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quarta-feira, agosto 10, 2022

Fernando Chalana (1959-2022)

Nasceu num dia 10 (de Fevereiro) e partiu noutro dia 10 (de Agosto). Morreu hoje um dos mais geniais jogadores que tive o privilégio de ver com a camisola do Glorioso. Um jogador que faz parte das minhas primeiras memórias de infância e o primeiro 10 da minha vida. Foi com ele que aprendi que o nº 10, no futebol, é o número do craque da equipa. Quando era miúdo, tinha uma camisola branca do Benfica com o 10 nas costas. Tive uma grande tristeza quando o Bordéus o levou em 1984 e uma enorme alegria quando voltou três anos depois. Lembro-me, como se fosse hoje, da primeira finta que fez no jogo em que regressou, frente ao Salgueiros, em que o defesa-direito caiu(!) assim que o viu em direcção a ele. Foi um dos maiores de sempre e parte cedo demais. Descansa em paz, grande Chalana!


P.S. - Deixo aqui um post que fiz há uns anos, com alguns lances que exemplificam bem a genialidade que tivemos a oportunidade de assistir.

Tranquilo

Voltámos a vencer ontem o Midtjylland por 3-1 e qualificámo-nos para o play-off da Liga dos Campeões. Com a vantagem de 4-1 da 1ª mão, esperava-se que controlássemos bem o jogo, mas não deixássemos de tentar mais uma vitória, tão importante que é para o nosso ranking na UEFA. Mas o Benfica deste ano continua a dar mostras de que só tenta deixar de marcar golos quando o árbitro apita para o final, o que é uma melhoria significativa em relação ao que temos visto nos últimos anos.

Com a lesão do David Neres, entrou o Chiquinho para o seu lugar, mas de resto o Roger Schmidt manteve a mesma equipa que vem alinhando desde o início da pré-temporada. Entrámos concentrados, que era o que se pedia, mas sempre tendo em vista a baliza contrária. Aos 23’, começámos a fechar a eliminatória de vez, com um golo do Enzo Fernández a cruzamento do Gonçalo Ramos. A seguir ao golo, desconcentrámo-nos um bocado na defesa e os dinamarqueses só não marcaram graças a boas intervenções do Vlachodimos. Uma questão a rever para o futuro.

Para a 2ª parte, o Schmidt deixou, e bem, os amarelados Gonçalo Ramos (que cartão tão estúpido, a colocar-se em frente à bola num livre, já com o 1-0 a nosso favor; se falhar algum jogo europeu importante por acumulação de cartões, vai lembrar-se bem deste lance...!) e Rafa e fez entrar o Yaremchuk e Henrique Araújo. E o madeirense não precisou de muito tempo para molhar o bico, com um excelente cabeceamento aos 56’ a responder a um cruzamento do João Mário. Estava tudo decidido, mas os dinamarqueses reduziram para 1-2 aos 63’ numa recarga do Sisto a um cabeceamento ao poste de um colega. Apesar deste golo, o Midtjylland nunca esteve perto de igualar e fomos nós a fechar o resultado em 3-1 com um golão do entretanto entrado Diogo Gonçalves, num remate ao ângulo de fora da área. Em cima dos 90’, o VAR assinalou um fora-de-jogo, que impediu os dinamarqueses de chegarem à margem mínima que, a bem da verdade, não era merecida.

Em termos individuais, destaque para o Enzo Fernández: três jogos oficiais, três golos e isto num nº 8! Que saudades do Taarabt e dos seus dois golos em 129 jogos...! Também voltei a gostar imenso do Florentino, que está a construir uma dupla fantástica com o argentino. A defesa não esteve tão segura como habitualmente e teve algumas desconcentrações que não deveriam ter acontecido. O Henrique Araújo entrou muito bem e tem um faro de golo que não engana.

Iremos agora defrontar o Dinamo Kiev no play-off e não teremos jogo do campeonato a meio da eliminatória, pelo que se espera que estejamos fresquinhos para conseguir a tão desejada qualificação para a Liga dos Campeões. No entanto, antes disso, já neste sábado vamos apadrinhar o regresso do Casa Pia ao campeonato e só é pena que o jogo não seja em Pina Manique.

segunda-feira, agosto 08, 2022

Início goleador

Entrámos bem no campeonato na 6ª feira passada, com um triunfo por 4-0 frente ao Arouca. Apenas três dias depois da excelente exibição europeia, o Roger Schmidt apostou no mesmo onze e a resposta foi positiva, apesar de se perceber que a equipa não estava (nem podia estar) a 100% em termos físicos.

 

Perante um adversário que muitas vezes tinha quase 11 homens na grande-área, tivemos o condão de desbloquear muito cedo o jogo com o 1-0 a surgir logo aos 8’ numa cabeceamento fulgurante do Gilberto a centro do Grimaldo. Depois do golo, adoptámos uma postura mais calma e com menos correrias do que na 3ª feira passada, mas sempre a controlar bem o adversário e à espreita de uma falha que potencializasse um contra-ataque. Aos 34’, tivemos um contratempo com a lesão do João Mário, que o obrigou a ser substituído pelo Chiquinho. Do modo como a partida se estava a desenrolar, era muito importante que chegássemos ao intervalo com uma vantagem superior para que pudéssemos ter um segundo tempo relaxado, algo que acabou por acontecer a dobrar: aos 42’, o Rafa fez o 2-0 de cabeça(!), numa recarga vitoriosa a um cabeceamento ao poste do Gonçalo Ramos, e, em cima do intervalo, o Enzo Fernández fez o terceiro golo num remate de primeira à entrada da área, depois de um mau alívio adversário. Entre os dois golos, o Sr. Manuel Mota, alertado pelo VAR Vasco Santos, trocou um amarelo por um vermelho para um jogador que derrubou o Rafa, quando este ficaria em boa posição. Como o nosso jogador estava desviado para a esquerda, se calhar, eu não o teria expulso, mas de qualquer maneira o jogo já estava bastante a nosso favor com dois golos de vantagem.

 

Na 2ª parte, contra dez jogadores, a vitória estava mais do que decidido, mas mesmo assim jogámos sempre um futebol positivo e a tentar aumentar a vantagem. Algo que foi conseguido já muito perto do final (86’) com o bis do Rafa, assistido com um centro da direita pelo entretanto entrado Bah, desmarcado pelo também substituto Yaremchuk. Entretanto, o Roger Schmidt já tinha aproveitado para rodar um pouco a equipa, com as entradas do Weigl e do Bah, mas provavelmente devê-lo-ia ter feito um pouco mais cedo.

