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sexta-feira, março 10, 2017

Sonhámos

Perdemos em Dortmund por 0-4 e dissemos adeus à Liga dos Campeões. Esta frase pode parecer contraditória em relação ao título do post, mas por incrível que pareça acho que jogámos melhor do que na 1ª mão. E os resultados foram completamente antagónicos... No entanto, quem consegue ver para além do marcador final, não poderá deixar de concordar que até aos 59’ a partida esteve equilibrada de uma maneira que todos os 90’ da 1ª mão nunca estiveram. O problema foi, ao contrário da Luz, a eficácia dos alemães.

Com o Fejsa em Lisboa, o Rui Vitória apostou (e muito bem) no reforço do meio-campo com o André Almeida ao lado do Samaris e no Cervi (até qu’enfim!) na esquerda do ataque. Num ambiente absolutamente fabuloso, entrámos praticamente a perder com o golo do Aubameyang logo aos 4’ na sequência de um canto. A eliminatória ficou logo empatada e confesso que temi o pior. Mas, à semelhança, do que aconteceu em Munique há um ano, conseguimos equilibrar o jogo a seguir a termos sofrido o golo. O Borussia não teve grandes oportunidades até ao intervalo, enquanto nós criámos algum perigo num remate do Cervi e num cabeceamento do Luisão ambos defendidos pelo Burki. O intervalo chegava connosco perfeitamente dentro da eliminatória, o que se via pelo facto de os alemães estarem estranhamente silenciosos durante boa parte do jogo, enquanto a nossa bancada não se calou inclusive durante o tempo de descanso.

A 2ª parte começou com a nossa melhor oportunidade, num remate frontal de ressaca do Cervi, já dentro da área, que um defesa desviou para canto. Foi pena, porque a bola ia na direcção da baliza... O Ederson fez duas defesas magistrais em lances anulados por fora-de-jogo, mas a eliminatória começou a ficar decidida aos 59’ com o 0-2 através do Pulisic, que se desmarcou bem e picou a bola à saída do nosso guardião. Em dois minutos terríveis, tudo ficou decidido com novo golo do Aubameyang aos 61’, que só teve que encostar depois de um cruzamento na esquerda. Nós acusámos claramente o toque e nunca mais fomos os mesmos até final, com as entradas do Jonas, Zivkovic e Jiménez (este aos 82’ para o lugar do Cervi e indo jogar para a extrema-esquerda... Não percebi a lógica...) a não acrescentarem nada à equipa. O Borussia ainda atirou uma bola à ao poste, antes de fazer o 0-4 aos 85’ com o hat-trick do Aubameyang, noutro golo só de encostar desta feita depois de um cruzamento da direita. O gabonense marcou com juros todos os golos que falhou em Lisboa... Apesar do resultado, os jogadores do Benfica foram brindados no final com uma enorme ovação e cânticos sem parar da nossa bancada. A qualificação do Borussia é obviamente justa, mas conseguimos ganhar-lhes um jogo (algo que nenhuma outra equipa portuguesa conseguiu) e acho que demos uma boa imagem durante boa parte da 2ª mão. Chegámos novamente à fase a eliminar da Champions, o que convenhamos é ligeiramente melhor do que ser eliminados por uns Legias desta vida...

Em termos individuais, gostei bastante do André Almeida (sempre muito generoso a correr atrás dos adversários), do Cervi (que mostrou porque é que tem que deixar de ser o quarto extremo na hierarquia do lado esquerdo para passar a ser o primeiro!), e do Pizzi e do Salvio (ambos durante a 1ª parte).

Vamos agora concentrar-nos naquilo que é verdadeiramente essencial, que é entrar para a história com o primeiro tetra do nosso palmarés.

