origem
Mostrar mensagens com a etiqueta Campeonato 2006/07. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Campeonato 2006/07. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, maio 21, 2007

Expectável

Vencemos a Académica por 2-0, mas aconteceu o previsível (vitórias dos outros dois) pelo que acabámos a época no 3º lugar e sem nenhum título conquistado. Se uma boa performance em termos estatísticos (muitos jogos sem perder, sofrer poucos golos, marcar bastantes, ser a única equipa a não perder em casa) é compensatório para alguns, para mim claramente não é. Há que perceber o que correu mal e faço votos sinceros para que o Fernando Santos continue por muitos e bons anos... mas como adepto na bancada ao pé de nós!

Começámos bem o jogo e o Derlei (hoje ganhou o direito a ser chamado pelo nome) lá se estreou finalmente a marcar pelo Benfica, aos 11’. Só espero é que este golo não apague o que ele (não) fez ao longo destes meses todos e que volte para o sítio de onde veio. A partida foi toda jogada num ritmo bastante baixo, o que vem sendo norma nos nossos últimos encontros. Pouco depois do nosso golo, a Académica teve uma boa oportunidade, mas o Quim fez a primeira das três magníficas defesas que efectuou. Da nossa parte o Karagounis era claramente o melhor e o único corpo estranho era o Paulo Jorge (que jogou em vez do castigado Petit). Como os lagartos marcaram dois golos bastante cedo, o nosso objectivo de chegar ao 2º lugar caiu muito rapidamente e a qualidade do nosso futebol reflectiu esse estado de espírito. O Miccoli e o Karagounis ainda fizeram dois remates bastante perigosos, mas o Pedro Roma defendeu bem. O jogo estava aberto, mas nós éramos claramente a melhor equipa.

Na 2ª parte surgiu o Manú em vez do Paulo Jorge, mas não melhorámos tanto quanto seria desejável. Um cruzamento do Karagounis provocou uma hesitação na defesa contrária, mas o Miccoli não soube aproveitar e rematou à malha lateral. Pouco depois, o Derlei voltou aos (maus) velhos tempos e falhou um golo fácil, quando estava praticamente isolado. Demorou muito tempo a rematar e permitiu que um defesa cortasse a bola. O Miccoli ainda tentou mais duas vezes, mas em ambas o guarda-redes defendeu os seus remates. Poderia ter marcado ainda noutro lance, mas o fiscal-de-linha assinalou um bárbaro e inexistente fora-de-jogo. A cerca de 20 minutos do fim, o Quim voltou a brilhar com uma defesa sublime a um remate de longe do Dame. Aos 74’ deu-se o momento alto da partida com a substituição do Miccoli (pareceu-me que estava tocado) pelo Mantorras. Recebeu a muito justa standing ovation naquele que foi provavelmente o último jogo dele com a camisola do Benfica no Estádio da Luz. Quando em forma ele é um dos melhores (senão mesmo o melhor) pontas-de-lança a alinhar em Portugal, mas infelizmente tem um historial de lesões muito grande. Mesmo assim, não me importava nada que ele pudesse ficar no Benfica. A oito minutos do fim, o Katsouranis inventou um golo para o Mantorras, que isolado frente ao guarda-redes não falhou. Foi um excelente lance do grego a passar a bola por cima de um defesa e a fazer um passe de morte para o angolano. No último minuto ainda deu para ver a terceira defesa do Quim, novamente a um remate do Dame. O encontro terminou pouco depois e mesmo sem termos feito uma grande exibição conseguimos uma vitória indiscutível.

Individualmente destaco o Karagounis e o Quim. O grego foi o jogador mais decisivo em termos de organização do ataque e foi pena não ter marcado nenhum golo. Espero sinceramente que as notícias da sua saída (por inadaptação da família a Portugal) não se confirmem. O Quim foi a razão pela qual não sofremos nenhum golo hoje. O Katsouranis esteve igualmente em plano de evidência, não só a fazer de Petit, como também a lançar o ataque. Quanto ao resto da equipa esteve razoável, mas tive pena que o Rui Costa não tenha conseguido estrear-se a marcar no campeonato.

Para o ano há mais, espero com alguns novos protagonistas (especialmente sentados no banco), mas a boa notícia é que parece que vamos ter maestro por mais uma temporada. O futebol agradece e se assim for não compreendo como é que há pessoas a colocar em causa a manutenção do seu cativo, caso o treinador se mantenha. Com ou sem Fernando Santos, essas pessoas jamais poderão dizer aos netos “eu vi ao vivo todos as partidas do Rui Costa no seu último ano de jogador”. E daqui a uns tempos vão arrepender-se de ter tomado essa decisão, mas aí já será tarde demais. Há malucos para tudo...

P.S. – Como vivemos numa nação onde a justiça não funciona, temos hoje uma equipa a festejar o campeonato da I Liga, quando deveria estar a celebrar a subida de divisão, como se passa com outro clube em Itália. É triste, mas é o país que temos. E os dirigentes responsáveis andam todos a assobiar para o lado e lembram-se de inventar novas competições. Tenham mas é juízo!

terça-feira, maio 15, 2007

Miccoli e mais 10

Um fim-de-semana prolongado impediu-me de postar mais cedo sobre a nossa vitória no Bonfim por 1-0 com outro golo do Miccoli. Foi mais um jogo de final de época em que a nossa exibição deixou (novamente) muito a desejar. Mas como o V. Setúbal é das equipas mais fracas do campeonato acabámos por vencer sem contestação.

O ritmo da partida foi bastante lento, todavia desde início que se percebeu que nós éramos os únicos interessados em lutar pela vitória. Na 1ª parte criámos duas boas oportunidades, mas o camisola 27 continua na sua senda de falhanços inacreditáveis e FELIZMENTE só teremos que o aturar por mais um jogo. Não jogávamos bem, eram bastantes os passes que saíam sem direcção e nem o maestro se salvou do marasmo. O Petit era o único que dava nas vistas, porque para ele é sempre a doer.

Na 2ª parte entrámos mais rápidos, mas foi “sol de pouca dura”. O V. Setúbal bem tentava, mas não dava para mais. Aos 60’ voltámos a jogar com 11 quando o Mantorras entrou para o lugar do camisola 27. Não fez nada de muito extraordinário, mas mesmo assim notou-se a diferença, já que foi dele o passe que isolou o Miccoli sobre a direita para criar a nossa melhor situação até aquela altura. Infelizmente o remate saiu ao lado. Pouco depois na sequência de uma jogada pela esquerda há um centro atrasado, mas o Miccoli sem deixar a bola cair no chão acerta-lhe mal. O italiano era o único a criar perigo, mas parecia que estava com a pontaria desafinada. Até que aos 79’ marcámos FINALMENTE um golo de contra-ataque. Depois de um canto deles, o Mantorras ganha o lance de cabeça, a bola vai para o Karagounis que desmarca o Miccoli sobre a esquerda, este corre isolado, finta o defesa que entretanto lhe apareceu e remata rasteiro, com a bola ainda a ressaltar noutro defesa e a enganar o guarda-redes. Percebeu-se que tínhamos ali o ganho o jogo, porque o V. Setúbal era incapaz de nos apoquentar na defesa.

Individualmente claro que o destaque vai para o Miccoli, se bem que também tenha gostado muito do Petit. O resto da equipa parece que precisa de férias (especialmente o Katsouranis), porque se é verdade que não comprometeram, o que é certo é que faltou o rasgo que se exige aos nossos jogadores. Vamos para a última jornada e matematicamente ainda podemos ser campeões, o que já não acontecia há muitos anos. Mas como é mais provável o presidente do clube regional ser um homem honesto do que o Aves ganhar na casa deles e os lagartos não derrotarem o Belenenses, vamos ter na próxima semana o final de uma época decepcionante. É preciso algo que nos levante o moral e não é quem está actualmente no banco que o pode fazer. Espero que o presidente perceba isso.

domingo, maio 06, 2007

Penoso

Pela 1ª vez ganhámos (2-1) à Naval 1º de Maio e o Sr. Fernando Santos pode ficar orgulhoso por esse facto. Já entrou na história do Benfica. É pena é só entrar na história por isto. Poderia continuar a fazer parte dessa mesma história como qualquer um de nós, sendo adepto na bancada, mas infelizmente parece que quer continuar a fazer parte do lado negativo do nosso clube (ausência de títulos) por mais um ano.

O jogo hoje foi mau demais e quase nem dá vontade de escrever sobre ele. Alinhámos muito desfalcados (sem Luisão, Simão e Nuno Gomes) e jogámos em duas velocidades: devagar e parados. Até nem começámos mal, já que logo aos 11’ o Miccoli fez uma excelente jogada na esquerda e assistiu o Petit para o 1º golo. No entanto, pouco depois fechámos a loja, convencidos que o jogo estava ganho até porque a Naval não criava perigo nenhum. Jogámos com bastante displicência e em inferioridade numérica durante 72’, altura em que o camisola 27 foi FINALMENTE substituído. Lá tentávamos um ou outro remate, mas tudo sempre muito em esforço num típico jogo de final de época.

Na 2ª parte a Naval acordou e começou a criar mais situações perto da nossa baliza. O Anderson estava castigado, pelo que o outro central era o Katsouranis, mas não ficámos a perder antes pelo contrário. Em contra-ataque ainda criámos perigo, mas infelizmente o camisola 27 estava em campo e, depois de uma boa jogada de insistência do Karagounis, conseguiu (é mesmo o termo) falhar um golo de baliza aberta, quando já tinha feito o mesmo de cabeça na 1ª parte. Depois venham falar do Nuno Gomes... Os remates de longe também saíam sem direcção (não é Rui Costa e Karagounis?), pelo que parecia que desde o minuto 11’ estávamos mais à espera do final da partida do que propriamente interessados em aumentar o resultado. E o inevitável aconteceu. Aos 77’ o João Coimbra (que entretanto tinha entrado para o lugar do 27) não acompanhou o Lito que, depois de uma boa tabelinha com o avançado, ficou isolado frente ao Quim e empatou a partida. Começaram a aparecer os primeiros lenços brancos nas bancadas e pouco depois este mesmo jogador teve um perigoso remate de longe que o Quim defendeu para canto. Também já entrado o milagreiro Mantorras, mas desta feita foi o Miccoli a resolver-nos o jogo e a poupar uma enorme assobiadela ao Sr. Fernando Santos, com um remate cruzado aos 88’ que nos deu a vitória (até que enfim que ganhámos um jogo para o campeonato nos últimos cinco minutos). Pouco depois, com os nossos jogadores a controlar a bola e a perder tempo(!), a partida acabou.

Individualmente destacou-se o Miccoli, ao estar presente nos dois golos, e poucos mais. O Petit manteve a bitola de quem não sabe jogar mal e o Karagounis teve o habitual aumento de produção na 2ª parte. O Rui Costa não esteve tão feliz nas suas intervenções, mas a ele perdoa-se tudo. Na defesa não gostei muito do David Luiz, se bem que não tenha comprometido. Quanto ao camisola 27 tenho que confessar que foi a muito custo que não o assobiei. O que vale é que só vamos ter que o aturar durante mais dois jogos. Já devíamos saber que temos que ter muito cuidado com a contratação de jogadores que se poluam ao jogar naquele clube hediondo. Raramente dá bom resultado e quem não gostava do Kikin Fonseca deve estar muito satisfeito com esta troca.

O Sr. Fernando Santos continua a parecer aquele Ministro da Informação do Iraque na altura da invasão dos EUA. Para ele está sempre tudo sob controlo, “sabemos o que estamos a fazer” e “temos que conversar para as coisas correrem melhor”. O desânimo é evidente, ele não consegue motivar os jogadores e a leitura que faz dos jogos é sempre correcta, só é pena que pareça que ele não tem nada a ver com o assunto. Resta-nos esperar pela chegada da época 2008/09, porque infelizmente já se percebeu que vamos ter que levar com ele por mais 365 dias, apesar de ter falhado TODOS os objectivos deste ano. Espero ao menos que o Rui Costa jogue mais uma época para termos algum foco de interesse ao ver os nossos jogos. A manutenção deste senhor no comando técnico do Benfica é um ERRO CRASSO não só do ponto de vista desportivo, mas também económico. No entanto, esta análise ficará para outra altura depois de o campeonato acabar.

segunda-feira, abril 30, 2007

Um

Com o empate de hoje frente aos lagartos (1-1) não só não aproveitámos a derrota do clube regional no Bessa para ficar a dois pontos do 1º lugar, como deixámos de estar dependentes de nós para atingir o 2º. Estamos a um muito pequeno passo de ter uma época decepcionante, mas o Sr. Fernando Santos diz que está a fazer um “trabalho de continuidade”. Nem quero pensar se vamos “continuar” assim...

