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quinta-feira, junho 17, 2021

Sorte medrosa

Entrámos bem no Euro 2020, com uma vitória por 3-0 frente à Hungria em Budapeste anteontem. O futebol tem esta coisa maravilhosa de os resultados poderem ser enganadores. Quem olhe para este sem saber nada, pensa logo: “vitória fácil e esclarecedora”. Ora, com o primeiro golo a beneficiar do desvio de um defesa e acontecer a seis minutos do fim, a vitória foi tudo menos isso.
 
Com a França e Alemanha no grupo, as contas eram simples: ou ganhávamos este jogo, perante a selecção obviamente mais fraca, ou poderíamos começar a fazer as malas de regresso. Se até entrámos bem, com um remate do Diogo Jota defendido pelo guarda-redes (embora o nº 21 devesse ter assistido o Cristiano Ronaldo que estava sozinho...), só voltámos a ter a sensação de golo perto do intervalo, com o C. Ronaldo a falhar um desvio na pequena-área. Os húngaros fecharam-se a sete chaves na defesa e, quanto mais o tempo foi passando, mais evidente ficava que era preciso mais dinâmica no meio-campo e no ataque, mais velocidade, mais vontade de arriscar, caso contrário, não iríamos ganhar. Isso era visível para toda a gente, menos para o... Fernando Santos! E percebeu-se porquê na conferência de imprensa no final: disse o nosso seleccionador que a equipa estava “muito segura” e a “controlar bem” o ataque do adversário, e portanto não via necessidade de fazer substituições mais cedo. Lá está, com jogadores do calibre dos nossos, o Fernando Santos tem muita dificuldade em superar aquele futebolzinho me(r)d(r)oso (podem escolher o sítio mais apropriado dos parêntesis), que sempre caracterizou as suas equipas. E como ganhou um Europeu a jogar assim, deve achar que a história se repete e a receita é para manter. Só aos 71’(!) houve a primeira substituição, com a entrada do Rafa para o lugar do Bernardo Silva, mas foi aos 81’ quando entrou o Renato Sanches para o lugar do ‘verdadeiro’ lento William Carvalho, que finalmente começámos a ter dinâmica no meio-campo e alguém para levasse a equipa para a frente e não se limitasse a trocar a bola para o lado e para trás. Fomos para cima dos húngaros e o Rafa teve intervenção directa nos três golos: assistiu o Raphael Guerreiro para o tal remate desviado aos 84’ (sendo que a própria assistência também beneficiou de um desvio), sofreu o penalty aos 87’, que o C. Ronaldo concretizou, e assistiu o nº 7 já na compensação (92’) para o resultado final.
 
O C. Ronaldo foi o “homem do jogo”, como seria de esperar, mas o Rafa foi essencial por ter participado nos três golos. O Renato Sanches deveria caminhar a passos largos para ser titular, mas com o Fernando Santos nunca se sabe. Gostei do Danilo no meio-campo, mas o Diogo Jota e o Bernardo Silva estiveram muito abaixo do que podem fazer. A defesa esteve segura, embora o Nélson Semedo não seja tão acutilante em termos ofensivos como o João Cancelo (e, neste sentido, ficámos a perder por causa da covid-19 deste). Já a titularidade do William Carvalho, que já não tem grande velocidade e ainda por cima praticamente não jogou esta temporada no Bétis, é um mistério...
 
Como a França ganhou por 1-0 à Alemanha, os alemães irão ter um jogo decisivo contra nós no sábado. Não é preciso ser bruxo para adivinhar que o Portugal irá jogar para o empate contra eles. Quatro pontos devem ser suficientes para, pelo menos, assegurar um dos quatro terceiros lugares que darão a qualificação. E, para esse objectivo, também foi importante este 3-0, por causa da diferença de golos. Ou então, pode ser que a selecção me surpreenda e faça um jogão contra os alemães (que, diga-se de passagem, também não parecem ter uma selecção tão forte quanto as passadas)... Veremos (mas tenho zero esperança disso...).

segunda-feira, maio 24, 2021

Corolário

Fomos derrotados pelo Braga na final da Taça de Portugal (0-2) e, no ano de maior investimento de sempre na equipa, acabamos a temporada com zero títulos. Era difícil antever pior, mas no fundo o resultado de ontem é de uma maneira distorcida a cereja no topo do bolo, que estava estragado quase desde o início.
 
Com a lesão do Lucas Veríssimo, o Jesus continuou a aposta no Morato para manter os três centrais, mas não foi por aí que a corda partiu. Desde o início do jogo que o Braga foi sempre muito mais agressivo do que nós nas disputas de bola e terminou a partida com bem mais do dobro das nossas faltas (24 vs. 9), o que diz tudo acerca da nossa falta de comprometimento. É que para se jogar é preciso ter a bola e se não há ninguém que corra atrás dela e que faça pressão para a recuperar... Mesmo tendo entrado melhor do que nós, é impossível dissociar esta vitória do Braga da decisão inacreditável do Sr. Nuno Almeida aos 17’, que o Sr. João Pinheiro no VAR não reverteu: numa bola lançada nas costas da nossa defesa, o Abel Ruiz passou pelo Helton Leite e caiu, e o árbitro considerou falta e expulsou o nosso guarda-redes! É que não só o nosso guarda-redes nem toca no adversário, como este faz a finta para o lado e não na direcção da baliza. Mesmo que se considerasse falta, jamais seria para cartão vermelho! A nossa temporada foi uma vergonha, é um facto, mas lances destes e dois(!) penalties em 34 jornadas também a ajudam a explicar. O jogo ficou logo estragado nesta altura e a nossa vida muito complicada. O Jesus sacrificou o Pizzi para entrar o Vlachodimos, mas até acabámos por defender melhor no resto da 1ª parte só com dez do que o que tínhamos feito com a equipa completa. O Braga só teve uma clara oportunidade, já perto do intervalo, com um corte fabuloso do Otamendi que literalmente salvou um golo, impedindo que a bola chegasse ao Ricardo Horta, que só teria de encostar. No entanto, o nosso ataque era quase inofensivo, porque só o Taarabt levava a bola para a frente e o Seferovic e Everton não são jogadores explosivos, que possam ganhar aos adversários em velocidade. Mesmo assim, tivemos uma óptima oportunidade, na sequência de um ressalto num canto, em que a bola sobrou para o Weigl, que rematou para defesa do Matheus. Quando toda a gente já esperava o intervalo, sofremos o primeiro golo já no final da compensação: saída escusada e disparatada do Vlachodimos, o Vertonghen não cortou bem a bola, que ficou à mercê do Piazon, que fez um chapéu ao nosso guarda-redes. É a segunda final da Taça consecutiva em que o Vlachodimos é muito culpado no primeiro golo.
 
Na 2ª parte, esperava que o Jesus colocasse o Darwin logo no reinício, porque o Seferovic era claramente um peixe fora de água (nem fechava bem à direita, nem estava na frente), mas não houve substituições. Os minutos iniciais foram claramente do Braga, que só não aumentou a vantagem graças ao Vlachodimos e também por alguma aselhice na hora do remate. Teve no mínimo umas quatro oportunidades para decidir logo ali a partida. Quanto a nós, só aos 55’ resolvemos mexer, com as entradas do Darwin, Rafa e Nuno Tavares para os lugares do Seferovic, Everton e Diogo Gonçalves. Continuo sem perceber o porquê de colocar um esquerdino a defesa-direito, mas o Jesus lá terá as suas razões... Reagimos a partir de meio da 2ª parte, com o Darwin a falhar um desvio na área, depois de um livre bem marcado pelo Taarabt, e o Rafa a não conseguir rematar com êxito em excelente posição, num lance em que houve uma série de ressaltos. Foram as duas únicas jogadas em que estivemos relativamente perto da igualdade, enquanto do outro lado o Vlachodimos ainda defendeu um remate do Abel Ruiz, mas já não conseguiu fazer nada aos 85’ perante o Ricardo Horta, que apareceu isolado à sua frente depois de uma perda de bola do Rafa perto da lateral no nosso meio-campo. A equipa estava descompensada e o contra-ataque foi venenoso. É incompreensível como é que o Rafa tenta sair a jogar daquela maneira! Até final, ainda deu para o entretanto entrado Chiquinho falhar o nosso golo de honra e para o animal do Eduardo, ex-guarda-redes e treinador dos do Braga, agredir com uma peitada o Taarabt, que lhe respondeu, tendo ido os dois para a rua.
 
Em termos individuais, destaco o Otamendi e Weigl, porque foram os únicos que demonstraram algumas ganas em campo. E que falta nos faz que todos sejam assim...! O Taarabt até estava a fazer um jogo bem mais razoável do que lhe é habitual, mas perdeu a cabeça no final e deitou tudo a perder. O Vlachodimos fez uma série de defesas na 2ª parte, mas fica indelevelmente ligado ao primeiro golo e, portanto, é um dos rostos da derrota. A única boa notícia desta partida é que o Morato não destoou dos outros centrais e pode ser que tenhamos ali uma opção válida para o futuro.
 
