao Mundial nesse caso. Inaugurámos o marcador logo aos 7’ num cabeceamento do Renato Veiga na sequência de uma bola parada, mas deixámo-nos empatar aos 18’, quando fomos apanhados em contrapé num contra-ataque. No entanto, chegámos ao intervalo com a qualificação resolvida (5-1) mercê de um bis do João Neves (30’ e 41’) e de golos do Gonçalo Ramos (28’) e Bruno Fernandes (nos descontos, de penalty). A 2ª parte foi apenas um proforma, com mais quatro golos, tendo o João Neves (81’) e o Bruno Fernandes (52’ e noutro penalty aos 72’) chegado ambos ao hat-trick. O último golo foi apontado pelo Francisco Conceição já nos descontos (92’).

Que esta qualificação seja olhada de maneira honesta para que não tenhamos ilusões: dos seis jogos, só frente à Arménia é que passeámos. Nos outros quatro, ganhámos dois nos minutos finais (Hungria fora e Irlanda em casa), empatámos outro (Hungria em casa, com o golo sofrido também nos minutos finais) e perdemos um (Irlanda fora). É uma performance muito fraca, perante adversários bastante secundários, para quem almeja ser campeão do mundo. A selecção padece de vários problemas (vacas sagradas que raramente são substituídas, tudo andar à volta de um jovem de 40 anos e opções tácticas e de escolha de jogadores muito discutíveis) e não se está a ver o Roberto Martínez com capacidade de os resolver (antes pelo contrário...). Mas pode ser que tenhamos uma surpresa (e alguma sorte) como na Liga das Nações.

sexta-feira, novembro 14, 2025

Erros indesculpáveis

Empatámos em casa (2-2) frente ao Casa Pia no passado domingo e deixámos fugir o CRAC (1-0 em Famalicão) e a lagartada (2-1 nos Açores frente ao Santa Clara) na classificação, estando agora a seis pontos do primeiro e a três do segundo. Isto seria sempre um péssimo resultado, mas mais ainda se tornou, porque aos 60’ estava 2-0...

O Mourinho voltou a dar a titularidade ao Dedic, com o Aursnes a ir para o lado esquerdo do tridente ofensivo. (O norueguês é defesa-direito num jogo, extremo-esquerdo no outro, enfim...) Um remate do Barrenechea desviou num defesa e bateu no poste nos minutos iniciais, mas não demorou muito até inaugurarmos o marcador, aos 18’, num óptimo trabalho do Pavlidis (dominou de peito e tocou de cabeça) a assistir o Sudakov para um remate em volley. Uma má saída de bola do Aursnes colocou um adversário em boa posição, mas o remate saiu fraco e o Trubin não teve dificuldades em defender. Um bom passe do Tomás Araújo isolou o Lukebakio, mas pela enésima vez o belga, só com o guarda-redes pela frente, não o conseguiu desfeitear... Chegávamos ao intervalo em vantagem, mas a jogar um futebol muito curto.

Para a 2ª parte, entrou o Prestianni para o lugar do Barrenechea, com o Aursnes a ir para o meio-campo. Não admira que o norueguês passe pela sua fase menos exuberante desde que chegou ao Glorioso, a mudar constantemente de lugar... Melhorámos um bocado, com maior rapidez de processos e logo depois do apito, o Ríos teve um remate de fora da área defendido pelo guarda-redes Patrick Sequeira. Pouco depois, foi o Sudakov a tentar, mas com o mesmo desfecho. À passagem da hora de jogo, num canto, o Ríos cabeceia, mas um defesa toca com a mão na bola, tendo os braços abertos. Penalty que o Pavlidis marcou superiormente, alargando a nossa vantagem para dois golos. Mas a partir dos 65’, tudo mudou... Num remate de fora da área, a bola bate no peito do António Silva e resvala para o braço. Dizem as regras que isto não é penalty, mas o Sr. Gustavo Correia e, principalmente, o VAR João Bento consideraram que sim. O Trubin ainda defendeu o remate, mas o Tomás Araújo, de forma inacreditável, rematou para a nossa baliza, quando pretendia aliviar a bola...! Um lance caricato e incompreensível. O Mourinho lançou o Leandro Barreiro e este meteu a bola na baliza a 10 minutos do final na sequência de um canto, mas estava em fora-de-jogo e os nossos festejos foram em vão. Aos 91’, o Ríos perdeu uma bola no meio-campo, provocando um contra-ataque de cinco para três e o Trubin, com o Tomás Araújo ao lado pronto para aliviar a bola, resolveu sair da baliza e tocar nela, tendo esta sobrado para o Renato Nhaga, que nos gelou a todos... Deixávamos fugir dois pontos, que estavam mais do que garantidos.

Em termos individuais, o Pavlidis, com um golo e uma assistência, foi de longe o melhor. Ou o menos mau, vá. O Lukebakio é quem cria os maiores desequilíbrios, mas ainda não tem o timing perfeito para se libertar da bola e, principalmente, quando está frente-a-frente com o guarda-redes deixa muito a desejar... O Ríos até nem estava a fazer um mau jogo, à semelhança de 4ª feira, mas aquele erro não se pode cometer e custou muito caro. O Trubin também tem culpas no segundo golo e o Tomás Araújo não sei bem o que lhe passou pela cabeça.

Seis pontos perdidos em casa com golos nos últimos minutos perante adversários menos conceituados é o maior factor de destaque desta época. É basicamente a diferença para o 1º lugar, que aumentou de forma exponencial graças a isso. É inexplicável esta tremedeira e esta incapacidade de segurar resultados em pleno Estádio da Luz. Há agora a pausa para as selecções, mas o panorama para esta temporada está muito negro...

P.S. – Temos grandes culpas no cartório, mas o que se passou neste fim-de-semana em termos de arbitragem foi vergonhoso. Este penalty contra nós já foi o que foi e, na véspera, um lance evidente de pontapé de baliza foi transformado em canto pelo fiscal-de-linha Ângelo Pinheiro e validado pelo árbitro João Goncalves, e deu o golo à lagartada no último minuto. Diferenças...

domingo, novembro 09, 2025

93 891

Quinze dias depois, voltámos a bater o recorde mundial de votante de um clube desportivo com este impressionante número de 93 891 pessoas. Aparentemente, desta vez é que fica certificado, dado que o Guiness não aceitou o outro por não se ter eleito um presidente na altura. Deixemo-nos de leituras enviesadas sobre isto: uma tão grande participação é motivo para nos deixar orgulhosos enquanto benfiquistas.

Tal como se esperava, perante os resultados da 1ª volta, o Rui Costa foi reeleito presidente com 65,89%  (58 667 votantes) contra 34.11% (33 669 votantes) do João Noronha Lopes. Algo que não deixa de ser absolutamente relevante salientar é o facto de, em números absolutos, o Rui Costa ter tido mais 25 769 sócios a votar nele, enquanto João Noronha Lopes só teve mais 6 560 votantes do que na 1ª volta. É algo que deveria fazer pensar o candidato que eu apoiei em relação ao que fez de mal para não só não conseguido agregar mais sócios para a sua causa, como ter visto o incumbente aumentar tanto a votação da 1ª para a 2ª volta. Os últimos debates correram bastante mal a Noronha Lopes e isso terá sido decisivo para esta diferença.

Espero sinceramente que o Rui Costa, escudado tanto por esta participação eleitoral como pelo seu próprio resultado, faça um trabalho bastante melhor do que até aqui. Se eu nunca votei nele para presidente do Benfica, é dele uma das duas únicas camisolas personalizadas que tenho (a outra é do Nuno Gomes). Que esse jogador que eu admirei profundamente se possa tornar num bom presidente, mesmo perante tão maus indicadores ao longo do tempo (e já foi bastante...), é o milagre que eu espero que aconteça.

