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quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Amargo

Perdemos ontem em Madrid frente ao Real por 2-1 e fomos eliminados da Liga dos Campeões. Depois da supremacia espanhola no jogo da 1ª mão, assistiu-se a uma partida muito mais equilibrada, em que o resultado mais justo teria sido o empate. Seríamos eliminados na mesma, mas a nossa exibição não justificou de todo a derrota.
 
Com o Prestianni castigado preventivamente, o Mourinho apostou no Richard Ríos para fechar pela direita, mantendo a equipa-tipo dos últimos encontros mais importantes. Entrámos muitíssimo bem neste, confundindo completamente o Real Madrid e não o deixando praticamente sair a jogar. Claro que as ausências por lesão do Huijsen e principalmente Mbappé muito contribuíram para um Real mais fraco do que em Lisboa, mas ainda assim era o Real Madrid no Bernabéu e em muitos períodos da 1ª parte tivemos a personalidade que se exigia a quem tinha necessariamente de ganhar. Uma cabeçada do Leandro Barreiro colocou à prova a segurança do Courtois e aos 14’ inaugurámos mesmo o marcador através do Rafa, com uma recarga a um seu remate, depois de uma assistência do Pavlidis na direita, bem desmarcado pelo Ríos. Empatávamos a eliminatória e estávamos por cima do Real Madrid, pelo que as perspectivas eram boas. Só que... apenas dois minutos depois, sofremos o empate! Perda de bola do Otamendi a sair a jogar, contra-ataque adversário, com centro atrasado do Valverde para o Tchouaméni rematar à vontade à entrada da área, sem hipóteses para o Trubin. Foi muito frustrante dado que nem tivemos tempo de gozar a eliminatória empatada e o efeito que isso eventualmente teria na equipa espanhola. No entanto, até ao intervalo fomos criando perigo, muito por acção do Schjedlderup na esquerda, que voltou a ser dos nossos melhores jogadores. Porém, pouco depois da meia-hora, vimos a bola entrar novamente na nossa baliza, mas fomos salvos por um fora-de-jogo de VAR. Todavia, o Trubin não esteve nada bem quando se fez à bola, sendo muito lento a chegar ao relvado, o que permitiu que o Arda Güler metesse a bola na baliza. Teria sido outro golo muito consentido... De qualquer forma, poderíamos ter ido para o intervalo outra vez em vantagem, não fosse o caso de o guarda-redes adversário se chamar Coutrois... Bom remate rasteiro do Ríos quase em cima da área e magnífica defesa do belga, que nos tirou um golo certo.
 
Na 2ª parte, o jogo foi mais equilibrado, embora com menos intensidade do que na 1ª, mas continuou a haver hipóteses para os dois lados. Os espanhóis faziam por desacelerar o ritmo de jogo e nós não tivemos tanto sucesso a condicionar a saída deles como na etapa inicial. O Alexander-Arnold teve duas jogadas em que criou perigo para a nossa baliza, com um centro rasteiro tenso que ninguém conseguiu desviar e um remate que saiu ao lado, mas a grande oportunidade foi nossa com um remate de trivela do Rafa, que desviou num defesa e bateu na barra. Tivemos outra jogada muito semelhante à do primeiro golo do Real Madrid, em que o remate do Pavlidis ia com boa direcção, mas foi cortado a meias pelo Rüdiger e Carreras. A equipa estava a pedir mexidas, mas o nosso banco só reagiu depois do 2-1, que surgiu aos 80’ pelo Vinícius Júnior. Uma tentativa falhada de corte em antecipação do Tomás Araújo espoletou um contra-ataque fatal, finalizado com muita classe pelo brasileiro. Só a partir daqui é que vieram as substituições e, claro está, o Schjedlderup é sempre o primeiro a sair, quer esteja a jogar bem ou mal, e o Ivanović foi pelo segundo jogo consecutivo para extremo-esquerdo. Decisão mais uma vez incompreensível com o resultado que se esperava: deixámos de criar perigo por aquele lado. Esta questão das (não-)substituições é um mistério: num jogo como este não fazer entrar em campo nem o Sudakov, nem o Lukebakio (entrou o Sidny Cabral...), mesmo que fosse nos minutos finais, é muito pouco compreensível. Especialmente, dado que o Rafa e o Pavlidis acabaram o encontro muito esgotados...
 
Em termos individuais, o Schjedlderup e o Dahl foram de longe os melhores e mais consistentes ao longo de toda a partida. O Ríos também não esteve mal, em especial se levarmos em consideração que veio de lesão há pouco tempo. O Aursnes não está no seu melhor momento em termos físicos, mas já não vai sair daquele lugar de seis. O Leandro Barreiro esteve igualmente bastante combativo e o Dedić conseguiu controlar o grande perigo do lado contrário, Vinícius Júnior, na medida do possível. Os dois centrais, ao invés, tiveram um jogo para esquecer, em especial o Otamendi, cuja falha está indelevelmente ligada ao destino desta partida e quiçá eliminatória: nunca saberemos o que teria sido o Real Madrid com tudo empatado... O Pavlidis e o Rafa não atravessam as suas melhores fases, apesar de terem participado directamente no nosso golo. Eu teria colocado o Ivanović e o Sudakov nos seus lugares a partir de determinada altura.
 
Poderíamos (e deveríamos) ter feito mais para alcançar outro resultado, mas estamos no final de Fevereiro e só temos o campeonato como objectivo. A sete pontos de distância. Estou muito curioso para ver o que é que a equipa vai levar desta eliminatória, que, apesar de tudo, conseguimos disputar taco a taco com o Real Madrid, para o resto da temporada. Não foi uma boa participação europeia, porque não obtivemos o resultado mínimo, que era atingir os oitavos, mas teremos sempre aquele momento do golo do Trubin para recordar para sempre.

sábado, fevereiro 21, 2026

Intenso

Perdemos na passada 3ª feira (0-1) frente ao Real Madrid na 1ª mão do play-off de acesso aos oitavos-de-final da Champions e temos naturalmente a nossa vida bastante complicada. Depois da jornada épica de há três semanas, o Real Madrid apresentou-se de maneira bem diferente, de escaldado que estava, e foi superior a nós durante a maior parte do jogo.
 
