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quarta-feira, fevereiro 09, 2022

Vitória

Vencemos em Tondela na passada 2ª feira (3-1) e mantivemos as distâncias de seis e 12 pontos para os dois primeiros, que já tinham ganho (a lagartada 2-0 em casa ao Famalicão e o CRAC pelo mesmo resultado em Arouca). Nos dias que correm, sendo tão raro, é sempre de salientar quando ganhamos e não jogamos terrivelmente mal, como foi o caso deste encontro.
 
O Nelson Veríssimo continua à pesca e voltou ao 4-4-2. O Darwin juntou-se ao Gonçalo Guedes na frente, com o Paulo Bernardo no lugar do João Mário (com covid-19) e o Lazaro na direita em vez do André Almeida. O jogo começou muito repartido com oportunidades para ambos os lados, com destaque para um falhanço do Darwin isolado pelo Gonçalo Guedes Ramos e para um golo bem anulado ao Tondela por fora-de-jogo. Aos 23’, na melhor jogada que fizemos desde há uma série de jogos para cá, inaugurámos o marcador através do Everton, depois de uma boa tabela com o Grimaldo. Logo a seguir, o mesmo Everton atirou à barra num grande remate de fora da área. Mas o segundo golo não tardou muito mais, porque aos 34’ o Darwin foi desmarcado na esquerda pelo Everton, flectiu para o meio e já dentro da quina da área marcou um golão! Golão, esse, que esteve à beira de repetir já perto do intervalo com um livre directo de fora da área, que embateu com estrondo no poste. Já no tempo de compensação, o Salvador Agra apareceu isolado frente ao Vlachodimos, mas foi importunado pelo Lazaro na altura do remate, que saiu ao lado. Ainda bem, porque nos livrámos de uma grande injustiça.
 
A 2ª parte começou praticamente com a dissipação de todas as dúvidas: aos 53’, o Gonçalo fez o 3-0 com um trabalho individual na área, numa jogada que teve novamente a participação do Everton. A equipa até estava a praticar um futebol razoável, mas, à semelhança de outros jogos, quando o Nelson Veríssimo resolveu mexer, estragou tudo. Por volta da hora de jogo, entrou o Diogo Gonçalves e saiu o Everton, e a nossa exibição começou em decrescendo. Pouco depois, o Tondela selou definitivamente o destino da partida com o segundo amarelo do Neto Borges. Poderíamos ter marcado pelo menos mais um golo, mas o Gonçalo Ramos teve um falhanço incrível de pé esquerdo, sozinho na área, depois de uma assistência do Darwin e esse foi praticamente o nosso último lance de perigo. A cerca de 15’ do fim, entraram o Meïté e o Taarabt, e então aí mais valia o Sr. João Pinheiro ter apitado logo para o final. Até porque isso teria impedido de passarmos pela vergonha de sofrer um golo num canto(!) contra 10 jogadores, algo que aconteceu pelo Eduardo Quaresma (ainda por cima, tinha de ser um lagarto...!) aos 88’.
 
O destaque vai inteirinho para o Everton, que esteve nos nossos três golos. Aliás, desde que o Jesus saiu que ele se modificou completamente, muito mais solto e confiante. O Darwin falhou um golo isolado, mas só não marcou dois porque o poste não deixou. Tenho-o elogiado muito, mas o Weigl não esteve nada feliz nesta partida, nomeadamente no capítulo do passe. O Paulo Bernardo também desaproveitou a oportunidade, o que é uma chatice, porque assim o Taarabt fica mais próximo de entrar... O Rafa também passou muito ao lado do jogo. O Gonçalo Ramos é um pouco trapalhão, mas lá marcou mais um golito (e deveria mesmo ter sido dois...).

segunda-feira, fevereiro 07, 2022

A ler obrigatoriamente

Todos vocês já terão certamente lido, mas não queria deixar de registar aqui para a posterioridade este fantástico texto do meu amigo Bakero. Reproduzo integralmente o quinto parágrafo, que deveria ser emoldurado e colocado em cada canto do estádio para lembrar a todos nós, mas principalmente a quem de direito, porque é que estamos nesta situação.

 

"Se o Vietname dos anos 90 teve a seguinte evolução: Crise financeira - crise desportiva - crise de valores; este está a ser de forma inversa: Crise de valores - crise desportiva - e talvez venha aí ainda a crise financeira. Porque ninguém duvide que o Benfica caiu neste buraco devido à falência dos seus valores. O clube do povo, da mística, do Inferno da Luz e do terceiro anel passou a ser o clube do Red Pass, dos descontos na bomba de gasolina, das vendas milionárias e da fábrica do Seixal. As bandeiras com uma história pessoal deram lugar às cartolinas pré-formatadas; a fome de vitórias deu lugar aos recordes nas vendas; os 15 minutos à Benfica deram lugar a sair do estádio mais cedo porque o carro está mal estacionado; a democracia Benfiquista deu lugar ao "apoia garotão, que os outros são todos uns abutres e querem tacho"; o querer fazer a carreira toda no Benfica deu lugar ao "brilho 6 meses e não me cortem as pernas para ir lá para fora"; o Benfiquismo ser um fator óbvio e indispensável para todos que estão lá dentro deu lugar a até o Presidente pode não ser necessariamente benfiquista; o "sirvam o Benfica, não se sirvam dele" deu lugar ao "se calhar até rouba, mas faz", as músicas do Benfica nas colunas de som deram lugar à música techno e reggaeton, a mística deu lugar ao profissionalismo, o foco no desporto e nos títulos deu lugar a obras e projetos."

quinta-feira, fevereiro 03, 2022

Fim da linha

Perdemos ontem em casa frente ao Gil Vicente (1-2) e ficámos a 12 pontos do CRAC (2-1 ao Marítimo) e a seis da lagartada (4-1 no Jamor ao Belenenses SAD). Por outro lado, o Braga reduziu a diferença em relação a nós também para seis pontos. Ou seja, faltam três meses para a época acabar e o nosso fundo continua a descer cada vez que batemos nele...
 
Entrámos em campo com dois(!) trincos (Weigl e Meïté) e o Paulo Bernardo em vez do João Mário, que ficou no banco. Na defesa, regressou o André Almeida à direita e o Otmandi, enquanto na frente o Gonçalo Ramos substituiu o lesionado Yaremchuk, o que fez com que no banco só estivesse o Henrique Araújo como opção para ponta-de-lança. Logo aos 7’, o Sr. Artur Soares Dias espoliou-nos de um golo limpo, ao apitar uma pseudo-falta do Vertonghen sobre um adversário que só ele viu, quando o Grimaldo cruzou para a área num livre e o Otamendi desviou para a baliza. Como apitou antes de a bola entrar, o lance nem foi ao VAR. Uma vergonha sem nome! Aos 11’, as coisas ficaram ainda pior com o golo do Gil Vicente, através do Samuel Lino: jogada fácil, tabela e desmarcação, e a bola a passar por entre as pernas do Vertonghen e enganar o Vlachodimos que, no entanto, acho que se poderia ter lançado e não ficado de pé. Ainda estávamos muito no início do jogo, mas até ao intervalo tivemos apenas duas jogadas em que o golo esteve perto, numa desmarcação do Gonçalo Ramos com a bola picada sobre o guarda-redes a sair por cima, e numa boa iniciativa do Vertonghen culminada com um remate de pé direito defendido para canto. Do lado contrário, e na sequência de um livre, com a nossa equipa toda dentro da área, um adversário conseguiu aparecer isolado(!) frente ao Vlachodimos, que mais uma vez nos salvou.
 
