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domingo, maio 19, 2019

O trinta e sete

Vencemos ontem o Santa Clara por 4-1 e sagrámo-nos campeões nacionais pela 37ª vez no nosso historial. Foi o quinto título nos últimos seis anos e esperemos que esta reconquista signifique igualmente o reinício de uma senda gloriosa que foi infelizmente interrompida na época passada.

Bastava-nos um ponto para sermos campeões, mas não só nenhum jogo se ganha antes de ser jogado, como também seria um pouco frustrante terminar o campeonato com um empate em casa e não ter conseguido assim uma brilhante série de 18 vitórias nos últimos 19 jogos. (E aquele empate com o Belenenses SAD foi tão escusado quanto estúpido…) Neste sentido, encarámos esta partida com a seriedade que se impunha, até porque há que dizer que o Santa Clara mostrou que pratica bom futebol e nunca desistiu durante todo o jogo. No entanto, nós revelámos uma eficácia enorme e marcámos em praticamente todas as ocasiões que tivemos. O primeiro golo surgiu aos 16’ numa abertura fantástica do Samaris, que isolou o Seferovic na área, este dominou de peito e à meia-volta rematou sem hipóteses para o guarda-redes Marco Pereira. Chegávamos aos 100 golos no campeonato! Impressionante! Os açorianos reagiram pouco depois e, na sequência de um canto, só não igualaram porque a cabeçada do Fábio Cardoso na pequena-área saiu ligeiramente por cima. Aos 23’, ampliámos a vantagem numa jogada de insistência do Rafa, com a bola a sobrar para o João Félix, que com uma simulação partiu os rins ao César (nosso ex-central) e fuzilou o guarda-redes. O trinta e sete estava perto, mas o Santa Clara voltou a criar perigo num livre do Bruno Lamas (bom jogador!) a passar muito perto do poste do Vlachodimos. A nossa vantagem começou a ficar insuperável com o 3-0 aos 39’: centro do André Almeida na direita, o Seferovic não conseguiu acertar bem na bola de cabeça, esta ressaltou num defesa e ficou à mercê do Rafa, que só teve que disparar para dentro da baliza. Mesmo em cima do intervalo, noutra boa jogada de combinação da nossa parte, o João Félix em excelente posição entro da área rematou ligeiramente por cima da barra.

Na 2ª parte, poderíamos ter aumentado o marcador logo no recomeço, mas o Rafa não dominou bem uma bola que tinha sido recuperada pelo Pizzi. O Santa Clara também teve uma boa chance, num remate de trivela do Ukra depois de uma bola perdida pelo Ferro em zona proibida, mas o remate saiu ao lado. Ainda assim fizemos o 4-0 relativamente cedo: centro do Grimaldo na esquerda aos 56’ e bis do Seferovic num remate de primeira de pé esquerdo. Igualávamos o nosso melhor registo de sempre de golos em campeonatos, conseguido em 1963/64, com o incrível número de 103! Pouco depois, aos 59’, o Santa Clara reduziu (justamente, diga-se) através de um canto, com o César a marcar na recarga, depois de uma cabeçada do Fábio Cardoso ao poste. Num gesto bonito e apesar de só ter estado uma época no Benfica, o nosso ex-central pediu desculpa pelo golo. Um dos momentos do jogo foi a entrada do Jonas aos 69’ para o lugar do João Félix. Quiçá a fazer o último jogo da carreira, o genial brasileiro entrou muito emocionado em campo e teve a equipa a tentar dar-lhe um golo, o que de certa maneira impediu que estabelecêssemos um novo recorde de golos no campeonato. Ainda teve duas ou três situações para marcar, mas o guarda-redes defendeu uma no limite e nas outras a pontaria esteve bastante desafinada. Do outro lado, o César poderia ter bisado, mas o Vlachodimos defendeu quase por instinto o remate de cabeça num canto e a recarga saiu muito por cima. Até final, ainda houve uma bola a bater na parte superior da nossa barra, entraram o Taarabt e o Salvio, para os aplausos ao Samaris (bem merecido para um jogador essencial na equipa e no plantel, e que tinha finalmente renovado esta semana) e Rafa, mas o resultado não se alterou mais.

Em termos individuais, destaque para o bis do Seferovic, que ajudou a torná-lo o melhor marcador do campeonato com 23 golos. O João Félix não começou bem o jogo, mas foi subindo de produção ao longo dele e também marcou o seu golito. O Rafa é outro dos imprescindíveis e acaba a época no 3º lugar dos marcadores com 17 golos. Incrível para quem nos anos anteriores tinha tido sempre uma relação muito difícil com a baliza…! O Samaris voltou a estar imperial no meio-campo, bem secundado pelo Florentino. Menos positiva é a prestação da nossa defesa e terminamos a época com 31 golos sofridos em 34 jogos, o que é manifestamente muito.

A análise desta brilhante conquista merecerá um post à parte, mas os números praticamente falam por si. E só quem não tem cérebro pode tirar mérito a esta vitória.

CAMPEÕES, CAMPEÕES, NÓS SOMOS CAMPEÕES!!!

segunda-feira, maio 13, 2019

Só mais um

Vencemos o Rio Ave em Vila do Conde por 3-2 e estamos a um singelo ponto de festejarmos o 37º título de campeão do nosso historial. Tal como se esperava, foi um jogo muito complicado, em que o Rio Ave mostrou a razão de estar a fazer uma excelente ponta final de campeonato que lhe permitiu empatar com o CRAC há duas jornadas.

Com a goleada deles no Nacional (4-0) mesmo antes de entrarmos em campo, a ténue esperança de podermos ser já campeões ontem esfumou-se logo. Eu estava obviamente bastante nervoso, mas as coisas não poderiam ter começado melhor: golo do Rafa aos 3’ a aproveitar muito bem um mau alívio de um defesa a um centro do André Almeida, depois de uma boa transição da nossa parte, com o Pizzi a abrir muito bem na direita no nº 34. O mais difícil estava (teoricamente) feito e tínhamos o resto do tempo para assentar o nosso jogo e aproveitar eventuais falhar contrárias. Ainda antes do quarto de hora, o Pizzi deveria ter feito melhor, num remate em arco depois de tirar um adversário no caminho, quando estava em boa posição. A meio da 1ª parte, foi o Vlachodimos a ajudar-nos a garantir a vitória, numa excelente defesa a um livre directo do Nuno Santos. Depois de um golo bem anulado ao Tarantini por claro fora-de-jogo, foi novamente o Pizzi a colocar o Leo Jardim em respeito por duas vezes, com remates perto da entrada da área. Em cima do intervalo, aumentámos a vantagem através do João Félix, numa jogada de contra-ataque bem construída pelo trio Félix, Seferovic e Pizzi, com aquele a isolar o nº 21, que não chegou à bola, mas o Léo Jardim deu um grande frango ao não agarrá-la na saída, e o Félix só teve que encostar. O Rio Ave protestou muito o lance por uma hipotética falta do Florentino na nossa área, mas a haver falta (o que, para mim, não é de todo claro) ela começa fora da área, portanto teria de ser aí marcada. O Sr. Hugo Miguel ouviu o VAR (Sr. Luís Godinho) e validou o golo.

Com uma vantagem de dois golos no recomeço, tínhamos tudo a nosso favor. No entanto, já deveríamos ter mais que percebido, desde o WC na Taça e Frankfurt, que nós não sabemos “gerir o jogo”. Reentrámos muito adormecidos e o Rio Ave reduziu logo aos 50’ pelo Tarantini que, depois de um passe/remate do Nuno Santos, apareceu isolado frente ao Vlachodimos, porque o André Almeida não acompanhou o resto da defesa e o colocou em jogo. Reagimos muito bem e aos 56’ voltámos a ter uma diferença de dois golos: excelente abertura do Ferro na esquerda para o Grimaldo, centro atrasado, a bola ressalta num defesa e vai ter com o nosso lateral-esquerdo outra vez, novo centro que encontra o Pizzi perto da marca de penalty e remate rasteiro deste de pé direito, com a bola ainda a bater no poste antes de entrar. Não deixámos o Rio Ave ter tempo para saborear a diferença mínima e o jogo entrou numa fase de loucos com parada-resposta. Por volta da hora de jogo, jogada parecida, com o Pizzi a variar o flanco para a esquerda para o Grimaldo, centro deste que encontrou o André Almeida sozinho perto da pequena-área, mas o remate de pé esquerdo foi defendido com o pé pelo guarda-redes. A resposta veio logo depois, com nova excelente defesa do Vlachodimos a um cabeceamento do Gelson Dala (bom jogador que os lagartos aqui têm). Esta toada estava longe de nos ser favorável, porque tínhamos dois golos de vantagem e estávamos a ficar muito expostos aos contra-ataques adversários. O Bruno Lage mandou (e bem) acalmar o jogo, fechámos linhas e o Seferovic poderia ter dado a machadada final a 15’ do fim, mas o seu remate, depois de passe de calcanhar do Rafa, foi bem cortado pelo Rúben Semedo. Entretanto, entrou o Gedson, saindo o Pizzi, para dar mais consistência ao nosso meio-campo, mas o Rio Ave conseguir mesmo reduzir aos 84’ num bom cabeceamento do entretanto entrado Ronan. Bem vistas as coisas, ainda tínhamos uma margem de dois golos que nos manteria no 1º lugar, mas não conseguir ganhar um jogo com esta marcha do marcador teria sido muito frustrante e inevitavelmente deixaria a equipa nervosa para a última jornada. O Cervi e o Jonas ainda entraram para refrescar a equipa e tivemos engenho para não deixar o Rio Ave criar grande perigo nos minutos finais. Ao invés, o Rúben Semedo terá feito um dos cortes do campeonato mesmo em cima dos 90’, impedindo o remate do Jonas de chegar à baliza. Teria sido o nosso golo 100 no campeonato, mas esperemos que ele surja para a semana.

Em termos individuais, o Samaris foi dos melhores em campo e será pouco menos que incompreensível se não renovar. Tanto dinheiro gasto em Filipes Augustos, Lemas, Contis e afins, que me custa a perceber que não haja dinheiro para um jogador não só desta qualidade, como com estes anos de casa. O Rafa voltou a ser muito importante pelo golo e pela maneira como acelera o nosso jogo. O João Félix já fez jogos melhores, mas muito do sucesso do nosso jogo atacante passa pela maneira como ele trata a bola. O Vlachodimos fez duas defesas que salvaram os dois pontos de vantagem que temos.

Falta-nos um ponto e recebemos o Santa Clara na Luz na última jornada. Nada está ganho ainda, o futebol reserva-nos muitas surpresas e imponderáveis (pode sempre haver uma expulsão nossa logo aos 5’ num lance de penalty), mas sejamos realistas: caso não sejamos campeões, será uma tragédia pior do que a do Kelvin. No entanto, da mesma maneira que o prato principal é o mais importante num restaurante, eu quero menu completo! Ou seja, acima de tudo obviamente o 37, mas também uma vitória (até porque ela significará chegar aos 100 golos) e o Seferovic como melhor marcador (tem um golo de vantagem sobre o Bruno Fernandes, que irá a Mordor pelo que não é expectável que faça muitos golos). Vamos lá, Glorioso, está quase! VIVA O BENFICA!

segunda-feira, maio 06, 2019

Goleada stressante

Vencemos o Portimonense na Luz por 5-1 no sábado e mantivemo-nos com dois pontos de vantagem perante o CRAC, que ganhou em Mordor ao Aves por 4-0. Quem olhar para o resultado sem saber nada do jogo, não ficará a perceber as dificuldades por que passámos: não só estávamos a perder aos 53’, como só tínhamos a vantagem de um golo aos 83’. Portanto não, uma “goleada stressante” não é um oxímoro.

