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domingo, maio 15, 2022

Juventude em marcha

Triunfámos em Paços de Ferreira (2-0) na 6ª feira no último jogo do campeonato com um bis do Henrique Araújo. Numa partida em que o Nélson Veríssimo deu oportunidade a uma série de jovens (daí o título do post roubado a um filme do Pedro Costa), fomos eficazes na frente e tivemos um Helton Leite inspirado na baliza (a braçadeira de capitão pela primeira vez pode ter contribuído para isso...).
 
Para a despedida do campeonato, o Gilberto foi o único dos titulares no onze inicial. Não poderíamos ter entrado melhor com uma recuperação de bola no meio-campo adversário pelo Tiago Gouveia, que, não contente com isso, ainda fez uma óptima abertura a isolar o Henrique Araújo. Este, com claro instinto de matador, não falhou à saída do guarda-redes. Estávamos no início do jogo, mas até em cima do intervalo devemos ao Helton Leite o Paços de Ferreira não ter dado a volta ao jogo, com três fantásticas intervenções. Mesmo a soar o apito para o descanso, o Tiago Gouveia tem um remate de fora da área, o guarda-redes defende para o lado, o Gil Dias centra de pé direito e o Henrique Araújo aparece ao segundo poste para finalizar novamente com êxito. Golo típico de ponta-de-lança, que está invariavelmente no sítio certo para “só ter de encostar”.
 
A 2ª parte foi mais calma, connosco a conseguir conter melhor o adversário, que só a 15’ do fim obrigou novamente o Helton Leite a segurar o zero na nossa baliza, outra vez perante um adversário isolado. Do nosso lado, as oportunidades também surgiram na parte final, com os entretanto entrados Diego Moreira (uma estreia) e o Yaremchuk a verem o guarda-redes André Ferreira negar-lhes o golo, quando estavam ambos em boa posição
 
Em termos individuais, óbvio destaque para o Henrique Araújo com dois golos. Parece ser daqueles jogadores que faria um vizinho meu de bancada dizer outra vez “não joga nada, só sabe marcar golos”, tal como o fez com o enorme Tacuara Cardozo (ohhh, se houve paciência...!). O madeirense é rápido sobre a bola, coloca-se muito bem na área e é inteligente a aparecer nos espaços. Já tinha gostado dele frente ao Vizela e na 6ª feira encheu-me as medidas. Espero que tenha uma oportunidade na próxima época. O Helton foi o outro grande obreiro desta vitória com quatro intervenções absolutamente decisivas. O Tiago Gouveia acabou por estar envolvido em ambos os golos, embora numa ou outra jogada tenha preferido voltar para trás em vez de continuar com a bola para a frente (espero que tenham sido ordens do banco, porque não gosto nada de ver jogadores a fazer isto por sua livre e espontânea vontade...). O Tomás Araújo esteve concentrado na defesa e não destoou do Morato. O Sandro Cruz na esquerda não me convence por aí além, mas pode ser que ainda seja nervosismo. O Diego Moreira e o Martim Neto também tiveram direito a uns minutinhos, em que deu para ver que têm boa dinâmica.
 
Terminámos com uma vitória um campeonato para esquecer: 17 pontos do 1º e 11 do 2º é mau demais para um clube como o nosso. O balanço será feito daqui a uns tempos num outro post, mas a culpa não pode morrer solteira. Espero sinceramente que as lições destes últimos três annus horribilis tenham sido FINALMENTE percebidas.

segunda-feira, maio 09, 2022

Dois centímetros

Perdemos com o CRAC (0-1) na Luz no passado sábado e pela segunda vez vimo-los festejarem um campeonato no nosso estádio. O empate bastava para eles conquistarem o título, jogaram para ele, mas foram bafejados pela sorte (e pela nossa inépcia defensiva) aos 94’ e, num contra-ataque depois de um canto a nosso favor, o Zaidu fez o único golo da partida.
 
Já sem o Rafa, ficámos igualmente sem o Everton e o Diogo Goncalves ainda antes do começo do jogo, pelo que os nossos extremos foram o Lazaro e o Gil Dias... Fiquei logo esclarecido quanto às nossas possibilidade de vitória e a 1ª parte foi um longo bocejo praticamente sem oportunidades, excepção feita a um lance em que o Taremi bateu em velocidade o Vertonghen e ficou só com o Vlachodimos pela frente, mas este defendeu. Em termos atacantes, não conseguimos desmontar a defesa contrária e praticamente não criámos perigo.
 
Na 2ª parte, estivemos mais tempo no meio-campo contrário, mas sem conseguir criar grandes oportunidades. A primeira até foi do CRAC com um bom remate do Evanilson, mas nova boa defesa do Vlachodimos. No entanto, aos 51’ aconteceu o lance que definiu a partida: uma bola lançada em profundidade do Otamendi para o Darwin, este dominou muito bem, bateu o Mbemba e fez golo. Um golão! O estádio rebentou num enorme festejo, o Darwin tirou a camisola e viu o amarelo. Até que depois aconteceu isto...! 
 

Um momento destes é anulado, porque o nosso jogador estava 2 cm fora-de-jogo! Dois centímetros! D-o-i-s  c-e-n-t-í-m-e-t-r-o-s! Nunca me apanharão em contradição neste assunto: O D E I O  O  V A R!!!! Não mudarei de opinião, mesmo que seja a nosso favor (raramente é, portanto também não corro um risco muito grande...) Mata completamente o futebol! Anula-se um golo por 2 cm num campo com uma largura de mais de 60 metros! Alguém no seu perfeito juízo acha que 2 cm são fundamentais para um jogador tirar partido da sua posição?! Vamos até passar por cima do facto de adiantar ou atrasar um frame alterar completamente a posição do jogador, acham mesmo que é preciso fazer os adeptos passarem por isto...?! Marcar-se um golo e estarmos todos à espera não-sei-quanto tempo que o VAR ande a medir pilinhas com uma régua...?!?! Não se pode fazer a coisa a olho nu?! Há dúvidas sobre a posição, favorece-se a equipa que ataca, como se fazia quando não havia VAR. Seja contra ou a nosso favor. Simples! E isso decide-se em segundos! Alguém consegue dizer que o futebol português está melhor com o VAR? Acabaram-se as polémicas?! Deixou-se de discutir as arbitragens?! Ou está tudo na mesma como dantes e só o adepto é que ficou a perder, porque nunca sabe se pode ou não festejar um golo decentemente?! Não acabem com esta m**** que não é preciso...! Prefiro de longe perder um jogo com um golo irregular por margens destas do que festejar um golo assim que depois não vale. De longe! E depois há outra coisa: anula-se o golo, mas o amarelo ao jogador que tirou a camisola mantém-se... Brilhante!
 
O CRAC estava satisfeito com o empate e nós não conseguimos ultrapassar esta desilusão, nunca mais tendo outra oportunidade tão boa como esta para marcar. Até que já depois da hora, o Taarabt mostrou que só sabe agredir adversários quando prejudica o Benfica. Quando o deveria fazer, está quieto. Era óbvio que o Pepê não poderia passar por ele daquela maneira no contra-ataque do golo. Teria de ser parado a qualquer custo! Nem que ele tivesse 10 jogos de suspensão! Se fosse ao contrário, o nosso jogador iria provavelmente parar ao hospital! Mas não, a abécula marroquina não fez a mínima menção de parar o adversário, e o resultado viu-se.
 
Haverá tempos para fazer um balanço desta época hedionda. No entanto, a 17 pontos (por enquanto) do 1º lugar e a 11 do segundo, com 18 (!) pontos perdidos na Luz, isto é uma época para recordar. Muita coisa terá de mudar para o ano. Inevitavelmente.

segunda-feira, maio 02, 2022

Mínimos

Vencemos no sábado o Marítimo na Madeira por 1-0 em mais um jogo que não nos irá deixar saudades. Uma tendência que tem sido maioritária em grande parte dos jogos deste campeonato. Como não poderíamos ter começado melhor, com um golo logo a abrir, ainda pensei que embalaríamos para uma exibição ao menos razoável. Mas nem isso.
 
O Nélson Veríssimo fez algumas alterações na equipa e alinhámos em 4-3-3, com o João Mário de regresso à titularidade e o Gonçalo Ramos no banco. Mas a maior novidade foi a estreia absoluta do Sandro Cruz na lateral-esquerda. Entrámos praticamente a ganhar com um golo do Darwin de cabeça aos 2’ numa recarga a um remate do Gil Dias que o guarda-redes Paulo Victor não conseguiu segurar, depois de uma recuperação de bola do mesmo Gil Dias. Tendo nós uma equipa mais talhada para o contra-ataque, pensei que poderíamos aproveitar esta vantagem tão cedo para ter um encontro à nossa medida, mas foi o Marítimo a reagir bem ao golo sofrido e a ter dois remates com algum perigo, sem, no entanto, acertar na baliza. Nas poucas vezes em que saímos com rapidez, procurávamos inevitavelmente o Darwin e o uruguaio teve um remate em arco do lado esquerdo que merecia melhor sorte. Em cima do intervalo, a partida parecia que ia tombar definitivamente para o nosso lado, com a (justa) expulsão do Winck por ter atingido o Sandro Cruz a pontapé, calculando mal o timing de chegada à bola.
 
Na 2ª parte, o Marítimo abdicou de atacar durante grande parte do tempo por causa da inferioridade numérica, mas nós padecemos do mal há muito visto: falta de velocidade de circulação de bola, o que faz com que seja muito fácil defender contra nós. Lá criámos uma ou outra oportunidade, mas os remates do Paulo Bernardo e João Mário saíram por cima e o Paulo Victor defendeu bem um outro do Darwin. As substituições não trouxeram grandes melhorias ao nosso futebol, sendo porém de realçar outra estreia absoluta, a do Tiago Gouveia. Em cima dos 90’, o Marítimo teve a sua única oportunidade da 2ª parte, com um remate de fora da área que ressaltou num defesa nosso e obrigou o Vlachodimos a aplicar-se para atirar para canto. Apesar de uma exibição pobre, o empate seria uma injustiça que a bem da verdade não merecíamos.
 
Em termos individuais, destaque quase exclusivo para o Darwin, que não só marcou o golo como foi praticamente o nosso único jogador a acertar na baliza contrária. O João Mário que já não era titular desde Janeiro não se pode dizer que tenha agarrado muito bem a oportunidade, porque continua bastante lento de processos. Assim como o Paulo Bernardo que está longe de ser a lufada de ar fresco que prometeu ser quando começou a entrar na equipa. Infelizmente, parece mais familiarizado com o resto do plantel... O Sandro Cruz na esquerda não me convenceu nada, nem em termos defensivos (foi batido por mais de uma vez), nem ofensivos (não sabe centrar, erro capital num lateral).
 
Iremos receber na próxima jornada o CRAC, que só precisa do empate para ser campeão. Ou seja, espero MESMO que os jogadores do Benfica puxem dos galões e não permitam que isso aconteça. Já tivemos duas oportunidades para fazer o inverso e falhámos em ambas, enquanto todos nos recordamos de quando eles conseguiram ser campeões na Luz há umas épocas. Claro que uma vitória não apagará a péssima temporada que fizemos, mas que ao menos exibamos alguma dignidade no próximo sábado.

terça-feira, abril 26, 2022

Miséria

Empatámos no passado sábado na Luz frente ao Famalicão (0-0) e, em 16 jogos para o campeonato, perdemos a incrível soma de 15 pontos em casa! Tivéssemos ganho todos os jogos na Luz e estaríamos na frente do campeonato. Um autêntico pesadelo!
 