Para a 2ª parte, entraram o Rafa e João Mário para os lugares dos inexistentes Meïté e Diogo Gonçalves. Mas o Gil Vicente era muito mais equipa do que nós, circulava bastante melhor a bola, encontrava sempre um jogador para a receber no espaço vazio e chegava de uma maneira simples à nossa área. Aos 64’, num canto fez o 0-2 pelo Aburjania, com as costas(!), num lance em que o Vertonghen esteve muito mal na marcação. Logo a seguir, o Nelson Veríssimo teve mais um momento típico ao tirar aquele que estava a ser o menos mau (Everton) e colocar o Henrique Araújo. Portanto, saía um extremo e entrava um ponta-de-lança que, como se sabe, não precisa de ser alimentado por extremos...! Enfim, sem comentários! Também saiu o André Almeida para entrar o Lazaro, mas o lado direito continuou inoperante. A última substituição foi já no desespero, com o Radonjic no lugar do Vertonghen. Tivemos um par de remates pelo Rafa muito por cima e só aos 89’ conseguimos marcar, numa assistência do mesmo Rafa para um bom cabeceamento do Gonçalo Ramos. Era tarde demais e, quando o jogo acabou, o estádio veio abaixo com assobios. Foi a primeira vez na vida que eu assobiei o Benfica, mas ontem já não deu para aguentar mais! Foi das piores exibições que eu vi em muito, muito tempo.
 
Não vou fazer destaques individuais, como se calcula. Estamos sem rumo, completamente à deriva e o Nelson Veríssimo claramente não dá para isto, mas aparentemente vai continuar. O Rui Costa veio falar no final do jogo, assumiu responsabilidades e atirou-se à arbitragem. Sim, foi um escândalo o golo que-não-chegou-a-ser-anulado-porque-o-árbitro-apitou-antes, mas depois dele tivemos 84’(!) para dar a volta e foi o que se viu: uma exibição confrangedora, provavelmente das piores da nossa história. Ou seja, foi tudo péssimo, mas aparentemente o presidente Rui Costa acha que basta apenas palavras para as coisas mudarem. Não, não basta! Continuamos a perder tempo na preparação da próxima época e deveríamos um buscar já um treinador a sério. Porque senão antevê-se uma catástrofe bíblica na eliminatória frente ao Ajax daqui a 20 dias.

segunda-feira, janeiro 31, 2022

Doença

Perdemos com a lagartada (1-2) na final da Taça da Liga no passado sábado e vamos terminar a segunda época consecutiva sem qualquer título. Duas épocas em que temos indiscutivelmente o melhor (e mais caro) plantel de Portugal vão redundar num zero absoluto em termos do que interessa, ou seja, taças para o museu. Estamos doentes. E é muito grave.
 
Em relação ao jogo frente ao Boavista, o Nelson Veríssimo lançou o Meïté em vez do Paulo Bernardo. Portanto, o nosso actual melhor elemento do meio-campo ficou de fora do onze. E nem sequer entrou no jogo. ‘Tá certo...! Estava à espera de uma catástrofe em termos de resultado e tivemos uma derrota pela margem mínima. Neste sentido, foi melhor do que eu estava à espera. Para além disso, apresentámos uma fabulosa eficácia de 100% na 1ª parte: um remate à baliza, um golo pelo Everton aos 22’. Claro que contámos com o Vlachodimos para manter a baliza a zeros, mas ele está lá é para defender, como diria o outro: o Gonçalo Inácio bateu o Morato num canto e o guardião grego defendeu por instinto. A lagartada controlava perfeitamente o jogo, mas não conseguia criar muito perigo. Quanto a nós, ofensivamente não existimos, porque o Diogo Gonçalves e o Yaremchuk fizeram figura de corpo presente e quem no meio-campo deveria alimentar os da frente, o João Mário, continua na sua senda de jogos muitíssimo sofríveis.
 
A 2ª parte começou da pior maneira com o 1-1. Aos 49’, canto e novamente o Gonçalo Inácio a bater o Morato nas alturas, com a bola a entrar junto do poste, sem hipóteses para o Vlachodimos. Por volta da hora de jogo, o inexistente Yaremchuk saiu para entrar o Gonçalo Ramos, mas as coisas não se alteraram. O principal problema era que o nosso meio-campo não conseguia ter superioridade perante o do adversário, apesar de estar em teoria em vantagem numérica. O Nelson Veríssimo lá continuou na sua senda de substituições inexplicáveis e colocou o inefável Gil Dias em vez do Diogo Gonçalves. Gil Dias esse que, pouco depois de entrar, fez um passe lateral simplicíssimo directo à... linha lateral! Se dependesse de mim, era claramente motivo para rescisão por justa causa. A lagartada ia tendo oportunidades, nomeadamente num remate do Paulinho à trave, até que os 78’ o inevitável aconteceu com o 1-2 através do Sarabia a aproveitar um passe longo do Porro, com o Morato nas covas. Perda de bola de quem no meio-campo? Do Gil Dias, pois claro. Na fase do desespero, e apesar de ter o Paulo Bernardo no banco, o Nelson Veríssimo resolveu colocar o Taarabt em campo, juntamente com o Pizzi e a estreia do Henrique Araújo. Henrique Araújo esse que, em cima do 90’, foi claramente puxado na área quando se preparava para cabecear, mas o Sr. Artur Soares Dias no VAR considerou (como também seria de esperar) que não era nada. Afinal, seria a nosso favor...
 
Em termos individuais, o Vertonghen terá feito dos melhores jogos pelo Benfica, enquanto o Vlachodimos, Weigl e Everton também não estiveram mal, embora o brasileiro tenha baixado muito na 2ª parte. Todos os outros mantiveram-se na mediocridade que tem caracterizado as nossas exibições ultimamente.
 
Estamos no final de Janeiro, ainda falta mais de três meses para final da época, mas já se percebeu que o suplício irá continuar. Já disse isto mais do que uma vez e nunca será demais repetir: vamos deitar fora seis meses que poderiam ser muito importantes para a preparação da próxima época. Não há ninguém que, conscientemente, possa dizer que estamos melhor agora do que com o Jesus. E já não estávamos nada bem com ele. Pior do que quatro finais perdidas desde o último título (a Supertaça em 2019), pior do que quatro jogos com os rivais, quatro derrotas inapeláveis este ano, é não ver maneira de como é que isto irá dar a volta num futuro próximo. A doença é muito profunda e muito grave.

quarta-feira, janeiro 26, 2022

Lisonjeiro

Vencemos o Boavista nos penalties (3-2) depois do 1-1 nos 90’ e, seis anos depois(!), voltámos a qualificar-nos para a final da Taça da Liga. Mas simplesmente não merecemos. Se o futebol fosse um jogo justo, seria o Boavista a jogar no sábado. É tão simples quanto isso.
 
Já se sabia que o Darwin e o Otamendi iriam falhar este jogo por causa das selecções e, no próprio dia, tivemos má notícia de o Rafa estar com covid-19. No entanto, do outro lado, foram dez as ausências, portanto, se a balança estava desequilibrada, era a nosso favor. Quando o Everton fez o 1-0 aos 16’, ao aproveitar uma falha incrível de um dos defesas improvisados, já depois de o Yaremchuk ter rematado contra o guarda-redes Bracali quando estava em boa posição, na melhor jogada da era Nelson Veríssimo, eu pensei: “queres ver, que afinal ainda sabemos jogar a bola...!?” Infelizmente, foi sol de pouca dura, porque a partir dos 20’ o Boavista começou a tomar conta do jogo. Até ao intervalo, só tivemos mais uma grande ocasião, com a única acção de jeito do Diogo Gonçalves enquanto jogou, a fintar um defesa e centrar para o limite da pequena-área, onde o Everton completamente à vontade atirou para as nuvens! Do outro lado, apesar do domínio, o Boavista só num remate de longe inquietou o Vlachodimos.
 