Tivemos um contratempo de última hora, com o Simão a não recuperar totalmente e a ficar de fora (ATÉ QUE ENFIM que não jogamos com elementos a meio-gás que depois se lesionam durante meses, já não era sem tempo!), pelo que a equipa foi a mesma que alinhou frente ao Marítimo. E não poderíamos ter começado pior o jogo, com o Liedson a marcar de cabeça logo aos 2’. Cheguei a temer a reedição do que se passou no WC, mas desta vez ao contrário, até porque os lagartos se apresentavam com mais força do que nós, ganhando a maioria das bolas divididas. Aos 7’ o Sr. Pedro Henriques teve uma falha grave na sua actuação: o Miccoli ficaria isolado se o Caneira não o tem puxado, pelo que deveria ter exibido o vermelho em vez do amarelo. Os lagartos apresentavam-se mais rápidos e criaram mais dois lances de perigo até ao primeiro quarto-de-hora, mas a partir daqui nós equilibrámos o jogo. O Petit já tinha feito um remate para defesa do Ricardo, mas foi na sequência da nossa primeira grande oportunidade que empatámos: o Katsouranis remata contra o corpo do Ricardo, a bola é mal aliviada e sobra para o Miccoli, que remata de raiva e faz o 1-1. Até final da 1ª parte e apesar de ser um jogo disputado com alguma velocidade, não houve mais oportunidades de golo.

Na 2ª parte os lagartos voltaram a entrar melhor, mas a maior situação de golo foi nossa, com um bom cabeceamento do Miccoli aos 55’, na sequência do único(!) centro que o Nélson acertou, para a defesa da noite do Ricardo. Durante grande parte deste período fomos nós a controlar a partida, mas as oportunidades escasseavam, sentindo-se imenso a falta do Simão. O Miccoli era o único a rematar à baliza, mas nem sempre com direcção. A cerca de 20’ entrou o Manú (FINALMENTE não foi o Derlei o primeiro a entrar!) para o lugar do Nuno Gomes (que continua com os níveis de confiança perto do zero) e aí pensei que poderíamos criar mais perigo através da sua velocidade, mas os lagartos mostraram porque são a melhor defesa do campeonato. Aos 80’ tentámos o milagre com o Mantorras, saindo o Petit (que estava com problemas físicos), mas desta vez não resultou. Pelo que aconteceu em campo, acho que o resultado foi justo.

O melhor do Benfica foi de longe o Petit. Mesmo não tendo jogado os 90’, fez uma exibição fenomenal, especialmente a cortar jogo aos lagartos. Foi bastante merecida a standing ovation que teve quando saiu. O Miccoli também esteve em bom nível, não só pelo golo que marcou, mas porque foi praticamente o único a criar perigo. Os dois gregos não estiveram mal, com o Karagounis a demonstrar mais uma vez que será uma grande perda para nós se sair para o ano. O Rui Costa não esteve tão bem como no jogo passado (falhou pelo menos dois passes que dariam contra-ataques perigosos), mas é daqueles que nunca está a mais no campo. A defesa esteve regular, apesar de alguns sustos iniciais, estando o Anderson melhor que o David Luiz (alguma vez teria de ser a primeira!), que fez alguns cortes comprometedores. Os laterais não estão em grande forma, com o Nélson a necessitar URGENTEMENTE de praticar centros. O Nuno Gomes precisa de fazer uma reciclagem, porque deve estar na pior forma da sua carreira. Jogou 70’ sem fazer nenhum remate à baliza e teve oportunidade para isso, mas preferiu sempre passar para um colega. O Manú não entrou mal, mas é inadmissível ter falhado o controlo com o peito no último minuto num lance que poderia ter dado perigo para a baliza dos lagartos.

É certo que jogámos sem dois jogadores essenciais (Luisão e Simão), mas dos oito jogos importantes e decisivos que tivemos esta época - Manchester, clube regional, lagartos e Espanyol (já nem considero as partidas frente ao Braga e em Paris) -, ganhámos UM! O que vale é que o Sr. Fernando Santos já veio dizer que desde que fomos campeões com o Toni não tínhamos tantos pontos no campeonato. Falhámos TODOS os objectivos da época (com excepção da qualificação para a Champions onde éramos cabeças-de-série), mas como temos a maior pontuação da última década, já não somos derrotados há 17 jogos e não temos perdido tantos pontos como antigamente com as equipas mais fracas do campeonato, o Sr. Fernando Santos acha que tem condições para continuar. Passe a comparação, isto faz-me lembrar um desfile de moda onde a modelo se espalhe ao comprido na passerelle, mas acha que esteve muito bem porque o vestido era bonito. Sem comentários...


P.S. – Curiosamente tanto o Manchester Utd como o Chelsea, apesar de estarem separados por três pontos e a quatro jogos do fim, fizeram descansar alguns titulares nos jogos do campeonato deste fim-de-semana. Correu melhor para o Manchester que, com o empate do Chelsea, provavelmente irá ser campeão, mas ambos os treinadores acharam que com dois jogos europeus numa semana, há que dar descanso a alguns dos jogadores mais utilizados. Tal e qual como nós fizemos...

domingo, abril 22, 2007

Regresso às vitórias

Depois de quatro empates e uma derrota voltámos finalmente a ganhar um jogo. A nossa vitória por 3-0 na Madeira frente ao Marítimo é absolutamente incontestável e não acho que tenha sido exagerada, já que criámos inúmeras oportunidades especialmente na 1ª parte.

Para piorar ainda mais a fase que estávamos a atravessar, o Simão lesionou-se e não pôde jogar esta partida, o que me fez ficar ainda mais pessimista. Felizmente o Miccoli recuperou, pelo que acabou por ser uma troca directa em relação ao jogo contra o Braga. Voltámos a começar bem um jogo e logo aos 2’ atirámos uma bola ao poste, precisamente pelo italiano. Dominávamos completamente e aos 17’ o Nuno Gomes tornou a mostrar a sua pouca confiança, ao atirar para as nuvens quando estava sozinho perto da marca de penalty, depois de um centro rasteiro do Miccoli. O Marítimo reagiu a partir de metade da 1ª parte, mas sem criar grandes ocasiões de perigo. Fez uns dois ou três remates que o Quim não teve dificuldade em suster e a melhor oportunidade que teve foi num canto em que ninguém conseguiu desviar a bola que passou pela pequena-área. Nos últimos 10’ voltámos a pressionar e tivemos mais três ocasiões, mas o Rui Costa (por duas vezes, uma das quais ao poste) e o Nuno Gomes não conseguiram marcar depois de três jogadas muito bem conseguidas por parte do nosso ataque. Íamos para o intervalo a zeros, mas era uma grande injustiça.

Na 2ª parte, a única coisa que se alterou foi a nossa eficácia. O Nuno Gomes teve mais duas possibilidades, mas quer de cabeça, quer num remate com o pé esquerdo permitiu a defesa ao Marcos. Todavia aos 55’ fez-se finalmente justiça. Depois de uma recuperação do Karagounis perto da grande-área adversária, a bola sobra para o Rui Costa que a solta para o Katsouranis, o qual espera a movimentação do Miccoli no lado direito da área e desmarca o italiano, que remata para o poste mais perto, não dando hipóteses ao guarda-redes. 235 minutos e cinco(!) bolas no poste depois, voltávamos a marcar um golo. O Marítimo mostrou-se incapaz de responder, apesar de nós lhe termos dado o domínio territorial, adoptando agora o contra-ataque. No entanto, este “contra-ataque” tem que ser colocado entre aspas, já que raramente partíamos em velocidade para o meio-campo contrário. Mesmo assim tivemos mais duas bolas oportunidades antes do 2º golo, em remates do Petit e do Miccoli que passaram muito perto da baliza. Já estava a ser um dos melhores em campo, mas aos 79’ o maestro mostrou como se dá música e, depois de um ressalto, fez um passe magistral de primeira que isolou o Miccoli, que atirou para um lado e o guarda-redes foi para outro. Finalmente podíamos descansar e colocar-nos a salvo de qualquer lance fortuito (não se estava a ver o Marítimo capaz de criar perigo, mas pode sempre haver um canto ou um livre caído do céu) que empatasse a partida. Aos 93’(!) o Marítimo tem a única oportunidade real de golo, mas o chapéu do Douglas não foi suficientemente direccionado e com força, e o Nélson acabou por cortar. Entretanto, já no período de compensação tinha entrado o Manú para permitir os aplausos merecidos ao Miccoli, mas mesmo assim ainda fez questão de ter influência no resultado ao desmarcar-se muito bem aos 95’ e sofrer uma hipotética falta para penalty. O Katsouranis (pensei que depois do jogo que fez, talvez devesse ter sido o Rui Costa a marcar) rematou, a bola ainda é tocada pelo guarda-redes, mas acabou por entrar e assim estava feito o terceiro golo, tendo o jogo terminado pouco depois.

Espero que o Rui Costa não faça um crime lesa-futebol e continue a jogar por (pelo menos) mais uma época. Foi juntamente com o Miccoli o melhor em campo e a peça-chave no bom jogo que fizemos. A equipa esteve bem na globalidade, sendo igualmente de destacar o Karagounis, que continua em muito boa forma, e o Petit. Estes dois e o Léo tiveram cuidados redobrados e conseguiram terminar o jogo sem ver nenhum amarelo, o que permite que joguem frente aos lagartos. O Nélson está a atravessar uma fase de muito pouca confiança e portanto deixou de ter tanta influência no nosso jogo atacante quanto tinha. Também a passar uma péssima fase está o Nuno Gomes, se bem que neste jogo se tenha fartado de rematar à baliza, o que já é algo de salientar. Mas também quando é substituído pelo poluidor da camisola 27, passamos logo a jogar com 10, pelo que é melhor que continue em campo.

Os anti-benfiquistas vão delirar com este jogo, mas em relação aos lances polémicos há que dizer o seguinte: 1) o braço do Petit na 1ª parte NÃO É penalty, já que ele está completamente para trás e o Petit não faz movimento nenhum com o braço na direcção da bola. A única hipótese para a bola não lhe ter tocado era ele não ter braço. 2) Há de facto um puxão de David Luiz sobre o avançado que se ia isolar, embora o lance tenha ocorrido fora-da-área. Quando o jogador caiu, o David Luiz já o tinha largado, mas o Sr. Paulo Baptista deveria ter assinalado falta e dado vermelho ao nosso jogador. No entanto, nesta altura já estávamos a ganhar por 1-0. 3) O lance do penalty sobre o Manú é muito rápido, mas na repetição percebe-se que o defesa toca primeiro na bola e depois o contacto é inevitável. Não foi penalty, mas o jogo já estava mais que resolvido nesta altura.

O Marítimo tem uma equipa muito fraca, mas acho que estivemos bem neste jogo. Quero ver o que vai acontecer para a semana frente aos lagartos, mas continuo a dizer o mesmo: se acabarmos a época sem títulos, o treinador não tem condições para continuar.


P.S. - Muito mais importante do que termos ganho esta partida, é o Eusébio ganhar o “jogo” que está a disputar no hospital neste momento. Desejo-lhe as mais sinceras melhoras.

terça-feira, abril 17, 2007

Adeus, Sr. Fernando Santos

Com o (previsível) empate de hoje 0-0 frente ao Braga dissemos definitivamente adeus ao título e colocámo-nos numa posição muito complicada para chegar ao acesso directo à Liga dos Campeões, já que fomos ultrapassados pelos lagartos. Vamos chegar ao fim da época sem nenhum título conquistado, o que considerando o plantel que temos e a estabilidade que atravessamos é algo que não podemos aceitar. Ter o título de “futebol mais bonito da década” em meia-dúzia de jornadas é parco consolo e eis a razão pela qual eu espero que o Sr. Fernando Santos coloque o seu benfiquismo acima de tudo e peça a demissão no final da época, já que não tem condições para continuar para o ano. Não será o único culpado do fracasso desta época, mas é o principal. E é especialmente culpado na péssima planificação da temporada, que nos fez chegar ao mês de todas as decisões em evidente quebra física (e consequentemente de resultados), ao contrário dos nossos rivais.

Neste jogo, e perante mais uma lesão do Miccoli, o Simão foi avançado e o Katsouranis voltou aos titulares. A 1ª parte foi muito mexida, tendo o Braga entrado melhor do que nós. Mas equilibrámos a partida sensivelmente a meio do 1º tempo e criámos algumas situações que nos deveriam ter dado golo, nomeadamente dois remates do Simão (um ao lado e outro que o Paulo Santos defendeu) e outro do Karagounis para nova defesa do guarda-redes, esta bem mais difícil. O ritmo do jogo não era nada elevado, o que nos convinha, mas o que é certo é que chegámos ao fim da 1ª parte a zeros.

