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terça-feira, agosto 05, 2025

Lisonjeiro

Vencemos a lagartada no Estádio do Algarve na passada 5ª feira e conquistámos a 10ª Supertaça do nosso historial. Foi uma vitória feliz da nossa parte, mas o que conta são os troféus que levamos para o museu. E, ao contrário da Taça de Portugal em que fomos claramente melhores e merecíamos ganhar, mesmo que o jogo tenha sido muito mais equilibrado, neste caso ganhámos com absoluta lisura.

Com três reforços no onze (Dedic, Barrenechea e Ríos), não entrámos nada bem na partida e a lagartada foi bastante melhor e mais perigosa na 1ª parte. Teve um golo invalidado por fora-de-jogo logo aos 7’, mas conseguiu desmontar a nossa defesa um bom par de vezes, enquanto nós praticamente não criámos perigo, dado que o nosso meio-campo tinha bastante tracção atrás, com os dois reforços já referidos juntamente com o Aursnes e Leandro Barreiro. Faltou (falta...) claramente magia e rasgos de génio ofensivo naquela zona.

Na 2ª parte, entrámos melhor, com as linhas mais juntas e a lagartada não pôde jogar tão à vontade. Claro que o facto de marcarmos relativamente cedo, aos 50’, num remate do Pavlidis e um enorme frango do Rui Silva ajudou a que tivéssemos controlado melhor as coisas. No entanto, pouco mais fizemos, dado que só noutro remate do Pavlidis, defendido para canto pelo guarda-redes, é que voltámos a criar perigo, enquanto do outro lado o António Silva foi um gigante a segurar a nossa muralha defensiva. A lagartada ainda ameaçou (aquele Luis Suárez parece-me bom jogador e o último avançado do Almería que veio para o futebol português chamava-se... Darwin), mas felizmente o resultado manteve-se até final.

Em termos individuais, o António Silva foi de longe o melhor em campo. É muito bom que comece assim a temporada e esperamos que tenha continuidade ao longo dela, para confirmar a qualidade que revelou no seu ano de estreia e que andou algo apagada nos últimos tempos. O Pavlidis merece menção por ter sido o protagonista dos nossos momentos de perigo. O Ríos fez uma 1ª parte péssima (só passes transviados e más conduções de bola), mas subiu exponencialmente na 2ª e a jogada do golo começou nele. O Barrenechea é um pêndulo a meio-campo, mas o Dedic precisa de treinar melhor os cruzamentos.

Começamos a jogar amanhã grande parte do que será a nossa temporada com o início da qualificação para a Champions frente ao Nice. O plantel ainda não está fechado (espero eu) e precisamos urgentemente de alguém com magia para o meio-campo e eventualmente outro extremo, fruto da lesão do Bruma na Eusébio Cup. Foi óptimo ganhar o primeiro troféu oficial da temporada, mas o jogo esteve longe de me encher as medidas. Aqueles reforços precisam-se e com urgência.

sexta-feira, agosto 11, 2023

Nona Supertaça

Vencemos o CRAC (2-0) em Aveiro na passada 4ª feira e conquistámos a 9ª Supertaça do nosso historial. O que em 23 presenças não deixa de ser um balanço negativo, apenas superado por esta ser apenas a segunda vitória perante as forças do Mal em 13 confrontos directos para esta competição (a única tinha sido na época 1984/85)! Claro que há aqui um pequeno pormenor que é o facto de as maiores roubalheiras no futebol português terem acontecido em Supertaças passadas (aqui está o exemplo supremo).


Com a saída do Gonçalo Ramos para o PSG no dia anterior, o Roger Schmidt resolveu inventar e entrar em campo sem ponta-de-lança. Bem sei que o Musa está longe de ser um génio, mas ao menos é ponta-de-lança e tudo indicava que fosse ele o titular. Mas não, o nosso treinador achou que era com o Rafa e Aursnes na frente que conseguiríamos fazer algo. O resultado foi o esperado: não criámos um único lance de perigo na 1ª parte! Aliás, como de costume, não entrámos nada bem contra o CRAC e poderíamos ter sofrido um golo logo aos 7 segundos(!), mas felizmente beneficiámos da má pontaria do Galeno. Pouco depois, foi novamente o Galeno a colocar a cabeça do Bah em água e a ter um remate desviado, que passou a rasar o poste com o Vlachodimos batido. O terceiro susto ocorreu com o Taremi, que apareceu sob a direita e rematou cruzado muito ao lado, quando só tinha o Vlachodimos pela frente. Tudo isto aconteceu dentro dos primeiros 15’ de jogo! Conseguimos reequilibrar a partida, especialmente a partir da meia-hora, mas sem nunca conseguirmos criar situações de perigo. O Ristic na esquerda está longe de ser um Grimaldo, o Kökçü não apresentava a pedalada que se exige em jogos frente ao CRAC, o Aursnes parecia perdido sem saber bem a sua posição no terreno, o João Mário andava a gasóleo como de costume, o Rafa estava engolido pelos centrais e o Di María não tinha espaço. Só o João Neves se mostrou à altura, com elevada rotação desde o início da partida. Para piorar as coisas, o Sr. Luís Godinho encheu-nos de amarelos (Ristica, Bah, Kökçü e João Mário).

