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quarta-feira, setembro 16, 2020

Fracasso

Perdemos ontem em Salónica contra o PAOK (1-2) e falhámos a possibilidade de entrar pelo 11º ano consecutivo na Liga dos Campeões ao sermos eliminados na 3ª pré-eliminatória. Ou seja, esta temporada não poderia ter começado pior.

Há duas maneiras de comentar jogos: olhando para o resultado ou olhando para a exibição. Eu preferirei sempre a segunda, porque nem tudo está bem quando se ganha, como nem tudo está mal quando se perde. Dito isto, para mim, o resultado de ontem foi injusto. Fomos claramente superiores, em especial na 1ª parte, em que a falta de um avançado eficaz, o guarda-redes Zivkovic e o poste nos impediram de resolver logo ali a eliminatória. O PAOK limitou-se a defender neste período e, mesmo antes de marcar na 2ª parte, tivemos mais uma clamorosa oportunidade pelo Everton, isolado, que permitiu a defesa do guarda-redes. Claro que não pode acontecer que o adversário vá duas vezes à nossa baliza e marque dois golos (63’ e 75’). Ainda reduzimos aos 94’ pelo entretanto entrado Rafa, mas já não fomos a tempo de evitar derrota. Custou-nos bastante, mas também há que ter em conta as vicissitudes  peculiares deste jogo: em tempo de pandemia, foi a uma só mão e o próprio Abel Ferreira, treinador do PAOK, disse que em dois jogos seria muito complicado eliminar-nos e, numa daquelas ironias em que o futebol é fértil, foi um jogador dispensado por nós, Zivkovic, a marcar o segundo golo dos gregos (e o Vertonghen a marcar o primeiro num autogolo...).

Em termos individuais, na 1ª parte, gostei bastante do Everton que, de facto, não engana, é craque, o Pedrinho mostrou mais nos jogos de preparação, mas teve um remate bestial de fora da área que só não golo devido ao guarda-redes (juntamente com o Everton parece rematar bem de longe, o que é logo uma mais-valia dado que desde o Talisca que não temos ninguém que o faça), o Pizzi foi outro dos azarados já que a bola ao poste num livre foi dele, e o Vertonghen pode ser importante na maneira como coloca a bola na frente. Não podemos é atacar uma ida à Champions com o Seferovic a ponta-de-lança. A este nível, não se pode falhar um desvio de cabeça praticamente na cara do guarda-redes. O Mitroglou ou o Jiménez (nem é preciso falar do Jonas) chamar-lhe-iam um figo. Ainda não deu para perceber o grau de eficácia do Darwin, mas lá mexido é ele, conforme se viu quando entrou na 2ª parte. No entanto, é difícil de perceber que o jogador mais caro de sempre do futebol português não tenha entrada directa no onze de qualquer equipa, mas enfim... Mas mesmo não o utilizando, não há é grande justificação para não dar a titularidade ao melhor marcador da Liga do ano passado (com 18 golos) e preferir um avançado que marcou cinco... Não há milagres, de facto.

O lugar natural do Sport Lisboa e Benfica é obviamente na Liga dos Campeões. Portanto, não há como não estar profundamente chateado com o que se passou ontem. Em primeiro lugar, isto é um rombo muito importante nas nossas finanças porque deixámos de ganhar 40 M€. E isto, para quem dá mais importância à parte financeira do que à desportiva, acredito que se sinta ainda pior do que eu. Porém, eu não vou para o Marquês festejar contas consolidadas e vendas de jogadores por 120 M€. Não sendo ingénuo e sabendo como o futebol actual funciona (era muito difícil manter um jogador com uma proposta daquelas), eu teria preferido vendê-lo por 60 M€ e ter ganho mais dois ou três campeonatos com ele entretanto. Tenho é a certeza que nem toda a gente pensaria assim. Porque há quem olhe para as nossas ex-glórias e se ponha a pensar quanto é que valeriam hoje, enquanto eu prefiro contabilizar os títulos que nos ajudaram a ganhar. São maneiras diferentes de se pensar.

Posto isto, e voltando a esta eliminação muito precoce, da mesma maneira que o Rodrigo não passar a bola ao Nolito em Camp Nou também nos custou uma eliminação da Champions, mas iniciou o nosso caminho até Amesterdão, se chegarmos a 26 de Maio de 2021 e virmos em Gdansk o Jardel com os dois braços no ar a segurar um objecto com 65cm de altura e 15kg de peso, eu darei este desaire por bem empregue. Porque já está mais do que na altura de voltarmos a vencer uma competição europeia. Há quase 60 anos, e oito finais depois, que isso não acontece! E a Champions nunca teríamos possibilidade de ganhar. Sim, eu sei, só o facto de entrar na fase de grupos da Champions representa um encaixe duas vezes maior(!) do ganhar a Liga Europa, mesmo vencendo todos os jogos. Mas desculpem, chamem-me lírico ou que quiserem, eu preferirei sempre títulos. E nunca vi ganharmos um europeu. Está na hora!

P.S. – Um dos candidatos à presidência do Benfica aproveitou este desaire (que tinha acontecido há pouco mais de uma hora) para vir logo criticar o actual presidente, nomeadamente pelo investimento feito. Outro dos candidatos esperou pela tarde do dia seguinte para vir dizer que... temos de gostar ainda mais do Benfica quando não ganha. Estamos esclarecidos quanto a posturas.

quarta-feira, setembro 09, 2020

Vitórias na Liga das Nações

A selecção nacional entrou com um duplo triunfo na II edição da Liga das Nações. No sábado, goleou a vice-campeã do mundo Croácia por 4-1 em casa, e ontem foi ganhar à Suécia por 2-0. Como a França também ganhou a estes dois adversários, estão ambas as selecções empatadas com seis pontos no 1º lugar e os confrontos com os franceses irão decidir quem se apurará para a fase final.

No sábado, o Cristiano Ronaldo não pode jogar, mas a selecção deu show na mesma. Quatro bolas nos postes na 1ª parte, poderiam ter conduzido o resultado para números históricos, mas os golos do João Cancelo, Diogo Jota, João Félix (finalmente estreou-se a marcar pela selecção) e André Silva é que materializaram uma vitória indiscutível.

Ontem, na Suécia, o Fernando Santos repetiu 10 jogadores, só entrando o Cristiano Ronaldo, que fez dois golões. O jogo estava bastante complicado até um jogador sueco fazer hara-kiri com um segundo amarelo ainda na 1ª parte, que alterou completamente a partida. Ainda por cima, na sequência dessa falta que valeu a expulsão, fizemos o 1-0 de livre. A exibição não foi tão exuberante como no sábado, até porque se notou algum cansaço dos titulares (não percebo porque é que não entraram um ou outro jogador novo...), mas ganhámos que era o que interessava.
 
Em meados de Outubro regressa esta competição, com a ida a França e a recepção à Suécia.

Pré-época vitoriosa

Vencemos as três partidas efectuadas no Estádio da Luz neste início de pré-temporada 2020/21. No dia 30 de Agosto, 2-1 ao Bournemouth (golos do Taarabt e Everton), no dia 2 de Setembro, mesmo resultado frente ao Braga (bis do Carlos Vinícius), e no passado sábado, dia 5 de Setembro, 2-0 ao Rennes (golos do Pizzi, de penalty, e Gabriel). Houve outros jogos não-televisionados no Seixal, também só com vitórias, mas naturalmente que não posso falar do que não vi.

E do que vi, acho que só por manifesta má vontade é que alguém poderá dizer que não se vêem já bastantes diferenças entre o futebol que apresentámos nestes três jogos e a hedionda parte final da temporada passada. E não cola a desculpa de que o plantel é melhor (embora sendo-o efectivamente), porque nos três onzes titulares a maioria dos jogadores já cá estava na temporada passada. Há muito mais intensidade, maior clarividência atacante, muito mais rapidez na transição ofensiva, a equipa joga muito mais junta, as bolas paradas defensivas deixaram de ser uma aflição constante, enfim, um sem-número de diferenças.

Claro que os olhos estão todos nos reforços, para se ver se merecem o nome, e acho que é seguro dizer que o Everton é-o efectivamente (grande golo e pode ser que tenhamos finalmente alguém, desde o Talisca, que remate regularmente com perigo de fora da área), o Vertonghen, embora só tenha feito o primeiro jogo por causa das selecções, tem um currículo acima de suspeita, gostei de pormenores do Waldschmidt (também só no primeiro jogo) e do Pedrinho (em especial frente aos franceses), e o Gilberto parece um upgrade em relação ao Corchia e Douglas (embora precise de melhorar muito em termos defensivos). Também acho que precisávamos de alguém como o Diogo Gonçalves, que rompesse pela linha (desde a saída do Salvio que não temos ninguém assim), e nem me passa pela cabeça que não fique no plantel. Do novo ponta-de-lança, Darwin Nuñez, não deu para ver grande coisa em 15’. (Espero enganar-me redondamente, mas 24 M€ por um jogador que vem da 2ª divisão espanhola, que só tem uma internacionalização pelo Uruguai e que já tem algum historial de lesões graves no joelho, parece-me um exagero descabido. Repito: oxalá me engane!).

Nesta semana, há selecções e, portanto, não teremos mais nenhum jogo de preparação antes do importantíssimo confronto com o PAOK na 3ª pré-eliminatória da Champions na próxima 3ª feira. Será apenas um jogo, ainda por cima na Grécia, e começamos logo com uma final no primeiro jogo oficial da temporada. As indicações foram boas até agora, mas jogos a sério são outra coisa. Veremos.

segunda-feira, agosto 03, 2020

Vexame

A selecção da Holanda, perdão, o Benfica foi derrotado pelo CRAC por 1-2 na final da Taça de Portugal no passado sábado. Foi a ‘cereja no topo de (um dos piores) bolos’ da nossa gloriosa história, uma época absolutamente pavorosa cujas explicações vou aguardar para nos serem dadas.

 

Não, a vergonha não é perder uma final pela vantagem mínima para o campeão nacional. A vergonha é, depois de tudo o que se passou na temporada, depois de sete pontos de vantagem atirados ao ar, disputar uma final da Taça perante o adversário que nos tirou o título e apresentar aquele futebol, aquela garra e aquela (falta de) vontade de vencer! Vergonha é conseguir perder uma final depois de o adversário ficar a jogar com 10 aos 38’! Vergonha é ter a capacidade de sofrer dois golos de um adversário em inferioridade numérica! Vergonha é não se demonstrar por uns quantos minutos que fosse durante o jogo todo que se merecia ganhá-lo! Vergonha é fazer-nos a todos sentir que, se aquela bola ao poste do Jota já na compensação entrasse e houvesse prolongamento, isso seria uma injustiça (apesar de, obviamente, eu viver muito bem com isso)!