A 2ª parte foi um desastre total! O Boavista veio para cima de nós e, se não fosse o Vlachodimos, teria ganho o jogo nas calmas. O Morato, que até aí estava a fazer uma boa exibição, desconcentrou-se aos 53’, fazendo um penalty completamente desnecessário, que proporcionou o empate ao Sauer. A igualdade mexeu connosco, que nunca mais nos encontrámos e fomos vendo o Boavista criar uma série de oportunidades flagrantes. Um remate quase à queima-roupa e uma cabeçada do Musa fizeram o Vlachodimos brilhar a grande altura. Para além disso, ainda houve um remate ao lado do Gorré em boa posição e um centro-remate do Hamache que entraria, se não fosse a atenção do nosso guarda-redes. Da nossa parte, o Nelson Veríssimo achou que era com Gil Dias, Meïté e Radonjic que íamos lá... Sem comentários... Também entraram o Gonçalo Ramos, que teve um remate de fora da área para defesa do Bracali, e o Pizzi que, em cima dos 90’, teve a nossa única verdadeira ocasião da 2ª parte, também com um remate de fora da área, que o guarda-redes defendeu por instinto e teve alguma sorte de a bola não ter entrado mesmo assim. Nos penalties, o Boavista falhou os três primeiros, o que deu logo uma ajuda, enquanto o Pizzi, com aquele saltinho antes de rematar que me tira do sério, naturalmente falhou(!), e o Vertonghen acertou no poste. No remate decisivo, ainda bem que pusemos um alemão a bater, porque o Weigl marcou o melhor penalty dos dez.
 
Em termos individuais, o Vlachodimos merece todas as loas possíveis, porque fez defesas decisivas durante o jogo e uma nos penalties. O Weigl também fez um bom jogo e fica directamente ligado ao apuramento. Todos os outros estiveram ou sofríveis ou medíocres.
 
Para ganhar, é preciso meter a bola na baliza. Para meter a bola na baliza, é preciso superar o adversário. Para superar o adversário, convém ser mais rápido do ele e mais forte nas disputas de bola. Para ser mais rápido do que ele, convém correr. Para ser mais forte nas disputas de bola, convém ser agressivo. Ora, é precisamente isso que nos falha: perdemos quase todas(!) as disputas de bola, qualquer que seja o adversário, e nunca(!) aplicamos velocidade na transição ofensiva, o que faz com que invariavelmente percamos a vantagem que temos nas poucas vezes que recuperamos a bola e permitamos que o adversário se reorganize defensivamente. É exasperante ver o Benfica, chamemos-lhe, ‘jogar’ (para facilitar as coisas) hoje em dia. É penoso e está pior de jogo para jogo. A equipa arrasta-se em campo, sem saber o que fazer durante a maior parte do tempo. Raramente se toma a melhor decisão e os jogadores parecem presos de movimentos. Ou a fazer os movimentos errados.
 
E é por isto que esta será a nossa primeira final com público, desde a Supertaça de 2010, que eu não irei presenciar ao vivo. E não vou, porque não quero. Porque não tenho confiança nenhuma na vitória, especialmente se for contra a lagartada (o mais provável), e não me está a dar gozo nenhum ver o Benfica em campo actualmente. Aliás, da maneira como (não) estamos a jogar, temo o pior para a final, dado que, se a lagartada jogar com o fez na Luz, é bem possível que haja um resultado histórico. E dispenso bem dar-me ao trabalho de fazer uma viagem para ver isso ao vivo. Estou zero confiante e tremendamente pessimista. Só com um milagre é que iríamos lá. E eu não acredito em milagres.

segunda-feira, janeiro 24, 2022

Paupérrimo

Vencemos em Arouca no passado sábado por 2-0 e diminuímos a distância para três pontos em relação à lagartada, que perdeu em casa contra o Braga (1-2), mantendo os nove pontos para o CRAC (3-1 em casa ao Famalicão), que já deve poder encomendar as faixas.
 
Por este andar, vou ter de consultar um dicionário de sinónimos para classificar as nossas exibições. É que não só as coisas não estão a melhorar, como parecem ir exactamente pelo caminho contrário: estivemos pior frente ao Moreirense do que contra o Paços de Ferreira e ainda pior em Arouca do que com o Moreirense. A vitória não apaga de todo a pobreza franciscana que se viu em campo e, se é verdade que o Nelson Veríssimo tem o mérito de apontar isso mesmo, não se está a ver como é que ele tem capacidade para dar a volta à situação.
 
A 1ª parte cinge-se a dois lances de perigo da nossa parte. Na única jogada minimamente aceitável deste período, logo aos 9’, o Yaremchuk tentou desmarcar o Rafa na direita, mas o passe não saiu bem medido e a bola foi cortada por um defesa, sobrando para o Darwin, que atirou contra o guarda-redes e na recarga, de ângulo difícil, não conseguiu meter a bola na baliza. Aos 32’, penalty sobre o Darwin que o próprio concretizou. E, pronto, 45’ reduziram-se a isto. Já se sabe que, em jogos destes, o mais difícil costuma ser o primeiro golo, mas nós não soubemos aproveitar essa vantagem para partirmos para uma exibição decente. E foi o Arouca a ter uma óptima oportunidade para empatar, num penalty bem escusado do Vlachodimos, que se redimiu bem ao defendê-lo com as pernas.
 
Para a 2ª parte, entrou o Everton para o lugar do inexistente Yaremchuk, mas as coisas não melhoraram. Um remate do Rafa, bem defendido pelo guarda-redes Victor Braga, foi a nossa única ocasião até bem perto do final. O resto do tempo foi penoso, connosco sem ideias, a não conseguir sair a jogar, nem ter o controlo da partida, e sempre com o credo na boca à mercê de um golo adversário. Que só não surgiu, diga-se, porque o Vlachodimos defendeu bem um remate já de ângulo difícil, mas que entraria na baliza. As substituições pouco ou nada alteraram, com excepção da entrada do Gonçalo Ramos, que acabou por fechar a partida com o 2-0 já no segundo minuto de compensação, ao desviar com grande sentido de oportunidade um centro-remate do Grimaldo para a área.
 
Em termos individuais, só se salvou o Paulo Bernardo que, por estes dias, é o único ponto de interesse dos nossos jogos. O miúdo sabe ocupar espaços, tenta jogar sempre para a frente, faz coisas de que ninguém está à espera, é uma lufada de ar fresco no nosso futebol. A única. Infelizmente, fisicamente não aguentou o jogo todo e teve de ser substituído a 15’ do fim pelo Taarabt (que, para mal dos meus pecados, ainda continua no plantel...). O Vlachodimos teve o erro no lance do penalty, mas corrigiu-o bem, e o Lazaro acabou por fazer um jogo positivo. Todos os outros estiveram bem abaixo das suas possibilidades, principalmente o Weigl, que terá feito o piro jogo com a camisola do Benfica.
 
Pensar que estamos só em meados de Janeiro e ainda teremos de levar com isto mais quatro meses é uma perspectiva assustadora! O próximo jogo é amanhã frente ao Boavista para a única competição que efectivamente temos hipóteses de ganhar: a Taça da Liga. Mas a jogar desta maneira é tudo imprevisível e arriscamo-nos seriamente a ficar a zeros em termos de troféus pelo segundo ano consecutivo. O que seria uma vergonha.

segunda-feira, janeiro 17, 2022

Mediocridade

Empatámos na Luz com o Moreirense (1-1) no sábado e, com as vitórias da lagartada em Vizela (2-0) e do CRAC frente ao Belenenses SAD no Jamor (4-1), a diferença pontual aumentou para seis e nove pontos, respectivamente. O que valeu foi que o Braga perdeu em casa com o Marítimo (0-1) e o 3º lugar está relativamente seguro, porque também temos nove pontos de vantagem sobre eles. Mas irá ser uma longuíssima 2ª volta...
 