Na 2ª parte, o Roger Schmidt assumiu o erro e substituiu logo ao intervalo o Ristic pelo Jurasek e o João Mário pelo Musa. Voltámos à fórmula que sempre tivemos com o alemão e a diferença foi abissal! Os segundos 45’ foram todos nossos. O Musa começou a dar a luta que o Pepe e o Marcano nunca tiveram, o Jurásek foi muito mais incisivo pela esquerda do que o Ristic, subimos as linhas com o Kökçü a melhorar imenso de rendimento e foi o turco que desmarcou o Di María na direita aos 61’ para o 1-0 num remate em que o Diogo Costa não fez tudo o que estava ao seu alcance para defender. Felizmente! Foi o delírio na nossa bancada, que prosseguiu sete minutos depois com o 2-0 através do Musa, depois de uma bola recuperada no meio-campo adversário e assistência do Rafa. Sufocávamos o CRAC e a minha única preocupação eram os amarelos, ainda por cima, porque o João Neves também levou um logo no início da 2ª parte. Portanto, ficámos com o meio-campo amarelado, mas o Roger Schmidt é sempre sagaz nestas ocasiões e fez entrar o Florentino logo aos 70’ para o lugar do Kökçü e aos 75’ o Chiquinho para o do João Neves. O nosso terceiro golo estava mais perto do que o deles e um remate do Rafa teve um ligeiro desvio, caso contrário teria entrado. Em cima dos 90’, aconteceu o costume: o ANIMAL do Pepe deu uma joelhada nas costas do Jurásek, mas teve de ser o VAR a avisar o árbitro para o mandar para a rua. Foi o nosso terceiro grande festejo da noite, a assinalar condignamente o facto de aquele atentado ao futebol ser finalmente expulso! No segundo minuto de compensação, apanhámos um susto com um golão do Galeno, mas felizmente tinha havido mão antes do entretanto entrado Gonçalo Borges e o VAR anulou. Até final, ainda tivemos direito à 24ª expulsão(!) da carreira do Sérgio Conceição, com a benesse de se ter recusado a sair do campo! Há uma coisa pela qual temos de dar crédito ao CRAC: está sempre na vanguarda da nojeira! Faltavam 3’ para o final e só não percebi porque é que o árbitro não acabou logo o jogo. Era a penalização devida para aquele comportamento inominável, que é o traço distintivo de um clube que envergonha o desporto. Proponho um novo slogan para eles, bem mais preciso: “A ser orgulhosamente um nojo há 40 anos!”

Em termos individuais, destaque para a magia do Di María, que continua um jogador superlativo aos 35 anos, e para o jogão do João Neves, que neste momento é titular absoluto do Benfica. O miúdo luta, corre, joga e faz jogar os outros, é um regalo vê-lo em campo. O António Silva também esteve muito bem na defesa, assim como o Otamendi, cuja experiência ajudou a disfarçar alguma eventual falta de ritmo. O Jurásek terá ganho o lugar ao Ristic e o Kökçü percebeu em 45’ o ritmo com que tem de jogar estas partidas. O Rafa melhorou imenso quando o Musa entrou (como é óbvio!) e o croata foi decisivo na mudança que houve no jogo. Espero que a titularidade do João Mário seja finalmente posta em causa, porque neste momento ele é o elo mais fraco do meio-campo para a frente e felizmente este ano não nos faltam soluções para tal.

Foi uma vitória muito saborosa que torna sempre muito aprazível a viagem de 500 km num só dia. Esperemos que seja um bom princípio de uma temporada em que é fundamental conseguirmos o bicampeonato.

VIVA O BENFICA!

sábado, dezembro 26, 2020

Perdido

Perdemos 0-2 frente ao CRAC na 4ª feira em Aveiro e vimos mais uma Supertaça ir ao ar. São já 11 derrotas frente a eles em 12 jogos deste troféu, o que é absolutamente inacreditável (mesmo que saibamos que tivemos Donatos Ramos e afins pelo caminho). Mas nem é preciso ir tão longe: esta foi a quarta derrota consecutiva frente ao CRAC, o que deveria constituir motivo de vergonha para todos os que têm a honra de vestir o manto sagrado. Mas, infelizmente, ainda há muitos que não sabem o que isso representa e implica, especialmente nestes jogos.
 
Com o Pizzi infectado com Covid-19, o meio-campo foi formado pelo Weigl e Taarabt, e até nem entramos mal, com o Everton muito activo na 1ª parte. No entanto, não criámos grandes oportunidades e, numa transição a meio-campo, o Taarabt fez a sua habitual figura de corpo presente, o Taremi isolou-se, caiu à saída do Vlachodimos e os VAR Luís Godinho e Bruno Esteves consideraram que era penalty, porque segundo as linhas o iraniano estava 18 cm em jogo. Para mim, o avançado do CRAC espera o contacto do nosso guarda-redes e deixa-se cair, mas enfim... O Sérgio Oliveira marcou bem o penalty e fez o 0-1 aos 25’. Logo a seguir, poderíamos ter empatado, mas o remate de primeira do Grimaldo, a passe do Waldschmidt, foi defendido pelo Marchesín. Até ao intervalo, nada mais de relevante se passou.
 
Na 2ª parte, houve mais oportunidades, mas maior domínio para o CRAC. Valeu-nos o Vlachodimos num remate do Uribe e um corte acrobático do Otamendi, quando o mesmo Uribe se preparava para cabecear para a baliza deserta. Do nosso lado, um livro do Grimaldo permitiu uma boa defesa ao Marchesín e, já muito perto do final, outro livre do nosso defesa-esquerdo resultou na já proverbial bola ao poste, que empataria a partida. Praticamente na resposta, o Luis Díaz, entretanto entrado, acabou com o jogo ao fazer o 0-2 em cima dos 90’.
 
Em termos individuais, o Grimaldo foi de longe o melhor, ao ser o nosso jogador mais perigoso, o Everton fez uma boa 1ª parte, mas depois desapareceu completamente, os centrais (Otamendi e Vertonghen) não estiveram mal, bem como o Gilberto na lateral-direita (confesso que me custa a perceber a perseguição que tem sido alvo; está longe de ser o pior a ocupar aquele lugar nos últimos anos), e raramente é pelo Vlachodimos que não ganhamos jogos. O Weigl esteve muito desacompanhado no meio-campo, o Rafa infeliz e algo complicativo na direita, e o Darwin praticamente não teve jogo de jeito a chegar-lhe. O Waldschmidt, à parte a abertura para o Grimaldo logo a seguir ao primeiro golo, esteve completamente fora dela e o Taarabt é verdadeiramente um caso de polícia como pode ter feito os 90’! Teve 20, repito, VINTE(!!) perdas de bola, foi um espectador privilegiado nos lances dos dois golos, emperrou completamente a nossa (já de si pouca) fluidez atacante e conseguiu estar em campo até final. Aliás, as substituições que o Jesus fez também são um caso de estudo: com o Waldschmidt completamente desaparecido, resolveu tirar o Rafa pouco depois da hora de jogo para colocar o Seferovic. Ou seja, o alemão passou a (não) jogar na linha, o que afunilou ainda mais o nosso jogo. Depois, o Jesus lembra-se de fazer três substituições aos 87’...! Repito: 87’!!! Para quê...?! Ainda por cima, nem assim o Taarabt saiu de campo!
 