Com o Aursnes de regresso ao onze, o Mourinho manteve a tendência atacante com o Rafa atrás do Pavlidis e o Prestianni e Schjelderup nas alas. Nem entrámos mal, com uma cabeçada do Tomás Araújo à figura do Courtois num canto, e um remate de fora da área do Aursnes desviado por um defesa, que o guarda-redes belga defendeu com um fantástico golpe de rins. No entanto, a iniciativa atacante foi quase toda do Real Madrid, com muita paciência a rodar a bola por todos os jogadores na tentativa de encontrar uma brecha na nossa defesa. Não foi fácil, dado que nos fechámos bem, mas, graças à sua qualidade individual, lá foram criando uma ou outra oportunidade que, ou saiu ao lado ou por cima, ou esteve lá o Trubin para garantir a nossa baliza a zeros até ao intervalo. Quanto a nós, raramente conseguimos criar perigo, fruto principalmente de uma noite muito desinspirada do Rafa, que não conseguiu dar fluidez aos nossos contra-ataques. Ou fazia uma finta a mais, sofria falta e o momentum perdia-se ou perdia mesmo a posse de bola. Raramente tomou a decisão certa e, perante adversários com a valia dos merengues, não há segundas hipóteses de criar perigo na mesma jogada.
 
A 2ª parte ficou marcada pelo único golo do encontro, que surgiu logo aos 50’. Contra-ataque do Real Madrid, com o Mbappé a dar na esquerda para o Vinícius Júnior, que fez a sua jogada habitual de flectir para o meio e rematar em arco, sem hipóteses para o Trubin. Foi um golão, mas o que se seguiu foi muito feio. Em vez de ir comemorar para junto dos seus adeptos, o Vinícius Júnior não encontrou melhor sítio para o fazer do que junto à claque do Benfica. Sambou e virou-se para os adeptos de forma nitidamente provocatória. Tanto assim foi que, não só o Rüdiger foi lá empurrá-lo para o centro do campo, enquanto pedia desculpa aos adeptos, como o próprio árbitro mostrou um amarelo ao brasileiro. O estádio ficou em polvorosa, como seria expectável. Quando o jogo ia recomeçar, o brasileiro foi a correr para o árbitro, o Sr. Francois Letexier, a denunciar o Prestianni por alegados insultos racistas. O jogo esteve parado cerca de 10 minutos e o caldo foi definitivamente entornado. Sobre o que foi ou não dito, só ambos os jogadores saberão. Eu não meto as mãos no fogo por ninguém e, se houve insultos racistas, o Prestianni deve ser castigado. Até por ser idiota, porque com tanto bom insulto para fazer, com tanto animal para escolher, alguns até mais apropriados para a situação (o Vinícius Júnior tem tanto de bom jogador como de porco provocador, a sua cor é completamente indiferente), foi alegadamente escolher um que insulta uma raça inteira. Quanto ao Vinícius Júnior, apenas uma questão: com tanto jogador negro, porque será que ele é o que se queixa regularmente de racismo nos estádios. É que já não é nem a primeira, nem a quinta vez que acontece... E não, isto não é o argumento da “mini-saia”! É só uma questão de bom senso: jogador que vai festejar para junto da claque adversária e provoque nitidamente os adeptos contrários vai ser insultado. Seja de que forma for. Tenha cor da pele que tiver. Não dar azo a que se chegue a esse ponto, não dando pretextos para que isso aconteça, é provavelmente o que todos os jogadores deverão fazer no futuro. Que este caso permita, ao menos, mudar os comportamentos. De todos os envolvidos. Dentro do campo e nas bancadas. Mas há insultos e insultos. Racismo é crime e é bom que seja penalizado. Ponto final. Na minha bancada, tive de mandar calar um consócio mais velho e perguntar-lhe se também fazia aqueles urros quando o Eusébio ou agora o Anísio Cabral tocava na bola... Para além de poder prejudicar o próprio Benfica com aquele comportamento! Acéfalo idiota!
 
O jogo ficou definitivamente marcado por esta situação e até final já não foi o mesmo. No entanto, há coisas que nunca mudam e o Schjelderup foi o primeiro a sair...! Só num livre do entretanto entrado Sidny Cabral causámos algum perigo, porque a bola desviou na barreira e passou por cima da barra, com o Courtois desequilibrado. Do outro lado, um outro remate do Vinícius foi bem defendido pelo Trubin.
 
Em termos individuais, o Tomás Araújo fez uma exibição irrepreensível, muito bem secundado pelo Leandro Barreiro. O Aursnes, apesar de não ter durado o jogo todo por limitações físicas, esteve ao seu nível habitual e o Schjelderup estava a ser o mais dinâmico no ataque, mas nunca acaba um jogo... Quanto ao Rafa, para se exibir desta forma, é bom que fique no banco, porque o Sudakov teria sido bastante mais útil, porque ao menos conseguia reter a posse de bola.
 
Iremos receber hoje o AVS numa partida em que o Mourinho irá fazer certamente muitas alterações, porque vamos ao Bernabéu na próxima 4ª feira tentar um milagre. Mas convém não desvalorizar o adversário só porque está em último lugar, porque é bem provável que, a partir da próxima semana, só tenhamos o campeonato para nos preocupar.
 
P.S. – É muito giro o Presidente da FIFA vir mostrar-se chocado com esta situação, especialmente depois de ter inventado um “Prémio da Paz” para dar a um líder autoritário, que está a expulsar emigrantes do seu país exclusivamente por causa da cor da sua pele... Hipócrita de m****!

sábado, janeiro 31, 2026

Lendário

Vencemos o Real Madrid na passada 4ª feira (4-2) e conseguimos o milagre de nos qualificarmos para o play-off de acesso aos oitavos-de-final da Champions. O que vai tornar esta jogo inesquecível para todos os que o viram foi naturalmente a forma como o conseguimos. Não é meu costume colocar fotos aqui nos posts, mas esta não podia falhar. Um golo do guarda-redes no (literalmente) último segundo do tempo de compensação(!) dá entrada directa desta partida nas melhores de sempre que vimos na nova Luz. E na nossa vida.
 
Vou fazer um esforço para que este post não seja um segundo volume d’Os Maias, tal a quantidade de factos que merecem ser relatados. A equipa titular estava em consonância com a absoluta necessidade de vitória, que podia não bastar, porque estávamos dependentes de cinco (ou seis) resultados alheios. Prestianni e Schjelderup nas alas, Sudakov atrás do Pavlidis. Demos um verdadeiro amasso ao Real Madrid durante a maior parte dos primeiros 45’, de tal forma que um jogador adversário (não me lembro qual o Mbappé) disse no final que poderiam ter chegado ao intervalo a perder por 4 ou 5, em vez de ser só por 2-1. Falhámos golos em catadupa e foi até o Mbappé a inaugurar o marcador aos 30’, numa cabeçada sem hipóteses para o Trubin, connosco a conseguir dar a volta pelo Schjelderup (36’) também de cabeça a centro do Pavlidis e por este, de penalty, em cima do intervalo, a castigar derrube ao Otamendi num canto a nosso favor. Mas o Aursnes com um remate frouxo só com o Courtois pela frente, o Leandro Barreiro com um desvio ao lado de cabeça também só com o guarda-redes pela frente, uma bola defendida ao poste pelo Courtois a remate do Prestianni e novamente o Schjelderup numa recarga tirada em cima da linha por um defesa poderiam ter espantado o mundo do futebol com uma goleada ao Real Madrid...Seria eventualmente um 6-2, porque do outro lado o Trubin também defendeu muito bem uma cabeçada num canto. Mas não deixaria de ser uma goleada.
 
