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quinta-feira, maio 16, 2013

INCOMENSURÁVEL ORGULHO!

(Aviso prévio: este é um testamento ainda maior do que é habitual. Escrito com o coração, depois de 2,5h de sono e com os olhos marejados a 10.000 m de altitude.)

Perdemos com o Chelsea (1-2) na final da Liga Europa. Segundo alguém me disse, temos o indesejável recorde de sermos a equipa com mais finais europeias perdidas (sete). MAS (e as maiúsculas não são gralha) é uma terrível crueldade que seja apenas o resultado que fique para a História. Porque a história do que se passou no campo é completamente diferente: fomos melhores durante toda a partida, mostrámos mais vontade de ganhar e MERECÍAMOS ter ganho. Toda a gente reconhece isso. Desde o próprio Ramires, como amigos meus estrangeiros que me enviaram inesperadamente mensagens no final do jogo. Quem for honesto intelectualmente não pode deixar de o pensar (o que exclui imediatamente 95% de adeptos de um certo clube…). MERECÍAMOS ter ganho, estava eu a dizer, tanto os jogadores como os adeptos que, nas ruas de Amesterdão e nas bancadas do Amsterdam ArenA, deram uma demonstração inesquecível de benfiquismo e do que é AMAR um clube.

Se nós partimos para esta final na ressaca de uma derrota no antro com requintes de malvadez, o que dizer de, apenas quatro dias depois, perdermos novamente aos 92’?! Depois de uma 1ª parte completamente dominada por nós (somente com o aspecto negativo de revelarmos muita parcimónia na altura de rematar à baliza), o Chelsea adianta-se no marcador pelo Torres aos 60’, mas nós conseguimos igualar através de um penalty do grande Cardozo aos 68’. Aos 92’, quando eu vejo a bola em balão em câmara lenta na minha cabeça cabeceada pelo Ivanovic fazer um arco para dentro da nossa baliza, tive a mesma reacção que se tem ao ver um acontecimento inacreditável: fiquei estático, anestesiado, letárgico e sem querer acreditar no que estava a ver! A sério, não é possível!!! Ainda agora, 12 horas depois, custa-me a acreditar no que se passou: em somente quatro dias, nós perdemos uma final europeia e (muitíssimo provavelmente) o campeonato, de um modo mais do que injusto, através de golos no período de desconto! Nem nos nossos piores pesadelos, pensámos que isto fosse possível, muito menos em apenas quatro dias! Não me cansarei de repetir: QUATRO DIAS!!! (Por contraponto, haverá certamente muita gente vil, rasteira, baixa, reles, cuja inútil existência se alimenta somente do ódio a terceiros e que, no fundo, é um desperdício de matéria orgânica que nunca na vida terá tido um orgasmo tão bom.) Ninguém merece! NINGUÉM MERECE!!! Muito menos os bravos que estiveram em campo e os enormes bravos na bancada. A reacção dos adeptos do Benfica no final do jogo foi dos momentos em que mais orgulho tive de pertencer a esta família. Revelou GRANDEZA! Que é muito diferente de ser grande. Há quem diga que o é (grande, embora seja apenas regional), mas NUNCA na vida revelou Grandeza. E a sorte tem bafejado esses, numa demonstração clara para mim da inexistência de Deus (ou então, se Tu existes mesmo, podes ir para o raio que te parta, minha refinada besta!). E mesmo os (para aí) cinco adeptos desses clubes que se aproveitam, e não são ou escumalha ou acriticamente acéfalos, não mereceriam uma coisa destas. Quanto mais nós…!

Não tenho vergonha nenhuma de dizer que chorei no final do jogo. Não foram umas lagrimazitas, chorei mesmo. Não chorava com uma derrota do Benfica desde que os lagartos vieram ganhar à Luz na penúltima jornada da época 1985/86 oferecendo o campeonato ao CRAC. Tinha 10 anos. Mas ontem foi impossível conter-me por variadíssimas razões:
- Chorei de raiva por causa de duas injustiças seguidas do tamanho do mundo.
- Chorei, porque até poderíamos ter jogado mal e merecido perder. Porque poderíamos ter jogado assim-assim e o Chelsea ter sido mais eficaz. Mas não! Fomos melhores e fomos derrotados novamente no período de compensação!
- Chorei, porque depois de tudo o que fizemos esta época é inacreditável pensar que a poderemos terminar sem nenhum troféu ganho. (Quero acreditar que não, que a equipa vai dar a volta em termos psicológicos e derrotar o Guimarães na final da Taça).
- Chorei, por ter visto in loco o maravilhoso povo benfiquista a chegar a Amesterdão aos magotes, de todas as formas e feitios, para apoiar a equipa durante os 90’ como nunca me lembro de ter acontecido (é que não só não deve ter havido um único momento de pausa, como eu não me lembro de ter visto um jogo tantas vez de pé) e, não só a não ser recompensado com a vitória, como voltar a perder da mesma maneira de Sábado… (Já disse que ninguém merece isto?!)
- Chorei, por ver que a reacção dos jogadores no relvado assim que o árbitro apitou era igual à nossa.
- Chorei, porque nem na porra do último lance do jogo, já depois do 1-2, tivemos sorte no ressalto quando o Cardozo estava quase na cara do Cech.
- Chorei, porque se aquela final Man. Utd – Bayern da Liga dos Campeões jamais irá ser esquecida pelos adeptos do futebol, nós tivemos duas edições disso em apenas 96 horas!
- Chorei, porque sei que isto vai custar IMENSO a passar (nunca irá passar para mim…) e porque, 12 horas depois, a escrever esta crónica no avião de regresso a Lisboa, ainda tenho que fazer algumas pausas, porque o ecrã fica momentaneamente embaciado…