Com o Everton infectado com covid-19, mas com os da semana passada disponíveis, o Nelson Veríssimo colocou o Paulo Bernardo a titular, mantendo o Morato, com o Vertonghen a ir para o banco. O Moreirense treinado pelo Sá Pinto apresentou-se com o autocarro bem trancado e, ao contrário do que ele disse, a abusar na demora da reposição da bola em jogo e de jogadores a perder tempo no chão (se isto não é antijogo, não sei o que é...!). Perante este cenário, voltámos a padecer de um mal estrutural no nosso futebol: a lentidão exasperante! A circulação de bola demora séculos e assim é difícil encontrar espaços em quem se fecha bem na defesa. Um remate em arco do Rafa à barra e uma bola enroscada do Morato num canto foram os dois únicos lances de perigo na 1ª parte. Os de Moreira de Cónegos eram muito mais agressivos na disputa da bola, ganhando a maioria dos lances divididos, mas não conseguiram criar grande perigo para o Vlachodimos.
 
A 2ª parte começou com uma iniciativa brilhante do Paulo Bernardo, mas o remate saiu bastante torto, quando estava em óptima posição. Uma cabeçada do Seferovic num canto deu a sensação de golo, mas a bola saiu a rasar o poste e aos 61’ aconteceu um balde de água fria, com o autogolo do Gilberto, que viu a bola cortada pelo Otamendi a bater nele e entrar na baliza. No entanto, é inacreditável como é que o VAR Sr. Bruno Esteves não assinalada o fora-de-jogo do Rafael Martins, que tem óbvia influência na tentativa de corte de cabeça do Otamendi no início da jogada. As coisas ficaram bastante negras, mas empatámos pouco depois, aos 65’, pelo Darwin que aproveitou um ressalto de bola para ser rápido e marcar na recarga a um primeiro remate seu. Ainda tínhamos algum tempo para tentar dar a volta ao jogo, mas as substituições do Nelson Veríssimo, mais uma vez, deram cabo do nosso jogo (que já não estava a ser brilhante, aliás...). A pouco mais de 15’ do fim, tirou o Paulo Bernardo que estava a ser dos mais esclarecidos e colocou o Yaremchuk. Ainda por cima, com o João Mário a passar completamente ao lado do jogo... Antes do golo do Moreirense, já tinha tirado o Seferovic e colocado o Diogo Gonçalves. Portanto, estando a precisar de marcar golos, sai um ponta-de-lança para entrar um extremo...! E isto com outros dois pontas-de-lança no banco e tendo ficado só com o Darwin na frente, ele que sai constantemente da área... Lógica de tudo isto? Ultrapassa-me... Numa das poucas jogadas com nexo que fizemos até final, o Grimaldo ainda acertou no poste. Nas últimas substituições lá acabou por sair o João Mário para entrar o Pizzi e o Rafa para o Gonçalo Ramos. Não é que o Rafa estivesse a fazer um jogo brilhante, mas tirar velocidade à equipa quando se precisa de acelerar o jogo está longe de ser brilhante... Começámos o jogo com dois pontas-de-lança, depois passámos a um e terminámos com três... Se alguém perceber isto, sou todo ouvidos... Não é de espantar que esta total confusão táctica tenha produzido... zero resultados! Tivemos uma última oportunidade numa cabeçada do Otamendi por cima, com o guarda-redes Kewin batido.
 
Em termos individuais, não vou destacar ninguém, porque a mediocridade foi geral. Talvez somente o Paulo Bernardo mereça uma palavra, porque de facto não engana e temos ali jogador já para o imediato. Espero que, ao menos, se tenha percebido isso de vez, até porque a abécula marroquina já não foi convocada e que, das poucas coisas positivas até final da época, seja despachá-la agora em Janeiro.
 
Estamos a meio de Janeiro e só com a Taça da Liga como objectivo. Pela amostra deste jogo, nem quero pensar como vai ser este arrastanço até final da temporada... Era preciso um abanão, e já(!), na equipa. Mas não é este treinador que o vai dar, porque já se percebeu que não dá mais do que isto. Se esta situação continuar, estaremos a perder seis meses preciosos na preparação da nova temporada. Quo vadis, Benfica...?!

quarta-feira, janeiro 12, 2022

Desperdício

Vencemos o Paços de Ferreira no passado domingo por 2-0 e reduzimos a diferença para quatro pontos em relação ao 2º classificado, porque a lagartada perdeu nos Açores frente ao Santa Clara (2-3), mantendo os sete de distância para o CRAC (3-2 no Estoril nos últimos minutos!), que continua em primeiro.
 
Depois deste, deste e deste, a covid-19 fez-me perder o quarto em 453 jogos com público que já aconteceram na nova Luz desde a sua inauguração. Como se calcula, fiquei pior do que estragado! Já se percebeu que o 4-4-2 do Nelson Veríssimo veio para ficar numa partida em que nos apresentámos algo desfalcados justamente pela covid-19, com os titulares Vlachodimos, Vertonghen e Yaremchuk a terem de ficar em casa (juntamente com Pizzi, Meité e Radonijc). Até entrámos bem na partida, com oportunidades pelo Seferovic (acho que seria fora-de-jogo) e pelo Rafa, que saíram ao lado. A meio da 1ª parte, tivemos sorte porque nem o Sr. Vítor Ferreira, nem o VAR Luís Godinho consideraram que a entrada do Otamendi sobre o Eustáquio era motivo para vermelho e só levou amarelo. O vendaval de golos desperdiçados continuou com uma cabeçada do Seferovic ao lado e uma iniciativa individual do Gonçalo Ramos, que esbarrou no poste (deveria ter rematado em jeito, que era só desviar a bola do guarda-redes, e não em força...). Em cima dos 45’, o Denilson teve menos sorte do que o Otamendi e viu o seu amarelo trocado para vermelho por ter atingido o Grimaldo. O Paços desconcentrou-se e sofreu o 1-0 logo a seguir, num bom toque do Seferovic para novo falhanço do Gonçalo Ramos, mas com a bola a sobrar para a recarga vitoriosa do João Mário.
 
A 2ª parte continuou na mesma toada, connosco a falhar golos atrás de golos. E nenhum avançado se pôde ficar a rir, porque o Seferovic teve mais duas oportunidades de cabeça: a tentativa de chapéu foi defendida pelo guarda-redes, enquanto a antecipação ao mesmo guarda-redes num canto saiu incrivelmente ao lado. Do lado contrário, houve uma única hipótese de marcar, mas o Helton Leite defendeu bem a iniciativa do Diaby. Até que aos 75’ finalmente selámos a vitória, com um golão do Grimaldo de fora da área, naquele que foi o nosso golo 6000 na história dos campeonatos. E que bela maneira de o atingir! Até final, o Darwin, que entretanto tinha substituído o infeliz Gonçalo Ramos, conseguiu(!) falhar outros dois golos incríveis, no primeiro ao atirar à barra bem dentro da pequena-área e sem o guarda-redes na baliza, depois de uma assistência do também entrado Paulo Bernardo, e no segundo ao isolar-se e picar a bola sobre o guarda-redes com o pé esquerdo, mas com esta a sair ao lado. Entretanto, tinha conseguido meter a bola na baliza, mas estava fora-de-jogo.
 
Em termos individuais, o Everton destacou-se na 1ª parte, mas decaiu muito na 2ª, o Gilberto está a fazer uma transição muito rápida de um dos mais contestados a um dos mais aplaudidos pelo estádio(!), e com razão, porque nunca vira a cara ao esforço, o Morato fez um jogo muito seguro e o Grimaldo, com um golão daqueles, merece sempre referência. O ‘man of the match’ foi o João Mário, mas sinceramente nem achei que tivesse estado assim tão bem. O Otamendi tem de ter mais cuidado, porque se tivesse ido para a rua o jogo teria provavelmente sido mais difícil.
 