 

Numa partida muito fraca, o CRAC foi ligeiramente melhor enquanto estiveram 11 para 11. Depois de o Sr. Soares Dias ter mostrado o segundo amarelo (e bem, já que até seria vermelho directo) ao Luis Diaz, praticamente em cima do intervalo, passámos a ter naturalmente maior posse de bola, mas sem criar grandes oportunidades. A 2ª parte começou pessimamente, com um frango do Vlachodimos aos 47’ (soca mal uma bola quando só estava rodeado de jogadores do Benfica) num livre para a nossa área e o Mbemba a fazer o 0-1 de cabeça. Logo aí, pela expressão facial dos jogadores do Benfica, se viu que seria muito complicado dar a volta àquilo. E ainda faltava praticamente toda a 2ª parte para jogar! Pior se tornaram as coisas aos 58’ quando, em novo livre para a nossa área, o Mbemba bisou novamente de cabeça. Com as entradas do Taarabt e Carlos Vinícius por volta da hora de jogo, as coisas melhoraram um pouco, porque aquele conseguiu finalmente levar o nosso jogo para a frente. O melhor marcador do campeonato falhou um golo inacreditável ao cabecear pessimamente a bola num cruzamento do André Almeida a cerca de 15’ do fim, mas bateu bem o penalty por falta sobre o Rafa aos 84’, reduzindo a vantagem do CRAC. Já na compensação, o também entrado Jota teve o tal remate de primeira de pé esquerdo ao poste, que teria levado o jogo para um injusto prolongamento.

 

Foi abster-me de fazer apreciações individuais e termino só com o seguinte:

- Alguém considerou que, com a saída do Bruno Lage, o seu treinador-adjunto seria uma boa escolha para o que faltava jogar da temporada, nomeadamente a importantíssima final da Taça de Portugal.

- Alguém considerou que, com a saída do Bruno Lage, o responsável pelo treino das bolas paradas (que tão bons resultados deu durante a época...) seria o melhor para nos permitir ganhar a segunda prova mais importante do calendário nacional. (Que perdemos, oh que surpresa(!), em dois lances de bolas paradas...!)

- Alguém considerou que, com a saída do Bruno Lage, a equipa ficava bem entregue a quem diz, na véspera desta final, que este não era “o jogo mais importante da época” (nem é preciso comentar...).

 

Claro que alguém deveria ser responsabilizado por esta vergonha que se passou no sábado. E, obviamente, pela péssima época que fizemos!

 

P.S. – Agora a sério, que m**** de equipamento é aquele?! Vermelho alaranjado?! Sem um pingo de branco na camisola?! Números a preto nos calções?! Patrocínio da Emirates a preto sobre vermelho alaranjado que faz com que pura e simplesmente seja indecifrável à distância?! Que o marketing da Adidas precise de inovar eu ainda compreendo, mas que não haja ninguém responsável do Benfica que olhe para aquilo e diga “eh, desculpem lá, mas nem pensar!” isso é absolutamente incompreensível! É o equipamento principal do clube, PORRA, “vermelho e branco”(!), é assim tão difícil de entender?!?!

 

Quem acha que basta ter o emblema do Benfica para um qualquer equipamento ser bonito, suponho que não se importe que no futuro a camisola alternativa passe a ser toda verde ou azul, certo?!

segunda-feira, julho 27, 2020

Vitória no derby

Vencemos a lagartada no sábado (2-1) na Luz na última jornada deste triste campeonato e não só os impedimos de ficar em 3º lugar (o Braga venceu o CRAC em casa por 2-1), como ainda vimos o Carlos Vinícius suceder ao Seferovic como o melhor marcador da Liga.

 

No primeiro derby que falhei ao vivo na Luz desde o 3-0 do Mourinho e João Tomás (2000/01) (e esperemos bem que seja o último jogo sem adeptos no estádio), e perante uma das mais fracas equipas da lagartadaque me lembro, o nosso triunfo só peca por escasso (ao contrário do que disse o Rúben Amorim no final). É certo que os lagartos entraram melhor do que nós, mas isso só durou uma dezena de minutos. A partir daí, perante a insistência deles de sair a jogar desde a baliza, mas sem jogadores de qualidade para o fazerem, pressionámo-los, começámos a recuperar a bola no último terço do campo e só a inépcia na altura do remate impediu que fôssemos marcando golos. Felizmente nas bolas paradas fomos mais eficazes e inaugurámos a cotnagem aos 28’ através de uma cabeçada do Seferovic a responder a uma assistência também de cabeça do Rúben Dias na sequência de um canto. Até ao intervalo, ainda vimos o mesmo Rúben Dias a cabecear ao poste noutro canto.

 

Na 2ª parte, forçámos novamente nos minutos iniciais e o Jardel, Gabriel (no mesmo lance) e Cervi tiveram óptimas ocasiões para marcar, mas ou o guarda-redes, ou pontapés na atmosfera ou remates muito tortos impediram-nos de avolumar o marcador. Perante isto, a lagartada reagiu, também atirou uma bola ao poste pelo ainda júnior Tiago Tomás num falhanço incrível do Jardel e aos 69’ conseguiu a igualdade pelo Sporar num remate cruzado de pé direito na sequência de um contra-ataque. Entretanto, já o Carlos Vinícius tinha entrado e foi ele que aos 88’ fez o 2-1 a desviar de pé esquerdo um cruzamento teleguiado do Pizzi, conseguindo assim o seu 19º golo (para a Liga são 18, porque o Sr. Fábio Veríssimo resolveu roubar-lhe um golo frente ao Marítimo) e conquistando o troféu de melhor marcador.

 

Em termos individuais, o Pizzi está nos dois golos, mas continua a ser exasperante na forma como sucessivamente joga para o lado e para trás em jogadas de ataque nossas, emperrando-as sobremaneira, a equipa melhorou bastante (outra vez) com a entrada a meio da 2ª parte do Florentino (não percebo porque é que não foi titular...), o Tomás Tavares na esquerda mostrou-se mais fiável do que o Nuno Tavares (espero que continue assim para a final da Taça) e o Carlos Vinícius mereceu ficar com o troféu de goleador deste campeonato.

 

Em condições normais, teríamos obrigação de golear esta lagartada. A diferença entre os plantéis é abismal, mas ainda assim arriscámos bastante (desacelerando muitas vezes o jogo quando só estava 1-0) e só perto do final garantimos os três pontos. Que não adiantaram nada em relação à nossa classificação, mas os derbies são sempre para ganhar! Para a semana, teremos a partida mais importante da temporada, mas sinceramente não estou nada confiante para a final da Taça. Oxalá me engane, mas a única diferença entre estes jogos do Nélson Veríssimo em relação aos últimos do Bruno Lage é que a bola resolveu entrar. A (pouca) qualidade exibicional mantém-se inalterada.

quarta-feira, julho 22, 2020

Expectável

Vencemos o já despromovido Aves (4-0) em sua casa, numa partida que esteve em risco de não se realizar por causa dos graves problemas financeiros da SAD do Aves, que não paga salários há seis meses e nem sequer o seguro obrigatório para que a equipa possa jogar. Ou seja, alguns anos depois do triste episódio com a U. Leiria, a história repete-se no futebol português. Obrigou-se os clubes a fazerem SADs, estas podem não ser controladas por eles e depois temos situações como a do Belenenses e, pior ainda, esta do Aves. Vem alguém do estrangeiro sem qualquer identificação com o clube nem com o futebol português, compra a SAD e depois, quando o dinheiro falta, é só fechar a porta e o clube e respectivos adeptos que se lixem. Triste, muito triste!

 

Voltando ao jogo, e depois de um primeiro minuto em que os jogadores do Aves não se mexeram em sinal de protesto, começámo-lo praticamente a ganhar com o golo do Rafa aos 4’ num grande passe do Pizzi, que isolou o extremo. Perante uma equipa que, decorrente daqueles problemas todos, nem sequer treinou todos os dias, esperava-se que isto fosse o mote para uma superioridade mais evidente da nossa parte. Puro engano. Estivemos, como em partidas anteriores, muito lentos de processos e o Aves teve uma atitude muito digna, embora sem conseguir criar grande perigo para a nossa baliza.

 

Na 2ª parte, o Aves quebrou fisicamente e nós praticamente resolvemos o jogo com o 2-0 aos 52’ num penalty muito bem marcado pelo Pizzi (ena, ena!!!), que assim passou para a frente dos melhores marcadores com 18 golos, tendo o Carlos Vinícius e o Paulinho do Braga menos um golo. Começou a haver substituições e inexplicavelmente o Veríssimo tirou o C. Vinícius de campo. É certo que o brasileiro não estava a fazer um jogo brilhante, mas está na luta pelos melhores marcadores e, com a classificação já definida e o jogo quase ganho, o nosso treinador acha que é boa ideia tirá-lo de campo aos 64’...?! Sinceramente, não percebi...! A cinco minutos do fim, o Gonçalo Ramos estreou-se com a camisola principal do Benfica e as coisas não lhe poderiam ter corrido melhor: bis aos 87’ e 93’! O primeiro, num desvio de calcanhar muito a propósito na sequência de um livre para a área, e o segundo, num remate sem hipóteses depois de uma assistência do também entretanto entrado Dyego Sousa.

 

Em termos individuais, destaque óbvio para o Gonçalo Ramos e para a influência do Pizzi no marcador, com um golo e uma assistência. O Florentino teve igualmente uma prestação positiva, ao contrário do seu colega de sector, o Gabriel, demasiado lento com a bola. O Svilar, que se estreou na baliza esta temporada, foi apenas um espectador.

 

Iremos receber a lagartada para a despedida do campeonato, antes da final da Taça frente ao CRAC. Eu sei que as atenções mediáticas estão todas viradas para o Jesus, mas é bom que a ‘estrutura’ se capacite que o segundo troféu mais importante do calendário nacional ainda está em disputa. E é fundamental nós ganharmo-lo!

domingo, julho 19, 2020

Regresso de Jorge Jesus

Uma das vantagens de já ter um blog há 16 anos é poder revisitar o que escrevi no passado e verificar se continuo a pensar o mesmo. Claro que o exercício é mais fácil com o considerando “se eu soubesse o que sei hoje”, mas, como não se pode voltar atrás com o conhecimento que entretanto se adquiriu, a principal questão para mim é sempre a mesma: pensar se, com os dados que eu tinha na altura, voltaria hoje a ter a mesma opinião? Serve este preâmbulo para dizer que, apesar de (FELIZMENTE) me ter enganado com a previsão do 35 (ou melhor, da falta dele), cinco anos depois mantenho tudo o resto que escrevi na altura da saída do Jorge Jesus (eventualmente retiraria o “histórico” do erro, porque afinal fomos três vezes campeões, mas ter sido um erro foi indirectamente admitido pelo próprio presidente do Benfica ao ir buscá-lo novamente).

