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segunda-feira, maio 22, 2017

Despedida

Empatámos no sábado no Bessa (2-2) na última jornada do campeonato e, com a magnífica vitória de ontem do Moreirense (grande Petit!) sobre o CRAC (3-1), acabámos por lhes ganhar um ponto, tendo terminado o campeonato com seis de vantagem sobre eles e 12 sobre a lagartada. Ainda por cima, estes resultados deram-nos o melhor ataque e a melhor defesa da prova, com mais um golo marcado e menos um sofrido do que o CRAC. Fantástico!

O Rui Vitória tinha dito que um dos objectivos para esta partida era fazer de todo o plantel campeão e entrámos em campo com o Pedro Pereira, Kalaica e Hermes, que ainda não tinham jogado um único minuto. Aliás, nenhum jogador dos onze que alinharam é titular neste momento, pelo que era expectável que as coisas não corressem como habitualmente. Aos 16’ sofremos o primeiro golo, quando ficámos com a defesa a dormir e o Renato Santos só teve que encostar depois de um centro na direita. Tínhamos dificuldades em ligar o jogo atacante e estávamos coxos no lado esquerdo do ataque, porque o Hermes é um lateral e estava a jogar a extremo. Só o Zivkovic e a espaços o André Horta é que mostravam algum inconformismo.

Na 2ª parte, o Rui Vitória lançou o Rafa saindo o Hermes, mas foi do mesmo Rafa um erro clamoroso no domínio da bola que permitiu a jogada que deu o 2-0 ao Boavista aos 52’: remate cruzado do Schembri com o Júlio César a poder ter feito mais, já que a bola não foi assim com tanta força. Entretanto, entrou o Jiménez para o lugar do lento e previsível Filipe Augusto, e a equipa deu mostras de começar a reagir. Verdade seja dita que já desde o reinício que tínhamos entrado melhor e materializámos essa subida de produção aos 71’: boa jogada do Rafa desde o nosso meio-campo, que soltou no timing exacto para o Mitroglou, que se tinha libertado do defesa de forma muito inteligente, rematar cruzado para o fundo da baliza. Aos 78’, deu-se a merecida entrada do Paulo Lopes, o único elemento que faltava ser campeão. Já agora, seria uma boa despedida do campeonato e uma prenda para os adeptos do Norte não perdermos o jogo, pensámos nós e terão pensado os jogadores, que pressionaram ainda mais o adversário. Um remate de trivela do Rafa passou muito perto do poste e finalmente conseguimos o empate em cima dos 90’ num canto do Zivkovic e excelente entrada de cabeça do estreante Kalaica a fazer a bola bater no poste e bater no relvado já para além da linha. Um golo que pôs em delírio as bancadas do Bessa, que puderam assim festejar com outro espírito este fantástico tetracampeonato.

Em termos individuais, gostei do Zivkovic, que tinha claramente mais ritmo que os colegas. Espero que na próxima época o André Horta seja mais regular e tenha mais sorte com as lesões, porque é sem dúvida bom jogador. O Mitroglou mostrou-se quando foi preciso meter a bola lá dentro. Quanto aos estreantes, são todos para rever noutro contexto: o Hermes pareceu-me claramente fora de posição, o Pedro Pereira algo nervoso, o que não é de estranhar porque ainda só tem 19 anos e o Kalaica, com 18, foi o mais promissor deles e não só pelo golo.

Para a semana, teremos o último jogo da época com a final da Taça de Portugal e uma oportunidade de conseguir a sempre desejada dobradinha. Eu já tenho a minha conta de finais perdidas de forma inglória, portanto espero bastante concentração da equipa, porque o V. Guimarães não vai ser um adversário nada fácil. E se um tetracampeonato é muito bom, com uma dobradinha será indiscutivelmente muito melhor!

segunda-feira, maio 15, 2017

TETRACAMPEÕES NACIONAIS

Goleámos o V. Guimarães no sábado por 5-0 e conseguimos um feito inédito em 113 anos da gloriosa história do nosso clube: ser tetracampeões nacionais! Têm sido dias tão intensos, que só agora é que tive disponibilidade para escrever o post sobre o jogo do título, com o tempo e a calma que um quarto troféu de campeão consecutivo merece.

Sabendo que estávamos a uma vitória do sonho, tivemo-la na melhor exibição da época. De longe! Em relação à partida de Vila do Conde, o Rui Vitória manteve o Jiménez no onze e fez entrar o Salvio para o lugar do Rafa. Entrámos em campo a todo o gás, dando mostras de querermos resolver as coisas cedo. Ou seja, alguma ansiedade que houvesse ficou bem disfarçada, até porque inaugurámos o marcador logo aos 11’ através do Cervi na recarga a um remate rasteiro do Jonas defendido pelo Douglas. No ano passado, foi o Gaitán a começar a desbloquear o jogo do título, esta época foi o seu substituto. Até então, já tínhamos circundado a baliza vimaranense com perigo, principalmente através do Jiménez. Aos 16’, a vantagem aumentou quando o Ederson(!) assistiu o mesmo Jiménez para o 2-0, num pontapé de baliza que encontrou o mexicano, que não dominou a bola na perfeição, mas conseguiu passá-la por cima do Douglas e cabecear para a baliza, tendo ainda um defesa tocado nela antes de entrar. As coisas estava a correr bem e poderiam ter ficado melhor logo depois, com um remate de pé esquerdo do Nélson Semedo que passou perto do poste e principalmente dois falhanços incríveis do Jonas só com o guarda-redes pela frente. No entanto, aos 37’ fizemos finalmente o 3-0 numa excelente combinação do Jonas com o Pizzi, com o brasileiro a fazer a assistência para o nº 21 ensiná-lo como se marca isolado frente ao Douglas…! Se com 3-0 as coisas estavam muito bem encaminhadas (eu, como sou um pessimista por natureza, lembrei-me logo do jogo frente ao Besiktas para não começar a festejar prematuramente…), com o 4-0 aos 44’ até eu achei que o título estava garantido: foi o melhor golo da tarde, um chapéu magnífico do Jonas, que começou assim a sua redenção dos falhanços incríveis.

Na 2ª parte, continuámos com a mesma tendência embora em menor velocidade, obviamente, e tivemos oportunidades pelo Luisão (de cabeça) e duas vezes pelo Pizzi, na primeira um remate ao lado e noutra com um defesa a tirar mesmo sobre a linha de golo um remate em chapéu tão bom quanto o do Jonas. Aos 67’, fizemos o 5-0 através de um penalty indiscutível por empurrão do Marega ao Cervi, com o Jonas a rematar colocado e em força. Até final, ainda atirámos uma bola ao poste pelo Jiménez e vimos o Douglas defender remates do Jonas e Pizzi. Poderíamos ter construído um resultado ainda mais histórico…!

Com uma exibição tão perfeita, custa fazer destaques individuais, mas mesmo assim voltei a gostar do Jiménez, que surge muito confiante e em forma neste final de época, do Cervi, um pequeno-grande poço de energia, do Salvio, que fez a sua melhor exibição da época (foi pena ter-lhe faltado as forças para o remate num slalom que fez na 2ª parte… Teria sido um dos golos do campeonato), e do Pizzi por ter sido mais uma vez o cérebro da equipa. Quanto ao Jonas, dois golos são sempre de saudar, mas ficou a dever-nos outros dois (pagas na final da Taça e não se fala mais nisso, pode ser?).

Estamos em festejos merecidíssimos desde sábado e para a semana vamos ao Bessa fechar o campeonato. É muito provável que todos aqueles que ainda não jogaram nenhum minuto o possam fazer para poderem ser considerados também campeões nacionais. Ainda bem que resolvemos a questão do título duas semanas antes da ida ao Jamor, não só pelo que acabei de dizer, mas principalmente para podermos preparar a final com outra concentração. É que eu já tenho a minha dose de finais da Taça perdidas de forma inglória, portanto vamos lá atacar a dobradinha, sff! 

VIVA O BENFICA! TETRACAMPEÃO NACIONAL!

segunda-feira, maio 08, 2017

Perto

Ganhámos ontem em Vila do Conde por 1-0 e, com o empate da véspera do CRAC nos Barreiros (1-1), ficámos com cinco pontos de vantagem a duas jornadas do fim do campeonato. Ou seja, estamos a dois pontos de nos sagrarmos pela primeira vez na nossa história tetracampeões nacionais. Para ajudar ainda mais este fim-de-semana a ser memorável, o Belenenses, depois de sete(!) derrotas consecutivas, foi ganhar ao WC (3-1) ao fim de 62 anos!

Já se sabia que este encontro com o Rio Ave iria ser dos mais difíceis da época. Desde a chegada do Luís Castro que os vilacondenses se têm tornado uma das equipas com melhor futebol e, com ele, ainda não tinha perdido em casa. O empate do CRAC no sábado tirava um pouco da pressão que tínhamos, mas à luz das nossas últimas exibições eu não estava nada confiante num triunfo. O Rui Vitória colocou o Rafa e o Jiménez em vez do Salvio e Mitroglou, e desde o início se percebeu que foi uma aposta ganha. Entrámos bastante concentrados, a controlar bem o adversário, mas tivemos um calafrio logo no início com uma má saída do Ederson a um cruzamento que fez com que a bola pingasse na nossa pequena-área com o Pizzi a aliviar. Foi a única vez em que o Rio Ave esteve perto de marcar na 1ª parte, enquanto nós tivemos um par de oportunidades pelo Jonas (num desvio num cruzamento bem defendido pelo Cássio e num remate já dentro da área ao lado da baliza), remates do Pizzi e Cervi sem a força necessária, que tornaram a defesa do guarda-redes bastante fácil, e outro do Nélson Semedo que lhe proporcionou uma boa intervenção.

Na 2ª parte, entrámos ainda melhor e sufocámos o Rio Ave durante um bom bocado. Um remate à meia-volta do Jiménez obrigou o Cássio à melhor defesa do jogo e uma cabeçada do Jonas ia com boa direcção, mas bateu no Tarantini. Por volta da hora de jogo, o Rio Ave respondeu num contra-ataque com o Héldon a remate em arco com bastante perigo, tendo a bola passado muito perto do poste. O jogo começava a ficar um pouco partido e o Rui Vitória resolveu mexer, fazendo entrar o Salvio para o lugar do Rafa. Depois de um remate enrolado Pizzi, conseguimos finalmente o golo num canto… do Rio Ave! Contra-ataque magistral, com o Cervi a abrir para o Jonas e este a desmarcar genialmente o Salvio ainda no nosso meio-campo. O argentino geriu muito bem o timing da jogada, porque era uma situação de dois-para-um e, no momento certo, passou para o Jiménez que ficou cara-a-cara com o guarda-redes e à sua saída colocou a bola rasteira no canto inferior direito da baliza. Foi o delírio! O mais difícil estava feito e havia que defender com unhas e dentes esta vantagem. Desta vez, o Rui Vitória colocou (e bem) o Samaris no lugar do Jonas, mas o meu coração ainda parou aos 87’: bola ao poste do Gonçalo Paciência, que aproveitou um corte do Luisão que bateu nas costas do Lindelof e sobrou para ele, com o Héldon na recarga a atirar por cima…! Tivemos azar com o ressalto de bola que proporcionou esta oportunidade, mas é certamente a isto que se chama “estrelinha de campeão”…!