A 2ª parte não foi tão frenética, pelo menos até se aproximar do final, dado que nós recuámos um pouco as linhas, esperando pelo embate do lado contrário. No entanto, nunca descurámos o contra-ataque e foi através dele que aos 54’ alargámos para 3-1, num bis do Schjelderup, com a sua jogada típica de flectir da esquerda para o meio e rematar, não dando hipóteses ao Courtois. Tínhamos de estar à espera de outros resultados, mas, sem uma vitória nossa, nada valeria a pena e, portanto, dois golos de vantagem eram muito importantes. Porém, essa vantagem não durou muito, dado que aos 58’ também o Mbappé fez um bis num remate rasteiro dentro da área, depois de uma boa jogada do Arda Güler na direita. A derrota também atirava os espanhóis para fora do top-8 da qualificação directa, pelo que eles foram tentando a igualdade, mas nós defendemos sempre muito bem e o Trubin lá foi defendendo remates de fora da área do Vinicius Júnior, do Güler e do Rodrygo. Do nosso lado, foi o Leandro Barreiro a fazer um desvio na pequena-área que o Courtois defendeu e no tempo de compensação ficámos a jogar com mais dois, porque o Asencio viu o segundo amarelo e o Rodrygo o vermelho directo por palavras. O árbitro italiano Sr. Davide Massa tinha dado 5’ de compensação, mas com estas paragens todas estendeu até aos 8’. E foi numa falta já perto desses oito minutos que o milagre aconteceu. Como o nosso jogo recomeçou mais tarde do que os outros, todos estes já tinham acabado e nós precisávamos de mais um golo para poder passar à fase seguinte, ficando à frente do Marselha. Como estava a dizer, livre para a área, batido pelo Aursnes e o Trubin pediu licença para subir. Foi, então, que vimos uma lenda nascer em directo, com o ucraniano a cabecear na perfeição a bola batida pelo norueguês e a dar-nos a nós todos, benfiquistas, uma das maiores alegrias de sempre! Ainda hoje estou para saber como é que o estádio sobreviveu ao vulcão que entrou em erupção com este momento inolvidável! Disse aos meus filhos no final que, momentos destes, não há dinheiro nenhum no mundo que pague! Ganhar ao Real Madrid, com um golo marcado no último segundo da compensação, pelo guarda-redes e que nos dá uma qualificação para a fase seguinte, é matéria de filme...! It doesn’t get better than this...!
 
Em termos individuais, toda a equipa merece naturalmente uma palavra pela abnegação, entrega e bom futebol produzido, mas os dois alas (Prestianni e, principalmente, Schjelderup foram os melhores). Aliás, quanto mais não fosse, espero que este jogo tenha convencido de vez o Mourinho que jogar com verdadeiros alas e não médios-centro adaptados aos flancos nos coloca muito mais perto das vitórias. Outra palavra, como é óbvio, tem de ser dada ao Trubin, que conquistou um lugar eterno no imaginário de todos os benfiquistas. Nunca mais ninguém se irá esquecer deste momento!
 
Para o play-off, cujo sorteio foi ontem, calhou-nos... o Real Madrid! Outra vez! Vai ser a duas mãos e eles hão-de querer vingança pelo que se passou, mas mesmo assim prefiro-os à outra hipótese, que era o Inter de Milão. Contra os italianos, jogámos quatro vezes nos últimos anos, tendo sido roubados em todos os quatro jogos! Não temos nada a perder, o favoritismo é do Real e logo veremos o que vamos conseguir (ou não) fazer, mas esta alegria (que será provavelmente a última deste ano) não só já ninguém nos tira, como irá ser lembrada para sempre.
 
P.S. – Um dos meus colegas de bancada já me estava a dizer, ainda antes dos 90’ que, com aquela derrota do Marselha, dependíamos de nós e  tínhamos de marcar mais um golo. É INACREDITÁVEL e INDESCULPÁVEL que ninguém na estrutura do Benfica tenha passado essa informação ao Mourinho e aos jogadores. De tal forma que o Mourinho mete o António Silva, como terceiro central, e o Trubin está a perder tempo na reposição de bola já na compensação, com o Ivanović um-para-um no meio-campo...! Isto quando todos nós na bancada já sabíamos que era preciso mais um golo e daí o “só mais um” gritado em uníssono para dentro do campo...! Não se percebe este amadorismo! De todo!

sábado, janeiro 24, 2026

Desapontante

Perdemos em Turim frente à Juventus (0-2) na passada 4ª feira e só um milagre nos permitirá continuar na Liga dos Campeões, porque não só temos de ganhar ao Real Madrid na última jornada da Fase Liga, como ainda temos de esperar resultados favoráveis em, pelo menos, outros cinco jogos... Foi uma derrota algo injusta, porque mostrámos capacidade para obter outro resultado, mas fomos prejudicados pela nossa tremenda falta de eficácia.
 
O Mourinho surpreendeu ao repetir a equipa (ofensiva) de Vila do Conde, com o Prestianni e Schjelderup nas alas e o Sudakov atrás do Pavlidis. A 1ª parte teve oportunidades para os dois lados, mas não só os respectivos guarda-redes estiveram bem, como também houve alguma falta de pontaria. O Sudakov teve um remate de pé esquerdo defendido pelo Di Gregorio, mas talvez pudesse ter dado para o lado, porque tinha o Schjelderup completamente à vontade, com o Pavlidis a não conseguir chegar a tempo da recarga, depois da defesa do guarda-redes. Pouco depois, foi o Prestianni a fazer o mesmo de Vila do Conde, ou seja, inclinar muito o corpo para trás e fazer a bola subir, quando estava em óptima posição...! Erro de principiante! Dominámos grande parte deste período, mas não conseguimos meter a bola na baliza e teria sido muito importante sermos os primeiros a marcar...
 