Com o Jardel no lugar do castigado Rúben Dias, até nem entrámos mal no jogo e logo aos 9’ deveríamos ter inaugurado o marcado, quando, desmarcado pelo João Félix, o Seferovic conseguiu falhar isolado perante o guarda-redes pela terceira(!) jornada consecutiva: a tentativa de chapéu saiu muito curta e o Ricardo Ferreira só teve que levantar os braços para agarrar a bola. A partir daqui e até ao intervalo, a partida foi toda do Portimonense: não só trocava muito bem a bola, como manietava as nossas saídas logo a partir do guarda-redes e poderia ter inaugurado o marcador por três(!) vezes: dois remates do Dener (ao lado e por cima) em excelente posição, só com o Vlachodimos pela frente, e outro isolado em que o nosso guardião defendeu com o pé poderiam ter dado ao marcador números difíceis para nós superarmos. Do nosso lado, dois remates do Pizzi relativamente frouxos e um grande livre do Samaris mesmo à beira do intervalo, bem defendido pelo Ricardo Ferreira, levaram algum perigo à baliza dos algarvios, mas muito menos do que o do lado contrário.

A impressão generalizada na bancada durante o descanso era a que estávamos a acusar a pressão de ter de ganhar, agravada pelo facto de o Portimonense estar a jogar muito bem. Ao contrário do que seria de esperar, as coisas não se alteraram muito no início da 2ª parte. Continuámos manietados e, para piorar as coisas, sofremos um golo aos 53’ através do Tabata, depois de uma triangulação que o deixou sozinho frente ao Vlachodimos. Foi um enorme balde de água fria, mas a Luz começou a despertar e respondeu com palmas e incentivos à equipa. Por volta da hora de jogo, entrou o Jonas para o lugar do Samaris e seguiu-se não 15’, mas uma meia-hora à Benfica! Tudo começou num excelente passe do Rafa, que isolou o João Félix, mas um defesa conseguiu acompanhá-lo e cortou a bola. Aos 62’, fizemos a igualdade pelo Refa, que ganhou muito bem a bola a um defesa numa zona proibida e, à saída do guarda-redes, picou-a por cima dele. Pouco depois, o mesmo Rafa permitiu a defesa do Ricardo Ferreira, depois de uma boa jogada de combinação da nossa parte, com o Seferovic a atirar à barra na recarga, mas já em fora-de-jogo. A nossa pressão era asfixiante e o Grimaldo teve um remate fora da área, que o guarda-redes defendeu para a lateral. Finalmente aos 66’, a Luz deu um grito que não se ouve muitas vezes com o 2-1 pelo Rafa, a concluir uma jogada de insistência, com o Pizzi a isolar o Seferovic, este a centrar para trás, ressalto no Grimaldo para o nº 27 concluir com êxito. O grito da Luz foi uma autêntica panela de pressão que explodiu, semelhante ao primeiro golo do tri. Ainda faltava muito tempo para o fim e a equipa não estava tranquila, até porque com a saída do Samaris, havia espaço a mais no nosso meio-campo. O Florentino fez um mau passe na saída para o ataque, mas felizmente o remate do Tabata foi defendido pelo Vlachodimos. Pouco depois, foi o Lucas Fernandes a rematar à vontade à entrada da nossa área e a permitir nova defesa ao Vlachodimos. Para terminar, o Jonas homenageou o Pizzi frente ao V. Setúbal no ano do tri e isolou um adversário, mas o Vlachodimos por uma vez foi lesto a sair da baliza e, na sequência do lance, o Jardel fez um corte providencial. Estávamos a pouco mais de 10’ e um golo sofrido nessa altura teria sido muito complicado. Com visíveis dificuldades em segurar o jogo, o Bruno Lage fez entrar o Gedson para o lugar do exausto João Félix e começámos a reequilibrar as coisas. Aos 84’, finalmente suspirámos todos de alívio com o 3-1 do Seferovic a corresponder com um bom remate cruzado a uma assistência do Pizzi. A partir daqui, o Portimonense foi às cordas e ainda marcámos mais dois golos: aos 88’, bis do suíço (importante para conseguir ganhar o troféu de melhor marcador), depois de uma jogada de contra-ataque e um centro rasteiro do André Almeida; e, já na compensação, o Jonas voltou aos golos, noutra jogada de contra-ataque iniciada por ele, com outro centro do André Almeida para o nosso nº 10 fazer de cabeça o 300º golo da sua carreira.

Em termos individuais, óbvio destaque para o Rafa que desbloqueou o jogo para nós com o seu bis. O Pizzi, apesar de um jogo menos conseguido, fez mais uma assistência e o André Almeida mais duas. Ambos têm números inacreditáveis de passes para golo! O Samaris estava a ser dos menos maus, mas teve que ser sacrificado para a entrada do Jonas. O Florentino não pode arriscar tanto quando está no nosso meio-campo, mas há que ter noção de que tem apenas 19 anos. O Seferovic teve um falhanço escandaloso no início, mas somou mais dois golos (e ainda bem, porque o Bruno Fernandes fez um hat-trick frente ao Belenenses e o suíço só tem dois golos de vantagem agora). O João Félix, desta vez, passou mais despercebido, mas não se pode ser genial em todos os jogos.

Para a semana, vamos a Vila do Conde para a penúltima das finais. Faltam quatro pontos para sermos felizes. Está tão perto e ainda falta sofrermos tanto...!

segunda-feira, abril 29, 2019

Estofo

Vencemos em Braga por 4-1 e demos um passo muito importante na desejada conquista do 37, porque o CRAC empatou no Rio Ave na 6ª feira (2-2), depois de estar a ganhar por 2-0 aos 84’, e ficámos assim com dois pontos de vantagem sobre eles. Foi um fim-de-semana absolutamente maravilhoso!

Com quase dois dias para absorver a benesse de Vila do Conde, todos nós estávamos em pulgas pelo jogo de domingo. Teoricamente seria o jogo mais complicado até final do campeonato e havia que nos mentalizarmos que, quando o jogo começasse, estávamos um ponto atrás do CRAC (e não dois à frente!). Com um Lexotan no bucho, porque eu não arrisco nos finais dos campeonatos, estava obviamente muito nervoso e a 1ª parte veio dar razão aos nossos temores. Fomos completamente manietados pelo Braga, que raramente nos deixou sair a jogar, o Samaris e o Florentino no meio-campo pareciam perdidos, a bola quase nunca chegou em condições aos dois da frente e, para piorar as coisas, sofremos o 0-1 aos 35’ num penalty marcado pelo Wilson Eduardo: duplo erro nosso, do Florentino que foi batido pelo Fransérgio e não o derrubou, deixando-o entrar na área, e do Rúben Dias, que fez a falta numa altura em que o jogador do Braga flectia para a direita e o Vlachodimos estava pronto para fazer a mancha. Apesar da pressão exercida sobre nós, as oportunidades de golo tinham-se equivalido até então, com o Rafa a falhar escandalosamente um centro para o Seferovic, que estava completamente isolado, logo aos 3’, e um remate rasteiro do André Almeida, que saiu perto do poste. Quanto a eles, um lance do Paulinho que rematou contra o Rúben Dias poderia ter criado grande perigo e uma cabeçada do Wilson Eduardo, que se antecipou ao Grimaldo, saiu muito por cima.

Ao intervalo, o panorama estava muito negro, porque não só estávamos a perder, como não tínhamos dado sinais na 1ª parte de conseguir inverter isso. Havia, no entanto, também a expectativa de saber se o Braga conseguiria manter o nível de pressão do primeiro tempo. Não conseguiu. Entrámos fortíssimos na 2ª parte e um remate do João Félix foi defendido pelo Tiago Sá para o poste logo no reinício e já depois de um livre do Grimaldo, ainda muito longe, ter também sido defendido para o lado pelo guarda-redes. O Braga mal saía do seu meio-campo e aos 59’ beneficiámos de um penalty por falta do Esgaio sobre o João Félix. Há por aí muita polémica, mas é para malta que tem problemas de visão (ou de verticalidade na coluna): vê-se bem numa repetição que o pé esquerdo do Félix é tocado pelo defesa do Braga que, aliás, nem protesta! Deve ter sido dos poucos penalties em Portugal em que um jogador não esboçou um único protesto! O Pizzi rematou rasteiro para o lado esquerdo do guarda-redes, que se atirou para o lado contrário. Ainda com a 1ª parte muito fresca na memória, por mim, o jogo poderia ter acabado logo ali. No entanto, ainda bem que os jogadores do Benfica tinham outras ideias. Aos 66’, o Sr. Tiago Martins marcou o terceiro penalty do jogo, segundo a nosso favor, por mão do Bruno Viana depois de uma boa combinação atacante entre o Pizzi e o João Félix. O passe é um pouco à queima, mas o jogador do Braga abre os braços. Já vi muitos penalties marcados por muito menos. Pareceu-me nas imagens que o João Félix foi perguntar ao Pizzi se ele queria marcar, o nº 21 disse que sim e ainda marcou melhor do que o primeiro: remate para o mesmo lado, mas para o canto superior da baliza que não daria hipóteses ao guarda-redes, mesmo que ele tivesse acertado no lado. Dávamos a volta ao jogo e três minutos depois, aos 69’, criámos uma distância de segurança com o 1-3 pelo Rúben Dias, a corresponder muito bem de cabeça a um belo canto do Pizzi. Foi a loucura no nosso banco e o meu grito também se deve ter ouvido em Braga. Escaldados com o que se passou na 6ª e também com o nosso jogo frente ao Belenenses, havia que ter muita concentração para não sofrer um golo que pudesse abrir novamente o jogo. E jogámos de forma muito inteligente, defendendo bem e tentando sempre o contra-ataque para colocar o Braga em sentido. O Abel Ferreira ainda colocou o Dyego Sousa em campo, que numa bicicleta criou perigo, mas a bola saiu à figura do Vlachodimos. Quanto a nós, tivemos mais do que uma ocasião para aumentar a vantagem, com o João Félix a proporcionar mais uma defesa ao Tiago Sá, com o Rafa na recarga de cabeça a atirar também na direcção do guarda-redes, mas conseguimo-lo aos 90’: o Rafa isolou o Seferovic, que permitiu uma defesa do guarda-redes com o pé, a bola sobrou para um jogador do Braga que ficou a dormir, o Rafa roubou-a e fez uma jogada à Maradona, passando por três adversários, e atirando a bola com o pé esquerdo para um dos cantos da baliza. Estava dada a machadada final e selada a nossa brilhante vitória.

Em termos individuais, óbvio destaque para o Pizzi com dois golos e mais uma assistência, para o Rafa que dinamitou a defesa contrária na 2ª parte e para o Ferro, que foi sempre imperial na nossa defesa. O João Félix não marcou, mas muito do nosso jogo passou por ele, e o Seferovic está numa fase em que falha muitos golos, mas o seu trabalho de desgastar a defesa contrária é insubstituível. Em geral, toda a equipa subiu muito na 2ª parte e a justeza da vitória é indiscutível.