O balanço da época ficará para um post futuro, mas não é difícil de adivinhar qual é. Correu mesmo tudo mal, o que, dadas as opções bastante discutíveis que foram tomadas, não se pode constituir propriamente como uma surpresa. Até digo mais: se acontecesse a outro clube que não o nosso, até consideraríamos que era bem feito e que os astros se teriam alinhado para punir quem merecia ser punido. O problema é que é do Benfica que estamos a falar e, mesmo que seja impossível ter um distanciamento deste género, se conseguirmos fazer esse exercício em teoria, estaremos mais perto de corrigir a situação. Situação, essa, que eu continuo à espera que me expliquem qual foi e que levou à inacreditável implosão da 2ª volta da época passada, tendo aparentemente continuado por esta época toda.

quinta-feira, maio 20, 2021

Acabou

Terminámos o campeonato com uma vitória em Guimarães por 3-1, mas um dos grandes objectivos para esta partida não foi cumprido, porque, apesar de ter apontado dois golos, o Seferovic não conseguiu ser o melhor marcador do campeonato, acabando com 22, a um do Pedro Gonçalves da lagartada.
 
Com a final da Taça de Portugal no próximo domingo, já se esperava que o Jesus fizesse alguma rotação da equipa, porque a classificação estava definida e só havia a tal questão do melhor marcador para resolver. Mesmo assim, não entrámos mal no jogo e o Seferovic poderia ter inaugurado o marcador ainda antes do quarto de hora, aproveitando uma falha do guarda-redes e com um defesa de carrinho a salvar milagrosamente. Pouco depois, foi o Darwin também a falhar algo escandalosamente o desvio num centro-remate do Gilberto. A meio da 1ª parte veio a pior notícia do jogo com a lesão muscular do Lucas Veríssimo, que provavelmente o tirará da final da Taça. O V. Guimarães, que precisava da vitória para se apurar para a nova competição da Uefa, a Liga Conferência Europa, reequilibrou as coisas, mas sem colocar o Vlachodimos em grandes apuros. Quanto a nós, até ao intervalo, o Darwin teve um remate em arco que merecia melhor sorte e o Nuno Tavares falhou clamorosamente um desvio de pé direito na área, atirando por cima, depois de nova investida do Gilberto na direita.
 
Depois do intervalo, aparecemos com a pontaria mais afinada e inaugurámos o marcador aos 48’ através do Seferovic, depois de uma boa triangulação ao primeiro toque entre o Nuno Tavares, Taarabt e Darwin, com assistência deste na esquerda. Pouco depois, nova assistência do Darwin para o Seferovic, que estava em óptima posição, mas o remate em arco saiu à figura do guarda-redes Trmal. No entanto, aos 58’, o Seferovic conseguiu mesmo bisar, de cabeça, depois de um desvio do Gabriel ao primeiro poste num canto do Taarabt. Ainda faltava mais de meia-hora para o final do jogo, mas achei que era preciso pelo menos mais um golo do suíço, porque se fosse necessário Pedro Gonçalves marcaria três, dado que a Liga incompreensivelmente não marcou os jogos para a mesma hora. Porém, à passagem da hora de jogo, o Jesus fez entrar o Everton, Pizzi e Chiquinho, tirando o Pedrinho, Taarabt e Darwin, e a equipa piorou. Especialmente com a saída do Darwin, que estava a criar muitas situações especialmente pela esquerda. Aos 63’, o V. Guimarães reduziu de cabeça, num canto, pelo Jorge Fernandes e o jogo ficou em aberto. E poderia mesmo ter alcançado o empate num remate cruzado do Estupiñán que o Vlachodimos defendeu com o corpo para canto. Ainda chegou a introduzir a bola na baliza, mas o avançado Foster estava claramente em fora-de-jogo. Já em tempo de compensação, o Everton foi brilhantemente assistido pelo entretanto entrado Grimaldo, ainda olhou para o lado para ver se conseguia assistir o Seferovic, mas, como este estava marcado, resolveu ele mesmo rematar e fazer o 3-1, acabando com as dúvidas.
 
Em termos individuais, destaque para os dois golos do Seferovic, que não chegaram para ganhar o troféu de melhor marcador por culpa própria, porque os bis que falhou nos últimos jogos (Santa Clara, Tondela, Nacional) davam para ter ganho isto nas calmas. O Taarabt exasperou-me menos do que o habitual, o que é sempre de salientar, mas o Gabriel está sempre com o complicómetro no máximo, o que jogando a trinco é sempre um susto. O Vlachodimos salvou-nos do empate a cerca de 15’ do fim e vou ter pena se ele sair do Benfica, porque o continuo a achar melhor do que o Helton Leite. O Morato, que se estreou a titular na defesa, não comprometeu e quiçá ira manter a titularidade na final da Taça dado que o Lucas Veríssimo está magoado.
 
O Jesus está sempre a dizer que fomos a melhor equipa da 2ª volta e os dados não mentem. Fomos efetivamente a que fez mais pontos, dado que só perdemos nove (uma derrota e três empates). No entanto, a covid-19 está longe de explicar tudo e esta é indiscutivelmente uma época falhada. Esperemos que se salve a Taça de Portugal no próximo domingo.

segunda-feira, maio 17, 2021

Furioso

Vencemos no sábado a lagartada na Luz por 4-3 e acabámos com a sua invencibilidade, e a oportunidade de se tornarem o primeiro campeão invicto em 34 jornadas. Mas, como o CRAC venceu logo a seguir em Vila do Conde por 3-0, o 2º lugar ficou fechado e vamos ter de ir às pré-eliminatórias de acesso à Champions, porque ficaremos em 3º lugar no campeonato. Se o principal objectivo para esta partida foi cumprido, porquê este título para o post? Porque há oportunidades que NÃO se podem desperdiçar, ainda por cima perante o rival e no contexto em que foi. Mas já lá vamos...
 
Voltámos ao esquema dos três centrais e a nossa 1ª parte foi do melhor que se tem visto esta época (bem sabemos que a bitola não é nada elevada, mas enfim...). De tal maneira, que aos 37’ já ganhávamos por 3-0, fruto dos golos do Seferovic (depois de abertura magistral do Pizzi), Pizzi (depois de assistência primorosa do Everton) e Lucas Veríssimo (depois de canto do mesmo Pizzi). A partir daqui o que é um benfiquista pensa? Que há 35 anos andamos à espera de vingar os 1-7 e há oportunidades que não se podem perder. Pois... Tudo começou a ruir em cima do intervalo, quando o Pedro Gonçalves foi andando com a bola sem oposição, o Taarabt escoltou-o muito bem e reduziu para 3-1. Fiquei pior do que estragado, porque a lagartada não tinha feito praticamente nada e só por completa inépcia da nossa parte reduziram a vantagem.
 
No entanto, a minha esperança reacendeu-se aos 49’ quando tivemos o segundo(!) penalty da época a nosso favor, por indiscutível falta sobre o Grimaldo, e o Seferovic bisou para os 4-1. A lagartada tinha colocado ao intervalo os titulares Palhinha e João Mário, e aquilo era aparentemente um golpe muito bem dado para lhes acabar com as pretensões de recuperação. Pensava eu... No entanto, logo a seguir o Pedro Gonçalves andou novamente a passear pelo nosso meio-campo todo e a bola só parou no poste do Helton Leite. O Jesus colocou o Gabriel no lugar do Taarabt com vista a estancar isso, mas não contou a sua estupidez acéfala, que o fez levar um amarelo escusadíssimo (por protestos com um adversário) quatro minutos(!) depois de estar em campo, que naturalmente o impediu de fazer a pressão que era necessária. Eu tê-lo-ia tirado logo! A forte reacção da lagartada consubstanciou-se aos 62’ com um bom golo do Nuno Santos, que reduziu assim para 4-2. Pouco depois, o Grimaldo em óptima posição resolveu tentar assistir o Seferovic, quando poderia ter alargado a nossa vantagem. Não o fez e foi a lagartada que relançou o jogo aos 77’, novamente através do Pedro Gonçalves, de penalty, a punir uma falta do Lucas Veríssimo sobre ele mesmo. Portanto, de potencial goleada passámos a um golo de diferença...! Até final, mais duas oportunidades para cada lado, com o Pedro Gonçalves a proporcionar ao Helton Leite uma defesa para o poste que impediu o empate e o entretanto entrado Rafa ver o guarda-redes Adán salvar com o pé uma bola que ia entrar na baliza
 
Em termos individuais, o Pizzi com um golo e duas assistência destacou-se, o bis do Seferovic foi bom, mas como o Pedro Gonçalves também o fez, continuam os dois empatados nos melhores marcadores, e o Everton está decididamente como nunca o vimos. Bom jogo também do Lucas Veríssimo. Quantos aos menos, o Taarabt continua a tirar-me do sério, mas quem o substituiu, o Gabriel, ainda ficou mais perto de me provocar um AVC...!
 