Na 2ª parte, a Juventus foi mais perigosa, com o Trubin a safar-nos logo de início ao defender com o pé um remate do McKennie. No entanto, aos 55’, os italianos inauguraram mesmo o marcador, com o Tomás Araújo a não ficar muito bem na fotografia, deixando-se bater pelo Jonathan David, tendo a bola sobrado para o Khéphren Thuram, que desfeiteou o Trubin com um remate rasteiro e colocado. Aos 64’, nova investida da Juventus literalmente pelo meio da nossa defesa, com o Jonathan David outra vez na jogada, tendo o remate final pertencido ao McKennie, que o conseguiu efectuar apesar estar rodeado de cinco jogadores nossos!!! Respondemos pouco depois e poderíamos ter reduzido, caso um cabeceamento do Aursnes não tivesse embatido no poste! O Mourinho mexeu na equipa a 20’ do fim e, claro, foi o Schjelderup (que até nem estava a fazer um mau jogo) a sair, com o Ivanović a ir para o lado esquerdo(?!) do ataque... (Não percebo esta fixação de colocar um ponta-de-lança a extremo, fazendo sair um... extremo!) A 15’ do fim, poderíamos ter levado a machadada final, mas o Trubin defendeu para o poste um lance muito confuso. A 10’ dos 90’, deveríamos ter reduzido a desvantagem, mas o Pavlidis escorregou(!) na altura de bater um penalty, por falta sobre o Leandro Barreiro. Inglório! Poderíamos ter entrado novamente no jogo, mas perdemos essa oportunidade de uma forma inacreditável. Até final, nada mais conseguimos fazer.
 
Em termos individuais, o Aursnes exibiu-se em bom plano, embora no lance do segundo golo fosse um dos cinco que não conseguiu cortar a jogada. O Dedic foi o principal dinamizador na 1ª parte, mas, seguindo uma tendência, baixa de produção depois do intervalo. O Sudakov não esteve tão bem quanto em Vila do Conde, assim como o Schjelderup, mas as substituições de ambos têm pouca justificação, até porque piorámos com elas. O Pavlidis parece afectado com o incrível falhanço em Mordor e está com uma crise de confiança.
 
Iremos receber o Real Madrid na próxima semana para o tudo ou nada, mas amanhã teremos o Estrela da Amadora para o campeonato. Independentemente das boas exibições em Mordor e Turim, averbámos duas derrotas. Parece mentira que ainda só estejamos em Janeiro e já com praticamente zero perspectivas de sucesso para o resto da temporada...

sexta-feira, dezembro 12, 2025

Finalmente!

Vencemos o Nápoles na Luz por 2-0 na 4ª feira e mantivemo-nos na luta pelo play-off da Champions. Depois da desilusão do campeonato, arriscávamo-nos a ficar com a época muito comprometida neste jogo, mas a resposta da equipa foi à altura da importância da ocasião. Já não era sem tempo!

O Mourinho surpreendeu ao dar a titularidade ao Tomás Araújo e Ivanović, ficando o António Silva e o Pavlidis no banco. Ao contrário da partida frente aos lagartos, a nossa entrada foi muito boa, tendo tido logo duas enormes chances para marcar, com o Ivanović a permitir a defesa do guarda-redes Milinkovic-Savic, quando estava só perante ele, e o Aursnes a fazer ainda pior, com um remate atabalhoado ao lado, estando numa posição ainda melhor do que o croata. Isto já depois de, na continuação do lance do Ivanović, rematado para fora, quando também estava em boa posição. No entanto, aos 20’, inaugurámos mesmo o marcador num desvio do Ríos depois de uma assistência de cabeça do Ivanović, na sequência de um centro do Dahl para a área. Depois de tanto falhanço, estávamos por fim na frente de um encontro onde só tínhamos uma opção: ganhar. A partir daqui, baixámos o ritmo na tentativa de controlar a resposta contrária, o que até conseguimos, dado que os italianos não criaram assim grande perigo. Da nossa parte, na sequência de um canto, o Otamendi teve duas oportunidades no mesmo lance, com um remate acrobático que bateu no Ivanović e tendo a recarga saído muito por cima.

A 2ª parte não poderia ter começado melhor, com o 2-0 logo aos 49’, numa óptima jogada entre o Ivanović e o Ríos, com o colombiano a assistir o Leandro Barreiro um desvio de calcanhar, surpreendendo o guardião contrário. A partir daqui, e é uma das grandes vantagens do Mourinho, quando é preciso trancar a baliza, ele sabe como o fazer. O Nápoles bem tentou, mas só num remate do David Neres é que colocou à prova o Trubin e, mesmo assim, sem grandes problemas para defender para canto. Do lado contrário, num contra-ataque já no último quarto-de-hora conduzido pelo Barrenechea, o entretanto entrado Pavlidis rematou para defesa para canto do Milinkovic-Savic. O mesmo Pavlidis, noutro contra-ataque, ficou frente-a-frente com o guarda-redes, mas o gigantismo dele (2,02cm) impediu o grego de ser feliz. No entanto, felizmente, não precisámos desse golo para nos mantermos a salvo, porque, apesar de ir pondo avançados, o Nápoles não conseguiu criar perigo, também porque o Moutinho, quando foi preciso, não teve pejo em colocar um terceiro central (António Silva).

Em termos individuais, o Ríos foi outra vez o melhor em campo e está a subir a olhos vistos. Bom jogo igualmente do Dahl, apesar de o Neres o ter posto à prova especialmente na 1ª parte, e do Ivanović, que espero ter aqui adquirido uma segunda vida no Benfica. É um jogador para jogar em profundidade, que era o que precisávamos neste jogo (e cheira-me que precisamos também nos dois que faltam, em Turim e na recepção ao Real Madrid). O Dedic foi o toiro do costume e o resto da defesa também esteve muito bem. 

Champions só regressa daqui a um mês e, até lá, temos jogos muito importantes no calendário nacional, incluindo uma Taça (da qual somos detentores) para atribuir, pelo que espero que o boost de energia e confiança que tivemos nesta partida se prolongue o mais tempo possível.

sexta-feira, novembro 28, 2025

À tona

Vencemos na 3ª feira o Ajax em Amesterdão (2-0) e conseguimos a primeira vitória nesta fase de Liga da Champions. Ao quinto jogo, caso não ganhássemos íamos imediatamente de vela, pelo que, mesmo sem grandes rasgos, o importante foi sairmos dos Países Baixos com três pontos. Claro está que estávamos a defrontar a única equipa que, tal como nós, também só tinha averbado derrotas e, portanto, temos de pôr as coisas em perspectiva.