Depois de uma semana que nos elevou um pouco o espírito, o Benfica pareceu aqueles fanfarrões sobranceiros que acham que não vale muito a pena esforçar-se quando as coisas parecem no papo. Ou isso, ou o Nélson Veríssimo só sabe meter-nos a jogar como equipa pequena. O que é, convenhamos, o mais provável, dado que a exibição foi simplesmente miserável. Perante uma equipa que se fechou completamente na defesa (como nós em Anfield e no WC), nunca tivemos engenho nem arte para a conseguir superar. O encontro foi-se arrastando penosamente até final, num autêntico teste à paciência dos benfiquistas. Com o Rafa ainda magoado e o Everton castigado por amarelos, o nosso treinador resolveu apostar no Gil Dias para numa das alas, mantendo o Diogo Gonçalves no onze. No meio-campo, surgiu o Paulo Bernardo no lugar do Taarabt. E o que se pode dizer que nenhum habitual substituto aproveitou a benesse de entrar em campo. Foi já depois de metade deste primeiro tempo que conseguimos uma(!) oportunidade de golo, mas a cabeçada do Gonçalo Ramos saiu por cima e não foi possível aproveitar uma saída em falso do guarda-redes. Em cima do intervalo, foi o Diogo Goncalves a proporcionar ao guardião contrário uma defesa por instinto, com o Gonçalo Ramos a não conseguir dominar a bola na recarga.
 
A 2ª parte não trouxe alterações substanciais, embora tenhamos demonstrado uma ligeira melhoria na vontade de disputar a bola. O Nélson Veríssimo começou a mexer na equipa (e mal, como vem sendo hábito!), mas só em três lances estivemos perto do golo: um remate de recarga do entretanto entrado Radonijc, que deveria ter saído melhor, uma jogada do Gil Dias que acabou com um remate para defesa do guarda-redes e um pontapé de bicicleta do Paulo Bernardo que o Luiz Júnior também conseguiu rechaçar. De uma forma algo atabalhoada, íamos pressionando o adversário, mas sem sucesso. Do outro lado, conseguir alvejar a baliza contrária também nunca foi o forte dos famalicenses.
 
Com uma exibição tão pobre, é injusto destacar alguém, dado que a equipa esteve genericamente amorfa. Sem vontade, nem compromisso com o clube e os adeptos, não se consegue nada. Os jogadores têm de perceber em que clube é que estão e no qual nunca se pode virar a cara à luta. Seja qual seja a competição que estão a disputar! Temos a nossa posição definida na classificação, dado que a lagartada ganhou 3-0 no Bessa e tem agora oito pontos de vantagem sobre nós. E ganhámos um ponto ao CRAC, que finalmente(!) perdeu (0-1 em Braga), estando agora 14 pontos atrás deles. No entanto, perspectiva-se aqui uma hipótese que temos de evitar a todo o custo, que é o CRAC sagrar-se campeão no Luz. Por duas vezes nos últimos tempos, tivemos nós a oportunidade de fazer o inverso e por duas vezes falhámos. É o grande objectivo até final da época e os jogadores que estejam conscientes de que ganhar este jogo é imperativo. Mas só corresponde aos serviços mínimos e nunca salvará a época.

P.S. – O que compensou nos últimos dias foi que ganhámos por fim a Youth League, com uma goleada de 6-0 ao Salzburgo. Que bela maneira de celebrar o 25 de Abril! Depois de três derrotas em finais, somos finalmente campeões europeus de juniores! Agora é só ter um pouco de paciência e aproveitar aqueles jogadores, porque há alguns que prometem bastante e seria muito triste que nós não lhes déssemos espaço para evoluírem.

segunda-feira, abril 18, 2022

Galões

Triunfámos ontem no WC por 2-0 e terminámos finalmente a malapata de só ter derrotas em clássicos nesta temporada. Foi uma vitória justa, numa partida em que fomos muito inteligentes na forma como a abordámos e usámos bem as armas actuais que temos para conseguir a vitória. Foi um jogo deslumbrante da nossa parte? Claro que não. Mas ganhámos de forma limpa e justa e isso é que interessa. Estamos agora com a lagartada a seis pontos e o CRAC continua a 15, depois de ter cumprido calendário perante o Portimonense em casa (7-0), numa partida em que os algarvios jogaram com muitos suplentes. (Devem ter Champions a meio da semana, só pode... A sério que lhes dá gozo ganharem assim...?!)
 
Com o Rafa ainda de fora, o Nélson Veríssimo apostou na mesma equipa de Anfield Road. O jogo começou repartido com ambas as equipas a atacar, mas quem mais se evidenciou nos minutos iniciais foi o Sr. Fábio Veríssimo e o VAR Hugo Miguel: pisão do Coates ao Darwin, nem amarelo foi, e pisadela do Sarabia no gémeo ao Vertonghen... amarelo! Se fosse ao contrário, era vermelho certinho! Aos 14’, adiantámo-nos no marcador num passe em profundidade do Vertonghen para as costas da defesa lagarta e o Darwin a ganhar ao Coates no confronto directo, tendo depois feito um chapéu ao Adan na saída deste. Grande golo! A partir daqui, agrupámo-nos na defesa e praticamente não permitimos oportunidades aos lagartos. Até foi o Diogo Gonçalves, num remate cruzado, a proporcionar ao Adán uma boa defesa para canto. Logo a seguir, o Vlachodimos saiu muito bem aos pés do Pedro Gonçalves, impedindo-o de fazer o empate. Perto do intervalo, foi o Gonçalo Ramos de cabeça a proporcionar nova boa intervenção do Adán na sequência de um canto, com o Otamendi a fazer a recarga para dentro da baliza, mas estando em posição irregular.
 
No reinício da 2ª parte, o Everton teve um excelente remate de fora da área, a seguir a uma boa assistência do Gonçalo Ramos, com a bola a rasar o poste. Pouco depois, aconteceu a única grande oportunidade da lagartada com o Sarabia a atirar de cabeça à barra depois de um cruzamento da esquerda, com o Grimaldo a ser mal batido pelo seu compatriota. Nós fechávamo-nos muito bem e o Rúben Amorim começou a fazer substituições para tentar inverter o rumo dos acontecimentos, mas sem sucesso. Por volta da hora de jogo, nova grande jogada do VAR Hugo Miguel ao não querer ver um pontapé do Nuno Santos na cabeça do Gilberto, quando este estava no chão...! Nós íamos tentando meter alguns contra-ataques, mas nem sempre os passes saíram bem. Mesmo assim, uma iniciativa do Everton pela esquerda foi cortada in extremis para canto pelo Porro. Dentro já dos últimos dez minutos, foi outro contra-ataque pela esquerda, desta feita do Darwin, a terminar numa cabeçada do Gilberto ao lado, quando poderia ter feito a assistência para o meio, onde estava o entretanto entrado Paulo Bernardo sozinho. Mas, já depois dos 90’, o também entrado Gil Dias começou uma jogada no nosso meio-campo, passou para o Darwin na esquerda, este fez a jogada e isolou o mesmo Gil Dias para desfeitear o Adán à saída deste. Não poderia ter escolhido melhor jogo para marcar o primeiro golo coma camisola do Benfica! Nos poucos minutos até ao final do jogo, deveríamos ter insistido um pouco mais para marcar o terceiro golo, porque a lagartada estava completamente derrotada e isso dar-nos-ia vantagem no confronto directo. Mas infelizmente isso não aconteceu.
 
Em termos individuais, destaque novamente para o Darwin com um golo e uma assistência. Estamos a quatro jogos de nos despedirmos dele e só tenho pena que nos vá encher os cofres sem ter conseguido um único título para o museu. Irá ser muito provavelmente o melhor marcador do campeonato, mas sabe a pouco. O resto da equipa esteve em geral muito concentrada, consciente das suas limitações, porém sem fazer antijogo. No entanto, alguns jogadores acusaram o desgaste de dois jogos seguidos muito intensos, como por exemplo o Gonçalo Ramos, e não percebi porque é que não saíram mais cedo. Acabámos o jogo com quatro laterais (André Almeida e Gilberto de um lado, e Grimaldo e Gil Dias do outro), mas é o que temos hoje em dia.
 
Foi uma boa vitória em que os jogadores puxaram dos galões para não terminar uma época sem derrotar pelo menos um dos rivais. Ainda iremos receber o outro na Luz até final e espera-se naturalmente outra vitória, até porque o nosso registo com eles, desde que existe o estádio novo, é miserável. No entanto, mesmo que consigamos quatro vitórias até final, nada disso, nem a boa Champions, pode escamotear o facto de que esta temporada foi um rotundo falhanço desportivo. O segundo consecutivo. Muito terá de mudar na próxima época.
 
P.S. – Foi a primeira vez desde 2006/07 que faltei a uma ida ao WC. Já não tínhamos nada a ganhar e não estava nada optimista. Mas aprendi a lição: não volta a acontecer! :)

sexta-feira, abril 15, 2022

Bravura

Empatámos 3-3 em Anfield Road frente ao Liverpool na passada 4ª feira e dissemos assim adeus à Champions deste ano. Perante uma das mais fortes equipas da Europa, acabámos por aproveitar o facto de ela se ter apresentado com alguns jogadores que não costumam ser titulares para conseguir um resultado honroso, que até poderia ter sido melhor, caso tivéssemos tido uma pontinha de sorte no final.
 
Com a má notícia da indisponibilidade do Rafa, alinhou o Diogo Gonçalves no seu lugar e a primeira oportunidade até foi nossa, num remate de fora da área do Everton que passou ao lado do poste direito do Alisson, que estava batido. No entanto, a péssima maneira como defendemos desde o início da temporada foi particularmente evidente neste jogo, com o Liverpool a inaugurar o marcador aos 21’ pelo Konaté num lance a papel-químico do golo que marcou na Luz: canto, cabeçada dele no meio de dois jogadores nossos (neste caso, os dois centrais!) e bola dentro da baliza. Logo a seguir, foi a vez de a bola entrar na baliza adversária através do Darwin, mas estava fora-de-jogo. A partida não tinha pausas e o Vlachodimos impediu o Luis Díaz de aumentar a vantagem dos ingleses, mas aos 32’ fomos nós a conseguir a igualdade num bom remate do Gonçalo Ramos, isolado inadvertidamente pelo Milner. Até ao intervalo, um corte milagroso no último momento do Grimaldo impediu o Luis Díaz de colocar os ingleses novamente em vantagem.
 
