origem

segunda-feira, novembro 29, 2021

Uma vergonha que só em Portugal...

Vencemos o Belenenses SAD no sábado no Estádio Nacional por 7-0. Seria motivo para regozijo se estivéssemos num país civilizado. Só que não estamos. Nunca estivemos. Portanto, o resultado é o que menos interessa num jogo que, obviamente, nunca se deveria ter realizado, porque o Belenenses SAD entrou em campo com nove jogadores (dois dos quais guarda-redes) e acabou no início da 2ª parte, quando só sete regressaram dos balneários e um simulou uma lesão.
 
O Darwin marcou três golos, o Seferovic outro dois, o Weigl um golão e houve um autogolo do Kau logo aos 25 segundos. Foi a primeira vez na vida que não festejei nenhum golo do Benfica e vamos ao que interessa:
 
1) Em primeiro lugar, se há entidade que não tem culpa de o jogo se ter realizado é o Sport Lisboa e Benfica. Portanto, quaisquer tentativas de lançar o ónus da questão para nós é pura desonestidade intelectual.
 
2) É óbvio que o Belenenses SAD deveria ter pedido o adiamento formal do jogo, logo que se conheceu o surto. E não ter o seu inefável presidente da SAD a declarar no próprio dia do jogo que tinha não-sei-quantos jogadores inscritos e que, portanto, não ia pedir o adiamento. Grande parte do plantel estava infectado ou de quarentena, portanto era evidente que não estariam nem na força mínima para disputar a partida.
 
3) Custa-me MUITO a perceber que a Liga não possa vir dizer: “sou eu que organizo esta competição, não estão garantidas as condições com o mínimo de igualdade entre os dois clubes, portanto mesmo que eles não tenham pedido, vamos obviamente adiar o jogo”. Se não está no regulamento, deveria estar. E mesmo não estando, como estamos a falar de um bem maior que é a integridade de uma competição de futebol, impunha-se o adiamento na mesma (era ver quem é que depois se atreveria a contestar nos tribunais essa decisão...).  Se a entidade que organiza uma competição não pode garantir essa integridade, então se calhar não tem razão de existir.
 
4) Quem devolve o dinheiro a alguns milhares de infelizes que foram assistir ao vivo a esta farsa? Como é que não se defende os adeptos que gastam o seu tempo e dinheiro para irem aos estádios?! Toda a gente gosta muito de falar que os jogos sem público não são a mesma coisa, mas depois é isto. Ainda pensei em ir ao estádio, mas felizmente resolvi em sentido contrário em tempo devido. Porque senão ainda estaria mais furioso!
 
5) A parte que mais me interessa: a nossa posição. Não temos culpa no que se passou, não fomos abordados para adiar o jogo, nem pelo clube visitado, nem pela Liga. No entanto, acho que poderíamos (e deveríamos) ter jogado em antecipação e alertado em devido tempo para o desastre, que já se estava a perspectivar. Por exemplo, publicando o seguinte comunicado na manhã do jogo:
 
“O Sport Lisboa e Benfica vê com muita preocupação o surto de covid-19 no plantel do Belenenses SAD. Por enquanto, não foi abordado por nenhuma entidade com vista a um possível adiamento, mas caso o seja a nossa resposta é desde já positiva, porque mesmo que se apresente com 11 jogadores em campo, o Belenenses SAD não estará nas melhores condições para o disputar. Acima de tudo, há que respeitar o futebol, a integridade de uma competição e os adeptos que pagaram bilhete para assistir. O Sport Lisboa e Benfica ainda se recorda do que aconteceu no ano passado no jogo frente ao Nacional e, apesar de estar agora do outro lado, não quer que a situação se repita. Caso não haja nenhum pedido para adiar o jogo, claro que se apresentará em campo, porque senão teria falta de comparência. No entanto, o Sport Lisboa e Benfica gostaria de saber quem se responsabilizará se, por acaso, houver algum contágio com os seus jogadores, a poucos dias de jogos tão importantes, incluindo uma possível qualificação para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões.
 
Pronto, era só isto. Chamar publicamente a atenção que o “rei iria estar nu”. Porque isso, acima de tudo, estaríamos a defender um bem superior: o próprio futebol. Além de que nos colocaria à parte desta confusão toda, porque teríamos avisado antes. Era obrigatório fazermos isto? Não. Mas tê-lo feito seria uma enorme chapada de luva branca a todos os responsáveis que não tomaram a decisão que se impunha. Porque jamais, em tempo algum, deveria ser possível que um jogo começasse com nove para 11. Era uma atitude que nos dignificaria e, se há coisa que eu espero sempre do Benfica, é que tenha este tipo de atitudes. Que pense sempre no bem maior, nem que seja o único a fazê-lo neste asco que é o futebol português. Deixámos passar em claro uma óptima oportunidade para isso.

quarta-feira, novembro 24, 2021

Choque

Empatámos ontem em Barcelona (0-0) e vamos para a última jornada da Champions a lutar pelo apuramento. Teremos de ganhar em casa frente ao Dínamo Kiev e esperar que o Barça não vá ganhar a Munique ao já apurado Bayern. Se alguém me tivesse perguntado antes do jogo se assinava este resultado, teria dito logo que sim. Só que, o que se passou no último minuto, mudou tudo...

 

O Jesus disse que íamos jogar para ganhar, mas a verdade é que não o fizemos. Fomos brilhantes em termos defensivos, especialmente o Otamendi, que fez uma exibição monstruosa, mas muito pouco acutilantes no ataque, sempre com medo do contra-ataque dos catalães. A 1ª parte ficou marcada por três momentos de perigo: uma cabeçada do Yaremchuk num canto que o Ter Stegen defendeu por instinto, o golo anulado ao Otamendi com o argumento de que a bola terá saído do campo no canto e o remate ao poste do austríaco Demir. Conseguimos quase sempre manietar o Barça, não lhes dando praticamente espaço nenhum. 

 

Na 2ª parte, especialmente a partir da entrada do Dembélé, sofremos muito mais. O Grimaldo já tinha um amarelo, não podia forçar e o Jesus esteve bem ao fazer entrar o Lazaro para fechar aquele lado. Já antes tinham entrado o Darwin e o Taarabt para os lugares do Yaremchuk e do apagado João Mário. O uruguaio veio agitar um pouco o nosso ataque, com algumas corridas, mas continua a revelar pouca inteligência na altura de soltar da bola. Do outro lado, o Vlachodimos lá ia resolvendo as coisas mais complicadas que lhe apareceram. O Pizzi já tinha entrado com o Lazaro e a menos de 10’ do fim o Seferovic substituiu o Grimaldo. O Barcelona ainda marcou um golo, mas o Ronald Araújo estava fora-de-jogo. Conseguimos contar os ataques contrários, com o Otamendi a fazer alguns cortes que entrarão certamente num compêndio de como bem defender. Até que, no último minuto da compensação, recuperámos uma bola e de repente temos o Darwin e Seferovic só com um defesa contrário pela frente a correr no meio-campo adversário. O uruguaio puxa o defesa e isola o suíço. O Seferovic, então, acrescenta mais uma página ao historial de golos feitos falhados em Camp Nou. O primeiro foi este, o segundo (e pior de todos, porque foi por egoísmo) este e, ontem, tivemos o mais escandaloso: o Seferovic conseguiu atirar ao lado quando só tinha a baliza pela frente e estava praticamente na pequena-área! Começou por acertar mal na bola quando a tentou picar por cima do guarda-redes, a bola bateu na cabeça deste e sobrou para ele, que atirou... ao lado! I N A C R E D I T Á V E L !!! Acho que todos nós falecemos um pouco ontem, ficaremos em choque durante umas quantas décadas e nunca mais nos esqueceremos deste lance...! Como é possível...?!?!