Se me tivessem proposto este resultado antes do jogo, teria assinado logo de cruz. Sim, o mais importante foi conseguido e o que fica para a história é a nossa vitória. Mas, quando acabou o jogo, estava quase tão chateado como se não tivéssemos ganho. É inadmissível estar a ganhar em casa por 4-1 aos 49’, perante um rival que já era campeão, e não aproveitar para o esmagar. Porque é isso que se faz aos rivais sempre que há oportunidade. Como eles nos fazem a nós! É isso a rivalidade! Não perceber isso, é não perceber nada do clube onde se está. Nem jogador, nem treinador! Ainda por cima, o Jesus veio dizer no final que os jogadores do Benfica ainda não sabem defender. Mais uma razão para não ter tirado o pé do acelerador e ter acabado o jogo da forma lamentável que acabámos, com a vitória em perigo. NÃO, não se perdem oportunidades destas, ainda para mais numa época vergonhosa da nossa parte! Seria das poucas coisas que poderíamos lembrar com agrado 
no futuro acerca do tormento que tem sido 2020/21: “– Olha, lembras-te daquela vez que vingámos os 1-7 naquela época horrível? – Claro, mas não somos é ridículos como eles, que celebram esse resultado numa temporada em que nós ganhámos a dobradinha.” E, pronto, a nossa vida seguiria o seu rumo com um sorriso nos lábios. Mas, não, nada disso aconteceu e o que fica desta partida é a tremenda reacção deles, mesmo tendo estado por duas vezes a perder por três golos. Sim, fiquei furioso e parece-me que cheio de razão!

quarta-feira, maio 12, 2021

Tardio

Vencemos na Choupana por 3-1 e ainda não entregámos oficialmente o 2º lugar ao CRAC (goleou anteontem o Farense em casa por 5-1). Depois de uma 1ª parte absolutamente hedionda, melhorámos na 2ª, mas só conseguimos a reviravolta nos últimos dez minutos de jogo. Perante uma equipa que, depois do que nos fez na 1ª volta, espero que desça de divisão e nunca mais suba, esperava-se uma entrada esmagadora da nossa parte, precisamente para fazê-los pagar bem caro o que aconteceu, mas infelizmente não foi nada disso que se viu.
 
Com o Diogo Gonçalves castigado e o Rafa lesionado, o Jesus surpreendeu ao fazer ainda mais quatro alterações nos titulares e voltar ao 4-4-2: entraram o Gilberto, Nuno Tavares, Pedrinho, Waldschmidt, Chiquinho e Cervi. Entrámos praticamente a perder, com o 0-1 aos 8’ através de um canto, em que o Seferovic acabou por fazer uma assistência de cabeça para um adversário, que atirou ao poste, tendo a bola no ressalto sobrado para o Pedrão que só teve de empurrar. Os madeirenses precisavam absolutamente da vitória para ainda terem esperança na manutenção e o avançado Riascos deu sempre muito trabalho à nossa defesa, em especial ao Gilberto. Do nosso lado, foi o Seferovic mais uma vez a salientar-se pela negativa, ao falhar inacreditavelmente o remate, quando só tinha o guarda-redes pela frente, depois de um cruzamento do Cervi na esquerda. Na jogada seguinte, atirou de cabeça por cima, depois de um centro do Nuno Tavares, quando estava em posição de fazer bem melhor. Até ao intervalo, devemos ao Helton Leite não ficarmos com uma desvantagem de dois golos, porque defendeu um remate do Éber Bessa, que se isolou depois de passar pelos nossos dois centrais que pareciam dois iniciados.
 
Na 2ª parte, muita coisa tinha de mudar e assim aconteceu. Com o Pedrinho e o Waldschmidt completamente fora dela, só o brasileiro é que saiu, juntamente com os do costume, Chiquinho e Cervi, que são sempre dos primeiros sacrificados, quer joguem bem ou mal. Não estavam a fazer exibições deslumbrantes, mas especialmente o português estava bem longe de ser dos piores. O que valeu foi que foi substituído pelo Pizzi, que encheu o campo (só que não...). Por outro lado, o Jesus resolveu manter o Nuno Tavares e fazer entrar o Grimaldo, jogando com dois laterais-esquerdos. Não percebi, mas também há muitas outras coisas que não percebo... Enfim, o Everton, que estava numa boa sequência e ficou incompreensivelmente no banco, foi dos que entrou melhor e a equipa subiu de rendimento. Mesmo assim, pouco depois do recomeço e num livre para a nossa área, o Helton Leite teve de se aplicar a fundo para salvar um autogolo do Otamendi. A partir daqui, o Nacional desapareceu e nós marcámos um golo aos 50’ num remate de fora da área do Nuno Tavares, que ainda ressaltou num adversário, mas o Sr. Rui Gomes Costa, por indicação do VAR André Narciso, anulou-o, considerando que houve uma falta do Lucas Veríssimo no início da jogada no nosso meio-campo defensivo, 17 segundos antes de a bola entrar na baliza e depois de quatro jogadores participarem na jogada! Dezassete segundos e cerca de 60 m de distância, e anula-se um golo por causa disto! Bem esteve o Jesus no final a criticar este atentado ao futebol! Odeio o VAR, ODEIO-O! Acaba COMPLETAMENTE com a emoção do jogo, nunca sabemos se um golo pode ser comemorado à vontade ou se há uma faltinha de m****, meio minuto e do outro lado do campo antes, que obviamente teve uma enorme influência no facto de a bola ter entrado na baliza...! Aos 65’, entrou finalmente o Darwin para o lugar do Gilberto e o jogo pendeu definitivamente para o nosso lado. Cinco minutos depois, já o VAR André Narciso não quis ver um jogador do Nacional esticar os braços e tocar na bola em plena área (André Narciso no VAR, lembram-se...?). O CRAC está com 16 penalties(!) em 32 jornadas, a lagartada com nove e nós com... UM! Confere! A cerca de 15’ do fim, o Gonçalo Ramos substituiu o inoperante Waldschmidt e nós igualámos finamente aos 77’, numa boa jogada do Everton pela esquerda que assistiu de bandeja o Seferovic, cujo remate, já sem o guarda-redes na baliza(!), ia para fora não fosse o facto de ter tocado no Pedrão e ressaltado lá para dentro! Inacreditável! O Nacional tentou reagir, porque o empate não lhe interessava, mas aos 81’ consumámos a reviravolta, numa perda de bola infantil dos madeirenses de que resultou um ataque rápido da nossa parte, conduzido pelo Darwin na esquerda, que assistiu o Gonçalo Ramos na área para este de primeira não perdoar. Era “só encostar”, tal como o Seferovic no primeiro golo, e no entanto...! O jogo ficou partido e nós acabámos com as dúvidas em novo ataque rápido aos 86’, novamente pelo Darwin na esquerda, que podia mas não tentou o remate e preferiu colocar no meio, onde o Gonçalo Ramos foi mais rápido do que o Pizzi e bisou, apesar de a bola ainda ter sido tocada por um defesa e pelo guarda-redes antes de entrar na baliza! Até final, o Pizzi ainda poderia ter feito o quarto golo, mas viu o seu remate ser interceptado.
 
Em termos individuais, óbvio destaque para o Gonçalo Ramos pelos dois golos. O Jesus bem pode dizer que ele está a crescer e tudo o mais, não estou a dizer que ele devesse ter sido mais vezes titular, mas o que não se percebe é porque é que era sistematicamente substituído nos jogos das taças, mesmo quando estes já estavam resolvidos a nosso favor... Será que se tivesse jogado esses 90’ todos o crescimento não teria sido mais rápido...? O Darwin também entrou bem e ajudou a dinamitar a defensiva contrária, assim como o Everton. O Helton Leite foi fundamental na vitória ao fazer duas defesas que impediram o 0-2. Quase todos os outros estiveram num plano muito medíocre, em especial o Pedrinho e Waldschmidt e com o Seferovic a ficar a dever-se mais dois golos. Se não conquistar o título de melhor marcador só pode culpar-se a si próprio.
 
Neste sábado, iremos receber a lagartada e teremos uma missão fundamental: impedi-los de acabarem o campeonato sem derrotas. Obviamente que não nos salvará a época (isso aconteceria se fosse ao contrário), mas não espero menos que um assomo de dignidade por parte dos nossos jogadores, depois desta temporada miserável, ao não os deixar fazer algo que nunca aconteceu connosco no meu tempo de vida.
 