O jogo não foi nada de especial, mas a diferença das duas equipas foi evidente: uma esteve (está sempre) com os dentes de fora quando joga contra a outra, a outra raramente faz o mesmo. O meu amigo Bakero assinou uma magnífica crónica aqui, onde diz tudo. Falta-nos isso mesmo: alma! Não duvidemos que, se a tivéssemos, não estaríamos a chorar a quarta derrota seguida contra o CRAC, duas das quais resultaram em dois troféus perdidos. As coisas TÊM mesmo de mudar!

segunda-feira, agosto 05, 2019

Massacre

Vencemos ontem a nossa oitava Supertaça ao golear a lagartada por 5-0 no Estádio do Algarve. Desde 85/86 numa eliminatória para a Taça de Portugal que não tínhamos um resultado deste calibre perante eles, que teve igualmente o condão de os igualar no número de troféus nesta competição.

Entrámos em campo com a equipa esperada (o Nuno Tavares a lateral-direito perante a lesão do André Almeida e a falta de ritmo do Ebuehi, e o Raúl de Tomás com o Seferovic na frente), com a lagartada a alinhar com três centrais de início (Neto, Coates e Mathieu), o que deu logo conta dos receios que eles tinham do nosso jogo. No entanto, a 1ª parte foi algo equilibrada, pese embora termos tido nós a iniciativa atacante. Porém, o Vlachodimos acabou por ter um papel importante nesta fase, com três intervenções importantes que impediram golos adversários (um desvio a um corte do Ferro que ia na direcção da nossa baliza, uma defesa a um remate de longe do Bruno Fernandes e uma mancha a este mesmo jogador, que lhe apareceu isolado na frente). Quanto a nós, tivemos um remate do Raúl de Tomás que o Renan defendeu e outra oportunidade pelo Seferovic num contra-ataque, mas bem cortada pelo Thierry Correia. Aos 40’, colocámo-nos em vantagem num centro largo do Pizzi para desvio de primeira do Rafa com o pé esquerdo. Até ao intervalo, o Bruno Fernandes e o Acuna tiveram um par de remates, mas sem conseguir alvejar a nossa baliza.

A 2ª parte foi completamente diferente. Era expectável que a lagartada se abrisse um pouco mais para tentar o empate, mas aconteceu um descalabro. Nos primeiros 15’, ainda tentaram criar-nos problemas, mas só um remate do Raphinha teve perigo ainda que relativo, porque a bola foi ao lado. No entanto, quando nós pegávamos na bola acelerávamos o jogo e eles ficavam nas covas. Aos 60’, aumentámos a vantagem numa perda de bola do Mathieu para o Rafa, que assistiu o Pizzi para um remate rasteiro na passada. Logo a seguir, o De Tomás isolou o Rafa, este tentou assistir o Pizzi, mas a bola saiu um pouco para trás e o nº 21 não rematou nas melhores condições, quando tinha o Renan pela frente. Mas aos 64’, fizemos mesmo o 3-0 num livre do Grimaldo que entrou junto ao poste. No estádio, dado que estava no enfiamento do lance, deu-me a sensação que tinha sido um pouco frango do Renan que ainda lhe tocou, mas a TV tirou-me essa dúvida, porque a bola foi muito colada ao poste. A defesa da lagartada abria buracos por tudo quanto era lado e eu confidenciei aos meus colegas de bancada que tínhamos uma óptima oportunidade de (finalmente) vingar os 7-1. O que poderia ter acontecido logo a seguir caso o Seferovic, isolado pelo De Tomás, não tivesse permitido a defesa ao Renan. Só aumentámos para 4-0 aos 75’, numa jogada em que o Rafa assistiu o Pizzi para a entrada deste na área e remate cruzado sem hipóteses para o guarda-redes contrário (bom golo do nº 21, embora o Seferovic, isolado no centro da área, só tivesse que encostar; eu preferia que ele lhe tivesse passado a bola). A lagartada já tinha feito duas substituições, mas nós só fizemos a primeira a menos de 10’ do fim por lesão do Gabriel, tendo entrado o Chiquinho. O marcador poderia ter sido avolumado nessa altura, num centro do De Tomás na direita para o Seferovic em voo desviar a bola com o pé, mas o Renan fez uma boa defesa. O Bruno Fernandes lá ia rematando de todo o lado, mas ou saía com má pontaria ou o Vlachodimos estava muito atento. Finalmente, em cima dos 90’ fizemos a manita através do Chiquinho: centro do Grimaldo na esquerda, desvio do Seferovic para defesa incompleta do Renan, o suíço insistiu e colocou a bola em esforço na área, onde o Chiquinho se antecipou a um defesa para fechar o marcador. Lamentavelmente o Sr. Nuno Almeida deu apenas 1’ de compensação quando tinha havido seis substituições e a lesão do Gabriel, e o resultado ficou por aqui. (Aliás, a arbitragem foi de muito pouca categoria, com uma enxurrada de amarelos – dez! – que um jogo destes não justificou).

Em termos individuais, destaque óbvio para o Pizzi e o Rafa, o primeiro com dois golos e uma assistência e o segundo com o contrário. O Florentino fez um jogo gigante no meio-campo, bem secundado pelo Gabriel. Os centrais (Rúben Dias e Ferro) estiveram bem e também gostei do esquerdino Nuno Tavares a alinhar fora da sua posição: não comprometeu e mostrou atrevimento atacante, mesmo estando fora da sua posição. Marcámos cinco golos, mas nenhum deles foi dos dois avançados, embora eu tenha gostado bastante do De Tomás, com o Seferovic um pouco mais discreto (e a ser mais perdulário). Uma última palavra para o Vlachodimos, que foi muito importante quando o resultado ainda estava 0-0.

Uma pessoa interrompe as férias com a família, faz mais de 600 km num só dia (em excelente tricompanhia, diga-se), sai de casa às 12h30 para chegar às 4h15, é para isto mesmo: porque não se perdoaria se não tivesse visto este festival ao vivo! Foi épico, já não acontecia há 33 anos e irá ser lembrado durante bastante tempo. E eu vou poder dizer sempre: estive lá! Não gosto de elevar muito as expectativas, até devido à minha condição de incorrigível pessimista, mas uma pessoa vê isto e ouve as declarações do Bruno Lage no final, a explicar tintim por tintim a táctica que adoptámos e a mudança ao intervalo (terá sido por isso que atrasámos a reentrada em campo de uma maneira pouco habitual...?), e é difícil manter assentes os pés na terra. Até porque temos finalmente agora o que nos tem faltado muitas vezes noutros anos: killer instinct! Só deixamos de tentar marcar golos quando o jogo termina. E isso atemoriza muito os adversários. Quer eles o admitam, quer não.

