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quarta-feira, setembro 15, 2021

Empate

Estreámo-nos ontem na fase de grupos da Liga dos Campeões com uma igualdade (0-0) em Kiev frente ao Dínamo. Durante a maior parte da partida demonstrámos que somos superiores, mas o pesadelo que foi o período de compensação acaba por tornar o resultado justo.
 
Como seria de esperar, alinhámos com três centrais e, na frente, o Yaremchuk e o Rafa regressaram em relação aos Açores, mantendo-se o Everton a titular. Todos os comentadores diziam que o Dínamo Kiev era forte no ataque e fraco na defesa, mas como domina no campeonato ucraniano essas dificuldades defensivas não eram muito testadas. Ora, o que se viu foi uma equipa super-fechada e com muito respeito por nós. Entregou-nos o comando do jogo, mas nós raramente conseguimos criar oportunidades na 1ª parte, porque fomos sempre muito lentos. Paciência e segurança a circular a bola é bom, mas quando é demasiado não leva a lado nenhum. Só por duas vezes criámos situações complicadas aos ucranianos, num erro deles a sair a jogar que o Everton desaproveitou devido à sua lentidão e num remate de primeira do Yaremchuk, que saiu um pouco à figura do guarda-redes Boyko, embora este tenha tido de o defender para a frente. Do outro lado, um livre directo na parte inicial da partida foi muito bem defendido pelo Vlachodimos, que para não variar começou a evidenciar-se.
 
Na 2ª parte, as coisas mantiveram-se na mesma, connosco a dominar, mas a criar poucas ocasiões para esse domínio. A nossa melhor situação de golo foi através do Yaremchuk, com um remate de pé esquerdo quase na pequena-área na sequência de uma insistência do Rafa, com a bola a sobrar para o nosso ucraniano proporcionar ao Boyko uma defesa que nem sabe bem como. Por volta da hora de jogo, fizemos uma tripla substituição com as entradas do Darwin, Lazaro e a estreia do Radonjic para os lugares do Yaremchuk, Gilberto e o inoperante Everton, mas a equipa piorou. Deixámos de conseguir fazer com que a bola chegasse ao ataque, embora o sérvio Radonjic tenha tido um par de arrancadas que fizeram prometer algo, que infelizmente não se cumpriu. Continuaram a ser as acelerações do Rafa a causar problemas ao Dínamo Kiev, embora fossem cada vez menos com o decorrer do tempo. E foram mesmo os ucranianos que terminaram o jogo em cima de nós, com três oportunidades na compensação que incluíram uma bola ao poste (na verdade foram duas, porque o Otamendi ia fazendo um autogolo), duas boas defesas do Vlachodimos e um golo mesmo a acabar anulado pelo VAR, por fora-de-jogo do jogador que fez a assistência. Foi um enorme suspiro de alívio, porque estivemos mesmo à beira de perder um jogo que deveríamos ter ganho.
 
Em termos individuais, se ficámos a zeros na Europa devemos mais uma vez ao Vlachodimos, que se mostra como uma das grandes figuras deste início de temporada. Outro que fez um jogão foi o Weigl no meio-campo, sempre a pressionar os adversários e a recuperar muitas bolas. O Rafa foi praticamente o único que conseguiu desestabilizar os ucranianos, ao contrário do Everton, que continua a ser um corpo estranho na equipa: muito, muito lento, sempre com a mesma finta para dentro, falta de espontaneidade no remate, enfim, custa a perceber porque é que continua a ser titular... Nas substituições, para o tipo de jogo que estávamos a fazer, de tabelinhas e combinações atacantes, teria sido melhor entrar o Gonçalo Ramos do que o Darwin na 2ª parte. O Radonjic criou algumas expectativas, dado que parece ser o tipo de jogador que não tem medo de enfrentar os adversários e consegue acelerar o nosso jogo, tal como o Rafa. A rever.
 
Como o Bayern Munique foi ganhar 3-0 em Nou Camp, a nossa recepção ao Barcelona na próxima jornada será muito importante para definir o 2º lugar no grupo. O Barça parece-me bastante mais fraco esta temporada, pelo que podemos ter aqui uma boa oportunidade para fazermos uma gracinha...

segunda-feira, setembro 13, 2021

Cada tiro, cada melro

Goleámos no sábado o Santa Clara nos Açores (5-0) e, com o empate (1-1) entre a lagartada e o CRAC, temos agora quatro pontos de vantagem perante ambos. Quem vir só o resultado, poderá pensar que o jogo foi um passeio, mas não foi bem assim, dado que o primeiro golo só surgiu perto do intervalo e depois de uma 1ª parte bastante fraca. No entanto, se este jogo está na memória de todos nós como um dos mais azarados da nossa história, o do passado sábado deve ser um dos com maior grau de eficácia, porque fomos cinco vezes à baliza e marcámos cinco golos!

Voltámos ao esquema dos três centrais, com a novidade Rodrigo Pinho na frente ao lado do Darwin e o Everton na ala, indo o Pizzi para o banco e tendo regressado igualmente o Diogo Gonçalves na direita. O jogo começou repartido, mas rapidamente o Santa Clara tomou conta das coisas na 1ª parte, de tal forma que atirou uma bola ao poste na sequência de um livre e proporcionou ao Vlachodimos uma defesa difícil a um remate de fora da área. Na única ocasião que tivemos, aos 42’, inaugurámos o marcador: abertura do Grimaldo e remate de primeira na passada do Rodrigo Pinho de pé esquerdo, sem hipóteses para o guarda-redes Marco. Íamos para o intervalo em vantagem, mas bastante lisonjeira.

Na 2ª parte, o Jesus fez entrar o Rafa logo de início, tendo saído o Rodrigo Pinho. Estranhei bastante a substituição, dado que tinha sido o marcador do golo e havia outros jogadores que também estavam a passar ao lado do jogo, mas dar moral a algum jogador nunca foi apanágio do Jesus. De qualquer maneira, acabou por resultar (não tanto a saída dele, mas a entrada do Rafa), porque marcámos quatro golos em 23 minutos! Aos 53’, excelente abertura do Everton (provavelmente a única coisa de jeito que fez em toda a partida) a isolar o Darwin, que atirou contra a relva, mas enganou o guarda-redes. Aos 58’, golão do Rafa com um remate de fora da área, em que o guarda-redes nem se mexeu. Aos 62’, bis do Darwin com um remate de pé esquerdo, que foi desviado por dois(!) defesas. Finalmente, aos 68’, o recém-entrado Yaremchuk correspondeu muito bem a um centro rasteiro do Grimaldo na esquerda. O Santa Clara nem percebeu bem o que se passou com este autêntico atropelamento... Com o jogo decidido, ainda deu para estrear o Valentino Lazaro e para perceber que o Gedson deve ser a primeira alternativa ao João Mário, dado que entrou bastante bem na partida e é muito melhor do que o Taarabt (também não é difícil...). Até final, o Vlachodimos esteve atento e impediu que os açorianos conseguissem o golo de honra.

Em termos individuais, se é certo que o Darwin bisou, a considerável melhoria exibicional deve-se fundamentalmente à entrada do Rafa, que incutiu na equipa a velocidade de processos que faltou durante praticamente toda a 1ª parte. Bom jogo igualmente do Grimaldo com duas assistências e saúda-se o regresso do Diogo Gonçalves. Os centrais estiveram bem, com destaque para o Vertonghen. O Vlachodimos foi importante para manter a baliza a zeros, mas aquela saída extemporânea na 1ª parte, que lhe valeu o amarelo, deveria ter sido evitada. Quanto ao Lazaro, ainda não deu para ver grande coisa, mas o Everton continua muito fora dela.

