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terça-feira, janeiro 06, 2026

Trabalhoso

Vencemos o Estoril na Luz no sábado por 3-1 e entrámos com uma vitória no novo ano. Como a lagartada empatou (1-1) em Barcelos frente ao Gil Vicente, reduzimos a diferença para eles para três pontos, mantendo o CRAC os dez de distância para nós, mercê de uma inacreditável oferta do guarda-redes do Santa Clara (Gabriel Batista), que lhes permitiu ganharem 1-0 nos Açores.

Com o Aursnes no banco e o Manu no lugar do lesionado Enzo Barrenechea, não entrámos nada bem perante uma das equipas que melhor joga no nosso campeonato. De tal forma que ainda nem um minuto estava decorrido e nós íamos sofrendo um golo, só evitado pelo Trubin e por uma recarga de cabeça aselha de um adversário. Respondemos bem com um remate de fora da área do Sudakov, que passou perto da barra, mas foi o mesmo Sudakov que proporcionou ao Estoril outra chance de golo, com uma perda de bola em zona proibida que o seu compatriota resolveu na baliza com uma defesa para canto. Começámos a aproximar-nos da baliza contrária e o Prestiannni e o Manu viram prometedores remates seus desviarem em defesas para canto. E foi de um canto que resultou o penalty que nos deu o primeiro golo aos 34’. O Otamendi foi agarrado por dois defesas, mas o árbitro, o Sr. Anzhony Rodrigues, e o VAR, Sr. Paulo Barradas, consideraram que a falta foi por causa de uma mão na bola...! O Pavlidis continua com o seu registo 100% vitorioso da marca dos 11 metros e não deu hipóteses ao guarda-redes Robles. No primeiro minuto da compensação, o mesmo Pavlidis marcou um golão! Abertura do Leandro Barreiro para o grego, que resistiu à carga do defesa e, à saída do guarda-redes, fez um chapéu maravilhoso. Tínhamos o jogo muito bem encaminhado, só que mais uma vez resolvemos oferecer um golo ao adversário, ao defender muito mal o João Carvalho, que surgiu solto já dentro da área e fez o 2-1 mesmo em cima do intervalo, depois de uma jogada do Guitane na direita. Foi muito frustrante, porque deveríamos ter ido para o intervalo bastante mais descansados...

Na 2ª parte, controlámos melhor o Estoril e eles só tiveram uma boa oportunidade, mas felizmente o remate saiu ao lado. Quanto a nós, também fomos menos ofensivos e foi preciso chegar aos 20’ finais para nos lembrarmos que havia uma baliza do outro lado, num livre do Sudakov, que passou a rasar o poste com o guarda-redes especado. O Mourinho só começou a fazer substituições aos 77’, fazendo entrar o Aursnes e promovendo a estreia do Sidny Cabral, que mostrou logo serviço aos 80’ numa assistência para o Pavlidis fazer o 3-1 e decidir o jogo. Um defesa ainda tentou cortar a bola, mas ela acabou por sobrar para o grego, que só teve de encostar. Até final, foi novamente o Sidny Cabral num livre de pé esquerdo a atirar com algum perigo.

Em termos individuais, óbvio destaque para o Pavlidis com mais um hat-trick e 17 golos em 17 jogos no campeonato. O Sudakov também esteve bem (com excepção daquela oferta na 1ª parte...) e acho que não devia ter saído, até porque o Leandro Barreiro está pelo segundo jogo consecutivo um pouco fora dela. O Sidny Cabral teve uma boa estreia e, apesar de ser defesa de origem, parece que o Mourinho o pretende ver mais a extremo. O Manu ainda não está com o ritmo ideal, mas é muito mais jogador do que o Barrenechea, dado que cria desequilíbrios a nosso favor e não passa a vida a jogar para os lados e para trás. O Trubin também foi muito importante, especialmente quando o resultado ainda estava 0-0.

Iremos amanhã defrontar o Braga na meia-final da Taça da Liga e, com o 1º lugar a 10 pontos e a ida a Mordor para a Taça de Portugal, temos aqui a nossa melhor oportunidade de ganhar um segundo troféu esta temporada (sim, a Supertaça conta). Mas primeiro há que chegar à final e, pelo que se viu do Braga na semana passada, o jogo não vai ser nada fácil.

sábado, janeiro 03, 2026

Roubo de igreja

Empatámos no domingo passado em Braga (2-2) e ficámos a uns inalcançáveis 10 pontos do 1º lugar, dado que o CRAC naturalmente ganhou ao AVS (2-0), com a lagartada a cinco pontos de distância, fruto dos 4-0 ao Rio Ave.

A passagem de ano e umas férias fizeram com que só pudesse escrever hoje acerca desta partida, pelo que o post vai ser obviamente mais curto, dado que a actualidade do jogo já passou há muito. Tínhamos obviamente o jogo mais difícil dos três, mas é pouco justificável os 45 minutos de avanço que demos ao adversário. A 1ª parte foi toda do Braga, o que até é mais inacreditável dado que nos adiantámos no marcador aos 29’ numa cabeçada do Otamendi a centro do Sudakov num livre. O Braga tinha sido melhor e continuou a ser até ao intervalo...! Ou seja, o golo não virou o jogo, como costuma acontecer nestes casos. Muito demérito nosso, como é óbvio. Faltava cerca de 15 minutos para o intervalo e conseguimos a proeza de irmos para o descanso a perder! Aos 38’, o Dahl saltou a uma disputa de bola com um adversário com o braço levantado e, tendo-lhe a bola tocado, foi assinalado penalty. O Zalazar não deu hipóteses ao Trubin. Em cima do intervalo, um erro do Ríos, que escorregou na área e não dominou uma bola fácil, permitiu ao Pau Víctor fazer o 2-1...! Não se acreditava no que estava a acontecer!

A 2ª parte foi completamente diferente. Resolvemos acordar e o jogo foi todo nosso. Fizemos a igualdade relativamente cedo (53’) pelo Aursnes, num excelente remate de fora da área depois de assistência do Pavlidis, indefensável para o Hornicek, e logo a seguir o Tomás Araújo teve uma óptima chance defendida pelo guarda-redes. O Pavlidis deixou-se apanhar em fora-de-jogo depois de assistência do Sudakov (apesar de estar em boa posição para ver a linha defensiva...), o Dahl rematou para grande defesa do guarda-redes e aos 75’ aconteceu um dos maiores roubos dos últimos tempos: fizemos o 3-2 pelo Dahl, mas o Sr. João Gonçalves assinalou uma inexistente falta do Ríos na jogada e o VAR Sr. Tiago Martins não reverteu a decisão. O Ríos colocou a mão na costela do adversário, que se atirou logo para o relvado, e assistiu o Dahl para o golo. Perfeitamente legal, não há falta absolutamente nenhuma. Façam o exercício ao contrário, imaginem que era assinalado penalty se fosse o defesa a fazer aquilo... O que não se diria durante semanas ou meses...! Até final, o Aursnes ainda teve uma excelente ocasião já dentro da área, depois de uma boa jogada, mas o remate saiu por cima.