 

Em termos individuais, enorme destaque para o Otamendi, que fez uma das melhores exibições de um central que me lembro de ver na vida. O Vlachodimos esteve seguríssimo e o nulo também passou muito por ele. Aliás, toda a defesa esteve muito bem, com o André Almeida como terceiro central e o Gilberto na direita a não destoarem nada, ao contrário do que algumas más-línguas gostam de dizer. O João Mário esteve uns furos abaixo do que é habitual, mas convém não esquecer que veio de lesão. Em sentido contrário, o Weigl não parou quieto um minuto. Na frente, o Yaremchuk precisa de uns jogos no banco para colocar a cabeça em ordem, apesar de ter tido uma boa oportunidade naquele canto, e o Rafa e Everton quase não tiveram jogo, porque nós defendemos na maior parte do tempo. Quanto aos que entraram, o Seferovic nem sei bem o que diga...

 

Vamos lá a ver se o ‘falhanço do milénio’ não nos irá custar um lugar nos oitavos... Não será fácil o Barcelona ganhar em Munique, mas o Bayern só irá cumprir calendário. De qualquer modo, temos é de nos concentrar em ganhar o Dínamo Kiev na Luz. Porque se o tivéssemos feito fora (como deveríamos), aí já só dependeríamos de nós para a qualificação.

segunda-feira, novembro 22, 2021

Dissimulado

Vencemos o Paços de Ferreira na passada 6ª feira por 4-1 e qualificámo-nos para os oitavos-de-final da Taça de Portugal. Dito assim, parece que tudo foi fácil e sem espinhas. Era bom que assim tivesse sido. Como o futebol é um desporto maravilhoso, os resultados podem esconder bastante e estes 10-2 dos últimos dois jogos na Luz escondem-no.

Perante um adversário do nosso escalão, o Jesus não fez grandes poupanças, com excepção do Gedson no meio-campo no lugar do lesionado João Mário e do Radonjic na direita. A 1ª parte, para não variar, foi quase desperdiçada. Futebol bastante lento, mas mesmo assim com três grandes oportunidades, com o Darwin isolado a permitir a defesa do guarda-redes Vekic, o Rafa a atirar ao poste e o Everton a proporcionar uma grande defesa ao mesmo Vekic. Do outro lado, o Paços quase não incomodou o Helton Leite.

A 2ª parte começou praticamente com o golo do Paços de Ferreira, aos 51’, através do Nuno Santos que, como é nosso jogador (adoro esta coerência de os emprestados não poderem jogar contra os clubes de origem para o campeonato, mas poderem fazê-lo para a Taça...), não comemorou. Com o golo, o Jesus abandonou o esquema dos três centrais, ao mandar entrar o Pizzi e Taarabt para os lugares do André Almeida (que jogou a central) e Gedson. A equipa melhorou (com aqueles dois em campo, algum dia teria de ser...) e o Pizzi desmarcou o Darwin que atirou de cabeça em balão ao poste. O mesmo Darwin, pouco depois, não acertou em cheio na bola quando estava isolado e ela foi desviada para canto. O Lazaro já tinha substituído o Radonjic no início da 2ª parte e o Jesus arriscou tudo com o Seferovic e Gonçalo Ramos nos lugares do Darwin e Weigl a pouco mais de 15’ do fim. E foi aos 78’ que as coisas começaram a mudar, com um golão do Grimaldo de livre directo. Este golo desbloqueou completamente o jogo a nosso favor e aos 81’ demos a volta ao marcador com uma cabeçada do Seferovic a centro do Taarabt. O Paços de Ferreira desconjuntou-se e sofreu mais dois golos, aos 86’, num remate rasteiro de fora da área pelo Rafa e já na compensação (93’) pelo Everton, bem assistido pelo Seferovic.

Em termos individuais, o Seferovic ao estar presente em três dos golos (marcou um, assistiu noutro e a falta do livre do Grimaldo é sobre ele) foi o homem do jogo, apesar de só ter entrado a pouco mais de 10’ do fim. O Grimaldo também merece uma palavra, porque aquele golão foi o início da reviravolta. O Everton está em nítida subida de forma e, por causa disso, a sua confiança nota-se a olhos vistos. A mudança de sistema para o 4-4-2 foi fundamental para a melhoria exibicional na 2ª parte, com o Taarabt e o Pizzi, excepcionalmente, a entrarem bem no jogo. Quanto aos que deveriam ter aproveitado melhor a oportunidade e não o fizeram, está o Gedson, que apesar de um ou outro bom pormenor acusou bastante a falta de ritmo.

Durante boa parte do jogo, não conseguimos entrar na defesa do Paços. Dos quatro golos, um foi de bola parada e outros dois de transição rápida. Ou seja, quando o adversário se fecha lá atrás continuamos a revelar muitas dificuldades. Temos é valores individuais que vão disfarçando esta pouca qualidade colectiva do nosso futebol ofensivo. Só não se sabe quanto tempo é que isto irá durar, mas por esta altura da época já deveríamos estar bem mais consistentes e com um futebol mais assertivo. Iremos amanhã a Barcelona jogar uma cartada decisiva quanto ao apuramento na Champions. Veremos que resposta a equipa irá dar.

segunda-feira, novembro 15, 2021

Impensável

A selecção nacional precisava de dois pontos em dois jogos para se qualificar directamente para o Mundial do Qatar e, ao empatar na Irlanda (0-0) na passada 5ª feira e perder ontem na Luz frente à Sérvia (1-2), não o conseguiu. É algo difícil de conceber que uma selecção com a qualidade da nossa arrisque a não estar presente num Mundial de futebol.
 
Frente à Irlanda, o Fernando Santos poupou vários titulares por causa dos amarelos e Portugal fez uma das piores exibições dos últimos anos, sem criar praticamente oportunidades de golo. A mentalidade do seleccionador (“o empate ou ganhar aqui por 5-0 era a mesma coisa. É um resultado muito positivo”) foi seguida na prática pelos jogadores e o pior é que se contagiou para o jogo seguinte. Como seria de prever.
 
Ontem até começámos bem, com o Renato Sanches a inaugurar o marcador logo aos 2’. Incompreensivelmente, este golo em vez de nos tranquilizar e lançar para uma exibição consistente teve um resultado contrário. Dito de modo simples: levámos um banho de bola dos sérvios, que mais do que mereceram a vitória, já que atiraram ao poste, empataram aos 33’ pelo Tadic e marcaram em cima dos 90’ pelo Mitrovic, num lance que é um resumo perfeito da desorganização colectiva de Portugal: num canto contra nós, em cima dos 90’, no momento do cruzamento para a área, estão cinco jogadores de Portugal e seis(!) da Sérvia! Conseguimos a proeza de estar em desvantagem numérica num canto contra nós...!
 
O apuramento agora será bastante complicado, porque teremos de defrontar dois adversários no play-off em Março e só temos a garantia de o primeiro jogo ser em casa. Independentemente de o conseguirmos ou não, é mais do que evidente que o caminho do Fernando Santos chegou ao fim. A miséria exibicional que sempre pautou o seu percurso está a ter repercussões nos resultados. Os milagres não acontecem sempre. E, como já várias pessoas disseram, uma selecção com tanta qualidade individual merece ter alguém que a ponha a jogar um futebol decente. Algo que já não fazemos há muitos anos.

terça-feira, novembro 09, 2021

Goleada enganadora

Vencemos no domingo o Braga por 6-1 e mantivemo-nos a um ponto dos rivais que também ganharam (o CRAC 3-0 nos Açores e a lagartada 2-0 em Paços de Ferreira). Quem olhar só para o resultado, ficará certamente com a impressão de que foi um encontro em que subjugámos o adversário. Nada mais errado.
 
