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terça-feira, setembro 21, 2021

Convincente

Vencemos ontem na Luz o Boavista por 3-1 e temos pela primeira vez o pleno de vitórias nas primeiras seis jornadas do campeonato, desde a saudosa temporada de estreia do grande Sven-Goran Eriksson (1982/83). Foi um triunfo justo, numa partida em que os axadrezados deram boa réplica ou não fossem treinados pelo João Pedro Sousa, um treinador que não usa o autocarro e tenta colocar as suas equipas a jogar futebol.
 
Com um tridente atacante formado pelo Rafa, Yaremchuk e Darwin, entrámos bem no jogo e o uruguaio teve uma boa oportunidade num centro do ucraniano, mas o remate de primeira saiu ao lado. No entanto, não demorou muito até chegarmos à vantagem, pelo mesmo Darwin, num óptimo cabeceamento a um cruzamento teleguiado do Diogo Gonçalves aos 14’. O Boavista reagiu bem e proporcionou ao Vlachodimos uma boa defesa num remate fora da área. E foi também de fora da área, depois de uma perda de bola comprometedora do Weigl, que chegou à igualdade aos 32’ através do Sauer, com um golão sem hipóteses para o nosso guarda-redes. No entanto, o Weigl redimiu-se, e bem, logo a seguir (34’) ao fazer de cabeça o 2-1, depois de um cruzamento largo do João Mário para área e assistência também de cabeça do Otamendi para o alemão.
 
Ao intervalo, o Diogo Gonçalves ficou no balneário, aparentemente por problemas físicos, e entrou o Lazaro. Não melhorámos, antes pelo contrário. O Boavista entrou bem e colocou o Vlachodimos em sentido, mas do outro lado também o Yaremchuk num remate forte de primeira obrigou o Bracali a defender para canto. Num canto, o Lucas Veríssimo deveria ter tido melhor direcção no cabeceamento, mas aos 61’ conseguimos aumentar a vantagem num bis do Darwin, depois de assistência do Rafa, isolado num passe em profundidade do Lucas Veríssimo. A meio da 2ª parte, o Jesus resolveu dar descanso ao Yaremuck e dar a enésima oportunidade ao Everton, mas foi o Darwin a falhar o seu terceiro golo, ao permitir a defesa do Bracali com o pé, quando estava isolado perante ele depois de um passe a rasgar do Grimaldo. O mesmo Bracali defendeu para canto um cabeceamento do Everton que iria lá para dentro, mas o Boavista também nunca deixou de tentar marcar, tendo o Vlachodimos revelado a sua segurança habitual.
 
Em termos individuais, destaque para o Darwin com novo bis depois dos Açores. É o tipo de jogador que fica bastante confiante quando marca golos e o facto de ter tido o Yaremchuk ao lado faz com que os centrais contrários tenham de dividir atenções, o que nos favoreceu. O ucraniano não marcou, mas percebe-se a milhas que é bom jogador. O Rafa é outro a passar um belo momento de forma, com acelerações que desestabilizam as defesas contrárias, só tendo de melhorar no último passe (tal como fez no terceiro golo). Os três centrais (Lucas Veríssimo, Otamendi e Vertonghen) estiveram imperiais e o nosso meio-campo dá gosto de ver com o Weigl e João Mário sempre a simplificar processos e dar fluidez ao nosso jogo. Que diferença em relação ao ano passado...!
 
Teremos no próximo sábado a saída sempre complicada a Guimarães antes do regresso da Champions. Será o jogo doméstico mais difícil até agora, mas a equipa tem vindo a subir de forma de jogo para jogo e espera-se naturalmente mais uma vitória.

quarta-feira, setembro 15, 2021

Empate

Estreámo-nos ontem na fase de grupos da Liga dos Campeões com uma igualdade (0-0) em Kiev frente ao Dínamo. Durante a maior parte da partida demonstrámos que somos superiores, mas o pesadelo que foi o período de compensação acaba por tornar o resultado justo.
 
Como seria de esperar, alinhámos com três centrais e, na frente, o Yaremchuk e o Rafa regressaram em relação aos Açores, mantendo-se o Everton a titular. Todos os comentadores diziam que o Dínamo Kiev era forte no ataque e fraco na defesa, mas como domina no campeonato ucraniano essas dificuldades defensivas não eram muito testadas. Ora, o que se viu foi uma equipa super-fechada e com muito respeito por nós. Entregou-nos o comando do jogo, mas nós raramente conseguimos criar oportunidades na 1ª parte, porque fomos sempre muito lentos. Paciência e segurança a circular a bola é bom, mas quando é demasiado não leva a lado nenhum. Só por duas vezes criámos situações complicadas aos ucranianos, num erro deles a sair a jogar que o Everton desaproveitou devido à sua lentidão e num remate de primeira do Yaremchuk, que saiu um pouco à figura do guarda-redes Boyko, embora este tenha tido de o defender para a frente. Do outro lado, um livre directo na parte inicial da partida foi muito bem defendido pelo Vlachodimos, que para não variar começou a evidenciar-se.
 
Na 2ª parte, as coisas mantiveram-se na mesma, connosco a dominar, mas a criar poucas ocasiões para esse domínio. A nossa melhor situação de golo foi através do Yaremchuk, com um remate de pé esquerdo quase na pequena-área na sequência de uma insistência do Rafa, com a bola a sobrar para o nosso ucraniano proporcionar ao Boyko uma defesa que nem sabe bem como. Por volta da hora de jogo, fizemos uma tripla substituição com as entradas do Darwin, Lazaro e a estreia do Radonjic para os lugares do Yaremchuk, Gilberto e o inoperante Everton, mas a equipa piorou. Deixámos de conseguir fazer com que a bola chegasse ao ataque, embora o sérvio Radonjic tenha tido um par de arrancadas que fizeram prometer algo, que infelizmente não se cumpriu. Continuaram a ser as acelerações do Rafa a causar problemas ao Dínamo Kiev, embora fossem cada vez menos com o decorrer do tempo. E foram mesmo os ucranianos que terminaram o jogo em cima de nós, com três oportunidades na compensação que incluíram uma bola ao poste (na verdade foram duas, porque o Otamendi ia fazendo um autogolo), duas boas defesas do Vlachodimos e um golo mesmo a acabar anulado pelo VAR, por fora-de-jogo do jogador que fez a assistência. Foi um enorme suspiro de alívio, porque estivemos mesmo à beira de perder um jogo que deveríamos ter ganho.
 
Em termos individuais, se ficámos a zeros na Europa devemos mais uma vez ao Vlachodimos, que se mostra como uma das grandes figuras deste início de temporada. Outro que fez um jogão foi o Weigl no meio-campo, sempre a pressionar os adversários e a recuperar muitas bolas. O Rafa foi praticamente o único que conseguiu desestabilizar os ucranianos, ao contrário do Everton, que continua a ser um corpo estranho na equipa: muito, muito lento, sempre com a mesma finta para dentro, falta de espontaneidade no remate, enfim, custa a perceber porque é que continua a ser titular... Nas substituições, para o tipo de jogo que estávamos a fazer, de tabelinhas e combinações atacantes, teria sido melhor entrar o Gonçalo Ramos do que o Darwin na 2ª parte. O Radonjic criou algumas expectativas, dado que parece ser o tipo de jogador que não tem medo de enfrentar os adversários e consegue acelerar o nosso jogo, tal como o Rafa. A rever.
 
Como o Bayern Munique foi ganhar 3-0 em Nou Camp, a nossa recepção ao Barcelona na próxima jornada será muito importante para definir o 2º lugar no grupo. O Barça parece-me bastante mais fraco esta temporada, pelo que podemos ter aqui uma boa oportunidade para fazermos uma gracinha...

segunda-feira, setembro 13, 2021

Cada tiro, cada melro

Goleámos no sábado o Santa Clara nos Açores (5-0) e, com o empate (1-1) entre a lagartada e o CRAC, temos agora quatro pontos de vantagem perante ambos. Quem vir só o resultado, poderá pensar que o jogo foi um passeio, mas não foi bem assim, dado que o primeiro golo só surgiu perto do intervalo e depois de uma 1ª parte bastante fraca. No entanto, se este jogo está na memória de todos nós como um dos mais azarados da nossa história, o do passado sábado deve ser um dos com maior grau de eficácia, porque fomos cinco vezes à baliza e marcámos cinco golos!

Voltámos ao esquema dos três centrais, com a novidade Rodrigo Pinho na frente ao lado do Darwin e o Everton na ala, indo o Pizzi para o banco e tendo regressado igualmente o Diogo Gonçalves na direita. O jogo começou repartido, mas rapidamente o Santa Clara tomou conta das coisas na 1ª parte, de tal forma que atirou uma bola ao poste na sequência de um livre e proporcionou ao Vlachodimos uma defesa difícil a um remate de fora da área. Na única ocasião que tivemos, aos 42’, inaugurámos o marcador: abertura do Grimaldo e remate de primeira na passada do Rodrigo Pinho de pé esquerdo, sem hipóteses para o guarda-redes Marco. Íamos para o intervalo em vantagem, mas bastante lisonjeira.

Na 2ª parte, o Jesus fez entrar o Rafa logo de início, tendo saído o Rodrigo Pinho. Estranhei bastante a substituição, dado que tinha sido o marcador do golo e havia outros jogadores que também estavam a passar ao lado do jogo, mas dar moral a algum jogador nunca foi apanágio do Jesus. De qualquer maneira, acabou por resultar (não tanto a saída dele, mas a entrada do Rafa), porque marcámos quatro golos em 23 minutos! Aos 53’, excelente abertura do Everton (provavelmente a única coisa de jeito que fez em toda a partida) a isolar o Darwin, que atirou contra a relva, mas enganou o guarda-redes. Aos 58’, golão do Rafa com um remate de fora da área, em que o guarda-redes nem se mexeu. Aos 62’, bis do Darwin com um remate de pé esquerdo, que foi desviado por dois(!) defesas. Finalmente, aos 68’, o recém-entrado Yaremchuk correspondeu muito bem a um centro rasteiro do Grimaldo na esquerda. O Santa Clara nem percebeu bem o que se passou com este autêntico atropelamento... Com o jogo decidido, ainda deu para estrear o Valentino Lazaro e para perceber que o Gedson deve ser a primeira alternativa ao João Mário, dado que entrou bastante bem na partida e é muito melhor do que o Taarabt (também não é difícil...). Até final, o Vlachodimos esteve atento e impediu que os açorianos conseguissem o golo de honra.

Em termos individuais, se é certo que o Darwin bisou, a considerável melhoria exibicional deve-se fundamentalmente à entrada do Rafa, que incutiu na equipa a velocidade de processos que faltou durante praticamente toda a 1ª parte. Bom jogo igualmente do Grimaldo com duas assistências e saúda-se o regresso do Diogo Gonçalves. Os centrais estiveram bem, com destaque para o Vertonghen. O Vlachodimos foi importante para manter a baliza a zeros, mas aquela saída extemporânea na 1ª parte, que lhe valeu o amarelo, deveria ter sido evitada. Quanto ao Lazaro, ainda não deu para ver grande coisa, mas o Everton continua muito fora dela.

Cinco jogos, cinco vitórias na Liga e os rivais a quatro pontos. Claro que é muito cedo na temporada, mas sempre é melhor um começo assim do que o contrário. Porém, temos de mudar o chip, porque teremos amanhã a estreia na Champions em Kiev e é muito importante começar também com uma vitória, para que pelo menos a Liga Europa fique bem encaminhada.

quinta-feira, setembro 09, 2021

Irlanda e Azerbaijão

Conseguimos seis pontos nesta jornada de selecções (2-1 em casa frente à Irlanda e 3-0 em Baku) e, com o empate da Sérvia na Irlanda (1-1), estamos agora com dois pontos de vantagem sobre os sérvios. Ou seja, estamos muito bem lançados para nos qualificarmos directamente para o Qatar 2022.

