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quinta-feira, outubro 06, 2022

Estofo

Empatámos ontem com os galácticos do PSG (1-1) na Luz e continuamos ex aequo com eles na liderança do nosso grupo da Champions, agora com 7 pontos. Foi um grande jogo de futebol aquele que tivemos o privilégio de assistir ontem, em que o resultado acabou por ser justo.

 

Uma das coisas que mais admiro no Roger Schmidt é que ele não inventa. Temos jogado com um determinado onze e numa determinada táctica, e, mesmo defrontando equipas mais poderosas do que nós, continuamos fiéis a isso. Ainda se aventou a possibilidade de entrar o Aursnes como terceiro médio, mas não senhor. Foi com a equipa de sempre que entrámos em campo e entrámos muito bem, com 20’ de grande nível, em que não deixámos o PSG jogar como tanto gosta. Tivemos duas enormes oportunidades de golo, mas o problema é que o PSG não tem só génios no ataque, também tem na baliza, porque o Donnarumma é igualmente de outro planeta. As defesas com o pé a um remate do Gonçalo Ramos isolado e, principalmente, o modo como impediu um golo feito do David Neres valeu logo o preço do bilhete. O PSG só precisou de ir à nossa baliza uma vez para meter a bola lá dentro: aos 22’, combinação entre os três craques, com o Messi a fazer um golão num remate em arco, sem hipóteses para o Vlachodimos. Abanámos um pouco com o golo, mas também era impossível manter a intensidade daqueles primeiros minutos. Mesmo assim, obrigámos novamente o Donnarumma a mostrar-se num remate do António Silva, que infelizmente saiu um pouco à figura. No entanto, aos 41’ marcámos mesmo, num centro do Enzo Fernández, tentativa de cabeça do Gonçalo Ramos que não chegou a tocar na bola e autogolo do Danilo.

 

A 2ª parte foi diferente, com os franceses a deixarem o fato burguês nos balneários, a aumentarem a agressividade e consequentemente a tomarem conta do jogo durante grande parte do tempo. Não mais conseguimos ter as investidas perigosas da 1ª parte e, nesta altura, salientou-se o Vlachodimos, que impediu por mais de uma vez que o PSG se colocasse novamente na frente: boa intervenção a remate do Hakimi, com o Neymar a fazer uma das poucas coisas de jeito no jogo todo, com uma recarga de bicicleta à barra, grande defesa a um livre do mesmo Neymar e enormíssima estirada a impedir um golão do Mbappé de fora da área. Do nosso lado, tivemos uma boa ocasião numa cabeçada do Otamendi num livre, que saiu ao lado, e uma soberana oportunidade numa arrancada do Rafa, já nos últimos dez minutos, que o Donnarumma voltou a defender, com o nosso nº 27 a não conseguir acertar bem na bola na recarga. Tivesse tido um pouco mais de pontaria e, provavelmente, teríamos chocado o mundo do futebol. Mas, de qualquer maneira, batemo-nos de igual para igual contra uma das mais poderosas equipas do mundo, portanto só podemos estar orgulhosos.

 

Em termos individuais, grande jogo do Florentino no meio-campo e do Vlachodimos na baliza. Também o António Silva e Bah na defesa, o João Mário no meio-campo (esteve a poupar-se em Guimarães, só pode...) e a espaços o Rafa, que teve pilhas até final, exibiram-se num patamar muito elevado. Mas, em geral, toda a equipa esteve bastante bem, com a concentração sempre em alta. Do outro lado, o Donnarumma terá sido o melhor em campo e ver como a bola é uma extensão do corpo do Messi é algo que nos remete para outra dimensão. Esqueçam todos os outros, ao nível dele, só o Maradona.

 

Continuamos sem perder nesta temporada, mas agora iremos receber o Rio Ave com poucos dias de descanso. Calculo que o Roger Schmidt vá fazer algumas alterações, porque o desgaste nesta partida foi imenso. Para a semana, voltaremos a encontrar o PSG em Paris, mas este ponto conseguido perante eles pode ser decisivo nas contas finais. 

segunda-feira, outubro 03, 2022

Escorregadela

Alguma vez teria de ser e foi neste sábado: empatámos 0-0 em Guimarães e perdemos os primeiros pontos no campeonato. Num jogo que já se sabia de antemão que iria ser complicado, não tivemos arte nem engenho para criar perigo para os vimaranenses e o resultado acaba por ser justo.
 
Com o Florentino de volta ao onze, a 1ª parte foi do mais fraco que se tem visto nesta temporada. Perdemos inúmeros duelos com os adversários, que eram sempre mais rápidos e incisivos na disputa dos lances. O V. Guimarães não conseguiu criar grandes oportunidades de golo, mas é sintomático que o nosso primeiro remate tenha acontecido perto do intervalo...! Na melhor (semi-)oportunidade que tivemos, o Rafa tentou passar por um defesa e o Bruno Varela, em vez de ter atirado à baliza e o lance perdeu-se.
 
A 2ª parte foi diferente, connosco a equilibrar as coisas. No entanto, revelámos sempre inúmeras dificuldades em chegar à área contrária, por causa de alguma lentidão no processo atacante. Uma cabeçada falhada do Rafa e outra ao lado do António Silva num canto terão sido das poucas vezes em que estivemos perto do golo, e, já em cima do final da compensação, o Draxler teve um remate de pé esquerdo muito por cima, depois de uma assistência de cabeça do John Brooks. Do outro lado, o V. Guimarães não esteve tanto tempo no nosso meio-campo como nos primeiros 45 minutos, mas reclamou dois penalties, um (bem) revertido pelo VAR e outro do Florentino sobre o André André, que foi um pouco duvidoso. Perante um jogo tão complicado e com muitos jogadores em sub-rendimento, não percebi a demora do Roger Schmidt em fazer substituições (só começou a fazê-las aos 70’...), nem a entrada do John Brooks para ponta-de-lança nos minutos finais.... Se era para isto, dever-se-ia ter convocado o Rodrigo Pinho. Até porque o americano fez algumas faltas nas disputas de bola, porque ela era bombeada muito cá detrás e ele não tem a rapidez suficiente para se fazer a ela. Só no último lance é que fizemos um cruzamento decente para ele, que ia dando golo do Draxler. Ou seja, está claro que não sabemos jogar para chuveirinho.
 
Em termos individuais, não houve ninguém que se destacasse por aí além. Pela negativa, ao invés, há bastantes candidatos, nomeadamente, o David Neres e João Mário, sempre muito lentos e com pouca dinâmica, e o Bah na direita, que eu, sinceramente, acho bastante pior do que o Gilberto neste momento (então para estes jogos que exigem bastante em termos físicos e de entrega, nem se fala...). Se o Gonçalo Ramos também passou muito ao lado do jogo, o Musa que o substituiu nem chegou a entrar nele. O Rafa pareceu um pouco perdido em algumas partes do encontro e o Enzo Fernández também esteve longe do que mostra habitualmente. A 1ª parte do Florentino foi de fugir, mas melhorou bastante na 2ª.
 
Com as vitórias do CRAC (4-1 em casa frente ao Braga) e da lagartada (3-1 em casa frente ao Gil Vicente), temos agora, respectivamente, três e nove pontos de distância perante eles. No entanto, antes de recebermos o Rio Ave no fim-de-semana, regressa a Champions e logo com a recepção ao PSG. Independentemente do que aconteça nesta partida, é bom lembrar que o foco principal tem de ser o campeonato.

quinta-feira, setembro 29, 2022

Me(r)d(r)oso

Nos dois últimos jogos da fase de grupos da Liga das Nações, vencemos no sábado por 4-0 na Rep. Checa e perdemos na 3ª feira em casa 0-1 frente à Espanha, tendo falhado o objectivo de nos apurarmos para a fase final desta competição.

 

O jogo de sábado foi uma das melhores exibições da selecção nos últimos anos, coroada com golos do Diogo Dalot (dois), do Bruno Fernandes e do Diogo Jota. No entanto, quem olhasse para a cara do Cristiano Ronaldo no final da partida diria que tínhamos perdido, tal carregado estava o semblante. Como não marcou nenhum golo, é-lhe indiferente o resultado da equipa. Paradigmático. A provar a sorte do Fernando Santos, a Suíça deu-nos uma ajuda imensa ao ir ganhar 2-1 a Espanha, o que alterou as posições na tabela classificativa e permitiu que o empate nos bastasse no último jogo.

 

E, já se sabe, que quando o empate é suficiente, temos sempre Fernando Santos vintage...! Enquanto a Espanha rodou muitos jogadores, ele só trocou de laterais (Cancelo e Nuno Mendes em vez do Dalot e Mário Rui) e de extremo (Diogo Jota no lugar do Rafael Leão). Ainda tivemos algumas (poucas) oportunidades na 1ª parte, mas a 2ª foi um descalabro. A Espanha colocou o trio do Barcelona no meio-campo e nó continuámos a carregar os nossos médios, que já tinham feito os 90' frente aos checos. O resultado? O meio-campo deu o berro e a Espanha começou a empurrar-nos para trás. Com o Palhinha e o Mateus Nunes no banco, é inacreditável que o Fernando Santos não tivesse visto isto. Para além de que, claro, a primadonna Cristiano Ronaldo nunca pode ser substituído e andou a arrastar-se em campo durante grande parte do jogo. É inconcebível como é que um treinador acha que um jogador de 37 anos que não quis fazer a pré-época pode fazer 180' em apenas três dias... Muito perto do fim aconteceu o inevitável e o Morata fez o 1-0 para os espanhóis, atirando-nos para fora da competição.

 

Terceira vez em que precisamos apenas de um empate em casa (França, Sérvia e Espanha) e terceira vez em que saímos derrotados. Isto não tem nada a ver com gratidão: o Fernando Santos ganhou o que ganhou e terá sempre o seu lugar na história do futebol português, mas é visível para toda a gente que já não dá. Tem um lote magnífico de jogadores, mas esta maneira me(r)d(r)osa de jogar está a dar cabo deles. Além de que deixa que seja um jogador a comandar a selecção. O que é inadmissível seja ele quem for.

terça-feira, setembro 27, 2022

Benfica FM | Temporada 1982/83

Se há temporada que não podem perder, meus caros, é esta! É o primeiro Benfica que eu me lembro distintamente e, com Chalana, Bento, Humberto, Alves, Filipovic, Nené, Diamantino, Carlos Manuel, entre outros imensos craques, como é que eu me podia esquecer...?! As 15 vitórias seguidas, alguns campos ainda pelados, aquele jogo em Roma, o disparate do Bento nas Antas corrigido logo a seguir, é tudo épico aqui. Foi um prazer comentar isto, como habitualmente, com os meus amigos Nuno Picado e Bakero do Benfica FM. Enjoy!

segunda-feira, setembro 19, 2022

Mão-cheia

Goleámos ontem o Marítimo na Luz (5-0) e alcançamos a 13ª vitória consecutiva. Para além disso, fruto de mais uma jornada quase perfeita, aumentámos a vantagem para o CRAC para cinco pontos (empatou 1-1 no Estoril, com um penalty já nos descontos) e para a lagartada para onze (perdeu no Bessa por 1-2). Quem está mais perto de nós continua a ser o Braga (2-0 em casa ao Vizela), a apenas dois pontos.
 