O povo benfiquista falou democraticamente e há que aceitar os resultados, mesmo que não concordemos com eles. Não podemos gostar da democracia só quando ela nos permite ganhar. É preciso baixar a conflitualidade e dar as condições a quem ganhou de poder exercer o seu mandato conforme o programa eleitoral que apresentou. No entanto, estaremos sempre cá para elogiar ou criticar quando se justificar.

VIVA O BENFICA!

sábado, novembro 08, 2025

Perdulários

Perdemos novamente na Champions na passada 4ª feira, em casa frente ao Bayer Leverkusen (0-1). Foi a quarta derrota em quatro jogos e a qualificação para a fase seguinte será uma missão (quase) impossível. Num jogo em que tínhamos de ganhar, fizemos tudo para isso, mas falhámos redondamente na altura de rematar à baliza.

O Mourinho reforçou o meio-campo com o Leandro Barreiro e revelámos sempre bastantes cautelas na saída de bola, especialmente na 1ª parte. Mesmo não utilizando a velocidade que por vezes se exigia, tivemos várias ocasiões para inaugurar o marcador, incluindo duas bolas aos ferros do Lukebakio e Otamendi. Para além disso, o Pavilidis falhou um golo em boa posição, permitindo a intercepção de um defesa, quando o guarda-redes Flekken já não estava na baliza e ainda tivemos alguns remates (do Ríos, Lukebakio e Otamendi) que o guardião defendeu e uma cabeçada do Barreiro que saiu ao lado. Ao invés, o Leverkusen teve uma soberana chance com o Poku isolado a atirar ao lado, quando só tinha o Trubin pela frente.

Na 2ª parte, continuámos a carregar e o Pavlidis num ressalto depois de um canto, ficou frente-a-frente com o Flekken, mas resolveu fintá-lo em vez de rematar e o guarda-redes tirou-lhe a bola com o pé! Foi eventualmente a nossa melhor hipótese de marcar. Pouco depois, o mesmo Pavlidis atirou ao lado de pé esquerdo ainda fora da área, mas aos 65’ apanhámos um enorme balde de água fria com o golo do Patrick Schick de cabeça, depois de um péssimo alívio também de cabeça do Dahl, qua se converteu numa assistência para o checo. Sentimos bastante o golo e não tivemos tão boas hipóteses de marcar até final como até então. Mas, à semelhança do primeiro tempo, foram novamente o Otamendi (de cabeça num canto) e o Lukebakio, por duas vezes, a visar a baliza contrária, mas sem sucesso.

Em termos individuais, o Ríos pareceu-me o melhor do Benfica. Já era tempo de começar a justificar o (enorme) investimento na sua contratação. O Dahl também estava a fazer um jogo muito bem conseguido, mas aquele falhanço no golo deitou tudo a perder. O Lukebakio foi o jogar mais desequilibrador do nosso lado, mas por vezes exagera nas acções individuais. O Pavlidis complicou dois lances de golo, em que se exigia mais rapidez de execução. O Sudakov passa por uma fase de menor fulgor, mas, verdade seja dita, é dos poucos que faz passes a rasgar e sentiu-se a sua falta quando saiu.

Faltam quatro jogos para terminar a Fase de Liga da Champions e devemos mesmo ter de os ganhar a todos para passarmos. Com Nápoles, Juventus e Real Madrid no caminho, será como uma subida ao Monte Everest...

quarta-feira, novembro 05, 2025

Convincente (na 2ª parte)

Vencemos no sempre difícil terreno do V. Guimarães (3-0) no passado sábado, mas continua tudo igual na frente, porque a lagartada ganhou 2-0 em casa ao Alverca e o CRAC também triunfou (2-1) na recepção ao Braga.

Quem olhar só para o resultado, pode pensar que foi tudo muito fácil, mas até ao intervalo a partida foi bastante complicada. O V. Guimarães conseguiu manietar-nos na manobra atacante e não criámos assim tantas jogadas de perigo. Um remate do Sudakov à malha lateral foi a nossa melhor situação.

Na 2ª parte, tudo mudou por via das alterações que fez o José Mourinho logo no reinício: saíram o Sudakov e o Prestianni e entraram o Leandro Barreiro e o Schjelderup. A transformação foi da noite para o dia, também porque o resto da equipa subiu muito de produção. O Lukebakio na direita começou a criar situações para os colegas resolverem, mas uma cabeçada do Leandro Barreiro foi defendida pelo guarda-redes Castillo e o Pavlidis falhou incrivelmente a recarga com a baliza escancarada! O Lukebakio num livre directo voltou a obrigar o guardião contrário a aplicar-se, mas aos 54’ lá abrimos finalmente o marcador, com um canto do belga na direita e o Tomás Araújo a desviar de cabeça ao primeiro poste. Pouco depois, o V. Guimarães ficou a jogar com dez, por pontapé alto do Fabio Blanco ao Leandro Barreiro e a partida tornou-se mais fácil. Por volta da hora de jogo, fizemos o 2-0 pelo Dahl, num pontapé forte de pé esquerdo no enfiamento da pequena-área. Foi a estreia do sueco a marcar com o manto sagrado, curiosamente mais ou menos do mesmo ângulo que o Carreras marcou naquele mesmo estádio na temporada passada. O Schjelderup continuava a criar perigo na esquerda para os colegas, mas os remates de cabeça do Leandro Barreiro e de fora da área do Barrenechea foram defendidos pelo Castillo. Aos 87’, fechámos a contagem numa recarga do entretanto entrado João Rego a um outro remate do Barrenechea, depois de nova incursão do Schjelderup pela esquerda, que o guarda-redes não conseguiu segurar.

Em termos individuais, o Schjelderup foi possivelmente o melhor do Benfica pelo modo como agitou o jogo na 2ª parte, bem secundado pelo Leandro Barreiro, que começa a colocar a titularidade do Sudakov em causa. O Ríos terá feito a melhor exibição desde que chegou e destaque igualmente para o Dahl, que parece a subir de forma desde que ficou no banco em Newcastle. Na defesa, o Tomás Araújo e o Otamendi estiveram imperiais.

Termos hoje uma partida decisiva para a Champions, na recepção ao Bayer Leverkusen, em que só uma vitória nos permite realisticamente continuar na luta pelo apuramento. Esperemos que estas três vitórias consecutivas e a esta exibição no segundo tempo sejam inspiradoras para isso.

sexta-feira, outubro 31, 2025

Enfadonho

Vencemos o Tondela por 3-0 na passada 4ª feira e apurámo-nos para a final four da Taça da Liga, onde iremos defrontar o Braga, competição da qual somos detentores do troféu. Apesar de justiça da nossa vitória não estar em causa, foi uma partida tremendamente desinteressante e, se quem estivesse no banco fosse o Bruno Lage, a equipa teria sido alvo de uma enorme (e justa) assobiadela. Mas como o Mourinho ainda está em estado de graça, não se passou nada disto.

Não fizemos tantas alterações como seria de supor e mais de meia equipa foram os habituais titulares. Houve uma constante neste jogo, que foi a nossa tremenda lentidão de processos. Perante um adversário que está no penúltimo lugar do campeonato (e que rodou muito mais a equipa do que nós), raramente tivemos a intensidade que se exigia, o que aliás foi referido pelo Mourinho no final do encontro. Na 1ª parte, um remate do Lukebakio e outro do Ivanović foram ambos bem defendidos pelo Lucas Cañizares. Só chegámos à vantagem aos 40’ num penalty de VAR a castigar mão na bola, que foi concretizado pelo Otamendi, talvez por ter feito o seu 250º jogo com o manto sagrado.