P.S. – Este blog já tem 17 anos e as seguintes palavras vão ser escritas pela primeira vez: a lagartada é campeã nacional de futebol. Igualaram o magnífico recorde do CRAC de ficarem 19 anos sem ganhar o campeonato e espero que, ao menos, este título sirva para a Federação Portuguesa de Futebol acabar com esta idiótica reescrita da história da parte deles, de considerarem que têm 23 títulos, quando obviamente acabaram de conquistar apenas o 19º. Algo que nós fizemos há... 49 anos. É bom que eles comemorem bem, porque todos temos consciência de que, com público e com aquela eliminação da Liga Europa pelo poderoso LASK em casa (1-4), teriam tido uma pressão tal, que é muito improvável que as coisas tivessem corrido bem nas primeiras jornadas. De qualquer maneira, tiveram muito mérito na conquista, em especial o Rúben Amorim. E, longe de mim, não dar os parabéns a um grande benfiquista.

sexta-feira, maio 07, 2021

Fechado

Empatámos ontem com o CRAC na Luz (1-1) e resolvemos o campeonato. Iremos ficar num inesperado e muito desapontante terceiro lugar, com a lagartada (que já tinha ganho no dia anterior em Vila do Conde por 2-0) a igualar, mas não bater, o recorde do CRAC de 19 anos sem ganhar o campeonato. Conseguir apenas dois pontos nos três últimos jogos, com dois em casa, acho que nem eles conseguem dar cabo disso...!
 
Perante a nossa besta negra de jogos na Luz, tínhamos uma boa oportunidade de amenizar a diferença entre vitórias e derrotas no novo Estádio, mas mais uma vez não conseguimos. O CRAC foi sempre muito mais agressivo na disputa dos lances (com tudo de bom e de mal que isso tem) e, com excepção dos minutos finais, fechou sempre melhor os caminhos para a sua área do que nós. Entrámos em campo com os três centrais e o Pizzi novamente ao lado do Weigl, e o jogo começou dividido, como seria de esperar. As oportunidades rareavam até que com um lance de génio do Everton aos 23’, passando por três adversários e fazendo uma tabelinha com o Rafa, inaugurámos o marcador, num remate rasteiro de fora da área sem hipóteses para o Marchesín. A reacção do CRAC foi forte e até ao intervalo o jogo foi todo deles, apesar de não terem tido nenhuma oportunidade flagrante de golo, já que ou a última bola não chegava ao destino ou a pontaria estava desafinada. Quanto a nós, só em cima do intervalo criámos perigo, com o Sr. Artur Soares Dias a assinalar um penalty a nosso favor por falta sobre o Rafa, mas o VAR viria a invalidar o lance por fora-de-jogo do nosso extremo.
 
Na 2ª parte, conseguimos dividir mais a posse de bola, mas a primeira defesa foi do Helton Leite a um remate cruzado do Marega. Saíamos principalmente em contra-ataque, mas, lá está, sem criar perigo iminente, dado que o (mau) timing dos passes continuava a ser um grande problema. À passagem da hora de jogo, novo penalty revertido pelo VAR, que considerou (e bem) que o Diogo Gonçalves é que pisou o Zaidu antes de ser tocado por este. Entretanto, o Sr. Artur Soares Dias ia recheando de amarelos os nossos jogadores e o Jesus achou por bem tirar dois deles, o Weigl e Rafa, lançando o Gabriel e Taarabt. A substituição do alemão veio revelar-se um erro, com o Gabriel na sua lentidão a perder uma bola em zona muito perigosa, pouco depois de ter entrado, e ao deixar todo o espaço do mundo já na área para o Uribe rematar com êxito aos 75’, fazendo o golo do empate. Claro que o Taarabt é muito mal batido perto da linha, permitindo o centro atrasado à vontade, mas é inconcebível como é que se pode deixar um adversário solto na área, numa jogada que decorre de um pontapé de canto. E preencher esse espaço é da responsabilidade do trinco. O Sr. Artur Soares Dias entrou em acção a dez minutos do fim e influenciou o resultado com duas decisões erradas consecutivas: é ÓBVIO que o Pepe deveria ter visto o segundo amarelo por pisão ao Seferovic (que inacreditavelmente pouco depois vê o amarelo por um lance igualzinho), num lance a meio do meio-campo, e depois o árbitro não deixou que o livre fosse marcado rapidamente num lance que culminou num chapéu vitorioso do Everton. Ora, como o livre foi a meio do meio-campo, não se costuma formar barreira nestes casos. Portanto, o lance é interrompido por... nada! Nem para amarelo! Estávamos naturalmente a reagir depois de sofrer o golo, mas o Jesus demorou muito tempo a lançar o Darwin que, quando entrou, se tornou (como seria de prever) uma dor de cabeça para o adversário. Ainda fomos a tempo de ter mais duas oportunidades flagrantes já nos descontos, com um remate de fora da área do Taarabt que o Marchesín defendeu para... a barra(!), tendo depois a bola ressaltado para as suas mãos (a sorte que acompanha esta equipa hedionda é algo que me revolve as entranhas...!) e, mesmo em cima do apito, chegámos a festejar o segundo golo pelo Pizzi, mas o Darwin estava 30 cm em fora-de-jogo no início da jogada...! Foi um enorme balde de água fria!
 
Em termos individuais, o Everton finalmente abriu o livro e foi o melhor jogador do Benfica. O golo é bestial e só lhe falta maior constância exibicional ao longo dos 90’. Demorou quase uma época inteira, mas até que enfim que estamos a vê-lo criar desequilíbrios! Também gostei do Diogo Gonçalves, com o senão de ter procurado o penalty em vez de criar perigo no tal lance que foi revertido. O resto da equipa exibiu-se a um nível aceitável, embora lhe faltasse alguma agressividade na disputa da bola, especialmente quando do outro lado estão jogadores inenarráveis como o Otávio... Ao contrário do que o próprio disse na conferência de imprensa, tirando a entrada do Taarabt, não acho nada que o Jesus tenha estado bem nas substituições.
 
Esta é uma época perdida e só a conquista da Taça de Portugal a poderá salvar de ter o advérbio ‘totalmente’ antes do adjectivo. Espero que sirva para que finalmente se tire ilações (coisa que, nunca é demais repetir, não foi feita no ano passado), porque, apenas um campeonato ganho (e de um modo milagroso...) nos últimos quatro, é mau de mais para se poder compactuar com isto durante muito mais tempo...

segunda-feira, maio 03, 2021

Mediano

Vencemos em Tondela por 2-0 na passada 6ª feira, mas, como os que estão à nossa frente também ganharam (o CRAC 3-2 em casa contra o Famalicão e a lagartada 2-0 também em casa frente ao Nacional, com o primeiro golo a acontecer já nos 10’ finais, para não-variar...), continuamos à distância de quatro e dez pontos, respectivamente. Ao invés, o Braga perdeu no Marítimo por 0-1 e a diferença para nós aumentou para oito pontos. Foi uma vitória que se construiu na 1ª parte e valeu-nos o Helton Leite na segunda para ser mais ou menos tranquila.
 
Com o Otamendi castigado, voltámos aos quatro defesas, com o Gilberto em vez do Diogo Gonçalves (talvez para o poupar do quinto amarelo, se bem que o brasileiro também esteja com quatro). Na frente, o Waldschmidt voltou a fazer companhia ao Seferovic. O suíço, melhor marcador do campeonato, se perder este título por menos de quatro golos já sabe onde os pode procurar: depois de dois frente ao Santa Clara, houve outros dois falhanços escandalosos neste jogo. O primeiro, ainda antes dos dez minutos, num centro rasteiro do Grimaldo com o Seferovic sozinho perante o guarda-redes a atirar de primeira por cima. O Everton parece estar a subir de forma (finalmente!) e teve de cabeça, depois de um ressalto, outra oportunidade, defendida pelo Trigueira. No entanto, aos 12’, inaugurámos mesmo o marcador através do Pizzi, depois de nova boa jogada do Everton pela esquerda, com um centro que apanhou o nº 21 no extremo oposto para um remate cruzado sem hipóteses para o guarda-redes. O Waldschmidt deveria ter feito melhor num canto, mas o remate de pé direito em boa posição saiu muito por cima. Aos 19’ aumentámos a vantagem através de um golão do Everton: na sequência de um contra-ataque, flectiu da esquerda para o meio e rematou em arco tornando inglório o voo do Trigueira. Ainda antes da meia-hora, o Tondela reagiu e o Helton Leite fez bem a mancha ao Mario González impedindo que fôssemos para o intervalo com a vantagem mínima. Nós fomos baixando o ritmo com o 2-0 e foi o Tondela a criar outra oportunidade mesmo em ciam do descanso, com o Lucas Veríssimo a interceptar bem um remate do mesmo Mario González.
 
Na primeiro quarto-de-hora da 2ª parte, o jogo não se alterou muito e podemos agradecer ao Helton Leite ter tirado dois golos ao Tondela e à falta de pontaria do Mario González outro. Entretanto, o Jesus já tinha feito duas substituições, com as entradas do Chiquinho, especialmente, e Pedrinho (para os lugares do Waldschmidt e Rafa) a começarem a produzir efeito a seguir à segunda enorme defesa do Helton Leite, conseguindo nós finalmente reequilibrar o meio-campo e controlar muito melhor as investidas dos beirões. A cerca de 20’ do fim, o Seferovic falhou novo golo literalmente na cara do Trigueira, depois de bem isolado pelo Pizzi, proporcionando a defesa deste com o pé. Pouco depois, foi mesmo o Pizzi num remate em arco, também em boa posição, a fazer a bola sair por cima. Até final, um livre do Grimaldo a rasar o poste e nova defesa do Trigueira perante o entretanto entrado Cervi, isolado, poderiam ter-nos feito aumentar o marcador.
 