Entrámos em campo já conhecedores dos resultados dos rivais e sabendo que, defrontando o último classificado só com derrotas, era uma ocasião que não poderíamos desperdiçar. O Marítimo justificou a razão de estar no lugar que está e estacionou o autocarro durante a maior parte do tempo. O Roger Schmidt colocou o Aursnes no lugar do Florentino e foi a única alteração que fez em relação a Turim. Não entrámos com a impetuosidade habitual, mas inaugurámos o marcador aos 28’ numa tabelinha entre o Gonçalo Ramos e o Rafa, que o extremo concretizou só com o guarda-redes pela frente. Felizmente longe vão os tempos em que o Rafa falhava nove em 10 oportunidades destas...! Até ao intervalo, deveríamos ter resolvido a partida, com o João Mário e o Gonçalo Ramos a falharem imperdoavelmente dois golos feitos.
 
Não resolvemos antes do intervalo, resolvemos logo a seguir: aos 47’ centro do Bah na direita, na primeira vez que foi à linha (a sério, alguém lhe atou uma corda na 1ª parte...?!), e desvio vitorioso de calcanhar do Gonçalo Ramos, com o guarda-redes Miguel Silva ainda a tocar, mas sem conseguir impedir o golo. Com o que o Marítimo (não) mostrava, ficou a sensação de que o jogo estava decidido, mas felizmente a versão 22/23 do Glorioso não se satisfaz com pouco. À passagem da hora de jogo, grande jogada do Enzo Fernández na direita e estoiro do António Silva ao poste! Até que, aos 64’, tudo ficou decidido de vez com o Rafa a isolar brilhantemente o Gonçalo Ramos para um bis, picando a bola por cima do guarda-redes, que voltou a tocar-lhe. O Roger Schmidt começou, e bem, a gerir o esforço da equipa e tirou o Enzo Fernández e Rafa para as entradas do Florentino e Draxler. O João Mário é que não estava nos seus dias e falhou uma segunda bola completamente isolado frente ao guarda-redes, mas aos 82’ uma recuperação muito à frente do Florentino sobrou para o David Neres, que rematou rasteiro e colocado, fazendo o 4-0. Entretanto, já tínhamos novos laterais, com o Gilberto e o Ristic, que viram em campo a estreia do Draxler a marcar com o manto sagrado, num autêntico balázio aos 88’ (sinceramente não me lembro da última vez que vi uma bola entrar e sair logo a seguir da baliza...!). Até final, ainda deu para a estreia do central John Brooks para a saída do muito aplaudido António Silva.
 
Em termos individuais, o Rafa foi o melhor do Benfica, com um golo, uma assistência e muito dinamismo na frente. O Enzo Fernández, à semelhança da equipa, subiu imenso na 2ª parte e aquela jogada brilhante merecia que o poste não a tivesse estragado. O Gonçalo Ramos voltou aos golos, e logo a dobrar, e isso é fundamental num ponta-de-lança. O António Silva não estou muito bem a ver como é que vai sair da equipa quando regressarem os lesionados. A continuar assim, não sai mesmo. O Aursnes é mesmo reforço, com a vantagem de fazer os dois lugares de meio-campo. O Bah precisa de procurar mais vezes a linha. Na 1ª parte, chegou a exasperar-me pela quantidade de vezes que vinha para trás...
 
Foi um triunfo categórico na véspera de o campeonato parar por causa das selecções. O estádio transbordou de felicidade ontem, especialmente na 2ª parte. Voltámos finalmente a ter dias felizes, com futebol muito atraente e resultados a condizer. Já não era sem tempo!

sexta-feira, setembro 16, 2022

Soberbo

Vencemos a Juventus em Turim (2-1) na 4ª feira e conseguimos uma vantagem de seis pontos perante eles, decorridas que estão duas jornadas da Champions. Foi um jogo brilhante da nossa parte, com um triunfo muito justo e que peca por defeito. Há 25 anos que não vencíamos em Itália, mas matámos o borrego!
 
Na casa do principal adversário ao 2º lugar no grupo, o Roger Schmidt não vacilou e colocou a equipa habitual. Ou seja, não reforçou o meio-campo com o Aursnes. No entanto, não entrámos nada bem na partida e sofremos o 0-1 logo aos 4’: livre para a nossa área e o Milik a cabecear completamente à vontade sem hipóteses para o Vlachodimos. Trememos um bocado nos minutos seguintes e valeu-nos a fraca pontaria dos adversários contrários, com remates que não chegaram à nossa baliza. Começámos a responder por volta dos 20’ e uma cabeçada do Gonçalo Ramos em excelente posição foi direita para as mãos de Perín. Pouco depois, foi o Rafa a atirar em arco com a bola a embater em cheio no poste. Por esta altura, já nós estávamos mais do que por cima do jogo e a merecida igualdade surgiu aos 43’ numa pisadela sobre o Gonçalo Ramos que o VAR assinalou, com o João Mário a não tremer na altura do penalty (escusado era ter levado um amarelo, ainda que forçado, pelos festejos).
 
Na 2ª parte, a nossa superioridade foi aumentando, embora a primeira chance fosse dos italianos, com um remate do Milik que desviou no João Mário, obrigando o Vlachodimos a corrigir a trajectória em pleno voo. No entanto, aos 55’ demos a volta ao marcador com o 2-1 através do David Neres numa recarga a um remate do Rafa bem defendido pelo Perín, depois de uma jogada brilhante do Enzo Fernández e de um possível penalty não assinalado sobre o Gonçalo Ramos (pareceu-me claramente empurrado). Nos minutos seguintes, demos um verdadeiro show com uma série de oportunidades para fechar o encontro: um corte providencial do Bonucci a um remate do Bah que ia lá para dentro, remate de fora da área do Rafa defendido pelo Perín, que também defendeu outro do David Neres com o pé direito. Entretanto, já tinha entrado o Di María, que agitouum pouco as águas, embora tenha sido do também entrado Kean um centro-remate que terminou no nosso poste. O Schmidt foi fazendo alterações a partir dos dez minutos finais e, em cima dos 90’, o central Bremer atirou por cima quando estava em boa posição. Praticamente no último lance da partida, falhámos inacreditavelmente o terceiro golo por inépcia do Chiquinho, que tinha substituído o Neres, depois de uma boa insistência do igualmente substituto Musa, que, todavia, não esteve bem no último passe que seria para o Diogo Gonçalves, tendo depois a bola sobrado para o nº 22.
 
Em termos individuais, há vários destaques a fazer: grande jogo do David Neres, Enzo Fernández e Florentino. O primeiro, depois de um início fraco, abriu o livro e foi um quebra-cabeças para os italianos, os outros dois encheram o campo: recuperações, transições atacantes, you name it...! O Rafa também esteve em destaque com bons remates, um dos quais ao poste, e o outro do qual resultou o segundo golo. Na defesa, custa a acreditar que o António Silva não tenha sequer meia-dúzia (literalmente!) de jogos na equipa principal, o Bah sofreu bastante na parte inicial (continua a parecer-me que é bem melhor a atacar do que a defender), mas subiu imenso no segundo tempo, e o Otamendi e Grimaldo fizeram valer a sua experiência. O Gonçalo Ramos lutou imenso na frente e acabou por ter participação directa nos dois golos. O João Mário não se esconde nestes grandes jogos e o Vlachodimos resolveu bem o pouco trabalho que acabou por ter. Quanto a quem entrou, o Aursnes continua a convencer-me, ao invés do Diogo Gonçalves (fez logo uma falta disparatada e perigosa quando entrou, e parece uma barata tonta a defender). Já o Chiquinho foi mais esclarecido a ajudar a defender, mas tem aquela intervenção desastrosa no lance que daria o terceiro golo. O Musa ainda conseguiu fazer essa jogada e o Draxler não teve tempo para se salientar.
 
É um triunfo que vai ficar na história por ter sido em casa de quem foi e da maneira que foi. Voltámos a ser convincentes e categóricos na Europa e, no fundo, a honrar a nossa história. Finalmente, três anos depois voltámos a jogar futebol e a demonstrar alegria em campo. Os resultados naturalmente aparecem assim. Já não era sem tempo!

segunda-feira, setembro 12, 2022

11ª vitória

Vencemos em Famalicão no passado sábado por 1-0 e continuamos 100% vitoriosos desde o início da temporada. Tal como resultado indica, foi um jogo muito complicado como costumam ser os entre jogos europeus, ainda para mais fora de casa. No entanto, a justeza do nosso triunfo não pode ser colocada em causa.
 
Com as expulsões do Gonçalo Ramos e João Mário frente ao Vizela, teria mesmo de haver alterações no onze-base, tendo entrado o Musa e se estreado o Draxler. O Famalicão só tinha um golo marcado em cinco jogos e só por uma vez colocou o Vlachodimos à prova, em cima do intervalo, com um remate fora da área. Foram nossas as melhores oportunidades, mas o guarda-redes Luiz Júnior começou a destacar-se, tendo impedido o David Neres, por duas vezes, e, principalmente, o Enzo Fernández de inaugurarem o marcador, embora o argentino tenha tido algum demérito na forma como rematou (fraco).
 
Para a 2ª parte, saiu o apagadíssimo Draxler, que não jogava há seis meses e está completamente fora dela, e entrou o Diogo Gonçalves. Mas a equipa também reentrou mais comprometida e começou a apertar mais o Famalicão. O Musa, numa das raras vezes que rematou à baliza, e o David Neres continuaram a manter as mãos do Luiz Júnior ocupadas, mas aos 63’ inaugurámos finalmente o marcador através do Rafa, num golo muito semelhante ao marcado aos israelitas: centro do Grimaldo na esquerda e desvio do nº 27. O Roger Schmidt já tinha planeado três substituições mesmo antes do golo e manteve-as, tendo entrado o Rodrigo Pinho, Bah e Chiquinho para as saídas do Musa, Gilberto e Neres. Tínhamos sangue fresco na frente, mas baixámos o ritmo e conseguimos mais ou menos controlar o jogo. A entrada do Aursnes para o lugar do Enzo Fernández a cinco minutos do final também foi nesse sentido. Não conseguimos criar mais perigo a seguir ao golo, mas também não deixámos o Famalicão fazê-lo.
 
Em termos individuais, destaque para o Rafa com o golo, para o Neres, que pareceu melhor do que nos últimos jogos, e para o Florentino no meio-campo. Ao invés, o Enzo Fernández terá feito o jogo menos conseguido desde que cá está e o Gilberto também não esteve feliz. O Musa é muito bom nas tabelinhas e combinações com os colegas, já rematar à baliza é algo que tem de ser (muito) melhorado... O Draxler deve precisar de uns tempitos para mostrar o que vale, porque seis meses sem tocar na bola é muito tempo.
 