Cinco jogos, cinco vitórias na Liga e os rivais a quatro pontos. Claro que é muito cedo na temporada, mas sempre é melhor um começo assim do que o contrário. Porém, temos de mudar o chip, porque teremos amanhã a estreia na Champions em Kiev e é muito importante começar também com uma vitória, para que pelo menos a Liga Europa fique bem encaminhada.

quinta-feira, setembro 09, 2021

Irlanda e Azerbaijão

Conseguimos seis pontos nesta jornada de selecções (2-1 em casa frente à Irlanda e 3-0 em Baku) e, com o empate da Sérvia na Irlanda (1-1), estamos agora com dois pontos de vantagem sobre os sérvios. Ou seja, estamos muito bem lançados para nos qualificarmos directamente para o Qatar 2022.

Na 4ª feira, dia 1 de Setembro, recebemos a Irlanda no Estádio do Algarve e não nos livrámos de um enorme susto, quando sofremos o 0-1 em cima do intervalo e estivemos a perder até aos 89'! Foi das piores exibições de que me lembro da selecção, a que eventualmente não será alheio o facto de quase não termos treinado, tal como referiu o Fernando Santos. Esta janela de selecções agora tem três jogos numa semana, o que é uma brutalidade e uma estupidez. Basta ver os resultados de muitas selecções. Um bis do Cristiano Ronaldo de cabeça (89' e 96'), a centros do Gonçalo Guedes e João Mário, salvou-nos de complicarmos (muito) as contas para um apuramento directo e tornou-o o melhor marcador de sempre de selecções, agora com 111 golos. Pronto, agora que o recorde está batido, talvez possamos jogar mais sem ser sempre só para ele, não...?!

Como o C. Ronaldo festejou o golo da vitória tirando a camisola, o respectivo amarelo tirou-o da ida ao Azerbaijão na passada 3ª feira. Mas a nossa exibição foi bastante melhor e resolvemos o jogo logo na 1ª parte, como golos do Bernardo Silva (que golão!) aos 26' e André Silva aos 31'. Desperdiçámos a oportunidade de uma goleada, mas ainda fizemos o 3-0 aos 75' numa cabeçada do Diogo Jota.

Entre os dois jogos, tivemos um particular com o Qatar na Hungria, que vencemos por 3-1, com golos do André Silva, Otávio (na estreia de mais um naturalizado brasileiro que tenho a certeza de que, tal como o Deco e Liedson, manterá muitas raízes em Portugal quando acabar a carreira...) e Bruno Fernandes, de penalty.

segunda-feira, agosto 30, 2021

A ferros

Vencemos o Tondela na Luz por 2-1 e, com o empate da lagartada em Famalicão (1-1), isolámo-nos na frente do campeonato à 4ª jornada. Estes jogos contra o Tondela na Luz têm sido quase sempre muito stressantes, porque já perdemos, já empatámos (e demos cabo de um campeonato com este empate) e já ganhámos perto do final. Neste caso, como esta época, dado que o golo da vitória só foi marcado a dois minuto do fim!
 
Apesar de já terem passado cinco dias desde o jogo em Eindhoven e vir a pausa das selecções, o Jesus voltou a fazer rotação da equipa e voltámos ao 4-4-2, com o Darwin e Gonçalo Ramos na frente. Como o Conselho de Disciplina nos fez o favor (sem itálico, nem ironias) de castigar o Taarabt por causa da expulsão na final da Taça, o meio-campo foi com o Meïté e o João Mário, com o Pizzi e Everton nas alas, enquanto que, na defesa, o André Almeida regressou à titularidade. No entanto, oferecemos 45’ ao adversário, já que a nossa 1ª parte foi péssima. Nunca encontrámos verdadeiro antídoto para ultrapassar a boa organização defensiva dos beirões, que não se limitaram a defender e abriram o marcador aos 22’ através do Salvador Agra, num remate cruzado em que o Vlachodimos eventualmente poderia ter feito mais. Com o Pizzi e o Everton completamente fora dela, as bolas quase não chegavam à frente. Um par de remates do Darwin e outro do João Mário para defesa do guarda-redes Babacar Niasse foi o melhor que conseguimos, mas tudo sem perigo eminente.
 
A 2ª parte começou logo com três alterações: Gilberto, Weigl e Rafa para os lugares do André Almeida, Meïté e Pizzi. E a transformação foi imediata, com uma cabeçada por cima do Gilberto, na sequência de um canto e alguns ressaltos, que deveria ter tido melhor direcção, já que foi feita praticamente em cima da baliza. Dez minutos depois do recomeço, foi o Gonçalo Ramos com um grande remate de primeira a proporcionar ao Niasse uma grande defesa. Logo a seguir, o Sr. Tiago Martins e o Sr. Hugo Miguel no VAR não consideraram falta um óbvio derrube ao Rafa na área. O habitual...! À passagem da hora de jogo, o Darwin foi substituído pelo estreante Rodrigo Pinho (o Jesus ainda me há-de explicar porque é que acha que este é melhor do que o Carlos Vinícius, mas enfim...) e pouco depois o João Mário e o Grimaldo ajudaram o Niasse a tornar-se o melhor em campo, com mais duas boas intervenções. Até que, aos 71’, finalmente conseguimos o golo num canto do João Mário na direita, desvio do Weigl ao primeiro poste e o Rafa no segundo a atirar lá para dentro. O primeiro obstáculo estava superado, mas faltava o segundo, porque uma oportunidade destas de colocar os rivais atrás não se podia desperdiçar. A quinze minutos do fim, o Jesus resolveu tirar o Gonçalo Ramos e colocar o Seferovic. Íamos para a parte final do jogo tendo como pontas-de-lança um jogador que fazia a estreia pelo Benfica e outro que só tinha feito cerca de meia-hora no primeiro jogo da época. Não é que o Gonçalo Ramos estivesse a fazer uma exibição de encher o olho, mas estava bastante esforçado e a mexer-se muito no ataque. Viu-se bem a diferença para o Seferovic, que naturalmente não pode ter o mesmo ritmo nesta altura. Enfim... Perdemos um bocado o ímpeto com que estávamos, mas aos 88’ o golo da vitória surgiu por um dos improváveis: jogada entre o Gilberto e o João Mário na direita, centro deste para a área, um corte atabalhoado de um defesa e o Gilberto muito bem, com a parte de fora do pé, a colocar a bola rasteiro no canto inferior direito da baliza. Grande golo de um jogador que incompreensivelmente tem tantos benfiquistas que não gostam dele. Está MUITO longe de ser dos piores laterais-direitos que passaram por cá. Até final, conseguimos gerir a posse de bola e selar uma vitória bastante importante para fechar este ciclo infernal de jogos.
 
Em termos individuais, destaque para os três jogadores que entraram no início da 2ª parte: os golos foram de dois deles e o Weigl colocou toda a equipa a rodar. O Meïté é bom para segurar jogos, mas perante este tipo de adversário o Weigl tem naturalmente outra técnica e classe que é muito mais útil. Para além dos golos, o Rafa e o Gilberto imprimiram uma velocidade ao nosso jogo que está milhas à frente do Pizzi e André Almeida. O João Mário enche-me cada vez mais as medidas, com um tipo de futebol muito simples, mas cheio de classe. Não é de grandes arrancadas para a frente, mas mete a bola a rolar para os companheiros. Que diferença em relação aos outros médios que jogam ali...! (Amanhã fecha o mercado. Não se arranja aí um clubezinho para o Taarabt...? Ou precisamos de pedir uma cunha ao Conselho de Disciplina para estender o castigo até... sei lá... final da temporada?). A defesa esteve algo insegura na 1ª parte, com o Vertonghen a ser batido em velocidade em alguns lances, mas na 2ª o Tondela mal passou de meio-campo. O Everton tem de rever rapidamente o que se passa, porque voltou à forma com que iniciou a época passada. Ou seja, completamente inconsequente, complicativo e a nunca tentar ganhar a linha.
 
