(Aviso
prévio: este é um testamento ainda
maior do que é habitual. Escrito com o coração, depois de 2,5h de sono e com os olhos marejados a 10.000 m de altitude.)
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quinta-feira, maio 16, 2013
INCOMENSURÁVEL ORGULHO!
(Aviso
prévio: este é um testamento ainda
maior do que é habitual. Escrito com o coração, depois de 2,5h de sono e com os olhos marejados a 10.000 m de altitude.)
Perdemos
com o Chelsea (1-2) na final da Liga Europa. Segundo alguém me disse, temos o
indesejável recorde de sermos a equipa com mais finais europeias perdidas
(sete). MAS (e as maiúsculas não são gralha) é uma terrível crueldade que seja
apenas o resultado que fique para a História. Porque a história do que se
passou no campo é completamente diferente: fomos melhores durante toda a
partida, mostrámos mais vontade de ganhar e MERECÍAMOS ter ganho. Toda a gente
reconhece isso. Desde o próprio Ramires, como amigos meus estrangeiros que me
enviaram inesperadamente mensagens no final do jogo. Quem for honesto
intelectualmente não pode deixar de o pensar (o que exclui imediatamente 95% de
adeptos de um certo clube…). MERECÍAMOS ter ganho, estava eu a dizer, tanto os
jogadores como os adeptos que, nas ruas de Amesterdão e nas bancadas do Amsterdam
ArenA, deram uma demonstração inesquecível de benfiquismo e do que é AMAR um
clube.
Se nós
partimos para esta final na ressaca de uma derrota no antro com requintes de
malvadez, o que dizer de, apenas quatro dias depois, perdermos novamente aos
92’?! Depois de uma 1ª parte completamente dominada por nós (somente com o
aspecto negativo de revelarmos muita parcimónia na altura de rematar à baliza),
o Chelsea adianta-se no marcador pelo Torres aos 60’, mas nós conseguimos
igualar através de um penalty do grande Cardozo aos 68’. Aos 92’, quando eu
vejo a bola em balão em câmara lenta na minha cabeça cabeceada pelo Ivanovic
fazer um arco para dentro da nossa baliza, tive a mesma reacção que se tem ao
ver um acontecimento inacreditável: fiquei estático, anestesiado, letárgico e
sem querer acreditar no que estava a ver! A sério, não é possível!!! Ainda
agora, 12 horas depois, custa-me a acreditar no que se passou: em somente
quatro dias, nós perdemos uma final europeia e (muitíssimo provavelmente) o
campeonato, de um modo mais do que injusto, através de golos no período de
desconto! Nem nos nossos piores pesadelos, pensámos que isto fosse possível,
muito menos em apenas quatro dias! Não me cansarei de repetir: QUATRO DIAS!!! (Por
contraponto, haverá certamente muita gente vil, rasteira, baixa, reles, cuja
inútil existência se alimenta somente do ódio a terceiros e que, no fundo, é um
desperdício de matéria orgânica que nunca na vida terá tido um orgasmo tão
bom.) Ninguém merece! NINGUÉM MERECE!!! Muito menos os bravos que estiveram em
campo e os enormes bravos na bancada. A reacção dos adeptos do Benfica no final
do jogo foi dos momentos em que mais orgulho tive de pertencer a esta família.
Revelou GRANDEZA! Que é muito diferente de ser grande. Há quem diga que o é (grande,
embora seja apenas regional), mas NUNCA na vida revelou Grandeza. E a sorte tem
bafejado esses, numa demonstração clara para mim da inexistência de Deus (ou
então, se Tu existes mesmo, podes ir para o raio que te parta, minha refinada besta!). E mesmo os (para aí) cinco adeptos desses clubes que se aproveitam, e não são ou
escumalha ou acriticamente acéfalos, não mereceriam uma coisa destas. Quanto
mais nós…!
Não tenho
vergonha nenhuma de dizer que chorei no final do jogo. Não foram umas lagrimazitas,
chorei mesmo. Não chorava com uma derrota do Benfica desde que os lagartos vieram ganhar à Luz na penúltima
jornada da época 1985/86 oferecendo o
campeonato ao CRAC. Tinha 10 anos. Mas ontem foi impossível conter-me por
variadíssimas razões:
- Chorei de
raiva por causa de duas injustiças seguidas do tamanho do mundo.
- Chorei,
porque até poderíamos ter jogado mal e merecido perder. Porque poderíamos ter
jogado assim-assim e o Chelsea ter sido mais eficaz. Mas não! Fomos melhores e
fomos derrotados novamente no período de compensação!
- Chorei,
porque depois de tudo o que fizemos esta época é inacreditável pensar que a
poderemos terminar sem nenhum troféu ganho. (Quero acreditar que não, que a
equipa vai dar a volta em termos psicológicos e derrotar o Guimarães na final
da Taça).
- Chorei,
por ter visto in loco o maravilhoso
povo benfiquista a chegar a Amesterdão aos magotes, de todas as formas e
feitios, para apoiar a equipa durante os 90’ como nunca me lembro de ter
acontecido (é que não só não deve ter havido um único momento de pausa, como eu
não me lembro de ter visto um jogo tantas vez de pé) e, não só a não ser
recompensado com a vitória, como voltar a perder da mesma maneira de Sábado…
(Já disse que ninguém merece isto?!)
- Chorei,
por ver que a reacção dos jogadores no relvado assim que o árbitro apitou era
igual à nossa.
- Chorei,
porque nem na porra do último lance do jogo, já depois do 1-2, tivemos sorte no
ressalto quando o Cardozo estava quase na cara do Cech.
- Chorei,
porque se aquela final Man. Utd – Bayern da Liga dos Campeões jamais
irá ser esquecida pelos adeptos do futebol, nós tivemos duas edições disso em
apenas 96 horas!
