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domingo, fevereiro 22, 2015

Sabor diferente

Vencemos em Moreira de Cónegos por 3-1 e, na pior das hipóteses, iremos manter os quatro pontos de avanço, mas aguardemos pelo que o CRAC irá fazer no Bessa. Numa partida com várias vicissitudes e em que a expulsão de um adversário foi decisiva, acabou por ser uma vitória justa, apesar de o resultado poder esconder as dificuldades que tivemos.

Com o Samaris castigado e o Gaitán ainda lesionado (entrou o André Almeida para o meio-campo e manteve-se o Ola John no onze), nós até entrámos razoavelmente no jogo e atirámos a habitual bola ao poste logo aos 13’ pelo Jonas, num lance em que me pareceu que ele não tocou bem na bola, caso contrário teria feito golo. Criámos outras situações de perigo com um remate rasteiro do Lima ligeiramente ao lado e um grande lance do Pizzi a fazer passar a bola por cima de um defesa e rematar de pé esquerdo sem a deixar cair no chão, mas um pouco por cima. Além disso, íamos acumulando cantos, alguns deles com perigo, mas sem obrigarmos o Marafona a grandes defesas. No início do jogo, o Moreirense teve um remate cruzado perigoso, mas quando nada o faria prever adiantou-se no marcador aos 35’, numa perda de bola infantil do Salvio e o Pizzi a ver de cadeirinha o João Pedro rematar à vontade. Pouco depois, chegou o intervalo e na cabeça de muitos de nós terá pairado o fantasma de Paços…

Entrámos com mais vontade na 2ª parte e chegámos à igualdade aos 58’ através do Luisão, de cabeça, depois de um canto bem marcado pelo Pizzi. O lance que dá origem ao canto é uma simulação do Salvio, que até foi o último a tocar na bola. Sim, era pontapé de baliza, mas considerar um engano destes do fiscal-de-linha um crime lesa-pátria é ridículo. O mais difícil estava feito e tínhamos mais de meia-hora para marcar mais um. No entanto, aos 60’ o jogo ficou estragado com o sr. Jorge Ferreira a expulsar o André Simões por palavras. Os dois treinadores entraram em campo e acabaram também por ser os dois expulsos. Com mais um em campo, pusemo-nos em vantagem aos 66’ pelo Eliseu, num remate fora da área de pé direito, em que o guarda-redes foi mal batido. A partida ficou praticamente decidida, mas selámo-la em definitivo com o terceiro golo da autoria do Jonas, a dar a melhor sequência a um centro do Maxi. Até final, destaque para um remate de longe do recém-entrado Talisca com a bola a passar muito perto do poste.

Em termos individuais, não houve ninguém que se destacasse por aí além. Menção para o Luisão pela importância do primeiro golo e para o Pizzi, especialmente na 1ª parte, em que procurou sempre colocar a bola jogável nos companheiros. A ala esquerda (Eliseu e Ola John) esteve muito longe do que é exigível e na direita o Salvio continua a sua preocupante tendência para a complicação. O André Almeida cumpre, mas não é o Samaris.

Vamos lá falar do que interessa: vai contestar-se a decisão do canto em vez de pontapé de baliza, mas isso só é notícia porque… resultou em golo. São erros que acontecem frequentemente no futebol e portanto não me lixem! Quanto à expulsão, que obviamente nos facilitou a vida, há que relembrar que ela aconteceu já com 1-1 no marcador. No entanto, eu não gosto nada de estar no futebol sem perceber o que se passa. O que é o caso da expulsão por palavras em que nós, adeptos, nunca sabemos bem a razão. Acho que tudo deveria mais transparente, porque esta história de ficar ao critério do árbitro tem muito que se lhe diga: alguns são surdos e outros quase que exigem mais boas maneiras do que a Paula Bobone. O Miguel Leal, treinador do Moreirense, acabou por dizer que compreendia a expulsão, mas eu acho que seria muito mais fácil se se decidisse das duas uma: ou bocas ao árbitro são sempre amarelo e nunca vermelho; ou então, nos casos de expulsão, seriam tornadas públicas as palavras que levaram a tal. Facilita muito as coisas e acabaria com muita suspeição que inevitavelmente surge.

Como eu não tenho (felizmente) a falta de vergonha na cara dos adeptos do CRAC, não tenho problema nenhum em dizer que não gosto de ganhar desta maneira. Não sabendo o que levou à expulsão do jogador do Moreirense, não sei se foi justa ou não e portanto ter o critério do árbitro a nosso (aparente) favor é algo que me deixa desconfortável. Razão pela qual não festejei esta vitória com a exuberância que ela merecia. Mas ganhámos e isso é o mais importante de tudo nesta fase, para podermos recuperar a confiança nos jogos fora, depois duas saídas consecutivas em que não vencemos.

3 comentários:

Atlas disse...

Atenção que o canto que de facto não foi canto, tinha sido sim grande penalidade e o bandeirinha só teve coragem para marcar canto (embora non-existente).

Carlos Bessa disse...

Por falar em excremento, este post...

Unknown disse...

Só não concordo com a parte da "simulação do Sálvio" porque nota-se bem na repetição que ele é tocado no joelho esquerdo quando vai a correr para a bola. Se é ou não suficiente para o derrubar, não sei. Mas seguramente intreferiu na capacidade de centrar a bola dentro das quatro linhas, o que é por si só uma infração punível com falta.