Iremos agora parar duas semanas para as selecções. Felizmente, digo eu, que este mês de Agosto foi demasiado intenso, mas felizmente pleno de sucesso.

quarta-feira, agosto 25, 2021

Épico

Empatámos em Eindhoven frente ao PSV (0-0) e estamos, passado um ano, novamente na fase de grupo da Liga dos Campeões. Este adjectivo já terá sido utilizado em vários títulos, mas de facto não há nenhum melhor, dado que estivemos a jogar com dez jogadores desde os 32’, por duplo amarelo do Lucas Veríssimo. Como bem nos recorda essa série de programas que todo o benfiquista deve ouvir, a História Gloriosa, dos meus amigos Nuno Picado, Filipe Inglês (Bakero) e dessa enciclopédia viva de benfiquismo chamada Alberto Minguéns, a nossa história faz-se de conquistas, mas igualmente de grandes sacríficos. E o jogo de ontem tem entrada directa nesses jogos inolvidáveis, como o de Turim ou de Trondheim, apenas para nomear dois jogos mais recentes.
 
Eu estava bastante apreensivo, porque os holandeses foram muito fortes na Luz, mas entrámos muito bem na partida, mesmo estando a jogar com dez desde o início (a sério, não há quem nos faça o favor de levar o Taarabt para longe da Luz...?!). Conseguimos controlar perfeitamente o PSV até à expulsão e até tivemos uma ótima oportunidade através do Rafa, cujo remate em boa posição foi cortado por um defesa para canto. Pouco depois, o PSV teve igualmente uma boa ocasião num remate à malha lateral depois de um cruzamento da direita. Até que veio o minuto 32 e eu vi Mozer em Parma em 1993/94 all over again. Depois de um amarelo perfeitamente idiota por ter falhado um passe, o Lucas Veríssimo meteu 37 milhões de euros em causa ao saltar com o braço aberto, metendo-se a jeito para o Sr. Slavko Vincic lhe mostrar o segundo. Se as coisas nos estavam a correm bem até então, a partir dali perspectivava-se o pior. Até ao intervalo, ficámos com os quatro defesas e vimos o Vlachodimos assumir-se como o homem da eliminatória, ao defender com a perna um remate do Madueke que lhe apareceu isolado pela frente sob a direita. Madueke, esse, que já antes num remate em arco tinha criado bastante perigo.
 
Na 2ª parte, dado que tínhamos de defender o 0-0, eu esperava a entrada do Meïté para o lugar desse erro chamado Taarabt e do Gonçalo Ramos, porque defende bastante melhor do que o Yaremchuk. Porém, não houve alterações e a equipa voltou ao esquema dos três centrais, com o Gilberto como um deles e o Rafa a fechar a lateral-direita. Mais estranho não poderia ser, até porque o Rafa deveria estar na frente, porque era o único cuja velocidade poderia causar problemas aos holandeses. Claro que aquela disposição táctica estava condenada a não durar muito tempo e aos 54’ entrou o Vertonghen para o lugar do equívoco Taarabt. Voltávamos a estar com dez novamente! Num raro contra-ataque, foi o Yaremchuk a conduzi-lo e a rematar já em esforço por cima, quando eventualmente poderia ter resolvido de outra forma. O PSV naturalmente dominava e goleava-nos em posse de bola, mas o Jesus respondia muito bem tacticamente e à passagem da hora de jogo entraram o André Almeida e o Gonçalo Ramos para os lugares do Gilberto e Yaremchuk. O único erro do Morato no jogo deu a melhor oportunidade ao PSV, com o Madueke na direita a assistir o isolado Zahavi no meio, mas este a atirar ao poste com a baliza completamente escancarada. Os deuses estiveram connosco, mas pareceu-me na repetição que o israelita estava ligeiramente fora-de-jogo. Nunca saberemos o que aconteceria caso a bola tivesse entrado... Felizmente aos 70’, o treinador dos holandeses resolveu tirar o Madueke e as coisas melhoraram um pouco para nós. A equipa mostrava-se bastante solidária e conseguimos não dar espaços ao PSV para entrar na nossa área. A 15’ do fim, esgotámos as substituições com o Everton e Meïté para os lugares do Rafa e João Mário, que já tinha visto um amarelo. Com a saída deste, deixámos de conseguir ter posse de bola, mas estando já amarelado seria um alvo fácil. O Everton ainda teve uma jogada típica sua, flectindo da esquerda para o meio, mas o remate saiu à figura. Do outro lado, continuava o show Vlachodimos a suster os poucos remates que lhe chegavam, entre os quais um duplo já a 5’ do fim, em que o grego esteve brilhante especialmente na defesa à recarga. Quando o esloveno sr. Slavko Vincic apitou para o final, dei um berro que se deve ter ouvido em Eindhoven. Foi uma catarse absolutamente necessária para uma camada de nervos que já não tinha provavelmente desde que fomos campeões com o Lage.
 
Em termos individuais, ÓBVIO destaque para o Vlachodimos. O Jesus bem pode continuar na teimosa de não o reconhecer directamente, mas o grego foi o homem da eliminatória. Ponto. Se estamos na Champions, a ele o devemos. Parágrafo. É um facto que qualquer pessoa que não seja cega vê! Realce também para as grandes exibições do Weigl (correu 12 km!) e do Grimaldo, que depois de ter uma 1ª mão muito difícil perante o Madueke, conseguiu ontem não ser batido uma única vez por ele. Os centrais foram muito importantes como muralha defensiva, apenas com o tal erro do Morato que nos poderia ter custado caro. O Lucas Veríssimo é bom que reflicta sobre o que se passou, pois esteve prestes a ter uma nódoa dificilmente apagável no seu currículo. Livrou-se de boa!
 
Como disse o Rui Costa aos jogadores no balneário, podem levar este jogo para o resto das suas vidas. Foi uma qualificação com enorme sofrimento, mas muito merecida precisamente por essa capacidade de ultrapassar as contrariedades. Assistimos a uma jornada heróica que não desmerece em nada a nossa história. Já andávamos a precisar disto há algum tempo. Viva o BENFICA!
 
P.S. – Estamos no pote 3 no sorteio. Portanto, por mim, pode ser o Villarreal, PSG e Sheriff. Adoraria ver o Messi, Neymar, Mbappé e Donnarumma na Luz, acho que teríamos hipóteses na luta pelo 2º lugar e a Liga Europa estaria em princípio garantida.

domingo, agosto 22, 2021

Difícil

Vencemos ontem o Gil Vicente em Barcelos por 2-0 e mantivemo-nos na frente do campeonato, juntamente com a lagartada, que derrotou o Belenenses SAD por 2-0, enquanto o CRAC empatou no Marítimo (1-1) e está com menos dois pontos. Continuo à espera que alguém me explique porque é que algumas eliminatórias da Champions têm seis dias de intervalo (4ª e 3ª feira) e outras oito (3ª e 4ª feira), em vez de terem ambas sete (as duas 3ªs feiras e as duas 4ªs, obviamente), mas assim sendo, e estando nós no primeiro caso, já era esperado que o Jesus fizesse alterações na equipa. O que tornou esta partida ainda mais complicada e só com a entrada dos titulares as coisas melhoraram, mas mesmo assim só marcámos o primeiro logo já bem dentro dos últimos 10’.

