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terça-feira, maio 24, 2005

Boavista 1 – CAMPEÕES NACIONAIS 2004/5 – 1

Em 29 anos de Benfica, nunca estive tão nervoso antes de um jogo. Estes últimos dois meses foram particularmente tensos, mas nesta última semana e principalmente no passado Domingo os níveis de nervosismo atingiram o auge. Foi quase impossível pensar em qualquer outra coisa. Recordo-me perfeitamente de outros jogos importantes, como a final da Taça Uefa ou as duas finais da Taça dos Campeões na década de 80, mas estar há 11 anos sem ganhar o campeonato é algo que nunca aconteceu na história do nosso Glorioso clube, pelo que a ânsia era enorme e plenamente justificada.

Como seria de esperar o jogo não deu para relaxar. Continuo à espera de um joguito onde marquemos dois golos no primeiro quarto de hora, cheguemos ao intervalo a ganhar por 2-0 e marquemos mais um no início da 2ª parte, para ter então um jogo completamente descansado. O Boavista comeu a relva durante todo o tempo, justificando bem os incentivos que teve. Nós fizemos um jogo muito seguro, correndo poucos riscos, mas jogando sempre para ganhar. Depois de termos marcado o golo de penalty (num lance mais do que evidente), pensei que seria difícil perdermos até porque o Boavista não estava a chegar à nossa baliza, mas o golo de empate (numa imperdoável desconcentração do Luisão num canto) voltou a assustar-me. Durante a 2ª parte foi impossível controlar os nervos e confesso que estava com um péssimo pressentimento, que se acentuou depois do golo do clube regional. Foi pena o Simão não ter morto o jogo logo aos 50 seg. do recomeço, mas depois disso só criámos perigo em livres. Pensando à posteriori e sem as emoções à flor da pele no momento, a nossa 2ª parte foi perfeita em termos de controlo do jogo, já que o Boavista quase não se aproximou da nossa grande área e não criou nenhum lance de perigo. No entanto, estávamos à mercê de um qualquer lance fortuito que deitaria tudo a perder. Quando a Académica nos deu a grande alegria do golo do empate, senti logo que o campeonato estava ganho. O extravasar de emoções foi inevitável, bem como as lágrimas que me caíram durante meia-hora. A espera foi demasiado longa e não, não valeu a pena. Irrita-me profundamente quando oiço alguém dizer isto! As comemorações foram memoráveis, mas é óbvio que preferiria não ter esperado 11 anos para voltar a ganhar um campeonato!

SLB, SLB, SLB, GLORIOSO SLB, GLORIOSO SLB!!!!!!!!

segunda-feira, maio 16, 2005

Ainda não ganhámos nada...

Nem sequer o direito a estar presentes na fase de grupos da Liga dos Campeões (se os três grandes terminarem empatados, ficaremos em 3º lugar e teremos de disputar a 3ª pré-eliminatória). Por isso, não percebo nem concordo com as manifestações no Marquês. As pessoas já deviam ter percebido que este campeonato só estará garantido quando acabar mesmo. Nos últimos seis jogos tivemos três vitórias, um empate e duas derrotas. Desperdiçámos seis pontos de avanço, agora temos três, mas ainda precisamos de mais um. Qualquer celebração neste momento é demasiado extemporânea.

Claro que esta vitória frente aos lagartos foi importantíssima. E justíssima, há que acrescentar, já que fomos a única equipa a querer verdadeiramente ganhar o jogo, apesar de nem sempre termos jogado bem (especialmente na 1ª parte) e termos tido a sorte de marcar perto do fim. Os lagartos vieram jogar para o empate e acabaram por perder. O subtítulo do jogo bem poderia ser a revolta dos substituídos, já que o Geovanni e o Nuno Assis foram dos nossos melhores jogadores. Muito bem fez o Trapattoni ao não substituí-los como habitualmente, porque estávamos de facto a criar oportunidades de golo e a jogar bem. E a insistência na entrada do Mantorras também tem muito que se lhe diga, já que se é bom porque galvaniza o público e a equipa, e tem marcado golos decisivos, também estraga muito jogo por ficar sistematicamente em fora-de-jogo (será que ninguém lhe explica que tem que olhar para os defesas contrários em situações de contra-ataque para se manter em posição legal? Há três anos que está no Benfica e não se notam melhorias nenhumas neste aspecto). Também gostei bastante do Manuel Fernandes e do Quim, que foi decisivo nas três defesas que fez. Eu, que sou e continuarei a ser um defensor do Moreira, tenho que lhe tirar o chapéu desta vez.

Quanto ao lance do golo, não compreendo a razão da polémica. Visto e revisto várias vezes, sinceramente não consigo ver o Luisão a tocar no Ricardo. Este é que dá um grande frango e deixa a bola fugir-lhe das mãos para a cabeça do nosso jogador. Aliás, se dúvidas houvesse, percebe-se perfeitamente o Ricardo a dizer ao árbitro “foi mão” e não “foi falta”. E mão do Luisão é que não foi de certeza. Os próprios dirigentes lagartos reconhecem que o lance foi legal.

O jogo no Bessa antevê-se complicadíssimo. O Boavista não tem nada a perder e como está muito amiguinho do clube regional não vai querer desdenhar a oportunidade de lhe dar uma ajudinha. Além disso, há a chamada solidariedade dos arguidos e certamente muitos “incentivos” a passar debaixo da mesa. O meu medo é que joguemos para o empate, ficando assim vulneráveis a um qualquer lance fortuito que poderá resultar num golo sofrido. Temos que jogar para ganhar para não nos acontecer o mesmo que aos lagartos. É bom que os jogadores estejam concentrados e mentalizados para a vitória (outro estágiozinho em Óbidos é bem vindo), porque a desilusão será imensa se não conseguirmos ganhar o campeonato depois de estarmos a um simples ponto do objectivo. E não podemos estar à espera de uma ajuda da Académica, que, a ver pelos 4-0 que sofreu do Moreirense em casa, já entrou de férias.

P.S. – O ecletismo do clube regional é de saudar. O McCarthy, para além de um excelente boxeur, é igualmente um andebolista de excepção. Foi um “pequeno” lapso do Sr. Paulo Costa, que o Rio Ave também não contestou certamente a bem das boas relações entre vizinhos. Haveria de ser o Glorioso a marcar um golo assim e teríamos falatório durante a semana toda...

domingo, maio 08, 2005

Balde de água fria

Os milagres personificados no Mantorras não acontecem sempre. Depois desta derrota em Penafiel, deixámos de ter margem de manobra. Ou ganhamos os dois próximos jogos ou vamos ter a maior desilusão dos últimos 11 anos. Sim, porque não acredito que o clube regional e os lagartos desaproveitem esta oportunidade de ouro para se aproximarem de nós.

