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quarta-feira, dezembro 11, 2019
Continuidade
Vencemos o Zenit na Luz por 3-0 na última jornada da fase de
grupos da Champions e conseguimos a
qualificação para a Liga Europa. Era o principal objectivo do jogo e lográmo-lo
obter com uma boa exibição, que veio confirmar a tendência de subida de forma
desde a partida em Leipzig.
Entrámos em campo com a equipa-base destes últimos tempos,
só com o Tomás Tavares no lugar do ainda lesionado André Almeida. Os russos entraram
em campo no 2º lugar do grupo e não poderiam perder se quisessem manter-se nas
competições europeias. Quanto a nós, tínhamos de lhes ganhar por 2-0 ou
diferença de três golos, caso o Lyon não perdesse em casa com o Leipzig, porque
nesse caso ‘bastaria’ a vitória. Entrámos bem na partida, o Pizzi teve um bom
remate de fora da área, mas a bola saiu ligeiramente por cima e o Chiquinho,
num óptimo movimento já na área, enquadrou-se com a baliza, mas o remate de pé
esquerdo saiu ao lado. Os russos iam tentando responder sempre muito à base de
gigantismo do Dzyuba (um óptimo jogador), mas não tiveram ocasiões muito
flagrantes. Nós fomos tentando atacar, mas também algo cautelosos, porque se
sofrêssemos um golo tudo estaria perdido.
Na 2ª parte, entrámos ainda com mais determinação e
inaugurámos o marcador logo aos 47’ numa boa combinação atacante, com o Carlos
Vinícius a segurar a bola na área e a abrir para o Pizzi na direita, que
centrou para o meio onde apareceu o Cervi de rompante a encostar. Segundo jogo consecutivo
do argentino a marcar um golo muito importante e sem dúvida merecido, porque
tem sido dos nossos melhores jogadores. O Leipzig chegou ao intervalo a ganhar
por 2-0 ao Lyon, mas nunca fiando e por isso tínhamos de continuar a tentar marcar
o segundo golo para só dependermos do nosso jogo. Até porque o Lyon reduziu
também pouco depois do início da 2ª parte... Esse golo que nos dava a
qualificação para a Liga Europa surgiu aos 58’ num penalty evidente por mão na
bola de um adversário (que, para além, disso viu o segundo amarelo) muito bem
concretizado pelo Pizzi. Ainda faltava mais de meia-hora para o final e
estávamos com um dilema: precisávamos de mais dois golos para termos margem de
manobra, mas se sofrêssemos um antes seríamos certamente eliminados. Só que, a
jogar contra dez, as coisas foram mais fáceis, porque conseguimos circular bem
a bola e, de facto, fomos tentando marcar mais golos. Numa jogada entre vários
jogadores, com alguns toques de primeira, o Cervi rematou para um defesa salvar
perto da linha (embora num dos ângulos da televisão dê a sensação de a bola ir para
fora) e o C. Vinícius teve um remate potente de pé esquerdo com a bola a ir às
malhas laterais. Já depois dos 15 minutos finais, o Zenit teve a única grande
ocasião para marcar, mas o Vlachodimos fez a melhor defesa do encontro. Logo a
seguir, tivemos a melhor oportunidade da partida, com o C. Vinícius isolado,
depois de uma escorregadela de um defesa, a não conseguiu superar a mancha do guarda-redes, num centro do
Pizzi depois de um óptimo contra-ataque. Aos 79’, fizemos o 3-0 com um autogolo
do Azmoun depois de um canto do mesmo Pizzi na esquerda. Na prática, este golo
não mudava nada, porque só o quarto nos dava tranquilidade, mas a vida começou
a correr muito mal aos russos com o empate do Lyon perante o Leipzig, porque
isso fez com que tombassem do 2º para o 4º e último lugar do grupo. Logo depois
do nosso golo, o Bruno Lage fez entrar o Seferovic e Samaris para os lugares do
Cervi e Gabriel, mas os minutos finais foram de nervosismo, porque um golo dos
russos colocar-nos-ia fora das competições europeias. Estávamos a jogar contra
dez e talvez para equilibrar as coisas, o Bruno Lage resolver fazer entrar o
Caio Lucas para o período de compensação. Ou isso, ou é a tal quota da CERCI
futebolística brasileira que temos que cumprir...! Apesar de uma ou outra falta
escusada, que fez com que a bola fosse bombeada para a nossa área, conseguimos
manter o marcador a zeros e assegurar assim a continuidade nas competições
europeias.