Na 4ª feira, dia 1 de Setembro, recebemos a Irlanda no Estádio do Algarve e não nos livrámos de um enorme susto, quando sofremos o 0-1 em cima do intervalo e estivemos a perder até aos 89'! Foi das piores exibições de que me lembro da selecção, a que eventualmente não será alheio o facto de quase não termos treinado, tal como referiu o Fernando Santos. Esta janela de selecções agora tem três jogos numa semana, o que é uma brutalidade e uma estupidez. Basta ver os resultados de muitas selecções. Um bis do Cristiano Ronaldo de cabeça (89' e 96'), a centros do Gonçalo Guedes e João Mário, salvou-nos de complicarmos (muito) as contas para um apuramento directo e tornou-o o melhor marcador de sempre de selecções, agora com 111 golos. Pronto, agora que o recorde está batido, talvez possamos jogar mais sem ser sempre só para ele, não...?!

Como o C. Ronaldo festejou o golo da vitória tirando a camisola, o respectivo amarelo tirou-o da ida ao Azerbaijão na passada 3ª feira. Mas a nossa exibição foi bastante melhor e resolvemos o jogo logo na 1ª parte, como golos do Bernardo Silva (que golão!) aos 26' e André Silva aos 31'. Desperdiçámos a oportunidade de uma goleada, mas ainda fizemos o 3-0 aos 75' numa cabeçada do Diogo Jota.

Entre os dois jogos, tivemos um particular com o Qatar na Hungria, que vencemos por 3-1, com golos do André Silva, Otávio (na estreia de mais um naturalizado brasileiro que tenho a certeza de que, tal como o Deco e Liedson, manterá muitas raízes em Portugal quando acabar a carreira...) e Bruno Fernandes, de penalty.

segunda-feira, agosto 30, 2021

A ferros

Vencemos o Tondela na Luz por 2-1 e, com o empate da lagartada em Famalicão (1-1), isolámo-nos na frente do campeonato à 4ª jornada. Estes jogos contra o Tondela na Luz têm sido quase sempre muito stressantes, porque já perdemos, já empatámos (e demos cabo de um campeonato com este empate) e já ganhámos perto do final. Neste caso, como esta época, dado que o golo da vitória só foi marcado a dois minuto do fim!
 
Apesar de já terem passado cinco dias desde o jogo em Eindhoven e vir a pausa das selecções, o Jesus voltou a fazer rotação da equipa e voltámos ao 4-4-2, com o Darwin e Gonçalo Ramos na frente. Como o Conselho de Disciplina nos fez o favor (sem itálico, nem ironias) de castigar o Taarabt por causa da expulsão na final da Taça, o meio-campo foi com o Meïté e o João Mário, com o Pizzi e Everton nas alas, enquanto que, na defesa, o André Almeida regressou à titularidade. No entanto, oferecemos 45’ ao adversário, já que a nossa 1ª parte foi péssima. Nunca encontrámos verdadeiro antídoto para ultrapassar a boa organização defensiva dos beirões, que não se limitaram a defender e abriram o marcador aos 22’ através do Salvador Agra, num remate cruzado em que o Vlachodimos eventualmente poderia ter feito mais. Com o Pizzi e o Everton completamente fora dela, as bolas quase não chegavam à frente. Um par de remates do Darwin e outro do João Mário para defesa do guarda-redes Babacar Niasse foi o melhor que conseguimos, mas tudo sem perigo eminente.
 
A 2ª parte começou logo com três alterações: Gilberto, Weigl e Rafa para os lugares do André Almeida, Meïté e Pizzi. E a transformação foi imediata, com uma cabeçada por cima do Gilberto, na sequência de um canto e alguns ressaltos, que deveria ter tido melhor direcção, já que foi feita praticamente em cima da baliza. Dez minutos depois do recomeço, foi o Gonçalo Ramos com um grande remate de primeira a proporcionar ao Niasse uma grande defesa. Logo a seguir, o Sr. Tiago Martins e o Sr. Hugo Miguel no VAR não consideraram falta um óbvio derrube ao Rafa na área. O habitual...! À passagem da hora de jogo, o Darwin foi substituído pelo estreante Rodrigo Pinho (o Jesus ainda me há-de explicar porque é que acha que este é melhor do que o Carlos Vinícius, mas enfim...) e pouco depois o João Mário e o Grimaldo ajudaram o Niasse a tornar-se o melhor em campo, com mais duas boas intervenções. Até que, aos 71’, finalmente conseguimos o golo num canto do João Mário na direita, desvio do Weigl ao primeiro poste e o Rafa no segundo a atirar lá para dentro. O primeiro obstáculo estava superado, mas faltava o segundo, porque uma oportunidade destas de colocar os rivais atrás não se podia desperdiçar. A quinze minutos do fim, o Jesus resolveu tirar o Gonçalo Ramos e colocar o Seferovic. Íamos para a parte final do jogo tendo como pontas-de-lança um jogador que fazia a estreia pelo Benfica e outro que só tinha feito cerca de meia-hora no primeiro jogo da época. Não é que o Gonçalo Ramos estivesse a fazer uma exibição de encher o olho, mas estava bastante esforçado e a mexer-se muito no ataque. Viu-se bem a diferença para o Seferovic, que naturalmente não pode ter o mesmo ritmo nesta altura. Enfim... Perdemos um bocado o ímpeto com que estávamos, mas aos 88’ o golo da vitória surgiu por um dos improváveis: jogada entre o Gilberto e o João Mário na direita, centro deste para a área, um corte atabalhoado de um defesa e o Gilberto muito bem, com a parte de fora do pé, a colocar a bola rasteiro no canto inferior direito da baliza. Grande golo de um jogador que incompreensivelmente tem tantos benfiquistas que não gostam dele. Está MUITO longe de ser dos piores laterais-direitos que passaram por cá. Até final, conseguimos gerir a posse de bola e selar uma vitória bastante importante para fechar este ciclo infernal de jogos.
 
Em termos individuais, destaque para os três jogadores que entraram no início da 2ª parte: os golos foram de dois deles e o Weigl colocou toda a equipa a rodar. O Meïté é bom para segurar jogos, mas perante este tipo de adversário o Weigl tem naturalmente outra técnica e classe que é muito mais útil. Para além dos golos, o Rafa e o Gilberto imprimiram uma velocidade ao nosso jogo que está milhas à frente do Pizzi e André Almeida. O João Mário enche-me cada vez mais as medidas, com um tipo de futebol muito simples, mas cheio de classe. Não é de grandes arrancadas para a frente, mas mete a bola a rolar para os companheiros. Que diferença em relação aos outros médios que jogam ali...! (Amanhã fecha o mercado. Não se arranja aí um clubezinho para o Taarabt...? Ou precisamos de pedir uma cunha ao Conselho de Disciplina para estender o castigo até... sei lá... final da temporada?). A defesa esteve algo insegura na 1ª parte, com o Vertonghen a ser batido em velocidade em alguns lances, mas na 2ª o Tondela mal passou de meio-campo. O Everton tem de rever rapidamente o que se passa, porque voltou à forma com que iniciou a época passada. Ou seja, completamente inconsequente, complicativo e a nunca tentar ganhar a linha.
 
Iremos agora parar duas semanas para as selecções. Felizmente, digo eu, que este mês de Agosto foi demasiado intenso, mas felizmente pleno de sucesso.

quarta-feira, agosto 25, 2021

Épico

Empatámos em Eindhoven frente ao PSV (0-0) e estamos, passado um ano, novamente na fase de grupo da Liga dos Campeões. Este adjectivo já terá sido utilizado em vários títulos, mas de facto não há nenhum melhor, dado que estivemos a jogar com dez jogadores desde os 32’, por duplo amarelo do Lucas Veríssimo. Como bem nos recorda essa série de programas que todo o benfiquista deve ouvir, a História Gloriosa, dos meus amigos Nuno Picado, Filipe Inglês (Bakero) e dessa enciclopédia viva de benfiquismo chamada Alberto Minguéns, a nossa história faz-se de conquistas, mas igualmente de grandes sacríficos. E o jogo de ontem tem entrada directa nesses jogos inolvidáveis, como o de Turim ou de Trondheim, apenas para nomear dois jogos mais recentes.
 
Eu estava bastante apreensivo, porque os holandeses foram muito fortes na Luz, mas entrámos muito bem na partida, mesmo estando a jogar com dez desde o início (a sério, não há quem nos faça o favor de levar o Taarabt para longe da Luz...?!). Conseguimos controlar perfeitamente o PSV até à expulsão e até tivemos uma ótima oportunidade através do Rafa, cujo remate em boa posição foi cortado por um defesa para canto. Pouco depois, o PSV teve igualmente uma boa ocasião num remate à malha lateral depois de um cruzamento da direita. Até que veio o minuto 32 e eu vi Mozer em Parma em 1993/94 all over again. Depois de um amarelo perfeitamente idiota por ter falhado um passe, o Lucas Veríssimo meteu 37 milhões de euros em causa ao saltar com o braço aberto, metendo-se a jeito para o Sr. Slavko Vincic lhe mostrar o segundo. Se as coisas nos estavam a correm bem até então, a partir dali perspectivava-se o pior. Até ao intervalo, ficámos com os quatro defesas e vimos o Vlachodimos assumir-se como o homem da eliminatória, ao defender com a perna um remate do Madueke que lhe apareceu isolado pela frente sob a direita. Madueke, esse, que já antes num remate em arco tinha criado bastante perigo.
 
Na 2ª parte, dado que tínhamos de defender o 0-0, eu esperava a entrada do Meïté para o lugar desse erro chamado Taarabt e do Gonçalo Ramos, porque defende bastante melhor do que o Yaremchuk. Porém, não houve alterações e a equipa voltou ao esquema dos três centrais, com o Gilberto como um deles e o Rafa a fechar a lateral-direita. Mais estranho não poderia ser, até porque o Rafa deveria estar na frente, porque era o único cuja velocidade poderia causar problemas aos holandeses. Claro que aquela disposição táctica estava condenada a não durar muito tempo e aos 54’ entrou o Vertonghen para o lugar do equívoco Taarabt. Voltávamos a estar com dez novamente! Num raro contra-ataque, foi o Yaremchuk a conduzi-lo e a rematar já em esforço por cima, quando eventualmente poderia ter resolvido de outra forma. O PSV naturalmente dominava e goleava-nos em posse de bola, mas o Jesus respondia muito bem tacticamente e à passagem da hora de jogo entraram o André Almeida e o Gonçalo Ramos para os lugares do Gilberto e Yaremchuk. O único erro do Morato no jogo deu a melhor oportunidade ao PSV, com o Madueke na direita a assistir o isolado Zahavi no meio, mas este a atirar ao poste com a baliza completamente escancarada. Os deuses estiveram connosco, mas pareceu-me na repetição que o israelita estava ligeiramente fora-de-jogo. Nunca saberemos o que aconteceria caso a bola tivesse entrado... Felizmente aos 70’, o treinador dos holandeses resolveu tirar o Madueke e as coisas melhoraram um pouco para nós. A equipa mostrava-se bastante solidária e conseguimos não dar espaços ao PSV para entrar na nossa área. A 15’ do fim, esgotámos as substituições com o Everton e Meïté para os lugares do Rafa e João Mário, que já tinha visto um amarelo. Com a saída deste, deixámos de conseguir ter posse de bola, mas estando já amarelado seria um alvo fácil. O Everton ainda teve uma jogada típica sua, flectindo da esquerda para o meio, mas o remate saiu à figura. Do outro lado, continuava o show Vlachodimos a suster os poucos remates que lhe chegavam, entre os quais um duplo já a 5’ do fim, em que o grego esteve brilhante especialmente na defesa à recarga. Quando o esloveno sr. Slavko Vincic apitou para o final, dei um berro que se deve ter ouvido em Eindhoven. Foi uma catarse absolutamente necessária para uma camada de nervos que já não tinha provavelmente desde que fomos campeões com o Lage.
 