P.S. – Acerca da viagem, apesar do cansaço e da chuva, como disse um amigo meu, “correu mal, mas valeu a pena”. O estádio é fantástico e no início da partida o famoso muro amarelo fez uma coreografia com os jornais e o galhardete de 1963 quando nos deram 5-0 na 2ª mão. Pontos pela criatividade numa bancada que impressiona, mas que só se ouviu de forma consistente a partir do 0-2. A organização dos alemães não tem nada a ver com a nossa e o facto de tratarem os adeptos do clube visitante como... lá está, pessoas, torna tudo mais simples. Quando fui perguntar a um stewart, ainda antes de o jogo começar, se tínhamos que lá ficar uma hora no final, o tipo olhou para mim de um modo completamente surpreendido e perguntou: “why do you want to stay here for one hour after the game...?!” Toda a gente saiu ao mesmo tempo e não houve nenhum problema. Foi pena que não se tivesse visto a nossa bancada na televisão, mas ao que me dizem ouviu-se e bem. O apoio foi fabuloso e, como já disse, nem no intervalo parou. Mesmo durante cerca de 10’ depois de o jogo acabou ainda se cantava como se pode ver no vídeo abaixo. Os adeptos do Benfica deram nova demonstração do que é um clube com uma Grandeza Incomparável! A nossa bancada aplaudiu o agradecimento do Borussia ao muro amarelo e os alemães aplaudiram-nos de volta. Foi inesquecível e, sinceramente, só por isso já teria valido a pena ir. Não tive a prenda mais desejada no dia do meu 41º aniversário, mas mesmo que a tivesse também a trocaria por uma ainda maior em Maio. Vamos a isto! VIVA O BENFICA!

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Sorte e eficácia

Vencemos o Borussia Dortmund por 1-0 na 1ª mão dos oitavos-de-final da Champions. Perante um adversário fortíssimo, não me custa nada a admitir que tivemos bastante sorte, um grande guarda-redes e que o resultado foi lisonjeiro para nós. Mas o futebol consegue ser imprevisível e sabe muito bem quando é a nosso favor!

Com o Jonas indisponível por problemas na coluna e o Zivkovic castigado ainda do tempo do Partizan, o Rui Vitória apostou no Rafa e manteve o Carrillo a titular. Entrámos bem nos primeiros cinco minutos, em que o Salvio deveria ter feito melhor quando estava em boa posição, mas o remate saiu demasiado torto. E, pronto, foi tudo da nossa parte até ao intervalo… Os alemães controlaram completamente a partida e foram criando oportunidades para marcar, mas o Aubameyang & Cia tiveram felizmente um jogo para esquecer em termos de finalização. O gabonês falhou isolado perante o Ederson pouco depois dos dez minutos, o Lindelof cortou um remate do Dembélé que ia para a baliza e o Fejsa não conseguiu proteger a bola perante o Raphael Guerreiro, que ainda centrou, mas o Aubameyang chegou atrasado. Ou seja, poderíamos bem ter chegado ao intervalo com a eliminatória decidida contra nós. A posse de bola do Dortmund era brutal e nós não conseguíamos ligar um passe.

Para a 2ª parte, o Rui Vitória decidiu que estava na altura de voltar a jogar com 11 e tirou o Carrillo, que depois da grande exibição frente ao Arouca (ah, não, espera, afinal só marcou um bom golo…!) voltou ao nível com que nos habituou. Para o seu lugar, avançou o Filipe Augusto e a equipa ficou mais sólida no meio-campo. Entrámos novamente bem e fomos altamente eficazes ao marcar na única vez em que um remate nosso chegou à baliza: canto do Pizzi aos 48’, cabeçada do Luisão que o guarda-redes Burki provavelmente defendia, se o Mitroglou não tem desviado a bola e atirado posteriormente para a baliza. Golo à ponta-de-lança! A partir daqui, o Borussia voltou a vir para cima de nós e valeu-nos São Ederson que fez uma exibição a lembrar a do Preud’homme frente à Fiorentina em 1996/97: defesas perante o Dembélé, Reus, Piszczek e a um remate do Pulisic que foi desviado pelo Jiménez! Com se isto não bastasse, pelo meio ainda defendeu um penalty do Aubameyang aos 58’, a punir um carrinho do Fejsa com o braço demasiado levantado. O mesmo Aubameyang que, completamente isolado, já tinha atirado novamente por cima antes disso. Quanto a nós, defendíamos com muita garra, para além da do Filipe Augusto a entrada do Cervi também contribuiu para isso, mas por umas quantas vezes não conseguimos meter o passe que poderia criar uma situação de desequilíbrio a nosso favor.

