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terça-feira, fevereiro 06, 2024

Modelar

Vencemos o Gil Vicente no domingo (3-0) e chegámos provisoriamente ao 1º lugar, dado que a lagartada viu o seu jogo em Famalicão adiado por falta de policiamento. Por outro lado, na véspera, o Rio Ave tinha-nos dado uma grande alegria ao empatar em Mordor (0-0) e assim colocar o CRAC a seis pontos de nós.

Senhores jogadores e equipa técnica do Glorioso Sport Lisboa e Benfica: tomem bem nota do que aconteceu neste jogo, revejam-no vezes sem conta, que ele é exemplificativo do que queremos para o resto da época. Vitória tranquila, com dois golos na 1ª parte e outro no início da 2ª, e quase nenhumas oportunidades para o adversário, enfim aquela monotonia boa de que eu tinha grandes saudades. E calculo que os meus consócios também. Claro que para isso ajudou (e de que maneira!) entrarmos em campo com 11 jogadores ao fim de não-sei-quantos meses! O Schmidt resolveu (FINALMENTE!) colocar o João Mário no banco, alinhando o Aursnes no seu lugar e fazendo regressar o Bah à lateral-direita. Fez toda a diferença ter o norueguês e não um morte lenta naquele lugar! Para além disso, também o Florentino foi titular em detrimento do Kökçü, o que fez com que a equipa defendesse muito mais à frente, mesmo que ele não tenha feito um jogo brilhante. Os dois primeiros golos surgiram de pontapés de canto (coisa raramente vista, ena, ena!) do Di María: aos 15’, excelente cabeçada do Arthur Cabral e aos 34’ jogada de insistência do João Neves, concretizada por ele próprio, quiçá para grande alívio dos lagartos que já deviam achar que o nº 87 só lhes marcava golos a eles.

Na 2ª parte, o Rafa fez o 3-0 logo aos 49’, depois de uma boa combinação atacante em que também participaram o Aursnes e o Morato, e a partida ficou logo ali resolvida. De tal forma, que o Schmidt fez substituições bem mais cedo do que o costume e deu para ver que o Álvaro Carreras tem de ser titular rapidamente na lateral-esquerda, porque ao menos é nativo do lugar. Ainda tivemos mais algumas oportunidades, nomeadamente uma trivela do Rafa, mas não conseguimos marcar mais nenhum. Os jogadores que entraram também não conseguiram abanar com o jogo da forma que era suposto. Do lado do Gil Vicente, só por uma vez e já perto do final é que o Trubin foi posto à prova.

Em termos individuais, o destaque vai novamente para o Arthur Cabral, com mais um golo e uma cabeçada ao poste ainda antes dele. É incrível a transformação que teve, depois de uma entrada no clube completamente em falso. O Rafa está igualmente numa grande veia goleadora e deve estar a fazer a Direcção considerar seriamente a possibilidade de perder a cabeça na tentativa de renovar o contrato. O João Neves, já se sabe, não consegue simplesmente jogar mal e mantenho a minha: o Florentino é essencial naquele meio-campo. O Di María tem o condão de estar na maioria dos nossos golos e o Bah regressou como se nunca tivesse estado de fora: que pulmão!

Vamos entrar numa sequência terrível de jogos e é bom sinal que a equipa esteja a melhorar em termos exibicionais. Além de que o regresso de lesionados de longa data (Bah e Neres), juntamente com os três reforços que já estão disponíveis, aumentou bastante o leque das nossas opções. Nesta 5ª feira, iremos a Vizela para a Taça de Portugal e não podemos falhar. Já bastou a desilusão da Taça da Liga, além de que (repito pela enésima vez!) urge rapidamente começar a inverter o nosso vergonhoso histórico dos últimos 25 anos na Taça de Portugal.

quinta-feira, fevereiro 01, 2024

Reviravolta

Vencemos o E. Amadora na Reboleira (4-1) na passada 2ª feira, mas manteve-se tudo igual na frente porque a lagartada atropelou o Casa Pia (8-0) e o CRAC foi vencer a Faro (3-1). Esta nossa época está a ser um case study de quão enganador um resultado de futebol pode ser. Neste caso não porque não tenha sido justo, mas porque ninguém diria que até aos 40’ a nossa exibição foi paupérrima e 12’ (já na 2ª parte) o jogo estava praticamente decidido a nosso favor.
 
O Roger Schmidt voltou a dar a titularidade ao Arthur Cabral com o Musa a ficar fora do banco (por via da sua iminente saída). (Não se percebe é que, nestas condições, o croata tenha sido titular na meia-final da Taça da Liga, mas adiante...). Entrámos completamente a dormir, sem dinâmica nenhuma e, por conseguinte, sem criar perigo, excepção feita a um livre do Kökçü. O nosso estado letárgico fez com que o E. Amadora inaugurasse o marcador aos 28’ pelo Léo Jabá, que passou pelo António Silva e Otamendi como se eles não estivessem lá, e ainda teve tempo de fazer a recarga a um primeiro remate seu(!), fazendo a bola passar por entre as pernas do Trubin, que o tinha defendido! Inacreditável! Pouco depois, devemos ao guarda-redes ucraniano continuarmos a perder só por um golo, quando desviou ligeiramente a bola perante um isolado Regis N’Do, que depois ficou sem ângulo para marcar. Sem oportunidades criadas, pensei que o segundo tempo seria muito problemático para dar a volta ao marcador. Mas pensei mal, porque chegámos ao intervalo a ganhar! Aos 44’ o Di María descobriu o Arthur Cabral na área e este fez o empate de bicicleta! E aos 46’, o mesmo Di María lançou outra bola na frente, com o Arthur Cabral a ganhá-la depois de um ressalto e a desmarcar o Rafa, que marcou outro golão num remate cruzado indefensável! Era uma total surpresa para toda a gente como é que, depois de uma 1ª parte tão má, conseguíamos ir para o descanso na frente do marcador!
 
Para a 2ª parte, o Schmidt colocou o Florentino tirando o Kökçü e melhorámos sobremaneira. Fizemos o terceiro golo logo aos 52’, numa recarga do Otamendi a uma cabeçada do Arthur Cabral ao poste na sequência de um canto. A partir daqui, o jogo tornou-se mais fácil e o Rafa voltou a desperdiçar uma boa oportunidade acertando na cara do guarda-redes, quando estava sozinho perante ele, depois de uma excelente combinação ofensiva em que participaram o Di María, Aursnes e João Mário. O E. Amadora criou alguma apreensão numa cabeça num canto que saiu por cima, mas a 20’ do fim fez hara-kiri ao ver o Regis N’Do levar o segundo amarelo. O nosso ex-jogador Rodrigo Pinho ainda obrigou o Trubin a uma das melhores intervenções do encontro, numa cabeçada num canto, mas fomos nós a marcar mais um pelo entretanto Marcos Leonardo, já em tempo de compensação (93’), a desviar bem a bola do guarda-redes, quando só tinha pela frente.
 
Em termos individuais, destaque inteirinho para o Arthur Cabral, que teve acção directa nos nossos três primeiros golos. O Di María também se envolveu nos dois primeiros , mas quem mudou a nossa exibição foi o Florentino, dado que com a sua entrada a equipa passou a defender muito mais à frente, como é habitual, e é muito mais pressionante. Quanto mais tempo irá o Schmidt demorar a perceber que a equipa melhora toda com ele em campo (até o João Mário!)...?! O Trubin foi fundamental naquele lance da 1ª parte que poderia ter dado o segundo golo e na parte final na cabeçada do Rodrigo Pinho. O Marcos Leonardo continua a manter o seu óptimo rácio de golos marcados por minuto. Não tão bem esteve o Otamendi, com falhas comprometedoras na 1ª parte e o Morato continua a ser uma inexistência na lateral-esquerda. Assistimos igualmente à estreia do Rollheiser, mas não deu para ver grande coisa.
 
