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sexta-feira, novembro 21, 2025

Irlanda e Arménia

As ligas nacionais pararam no passado fim-de-semana por causa da última jornada de qualificação para o Mundial de 2026. Tal como era esperado, Portugal qualificou-se embora tenha precisado do terceiro match-point para o conseguir, dado que perdemos na Irlanda por 2-0 e a qualificação só tenha surgido na goleada (9-1) frente à Arménia.

O jogo frente aos irlandeses foi parecido com o que houve em casa, com eles a defenderem muito bem, muito agressivos e nós a termos grandes dificuldades em entrar na muralha contrária. Só não foi igual, porque eles foram muito mais perigosos quando contra-atacavam, tendo atirado uma bola ao poste antes de nos marcarem dois golos ainda na 1ª parte, ambos pelo Troy Parrott (17’ e 45’). A perder por dois ao intervalo, o Roberto Martínez não se lembrou de mais nada do que... substituir dois defesas...! Na 2ª parte, as esperanças de mudarmos o resultado foram arruinadas aos 59’, quando o Cristiano Ronaldo deu um murro nas costas de um defesa e foi naturalmente expulso. A primeira vez que aconteceu ao serviço da selecção, mas ao menos teve o mérito de não jogar o jogo seguinte, até porque o Gonçalo Ramos, que só entrou a 12’(!) do fim, fez mais remates nesse tempo do que o Cristiano Ronaldo no outro todo.

Frente à Arménia, em casa, era só o que mais faltava se não ganhássemos. Nem mereceríamos ir ao Mundial nesse caso. Inaugurámos o marcador logo aos 7’ num cabeceamento do Renato Veiga na sequência de uma bola parada, mas deixámo-nos empatar aos 18’, quando fomos apanhados em contrapé num contra-ataque. No entanto, chegámos ao intervalo com a qualificação resolvida (5-1) mercê de um bis do João Neves (30’ e 41’) e de golos do Gonçalo Ramos (28’) e Bruno Fernandes (nos descontos, de penalty). A 2ª parte foi apenas um proforma, com mais quatro golos, tendo o João Neves (81’) e o Bruno Fernandes (52’ e noutro penalty aos 72’) chegado ambos ao hat-trick. O último golo foi apontado pelo Francisco Conceição já nos descontos (92’).

Que esta qualificação seja olhada de maneira honesta para que não tenhamos ilusões: dos seis jogos, só frente à Arménia é que passeámos. Nos outros quatro, ganhámos dois nos minutos finais (Hungria fora e Irlanda em casa), empatámos outro (Hungria em casa, com o golo sofrido também nos minutos finais) e perdemos um (Irlanda fora). É uma performance muito fraca, perante adversários bastante secundários, para quem almeja ser campeão do mundo. A selecção padece de vários problemas (vacas sagradas que raramente são substituídas, tudo andar à volta de um jovem de 40 anos e opções tácticas e de escolha de jogadores muito discutíveis) e não se está a ver o Roberto Martínez com capacidade de os resolver (antes pelo contrário...). Mas pode ser que tenhamos uma surpresa (e alguma sorte) como na Liga das Nações.

sábado, outubro 18, 2025

Irlanda e Hungria

As provas nacionais pararam na semana passada para mais uma jornada de qualificação para o Mundial 2022. A selecção nacional jogava dois jogos em casa que, em caso de dupla vitória, lhe garantiriam a qualificação ao fim de apenas quatro jornadas.

No passado sábado, defrontámos a Irlanda e houve uma desinspiração generalizada de quase toda a equipa. Os irlandeses fecharam-se muito e bem e só conseguimos marcar no tempo de compensação (91’) pelo Ruben Neves, numa boa cabeçada depois de um centro do Trincão. A 15’ do fim tivemos uma soberana oportunidade, mas o Cristiano Ronaldo permitiu a defesa do guarda-redes num penalty marcado para o meio da baliza. Para (não) variar, o Roberto Martínez demorou bastante a lançar um segundo ponta-de-lança em campo, só o fazendo aos 86’ (já se sabe que o Cristiano Ronaldo tem lugar cativo...) e a presença de mais um jogador na área atrapalhou as marcações contrárias, permitindo o cabeceamento vitorioso do Rúben Neves.

Na passada 3ª feira, recebemos a Hungria e empatámos 2-2. Começámos mal, a sofrer o 0-1 logo aos 9’, mas demos a volta ainda na 1ª parte com dois golos do Cristiano Ronaldo (22’ e 48’) a corresponder bem a centros do Nélson Semedo e Nuno Mendes, respetivamente. Chegámos ao intervalo em vantagem, o que era bastante importante, e esperava-se que na 2ª parte fechássemos o jogo e a qualificação. Atirámos duas bolas aos postes (Rúben Dias e Bruno Fernandes), o João Félix teve um cabeceamento brilhantemente defendido pelo guarda-redes, mas sofremos um balde de água fria aos 91’, com o golo do empate do Szoboszlai. Defendemos muito mal nos minutos finais e, sinceramente, não percebo a insistência no Renato Veiga como central titular...

Daqui a cerca de um mês teremos os dois últimos jogos (ida à Irlanda e recepção à Arménia), onde bastará um ponto para nos qualificarmos. É impensável que isso não suceda, mas com os jogadores que temos continuamos a produzir muito pouco futebol...

domingo, setembro 14, 2025

Arménia e Hungria

Na semana passada, o campeonato parou para a qualificação para o Mundial 2026 e, em apenas dois jogos, a selecção nacional praticamente garantiu o bilhete. Inserida num grupo com somente quatro equipas, por via da participação na final four da Liga das Nações, e com o Mundial a ter pela primeira vez 48 selecções(!), convenhamos que seria um escândalo se Portugal não se qualificasse.
 
Tendo ambos os jogos fora, no primeiro jogo, frente à Arménia (na 5ª feira anterior) goleámos por 5-0 com um bis do João Félix (10’ e 62’) e outro do Cristiano Ronaldo (21’ e 46’), tendo o João Cancelo (32’) feito o outro golo. Com o primeiro a surgir aos 10’, o jogo desbloqueou-se muito cedo e ao intervalo já ganhávamos por três. A Arménia mal conseguia passar do meio-campo e praticamente não criou perigo.
 