Faltam três jogos e sete pontos. Nunca é demais relembrar que já estivemos numa situação ainda melhor que esta, em que também faltavam três jogos, dois dos quais em casa, tínhamos não dois, mas quatro pontos de vantagem e conseguimos perder esse campeonato. Portanto, toda a concentração é pouca, porque ainda não ganhámos nada.

quarta-feira, abril 24, 2019

Moralizador

Vencemos o Marítimo por 6-0 na 2ª feira e reassumimos a liderança do campeonato, com os mesmos pontos do CRAC, mas com uns incríveis 25 golos marcados a mais (87 contra 62). Foi uma boa exibição, mas só na 2ª parte, apesar de os madeirenses raramente terem criado perigo durante todo o jogo.

O Marítimo trocou-nos as voltas e atacámos para a baliza sul na 1ª parte, ao contrário do que costumamos fazer. Com o castigo do Rafa, foi o Cervi a ocupar o seu lugar e não poderíamos ter começado melhor, com o 1-0 logo aos 3’ num golão do João Félix, na sequência de um canto à Camacho do Pizzi (finalmente resultou!). O mais difícil estava aparentemente feito, mas a nossa exibição foi um pouco descolorida no primeiro tempo. O Marítimo continuava a fechar-se muito e nós não tínhamos a dinâmica de jogos passados, sendo algo lentos nas variações de flanco. Mesmo assim, um remate do Grimaldo permitiu ao Charles uma defesa incompleta e o Seferovic começou a sua lista interminável de falhanços, ao permitir também a defesa do guarda-redes, quando estava isolado depois de um passe fantástico do João Félix. Pelo meio, o Marítimo colocou a bola na baliza num canto, mas o Vlachodimos não lhe conseguiu tocar por causa de um defesa que lhe fez parede na pequena-área. O Sr. Luís Godinho assinalou (e bem, para mim) a falta, mas o nosso guarda-redes tinha obrigação de sair de outra forma.

Na ressaca de um jogo europeu, as segundas partes costumam ser mais difíceis do que as primeiras, por causa da quebra física. No entanto, e apesar de a chuva ter caído quase ininterruptamente durante o jogo todo, isso não aconteceu desta vez. Voltámos a marcar muito cedo, aos 49’, pelo Pizzi na sequência de um centro do André Almeida, depois de o canto do Grimaldo ter sido aliviado para o nosso nº 34. O remate do Pizzi ainda desviou num defesa, antes de passar por baixo das pernas do guarda-redes. O resultado já nos punha a salvo de um erro que pudesse acontecer, mas uma das vantagens do Benfica actual é que não se sacia e fomos à procura de aumentar o marcador. O que deveria ter acontecido pouco depois, mas o Seferovic falhou provavelmente o golo mais fácil do ano, na marca de penalty só com o guarda-redes pela frente, depois de um passe do Pizzi. Aos 64’, dissipávamos as dúvidas de vez com o 3-0, num bis do João Félix de primeira depois de um centro da direita do André Almeida. Aos 74’, começámos a construir a goleada através do Cervi, que picou a bola à saída do Charles, depois de brilhantemente desmarcado pelo João Félix. Com o jogo ganho, o nº 79 foi descansar para entrar o Jonas. Jonas esse que assistiu a cabeça do Seferovic, mas o suíço estava definitivamente infeliz na concretização e a bola saiu muito ao lado. Entretanto, já o Rúben Dias tinha saído, não lhe fosse passar uma coisa má pela cabeça e visse um amarelo que o tirasse de Braga, entrando o Taarabt e depois foi a vez do Pizzi ir descansar para o Salvio poder acumular minutos. O Marítimo dava pancada escusada (o Samaris e o Ferro que o digam), mas não se livrou de sofrer mais um golo, aos 89’ num bis do Cervi, com um remate de ressalto de fora da área que entrou rasteiro junto ao poste. Em cima dos 90, ainda fizemos a meia-dúzia num excelente cabeceamento do Salvio a corresponder ao centro largo do Grimaldo.

Em termos individuais, destaque para o João Félix com um bis e uma assistência. Apesar de o que disse o nosso presidente, temo bem que tenha sido a antepenúltima vez que o vimos ao vivo na Luz... O Cervi, que até nem estava a fazer uma grande exibição, também merece destaque pelos golos, que espero que lhe aumentem a moral. O Samaris continua o patrão do meio-campo, muito bem acompanhado pelo Florentino que foi dos melhores em campo (seria mesmo o melhor para mim, caso o João Félix não tivesse feito dois golos e uma assistência). Falando em assistências, o André Almeida lá somou mais duas e o Pizzi mais uma para os respectivos currículos. O Vlachodimos não teve grande trabalho, mas tem que melhorar bastante as saídas dos postes.

No próximo domingo, teremos possivelmente o jogo mais complicado até final do campeonato. A ida a Braga poderá decidir muita coisa, porque se um resultado negativo deitará tudo a perder, um positivo dar-nos-á uma moral muito grande para os restantes três jogos. Espero que este resultado frente ao Marítimo tenha dado o alento à equipa que ela precisa, para entrar com tudo em Braga e voltar às exibições categóricas para o campeonato no WC e Mordor. Se assim for, a probabilidade de sairmos contentes de Braga é bastante grande.

segunda-feira, abril 15, 2019

Complicado

Vencemos o V. Setúbal na Luz por 4-2 e mantemo-nos na liderança do campeonato com os mesmos pontos do CRAC, que venceu 3-0 em Portimão. Foi mais um jogo em que tivemos que suar bastante para conseguir os três pontos, mas a justeza da nossa vitória é incontestável.

Com o regresso dos titulares, o Florentino voltou a ocupar a posição do Gabriel e não poderíamos ter tido melhor entrada no jogo: marcámos logo aos 2’ através do Rafa, a corresponder bem a um centro da direita do João Félix. Depois da partida europeia há apenas três dias, marcar logo no início era o melhor que nos podia acontecer para nos tranquilizar. Durante os minutos seguintes, continuámos a exercer enorme pressão e tivemos mais duas oportunidades, num pontapé de bicicleta falhado pelo Pizzi e, principalmente, numa jogada do João Félix que passou por vários adversários e rematou com a bola a ser desviada por um defesa para canto, com o Makaridze preso ao relvado. Do lado contrário, só um remate do Jhonder Cádiz criou perigo, ainda que relativo, porque o Vlachodimos estava a controlar a trajectória da bola. Aos 26’ tivemos uma ocasião soberana para fazer o segundo golo num penalty a castigar mão do Rúben Micael a desviar o remate do João Félix. O Sr. Rui Gomes Costa (continuo a recusar-me poluir o nome ‘Rui Costa’ com este senhor) teve que ir ver as imagens para o assinalar, mas o Pizzi rematou para defesa do Makaridze. Pouco depois foi uma cabeçada por cima do João Félix e outra tentativa (dupla) do Rafa que deveriam ter tido melhor destino, mas aos 36’ fizemos finalmente o 2-0: bis do Rafa a corresponder bem a mais uma assistência do João Félix, que ganhou a bola a um defesa depois de uma insistência do Seferovic. Deveríamos ter ido para o intervalo com esse conforto de dois golos de vantagem, mas sofremos o 2-1 aos 39’ numa boa jogada de contra-ataque, conduzida pelo Berto na direita, que bateu o Ferro, e bem concretizada pelo Nuno Valente, depois de uma assistência do Rúben Micael.

Nas partidas depois das competições europeias, há sempre o temor resposta física da equipa, que geralmente costuma ressentir-se na 2ª parte. E, de facto, não recomeçámos bem ao permitir ao V. Setúbal ter mais bola, sem no entanto criar ocasiões para marcar. Era imprescindível aumentar-nos de novo a vantagem que nos desse alguma folga e assim o fizemos aos 56’ numa jogada em que o Florentino roubou uma bola a meio-campo (já se fizeram os testes devidos para saber se não estamos em presença de um plastic man...? Eu iria jurar que vi a perna aumentar para fazer o corte...), esta sobrou para o Pizzi, que centrou para o João Félix fuzilar de primeira. O V. Setúbal não desarmou e o Berto teve um remate por volta da hora de jogo que proporcionou ao Vlachodimos a defesa da noite. Iríamos conseguir selar definitivamente a vitória aos 77’ no golo da praxe do Seferovic, a corresponder bem com um remate muito colocado de pé esquerdo a uma assistência do Rafa, numa jogada iniciada pelo próprio suíço que colocou a bola no nº 27 para depois a receber de novo. A dois minutos dos 90’, o Sr. Rui Gomes Costa voltou a recorrer às imagens para assinalar um penalty contra nós, por pretensa falta do Rúben Dias sobre o Vasco Fernandes na sequência de um livre. O Jhonder Cádiz (a propósito, se calhar deveríamos considerá-lo para reforçar o plantel para o ano, não? Estamos com falta de pontas-de-lança, este é alto, rápido, marca golos e deu imenso trabalho aos nossos centrais) marcou à Panenka e fez o resultado final. Que poderia não o ter sido, se o Jonas (entrou para o lugar do Seferovic) não tivesse falhado um dos golos mais fáceis da carreira ao atirar de cabeça ao lado, quando só tinha o Makaridze pela frente, depois de um centro perfeito do Taarabt (que também tinha entrado para o lugar do João Félix).

Em termos individuais, destaque para a dupla Rafa e João Félix: o primeiro com um bis e uma assistência, e o segundo com um golo e duas assistências foram absolutamente vitais para a nossa vitória. Voltei a gostar muito do Samaris no meio-campo e o Florentino também fez uma boa partida. O Pizzi esteve uns furos abaixo do habitual, mas lá fez mais uma assistência. Os centrais tiveram muito trabalho com o Jhonder Cádiz e o Rúben Dias tem que ter mais cuidado na abordagem aos lances, porque embora o penalty seja duvidoso, não o seria se ele tivesse tido esse cuidado.

Iremos agora a Frankfurt tentar selar o nosso apuramento para as meias-finais da Liga Europa, antes de recebermos o Marítimo. Será uma partida complicadíssima, mas, apesar de o 37 ser a prioridade,  esperemos que o nosso caminho para Baku não seja interrompido.

segunda-feira, abril 08, 2019

Difícil

Vencemos o Feirense em Santa Maria da Feira por 4-1 e mantivemo-nos em 1º lugar, em igualdade pontual com o CRAC (2-0 em casa com o Boavista, com mais um penalty muito duvidoso que desbloqueou o marcador). Ao contrário do que o resultado indica, foi um jogo muito complicado para nós e em que só perto do apito final pude respirar de alívio.

Com a lesão do Gabriel e o castigo do Rafa, o Bruno Lage apostou no Florentino e na surpresa Taarabt para os seus lugares. Entrámos bem na partida, com o João Félix a tentar um par de remates, mas sem sucesso, no entanto foi o Feirense a adiantar-se no marcador aos 10’ pelo Sturgeon de cabeça, a aproveitar o espaço entre o André Almeida e o Vlachodimos. O nosso defesa-direito não ficou bem na fotografia, já que não acompanhou a movimentação do adversário. Reagimos bem, com a dupla de avançados Seferovic e João Félix em destaque, porém com a pontaria desafinada. Todavia, foi o Feirense a colocar novamente a bola na baliza, num livre lateral para a área que entrou directo, mas com um jogador a movimentar-se à frente do Vlachodimos. O fiscal-de-linha levantou a bandeirola e o VAR confirmou a posição irregular do jogador. A câmara disponível não estava no enfiamento da jogada, mas deu para perceber uma camisola azul ligeiramente à frente das vermelhas. Ora, como estava em diagonal, é fácil perceber que se estivesse alinhada veríamos mais facilmente esse adiantamento. O Feirense começou a fechar-se muito lá atrás e numa boa jogada individual, em que passou por vários defesas, o Taarabt só pecou por rematar com pouca força. O mesmo Taarabt teve uma oportunidade bem melhor, numa recarga a um remate do Pizzi bem defendido pelo Caio Secco, mas a bola saiu muito por cima. Aos 40’ fizemos finalmente o golo, através de um penalty do Pizzi a sancionar falta sobre ele mesmo. O Sr. João Pinheiro não assinalou logo na altura, mas o VAR deu-lhe a indicação que o jogador do Feirense tocou na bota do Pizzi quando estavam os dois a tentar chegar à bola. Logo a seguir, o João Félix marcou na pequena-área na sequência de um bom cruzamento do Seferovic, mas o lance foi invalidado por fora-de-jogo do nº 79. Era importante chegarmos ao intervalo em vantagem e conseguimo-lo já nos descontos da 1ª parte, com o André Almeida a ser bem desmarcado pela cabeça do Samaris, num canto marcado pelo Pizzi, e a fuzilar o guarda-redes.