Em termos individuais, destaque para o Jiménez por ser o responsável pelo segundo ano consecutivo por uma vitória em Vila do Conde, para o Cervi, num jogo de enorme entrega (algumas vezes até demais, já que deve conter melhor os ímpetos especialmente quando tem um amarelo), e para a dupla de meio-campo, Fejsa e Pizzi, o primeiro a ser o tampão habitual e o segundo a organizar novamente bem todo o nosso ataque. O Rafa fez uma partida bastante razoável e o Jonas foi magistral na jogada do golo. A defesa esteve muito concentrada, sempre comandada pelo enorme Luisão. O Salvio participou activamente no golo e só por isso entra nos mais da equipa, mas houve outros lances em que poderia ter sido menos complicativo.

No próximo sábado, receberemos o V. Guimarães e, em caso de triunfo, festejaremos o tetra em nossa casa. Nesta altura, tendo de conseguir dois pontos em dois jogos, parece quase impossível que não o consigamos. Como parecia impossível que não ganhássemos ao Belenenses na estreia do Luisão em 2003/04, quando estava 3-1 aos 90’, ou como parecia impossível que não ganhássemos ao Estoril em casa há quatro anos (o que teria feito com que estivéssemos agora à beira de um penta, nunca é demais referir…). Portanto, muita calma que nenhum jogo está ganho antes de ser jogado e a bazófia e excesso de confiança já nos custaram muito caro no passado.

P.S. – Depois da derrota em Setúbal e empate em Paços de Ferreira, finalmente lá ganhámos um jogo arbitrado pelo Sr. João Pinheiro. Se cada equipa pode reivindicar um penalty (do Rafa na 1ª parte e sobre o Nélson Semedo no início da 2ª), há um lance inacreditável já na 2ª parte em que o Rafa iria ficar quase isolado e que o árbitro beneficia claramente o infractor ao marcar uma falta anterior. Se as jogadas de penalty são ambas um pouco atabalhoadas (e logo motivo de dúvidas), esta decisão é incompreensível.

segunda-feira, maio 01, 2017

À rasca

Vencemos o Estoril (2-1) no sábado e mantivemos os três pontos de vantagem para o CRAC que foi ganhar a Chaves (2-0). Foi um jogo bastante mais complicado do que se esperava a priori e em que só se salva mesmo o resultado. Que é obviamente o mais importante. Antes assim!

Depois de no fim-de-semana passado termos empatado do WC, mas conservado os três pontos de vantagem graças ao também empate do Feirense em Mordor, era expectável que nós entrássemos em campo a sufocar o adversário, porque temos tudo a nosso favor. Mesmo sabendo que este Estoril se revelou um osso muito duro de roer há três semanas nas meias-finais da Taça de Portugal, como agora alinhávamos com a principal equipa reforçada pelo regresso do Jonas, era de prever uma entrada determinada da nossa parte. Mas infelizmente isso não aconteceu. O Rui Vitória lá se decidiu a dar a titularidade ao Cervi em vez do inofensivo Rafa, mas o nosso maior problema continua a ser a lentidão de processos, o que perante equipas fechadas faz com que as ocasiões de golo sejam raras. Um remate do Salvio desviado por um defesa foi a única vez em que estivemos perto do golo, antes do penalty indiscutível sobre o Nélson Semedo que o Jonas concretizou para o lado oposto do Moreira aos 29’. Como o (teoricamente) mais difícil estava feito e era uma inevitabilidade o Estoril ter de atacar e abrir espaços, pensei que o jogo se tornaria mais fácil para nós. E a verdade é que tivemos duas óptimas ocasiões para alargar a vantagem, mas tanto o Cervi como o Salvio, ambos em posição privilegiada, atiraram ao lado. Quanto ao Estoril, o Kléber ainda apareceu frente-a-frente com o Ederson, mas não conseguiu fazer o desvio com força suficiente.

Um pouco à semelhança do jogo da Taça, o início da 2ª parte foi catastrófico para nós. É certo que não sofremos um golo logo na reposição de bola, mas vimos o Estoril vir para cima de nós sem conseguirmos praticamente passar de meio-campo. Só nos primeiros quinze minutos, o Kléber voltou a aparecer isolado perante o Ederson, mas a atirar-lhe a bola para as mãos, e sofremos duas bolas nos postes (Ailton e Mattheus Oliveira)! Até que aos 59’, o Estoril empatou mesmo pelo Kléber, que, beneficiando de uma escorregadela do Ederson quando ia arrancar para lhe fazer frente, atirou a bola por baixo das pernas do nosso guarda-redes. Da maneira como o jogo estava, teríamos de mudar radicalmente para conseguir voltar a estar em vantagem. Ou isso, ou ter o Jonas em campo. E foi o genial brasileiro a arrancar um remate do meio da rua para fazer o 2-1 aos 66’. Indiscutivelmente, um dos melhores golos do campeonato! Entretanto, o Carrillo já tinha entrado para o lugar do Salvio, apostando também o Rui Vitória no Jiménez (saiu o Mitroglou) e no Filipe Augusto (saiu o Jonas esgotado aos 77’). Até final, por duas vezes poderíamos ter acabado com o jogo, mas o Jiménez rematou na atmosfera, quando estava em excelente posição depois de um centro do Nélson Semedo na direita, e o Grimado atirou ao lado quando só tinha o Moreira pela frente. Com mais um homem no meio-campo (mesmo que seja o Filipe Augusto…), conseguimos controlar melhor o ataque do Estoril, que deixou de ter as auto-estradas dos primeiros quinze minutos da 1ª parte. Mesmo assim, ainda houve dois livres deles para a nossa área já mesmo em cima dos 90’, que felizmente não criaram perigo.

Em termos individuais, óbvio destaque para o Jonas que com um bis nos deu os três pontos. Pelo que lutou e se entregou ao jogo, logo atrás vem o Cervi, cuja titularidade há muito eu venho defendendo. Todo o resto da equipa esteve bastante sofrível, com o Pizzi a passar muito ao lado do jogo, o Mitroglou idem, idem, aspas, aspas, mas nenhum tão mau como o Salvio. Eu até gosto bastante do argentino, mas está a atravessar uma fase terrível em termos de confiança e por duas ou três vezes estragou contra-ataques prometedores nossos. O maior problema é que o seu substituto foi o Carrillo, que me abstenho de comentar… Não percebo porque é que o Zivkovic ficou na bancada. Outra questão é a insistência no Filipe Augusto com o Samaris também no banco. Ou o grego está de castigo internamente pela estupidez de Moreira de Cónegos (e aí nem no banco deveria estar), ou não percebo esta opção do Rui Vitória.

Faltam três jogos e precisamos de sete pontos para o desejado tetra. Neste momento, temos que apelar ao coração e espírito de sacrifício dos nossos jogadores, porque os tempos das goleadas, e consequente qualidade exibicional, do ano passado estão muito distantes. Temos saídas muito difíceis a Vila do Conde e ao Bessa e uma recepção sempre complicada ao V. Guimarães. Vai ser certamente sofrer até final.

P.S. – É certo que não estamos a jogar ao nível de épocas anteriores, mas estar a ganhar por 1-0 em casa a quatro jornadas do fim e haver benfiquistas(?) que assobiam a equipa é simplesmente estúpido. Se querem ver espectáculo, vão ao circo, sff! Nesta altura do campeonato, é simplesmente para ganhar e, se a equipa o está a fazer, é preciso ser-se bastante acéfalo para assobiá-la. Por alguma razão, a equipa não agradeceu no final como é hábito. E fez muito bem em mostrar desagrado pela situação. Cambada de idiotas!

segunda-feira, abril 24, 2017

Fundamental

  
Empatámos no sábado no WC (1-1), mas com o magnífico empate do Feirense em Mordor ontem (0-0) mantivemos os três pontos de distância para o CRAC. Perante uma equipa que estava a jogar a sua final da Champions, fizemos uma partida com bastante personalidade e o resultado acaba por ser justo.

Depois de o Braga ter tornado a nossa Páscoa melhor na semana passada, ao empatar com o CRAC (1-1), sabíamos que desde que não perdêssemos continuaríamos na liderança. Mas o jogo não poderia ter começado pior: logo aos 5’, o Ederson domina mal uma bola num atraso do Luisão e faz penalty indiscutível sobre o Bas Dost (aliás, já frente ao Marítimo na jornada anterior, tinha brincado em zona perigosa…). Infelizmente, não foi o Bast Dost a marcar o penalty, mas sim o Adrien que atirou para o lado contrário do nosso guarda-redes. Numa partida em que não poderíamos perder, começámos logo em desvantagem… Ainda por cima, estávamos sem o Jonas, que não recuperou da lesão contraída há uma semana, tendo o Rui Vitória apostado (finalmente!) no Cervi, com o Rafa e Mitroglou na frente. Confesso que eu teria colocado Samaris e Fejsa no meio-campo, mas ainda bem que assim não foi, porque logo aos 5’ essa estratégia teria ruído. Reagimos bem ao golo, dominámos, mas não conseguimos criar grandes oportunidades. Verdade seja dita que a lagartada, essa, nem sequer atacava e deixou de rematar à nossa baliza aos 7’…! Nos últimos cinco minutos da 1ª parte, o jogo aqueceu com três penalties(!) não assinalados a nosso favor pelo Sr. Artur Soares Dias: derrube do Schelotto ao Grimaldo, empurrão do Bruno César ao Lindelof, quando este estava no ar preparado para cabecear, e puxão do William ao Rafa, que não o permitiu rematar em boas condições. Do sítio onde eu estava, confesso que não me apercebi bem destes dois últimos, mas por algum motivo o árbitro está no relvado e não na bancada… Ainda antes do intervalo, tivemos um livre perigoso à entrada da área, em que o Grimaldo proporcionou uma boa defesa ao Rui Patrício.