Entrámos bem no jogo e o Taarabt enganou-se atirando uma bola ao poste, tendo nós ainda outra bola ao poste e posterior golo de recarga do Gilberto, mas o Everton que fez a assistência estava claramente em fora-de-jogo. Controlávamos bem o Gil Vicente em termos defensivos, mas no ataque só tivemos mais duas boas ocasiões, num livre do Taarabt defendido pelo guarda-redes Kritciuk e noutro remate por cima do Yaremchuk, que deveria ter feito melhor porque estava em excelente posição, depois de ser isolado por um calcanhar do Everton. Do lado contrário, o Vlachodimos conseguiu resolver o pouco que lhe apareceu pela frente.

A 2ª parte começou logo com uma grande jogada individual do Gonçalo Ramos, que só não deu golo porque o Kritciuk cedeu canto in extremis. Tivemos novo golo anulado de cabeça por fora-de-jogo, desta feita do Yaremchuk, e íamos pressionando cada vez mais e empurrando o Gil Vicente para o seu meio-campo. O Jesus lançou o Pizzi, André Almeida e João Mário ainda antes da hora de jogo, mas logo a seguir das substituições foi o Vlachodimos a safar-nos com uma defesa com o corpo a um remate do Murilo praticamente isolado. O Gonçalo Ramos teve das melhores ocasiões num cabeceamento de cima para baixo, que nem se percebeu como o guarda-redes defendeu. O Gil Dias e o Pizzi também poderiam ter feito melhor em termos de remate quando estavam em boa posição e, a pouco menos de 20’ do fim, entraram o Darwin e o Grimaldo. O João Mário viu um remate seu prometedor a ser interceptado, como interceptado pelo Lucas Veríssimo foi também (e felizmente!) um fraquíssimo remate do Pizzi, com o central brasileiro a ter só de atirar para a baliza deserta, já que o Kritciuk se tinha lançado à primeira bola. Estávamos nos 84’ e o suspiro de alívio foi enorme! O Gil Vicente sentiu imenso o golo, como seria de esperar, e aos 88’ o Grimaldo fechou as contas com um golão de fora-da-área.

O destaque individual vai obviamente para o Lucas Veríssimo, cuja inteligência foi bem demonstrada na sua acção no primeiro golo: percebeu que o remate do Pizzi não ia a lado nenhum e resolveu corrigi-lo. Para além disso, em termos defensivos esteve irrepreensível. Neste capítulo defensivo, também menção muito honrosa para o Morato, que aparenta estar a crescer de jogo para jogo. No meio-campo, o Meïté fez uma exibição em crescendo e viu-se bem a diferença de quando entrou o João Mário para o lugar da abécula Taarabt. O Everton continua igual ao que começou a temporada passada e espero que reencontre rapidamente o Everton que acabou a época. O Yaremchuk esteve mais discreto do que em relação aos outros jogos e o Gonçalo Ramos acabou por ter algum azar, pois viu o guarda-redes tirar-lhe dois golos feitos. O Vlachodimos voltou a mostrar-se seguro e a não dar razão a algumas desvalorizações que o Jesus lhe faz.

Depois de ultrapassado este obstáculo bastante complicado, mas teremos outro ainda mais na próxima 3ª feira. É fundamental irmos à Liga dos Campeões e, para tal, teremos de fazer um jogo muito inteligente em Eindhoven. Espero que o descanso do Rafa o torne uma seta ao PSV, porque as rápidas transições ofensivas vão ser cruciais.

quinta-feira, agosto 19, 2021

Justo

Vencemos ontem o PSV na Luz (2-1) na 1ª mão do play-off de acesso à Liga dos Campeões. Foi um resultado muito bom, eventualmente até um pouco lisonjeiro para nós, num jogo bastante complicado perante um adversário que só tinha somado vitórias até agora.


No regresso esperado dos três centrais, o Yaremchuk foi o ponta-da-lança e foi dele a abertura para o Rafa inaugurar o marcador logo aos 10’. Não poderíamos ter tido melhor começo! No entanto, daí até perto do intervalo o jogo foi todo dos holandeses. Especialmente pelo seu lado direito, onde o Madueke deu cabo da cabeça do Grimaldo, o PSV pressionou-nos como nenhuma equipa tinha feito até agora. Lá conseguimos não os deixar criar grandes oportunidades, apesar de terem goleado na posse de bola. O Weigl perdeu umas quantas bolas em zona de perigosa, felizmente sem consequências, mas redimiu-se dessas falhas pouco habituais ao fazer o 2-0 aos 42’, aproveitando um ressalto na área depois de um canto do Pizzi. O PSV dominava e nós marcávamos. Não estava mal...!


Na 2ª parte, esperava-se que tivéssemos mais posse de bola e até voltámos a começar bem, com o Yaremchuk a rematar ao lado, mas o lance foi anulado por fora-de-jogo. Logo a seguir, foi o Rafa a ter uma boa oportunidade depois de uma combinação com o Grimaldo, mas o remate saiu fraco e o guarda-redes defendeu sem dificuldade. Aos 51’, um balde de água fria com o golo dos holandeses através do Gakpo, que cortou um ataque nosso e iniciou ele próprio um contra-ataque venenoso que concluiu com um remate de fora da área. Sentimos o golo e os holandeses voltaram a dominar grande parte do segundo tempo. O jogo estava bastante rápido e fisicamente começámos a dar o berro, pelo que o Jesus fez quatro substituições de uma só vez, que tiveram o condão de estabilizar a equipa, nomeadamente a entrada do Meïté para o meio-campo. Até final, contámos com o Vlachodimos para manter a nossa baliza inviolada.


Em termos individuais, destaque novamente para o Yaremchuk que assistiu num golo e participou no ressalto que deu o segundo. No entanto, o melhor do Benfica foi indiscutivelmente o Vlachodimos com pelo menos quatro defesas de golo. (Não percebi de todo as declarações do Jesus no final do jogo a desvalorizar a exibição do grego...! É claramente melhor do que o Helton Leite.) O Rafa é quem mais cria desequilibrios atacantes e fica indiscutivelmente na história deste jogo pelo golo marcado. Os centrais estiveram globalmente bem, com o Morato a não tremer e o Lucas Veríssimos inclusive a participar nas acções atacantes com um belo remate de fora da área na 1ª parte, que proporcionou ao guarda-redes uma excelente defesa. para canto Quanto aos menos, o Pizzi passou indiscutivelmente ao lado do jogo e desta vez não tem uma assistência ou um golo para compensar.


Iremos passar um mau bocado na Holanda, porque este PSV me parece de outro calibre. Teremos obrigatoriamente de marcar e, provavelmente só um golo não chega. Eu reforçaria o meio-campo com Meïté e Weigl, avançando o João Mário e colocando o Pizzi no banco. É imperativo fazermos um jogo muito inteligente, até porque a vantagem de se marcar fora deixou de existir e, portanto, só não perdendo o jogo é que nos conseguiremos apoiar (sim, eu sei que pode haver penalties depois de uma derrota por um golo, mas estava a falar de jogo corrido.). No entanto, antes disso temos uma difícil deslocação a Barcelos, onde se prevê que o Jesus faça uma grande rotação na equipa. As segundas linhas terão mais uma oportunidade para justificarem que merecem fazer parte do plantel.

terça-feira, agosto 17, 2021

Escasso

Vencemos o Arouca no sábado na Luz por 2-0 e obtivemos a segunda vitória em dois jogos no campeonato. O jogo ficou indiscutivelmente marcado pela indiscutível expulsão precoce do guarda-redes do Arouca, que tornou a nossa tarefa mais simples, mas, apesar de termos chegado ao intervalo com o resultado feito, ficámo-nos a dever uma mão cheia de golos.