- Chorei,
porque sei que isto vai custar IMENSO a passar (nunca irá passar para mim…) e
porque, 12 horas depois, a escrever esta crónica no avião de regresso a Lisboa,
ainda tenho que fazer algumas pausas, porque o ecrã fica momentaneamente embaciado…
No entanto,
podem perguntar-me se, mesmo que soubesse previamente o resultado e a forma
como ele aconteceu, deixaria de fazer esta viagem? NUNCA na vida! Foi um
orgulho ter estado presente num evento que fez transbordar a minha alma de benfiquismo.
Para mim, o Benfica é isto! Onze jogadores em campo a dar esta vida e a outra
para tentar ganhar um jogo. Nas bancadas haver um apoio incansável e os adeptos,
apesar da derrota, tributarem a equipa do modo como o fizeram no final da
partida. Eu não sou do Benfica, porque temos ganho muito ao longo da nossa
história. Eu não quero ganhar sem olhar a meios (como outros…). A Grandeza de
um clube não se mede só por vitórias. Mede-se também, e muito, no modo como se
ganha e, sobretudo, como se perde. Ser magnânime é muito importante, porque
isso revela a nossa condição humana e ultrapassa a fronteira estritamente
desportiva (por exemplo, o facto de termos convidado para assistirem à final os
dirigentes das equipas que eliminámos nesta inesquecível caminhada foi algo que
me deixou tremendamente orgulhoso). O Benfica e os valores que o norteiam
tornam-me uma melhor pessoa. Não tenho dúvidas nenhumas acerca disso.
Neste longo
testamento, uma última palavra para os jogadores. Não vou destacar ninguém em
particular. Houve uns que jogaram melhor do que outros, o que é normal. Mas
estiveram TODOS à altura do acontecimento e todos honraram (e de que maneira!)
o manto sagrado. E eu nunca vos peço mais do que isso. MUITO OBRIGADO a todos
eles, na pessoa do grande capitão Luisão! É uma frase feita, da qual eu nem
gosto muito, mas que aqui se exige: vocês são uns campeões e nunca esquecerei o
quanto nos deram este ano! Pode não ser em títulos, mas em algo que, apesar de
não poder ser contabilizado, é muito mais importante para mim: o facto de terem
contribuído para o crescimento do (já ENORME) orgulho que eu tenho em ser
benfiquista!
VIVA O
BENFICA! Sempre.
P.S. – Este
obrigado aos jogadores é naturalmente extensível à equipa técnica e a todos os
dirigentes do Benfica que contribuíram para esta caminhada. E volto a repetir o
que já disse aqui: se, por algum motivo (e quer ganhemos ou não a Taça de Portugal), o Jesus não continuar no Benfica (apesar das palavras do presidente,
as declarações do próprio foram enigmáticas), será uma terrível perda para nós.
P.P.S. – Eu
sou um gajo democrático e, por norma, aprovo todos os comentários. Entre seis
milhões de adeptos, há espaço para muita gente. Mesmo para quem é idiota ou
cega. Depois daquela demonstração de querer, categoria e crença de ontem, quem vier
aqui dizer que estivemos mal, porque deveríamos ter feito isto ou aquilo, ou
que o Jesus errou seja porque colocou aquele e não outro, como por dever ter
optado pela táctica ‘x’ em vez da ‘y’, ou se insere na primeira categoria ou na
segunda. As simple as that. É
preferir olhar para um arbusto em vez de ser para a floresta inteira. Têm
direito a tempo de antena, mas não esperem resposta da minha parte. Tenho mais
que fazer e não quero ser batido em experiência…
sexta-feira, maio 03, 2013
Obrigado!
Vencemos o Fenerbahçe por 3-1 e pela nona vez na nossa história estamos
numa final europeia. É difícil descrever o que sinto neste momento, mas estar
perto de rebentar de felicidade é capaz de ser uma imagem aproximada. Há 23
anos que não estávamos num palco europeu onde se decidem troféus e há 51 que
não ganhamos nenhum. A primeira malapata está vencida, só falta a segunda…
Estava relativamente confiante para este jogo (apesar de nervoso como
tudo!), porque fiquei com a impressão desde o 1º encontro que éramos superiores
e porque os turcos jogavam bastante desfalcados. O facto de nós jogarmos na
máxima força só serviu para alimentar essa confiança. E não poderíamos ter tido
melhor início de partida, pois inaugurámos o marcador aos 9’ com um golão do
Gaitán, num toque subtil a cruzamento do Lima. Desde o início da partida que andávamos
a 200 à hora e o Fenerbahçe mal conseguia sair do seu meio-campo. O Matic e o
Enzo Pérez estavam imperiais a meio-campo e não deixavam passa nada. O pior foi
que não contámos com o Sr. Stéphane Lannoy e os seus fiscais-de-linha, que não
viram um fora-de-jogo escandaloso do Sow, de cuja jogada resultou o braço do
Garay na área e respectivo penalty. Desta vez, foi o Kuyt a marcar e fez o 1-1
aos 23’. Nos minutos a seguir ao golo, desconcentrámo-nos um pouco, mas pelo
que estávamos a jogar até um incorrigível pessimista como eu achava que
voltaríamos a marcar. O ideal era que fosse antes do intervalo e assim
aconteceu pelo Cardozo, num livre marcado de forma muito rápida, com o
paraguaio a rematar em jeito ainda de fora da área, batendo o guarda-redes aos
35’. Até ao intervalo, o Matic poderia ter marcado, mas o remate saiu ao lado.