Como era preciso alterar algo, o nosso treinador resolveu colocar o Mantorras, tirando o Léo (que já tinha visto um amarelo e esteve em dúvida durante toda a semana). Estranhei a substituição, especialmente por quem saiu, mas o David Luiz deu muito bem conta do recado como defesa-esquerdo, tenho o Katsouranis recuado para central. Nesta altura o Nuno Gomes tinha recuado para nº 10 e o Simão ficou com o angolano na frente. Só que aos 67’, o Sr. Fernando Santos teve a brilhante ideia de colocar em campo esse poluidor da camisola nº 27 do Benfica e retira o Nuno Gomes de campo. Os anti-Nuno Gomes teve ter rejubilado com a sua saída (ele que até estava a ser dos menos maus neste jogo), mas viu-se bem a diferença entre o seu rendimento e o do nº 27. O Braga deixou de existir nesta 2ª parte e até final do jogo ainda criámos umas quantas oportunidades, especialmente pelo Mantoras (indesculpável aquele falhanço depois da brilhante jogada do Simão na esquerda) e pelo Karagounis que fintou quatro (!) adversários e rematou com estrondo ao poste, já no último minuto. Pouco antes, aos 85’(!), o Sr. Fernando Santos resolveu colocar em campo um dos tais que só estão no plantel para fazer número, o Manú, em vez do Nélson. No penúltimo minuto dos cinco de compensação (é inacreditável como é que num jogo em que houve seis substituições e inúmeras entradas do carro-maca, o Sr. João Ferreira só dá este tempo de desconto, mas enfim...) conseguimos que a bola entrasse na baliza, mas infelizmente o Anderson estava fora-de-jogo depois de um livre bem marcado pelo Rui Costa.

Mais uma vez não é fácil destacar ninguém, já que estivemos longe de fazer uma boa exibição, mas acho que entre os melhores estiveram o David Luiz, o Karagounis e o Petit. O brasileiro adaptou-se bem a lateral-esquerdo na 2ª parte e não há dúvidas que tem classe, o grego foi um dos que mais empurrou a equipa para a frente, já para não falar da tal jogada da bola ao poste e o nº 6 voltou a ser importante na recuperação de bolas a meio-campo. O Simão está nitidamente a rebentar, mas foi mais uma vez um dos jogadores que mais perigo criaram, tendo no entanto feito mal dois centros na 1ª parte, numa altura em que estava completamente livre na direita. O Rui Costa apresentou-se com um rendimento médio (houve ocasiões que poderia ter largado a bola mais cedo), mas continuo a dizer que nos devemos sentir privilegiados por ainda o ver jogar ao vivo com a nossa camisola. O Nuno Gomes ganhou algumas bolas de cabeça na 1ª parte e acho que deveria ter estado mais tempo em campo, até porque quando saiu ficámos a jogar com 10. A defesa esteve periclitante na 1ª parte, com o Nélson a atravessar uma evidente crise de confiança, mas o Anderson desta vez melhorzinho que nos jogos anteriores. O Quim teve uma má saída na 2ª parte, mas mostrou-se seguro nos remates de longe.

Vão ser cinco penosos jogos até final da época. E ainda por cima, provavelmente vamos ter que levar com os dois rivais a festejar títulos. Irão ser semanas muito difíceis, mas desejo sinceramente que no fim o Sr. Fernando Santos mostre o benfiquista que diz ser. Terei o maior prazer em vê-lo sentado numa das bancadas da Luz a festejar os nossos golos.

P.S. – Felizmente nem tudo foi mau neste jogo. Ainda houve tempo para corrigir uma grande injustiça. O João Pinto começou por ser timidamente assobiado cada vez que tocava na bola, assobios esses que aumentaram cada vez que marcava um canto, mas eis senão quando há uma reacção de parte da bancada, nomeadamente dos No Name Boys, que começa a aplaudi-lo, abafando os assobios. Quando foi substituído, os assobios ainda começaram a ouvir-se, mas desta vez foram completamente abafados por aplausos, que ele retribuiu antes de sair. A memória curta é uma das coisas que mais me entristece ver em alguns adeptos do nosso clube. Já no ano passado no jogo frente ao Boavista critiquei os assobios que se ouviram, mas ainda bem que esta época as coisas foram diferentes. Devemos ao João Pinto uma das maiores alegrias que tivemos enquanto benfiquistas, foi ele que nos carregou ao colo durante uma série de anos e só foi despedido graças à maior NÓDOA que passou pelo nosso clube. E enquanto esteve no outro lado da 2ª Circular, NUNCA lhe ouvi nenhuma palavra contra o Benfica, pelo que só temos que lhe agradecer por tudo o que nos deu.

terça-feira, abril 10, 2007

Pensar na Uefa

Como se estava mesmo a ver, não temos plantel suficiente para jogar em duas competições em simultâneo nesta altura da época. O empate em Aveiro (2-2), num estádio completamente cheio e de vermelho, significou o nosso adeus ao título, já que o clube regional está agora a três pontos de distância, que na prática são quatro. Este mau resultado deve-se muito à precária condição física da maioria dos nossos jogadores, que nunca se conseguiram superiorizar neste aspecto ao Beira-Mar, o qual parecia estar a fazer o jogo da vida deles. Isto completado com duas inacreditáveis falhas defensivas foi a razão para este desperdício pontual.

Com o regresso do Katsouranis voltou também o 4-4-2 em losango e, para variar um pouco, começámos bem o jogo. Aliás, não podíamos ter começado melhor, já que marcámos logo aos 45 segundos! O problema foi que o fiscal-de-linha anulou um golo limpíssimo ao Nuno Gomes (que mal estava em linha) e assim o que se poderia ter tornado uma partida calma, começou logo mal. E para piorar as coisas, aos 23’ o Anderson voltou a oferecer um golo ao adversário, ao falhar um corte em carrinho. Pelo terceiro jogo consecutivo partíamos em desvantagem. Para quem queria uma partida fácil e resolvida cedo era o pior que poderia acontecer. A partir daqui, instalámo-nos no meio-campo adversário, mas não jogávamos com muita velocidade. Mesmo assim tivemos algumas oportunidades para marcar, mas nem o Simão nem o Nuno Gomes o conseguiram fazer. Entretanto, o Beira-Mar ia distribuindo pancada a rodos e começava a encher-se de cartões.

Na 2ª parte saiu o Karagounis para entrar o Rui Costa que, ao contrário do que se passou nos outros dois jogos, não foi tão preponderante na melhoria da equipa, até porque não reentrámos bem na partida. O Beira-Mar conseguiu fazer alguns contra-ataques ao contrário da 1ª parte e a nossa falta de pernas começou a ser notória. O jogo ia arrastando-se sem a desejada pressão da nossa parte, mas tivemos alguns remates perigosos, como um do Miccoli que o guarda-redes defendeu, dois do Rui Costa ao lado e outro do Simão que, enquadrado com a baliza e assistido pelo Miccoli, conseguiu fazer um passe ao guarda-redes. Entretanto, já tinha entrado o Derlei para o lugar do Anderson, passando o Katsouranis para central, mas o brasileiro voltou mais uma vez a ser um zero absoluto. O jogo entrava nos últimos 10 minutos e as coisas estavam negras. Até que entrou o milagreiro Mantorras (para o lugar do Nuno Gomes) que, na primeira vez que interveio numa jogada, fez golo! Foi um lance de insistência dele, depois de ganhar um ressalto, em que rematou rasteiro e cruzado, tendo a bola ainda desviado no pé de um defesa e entrado na baliza. Chegávamos ao justo empate, num golo “à Mantorras”. Faltavam sete minutos para o fim e a vitória tornava-se possível. Logo a seguir, o Simão teve uma óptima jogada pela esquerda, entrou na área sozinho, mas, à semelhança do que também aconteceu na 1ª parte, não fez bem o centro, permitindo à defesa do Beira-Mar atirar para canto. Ultrapassámos a dezena de cantos, mas sem o Luisão e com as torres dos aveirense raramente conseguimos criar perigo. Contra todas as expectativas, aos 87’ não aconteceu o balde de água fria, mas sim um banho inteiro! Num bola bombeada para a frente, há um centro na esquerda do ataque do Beira-Mar com a nossa defesa em contra-pé e o Delibasic antecipa-se ao Léo (com o Katsouranis parado na área), e bate o Quim, que também não saiu tão bem quanto deveria. Voltávamos a estar a perder e caiu-me tudo ao chão nesse momento! No entanto, com bastante dignidade ainda encontrámos forças para ir para cima deles e finalmente conseguimo-lo. Num livre à entrada da área, há um jogador do Beira-Mar que faz uma excelente defesa com o braço ao remate do Simão, mas o árbitro não assinalou nada. A TVI só conseguiu mostrar uma(!) repetição e vista de longe, mas não tenho dúvidas que foi penalty. Pouco depois, o Rui Costa coloca a sua assinatura no jogo, com uma abertura extraordinária que isola o Miccoli, só que este infelizmente está numa forma lamentável e fez um passe ao guarda-redes. É o 3º jogo consecutivo em que o italiano falha um golo de baliza aberta. Ainda bem que não se chama Nuno Gomes, senão eu faço ideia o falatório que haveria para aí. Até que aos 92’ o Simão cai na área e o Lucílio Baptista assinala penalty. Não tenho problemas nenhuns em dizer, depois de vistas as repetições, que não é falta, porque o Simão é que provoca o contacto com o adversário, mas serviu para compensar o braço anterior (e ainda há o golo anulado). O capitão conseguiu converter e salvar-nos da derrota, mas seja em que circunstâncias for, um empate na casa do último classificado é sempre um péssimo resultado.

A equipa está estoirada e as exibições individuais nunca podem ser muito boas assim. O melhor, para não variar, foi o Simão, só que o problema é que ele é o único jogador decisivo que está em boa forma. Os gregos são muito inconstantes (hoje foi o Karagounis a sair ao intervalo), o Nélson perdeu a preponderância que já teve em termos atacantes e os pontas-de-lança estão em crise de confiança, embora o Nuno Gomes melhor que o Miccoli. O Rui Costa não dá para tudo e, como vem de uma lesão, não pode ser sempre ele a dar a volta às coisas, o Derlei não existe e o Mantorras continua a não ter tanto tempo de jogo como justifica. A defesa não está nada segura, o Anderson é uma cratera, e o Luisão nunca mais volta. O próprio Leó parece-me cansado e sem a energia habitual.


Estou bastante apreensivo para 5ª feira. O Espanyol fez descansar 10(!) titulares contra nós e ainda não perderam na Taça Uefa. Acho que temos que concentrar todas as nossas atenções para esta competição, devendo tornar-se, se passarmos os espanhóis, a nossa principal prioridade. Faltam três jogos para chegar à final e este é não só um troféu que nunca ganhámos, como é um título que dá prestígio internacional e enriquece o palmarés. E convém não esquecer que não ganhamos uma competição europeia há mais de 40 anos. Quanto ao campeonato, temos que manter o 2º lugar a todo o custo e portanto controlar o posicionamento dos lagartos, mas para que esta época não seja uma grande desilusão há que ganhar a Uefa. Assim o queiram as nossas pernas...

segunda-feira, abril 02, 2007

Ocasião perdida

Desperdiçámos hoje uma óptima possibilidade de nos colocarmos na frente do campeonato ao empatar em casa com o clube regional por 1-1. Continuamos a um ponto deles (que na prática são dois), mas estou bastante pessimista para o resto do campeonato especialmente por duas razões: temos um calendário bastante mais difícil do que eles e ainda estamos nas competições europeias.

Com a recuperação do Quim, voltámos a alinhar com o nosso onze-base, com excepção do Luisão. Entrámos pessimamente no jogo e a nossa 1ª parte esteve ao nível dos piores jogos da época. Não conseguíamos fazer uma jogada com pés e cabeça, a bola era constantemente chutada para a frente sem nexo, o meio-campo foi completamente absorvido pelo do clube regional, enfim foi um desastre. O que valeu foi que adversário não criou grandes situações de golo, com excepção de uma do Adriano que uma óptima saída do Quim aos seus pés resolveu. A nossa única grande ocasião foi um remate de recarga do Petit a um livre dele próprio, em que a bola passou a rasar o poste, com o Helton já batido. A cinco minutos do intervalo na sequência de um livre do lado esquerdo, o Quaresma centra, o Anderson esquece-se (para variar...) de marcar o Pepe e o clube regional coloca-se em vantagem que, já naquela altura, apesar do seu domínio territorial era imerecida. Nesta 1ª parte viu-se bem a diferença entre ter um só jogador (e que mesmo assim só alinhou durante 90’) ou cinco (em que quatro deles alinharam os dois jogos completos) envolvidos nas selecções. Em termos físicos notou-se uma grande discrepância entre as equipas.

Para o 2º tempo, o Fernando Santos trocou o inoperante Katsouranis e colocou o maestro em campo. Isto e uma atitude diametralmente oposta à dos primeiros 45 minutos fizeram com que estivéssemos durante toda a 2ª parte em cima do clube regional. Inevitavelmente as oportunidades foram aparecendo, mas a bola não entrava. Remates do Nuno Gomes, Miccoli, Petit ou Rui Costa ou eram defendidos pelo Helton ou era cortados pelo defesas. O clube regional deixou de atacar, mas estava muito bem fechado atrás, o que nos criou bastantes problemas para furar a defesa. Para além disso, havia uma certa confusão táctica na nossa equipa, que tanto se dispunha no losango como em 4-3-3. Muitas vezes via-se vários jogadores do Benfica estarem juntos no meio do terreno. No entanto, a sete minutos do fim tivemos o nosso momento de sorte, porque depois de um livre do Simão uma bola cabeçada pelo David Luiz embateu no poste, ressaltou no corpo do Lucho Gonzalez e acabou por entrar na baliza. Estava feita mais que justiça! O jogo ainda durou mais 12 minutos e foi já nos descontos que tivemos as nossas melhores oportunidades, com uma cabeçada do Mantorras que o Helton defendeu milagrosamente (é a defesa do campeonato, fazendo lembrar a do Banks frente ao Pélé no Mundial do México em 1970, considerada a melhor defesa dos Mundiais), um pontapé acrobático do Derlei para outra defesa do guarda-redes, e um remate disparatado do Rui Costa já dentro da área depois de um canto “à Camacho” do Simão. É certo que o clube regional também teve dois contra-ataques perigosos, mas com um bocado mais de sorte teríamos ganho a partida.

