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quarta-feira, novembro 13, 2019

Poucochinho

Vencemos o Santa Clara no sábado (2-1) e mantivemos na liderança do campeonato com os mesmos dois pontos de vantagem para o CRAC (1-0 no Bessa). Aproveitando a ida aos Açores, resolvi fazer uns dias de férias com a família (e levar os meus miúdos ao primeiro away), razão pela qual este post só sai hoje.

E estes dias poderiam ter começado muito mal, porque a nossa exibição foi simplesmente lamentável. Então os primeiros 45 minutos foram dos piores da era Lage. Trocas de bola lentíssimas, incapacidade gritante de entrar na área contrária (o nosso primeiro remate foi já no tempo de compensação!), o Gabriel a falhar n variações de flanco (com passes directamente... para a linha lateral) e, para piorar tudo, o André Almeida a dormir na forma aos 17’ e a ser batido infantilmente de cabeça pelo Carlos Carvalho, que inaugurou assim o marcador. Do nosso lado, só um penalty indiscutível sobre o Cervi que o Sr. Artur Soares Dias não quis ver é que se salvou do marasmo completo.

Na 2ª parte, entrou o Carlos Vinícius para o lugar do apagado Florentino, mas os primeiros minutos foram novamente do Santa Clara, que criou perigo em duas ocasiões, com um remate ao lado e uma falha incrível do Jardel a proporcionar depois uma boa defesa ao Vlachodimos. Eu estava a ver o panorama mesmo muito negro, quando o Pizzi resolveu inventar pela direita a jogada do nosso primeiro golo aos 54’, com um cruzamento rasteiro para o C. Vinícius só ter que encostar (mas a ter o mérito de estar lá). O Santa Clara protestou uma eventual falta do Chiquinho no início do lance, mas há um empurrão mútuo com o jogador adversário. Um pouco antes, já tínhamos criado perigo num remate de primeira do Rúben Dias num canto, com o guarda-redes a defender por instinto, mas depois continuámos a revelar inúmeras dificuldades em superar a boa organização defensiva dos açorianos. Estávamos mais subidos no terreno e a pressionar mais, mas sem criar grandes ocasiões até ao golo salvador aos 78’ pelo Pizzi: mau passe do Santa Clara na saída para o ataque, jogada do Seferovic que isolou o Pizzi, que à saída do guarda-redes desviou a bola subtilmente para a baliza. Foi um golo caído do céu! Logo a seguir, o Seferovic teve uma oportunidade de acabar com o jogo, mas o remate saiu à figura. No entanto, já nos descontos, as coisas poderiam ter piorado muito, porque o entretanto entrado Ukra teve um remate cruzado que saiu a rasar o poste. Demorei algum tempo a recuperar os batimentos cardíacos depois deste lance.

Em termos individuais, destaque óbvio para o Pizzi com uma assistência e um golo. O C. Vinícius continua com uma média de golos por minuto muito interessante, embora não tenha tido muitas mais oportunidades, porque não lhe chegou muito jogo. Todos os outros estiveram a um nível muito medíocre, com o Gabriel a subir muito ligeiramente na 2ª parte depois de uma 1ª para esquecer.

O campeonato irá agora parar duas semanas com as selecções e a Taça de Portugal. Eu sei que tivemos muitos jogos seguidos e que esta saída não era nada fácil. Mas isso não serve de desculpa para a nossa paupérrima exibição. Há que dizer que não perdemos pontos com alguma sorte e duvido que cheguemos longe a continuar a jogar desta maneira.

quarta-feira, novembro 06, 2019

Confrangedor

Perdemos em Lyon (1-3), hipotecámos quase definitivamente as hipóteses de continuar na Champions e mesmo a Liga Europa não é nada fácil. As últimas exibições pareciam indicar que estávamos novamente no bom caminho, mas tivemos um choque de realidade na Europa. Não há como fugir às evidências: não temos andamento para este nível futebolístico e o que temos exibido tem roçado o patético.

Jogo decisivo para a continuidade na Liga dos Campeões e o Tomás Tavares é titular do Benfica pela 4ª vez, todas na maior competição de clubes do mundo. Ou seja, deixa-se o André Almeida esgotar-se no campeonato para descansar na Champions. Racional isto? Não faço ideia. Por outro lado, o Bruno Lage deu igualmente a titularidade ao Gedson na direita, ele que, cada vez que entra, tem sido invariavelmente o pior jogador do Benfica. Mais uma vez, conferiu. A nossa 1ª parte foi de fugir. Sofremos o primeiro golo logo aos 4’ pelo Andersen de cabeça, num canto curto muito mal defendido por todos, especialmente os centrais. A este começo maravilhoso, seguiu-se uma 1ª parte que não lhe ficou atrás. Lentidão exasperante de processos, o Lyon chegava sempre primeiro à bola, muito pouca precisão nos passes e nos remates, enfim, um marasmo quase por completo. Para além disso, ao contrário de nós na Luz, os franceses tentavam sempre contra-atacar com perigo, apesar de nos darem a iniciativa. E foi num desses lances que fizeram o 2-0 aos 33’: o Tomás Tavares ficou duas vezes nas covas na direita, centro para a área e o Depay não perdoou. Até ao intervalo, poderíamos ter reduzido num canto, mas o Gedson falhou o desvio ao segundo poste.

Na 2ª parte, entrámos finalmente com onze com o Seferovic no lugar do Gedson. Era a segunda substituição, porque já tínhamos perdido o Ferro relativamente cedo devido a um choque com o Vlachodimos. Melhorámos um bocado, mas sempre a fazer as coisas em esforço e sem desenvoltura nenhuma. Ainda assim, um livre do Chiquinho e um remate do Seferovic criaram algum perigo ao Anthony Lopes. Entretanto, esgotámos as substituições a pouco mais de 15’ do fim, com a entrada do Pizzi para o lugar do esgotado Cervi. E foi o Pizzi a fazer uma óptima abertura para o Seferovic reduzir para 1-2 aos 76’. O fiscal-de-linha começou por levantar a bandeirola, mas o VAR confirmou que não havia fora-de-jogo nenhum. Ainda houve a esperança de pressionar o Lyon com vista à igualdade, mas os franceses defenderam-se muito bem e nós não tivemos arte para sequer chegar à baliza deles. Ao invés, foram eles a chegar à nossa aos 89’ e a fazer o 3-1: o Jardel não só deixou o Traoré virar-se depois de correr para apanhar a bola, como lhe deu o lado de dentro do campo, mesmo a jeito do seu pé esquerdo, que rematou em arco não dando hipóteses ao Vlachodimos. Outra péssima acção defensiva, ainda mais incompreensível por ter sido feita pelo Jardel, que está longe de ser inexperiente.