Na 2ª parte, voltámos a não entrar bem e a lagartada teve duas oportunidades pelo Bas Dost, uma de cabeça e outra num remate atabalhoado, mas ambas nem chegaram à baliza. O Rui Vitória apercebeu-se disso a tempo e colocou o Jiménez no lugar do inoperante (pela enésima vez…) Rafa. Pouco depois, numa boa jogada nossa, o Pizzi abriu para o Mitroglou, que rematou com perigo para o Rui Patrício defender. Até que aos 66’, tivemos novo livre perto da área, por derrube ao Salvio: quando todos estavam à espera que fosse novamente o Grimaldo a bater, eis que apareceu o Lindelof a colocá-lo na gaveta! O Rui Patrício nem se fez ao lance! Foi o delírio entre nós e o meu grito de golo veio bem cá de dentro (até porque no ano passado tinha sido a primeira vez na vida que não me tinha levantado num golo do Benfica). Desforrei-me e bem! Estávamos por cima do jogo e tenho a sensação que, se tivéssemos forçado um pouco, poderíamos ter conseguido algo mais. No entanto, o Rui Vitória achou por bem manter um pássaro na mão e trocou o Mitroglou pelo Filipe Augusto a dez minutos do final. Mais uma vez, eu teria colocado o Samaris para dar maior consistência, mas desta feita o brasileiro até entrou bem na partida. O jogo prosseguiu com intensidade até ao fim, mas sem haver lances de verdadeiro perigo em ambas as balizas. Foi pena que o Carrillo, que tinha substituído o Salvio, não tenha conseguido desembaraçar-se de um adversário quando estava só num-para-um com ele… Teria sido a cereja no topo do bolo!

Em termos individuais, destaque óbvio para o Lindelof pelo importantíssimo golo. Depois do Jardel há dois anos, temos novamente um central a ser decisivo no WC. Para além disso, em termos defensivos também esteve muito bem, à semelhança do fantástico Luisão, a provar que velhos são os trapos! Grande capitão! O Grimaldo teve muitas dificuldades perante o melhor jogador deles (Gelson), mas o Nelson Semedo no lado contrário fez uma exibição muito segura. No meio-campo, estiveram outros dois destaques: o Fejsa a ser o varredor do costume e o Pizzi a subir de produção num jogo grande, demonstrando grande classe. Na frente, o Mitroglou teve pouca bola, mas a que teve em condições obrigou o guarda-redes contrário a aplicar-se e o Cervi lutou bastante como é habitual. Aliás, tendo em conta que os nossos piores jogadores foram o Salvio e principalmente o Rafa, para mim o Cervi deveria ser titular indiscutível. O Jiménez entrou bem e deu bastante luta aos centrais, o Carrillo não destoou e o Filipe Augusto, como disse anteriormente, também não. Quando ao Ederson, espero que não se esqueça disto, para não voltar a repetir. Tem sido decisivo ao longo da época e desejo que o continue a ser… mas a nosso favor!

Faltam quatro jogos e precisamos de 10 pontos para o ambicionado e inédito tetracampeonato. No entanto, acho que todos éramos nascidos em 2013 e eu ainda não recuperei bem daquele choque, portanto cabeça fria até final, sff…!

VIVA O BENFICA!

sábado, abril 15, 2017

Justo

Vencemos o Marítimo por 3-0 e aguardamos pelo desfecho logo à noite do CRAC em Braga para saber com quantos pontos de vantagem iremos ao WC. Foi um triunfo indiscutível perante uma equipa que se limitou a defender na 1ª parte e que, depois quando quis, já não teve arte para nos conseguir criar problemas.

O Rui Vitória apostou no mesmo onze de Moreira de Cónegos, algo que perante a exibição sofrível que tivemos não deixou de me espantar. Especialmente levando em linha de conta que a equipa tinha melhorado naquele jogo com as entradas do Cervi e Zivkovic. E os primeiros 34’ desta partida frente ao Marítimo não foram muito diferentes da semana passada: com um futebol lento e previsível, era de facto difícil criar oportunidades de golo. Um par de remates do Jonas defendidos pelo Charles e uma boa intervenção deste depois de um corte defeituoso de um companheiro foram os únicos lances de relativo perigo que conseguimos. Do lado contrário, o Marítimo só assustou numa estupidez do Ederson a tentar fintar um adversário. Até que aos 34’ utilizámos pela primeira vez velocidade e inaugurámos o marcador: bola bem ganha pelo Rafa na esquerda, centro de trivela para a área e o Luís Martins, ao tentar impedir a bola de chegar ao Mitroglou (que só teria que encostar), acabou por colocá-la na baliza. Dois minutos depois, aumentámos a vantagem para 2-0 num bom remate de fora da área do Jonas, rasteiro e colocado, depois de uma combinação na esquerda entre o Rafa, o Pizzi e o próprio Jonas. Logo a seguir, numa das melhores jogadas do encontro, o Mitroglou falhou escandalosamente o terceiro golo, ao não acertar bem na bola quando só tinha o guarda-redes pela frente, depois de um centro do Nélson Semedo na direita. Mesmo em cima do intervalo, a partida ficou definitivamente resolvida com o 3-0, novamente pelo Jonas, numa recarga a um seu próprio remate depois de uma cabeçada do Luisão na sequência de um canto.

Tendo em conta que a diferença de golos pode ser um factor importante na resolução deste campeonato, pensei que aproveitaríamos esta oportunidade na 2ª parte para reduzir a nossa desvantagem perante o CRAC neste capítulo. Puro engano. Limitámo-nos a controlar a partida e a pensar mais no importantíssimo jogo da próxima semana no WC. Um remate de primeira do Mitroglou a centro do Rafa e uma perdida incrível do Salvio, isolado perante o guarda-redes pelo mesmo Rafa, foram as duas únicas ocasiões em que estivemos perto do golo. Quanto ao Marítimo, não me recordo de o Ederson ter efectuado uma única defesa. A única nota menos positiva foi a saída do Jonas aos 60’ por problemas musculares (entrou o Zivkovic), que espero não sejam impeditivos de o fazer alinhar na próxima semana.

Em termos individuais, destaque óbvio para o Jonas pelo bis, o Rafa não começou nada bem, mas foi subindo e acabou por participar nos nossos lances mais perigosos (se souber definir melhor o último passe e, principalmente, rematar à baliza pode tornar-se um caso sério, mas caso contrário podemos sempre transferi-lo para a secção de atletismo...), e o Luisão esteve irrepreensível na defesa. De jogo para jogo, o Grimaldo vai naturalmente subindo de forma e pode ser importante neste final de época, e com o Fejsa no meio-campo as coisas são sempre diferentes. Quanto aos menos, o Pizzi passou muito ao lado do jogo e o Salvio esteve de fugir.

Faltam cinco partidas para terminar o campeonato, mas a do próximo sábado no WC vai definir bastante do que se irá passar até final. Seria bom ter alguma margem de manobra (cada vez que penso que já tivemos seis pontos de vantagem, dá-me vontade de chorar...), mas isso não depende directamente de nós. De qualquer forma, sabendo que para o adversário este jogo será a final conjunta da Champions, Campeonato da Europa e Campeonato do Mundo, e que se esquecerá rapidamente da época miserável que está a fazer, se conseguir o prémio mais desejado por aqueles lados que é sempre atrasar-nos na luta pelo título, temos que ir lá para ganhar!

segunda-feira, abril 10, 2017

Lisonjeiro

Vencemos o Moreirense em Moreira de Cónegos por 1-0 e continuamos com um ponto de vantagem perante o CRAC (que derrotou o Belenenses por 3-0) e oito em relação à lagartada (4-0 ao Boavista). Em teoria, este seria o segundo jogo mais fácil até final do campeonato (superado apenas pela recepção ao Estoril), mas o que se viu deixa-me bastante apreensivo para as jornadas que se seguem (não estou mesmo a ver-nos ganhar algum dos três encontros fora que faltam a jogar desta maneira…). Se conseguimos sair com os três pontos desta partida, a um único factor isso se deve: aselhice do adversário. Algo que, como as próximas equipas são melhores, provavelmente não voltará a acontecer.

E finalmente em Abril, jogámos pela primeira vez com o Ederson, Grimaldo, Fejsa e Jonas como titulares. O que quer dizer que, a menos de dois meses(!) do final da época, estamos na máxima força (os únicos lesionados são o Jardel e o Jiménez, que não são titulares há muito tempo). Já não era sem tempo, mas em campo não se viram melhorias nenhumas. Aliás, ainda conseguimos fazer uma exibição pior do que em relação ao jogo com o Estoril na passada 4ª feira, em que alinhámos com uma maioria de suplentes. A 1ª parte define-se numa palavra: zero. Criámos zero oportunidades de golo, mas, provando que se calhar os milagres existem mesmo, marcámos um golo! Foi aos 42’ da única maneira possível: bola parada, livre bem marcado pelo Pizzi e cabeçada do Mitroglou lá para dentro. O Moreirense, treinado agora pelo Petit, fechou-se muito bem e nós nunca tivemos engenho para os desequilibrar defensivamente, porque o Pizzi está longe da melhor forma, o Rafa continua a ser um reforço mas é para a secção de atletismo, o Jonas fez dos piores jogos com a nossa camisola, o Salvio continua sem conseguir criar desequilíbrios e assim era difícil as bolas chegarem ao Mitroglou.

Pensei que na 2ª parte, como o Moreirense tinha que necessariamente atacar, o jogo fosse mais fácil para nós. Puro engano! O Moreirense atacou, sim, mas ao invés de aproveitar os espaços nas costas da sua defesa, nós não só não conseguimos fazer isso como permitimos que eles manobrassem muito à vontade no nosso meio-campo. Já se sabe que, com a gestão dos amarelos, a capacidade de luta do Pizzi (que já não é muita) baixa ainda mais e o Fejsa, que não jogava há quase dois meses, não está naturalmente na sua plenitude. Assim sendo, não é de espantar que o Moreirense tenha criado três flagrantes oportunidades de golo (uma salva pelo Lindelof já sem o Ederson na baliza, outra num remate disparatado ao lado quando o avançado só tinha o Ederson pela frente e já nos descontos um remate clamorosamente falhado na sequência de um canto). Quanto a nós, só por uma vez pelo Mitroglou estivemos à beira do golo, mas o Makaridze fez bem a mancha. Quando o Rui Vitória lá se decidiu a mexer na equipa, nós melhorámos. As entradas do Cervi (o que é que o rapaz terá feito para não ser titular…?!) e Zivkovic, substituindo o apagado Salvio e o sprinter Rafa, fizeram com que tivéssemos mais bola na frente e, principalmente, a presença do Samaris nos últimos 10’ fechou (finalmente!) o nosso meio-campo.

O Pizzi fez um bom cruzamento e a cabeçada do Mitroglou foi excelente. São os destaques individuais que me apraz fazer.

Por alguma razão, o Rui Vitória disse no final que este jogo já estava feito e ia já para o arquivo. Costuma dizer-se que o fica para o futuro é o resultado: no caso deste jogo, ainda bem! Porque tirando isso, não há mesmo nada que se possa aproveitar dele.