No entanto, podem perguntar-me se, mesmo que soubesse previamente o resultado e a forma como ele aconteceu, deixaria de fazer esta viagem? NUNCA na vida! Foi um orgulho ter estado presente num evento que fez transbordar a minha alma de benfiquismo. Para mim, o Benfica é isto! Onze jogadores em campo a dar esta vida e a outra para tentar ganhar um jogo. Nas bancadas haver um apoio incansável e os adeptos, apesar da derrota, tributarem a equipa do modo como o fizeram no final da partida. Eu não sou do Benfica, porque temos ganho muito ao longo da nossa história. Eu não quero ganhar sem olhar a meios (como outros…). A Grandeza de um clube não se mede só por vitórias. Mede-se também, e muito, no modo como se ganha e, sobretudo, como se perde. Ser magnânime é muito importante, porque isso revela a nossa condição humana e ultrapassa a fronteira estritamente desportiva (por exemplo, o facto de termos convidado para assistirem à final os dirigentes das equipas que eliminámos nesta inesquecível caminhada foi algo que me deixou tremendamente orgulhoso). O Benfica e os valores que o norteiam tornam-me uma melhor pessoa. Não tenho dúvidas nenhumas acerca disso.

Neste longo testamento, uma última palavra para os jogadores. Não vou destacar ninguém em particular. Houve uns que jogaram melhor do que outros, o que é normal. Mas estiveram TODOS à altura do acontecimento e todos honraram (e de que maneira!) o manto sagrado. E eu nunca vos peço mais do que isso. MUITO OBRIGADO a todos eles, na pessoa do grande capitão Luisão! É uma frase feita, da qual eu nem gosto muito, mas que aqui se exige: vocês são uns campeões e nunca esquecerei o quanto nos deram este ano! Pode não ser em títulos, mas em algo que, apesar de não poder ser contabilizado, é muito mais importante para mim: o facto de terem contribuído para o crescimento do (já ENORME) orgulho que eu tenho em ser benfiquista!

VIVA O BENFICA! Sempre.

P.S. – Este obrigado aos jogadores é naturalmente extensível à equipa técnica e a todos os dirigentes do Benfica que contribuíram para esta caminhada. E volto a repetir o que já disse aqui: se, por algum motivo (e quer ganhemos ou não a Taça de Portugal), o Jesus não continuar no Benfica (apesar das palavras do presidente, as declarações do próprio foram enigmáticas), será uma terrível perda para nós.

P.P.S. – Eu sou um gajo democrático e, por norma, aprovo todos os comentários. Entre seis milhões de adeptos, há espaço para muita gente. Mesmo para quem é idiota ou cega. Depois daquela demonstração de querer, categoria e crença de ontem, quem vier aqui dizer que estivemos mal, porque deveríamos ter feito isto ou aquilo, ou que o Jesus errou seja porque colocou aquele e não outro, como por dever ter optado pela táctica ‘x’ em vez da ‘y’, ou se insere na primeira categoria ou na segunda. As simple as that. É preferir olhar para um arbusto em vez de ser para a floresta inteira. Têm direito a tempo de antena, mas não esperem resposta da minha parte. Tenho mais que fazer e não quero ser batido em experiência…

sexta-feira, maio 03, 2013

Obrigado!

Vencemos o Fenerbahçe por 3-1 e pela nona vez na nossa história estamos numa final europeia. É difícil descrever o que sinto neste momento, mas estar perto de rebentar de felicidade é capaz de ser uma imagem aproximada. Há 23 anos que não estávamos num palco europeu onde se decidem troféus e há 51 que não ganhamos nenhum. A primeira malapata está vencida, só falta a segunda…

Estava relativamente confiante para este jogo (apesar de nervoso como tudo!), porque fiquei com a impressão desde o 1º encontro que éramos superiores e porque os turcos jogavam bastante desfalcados. O facto de nós jogarmos na máxima força só serviu para alimentar essa confiança. E não poderíamos ter tido melhor início de partida, pois inaugurámos o marcador aos 9’ com um golão do Gaitán, num toque subtil a cruzamento do Lima. Desde o início da partida que andávamos a 200 à hora e o Fenerbahçe mal conseguia sair do seu meio-campo. O Matic e o Enzo Pérez estavam imperiais a meio-campo e não deixavam passa nada. O pior foi que não contámos com o Sr. Stéphane Lannoy e os seus fiscais-de-linha, que não viram um fora-de-jogo escandaloso do Sow, de cuja jogada resultou o braço do Garay na área e respectivo penalty. Desta vez, foi o Kuyt a marcar e fez o 1-1 aos 23’. Nos minutos a seguir ao golo, desconcentrámo-nos um pouco, mas pelo que estávamos a jogar até um incorrigível pessimista como eu achava que voltaríamos a marcar. O ideal era que fosse antes do intervalo e assim aconteceu pelo Cardozo, num livre marcado de forma muito rápida, com o paraguaio a rematar em jeito ainda de fora da área, batendo o guarda-redes aos 35’. Até ao intervalo, o Matic poderia ter marcado, mas o remate saiu ao lado.