O segundo jogo (nesta 3ª feira que passou) afigurava-se bastante mais complicado, perante supostamente o adversário mais difícil. O Roberto Martínez inventou, colocando só um central de raiz (Rúben Dias), com o outro Rúben (o Neves) a fazer-lhe companhia. E foi por aí que a corda começou a quebrar, com a Hungria a inaugurar o marcador aos 21’ pelo Varga, de cabeça, na sequência de um contra-ataque, em que fomos apanhámos em contrapé e foi o Vitinha(!) a disputar o lance com ele... Empatámos aos 36’ pelo Bernardo Silva e na 2ª parte passámos para a frente com um penalty do Cristiano Ronaldo (58’). Como o Martínez deixou tudo na mesma, a Hungria empatou novamente pelo Varga, novamente de cabeça, perante um Rúben Neves que não se fez ao cruzamento... Estávamos no minuto 84’ e parecia que uma vitória importante ia voar pela janela... No entanto, reagimos muito bem pouco depois e o João Cancelo fez o 3-2 aos 86’. Livrámo-nos de boa, mas se calhar para a próxima é aconselhável colocar jogadores nas suas posições de origem... Digo eu... Ah, e já agora, se calhar, um jogador de 40 anos não deveria jogar 87’ num segundo jogo (ainda por cima fora de casa) em três dias, não...?
 
Em Outubro, teremos dois jogos em casa (Irlanda e Hungria) e duas vitórias selarão definitivamente a qualificação.

quinta-feira, março 27, 2025

O Centro de Dia da Selecção

As provas nacionais pararam na semana passada para os quartos-de-final da Liga da Nações, em que a selecção nacional começou por ser derrotada na Dinamarca por 0-1, para três dias depois conseguir dar a volta à eliminatória e apurar-se para a final four com um 5-2, após prolongamento. Estes resultados são ambos muito enganadores, porque poderíamos ter trazido um cabaz de Copenhaga e aos 86’ do jogo da 2ª mão estávamos eliminados (2-2)...
 
A atitude burguesa da equipa na Dinamarca só não nos custou muito caro, por inépcia dos dinamarqueses e algumas boas defesas do Diogo Costa. Fizemos apenas dois(!) remates enquadrados com a baliza, ambos pelo Pedro Neto, e tivemos o Cristiano Ronaldo a jogar os 90’, com o Gonçalo Ramos na bancada... Só sofremos o golo aos 78’ pelo Höjlund, mas foi um milagre a eliminatória não ter ficado decidida.
 
Na 2ª mão, no estádio do outro lado da Segunda Circular, começámos por ter um penalty oferecido, que o Cristiano Ronaldo fez o favor de transformar num passe ao guarda-redes e só marcámos porque um defesa fez um autogolo aos 38’ num canto. Os dinamarqueses jogaram muitíssimo melhor do que nós em Copenhaga e empataram cedo na 2ª parte (Nissen, 56’). Revelámos sempre imensas dificuldades em criar perigo e só num remate de fora da área do Bruno Fernandes, com recarga do Cristiano Ronaldo depois de defesa do Kasper Schmeichel, aos 72’, voltámos a igualar a eliminatória. No entanto, um tremendo erro do Rúben Dias pouco depois (76’) permitiu ao Eriksen empatar o jogo e desempatar de novo a eliminatória. A quatro minutos do fim, foi o substituto Trincão a possibilitar irmos para prolongamento ao fazer o 3-2. Logo no primeiro minuto deste, o mesmo Trincão colocou Portugal finalmente na frente da eliminatória, para o também substituto Gonçalo Ramos (que só entrou porque o Cristiano Ronaldo pediu para ser substituído no final dos 90’...) fechar a contagem aos 115’.
 
Saímos deste duplo confronto praticamente com a certeza de que não é com o Roberto Martínez que iremos a algum lado. A selecção continua a estar montada em torno do Cristiano Ronaldo, só que ele já tem... 40 anos! Foi um peso morto em ambos os jogos, com a excepção do golo que marcou, mas viu-se bem a diferença na dinâmica da equipa no prolongamento, quando entrou o Gonçalo Ramos. Por outro lado, com tantos bons jogadores na selecção e alguns em grande forma, é incompreensível a insistência no Francisco Conceição, quando o Trincão está no banco. Entrou e decidiu o jogo a nosso favor (espero é que tenha gasto os golos todos até final da época nesta partida...!). Há lugares cativos na equipa e isso é imperdoável. Iremos defrontar a Alemanha nas meias-finais da final four, mas ou as coisas levam uma volta de 180º (o que não se está a ver bem como) ou vamos sofrer mais uma desilusão numa grande competição.

segunda-feira, novembro 25, 2024

Magia total

Goleámos no sábado o E. Amadora por 7-0 na Luz e qualificámo-nos para os oitavos-de-final da Taça de Portugal. Mas este jogo vai ficar lembrado para todo o sempre pelo hat-trick nos primeiros 18’ de jogo de um jogador absolutamente genial que tivemos o privilégio de ter querido regressar ao Benfica na parte final da sua carreira. O que o Di María fez neste jogo não há muitos jogadores na história do futebol que tenham conseguido fazer. Qualquer um dos três golos que marcou é muito bom, mas claro que o segundo, um pontapé-de-bicicleta que deixou meio estádio com as mãos na cabeça, entra no rol dos melhores golos de sempre que tivemos a fortuna de ver no nosso estádio. Quando me perguntam “mas tu não falhas mesmo um jogo do Benfica na Luz?”, não, falho, porque se por acaso não tivesse visto uma obra-prima como aquela ao vivo, não me perdoaria para todos o sempre!

Quero acreditar que não foi só por estar a defrontar uma equipa da I Liga que o Bruno Lage não fez assim uma rotação tão grande na equipa. Espero que a lição do Pevidém e depois do Feyenoord tenha servido para alguma coisa, porque a equipa titular não teve andamento para os holandeses, dado que quase ninguém tinha jogado na Taça no fim-de-semana anterior (isto e a rábula do nevoeiro na Choupana na semana antes da anterior pausa para as selecções). As maiores novidades no onze foram o Samuel Soares e o Arthur Cabral, dado que o António Silva e o Beste são mais utilizados. Não poderíamos ter entrado melhor, com o Di María a começar o seu show aos 2’ na sua jogada típica de puxar a bola para o pé esquerdo estando na direita e disparando sem hipóteses para o guarda-redes Meixedo. Pouco depois, aos 5’, aconteceu o momento do jogo, com o Di María a tirar um adversário do caminho passando-lhe a bola por cima, e depois fazendo um pontapé de bicicleta A B S O L U T A M E N T E fabuloso! Costumo correr os meus companheiros de bancada a high fives a cada golo, mas neste só deu para ficar com as mãos na cabeça em total estado de incredulidade! Que perfeição absoluta! Por mim, o jogo poderia acabar logo ali aos 5’, porque depois daquilo era impossível melhorar! Para completar uma exibição memorável, aos 18’ o génio argentino fez o 3-0, de pé direito, num lance que seria invalidado se houvesse VAR, porque o Di María estava fora-de-jogo na recuperação de bola do Bah. O E. Amadora ficou naturalmente um pouco abananado depois disto, mas mesmo assim ainda conseguiu colocar o Samuel Soares à prova por duas vezes, com magníficas defesas. Se o Di María se destacou pela positiva, o Arthur Cabral teve um jogo agridoce. Até aos intervalo, falhou dois golos certos, em que só tinha de encostar, depois de cruzamentos na direita. Um deles, porque resolveu dar de calcanhar em vez de fazer um remate simples...!