VIVA O BENFICA!

segunda-feira, agosto 07, 2017

Começo auspicioso

Vencemos o V. Guimarães (3-1) no sábado em Aveiro e conquistámos a sétima Supertaça do nosso historial. Nas últimas épocas, a tendência tem sido quase sempre a mesma: a pré-temporada raramente corre bem, mas quando chegam os jogos a sério aumentamos exponencialmente a nossa produção e ganhamos. Que seja sempre assim!

Uma rotura muscular num jogo de futebol com amigos na passada 2ª feira atirou-me para duas canadianas. Vi o caso mal parado nos primeiros dias (não conseguia mesmo andar), mas a partir de meio da semana a coisa foi melhorando (de qualquer maneira, antes eu que o Jonas!). Como me disse o meu amigo Bakero (um dos companheiros de viagem), quando soube disso pensou por segundos que eu já não poderia ir, mas depois lembrou-se que era eu e eu só não iria a um jogo do Benfica se estivesse mesmo a morrer! Confere. Gosto que os meus amigos me conheçam bem…! :-) Isto tudo para dizer que lá fui para Aveiro apoiado numa canadiana e em choque quando soube que o Júlio César não iria jogar. Quem tem a paciência de seguir este blog habitualmente, já sabe que eu não acho que qualquer Dudic ou Escalona sejam automaticamente génios só por vestir o manto sagrado e claro que tive bastante receio do Bruno Varela, a quem ainda não vi qualidades suficientes para ser uma opção válida para a nossa baliza. Aliás, tendo o Ederson dito no relvado do Jamor, há mais de dois meses, que aquele iria ser o último jogo dele pelo Benfica, custa-me muito aceitar que ainda não tenhamos ido buscar um guarda-redes que pudesse competir com o Júlio César pela titularidade. Ainda por cima, com os problemas físicos que o brasileiro tem tido nos últimos tempos… Fizemos mais de 100 M€ em vendas e não há 10 M€ para dar por um guarda-redes que dê garantias…?! Enfim, aguardemos, mas entretanto começam as competições a sério e recordo que o affair Roberto nos custou uma série de pontos logo no início do campeonato que depois nunca conseguimos recuperar. Espero que a história não se repita. Isto tudo para dizer que o Bruno Varela, excepção ao golo do V. Guimarães, até esteve em bom plano. Mas que é urgente que venha mais alguém é incontestável.

Entrámos muito fortes na partida e sufocámos o V. Guimarães durante a maior parte da etapa inicial. Fizemos o 1-0 aos 6’ numa recarga do Jonas depois de um mau alívio do Miguel Silva, guarda-redes contrário, a um cruzamento do Pizzi na direita. Cinco minutos depois, aumentámos a vantagem pelo estreante Seferovic, que foi isolado de maneira magistral pelo mesmo Pizzi e, perante o guarda-redes, rematou cruzado por baixo do corpo dele. Grande jogada e grande golo! A partida não poderia ter começado melhor. O V. Guimarães reduziu à beira do intervalo, mas até lá tivemos quatro(!) oportunidades para matar de vez o jogo: remate cruzado do André Almeida bem defendido pelo guarda-redes e três(!!!) lances em que o Salvio está cara-a-cara com o Miguel Silva e permite sempre a defesa deste. Incrível! Claro que se estava mesmo a ver o que iria acontecer: aos 43’, o Varela fica aos papéis num cruzamento para a área, não afasta bem a bola e o Raphinha marca de cabeça. Íamos para intervalo com o jogo em aberto, quando deveria já estar mais que decidido a nosso favor!

A 2ª parte foi completamente diferente. Não conseguimos manter o mesmo ritmo e, apesar de o Seferovic ter chegado atrasado a um cruzamento do Jonas e ter rematado muito torto quando até estava em boa posição, a melhor oportunidade foi sem dúvida do V. Guimarães: aos 59’, o Hurtado ainda agora deve estar para perceber como é que, só tendo que encostar depois de um centro da direita, conseguiu rematar contra o seu próprio pé! Como disse logo na altura o Bakero, “volta Bryan Ruiz, que estás perdoado!” Aos 65’, o Rui Vitória tirou o Salvio e colocou o Filipe Augusto. Em teoria estava certo, porque estávamos claramente a perder o meio-campo, mas dado que era o Filipe Augusto a entrar levei as mãos à cabeça… No entanto, adoro quando a realidade me desmente de forma positiva e o brasileiro, dado que não esteve horrível como durante a pré-temporada toda, acabou por ter um rendimento aceitável. As coisas reequilibraram-se no meio-campo, o Grimaldo voltou aos problemas físicos (mais do mesmo…), o que vale é que continuamos a ter o grande Eliseu e o Pizzi permitiu a defesa do Miguel Silva, quando só tinha pela frente, com o Seferovic a falhar a recarga. Aos 81’, entrou o Jiménez para o lugar do esgotado Jonas e acabou com o jogo dois minutos depois: falha de um adversário e assistência magistral do Pizzi para o mexicano marcar um belo golo em arco. Foi o delírio! O Sr. Artur Soares Dias resolveu dar uns inacreditáveis seis minutos de compensação, mas o resultado não se alterou.

Em termos individuais, o Pizzi foi considerado o melhor em campo, porque esteve directamente envolvido nos três golos. Estava a gostar bastante do Salvio, mas não se podem falhar três oportunidades daquelas! O Jardel subiu imenso de produção da 1ª para a 2ª parte e espero que não tenha os problemas físicos do ano passado. O Cervi destacou-se sobretudo na ajuda à defesa, até porque o Grimaldo está longe da condição ideal. Outro destaque indiscutível é o Seferovic: possante, rápido para a envergadura física que tem, preocupa-se sempre em dar a bola jogável, inclusivamente quando disputa lances de cabeça. Marcou um grande golo e, com a entrada do Jiménez, ocupou a posição do Jonas, coisa que eu não sabia que ele podia fazer. Assim sendo, é bom que não deixemos sair nenhum dos outros dois avançados (até porque agora é o Mitroglou a estar lesionado). Palavra final para o Grande Luisão que, com o seu 20º título, passou a ser o jogador mais galardoado da história do Benfica! Parabéns, grande capitão!