Esta é das poucas semanas dos próximos tempos em que não teremos jogos a meio dela e iremos receber o Gil Vicente no próximo domingo. Estou curioso para ver que Benfica iremos ter: se o da 1ª ou o da 2ª parte deste jogo.

domingo, janeiro 28, 2024

Desilusão

Perdemos na passada 4ª feira nos penalties frente ao Estoril, depois de 1-1 nos 90’, e desperdiçámos mais uma vez a oportunidade de voltar a ganhar a Taça da Liga. Foi uma derrota muito inesperada, algo injusta se olharmos para as oportunidades que criámos, mas que não se pode admitir perante o 15º classificado do campeonato.

 

O Roger Schmidt voltou a dar a titularidade ao Musa, passados vários meses, mas o croata terá feito das menos conseguidas exibições com o manto sagrado. Não entrámos nada bem e aos 16’ sofremos o 0-1 pelo Guitane, num lance em que o Morato lhe deu espaço a mais dentro da área. Foi a primeira e única oportunidade do Estoril no jogo inteiro! O que se viu a partir dali foi um festival de desperdício, que não abona nada a nosso favor. O Di María, completamente isolado e com a bola dominada, acertou no guarda-redes, já depois de o Rafa ter rematado de primeira na marca de penalty, estando também isolado, quando tinha tido tempo de dominar a bola e perguntar ao guarda-redes para onde a queria. O António Silva em dois cantos também falhou a baliza por muito pouco. Ou seja, tivemos oportunidade para deixar o jogo fechado ainda na 1ª parte e fomos para o intervalo a perder...

 

Na 2ª parte, apesar de o Musa não ter estado nada feliz, de o João Mário continuar no seu nível habitual e de o Morato ser uma inexistência atacante na lateral-esquerda, o Schmidt não fez logo nenhuma substituição. Mesmo assim conseguimos empatar aos 58’ pelo Otamendi num remate rasteiro dentro da área, depois de uma boa simulação do Musa (a única boa acção dele no jogo) na sequência de um passe do João Mário (a única boa acção dele em vários jogos...). A 20’ do fim, o Schmidt fez entrar o Marcos Leonardo e o Tiago Gouveia, tirando o Musa e o Kökçü, e deixando o João Mário em campo. Piorámos consideravelmente sem o turco e o Marcos Leonardo juntou-se ao desacerto geral, atirando ao lado quando só tinha o guarda-redes pela frente. No último lance da partida, o Di María atirou uma bomba de fora da área que o guarda-redes Dani Figueira desviou para o poste. Seria o golo do ano...! Nos penalties, o Marcos Leonardo marcou muito mal (aliás, como já tinha feito no Brasil), rasteiro e para o meio da baliza, e o Tomás Araújo, que entretanto também tinha entrado, rematou ao lado. Na nossa baliza, continuo a não perceber porque é que, com aquela altura e aquela extensão de braços, o Trubin não se atira só depois de ver para onde é que a bola vai. Teria defendido mais uns dois ou três penaltys assim (só defendeu um), dado que a maior parte deles não foram nada colocados. Foi assim que ganhámos uma Supertaça ao Rio Ave, segundo o que disse na altura o Artur Moraes: só se atirou depois de ver para onde a bola ia.

 

Em termos individuais, perante tamanho desperdício, torna-se difícil destacar alguém, mas eventualmente o João Neves terá sido o melhor. Apesar de não ter estado brilhante, notou-se a falta do Kökçü parte final da partida. Houve uns minutos de estreia do lateral-esquerdo Álvaro Carreras e, em termos atacantes, viu-se logo uma melhoria (também não era difícil...). Já em termos defensivos, aquela bola que ele deixa passar por cima, falhanço completamente a cabeçada, não augura nada de bom...

 

Deixámos fugir a oportunidade de disputar um troféu, em que tínhamos obrigação de ter ido à final. Não me interessa se é o terceiro na hierarquia nacional, interessa-me é que já não o ganhamos há muitos anos e não se compreende como continuamos a desperdiçar ocasiões como esta.

segunda-feira, janeiro 22, 2024

Mediano

Vencemos o Boavista na 6ª feira por 2-0, mas manteve-se tudo igual na frente, porque todos os outros também ganharam (a lagartada goleou em Vizela por 5-2 e o CRAC o Moreirense por 5-0). Foi outro jogo difícil em que a nossa exibição voltou a não ser fulgurante, tendo como positivo o aspecto defensivo pelo facto de o Boavista não ter criado tantas oportunidades quanto o Rio Ave na semana passada.

O Roger Schmidt deixou o João Neves (com queixas musculares) no banco e lançou o Florentino. A 1ª parte foi muito lenta da nossa parte, com pouca dinâmica e consequentemente poucas oportunidades de golo. Mesmo assim, provavelmente no único bom centro do Morato na esquerda, o João Mário e o Arthur Cabral falharam incrivelmente o desvio, e o próprio Morato falhou um penalty em movimento. No resto do tempo, apesar de termos mais posse de bola, não colocámos em perigo a baliza do João Gonçalves.

Na 2ª parte, apresentámos outra dinâmica (também mal seria...!) e colocámos a bola na baliza logo nos minutos iniciais, mas o VAR Bruno Esteves e o Sr. Gustavo Correia consideraram que a mão à queima do João Mário, muito no início da jogada, era falta... Delicioso! Pouco depois, o Boavista teve a única verdadeira oportunidade pelo Bozenik, mas, apesar de isolado, o remate saiu fraco e o Trubin conseguiu desviar. Aos 60’ inaugurámos finalmente o marcador através do Di María, com um centro largo para a área que ninguém tocou, apesar de a tentativa do João Mário ter obviamente desviado a atenção do guarda-redes, permitindo à bola entrar na baliza. Praticamente na jogada a seguir, o Rafa deveria ter acabado com o jogo, mas o remate saiu ao lado. Fomos controlando mais ou menos a partida e tentando marcar mais um, mas os remates do Kökçü, João Mário e uma cabeçada do Otamendi foram todos defendidos pelo João Gonçalves. Do outro lado, o Aursnes fez uma falta parva perto da área já depois dos 90’, mas felizmente o livre directo saiu muito por cima. O golo da tranquilidade surgiu pouco depois (94’), com uma excelente abertura do Otamendi para o Di María, que tentou desviar do guarda-redes, mas acabou por fazer uma assistência para o entretanto entrado Marcos Leonardo fazer o 2-0.

Com um golo e uma assistência, o Di María foi obviamente o homem do jogo. O Marcos Leonardo fez o segundo golo em dois jogos, o que constitui uma média excelente. O Florentino foi dos mais activos, mas acabou por ser dos primeiros a sair por causa de um amarelo. O João Neves só entrou na parte final, mas a equipa fica logo com outro ritmo com ele em campo. O João Mário melhorou muito ligeiramente em relação a outras partidas, mas continuo a achar que deveria ir para o banco.

Teremos agora a final four da Taça da Liga, em que espero que resgatemos o troféu que já nos escapa há demasiado tempo, e o campeonato só volta em meados da próxima semana.

segunda-feira, janeiro 15, 2024

Lisonjeiro

Vencemos ontem o Rio Ave (4-1) e continuamos a um ponto da lagartada, que venceu em Chaves (3-0), mantendo os quatro de vantagem perante o CRAC (2-0 em casa ao Braga). Parecia que estava a adivinhar, quando escrevi isto no post passado: “Há jogos em que o resultado não espelha o que foi o jogo, mas não foi este o caso.” Ora bem, ontem, foi COMPLETAMENTE este o caso! Quem só olhar para ele, fica sem noção nenhuma das tremendas dificuldades que encontrámos e de como o resultado é até injusto para o que se passou em campo.
 