Perdemos dois pontos de uma forma novamente inglória, mas neste caso por uma decisão absolutamente incompreensível do árbitro e do VAR. Uma vergonha!

sábado, dezembro 27, 2025

Difícil

Vencemos o Famalicão pela margem mínima na passada 2ª feira (1-0), mas manteve-se tudo igual na frente, porque os outros dois também ganharam (o CRAC 3-0 em Alverca e a lagartada 4-1 em Guimarães). Ou seja, tal como o resultado espelha, a nossa foi a partida mais complicada de todas, apesar de termos sido os únicos a jogar em casa.

O Prestianni foi a novidade no onze perante o impedimento do Leandro Barreiro, tendo o Tomás Araújo permanecido ao lado do Otamendi no centro da defesa. O Famalicão está a fazer um bom campeonato e o 6º lugar que ocupava no início desta jornada era óptimo cartão-de-visita. O jogo começou logo mal, com o Famalicão a trocar-nos as voltas na escolha do campo, algo que me irrita solenemente. Em termos de futebol jogado, o Sudakov num remate fora da área criou algum perigo, mas o guarda-redes Carevic defendeu. Pouco depois, foi o Dahl com um remate cruzado a voltar a pôr à prova os reflexos do Carevic. Aos 35’, num livre a nosso favor, o de Hass abriu demasiado os braços no salto e atingiu o Otamendi. O VAR interveio e foi naturalmente penalty para nós (depois da vergonha nos Açores para a Taça, era só o que mais faltava isto não ser penalty...!). O Pavlidis concretizou (até bem demais, porque a bola quase me pareceu que fosse à barra ou por cima...) o seu 14º golo no campeonato. Quase à beira do intervalo, o sangue gelou-se-nos com um remate do Van de Looi a desviar num jogador contrário e quase a trair o Trubin. Foi, de resto, a melhor chance contrária em toda a partida.

Na 2ª parte, manteve-se o nosso controlo do jogo, só com a excepção de praticamente não deixarmos o Famalicão criar perigo. Quanto a nós, o Dedic teve uma boa incursão da direita para o meio, culminada com um remate de pé esquerdo que saiu ao lado e o Prestianni colocou o Aursnes na cara do golo, mas o norueguês falhou novamente isolado, só com o guarda-redes pela frente. Uma boa jogada do Sudakov culminou num bom remate do Prestianni, que o Carevic defendeu para canto e foi tudo o que se passou de relevo nos últimos 45’, com o Famalicão a revelar grandes dificuldades para chegar à nossa baliza. Só num lance, com um erro do Trubin, é que criou algum frisson, mas o nosso guarda-redes depois conseguiu emendar o facto de não ter conseguido agarrar uma bola.

Em termos individuais, gostei do jogo do Prestianni, o Aursnes está a subir de forma (pelo menos, parece) e o Sudakov também não esteve mal. O Pavlidis continua a ter 100% de eficácia nos penalties e espero que assim continue. A defesa esteve muito segura, mesmo que o Tomás Araújo tivesse de sair precocemente na 2ª parte para entrada do António Silva.

Iremos amanhã a Braga para o último jogo de 2025 e que será uma nova final, dado que estamos a oito pontos do 1º lugar e não nos podemos dar ao luxo de perder mais pontos.

sexta-feira, dezembro 19, 2025

Tranquilo

Vencemos o Farense no São Luiz na passada 4ª feira (2-0) e qualificámo-nos para os quartos-de-final da Taça de Portugal. Ao contrário das duas eliminatórias anteriores, encarámos esta partida de um modo mais sério e nunca passámos por calafrios, com a nossa vitória a pecar por não ter sido mais dilatada.

O Mourinho promoveu alguma rotação na equipa, com uma frente de ataque totalmente nova (Prestianni, Ivanović e Schjelderup), o regresso do Manu à titularidade depois da grave lesão, o Tomás Araújo na lateral-direita e o Samuel Soares na baliza. A maneira como entrámos no jogo deu logo o mote, apesar de uma cabeçada contrária na sequência de um canto nos ter assustado, mas felizmente o Samuel Soares estava atento. A nossa reacção foi categórica, com o 1-0 a surgir pouco depois, aos 11’, pelo Richard Ríos, depois de um livre lateral batido pelo Sudakov, com um remate de primeira já dentro da área. Antes da meia-hora, tivemos uma ocasião soberana de aumentar a vantagem e nos salvaguardar de algum imprevisto, num penalty descarado sobre o Schjelderup, mas o Otamendi, à semelhança do encontro frente ao Atlético, voltou a permitir a defesa do guarda-redes... Se calhar, está na altura de não termos defesas-centrais como batedores de penalties, não...? Até ao intervalo, ainda vimos o Sudakov sair lesionado por causa de uma joelhada na coxa, entrando o Aursnes, o Ivanović ver um golo seu anulado por fora-de-jogo e o Schjelderup bater bem um livre directo, com a bola a sair muito perto do poste, com o guardião contrário batido.

Ao intervalo, tivemos de fazer outra substituição forçada, desta feita na baliza, com a entrada do Trubin por problemas físicos do Samuel Soares. Logo no reinício, o Sr. Hélder Malheiro não acatou a opinião do VAR sobre uma expulsão de um jogador do Farense por ter feito falta sobre o Ivanović, que ficaria isolado, e manteve o cartão amarelo... Inacreditável! No livre directo, o Ríos atirou muito por cima. No entanto, não passou muito tempo até fazermos o 2-0 e praticamente acabar com a eliminatória. Aos 56’, a jogada principiou no Ivanović, que abriu muito bem para o Dahl na esquerda, este rematou cruzado, o guarda-redes Tannander defendeu e o ponta-de-lança croata, muito oportuno na recarga, só teve de encostar para a baliza deserta. Daqui até final, a partida entrou em velocidade de cruzeiro, connosco a controlá-la completamente. Ainda vimos a estreia de outro campeão mundial sub-17 na equipa principal, o lateral-direito Banjaqui, e um golo contrário ser anulado por empurrão ao António Silva, antes de um cabeceamento vitorioso num canto. No entanto, tendo a bola sido cabeceada na pequena-área, continuo sem perceber como é que o Trubin não sai nestes lances...