A minha dúvida para a 2ª parte era se conseguíamos manter o ritmo infernal
da 1ª e isso não aconteceu, mas ao invés jogámos com mais cabecinha, embora
pressionando sempre os turcos. O Cardozo afinou a pontaria com um remate
potente ao lado, mas o merecido golo que valeu a passagem à final surgiu aos
66’ novamente pelo paraguaio, depois de um lançamento lateral do Salvio e de um
toque do Luisão que fez a bola ressaltar para o Tacuara. Foi a loucura completa no Inferno da Luz! O Fenerbahçe não
dava mostras de poder marcar-nos um golo através de uma jogada com princípio,
meio e fim, e só nas bolas bombeadas para área é que criou algumas
preocupações, mas sempre bem resolvidas por Luisão, Artur & Cia. O Lima
ainda teve uma boa oportunidade para fechar de vez a eliminatória, mas resolveu
rematar de ângulo apertado, em vez de assistir o Cardozo que estava melhor
colocado. Quando a partida terminou, o estádio explodiu de alegria.
Em termos individuais, destaque OBVIAMENTE para um dos melhores
pontas-de-lança que alguma vez pisou os relvados portugueses. Esqueçam! O homem
está lá para marcar golos e não só os faz em grandes industriais, como ainda
por cima também em jogos muito importantes. Grande Cardozo! Espero sinceramente
que nos dês o privilégio de acabar a carreira connosco. Destaco também o André
Almeida a defesa-esquerdo, que esteve irrepreensível e o genial Gaitán que
voltou a lançar magia. Já referi que o duo de meio-campo o encheu completamente
e igualmente uma referência para o Luisão, sempre importante nas bolas
bombeadas. Toda a equipa esteve a um nível altíssimo e foram inexcedíveis na
luta.
Quero agradecer, E MUITO, a todos os que tornaram possível este sonho de
voltar a uma final europeia: em 1º lugar, ao Jorge Jesus que não só conseguiu
pôr-nos a jogar à bola de uma maneira que não víamos há 30 anos, como inventa jogadores a uma velocidade
galopante (Enzo Pérez, Melgarejo e André Almeida, para não ir mais longe). Aos
jogadores, que têm sempre dado tudo em campo, mas especialmente hoje porque,
apenas três dias depois da importante vitória na Madeira, jogaram como se
estivessem de folga há uma semana. E finalmente a toda a estrutura dirigente do
Benfica que construiu esta equipa. Dia 15 de Maio lá estaremos a lutar pelo caneco com o Chelsea. Não temos a sorte
de outros de disputar finais europeias contra Mónacos e Celtics, mas também não
se pode ter tudo.
VIVA O BENFICA!!!
P.S. – O Sr. Stéphane Lannoy saiu-nos uma boa peça. Para além do fora-de-jogo não assinalado no penalty, houve
três lances duvidosos na área dos turcos em que nada assinalou e um agarrão
claro ao Cardozo à entrada da área que também não foi falta. Enfim, poderia bem
ser um Proença que não daríamos pela diferença…
sexta-feira, abril 26, 2013
Desvantagem
Perdemos (0-1) em Istambul e neste momento o Fenerbahçe está mais perto da
final de Amesterdão do que nós. Foi um jogo mal conseguido da nossa parte, em
que acabámos por ter muita sorte, já que os turcos atiraram três bolas aos
postes contra apenas uma nossa. E um hipotético 1-3 seria pior do que o 0-1.
Curiosamente, até entrámos bem na partida. Nos primeiros 10’ poderíamos ter
feito dois golos, caso o guarda-redes Volkan Demirel não tivesse feito bem a mancha ao Salvio e o Aimar soubesse rematar
à baliza. Já agora, a titularidade de El
Mago pode ser criticável, mas eu estive de acordo com ela, porque pensei
que fosse melhor ajuda para o André Gomes, já que a indisponibilidade do Enzo
Pérez iria ser muito sentida pela equipa. As coisas acabaram por não resultar
bem, mas não nos podemos esquecer do jogo no Marítimo na 2ª feira, razão pela
qual o Lima também ficou no banco. A partir dos 10’, o jogo foi completamente
dos turcos. O Sow cabeceou ao poste com o Artur batido aos 18’ e, perto do
intervalo, o Ola John fez penalty, viu um amarelo e vai ficar de fora da 2ª
mão. O poste voltou a ser providencial ao defender
o penalty do Cristian Baroni.
O Gaitán entrou logo de início na 2ª parte para o lugar do Aimar e pensei
que finalmente iríamos conseguir ligar melhor o jogo, e chegar mais vezes perto
da baliza. Puro engano. Foi o Fenerbahçe que continuou a criar mais perigo, o
Kuyt voltou a acertar no poste aos 51’, mas o Gaitán respondeu na mesma moeda
logo a seguir. Até que aos 71’, o árbitro equivocou-se e assinalou mal um
canto. O Melgarejo ficou a falar com o Artur, desconcentrou-se, o Garay não
conseguiu chegar à bola, o que a fez tocar na cabeça do Melgarejo e assistir o Korkmaz, que cabeceou para o
poste, mas a bola ressaltou já para dentro da baliza. Foi uma maneira um pouco
inglória de sofrer um golo, mas não se pode dizer que o resultado estivesse a
ser injusto. Até final, uma boa iniciativa do André Gomes foi interceptada no
último momento e um passe o Cardozo a isolar o recém entrado Rodrigo não chegou
ao destino por um triz.