A 2ª parte não poderia ser recomeçado melhor, com o 1-3 logo aos 49’: bola bombeada pelo Grimaldo para a área, o guarda-redes sai, mas um defesa corta-a de cabeça a frente, e o Seferovic de primeira faz um chapéu magnífico. Grande golo! O Feirense sentiu o golo e, nos minutos seguintes, poderíamos (e deveríamos) ter aproveitado esse facto: um cabeceamento do André Almeida, que se antecipou ao guarda-redes num livre, saiu por cima da barra e um remate do Grimaldo na área foi desviado por um braço de um defesa, mas o árbitro considerou casual. Não demos o golpe de misericórdia e o Feirense deu um ar de sua graça a partir dos 70’. Tiveram mais bola, acercaram-se da nossa baliza, mas não conseguiram criar verdadeiras oportunidades. Só num par de vez, com o Vlachodimos a socar bolas que deveria ter agarrado, conseguiram criar perigo relativo. Nós começámos a fazer substituições, o Jonas entrou para o lugar do apagado João Félix e teve um remate perigoso a passe do Seferovic, defendido para a frente pelo guarda-redes. No último minuto, demos o golpe final num grande cruzamento do Grimaldo, depois de um canto no lado oposto, a encontrar a cabeça do Seferovic, que cabeceou para o lado mais distante do guarda-redes, ou seja, da maneira que deveria ter feito naquele último lance no WC na passada 4ª feira.

Em termos individuais, bom regresso do Seferovic à titularidade no campeonato com um bis. O Ferro fez um jogão, com cortes impecáveis, e seria um sério candidato a homem do jogo não tivéssemos nós feito quatro golos. O Grimaldo também foi muito importante ao conduzir, como habitualmente, muito jogo nosso e a ter acção directa em dois dos golos. Gostei igualmente bastante do Samaris, que continua rei do nosso meio-campo e muito menos conflituoso do que no passado (se calhar, já renovava o contrato, não?). O Pizzi subiu ligeiramente em relação aos jogos anteriores e o Taarabt evidenciou o que de positivo tinha feito como substituto: muito critério no passe, tentar jogar sempre para a frente e cabeça levantada para ter boas opções na resolução das jogadas. O João Félix parece-me numa fase de menor fulgor, mas esperemos que seja passageira.

Ultrapassado este obstáculo, iremos agora defrontar o Eintracht Frankfurt na Luz na 5ª feira. É outra competição, eu gostaria muito de voltar a outra final europeia, mas o principal objectivo é o campeonato.

P.S. – O CRAC e seus acólitos têm de facto uma lata descomunal para vir protestar lances deste jogo, (ainda por cima sem razão nenhuma) depois de tudo o que já beneficiaram (e ainda beneficiam) neste campeonato. Já sabemos que eles gostam de reescrever a história (começam logo com a da fundação do clube), mas nenhum de nós tem a memória curta. Não sejam ridículos!

terça-feira, abril 02, 2019

A ferros

Um golo do Seferovic aos 84’ deu-nos a vitória sobre o Tondela (1-0) no sábado e permitiu-nos assim continuar na frente do campeonato com os mesmos pontos do CRAC (que ganhou em Braga por 3-2, com dois penalties a favor). Todas as épocas há pelo menos um jogo destes em que temos que sofrer vários AVCs até conseguir a vitória. Foi o golo do Jonas na época do tri, o do Jiménez no tetra e esperemos que seja este o da reconquista.

A paragem das selecções deu para recuperar o Seferovic, que no entanto ficou no banco, tendo o Bruno Lage apostado na mesma equipa que derrotou o Moreirense. Apesar de não ter conseguido estrear-se na selecção por causa de uma lesão, o João Félix também conseguiu debelá-la e foi titular. Começámos bem, com oportunidades pelo Rafa (duas vezes, uma das quais isolado frente ao Cláudio Ramos) e João Félix, (também duas vezes) mas três dos remates saíram ao lado e no isolado o guarda-redes defendeu com a perna. Aos 10’, o Samaris entrou na área, mas foi rasteirado por um defesa. O Sr. Carlos Xistra nada assinalou e o VAR (Sr. Hélder Malheiro) inacreditavelmente também não. Um roubo autêntico! Pouco depois foi a perna do Jonas a estar ligeiramente adiantada, o que inviabilizou o golo do André Almeida. Em cima do intervalo, o Tondela teve uma grande oportunidade, mas o cruzamento não encontrou destino na área, porque o avançado deixou a bola passar-lhe ao lado.

No início da 2ª parte, o Bruno Lage optou logo pela entrada do Seferovic tendo saído o Samaris. O grego até estava a ser dos melhorzitos da equipa, com o Pizzi, por exemplo, a ter uma actuação muito fraca. É mais fácil comentar no final do jogo, mas a saída do Samaris desequilibrou-nos e o Tondela acabou por ter mais espaço na 2ª parte. Voltámos a colocar a bola na baliza aos 50’, mas o André Almeida tocou-lhe com o braço antes do remate vitorioso do Jonas. A equipa de arbitragem tinha a tendência muito irritante de nunca marcar foras-de-jogo contra nós à espera da decisão do VAR, o que fazia com que os nossos defesas se desgastassem em vão e o público se exasperasse com foras-de-jogo evidentes que não eram logo assinalados. Curiosamente a nosso favor eram logo marcados... Coincidências...! Não estávamos a conseguir entrar na defesa adversária e o Bruno Lage fez estrear o Taarabt no lugar do Pizzi. Achei mais fezada do que outra coisa, até porque estava o Gedson no banco, mas o marroquino nem entrou mal (excepção feita àquela entrada estúpida e imprudente perto do final). Logo a seguir, o Tondela proporcionou ao Vlachodimos a defesa da noite num remate em arco do Xavier. A cerca de 10’ do fim, o João Félix fez uma das poucas coisas boas do jogo e centrou para a cabeça do Jonas, que atirou ao lado quando raramente falha ocasiões daquelas. Pouco depois, um remate em arco do mesmo Jonas proporcionou ao Cláudio Ramos uma excelente defesa. E aos 84’ finalmente surgiu o tão desejado golo, num excelente cruzamento em arco do Grimaldo na esquerda, com o Seferovic a corresponder com um magnífico cabeceamento sem hipóteses para o guarda-redes. O jogo deveria ter acabado logo ali, mas ainda permitimos uma oportunidade flagrante ao Tondela no último minuto da compensação, num cruzamento da direita (culpa do João Félix que não cortou a linha de passe para o lateral) com o Patrick na pequena-área a atirar por cima, quando só tinha o Vlachodimos pela frente.

Em termos individuais, destaque para o Seferovic pelo golo. E poucos mais, porque a equipa pareceu muito presa de movimentos depois dos 15’ iniciais, com a paragem das selecções aparentemente a ter-nos feito mal. O Bruno Lage também não esteve particularmente brilhante nas substituições, com a equipa a ficar ainda mais perra na 2ª parte.

Iremos já amanhã tentar selar a ida à final do Jamor no WC e teremos jogos decisivos no campeonato e Liga Europa já na próxima semana. Esperemos que esta não tão-boa exibição seja apenas consequência de a equipa ter estado dispersa nas selecções, porque precisamos de estar na melhor forma possível para conseguir superar os opositores em campo. E na sala do VAR.

P.S. – Um misto de trabalho e normalização dos batimentos cardíacos, que param várias vezes no sábado, fizeram com que este post só pudesse sair hoje. Aqui ficam as minhas desculpas.

segunda-feira, março 18, 2019

Poderoso

Goleámos o Moreirense em Moreira de Cónegos por 4-0 e mantivemo-nos na liderança do campeonato com os mesmos pontos do CRAC, que derrotou o Marítimo por 3-0. Depois das horas extra frente ao Dínamo Zagreb, estava muito apreensivo para este jogo, porque iríamos defrontar uma das melhores equipas da Liga, que está num surpreendente 5º lugar, com menos de 72h entre jogos. A nossa resposta não poderia ter sido melhor e mais categórica!

De regresso à equipa-tipo dos últimos tempos, deveríamos ter começado a ganhar logo aos 3’, quando o Pizzi bem isolado pelo Rafa atirou ao lado da baliza. Aquela bola tinha que entrar...! Pouco depois, o João Aurélio deu uma pisadela no tornozelo do Grimaldo e nem amarelo levou! O nosso lateral ficou a contorcer-se no relvado, temi o pior, mas felizmente conseguiu recuperar. Aos 6’, o mesmo João Aurélio deu outra pantufada no Pizzi e levou amarelo. Que deveria ter sido o segundo, obviamente! Se dúvidas houvesse quanto à nossa resposta física, elas ficaram dissipadas logo desde o início, porque imprimimos uma pressão constante sobre o Moreirense, com o Samaris e o Gabriel a destacarem-se no meio-campo. Variávamos de flanco de forma rápida e foi assim que o Rafa, depois de brilhantemente dominar a bola enviada pelo Samaris desde o flanco oposto, flectiu da esquerda para o centro e rematou cruzado ao lado. Ainda apanhámos outro susto, com o Gabriel a queixar-se da virilha ainda relativamente cedo, mas a conseguir recuperar a tempo de alinhar praticamente o jogo inteiro. A meio da 1ª parte, o Jonas foi bem isolado pelo Samaris, mas em vez de rematar à baliza preferiu passar para o Pizzi, tendo a bola sido interceptada por um defesa. Pouco depois da meia-hora, marcámos através do mesmo Jonas, mas o Pizzi que lhe fez a assistência estava ligeiramente adiantado e o Sr. Nuno Almeida, depois de alertado pelo VAR, anulou a jogada. Aos 37’, fizemos finalmente o 0-1 num passe longo do Grimaldo para o João Félix, que aproveitou a falha de um defesa, que não interceptou a bola, para fuzilar o guarda-redes Trigueira. Aos 43’, aumentámos a vantagem num canto muito bem marcado pelo Pizzi, com o Samaris a corresponder com um óptimo cabeceamento sem hipóteses para o guarda-redes. Era fundamental chegar ao intervalo com esta vantagem e, para isso, muito contribuiu o Vlachodimos, com uma defesa difícil para canto, depois de um cabeceamento do Pedro Nuno.