Notou-se a equipa mais solta e com mais empenho do que com o Jesus, e só isso já é bom. Falta só ser mais eficiente na finalização, porque não podemos falhar assim tantos golos. Veremos o que nos trazem os próximos jogos, mas pelo menos na mesma parece que as coisas não vão ficar.

domingo, janeiro 02, 2022

Adeus ao título

Perdemos na passada 5ª feira em Mordor (1-3) pela segunda vez numa semana e o campeonato é apenas uma miragem, quando ainda nem terminou a 1ª volta, dado que ficámos a sete pontos deles e da lagartada, que ganhou ao Portimonense (3-2).

No post anterior, infelizmente só errei no timing, porque o Jesus saiu ainda antes deste jogo. Dois dias antes, para ser mais preciso. Dois dias antes de um jogo que iria definir muito daquilo que seria a nossa época, rescindimos com o treinador... Sem comentários! Para o seu lugar, foi anunciado o Nelson Veríssimo, treinador da equipa B, até final da época... Portanto, damo-la já como perdida, porque o seu histórico como treinador principal está longe de ser famoso, tendo conseguido perder uma final da Taça de Portugal com o CRAC a jogar contra dez. Adiante.
 
Não entrámos mal na partida e nem considero que tenhamos feito um mau jogo. Foi até melhor do que os dois clássicos anteriores, embora tenhamos somado a terceira derrota. O Nelson Veríssimo mudou o esquema táctico para um 4-4-2, com a surpresa do Gonçalo Ramos ao lado do Yaremchuk. O André Almeida substituiu o Grimaldo na lateral-esquerda e foi por aí que a corda partiu, porque viu um amarelo logo aos 8’ e só o nosso treinador é que não percebeu o que iria acontecer... O jogo foi bem mais repartido do que o da Taça, com o CRAC a ter um golo invalidado por fora-de-jogo e nós a desperdiçarmos uma excelente ocasião pelo Yaremchuk, que atirou contra o Diogo Costa, quando estava isolado. Na resposta, sofremos o primeiro golo aos 34’ através do Fábio Vieira, que ganhou um ressalto (a realização conseguiu não tirar a dúvida se o controlo da bola foi ou não com o braço...) e rematou por entre as pernas do Vlachodimos. Tal como na Taça, sofremos logo a seguir o segundo golo, aos 37’, com uma cabeçada do Pepê, num lance em que o João Mário não acompanhou o nojento Otávio e o deixou centrar à vontade. Mesmo em cima do intervalo, o Rafa de cabeça e o João Mário na recarga poderiam ter feito bem melhor, e perdemos uma excelente oportunidade de reduzir a desvantagem.
 
Não marcámos a terminar a 1ª parte, marcámos logo a abrir a segunda: aos 46’, centro do Rafa e o Yaremchuk só teve de encostar. No entanto, nem deu para nos entusiasmarmos, porque três minutos depois o inevitável aconteceu e o André Almeida viu o segundo amarelo, numa entrada imprudente que o nojento Otávio aproveitou para armar o teatro típico daquelas bandas. O Nelson Veríssimo teve de tirar o Yaremchuk para colocar o Lazaro. Foi pena só ter percebido nessa altura o que todos nós vimos logo aos 8’... Mesmo com dez, conseguimos equilibrar o jogo e tivemos mesmo uma enorme oportunidade num contra-ataque com o Gonçalo Ramos a desviar a bola do Diogo Costa, mas o Zaidu a cortá-la. Pouco antes disso, um remate do Rafa de fora da área passou pertíssimo do poste. Estávamos a reagir bem à desvantagem numérica, mas aos 66’ o Nelson Veríssimo resolveu acabar com o nosso jogo, ao fazer uma tripla substituição que não lembrou ao diabo! Entraram o Taarabt, Pizzi e Seferovic para os lugares do Rafa, João Mário e Gonçalo Ramos. E nós deixámos de existir, como é óbvio. O Rafa não estava a fazer um jogo brilhante, mas estava melhor na 2ª parte a acelerar no último terço e o nosso treinador decide trocá-lo pelo Pizzi, conhecido pela sua velocidade estonteante...! Quanto ao Taarabt, nem vale a pena referir o quanto eu o DETESTO. E o Seferovic também está completamente fora dela. Aos 68’, o jogo ficou decidido com o terceiro golo do CRAC pelo Taremi, com a bola a entrar novamente por entre as pernas do Vlachodimos. Até final, ainda vimos o nojento Otávio a falhar isolado o quarto golo.
 
Em termos individuais, o Everton, curiosamente, foi dos nossos melhores jogadores. Muito bem no um-para-um, a não ter medo de ir para cima dos defesas, a criar desequilíbrios, nem parecia o mesmo. O Morato, que substituiu o castigado Otamendi, fez um jogo quase irrepreensível e parece-me que temos ali central para uns anitos. O Yaremchuk marcou um golo, mas falhou outro de forma incrível que teria inaugurado o marcador e o jogo forçosamente seria diferente.
 
Entramos em 2022 com os dois principais objectivos (campeonato e Taça de Portugal) perdidos. Será um erro enorme não irmos já buscar o treinador do próximo ano e perdermos seis meses com o Nelson Veríssimo. Mas o nosso clube anda numa espiral de decisões incompreensíveis e, portanto, já nada me espanta. O facto é que, depois do inédito tetra, temos um campeonato ganho em cinco anos. É inadmissível!

sexta-feira, dezembro 24, 2021

Confrangedor

Perdemos ontem 0-3 com o CRAC em Mordor e ainda não vai ser nesta temporada que iremos ganhar novamente a Taça de Portugal, continuando o nosso registo vergonhoso de quatro triunfos (agora) nos últimos 26 anos...! Mais do que a derrota, foi a desconcentração competitiva com que encarámos esta partida que é absolutamente indesculpável. Toda a novela do Jesus sai-não-sai para o Flamengo é óbvio que iria ter consequências nefastas numa semana com duas idas a Mordor.
 
Como se já não bastasse isso, o Jesus ainda resolveu colocar a titular o Helton Leite e o Taarabt...! Ou seja, isto tinha tudo para correr mal e... surpresa... correu mesmo! Sofremos o primeiro golo pelo Evanilson logo aos 30 segundos na sequência de um lançamento lateral...! Repito: 30 segundos e na sequência de um lançamento lateral! Na bola lançada para a área, o Vertonghen tinha o brasileiro controlado, mas de repente largou-o e este só teve de encostar na recarga. Aos 7’ sofremos o segundo golo, quando o Helton Leite socou mal a bola por duas vezes(!) quase seguidas, tendo no segundo caso sobrado para o Vitinha, que lhe fez um chapéu sem grandes dificuldades. Aos 19’, o VAR Luís Godinho lá andou a arranjar o frame certo para que o Darwin estivesse 4 cm(!) fora-de-jogo e assim o 2-1 não pudesse ser validado. Missão cumprida! Aos 31’, tudo ficou sentenciado com o 0-3 num bis do Evanilson depois de uma assistência do Luis Díaz. O resultado só não se avolumou mais, porque o mesmo Luis Díaz complicou um pouco, numa saída da área completamente a despropósito do Helton Leite, e fez mal o passe quando a baliza estava deserta, permitindo um corte providencial do Weigl. O CRAC estava a fazer o seu jogo habitual de inúmeras faltas, simulações e tentativa de provocação aos nossos jogadores e, perto do intervalo, o Evanilson viu o segundo amarelo e foi expulso pelo Sr. Fábio Veríssimo, depois de um toque na cara do João Mário.
 