O Roger Schmidt apresentou o mesmo onze pela terceira vez em apenas oito dias, pelo que o que se passou não é propriamente uma surpresa: claudicámos bastante em termos físicos. O Rio Ave entrou praticamente a ganhar com o 0-1 logo aos 9’ pelo nosso ex-júnior Guga (que não celebrou). Quando se esperava uma reacção da nossa parte, aconteceu exactamente o contrário: o Rio Ave só não marcou mais dois golos, porque o Trubin fez duas excelentes defesas. A equipa estava adormecida, apática e os vila-condenses circulavam a bola praticamente à vontade. Na única coisa de jeito que fizemos na 1ª parte, o João Neves recuperou uma bola e lançou um contra-ataque para o Rafa, que libertou para o Di María aos 29’ marcar um golão de primeira em arco. A bola não estava nada fácil, aos saltinhos, e só um fora-de-série é que marcaria aquele golo, dado que se tivesse enchido o pé, provavelmente alguém no 3º anel teria apanhado com ela.
 
Depois de uma etapa inicial a dormir, esperar-se-ia uma reacção da nossa parte, mas o que se passou foi que levámos dois bolas nos ferros nos primeiros três minutos da 2ª parte!!! A primeira aconteceu logo aos 13 segundos! Inacreditável! Está claro para toda a gente, menos para o nosso treinador, que desde há alguns jogos, alinhamos sempre com dez, dado que o João Mário só está lá a fazer figura de corpo presente. Por outro lado, nesta partida, a necessidade da presença do Florentino tornou-se evidente a partir do momento em que se viu que o Rio Ave manobrava sem problemas no nosso meio-campo. O que aconteceu durante a primeira hora de jogo! O Roger Schmidt preparava-se para fazer três substituições ao mesmo tempo (incluindo o Florentino), quando numa estupidez inacreditável o Aderllan Santos coloca a mão à bola e vê o segundo amarelo. Se eu fosse treinador do Rio Ave, ter-me-ia passado de vez, porque a equipa estava a jogar bem e a dominar o Benfica, e um jogador ainda por cima experiente deita tudo a perder com uma acção daquelas. Do livre dessa falta, resultou uma defesa para canto do Jhonatan a um remate do Di María e na sequência desse canto, aos 61’, fizemos o 2-1 através do António Silva numa bomba num ressalto, depois de um remate interceptado do Arthur Cabral. O Schmidt lá fez entrar o Florentino, Tiago Gouveia e estreou o Marcos Leonardo para os lugares do Kökçü (tinha visto amarelo), Di María e Arthur Cabral. Claro que a expulsão condicionou inapelavelmente o jogo do Rio Ave, mas o que é facto é que subimos de produção com uma equipa bem mais fresca. Nomeadamente o Florentino no meio-campo fartou-se de recuperar bolas em zonas adiantadas, o que nos permitiu criar bastantes situações de perigo. Só à sua conta, o Tiago Gouveia falhou três(!) golos feitos, mas teve participação directa no nosso último golo. Antes disso, aos 80’ acabámos com as dúvidas, com o 3-1 na estreia do Marcos Leonardo, que correspondeu muito bem de cabeça a um centro do Aursnes, que tinha sido desmarcado pelo Rafa. No primeiro minuto de compensação, fechámos o marcador, com o Tiago Gouveia a marcar muito rapidamente um livre e a desmarcar o Rafa, que centrou de trivela para o João Mário só ter de encostar para o 4-1.
 
Em termos individuais, o Rafa esteve presente nos nossos quatro golos, mesmo sem ter marcado nenhum, e por isso merece destaque óbvio. Outro que deve ser realçado é o Trubin, que na 1ª parte não permitiu que a vantagem do Rio Ave se alargasse para números que seriam complicados de inverter. Também gostei do que o Florentino trouxe à equipa a partir do banco e espero que o Schmidt não demore muito tempo a perceber que tem de ser titular em detrimento do João Mário, com o Kökçü a ocupar o lugar deste. Estreia com um golo é sempre um bom auspício e espero que o Marcos Leonardo seja, de facto, um reforço. Quanto aos menos, para além do Morato ter demonstrado todas as suas limitações enquanto lateral (o Costinha fez-lhe a cabeça em água e, se calhar, poderíamos olhar para este numa perspectiva de ser alternativa ao Bah...), o João Mário continua a exasperar todos os benfiquistas, mesmo tendo marcado um golo. Que infelizmente lhe deve dar mais uns jogos de crédito para o Schmidt...
 
Espero que a equipa técnica olhe bem para esta partida e veja que a nossa exibição esteve muito longe de ser boa e que acabámos por ter sorte com a expulsão, caso contrário não sei mesmo se teríamos conseguido ganhar o jogo. O plantel tem opções para fazer alguma rotação e não podem estar sempre a jogar os mesmos, caso contrário quebramos em termos físicos, como já se viu neste encontro. Ainda por cima, teremos a decisão de um troféu ainda este mês e convinha disputá-lo nas melhores condições...

quinta-feira, janeiro 11, 2024

Arthur Cabral

Vencemos ontem o Braga por 3-2 e qualificámo-nos para os quartos-de-final da Taça de Portugal. Há jogos em que o resultado não espelha o que foi o jogo, mas não foi este o caso. Foi uma partida tremendamente difícil perante um adversário que nos eliminou desta competição no ano passado. Competição, esta, que nunca é demais realçar é a nossa grande vergonha. Três títulos em 27 anos fazem de nós uma espécie de lagartada da Taça. Urge corrigir isto rapidamente!
 
O Roger Schmidt utilizou a mesma equipa que venceu em Arouca, ao passo que o Artur Jorge do Braga trocou de guarda-redes (o que foi bom para nós, diga-se de passagem, mas já lá vamos). Até nem entrámos mal, mas foi o Trubin o primeiro a intervir, defendendo para canto um remate cruzado. Desse canto aos 7’ surgiu o 0-1 pelo Zalazar num remate de fora da área, que foi desviado pelo João Mário e traiu o nosso guarda-redes. Abanámos um bom bocado com o golo e demorámos a reencontrar-nos. Um remate de fora da área do João Neves e um cabeceamento do António Silva num canto foi o perigo (relativo) que conseguimos criar. Seria problemático ir para intervalo a perder, mas o Braga estava muito coeso e não nos dava muitas chances para criarmos perigo. Até que os 42’ conseguimos fazer um contra-ataque, com o João Neves a libertar para o Kökçü e este a isolar o Rafa, que desfeiteou bem o Hornicek. Relembrando o que se passou frente à lagartada para o campeonato, conseguimos dar a volta ao jogo em poucos minutos, dado que aos 44’ o Arthur Cabral recebeu um lançamento lateral de costas para a baliza, tirou o adversário do caminho com um toque de calcanhar e rematou de pé esquerdo, fazendo a bola passar por entre as pernas do Hornicek. Não sei se o Matheus teria sofrido este golo, mas de qualquer forma foi um movimento brilhante do nosso avançado.
 