Com necessidade de rodar novamente a equipa, fruto do play-off com o PSV, o Jesus voltou ao esquema dos quatro defesas, com o Morato a titular. Na frente, o Yaremchuk estreou-se na equipa inicial, tendo o Waldschmidt ao seu lado, enquanto no meio-campo o Meïté fez companhia ao João Mário. Logo aos 8’, deu-se o momento do jogo, com uma desatenção incrível do guarda-redes Victor Braga, que não percebeu que o Sr. Manuel Mota tinha mandado seguir o jogo depois de um fora-de-jogo nosso. Atirou a bola para a frente para marcar o suposto livre, o Yaremchuk interceptou-a, o guarda-redes foi ao seu encontro e defendeu com as mãos fora da área. Expulsão evidente. No livre directo, dupla bola nos ferros(!) da nossa parte: do Waldschmidt na cobrança e do Everton na recarga de cabeça com a baliza totalmente à mercê. Incrível! Com menos um, o Arouca fechou-se ainda mais e tivemos muitas dificuldades em desmontar a sua defesa. Um remate do Everton de fora da área por cima à passagem da meia-hora foi o melhor que conseguimos até virem os golos muito perto do intervalo. Aos 38’, contra-ataque perfeito da nossa parte com o João Mário a abrir na direita para o Yaremchuk, que correu, bateu um defesa e assistiu o Waldschmidt no centro da área, que só teve de encostar. O único remate perigoso do Arouca em toda a partida surgiu logo a seguir, com o Vlachodimos a defender para canto. Aos 43’, resolvemos o jogo, com o 2-0 através do Yaremchuk a corresponder muito bem a um centro do Pizzi na direita. Claro que ainda tivemos o momento habitual de esperar que o VAR validasse os centímetros todos para podermos festejar à vontade...! (Já aqui disse que ABOMINO o VAR, não já?)


A 2ª parte foi um fartote de golos falhados! Alguns de forma escandalosa! O João Mário ia marcando o golo do campeonato logo a abrir, mas o remate de longe saiu a rasar o poste. O Jesus começou a fazer poupanças ainda antes da hora de jogo e saíram o João Mário, Pizzi e Yaremchuk para entrarem o Taarabt, Rafa e Gonçalo Ramos. De saudar igualmente o regresso do André Almeida depois de longa lesão. Quanto a oportunidades, o Rafa rematou por cima em boa posição, o Waldschmidt falhou inacreditavelmente uma recarga com a baliza aberta, depois de o Rafa isolado ter permitido a defesa do guarda-redes, e o Gonçalo Ramos, também só com o guarda-redes pela frente, atirou ao poste! Ainda colocámos a bola na baliza pelo Waldschmidt, mas o VAR anulou por fora-de-jogo, apesar de me ter parecido que foi um defesa a colocar a bola no alemão. Até final, ainda deu para vermos novamente o Carlos Vinícius em campo com a nossa camisola, facto que foi bastante saudado pelo público.


Em termos individuais, destaque óbvio para o Yaremchuk com uma assistência e um golo no seu primeiro jogo a titular. Tem facilidade de remate, o que é sempre de saudar, mas terá de melhorar as tabelinhas e alguns domínios de bola. Também gostei bastante do Meïté no meio-campo, com muito mais dinâmica do que em Moreira de Cónegos. O Gil Dias fez igualmente um jogo melhor do que em Moreira, embora ainda tenha as minhas dúvidas que seja uma alternativa válida ao Grimaldo. O Pizzi fartou-se de estragar jogo, mas como fez uma assistência tudo o resto parece ficar esquecido.


Acabou por ser uma vitória relativamente tranquila, o que foi benéfico, porque temos amanhã a 1ª mão do play-off da Champions frente ao PSV. Estamos num razoável momento de forma para esta altura da época, mas veremos se será suficiente para passar os holandeses. É sem dúvida um dos momentos mais importantes desta temporada.

quarta-feira, agosto 11, 2021

Em frente

Na recepção ao Spartak Moscovo, voltámos a vencê-los por 2-0 e qualificámo-nos para o play-off de acesso à Champions, onde iremos defrontar o PSV Eindhoven. Foi outro triunfo indiscutível em que a nossa superioridade ainda esteve mais vincada do que no jogo da 1ª mão.
 
Com o regresso do público à Luz (FINALMENTE!), fizemos uma partida bastante inteligente em que praticamente não deixámos os russos passarem de meio-campo. Depois do descanso em Moreira de Cónegos, os titulares voltaram todos, mas à semelhança de Moscovo não conseguimos marcar na 1ª parte. O Spartak fechou-se ainda mais lá atrás e não conseguimos ter o mesmo número de oportunidade da 1ª mão. Dois remates do Pizzi no mesmo lance, ambos interceptados por defesas, foi o melhor que conseguimos. Do lado contrário, um remate enrolado, que desviou num defesa nosso e foi defendido pelo Vlachodimos, foi a única(!) (meia-)oportunidade dos russos em toda a partida.
 
Ao intervalo, o Vertonghen saiu lesionado e entrou o Morato, que fez logo um disparate na primeira vez que tocou na bola, mas depois conseguiu equilibrar-se no resto do tempo. O jogo manteve igual ao que estava, com o Spartak sem passar de meio-campo, e a eliminatória ficou praticamente decidida aos 57’ na estreia do João Mário a marcar, na recarga a um primeiro remate do Rafa, que fez a aceleração decisiva que desmontou a defesa adversária. Com tudo a nosso favor, o Jesus foi começando a poupar jogadores e promoveu a estreia do Yaremchuk para o lugar do esgotado Gonçalo Guedes Ramos. Também o Everton substituiu o Pizzi e foi o brasileiro a ter uma excelente oportunidade, com um remate por cima quando estava em posição de fazer muito melhor. A qualificação estava garantida, mas já agora convinha ganhar o jogo até porque os pontos para o ranking nunca são de desprezar. Depois de um livre para a nossa área que poderia ser perigoso, mas o Vlachodimos aliviou, conseguimos o segundo golo já na compensação (92’), numa boa combinação entre o Yaremchuk e o João Mário, com o ucraniano a rematar contra um adversário, tendo a bola ressaltado num outro, o Gigot, e entrado na baliza. O estádio ficou em êxtase que se prolongou na despedida da equipa do relvado no final, pouco depois.
 
Em termos individuais, o Rafa foi possivelmente o melhor, com as suas acelerações a serem decisivas para desmontar a estratégia contrária. Outro que me está a encher as medidas (e que confesso não esperava) é o João Mário: pezinhos de lã, muita objectividade, sempre a tentar jogar para a frente, não é do tipo todo-o-terreno a conduzir a bola, mas ao menos não emperra o jogo (e basta isso para ser uma melhoria considerável em relação ao passado recente!). Além disto tudo, abrilhantou a sua exibição com o importantíssimo primeiro golo. Na 1ª parte, o Diogo Gonçalves esteve bastante activo na direita, embora nem sempre os centros lhe tenham saído bem. A defesa esteve muito segura, com o Otamendi a revelar-se imperial. Esperemos que a lesão do Vertonghen não seja para muito tempo, porque convinha estar disponível para o PSV. O Weigl é o pêndulo que se sabe, mas levou um amarelo muito estúpido que me tirou do sério. O Yaremchuk mostrou que tem facilidade de remate, mas neste momento o lugar é do Gonçalo Ramos.
 
O PSV será um adversário bastante mais complicado, mas as indicações que temos dado são boas. Prevê-se uma rotação bastante grande da equipa para defrontar o Arouca na Luz, antes da recepção aos holandeses, mas o nosso plantel dá garantias que o nível exibicional se possa manter mais ou menos o mesmo.

segunda-feira, agosto 09, 2021

Sofrido

Estreámo-nos no sábado na Liga deste ano com uma vitória em Moreira de Cónegos (2-1), apenas três dias depois do jogo na Rússia. Por causa disso mesmo, o Jesus mudou seis titulares, mas até à expulsão do Diogo Gonçalves até estávamos a fazer uma exibição agradável. Depois disso, soubemos sofrer e garantir uma vitória justa e preciosa.
 