Este jogo não augurava nada de bom. Para começar já sabíamos desde o jogo contra o Belenenses que o Luisão e o Nuno Gomes não actuariam frente ao Penafiel e durante a semana foi o Manuel Fernandes a evidenciar problemas físicos. Sem três titulares indiscutíveis, as coisas anteviam-se muito complicadas. E assim foi. Embora o André Luís tenha estado bem na maior parte do tempo, teve culpas no golo, mas nulidades completas foram o Bruno Aguiar e o Karadas. Junte-se a isto uma marcação cerrada do Penafiel, um Nuno Assis em péssima forma, um Simão esgotado, um Geovanni que se ausenta durante largos períodos e um Miguel ainda a recuperar fisicamente, e temos a combinação perfeita para o desastre. Ficaram por demais evidentes as limitações do plantel. Quem são os substitutos do Petit e do Manuel Fernandes? Parece incrível como o Fernando Aguiar faz falta a esta equipa, já para não falar do Andersson ou do Ednilson. Ou alguém tem dúvidas que todos estes são melhores e mais úteis que o Paulo Almeida, o Everson (ainda estou para saber como é que se vai contratar um jogador com pubalgia...) ou o Bruno Aguiar (que é péssimo na marcação a meio-campo, raramente fazendo pressão sobre o jogador que tem a bola)? Quanto às alas não temos alternativa ao Simão e Geovanni, o Carlitos é simplesmente ridículo. Aliás, apesar de não ser um jogador regular, sempre se pode esperar qualquer coisa do Geovanni (quanto mais não seja um pontapé que decida os nossos jogos como em Alvalade no ano passado ou em Guimarães neste), portanto não se percebeu a sua substituição pelo Carlitos.

A nossa exibição foi paupérrima e ou damos uma volta de 180º, ou então corremos o risco de acabar em 4º lugar (o Braga só está a 4 pontos). O que é realmente preocupante é a incapacidade demonstrada por nós de dar a volta ao jogo quando sofremos um golo. A estatística não engana, em 48 jogos oficiais este ano, só por três (!) vezes demos a volta a um resultado negativo. Duas com o Estoril e uma com a Oliveirense. Ou seja, quando sofremos um golo só temos 6,25% de probabilidades de ganhar o jogo! Já foi por demais referido neste blog como a mentalidade do Sr. Trapattoni dá azo a esta situação. Hoje, quando sofremos o golo, ficámos sem capacidade de reacção. Pareceu que os jogadores não acreditavam que poderiam recuperar (apesar de faltarem quase 30 min. para o fim) e, assim, é difícil ganhar campeonatos.

P.S. – Quando a nossa exibição não o justifica não gosto de me desculpar com erros de arbitragem, mas o Sr. Pedro Proença demonstrou mais uma vez quanto a sua condição de associado do nosso clube influencia as suas actuações. Depois de ter perdoado dois flagrantes penalties (sobre o Mantorras e Simão) no Bessa em 2001/2002 e de ter assinalado dois a favor dos lagartos (um mergulho do Silva e outro do Liedson) no SLB-lagartos do ano passado, hoje decide da mesma maneira quatro lances duvidosos na grande-área do Penafiel: na 1ª parte, derrube ao Geovanni, e na 2ª, mão de um jogador depois de um centro do Carlitos, agarrão ao Mantorras na sequência de um canto e encosto ao Simão pelas costas já no fim do jogo. Apesar de nenhum deles ser absolutamente escandaloso (e não havendo pequenas penalidades), o único que não me parece mesmo penalty é o lance da mão. No entanto, para demonstrar bem o seu benfiquismo, o árbitro não assinalou nenhum deles...

domingo, maio 01, 2005

Benfica - 1 - Autocarro à frente da baliza - 0

Para (não) variar lá ganhámos com sofrimento, num jogo que os nossos adversários vão-se fartar de contestar. Esclareçamos desde já: indiscutível é o penalty sobre o Nuno Gomes (puxão do Neca) na 1ª parte. Discutível é o penalty assinalado a nosso favor por mão na bola. O remate é muito à queima, se bem que o jogador do Belenenses estivesse com os braços um pouco levantados. Enfim, compensou o penalty não assinalado da 1ª parte. Quanto ao lance entre o Lourenço e o Ricardo Rocha só se tiram as dúvidas com uma das quatro (!) repetições. Há, de facto, um ligeiro toque do Ricardo no pé do adversário, que não o impede de rematar, mas talvez o tenha impedido de acertar melhor na bola. Mas dado que o lance é bastante rápido e o remate é efectuado, percebe-se que não tenha sido nada assinalado (compare-se com o lance do Belenenses - clube regional e veja-se as diferenças).

Quanto ao jogo, é mais um só com um sentido. E se nos jogos anteriores ainda se compreendia que as equipas adversárias se fechassem muito na tentativa de conseguir pontos para cumprir os seus objectivos (Rio Ave – Europa; Leiria – 12º lugar para ser elegível para a Taça Intertoto; Estoril – não descer), neste jogo não se compreendeu a atitude do Belenenses. Veio jogar à Luz com um autocarro à frente da baliza como se o pontinho que queria levar fosse de primordial importância. Para quê? Estão mais que a salvo da descida e longíssimo da Europa, porque é que não vieram para jogar à bola? Este artigo (num jornal que se é conotado com algo não é certamente com o Benfica) deixou-me extremamente preocupado e talvez contenha a explicação para a atitude do Belenenses. Não se tratava de vir jogar à Luz para estender uma passadeira ao Benfica (porque nós, ao contrário de outros, gostamos de jogos leais, sem frutas), mas tentar jogar para ganhar. Não quer dizer que não tivessem cuidados defensivos, o que não se compreende é o completo abdicar do ataque ou contra-ataque. Nem sequer tentaram criar lances de perigo até sofrerem o golo. Muito estranho mesmo, especialmente quando comparado com outras equipas que, por exemplo, vão jogar com os suplentes perante alguns dos nossos rivais.

Tivemos bastante azar durante quase todo o jogo, a bola parecia (mais uma vez) que não queria entrar. Desta vez não foram uma, mas duas, as bolas ao poste. No global, a equipa jogou de um modo bastante razoável. O Dos Santos está definitivamente em melhor forma que o Fyssas e o Nuno Assis melhorou em relação aos últimos jogos. Só não percebi a troca de guarda-redes, que nos ia saindo bastante cara, já que o tal lance do Ricardo Rocha resulta num frango do Quim que soca a bola para a frente. E infelizmente o Trapattoni deu a entender que vai mantê-lo a titular... O Simão já não consegue disfarçar os seus problemas físicos e o Miguel também não esteve ao seu nível. Mas colectivamente nunca perdemos a calma e mantivemos sempre um ritmo bastante elevado. A vitória é mais que justa e merecida.