A 2ª parte começou praticamente com o 2-2 num tiraço de fora da área novamente do Zalazar, que infelizmente para nós honrou a memória do Eusébio, cujo 10º aniversário da sua morte foi lembrado antes da partida. À semelhança da 1ª parte, este golo mexeu connosco e foi o Braga a mostrar-se mais à vontade nos minutos seguintes. Mesmo assim, ainda tivemos uma boa jogada colectiva muito mal finalizada pelo Otamendi com um remate à entrada da área para as nuvens e outra iniciativa do Arthur Cabral, que rematou para defesa do Hornicek. Na nossa baliza, o Trubin respondeu bem perante novo remate do Zalazar, desta feita num livre. Até que aos 70’ passámos novamente para a frente com o 3-2 através do Aursnes, depois de ser brilhantemente desmarcado pelo calcanhar do Arthur Cabral. Fantástico! O Schmidt colocou logo a seguir o Florentino, saindo o inenarrável João Mário e passando o Kökçü para a esquerda, e conseguimos conter a reacção adversária. Mesmo assim, acho que o nosso treinador demorou muito a fazer mais substituições, que só aconteceram aos 88’! Os da frente estavam muito desgastados e não se compreende que o Schmidt tenha demorado séculos a perceber isso. Felizmente, não houve consequências nefastas desta lentidão nas substituições.
 
Em termos individuais, óbvio destaque para o Arthur Cabral. O futebol é maravilhoso também por situações como esta. Num minuto, a sua carreira no Benfica estava acabada, com tentativas de marcar golos de costas para a baliza e com o rabo(!), e principalmente com um pirete aos adeptos. Noutro minuto, consegue a nossa qualificação europeia e transforma-se em campo a olhos vistos. Está muito mais leve, mais entrosado com os colegas e a fazer valer o seu físico para causar danos às defesas contrárias. O Rafa também está em grande forma e marcou mais uma vez. O João Neves só sabe carburar em grande no meio-campo e o Trubin voltou a ser decisivo nas suas intervenções. Só o João Mário destoa completamente na equipa e espero sinceramente que o Schmidt compreenda que ficamos muito melhor com o Florentino e Neves no meio, e o Kökçü na esquerda no lugar dele. É que seria bom voltarmos a jogar com onze...!
 
Veremos o que nos reserva o sorteio dos quartos (e possíveis meias-finais), mas voltar a colocar as nossas mãos na Taça de Portugal é bom que seja um objectivo fulcral nesta temporada.

quarta-feira, janeiro 10, 2024

Retoma

Vencemos em Arouca no passado sábado por 3-0 e alargámos a vantagem para o CRAC no 3º lugar para quatro pontos, dado que eles empataram no Bessa (1-1). Quanto à lagartada, continua um ponto à nossa frente, fruto da goleada ao Estoril (5-1). Foi uma exibição agradável, na senda das que temos feito nos últimos jogos, se bem que com alguns erros imperdoáveis que só graças ao Trubin não tiveram consequências nefastas.
 
Na 1ª parte, o Rafa meteu a bola três vezes na baliza, mas só uma delas contou, já que o VAR invalidou os dois primeiros lances. O Arouca ainda teve algumas oportunidades, duas delas resultantes de falhas clamorosas do Kökçü e Morato, mas no primeiro caso o Trubin foi literalmente um gigante ao fechar a baliza ao adversário isolado e no segundo fomos salvos por um fora-de-jogo logo no início da jogada. Este lance aconteceu em cima do intervalo e já depois do nosso golo aos 39’, marcado pelo Rafa depois de ser brilhantemente desmarcado pelo Di María.
 
Na 2ª parte, o nosso domínio intensificou-se e alargámos a vantagem muito cedo (47’) pelo Kökçü na sequência de uma assistência do Rafa, num lance que foi primeiramente invalidado por fora-de-jogo, mas posteriormente validado pelo VAR. O Arouca não chegou tantas vezes à nossa baliza, enquanto nós falhámos uma possível goleada com o Rafa isolado a atirar ao lado por causa de um ressalto da bola no relvado e um quase golo de meio-campo do Di María, que passou ligeiramente por cima. Aos 85’, fechámos o marcador através do entretanto entrado Musa, num golão de calcanhar antecipando-se a um defesa depois de um cruzamento do Kökçü.
 
Em termos individuais, o Rafa esteve novamente em destaque, conseguindo colocar por três vezes a bola na baliza, mas infelizmente só contanto uma delas, ao que juntou a assistência para o segundo golo. Se, de facto, não renovar contrato, promete ser uma despedida em grande. O Kökçü também fez um golo e uma assistência, está claramente a subir de produção, mas teve um erro que não pode cometer, ao passar uma bola sem verificar se está algum adversário por perto, que nos poderia ter saído bastante caro. Foi graças ao Trubin que isso não aconteceu e o ucraniano é outro dos destaques da partida, com um par de intervenções de grande nível. Quanto aos outros, o Di María fez uma assistência e quase um golo de meio-campo, e o João Neves, já se sabe, não consegue jogar mal. Uma menção também para o Musa, que continuo a considerar o menos mau dos nossos avançados e espero bem que os rumores da sua saída não se confirmem. O Arthur Cabral foi titular, está definitivamente melhor do que no início da temporada, mas ainda tem um longo caminho à sua frente.
 
Esperemos que esta (aparente) subida de forma se confirme nos próximos jogos, porque temos decisões importantes, especialmente nas taças, já neste mês de Janeiro.

quarta-feira, janeiro 03, 2024

Enganador

Vencemos o Famalicão por 3-0 no último jogo de 2023 na passada 6ª feira, mas, como todos os outros ganharam, mantém-se tudo igual na frente. Quem só olhe para o resultado fica com uma ideia bastante errada do que se passou, dado que só conseguimos marcar o segundo golo a cinco minutos do final e, apesar de a vitória ser justa, passámos por bastantes dificuldades em especial na 2ª parte.
 
Com o Otamendi castigado, o Roger Schmidt colocou o Tomás Araújo no seu lugar e finalmente deu uma oportunidade ao Tiago Gouveia como titular, dado que o Di María teve direito a férias adicionais (não concordo muito com estes precedentes, mas enfim...), enquanto na frente o Tengstedt lesionou-se e o Arthur Cabral voltou a ter uma oportunidade. Deveríamos ter marcado logo aos 5’, mas o Rafa falhou escandalosamente o golo, depois de assistência do Morato, atirando ao lado. O Tiago Gouveia apresentava um grande dinamismo na esquerda e o João Neves o habitual no meio, e foi este que principiou a jogada do primeiro golo, com uma abertura muito boa para a desmarcação do Rafa, que assistiu o Arthur Cabral para o seu primeiro golo no campeonato, com um desvio subtil na grande-área aos 31’. Motivado pelo golo, o brasileiro teve uma iniciativa individual pouco depois, que culminou com um remate de pé esquerdo fora da área, que passou ao lado do poste. Apesar de uma exibição ainda assim agradável, não conseguimos criar mais chances no primeiro tempo.
 
Na 2ª parte, baixámos bastante a intensidade, apesar de ainda termos tido uma boa oportunidade na fase inicial pelo João Neves, com um remate de trivela que o guarda-redes Luiz Júnior defendeu. No entanto, a partir daí foi o Famalicão a tomar conta do jogo e devemos ao Trubin termos ficado com a baliza a zeros, porque fez três óptimas defesas perante adversários praticamente à sua frente. Para além disso, ainda vimos o Zaydou atirar com estrondo ao poste a pouco menos de 20’ do final. Também tivemos as nossas oportunidades, em especial pelo Kökçü num livre defendido para canto e noutro lance de contra-ataque, em que o Rafa desmarcou o Arthur Cabral, que acertou no ombro do guarda-redes! Aos 70’, o Schmidt lá se decidiu conter os avanços do Famalicão e fez uma tripla substituição, colocando o Florentino, Gonçalo Guedes e Musa para os lugares do Kökçü, Tiago Gouveia e Arthur Cabral. Como é habitual, a entrada do Florentino reequilibrou a equipa e selámos a vitória aos 85’ num contra-ataque bem delineado, em que o Gonçalo Guedes centrou para o Musa assistir o Rafa, que fez o 2-0 no seu jogo nº 300 com o manto sagrado. Aos 89’ noutro contra-ataque, o mesmo Rafa isolou o Musa para o 3-0, mas o croata deveria ter bisado pouco depois, dado que atirou ao lado quando também estava isolado. Entretanto, já o Jurásek tinha rendido o lesionado Aursnes e perto do final tivemos a estreia do Gustavo Marques, que entrou para o lugar do Tomás Araújo, também com dificuldades físicas.
 
