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segunda-feira, abril 10, 2006

Desaproveitada

Perdemos uma soberana oportunidade de ficar a dois pontos do 2º lugar ao empatarmos (2-2) em casa com o Marítimo. E poderia ter sido pior, porque a 12 minutos do fim estávamos a perder por 2-0. Assim, ficámos a quatro pontos dos lagartos, o que torna a tarefa da entrada directa na Champions muito complicada. Felizmente o Braga perdeu em Setúbal e deveremos ter pelo menos o 3º lugar assegurado, já que ficámos com seis pontos de vantagem sobre eles.
O Koeman fez entrar o Nélson, Robert e Marcel para a equipa principal e deixou o Karagounis e o Geovanni no banco. A nossa 1ª parte foi muito má, mas curiosamente até entrámos bem no jogo, com alguma velocidade nos minutos iniciais. Infelizmente, foi sol de pouca dura. Tivemos uma grande oportunidade num bom remate do Marcel, que o guarda-redes defendeu para a barra, mas a partir dos 10 minutos fizemos tudo muito lentamente. O Marítimo pouco perigo criava, mas aproveitou um canto para se colocar em vantagem, numa altura que o Ricardo Rocha estava fora do campo. O jogador deles saltou à vontade e cabeceou para o 2º poste, onde estava o Léo no início do canto. Todavia, enquanto a bola ia no ar, o nosso defesa deu inexplicavelmente dois passos para o lado e, quando a bola passou, ele já não estava no poste. Tivesse ele mantido a posição e não seria golo. Até ao final da 1ª parte, ainda deu para o Miccoli levar uma grande chapada dentro da grande área, mas sem que o Sr. Augusto Duarte assinalasse o respectivo penalty e expulsão.

Na 2ª parte mostrámos mais vontade, mas as coisas persistiam em não correr bem. Ao quarto-de-hora, o Koeman tirou o Marcel e o Nélson e colocou o Karagounis e o Mantorras, ficando nós a jogar com três defesas. Todavia, a 20 minutos do fim aconteceu um balde de água fria com o 2º golo do Marítimo, num lance em que o Manuel Fernandes defende muito mal a linha lateral, é batido pelo Evaldo que centra à vontade, o Luisão falha o corte e o Léo não acompanha o Zé Carlos, que bate o Moretto. Triplo erro defensivo! A partir daqui toda a gente achava que o jogo estava perdido, mas mais com o coração do que com a cabeça, como é normal nestes casos, conseguimos uma recuperação assinalável. Aos 79 minutos, o Petit aproveita um alívio para a entrada da área para, sem deixar a bola cair no chão, fuzilar o guarda-redes. A esperança renascia e o que é certo é que até ao fim do jogo tivemos pelo menos três flagrantes oportunidades: o Mantorras cabeceou na pequena-área e o Marcos defendeu sobre a linha (não me pareceu que a bola tivesse entrado); o Miccoli em fora-de-jogo introduziu a bola na baliza na sequência de um cabeceamento do Manduca, mas o Luisão chocou (fora da área) com o guarda-redes no início da jogada e não se percebeu se o árbitro marcou falta ou fora-de-jogo; e aos 92 minutos nova bola na barra cabeceada pelo Mantorras. O árbitro deu seis minutos de compensação (mais que justificados) e aos 94 surgiu um penalty indiscutível por mão de um defesa. O Simão, muito concentrado, livrou-nos da derrota.

Com um deficiente jogo colectivo, é difícil destacar algum jogador individualmente, mas o Ricardo Rocha terá sido dos menos maus e ainda teve tempo para sofrer um penalty que foi transformado em falta atacante. O Moretto continua um susto a jogar com os pés, mas tem a estrelinha do lado dele já que ainda não foi hoje que sofremos um golo por causa disso. O Nélson precisa de ser operado rapidamente, porque a pubalgia e a hérnia não o deixam jogar o que sabe. O Luisão e o Léo tiveram as falhas que apontei, todavia foram generosos como habitualmente. O Petit não está de facto em boa forma, mas marcou um golo memorável. O Manuel Fernandes esteve regular, apesar das culpas no 2º golo deles. O Simão e o Miccoli estiveram mais discretos do que habitualmente, mas são jogadores dos quais se pode sempre esperar um golpe de asa que nos resolva o jogo. O Karagounis e o Mantorras vieram dar mais dinamismo à equipa e continuo sem perceber a insistência do Koeman em sentar o grego no banco.