A minha dúvida para a 2ª parte era se conseguíamos manter o ritmo infernal da 1ª e isso não aconteceu, mas ao invés jogámos com mais cabecinha, embora pressionando sempre os turcos. O Cardozo afinou a pontaria com um remate potente ao lado, mas o merecido golo que valeu a passagem à final surgiu aos 66’ novamente pelo paraguaio, depois de um lançamento lateral do Salvio e de um toque do Luisão que fez a bola ressaltar para o Tacuara. Foi a loucura completa no Inferno da Luz! O Fenerbahçe não dava mostras de poder marcar-nos um golo através de uma jogada com princípio, meio e fim, e só nas bolas bombeadas para área é que criou algumas preocupações, mas sempre bem resolvidas por Luisão, Artur & Cia. O Lima ainda teve uma boa oportunidade para fechar de vez a eliminatória, mas resolveu rematar de ângulo apertado, em vez de assistir o Cardozo que estava melhor colocado. Quando a partida terminou, o estádio explodiu de alegria.

Em termos individuais, destaque OBVIAMENTE para um dos melhores pontas-de-lança que alguma vez pisou os relvados portugueses. Esqueçam! O homem está lá para marcar golos e não só os faz em grandes industriais, como ainda por cima também em jogos muito importantes. Grande Cardozo! Espero sinceramente que nos dês o privilégio de acabar a carreira connosco. Destaco também o André Almeida a defesa-esquerdo, que esteve irrepreensível e o genial Gaitán que voltou a lançar magia. Já referi que o duo de meio-campo o encheu completamente e igualmente uma referência para o Luisão, sempre importante nas bolas bombeadas. Toda a equipa esteve a um nível altíssimo e foram inexcedíveis na luta.

Quero agradecer, E MUITO, a todos os que tornaram possível este sonho de voltar a uma final europeia: em 1º lugar, ao Jorge Jesus que não só conseguiu pôr-nos a jogar à bola de uma maneira que não víamos há 30 anos, como inventa jogadores a uma velocidade galopante (Enzo Pérez, Melgarejo e André Almeida, para não ir mais longe). Aos jogadores, que têm sempre dado tudo em campo, mas especialmente hoje porque, apenas três dias depois da importante vitória na Madeira, jogaram como se estivessem de folga há uma semana. E finalmente a toda a estrutura dirigente do Benfica que construiu esta equipa. Dia 15 de Maio lá estaremos a lutar pelo caneco com o Chelsea. Não temos a sorte de outros de disputar finais europeias contra Mónacos e Celtics, mas também não se pode ter tudo.

VIVA O BENFICA!!!

P.S. – O Sr. Stéphane Lannoy saiu-nos uma boa peça. Para além do fora-de-jogo não assinalado no penalty, houve três lances duvidosos na área dos turcos em que nada assinalou e um agarrão claro ao Cardozo à entrada da área que também não foi falta. Enfim, poderia bem ser um Proença que não daríamos pela diferença…

sexta-feira, abril 26, 2013

Desvantagem

Perdemos (0-1) em Istambul e neste momento o Fenerbahçe está mais perto da final de Amesterdão do que nós. Foi um jogo mal conseguido da nossa parte, em que acabámos por ter muita sorte, já que os turcos atiraram três bolas aos postes contra apenas uma nossa. E um hipotético 1-3 seria pior do que o 0-1.

Curiosamente, até entrámos bem na partida. Nos primeiros 10’ poderíamos ter feito dois golos, caso o guarda-redes Volkan Demirel não tivesse feito bem a mancha ao Salvio e o Aimar soubesse rematar à baliza. Já agora, a titularidade de El Mago pode ser criticável, mas eu estive de acordo com ela, porque pensei que fosse melhor ajuda para o André Gomes, já que a indisponibilidade do Enzo Pérez iria ser muito sentida pela equipa. As coisas acabaram por não resultar bem, mas não nos podemos esquecer do jogo no Marítimo na 2ª feira, razão pela qual o Lima também ficou no banco. A partir dos 10’, o jogo foi completamente dos turcos. O Sow cabeceou ao poste com o Artur batido aos 18’ e, perto do intervalo, o Ola John fez penalty, viu um amarelo e vai ficar de fora da 2ª mão. O poste voltou a ser providencial ao defender o penalty do Cristian Baroni.

O Gaitán entrou logo de início na 2ª parte para o lugar do Aimar e pensei que finalmente iríamos conseguir ligar melhor o jogo, e chegar mais vezes perto da baliza. Puro engano. Foi o Fenerbahçe que continuou a criar mais perigo, o Kuyt voltou a acertar no poste aos 51’, mas o Gaitán respondeu na mesma moeda logo a seguir. Até que aos 71’, o árbitro equivocou-se e assinalou mal um canto. O Melgarejo ficou a falar com o Artur, desconcentrou-se, o Garay não conseguiu chegar à bola, o que a fez tocar na cabeça do Melgarejo e assistir o Korkmaz, que cabeceou para o poste, mas a bola ressaltou já para dentro da baliza. Foi uma maneira um pouco inglória de sofrer um golo, mas não se pode dizer que o resultado estivesse a ser injusto. Até final, uma boa iniciativa do André Gomes foi interceptada no último momento e um passe o Cardozo a isolar o recém entrado Rodrigo não chegou ao destino por um triz.