Em termos individuais, destaque óbvio para o Everton com um golo e uma assistência. Já não era sem tempo de um dos reforços mais importantes da época mostrar que o é efectivamente e pode ser que esta sequência de jogos seja o wake up call que todos esperamos desde o início da temporada. Voltei a gostar bastante do Chiquinho, cuja entrada estabilizou o nosso jogo e continuo sem não perceber porque é que ele não está mais tempo em campo... O Rafa esteve discreto, bem como o Waldschmidt e o Seferovic não, mas pelas piores razões: que falhanços inconcebíveis! Palavra final para o Helton Leite, cujas intervenções foram fulcrais para manter as nossas redes em branco.
 
Iremos agora defrontar o CRAC na Luz, num jogo fundamental para as aspirações do 2º lugar. Ou ganhamos e ainda nos mantemos na luta, ou não ganhamos e falhamos também esse objectivo. Por outro lado, e dado que temos um histórico miserável em jogos contra o CRAC na Luz, nunca será tarde começarmos a inverter isso. Pode ser já nesta 5ª feira.

terça-feira, abril 27, 2021

Sofrível

Vencemos o Santa Clara na Luz por 2-1 e reduzimos a diferença para o CRAC para quatro pontos, dado que eles empataram em Moreira de Cónegos por 1-1. Por seu lado, aumentámos para cinco a distância para o Braga, que perdeu em casa com a lagartada (0-1), apesar de estar a jogar com mais um jogador desde os 18’! Em termos objectivos, acabou por ser uma jornada positiva, se bem que o nosso resultado é quase lisonjeiro dado que a exibição voltou aos fracos patamares de quase toda esta temporada.
 
Apesar da especulação, continuámos com o esquema de três centrais, e o Weigl e Everton regressaram à titularidade, por troca com o castigado Gabriel e o Taarabt a fazer o Ramadão. A nossa bipolaridade exibicional dos últimos jogos voltou a revelar-se em todo o seu esplendor. Jogamos muito melhor fora de casa do que na Luz e o Santa Clara, à semelhança do Gil Vicente, fez um jogo bastante bom e com um pouco mais de sorte estaríamos aqui agora a chorar pontos perdidos. Um dado singelo resume bem a partida: tivemos apenas um(!) remate enquadrado com a baliza, contra sete(!) dos açorianos. O jogo começou muito dividido e, numa boa combinação atacante, o Pizzi rematou rente ao poste de pé esquerdo. O Santa Clara respondeu pouco depois, num lance em que o Helton Leite ia colocando a bola na baliza, na sequência de uma defesa com o braço. Aos 26’ inaugurámos o marcador, através do segundo autogolo consecutivo na Luz, desta vez do Carlos Júnior, que cabeceou para a sua própria baliza na tentativa de cortar um centro do Everton, depois de uma boa jogada deste. Ainda antes da meia-hora, foi o Seferovic a falhar um golo cantado, atirando por cima praticamente na pequena-área e só com o guarda-redes pela frente, não conseguindo materializar uma óptima assistência do Diogo Gonçalves. Até ao intervalo, foi o Santa Clara a rematar mais vezes, mas felizmente a pontaria não esteve afinada.
 
Esperava-se que a 2ª parte, à semelhança de Portimão, fosse melhor, mas aconteceu exactamente o oposto. Até sofrermos o golo do empate, ficámos nos balneários. O Helton Leite teve uma defesa magistral a um livre sob o lado esquerdo, mas aos 62’ já não conseguiu fazer nada perante um remate à entrada da área do Anderson Carvalho, depois de uma recuperação de bola dos açorianos, quando nós tentávamos sair a jogar e o Otamendi viu o seu passe interceptado por um adversário. Pouco antes do golo, já tinha entrado o Chiquinho para o lugar no Everton, na tentativa de reequilibrar o meio-campo, em que o Pizzi a oito via o jogo passar todo ao lado dele... Mas também não demorou muito para o nº 21 sair, entrando o Darwin. Fomos voltando a estar mais por cima da partida e aos 73’ recolocámo-nos na frente, com uma boa jogada pela direita do Rafa e Diogo Gonçalves, com este a cruzar atrasado para a entrada de rompante do Chiquinho a atirar de pé esquerdo já na área, sem hipóteses para o guarda-redes Marco Rocha. A cerca de 10’ do fim, noutro bom centro do Diogo Gonçalves, o Seferovic tirou-me do sério quando tentou rematar de calcanhar, em vez de ser normalmente, falhando assim uma oportunidade clamorosa de acabar com as dúvidas quanto ao vencedor. Logo a seguir, o Jesus esgotou as substituições com as entradas do Gilberto, Pedrinho e Waldschmidt para os lugares do Diogo Gonçalves, Seferovic e Rafa. Até final, ainda deu para o Darwin fazer igual a Portimão e tentar assistir um colega (neste caso, o Waldschmidt), quando estava em boa posição, mas a falhar de maneira quase escandalosa o passe, e para o Santa Clara assustar com um remate já em tempo de compensação que o Helton Leite só segurou à segunda. O Weigl e o Otamendi também viram amarelos neste período e vão ser baixas para a deslocação a Tondela.
 
Em termos individuais, destaque para o Chiquinho não só por ter marcado o golo da vitória, como por ter mexido com o nosso meio-campo. Já aqui o disse e volto a repetir: não percebo a razão da sua ostracização, porque o acho bastante melhor do que o Pizzi e Taarabt para a posição oito. Tem mais dinâmica sozinho do que aqueles dois em conjunto, defensa muito melhor que ambos, não emperra o jogo e faz a bola circular com muito mais rapidez, chega com muito mais perigo à área do que o marroquino, enfim, um sem-número de características que, no mínimo, justificariam bastantes mais oportunidades. Outro elemento que esteve bem foi o Diogo Gonçalves, com um par de assistências perfeitas a serem ingloriamente desperdiçadas pelo Seferovic. Quanto aos outros, estiveram todos num patamar muito inferior.
 
Iremos agora a Tondela com aquelas duas baixas já confirmadas, antes de recebermos o CRAC. Não podemos facilitar se ainda queremos ter esperanças de alcançar o segundo lugar, mas como o jogo é fora de casa a expectativa é que corra melhor. Porque deve haver certamente alguma coisa no ar da Luz que nos faz jogar bastante pior em casa do que fora...

domingo, abril 25, 2021

Benfica FM | Temporada 1989/90

Mais uma viagenzinha no tempo com os meus amigos Nuno Picado e Bakero do Benfica FM, desta feita à época em que fomos pela última vez à final da Taça dos Campeões Europeus, a segunda no espaço de três anos. Foi no regresso do muito desejado Eriksson e foi igualmente a grande temporada do Magnusson no Benfica, com uns incríveis 40 golos em 44 jogos (33 em 34 no campeonato). Mas claro que o que toda a gente mais se recorda é da inolvidável meia-final com o Marselha. Acabámos por só ganhar a Supertaça (ao Belenenses), o que fez desta uma temporada negativa, mas pudemos sonhar até ao fim e estivemos perto do Olimpo.

sexta-feira, abril 23, 2021

180º

Goleámos em Portimão por 5-1 e a diferença para a lagartada reduziu-se para dez pontos por via do seu empate caseiro frente ao Belenenses SAD (2-2, com um penalty no último lance do encontro a manter-lhes a invencibilidade). À nossa frente continua o CRAC a seis pontos (1-0 em casa frente ao V. Guimarães) e dois pontos atrás de nós está o Braga (2-1 em casa contra o Boavista).
 
Com o Weigl a ficar inesperadamente de fora por causa da gravidez da mulher, voltou o Gabriel para a posição seis, e o Pizzi entrou para o lugar do Waldschmidt. A nossa 1ª parte foi absolutamente de fugir! Muito lentos e previsíveis, praticamente sem sequer conseguir chegar à baliza do Portimonense, foi o regresso de um marasmo que pensávamos já estar definitivamente para trás. Os algarvios não se limitavam a defender e inauguraram o marcador aos 43’ através do Beto, numa desmarcação nas costas da nossa defesa. As perspectivas eram as piores, porque não estávamos a jogar nada e víamo-nos em desvantagem em cima do intervalo. Felizmente, no único lance de jeito mesmo no final do tempo de compensação da 1ª parte, o Vertonghen abriu no Grimaldo, este assistiu de cabeça o Pizzi, que se antecipou a um defesa e só com o guarda-redes pela frente não falhou. Foi essencial não termos chegado ao intervalo a perder.
 