 

Em tempos individuais, destaque evidente para o Rafa com o seu bis e para a enorme alegria que está a exibir quando está em campo. O Enzó Fernández é uma delícia ver no meio-campo, bem secundado novamente pelo Florentino. A defesa não teve grande trabalho e o Gilberto e o Grimaldo aproveitaram para ter participação activa no primeiro golo.

 

Entrámos a ganhar no campeonato, algo que temos vindo a fazer com bastante regularidade desde há quase uma década. No entanto, amanhã teremos um compromisso bastante importante, que poderá definir muito da nossa época. Ainda por cima, dado que temos uma vantagem relativamente confortável, tudo o que não for a qualificação para o play-off será um revés de proporções bíblicas.

quinta-feira, agosto 04, 2022

Prometedor

Goleámos na 3ª feira o Midtjylland da Dinamarca na Luz (4-1) e estamos em muito boa posição para avançar para o play-off da Liga dos Campeões. Foi um jogo muito bem conseguido da nossa parte a dar sequência à pré-temporada vitoriosa que tivemos até então.
 
Em primeiro lugar (e até porque tinha falado nisso num texto anterior), quero dizer que acabei por não fazer um post de balanço da temporada anterior por manifesta falta de paciência. E desilusão com o que se tem passado no clube de há três anos para cá. Porque continuo à espera de que me expliquem o que se passou na 2ª volta de 2019/20, em que tínhamos sete pontos de avanço e conseguimos perder esse campeonato...! Continuo na minha de que, o descalabro que tem sido daí para cá, teve origem nessa altura. E nunca nada nos foi explicado sobre a razão para aquele estoiro, quando tínhamos tudo a nosso favor. Desde Agosto de 2019, faz agora três anos(!), que não ganhamos um título. Nem sequer estou a falar DO título (o grande objectivo todos os anos), mas NEM UMA mísera Taça da Liga temos para amostra. Além de que a política desportiva teve uma inversão de 180º neste período, com as consequências que estiveram à vista, e se passou o que passou em termos directivos. Uma enorme tristeza, para resumir.
 
Para esta temporada, voltámos a um treinador estrangeiro, o alemão Roger Schmidt e confesso que gostei logo do que vi naquele treino aberto que foi transmitido pela Benfica TV. Em especial, no facto de os jogadores estarem em constante pressão sobre os adversários para recuperarem a bola, ainda no meio-campo contrário. Algo que já não víamos há muito tempo e que, pelo que se tem visto até agora, se revela uma imagem de marca do Benfica deste ano. Nos jogos particulares que fizemos, aconteceu isto durante grande parte deles, para além de termos a equipa numa busca constante pelo golo. Demo-nos bem e conseguimos ganhá-los todos (3-0 ao Nice, 5-1 ao Fulham, 4-2 ao Girona e 3-2 ao Newcastle na Eusébio Cup; peço desculpa, mas jogos em que alinhamos com equipamento de treino e sem número na camisola – leia-se Reading – para mim não contam). É arriscado fazer esta pressão pelo espaço que fica nas nossas costas? Claro que sim. Estar sempre balanceados para a frente pode fazer com que soframos mais golos? Evidente. Mas dá muito mais gozo ver o Benfica jogar assim? OBVIAMENTE! Como me perguntou retoricamente por mensagem uma amiga minha no final deste jogo: “como é que se chama este desporto que o Benfica está a jogar...?”. Respondi-lhe, como é bom de calcular, “Futebol. Há já três anos que não o jogávamos.”
 
Para além destes pressupostos de jogo do Roger Schmidt que se vêem desde o início, há outra coisa que eu gostei nele até agora: mal ou bem, escolheu um onze e foi com esse que alinhámos de início em quase todos os jogos. Só com uma ou outra alteração. E foi esse onze que jogou contra os dinamarqueses. Não houve cá surpresas de última hora ou cartas tiradas do baralho. Apostou naqueles, jogou com eles. No entanto, nos primeiros cinco minutos foram os dinamarqueses a assumir o jogo, situação que foi rapidamente corrigida. Escudados num meio-campo em que o Florentino e o Enzo Fernández (que craque! Aproveitemos bem para desfrutar dele que para o ano já não vai cá estar...) se fartaram de recuperar bolas e lançar a equipa para a frente, e com um David Neres (felizmente parece que do Everton só herdou o número da camisola...) endiabrado, marcámos o primeiro golo aos 16’ num centro do Neres para entrada fulgurante de cabeça do Gonçalo Ramos. Situação que se repetiu, com os mesmos protagonistas, aos 33’. Em cima do intervalo, e à semelhança do que aconteceu nos jogos particulares, aparentemente voltámos a saber marcar cantos e o Enzo Fernández fez o 3-0 aos 40’ num remate de primeira, depois de um canto do João Mário.
 
Na 2ª parte, o Gonçalo Ramos completou o hat-trick aos 61’ numa assistência do Rafa, com um bom movimento à ponta-de-lança. Para além dos quatro golos, ficámos a dever-nos pelo menos outros tantos, com o Ramos com mais duas ou três chances, o Neres a tirar uma à barra e os entretanto entrados Henrique Araújo e Yaremchuk também a falharem os seus golitos. O que não estava no programa foi a entrada imprevidente do Morato aos 77’ a provocar um desnecessário penalty que o Sisto marcou à Panenka.
 
Em termos individuais, óbvio destaque para o Gonçalo Ramos com três golos, para o terror para os adversários que é o David Neres na direita, para a classe do Enzo Fernández e para o polvo Florentino no meio (com um jogador destes, formado no clube, no plantel, qual a necessidade de ter gastado dinheiro num Meïté no ano passado...?). Para além destes, o Gilberto está super-confiante, o Morato vai ser difícil perder o lugar e o Grimaldo até já acerta os livres todos na baliza.
 
Teremos já amanhã a estreia no campeonato frente ao Arouca em casa, para depois viajarmos à Dinamarca na próxima 3ª feira. Vai ser uma sucessão de jogos importantes neste mês de Agosto e a minha única dúvida é como a equipa irá reagir em termos físicos, dado que as segundas linhas não estão ao nível dos titulares. Veremos o que irá acontecer, mas até agora os sinais têm sido muito positivos.

domingo, junho 26, 2022

Benfica FM | Temporada 1995/96

Mais um serão bem passado com os meus amigos Nuno Picado e Bakero do Benfica FM, em que nos debruçámos sobre uma época que não correu bem, mas em que ganhámos a Taça de Portugal no triste jogo do very light. Por isso mesmo, defendo que isto ainda não é bem o Vietname, porque uma temporada que termina com a conquista da Taça de Portugal não é algo de se deitar fora. O pior viria depois, com oito anos seguidos de seca de títulos de qualquer espécie. Em termos individuais, foi provavelmente a melhor época do João Vieira Pinto com o manto sagrado.

sexta-feira, junho 17, 2022

Liga das Nações x 4

A época terminou com quatro jogos da selecção nacional, todos a contar para a 3ª edição da Liga das Nações. Começámos razoavelmente bem, mas deitámos fora uma boa vantagem no último jogo.
 