Só o guarda-redes e quatro dos cinco defesas se mantiveram na equipa inicial, tendo o Jesus ainda promovido as estreias absolutas do Meïté e do Gil Dias. Na primeira jogada de perigo que fizemos, o Gonçalo Ramos fugiu pela esquerda, bateu dois defesas e rematou de ângulo difícil para o guarda-redes Pasinato defender com os pés para canto. Teria sido um golo fantástico! No entanto, aos 9’ e na sequência de outro canto, o Lucas Veríssimo inaugurou o marcador de cabeça, demonstrando uma óptima capacidade de reacção a um alívio contrário quase à queima. Pouco depois, o central Artur Jorge foi expulso por ter derrubado o isolado Gonçalo Ramos, mas o VAR reverteu por considerar que ele tocou na bola. É um lance difícil, aceito a decisão, mas vou ver se este mesmo critério se aplica ao longo da época... Continuávamos a controlar completamente o jogo e aos 19’ aumentámos a vantagem através do Waldschmidt, depois de um centro da direita do Diogo Gonçalves, que um defesa contrário não conseguiu cortar bem, tendo a bola a sobrado já na área para o alemão rematar rasteiro sem hipóteses para o guarda-redes. Parecia que estava tudo bem encaminhado, mas aos 30’, o Moreirense reduziu para 1-2 com um golo do Rafael Martins, que foi isolado pelo Yan, depois de uma perda de bola em zona difícil do Meïté, que se mostrou muito lento nesse lance. O jogo ficou mais equilibrado, mas a melhor oportunidade até ao intervalo foi nossa com um remate do Gonçalo Ramos, assistido pelo Meïté, que o Pasinato defendeu para a barra, tendo ainda o Waldschmidt rematado cruzado para outra defesa complicada do guarda-redes.
 
Na 2ª parte, estávamos a continuar a tentar marcar para fechar definitivamente o jogo, quando aos 56’ o Diogo Gonçalves teve uma entrada muito imprudente e escusada sobre o Conté. O Sr. Vítor Ferreira mostrou-lhe primeiro o amarelo, mas depois foi ver as imagens alertado pelo VAR e alterou para vermelho. A partir daqui, o jogo mudou. O Jesus colocou o Weigl e Gilberto, retirando o Taarabt e Waldschmidt para reequilibrar a estrutura defensiva, o que foi conseguido, mas em termos atacantes nunca mais fomos os mesmos. Aos 68’, devemos ao Vlachodimos a manutenção da vantagem, com uma grande defesa a um remate cruzado. O Rafa ainda entrou para o lugar do Everton, mas nunca conseguiu sair em velocidade. Se o Sr. Vítor Ferreira esteve bem a amarelar o Pires por uma simulação de penalty, já não esteve tão bem a não marcar no chão as barreiras dos livres, razão pela qual um livre directo do Meïté foi interceptado quando ia com boa direcção. Com alguma dificuldade e apesar dos 8’ de tempo de compensação, lá conseguimos segurar a vantagem.
 
Em termos individuais, gostei imenso do Gonçalo Ramos, que luta que se farta, ganha imensas bolas de cabeça e combina muito bem com os colegas. Além disto, está sempre muito perto do golo. Golo esse que deu alento ao Waldschmidt para fazer uma exibição interessante, ele que se apresentou longe do melhor na pré-temporada. Os três centrais só erraram no golo, mas no resto do tempo foram um muro, em especial depois de estarmos a jogar com 10. O Meïté é um caso a rever, porque me parece que tem bons pés, mas um ritmo ainda demasiado lento. Quanto ao Gil Dias, o Jesus está convencido que o pode tornar um novo Fábio Coentrão, mas não sei se vai ter muita sorte...
 
Esta vitória era importante para não deixar fugir os outros dois logo no arranque do campeonato (ambos jogaram em casa, com a lagartada a ganhar 3-0 ao Vizela e o CRAC 2-0 ao Belenenses SAD). Seguimos já amanhã na luta pelo apuramento para a Champions com a 2ª mão frente ao Spartak. Tendo muito dos titulares descansado frente ao Moreirense, espera-se novamente uma boa exibição e naturalmente uma vitória.

Da Rússia com amor

Vencemos na 4ª feira passada o Spartak de Moscovo na Rússia por 2-0 e estamos bem encaminhados para os eliminar na 3ª pré-eliminatória de acesso à fase de grupo das Liga dos Campeões. Depois de uma pré-temporada com alguns jogos sofríveis (no seguimento da inenarrável temporada anterior), confesso que que a exibição me surpreendeu bastante e o resultado só peca por escasso. Muitos dirão que o Spartak se mostrou um adversário muito fraco, mas e o PAOK no ano passado? Era um colosso...?!
 
O Jesus, ao contrário do que sugeriu na conferência de imprensa, voltou ao esquema de três centrais (perfeitamente escusada esta rábula, não gosto nada que um treinador do Benfica minta de propósito) e fomos dominadores logo desde o início. Tivemos várias ocasiões na 1ª parte, com um cabeceamento do Diogo Gonçalves bem defendido pelo guarda-redes Maksimenko, um remate de trivela do Rafa ligeiramente ao lado e o Pizzi a destacar-se pela negativa (poderia ter feito um hat-trick e nem uma entrou...). Do lado oposto, só um remate fora da área deu trabalho ao Vlachodimos. Depois de ter sido titular na maior parte da pré-temporada e de ter marcado golos, o Gonçalo Ramos foi para o banco, mas ainda entrou antes do intervalo a substituir o lesionado Seferovic. Chegados ao descanso, cheguei a temer uma reedição de Salónica, dado que na 1ª parte na Grécia também nos fartámos de falhar golos e depois aconteceu o que aconteceu.
 
No entanto, a 2ª parte não poderia ter começado melhor com o 1-0 para nós aos 50’, depois de uma boa triangulação entre o Pizzi, João Mário e Rafa, com este a fuzilar autenticamente o guarda-redes. Ao contrário do que foi habitual durante a maior parte dos jogos na temporada passada, não nos entretivemos a “controlar o jogo” (o que eu odeio quando fazemos isto...!) e tentámos sempre aumentar a vantagem. O Gonçalo Ramos teve uma boa chance para tal, ao desviar uma bola num canto já na pequena-área, mas esta saiu ao lado. Aos 74’, um óptimo passe do Lucas Veríssimo para a área isolou o entretanto entrado Gilberto, que rematou com força sem hipóteses para o guarda-redes, estreando-se a marcar pelo Benfica e logo num jogo desta importância. Até final, também o Everton, que tinha igualmente entrado, teve um bom remate em arco, mas o Maksimenko impediu que déssemos a estocada final na eliminatória.
 
Em termos individuais, destaque para o João Mário, que constitui uma melhoria considerável em relação ao inenarrável “passa-para-o-lado-passa-para-trás-emperra-o-jogo” Taarabt. Não é de grandes correrias com a bola, mas ao menos fá-la andar para a frente. O Rafa esteve também em evidência, com um golo e uma série de arrancadas que desestabilizaram a defensiva russa. O Gonçalo Ramos entrou muitíssimo bem e foi claramente superior ao Seferovic (aliás, não percebo a sua não-titularidade, dado que foi o melhor marcador da pré-temporada...). Os três centrais controlaram perfeitamente o ataque contrário e o Vlachodimos defendeu quando era preciso, dando muito mais segurança do que o Helton Leite. O mal-amado Gilberto (confesso que não percebo a perseguição que alguns adeptos lhe fazem, está muito longe de ser dos piores laterais-direitos que passaram pelo Benfica) marcou um golo que pode ser decisivo.
 