 

Por outro lado, muito se falou, muito se fala e muito se irá falar (pelo menos nestes primeiros tempos) de tudo o que se passou na altura da saída, em especial naquele primeiro ano de Jorge Jesus na lagartada. O que ele disse sobre nós, a maneira como tratou o nosso treinador da altura, as desconsiderações e faltas de respeito, etc. Foi feio. Muito feio! Mas, da mesma maneira que eu acho que os meus filhos, se fizerem asneira na escola, não merecem um tratamento especial só por serem meus filhos, o Benfica só por ser o Benfica não é inimputável perante tudo o que faça. Sim, o Benfica também erra! E, naquela altura, os dirigentes do Benfica (ou melhor, a inefável ‘estrutura’) não se portaram nada bem com o Jesus. Acusações de roubo de material informático, pedido de indemnização numa soma ridícula em tribunal, etc. É como naqueles lances de bola parada em que na área o defesa e o avançado se estão a agarrar mutuamente. Não se marca falta. Neste caso, houve culpas mútuas na falta de nível do pós-separação (separação essa que partiu da nossa parte, convém recordar). Portanto, para mim, ainda estar ressabiado com o Jesus pelo que ele disse na altura sobre nós não faz sentido (até porque isso acabou por ser importante para o ‘reunir das tropas’ que conduziu ao tri, logo até lhe podemos agradecer o facto). Se nós dissemos o que dissemos dele, não estávamos à espera que ele tivesse nível e não respondesse, certo? Era preciso que não o conhecêssemos bem.

 

Agora, a parte desportiva. Também aqui mantenho o que disse na altura: a passagem de Jesus pelo Benfica foi globalmente muito positiva. Em seis campeonatos, jogámos muito bem em cinco deles e ganhámos três. Na Europa, só um dos anos foi péssimo com a saída das competições em Dezembro. Fomos a duas finais da Liga Europa, a uma meia-final (perdida com o Braga, eu sei, mas era uma meia-final) e a uns quartos-de-final, e na Champions a outros quartos-de-final (portanto, nas seis épocas, cinco com pelo menos quartos-de-final; nas últimas cinco, fomos duas vezes aos quartos...). Na Taça de Portugal, é que só uma vitória em duas finais é muito pouco para seis anos. Na menos importante de todas as competições, mas ainda assim uma competição oficial, a Taça da Liga, tivemos cinco vitórias naqueles seis anos (por contraponto a uma vitória nos últimos cinco...). Outros olharão para resultados embaraçosos que tivemos (e sim, houve uns quantos), mas eu prefiro ver a capacidade que o Jesus teve para se reinventar durante aquele tempo: o Benfica de 2014/15 não jogava da mesma maneira do que o de 2009/10. Para jogadores diferentes, tácticas e processos de jogo diferentes. E isso, para mim, é sinal de sagacidade de um treinador. Sagacidade essa que manteve nos outros três clubes que treinou, onde o impacto foi imediato e ganhou sempre títulos (felizmente menos num deles, do que nos outros dois).

 

Dito isto, esta decisão do Luís Filipe Vieira é obviamente um all in da sua parte. Mas infelizmente não é para ganhar um inédito penta ou o bicampeonato deste ano perante um CRAC intervencionado pela Uefa, cuja vida seria muitíssimo complicada se não fosse campeão. Para isso, não houve nenhum investimento semelhante a este. Este é um all in para ganhar eleições. Porque o Jesus é o treinador que mais probabilidade lhe dá de resultar no imediato e o LFV, depois do que se passou esta época, não pode correr o risco de as coisas começarem tortas, sob pena de perder essas mesmas eleições. E isso, meus caros, eu não gosto de ver: não gosto que altos responsáveis do meu clube dêem piruetas e consigam fazer um oito com a coluna vertebral só para ganharem eleições. Porque isso é indefensável, pelo menos para mim. Que fosse para conquistas desportivas, eu ainda admitia, há sapos que eu não me importaria de engolir para ganhar títulos. Agora, engolir sapos com objectivos eleitorais faz-me sentir vergonha alheia e sentir isso de altos responsáveis do meu clube é o pior que me podem fazer. Porque, como óbvio, depois do que a ‘estrutura’ do Benfica disse do Jesus, ele nunca poderia voltar com essa mesma ‘estrutura’ ainda em vigor. Porque do Jesus eu não espero mais do que pôr a equipa a jogar (bem) à bola. A personalidade dele é por demais conhecida e levar com ela é um preço que eu estou disposto a pagar para ganhar títulos (e só estou disposto a pagá-lo, porque eu não disse do Jesus o que a ‘estrutura’ do Benfica disse). Agora, dos dirigentes do meu clube eu espero um pouco mais de rectidão nos valores e nas atitudes que se tomam. Se se diz que se manda embora um treinador porque “não apostava nos jovens da formação”, se se reitera há pouco mais de um mês que o projecto da formação era para se manter, não se vai buscar esse mesmo treinador de volta. Então, e o projecto do clube? Era tudo conversa fiada e o importante é a manutenção do poder a todo o custo? Há coisas que se dizem das quais não há retorno possível. Muito menos para a prossecução de objectivos pessoais. Como é ganhar umas eleições.


* Publicado em simultâneo com a Tertúlia Benfiquista.

quarta-feira, julho 15, 2020

De feição

Vencemos ontem o V. Guimarães por 2-0 e não permitimos que o CRAC fosse campeão no sofá. Terá de (pelo menos) empatar hoje com a lagartada em Mordor para o conseguir. De qualquer maneira, será apenas uma questão de tempo até o campeonato mais mal perdido da nossa história ter um epílogo.

 

A grande diferença entre o Benfica do Bruno Lage (desde a retoma da Liga) e o do Nélson Veríssimo é... a sorte. Contra o Boavista, marcámos na primeira vez em que fomos à baliza, contra o V. Guimarães, quando inaugurámos o marcador aos 37’ pelo Chiquinho (correspondendo na área a um centro rasteiro do Nuno Tavares), o jogo só não estava já perdido, porque o Vlachodimos fez duas defesas do outro mundo e ainda vimos uma outra bola do Marcus Edwards a bater na barra e no poste. Tão simples quanto isto! De resto, durante boa parte do primeiro tempo, continuou o nosso futebol muito lento e sem ideias. Porém, ontem as coisas começaram a melhorar a partir dos 33’, quando o Veríssimo fez sair (e bem) o já amarelado Weigl (que depois do cartão teve duas entradas imprudentes que o colocaram na iminência da expulsão) e fez entrar o Florentino. Florentino, esse, que já não jogava para a Liga desde o jogo do Santa Clara nos Açores em... Novembro! O miúdo entrou muitíssimo bem, não só estando sempre no caminho da bola quando ela estava com o adversário, como fazendo um par de passes verticais que abriram brechas na retaguarda contrária. Precisamente aquilo que... ninguém tem conseguido fazer nos últimos tempos!

 

Depois do intervalo, o jogo mudou completamente com o V. Guimarães a ser muito menos perigoso e nós a controlarmos os tempos do jogo. No entanto, como não marcámos logo o segundo golo para arrumar a questão, nos últimos 20’ o V. Guimarães veio para cima de nós e ainda passámos por alguns calafrios. O que nos valeu foi que o Vlachodimos continuou seguro e a única bola que entrou na nossa baliza foi rematada por um adversário em fora-de-jogo (mas deu para comprovar que continuamos a defender pessimamente as bolas parada!). Praticamente na jogada a seguir, fizemos finalmente o segundo golo aos 87’ pelo entretanto entrado Seferovic, a corresponder bem a um centro do também substituto Rafa. Marcámos sempre depois de podermos ter sofrido e, de facto, o jogo não nos poderia ter corrido melhor.

 

Em termos individuais, destaque óbvio para o Vlachodimos, sem o qual estaríamos certamente agora a lamentar mais três pontos perdidos, para o Florentino, que foi o grande responsável pela nossa melhoria exibicional (ele estava em muito má forma quando saiu da equipa, mas porquê tanto tempo até ter nova oportunidade...?!), e para o Chiquinho, que longe de ser um craque continua a ser o melhor do plantel naquele lugar.

 

Temos mais dois jogos para cumprir calendário (Aves e lagartada) antes da final da Taça de Portugal, infelizmente o único dos grandes objectivos da época que ainda podemos conquistar. Mas temos absolutamente de o conseguir!

segunda-feira, julho 13, 2020

Tropeção (outra vez...)

Empatámos na passada 5ª feira em Famalicão (1-1) e deixámos o CRAC a apenas um ponto do título (venceu em Tondela por 3-1). Já se esperava uma partida difícil, mas até nem foi dos nossos piores jogos. No entanto, continuamos numa senda terrível, agora com 15 jogos e apenas três vitórias...

 

Com a mesma equipa que derrotou o Boavista, entrámos fortes na 1ª parte e o Cervi poderia ser inaugurado o marcador logo nos minutos iniciais com um remate rasteiro que o Defendi defendeu com o pé. Pouco depois, o argentino caiu na área e inacreditavelmente o Sr. Jorge Sousa mostrou-lhe... o amarelo! O Famalicão equilibrou as coisas, chegou a colocar o Vlachodimos à prova, mas fomos nós a colocar-nos em vantagem aos 37’: jogada do Cervi na esquerda, centro rasteiro para a área, o remate do Seferovic foi defendido pelo Defendi, mas o Pizzi na recarga só teve de encostar.

 

Na 2ª parte, o Famalicão naturalmente reagiu, porém as melhores oportunidades foram nossas com o Pizzi e o Cervi a verem defesas interceptar remates seus que dariam o 0-2. Nos últimos 20’, o Famalicão carregou mais, o Fábio Martins atirou ao poste de ângulo difícil, um disparate do André Almeida só não deu o empate, porque o remate do Walterson saiu a rasar, mas aos 84’ aconteceu mesmo a igualdade através do Guga: jogada pela direita, em que o entretanto entrado Samaris não conseguiu evitar o centro atrasado, e remate sem hipóteses para o Vlachodimos.

 

Em termos individuais, voltei a gostar do Chiquinho, cuja não-titularidade a número 10 se confirma como o grande equívoco do Bruno Lage. Todos os outros estiveram a um nível mediano, mas esforçado.

 

Faltam três jogos para acabar o martírio deste campeonato que eu espero seja objecto de profunda reflexão por quem de direito. Vamos conseguir perder um campeonato que esteve ganho... Não me venham faltar do trauma do Kelvin. Este é muito pior! Nunca me conformarei com isto.

segunda-feira, julho 06, 2020

Vitória, finalmente!

Vencemos no sábado o Boavista na Luz (3-1) e regressámos finalmente aos triunfos, com o terceiro nos últimos 14 jogos! No entanto, como o CRAC atropelou ontem o Belenenses SAD em Mordor (5-0), os seis pontos (sete na prática) de vantagem mantiveram-se, o que faz com que eles estejam a apenas duas vitórias de ganharem um campeonato que esteve mais do que nas nossas mãos. (Vai custar muito conformar-me com isto...)