Em termos individuais, gostei bastante do Matic, que ainda por cima teve que superar a falta do Enzo Pérez, e do Jardel, que substituiu muito bem o Luisão na defesa. O Artur também esteve bem quando foi chamado a intervir e o Maxi Pereira fez uma exibição bastante regular. O Salvio começou muitíssimo bem, mas depois foi perdendo gás. Quanto ao Ola John, não só não fez um jogo conseguido, como pode agradecer à idiotice de ter tirado a camisola no golo que marcou ao Leverkusen o facto de ir falhar a 2ª mão de uma meia-final europeia… Cartões perfeitamente escusados dá nisto! O Rodrigo entrou pessimamente e não fez uma única coisa de jeito nos 25’ que esteve em campo. Aliás, por duas ou três vezes, perdemos boas jogada atacantes, porque ou centrava mal ou passava com força demais…

Não vai ser fácil darmos a volta a isto, até porque a equipa começa a exibir sinais de cansaço. Acho que o sucesso da eliminatória dependerá muito do que acontecer no Marítimo na 2ª feira. Esse é que é mesmo o jogo que temos de ganhar, porque, se assim acontecer, só muito dificilmente não seremos campeões. E está toda a gente ciente disso, incluindo os adversários. Se ganharmos, iremos com uma boa moral para a recepção aos turcos, que não vão jogar com três habituais titulares (os dois do meio-campo e o ponta-de-lança), o que poderá ser muito benéfico para nós. Na nossa melhor forma, somos superiores a eles, resta saber se a conseguiremos atingir…

sexta-feira, abril 12, 2013

Duas em três anos

Empatámos em Newcastle (1-1) e, pela 13 ª vez no nosso historial (considerando a vez em que ficámos em 2º na fase de grupos da época de estreia da Champions em 91/92, cujo vencedor – Barcelona – teve acesso à final), chegamos às meias-finais de uma competição europeia. Foi uma partida bastante complicada, especialmente a partir do momento em que, denotando um espírito natalício muito fora de época, resolvemos oferecer um golo ao adversário aos 71’. Aguentámos a pressão dos ingleses e conseguimos fugir à derrota já nos descontos.

Entrámos bastante bem, personalizados e, aos 4’, poderíamos ter resolvido a eliminatória, quando o Tim Krul defendeu um calcanhar do Lima e um cruzamento-remate do Melgarejo… A 1ª parte foi toda nossa, tivemos boas oportunidades com destaque para uma do Gaitán que, sem o guarda-redes na baliza, viu um defesa cortar o seu remate. Poderíamos, e deveríamos, ter resolvido tudo antes do intervalo, até porque o Newcastle não mostrou nada na 1ª parte e só teve um golo anulado (e bem) por fora-de-jogo perto do intervalo.

Com as substituições e colocação de mais avançados, os ingleses foram bastante mais perigosos na 2ª parte, porque começaram a bombear bolas para a nossa área. O Lima teve um remate muito por cima, quando estava em boa posição, mas vimos outro golo bem (bem) anulado contra nós por fora-de-jogo descarado. A 20’ do fim, o cérebro do Matic parou e proporcionou a jogada do golo adversário marcado pelo inevitável Papiss Cissé. Foi um erro infantil do género “vou eu à bola ou vais tu, Garay?” e colocou-nos perante os 20’ mais complicados da época até agora. Não que o Newcastle tivesse tido grande ocasiões para marcar (excepção talvez a um remate do Ben Arfa muito por cima, quando estava já dentro da área), mas porque com a ajuda das bolas aéreas e de um público fantástico nos empurrou para o nosso meio-campo. O Jesus lançou logo a seguir o Cardozo e pouco depois o Rodrigo, e o objectivo era claro: tentar marcar um golo. Confesso que naquela altura pensei que a entrada do Maxi Pereira fizesse mais sentido, até porque o André Almeida já tinha visto um amarelo, mas estas duas substituições foram de mestre, porque não permitiram que a equipa fica barricada no seu meio-campo. Depois de um excelente passe do Cardozo para a entrada da área que o Salvio não dominou bem, quando poderia ter rematado à vontade, e de outro falhanço do Gaitán só com o guarda-redes pela frente, o Tacuara desmarcou genialmente o Rodrigo na esquerda, este centrou rasteiro, ligeiramente atrasado, e o Salvio surgiu que nem um relâmpago para fazer a igualdade aos 92’! Foi o delírio, porque não só selava o apuramento, como nos salvava de uma (sempre triste) derrota.

Em termos individuais, gostei muito dos laterais (A. Almeida e Melgarejo), que estiveram quase irrepreensíveis a defender, do Salvio, claro, pelo golo importantíssimo e do Enzo Pérez, a locomotiva do meio-campo (infelizmente, vai falhar a 1ª mão das meias-finais, por causa dos amarelos; aliás, este árbitro croata, Sr. Ivan Bebek, saiu-nos também uma boa peça…). A entrada do Cardozo foi fundamental na viragem do resultado e o Artur também esteve seguro q.b. Os centrais passaram um mau bocado por causa da qualidade do Cissé, mas na hora do aperto cortaram bolas importantes.

Não tenhamos dúvidas que, se a conquista do campeonato é essencial para ajudar a derrotar o cancro do futebol português (que só vencido será com dois ou três títulos seguidos da nossa parte), é a performance nas competições da Uefa que nos dá o estatuto que temos de ser um grande clube europeu. Por isso, esta segunda meia-final em três épocas, com dois quartos pelo meio, restitui-nos de algum modo esse prestígio que estava em baixo. Repito: temos 13 meias-finais, quando os restantes clubes portugueses têm em conjunto 12! Mas, claro, que quero mais e Amesterdão está já ali ao virar da esquina…! Há 23 anos que não provamos o sabor de chegar a uma final europeia...