Em termos individuais, destaque para o Pizzi com participação
nos três golos, para a dupla de meio-campo (Gabriel e Taarabt), a grande
responsável da nossa melhoria exibicional, para o Chiquinho, imprescindível na
manobra ofensiva e com a mais-valia de defender bem, e para o Vlachodimos, cuja
defesa perto do final nos garantiu a qualificação. Mas no geral toda a equipa
esteve muito bem.
Veremos o que nos reservará o sorteio da próxima 2ª feira, mas
já agora era simpático que conseguíssemos ser cabeças-de-série. No entanto, os
jogos são só em finais de Fevereiro e até lá ainda temos um 1º lugar no
campeonato para cimentar. Como já neste sábado, dia em que receberemos o
Famalicão, que está num surpreendente 3º lugar. Esperemos que esta nossa
melhoria se confirme.
P.S. – Antes do jogo, cumpriu-se um minuto de silêncio pela
morte do Rogério Pipi. E cumpriu-se mesmo! Parabéns a todo o estádio por ter
finalmente percebido que um minuto de silêncio não é um minuto de palmas!
quinta-feira, novembro 28, 2019
Frustrante
Empatámos
em Leipzig por 2-2 e dissemos adeus à Liga dos Campeões. Se me propusessem este
resultado antes do jogo (e dado o nosso miserável histórico recente), diria
logo que sim, mas chegar aos 89’ a ganhar por 2-0 e depois empatar a partida
foi uma desilusão muito grande.
Finalmente,
ao quinto jogo da Champions,
resolvemos jogar com os habituais titulares. E, surpresa das surpresas(...!),
fizemos a nossa melhor exibição. O meio-campo foi formado pelo Gabriel e
Taarabt, e estivemos compactos a maior parte do tempo, embora a não sair tantas
vezes para o ataque como seria desejável. Inaugurámos o marcador aos 20’, numa
rara jogada de transição ofensiva, com uma troca de bola de primeira entre o
Vinícius e o Taarabt, o marroquino a centrar atrasado, um defesa a cortar mal,
e o Pizzi a rematar de primeira de pé esquerdo, com a bola ainda a desviar num
defesa antes de entrar. Os alemães sentiram um pouco o golo, apesar de logo a
seguir a ele nos ter valido o Vlachodimos que defendeu o remate de um
adversário isolado. Até ao intervalo, ainda tiveram um par de remates algo
perigosos, mas com o desenrolar do tempo conseguimos ir sacudindo a pressão e
em cima do intervalo tivemos uma óptima oportunidade, com o Pizzi a atirar à
barra depois de um canto.
Na 2ª
parte, defendemos um pouco melhor e, devido a esse facto, conseguimos passar
mais vezes do meio-campo. Numa dessas ocasiões, aos 59’, o Taarabt fez um passe
para o Carlos Vinícius, que dominou mal a bola, mas defesa atrás dele escorregou,
o que o permitiu isolar-se e, perante a saída do guarda-redes, desviasse a bola
para a baliza, fazendo o 2-0. Como acidentalmente bateu com a perna na cabeça do
guarda-redes Gulácsi, este teve que ser substituído, o que, juntamente com a verdadeira
agressão que o Vlachodimos sofreu um pouco antes (e que o árbitro nem amarelo mostrou)
fez com que houvesse nove minutos de compensação no final da partida, o que
acabou por nos prejudicar. Se este resultado se mantivesse no final, bastar-nos-ia ganhar ao Zenit para nos
qualificamos para os oitavos da Champions. Os alemães pressionaram-nos, mas a
nossa defesa esteve bem durante grande parte do jogo, embora ainda apanhássemos
um ou outro susto. A pouco menos de dez minutos do fim, o Raúl de Tomás entrou
para o lugar do estourado C. Vinícius e logo depois esteve perto de marcar o
golo do ano: remate de antes do meio-campo que o guarda-redes contrário
defendeu com a ponta dos dedos…! Estava tudo mais ou menos controlado, quando
aos 89’ numa bola bombeada para a área, o Rúben Dias mancha a sua fantástica
exibição até ao momento e faz um penalty por agarrão ao adversário. É certo que
este tinha ganho a posição ao nosso central e estava preparado para rematar,
mas um penalty por agarrão é sempre um penalty estúpido, porque nem sequer se
tenta jogar a bola. O Forberg não perdoou e reduziu para 1-2. Ainda com nove
minutos para jogar, igualávamos o resultado de Lisboa, o que faria com que
estivéssemos dependentes de uma não-vitória do Lyon no último jogo para
podermos seguir na Champions (tendo
sempre que ganhar aos russos, claro está). Só que aos 93’, os neurónios do
Bruno Lage só podem ter adormecido, porque ele achou que o que precisávamos era
de colocar o Caio Lucas em campo…! Claro que o Pizzi estava estourado, mas era
óbvio que era o Florentino quem devia ter entrado para travar o forcing final alemão. Ou ele ou até o
Zlobin para o meio-campo, mas nunca alguém que preenche a quota da CERCI futebolística
brasileira, que aparentemente temos sempre que ter no nosso plantel (Paulo Almeida,
Everson, Edcarlos, Éder Luís, Felipe Meneses, Bruno Cortez, Emerson, Felipe
Augusto, Douglas a lista é infelizmente infindável). Aos 95’, um erro de
marcação na área permitiu ao Forberg cabecear à vontade, empatar o jogo,
qualificar os alemães, atirar-nos para fora da Champions e com a ida à Liga Europa muito tremida (não basta só ganhar aos russos). No último lance
do jogo, tivemos uma excelente oportunidade, mas infelizmente a bola foi para o
Caio Lucas e abstenho-me de comentar aquilo
que ele fez…
Em
termos individuais, o Rúben Dias estava a ser dos melhores, mas aquele penalty
estragou tudo. O Chiquinho também se movimentou muito bem em termos defensivos.