Com esta estupidez de termos um Mundial em Novembro, o calendário não pára e temos jogos da Champions em semanas consecutivas. Iremos a Turim nesta 4ª feira, defrontar a Juventus, e veremos como será a resposta da equipa, dado que no sábado pareceu que, principalmente depois do golo, ela já estava a pensar no jogo europeu.

quinta-feira, setembro 08, 2022

Trabalhoso

Vencemos na 3ª feira o Maccabi Haifa na Luz por 2-0 e começámos da melhor maneira a Liga dos Campeões. Apesar de a nossa vitória ter sido indiscutível, o jogo não foi nada fácil perante a equipa com pior ranking de todas as que participam na Champions deste ano, mas que demonstrou a razão de ter eliminado o Olympiacos e o Estrela Vermelha.
 
Só com a habitual rotação na lateral direita, desta feita jogou o Bah em vez do Gilberto, a 1ª parte foi muito equilibrada e escassearam as oportunidades de golo. Só com um remate em arco do Rafa, bem defendido pelo guarda-redes Josh Cohen, criámos algum perigo. Do lado contrário, o Vlachodimos também foi posto à prova uma vez.
 
Ao intervalo, o Roger Schmidt promoveu a alteração do amarelado Gonçalo Ramos pelo Musa. Apanhámos um susto praticamente no recomeço, com uma perda de bola do Florentino, que deixou um adversário isolado, mas felizmente este não dominou bem a bola e o Vlachodimos fez bem a mancha. Reagimos logo a seguir, porque aos 49’ inaugurámos o marcador através de um desvio subtil do Rafa a centro do Grimaldo, na sequência de um bom desenvolvimento atacante, com o Musa a tocar para o Rafa e este a abrir na esquerda para o Grimaldo, que depois o assistiu. O Maccabi Haifa ainda voltou a assustar novamente, com um remate fora da área que não passou longe do alvo. Até que aos 54’ aconteceu o momento do jogo: golão do Grimaldo num remate de fora da área! A partir daqui, acalmámos um pouco o jogo e começámos a gerir a posse de bola, mas, com um pouco mais de calma e critério no último passe, poderíamos ter aumentado a vantagem, porque chegámos a ter superioridade numérica num par de lances. O Aursnes entrou para o lugar do apagado David Neres para segurar o meio-campo e os israelitas nunca mais se acercaram com perigo da nossa baliza. O Enzo Fernández fez um par de remates com algum perigo e, mesmo em cima dos 90’, atirou uma bola ao poste, que depois embateu nas costas do guarda-redes, mas foi para... canto.
 
Em termos individuais, destaque óbvio para o Grimaldo com um golão e uma assistência. Deveríamos mesmo tentar um esforço para lhe renovar o contrato, porque não estou a ver ninguém para o substituir nos tempos mais próximos. O Rafa também se destacou e não só pelo golo, ao contrário do Neres, que me parece estar a baixar de forma (já contra o Vizela foi muito fraco, pese embora o golão que marcou). Quem não me convenceu muito foi o Bah, embora esteja à vista que seja bom jogador, mas o Gilberto tem muito mais dinâmica neste momento e notou-se bem a diferença, especialmente na 1ª parte. O Enzo Fernández voltou a elevar o nível exibicional e pareceu mais fresco do que no último jogo. O Florentino também esteve bem, embora tenha tido aquele erro que nos poderia ter custado caro no início da 2ª parte. O Vlachodimos fechou a nossa baliza quando foi necessário.
 
Para a semana iremos a Turim, defrontar a Juventus, numa partida que irá definir muito da nossa sorte. Os italianos perderam (1-2) em Paris e será com eles que disputaremos o 2º lugar no grupo. Mas, já neste sábado, teremos a ida a Famalicão, naquele que é o principal objectivo da época. É bom que não nos esqueçamos disso.

domingo, setembro 04, 2022

Épico

Vencemos o Vizela na passada 6ª feira por 2-1 e mantivemos o registo 100% vitorioso neste início de época. Foi um jogo muito difícil dado que aos 75’ estávamos a perder e só marcámos o golo da vitória no final do período de descontos.
 
Era de prever que isto acontecesse: entrámos em campo só com o Gilberto em vez do Bah (para além da alteração forçada do lesionado Morato pelo António Silva) em relação à equipa que defrontou o Paços de Ferreira e, com o terceiro jogo em seis dias, a equipa ressentiu-se naturalmente do esforço. Confesso que não percebo bem esta gestão física: se o campeonato é o mais importante (e é!), porque é que não espaçámos mais os dias de descanso antes do jogo da Liga do Campeões? Em vez de ter três jogos em seis dias e depois quatro dias até ao encontro europeu, porque é que não fizemos o intervalo de quatro entre o Paços de Ferreira e o Vizela? Ainda por cima, tendo nós tido o Agosto que tivemos com as pré-eliminatórias. Foi notório o cansaço da equipa e a falta do sufoco habitual aos adversários, nomeadamente na 1ª parte. Atirámos, ainda assim, duas bolas aos postes (Gonçalo Ramos e João Mário num livre, esta desviada pelo guarda-redes), mas do lado contrário a bola que foi ao poste entrou! Foi aos 20’ num remate do Osmajic em que o Vlachodimos foi mal batido, porque defender aquele poste era da sua responsabilidade. O Vizela trocava bem a bola, mas assim que se viu em vantagem começou a abusar do antijogo, o que é típico nas equipas portuguesas. Tanto assim foi, que a 1ª parte teve logo quatro minutos de compensação.
 
Na 2ª parte, o Enzo Fernández teve dois remates muito mal colocados quando até estava em boa posição. O Rafa teve outro que foi à baliza, mas o guarda-redes Buntic encaixou. Do lado contrário, quando não estavam no chão, os jogadores do Vizela ainda fizeram um ou outro contra-ataque perigoso e estiveram quase a voltar a marcar num canto, mas felizmente o cabeceamento saiu ao lado. Cantos era o que nós tínhamos com fartura, mas as cabeçadas nunca atingiam o alvo. Um bom movimento do Gonçalo Ramos proporcionou ao Buntic a primeira defesa digna desse nome, num remate quase à queima-roupa à passagem da hora de jogo. A meio da 2ª parte, o Roger Schmidt mexeu finalmente na equipa, tirando o meio-campo titular (Florentino e Enzo Fernández) e colocando o Musa e o Aursnes. Com sangue novo, intensificámos a pressão, mas a bola estava difícil de entrar. A 15’ do fim, entrou o Bah para o lugar do estoirado Gilberto e aos 76’ finalmente conseguimos a igualdade num golo de fora da área do David Neres, ele que até estava a passar ao lado do jogo. A partir daqui, o Vizela foi completamente amassado, mas o António Silva e o Gonçalo Ramos, ambos em cantos, voltaram a não acertar na baliza de cabeça. Entretanto, o Sr. Fábio Veríssimo dava mostras de não saber controlar o jogo e encheu-nos de amarelos por protestos e por lances que nem falta foram (o do Gonçalo Ramos, por exemplo). Gonçalo Ramos, esse, que foi claramente derrubado na área no início da compensação e que... foi expulso por acumulação de amarelos! Decisão INACREDITÁVEL do Sr. Fábio Veríssimo, que nem sequer deu tempo de ir ao VAR! Com o antijogo que o Vizela fez, naturalmente que teve de haver 8’ de compensação e, apesar de estarmos com menos um jogador em campo, no último lance do jogo, o Rafa rematou de fora da área e um defesa contrário virou-se de costas, mas abriu-se demais o cotovelo, tendo a bola batido nele. O Sr. Fábio Veríssimo (nem sei como...!) assinalou penalty! É um lance que depende muito do critério do árbitro, mas o que é certo é que muitos ‘especialistas’ nos jornais disseram que foi a decisão certa, porque o jogador do Vizela aumentou a volumetria dos braços com aquela rotação. Para mim, o penalty sobre o Ramos é bem mais escandaloso, mas esse não foi marcado. O João Mário não tremeu e fez o 2-1 perante uma festa imensa no estádio. O que ele não pode fazer é esquecer-se que já tinha um amarelo (por protestos...) e ter tirado a camisola. Levou o segundo e acabámos o jogo com nove em campo. Como já se tinha esgotado há muito o tempo de compensação, o Sr. Fábio Veríssimo acabou o jogo logo a seguir, mas caso contrário a coisa poderia ter-se complicado.
 
Em termos individuais, e apesar deste esquecimento que não se pode voltar a repetir, o João Mário foi o melhor do Benfica. Parece que a veia goleadora o está a motivar e tanto na esquerda, como no meio depois da saída do meio-campo titular, foi dos mais esclarecidos em campo. O António Silva voltou a destacar-se e demonstra uma maturidade assinalável para quem ainda só tem 18 anos. Fez um corte na 2ª parte que levantou o estádio e foram dele os melhores passes a rasgar que fizemos. O Aursnes revelou novamente bastante esclarecimento, ainda por cima tendo entrado numa fase complicada do jogo. O Rafa é sempre importante nas acelerações, mas aquele último passe continua a precisar de ser aprimorado. Quanto aos outros, regra geral, notou-se a sobrecarga de jogos.
 
Como os outros dois também ganharam (ambos por 2-0, a lagartada no Estoril e o CRAC no Gil Vicente), mantivemos as distâncias de oito e três pontos, respectivamente. Caso sejamos felizes no final da temporada, lembrar-nos-emos deste jogo com um dos mais importantes. No entanto, agora não há tempo para pensarmos nisso dado que, nestes meses loucos até ao Mundial em Novembro, iremos na 3ª feira começar a Champions num jogo contra o Maccabi Haifa na Luz, em que temos absolutamente de ganhar se quisermos ter aspirações aos oitavos-de-final. Veremos como irá a equipa responder, especialmente em termos físicos.

quarta-feira, agosto 31, 2022

Complicado

Vencemos ontem o Paços de Ferreira (3-2) na Luz, em jogo em atraso da 3ª jornada, e assumimos a liderança isolada do campeonato com dois pontos de vantagem sobre o Braga, três sobre o CRAC e oito sobre a lagartada. Foi um triunfo bem mais complicado do que se estava à espera, dado que, apesar de só ter derrotas até agora e estar muito desfalcado por lesões (que pena que ainda não foi desta que voltámos a aplaudir o Gaitán...), o Paços apresentou bom futebol e fez-nos sofrer na parte final da partida.
 