Com o Everton no lugar do Yaremchuk, o jogo não poderia ter começado melhor para nós, dado que inaugurámos o marcador logo aos 2’, num cruzamento do Darwin que o Grimaldo concretizou de cabeça. No entanto, o Braga respondeu muito bem e restabeleceu a igualdade aos 12’ num remate cruzado do Ricardo Horta. Desde o nosso primeiro golo até aos 38’, basicamente levámos um banho de bola. Sim, o resultado final mascara (e bem) esse facto, mas durante este período o Braga foi claramente a melhor equipa, não nos deixando sequer sair a jogar de trás. Chegou a haver alturas em que a bola estava no Vlachodimos e os 11(!) jogadores adversários estavam no nosso meio-campo! Nesse período, tivemos de fazer duas substituições forçadas por causa das lesões do João Mário e do Lucas Veríssimo, esta particularmente grave que o vai afastar dos relvados durante pelo menos oito meses, tendo entrado o Morato e o Paulo Bernardo. Dominados pelo Braga e com duas lesões, o panorama não era prometedor, mas aos 38’ caiu-nos um golo do céu, numa recarga do Darwin a um remate do Grimaldo defendido pelo Matheus. Aliás, este final da 1ª parte foi de sonho, com três golos em três oportunidades: aos 42’, fizemos o 3-1 através do Rafa, numa transição rápida, em que assistido pelo Everton tirou um defesa do caminho e desviou a bola do guarda-redes. No tempo de compensação da 1ª parte, o Rafa bisou noutro contra-ataque, novamente com assistência do Everton, em que se isolou e bateu o Matheus. Ficámos com o jogo muito bem encaminhado, sem sabermos bem como.
 
Se o Braga tinha veleidades no marcador, dissipou-as logo no primeiro quarto-de-hora da 2ª parte. Aos 52’, fizemos o 5-1 através do Everton, que tirou brilhantemente o Paulo Oliveira do caminho e atirou cruzado sem hipóteses para o guarda-redes. Aos 59’, fechámos o marcador com novo bis do Everton, que rematou cruzado de pé direito depois de um centro largo do Darwin na esquerda. Com o jogo mais do que decidido, as equipas baixaram o ritmo, mas ainda assim tivemos uma grande oportunidade com o entretanto entrado Gonçalo Ramos a proporcionar ao Matheus uma grande defesa, num remate em voo a centro do Grimaldo. Infelizmente, ainda não foi desta que o Ramos conseguiu marcar este ano.
 
Em termos individuais, destaque para o Everton, que esteve em quatro dos nossos golos, com um bis e duas assistências. O Rafa também merece relevo, porque marca dois bons golos em frente ao guarda-redes. Aliás, o trio da frente esteve endiabrado com o Darwin a marcar um golo e fazer duas assistências. No meio-campo, o Weigl esteve em todo o lado e o Paulo Bernardo, a fazer a sua estreia no campeonato, deu óptima conta do recado e está milhas à frente do Taarabt (ok, eu sei que não é preciso muito, mas espero que com esta evidência o mercado de Janeiro leve o marroquino para bem longe do Estádio da Luz). Uma palavra de alento para o Lucas Veríssimo, que provavelmente só conseguirá voltar aos relvados daqui a praticamente um ano.
 
Ganhámos 6-1 ao Braga, mas não fizemos uma exibição de encher o olho. Muito pelo contrário. As bolas que não quiseram entrar frente ao Portimonense e Estoril entraram agora, mas continuamos com muitos problemas em ter um jogo fluído e vivemos muitos dos repelões que os homens da frente conseguem dar. Em equipas que se fecham mais do que o Braga, bem temos visto os problemas que isso tem causado.

quinta-feira, novembro 04, 2021

Expectável

Perdemos em Munique frente ao Bayern na 3ª feira por 2-5 e fomos relegados para o 3º lugar do nosso grupo da Champions, porque o Barça ganhou em Kiev por 1-0. Como o Jesus disse na antevisão, não era este jogo que iria definir o nosso destino, porque o poderio dos alemães é impressionante e muito estranho será se eles não conseguirem seis vitórias em seis jogos. Quanto a nós, um empate em Camp Nou e uma vitória frente ao Dinamo Kiev, possivelmente dar-nos-á a qualificação.
 
Consciente de que esta partida era de outro campeonato, o Jesus optou (e bem) por retirar alguns habituais titulares da equipa, até porque o Otamendi, Weigl e Rafa estavam tapados por amarelos e muito mais falta fariam nos dois próximos jogos. Entrámos bem na partida e nos primeiros minutos até rondámos mais vezes a área do Bayern. Chegámos a marcar pelo Lucas Veríssimo, mas infelizmente o Pizzi, que fez a assistência, estava milimetricamente fora-de-jogo. Ao invés o inevitável Lewandowski inaugurou o marcador de cabeça aos 26’, ao corresponder a um centro do endiabrado Coman, que voltou a dar cabo dos nossos laterais. Já se sabe que, assim que abre a torneira, o Bayern nunca descansa e aos 32’ aumentou a vantagem num calcanhar do Gnabry com assistência do Lewandowski. Antes e depois dos golos, já o Vlachodimos mostrava que era o melhor do Benfica, ao impedir que o resultado se avolumasse para números catastróficos. Um contra-ataque nosso foi egoisticamente resolvido pelo Yaremchuck com um remate ao lado, quando tinha um colega em melhor posição. Mas aos 38’ marcámos mesmo, através do Morato de cabeça, depois de um cruzamento do Grimaldo na esquerda. Foi o primeiro golo sofrido pelo Bayern na Champions. Em cima do intervalo, o Lucas Veríssimo foi imprevidente ao tentar um corte, abrindo muito os braços e fazendo com que a bola lhe embatesse na mão. O VAR assinalou penalty, mas o Vlachodimos não se deixou enganar pelo Lewandowski e defendeu o remate.
 
A 2ª parte iniciou-se praticamente com o terceiro golo do Bayern, através do Sané aos 49’, num remate à meia-volta. À passagem da hora de jogo, o Lewandowski bisou num lance de contra-ataque, em que passou pelo Meïté como se ele não estivesse lá. Nesta altura, temi o descalabro, mas alguma falta de pontaria dos alemães e o Vlachodimos impediram isso. Pelo contrário, fomos nós a reduzir para 2-4 aos 74’ pelo entretanto entrado Darwin na sequência de um contra-ataque bem conduzido pelo João Mário. Logo a seguir, destaque para a estreia do Paulo Bernardo na equipa principal e logo num jogo destes. Aos 84’, um alívio do Neuer isolou o Lewandowski, que fez um chapéu sobre o Vlachodimos, selando o hat-trick e o resultado final.
 
Em termos individuais, o Vlachodimos foi o melhor do Benfica, porque graças a ele não sofremos outros tantos golos. Também gostei bastante do Morato, muito personalizado e com a mais-valia de ter marcado um golo. Em sentido contrário, o Lucas Veríssimo continua a cometer erros infantis em jogos importantes. O mal-amado Gilberto foi outro que não esteve nada mal, nunca se escondendo do jogo e viu-se bem a diferença em relação ao Diogo Gonçalves, quando este foi para a lateral-direita. Para a maior parte dos jogos, o Diogo serve perfeitamente, mas perante estes adversários que atacam muito, precisamos de alguém que defenda melhor do que ele. Por outro lado, se calhar em Janeiro arranjaríamos outro lateral-esquerdo, porque é ridículo fazermos a Liga dos Campeões toda só com o Grimaldo. Viu-se bem o problema que causou a sua saída.
 