Ao intervalo, o E. Amadora fez algumas substituições e surgiu mais afoito na 2ª parte. Nós também trocámos o apagado Beste pelo Aktürkoğlu. Mas foi novamente o Samuel Soares a destacar-se numa saída corajosa e muito boa aos pés de um adversário, depois de um cruzamento, que evitou um golo certo. Do nosso lado, à incredulidade pelo que fez o Di María nos primeiros 45’, juntou-se a incredulidade pelo que fez o Arthur Cabral no jogo todo. Se os falhanços na 1ª parte foram incríveis, os da 2ª conseguiram ser piores! Por duas vezes, esteve completamente sozinho à frente do guarda-redes e nem sequer acertou na baliza! Então, o quarto falhanço parecia que era para os Apanhados...! O Di María lá teve de entrar novamente em acção, num lance começado curiosamente pelo Arthur Cabral, e assistiu o Aktürkoğlu aos 59’ para o 4-0. O Bruno Lage começou a rodar a equipa e o Amdouni também molhou a sopa perto do final aos 81’, num lance muito parecido ao quarto falhanço do Arthur Cabral, mostrando-lhe como se faz. A assistência do Kökçü, que também tinha entrado, foi também fabulosa. Já tínhamos esgotámos as substituições ao 15’ do fim, mas o Bruno Lage fez muito bem em não tirar o Arthur Cabral que, apesar dos quatro(!) golos certos falhados, continuava a pedir a bola e a não se esconder do jogo. Comentei com os meus colegas de bancada que o jogo só acabaria quando o Arthur Cabral marcasse. Entretanto, a habitual mini-debandada de pessoas que acham que os jogos só têm 80’ já tinha começado... Estando na altura 5-0, eu bem as avisei no gozo que iriam perder o sétimo golo... Mas assim aconteceu! Depois de tanto falhanço, acrescido de um remate que o guarda-redes defendeu para canto, o Arthur Cabral lá marcou finalmente e que golão foi! Outro pontapé de bicicleta, depois de uma insistência do entretanto entrado Schjelderup aos 86’. O estádio e os colegas festejaram muito um golo que parecia que estava enguiçado. Em cima dos 90’, ainda deu para ele bisar, fazendo o 7-0 final, numa recarga a um remate do Florentino. O Sr. André Narciso devia estar com pressa para chegar a casa, porque não deu nem mais um segundo de compensação.

Individualmente, é óbvio que o destaque vai inteirinho para o Di María. Três golos e uma assistência falam por si. O Samuel Soares foi um dos que aproveitaram bem a oportunidade, ao efectuar três defesas muito boas. Também não desgostei do Rollheiser no lugar do Kökçü, embora sejam obviamente jogadores diferentes. Ao invés, o Aursnes terá feito dos piores 45’ pelo Benfica na 1ª parte, com imensos passes falhados, mas depois subiu de produção na 2ª. Quanto ao Arthur Cabral, foi a primeira vez que vi um ponta-de-lança do Benfica falhar quatro(!) golos feitos. Ou seja, se tivesse feito o que lhe competia, seria hoje notícia em todo o mundo por ter marcado seis golos! Só que não! De positivo acerca dele, o facto que já referi de não se ter ido abaixo com tanto falhanço e ter continuado activo no jogo. Teve a recompensa no final. Mas se o jogo não estivesse já resolvido, de certeza que não teria ouvido as palmas que ouviu...

Teremos nesta 4ª feira um desafio crucial na ida ao Mónaco para a Champions. Os franceses estão a fazer um óptimo campeonato, actualmente no 2º lugar, e não vai ser nada fácil. Mas não podemos de todo perder, caso contrário a qualificação para os play-off começa a ficar tremida.

P.S. – A provas nacionais pararam para a conclusão da Liga das Nações. Portugal goleou a Polónia por 5-1 em casa e depois empatou na Croácia (1-1), ficando em 1º lugar no grupo e indo defrontar agora a Dinamarca nos quartos-de-final desta competição. Nestas duas partidas, parece confirmar-se a tendência de que Portugal do Roberto Martínez só joga a alto nível em meia-parte de cada jogo. Frente aos polacos, a 1ª parte foi pavorosa e na 2ª marcámos cinco golos, com o Rafael Leão a inaugurar o marcador de cabeça, um bis do Cristiano Ronaldo (incluindo um de bicicleta), outro do Bruno Fernandes e o último do Pedro Neto. Na Croácia, foi ao contrário: a 1ª parte foi muito melhor do que a 2ª. O golo foi autoria do João Félix, num domínio delicioso depois de uma abertura igualmente magistral do Vitinha, e tivemos outras oportunidades para fechar o jogo, mas sofremos depois do intervalo e o empate acabou por ser merecido.

terça-feira, outubro 22, 2024

Pevidém

Vencemos no passado sábado o Pevidém em Moreira de Cónegos (2-0) e seguimos em frente, como se esperava, na Taça de Portugal. Não me cansarei de referir que esta prova é o melhor exemplo da nossa degradação futebolística dos últimos (largos) anos, dado que temos o vergonhoso histórico de três taças conquistadas nas últimas 28 temporadas, a última das quais já há sete épocas! Urge corrigir isso rapidamente!
 
Depois da fantochada do nevoeiro na Choupana, que nos fez adiar o jogo do campeonato antes da pausa para as selecções, apresentámo-nos nesta partida perante um adversário do Campeonato de Portugal basicamente com suplentes. Neste tipo de jogos, o primeiro golo costuma desbloquear as coisas e marcámo-lo logo aos 3’ através do Beste (a jogar a extremo-esquerdo), a corresponder bem a um centro do Kaboré na direita. Nem houve tempo para ficar nervoso, com este golo madrugador, que, no entanto, não nos galvanizou para uma boa exibição. A maioria dos jogadores não aproveitou para se constituir verdadeiramente como opção para o Bruno Lage. Até ao intervalo, ainda tivemos um bom remate do Arthur Cabral de fora da área, defendido pelo guarda-redes, e uma cabeçada do Tomás Araújo por cima num canto, que nos poderiam ter feito aumentar o marcador.
 
Na 2ª parte, o Bruno Lage colocou o Schjelderup em vez do apagado Amdouni e o norueguês teve uma ou outra boa iniciativa. Mas foi novamente o Beste a marcar, num lance em que o Arthur Cabral acabou por lhe fazer uma assistência involuntária para um remate colocado do alemão aos 75’. Púnhamo-nos assim a salvaguardo de qualquer imprevisto até final, porque já se sabe que um golo pode sempre surgir a qualquer momento (e todos nós nos lembramos do Caldas há duas épocas...). Até final, ainda deu para estrear o Gerson Sousa na equipa principal.
 