Na 2ª parte, o Nélson Veríssimo fez sair o inexistente Diogo Gonçalves e fez entrar o Yaremchuk. O jogo recomeçou um pouco repartido, mas a nossa defesa teve outros dois erros clamorosos que o desequilibraram. Aos 55’, o Vlachodimos não conseguiu agarrar uma bola relativamente fácil numa saída da baliza e, como se já não bastasse isso, o Vertonghen aliviou-a para os pés do Diogo Jota, que assistiu o Firmino para fazer o 1-2. Inacreditável! O Liverpool começou a colocar os titulares que estavam no banco (Salah, Fabinho, Thiago) e dez minutos depois aumentou a vantagem para 1-3 novamente pelo Firmino que surgiu à vontade na área na sequência de um livre lateral, com a nossa defesa literalmente a dormir...! Temi que o encontro descambasse para números que nos envergonhariam, com os titulares adversários em campo (ainda entrou também o Mané) e a eliminatória decidida, mas aconteceu precisamente o contrário. Aos 73’, reduzimos para 2-3 através do Yaremchuk, que foi brilhantemente isolado pelo Grimaldo. O fiscal-de-linha começou por anular o lance, mas o VAR corrigiu-o. Aos 81’, conseguimos a igualdade noutro lance que teve de ir ao VAR: lançamento em profundidade do Weigl que isolou o João Mário, que tinha substituído o Taarabt, este deu um toque para a frente na bola e o Darwin aproveitou para desfeitear o Alisson. Brilhante resposta da nossa parte a revelar muito coração! Logo a seguir, o titular da baliza canarinha impediu a reviravolta no marcador, com uma defesa brilhante a um não menos brilhante remate de primeira do Darwin. Foi uma pena! O jogo ficou um pouco partido, connosco a acreditar na vitória, que poderia ter surgido já na compensação, não fosse o Darwin estar fora-de-jogo na altura em que desfeiteou novamente o Alisson. Um bocado de sorte poderia ter-nos dado uma vitória que, não sendo totalmente justa, premiaria a nossa resposta depois de estarmos a perder por dois golos.
 
Em termos individuais, destaque para o Darwin que meteu por três vezes a bola na baliza, mas infelizmente só uma é que contou. O Weigl fez outra partida monstruosa no meio-campo e o Everton esteve melhor do que o costume. Na defesa, só o Gilberto e o Grimaldo se exibiram a bom nível, porque os centrais e o Vlachodimos têm culpas nos golos. O Gonçalo Ramos lutou que se fartou e foi premiado com o seu primeiro golo na Liga dos Campeões.
 
Fizemos um percurso brilhante na Europa, mas infelizmente iremos acabar a segunda temporada consecutiva sem nenhum título. Resta-nos lutar pela honra, o que não é pouco. Teremos uma boa oportunidade de mostrar isso mesmo na visita ao WC neste domingo.

segunda-feira, abril 11, 2022

Darwin

Vencemos o Belenenses SAD por 3-1 no passado sábado com um hat-trick do Darwin. No entanto, como os dois rivais também triunfaram (a lagartada pelo mesmo resultado em Tondela e o CRAC com dois penalties, dos quais só marcou um, em Guimarães), continuamos com nove e 15 pontos de desvantagem perante eles. Defrontando uma das equipas que espero desçam de divisão, fizemos o quanto baste para ganhar sem nenhum brilhantismo, uruguaio à parte.
 
A meio da eliminatória com o Liverpool, o Nelson Veríssimo fez descansar muitos habituais titulares (Gilberto, Vertonghen, Grimaldo, Weigl, Rafa e Gonçalo Ramos), embora o belga estivesse castigado por causa dos amarelos. Entraram o André Almeida, Morato, Lazaro, Meïté, João Mário e Diogo Gonçalves. Temi o pior, que se comprovou na parte inicial com o adversário a fazer o 0-1 logo aos 3’ pelo Afonso Sousa, na sequência de uma boa assistência do Taarabt, que perdeu a bola em zona proibida no meio-campo. Começar a perder é logo um mau presságio e o que é certo é que a equipa demorou um pouco a reencontrar-se. Mas lá foi atinando e começando a empurrar o Belenenses SAD para a sua área, até que a pressão resultou aos 22’, com o Taarabt a ganhar uma boa em zona ofensiva e assistir o Darwin na área, que atirou sem hipóteses para o Luiz Felipe. Continuámos em cima do adversário e o Everton teve um bom remate rasteiro ao poste numa recarga a um remate acrobático do Darwin, que embateu num defesa. Até ao intervalo, um remate de fora da área do Rafael Camacho causou algum perigo e outro do Taarabt saiu ao lado.
 
Na 2ª parte, o jogo manteve-se praticamente na mesma, com uma boa jogada da nossa parte pouco depois do reinício, que culminou com um remate do Everton para defesa do guarda-redes e na recarga o Diogo Gonçalves a acertar mal na bola, quando tinha a baliza à mercê. No entanto, aos 54’, colocámo-nos finalmente em vantagem, novamente pelo Darwin num remate cruzado de pé direito, depois de outra assistência do Taarabt. O jogo ficou praticamente fechado quatro minutos depois com o terceiro golo do uruguaio, desta feita num remate cruzado de pé esquerdo, depois de ser muito bem desmarcado pelo João Mário. A partir daqui, o Nelson Veríssimo começou a rodar a equipa e naturalmente que o nosso ritmo foi baixando. Poderíamos ter marcado mais um ou outro golo, mas também poderíamos ter sofrido um a cerca de dez minutos do fim, porque o Meïté pôs-se a inventar perto da nossa área, foi desarmado, mas o Afonso Sousa isolado atirou por cima. Teríamos tido um final de jogo muito menos tranquilo se esta bola entrasse...
 
Em termos individuais, óbvio destaque para o Darwin, que lidera isolado os melhores marcadores com 24 golos, mais dez dos que os que vêm a seguir. É certinho que estaremos a ver os últimos jogos do uruguaio com o manto sagrado vestido e só é pena que vá sair do Benfica sem um único troféu conquistado. O Taarabt também esteve em destaque ao fazer quatro assistências nos dois últimos jogos: só é pena é que metade tenham sido para as equipas adversárias... O João Mário subiu de produção na 2ª parte, depois de uma 1ª algo fraca. Quem desaproveitou a oportunidade foi o Meïté e o Lazaro, que não acrescentaram nada à equipa.
 
Na próxima 4ª feira, iremos a Liverpool defender o nosso prestígio europeu. A eliminatória está praticamente perdida, mas era bom que déssemos um arzinho da nossa graça. Pelo menos, a equipa irá estar fresca enquanto o Liverpool vem de um empate em casa do City, mas veremos se isso consegue fazer com que a balança esteja menos desequilibrada.

quinta-feira, abril 07, 2022

Dignos

Perdemos na 4ª feira (1-3) frente ao Liverpool na Luz e estamos a um jogo de nos despedirmos da Liga do Campeões deste ano. Fizeram uma prova bastante boa, fomos muito mais longe do que estávamos à espera, mas o problema sempre esteve no que (não) fizemos nas competições nacionais.
 
Perante uma Luz esgotada, entrámos em campo com a equipa que tem sido habitual, o que fez com que alinhássemos com 10, porque o Taarabt simplesmente não existe... Tivemos naturalmente preocupações defensivas, o que não impediu o Liverpool de ir criando perigo, com o Vlachodimos a começar a sobressair. Durámos até aos 17’, quando o central Konaté num canto fez o 0-1 de cabeça. Tentámos responder logo de seguida, mas o Everton rematou às malhas laterais. O Liverpool não descansava e só o Vlachodimos impediu o Luis Díaz de aumentar a vantagem, mas já não conseguiu fazer nada aos 34’ quando o mesmo Luis Díaz assistiu de cabeça o Mané para o 0-2, depois de um passe em profundidade, que surgiu na sequência de um mau passe do... (adivinhem lá...) Taarabt! Até ao intervalo, o Vlachodimos impediu que a vantagem inglesa aumentasse, mas mesmo em cima do apito foi o Rafa a rematar mal depois de uma boa jogada que o colocou em posição privilegiada.
 
A 2ª parte foi bastante diferente, connosco a reduzir para 1-2 logo aos 49’ através de Darwin, depois de um centro do Rafa e um falhanço escandaloso do Konaté. O Liverpool tremeu e poderíamos ter chegado à igualdade com oportunidades pelo Darwin de cabeça e Everton com defesa do Alisson. Pelo meio, o Darwin cometeu o mesmo enorme erro da 1ª parte, ao não isolar o Rafa, preferindo o remate de longe. Egoísmos devido a querer mostrar-se para a Europa toda, não, obrigado! A partir da hora de jogo, o Liverpool voltou a equilibrar o jogo, que foi decorrendo até final sem grandes oportunidades. Até que, nos 10’ finais, os ingleses voltaram a pressionar mais e conseguiram fazer o 1-3 aos 87’, numa perda de bola do Otamendi na saída do meio-campo, que deu origem a um contra-ataque venenoso concretizado pelo Luis Díaz. Até final, ainda foi o Vlachodimos a impedir o entretanto entrado Diogo Jota de aumentar ainda mais a vantagem, depois de novo mau passe do Otamendi.
 
Em termos individuais, jogão do Weigl no meio-campo, do Gilberto na direita e do Vlachodimos a impedir números ainda mais díspares. O Vertonghen também teve uma boa prestação perante uma linha avançada que tem soluções que nunca mais acabam. O Darwin, apesar do golo e das dores de cabeça que deu aos centrais contrários, pecou (e muito) a sua exibição pelo egoísmo que revelou naqueles dois lances. Por outro lado, preferiu reclamar um penalty a tentar marcar um golo, quando ia ficar só com o guarda-redes pela frente. Ainda por cima, o espanhol Sr. Gil Manzano estava a demonstrar um critério muito largo e muito dificilmente apitaria num lance daqueles. O Rafa também não esteve no melhor dos seus dias, apesar de ter feito a assistência para o nosso golo. Quanto ao Taarabt, juro que irei fazer uma festa no dia em que ele apanhar o avião para Marrocos só com bilhete de ida...!
 
Para a semana, iremos a Liverpool e, se nos exibirmos da mesma maneira, não teremos nada a recriminar à equipa. Demos o que podíamos dar e não envergonhámos o nome do clube. No entanto, é muito giro chegar aos quartos-de-final da Champions, dá muito dinheiro e tal, mas troféus para o Museu, nada. Desde o Verão de 2019 que não temos nem um para amostra! Espero que esta boa campanha europeia não sirva para escamotear a vergonha que voltou a ser esta época.

segunda-feira, abril 04, 2022

Finito

Perdemos em Braga (2-3) na passada 6ª feira e dissemos adeus definitivo às (poucas) hipóteses que ainda tínhamos de chegar ao 2º lugar, dado que a lagartada ganhou ontem em casa (2-0) ao Paços de Ferreira (com o primeiro golo a surgir num penalty anedótico, mas enfim...) e tem agora uma confortável vantagem de 9 pontos sobre nós. Será a segunda temporada desastrosa para nós e iremos novamente começar a época mais cedo para voltar a tentar entrar na Champions, ainda por cima com treinador novo... As coisas não estão nada famosas...
 