Em termos individuais, o Gabriel foi dos poucos a tentar remar contra a maré, o Cervi lutou muito, mas sem resultados atacantes visíveis, e o Chiquinho a espaços ainda conseguiu fazer qualquer coisa. O Vlachodimos também não esteve mal sempre que foi chamado, não tendo tido culpa nenhuma nos golos, e o Pizzi fez uma boa assistência para o Seferovic marcar. Todos os outros estiveram num nível muito baixo, em especial o já referido Gedson, o Florentino, que deve ter feito dos piores jogos com a camisola do Benfica, e o Tomás Tavares, que se arrisca a ficar queimado se só for titular na Champions.

Os números não enganam: 13 derrotas nos últimos 17 jogos na Champions envergonham a nossa história. Parece que entramos em campo já vencidos, manietados por um temor que sinceramente não se percebe. Estamos a jogar a mais prestigiante competição de clubes do mundo com o espírito da Taça da Liga (com o devido respeito). É algo que tem de ser mudado. E rapidamente.

segunda-feira, novembro 04, 2019

Retoma

Vencemos o Rio Ave por 2-0 no sábado e mantivemos os dois pontos de vantagem para o CRAC (1-0 em casa ao Aves). Foi uma vitória justa, em que a exibição na 2ª parte nos deixou a todos mais esperançados.

Três dias depois, novo jogo para o campeonato, e os regressos do Florentino e Pizzi ao onze em detrimento do Samaris e Gedson. Comandado pelo Carlos Carvalhal, o Rio Ave apresentou-se muito bem na Luz e o jogo foi muito complicado na 1ª parte. Sem medo de sair a jogar desde o guarda-redes, os vilacondenses trocavam muito bem a bola, saíam da nossa pressão com mestria, embora não tenham conseguido criar oportunidades de golo. Só que nós também não, porque éramos demasiado lentos a sair para o ataque e nunca conseguímos apanhar o adversário em contrapé. Um remate do Cervi de fora da área foi o lance de maior perigo antes do 1º golo aos 32’. Só podia ser de bola parada: canto do Pizzi na direita e entrada fulminante de cabeça do Rúben Dias. Até ao intervalo, uma oportunidade para cada lado, com um estoiro do Carlos Vinícius de pé esquerdo de fora da área (a fazer lembrar o grande Tacuara), a sair ligeiramente por cima, e o nosso ex-jogador Nuno Santos numa boa arrancada pela esquerda a deixar o André Almeida para trás, mas felizmente a bola bateu no poste (no entanto, há uma falta clara sobre o Cervi no início da jogada, que o sr. Carlos Xistra não quis ver).

A 2ª parte foi totalmente diferente, porque conseguimos manietar por completo o Rio Ave e estivemos quase sempre instalados no seu meio-campo. Claro que a nossa melhoria exibicional foi ajudada pelo 2-0 logo aos 51’ numa abertura do Gabriel para o Grimaldo na esquerda, este deixou para o Cervi, que centrou atrasado e o Pizzi, depois de tirar um defesa do caminho, rematou forte sem hipóteses para o Kieszek. A partir daqui, tivemos um cheirinho do que se passou na época transacta, porque recuperávamos a bola cedo e muito à frente no campo, e fazíamos combinações atacantes que baralharam a defesa do Rio Ave. O Rúben Dias teve oportunidade de bisar num livre, mas o seu desvio saiu ligeiramente ao lado, o Cervi teve uma boa iniciativa individual, porém o remate na passada também saiu ao lado, e o mesmo Cervi, depois de assistido pelo C. Vinícius, atirou de pé direito para defesa difícil do guarda-redes. Foi pena não termos conseguido marcar mais um golo, porque a nossa exibição neste período assim o merecia.

Em termos individuais, destaque para o Rúben Dias, que voltou a estar em evidência na defesa e teve a mais-valia de abrir o marcador, continuo a gostar bastante do Cervi, que com a confiança está a melhorar a olhos vistos, e a dupla Chiquinho-C. Vinícius também esteve bem, apesar de não ter marcado nesta partida. O Pizzi nem estava a fazer um jogo por aí além, mas quem marca um golo nunca pode ser criticado.

Iremos amanhã jogar a nossa continuidade nas competições europeias. Não podemos perder em Lyon, sob pena de irmos para o sofá ver a Europa em 2020. No entanto, um jogo desta importância não poderia ter vindo em melhor altura, porque o nosso nível exibicional está a melhorar. Esperemos é que isto se reflicta também na Champions.

P.S. – Disseram-me que este é o último ano em que teremos o (des)prazer de ver o Sr. Carlos Xistra espalhar a sua magia pelos relvados. Ainda falta todo um ano, diria eu! O empurrão ao André Almeida na área é grosseiro, mas coitado do Xistra não teve sorte nenhuma, porque do canto resultou o nosso primeiro golo. E esse era impossível anular. Isso e uma dualidade de critérios gritante na 1ª parte, que naturalmente não valia a pena continuar na 2ª quando o marcador passou para uma diferença de dois golos, é algo que não vai deixar saudades nenhumas no futuro. Que ainda está tão longe…

P.S. 2 – À atenção da organização de jogos: quando é que acaba esta fantochada dos foguetes e fogo preso na entrada das equipas…?! Já ganhámos o 38 e ninguém me avisou…?! Quantas quotas de quantos sócios são desperdiçadas naquele disparate…?! Será que quem se lembrou daquilo já se deu conta que com barulho nem dá para ouvir os aplausos à equipa na vénia…?! Vamos lá acabar com esse circo, por favor, que ir ver o Benfica é uma coisa séria. Obrigado.

quinta-feira, outubro 31, 2019

Melhoria

Goleámos ontem o Portimonense por 4-0 e, com o inesperado empate do CRAC no Marítimo (1-1), ficámos isolados no 1º lugar do campeonato, dois pontos à frente deles e do Famalicão. Foi uma partida que valeu essencialmente pela 2ª parte, já que a 1ª foi (infelizmente) muito parecida com as que temos vindo a efectuar.