Em termos individuais, tenho que destacar o David Luiz e o Karagounis. Espero bem que o Fernando Santos seja um pouco corajoso e retire o Anderson quando o Luisão voltar. O miúdo brasileiro é mesmo bom jogador (não me lembro de ele ter perdido nenhum lance) e tem a grande vantagem de sair com a bola controlada da defesa, e criar desequilíbrios no meio-campo contrário. O grego esteve muito discreto na 1ª parte, mas subiu imenso na 2ª e foi ele um dos principais responsáveis pela nossa dinâmica atacante. O Simão esteve muito bem marcado pelo Paulo Assunção e não foi tão desequilibrador como em jogos passados, mas já se sabe que nunca joga mal. O Rui Costa também entrou bem e criou finalmente estabilidade no nosso meio-campo. Houve um ou dois lances em que poderia ter tomado uma opção diferente (nomeadamente aquele contra-ataque em que não passou a tempo ao Derlei, que estava sozinho na direita, antes de sofrer a falta do Quaresma) e aquele remate final tinha obrigação de ser melhor, mas é um grande prazer vê-lo de volta a estes jogos. O Petit também subiu na 2ª parte e fartou-se de recuperar bolas. Os pontas-de-lanças lutaram muito, mas não tiveram grandes ocasiões para rematar, embora aquele falhanço do Miccoli já na grande-área seja imperdoável para um jogador da sua qualidade. O Derlei entrou bem no jogo e felizmente desta vez não pôs em prática os ensinamentos cotovelísticos que recebeu no clube regional. O Nélson não esteve bem nos dois primeiros centros, mas depois lá acertou e especialmente não deixou o Quaresma fazer nada durante todo o jogo. O Léo foi importantíssimo na 2ª parte, em que fez várias piscinas do lado esquerdo. O Katsouranis está a passar por uma fase de menos pulmão e espero que o descanso em Barcelona (por causa do cartões) lhe faça bem. O Anderson tem culpas no golo e continua muito distante do jogador da época passada, enquanto o Quim não teve grande trabalho com excepção daquela tal saída aos pés do Adriano.

Já nesta 5ª feira reentramos no esquema de três jogos por semana e temo bem que a nossa equipa não tenha pernas para isso. Se ainda quisermos ter ambições no título temos que chegar ao jogo frente aos lagartos sem nenhum ponto perdido, o que quer dizer que temos que ganhar os próximos três. Isto tudo com Taça Uefa pelo meio. Vamos ver no que dá, mas seria frustrante estarmos numa de “quase”...

P.S. – Quando se abre uma pocilga tem que se ter cuidado com o que de lá sai. Gostava de saber de quem foi a brilhante ideia de colocar aqueles excrementos da raça humana no 3º anel do estádio. Tinham caminho livre para atirarem coisas para o 1º anel e o resultado foi o rebentamento de pelo menos meia-dúzia de petardos, e dois adeptos do Benfica que saíram em maca, um dos quais com a cabeça partida por causa do arremesso de uma cadeira. Isto tudo perante a atitude impávida da polícia-de-choque e dos stewards, que só tinham era que evacuar aquela bancada por questões de segurança. Bem sei que no estrangeiro os adeptos visitantes, quando são em grande número, geralmente ficam nos pisos superiores, mas atenção que aí estamos a falar de PESSOAS, o que não é de todo este o caso. Aquelas coisas são um atentado à raça humana e é inadmissível que ainda sejam tratados como pessoas. Uma viagenzinha directa e grátis até ao piso 0 é o que eles mereciam! Não se perdia nada...

terça-feira, março 20, 2007

Petit

Um golo quase de meio-campo do Petit aos 81’ deu-nos uma vitória fundamental na Reboleira e permitiu-nos encurtar a distância para o clube regional para apenas um ponto. No sábado passado, os lagartos finalmente fizeram uma coisa de jeito (alguma vez teria de ser a primeira...) e foram ganhar a casa do clube regional. Como na próxima jornada recebemos essa equipa hedionda, temos tudo para chegar finalmente ao primeiro lugar.

Com o castigo ao Katsouranis, o Fernando Santos resolveu apostar no sistema que tão pouco resultado deu na Vila das Aves: Derlei a titular, colado à linha, com o Simão no lado contrário. Torci logo o nariz a esta opção. Já estamos rotinados com o losango, é indesmentível que o Simão está a fazer a melhor época de sempre neste sistema, para quê re-inventar tudo? E a 1ª parte deu-me razão. Jogámos muito pouco, não encontrámos espaços suficientes, velocidade nem vê-la e ocasiões de golo quase nulas. O E. Amadora só defendia, mas fazia-o bem. A nossa inspiração parecia ter tirado férias e só numa jogada do Simão pela esquerda criámos algum perigo, mas o remate do nosso capitão saiu muito frouxo e à figura. Tivemos vários cantos a nosso favor, mas sem o Luisão e o Katsouranis não conseguimos sequer fazer a bola chegar à baliza.

Na 2ª parte, o E. Amadora entrou melhor nos primeiros cinco minutos e fez uma bola roçar na barra na sequência de um mau alívio do Léo. Mas passado este período tomámos definitivamente conta do jogo e aumentámos ligeiramente a velocidade. O Fernando Santos lá percebeu que o Derlei era um corpo estranho e colocou o João Coimbra no seu lugar, permitindo-nos voltar ao losango, com o Karagounis a passar do meio para a esquerda e o Simão no sentido oposto. A partir daqui, as oportunidades começaram a aparecer com mais frequência. A melhor de todas começou no Simão e foi terminada da pior maneira pelo Nuno Gomes que falhou o remate em cheio na bola, quando estava só com o guarda-redes pela frente. É certo que não era um lance fácil, já que o centro do Simão foi desviado por um defesa e a bola vinha no ar, mas o Nuno Gomes foi à bola sem confiança nenhuma, de tal maneira que ainda ele não lhe tinha acertado e já eu dizia “vai falhar”. E falhou mesmo! Pouco depois há um lance duvidoso (para dizer o mínimo) na área do E. Amadora, em que me pareceu que o Amoreirinha puxou a camisola do Nuno Gomes, impedindo-o de chegar à bola. O Sr. João Vilas-Boas nada assinalou. Estávamos a meio da 2ª parte e o golo não aparecia. O Miccoli teve uma excelente cabeçada, depois de um centro do João Coimbra, mas a bola voltou a sair ao lado. Até que a nove minutos do fim, num livre a uns bons 35m da baliza, o E. Amadora resolveu não fazer barreira. O Petit remata, a bola ressaltou na cabeça de um adversário e entrou no canto inferior direito da baliza. Foi uma alegria imensa e uma enorme sensação de alívio. Até final ainda tivemos mais três oportunidades, mas nem o Miccoli (grande jogada individual!), nem o Nuno Gomes (ficou em contrapé numa jogada do João Coimbra) e nem o Karagounis (livre a rasar o poste) conseguiram marcar o golo da tranquilidade. O que valeu foi que o E. Amadora praticamente nem conseguiu chegar à nossa área, com excepção de um cabeceamento do Amoreirinha que ninguém desviou.

O melhor em campo foi de longe o Petit. Ele, que nos pregou um susto ao receber assistência médica no aquecimento, esteve em todo o lado, cortou incontáveis bolas a meio-campo e marcou pelo terceiro jogo consecutivo, dando-nos os vitais três pontos. Todos os outros estiveram num nível mediano, incluindo o Simão que não foi o jogador de jogos anteriores, não sei pela sua diferente colocação em campo, ou se porque é humano e não pode estar sempre a 200%. O Moretto praticamente não teve trabalho (ainda bem!), com excepção a um corte com o pé na sequência de um atrasado inacreditável do Anderson que ia colocando a bola na nossa baliza! O Léo também esteve muitos furos abaixo do habitual, ao contrário do Nélson que me pareceu melhor que em jogos anteriores. O David Luiz confirmou a sua qualidade, mas teve uma ou duas intervenções menos acertadas (também tem direito). O Karagounis melhor imenso quando passou para a esquerda e os avançados subiram igualmente de rendimento na 2ª parte, mas estiveram ambos muito azarados na hora de acertar com a baliza. O Derlei continua a não convencer, se bem que hoje jogasse fora da sua posição e o João Coimbra entrou muito bem na partida.

O campeonato vai agora parar por causa da selecção e neste caso ainda bem, porque temos jogadores a recuperar de lesões e precisamos de algum descanso. A equipa parece exausta e não sei até que ponto temos pernas para duas competições. Não há qualidade no plantel para haver rotatividade e hoje em dia está longe o rolo-compressor que chegámos a mostrar em alguns jogos, em que os adversários eram sistematicamente empurrados para a sua área num sufoco constante. Enfim, vamos esperar que esta pausa faça bem à maioria do plantel (embora os mais cansados estejam nas selecções e por isso o descanso está fora de questão) e que voltemos em força no dia 1 de Abril. Estamos a um ponto, só dependemos de nós e faltam oito jogos para terminar, dos quais teremos cinco em casa (clube regional, Braga, lagartos, Naval e Académica) e três fora (Beira-Mar, Marítimo e V. Setúbal). Será que é possível?

terça-feira, março 13, 2007

Escusado sofrimento

Não tínhamos necessidade de ter sofrido tanto frente ao Leiria até conseguirmos marcar o “golo da tranquilidade” aos 86’, que selou a nossa vitória por 2-0, num jogo a que tive o privilégio de assistir na companhia do TMA. É certo que o adversário quase não criou situações de golo, mas estou farto de perder pontos preciosos frente a adversários que também pouco fazem em termos atacantes. Com as vitórias dos rivais neste fim-de-semana era imperioso ganhar para manter as distâncias.

Por isso, e mantendo o que é hábito, entrámos bem no jogo, muito pressionantes no meio-campo, usando bastante velocidade nas transições para o ataque e criando várias possibilidades de remate, que infelizmente nem sempre tiveram o destino desejado. Mas foi sem surpresa que marcámos logo aos 16’, um golão do Simão com um remate de pé esquerdo fora-da-área, depois de flectir da direita para o centro. Indefensável e um dos melhores tentos que vimos este ano. Depois do golo, e ao invés do que fizemos em Paris, não abrandámos o ritmo e tivemos mais umas quantas possibilidades de aumentar a vantagem. Infelizmente a bola não entrava e comecei a ficar preocupado, até porque o Leiria nunca ficou muito fechado na defesa. Os nossos avançados têm que rever a pontaria, porque não se justifica que não consigam concretizar algumas das inúmeras oportunidades que criamos. A partir da meia-hora, baixámos claramente o ritmo e o Leiria aproveitou para se aproximar mais da nossa baliza, porém sem criar grande perigo.

Na 2ª parte, entrámos decididos a marcar cedo, para acabar com as dúvidas acerca do vencedor, mas o problema da falta de pontaria manteve-se e tínhamos a tendência para complicar o que era fácil. De qualquer forma, também não estávamos tão bem quanto no início da partida e o jogo parecia caminhar para um impasse. Nem nós o resolvíamos de vez, nem o Leiria se mostrava com capacidade para nos incomodar. Para lançar alguma confusão sobre tudo isto, o Quim lesionou-se depois de fazer uma defesa para a frente e aos 73’ entrou o Moreira (felizmente era dia dele no banco...). A equipa não tremeu com a troca de guarda-redes (nem tinha que o fazer), mas algumas decisões do Sr. Paulo Pereira puseram-nos com os cabelos em pé. O árbitro fez uma arbitragem “à inglesa”, mas houve lance em que a falta foi por demais evidente e não foi assinalada. Até que a quatro minutos do fim, o Petit resolveu acertar na baliza com um dos seus balázios habituais, aliás acertou primeiro no poste (nem sei como é que ele ficou inteiro), e ficámos com a (justa) vitória definitivamente garantida. A próxima jornada é na Amadora, mas sem o Katsouranis que viu o 5º amarelo. Antevêm-se grandes dificuldades até porque o Luisão continua lesionado.