Em termos individuais, voltei a gostar do Ivanović, apesar de continuar com alguns problemas no domínio da bola, do Dahl, que está a subir de produção de jogo para jogo, e do Ríos, embora com menor destaque em relação às duas partidas anteriores. O Sudakov estava a fazer um jogo interessante finalmente na sua posição de nº 10, mas levou uma pancada forte de teve de sair. Saúda-se o regresso do Manu a tempo inteiro, mas está declaradamente com falta de ritmo, o que é perfeitamente natural. O Prestianni esteve melhor do que o Schjelderup, que infelizmente deixou a oportunidade passar-lhe um pouco ao lado, ao não tomar sempre a melhor decisão.

Iremos agora a Mordor nos quartos-de-final da Taça, dado que eles, como seria de esperar, eliminaram o Famalicão em casa (4-1). A equipa está a subir de produção e não seria a primeira vez que ganharíamos lá numa eliminatória da Taça, mas de qualquer forma o jogo é só o daqui a um mês. No entanto, a grande notícia desta eliminatória é a forma vergonhosa como a lagartada eliminou o Santa Clara nos Açores (3-2), após prolongamento, com o golo que empatou o jogo a surgir num penalty inacreditável (e inexistente, como é óbvio) aos 90’, assinalado pelo VAR Sr. Rui Silva e mantido pelo Sr. João Pinheiro, depois de uma interrupção de 12 minutos(!) para decidir o lance... Isto tem entrada directa para os maiores escândalos de arbitragem de todos os tempos! Que roubo!!!

quarta-feira, dezembro 17, 2025

Pavlidis x 3

Vencemos o Moreirense fora por 4-0 no passado sábado, mas, como os outros dois também ganharam, manteve-se tudo igual na frente do campeonato. Uma saída a Moreira de Cónegos é sempre difícil (nas últimas cinco vezes, só tínhamos ganho uma!), o Moreirense está a fazer um bom campeonato, mas aproveitámos muitíssimo bem os erros contrários e obtivemos uma vitória mais tranquila do que se esperava.

O Mourinho só fez entrar o Pavlidis em vez do Ivanović em relação ao Nápoles e foi o grego a ser rasteirado na área logo nos minutos iniciais, mas inacreditavelmente nem o Sr. Hélder Carvalho, nem o VAR Sr. Rui Oliveira assinalaram penalty...! Uma vergonha! A partida foi equilibrada durante metade da 1ª parte, embora sem grandes ocasiões para nenhum dos lados, porque a maior parte dos remates foram interceptados pela defesa do Moreirense e, do nosso lado, o Trubin agarrou a única bola que lhe chegou. Aos 37’, inaugurámos o marcador pelo Pavlidis, de cabeça, depois de um cruzamento da direita do Aursnes na sequência de um canto, que nasceu de uma recuperação nossa em zona ofensiva, depois de uma má saída de bola desde a área contrária. Marcar primeiro em jogos destes é sempre meio-caminho andado para a vitória. Até ao intervalo, outro cabeceamento do Tomás Araújo e um desvio do Pavlidis ao primeiro poste ainda deram algum trabalho ao André Ferreira, guarda-redes contrário.

Para a 2ª parte, veio o Rodrigo Rêgo no lugar do lesionado Leandro Barreiro, que sofreu uma falta que eventualmente teria sido merecedora de vermelho directo... Aos 57’, demos um passo de gigante com vista ao triunfo, com o 2-0, também pelo Pavlidis, na sequência de outro erro de saída do bola do Moreirense, com o Aursnes a assistir o grego, que ainda beneficiou de um ligeiro desvio de um defesa no remate. Aos 71’, o Pavlidis completou o seu hat-trick, noutro erro de saída de bola, neste caso, um defesa que lhe passou directamente o esférico e o grego de pé esquerdo não perdoou. O resultado final de 4-0 foi feito aos 76’, num chapéu do Aursnes, que aproveitou outro mau passe(!) na zona defensiva, neste caso, do guarda-redes André Ferreira. Até final, o Mourinho aproveitou para ir rodando a equipa, colocou novamente o José Neto, e foi do entretanto entrado Schjelderup a última oportunidade, num remate interceptado por um adversário para canto.

Em termos individuais, óbvio destaque para o Pavlidis que, com mais três golos, saltou para a frente dos melhores marcadores, agora com 13. Grande avançado no qual eu sempre acreditei! Vamos lá a ver se é este ano que um jogador nosso volta a ganhar este troféu... Depois talvez do pior período desde que chegou ao Benfica, o Aursnes foi outro dos destaques, com um golo e duas assistências. Também gostei do Dedic na lateral-direita, que imprime sempre muito dinamismo à equipa. Todos os outros estiveram num patamar bastante razoável (até o Barrenechea!), com o Schjelderup a entrar novamente bem, depois de ter sido decisivo na vitória frente ao Nacional.

Atravessamos a melhor fase desde que o Mourinho chegou e daqui a um bocado entrar vamos em campo em Faro para tentar prosseguir na Taça de Portugal. Espero naturalmente que esta boa fase tenha sequência e que possamos ir a Mordor (irão certamente ganhar ao Famalicão amanhã) disputar os quartos-de-final de um dos grandes objectivos da temporada, no qual temos um vergonhoso histórico nas últimas três décadas.

sexta-feira, dezembro 12, 2025

Finalmente!

Vencemos o Nápoles na Luz por 2-0 na 4ª feira e mantivemo-nos na luta pelo play-off da Champions. Depois da desilusão do campeonato, arriscávamo-nos a ficar com a época muito comprometida neste jogo, mas a resposta da equipa foi à altura da importância da ocasião. Já não era sem tempo!