Para a semana em Penafiel, o jogo afigura-se outra vez extremamente difícil. O presidente deste clube vai querer certamente dar uma alegria ao seu verdadeiro clube. Vamos lá a ver se não temos mais um autocarro à nossa espera. Para a grande alegria nacional, só temos que vencer os dois próximos jogos. FORÇA BENFICA!

P.S. – Que moral é que tem um treinador para vir falar da arbitragem num outro jogo quando no seu "só" aconteceu o seguinte: o golo que dá a vitória é marcado em indiscutível fora-de-jogo; é assinalado um penalty (falhado) a seu favor que não existiu; são tirado dos foras-de-jogo inexistentes ao adversário quando os respectivos jogadores ficariam isolados? (Para além de tudo, um jogador do Marítimo, já amarelado, mete a mão à bola para impedir... que ela saia pela linha lateral! Consequência? Certamente a pretendida por esse jogador: expulsão. Que diferença de atitude se vê nas equipas que jogam contra nós e contra o clube regional.) De facto, é preciso ter muita lata!

terça-feira, abril 26, 2005

Sofrimento algarvio

Parece que estamos condenados a ganhar sempre em sofrimento, mas não havia necessidade de exagerar. Não jogámos tão bem como contra o Rio Ave e União de Leiria, mas merecemos indiscutivelmente a vitória neste jogo contra o Estoril. Num dos estádios mais bonitos do Euro (pena foi o estrangulamento na saída da Via do Infante para o acesso ao recinto) e com um ambiente fantástico, assistimos a um jogo com sentido único. Atacámos muito e quase sempre mal, mas o Trapattoni lá fez substituições atacantes (ao menos uma vez na vida) e acabámos o jogo com três defesas e cinco avançados! Na equipa inicial não percebi a entrada do Fyssas, já que o Dos Santos é bastante mais atacante, mas FINALMENTE reentrou o Moreira! Já não era sem tempo, apesar de neste jogo ter sido um mero espectador (e não ter tido culpa nenhuma no golo sofrido).

O Estoril, que já na Luz tinha sido das equipas mais agressivas que vi, não deixou o seu crédito por mãos alheias e actuou de maneira duríssima durante o jogo todo. A expulsão do Rui Duarte aos 25 min. é mais do que justificada (coitado, teve menos sorte que o Polga que cortou a bola com a mão no jogo com a Académica também por volta da meia-hora e, apesar de ser o último defesa, não foi expulso... Sim, porque não obstante o jogador academista se ir isolar, como estava logo depois do meio-campo a jogada não era de iminente golo, claro, claro...). Se é a 1ª vez neste campeonato que um jogador é duplamente amarelado ainda antes da primeira meia-hora, azar o dele, não fizesse duas faltas mais que merecedoras de amarelo. A expulsão do outro jogador estorilista por palavras não discuto. Faltou a expulsão do Cissé por ter pontapeado o Mantorras por trás. A falta sobre o Petit que deu origem ao livre que resultou no nosso 1º golo é indiscutível (fica com o pé direito preso pelo pé do adversário). O agarrão (completamente desnecessário) do Ricardo Rocha ao Moses na grande-área é, de facto, penalty, mas lances daqueles na sequência de cantos e livres acontecem aos magotes nos jogos todos e raramente são sancionados. Portanto, não percebo tanta celeuma em redor da arbitragem.

Para ser um fim-de-semana perfeito, só faltou o clube regional não ter a sorte do jogo em Aveiro (golo do Quaresma no último minuto depois de duas oportunidades claras do Beira-Mar). Voltámos a ter três pontos de vantagem sobre a concorrência mais próxima, mas a equipa está demasiado ansiosa. Espero que com o regresso do Miguel e Manuel Fernandes contra o Belenenses as coisas melhorem até porque, como jogamos antes dos rivais todos, temos que lhes colocar pressão em cima e, se não ganharmos, eles vão actuar mais moralizados. Acho que para além dos lagartos e do Braga (que, jogando entre si para a semana, terão necessariamente de perder pontos) temos que nos preocupar principalmente com o clube regional, que, estando só a quatro pontos, é a equipa que tem o calendário mais fácil até final.

segunda-feira, abril 18, 2005

(Ainda) Estamos em primeiro

Mas por este andar não vamos estar lá durante muito mais tempo. A desilusão foi bastante grande no Sábado com o União de Leiria. Decididamente, a estrelinha de campeão abandonou-nos nos últimos dois jogos. A sorte que tivemos ao marcar o golo do empate aos 92 minutos mal deu para compensar o azar de vermos um guarda-redes habitualmente suplente defender pelo menos cinco (!) remates que iam direitos para a baliza. Os últimos 20 minutos da 1ª parte foram de um sufoco total e não faltou a habitual bola no poste. No entanto, na 2ª parte não jogámos tão bem e as ocasiões de golo escassearam, mas também o Leiria só existiu durante os primeiros 16 minutos de jogo. Depois de marcar o golo, mal passaram do meio-campo.

Ao jogo menos conseguido da 2ª parte, o nosso treinador não deu a resposta devida. Infelizmente, o Sr. Trapattoni já sabe de antemão as substituições que irá fazer, não levando em consideração se determinado jogador está ou não a jogar bem. Assim se passou com o Geovanni, um dos nossos melhores e mais perigosos jogadores, cuja substituição determinou o fim das ocasiões de perigo que criámos. Ao invés, é por demais evidente a má forma física do Simão (também, pudera, depois de tudo o que já fez) e o abaixamento de forma do Nuno Assis (não se pode falhar um golo daqueles). O Miguel também esteve longe daquilo que nos habituou e o Nuno Gomes continua a não rematar à baliza tanto quanto deveria. E será só embirrância minha, ou o Quim deveria ter saído ao cruzamento do golo que foi cair à entrada da pequena-área? Tudo isto conjugado com a exibição da vida do Costinha significou mais dois pontos a voar.

Neste momento não sei bem o que pensar. Sinto-me como se estivesse a dormir e a ter um sonho magnífico, mas ouvisse em fundo uma barulheira infernal no quarto ao lado que poderá acabar por me acordar. Resta saber se conseguirei terminar a tempo o sonho. Perder cinco pontos em duas semanas não augura nada de bom, mas sofrer golos nos últimos minutos e exibições estratosféricas dos guarda-redes adversários não acontecem sempre. E agora lá estamos como o nosso treinador gosta, só com um ponto de avanço... Entretanto, irei à Amadora e ao Algarve para continuar a alimentar o sonho.