Com este triunfo, atingimos os 82 títulos oficiais, tendo agora o CRAC a oito de distância (74) e a lagartada a 35 (47)! Iniciaremos a tentativa da conquista do penta em casa frente ao Braga já depois de amanhã. Espera-se que as boas indicações que demos em Aveiro sejam mantidas. VIVA O BENFICA!

quarta-feira, agosto 10, 2016

Sempre a somar

Vencemos no domingo o Braga por 3-0 e conquistámos a sexta Supertaça do nosso historial. Há que dizer, a bem da verdade, que o resultado é um pouco exagerado face ao que se passou, mas a justeza da nossa vitória não pode ser posta em causa.

Não poderíamos ter entrado melhor, com uma jogada genial do Cervi aos 10’ de que resultou o primeiro golo. Continuámos na mesma toada e os primeiros 20 minutos foram todos nossos. Atirámos uma bola ao poste pelo Nélson Semedo (desviada por um defesa) e o André Horta teve igualmente uma boa chance, mas rematou de primeira ao lado. A partir de metade da 1ª parte, o Braga equilibrou e foi a vez de o Júlio César entrar em acção, com duas ou três defesas que mantiveram a nossa vantagem até ao intervalo.

A 2ª parte começou como tinha acabado a primeira, com o Braga mais em jogo, embora só tenha criado duas verdadeiras oportunidades: uma saída do Júlio César aos pés do Rafa e um falhanço incrível deste já depois de ter passado pelo nosso guardião. Nós tentávamos controlar a partida, mas era preciso claramente mais alguém para o meio-campo, até porque o Fejsa não dá para tudo. Curiosamente foram dois dos jogadores que menos tinham estado em evidência até então que fabricaram o nosso segundo golo: excelente abertura do Pizzi a isolar o Jonas que, perante o Marafona, não perdoou. Estávamos no minuto 75 e em princípio estaríamos a dar a machadada final na partida. Logo a seguir entrou o Samaris e eu pensei que o Braga não mais chegaria à nossa baliza. Puro engano! Duas desconcentrações defensivas nossas fizeram com que o adversário criasse muito perigo (remate em arco ao lado do Mauro e chapéu do Hassan que passou por cima), mas aos 92’ selámos de vez a vitória com um chapéu magistral do Pizzi, depois de o Jiménez, mais uma vez, não ter conseguido bater o guardião contrário quando estava isolado, com a bola a sobrar para o nº 21.

Em termos individuais, o Pizzi acabou por ser decisivo para a vitória, o que não deixa de ser curioso porque até à assistência para o Jonas estava a fazer um jogo muito sofrível. Ainda fora de forma também está o Jonas, o que felizmente não o impede de molhar o bico. O André Horta esteve muito discreto na 1ª parte, mas subiu exponencialmente na 2ª. O Luisão também está em crescendo e eu fico muito contente por ainda podermos contar com o nosso capitão na sua plenitude. O Nélson Semedo foi outro que jogou muito bem, assim com o Cervi que marcou um golão, ficou cheio de confiança para o resto da partida e ainda ajudou imenso a defender. Se foi para isto que ele não mostrou nada nos particulares até agora, por mim tudo bem…!

Foi uma óptima viagem a Aveiro culminada com a conquista de mais um troféu. O resultado não reflecte as dificuldades que tivemos, mas é o que fica para a história. E, sinceramente, gostei bastante de alguns períodos da nossa equipa. Veremos como a equipa estará no próximo fim-de-semana, sabendo-se que é fundamental começar bem o campeonato, até para começar a marcar o ritmo logo desde início. Porque, dos três candidatos, aparentemente nós somos o que tem as coisas mais estabilizadas.

P.S. – Arbitragem inacreditável do sr. João Capela, com uma dualidade de critérios gritante (connosco era sempre falta e ao contrário raramente) e uma gestão disciplinar risível (alguns dos amarelos nem falta eram!).

segunda-feira, agosto 10, 2015

Benfica - 0 - Estrutura - 1

Sem surpresa nenhuma (infelizmente), perdemos a Supertaça para a lagartada por 0-1. O jogo resume-se muito facilmente: houve uma equipa que foi melhor, outra que usou (e abusou) do pontapé para a frente, um golo mal anulado para uma e um penalty não assinalado pelo Sr. Jorge Sousa para outra. O golo surgiu de um remate do Carrillo aos 53’, que foi inadvertidamente desviado por um jogador lagarto e traiu o Júlio César.

Posto isto (e porque fiz 1200 km em dois dias, de comboio e carro, prescindindo de dois dias de férias, estando acordado 22 horas seguidas, gastando uma pipa de massa só em transportes, e não estando assim muito satisfeito com o que vi), apraz-me fazer as seguintes considerações:

- Apesar do pouco tempo de treino, já se nota alguma coisa do treinador, com interessantes combinações atacantes e uma pressão sobre o adversário que não o deixou sair a jogar. No entanto, que escândalo foi este de colocar o Benfica a equipar de verde e branco?!?! [Ironic mode on] (Porque há sempre pessoas obtusas que não iriam perceber…)

- Metade dos objectivos que motivaram a troca de treinador (a “aposta na formação”) já estão cumpridos: o Nelson Semedo foi uma decisão arriscada, mas parece que teremos lateral direito para os próximos anos. Agora só falta a “estrutura” entrar em campo e começar a marcar golos… Como se percebeu, os títulos passaram a ser secundários no Benfica. (Caso contrário, não se teria prescindido de quem ganhou sete dos últimos oito troféus nacionais disputados….)