Com o mesmo onze que derrotou o Estoril, dominámos durante muitos períodos na 1ª parte, mas sem criar grandes oportunidades de golo. Chegámos a festejar um golo do Vertonghen num canto, mas viu-se na repetição que a bola lhe bateu na mão. Aos 28’, o mesmo Vertonghen passa a mão ao de leve pelo cabelo do Ricardo Horta e o Sr. Luís Godinho assinalou falta! Inacreditável! Foi um livre mesmo em cima da linha de grande-área e o Iuri Medeiros fez o primeiro golo num remate forte e rasteiro, com o Vlachodimos a poder ter feito mais dado que a bola entrou no ângulo que o nosso guarda-redes estava supostamente a cobrir. Até ao intervalo, o Yaremchuk dominou mal a bola, quando ia ficar isolado, permitindo o corte para canto de um defesa.
 
Para a 2ª parte, o Nélson Veríssimo fez logo uma dupla substituição, com as entradas do Darwin e João Mário para os lugares do Everton e Gonçalo Ramos. No entanto, nos minutos iniciais, continuámos a revelar as mesmas dificuldades em arranjar espaços para criar perigo na baliza contrária e foi o Braga a fazer o segundo golo aos 59’ através do André Horta, numa boa combinação com o irmão Ricardo. Tudo parecia decidido, mas o Veríssimo esgotou as substituições cinco minutos depois com as entradas do Seferovic, Diogo Gonçalves e Paulo Bernardo saindo o Yaremchuk, Vertonghen e Meïté. O Vitinha (bom jogador!), que tinha entrado ao intervalo, ainda obrigou o Vlachodimos a uma defesa com o pé, mas aos 72’ o André Horta meteu escusadamente a mão à bola de uma maneira tão evidente, que nem o VAR Hugo Miguel teve coragem de não a assinalar. O Darwin marcou muito bem o penalty, fazendo o 1-2. E apenas três minutos depois, igualámos o marcador através do João Mário, depois de muito bem assistido de cabeça pelo mesmo Darwin. Com o 2-2 feito e uma recuperação assinalável, esperava-se que um forcing nosso proporcionasse a cambalhota completa no marcador. No entanto, aconteceu justamente o contrário! Aos 79’, um erro crasso da nossa defesa, na sequência de um canto, deixou que o Vitinha aparecesse à vontade depois de um cruzamento para fazer o 2-3...! Até final, ainda conseguimos empurrar o Braga para a sua área e o Seferovic, que tinha entrado muito bem no jogo, teve uma brilhante jogada individual, que só foi pena não ter dado em golo. O Rafa e o Darwin também tentaram visar a baliza adversária, mas sem sucesso e acabámos por perder ingloriamente o jogo.
 
A equipa esteve muito sofrível durante grande parte do encontro, só tendo despertado nos últimos 20’. Em termos individuais, os substitutos foram quem mais se destacou neste período, especialmente o Darwin e João Mário, bem secundados, embora em menos tempo, pelo Seferovic. Mas a sensação que deu em termos globais foi que já estávamos mais com a cabeça no Liverpool do que neste jogo. O que é algo inadmissível para um clube como o nosso.
 
Iremos defrontar os ingleses amanhã para os quartos-de-final da Liga dos Campeões e o melhor a que podemos almejar seria deixar a eliminatória em aberto para a 2ª mão. No entanto, realisticamente, acho que se cairmos com dignidade já não será mau. A época continuará a ser desastrosa, mas ter-nos-emos livrado de uma humilhação.

quarta-feira, março 30, 2022

Selecção no Qatar 2022

Vencemos a Turquia (3-1) na passada 5ª feira e ontem a Macedónia do Norte (2-0) no Estádio do CRAC e, dando uma volta bem maior do que era suposto, qualificámo-nos nos play-off para o Mundial do Qatar, que irá ser disputado em Novembro e Dezembro deste ano. Seria uma vergonha se não o tivéssemos conseguido, ainda para mais porque tivemos a benesse de, contra todas as expectativas, a Macedónia do Norte ter ido eliminar a Itália(!) na sua própria casa (1-0) e assim termo-los defrontado na final do play-off em vez de enfrentarmos a campeã europeia.
 
No encontro frente à Turquia, entrámos a todo o gás, mostrando que, de vez em quando, até sabemos jogar à bola... Por causa de lesões (Rúben Dias), covid-19 (Pepe) e castigos (João Cancelo), a defesa foi praticamente toda remendada, com o Danilo, Fonte e Diogo Dalot a substituírem-nos. Na baliza, houve a surpresa de ser o Diogo Costa o titular, com o Rui Patrício a ficar no banco. No meio-campo, o Otávio foi titular nos dois jogos e acabou por ser ele a abrir o marcador aos 15’, ao fazer com êxito a recarga a um remate do Bernardo Silva ao poste. A Turquia não conseguia responder e aos 42’ aumentámos a vantagem através de uma óptima cabeçada do Diogo Jota a cruzamento do mesmo Otávio. Na 2ª parte, padecemos do mal que vem atormentando esta selecção há muito tempo: a sonolência. A mentalidade do “jogo estar ganho” com vantagem de dois golos, sem procurar com muito afinco marcar mais poderia ter corrido pessimamente, porque a Turquia reduziu aos 65’ numa boa combinação atacante concluída pelo Burak Yilmaz, que teve uma soberana oportunidade de igualar a seis minutos do fim, num penalty escusado do José Fonte, mas milagrosamente atirou por cima. O entretanto entrado Matheus Nunes fez o 3-1 já na compensação depois de ser bem desmarcado pelo Rafael Leão, que também tinha entrado.
 
Ao mesmo tempo, em Palermo, acontecia um escândalo que prova que o Fernando Santos é dos tipos com mais vaca de todos os tempos: a Itália, que nunca(!) tinha perdido em casa numa qualificação para o Mundial, fez 32 remates à baliza, mas foi um dos apenas 4 que a Macedónia do Norte fez, e aos 92’(!), a dar-lhe a vitória e a permitir livrarmo-nos de boa.
 
Ontem, perante esta antiga república da Jugoslávia, a partida foi totalmente diferente da frente aos turcos. Muito mais calma, sem grandes esticanços e com aquele futebol vintage do Fernando Santos: chato como a potassa! De tal forma, que marcámos os golos em dois lances de contra-ataque, ambos concretizados pelo Bruno Fernandes, aos 32’ e 65’. Aliás, o futebol tem esta coisa deliciosa de ter sido um jogador que estava a passar completamente ao lado do jogo (tal como já tinha acontecido frente à Turquia) a decidir a partida, com dois bons golos. E assim fazer uma passagem supersónica de ser dos piores para o melhor em campo...! Em termos defensivos estivemos bem melhor do que frente aos turcos, facto a que não será alheio a presença do Pepe, que fez um jogão, tal como o Danilo a seu lado. Ao invés, o Bernardo Silva esteve bastante melhor no primeiro do que no segundo jogo, tal como o Diogo Jota.
 
Iremos ao Qatar e o Fernando Santos já veio dizer que quer uma terceira conquista com a selecção. Eu já nem digo nada, porque com a vaca descomunal que ele tem nunca se sabe. No entanto, continua a ser uma pena que uma selecção com tanto talento exibia um futebol tão medíocre. Mas, como foi isso que nos trouxe um título europeu e como somos treinados pelo Fernando Santos, não irá certamente mudar.

terça-feira, março 22, 2022

Memorável

Vencemos o Estoril na Luz por 2-1 no domingo, mas como os outros dois também ganharam (o CRAC 1-0 no Bessa e a lagartada 3-1 em Guimarães) continuamos a 12 pontos do primeiro e a seis do segundo lugar. Na ressaca de uma eliminatória europeia, os jogos são sempre mais difíceis e este acabou por nos correr bem, porque marcámos em alturas-chave. No entanto, o que vai perdurar na memória de todos por muitos e longos anos é o magnífico golo do Rafa, depois de um slalom de 80 m!
 
Com o Darwin e o Taarabt castigados, o Yaremchuk voltou ao onze e o Nelson Veríssimo apostou novamente no Meïté para o meio-campo. Nos primeiros 10’ até demos um ar da nossa graça, com remates perigosos do Gonçalo Ramos e Grimaldo (de livre) que o guarda-redes Dani Figueira não conseguiu segurar, mas depois foi o Estoril a tomar conta do jogo durante grande parte do primeiro tempo. Teve maior percentagem de posse de bola e atirou uma bola ao poste de cabeça, para além de ter proporcionado ao Vlachodimos uma óptima defesa num remate de trivela. Do nosso lado, duas cabeçadas ao lado do Gonçalo Ramos e Vertonghen deveriam ter tido melhor pontaria, até que aos 34’ aconteceu um dos momentos não só do jogo, nem deste campeonato, mas de toda a história do Estádio da Luz: num canto contra nós, o Rafa recuperou a bola à saída da nossa área, correu 80 m batendo três adversários e desviou a bola do guarda-redes à sua saída. Desde o golo do Poborsky ao Braga em 1998, que não via uma obra-prima destas ao vivo! Que G O L Ã O!!! O Estoril sentiu este toque e até ao intervalo não se reencontrou.
 
A 2ª parte poderia ter começado muito mal, porque só graças ao Vertonghen é que o Estoril não marcou, dado que o belga cortou sobre a linha um remate que ia na direcção da baliza, com o Vlachodimos batido. No entanto, logo a seguir, demos uma machadada muito grande no adversário, ao fazer o 2-0 aos 53’ numa boa combinação entre o Gonçalo Ramos e o Gilberto, com aquele a rematar de pé esquerdo sem hipóteses para o guarda-redes. Ainda faltava muito tempo para o final, mas nós estávamos confortáveis com o marcador e o Estoril acabou por baixar um pouco os braços e praticamente deixou de importunar o Vlachodimos. O Rafa poderia ter bisado, mas o seu remate em arco foi defendido pelo guarda-redes. As substituições em ambas as equipas não alteraram o rumo que o jogo levava e foi do entretanto entrado Henrique Araújo a última oportunidade, com uma cabeçada ao lado depois de um centro do também entrado André Almeida.
 
Em termos individuais, óbvio destaque para o Rafa, porque quem marca um golo daqueles tem lugar garantido no Olimpo. O Gonçalo Ramos está a passar por uma boa fase, marcando quase sempre o seu golito da ordem nos últimos jogos. O Gilberto é sempre um mouro de trabalho na lateral-direita, mesmo que uma ou outra coisa lhe saia menos bem. O Everton voltou a estar bastante discreto, assim como o Yaremchuk, mas este tem obviamente desculpa devido ao que se passa no seu país. O Meïté é que não pode ser o segundo elemento do meio-campo nos jogos em casa: uma coisa é ajudar a defender em Amesterdão, outra é construir jogo frente ao Estoril. Simplesmente, não está dá para isso!
 
Haverá agora a paragem para a selecção nacional tentar livrar-se da vergonha de não se qualificar para o Mundial do Qatar (mas para isso terá de eliminar a Turquia primeiro e, muito provavelmente, a Itália depois) e, quando o campeonato regressar, termos uma ida a Braga e depois logo a recepção ao Liverpool para os quartos-de-final da Champions. Vai ser a todo o gás!

quarta-feira, março 16, 2022

Milagre

Vencemos o Ajax em Amesterdão (1-0) e, seis anos depois, voltámos a qualificar-nos para os quartos-de-final da Liga dos Campeões. O que parecia completamente impossível há um mês tornou-se realidade. Sem o brilhantismo de outras vezes em que chegámos a esta fase da prova (como esta e principalmente esta), mas o que interessa é lá estarmos. Já fizemos mais do que a nossa obrigação nesta competição, o problema está na campanha interna.
 