Individualmente, e pela 342ª vez esta época, tenho que destacar o Simão. Abençoado Valência que abdicaste de o levar! O nosso capitão está na melhor forma de sempre e já está na frente dos melhores marcadores. No entanto, e à semelhança de Paris, baixou de rendimento na 2ª parte. Outro destaque tem que ir para o David Luiz. Ou muito me engano ou temos ali jogador. Bom tecnicamente, com garra, voz de comando (ouviste Anderson?!), sabe iniciar jogadas de ataque, fazer passes longos para os companheiros e só tem ainda 19 anos. Percebo as explicações do Fernando Santos (a perspectiva de ter de jogar um só jogo, com o regresso do Luisão, é diferente do caso actual), mas ele já deveria ter jogado nas Aves. No entanto, o melhor em campo foi o Karagounis. Só de pensar que ele esteve quase para se ir embora, dispensado, fico com suores frios. Excelente técnica, muito bem fisicamente, corre quilómetros e neste jogo queria marcar à força um golo, mas os seus diversos remates não acertaram com a baliza. O Petit também foi importante no meio-campo e deve ter marcado dos golos mais bonitos na carreira (curiosa a forma como foi comemorá-lo com o Barbas, é mesmo “um dos nossos”). O Nuno Gomes, apesar de não ter marcado, provou que a sua presença no banco frente ao PSG foi um grande equívoco. Ao invés, o Miccoli parece numa fase de menor acerto, assim como o Nelson que teve vários cruzamentos lamentáveis. Estranhamente também com dificuldades esteve o Léo, que fez um jogo muito fraquito. Pelo contrário, o Katosouranis parece arrastar-se em campo, mas está invariavelmente no sítio certo para cortar a bola e iniciar a jogada de ataque.

Este jogo serviu ainda para quebrar algumas malapatas. Aproveitando a (feliz) iniciativa de o Glorioso oferecer a possibilidade de chamar amigos dos sócios aniversariantes para assistir a jogos, revolvi convidar alguns entre os quais o já referido TMA e (eu sei que arrisquei, mas algum dia o mau karma tinha que acabar) o J.M. Quando as coisas estavam num impasse a meio da 2ª parte, ainda pensei se não estava na altura de ele se ir embora, mas felizmente tudo acabou em bem. Curiosamente um outro amigo que foi só tinha visto o Benfica em três ocasiões: Chelsea, Juventus (ambos na pré-época do ano passado) e Boavista este ano. Ou seja, nem sequer tinha visto um golo do Benfica ao vivo e perdemos dois dos três jogos! Foi mesmo muito arriscado, mas acho que as malapatas acabaram. Será bom prenúncio para o resto da época?!

domingo, março 04, 2007

Fraco

Vencemos na Vila das Aves somente por 1-0, com um golo do Nuno Gomes, naquela que terá sido a pior exibição dos últimos tempos. É um chavão dizer-se que “são jogos destes que fazem ganhar campeonatos”, mas não deixa de ser irónico que tenhamos ganho com uma exibição destas, enquanto frente ao Boavista empatámos. O futebol não é de facto a coisa mais justa do mundo. Mas atenção que, apesar da má performance (e ao contrário do que achou o cómico Prof. Neca), a nossa vitória é inquestionável. Mesmo assim fomos melhor equipa do que o Aves, não obstante eles terem falhado um penalty.

Com o castigo ao Luisão, foi o Katsouranis que recuou para central, entrando o Derlei na equipa. Jogámos com quatro (!) avançados, mas não se pode dizer que tenha sido muito positivo. Entrámos muito lentos no jogo e só tivemos duas oportunidades na 1ª parte: o remate do Miccoli às malhas laterais e a cabeçada do Derlei para fora. A marcação do Aves era muito cerrada e nós não utilizávamos a velocidade para tentar superá-la. Deixámos o jogo correr, como que à espera que o golo caísse do céu. Mas o que é certo é que a grande oportunidade da 1ª parte foi deles, com o tal penalty aos 35’. O Karagounis fez um carrinho na área, mas não cortou o braço a tempo, pelo que a bola lhe bateu e o Sr. Jorge Sousa, sempre muito solícito, assinalou o penalty. Felizmente o Quim adivinhou o lado e defendeu-o. A acontecer golo não quero pensar no que poderia acontecer, porque já estávamos a sentir imensas dificuldades em impor o nosso jogo mesmo com 0-0.

Na 2ª parte melhorámos um pouco, mas não o suficiente para chegarmos a uma exibição positiva. Antes do golo, o Nuno Gomes fez um remate rasteiro que proporcionou ao Nuno a defesa mais difícil da noite. Parece que o nosso ponta-de-lança começa finalmente a rematar mais vezes à baliza. Aos 60’ fizemos o resultado, numa boa jogada na direita entre o Derlei, Miccoli e Nelson, com um centro deste e o Nuno Gomes a antecipar-se ao defesa (num movimento “à ponta-de-lança”), e a rematar por baixo do corpo do guarda-redes. Seis minutos depois, o Sérgio Nunes pensou que estava no Andebol e defendeu com os braços um remate do Karagounis. Como já tinha visto um amarelo, ao ver o segundo foi para a rua. O jogo estava a correr de feição para nós, que nunca imaginei que fizéssemos uma meia-hora final tão paupérrima. Inexplicavelmente não mantínhamos a posse de bola, permitíamos ao Aves acreditar, chegar-se perto da nossa área e ganhar faltas sucessivas, sempre muito rapidamente assinaladas pelo Sr. Jorge Sousa. No entanto, nunca houve uma situação de verdadeiro perigo, mas detesto jogos em que estamos a ganhar pela margem mínima e fazemos a “gestão do resultado”. Quantas vezes não vi eu perdermos pontos em lances fortuitos perto do fim por causa desta mesma “gestão”, que faz com que não venhamos para a frente para tentar aumentar o resultado. Mas felizmente isso não aconteceu ontem, pelo que ganhámos pela primeira vez acima do Mondego (vamos ver qual é a próxima malapata que a comunicação social nos vai inventar, depois da “chapa três”, da seca do Nuno Gomes e das não-vitórias acima do Mondego).

Individualmente é difícil destacar alguém, porque estiveram todos muito sofríveis. O Simão era o único a empregar velocidade, mas não esteve tão em jogo como nos últimos tempos. O Nuno Gomes, apesar de algumas intervenções menos felizes, foi o “homem do jogo” pelo importante golo que marcou. A defesa não comprometeu e o Katsouranis revela-se cada vez mais como um jogador completo. O Miccoli deve ter feito das mais fracas exibições pelo Glorioso, apesar do bom toque que desmarcou o Nelson no lance do golo. O Derlei revelou sempre alguma dificuldade em dominar a bola e neste momento ainda não justifica a titularidade em pleno. O Petit esteve incansável no meio-campo, especialmente porque não tinha a companhia do Katsouranis e o Karagounis não é tão bom a defender. Incompreensível mesmo foi a demora do nosso treinador a fazer substituições. Não estancávamos os ataques do Aves e continuávamos com os quatro avançados em campo. Deveria ter entrado alguém para o meio-campo mais cedo, para tentar que tivéssemos mais posse de bola, mas a primeira substituição foi feita aos 82’!


Conseguimos ganhar e isso era o fundamental, até para nos dar confiança para o jogo da próxima 5ª feira em Paris. O PSG voltou a perder e está na zona de despromoção, pelo que é nossa mais que obrigação superar esta eliminatória. Até porque seria muito bonito podermos oferecer a conquista de um troféu europeu depois de tanto tempo à memória do grande homem que nos abandonou esta semana.

P.S. - Depois deste jogo, temos o Simão, Petit e Katsouranis com o quatro amarelo. Aposto com quem quiser que um deles não vai jogar contra o clube regional daqui a três jornadas.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Importante

Vencemos o Paços de Ferreira por 3-1 e aumentámos a distância frente aos lagartos, que empataram em casa com o Aves, para três pontos. Além disso, voltámos a colocar-nos a quatro pontos do clube regional. Quando perto do intervalo, o Paços de Ferreira conseguiu um (injusto) golo, reduzindo a nossa vantagem para 2-1, o Sr. Paulo Paraty viu aí uma grande possibilidade de ajudar o clube da sua cidade a distanciar-se mais na frente. A diferença na arbitragem da 1ª para a 2ª parte foi abissal. Desde o Sr. Carlos Xistra que não me indignava tanto com um árbitro. Felizmente, o Simão fez o 3-1 aos 66’ e aí acabaram-se as esperanças quer do Paços de Ferreira quer do árbitro. Tenho a certeza que o resultado final jamais seria 2-1, ou marcávamos nós ou o árbitro dava um empurrãozinho ajudado certamente por alguma fruta...

O Nuno Gomes voltou à equipa e foi a única novidade em relação aos titulares de Bucareste. Voltámos a fazer uma excelente exibição na 1ª parte, tal como aconteceu no jogo frente ao Boavista. Foram 35’ a grande velocidade e em que marcámos dois golos, ambos bastante especiais: aos 8’ o Simão voltou a marcar de livre directo (sinceramente não me lembro da última vez que o terá feito) e aos 33’ o Nuno Gomes pôs fim ao jejum de golos para o campeonato, com um cabeceamento “à ponta-de-lança” depois de uma excelente jogada individual do Karagounis. Para além destes golos, ainda criámos mais oportunidades: o Miccoli permitiu duas grandes defesas ao guarda-redes (mas o árbitro só viu a segunda, já que na primeira não assinalou canto), embora numa delas tivesse obrigação de ter marcado já que estava isolado, mas em vez de desviar a bola tentou o remate em potência, e o Luisão voltou a falhar uma cabeçada num canto (tal como em Bucareste). A equipa pressionava muito o adversário, não o deixando ter espaços para sair em contra-ataque. O nosso meio-campo, com especial destaque para o Petit, fazia uma marcação muito cerrada a quem tinha a bola. Só que contra todas as expectativas, o Paços marcou antes do intervalo, na sequência de um canto depois de um grande remate do Geraldo (que não volta a fazer outro igual na carreira) e uma boa defesa do Quim. Mas no canto, a equipa, guarda-redes incluído, estava toda a dormir e permitimos a redução da nossa vantagem. Ou seja, passámos de um jogo que já deveria estar ganho, e até com mais de dois golos de diferença, para uma situação de vantagem mínima.

Na 2ª parte, o Paços entrou melhor e nós estivemos enervados na parte inicial por causa da arbitragem miserável do Sr. Paraty. Sinceramente, eu estava a ver o caso mal parado, porque nós não entrámos tão bem como na 1ª parte e o árbitro estava a conduzir habilidosamente o jogo para tornar viável o empate: faltas a nosso favor não marcadas (e numa delas o empate esteve mesmo à vista, quando um empurrão ao Luisão não foi sancionado, e na sequência da jogada a bola passou a rasar o poste do Quim), faltas contra nós inventadas, jogo duro do Paços não sancionado, etc. Foi um fartar vilanagem. Felizmente, o Simão resolveu bisar depois de uma boa jogada do Miccoli, em que este cruzou quase para cima da baliza e o nosso capitão (que não estava fora-de-jogo, acrescente-se, estava “em linha”) só teve que empurrar de cabeça. O Paços não se deu por vencido e até ao fim ainda podia ter marcado mais um golo. Por outro lado, apesar dos dois golos de vantagem, eu também não estava muito descansado, porque não sabia quando é que o Sr. Paraty ia fazer das suas. E um golo deles tornaria tudo incerto outra vez. Mas isso não aconteceu e alcançámos uma vitória mais que justa.

A equipa voltou a estar globalmente bem, com os destaques habituais para o Simão, Luisão (que levou um amarelo e por isso não joga na Vila das Aves, e ainda bem porque estava tapado e o jogo frente ao clube regional é já daqui a quatro jornadas) e o Petit. Os dois gregos complementam-se: o Katsouranis não se mexe muito em campo, mas também não precisa, está sempre no caminho da bola, enquanto o Karagounis está em excelente forma (fez uma 1ª parte magistral), corre bastante e raramente se deixa desarmar. O Nuno Gomes regressou aos golos e espero que a confiança lhe volte em definitivo, e o Miccoli parece muito bem fisicamente (correu o jogo todo), mas voltou a não estar feliz na hora de rematar à baliza. O Anderson está a subir de forma (já só faz duas faltas de apoiar-se no ponta-de-lança contrário por jogo) e o Léo é o pêndulo do costume. O Nélson mostrou a sua pouca confiança, ao preferir correr para a linha quando estava dentro da área e numa excelente posição para rematar à baliza, mas defensivamente não esteve mal. O Quim teve duas saídas em falso, mas fez uma boa defesa já no final do jogo.


Espero que tenhamos entrado em velocidade de cruzado no que às vitórias diz respeito. Mas temo que bastará um jogo com um resultado negativo (como aconteceu frente ao Varzim) para que venhamos abaixo psicologicamente. A não ser que essa partida tenha sido deixada perder (tal como frente ao CSKA há dois anos) por causa da sobrecarga de jogos que daí adviria se ganhássemos. Estava a ser mais difícil do que se supunha e a equipa ter-se-á deixado andar. Temos tudo para ir longe na Taça Uefa e no campeonato é fundamental não perder pontos até recebermos o clube regional, mas temos que nos manter estáveis a nível exibicional. No entanto, e apesar das oscilações, o que é certo é que somos a equipa que está a jogar melhor futebol neste momento.

domingo, fevereiro 18, 2007

Miccoli decide

Conseguimos uma vitória importantíssima por 2-0 na casa do Nacional com dois golos do Miccoli, o que nos permitiu voltar ao 2º lugar já que os lagartos empataram em Paços de Ferreira. Foi uma exibição razoável, bastante melhor que a de 4ª feira passada, o que confirmou a nossa inconsistência exibicional deste ano. Basta um mau resultado (Boavista) para nos irmos abaixo e basta uma vitória (mesmo no último minuto) para que voltemos logo a jogar melhor.