O Vlachodimos salvou-nos um par de vezes e não teve culpa nos golos. De resto,
não houve grandes exibições individuais, mas muita capacidade de luta e
sacrifício. Quanto ao Caio Lucas, desejo-lhe um feliz Natal no Brasil e que dê
a todos nós a melhor prenda possível: leve todos os seus pertences de volta!
Tivemos
nós jogado sempre a Liga dos Campeões com este empenho (e esta equipa, já
agora) e não estaríamos a chorar agora uma eliminação. Aliás, o que me preocupa
mais é mesmo a possível não ida à Liga Europa (ou ganhamos 2-0 aos russos ou,
se eles marcarem, terá de ser por uma diferença de três golos). Ver a Europa no
sofá em 2020 é péssimo para o nosso prestígio, que já tem sido bem posto em causa
com estas prestações vergonhosas nas três últimas Champions.
quarta-feira, novembro 06, 2019
Confrangedor
Perdemos em Lyon (1-3), hipotecámos quase definitivamente as hipóteses
de continuar na Champions e mesmo a
Liga Europa não é nada fácil. As últimas exibições pareciam indicar que
estávamos novamente no bom caminho, mas tivemos um choque de realidade na Europa.
Não há como fugir às evidências: não temos andamento para este nível futebolístico
e o que temos exibido tem roçado o patético.
Jogo decisivo para a continuidade na Liga dos Campeões e o Tomás
Tavares é titular do Benfica pela 4ª vez, todas na maior competição de clubes
do mundo. Ou seja, deixa-se o André Almeida esgotar-se no campeonato para
descansar na Champions. Racional
isto? Não faço ideia. Por outro lado, o Bruno Lage deu igualmente a titularidade
ao Gedson na direita, ele que, cada vez que entra, tem sido invariavelmente o
pior jogador do Benfica. Mais uma vez, conferiu. A nossa 1ª parte foi de fugir.
Sofremos o primeiro golo logo aos 4’ pelo Andersen de cabeça, num canto curto
muito mal defendido por todos, especialmente os centrais. A este começo maravilhoso, seguiu-se uma 1ª parte que
não lhe ficou atrás. Lentidão exasperante de processos, o Lyon chegava sempre
primeiro à bola, muito pouca precisão nos passes e nos remates, enfim, um
marasmo quase por completo. Para além disso, ao contrário de nós na Luz, os
franceses tentavam sempre contra-atacar com perigo, apesar de nos darem a
iniciativa. E foi num desses lances que fizeram o 2-0 aos 33’: o Tomás Tavares
ficou duas vezes nas covas na
direita, centro para a área e o Depay não perdoou. Até ao intervalo, poderíamos
ter reduzido num canto, mas o Gedson falhou o desvio ao segundo poste.
Na 2ª parte, entrámos finalmente com onze com o Seferovic no lugar do
Gedson. Era a segunda substituição, porque já tínhamos perdido o Ferro relativamente
cedo devido a um choque com o Vlachodimos. Melhorámos um bocado, mas sempre a
fazer as coisas em esforço e sem desenvoltura nenhuma. Ainda assim, um livre do
Chiquinho e um remate do Seferovic criaram algum perigo ao Anthony Lopes.