Em termos individuais, com um golo e duas assistências, é óbvio que o Rafa foi o homem do jogo. Novo jogo completo do João Neves em alta rotação, nova vitória do Benfica. Há quem possa achar que são coincidências... O Arthur Cabral está visivelmente mais magro e pode ser que o golo lhe dê mais confiança, mas continuo na minha de que o Musa é o menos mau dos três pontas-de-lança. O Trubin foi fulcral na vitória com uma série de intervenções em momentos decisivos. O Kökçü parece subir de forma e compensa alguma falta de pedalada com aberturas fantásticas. O Tiago Gouveia provou novamente que merece MUITOS mais minutos na equipa.
 
Terminámos 2023 a um ponto da liderança o que, atendendo ao que fomos vendo nalguns momentos desta temporada, não é nada mau. A equipa parece estar a subir de forma e esperemos que esta tendência se mantenha nos jogos que se avizinham.

quarta-feira, dezembro 27, 2023

Melhoria

Vencemos o AVS (4-1) na 3ª jornada da Taça da Liga na passada 5ª feira e apurámo-nos para a final four de uma competição em que, apesar de termos ganho sete troféus nas primeiras nove edições, já não vencemos há sete anos e só fomos a uma final nesse período.
 
Esta partida aconteceu há quase uma semana, mas trabalho, o pré-Natal e o pós-Natal só me permitiram escrever sobre ela agora. Já perdeu um pouco de actualidade, mas também só lê quem quer. Devo dizer que o AVS me espantou pela positiva, porque se apresentou desempoeirado na Luz e a tentar jogar o jogo pelo jogo. O facto de ter de ganhar por dois golos de diferença para se apurar para a fase seguinte também terá contribuído para isso, mas de qualquer maneira é sempre de saudar equipas que não apresentam o autocarrona Luz. O Roger Schmidt não facilitou e colocou a equipa titular, só com a entrada do Tiago Araújo para o lugar do Otamendi, que não irá jogar na próxima partida do campeonato por causa dos amarelos. Entrámos bem no jogo e o João Mário poderia ter marcado logo no primeiro minuto, mas o guarda-redes Pedro Tigueira defendeu bem o seu remate de primeira. Pouco depois, foi o Kökçü com um petardo a cerca de 30m da baliza que embateu com estrondo no poste. Seria um dos golos do ano! Mas foi o AVS a adiantar-se no marcador aos 21’ pelo John Mercado, também num excelente remate de fora da área, na sequência de uma perda de bola do João Neves no meio-campo. No entanto, o mesmo João Neves inventou a jogada do empate, com um excelente trabalho na esquerda, em que passou por três adversários, libertou para o Rafa, que assistiu o Di María na direita para o 1-1 aos 31’. Em cima do intervalo, aos 44’, foi a vez do João Mário passar-nos para a frente do marcador, com um desvio na pequena-área depois de uma assistência do Aursnes na direita.
 
No início da 2ª parte, foi o AVS o primeiro a meter a bola na baliza, mas o quarentão Nenê estava fora-de-jogo. Com três golos de vantagem, o jogo estava decidido e o Schmidt finamente aproveitou para fazer substituições ainda antes da hora de jogo. Colocou o Gonçalo Guedes, o Arthur Cabral e o Tiago Gouveia em campo nos lugares do João Mário, Tengstedt e Rafa. E foi do Tiago Gouveia o momento do jogo aos 65’ num golão de chapéu depois de uma abertura fabulosa do Kökçü. Se dúvidas houvesse de que ele merece mais tempo de jogo, espero que o Schmidt as tenha tirado de vez. Aos 68’ fechámos o marcador com o 4-1 num autogolo do Anthony Correia, que tirou o pão da boca ao Cabral, depois de uma assistência do Gonçalo Guedes, na sequência de um livre marcado muito rapidamente pelo Di María. Até final, ainda tivemos mais algumas chances, nomeadamente uma boa corrida do Cabral, mas também convenhamos que um resultado mais pesado seria injusto pela postura que o AVS apresentou na Luz.
 
Em termos individuais, destaque para o João Neves, que compensou (e de que maneira!) a falha no golo sofrido e olhemos só para a coincidência: joga os 90’ nos últimos dois jogos e ganhamos os dois, ao passo que foi substituído nos dois anteriores e empatámos... Afinal, parece que aquela assobiadela ao Schmidt frente ao Farense, aquando da sua substituição, valeu a pena por tê-lo feito acordar e não voltar a repetir a gracinha...! O Di María também levou a partida muito a sério e esteve presente em mais do que um golo, assim como o Kökçü, que está nitidamente a subir de forma. O Cabral entrou muitíssimo bem (está nitidamente mais magro), mas quem ficou mesmo na retina foi o Tiago Gouveia. Só peço é que o Schmidt tenha visto isso de vez! É que, se calhar, ele teria sido mais útil nos últimos minutos em Moreira de Cónegos do que o João Victor a lateral-direito... E frente ao Farense, em que também não esgotámos as substituições... Digo eu...! 
 
Iremos defrontar o Estoril nas meias-finais da Taça da Liga no final de Janeiro e espero naturalmente que possamos voltar a vencê-la, até porque ganhámos os dois últimos troféus nacionais em disputa e seria bonito manter essa tendência.

terça-feira, dezembro 19, 2023

Importante

Vencemos em Braga por 1-0 no domingo e estamos agora em 2º lugar no campeonato, a um ponto da lagartada, que venceu ontem o CRAC por 2-0, e com dois de vantagem perante estes. Foi um triunfo justo, apesar de algum sofrimento escusado na 2ª parte, fruto de um desperdício muito grande na etapa inicial.
 
Entrámos no jogo praticamente a ganhar, com um golo do Tengstedt logo aos 3’, depois de uma perda de bola no meio-campo do Braga, em que aproveitámos para fazer um contra-ataque bem sucedido, com o dinamarquês a ser isolado pelo Kökçü e a finalizar com mestria perante o Matheus. A 1ª parte foi praticamente toda nossa com um golo anulado por fora-de-jogo ao Rafa (logo num lance em que meteu a bola na baliza...!), duas bolas aos ferros pelo Otamendi na sequência de um livre e Di María no seu remate típico em arco da direita para a esquerda, e outra cabeçada do António Silva num canto que deveria ter tido melhor direcção. Do outro lado, o Djaló obrigou o Trubin a uma boa defesa e em cima do intervalo o Ricardo Horta desviou bem um remate de fora-da-área, mas felizmente a bola saiu ao lado.
 