Se levássemos menos de cinco, eu já me daria por satisfeito. Perdemos  por três, o que não foi nada mau. A Liga dos Campeões só interessa mesmo pelo dinheiro que nos dá. Estas equipas são inultrapassáveis e o melhor que poderemos conseguir nos próximos anos são os quartos-de-final. Ora, isso não são títulos. Posto isto, o que é importante é o jog
o frente ao Braga no próximo domingo. Isso, sim, é (d)o nosso campeonato.

segunda-feira, novembro 01, 2021

Previsível

Empatámos no sábado no Estoril (1-1) e perdemos a liderança do campeonato, descendo para 3º lugar a um ponto dos primeiros, porque o CRAC ganhou 4-1 em casa ao Boavista e a lagartada 1-0 ao V. Guimarães. Foi um resultado muito desapontante, porque não soubemos matar o jogo e colocámo-nos a jeito de um lance fortuito que acabou mesmo por acontecer.
 
A partida não poderia ter começado melhor, dado que inaugurámos o marcador logo aos 2’ através da cabeça do Lucas Veríssimo na sequência de um canto do João Mário. Olha que coincidência...! Um canto marcado de forma directa, um golo! O que vale é que aprendemos a lição e raramente repetimos a graça durante o resto do jogo...! Voltámos aos cantos a dois toques, que repetimos ad nauseam desde o início da época, com os resultados brilhantes que conhecemos... A seguir ao golo, fomos diminuindo progressivamente o ritmo, mas conseguimos controlar o Estoril, que não teve grandes oportunidades. O que me foi tirando muito do sério foi a nossa extraordinária incapacidade para sermos inteligentes a conduzir um contra-ataque...! Ou o jogador que o conduzia não levantava a cabeça e via colegas muito bem posicionados (olá, Darwin...), ou o passe saía imperfeito, o que nos fazia perder o momentum (olá, Rafa...). Tivemos um bom par de oportunidade para colocar alguém isolado em frente ao guarda-redes, mas nunca o conseguimos.
 
Na 2ª parte, o Jesus tirou o inexistente Yaremchuk e colocou o Gonçalo Ramos. Melhorámos um pouco e tivemos melhores chances para marcar, mas o Darwin viu um defesa cortar uma bola que muito possivelmente lhe daria o golo, o Lucas Veríssimo fez um remate fraco quando estava em boa posição e o Grimaldo chegou adiantado(!) a um centro do Gonçalo Ramos depois de uma óptima jogada sua. O mesmo Gonçalo Ramos e o entretanto entrado Everton viram igualmente o guarda-redes Dani Figueira defender remates seus. Do outro lado, um centro-remate e um livre directo colocaram o Vlachodimos à prova. Nas mensagens trocadas com um grupo de amigos, a opinião entre nós era unânime: ainda nos arriscávamos a levar um golo...! E assim aconteceu no último minuto: o fiscal-de-linha inacreditavelmente não viu que o Pizzi não tocou na bola e deu lançamento ao Estoril, do qual resultou depois um canto. Nesse mesmo canto, o Gonçalo Ramos não chegou à bola e o Rosier antecipou-se ao Lucas Veríssimo, fazendo a igualdade de cabeça sem hipóteses para o Vlachodimos. Foi um enorme balde de água fria, mas que castiga a nossa ineficácia.
 
Em termos individuais, o Lucas Veríssimo estava a ser o melhor em campo, mas fica ligado ao golo do empate. No meio-campo, o Weigl não dá para tudo e não houve assim mais ninguém que se destacasse, sendo preocupante a forma de alguns dos jogadores que foram essenciais no início da época, especialmente o João Mário e o Yaremchuk. O Darwin e o Rafa têm velocidade a mais e lucidez a menos. O Radonijc foi uma aposta completamente falhada na lateral-direita e o Everton continua a não acrescentar muito quando entra.
 
Já amanhã iremos a Munique e o que eu espero é que não levemos mais do que cinco. O mais importante é o jogo do próximo domingo, em que receberemos o Braga, e veremos se este abaixamento de forma consegue ser estancado ou não.

quinta-feira, outubro 28, 2021

Frustração

Empatámos em Guimarães frente ao Vitória por 3-3 na 2ª jornada da Taça da Liga e agora teremos de ganhar por dois golos ao Covilhã para irmos à final four. Com a reformulação da prova, cada grupo só tem três equipas e, portanto, uma derrota ontem eliminar-nos-ia imediatamente. Todavia, depois de estarmos por duas vezes com dois golos de vantagem, não se pode dizer que este tenha sido um bom resultado.
 
Perante a sobrecarga de jogos, já se esperava que o Jesus rodasse a equipa e, dos habituais titulares, só alinharam o Otamendi, Lucas Veríssimo e Grimaldo. Entrámos em campo com dez, no entanto, o Taarabt magoou-se relativamente cedo e o João Mário não pôde ter a noite de folga com que contaria. A única vantagem foi que passámos a jogar com onze. Não poderíamos ter entrado melhor, dado que aos 15’ já ganhávamos por 2-0, fruto de um autogolo do Alfa Semedo (7’) num canto do Pizzi e do mesmo Pizzi num remate cruzado de pé esquerdo, com o Bruno Varela a provar que só um lírico acharia possível nós termos ganho o penta com ele a titular na baliza... As coisas estavam bem encaminhadas, mas o V. Guimarães reduziu aos 21’ num lance em que o João Mário começou a inventar em zona proibida, perdeu a bola e o André André conseguiu fazer a recarga vitoriosa a um remate seu. O ritmo estava louco e recolocámo-nos com dois golos de vantagem aos 28’, num grande remate de pé esquerdo do Radonjic, assistido pelo Pizzi. Era fundamental chegarmos ao intervalo com esta vantagem, mas estragámos tudo já na compensação ao permitir o 2-3 de cabeça pelo Estupinan no meio dos centrais...
 
Na 2ª parte, o ritmo não foi tão frenético, mas nós perdemos uma boa oportunidade de marcar logo no reinício, com um remate cruzado do Pizzi ao lado. No entanto, foi praticamente o único lance de perigo que criámos, com o V. Guimarães sempre muito mais perto de marcar, o que conseguiu a 20’ do fim, mas o Estupinan estava fora-de-jogo. Pouco depois, o Helton Leite esteve bem ao não defender um remate do Quaresma e a deixar a bola ir à barra, certamente para não ceder canto...! (Vlachodimos, podes continuar a dormir descansado...!) Aos 83’, o V. Guimarães lá conseguiu o merecido empate num golpe de cabeça do Bruno Duarte, a corrigir uma sua tentativa falhada de remate. O Helton Leite foi muito pouco lesto a fazer-se ao lance, que ocorreu na pequena-área. Até final, e já com alguma da nossa artilharia pesada em campo, só um cabeceamento do Morato causou perigo, mas apesar de o jogo ter ficado partido mais nenhuma equipa conseguiu marcar.
 
Em termos individuais, o Pizzi esteve nos nossos três golos, mas a meio da 2ª parte deu o berro. O Radonjic também sobressaiu na 1ª parte, mas não tanto na 2ª. O Gonçalo Ramos luta muito, mas um ponta-de-lança vive de golos e ele ainda não marcou nenhum este ano... O Meïté é para esquecer, porque um trinco do Benfica não pode ter aquela lentidão exasperante (continuo a tentar perceber porque é que, para o Jesus, este serve, mas o Florentino não...).
 