Com a alteração da regra dos golos fora, o jogo começou mesmo 0-0. Ambas as equipas teriam de ganhar para passar a eliminatória. Apesar do que fez na 6ª feira passada, o Taarabt foi novamente titular. A única coisa que me apraz dizer é que o Nelson Veríssimo é um praticante excessivo da inclusão... O Ajax dominou grande parte do jogo, connosco sempre muito coesos na defesa. E o que é certo é que os holandeses não tiveram assim tantas oportunidades flagrantes de golo na partida inteira (como ponto de comparação, acho que o PSV na pré-eliminatória teve muito mais). Houve um golo anulado por fora-de-jogo logo nos minutos iniciais, controlámos bem o Antony na direita, mas o problema foi que o meio-campo adversário era no man’s land para nós... O Rafa e o Everton não conseguiam conduzir a bola pelas laterais, porque estavam sempre mais preocupados em fechar o flanco e a bola quase nunca chegava ao Darwin. Nas bolas paradas, o Ajax ganhava invariavelmente os duelos, mas o que valeu foi que a pontaria estava desafinada.
 
Para a 2ª parte, o Nelson Veríssimo decidiu que estava na altura de jogar finalmente com onze e entrou o Meïté para o lugar do acéfalo marroquino. Curiosamente (ou talvez não...), a equipa melhorou e o Ajax ainda se acercou menos vezes da nossa área do que na etapa inicial. Com o passar dos minutos, os holandeses iam perdendo discernimento e só uma cabeçada do Antony é que poderia ter dado golo, porque o Vlachodimos estava batido, mas a bola saiu por cima. Nós tentámos com mais sucesso passar a linha de meio-campo e o Rafa ia aproveitando um erro do Blind para se isolar, mas não o conseguiu. Nas bolas paradas ofensivas, houve uma cabeçada do Vertonghen que atravessou a área sem ninguém lhe tocar, até que aos 77’ fomos felizes: livre na direita do Grimaldo e o Darwin a antecipar-se ao defesa e guarda-redes para fazer o 1-0. Eficácia a toda a prova! Ambas as equipas iam fazendo alterações, mas até final conseguimos controlar o ataque final do Ajax, mesmo apesar de este ter juntado dois matulões na frente (Haller e Brobbey). No entanto, os centrais Otamendi e Vertonghen fizeram-se valer da sua experiência e o Vlachodimos ia resolvendo o pouco que lhe apareceu pela frente.
 
Em termos individuais, óbvio destaque para o Darwin pelo golo, mas seria injusto estar a referir mais nomes quando toda a equipa revelou um espírito de sacrifício de louvar. Não é preciso ir lá à frente muitas vezes para marcar. Basta sermos eficazes.
 
Jogámos como as equipas pequenas jogam na Luz, conseguimos irritar os holandeses com algum antijogo na parte final, mas conseguimos o objectivo que procurávamos. Não foi um jogo bonito da nossa parte, mas temos de ser inteligentes e lutar com as armas que temos neste momento. Deu para isto e já é bom. Saibamos gozar este período, que vai ser o ponto alto da época. Não vamos ganhar a Champions, iremos acabar a época sem nenhum título, mas estamos com os cofres cheios. Para o futebol moderno, está bom. (Mas eu sou old fashioned e prefiro quando acrescentamos items ao museu...)

segunda-feira, março 14, 2022

Inglório

Empatámos na 6ª feira em casa frente ao Vizela (1-1) e estamos dependentes do que fizer hoje a lagartadaem Moreira de Cónegos para saber se o 2º lugar vai também ficar mais longe, dado que o CRAC ganhou em Mordor 4-0 ao Tondela e voltou a aumentar a distância para 12 pontos.
 
Em vésperas de irmos para Amesterdão, já se sabia que este iria ser um jogo complicado. No entanto, ainda se tornou mais complicado porque temos um acéfalo no plantel. Uma criatura que claramente o cérebro perdeu algures no passado e nunca mais o encontrou. Aos sete(!) minutos de jogo, o Taarabt resolveu pisar um adversário, numa bola a meio-campo, e foi naturalmente expulso. Aos s-e-t-e minutos!!! Se calhar, pode ser má vontade minha, porque nunca DETESTEI tanto um jogador do Benfica como esta alimária, mas vocês digam-me sinceramente: em quatro anos a jogar no Benfica (na verdade, já o contratámos há sete anos, mas vamos fingir que os três primeiros, em que ele se dedicou mais a p**** e vinho verde, como diria o outro ministro holandês, não aconteceram...), dizia eu, em quatro anos em que temos o desprazer de o ver com o manto sagrado, o que é que ele fez de útil? Quantos golos tem? Quantas assistências? Quantas vezes foi o melhor em campo? Ao invés, digam-me também, por favor, quantas vezes é que ele foi useiro e vezeiro neste tipo de lances, em que pisa o adversário? Uma? Duas? Três? É que sinceramente já perdi a conta... Não há maneira de nos vermos livres desta criatura de vez?! Não se pode deportá-lo por justa causa?!
 
Claro que o jogo mudou completamente a partir da expulsão, tivemos de recuar no terreno e tentar aproveitar a rapidez do Rafa e Darwin na frente. O Vizela trocava bem a bola, mas não conseguia criar perigo e as melhores oportunidades acabaram por ser nossas, com um remate do Weigl em boa posição ao lado depois de um canto e uma defesa magistral, e por instinto, do guarda-redes Pedro Silva a um cabeceamento do Darwin na sequência de um bom cruzamento do Lazaro (a única coisa de jeito que este sabe fazer, a propósito).
 
Na 2ª parte, tivemos mais bola e voltámos a ver o Pedro Silva fazer a mancha ao Darwin, após uma aceleração do Rafa. O Nelson Veríssimo resolveu apostar num 4-2-3 com a entrada do Meïté para o lugar do inoperante Diogo Gonçalves, mas logo a seguir aos 65’ o Vizela colocou-se em vantagem através do Cassiano, que se antecipou à nossa defesa depois de um cruzamento na direita. No entanto, o Vizela cometeu um grande erro pouco depois, ao irritar o vulcão da Luz com duas perdas de tempo consecutivas (um jogador é substituído por lesão e logo a seguir outro cai no chão a pedir o mesmo). O estádio explodiu em fúria e ajudou a levar a equipa a empurrar o Vizela para a sua área. O Nelson Veríssimo começou a arriscar mais e colocou o Henrique Araújo em vez do Morato. Como nestes jogos temos invariavelmente uma bola nos ferros, neste caso a rifa ao Meïté num remate semi-acrobático à barra. Aos 75’, conseguimos finalmente a igualdade numa recarga muito oportuna do Henrique Araújo a um remate do Gonçalo Ramos, que o guarda-redes não defendeu. Até final, só por manifesto azar não ganhámos o encontro, porque o Rafa rematou muito devagar depois de uma jogada brilhante e permitiu que um defesa safasse sobre a linha, o guarda-redes Pedro Silva defendeu um remate do Henrique Araújo à queima-roupa, e no último lance voltou a negar ao Darwin o golo da vitória, com outra óptima defesa.
 
Em termos individuais, gostei da entrada do Henrique Araújo, que me parece muito oportuno e com lucidez na área, as acelerações do Darwin foram importantes, mas acabou por desperdiçar a maior parte das nossas oportunidades, e o Weigl esteve irrepreensível no meio-campo e depois a central. Da abécula marroquina, não vale a pena falar mais e o Lazaro também pode ir fazendo as malas, porque só saber centrar é muito pouco para um lateral-direito nosso.
 
O público despediu-se, e bem, da equipa com uma tremenda ovação. Foi um esforço inglório, que foi pena não ter sido épico. Vamos ver como iremos recuperar fisicamente para defrontar o Ajax já amanhã, mas se mantivermos este nível de comprometimento com o jogo pode ser que consigamos uma surpresa.
 
P.S.  O Sr. André Narciso foi o VAR desta partida. Já nem vou falar da diferença de critérios que mandou (e bem) o Taarabt para a rua, mas não fez o mesmo a um jogador do Vizela já perto dos 90’ por pisão ao Rafa. O que é mesmo escandaloso é o penalty por claro braço na bola do Ofori na sequência de um canto aos 73’, quando estávamos a perder. Que o árbitro, o Sr. Manuel Oliveira, não tenha visto ainda admito (eu também não vi no estádio), mas que o VAR André Narciso deixe passar é pura e simplesmente um roubo. Aliás, este André Narciso, enquanto VAR, já tinha ficado célebre no passado. Que vergonha!

segunda-feira, março 07, 2022

Complicado

Vencemos em Portimão no sábado por 2-1, mas continua tudo igual em relação aos dois da frente, que também venceram (a lagartada 2-0 em casa frente ao Arouca e o CRAC 4-2 em Paços de Ferreira). Tal como se esperava, foi um jogo difícil, em que inclusive estivemos a perder, perante a equipa que nos cortou a senda vitoriosa no início do campeonato.
 
Com o Yaremchuk no lugar do engripado Darwin, que foi para o banco, até nem começámos com uma má dinâmica, embora tivéssemos algumas dificuldades em acercarmo-nos com perigo da área contrária. Um remate torto do Gonçalo Ramos de pé esquerdo foi a nossa melhor ocasião nesse período, mas um mau passe do Taarabt deu origem a um contra-ataque aos 25’, que terminou com a bola no fundo da nossa baliza através do Welinton Júnior. Pouco depois, a partida foi interrompida pela segunda vez (a primeira tinha sido para dar assistência médica a um apanha-bolas que caiu mal), porque alguns adeptos do Benfica resolveram atirar uma série de tochas para o relvado. Estávamos a perder, mas não fazia mal nenhum interromper o jogo... ‘tá certo...! Quando a partida foi retomada, intensificámos a nossa pressão e um remate do Everton não saiu muito longe do poste. O Sr. Fábio Veríssimo deu 15’ de compensação e no sétimo deles chegámos a igualdade, num bom trabalho do Taarabt na direita, que centrou para a entrada da área, onde o Grimaldo rematou rasteiro sem hipóteses para o guarda-redes, Samuel. Era muito importante não irmos para o intervalo a perder e conseguimo-lo. E até poderíamos ter ido a ganhar, mas um livre do Grimaldo passou a rasar o poste com o Samuel batido.
 
A 2ª parte não poderia ter começado melhor, porque logo aos 50’ colocámo-nos na frente através do Gonçalo Ramos, que correspondeu bem a um centro do Rafa na direita, depois de termos recuperado a bola num canto a nosso favor. No entanto, o Portimonense não se dava por vencido e só a falta de pontaria impediu o Welinton Júnior de bisar. A partir do momento em que nos vimos em vantagem, desacelerámos o jogo de uma maneira muito perigosa, porque dávamos a iniciativa ao adversário sem procurar surpreendê-lo em contra-ataque. A pouco mais de 10’ do fim, o Filipe Relvas teve um remate cruzado com perigo, mas a bola saiu ao lado da baliza do Vlachodimos. Com as substituições que, entretanto, tínhamos efectuado, conseguimos equilibrar um pouco as coisas, mas sem nunca tentar de forma consistente o terceiro golo.
 