Na 2ª parte, entraram o Everton e o Yaremchuk para os lugares do Gilberto e Taarabt. O defesa-direito até estava a ser dos nossos menos maus jogadores, mas já se sabe que é sempre dos primeiros sacrificados. O CRAC reduzido a dez foi o que impediu que saíssemos de Mordor com um resultado ainda mais desnivelado, mas mesmo assim o Taremi ainda conseguiu falhar clamorosamente o quarto golo, ao atirar ao poste com a baliza escancarada. Quanto a nós, revelámos uma incapacidade confrangedora de conseguir criar perigo para a baliza contrária, mesmo estando com mais um em campo. O Fábio Cardoso pisou o Darwin, que teve de sair e levar oito pontos(!) no pé, mas nem amarelo levou. O costume, portanto... E lá tivemos mais um golo anulado, desta feita ao Otamendi de cabeça num canto, porque o Pizzi, que fez o centro, estava 33 cm fora-de-jogo (o que vale é que demoraram um tempão para ver estes 33 cm...!). Em cima dos 90’, também o CRAC viu um golo anulado pelo VAR por fora-de-jogo, na sequência de outra bola parada. E o Otamendi levou um muito escusado segundo cartão amarelo, que o irá impedir de jogar lá para o campeonato.
 
O Weigl voltou a ser dos poucos a mostrar alguma classe nestes jogos. O Gilberto também não esteve mal, mesmo que só o tenham deixado jogar 45’. Quanto aos outros, estiveram entre o medíocre e o inenarrável. Há ali um par deles que eu espero que tenha sido dos últimos jogos com a camisola do Benfica...
 
Como não fomos goleados desta vez, ainda não deve dar para o Jesus deixar de ser nosso treinador. Algo que acontecerá daqui a uma semana, quando lá formos perder para o campeonato e ficarmos a sete pontos deles e da lagartada. Não é futurologia. É para onde os factos actuais apontam. Tudo isto foi pessimamente gerido e roça o amadorismo completo. Está claro para toda a gente que o Jesus irá já para o Flamengo, porque, com a forma como (não) estamos a jogar, a contestação a ele irá ser cada vez mais insuportável. 
Dois jogos com os rivais, duas derrotas estrondosas. Vamos entrar em 2022 com a época já sem objectivos para atingir. Mas eu continuo na minha: o problema vem muito lá detrás e eu continuo à espera de que me expliquem o que se passou na 2ª volta da segunda época do Lage, quando desbaratámos sete pontos de avanço e perdemos o campeonato. Algo me diz que a chave das últimas épocas vergonhosas está aí.
 
Só espero é que se comece já a preparar a próxima nestes seis meses que faltam, para que as coisas não nasçam tortas outra vez. Ou seja, que não se vá para uma solução interina até final desta temporada e começar tudo de novo (o Mourinho no CRAC e o Rúben Amorim na lagartada entraram a meio de uma época e na seguinte foi o que se viu). Para mim, há um nome que salta logo à vista: já esteve no Benfica muitos anos, tem trabalho e identificação com a formação, foi sempre muito elogiado pelo modo como punha as suas equipas a jogar e pelos seus ex-jogadores, e acabou de ser campeão num clube que nunca o tinha sido: Renato Paiva. Era já.

segunda-feira, dezembro 20, 2021

Barriga cheia

Trucidámos o Marítimo por 7-1, mas mantém-se tudo igual na frente, connosco a quatro pontos dos primeiros, porque a lagartada foi ganhar 3-0 em Barcelos e o CRAC 4-0 em Vizela. Com o Jesus castigado e fora do banco, fizemos das exibições mais bem conseguidas dos últimos tempos. Se calhar, está aí o segredo...! :P
 
Com os titulares todos de volta em relação ao Covilhã, e o Yaremchuk na frente com o Rafa e Darwin, entrámos a todo o gás com o 1-0 a surgir logo aos 3’ através do mesmo Darwin, que se antecipou ao Rafa na sequência de uma boa combinação atacante em que também participou o Gilberto, que acabou por colocar ambos os jogadores em frente ao guarda-redes. Aos 18’, aumentámos para o 2-0 num bis do Darwin, que cabeceou por entre as pernas do guarda-redes Paulo Victor, depois de um cruzamento do João Mário, que aproveitou um erro na saída do Marítimo. Dois golos nas duas primeiras oportunidades não estava nada mal... O Marítimo tentava jogar positivo, mas acabava por nos dar muitos espaços nas costas e aos 34’ praticamente acabámos com o jogo com o 3-0 através do Gilberto, num remate forte depois de ser desmarcado pelo Rafa. Logo a seguir, foi a vez do Yaremchuk falhar um golo cantado ao rematar muito torto depois de uma assistência perfeita do Darwin. O Marítimo ia tentando, mas nunca colocou o Vlachodimos verdadeiramente à prova.
 
A 2ª parte começou, tal como em Famalicão, com um golo nosso: aos 48’, o Yaremchuk isolou o Rafa, que fez um chapéu sobre o guarda-redes, aumentando para 4-0. Jogos assim, por mim, poderiam ser todos: 3-0 ao intervalo e mais um logo a seguir ao intervalo para uma pessoa ver a bola descansada. Tão bom! Faltava o golo do Yaremchuk, que aconteceu aos 57’, assistido pelo Rafa, depois de um passe longo do Darwin para o nº 27. Alguns minutos volvidos, o mesmo Darwin falhou de forma incrível o seu terceiro golo, ao cabecear ao lado quando estava completamente isolado. Aos 66’, começámos a rodar a equipa com as entradas do Morato e Taarabt para os lugares do Grimaldo e João Mário, passando o André Almeida para lateral-esquerdo. Com a abécula marroquina no meio-campo, já se esperava que baixássemos o ritmo, não fosse ele um mestre a jogar para o lado e para trás. O único remate que o Vlachodimos teve de defender aconteceu aos 75’ e pouco depois entraram o Seferovic e Gonçalo Ramos para os lugares do Yaremchuk e Darwin. Nos últimos 10’, houve mais três golos. Era bem escusado, num jogo destes, sofrermos um golito, mas isso aconteceu aos 81’ numa cabeçada do Alipour num lance em que nos desconcentrámos com o Gilberto no chão com problemas físicos (o brasileiro foi substituído logo a seguir pelo Lázaro). Aos 86’, o Gonçalo Ramos FINALMENTE estreou-se a marcar esta temporada ao fazer o sexto golo, assistido pelo Seferovic, num golo parecido ao frente ao Covilhã, embora com os papéis invertidos. Mas o suíço também não ficaria a seco, ao fechar o resultado em 7-1, com uma cabeçada na sequência da quarta(!) assistência do Rafa.
 
Em termos individuais, o melhor em campo foi indiscutivelmente o Rafa: um golo e quatro assistências são números fantásticos, e tornam-no no nosso jogador mais valioso no momento. A veia goleadora do Darwin, com mais dois golos, também merece relevo e o uruguaio está a passar por uma fase de grande confiança. Confiança, essa, que espero que o Yaremchuk recupere com o golo que marcou (e ainda fez uma assistência). No meio-campo, o pêndulo Weigl mantém-se, mas o João Mário já me pareceu em melhor forma, sendo, porém, daqueles jogadores que não sabe jogar mal. O Gilberto está a atravessar a melhor fase desde que chegou ao Benfica e é a opção mais válida para a lateral-direita. Ontem foi aplaudido e espero que já tenha deixado de ser o patinho feio do plantel.
 
Foi um bom preâmbulo para os dois próximos jogos, que poderão definir muito do que será a nossa temporada. Dois resultados negativos em Mordor irão tornar a situação do treinador insustentável. Se forem positivos, poderão ser o ponto de viragem da temporada.

sábado, dezembro 18, 2021

Na final four

Ganhámos ao Covilhã por 3-0 na passada 4ª feira e qualificámo-nos para a final four da Taça da Liga. Precisávamos de ganhar pela diferença de dois, marcando no mínimo três golos e conseguimo-lo. No entanto, durante boa parte do jogo não se estava bem a ver como isso seria possível e tiveram de entrar os pesos pesados do plantel para o conseguirmos.
 