P.S. – Está já a preparar-se um clamor fora de campo sobre as entradas do Luisão e do Samaris. Se a do nosso capitão é na disputa de um lance (levou amarelo, mas como atinge o adversário no calcanhar se fosse vermelho não me chocava, apesar de se ver isto em ‘n’ vezes e raramente o jogador ir para a rua), a do Samaris é escusadíssima e poderá valer-lhe uma suspensão no futuro. Não percebo qual a necessidade que ele tem de entrar nestas confusões. Como as coisas estão, já se sabe que os nossos adversários pegam em tudo e isto é dar-lhes de borla lenha para a fogueira. Ainda por cima, viu-se bem o que a equipa melhorou com a sua entrada em campo. Que estupidez atroz!

segunda-feira, abril 03, 2017

Péssimo resultado

Empatámos em casa como CRAC (1-1) no sábado e continua a haver um ponto a separar as duas equipas, com a lagartada (que ganhou 2-1 em Arouca), agora a oito pontos de nós. Não só perdemos uma excelente oportunidade de nos colocar a salvo de uma qualquer escorregadela até final do campeonato, como abrimos novamente a luta pelo título a três. Nós e o CRAC pelo título de campeão nacional e a lagartada por um maior do que esse: impedir o Benfica de ser campeão.

Com o Fejsa ainda sem estar em condições, a única alteração foi a titularidade do Rafa em detrimento do Zivkovic. Era fundamental vencer esta partida e tivemos uma entrada muito forte em campo. Colocámo-nos em vantagem logo aos 7’ num penalty indiscutível do Felipe sobre o Jonas, que o mesmo Jonas concretizou: remate rasteiro para o meio da baliza, mais que defensável se o Casillas não se tem mexido, o que felizmente aconteceu. O CRAC esteve bastante aturdido durante os primeiros 15’, depois lá se restabeleceu, mas sem nunca criar grande perigo junto à nossa baliza. Quanto a nós, tivemos mais do que uma ocasião para dilatar a vantagem, soubéssemos ter mais cabeça fria na hora da decisão: o Nélson Semedo, depois de uma boa jogada individual, resolveu rematar de pé esquerdo(!) fora da área, quando tinha o Jonas sozinho na meia-lua em excelente posição; o Rafa ganhou uma bola em velocidade ao traidor uruguaio, mas não conseguiu fazer o passe para o Jonas ou Mitroglou que estavam literalmente só com o Casillas pela frente(!); e uma cabeçada do Luisão num livre saiu ligeiramente por cima com o guarda-redes completamente batido. Quando ao CRAC, só um livre rasteiro do Brahimi é que proporcionou ao Ederson uma boa defesa. Deveríamos ter chegado ao intervalo com a partida praticamente decidida.

A 2ª parte não poderia ter começado pior, porque o CRAC empatou logo aos 49’ pelo traidor uruguaio, num bom lance do Brahimi na esquerda (este gajo estava tão bem fora do plantel, o Otávio é que era a 8ª maravilha do mundo, quem é que mandou recuperá-lo?!) que proporcionou três remates(!) na nossa área, tendo o último entrado. Claro que fomos muito pouco lestos a aliviar a bola. Ainda faltava praticamente toda a 2ª parte, mas o CRAC só criou verdadeiro perigo mais uma vez pelo Soares, que tirou o Nélson Semedo do caminho no um-para-um, mas viu o Ederson sair rapidíssimo aos seus pés e ficar com a bola. Festejei como se tivesse sido um golo! Quanto a nós, à semelhança da época passada, lá proporcionámos ao Casillas nova exibição de luxo: remate rasteiro em arco do Jonas e defesa para canto; outra vez o Jonas a desviar já na pequena-área um centro do Salvio e o espanhol conseguiu incrivelmente desviar a bola outra vez para canto; e num livre, depois de uma cabeçada do Luisão, o Mitroglou rematou praticamente à queima-roupa e o Casillas voltou a defender não só este, como a recarga do Jonas! Com uma mulher tão bonita em casa, o que é que este tipo vem fazer ao Estádio da Luz?!

Em termos individuais, gostei do começo do jogo do Salvio, que depois foi descendo de nível, o Rafa terá feito dos melhores jogos pelo Benfica (mas ainda longe do nível que se exige a alguém que custou aquele preço), o Samaris foi o mais consistente ao longo de toda a partida e o Luisão foi imperial na defesa. O Pizzi passou um pouco ao lado do jogo, o Mitroglou foi bem marcado e não teve muitas oportunidades e o Jonas não conseguiu aguentar os 90’. Fundamental foi novamente o Ederson com aquela saída aos pés do Soares. Os laterais tiveram regulares, com o Nélson melhor na primeira do que na segunda parte, e o Eliseu sempre atento ao Corona. O Lindelof, que teve problemas físicos durante a semana, jogou como se nada tivesse acontecido. Quanto aos substitutos, o Cervi não agitou tanto as coisas como se desejava e o Carrillo entrou já muito perto do fim. A enésima lesão do Jiménez ao serviço da selecção (julgo que teremos mais do que justa causa para o impedir de voltar à selecção!) prejudicou-nos, porque o seu poderio físico teria sido muito útil naqueles minutos finais.

Sempre disse que deveríamos chegar ao WC com quatro pontos de vantagem e esta partida era crucial para que isso acontecesse. Razão pela qual saí chateadíssimo do estádio. Iremos ver o que nos reservam os próximos jogos fim, mas perdemos uma excelente oportunidade de dar um passo enorme rumo ao tetra.

segunda-feira, março 20, 2017

Empate

Não conseguimos melhor que um 0-0 em Paços de Ferreira e, como aposto os meus dois braços em como o CRAC ganha amanhã ao V. Setúbal em casa, iremos recebê-los na Luz no 2º lugar a um ponto deles. Desde a 5ª jornada que estamos no 1º lugar, já os tivemos a seis pontos e, consubstanciada esta ultrapassagem, temo bem que o sonho do tetra se tenha começado a desmoronar hoje, porque o momentum está todo do outro lado

Este seria o início do post que eu estive quase para escrever ontem no final do nosso jogo. Estava absolutamente convencido que o CRAC, vindo de nove vitórias consecutivas para o campeonato, não desperdiçaria uma oportunidade flagrante destas para nos passar à frente. Mas só não escrevi logo ontem o post, pela mesma razão porque não comprei uma camisola deste ano (nota prévia: só compro as camisolas campeãs nacionais) que estava com 50% de desconto numa altura em que tínhamos seis e oito pontos de vantagem, pela mesma razão porque só a cinco minutos do fim, e com 3-0 a nosso favor, eu começo a achar que o jogo está resolvido, ou pela mesma razão porque não comprei os bilhetes para a final da Taça da Liga deste ano antes da meia-final com o Moreirense: não dou nada por adquirido até o árbitro apitar para o final dos jogos. Trocado por miúdos: superstição! As bruxas não existem, mas não vale a pena provocá-las…!

Tal como se esperava, a ida a Paços de Ferreira foi bastante complicada ou não tivesse esta equipa também tirado dois pontos ao CRAC. A reentrada na equipa do Nélson Semedo foi a única alteração em relação ao Belenenses e deveríamos ter-nos colocado em vantagem logo aos 9’, quando o Salvio falhou incrivelmente o desvio depois de um centro do Jonas na esquerda. Durante a 1ª parte, contam-se pelos dedos de uma mão (e sobram) as vezes que o Paços passou de meio-campo, mas nós nunca tivemos engenho e arte para conseguir criar grandes situações de perigo. Perante uma defesa muito fechada, mas nunca a fazer antijogo (louve-se isso), eram raras as vezes em que imprimíamos velocidade ao nosso futebol, a que não é alheio o facto de os extremos Salvio e Zivkovic serem dois dos nossos piores jogadores. A única vez que estivemos perto do golo foi numa bomba ao poste do Eliseu aos 26’.

Na 2ª parte, o Paços abriu-se um bocado mais, mas nós continuávamos muito pouco inspirados. Mesmo assim, ainda tivemos algumas ocasiões, com destaque para uma do Jonas em boa posição, mas em que o defesa cortou, outra do Luisão de cabeça num canto, mas tendo acertado mal na bola, e um centro-remate do Nélson Semedo que o guarda-redes Defendi desviou. O Paços também teve uma grande chance num livre do Welthon que o Ederson tocou para o poste. O Rui Vitória lá se decidiu fazer substituições e foi sem surpresa que melhorámos com as entradas do Cervi, Rafa (este um pouco menos) e Jiménez. Na parte final do jogo, o Pizzi teve um bom remate à entrada da área, mas a bola não saiu tão ao ângulo quanto se desejava e, mesmo no último lance do encontro, o Jonas atirou por cima de cabeça já na pequena-área na sequência de um livre. Foi a nossa melhor oportunidade, num lance em que há mãos nas costas do Jonas, mas em que eu acho que o Sr. João Pinheiro fez bem ao não assinalar nada. É a velha questão da intensidade e, aliás, o Jonas nem protestou.

Em termos individuais, o Samaris foi dos melhores, bem como os centrais Luisão e Lindelof. O Pizzi defendeu-se muitíssimo bem quanto aos amarelos e foi igualmente dos poucos clarividentes na equipa. Continuo sem perceber a ostracização ao Cervi, claramente o nosso melhor extremo. Viu-se bem o que a equipa melhorou com ele em campo e, além disso, o Salvio e o Zivkovic estiveram, como já referi, particularmente mal (na senda dos últimos jogos, acrescente-se). O Jonas continua ainda à procura da sua forma e passou muito ao lado do jogo, assim como o Mitroglou que não teve praticamente bolas à sua mercê. O Nélson Semedo desceu bastante na 2ª parte e foi pena que o Eliseu não tenha quebrado o seu jejum de golos (desde o Braga na Luz há dois anos que não marca) com aquela bomba ao poste.

Tivemos uma benesse com que ninguém contava (uma palavra para o V. Setúbal que não perdeu nenhum dos quatro jogos contra nós e o CRAC - gostava de saber qual, e quando, foi a última equipa a conseguir este feito), mas o facto de continuarmos na frente não nos pode fazer esquecer de algo fundamental: o caminho do tetra passa por ganharmos ao CRAC na Luz. Depois do que se passou neste fim-de-semana, com o seu empate nestas condições que é impossível não lhes abalar o moral, uma vitória nossa (para além de dilatar a vantagem pontual que nos salvaguarde de uma possível futura derrota) faria pender bastante a balança a nosso favor. Não a desperdicemos, por favor!

terça-feira, março 14, 2017

Fácil

Goleámos o Belenenses na Luz por 4-0 e mantivemos a vantagem de um ponto perante o CRAC e os 12 em relação à lagartada. Depois de um compromisso europeu, o que mais se deseja é um jogo tranquilo e uma vitória confortável, que foi o que felizmente acabou por acontecer.

Com o Nélson Semedo a constituir-se como baixa de última hora, o Rui Vitória voltou a apostar no André Almeida, indiscutivelmente o jogador mais útil do plantel. Incompreensivelmente, no entanto, foi ter colocado o Cervi, um dos melhores em Dortmund, no banco. Não percebo porque é que o argentino é sucessivamente preterido, quando é quanto a mim o extremo com melhor rendimento do plantel. Entrámos muito fortes na partida e o Belenenses mal passava do meio-campo. Inaugurámos o marcador aos 12’ no primeiro golo de sempre do André Almeida para o campeonato, aproveitando uma falha incrível do Miguel Rosa, depois de um passe longo do Pizzi. Marcávamos bastante cedo o que, desejar-se-ia, nos catapultasse para uma boa exibição, mas isso não aconteceu na 1ª parte. Depois de golo, baixámos bastante a velocidade e, como o adversário praticamente não criava perigo, fomos deixando correr o marfim até ao intervalo sem criar grandes situações de perigo.