Em termos individuais, não houve ninguém que tivesse sobressaído por aí além, com o Grimaldo e o Gonçalo Ramos a merecerem a palavra devida por causa dos golos, e o Taarabt por continuar longe da forma que o notabilizou, o que é óptimo sinal.
 
Estabilizámos um pouco o nosso futebol, o que não é nada mau para o que vínhamos mostrando nos últimos tempos. Veremos se isto é algo para manter nos próximos jogos.

segunda-feira, fevereiro 28, 2022

Inesquecível

Vencemos ontem o V. Guimarães na Luz (3-0) e, com os empates dos rivais (a lagartada 1-1 no Marítimo e o CRAC pelo mesmo resultado em Mordor frente ao Gil Vicente, que teve uma expulsão aos 2’!), reduzimos a diferença para eles para quatro e 10 pontos, respectivamente. No entanto, este jogo vai ficar na memória de todos nós por outro aspecto bastante mais importante: o que aconteceu depois da entrada do Yaremchuk em campo. Mas já lá vamos.
 
Depois da boa exibição frente ao Ajax para a Champions, confesso que estava curioso para saber se esta teria continuidade no campeonato ou não. E, se ela não foi tão boa quanto a de 4ª feira, foi bastante melhor do que nos últimos jogos domésticos, pelo que isso é de saudar. Com o Otamendi e Weigl castigados, entraram o Morato e Meïté para os seus lugares, e até foi nossa a primeira oportunidade num remate em arco de pé esquerdo do Gilberto, que ressaltou num defesa e passou rente ao poste. No entanto, foi o V. Guimarães a ter duas soberanas ocasiões, com o Estupiñán a aparecer duas vezes(!) isolado frente ao Vlachodimos e o grego a salvo-nos de enormes dissabores. Respondemos aos 23’ com o primeiro golo na sequência de um óptimo centro do Gilberto e uma finalização brilhante do Gonçalo Ramos de primeira. Que golão! O V. Guimarães conseguia ter algum espaço no nosso meio-campo e foi tentando responder, mas aos 37’ fizemos o 2-0 com novo centro do Gilberto e cabeçada perfeita do Darwin.
 
Na 2ª parte, resolvemos a partida muito cedo com um penalty sobre o Gonçalo Ramos aos 52’ e o Darwin a bisar, enganando o Bruno Varela. Ao contrário dos últimos jogos, não abrandámos e poderíamos ter aumentado a vantagem, mas o Rafa não acertou bem na bola num carrinho, permitindo a defesa do guarda-redes, e o Gonçalo Ramos viu o seu segundo golo anulado por fora-de-jogo do Morato. No entanto, o grande momento do jogo e, arrisco-me a dizer, um dos melhores momentos da nova Luz aconteceu aos 62’. Até vou deixar aqui o vídeo para memória futura.
 
O criminoso acto de guerra de um ditador autocrata russo sobre o povo ucraniano tem tido uma veemente reacção, praticamente unânime, da opinião pública mundial e esta manifestação de quem esteve ontem na Luz já foi difundida por esse mundo fora. Que momento! Até final do jogo, foi o V. Guimarães a ter mais duas ocasiões, mas o entretanto entrado Quaresma (assobiado, e bem, pelo estádio, porque há rivalidades que nunca se esquecem e o futebol sem elas não é nada) e o Jorge Fernandes já na compensação viram mais uma vez o Vlachodimos negar-lhes o golo. Quanto a nós, só numa cabeçada do Everton estivemos outra vez perto de marcar, já que as substituições que se seguiram tiraram-nos um pouco de gás.
 
Em termos individuais, vou destacar o Vlachodimos, porque fez quatro(!) defesas de golo, duas das quais quando ainda estava 0-0. Um bis merece sempre destaque e, com ele, o Darwin chegou aos 20 golos no campeonato (tem seis de vantagem sobre o segundo) e o Gilberto com duas assistências em três golos também não pode ser esquecido. Aliás, quando a defesa-direito espero que o assunto tenha ficado definitivamente arrumado até final da época. O Taarabt continua a sentir os efeitos da sua lobotomia e até parece outro jogador, enquanto o João Mário, que o substituiu, vai ter de pedalar muito para voltar a ter o lugar, já que está numa péssima forma e o tribunal da Luz não lhe perdoou.
 
Teremos agora uma semana sem jogos até irmos a Portimão no próximo sábado. Esperemos que esta tendência de subida de forma seja para manter.

sábado, fevereiro 26, 2022

Resposta

Empatámos na passada 4ª feira contra o Ajax (2-2) na 1ª mão dos oitavos-de-final da Champions. Depois da miséria franciscana dos últimos jogos, estava à espera de um amasso dos holandeses, mas os jogadores do Benfica conseguiram mostrar que afinal ainda lhes resta um bocadinho de dignidade.
 
Uma semana cheia de trabalho e a estupefacção por um ditador lunático ter invadido outro país soberano em plena Europa do séc. XXI (e ainda haver uns quantos que dizem “mas”...) não me permitiram escrever mais cedo sobre o jogo. O Ajax foi superior a nós na 1ª parte e aproveitou um erro do Grimaldo aos 18’ para fazer o 0-1 pelo Tadic. A nossa recção foi boa, com o empate a surgir aos 26’ num autogolo do Haller depois de um centro-remate forte do Vertonghen na sequência de um canto. No entanto, nem tivemos tempo de saborear o empate, porque o mesmo Haller marcou novamente, três minutos depois, mas desta vez na baliza certa num lance em que recargou uma defesa incompleta do Vlachodimos.
 
Na 2ª parte, especialmente depois da entrada do Yaremchuk por volta da hora de jogo para o lugar do Everton, a balança começou a tombar para o nosso lado. Confesso que tive dúvidas acerca desta substituição, porque iríamos estar com três pontas-de-lança em campo, mas o que é facto é que conseguimos ir empurrando o Ajax para o seu meio-campo. O Vlachodimos defendeu a única oportunidade que os holandeses tiveram no jogo, mas aos 72’ fomos nós a marcar num contra-ataque rápido do Rafa, que passou para o Gonçalo Ramos, este rematou de pé esquerdo de fora da área, o guarda-redes não conseguiu agarrar e o Yaremchuk muito rápido de cabeça atirou para o fundo das redes. Até final, o resultado não se alterou, apesar de o ritmo do jogo continuar sempre bastante elevado.
 
Em termos individuais, o Taarabt esteve novamente em destaque e parece que a lobotomia que terá feito resultou, porque ao fim de quatro(!) anos finalmente produz exibições de jeito... O Rafa melhorou muito na 2ª parte e as suas acelerações foram fundamentais para conseguirmos empatar, apreciação que encaixa igualmente no Darwin. Aliás, a velocidade dos homens da frente, juntamente com o poderio físico do Yaremchuk, pode ser uma das chaves da eliminatória, saibamos nós defender a máquina atacante do Ajax. Outra boa notícia desta noite europeia foi o facto de nenhum dos cinco(!) jogadores que temos tapados com amarelos ter visto cartão.
 
Veremos amanhã frente ao V. Guimarães se esta melhoria na Liga dos Campeões tem repercussões no campeonato. É que, parecendo que não, ainda falta muito tempo para a época acabar e seria inconcebível fazermos só mais um jogo decente até final.

terça-feira, fevereiro 22, 2022

Apagão

Empatámos no Bessa no passado sábado (2-2) e, com as vitórias dos rivais (a lagartada 3-0 em casa frente ao Estoril e o CRAC 1-0 em Moreira de Cónegos), voltámos a alargar a distância para seis e 12 pontos, respectivamente.
 
Esta época está a ser penosa de uma maneira que sinceramente já não achava possível. É que não são só os maus resultados, é a inércia, o amorfismo e a total falta de alegria a jogar à bola que percorre toda a equipa do Benfica. Claro que tudo isto se reflecte no campo e, depois de uma 1ª parte do menos mauzinho que temos visto ultimamente, demos totalmente o berro na segunda e até nos podemos sentir lisonjeados com o empate. Ou seja, depois de chegarmos ao intervalo a ganhar por 2-0, fruto dos golos do Taarabt aos 21’ e Grimaldo aos 30’, e de termos metido mais duas vezes a bola na baliza, em lances invalidados pelo VAR, deixámos que o Boavista controlasse completamente o segundo tempo, marcasse dois golos em seis minutos (Sauer aos 74’ e Makouta aos 80’) e ainda atirasse uma bola ao poste entre os dois!
 
Os jogadores têm muitas culpas no modo como não saíram dos balneários depois do intervalo, mas o Nelson Veríssimo também não está isento das mesmas. O que dá a sensação é que o nosso treinador pensa nas substituições antes do jogo começar e, aconteça o que acontecer em campo, mantém-nas quando chega a altura de as fazer. Eu serei a pessoa mais insuspeita do mundo para dizer isto, mas o Taarabt estava a ser o melhor jogador do Benfica e foi o primeiro a sair a pouco mais de 15’ do fim. Há quem diga que o eventual aparecimento de Jesus Cristo à face da Terra há 2022 anos foi o maior milagre visto até hoje, mas eu acho que o Taarabt ter feito uma boa exibição supera largamente isso! Ao fim de quatro anos na equipa principal, o marroquino marcou o seu... [deixem-me fazer as contas]... [noves fora nada]... segundo golo oficial! Depois deste há dois anos, voltou a fazer o gosto ao pé! Seria apenas ridículo se ele jogasse... sei lá... a nº 8 ou médio-ofensivo, por exemplo, mas felizmente que a posição dele não é essa...
 
Estou sem vontade de escrever muito mais e só lamento o facto de ainda termos de aturar mais três meses ‘disto’. Amanhã iremos receber o Ajax para os oitavos-de-final da Champions e, se formos eliminados com o mínimo de dignidade, já me dou por satisfeito. Os holandeses deram 9-3 à lagartada nos dois jogos da fase de grupos. Lagartada, essa, que nos ganhou duas vezes da maneira categórica que ganhou. Portanto, é esse o resultado que temos de tentar não superar. Não vai ser fácil, mas pode ser que aconteça outro milagre e não sejamos goleados. Não será um milagre tão grande quanto o Taarabt fazer uma boa exibição, claro está, mas ainda assim um milagre.

segunda-feira, fevereiro 14, 2022

Inconstância

Vencemos o Santa Clara (2-1) no sábado passado e reduzimos a distância para ambos os rivais, que tinham empatado (2-2) em Mordor no dia anterior. Estamos agora a quatro pontos da lagartada e a dez do CRAC. Como se costuma dizer, “o que fica para a história é o resultado” e, neste caso, é bom que assim seja, porque a exibição continuou a ser bastante sofrível.
 
Com o mesmo onze de Tondela, até nem entrámos mal, com uns razoáveis 20’ iniciais, altura em que tivemos duas excelentes ocasiões para marcar, mas o Darwin atirou ao lado quando estava isolado frente ao guarda-redes e o Vertonghen viu um remate seu, ligeiramente desviado por um defesa, embater no poste. No entanto, precisamente aos 20’, o Santa Clara inaugurou o marcador pelo Mohebi num lance bem validado pelo VAR, que corrigiu o fora-de-jogo mal assinalado. E pronto, ficou tudo estragado até ao intervalo: caímos a pique a nível exibicional, continuámos sem acertar uma única(!) bola na baliza (o guarda-redes Marco Rocha chegou ao intervalo com zero defesas!), e até foram os açorianos a ter as melhores oportunidades, numa cabeçada ao lado completamente à vontade num canto, e noutro remate defendido com segurança pelo Vlachodimos.
 