Entrámos em campo com 11 não-titulares, salientando-se a estreia absoluta do Tomás Araújo. O lagarto Leonel Pontes, treinador do Covilhã, fez a esperteza saloia de nos trocar os lados do campo no início do jogo, mas infelizmente nós não o penalizámos por isso, fazendo uma 1ª parte muito fraca. O Covilhã entrou melhor e, para além de proporcionar ao Helton Leite uma boa defesa, ainda atirou à barra pouco depois na sequência de um canto. A única coisa que fizemos de jeito foi mesmo o 1-0 aos 28’, numa boa combinação atacante na sequência de um livre, com um toque de calcanhar do Pizzi a isolar o Gonçalo Ramos e este a assistir o Seferovic, que só teve de encostar. O mesmo Gonçalo Ramos deveria ter feito o segundo golo cerca de 10’ depois, ao aparecer isolado à frente do guarda-redes Léo, mas permitiu a defesa deste. As coisas melhoraram quando o Covilhã cometeu hara-kiri no final da 1ª parte, com o Tembeng a pisar o Everton, sendo naturalmente expulso.
 
Ao intervalo, fizemos logo três substituições, com o Rafa, Darwin e Paulo Bernardo a entrarem para os lugares do Pizzi, Seferovic e Meïté. A braçadeira de capitão passou então para o Taarabt... Acho que nunca descemos tão baixo...! Contra dez jogadores e com dois titulares na frente, o ritmo aumentou (também não era difícil...) e começámos a empurrar o Covilhã para a sua área. Todavia, a eficácia deixava muito a desejar e aos 65’ entrou o Yaremchuk para o lugar do Ferro, acabando nós finalmente com o sistema de três centrais, que não se justiçava perante dez adversários. Aos 68’, o Rafa foi claramente derrubado na área e o Darwin não perdoou. Tínhamos pouco mais de 20’ para marcar mais um golo, mas não precisámos de tanto, porque o 3-0 aconteceu aos 73’, novamente pelo Darwin com um remate de fora da área, num enorme frango do Léo, que deixou a bola passar por entre as pernas. A partir daqui teríamos de sofrer dois golos para sermos eliminados, tarefa pouco menos do que impossível para um Covilhã com menos um.
 
Em termos individuais, destaque pelo segundo jogo consecutivo para o Darwin que, mesmo ainda não tendo chegado a metade da época, já tem mais golos marcados do que em toda a temporada passada. Gostei de pormenores do Paulo Bernardo, que prefiro mil vezes ao Taarabt como alternativa ao João Mário (na realidade prefiro qualquer um ao marroquino...). Quanto à estreia do Tomás Araújo foi razoável, perante um adversário que não lhe criou assim tantas dificuldades. Na 1ª parte, as variações de flanco do Ferro, com uma meia-dúzia de passes em profundidade, foram das poucas maneiras que tivemos de ultrapassar a defesa contrária. No entanto, percebe-se perfeitamente que o Jesus não gosta dele, porque foi o central sacrificado quando foi preciso alterar o sistema, ele que estava a ser o melhor dos três.
 
Iremos defrontar o Boavista (que surpreendentemente goleou 5-1 o Braga) nas meias-finais, enquanto do outro lado haverá um lagartada – Santa Clara. Perspectiva-se uma final contra os lagartos, mas atenção ao Boavista que há muito tempo que não está numa fase tão adiantada de uma competição oficial. (E eu ainda não me esqueci da inacreditável derrota frente ao Moreirense, que nos impediu de conquistar tudo no ano do tetra...).

sexta-feira, dezembro 17, 2021

Goleada em Famalicão

Vencemos no domingo passado em Famalicão (4-1) e mantivemos a distância para os dois da frente, que também triunfaram (a lagartada 2-0 em casa frente ao Boavista e o CRAC 1-0 em Mordor frente ao Braga). Nunca estive tanto tempo sem escrever sobre um jogo nosso, mas trabalho fora de Lisboa impediu-me de o fazer mais cedo.
 
As jornadas pós-competições europeias são sempre algo problemáticas, porque muitas vezes as equipas ainda estão de ressaca. Portanto, confesso que estava um pouco apreensivo sobre esta partida. O Jesus fez algumas alterações, com as titularidades do Diogo Gonçalves, Seferovic e Darwin em relação ao jogo frente ao Dinamo Kiev. As coisas começaram a correr-nos de feição logo de início, com dois golos do Darwin nos primeiros dois remates à baliza: o primeiro aos 6’, num grande trabalho individual do uruguaio, que culminou com um remate rasteiro de fora da área ao ângulo. E o segundo aos 14’, com uma abertura do André Almeida a isolar o Rafa, que picou a bola por cima do guarda-redes Júnior, deu toda a sensação que era para a baliza, mas a bola sairia ao lado se o remate não se tivesse transformado numa assistência para o Darwin, que rematou para a malha superior da rede (por pouco não falhava...!). Infelizmente, à semelhança da recepção ao Dinamo Kiev, resolvemos deixar de jogar quando nos vimos com dois golos de vantagem. No entanto, os famalicenses foram mais eficazes do que os ucranianos e reduziram para 1-2 aos 25’ com um golo do Bruno Rodrigues de cabeça, depois de nós ficarmos a dormir num lançamento lateral. Até ao intervalo, foi o Famalicão a dominar mais o jogo, com o Vlachodimos a efectuar uma excelente defesa a novo remate do Bruno Rodrigues que impediu o empate. Quanto a nós, só num remate de ressaca do Weigl de fora da área é que estivemos perto de marcar.
 
Para a 2ª parte, o Jesus tirou o Diogo Gonçalves e o Seferovic, e fez entrar o Gilberto e o Taarabt. E foi este que, ao fim de quase quatro épocas(!), resolveu fazer um jogo de jeito! O primeiro! ALELUIA! Logo aos 46’ assistiu o Rafa para o 3-1 e aos 56’ participou activamente com ele e o Darwin no 4-1, apontado pelo uruguaio que fez assim o seu primeiro hat-trick da temporada. A partir daqui a partida ficou resolvida, nós aproveitámos para rodar a equipa até final e o Famalicão ainda atirou uma bola à barra num livre cruzado para a área já muito perto dos 90’.
 
Em termos individuais, destaque óbvio para o Darwin com os seus três golos, para o Taarabt (algum dia teria de ser, mas cheira-me que vai ser a única vez...) que foi muito importante para o nosso forte início de 2ª parte, e para o Rafa que participou directamente em três dos quatro golos. O Vlachodimos lá continua a sua senda de exibições irrepreensíveis.
 
Olhando para o resultado, ficamos com a sensação de que o jogo foi fácil. Todavia, custa-me muito a entender o que se passou entre o nosso segundo golo e o intervalo, em que pura e simplesmente desligámos. Valeu-nos o Vlachodimos para não desperdiçarmos uma vantagem de dois golos e, se a entrada em força na 2ª parte acabou com as dúvidas acerca do resultado, convém tentar descobrir as razões de não jogarmos com a mesma concentração durante os 90’. É que no futuro isto pode custar-nos muito caro...
 
P.S. – Na passada 2ª feira decorreu o sorteio dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Aliás, os sorteios, porque a UEFA fez asneira e da grossa, e teve de repetir o sorteio inicial. Tinha-nos saído o Real Madrid, mas o jogo que vai contar é frente ao Ajax. Ainda falta dois meses para esta eliminatória, mas não nos podemos considerar excluídos à partida.

sexta-feira, dezembro 10, 2021

Nos oitavos

Vencemos o Dinamo Kiev na Luz (2-0) na 4ª feira e, com a derrota do Barcelona em Munique (0-3), qualificámo-nos para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Dado que a última vez que conseguimos atingir esta fase da prova foi em 2017, esta é factualmente uma boa conquista. Para os nossos cofres, principalmente, porque em termos desportivos ou iremos sair já ou jamais conseguiremos passar dos quartos-de-final.
 