A 2ª parte começou com um golão nosso pelo Sudakov, depois de uma jogada maravilhosa, mas foi invalidado por um fora-de-jogo de 1 cm!!! Repito: um c e n t í m e t r o!!! É absolutamente ridículo, isto! Não acabem com esta fantochada que não é preciso...! Como se esse 1 cm fosse uma vantagem evidente para o atacante...! A decisão sobre este lance demorou bastante tempo e possivelmente voltou a desconcentrar-nos, porque tínhamos voltado do intervalo com algum ritmo e perdemo-lo depois desta decisão. À passagem dos 65’, o Mourinho lançou o Pavlidis e o Prestianni, na tentativa de agitar as águas. E um pouco mais tarde, também entrou o Ríos. Foi, aliás, deste a óptima jogada aos 83’ que resultou no 2-0, marcado pelo Lukebakio, mas 75% do golo é do colombiano. Já no final da compensação, aos 95’, o Pavlidis fechou  a contagem com um desvio à ponta-de-lança depois de um cruzamento do Leandro Barreiro na direita.

Em termos individuais, nem sei bem quem destacar pela a moleza generalizada da equipa. Talvez o Otamendi por ter atingido outra marca redonda e por ter inaugurado o marcador.

Já amanhã teremos a difícil deslocação a Guimarães, com muito pouco tempo de descanso, antes do jogo decisivo na Champions frente ao Bayer Leverkusen. Estou bastante preocupado com Guimarães, porque os titulares não tiveram assim tanto descanso na Taça da Liga e os vimaranenses não jogaram a meio da semana. De qualquer forma, não podemos perder mais pontos no campeonato, pelo que é obrigatório ganhar.

quarta-feira, outubro 29, 2025

85 710 votantes!

As eleições para os órgãos sociais do Sport Lisboa e Benfica no passado sábado oram absolutamente históricas! Oitenta e cinco mil setecentos e dez sócios(!) exerceram o seu direito de voto, estilhaçando completamente o recorde mundial de votação num clube desportivo, que pertencia ao Barcelona com 58 000...! Superámo-lo por 47% e mais do que duplicámos o nosso anterior máximo de 40 085 votantes nas últimas eleições.

O Rui Costa foi o grande vencedor da 1ª volta, com 42,13% (32 898 voltantes), contra os 30,26% (27 109 votantes) do Noronha Lopes, que irá disputar a 2ª volta com ele. Muito mais longe, tal como se esperava ficaram o Luís Filipe Vieira, com 13,86% (11 816 votantes), o João Diogo Manteigas, com 11,48% (12 259 votantes), e principalmente o Martim Mayer, com 2,10% (1 480 votantes) e o Cristóvão Carvalho, com 0,18% (148 votantes).

Com uma tão grande participação, esperar-se-ia que houvesse um grande desejo de mudança, mas isso não aconteceu, pelo menos para já. A maioria dos benfiquistas está aparentemente satisfeita com o rumo que o clube tem levado nos últimos anos. É-me difícil entender isso, mas é a democracia a funcionar. Veremos o que nos reserva a 2ª volta no dia 8 de Novembro. O caminho é bastante complicado para o Noronha Lopes, mas uma coisa é certa: quem for o presidente depois de uma eleições destas tem enorme legitimidade e acabaram-se as desculpas para não colocar o Benfica no caminho certo.

terça-feira, outubro 28, 2025

Goleada

Vencemos o Arouca na Luz no passado sábado por 5-0, mas mantém-se tudo igual na frente, porque os outros dois também ganharam. O CRAC no último minuto(!) em Moreira de Cónegos por 2-1 e a lagartada em Tondela por 3-0. Num dia histórico para o clube, por causa das eleições para os órgãos sociais, a equipa deu uma boa prenda e ganhou tranquilamente um jogo sem espinhas.

Com o Tomás Araújo a central e a novidade Prestianni no lado esquerdo do ataque, recuando o Aursnes para a lateral-direita por via da lesão do Dedic, abrimos o marcador logo aos 9’ num penalty do Pavlidis a castigar mão na área vista pelo VAR Luís Ferreira. Aos 21’, o mesmo Pavlidis bisou também de penalty a castigar uma rasteira ao Prestianni na área, que o Sr. Hélder Carvalho mandou seguir numa primeira decisão...! Como é possível não ter visto a infracção estando tão perto do lance...?! Teve de ser outra vez o Sr. Luís Ferreira no VAR a corrigir essa decisão... À passagem da meia-hora, o Arouca teve a sua única oportunidade num péssimo passe do Sudakov, que foi interceptado por um adversário, valendo-nos a falta de pontaria deste só com o Trubin pela frente. Quanto a nós, o Pavlidis, bem isolado pelo Ríos, fez um chapéu alto demais sobre o guarda-redes. No entanto, já na compensação da 1ª parte, num canto do Lukebakio na direita, o Otamendi saltou mais alto do que toda a gente e fechou o jogo com o terceiro golo.

A seguir ao intervalo, não demos descanso ao Arouca fazendo o 4-0 logo aos 50’ num hat-trick do Pavlidis. A partir daqui, começámos a gerir o esforço e o Mourinho foi mexendo na equipa precisamente por isso. O Lukebakio e o Prestianni tiveram remates perigosos, por cima e defendido pelo guarda-redes, respectivamente, e o Schjelderup, que substituiu o argentino, atirou rasteiro ao poste. Já na compensação, o também entrado João Rego foi rasteirado na área e o Ivanović, que tinha substituído o Pavlidis, encarregou-se de fazer o 5-0.

Em termos individuais, óbvio destaque para o Pavlidis pelos três golos, mas o Prestianni encheu o campo! Grande regresso do Mundial Sub-20 por parte do argentino, que espero que tenha conquistado de vez o lugar, porque precisamos de mais alguém para além do Lukebakio para ter magia no meio-campo ofensivo. O Tomás Araújo esteve igualmente bem, em especial a colocar a bola na frente e o Dahl também teve um bom regresso à titularidade.

Iremos defrontar amanhã o Tondela para os quartos-de-final da Taça da Liga, numa partida em que o José Mourinho irá certamente fazer várias alterações, dado que temos a difícil saída a Guimarães no sábado.

sexta-feira, outubro 24, 2025

Eleições do Benfica 2025 – Os meus 50 votos

Em 2020, escrevi aqui as razões pela quais votei em João Noronha Lopes. Dado que elas permanecem perfeitamente válidas, amanhã vou voltar a fazer o mesmo. É por demais evidente que o nosso clube precisa de uma mudança. Tanto de rumo, como de pessoas. Passado muitos anos, o poder inevitavelmente corrompe. Ou, pelo menos, cria muitos vícios. Senão do próprio detentor dele, inevitavelmente das pessoas que o rodeiam. É contra isso que urge combater e principalmente é por isso que eu vou votar pela mudança.

Mas não é uma mudança a qualquer custo. É um mudança que assenta em alguém que conseguiu reunir  em seu redor um núcleo de pessoas que sempre admirei e respeitei. Não acho crível que Nuno Gomes, Bagão Félix, Luís Tadeu ou Suzete Abreu estejam completamente equivocados.

Posto isto, espera-se que seja uma votação que bata o recorde do nosso clube (38 102 votantes).
Estas serão as eleições mais concorridas de sempre com seis candidaturas. Com tanta gente, deverá haver uma 2ª volta. No passado, está bom de ver que nunca votaria (portanto, Rui Costa e Luís Filipe Vieira ficam de fora) e dos restantes candidatos, nenhum deles me parece à altura de João Noronha Lopes: Cristóvão Carvalho assustou-me com aquela proposta de endividamento de 100M€/ano, Martim Mayer pareceu-me com uma boa postura, organizado, mas ainda algo inexperiente e João Diogo Manteigas tem o grave problema de ter um ar muito arrogante e pedante (poder ser a melhor pessoa do mundo, mas é isso que passa cá para fora).