Apesar de termos deixado de jogar a seguir ao golo adversário, o Nelson Veríssimo não fez alterações ao intervalo, só tendo feito as primeiras pouco antes da hora de jogo, com o Taarabt e o Yaremchuk a entrarem para os lugares do Paulo Bernardo (jogo muito fraco) e Everton. E o marroquino deve ter feito uma lobotomia temporária, porque foi muito importante para a reviravolta da partida! Pelas minhas contas, é a segunda vez em quatro temporadas (média de respeito...!) que faz pender a balança a nosso favor num jogo (a outra foi já este ano em Famalicão). Uma excelente abertura na direita para o Rafa resultou numa iniciativa deste, que terminou com um penalty tão desnecessário quanto evidente cometido pelo central Villanueva. O Darwin não tremeu e restabeleceu a igualdade aos 60’. Dois minutos depois, a reviravolta consumou-se novamente com a participação do Taarabt que, com um passe de primeira, desmarcou outra vez o Rafa na direita, este flectiu para o centro e a bola sobrou já na área para o Yaremchuk, que cruzou para o Darwin atirar para a baliza deserta (teve alguma sorte, porque a bola ainda bateu na barra e entrou perto da malha lateral...). Em vantagem no marcador, baixámos o ritmo, mas o Gonçalo Ramos deveria ter acabado com o jogo a cerca de 20’ do fim, quando rematou para defesa do guarda-redes, num lance em que deveria ter feito melhor, porque estava praticamente sozinho. Até final, não permitimos muitos veleidades ao Santa Clara e um remate de longe do Lazaro foi bem defendido pelo guarda-redes.
 
Em termos individuais, óbvio destaque para o Darwin pelos dois golos. Tem neste momento 18 e é o melhor marcador do campeonato, o único troféu a que podemos estar ligados esta época... Como acontece com uma regularidade semelhante à passagem do cometa Halley pela Terra, menção para o Taarabt que foi igualmente decisivo para a vitória. (Vamos deixar de lado o facto de, depois daqueles dois passes a rasgar, ter retomado o seu nível habitual de jogar para o lado e para trás o resto do tempo...). O Rafa, apesar de não ter deslumbrado, acabou por estar ligado aos dois golos e isso merece sempre realce. O Yaremchuk também entrou bem, a dar mais poderio à frente de ataque e ao ter permitido que o Darwin não ficasse tão preso entre os centrais. Quanto aos menos, o Paulo Bernardo passou muito ao lado do jogo (quando chegou, era dos poucos a dar fluidez ao jogar para a frente, agora aparentemente já está mais entrosado com a equipa e deixou-se disso...) e o Gonçalo Ramos falhou o golo da tranquilidade, o que é um ponto a desfavor para a titularidade nos próximos encontros. O Lazaro é um erro de casting e o lugar tem de voltar rapidamente ao Gilberto, cuja agressividade e rotação não tem rival neste momento na lateral direita.
 
Reduzimos a diferença para os outros dois, mas este jogo não deixou ninguém descansado. Acusámos imenso o golo sofrido, o que com uma equipa de um nível superior nos teria certamente custado a vitória. Iremos agora ao Bessa antes da recepção ao Ajax. Se mantivermos o nível deste jogo, teme-se o pior...

quarta-feira, fevereiro 09, 2022

Vitória

Vencemos em Tondela na passada 2ª feira (3-1) e mantivemos as distâncias de seis e 12 pontos para os dois primeiros, que já tinham ganho (a lagartada 2-0 em casa ao Famalicão e o CRAC pelo mesmo resultado em Arouca). Nos dias que correm, sendo tão raro, é sempre de salientar quando ganhamos e não jogamos terrivelmente mal, como foi o caso deste encontro.
 
O Nelson Veríssimo continua à pesca e voltou ao 4-4-2. O Darwin juntou-se ao Gonçalo Guedes na frente, com o Paulo Bernardo no lugar do João Mário (com covid-19) e o Lazaro na direita em vez do André Almeida. O jogo começou muito repartido com oportunidades para ambos os lados, com destaque para um falhanço do Darwin isolado pelo Gonçalo Guedes Ramos e para um golo bem anulado ao Tondela por fora-de-jogo. Aos 23’, na melhor jogada que fizemos desde há uma série de jogos para cá, inaugurámos o marcador através do Everton, depois de uma boa tabela com o Grimaldo. Logo a seguir, o mesmo Everton atirou à barra num grande remate de fora da área. Mas o segundo golo não tardou muito mais, porque aos 34’ o Darwin foi desmarcado na esquerda pelo Everton, flectiu para o meio e já dentro da quina da área marcou um golão! Golão, esse, que esteve à beira de repetir já perto do intervalo com um livre directo de fora da área, que embateu com estrondo no poste. Já no tempo de compensação, o Salvador Agra apareceu isolado frente ao Vlachodimos, mas foi importunado pelo Lazaro na altura do remate, que saiu ao lado. Ainda bem, porque nos livrámos de uma grande injustiça.
 
A 2ª parte começou praticamente com a dissipação de todas as dúvidas: aos 53’, o Gonçalo fez o 3-0 com um trabalho individual na área, numa jogada que teve novamente a participação do Everton. A equipa até estava a praticar um futebol razoável, mas, à semelhança de outros jogos, quando o Nelson Veríssimo resolveu mexer, estragou tudo. Por volta da hora de jogo, entrou o Diogo Gonçalves e saiu o Everton, e a nossa exibição começou em decrescendo. Pouco depois, o Tondela selou definitivamente o destino da partida com o segundo amarelo do Neto Borges. Poderíamos ter marcado pelo menos mais um golo, mas o Gonçalo Ramos teve um falhanço incrível de pé esquerdo, sozinho na área, depois de uma assistência do Darwin e esse foi praticamente o nosso último lance de perigo. A cerca de 15’ do fim, entraram o Meïté e o Taarabt, e então aí mais valia o Sr. João Pinheiro ter apitado logo para o final. Até porque isso teria impedido de passarmos pela vergonha de sofrer um golo num canto(!) contra 10 jogadores, algo que aconteceu pelo Eduardo Quaresma (ainda por cima, tinha de ser um lagarto...!) aos 88’.
 
O destaque vai inteirinho para o Everton, que esteve nos nossos três golos. Aliás, desde que o Jesus saiu que ele se modificou completamente, muito mais solto e confiante. O Darwin falhou um golo isolado, mas só não marcou dois porque o poste não deixou. Tenho-o elogiado muito, mas o Weigl não esteve nada feliz nesta partida, nomeadamente no capítulo do passe. O Paulo Bernardo também desaproveitou a oportunidade, o que é uma chatice, porque assim o Taarabt fica mais próximo de entrar... O Rafa também passou muito ao lado do jogo. O Gonçalo Ramos é um pouco trapalhão, mas lá marcou mais um golito (e deveria mesmo ter sido dois...).

segunda-feira, fevereiro 07, 2022

A ler obrigatoriamente

Todos vocês já terão certamente lido, mas não queria deixar de registar aqui para a posterioridade este fantástico texto do meu amigo Bakero. Reproduzo integralmente o quinto parágrafo, que deveria ser emoldurado e colocado em cada canto do estádio para lembrar a todos nós, mas principalmente a quem de direito, porque é que estamos nesta situação.

 

"Se o Vietname dos anos 90 teve a seguinte evolução: Crise financeira - crise desportiva - crise de valores; este está a ser de forma inversa: Crise de valores - crise desportiva - e talvez venha aí ainda a crise financeira. Porque ninguém duvide que o Benfica caiu neste buraco devido à falência dos seus valores. O clube do povo, da mística, do Inferno da Luz e do terceiro anel passou a ser o clube do Red Pass, dos descontos na bomba de gasolina, das vendas milionárias e da fábrica do Seixal. As bandeiras com uma história pessoal deram lugar às cartolinas pré-formatadas; a fome de vitórias deu lugar aos recordes nas vendas; os 15 minutos à Benfica deram lugar a sair do estádio mais cedo porque o carro está mal estacionado; a democracia Benfiquista deu lugar ao "apoia garotão, que os outros são todos uns abutres e querem tacho"; o querer fazer a carreira toda no Benfica deu lugar ao "brilho 6 meses e não me cortem as pernas para ir lá para fora"; o Benfiquismo ser um fator óbvio e indispensável para todos que estão lá dentro deu lugar a até o Presidente pode não ser necessariamente benfiquista; o "sirvam o Benfica, não se sirvam dele" deu lugar ao "se calhar até rouba, mas faz", as músicas do Benfica nas colunas de som deram lugar à música techno e reggaeton, a mística deu lugar ao profissionalismo, o foco no desporto e nos títulos deu lugar a obras e projetos."

quinta-feira, fevereiro 03, 2022

Fim da linha

Perdemos ontem em casa frente ao Gil Vicente (1-2) e ficámos a 12 pontos do CRAC (2-1 ao Marítimo) e a seis da lagartada (4-1 no Jamor ao Belenenses SAD). Por outro lado, o Braga reduziu a diferença em relação a nós também para seis pontos. Ou seja, faltam três meses para a época acabar e o nosso fundo continua a descer cada vez que batemos nele...
 
Entrámos em campo com dois(!) trincos (Weigl e Meïté) e o Paulo Bernardo em vez do João Mário, que ficou no banco. Na defesa, regressou o André Almeida à direita e o Otmandi, enquanto na frente o Gonçalo Ramos substituiu o lesionado Yaremchuk, o que fez com que no banco só estivesse o Henrique Araújo como opção para ponta-de-lança. Logo aos 7’, o Sr. Artur Soares Dias espoliou-nos de um golo limpo, ao apitar uma pseudo-falta do Vertonghen sobre um adversário que só ele viu, quando o Grimaldo cruzou para a área num livre e o Otamendi desviou para a baliza. Como apitou antes de a bola entrar, o lance nem foi ao VAR. Uma vergonha sem nome! Aos 11’, as coisas ficaram ainda pior com o golo do Gil Vicente, através do Samuel Lino: jogada fácil, tabela e desmarcação, e a bola a passar por entre as pernas do Vertonghen e enganar o Vlachodimos que, no entanto, acho que se poderia ter lançado e não ficado de pé. Ainda estávamos muito no início do jogo, mas até ao intervalo tivemos apenas duas jogadas em que o golo esteve perto, numa desmarcação do Gonçalo Ramos com a bola picada sobre o guarda-redes a sair por cima, e numa boa iniciativa do Vertonghen culminada com um remate de pé direito defendido para canto. Do lado contrário, e na sequência de um livre, com a nossa equipa toda dentro da área, um adversário conseguiu aparecer isolado(!) frente ao Vlachodimos, que mais uma vez nos salvou.
 