Com a catrefada de jogos em poucos dias, o Bruno Lage fez cinco alterações no onze em relação ao Tondela: entraram o Jardel, Samaris, Gedson, Chiquinho e Carlos Vinícius para os lugares do Ferro, Florentino, Pizzi, Taarabt e Seferovic. E o que se pode dizer é que, apesar destas mudanças, durante a 1ª parte não se notou nada de novo. Dinâmica muito fraca, velocidade perto do zero, muitas dificuldades em criar perigo, foi tudo mais do mesmo. A boa notícia é que estamos melhor em termos defensivos, porque o Portimonense só teve uma verdadeira oportunidade, logo aos 11’ num remate rasteiro depois de um cruzamento da direita, que o Vlachodimos defendeu com os pés. Aos 17’ inaugurámos o marcador, depois de um canto do Chiquinho na direita, desvio do Gabriel ao primeiro poste e cabeçada forte do André Almeida ao segundo, sem hipóteses para o Ricardo Ferreira. E ficámos por aqui na 1ª parte, tal e qual como frente ao Tondela deixámos de jogar depois de marcar o golo.

A 2ª parte não poderia ter começado melhor com o 2-0 logo aos 47’: canto na direita novamente pelo Grimaldo, cabeçada em balão do André Almeida à barra, bola sobra novamente para o Grimaldo, que faz outro centro para o Rúben Dias se antecipar a um defesa e fuzilar o guarda-redes. A partir daqui, é natural que o jogo se tenha tornado mais fácil, mas o Benfica fez finalmente aquilo que não tem feito nos últimos jogos: saídas rápidas em transição desde a defesa, que naturalmente dão azo a oportunidades de golo. Parece simples, mas não o tem sido. Assim aconteceu pelo Chiquinho, depois de jogada do Cervi na esquerda, que rematou para uma defesa a dois tempos do guarda-redes. O Portimonense tentou respondeu, mas estivemos sempre bem na defesa, com o Vlachodimos a resolver as poucas bolas que lhe chegavam. Aos 63’, nova assistência do Grimaldo para novo golo do Benfica, com o C. Vinícius a deixar a bola passar ao seu lado em velocidade, a ganhar posição frente ao último defesa e a contornar o guarda-redes para fazer o 3-0. Decorrente do lance, sentiu uma cãibra, foi assistido e voltou ao campo aos 65’ para fazer o seu bis e o 4-0, desta feita depois de um passe de trivela do Chiquinho, com o brasileiro a rematar na passada. Até final, falhámos a manita pelo Gedson, com uma defesa do Ricardo Ferreira que se ia tornando num frango descomunal, e pelo entretanto entrado Jota, numa cabeçada por cima, depois de um centro largo do André Almeida.

Em termos individuais, destaque óbvio para o C. Vinícius com o seu bis, que lhe deve ter garantido o lugar de titular nos próximos jogos, para o Grimaldo, porque fez as assistências para os três primeiros golos, para o Samaris no meio-campo (não percebi porque é que depois do bom jogo na Taça ficou na bancada nos dois jogos seguintes) e para o Cervi, que vai melhorando de jogo para jogo (só lhe falta voltar a ser mais incisivo no ataque). O Chiquinho também esteve bem, especialmente na 2ª parte, mas precisa de afinar mais o remate. Quanto aos menos, novo jogo negativo do Gedson, que parece muito pouco à-vontade no lugar de extremo-direito.

Saímos todos satisfeitos do estádio e com desejo que isto seja a retoma exibicional tão ansiada. Teremos já no sábado a possibilidade de confirmar isto, com a recepção ao Rio Ave. Caso não aconteça, que ao menos ganhemos para manter a liderança isolada.

terça-feira, outubro 29, 2019

Pouca chama

Vencemos no domingo em Tondela (1-0) e, com a vitória do CRAC (3-0) frente ao antigo líder Famalicão, estamos agora ambos no 1º lugar com 21 pontos. Os jogos depois de jornadas europeias são sempre complicados e, ainda mais dos que nos outros, o que mais importa é sem dúvida ganhar. Por isso é que este jogo foi bom. Só por isso, acrescento.

Em relação à partida frente ao Lyon, entrou o Taarabt para o lugar do Rafa e o expectável regresso do Pizzi em vez do Gedson. Os primeiros 20’ fizeram-me crer que um pouco do Benfica do início de 2019 estava de volta. Tivemos alguma dinâmica, com o regresso do meio-campo titular (Florentino e Gabriel) defendemos muito mais à frente, o que faz com que recuperemos a bola mais rapidamente, e a nossa exibição prometia subir alguns patamares. No entanto, mesmo assim, não foi por isso que o Tondela deixou de ter as suas oportunidades, com o Vlachodimos a exibir-se a grande nível e a manter as nossas redes invioladas. Na sequência de um canto do Grimaldo na esquerda, aos 19’, inaugurámos o marcador numa cabeçada do Ferro, praticamente sem tirar os pés do chão e depois de contornar muito bem a um defesa. E, pronto, tudo de bom acabou ali. Estes primeiros 20’ (apesar das oportunidades do Tondela) não tiveram continuação durante o resto do jogo. Todo. Parecia que os jogadores do Benfica estavam seguros que o adversário não seria capaz de marcar e, por isso, a partida estava ganha. Até ao intervalo, não criámos mais perigo e ainda vimos o Tondela ter uma boa chance numa cabeçada por cima.

Na 2ª parte, se quisermos ver o copo meio-cheio, poderemos dizer que o Tondela não teve uma verdadeira oportunidade de golo. Se quisermos ver o contrário, poderemos dizer que rematámos pela primeira vez com (algum) perigo aos 75’(!), através do Chiquinho, que tinha substituído o inoperante Taarabt. Aliás, o marroquino não pode jogar a 10: abusa das tabelinhas (invariavelmente para trás), raramente se vira na direcção da baliza e o seu remate está longe de ser minimamente razoável. Só com a entrada do Chiquinho, tivemos a capacidade de levar o jogo para a frente, com alguma rapidez e tentando apanhar a defesa contrária em contrapé. Irá certamente ser titular dentro de pouco tempo, até porque demonstra alguma facilidade de remate e, nos tempos actuais, precisamos disso como do pão para a boca. E o jogo lá acabou, com a nossa vitória pela margem mínima que é o único facto que valerá a pena relembrar no futuro.

Em termos individuais, destaque para a dupla de centrais, com o Rúben Dias como um intransponível patrão e o Ferro a ser decisivo nos três pontos com o golo. Também o Vlachodimos foi muito importante com as suas intervenções na 1ª parte. De todos os outros, continuo a gostar da forma como o Cervi se entrega ao jogo: nunca vira a cara a luta, farta-se de ajudar o Grimaldo e, hoje em dia, já me dou por satisfeito só com isso.