Em termos individuais, óbvio destaque para o Beste com um bis. O resto da equipa apresentou-se a um nível mediano, com o Samuel Soares a nem tocar na bola e o Arthur Cabral a desperdiçar a oportunidade de marcar pontos na discussão com o Pavlidis por um lugar na equipa.
 
Teremos amanhã a Liga dos Campeões de regresso, mas antes o sorteio da próxima eliminatória de uma caminhada que se espera que termine no Jamor com a taça.
 
P.S. – As competições nacionais pararam duas semanas por causa da Liga das Nações. Portugal terá feito das melhores exibições na era Martínez ao ganhar na Polónia por 3-1, com um grande jogo do Rafael Leão, mas três dias depois voltou à modorra do costume com um empate a zeros na Escócia. De qualquer forma, apurando-se duas selecções para os quartos-de-final, essa nossa qualificação só muito dificilmente nos fugirá.

terça-feira, julho 09, 2024

Portugal – 0 – França – 0 (3-5 pen.)

Tal como era expectável, fomos de vela nos quartos-de-final do Euro 2024 na passada 6ª feira, ao perder com a França. No entanto, não deixa de ser irónico que isso tenha acontecido no nosso melhor jogo neste torneio e que o desfecho seja até um pouco injusto mediante o que se viu em campo.

Naquela que terá sido a mais bem conseguida prestação de sempre frente aos franceses, enfermámos do mal que perpassou por este Euro: entrar em campo com 10 jogadores. Estivemos três jogos consecutivos sem marcar um único golo, dois deles com prolongamento (330 minutos), e o Roberto Martínez insistiu sempre não só na titularidade, como na presença em campo do Cristiano Ronaldo durante praticamente todo o tempo. Junte-se a isto um Bruno Fernandes muito apagado e um Bernardo Silva não tão vistoso como no Manchester City, e temos as principais razões para a nossa incapacidade de concretização. O Rafael Leão foi o único a conseguir criar perigo de forma regular, com as suas arrancadas pela esquerda, e o Vitinha um esteio a meio-campo. Com estas duas boas exibições, comentei lá em casa que não haveria substituições o jogo todo, porque não haveria jogadores para sair (aqueles estava a jogar bem e os outros eram intocáveis...). Afinal, enganei-me e o Bruno Fernandes saiu aos 74’ para entrar o Francisco Conceição, juntamente com o João Cancelo, que deu o lugar ao Nélson Semedo. Melhorámos um pouco com esta nova ala direita, mas, lá está, meter a bola na baliza é que era o cabo dos trabalhos...

No prolongamento, as coisas não se alteraram, com ambas as equipas a serem cautelosas a maior parte do tempo e acabámos novamente nos penalties, onde os franceses foram muitíssimo eficazes e o João Félix, entretanto entrado, acertou no poste, no único penalty que falhámos. Desta vez, o Diogo Costa não foi herói e viemos recambiados para casa.

Foi um Europeu q.b., em que cumprimos os mínimos de chegar aos quartos-de-final, mas longe do brilhantismo que este conjunto de jogadores nos fazia antecipar. Decisões precisam de ser tomadas, mas duvido que haja coragem para tal. Mesmo que o grande desígnio deste Euro não tenha sido cumprido (falo naturalmente de o Cristiano Ronaldo ser o único a marcar em seis Europeus), quase de certeza que ilações não serão tiradas a este respeito. Não irá haver coragem para lhe dizer “muito obrigado, mas se calhar aos 39 anos já chega, não...?” e assim continuaremos a jogar para os seus recordes na qualificação para o Mundial 2026. A não ser que ele próprio colocasse um fim ao seu percurso na selecção, mas eu não sou assim tão ingénuo para acreditar no Pai Natal...

sexta-feira, julho 05, 2024

Portugal – 0 – Eslovénia – 0 (3-0 pen.)

Na passada 2ª feira, estivemos à beira de uma enorme vergonha nos oitavos-de-final do Euro 2024: sermos eliminados pela poderosíssima Eslovénia! O Diogo Costa tornou-se um herói nacional, porque defendeu três penalties no desempate, já depois de ter defendido com o pé o remate de um adversário isolado, em cima dos 120’, por um erro clamoroso do Pepe. Ou seja, se vamos defrontar hoje a França nos quartos, muito lhe devemos.

O Roberto Martínez esteve bem ao voltar ao 4-3-3, a selecção até nem entrou mal no jogo, mas foi-se perdendo ao longo do tempo. E aí, parece que o espírito do Roger Schmidt se abateu sobre o seleccionador. Não só não fez todas as substituições que se exigiam, perante o descalabro físico de alguns jogadores, como ainda por cima, quando as fez, tirou quem até estava a ser dos melhores e a criar perigo (Rafael Leão e, principalmente, Vitinha). Já se sabe que o Cristiano Ronaldo é inamovível enquanto não se atingir o grande objectivo da selecção nacional neste Europeu (ele tornar-se o primeiro, e muito provavelmente único, jogador da história do futebol a marcar em seis Europeus) e teve uma enorme oportunidade de o fazer nesta partida, mas o Oblak defendeu um penalty seu aos 105’. Aliás, as lágrimas do C. Ronaldo no intervalo do prolongamento eram obviamente por causa disto e não pela perspectiva de poder não conquistar o título europeu (objectivo naturalmente secundário em relação ao outro). Que ele tenha esse desígnio até se pode aceitar, mas que o seleccionador caucione isto não o tirando de campo, quando deixa de responder em termos físicos (o que é mais que natural para alguém que tem já 39 anos...), é que já não se percebe. Como não se percebe que o Bruno Fernandes e Bernardo Silva, em sub-rendimento neste jogo, também não tenham saído. É que toda a gente viu que a selecção não foi pressionante como deveria ter sido, especialmente no prolongamento, caso tivesse sangue fresco na equipa. E com a qualidade de quem está no banco, é incompreensível que esse refrescamento da equipa não tenha acontecido.

Enfim, iremos defrontar os franceses hoje à noite e, perante o que temos visto, será preciso um milagre para passarmos. Como também era preciso um milagre em 2016. Pode ser que a história se repita.

domingo, junho 30, 2024

Geórgia – 2 – Portugal – 0

Na passada 4ª feira, aconteceu um descalabro à selecção nacional e, pior ainda, ao nosso António Silva, já que foi ele o responsável directo pelos dois golos da Geórgia. Tentando ver as coisas pelo lado positivo, se havia jogo para falhar no Europeu, era este, dado que já estávamos qualificados para os oitavos-de-final e em 1º lugar do grupo.
 