Em relação à equipa-tipo, o Roger Schmidt só fez uma alteração com a entrada do Bah para o lugar do Gilberto. Entrámos da maneira habitual, muito pressionantes, mas também muito perdulários na frente. No entanto, até acabou por ser o Paços a ter a primeira grande chance com um centro rasteiro para a área que o Grimaldo, arriscando um autogolo, cortou para canto. Do nosso lado, o Gonçalo Ramos falhou à sua conta um par de oportunidades que deveriam ter entrado. Por outro lado, o Sr. Soares Dias voltou a revelar-se um adversário complicado e a equipa desconcentrou-se de um modo claro com algumas decisões suas especialmente na 1ª parte (a certa altura, depois de uma falta evidente não-assinalada sobre o Rafa, andou nitidamente a provocá-lo para ver se este respondia para lhe dar o segundo amarelo...). Por volta da meia-hora, ainda festejámos um golo do Otamendi, mas o lance foi invalidado por fora-de-jogo do Rafa, que fez a assistência. Aos 39’ aconteceu um balde de água fria, com o 0-1: canto, alívio do Morato para fora-da-área, remate de primeira do Antunes e desvio de cabeça do Koffi sem hipóteses para o Vlachodimos. Todavia, a nossa reacção até ao intervalo foi esmagadora. Fizemos o 1-1 aos 42’ através do David Neres, com um grande frango do guarda-redes Zé Oliveira. Pouco depois, o João Mário tem um remate rasteiro de fora-da-área ao poste e, já na compensação, o Zé Oliveira abalroa o Bah a saltar para a bola e inacreditavelmente o Sr. Soares Dias assinalou um penalty a nosso favor na Luz! Deve estar para cair um santo do altar! O João Mário atirou rasteiro, bem melhor do que no Bessa, e o guarda-redes não conseguiu defender, apesar de ter adivinhado o lado. Íamos para o intervalo em vantagem, o que pareceu muito imporovável especialmente depois de termos sofrido o golo tão perto dos 45’.
 
Esperava-se que alargássemos a vantagem no início da 2ª parte para que pudéssemos fazer a gestão do esforço, dado que estamos com uma sobrecarga de jogos. E voltámos ter um golo (bem) invalidado pelo VAR, porque o Bah estava em fora-de-jogo, depois de uma abertura do Rafa. No entanto, aos 56’ marcámos mesmo o 3-1 através de um desvio do Gonçalo Ramos a corresponder à ponta-de-lança a um centro da esquerda do João Mário, depois de uma abertura do Rafa. Uma vantagem de dois golos era mais confortável, mas só com três é que eu fico descansado. E tivemos mais do que uma oportunidade para a ter, em especial pelo Gonçalo Ramos, que rematou de modo um pouco displicente, quando foi isolado pelo Rafa. Pouco depois, o avançado português foi substituído pelo Musa, que também falhou à sua conta um golo cantado. O Paços de Ferreira não criava perigo, o Enzo Fernández ia marcando um golão de fora-da-área, com a bola a bater na rede superior e o Roger Schmidt começou a gestão física da equipa, ao retirar o (apagado) David Neres e o Rafa, fazendo entrar o Diogo Gonçalves e o Henrique Araújo. Logo a seguir a estas substituições, o jogo voltou a reabrir com o 2-3 aos 80’: buraco no lado esquerdo da nossa defesa, centro para a área e desvio do Koffi, que assim poderá contar aos netinhos que bisou no estádio da Luz. De repente, estávamos na iminência de ter uma parte final sofrida, quando nada o faria prever. E podê-la-íamos não ter tido se o Henrique Araújo não tivesse falhado logo a seguir um golo feito, ao atirar por cima quase na pequena-área, depois de assistência do Musa, que não foi nada egoísta, já que poderia ter rematado. No entanto, este falhanço ia saindo-nos caro, já que o Paços no último lance da partida se acercou com perigo da nossa baliza, com um centro largo para a área que felizmente ninguém conseguiu desviar. Suspirámos todos de alívio quando surgiu o apito final!
 
Em termos individuais, o João Mário com um golo e uma assistência voltou a ser considerado o homem do jogo, mas eu gostei novamente bastante do Florentino, que qualquer dia está a recuperar uma bola ao guarda-redes contrário! Enquanto teve forças, o Enzo Fernández esteve ao seu nível habitual, mas começa a preocupar-me a quantidade de minutos que tem sem nenhum descanso. Por exemplo, frente o Dínamo Kiev e o Boavista, com o jogo decidido algum tempo antes dos 90’, o Roger Schmidt devê-lo-ia ter substituído mais cedo. O David Neres, apesar do golo, fez o jogo mais fraco até agora e na 1ª parte estragou dois contra-ataques em que estávamos com superioridade numérica. O Gonçalo Ramos marcou um golo, mas ficou a dever-nos outros dois e o Henrique Araújo deve ter falhado o golo mais fácil da sua carreira. O Rafa, com as suas acelerações, é sempre um desequilibrador, mas por vezes não se desembaraça da bola no timing devido. O Vlachodimos sofreu dois golos sem ter feito nenhuma defesa. O Diogo Gonçalves voltou a mostrar a necessidade de ainda irmos a tempo de arranjar outra opção válida para extremo.
 
Iremos jogar novamente já na 6ª feira frente ao Vizela, na Luz, antes do início da Champions. Têm sido sessões contínuas, mas acho que a equipa se começa ressentir fisicamente, porque os últimos 20’ do jogo de ontem foram bastante abaixo do que costumamos fazer. Veremos como será a resposta nos jogos seguintes e o que este último dia do mercado nos reserva.

segunda-feira, agosto 29, 2022

Assertivo

Vencemos no sábado o Boavista no Bessa por 3-0 e mantemos um registo 100% vitorioso desde o início da temporada. Aliás, todas as jornadas deveriam ser assim, já que o CRAC foi derrotado em Vila do Conde frente ao Rio Ave por 3-1 e a lagartada perdeu em casa frente ao Chaves por 0-2. Dois primodivisionários a roubarem seis pontos aos nossos rivais... Que maravilha!
 
O jogo no Bessa começou muito repartido, com o Boavista a conseguir equilibrar as coisas durante os primeiros 15’. Com a expulsão do Otamendi frente ao Boavista, o Roger Schmidt deu oportunidade ao António Silva de se estrear oficialmente com o manto sagrado e o jovem central correspondeu bem, ainda por cima porque viu o amarelo logo aos 7’ e conseguiu conter-se até final. A partir do quarto-de-hora, começámos a tomar conta da partida e a acercarmo-nos com algum perigo da baliza contrária, até que aos 30’ inaugurámos o marcador numa cabeçada do Morato num canto marcado pelo David Neres, sem levantar os pés do chão. Até ao intervalo, o Gonçalo Ramos viu um bom remate seu desviado pelo pé do guarda-redes César e mesmo em cima dos 45’ o João Mário teve um dos falhanços da temporada, ao atirar para fora com a baliza escancarada, depois de uma assistência do Rafa. Fiquei mais do que fulo com ele, o que valeu foi que compensou na 2ª parte.
 
Nos segundos 45’, o Boavista voltou a entrar atrevido, mas fomos nós a criar as melhores oportunidades, nomeadamente um desvio subtil do Rafa a rasar o poste. À passagem da hora de jogo, o Roger Schmidt mexeu a triplicar na equipa, com as entradas do Bah, Diogo Gonçalves e Musa para os lugares do Gilberto, David Neres e Gonçalo Ramos. E a equipa melhorou com as substituições, tendo os níveis físicos subido, dado que estes jogadores estão bem mais frescos do que os titulares. Aos 63’, fizemos o 2-0 num centro do Grimaldo que o Musa amorteceu para o João Mário se começar a redimir do clamoroso falhanço em cima do intervalo, com um remate forte que ainda foi ligeiramente desviado pela perna de um defesa. Com o Boavista a tentar responder, o jogo ficou de feição para os nossos contra-ataques e o Rafa atrapalhou-se com a bola quando estava em boa posição. Aos 79’, o VAR assinalou (e bem) um penalty a nosso favor a castigar falta sobre o Musa, que o sr. João Pinheiro não viu, e o João Mário fez o bis enganando o guarda-redes (que, se tivesse adivinhado o lado, teria defendido nas calmas, mas o que interessa é que foi lá para dentro). Até final, ainda deu para as estreias do Aursnes (bom toque de bola) e do Ristic.
 
Em termos individuais, o melhor para mim foi o Florentino, que encheu novamente o campo e fez cortes providenciais. O Enzo Fernández nunca joga mal e aproveitemos bem para o ver que para o ano já não estará cá de certeza. O João Mário acabou por se redimir com os dois golos, mas aquele falhanço é inconcebível. O Gonçalo Ramos ainda estava algo inferiorizado com o choque de cabeças com o Rafa no jogo anterior, mas mesmo assim teve um bom remate que merecia melhor sorte. A defesa acabou por não ter grande trabalho, com o Vlachodimos sempre atento e a resolver bem o pouco que foi necessário.
 
Com a lagartada no 13º lugar com 4 pontos e a derrota do CRAC, iremos amanhã colocar o calendário em dia com a recepção ao Paços de Ferreira. Uma vitória colocar-nos-á em 1º lugar isolados, o que é sempre bom. Mas há que ter a concentração no máximo, especialmente porque estamos com muitos jogos em poucos dias e os deslizes são mais frequentes nestas ocasiões. No entanto, é uma oportunidade de ouro de começar a colocar pressão nos rivais que não podemos desperdiçar!

quarta-feira, agosto 24, 2022

Na Champions

Vencemos o Dínamo Kiev por 3-0 na 2ª mão do play-off e, pela 12ª vez em 13 épocas, qualificámo-nos para a Liga dos Campeões. Foi uma vitória construída na 1ª parte e a nossa superioridade foi incontestável, perante um adversário que tem os condicionalismos que todos sabemos e lamentamos.
 
Com o adiamento da 3ª jornada, tivemos uma semana para preparar as duas mãos e isso foi notório no modo como entrámos em campo. Com a equipa-tipo, começámos a todo o gás e submetemos os ucranianos a uma pressão intensa que poderia ter resultado em golo bastante mais cedo. Logo nos primeiros minutos, foi o Rafa a não conseguir desviar a bola do guarda-redes, depois o Grimaldo num livre fez a bola ainda tocar no poste e o David Neres num pontapé de bicicleta proporcionou ao guarda-redes Bushchan uma defesa complicada. Mas finalmente aos 27’ inaugurámos o marcador através do Otamendi, de cabeça, a corresponder bem a um centro do Neres na sequência de um canto. A partir daqui, diminuímos um pouco o ritmo, mas o Dínamo Kiev não conseguia criar perigo. Até que a cinco minutos do intervalo, um erro incrível do Syrota, num atraso mal medido, converteu-se numa assistência para o Rafa fazer o 2-0. Dois minutos depois, aos 42’, fizemos o resultado final num contra-ataque bem delineado, em que o Gonçalo Ramos assistiu o Neres para um golo de belo efeito, num remate em arco sem hipóteses para o guarda-redes.
 
Confesso que, para a 2ª parte, desejei que o Roger Schmidt fizesse logo as cinco substituições para que o resultado não se avolumasse mais, porque tudo o que os ucranianos não precisavam era de levarem um cabaz cheio. Não precisavam, nem mereciam. O segundo tempo começou praticamente com um choque de cabeças muito feito entre o Rafa e o Gonçalo Ramos, que levou a que o nosso avançado tivesse de ser substituído – e levado 15(!) pontos – pelo Musa, que assim fez a estreia com a gloriosa camisola. Tentámos sempre fazer um futebol positivo, mas sem a intensidade da 1ª parte. Uma boa jogada do Neres culminou num remate relativamente frouxo e outro do entretanto entrado Diogo Gonçalves também foi parar às mãos do guarda-redes. Já perto do fim, foi o Enzo Fernández quase na pequena-área a acertar igualmente no Bushchan. A única ocasião em que o Dínamo Kiev esteve perto de marcar teria sido um golo do outro mundo, num remate ainda antes do meio-campo, que bateu na rede superior da baliza do Vlachodimos. Não me custa nada a admitir que, se tivesse entrado, eu teria aplaudido o golo de pé.
 