Em termos individuais, ÓBVIO destaque para o Vlachodimos. O Jesus bem pode continuar na teimosa de não o reconhecer directamente, mas o grego foi o homem da eliminatória. Ponto. Se estamos na Champions, a ele o devemos. Parágrafo. É um facto que qualquer pessoa que não seja cega vê! Realce também para as grandes exibições do Weigl (correu 12 km!) e do Grimaldo, que depois de ter uma 1ª mão muito difícil perante o Madueke, conseguiu ontem não ser batido uma única vez por ele. Os centrais foram muito importantes como muralha defensiva, apenas com o tal erro do Morato que nos poderia ter custado caro. O Lucas Veríssimo é bom que reflicta sobre o que se passou, pois esteve prestes a ter uma nódoa dificilmente apagável no seu currículo. Livrou-se de boa!
 
Como disse o Rui Costa aos jogadores no balneário, podem levar este jogo para o resto das suas vidas. Foi uma qualificação com enorme sofrimento, mas muito merecida precisamente por essa capacidade de ultrapassar as contrariedades. Assistimos a uma jornada heróica que não desmerece em nada a nossa história. Já andávamos a precisar disto há algum tempo. Viva o BENFICA!
 
P.S. – Estamos no pote 3 no sorteio. Portanto, por mim, pode ser o Villarreal, PSG e Sheriff. Adoraria ver o Messi, Neymar, Mbappé e Donnarumma na Luz, acho que teríamos hipóteses na luta pelo 2º lugar e a Liga Europa estaria em princípio garantida.

domingo, agosto 22, 2021

Difícil

Vencemos ontem o Gil Vicente em Barcelos por 2-0 e mantivemo-nos na frente do campeonato, juntamente com a lagartada, que derrotou o Belenenses SAD por 2-0, enquanto o CRAC empatou no Marítimo (1-1) e está com menos dois pontos. Continuo à espera que alguém me explique porque é que algumas eliminatórias da Champions têm seis dias de intervalo (4ª e 3ª feira) e outras oito (3ª e 4ª feira), em vez de terem ambas sete (as duas 3ªs feiras e as duas 4ªs, obviamente), mas assim sendo, e estando nós no primeiro caso, já era esperado que o Jesus fizesse alterações na equipa. O que tornou esta partida ainda mais complicada e só com a entrada dos titulares as coisas melhoraram, mas mesmo assim só marcámos o primeiro logo já bem dentro dos últimos 10’.

Entrámos bem no jogo e o Taarabt enganou-se atirando uma bola ao poste, tendo nós ainda outra bola ao poste e posterior golo de recarga do Gilberto, mas o Everton que fez a assistência estava claramente em fora-de-jogo. Controlávamos bem o Gil Vicente em termos defensivos, mas no ataque só tivemos mais duas boas ocasiões, num livre do Taarabt defendido pelo guarda-redes Kritciuk e noutro remate por cima do Yaremchuk, que deveria ter feito melhor porque estava em excelente posição, depois de ser isolado por um calcanhar do Everton. Do lado contrário, o Vlachodimos conseguiu resolver o pouco que lhe apareceu pela frente.

A 2ª parte começou logo com uma grande jogada individual do Gonçalo Ramos, que só não deu golo porque o Kritciuk cedeu canto in extremis. Tivemos novo golo anulado de cabeça por fora-de-jogo, desta feita do Yaremchuk, e íamos pressionando cada vez mais e empurrando o Gil Vicente para o seu meio-campo. O Jesus lançou o Pizzi, André Almeida e João Mário ainda antes da hora de jogo, mas logo a seguir das substituições foi o Vlachodimos a safar-nos com uma defesa com o corpo a um remate do Murilo praticamente isolado. O Gonçalo Ramos teve das melhores ocasiões num cabeceamento de cima para baixo, que nem se percebeu como o guarda-redes defendeu. O Gil Dias e o Pizzi também poderiam ter feito melhor em termos de remate quando estavam em boa posição e, a pouco menos de 20’ do fim, entraram o Darwin e o Grimaldo. O João Mário viu um remate seu prometedor a ser interceptado, como interceptado pelo Lucas Veríssimo foi também (e felizmente!) um fraquíssimo remate do Pizzi, com o central brasileiro a ter só de atirar para a baliza deserta, já que o Kritciuk se tinha lançado à primeira bola. Estávamos nos 84’ e o suspiro de alívio foi enorme! O Gil Vicente sentiu imenso o golo, como seria de esperar, e aos 88’ o Grimaldo fechou as contas com um golão de fora-da-área.

O destaque individual vai obviamente para o Lucas Veríssimo, cuja inteligência foi bem demonstrada na sua acção no primeiro golo: percebeu que o remate do Pizzi não ia a lado nenhum e resolveu corrigi-lo. Para além disso, em termos defensivos esteve irrepreensível. Neste capítulo defensivo, também menção muito honrosa para o Morato, que aparenta estar a crescer de jogo para jogo. No meio-campo, o Meïté fez uma exibição em crescendo e viu-se bem a diferença de quando entrou o João Mário para o lugar da abécula Taarabt. O Everton continua igual ao que começou a temporada passada e espero que reencontre rapidamente o Everton que acabou a época. O Yaremchuk esteve mais discreto do que em relação aos outros jogos e o Gonçalo Ramos acabou por ter algum azar, pois viu o guarda-redes tirar-lhe dois golos feitos. O Vlachodimos voltou a mostrar-se seguro e a não dar razão a algumas desvalorizações que o Jesus lhe faz.

Depois de ultrapassado este obstáculo bastante complicado, mas teremos outro ainda mais na próxima 3ª feira. É fundamental irmos à Liga dos Campeões e, para tal, teremos de fazer um jogo muito inteligente em Eindhoven. Espero que o descanso do Rafa o torne uma seta ao PSV, porque as rápidas transições ofensivas vão ser cruciais.

quinta-feira, agosto 19, 2021

Justo

Vencemos ontem o PSV na Luz (2-1) na 1ª mão do play-off de acesso à Liga dos Campeões. Foi um resultado muito bom, eventualmente até um pouco lisonjeiro para nós, num jogo bastante complicado perante um adversário que só tinha somado vitórias até agora.


No regresso esperado dos três centrais, o Yaremchuk foi o ponta-da-lança e foi dele a abertura para o Rafa inaugurar o marcador logo aos 10’. Não poderíamos ter tido melhor começo! No entanto, daí até perto do intervalo o jogo foi todo dos holandeses. Especialmente pelo seu lado direito, onde o Madueke deu cabo da cabeça do Grimaldo, o PSV pressionou-nos como nenhuma equipa tinha feito até agora. Lá conseguimos não os deixar criar grandes oportunidades, apesar de terem goleado na posse de bola. O Weigl perdeu umas quantas bolas em zona de perigosa, felizmente sem consequências, mas redimiu-se dessas falhas pouco habituais ao fazer o 2-0 aos 42’, aproveitando um ressalto na área depois de um canto do Pizzi. O PSV dominava e nós marcávamos. Não estava mal...!


Na 2ª parte, esperava-se que tivéssemos mais posse de bola e até voltámos a começar bem, com o Yaremchuk a rematar ao lado, mas o lance foi anulado por fora-de-jogo. Logo a seguir, foi o Rafa a ter uma boa oportunidade depois de uma combinação com o Grimaldo, mas o remate saiu fraco e o guarda-redes defendeu sem dificuldade. Aos 51’, um balde de água fria com o golo dos holandeses através do Gakpo, que cortou um ataque nosso e iniciou ele próprio um contra-ataque venenoso que concluiu com um remate de fora da área. Sentimos o golo e os holandeses voltaram a dominar grande parte do segundo tempo. O jogo estava bastante rápido e fisicamente começámos a dar o berro, pelo que o Jesus fez quatro substituições de uma só vez, que tiveram o condão de estabilizar a equipa, nomeadamente a entrada do Meïté para o meio-campo. Até final, contámos com o Vlachodimos para manter a nossa baliza inviolada.


Em termos individuais, destaque novamente para o Yaremchuk que assistiu num golo e participou no ressalto que deu o segundo. No entanto, o melhor do Benfica foi indiscutivelmente o Vlachodimos com pelo menos quatro defesas de golo. (Não percebi de todo as declarações do Jesus no final do jogo a desvalorizar a exibição do grego...! É claramente melhor do que o Helton Leite.) O Rafa é quem mais cria desequilibrios atacantes e fica indiscutivelmente na história deste jogo pelo golo marcado. Os centrais estiveram globalmente bem, com o Morato a não tremer e o Lucas Veríssimos inclusive a participar nas acções atacantes com um belo remate de fora da área na 1ª parte, que proporcionou ao guarda-redes uma excelente defesa. para canto Quanto aos menos, o Pizzi passou indiscutivelmente ao lado do jogo e desta vez não tem uma assistência ou um golo para compensar.


Iremos passar um mau bocado na Holanda, porque este PSV me parece de outro calibre. Teremos obrigatoriamente de marcar e, provavelmente só um golo não chega. Eu reforçaria o meio-campo com Meïté e Weigl, avançando o João Mário e colocando o Pizzi no banco. É imperativo fazermos um jogo muito inteligente, até porque a vantagem de se marcar fora deixou de existir e, portanto, só não perdendo o jogo é que nos conseguiremos apoiar (sim, eu sei que pode haver penalties depois de uma derrota por um golo, mas estava a falar de jogo corrido.). No entanto, antes disso temos uma difícil deslocação a Barcelos, onde se prevê que o Jesus faça uma grande rotação na equipa. As segundas linhas terão mais uma oportunidade para justificarem que merecem fazer parte do plantel.

terça-feira, agosto 17, 2021

Escasso

Vencemos o Arouca no sábado na Luz por 2-0 e obtivemos a segunda vitória em dois jogos no campeonato. O jogo ficou indiscutivelmente marcado pela indiscutível expulsão precoce do guarda-redes do Arouca, que tornou a nossa tarefa mais simples, mas, apesar de termos chegado ao intervalo com o resultado feito, ficámo-nos a dever uma mão cheia de golos.

Com necessidade de rodar novamente a equipa, fruto do play-off com o PSV, o Jesus voltou ao esquema dos quatro defesas, com o Morato a titular. Na frente, o Yaremchuk estreou-se na equipa inicial, tendo o Waldschmidt ao seu lado, enquanto no meio-campo o Meïté fez companhia ao João Mário. Logo aos 8’, deu-se o momento do jogo, com uma desatenção incrível do guarda-redes Victor Braga, que não percebeu que o Sr. Manuel Mota tinha mandado seguir o jogo depois de um fora-de-jogo nosso. Atirou a bola para a frente para marcar o suposto livre, o Yaremchuk interceptou-a, o guarda-redes foi ao seu encontro e defendeu com as mãos fora da área. Expulsão evidente. No livre directo, dupla bola nos ferros(!) da nossa parte: do Waldschmidt na cobrança e do Everton na recarga de cabeça com a baliza totalmente à mercê. Incrível! Com menos um, o Arouca fechou-se ainda mais e tivemos muitas dificuldades em desmontar a sua defesa. Um remate do Everton de fora da área por cima à passagem da meia-hora foi o melhor que conseguimos até virem os golos muito perto do intervalo. Aos 38’, contra-ataque perfeito da nossa parte com o João Mário a abrir na direita para o Yaremchuk, que correu, bateu um defesa e assistiu o Waldschmidt no centro da área, que só teve de encostar. O único remate perigoso do Arouca em toda a partida surgiu logo a seguir, com o Vlachodimos a defender para canto. Aos 43’, resolvemos o jogo, com o 2-0 através do Yaremchuk a corresponder muito bem a um centro do Pizzi na direita. Claro que ainda tivemos o momento habitual de esperar que o VAR validasse os centímetros todos para podermos festejar à vontade...! (Já aqui disse que ABOMINO o VAR, não já?)