Em termos individuais, gostei bastante do Matic, que ainda por cima teve
que superar a falta do Enzo Pérez, e do Jardel, que substituiu muito bem o
Luisão na defesa. O Artur também esteve bem quando foi chamado a intervir e o
Maxi Pereira fez uma exibição bastante regular. O Salvio começou muitíssimo
bem, mas depois foi perdendo gás. Quanto ao Ola John, não só não fez um jogo
conseguido, como pode agradecer à
idiotice de ter tirado a camisola no golo que marcou ao Leverkusen o facto de
ir falhar a 2ª mão de uma meia-final europeia… Cartões perfeitamente escusados
dá nisto! O Rodrigo entrou pessimamente e não fez uma única coisa de jeito nos
25’ que esteve em campo. Aliás, por duas ou três vezes, perdemos boas jogada
atacantes, porque ou centrava mal ou passava com força demais…
Não vai ser fácil darmos a volta a isto, até porque a equipa começa a
exibir sinais de cansaço. Acho que o sucesso da eliminatória dependerá muito do
que acontecer no Marítimo na 2ª feira. Esse é que é mesmo o jogo que temos de
ganhar, porque, se assim acontecer, só muito dificilmente não seremos campeões.
E está toda a gente ciente disso, incluindo os adversários. Se ganharmos,
iremos com uma boa moral para a recepção aos turcos, que não vão jogar com três
habituais titulares (os dois do meio-campo e o ponta-de-lança), o que poderá
ser muito benéfico para nós. Na nossa melhor forma, somos superiores a eles,
resta saber se a conseguiremos atingir…
sexta-feira, abril 12, 2013
Duas em três anos
Empatámos em Newcastle (1-1) e, pela 13 ª vez no nosso historial
(considerando a vez em que ficámos em 2º na fase de grupos da época de estreia
da Champions em 91/92, cujo vencedor
– Barcelona – teve acesso à final), chegamos às meias-finais de uma competição
europeia. Foi uma partida bastante complicada, especialmente a partir do
momento em que, denotando um espírito natalício muito fora de época, resolvemos
oferecer um golo ao adversário aos
71’. Aguentámos a pressão dos ingleses e conseguimos fugir à derrota já nos
descontos.
Entrámos bastante bem, personalizados e, aos 4’, poderíamos ter resolvido a
eliminatória, quando o Tim Krul defendeu um calcanhar do Lima e um
cruzamento-remate do Melgarejo… A 1ª parte foi toda nossa, tivemos boas
oportunidades com destaque para uma do Gaitán que, sem o guarda-redes na
baliza, viu um defesa cortar o seu remate. Poderíamos, e deveríamos, ter
resolvido tudo antes do intervalo, até porque o Newcastle não mostrou nada na
1ª parte e só teve um golo anulado (e bem) por fora-de-jogo perto do intervalo.
Com as substituições e colocação de mais avançados, os ingleses foram
bastante mais perigosos na 2ª parte, porque começaram a bombear bolas para a
nossa área. O Lima teve um remate muito por cima, quando estava em boa posição,
mas vimos outro golo bem (bem) anulado contra nós por fora-de-jogo descarado. A
20’ do fim, o cérebro do Matic parou e proporcionou a jogada do golo
adversário marcado pelo inevitável Papiss Cissé. Foi um erro infantil do género “vou eu à bola ou vais tu, Garay?” e
colocou-nos perante os 20’ mais complicados da época até agora. Não que o
Newcastle tivesse tido grande ocasiões para marcar (excepção talvez a um remate
do Ben Arfa muito por cima, quando estava já dentro da área), mas porque com a
ajuda das bolas aéreas e de um público fantástico nos empurrou para o nosso
meio-campo. O Jesus lançou logo a seguir o Cardozo e pouco depois o Rodrigo, e
o objectivo era claro: tentar marcar um golo. Confesso que naquela altura
pensei que a entrada do Maxi Pereira fizesse mais sentido, até porque o André
Almeida já tinha visto um amarelo, mas estas duas substituições foram de
mestre, porque não permitiram que a equipa fica barricada no seu meio-campo.
Depois de um excelente passe do Cardozo para a entrada da área que o Salvio não
dominou bem, quando poderia ter rematado à vontade, e de outro falhanço do
Gaitán só com o guarda-redes pela frente, o Tacuara
desmarcou genialmente o Rodrigo na esquerda, este centrou rasteiro, ligeiramente
atrasado, e o Salvio surgiu que nem um relâmpago para fazer a igualdade aos
92’! Foi o delírio, porque não só selava o apuramento, como nos salvava de uma (sempre
triste) derrota.
Em termos individuais, gostei muito dos laterais (A. Almeida e Melgarejo),
que estiveram quase irrepreensíveis a defender, do Salvio, claro, pelo golo
importantíssimo e do Enzo Pérez, a locomotiva do meio-campo (infelizmente, vai
falhar a 1ª mão das meias-finais, por causa dos amarelos; aliás, este árbitro
croata, Sr. Ivan Bebek, saiu-nos também uma boa peça…). A entrada do Cardozo foi fundamental na viragem do
resultado e o Artur também esteve seguro q.b. Os centrais passaram um mau
bocado por causa da qualidade do Cissé, mas na hora do aperto cortaram
bolas importantes.
Não tenhamos dúvidas que, se a conquista do campeonato é essencial para
ajudar a derrotar o cancro do futebol
português (que só vencido será com dois ou três títulos seguidos da nossa
parte), é a performance nas
competições da Uefa que nos dá o estatuto que temos de ser um grande clube
europeu. Por isso, esta segunda meia-final em três épocas, com dois quartos
pelo meio, restitui-nos de algum modo esse prestígio que estava em baixo.
Repito: temos 13 meias-finais, quando os restantes clubes portugueses têm em
conjunto 12! Mas, claro, que quero mais e Amesterdão está já ali ao virar da
esquina…! Há 23 anos que não provamos o sabor de chegar a uma final europeia...
P.S. – As hipóteses para o sorteio eram Chelsea, Fenerbahçe e Basileia.