Na 2ª parte, o jogo ameaçava não mudar e até foi o Belenenses a ter a primeira grande ocasião num remate do Miguel Rosa de fora da área ao poste. No entanto, logo na jogada seguinte aos 52’, começámos a arrumar de vez a questão com o 2-0 num remate do Mitroglou de fora da área, bastante colocado, depois de uma assistência do Salvio. Pouco depois, só a aselhice do Maurides não permitiu ao Belém reduzir, quando cabeceou ao lado completamente sozinho. Continuamos a revelar momentos de desconcentração preocupantes que, perante adversários mais fortes, nos podem sair bastante caros. Aos 60’, tudo ficou resolvido em definitivo com o Salvio a marcar o terceiro golo num remate rasteiro de fora da área depois de um passe do Zivkovic. O jogo ficou ainda mais aberto, com algumas boas combinações atacantes da nossa parte que não resultaram em golo porque o último toque não saía bem e o Belenenses a ter igualmente um par de ocasiões perigosas, uma das quais proporcionou ao Ederson a melhor defesa do encontro. Já em tempo de compensação, o Samaris isolou o Mitroglou, que estava ligeiramente adiantado em relação ao defesa, o nosso goleador não foi egoísta e deu para o Jonas desviar do guarda-redes Cristiano e fechar a contagem nos 4-0.

Os espectadores da Luz escolheram o André Almeida para melhor em campo e não se pode dizer que estivessem errados. Já o disse várias vezes e nunca é demais repetir: espero bem que ele faça a carreira completa no Benfica, porque é muito complicado arranjar um jogador que faça tantas posições em campo de um modo tão regular. Além disso, é tricampeão, é dos mais velhos no plantel e a mística passa por jogadores assim. O Pizzi parece querer voltar à boa forma e, especialmente na 1ª parte, foi dos poucos a querer dar um safanão ao jogo. O Salvio estava a ser dos piores, mas termina a partida com um golo e uma assistência. Não se pode criticar um jogador assim. Ao invés, o Zivkovic já esteve em muito melhor forma do que agora o que torna ainda mais difícil de compreender, digo-o mais uma vez, a ostracização do Cervi… Depois de dois jogos menos conseguidos, o Eliseu voltou à regularidade habitual. Na frente, espero que o golo ajude o Jonas a recuperar mais rapidamente o seu nível e o Mitroglou continua a facturar sem espinhas.

Teremos agora a deslocação a Paços de Ferreira antes da pausa das selecções. Como a seguir a esta receberemos o CRAC, é mais do que nunca fundamental garantir os três pontos. Estamos longe de encantar a nível exibicional, mas isso é de somenos importância perante o mais importante: a possibilidade de conseguir algo inédito na nossa história.

segunda-feira, março 06, 2017

Difícil

Vencemos no sábado o Feirense em Santa Maria da Feira por 1-0 e mantivemos a distância de um ponto para o CRAC, que goleou o Nacional por 7-0. A lagartada resolveu festejar a reeleição do desequilibrado mental do seu presidente empatando em casa com o V. Guimarães (1-1) e está agora a 12 pontos de nós. É o que se chama um começo auspicioso de mandato!

Com o Jonas de volta, mas no banco, o Rui Vitória pôs o Rafa a fazer-lhe companhia, dando a titularidade ao Carrillo e colocando o Zivkovic nas costas do Mitroglou. Com o Nélson Semedo castigado, foi naturalmente o André Almeida a ocupar a lateral direita. Perante um adversário que subiu imenso de produção (e resultados) desde que trocou o José Mota pelo Nuno Manta Santos, a partida foi tremendamente complicada. Com o Pizzi sempre muito marcado e uma falta de inspiração gritante dos três homens no apoio ao Mitroglou, raramente conseguimos criar situações de perigo na 1ª parte. Só num contra-ataque de 3x1(!) que o Salvio estragou ao preferir rematar em vez de passar ao Mitroglou, que estava isolado, e numa cabeçada do grego, defendida pelo Vava Alves a dois tempos, é que estivemos perto do golo. Quanto ao Feirense, poderia ter logo aberto o marcador no primeiro minuto, num remate do grego Karamanos que foi desviado pelo Luisão e ia traindo o Ederson, e num falhanço escandaloso do Luís Machado quase na pequena-área. A três minutos do intervalo, um pouco caído do céu, chegámos ao golo: boa abertura do Carrillo e grande jogada do Pizzi já na área, a tirar um adversário do caminho e a enganar o guarda-redes, atirando para o lado contrário dele. Foi um golo na altura certa!

Na 2ª parte, com os espaços que o Feirense necessariamente criou, melhorámos o nosso nível exibicional. No entanto, e para não variar, o Ederson foi absolutamente decisivo na manutenção da vantagem ao sair de modo rapidíssimo aos pés de um adversário pouco depois do recomeço e, a vinte minutos do fim, ao defender com os pés (por instinto) um cabeceamento na pequena-área na sequência de um canto, num lance em que o Lindelof se deixou antecipar pelo adversário. Quanto a nós, tivemos um rol de oportunidades desperdiçadas, com destaque para duas do Mitroglou, com um remate já sem o guarda-redes na baliza, que foi interceptado por um defesa, depois de o Salvio ter ganho a bola ao guarda-redes, e um cabeceamento à vontade que saiu ao lado. Também o Salvio teve um falhanço clamoroso, ao atirar um lado depois de uma assistência do entretanto entrado Cervi, e o próprio Cervi viu um remate seu que ia na direcção da baliza ser cortado por um defesa. Como não acabámos com o jogo, ficámos sempre à mercê de um lance fortuito que o empatasse, mas felizmente isso não aconteceu.

O destaque terá de ir para o Pizzi por nos ter garantido os três pontos e para o Ederson por os ter mantido na nossa posse. Continuo sem perceber porque é que o Cervi é o último extremo na lista do Rui Vitória: a equipa melhorou a olhos vistos quando ele entrou em campo! O Nélson Semedo fez falta, apesar de o André Almeida ser de uma regularidade constante cada vez que joga. O Zivkovic já esteve em muito melhor forma do que agora, o Carrillo lutou bastante em termos defensivos e acabou por fazer a assistência para o golo, mas foi muito intermitente, e o Salvio foi o pior dos três.

Na próxima 4ª feira, iremos tentar a segunda qualificação seguida para os quartos-de-final da Champions. Por ser um dia muito especial para mim, por não ter visto isto ao vivo nesse dia e porque estamos a falar de um estádio com um ambiente mítico, estarei em Dortmund a gritar pelo Glorioso. Espero uma boa prenda, mas troco-a imediatamente pelo 36 em Maio...!

segunda-feira, fevereiro 27, 2017

Trabalhoso

Vencemos o Chaves na Luz na passada 6ª feira (3-1), mas como a lagartada foi derrotou o Estoril na Amoreira (2-0) e o CRAC trinfou no Bessa (1-0) mantém-se novamente tudo igual na frente. Foi um jogo tremendamente difícil, sendo os transmontamos uma das melhores equipa que passaram pela Catedral este ano.

Com o Jonas já no banco mas com o Fejsa na bancada, o Rui Vitória fez duas alterações em relação a Braga (entradas do Samaris e regresso do Ederson) e o jogo iniciou-se a bom ritmo. Logo aos 6’, o Fábio Martins teve uma entrada sobre o Samaris que deveria ser vermelho directo, mas o sr. Nuno Almeida nem amarelo mostrou. Aos 18’, inaugurámos o marcador através da cabeça do Mitroglou depois de um centro do Nelson Semedo. Houve a dúvida sobre se o nosso avançado teria empurrado o defesa (que surgiu estatelado no relvado), na televisão não deu para a dissipar, mas felizmente há sempre alguém com uma câmara por perto que regista o lance todo. Como se vê, os dois jogadores estão com os braços esticados, até que o defesa do Chaves resolve atirar-se para o chão. Não há falta nenhuma! Quando se esperava que este golo intranquilizasse o Chaves, nada disso aconteceu, porque os flavienses continuaram a jogar (e bem) da mesma maneira, sempre a procurar a nossa baliza. Quanto a nós, tivemos um bom par de ocasiões, mas a última decisão nunca saía bem (Rafa e Salvio, nomeadamente) e até o Mitroglou falhou um penalty em andamento. Até que aos 44’, um erro de marcação do Samaris deixou o Bressan sozinho à entrada da área e este aplicou um belo remate indefensável para o Ederson. O Chaves igualava numa péssima altura!

Apesar do subrendimento de alguns jogadores, voltou o mesmo onze para a 2ª parte, que se antevia bastante complicada. Felizmente, voltámos a marcar bastante cedo, logo aos 50’, numa boa abertura do Samaris para o Nelson Semedo na direita e centro deste para o Rafa atirar para a baliza, com o António Filipe a defender a bola já para além da linha de golo. Como as coisas não estavam fáceis nos primeiros cinco minutos, o Rui Vitória já se preparava para fazer entrar o Jonas quando se deu o golo e, ao contrário do que eu achei que devia, continuou com a substituição (saiu o Salvio) mesmo com o golo. Ou muito me engano, ou se fosse o Cervi ou outro que tal, a substituição não seria feita… E o que é certo é que o Jonas não acrescentou muito à equipa. Nos minutos subsequentes ao golo, tivemos algumas hipóteses de acabar com o jogo, mas os remates do Mitroglou, Zivkovic e Jonas saíram para fora. Numa das melhores jogadas do encontro com o Zivkovic e Mitroglou, o Jonas ficou isolado já dentro da área, mas houve um corte providencial para canto no último momento. O Chaves não tinha tanta liberdade como na 1ª parte, mas ainda obrigou o Ederson a uma das melhores defesas do jogo num remate de fora da área aos 82’. Aos 89’, pudemos finalmente respirar de alívio com o bis do Mitroglou, que ganhou uma bola aérea no corpo-a-corpo com um defesa e, perante o guarda-redes, desviou a bola.