O destaque óbvio do jogo, por tudo o que já referi, é o Ederson, que ontem terá selado definitivamente a sua saída no final da época. Depois do que se viu, será impossível que algum tubarão não o venha buscar. Outro em grande evidência foi o capitão Luisão, que fica com muito para contar no seu 500º(!) jogo pelo Benfica. É o Maior! O Lindelof foi igualmente muito importante para manter a nossa baliza a zeros. O Salvio foi o melhor na 1ª parte, mas esteve mais discreto na 2ª, quiçá a ressentir-se fisicamente do esforço. O Pizzi passou bastante ao lado do jogo e também já vi o Fejsa fazer melhor. Não é fácil conter o ataque dos alemães, é certo, mas ambos pareceram um pouco perdidos especialmente na 1ª parte. O Mitroglou marcou um golo importante e merece naturalmente uma palavra por isso. Quanto ao Carrillo, já disse o que tinha a dizer e o Rafa também quase não se viu. A diferença para o Cervi foi brutal, aliás, não percebo porque é que o argentino é muitas vezes preterido em favor daqueles dois…

Foi uma vitória que nos dá bastante prestígio, iremos sofrer na 2ª mão, mas neste momento estamos em vantagem. A estatística vale o que vale, mas das 13 vezes que fomos para a 2ª mão com uma vantagem de 1-0 só numa fomos eliminados (Anderlecht na pré-eliminatória da Champions em 2004/05). No entanto, o que me interessa mesmo é o campeonato e veremos como a equipa reagirá a este desgaste em Braga.

quarta-feira, dezembro 07, 2016

Segundo

Perdemos em casa com o Nápoles por 1-2, mas como o Besiktas foi goleado em Kiev (0-6) conseguimo-nos qualificar para os oitavos-de-final na Champions pela primeira vez em duas épocas consecutivas. E, pronto, este foi o único aspecto positivo do jogo de hoje. Não é de somenos, evidentemente, mas duas derrotas seguidas é algo que já não estávamos habituados há muito tempo e um mau prenúncio para o próximo domingo.

Em relação à Madeira, entrou o Jiménez em vez do Mitroglou. Já se sabe que o Nápoles tem uma boa equipa, especialmente do meio-campo para a frente, mas a 1ª parte acabou por ser muito repartida. Houve oportunidades para ambos os lados, embora nós tivéssemos um grande problema em acertar na baliza, o que só aconteceu por uma vez numa cavalgada do Jiménez, que rematou rasteiro para defesa do Reina. Na nossa área e por mais do que uma vez, foi o Ederson a resolver problemas e a conseguir levar-nos empatados até ao intervalo.

A 2ª parte foi totalmente dos italianos. Tendo o jogo na Ucrânia ido para o descanso com 4-0 a favor dos ucranianos e já com um turco expulso, a probabilidade de acontecer o mesmo que nos aconteceu na Turquia era, convenhamos, ínfima. Deu a nítida sensação de que os jogadores do Benfica sabiam isso e, portanto, não era preciso arriscar correr e batalhar muito… Os italianos abriram então o marcador aos 60’ pelo Callejón aproveitando um enorme buraco na zona central da nossa defesa com o Luisão e o Lindelof a ficar muito mal no lance (especialmente o sueco). Com bastante tempo ainda para jogar, nós nunca mais nos reencontrámos e a bola raramente chegava lá à frente. Um livre directo do Pizzi passou perto do poste, mas foi o Nápoles a fazer o 0-2 aos 79’: o Mertens partiu os rins ao Luisão e viu o seu remate ainda embater no poste antes de entrar. Verdade seja dita que Rui Vitória já tinha começado a fazer poupanças para domingo, caso contrário não teria colocado a abécula Carrillo em vez do Cervi. A três minutos dos 90’ e numa altura em que, puxados pelo topo sul, todo o estádio começou a cantar pelo Benfica, fizemos o 1-2 pelo Jiménez depois de aproveitar um erro inacreditável do Albiol. Até final, exasperei-me porque não conseguimos colocar a bola na área para aproveitar qualquer ressalto.

Em termos individuais, destaque para o Jiménez não só pelo golo, como também por nunca ter virado a cara à luta e se ter farto de ganhar lances divididos. Também voltei a gostar do Cervi e, mais uma vez, quando ele saiu nós apagámo-nos. Pela negativa, há que dizer que os centrais se perderam nalgumas partes do jogo e o Pizzi passou completamente ao lado dele. Por sua vez, espero que o Carrillo aproveite este Natal para passar mais tempo com a família e até escusa de regressar da América do Sul. Que nulidade!

O mais importante foi conseguido, mas esta exibição não pode deixar de nos preocupar, até porque vêm aí jogos decisivos no campeonato. E vamos receber a lagartada na pior fase da época.

quinta-feira, novembro 24, 2016

Inglório

Empatámos 3-3 em Istambul com o Besiktas e adiámos para a última jornada a questão da qualificação para os oitavos. Se, à partida, um empate fora perante um adversário directo não seria de desdenhar, o facto de ter acontecido depois de chegarmos ao intervalo a ganhar por 3-0 deixa um inevitável sabor muito amargo. Ainda para mais, porque uma vitória nossa selaria a qualificação e assim teremos de ganhar em casa ao Nápoles na última jornada, para não estarmos dependentes de um favor do Dínamo Kiev.

