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domingo, julho 02, 2006

Portugal – 0 – Inglaterra – 0 (3-1 pen.)

Pela segunda vez na nossa história estamos nas meias-finais de um campeonato do mundo. Pela segunda vez em dois anos vencemos a Inglaterra nos penalties e pela segunda vez em dois anos o Ricardo foi o herói do jogo. Tal como o Maniche em relação à Holanda, é bom que o Ricardo não pense em pôr os pés em Inglaterra nos tempos mais próximos… O Scolari confirma-se como provavelmente o melhor seleccionador nacional de todos os tempos e quase tudo o que conseguimos nos últimos anos lhe devemos a ele. Através de opções nem sempre justificáveis conseguiu fazer da selecção uma equipa e daí também a razão para algumas dessas opções. Há determinados jogadores que não foram convocados, porque se calhar pensariam que entravam de caras nos titulares (instigados também pelo presidente de um certo clube) e, ao não acontecer isso, o espírito de grupo sairia certamente enfraquecido. As opções podem parecer estranhas, mas os resultados estão à vista e contra isso não há nada a fazer.

Todavia, acho que tínhamos obrigação de ter feito mais para ganhar o jogo de ontem antes dos penalties, especialmente desde que a Inglaterra ficou a jogar com 10 aos 62 minutos por expulsão do Rooney. A substituição do Pauleta pelo Simão, que estava programada antes da expulsão, deixou de ter razão de ser com a expulsão, mas o Scolari fê-la na mesma. Isto fez com que jogássemos sem ponta-de-lança durante uma boa parte do 2º tempo e que o Cristiano Ronaldo tenha desaparecido do jogo, enfiado que estava no meio dos centrais contrários. Posteriormente, a entrada do Postiga não lembra o diabo! O homem foi um zero absoluto contra o México durante 70 minutos, o Nuno Gomes jogou muito melhor só em 20, mas só porque há dois anos o Postiga marcou o golo do empate contra os ingleses, a fezada fez com que o Scolari o colocasse de novo em campo. Claro que não resultou! Por outro lado, não conseguimos criar perigo a jogar frente a 10, principalmente porque, como o Scolari referiu na conferência de imprensa, não sabemos rematar de longe. Fiquei desiludido com a nossa prestação durante esta altura do jogo, porque deveríamos ter arriscado um pouco mais para ganhar sem nos sujeitarmos à sorte dos penalties. Mas, como vencemos, escreveu-se direito por linhas tortas. Nos penalties, não percebi a escolha do Petit para marcar em vez do Maniche. Nunca vi o Petit marcar um penalty na vida, enquanto o Maniche costuma marcá-los, e bem. Felizmente que o falhanço do Petit não teve consequências nefastas.


Individualmente há que destacar o Ricardo. Defender três penalties (e não foram quatro por um bocadinho…) não é para todos e a confiança e mentalização que o Scolari sempre lhe manifestou está a dar os seus frutos. A defesa esteve toda impecável, nomeadamente o Meira que deve ter feito o melhor jogo da vida dele (e eu que estava tão céptico em relação a ele). No meio-campo notou-se (e de que maneira!) a ausência do Deco. Não sei o que se passa com o Tiago que continua a não mostrar na selecção a classe que patenteia nos clubes. Ontem voltou a passar ao lado do jogo. O Petit entrou pessimamente na partida, mas melhorou imenso como o decorrer da mesma. Levou um amarelo na 1ª parte que o vai impedir de jogar nas meias-finais, mas, como não é idiota como o Costinha, a partir daí não deve ter feito mais nenhuma falta. Lá vamos ter que levar com o Costinha no próximo jogo… O Maniche também jogou bem, mas esteve infeliz no remate e poderia ter sentenciado a partida mesmo no último minuto do prolongamento. O Figo nunca joga mal, mas começa a sentir o peso da sua idade quando o jogo é muito intenso. Notou-se que o Cristiano Ronaldo não está a 100%, mas é sempre um perigo quando toca na bola. O Pauleta passou ao lado do jogo, mas a bola nunca lhe chegava em condições. No entanto, para o tipo de jogo que estávamos a fazer, com tabelinhas à entrada da área, a presença do Nuno Gomes era mais que justificada. O Simão deu mais dinamismo ao ataque e o Hugo Viana, curiosamente, também entrou bem na partida, jogando muito melhor que o Tiago.

Depois de termos sido mais uma vez a besta negra da Inglaterra, vamos apanhar a nossa besta negra, a França. Já que chegámos até aqui era bonito que fôssemos mais além, mas perante o que os franceses mostraram frente ao Brasil (um banho de bola, com uma classe ímpar!) acho muito difícil. Mas pelo menos o 4º lugar (algo impensável para quase toda a gente, menos provavelmente o Scolari) já ninguém nos tira! FORÇA PORTUGAL!

P.S. - Tal como contra o México, a FIFA nomeou mais uma vez um jogador da equipa derrotada, Hargreaves, o man of the match. Pode ter feito uma grande partida, mas esta decisão, especialmente depois do que fez o Ricardo, é inacreditável!

5 comentários:

T-Rex disse...

Eles que fiquem com os galardões ocasionais.

No fim a Jules Rimet vem para a Portela e lá estaremos todos a gritar:

PORTUGAL! PORTUGAL! PORTUGAL!

Um abraço.

MB disse...

Gostei que Portugal tivesse ganho (ÓBVIO!!!), mas acho que podíamos ter feito mais. A Inglaterra, a jogar 11 contra 10, seguramente teria marcado um golo, e nós não conseguimos. Aqui, penso que falhámos. Claro que tudo isso fica para trás quando se vê o Ricardo a defender os penaltis, mas convém pensar nisso. Então eles treinam 10 contra 11 e não treinam um jogo em superioridade numérica? Acho um bocado estranho...

Caminhante Solitário disse...

mb: Antes do início do jogo é sempre muito mais provável que sejamos nós a jogar com 10 e não em superioridade numérica... Quanto mais, se o adversário for uma Inglaterra (ou uma França...)

ed disse...

por acaso acho que o hardgreaves lutou muito naquele jogo, é um pequeno prémio para o esforço dele, sejamos solidários =)

ed disse...

perdao, hargreaves