Entretanto, esgotámos as substituições a pouco mais de 15’ do fim, com a
entrada do Pizzi para o lugar do esgotado Cervi. E foi o Pizzi a fazer uma
óptima abertura para o Seferovic reduzir para 1-2 aos 76’. O fiscal-de-linha
começou por levantar a bandeirola, mas o VAR confirmou que não havia fora-de-jogo
nenhum. Ainda houve a esperança de pressionar o Lyon com vista à igualdade, mas
os franceses defenderam-se muito bem e nós não tivemos arte para sequer chegar
à baliza deles. Ao invés, foram eles a chegar à nossa aos 89’ e a fazer o 3-1:
o Jardel não só deixou o Traoré virar-se depois de correr para apanhar a bola,
como lhe deu o lado de dentro do campo, mesmo a jeito do seu pé esquerdo, que
rematou em arco não dando hipóteses ao Vlachodimos. Outra péssima acção
defensiva, ainda mais incompreensível por ter sido feita pelo Jardel, que está
longe de ser inexperiente.
Em termos individuais, o Gabriel foi dos poucos a tentar remar contra a
maré, o Cervi lutou muito, mas sem resultados atacantes visíveis, e o Chiquinho
a espaços ainda conseguiu fazer qualquer coisa. O Vlachodimos também não esteve
mal sempre que foi chamado, não tendo tido culpa nenhuma nos golos, e o Pizzi
fez uma boa assistência para o Seferovic marcar. Todos os outros estiveram num
nível muito baixo, em especial o já referido Gedson, o Florentino, que deve ter
feito dos piores jogos com a camisola do Benfica, e o Tomás Tavares, que se
arrisca a ficar queimado se só for titular na Champions.
Os números não enganam: 13 derrotas nos últimos 17 jogos na Champions envergonham a nossa história.
Parece que entramos em campo já vencidos, manietados por um temor que
sinceramente não se percebe. Estamos a jogar a mais prestigiante competição de
clubes do mundo com o espírito da Taça da Liga (com o devido respeito). É algo
que tem de ser mudado. E rapidamente.
quinta-feira, outubro 24, 2019
Do céu
Derrotámos o Lyon pela margem mínima (2-1) e conseguimos
finalmente a primeira vitória nesta edição da Champions. No entanto, há que ter a noção das coisas e dizer que tivemos
muita sorte neste triunfo, porque a (digamos) qualidade do nosso futebol deixa imenso a desejar.
Novo jogo da Liga dos Campeões na Luz, novas surpresas no onze. O Pizzi ficou no banco e entrou o Gedson para o seu lugar e o Cervi para a esquerda. Saúde-se, no entanto, o regresso da dupla de meio-campo Florentino-Gabriel, que deu logo outra consistência defensiva. Falando em consistência defensiva, a nossa exibição resumiu-se praticamente a isso durante a maior parte do tempo. Marcámos logo aos 4’ numa jogada com alguns ressaltos e em que a bola acabou por ir parar aos pés do Rafa, que rematou sem hipóteses para o Anthony Lopes. Enquanto esteve em campo, o Rafa ainda imprimiu alguma velocidade nas transições, mas infelizmente ressentiu-se da lesão e foi substituído aos 20’ pelo Pizzi. E nós acabámos aí. O Lyon teve uma grande oportunidade na 1ª parte, mas o Grimaldo interceptou brilhantemente o remate do adversário, quando já só tinha o Vlachodimos pela frente. Nós só voltámos a fazer uma jogada de jeito perto do intervalo, com um centro atrasado do Tomás Tavares a encontrar o Seferovic, mas o remate deste de primeira foi muito bom... para o rugby.
Esperava-se que acordássemos um pouco na 2ª parte, mas não aconteceu. Ao invés, continuámos sempre a dar a iniciativa aos franceses, que também revelaram um futebol deveras confrangedor. O problema foi o de sempre: quando não se tenta matar o jogo (as transições atacantes praticamente não existiam), acaba-se invariavelmente por sofrer um golo. Foi o que se passou aos 70’ através do holandês Memphis Depay, de longe o melhor jogador deles, a rematar cruzado depois de um centro largo para a área não ser interceptado por nenhum defesa nosso. Entretanto, já tinha entrado o Carlos Vinícius para o lugar do também lesionado Seferovic e a pouco mais de 10’ do fim, arriscámos com o Raúl de Tomás a substituir o esgotadíssimo Cervi. A cinco minutos do fim, o Pizzi lembrou-se que estava em campo e arrancou um remate de fora da área, que embateu no poste. No minuto seguinte, recebeu uma bola vinda directamente das mãos do Anthony Lopes(!) e atirou de longe para a baliza deserta. Com um golo caricato e repetível uma vez em cada 100, lá ganhámos finalmente um jogo na Liga dos Campeões, mantendo-nos desta maneira na luta pelo apuramento para os oitavos-de-final.