Veremos o que se passará quando recebermos o Covilhã, mas de qualquer maneira já vem sendo altura de voltarmos a ganhar a Taça da Liga, dado que o último triunfo já foi há seis anos...

segunda-feira, outubro 25, 2021

Milagre

Um golo do Rafa no último lance do jogo deu-nos uma vitória tremendamente difícil em Vizela por 1-0 e permitiu-nos manter o 1º lugar isolado do campeonato, com um ponto de vantagem sobre os rivais que também venceram (a lagartada 1-0 em casa frente ao Moreirense e o CRAC 3-1 em Tondela). Se, na derrota frente ao Portimonense, o guarda-redes contrário foi dos melhores em campo, o triunfo de ontem acabou por ser lisonjeiro para nós, dado que o Vizela conseguiu equilibrar a partida e até a estava a terminá-la mais em cima de nós do que o contrário.
 
Quatro dias depois da goleada sofrida na Champions, o Jesus apostou na mesma equipa, exceptuando naturalmente a troca do lesionado André Almeida pelo Diogo Gonçalves. Até começámos com alguma dinâmica, mas sempre um pouco atabalhoados na altura de rematar à baliza, razão pela qual só à meia-hora fizemos o primeiro remate, e com bastante perigo, num tiraço do Diogo Gonçalves que o guarda-redes Charles defendeu. Do outro lado, uma asneira do Vlachodimos num pontapé para a frente, que demorou bastante tempo e foi interceptado por um avançado, poderia ter dado péssimos resultados, mas o mesmo Vlachodimos resolveu. Uma cabeçada ao lado do Yaremchuk foi o outro lance em que conseguimos rematar à baliza, muito pouco para 45’ de futebol. O Vizela não se limitava a defender, mas também não criou muitas situações em que nos víssemos em risco de sofrer um golo.
 
Na 2ª parte, melhorámos consideravelmente a nossa atitude (também pior era difícil...), mas continuámos a ter grandes dificuldades para criar lances de perigo: um centro atrasado do Diogo Gonçalves foi interceptado pelo Charles, uma cabeçada do Darwin saiu à figura e um remate do Grimaldo em excelente posição foi parar às nuvens. O Vizela também ficou mais atrevido e conseguiu ludibriar a nossa defesa um par de vezes, chegando a isolar um jogador, mas com o Lucas Veríssimo a recuperar e a cortar o remate. O Jesus tirou os laterais e o Yaremchuk aos 70’, lançando o Radonjic, Everton e Gonçalo Ramos, mas não houve assim grandes alterações, embora o sérvio no seu jeito fução tenha conseguido criar um ou outro desequilíbrio. Chegámos a colocar a bola na baliza pelo Rafa, mas infelizmente em fora-de-jogo na altura do remate do Radonjic. O Jesus arriscou tudo a seis minutos do fim com o Pizzi e Taarabt em vez do Darwin e João Mário, e o forcing final acabou por dar frutos. Ambos tiveram a sua chance, mas os remates saíram com muito pouca força, e o marroquino assistiu o Radonjic, todavia o Charles defendeu (de qualquer maneira, acho que a bola iria para fora). O Vizela também tentou ganhar o jogo e, por três vezes, criou bastante perigo, com o Vlachodimos a segurar bem um dos remates. Aos 98’, uma escorregadela do Samu, um dos melhores jogadores dos vizelenses, permitiu ao Radonjic ganhar a bola, abrir para o Pizzi na direita e este centrar de primeira para o Rafa entrar de rompante no centro da área. Bela assistência e belo golo num triunfo que acabou por nos cair do céu.
 
Em termos individuais, o Weigl foi o melhor do Benfica e o único que esteve a um nível alto. Muitos dos problemas em criar perigo passaram pela exibição discreta do João Mário, pelo futebol muito trapalhão do Darwin e pelo pouco espaço que o Rafa teve. O Grimaldo foi outro que esteve longe do nível habitual e a generalidade da equipa pareceu pouco fresca fisicamente. O Radonjic agitou um pouco as águas, o que neste tipo de encontros pode ser útil.
 
Já se sabe que os jogos pós-Champions são sempre muito complicados, mas nós também não facilitámos a nossa própria vida. É fácil falar no final (e eu sei que a experiência na Trofa correu muito mal), mas não sei se o Jesus não deveria repetir a fórmula de Agosto nas pré-eliminatórias e rodar mais um ou outro jogador. Para que o titular entrasse se fosse necessário e não o habitual suplente. Correu bem ontem, mas foi por pouco. Essa rotação certamente será feita quando defrontarmos o V. Guimarães para a Taça da Liga na 4ª feira, mas a equipa começa a dar mostrar de algum desgaste e aproxima-se um ciclo infernal de jogo consecutivos, ainda por cima todos fora de casa.

quinta-feira, outubro 21, 2021

Dignos

Fomos goleados em casa frente ao Bayern (0-4), mas continuamos no segundo lugar do nosso grupo na Champions, agora com o Barcelona um ponto atrás de nós dado que venceu o Dinamo Kiev por 1-0. O resultado é obviamente muito pesado, mas a equipa saiu do campo sob aplausos (e foram merecidos). Contraditório? Só para quem não viu o jogo...

Tinha comentado com mais do que um grupo de amigos que, se perdêssemos por menos de três golos, não ficaria muito chateado. Mas, quando chegámos aos 70’ com 0-0 e com a perspectiva de um empate não ser um mero sonho, confesso que sofrer uma goleada já não estava na minha cabeça. Pura ilusão...! Este Bayern Munique é, a par deste Barcelona, a melhor equipa que vi jogar ao vivo no Estádio da Luz. Não há como não admirar a maneira como eles sufocam o adversário, não o deixando respirar, como vão esburacando as defesas contrárias e naturalmente criando oportunidades, e como só deixam de tentar marcar quando o árbitro apita para o final. Que maravilha! Apesar de tudo isto, batemo-nos muito bem e só com o autogolo que deu o 0-2 é que nos desconcentrámos, o que acabou por ser fatal.
 
Entrámos em campo com o tridente ofensivo do costume (Rafa, Yaremchuk e Darwin), revelando alguma audácia da nossa parte. Fomos dominados na maior parte do primeiro tempo, mas ainda tivemos uma grande oportunidade com um remate do Darwin que foi magnificamente defendido pelo Neuer. Do nosso lado, o Vlachodimos safou-nos um par de vezes e o VAR também, dado que anulou um golo ao Lewandowski, porque foi metido com o braço.
 
Na 2ª parte estivemos melhor, conseguimos equilibrar um pouco mais a partida, e um remate do Diogo Gonçalves (que tinha substituído o lesionado André Almeida) voltou a fazer o Neuer brilhar. O Yaremchuk teve igualmente uma boa arrancada, mas o remate saiu ao lado. Do lado contrário, o Vlachodimos defendeu uma bola com o pé e ela ainda foi ao poste, e o VAR anulou por fora-de-jogo outro golo dos alemães. Uma falta idiota do Otamendi sobre o Lewandowski, que estava de costas para a baliza(!), provocou um livre perigosíssimo, que o Sane não perdoou. Foi aos 70’ e durante dez minutos tentámos recompor-nos, mas foi o jogador que entrou, o Everton, a fazer um autogolo aos 80’ que nos liquidou de vez e em quatro minutos acabámos por sofrer mais dois golos: aos 82’, o Lewandowski lá marcou o golinho da ordem e o Sane bisou aos 84’. Foi um autêntico rolo compressor que nos passou por cima na parte final...
 
Em termos individuais, de quem eu mais gostei foi do Weigl, que conseguiu bater-se taco a taco com os seus compatriotas. O João Mário também teve alguns pormenores de classe e o Darwin, apesar de nem sempre decidir bem os lances, tentou criar perigo. A velocidade do Rafa esbarrou muitas vezes nos muros alemães. O Vlachodimos ainda conseguiu impedir que o resultado fosse mais avolumado.
 