Individualmente, novo destaque para o deus grego: Mitroglou! Mais dois golos na sua melhor sequência de jogos desde que chegou ao Benfica. O Rafa fez uma 1ª parte muito fraca, mas como foi desviado para a esquerda na 2ª subiu exponencialmente de produção, já que teve muito mais espaço. O Nélson Semedo, com duas assistências para golo, é outro dos destaques óbvios, mas como levou um amarelo vai ficar de fora em Santa Maria da Feira. O Ederson voltou a fazer uma defesa decisiva e os centrais (Luisão e Lindelof) também estiveram bem. O resto da equipa esteve num nível aceitável, apenas achei um pouco temerário por parte do Rui Vitória jogar os últimos 15’ com dois habituais suplentes (Samaris e Filipe Augusto) no meio-campo. Apesar de não estar a fazer um jogo por aí além, o Pizzi deveria (mesmo levando em conta estar tapado nos amarelos) ter-se mantido em campo até final (poderia ser desviado para a direita e ter saído o Zivkovic, por exemplo)

Continuamos a não ser muito constantes em termos de exibição durante os 90’, mas lá vamos conseguindo as vitórias. O problema é que o CRAC foi buscar o Soares que lhes garantiu mais três pontos (marcou em todos os jogos desde que chegou!). Confesso que depois do jogo frente à Juventus, estava com esperanças de uma escorregadela deles no Bessa, mas marcaram muito cedo. Se as coisas se mantiverem assim, é imperioso derrotá-los quando vieram à Luz no início de Abril, porque (nunca me cansarei de repetir) temos que chegar ao WC com margem de manobra.

segunda-feira, fevereiro 20, 2017

Mitroglou

Obtivemos uma vitória importantíssima em Braga por 1-0 e continuamos na liderança do campeonato com o CRAC a um ponto e a lagartada a dez. Pelo segundo jogo consecutivo, o Mitroglou resolveu e desta feita com um do melhores golos do campeonato. Tal como se esperava, foi uma partida complicadíssima em que só marcámos a dez minutos do fim, mas numa altura em que estávamos a ser a melhor equipa.

Já se sabe que as jornadas depois da Champions têm sempre um nível de dificuldade acrescido (basta ver os resultados de todas as equipas que participam naquela competição) e não ajudava nada que esta fosse a ida a Braga, mesmo que os locais não passem por um bom momento. Com o Jonas ainda sem estar recuperado, voltou a jogar o Rafa no seu lugar, tendo reentrado o Zivkovic na equipa em vez do Carrillo. Entrámos melhor nos primeiros minutos, mas foi sol de pouca dura, porque o adversário foi superior na maior parte do primeiro tempo. Mesmo assim, as (poucas) oportunidades foram repartidas, porque o Mitroglou desviou por cima num lance em que o Marafona ainda tocou na bola antes de ela chegar ao grego e levámos com uma bola ao poste pelo Battaglia, na sequência de um canto já perto do intervalo.

A 2ª parte principiou na mesma toada, mas com o passar o tempo o Braga foi-se afundando e nós subindo de produção. O problema foi que não conseguíamos rematar à baliza, porque o último passe invariavelmente não saía e nós tínhamos alguma cerimónia perto da área. Os treinadores foram fazendo substituições, mas as nossas acrescentaram mais do que as deles, com destaque para a entrada do Jiménez que acabou por ter acção no golo: roubo de bola do Pizzi ao Assis aos 80’, contra-ataque nosso com o mexicano a abrir no Mitroglou descaído sobre a direita, o grego parecia que estava a demorar muito, mas num espaço mínimo de terreno desenvencilhou-se de dois defesas, aguentou a carga de um terceiro e atirou por entre as pernas do Marafona! Um lance genial que não desmereceria ao Messi! Até final, conseguimos manter o Braga longe da nossa área, com excepção de um livre já depois dos 90’ em que deixámos um adversário cabecear à vontade, mas a bola foi fraca para as mãos do Júlio César.

Em termos individuais, o Mitroglou é obviamente o homem do jogo. Um golo daqueles, ainda por cima sendo o único, é razão mais do que suficiente. Também gostei bastante do Rafa, que terá feito o melhor jogo desde que chegou. Bastante rápido, a antecipar-se muitas vezes aos defesas, tem que aprender a definir melhor o último passe e a aprender a rematar. O Lindelof estava a fazer um óptimo jogo, mas aquela última bola foi responsabilidade sua. O Eliseu estava igualmente bem, mas resolveu sair a fintar no meio-campo a meio da 2ª parte e provocou um contra-ataque muito perigoso ao Braga. Grande parte do nosso problema neste jogo (e frente ao Dortmund) residiu no facto de tanto o Pizzi como o Fejsa não estarem na sua melhor forma. O nosso meio-campo nunca se conseguiu impor de forma consistente e acho que o Rui Vitória terá de pensar numa solução alternativa em partidas perante adversários mais fortes: claramente neste momento só Pizzi e Fejsa não são suficientes.

Depois do que se viu na 6ª feira (com o CRAC a ganhar 4-0 ao Tondela, mas com o primeiro golo perto do intervalo a sair de um penalty inventado e logo a seguir uma expulsão por duplo amarelo em que foi o Soares a fazer falta sobre o defesa, cortesia do sr. Luís Ferreira), este jogo era crucial para mostrar que, apesar de estarem a fazer tudo para puxar outra equipa lá para cima, nós não nos deixamos abater assim tão facilmente. Mesmo não tendo feito uma exibição por aí além, conseguimos o mais importante e, se ficarmos todos felizes em Maio, ir-nos-emos lembrar desta vitória no final da época como um dos momentos mais marcantes.

P.S. – Nomear o sr. Tiago Martins, que tinha expulsado o Rui Vitória na meia-final da Taça da Liga, para este jogo foi claramente uma provocação. Se o golo invalidado ao Mitroglou ainda se pode aceitar, porque é muito difícil de ver, e no penalty sobre o Salvio a maneira como ele cai pode suscitar dúvidas (mas é penalty, porque é rasteirado na perna esquerda), há dois lances que o definem enquanto árbitro. Na 1ª parte, o Rafa é rasteirado, mas a bola sobra para o Salvio que ia fazer um ataque perigoso, mas ele não dá a lei da vantagem e apita para mostrar o amarelo ao jogador do Braga. Na 2ª parte, o Eliseu agarra o Rui Fonte, este cai e tenta passar a bola para dois colegas que ficariam em boa posição para um ataque perigoso, mas não o consegue e só aí o árbitro assinalou a falta e o amarelo. Ou seja, esteve claramente à espera para ver no que o lance ia dar antes de apitar. De falta de coerência não pode ser acusado...!

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

Agradável

Vencemos na 6ª feira o Arouca por 3-0 e, com as posteriores vitórias do CRAC em Guimarães (2-0) e da lagartada em Moreira de Cónegos (3-2), manteve-se tudo igual na frente, com um ponto de vantagem sobre os assumidamente corruptos e dez sobre os outros. Foi uma partida bem conseguida da nossa parte, em que estávamos a fazer uma boa exibição até aos 41’ quando o Ederson foi expulso e depois fomos inteligentes na maneira como soubemos aguentar (e até aumentar) a vantagem.

O Rui Vitória surpreendeu ao apostar no Carrillo no lugar do lesionado Salvio, mas foi o Zivkovic a estar em destaque logo desde o início ao conduzir boa parte dos nossos ataques. O Arouca tentava responder na medida do possível, mas fomos nós a criar as maiores situações de perigo com destaque para um remate do Luisão em boa posição num canto para uma defesa do Bolat. Depois de termos visto um golo anulado ao Mitroglou por fora-de-jogo do Jonas que teve intervenção no lance, aos 25’, inaugurámos o marcador com um centro milimétrico do Jonas para a cabeça do mesmo Mitroglou. Pouco depois, nova assistência do Jonas para um remate de primeira do nº 11 que o guarda-redes blocou, mas dez minutos depois do primeiro o grego bisou com um remate também de primeira já dentro da área, na sequência de uma insistência do Eliseu na esquerda, que posteriormente fez a assistência. Aos 41’, o Sr. Manuel Mota demorou uma eternidade, mas acabou por expulsar o Ederson por indicação do fiscal-de-linha. O nosso guarda-redes saiu um pouco extemporaneamente da área para tentar cortar um ataque contrário, quando ainda havia dois defesas nossos na jogada, e de facto atinge o jogador adversário. Saiu o Mitroglou para entrar o Júlio César, mas logo na altura me pareceu que seria melhor ter saído o Jonas, dado o desgaste que se antevia com menos um.

Um jogo que deveria já estar decidido ficou assim em dúvida para a 2ª parte. No entanto, logo aos 49’ demos uma machadada fortíssima no Arouca ao fazer o 3-0 pelo Carrillo: grande jogada do Nélson Semedo desde a nossa defesa, tabela com o Mitroglou Jonas, bola para o Pizzi e assistência num timing perfeito para o Carrillo picar por cima do guarda-redes. Um golão! O Arouca, apesar de ter continuado a tentar, sentiu o nosso terceiro golo e só teve uma verdadeira oportunidade à passagem da hora de jogo, com um cabeceamento desviado inadvertidamente pelo Nélson Semedo que proporcionou ao Júlio César uma grande defesa por instinto. Nós lá substituímos o Jonas pelo regressado Jiménez e o Filipe Augusto voltou a render o Pizzi. Até final, o Luisão teve uma boa chance num livre, mas rematou por cima. Teria sido uma óptima maneira de comemorar o seu 499º(!) jogo pelo Glorioso.

Em termos individuais, o Mitroglou com dois golos merece obviamente uma menção, mas quem me continua a encher as medidas é o Zivkovic, que vai fazer muita falta frente ao Borussia Dortmund por conta da expulsão que teve ainda no Partizan. O Carrillo marcou um grande golo, melhorou um bocadinho o seu nível exibicional, mas ainda está muito longe de me convencer. Ao invés, os laterais (Nélson Semedo e Eliseu) estiveram bastante bem e muito participativos no ataque. Espero que a excelente defesa que fez contribua para que o Júlio César readquira confiança, porque vem aí uma deslocação muito difícil a Braga.

Amanhã teremos a Champions na Luz, mas o jogo mais importante será o do próximo domingo na Pedreira. Não nos podemos distrair, porque deixámos de ter margem de manobra e a entrada do Soares no CRAC continua a fazer mossa: continuam sem jogar nada, mas agora a bola entra...

segunda-feira, fevereiro 06, 2017

Normalidade

Vencemos o Nacional por 3-0 e continuamos com um ponto de vantagem para o CRAC que venceu a lagartada por 2-1 (não é que fossem necessárias mais provas, mas mais uma vez se demonstra que a lagartada não serve mesmo para coisa nenhuma). Perante um dos adversários mais fracos que passaram esta época pela Luz, o nosso triunfo foi justo e nem foi preciso jogarmos um grande futebol.