P.S. – As hipóteses para o sorteio eram Chelsea, Fenerbahçe e Basileia. Calharam-nos os turcos, que é provavelmente o meio-termo entre o que eu queria (Basileia) e o mais teoricamente forte (Chelsea). De positivo, o facto de jogarmos a 2ª mão em casa, mas vão ser dois jogos muito intensos, ainda por cima com o jogo fundamental no Marítimo no meio deles. Também é bom para os anti-Benfica, porque vão poder torcer pelo porco do Meireles. Se conseguirmos não sofrer golos na Turquia, acho que temos tudo a nosso favor.

sexta-feira, abril 05, 2013

Intenso

Num grande jogo de futebol, colocámo-nos em vantagem na 1ª mão dos quartos-de-final da Liga Europa ao ganhar 3-1 ao Newcastle. Foi uma vitória com mérito, com a mais-valia de termos dado a volta ao jogo e também, há que dizê-lo, com uma dose generosa de sorte, porque vimos duas bolas a baterem no nosso poste.

À semelhança dos jogos caseiros frente ao Leverkusen e Bordéus, entrámos às aranhas e durante os primeiros 23’ o jogo foi do adversário, que teve mais eficácia que os alemães e os franceses e chegou ao golo logo aos 11’ pelo Papiss Cissé. Foi com a primeira bola ao poste, ainda desviada pelo Artur, ao tal minuto 23, que o jogo virou. Marcámos logo a seguir (25’) numa recarga do Rodrigo a um tiraço do Cardozo. Até ao intervalo, o guarda-redes holandês Tim Krul impediu-nos de passarmos para a frente com duas ou três óptimas defesas.

A 2ª parte começou praticamente com a segunda bola ao poste, num lance em que o Luisão não conseguiu colocar o Cissé fora-de-jogo e este ficou isolado perante o Artur. O Cardozo teve um falhanço incrível aos 57’ e pouco depois (62’) o Jesus mandou entrar o Lima e o Enzo Pérez para os lugares do Rodrigo e do André Gomes. Logo a seguir, aos 65’, o Lima aproveitou magistralmente um mau atraso do Santon e, depois de ultrapassar o guarda-redes, fez o 2-1 de ângulo já muito apertado. Foi a loucura no estádio! Continuámos a carregar e, três minutos depois, o árbitro assinalou um penalty descarado por braço na bola dentro da área na sequência de um canto. O Cardozo marcou em força para o centro da baliza à primeira, mas o Sr. Antony Gautier mandou repetir porque estavam muito jogadores na área! Mais tensão, mas o paraguaio não tremeu e colocou em jeito para o lado esquerdo a meia altura. Até final, o Jesus, e bem, fez entrar o Maxi para dar mais consistência defensiva e ainda podíamos ter feito mais um num remate do Gaitán, que saiu frouxo.

A equipa esteve muito homogénea e, mais uma vez, excelente a responder a uma situação de desvantagem. Gostei do Gaitán e do Rodrigo (até que enfim, este!). Moelhorámos com as entradas dos habituais titulares, no entanto não acho que o André Gomes tenha estado mal. Mas claro que não é o Enzo Pérez… O Ola John, a jogar na direita, não é tão desequilibrante como na esquerda e o Cardozo, apesar do falhanço incrível, com o golo de penalty atingiu os 18 na Liga Europa e é o melhor marcador da prova ao serviço de um só clube. Para além de ter agora 30 golos na Europa e ser o segundo melhor do Benfica só atrás do… Eusébio. Coisa pouca de quem é “lento” e não “corre”…

Vamos ao St. James Park com uma vantagem importante para gerir e estou convencido que, se marcarmos primeiro, a eliminatória fica decidida. Saibamos nós manter a concentração depois no resto da partida. Já agora, queria só pedir à Uefa para ver se para a próxima não nos manda um familiar do Sr. Pedro Proença para arbitrar os nossos jogos. Que miserável! Qual é a percentagem de penalties em que a área não é invadida antes?! Se os jogadores que o fazem não tiverem intervenção no seguimento do lance, o que só acontece naturalmente quando o penalty é falhado, qual é o problema?! Desconcentra o guarda-redes, é?! Aquela repetição diz tudo acerca do que este senhor veio cá fazer! Nem é preciso falar do agarrão de camisola do Cardozo na primeira parte, da conivência com o guarda-redes a perder tempo até aos 65’ ou da não-amostragem de cartões aos dois jogadores do Newcastle que já estavam tapados, quando os nossos, em lances semelhantes, foram amarelados…

P.S. – Como alguém escreveu por aí: o inenarrável do Relvas FINALMENTE demite-se e o Benfica ganha. Há dias felizes!

P.P.S. - Segundo ouvi na rádio, durante o tempo de espera no estádio dos adeptos do Newcastle depois do final do jogo, o Benfica passou nos ecrãs electrónicos imagens de uma vitória deles 4-0 frente ao Sunderland (grande rival) e também do Bobby Robson. Grande atitude! É também disto que se faz a nossa Grandeza!

sexta-feira, março 15, 2013

Oscar Tacuara Cardozo

Vencemos em Bordéus por 3-2 e estamos pelo quarto ano consecutivo nos quartos-de-final de uma competição europeia. Já li por aí que é a primeira vez que tal feito é atingido por uma equipa portuguesa, o que a ser verdade constitui mais uma brilhante página no nosso palmarés. A nossa superioridade já tinha ficado evidente no encontro da 1ª mão e confirmou-se plenamente neste 2º jogo, até porque o Jesus, sem os dois centrais titulares, resolveu (e bem) não fazer mais poupanças e, tirando os pontas-de-lança, jogou com a artilharia pesada.