 

Com o Veríssimo, adjunto do Bruno Lage, no banco, entrámos bastante mal na partida, com o Boavista a dominar, embora sem criar grandes oportunidades. A grande diferença em relação a partidas anteriores foi a nossa enorme eficácia: marcámos na primeira vez em que fomos à baliza aos 11’, numa bola lançada pelo Gabriel para o André Almeida, que o guarda-redes Helton Leite não conseguiu agarrar, tendo o nosso defesa-direito rodado bem e atirado para a baliza já de ângulo relativamente difícil. A partir daqui, o jogo mudou. O Boavista deixou praticamente de conseguir passar de meio-campo e nós tivemos uma série de oportunidades, muitas delas bem defendidas pelo Helton Leite (negou-nos o golo umas boas três ou quatro vezes). Todavia, aos 31’, fizemos o 2-0 noutra assistência do Gabriel para uma óptima cabeçada do Pizzi. O jogo estava bem encaminhado, mas todos nos lembramos de Portimão e, portanto, foi com satisfação que vi o 3-0 em cima do intervalo (42’), num remate rasteiro do Gabriel ao canto inferior esquerdo da baliza. Pouco antes disso, o Boavista tinha marcado um golo numa bola parada, mas o jogador estava fora-de-jogo.

 

Mesmo para o estado actual do Benfica, convenhamos que não seria fácil dar cabo de uma vantagem de três golos ao intervalo e a 2ª parte acabou por ser muito mais calma. Não insistimos tanto no ataque e sofremos um golo aos 68’ outra vez numa bola parada (cada lance destes é praticamente um penalty contra nós...), através do Dulanto num remate por cima do Vlachodimos (que me pareceu poder ter feito mais), mas também tivemos um golo anulado (do entretanto entrado Carlos Vinícius) por fora-de-jogo.

 

Em termos individuais, destaque para o Gabriel pelas duas assistências e pelo golo, mas para mim o melhor em campo foi o Chiquinho, que é definitivamente o único elemento do plantel a conseguir fazer a posição 10 de maneira satisfatória. Dá imensa fluidez ao nosso jogo, procura sempre a melhor solução de passe e só é pena que não tenha golo. Caso contrário, muito provavelmente não o teríamos para o ano.

 

O campeonato está obviamente perdido, mas temos mais quatro jogos para nos prepararmos convenientemente para a final da Taça de Portugal. Temos um óptimo histórico em finais contra o CRAC e, especialmente esta época, depois de lhes termos oferecido o campeonato, não podemos falhar esta conquista.

quinta-feira, julho 02, 2020

Treinador interino

Vamos lá a ver se eu percebi bem isto: o treinador principal, Bruno Lage, pede a demissão, o presidente do Benfica aceita e, ainda com seis jogos importantes até final da época (há que manter o 2º lugar e ganhar mais uma Taça de Portugal), nomeia como treinador o... adjunto do Bruno Lage, Veríssimo. Portanto, o principal elemento da equipa técnica não servia, mas o adjunto já serve. Ainda por cima, o adjunto que tinha como responsabilidade o treino das bolas paradas, que tão bons resultados tem tido ao longo da época... 'Tá certo, isto tem tudo para continuar a correr muito bem...

 

P.S. - Eu não conheço o Renato Paiva de lado nenhum, mas ainda não vi ninguém que não lhe reconheça competência, gostei do pouco que vi as equipas dele a jogar e de cada entrevista dele que li. Se era preciso "agitar as águas" neste momento, sendo ele o treinador da equipa B, parecia-me a escolha mais lógica. Que pena que quem de direito não tenha visto a luz...

 

* Publicado em simultâneo com a Tertúlia Benfiquista.

terça-feira, junho 30, 2020

Fim da linha

Perdemos ontem na Madeira com o Marítimo (0-2) e, com a vitória do CRAC em Paços de Ferreira (1-0), ficámos a seis pontos (na prática sete) de distância, o que, com cinco jornadas para jogar, significa o adeus definitivo ao título. No final da partida, o Bruno Lage pediu naturalmente a demissão, que foi aceite pelo presidente do Benfica.

 

Não vale muito a pena referir que nem entrámos nada mal, tivemos três oportunidades claríssimas para marcar (Chiquinho e Carlos Vinícius na 1ª e Seferovic na 2ª parte), antes de sofrermos dois golos praticamente iguais aos 74’ e 78’, com o lateral Nanu a dar cabo da nossa defesa em contra-ataque (para além disto, o Marítimo meteu mais duas vezes a bola na nossa baliza, mas em fora-de-jogo). O que fica para a história é o resultado e o terramoto (já esperado) que se seguiu (a bem da verdade, esse terramoto já se estava a antever há bastante tempo).

 

Gostava muito de perceber o que se passou nesta época. Porque não é de todo normal. Depois de um campeonato brilhantemente conquistado no ano passado, arrancamos a época com 5-0 aos lagartos para a Supertaça, fazemos a melhor primeira volta de sempre (só com três pontos perdidos) e ganhamos em 18 das 19 primeiras jornadas. Nas últimas dez, ganhamos dois jogos...! Desbaratámos uma vantagem de sete pontos! S-E-T-E  P-O-N-T-O-S! Foi um descalabro completo acerca do qual é OBRIGATÓRIO darem-nos explicações! A culpa não pode ser só do Bruno Lage. Fiquemos a aguardar. (Eu vou fazê-lo sentado, pelo sim, pelo não...)

quarta-feira, junho 24, 2020

Ponto final

Perdemos ontem na Luz com o Santa Clara (3-4) e, com a vitória do CRAC frente ao Boavista (4-0) em Mordor, dissemos adeus ao título. Claro que “só” estamos a três pontos (na prática quatro) deles e faltam seis jornadas. Mas sejamos honestos: quem tem duas vitórias em 12(!) jogos e está há cinco jogos seguidos na Luz sem ganhar (parece que isto não acontecia desde... 1931!) não merece ser campeão. Mais acrescento: quem desbaratou uma vantagem de sete(!) pontos e tem feito uma segunda volta absolutamente miserável (se só considerarmos esta, devemos estar pouco acima da linha de água...), não merece MESMO ir festejar para o Marquês.

 

O Bruno Lage, pelos vistos, não aprende com os próprios erros, e voltou a colocar o Taarabt a nº 10 num jogo na Luz, desta feita com o Seferovic no papel de ponta-de-lança. A 1ª parte não foi tão má quanto a do Tondela (também seria difícil), mas uma perda de bola infantil do Nuno Tavares à saída da nossa área, na sequência de um canto aos 44,’ resultou no golo do Santa Clara, apontado pelo Anderson Carvalho.

 

A 2ª parte foi de loucos e um hino a quem gosta de futebol. Pois, eu adoro futebol, mas já disse ‘n’ vezes que para isso vejo os Mundiais e os Europeus, e os jogos da Champions ou a final da Taça de Inglaterra. Quanto ao Benfica, quanto mais monótono forem os jogos, melhor! Daquela monotonia em que chegamos ao intervalo a ganhar por 2-0, marcamos o terceiro no início da 2ª parte e fica tudo na paz de Eusébio até final. Ora, ontem passou-se o inverso disso! Entraram o Carlos Vinícius e Zivkovic (não jogava para o campeonato desde Março de... 2019 e em quinze meses teve 60’ em campo em Dezembro para a Taça da Liga...!), e tivemos uma óptima reacção com o Rafa a fazer a igualdade logo aos 50’. Parecia que o momentum estava a nosso favor, mas o enésimo erro defensivo da época numa bola parada colocou o Santa Clara novamente na frente aos 57’ (num canto, o Rúben Dias não chegou à bola, o Weigl não saltou e o Zaidu Sanussi cabeceou sem oposição no meio deles). Não obstante isso, reagimos novamente em grande e um bis de cabeça do C. Vinícius em apenas dois minutos (63’ e 65’) colocou-nos à frente do marcador pela primeira vez. Depois desta reviravolta, estava tudo a nosso favor, certo...? Seria certo se tivéssemos dado a estocada final no jogo, mas numa boa jogada colectiva o centro do Nuno Tavares foi demasiado atrasado e a bola foi para canto (caso tivesse sido bem feito, era só o Rafa encostar...). O Santa Clara mostrou sempre um futebol muito desinibido, mas teve uma grande ajuda do Rúben Dias para chegar à igualdade aos 81’. Ponto prévio: para mim, é MAIS DO QUE falta atacante sobre o nosso central (num lançamento lateral, o adversário atirou-se completamente para cima dele), mas de qualquer maneira que diabo é que passou pela cabeça do Rúben Dias para levantar o braço e tocar assim de leve na bola...?!?! Era para protestar que era falta...?! O respectivo penalty foi marcado pelo Cryzan. Ainda poderíamos ter chegado à vitória, mas um remate do C. Vinícus em boa posição saiu ao lado e outro do Zivkovic, ainda desviada por um defesa, foi defendido pelo guarda-redes. Aos 95’, aconteceu o golpe de teatro com o 3-4 através do Zé Manuel, que deixou o Weigl para trás e foi correndo com pouca oposição até rematar já na área, com a bola a ser desviada pelo Nuno Tavares (se fosse ao contrário, não seria golo...), não dando hipóteses ao Vlachodimos.

 

Em termos individuais, o C. Vinícius regressou aos golos e a dobrar, mas de pouco serviu. O Nuno Tavares deve ser o lateral que melhor centra, mas tem erros defensivos e deficiências de controlo de bola inadmissíveis num jogador do Benfica. O Zivkovic entrou bem, mas gostaria que alguém me explicasse o que se passou durante 15 meses com este jogador...

 

Faltam seis jogos e, a continuar assim, vai ser muito penoso e arriscamo-nos a quebrar vários recordes negativos. (Se a lagartada ganhar, ficará a 12 pontos de nós com 18 para disputar. Ah, ok, se empatarmos sempre todos os jogos conseguiremos manter o 2º lugar. Menos mal...!) Claramente a mensagem do Bruno Lage deixou de passar e ele não consegue dar a volta à situação. Posto isto, já se percebeu que ele não será o nosso treinador para a próxima época. Não vamos ser campeões e ainda vamos ver se não seremos humilhados na final da Taça. A grande questão é o que fazer até lá. O problema é bastante complicado, mas isto tem de levar um abanão. E já!

quinta-feira, junho 18, 2020

Balão de oxigénio

Vencemos ontem o Rio Ave em Vila do Conde (2-1) e, com o inesperado empate anteontem do CRAC na Vila das Aves (0-0), estamos outra vez colados a eles no 1º lugar, mas sempre com a desvantagem no confronto directo (atenção, Liga mudem lá essa estupidez de só considerarem os resultados do confronto directo na última jornada!). Era um jogo que já se previa difícil, dado que o Rio Ave é das equipas que melhor futebol pratica, o que se confirmou com o nosso golo da vitória a surgir a três minutos do fim e perante nove adversários.