Em termos individuais, gostei imenso do Cervi, que se destacou especialmente nas tarefas defensivas. Aliás, não percebo que mal terá feito o argentino para ter muito menos oportunidades do que a abécula do Caio Lucas... O Rafa estava a prometer ser o melhor em campo, mas saiu muito precocemente (e vamos ver quanto tempo estará de fora com a reincidência da lesão...). Os centrais Rúben Dias e Ferro também estiveram quase intransponíveis e o Grimaldo subiu igualmente de produção em relação a partidas anteriores. A dupla de meio-campo Florentino-Gabriel permite-nos jogar mais à frente, embora não tenhamos aproveitado isso ontem.
Não há como esconder: estamos a jogar um futebol péssimo. O Lyon igualou a 20’ de fim, mas nem assim conseguimos acelerar o jogo para criar desequilíbrios. Aliás, as lentas trocas de bola exasperaram muitas vezes os adeptos. Sinceramente não sei o que se passa, porque a equipa é praticamente a mesma do ano passado e custa a perceber uma descida tão abrupta na qualidade de futebol, mesmo levando em conta a saída do João Félix. O que se passa, Benfica?
P.S. – Este marasmo deve ser contagioso, porque estiveram 53.035 espectadores no estádio e por vezes consegui ouvir(!) os jogadores a falarem em campo. Qualquer semelhança com o “Inferno da Luz” é pura coincidência.
Novo jogo da Liga dos Campeões na Luz, novas surpresas no onze. O Pizzi ficou no banco e entrou o Gedson para o seu lugar e o Cervi para a esquerda. Saúde-se, no entanto, o regresso da dupla de meio-campo Florentino-Gabriel, que deu logo outra consistência defensiva. Falando em consistência defensiva, a nossa exibição resumiu-se praticamente a isso durante a maior parte do tempo. Marcámos logo aos 4’ numa jogada com alguns ressaltos e em que a bola acabou por ir parar aos pés do Rafa, que rematou sem hipóteses para o Anthony Lopes. Enquanto esteve em campo, o Rafa ainda imprimiu alguma velocidade nas transições, mas infelizmente ressentiu-se da lesão e foi substituído aos 20’ pelo Pizzi. E nós acabámos aí. O Lyon teve uma grande oportunidade na 1ª parte, mas o Grimaldo interceptou brilhantemente o remate do adversário, quando já só tinha o Vlachodimos pela frente. Nós só voltámos a fazer uma jogada de jeito perto do intervalo, com um centro atrasado do Tomás Tavares a encontrar o Seferovic, mas o remate deste de primeira foi muito bom... para o rugby.
Esperava-se que acordássemos um pouco na 2ª parte, mas não aconteceu. Ao invés, continuámos sempre a dar a iniciativa aos franceses, que também revelaram um futebol deveras confrangedor. O problema foi o de sempre: quando não se tenta matar o jogo (as transições atacantes praticamente não existiam), acaba-se invariavelmente por sofrer um golo. Foi o que se passou aos 70’ através do holandês Memphis Depay, de longe o melhor jogador deles, a rematar cruzado depois de um centro largo para a área não ser interceptado por nenhum defesa nosso. Entretanto, já tinha entrado o Carlos Vinícius para o lugar do também lesionado Seferovic e a pouco mais de 10’ do fim, arriscámos com o Raúl de Tomás a substituir o esgotadíssimo Cervi. A cinco minutos do fim, o Pizzi lembrou-se que estava em campo e arrancou um remate de fora da área, que embateu no poste. No minuto seguinte, recebeu uma bola vinda directamente das mãos do Anthony Lopes(!) e atirou de longe para a baliza deserta. Com um golo caricato e repetível uma vez em cada 100, lá ganhámos finalmente um jogo na Liga dos Campeões, mantendo-nos desta maneira na luta pelo apuramento para os oitavos-de-final.
Em termos individuais, gostei imenso do Cervi, que se destacou especialmente nas tarefas defensivas. Aliás, não percebo que mal terá feito o argentino para ter muito menos oportunidades do que a abécula do Caio Lucas... O Rafa estava a prometer ser o melhor em campo, mas saiu muito precocemente (e vamos ver quanto tempo estará de fora com a reincidência da lesão...). Os centrais Rúben Dias e Ferro também estiveram quase intransponíveis e o Grimaldo subiu igualmente de produção em relação a partidas anteriores. A dupla de meio-campo Florentino-Gabriel permite-nos jogar mais à frente, embora não tenhamos aproveitado isso ontem.
Não há como esconder: estamos a jogar um futebol péssimo. O Lyon igualou a 20’ de fim, mas nem assim conseguimos acelerar o jogo para criar desequilíbrios. Aliás, as lentas trocas de bola exasperaram muitas vezes os adeptos. Sinceramente não sei o que se passa, porque a equipa é praticamente a mesma do ano passado e custa a perceber uma descida tão abrupta na qualidade de futebol, mesmo levando em conta a saída do João Félix. O que se passa, Benfica?