P.S. - E é claro que hoje à noite irei à Cinemateca...

segunda-feira, abril 11, 2005

Injusto

A derrota com o Rio Ave foi a mais injusta do ano. Provavelmente a única que não merecíamos (se descontarmos a benquerença roubalheira). Depois de uma 1ª parte equilibrada, dominámos completamente na 2ª e na única ocasião de perigo que o Rio Ave teve sofremos o golo no último (!) minuto.

Todavia, há coisas que não compreendo: porque é que entrámos em jogo cheios de medo? A 1ª parte foi muito fraca e qualquer semelhança com o mesmo período do jogo com o Marítimo foi pura coincidência. A jogar praticamente em casa, com o estádio todo de vermelho, não percebo porque é que não entrámos para cima deles, a pressionar e a tentar construir uma vantagem segura, para não corrermos o risco de acontecer o que aconteceu. Mesmo assim, conseguimos criar uma excelente oportunidade que o Simão não deveria ter falhado. Na 2ª parte tivemos mais duas grandes chances de marcar que desperdiçámos. Na 1ª delas, o remate do Nuno Gomes foi muito fraco, mas se o Karadas se tivesse esticado teria chegado à bola. E na 2ª o Luisão falha inacreditavelmente de cabeça depois de o guarda-redes ter falhado a intercepção num canto. E no último minuto lá aconteceu o impensável. Depois de ter defendido durante a 2ª parte toda, num contra-ataque, em que o Petit não acompanhou convenientemente o extremo contrário e o João Pereira deixou o marcador do golo à vontade, o Rio Ave ganhou o jogo. Mas será que sou só eu a achar que foi um pouco frango do Quim? O remate é à queima, é certo, mas a bola vai para o centro da baliza e é o nosso guarda-redes que a coloca lá dentro! Voltamos à velha questão: não sei até que ponto o Moreira não o teria defendido.

E pronto, lá estamos com a vantagem reduzida para três pontos (as declarações do Trapattoni antes do jogo, quando disse que ganhou sempre os campeonatos com um ou dois pontos de vantagem, também não foram das mais felizes, para dizer o mínimo...). Espero que em termos psicológicos a equipa não se vá abaixo, porque acabámos por fazer um bom jogo, nomeadamente na 2ª parte, e não merecíamos de todo ser derrotados. Mas se entrarmos em campo com ganas de ganhar logo desde início é muito mais difícil sermos contrariados. Os próximos quatro jogos (Leiria e Belenenses em casa, Estoril e Penafiel fora) darão a resposta, temos obrigação de os vencer (especialmente tendo em conta os dois últimos jogos do campeonato - lagartos em casa e Boavista fora), mas se isso não acontecer, temo o pior.

segunda-feira, abril 04, 2005

O estofo e a sorte dos campeões

Com muitos Benficas-Marítimos, o meu coração não vai aguentar até ao fim do campeonato. Aos melhores 25 minutos da época sucederam-se inacreditáveis desconcentrações defensivas. Mas, depois de termos sofrido o empate a três, demonstrámos estofo de campeão e uma vontade de alterar o rumo dos acontecimentos como tinha sido pouco vista este ano. Notou-se bem que os jogadores acreditaram até ao fim que era possível vencer o jogo. A vitória é mais que merecida e sem beneficiar de favores nenhuns. E é assim que nós gostamos de ganhar jogos (ao contrário de um certo clube que não olha a meios para atingir os seus fins). Aliás, mais uma vez (e é curioso que já é o terceiro jogo consecutivo em que isto acontece), fomos prejudicados. O golo invalidado ao Nuno Gomes é de bradar aos céus! Um domínio de peito é transformado em domínio com o braço, ou seja, exactamente o oposto do que aconteceu com o Jorge Costa no jogo com o Gil Vicente. Que pena não termos a “benquerença” (que coincidência ter sido este o árbitro...) do clube regional.

Individualmente, destacaram-se pela positiva o Nuno Gomes, ao readquirir a sua veia goleadora (o seu 2º golo é magnífico), e o Miguel, que nos dá um desequilíbrio atacante que poucos laterais-direitos mundiais podem dar. Até o Trapattoni “perdeu a cabeça” e colocou os três pontas-de-lança ao mesmo tempo em campo (só aos 82 min, mas lá estiveram os três juntos)! Aliás, as entradas do Mantorras e Karadas foram fundamentais para a vitória, como se viu no 4º golo. Negativamente, estão o Quim, que tem grandes responsabilidades no 1º e 3º golos (quando é que ele agarrará uma bola num cruzamento?!), e o Luisão, que ainda devia estar com o jet lag.

Há muito tempo que não víamos o Glorioso ganhar um jogo nos últimos minutos, mas alguma vez teríamos que ter a sorte dos campeões. O estádio, quase cheio, estava lindo e a cereja no topo do bolo foi-nos dada pelo jogador que mais merece ser um herói: Mantorras. As vitórias assim são mais saborosas, mas eu trocava o jogo de ontem (sem dúvida o melhor desta edição do campeonato) por um 4-0 a nosso favor. O sofrimento teria sido bastante menor...

segunda-feira, março 21, 2005

Cruzeiro no Sado

Quando aos dois minutos o Bruno Moraes (curiosamente um jogador emprestado pelo clube regional ao V. Setúbal) se atira sobre o Petit e o lesiona, pensei: “nunca mais venho ver um jogo fora. É a primeira vez esta época e começa logo a correr mal.” E, de facto, os primeiros 20 minutos não auguravam nada de bom, com o V. Setúbal a jogar melhor, apesar de ter havido o lance duvidoso sobre o Geovanni em que se fosse assinalado penalty não teria sido um escândalo. Felizmente tudo se alterou com a (justíssima) expulsão do defesa setubalense e, a partir daí, controlámos completamente o jogo. O futuro guarda-redes do clube regional deu uma ajuda preciosa no golo do Manuel Fernandes e a 2ª parte foi um passeio, especialmente a partir do golo (com alguma sorte no ressalto, diga-se) do Geovanni. A um quarto de hora do fim, o meu amigo H. disse-me: “para isto se tornar interessante, só falta o nosso 3º golo”. Plenamente de acordo! Infelizmente não veio, mas conseguimos o que era essencial: ganhar.