A 2ª parte foi um fartote de golos falhados! Alguns de forma escandalosa! O João Mário ia marcando o golo do campeonato logo a abrir, mas o remate de longe saiu a rasar o poste. O Jesus começou a fazer poupanças ainda antes da hora de jogo e saíram o João Mário, Pizzi e Yaremchuk para entrarem o Taarabt, Rafa e Gonçalo Ramos. De saudar igualmente o regresso do André Almeida depois de longa lesão. Quanto a oportunidades, o Rafa rematou por cima em boa posição, o Waldschmidt falhou inacreditavelmente uma recarga com a baliza aberta, depois de o Rafa isolado ter permitido a defesa do guarda-redes, e o Gonçalo Ramos, também só com o guarda-redes pela frente, atirou ao poste! Ainda colocámos a bola na baliza pelo Waldschmidt, mas o VAR anulou por fora-de-jogo, apesar de me ter parecido que foi um defesa a colocar a bola no alemão. Até final, ainda deu para vermos novamente o Carlos Vinícius em campo com a nossa camisola, facto que foi bastante saudado pelo público.


Em termos individuais, destaque óbvio para o Yaremchuk com uma assistência e um golo no seu primeiro jogo a titular. Tem facilidade de remate, o que é sempre de saudar, mas terá de melhorar as tabelinhas e alguns domínios de bola. Também gostei bastante do Meïté no meio-campo, com muito mais dinâmica do que em Moreira de Cónegos. O Gil Dias fez igualmente um jogo melhor do que em Moreira, embora ainda tenha as minhas dúvidas que seja uma alternativa válida ao Grimaldo. O Pizzi fartou-se de estragar jogo, mas como fez uma assistência tudo o resto parece ficar esquecido.


Acabou por ser uma vitória relativamente tranquila, o que foi benéfico, porque temos amanhã a 1ª mão do play-off da Champions frente ao PSV. Estamos num razoável momento de forma para esta altura da época, mas veremos se será suficiente para passar os holandeses. É sem dúvida um dos momentos mais importantes desta temporada.

quarta-feira, agosto 11, 2021

Em frente

Na recepção ao Spartak Moscovo, voltámos a vencê-los por 2-0 e qualificámo-nos para o play-off de acesso à Champions, onde iremos defrontar o PSV Eindhoven. Foi outro triunfo indiscutível em que a nossa superioridade ainda esteve mais vincada do que no jogo da 1ª mão.
 
Com o regresso do público à Luz (FINALMENTE!), fizemos uma partida bastante inteligente em que praticamente não deixámos os russos passarem de meio-campo. Depois do descanso em Moreira de Cónegos, os titulares voltaram todos, mas à semelhança de Moscovo não conseguimos marcar na 1ª parte. O Spartak fechou-se ainda mais lá atrás e não conseguimos ter o mesmo número de oportunidade da 1ª mão. Dois remates do Pizzi no mesmo lance, ambos interceptados por defesas, foi o melhor que conseguimos. Do lado contrário, um remate enrolado, que desviou num defesa nosso e foi defendido pelo Vlachodimos, foi a única(!) (meia-)oportunidade dos russos em toda a partida.
 
Ao intervalo, o Vertonghen saiu lesionado e entrou o Morato, que fez logo um disparate na primeira vez que tocou na bola, mas depois conseguiu equilibrar-se no resto do tempo. O jogo manteve igual ao que estava, com o Spartak sem passar de meio-campo, e a eliminatória ficou praticamente decidida aos 57’ na estreia do João Mário a marcar, na recarga a um primeiro remate do Rafa, que fez a aceleração decisiva que desmontou a defesa adversária. Com tudo a nosso favor, o Jesus foi começando a poupar jogadores e promoveu a estreia do Yaremchuk para o lugar do esgotado Gonçalo Guedes Ramos. Também o Everton substituiu o Pizzi e foi o brasileiro a ter uma excelente oportunidade, com um remate por cima quando estava em posição de fazer muito melhor. A qualificação estava garantida, mas já agora convinha ganhar o jogo até porque os pontos para o ranking nunca são de desprezar. Depois de um livre para a nossa área que poderia ser perigoso, mas o Vlachodimos aliviou, conseguimos o segundo golo já na compensação (92’), numa boa combinação entre o Yaremchuk e o João Mário, com o ucraniano a rematar contra um adversário, tendo a bola ressaltado num outro, o Gigot, e entrado na baliza. O estádio ficou em êxtase que se prolongou na despedida da equipa do relvado no final, pouco depois.
 
Em termos individuais, o Rafa foi possivelmente o melhor, com as suas acelerações a serem decisivas para desmontar a estratégia contrária. Outro que me está a encher as medidas (e que confesso não esperava) é o João Mário: pezinhos de lã, muita objectividade, sempre a tentar jogar para a frente, não é do tipo todo-o-terreno a conduzir a bola, mas ao menos não emperra o jogo (e basta isso para ser uma melhoria considerável em relação ao passado recente!). Além disto tudo, abrilhantou a sua exibição com o importantíssimo primeiro golo. Na 1ª parte, o Diogo Gonçalves esteve bastante activo na direita, embora nem sempre os centros lhe tenham saído bem. A defesa esteve muito segura, com o Otamendi a revelar-se imperial. Esperemos que a lesão do Vertonghen não seja para muito tempo, porque convinha estar disponível para o PSV. O Weigl é o pêndulo que se sabe, mas levou um amarelo muito estúpido que me tirou do sério. O Yaremchuk mostrou que tem facilidade de remate, mas neste momento o lugar é do Gonçalo Ramos.
 
O PSV será um adversário bastante mais complicado, mas as indicações que temos dado são boas. Prevê-se uma rotação bastante grande da equipa para defrontar o Arouca na Luz, antes da recepção aos holandeses, mas o nosso plantel dá garantias que o nível exibicional se possa manter mais ou menos o mesmo.

segunda-feira, agosto 09, 2021

Sofrido

Estreámo-nos no sábado na Liga deste ano com uma vitória em Moreira de Cónegos (2-1), apenas três dias depois do jogo na Rússia. Por causa disso mesmo, o Jesus mudou seis titulares, mas até à expulsão do Diogo Gonçalves até estávamos a fazer uma exibição agradável. Depois disso, soubemos sofrer e garantir uma vitória justa e preciosa.
 
Só o guarda-redes e quatro dos cinco defesas se mantiveram na equipa inicial, tendo o Jesus ainda promovido as estreias absolutas do Meïté e do Gil Dias. Na primeira jogada de perigo que fizemos, o Gonçalo Ramos fugiu pela esquerda, bateu dois defesas e rematou de ângulo difícil para o guarda-redes Pasinato defender com os pés para canto. Teria sido um golo fantástico! No entanto, aos 9’ e na sequência de outro canto, o Lucas Veríssimo inaugurou o marcador de cabeça, demonstrando uma óptima capacidade de reacção a um alívio contrário quase à queima. Pouco depois, o central Artur Jorge foi expulso por ter derrubado o isolado Gonçalo Ramos, mas o VAR reverteu por considerar que ele tocou na bola. É um lance difícil, aceito a decisão, mas vou ver se este mesmo critério se aplica ao longo da época... Continuávamos a controlar completamente o jogo e aos 19’ aumentámos a vantagem através do Waldschmidt, depois de um centro da direita do Diogo Gonçalves, que um defesa contrário não conseguiu cortar bem, tendo a bola a sobrado já na área para o alemão rematar rasteiro sem hipóteses para o guarda-redes. Parecia que estava tudo bem encaminhado, mas aos 30’, o Moreirense reduziu para 1-2 com um golo do Rafael Martins, que foi isolado pelo Yan, depois de uma perda de bola em zona difícil do Meïté, que se mostrou muito lento nesse lance. O jogo ficou mais equilibrado, mas a melhor oportunidade até ao intervalo foi nossa com um remate do Gonçalo Ramos, assistido pelo Meïté, que o Pasinato defendeu para a barra, tendo ainda o Waldschmidt rematado cruzado para outra defesa complicada do guarda-redes.
 
Na 2ª parte, estávamos a continuar a tentar marcar para fechar definitivamente o jogo, quando aos 56’ o Diogo Gonçalves teve uma entrada muito imprudente e escusada sobre o Conté. O Sr. Vítor Ferreira mostrou-lhe primeiro o amarelo, mas depois foi ver as imagens alertado pelo VAR e alterou para vermelho. A partir daqui, o jogo mudou. O Jesus colocou o Weigl e Gilberto, retirando o Taarabt e Waldschmidt para reequilibrar a estrutura defensiva, o que foi conseguido, mas em termos atacantes nunca mais fomos os mesmos. Aos 68’, devemos ao Vlachodimos a manutenção da vantagem, com uma grande defesa a um remate cruzado. O Rafa ainda entrou para o lugar do Everton, mas nunca conseguiu sair em velocidade. Se o Sr. Vítor Ferreira esteve bem a amarelar o Pires por uma simulação de penalty, já não esteve tão bem a não marcar no chão as barreiras dos livres, razão pela qual um livre directo do Meïté foi interceptado quando ia com boa direcção. Com alguma dificuldade e apesar dos 8’ de tempo de compensação, lá conseguimos segurar a vantagem.
 
Em termos individuais, gostei imenso do Gonçalo Ramos, que luta que se farta, ganha imensas bolas de cabeça e combina muito bem com os colegas. Além disto, está sempre muito perto do golo. Golo esse que deu alento ao Waldschmidt para fazer uma exibição interessante, ele que se apresentou longe do melhor na pré-temporada. Os três centrais só erraram no golo, mas no resto do tempo foram um muro, em especial depois de estarmos a jogar com 10. O Meïté é um caso a rever, porque me parece que tem bons pés, mas um ritmo ainda demasiado lento. Quanto ao Gil Dias, o Jesus está convencido que o pode tornar um novo Fábio Coentrão, mas não sei se vai ter muita sorte...
 
Esta vitória era importante para não deixar fugir os outros dois logo no arranque do campeonato (ambos jogaram em casa, com a lagartada a ganhar 3-0 ao Vizela e o CRAC 2-0 ao Belenenses SAD). Seguimos já amanhã na luta pelo apuramento para a Champions com a 2ª mão frente ao Spartak. Tendo muito dos titulares descansado frente ao Moreirense, espera-se novamente uma boa exibição e naturalmente uma vitória.

Da Rússia com amor

Vencemos na 4ª feira passada o Spartak de Moscovo na Rússia por 2-0 e estamos bem encaminhados para os eliminar na 3ª pré-eliminatória de acesso à fase de grupo das Liga dos Campeões. Depois de uma pré-temporada com alguns jogos sofríveis (no seguimento da inenarrável temporada anterior), confesso que que a exibição me surpreendeu bastante e o resultado só peca por escasso. Muitos dirão que o Spartak se mostrou um adversário muito fraco, mas e o PAOK no ano passado? Era um colosso...?!
 