- Fizemos seis jogos até agora. Temos zero vitórias. Marcámos três golos, sendo que dois deles foram na 1ª parte do primeiro jogo. O que quer dizer que, nos últimos cinco jogos e meio, marcámos um(!) golo. Repito: em oito horas e 15 minutos de futebol, marcámos… um(!) golo. Sim, eu sei, os “adversários eram fortes”, “estamos no início de um processo”, “os resultados vão aparecer”, “o treinador tem pouco tempo de clube”… (Curiosamente, conheço um ou outro treinador para o qual não é preciso muito tempo para colocar a sua equipa a jogar à bola…)

- Vamos lá a ver o seguinte: 1) o Jonas NÃO é ponta-de-lança. É um CRIME colocá-lo a jogar no meio dos centrais e desgastar-se a disputar bolas aéreas com eles; 2) o Talisca jogou 57’ a mais do que devia. Nem devia ter entrado de início, porque aquele lugar de segundo avançado é do Jonas, mas no mínimo devia ter saído ao intervalo; 3) o Eliseu não é grande espingarda, mas foi titular durante toda a época passada. Jogar o Sílvio naquele lugar pareceu uma resposta à picardia do Jesus de dizer que o Rui Vitória tinha mantido tudo igual; 4) Jogar com o Fejsa e o Samaris é criar um fosso enorme entre os médios e os avançados. Faz lembrar a dupla Katsouranis e Yebda da excelente época do Quique…; 5) o Júlio César deve ter pontapeado a bola lá para a frente mais vezes neste jogo do que em toda a época passada. Como diz um amigo meu, alguém que diga a quem de direito que nós não jogamos com o Maazou na frente…

- Eu pensei que tínhamos cometido um erro histórico. Infelizmente, cada vez mais vou tendo a certeza de que cometemos ‘o’ maior erro da nossa história desportiva. O título do post não é, lamentavelmente, irónico. Temo que esta época prove que a “estrutura” que efectivamente ganha troféus foi a que nós oferecemos aos lagartos… (Que o homem nunca foi o paladino da educação já nós sabíamos há muito, mas já o era quando estava com as nossas cores. Mudou de camisola, mas está igual ao que sempre foi. Mas diz um outro amigo meu, e com muita razão, que não queria o Jesus para casar com as filhas. O que interessava é que ele nos punha a jogar bom futebol e, mais importante do que tudo, ganhava títulos. Tudo o resto é – devia ser – secundário. Se queríamos um treinador educado, tínhamos o Quique; se fosse por benfiquismo, temos sempre o Grande Toni).

Isto fica já escrito no início da época, porque eu nunca fui politicamente correcto, nem me revejo em pessoas que só fazem o totobola à 2ª feira. Terei todo o gosto em vir aqui no final da época dizer que eu afinal não percebo nada disto e que sou um idiota por não ter acreditado nos tricampeões.

P.S. - Pode ser que no próximo domingo no jogo de apresentação aos sócios, perdão, na 1ª jornada do campeonato, as coisas comecem a melhorar.

* Publicado em simultâneo com a Tertúlia Benfiquista.

segunda-feira, agosto 11, 2014

Poker 2014

Vencemos o Rio Ave nos penalties (3-2) depois de um injustíssimo 0-0 ao longo dos 120’ e conquistámos a 5ª Supertaça do nosso palmarés. Mas mais relevante do que isso é termos feito história, porque é a primeira vez que um clube ganha todos os troféus nacionais em disputa num mesmo ano civil. Foi obtida da maneira mais sofrida, mas impediu-se uma das maiores injustiças futebolísticas de todos os tempos.

Com os regressos do Luisão, Jardel e, PRINCIPALMENTE, do Enzo Pérez, a equipa transfigurou-se em relação ao que havia feito até agora. Fizemos DE LONGE a melhor exibição desde o início da temporada, com uma 1ª parte com nota artística muito elevada, mas revelando desde logo grandes problemas na finalização. (Pois é, parece que o outro que “não jogava nada e só sabia marcar golos” afinal ainda vai fazer muita falta, não é, seus acéfalos que o assobiavam…?!). Com o Talisca a jogar a 10, mas sem revelar o killer instinct necessário para aquela posição (aquelas duas bolas em que chega atrasada, o Cardozo metê-las-ia de caras e depois alguns diriam “pois, era só encostar”… Pois era, mas ele estava lá para o fazer!), o Enzo deu um verdadeiro recital durante 45’, muito bem secundado pelo Salvio e pelo Gaitán que, quando decidir ser mais objectivo na hora do remate e não querer entrar com a bola pela baliza adentro, tornar-se-á um jogador ainda mais genial do que já é. Infelizmente, tal vendaval de qualidade futebolística não fez com que chegássemos ao intervalo em vantagem.

Na 2ª parte, não tivemos oportunidades tão flagrantes (muito por culpa de erros no último passe, cerimónia na altura do remate ou cruzamentos que só encontravam os centrais do Rio Ave), mas mesmo assim um tiraço de pé esquerdo do Lima deu-me a sensação de golo. No prolongamento, o Rio Ave finalmente lembrou-se que havia uma baliza na qual era suposto tentar marcar e inacreditavelmente podê-lo-ia ter feito já perto do final, quando o Artur dá uma casa de todo o tamanho num canto (tenta socar uma bola perfeitamente agarrável, ela bate-lhe no peito e ressalta para o lado) e o Jardel, ao tentar aliviar, remata para onde estava virado, e a bola bate na barra. Não estava nada confiante para os penalties, porque era o objectivo do Rio Ave, que teria essa vantagem psicológica e, além disso, foram eles a começar a marcar (algo que teoricamente é mais vantajoso). Felizmente que desta feita (e ao contrário da Liga Europa) os penalties foram na baliza onde estavam os nossos adeptos e isso também ajudou. O Artur, que já na 1ª parte tinha tentado fintar na área e ainda agora estou para saber como não fez penalty e expulsão, foi o herói ao defender três penalties (e, além disso, adivinhou o lado para onde todos eles forma batidos). O futebol não deixa de ter estas coisas curiosas. O último penalty foi batido pelo Tiago Pinto (filho do grande João Vieira Pinto) e gostaria de ver uma estatística que pudesse confirmar aquilo que uma observação empírica me inclina a concluir: é muito alta a percentagem de defesas-esquerdos que falha penalties neste tipo de desempate, pelo que quando vi que era ele a marcar a minha confiança aumentou.