Nos últimos anos, na jornada a seguir aos jogos europeus, geralmente só durávamos a meia-parte. Razão pela qual era importante ter uma vantagem de pelo menos dois golos, mas melhor ainda era marcar logo no reinício e acabar (quase) de vez com o jogo. Foi o que fizemos logo aos 49’, numa boa assistência do Jonas, que isolou o Rafa, tendo este picado a bola por cima do Trigueira, que ainda lhe tocou, mas não a conseguiu desviar da baliza. Por causa da porcaria do VAR, não festejei logo, porque fiquei com dúvidas acerca da posição do nº 27, mas a repetição dissipou-as todas. O Moreirense sentiu este terceiro golo, como é natural, e não conseguiu criar-nos muitas dificuldades, excepção a um livre do Chiquinho no qual o Vlachodimos fez uma boa defesa. Nós fomos gerindo a equipa e o jogo, mas sem nunca deixar de ter a baliza contrária em vista. Isto é uma das grandes melhorias em relação ao que se via no passado: seja qual for o resultado, com maior ou menor rapidez de processos, nós tentamos sempre aumentá-lo. O que deixa naturalmente o adversário de pé atrás. E, quanto a durar só meia-parte depois dos jogos europeus, estamos conversados... O Gedson e depois o Florentino entraram para os lugares do desgastado Pizzi e do Gabriel, e aos 80’ o Jonas viu a bola ser cortada por um defesa, depois de a dominar bem de peito, quando se preparava para rematar. Três minutos depois, foi o Florentino a estrear-se a marcar na equipa principal e fazer o 0-4 num canto do Grimaldo: saída em falso do guarda-redes, a bola sobrou para um defesa, que a tentou dominar, mas o nosso jogador foi muito inteligente na forma como adivinhou o lance e antecipou-se com um remate para a baliza deserta.

O melhor em campo foi o Samaris, que culminou uma exibição perfeita em termos defensivos com o nosso segundo golo. Também o Rafa merece muito destaque, pelas constantes rupturas que criou na defesa contrária e vai numa sequência muito interessante a marcar (cinco golos nos últimos seis jogos para o campeonato). Para quem já começava a falar de um abaixamento de produção, o João Félix respondeu em grande com uma exibição muito solta e valorizada com o nosso primeiro golo. O Gabriel voltou a ser um monstro no meio-campo, mesmo com algumas limitações físicas. O Jonas ficou em branco, mas contribuiu para o resultado com uma assistência para o terceiro golo. O Vlachodimos foi essencial por ter mantido a nossa baliza em branco em alturas importantes do jogo. Quanto ao resto da equipa, esteve igualmente num nível bastante elevado de produção.

Chegámos à pausa das selecções em primeiro lugar no campeonato, como era desejável. Esperemos que ninguém se lesione nos jogos internacionais, como infelizmente já aconteceu no passado. E vamos estar todos a torcer para que o Seferovic recupere a tempo da recepção ao Tondela. Iremos entrar na fase final da época e convinha ter o máximo possível de jogadores operacionais.

terça-feira, março 12, 2019

Infantilidades

Empatámos ontem com o Belenenses SAD na Luz (2-2) e ficámos sem margem de manobra para o CRAC, que venceu domingo em Santa Maria da Feira por 2-1. Estão colados a nós com os mesmos pontos, embora percam no confronto directo. Eu pensei que já tinha visto tudo desde que o Luisão se estreou pelo Benfica a 14 de Setembro de 2003 no Estádio Nacional, onde até marcou um golo, mas não conseguiu evitar que o Belenenses marcasse dois depois dos 90’(!) e empatasse o jogo (3-3). Até ontem! Quando o Samaris fez o 2-0 aos 63’, não havia uma única alminha na Terra que perspectivasse o que viria a suceder: dois erros clamorosos e dignos dos infantis fizeram com que perdêssemos dois pontos contra o mesmo Belenenses de forma inglória. E até patética, há que acrescentar.

Com a lesão do Seferovic e o castigo ao Gabriel, entraram o Jonas e o Florentino na equipa. O que quer dizer que o Bruno Lage não gostou muito do Gedson em Zagreb. Compreende-se. Deveríamos ter entrado a ganhar, mas o Rafa, em boa posição, atirou ao lado depois de uma jogada de insistência do Samaris. Tal como se esperava, o Belenenses dificultou-nos muito a vida, porque é uma equipa que troca bem a bola e defende bem. De tal modo que as oportunidades escassearam na 1ª parte, só havendo outro remate do Rafa em excelente posição, que saiu muito por cima. Não estivemos tão dinâmicos como em partidas anteriores, com a equipa a ressentir-se (e muito) das ausências do Gabriel e Seferovic. Mesmo os que não estiveram na Croácia (André Almeida, Pizzi e Jonas) não conseguiram mostrar nenhuma frescura adicional.

Na 2ª parte, as coisas foram diferentes e conseguimos encostar mais o adversário às cordas. Depois de um remate de ressalto do Pizzi muito por cima, inaugurámos finalmente o marcador aos 56’, num grande golo do Jonas (que praticamente não se tinha visto até então): dominou muito bem uma bola centrada pelo André Almeida e rematou de pronto sem hipóteses para o Muriel. O mais difícil estava feito, mas era curto e convinha marcarmos um segundo golo para que pudéssemos descansar, dado que iremos ter mais dois jogos em sete dias. E conseguimo-lo através do Samaris ao tal minuto 63’, num remate de ressalto à entrada da área, que ainda tabelou num defesa. Numa fantástica publicidade ao anti-VAR, o Sr. João Capela esperou pela indicação do mesmo para ver se ninguém estava fora-de-jogo. Ou seja, não conseguimos festejar decentemente o golo num lance que não oferece a mais pequena dúvida! A partir daqui, o jogo estava ganho, certo? Pois... estaria se nós não nos tivéssemos lembrado de (literalmente) oferecer dois golos ao adversário aos 68’ e 71’! Num livre bombeado para a área, o Vlachodimos achou melhor perder tempo e deixar a bola seguir para fora em vez de a agarrar. O problema foi que perdeu a noção de onde estava o poste e a bola entrou na baliza com ele a abrir os braços para não lhe tocar. Demasiado patético para ser verdadeiro! Mas, se o nosso guarda-redes ainda tem muito crédito já que nos safou várias vezes, pouco depois o Rúben Dias teve o segundo erro clamoroso em jogos consecutivos, ao falhar completamente um atraso para o Vlachodimos, isolando um adversário que o bateu sem dificuldade. Inacreditavelmente, deixámos o Belenenses empatar com dois dos golos mais ridículos do campeonato! Claro que ficámos afectados por isso e até final procurámos o golo com muito menos discernimento do que é habitual. Só numa cabeçada do Jonas ao lado e num remate em arco do entretanto entrado Jota é que conseguimos criar perigo, mas em ambos os casos relativo dado que a bola nem sequer foi à baliza. O jogo chegou ao fim com um enorme sentimento de frustração em todos nós.

Em termos individuais, gostei bastante do Ferro, especialmente na 1ª parte e o Samaris fez igualmente uma exibição bem razoável. O André Almeida fez mais uma assistência e melhorou de produção na 2ª parte, o que também não era difícil dado o que (não) tinha mostrado na 1ª. Assim como o Pizzi, acrescente-se. O João Félix esteve relativamente apagado, dando a sensação de estar a acusar em termos físicos os jogos consecutivos que tem feito. Quanto ao Rúben Dias, é bom que volte a ter a cabeça no lugar. Já o lance no último minuto nas Aves, em que arriscou um segundo amarelo escusadíssimo com o jogo ganho (e com o Ferro já expulso) não augurou nada de bom, mas o que fez ontem juntamente com o penalty na Croácia tornam esta a semana mais negra da sua carreira até agora. É bom que se recomponha rapidamente.

Os próximos dois jogos (Dínamos Zagreb e Moreirense) serão fundamentais, mas temo bastante pela capacidade física da equipa. Teremos muito poucos dias de intervalo entre eles e já mostrámos estar mais fortes no aspecto físico do que agora. E serão dois jogos sem segundas oportunidades. Não gosto nada de ter de prescindir de uma competição, mas as fichas têm que estar todas no campeonato. A ida a Moreira de Cónegos irá ser especialmente difícil e, se jogarem muitos titulares na 5ª feira, não sei se nos conseguiremos apresentar nas melhores condições no domingo. Perder dois pontos desta maneira foi o pior que nos poderia ter acontecido nesta altura.

segunda-feira, março 04, 2019

Soberbo

Vencemos em Mordor no sábado (2-1) e assumimos a liderança do campeonato com dois pontos de vantagem sobre o CRAC. No dia 2 de Janeiro, quando perdemos em Portimão, ficámos a sete pontos deles e, dois meses depois, conseguimos recuperar nove pontos! É verdadeiramente impressionante o que conseguimos em tão pouco tempo, tanto em termos de resultados como principalmente em termos de qualidade futebolística. Mérito total (apesar de ele ter a humildade dos grandes e passar a responsabilidade para os jogadores) para o Bruno Lage.

Entrámos em Mordor com a mesma personalidade dos jogos anteriores e isso foi logo um óptimo início. Ou seja, não exibimos aquele temor habitual sempre que visitávamos a casa do CRAC e que, muitas vezes conjugado com a inclinação que existe sempre naquele campo, nos fazia começar o jogo já a perder. Com a equipa-tipo e à semelhança da meia-final da Taça da Liga em Braga, a primeira oportunidade foi deles, num remate fora da área do Alex Telles que o Vlachodimos defendeu para a linha lateral. Nos primeiros minutos, estiveram eles mais próximos da nossa área, mas sem conseguirem mais pôr à prova o nosso guarda-redes. Respondemos por volta do quarto de hora, num lance em que o Pizzi é puxado pelo Manafá na área. Voltamos à questão da intensidade, mas de uma coisa tenho certeza: se fosse ao contrário, o Sr. Jorge Sousa teria assinalado penalty. Aos 20’, o CRAC colocou-se em vantagem: livre directo do Adrián López, a bola bate na barreira, ressalta para ele que remata mais devagar (pareceu que quis assistir um colega na área), a bola desvia no peito do Marega, o Pepe baixa-se e o Vlachodimos não consegue chegar-lhe. É muito duvidoso que o Pepe esteja em linha com o Rúben Dias na altura do remate do Adrián López, mas o que não é nada duvidoso é que, quando a bola desvia no peito do Marega, o Pepe está claramente fora-de-jogo e a sua acção influencia o Vlachodimos. O VAR Sr. Tiago Martins achou que não e o Sr. Jorge Sousa nem sequer foi consultar as imagens! Típico (quando é contra nós)...! Não poderíamos ter reagido mais rapidamente, com o Pizzi a ficar frente-a-frente com o Casillas, mas o remate saiu à figura e o espanhol conseguiu defender com as pernas. Aos 26’, conseguimos a igualdade, numa bola ganha a meio-campo pelo incansável Gabriel ao Adrián López, sobrou para o Manafá que perdeu no corpo-a-corpo com o Seferovic e o suíço assistiu o João Félix que, na marca de penalty, fuzilou o Casillas. O CRAC sentiu muito o golo e, até ao intervalo, só através do Brahimi, num remate que acabou muito bem interceptado pelo André Almeida criou perigo e mesmo assim relativo. Quanto a nós, tivemos mais uma oportunidade flagrante em cima do intervalo pelo Seferovic, isolado pelo Pizzi, que rematou à figura do Casillas.