Posto isto, espero que tudo decorra dentro do maior civismo e que seja uma enorme manifestação de benfiquismo!

quinta-feira, outubro 23, 2025

Castigador

Na passada 3ª feira, averbámos a terceira derrota seguida nas três primeiras jornadas da Liga dos Campeões, perdendo clamorosamente em Newcastle por 0-3. Foi um resultado bastante pesado perante a nossa exibição na 1ª parte, mas a parte final da partida matou-nos completamente e fomos passados a ferro pelo poderio físico dos ingleses.

Como Tomás Araújo na lateral-esquerda, ficando o Dahl no banco, não entrámos mal na partida e o Lukebakio teve mais de uma oportunidade para inaugurar o marcador, mas o guarda-redes efectuou uma boa defesa já quase sem ângulo na primeira e o poste salvou o Newcastle na segunda, um remate maravilhosa de fora-da-área. Uma má saída de bola da nossa parte (responsabilidade do Aursnes) aos 32' resultou no primeiro golo dos ingleses através do Gordon. Até ao intervalo, ainda tivemos outra oportunidade pelo inevitável Lukebakio num remate fora da área, com boa defesa do Nick Pope.

Na 2ª parte, deixámos de conseguir acercar-nos com perigo da baliza adversária e o Trubin salientou-se na nossa, impedindo que o resultado fosse aumentando. Mas não existem milagres eternos e o Newcastle fez o 0-2 aos 71', num lance inacreditável que começou num canto a nosso favor! O guarda-redes ficou com a bola e lançou com as mãos o Barnes, que correu meio campo e, apesar da oposição do Tomás Araújo, conseguiu bater o Trubin. A partir daqui, baixámos os braços e só sofremos mais um golo (bis do Barnes aos 83'), porque o Trubin foi o nosso melhor jogador.

Este começo tenebroso na Champions deve fazer-nos reflectir. Assim como devemos refletir no facto de termos gasto tanto dinheiro em reforços e termos o Tomás Araújo na lateral-esquerda, com dois laterais-esquerdos de raiz no banco, o Ivanonic que entrou na 2ª parte para jogar a extremo e o Aursnes a acabar a lateral-direito com a lesão do Dedic. Por outro lado, no ano passado tínhamos excesso de extremos e este ano temos... um: o Lukebakio, porque pelos vistos o Schjelderup conta pouco e não há mais nenhum...

No sábado iremos receber o Arouca em dia de eleições. Prevê-se um dia bastante agitado na Luz.

terça-feira, outubro 21, 2025

Pavlidis a dobrar

Estamos a minutos de entrar em campo com o Newcastle para a Champions, mas questões de trabalho impediram-me de postar mais cedo a vitória em Chaves (2-0) para a Taça de Portugal na passada 6ª feira. Depois da pausa das selecções, o Mourinho não cometeu o erro do Lage no ano passado, quando jogou contra o Pevidém com os suplentes e depois os titulares espalharam-se à grande frente ao Feyenoord, por falta de ritmo. Só o Samuel Soares e o João Rego foram novidades, juntamente com o Tomás Araújo no lugar do Otamendi, de resto alinharam os habituais titulares.

Um bis do Pavlidis (8' e 79') decidiu um jogo difícil a nosso favor, mas as coisas não foram fáceis, tal como se previa. O Chaves está na II Liga e, apesar de ser alinhado sem alguns titulares, ainda colocou a baliza do Samuel Soares em perigo, muito por culpa dele, que deixou escapar pelas mãos duas bolas inacreditáveis... O golo cedo tranquilizou-nos (que golão do Pavlidis, a propósito!), mas o resto da 1ª parte foi um marasmo quase total, excepção feita a uma oportunidade soberana do Lukebakio isolado, bem defendida pelo guarda-redes sérvio Gudžulić.

Na 2ª parte, veio o Schjelderup no lugar do apagado João Rego e melhorámos um bocado. O Barrenechea teve duas oportunidades, com o pé e cabeça, mas o guarda-redes voltou a mostrar-se à altura. Antes de entrarmos nos minutos finais, que seriam certamente mais tensos, o Pavlidis resolveu a questão com um remate rasteiro sem hipóteses.

Em termos individuais, destaque total para o ponta-de-lança grego. Iremos defrontar o Atlético na próxima eliminatória na reedição de um derby que tem história no futebol português.

sábado, outubro 18, 2025

Irlanda e Hungria

As provas nacionais pararam na semana passada para mais uma jornada de qualificação para o Mundial 2022. A selecção nacional jogava dois jogos em casa que, em caso de dupla vitória, lhe garantiriam a qualificação ao fim de apenas quatro jornadas.

No passado sábado, defrontámos a Irlanda e houve uma desinspiração generalizada de quase toda a equipa. Os irlandeses fecharam-se muito e bem e só conseguimos marcar no tempo de compensação (91’) pelo Ruben Neves, numa boa cabeçada depois de um centro do Trincão. A 15’ do fim tivemos uma soberana oportunidade, mas o Cristiano Ronaldo permitiu a defesa do guarda-redes num penalty marcado para o meio da baliza. Para (não) variar, o Roberto Martínez demorou bastante a lançar um segundo ponta-de-lança em campo, só o fazendo aos 86’ (já se sabe que o Cristiano Ronaldo tem lugar cativo...) e a presença de mais um jogador na área atrapalhou as marcações contrárias, permitindo o cabeceamento vitorioso do Rúben Neves.

Na passada 3ª feira, recebemos a Hungria e empatámos 2-2. Começámos mal, a sofrer o 0-1 logo aos 9’, mas demos a volta ainda na 1ª parte com dois golos do Cristiano Ronaldo (22’ e 48’) a corresponder bem a centros do Nélson Semedo e Nuno Mendes, respetivamente. Chegámos ao intervalo em vantagem, o que era bastante importante, e esperava-se que na 2ª parte fechássemos o jogo e a qualificação. Atirámos duas bolas aos postes (Rúben Dias e Bruno Fernandes), o João Félix teve um cabeceamento brilhantemente defendido pelo guarda-redes, mas sofremos um balde de água fria aos 91’, com o golo do empate do Szoboszlai. Defendemos muito mal nos minutos finais e, sinceramente, não percebo a insistência no Renato Veiga como central titular...

Daqui a cerca de um mês teremos os dois últimos jogos (ida à Irlanda e recepção à Arménia), onde bastará um ponto para nos qualificarmos. É impensável que isso não suceda, mas com os jogadores que temos continuamos a produzir muito pouco futebol...

quarta-feira, outubro 08, 2025

Trancado

Empatámos 0-0 em Mordor no passado domingo, e mantivemo-nos a quatro pontos deles, não perdendo igualmente pontos para a lagartada (continuamos a de distância), que empatou 1-1 em casa contra o Braga. Perante uma equipa que tinha ganho todos os nove jogos oficiais até agora e que comanda o campeonato, e dado que o nosso histórico dos últimos tempos, tanto em termos de resultados, como principalmente exibicional não era nada famoso, não se pode dizer que foi um mau resultado.

Confesso que, antes do jogo, tinha um certo receio de que acontecesse um descalabro (que nos deixaria a uns imensos sete pontos numa fase tão precoce da temporada), mas nada disso se passou. Até pode ser que o Mourinho já tenha perdido grande parte da aura que já teve (caso contrário, não estaria a treinar em Portugal neste momento), mas não há dúvidas que monta muito bem as suas equipas em termos tácticos, especialmente nestes jogos mais complicados. Conseguimos manietar completamente o CRAC, que teve muito poucas oportunidades de golo. A parte pior foi que também não chegámos muitas vezes à baliza contrária. Com o Aursnes sob a esquerda e apenas o Pavlidis e Lukebakio como homens atacantes, um livre frontal do Sudakov foi tudo o que fizemos na 1ª parte, enquanto do outro lado um calcanhar do Gabri Veiga e, principalmente, um remate do Pepê por cima em excelente posição, depois de um mau alívio do Otamendi, foi o que nos assustou mais.