O Roberto Martínez, tal como se previa, rodou praticamente a equipa toda, menos o guarda-redes Diogo Costa e, claro, o Cristiano Ronaldo, que ainda não tinha marcado no Europeu e já se sabe que os seus recordes pessoais estão sempre à frente de tudo... Inclusive da racionalidade que seria colocar um jogador de 39 anos a descansar num jogo que não decidia nada... Logo aos 2’, o António Silva fez um passe sem olhar no meio-campo adversário, que deu azo a um contra-ataque bem finalizado pelo Kvaratskhelia. Tínhamos o jogo todo pela frente para dar a volta, mas manifestámos sempre uma lentidão exasperante nas trocas de bola (à semelhança do encontro frente à Rep. Checa, mas ainda para pior) e raramente conseguimos criar perigo.
 
Na 2ª parte, aos 57’, o António Silva teve uma acção muito imprudente que resultou num penalty, que o Mikautadze concretizou para o 0-2. O Roberto Martínez lá foi fazendo substituições, mas nada resultou na prática. A selecção nunca se encontrou e nenhum dos não-habituais titulares aproveitou verdadeiramente a oportunidade.
 
Iremos amanhã defrontar a Eslovénia do Oblak nos oitavos-de-final e espera-se que esta táctica dos três centrais seja abandonada de vez. Parece-me que os jogos frente à Rep. Checa e Geórgia foram esclarecedores para isso. A derrota na 4ª feira serviu para arrefecer um pouco os ânimos, o que até poderá jogar a nosso favor. Pode ser que esta descida à terra nos permita melhorar a concentração competitiva e não tomar nada como garantido.

terça-feira, junho 25, 2024

Turquia – 0 – Portugal – 3

E “depois da tempestade veio a bonança”. Vencemos folgadamente a Turquia no passado sábado e conseguimos já o apuramento para os oitavos-de-final, no 1º lugar do grupo, logo à 2ª jornada. Se com os checos a exibição tinha deixado muito a desejar, frente aos turcos, em teoria mais difíceis, foi exactamente o oposto, com a selecção a voltar ao habitual 4-3-3 e a ganhar sem espinhas.

Claro que um golo relativamente cedo (21’) do Bernardo Silva e o 2-0 apenas oito minutos depois, num autogolo inacreditável do Akaydin (para mim, com culpas do guarda-redes que não o avisou que não estava na baliza), contribuíram imenso para isso, libertando os jogadores para mostrar toda a sua categoria. A seguir ao intervalo, o 3-0 logo aos 56’ através do Bruno Fernandes fechou definitivamente o jogo para nós. Quanto à Turquia, teve uma boa oportunidade ainda antes do nosso primeiro golo, mas depois foi completamente abafada.

Em termos individuais, destaque para a dupla Bernardo Silva – Bruno Fernandes, que deu show no meio-campo, para o pouquíssimo egoísmo do Cristiano Ronaldo no terceiro golo, a passar a bola ao Bruno Fernandes quando estava sozinho frente ao guarda-redes (foi de tal ordem inusitado, que até o Roberto Martínez elogiou no final do jogo...!), e para o Pepe que, apesar da sua provecta idade, não deixou nenhum turco passar por ele. Palavra igualmente para a estreia de dois dos nossos, António Silva e João Neves, no Europeu e para o Kökçü do outro lado, que só jogou meia parte. Do lado negativo, o Rafael Leão irá falhar a partida frente à Geórgia por ter visto o segundo amarelo, no segundo jogo, pela segunda simulação de uma falta... Comigo, estaria lixado...!

Espera-se rotação da equipa frente à Geórgia e que se estreiem alguns do que ainda não saíram do banco (João Félix e Gonçalo Ramos, por exemplo). Ainda não se sabe quem defrontaremos na fase seguinte, mas esta exibição elevou bastante os nossos níveis de confiança.

sexta-feira, junho 21, 2024

Portugal – 2 – Rep. Checa – 1

Entrámos a ganhar no Euro 2024 com uma enorme vaca na passada 3ª feira. Um golo aos 92’ safou-nos de uma estreia inglória, mas a exibição deixou muito a desejar e é bom que as coisas se alterem para os próximos jogos.
 
Com uma táctica de três centrais e dois jogadores no onze inicial que, somados, têm 80 anos(!) (é impossível não ser caso único na história de todas as grandes competições futebolísticas), entrámos a passo e a 1ª parte foi uma sensaborona pasmaceira. Os checos fecharam-se a sete chaves lá atrás, com dois autocarros, e nós nunca tivemos engenho e arte para os ultrapassar.
 
Na 2ª parte, lá acelerámos um pouco, mas foram os checos a inaugurar o marcador aos 62’ pelo Provod, num remate de fora da área, indefensável para o Diogo Costa. A nossa vaca começou logo no golo do empate, um autogolo do Hranac, que aconteceu pouco depois, aos 69’. Nem deu para ficarmos nervosos por estarmos em desvantagem. A entrada do Diogo Jota para o lugar do desinspirado Rafael Leão melhorou as coisas e foi este jogador a meter a bola na baliza já muito perto dos 90’, mas o lance foi invalidado por fora-de-jogo do Cristiano Ronaldo no cabeceamento ao poste, do que resultou a recarga vitoriosa do nº 21. O Roberto Martínez armou-se em Roger Schmidt e fez três substituições aos 90’(!), e foram dois desses jogadores a construírem o golo da vitória aos 92’: jogada de insistência do Pedro Neto na esquerda, novo falhanço do Hranac e remate certeiro do Francisco Conceição. Uma sorte inacreditável!
 
Houve várias coisas que não correram bem, mas sinceramente esta insistência na titularidade do Cristiano Ronaldo, com 39 anos, parece-me o maior problema. Não sei se é culpa dele, se são ordens do treinador ou se os colegas simplesmente ficam condicionados, mas parece que, com ele em campo, a primeira preocupação da equipa são os seus recordes. Já é o único jogador a participar em seis Europeus. Aparentemente ninguém irá descansar enquanto não for o único jogador a marcar em seis Europeus. Primeiro os seus recordes, depois os objectivos da selecção. Pode nem ser assim, mas francamente é o que dá impressão. Há um lance na 2ª parte em que o Bernardo Silva está em óptima posição para rematar e a preocupação foi colocar a bola no C. Ronaldo... Sintomático! É indiscutível que o C. Ronaldo é um dos melhores jogadores de todos os tempos, mas sempre foi um eucalipto e continuará sempre a ser até acabar a carreira. Que, por este andar, deve ser quando tiver 60 anos... It’s all always about him...!
 