Apesar de não termos o killer instinct que nos permita cilindrar adversários e tentar sempre marcar mais golos, pode ser que estejamos já em velocidade de cruzeiro em direcção ao tão desejado título. Já se sabe que não conseguimos entusiasmar por aí além (ou não fôssemos treinados por um italiano, que, a crer n’ A Bola, disse na conferência de imprensa “se eles marcassem antes de nós seria difícil recuperar”; felizmente as coisas estão a correr bem, mas o discurso da impossibilidade de dar a volta a um jogo mantém-se!), todavia demonstrámos um futebol bastante consistente, razoável e com a tão famosa personalitá. Por isso é que a análise deste jornalista (?) do Record é de morrer a rir. São sete, repito, s-e-t-e, os nossos jogadores que têm nota 2 em 5! E os restantes são corridos a 3! Se fossem outras as cores em campo, a exibição tinha sido “inteligente”, “constante”, “adulta” e sem permitir “veleidades ao adversário”. Como é o Benfica, 2/3 da equipa tem nota negativa!

É sempre bom ver o Glorioso ao vivo e os jogos fora têm uma aura diferente. A seguir ao 2º golo, quando o jogo praticamente acabou e passámos a trocar a bola sem procurar a baliza, o entusiasmo nas bancadas arrefeceu um pouco. Se fosse no Estádio da Luz, toda a gente começava a assobiar e a mandar a equipa para a frente. Não é que eu não gostasse que tentássemos marcar mais golos, mas daí a assobiar a equipa (que ainda por cima está a ganhar) vai uma diferença tão grande como entre a decência e a Carolina Salgado. Por isso é que é mais fácil jogar fora do que em casa, a pressão é bastante menor. Pode ser que agora, isolados em 1º e com a esperança legítima de chegar ao título, a tolerância na Luz (que espero que encha contra o Marítimo) seja um pouco maior.

domingo, março 13, 2005

O começo da crença

Era absolutamente fundamental ganhar hoje ao Gil Vicente. Um empate dar-nos-ia igualmente a liderança isolada, mas não mostraríamos o tão famoso estofo de campeão. Ganhámos e bem, com a alegria suplementar de ver o Mantorras tornar-se decisivo ao apontar o 1º golo num grande remate fora da área. O 2º golo do Miguel também foi muito bom, na sequência de uma grande jogada do João Pereira, um mal-amado pelos benfiquistas ainda estou para saber bem porquê. Foi formado nas nossas escolas, é lutador, é razoável tecnicamente, na maior parte das vezes cumpre e não dá muitas abébias, não percebo porque é que muita gente o critica. Na maior parte do tempo jogámos bem, com paciência, pressing eficiente sobre o adversário, relativa rapidez na transição para o ataque e algumas oportunidades de golo enquanto o Gil Vicente teve somente uma. E houve um penalty por assinalar por empurrão (que eu saiba a carga de ombro não pode ser feita com a mão...) ao Karadas com o resultado ainda 0-0. Felizmente não teve influência no resultado final.

Tão importante quanto a vitória foi a atitude dos jogadores que começam a acreditar que é possível acabar com o nosso jejum. E eu também já acredito! Quem diria, há apenas meia dúzia de jogos, que estaríamos na posição que estamos hoje? Se os outros se entretêm a perder pontos e nós finalmente mostramos capacidade de aproveitar... Os três próximos jogos vão ser fundamentais, já que clube regional, lagartos e Boavista vão jogar entre si e, se nós ganharmos os nossos, podemos adquirir uma vantagem confortável, principalmente tendo em atenção as duas últimas jornadas (lagartos e Bessa). Se não precisarmos desses pontos era muito bom... Arriscamo-nos a fazer a dobradinha com o futebol menos conseguido dos últimos tempos, but who cares?!

P.S. - Hoje o estádio estava bastante mais composto (principalmente com crianças e estudantes reflectindo a medida acertadíssima de usufruírem de bilhetes mais baratos) do que nos jogos anteriores, mas dados os acontecimentos do dia anterior se fosse no estádio antigo estaria ainda mais gente. Claro que os preços eram muito menores. Aliás, continuo sem perceber porque é que os nossos bilhetes para o campeonato são tão caros (um não-sócio paga no mínimo 18€ para ver o jogo atrás da baliza). Será alguma exigência de um banco?

segunda-feira, março 07, 2005

Nacional - 0 - Benfica - 1

O Nuno Gomes é dos meus jogadores preferidos. Sempre lhe admirei o espírito combativo, a generosidade, a técnica, a capacidade para fazer tabelinhas (como poucos pontas-de-lança a nível mundial sabem fazer) e a capacidade concretizadora. Todavia, nos últimos tempos, a sua moral tem andado muito em baixo. A falta de golos que tem revelado, desde que voltou para o Glorioso, é certamente o maior motivo para este abaixamento de forma. Claro está que, desde que voltou, ainda não conseguiu fazer uma época completa sem lesões. Mas a sua maneira de jogar tem vindo a alterar-se e, a meu ver, com consequências negativas. Hoje em dia usa e abusa das tabelinhas e remata muito menos vezes do que antigamente. Aliás deve ser dos pontas-de-lança mundiais com maior grau de eficácia, porque quando remata à baliza é quase sempre golo. O que, concretizando menos de 10 golos/época, demonstra a pouca quantidade de vezes que visa a baliza. Ainda por cima, o seu remate é geralmente bastante colocado, pelo que não percebo porque é que não tenta com mais frequência. Isto tudo para dizer quanto fiquei contente pelo golo de ontem (ainda por cima de cabeça) e quanto fiquei triste pela sua (nova) lesão, que o vai impedir de jogar nos próximos jogos.

Quanto ao jogo, acabámos por ter sorte no penalty falhado pelo Adriano (inacreditável a forma como o Quim faz falta num lance em que o jogador adversário iria ficar quase sem ângulo para marcar; Moreira, onde estás?!) e no penalty não assinalado. Aliás não percebo porque é que o Dos Santos insiste em fazer penalties em jogadas sem grande perigo (já em Bruxelas o fez). De qualquer maneira, seria uma grande injustiça não ganharmos o jogo depois de pelo menos quatro oportunidades claríssimas (Simão, Geovanni, Petit e Nuno Assis). Fizemos um jogo bastante bom, na sequência do jogo do Dragon. Jogamos bastante melhor fora do que em casa e estamos a sair muito rápido para o contra-ataque, ao contrário do que tínhamos feito até há bem pouco tempo, o que nos permite criar lances de bastante perigo. Será que entrámos no bom caminho?