O Mourinho surpreendeu ao dar a titularidade ao Tomás Araújo e Ivanović, ficando o António Silva e o Pavlidis no banco. Ao contrário da partida frente aos lagartos, a nossa entrada foi muito boa, tendo tido logo duas enormes chances para marcar, com o Ivanović a permitir a defesa do guarda-redes Milinkovic-Savic, quando estava só perante ele, e o Aursnes a fazer ainda pior, com um remate atabalhoado ao lado, estando numa posição ainda melhor do que o croata. Isto já depois de, na continuação do lance do Ivanović, rematado para fora, quando também estava em boa posição. No entanto, aos 20’, inaugurámos mesmo o marcador num desvio do Ríos depois de uma assistência de cabeça do Ivanović, na sequência de um centro do Dahl para a área. Depois de tanto falhanço, estávamos por fim na frente de um encontro onde só tínhamos uma opção: ganhar. A partir daqui, baixámos o ritmo na tentativa de controlar a resposta contrária, o que até conseguimos, dado que os italianos não criaram assim grande perigo. Da nossa parte, na sequência de um canto, o Otamendi teve duas oportunidades no mesmo lance, com um remate acrobático que bateu no Ivanović e tendo a recarga saído muito por cima.

A 2ª parte não poderia ter começado melhor, com o 2-0 logo aos 49’, numa óptima jogada entre o Ivanović e o Ríos, com o colombiano a assistir o Leandro Barreiro um desvio de calcanhar, surpreendendo o guardião contrário. A partir daqui, e é uma das grandes vantagens do Mourinho, quando é preciso trancar a baliza, ele sabe como o fazer. O Nápoles bem tentou, mas só num remate do David Neres é que colocou à prova o Trubin e, mesmo assim, sem grandes problemas para defender para canto. Do lado contrário, num contra-ataque já no último quarto-de-hora conduzido pelo Barrenechea, o entretanto entrado Pavlidis rematou para defesa para canto do Milinkovic-Savic. O mesmo Pavlidis, noutro contra-ataque, ficou frente-a-frente com o guarda-redes, mas o gigantismo dele (2,02cm) impediu o grego de ser feliz. No entanto, felizmente, não precisámos desse golo para nos mantermos a salvo, porque, apesar de ir pondo avançados, o Nápoles não conseguiu criar perigo, também porque o Moutinho, quando foi preciso, não teve pejo em colocar um terceiro central (António Silva).

Em termos individuais, o Ríos foi outra vez o melhor em campo e está a subir a olhos vistos. Bom jogo igualmente do Dahl, apesar de o Neres o ter posto à prova especialmente na 1ª parte, e do Ivanović, que espero ter aqui adquirido uma segunda vida no Benfica. É um jogador para jogar em profundidade, que era o que precisávamos neste jogo (e cheira-me que precisamos também nos dois que faltam, em Turim e na recepção ao Real Madrid). O Dedic foi o toiro do costume e o resto da defesa também esteve muito bem. 

Champions só regressa daqui a um mês e, até lá, temos jogos muito importantes no calendário nacional, incluindo uma Taça (da qual somos detentores) para atribuir, pelo que espero que o boost de energia e confiança que tivemos nesta partida se prolongue o mais tempo possível.

quarta-feira, dezembro 10, 2025

Finito

Empatámos com a lagartada (1-1) na passada 6ª feira e, com a vitória do CRAC (2-0) em Tondela, estamos agora a oito pontos deles e mantivemos os três de distância para o 2º lugar. Quer isto dizer na prática que, no início de Dezembro, estamos com o campeonato já perdido. Bestial...!

Num jogo em que não havia outra opção que não fosse ganhar, o Mourinho colocou a sua equipa Champions, o que quer dizer o Leandro Barreiro a 10 e apenas o Pavlidis como opção declaradamente ofensiva (vá, OK, o Sudakov também pode ser incluído como médio mais atacante). Foi outra vez pouco, muito pouco. Entrámos pessimamente na partida, muitíssimo nervosos e a lagartada só não marcou logo a abrir num erro do Aursnes, porque o Trubin defendeu com o pé um remate do Luís Suárez. Continuámos a andar aos papéisaté que sofremos mesmo um golo num péssimo passe à queima do Trubin para o Barrenechea, que perdeu em bola logo à saída da área para o inimputável Hjulmand, que depois a deu para o Pedro Gonçalves fazer um passe para a baliza... Mas nem assim o Trubin defendeu... Estávamos no minuto 12 e o panorama era muito negro. A lagartada continuou por cima, com dois remates do Maxi Araújo que, apesar de não terem acertado na baliza, criaram perigo, mas fomos nós a marcar, completamente contra a corrente do jogo, aos 27’, numa óptima abertura do Ríos para o Dedic centrar e o Sudakov à segunda atirar lá para dentro. O golo caiu-nos do céu, mas a tendência do jogo virou nesta altura. Começámos a pressionar melhor a lagartada, que deixou de manobrar tão à-vontade no nosso meio-campo, embora não tivemos criado grandes oportunidades. O Pavlidis atrapalhou o Dedic que estava em boa posição para alvejar a baliza contrária e, do outro lado do campo, foi o Otamendi a fazer um corte fabuloso ao Suárez, quando este se aprestava para rematar.

A 2ª parte foi totalmente nossa. Só no reatamento é que houve um centro do Catamo que criou algum frisson, mas ninguém tocou na bola e a partir daí dominámos completamente a lagartada, mas, lá está, sem conseguirmos criar muitas situações de perigo. Um remate rasteiro do Sudakov ou outro à meia-volta do Aursnes foram defendidos pelo Rui Silva, um livre para a área em que o Suárez tirou o pão da boca do Leandro Barreiro, depois de uma assistência de cabeça do António Silva, e um remate do Ríos ao lado foi tudo o que conseguimos. Destes lances todos, só o do Ríos é que deu a sensação de golo, especialmente a quem, como eu, estava do lado contrário do campo. O Mourinho mexeu pela primeira vez só aos 81’, mas tirou o Sudakov para colocar o Prestianni, quando se esperava que arriscasse um pouco mais. E, quando resolveu colocar o Ivanovic, também tirou o Pavlidis pouco depois. O nosso eventual assalto final às redes lagartas foi por água abaixo com a expulsão do Prestianni, que cortou um contra-ataque perigoso contrário de uma forma mais impetuosa. Se fosse ao contrário, se calhar o Sr. António Nobre ter-se-ia ficado pelo amarelo, mas enfim... Não percebi a opção nos minutos finais de, quando a bola estava no Trubin, não tentar um pontapé para a frente para tentar aproveitar o Ivanovic, que tem esse perfil de atarcar a bola em profundidade... Dir-se-ia que estávamos satisfeitos com o empate, porque não acelerámos nem um pouquinho...