 

Tal como em Portimão, não entrámos mal, com uma pressão no campo todo que nos fez dominar nos primeiros 20’. O Bruno Lage teve de reformular a defesa com as lesões do Jardel e Grimaldo, e o castigo ao André Almeida, e entraram os Tavares para as laterais (Tomás e Nuno) e o Ferro. Para além disso, o Carlos Vinícius deu lugar ao Dyego Sousa e o meio-campo foi reforçado com o Gabriel em detrimento do Cervi. Tivemos algumas oportunidades neste período, mas sofremos um golo praticamente na primeira vez em que o Rio Ave atacou: o Ferro fez uma falta desnecessária perante um adversário de costas para a baliza (aliás, este tipo de faltas idiotas foram ontem uma constante dos nossos centrais), a bola foi bombeada para a área e o Dyego Sousa (um pouco puxado pela camisola) assistiu involuntariamente de cabeça o Taremi para este, também de cabeça, só ter de encostar aos 26’. O panorama complicava-se sobremaneira, até porque o Rio Ave equilibrou a partida e poderia ter feito o segundo golo pouco depois com outro remate do Taremi que, caso não tivesse sido desviado pelo peito do Nuno Tavares, teria entrado na baliza do Vlachodimos. Em cima do intervalo, o Rafa marcou depois de uma óptima jogada do Taarabt na direita, mas o VAR invalidou o golo porque o Dyego Sousa (que tentou tocar na bola) estava com o pé 17 cm(!) à frente do defesa. A minha posição em relação a isto mantém-se: acabem com este VAR e com as linhas! Se a olho nu há dúvidas acerca da posição do avançado, faz-se o que se fazia há muito tempo: favorece-se a equipa que ataca. Ponto final! Anular um golo que resulta de uma jogada fantástica por 17 cm (como se essa distância fosse fundamental para se ganhar uma vantagem indiscutível, ainda por cima de um jogador que acaba por nem sequer tocar na bola!) é um crime lesa-futebol! E sim, também diria isto se fosse contra nós.

 

Para a 2ª parte, entrou o Seferovic em vez do Dyego Sousa e foi o suíço logo a criar perigo com uma cabeçada ao poste num livre lateral do Pizzi. À passagem da hora de jogo, o Seferovic isolou o Rafa, mas a bola saiu ligeiramente comprida e o guarda-redes defendeu com o peito a tentativa de picar a bola do nº 27. Pouco depois, o Rio Ave começou o seu hara-kiri com o Al Musrati a derrubar o Rafa, impedindo um perigoso contra-ataque nosso, tendo levado o óbvio segundo amarelo. Praticamente na jogada subsequente, igualámos a partida aos 64’ com um cruzamento rasteiro da esquerda do Nuno Tavares para o Seferovic encostar lá para dentro. Entretanto já tinha entrado o Carlos Vinícius para o lugar do Taarabt e aos 73’ o Rio Ave completou o seu suicídio com o vermelho directo ao Nuno Santos por ter pontapeado (ainda que inadvertidamente) o peito do Pizzi. Tínhamos mais de 20’ para conseguir marcar um golo contra nove jogadores, mas inexplicavelmente o Bruno Lage só mexeu aos 81’ (Chiquinho no lugar do Gabriel) e preparava-se para o fazer aos 87’(!), quando marcámos o golo da vitória. Não se compreende a razão para estarmos com quatro defesas perante nove adversários, com, por exemplo, o Cervi no banco que podia fazer todo o lado esquerdo. Felizmente lá conseguimos o golo da vitória numa cabeçada do Weigl num canto do Pizzi e as substituições perderam a relevância, mas o Bruno Lage arriscou em demasiada a não fazer tudo ao seu alcance para marcarmos. Não se percebe...!

 

Em termos individuais, o Weigl voltou a fazer um bom jogo, abrilhantado com o facto de ter marcado o golo da vitória. O Pizzi esteve melhor do que em partidas anteriores (também pior era difícil...) e o Seferovic voltou finalmente aos golos, apesar de ter tido um falhanço inacreditável de cabeça ainda com o jogo empatado. O Nuno Tavares fez uma assistência, mas revela preocupantes deficiências no domínio da bola (por mais de uma vez, ela fugiu pela lateral...). O lado (bastante) negativo é que continuamos a defender muito mal as bolas paradas.

 

Depois de uma só vitória em 10 jogos, espero que este triunfo dê a equipa a confiança necessária para melhorar em termos exibicionais, o que não deixará de se reflectir nos resultados. Mas é bom que estejamos conscientes de que, pelo caminho que o jogo levava, apesar de as expulsões terem sido mais do que justas, 11 para 11 dificilmente teríamos ganho.

sexta-feira, junho 12, 2020

Inexplicável

Empatámos (2-2) na 4ª feira em Portimão e, com a vitória do CRAC em casa frente ao Marítimo (1-0), estamos agora a dois pontos (na prática três) do primeiro lugar. Desde a semana passada frente ao Tondela que as minhas ilusões tinham acabado, pelo que isto é apenas um ponto final nas nossas pretensões ao título, fruto desta hedionda segunda volta. Também convenhamos que quem tem uma vitória nos últimos sete jogos para o campeonato (dez jogos na totalidade das competições) não merece de todo ser campeão.

O Bruno Lage fez sair o Gabriel da equipa e entrar o Cervi, passando o Rafa para segundo avançado. E a nossa 1ª parte foi do melhor que se viu nos últimos largos jogos. Mal deixámos o Portimonense passar de meio-campo e marcámos dois golos através do Pizzi (18’) e André Almeida (31’). De negativo só nova lesão do Jardel que teve de ser substituído pelo Ferro. O Weigl estava muito bem no meio-campo, a jogar simples e a dar muita fluidez ao nosso jogo, o Cervi na esquerda sempre muito activo, o Rafa no meio desastrado na finalização, mas com desmarcações e acelerações que confundiram a defesa, correu praticamente tudo bem. Saímos para o intervalo com uma superioridade indiscutível sobre uma equipa que é penúltima classificada com apenas três vitórias e 17 golos marcados em 25 jornadas. O jogo estava praticamente ganho, certo?

Errado! Muito errado! Porquê? Porque simplesmente ao intervalo resolvemos ficar no balneário e não entrar em campo na 2ª parte. Só isso pode explicar o descalabro da 2ª parte. Vimos o mesmo filme, só que ao contrário. Mal passámos do meio-campo, não tínhamos bola e deixámos o Portimonense manobrar a seu bel-prazer, até fazer os inevitáveis dois golos aos 66’ e 77’. Pouco antes do primeiro, perdemos o Grimaldo por lesão (vamos lá a ver se não acabou a época...) e o André Almeida tinha tido uma paragem cerebral, que o fez protestar com o Carlos Xistra por um amarelo (justo) ao Weigl, tendo levado também um amarelo que o vai fazer perder o encontro de Vila do Conde. Ou seja, a nossa defesa frente ao Rio Ave promete...! Aproveitando o facto de a Liga ter aprovado as cinco substituições até final da época, ainda entraram o Seferovic, Dyego Sousa e Gabriel, mas fomos muito pouco racionais na procura do golo. Não foi mau, o que se passou foi simplesmente inadmissível!

Os destaques na 1ª parte já os fiz, é melhor mesmo não dizer nada em termos de exibições na segunda... Com este resultado, já não nos basta um empate do CRAC para ficarmos na frente. É preciso dois ou uma derrota. Mas o maior problema será mesmo nós ganharmos os oito jogos que faltam. É que não se está mesmo a ver como... Depois dos recordes positivos da época passada, o Bruno Lage prepara-se para bater os recordes negativos nesta. Ou há um milagre, ou vai ser um final de época muito penoso...

sexta-feira, junho 05, 2020

Inconcebível

Depois de uma pausa forçada de três meses, por causa da pandemia do COVID-19, o campeonato voltou finalmente, mas com jogos à porta fechada. Estando nós um ponto atrás do CRAC, foi com enorme alegria que pudemos ver na 3ª feira a derrota deste em Famalicão (1-2). Portanto, iríamos receber ontem o Tondela na Luz (que dor não poder estar presente...!!!) com a perspectiva de passar para a liderança isolada e de só dependermos de nós até final para ser campeões. Repito: em casa! Com o Tondela! Com o devido respeito por eles, a bandeja não poderia ser servida com uma mão ainda mais beijada. Toda a gente percebia que, passado todo este tempo, seria um golpe muito grande infligido no CRAC que, ainda por cima, tem graves problemas financeiros, que se irão agudizar ainda mais se não forem à Champions. Como é que nós respondemos a este cenário tão favorável...? Empatando 0-0!!! Repito: empatámos 0-0(!) em casa(!) com o Tondela! Lamento imenso ter de dizer isto, mas quem desperdiça uma oportunidade destas não merece ser campeão. Especialmente depois de já ter dado cabo de uma vantagem de sete pontos!

Como se calcula, a minha vontade de falar do jogo é praticamente nula. Depois de tanto tempo de paragem, esperava-se que alguns dos problemas que a equipa vinha revelando tivessem sido ultrapassados. Nomeadamente, o facto de estarmos com uma só vitória em oito jogos. Agora são nove, dois dos quais em casa frente ao Moreirense e Tondela...! Bastaria ter ganho estes dois (como era MAIS DO QUE obrigação) e estaríamos agora com quatro pontos de vantagem na frente. Ou seja, parece que não passou tempo nenhum. Estamos no mesmo patamar do início de Março. Evolução zero, apesar de termos conseguido recuperar o Gabriel e o André Almeida neste período, e não termos agora nenhum lesionado. Assim não dá.

Como tal já sucedeu na Luz em jogos passados, perante adversários que passam o tempo todo a defender, vou escrever isto dez vezes para ver se o Bruno Lage mete de uma vez na cabeça:

- O Taarabt não pode jogar como segundo avançado.
- O Taarabt não pode jogar como segundo avançado.
- O Taarabt não pode jogar como segundo avançado.
- O Taarabt não pode jogar como segundo avançado.
- O Taarabt não pode jogar como segundo avançado.
- O Taarabt não pode jogar como segundo avançado.
- O Taarabt não pode jogar como segundo avançado.
- O Taarabt não pode jogar como segundo avançado.
- O Taarabt não pode jogar como segundo avançado.
- O Taarabt não pode jogar como segundo avançado.