Em termos individuais, destaque para o trio de argentinos (Enzo, Salvio e Gaitán), com o vice-campeão mundial a ser eleito o “homem do jogo”. Começámos a chamar por ele no final, ele agradeceu, dizendo adeus com a mão e batendo com ela no símbolo do Benfica. Espero SINCERAMENTE que não queira dizer quilo que julgo que quis dizer, porque nem quero imaginar como será o nosso jogo sem ele. Viu-se bem nesta partida a ENORME diferença que ele faz, jogando e fazendo também os companheiros jogarem. Grandes exibições também do Luisão e Jardel, que teve a sorte de não se tornar o “vilão” do jogo no último lance, algo que seria bastante injusto. Também gostei muito do Eliseu, tanto a defender como a atacar, que foi uma boa surpresa em relação ao que esperava. O Artur também merece obviamente grande destaque, mas concordo com o que já li por aí: já arranjámos no nosso Tim Krull, agora só falta o guarda-redes…

Começámos esta temporada da mesma maneira que a anterior, ou seja, a ganhar troféus oficiais e vamos ver se para a semana matamos um borrego já com 10(!!!) anos e voltamos a ganhar na 1ª jornada do campeonato!

P.S. – Dê lá por onde der, NÃO DEIXEM SAIR o Enzo! Ofereçam o nome do Estádio ao Peter Lim, o Jesus dá-lhe metade do seu ordenado, qualquer coisa, mas é fundamental que ele fique!

domingo, agosto 08, 2010

Descer à terra

Perdemos a Supertaça com o CRAC (0-2) e deixámos escapar a possibilidade de conquistar o primeiro troféu oficial desta época. Foi uma derrota justa, mas que me custou bastante, porque não estava mesmo nada à espera dela. Estivemos a léguas do que já mostrámos nesta pré-época e espero que se tirem as ilações devidas deste desaire. O que de muito bom fizemos na temporada transacta é uma boa meta para ter em vista, mas neste momento é passado. Temos tudo para conquistar de novo agora. E é importantíssimo que ajudemos a matar o polvo conquistando mais um campeonato.

Entrámos pessimamente na partida e aos 3’ já perdíamos por 1-0. Erro clamoroso de marcação num canto e o Rolando cabeceou à vontade. Só demos um ar da nossa graça dos 30’ até ao intervalo, mas sem criar uma clara ocasião de golo. Na 2ª parte, voltámos a entrar mal e, o que é pior ainda, com alguns jogadores de cabeça perdida (David Luiz e Carlos Martins, por exemplo, poderiam ter sido expulsos). O CRAC chegou ao 2-0 na sequência de uma bola nossa perdida a meio-campo, que originou um contra-ataque vitorioso. Até final, tivemos a nossa melhor oportunidade, mas o Saviola isolado falhou o que seria o nosso golo de honra.

Individualmente, apesar do falhanço, o Saviola foi o melhor do Benfica. Ou, talvez seja correcto dizer, o menos mau. O Coentrão, a jogar a extremo-esquerdo, esteve razoável e não percebi a sua substituição. O David Luiz acaba por não estar isento de culpas nos golos, mas as suas subidas provocaram desequilíbrios que infelizmente não foram aproveitados pela equipa. No pólo negativo, sobressaem dois nomes: César Peixoto e Carlos Martins. Exibições pavorosas e não percebi porque é que não foram substituídos. A dúvida entre Airton e Javi García, pelo menos nos tempos mais próximos, ficou desfeita com esta partida. Claramente, o espanhol terá de ser titular. E, lamento imenso ter que dizer isto, mas o Roberto está a um pequeníssimo passo de ser o maior bluff da nossa história. Continua a não dar a mínima confiança à equipa, sai pessimamente aos cruzamentos e um guarda-redes que custa aquele preço tem que defender a bola do primeiro golo. Eu sei que o cabeceamento é muito à queima, mas foi precisamente para defender bolas daquelas que ele foi contratado. Acho que está na altura de assumir o erro (paciência, toda a gente tem direito a errar) e colocar rapidamente um dos outros dois na baliza antes que isto nos custe vitórias no campeonato. (Virei aqui de muito bom grado no final da época fazer o mea culpa, caso esteja, como desejo e muito, redondamente enganado.)

Esta partida deve fazer-nos pensar seriamente. Continuamos a ser o mais forte candidato ao título, não tenho a menor dúvida disso, mas precisamos urgentemente de dois extremos. Um para cada lado. Cada vez compreendo menos a decisão do empréstimo do Urreta. Era, de longe, o único cuja velocidade se assemelhava ao Di María e também não é nada mau tecnicamente. Por outro lado, a venda do Ramires foi boa em termos financeiros, mas não vai ser nada fácil substituí-lo no campo. E é imperativo fazê-lo, já que o Carlos Martins não pode jogar no lado direito, porque não defende nada e deixa o lateral completamente abandonado.

Errar é humano e o Jorge Jesus também não esteve bem neste jogo. Se ainda posso entender a táctica inicial de 4-1-3-2, que tão bons resultados deu na temporada anterior (é pertinente o reparo de “então, porque é que andou a treinar o 4-3-3 nos últimos jogos?”, mas esperava que, como todos os jogadores de campo já cá estavam no ano passado, ainda se lembrassem dos automatismos, o que infelizmente não aconteceu), já não compreendi a leitura que ele fez do jogo, especialmente nas substituições: deixar as nulidades do Peixoto e Martins em campo e tirar o Aimar e Coentrão esteve longe de ser uma boa decisão. Outro aspecto a rever é a atitude de alguns jogadores dentro do campo. Podemos agradecer ao Sr. João Ferreira o facto de termos terminado o jogo com 11 jogadores. Não posso compreender, nem admitir, a cabeça perdida que alguns revelaram.

Um último aspecto relevante que me relembrou, e bem, o meu amigo Leão Eça Cana: fazer três jogos em 96 horas e só ter quatro dias de descanso para a primeira partida oficial (ou seja, quatro jogos em oito dias), frente a um rival directo e portanto importantíssima de ser ganha, é algo que não se percebe. Recordo que no ano passado tivemos uma semana de descanso antes da primeira partida oficial. Isto terá de ser obrigatoriamente revisto na próxima pré-temporada. Esta má planificação poder-nos-á ter custado a vitória nesta Supertaça, já que foi visível que fisicamente não estivemos ao melhor nível.

terça-feira, agosto 16, 2005

A 4ª Supertaça

As minhas férias acabaram com o que eu tinha previsto: uma Supertaça no bolso (finalmente, já lá iam 16 anos!) e sem as contratações prometidas. Comecemos pelo menos agradável: em relação às aquisições, estou a ver o caso muito mal parado. É notório que precisamos de dois jogadores (pelo menos) para o meio-campo ofensivo e o ataque, mas não há meio de eles virem. O “caso Kalou” foi o que foi, mas não sei se o desenlace não acabou por ser benéfico para nós. Sinceramente não conheço o jogador, mas tem apenas 20 anos e só na última época é que se destacou no futebol holandês. É mais uma esperança do que alguém com créditos firmados, pelo que não sei se seria uma mais-valia imediata. Só que falta menos de uma semana para o início da Superliga, nós só temos dois pontas-de-lança e ainda nos demos ao luxo de dispensar o Karadas! Enfim, esperemos por um milagre durante os próximos dias.