No dia 2 de Junho, empatámos em Sevilha frente à Espanha (1-1) com bastante sorte, diga-se, através de um golo do Ricardo Horta aos 82'. A Espanha dominou praticamente toda a partida, marcou ainda na 1ª parte pelo Morata (25'), e o empate foi muito lisonjeiro para nós, mesmo considerando alguma reacção no segundo tempo.
 
No dia 5 de Junho, goleámos a Suíça em casa (4-0) numa partida que ficou decidida logo na 1ª parte, quando marcámos três golos, um do William Carvalho (15') de dois do Cristiano Ronaldo (35' e 39'). O João Cancelo numa abertura brilhante do Bernardo Silva fez o resultado final aos 68'. Foi das melhores exibições da selecção nos últimos anos, com futebol positivo e a dar algum espectáculo, mas, percebeu-se pelos jogos seguintes, que não era para ter continuação...
 
No dia 9 de Junho, recebemos a Rep. Checa (que tinha empatado em casa frente à Espanha, 1-1, na jornada anterior, com o golo espanhol a acontecer no último minuto) e triunfámos por 2-0. Foi uma exibição não tão boa como a frente aos suíços, mas a vitória nunca esteve em causa, com golos do João Cancelo (33') e Gonçalo Guedes (38'), ambos com a assistência do Bernardo Silva.
 
No dia 12 de Junho, deitámos pela janela a vantagem que tínhamos frente aos espanhóis, ao perder na Suíça por 0-1 com um golo do Seferovic logo no primeiro minuto. A gestão dos jogadores do Fernando Santos deixou muito a desejar, com várias alterações nesta partida e a dispensa do C. Ronaldo para começar as férias mais cedo! Isto quando tinha feito os 90' frente aos checos, com a partida resolvida relativamente cedo... Claro que, sem muitos dos titulares em campo, a selecção teve bastantes mais dificuldades e, apesar de algumas oportunidades na 2ª parte, não conseguiu marcar.
 
Teremos agora de vencer os dois jogos que faltam, no final de Setembro, para nos apurarmos para a final four.

domingo, maio 15, 2022

Juventude em marcha

Triunfámos em Paços de Ferreira (2-0) na 6ª feira no último jogo do campeonato com um bis do Henrique Araújo. Numa partida em que o Nélson Veríssimo deu oportunidade a uma série de jovens (daí o título do post roubado a um filme do Pedro Costa), fomos eficazes na frente e tivemos um Helton Leite inspirado na baliza (a braçadeira de capitão pela primeira vez pode ter contribuído para isso...).
 
Para a despedida do campeonato, o Gilberto foi o único dos titulares no onze inicial. Não poderíamos ter entrado melhor com uma recuperação de bola no meio-campo adversário pelo Tiago Gouveia, que, não contente com isso, ainda fez uma óptima abertura a isolar o Henrique Araújo. Este, com claro instinto de matador, não falhou à saída do guarda-redes. Estávamos no início do jogo, mas até em cima do intervalo devemos ao Helton Leite o Paços de Ferreira não ter dado a volta ao jogo, com três fantásticas intervenções. Mesmo a soar o apito para o descanso, o Tiago Gouveia tem um remate de fora da área, o guarda-redes defende para o lado, o Gil Dias centra de pé direito e o Henrique Araújo aparece ao segundo poste para finalizar novamente com êxito. Golo típico de ponta-de-lança, que está invariavelmente no sítio certo para “só ter de encostar”.
 
A 2ª parte foi mais calma, connosco a conseguir conter melhor o adversário, que só a 15’ do fim obrigou novamente o Helton Leite a segurar o zero na nossa baliza, outra vez perante um adversário isolado. Do nosso lado, as oportunidades também surgiram na parte final, com os entretanto entrados Diego Moreira (uma estreia) e o Yaremchuk a verem o guarda-redes André Ferreira negar-lhes o golo, quando estavam ambos em boa posição
 
Em termos individuais, óbvio destaque para o Henrique Araújo com dois golos. Parece ser daqueles jogadores que faria um vizinho meu de bancada dizer outra vez “não joga nada, só sabe marcar golos”, tal como o fez com o enorme Tacuara Cardozo (ohhh, se houve paciência...!). O madeirense é rápido sobre a bola, coloca-se muito bem na área e é inteligente a aparecer nos espaços. Já tinha gostado dele frente ao Vizela e na 6ª feira encheu-me as medidas. Espero que tenha uma oportunidade na próxima época. O Helton foi o outro grande obreiro desta vitória com quatro intervenções absolutamente decisivas. O Tiago Gouveia acabou por estar envolvido em ambos os golos, embora numa ou outra jogada tenha preferido voltar para trás em vez de continuar com a bola para a frente (espero que tenham sido ordens do banco, porque não gosto nada de ver jogadores a fazer isto por sua livre e espontânea vontade...). O Tomás Araújo esteve concentrado na defesa e não destoou do Morato. O Sandro Cruz na esquerda não me convence por aí além, mas pode ser que ainda seja nervosismo. O Diego Moreira e o Martim Neto também tiveram direito a uns minutinhos, em que deu para ver que têm boa dinâmica.
 
Terminámos com uma vitória um campeonato para esquecer: 17 pontos do 1º e 11 do 2º é mau demais para um clube como o nosso. O balanço será feito daqui a uns tempos num outro post, mas a culpa não pode morrer solteira. Espero sinceramente que as lições destes últimos três annus horribilis tenham sido FINALMENTE percebidas.

segunda-feira, maio 09, 2022

Dois centímetros

Perdemos com o CRAC (0-1) na Luz no passado sábado e pela segunda vez vimo-los festejarem um campeonato no nosso estádio. O empate bastava para eles conquistarem o título, jogaram para ele, mas foram bafejados pela sorte (e pela nossa inépcia defensiva) aos 94’ e, num contra-ataque depois de um canto a nosso favor, o Zaidu fez o único golo da partida.
 