P.S. – O Sokota marcou quatro golos na equipa B. Mesmo sabendo que não continuará para a próxima época e que, se calhar, irá para um clube rival quem é que perde mais em não o ter na equipa principal? Ele, que continua a receber o ordenado, ou o Benfica que tem o Delibasic (que nem convocado é) para o substituir?

terça-feira, março 01, 2005

10 anos e 238 dias depois

Felizmente enganei-me nas previsões! Depois de 10 anos, finalmente uma arbitragem em que não fomos escandalosamente prejudicados permitiu que voltássemos a pontuar na casa do clube regional. E 238 dias depois de ter assumido o comando do Glorioso, o Trapattoni colocou a equipa a jogar sem medo e sem complexos num jogo importante. De facto, fiquei absolutamente perplexo com a nossa exibição e a questão é: onde é que esta equipa andava escondida? Jogámos (ontem sim!) com personalidade, sem medo de atacar, rematando com perigo, com transições rápidas da defesa para o ataque e tentando efectivamente ganhar o jogo. Fizéssemos isto nos outros jogos anteriores e não tínhamos tido tantos desgostos este ano.

No entanto, perdemos uma excelente oportunidade de ganhar, porque nunca se sabe quando voltaremos a sair de um jogo na casa do clube regional sem ter nenhum jogador expulso. Desta vez, como disse a grande Leonor Pinhão na TVI, como a rede da baliza abanou era difícil não validar o golo do Geovanni. E foi uma pena o lance do Nuno Gomes quase no final do jogo não ter resultado em golo. Mas, apesar de ficarmos em desvantagem no confronto directo com o clube regional, um empate lá em cima, dadas todas as condicionantes que habitualmente nos são impostas neste jogos, não se pode considerar um mau resultado. E agora estou muito curioso para verificar se a nossa inconstância vai terminar de vez ou se este jogo foi um oásis no deserto. Convém não esquecer que depois de darmos 4-0 ao Boavista conseguimos perder com o Beira-Mar... E se há jogo em que não podemos mesmo perder é o próximo com o Beira-Mar.

terça-feira, fevereiro 22, 2005

"Frente ao CSKA podemos marcar dois golos. Três não sei..."

Exibição razoável na 1ª parte, três oportunidades, dois golos. Tremedeira na 2ª parte, mas em que curiosamente saímos para o contra-ataque de maneira bastante mais rápida do que na Rússia (também mais lenta seria difícil). Tivemos a sorte dos campeões, mas também fizemos por a merecer. Os golos do Geovanni e Nuno Assis foram bastante bons, mas o golo do Guimarães resulta de um erro do Miguel com culpas do Quim. Aliás, continua por se saber o motivo que levou o Sr. Trapattoni a trocar o Moreira pelo Quim, que não só é incapaz de blocar uma bola nos cruzamentos, como ainda por cima a soca para a frente. Será que houve factores extra-técnicos a ditar esta decisão?

Voltámos ao 1º lugar mas temo que seja por pouco tempo. Com a “ambição” que o nosso treinador mostra será difícil fazermos qualquer coisa de relevante. Ainda ontem, já depois do golo do Guimarães, alguns suplentes foram aquecer por volta dos 10 minutos, mas o Karadas e o Mantorras continuaram no banco! Ou seja, se o Guimarães tem empatado o jogo, nós não poderíamos fazer uma substituição atacante rapidamente. Não há nada a fazer, o nosso treinador só se preocupa em jogar para trás. Ainda sobre as substituições, como é que o Miguel pode ter jogado os 90 minutos?! Quando o João Pereira entrou para o lugar do Geovanni, achei normal porque os treinadores geralmente não gostam de mexer na defesa nos últimos minutos. Mas qual não é o meu espanto quando o João Pereira vai para defesa-direito. O resultado? O Miguel acabou o jogo com cãibras. “Não há duas sem três” e depois do Rio Ave e Beira-Mar, temos outra vez o Miguel a jogar os 90 minutos em nítidas dificuldades físicas. Alguém é capaz de me explicar isto? Quando tempo irá ficar no estaleiro outra vez?

Agora que o Santana Lopes foi corrido, parece que o Sr. Trapattoni quer fazer concorrência aos elementos do Gato Fedorento como o maior humorista a actuar em Portugal. As suas declarações em relação ao jogo com o CSKA são hilariantes. Diz ele: “podemos marcar dois golos. Três não sei... mas dois podemos marcar”. Quer dizer, isto seria para rir se não fosse lamentável. Será que ele se esqueceu que perdemos por 2-0 e, portanto, temos que ganhar por três? Haverá alguma lei que nos proíba de ganhar por três? Será que queremos jogar um prolongamento em vésperas de ir ao Dragon para termos mais tempo de jogo e estarmos melhor preparados? Será que ele não se lembra do Corunha-Milão do ano passado (1-4; 4-0)? É absolutamente incompreensível! Como é que os jogadores irão estar mentalizados para passar a eliminatória com um discurso destes? Claro que se sofrermos um golo estará tudo perdido porque marcar quatro é um objectivo inatingível, não é Sr. Trapattoni?


Já só faltam 89 dias para a despedida...

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Finalmente, jogámos futebol!

Foi um dos nossos melhores jogos este ano. A bola circulou, fizemos boas triangulações e tabelas, pressionámos, dominámos enfim, jogámos futebol! Claro está que nos esquecemos da baliza, mas também não se pode fazer tudo de uma só vez. E só o facto de nos termos deixado de chouriçada para a frente já é um grande feito. Pode ser que agora passemos a jogar mais para a frente em vez de ser para o lado e para trás e que o Nuno Gomes aprenda que a função primordial de um ponta-de-lança é rematar à baliza e não passar a vida a fazer tabelas e tentar sempre colocar a bola nos colegas. Esperemos é que este tipo de jogo seja para continuar. Claro que o nosso treinador bem poderia ter arriscado um pouquinho mais, mas milagres (como colocar o Mantorras em vez no Bruno Aguiar aos 85 minutos) raramente acontecem e 0-0 em Braga não deixa de ser um bom resultado.

O clube regional lá nos continua a dar bastantes alegrias, com a sua escola de samba disfarçada de futebolistas sempre em grande forma. Esperemos é que o Guimarães, que já não sofre golos há cinco jornadas, quebre esta sequência na próxima jornada. Os comentários da TSF, do imparcial Costa Monteiro, é que foram muito engraçados, especialmente porque aquando da lesão do Palatsi (que demorou quatro minutos, devidamente compensados no fim, acrescente-se) disse: "sem estar a pôr em causa a lesão, o que é certo é que isto prejudica bastante o (e referiu o nome do clube regional)".

Os lagartos enganaram-se e enfiaram cinco ao Rio Ave sem o Ricardo Nascimento. Gostei bastante da discussão Sá Pinto-Liedson no penalty e da substituição deste ao intervalo. Ah, é verdade, já estava 4-0 e convinha não arriscar. Pois, pois...