O jogo começou muito vivo, logo com um golo anulado ao Aboubakar por fora-de-jogo na recarga a um mau alívio do Lindelof (que jogo para esquecer!) que o Ederson defendeu. Pouco depois, foi o Eliseu a rematar de fora da área com a bola ainda a embater no poste. Aos 10’, inaugurámos o marcador com um grande golo do Guedes, isolado pelo Salvio, a aguentar a carga do defesa e a contornar o guarda-redes. Os turcos acusaram muito o golo e nunca se encontraram na 1ª parte. Fizemos o 0-2 aos 25’ num golão do Nélson Semedo com um remate de fora da área com o pé esquerdo! As coisas não poderiam estar a correr melhor e ainda se superaram com o 0-3 aos 31’ num dos lances mais inacreditáveis que eu já vi num campo de futebol: na sequência de um livre, o Mitroglou cabeceia à barra, no ressalto volta a cabecear à trave(!), a bola fica à mercê do Salvio que, com um defesa sobre a linha mas a baliza escancarada, também atira ao poste(!!), para finalmente o Fejsa fuzilar lá para dentro com um remate de pé esquerdo. Até ao intervalo, o Aboubakar teve uma oportunidade na área, mas o remate foi interceptado e o Salvio cabeceou por cima quando estava em boa posição.

Porque inacreditavelmente há pessoas que não sabem que, quando o Benfica joga, o mundo pára, compromissos parentais impediram-me de ver a 1ª parte em directo (revi-a no final do jogo). Por isso mesmo, quando o Mitroglou falhou isolado o 0-4 aos 54’ depois de uma abertura fabulosa do Salvio, que já tinha proporcionado uma boa defesa ao guarda-redes minutos antes, tive um mau pressentimento (ok, tenho-os sempre mesmo que estejamos a ganhar por 3-0 a 10’ do fim). No entanto, não conseguindo dar a machadada final no resultado e estando a jogar no terreno do campeão turco, as coisas poderiam inevitavelmente complicar-se com um golo madrugador deles. E assim foi: reduziram para 1-3 aos 58’ através do Tosun num remate acrobático, mas pareceu-me em ligeiro fora-de-jogo. Apesar deste golo, conseguimos adormecer o jogo, mas não me pareceu nada bem que o Rui Vitória tirasse o Cervi (que estava a ser dos melhores, dando inclusive muita ajuda defensiva ao Eliseu) para colocar o Rafa logo aos 64’. Ainda faltava muito tempo, o Salvio estava a ajudar menos o lateral do que o Cervi e dar rodagem ao Rafa a golear contra o Marítimo é uma coisa, em jogos da Champions e tão longe do final é outra. Curiosamente ou talvez não, não conseguimos mais produzir ataques com perigo a partir dessa altura. A 10’ do fim, entrou o Samaris para segurar o meio-campo, mas o que é certo é que os turcos não faziam aquela pressão que era expectável. Até que aos 83’, o cérebro do Lindelof parou e ele cortou uma bola com o braço em plena grande-área! O penalty do Quaresma ainda bateu no poste, mas entrou na baliza. Como o Ederson já tinha estado por duas vezes lesionado, era expectável que o árbitro desse mais tempo de compensação, e por isso ainda faltavam uma boa dezena de minutos para o final. E, infelizmente, não conseguimos mesmo manter a vantagem: aos 89’, centro do Quaresma na esquerda, o Lindelof falhou a intercepção e o Aboubakar antecipou-se ao Eliseu para fazer a igualdade. O apuramento imediato escapava-se-nos perante os dedos de um modo muito doloroso.

Na prática, jogámos 55’ e durante esse período grande parte da equipa merece destaque: o Gonçalo Guedes, por ter insistido no lance em que fez golo, o Nélson Semedo por um golão que vai correr mundo, o Fejsa por ser o tampão habitual no meio-campo (com a mais-valia do golo), o Cervi tanto no ataque como a ajudar na defesa e o Pizzi por comandar tudo a meio-campo. Na 2ª parte, a equipa começou a desconcentrar-se com o golo sofrido relativamente cedo, antes disso já o Mitroglou tinha obrigação de ter acabado de vez com o resultado e na parte final o Lindelof teve dois erros crassos (um bastante maior do que o outro) que nos custaram muito caro.