Já sem o Rafa, ficámos igualmente sem o Everton e o Diogo Goncalves ainda antes do começo do jogo, pelo que os nossos extremos foram o Lazaro e o Gil Dias... Fiquei logo esclarecido quanto às nossas possibilidade de vitória e a 1ª parte foi um longo bocejo praticamente sem oportunidades, excepção feita a um lance em que o Taremi bateu em velocidade o Vertonghen e ficou só com o Vlachodimos pela frente, mas este defendeu. Em termos atacantes, não conseguimos desmontar a defesa contrária e praticamente não criámos perigo.
 
Na 2ª parte, estivemos mais tempo no meio-campo contrário, mas sem conseguir criar grandes oportunidades. A primeira até foi do CRAC com um bom remate do Evanilson, mas nova boa defesa do Vlachodimos. No entanto, aos 51’ aconteceu o lance que definiu a partida: uma bola lançada em profundidade do Otamendi para o Darwin, este dominou muito bem, bateu o Mbemba e fez golo. Um golão! O estádio rebentou num enorme festejo, o Darwin tirou a camisola e viu o amarelo. Até que depois aconteceu isto...! 
 

Um momento destes é anulado, porque o nosso jogador estava 2 cm fora-de-jogo! Dois centímetros! D-o-i-s  c-e-n-t-í-m-e-t-r-o-s! Nunca me apanharão em contradição neste assunto: O D E I O  O  V A R!!!! Não mudarei de opinião, mesmo que seja a nosso favor (raramente é, portanto também não corro um risco muito grande...) Mata completamente o futebol! Anula-se um golo por 2 cm num campo com uma largura de mais de 60 metros! Alguém no seu perfeito juízo acha que 2 cm são fundamentais para um jogador tirar partido da sua posição?! Vamos até passar por cima do facto de adiantar ou atrasar um frame alterar completamente a posição do jogador, acham mesmo que é preciso fazer os adeptos passarem por isto...?! Marcar-se um golo e estarmos todos à espera não-sei-quanto tempo que o VAR ande a medir pilinhas com uma régua...?!?! Não se pode fazer a coisa a olho nu?! Há dúvidas sobre a posição, favorece-se a equipa que ataca, como se fazia quando não havia VAR. Seja contra ou a nosso favor. Simples! E isso decide-se em segundos! Alguém consegue dizer que o futebol português está melhor com o VAR? Acabaram-se as polémicas?! Deixou-se de discutir as arbitragens?! Ou está tudo na mesma como dantes e só o adepto é que ficou a perder, porque nunca sabe se pode ou não festejar um golo decentemente?! Não acabem com esta m**** que não é preciso...! Prefiro de longe perder um jogo com um golo irregular por margens destas do que festejar um golo assim que depois não vale. De longe! E depois há outra coisa: anula-se o golo, mas o amarelo ao jogador que tirou a camisola mantém-se... Brilhante!
 
O CRAC estava satisfeito com o empate e nós não conseguimos ultrapassar esta desilusão, nunca mais tendo outra oportunidade tão boa como esta para marcar. Até que já depois da hora, o Taarabt mostrou que só sabe agredir adversários quando prejudica o Benfica. Quando o deveria fazer, está quieto. Era óbvio que o Pepê não poderia passar por ele daquela maneira no contra-ataque do golo. Teria de ser parado a qualquer custo! Nem que ele tivesse 10 jogos de suspensão! Se fosse ao contrário, o nosso jogador iria provavelmente parar ao hospital! Mas não, a abécula marroquina não fez a mínima menção de parar o adversário, e o resultado viu-se.
 
Haverá tempos para fazer um balanço desta época hedionda. No entanto, a 17 pontos (por enquanto) do 1º lugar e a 11 do segundo, com 18 (!) pontos perdidos na Luz, isto é uma época para recordar. Muita coisa terá de mudar para o ano. Inevitavelmente.

segunda-feira, maio 02, 2022

Mínimos

Vencemos no sábado o Marítimo na Madeira por 1-0 em mais um jogo que não nos irá deixar saudades. Uma tendência que tem sido maioritária em grande parte dos jogos deste campeonato. Como não poderíamos ter começado melhor, com um golo logo a abrir, ainda pensei que embalaríamos para uma exibição ao menos razoável. Mas nem isso.
 
O Nélson Veríssimo fez algumas alterações na equipa e alinhámos em 4-3-3, com o João Mário de regresso à titularidade e o Gonçalo Ramos no banco. Mas a maior novidade foi a estreia absoluta do Sandro Cruz na lateral-esquerda. Entrámos praticamente a ganhar com um golo do Darwin de cabeça aos 2’ numa recarga a um remate do Gil Dias que o guarda-redes Paulo Victor não conseguiu segurar, depois de uma recuperação de bola do mesmo Gil Dias. Tendo nós uma equipa mais talhada para o contra-ataque, pensei que poderíamos aproveitar esta vantagem tão cedo para ter um encontro à nossa medida, mas foi o Marítimo a reagir bem ao golo sofrido e a ter dois remates com algum perigo, sem, no entanto, acertar na baliza. Nas poucas vezes em que saímos com rapidez, procurávamos inevitavelmente o Darwin e o uruguaio teve um remate em arco do lado esquerdo que merecia melhor sorte. Em cima do intervalo, a partida parecia que ia tombar definitivamente para o nosso lado, com a (justa) expulsão do Winck por ter atingido o Sandro Cruz a pontapé, calculando mal o timing de chegada à bola.
 
Na 2ª parte, o Marítimo abdicou de atacar durante grande parte do tempo por causa da inferioridade numérica, mas nós padecemos do mal há muito visto: falta de velocidade de circulação de bola, o que faz com que seja muito fácil defender contra nós. Lá criámos uma ou outra oportunidade, mas os remates do Paulo Bernardo e João Mário saíram por cima e o Paulo Victor defendeu bem um outro do Darwin. As substituições não trouxeram grandes melhorias ao nosso futebol, sendo porém de realçar outra estreia absoluta, a do Tiago Gouveia. Em cima dos 90’, o Marítimo teve a sua única oportunidade da 2ª parte, com um remate de fora da área que ressaltou num defesa nosso e obrigou o Vlachodimos a aplicar-se para atirar para canto. Apesar de uma exibição pobre, o empate seria uma injustiça que a bem da verdade não merecíamos.
 
Em termos individuais, destaque quase exclusivo para o Darwin, que não só marcou o golo como foi praticamente o nosso único jogador a acertar na baliza contrária. O João Mário que já não era titular desde Janeiro não se pode dizer que tenha agarrado muito bem a oportunidade, porque continua bastante lento de processos. Assim como o Paulo Bernardo que está longe de ser a lufada de ar fresco que prometeu ser quando começou a entrar na equipa. Infelizmente, parece mais familiarizado com o resto do plantel... O Sandro Cruz na esquerda não me convenceu nada, nem em termos defensivos (foi batido por mais de uma vez), nem ofensivos (não sabe centrar, erro capital num lateral).
 