Calharam-nos os turcos, que é provavelmente o meio-termo entre o que eu queria
(Basileia) e o mais teoricamente forte (Chelsea). De positivo, o facto de
jogarmos a 2ª mão em casa, mas vão ser dois jogos muito intensos, ainda por
cima com o jogo fundamental no Marítimo no meio deles. Também é bom para os anti-Benfica,
porque vão poder torcer pelo porco do Meireles. Se conseguirmos não sofrer
golos na Turquia, acho que temos tudo a nosso favor.
sexta-feira, abril 05, 2013
Intenso
Num grande jogo de futebol, colocámo-nos em vantagem na 1ª mão dos
quartos-de-final da Liga Europa ao ganhar 3-1 ao Newcastle. Foi uma vitória com
mérito, com a mais-valia de termos dado a volta ao jogo e também, há que
dizê-lo, com uma dose generosa de sorte, porque vimos duas bolas a baterem no
nosso poste.
À semelhança dos jogos caseiros frente ao Leverkusen e Bordéus, entrámos às aranhas e durante os primeiros 23’ o
jogo foi do adversário, que teve mais eficácia que os alemães e os franceses e
chegou ao golo logo aos 11’ pelo Papiss Cissé. Foi com a primeira bola ao
poste, ainda desviada pelo Artur, ao tal minuto 23, que o jogo virou. Marcámos
logo a seguir (25’) numa recarga do Rodrigo a um tiraço do Cardozo. Até ao
intervalo, o guarda-redes holandês Tim Krul impediu-nos de passarmos para a
frente com duas ou três óptimas defesas.
A 2ª parte começou praticamente com a segunda bola ao poste, num lance em
que o Luisão não conseguiu colocar o Cissé fora-de-jogo e este ficou isolado
perante o Artur. O Cardozo teve um falhanço incrível aos 57’ e pouco depois
(62’) o Jesus mandou entrar o Lima e o Enzo Pérez para os lugares do Rodrigo e
do André Gomes. Logo a seguir, aos 65’, o Lima aproveitou magistralmente um mau
atraso do Santon e, depois de ultrapassar o guarda-redes, fez o 2-1 de ângulo
já muito apertado. Foi a loucura no estádio! Continuámos a carregar e, três
minutos depois, o árbitro assinalou um penalty descarado por braço na bola
dentro da área na sequência de um canto. O Cardozo marcou em força para o
centro da baliza à primeira, mas o Sr. Antony Gautier mandou repetir porque
estavam muito jogadores na área! Mais tensão, mas o paraguaio não tremeu e
colocou em jeito para o lado esquerdo a meia altura. Até final, o Jesus, e bem,
fez entrar o Maxi para dar mais consistência defensiva e ainda podíamos ter
feito mais um num remate do Gaitán, que saiu frouxo.
A equipa esteve muito homogénea e, mais uma vez, excelente a responder a
uma situação de desvantagem. Gostei do Gaitán e do Rodrigo (até que enfim,
este!). Moelhorámos com as entradas dos habituais titulares, no entanto não
acho que o André Gomes tenha estado mal. Mas claro que não é o Enzo Pérez… O
Ola John, a jogar na direita, não é tão desequilibrante como na esquerda e o
Cardozo, apesar do falhanço incrível, com o golo de penalty atingiu os 18 na
Liga Europa e é o melhor marcador da prova ao serviço de um só clube. Para além
de ter agora 30 golos na Europa e ser o segundo melhor do Benfica só atrás do…
Eusébio. Coisa pouca de quem é “lento” e não “corre”…
Vamos ao St. James Park com uma vantagem importante para gerir e estou
convencido que, se marcarmos primeiro, a eliminatória fica decidida. Saibamos
nós manter a concentração depois no resto da partida. Já agora, queria só pedir
à Uefa para ver se para a próxima não nos manda um familiar do Sr. Pedro
Proença para arbitrar os nossos jogos. Que miserável! Qual é a percentagem de
penalties em que a área não é invadida antes?! Se os jogadores que o fazem não
tiverem intervenção no seguimento do lance, o que só acontece naturalmente
quando o penalty é falhado, qual é o problema?! Desconcentra o guarda-redes,
é?! Aquela repetição diz tudo acerca do que este senhor veio cá fazer! Nem é
preciso falar do agarrão de camisola do Cardozo na primeira parte, da
conivência com o guarda-redes a perder tempo até aos 65’ ou da não-amostragem
de cartões aos dois jogadores do Newcastle que já estavam tapados, quando os nossos, em lances semelhantes, foram amarelados…
P.S. – Como alguém escreveu por aí: o inenarrável do Relvas FINALMENTE
demite-se e o Benfica ganha. Há dias felizes!
P.P.S. - Segundo ouvi na rádio, durante o tempo de espera no estádio dos adeptos do Newcastle depois do final do jogo, o Benfica passou nos ecrãs electrónicos imagens de uma vitória deles 4-0 frente ao Sunderland (grande rival) e também do Bobby Robson. Grande atitude! É também disto que se faz a nossa Grandeza!
P.P.S. - Segundo ouvi na rádio, durante o tempo de espera no estádio dos adeptos do Newcastle depois do final do jogo, o Benfica passou nos ecrãs electrónicos imagens de uma vitória deles 4-0 frente ao Sunderland (grande rival) e também do Bobby Robson. Grande atitude! É também disto que se faz a nossa Grandeza!
sexta-feira, março 15, 2013
Oscar Tacuara Cardozo
Vencemos em Bordéus por 3-2 e estamos pelo quarto ano consecutivo nos
quartos-de-final de uma competição europeia. Já li por aí que é a primeira vez
que tal feito é atingido por uma equipa portuguesa, o que a ser verdade
constitui mais uma brilhante página no nosso palmarés. A nossa superioridade já
tinha ficado evidente no encontro da 1ª mão e confirmou-se plenamente neste 2º
jogo, até porque o Jesus, sem os dois centrais titulares, resolveu (e bem) não
fazer mais poupanças e, tirando os pontas-de-lança, jogou com a artilharia pesada.