Para entrar o Miccoli na equipa, o sacrificado foi o Karagounis. Todavia, não o foi por muito tempo, já que o Rui Costa saiu ainda antes do primeiro quarto-de-hora com problemas musculares. Vamos lá a ver se não fica mais três meses de fora... O equilíbrio foi apenas aparente em toda a primeira parte, porque nós rematámos muito mais vezes à baliza do Nacional, só que para não variar raramente acertámos na baliza. Acho inadmissível que os jogadores do Benfica não acertem na baliza em remates de fora da área com a bola dominada. Na única vez que o fizemos, o guarda-redes Diego Benaglio fez uma defesa magistral para o poste, num estoiro do Petit já muito perto do intervalo.

Na segunda parte, entrámos com mais velocidade e o Nacional deixou de ter tanta posse de bola. As substituições que eles fizeram, tirando médios para colocar avançados, também enfraqueceram o seu meio-campo e nós tivemos muito mais espaços para jogar. O único lance de perigo do Nacional foi um remate de fora da área que o Quim defendeu bem para canto. Já antes, numa boa triangulação no ataque entre o Simão, Nuno Gomes e Miccoli, este remata de primeira também para fora. Até que aos 62’ surgiu o nosso primeiro golo. O Nélson centra da direita, o Nuno Gomes amortece para o Miccoli, que levanta a bola e, sem a deixar cair, remata rasteiro e cruzado. Grande golo! A partir daqui controlámos ainda melhor a partida, já que o Nacional teve que arriscar mais e naturalmente abriu mais espaços atrás. Tanto assim foi que, apenas nove minutos depois, voltámos a marcar. Houve um livre a favor do Nacional, que a nossa defesa aliviou para a frente, o Miccoli ganhou a bola, bateu dois adversários, isolou-se e, só com o guarda-redes pela frente, consegui desviar a bola dele (embora este ainda lhe tivesse tocado), para dentro da baliza. Faltavam 20’ para o fim, mas não se estava a ver forma de não ganharmos o jogo. Demos a iniciativa aos madeirenses, mas um Luisão imperial cá atrás controlou todos os ataques adversários. Estes últimos minutos foram mais um treino activo para o difícil jogo de Bucareste.

Individualmente tenho que destacar o Miccoli e o Luisão. O italiano porque, à semelhança do que fez na 4ª feira passada, foi decisivo ao marcar os golos da vitória, apesar de não ter feito uma exibição de encher o olho (mas também para quê, quando se é tão eficaz?). O brasileiro porque foi intransponível para os adversários. O Simão continua bastante influente, mas felizmente parece que vai tendo companhia na qualidade das exibições. O Petit foi igualmente muito importante, ao ser o primeiro a travar as tentativas de ataques contrários. E viu-se bem a diferença da pressão que o nosso meio-campo faz com o Petit em comparação com o que aconteceu na 2ª parte do jogo frente aos romenos. O Katsouranis mal se dá por ele, mas é de um grande eficácia e opta sempre pela solução mais segura na altura de passar a bola. O Karagounis não entrou mal, apesar de ser a frio, e é bastante importante quando se trata de conservar a posse da bola. O Nuno Gomes esteve melhor que nos jogos anteriores na medida em que arriscou mais o remate, como se exige a um ponta-de-lança. Para além disso, abriu muitos espaços para os remates fora da área dos companheiros. O Nélson continua numa forma intermitente, mas hoje subiu mais do que no jogo anterior. Ao invés, o Léo esteve mais discreto em termos ofensivos, já que a defender raramente é batido. O Quim esteve bem e seguro, mas o Anderson continua a fazer-me sentir saudades do Ricardo Rocha.

Vejamos se recuperamos bem em termos físicos para Bucareste (espero que a lesão do maestro não seja grave), porque é fundamental continuarmos nas competições europeias. Estou relativamente optimista para o jogo, porque temos melhor equipa que os romenos.

sábado, fevereiro 03, 2007

A maior injustiça da história do futebol

Os 50.222 espectadores que estiveram ontem na Luz assistiram a um jogo histórico. Em 25 anos que vejo futebol, não me lembro de um desafio assim, e duvido que tenha havido muitos como este em toda a sua história. Fizemos a melhor exibição da época (e arrisco-me a dizer das últimas épocas) e empatámos 0-0 com o Boavista, num jogo em que o resultado mais justo seria 7-0, e sem nenhum favor. Sim, não é um erro, nem é exagero meu. Se houvesse justiça, o Benfica teria ganho por s-e-t-e. Quatro (!) bolas aos ferros, três do Katsouranis (um novo recorde mundial, certamente) e uma do Luisão, e três oportunidades de golo de baliza (literalmente) aberta falhadas de uma forma escandalosa pelo Anderson, Simão e Nuno Gomes, já para não falar nas três ou quatro defesas do William, tornam este resultado profundamente enganador.

Poucas vezes terei saído do estádio tão chateado. A sensação de incredulidade acompanhar-me-á durante boa parte desta semana. De tal maneira que nem tenho muita vontade de escrever sobre o jogo. Houve nitidamente algo de sobrenatural na noite de ontem. Pressionámos e subjugámos o Boavista durante uma hora inteira, só escapando os primeiros e últimos 15 minutos, mas pura e simplesmente a bola não quis entrar. E não me venham com histórias. Os tais falhanços do Anderson (logo aos 17), do Nuno Gomes (cabeçada sem tirar os pés do chão e só com o guarda-redes pela frente) e Simão (completamente isolado) são aselhice, mas as quatro bolas nos postes e barra são manifesta falta de sorte. E fico-me por aqui, porque estou tão fora de mim que não me apetece discorrer mais.

P.S. – Não percebi a substituição do Karagounis logo aos 63’. Era manifesto que o Katsouranis e o Rui Costa não iriam durar até ao fim àquele ritmo e o Fernando Santos lembra-se de tirar o médio que se estava a tornar mais influente em jogo, especialmente na segunda parte. Se estávamos a jogar bem (e estávamos), qual era a necessidade de fazer substituições tão cedo?! Perdemos muito gás depois dessa troca, até porque alterámos o sistema de jogo para 4-3-3, abandonando o losango.


P.S. 2 – Alguém explique ao Derlei, por favor, que o Benfica é muito diferente daquele clube onde ele jogou há três anos? Cotoveladas a jogadores que estão a passar por ele, com a bola noutro lado, faz parte da cultura desse tal clube, não do Glorioso Sport Lisboa e Benfica. Eu sei que o vírus desse clube é muito forte e que quem por lá passa depressa fica contagiado (basta ver as declarações do Jesualdo ainda sobre a expulsão do Quaresma), mas parece que ele ainda não percebeu onde está agora... Poderíamos (e deveríamos) ter ficado a jogar com 10 por causa de uma atitude que nos envergonha a todos.

domingo, janeiro 28, 2007

Essencial

Depois da surpresa da derrota do clube regional na sua filial de Leiria (só faltou o Domingos pedir desculpa na conferência de imprensa), era imprescindível que aproveitássemos para reduzir a vantagem para cinco pontos, ganhando no Restelo. Assim fizemos por 2-1, com golos do Simão e Luisão na sequência de duas assistências do maestro. Não foi um jogo brilhante da nossa parte, mas o mérito da vitória é indiscutível.

Tal como no ano passado, fui ver o jogo ao vivo, desta vez não só com o D’Arcy, como também com o Pedro F. Ferreira e o TMA. Bastaria a companhia para ter valido a pena ter ido, mas claro que com a vitória tudo ficou ainda mais agradável. Na equipa inicial, para além da óbvia inclusão do Anderson no lugar do Ricardo Rocha, entrou o Karagounis em vez do Manú e voltámos ao famigerado losango, desta vez com o Rui Costa no vértice superior. Não começámos bem o jogo, mas tivemos o mérito de marcar na primeira oportunidade que tivemos aos 13’, já depois de uma excelente defesa do Quim. Uma abertura magistral do maestro desmarcou o Simão, que aproveitou a confusão entre o defesa e o Costinha, para rematar por baixo das pernas deste. O Belenenses reagiu bem e nós, à semelhança do jogo de Coimbra, não conseguíamos manter a posse de bola no meio-campo, tentando até à exaustão os lançamentos para a frente na direcção do Simão. O que vale é que defendemos bem e o Belenenses poucos lances de perigo criou. Até que aos 37’ num livre lateral, o Rui Costa centra para a área e o Luisão faz de cabeça o segundo golo. Ainda antes do intervalo, num contra-ataque pela esquerda, o Nélson faz um centro largo para o Nuno Gomes do lado oposto e este, sem deixar cair a bola no chão, remata de primeira, mas infelizmente por cima da barra. Seria o golo do ano.

Logo no início da segunda parte, o Costinha esteve quase a imitar o Jorge Baptista do Gil Vicente no ano passado ao falhar um pontapé na sequência de um atraso, mas teve a sorte de a bola não ir na direcção da baliza. Durante este período, o Belenenses ainda foi mais inoperante, apesar de continuar a trocar bem a bola e ter tentado lutar sempre. Só que nós defendíamos com muita segurança e eles não conseguiam entrar na nossa área. O Petit esteve particularmente brilhante no seu trabalho de sapa, a correr atrás dos adversários, e neste segundo tempo sobressaiu (e de que maneira) o Karagounis, que mantinha a posse de bola, desmarcava os companheiros e dava cabo da defesa do Belenenses. Como eles continuavam com a defesa em linha muito perto do meio-campo, nós acabámos por ter as melhores oportunidades, quando a conseguíamos rasgar, como no excelente passe do Karagounis que isola o Nuno Gomes, mas este depois de fintar o guarda-redes, remata com pouca força e o defesa que estava sobre a linha consegue cortar a bola. Pouco depois foi o Simão num remate em arco com o pé esquerdo, em que a bola passou rente ao poste. A três minutos do fim, o Belenenses reduz depois de uma boa jogada, com um remate rasteiro do Silas já na grande área. Foi na altura em que o Manú (que tinha entrado para o lugar do maestro aos 85’) estava a compensar o Nélson na direita da nossa defesa. Foi o único remate deles que chegou à baliza neste segundo tempo e confesso que ainda fiquei apreensivo até final (os 3-3 do Estádio Nacional ir-me-ão sempre atormentar). Todavia, a partir daí o jogo morreu, porque conseguimos manter a bola longe da nossa área e o Fernando Santos fez mais duas substituições que ajudaram a quebrar o ritmo deles.

Individualmente, o Karagounis foi o melhor do Benfica, seguido muito de perto pelo Petit. O Simão marcou mais um golo e continua em grande forma. A defesa também esteve bem, com destaque para o Luisão, absolutamente imperial a cortar várias bolas. O Rui Costa não esteve feliz em algumas acções a meio-campo, mas o que é que isso interessa quando se faz duas assistências para golo e nos dá o privilégio de o ver a jogar com a camisola 10 do Glorioso? O Nuno Gomes esteve lutador como sempre, ia marcando um golão, mas não pode falhar golos como aquele de baliza aberta.

Se o Boavista nos der uma alegria amanhã frente ao lagartos, esta jornada terá sido ideal. Teoricamente, já só precisamos de mais um empate do clube regional para ficarmos a depender apenas de nós. Somos o único clube a estar em três competições e tenho medo que nos ressintamos fisicamente deste facto lá mais para o fim da época. O mês de Fevereiro vai ser particularmente exigente em termos de calendário, mas agora que estamos mais perto do clube regional, o campeonato volta a ser mais que uma miragem.

P.S. – O mote do speaker do Belenenses era “e quem bate palmas, é pastel... é pastel... é pasteleeeee”. Sem comentários…

terça-feira, janeiro 16, 2007

Suado

Ganhámos em Coimbra por 2-0, num jogo que deveria ter sido mais fácil do que foi, já que marcámos logo aos 2’. No entanto, e principalmente na 1ª parte, demos muito espaço à Académica e acabámos por ter alguma sorte em não ter sofrido nenhum golo durante todo o jogo. Apesar disto, a nossa vitória é mais do que justa.

O Rui Costa ficou no banco dado que ainda não tem o ritmo necessário, pelo que jogámos com a equipa habitual. Os dois gregos e o Petit no meio-campo e o Simão, Miccoli e Nuno Gomes na frente, numa táctica de 4-3-3 e não do famoso losango, que parece estarmos a abandonar com a perspectiva do regresso do maestro. Por este motivo, tanto o Nuno Gomes como o Miccoli ficavam a fechar o lado direito do ataque. Não poderíamos ter tido melhor começo, com o golo do Ricardo Rocha (já vai em três!) na sequência de um livre estudado, com um passe do Petit para o centro do Simão, a cabeçada do Luisão que o guarda-redes defendeu e o golo na recarga. Viu-se depois na repetição que o Rocha estava fora-de-jogo, mas o lance é muito rápido e, como ele recua para uma posição legal depois da cabeçada do Luisão, é natural que o fiscal-de-linha tenha sido iludido. No entanto, compensou bem ao anular dois golos ao Katsouranis ainda 1ª parte. Se no primeiro ele estava ligeiramente adiantado, o segundo é escandaloso. O passe do Nuno Gomes é claramente para trás e é preciso muita incompetência (ou talvez visão a mais…) para assinalar fora-de-jogo. O erro que foi a validação do nosso golo foi mais do que compensado.