P.S. – Este marasmo deve ser contagioso, porque estiveram 53.035 espectadores no estádio e por vezes consegui ouvir(!) os jogadores a falarem em campo. Qualquer semelhança com o “Inferno da Luz” é pura coincidência.
quinta-feira, outubro 03, 2019
Figura triste
Perdemos na Rússia com o Zenit (1-3) na 2ª jornada da Liga dos Campeões
e comprometemos seriamente não só a continuidade nesta prova, como nas próprias
competições europeias. Não há como fugir à questão: foi a nossa 12ª derrota nos
últimos 15 jogos na Champions! É uma
prestação inconcebível que envergonha a nossa história.
Desta feita não houve muitas alterações na equipa (só o Jardel no lugar
do Ferro e o regresso do Gabriel, avançando o Taarabt para as costas do
Seferovic), mas o marasmo total na Europa mantém-se. Poderíamos ter sofrido um
golo quase na saída de bola, com o Jardel a ser batido na grande-área, porém tivemos
oportunidade de marcar logo a seguir num canto, com o Seferovic a atirar de
cabeça a rasar o poste. O Pizzi ainda teve um remate de longe à figura do
guarda-redes, mas aos 22’ sofremos o primeiro de três golos ridículos: troca de
bola na nossa defesa, o Vlachodimos a dar para o Fejsa, este a ser pressionado,
a perder a bola de maneira infantil, sobra para o Dzyuba que sozinho bateu o
Vlachodimos sem dificuldade. Sentimos muito o golo e até ao intervalo não
conseguimos criar mais problemas ao guarda-redes contrário.
Esperava-se que na 2ª parte fôssemos capazes de imprimir mais
velocidade ao jogo, mas isso raramente aconteceu. Aliás, foi o Zenit a quase
conseguir marcar logo no recomeço, mas valeu-nos o Vlachodimos. Por volta da
hora de jogo, o Bruno Lage resolveu mexer e tirou o apagadíssimo Pizzi e o
infeliz Fejsa para colocar o Carlos Vinícius e o Caio Lucas. Na sua única acção
de jeito no tempo em que esteve em campo, pouco depois de entrar, o Caio Lucas
teve um remate relativamente perigoso, mas o Lunev defendeu para canto. Aos 70’,
as nossas esperanças caíram de vez com o 0-2 através de um autogolo do Rúben
Dias, na sequência de uma jogada rápida pela direita que nos apanhou em
contrapé, com o nosso central a tentar cortar de carrinho, todavia a colocar a bola na baliza. Ainda houve
dúvidas sobre a posição do jogador que fez o centro, mas o VAR validou o lance.
Aos 78’, sofremos mais um golo digno dos infantis com um livre no nosso
meio-campo a ser marcado rapidamente pelos russos, que isolaram o iraniano Azmoun,
que só teve que contornar o Vlachodimos e atirar para a baliza deserta.
Confesso que aqui temi a reedição de Basileia… A nove minutos do fim, o Bruno
Lage esgotou as substituições com a entrada do Raúl de Tomás para o lugar do
Seferovic. E foi do espanhol o único aspecto positivo deste jogo, com o seu
primeiro golo pelo Benfica, aliás, um golão, num remate de fora-da-área aos 85’.
O mesmo de Tomás poderia ter marcado outro pouco depois, mas o remate saiu
muito por cima, depois de ter tirado um adversário da frente. Até final, ainda
tivemos dois cantos perigosos, mas a cabeçada do Gabriel saiu à figura e o remate do C. Vinícius muito
ao lado da baliza.
Não vou destacar ninguém individualmente, porque a exibição foi mais
uma vez paupérrima. O facto de o Pizzi e o Grimaldo andarem a fazer dos piores
jogos pelo Benfica, e o Rafa estar muito longe da sua melhor forma explica
grande parte do problema: não há ninguém que desequilibre as coisas a nosso
favor. Jogamos de modo exasperadamente lento e a equipa parece descrente
praticamente desde o início. Algo que não se percebe! Estamos a jogar na Liga
do Campeões, caramba, o mínimo que os jogadores devem fazer é mostrarem ganas
em campo!
Teremos agora duas semanas sem jogos. Espero sinceramente que a equipa
técnica consiga engendrar um plano para melhorarmos (bastante) o nosso futebol.