A selecção precisa de se libertar das amarras de jogar para o C. Ronaldo. Porque ele não vai conseguir sozinho resolver este Europeu a nosso favor. Até pode ainda conseguir resolver um jogo ou outro (duvido, mas pronto...), mas para a totalidade da competição é preciso que os outros também entrem em campo... Coisa que parece que não acontece quando ele lá está.

terça-feira, novembro 28, 2023

Percurso perfeito

Trabalho fora de Portugal, impediu-me de postar mais cedo acerca das duas últimas jornadas da selecção nacional na qualificação para o Euro 2024. Aconteceram na semana a seguir ao derby e na 5ª feira, dia 16 de Novembro, fomos ao Liechtenstein ganhar por 2-0 com ambos os golos a acontecerem só na 2ª parte, através do Cristiano Ronaldo aos 46' e do João Cancelo aos 57'. O Roberto Martínez aproveitou para estrear o José Sá, o Toti Gomes, dando-lhes a titularidade, numa táctica só com três defesas que não resultou, porque a exibição foi cinzenta, perante um adversário que praticamente não atacou. Acho que a equipa não estava de todo preparada para jogar naquela táctica.
 
Três dias depois, na 2ª feira, 19 de Novembro, concluímos um percurso imaculado com dez vitórias em dez jogos ao derrotar a Islândia em Alvalade também por 2-0, com golos do Bruno Fernandes aos 37' e do Ricardo Horta aos 66'. Foi uma exibição melhor do que a anterior, num regresso à táctica normal de 4-3-3. É certo que o grupo era fácil, mas também já os tivemos no passado sem este resultado. Vejamos como a selecção se comporta perante adversários mais fortes, mas já ouvi algo que me deixa um pouco apreensivo: é que aparentemente não vamos defrontar nenhum nos jogos de preparação em Março. Parece-me um mau princípio, mas logo se verá...

sexta-feira, outubro 20, 2023

No Euro 2024

E ao 7º e 8º jogo da era Martínez, finalmente começámos a jogar algum futebol de jeito. Vencemos a Eslováquia em casa por 3-2 na passada 6ª feira e selámos logo ali a qualificação para o Euro 2024, até porque o Luxemburgo empatou na Islândia (1-1), e, não contentes com isso, fomos golear (5-0) à Bósnia na 3ª feira, num resultado algo surpreendente.
 
Para a recepção à Eslováquia, o Roberto Martínez inovou ao colocar o Gonçalo Ramos ao lado do Cristiano Ronaldo. Dado que este bisou e aquele inaugurou o marcador, pode dizer-se que a experiência foi bem-sucedida. A 1ª parte do jogo foi do melhor que se tem visto até agora e a vantagem de 2-0 ao intervalo pecava bastante por escassa, tal o volume de jogo e oportunidades que tivemos. Na 2ª parte, desconcentrámo-nos, permitimos que os eslovacos reduzissem, ainda aumentámos para 3-1 pouco depois, mas voltámos a permitir novo golo do adversário. Sofremos os dois primeiros golos desta fase de qualificação, mas a nossa vitória nunca esteve em causa.
 
Sinceramente esperava que, estando a qualificação garantida e com o histórico sempre complicado da visita à Bósnia, tirássemos um pouco o pé de acelerador e passássemos por dificuldades. Ao invés, chegámos ao intervalo a ganhar por 5-0! Dois golos do C. Ronaldo com os outros a serem apontados por Bruno Fernandes, João Cancelo e João Félix foram uma demonstração inequívoca da boa forma actual da nossa selecção. Na 2ª parte, abrandámos, o que é natural, mas este jogo permitiu ainda na parte final a 1ª internacionalização do João Neves.
 
Com quatro golos em dois jogos e um total de nove nesta fase de qualificação, o C. Ronaldo merece obviamente destaque. Com duas assistências no primeiro jogo e um golo no segundo, o Bruno Fernandes é outros dos imprescindíveis desta selecção. O João Félix entrou muito bem contra os eslovacos e deu um verdadeiro show na Bósnia. Dá gosto ver a alegria com que está novamente a jogar, depois de alguns anos perdidos numa equipa que não é de todo para ele. O Rafael Leão é que esteve um pouco discreto nestes dois jogos, mas é sempre alguém que pode partir o jogo na esquerda. No meio-campo, o João Palhinha e o Danilo deram consistência, cada um fazendo um dos jogos, e na defesa parece que abandonámos de vez os três centrais, com o Rúben Dias a fazer dupla com o António Silva no primeiro e com o Gonçalo Inácio no segundo.
 
Conseguimos inéditas oito vitórias consecutivas o que só por si já dá um lugar na história ao Roberto Martínez. Sim, o grupo era bastante acessível, mas já os tivemos no passado e sem este rendimento. Vejamos o que nos traz a preparação para o Euro 2024 e, principalmente, a nossa performance no torneio. Mas, de facto, já fazia falta alguém que soubesse potenciar deviamente a qualidade ofensiva dos nossos jogadores.

segunda-feira, setembro 18, 2023

Eslovénia e Luxemburgo

Na semana passada, tivemos a pausa para as selecções e praticamente selámos a qualificação para o Euro 2024 com vitórias na Eslováquia (1-0) e recepção ao Luxemburgo (9-0). No primeiro jogo, fizemos uma exibição muito frouxa, só com o golo do Bruno Fernandes no final da 1ª parte para poder mostrar. A selecção pareceu sempre muito perra e o empate não seria de todo um resultado injusto. Frente ao 3º classificado do grupo, batemos o nosso recorde ao marcar nove golos num só jogo. Sem o C. Ronaldo, que viu um amarelo frente aos eslovacos, a equipa pareceu muito mais solta e sem a obrigatoriedade de jogar sempre para o mesmo (se não tem, disfarça bem). O Gonçalo Inácio, o Gonçalo Ramos e o Diogo Jota bisaram, com os restantes golos a serem marcados pelo Ricardo Horta, Bruno Fernandes e João Félix.

 

Há que não embandeirar em arco com esta campanha, porque, quando o 3º classificado do grupo leva nove golos, está tudo dito acerca da dificuldade deste grupo... Além de que a selecção ainda está num patamar abaixo daquilo que a mais-valia dos jogadores justificaria.

sábado, junho 24, 2023

Selecção para terminar a época

Nos terceiro e quarto jogos da era Martinez, averbámos mais duas vitórias, tendo derrotado a Bósnia há uma semana no Estádio da Luz por 3-0 e a Islândia em Reykjavik por 1-0 na passada 3ª feira. É certo que estamos em final de época e os jogadores estão cansados, mas foram duas exibições que deixaram muito a desejar.
 