O jogo estava a ser bom, com a Académica a chegar com relativa facilidade à nossa área e também a criar perigo. Aliás, durante o primeiro período, o Quim acabou por fazer mais defesas do que o Pedro Roma. Vimos uma bola bater no poste (na sequência de uma má intervenção do Quim para a frente) e o Rocha a salvar a respectiva recarga sobre a linha, mas também tivemos uma, com o Nuno Gomes a acertar em cheio na barra com um remate de pé esquerdo. No entanto, raramente conseguimos controlar a bola. É uma situação incompreensível, porque estávamos em vantagem e deveríamos ter obrigado os adversários a correr atrás dela. Além disso, temos óptimos jogadores para o contra-ataque, mas para isso não podemos oferecer constantemente a bola à equipa contrária.

Na segunda parte, melhorámos bastante e a prova disso é que a Académica só criou perigo nos últimos minutos e exclusivamente através de bolas paradas. Tivemos várias oportunidades para matar o jogo e, ou por aselhice ou porque o Pedro Roma defendia, não o conseguimos fazer até muito perto do final, lançando sempre dúvidas sobre o resultado. Já não seria a primeira vez que perderíamos pontos nos últimos minutos. Logo aos 53’ entrou o Manú para o lugar do apagado Miccoli, mas ao contrário do que fez no Dubai, hoje não esteve nada feliz. O nosso jogo atacante passava quase em exclusivo pelo Simão, que continua numa forma fantástica. O Nuno Gomes, curiosamente, subiu bastante de rendimento quando passou a actuar sozinho na frente de ataque e sucediam-se situações claras de remate para os nossos jogadores. A 15’ minutos do fim, entrou finalmente o maestro e saiu o Katsouranis. Estranhei, porque este defende melhor que o seu compatriota, mas o Fernando Santos optou por manter o Karagounis e ainda bem, porque foi dele a assistência decisiva para o Léo fazer o 2-0 aos 88’. Pouco antes, e em dois cantos, a Académica poderia ter feito o empate, mas as duas bolas foram interceptadas pela nossa defesa. E mesmo antes do nosso segundo golo, há um lance de contra-ataque em que o Nélson só tem um defesa pela frente e o Rui Costa ao lado (completamente isolado!), mas não lhe dá a bola e perde-se numa jogada individual. Se eu mandasse no Benfica, era motivo para castigo, porque o egoísmo dele poderia ter resultado bem caro, caso a Académica tivesse empatado. Não é admissível que, numa situação daquelas, o jogador não endosse a bola ao companheiro melhor colocado.

Individualmente, destacou-se outra vez o Simão que, não só a atacar como a ajudar a defesa, esteve em todo o lado. O Ricardo Rocha é outro em grande forma e finalmente descobriu a sua veia goleadora. O Quim também fez defesas importantes, mas houve lances em que não deveria ter aliviado para a sua frente. O Nuno Gomes não começou nada bem o jogo e teve um primeiro tempo muito sofrível, com excepção do remate à barra, mas melhorou no 2º. Os gregos evidenciaram-se cada um na sua parte: o Katsouranis na 1ª e o Karagounis na 2ª, mas este continua muito lento a libertar-se da bola. Toda a equipa esteve regular, mas há que prestar mais atenção à facilidade com que os adversários rematam à nossa baliza. Continuamos a dar muito espaço à entrada da nossa área.

Com o empate dos lagartos em Belém, estamos agora a um ponto deles e com o 2º lugar perfeitamente ao nosso alcance. O campeonato está infelizmente muito longe, mas se conseguirmos o segundo posto, ganharmos a Taça de Portugal e, porque não, a Taça Uefa, é óbvio que a época será positiva.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Lisonjeiro

Foi um dos jogos com o resultado mais injusto de que me lembro. Ganhámos por 4-0 ao Belenenses, mas quem não tenha visto o jogo ficará com uma ideia errada se só reparar nos números finais. Tivemos uma eficácia de 40% (quatro golos em dez remates), enquanto o Belenenses efectuou 16 (!) remates e ficou a zeros. A justiça da nossa vitória é indiscutível, mas como bem referiu o Fernando Santos o resultado deveria ter sido mais equilibrado. É um lugar comum dizer-se que ganha quem marca, mas podemos dar-nos por muito satisfeitos com este desfecho e principalmente pela forma como ele foi obtido. O Belenenses foi a melhor equipa que vi na Luz este ano e este o jogo mais interessante de seguir, já que ambas as formações procuravam sempre atacar.

A nossa equipa titular foi a mesma que enfrentou o V. Setúbal e a partida iniciou-se em bom ritmo, com as duas equipas a procurarem a baliza, mas sem grandes oportunidades de golo. Até que aos 20’ acontece um dos lances capitais do jogo, com o penalty (indiscutível) que o Gaspar cometeu ao colocar o braço à bola na área. O Simão apontou para o lado habitual (direita do guarda-redes), mas o remate era indefensável. Pouco depois, o Belenenses tem duas oportunidades, com um cabeceamento que o Léo salva antes de chegar à baliza e um remate do Zé Pedro por cima. Estávamos a ser dominados e tentávamos responder em contra-ataque. O Nuno Assis esteve particularmente activo, mas os nossos remates saíam invariavelmente ao lado. A três minutos do intervalo, houve novo golpe de sorte. O Karagounis bate directo um livre que era indirecto, a bola é desviada pela barreira e trai o Costinha. Chegávamos ao 2-0 sem ter feito grande coisa para tal e com uma grande dose de fortuna. Mas também tem que haver jogos que nos correm de feição, não?

No início da segunda parte houve mais do mesmo, ou seja o Belenenses manobrava com à vontade no nosso meio-campo e criava lances de perigo. Uma defesa do outro mundo do Quim num remate à queima-roupa logo aos 48’ salvou-nos da redução da vantagem. E a confirmar que estávamos com a estrelinha, apenas quatro minutos depois fizemos o 3-0. O Kikin Fonseca estreou-se finalmente a marcar em jogos oficiais com um cabeceamento na sequência de uma boa assistência de Nuno Gomes (também de cabeça) e depois de um cruzamento do Karagounis. Adquiríamos uma vantagem confortável, mas quem pensasse que o Belenenses iria baixar os braços estava muito enganado. Numa atitude louvável, o adversário continuou a fazer o seu jogo positivo e a criar oportunidades. O Quim voltou a fazer mais duas boas defesas, a primeira num cabeceamento do Dady e a segunda a um remate deste mesmo jogador na pequena-área, em que a bola ainda vai bater a seguir no poste. Pouco depois, é um livre do Zé Pedro que passa rente ao poste com o Quim desta feita batido. A baliza estava definitivamente do nosso lado. Até que aos 70’ o Fernando Santos leu muito bem o jogo e viu que faltava poder de choque ao nosso meio-campo, que permitia que os azuis manobrassem à vontade. Entrou o patinho-feio Beto e o que é verdade é que, a partir daí, o Belenenses deixou de criar tantos lances perigosos. O brasileiro entrou tão bem na partida que até teve o público a gritar por ele num livre frontal (o jogo dava para tudo...). Felizmente o Simão fez ouvidos moucos e colocou a bola na cabeça do Katsouranis para este fazer o 4-0. Com este resultado estamos a apenas dois golos do ataque mais concretizador da Liga e terminámos a primeira volta em casa, com uma média de quase três golos por jogo. Nada mau, o pior é a performance fora de portas, a única responsável pelos oito pontos que nos separam do líder.

É repetitivo, mas há que destacar outra vez os mesmos: Simão, Nuno Assis e Ricardo Rocha. Continuam em grande forma e os dois últimos estão a jogar como nunca estiveram. O Katsouranis também continua em grande e já tem cinco golos marcados. Ocupa muito bem os espaços e portanto não precisa de ser um jogador que corre muito atrás da bola. Os laterais também participaram no ataque, mas o Nélson continua a perder bolas idiotas no nosso meio-campo, que dão origem a contra-ataques perigosos do adversário. Uma menção igualmente ao Quim que foi um dos melhores em campo, ao fazer uma série de três/quatro defesas muito boas que nos mantiveram a zeros pela quarta jornada consecutiva. Os dois atacantes estiveram muito batalhadores, mas desta feita o brinde do golo foi para o mexicano. A propósito, considero a sua possível dispensa um grande disparate. O homem está mais ambientado, vê-se que não é um mau avançado, mas não tem técnica nem velocidade para alinhar nas alas (imaginem o Nuno Gomes a extremo…). Os titulares são obviamente o Nuno Gomes e o Miccoli, mas este passa muito tempo lesionado e para o substituir é preferível ter um jogador que já está no plantel desde o início da época, do que contratar um novo avançado a meio da temporada. Para Marcéis, já basta o do ano passado.

Agora vem a pausa (ridiculamente) prolongada do Natal e Ano Novo. Há que emagrecer o nosso plantel, mas espero que não se cometa os erros do ano passado. Precisamos, quando muito, de um lateral direito para competir com o Nélson, mas mais ninguém. Quando voltarmos a jogar será, ao que tudo indica, já com a presença do Rui Costa. Vai ser a nossa prenda do novo ano!

sábado, dezembro 16, 2006

Tranquilidade

Esta palavra muito em voga nos dias de hoje define bem o jogo frente ao V. Setúbal. Ganhámos por 3-0 numa das partidas mais fáceis que tivemos este ano. Depois de ter tido as duas primeiras oportunidades de golo aos 6’ e 7’, o V. Setúbal conseguiu não fazer mais nada durante o resto do tempo. Um golo logo no primeiro quarto-de-hora acalmou-nos, mas a primeira parte foi horrenda. Na segunda melhorámos e foi sem surpresa que chegámos à já habitual chapa 3.

Perante a lesão de última hora do Petit, jogaram os dois gregos no meio-campo juntamente com o Nuno Assis. O Fonseca permaneceu na equipa e teve por companhia o regressado Nuno Gomes. O Simão é indiscutível e a defesa foi a habitual. À semelhança do que aconteceu na Figueira da Foz, entrámos lentíssimos e muito pouco acutilantes na disputa da bola. O V. Setúbal controlou o jogo durante 10’ e teve as tais duas oportunidades, um remate de longe muito bem defendido pelo Quim e um cabeceamento na sequência de um canto salvo sobre a linha pelo Léo. Aos 13’, num lance um pouco fortuito conseguimos colocar-nos em vantagem pelo Nuno Gomes, que aproveitou um mau alívio de um defesa para dominar bem de peito e desviar a bola do guarda-redes Nélson. A equipa não tinha feito nada para merecer o golo, mas pensei que pudéssemos iniciar uma boa exibição a partir daqui. Puro engano! Continuámos com pouca velocidade na transição para o ataque, muitos passes para o lado e para trás, pouca inspiração individual para criar desequilíbrios e um futebol sem alegria. O Nélson teve a bola duas ou três vezes sem ninguém à frente e, em vez de correr, passava-a para trás. O jogo arrastou-se assim até ao intervalo, até porque se percebeu logo que o V. Setúbal não iria conseguir incomodar-nos.

Felizmente tudo mudou na segunda parte. Tivemos mais vontade na disputa dos lances e imprimimos mais velocidade no jogo. Como se calcula, as oportunidades começaram a surgir com frequência. Logo aos 48’ um centro atrasado do Nélson chega ao Simão que, sem marcação e depois da marca de penalty(!), atira por cima. Pouco depois, outro excelente centro do Nélson proporciona ao Nuno Gomes um bom cabeceamento que o guarda-redes defende sem saber como. À passagem dos 60’ foi o Karagounis que, bem desmarcado pelo Nuno Gomes, atirou também por cima. Mas três minutos depois o jogo ficou definitivamente resolvido. Numa boa jogada de contra-ataque, o Fonseca deixa a bola para o Luisão que tenta o remate, mas acaba por assistir o Simão que atira em arco e faz um excelente golo. Pouco depois o Léo faz uma boa jogada pela esquerda, centra e o Fonseca cabeceia ao lado. Foi pena porque seria um grande golo. Entretanto, o Manú entrou para o lugar do Fonseca e teve participação directa no terceiro golo aos 86’. Noutro contra-ataque, o Nuno Gomes cede-lhe a bola e ele remata com força para defesa do guarda-redes, só que a bola continua em jogo, vai ter novamente ao Manú que assiste o Nuno Assis na área para fazer o seu golo anual pelo Benfica. É pena, porque o Assis é dos nossos jogadores em melhor forma, só que não sabe rematar à baliza, caso contrário marcaria muitos mais golos por época. Assim, temos que nos contentar com um ou dois e ou muito me engano ou já está. Dois minutos depois esteve quase a acontecer o quarto golo, num remate do Nuno Gomes que o guarda-redes defendeu para a barra. O jogo chegava ao fim logo a seguir e a vitória foi incontestável.