Não só ele rende muito mais no meio-campo, como assim desperdiçamos 45 minutos sem gente suficiente na frente. Chegou a haver lances em que o Carlos Vinícius estava sozinho na área rodeado de defesas contrários. Por outro lado, como também é uma questão que se arrasta há muito tempo, vou escrever isto cinco vezes para ver se o Bruno Lage mete de uma vez na cabeça:

- O Pizzi está completamente fora de forma e não nos podemos dar ao luxo de jogar com dez durante 83’.
- O Pizzi está completamente fora de forma e não nos podemos dar ao luxo de jogar com dez durante 83’.
- O Pizzi está completamente fora de forma e não nos podemos dar ao luxo de jogar com dez durante 83’.
- O Pizzi está completamente fora de forma e não nos podemos dar ao luxo de jogar com dez durante 83’.
- O Pizzi está completamente fora de forma e não nos podemos dar ao luxo de jogar com dez durante 83’.

Gostaria de dizer ainda que o Weigl estava outra vez a subir de rendimento quando foi substituído e, não jogando o Gabriel desde Fevereiro, seria bastante expectável que este não durasse fisicamente o tempo todo. Confirmou-se. [Suspiro...!] Por outro lado, antes da pausa o Samaris tinha entrado na equipa e até tinha sido dos melhores jogadores, com a capacidade de empurrar a equipa para a frente. Onde estava ele agora? Na bancada... A única nota positiva foi o regresso em relativa boa forma do Jardel.

Teremos agora duas deslocações difíceis seguidas, a Portimão e Vila do Conde, mas sinceramente depois do que se passou ontem perdi as esperanças todas no título. Não se podia desperdiçar uma oportunidade de ouro destas. NÃO SE PODIA!

O balanço da época far-se-á no final, mas tanto com o Fernando Santos como com o Rui Vitória cometeu-se um erro (o mesmo) que, caso esta temporada termine como infelizmente se antevê, eu espero não se cometa agora.

P.S. 1 – Ninguém está mais chateado do que eu com o que se passou neste jogo, mas daí a fazer um ignóbil ataque com pedras ao autocarro do Benfica, quando ia a caminho do Seixal (provocando estilhaços que atingiram o Weigl e o Zivkovic), vai a distância entre ter cérebro e não ter. Digo sempre o mesmo em situações semelhanças: a humanidade seria muito melhor se a Control e a Durex tivessem tido mais lucro.

P.S. 2 – Já se acabava com aquela ideia peregrina de a classificação oficial da Liga, em caso de igualdade, ser ordenada com a diferença de golos até à última jornada e só depois entrar em consideração o confronto directo, não...?! Não é suposto a classificação representar a todo o momento a realidade (caso o campeonato acabasse nessa altura)? Sim, em todo o lado menos em Portugal...!

terça-feira, maio 05, 2020

Benfica FM | A temporada 83/84 completa

Em tempos de confinamento, fui novamente convidado pelo meu amigo Nuno Picado para participar no excelente Benfica FM, desta vez para comentar os resumos da grande época de 1983/84, a segunda do Eriksson no Glorioso, que correspondeu a mais um bicampeonato. Foi um enorme prazer rever todos estes resumos, gravados originalmente pelo meu pai num Betamax (malta nova: google it!), que vi dezenas de vezes quando eu era pequeno. Bento, Chalana, Carlos Manuel, Stromberg, Manniche, Nené, Diamantino, estão à espera de quê para (re)ver esta maravilha...?! :-)


segunda-feira, março 09, 2020

Angustiante

Empatámos em Setúbal (1-1) no sábado e só não dissemos já adeus ao título, porque o Rio Ave foi empatar (também 1-1) a Mordor duas horas depois. Caso o CRAC tivesse ganho, ficaria três pontos (na prática quatro) à frente e teria o campeonato no bolso. Mesmo assim, pela amostra da nossa lamentável exibição em Setúbal, dificilmente festejaremos em Maio, mas pelo menos a manutenção de um ponto de desvantagem serviu para não estragar completamente o meu aniversário no dia de ontem (cujo dia mais épico foi sem dúvida este!).

O Bruno Lage colocou o Weigl e o Rafa no banco, fazendo avançar o Cervi e Chiquinho, sendo o meio-campo constituído pelo Samaris e Taarabt. No entanto, a nossa 1ª parte foi absolutamente inenarrável! Jogámos a uma só velocidade: parados e paradinhos! É que nem sequer fomos lentos...! Sim, o V. Setúbal fechou-se a sete chaves e só teve uma oportunidade de golo (por acaso até a melhor), mas o Bruno Lage não pode vir dizer que a nossa 1ª parte não foi assim tão má, porque o V. Setúbal quase não passou de meio-campo! Não pode! Fizemos uma 1ª parte hedionda, com uma única verdadeira oportunidade de golo (cabeçada do Samaris num canto). Nunca conseguimos contrariar a defesa do V. Setúbal, que nem sequer fez antijogo. Ou seja, temos de estar mais que preparados para equipas que só defendam. Chegar a Março e criticar o adversário, porque se limita a defender (ainda por cima sem fazer antijogo) não é admissível. Se não conseguimos superar isso, não merecemos ganhar títulos, meu caro Bruno Lage. É tão simples quanto isto.

A 2ª parte não poderia ter começado pior, com o golo do adversário logo no primeiro minuto: nossa equipa amorfa e o Carlinhos a aparecer no meio correspondendo a um passe da direita para desfeitear o Vlachodimos. Pensei “já fomos”, porque da maneira como (não) estávamos a jogar, não estava a ver como iríamos marcar. No entanto, respondemos aos 51’ através de um penalty a castigar cotovelada sobre o Rúben Dias num canto (falta vista pelo VAR e assinalada pelo Sr. João Pinheiro). Depois de ter falhado dois penalties frente ao Moreirense, o Pizzi continuou a marcá-los e atirou para o lado direto da baliza, contrário ao que costuma fazer, tendo batido o Makaridze. Nem estávamos a jogar mal e até marcámos outra vez (só que o Carlos Vinícius estava fora-de-jogo), mas o Bruno Lage achou por bem fazer entrar o Rafa para o lugar do Chiquinho. Não concordei com o timing da substituição e não acho de todo que tenhamos melhorado com ela, porque o Rafa está longe da melhor forma e o último passe continua a não sair. A pouco menos de 20’ do fim, entraram o Weigl e o Dyego Sousa para os lugares do Samaris e Cervi, e foi o avançado a assistir a partir da esquerda o Pizzi para este falhar um golo certo, atirando clamorosamente por cima da baliza quase da marca de penalty. Aos 75’, tivemos a grande hipótese de dar a volta ao jogo: depois de, neste mesmo estádio há uns anos, não ter visto um penalty do tamanho do mundo muito perto do final, o Sr. João Pinheiro viu uma clara mão de um defesa que desviou um remate do Grimaldo. O Pizzi voltou à marca de penalty, mas eu não estava nada confiante. Infelizmente não me enganei e o nº 21 falhou o terceiro penalty em dois jogos consecutivos, atirando ao lado. Aliás, em dois destes três nem acertou na baliza! Até final, ainda tivemos uma óptima oportunidade num remate do Grimaldo que o parvalhão do Makaridze defendeu para canto e uma cabeçada do Dyego Sousa também defendida pelo guarda-redes.

Em termos individuais, não houve ninguém que se tenha destacado positivamente. O Taarabt parece estar a perder o gás, o Samaris começou bem com as suas variações de flanco, mas depois de levar amarelo ficou condicionado até sair pouco depois, e os centrais não tiveram muito trabalho, mas o golo adversário foi na sua zona de acção. Quanto ao Pizzi, deveria mesmo passar algum tempo no banco até para sua própria salvaguarda. Está numa péssima forma, sem confiança nenhuma, não consegue passar por um adversário e, por favor, já chega de ser ele o marcador de penalties! É que, mesmo a jogar pessimamente, caso ele tivesse concretizado os quatro penalties de que dispôs nos últimos dois jogos estaríamos três pontos à frente do CRAC...

O panorama está muito negro para nós. Ou mudamos radicalmente ou isto vai ser um suplício até final. Não nos estou a ver com capacidade para irmos ganhar a Famalicão ou a Vila do Conde, mas como alguém me disse, a jogar desta maneira, nem ao Tondela em casa ganhamos! Uma vitória nos últimos oito jogos é algo que nos deveria envergonhar a todos! O que se passa, Benfica...?!

terça-feira, março 03, 2020

Descalabro

Empatámos em casa ontem frente ao Moreirense (1-1) e perdemos a liderança do campeonato, estando agora um ponto atrás do CRAC (2-0 ao Santa Clara nos Açores). Foi há menos de um mês (8 Fevereiro) que fomos a Mordor com sete pontos de vantagem. Repito: s e t e  p o n t o s de vantagem! Quatro jogos depois, oito pontos foram ao ar, com a agravante de cinco deles terem sido na Luz! Foi um mês verdadeiramente horripilante, em que, para piorar ainda mais as coisas, fomos eliminados precocemente das competições europeias. E o único aspecto positivo, a qualificação para a final da Taça de Portugal, foi conseguida de uma maneira muito lisonjeira e graças a São Vlachodimos.

O Bruno Lage tinha dito que para este jogo era “Samaris e mais dez” e o grego correspondeu sendo um dos melhores em campo. O Moreirense defendeu muito na 1ª parte e nós tivemos bastantes dificuldades em conseguir superá-los, até porque o Taarabt fugia da zona de finalização e o Carlos Vinícius estava invariavelmente sozinho no meio de ‘n’ defesas contrários. Para (não) ajudar, nem sempre empregávamos a velocidade necessária e estávamos coxos do lado direito, porque o Tomás Tavares parecia que tinha uma corda a impedi-lo de progredir até à linha de fundo. Mesmo assim, ainda tivemos umas quantas boas oportunidades, com o C. Vinícius a ultrapassar o guarda-redes, mas a ficar com pouco ângulo, tendo o remate sido interceptado por um defesa, um remate do Pizzi na direita que o Pasinato defendeu para canto e, na melhor jogada da 1ª parte, com o Rúben Dias a iniciar e finalizar com um remate de carrinho, que passou rente ao poste. Quase em cima do intervalo, foi o Grimaldo a atirar ao poste num centro-remate, com a recarga do Rafa a ser cortada por um defesa. Do outro lado, houve dois jogadores do Moreirense que apareceram frente-a-frente com o Vlachodimos, mas da primeira vez este foi rapidíssimo e conseguiu sair aos pés do avançado contrário, e da segunda o cabeceamento passou por cima da barra.