Na 2ª parte, o Jesus tirou o Gabriel (que estupidamente tinha visto um cartão amarelo logo aos 5’...!), colocou o Darwin e a nossa transfiguração foi completa. Foi arriscado ter tirado o trinco e deixar o meio-campo entregue só ao Pizzi e Taarabt, que não são propriamente reconhecidos pelas suas capacidades defensivas e de recuperação de bola, mas o que é facto é que correu bem. Ainda nem um minuto tinha decorrido, quando o Darwin completamente à vontade não conseguiu acertar na baliza, depois de uma boa triangulação na direita entre o Diogo Gonçalves, Rafa e Pizzi, culminada com um centro deste. Mas foi o próprio Darwin a colocar-nos em vantagem aos 50’ numa arrancada como só ele consegue fazer, depois de um passe em balão do Taarabt, em que bateu dois defesas e nem acertou em cheio na bola como queria, mas foi o suficiente para bater o guarda-redes Samuel. O jogo ficou completamente partido, com o Beto ainda a dar dores de cabeça ao Helton Leite, que se teve de aplicar a fundo num remate de fora da área, mas connosco também a tentar aumentar a vantagem, com o Darwin a serviu mal o Seferovic, quando estavam os dois isolados, dando tempo ao defesa para recuperar. Porém aos 64’, o jogo pendeu definitivamente para o nosso lado, com o 1-3 numa boa jogada do Diogo Gonçalves na direita para servir o Seferovic na área, que rematou colocadíssimo com o pé direito. Nove minutos depois, o suíço bisou, desta feita com assistência do Grimaldo, e colocou-se na frente dos melhores marcadores do campeonato com 18 golos. O Jesus começou então a gerir o plantel e foi o entretanto entrado Everton que fez o resultado final de 1-5, quando desmarcado pelo Pedrinho (que também tinha entrado) se antecipou ao guarda-redes e não perdeu a frieza já de ângulo difícil, colocando a bola entre o defesa e o poste. 
 
Em termos individuais, destaque para novo bis do Seferovic e a entrada do Darwin mexeu muito com a equipa. Apesar de um falhanço incrível e uma assistência mal feita, foi com o golo do uruguaio que a reviravolta se consumou. Mas em geral a equipa subiu muitíssimo de produção na 2ª parte, dando uma autêntica volta de 180º em relação ao que tinha acontecido nos primeiros 45 minutos.
 
Até final do campeonato, vamos ter jogos também a meio da semana, mas esperemos que a equipa consiga manter este nível da 2ª parte de forma mais constante. Iremos receber os dois primeiros classificados e seria muito bom que não tivéssemos interferência nenhuma na luta pelo título, agora que a lagartada desbaratou seis pontos e só tem quatro de avanço frente ao CRAC. Ganhemos os jogos todos e vejamos em que lugar isso nos colocará no final.

segunda-feira, abril 19, 2021

Desastre

Perdemos no sábado na Luz frente ao Gil Vicente (1-2) e não só dissemos adeus definitivo às (parcas) hipóteses de ainda tentarmos o 1º lugar (a lagartada ganhou 1-0 em Faro e está agora a 12 pontos), como também colocámos o 2º muito difícil (o CRAC foi ganhar à Choupana também por 1-0). As coisas só não ficaram piores, porque o Braga empatou 0-0 em Vila do Conde e assim ainda ficou a dois pontos de nós.
 
Depois de sete vitórias consecutivas, sem golos sofridos, nada fazia prever o que se passou. Poderia ter sido daqueles jogos em que tivéssemos tido um azar enorme, com uma pressão asfixiante que não resultou em golos e o adversário ia lá uma vez e pronto. Mas não. Perdemos e perdemos bem, porque o Gil Vicente foi sempre melhor equipa do que nós. Dominou em muitos períodos da 1ª parte e jogou para ganhar. Com a boa experiência dos jogos passados, voltámos a apresentar o esquema de três centrais, mas os primeiros 45 minutos foram oferecidos ao adversário. De tal forma, que o Gil Vicente inaugurou o marcador aos 35’, através de um remate bem colocado de fora da área do Leautey. Quanto a nós, só no período de compensação(!) é que rematámos à baliza, ou melhor, ao lado da baliza, num cabeceamento mal dirigido do Waldschmidt.
 
Na 2ª parte, o Jesus desfez os três centrais, tirando o amarelado Lucas Veríssimo, e fez entrar o Everton. Logo na primeira jogada, o Everton, com o caminho livre à sua frente para correr pela esquerda, fez o habitual: travou e flectiu para o meio... Percebeu-se logo ao que vinha...! Melhorámos um pouco depois do intervalo (também melhor fora...), mas foi do Gil Vicente a primeira oportunidade, num remate rasteiro ao segundo poste, depois de um centro largo, que passou perto do alvo. Quanto aos nossos lances de perigo, os poucos que houve foram desperdiçados pelo Seferovic: uma recarga a rasar o poste, depois de um remate seu à meia-volta que tinha sido interceptado, um toque meio de calcanhar por cima, depois de o guarda-redes ter desviado um cruzamento, e, o pior de todos, um remate de pé esquerdo em excelente posição, sozinho na área, ao lado depois de um centro do Rafa na direita. Entretanto, já o Jesus tinha tirado o Taarabt, que está estava a ser dos melhores, para colocar o Pizzi, o que se revelou um grande erro (e eu sou absolutamente insuspeito para dizer isto) e o Waldschmidt para dar lugar ao Darwin, que, este sim, entrou bastante bem. O tempo ia decorrendo, nós não conseguíamos marcar e o Gil Vicente atacava menos, mas quando o fez aumentou a vantagem: aos 81’, numa boa jogada pela esquerda, o Lourency desfeiteou o Helton Leite, que não foi expedito a sair da baliza e acabou por ver a bola entrar pelo ângulo que ele supostamente deveria estar a proteger. Tantas loas pelos minutos sem sofrer golos e depois é isto... Ainda tivemos um assomo de dignidade e reduzimos a vantagem na única acção positiva do Pizzi, que fez um passe de 40 m a desmarcar o Rafa na direita, que rematou para defesa do guarda-redes, tendo a bola ressaltado no Vítor Carvalho e entrado na baliza. Só com um autogolo é que conseguíamos marcar... Até final, o entretanto entrado Pedrinho rematou ao lado de fora da área, quando poderia eventualmente ter continuado a jogada, e, mesmo no final da compensação, o Otamendi à entrada da área, depois de boa jogada de insistência do Darwin, rematou ao lado com o guarda-redes já batido.
 
Em termos individuais, não vou destacar ninguém, porque perder um jogo destes em casa frente ao Gil Vicente é mau demais para se poder ter alguma condescendência.
 
Resta-nos lutar para assegurar o 3º lugar e esperar que não nos saia um PAOK qualquer desta vida nas pré-eliminatórias da Liga dos Campeões. E, claro, assegurar a conquista da Taça de Portugal. Independentemente de tudo, espero que no final, ao contrário da temporada passada, se faça um balanço para saber o que, de facto, correu mal. Porque, neste momento, o que está em dúvida é saber se esta temporada vai ser apenas má ou péssima.

segunda-feira, abril 12, 2021

Seferovic

Goleámos no sábado em Paços de Ferreira (5-0) e aumentámos a diferença para três pontos em relação ao Braga (1-1 em casa frente ao Belenenses SAD), reduzindo igualmente para nove para a lagartada (1-1 em casa frente ao Famalicão). Só o CRAC (2-0 em Tondela) não perdeu pontos para nós nesta jornada, mantendo-se três à nossa frente. Neste caso, o resultado não é enganador e fizemos mesmo um dos melhores jogos da temporada num campo difícil perante um adversário que está a ser a surpresa do campeonato e irá muito provavelmente conseguir o apuramento para a Liga Europa.
 