Na 2ª parte, as coisas alteraram-se substancialmente, embora tivemos tido uma soberana ocasião logo a abrir, com o Rafa a assistir o João Mário que, isolado na área e no seguimento da marca de penalty, conseguiu oferecer a bola ao guarda-redes...! Inacreditável! A partir daí, o jogo voltou-se para o Braga e devemos ao Trubin ter saído da Pedreira com os três pontos. Defendeu um remate do Banza já na área depois de uma boa combinação atacante dos arsenalistas e, principalmente, outro já na compensação do mesmo Banza, na sequência de um corte clamorosamente falhado do António Silva, em que o ucraniano defendeu com o pé aquele que seria o golo do empate. Tendo o falhanço do João Mário acontecido aos 47’, o Roger Schmidt demorou até 79’(!) para estancar a produção ofensiva do Braga com a entrada do Florentino! É certo que trocou de avançados (Tengstedt por Musa) por volta da hora de jogo, mas foi só com a entrada do único jogador do plantel que corre atrás dos adversários para roubar bolas, que as coisas acalmaram para nós. Pedia-se obviamente uma resposta mais célere do banco, porque arriscámos bastante manter os mesmos jogadores naquele período.
 
Em termos individuais, destaque para o Trubin, que com duas ou três defesas decisivas nos salvou a vitória. Na 1ª parte, o Di María esteve muito endiabrado, mas baixou imenso na 2ª e não estranhou a sua substituição. O Kökçü não entrou especialmente bem no jogo, mas subiu imenso ao longo dele e foi dos melhores. Coincidência (ou talvez não...), o João Neves fez novamente os 90’ e ganhámos o jogo...! Na frente, o Rafa melhorou em relação a jogos anteriores e o Tengstedt marcou o golo da vitória, o que já é dizer muito, embora estive longe de ter feito uma exibição memorável. Aliás, viu-se bem a diferença para com o Musa, que mostrou novamente ser o melhor (ou menos mau) dos três avançados. Quem continua inexplicavelmente a ter muitíssimo mais tempo de jogo do que a sua produção justificava é o João Mário...!
 
Depois de dois empates consecutivos para o campeonato, era fundamental regressarmos às vitórias perante um adversário directo. Até porque os outros dois iriam jogar entre eles, o que faria com que ganhássemos sempre pontos nesta jornada. Com uma 1ª parte daquele calibre, não deveríamos ter tido de passar pelas aflições que sofremos na 2ª, mas conseguimos os três pontos que é o que interessa e as nossas exibições parecem estar a melhorar um bocado. De qualquer forma, não deixa de ser curioso que tenhamos vencido os três rivais directos nesta 1ª volta numa temporada que não está a ser tão boa como a anterior, em que... não vencemos nenhum destes três jogos! O futebol é, de facto, um jogo maravilhoso, precisamente por ser muitas vezes desprovido de lógica.

sexta-feira, dezembro 15, 2023

Benfica FM | Temporada 1986/87

No passado domingo, tive o prazer de voltar a fazer isto com os meus amigos Nuno Picado e Bakero do Benfica FM. E até qu'enfim que voltamos a fazer uma temporada que dá gosto (re)ver! Fizemos a dobradinha numa época da qual os lagartos continuam ainda hoje a celebrar um único resultado (mesmo que tivessem acabado em 4º lugar no campeonato a dez pontos de nós, quando a vitória ainda só valia dois pontos, tivesse sido contra eles que fomos campeões e lhes tivéssemos ganho na final da Taça...!) Cada um é para o que nasce e celebra aquilo que é mais importante, mas, por mim e a bem da boa vizinhança, era todos os anos assim: eles goleavam-nos e nós fazíamos a dobradinha. Ficávamos todos felizes!

quinta-feira, dezembro 14, 2023

Milagre justo

Vencemos em Salzburgo por 3-1 na 3ª feira e qualificámo-nos para o play-off da Liga Europa. Com o golo da qualificação a ser marcado já em tempo de descontos, percebe-se bem que foi um apuramento tirado a ferros. De um modo bem escusado, frise-se, dado que a nossa superioridade foi evidente durante praticamente toda a partida e só uma extrema aselhice na concretização (Rafa outra vez...) nos impediu de ter um jogo descansado. 

Com o António Silva castigado, o Roger Schmidt lançou o Tomás Araújo no lugar dele, mantendo o Aursnes na direita e o Morato na esquerda. A ter de vencer por dois golos de diferença, não começámos muito bem a partida e foi o Salzburgo a circundar primeiro a nossa baliza, porém sem criar grande perigo para o Trubin. Foi até nossa a primeira grande oportunidade, com o Rafa isolado pelo Tengstedt a rematar por cima, quando só tinha o guarda-redes pela frente. Assumimos o domínio do jogo e inaugurámos o marcador aos 32’ num canto directo do Di María. O árbitro ainda demorou um pouco a validar o golo e confesso que não percebi a razão. Faltava um golo para ficarmos em posição de apuramento e ele surgiu em cima do intervalo (46’) pelo Rafa, depois de uma bola recuperada pelo João Neves ter ido para o Di María e este ter assistido brilhantemente o nº 27 que, desta vez, não perdoou, com um remate cruzado de pé direito. Para a 2ª parte, o Schmidt trocou o inoperante Tengstedt pelo Musa e viu-se logo a diferença. Ao invés da 1ª parte, entrámos muito bem na 2ª e poderíamos (deveríamos!) ter fechado a eliminatória logo nos minutos iniciais. Houve um remate relativamente perigoso do Kökçü, outro do Di María, mas foi o Rafa a ter a perdida mais escandalosa com um remate a meio da pequena-área(!) que acertou no guarda-redes! Inacreditável! Como geralmente acontece nestes casos, não fechámos o jogo e sofremos o 1-2 aos 57’ num remate de fora da área do Susic, que ainda desviou na perna do Tomás Araújo e não deu hipóteses ao Trubin. Tentámos reagir e lá tivemos a sacramental bola no poste, novamente do Otamendi (tal como frente ao Farense), com o Salzburgo em definitivo remetido ao seu meio-campo e a tentar sair em contra-ataque. Aos 68’, o Schmidt lá tomou consciência que, se calhar, era melhor fazer algo a partir do banco e colocou o Gonçalo Guedes. O meu coração parou durante uns segundo até ver que quem saía... não era o João Neves (estava só a ser dos melhores, para variar...), mas sim o Kökçü. Logo a seguir à substituição, o Di María veio da direita para o meio, rematou em arco, mas outra vez bola no poste! O Rafa voltou a estar na cara do guarda-redes, mas permitiu a defesa do Schlager para canto, quando já tinha tido um remate de pé esquerdo de primeira, à vontade na área, que saiu por cima, depois de um centro do Morato (possivelmente o único de jeito que fez). O Salzburgo ainda ia assustando no contra-ataque, mas o Schmidt continuava com substituições para fazer... e nada! Tinha o Jurásek no banco que poderia ter entrado para o lugar do Morato para dar mais profundidade na esquerda e o sempre esquecido Tiago Gouveia, mas nada...! Até que em cima dos 90’ colocou o Arthur Cabral no lugar do João Mário e foi este o herói improvável do jogo. Foi aos 92’ que o João Neves fez uma abertura brilhante na direita para o Aursnes, que fez um cruzamento rasteiro para a área, onde o Arthur Cabral, de calcanhar(!), atirou para o fundo das redes. Depois de tentar de rabo frente ao Moreirense, e de bicicleta contra o Farense, foi de calcanhar que conseguiu marcar. Foi o delírio e a reposição da justiça no marcador. Depois do golo, o Schmidt colocou logo (e bem) o Florentino para fechar o meio-campo e até final ainda tivemos o Di María a proporcionar nova defesa ao guarda-redes. 

Em termos individuais, destaque claro para o Di María, que esteve em dois dos nossos golos e ainda atirou uma bola ao poste. Jogo monstruoso também do João Neves, que, vá lá, desta vez conseguiu fazer os 90’...! O Rafa marcou um golo, mas falhou outros quatro, portanto à semelhança do Farense não pode ter nota muito positiva. Na defesa, o Tomás Araújo cumpriu bem e não se notou muito a falta do António Silva. Quanto aos menos, o João Mário tem, como habitualmente, lugar cativo nesta categoria, o Morato terá feito dos jogos mais desastrados pelo Benfica e o Tengstedt também passou muito ao lado do jogo. Aliás, não percebo qual é a dúvida do Schmidt quanto ao avançado: dos três, o Musa é claramente o menos mau! Em relação ao Arthur Cabral, espero sinceramente que isto seja o wake-up call dele.