Esperemos que não venhamos a lamentar amargamente daqui a duas semanas a maneira como deixámos escapar uma vantagem de três golos ao intervalo. Que este jogo nos sirva de lição para não desperdiçarmos ocasiões soberanas para matar de vez os jogos. E um bocado mais de concentração a defender também não seria mau de todo. Já em Kiev, depois do 0-2, desconcentrámo-nos e permitimos que o Dínamo Kiev tivesse mais do que uma chance do golo. Valeu-nos na altura o Ederson. Agora, saímos deste jogo muito frustrados.

P.S. – O Sr. Skomina fez uma arbitragem tremendamente caseira, como é seu apanágio (recordam-se deste ladrão, não se recordam…?). É inacreditável como pactuou com entradas muito duras do Besiktas sem mostrar amarelos. A dualidade de critérios foi enorme e mesmo a justeza dos foras-de-jogo variava consoante a camisola.

quarta-feira, novembro 02, 2016

Complicado

Vencemos o Dínamo Kiev por 1-0 e, com o empate do Nápoles no Besiktas, estamos igualados com os italianos no 1º lugar do grupo com 7 pontos, tendo os turcos seis pontos. Os ucranianos, com apenas um ponto, já não têm hipóteses de chegar aos oitavos da Champions.

Foi um encontro bastante mais difícil do que eu estava à espera. Nós não tivemos a dinâmica habitual e os ucranianos mostraram porque é que são mais perigosos fora do que em casa. Na 1ª parte, dominámos completamente a partida, mas sem criar grandes oportunidades de golo. Uma cabeçada do Grimaldo defendida pelo guarda-redes e um desvio do Mitroglou por cima a centro do Gonçalo Guedes foram as nossas melhores ocasiões. Do lado ucraniano, foi o Derlis González a ter uma óptima oportunidade, mas o Lindelof cortou in extremis. Quando já todos pensávamos que íamos para o intervalo empatados, num livre lateral a nosso favor, o Vida quis levar o Luisão para casa e o árbitro naturalmente assinalou o respectivo penalty. O Salvio voltou a ser o escolhido para marcar e atirou rasteiro para o meio da baliza, ligeiramente para o lado esquerdo (lado oposto ao habitual), enganado o guarda-redes. Tenho que dizer que não sou nada fã da maneira como o Salvio marca os penalties: é invariavelmente para o meio da baliza e, se o guarda-redes acerta no lado ou nem se mexe, defende facilmente. So far, so good, mas prefiro muito mais os penalties que são desviados do guarda-redes mesmo que este acerte no lado, porque esses têm mais de 50% de possibilidade de serem golo.

Esperava eu que na 2ª parte jogássemos melhor, com os espaços que inevitavelmente os ucranianos abririam. Só que não. Tivemos duas enormes ocasiões, num tiraço do Guedes à barra (a sua potência de remate está a tornar-se um caso sério) e através do Mitroglou que picou bem a bola sobre o guarda-redes quando este saiu, mas esta passou ao lado. Aliás, o grego teve um jogo muito infeliz, porque já tinha tido outras duas hipóteses de marcar logo no início da 2ª parte, mas numa delas rematou por cima e noutra, num lance de um-para-um, rematou frouxo. A pior notícia da noite foi uma entrada dura sobre o Fejsa que obrigou à sua substituição pelo Samaris. Vamos lá a ver se recupera para domingo... Tanta oportunidade falhada poder-nos-ia ter saído muito cara com o disparate do Ederson aos 68’: saída aos pés de um avançado, este muda de direcção para a linha lateral, mas o nosso guarda-redes esticou os braços na mesma e derrubou-o. Sem que nada o fizesse prever, os ucranianos tinham uma hipótese soberana, todavia o Ederson corrigiu o erro e defendeu o penalty. Até final, ainda passámos por alguns calafrios especialmente nas bolas paradas, mas lá conseguimos manter a importantíssima vantagem. Em termos ofensivos, a equipa começou a ressentir-se fisicamente e não esteve tão solta como é habitual.