O Jesus voltou ao esquema de três centrais e, neste momento, parece mesmo a melhor opção essencialmente por duas razões: os laterais ficam bastante mais libertos e verticais, especialmente o Grimaldo na esquerda sem o Everton à sua frente (que pára constantemente o jogo) e o Taarabt toca menos vezes na bola, o que é uma enorme vantagem dado que deixa de emperrar tanto o nosso jogo. A partida começou com mais um penalty não marcado a nosso favor logo aos 4’, por empurrão ao Waldschmidt que, por causa disso, chocou com o guarda-redes Jordi. Nem o Sr. Hugo Miguel nem o sr. Tiago Martins no VAR quiseram ver alguma coisa... Típico! Pouco depois, foi o Seferovic a ser isolado e derrubado fora da área pelo guarda-redes, mas o inefável VAR assinalou fora-de-jogo. O Paços tentava jogar taco-a-taco connosco, mas o seu desiderato ruiu aos 22’, quando o Eustáquio atingiu com os pitons a perna do Weigl e foi naturalmente expulso, depois de o Sr. Hugo Miguel consultar o VAR, dado que lhe tinha mostrado o amarelo em primeiro lugar. Ficávamos em vantagem numérica relativamente cedo e poderíamos ter chegado à vantagem no marcador logo a seguir, com um remate do Waldschmidt quase na pequena-área para uma defesa por instinto do Jordi. O Rafa teve igualmente uma excelente oportunidade, mas o remate de trivela na área perfeitamente à vontade saiu à figura do guarda-redes. Até que aos 38’ colocávamo-nos finalmente em vantagem (mais do que merecida), com uma saída de bola do Paços que foi interceptada pelo Diogo Gonçalves, que rematou forte com a bola a passar por baixo do corpo do Jordi. Os nossos minutos finais da 1ª parte foram muito fortes, com o Waldschmidt a falhar escandalosamente o segundo golo, com um remate defendido pelo Jordi quando a baliza estava aberta e o guarda-redes fora dela(!), remate esse que iria para fora se o guarda-redes não lhe tivesse tocado! A brilhante assistência foi do Seferovic, que aos 45’ repetiu a dose na sequência de um contra-ataque, isolando o Rafa ainda no nosso meio-campo, com o nº 27 a contornar o guarda-redes e correr para a baliza deserta fazendo o 0-2. Com tantas consultas ao VAR, a 1ª parte teve nove minutos de compensação e o Seferovic, isolado pelo Tarrabt, meteu a bola na baliza, mas estava outra vez fora-de-jogo. A mesma dupla voltou a ser protagonista numa jogada semelhante mesmo em cima do intervalo, mas desta feita com tudo legal e o suíço praticamente fechou o jogo a nosso favor com o 0-3.
 
Na 2ª parte, o Diogo Gonçalves, que estava amarelado, ficou nos balneários, entrando o Gilberto, mas, ao contrário do que tem sido habitual, não baixámos a guarda e tentámos sempre aumentar a vantagem. Infelizmente, o Jesus veio dizer no final que foi por estarmos a jogar contra dez, o que é uma pena, porque deveria ser sempre assim. Por volta da hora de jogo, entraram o Pizzi e o Everton para os lugares do Waldschmidt e Rafa, e o brasileiro teve um óptimo remate de fora da área para outra magnífica intervenção do Jordi. Que nos tirou mais um golo logo a seguir, desta feita ao Grimaldo, na cobrança de um livre directo que ia ao ângulo da baliza. Até que aos 78’, lá marcámos o quarto golo num bis do Seferovic, que fez uma boa rotação e rematou de primeira com o pé esquerdo de fora da área, chegando assim aos 16 golos e à liderança dos melhores marcadores. Entretanto, entraram o Cervi e Darwin, para os lugares do Grimaldo e Weigl, e o uruguaio ainda teve tempo de voltar aos golos, fazendo o 0-5 aos 89’, noutra assistência primorosa do Seferovic, em que só teve de encostar.
 
O destaque da partida vai obviamente para o Seferovic: dois golos, duas assistências e outro conjunto de jogadas em que esteve muito bem (só os foras-de-jogo é que precisam de ser afinados...) fazem desta provavelmente a melhor exibição individual de um jogador do Benfica nesta temporada. Muitas vezes um mal-amado, o suíço tem o grande mérito de, de vez em quando, dar a volta por cima (já o fez no ano em que fomos campeões e ele o melhor marcador) e, mesmo falhando alguns relativamente fáceis no percurso, já ter um número de golos bem apreciável com a gloriosa camisola. Dos centrais, o Otamendi e Vertonghen estiveram muito bem, mas o Lucas Veríssimo nem tanto. O Helton Leite vai no sétimo jogo seguido sem sofrer golos e já bateu o recorde do Manchester City de mais tempo com a baliza inviolada. O Waldschmidt não esteve feliz na finalização, mas é peça-chave na manobra atacante com as suas movimentações a desestabilizarem a defensiva contrária. No meio-campo, o Weigl continua imperial e até o Taarabt esteve bem! Esperamos que o golo do Darwin, que inclusive o fez comover-se, o catapulte para níveis exibicionais que já mostrou.
 
Com nova escorregadela da lagartada, o campeonato de súbito animou-se. Faltam oito jogos e temos nove pontos de desvantagem, quando ainda os iremos receber na Luz. O CRAC está a seis deles, mas também virá à Luz. Veremos o que nos reservam os próximos jogos, mas uma coisa é certa: este campeonato vai ser épico! Se a lagartada o ganhar, por finalmente colocar fim a um jejum de 19 anos. Se o conseguir perder, depois de estar com 10 pontos de vantagem a 10 jogos do fim, ainda o será mais!

terça-feira, abril 06, 2021

Escasso

O primeiro penalty à 25ª jornada(!) concretizado pelo Waldschmidt deu-nos ontem uma vitória tangencial perante o Marítimo (1-0) na Luz. Foi um resultado tremendamente parco para as oportunidades que tivemos, algumas delas falhadas de forma que deveria dar multa. Claro que, quando assim é, colocamo-nos a jeito e poderíamos ter tido um enorme dissabor já perto do final do jogo. Como o Braga (2-1 em Faro) e o CRAC (2-1 em Mordor frente ao Santa Clara) ganharam já em tempo de compensação, mantém-se tudo igual em relação a estes, mas a lagartada finalmente provou do seu próprio veneno e consentiu o empate em Moreira de Cónegos também já nos 90’ (1-1), tendo agora nós 11 pontos de distância para eles.
 
Já se sabe que, depois de interrupções para as selecções, os jogos são sempre mais complicados, porque inevitavelmente se perde a rodagem. Ainda por cima, estávamos numa boa fase, pelo que esta pausa não veio nada a calhar. No entanto, recebendo um dos últimos classificados em casa, esperar-se-ia que conseguíssemos ultrapassar essas dificuldades. O Jesus voltou ao esquema habitual do 4-4-2, com o regresso do Everton à ala esquerda, mas entrámos um pouco lentos e sem a dinâmica dos últimos jogos. Porém, o Marítimo também não conseguia criar grande perigo, mostrando um futebol que justifica que esteja nos piores lugares da classificação. Um remate do Everton em boa posição não deveria ter ido à figura do guarda-redes Amir e aos 21’ o Sr. Luís Godinho fez história ao assinalar o primeiro penalty a nosso favor em 25 jornadas! Falta do Hermes sobre o Rafa e o Waldschmidt apesar de ter feito uma aproximação à bola que me dá cabo dos nervos (passinhos curtos!) rematou colocadíssimo, sem hipóteses para o guarda-redes. Marcávamos ainda antes do meio da 1ª parte, o que se esperava que nos tranquilizasse e permitisse gerir o jogo de maneira a aumentar a vantagem sem a pressão do primeiro golo. Logo a seguir, o Seferovic brilhantemente desmarcado pelo Grimaldo teve um domínio excelente, mas se calhar rematou rápido demais e a bola saiu ao lado, quando só tinha o guarda-redes pela frente. O suíço continuava a tentar, mas uma boa combinação ao primeiro toque com o Rafa esbarrou novamente nas pernas do Amir. O Waldschmidt falhou uma recepção de bola que o colocaria isolado, mas, em cima do intervalo e num livre para a área, o Marítimo assustou o Helton Leite com um remate de joelho que, se tivesse acertado bem na bola, teria certamente dado a igualdade.
 
A 2ª parte fica marcada por três falhanços absolutamente imperdoáveis da nossa parte, com jogadores completamente isolados a não conseguiram desfeitear o Amir. Logo no reinício, foi o Otamendi num livre estudado com uma triangulação a ficar com a baliza à mercê, sem o guarda-redes(!), e a acertar mal na bola, não a conseguindo meter lá dentro. Pouco depois, foi inacreditável como um jogador do Marítimo não viu o segundo amarelo, depois de uma entrada sobre o Otamendi perto da linha lateral! À passagem da hora de jogo, foi o Helton Leite a segurar a nossa vantagem com uma óptima mancha perante um jogador que ficou à sua frente praticamente na pequena-área, depois de um ressalto na sequência de um canto. A jogada prosseguiu com um contra-ataque nosso, em que o Seferovic ficou literalmente isolado, mas o remate rasteiro foi bem defendido pelo Amir com a perna, à guarda-redes de andebol. O jogo aproximou-se então da fase perigosa, a caminho do final, connosco a não conseguir fechá-lo e o Marítimo a acreditar que poderia fazer algo mais. E, de facto, em cima dos 90’ um ataque rápido pela esquerda proporcionou ao Correa um remate em boa posição, mas felizmente a bola saiu ao lado. Mesmo antes do apito final, tivemos novo falhanço incrível noutro contra-ataque, em que o Rafa poderia ter isolado o entretanto entrado Darwin ainda antes do meio-campo, mas perdeu o timing de passe e acabou por passar ao Chiquinho (que tinha substituído o Waldschmidt um pouco antes) que, depois de tirar um defesa da frente, também ficou só com o Amir pela frente, mas rematou-lhe contra o peito...! Felizmente que estes falhanços todos não tiveram consequência pontual, mas poderíamos estar agora a chorar uma perda de pontos que seria imperdoável.
 