Já se sabe que, nestas partidas até entrar o primeiro golo, as coisas nunca são fáceis. Felizmente conseguimo-lo ainda na 1ª parte, o que ajudou a superar os traumas que vinham de duas derrotas consecutivas. Que os houve e foram visíveis. O Pizzi conseguiu recuperar de Setúbal (nem sei bem como...), mas notou-se que não estava no pleno da sua forma. Começámos a partida imprimindo velocidade e as ocasiões foram surgindo, com o Jonas em destaque por lhe terem pertencido grandes parte delas, mas os remates ou saiam fracos ou por cima. Até que aos 26’, finalmente, o nosso 10 conseguiu atinar com a baliza e fazer o 1-0 de cabeça depois de um centro teleguiado do Zivkovic. E foi o mesmo Jonas, depois de ter levado um amarelo escusadíssimo por ter atirado a bola contra o chão (num jogador com a experiência dele, não se percebe uma reacção daquelas com o resultado já a nosso favor), a aumentar a vantagem para 2-0 com um excelente remate rasteiro em arco de pé esquerdo de fora da área. Até ao intervalo, poderíamos ter resolvido definitivamente o jogo, mas o cabeceamento do Mitroglou, depois de nova assistência do Zivkovic, saiu ao lado.

Para a 2ª parte, a tendência da partida manteve-se: o Nacional não conseguia chegar à nossa baliza e nós íamos controlando a partida, mas já sem grande velocidade. Os madeirenses deveriam ter ficado com 10 à passagem da hora de jogo, porque o Rui Correia atingiu por trás o Salvio sem hipóteses de jogar a bola, mas o sr. Luís Godinho incompreensivelmente só mostrou o amarelo. Dado que não estamos a atravessar uma fase positiva, era importante marcamos o terceiro para dissiparmos quaisquer dúvidas e o Mitroglou teve uma cabeçada à figura do Adriano, quando estava em boa posição. Entretanto, começaram a surgir as substituições (estreou-se o Filipe Augusto) e foi o recém-entrado Rafa a assistir o mesmo Mitroglou aos 81’, permitindo-lhe finalmente marcar o seu golito.

Em termos individuais, o destaque tem que ser dado ao Jonas pelo primeiro bis da época. Nota-se que ele não está ainda na sua melhor forma, o que o deixa frustrado e nervoso (o estúpido amarelo pode ser reflexo disso), mas façamos votos para que estes golos o ajudem a atingi-la. Outro dos melhores em campo foi indiscutivelmente o Zivkovic, que está cada vez mais preponderante na equipa, não só com as suas assistências, mas também pelo que ajuda em termos defensivos. Quanto ao Salvio, que tem alguns (inacreditáveis para mim) anticorpos entre os benfiquistas, claro que (ainda... espero) não é o jogador que nos habituou, mas tem o mérito de nunca desistir. E, de vez em quando, as coisas saem-lhe bem (subiu bastante de produção na 2ª parte). A defesa esteve segura, mas o Nacional nunca a colocou verdadeiramente à prova. Ter-se-á de rever num futuro próximo, mas não desgostei do Filipe Augusto: pareceu-me inteligente na abordagem dos lances, a perceber para onde é que a bola ia e com boa capacidade de passe.

Teremos novo jogo em casa na próxima sexta-feira, perante o Arouca, e não se espera menos do que uma nova vitória. Desperdiçámos de maneira inglória uma vantagem muito confortável que teremos de reaver em parte sob pena de ainda fazermos a lagartada ganhar a época. Aposto que esqueceriam tudo de mau que têm feito, se pudessem roubar-nos o campeonato e oferecê-lo ao CRAC quando tivermos que ir ao WC perto do final de Abril. Mas ainda há muitos jogos até lá e não podemos de todo voltar a facilitar.

terça-feira, janeiro 31, 2017

Zero

Perdemos em Setúbal por 0-1 e ficámos só com um ponto de vantagem para o CRAC no 2º lugar. Parece quase impossível que ainda há três semanas tenhamos tido uma dupla vitória em Guimarães, que alargou a nossa diferença para seis pontos, com a perspectiva de ter quatro jogos em casa nos seguintes cinco e assim poder aumentá-la, e apenas três partidas depois estejamos agora nesta situação. Atravessamos indiscutivelmente a pior fase da época e o futuro não está nada risonho.

Claro que tudo poderia ter sido diferente se os remates do Mitroglou e do Cervi não tivessem passado a rasar o poste nos primeiros cinco minutos. O V. Setúbal demonstrava muito mais garra do que nós na disputa da bola e marcou o golo na primeira vez que foi à nossa baliza: escorregadela comprometedora do Lindelof e, na sequência da jogada, há um centro para a área, o Luisão ficou nas covas e o Zé Manuel (emprestado pelo CRAC) cabeceou sem hipóteses para o Ederson. Estávamos no 21’, mas tive logo a sensação de que, se não marcássemos até ao intervalo, as coisas ficariam muito feias. Tivemos um remate perigoso do Pizzi por cima e um cabeceamento em balão do Luisão que um defesa tirou sobre a linha, mas na maior parte do tempo não conseguíamos imprimir velocidade no ataque, o que, com o V. Setúbal bem posicionado defensivamente, tornava tudo muito complicado.

Para a 2ª parte, entrou o Rafa em vez do apagado Cervi, mas à semelhança do encontro frente ao Moreirense entrámos completa e incompreensivelmente a dormir! Continuávamos com duas velocidades, lentos e parados, e nem chegávamos à área contrária. Só a partir dos 60’ começámos a ter oportunidades, mas sobram dedos de uma só mão para as contabilizar. Um desvio do Mitroglou por cima, quando só tinha o Bruno Varela pela frente, e outro remate de primeira também do grego à figura já nos descontos foram as duas melhores chances que tivemos. Muito, muito, muito pouco para quem tinha obrigação de ganhar.

Em termos individuais, é praticamente impossível destacar alguém. Talvez o Zivkovic tenha sido o menos mau. O Fejsa reentrou na equipa depois da lesão, mas errou uma série de passes, os centrais foram batidos infantilmente no golo, o André Almeida fez das piores exibições dos últimos tempos, mas o nosso grande problema é o estoiro físico do Pizzi e do Jonas. O 21 tem sido a nossa grande figura até agora, mas ontem esteve péssimo e foi patética a maneira como jogou praticamente ao pé coxinho durante grande parte da 2ª parte, quando ainda só tínhamos feito uma substituição! Incompreensível! Ainda para mais, estando lesionado, também não se compreende como não aproveitou para limpar os amarelos, já que é muito duvidoso que jogue para a semana. Quanto ao Jonas, está longe de estar na sua melhor forma física, o que não é de espantar dado que perdeu grande parte da época.

Eu percebo que 30M€ sejam muito difíceis de recusar, mas veremos se esta saída a meio da época de quem nos fez esquecer do melhor jogador dos últimos dois anos durante a 1ª volta não nos irá custar o 36... É que não estou a ver ninguém no plantel com a capacidade rompedora do Gonçalo Guedes, a aguentar fisicamente com os adversários e com alguma capacidade de remate de fora da área. Outra questão muito preocupante é a posição 8: o Pizzi não vai dar para a época toda, o André Horta passa muito tempo lesionado e não há mais ninguém! Vejo nuvens muito negras no nosso horizonte..

P.S. – Independentemente da nossa miserável exibição, não pode ser deixado passar em claro um penalty do tamanho do mundo no último minuto de compensação sobre o Carrillo: entra na área, puxa a bola para trás sobre a linha de fundo e é passado a ferro por um adversário! O Sr. João Pinheiro apitou... para o final do jogo! QUE ROUBO! E já nem falo do amarelo ao Nuno Pinto, que deveria ter sido vermelho, logo aos 57’ por entrada duríssima sobre o Luisão... Aquela célere reunião do Conselho de Arbitragem com os clubes, a pedido do CRAC e da lagartada, já começa a fazer os seus efeitos. Desde aí, já tivemos um 3º golo do Boavista irregular e agora este penalty mais que evidente não assinalado. A coisa promete...!

segunda-feira, janeiro 23, 2017

Goleada enganadora

Vencemos o Tondela por 4-0 no primeiro jogo da 2ª volta e mantivemos os 4 pontos de vantagem sobre o CRAC (4-2 em casa ao Rio Ave), tendo aumentado para 10 em relação à lagartada, que empatou na Madeira com o Marítimo (2-2). Quem olhar para o resultado sem ter visto o jogo pode pensar que foi uma vitória fácil e tranquila do tricampeão. Puro engano: basta referir que desde a 2ª jornada, contra o V. Setúbal em Agosto, que não ficávamos a zeros ao intervalo em jogos para as provas nacionais.

O Rui Vitória deu a titularidade ao Zivkovic em detrimento do Salvio e foi essa a única alteração em relação ao onze base dos últimos jogos. O Tondela, apesar de estar em último lugar, fez um jogo defensivamente muito bem conseguido (em alguns períodos com o inevitável antijogo, mas já se sabe…) e nós tivemos tremendas dificuldades para criar perigo no primeiro tempo. Um remate do Jonas que proporcionou ao Cláudio Ramos uma boa defesa e uma cabeçada do Mitroglou a centro do mesmo Jonas foram as duas ocasiões que tivemos para marcar. Quanto à defesa, não tivemos dificuldades de maior, excepto num lance em que o Tondela ainda marcou, mas em claro fora-de-jogo.

Para a 2ª parte, saiu o apagado Cervi (desta feita, a substituição do argentino foi justa) e entrou o Salvio. Mas, mais importante do que isso, é que entrámos com outro espírito e começámos a pressionar o Tondela como nunca o tínhamos feito até então. A atacar para a baliza grande, o Zivkovic ia marcando logo de entrada, num remate de ressaca, não fosse o guarda-redes fazer a defesa do jogo. Aos 59’, começámos finalmente a desatar o nó, com o Pizzi a inaugurar o marcador num remate cruzado de pé esquerdo, já dentro da área, depois de uma assistência do Samaris. A partir daqui, milagrosamente, os visitantes deixaram de estar lesionados e o jogo foi muito mais fluido. O Tondela ia tentando responder, deixando de ter tantas preocupações defensivas, ao que nós respondemos com velocidade na tentativa de fechar a partida. O Mitroglou teve um problema físico (esperemos que passageiro…) e teve que ser substituído pelo Rafa aos 70’. Pouco depois, aconteceu o único lance em que o Tondela criou perigo, num remate de fora da área do Francisco Ferreira defendido pelo Ederson a dois tempos. De seguida, o Salvio não conseguiu dominar bem a bola, quando estava isolado, permitindo a intercepção do Cláudio Ramos, mas aos 76’ o desfecho do jogo ficou decidido com o 2-0: grande abertura do Samaris para o Nélson Semedo na direita fazer um centro atrasado para o Pizzi bisar. Grande jogada! Já nos últimos dez minutos, o Rafa assistiu o Salvio para um remate cruzado que rasou o poste e aos 84’ foi o mesmo Rafa a estrear-se FINALMENTE a marcar pelo Glorioso: grande passe do Jonas e o internacional português a fazer o 3-0 num chapéu magistral ao guarda-redes. A equipa caiu em cima dele nos festejos! Para terminar em beleza, fizemos o 4-0 já nos descontos num penalty do Jonas a punir um puxão ao André Almeida.