Com Luisão e Garay lesionados, jogámos com Jardel e Roderick (pronto, o
Jesus deve ter alguma coisa contra o Miguel Vítor, o que é que se há-de
fazer…?) e por isso mesmo estava um pouco apreensivo (“um pouco”, não,
bastante!). Como já tinha escrito aquando da partida na Luz, seria muito mau
para a nossa história se fôssemos eliminados por uma equipa que nos é
claramente inferior, mas a verdade é que o Bordéus mostrou ontem bem mais do
que tinha feito em Lisboa. No entanto, aos 30’ demos uma grande machadada nas
aspirações dos franceses, ao fazer o 0-1 num canto do Ola John e saída em falso
do Carrasso, que permitiu ao Jardel cabecear para a baliza deserta. Até ao
intervalo, o Artur lá fez uma ou outra defesa que nos permitiu sair para o
descanso com a importante vantagem.
Na 2ª parte, o Bordéus entrou muito forte e nós praticamente não passámos
do meio-campo nos primeiros 10’. Depois soubemos acalmar o jogo e nunca deixar
de tentar criar perigo. Aos 66’, o Jesus decidiu tirar o inoperante Rodrigo e
colocar o Cardozo. “Para ajudar a defender nas bolas paradas”, pensei eu na
minha ingenuidade futebolística, até porque o Roderick a saltar à bola…
valha-me Eusébio! O Artur continuava a conservar a nossa baliza intacta, mas
não pôde fazer nada aos 74’ quando numa bola bombeada para a frente, o Jardel
se preocupou mais com o avançado do que com o esférico, o que fez com que este
batesse nas suas costas assistindo o Diabaté para o empate. Estávamos com
dois golos de vantagem, mas, pessimista como sou, não estava muito confortável
para os quinze minutos finais, porque se sofrêssemos mais um ficaríamos com a corda na garganta. Só que, grande falha
minha(!), não me lembrei que o Tacuara
estava em campo! Logo no minuto seguinte, uma boa combinação atacante e uma
óptima assistência do Gaitán colocaram o paraguaio em boa posição, este sentou
o defesa e o guarda-redes ao puxar a bola para o pé esquerdo, e atirou rasteiro
para o lado direito da baliza. Um golão!
Como um jogo do Benfica é (quase) sempre stressante para mim, agora, que a eliminatória estava decidida, o
meu objectivo era que ganhássemos o jogo, por todos os motivos e mais algum
(pontos para o ranking, o Bordéus não
perdia jogos europeus em casa desde 1 de Outubro de 2008, motivação extra para
Guimarães, etc.). Esse desejo parecia não se concretizar quando o Jardel, na
sequência de um canto e uma magnífica defesa do Artur, marcou o segundo
autogolo europeu do ano ao tentar aliviar a bola. Estava a começar a crescer a
minha fúria quando o Cardozo entrou novamente em acção e, aproveitando a falha
de um defesa numa bola bombeada para a frente, fintou-o e subtilmente, com
imensa classe, desviou a bola do guarda-redes. Foi o delírio!
Em termos individuais, ÓBVIO destaque para aquele que “não corre”, “não
luta”, não se esforça”, mas que agora olha para cima e só vê o Eusébio à sua
frente como melhor marcador do Glorioso na Europa! Ouviram bem?! De TODOS os
jogadores que passaram pelo Benfica, só o Eusébio tem mais golos europeus que o
Cardozo! Grande jogo igualmente do Gaitán, que sabe bem quando tem a atenção da
Europa do futebol… Referência igualmente para o Artur, claro, que felizmente
parece que já ultrapassou a sua fase Roberto do início de 2013. Também gostei
do André Almeida, que se constitui uma alternativa muito válida para o descanso
do Maxi Pereira. O Ola John deu um arzinho da sua graça e a dupla de meio-campo
(Matic e Enzo Pérez) esteve muito consistente, embora menos exuberante que em
jogos passados.
As 10.000 pessoas(!) que foram apoiar o Benfica num estádio no estrangeiro
mais que mereciam esta vitória! Se é verdade que somos o maior clube português
pelos campeonatos que vencemos, é bom que não esqueçamos que somos respeitados
no mundo pelas conquistas na Europa. Por isso mesmo, é urgente que voltemos o
quanto antes a uma final europeia! Como na Champions
isso é muito difícil (duvido que alguma vez na vida tenhamos a sorte de clubes
assumidamente corruptos de defrontar um Corunha numas meias-finais e um Mónaco
numa final, o que constituiu, para mim, a prova mais insofismável da
inexistência de Deus), esta época temos uma excelente oportunidade para isso na
Liga Europa (e nenhum de nós ainda digeriu a eliminação nas meias-finais de há
dois anos frente ao… Braga!).
P.S. – Basileia, Fenerbahçe, Rubin Kazan, Newcastle, Lazio, Tottenham e
Chelsea são os nossos possíveis adversários. Se pudesse escolher, seria
claramente o Basileia e, se entre os três últimos, dois deles se defrontassem
seria perfeito! De qualquer modo, contra qualquer das quatro primeiras equipas,
acho que somos favoritos. Vamos lá, Benfica, Amesterdão começa a desenhar-se no
horizonte…!
sexta-feira, março 08, 2013
Letargia
Vencemos o Bordéus por 1-0 na 1ª mão dos oitavos-de-final da Liga Europa. Ganhar
sem sofrer golos é o mais importante numa 1ª mão de uma competição europeia,
mas o resultado é mesmo a única coisa positiva deste jogo. A nossa exibição foi
paupérrima e perdemos uma hipótese de ouro de ir a França com a eliminatória
completamente resolvida.