Com Luisão e Garay lesionados, jogámos com Jardel e Roderick (pronto, o Jesus deve ter alguma coisa contra o Miguel Vítor, o que é que se há-de fazer…?) e por isso mesmo estava um pouco apreensivo (“um pouco”, não, bastante!). Como já tinha escrito aquando da partida na Luz, seria muito mau para a nossa história se fôssemos eliminados por uma equipa que nos é claramente inferior, mas a verdade é que o Bordéus mostrou ontem bem mais do que tinha feito em Lisboa. No entanto, aos 30’ demos uma grande machadada nas aspirações dos franceses, ao fazer o 0-1 num canto do Ola John e saída em falso do Carrasso, que permitiu ao Jardel cabecear para a baliza deserta. Até ao intervalo, o Artur lá fez uma ou outra defesa que nos permitiu sair para o descanso com a importante vantagem.

Na 2ª parte, o Bordéus entrou muito forte e nós praticamente não passámos do meio-campo nos primeiros 10’. Depois soubemos acalmar o jogo e nunca deixar de tentar criar perigo. Aos 66’, o Jesus decidiu tirar o inoperante Rodrigo e colocar o Cardozo. “Para ajudar a defender nas bolas paradas”, pensei eu na minha ingenuidade futebolística, até porque o Roderick a saltar à bola… valha-me Eusébio! O Artur continuava a conservar a nossa baliza intacta, mas não pôde fazer nada aos 74’ quando numa bola bombeada para a frente, o Jardel se preocupou mais com o avançado do que com o esférico, o que fez com que este batesse nas suas costas assistindo o Diabaté para o empate. Estávamos com dois golos de vantagem, mas, pessimista como sou, não estava muito confortável para os quinze minutos finais, porque se sofrêssemos mais um ficaríamos com a corda na garganta. Só que, grande falha minha(!), não me lembrei que o Tacuara estava em campo! Logo no minuto seguinte, uma boa combinação atacante e uma óptima assistência do Gaitán colocaram o paraguaio em boa posição, este sentou o defesa e o guarda-redes ao puxar a bola para o pé esquerdo, e atirou rasteiro para o lado direito da baliza. Um golão!

Como um jogo do Benfica é (quase) sempre stressante para mim, agora, que a eliminatória estava decidida, o meu objectivo era que ganhássemos o jogo, por todos os motivos e mais algum (pontos para o ranking, o Bordéus não perdia jogos europeus em casa desde 1 de Outubro de 2008, motivação extra para Guimarães, etc.). Esse desejo parecia não se concretizar quando o Jardel, na sequência de um canto e uma magnífica defesa do Artur, marcou o segundo autogolo europeu do ano ao tentar aliviar a bola. Estava a começar a crescer a minha fúria quando o Cardozo entrou novamente em acção e, aproveitando a falha de um defesa numa bola bombeada para a frente, fintou-o e subtilmente, com imensa classe, desviou a bola do guarda-redes. Foi o delírio!

Em termos individuais, ÓBVIO destaque para aquele que “não corre”, “não luta”, não se esforça”, mas que agora olha para cima e só vê o Eusébio à sua frente como melhor marcador do Glorioso na Europa! Ouviram bem?! De TODOS os jogadores que passaram pelo Benfica, só o Eusébio tem mais golos europeus que o Cardozo! Grande jogo igualmente do Gaitán, que sabe bem quando tem a atenção da Europa do futebol… Referência igualmente para o Artur, claro, que felizmente parece que já ultrapassou a sua fase Roberto do início de 2013. Também gostei do André Almeida, que se constitui uma alternativa muito válida para o descanso do Maxi Pereira. O Ola John deu um arzinho da sua graça e a dupla de meio-campo (Matic e Enzo Pérez) esteve muito consistente, embora menos exuberante que em jogos passados.

As 10.000 pessoas(!) que foram apoiar o Benfica num estádio no estrangeiro mais que mereciam esta vitória! Se é verdade que somos o maior clube português pelos campeonatos que vencemos, é bom que não esqueçamos que somos respeitados no mundo pelas conquistas na Europa. Por isso mesmo, é urgente que voltemos o quanto antes a uma final europeia! Como na Champions isso é muito difícil (duvido que alguma vez na vida tenhamos a sorte de clubes assumidamente corruptos de defrontar um Corunha numas meias-finais e um Mónaco numa final, o que constituiu, para mim, a prova mais insofismável da inexistência de Deus), esta época temos uma excelente oportunidade para isso na Liga Europa (e nenhum de nós ainda digeriu a eliminação nas meias-finais de há dois anos frente ao… Braga!).

P.S. – Basileia, Fenerbahçe, Rubin Kazan, Newcastle, Lazio, Tottenham e Chelsea são os nossos possíveis adversários. Se pudesse escolher, seria claramente o Basileia e, se entre os três últimos, dois deles se defrontassem seria perfeito! De qualquer modo, contra qualquer das quatro primeiras equipas, acho que somos favoritos. Vamos lá, Benfica, Amesterdão começa a desenhar-se no horizonte…!

sexta-feira, março 08, 2013

Letargia

Vencemos o Bordéus por 1-0 na 1ª mão dos oitavos-de-final da Liga Europa. Ganhar sem sofrer golos é o mais importante numa 1ª mão de uma competição europeia, mas o resultado é mesmo a única coisa positiva deste jogo. A nossa exibição foi paupérrima e perdemos uma hipótese de ouro de ir a França com a eliminatória completamente resolvida.