Iremos receber na próxima jornada o CRAC, que só precisa do empate para ser campeão. Ou seja, espero MESMO que os jogadores do Benfica puxem dos galões e não permitam que isso aconteça. Já tivemos duas oportunidades para fazer o inverso e falhámos em ambas, enquanto todos nos recordamos de quando eles conseguiram ser campeões na Luz há umas épocas. Claro que uma vitória não apagará a péssima temporada que fizemos, mas que ao menos exibamos alguma dignidade no próximo sábado.

terça-feira, abril 26, 2022

Miséria

Empatámos no passado sábado na Luz frente ao Famalicão (0-0) e, em 16 jogos para o campeonato, perdemos a incrível soma de 15 pontos em casa! Tivéssemos ganho todos os jogos na Luz e estaríamos na frente do campeonato. Um autêntico pesadelo!
 
Depois de uma semana que nos elevou um pouco o espírito, o Benfica pareceu aqueles fanfarrões sobranceiros que acham que não vale muito a pena esforçar-se quando as coisas parecem no papo. Ou isso, ou o Nélson Veríssimo só sabe meter-nos a jogar como equipa pequena. O que é, convenhamos, o mais provável, dado que a exibição foi simplesmente miserável. Perante uma equipa que se fechou completamente na defesa (como nós em Anfield e no WC), nunca tivemos engenho nem arte para a conseguir superar. O encontro foi-se arrastando penosamente até final, num autêntico teste à paciência dos benfiquistas. Com o Rafa ainda magoado e o Everton castigado por amarelos, o nosso treinador resolveu apostar no Gil Dias para numa das alas, mantendo o Diogo Gonçalves no onze. No meio-campo, surgiu o Paulo Bernardo no lugar do Taarabt. E o que se pode dizer que nenhum habitual substituto aproveitou a benesse de entrar em campo. Foi já depois de metade deste primeiro tempo que conseguimos uma(!) oportunidade de golo, mas a cabeçada do Gonçalo Ramos saiu por cima e não foi possível aproveitar uma saída em falso do guarda-redes. Em cima do intervalo, foi o Diogo Goncalves a proporcionar ao guardião contrário uma defesa por instinto, com o Gonçalo Ramos a não conseguir dominar a bola na recarga.
 
A 2ª parte não trouxe alterações substanciais, embora tenhamos demonstrado uma ligeira melhoria na vontade de disputar a bola. O Nélson Veríssimo começou a mexer na equipa (e mal, como vem sendo hábito!), mas só em três lances estivemos perto do golo: um remate de recarga do entretanto entrado Radonijc, que deveria ter saído melhor, uma jogada do Gil Dias que acabou com um remate para defesa do guarda-redes e um pontapé de bicicleta do Paulo Bernardo que o Luiz Júnior também conseguiu rechaçar. De uma forma algo atabalhoada, íamos pressionando o adversário, mas sem sucesso. Do outro lado, conseguir alvejar a baliza contrária também nunca foi o forte dos famalicenses.
 
Com uma exibição tão pobre, é injusto destacar alguém, dado que a equipa esteve genericamente amorfa. Sem vontade, nem compromisso com o clube e os adeptos, não se consegue nada. Os jogadores têm de perceber em que clube é que estão e no qual nunca se pode virar a cara à luta. Seja qual seja a competição que estão a disputar! Temos a nossa posição definida na classificação, dado que a lagartada ganhou 3-0 no Bessa e tem agora oito pontos de vantagem sobre nós. E ganhámos um ponto ao CRAC, que finalmente(!) perdeu (0-1 em Braga), estando agora 14 pontos atrás deles. No entanto, perspectiva-se aqui uma hipótese que temos de evitar a todo o custo, que é o CRAC sagrar-se campeão no Luz. Por duas vezes nos últimos tempos, tivemos nós a oportunidade de fazer o inverso e por duas vezes falhámos. É o grande objectivo até final da época e os jogadores que estejam conscientes de que ganhar este jogo é imperativo. Mas só corresponde aos serviços mínimos e nunca salvará a época.

P.S. – O que compensou nos últimos dias foi que ganhámos por fim a Youth League, com uma goleada de 6-0 ao Salzburgo. Que bela maneira de celebrar o 25 de Abril! Depois de três derrotas em finais, somos finalmente campeões europeus de juniores! Agora é só ter um pouco de paciência e aproveitar aqueles jogadores, porque há alguns que prometem bastante e seria muito triste que nós não lhes déssemos espaço para evoluírem.

segunda-feira, abril 18, 2022

Galões

Triunfámos ontem no WC por 2-0 e terminámos finalmente a malapata de só ter derrotas em clássicos nesta temporada. Foi uma vitória justa, numa partida em que fomos muito inteligentes na forma como a abordámos e usámos bem as armas actuais que temos para conseguir a vitória. Foi um jogo deslumbrante da nossa parte? Claro que não. Mas ganhámos de forma limpa e justa e isso é que interessa. Estamos agora com a lagartada a seis pontos e o CRAC continua a 15, depois de ter cumprido calendário perante o Portimonense em casa (7-0), numa partida em que os algarvios jogaram com muitos suplentes. (Devem ter Champions a meio da semana, só pode... A sério que lhes dá gozo ganharem assim...?!)
 
Com o Rafa ainda de fora, o Nélson Veríssimo apostou na mesma equipa de Anfield Road. O jogo começou repartido com ambas as equipas a atacar, mas quem mais se evidenciou nos minutos iniciais foi o Sr. Fábio Veríssimo e o VAR Hugo Miguel: pisão do Coates ao Darwin, nem amarelo foi, e pisadela do Sarabia no gémeo ao Vertonghen... amarelo! Se fosse ao contrário, era vermelho certinho! Aos 14’, adiantámo-nos no marcador num passe em profundidade do Vertonghen para as costas da defesa lagarta e o Darwin a ganhar ao Coates no confronto directo, tendo depois feito um chapéu ao Adan na saída deste. Grande golo! A partir daqui, agrupámo-nos na defesa e praticamente não permitimos oportunidades aos lagartos. Até foi o Diogo Gonçalves, num remate cruzado, a proporcionar ao Adán uma boa defesa para canto. Logo a seguir, o Vlachodimos saiu muito bem aos pés do Pedro Gonçalves, impedindo-o de fazer o empate. Perto do intervalo, foi o Gonçalo Ramos de cabeça a proporcionar nova boa intervenção do Adán na sequência de um canto, com o Otamendi a fazer a recarga para dentro da baliza, mas estando em posição irregular.
 