Na 2ª parte, mantivemos a tendência do final da 1ª e colocámo-nos em vantagem aos 52’ numa excelente combinação atacante, com o Pizzi a reter a bola na área e a soltá-la na altura exacta para o Rafa que, com um remate rasteiro e colocado já dentro da área, desfeiteou o guardião espanhol. O CRAC naturalmente reagiu e começou a colocar mais gente na frente, mas nós estivemos bastante bem a defender. Remates do Brahimi por cima e do Marega à figura do Vlachodimos não deram a sensação de golo. Em termos atacantes, acabámos por não conseguir ter grande produção, porque o CRAC pressionava, mas mesmo assim o Seferovic isolou o Rafa pouco depois da hora de jogo, sendo o lance anulado por pretensa mão do suíço. Só houve uma repetição e não vi falta nenhuma! O Pizzi na direita não estava a conseguir suster o Alex Telles e o Gedson entrou aos 71’ para o seu lugar. Pouco depois, o Samaris safou um golo certo ao cortar a bola no último momento, quando o Herrera já tinha armado o remate. Conseguimos reagir a seguir, com o Rafa a ter uma ocasião parecida com a do golo, mas o remate saiu infelizmente ao lado. Aos 78’, o Gabriel viu dois amarelos no mesmo lance(!) e foi expulso. O Sr. Jorge Sousa até pode ter a lei do seu lado (o nosso nº 8 agarrou o Otávio e depois reagiu mal ao facto de este lhe ter batido nas costas), mas não me lembro de muitas vezes em que um jogador visse dois amarelos no mesmo lance. Mais: tenho a certeza absoluta que, se fosse ao contrário, isto jamais teria sucedido. A partir daqui, a pressão dos de Mordor intensificou-se e o Felipe teve duas ocasiões num cabeceamento que bateu na parte superior da barra, depois de um canto inexistente, e num grande remate de fora da área, em que o Vlachodimos fez outra fantástica defesa. Perto do fim, nova boa defesa do guardião grego a desvio do Marega na pequena área, mas se entrasse o lance teria de ser (espero eu) invalidado por fora-de-jogo. O Corchia e o Cervi também entraram para ajudar a defender e o final do jogo surgiu finalmente com um enorme suspiro de alívio da nossa parte.

Em termos individuais, destaque para o Gabriel, que teria sido o melhor em campo, não fosse a expulsão. Independentemente de eu achar que foi exagerada, o nosso nº 8 não tinha nada que reagir daquela maneira à palmada que levou. Tem que ter a consciência de contra quem está a jogar e em que campo. Todo o cuidado é pouco e as desculpas para se expulsar jogadores nossos são muito pequenas. O Rafa foi decisivo no golo da vitória, assim como o Pizzi, apesar de este nem ter feito um jogo por aí além. Palavra também para a nossa defesa, em especial a dupla de centrais (Rúben Dias e Ferro), que esteve intratável. O Vlachodimos foi novamente essencial a garantir os três pontos, assim como o Samaris naquele corte providencial. O Seferovic desta feita ficou em branco, mas somou mais uma assistência ao currículo.

Faltam dez jogos para o final do campeonato. Conseguimos o mais difícil e que era impensável há meia dúzia de jornadas. Ganhámos no WC e em Mordor na mesma época pela primeira vez deste 1990/91! Há que manter o foco para conseguirmos um feito histórico. Estamos a jogar um futebol maravilhoso, como há muito não se via, e seria uma injustiça se não conseguíssemos títulos. Mas a história do futebol está cheia de injustiças...

P.S. – O Pepe continua uma criatura execrável. O modo como ele se virou ao João Félix, num lance em que nem sequer foi tocado diz tudo acerca do seu “carácter”. Grande “carácter” tem também o Sérgio Conceição, que deixou o João Félix de mão estendida no final do jogo. Estão ambos MUITO bem no clube onde estão.

terça-feira, fevereiro 26, 2019

Inteligência

Vencemos o Chaves por 4-0 e mantivemos a distância de um ponto para o CRAC (3-0 em Tondela) a uma semana de irmos a Mordor. Com a derrota do Braga em casa frente ao Belenenses (0-2) e o empate na lagartada no Marítimo (0-0), temos agora sete e dez pontos de vantagem sobre eles, respectivamente. Depois da vitória do CRAC na 6ª feira, estávamos pressionados para não os deixar alargar a vantagem na véspera de os visitarmos e jogámos com grande paciência e inteligência emocional, conseguindo uma vitória tranquila e mais que justa.

Apesar de estar nos lugares de descida, o Chaves até entrou bem no jogo e pôs à prova o Vlachodimos por duas vezes no primeiro quarto de hora. E terminou aí as iniciativas flavienses no jogo! Nós respondemos entre esses dois lances com um cabeceamento(!) do Rafa à figura, mas inaugurámos o marcador aos 19’ através do mesmo Rafa, num dos inúmeros passes teleguiados do Gabriel para o flanco oposto, onde o Pizzi centrou, o João Félix teve uma recepção deliciosa e cruzou para o centro da área, onde um jogador do Chaves chutou contra outro, tendo a bola sobrado para o nº 27 só ter que encostar. Pouco depois, o mesmo Rafa teve uma boa oportunidade de bisar, mas o remate de primeira a centro do Grimaldo saiu por cima, e o Seferovic falhou uma recarga relativamente fácil a um cabeceamento do João Félix, que o António Filipe não conseguiu segurar. No entanto, aos 37’, marcámos o segundo graças à dupla de avançados: boa desmarcação do João Félix a passe do Seferovic, remate forte do miúdo que o guarda-redes só teve tempo de rechaçar para a frente, com o Félix a fuzilar na recarga de pé esquerdo. A bola entrou e ainda bem, mas o remate poderia ter sido colocado em vez de com força, porque deu a sensação que, caso o Félix não tivesse acertado bem na bola, ela não teria levado a direcção da baliza. Em cima do intervalo (43’), fizemos o 3-0 noutra abertura fabulosa do Gabriel a isolar o Seferovic e o suíço a desfeitear o guarda-redes, mesmo tendo sofrido um empurrão por trás. Aliás, eu já estava de pé a gritar penalty, quando a bola entrou.

Para a 2ª parte, esperava-se a reacção do Chaves, mas ela não aconteceu. Pareceu que estavam a tentar minimizar os prejuízos para não levarem uma dose igual à do Nacional. E, se foi isso, conseguiram-no. Mesmo assim, isso só aconteceu, porque também não estivemos tão felizes na concretização, com um remate do Félix logo no reinício muito por cima, quando estava em excelente posição na área, e um par de grandes defesas do António Filipe a remates do Pizzi, muito bem desmarcado pelo Gabriel (outro inacreditável lançamento longo) e pelo entretanto entrado Jonas. O Grimaldo tentou marcou um golo igual ao frente ao Boavista, mas o guarda-redes voltou a defender, porém no último minuto fizemos finalmente o quarto golo através do Jonas, bem desmarcado pelo Félix, que recargou com êxito um remate seu defendido pelo guarda-redes. Foi bom que não tivesse ficado 0-0 na 2ª parte.

Em termos individuais, destaque absoluto para o Gabriel cuja precisão no passe é superior ao GPS dos nossos telemóveis e, ainda por cima, decidiu jogar apesar de ter sabido da morte de um familiar muito próximo horas antes da partida. O Florentino exibiu-se novamente em grande plano e não engana ninguém: é craque. O Samaris, que recuou para central para o lugar do castigado Ferro, deu conta do recado e o Corchia também não esteve mal no lugar do André Almeida. O Rafa teve as melhores oportunidades na 1ª parte e está com uma veia goleadora de saudar, assim como grande parte da equipa: não me lembro de haver uma época em que tivéssemos cinco jogadores entre os oito primeiros(!) na tabela dos goleadores, sendo esta liderada pelo Seferovic com 15 golos (o Jonas está com nove e o Pizzi, João Félix e Rafa com oito).

Teremos agora finalmente quase uma semana para preparar o próximo jogo, que será em Mordor. Em condições normais, com uma arbitragem decente, não duvido que teríamos boas hipóteses de ganhar. Mas, pela amostra da Taça da Liga em Braga, tenho grandes dúvidas que isso possa acontecer. De qualquer maneira, estamos a jogar um grande futebol e não há nenhum benfiquista que não esteja contente com isso. A maneira como nesta partida fomos variando a forma de jogar para tentar entrar numa defesa superpovoada roçou o brilhantismo. E demonstra como a equipa está a crescer de jogo para jogo, relevando uma inteligência colectiva como há muito não se via: não perdemos a calma, sabemos ser pacientes, desaceleramos e aceleramos quando é preciso, é um gosto ver o Benfica actualmente. Veremos o que se irá passar no sábado.

terça-feira, fevereiro 19, 2019

Consistência

Vencemos ontem na Vila das Aves por 3-0 e mantivemos a distância de um ponto para o CRAC (2-0 ao V. Setúbal em casa), aumentando para quatro a nossa vantagem frente ao Braga (0-3 no WC). Treinado pelo inenarrável Inácio, o Aves melhorou substancialmente, o que tornava este jogo complicado, ainda por cima porque estava no meio da eliminatória europeia. Mas a nossa resposta foi muito boa e a vitória incontestável.

Com o regresso dos habituais titulares, não poderíamos ter tido melhor entrada na partida, pois inaugurámos o marcador logo aos 3’ através do Seferovic a corresponder muito bem a um centro do Samaris, que o colocou só com o guarda-redes pela frente e o suíço picou brilhantemente a bola sobre ele. O Aves estava aturdido e nós poderíamos ter aproveitado para dilatar a vantagem pouco depois, mas o Rafa não se conseguiu isolar depois de dominar a bola de peito e passou-a ao João Félix, que rematou torto quando estava descaído na direita. O mesmo Félix teve pouco depois um remate rasteiro, mas o Beunardeau defendeu para o lado, com o Seferovic a ver a sua recarga ser cortada por um defesa, tendo a bola ficado para o Grimaldo, que também rematou forte para novo corte de um defesa. Três oportunidades no mesmo lance! A partir dos 25’, o Aves equilibrou e criou perigo num livre na direita, que foi batido directamente para a baliza com o Vlachodimos a defender bem para canto. Curiosamente foi quando o Aves estava melhor no jogo, que fizemos o 0-2 aos 37’ através do Rafa, num excelente remate muito colocado de pé direito, já dentro da área, depois de partir os rins a um defesa.

Com a vantagem alargada, a 2ª parte tinha tudo para ser tranquila, assim nós marcássemos mais um golo. E tentámos fazê-lo logo desde o reinício, ao mesmo tempo que conseguimos controlar melhor as investidas atacantes do adversário. O João Félix com um grande remate de fora da área bem defendido pelo guarda-redes e uma boa combinação atacante entre o Rafa e o Seferovic estiveram quase a dar-nos o descanso merecido, mas foi o Ferro aos 59’ a fazer o 3-0: canto da direita e o nosso central a ser oportuno na recarga a um remate seu que ficou entalado num defesa. Logo na jogada a seguir, outra boa combinação atacante deixou o Pizzi só com o guarda-redes pela frente, mas o nº 21 picou a bola ligeiramente ao lado. O jogo estava de feição para permitir uma gestão do esforço e quiçá a estreia do Jota no campeonato, se não fosse o Ferro ter cometido um enorme erro aos 64’: agarrou o Derley quando este seguia isolado para a baliza e foi naturalmente expulso. Terá sido a inexperiência a tramar o nosso central, dado que teve tempo de fazer a falta quando o avançado brasileiro ainda não tinha passado por ele e aí só teria levado o amarelo. O Samaris recuou para central, mas adaptámo-nos bem a essa mudança e o Aves, apesar de ter dominado, não teve assim grandes oportunidades. O Bruno Lage aguardou para ver como a equipa reagia e só fez entrar o Gedson aos 78’, o que permitiu reassumir novamente o controlo do meio-campo, com a maior chance de golo a acontecer para nós, num remate rasteiro do João Félix que saiu a rasar o poste. Perto do final, o Jonas primeiro e o Zivkovic depois entraram para permitir (pouco) descanso ao Seferovic e ao mesmo Félix.