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

De regresso ao 1º lugar

Contra a pior equipa que vi este ano no Estádio da Luz (até a Oliveirense da 3ª Divisão joga mais do que a Académica), conseguimos a vitória mais calma deste ano. Nunca deu a ideia de que pudéssemos sofrer um golo. Mas até ao primeiro golo a nossa produção foi zero. O golo através de um canto caiu mesmo do céu e tranquilizou-nos. A partir daí, lá jogámos um pouquito mais e tivemos alguns lances interessantes de futebol. Não percebo porque é que contra equipas destas não jogamos com um só trinco e dois pontas-de-lança. Ah, é verdade, o nosso treinador é o Sr. Trapattoni... Contra os três últimos classificados conseguimos uns fantásticos seis pontos em nove possíveis e agora é que vamos ver: Braga (fora), Guimarães, clube regional (fora) e Nacional (fora). Continuo a duvidar que tenhamos estofo para tudo isto, mais Taça Uefa e de Portugal, mas pode ser que me engane. Desde que o Simão não se magoe...

O clube regional teve uma sorte imensa no Estoril, a sofrer uma bola no poste e um jogador isolado que falhou, mas agora acha que arranjou um novo Mourinho. Realmente, o Luis, perdão, Victor Fernandéz era, como disse a grande Leonor Pinhão, muito educado e pouco arrogante para aquela gente. Quanto aos lagartos, foi um fartote de rir. Sinceramente, estava à espera de um empatezinho, mas 3-0 com o 3º golo a ser marcado com o Marítimo já com 10 jogadores foi bom demais!

segunda-feira, janeiro 31, 2005

No Minho é que está virtude!

No estádio onde há quase quatro (!) meses conseguimos a última vitória fora, voltámos finalmente a triunfar. Se conseguirmos transferir todos os jogos futuros para o estádio do Guimarães, o campeonato já não nos deve fugir. Demonstrámos mais uma vez a nossa terrível dificuldade em jogar contra 10 jogadores, mas já jogámos um futebol um pouquinho mais agradável. Com o Nuno Assis em grande plano, deixámos (espero que de vez) o pontapé-para-a-frente como sistema de jogo e finalmente circulámos a bola por todos os jogadores atacantes, criando os desequilíbrios que nos permitiram marcar. Vamos lá a ver se com um "número 10" de volta, passamos a jogar à bola outra vez se bem que a instabilidade que sempre demonstrámos esta época não nos deixe estar optimistas.

Continuando com as virtudes dessa grande região, o Braga foi ganhar ao Dragon, o que nos tempos que correm nem se pode considerar grande proeza. Fantástico jogo a vulgarizar uma equipa que, de campeã, só tem as quinas. Nós demorámos uma época inteira, com o Artur Jorge a dar cabo de uma equipa que tinha sido campeã nacional, o clube regional demorou apenas meia-dúzia de meses para dar cabo de uma equipa campeã europeia! Para acabar tudo em beleza, excelente o regresso do Maniche, com uma entrada das suas que não deixou outro remédio ao árbitro que não expulsá-lo. É tão bonito quando as máscaras caem...

segunda-feira, janeiro 24, 2005

À deriva

Parecia impossível, mas afinal conseguimos. Fizemos a pior exibição da época com o Beira-Mar. Mais do que o resultado, o que é extremamente preocupante é a forma e a atitude que a equipa (não) demonstra em campo. Parecíamos uma equipa de "solteiros e casados", a táctica era chutar para a frente para a cabeça do Karadas e salve-se quem puder. Até o Miguel frisou no final do jogo que não percebe porque é que não fizemos o nosso jogo habitual de trocas de bola no meio-campo e procura das alas. Será que não se pode trocar o Sr. Trapattoni pelo Miguel?! É inacreditável que, a meio de uma época, nós não tenhamos fio de jogo, querer, vontade e não me venham dizer que não temos jogadores. No ano passado, o Camacho tinha um plantel pior que este ano e conseguíamos jogar à bola!

As razões para tão paupérrima exibição não são difíceis de encontrar: falta liderança dentro do campo, alguém que incite os jogadores a ultrapassar as adversidades do jogo. Numa palavra, falta um treinador. Está mais do que visto que com o Sr. Trapattoni vamos arrastar-nos até final da época, acabamos sempre os jogos num estado lastimável, completamente "rotos" e sem capacidade para empurrar o adversário para a sua área. As estatísticas não mentem e não é por acaso que, este ano, só por uma vez (Estoril) conseguimos dar a volta ao jogo, ou seja, quando sofremos um golo o melhor que podemos almejar é o empate, porque o "importante é não perder", já que o "campeonato é longo". O que tínhamos de garra e determinação no ano passado temos de apatia e impotência neste ano. Para além da preparação física bastante deficiente, há um enorme trabalho psicológico a fazer. Aliás, agora percebe-se melhor as consequências da dispensa do psicólogo que tínhamos no ano passado.

Por outro lado, o espírito de grupo que tínhamos perdeu-se. E aqui entra a mãozinha do Sr. Veiga. As dispensas do Argel, Zahovic e Sokota não são entendíveis a não ser que alguém esteja a lucrar financeiramente com isto. Estamos a falar de três jogadores com quase quatro anos de Benfica, que, mesmo que não fossem titulares indiscutíveis, eram muito importantes no balneário (leiam o que é que o Camacho diz do Argel no seu livro). Então a dispensa do Sokota é absolutamente incompreensível mesmo em termos técnicos. Quem é que é capaz de dizer que o Karadas é melhor do que ele? Dispensa-se, porque vem aí um avançado argentino que, afinal, vai para o Barcelona. E agora ficamos sem um nem outro. Ok, não se quer renovar, não se renova, mas o que é que ganhamos a estar a pagar-lhe o ordenado para ele estar na equipa B?!


Finalmente, temos outra vez um "caso Miguel". Ou seja, "Rio Ave - parte II". Será que o Sr. Trapattoni foi o único a não ver que ele não estava em condições para fazer os 90 minutos? E, claro, agora está em dúvida para o jogo contra os lagartos. Temo o pior na próxima 4ª feira...

terça-feira, janeiro 18, 2005

Glorioso - 4 - Caceteiros Futebol Clube - 0

Foi daqueles jogos que parecem de encomenda: vitória fácil e robusta, possibilidade dos adeptos se despedirem de um jogador e golo de outro dois anos depois. E não houve nenhum jogador do Benfica lesionado, apesar de várias tentativas nesse sentido feitas por esta equipa que faz de cada jogo uma demonstração de luta livre (há quem chame "agressividade"). Como se isto não bastasse, houve uma jogada em que, com o Petit lesionado e os nossos jogadores à espera que a bola fosse rematada para fora, os caceteiros seguem o jogo e quase faziam golo. Enfim, nada a que não estejamos já habituados em equipas daquela cidade, sempre tão conformes às regras do fair-play.