Não é muito fácil destacar alguém num jogo como estes. O Pizzi foi o maestro a meio-campo e todo o nosso jogo ofensivo passou por ele. Teve uma percentagem de passes certos muito alta e, ou muito me engano, ou vai ser difícil tirá-lo daquela posição agora. Até porque os argentinos nos extremos estão bem: o Salvio, apesar de uma exibição mais fraca do que as anteriores, teve uma das suas arrancadas habituais e marcou o penalty, enquanto o Cervi sobe a olhos vistos, com grande comprometimento defensivo e confiança na forma como enfrenta os adversários. O Guedes não esteve tão em destaque como na passada 6ª feira, mas continua absolutamente indiscutível no onze. A defesa revelou-se segura na maior parte do tempo e o Ederson corrigiu bem o enorme disparate que fez.

É absolutamente fundamental não perder na Turquia daqui a três semanas. Já garantimos os serviços mínimos (a Liga Europa), mas claro que queremos mais. Uma boa campanha na Champions não só valoriza o nosso prestígio internacional, como também nos dá uma enorme confiança para o grande objectivo da época: o tetra.

quinta-feira, outubro 20, 2016

Supremacia

Vencemos o Dínamo em Kiev por 2-0 e colocámo-nos de novo na luta não só pelo apuramento, como inclusive pelo primeiro lugar no grupo, já que o Besiktas foi surpreendentemente ganhar a Nápoles.

Foi uma exibição categórica em que demonstrámos muita maturidade e a justiça do nosso triunfo é incontestável, porque o Dínamo praticamente só criou perigo quando já estava a perder por 0-2. Com o André Horta lesionado, o Pizzi voltou a actuar no meio e o Rui Vitória, ao contrário de Nápoles, resolveu entrar com 11 jogadores e o Carrillo ficou no banco com o Cervi a saltar para a titularidade. Entrámos bem e marcámos logo aos nove minutos num penalty indiscutível do Antunes sobre o Gonçalo Guedes que o Salvio concretizou enganando o guarda-redes. Na 1ªparte, os ucranianos praticamente não criaram perigo e, nas situações de remate que tiveram, este saía invariavelmente por cima. Quanto a nós, também só tivemos mais uma ocasião, pelo Salvio, com um remate fraco e à figura depois de uma boa combinação com o Nélson Semedo.

A 2ª parte foi mais movimentada e nós aumentámos a vantagem logo aos 55’: o Salvio ganha um ressalto na direita, centra atrasado para o Cervi que remata com a bola a embater no Mitroglou, sobra de novo para o argentino que finta um defesa e atira para o lado contrário do guarda-redes. Bom golo do Cervi e grande mérito ao nunca desistir da jogada. A partir daqui, o Dínamo aumentou a pressão e nós possivelmente teremos relaxado um bocado. O que nos valeu foi que na baliza estava o intransponível Ederson que por umas quantas vezes impediu que sofrêssemos um golo (uma das quais com o Yarmolenko isolado perante ele). Só teve uma falha numa saída dos postes, mas o mesmo Yarmolenko não estava à espera e a bola bateu-lhe no corpo e saiu para fora. Da nossa parte, tivemos remates do Salvio (à figura do guarda-redes) e Gonçalo Guedes (muito por cima) que nos poderiam ter dado uma tranquilidade ainda maior.

Pelo golo que marcou, pelo que lutou e pela qualidade individual em duas ou três fintas fantásticas, o destaque maior tem que ir para o Cervi. Parece começar a ficar mais adaptado ao futebol europeu e, se seguir as pisadas dos dois últimos extremos-esquerdos argentinos que tivemos, ficaremos muito bem servidos. Gostei mais uma vez do Gonçalo Guedes, cujo nome está ligado à nossa vitória pelo penalty que sofreu depois de uma boa jogada individual. O Fejsa voltou a ser o muro do costume e o Ederson também foi fundamental para a manutenção da nossa baliza a zeros. O Salvio só começou a jogar a partir dos 60’, mas acabou por ter uma exibição positiva no global. Continuo muito contente por ver o Luisão a voltar os bons velhos tempos. Quanto ao Nélson Semedo, continua com as mesma virtudes a atacar e alguns defeitos a defender (a forma como foi batido já perto do final num canto, em que o avançado só não marcou de cabeça por aselhice, foi ridícula).

A cerca de oito minutos do final e certamente para estimular as relações bilaterais entre Portugal e a Ucrânia, o Rui Vitória resolveu ser generoso para com o Dínamo de Kiev e colocou o Celis em campo para equilibrar as coisas e dar mais emoção ao jogo. No entanto, desta feita o colombiano não esteve ao seu nível habitual e não ofereceu nenhum golo ao adversário. Na última substituição e também porque não convém abusar, o Rui Vitória colocou (e bem) e Eliseu em vez de dar mais uma benesse ao adversário fazendo entrar o Carrillo.