Em termos individuais, não houve ninguém que se destacasse por aí além. O Waldschmidt parece mais entrosado com os movimentos da equipa e o Seferovic atravessa uma fase de confiança, mas não deveria ter ficado em branco. O Everton continua a passar muito ao lado dos jogos e o Taarabt não há maneira de não me exasperar. Gostaria de ver uma estatística dos jogadores que mais vezes tocam na bola na nossa Liga. Aposto que ele ganha destacado! A defesa está sólida, com o Lucas Veríssimo a ter entrado bem e o Helton Leite a continuar com a baliza a zeros, tornando a vida do Vlachodimos mais difícil (claro que dar entrevistas a dizer que talvez esteja na altura de se ir embora também não ajuda, embora para mim ele tenha perdido a titularidade injustamente).
 
Recuperámos dois pontos à lagartada e foi uma pena que não os tivéssemos recuperado igualmente frente ao Braga e CRAC. Para a semana, teremos uma ida difícil a Paços de Ferreira, mas com uma semana de treinos seguida espera-se que ao menos a equipa apresente uma muito maior eficácia do que neste encontro.

quinta-feira, abril 01, 2021

Selecção a triplicar

Iniciámos a qualificação para o Mundial do Qatar de 2022 com sete pontos em três jogos. Poderíamos (e deveríamos) ter feito o pleno, mas descontrações imperdoáveis e um erro clamoroso da arbitragem não nos permitiram ganhar na Sérvia.
 
O primeiro jogo decorreu na casa de Turim (por causa das limitações das viagens para Portugal dos jogadores que actuam em Inglaterra) na 4ª feira da semana passada. Ganhámos 1-0 ao Azerbaijão com um autogolo aos 37’. Pronto, é o único facto positivo a destacar. Foi uma exibição muito fraca da selecção, perante um adversário que se defendeu bem e que nós não tivemos inspiração para ultrapassar.
 
No último sábado, fomos a Belgrado empatar 2-2 com a Sérvia. É o adversário mais forte que temos (a República da Irlanda perdeu em casa com o Luxemburgo neste dia, portanto estamos conversados) e chegámos ao intervalo a ganhar por 2-0, graças a dois golos de cabeça do Diogo Jota, aos 11’ e 36’. O que se passou na 2ª parte foi muito demérito nosso, entrámos literalmente a dormir e aos 46’ e 60’ a partida já estava igualada. Até final, voltámos a reassumir o controlo e, na última jogada, o Cristiano Ronaldo (que esteve praticamente 180’ incógnito até esse lance) fez a bola passar a linha de golo, mas o árbitro holandês Danny Makkelie não validou. É absolutamente incompreensível que a UEFA deixe a cargo das federações onde se realize o jogo a implementação da linha de golo. Sim, não era preciso o inefável e odioso VAR para ter visto isto! Bastaria a tecnologia da linha de golo. Na sequência do lance, o C. Ronaldo irritou-se, atirou a braçadeira ao chão e saiu do campo segundos antes do apito final. Ficou-lhe muito mal a atitude, mas veio retratar-se pouco depois.
 
Nesta 3ª feira, fomos vencer ao Luxemburgo por 3-1, mas entrámos pessimamente na partida e sofremos o 0-1 aos 30’ através do luso-descendente Gerson Rodrigues. As coisas estavam bastante complicadas, mas felizmente conseguimos empatar já no tempo de compensação com novo golo de cabeça do Diogo Jota. A 2ª parte foi melhor e colocámo-nos na frente logo aos 50’ através do C. Ronaldo, que assim chegou aos 103 golos pela selecção (desesperado que anda em tentar bater o recorde de 109 do Ali Daei pelo Irão...). O Luxemburgo reagiu, nós parecemos que adormecemos um pouco, mas o entretanto entrado João Palhinha acabou com as dúvidas aos 80’ com o 3-1 de cabeça na sequência de um canto.
 
Num calendário absolutamente louco, houve três jogos em seis dias. O Fernando Santos rodou razoavelmente a equipa, mas o Cristiano Ronaldo esteve em campo durante os 270’. Recorde a quanto obrigas...! Quem mais se evidenciou foi obviamente o Diogo Jota com três golos e parece-me claro que deve ser titular absoluto da selecção neste momento. O Renato Sanches entrou bem a titular frente ao Luxemburgo, ao contrário do João Félix que esteve muito discreto e até saiu lesionado. O seleccionador tem várias opções de qualidade e acho muito bem que não haja lugares cativos, porque a selecção não deve estar dependente de nenhum jogador, por muito bom que ele seja.

segunda-feira, março 22, 2021

Categórico

Vencemos em Braga por 2-0 e subimos ao terceiro lugar do campeonato por troca com eles (um ponto atrás), mantendo os três de distância para o CRAC (2-1 em Portimão) e os 13 para a lagartada (1-0 ao V. Guimarães). Foi das melhores exibições da temporada, com um triunfo indiscutível perante uma equipa bastante complicada que nos tinha vencido nos últimos três jogos.
 
O Jesus surpreendeu e voltou ao esquema de três centrais, com o Waldschmidt a manter a titularidade na frente, com o Seferovic e Rafa. Conseguimos manietar o Braga praticamente desde o início da partida e criámos logo uma excelente ocasião pelo Grimaldo, brilhantemente isolado pelo Waldschmidt, que permitiu a defesa do Matheus. Pouco depois, foi uma jogada do Taarabt na direita, que centrou para a área, mas ninguém conseguiu desviar. E, por fim, na sequência de um livre, um cabeceamento a meias entre o Seferovic e um defesa proporcionou ao Matheus, que tinha ficado a meio do caminho, outra defesa que evitou o golo. Até que aos 39’, o Fransérgio viu o segundo amarelo, foi naturalmente expulso e o jogo ainda tombou mais para o nosso lado. Mas, lá está, mesmo 11 contra 11 poderíamos já estar a ganhar por 3-0...  Em cima dos 45’, um erro enorme do Otamendi num atraso ao guarda-redes ia dando o golo ao Braga, mas o Helton Leite fez bem a mancha. Seria a maior das injustiças, mas, ao invés, já em tempo de compensação conseguimos colocar-nos em vantagem, numa óptima abertura do Seferovic a isolar o Rafa, que rematou fora do alcance do Matheus.
 
Na 2ª parte, o jogo manteve a mesma tendência, connosco a dominar completamente. O Waldschmidt falhou um domínio de bola que o deixaria isolado, mas o Braga também assustou com uma bola à trave num livre do João Novais. Nós íamos tentando colocar-nos a salvo de uma qualquer eventualidade e o Rafa teve um remate ao lado, que deveria ter tido melhor direcção. Aos 60’, o jogo tombou definitivamente para nós com o golo do Seferovic, numa inversão de papéis em relação ao primeiro: desta feita, foi o Rafa a isolar o suíço, que não falhou perante o Matheus com um remate indefensável em arco à sua saída (o JJ veio dizer no final que anda a trabalhar a finalização com ele; se assim é, está a resultar!). O Jesus começou a fazer substituições e tirou o Waldscmidt para fazer entrar o Pizzi. Coincidentemente (ou talvez não) baixámos de produção ofensiva, mas sempre a defender bem e a não deixar que o Braga criasse perigo. Até fomos nós a poder dilatar a margem, com um cabeceamento fabuloso do Seferovic (saltou para trás e fez uma rotação à laJoão Vieira Pinto com a cabeça!) a permitir ao Matheus a defesa da noite. Até final, o entretanto entrado Sporar rematou à figura do Helton Leite, mas este defendeu com a cabeça(!) e o Pizzi também deveria ter inscrito o seu nome nos marcadores da partida, mas conseguiu rematar ao lado quando estava sozinho(!) praticamente à entrada da área e, mesmo em cima dos 90, permitiu que um defesa interceptasse o seu remate, depois de uma boa tabelinha com o Seferovic.
 
Em termos individuais, novo destaque para o Seferovic, que, com mais um golo, está a apenas um da liderança dos melhores marcadores, vem numa sequência de quatro jogos seguidos a marcar e ainda assistiu o Rafa para a abertura do marcador! Este também fez um bom jogo, valorizado não só pelo golo como pela assistência. O Weigl voltou a ser imperial no meio-campo e a defesa esteve bem, nomeadamente o regressado Vertonghen. O Waldschmidt, apesar de ter falhado um ou outro domínio de bola que o colocaria em boa posição, dá imensas soluções ao nosso ataque e é criativo nas suas acções. Exactamente o oposto do Taarabt, cujos constantes passes para o lado e para trás continuam a tirar-me completamente do sério!
 
Estamos possivelmente a atravessar a melhor fase da época, mas infelizmente vamos parar agora duas semanas por causa das selecções. Esperemos que ninguém se lesione nestas idas, porque seria uma pena perder este embalo. Só dependemos de nós para conseguirmos o segundo lugar, que é o objectivo mínimo nesta altura do campeonato.