Livrámo-nos da vergonha que seria assistir à Europa no sofá em 2024. Voltámos a fazer uma boa exibição, mas esta pouca eficácia na concretização tem de melhorar rapidamente, porque nos ia novamente saindo muito cara...! Veremos quem nos calha em sorteio na 2ª feira, mas estando na Liga Europa é óbvio que temos de ter como objectivo chegar à final.

segunda-feira, dezembro 11, 2023

Ponto de ruptura

Empatámos com o Farense na Luz no sábado (1-1), mas reduzimos a distância para um ponto para o 1º classificado, porque a lagartada foi perder a Guimarães (2-3), tendo agora a companhia do CRAC (3-0 em Mordor frente ao Casa Pia). Vamos no segundo empate consecutivo, embora este tenha tido uma grande sorte de azar e aselhice, já que falhámos oportunidades suficientes para ganhar mais do que um jogo. Basta só dizer que acabámos a partida com 37(!) remates, 14(!) dos quais enquadrados com a baliza. Um só golo para toda esta produção é, de facto, muito pouco.

Em relação a Moreira de Cónegos, o Roger Schmidt só colocou o Kökçü no lugar de um dos sacrificados do costume, o Florentino. A atacar para a baliza grande na 1ª parte (foi o Farense a escolher o campo e trocou-nos as voltas...), demos uma verdadeira aula prática de como falhar golos. Só do Rafa foram logo três, mais outro do João Mário já faz quatro, uma perdida isolada do Tengstedt cinco, a cabeçada ao poste do Otamendi seis e uma grande defesa do guarda-redes Ricardo Velho a um remate do Di María teria sido um 7-0 ao intervalo...! Do outro lado, só um par de remates do Mattheus Oliveira causou algum frisson na nossa baliza.

Na 2ª parte, a tendência da partida manteve-se, com o Rafa a continuar a sua senda de desperdício e o Farense a aproveitar a nossa ineficácia para aos 51’ inaugurar o marcador através do Cláudio Falcão, de cabeça na sequência de um canto. Foi um balde de água fria, completamente imerecido. Um disparo do Kökçü causou bastante perigo e outro remate do Di María voltou a colocar em acção o guarda-redes. Até que aos 63’ aconteceu o momento do jogo (e quiçá da temporada...), com as substituições que o Roger Schmidt fez: tirou o Tengstedt e o João Neves para fazer entrar o Musa e o Gonçalo Guedes. O estádio irrompeu numa contestação, principalmente por causa desta última, que nunca se tinha visto. Voltarei a isto mais adiante. Igualámos aos 71’ pelo Rafa (finalmente!) depois de uma assistência do Aursnes e até final tivemos mais algumas oportunidades, nomeadamente pelo Rafa e pelo Musa, este já mesmo em cima do apito final. Pouco antes, o Roger Schmidt tinha voltado a mexer na equipa aos 88’, entrando o Arthur Cabral para o lugar do Kökçü, mas a única coisa que o brasileiro fez foi tentar uma bicicleta(!) quando recebeu a bola de costas para a baliza, em vez de tentar algo menos difícil. Esclarecedor...

Em termos individuais, o Di María fartou-se de criar oportunidades para os companheiros, mas todos eles as desperdiçaram. O Rafa marcou o golo, mas não pode ter nota positiva, porque falhou uma meia-dúzia deles. O Aursnes lá continua a tapar buracos na lateral-direita, mas o Roger Schmidt insiste em manter-nos coxos na esquerda com o Morato. O João Mário continua a ser um a menos, mas é dos que tem lugar cativo... O Florentino e o Musa são sempre os sacrificados, quando se trata de fazer alguma alteração. Quer antes, quer durante os jogos.

Posto isto, vamos ao minuto 63’. Quando vi a placa com o nº 87, não quis acreditar! Com o Kökçü ainda a recuperar a melhor forma e em ritmo superlento, e principalmente o João Mário a manter-se inenarrável, do que é que se lembra o nosso treinador...? De tirar o único jogador do meio-campo com dinâmica, à semelhança do que fez ao intervalo em Moreira de Cónegos, que tão bons resultados trouxe, certo...?! Por tudo isto, confesso que quando vi que era o João Neves a sair não me consegui conter e fiz uma coisa inédita em mais de 40 anos a ir ver o Glorioso ao estádio: assobiei e apupei fortemente um treinador do Benfica e mostrei-lhe um lenço branco. Foi, pura e simplesmente, mais forte do que eu! Pergunto com toda a sinceridade: quantas das pessoas que estavam a ver o jogo concordaram que deveria ter sido o João Neves a sair? Arrisco-me a dizer um número: uma! Fazer aquela alteração só pode ser resultado de uma de duas coisas: ou um tal estado de alienação que não está a ver o mesmo jogo do que nós, ou tentar ser despedido! É que não fez sentido ABSOLUTAMENTE nenhum! É óbvio que condeno as pessoas que atiraram objectos para o campo em direcção do Roger Schmidt e todas as formas de violência. Ponto final. No entanto, se o estádio irrompeu naquela assobiadela monstruosa, isso deveria ter feito com que a estrutura e o próprio treinador percebessem a razão daquela atitude inédita. Porque se não há favoritos no plantel, que raramente são substituídos, então ele disfarça muito bem. E isso é inaceitável para os adeptos. Porque se toda a gente está a ver o mesmo com excepção de uma única pessoa, a probabilidade de serem todos a estar errados é, convenhamos, muito diminuta... É como aquela história de o soldado marchar ao contrário dos companheiros e a mãe ficar muito contente, porque ele era o único a estar certo. E, já agora para finalizar, não vale a pena o treinador dizer para estes ficarem em casa, que isso não vai acontecer. Portanto, esteve novamente infeliz nas declarações no final do jogo e abriu um fosso para os adeptos que dificilmente será reparado.

São raros os casos de um treinador ter sucesso num clube com grande parte dos adeptos contra ele. Por isso, é que acho que aquele minuto 63 foi o princípio do final da linha para o Roger Schmidt. Estamos a jogar muito pouco desde o início da temporada, não se vê evolução nenhuma na equipa e o treinador parece completamente perdido nas opções que toma. Vlachodimos, Ristic, Tiago Gouveia são apenas algumas delas cuja lógica ainda aguardava por ser explicada. Agora, temos estas substituições do João Neves, quando é muito claro para toda a gente que vê os jogos que este está muito longe de ser o que merece sair. Portanto, isto é muito simples: ou ganhamos por dois em Salzburgo e depois em Braga (e eu não estou nada a ver como isso poderá acontecer), ou deixa de haver margem de manobra. O próprio Roger Schmidt acabou com ela. Cabe-lhe agora ganhar ou, então, fazer o que disse na conferência de imprensa.

sexta-feira, dezembro 08, 2023

Mediocridade

Empatámos com o Moreirense em Moreira de Cónegos no passado domingo (0-0) e obviamente deixámos escapar a liderança para a lagartada (3-1 em casa ao Gil Vicente), que tem agora dois pontos a mais do que nós, com o CRAC (3-0 em Famalicão) um ponto atrás. Depois de termos ganho aos dois rivais em casa, algo que já não acontecia há muito tempo, termos agora esta diferença pontual para ambos não é nada tranquilizadora.
 