Na 2ª parte, poderíamos ter simplificado muito as coisas logo no reinício. Aos 47’ o Tomás Tavares centrou da direita e um defesa cortou a bola com o cotovelo aberto. No penalty respectivo, o Pizzi atirou excepcionalmente para o lado direito da baliza, enganando o guarda-redes, mas a bola... saiu ao lado! Logo a seguir, entrou finalmente na baliza através do Rafa, todavia o lance foi invalidado pelo VAR, porque o Pizzi fez um carrinho em que atirou a bola ao poste, mas esta bateu-lhe na mão, antes de sobrar para o nº 27. A partida parecia enguiçada e por volta da hora de jogo o Bruno Lage fez sair o Weigl para entrar o Dyego Sousa. O Samaris já tinha amarelo, mas o que é facto é que estava a jogar melhor que o alemão e o Lage decidiu arriscar a sua continuidade. (Eventualmente poderia ter saído o Ferro, recuando o Weigl para o centro da defesa...) No entanto, o balde de água fria surgiu aos 67’ com o golo do Moreirense: jogada pelo lado esquerdo com centro para a área, o Ferro (lá está...) não cortou o lance (quiçá com medo de mais um autogolo) e o Fábio Abreu entrou de rompante nas suas costas, atirando sem hipóteses para o Vlachodimos. As coisas ficaram muito negras e o Bruno Lage não ajudou nada no banco (para variar...): fez entrar (e bem) o Cervi, mas tirou o Rafa que, apesar de não estar a fazer um jogo brilhante, é sempre imprevisível, e, pior ainda, colocou o Jota no lugar do... Taarabt! Saía o único jogador nosso que parte para cima dos adversários e arrisca a fintar e criar desequilíbrios... Quer dizer: em Mordor acabámos com os três pontas-de-lança em campo e o Pizzi a lateral-direito, ontem todos os defesas ficaram em campo até final...! Incompreensível! O C. Vinícius teve um remate por cima, depois de assistido pelo Grimaldo na esquerda, mas pouco mais perigo criámos, porque... não havia ninguém para desequilibrar a defesa! Num contra-ataque venenoso, o Moreirense só não fechou o jogo, porque o remate do Pedro Nuno isolado saiu ao lado. Em cima dos 90’, o Cervi antecipou-se a um defesa na área e foi pontapeado por trás. O Sr. Fábio Veríssimo assinalou o respectivo penalty, o C. Vinícius ainda pegou na bola, mas o Pizzi quis marcar novamente o penalty. Atirou, como de costume, para o lado esquerdo da baliza, muito pouco colocado, o guarda-redes defendeu, mas felizmente para a frente e o nº 21 fez o empate. Teve uma sorte enorme no ressalto! Até final, o Dyego Sousa e o Pizzi ainda remataram, mas o Pasinato defendeu sem muitas dificuldades. Acabou assim um jogo em que era fundamental ganharmos e só não perdemos por pouco...

Em termos individuais, gostei do Samaris, que é o jogador mais parecido com o Gabriel a variar o flanco com passes em profundidade. Continuo sem perceber, porque é que o Lage só agora se lembrou dele... O Taarabt não esteve tão bem como em jogos anteriores, mas neste momento é dos poucos que arrisca desequilibrar. Foi das pouquíssimas vezes que assobiei contra nós, mas não me consegui conter na altura da sua substituição! (Será que o Lage não vê o mesmo jogo que nós vemos...?!) E, por favor, alguém eu diga ao Tomás Tavares que pode (e deve) subir pelo flanco direito para criar desequilíbrios, especialmente em jogos como este...! Obrigado.

Claro que só estamos a um empate de voltar à liderança, mas sinceramente o panorama apresenta-se-nos muito negro. Perder oito pontos em menos de um mês e deixar de depender de si próprio para chegar ao título tem um enorme efeito negativo em nós e positivo nos outros. Não nos estou a ver com capacidade para inverter isto. O plantel parece descrente e joga sob brasas, e o treinador está a ter uma série de opções a partir do banco nos últimos jogos que só estragam a equipa. Não percebo como é que ninguém lá dentro vê isto... Conseguimos dar cabo de uma vantagem de sete pontos em apenas quatro jogos e maioritariamente em casa...! Vai custar muito perder um campeonato assim.

Benfica FM em directo

Disse "claro que sim" a mais um convite do meu amigo Nuno Picado antes do descalabro de ontem. Vai ser uma catarse bastante difícil...

Para ver hoje em directo aqui a partir das 21h30.


sexta-feira, fevereiro 28, 2020

Desilusão

Empatámos na Luz frente ao Shakhtar Donetsk (3-3) e fomos eliminados nos dezasseis-avos de final da Liga Europa. Foi um tremendo revés, dado que tínhamos a esperança de poder chegar pelo menos aos quartos-de-final tal como na temporada passada. Foi-nos prometido um Benfica Europeu e ficámos muito aquém disso, portanto este falhanço deverá servir para tirar ilações para o futuro.

Relativamente a Barcelos, o Bruno Lage fez entrar o Dyego Sousa e o Chiquinho, saindo o Carlos Vinícius (tocado) e o Samaris. Entrámos muito bem e logo aos 9’ num remate rasteiro muito colocado do Pizzi. Ficámos em vantagem na eliminatória, mas não por muito tempo. O Shakhtar igualou aos 12’ num autogolo do Rúben Dias depois de uma desmarcação na direita do ataque, que apanhou a nossa defesa em contrapé, e um cruzamento para área em que o Ferro e o Rúben Dias tentaram evitar que a bola chegasse ao avançado, mas este último acabou por inadvertidamente colocá-la na nossa baliza. Pouco depois, as coisas poder-se-iam ter complicado muito, mas o Vlachodimos desviou para o poste um remate já com pouco ângulo do Ismaily. Aos 36’, igualámos a eliminatória, ao fazer o 2-1 através de uma óptima cabeçada do Rúben Dias depois de um canto do Pizzi na direita. Até ao intervalo, o Dyego Sousa poder-se-ia ter estreado a marcar por nós, mas o remate rasteiro foi defendido pelo Pyatov.

A 2ª parte não poderia ter começado melhor: fizemos o 3-1 logo aos 47’ através do Rafa, depois de um disparate tremendo de um defesa ucraniano, que colocou a bola nos pés do Dyego Sousa, que assistiu o nº 27. À semelhança da primeira parte, nem tivemos para saborear a vantagem, dado que o Shakhtar empatou logo dois minutos depois através de uma forte cabeçada do Stepanenko na sequência de um canto. Este golo abanou-nos, como seria expectável e o Bruno Lage fez entrar o Seferovic a pouco mais de 20’ do fim saindo o Chiquinho. O suíço teve uma óptima ocasião para marcar de cabeça depois de um livre do Pizzi, mas a bola saiu ao lado. Aos 71’, a eliminatória praticamente acabou com o 3-3 do Alan Patrick no enésimo contra-ataque rápido dos ucranianos (aquilo que nós nunca fizemos no jogo da 1ª mão, em que saímos sempre muito devagarinho para o ataque). Até final, ainda entraram o C. Vinícius e o Jota, mas já nada conseguiram fazer para mudar a eliminatória. Ao menos que tivéssemos ganho o jogo, mas nem isso lográmos fazer.

Em termos individuais, o Taarabt foi o que apresentou rendimento mais constante e o Vlachodimos salvou-nos da derrota por duas ou três vezes. O Pizzi também não esteve mal, com um golo e uma assistência. Quanto ao Rafa acabou por ter um rendimento em crescendo, principalmente na 2ª parte, com o golo e, perto do final, em que fez um par de sprints perigosos. Todavia (e já não é deste jogo) o último passe não lhe está a sair nada bem. Quanto ao Seferovic, não se percebe a insistência do Lage em fazê-lo entrar logo em primeiro lugar. É que há uma série de jogos que não acrescenta nada à equipa.

À semelhança das demais equipas portuguesas, fomos eliminados numa altura muito precoce (parece que há 21 anos que não ficávamos todos de fora tão cedo). No entanto, temos de ter consciência do seguinte: a nossa história só é grande pelo que fizemos em termos europeus, portanto não podemos de todo relegar para segundo plano este aspecto. Sejamos honestos: fora do próprio país, ninguém liga nenhuma a algum campeonato tirando os principais (Inglaterra, Alemanha, Espanha e Itália). Quem é que vê regularmente o campeonato belga, holandês ou russo? Claro que o tetra foi histórico e quantos mais campeonatos ganharmos melhor, obviamente. Não troco as idas ao Marquês por nada. Mas a dimensão europeia não pode ser descurada, como tem sido nos últimos anos, sob pena de ficarmos restringidos ao nosso pequeno quintal. E de assim não honrarmos a nossa história.

terça-feira, fevereiro 25, 2020

Importante

Vencemos ontem o Gil Vicente em Barcelos (1-0) e mantivemo-nos na liderança do campeonato com um ponto de vantagem sobre o CRAC, que marcou aos 87’ frente o Portimonense em casa (1-0). Foi uma vitória fundamental num campo onde os outros dois tinham perdido e para mais no meio de uma jornada europeia na Liga Europa.

O Bruno Lage mexeu na equipa e colocou o Samaris no meio, avançando o Taarabt para trás do Carlos Vinícius, com o Rafa na esquerda. E o que se pode dizer é que fizemos uma boa 1ª parte, com o Samaris em destaque no meio-campo com duas ou três variações de flanco muito boas. Tivemos uma boa oportunidade logo nos minutos iniciais, mas o Pizzi atirou à malha lateral quando já tinha pouco ângulo. Fizemos o único golo da partida aos 15’ num livre, em que a bola sobrou para a esquerda, o Taarabt centrou e o C. Vinícius de cabeça não deu hipóteses ao Denis. O Gil Vicente reagiu bem e logo a seguir poderia ter chegado ao empate, mas o desvio do avançado depois de uma bola metida na área saiu ligeiramente ao lado. Até ao intervalo, o Vlachodimos fez mais um par de boas defesas que permitiram manter as nossas redes invioladas. Quanto a nós, também tivemos ocasiões, mas geralmente falhávamos no último passe.

Fruto do jogo na 5ª feira, esperava alguma quebra física da nossa parte no segundo tempo. Felizmente isso não se verificou muito, embora o Gil Vicente como seria expectável tenha atacado mais. Todavia acabámos por estar mais seguros a defender do que em partidas anteriores e o Vlachodimos foi dando conta do recado como tem sido hábito. O jogo poderia ter sido mais tranquilo se tivéssemos marcado logo no reinício, mas um defesa desviou para canto um remate do C. Vinícius que ia com boa direcção. Contra-atacámos algumas vezes, mas o último passe voltou a não estar perfeito (o Rafa teve pelo menos duas ocasiões em que falhou redondamente passes que não eram nada difíceis). A nossa melhor ocasião foi um disparo do Taarabt à trave, depois de passar a bola por cima de um adversário naquilo que seria um golão! Para os minutos finais, o Bruno Lage fez entrar o Dyego Sousa, Cervi e Chiquinho, que ajudaram a conter o último fôlego do Gil Vicente.