E deixo para o fim, propositadamente, os dois novos “Michael Thomas” ou “Paulo Almeidas” do plantel: Marcel e Robert. O brasileiro nem entrou mal no jogo, ganhou algumas bolas de cabeça e teve o tal lance à barra, mas assim que começou a ter intervenções menos boas, a contestação iniciou-se. Quanto ao francês é um caso ainda pior. É certo que o homem não é de grandes corridas, mas esteve longe de ser um dos piores em campo. É verdade que os livres e cantos não lhe saíram bem, mas teve alguns pormenores bastante bons e fez alguns centros perigosos que foram desaproveitados. Além disso, defendeu mais do que é normal. Não obstante, foi muito assobiado (tal como o Marcel) na altura da substituição. Com uma pressão destas sobre os nossos próprios jogadores, não sei como é que os benfiquistas esperam que eles rendam. Ao primeiro falhanço são logo assobiados. A paciência é uma virtude, mas infelizmente não do povo português.

As duas próximas jornadas são fulcrais, já que temos duas saídas dificílimas: Bessa e Choupana. Era essencial chegarmos ao 2º lugar, ainda por cima porque estamos em ano de Mundial e alguns dos nossos jogadores vão ter férias mais curtas. Começar a época antes de todos os outros e ainda ter de disputar uma pré-eliminatória é algo a evitar a todo o custo.

P.S. – O Manú foi expulso “por palavras” no Gil Vicente – E. Amadora. Que conveniente… Com quem é que joga o Estrela para a semana?

6 comentários:

Caminhante Solitário disse...

Em relação aos dois novos "Paulo Almeidas e Michael Thomas" há duas grandes diferenças:
Primeiro, começando pelo Marcel (apesar de, pessoalmente, nunca me ter entusiasmado com a sua contratação), os adeptos esperavam que ele fosse O ponta-de-lança do Benfica. Quantas reportagens de treinos com ele a marcar 47 golos numa peladinha passaram na televisão, na semana da sua contratação? As expectativas sairam, pois, completamente defraudadas. Em relação ao Robert revela-se um pouco mais útil que o número 19 e com uma técnica inegável e bastante superior. Talvez seja esse mesmo o problema. Porque não a aplica-a de uma forma mais constante? Porque é que nunca defende? Porque é que um jogador da sua categoria nunca resolve jogos (excepto se for o Baía a dar frangos na baliza...), hesita em situações apertadas e não ganha uma bola no um-contra-um? Porque é que cada vez que entra vindo do banco amua e não se esforça rigorosamente nada (ao contrário do "ostracizado" Karagounis)?

Em segundo lugar, nunca podes comparar Marcel e Robert com Michael Thomas e Paulo Almeida, simplesmente porque, para além de termos uma equipa de inégavel maior qualidade nesta época (e daí uma maior exigência), Marcel e Robert ganham dez vezes mais o que os outros ganhavam. E pior do que isso, além de não justificarem esse salário... continuam a ser constantes apostas para jogar! Com Mantorras e Karagounis a aparecerem como os seus substitutos.

S.L.B. disse...

Não sabes quanto ganhavam o Thomas e o Paulo Almeida (este fala-se em 50.000€/mês e o que é certo é que preferiu jogar na equipa B a sair e reduzir o salário) e a aplicação de um jogador não deve (pode) estar dependente do seu ordenado. Por muito pouco ou muito que ganhem, ninguém lhes apontou armas à cabeça para os obrigar a assinar contratos, portanto têm é que ser sempre profissionais. Mas concordo que têm tido mais oportunidades que, principalmente, o Karagounis e em geral não têm dado razão ao treinador para essa insistência. Agora, assobiá-los durante um jogo é que acho lamentável. Quer ser queira quer não, vestem o "manto sagrado".