Na 2ª parte, apesar das substituições que os treinadores foram fazendo (mais o CRAC do que nós), o jogo continuou muito bloqueado e com pouco espaço para a fantasia. No entanto, houve duas bolas na barra para cada um dos lados, com a nossa a ser quase um autogolo do Kiwior num mau alívio e a deles, em cima dos 90’, do Rodrigo Mora, depois de uma perda de bola perigosa do Barrenechea no meio-campo. Porém, não sei se o jogador do CRAC não estaria ligeiramente em fora-de-jogo. O Mourinho veio dizer no final que, por causa do surto viral que sofremos, o Ivanović não estava em condições de ir a jogo e, de facto, sentiu-se déficit no nosso banco em termos atacantes, quando se justificou arriscarmos um pouco mais.

Em termos individuais, o Sudakov mostrou que é um jogador com classe e é bom que apareça nestes jogos, o Lukebakio, enquanto teve pernas, especialmente na 1ª parte, foi por onde tivemos mais esperança de criar perigo na área contrária, o Pavlidis deu bastante luta aos defesas contrários, e a dupla sul-americana de meio-campo (Barrenechea e Ríos) não esteve mal. Na defesa, o António Silva subiu de produção em relação ao que tinha vindo a fazer, e o Dahl não foi o elo mais fraco, apesar de se ter a ver com o Pepê primeiro e o William Gomes depois.

O campeonato vai agora parar por causa da qualificação para o Mundial de futebol, mas quando voltarmos teremos uma deslocação difícil a Chaves para a Taça e depois Champions. O problema é que, como os jogadores estão todos fora nas selecções, continuamos sem poder treinar decentemente.

sábado, outubro 04, 2025

Inglório

Perdemos em Londres frente ao Chelsea na passada 3ª feira na 2ª jornada da Liga dos Campeões. A defrontar os campeões do mundo e depois das últimas exibições tão lamentáveis da nossa parte, esperava o pior, mas a equipa deu uma resposta muito satisfatória. Perdemos na sequência de um autogolo do Richard Ríos, mas o resultado mais justo até era um empate.

As primeiras oportunidades foram inclusivamente nossas com o Lukebakio a atirar ao poste e o Ríos a permitir a defesa do guarda-redes Sánchez num remate de pé esquerdo numa boa combinação colectiva. Isto apesar de a posse de bola ser maioritariamente dos londrinos. Aos 18’, enorme azar da nossa parte, com o Ríos a fazer um autogolo depois de um centro para a área do Garnacho, que tinha sido desmarcado pelo Pedro Neto do outro lado do campo. Até ao intervalo, o Trubin ainda safou um golo com uma defesa perante o remate do George.

Na 2ª parte, o Aursnes apareceu isolado duas vezes frente ao Sánchez, mas não conseguiu meter a bola na baliza em ambas, embora os lances fossem posteriormente invalidados por fora-de-jogo. O Trubin voltou a mostrar-se com uma defesa a dois tempos numa cabeçada do Estevão e o entretanto entrado Ivanović atirou de pé esquerdo ao lado, quando poderia ter feito melhor. Mas a partida esteve sempre muito equilibrada e demos a sensação de que poderíamos marcar a qualquer momento, o que infelizmente não se veio a concretizar.

Em termos individuais, o Lukebakio foi o mais perigoso enquanto teve gás, o Pavlidis voltou a dar muita luta e a aparecer bastante em jogo, e o Trubin impediu o dilatar da vantagem. Mas a equipa esteve globalmente bem, talvez só com o Sudakov a fazer o jogo mais fraco desde que se estreou com o manto sagrado.

Amanhã voltamos a ter campeonato com a muito importante ida a Mordor. Estamos com quatro pontos de desvantagem, eles estão a jogar muito bem, mas não podemos perder de maneira nenhuma, sob pena de se criar já um fosso considerável com apenas oito jornadas decorridas.

sábado, setembro 27, 2025

Lisonjeiro (e muito!)

Voltámos ontem às vitórias na Luz perante o Gil Vicente (2-1), numa partida em que fomos claramente inferiores ao adversário. Sorte e Trubin ajudaram a que conseguíssemos manter a vantagem conquistada ainda na 1ª parte, depois de uma reviravolta no marcador. Mesmo com a condicionante física, a exibição deixou imenso a desejar...

Depois da má imagem deixada perante o Rio Ave, o José Mourinho resolveu (e bem) jogar com extremos, dando a titularidade ao Lukebakio e ao Schejlderup, com o Aursnes a ocupar o lugar do castigado Barrenechea. Mas não podíamos ter começado pior, com o Trubin a fazer uma magnífica defesa pouco depois dos 20 segundos! O Gil Vicente controlava o jogo e foi sem surpresa que chegou à vantagem aos 11’ num livre directo do Luís Esteves (num lance que foi precedido de falta sobre o António Silva que o árbitro, Sr. João Gonçalves, não assinalou). Tivemos uma boa resposta e foi mesmo o nosso melhor momento no jogo o período até à meia-hora, em que conseguimos dar a volta ao resultado. Um centro na esquerda do Schejlderup ressaltou na defesa do Gil e o Pavlidis super-rápido, à ponta-de-lança, aproveitou a fazer a igualdade com um remate por baixo das pernas do Andrew. Estávamos no minuto 18 e oito minutos depois, aos 26’, colocámo-nos na frente na sequência de um indiscutível penalty sobre o Lukebakio, que se desmarcou muito bem e dominou ainda melhor uma bola longa do Otamendi, até ser derrubado já na área. No penalty, o Pavlidis não deu hipótese ao guarda-redes. Em cima do intervalo, o Lukebakio teve uma soberana oportunidade de nos dar tranquilidade, mas o remate de pé direito saiu ao lado da baliza.

Com o terceiro jogo em apenas seis dias, já se esperava que a 2ª parte fosse difícil. Mas faltou concentração competitiva no primeiro quarto-de-hora, onde o Gil só não deu a volta ao marcador por manifesta infelicidade. Duas bolas aos postes, um golo anulado por seis centímetros(!) e o Trubin a efectuar mais uma defesa complicada foram o purgatório que tivemos de atravessar sem que tivemos energia e engenho para criar perigo na baliza contrária. Só com a entrada do Leandro Barreiro a 20’ do fim é que conseguimos estancar os ataques adversários, que até então entravam no nosso meio-campo completamente à vontade. Quando o árbitro apitou para o final, foi uma enorme sensação de alívio.

Em termos individuais, óbvio destaque para o Pavlidis com um bis e para a confirmação que esta temporada ou é o Lukebakio a sacar coelhos da cartola ou estamos bem arranjados. O belga é um óptimo desequilibrador, mas parece caso único no plantel, dado que o Schejlderup baixou de rendimento a partir do momento em que deixou de ter a concorrência do Aktürkoğlu, o que é no mínimo estranho... O Trubin também foi fundamental para a nossa vitória. Do lado menos, o Dahl revela a cada jogo que passa que era bastante melhor como substituo do que como titular indiscutível e o Ríos, lamento muito, continua a não me convencer. Especialmente pelo preço que custou, esperava muito mais.