Foi pena que o modo como nos batemos não tenha tido repercussão no resultado, mas o Bayern é de outra galáxia. O jogo em Munique vai ser terrível, mas não irá ser por ele que passará a nossa possível qualificação. Portanto, qualquer que seja o resultado, não podemos perder a concentração para os últimos dois jogos do grupo, esses, sim, decisivos.

segunda-feira, outubro 18, 2021

Paupérrimo

Vencemos o Trofense na Trofa por 2-1 no passado sábado e qualificámo-nos para a próxima eliminatória da Taça de Portugal. Pronto, tudo o que de positivo há a dizer deste jogo está dito. Perante um adversário da divisão inferior, a nossa lamentável exibição fez com que precisássemos do prolongamento para conseguir o triunfo e tenhamos acabado o jogo a perder tempo e defender o resultado. Sim, com o devido respeito, perder tempo e defender o resultado perante o Trofense!
 
A primeira eliminatória da Taça tem-nos dados brindes como este ao longo dos anos. Felizmente desde essa altura nunca chegando ao descalabro do Gondomar, 
mas assim lembro-me destedestedeste e deste (já chega...?) jogo, em que praticamente só as nossas camisolas entraram em campo. Mesmo com uma equipa recheada de segundas linhas, por causa do Bayern na 4ª feira, esperava-se muito mais do Benfica. Inaugurámos o marcador aos 22’ com um golo do Everton, num remate de fora da área em que o guarda-redes me pareceu que poderia ter feito mais e, até ao intervalo, poderíamos ter marcado pelo menos mais um golo, mas um remate do Taarabt que sairia muito ao lado ressaltou num defesa e proporcionou ao guarda-redes um incrível defesa in extremis com os pés.
 
Na 2ª parte, o Jesus ainda lançou mão de três titulares (Weigl, João Mário e Yaremchuk), mas as coisas melhoraram menos do que se esperaria. Aos 81’, o Trofense empatou num golpe de cabeça, em que o Morato e o André Almeida poderiam ter feito mais oposição. No prolongamento, um lançamento longo do Weigl logo aos 95’ isolou o André Almeida, que desfeiteou o guarda-redes à sua saída e, a partir daqui, praticamente limitámo-nos a defender.
 
Para além da péssima exibição, ainda ficámos com duas baixas por lesão (Gil Dias e Lazaro) e acabámos a partida com jogadores em evidentes dificuldades físicas (Gilberto e Morato, nomeadamente). As segundas linhas do Benfica (valha-nos Eusébio...!) não deram mostras de se constituírem como opção válida. Algo que já sabíamos há uns tempos, como é óbvio, por exemplo continuo à espera de ver em que é que o Meïte e o Taarabt são assim tão melhores que o Florentino e Gedson. Na baliza, o Vlachodimos pode estar sossegado, porque este Helton Leite, enfim... Perante uma exibição destas, seria quase insultuoso destacar alguém. Menção só, como disse o Jesus e o próprio, para o André Almeida que aguentou duas horas de futebol depois da grave lesão que teve e marcou o golo decisivo.
 
Teremos o Bayern (que  ganhou 5-1 em Leverkusen no domingo) nesta 4ª feira e, sinceramente, temo o pior. Não temos de todo pedalada para eles e só espero que não levemos um cabaz completo. Em dez jogos, nunca lhes ganhámos e, desta vez, acho que nem com um milagre.

segunda-feira, outubro 11, 2021

Rescaldo Eleitoral 2021

Como era previsível, o Rui Costa ganhou as eleições no passado sábado, tornando-se assim no 34º presidente do nosso clube. No entanto, o grande vencedor é indiscutivelmente o Sport Lisboa e Benfica, dado que, com 40 085 votantes, batemos o recorde das eleições de 2020 (38 102) e a nível mundial aparentemente só o Barcelona teve umas eleições com maior participação do que esta. Impressionante! E revelador da grandeza do Glorioso. Claro que o facto de esta eleição ter sido a um sábado potenciou esta votação, porque já se sabia de antemão que a diferença entre os dois candidatos seria bastante superior à do ano passado. É uma ilação que eu espero que fique para o futuro: fazer sempre as eleições a um sábado.

A vitória do Rui Costa foi esmagadora com 84,48% dos votos (correspondente a 33 754 votantes), tendo o Francisco Benitez ficado com 12,24% (correspondente a 5043 votantes). Os votos brancos (1071) e nulos (217) é que mais que triplicaram em relação às eleições do ano passado (375 que só puderam ser brancos, por causa do voto electrónico), tendo sido na soma dos dois 3,28%. Como disse aqui, eu contribui para isso.
 
Com esta votação, a responsabilidade do Rui Costa, aliás, como o próprio disse na tomada de posse, aumenta bastante. Espero que ele mantenha o rumo que vinha a ser seguido em termos de resultados financeiros, inverta o que tem de ser invertido em termos desportivos (como fez neste último mercado de transferências, em que não houve comboios de jogadores a entrar e contratámos predominantemente internacionais A pelos seus países) e mude radicalmente em termos de postura (não, Sr. Luís Filipe Vieira, a "democracia a mais" NUNCA faz mal), política de comunicação (as eleições terem tido cobertura mediática nos órgãos de comunicação do clube e o regresso dos debates eleitorais foi um excelente começo, debate esse que, como se viu, foi bastante favorável ao incumbente) e relação com os sócios (o dono do clube seremos sempre todos nós, portanto não podemos ser vistos apenas como "clientes" e as AGs como uma maçada que se preferia que não houvesse). Se assim acontecer, o clube ficará a ganhar. Bastante.

sexta-feira, outubro 08, 2021

Eleições no Benfica – um ano depois...

Here we go again... Na verdade, é menos de um ano depois que voltamos às urnas para eleger o novo presidente do Benfica e ontem houve um debate na BTV com os dois candidatos, Rui Costa e Francisco Benitez. Portanto, mais do que se justifica este post que, aviso já, vai ser longo (as minhas desculpas!), mas há várias coisas que têm de ser ditas:
 
1) Se vai haver eleições agora, é porque o 7 de Julho de 2021 foi o dia mais VERGONHOSO da história do Benfica. Sim, a bold, maiúsculas e sublinhado. Não há outra maneira de o dizer. Infelizmente. O dia em que um presidente em funções do Sport Lisboa e Benfica é preso é, a milhas de distância, o pior dia da história do clube. Ainda por cima, com a acusação de ter roubado o próprio clube! Mesmo que ele seja absolvido quando o processo terminar (e vai durar vários anos), desta vergonha já ninguém nos livra. A honra do clube terá esta nódoa para sempre. E isso é imperdoável.
 
2) Espero sinceramente que o Luís Filipe Vieira seja absolvido por todas as razões que se imaginam. Porque, apesar de ter sido uma pessoa fundamental no clube a determinada altura e a quem devemos muito, uma eventual condenação fará tudo isso implodir, passar para um plano secundário, e torná-lo-á pior do que o Vale e Azevedo. Sim, pior, porque, para além de ter deixado o clube envolvido numa série de outros processos, também o terá roubado. Mas, principalmente, espero que ele seja absolvido por causa do próprio Sport Lisboa e Benfica, para que o clube saia o menos chamuscado possível disto tudo.
 