Em termos individuais, destaque para o Seferovic, que vai no sétimo jogo seguido a marcar para o campeonato, para o Rafa, que tem a mira bastante mais afinada do que em anos anteriores, e para o Samaris que, apesar do amarelo escusado, foi sempre muito regular no meio-campo. Mas toda a equipa se exibiu a um plano muito aceitável.

Era uma partida difícil e nós tivemos o condão de a tornar menos complicada. Gostei especialmente de ver a transformação da 1ª para a 2ª parte, com o Bruno Lage a explicar no final como a equipa percebeu o que estava a fazer mal, que permitiu ao Aves reequilibrar o jogo na segunda metade do primeiro tempo, e a corrigir isso ao intervalo. Estamos com confiança, a jogar bem e com os resultados naturalmente a aparecerem. Está a dar muito gozo ver este Benfica a jogar.

P.S. – Surgiu hoje a confirmação de que o Bruno Lage será o nosso treinador para as próximas quatro épocas e meia. Por princípio, não gosto de contratos de treinador muito longos, mas neste caso acho que é seguro abrir uma excepção. Sabendo todos nós, e o Bruno Lage obviamente também, que está sempre tudo dependente dos títulos. Mas jogar bem e bonito é um excelente princípio para tal.

segunda-feira, fevereiro 11, 2019

D E Z__A__Z E R O!!!

Tivemos ontem o privilégio de assistir a algo que já não acontecia desde 1964, ou seja há 55 anos: ganhámos por 10-0 ao Nacional da Madeira. Nunca será demais repetir: dez a zero! DEZ A ZERO! Como na 6ª feira, o CRAC empatou 1-1 em Moreira de Cónegos (e só marcou ao malfadado minuto 92), a diferença está agora reduzia a um singelo ponto, com o Braga (2-1 ao Chaves) a dois do 1º lugar.

Para memória futura, vou fazer algo que nunca fiz neste blog, ou seja, colocar a ficha de jogo, porque algo que foi histórico merece ficar perpetuado:

Vlachodimos; André Almeida, Rúben Dias, Ferro e Grimaldo; Pizzi, Samaris (Florentino Luís, 62’), Gabriel e Rafa; João Félix (Krovinovic, 68’) e Seferovic (Jonas, 72’). Marcadores: Grimaldo (1’), Seferovic (21’ e 27’), João Félix (50’), Pizzi (54’ pen.), Ferro (56’), Rúben Dias (64’), Jonas (85’ e 90’) e Rafa (88’).

O meu amigo Bakero regozijou-se com o facto de o resumo que irá fazer do jogo ter pelo menos 15’ (e bem, porque a história merece ser vista com a atenção devida), mas este post, se fosse normal, teria de ter umas três páginas. Portanto, vou poupar-vos a isso e condenso tudo nalguns pontos:

- Já li por aí a curiosidade de terem sido 10 golos no dia do 60º aniversário do enorme Fernando Chalana (um dos mais míticos 10 do Benfica), sendo ontem dia 10, e com o nosso 10 actual a marcar o 10º golo. 

- Também já vi por aí comentado que o Nacional não existiu e isto foi bater em mortos. Não, meus caros, “não existir” e “bater em mortos” equivale a marcar alguns golos, e depois abrandar o ritmo e ser condescendente com o adversário. O que se passou ontem foi muito mais do que isso: foi jogar cada minuto a seguir aos golos, como se estivesse 0-0. Foi fazer uma pressão sufocante que obrigou a muitos erros do adversário. Foi ter respeito pelo público, pelo jogo e pelo adversário, de tal modo que, assim que o jogo acabou, a primeira coisa que os jogadores do Benfica fizeram foi confortar os colegas de profissão. E não se ouviu um único olé das bancadas durante toda a partida. E não se driblou o adversário em modo de gozo. E não se colocou o Vlachodimos a marcar o penalty. E o Pizzi e o Bruno Lage voltaram a dar uma palavra aos jogadores do Nacional na flash interview. Isto, sim, é respeito!

- O jogo de ontem deu para tudo: primeiro golo aos 33 segundos! Estreia do Ferro a titular e logo com um golo. Estreia do Florentino Luís, que em apenas 30’ foi o jogador com mais desarmes de todo o jogo (seis)! Regresso do Krovinovic e regresso do Jonas (que ainda teve tempo para bisar). É difícil pensar em algo que pudesse ter corrido melhor.

- O que eu mais gosto de ver no Benfica actual é a exigência de cada jogador em fazer as coisas bem. Vi o André Almeida genuinamente chateado consigo próprio na 2ª parte, quando um passe seu não chegou ao destino. Quase como se se sentisse um dos membros da orquestra que tivesse desafinado e estragasse o conjunto. Aliado a isto está a urgência absoluta em recuperar a bola quando a perdemos (Gabriel de novo em grande!), como se a bola fosse nossa e o adversário não tivesse direito a ela.

- Outra coisa que ressalta à vista e está ligada à anterior é a alegria com que os jogadores do Benfica jogam à bola. Quase como se fôssemos nós, adeptos, que daríamos a vida para estar lá dentro com aquela camisola. E é isso que cria esta ligação enorme que existe neste momento entre a equipa e o público. Como o Bruno Lage disse, logo quando tomou conta da equipa, o público conquista-se pelas exibições. E não com expressões como “temos de estar unidos”, “juntos somos muito fortes” e depois fazer exibições miseráveis mesmo que valham vitórias. Porque o público percebe que se está muito mais perto de não ganhar se jogarmos mal, do que se jogarmos bem.

- Contabilizem os cantos e os livres bem marcados pelo Pizzi agora por comparação ao que se passava antes de 3 de Janeiro. E os golos que conseguimos agora de bola parada. Treinar tem as suas certas vantagens...

- Quem não me conhece assim tão bem, fica espantado quando eu digo com genuína mágoa que lamento não ter visto ao vivo todos jogos na nova Luz: dos 406 que fizemos, só vi 403. É, meus caros, porque eu não quero NUNCA correr o risco de não estar presente num momento histórico como o do ontem. Não me perdoaria se não tivesse visto aquilo ao vivo. E, também por isso, faz-me tanta, mas tanta confusão que ainda ontem tenha visto alguns adeptos sair antes do final do jogo. Foram menos do que é habitual, mas ainda assim houve alguns. Repito o que já aqui escrevi: a não ser que tenham recebido uma chamada para irem ver um familiar muito próximo à beira de falecer, é indesculpável!

Vamos entrar novamente num ciclo terrível com imensos jogos em pouco tempo: na 5ª feira, estaremos em Istambul para defrontar o Galatasaray para a Liga Europa. Veremos como a equipa irá reagir à história que acabou de escrever, mas é inevitável que estejamos todos entusiasmados por ver o Benfica em campo outra vez.

segunda-feira, fevereiro 04, 2019

Demolidor

Vencemos no WC por 4-2 e, como o CRAC empatou (0-0) em Guimarães, reduzimos a desvantagem para eles para apenas três pontos, o que quer dizer que voltámos a depender só de nós para vencermos o campeonato. Em termos psicológicos, e com a equipa a crescer a olhos vistos, é um facto nada despiciendo. Outra consequência é termos agora a lagartada oito pontos atrás de nós, com o Braga a manter-se a um ponto (ganhou 2-0 na Vila das Aves).

Se me tivessem proposto, antes do jogo, uma vitória por 4-2 no WC, eu assinaria de cruz. No entanto, chegado ao final, julgo que não deverá haver um único benfiquista que não sinta que isto soube a pouco. A nossa superioridade foi tão, mas tão evidente que só dois golos de vantagem é manifestamente insuficiente para o que vimos em campo. Ficámos a um pequeno passo de conseguir um resultado histórico, que todos vislumbrámos caso o João Félix tivesse feito o 5-1 naquele incrível falhanço. Num onze sem surpresas, entrámos muito fortes e uma boa jogada do Grimaldo na esquerda poderia ter-nos colocado em vantagem logo nos primeiros minutos. Não demorou muito até o conseguirmos, aos 11’, num cabeceamento do Seferovic, depois de um centro do mesmo Grimaldo na esquerda, brilhantemente desmarcado pelo Gabriel. Um livre do Bruno Fernandes à barreira foi a tímida resposta do outro lado, enquanto o Seferovic não conseguiu meter a bola no Rafa, isolado no meio, depois de bem desmarcado pelo Félix na esquerda. Teria sido só encostar... Voltámos a meter a bola na baliza, num remate colocadíssimo de pé esquerdo do João Félix, que o Sr. Artur Soares Dias anulou, depois de consultar o VAR, por uma acção do mesmo Félix sobre o Wendel, que em Inglaterra nunca seria falta. Comparar esta falta com a que sofreu o Gabriel no primeiro golo do CRAC na Taça da Liga é uma brincadeira de mau gosto. A lagartada estava completamente perdida em campo e nós, em vez do malfadado ‘controlar o jogo’, tentámos sempre marcar mais. Uma insistência do Pizzi resultou num remate de trivela do Félix, que infelizmente saiu com pouca força, mas no minuto seguinte (36’) fizemos finalmente o 2-0: óptima abertura do Seferovic a isolar o João Félix que, à saída do Renan Ribeiro, desviou a bola para dentro da baliza. Deveríamos ter ido com este resultado para o intervalo, mas aos 43’ o Samaris, que até fez um bom jogo, fez um tremendo disparate a meio-campo, perdendo a bola e dando azo a um contra-ataque da lagartada, que culminou num bom remate do Bruno Fernandes sem defesa para o Vlachodimos.

Para a 2ª parte, o Marcel Keiser tirou o Nani para colocar o Diaby e eu achei muito bem. As coisas não poderiam ter começado melhor para nós, porque fizemos o 3-1 logo aos 47: livre do Pizzi na direita e cabeçada ao ângulo do Rúben Dias. É muito mais fácil marcar golos de bola parada, quando, lá está, se treina... Uma das coisas que mais gosto neste Benfica do Bruno Lage é que, independentemente do resultado, só deixamos de procurar o golo aos... 90’. Assim fizemos no WC e o Jardel esteve próximo de marcar numa cabeçada num canto que saiu perto do poste. A lagartada fartava-se de falhar passes e nós metemos mais uma vez a bola na baliza, num contra-ataque muito bem feito, com remate do Pizzi e recarga do Seferovic, mas desta vez o Sr. Artur Soares Dias tinha mesmo razões para o anular, porque o suíço estava ligeiramente adiantado. Uma das poucas ocasiões do adversário foi um livre descaído para a direita em que o Raphinha atirou ao poste, mas creio se tivesse ido mais para dentro o Vlachodimos defendia. Mais uma vez em contra-ataque, o Seferovic não conseguiu fazer o que o João Félix fez na semana passada frente ao Boavista e o passe para o mesmo Félix foi cortado por um defesa. O nº 79 ficaria só com o guarda-redes pela frente... Um remate do André Almeida, quase sem ângulo, embateu na malha lateral, mas aos 73’ fizemos finalmente o merecido quarto golo através de um penalty não muito bem marcado pelo Pizzi (o Renan tocou na bola e por pouco não defendeu), a castigar um derrube do guarda-redes da lagartada ao João Félix. Três minutos depois veio o tal lance que poderia ter lançado este resultado para a história: novo contra-ataque nosso muito bom, com o Pizzi a centrar para o Seferovic atirar ao poste e, na recarga e na mesma baliza, o João Félix resolveu imitar o Bryan Ruiz...! Incrível! Logo a seguir, o nosso novo menino de ouro saiu para entrar o Cervi, mas eu achei que teria feito mais sentido sair o Seferovic, porque estava de rastos em termos físicos e temos novo jogo contra eles na 4ª feira. A pouco mais de 10’ do fim, a lagartada marcou pelo Diaby, mas o golo foi bem anulado pelo VAR por fora-de-jogo. No entanto, aos 88’, o indiscutível 1º classificado no ranking dos penalties aumentou a sua vantagem e o Bas Dost fez o 2-4 perante o Svilar, porque... o Vlachodimos foi expulso(!) por uma falta sobre o mesmo Bas Dost. E eu que pensava que a tripla penalização (penalty, expulsão e golo) tinha deixado de existir, mas aparentemente foi desde que isso não seja a nosso favor. O Sr. Artur Soares Dias e o VAR João Pinheiro acharam que o Vlachodimos não protegeu a cabeça quando o Bas Dost saltou por cima dele e mandaram-no para a rua. Sem comentários! Conseguimos controlar muito bem os sete minutos de compensação apesar de estarmos com menos um em campo. Grande personalidade da equipa a contrastar imenso com este jogo, em que delapidámos uma vantagem de dois golos em muito pouco minutos.