Para a 2ª parte, entraram o Rafa e João Mário para os lugares dos inexistentes Meïté e Diogo Gonçalves. Mas o Gil Vicente era muito mais equipa do que nós, circulava bastante melhor a bola, encontrava sempre um jogador para a receber no espaço vazio e chegava de uma maneira simples à nossa área. Aos 64’, num canto fez o 0-2 pelo Aburjania, com as costas(!), num lance em que o Vertonghen esteve muito mal na marcação. Logo a seguir, o Nelson Veríssimo teve mais um momento típico ao tirar aquele que estava a ser o menos mau (Everton) e colocar o Henrique Araújo. Portanto, saía um extremo e entrava um ponta-de-lança que, como se sabe, não precisa de ser alimentado por extremos...! Enfim, sem comentários! Também saiu o André Almeida para entrar o Lazaro, mas o lado direito continuou inoperante. A última substituição foi já no desespero, com o Radonjic no lugar do Vertonghen. Tivemos um par de remates pelo Rafa muito por cima e só aos 89’ conseguimos marcar, numa assistência do mesmo Rafa para um bom cabeceamento do Gonçalo Ramos. Era tarde demais e, quando o jogo acabou, o estádio veio abaixo com assobios. Foi a primeira vez na vida que eu assobiei o Benfica, mas ontem já não deu para aguentar mais! Foi das piores exibições que eu vi em muito, muito tempo.
 
Não vou fazer destaques individuais, como se calcula. Estamos sem rumo, completamente à deriva e o Nelson Veríssimo claramente não dá para isto, mas aparentemente vai continuar. O Rui Costa veio falar no final do jogo, assumiu responsabilidades e atirou-se à arbitragem. Sim, foi um escândalo o golo que-não-chegou-a-ser-anulado-porque-o-árbitro-apitou-antes, mas depois dele tivemos 84’(!) para dar a volta e foi o que se viu: uma exibição confrangedora, provavelmente das piores da nossa história. Ou seja, foi tudo péssimo, mas aparentemente o presidente Rui Costa acha que basta apenas palavras para as coisas mudarem. Não, não basta! Continuamos a perder tempo na preparação da próxima época e deveríamos um buscar já um treinador a sério. Porque senão antevê-se uma catástrofe bíblica na eliminatória frente ao Ajax daqui a 20 dias.

segunda-feira, janeiro 31, 2022

Doença

Perdemos com a lagartada (1-2) na final da Taça da Liga no passado sábado e vamos terminar a segunda época consecutiva sem qualquer título. Duas épocas em que temos indiscutivelmente o melhor (e mais caro) plantel de Portugal vão redundar num zero absoluto em termos do que interessa, ou seja, taças para o museu. Estamos doentes. E é muito grave.
 
Em relação ao jogo frente ao Boavista, o Nelson Veríssimo lançou o Meïté em vez do Paulo Bernardo. Portanto, o nosso actual melhor elemento do meio-campo ficou de fora do onze. E nem sequer entrou no jogo. ‘Tá certo...! Estava à espera de uma catástrofe em termos de resultado e tivemos uma derrota pela margem mínima. Neste sentido, foi melhor do que eu estava à espera. Para além disso, apresentámos uma fabulosa eficácia de 100% na 1ª parte: um remate à baliza, um golo pelo Everton aos 22’. Claro que contámos com o Vlachodimos para manter a baliza a zeros, mas ele está lá é para defender, como diria o outro: o Gonçalo Inácio bateu o Morato num canto e o guardião grego defendeu por instinto. A lagartada controlava perfeitamente o jogo, mas não conseguia criar muito perigo. Quanto a nós, ofensivamente não existimos, porque o Diogo Gonçalves e o Yaremchuk fizeram figura de corpo presente e quem no meio-campo deveria alimentar os da frente, o João Mário, continua na sua senda de jogos muitíssimo sofríveis.
 
A 2ª parte começou da pior maneira com o 1-1. Aos 49’, canto e novamente o Gonçalo Inácio a bater o Morato nas alturas, com a bola a entrar junto do poste, sem hipóteses para o Vlachodimos. Por volta da hora de jogo, o inexistente Yaremchuk saiu para entrar o Gonçalo Ramos, mas as coisas não se alteraram. O principal problema era que o nosso meio-campo não conseguia ter superioridade perante o do adversário, apesar de estar em teoria em vantagem numérica. O Nelson Veríssimo lá continuou na sua senda de substituições inexplicáveis e colocou o inefável Gil Dias em vez do Diogo Gonçalves. Gil Dias esse que, pouco depois de entrar, fez um passe lateral simplicíssimo directo à... linha lateral! Se dependesse de mim, era claramente motivo para rescisão por justa causa. A lagartada ia tendo oportunidades, nomeadamente num remate do Paulinho à trave, até que os 78’ o inevitável aconteceu com o 1-2 através do Sarabia a aproveitar um passe longo do Porro, com o Morato nas covas. Perda de bola de quem no meio-campo? Do Gil Dias, pois claro. Na fase do desespero, e apesar de ter o Paulo Bernardo no banco, o Nelson Veríssimo resolveu colocar o Taarabt em campo, juntamente com o Pizzi e a estreia do Henrique Araújo. Henrique Araújo esse que, em cima do 90’, foi claramente puxado na área quando se preparava para cabecear, mas o Sr. Artur Soares Dias no VAR considerou (como também seria de esperar) que não era nada. Afinal, seria a nosso favor...
 
Em termos individuais, o Vertonghen terá feito dos melhores jogos pelo Benfica, enquanto o Vlachodimos, Weigl e Everton também não estiveram mal, embora o brasileiro tenha baixado muito na 2ª parte. Todos os outros mantiveram-se na mediocridade que tem caracterizado as nossas exibições ultimamente.
 
Estamos no final de Janeiro, ainda falta mais de três meses para final da época, mas já se percebeu que o suplício irá continuar. Já disse isto mais do que uma vez e nunca será demais repetir: vamos deitar fora seis meses que poderiam ser muito importantes para a preparação da próxima época. Não há ninguém que, conscientemente, possa dizer que estamos melhor agora do que com o Jesus. E já não estávamos nada bem com ele. Pior do que quatro finais perdidas desde o último título (a Supertaça em 2019), pior do que quatro jogos com os rivais, quatro derrotas inapeláveis este ano, é não ver maneira de como é que isto irá dar a volta num futuro próximo. A doença é muito profunda e muito grave.

quarta-feira, janeiro 26, 2022

Lisonjeiro

Vencemos o Boavista nos penalties (3-2) depois do 1-1 nos 90’ e, seis anos depois(!), voltámos a qualificar-nos para a final da Taça da Liga. Mas simplesmente não merecemos. Se o futebol fosse um jogo justo, seria o Boavista a jogar no sábado. É tão simples quanto isso.
 
Já se sabia que o Darwin e o Otamendi iriam falhar este jogo por causa das selecções e, no próprio dia, tivemos má notícia de o Rafa estar com covid-19. No entanto, do outro lado, foram dez as ausências, portanto, se a balança estava desequilibrada, era a nosso favor. Quando o Everton fez o 1-0 aos 16’, ao aproveitar uma falha incrível de um dos defesas improvisados, já depois de o Yaremchuk ter rematado contra o guarda-redes Bracali quando estava em boa posição, na melhor jogada da era Nelson Veríssimo, eu pensei: “queres ver, que afinal ainda sabemos jogar a bola...!?” Infelizmente, foi sol de pouca dura, porque a partir dos 20’ o Boavista começou a tomar conta do jogo. Até ao intervalo, só tivemos mais uma grande ocasião, com a única acção de jeito do Diogo Gonçalves enquanto jogou, a fintar um defesa e centrar para o limite da pequena-área, onde o Everton completamente à vontade atirou para as nuvens! Do outro lado, apesar do domínio, o Boavista só num remate de longe inquietou o Vlachodimos.
 
A 2ª parte foi um desastre total! O Boavista veio para cima de nós e, se não fosse o Vlachodimos, teria ganho o jogo nas calmas. O Morato, que até aí estava a fazer uma boa exibição, desconcentrou-se aos 53’, fazendo um penalty completamente desnecessário, que proporcionou o empate ao Sauer. A igualdade mexeu connosco, que nunca mais nos encontrámos e fomos vendo o Boavista criar uma série de oportunidades flagrantes. Um remate quase à queima-roupa e uma cabeçada do Musa fizeram o Vlachodimos brilhar a grande altura. Para além disso, ainda houve um remate ao lado do Gorré em boa posição e um centro-remate do Hamache que entraria, se não fosse a atenção do nosso guarda-redes. Da nossa parte, o Nelson Veríssimo achou que era com Gil Dias, Meïté e Radonjic que íamos lá... Sem comentários... Também entraram o Gonçalo Ramos, que teve um remate de fora da área para defesa do Bracali, e o Pizzi que, em cima dos 90’, teve a nossa única verdadeira ocasião da 2ª parte, também com um remate de fora da área, que o guarda-redes defendeu por instinto e teve alguma sorte de a bola não ter entrado mesmo assim. Nos penalties, o Boavista falhou os três primeiros, o que deu logo uma ajuda, enquanto o Pizzi, com aquele saltinho antes de rematar que me tira do sério, naturalmente falhou(!), e o Vertonghen acertou no poste. No remate decisivo, ainda bem que pusemos um alemão a bater, porque o Weigl marcou o melhor penalty dos dez.
 
Em termos individuais, o Vlachodimos merece todas as loas possíveis, porque fez defesas decisivas durante o jogo e uma nos penalties. O Weigl também fez um bom jogo e fica directamente ligado ao apuramento. Todos os outros estiveram ou sofríveis ou medíocres.
 
Para ganhar, é preciso meter a bola na baliza. Para meter a bola na baliza, é preciso superar o adversário. Para superar o adversário, convém ser mais rápido do ele e mais forte nas disputas de bola. Para ser mais rápido do que ele, convém correr. Para ser mais forte nas disputas de bola, convém ser agressivo. Ora, é precisamente isso que nos falha: perdemos quase todas(!) as disputas de bola, qualquer que seja o adversário, e nunca(!) aplicamos velocidade na transição ofensiva, o que faz com que invariavelmente percamos a vantagem que temos nas poucas vezes que recuperamos a bola e permitamos que o adversário se reorganize defensivamente. É exasperante ver o Benfica, chamemos-lhe, ‘jogar’ (para facilitar as coisas) hoje em dia. É penoso e está pior de jogo para jogo. A equipa arrasta-se em campo, sem saber o que fazer durante a maior parte do tempo. Raramente se toma a melhor decisão e os jogadores parecem presos de movimentos. Ou a fazer os movimentos errados.
 
E é por isto que esta será a nossa primeira final com público, desde a Supertaça de 2010, que eu não irei presenciar ao vivo. E não vou, porque não quero. Porque não tenho confiança nenhuma na vitória, especialmente se for contra a lagartada (o mais provável), e não me está a dar gozo nenhum ver o Benfica em campo actualmente. Aliás, da maneira como (não) estamos a jogar, temo o pior para a final, dado que, se a lagartada jogar com o fez na Luz, é bem possível que haja um resultado histórico. E dispenso bem dar-me ao trabalho de fazer uma viagem para ver isso ao vivo. Estou zero confiante e tremendamente pessimista. Só com um milagre é que iríamos lá. E eu não acredito em milagres.