O facto de faltarem cinco titulares (Matic castigado, Maxi Pereira, Salvio,
Enzo Pérez e Lima no banco) e termos alinhado durante 90’ com 10 (Roderick a
trinco) são duas boas explicações, mas perante a inoperância do adversário
tínhamos obrigação de fazer (muito) melhor. Mesmo com a equipa secundária que
apresentámos. Não se percebe porque é que não colocámos mais vezes um bocadinho
mais de velocidade quando partimos para o ataque, quando ficou à vista de todos
que o Bordéus quebrava sempre que isso acontecia. Fizemos o único golo aos 21’
num grande remate de fora da área do Rodrigo, que a UEFA inacreditavelmente
atribuiu ao guarda-redes, Carrasso, porque a bola bateu na barra e nas mãos
dele antes de entrar. Se já não estávamos a jogar grande coisa antes do golo, a
partir daqui ainda baixámos mais o ritmo tentado controlar melhor o jogo, mas
já se sabe que o Benfica não está fadado para isso.
A 2ª parte iniciou-se com um bom remate do Cardozo que o guarda-redes
defendeu e depois houve uma jogada do Melgarejo pela esquerda que centrou mal,
quando se calhar deveria ter tentado o remate à baliza. E pronto, quanto a
perigo da nossa parte estamos conversados. Verdade seja dita que o Bordéus ia
piorando à medida que o relógio avançava, mas lá está, tal como em Aveiro, num
canto no último minuto um dos centrais falhou por um triz um cabeceamento,
quando estava na pequena-área.
Em termos individuais, o Artur (duas ou três defesas importantes) e a
defesa toda (André Almeida, Luisão, Garay e Melgarejo) foram os melhores, ou os
menos maus, do Benfica. Tudo o resto foi muito medíocre e mesmo quando entraram
os titulares (Pérez, Salvio e Lima) não conseguimos aumentar o ritmo. Até o
Jesus esteve mal na reordenação da equipa nas substituições, porque depois das
entradas dos dois primeiros, ficámos a jogar com o Gaitán atrás do
ponta-de-lança (Rodrigo) e as coisas melhoraram durante 10’, mas com a entrada
do Lima voltámos a jogar com dois pontas-de-lança e tudo piorou outra vez.
Mesmo em termos de gestão da equipa e perante o que o adversário (não)
mostrou (o Jesus bem pode enganar-se a si próprio se considera mesmo que o
Bordéus é uma boa equipa), não se percebe como é que nós não quisemos ir para
França com tudo resolvido, especialmente levando em consideração que vamos a
Guimarães três dias depois. Será uma vergonha para a nossa história se formos
eliminados por estes tipos. O público não ficou nada satisfeito com a exibição
da equipa e houve uma monumental assobiadela no final. Os jogadores amuaram e
não vieram agradecer. Eu, por princípio, nunca assobio nenhum jogador do
Benfica. Mas, se não podemos deixar de achar estranho que se assobie a equipa
depois de uma vitória por 1-0 numa competição europeia, a verdade é que esta
exibição (somada à de Aveiro e à de Braga para a Taça da Liga) confirma uma
tendência negativa que se está a tornar recorrente. Espero que este abaixamento
de ritmo seja propositado com vista a aguentarmos fisicamente as competições até
final. Caso contrário, teremos um grande problema.
P.S. – Mais um jogo europeu em casa, mais um petardo a fazer-se ouvir na
zona do costume. Custa-me a entender como é que não se faz nada quanto a isto. Tanto
por parte dos responsáveis do Benfica (há câmaras de segurança, não há? Os alemães
não tiveram problemas nenhuns em identificar os prevaricadores em Leverkusen…),
como por parte das próprias pessoas que se sentam naquela bancada. Quanto
tivermos um jogo europeu à porta fechada (que deve estar para breve), pode ser
que fiquem satisfeitos.
sexta-feira, fevereiro 22, 2013
Sorte e mérito
Voltámos a vencer o Bayer Leverkusen (2-1) e qualificámo-nos para os
oitavos-de-final da Liga Europa. Foi outra partida extremamente complicada, em
que se pode dizer que tivemos sorte nalguns lances, mas em que na 2ª parte
justificámos a qualificação.
O Jorge Jesus tinha dito na véspera do jogo que a equipa (referindo-se a
nós e ao CRAC) que fosse eliminada em primeiro lugar das competições europeias
tinha mais hipóteses de ganhar o campeonato. Aí está um belo exemplo do que é
verdade, mas não se deve dizer publicamente. Durante a 1ª parte, os jogadores
seguiram à risca esta máxima e fizemos de tudo para sermos eliminados: jogámos
(ou melhor, não jogámos) parados e vimos duas bolas a bater nos nossos postes. Oportunidades
nossas só um cabeceamento do Gaitán. Paupérrimo.
A 2ª parte começou da mesma maneira e a bola até entrou na nossa baliza,
mas felizmente o fiscal-de-linha viu o fora-de-jogo milimétrico do Kießling.
Aos 53’, o Jesus lá decidiu que devíamos jogar com 11 e tirou o Carlos Martins
para colocar o Salvio. Foi logo outra coisa e inaugurámos o marcador aos 60’
num lance individual fabuloso do Ola John pela esquerda, culminado com um
remate em arco. Ainda faltava meia-hora e o Leverkusen não desistia: entrou em
cena o Artur com duas defesas fantásticas que evitaram o empate. O Salvio
falhou um cabeceamento muito fácil depois de outro lance bestial do Ola John e
na jogada seguinte sofremos o 1-1 pelo Schürrle, numa jogada em que a nossa
defesa não foi lesta a aliviar a bola. Estávamos no minuto 75’ e adivinhava-se
um sofrimento terrível durante o quarto-de-hora final. Felizmente, dois minutos
depois, um alívio do Artur isolou o Lima na direita, que centrou para o Matic
acabar com a eliminatória. Até final, ainda poderíamos ter marcado mais um golo,
mas outro cabeceamento do Salvio esbarrou num defesa, quando o guarda-redes já
não estava na baliza.