No reinício da 2ª parte, o Everton teve um excelente remate de fora da área, a seguir a uma boa assistência do Gonçalo Ramos, com a bola a rasar o poste. Pouco depois, aconteceu a única grande oportunidade da lagartada com o Sarabia a atirar de cabeça à barra depois de um cruzamento da esquerda, com o Grimaldo a ser mal batido pelo seu compatriota. Nós fechávamo-nos muito bem e o Rúben Amorim começou a fazer substituições para tentar inverter o rumo dos acontecimentos, mas sem sucesso. Por volta da hora de jogo, nova grande jogada do VAR Hugo Miguel ao não querer ver um pontapé do Nuno Santos na cabeça do Gilberto, quando este estava no chão...! Nós íamos tentando meter alguns contra-ataques, mas nem sempre os passes saíram bem. Mesmo assim, uma iniciativa do Everton pela esquerda foi cortada in extremis para canto pelo Porro. Dentro já dos últimos dez minutos, foi outro contra-ataque pela esquerda, desta feita do Darwin, a terminar numa cabeçada do Gilberto ao lado, quando poderia ter feito a assistência para o meio, onde estava o entretanto entrado Paulo Bernardo sozinho. Mas, já depois dos 90’, o também entrado Gil Dias começou uma jogada no nosso meio-campo, passou para o Darwin na esquerda, este fez a jogada e isolou o mesmo Gil Dias para desfeitear o Adán à saída deste. Não poderia ter escolhido melhor jogo para marcar o primeiro golo coma camisola do Benfica! Nos poucos minutos até ao final do jogo, deveríamos ter insistido um pouco mais para marcar o terceiro golo, porque a lagartada estava completamente derrotada e isso dar-nos-ia vantagem no confronto directo. Mas infelizmente isso não aconteceu.
 
Em termos individuais, destaque novamente para o Darwin com um golo e uma assistência. Estamos a quatro jogos de nos despedirmos dele e só tenho pena que nos vá encher os cofres sem ter conseguido um único título para o museu. Irá ser muito provavelmente o melhor marcador do campeonato, mas sabe a pouco. O resto da equipa esteve em geral muito concentrada, consciente das suas limitações, porém sem fazer antijogo. No entanto, alguns jogadores acusaram o desgaste de dois jogos seguidos muito intensos, como por exemplo o Gonçalo Ramos, e não percebi porque é que não saíram mais cedo. Acabámos o jogo com quatro laterais (André Almeida e Gilberto de um lado, e Grimaldo e Gil Dias do outro), mas é o que temos hoje em dia.
 
Foi uma boa vitória em que os jogadores puxaram dos galões para não terminar uma época sem derrotar pelo menos um dos rivais. Ainda iremos receber o outro na Luz até final e espera-se naturalmente outra vitória, até porque o nosso registo com eles, desde que existe o estádio novo, é miserável. No entanto, mesmo que consigamos quatro vitórias até final, nada disso, nem a boa Champions, pode escamotear o facto de que esta temporada foi um rotundo falhanço desportivo. O segundo consecutivo. Muito terá de mudar na próxima época.
 
P.S. – Foi a primeira vez desde 2006/07 que faltei a uma ida ao WC. Já não tínhamos nada a ganhar e não estava nada optimista. Mas aprendi a lição: não volta a acontecer! :)

sexta-feira, abril 15, 2022

Bravura

Empatámos 3-3 em Anfield Road frente ao Liverpool na passada 4ª feira e dissemos assim adeus à Champions deste ano. Perante uma das mais fortes equipas da Europa, acabámos por aproveitar o facto de ela se ter apresentado com alguns jogadores que não costumam ser titulares para conseguir um resultado honroso, que até poderia ter sido melhor, caso tivéssemos tido uma pontinha de sorte no final.
 
Com a má notícia da indisponibilidade do Rafa, alinhou o Diogo Gonçalves no seu lugar e a primeira oportunidade até foi nossa, num remate de fora da área do Everton que passou ao lado do poste direito do Alisson, que estava batido. No entanto, a péssima maneira como defendemos desde o início da temporada foi particularmente evidente neste jogo, com o Liverpool a inaugurar o marcador aos 21’ pelo Konaté num lance a papel-químico do golo que marcou na Luz: canto, cabeçada dele no meio de dois jogadores nossos (neste caso, os dois centrais!) e bola dentro da baliza. Logo a seguir, foi a vez de a bola entrar na baliza adversária através do Darwin, mas estava fora-de-jogo. A partida não tinha pausas e o Vlachodimos impediu o Luis Díaz de aumentar a vantagem dos ingleses, mas aos 32’ fomos nós a conseguir a igualdade num bom remate do Gonçalo Ramos, isolado inadvertidamente pelo Milner. Até ao intervalo, um corte milagroso no último momento do Grimaldo impediu o Luis Díaz de colocar os ingleses novamente em vantagem.
 
Na 2ª parte, o Nélson Veríssimo fez sair o inexistente Diogo Gonçalves e fez entrar o Yaremchuk. O jogo recomeçou um pouco repartido, mas a nossa defesa teve outros dois erros clamorosos que o desequilibraram. Aos 55’, o Vlachodimos não conseguiu agarrar uma bola relativamente fácil numa saída da baliza e, como se já não bastasse isso, o Vertonghen aliviou-a para os pés do Diogo Jota, que assistiu o Firmino para fazer o 1-2. Inacreditável! O Liverpool começou a colocar os titulares que estavam no banco (Salah, Fabinho, Thiago) e dez minutos depois aumentou a vantagem para 1-3 novamente pelo Firmino que surgiu à vontade na área na sequência de um livre lateral, com a nossa defesa literalmente a dormir...! Temi que o encontro descambasse para números que nos envergonhariam, com os titulares adversários em campo (ainda entrou também o Mané) e a eliminatória decidida, mas aconteceu precisamente o contrário. Aos 73’, reduzimos para 2-3 através do Yaremchuk, que foi brilhantemente isolado pelo Grimaldo. O fiscal-de-linha começou por anular o lance, mas o VAR corrigiu-o. Aos 81’, conseguimos a igualdade noutro lance que teve de ir ao VAR: lançamento em profundidade do Weigl que isolou o João Mário, que tinha substituído o Taarabt, este deu um toque para a frente na bola e o Darwin aproveitou para desfeitear o Alisson. Brilhante resposta da nossa parte a revelar muito coração! Logo a seguir, o titular da baliza canarinha impediu a reviravolta no marcador, com uma defesa brilhante a um não menos brilhante remate de primeira do Darwin. Foi uma pena! O jogo ficou um pouco partido, connosco a acreditar na vitória, que poderia ter surgido já na compensação, não fosse o Darwin estar fora-de-jogo na altura em que desfeiteou novamente o Alisson. Um bocado de sorte poderia ter-nos dado uma vitória que, não sendo totalmente justa, premiaria a nossa resposta depois de estarmos a perder por dois golos.
 