O Jesus, ao contrário do que sugeriu na conferência de imprensa, voltou ao esquema de três centrais (perfeitamente escusada esta rábula, não gosto nada que um treinador do Benfica minta de propósito) e fomos dominadores logo desde o início. Tivemos várias ocasiões na 1ª parte, com um cabeceamento do Diogo Gonçalves bem defendido pelo guarda-redes Maksimenko, um remate de trivela do Rafa ligeiramente ao lado e o Pizzi a destacar-se pela negativa (poderia ter feito um hat-trick e nem uma entrou...). Do lado oposto, só um remate fora da área deu trabalho ao Vlachodimos. Depois de ter sido titular na maior parte da pré-temporada e de ter marcado golos, o Gonçalo Ramos foi para o banco, mas ainda entrou antes do intervalo a substituir o lesionado Seferovic. Chegados ao descanso, cheguei a temer uma reedição de Salónica, dado que na 1ª parte na Grécia também nos fartámos de falhar golos e depois aconteceu o que aconteceu.
 
No entanto, a 2ª parte não poderia ter começado melhor com o 1-0 para nós aos 50’, depois de uma boa triangulação entre o Pizzi, João Mário e Rafa, com este a fuzilar autenticamente o guarda-redes. Ao contrário do que foi habitual durante a maior parte dos jogos na temporada passada, não nos entretivemos a “controlar o jogo” (o que eu odeio quando fazemos isto...!) e tentámos sempre aumentar a vantagem. O Gonçalo Ramos teve uma boa chance para tal, ao desviar uma bola num canto já na pequena-área, mas esta saiu ao lado. Aos 74’, um óptimo passe do Lucas Veríssimo para a área isolou o entretanto entrado Gilberto, que rematou com força sem hipóteses para o guarda-redes, estreando-se a marcar pelo Benfica e logo num jogo desta importância. Até final, também o Everton, que tinha igualmente entrado, teve um bom remate em arco, mas o Maksimenko impediu que déssemos a estocada final na eliminatória.
 
Em termos individuais, destaque para o João Mário, que constitui uma melhoria considerável em relação ao inenarrável “passa-para-o-lado-passa-para-trás-emperra-o-jogo” Taarabt. Não é de grandes correrias com a bola, mas ao menos fá-la andar para a frente. O Rafa esteve também em evidência, com um golo e uma série de arrancadas que desestabilizaram a defensiva russa. O Gonçalo Ramos entrou muitíssimo bem e foi claramente superior ao Seferovic (aliás, não percebo a sua não-titularidade, dado que foi o melhor marcador da pré-temporada...). Os três centrais controlaram perfeitamente o ataque contrário e o Vlachodimos defendeu quando era preciso, dando muito mais segurança do que o Helton Leite. O mal-amado Gilberto (confesso que não percebo a perseguição que alguns adeptos lhe fazem, está muito longe de ser dos piores laterais-direitos que passaram pelo Benfica) marcou um golo que pode ser decisivo.
 
Com a nova regra da Uefa, que retirou os golos fora como critério de desempate, haverá certamente muitos mais prolongamentos e eventualmente penalties. No entanto, nesta eliminatória, isto favorece-nos, porque, se acontecer uma desgraça e perdermos por dois golos, iremos sempre a prolongamento. Mas claro que com a superioridade que demonstrámos na 1ª mão, não passa pela cabeça de ninguém que não consigamos nova vitória, num jogo em que FINALMENTE poderemos regressar ao estádio!
 
P.S. – Sim, ainda estou vivo. Férias em sítio com pouca rede impediram-me de postar mais cedo. As minhas desculpas por isso. (Podem recolher os foguetes que não se livram de mim tão cedo...!)

terça-feira, junho 29, 2021

Inglório

Perdemos com a Bélgica no domingo (0-1) e fomos eliminados nos oitavos-de-final do Euro 2020. Logo na partida em que jogámos melhor, o único(!) remate à baliza dos belgas em todo o jogo acabou com o nosso desiderato da renovação do título.
 
Como Renato Sanches a manter (e bem) a titularidade e o Palhinha de Diogo Dalot nos lugares do Danilo e Nélson Semedo, não entrámos bem, mas ao fim de 15’ já tínhamos reequilibrado o jogo. Tivemos uma boa chance logo no início, numa grande abertura do Renato Sanches para um remate muito torto do Diogo Jota em boa posição. Um livre do Cristiano Ronaldo obrigou o Courtois a boa defesa, mas perto do intervalo (42’) sofremos o único golo do encontro num remate de fora da área com efeito do Thorgan Hazard, que o Rui Patrício não conseguiu defender.
 
A 2ª parte foi toda nossa e só alguma dose de azar nos impediu de marcar. Claro que o facto de o De Bruyne ter saído lesionado pouco depois do intervalo contribuiu para um relativo desaparecimento dos belgas, que jogaram bastante pior do que eu estava à espera. No entanto, especialmente depois da entrada do João Félix, a balança da partida pendeu claramente para o nosso lado. O Diogo Jota rematou por cima de primeira, depois de uma assistência do C. Ronaldo, o Rúben Dias teve uma cabeçada fortíssima num canto que o Courtois defendeu por instinto e o Raphael Guerreiro atirou ao poste de pé direito, ambos estes lances já nos últimos dez minutos. A nossa pressão foi muito intensa, especialmente no final, mas já não fomos a tempo de alterar o marcador.
 
Em termos individuais, o Renato Sanches foi dos melhores, sempre a levar a equipa para frente, e a equipa esteve muito concentrada em termos defensivos para não deixar os belgas acelerarem como tanto gostam.
 
Somos eliminados numa fase precoce, mas quando defrontamos consecutivamente a Alemanha, França e Bélgica (que está em primeiro lugar no ranking da FIFA), isso não pode ser considerado uma vergonha. Provavelmente gastámos a sorte toda no Euro 2106. Poderíamos (e deveríamos) ter feito mais em alguns jogos, nomeadamente a ter mais velocidade nas transições ofensivas e quiçá forçar um pouco a vitória frente à França, assim que soubemos que o terceiro lugar estava seguro (a cinco minutos do fim). E, claro, tínhamos obrigação de apresentar o futebol da 2ª parte contra os belgas durante mais tempo nos outros jogos. Mas temos um seleccionador muito medroso, o que, tal como já vi aí escrito por mais de uma vez, justifica que, em 15 jogos em Europeus e Mundiais com o Fernando Santos como treinador, tenhamos apenas três vitórias, nove empates e três derrotas nos 90’. Esclarecedor.

sexta-feira, junho 25, 2021

Nos oitavos

Empatámos com a França na 4ª feira (2-2) e estamos apurados para os oitavos-de-final do Euro 2020. Mediante os resultados dos outros grupos, para conseguirmos o apuramento,  precisávamos de não perder por mais de três golos com os franceses, SE... a Hungria não ganhasse à Alemanha em Munique. Facto consumado, certo...? Errado! Porque não só a Hungria esteve a ganhar por duas vezes, como a Alemanha só conseguiu o empate (2-2) a seis minutos do fim. Ou seja, a coisa esteve muito tremida até final.
 
Ao contrário dos dois jogos anteriores, acho que neste até jogámos razoavelmente bem. Os franceses já estavam apurados e, por isso, não imprimiram uma pressão tão grande quanto os alemães. Claro que o facto de terem entrado o João Moutinho e Renato Sanches para o meio-campo ajudou bastante a que não apresentássemos só os andamentos ‘devagar e parado’ dos jogos anteriores. Inaugurámos o marcador aos 31’, quando o Lloris abalroou o Danilo (que teve de sair ao intervalo) num livre para a área. O Cristiano Ronaldo não perdoou. Com a Hungria já a ganhar à Alemanha, estávamos momentaneamente no 1º lugar e os alemães de fora. A França não conseguiu criar grande perigo a partir do nosso golo, mas em cima dos 45’, numa disputa de bola entre o Nélson Semedo e o Mbappé, o árbitro resolveu marcar penalty (eu acho que não era, mas prefiro claramente este sistema em que o VAR só reverte decisões do árbitro no campo, quando há um óbvio engano; não há cá 5’ de espera para ver a intensidade da interpretação...). O Benzema atirou para o lado contrário do Rui Patrício e fez o empate.
 
No recomeço, as coisas ficaram muito tremidas, porque a França fez o 1-2 logo aos 47’, novamente pelo Benzema, num lance em que o VAR validou a posição do francês, o que, juntamente com a continuação da vantagem da Hungria, nos deixaria fora do Euro. No entanto, aos 60’, restabelecemos a igualdade no terceiro penalty do jogo, por clara mão de um adversário, com o C. Ronaldo a atirar para o mesmo lado do primeiro penalty, enganando novamente o Lloris. Quase ao mesmo tempo, a Alemanha marcava e sofria na jogada seguinte, pelo que a situação se mantinha: alemães de fora e nós apurados, mas desta feita no segundo lugar do grupo. A partir daqui, houve uma espécie de pacto de não-agressão, só furado pelo Pogba, para proporcionar ao Rui Patrício uma das melhores defesas do Euro até agora. Como o jogo em Munique terminou cinco minutos antes do nosso, ainda tive a esperança de que forçássemos um pouco para tentar conseguir a vitória que nos faria jogar contra a Suíça em vez da Bélgica. Mas esqueci-me momentaneamente que isto é uma selecção treinada pelo Fernando Santos...
 
Em termos individuais, destaque para o C. Ronaldo que, com estes dois golos, igualou o iraniano Ali Daei como melhor marcador de sempre das selecções (109). O Renato Sanches é neste momento um titular mais do que absoluto para alguém com dois olhos na cara e o Bernardo Silva subiu muito de produção em relação aos dois jogos anteriores. O Rui Patrício foi essencial para manter o empate e os centrais (Pepe e Rúben Dias) também estiveram muito bem. O João Palhinha, que entrou ao intervalo, mostrou ser uma opção bastante válida.
 
Como ficámos em terceiro lugar, iremos agora jogar contra a Bélgica no domingo. Para mim, juntamente com a Itália e França, são uma das candidatas ao Euro. Mas tendo ficado todas elas no mesmo lado do sorteio, não se poderão defrontar na final. Vi hoje a notícia de que, se passarmos a Bélgica, iremos mudar o quartel-general para a Cidade do Futebol, no Jamor. Acho que poderemos passar por lá, sim, mas para os jogadores recolherem os respectivos carros para férias... Infelizmente.

segunda-feira, junho 21, 2021

Previsível

Perdemos no sábado frente à Alemanha (2-4) e caímos para o 3º lugar do nosso grupo. Foi uma derrota estrondosa, que a certa altura (1-4) ameaçou ir a caminho de ultrapassar a do Brasil em 2014, mas felizmente os alemães tiraram o pé do acelerador.
 
Confesso que achei muito estranho as opiniões quase generalizadas de que tínhamos jogado relativamente bem frente à Hungria, a “controlar o jogo com paciência” e etc. e tal. Ora bem, os alemães puseram-nos na ordem praticamente desde o início da partida e nem o nosso golo inaugural aos 15’, através do Cristiano Ronaldo na única(!) jogada de jeito que fizemos na 1ª parte (com abertura do Bernardo Silva a isolar o Diogo Jota, que assistiu o nº 7), os desconcentrou. O nosso futebol me(r)d(r)oso apresentou-se em todo o seu esplendor! Medo, muito medo de ter a bola, zero velocidade nas transições, incapacidade atroz de colocar problemas à defesa contrária, enfim, um tratado só ao alcance de predestinados do futebol soporífero como o Fernando Santos. Que veio perguntar no final “mas quem é que vem jogar à Alemanha a achar que vai ganhar?” Desculpe, importa-se de repetir...?!?! Assim, de repente, talvez a... França, que lhes ganhou na 1ª jornada, não...?! Com declarações destas, não admira que a nossa, chamemos-lhe, exibição tenha sido o que foi. O massacre alemão deu frutos aos 35’ e 39’ com autogolos do Rúben Dias e Raphael Guerreiro (primeira vez que há dois no mesmo jogo de um Europeu – já fizemos história!) e continuou na 2ª parte, aos 51’ e 60’, com golos do Havertz e Gosens. Felizmente, a partir daqui, o Joachim Low começou a fazer substituições e a poupar jogadores, e nós reduzimos aos 67’ pelo Diogo Jota, tendo ainda o Renato Sanches atirado com estrondo ao poste a cerca de 10’ do final, o que poderia ter relançado o jogo. Mas convenhamos que seria muito injusto face ao que se passou.
 