O facto de faltarem cinco titulares (Matic castigado, Maxi Pereira, Salvio, Enzo Pérez e Lima no banco) e termos alinhado durante 90’ com 10 (Roderick a trinco) são duas boas explicações, mas perante a inoperância do adversário tínhamos obrigação de fazer (muito) melhor. Mesmo com a equipa secundária que apresentámos. Não se percebe porque é que não colocámos mais vezes um bocadinho mais de velocidade quando partimos para o ataque, quando ficou à vista de todos que o Bordéus quebrava sempre que isso acontecia. Fizemos o único golo aos 21’ num grande remate de fora da área do Rodrigo, que a UEFA inacreditavelmente atribuiu ao guarda-redes, Carrasso, porque a bola bateu na barra e nas mãos dele antes de entrar. Se já não estávamos a jogar grande coisa antes do golo, a partir daqui ainda baixámos mais o ritmo tentado controlar melhor o jogo, mas já se sabe que o Benfica não está fadado para isso.

A 2ª parte iniciou-se com um bom remate do Cardozo que o guarda-redes defendeu e depois houve uma jogada do Melgarejo pela esquerda que centrou mal, quando se calhar deveria ter tentado o remate à baliza. E pronto, quanto a perigo da nossa parte estamos conversados. Verdade seja dita que o Bordéus ia piorando à medida que o relógio avançava, mas lá está, tal como em Aveiro, num canto no último minuto um dos centrais falhou por um triz um cabeceamento, quando estava na pequena-área.

Em termos individuais, o Artur (duas ou três defesas importantes) e a defesa toda (André Almeida, Luisão, Garay e Melgarejo) foram os melhores, ou os menos maus, do Benfica. Tudo o resto foi muito medíocre e mesmo quando entraram os titulares (Pérez, Salvio e Lima) não conseguimos aumentar o ritmo. Até o Jesus esteve mal na reordenação da equipa nas substituições, porque depois das entradas dos dois primeiros, ficámos a jogar com o Gaitán atrás do ponta-de-lança (Rodrigo) e as coisas melhoraram durante 10’, mas com a entrada do Lima voltámos a jogar com dois pontas-de-lança e tudo piorou outra vez.

Mesmo em termos de gestão da equipa e perante o que o adversário (não) mostrou (o Jesus bem pode enganar-se a si próprio se considera mesmo que o Bordéus é uma boa equipa), não se percebe como é que nós não quisemos ir para França com tudo resolvido, especialmente levando em consideração que vamos a Guimarães três dias depois. Será uma vergonha para a nossa história se formos eliminados por estes tipos. O público não ficou nada satisfeito com a exibição da equipa e houve uma monumental assobiadela no final. Os jogadores amuaram e não vieram agradecer. Eu, por princípio, nunca assobio nenhum jogador do Benfica. Mas, se não podemos deixar de achar estranho que se assobie a equipa depois de uma vitória por 1-0 numa competição europeia, a verdade é que esta exibição (somada à de Aveiro e à de Braga para a Taça da Liga) confirma uma tendência negativa que se está a tornar recorrente. Espero que este abaixamento de ritmo seja propositado com vista a aguentarmos fisicamente as competições até final. Caso contrário, teremos um grande problema.

P.S. – Mais um jogo europeu em casa, mais um petardo a fazer-se ouvir na zona do costume. Custa-me a entender como é que não se faz nada quanto a isto. Tanto por parte dos responsáveis do Benfica (há câmaras de segurança, não há? Os alemães não tiveram problemas nenhuns em identificar os prevaricadores em Leverkusen…), como por parte das próprias pessoas que se sentam naquela bancada. Quanto tivermos um jogo europeu à porta fechada (que deve estar para breve), pode ser que fiquem satisfeitos.

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

Sorte e mérito

Voltámos a vencer o Bayer Leverkusen (2-1) e qualificámo-nos para os oitavos-de-final da Liga Europa. Foi outra partida extremamente complicada, em que se pode dizer que tivemos sorte nalguns lances, mas em que na 2ª parte justificámos a qualificação.

O Jorge Jesus tinha dito na véspera do jogo que a equipa (referindo-se a nós e ao CRAC) que fosse eliminada em primeiro lugar das competições europeias tinha mais hipóteses de ganhar o campeonato. Aí está um belo exemplo do que é verdade, mas não se deve dizer publicamente. Durante a 1ª parte, os jogadores seguiram à risca esta máxima e fizemos de tudo para sermos eliminados: jogámos (ou melhor, não jogámos) parados e vimos duas bolas a bater nos nossos postes. Oportunidades nossas só um cabeceamento do Gaitán. Paupérrimo.

A 2ª parte começou da mesma maneira e a bola até entrou na nossa baliza, mas felizmente o fiscal-de-linha viu o fora-de-jogo milimétrico do Kießling. Aos 53’, o Jesus lá decidiu que devíamos jogar com 11 e tirou o Carlos Martins para colocar o Salvio. Foi logo outra coisa e inaugurámos o marcador aos 60’ num lance individual fabuloso do Ola John pela esquerda, culminado com um remate em arco. Ainda faltava meia-hora e o Leverkusen não desistia: entrou em cena o Artur com duas defesas fantásticas que evitaram o empate. O Salvio falhou um cabeceamento muito fácil depois de outro lance bestial do Ola John e na jogada seguinte sofremos o 1-1 pelo Schürrle, numa jogada em que a nossa defesa não foi lesta a aliviar a bola. Estávamos no minuto 75’ e adivinhava-se um sofrimento terrível durante o quarto-de-hora final. Felizmente, dois minutos depois, um alívio do Artur isolou o Lima na direita, que centrou para o Matic acabar com a eliminatória. Até final, ainda poderíamos ter marcado mais um golo, mas outro cabeceamento do Salvio esbarrou num defesa, quando o guarda-redes já não estava na baliza.