Em termos individuais, o Ríos foi de longe o melhor e até que enfim que começa a justificar a fortuna que pagámos por ele. Com o excesso de jogadores de tendências defensivas, os desequilíbrios são causados pelo Dedic, que também esteve em relativo destaque. O Sudakov fez uma péssima 1ª parte, mas estava a subir na 2ª, quando foi substituído. O Aursnes continua na sua pior fase desde que chegou ao Benfica e o Barrenechea ainda me está para provar que é um upgrade em relação ao Florentino... Desta vez foi dele o erro, mas o nosso histórico até agora é oitavo ponto perdido em casa, oitavo ponto perdido graças a clamorosos erros defensivos...

Enfim, com o sorteio da Taça de Portugal a colocar-nos em Mordor se eliminarmos o Farense e passarmos aos quartos-de-final, com a Champions muitíssimo complicada e o campeonato perdido sem termos chegado ao Natal, não será a Taça da Liga (se acontecer) que irá salvar uma temporada que se perspectiva tenebrosa. Depois de tanto dinheiro gasto do Verão, continuamos com evidentes lacunas no plantel, que, aliás, é bem mais fraco do que na temporada passada. Há coisas muito difíceis de entender, mas a maioria dos benfiquistas votou pela continuidade desta modorra muito recentemente...

sexta-feira, dezembro 05, 2025

A ferros

Há quase uma semana, no passado sábado, vencemos o Nacional na Choupana por 2-1. Tendo sido esta uma semana de loucos em termos de trabalho, só hoje consegui postar sobre este jogo, mas não queria deixar de o fazer. Dado que aos 88’ estávamos a perder por 0-1, dá bem para perceber as dificuldades que tivemos para vencer.
 
O Rodrigo Rêgo mereceu a titularidade com o impedimento do Richard Ríos por amarelos. Fartámo-nos de dominar, tivemos diversas ocasiões, mas nunca atinámos com a baliza contrária. Remates do Leandro Barreiro e do Sudakov permitiram defesas ao guarda-redes Kaique, assim como uma cabeçada do Pavlidis a centro do Rêgo, talvez a melhor oportunidade que tivemos, tendo o avançado grego visto ainda um golo anulado por claro fora-de-jogo. Do lado contrário, o Trubin foi um mero espectador.
 
Na 2ª parte, o Nacional percebeu que existia uma baliza do lado contrário e o Ramírez obrigou o Trubin a uma boa defesa para canto num remate de longe. Todavia, à passagem da hora de jogo, o Leandro Barreiro teve um dos falhanços do campeonato, ao trocar os pés na altura de encostar para a baliza deserta, depois de um centro da esquerda... Inacreditável! Pouco depois, aos 60’ aconteceu um balde de água fria, com o 0-1 do Nacional depois de um falhanço clamoroso do Otamendi, que falhou um passe e colocou a bola num adversário, apanhando-nos em contrapé e proporcionando ao Ramírez a inauguração do marcador. A partir do golo sofrido, fomos para cima deles e o Pavlidis voltou a pôr à prova o guarda-redes com um remate de pé esquerdo, tendo o Aursnes atirado rasteiro ao lado pouco depois. A 15’ do fim, o António Silva teve uma soberana chance para marcar, antecipando-se ao guarda-redes num centro do Sudakov, mas cabeceando por cima. E tiveram de ser dois suplentes a dar a volta ao jogo a nosso favor. Aos 88’, o Prestianni, desmarcado pelo Dedic na direita, conduziu a bola e fuzilou o guarda-redes, num remate ao ângulo já dentro da área. Com as perdas de tempo nojentas do Nacional, principalmente desde que se viu em vantagem, o árbitro deu nove minutos de compensação e foi aos 95’ que fizemos o 2-1, numa óptima jogada do Schjelderup pela esquerda, tabela com o Otamendi e assistência para um desvio do Pavlidis na pequena-área para dentro da baliza. Foi o delírio completo e uma vitória muito merecida. Apesar do golo e dos festejos, o Sr. Iancu Vasilica não estendeu o jogo para lá dos nove minutos. Acho muito bem que não se premeie o antijogo de uma equipa, dando-lhe minutos adicionais quando se vê em desvantagem!
 
Em termos individuais, destaque para os dois substitutos (Prestianni e Schjelderup), que foram essenciais para a vitória. Convinha o Mourinho perceber que, frente a equipas que se fecham imenso, o Leandro Barreiro como segundo avançado pura e simplesmente não resulta. Foi principalmente a partir das substituições que começámos a amassar o Nacional. Outro problema actual que temos é a evidente fora de forma do Aursnes, que já vem de há uns jogos para cá. E o Barrenechea que ainda me está para provar que foi um upgrade em relação ao Florentino...
 
Tivemos uma semana para preparar o derby frente aos lagartos, em que qualquer resultado que não uma vitória nos afastará na prática do título.

sexta-feira, novembro 28, 2025

À tona

Vencemos na 3ª feira o Ajax em Amesterdão (2-0) e conseguimos a primeira vitória nesta fase de Liga da Champions. Ao quinto jogo, caso não ganhássemos íamos imediatamente de vela, pelo que, mesmo sem grandes rasgos, o importante foi sairmos dos Países Baixos com três pontos. Claro está que estávamos a defrontar a única equipa que, tal como nós, também só tinha averbado derrotas e, portanto, temos de pôr as coisas em perspectiva.

Sem o Lukebakio até Fevereiro, o Aursnes voltou ao lado direto do ataque, com o resto a ser a equipa-tipo Champions, o que quer dizer com a titularidade do Leandro Barreiro. Na defesa, o António Silva parece ter passado à frente do Tomás Araújo, por enquanto. A partida não poderia ter melhor início para nós, dado que inaugurámos o marcador logo aos 6’, numa bomba do Dahl na sequência de um canto, em que o guarda-redes defendeu uma cabeçada do Ríos, tendo a bola depois sobrado para o sueco que fuzilou desviado para a esquerda, mas já dentro da área. O Pavlidis ainda teve um remate em boa posição, que saiu ao lado, mas praticamente deixámos de jogar no resto da 1ª parte. Não fazíamos as coisas com rapidez suficiente para causar calafrios ao Ajax, mas também não os deixávamos criar perigo, com excepção a uma defesa do Trubin num remate do Klaassen na direita quase à queima.