Teremos agora uma série de jogos seguidos, com poucos dias de intervalo entre eles, e veremos como a equipa vai responder. Encantado da vida se continuarmos a ganhar, mesmo sem jogar bem, mas algo que me faz confusão em relação à época passada é precisamente esta falta de killer instinct. Era a nossa grande mais-valia no passado: só tentávamos deixar de tentar marcar golos quando o árbitro apitava para o final. Daí os 10-0 ao Nacional e as goleadas todas que infligimos. Ora, perdeu-se completamente isso este ano. E a saída do João Félix parece-me muito pouco como explicação. Só a falta de um jogador (por muito bom que seja) não deveria ser razão para tão grande mudança. É o que mais me preocupa actualmente: falta alegria a jogar à bola, algo que havia no passado e deu o resultado que deu. Ao invés, sinceramente, não vejo grande futuro a apresentar este nível de futebol. Oxalá me engane!

quinta-feira, outubro 24, 2019

Do céu

Derrotámos o Lyon pela margem mínima (2-1) e conseguimos finalmente a primeira vitória nesta edição da Champions. No entanto, há que ter a noção das coisas e dizer que tivemos muita sorte neste triunfo, porque a (digamos) qualidade do nosso futebol deixa imenso a desejar.

Novo jogo da Liga dos Campeões na Luz, novas surpresas no onze. O Pizzi ficou no banco e entrou o Gedson para o seu lugar e o Cervi para a esquerda. Saúde-se, no entanto, o regresso da dupla de meio-campo Florentino-Gabriel, que deu logo outra consistência defensiva. Falando em consistência defensiva, a nossa exibição resumiu-se praticamente a isso durante a maior parte do tempo. Marcámos logo aos 4’ numa jogada com alguns ressaltos e em que a bola acabou por ir parar aos pés do Rafa, que rematou sem hipóteses para o Anthony Lopes. Enquanto esteve em campo, o Rafa ainda imprimiu alguma velocidade nas transições, mas infelizmente ressentiu-se da lesão e foi substituído aos 20’ pelo Pizzi. E nós acabámos aí. O Lyon teve uma grande oportunidade na 1ª parte, mas o Grimaldo interceptou brilhantemente o remate do adversário, quando já só tinha o Vlachodimos pela frente. Nós só voltámos a fazer uma jogada de jeito perto do intervalo, com um centro atrasado do Tomás Tavares a encontrar o Seferovic, mas o remate deste de primeira foi muito bom... para o rugby.

Esperava-se que acordássemos um pouco na 2ª parte, mas não aconteceu. Ao invés, continuámos sempre a dar a iniciativa aos franceses, que também revelaram um futebol deveras confrangedor. O problema foi o de sempre: quando não se tenta matar o jogo (as transições atacantes praticamente não existiam), acaba-se invariavelmente por sofrer um golo. Foi o que se passou aos 70’ através do holandês Memphis Depay, de longe o melhor jogador deles, a rematar cruzado depois de um centro largo para a área não ser interceptado por nenhum defesa nosso. Entretanto, já tinha entrado o Carlos Vinícius para o lugar do também lesionado Seferovic e a pouco mais de 10’ do fim, arriscámos com o Raúl de Tomás a substituir o esgotadíssimo Cervi. A cinco minutos do fim, o Pizzi lembrou-se que estava em campo e arrancou um remate de fora da área, que embateu no poste. No minuto seguinte, recebeu uma bola vinda directamente das mãos do Anthony Lopes(!) e atirou de longe para a baliza deserta. Com um golo caricato e repetível uma vez em cada 100, lá ganhámos finalmente um jogo na Liga dos Campeões, mantendo-nos desta maneira na luta pelo apuramento para os oitavos-de-final.

Em termos individuais, gostei imenso do Cervi, que se destacou especialmente nas tarefas defensivas. Aliás, não percebo que mal terá feito o argentino para ter muito menos oportunidades do que a abécula do Caio Lucas... O Rafa estava a prometer ser o melhor em campo, mas saiu muito precocemente (e vamos ver quanto tempo estará de fora com a reincidência da lesão...). Os centrais Rúben Dias e Ferro também estiveram quase intransponíveis e o Grimaldo subiu igualmente de produção em relação a partidas anteriores. A dupla de meio-campo Florentino-Gabriel permite-nos jogar mais à frente, embora não tenhamos aproveitado isso ontem.

Não há como esconder: estamos a jogar um futebol péssimo. O Lyon igualou a 20’ de fim, mas nem assim conseguimos acelerar o jogo para criar desequilíbrios. Aliás, as lentas trocas de bola exasperaram muitas vezes os adeptos. Sinceramente não sei o que se passa, porque a equipa é praticamente a mesma do ano passado e custa a perceber uma descida tão abrupta na qualidade de futebol, mesmo levando em conta a saída do João Félix. O que se passa, Benfica?

P.S. – Este marasmo deve ser contagioso, porque estiveram 53.035 espectadores no estádio e por vezes consegui ouvir(!) os jogadores a falarem em campo. Qualquer semelhança com o “Inferno da Luz” é pura coincidência.

segunda-feira, outubro 21, 2019

Normal

Vencemos o Cova da Piedade em Almada (4-0) na 6ª feira e qualificámo-nos para a 4ª eliminatória da Taça de Portugal. Foi uma vitória natural e expectável, mas que só se confirmou em pleno na 2ª parte.

Depois da paragem para as eleições e selecção, o Bruno Lage utilizou naturalmente grande parte dos titulares, até porque vem aí um jogo muito importante frente ao Lyon. No entanto, a 1ª parte foi muito lenta, na senda do que vínhamos fazendo até agora. O Cova da Piedade fechou-se muito bem na defesa, embora raramente tenha passado de meio-campo. Quando se esperava um nulo ao intervalo, abrimos o marcador em cima dos 45’ através do Pizzi, depois de uma boa tabelinha com o Carlos Vinícius, numa das poucas jogadas de jeito que fizemos na 1ª parte. O próprio Pizzi já tinha falhado escandalosamente um golo praticamente feito, em que foi isolado pelo mesmo C. Vinícius e permitiu a defesa do guarda-redes.