A Champions regressará na 3ª feira, com a deslocação a Londres para defrontar o Chelsea. Com a inesperada derrota em casa frente ao Qarabağ, temos de ir buscar esses pontos a algum lado...

quinta-feira, setembro 25, 2025

Desilusão

Empatámos com o Rio Ave na Luz (1-1) na passada 3ª feira, no acerto da 1ª jornada que tinha adiada por causa da pré-eliminatória da Champions frente ao Nice e já estamos com quatro pontos de atraso para o CRAC e um em relação à lagartada em apenas seis jornadas...
 
O Mourinho manteve a mesma equipa que defrontou o AVS, mas isso foi um erro por uma razão muito simples: jogámos sem nenhum extremo de raiz, o que fez com que afunilássemos muito o jogo e nunca tivéssemos a rapidez exigida para desequilibrar a muralha defensiva dos vila-condenses. A 1ª parte foi, por isso, uma pasmaceira completa, praticamente sem nenhum lance digno de registo.
 
Na 2ª parte, viemos com outra disposição, com uma cabeçada perigosa do Pavlidis, depois de cruzamento do António Silva(!), mas só melhorámos verdadeiramente depois das entradas de extremos: Lukebakio (principalmente) e Schjelderup (bastante menos). O belga passou a ser o maior, ou melhor, o único desequilibrador da equipa e as jogadas de perigo vieram todas do seu lado. Uns minutos antes destas entradas, já tínhamos metido a bola na baliza aos 61’, mas o VAR chamou o Sr. Sérgio Guelho, que anulou o golo por pisão do Otamendi na jogada. A acção do nosso jogador não só é inadvertida, como o adversário é pisado na ponta da bota, pelo que poderia perfeitamente não ter feito aquela fita toda. Enfim, futebol moderno... O Lukebakio começou a abrir o livro e conseguiu aparecer isolado frente ao guarda-redes, depois de um bom domínio de bola num lançamento em profundidade, mas o chapéu não saiu muito alto e o Miszta conseguiu defender. A cerca de 15’ do final, o belga fez um óptimo cruzamento da direita, mas o Richard Ríos falhou escandalosamente o desvio quase em cima da linha de golo...! Aos 86’, finalmente a explosão de alegria no estádio com o golo do Sudakov, depois de outra jogada brilhante do Lukebakio na direita. No entanto, no primeiro minuto de compensação veio o balde de água gélida, num contra-ataque dos vila-condenses com o André Luiz a conduzir a jogada toda na direita e a fazer um golão num remate em arco. Provavelmente, não chegaria à bola, mas não gosto nada de ver um guarda-redes a não se fazer aos lances e já não é a primeira vez que o Trubin come golos de pé... Só conseguimos chegar perto da baliza adversária mais uma vez, com um cabeceamento do Pavlidis, que perdeu força, porque também bateu num defesa.
 
Em termos individuais, gostei do Sudakov e do Lukebakio, que parece ser o desequilibrador que nós precisamos (é pena é ser caso único...). Do lado dos menos bons, o Ríos ainda não me convenceu nadinha (em especial, se levarmos em consideração o preço que custou) e o Aursnes estará a atravessar a sua fase menos brilhante com o manto sagrado. O Dahl na lateral-esquerda está a demonstrar que era muito melhor substituto do Carreras do que titular indiscutível...
 
Iremos defrontar amanhã o Gil Vicente e espera-se que tratemos de acabar com esta malapata de três jogos seguidos sem vencer na Luz. Para isso ajudará certamente alinhar com jogadores certos nas respectivas posições, como, por exemplo, extremos... E jogar com outra rapidez, já agora.

terça-feira, setembro 23, 2025

Retoma

Derrotámos o AVS na Vila das Aves no passado sábado por 3-0 no regresso do José Mourinho ao banco do Benfica 25 anos depois. Somente com dois treinos, não era possível (nem desejável) uma grande revolução na equipa, mas conseguimos o mais importante, que era ganhar o jogo. E com alguma tranquilidade, que nunca existiu nos jogos fora para o campeonato até agora.

Um grande volume de trabalho tem-me impedido de postar mais perto do final dos jogos, mas vou tentar manter este blog minimamente actualizado apesar do tempo que entretanto passa. Na 1ª parte do jogo, o AVS foi-se fechando mais ou menos bem, embora nós tenhamos revelado mais atitude nas bolas divididas e o Ivanović poderia ter inaugurado o marcador logo nos minutos iniciais, mas rematou ao lado quando só tinha o guarda-redes pela frente. Essa foi, aliás, a única alteração do Mourinho: colocar o ponta-de-lança croata no lugar do Schjelderup. O AVS só teve uma verdadeira ocasião do golo, num remate ao poste do Tomané. Em relação ao nosso posicionamento no relvado, o Sudakov descaiu mais para a esquerda no meio-campo e foi ele a abrir o marcador já nos descontos da 1ª parte (49’), depois de um ressalto na sequência de uma jogada na área do Pavlidis. O ucraniano reagiu muito bem ao seu próprio remate e marcou na recarga.

Por via deste golo, a 2ª parte foi muito mais relaxada da nossa parte, mas não deixámos de tentar sempre alargar a vantagem. E essa foi a maior diferença que se viu em relação aos jogos anteriores fora de casa (E. Amadora e Alverca, nomeadamente). Nesses, o facto de ficarmos na frente do marcador não fez com que a equipa jogasse melhor. Aos 56' aumentámos para 2-0 num penalty muitíssimo bem marcado pelo Pavlidis, a castigar cotovelada (de raspão) na cara do Otamendi na sequência de um livre. E o resultado final foi estabelecido aos 64’ pelo Ivanović, depois de boa jogada individual do Pavlidis e também simulação de corpo excelente do croata antes de rematar.

Em termos individuais, o Sudakov deixou-nos de água na boca. Ainda não deve saber o nome de todos os colegas, mas tem muito futebol associativo. E bom remate! O Ivanović falhou um golo muito mais fácil do que aquele que marcou, porém a sua parceria com o Pavlidis, que este envolvido nos nossos três golos, promete trazer-nos felicidade futura. No aspecto defensivo estivemos bem, especialmente na 2ª parte, em que o AVS pouco incomodou.

Iremos receber daqui a pouco o Rio Ave na partida em atraso da 1ª jornada, dando sequência a uma série de três jogos só com três dias entre eles. No entanto, estamos todos curiosos para verificar se esta melhoria exibicional se mantém e se finalmente entramos nos eixos de vez.

quinta-feira, setembro 18, 2025

Fim de linha

Perdemos com o Qarabag (2-3) na Luz na estreia da Champions na passada 3ª feira. É uma das derrotas mais humilhantes de sempre da nossa história na principal competição europeia de clubes. Não é só a derrota em si, mas como ela aconteceu, dado que aos 16' estávamos a ganhar por 2-0...!

 

O Enzo Barrenechea inaugurou o marcador aos 6' de cabeça num canto marcado pelo Sudakov, estreante no onze, e o Pavlidis fez o 2-0 aos 16', aproveitando um ressalto nos defesas de uma bola que lhe tinha sido endossada pelo mesmo Sudakov. Mas quando os azeris reduziram aos 30' pelo Leandro Andrade, a equipa desmoronou-se e nunca mais se encontrou. Só não chegámos ao intervalo empatámos, porque uma bola bateu no poste e o Trubin safou outras duas. Na 2ª parte, houve a reviravolta, com golos do Duran logo aos 48' e, perto do final (86'), o Kashchuk conseguiu rodar sobre si próprio na nossa área(!), perante metade da nossa equipa, e fazer o resultado final.