Se era para defender, o Fernando Santos deveria ter jogado com o Rúben Neves e João Palhinha para além do Danilo e William Carvalho! Juntava-se ainda o Sérgio Oliveira e ficaria só o C. Ronaldo para também não parecer mal, fazendo lembrar a famosa táctica 10-1 do Beira-Mar dos anos 90, com dez defesas e o Dino sozinho na frente. Era mais inteligente. O Renato Sanches, que entrou ao intervalo, voltou a mostrar porque deve ser titular, mas não para sair o Bernardo, como aconteceu (ele que teve acção preponderante no primeiro golo e, se calhar, por isso que é saiu... Estava lá é para defender!). O William Carvalho continua a fazer parecer o super slow motion um recurso de alta velocidade, o Danilo esteve completamente perdido, assim como o Bruno Fernandes, que ainda não entrou verdadeiramente neste Euro. A defesa foi uma desgraça, com o Nélson Semedo a levar com a armada alemã toda preferencialmente pelo seu flanco. Com um golo e uma assistência, o C. Ronaldo foi o que menos destoou.
 
Com a vaca que o Fernando Santos costuma ter, ainda nos arriscamos a ser apurados como um dos quatro melhores terceiros, mas tudo dependerá de não perdermos por muitos frente à França, por causa da diferença de golos com as selecções dos outros grupos. Portanto, uma derrota pela margem mínima é o melhor que poderemos almejar. (Alguém acredita que o Benzema, Griezmann e Mbappé não irão fazer gato-sapato de nós....?!)

quinta-feira, junho 17, 2021

Sorte medrosa

Entrámos bem no Euro 2020, com uma vitória por 3-0 frente à Hungria em Budapeste anteontem. O futebol tem esta coisa maravilhosa de os resultados poderem ser enganadores. Quem olhe para este sem saber nada, pensa logo: “vitória fácil e esclarecedora”. Ora, com o primeiro golo a beneficiar do desvio de um defesa e acontecer a seis minutos do fim, a vitória foi tudo menos isso.
 
Com a França e Alemanha no grupo, as contas eram simples: ou ganhávamos este jogo, perante a selecção obviamente mais fraca, ou poderíamos começar a fazer as malas de regresso. Se até entrámos bem, com um remate do Diogo Jota defendido pelo guarda-redes (embora o nº 21 devesse ter assistido o Cristiano Ronaldo que estava sozinho...), só voltámos a ter a sensação de golo perto do intervalo, com o C. Ronaldo a falhar um desvio na pequena-área. Os húngaros fecharam-se a sete chaves na defesa e, quanto mais o tempo foi passando, mais evidente ficava que era preciso mais dinâmica no meio-campo e no ataque, mais velocidade, mais vontade de arriscar, caso contrário, não iríamos ganhar. Isso era visível para toda a gente, menos para o... Fernando Santos! E percebeu-se porquê na conferência de imprensa no final: disse o nosso seleccionador que a equipa estava “muito segura” e a “controlar bem” o ataque do adversário, e portanto não via necessidade de fazer substituições mais cedo. Lá está, com jogadores do calibre dos nossos, o Fernando Santos tem muita dificuldade em superar aquele futebolzinho me(r)d(r)oso (podem escolher o sítio mais apropriado dos parêntesis), que sempre caracterizou as suas equipas. E como ganhou um Europeu a jogar assim, deve achar que a história se repete e a receita é para manter. Só aos 71’(!) houve a primeira substituição, com a entrada do Rafa para o lugar do Bernardo Silva, mas foi aos 81’ quando entrou o Renato Sanches para o lugar do ‘verdadeiro’ lento William Carvalho, que finalmente começámos a ter dinâmica no meio-campo e alguém para levasse a equipa para a frente e não se limitasse a trocar a bola para o lado e para trás. Fomos para cima dos húngaros e o Rafa teve intervenção directa nos três golos: assistiu o Raphael Guerreiro para o tal remate desviado aos 84’ (sendo que a própria assistência também beneficiou de um desvio), sofreu o penalty aos 87’, que o C. Ronaldo concretizou, e assistiu o nº 7 já na compensação (92’) para o resultado final.
 
O C. Ronaldo foi o “homem do jogo”, como seria de esperar, mas o Rafa foi essencial por ter participado nos três golos. O Renato Sanches deveria caminhar a passos largos para ser titular, mas com o Fernando Santos nunca se sabe. Gostei do Danilo no meio-campo, mas o Diogo Jota e o Bernardo Silva estiveram muito abaixo do que podem fazer. A defesa esteve segura, embora o Nélson Semedo não seja tão acutilante em termos ofensivos como o João Cancelo (e, neste sentido, ficámos a perder por causa da covid-19 deste). Já a titularidade do William Carvalho, que já não tem grande velocidade e ainda por cima praticamente não jogou esta temporada no Bétis, é um mistério...
 
Como a França ganhou por 1-0 à Alemanha, os alemães irão ter um jogo decisivo contra nós no sábado. Não é preciso ser bruxo para adivinhar que o Portugal irá jogar para o empate contra eles. Quatro pontos devem ser suficientes para, pelo menos, assegurar um dos quatro terceiros lugares que darão a qualificação. E, para esse objectivo, também foi importante este 3-0, por causa da diferença de golos. Ou então, pode ser que a selecção me surpreenda e faça um jogão contra os alemães (que, diga-se de passagem, também não parecem ter uma selecção tão forte quanto as passadas)... Veremos (mas tenho zero esperança disso...).

segunda-feira, maio 24, 2021

Corolário

Fomos derrotados pelo Braga na final da Taça de Portugal (0-2) e, no ano de maior investimento de sempre na equipa, acabamos a temporada com zero títulos. Era difícil antever pior, mas no fundo o resultado de ontem é de uma maneira distorcida a cereja no topo do bolo, que estava estragado quase desde o início.
 
Com a lesão do Lucas Veríssimo, o Jesus continuou a aposta no Morato para manter os três centrais, mas não foi por aí que a corda partiu. Desde o início do jogo que o Braga foi sempre muito mais agressivo do que nós nas disputas de bola e terminou a partida com bem mais do dobro das nossas faltas (24 vs. 9), o que diz tudo acerca da nossa falta de comprometimento. É que para se jogar é preciso ter a bola e se não há ninguém que corra atrás dela e que faça pressão para a recuperar... Mesmo tendo entrado melhor do que nós, é impossível dissociar esta vitória do Braga da decisão inacreditável do Sr. Nuno Almeida aos 17’, que o Sr. João Pinheiro no VAR não reverteu: numa bola lançada nas costas da nossa defesa, o Abel Ruiz passou pelo Helton Leite e caiu, e o árbitro considerou falta e expulsou o nosso guarda-redes! É que não só o nosso guarda-redes nem toca no adversário, como este faz a finta para o lado e não na direcção da baliza. Mesmo que se considerasse falta, jamais seria para cartão vermelho! A nossa temporada foi uma vergonha, é um facto, mas lances destes e dois(!) penalties em 34 jornadas também a ajudam a explicar. O jogo ficou logo estragado nesta altura e a nossa vida muito complicada. O Jesus sacrificou o Pizzi para entrar o Vlachodimos, mas até acabámos por defender melhor no resto da 1ª parte só com dez do que o que tínhamos feito com a equipa completa. O Braga só teve uma clara oportunidade, já perto do intervalo, com um corte fabuloso do Otamendi que literalmente salvou um golo, impedindo que a bola chegasse ao Ricardo Horta, que só teria de encostar. No entanto, o nosso ataque era quase inofensivo, porque só o Taarabt levava a bola para a frente e o Seferovic e Everton não são jogadores explosivos, que possam ganhar aos adversários em velocidade. Mesmo assim, tivemos uma óptima oportunidade, na sequência de um ressalto num canto, em que a bola sobrou para o Weigl, que rematou para defesa do Matheus. Quando toda a gente já esperava o intervalo, sofremos o primeiro golo já no final da compensação: saída escusada e disparatada do Vlachodimos, o Vertonghen não cortou bem a bola, que ficou à mercê do Piazon, que fez um chapéu ao nosso guarda-redes. É a segunda final da Taça consecutiva em que o Vlachodimos é muito culpado no primeiro golo.
 
Na 2ª parte, esperava que o Jesus colocasse o Darwin logo no reinício, porque o Seferovic era claramente um peixe fora de água (nem fechava bem à direita, nem estava na frente), mas não houve substituições. Os minutos iniciais foram claramente do Braga, que só não aumentou a vantagem graças ao Vlachodimos e também por alguma aselhice na hora do remate. Teve no mínimo umas quatro oportunidades para decidir logo ali a partida. Quanto a nós, só aos 55’ resolvemos mexer, com as entradas do Darwin, Rafa e Nuno Tavares para os lugares do Seferovic, Everton e Diogo Gonçalves. Continuo sem perceber o porquê de colocar um esquerdino a defesa-direito, mas o Jesus lá terá as suas razões... Reagimos a partir de meio da 2ª parte, com o Darwin a falhar um desvio na área, depois de um livre bem marcado pelo Taarabt, e o Rafa a não conseguir rematar com êxito em excelente posição, num lance em que houve uma série de ressaltos. Foram as duas únicas jogadas em que estivemos relativamente perto da igualdade, enquanto do outro lado o Vlachodimos ainda defendeu um remate do Abel Ruiz, mas já não conseguiu fazer nada aos 85’ perante o Ricardo Horta, que apareceu isolado à sua frente depois de uma perda de bola do Rafa perto da lateral no nosso meio-campo. A equipa estava descompensada e o contra-ataque foi venenoso. É incompreensível como é que o Rafa tenta sair a jogar daquela maneira! Até final, ainda deu para o entretanto entrado Chiquinho falhar o nosso golo de honra e para o animal do Eduardo, ex-guarda-redes e treinador dos do Braga, agredir com uma peitada o Taarabt, que lhe respondeu, tendo ido os dois para a rua.
 
Em termos individuais, destaco o Otamendi e Weigl, porque foram os únicos que demonstraram algumas ganas em campo. E que falta nos faz que todos sejam assim...! O Taarabt até estava a fazer um jogo bem mais razoável do que lhe é habitual, mas perdeu a cabeça no final e deitou tudo a perder. O Vlachodimos fez uma série de defesas na 2ª parte, mas fica indelevelmente ligado ao primeiro golo e, portanto, é um dos rostos da derrota. A única boa notícia desta partida é que o Morato não destoou dos outros centrais e pode ser que tenhamos ali uma opção válida para o futuro.
 