A 2ª parte foi bem mais tranquila, não só porque já estávamos a ganhar, como principalmente pelo facto de termos marcado o segundo golo logo aos 49’: bis do Pizzi, numa recarga a um remate do Raúl de Tomás, defendido para a frente pelo guarda-redes. A eliminatória ficou decidida e a dúvida era saber quantos golos marcaríamos. Aos 64’, fizemos o terceiro através do C. Vinícius na sequência de um engano do Caio Lucas, que conseguiu (ao menos uma vez na vida!) ganhar uma bola a um adversário na linha, tendo tirado partido de uma tabela involuntária com as pernas dele (claro... só assim é que conseguiu!). O jogo ainda deu para o regresso do Florentino, depois da malfadada lesão em Braga e fechámos o marcador já na compensação com novo golo do C. Vinícius, num remate muito forte, depois de uma boa insistência do entretanto entrado Gedson.

Em termos individuais, destaque para os marcadores dos dois golos, Pizzi e C. Vinícius, com o brasileiro a manter uma média muito interessante de golos por minutos. Tirando os golos, o melhor para mim foi o Samaris, com muito mais dinâmica do que em jogos anteriores, sempre em cima do lances e a recuperar inúmeras bolas. O Raúl de Tomás continua com uma relação difícil com a baliza, ou é o guarda-redes, ou um defesa ou o remate que é fraco demais, ou tem mais azares que os outros avançados todos juntos. É provavelmente tudo isso, mas lá que está a ser difícil marcar lá isso está. Quanto ao Caio Lucas, acho que já se pode dizer que preenchemos o mínimo exigível no âmbito da “quota Carrilho” e em Dezembro poderemos desejar-lhe “boa sorte para o resto da carreira”. Não dá mesmo.

Veremos o que nos reserva a próxima eliminatória da Taça, mas agora está na altura de nos concentrarmos na Champions, porque vem aí um jogo decisivo para a continuidade nas provas europeias e seria muito mau que assistíssemos à Europa no sofá em 2020. O que será o desfecho mais provável caso não ganhemos ao Lyon.

quinta-feira, outubro 17, 2019

Luxemburgo e Ucrânia

Jornada dupla agridoce da selecção nacional: vencemos o Luxemburgo por 3-0 na passada 6ª feira, mas perdemos na Ucrânia por 1-2 na 2ª feira e deixámos a qualificação para ser decidida nos últimos dois jogos em Novembro.

Contra os luxemburgueses, fizemos o que se esperava, com golos do Bernardo Silva na 1ª parte, e do Cristiano Ronaldo e Gonçalo Guedes na 2ª. O adversário nunca deu muita luta e a vitória foi mais que natural. Já contra os ucranianos, as coisas piaram mais fino. Entrámos muito mal no jogo e a 1ª parte foi para esquecer, de tal modo que fomos para o intervalo a perder por 0-2. Na 2ª parte, carregámos sobre os ucranianos, mas sem grande inspiração. Ainda reduzimos para 1-2 aos 73’ num penalty do C. Ronaldo (que fez assim o 700º golo da carreira), mas não conseguimos aproveitar o facto de o adversário ter ficado com dez até final. Há que dizer, no entanto, que tivemos algum azar, com uma bola ao poste do Danilo mesmo em cima dos 90’.

Iremos ao Luxemburgo e receberemos a Lituânia em Novembro, e duas vitórias dar-nos-ão a qualificação directa para o Euro 2020 no 2º lugar do grupo. Seria um escândalo que não o conseguíssemos.

sexta-feira, outubro 11, 2019

E agora para algo (mesmo) muito importante

Não poderia estar mais de acordo com isto. A direcção do Sport Lisboa e Benfica não pode ser conivente (por omissão) com um excremento.

Esta é uma carta aberta escrita para a Tribuna Expresso e dirigida à direção do clube da Luz e é sobre alguém que chegou ao Parlamento e que é "conhecido apenas e só por ser do Benfica"

Somos um pequeno grupo de benfiquistas que vem por este meio expressar indignação perante um facto que já passou todos os limites: André Ventura usou e usa o Benfica para criar uma persona política. 

A instrumentalização política do Benfica é errada por princípio.

Neste caso, é ainda mais grave, porque o Chega é um partido de extrema-direita abertamente anti-sistema e xenófobo, isto é, um partido que é a negação da identidade do Benfica. 

O clube de Eusébio, Coluna, Renato e Gedson, entre outros, não pode ser associado a uma figura xenófoba. 

A claque do Benfica tem brancos, mestiços e negros. O Benfica é um clube de angolanos, cabo-verdianos, moçambicanos.

O Benfica é clube mais popular de Portugal, é de ricos e pobres, de brancos e negros, de muçulmanos e ciganos. A direcção do Benfica não pode continuar a pactuar com a evidência mediática: o Chega chegou ao parlamento porque é liderado por uma personagem que é conhecida apenas e só por causa do Benfica. 

Com os melhores cumprimentos,

Jacinto Lucas Pires 
Henrique Raposo 
Pedro Norton 
José Eduardo Martins 
Ricardo Araújo Pereira
 

quinta-feira, outubro 03, 2019

Figura triste

Perdemos na Rússia com o Zenit (1-3) na 2ª jornada da Liga dos Campeões e comprometemos seriamente não só a continuidade nesta prova, como nas próprias competições europeias. Não há como fugir à questão: foi a nossa 12ª derrota nos últimos 15 jogos na Champions! É uma prestação inconcebível que envergonha a nossa história.

Desta feita não houve muitas alterações na equipa (só o Jardel no lugar do Ferro e o regresso do Gabriel, avançando o Taarabt para as costas do Seferovic), mas o marasmo total na Europa mantém-se. Poderíamos ter sofrido um golo quase na saída de bola, com o Jardel a ser batido na grande-área, porém tivemos oportunidade de marcar logo a seguir num canto, com o Seferovic a atirar de cabeça a rasar o poste. O Pizzi ainda teve um remate de longe à figura do guarda-redes, mas aos 22’ sofremos o primeiro de três golos ridículos: troca de bola na nossa defesa, o Vlachodimos a dar para o Fejsa, este a ser pressionado, a perder a bola de maneira infantil, sobra para o Dzyuba que sozinho bateu o Vlachodimos sem dificuldade. Sentimos muito o golo e até ao intervalo não conseguimos criar mais problemas ao guarda-redes contrário.