O triunfo do Besiktas em Nápoles é que não estava no programa e, mais do que o empate, eu até preferia a vitória dos italianos. Desta forma, continuam eles na frente com seis pontos, os turcos com cinco, nós com quatro e os ucranianos com um. Convém não esquecer que estes mesmos ucranianos nos deram uma grande alegria em Mordor na época passada, pelo que daqui a duas semanas teremos de estar muito concentrados para ganhar o jogo na Luz. Da forma com a classificação está, essa vitória é fundamental.

quinta-feira, setembro 29, 2016

Podia ter sido (ainda) pior

Perdemos em Nápoles por 4-2, um resultado que mascara um pouco o que se passou em campo. Fizemos uma exibição que foi uma autêntica montanha-russa, chegámos a estar goleados, mas os danos acabaram por ser minimizados no fim.

O Rui Vitória tirou o Salvio e o Gonçalo Guedes, lançando o André Almeida para o meio-campo e o Carrillo. Por princípio não acho grande piada a grandes alterações na equipa nos jogos da Champions, mas o que é certo é que depois de uma entrada em que permitimos ao Nápoles ter duas situações perto da nossa baliza, poderíamos ter feito também dois golos pelo Mitroglou, que viu um defesa cortar a bola quase sobre o risco e o Reina fazer uma boa defesa perante remates seus. No entanto, quem se adiantou no marcador foram os italianos, pelo Hamsik aos 20’, num cabeceamento na sequência de um canto, em que o Fejsa se deixou adormecer e foi antecipado pelo eslovaco. Até final da 1ª parte, os italianos fecharam-se bem e nós revelámos sempre bastante cerimónia para rematar à baliza.

Na 2ª parte, esquecemo-nos de entrar em campo: o Nápoles fez três golos em apenas sete minutos! Uma falta do Lisandro permitiu ao Mertens fez o 0-2 num livre directo em que, à semelhança do Talisca com o Ederson, me pareceu que o Júlio César poderia ter feito mais. Aos 54’, um remate desviado isolou inadvertidamente o Callejón e o Júlio César não foi tão lesto a sair da baliza como deveria e derrubou-o. O Milik fez o 0-3 no penalty. Aos 58’, uma saída em falso do nosso guarda-redes deu origem ao 0-4 pelo Mertens, em novo lance em que os italianos beneficiaram de um ressalto. Jogo para esquecer o Júlio César. Claro que nesta altura, tive medo de uma reedição de Vigo, não só no resultado, como principalmente nas repercussões para o futuro (o contexto é obviamente diferente, mas na altura de Vigo também estávamos em primeiro lugar no campeonato e depois viemos por aí abaixo na classificação). Entre o terceiro e o quarto golo, o André Horta agarrou-se à coxa e foi substituído pelo Salvio (mais um para o estaleiro…). Felizmente, os italianos baixaram o ritmo e, verdade seja dita, nós continuámos comprometidos com o jogo e conseguimos reduzir a diferença pelo entretanto entrado Gonçalo Guedes aos 70’, com o Salvio a marcar o seu primeiro golo desde a grave lesão de há dois anos aos 86’, numa brilhante abertura do André Almeida.

Com uma derrota deste calibre, não é fácil referir ninguém em termos individuais, mas a 1ª parte do Grimaldo não foi má (desapareceu na 2ª). O Gonçalo Guedes provou que não deveria ter sido sacrificado, porque é dos nossos jogadores em melhor forma. O Carrillo continua com o problema de sempre que é a falta de corrida e intensidade. O Mitroglou deveria ter aproveitado melhor as duas oportunidades ainda com 0-0. Se o Rui Vitória estava com dúvidas na baliza, com esta partida elas ficaram dissipadas de vez: neste momento, o lugar é do Ederson.