O balanço da época ficará para um post futuro, mas não é difícil de adivinhar qual é. Correu mesmo tudo mal, o que, dadas as opções bastante discutíveis que foram tomadas, não se pode constituir propriamente como uma surpresa. Até digo mais: se acontecesse a outro clube que não o nosso, até consideraríamos que era bem feito e que os astros se teriam alinhado para punir quem merecia ser punido. O problema é que é do Benfica que estamos a falar e, mesmo que seja impossível ter um distanciamento deste género, se conseguirmos fazer esse exercício em teoria, estaremos mais perto de corrigir a situação. Situação, essa, que eu continuo à espera que me expliquem qual foi e que levou à inacreditável implosão da 2ª volta da época passada, tendo aparentemente continuado por esta época toda.

quinta-feira, maio 20, 2021

Acabou

Terminámos o campeonato com uma vitória em Guimarães por 3-1, mas um dos grandes objectivos para esta partida não foi cumprido, porque, apesar de ter apontado dois golos, o Seferovic não conseguiu ser o melhor marcador do campeonato, acabando com 22, a um do Pedro Gonçalves da lagartada.
 
Com a final da Taça de Portugal no próximo domingo, já se esperava que o Jesus fizesse alguma rotação da equipa, porque a classificação estava definida e só havia a tal questão do melhor marcador para resolver. Mesmo assim, não entrámos mal no jogo e o Seferovic poderia ter inaugurado o marcador ainda antes do quarto de hora, aproveitando uma falha do guarda-redes e com um defesa de carrinho a salvar milagrosamente. Pouco depois, foi o Darwin também a falhar algo escandalosamente o desvio num centro-remate do Gilberto. A meio da 1ª parte veio a pior notícia do jogo com a lesão muscular do Lucas Veríssimo, que provavelmente o tirará da final da Taça. O V. Guimarães, que precisava da vitória para se apurar para a nova competição da Uefa, a Liga Conferência Europa, reequilibrou as coisas, mas sem colocar o Vlachodimos em grandes apuros. Quanto a nós, até ao intervalo, o Darwin teve um remate em arco que merecia melhor sorte e o Nuno Tavares falhou clamorosamente um desvio de pé direito na área, atirando por cima, depois de nova investida do Gilberto na direita.
 
Depois do intervalo, aparecemos com a pontaria mais afinada e inaugurámos o marcador aos 48’ através do Seferovic, depois de uma boa triangulação ao primeiro toque entre o Nuno Tavares, Taarabt e Darwin, com assistência deste na esquerda. Pouco depois, nova assistência do Darwin para o Seferovic, que estava em óptima posição, mas o remate em arco saiu à figura do guarda-redes Trmal. No entanto, aos 58’, o Seferovic conseguiu mesmo bisar, de cabeça, depois de um desvio do Gabriel ao primeiro poste num canto do Taarabt. Ainda faltava mais de meia-hora para o final do jogo, mas achei que era preciso pelo menos mais um golo do suíço, porque se fosse necessário Pedro Gonçalves marcaria três, dado que a Liga incompreensivelmente não marcou os jogos para a mesma hora. Porém, à passagem da hora de jogo, o Jesus fez entrar o Everton, Pizzi e Chiquinho, tirando o Pedrinho, Taarabt e Darwin, e a equipa piorou. Especialmente com a saída do Darwin, que estava a criar muitas situações especialmente pela esquerda. Aos 63’, o V. Guimarães reduziu de cabeça, num canto, pelo Jorge Fernandes e o jogo ficou em aberto. E poderia mesmo ter alcançado o empate num remate cruzado do Estupiñán que o Vlachodimos defendeu com o corpo para canto. Ainda chegou a introduzir a bola na baliza, mas o avançado Foster estava claramente em fora-de-jogo. Já em tempo de compensação, o Everton foi brilhantemente assistido pelo entretanto entrado Grimaldo, ainda olhou para o lado para ver se conseguia assistir o Seferovic, mas, como este estava marcado, resolveu ele mesmo rematar e fazer o 3-1, acabando com as dúvidas.
 
Em termos individuais, destaque para os dois golos do Seferovic, que não chegaram para ganhar o troféu de melhor marcador por culpa própria, porque os bis que falhou nos últimos jogos (Santa Clara, Tondela, Nacional) davam para ter ganho isto nas calmas. O Taarabt exasperou-me menos do que o habitual, o que é sempre de salientar, mas o Gabriel está sempre com o complicómetro no máximo, o que jogando a trinco é sempre um susto. O Vlachodimos salvou-nos do empate a cerca de 15’ do fim e vou ter pena se ele sair do Benfica, porque o continuo a achar melhor do que o Helton Leite. O Morato, que se estreou a titular na defesa, não comprometeu e quiçá ira manter a titularidade na final da Taça dado que o Lucas Veríssimo está magoado.
 
O Jesus está sempre a dizer que fomos a melhor equipa da 2ª volta e os dados não mentem. Fomos efetivamente a que fez mais pontos, dado que só perdemos nove (uma derrota e três empates). No entanto, a covid-19 está longe de explicar tudo e esta é indiscutivelmente uma época falhada. Esperemos que se salve a Taça de Portugal no próximo domingo.

segunda-feira, maio 17, 2021

Furioso

Vencemos no sábado a lagartada na Luz por 4-3 e acabámos com a sua invencibilidade, e a oportunidade de se tornarem o primeiro campeão invicto em 34 jornadas. Mas, como o CRAC venceu logo a seguir em Vila do Conde por 3-0, o 2º lugar ficou fechado e vamos ter de ir às pré-eliminatórias de acesso à Champions, porque ficaremos em 3º lugar no campeonato. Se o principal objectivo para esta partida foi cumprido, porquê este título para o post? Porque há oportunidades que NÃO se podem desperdiçar, ainda por cima perante o rival e no contexto em que foi. Mas já lá vamos...
 
Voltámos ao esquema dos três centrais e a nossa 1ª parte foi do melhor que se tem visto esta época (bem sabemos que a bitola não é nada elevada, mas enfim...). De tal maneira, que aos 37’ já ganhávamos por 3-0, fruto dos golos do Seferovic (depois de abertura magistral do Pizzi), Pizzi (depois de assistência primorosa do Everton) e Lucas Veríssimo (depois de canto do mesmo Pizzi). A partir daqui o que é um benfiquista pensa? Que há 35 anos andamos à espera de vingar os 1-7 e há oportunidades que não se podem perder. Pois... Tudo começou a ruir em cima do intervalo, quando o Pedro Gonçalves foi andando com a bola sem oposição, o Taarabt escoltou-o muito bem e reduziu para 3-1. Fiquei pior do que estragado, porque a lagartada não tinha feito praticamente nada e só por completa inépcia da nossa parte reduziram a vantagem.
 
No entanto, a minha esperança reacendeu-se aos 49’ quando tivemos o segundo(!) penalty da época a nosso favor, por indiscutível falta sobre o Grimaldo, e o Seferovic bisou para os 4-1. A lagartada tinha colocado ao intervalo os titulares Palhinha e João Mário, e aquilo era aparentemente um golpe muito bem dado para lhes acabar com as pretensões de recuperação. Pensava eu... No entanto, logo a seguir o Pedro Gonçalves andou novamente a passear pelo nosso meio-campo todo e a bola só parou no poste do Helton Leite. O Jesus colocou o Gabriel no lugar do Taarabt com vista a estancar isso, mas não contou a sua estupidez acéfala, que o fez levar um amarelo escusadíssimo (por protestos com um adversário) quatro minutos(!) depois de estar em campo, que naturalmente o impediu de fazer a pressão que era necessária. Eu tê-lo-ia tirado logo! A forte reacção da lagartada consubstanciou-se aos 62’ com um bom golo do Nuno Santos, que reduziu assim para 4-2. Pouco depois, o Grimaldo em óptima posição resolveu tentar assistir o Seferovic, quando poderia ter alargado a nossa vantagem. Não o fez e foi a lagartada que relançou o jogo aos 77’, novamente através do Pedro Gonçalves, de penalty, a punir uma falta do Lucas Veríssimo sobre ele mesmo. Portanto, de potencial goleada passámos a um golo de diferença...! Até final, mais duas oportunidades para cada lado, com o Pedro Gonçalves a proporcionar ao Helton Leite uma defesa para o poste que impediu o empate e o entretanto entrado Rafa ver o guarda-redes Adán salvar com o pé uma bola que ia entrar na baliza
 
Em termos individuais, o Pizzi com um golo e duas assistência destacou-se, o bis do Seferovic foi bom, mas como o Pedro Gonçalves também o fez, continuam os dois empatados nos melhores marcadores, e o Everton está decididamente como nunca o vimos. Bom jogo também do Lucas Veríssimo. Quantos aos menos, o Taarabt continua a tirar-me do sério, mas quem o substituiu, o Gabriel, ainda ficou mais perto de me provocar um AVC...!
 
Se me tivessem proposto este resultado antes do jogo, teria assinado logo de cruz. Sim, o mais importante foi conseguido e o que fica para a história é a nossa vitória. Mas, quando acabou o jogo, estava quase tão chateado como se não tivéssemos ganho. É inadmissível estar a ganhar em casa por 4-1 aos 49’, perante um rival que já era campeão, e não aproveitar para o esmagar. Porque é isso que se faz aos rivais sempre que há oportunidade. Como eles nos fazem a nós! É isso a rivalidade! Não perceber isso, é não perceber nada do clube onde se está. Nem jogador, nem treinador! Ainda por cima, o Jesus veio dizer no final que os jogadores do Benfica ainda não sabem defender. Mais uma razão para não ter tirado o pé do acelerador e ter acabado o jogo da forma lamentável que acabámos, com a vitória em perigo. NÃO, não se perdem oportunidades destas, ainda para mais numa época vergonhosa da nossa parte! Seria das poucas coisas que poderíamos lembrar com agrado 
no futuro acerca do tormento que tem sido 2020/21: “– Olha, lembras-te daquela vez que vingámos os 1-7 naquela época horrível? – Claro, mas não somos é ridículos como eles, que celebram esse resultado numa temporada em que nós ganhámos a dobradinha.” E, pronto, a nossa vida seguiria o seu rumo com um sorriso nos lábios. Mas, não, nada disso aconteceu e o que fica desta partida é a tremenda reacção deles, mesmo tendo estado por duas vezes a perder por três golos. Sim, fiquei furioso e parece-me que cheio de razão!

quarta-feira, maio 12, 2021

Tardio

Vencemos na Choupana por 3-1 e ainda não entregámos oficialmente o 2º lugar ao CRAC (goleou anteontem o Farense em casa por 5-1). Depois de uma 1ª parte absolutamente hedionda, melhorámos na 2ª, mas só conseguimos a reviravolta nos últimos dez minutos de jogo. Perante uma equipa que, depois do que nos fez na 1ª volta, espero que desça de divisão e nunca mais suba, esperava-se uma entrada esmagadora da nossa parte, precisamente para fazê-los pagar bem caro o que aconteceu, mas infelizmente não foi nada disso que se viu.
 
Com o Diogo Gonçalves castigado e o Rafa lesionado, o Jesus surpreendeu ao fazer ainda mais quatro alterações nos titulares e voltar ao 4-4-2: entraram o Gilberto, Nuno Tavares, Pedrinho, Waldschmidt, Chiquinho e Cervi. Entrámos praticamente a perder, com o 0-1 aos 8’ através de um canto, em que o Seferovic acabou por fazer uma assistência de cabeça para um adversário, que atirou ao poste, tendo a bola no ressalto sobrado para o Pedrão que só teve de empurrar. Os madeirenses precisavam absolutamente da vitória para ainda terem esperança na manutenção e o avançado Riascos deu sempre muito trabalho à nossa defesa, em especial ao Gilberto. Do nosso lado, foi o Seferovic mais uma vez a salientar-se pela negativa, ao falhar inacreditavelmente o remate, quando só tinha o guarda-redes pela frente, depois de um cruzamento do Cervi na esquerda. Na jogada seguinte, atirou de cabeça por cima, depois de um centro do Nuno Tavares, quando estava em posição de fazer bem melhor. Até ao intervalo, devemos ao Helton Leite não ficarmos com uma desvantagem de dois golos, porque defendeu um remate do Éber Bessa, que se isolou depois de passar pelos nossos dois centrais que pareciam dois iniciados.
 