Com a nova regra da Uefa, que retirou os golos fora como critério de desempate, haverá certamente muitos mais prolongamentos e eventualmente penalties. No entanto, nesta eliminatória, isto favorece-nos, porque, se acontecer uma desgraça e perdermos por dois golos, iremos sempre a prolongamento. Mas claro que com a superioridade que demonstrámos na 1ª mão, não passa pela cabeça de ninguém que não consigamos nova vitória, num jogo em que FINALMENTE poderemos regressar ao estádio!
 
P.S. – Sim, ainda estou vivo. Férias em sítio com pouca rede impediram-me de postar mais cedo. As minhas desculpas por isso. (Podem recolher os foguetes que não se livram de mim tão cedo...!)

terça-feira, junho 29, 2021

Inglório

Perdemos com a Bélgica no domingo (0-1) e fomos eliminados nos oitavos-de-final do Euro 2020. Logo na partida em que jogámos melhor, o único(!) remate à baliza dos belgas em todo o jogo acabou com o nosso desiderato da renovação do título.
 
Como Renato Sanches a manter (e bem) a titularidade e o Palhinha de Diogo Dalot nos lugares do Danilo e Nélson Semedo, não entrámos bem, mas ao fim de 15’ já tínhamos reequilibrado o jogo. Tivemos uma boa chance logo no início, numa grande abertura do Renato Sanches para um remate muito torto do Diogo Jota em boa posição. Um livre do Cristiano Ronaldo obrigou o Courtois a boa defesa, mas perto do intervalo (42’) sofremos o único golo do encontro num remate de fora da área com efeito do Thorgan Hazard, que o Rui Patrício não conseguiu defender.
 
A 2ª parte foi toda nossa e só alguma dose de azar nos impediu de marcar. Claro que o facto de o De Bruyne ter saído lesionado pouco depois do intervalo contribuiu para um relativo desaparecimento dos belgas, que jogaram bastante pior do que eu estava à espera. No entanto, especialmente depois da entrada do João Félix, a balança da partida pendeu claramente para o nosso lado. O Diogo Jota rematou por cima de primeira, depois de uma assistência do C. Ronaldo, o Rúben Dias teve uma cabeçada fortíssima num canto que o Courtois defendeu por instinto e o Raphael Guerreiro atirou ao poste de pé direito, ambos estes lances já nos últimos dez minutos. A nossa pressão foi muito intensa, especialmente no final, mas já não fomos a tempo de alterar o marcador.
 
Em termos individuais, o Renato Sanches foi dos melhores, sempre a levar a equipa para frente, e a equipa esteve muito concentrada em termos defensivos para não deixar os belgas acelerarem como tanto gostam.
 
Somos eliminados numa fase precoce, mas quando defrontamos consecutivamente a Alemanha, França e Bélgica (que está em primeiro lugar no ranking da FIFA), isso não pode ser considerado uma vergonha. Provavelmente gastámos a sorte toda no Euro 2106. Poderíamos (e deveríamos) ter feito mais em alguns jogos, nomeadamente a ter mais velocidade nas transições ofensivas e quiçá forçar um pouco a vitória frente à França, assim que soubemos que o terceiro lugar estava seguro (a cinco minutos do fim). E, claro, tínhamos obrigação de apresentar o futebol da 2ª parte contra os belgas durante mais tempo nos outros jogos. Mas temos um seleccionador muito medroso, o que, tal como já vi aí escrito por mais de uma vez, justifica que, em 15 jogos em Europeus e Mundiais com o Fernando Santos como treinador, tenhamos apenas três vitórias, nove empates e três derrotas nos 90’. Esclarecedor.

sexta-feira, junho 25, 2021

Nos oitavos

Empatámos com a França na 4ª feira (2-2) e estamos apurados para os oitavos-de-final do Euro 2020. Mediante os resultados dos outros grupos, para conseguirmos o apuramento,  precisávamos de não perder por mais de três golos com os franceses, SE... a Hungria não ganhasse à Alemanha em Munique. Facto consumado, certo...? Errado! Porque não só a Hungria esteve a ganhar por duas vezes, como a Alemanha só conseguiu o empate (2-2) a seis minutos do fim. Ou seja, a coisa esteve muito tremida até final.
 
Ao contrário dos dois jogos anteriores, acho que neste até jogámos razoavelmente bem. Os franceses já estavam apurados e, por isso, não imprimiram uma pressão tão grande quanto os alemães. Claro que o facto de terem entrado o João Moutinho e Renato Sanches para o meio-campo ajudou bastante a que não apresentássemos só os andamentos ‘devagar e parado’ dos jogos anteriores. Inaugurámos o marcador aos 31’, quando o Lloris abalroou o Danilo (que teve de sair ao intervalo) num livre para a área. O Cristiano Ronaldo não perdoou. Com a Hungria já a ganhar à Alemanha, estávamos momentaneamente no 1º lugar e os alemães de fora. A França não conseguiu criar grande perigo a partir do nosso golo, mas em cima dos 45’, numa disputa de bola entre o Nélson Semedo e o Mbappé, o árbitro resolveu marcar penalty (eu acho que não era, mas prefiro claramente este sistema em que o VAR só reverte decisões do árbitro no campo, quando há um óbvio engano; não há cá 5’ de espera para ver a intensidade da interpretação...). O Benzema atirou para o lado contrário do Rui Patrício e fez o empate.
 
No recomeço, as coisas ficaram muito tremidas, porque a França fez o 1-2 logo aos 47’, novamente pelo Benzema, num lance em que o VAR validou a posição do francês, o que, juntamente com a continuação da vantagem da Hungria, nos deixaria fora do Euro. No entanto, aos 60’, restabelecemos a igualdade no terceiro penalty do jogo, por clara mão de um adversário, com o C. Ronaldo a atirar para o mesmo lado do primeiro penalty, enganando novamente o Lloris. Quase ao mesmo tempo, a Alemanha marcava e sofria na jogada seguinte, pelo que a situação se mantinha: alemães de fora e nós apurados, mas desta feita no segundo lugar do grupo. A partir daqui, houve uma espécie de pacto de não-agressão, só furado pelo Pogba, para proporcionar ao Rui Patrício uma das melhores defesas do Euro até agora. Como o jogo em Munique terminou cinco minutos antes do nosso, ainda tive a esperança de que forçássemos um pouco para tentar conseguir a vitória que nos faria jogar contra a Suíça em vez da Bélgica. Mas esqueci-me momentaneamente que isto é uma selecção treinada pelo Fernando Santos...
 
Em termos individuais, destaque para o C. Ronaldo que, com estes dois golos, igualou o iraniano Ali Daei como melhor marcador de sempre das selecções (109). O Renato Sanches é neste momento um titular mais do que absoluto para alguém com dois olhos na cara e o Bernardo Silva subiu muito de produção em relação aos dois jogos anteriores. O Rui Patrício foi essencial para manter o empate e os centrais (Pepe e Rúben Dias) também estiveram muito bem. O João Palhinha, que entrou ao intervalo, mostrou ser uma opção bastante válida.
 