Esperava-se que na 2ª parte fôssemos capazes de imprimir mais velocidade ao jogo, mas isso raramente aconteceu. Aliás, foi o Zenit a quase conseguir marcar logo no recomeço, mas valeu-nos o Vlachodimos. Por volta da hora de jogo, o Bruno Lage resolveu mexer e tirou o apagadíssimo Pizzi e o infeliz Fejsa para colocar o Carlos Vinícius e o Caio Lucas. Na sua única acção de jeito no tempo em que esteve em campo, pouco depois de entrar, o Caio Lucas teve um remate relativamente perigoso, mas o Lunev defendeu para canto. Aos 70’, as nossas esperanças caíram de vez com o 0-2 através de um autogolo do Rúben Dias, na sequência de uma jogada rápida pela direita que nos apanhou em contrapé, com o nosso central a tentar cortar de carrinho, todavia a colocar a bola na baliza. Ainda houve dúvidas sobre a posição do jogador que fez o centro, mas o VAR validou o lance. Aos 78’, sofremos mais um golo digno dos infantis com um livre no nosso meio-campo a ser marcado rapidamente pelos russos, que isolaram o iraniano Azmoun, que só teve que contornar o Vlachodimos e atirar para a baliza deserta. Confesso que aqui temi a reedição de Basileia… A nove minutos do fim, o Bruno Lage esgotou as substituições com a entrada do Raúl de Tomás para o lugar do Seferovic. E foi do espanhol o único aspecto positivo deste jogo, com o seu primeiro golo pelo Benfica, aliás, um golão, num remate de fora-da-área aos 85’. O mesmo de Tomás poderia ter marcado outro pouco depois, mas o remate saiu muito por cima, depois de ter tirado um adversário da frente. Até final, ainda tivemos dois cantos perigosos, mas a cabeçada do Gabriel saiu à figura e o remate do C. Vinícius muito ao lado da baliza.

Não vou destacar ninguém individualmente, porque a exibição foi mais uma vez paupérrima. O facto de o Pizzi e o Grimaldo andarem a fazer dos piores jogos pelo Benfica, e o Rafa estar muito longe da sua melhor forma explica grande parte do problema: não há ninguém que desequilibre as coisas a nosso favor. Jogamos de modo exasperadamente lento e a equipa parece descrente praticamente desde o início. Algo que não se percebe! Estamos a jogar na Liga do Campeões, caramba, o mínimo que os jogadores devem fazer é mostrarem ganas em campo!

Teremos agora duas semanas sem jogos. Espero sinceramente que a equipa técnica consiga engendrar um plano para melhorarmos (bastante) o nosso futebol. Isto começa seriamente a preocupar-me, porque não vejo a equipa a reagir perante as adversidades que se vão colocando. Antes pelo contrário. Estamos cada vez mais lentos e com menos dinâmica. E deste modo não se augura nada de bom para esta época…

segunda-feira, setembro 30, 2019

De encomenda

Vencemos o V. Setúbal na Luz por 1-0 no sábado, mas como o Famalicão também ganhou ao Belenenses SAD (3-1) e o CRAC em Vila do Conde (1-0), ficou tudo na mesma na frente, com os famalicenses à nossa frente e do CRAC por um ponto (19 contra 18). Tal como o resultado deixa transparecer, foi um jogo bastante difícil em que a vitória só foi obtida depois de muito sofrimento, porque tivemos que defender a vantagem com dez jogadores nos últimos 15 minutos (já com os descontos).

Três dias depois de termos empatado com o outro Vitória, o Bruno Lage alterou a equipa, regressando os habituais titulares, mas deixando o Raúl de Tomás no banco, avançando o Gedson para segundo avançado. O que definitivamente não resultou. O Gedson pareceu sempre perdido naquela posição e fez das piores primeiras partes que me lembro com a camisola do Benfica. Primeira parte, essa, que foi péssima, connosco sempre muito lentos, sem praticamente criar oportunidades de golo. Um remate do Gedson que foi interceptado por um defesa e outro do Pizzi pelo Makaridze foram as únicas ocasiões de jeito. Do lado contrário, o Vlachodimos limitou-se praticamente a ser um espectador.

Na 2ª parte, pedia-se mais velocidade, caso contrário não se estava a ver como conseguiríamos marcar. Entrou o Gabriel logo no reinício para o lugar do amarelado Fejsa, mas as melhoras não foram tão visíveis como na 4ª feira passada. Até porque o V. Setúbal criou mais perigo com dois remates às redes laterais praticamente seguidos. Pouco depois, foi o Rafa a ser completamente abalroado na área, mas nem o Sr. Tiago Martins, nem o VAR, o Sr. Bruno Esteves, viram razão para falta. Claro que não! Era sobre um jogador do Benfica, claro que não havia motivo para penalty…! Por volta da hora de jogo, o Bruno Lage arriscou e fez entrar o Carlos Vinícius para o lugar do Pizzi. E logo aos 64, o brasileiro justificou a aposta ao marcar o único golo da partida: enésimo canto a nosso favor, remate do Ferro para grande defesa do Makaridze, a bola sobrou para o Rafa que centrou, para o C. Vinícius passar a bola por cima do guarda-redes à saída deste e à meia-volta conseguir metê-la no único espaço disponível na baliza, dado que ainda estava um defesa perto do poste por causa do canto. Movimento à ponta-de-lança! Pouco depois, foi o Rafa a ver um remate seu interceptado por um defesa, depois de uma jogada de insistência também com participação do C. Vinícius. O André Almeida lesionou-se, entrou o Tomás Tavares e a dez minutos do fim o Sr. Tiago Martins resolveu desequilibrar as coisas a favor do V. Setúbal: mostrou vermelho directo por entrada ríspida do Taarabt, mas este não só toca na bola, como usa a parte lateral do pé. Dez minutos antes, o mesmo Sr. Tiago Martins mostrou um amarelo a um jogador do V. Setúbal, que entrou de pitons sobre o tornozelo do Rafa! Inacreditável! O V. Setúbal veio naturalmente para cima de nós, mas conseguimos manter as nossas redes a zero com bastante sofrimento, dado que acabámos o jogo com o Gedson e Gabriel no meio, e o C. Vinícius a fechar o lado esquerdo.

Em termos individuais, o C. Vinícius merece óbvio destaque pelo golo que nos deu os três pontos. O Gedson foi péssimo na 1ª parte, mas melhorou ligeiramente na 2ª, enquanto o Rafa já esteve em melhor forma, mas é imprescindível, porque é o único jogador com capacidade para acelerar o jogo. Ao invés, o Pizzi passou novamente ao lado da partida.