Em termos individuais, o David Neres terá sido dos melhores em campo. Quiçá motivado pela presença do seleccionador brasileiro, deu cabo da cabeça aos adversários, principalmente na 1ª parte. Outro que também se motivou nesta vinda foi o Gilberto, que voltou a fazer uma óptima partida. O Gonçalo Ramos não marcou, mas trabalhou imenso enquanto esteve em campo, o Rafa só sabe fazer as coisas a alta velocidade e o João Mário subiu o nível em relação a jogos anteriores. O Florentino e o Enzo Fernández foram as muralhas habituais no meio-campo e a defesa teve muito pouco trabalho. Os substitutos entraram com a eliminatória já resolvida e não se destacaram por aí além.
 
Temos de ser honestos: ao contrário de muitas vezes, tivemos sorte em ambos os sorteios neste acesso à Champions. Acabou por nos calhar, em ambos os casos, as equipas menos difíceis das que eram possíveis. No entanto, fizemos o nosso trabalho com louvor e distinção, e agora aguardemos pelo sorteio para ver até onde poderemos ir. Sabendo que este ano, por causa do Mundial, as jornadas da Champions serão muito menos espaçadas. Haja saúde e plantel para aguentarmos isso.

quinta-feira, agosto 18, 2022

Bem encaminhado

Vencemos hoje por 2-0 o Dínamo Kiev em Lodz e estamos em excelente posição para chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões. Fizemos uma exibição inteligente em grande parte do encontro, mas o resultado deveria ter sido um pouco mais dilatado, porque especialmente no segundo tempo relaxámos mais do que deveríamos e baixámos de produção.
 
Entrámos em campo com o onze base deste início de temporada e marcámos logo aos 9’ num óptimo remate do Gilberto, sem hipóteses para o guarda-redes, depois de uma jogada de envolvimento, em que a bola passou por vários jogadores nossos. Do outro lado, era o Tsygankov a visar mais a nossa baliza, mas felizmente os remates saíram ao lado. A meio da 1ª parte, o João Mário num remate em arco, com o guarda-redes batido, viu a bola rasar o poste, mas aos 37’ aumentámos a vantagem para 2-0 numa perda de bola adversária, com recuperação do David Neres e concretização do Gonçalo Ramos. Até ao intervalo, poderíamos ter fechado a eliminatória de vez, com remates do David Neres e Rafa a passarem muito perto do alvo. O Dínamo Kiev foi-se abaixo com a perda de bola de que resultou o segundo golo e nós deveríamos ter sabido aproveitar esse facto.
 
A 2ª parte foi mais dividida, porque não apresentámos uma pressão tão grande quanto na primeira, mas a nossa vitória nunca esteve em causa. Mesmo assim um remate de fora da área do David Neres obrigou o Bushchan a uma defesa a dois tempos. Com as substituições que serviram para fazer algumas poupanças, o nosso ritmo baixou consideravelmente e foram do Dínamo Kiev as melhores oportunidades até final, especialmente pelo Karavaev, porém o Vlachodimos voltou a demonstrar o quão pouco lógico é eventualmente estarmos a pensar num novo guarda-redes, com um trio de defesas que impediram que fôssemos para Lisboa com a vantagem mínima. No ataque, os substitutos não tomaram tão boas decisões quanto os titulares e, tirando uma cabeçada do Henrique Araújo num canto, não conseguimos criar muito perigo.
 
Em termos individuais, o Florentino foi um gigante no meio-campo, o Gilberto marcou um golo e penso que defende melhor do que o Bah (que entrou a meio da 2ª parte), o David Neres desequilibrou muito enquanto as pilhas duraram e o Gonçalo Ramos continua a molhar o bico. O Vlachodimos foi fundamental para manter a nossa baliza a zeros, o Enzo Fernández não sabe jogar mal e o João Mário melhorou imenso em relação ao Casa Pia. Menos bem, esteve o Morato com umas duas ou três perdas de bola em saídas a jogar, que poderiam ter sido comprometedoras, e o Yaremchuk que, entrando na 2ª parte, continua muito fora dela.
 
Numa boa decisão, até porque temos somente seis dias entre os dois jogos, adiámos a jornada do campeonato no fim-de-semana, para prepararmos melhor a 2ª mão. Temos tudo a nosso favor e teria de haver um resultado escandaloso na nossa própria casa para não nos qualificarmos. No entanto, nunca fiando e, como diz o Roger Schmidt, há que manter a concentração e não dar nada como garantido. Faltam somente 90’ para voltarmos à Liga dos Campeões.

quarta-feira, agosto 17, 2022

Difícil

Vencemos o Casa Pia em Leiria no passado sábado (1-0) e temos duas vitórias em dois jogos no campeonato. Depois de exibições bem conseguidas, chocámos de frente com o muro que é típico de muitas equipas do futebol português, de onze jogadores atrás da linha da bola, e sentimos enormes dificuldades para impormos o nosso futebol. Por outro lado, também me pareceu que a equipa acusou um pouco o esforço físico da sucessão de partidas.

Vicissitudes várias impediram de escrever sobre este encontro mais cedo, mas também não há muito para dizer sobre ele. Com o David Neres ainda fora da equipa, o golaço europeu valeu a titularidade do Diogo Gonçalves em vez do Chiquinho, mas a 1ª parte foi muito complicada, porque não conseguimos criar os desequilíbrios necessários para desorganizar a defesa do Casa Pia. Por isso mesmo, as oportunidades de golo rareavam e só um lance do Rafa com assistência para o Gonçalo Ramos é que esteve em vias de dar golo, mas um defesa contrário salvou perto da linha (embora me tenha parecido que a bola não entrasse). O Casa Pia só criava algum frisson com as arrancadas do Saviour Godwin, mas não chegaram para criar verdadeiro perigo para o Vlachodimos.

Para a 2ª parte, o Roger Schmidt trocou o apagado Gilberto pelo Bah e as coisas melhoraram um pouco. Aplicámos mais velocidade nas trocas de bola e começámos a criar mais perigo do que no primeiro tempo. No entanto, o Casa Pia aproveitou o nosso balanceamento atacante para também se acercar da nossa baliza. Felizmente, acabámos por marcar relativamente cedo (58’), numa jogada em que o João Mário abriu para o Rafa, que furou pela defesa contrária, centrou para a área e o Gonçalo Ramos antecipou-se a um defesa e depois desviou com mestria a bola do guarda-redes. Antes do golo, o Schmidt tinha duas substituições preparadas e manteve-as mesmo assim, tendo entrado o Yaremchuk e o Weigl para os lugares do Diogo Gonçalves e do amarelado Florentino (sim, porque isto com o sr. Tiago Martins nunca fiando...). A partir do golo, controlámos melhor o jogo, com o Casa Pia praticamente a nem se acercar do Vlachodimos e foram do Rafa as duas melhores chances até final, com dois remates perigosos de fora da área, mas a passarem ambos ao lado do poste. Mesmo em cima dos 90’, o sr. Tiago Martins não desiludiu e ainda conseguiu expulsar o Otamendi com um duplo amarelo, revelando uma dualidade de critérios gritante.

Em termos individuais, destaque para o Gonçalo Ramos pelo golo à ponta-de-lança e para o Rafa, porque foram dele as nossas jogadas de maior perigo. Quanto aos menos, o João Mário fez uma 1ª parte de fugir, mas depois acabou por estar no lance do golo, o Gilberto acusou algum cansaço e o Diogo Gonçalves também nunca será um David Neres.

Iremos agora saltar uma jornada do campeonato por causa do play-off da Champions, com a 1ª mão frente ao Dinamo Kiev já hoje à tarde. Muito do que será a nossa temporada passará por estes dois jogos. Estamos todos solidários com a Ucrânia, mas, como é óbvio, teremos de fazer aqui uma excepção.

quarta-feira, agosto 10, 2022

Fernando Chalana (1959-2022)

Nasceu num dia 10 (de Fevereiro) e partiu noutro dia 10 (de Agosto). Morreu hoje um dos mais geniais jogadores que tive o privilégio de ver com a camisola do Glorioso. Um jogador que faz parte das minhas primeiras memórias de infância e o primeiro 10 da minha vida. Foi com ele que aprendi que o nº 10, no futebol, é o número do craque da equipa. Quando era miúdo, tinha uma camisola branca do Benfica com o 10 nas costas. Tive uma grande tristeza quando o Bordéus o levou em 1984 e uma enorme alegria quando voltou três anos depois. Lembro-me, como se fosse hoje, da primeira finta que fez no jogo em que regressou, frente ao Salgueiros, em que o defesa-direito caiu(!) assim que o viu em direcção a ele. Foi um dos maiores de sempre e parte cedo demais. Descansa em paz, grande Chalana!


P.S. - Deixo aqui um post que fiz há uns anos, com alguns lances que exemplificam bem a genialidade que tivemos a oportunidade de assistir.

Tranquilo

Voltámos a vencer ontem o Midtjylland por 3-1 e qualificámo-nos para o play-off da Liga dos Campeões. Com a vantagem de 4-1 da 1ª mão, esperava-se que controlássemos bem o jogo, mas não deixássemos de tentar mais uma vitória, tão importante que é para o nosso ranking na UEFA. Mas o Benfica deste ano continua a dar mostras de que só tenta deixar de marcar golos quando o árbitro apita para o final, o que é uma melhoria significativa em relação ao que temos visto nos últimos anos.

Com a lesão do David Neres, entrou o Chiquinho para o seu lugar, mas de resto o Roger Schmidt manteve a mesma equipa que vem alinhando desde o início da pré-temporada. Entrámos concentrados, que era o que se pedia, mas sempre tendo em vista a baliza contrária. Aos 23’, começámos a fechar a eliminatória de vez, com um golo do Enzo Fernández a cruzamento do Gonçalo Ramos. A seguir ao golo, desconcentrámo-nos um bocado na defesa e os dinamarqueses só não marcaram graças a boas intervenções do Vlachodimos. Uma questão a rever para o futuro.

Para a 2ª parte, o Schmidt deixou, e bem, os amarelados Gonçalo Ramos (que cartão tão estúpido, a colocar-se em frente à bola num livre, já com o 1-0 a nosso favor; se falhar algum jogo europeu importante por acumulação de cartões, vai lembrar-se bem deste lance...!) e Rafa e fez entrar o Yaremchuk e Henrique Araújo. E o madeirense não precisou de muito tempo para molhar o bico, com um excelente cabeceamento aos 56’ a responder a um cruzamento do João Mário. Estava tudo decidido, mas os dinamarqueses reduziram para 1-2 aos 63’ numa recarga do Sisto a um cabeceamento ao poste de um colega. Apesar deste golo, o Midtjylland nunca esteve perto de igualar e fomos nós a fechar o resultado em 3-1 com um golão do entretanto entrado Diogo Gonçalves, num remate ao ângulo de fora da área. Em cima dos 90’, o VAR assinalou um fora-de-jogo, que impediu os dinamarqueses de chegarem à margem mínima que, a bem da verdade, não era merecida.