Sem o Lukebakio até Fevereiro, o Aursnes voltou ao lado direto do ataque, com o resto a ser a equipa-tipo Champions, o que quer dizer com a titularidade do Leandro Barreiro. Na defesa, o António Silva parece ter passado à frente do Tomás Araújo, por enquanto. A partida não poderia ter melhor início para nós, dado que inaugurámos o marcador logo aos 6’, numa bomba do Dahl na sequência de um canto, em que o guarda-redes defendeu uma cabeçada do Ríos, tendo a bola depois sobrado para o sueco que fuzilou desviado para a esquerda, mas já dentro da área. O Pavlidis ainda teve um remate em boa posição, que saiu ao lado, mas praticamente deixámos de jogar no resto da 1ª parte. Não fazíamos as coisas com rapidez suficiente para causar calafrios ao Ajax, mas também não os deixávamos criar perigo, com excepção a uma defesa do Trubin num remate do Klaassen na direita quase à queima.

Na 2ª parte, a toada do jogo não mudou muito, embora o Ajax tenha entrado mais forte e tenha tido uma soberana ocasião outra vez pelo Klaassen, que surgiu isolado perante o Trubin, depois de uma boa combinação atacante com a nossa equipa a ficar a dormir, mas felizmente atirou escandalosamente ao lado. Depois disso, praticamente não conseguiu entrar na nossa área e nós só nos últimos 15’ é que nos lembrámos que havia uma baliza do lado contrário. Um remate do Dedic saiu ao lado, porém em cima dos 90’ selámos de vez a vitória com um grande golo do Leandro Barreiro, que dominou de peito uma bola no meio-campo, fez uma tabelinha com o Aursnes, isolou-se e fuzilou de pé esquerdo. Até final, ainda deu para o regresso do Manu depois de (longa) lesão e para a estreia do Rodrigo Rêgo na Champions.

Em termos individuais, gostei do jogo do Ríos e do Leandro Barreiro. O Sudakov, por vezes, desaparece do jogo, mas, quando surge, coloca bolas na frente como poucos. O António Silva esteve bem na defesa, aliás, como os restantes companheiros, só falhando naquele lance no início da 2ª parte. O Dahl marcou um golão, mas sentiu algumas dificuldades na 1ª parte perante o extremo-direito, tendo subido de produção na 2ª. O Trubin resolveu bem quando foi chamado a intervir.

Continuamos com uma tarefa muito difícil na Liga dos Campeões, mas pelo menos não ficámos já de fora e ainda mantemos a esperança no apuramento para o play-off. E já não sairemos da Europa com zero pontos...!

sábado, novembro 08, 2025

Perdulários

Perdemos novamente na Champions na passada 4ª feira, em casa frente ao Bayer Leverkusen (0-1). Foi a quarta derrota em quatro jogos e a qualificação para a fase seguinte será uma missão (quase) impossível. Num jogo em que tínhamos de ganhar, fizemos tudo para isso, mas falhámos redondamente na altura de rematar à baliza.

O Mourinho reforçou o meio-campo com o Leandro Barreiro e revelámos sempre bastantes cautelas na saída de bola, especialmente na 1ª parte. Mesmo não utilizando a velocidade que por vezes se exigia, tivemos várias ocasiões para inaugurar o marcador, incluindo duas bolas aos ferros do Lukebakio e Otamendi. Para além disso, o Pavilidis falhou um golo em boa posição, permitindo a intercepção de um defesa, quando o guarda-redes Flekken já não estava na baliza e ainda tivemos alguns remates (do Ríos, Lukebakio e Otamendi) que o guardião defendeu e uma cabeçada do Barreiro que saiu ao lado. Ao invés, o Leverkusen teve uma soberana chance com o Poku isolado a atirar ao lado, quando só tinha o Trubin pela frente.

Na 2ª parte, continuámos a carregar e o Pavlidis num ressalto depois de um canto, ficou frente-a-frente com o Flekken, mas resolveu fintá-lo em vez de rematar e o guarda-redes tirou-lhe a bola com o pé! Foi eventualmente a nossa melhor hipótese de marcar. Pouco depois, o mesmo Pavlidis atirou ao lado de pé esquerdo ainda fora da área, mas aos 65’ apanhámos um enorme balde de água fria com o golo do Patrick Schick de cabeça, depois de um péssimo alívio também de cabeça do Dahl, qua se converteu numa assistência para o checo. Sentimos bastante o golo e não tivemos tão boas hipóteses de marcar até final como até então. Mas, à semelhança do primeiro tempo, foram novamente o Otamendi (de cabeça num canto) e o Lukebakio, por duas vezes, a visar a baliza contrária, mas sem sucesso.

Em termos individuais, o Ríos pareceu-me o melhor do Benfica. Já era tempo de começar a justificar o (enorme) investimento na sua contratação. O Dahl também estava a fazer um jogo muito bem conseguido, mas aquele falhanço no golo deitou tudo a perder. O Lukebakio foi o jogar mais desequilibrador do nosso lado, mas por vezes exagera nas acções individuais. O Pavlidis complicou dois lances de golo, em que se exigia mais rapidez de execução. O Sudakov passa por uma fase de menor fulgor, mas, verdade seja dita, é dos poucos que faz passes a rasgar e sentiu-se a sua falta quando saiu.

Faltam quatro jogos para terminar a Fase de Liga da Champions e devemos mesmo ter de os ganhar a todos para passarmos. Com Nápoles, Juventus e Real Madrid no caminho, será como uma subida ao Monte Everest...

quinta-feira, outubro 23, 2025

Castigador

Na passada 3ª feira, averbámos a terceira derrota seguida nas três primeiras jornadas da Liga dos Campeões, perdendo clamorosamente em Newcastle por 0-3. Foi um resultado bastante pesado perante a nossa exibição na 1ª parte, mas a parte final da partida matou-nos completamente e fomos passados a ferro pelo poderio físico dos ingleses.

Como Tomás Araújo na lateral-esquerda, ficando o Dahl no banco, não entrámos mal na partida e o Lukebakio teve mais de uma oportunidade para inaugurar o marcador, mas o guarda-redes efectuou uma boa defesa já quase sem ângulo na primeira e o poste salvou o Newcastle na segunda, um remate maravilhosa de fora-da-área. Uma má saída de bola da nossa parte (responsabilidade do Aursnes) aos 32' resultou no primeiro golo dos ingleses através do Gordon. Até ao intervalo, ainda tivemos outra oportunidade pelo inevitável Lukebakio num remate fora da área, com boa defesa do Nick Pope.