 

Perante tamanho descalabro, o Rui Costa veio anunciar nessa mesma noite o despedimento do Bruno Lage. Acreditem que DETESTO relembrar isto, mas não era preciso ter grandes dotes adivinhatórios para antecipar o que aí vinha. Durou um ano, mas daqui a um mês há oportunidade do outro para pôr fim a este desnorte. Saibamos nós, sócios do Benfica, aproveitá-la.

terça-feira, setembro 16, 2025

Horroroso

Empatámos em casa com o Santa Clara (1-1) na passada 6ª feira e perdemos desta forma os primeiros pontos no campeonato. O golo do empate surgiu de um erro colossal do Otamendi já na compensação, embora estivéssemos a jogar contra 10 desde os 38’...!

A vontade de escrever sobre esta nossa exibição miserável é muito pouca, como é fácil de calcular. Enquanto esteve 11 para 11, tivemos sempre muitas dificuldades em quebrar a muralha defensiva do Santa Clara (que não fez antijogo, atenção) e as (escassas) oportunidades foram repartidas. Depois da expulsão, dominámos completamente, mas também sem criar muitas situações de finalização. No entanto, já na 2ª parte, aos 59’, fizemos o 1-0 numa recarga do Pavlidis a um cabeceamento do Otamendi defendido pelo guarda-redes na sequência de um livre para a área. Estava feito o mais difícil e, contra 10, não estava no programa de ninguém não ganharmos este jogo. Pura ilusão... Não o conseguimos fechar em tempo útil e, já depois do 90’, veio o tal erro inacreditável do Otamendi: tentou atrasar uma bola de cabeça, quando o poderia ter feito com o pé, falhando clamorosamente e permitindo ao Vinícius Lopes desfeitear o Trubin. Voaram dois pontos de uma forma absolutamente inconcebível. (E não esqueçamos que foi o empate frente ao Arouca em casa que nos fez perder o campeonato da época passada...)

Se é certo que o empate se deve ao lance infeliz do Otamendi, o que não se deve a ele é a exibição absolutamente miserável que fizemos. Não se pode dizer que tivesse sido uma surpresa, dado que já na Amadora e em Alverca prometemos isto, mas não se compreende que o plantel que temos apresente um futebol deste calibre. Iremos daqui a pouco ter a jornada inaugural da Champions, em casa frente ao Qarabag, onde tudo o que não seja uma vitória tornará o ambiente insustentável.

domingo, setembro 14, 2025

Arménia e Hungria

Na semana passada, o campeonato parou para a qualificação para o Mundial 2026 e, em apenas dois jogos, a selecção nacional praticamente garantiu o bilhete. Inserida num grupo com somente quatro equipas, por via da participação na final four da Liga das Nações, e com o Mundial a ter pela primeira vez 48 selecções(!), convenhamos que seria um escândalo se Portugal não se qualificasse.
 
Tendo ambos os jogos fora, no primeiro jogo, frente à Arménia (na 5ª feira anterior) goleámos por 5-0 com um bis do João Félix (10’ e 62’) e outro do Cristiano Ronaldo (21’ e 46’), tendo o João Cancelo (32’) feito o outro golo. Com o primeiro a surgir aos 10’, o jogo desbloqueou-se muito cedo e ao intervalo já ganhávamos por três. A Arménia mal conseguia passar do meio-campo e praticamente não criou perigo.
 
O segundo jogo (nesta 3ª feira que passou) afigurava-se bastante mais complicado, perante supostamente o adversário mais difícil. O Roberto Martínez inventou, colocando só um central de raiz (Rúben Dias), com o outro Rúben (o Neves) a fazer-lhe companhia. E foi por aí que a corda começou a quebrar, com a Hungria a inaugurar o marcador aos 21’ pelo Varga, de cabeça, na sequência de um contra-ataque, em que fomos apanhámos em contrapé e foi o Vitinha(!) a disputar o lance com ele... Empatámos aos 36’ pelo Bernardo Silva e na 2ª parte passámos para a frente com um penalty do Cristiano Ronaldo (58’). Como o Martínez deixou tudo na mesma, a Hungria empatou novamente pelo Varga, novamente de cabeça, perante um Rúben Neves que não se fez ao cruzamento... Estávamos no minuto 84’ e parecia que uma vitória importante ia voar pela janela... No entanto, reagimos muito bem pouco depois e o João Cancelo fez o 3-2 aos 86’. Livrámo-nos de boa, mas se calhar para a próxima é aconselhável colocar jogadores nas suas posições de origem... Digo eu... Ah, e já agora, se calhar, um jogador de 40 anos não deveria jogar 87’ num segundo jogo (ainda por cima fora de casa) em três dias, não...?
 
Em Outubro, teremos dois jogos em casa (Irlanda e Hungria) e duas vitórias selarão definitivamente a qualificação.

sexta-feira, setembro 05, 2025

Sofrido

Vencemos em Alverca no passado domingo por 2-1 e mantivemo-nos 100% vitoriosos no campeonato. Chegámos ao intervalo a ganhar por 2-0, mas a 2ª parte foi quase toda do adversário e, com o golo sofrido já perto do final, tivemos de sofrer para obter a vitória.

Infelizmente, excesso de trabalho impediu-me de postar mais cedo e, por isso, isto vai ser um pouco mais curto, dado que já passou quase uma semana do jogo. Não poderíamos ter começado melhor com o 1-0 logo aos 6’ pelo Schjelderup, que aproveitou um mau corte de um defesa depois de um cabeceamento para a área do Barrenechea e desfeiteou o guarda-redes. O golo deu-nos alguma tranquilidade, mas o Alverca também não descurou completamente a baliza do Samuel Soares, que teve de se aplicar numa ou outra ocasião. Em cima do intervalo, uma boa jogada do Dedić terminou com um bom golo da sua parte e fomos para o descanso com uma vantagem que nos deveria ter permitido ter um resto de jogo calmo. Revelámos uma grande eficácia com dois golos em três remates à baliza.

Na 2ª parte, já se esperava que abrandássemos (ainda) mais o ritmo, mas foi um pouco demais. Só numa boa jogada do Schjelderup, culminada com um remate ao poste, estivemos perto do terceiro golo, de resto foi basicamente ver o Alverca jogar. Os ribatejanos já tinham criado perigo logo no reinício num livre bem defendido pelo Samuel Soares e aumentaram ainda mais a pressão com o (estúpido) segundo amarelo ao Dedić (puxou um adversário quando já tinha um, parecido com o que o Florentino fez na Turquia). Aos 85’, fizeram o 2-1 pelo Davy Gui, depois de um mau corte do Otamendi, no primeiro golo sofrido por nós na temporada e até final ainda trememos, mas conseguimos manter a vantagem.

Em termos individuais, o Schjelderup foi o melhor do Benfica, mas ainda não se livrou de ser sempre o primeiro a ser substituído. Nem a venda do Aktürkoğlu aparentemente deu para mudar isso. O Dedić também estava a ser dos melhores, mas aquela expulsão idiota acabou por manchar a sua exibição e vai fazê-lo perder a recepção ao Santa Clara. O Ivanović foi titular em vez do Pavlidis, mas continua a revelar alguns problemas em dominar a bola (especialmente ao primeiro toque). Depois do jogo europeu, o Bruno Lage rodou um pouco a equipa, mas a frescura não esteve lá. Menção ainda para o último jogo do Florentino pelo Benfica, que foi depois vendido ao Burnley. Era um dos patinhos feios do plantel (“não sabe passar uma bola” e afins), mas ainda vamos ter saudades dele...

Os campeonatos europeus param esta semana por causa dos jogos de qualificação das selecções para o Mundial, mas quando voltarem estaremos já em vésperas de início de Champions.

quinta-feira, agosto 28, 2025

Cumprido

Vencemos ontem o Fenerbahçe por 1-0 e qualificámo-nos para a Liga dos Campeões. O grande objectivo da fase inicial da época foi atingido de uma forma categórica e não há como não ficar muito contente com isso. A nossa superioridade foi mais do que evidente e devo dizer que esperava mais da equipa turca treinada pelo José Mourinho.