Isto começa seriamente a preocupar-me, porque não vejo a equipa a reagir
perante as adversidades que se vão colocando. Antes pelo contrário. Estamos
cada vez mais lentos e com menos dinâmica. E deste modo não se augura nada de
bom para esta época…
quarta-feira, setembro 18, 2019
Pena
Perdemos com o Leipzig na Luz (1-2) e pela terceira época
consecutiva iniciamos a Champions com
uma derrota em casa. Se eu festejei o facto de nos ter saído o Zenit no pote
dos tubarões, isso foi mais que
mitigado por nos terem calhado provavelmente as duas melhores equipas dos potes
3 e 4. Estes alemães, convém não esquecer, estão à frente do campeonato deles e
acabaram de empatar com o Bayern Munique neste fim-de-semana.
O Bruno Lage surpreendeu tudo e todos, fazendo estrear na equipa principal, logo a titular e num jogo de Champions, o lateral-direito Tomás Tavares, colocando o Cervi pela primeira vez na temporada e o Jota no lugar do Seferovic. É muito fácil vir criticar isso a posteriori, dado que perdemos, mas o que é facto é que o André Almeida, o Rafa e o Pizzi não tinham treinado na 2ª feira e tivemos somente três dias entre jogos. O nº 34 está a fazer os primeiros jogos da época depois de uma lesão, o Rafa quando entrou viu-se que dificilmente aguentaria o jogo todo e o Pizzi praticamente nem esteve em campo. Estamos com muitos lesionados e não há milagres. Não acho nada que o Lage tenha desmerecido a competição e facilitado. Além disso, no passado, criticava-se alguns treinadores por só contarem efectivamente com 14/16 jogadores. Agora, critica-se este por, de facto e na prática, contar com o plantel todo. Meus amigos: decidam-se! O Leipzig deu sinal logo desde o início que vinha para os três pontos, mas na 1ª parte não houve grandes oportunidades de parte a parte, excepção feita a um remate em arco que o Vlachodimos defendeu e já em cima do intervalo a uma cabeçada do Raúl de Tomás num livre que o guardião contrário também não permitiu que entrasse.
A 2ª parte foi mais aberta, com o Vlachodimos a safar-nos novamente desviando com o pé um passe atrasado que daria certamente golo, um remate em arco do Raúl de Tomás que passou perto e dois remates do Pizzi, um fraco em boa posição e outro cruzado que, embora com pouco ângulo, poderia ter tido melhor sorte. Logo a seguir a esta oportunidade, aos 69’, o Leipzig colocou-se em vantagem pelo Werner num remate de primeira sem hipóteses para o Vlachodimos. Pouco depois, tivemos a melhor oportunidade do encontro com o Taarabt a isolar magistralmente o Cervi, mas este a permitir que o húngaro Gulacsi defendesse. Já antes do primeiro golo, o Lage tinha feito estrear o David Tavares no lugar do inoperante Jota e a 15’ resolveu arriscar e fazer entrar o Rafa e Seferovic para os lugares do Pizzi e Cervi. Só que aos 79’, os alemães fizeram o 0-2 novamente pelo Werner, num lance em que o fiscal-de-linha assinalou fora-de-jogo ao jogador que fez a assistência e o VAR validou posteriormente. Tudo bem que esse jogador não estava efectivamente em fora-de-jogo, mas o Werner tirou partido da posição irregular inicial para estar isolado quando marcou. Acho que a lei deveria ser revista neste ponto, porque objectivamente o jogador em posição irregular acaba por ter intervenção (e de que maneira!) na jogada. Aos 84’, conseguimos reduzir pelo Seferovic na sequência de uma boa jogada iniciada pelo Tomás Tavares, que abriu no Rafa e este centrou para o suíço marcar. Até final, com um pouco de sorte poderíamos ter empatado, mas um remate do Rafa saiu ao lado e uma cabeçada do Taarabt num livre do Grimaldo passou muito por cima, quando era só desviar ligeiramente a bola.
Em termos individuais, o Taarabt foi o melhor do Benfica, porque foi o único que conseguiu passar a primeira barreira defensiva dos alemães e levar a equipa para a frente. A outra boa notícia foi que ganhámos um lateral-direito, porque o Tomás Tavares nem parecia que se estava a estrear. Outro jogador em destaque foi o Vlachodimos que, para além de continuar a fazer intervenções decisivas entre eles, está definitivamente melhor a sair dos postes. Ao invés, o Jota ainda tem que crescer um bocado para estas andanças, mas gostei do toque de bola do David Tavares. O Raúl de Tomás continua sem marcar, mas teve alguma falta de sorte nas duas oportunidades que teve para isso. Sempre gostei do Cervi, com a sua capacidade de luta, estava até a ser dos melhores ontem, mas aquele falhanço num jogo destes não pode acontecer.