Em termos individuais, destaque para o Enzo Fernández: três jogos oficiais, três golos e isto num nº 8! Que saudades do Taarabt e dos seus dois golos em 129 jogos...! Também voltei a gostar imenso do Florentino, que está a construir uma dupla fantástica com o argentino. A defesa não esteve tão segura como habitualmente e teve algumas desconcentrações que não deveriam ter acontecido. O Henrique Araújo entrou muito bem e tem um faro de golo que não engana.

Iremos agora defrontar o Dinamo Kiev no play-off e não teremos jogo do campeonato a meio da eliminatória, pelo que se espera que estejamos fresquinhos para conseguir a tão desejada qualificação para a Liga dos Campeões. No entanto, antes disso, já neste sábado vamos apadrinhar o regresso do Casa Pia ao campeonato e só é pena que o jogo não seja em Pina Manique.

segunda-feira, agosto 08, 2022

Início goleador

Entrámos bem no campeonato na 6ª feira passada, com um triunfo por 4-0 frente ao Arouca. Apenas três dias depois da excelente exibição europeia, o Roger Schmidt apostou no mesmo onze e a resposta foi positiva, apesar de se perceber que a equipa não estava (nem podia estar) a 100% em termos físicos.
 
Perante um adversário que muitas vezes tinha quase 11 homens na grande-área, tivemos o condão de desbloquear muito cedo o jogo com o 1-0 a surgir logo aos 8’ numa cabeceamento fulgurante do Gilberto a centro do Grimaldo. Depois do golo, adoptámos uma postura mais calma e com menos correrias do que na 3ª feira passada, mas sempre a controlar bem o adversário e à espreita de uma falha que potencializasse um contra-ataque. Aos 34’, tivemos um contratempo com a lesão do João Mário, que o obrigou a ser substituído pelo Chiquinho. Do modo como a partida se estava a desenrolar, era muito importante que chegássemos ao intervalo com uma vantagem superior para que pudéssemos ter um segundo tempo relaxado, algo que acabou por acontecer a dobrar: aos 42’, o Rafa fez o 2-0 de cabeça(!), numa recarga vitoriosa a um cabeceamento ao poste do Gonçalo Ramos, e, em cima do intervalo, o Enzo Fernández fez o terceiro golo num remate de primeira à entrada da área, depois de um mau alívio adversário. Entre os dois golos, o Sr. Manuel Mota, alertado pelo VAR Vasco Santos, trocou um amarelo por um vermelho para um jogador que derrubou o Rafa, quando este ficaria em boa posição. Como o nosso jogador estava desviado para a esquerda, se calhar, eu não o teria expulso, mas de qualquer maneira o jogo já estava bastante a nosso favor com dois golos de vantagem.
 
Na 2ª parte, contra dez jogadores, a vitória estava mais do que decidido, mas mesmo assim jogámos sempre um futebol positivo e a tentar aumentar a vantagem. Algo que foi conseguido já muito perto do final (86’) com o bis do Rafa, assistido com um centro da direita pelo entretanto entrado Bah, desmarcado pelo também substituto Yaremchuk. Entretanto, o Roger Schmidt já tinha aproveitado para rodar um pouco a equipa, com as entradas do Weigl e do Bah, mas provavelmente devê-lo-ia ter feito um pouco mais cedo.
 
Em tempos individuais, destaque evidente para o Rafa com o seu bis e para a enorme alegria que está a exibir quando está em campo. O Enzó Fernández é uma delícia ver no meio-campo, bem secundado novamente pelo Florentino. A defesa não teve grande trabalho e o Gilberto e o Grimaldo aproveitaram para ter participação activa no primeiro golo.
 
Entrámos a ganhar no campeonato, algo que temos vindo a fazer com bastante regularidade desde há quase uma década. No entanto, amanhã teremos um compromisso bastante importante, que poderá definir muito da nossa época. Ainda por cima, dado que temos uma vantagem relativamente confortável, tudo o que não for a qualificação para o play-off será um revés de proporções bíblicas.

quinta-feira, agosto 04, 2022

Prometedor

Goleámos na 3ª feira o Midtjylland da Dinamarca na Luz (4-1) e estamos em muito boa posição para avançar para o play-off da Liga dos Campeões. Foi um jogo muito bem conseguido da nossa parte a dar sequência à pré-temporada vitoriosa que tivemos até então.
 
Em primeiro lugar (e até porque tinha falado nisso num texto anterior), quero dizer que acabei por não fazer um post de balanço da temporada anterior por manifesta falta de paciência. E desilusão com o que se tem passado no clube de há três anos para cá. Porque continuo à espera de que me expliquem o que se passou na 2ª volta de 2019/20, em que tínhamos sete pontos de avanço e conseguimos perder esse campeonato...! Continuo na minha de que, o descalabro que tem sido daí para cá, teve origem nessa altura. E nunca nada nos foi explicado sobre a razão para aquele estoiro, quando tínhamos tudo a nosso favor. Desde Agosto de 2019, faz agora três anos(!), que não ganhamos um título. Nem sequer estou a falar DO título (o grande objectivo todos os anos), mas NEM UMA mísera Taça da Liga temos para amostra. Além de que a política desportiva teve uma inversão de 180º neste período, com as consequências que estiveram à vista, e se passou o que passou em termos directivos. Uma enorme tristeza, para resumir.
 
Para esta temporada, voltámos a um treinador estrangeiro, o alemão Roger Schmidt e confesso que gostei logo do que vi naquele treino aberto que foi transmitido pela Benfica TV. Em especial, no facto de os jogadores estarem em constante pressão sobre os adversários para recuperarem a bola, ainda no meio-campo contrário. Algo que já não víamos há muito tempo e que, pelo que se tem visto até agora, se revela uma imagem de marca do Benfica deste ano. Nos jogos particulares que fizemos, aconteceu isto durante grande parte deles, para além de termos a equipa numa busca constante pelo golo. Demo-nos bem e conseguimos ganhá-los todos (3-0 ao Nice, 5-1 ao Fulham, 4-2 ao Girona e 3-2 ao Newcastle na Eusébio Cup; peço desculpa, mas jogos em que alinhamos com equipamento de treino e sem número na camisola – leia-se Reading – para mim não contam). É arriscado fazer esta pressão pelo espaço que fica nas nossas costas? Claro que sim. Estar sempre balanceados para a frente pode fazer com que soframos mais golos? Evidente. Mas dá muito mais gozo ver o Benfica jogar assim? OBVIAMENTE! Como me perguntou retoricamente por mensagem uma amiga minha no final deste jogo: “como é que se chama este desporto que o Benfica está a jogar...?”. Respondi-lhe, como é bom de calcular, “Futebol. Há já três anos que não o jogávamos.”
 
Para além destes pressupostos de jogo do Roger Schmidt que se vêem desde o início, há outra coisa que eu gostei nele até agora: mal ou bem, escolheu um onze e foi com esse que alinhámos de início em quase todos os jogos. Só com uma ou outra alteração. E foi esse onze que jogou contra os dinamarqueses. Não houve cá surpresas de última hora ou cartas tiradas do baralho. Apostou naqueles, jogou com eles. No entanto, nos primeiros cinco minutos foram os dinamarqueses a assumir o jogo, situação que foi rapidamente corrigida. Escudados num meio-campo em que o Florentino e o Enzo Fernández (que craque! Aproveitemos bem para desfrutar dele que para o ano já não vai cá estar...) se fartaram de recuperar bolas e lançar a equipa para a frente, e com um David Neres (felizmente parece que do Everton só herdou o número da camisola...) endiabrado, marcámos o primeiro golo aos 16’ num centro do Neres para entrada fulgurante de cabeça do Gonçalo Ramos. Situação que se repetiu, com os mesmos protagonistas, aos 33’. Em cima do intervalo, e à semelhança do que aconteceu nos jogos particulares, aparentemente voltámos a saber marcar cantos e o Enzo Fernández fez o 3-0 aos 40’ num remate de primeira, depois de um canto do João Mário.
 
Na 2ª parte, o Gonçalo Ramos completou o hat-trick aos 61’ numa assistência do Rafa, com um bom movimento à ponta-de-lança. Para além dos quatro golos, ficámos a dever-nos pelo menos outros tantos, com o Ramos com mais duas ou três chances, o Neres a tirar uma à barra e os entretanto entrados Henrique Araújo e Yaremchuk também a falharem os seus golitos. O que não estava no programa foi a entrada imprevidente do Morato aos 77’ a provocar um desnecessário penalty que o Sisto marcou à Panenka.
 
Em termos individuais, óbvio destaque para o Gonçalo Ramos com três golos, para o terror para os adversários que é o David Neres na direita, para a classe do Enzo Fernández e para o polvo Florentino no meio (com um jogador destes, formado no clube, no plantel, qual a necessidade de ter gastado dinheiro num Meïté no ano passado...?). Para além destes, o Gilberto está super-confiante, o Morato vai ser difícil perder o lugar e o Grimaldo até já acerta os livres todos na baliza.
 
Teremos já amanhã a estreia no campeonato frente ao Arouca em casa, para depois viajarmos à Dinamarca na próxima 3ª feira. Vai ser uma sucessão de jogos importantes neste mês de Agosto e a minha única dúvida é como a equipa irá reagir em termos físicos, dado que as segundas linhas não estão ao nível dos titulares. Veremos o que irá acontecer, mas até agora os sinais têm sido muito positivos.

domingo, junho 26, 2022

Benfica FM | Temporada 1995/96

Mais um serão bem passado com os meus amigos Nuno Picado e Bakero do Benfica FM, em que nos debruçámos sobre uma época que não correu bem, mas em que ganhámos a Taça de Portugal no triste jogo do very light. Por isso mesmo, defendo que isto ainda não é bem o Vietname, porque uma temporada que termina com a conquista da Taça de Portugal não é algo de se deitar fora. O pior viria depois, com oito anos seguidos de seca de títulos de qualquer espécie. Em termos individuais, foi provavelmente a melhor época do João Vieira Pinto com o manto sagrado.

sexta-feira, junho 17, 2022

Liga das Nações x 4

A época terminou com quatro jogos da selecção nacional, todos a contar para a 3ª edição da Liga das Nações. Começámos razoavelmente bem, mas deitámos fora uma boa vantagem no último jogo.
 
No dia 2 de Junho, empatámos em Sevilha frente à Espanha (1-1) com bastante sorte, diga-se, através de um golo do Ricardo Horta aos 82'. A Espanha dominou praticamente toda a partida, marcou ainda na 1ª parte pelo Morata (25'), e o empate foi muito lisonjeiro para nós, mesmo considerando alguma reacção no segundo tempo.
 
