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sexta-feira, março 10, 2017

Sonhámos

Perdemos em Dortmund por 0-4 e dissemos adeus à Liga dos Campeões. Esta frase pode parecer contraditória em relação ao título do post, mas por incrível que pareça acho que jogámos melhor do que na 1ª mão. E os resultados foram completamente antagónicos... No entanto, quem consegue ver para além do marcador final, não poderá deixar de concordar que até aos 59’ a partida esteve equilibrada de uma maneira que todos os 90’ da 1ª mão nunca estiveram. O problema foi, ao contrário da Luz, a eficácia dos alemães.

Com o Fejsa em Lisboa, o Rui Vitória apostou (e muito bem) no reforço do meio-campo com o André Almeida ao lado do Samaris e no Cervi (até qu’enfim!) na esquerda do ataque. Num ambiente absolutamente fabuloso, entrámos praticamente a perder com o golo do Aubameyang logo aos 4’ na sequência de um canto. A eliminatória ficou logo empatada e confesso que temi o pior. Mas, à semelhança, do que aconteceu em Munique há um ano, conseguimos equilibrar o jogo a seguir a termos sofrido o golo. O Borussia não teve grandes oportunidades até ao intervalo, enquanto nós criámos algum perigo num remate do Cervi e num cabeceamento do Luisão ambos defendidos pelo Burki. O intervalo chegava connosco perfeitamente dentro da eliminatória, o que se via pelo facto de os alemães estarem estranhamente silenciosos durante boa parte do jogo, enquanto a nossa bancada não se calou inclusive durante o tempo de descanso.

A 2ª parte começou com a nossa melhor oportunidade, num remate frontal de ressaca do Cervi, já dentro da área, que um defesa desviou para canto. Foi pena, porque a bola ia na direcção da baliza... O Ederson fez duas defesas magistrais em lances anulados por fora-de-jogo, mas a eliminatória começou a ficar decidida aos 59’ com o 0-2 através do Pulisic, que se desmarcou bem e picou a bola à saída do nosso guardião. Em dois minutos terríveis, tudo ficou decidido com novo golo do Aubameyang aos 61’, que só teve que encostar depois de um cruzamento na esquerda. Nós acusámos claramente o toque e nunca mais fomos os mesmos até final, com as entradas do Jonas, Zivkovic e Jiménez (este aos 82’ para o lugar do Cervi e indo jogar para a extrema-esquerda... Não percebi a lógica...) a não acrescentarem nada à equipa. O Borussia ainda atirou uma bola à ao poste, antes de fazer o 0-4 aos 85’ com o hat-trick do Aubameyang, noutro golo só de encostar desta feita depois de um cruzamento da direita. O gabonense marcou com juros todos os golos que falhou em Lisboa... Apesar do resultado, os jogadores do Benfica foram brindados no final com uma enorme ovação e cânticos sem parar da nossa bancada. A qualificação do Borussia é obviamente justa, mas conseguimos ganhar-lhes um jogo (algo que nenhuma outra equipa portuguesa conseguiu) e acho que demos uma boa imagem durante boa parte da 2ª mão. Chegámos novamente à fase a eliminar da Champions, o que convenhamos é ligeiramente melhor do que ser eliminados por uns Legias desta vida...

Em termos individuais, gostei bastante do André Almeida (sempre muito generoso a correr atrás dos adversários), do Cervi (que mostrou porque é que tem que deixar de ser o quarto extremo na hierarquia do lado esquerdo para passar a ser o primeiro!), e do Pizzi e do Salvio (ambos durante a 1ª parte).

Vamos agora concentrar-nos naquilo que é verdadeiramente essencial, que é entrar para a história com o primeiro tetra do nosso palmarés.

P.S. – Acerca da viagem, apesar do cansaço e da chuva, como disse um amigo meu, “correu mal, mas valeu a pena”. O estádio é fantástico e no início da partida o famoso muro amarelo fez uma coreografia com os jornais e o galhardete de 1963 quando nos deram 5-0 na 2ª mão. Pontos pela criatividade numa bancada que impressiona, mas que só se ouviu de forma consistente a partir do 0-2. A organização dos alemães não tem nada a ver com a nossa e o facto de tratarem os adeptos do clube visitante como... lá está, pessoas, torna tudo mais simples. Quando fui perguntar a um stewart, ainda antes de o jogo começar, se tínhamos que lá ficar uma hora no final, o tipo olhou para mim de um modo completamente surpreendido e perguntou: “why do you want to stay here for one hour after the game...?!” Toda a gente saiu ao mesmo tempo e não houve nenhum problema. Foi pena que não se tivesse visto a nossa bancada na televisão, mas ao que me dizem ouviu-se e bem. O apoio foi fabuloso e, como já disse, nem no intervalo parou. Mesmo durante cerca de 10’ depois de o jogo acabou ainda se cantava como se pode ver no vídeo abaixo. Os adeptos do Benfica deram nova demonstração do que é um clube com uma Grandeza Incomparável! A nossa bancada aplaudiu o agradecimento do Borussia ao muro amarelo e os alemães aplaudiram-nos de volta. Foi inesquecível e, sinceramente, só por isso já teria valido a pena ir. Não tive a prenda mais desejada no dia do meu 41º aniversário, mas mesmo que a tivesse também a trocaria por uma ainda maior em Maio. Vamos a isto! VIVA O BENFICA!

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