Na 2ª parte, deixámos de conseguir acercar-nos com perigo da baliza adversária e o Trubin salientou-se na nossa, impedindo que o resultado fosse aumentando. Mas não existem milagres eternos e o Newcastle fez o 0-2 aos 71', num lance inacreditável que começou num canto a nosso favor! O guarda-redes ficou com a bola e lançou com as mãos o Barnes, que correu meio campo e, apesar da oposição do Tomás Araújo, conseguiu bater o Trubin. A partir daqui, baixámos os braços e só sofremos mais um golo (bis do Barnes aos 83'), porque o Trubin foi o nosso melhor jogador.

Este começo tenebroso na Champions deve fazer-nos reflectir. Assim como devemos refletir no facto de termos gasto tanto dinheiro em reforços e termos o Tomás Araújo na lateral-esquerda, com dois laterais-esquerdos de raiz no banco, o Ivanonic que entrou na 2ª parte para jogar a extremo e o Aursnes a acabar a lateral-direito com a lesão do Dedic. Por outro lado, no ano passado tínhamos excesso de extremos e este ano temos... um: o Lukebakio, porque pelos vistos o Schjelderup conta pouco e não há mais nenhum...

No sábado iremos receber o Arouca em dia de eleições. Prevê-se um dia bastante agitado na Luz.

sábado, outubro 04, 2025

Inglório

Perdemos em Londres frente ao Chelsea na passada 3ª feira na 2ª jornada da Liga dos Campeões. A defrontar os campeões do mundo e depois das últimas exibições tão lamentáveis da nossa parte, esperava o pior, mas a equipa deu uma resposta muito satisfatória. Perdemos na sequência de um autogolo do Richard Ríos, mas o resultado mais justo até era um empate.

As primeiras oportunidades foram inclusivamente nossas com o Lukebakio a atirar ao poste e o Ríos a permitir a defesa do guarda-redes Sánchez num remate de pé esquerdo numa boa combinação colectiva. Isto apesar de a posse de bola ser maioritariamente dos londrinos. Aos 18’, enorme azar da nossa parte, com o Ríos a fazer um autogolo depois de um centro para a área do Garnacho, que tinha sido desmarcado pelo Pedro Neto do outro lado do campo. Até ao intervalo, o Trubin ainda safou um golo com uma defesa perante o remate do George.

Na 2ª parte, o Aursnes apareceu isolado duas vezes frente ao Sánchez, mas não conseguiu meter a bola na baliza em ambas, embora os lances fossem posteriormente invalidados por fora-de-jogo. O Trubin voltou a mostrar-se com uma defesa a dois tempos numa cabeçada do Estevão e o entretanto entrado Ivanović atirou de pé esquerdo ao lado, quando poderia ter feito melhor. Mas a partida esteve sempre muito equilibrada e demos a sensação de que poderíamos marcar a qualquer momento, o que infelizmente não se veio a concretizar.

Em termos individuais, o Lukebakio foi o mais perigoso enquanto teve gás, o Pavlidis voltou a dar muita luta e a aparecer bastante em jogo, e o Trubin impediu o dilatar da vantagem. Mas a equipa esteve globalmente bem, talvez só com o Sudakov a fazer o jogo mais fraco desde que se estreou com o manto sagrado.

Amanhã voltamos a ter campeonato com a muito importante ida a Mordor. Estamos com quatro pontos de desvantagem, eles estão a jogar muito bem, mas não podemos perder de maneira nenhuma, sob pena de se criar já um fosso considerável com apenas oito jornadas decorridas.

quinta-feira, setembro 18, 2025

Fim de linha

Perdemos com o Qarabag (2-3) na Luz na estreia da Champions na passada 3ª feira. É uma das derrotas mais humilhantes de sempre da nossa história na principal competição europeia de clubes. Não é só a derrota em si, mas como ela aconteceu, dado que aos 16' estávamos a ganhar por 2-0...!

 

O Enzo Barrenechea inaugurou o marcador aos 6' de cabeça num canto marcado pelo Sudakov, estreante no onze, e o Pavlidis fez o 2-0 aos 16', aproveitando um ressalto nos defesas de uma bola que lhe tinha sido endossada pelo mesmo Sudakov. Mas quando os azeris reduziram aos 30' pelo Leandro Andrade, a equipa desmoronou-se e nunca mais se encontrou. Só não chegámos ao intervalo empatámos, porque uma bola bateu no poste e o Trubin safou outras duas. Na 2ª parte, houve a reviravolta, com golos do Duran logo aos 48' e, perto do final (86'), o Kashchuk conseguiu rodar sobre si próprio na nossa área(!), perante metade da nossa equipa, e fazer o resultado final.

 

Perante tamanho descalabro, o Rui Costa veio anunciar nessa mesma noite o despedimento do Bruno Lage. Acreditem que DETESTO relembrar isto, mas não era preciso ter grandes dotes adivinhatórios para antecipar o que aí vinha. Durou um ano, mas daqui a um mês há oportunidade do outro para pôr fim a este desnorte. Saibamos nós, sócios do Benfica, aproveitá-la.

quinta-feira, agosto 28, 2025

Cumprido

Vencemos ontem o Fenerbahçe por 1-0 e qualificámo-nos para a Liga dos Campeões. O grande objectivo da fase inicial da época foi atingido de uma forma categórica e não há como não ficar muito contente com isso. A nossa superioridade foi mais do que evidente e devo dizer que esperava mais da equipa turca treinada pelo José Mourinho.

Confesso que, numa partida em que precisávamos de ganhar, iniciar o encontro com apenas dois jogadores de tendência ofensiva (Pavlidis e Aktürkoğlu) me deixou um pouco apreensivo, mas poderíamos (e deveríamos) ter inaugurado o marcador logo aos 3’, quando o Leandro Barreiro permitiu escandalosamente a defesa do Livaković num desvio na pequena-área, depois de uma assistência do Pavlidis, num contra-ataque venenoso da nossa parte. A estratégia do jogo foi essa: chamar os turcos para o nosso meio-campo e lançar transições ofensivas muito rápidas. Metemos a bola na baliza por volta do minuto 10’ num canto, mas o Leandro Barreiro em fora-de-jogo perturbou o Nélson Semedo (que saiu lesionado do lance), impedindo-o de disputar a bola convenientemente com o Pavlidis, que concretizou ao segundo poste um desvio de cabeça do António Silva no primeiro. O VAR demorou imenso tempo a invalidar o golo, o que acabou por enervar bastante tanto o estádio como os nossos jogadores. À passagem dos 20’, novo golo anulado ao Benfica, numa bola parada por pretensa falta do Leandro Barreiro antes de cabecear vitoriosamente. Foi um escândalo inacreditável, porque o esloveno Sr. Slavko Vincic apitou assim que a bola entrou, impedindo deste modo a acção do VAR. E não houve falta nenhuma! Um falhanço inacreditável, dois golos anulados e o resultado mantinha-se a zeros, quando a eliminatória já deveria estar decidida. Jogávamos bem e o Pavlidis falhou um desvio depois de boa jogada do Aktürkoğlu na direita, mas aos 36’ marcámos finalmente noutra transição ofensiva rápida com bela assistência do Leandro Barreiro para o Aktürkoğlu, que rematou sem hipóteses para o Livaković. Até ao intervalo, o Leandro Barreiro teve mais duas ocasiões para marcar, mas não tentou o remate na primeira delas e falhou o desvio a centro do Dahl na segunda. Do outro lado, não se viu nada dos turcos em termos atacantes.