O outro resultado deste grupo (Lyon – 1 – Zenit – 1) acabou por nos favorecer, dado que assim só temos três pontos de desvantagem para os alemães, que devem ser os grandes favoritos ao 1º lugar, apesar de terem vindo do pote 4. No entanto, daqui a 15 dias iremos a São Petersburgo e conviria muito vir de lá com pelo menos um ponto, caso contrário as coisas podem tornar-se complicadas para nós.
O Bruno Lage surpreendeu tudo e todos, fazendo estrear na equipa principal, logo a titular e num jogo de Champions, o lateral-direito Tomás Tavares, colocando o Cervi pela primeira vez na temporada e o Jota no lugar do Seferovic. É muito fácil vir criticar isso a posteriori, dado que perdemos, mas o que é facto é que o André Almeida, o Rafa e o Pizzi não tinham treinado na 2ª feira e tivemos somente três dias entre jogos. O nº 34 está a fazer os primeiros jogos da época depois de uma lesão, o Rafa quando entrou viu-se que dificilmente aguentaria o jogo todo e o Pizzi praticamente nem esteve em campo. Estamos com muitos lesionados e não há milagres. Não acho nada que o Lage tenha desmerecido a competição e facilitado. Além disso, no passado, criticava-se alguns treinadores por só contarem efectivamente com 14/16 jogadores. Agora, critica-se este por, de facto e na prática, contar com o plantel todo. Meus amigos: decidam-se! O Leipzig deu sinal logo desde o início que vinha para os três pontos, mas na 1ª parte não houve grandes oportunidades de parte a parte, excepção feita a um remate em arco que o Vlachodimos defendeu e já em cima do intervalo a uma cabeçada do Raúl de Tomás num livre que o guardião contrário também não permitiu que entrasse.
A 2ª parte foi mais aberta, com o Vlachodimos a safar-nos novamente desviando com o pé um passe atrasado que daria certamente golo, um remate em arco do Raúl de Tomás que passou perto e dois remates do Pizzi, um fraco em boa posição e outro cruzado que, embora com pouco ângulo, poderia ter tido melhor sorte. Logo a seguir a esta oportunidade, aos 69’, o Leipzig colocou-se em vantagem pelo Werner num remate de primeira sem hipóteses para o Vlachodimos. Pouco depois, tivemos a melhor oportunidade do encontro com o Taarabt a isolar magistralmente o Cervi, mas este a permitir que o húngaro Gulacsi defendesse. Já antes do primeiro golo, o Lage tinha feito estrear o David Tavares no lugar do inoperante Jota e a 15’ resolveu arriscar e fazer entrar o Rafa e Seferovic para os lugares do Pizzi e Cervi. Só que aos 79’, os alemães fizeram o 0-2 novamente pelo Werner, num lance em que o fiscal-de-linha assinalou fora-de-jogo ao jogador que fez a assistência e o VAR validou posteriormente. Tudo bem que esse jogador não estava efectivamente em fora-de-jogo, mas o Werner tirou partido da posição irregular inicial para estar isolado quando marcou. Acho que a lei deveria ser revista neste ponto, porque objectivamente o jogador em posição irregular acaba por ter intervenção (e de que maneira!) na jogada. Aos 84’, conseguimos reduzir pelo Seferovic na sequência de uma boa jogada iniciada pelo Tomás Tavares, que abriu no Rafa e este centrou para o suíço marcar. Até final, com um pouco de sorte poderíamos ter empatado, mas um remate do Rafa saiu ao lado e uma cabeçada do Taarabt num livre do Grimaldo passou muito por cima, quando era só desviar ligeiramente a bola.
Em termos individuais, o Taarabt foi o melhor do Benfica, porque foi o único que conseguiu passar a primeira barreira defensiva dos alemães e levar a equipa para a frente. A outra boa notícia foi que ganhámos um lateral-direito, porque o Tomás Tavares nem parecia que se estava a estrear. Outro jogador em destaque foi o Vlachodimos que, para além de continuar a fazer intervenções decisivas entre eles, está definitivamente melhor a sair dos postes. Ao invés, o Jota ainda tem que crescer um bocado para estas andanças, mas gostei do toque de bola do David Tavares. O Raúl de Tomás continua sem marcar, mas teve alguma falta de sorte nas duas oportunidades que teve para isso. Sempre gostei do Cervi, com a sua capacidade de luta, estava até a ser dos melhores ontem, mas aquele falhanço num jogo destes não pode acontecer.
O outro resultado deste grupo (Lyon – 1 – Zenit – 1) acabou por nos favorecer, dado que assim só temos três pontos de desvantagem para os alemães, que devem ser os grandes favoritos ao 1º lugar, apesar de terem vindo do pote 4. No entanto, daqui a 15 dias iremos a São Petersburgo e conviria muito vir de lá com pelo menos um ponto, caso contrário as coisas podem tornar-se complicadas para nós.
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