Em relação ao Glorioso, com os titulares todos de volta, não há dúvidas que as coisas piam mais fino. Apesar de não termos feito um jogo soberbo, foi bastante melhor do que os últimos (também piorar era difícil). Começámos bem, logo com um penalty no 2º minuto não assinalado, e tivemos uma meia-hora inicial de bastante pressing. Na 2ª parte, depois da expulsão do jogador adversário, mostrámos que afinal sabemos tirar proveito da vantagem numérica, o jogo tornou-se fácil e vá lá não parámos ao 2º golo. E o jogo até deu para o Trapattoni fazer a substituição mais arrojada da sua carreira: tirar um médio defensivo (Manuel Fernandes) e colocar um extremo (Carlitos)!

Mas o melhor estava reservado para o fim. O Argel pode despedir-se em paz dos adeptos, que lhe dispensaram uma ovação merecida. Apesar de não ser um jogador fora-de-série, longe disso, penso que foi bastante útil ao Benfica durante o tempo que cá esteve, nomeadamente pela garra que transmitia aos colegas. Aliás, basta lembrar o jogo contra o Nacional para a Taça no ano passado, em que a sua entrada para ponta-de-lança foi absolutamente fundamental para conseguirmos dar a volta ao jogo. Claro está que sofremos alguns golos por culpa sua, mas ninguém o pode acusar de falta de profissionalismo e de não ter dado o máximo nos jogos. Se o quisermos comparar com centrais de épocas anteriores como Paulo Madeira, Ronaldo, Paredão, King, Paulão, etc. vemos bem a diferença.

No último minuto veio a cereja no topo do bolo: grande golo (a bola foi intencionalmente desviada do guarda-redes e não rematada às cegas) do Mantorras! E foi bonito ver os festejos subsequentes de todos os jogadores convocados. Agora que ele está a regressar aos poucos (esperemos que à forma que o notabilizou), só falta ensinarem-lhe a olhar para os adversários para não se colocar constantemente em fora-de-jogo para que as nossas jogadas de ataque possam ser mais imprevisíveis.

Com os saborosos resultados do fim-de-semana (empate do clube regional em Coimbra e derrota dos lagartos contra o Nacional), voltámos a colar-nos ao 1º lugar. E com a equipa toda de volta pode ser que o Trapattoni não tenha hipóteses de fazer o seu catenaccio. Como referi em posts anteriores, era tão bom que me enganasse...

segunda-feira, janeiro 10, 2005

lagartos - 2 - Sr. Trapattoni - 1

Por vezes penso que não vale mais a pena "bater no ceguinho", mas enquanto o ceguinho treinar o Glorioso SLB não me resta outra alternativa. A derrota era naturalmente esperada, aliás é o que geralmente acontece quando uma equipa entra em campo "para não perder", que é o "mais importante". Até ao 1º golo dos lagartos não existimos, depois cai-nos um golo do céu (que é como quem diz dos pés do Manuel Fernandes) e uma expulsão adversária justíssima. Óptimo, pensei eu, é agora que vamos mudar as coisas. Puro engano, continuámos a jogar da mesma maneira e conseguimos certamente entrar no Guiness (depois dos Pais Natal temos mais um recorde) com 1 remate (!) em 40 minutos de superioridade numérica. E o Sr. Trapattoni vem, no final do jogo, mostrar-se muito surpreendido com o facto de não termos atacado muito durante esse período. Porque é que será? Nós, que temos sido uma equipa de cariz eminentemente ofensivo, em busca constante do golo, com um treinador que gosta imenso de arriscar, não atacámos quando estivemos em superioridade numérica? Realmente, há coisas inexplicáveis na vida... Mesmo quando questionado pelos jornalistas, no final, sobre a razão pela qual a equipa não jogou como nos últimos 10 minutos, quando tivemos mais lances atacantes dos que nos 80 precedentes, o Sr. Trapattoni disse "pois, mas também poderíamos ter sofrido mais golos em contra-ataque"! E então, qual é o problema? Perdemos menos pontos do que se tivéssemos sofrido o 3º golo por estarmos a arriscar chegar ao empate?! O facto de, nos jogos decisivos (Anderlecht, Estugarda, clube regional, Rio Ave, lagartos), termos um empate e quatro derrotas é algo que nos faz encarar o futuro com "optimismo". O que vale é que o "campeonato" é longo"...

As duas únicas coisas positivas do jogo de Sábado foram o regresso do Mantorras (que grande finta sobre o Paíto!) e o facto de faltar menos um jogo para vermos o Sr. Trapattoni fora do Glorioso. Sim, porque quanto mais cedo acabar esta época melhor. Aliás, acho que o Mancini teve uma imensa falta de consideração em relação ao nosso treinador. Toda a gente sabe, como diz o Sr. Trapattoni, que com 0-2 o jogo está perdido, para mais aos 88 minutos (!), e não é que o treinador do Inter mandou a sua equipa para a frente e conseguiu dar a volta ao jogo em 4 minutos, ganhando por 3-2 à Sampdória? Que falta de respeito!

segunda-feira, dezembro 20, 2004

Benfica - 1 - Penafiel - 0

Vitória justa num jogo sem Miguel, Luisão, Ricardo Rocha, Manuel Fernandes e Nuno Gomes, ou seja, cinco titulares indiscutíveis. Para além disto, também "não tivemos" o Simão e o Petit, que fizeram dois piores jogos que tenho visto pelo Benfica, embora o Petit me pareça em condições físicas precárias. O jogo nem chegou a ser sofrido, porque o perigo que o Penafiel criou foi pouco ou nenhum. De positivo, a estreia do Alcides embora seja preciso vê-lo num jogo "a sério". Mas apesar destas contingências todas continuamos a jogar muito pouquinho. Nos 30 minutos iniciais jogámos bastante bem, mas depois voltou a monotonia habitual. A história dos ovos e omeletes é verdadeira e aplicável, mas jogarmos invariavelmente só meia-parte (e às vezes nem isso) é difícil de entender. Esperemos que, quando os lesionados voltarem, possamos jogar "para ganhar" em vez de "o importante ser não perder". Estamos no Natal e é este o meu desejo, ouviu Sr. Trapattoni? Mude o discurso e a atitude e pode ser que cheguemos a algum lado.