Na 2ª parte, a toada do jogo não mudou muito, embora o Ajax tenha entrado mais forte e tenha tido uma soberana ocasião outra vez pelo Klaassen, que surgiu isolado perante o Trubin, depois de uma boa combinação atacante com a nossa equipa a ficar a dormir, mas felizmente atirou escandalosamente ao lado. Depois disso, praticamente não conseguiu entrar na nossa área e nós só nos últimos 15’ é que nos lembrámos que havia uma baliza do lado contrário. Um remate do Dedic saiu ao lado, porém em cima dos 90’ selámos de vez a vitória com um grande golo do Leandro Barreiro, que dominou de peito uma bola no meio-campo, fez uma tabelinha com o Aursnes, isolou-se e fuzilou de pé esquerdo. Até final, ainda deu para o regresso do Manu depois de (longa) lesão e para a estreia do Rodrigo Rêgo na Champions.

Em termos individuais, gostei do jogo do Ríos e do Leandro Barreiro. O Sudakov, por vezes, desaparece do jogo, mas, quando surge, coloca bolas na frente como poucos. O António Silva esteve bem na defesa, aliás, como os restantes companheiros, só falhando naquele lance no início da 2ª parte. O Dahl marcou um golão, mas sentiu algumas dificuldades na 1ª parte perante o extremo-direito, tendo subido de produção na 2ª. O Trubin resolveu bem quando foi chamado a intervir.

Continuamos com uma tarefa muito difícil na Liga dos Campeões, mas pelo menos não ficámos já de fora e ainda mantemos a esperança no apuramento para o play-off. E já não sairemos da Europa com zero pontos...!

sábado, novembro 22, 2025

Muito sofrível

Eliminámos ontem o Atlético (2-0) para a 4ª eliminatória da Taça de Portugal em jogo que decorreu no Estádio do Restelo. Tenho sempre pena que estas equipas de escalões secundários não possam receber os grandes em sua casa nos jogos da Taça, mas estamos subjugados pela ditadura das televisões.

O Mourinho inovou ao apresentar uma táctica de três centrais, mas a 1ª parte foi do pior que se viu esta temporada. Só se salvou (e, aliás, durou o jogo) a estreia absoluta do Rodrigo Rego, primeiro na lateral-esquerda e, na 2ª parte, como extremo-direito. O miúdo tem toque de bola, tem dinâmica e tem desfaçatez, visível pelas vezes em que não se coibiu de rematar à baliza. O resto foi uma desgraça, com muito gente a desperdiçar a oportunidade, razão pela qual o Mourinho fez quatro(!) substituições ao intervalo (para memória futura, saíram o Ivanović, João Rego, Barrenechea e Tomás Araújo) e disse na flash que, se pudesse, teria feito nove!

Na 2ª parte, o Atlético já não conseguiu chegar tantas vezes à nossa baliza, mas o nosso golo só apareceu aos 73’ na estreia do Ríos (entrado ao intervalo) a marcar com o manto sagrado, num cabeceamento num canto. Quatro minutos depois, o Leandro Barreiro (também entrado ao intervalo) foi derrubado na área e o Pavlidis concretizou o penalty (embora o remate tenha saído quase à figura, com o guarda-redes a não defender por pouco...). O resultado estava feito e só não se avolumou, porque o Otamendi falhou um penalty já nos descontos (o Pavlidis tinha entretanto saído), com uma boa defesa do guarda-redes Rodrigo Dias.

Em termos individuais, só vou destacar mesmo o Rodrigo Rego. Tenho curiosidade para perceber se isto foi só um one shot, tipo o Pepa aqui há uns (largos) anos, ou se terá alguma continuidade. Pelo menos aquele lugar (extremo-direito) vai estar vago nos próximos tempos por causa da lesão do Lukebakio. Fizemos a nossa obrigação, que era passar à eliminatória seguinte, mas sem nenhum brilhantismo e com uma 1ª parte que deveria ser objeto de reflexão por parte de todo o plantel...

Iremos a Amesterdão na próxima 3ª feira jogar a nossa continuidade na Champions frente ao Ajax. Se não ganharmos, podemos esquecê-la e esta época será relembrada no futuro como uma das piores de sempre nas competições europeias.

sexta-feira, novembro 21, 2025

Irlanda e Arménia

As ligas nacionais pararam no passado fim-de-semana por causa da última jornada de qualificação para o Mundial de 2026. Tal como era esperado, Portugal qualificou-se embora tenha precisado do terceiro match-point para o conseguir, dado que perdemos na Irlanda por 2-0 e a qualificação só tenha surgido na goleada (9-1) frente à Arménia.

O jogo frente aos irlandeses foi parecido com o que houve em casa, com eles a defenderem muito bem, muito agressivos e nós a termos grandes dificuldades em entrar na muralha contrária. Só não foi igual, porque eles foram muito mais perigosos quando contra-atacavam, tendo atirado uma bola ao poste antes de nos marcarem dois golos ainda na 1ª parte, ambos pelo Troy Parrott (17’ e 45’). A perder por dois ao intervalo, o Roberto Martínez não se lembrou de mais nada do que... substituir dois defesas...! Na 2ª parte, as esperanças de mudarmos o resultado foram arruinadas aos 59’, quando o Cristiano Ronaldo deu um murro nas costas de um defesa e foi naturalmente expulso. A primeira vez que aconteceu ao serviço da selecção, mas ao menos teve o mérito de não jogar o jogo seguinte, até porque o Gonçalo Ramos, que só entrou a 12’(!) do fim, fez mais remates nesse tempo do que o Cristiano Ronaldo no outro todo.

Frente à Arménia, em casa, era só o que mais faltava se não ganhássemos. Nem mereceríamos ir ao Mundial nesse caso. Inaugurámos o marcador logo aos 7’ num cabeceamento do Renato Veiga na sequência de uma bola parada, mas deixámo-nos empatar aos 18’, quando fomos apanhados em contrapé num contra-ataque. No entanto, chegámos ao intervalo com a qualificação resolvida (5-1) mercê de um bis do João Neves (30’ e 41’) e de golos do Gonçalo Ramos (28’) e Bruno Fernandes (nos descontos, de penalty). A 2ª parte foi apenas um proforma, com mais quatro golos, tendo o João Neves (81’) e o Bruno Fernandes (52’ e noutro penalty aos 72’) chegado ambos ao hat-trick. O último golo foi apontado pelo Francisco Conceição já nos descontos (92’).