No dia 5 de Junho, goleámos a Suíça em casa (4-0) numa partida que ficou decidida logo na 1ª parte, quando marcámos três golos, um do William Carvalho (15') de dois do Cristiano Ronaldo (35' e 39'). O João Cancelo numa abertura brilhante do Bernardo Silva fez o resultado final aos 68'. Foi das melhores exibições da selecção nos últimos anos, com futebol positivo e a dar algum espectáculo, mas, percebeu-se pelos jogos seguintes, que não era para ter continuação...
 
No dia 9 de Junho, recebemos a Rep. Checa (que tinha empatado em casa frente à Espanha, 1-1, na jornada anterior, com o golo espanhol a acontecer no último minuto) e triunfámos por 2-0. Foi uma exibição não tão boa como a frente aos suíços, mas a vitória nunca esteve em causa, com golos do João Cancelo (33') e Gonçalo Guedes (38'), ambos com a assistência do Bernardo Silva.
 
No dia 12 de Junho, deitámos pela janela a vantagem que tínhamos frente aos espanhóis, ao perder na Suíça por 0-1 com um golo do Seferovic logo no primeiro minuto. A gestão dos jogadores do Fernando Santos deixou muito a desejar, com várias alterações nesta partida e a dispensa do C. Ronaldo para começar as férias mais cedo! Isto quando tinha feito os 90' frente aos checos, com a partida resolvida relativamente cedo... Claro que, sem muitos dos titulares em campo, a selecção teve bastantes mais dificuldades e, apesar de algumas oportunidades na 2ª parte, não conseguiu marcar.
 
Teremos agora de vencer os dois jogos que faltam, no final de Setembro, para nos apurarmos para a final four.

domingo, maio 15, 2022

Juventude em marcha

Triunfámos em Paços de Ferreira (2-0) na 6ª feira no último jogo do campeonato com um bis do Henrique Araújo. Numa partida em que o Nélson Veríssimo deu oportunidade a uma série de jovens (daí o título do post roubado a um filme do Pedro Costa), fomos eficazes na frente e tivemos um Helton Leite inspirado na baliza (a braçadeira de capitão pela primeira vez pode ter contribuído para isso...).
 
Para a despedida do campeonato, o Gilberto foi o único dos titulares no onze inicial. Não poderíamos ter entrado melhor com uma recuperação de bola no meio-campo adversário pelo Tiago Gouveia, que, não contente com isso, ainda fez uma óptima abertura a isolar o Henrique Araújo. Este, com claro instinto de matador, não falhou à saída do guarda-redes. Estávamos no início do jogo, mas até em cima do intervalo devemos ao Helton Leite o Paços de Ferreira não ter dado a volta ao jogo, com três fantásticas intervenções. Mesmo a soar o apito para o descanso, o Tiago Gouveia tem um remate de fora da área, o guarda-redes defende para o lado, o Gil Dias centra de pé direito e o Henrique Araújo aparece ao segundo poste para finalizar novamente com êxito. Golo típico de ponta-de-lança, que está invariavelmente no sítio certo para “só ter de encostar”.
 
A 2ª parte foi mais calma, connosco a conseguir conter melhor o adversário, que só a 15’ do fim obrigou novamente o Helton Leite a segurar o zero na nossa baliza, outra vez perante um adversário isolado. Do nosso lado, as oportunidades também surgiram na parte final, com os entretanto entrados Diego Moreira (uma estreia) e o Yaremchuk a verem o guarda-redes André Ferreira negar-lhes o golo, quando estavam ambos em boa posição
 
Em termos individuais, óbvio destaque para o Henrique Araújo com dois golos. Parece ser daqueles jogadores que faria um vizinho meu de bancada dizer outra vez “não joga nada, só sabe marcar golos”, tal como o fez com o enorme Tacuara Cardozo (ohhh, se houve paciência...!). O madeirense é rápido sobre a bola, coloca-se muito bem na área e é inteligente a aparecer nos espaços. Já tinha gostado dele frente ao Vizela e na 6ª feira encheu-me as medidas. Espero que tenha uma oportunidade na próxima época. O Helton foi o outro grande obreiro desta vitória com quatro intervenções absolutamente decisivas. O Tiago Gouveia acabou por estar envolvido em ambos os golos, embora numa ou outra jogada tenha preferido voltar para trás em vez de continuar com a bola para a frente (espero que tenham sido ordens do banco, porque não gosto nada de ver jogadores a fazer isto por sua livre e espontânea vontade...). O Tomás Araújo esteve concentrado na defesa e não destoou do Morato. O Sandro Cruz na esquerda não me convence por aí além, mas pode ser que ainda seja nervosismo. O Diego Moreira e o Martim Neto também tiveram direito a uns minutinhos, em que deu para ver que têm boa dinâmica.
 
Terminámos com uma vitória um campeonato para esquecer: 17 pontos do 1º e 11 do 2º é mau demais para um clube como o nosso. O balanço será feito daqui a uns tempos num outro post, mas a culpa não pode morrer solteira. Espero sinceramente que as lições destes últimos três annus horribilis tenham sido FINALMENTE percebidas.

segunda-feira, maio 09, 2022

Dois centímetros

Perdemos com o CRAC (0-1) na Luz no passado sábado e pela segunda vez vimo-los festejarem um campeonato no nosso estádio. O empate bastava para eles conquistarem o título, jogaram para ele, mas foram bafejados pela sorte (e pela nossa inépcia defensiva) aos 94’ e, num contra-ataque depois de um canto a nosso favor, o Zaidu fez o único golo da partida.
 
Já sem o Rafa, ficámos igualmente sem o Everton e o Diogo Goncalves ainda antes do começo do jogo, pelo que os nossos extremos foram o Lazaro e o Gil Dias... Fiquei logo esclarecido quanto às nossas possibilidade de vitória e a 1ª parte foi um longo bocejo praticamente sem oportunidades, excepção feita a um lance em que o Taremi bateu em velocidade o Vertonghen e ficou só com o Vlachodimos pela frente, mas este defendeu. Em termos atacantes, não conseguimos desmontar a defesa contrária e praticamente não criámos perigo.
 
Na 2ª parte, estivemos mais tempo no meio-campo contrário, mas sem conseguir criar grandes oportunidades. A primeira até foi do CRAC com um bom remate do Evanilson, mas nova boa defesa do Vlachodimos. No entanto, aos 51’ aconteceu o lance que definiu a partida: uma bola lançada em profundidade do Otamendi para o Darwin, este dominou muito bem, bateu o Mbemba e fez golo. Um golão! O estádio rebentou num enorme festejo, o Darwin tirou a camisola e viu o amarelo. Até que depois aconteceu isto...! 
 

Um momento destes é anulado, porque o nosso jogador estava 2 cm fora-de-jogo! Dois centímetros! D-o-i-s  c-e-n-t-í-m-e-t-r-o-s! Nunca me apanharão em contradição neste assunto: O D E I O  O  V A R!!!! Não mudarei de opinião, mesmo que seja a nosso favor (raramente é, portanto também não corro um risco muito grande...) Mata completamente o futebol! Anula-se um golo por 2 cm num campo com uma largura de mais de 60 metros! Alguém no seu perfeito juízo acha que 2 cm são fundamentais para um jogador tirar partido da sua posição?! Vamos até passar por cima do facto de adiantar ou atrasar um frame alterar completamente a posição do jogador, acham mesmo que é preciso fazer os adeptos passarem por isto...?! Marcar-se um golo e estarmos todos à espera não-sei-quanto tempo que o VAR ande a medir pilinhas com uma régua...?!?! Não se pode fazer a coisa a olho nu?! Há dúvidas sobre a posição, favorece-se a equipa que ataca, como se fazia quando não havia VAR. Seja contra ou a nosso favor. Simples! E isso decide-se em segundos! Alguém consegue dizer que o futebol português está melhor com o VAR? Acabaram-se as polémicas?! Deixou-se de discutir as arbitragens?! Ou está tudo na mesma como dantes e só o adepto é que ficou a perder, porque nunca sabe se pode ou não festejar um golo decentemente?! Não acabem com esta m**** que não é preciso...! Prefiro de longe perder um jogo com um golo irregular por margens destas do que festejar um golo assim que depois não vale. De longe! E depois há outra coisa: anula-se o golo, mas o amarelo ao jogador que tirou a camisola mantém-se... Brilhante!
 
O CRAC estava satisfeito com o empate e nós não conseguimos ultrapassar esta desilusão, nunca mais tendo outra oportunidade tão boa como esta para marcar. Até que já depois da hora, o Taarabt mostrou que só sabe agredir adversários quando prejudica o Benfica. Quando o deveria fazer, está quieto. Era óbvio que o Pepê não poderia passar por ele daquela maneira no contra-ataque do golo. Teria de ser parado a qualquer custo! Nem que ele tivesse 10 jogos de suspensão! Se fosse ao contrário, o nosso jogador iria provavelmente parar ao hospital! Mas não, a abécula marroquina não fez a mínima menção de parar o adversário, e o resultado viu-se.
 
Haverá tempos para fazer um balanço desta época hedionda. No entanto, a 17 pontos (por enquanto) do 1º lugar e a 11 do segundo, com 18 (!) pontos perdidos na Luz, isto é uma época para recordar. Muita coisa terá de mudar para o ano. Inevitavelmente.

segunda-feira, maio 02, 2022

Mínimos

Vencemos no sábado o Marítimo na Madeira por 1-0 em mais um jogo que não nos irá deixar saudades. Uma tendência que tem sido maioritária em grande parte dos jogos deste campeonato. Como não poderíamos ter começado melhor, com um golo logo a abrir, ainda pensei que embalaríamos para uma exibição ao menos razoável. Mas nem isso.
 
O Nélson Veríssimo fez algumas alterações na equipa e alinhámos em 4-3-3, com o João Mário de regresso à titularidade e o Gonçalo Ramos no banco. Mas a maior novidade foi a estreia absoluta do Sandro Cruz na lateral-esquerda. Entrámos praticamente a ganhar com um golo do Darwin de cabeça aos 2’ numa recarga a um remate do Gil Dias que o guarda-redes Paulo Victor não conseguiu segurar, depois de uma recuperação de bola do mesmo Gil Dias. Tendo nós uma equipa mais talhada para o contra-ataque, pensei que poderíamos aproveitar esta vantagem tão cedo para ter um encontro à nossa medida, mas foi o Marítimo a reagir bem ao golo sofrido e a ter dois remates com algum perigo, sem, no entanto, acertar na baliza. Nas poucas vezes em que saímos com rapidez, procurávamos inevitavelmente o Darwin e o uruguaio teve um remate em arco do lado esquerdo que merecia melhor sorte. Em cima do intervalo, a partida parecia que ia tombar definitivamente para o nosso lado, com a (justa) expulsão do Winck por ter atingido o Sandro Cruz a pontapé, calculando mal o timing de chegada à bola.
 