Confesso que, numa partida em que precisávamos de ganhar, iniciar o encontro com apenas dois jogadores de tendência ofensiva (Pavlidis e Aktürkoğlu) me deixou um pouco apreensivo, mas poderíamos (e deveríamos) ter inaugurado o marcador logo aos 3’, quando o Leandro Barreiro permitiu escandalosamente a defesa do Livaković num desvio na pequena-área, depois de uma assistência do Pavlidis, num contra-ataque venenoso da nossa parte. A estratégia do jogo foi essa: chamar os turcos para o nosso meio-campo e lançar transições ofensivas muito rápidas. Metemos a bola na baliza por volta do minuto 10’ num canto, mas o Leandro Barreiro em fora-de-jogo perturbou o Nélson Semedo (que saiu lesionado do lance), impedindo-o de disputar a bola convenientemente com o Pavlidis, que concretizou ao segundo poste um desvio de cabeça do António Silva no primeiro. O VAR demorou imenso tempo a invalidar o golo, o que acabou por enervar bastante tanto o estádio como os nossos jogadores. À passagem dos 20’, novo golo anulado ao Benfica, numa bola parada por pretensa falta do Leandro Barreiro antes de cabecear vitoriosamente. Foi um escândalo inacreditável, porque o esloveno Sr. Slavko Vincic apitou assim que a bola entrou, impedindo deste modo a acção do VAR. E não houve falta nenhuma! Um falhanço inacreditável, dois golos anulados e o resultado mantinha-se a zeros, quando a eliminatória já deveria estar decidida. Jogávamos bem e o Pavlidis falhou um desvio depois de boa jogada do Aktürkoğlu na direita, mas aos 36’ marcámos finalmente noutra transição ofensiva rápida com bela assistência do Leandro Barreiro para o Aktürkoğlu, que rematou sem hipóteses para o Livaković. Até ao intervalo, o Leandro Barreiro teve mais duas ocasiões para marcar, mas não tentou o remate na primeira delas e falhou o desvio a centro do Dahl na segunda. Do outro lado, não se viu nada dos turcos em termos atacantes.

Na 2ª parte não fomos tão intensos como na 1ª, mas mesmo assim o António Silva num cabeceamento num canto proporcionou ao guarda-redes Livaković um boa defesa. A única verdadeira ocasião do golo do Fenerbahçe foi a cerca de 15’ do fim, num cabeceamento do marroquino En Nesyri à barra, depois de um centro da direita. Pouco depois, o Talisca atirou ao lado num remate rasteiro, mas ajudou-nos ao ver dois amarelos em 2’ e reduzir os turcos a 10 jogadores aos 82’. O Lage já tinha lançado o Schjelderup e o Ivanović aos 76’, talvez até um pouco tarde dado que estávamos a perder o controlo da partida e alguns dos nossos jogadores mostravam alguma fadiga, mas depois da expulsão nunca mais o Fenerbahçe conseguiu criar perigo e a nossa qualificação foi mais do que justa, tendo o resultado sido muito escasso para o que produzimos, especialmente na 1ª parte.

Em termos individuais, o meio-campo com o Ríos e Barrenechea exibiu-se em bom plano, o Leandro Barreiro, apesar de ter sido importante na primeira fase de pressão, não pode falhar um golo daqueles logo no início, a defesa esteve toda ela muito segura, com destaque para o capitão Otamendi, e o Pavlidis foi essencial para reter a bola à espera do apoio dos médios. O Aktürkoğlu, não obstante o golo, não teve das suas melhores exibições, assim como Aursnes, que me pareceu um pouco fatigado.

Sete jogos, seis vitórias, zero golos sofridos, um troféu conquistado e uma qualificação para a liga dos Campeões não poderíamos almejar muito melhor do que isto. Iremos no domingo a Alverca tentar fechar esta primeira fase da temporada com mais uma vitória, antes da paragem para as selecções. Veremos se a equipa consegue manter este nível competitivo nos jogos fora para o campeonato, dado que aquele na Amadora esteve longe de ser brilhante (para ser simpático). No entanto, mesmo sem grande nota artística, conseguimos até agora o que era essencial.

terça-feira, agosto 26, 2025

Ensaio

Vencemos o Tondela no sábado na Luz por 3-0 e tudo correu de feição antes de um jogo decisivo para a entrada na Champions. Já se sabe que estes jogos nacionais antes de compromissos europeus podem ser uma fonte escusada de stress, mas desta feita resolvemos as coisas da melhor maneira e ainda antes do intervalo.

O Bruno Lage rodou a equipa, mas só na baliza e defesa, dado que na frente a única alteração em relação a Istambul foi a entrada do Schjelderup e a saída do Aktürkoğlu. O Obrador estreou-se na lateral-esquerda, o Samuel Soares foi para a baliza e o Tomás Araújo voltou após lesão. A 1ª parte, apesar do nosso ritmo a espaços lento, foi um festival de oportunidades perdidas. Concretizámos duas, pelo Ivanović depois de uma jogada fantástica do Dedić aos 32’, e pelo Aursnes depois de uma brilhante assistência do Schjelderup aos 42’, mas tanto o Ivanović como o Pavlidis poderiam ter feito mais dois golos cada um, com o guarda-redes Bernardo Fontes a defender a maior parte dos remates, um dos quais com a cabeça! Do outro lado, o Tondela só se mostrou antes de sofrer o primeiro golo, mas o Samuel Soares resolveu a contento as (poucas) bolas que foram à baliza.

Com 2-0 ao intervalo, já se esperava que a 2ª parte fosse a uma rotação bastante mais baixa e isso aconteceu. De tal forma, que só voltámos a criar uma grande oportunidade já perto do final, quando uma bola picada pelo Pavlidis foi atirada para a barra por um cabeceamento de um defesa. Em termos defensivos, estivemos bastante bem com o Tondela a nunca conseguir chegar perto da baliza do Samuel Soares, excepção feita a um lance logo no reinício, em que o Obrador é batido por um defesa e fez falta no limite da área, com o Sr. Anzhony Rodrigues a assinalar penalty num primeiro momento e depois o VAR a corrigir, porque foi fora da área. Mas foi muito mal jogado pelo Obrador... Já na compensação, o entretanto entrado Prestianni fechou o marcador em 3-0, numa recarga a um remate seu, que tinha sido interceptado por um defesa.

Em termos individuais, e apesar de não ter feito os 90’, o Dedić foi quem mais sobressaiu, sendo um autêntico cavalo na direita e teve o extra nesta partida de fazer a assistência para o primeiro golo. O Ivanović estreou-se a marcar no campeonato e, não obstante revelar ainda alguns problemas no domínio de bola, é um perigo dentro da área, com um remate muito fácil. O Aursnes marcou um golo, jogou o que é costume nele (ou seja, bastante bem) e não percebi porque é que não foi poupado pelo Lage na altura das substituições, tendo acabado a lateral-direito. Por sua vez, o Obrador ainda tem de pedalar um bom bocado para chegar aos calcanhares do Dahl e o Tomás Araújo acusou um pouco a (natural) falta de ritmo. O Schjelderup fez uma boa assistência, mas jogue bem ou mal é sempre o primeiro a sair... Outro que acho que deveria ter sido poupado é o Barrenechea (e atenção que se exibiu em bom plano), porque ainda por cima o Florentino está castigado por causa do duplo amarelo, mas o entendimento do Lage foi outro.

Dois jogos no campeonato, duas vitórias era o que se pedia. Com ou sem brilhantismo. Mas teremos amanhã um dos momentos-chave da época, com a hipótese de chegar à Fase Liga da Champions. Porém, teremos de derrotar o Fenerbahçe. Haja competência para isso, se faz favor.