Em termos individuais, destaque pelo C. Vinícius pelo golo e pela outra ocasião em que só não marcou, porque o defesa desviou a bola, para o Samaris pela consistência que emprestou ao meio-campo e pela participação nas acções ofensivas (aliás, gostaria que o Bruno Lage me explicasse porque é que um jogador que foi fundamental para o título no ano passado tem tido tão poucas oportunidades esta época), para o Taarabt, embora ache que o marroquino esteja mais à vontade como nº 8 do que como 10, e claro para o Vlachodimos, que terá uma enorme quota de responsabilidade em tudo o que de bom conseguirmos esta temporada. O Pizzi esteve melhor do que em partidas anteriores, assim como o Ferro. Também gostei muito da entrada do Dyego Sousa, bastante mais activo do que o Seferovic, e naturalmente do Cervi, pese embora o seu falhanço só com o guarda-redes pela frente já na compensação. Não tão bem esteve o Rúben Dias, que perdeu pelo menos por duas vezes a bola em sítio proibido.

A meio da jornada europeia, estes jogos são ainda mais difíceis do que é normal. Demos uma resposta melhor do que nos últimos tempos e isso é bastante positivo. Teremos agora o Shakhtar na 5ª feira e o tempo de descanso entre os jogos vai ser muito curto. Espero que a equipa consiga dar a volta à eliminatória, porque seria muito frustrante se saíssemos já da Europa.

sexta-feira, fevereiro 21, 2020

Sem chama

Perdemos na Ucrânia frente ao Shakhtar Donetsk por 1-2 e partimos em desvantagem para o encontro da 2ª mão na Luz. Foi um jogo que infelizmente confirmou a tendência dos últimos (exceptuando talvez o do Braga), ou seja, não estamos de todo a passar por uma boa fase.

Perante a indisponibilidade por castigo do Weigl, o Bruno Lage fez entrar o Florentino, tendo igualmente trocado a dupla atacante (Chiquinho e Seferovic em vez do Rafa e Carlos Vinícius). Contra um adversário que está há dois meses na pausa de Inverno, voltámos a demonstrar a pobreza franciscana das exibições fora nas competições europeias: velocidade zero, vontade para marcar golos zero, limitamo-nos a tentar não sofrer enquanto o jogo está empatado. Muito, muito pouco para uma equipa como nós que tem um estatuto a defender na Europa do futebol. A meio da 1ª parte, tivemos uma decisão do VAR a nosso favor, anulando um golo por fora-de-jogo milimétrico, depois de uma transição ofensiva do Shakhtar na sequência de um péssimo passe do Florentino na nossa em zona de ataque. Mantenho a coerência em relação ao VAR: estes lances que a olho nu não se percebe se são fora-de-jogo ou não são para deixar seguir. No entanto, não posso deixar de notar a rapidez com que a decisão foi tomada. Fosse no campeonato português e ainda estaríamos lá agora à espera da decisão. O Pizzi jogou atrás do Seferovic, com o Chiquinho a fechar o lado direito, mas só chegámos à baliza contrária perto do intervalo, com um remate ao lado do mesmo Pizzi depois de uma jogada do Cervi na esquerda.

Se a 1ª parte não tinha sido nada de especial, os primeiros minutos da 2ª foram bastante piores. Os ucranianos aceleraram um pouco e nós fomos encostados às cordas. Já na 1ª parte, o Vlachodimos tinha feito um par de boas intervenções, que aumentaram substancialmente na 2ª. No entanto, nada conseguiu fazer aos 56’ com um remate de fora da área do Alan Patrick a inaugurar o marcador. O Shakhtar estava a ameaçar há algum tempo pelo que isto não foi surpresa para ninguém. Tivemos uma boa reacção (porque é que não jogámos assim desde o início...?!) e empatámos aos 66’ num penalty do Pizzi (bem marcado) a castigar falta sobre o Cervi. Todavia, esta infracção só foi sinalizada pelo VAR ao árbitro, porque tínhamos marcado golo pelo Tomás Tavares e ficámos todos na dúvida se havia ou não fora-de-jogo do Cervi, que lhe fez a assistência. Aposto que ninguém se apercebeu do penalty. O meu ponto é este: deveria ter sido golo do Tomás Tavares! A falta sobre o Cervi é menos de um segundo antes do golo, pelo que se o árbitro a tivesse visto só teria apitado depois de a bola ter entrado na baliza. Imaginemos que o Pizzi falhava o penalty. Como seria?! Quando se esperava que, a seguir a um golo caído do céu, conseguíssemos finalmente jogar algum futebol, o Rúben Dias resolveu comer uma série de erros na mesma jogada e o Kovalenko fez o 1-2 aos 72’. Até final, os ucranianos fecharam-se bem e só num remate de pé direito do Grimaldo colocámos o Pyatov à prova. Ainda sofremos uns quantos contra-ataques, mas felizmente sem consequências.

Em termos individuais, destaque absoluto e exclusivo para o Vlachodimos. Há uma série de partidas que tem sido o nosso melhor jogador, o que quer dizer muito da maneira como (não) estamos a jogar. O Taarabt foi dos poucos a tentar levar a equipa para a frente, mas desceu muito na 2ª parte e o Chiquinho também não foi dos piores, especialmente na ajuda defensiva que deu. Do outro lado, o Pizzi está pouco mais que inenarrável (não consegue criar um desequilíbrio, nem fazer um passe de ruptura), o Ferro voltou a ser um passador, o Seferovic é um a menos e o Florentino demonstrou novamente a necessidade termos contratado alguém como o Weigl (joga invariavelmente para o lado e para trás, para além de ter perdido uma ou duas bolas incríveis que deram origem a contra-ataques perigosos).

Não irá ser fácil eliminar os ucranianos, ainda para mais com o pouco tempo de descanso antes da 2ª mão. Todavia, antes disso teremos a difícil deslocação a Barcelos frente ao Gil Vicente. Era nesta altura que os sete pontos de vantagem seriam muito importantes. Uma coisa parece certa neste momento: ou mudamos radicalmente a qualidade das nossas exibições, ou isto irá ser muito penoso até final da época.

segunda-feira, fevereiro 17, 2020

Inglório

Perdemos no sábado frente ao Braga na Luz (0-1) e, com a vitória do CRAC em Guimarães no dia seguinte (2-1), temos agora somente um ponto de vantagem sobre eles. Em pelo menos 75% dos jogos desta época fizemos exibições piores, mas ganhámos, o que torna este desaire particularmente doloroso. Não só isto, como o facto de numa semana vermos esfumar-se uma vantagem confortável de sete pontos.

Entrámos muito bem na partida e o Rafa aproveitou um erro de um central para se isolar logo nos primeiros minutos, mas o remate saiu ligeiramente ao lado. Aliás, na 1ª parte demos um show de golos falhados, com o Cervi também a ganhar a bola a um defesa e a rematar ao lado e o Carlos Vinícius a cabecear por cima depois de um bom centro do Pizzi (a única coisa de jeito que fez na etapa inicial). Em cima do intervalo, o Braga criou perigo pela primeira vez, mas o Vlachodimos fez bem a mancha a um adversário que de repente lhe surgiu isolado pela frente numa bola parada (não se percebe como é que a nossa defesa permite lances destes em todos os jogos). Na sequência do canto, um enorme balde de água fria caiu sobre as nossas cabeças com o golo de cabeça do João Palhinha, que deixou o Ferro nas covas.

Tentámos inverter a injustiça do marcador na 2ª parte e o C. Vinícius atirou ao poste, depois de uma boa iniciativa individual a passe do Grimaldo. O Braga defendeu-se bem durante grande parte do segundo tempo e só numa grande jogada individual do Pizzi (a única coisa de jeito que fez nos segundos 45’) voltámos a criar perigo, mas o Matheus defendeu para canto. Com o passar do tempo, o Braga começou a fazer contra-ataques perigosos e por mais de uma vez foi o Vlachodimos a permitir-nos continuar na discussão do resultado. À semelhança de Mordor, quando o Bruno Lage começou a mexer na equipa ficou tudo estragado. Deve ter um fetiche qualquer com o Seferovic, que tem que ser o primeiro a entrar. Ainda por cima, com o Pizzi a arrastar-se e o Rafa a quebrar fisicamente, foi o Cervi a sair aos 62’ o que lhe valeu uma enorme assobiadela. Para piorar as coisas, aos 79’ fez sair o Weigl para entrar o Chiquinho. O alemão tinha acabado de fazer um passe longo que isolou o Pizzi e era dos que mais fazia a bola rolar, e com esta substituição o Taarabt, que era o único a quebrar linhas e levar a bola para a frente, recuou para trinco e ficou longíssimo da baliza. Resultado? Deixámos de criar perigo. Na fase do desespero aos 86’ saiu o Tomás Tavares para entrar o Dyego Sousa. Novamente três ponta-de-lança em campo, novamente sem uma única bola a chegar à frente. Porquê? Porque não havia ninguém para a pôr lá! Esta táctica pode parecer excelente em termos teóricos e o Lage explicou-a mais uma vez na conferência de imprensa, mas o que é facto é que na prática não resulta. Viu-se em Mordor e comprovou-se outra vez no sábado. Por favor, alguém que diga ao nosso treinador que três pontas-de-lança, com o Seferovic a descair para a extrema-esquerda, o Pizzi a defesa-direito e o Taarabt a trinco é obviamente uma confusão de todo o tamanho e um enorme favor que fazemos aos adversários. Se estamos rotinados para jogar de determinada maneira, e até nem o fizemos mal durante grande parte do jogo, para quê isto...?!

Em termos individuais, destaque mais uma vez para o Vlachodimos que só não defendeu o indefensável. O Taarabt foi dos mais esclarecidos e deveria ter ficado a jogar mais perto da baliza até final do jogo. O Cervi lutou muito como de costume e, quando saiu, deixámos de jogar pelo corredor esquerdo. Quanto aos menos, o Rafa parece cansado e o Pizzi continua a decair a olhos vistos.

Confesso que cheguei a sonhar com a possibilidade de fazermos alguma gestão no campeonato em favor da Liga Europa. Afinal, tínhamos sete pontos de vantagem. Em apenas duas jornadas, tudo se esfumou e o panorama está muito negro. A lesão do Gabriel veio complicar muito as nossas contas pelo equilíbrio que dava ao meio-campo. Ainda por cima, as competições europeias regressam já esta semana e o plantel parece muito curto para a carga de jogos que vamos ter.

P.S. – Foi obviamente NOJENTO o que se passou em Guimarães com o Marega. Qualquer pessoa que tenha neurónios percebe isso. Mas não foi caso único e, naquele mesmo estádio, o Nélson Semedo sofreu algo semelhante (em menor proporção) há uns anos. Espero que agora haja finalmente coragem para se pôr cobro a isto em definitivo e irradiar permanentemente dos estádios os energúmenos desta estirpe.