Como ficámos em terceiro lugar, iremos agora jogar contra a Bélgica no domingo. Para mim, juntamente com a Itália e França, são uma das candidatas ao Euro. Mas tendo ficado todas elas no mesmo lado do sorteio, não se poderão defrontar na final. Vi hoje a notícia de que, se passarmos a Bélgica, iremos mudar o quartel-general para a Cidade do Futebol, no Jamor. Acho que poderemos passar por lá, sim, mas para os jogadores recolherem os respectivos carros para férias... Infelizmente.

segunda-feira, junho 21, 2021

Previsível

Perdemos no sábado frente à Alemanha (2-4) e caímos para o 3º lugar do nosso grupo. Foi uma derrota estrondosa, que a certa altura (1-4) ameaçou ir a caminho de ultrapassar a do Brasil em 2014, mas felizmente os alemães tiraram o pé do acelerador.
 
Confesso que achei muito estranho as opiniões quase generalizadas de que tínhamos jogado relativamente bem frente à Hungria, a “controlar o jogo com paciência” e etc. e tal. Ora bem, os alemães puseram-nos na ordem praticamente desde o início da partida e nem o nosso golo inaugural aos 15’, através do Cristiano Ronaldo na única(!) jogada de jeito que fizemos na 1ª parte (com abertura do Bernardo Silva a isolar o Diogo Jota, que assistiu o nº 7), os desconcentrou. O nosso futebol me(r)d(r)oso apresentou-se em todo o seu esplendor! Medo, muito medo de ter a bola, zero velocidade nas transições, incapacidade atroz de colocar problemas à defesa contrária, enfim, um tratado só ao alcance de predestinados do futebol soporífero como o Fernando Santos. Que veio perguntar no final “mas quem é que vem jogar à Alemanha a achar que vai ganhar?” Desculpe, importa-se de repetir...?!?! Assim, de repente, talvez a... França, que lhes ganhou na 1ª jornada, não...?! Com declarações destas, não admira que a nossa, chamemos-lhe, exibição tenha sido o que foi. O massacre alemão deu frutos aos 35’ e 39’ com autogolos do Rúben Dias e Raphael Guerreiro (primeira vez que há dois no mesmo jogo de um Europeu – já fizemos história!) e continuou na 2ª parte, aos 51’ e 60’, com golos do Havertz e Gosens. Felizmente, a partir daqui, o Joachim Low começou a fazer substituições e a poupar jogadores, e nós reduzimos aos 67’ pelo Diogo Jota, tendo ainda o Renato Sanches atirado com estrondo ao poste a cerca de 10’ do final, o que poderia ter relançado o jogo. Mas convenhamos que seria muito injusto face ao que se passou.
 
Se era para defender, o Fernando Santos deveria ter jogado com o Rúben Neves e João Palhinha para além do Danilo e William Carvalho! Juntava-se ainda o Sérgio Oliveira e ficaria só o C. Ronaldo para também não parecer mal, fazendo lembrar a famosa táctica 10-1 do Beira-Mar dos anos 90, com dez defesas e o Dino sozinho na frente. Era mais inteligente. O Renato Sanches, que entrou ao intervalo, voltou a mostrar porque deve ser titular, mas não para sair o Bernardo, como aconteceu (ele que teve acção preponderante no primeiro golo e, se calhar, por isso que é saiu... Estava lá é para defender!). O William Carvalho continua a fazer parecer o super slow motion um recurso de alta velocidade, o Danilo esteve completamente perdido, assim como o Bruno Fernandes, que ainda não entrou verdadeiramente neste Euro. A defesa foi uma desgraça, com o Nélson Semedo a levar com a armada alemã toda preferencialmente pelo seu flanco. Com um golo e uma assistência, o C. Ronaldo foi o que menos destoou.
 
Com a vaca que o Fernando Santos costuma ter, ainda nos arriscamos a ser apurados como um dos quatro melhores terceiros, mas tudo dependerá de não perdermos por muitos frente à França, por causa da diferença de golos com as selecções dos outros grupos. Portanto, uma derrota pela margem mínima é o melhor que poderemos almejar. (Alguém acredita que o Benzema, Griezmann e Mbappé não irão fazer gato-sapato de nós....?!)

quinta-feira, junho 17, 2021

Sorte medrosa

Entrámos bem no Euro 2020, com uma vitória por 3-0 frente à Hungria em Budapeste anteontem. O futebol tem esta coisa maravilhosa de os resultados poderem ser enganadores. Quem olhe para este sem saber nada, pensa logo: “vitória fácil e esclarecedora”. Ora, com o primeiro golo a beneficiar do desvio de um defesa e acontecer a seis minutos do fim, a vitória foi tudo menos isso.
 
Com a França e Alemanha no grupo, as contas eram simples: ou ganhávamos este jogo, perante a selecção obviamente mais fraca, ou poderíamos começar a fazer as malas de regresso. Se até entrámos bem, com um remate do Diogo Jota defendido pelo guarda-redes (embora o nº 21 devesse ter assistido o Cristiano Ronaldo que estava sozinho...), só voltámos a ter a sensação de golo perto do intervalo, com o C. Ronaldo a falhar um desvio na pequena-área. Os húngaros fecharam-se a sete chaves na defesa e, quanto mais o tempo foi passando, mais evidente ficava que era preciso mais dinâmica no meio-campo e no ataque, mais velocidade, mais vontade de arriscar, caso contrário, não iríamos ganhar. Isso era visível para toda a gente, menos para o... Fernando Santos! E percebeu-se porquê na conferência de imprensa no final: disse o nosso seleccionador que a equipa estava “muito segura” e a “controlar bem” o ataque do adversário, e portanto não via necessidade de fazer substituições mais cedo. Lá está, com jogadores do calibre dos nossos, o Fernando Santos tem muita dificuldade em superar aquele futebolzinho me(r)d(r)oso (podem escolher o sítio mais apropriado dos parêntesis), que sempre caracterizou as suas equipas. E como ganhou um Europeu a jogar assim, deve achar que a história se repete e a receita é para manter. Só aos 71’(!) houve a primeira substituição, com a entrada do Rafa para o lugar do Bernardo Silva, mas foi aos 81’ quando entrou o Renato Sanches para o lugar do ‘verdadeiro’ lento William Carvalho, que finalmente começámos a ter dinâmica no meio-campo e alguém para levasse a equipa para a frente e não se limitasse a trocar a bola para o lado e para trás. Fomos para cima dos húngaros e o Rafa teve intervenção directa nos três golos: assistiu o Raphael Guerreiro para o tal remate desviado aos 84’ (sendo que a própria assistência também beneficiou de um desvio), sofreu o penalty aos 87’, que o C. Ronaldo concretizou, e assistiu o nº 7 já na compensação (92’) para o resultado final.
 
O C. Ronaldo foi o “homem do jogo”, como seria de esperar, mas o Rafa foi essencial por ter participado nos três golos. O Renato Sanches deveria caminhar a passos largos para ser titular, mas com o Fernando Santos nunca se sabe. Gostei do Danilo no meio-campo, mas o Diogo Jota e o Bernardo Silva estiveram muito abaixo do que podem fazer. A defesa esteve segura, embora o Nélson Semedo não seja tão acutilante em termos ofensivos como o João Cancelo (e, neste sentido, ficámos a perder por causa da covid-19 deste). Já a titularidade do William Carvalho, que já não tem grande velocidade e ainda por cima praticamente não jogou esta temporada no Bétis, é um mistério...
 
Como a França ganhou por 1-0 à Alemanha, os alemães irão ter um jogo decisivo contra nós no sábado. Não é preciso ser bruxo para adivinhar que o Portugal irá jogar para o empate contra eles. Quatro pontos devem ser suficientes para, pelo menos, assegurar um dos quatro terceiros lugares que darão a qualificação. E, para esse objectivo, também foi importante este 3-0, por causa da diferença de golos. Ou então, pode ser que a selecção me surpreenda e faça um jogão contra os alemães (que, diga-se de passagem, também não parecem ter uma selecção tão forte quanto as passadas)... Veremos (mas tenho zero esperança disso...).