Em termos individuais, óbvio destaque para o Ola John, que abriu o livro na meia-hora final depois de 60’ muito apagados. O Enzo Pérez também se fartou de correr e o André Almeida terá feito dos melhores jogos pelo Benfica. O Matic foi igualmente essencial para a vitória, mas levou um amarelo razão pela qual não vai jogar na primeira-mão dos oitavos. Uma palavra igualmente para o Artur, que se fartou de defender. Menos bem esteve o Melgarejo e, principalmente, o Carlos Martins, que se arrastou em campo.

Iremos defrontar o Bordéus na próxima eliminatória. Só a questão física nos poderá condicionar, já que julgo que temos melhor equipa que eles. Eu sei que o campeonato é a prioridade, mas já agora tinha piada chegarmos aos quartos-de-final.

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Personalidade

Grande vitória em Leverkusen (1-0) deixa-nos em boa posição para atingir os oitavos-de-final da Liga Europa. No terreno do 3º classificado da Bundesliga, que este ano já foi ganhar ao Bayern em Munique, demonstrámos uma maturidade assinalável, ainda para mais porque o Jesus fez algumas poupanças e alinharam jogadores que não são habituais titulares.

Com Salvio, Maxi Pereira, Lima e Enzo Pérez no banco, e substituídos por Urreta, André Almeida, André Gomes e Ola John, entrámos em campo a saber muito bem o que queríamos. Isso passou por uma grande consistência defensiva, com um enorme Matic na 1ª parte, que praticamente não deixou o Leverkusen criar lances de perigo. Em relação ao ataque, poderíamos ter sido mais incisivos, já que houve lances em que os passes não saíram de feição, o que nos impediu de criar também grandes situações de golo. Mesmo assim, uma boa abertura do André Gomes permitiu ao Urreta rematar em arco, mas com defesa segura do guarda-redes. Perto do intervalo, tivemos o contra da lesão do André Gomes, o que obrigou o Jesus a meter o Enzo Pérez mais cedo do que quereria.

Na 2ª parte, vieram as oportunidades. Há que dizer que, para além de uma boa ajuda defensiva e de algumas intervenções do Artur, tivemos sorte em ter saído de Leverkusen a zeros. O Bayer criou perigo logo no minuto inicial, fruto da única desatenção do André Almeida, que deixou um adversário desviar muito perto da pequena área. O Jesus lá se decidiu que tínhamos mesmo que marcar e colocou o Salvio no lugar do Urreta aos 57’. Quatro minutos depois, fizemos o único golo da partida, fruto de um contra-ataque onde intervieram Cardozo, Gaitán, Salvio e André Almeida, que cruzou para o Cardozo fazer um golão, num toque cheio de classe depois de uma simulação sobre um defesa, picando a bola por cima do guarda-redes. Depois disto, o Bayer foi mais pressionante, mas o Artur defendeu alguns remates (porém ainda não revelando, numa ou outra bola defendida para a frente, a confiança que costumava ter) e toda a linha defensiva esteve irrepreensível. Há que dizer igualmente que poderíamos ter matado a eliminatória, pois o Ola John por duas vezes poderia ter feito golo e ainda houve um remate de primeira do Salvio que merecia melhor sorte. No último minuto, foi o Melgarejo a segurar a vitória numa corte de cabeça em cima da linha, quando a bola se preparava para entrar na baliza.

Em termos individuais, destaco outra vez o Matic, nomeadamente na 1ª parte, o Melgarejo, que regressou em grande e foi praticamente intransponível, para além de nos ter garantido a vitória no fim, e os centrais (Luisão e Garay). Exibição também bastante boa do André Almeida e toques de classe do Gaitán e Ola John, se bem que o argentino devesse ter a preocupação de nem sempre tentar fazer o mais difícil. O Enzo Pérez entrou muito bem em jogo, assim como o Salvio. Quando ao Cardozo, o jogo estava a passar-lhe ao lado, quando resolveu fazer uma obra-prima e dar-nos a vitória. Enfim, o costume: “não joga nada, só sabe marcar golos”.

É bom que estejamos (nós, adeptos, porque a equipa parece que está) conscientes que a eliminatória, apesar de muito bem encaminhada, está muito longe de estar decidida. Se os alemães marcarem primeiro cá, ficamos numa posição potencialmente complicada, porque correndo o risco de sofrer mais um golo e precisaríamos de marcar três. Eu sei que a prioridade é o campeonato, mas já agora poderíamos tentar ir longe na Europa, porque conseguir vitórias no campo de 3º classificado do campeonato alemão é óptimo para o nosso prestígio e para a nossa moral.

P.S. – Magnífico apoio nas bancadas com os cânticos ao Glorioso a abafarem por várias vezes as vozes alemães. De negativo (e bastante), o facto de se terem ouvido rebentamentos de petardos. A realização alemã mostrou os nossos adeptos depois de um deles, levando a crer que terão sido na nossa bancada. Se assim for, parece que há mesmo gente estúpida que quer ver o nosso estádio interditado. Depois dos avisos da Uefa por causa dos jogos da Champions em casa neste ano, custa-me a acreditar que haja assim pessoas tão acéfalas… [Adenda:] Parece que há mesmo.