Pedro disse...

Beto deve ganhar meia duzia de tostões q corre por todos naquela equipa!!!

D'Arcy disse...

Os 'assobiadores profissionais' da Luz continuam a fazer os possíveis para darem cabo de jogadores que nos poderiam ser muito úteis. O Moretto, Marcel, Robert e Beto já fazem parte do 'clube do Michael Thomas', e os assobios começam ainda antes da bola lhes chegar aos pés. E fizeram o mesmo ao Carlitos. Alguém viu o que ele jogou ontem contra o Braga? Pois é, no Setúbal não passam a vida a assobiá-lo.

Caminhante Solitário disse...

“Assobiar um jogador do Benfica é pior do que bater na mãe”. Se não sabem, foi a Leonor Pinhão que escreveu esta frase com a qual concordo inteiramente. Nunca assobiei nenhum jogador do Benfica e há pessoas neste blogue que podem confirmar. Todavia, isso não me impede de criticar um jogador. Todos criticam, umas vezes com razão, outras sem. Por exemplo, acho o Beto, tecnicamente, o pior jogador do Benfica. Ainda assim, confesso, que acho o Beto útil num plantel, porque “dá tudo o que sabe”, e o que sabe é, única e exclusivamente em termos defensivos e, para mais, não há outro no plantel com as mesmas características.

Já em relação ao Marcel e ao Robert – apesar de nunca os ter assobiados – acho que o primeiro não tem qualidade para, pura e simplesmente, ser jogador do Benfica. Até pode vir a marcar uns golos (espero, mesmo que o faça, e muitos) mas acho que “ser jogador do Benfica não é para todos”. Eu próprio queria sê-lo, e sei que nunca vou conseguir porque… não tenho a qualidade suficiente! Mas o Robert têm-na – e isso vê-se na forma como passa e como domina. A questão é porque ele não joga com mais garra, não dá um pouco mais à equipa, não ganha uma bola no um-contra-um e, pior, sempre que entra a substituir, parece que a aplicação se reduz… a zero.

Nestes dois casos, diferentemente do caso do Beto, há mais soluções e de inegável qualidade. Mantorras – quer se queira, quer não, decide jogos, em dez minutos marca um golo e confude uma defesa por completo com as suas (por vezes, desastradas) movimentações. É aquilo a que chamo um “perigo constante”.
Karagounis – como é que um jogador que veio do Inter, que é a grande estrela do país…campeão da Europa e quem nunca "foge" do jogo, que vem sempre receber a bola na defesa para organizar o ataque (algo que o Benfica necessita desesperadamente), não tem oportunidades a titular? Sinceramente, não percebo. E é isso que me custa, porque quero o melhor para o Benfica, e sei que o Benfica seria melhor se apostasse mais nestes jogadores em vez de outros.
É a lei da vida: há uns melhores que outros e, quando se aposta nos melhores, tem-se mais probabilidade de se ganhar.

Mas como não sou treinador, não percebo nada de futebol. Ainda assim, como sócio desde que nasci, fundador, accionista e quem desde os 4 anos deve ter perdido meia dúzia de jogos do glorioso, simplesmente…dou a minha opinião… num blogue! Não ando para aí a assobiar a minha família. Só não gosto é de ver o "manto sagrado", como dizes, vulgarizado por jogadores que não tem a qualidade para sequer vir a pensar utilizá-lo. É certo que não podes ter 24 "estrelas" numa equipa, mas, mesmo dentro daqueles que estão ali para "fazer um plantel" há quem seja melhor... e quem seja pior.

Anónimo disse...

Podias divulgar:

http://antiportistas.blogspot.com/