Que esta qualificação seja olhada de maneira honesta para que não tenhamos ilusões: dos seis jogos, só frente à Arménia é que passeámos. Nos outros quatro, ganhámos dois nos minutos finais (Hungria fora e Irlanda em casa), empatámos outro (Hungria em casa, com o golo sofrido também nos minutos finais) e perdemos um (Irlanda fora). É uma performance muito fraca, perante adversários bastante secundários, para quem almeja ser campeão do mundo. A selecção padece de vários problemas (vacas sagradas que raramente são substituídas, tudo andar à volta de um jovem de 40 anos e opções tácticas e de escolha de jogadores muito discutíveis) e não se está a ver o Roberto Martínez com capacidade de os resolver (antes pelo contrário...). Mas pode ser que tenhamos uma surpresa (e alguma sorte) como na Liga das Nações.

sexta-feira, novembro 14, 2025

Erros indesculpáveis

Empatámos em casa (2-2) frente ao Casa Pia no passado domingo e deixámos fugir o CRAC (1-0 em Famalicão) e a lagartada (2-1 nos Açores frente ao Santa Clara) na classificação, estando agora a seis pontos do primeiro e a três do segundo. Isto seria sempre um péssimo resultado, mas mais ainda se tornou, porque aos 60’ estava 2-0...

O Mourinho voltou a dar a titularidade ao Dedic, com o Aursnes a ir para o lado esquerdo do tridente ofensivo. (O norueguês é defesa-direito num jogo, extremo-esquerdo no outro, enfim...) Um remate do Barrenechea desviou num defesa e bateu no poste nos minutos iniciais, mas não demorou muito até inaugurarmos o marcador, aos 18’, num óptimo trabalho do Pavlidis (dominou de peito e tocou de cabeça) a assistir o Sudakov para um remate em volley. Uma má saída de bola do Aursnes colocou um adversário em boa posição, mas o remate saiu fraco e o Trubin não teve dificuldades em defender. Um bom passe do Tomás Araújo isolou o Lukebakio, mas pela enésima vez o belga, só com o guarda-redes pela frente, não o conseguiu desfeitear... Chegávamos ao intervalo em vantagem, mas a jogar um futebol muito curto.

Para a 2ª parte, entrou o Prestianni para o lugar do Barrenechea, com o Aursnes a ir para o meio-campo. Não admira que o norueguês passe pela sua fase menos exuberante desde que chegou ao Glorioso, a mudar constantemente de lugar... Melhorámos um bocado, com maior rapidez de processos e logo depois do apito, o Ríos teve um remate de fora da área defendido pelo guarda-redes Patrick Sequeira. Pouco depois, foi o Sudakov a tentar, mas com o mesmo desfecho. À passagem da hora de jogo, num canto, o Ríos cabeceia, mas um defesa toca com a mão na bola, tendo os braços abertos. Penalty que o Pavlidis marcou superiormente, alargando a nossa vantagem para dois golos. Mas a partir dos 65’, tudo mudou... Num remate de fora da área, a bola bate no peito do António Silva e resvala para o braço. Dizem as regras que isto não é penalty, mas o Sr. Gustavo Correia e, principalmente, o VAR João Bento consideraram que sim. O Trubin ainda defendeu o remate, mas o Tomás Araújo, de forma inacreditável, rematou para a nossa baliza, quando pretendia aliviar a bola...! Um lance caricato e incompreensível. O Mourinho lançou o Leandro Barreiro e este meteu a bola na baliza a 10 minutos do final na sequência de um canto, mas estava em fora-de-jogo e os nossos festejos foram em vão. Aos 91’, o Ríos perdeu uma bola no meio-campo, provocando um contra-ataque de cinco para três e o Trubin, com o Tomás Araújo ao lado pronto para aliviar a bola, resolveu sair da baliza e tocar nela, tendo esta sobrado para o Renato Nhaga, que nos gelou a todos... Deixávamos fugir dois pontos, que estavam mais do que garantidos.

Em termos individuais, o Pavlidis, com um golo e uma assistência, foi de longe o melhor. Ou o menos mau, vá. O Lukebakio é quem cria os maiores desequilíbrios, mas ainda não tem o timing perfeito para se libertar da bola e, principalmente, quando está frente-a-frente com o guarda-redes deixa muito a desejar... O Ríos até nem estava a fazer um mau jogo, à semelhança de 4ª feira, mas aquele erro não se pode cometer e custou muito caro. O Trubin também tem culpas no segundo golo e o Tomás Araújo não sei bem o que lhe passou pela cabeça.

Seis pontos perdidos em casa com golos nos últimos minutos perante adversários menos conceituados é o maior factor de destaque desta época. É basicamente a diferença para o 1º lugar, que aumentou de forma exponencial graças a isso. É inexplicável esta tremedeira e esta incapacidade de segurar resultados em pleno Estádio da Luz. Há agora a pausa para as selecções, mas o panorama para esta temporada está muito negro...

P.S. – Temos grandes culpas no cartório, mas o que se passou neste fim-de-semana em termos de arbitragem foi vergonhoso. Este penalty contra nós já foi o que foi e, na véspera, um lance evidente de pontapé de baliza foi transformado em canto pelo fiscal-de-linha Ângelo Pinheiro e validado pelo árbitro João Goncalves, e deu o golo à lagartada no último minuto. Diferenças...

domingo, novembro 09, 2025

93 891

Quinze dias depois, voltámos a bater o recorde mundial de votante de um clube desportivo com este impressionante número de 93 891 pessoas. Aparentemente, desta vez é que fica certificado, dado que o Guiness não aceitou o outro por não se ter eleito um presidente na altura. Deixemo-nos de leituras enviesadas sobre isto: uma tão grande participação é motivo para nos deixar orgulhosos enquanto benfiquistas.

Tal como se esperava, perante os resultados da 1ª volta, o Rui Costa foi reeleito presidente com 65,89%  (58 667 votantes) contra 34.11% (33 669 votantes) do João Noronha Lopes. Algo que não deixa de ser absolutamente relevante salientar é o facto de, em números absolutos, o Rui Costa ter tido mais 25 769 sócios a votar nele, enquanto João Noronha Lopes só teve mais 6 560 votantes do que na 1ª volta. É algo que deveria fazer pensar o candidato que eu apoiei em relação ao que fez de mal para não só não conseguido agregar mais sócios para a sua causa, como ter visto o incumbente aumentar tanto a votação da 1ª para a 2ª volta. Os últimos debates correram bastante mal a Noronha Lopes e isso terá sido decisivo para esta diferença.

Espero sinceramente que o Rui Costa, escudado tanto por esta participação eleitoral como pelo seu próprio resultado, faça um trabalho bastante melhor do que até aqui. Se eu nunca votei nele para presidente do Benfica, é dele uma das duas únicas camisolas personalizadas que tenho (a outra é do Nuno Gomes). Que esse jogador que eu admirei profundamente se possa tornar num bom presidente, mesmo perante tão maus indicadores ao longo do tempo (e já foi bastante...), é o milagre que eu espero que aconteça.