Aos 60’, a catástrofe estava à vista, mas os dois golos e, principalmente o empate (1-1) no Besiktas – Dínamo Kiev acabou por amenizar bastante os estragos. O primeiro lugar do grupo deve ser do Nápoles, mas estamos igualados com os ucranianos e a apenas um ponto dos turcos. É fundamental, pelo menos, empatar em Kiev na próxima jornada.

quarta-feira, setembro 14, 2016

Inglório

Terceiro jogo da época na Luz, terceiro empate por 1-1. Desta feita foi com o Besiktas para a 1ª jornada da Liga dos Campeões e foi o que custou mais, porque sofremos o golo aos 93’. Fruto de termos um idiota acéfalo a vestir a nossa camisola, mas já lá vamos…

Estava com expectativas bastante baixas para esta partida. Continuávamos sem Jonas, Mitroglou e Jiménez, tal como em Arouca, mas tivemos o bónus de também ter o Jardel e o Rafa de fora. Todos por lesão! O Rui Vitória apostou no Cervi na frente para fazer companhia ao Gonçalo Guedes e foi o argentino a inaugurar o marcador logo aos 12’: abertura fabulosa do André Horta para o Salvio, remate cruzado com o pé esquerdo, o guarda-redes não conseguiu agarrar e o Cervi, muito oportuno, atirou para dentro da baliza. Não poderíamos ter começado melhor e até ao intervalo não permitimos grandes veleidades aos turcos que só pelo Quaresma num livre incomodaram o Ederson (que aparentemente vai substituir o Júlio César nos jogos extra-campeonato). Quanto a nós, só num remate de fora da área do André Horta é que criámos perigo.

Na 2ª parte, os turcos fizeram entrar o Talisca e melhoraram de produção. Quando ele entrou, eu aplaudi, porque não me esqueço de alguns bons momentos que nos proporcionou no passado, nomeadamente o golo frente ao Bayern e, principalmente, o livre na Madeira que nos permitiu respirar na penúltima jornada da época passada e abriu-nos definitivamente as portas do título. Tudo o que se disse depois para mim é folclore. Interessa-me o que um jogador faz em campo. Ponto final. Desde que depois não vá para um rival directo, por mim, ainda por cima sendo bicampeão, terá sempre o meu respeito. Mesmo que, como é o caso, os neurónios não sejam em grande quantidade. Com a entrada dele, o Besiktas começou a acercar-se com mais perigo da nossa área. Nós estávamos a perder gás e pedia-se a entrada do Samaris, que só aconteceu aos 70’. O Besiktas teve duas grandes oportunidades, mas o Ederson foi muito rápido a sair ao isolado Quaresma e noutro lance o avançado Tosun atirou por cima em muito boa posição. A cinco minutos do fim, o Quaresma brincou perto da sua área, o Gonçalo Guedes roubou-lhe a bola, ficou isolado, mas permitiu que o Tolga defendesse com o pé. Aos 89’, o Fejsa deve ter pedido para sair e ficámos a jogar com 10, porque entrou um tal de Celis, que acabou por ser a arma secreta do Besiktas. No terceiro dos quatro minutos de compensação que o árbitro deu, aquela alimária resolveu disputar um lance com a mão(!!) perto da nossa área! Livre que o Talisca obviamente não perdoou. Não tenho nada a acrescentar ao que já escrevi aqui e espero que a esta hora ele já esteja na porta de embarque do aeroporto. Que burro acéfalo!

Em termos individuais, voltei a gostar do Salvio (embora tenha rebentado a meio da 2ª parte) e do Gonçalo Guedes (só foi pena o falhanço isolado). O Cervi marcou um golo de oportunidade, mas continua um pouco inconsequente em termos ofensivos, apesar de se ter fartado de defender. O Fejsa foi o monstro do costume e, caso tivesse estado até ao fim, teríamos certamente ganho. O Samaris tem que passar a entrar mais cedo em jogos destes. O Nélson Semedo melhorou em termos defensivos em relação a jogos anteriores e o Ederson teve umas quantas intervenções de nível altíssimo, embora no livre do Talisca me dê a sensação que se poderia ter esticado mais.

Com os próximos dois jogos em Nápoles e Kiev, este empate frente à equipa do pote 4, se bem que é o campeão turco, pode custar-nos muito caro. Partimos de trás logo na 1ª jornada. Temos as condicionantes das lesões, mas tendo estado tão perto da vitória, este empate tem mesmo sabor a derrota. Pode ser que aprendamos que, para o futuro, convém jogar sempre com 11 até final e que atrasados mentais não podem ter lugar no plantel. (O Fejsa não estava em condições, havia o André Almeida no banco, porra!)

P.S. – Só me fez lembrar outro jogo europeu, em que também empatámos por causa de outra alimária cuja permanência no Benfica foi obviamente muito curta. De vez em quando, vamos buscar com cada um…! (Também no caso presente, a fazer fé no que se escreveu, andámos a disputar o, digamos, jogador, ao… Braga. Com o devido respeito, ao Braga! E depois estamos à espera de milagres…)