Na 2ª parte não fomos tão intensos como na 1ª, mas mesmo assim o António Silva num cabeceamento num canto proporcionou ao guarda-redes Livaković um boa defesa. A única verdadeira ocasião do golo do Fenerbahçe foi a cerca de 15’ do fim, num cabeceamento do marroquino En Nesyri à barra, depois de um centro da direita. Pouco depois, o Talisca atirou ao lado num remate rasteiro, mas ajudou-nos ao ver dois amarelos em 2’ e reduzir os turcos a 10 jogadores aos 82’. O Lage já tinha lançado o Schjelderup e o Ivanović aos 76’, talvez até um pouco tarde dado que estávamos a perder o controlo da partida e alguns dos nossos jogadores mostravam alguma fadiga, mas depois da expulsão nunca mais o Fenerbahçe conseguiu criar perigo e a nossa qualificação foi mais do que justa, tendo o resultado sido muito escasso para o que produzimos, especialmente na 1ª parte.

Em termos individuais, o meio-campo com o Ríos e Barrenechea exibiu-se em bom plano, o Leandro Barreiro, apesar de ter sido importante na primeira fase de pressão, não pode falhar um golo daqueles logo no início, a defesa esteve toda ela muito segura, com destaque para o capitão Otamendi, e o Pavlidis foi essencial para reter a bola à espera do apoio dos médios. O Aktürkoğlu, não obstante o golo, não teve das suas melhores exibições, assim como Aursnes, que me pareceu um pouco fatigado.

Sete jogos, seis vitórias, zero golos sofridos, um troféu conquistado e uma qualificação para a liga dos Campeões não poderíamos almejar muito melhor do que isto. Iremos no domingo a Alverca tentar fechar esta primeira fase da temporada com mais uma vitória, antes da paragem para as selecções. Veremos se a equipa consegue manter este nível competitivo nos jogos fora para o campeonato, dado que aquele na Amadora esteve longe de ser brilhante (para ser simpático). No entanto, mesmo sem grande nota artística, conseguimos até agora o que era essencial.

quarta-feira, agosto 20, 2025

A zeros

Empatámos hoje em Istambul com o Fenerbahçe (0-0) na 1ª mão do play-off de acesso à Champions e será na próxima semana na Luz que tudo se irá resolver. Depois do jogo pavoroso na Amadora, tivemos inevitavelmente de subir o nível e controlámos a partida durante a maior parte do tempo, embora não tenhamos sido muito afoitos em termos ofensivos.

Como seria de calcular, o Bruno Lage não foi à Turquia jogar com dois pontas-de-lança, tendo deixado o Ivanović no banco e colocado o Florentino para povoar o meio-campo. A outra alteração foi a saída do Schjelderup (claro...) para a entrada do Aktürkoğlu. O jogo foi sempre muito dividido, connosco a tentar controlar a posse de bola, sem acelerar muito o que resultou em pouquíssimas oportunidades da nossa parte. O lado positivo foi que defendemos bem e não demos igualmente muitas chances aos turcos. Um livre do Aktürkoğlu, um cabeceamento do marroquino En-Nesyri e um remate de fora da área do Oosterwolde foram os lances mais perigosos, mas ambos os guarda-redes defenderam.

A 2ª parte não diferiu muito da primeira, mas pouco depois dos 60’ o Lage resolveu arriscar, colocando o Ivanović no lugar do amarelado Barrenechea. Infelizmente, o Florentino viu dois amarelos em dois minutos (imperdoável!) e a estratégia do Lage foi por água abaixo. O Mourinho colocou o Talisca e foi o brasileiro que sacou o amarelo ao Florentino, mas o Fenerbahçe acabou por não ter grandes oportunidades de desfeitear o Trubin, excepção feita aos 82’ quando o Trubin deu um grande frango e viu a bola posteriormente entrar na baliza num cabeceamento na recarga, mas felizmente o avançado que marcou estava em ligeiro fora-de-jogo. O Lage colocou o Leandro Barreiro pouco depois da expulsão e o luxemburguês foi importante para cortar o ritmo dos turcos. O objectivo, claramente assumido depois da expulsão, foi conseguido sem dificuldades de maior.

Em termos individuais, o Dedić foi dos melhores, mostrando grande personalidade e alguma qualidade na saída de bola. O resto da defesa esteve em geral muito segura, bem comandada pelo Otamendi. O Trubin mostrou-se seguro durante grande parte do jogo, mas teve um falhanço clamoroso, que só graças a um fora-de-jogo não foi golo. Do meio-campo para a frente, não houve grandes exibições, antes pelo contrário. O Florentino até nem estava a fazer um mau jogo, mas não pode pura e simplesmente levar dois amarelos em dois minutos! É indesculpável! O Pavlidis também esteve a léguas do que costuma fazer, mas o Aktürkoğlu não se exibiu em mau plano, enquanto teve pernas. O Richard Ríos continua com o andamento do Brasileirão, que é manifestamente pouco para o futebol europeu, além de ter falhas gritantes no capítulo do passe. Por 27M€, espera-se muito mais.

Daqui a três dias, receberemos o Tondela na Luz antes do jogo da 2ª mão. É expectável que o Lage faça algumas alterações e espero que isso aconteça mesmo, dado que a equipa titular tem sido basicamente igual e é preciso um pouco de descanso para a recepção aos turcos.

sábado, agosto 16, 2025

Tranquilo

Voltámos a vencer o Nice pelo mesmo resultado (2-0) na passada 3ª feira na Luz e iremos defrontar o Fenerbahçe no play-off de acesso à Liga dos Campeões. Realizámos uma boa exibição, especialmente na 1ª parte, em que conseguimos os dois golos, e não demos a mínima chance aos franceses.