Enorme exibição de toda a equipa, com destaque para o João Félix, que encheu o campo. Marcou dois golos, só contou um e foi pena ter falhado o golo mais fácil da sua carreira. O Seferovic também está em grande forma e forma uma dupla temível com o Félix. O Pizzi renasceu desde que passou para a direita e o Gabriel mostrou mais uma vez a sua qualidade, apesar de ter sempre um ou outro lance em que perde uma bola fácil. Enorme personalidade do Rúben Dias que, nos jogos grandes, sobe sempre um patamar nas suas exibições. Bom jogo igualmente do Jardel, a não dar muitas veleidades ao Bas Dost. O Samaris esteve muito interventivo, mas aquela falha que deu origem ao primeiro golo deles é imperdoável. O Rafa foi outra seta apontada à baliza adversária e neste momento é uma peça imprescindível no nosso jogo.

Não me lembro de uma exibição assim tão demolidora no WC há muito tempo. Os números pecam por escasso, mas não nos deixemos inebriar. Voltaremos a defrontá-los na 4ª feira e é muito importante conseguir um resultado confortável na Luz para a 2ª mão da Taça de Portugal, que só irá decorrer daqui a dois meses. Ninguém se esquecerá desta situação, em que também houve dois meses entre as duas mãos. É muito tempo e muita coisa pode mudar, portanto é de aproveitar este bom momento para dar um passo muito firme em direcção ao Jamor. Seria uma lástima se não conseguíssemos um troféu este ano e a Taça de Portugal é o que, neste momento, está mais ao nosso alcance.

VIVA O BENFICA!

quarta-feira, janeiro 30, 2019

Nos carris

Goleámos o Boavista por 5-1 no regresso à Luz quase um mês depois do último jogo. Este tipo de resultado não mente e fizemos uma boa exibição, com o lado ofensivo em natural destaque, dando uma resposta forte depois da roubalheira de que fomos vítimas na semana passada.

Com o Fejsa e o Jonas ainda de fora, o Rui Vitória [que acto mais que falhado!] Bruno Lage voltou a apostar na mesma equipa que defrontou o CRAC, exceptuando a troca de guarda-redes. Não entrámos bem e um erro inacreditável do Gabriel num atraso para o Vlachodimos quase ia proporcionando o golo ao Boavista, mas o remate saiu ao poste. Reagimos de pronto e inaugurámos o marcador aos 9’ através de uma cabeçada do João Félix, a corresponder brilhantemente a um livre do Pizzi devido a falta sobre o próprio João Félix. Continuámos a insistir e o Seferovic iniciou a sua senda de golos falhados só com o guarda-redes pela frente, num passe excepcional do João Félix que o isolou. Pouco depois, foi o Rúben Dias num livre a atirar ao poste, mas aos 28’ fizemos o 2-0 pelo Pizzi: jogada iniciada pelo Gabriel, um passe de trivela do Rafa a isolar o Seferovic, o remate deste a ser novamente defendido pelo Helton Leite e o ressalto em balão a ir ter ao Pizzi, que atirou de primeira para dentro da baliza. O Boavista quase não passava do meio-campo, mas teve um canto aos 42’ e reduziu para 2-1 pelo Talocha, depois de ganhar um ressalto na área, num lance em que a nossa defesa deveria ter feito melhor para aliviar a bola.

Na 2ª parte, os axadrezados tentaram ser mais perigosos, ainda tiveram um remate bem blocado pelo Vlachodimos, mas nós voltámos a ter dois golos de vantagem aos 54’ num óptimo contra-ataque pelo João Félix, que ultrapassou um defesa, avançou pela direita e depois colocou a bola no único sítio possível entre o defesa e o guarda-redes para o Seferovic rematar vitoriosamente (não sem antes a bola ter ainda batido no Helton Leite...!). Pouco depois, o mesmo Seferovic falhou um desvio relativamente fácil a um remate do Gabriel, mas conseguimos finalmente descansar de vez aos 73’, ao fazermos o 4-1 no bis do suíço, de recarga, depois de um remate cruzado do Pizzi que o guarda-redes defendeu para o lado. O Seferovic cedeu o seu lugar ao Ferreyra minutos depois, mas foi o Grimaldo a destacar-se até final com o seu golão de fora da área a fazer o 5-1 aos 86’. No último minuto, uma imprudência do Samaris deu um penalty ao Boavista, mas o Vlachodimos brilhou a grande altura ao defender o remate do Mateus.

Em termos individuais, destaque para o João Félix, Pizzi e Seferovic que estiveram presentes em quase todos os nossos golos, sejam marcando-os, seja fazendo as assistências. Bom jogo novamente do Gabriel (desatenção inicial à parte), que tem o grande mérito de saber colocar a bola na frente a 30 m. Também gostei do Samaris, embora tenha de ter mais cuidado quando tenta aliviar bolas dentro da nossa grande-área. Uma palavra final para o Vlachodimos, que efectuou uma enorme defesa no penalty.

Só não vê quem não quer o que melhorámos em poucas semanas com o Bruno Lage. A equipa está mais confiante, muito mais subida em campo, o pressing que faz para recuperar a bola é impressionante, a saída a jogar desde a defesa não tem comparação com o passado, enfim, estamos finalmente a jogar futebol. Iremos agora ter um duplo confronto com a lagartada, que irá permitir ver até que ponto vai esta nossa evolução. Só espero que, caso haja uma estagnação dessa evolução, ela não se deva a outros elementos que não os jogadores adversários. É que dava jeito que jogássemos só contra onze.

sábado, janeiro 19, 2019

Importante

Voltámos ontem a vencer em Guimarães pelo mesmo resultado (1-0) desta feita para o campeonato e mantivemos a distância de cinco pontos para o CRAC (ganhou 4-1 em Chaves). Foi um triunfo bastante difícil, como se esperava, onde tornámos a ter o mérito defender bem e aproveitar uma das poucas oportunidades de que usufruímos.

Com somente três dias de intervalo entre os jogos, o Bruno Lage efectou algumas alterações: o Rúben Dias (castigado), Fejsa (lesionado) e o Zivkovic e Seferovic (no banco) foram substituídos pelo Conti, Samaris, Cervi e, a maior surpresa de todas, Castillo, para além do já esperado regresso do Vlachodimos à baliza. O V. Guimarães entrou muito melhor do que na Taça e não nos concedeu tanto espaço nos minutos iniciais. Mesmo assim, ainda conseguimos criar perigo num remate à figura do João Félix, noutro bastante mais forte do Pizzi que o Douglas defendeu para canto e, principalmente, num lance em que um ressalto foi parar ao Castillo em excelente posição, mas um defesa cortou o seu remate, que saiu com menos força do que o desejável. Do lado contrário, dois remates de fora da área do André André e do Tozé (o primeiro por cima, o segundo defendido pelo Vlachodimos) criaram-nos problemas, mas foi já quase em cima do intervalo que o V. Guimarães teve a sua grande oportunidade, quando o Conti deixou que o Guedes se isolasse, valendo-nos a pouca colocação do remate para uma defesa não muito complicada do nosso guarda-redes.

Na 2ª parte, tivemos ainda mais dificuldades em chegar à área contrária, mas também fechámos bem a nossa. O Luís Castro falou no final do jogo sobre as oportunidades que tiveram, mas sinceramente só me lembro de um remate de fora da área do Rafa Soares que passou perto do poste. Quanto a nós, soubemos defender bem quando o V. Guimarães aumentou a pressão (mas, lá está, sem conseguir criar situações de golo) e melhorámos com a entrada do Rafa para o lugar do Pizzi. Aos 81’, o Gabriel rodou sobre si mesmo e desmarcou brilhantemente o André Almeida na direita, este entrou e o recém-entrado Seferovic só teve que encostar. Estava feito o 1-0 para nós já perto do final do jogo! O V. Guimarães sentiu muito o golo e nunca mais conseguiu aproximar-se da nossa baliza, mas nós poderíamos e deveríamos ter mantido mais a bola nos últimos minutos: tentámos ir à procura do segundo golo já nos descontos, o que levou a que o adversário tivesse depois mais posse de bola do que seria desejável.

Em termos individuais e à semelhança do que aconteceu na Taça (e que eu me esqueci de referir no post), o Gabriel foi o melhor do Benfica: muita cabeça e muito critério na definição dos lances a meio-campo e a soberba abertura para o André Almeida que deveria contar como assistência para golo. O nosso defesa-direito tem algumas limitações, mas já tem seis assistências para golo. Não é para todos…! O Fejsa fez falta no meio-campo, embora o Samaris não tenha estado mal, considerando que é o seu primeiro jogo a titular no campeonato. Quando aos novos, o Castillo poderia ter estado melhor, embora se note a falta de ritmo, e o Conti definitivamente não me convence: cortes deficientes para zona de remate adversária, muito mal batido no lance do Guedes na 1ª parte e, noutro lance sob a esquerda na 2ª, falhou clamorosamente o corte, deixando que o adversário ficasse livre para centrar. O Rafa entrou muitíssimo bem, nomeadamente ajudando na defesa e torna-se desde já um sério candidato à titularidade. Menção final para o Seferovic, que estava no lugar certo para fazer o golo.

Passámos com distinção esta dupla jornada em Guimarães. Segue-se o CRAC para a final four da Taça de Liga e veremos como a equipa vai reagir a mais um teste muito difícil. Mas não posso deixar de dizer que finalmente tenho gozo em ver o Benfica jogar esta época: mesmo quando não há nota artística, a maneira como sabemos estar em campo e o que fazer em cada momento do jogo não pode deixar de nos satisfazer.

P.S. – O Sr. Tiago Martins fez das arbitragens mais miseráveis dos últimos tempos: não há falta nenhuma do Jardel sobre o guarda-redes na 1ª parte, o fora-de-jogo ao Cervi é um autêntico roubo de igreja, ficava dois para dois com o Seferovic isolado na área (é que nem se deixou decorrer o lance para depois o VAR decidir) e o amarelo ao André Almeida (para ele ficar tapado), depois de protestar com o André André por este o ter pisado, é uma vergonha! Isto tudo ainda valoriza mais a nossa vitória.