No primeiro jogo, o Bruno Fernandes foi o melhor em campo com dois golos e uma assistência, mas tivemos grandes dificuldades para impor o nosso futebol frente aos bósnios. Só marcámos o primeiro golo em cima do intervalo, num bom toque do Bernardo Silva por cima do guarda-redes, a passe do Bruno Fernandes, mas não criámos assim tantas oportunidades de golo. Na 2ª parte, selámos a vitória apenas perto do fim (77’ e 93’), num bis do Bruno Fernandes, mas foi a Bósnia quem teve a iniciativa na maior parte do tempo.
 
Três dias depois, fomos à Islândia e a exibição ainda foi pior. Perante uma equipa muito defensiva, raramente revelámos engenho e arte para os superar. O nosso futebol foi muito lento e previsível, e não tivemos grandes oportunidades de golo. Marcámos em cima dos 90’ pelo Cristiano Ronaldo, que celebrou da melhor maneira a 200ª internacionalização.
 
O próximo jogo será em Setembro na casa do segundo classificado do grupo, a Eslováquia. Como se qualificam directamente para o Euro os dois primeiros classificados e já temos cinco pontos de distância para o terceiro, não devemos ter muitos problemas, mas seria uma vergonha se não ficássemos em primeiro lugar num grupo com estas equipas.

quinta-feira, março 30, 2023

Era Martínez na Selecção

Nos primeiros dois jogos da selecção nacional com o novo treinador, Roberto Martínez, derrotámos o Liechtenstein em casa na passada 5ª feira por 4-0 e no domingo fomos ao Luxemburgo golear por 6-0. Ambos os jogos foram da fase de qualificação para o Euro 2024.
 
Só tive oportunidade de ver o primeiro, onde tivemos o mérito de marcar muito cedo (8’) pelo João Cancelo perante uma equipa que nem passou do meio-campo. Na 1ª parte, não tivemos engenho nem arte para aumentar o marcador, mas na 2ª parte lá conseguimos isso através do Bernardo Silva e de um bis do Cristiano Ronaldo (de penalty e de livre directo).
 
Frente ao Luxemburgo, resolvemos a partida também muito cedo, porque aos 18’ já estávamos a ganhar por 3-0 e fizemos o 4º golo aos 31’ (bis do Cristiano Ronaldo, João Félix e Bernardo Silva). Na 2ª parte, já na parte final, o Otávio e o Rafael Leão fizeram o resultado final.
 
Para além de ter mudado o esquema táctico da selecção para 3-4-3, ainda não deu para ver grande coisa do Roberto Martínez dado que os adversários eram bastante fracos. Mas pareceu que os jogadores estavam mais soltos do que no passado. E isso é positivo.

quinta-feira, setembro 29, 2022

Me(r)d(r)oso

Nos dois últimos jogos da fase de grupos da Liga das Nações, vencemos no sábado por 4-0 na Rep. Checa e perdemos na 3ª feira em casa 0-1 frente à Espanha, tendo falhado o objectivo de nos apurarmos para a fase final desta competição.

 

O jogo de sábado foi uma das melhores exibições da selecção nos últimos anos, coroada com golos do Diogo Dalot (dois), do Bruno Fernandes e do Diogo Jota. No entanto, quem olhasse para a cara do Cristiano Ronaldo no final da partida diria que tínhamos perdido, tal carregado estava o semblante. Como não marcou nenhum golo, é-lhe indiferente o resultado da equipa. Paradigmático. A provar a sorte do Fernando Santos, a Suíça deu-nos uma ajuda imensa ao ir ganhar 2-1 a Espanha, o que alterou as posições na tabela classificativa e permitiu que o empate nos bastasse no último jogo.

 

E, já se sabe, que quando o empate é suficiente, temos sempre Fernando Santos vintage...! Enquanto a Espanha rodou muitos jogadores, ele só trocou de laterais (Cancelo e Nuno Mendes em vez do Dalot e Mário Rui) e de extremo (Diogo Jota no lugar do Rafael Leão). Ainda tivemos algumas (poucas) oportunidades na 1ª parte, mas a 2ª foi um descalabro. A Espanha colocou o trio do Barcelona no meio-campo e nó continuámos a carregar os nossos médios, que já tinham feito os 90' frente aos checos. O resultado? O meio-campo deu o berro e a Espanha começou a empurrar-nos para trás. Com o Palhinha e o Mateus Nunes no banco, é inacreditável que o Fernando Santos não tivesse visto isto. Para além de que, claro, a primadonna Cristiano Ronaldo nunca pode ser substituído e andou a arrastar-se em campo durante grande parte do jogo. É inconcebível como é que um treinador acha que um jogador de 37 anos que não quis fazer a pré-época pode fazer 180' em apenas três dias... Muito perto do fim aconteceu o inevitável e o Morata fez o 1-0 para os espanhóis, atirando-nos para fora da competição.

 

Terceira vez em que precisamos apenas de um empate em casa (França, Sérvia e Espanha) e terceira vez em que saímos derrotados. Isto não tem nada a ver com gratidão: o Fernando Santos ganhou o que ganhou e terá sempre o seu lugar na história do futebol português, mas é visível para toda a gente que já não dá. Tem um lote magnífico de jogadores, mas esta maneira me(r)d(r)osa de jogar está a dar cabo deles. Além de que deixa que seja um jogador a comandar a selecção. O que é inadmissível seja ele quem for.

sexta-feira, junho 17, 2022

Liga das Nações x 4

A época terminou com quatro jogos da selecção nacional, todos a contar para a 3ª edição da Liga das Nações. Começámos razoavelmente bem, mas deitámos fora uma boa vantagem no último jogo.
 
No dia 2 de Junho, empatámos em Sevilha frente à Espanha (1-1) com bastante sorte, diga-se, através de um golo do Ricardo Horta aos 82'. A Espanha dominou praticamente toda a partida, marcou ainda na 1ª parte pelo Morata (25'), e o empate foi muito lisonjeiro para nós, mesmo considerando alguma reacção no segundo tempo.
 
No dia 5 de Junho, goleámos a Suíça em casa (4-0) numa partida que ficou decidida logo na 1ª parte, quando marcámos três golos, um do William Carvalho (15') de dois do Cristiano Ronaldo (35' e 39'). O João Cancelo numa abertura brilhante do Bernardo Silva fez o resultado final aos 68'. Foi das melhores exibições da selecção nos últimos anos, com futebol positivo e a dar algum espectáculo, mas, percebeu-se pelos jogos seguintes, que não era para ter continuação...
 
No dia 9 de Junho, recebemos a Rep. Checa (que tinha empatado em casa frente à Espanha, 1-1, na jornada anterior, com o golo espanhol a acontecer no último minuto) e triunfámos por 2-0. Foi uma exibição não tão boa como a frente aos suíços, mas a vitória nunca esteve em causa, com golos do João Cancelo (33') e Gonçalo Guedes (38'), ambos com a assistência do Bernardo Silva.
 