Na 2ª parte, o Marítimo abdicou de atacar durante grande parte do tempo por causa da inferioridade numérica, mas nós padecemos do mal há muito visto: falta de velocidade de circulação de bola, o que faz com que seja muito fácil defender contra nós. Lá criámos uma ou outra oportunidade, mas os remates do Paulo Bernardo e João Mário saíram por cima e o Paulo Victor defendeu bem um outro do Darwin. As substituições não trouxeram grandes melhorias ao nosso futebol, sendo porém de realçar outra estreia absoluta, a do Tiago Gouveia. Em cima dos 90’, o Marítimo teve a sua única oportunidade da 2ª parte, com um remate de fora da área que ressaltou num defesa nosso e obrigou o Vlachodimos a aplicar-se para atirar para canto. Apesar de uma exibição pobre, o empate seria uma injustiça que a bem da verdade não merecíamos.
 
Em termos individuais, destaque quase exclusivo para o Darwin, que não só marcou o golo como foi praticamente o nosso único jogador a acertar na baliza contrária. O João Mário que já não era titular desde Janeiro não se pode dizer que tenha agarrado muito bem a oportunidade, porque continua bastante lento de processos. Assim como o Paulo Bernardo que está longe de ser a lufada de ar fresco que prometeu ser quando começou a entrar na equipa. Infelizmente, parece mais familiarizado com o resto do plantel... O Sandro Cruz na esquerda não me convenceu nada, nem em termos defensivos (foi batido por mais de uma vez), nem ofensivos (não sabe centrar, erro capital num lateral).
 
Iremos receber na próxima jornada o CRAC, que só precisa do empate para ser campeão. Ou seja, espero MESMO que os jogadores do Benfica puxem dos galões e não permitam que isso aconteça. Já tivemos duas oportunidades para fazer o inverso e falhámos em ambas, enquanto todos nos recordamos de quando eles conseguiram ser campeões na Luz há umas épocas. Claro que uma vitória não apagará a péssima temporada que fizemos, mas que ao menos exibamos alguma dignidade no próximo sábado.

terça-feira, abril 26, 2022

Miséria

Empatámos no passado sábado na Luz frente ao Famalicão (0-0) e, em 16 jogos para o campeonato, perdemos a incrível soma de 15 pontos em casa! Tivéssemos ganho todos os jogos na Luz e estaríamos na frente do campeonato. Um autêntico pesadelo!
 
Depois de uma semana que nos elevou um pouco o espírito, o Benfica pareceu aqueles fanfarrões sobranceiros que acham que não vale muito a pena esforçar-se quando as coisas parecem no papo. Ou isso, ou o Nélson Veríssimo só sabe meter-nos a jogar como equipa pequena. O que é, convenhamos, o mais provável, dado que a exibição foi simplesmente miserável. Perante uma equipa que se fechou completamente na defesa (como nós em Anfield e no WC), nunca tivemos engenho nem arte para a conseguir superar. O encontro foi-se arrastando penosamente até final, num autêntico teste à paciência dos benfiquistas. Com o Rafa ainda magoado e o Everton castigado por amarelos, o nosso treinador resolveu apostar no Gil Dias para numa das alas, mantendo o Diogo Gonçalves no onze. No meio-campo, surgiu o Paulo Bernardo no lugar do Taarabt. E o que se pode dizer que nenhum habitual substituto aproveitou a benesse de entrar em campo. Foi já depois de metade deste primeiro tempo que conseguimos uma(!) oportunidade de golo, mas a cabeçada do Gonçalo Ramos saiu por cima e não foi possível aproveitar uma saída em falso do guarda-redes. Em cima do intervalo, foi o Diogo Goncalves a proporcionar ao guardião contrário uma defesa por instinto, com o Gonçalo Ramos a não conseguir dominar a bola na recarga.
 
A 2ª parte não trouxe alterações substanciais, embora tenhamos demonstrado uma ligeira melhoria na vontade de disputar a bola. O Nélson Veríssimo começou a mexer na equipa (e mal, como vem sendo hábito!), mas só em três lances estivemos perto do golo: um remate de recarga do entretanto entrado Radonijc, que deveria ter saído melhor, uma jogada do Gil Dias que acabou com um remate para defesa do guarda-redes e um pontapé de bicicleta do Paulo Bernardo que o Luiz Júnior também conseguiu rechaçar. De uma forma algo atabalhoada, íamos pressionando o adversário, mas sem sucesso. Do outro lado, conseguir alvejar a baliza contrária também nunca foi o forte dos famalicenses.
 
Com uma exibição tão pobre, é injusto destacar alguém, dado que a equipa esteve genericamente amorfa. Sem vontade, nem compromisso com o clube e os adeptos, não se consegue nada. Os jogadores têm de perceber em que clube é que estão e no qual nunca se pode virar a cara à luta. Seja qual seja a competição que estão a disputar! Temos a nossa posição definida na classificação, dado que a lagartada ganhou 3-0 no Bessa e tem agora oito pontos de vantagem sobre nós. E ganhámos um ponto ao CRAC, que finalmente(!) perdeu (0-1 em Braga), estando agora 14 pontos atrás deles. No entanto, perspectiva-se aqui uma hipótese que temos de evitar a todo o custo, que é o CRAC sagrar-se campeão no Luz. Por duas vezes nos últimos tempos, tivemos nós a oportunidade de fazer o inverso e por duas vezes falhámos. É o grande objectivo até final da época e os jogadores que estejam conscientes de que ganhar este jogo é imperativo. Mas só corresponde aos serviços mínimos e nunca salvará a época.

P.S. – O que compensou nos últimos dias foi que ganhámos por fim a Youth League, com uma goleada de 6-0 ao Salzburgo. Que bela maneira de celebrar o 25 de Abril! Depois de três derrotas em finais, somos finalmente campeões europeus de juniores! Agora é só ter um pouco de paciência e aproveitar aqueles jogadores, porque há alguns que prometem bastante e seria muito triste que nós não lhes déssemos espaço para evoluírem.

segunda-feira, abril 18, 2022

Galões

Triunfámos ontem no WC por 2-0 e terminámos finalmente a malapata de só ter derrotas em clássicos nesta temporada. Foi uma vitória justa, numa partida em que fomos muito inteligentes na forma como a abordámos e usámos bem as armas actuais que temos para conseguir a vitória. Foi um jogo deslumbrante da nossa parte? Claro que não. Mas ganhámos de forma limpa e justa e isso é que interessa. Estamos agora com a lagartada a seis pontos e o CRAC continua a 15, depois de ter cumprido calendário perante o Portimonense em casa (7-0), numa partida em que os algarvios jogaram com muitos suplentes. (Devem ter Champions a meio da semana, só pode... A sério que lhes dá gozo ganharem assim...?!)
 
Com o Rafa ainda de fora, o Nélson Veríssimo apostou na mesma equipa de Anfield Road. O jogo começou repartido com ambas as equipas a atacar, mas quem mais se evidenciou nos minutos iniciais foi o Sr. Fábio Veríssimo e o VAR Hugo Miguel: pisão do Coates ao Darwin, nem amarelo foi, e pisadela do Sarabia no gémeo ao Vertonghen... amarelo! Se fosse ao contrário, era vermelho certinho! Aos 14’, adiantámo-nos no marcador num passe em profundidade do Vertonghen para as costas da defesa lagarta e o Darwin a ganhar ao Coates no confronto directo, tendo depois feito um chapéu ao Adan na saída deste. Grande golo! A partir daqui, agrupámo-nos na defesa e praticamente não permitimos oportunidades aos lagartos. Até foi o Diogo Gonçalves, num remate cruzado, a proporcionar ao Adán uma boa defesa para canto. Logo a seguir, o Vlachodimos saiu muito bem aos pés do Pedro Gonçalves, impedindo-o de fazer o empate. Perto do intervalo, foi o Gonçalo Ramos de cabeça a proporcionar nova boa intervenção do Adán na sequência de um canto, com o Otamendi a fazer a recarga para dentro da baliza, mas estando em posição irregular.
 
No reinício da 2ª parte, o Everton teve um excelente remate de fora da área, a seguir a uma boa assistência do Gonçalo Ramos, com a bola a rasar o poste. Pouco depois, aconteceu a única grande oportunidade da lagartada com o Sarabia a atirar de cabeça à barra depois de um cruzamento da esquerda, com o Grimaldo a ser mal batido pelo seu compatriota. Nós fechávamo-nos muito bem e o Rúben Amorim começou a fazer substituições para tentar inverter o rumo dos acontecimentos, mas sem sucesso. Por volta da hora de jogo, nova grande jogada do VAR Hugo Miguel ao não querer ver um pontapé do Nuno Santos na cabeça do Gilberto, quando este estava no chão...! Nós íamos tentando meter alguns contra-ataques, mas nem sempre os passes saíram bem. Mesmo assim, uma iniciativa do Everton pela esquerda foi cortada in extremis para canto pelo Porro. Dentro já dos últimos dez minutos, foi outro contra-ataque pela esquerda, desta feita do Darwin, a terminar numa cabeçada do Gilberto ao lado, quando poderia ter feito a assistência para o meio, onde estava o entretanto entrado Paulo Bernardo sozinho. Mas, já depois dos 90’, o também entrado Gil Dias começou uma jogada no nosso meio-campo, passou para o Darwin na esquerda, este fez a jogada e isolou o mesmo Gil Dias para desfeitear o Adán à saída deste. Não poderia ter escolhido melhor jogo para marcar o primeiro golo coma camisola do Benfica! Nos poucos minutos até ao final do jogo, deveríamos ter insistido um pouco mais para marcar o terceiro golo, porque a lagartada estava completamente derrotada e isso dar-nos-ia vantagem no confronto directo. Mas infelizmente isso não aconteceu.
 
Em termos individuais, destaque novamente para o Darwin com um golo e uma assistência. Estamos a quatro jogos de nos despedirmos dele e só tenho pena que nos vá encher os cofres sem ter conseguido um único título para o museu. Irá ser muito provavelmente o melhor marcador do campeonato, mas sabe a pouco. O resto da equipa esteve em geral muito concentrada, consciente das suas limitações, porém sem fazer antijogo. No entanto, alguns jogadores acusaram o desgaste de dois jogos seguidos muito intensos, como por exemplo o Gonçalo Ramos, e não percebi porque é que não saíram mais cedo. Acabámos o jogo com quatro laterais (André Almeida e Gilberto de um lado, e Grimaldo e Gil Dias do outro), mas é o que temos hoje em dia.
 
Foi uma boa vitória em que os jogadores puxaram dos galões para não terminar uma época sem derrotar pelo menos um dos rivais. Ainda iremos receber o outro na Luz até final e espera-se naturalmente outra vitória, até porque o nosso registo com eles, desde que existe o estádio novo, é miserável. No entanto, mesmo que consigamos quatro vitórias até final, nada disso, nem a boa Champions, pode escamotear o facto de que esta temporada foi um rotundo falhanço desportivo. O segundo consecutivo. Muito terá de mudar na próxima época.
 
P.S. – Foi a primeira vez desde 2006/07 que faltei a uma ida ao WC. Já não tínhamos nada a ganhar e não estava nada optimista. Mas aprendi a lição: não volta a acontecer! :)