Em termos individuais, destaque para o Darwin que meteu por três vezes a bola na baliza, mas infelizmente só uma é que contou. O Weigl fez outra partida monstruosa no meio-campo e o Everton esteve melhor do que o costume. Na defesa, só o Gilberto e o Grimaldo se exibiram a bom nível, porque os centrais e o Vlachodimos têm culpas nos golos. O Gonçalo Ramos lutou que se fartou e foi premiado com o seu primeiro golo na Liga dos Campeões.
 
Fizemos um percurso brilhante na Europa, mas infelizmente iremos acabar a segunda temporada consecutiva sem nenhum título. Resta-nos lutar pela honra, o que não é pouco. Teremos uma boa oportunidade de mostrar isso mesmo na visita ao WC neste domingo.

segunda-feira, abril 11, 2022

Darwin

Vencemos o Belenenses SAD por 3-1 no passado sábado com um hat-trick do Darwin. No entanto, como os dois rivais também triunfaram (a lagartada pelo mesmo resultado em Tondela e o CRAC com dois penalties, dos quais só marcou um, em Guimarães), continuamos com nove e 15 pontos de desvantagem perante eles. Defrontando uma das equipas que espero desçam de divisão, fizemos o quanto baste para ganhar sem nenhum brilhantismo, uruguaio à parte.
 
A meio da eliminatória com o Liverpool, o Nelson Veríssimo fez descansar muitos habituais titulares (Gilberto, Vertonghen, Grimaldo, Weigl, Rafa e Gonçalo Ramos), embora o belga estivesse castigado por causa dos amarelos. Entraram o André Almeida, Morato, Lazaro, Meïté, João Mário e Diogo Gonçalves. Temi o pior, que se comprovou na parte inicial com o adversário a fazer o 0-1 logo aos 3’ pelo Afonso Sousa, na sequência de uma boa assistência do Taarabt, que perdeu a bola em zona proibida no meio-campo. Começar a perder é logo um mau presságio e o que é certo é que a equipa demorou um pouco a reencontrar-se. Mas lá foi atinando e começando a empurrar o Belenenses SAD para a sua área, até que a pressão resultou aos 22’, com o Taarabt a ganhar uma boa em zona ofensiva e assistir o Darwin na área, que atirou sem hipóteses para o Luiz Felipe. Continuámos em cima do adversário e o Everton teve um bom remate rasteiro ao poste numa recarga a um remate acrobático do Darwin, que embateu num defesa. Até ao intervalo, um remate de fora da área do Rafael Camacho causou algum perigo e outro do Taarabt saiu ao lado.
 
Na 2ª parte, o jogo manteve-se praticamente na mesma, com uma boa jogada da nossa parte pouco depois do reinício, que culminou com um remate do Everton para defesa do guarda-redes e na recarga o Diogo Gonçalves a acertar mal na bola, quando tinha a baliza à mercê. No entanto, aos 54’, colocámo-nos finalmente em vantagem, novamente pelo Darwin num remate cruzado de pé direito, depois de outra assistência do Taarabt. O jogo ficou praticamente fechado quatro minutos depois com o terceiro golo do uruguaio, desta feita num remate cruzado de pé esquerdo, depois de ser muito bem desmarcado pelo João Mário. A partir daqui, o Nelson Veríssimo começou a rodar a equipa e naturalmente que o nosso ritmo foi baixando. Poderíamos ter marcado mais um ou outro golo, mas também poderíamos ter sofrido um a cerca de dez minutos do fim, porque o Meïté pôs-se a inventar perto da nossa área, foi desarmado, mas o Afonso Sousa isolado atirou por cima. Teríamos tido um final de jogo muito menos tranquilo se esta bola entrasse...
 
Em termos individuais, óbvio destaque para o Darwin, que lidera isolado os melhores marcadores com 24 golos, mais dez dos que os que vêm a seguir. É certinho que estaremos a ver os últimos jogos do uruguaio com o manto sagrado vestido e só é pena que vá sair do Benfica sem um único troféu conquistado. O Taarabt também esteve em destaque ao fazer quatro assistências nos dois últimos jogos: só é pena é que metade tenham sido para as equipas adversárias... O João Mário subiu de produção na 2ª parte, depois de uma 1ª algo fraca. Quem desaproveitou a oportunidade foi o Meïté e o Lazaro, que não acrescentaram nada à equipa.
 
Na próxima 4ª feira, iremos a Liverpool defender o nosso prestígio europeu. A eliminatória está praticamente perdida, mas era bom que déssemos um arzinho da nossa graça. Pelo menos, a equipa irá estar fresca enquanto o Liverpool vem de um empate em casa do City, mas veremos se isso consegue fazer com que a balança esteja menos desequilibrada.

quinta-feira, abril 07, 2022

Dignos

Perdemos na 4ª feira (1-3) frente ao Liverpool na Luz e estamos a um jogo de nos despedirmos da Liga do Campeões deste ano. Fizeram uma prova bastante boa, fomos muito mais longe do que estávamos à espera, mas o problema sempre esteve no que (não) fizemos nas competições nacionais.
 
Perante uma Luz esgotada, entrámos em campo com a equipa que tem sido habitual, o que fez com que alinhássemos com 10, porque o Taarabt simplesmente não existe... Tivemos naturalmente preocupações defensivas, o que não impediu o Liverpool de ir criando perigo, com o Vlachodimos a começar a sobressair. Durámos até aos 17’, quando o central Konaté num canto fez o 0-1 de cabeça. Tentámos responder logo de seguida, mas o Everton rematou às malhas laterais. O Liverpool não descansava e só o Vlachodimos impediu o Luis Díaz de aumentar a vantagem, mas já não conseguiu fazer nada aos 34’ quando o mesmo Luis Díaz assistiu de cabeça o Mané para o 0-2, depois de um passe em profundidade, que surgiu na sequência de um mau passe do... (adivinhem lá...) Taarabt! Até ao intervalo, o Vlachodimos impediu que a vantagem inglesa aumentasse, mas mesmo em cima do apito foi o Rafa a rematar mal depois de uma boa jogada que o colocou em posição privilegiada.
 