No dia 12 de Junho, deitámos pela janela a vantagem que tínhamos frente aos espanhóis, ao perder na Suíça por 0-1 com um golo do Seferovic logo no primeiro minuto. A gestão dos jogadores do Fernando Santos deixou muito a desejar, com várias alterações nesta partida e a dispensa do C. Ronaldo para começar as férias mais cedo! Isto quando tinha feito os 90' frente aos checos, com a partida resolvida relativamente cedo... Claro que, sem muitos dos titulares em campo, a selecção teve bastantes mais dificuldades e, apesar de algumas oportunidades na 2ª parte, não conseguiu marcar.
 
Teremos agora de vencer os dois jogos que faltam, no final de Setembro, para nos apurarmos para a final four.

quarta-feira, março 30, 2022

Selecção no Qatar 2022

Vencemos a Turquia (3-1) na passada 5ª feira e ontem a Macedónia do Norte (2-0) no Estádio do CRAC e, dando uma volta bem maior do que era suposto, qualificámo-nos nos play-off para o Mundial do Qatar, que irá ser disputado em Novembro e Dezembro deste ano. Seria uma vergonha se não o tivéssemos conseguido, ainda para mais porque tivemos a benesse de, contra todas as expectativas, a Macedónia do Norte ter ido eliminar a Itália(!) na sua própria casa (1-0) e assim termo-los defrontado na final do play-off em vez de enfrentarmos a campeã europeia.
 
No encontro frente à Turquia, entrámos a todo o gás, mostrando que, de vez em quando, até sabemos jogar à bola... Por causa de lesões (Rúben Dias), covid-19 (Pepe) e castigos (João Cancelo), a defesa foi praticamente toda remendada, com o Danilo, Fonte e Diogo Dalot a substituírem-nos. Na baliza, houve a surpresa de ser o Diogo Costa o titular, com o Rui Patrício a ficar no banco. No meio-campo, o Otávio foi titular nos dois jogos e acabou por ser ele a abrir o marcador aos 15’, ao fazer com êxito a recarga a um remate do Bernardo Silva ao poste. A Turquia não conseguia responder e aos 42’ aumentámos a vantagem através de uma óptima cabeçada do Diogo Jota a cruzamento do mesmo Otávio. Na 2ª parte, padecemos do mal que vem atormentando esta selecção há muito tempo: a sonolência. A mentalidade do “jogo estar ganho” com vantagem de dois golos, sem procurar com muito afinco marcar mais poderia ter corrido pessimamente, porque a Turquia reduziu aos 65’ numa boa combinação atacante concluída pelo Burak Yilmaz, que teve uma soberana oportunidade de igualar a seis minutos do fim, num penalty escusado do José Fonte, mas milagrosamente atirou por cima. O entretanto entrado Matheus Nunes fez o 3-1 já na compensação depois de ser bem desmarcado pelo Rafael Leão, que também tinha entrado.
 
Ao mesmo tempo, em Palermo, acontecia um escândalo que prova que o Fernando Santos é dos tipos com mais vaca de todos os tempos: a Itália, que nunca(!) tinha perdido em casa numa qualificação para o Mundial, fez 32 remates à baliza, mas foi um dos apenas 4 que a Macedónia do Norte fez, e aos 92’(!), a dar-lhe a vitória e a permitir livrarmo-nos de boa.
 
Ontem, perante esta antiga república da Jugoslávia, a partida foi totalmente diferente da frente aos turcos. Muito mais calma, sem grandes esticanços e com aquele futebol vintage do Fernando Santos: chato como a potassa! De tal forma, que marcámos os golos em dois lances de contra-ataque, ambos concretizados pelo Bruno Fernandes, aos 32’ e 65’. Aliás, o futebol tem esta coisa deliciosa de ter sido um jogador que estava a passar completamente ao lado do jogo (tal como já tinha acontecido frente à Turquia) a decidir a partida, com dois bons golos. E assim fazer uma passagem supersónica de ser dos piores para o melhor em campo...! Em termos defensivos estivemos bem melhor do que frente aos turcos, facto a que não será alheio a presença do Pepe, que fez um jogão, tal como o Danilo a seu lado. Ao invés, o Bernardo Silva esteve bastante melhor no primeiro do que no segundo jogo, tal como o Diogo Jota.
 
Iremos ao Qatar e o Fernando Santos já veio dizer que quer uma terceira conquista com a selecção. Eu já nem digo nada, porque com a vaca descomunal que ele tem nunca se sabe. No entanto, continua a ser uma pena que uma selecção com tanto talento exibia um futebol tão medíocre. Mas, como foi isso que nos trouxe um título europeu e como somos treinados pelo Fernando Santos, não irá certamente mudar.

segunda-feira, novembro 15, 2021

Impensável

A selecção nacional precisava de dois pontos em dois jogos para se qualificar directamente para o Mundial do Qatar e, ao empatar na Irlanda (0-0) na passada 5ª feira e perder ontem na Luz frente à Sérvia (1-2), não o conseguiu. É algo difícil de conceber que uma selecção com a qualidade da nossa arrisque a não estar presente num Mundial de futebol.
 
Frente à Irlanda, o Fernando Santos poupou vários titulares por causa dos amarelos e Portugal fez uma das piores exibições dos últimos anos, sem criar praticamente oportunidades de golo. A mentalidade do seleccionador (“o empate ou ganhar aqui por 5-0 era a mesma coisa. É um resultado muito positivo”) foi seguida na prática pelos jogadores e o pior é que se contagiou para o jogo seguinte. Como seria de prever.
 
Ontem até começámos bem, com o Renato Sanches a inaugurar o marcador logo aos 2’. Incompreensivelmente, este golo em vez de nos tranquilizar e lançar para uma exibição consistente teve um resultado contrário. Dito de modo simples: levámos um banho de bola dos sérvios, que mais do que mereceram a vitória, já que atiraram ao poste, empataram aos 33’ pelo Tadic e marcaram em cima dos 90’ pelo Mitrovic, num lance que é um resumo perfeito da desorganização colectiva de Portugal: num canto contra nós, em cima dos 90’, no momento do cruzamento para a área, estão cinco jogadores de Portugal e seis(!) da Sérvia! Conseguimos a proeza de estar em desvantagem numérica num canto contra nós...!
 
O apuramento agora será bastante complicado, porque teremos de defrontar dois adversários no play-off em Março e só temos a garantia de o primeiro jogo ser em casa. Independentemente de o conseguirmos ou não, é mais do que evidente que o caminho do Fernando Santos chegou ao fim. A miséria exibicional que sempre pautou o seu percurso está a ter repercussões nos resultados. Os milagres não acontecem sempre. E, como já várias pessoas disseram, uma selecção com tanta qualidade individual merece ter alguém que a ponha a jogar um futebol decente. Algo que já não fazemos há muitos anos.