3) Dito isto, parece-me urgente tomarmos medidas para que uma situação destas não volte a acontecer. E a principal, para mim, é a limitação de mandatos. Fico bastante contente por ver que os dois candidatos estão de acordo quanto a isto. Três mandatos (12 anos), tal como nas autarquias, é tempo mais do que suficiente para se deixar obra e para que um líder se rodeie de pessoas competentes e idóneas, que o poderão eventualmente substituir e continuar essa obra. Porque ninguém é insubstituível e confundir-se o clube com uma pessoa é algo de inimaginável no Benfica. Além de que, quanto mais tempo uma pessoa está no poder, mais vícios cria e deixa criar à sua volta, mais compadrios e esquemas se potenciam, e isso, como se pode ver, deu o resultado que deu...
 
4) Outra medida que é urgente é deixarmo-nos de utopias e percebermos que a direcção do clube e, em especial o seu presidente, TEM DE ser remunerado. Já não estamos em tempos de romantismos ou de carolice. Gerir um monstro como o Sport Lisboa e Benfica não pode ser um part-time, algo que se só faça a partir das 18h. Caso contrário, só pessoas ricas é que terão disponibilidade para serem presidentes do Benfica e ficarem quatro anos sem receber salário. Porque, se não forem ricas, a não-remuneração também potencia a que se vá buscar rendimentos a outros lados. Como em comissões de transferências de jogadores ou outros negócios menos claros. O presidente ganhar o mesmo que o jogador de futebol mais mal pago do plantel pode ser um compromisso interessante.
 
4) Estas eleições tiveram o mérito de trazer de volta os debates democráticos ao nosso clube 21 anos depois! É muitíssimo tempo e a culpa também é nossa, dos sócios, que deixámos que se normalizasse uma anormalidade destas. Como se viu ontem, é possível discutir-se ideias sem insultos, nem berrarias. Quem forçou isto a voltar a acontecer (lista B) e quem aceitou que voltasse (lista A) estão ambos de parabéns.
 
5) Alguém que caísse de Marte ontem e visse o debate, não teria dúvidas em votar em Rui Costa, que se mostrou muitíssimo mais bem preparado do que Francisco Benitez. O que é natural, porque já está há 13 anos como dirigente. Mas esse também é o seu grande problema. É tempo demais de ligação a Luís Filipe Vieira e, como disse o Ricardo Araújo Pereira, o melhor que podemos pensar de Rui Costa é que foi “totó” e não reparou no que aparentemente acontecia à sua volta. Porque, senão, foi cúmplice ou conivente. E aí já seria um caso de polícia. E é precisamente por causa desse passado que eu não posso votar em Rui Costa agora. Sou absolutamente insuspeito para dizer isto, porque sempre foi dos jogadores que eu mais admirei, um enorme ídolo, é dele uma das duas únicas camisolas do Benfica com o nome de jogadores que tenho (a outra, obviamente, do grande Nuno Gomes; também deveria ter do Cardozo, mas distraí-me...) e, se fosse hoje, escreveria isto outra vez sem pestanejar. Mas votar nele, neste momento, não consigo. Terá de dar mostras no futuro que foi, de facto, “totó” e afastar-se do modus faciendi que imperou no clube nos últimos 18 anos (o regresso da visibilidade das eleições nos órgãos de comunicação do clube e os debates eleitorais são um óptimo princípio). Cumprindo satisfatoriamente esse período de nojo, daqui a quatro anos poderei pensar nisso.
 
6) Francisco Benitez tem o mérito de se ter candidatado quando mais ninguém o fez, mesmo sabendo que irá perder, permitindo assim que houvesse confronto de ideias. E isto não é de todo uma questão de somenos importância. No entanto, no debate de ontem perdeu de goleada. Era um combate desigual (alguém que foi um ídolo em campo versus outro que era desconhecido), louve-se-lhe a coragem, mas cometeu alguns erros graves: era o Rui Costa do outro lado, chamar sempre “o candidato da lista A” ficou-lhe muito mal; a rábula de procurar o papel certo sobre determinado assunto e não ter decorado nem a intervenção inicial, nem principalmente a final (em que era suposto estar a olhar directamente para a câmara, para os olhos dos benfiquistas, e não para baixo), foi confrangedor; a ideia de que se poderia ter retido um jogador por quem ofereceram 120 M€ é de um desconhecimento do mundo do futebol actual dificilmente aceitável; e o ter dito a Rui Costa que ele poderia ter voltado mais cedo como jogador permitiu que o Rui Costa lhe desse a estocada final, porque sentiu isso como uma acusação muito injusta quando ele não podia ter feito nada na época (esteve sempre sob contrato quer da Fiorentina, quer do Milan). Por todas estas razões e, consequentemente, pela impreparação que revelou para o cargo (levou outro banho na questão das pessoas para a SAD, que defendeu que tinham todas de perceber de futebol, quando é óbvio que também é preciso gestores), também não irei votar nele.
 
7) Resta o voto em branco, que é o que irei fazer. Devo dizer que fiquei bastante desiludido com a não-candidatura do Noronha Lopes, em quem votei na eleição anterior. Aí, sim, teríamos uma competição a sério, porque é muitíssimo melhor candidato que o Benitez. Aparentemente, as circunstâncias na sua vida mudaram em relação há um ano, mas então ele deveria ter dito logo em Julho, na entrevista à TVI, que não se recandidataria. No entanto, deixou isso em aberto, dando esperança a pessoas como eu. Até pode ser que não ir a jogo agora seja a atitude mais racional, mas, entre a racionalidade e o benfiquismo, eu tombo sempre para o benfiquismo. Por outro lado, nessa entrevista em Julho defendeu que as eleições deveriam ser marcadas o mais rapidamente possível e depois, quando foram marcadas, disse que eram cedo demais. Incongruências que não se percebem. A bomba atómica caiu em Julho, soube-se logo que haveria eleições, estamos agora em Outubro, passaram-se três meses e eu esperaria outro tipo de organização por parte da oposição. Infelizmente, não houve.
 
8) A mensagem final mais importante é a do costume nestes casos: vão votar! Na lista A, na lista B ou em branco, é muito importante que façamos ouvir a nossa voz. E, não, o voto em branco não é um voto desperdiçado. Imaginem só que haveria 20% de votos em branco. Acham que isso não iria dar um sinal claro ao vencedor das eleições? Pois...! Não se abstenham! VOTEM! VIVA O BENFICA!

segunda-feira, outubro 04, 2021

Inesperado

À 8ª jornada, perdemos os primeiros pontos no campeonato, foram logo os três e em casa frente ao Portimonense (0-1). Depois do brilharete europeu frente ao Barcelona, muito pouca gente estaria à espera disto. Não se pode dizer propriamente que tenhamos jogado mal, aliás, o público (e bem) saudou a equipa no final com uma tremenda ovação, mas não podemos entrar tão apáticos e, principalmente, não podemos falhar tantos golos.
 
É mais fácil fazer o totobola à 2ª feira, mas o Jesus não esteve bem ao repetir a equipa que alinhou frente ao Barcelona. Que já tinha sido a mesma que tinha ido a Guimarães. Ou seja, deveria ter feito o mesmo que no meio das pré-eliminatórias de acesso à Champions: rodá-la. Entrámos muito apáticos e em 35’ só tivemos uma oportunidade (e bem grande, por sinal), num centro do Grimaldo na esquerda e o Yaremchuk quase na pequena-área a rematar para a primeira das grandes defesas do Samuel Portugal, que foi indiscutivelmente o melhor em campo. Nos últimos 10’ da 1ª parte, por três(!) vezes o guarda-redes do Portimonense impediu o nosso golo, com defesa a um livre do Grimaldo, ao Rafa que lhe apareceu isolado na frente e a um cabeceamento também do Grimaldo. Foi das melhores exibições de um guardião na Luz nos últimos tempos. Pelo meio, o Darwin falhou um desvio de cabeça a centro do Rafa. Do outro lado, um remate de fora da área do Aylton Boa Morte proporcionou ao Vlachodimos uma boa intervenção.
 