Não jogámos bem, longe disso, mas conseguimos ganhar e isso era fundamental. Até porque se antigamente jogámos muitas vezes contra 14, agora jogamos contra 16! Foi das arbitragens mais vergonhosas que se viram nos últimos anos na Luz e espero não ter que ver este(s) senhor(es) a arbitrar(em)-nos nos tempos mais próximos (mas seguindo a lógica do Fábio Veríssimo, devem estar no jogo da apresentação na próxima época…). Não marcar aquele penalty sobre o Rafa brada aos céus, a dualidade de critérios na expulsão do Taarabt e no outro lance é gritante, mas onde se viu que isto foi mesmo de encomenda foi no amarelo ao Vlachodimos. O nosso guarda-redes foi avisado para não perder tempo e amarelado literalmente no segundo a seguir! Foi a primeira vez que vi isto acontecer num jogo! Ainda por cima, antes do nosso golo, o Makaridze tinha tido n situações destas sem ter tido consequências nenhumas! Foi uma arbitragem a lembrar os saudosos anos 90, um autêntico roubo, e o pior é que já não é a primeira. Este campeonato vai ser tremendamente complicado.

Benfica FM em directo

Há pessoas que não aprendem com os erros, como é o caso do Nuno Picado que insiste em convidar-me para o excelente Benfica FM. Enfim, deve ter lá uma cláusula que o obriga a dar tempo de antena a palermas de vez em quando...

Para ver hoje em directo aqui a partir das 21h30.




quinta-feira, setembro 26, 2019

Medíocre

Empatámos ontem 0-0 na Luz com o V. Guimarães na 1ª jornada da fase de grupos da Taça da Liga. E bem podemos agradecer aos postes da baliza sul não termos sido derrotados, dado que vimos três(!) bolas a bater neles.

Como é habitual nesta competição, os treinadores fazem uma rotação do plantel, mas o que se pode dizer é que a maioria dos nossos jogadores falharam completamente o teste. A 1ª parte foi paupérrima, connosco a jogar em duas velocidades: devagar e parados. Só um cabeceamento do Jardel num canto deu a sensação de golo, enquanto na nossa baliza houve as tais três bolas nos ferros todas no mesmo lance!

Era obrigatório outro comprometimento dos jogadores na 2ª parte, mas só melhorámos efectivamente com as entradas do Rafa e Gabriel aos 60’ e 65’, respectivamente. O V. Guimarães tentou sempre marcar e nunca se limitou a defender o resultado, mas o Zlobin na baliza lá foi conseguindo resolver o que aparecia. Quanto a nós, a melhor ocasião foi numa óptima jogada do Tomás Tavares com centro para o Rafa, mas o remate deste foi interceptado por um defesa quando ia com boa direcção. Para os minutos finais ainda entrou o Raúl de Tomás, mas apesar de ter tido um par de oportunidades continua sem conseguir marcar.

Em termos individuais foram muitos mais os que se destacaram de forma negativa do que o contrário. Começando pelos positivos, os já referidos Rafa e Gabriel deram logo um outro ar à coisa, apesar dos poucos minutos em campo, o Tomás Tavares também não foi dos piores, o Rúben Dias não sabe verdadeiramente jogar mal e o Taarabt esforçou-se, mas está a começar a pagar a factura de tantos jogos seguidos (mas também quem o mandou andar a pastar durante quatro anos...?!). Ao invés, o Nuno Tavares esteve péssimo (salvou-se um par de centros), o Caio Lucas terá o mesmo sucesso no Benfica de outros craques como o Éder Luís, o Felipe Meneses ou o Filipe Augusto, o Samaris mostrou porque é que nem tem ido para o banco e o Jota precisa de crescer um bom bocado.

Um empate no único jogo em casa coloca-nos numa posição pouco confortável com vista ao apuramento para a final four. Seria bom que conseguíssemos disputar esta competição até ao fim, não só porque já não a ganhamos há três anos, mas também porque já a conquistámos mais vezes do que todos os outros clubes juntos. E seria bom manter esta média.

segunda-feira, setembro 23, 2019

Sofrimento

Vencemos em Moreira de Cónegos no passado sábado por 2-1 e continuamos igualados com o CRAC, que bateu em casa o Santa Clara por 2-0, à espera do que fará o Famalicão hoje no WC para saber se vamos ou não para o 1º lugar. Esperava-se um jogo complicado, dado que o Moreirense está a fazer um bom início de época, e o facto de aos 85’ estarmos a perder por 0-1 diz tudo…

O Bruno Lage voltou à fórmula habitual depois das mudanças europeias, mas nem por isso jogámos melhor. A 1ª parte foi bastante fraca, nunca conseguimos impor grande velocidade e só um lance de combinação entre o Seferovic e Pizzi permitiu a este ficar em boa posição, mas o remate saiu ao lado. Assim como um cabeceamento do Seferovic perto do intervalo que saiu igualmente perto do poste. O Moreirense não se limitava a defender, mas também não conseguiu criar grande perigo para o Vlachodimos. Em cima do intervalo, o Rafa levou uma grande pantufada (para mim, poderia perfeitamente ter sido vermelho, dado que o adversário não tinha hipótese de jogar a bola), aguentou até ao descanso, mas felizmente conseguiu continuar.

Exigia-se mais velocidade na 2ª parte, mas foi o Moreirense a abrir o marcador logo aos 48’ pelo Luther Singh, que surgiu nas costas da nossa defesa depois de um cruzamento largo da esquerda. Se as coisas já estavam complicadas, mais ficaram. Até porque nos desconcentrámos e o Nené só não fez o 0-2 pouco depois, porque o remate acrobático saiu por cima, apesar de estar em excelente posição. A partir da hora de jogo, começámos finalmente a tomar conta as operações, mas apesar de alguns remates (e tentativas de) não tivemos uma oportunidade flagrante até aos 70’, quando o Gedson (entretanto entrado para o lugar do Fejsa) apareceu isolado depois de um cabeceamento do Raúl de Tomás, mas não dominou bem a bola e permitiu a intercepção de um defesa. Logo a seguir, foi o de Tomás a rematar de recarga um livre seu e a fazer a bola sair ligeiramente ao lado. Conseguimos finalmente a igualdade a 5’ do final, num cabeceamento do Rafa, depois do alívio de um defesa, na sequência de um centro largo do Rúben Dias para a área. O Bruno Lage arriscou tudo, já tinha feito entrar o Caio Lucas para o lugar do Pizzi e depois do golo entrou o Jota saindo o André Almeida. Inacreditavelmente o Sr. Artur Soares Dias deu apenas 3’ de compensação, apesar de o Moreirense ter feito algum antijogo, mas lixou-se sobremaneira com o nosso golo da vitória aos 91’ num óptimo cabeceamento do Seferovic a um não menos brilhante centro do Jota. Selávamos assim uma vitória tremendamente difícil, mas estes jogos menos conseguidos que se acabam por ganhar são fundamentais quando se fizerem as contas no final.