Em termos individuais, tem que se destacar o núcleo duro da equipa: Luisão, Ricardo Rocha, Simão e Nuno Gomes. Os dois primeiros estiveram excelente em termos defensivos e o Luisão ainda participou no segundo golo. O Simão continua em boa forma e na segunda parte foi o maior desequilibrador da equipa. Sempre que teve a bola nos pés, criava perigo. O Nuno Gomes voltou finalmente aos golos (por pouco marcava dois) e esteve sempre em movimento. É um jogador fundamental para o nosso tipo de futebol, muito baseado em tabelinhas para proporcionar a entrada dos médios na área. Espero que este golo e esta exibição signifique que a sua má forma é passado. Os restantes jogadores estiveram em plano aceitável. Nota-se que o Fonseca não é mau jogador, mas que precisa de rodagem. Tal como a equipa, melhorou muito na segunda parte, nomeadamente a fazer passes que desmarcavam colegas junto às alas. O Nuno Assis também esteve muito mexido e o Katsouranis foi mais discreto do que o habitual, especialmente em termos atacantes, porque teve que fazer de Petit. No entanto, o meio-campo era todo dele. O Léo destacou-se mais que o Nélson, mas ambos parece que se transformaram ao intervalo, tal a diferença para o segundo tempo. O Quim, tirando aquela defesa logo no início, deveria ser contado como mais um espectador.

Na próxima quinta-feira defrontamos o Belenenses para colocar o calendário em dia. Eles foram ganhar ao Marítimo por 4-1 e o jogo promete ser muito mais difícil do que o de hoje. Escusado será dizer que é imperioso ganharmos. Depois teremos três semanas sem futebol numa daquelas medidas surreais do futebol português. Uma pausa de Inverno de tanto tempo? Irá o país ser coberto de neve e ter temperaturas negativas?

segunda-feira, dezembro 11, 2006

A besta negra

Três jogos, três empates é o nosso saldo histórico com a Naval 1º de Maio. Ontem houve mais um 0-0 e novamente um penalty que ficou por assinalar a nosso favor tal como no jogo de Março passado na Luz. O Sr. Paulo Paraty e respectivos fiscais-de-linha não viram uma mão escandalosa ainda na primeira parte e isto misturado com muita aselhice na altura de rematar à baliza contribuiu para mais dois pontos perdidos. Temos um jogo em atraso, mas acho que dissemos adeus ao campeonato. O clube regional está muito consistente e oito pontos (na melhor das hipóteses) para lhes recuperar na segunda volta é uma distância muito considerável. Já se percebeu que a montanha-russa de resultados é para ficar e não se vislumbra, a quem se senta no banco, capacidade para dar a volta à situação. A análise aos jogos do Sr. Fernando Santos é boa, mas simplesmente a sua mensagem não passa aos jogadores. Tinha dito esta semana que “temos três vitórias para obter até ao Natal” e depois a equipa apresenta o “futebol” (?) que se viu na primeira parte. Incompreensível...

Jogámos desfalcados do Nuno Gomes e do Miccoli, mas isto não serve de desculpa. Temos o melhor plantel desde há muito tempo e não podemos ficar reféns de dois jogadores, por muito importantes que sejam. Aliás, a lesão do Miccoli é mais uma a entrar no anedotário do nosso departamento médico. Qual foi a vantagem de ele ter jogado a 50% em Manchester? Porque é que insistimos em fazer alinhar jogadores a meio-gás, para depois os perder durante um ou mais meses? Quem toma estas decisões? Adiante... Dado estas ausências entraram o Fonseca e o Paulo Jorge, tendo nós apresentado uma táctica de 4-3-3, ainda com o Karagounis no lugar do Nuno Assis. Todavia como já disse, a nossa primeira parte foi muito má. Entrámos muito lentos, sem ideias, com pouca agressividade e uma tendência irritante em jogar para trás (tendência essa que se manteve durante a maior parte do jogo). A Naval quase não atacava, pelo que o jogo era bastante aborrecido. Só quando o Simão tinha a bola é que acontecia qualquer coisa de novo. Em duas ou três arrancadas criou desequilíbrios que se tornaram os únicos lances de perigo que construímos. Infelizmente a finalização esteve muito mal, com remates muito ao lado do próprio Simão, do Karagounis e um desvio por cima da barra do Fonseca.

Na segunda parte aumentámos a velocidade e as oportunidades começaram a surgir com mais frequência. Era o Simão o motor de todo o nosso ataque e o Katsouranis o finalizador preferencial. O grego fez o melhor remate do Benfica que proporcionou a única (!) defesa ao guardião Taborda. Todos os restantes remates saíam ou ao lado ou por cima. O tempo passava, mas nós não marcávamos. Cerca dos 65’ entrou o Mantorras para o lugar do Paulo Jorge, todavia o angolano não está com a estrelinha de tempos passados. Um dos nossos grandes problemas era a pouca velocidade na transição para o ataque, muito por culpa do jogo mastigado do Karagounis e, sobretudo, do Petit. Aliás, não percebo porque é que o Nuno Assis saiu da equipa. Fez um jogo menos conseguido em Inglaterra, é verdade, mas tem sido dos nossos melhores jogadores. Sem surpresa, mas já tarde em minha opinião, a 15’ do fim entrou para o lugar do Karagounis. A nossa pressão mantinha-se, porém não conseguíamos enquadrar os nossos remates com a baliza, também porque a cerimónia na hora de rematar era mais que muita. Na última oportunidade que tivemos, o Ricardo Rocha falhou um desvio à boca da baliza na sequência de um livre. E assim voaram mais dois pontos.

Individualmente mais uma vez o Simão destacou-se dos demais. Espero que não se confirme as notícias da sua possível saída em Janeiro, porque estamos muito dependentes dele. Viu-se bem isso na pré-época e agora é por demais evidente. O Katsouranis também esteve em evidência, porque foi um dos mais rematadores. Todos os outros estiveram num nível mediano. O Fonseca mostrou alguns bons pormenores, mas não é nada acutilante na hora de atirar à baliza. Falta-lhe o killer instinct dos verdadeiros pontas-de-lança. O Nélson não esteve tão bem como em jogos anteriores e a nossa produção atacante ressentiu-se disso. O Léo subiu bastante na segunda parte e tem uma energia que parece que não acaba. Os centrais não tiveram grande trabalho, mas o Quim defendeu para a frente uma bola relativamente fácil. O Paulo Jorge esteve mexido, no entanto foi muito inconsequente. O Petit jogou bastante mais vezes do que era desejável para os lados e para trás e emperrou muito o nosso ataque, assim como o Karagounis que para além do mais não esteve nada bem a rematar à baliza.


São jogos como este que fazem ganhar ou perder campeonatos. Jogos em que a exibição não é a melhor, mas em que a vitória é crucial. Já tivemos bastante desta dose este ano e quase sempre com os mesmos (maus) resultados. Com o jogo de ontem, perdi todas as ilusões que tinha. Estamos a metade do campeonato e com a irregularidade de resultados que tínhamos no seu início. E assim é impossível ser-se campeão.

sábado, dezembro 02, 2006

O sabor

Finalmente provei o sabor de presenciar ao vivo a vitória em casa dos lagartos. Ainda por cima na minha estreia! Muitos referiam que estas vitórias são diferentes e realmente é verdade. Ver as caras dos lagartos à saída do estádio é algo impagável. Foram 2-0, mas podiam ter sido mais, bastava só que aquela bola do Miccoli perto do intervalo não embatesse na barra…

A entrada no estádio foi particularmente difícil e só me sentei dois minutos antes de começar o jogo. O sector visitante não tem uma porta específica o que faz com que se tenha que esperar séculos para entrar, porque os adeptos lagartos também entram por essa porta e naturalmente não podem entrar os dois ao mesmo tempo. Mas enfim, lá consegui chegar antes do jogo começar e ainda bem, caso contrário teria perdido o golo do Ricardo Rocha (o enguiço parece estar quebrado de vez; que golão de cabeça!) logo aos 3’. Não poderíamos ter tido melhor entrada no jogo! O golo surgiu na sequência de um canto, depois de um excelente centro do Nélson ao qual o Nuno Gomes correspondeu com uma boa cabeçada para defesa do Ricardo. Os lagartos acusaram bastante este início de jogo e não conseguiam criar perigo. No entanto, nós também não trocávamos a bola com eficiência para tentar o contra-ataque. O jogo não estava a ser bom e os lagartos só tiveram dois lances em que se aproximaram com relativo perigo da nossa área, ambos de cabeça. Porém, aos 36’ há finalmente um contra-ataque eficaz. Excelente passe do Miccoli para o Simão, que passa pelo Custódio como se ele não estivesse lá, isola-se e atira para o poste mais distante assim que o Ricardo saiu da baliza. Foi o delírio no sector visitante! Até final da primeira parte poderíamos ter marcado mais dois: o tal grande remate do Miccoli que bateu no poste e uma recarga do Nuno Gomes, depois de um livre do Simão, que o Ricardo defendeu com o pé.

Na segunda parte estava com receio de uma entrada forte dos lagartos, mas nada disso se verificou. Estivemos irrepreensíveis na defesa e eles raramente conseguiam construir lances de perigo. Infelizmente, no ataque não estivemos tão bem. O Quim passou o tempo todo a pontapear bolas para a frente (para a cabeça do Miccoli?), em vez de a colocar jogável nos companheiros. Se foram indicações do Fernando Santos, foram muito mal dadas. A posse de bola era toda deles, mas o que vale é que foi completamente inconsequente. Todavia, naturalmente que não conseguíamos criar perigo. Andámos assim durante uma boa meia-hora. Nesta altura estávamos a jogar em claro 4-3-3 com o Simão, Miccoli e Nuno Gomes na frente e o Petit, Katsouranis e Nuno Assis a controlar quase todos os ataques lagartos. A segunda parte não teve grande emoção, porque eles praticamente só conseguiam rematar de longe e todas as bolas, quando chegavam à baliza, foram bem defendidas pelo Quim. Ainda assim, houve duas particularmente difíceis: uma do Bueno de cabeça, na sequência de um canto, e outra do Djaló depois de um amortecimento do Liedson. A 10’ do fim, o Polga levou o segundo amarelo e tive a esperança que pudéssemos aumentar o score, até porque os lagartos deixaram de acreditar. No entanto, dois minutos depois o Nuno Gomes tem uma entrada muito dura sobre o Moutinho e é expulso. Não percebo o que lhe passou pela cabeça... Estávamos a ganhar e com o jogo perfeitamente controlado. Agora vai ficar dois jogos na bancada e espero lhe faça bem, porque o 21 realmente não está em grande forma. Até final ainda deu para o Nélson dar dois bailinhos aos lagartos, que infelizmente não tiveram resultados práticos.

Fizemos um jogo muito bem conseguido, mas individualmente tenho que destacar três jogadores: Simão, Nuno Assis e Ricardo Rocha. O capitão marcou um excelente golo e foi o grande dinamizador do nosso ataque, até porque o Miccoli ainda não estava completamente recuperado do problema muscular que teve na semana passada e o Nuno Gomes não está muito confiante. O Nuno Assis foi importantíssimo no meio-campo, tanto a defender como a atacar. Parece uma formiga que nunca pára. O Ricardo Rocha marcou um golão, só me lembro de ter feito uma falta e foi praticamente intransponível. O Quim também esteve em destaque ao resolver bem o pouco trabalho que teve. O Nélson está em excelente forma, mas tem que deixar de tentar fintar perto da nossa área. O Luisão voltou e ainda bem, porque a defesa com ele é outra coisa e o Léo não sabe jogar mal. O meio-campo também esteve muito bem a defender, mas a transposição para o ataque deveria ter sido melhor em grande parte do jogo. Espero que o Miccoli não se ressinta da lesão na próxima 4ª feira, porque notou-se que não estava na sua plenitude. A entrada do Paulo Jorge foi importante para ajudar o Nélson a suster o Tello e o Nani, porque a meio da segunda parte o Katsouranis deu o berro.

São estas vitórias que nos confiança para o futuro. Espero que seja o início da estabilização da equipa, porque mesmo que ganhemos ao Belenenses ainda teremos o clube regional a seis pontos. É fundamental não perdermos mais pontos idiotas e deixarmos de vez a montanha-russa de exibições e resultados que vem desde o início da época. Temos um plantel fantástico e não esqueçamos que ainda não há maestro. Quanto ao jogo em Manchester será bastante mais difícil do que este, mas o favoritismo está do lado deles. No entanto, se jogarmos com a personalidade de hoje uma surpresa não estará totalmente colocada de parte…

P.S. – No fim do jogo ainda deu ter a boa companhia do D’Arcy na volta a casa. Aquele percurso no meio das caras de derrotados dos lagartos é algo que me vai ficar na memória durante muito tempo... :-)