Com o regresso do Yaremchuk e do Pizzi ao onze, entrámos a todo o gás com uma enorme oportunidade ainda antes do primeiro minuto: excelente jogada do Yaremchuk a isolar-se depois de passar a bola por entre as pernas de um adversário, remate para defesa do guardião contrário e o Rafa, na recarga, com a baliza à mercê a atirar por cima...! No entanto, pouco depois, foi o Dinamo Kiev, pelo Tsygankov, a ter um falhanço possivelmente ainda pior do que o do Seferovic em Barcelona! Se a bola tivesse entrado, as coisas poderiam ter ficado muito complicadas para nós, por causa da instabilidade que a equipa dá mostras. Felizmente isso não aconteceu e continuámos a tentar com o Pizzi num remate frontal a poder ter feito bem melhor do que atirar à figura do guarda-redes. No entanto, aos 16’, inaugurámos mesmo o marcador através do Yaremchuck, depois de uma entrada na área do João Mário pela esquerda com um centro atrasado para o ucraniano não falhar de pé esquerdo. Aos 22’, aumentámos a vantagem num remate ao ângulo do Gilberto, que beneficiou de um mau atraso contrário para ficar isolado em frente ao guarda-redes. O brasileiro ficou tão entusiasmado com o golo que viu um amarelo logo a seguir por pontapear a bola depois de fazer uma falta. Que estupidez! E pronto, o nosso futebol praticamente acabou aqui. Demos a iniciativa ao Dinamo Kiev, que terminou a partida com muito mais posse de bola do que nós (60%-40%), o que não seria um problema se não tivéssemos reduzimos substancialmente a velocidade nas transições, o que evidentemente não nos permitiu criar oportunidades. Até ao intervalo, o estádio só se entusiasmou com os dois golos do Bayern, que confirmou que os alemães não brincam em serviço.
 
Na 2ª parte, a tendência da 1ª manteve-se e até aumentou, dado que o nosso ataque se foi apagando cada vez mais. Felizmente o domínio territorial dos ucranianos não se traduziu em grandes chances para marcar e as que houve confirmaram o Vlachodimos como um dos jogadores mais importantes desta temporada. À passagem da hora de jogo, o Jesus trocou o Pizzi pelo Everton, mas as coisas continuaram na mesma. Em Munique, o Bayern selava a vitória com o 3-0 e, portanto, a qualificação só dependeria de nós. Como o jogo estava, sentia-se que um golo dos ucranianos nos iria fazer tremer, mas com o passar do tempo também o gás deles se foi esfumando. O Gilberto mereceu uma grande ovação quando saiu para entrar o Lazaro e o Jesus resolveu colocar-nos com dez ao fazer entrar o Taarabt para sair o João Mário... Já dentro dos últimos 10’, ainda entraram o Darwin e o Paulo Bernardo para os lugares do Yaremchuk e Darwin. Bastou a primeira intervenção para o Paulo Bernardo voltar a demonstrar que está milhas à frente do marroquino e que tem de ser ele a primeira opção para substituir o João Mário. Porque dá mais jeito jogar quando temos onze em campo...
 
Em termos individuais, destaque para os marcadores dos golos, Yaremchuk e Gilberto, em especial este que é, de forma imerecida, um dos patinhos feios do plantel. O Rafa com as suas acelerações também é um perigo constante, mas não deveria ter falhado aquela primeira chance. Lá atrás, o Otamendi continua um esteio, bem coadjuvado pelo Vertonghen, com o Vlachodimos igualmente em óptimo plano. O Pizzi não aproveitou a oportunidade e continua a funcionar a carvão.
 
Veremos o que nos reserva o sorteio da próxima 2ª feira. Foi uma boa e importante vitória numa exibição sofrível, mas olhemos principalmente para as competições que nos podem efectivamente trazer títulos: campeonato e Taça de Portugal. Iremos a Mordor para as duas até final do ano, em jogos que irão definir muito do que será a nossa temporada.

segunda-feira, dezembro 06, 2021

Banho de bola...

Perdemos na 6ª feira passada na Luz frente à lagartada (1-3) e, com a vitória do CRAC em Portimão (3-0), estamos agora a quatro pontos de ambos. Ou seja, e isto vale o que vale nesta altura, mesmo se ganhássemos todos os jogos até final da época poderíamos não ser campeões...
 
Estando o adversário com dois jogadores fundamentais impedidos de jogar, o Coates e o Palhinha, confesso que estava relativamente optimista para esta partida. Temos um plantel bem superior a eles e, com estas ausências, isso deveria ser ainda mais notório. Puro engano! Se a equipa tivesse mergulhado nas piscinas da Luz, não teria levado um banho de bola tão grande quanto levou. É que chegou a ser confrangedora a nossa incapacidade de sair a jogar, especialmente na 1ª parte. Mais uma vez, o Jesus deve ter visto outro jogo, porque disse que na 1ª parte a lagartada só teve a oportunidade que concretizou logo aos 8’ pelo Sarabia. Sendo que eles ainda atiraram uma bola ao poste pelo Pedro Gonçalves e tiveram um golo anulado por fora-de-jogo... Quanto a nós... zero oportunidades de golo!
 
Na 2ª parte, a entrada do Yaremchuk para o lugar do Lazaro tornou o jogo mais partido, dado que o Everton foi fechar a lateral-direita... O Feddal lesionou-se e isso supostamente deveria desfalcar ainda mais a lagartada, mas continuou a não se notar nada em campo. Pouco depois, foi a nossa vez de repor os valores da sorte a zero, com uma cabeçada do Darwin à barra num canto, para vermos logo a seguir um remate do João Mário em cima da marca de penalty a ser defendido pelo Adan (que falhanço!). Este acabou por ser o momento do jogo, já que na resposta o Matheus Nunes arrancou pelo nosso meio-campo adentro, ninguém lhe fez frente e pôde isolar o Paulinho à vontade, para fazer o 0-2 aos 62’. Poderíamos ter reentrado no jogo logo a seguir, mas o Rafa atirou inacreditavelmente ao poste quando só tinha o guarda-redes pela frente. Aos 68’, a partida ficou selada com o 0-3 pelo Matheus Nunes, que mais uma vez partindo do meio-campo parecia que andava de mota e bateu o Vlachodimos sem dificuldade nenhuma. A cerca de 10’ do fim, vimos o VAR anular por 6 cm(!) um golo do Darwin, depois de boa arrancada do Yaremchuk na direita e, já na compensação, o entretanto entrado Pizzi amenizou o marcador com um remate rasteiro de fora da área.
 
Se tivesse de destacar alguém, teriam de ser alguns jogadores da lagartada, já que todos os nossos estiveram a milhas do que podem fazer. É incompreensível como é que, tendo nós muito melhor plantel do que eles (os dedos de uma mão chegam e sobram para contar os jogadores da lagartada que seriam titulares de caras no Benfica), levámos um tão grande amasso destes. A lagartada entrou em campo com o espírito do CRAC no que isso tem de jogar contra nós sempre com os dentes de fora. Enquanto nós, fomos os anjinhosque costumamos ser quando defrontamos a equipa de Mordor. E isto é um problema que já se arrasta há muito tempo e já passou por vários treinadores (Rui Vitória, 2ª volta da segunda época do Lage, Jorge Jesus): esta inércia, este amorfismo, este aburguesamento, esta incapacidade de dar uma resposta em campo condicente com a grandeza do clube. Sinceramente não sei como se irá dar a volta a isto, mas arriscamo-nos seriamente a passar mais uma época em branco. O que é inadmissível perante o investimento que tem sido feito!