Em termos individuais, óbvio destaque para o Ola John, que abriu o livro na
meia-hora final depois de 60’ muito apagados. O Enzo Pérez também se fartou de
correr e o André Almeida terá feito dos melhores jogos pelo Benfica. O Matic
foi igualmente essencial para a vitória, mas levou um amarelo razão pela qual
não vai jogar na primeira-mão dos oitavos. Uma palavra igualmente para o Artur,
que se fartou de defender. Menos bem esteve o Melgarejo e, principalmente, o
Carlos Martins, que se arrastou em campo.
Iremos defrontar o Bordéus na próxima eliminatória. Só a questão física nos
poderá condicionar, já que julgo que temos melhor equipa que eles. Eu sei que o
campeonato é a prioridade, mas já agora tinha piada chegarmos aos
quartos-de-final.
sexta-feira, fevereiro 15, 2013
Personalidade
Grande vitória em Leverkusen (1-0) deixa-nos em boa posição para atingir os
oitavos-de-final da Liga Europa. No terreno do 3º classificado da Bundesliga,
que este ano já foi ganhar ao Bayern em Munique, demonstrámos uma maturidade
assinalável, ainda para mais porque o Jesus fez algumas poupanças e alinharam jogadores
que não são habituais titulares.
Com Salvio, Maxi Pereira, Lima e Enzo Pérez no banco, e substituídos por
Urreta, André Almeida, André Gomes e Ola John, entrámos em campo a saber muito
bem o que queríamos. Isso passou por uma grande consistência defensiva, com um
enorme Matic na 1ª parte, que praticamente não deixou o Leverkusen criar lances
de perigo. Em relação ao ataque, poderíamos ter sido mais incisivos, já que
houve lances em que os passes não saíram de feição, o que nos impediu de criar
também grandes situações de golo. Mesmo assim, uma boa abertura do André Gomes
permitiu ao Urreta rematar em arco, mas com defesa segura do guarda-redes. Perto
do intervalo, tivemos o contra da lesão do André Gomes, o que obrigou o Jesus a
meter o Enzo Pérez mais cedo do que quereria.
Na 2ª parte, vieram as oportunidades. Há que dizer que, para além de uma
boa ajuda defensiva e de algumas intervenções do Artur, tivemos sorte em ter
saído de Leverkusen a zeros. O Bayer criou perigo logo no minuto inicial, fruto
da única desatenção do André Almeida, que deixou um adversário desviar muito
perto da pequena área. O Jesus lá se decidiu que tínhamos mesmo que marcar e
colocou o Salvio no lugar do Urreta aos 57’. Quatro minutos depois, fizemos o
único golo da partida, fruto de um contra-ataque onde intervieram Cardozo,
Gaitán, Salvio e André Almeida, que cruzou para o Cardozo fazer um golão, num
toque cheio de classe depois de uma simulação sobre um defesa, picando a bola
por cima do guarda-redes. Depois disto, o Bayer foi mais pressionante, mas o
Artur defendeu alguns remates (porém ainda não revelando, numa ou outra bola
defendida para a frente, a confiança que costumava ter) e toda a linha
defensiva esteve irrepreensível. Há que dizer igualmente que poderíamos ter
matado a eliminatória, pois o Ola John por duas vezes poderia ter feito golo e
ainda houve um remate de primeira do Salvio que merecia melhor sorte. No último
minuto, foi o Melgarejo a segurar a vitória numa corte de cabeça em cima da
linha, quando a bola se preparava para entrar na baliza.
Em termos individuais, destaco outra vez o Matic, nomeadamente na 1ª parte,
o Melgarejo, que regressou em grande e foi praticamente intransponível, para
além de nos ter garantido a vitória no fim, e os centrais (Luisão e Garay).
Exibição também bastante boa do André Almeida e toques de classe do Gaitán e
Ola John, se bem que o argentino devesse ter a preocupação de nem sempre tentar
fazer o mais difícil. O Enzo Pérez entrou muito bem em jogo, assim como o
Salvio. Quando ao Cardozo, o jogo estava a passar-lhe ao lado, quando resolveu
fazer uma obra-prima e dar-nos a vitória. Enfim, o costume: “não joga nada, só
sabe marcar golos”.
É bom que estejamos (nós, adeptos, porque a equipa parece que está)
conscientes que a eliminatória, apesar de muito bem encaminhada, está muito
longe de estar decidida. Se os alemães marcarem primeiro cá, ficamos numa
posição potencialmente complicada, porque correndo o risco de sofrer mais um
golo e precisaríamos de marcar três. Eu sei que a prioridade é o campeonato,
mas já agora poderíamos tentar ir longe na Europa, porque conseguir vitórias no
campo de 3º classificado do campeonato alemão é óptimo para o nosso prestígio e
para a nossa moral.
P.S. – Magnífico apoio
nas bancadas com os cânticos ao Glorioso a abafarem por várias vezes as
vozes alemães. De negativo (e bastante), o facto de se terem ouvido
rebentamentos de petardos. A realização alemã mostrou os nossos adeptos depois
de um deles, levando a crer que terão sido na nossa bancada. Se assim for,
parece que há mesmo gente estúpida que quer ver o nosso estádio interditado.
Depois dos avisos da Uefa por causa dos jogos da Champions em casa neste ano, custa-me a acreditar que haja assim
pessoas tão acéfalas… [Adenda:] Parece que há mesmo.
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