Quanto à Supertaça, lá estive no Estádio do Algarve a festejar a primeira conquista da época. Jogámos mal? Esperava-se melhor? O V. Setúbal está mais fraco do que na época passada? É tudo verdade, mas conseguimos o mais importante: ganhámos! No ano passado, demos um festival ao clube regional e acabámos por perder este troféu, pelo que eu prefiro este sistema de jogar mal, mas ganhar. Todavia, espero que o Koeman tenha reparado que não podemos actuar com três trincos. Não conseguimos desenvolver convenientemente o jogo atacante desta maneira, até porque o Beto desiludiu em relação ao que já tinha mostrado e o Manuel Fernandes está fora de forma. Para o bem ou para o mal, o Nuno Assis ou o Karyaka têm que jogar de início. Apesar de não ser um fora-de-série, não percebo esta marginalização a que o Nuno Assis tem sido votado. Se ele não tivesse vindo no ano passado não seríamos campeões e é preferível ter um médio ofensivo em campo do que um defensivo a tentar fazer passar-se por aquilo que não é. Quanto à baliza, fico feliz pelo regresso do Moreira, apesar de ter que melhorar o tempo de saída aos cruzamentos. Estranhei a colocação do Ricardo Rocha a defesa-esquerdo, mas depois de ver o Dos Santos no pouco tempo que esteve em campo, e estando o Léo lesionado, percebeu-se a opção do Koeman. O João Pereira perdeu pontos relativamente ao Alex, já que teve pelo menos duas situações em que deixou que o V. Setúbal criasse perigo, e o Anderson mostrou ser seguro, mas vai ter que ser ele ou o Ricardo Rocha a jogar, já que espero que o Léo confirme ser bom jogador, porque precisamos de laterais que ajudem o ataque. O Geovanni praticamente não se viu, o Simão lutou muito mas não desequilibrou tanto quanto deveria, pelo que apenas tivemos o ressurgimento do Nuno Gomes. Como já disse aqui, o 21 é dos meus jogadores preferidos e é com pena que tenho assistido nas últimas épocas à quebra da sua veia goleadora. No entanto, foi de longe o nosso melhor jogador no Sábado passado, porque para além do bom golo que marcou, na 1ª parte teve uma cabeçada que seria golo se o guarda-redes não tivesse feito uma grande defesa e um remate que passou rente ao poste. Aliás, os remates do Nuno Gomes são em geral muito colocados e perigosos pelo que não percebo porque é que ele não chuta mais vezes à baliza. Deve ser um dos avançados mundiais com melhor relação remates/golos, só que infelizmente passa com muita frequência jogos inteiros sem rematar à baliza. Espero que este golo lhe dê ânimo para a época que aí vem, porque bem precisamos dele ao melhor nível. Se vier um ponta-de-lança que faça a diferença, ou muito me engano ou vamos passar a jogar em 4-4-2, porque a continuar assim o Nuno Gomes é titular absoluto.

Uma taça já cá canta e vamos esperar que cheguemos ao fim da época com mais duas no currículo (é claro que eu sou realista em relação à Liga dos Campeões…). Mas se não vierem reforços que o sejam na realidade (Delibasics, Eversons e Paulo Almeidas não, obrigado) e porque milagres como o do ano passado não acontecem frequentemente, duvido que terminemos a época a festejar.

quarta-feira, julho 13, 2005

Já cá canta!

Junta-se o útil ao agradável: estar de férias no Algarve nessa altura e aproveitar para ir ver o Glorioso ao vivo. E, já agora, espero que sucedam duas coisas:
- Que o vencedor seja diferente do jogo do Jamor;
- Que eu sofra consideravelmente menos do que da única vez que vi um jogo ao vivo neste estádio.

segunda-feira, agosto 23, 2004

A derrota do costume

Tão cedo não vamos ter uma oportunidade como esta para ganhar ao FCP. Desta vez nem foi preciso o árbitro correr 60 metros a fugir dos jogadores do FCP ou anular-nos um golo limpo a poucos minutos de fim que nos daria a vitória, como aconteceu no passado. Vá lá que a arbitragem foi impecável, o que é caso raríssimo nos jogos com o clube regional. Tivemos muito azar, falhámos golos praticamente certos, eles foram lá uma vez e marcaram. Há dois lances marcantes no jogo: na primeira parte, o Miguel remata à baliza quase sem ângulo, em vez de passar para o Zahovic que estava isolado e marcaria certamente golo. Sinceramente, nunca hei-de perceber estes lances em que por egoísmo de alguns jogadores, que não passam a bola a companheiros melhor colocados, se perdem golos certos. O segundo lance marcante é o do golo deles em que o Argel é muitíssimo mal batido pelo Quaresma. Qual lance de génio, qual quê?! É uma enorme falha de marcação! Como é que se pode deixar aberto o caminho para a baliza, em vez de dar espaço pela linha de fundo?! Será que o Argel teve medo que o Quaresma fosse até à linha e criasse perigo?! O que é que deu ao Trapattoni para preterir o Ricardo Rocha, que nunca na vida seria batido daquela maneira?!

Espero que na próxima Terça não ofereçamos a eliminatória como oferecemos a Supertaça... E, já agora, para compensar a perda desta Supertaça pode ser que na próxima Sexta ganhemos a outra. Todos os desportistas portugueses estarão certamente a torcer por quem representa bem o nosso país. Força Marco Caneira! Força Valência!


P.S. - Excelente notícia é a renovação com o Manuel Fernandes até 2010. Parece que finalmente deixámos de dormir em serviço!