Ao intervalo, o Jesus colocou o Gil Dias em vez do Gilberto e a 2ª parte começou praticamente com um golo nosso, pelo Yaremchuk, mas infelizmente o VAR assinalou fora-de-jogo. Este lance acabou por nos desconcentrar, o Portimonense não nos dava espaço e as coisas pioraram muito aos 66’ com o 0-1 pelo Lucas Possignolo, de cabeça na sequência de um canto. Carregávamos, ganhávamos cantos em barda, mas o Jesus resolveu tirar o Grimaldo e Weigl para colocar o André Almeida e Taarabt. Confirma-se o prejuízo que o Conselho de Disciplina nos fez ao não suspender o Taarabt uma época inteira pela expulsão na final da Taça. O marroquino esteve inenarrável como sempre e obviamente piorámos muito o nosso futebol com ele em campo. Um remate seu à entrada da área, sozinho, que passou muito ao lado foi um bom exemplo do erro que foi a sua entrada em campo. Ou, melhor dizendo, a sua presença no plantel. É que, ao menos, o Weigl faz a equipa jogar e não emperra tudo. Enfim... Até final, dois dos centrais tiveram boas chances, com uma cabeçada do Lucas Veríssimo ao lado, com o guarda-redes batido, e o Otamendi com a baliza aberta a permitir um corte sobre a linha de um defesa. O Darwin também falhou o seu segundo desvio de cabeça a um centro, ainda entraram o Gonçalo Ramos e o Everton, e, mesmo sob a hora, o Otamendi atirou ao poste num remate à entrada da área. Como disse o Jesus no final, poderíamos estar até ao dia seguinte em campo que a bola provavelmente não entraria.
 
Em termos individuais, não houve ninguém que se destacasse por aí além. As acelerações do Rafa causam sempre perigo, mas ele esteve mal na finalização, e o Gil Dias também agitou o nosso jogo, sendo dos poucos que conduziu a bola em velocidade. O meio-campo, João Mário e Weigl, esteve mais discreto, eventualmente a pagar a factura de 4ª feira e o Darwin passou ao lado do jogo, aliás, não percebo porque é que não foi ele a sair em vez do Yaremchuk para entrar o Everton.
 
Teria sido eventualmente mais proveitoso entrar em campo com três ou quatro não-titulares e depois colocar os titulares se as coisas não estivessem a correr bem. Por essa Europa fora, houve algumas surpresas nesta jornada pós-Champions (Bayern e PSG perderam), o que espero que nos sirva de lição para o futuro. Temos agora só um ponto de vantagem perante os rivais (ganharam ambos 2-1, o CRAC em casa frente ao Paços de Ferreira e a lagartada em Arouca), mas continuamos na frente do campeonato. Haverá a pausa para as selecções e quando regressarmos iremos à Trofa para a Taça de Portugal.

quinta-feira, setembro 30, 2021

Épico

Derrotámos o Barcelona na Luz por 3-0 e estamos no 2º lugar do nosso grupo da Champions com quatro pontos. Foi o regresso de uma noite europeia que vai ficar na memória de todos nós, na senda desta e desta, porque se é certo que não deu nenhum título, também é verdade que não é todos os dias que se derrota um colosso europeu. Nem todos os dias, nem todos os anos e nem todas as décadas neste caso particular, porque só o tínhamos vencido uma vez na memorável final de Berna da Taça dos Campeões de 1961. Portanto, há 60 anos que não vencíamos o Barça, que também não perdia em Portugal há 34 anos, desde o golo do Mapuata do Belenenses em 1987...!
 
O Jesus apostou na mesma equipa de Guimarães e a ousadia pagou aos 3’ com o golo inaugural através do Darwin, que flectiu da esquerda para o meio, trocou as voltas ao Eric Garcia e rematou rasteiro para o poste mais próximo do Ter Stegen. A Luz explodiu! Pouco depois, um remate do Yaremchuk saiu à figura quando tinha tudo para ser mais bem colocado. O Barça reagiu, sempre comandando pelo fabuloso Pedri, e criou algumas situações de perigo, sem, no entanto, acertar na baliza. Os nossos três centrais estiveram muito bem, com destaque para um corte impossível do Lucas Veríssimo num lance que acabou por ser fora-de-jogo. Em termos atacantes, não conseguimos produzir muito mais neste período, mas deveríamos ter ido para o intervalo com mais um jogador, porque o Piqué foi vergonhosamente poupado ao segundo amarelo pelo italiano Sr. Daniele Orsato. Tanto assim deveria ter sido, que o Koeman o substituiu logo a seguir. Em cima dos 45’, o Lazaro lesionou-se e entrou o Gilberto para o seu lugar.
 
A 2ª parte foi bastante diferente, porque não só defendemos melhor, não dando tanto espaço ao Barça para manobrar no nosso meio-campo, como estivemos sempre de olho na baliza contrária. Pouco depois do reinício, numa saída extemporânea do Ter Stegen, o Darwin contornou-o, mas o remate ainda de longe e de ângulo complicado foi ao poste. O Barcelona também atirou ao poste num livre para a nossa área, mas o jogador que fez a assistência estava fora-de-jogo. Estávamos mais próximos de marcar e a nossa superioridade ficou ainda mais vincada com a saída do Pedri, que provavelmente não aguentaria os 90’, dado que acabou de vir de lesão. Aos 69’, houve resultados práticos dessa superioridade, com o 2-0 numa recarga de trivela do Rafa, depois de uma boa combinação entre o Yaremchuk e o João Mário, com este a ficar cara-a-cara com o Ter Stegen, mas a permitir a sua defesa, com a bola a ressaltar para o nº 27 não falhar. O Jesus fez entrar o Taarabt e o André Almeida para os lugares do Yaremchuk e do amarelado Grimaldo, e aos 77’ tudo ficou decidido com o Darwin a fazer o 3-0 de penalty a castigar uma mão na área depois de uma cabeçada do Gilberto. O Sr. Daniele Orsato, que, diga-se de passagem, teve uma arbitragem muito tendenciosa, foi ao VAR e não teve outra solução que não assinalar a evidente mão. Até final, nada de mais relevante se passou, com o jogo a terminar com o estádio em euforia. Bem justificada, diga-se.
 
Em termos individuais, óbvio destaque para o Darwin, com um bis e uma 2ª parte de óptimo nível, para o Rafa, que é um acelerador que destrói qualquer defesa, e para a dupla de meio-campo, Weigl e João Mário, na qual reside muita da explicação para a nossa enorme melhoria em relação à temporada passada. O facto de não perderem bolas e ela sair sempre redondinha dos pés de ambos contribui indelevelmente para isso. A defesa também esteve imperial, em especial na 2ª parte, com o Lucas Veríssimo a fazer a melhor exibição desde que chegou ao Benfica. O Vlachodimos acabou por não ter grande trabalho, mas sinceramente não gostei das suas não-saídas a muitos cruzamentos. O Yaremchuk não esteve em tão grande destaque como o seu colega avançado, mas não engana: é óptimo jogador. O Gilberto entrou muitíssimo bem e até ficámos a ganhar com a sua entrada em relação ao Lazaro.
 
Foi uma jornada memorável, mas agora há que descer à realidade para defrontar o Portimonense no próximo domingo, antes de nova paragem para as selecções. Quanto à Champions, o que parecia impossível no papel (a qualificação para os oitavos) torna-se agora um objectivo passível de ser atingido.