Em termos individuais, não se pode dizer que tivesse havido um jogador que se destacasse muito dos outros. O Seferovic merece uma palavra por nos ter dado a vitória e o Rafa por ser ter feito o importantíssimo golo do empate, apesar de já ter realizado exibições melhores do que a de sábado. O Gedson mexeu com o jogo quando entrou e o Fejsa parece estar a subir de forma, apesar de emperrar sempre um pouco o nosso jogo atacante. O de Tomás continua a não conseguir marcar e nota-se a ansiedade por causa disso a cada toque que dá na bola. Espero que, quando entrar o primeiro, todos os outros entrem em catadupa.

Voltámos a não jogar bem, mas ganhámos. Já é a segunda jornada consecutiva em que isso acontece. Vamos entrar agora numa sequência de jogos consecutivos, com a Taça da Liga a começar, e haverá certamente a possibilidade de vermos outros jogadores do plantel em acção. Esperemos é que o nível exibicional suba, porque jogar mal e ganhar não costuma durar uma época inteira…

quarta-feira, setembro 18, 2019

Pena

Perdemos com o Leipzig na Luz (1-2) e pela terceira época consecutiva iniciamos a Champions com uma derrota em casa. Se eu festejei o facto de nos ter saído o Zenit no pote dos tubarões, isso foi mais que mitigado por nos terem calhado provavelmente as duas melhores equipas dos potes 3 e 4. Estes alemães, convém não esquecer, estão à frente do campeonato deles e acabaram de empatar com o Bayern Munique neste fim-de-semana.

O Bruno Lage surpreendeu tudo e todos, fazendo estrear na equipa principal, logo a titular e num jogo de Champions, o lateral-direito Tomás Tavares, colocando o Cervi pela primeira vez na temporada e o Jota no lugar do Seferovic. É muito fácil vir criticar isso a posteriori, dado que perdemos, mas o que é facto é que o André Almeida, o Rafa e o Pizzi não tinham treinado na 2ª feira e tivemos somente três dias entre jogos. O nº 34 está a fazer os primeiros jogos da época depois de uma lesão, o Rafa quando entrou viu-se que dificilmente aguentaria o jogo todo e o Pizzi praticamente nem esteve em campo. Estamos com muitos lesionados e não há milagres. Não acho nada que o Lage tenha desmerecido a competição e facilitado. Além disso, no passado, criticava-se alguns treinadores por só contarem efectivamente com 14/16 jogadores. Agora, critica-se este por, de facto e na prática, contar com o plantel todo. Meus amigos: decidam-se! O Leipzig deu sinal logo desde o início que vinha para os três pontos, mas na 1ª parte não houve grandes oportunidades de parte a parte, excepção feita a um remate em arco que o Vlachodimos defendeu e já em cima do intervalo a uma cabeçada do Raúl de Tomás num livre que o guardião contrário também não permitiu que entrasse.

A 2ª parte foi mais aberta, com o Vlachodimos a safar-nos novamente desviando com o pé um passe atrasado que daria certamente golo, um remate em arco do Raúl de Tomás que passou perto e dois remates do Pizzi, um fraco em boa posição e outro cruzado que, embora com pouco ângulo, poderia ter tido melhor sorte. Logo a seguir a esta oportunidade, aos 69’, o Leipzig colocou-se em vantagem pelo Werner num remate de primeira sem hipóteses para o Vlachodimos. Pouco depois, tivemos a melhor oportunidade do encontro com o Taarabt a isolar magistralmente o Cervi, mas este a permitir que o húngaro Gulacsi defendesse. Já antes do primeiro golo, o Lage tinha feito estrear o David Tavares no lugar do inoperante Jota e a 15’ resolveu arriscar e fazer entrar o Rafa e Seferovic para os lugares do Pizzi e Cervi. Só que aos 79’, os alemães fizeram o 0-2 novamente pelo Werner, num lance em que o fiscal-de-linha assinalou fora-de-jogo ao jogador que fez a assistência e o VAR validou posteriormente. Tudo bem que esse jogador não estava efectivamente em fora-de-jogo, mas o Werner tirou partido da posição irregular inicial para estar isolado quando marcou. Acho que a lei deveria ser revista neste ponto, porque objectivamente o jogador em posição irregular acaba por ter intervenção (e de que maneira!) na jogada. Aos 84’, conseguimos reduzir pelo Seferovic na sequência de uma boa jogada iniciada pelo Tomás Tavares, que abriu no Rafa e este centrou para o suíço marcar. Até final, com um pouco de sorte poderíamos ter empatado, mas um remate do Rafa saiu ao lado e uma cabeçada do Taarabt num livre do Grimaldo passou muito por cima, quando era só desviar ligeiramente a bola.

Em termos individuais, o Taarabt foi o melhor do Benfica, porque foi o único que conseguiu passar a primeira barreira defensiva dos alemães e levar a equipa para a frente. A outra boa notícia foi que ganhámos um lateral-direito, porque o Tomás Tavares nem parecia que se estava a estrear. Outro jogador em destaque foi o Vlachodimos que, para além de continuar a fazer intervenções decisivas entre eles, está definitivamente melhor a sair dos postes. Ao invés, o Jota ainda tem que crescer um bocado para estas andanças, mas gostei do toque de bola do David Tavares. O Raúl de Tomás continua sem marcar, mas teve alguma falta de sorte nas duas oportunidades que teve para isso. Sempre gostei do Cervi, com a sua capacidade de luta, estava até a ser dos melhores ontem, mas aquele falhanço num jogo destes não pode acontecer.

O outro resultado deste grupo (Lyon – 1 – Zenit – 1) acabou por nos favorecer, dado que assim só temos três pontos de desvantagem para os alemães, que devem ser os grandes favoritos ao 1º lugar, apesar de terem vindo do pote 4. No entanto, daqui a 15 dias iremos a São Petersburgo e conviria muito vir de lá com pelo menos um ponto, caso contrário as coisas podem tornar-se complicadas para nós.