Na 2ª parte, muita coisa tinha de mudar e assim aconteceu. Com o Pedrinho e o Waldschmidt completamente fora dela, só o brasileiro é que saiu, juntamente com os do costume, Chiquinho e Cervi, que são sempre dos primeiros sacrificados, quer joguem bem ou mal. Não estavam a fazer exibições deslumbrantes, mas especialmente o português estava bem longe de ser dos piores. O que valeu foi que foi substituído pelo Pizzi, que encheu o campo (só que não...). Por outro lado, o Jesus resolveu manter o Nuno Tavares e fazer entrar o Grimaldo, jogando com dois laterais-esquerdos. Não percebi, mas também há muitas outras coisas que não percebo... Enfim, o Everton, que estava numa boa sequência e ficou incompreensivelmente no banco, foi dos que entrou melhor e a equipa subiu de rendimento. Mesmo assim, pouco depois do recomeço e num livre para a nossa área, o Helton Leite teve de se aplicar a fundo para salvar um autogolo do Otamendi. A partir daqui, o Nacional desapareceu e nós marcámos um golo aos 50’ num remate de fora da área do Nuno Tavares, que ainda ressaltou num adversário, mas o Sr. Rui Gomes Costa, por indicação do VAR André Narciso, anulou-o, considerando que houve uma falta do Lucas Veríssimo no início da jogada no nosso meio-campo defensivo, 17 segundos antes de a bola entrar na baliza e depois de quatro jogadores participarem na jogada! Dezassete segundos e cerca de 60 m de distância, e anula-se um golo por causa disto! Bem esteve o Jesus no final a criticar este atentado ao futebol! Odeio o VAR, ODEIO-O! Acaba COMPLETAMENTE com a emoção do jogo, nunca sabemos se um golo pode ser comemorado à vontade ou se há uma faltinha de m****, meio minuto e do outro lado do campo antes, que obviamente teve uma enorme influência no facto de a bola ter entrado na baliza...! Aos 65’, entrou finalmente o Darwin para o lugar do Gilberto e o jogo pendeu definitivamente para o nosso lado. Cinco minutos depois, já o VAR André Narciso não quis ver um jogador do Nacional esticar os braços e tocar na bola em plena área (André Narciso no VAR, lembram-se...?). O CRAC está com 16 penalties(!) em 32 jornadas, a lagartada com nove e nós com... UM! Confere! A cerca de 15’ do fim, o Gonçalo Ramos substituiu o inoperante Waldschmidt e nós igualámos finamente aos 77’, numa boa jogada do Everton pela esquerda que assistiu de bandeja o Seferovic, cujo remate, já sem o guarda-redes na baliza(!), ia para fora não fosse o facto de ter tocado no Pedrão e ressaltado lá para dentro! Inacreditável! O Nacional tentou reagir, porque o empate não lhe interessava, mas aos 81’ consumámos a reviravolta, numa perda de bola infantil dos madeirenses de que resultou um ataque rápido da nossa parte, conduzido pelo Darwin na esquerda, que assistiu o Gonçalo Ramos na área para este de primeira não perdoar. Era “só encostar”, tal como o Seferovic no primeiro golo, e no entanto...! O jogo ficou partido e nós acabámos com as dúvidas em novo ataque rápido aos 86’, novamente pelo Darwin na esquerda, que podia mas não tentou o remate e preferiu colocar no meio, onde o Gonçalo Ramos foi mais rápido do que o Pizzi e bisou, apesar de a bola ainda ter sido tocada por um defesa e pelo guarda-redes antes de entrar na baliza! Até final, o Pizzi ainda poderia ter feito o quarto golo, mas viu o seu remate ser interceptado.
 
Em termos individuais, óbvio destaque para o Gonçalo Ramos pelos dois golos. O Jesus bem pode dizer que ele está a crescer e tudo o mais, não estou a dizer que ele devesse ter sido mais vezes titular, mas o que não se percebe é porque é que era sistematicamente substituído nos jogos das taças, mesmo quando estes já estavam resolvidos a nosso favor... Será que se tivesse jogado esses 90’ todos o crescimento não teria sido mais rápido...? O Darwin também entrou bem e ajudou a dinamitar a defensiva contrária, assim como o Everton. O Helton Leite foi fundamental na vitória ao fazer duas defesas que impediram o 0-2. Quase todos os outros estiveram num plano muito medíocre, em especial o Pedrinho e Waldschmidt e com o Seferovic a ficar a dever-se mais dois golos. Se não conquistar o título de melhor marcador só pode culpar-se a si próprio.
 
Neste sábado, iremos receber a lagartada e teremos uma missão fundamental: impedi-los de acabarem o campeonato sem derrotas. Obviamente que não nos salvará a época (isso aconteceria se fosse ao contrário), mas não espero menos que um assomo de dignidade por parte dos nossos jogadores, depois desta temporada miserável, ao não os deixar fazer algo que nunca aconteceu connosco no meu tempo de vida.
 
P.S. – Este blog já tem 17 anos e as seguintes palavras vão ser escritas pela primeira vez: a lagartada é campeã nacional de futebol. Igualaram o magnífico recorde do CRAC de ficarem 19 anos sem ganhar o campeonato e espero que, ao menos, este título sirva para a Federação Portuguesa de Futebol acabar com esta idiótica reescrita da história da parte deles, de considerarem que têm 23 títulos, quando obviamente acabaram de conquistar apenas o 19º. Algo que nós fizemos há... 49 anos. É bom que eles comemorem bem, porque todos temos consciência de que, com público e com aquela eliminação da Liga Europa pelo poderoso LASK em casa (1-4), teriam tido uma pressão tal, que é muito improvável que as coisas tivessem corrido bem nas primeiras jornadas. De qualquer maneira, tiveram muito mérito na conquista, em especial o Rúben Amorim. E, longe de mim, não dar os parabéns a um grande benfiquista.

sexta-feira, maio 07, 2021

Fechado

Empatámos ontem com o CRAC na Luz (1-1) e resolvemos o campeonato. Iremos ficar num inesperado e muito desapontante terceiro lugar, com a lagartada (que já tinha ganho no dia anterior em Vila do Conde por 2-0) a igualar, mas não bater, o recorde do CRAC de 19 anos sem ganhar o campeonato. Conseguir apenas dois pontos nos três últimos jogos, com dois em casa, acho que nem eles conseguem dar cabo disso...!
 
Perante a nossa besta negra de jogos na Luz, tínhamos uma boa oportunidade de amenizar a diferença entre vitórias e derrotas no novo Estádio, mas mais uma vez não conseguimos. O CRAC foi sempre muito mais agressivo na disputa dos lances (com tudo de bom e de mal que isso tem) e, com excepção dos minutos finais, fechou sempre melhor os caminhos para a sua área do que nós. Entrámos em campo com os três centrais e o Pizzi novamente ao lado do Weigl, e o jogo começou dividido, como seria de esperar. As oportunidades rareavam até que com um lance de génio do Everton aos 23’, passando por três adversários e fazendo uma tabelinha com o Rafa, inaugurámos o marcador, num remate rasteiro de fora da área sem hipóteses para o Marchesín. A reacção do CRAC foi forte e até ao intervalo o jogo foi todo deles, apesar de não terem tido nenhuma oportunidade flagrante de golo, já que ou a última bola não chegava ao destino ou a pontaria estava desafinada. Quanto a nós, só em cima do intervalo criámos perigo, com o Sr. Artur Soares Dias a assinalar um penalty a nosso favor por falta sobre o Rafa, mas o VAR viria a invalidar o lance por fora-de-jogo do nosso extremo.
 
Na 2ª parte, conseguimos dividir mais a posse de bola, mas a primeira defesa foi do Helton Leite a um remate cruzado do Marega. Saíamos principalmente em contra-ataque, mas, lá está, sem criar perigo iminente, dado que o (mau) timing dos passes continuava a ser um grande problema. À passagem da hora de jogo, novo penalty revertido pelo VAR, que considerou (e bem) que o Diogo Gonçalves é que pisou o Zaidu antes de ser tocado por este. Entretanto, o Sr. Artur Soares Dias ia recheando de amarelos os nossos jogadores e o Jesus achou por bem tirar dois deles, o Weigl e Rafa, lançando o Gabriel e Taarabt. A substituição do alemão veio revelar-se um erro, com o Gabriel na sua lentidão a perder uma bola em zona muito perigosa, pouco depois de ter entrado, e ao deixar todo o espaço do mundo já na área para o Uribe rematar com êxito aos 75’, fazendo o golo do empate. Claro que o Taarabt é muito mal batido perto da linha, permitindo o centro atrasado à vontade, mas é inconcebível como é que se pode deixar um adversário solto na área, numa jogada que decorre de um pontapé de canto. E preencher esse espaço é da responsabilidade do trinco. O Sr. Artur Soares Dias entrou em acção a dez minutos do fim e influenciou o resultado com duas decisões erradas consecutivas: é ÓBVIO que o Pepe deveria ter visto o segundo amarelo por pisão ao Seferovic (que inacreditavelmente pouco depois vê o amarelo por um lance igualzinho), num lance a meio do meio-campo, e depois o árbitro não deixou que o livre fosse marcado rapidamente num lance que culminou num chapéu vitorioso do Everton. Ora, como o livre foi a meio do meio-campo, não se costuma formar barreira nestes casos. Portanto, o lance é interrompido por... nada! Nem para amarelo! Estávamos naturalmente a reagir depois de sofrer o golo, mas o Jesus demorou muito tempo a lançar o Darwin que, quando entrou, se tornou (como seria de prever) uma dor de cabeça para o adversário. Ainda fomos a tempo de ter mais duas oportunidades flagrantes já nos descontos, com um remate de fora da área do Taarabt que o Marchesín defendeu para... a barra(!), tendo depois a bola ressaltado para as suas mãos (a sorte que acompanha esta equipa hedionda é algo que me revolve as entranhas...!) e, mesmo em cima do apito, chegámos a festejar o segundo golo pelo Pizzi, mas o Darwin estava 30 cm em fora-de-jogo no início da jogada...! Foi um enorme balde de água fria!
 
Em termos individuais, o Everton finalmente abriu o livro e foi o melhor jogador do Benfica. O golo é bestial e só lhe falta maior constância exibicional ao longo dos 90’. Demorou quase uma época inteira, mas até que enfim que estamos a vê-lo criar desequilíbrios! Também gostei do Diogo Gonçalves, com o senão de ter procurado o penalty em vez de criar perigo no tal lance que foi revertido. O resto da equipa exibiu-se a um nível aceitável, embora lhe faltasse alguma agressividade na disputa da bola, especialmente quando do outro lado estão jogadores inenarráveis como o Otávio... Ao contrário do que o próprio disse na conferência de imprensa, tirando a entrada do Taarabt, não acho nada que o Jesus tenha estado bem nas substituições.
 
Esta é uma época perdida e só a conquista da Taça de Portugal a poderá salvar de ter o advérbio ‘totalmente’ antes do adjectivo. Espero que sirva para que finalmente se tire ilações (coisa que, nunca é demais repetir, não foi feita no ano passado), porque, apenas um campeonato ganho (e de um modo milagroso...) nos últimos quatro, é mau de mais para se poder compactuar com isto durante muito mais tempo...