O Bruno Lage repetiu a equipa da 1ª mão, mas não entrámos muito bem na partida, apresentando-nos algo desconcentrados e tendo permitido aos franceses os primeiros sustos à baliza do Trubin, que se revelou atento, nomeadamente numa saída a punhos. No entanto, a primeira vez que criámos perigo foi fatal para o Nice, com o Aursnes a fazer um 1-0 depois de assistência do Schjelderup, brilhantemente desmarcado pelo Enzo Barrenechea. Estávamos no minuto 19 e aos 27’ os papéis inverteram-se, com o Aursnes a centrar atrasado para o Schjelderup fazer o 2-0 num remate rasteiro sem hipóteses para o guarda-redes. Estava resolvida a eliminatória ainda antes da meia-hora. O único lance de verdadeiro perigo do Nice aconteceu precisamente aos 30’ com um remate de primeira ao poste, com o Trubin batido. Perto do intervalo, foi o Otamendi a fazer um cruzamento-remate com defesa para canto do guarda-redes Diouf.

A 2ª parte decresceu bastante em termos de qualidade, dado que nós estávamos satisfeitos com o resultado e o Nice nunca mostrou argumentos para colocar a baliza do Trubin em real perigo. Até porque, quando esteve perto disso, havia sempre um jogador do Benfica a cortar o lance, como aconteceu com o António Silva. Na baliza contrária, o Schjelderup esteve à beira de bisar, mas o remate de pé esquerdo bateu na trave, depois de jogada do Pavlidis. Claro está que o nº 21 foi dos primeiros a sair, pouco depois, quando o Lage começou a fazer substituições e o Prestianni, que entrou para o seu lugar, mexeu bastante com as águas. O pequeno argentino ia fazendo um golão, com um remate em arco do lado esquerdo a passar perto da trave. O Leandro Barreiro também não entrou mal e teve uma ocasião para marcar, todavia perdeu tempo na altura do remate. O último a entrar foi o Aktürkoğlu, que deste modo, se for transferido para o Fenerbahçe, não poderá jogar contra nós. Gosto bastante quando a estrutura do Benfica está atenta a estes pormenores. O Henrique Araújo, entretanto entrado, foi o protagonista da derradeira oportunidade, mas não conseguiu ter velocidade quando ficou isolado e deu hipótese ao defesa de recuperar a posição.

Em termos individuais, o Aursnes e o Schjelderup, cada um com um golo e uma assistência, foram os maiores destaques. Do Aursnes, já nada há mais a esperar, é fundamental e ponto final, mas finalmente que o Schjelderup está a ter oportunidade de mostrar a qualidade que quase todos nós víamos nele. Só falta agora ao Lage deixá-lo jogar mais tempo e não o escolher sempre que tem de fazer a primeira substituição... O Enzo Barrenechea a meio-campo está a consolidar-se, especialmente com os seus passes a rasgar, e o Dedic na direita está a revelar-se um autêntico cavalo. O Ivanović não esteve tão em destaque como em França, mas não há dúvidas de que é grande jogador.

O último obstáculo para chegar à Champions, o Fenerbahçe, vai ser complicadíssimo, mas antes disso temos hoje a estreia no campeonato frente ao E. Amadora na Reboleira. Dado que estamos com um jogo em atraso, é ainda mais importante entrarmos bem na Liga, que, convém nunca esquecer, é sempre o principal objectivo da temporada.

segunda-feira, agosto 11, 2025

Superioridade

Vencemos em Nice na passada 4ª feira por 2-0 na 1ª mão da 3ª pré-eliminatória de acesso à Liga dos Campeões. Perante o 4º classificado do campeonato francês, em teoria o mais difícil que nos poderia calhar nesta fase, demos uma boa resposta e temos a eliminatória bem encaminhada para o nosso lado.

Houve uma grande surpresa no onze inicial que foi a inclusão do recém-chegado Ivanović, em detrimento do Leandro Barreiro, e, com a lesão do Aktürkoğlu, avançou igualmente o Schjelderup. Logo desde o apito inicial, demos mostras de que somos bem melhores do que os franceses, que também estavam com problemas de lesões e de transferências dos melhores jogadores. Tivemos duas excelentes ocasiões na 1ª parte, com uma insistência do Schjelderup a bater um defesa contrário e atirar para defesa do guarda-redes Yehvann Diouf para canto e outra jogada do norueguês pela esquerda, com um centro para o Pavlidis, que só tinha de encostar, mas acertou mal na bola e o guarda-redes defendeu com o pé. Um livre directo do Ríos, ainda a uma certa distância da baliza, também foi defendido com alguma dificuldade pelo Diouf, enquanto do outro lado só houve um lance do ponta-de-lança que bateu o Otamendi, mas rematou ao lado da baliza do Trubin.

Na 2ª parte, foram os franceses os primeiros a criar perigo, com o lateral-direito Clauss a passar por dois defesas nossos, mas felizmente a rematar fraco para as mãos do Trubin. No entanto, aos 53’ fomos nós a inaugurar o marcador num golo à ponta-de-lança do Ivanović, a desviar na área um centro do Aursnes na direita, depois de jogada do Dedić. Bom cartão-de-visita do avançado croata! Os franceses acusaram o golo e nunca mais foram capazes de criar perigo para a nossa área. Por seu lado, o Ivanović teve uma boa chance de fazer um hat-trick logo na estreia, mas um remate em boa posição saiu muito por cima e noutro lance foi o guarda-redes a impedi-lo de ser feliz. O Bruno Lage ia refrescando a equipa e foi um dos substitutos, o Florentino, o outro herói improvável a fazer o 2-0 aos 88’ num remate de fora da área!

Em termos individuais, o Ivanović fez-se notar (e bem) e poderemos ter uma boa dupla de pontas-de-lança com ele e o Pavlidis, pelo menos na maioria dos jogos em que temos de atacar. Também gostei bastante do Schjelderup, que foi o nosso melhor jogador na 1ª parte, ao levar a equipa para a frente. No entanto, para (não) variar, foi o primeiro a ser substituído... A dupla de meio-campo (Barrenechea e Ríos) começa a pegar de estaca, mas o Florentino promete dar luta e o golo que marcou não deixará de o tornar mais confiante. O Aursnes, já se sabe, não consegue jogar mal e o Dedić também se exibiu em bom plano. A defesa esteve segura e o Trubin não teve muito trabalho.

Amanhã, voltaremos a defrontar o Nice no Estádio da Luz, onde se espera mais uma vitória e confirmação da ida ao play-off, onde já sabemos que nos irá calhar (outra vez) o pior adversário possível (Feyenoord ou Fenerbahçe).