O povo benfiquista falou democraticamente e há que aceitar os resultados, mesmo que não concordemos com eles. Não podemos gostar da democracia só quando ela nos permite ganhar. É preciso baixar a conflitualidade e dar as condições a quem ganhou de poder exercer o seu mandato conforme o programa eleitoral que apresentou. No entanto, estaremos sempre cá para elogiar ou criticar quando se justificar.

VIVA O BENFICA!

sábado, novembro 08, 2025

Perdulários

Perdemos novamente na Champions na passada 4ª feira, em casa frente ao Bayer Leverkusen (0-1). Foi a quarta derrota em quatro jogos e a qualificação para a fase seguinte será uma missão (quase) impossível. Num jogo em que tínhamos de ganhar, fizemos tudo para isso, mas falhámos redondamente na altura de rematar à baliza.

O Mourinho reforçou o meio-campo com o Leandro Barreiro e revelámos sempre bastantes cautelas na saída de bola, especialmente na 1ª parte. Mesmo não utilizando a velocidade que por vezes se exigia, tivemos várias ocasiões para inaugurar o marcador, incluindo duas bolas aos ferros do Lukebakio e Otamendi. Para além disso, o Pavilidis falhou um golo em boa posição, permitindo a intercepção de um defesa, quando o guarda-redes Flekken já não estava na baliza e ainda tivemos alguns remates (do Ríos, Lukebakio e Otamendi) que o guardião defendeu e uma cabeçada do Barreiro que saiu ao lado. Ao invés, o Leverkusen teve uma soberana chance com o Poku isolado a atirar ao lado, quando só tinha o Trubin pela frente.

Na 2ª parte, continuámos a carregar e o Pavlidis num ressalto depois de um canto, ficou frente-a-frente com o Flekken, mas resolveu fintá-lo em vez de rematar e o guarda-redes tirou-lhe a bola com o pé! Foi eventualmente a nossa melhor hipótese de marcar. Pouco depois, o mesmo Pavlidis atirou ao lado de pé esquerdo ainda fora da área, mas aos 65’ apanhámos um enorme balde de água fria com o golo do Patrick Schick de cabeça, depois de um péssimo alívio também de cabeça do Dahl, qua se converteu numa assistência para o checo. Sentimos bastante o golo e não tivemos tão boas hipóteses de marcar até final como até então. Mas, à semelhança do primeiro tempo, foram novamente o Otamendi (de cabeça num canto) e o Lukebakio, por duas vezes, a visar a baliza contrária, mas sem sucesso.

Em termos individuais, o Ríos pareceu-me o melhor do Benfica. Já era tempo de começar a justificar o (enorme) investimento na sua contratação. O Dahl também estava a fazer um jogo muito bem conseguido, mas aquele falhanço no golo deitou tudo a perder. O Lukebakio foi o jogar mais desequilibrador do nosso lado, mas por vezes exagera nas acções individuais. O Pavlidis complicou dois lances de golo, em que se exigia mais rapidez de execução. O Sudakov passa por uma fase de menor fulgor, mas, verdade seja dita, é dos poucos que faz passes a rasgar e sentiu-se a sua falta quando saiu.

Faltam quatro jogos para terminar a Fase de Liga da Champions e devemos mesmo ter de os ganhar a todos para passarmos. Com Nápoles, Juventus e Real Madrid no caminho, será como uma subida ao Monte Everest...

quarta-feira, novembro 05, 2025

Convincente (na 2ª parte)

Vencemos no sempre difícil terreno do V. Guimarães (3-0) no passado sábado, mas continua tudo igual na frente, porque a lagartada ganhou 2-0 em casa ao Alverca e o CRAC também triunfou (2-1) na recepção ao Braga.

Quem olhar só para o resultado, pode pensar que foi tudo muito fácil, mas até ao intervalo a partida foi bastante complicada. O V. Guimarães conseguiu manietar-nos na manobra atacante e não criámos assim tantas jogadas de perigo. Um remate do Sudakov à malha lateral foi a nossa melhor situação.

Na 2ª parte, tudo mudou por via das alterações que fez o José Mourinho logo no reinício: saíram o Sudakov e o Prestianni e entraram o Leandro Barreiro e o Schjelderup. A transformação foi da noite para o dia, também porque o resto da equipa subiu muito de produção. O Lukebakio na direita começou a criar situações para os colegas resolverem, mas uma cabeçada do Leandro Barreiro foi defendida pelo guarda-redes Castillo e o Pavlidis falhou incrivelmente a recarga com a baliza escancarada! O Lukebakio num livre directo voltou a obrigar o guardião contrário a aplicar-se, mas aos 54’ lá abrimos finalmente o marcador, com um canto do belga na direita e o Tomás Araújo a desviar de cabeça ao primeiro poste. Pouco depois, o V. Guimarães ficou a jogar com dez, por pontapé alto do Fabio Blanco ao Leandro Barreiro e a partida tornou-se mais fácil. Por volta da hora de jogo, fizemos o 2-0 pelo Dahl, num pontapé forte de pé esquerdo no enfiamento da pequena-área. Foi a estreia do sueco a marcar com o manto sagrado, curiosamente mais ou menos do mesmo ângulo que o Carreras marcou naquele mesmo estádio na temporada passada. O Schjelderup continuava a criar perigo na esquerda para os colegas, mas os remates de cabeça do Leandro Barreiro e de fora da área do Barrenechea foram defendidos pelo Castillo. Aos 87’, fechámos a contagem numa recarga do entretanto entrado João Rego a um outro remate do Barrenechea, depois de nova incursão do Schjelderup pela esquerda, que o guarda-redes não conseguiu segurar.

Em termos individuais, o Schjelderup foi possivelmente o melhor do Benfica pelo modo como agitou o jogo na 2ª parte, bem secundado pelo Leandro Barreiro, que começa a colocar a titularidade do Sudakov em causa. O Ríos terá feito a melhor exibição desde que chegou e destaque igualmente para o Dahl, que parece a subir de forma desde que ficou no banco em Newcastle. Na defesa, o Tomás Araújo e o Otamendi estiveram imperiais.

Termos hoje uma partida decisiva para a Champions, na recepção ao Bayer Leverkusen, em que só uma vitória nos permite realisticamente continuar na luta pelo apuramento. Esperemos que estas três vitórias consecutivas e a esta exibição no segundo tempo sejam inspiradoras para isso.