Quando as exibições são muito fracas, o resultado prático pode demorar a aparecer, mas inevitavelmente acaba sempre por surgir. Ganhámos à lagartada na Luz na jornada anterior com aquela exibição e logo no jogo a seguir as coisas voltaram à normalidade desta época, tendo acontecido o expectável: escorregámos, claro. A sorte que tivemos naquele encontro não se repetirá muitas vezes, se continuarmos a jogar de um modo lento, previsível e sem qualquer tipo de rasgo. De facto, é uma incógnita para mim a razão pela qual as coisas mudaram tanto de um ano para outro. De um futebol intenso, avassalador, alegre, passámos para isto. Nesta partida, demorámos a entrar no jogo, os primeiro 15’ foram totalmente do adversário e devemos à falta de pontaria adversária (e à trave...) ter mantido a baliza a zeros. Tivemos uma grande ocasião num canto, mas o Florentino na pequena-área e completamente à vontade falhou o cabeceamento! Um remate do Di María com a parte de fora do pé esbarrou no guarda-redes contrário e foram estas as duas únicas vezes em que colocámos a baliza contrária em perigo. Pouco, muito pouco.
 
Para a 2ª parte, o Roger Schmidt colocou o Kökçü e o Chiquinho nos lugares do João Neves e Florentino. Se a saída do Florentino ainda se poderia justificar (errou uma série de passes e não estava a ser o tampão do costume), a saída do João Neves, apesar de não estar a fazer uma exibição deslumbrante, é um pouco difícil de entender. Especialmente para entrar o Chiquinho. Não tenho nada contra o Chiquinho, acho até que foi muito útil no ano passado, mas ficámos claramente a perder. Um remate do Di María por cima e outro do Kökçü defendido pelo Kewin foi tudo o que conseguimos fazer na 2ª parte. Tivemos um golo do João Mário anulado por fora-de-jogo do jogador que fez a assistência, mas mais nada que se visse. O Schmidt colocou o Arthur Cabral no lugar do Tengstedt a 20’ do fim, mas o brasileiro teve o condão de, no último lance da partida, tentar marcar de calcanhar de costas para a baliza(!) quando poderia ter rematado normalmente de frente. Aos 88’, o nosso treinador voltou a mexer na equipa, fazendo entrar o Gonçalo Guedes e o João Victor(?!)... Voltámos à questão destas substituições nos últimos 5’... Porquê...?!?! E o Tiago Gouveia a manter-se no banco, connosco sem ter ninguém para romper as defesas contrárias...! Se era para jogar na parte final da partida, não poderia ter entrado o Tiago Gouveia em vez do João Victor para a lateral-direita...?!
 
Não vou destacar ninguém individualmente, porque a exibição foi paupérrima. Jogadores influentes e desequilibradores como o Rafa e o Di María estão totalmente fora de forma. O João Mário é outro que parece que tem lugar cativo, o Musa ficou no banco e entrou o Arthur Cabral(!!), o Tiago Gouveia nem sequer conta para o Totobola, a questão das substituições no final dos jogos é toda uma panóplia de decisões incompreensíveis do Roger Schmidt.
 
Iremos defrontar o Farense hoje antes de irmos a Salzburgo jogar a continuidade nas provas europeias. Estes próximos dois jogos podem definir muito do que será a nossa época, mas as coisas estão muito longe de estar famosas...

sábado, dezembro 02, 2023

Impensável

Empatámos na 4ª feira em casa frente ao Inter Milão (3-3) e teremos agora de ir ganhar por dois golos de diferença a Salzburgo para continuarmos na Europa no novo ano. Depois de chegarmos ao intervalo a ganhar por 3-0, é óbvio que este resultado é uma tremenda desilusão, que ainda poderia ter sido pior dado que os italianos atiraram uma bola ao poste perto do final...
 
A nossa 1ª parte foi de sonho com um hat-trick do João Mário, o primeiro da carreira dele e o primeiro de um jogador do Benfica neste formato da Champions. Foram golos aos 5’, 13’ e 34’, com tripla assistência do Tengstedt. Os italianos, a alinhar com uma equipa B por causa do campeonato, foram totalmente surpreendidos com esta nossa postura e, à excepção de um lance em que o Arnautovic apareceu isolado frente ao Trubin, com este a fazer bem a mancha, não criaram perigo para a nossa baliza.
 
Confesso que ao intervalo me lembrei deste jogo frente ao Besiktas, em que desbaratámos uma vantagem de três golos, mas como este era em casa acreditei que isso não se voltasse a repetir. Puro engano! O treinador do Inter Milão não fez substituições ao intervalo, mas deve ter feito uma lobotomia aos seus jogadores que se transfiguraram na 2ª parte. Marcaram dois golos em sete minutos (51’ e 58’) pelo Arnautovic e Frattesi, e logo aí se percebeu que estávamos em muito maus lençóis. Do nosso banco, não vinha nada que pudesse ajudar a equipa, que deixou de conseguir criar tanto jogo ofensivo, mas mesmo assim o Tengstedt falhou o quarto golo ao permitir a intervenção de um defesa quando só tinha o guarda-redes pela frente. Os italianos lá iam fazendo substituições e refrescando a equipa, fazendo entrar os titulares, enquanto do nosso banco... nada! Até que aos 72’, o letão Sr. Andris Treimanis não assinala uma falta claríssima do Alexis Sánchez sobre o João Neves quase à entrada da área do Inter Mião e assinala outra muito duvidosa do Otamendi sobre o Thuram na nossa área no contra-ataque que se seguiu. Um autêntico ROUBO de igreja! No respectivo penalty, o Alexis Sánchez atirou para o lado contrário do Trubin e fez o 3-3. Continuo sem perceber a razão pela qual o nosso guarda-redes não se atira só depois de ver para onde a bola vai, porque com a sua altura ou o remate é muito colocado ou terá grandes hipóteses de defender o penalty. Como aconteceria neste caso. Aos 79(!), o Roger Schmidt lá se lembrou que havia um banco de suplentes, mas tirou o Florentino (é sempre a primeira opção para sair) e o Tengstedt para entrar o Kökçü e o Musa. Sem o Florentino em campo, deixamos de recuperar bolas tão à frente, mas claro que o nosso treinador nunca vê isso. Até final, ainda deu para o António Silva ser expulso por indicação do VAR, o croata Sr. Ivan Bebek, noutra decisão inacreditável, para o Inter Milão atirar ao poste mesmo em cima do apito final e para o Roger Schmidt perder tempo(!) com duas substituições aos 98’... Passei-me completamente com isto!
 
Em termos individuais, destaque para os três golos do João Mário e para as três assistências do Tengstedt, mas o melhor do Benfica para mim foi de longe o João Neves, que encheu o campo todo. Ao invés, os dois maiores desequilibradores do plantel, o Rafa e o Di María, estão a milhas da sua melhor forma, mas parece que têm sempre lugar cativo, assim como o João Mário, que marcou três golos, mas voltou ao seu apagançohabitual na 2ª parte...
 
Sem o António Silva, a precisar de marcar dois golos e sem ter os nossos adeptos na bancada (por causa do que uns acéfalos fizeram em San Sebastián), não teremos tarefa fácil na Áustria. No entanto, é bom que os jogadores do Benfica se mentalizem que seria PÉSSIMO para o clube estar a assistir no sofá às competições europeias no início de 2024...
 
P.S. – Sendo inconcebível que tenhamos deitado à rua uma vantagem de três golos, não deixar de ser assinalável que, em quatro jogos em dois anos frente a estes tipos, tenhamos sido roubados pela... quarta vez! O que em jogos tão equilibrados (uma derrota pela margem mínima e dois empates) é obviamente significativo.