Em termos individuais, óbvio destaque para o Pizzi pelos seus dois golos, para o Samaris pelas jogadas nesses mesmos golos, e para o Zivkovic que foi dos que mais procurou criar desequilíbrios. A defesa praticamente não teve trabalho e o Ederson foi pouco mais que um espectador.

Como disse o Rui Vitória no final, e bem, esta partida demonstrou que isto vai ser muito difícil até final. Nada está garantido e mesmo equipas nos últimos lugares da tabela podem tornar-se bastante complicadas. Uma das coisas que mais gosto na nossa equipa é que raramente perdemos a cabeça em campo e começamos a jogar à maluca se as coisas não estiverem a correr bem. A mudança da 1ª para a 2ª parte é bem exemplo disso: bastou imprimir mais velocidade para as coisas melhorarem. Sabemos perfeitamente o que temos de fazer em cada momento do jogo e isso é sinal de muita maturidade competitiva. Para o próximo fim-de-semana, temos a final four da Taça da Liga e esperamos sair de lá com o segundo troféu da temporada.

P.S. – O Gonçalo Guedes ficou de fora dos convocados, indiciando uma venda iminente. Fala-se em 30 milhões de euros, uma quantia irrecusável, principalmente em jogadores que não são titulares absolutos. No entanto, não sou nada fã destas transferências a meio da época e, esperando estar enganado, acho que vai fazer falta.

segunda-feira, janeiro 16, 2017

Percalço

Empatámos na Luz com o Boavista (3-3) e, como o CRAC ganhou ao Moreirense (3-0), vimos a nossa vantagem reduzida para 4 pontos. O que valeu foi que a lagartada não aproveitou o nosso deslize e empatou em Chaves (3-3), mantendo-se a 8 pontos de distância.

Quando aos 25’ o Boavista fez o 0-3, os que têm idade para isso ter-se-ão lembrado desse mesmo resultado em 1999, quando o Souness resolveu estrear britânicos sofríveis acabados de chegar num jogo decisivo. Está longe de ser a mesma coisa, mas quando vi a nossa formação inicial, torci logo o nariz: jogar na Luz, perante um adversário teoricamente inferior, sem nenhum ponta-de-lança de raiz, parece-me SEMPRE um mau princípio. Bem sei que o Gonçalo Guedes foi brilhante e decisivo em Guimarães, mas é diferente jogar fora para a Taça da Liga, numa partida em que nos bastaria o empate, do que em casa para o campeonato. Além disso, a equipa tinha feito uma boa exibição em Guimarães para o campeonato, com o Mitroglou na frente e a participar nos dois golos, pelo que colocar o grego no banco foi manifestamente um erro. Claro que tudo poderia ter sido diferente se o mesmo Gonçalo Guedes, depois de uma jogada fantástica do Rafa, tivesse desfeiteado o Agayev logo aos 12’, mas, mesmo estando isolado e só com ele pela frente, atirou ao lado. Dois minutos depois, o Sr. Luís Ferreira não assinalou uma falta sobre o Rafa à entrada da nossa área, mas sim uma falta do Pizzi logo a seguir. Golo do Boavista num livre do Iuri Medeiros, com a bola ainda a bater na barra antes de entrar. Nós tentámos ripostar, mas foram os axadrezados a aumentar a vantagem aos 20’, numa cabeçada do Lucas depois de um livre do mesmo Iuri Medeiros. Queixámo-nos de um braço do Lucas sobre o André Almeida, mas o jogador do Boavista é bastante mais alto do que o nosso. Eu também não marcaria falta. Completamente diferente é o lance que deu o 0-3 aos 25’: o Schembri estica a perna para tentar tocar na bola em claro fora-de-jogo, esta vai para o Iuri Medeiros que estava isolado e assiste para o mesmo Schembri só ter que encostar. O avançado do Boavista faz-se ao lance, pelo que obviamente é mais do que fora-de-jogo! O choradinho dos outros a fazer o seu feito...! O Rui Vitória lá corrigiu a mão e colocou o Mitroglou no lugar do Rafa aos 37’ e foi o grego a reduzir a desvantagem aos 41’ com uma assistência do Salvio, depois de a bola lhe ter sobrado defendida pelo Agayev a um remate do Pizzi. Acabámos a 1ª parte completamente em cima do Boavista e o André Almeida tem um lance imperdoável ao não assistir o isolado Mitroglou no meio, quando só tinha o guarda-redes pela frente depois de a defesa contrária ter ficado a dormir! Resolveu rematar e o Agayev defendeu para canto. Foi algo que nos custou muito caro no final!

Tínhamos uma tarefa hercúlea para a 2ª parte, em que o Rui Vitória sacrificou o Luisão logo no reinício para colocar o Cervi e jogarmos só com três defesas. É tão fácil fazer o mais óbvio na constituição da equipa... Foi precisamente sobre o Cervi que foi feito o derrube que deu um penalty aos 52’ convertido pelo Jonas (das poucas coisas que o genial brasileiro fez de bem no jogo). A Luz acreditava na reviravolta total e a equipa também. O Guedes não estava nas melhores condições físicas e entrou o Zivkovic aos 66’. E foi do sérvio, no minuto seguinte, o centro para a igualdade num autogolo de cabeça do Fábio Espinho. A partir daqui, não houve ninguém que não acreditasse que conseguiríamos uma recuperação épica, até pelo tempo que ainda faltava até final, mas a equipa começou a ressentir-se fisicamente e, sem mais substituições para fazer, deixámos de criar tanto perigo: só tivemos um lance em que o Mitroglou rematou de primeira ao lado, quando eventualmente poderia ter tentado dominar a bola. Ao invés, podemos agradecer é ao Ederson o empate, porque teve duas magníficas intervenções perante adversários que só o tinham pela frente.

Em termos individuais, merecem destaque o Ederson, por ter mantido o empate na parte final, o Samaris, grande espírito de sacrifício com as inúmeras alterações tácticas durante a partida, e o Cervi, que foi decisivo quanto entrou na 2ª parte (não percebo porque é que ele é dos primeiros a ser sacrificados quando há mudanças na equipa. Para mim, é titular mais que absoluto). O resto da equipa teve grande coração, mas as exibições estiveram longe de ser perfeitas.

Poderia ter sido muito pior, mas falhámos no objectivo de ter os três pontos. Depois de uma brilhante vitória em Guimarães, escorregámos quando nada o faria prever. Pode ser que isto alerte os nossos jogadores de que nada é fácil nem garantido, e que devem sempre manter a concentração em alta em todos os jogos. Reduzimos margem de manobra e que este seja um jogo a não repetir no futuro.

domingo, janeiro 08, 2017

Personalidade

Vencemos ontem em Guimarães por 2-0 e, com o magnífico empate do CRAC em Paços de Ferreira (0-0), estamos agora com seis pontos de vantagem para o 2º classificado. Depois da eliminação dos outros dois na Taça da Liga, esta jornada veio confirmar que o ano não poderia ter começado melhor (ao contrário do ano passado, em que tivemos um grande desgosto logo de início).

Olhando friamente para o calendário, este 2017 trar-nos-ia três saídas teoricamente bastante difíceis: Guimarães, Braga e WC. O que, também depois do circo montado esta semana pelos outros dois, à boleia de uma Taça que sempre desdenharam, faria deste jogo um teste importantíssimo à nossa liderança. Qualquer escorregadela da nossa parte, seria um enorme balão de oxigénio para eles. No entanto, o que se pode dizer, é que passámos esta prova difícil com louvor e distinção! Num jogo que se previa uma luta, estranhei a titularidade do Jonas e Salvio, dado o período de ausência de ambos, mas as exibições dos dois provaram que felizmente o Rui Vitória percebe muito mais disto do que eu. O V. Guimarães entrou melhor do que nós, mas uma grande abertura do Pizzi só não chegou ao Salvio por uma unha negra. Aos 17’, tivemos uma enorme contrariedade com a lesão do Fejsa (pareceu muscular, esperemos que não fique muito tempo de fora), tendo entrado o Samaris. Já se sabe que a equipa sem o sérvio não é a mesma coisa, mas demos a melhor resposta possível ao inaugurar o marcador dois minutos depois: o Mitroglou ganha bem a bola a um defesa, abre na direita para o Salvio, que passa por dois e, à saída do guarda-redes, assiste o Jonas que atira lá para dentro. Confesso que ainda gelei o sangue, porque o brasileiro, com a baliza escancarada, levantou um pouco a bola e esta tocou na barra antes de entrar! Seria um dos falhanços do ano, mas felizmente não foi! Estávamos em vantagem, mas o V. Guimarães nunca desistiu e teve uma boa oportunidade num remate de primeira do Hernâni que saiu ao lado. Por sua vez, o Mitroglou num remate acrobático e numa cabeçada também esteve perto do golo. No entanto, aos 42’, aumentámos mesmo a vantagem através do grego depois de uma assistência do Jonas, com o Mitroglou a rematar rasteiro, mas muito colocado. O V. Guimarães queixou-se por causa de um jogador deles que estava no chão (falta do Lindelof que até viu o amarelo depois), mas o árbitro deu a lei da vantagem, eles tinham continuado a jogar e não atiraram a bola para bola. Depois perderam-na e, no desenrolar do lance, foi golo. Tudo legal.

Na 2ª parte, voltámos a não entrar nada bem e praticamente nem vimos a bola até aos 65’. O V. Guimarães teve duas grandes oportunidades, mas o Hurtado rematou por cima em excelente posição já na grande-área e o Ederson fez uma grande defesa a um remate do Hernâni da quina da área. Quanto a nós, tivemos chances pelo Mitroglou e pelo Pizzi, com o Douglas a fazer bem a mancha em ambas as ocasiões. A última oportunidade foi mesmo nossa, com o Salvio a permitir nova defesa ao guarda-redes contrário quando estava isolado perante ele.

Em temos individuais, destaque para o regresso da dupla goleadora Jonas-Mitroglou, presente em ambos os golos. Nota-se que o brasileiro ainda não está na sua plena forma (nem podia), mas já produzir isto a meio-gás deixa-nos com água na boca para o que virá. Tirando a parte dos golos, o melhor para mim foi o Cervi. Que jogão! Capacidade de luta inesgotável, enorme generosidade defensiva e um ou outro pormenor de craque no ataque. Com seis meses de Benfica, está a anos-luz do Di María e do Gaitán no mesmo período de tempo. Se continuar a evoluir assim… ui, ui! Grandes exibições igualmente de toda a defesa, com o Luisão em destaque e menções honrosas também para o Salvio e Pizzi, cujas combinações atacantes, quando saem bem, dão beleza geométrica ao nosso futebol.

Três pontos fundamentais, mas concentração ao máximo, porque na próxima terça-feira regressaremos à Cidade Berço para o jogo decisivo da Taça da Liga. Temos uma possibilidade inédita de ganhar todos os troféus nacionais na mesma época (algo nunca conseguido por ninguém) e, para chegarmos à final four, basta não perdermos esse jogo.