A 2ª parte foi bastante diferente, connosco a reduzir para 1-2 logo aos 49’ através de Darwin, depois de um centro do Rafa e um falhanço escandaloso do Konaté. O Liverpool tremeu e poderíamos ter chegado à igualdade com oportunidades pelo Darwin de cabeça e Everton com defesa do Alisson. Pelo meio, o Darwin cometeu o mesmo enorme erro da 1ª parte, ao não isolar o Rafa, preferindo o remate de longe. Egoísmos devido a querer mostrar-se para a Europa toda, não, obrigado! A partir da hora de jogo, o Liverpool voltou a equilibrar o jogo, que foi decorrendo até final sem grandes oportunidades. Até que, nos 10’ finais, os ingleses voltaram a pressionar mais e conseguiram fazer o 1-3 aos 87’, numa perda de bola do Otamendi na saída do meio-campo, que deu origem a um contra-ataque venenoso concretizado pelo Luis Díaz. Até final, ainda foi o Vlachodimos a impedir o entretanto entrado Diogo Jota de aumentar ainda mais a vantagem, depois de novo mau passe do Otamendi.
 
Em termos individuais, jogão do Weigl no meio-campo, do Gilberto na direita e do Vlachodimos a impedir números ainda mais díspares. O Vertonghen também teve uma boa prestação perante uma linha avançada que tem soluções que nunca mais acabam. O Darwin, apesar do golo e das dores de cabeça que deu aos centrais contrários, pecou (e muito) a sua exibição pelo egoísmo que revelou naqueles dois lances. Por outro lado, preferiu reclamar um penalty a tentar marcar um golo, quando ia ficar só com o guarda-redes pela frente. Ainda por cima, o espanhol Sr. Gil Manzano estava a demonstrar um critério muito largo e muito dificilmente apitaria num lance daqueles. O Rafa também não esteve no melhor dos seus dias, apesar de ter feito a assistência para o nosso golo. Quanto ao Taarabt, juro que irei fazer uma festa no dia em que ele apanhar o avião para Marrocos só com bilhete de ida...!
 
Para a semana, iremos a Liverpool e, se nos exibirmos da mesma maneira, não teremos nada a recriminar à equipa. Demos o que podíamos dar e não envergonhámos o nome do clube. No entanto, é muito giro chegar aos quartos-de-final da Champions, dá muito dinheiro e tal, mas troféus para o Museu, nada. Desde o Verão de 2019 que não temos nem um para amostra! Espero que esta boa campanha europeia não sirva para escamotear a vergonha que voltou a ser esta época.

segunda-feira, abril 04, 2022

Finito

Perdemos em Braga (2-3) na passada 6ª feira e dissemos adeus definitivo às (poucas) hipóteses que ainda tínhamos de chegar ao 2º lugar, dado que a lagartada ganhou ontem em casa (2-0) ao Paços de Ferreira (com o primeiro golo a surgir num penalty anedótico, mas enfim...) e tem agora uma confortável vantagem de 9 pontos sobre nós. Será a segunda temporada desastrosa para nós e iremos novamente começar a época mais cedo para voltar a tentar entrar na Champions, ainda por cima com treinador novo... As coisas não estão nada famosas...
 
Com o mesmo onze que derrotou o Estoril, dominámos durante muitos períodos na 1ª parte, mas sem criar grandes oportunidades de golo. Chegámos a festejar um golo do Vertonghen num canto, mas viu-se na repetição que a bola lhe bateu na mão. Aos 28’, o mesmo Vertonghen passa a mão ao de leve pelo cabelo do Ricardo Horta e o Sr. Luís Godinho assinalou falta! Inacreditável! Foi um livre mesmo em cima da linha de grande-área e o Iuri Medeiros fez o primeiro golo num remate forte e rasteiro, com o Vlachodimos a poder ter feito mais dado que a bola entrou no ângulo que o nosso guarda-redes estava supostamente a cobrir. Até ao intervalo, o Yaremchuk dominou mal a bola, quando ia ficar isolado, permitindo o corte para canto de um defesa.
 
Para a 2ª parte, o Nélson Veríssimo fez logo uma dupla substituição, com as entradas do Darwin e João Mário para os lugares do Everton e Gonçalo Ramos. No entanto, nos minutos iniciais, continuámos a revelar as mesmas dificuldades em arranjar espaços para criar perigo na baliza contrária e foi o Braga a fazer o segundo golo aos 59’ através do André Horta, numa boa combinação com o irmão Ricardo. Tudo parecia decidido, mas o Veríssimo esgotou as substituições cinco minutos depois com as entradas do Seferovic, Diogo Gonçalves e Paulo Bernardo saindo o Yaremchuk, Vertonghen e Meïté. O Vitinha (bom jogador!), que tinha entrado ao intervalo, ainda obrigou o Vlachodimos a uma defesa com o pé, mas aos 72’ o André Horta meteu escusadamente a mão à bola de uma maneira tão evidente, que nem o VAR Hugo Miguel teve coragem de não a assinalar. O Darwin marcou muito bem o penalty, fazendo o 1-2. E apenas três minutos depois, igualámos o marcador através do João Mário, depois de muito bem assistido de cabeça pelo mesmo Darwin. Com o 2-2 feito e uma recuperação assinalável, esperava-se que um forcing nosso proporcionasse a cambalhota completa no marcador. No entanto, aconteceu justamente o contrário! Aos 79’, um erro crasso da nossa defesa, na sequência de um canto, deixou que o Vitinha aparecesse à vontade depois de um cruzamento para fazer o 2-3...! Até final, ainda conseguimos empurrar o Braga para a sua área e o Seferovic, que tinha entrado muito bem no jogo, teve uma brilhante jogada individual, que só foi pena não ter dado em golo. O Rafa e o Darwin também tentaram visar a baliza adversária, mas sem sucesso e acabámos por perder ingloriamente o jogo.
 
A equipa esteve muito sofrível durante grande parte do encontro, só tendo despertado nos últimos 20’. Em termos individuais, os substitutos foram quem mais se destacou neste período, especialmente o Darwin e João Mário, bem secundados, embora em menos tempo, pelo Seferovic. Mas a sensação que deu em termos globais foi que já estávamos mais com a cabeça no Liverpool do que neste jogo. O que é algo inadmissível para um clube como o nosso.
 
Iremos defrontar os ingleses amanhã para os quartos-de-final da Liga dos Campeões e o melhor a que podemos almejar seria deixar a eliminatória em aberto para a 2ª mão. No entanto, realisticamente, acho que se cairmos com dignidade já não será mau. A época continuará a ser desastrosa, mas ter-nos-emos livrado de uma humilhação.