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quarta-feira, novembro 29, 2023

Apuramento

Por estar ausente de Portugal em trabalho, para grande vergonha minha, perdi o meu quinto jogo ao vivo na nova Luz desde que ela foi inaugurada. Depois deste, deste, deste e deste, o jogo com público nº 505 também não teve a minha presença. Felizmente, não fiz muita falta, porque ganhámos ao Famalicão por 2-0 e seguimos para os oitavos-de-final da Taça de Portugal. Não me canso de repetir ad nauseam a ENORME vergonha que é termos três Taças de Portugal ganhas nos últimos 27(!!) anos, pelo que espero que levemos muito a sério esta edição.

Mantendo o Aursnes e o Morato nas laterais, e com o Tengstedt na frente, a nossa 1ª parte até foi agradável, com um número razoável de oportunidades, embora tenhamos igualmente permitido ao Famalicão acercar-se com perigo da baliza do Trubin. O Tengstedt esteve em particular evidência ao conseguir colocar-se em posição de marcar por mais de uma vez, mas a ver os seus intentos gorados quer pelo guarda-redes Luiz Júnior, quer pelos defesas. O Di María também teve um bom remate de pé direito ainda fora da área, mas o Luiz Júnior por mais uma vez impediu que marcássemos. Do outro lado, foi o Trubin a salvar-nos por duas vezes perante remates do Puma Rodríguez.

Na 2ª parte, a nossa produção baixou consideravelmente com inevitável repercussão na diminuição de oportunidades de golo. Uma cabeçada ao lado do Otamendi num livre e um remate do Rafa em que acertou mal na bola, depois de assistência do Aursnes na direita, foram as únicas verdadeiras oportunidades que tivemos. Começava a cheirar a prolongamento até que aos 72’ o Florentino abriu no Tengstedt na direita, depois de uma bola recuperada pelo Aursnes, aquele centrou largo para a área e o Riccieli antecipou-se à saída do guarda-redes e colocou a bola na sua própria baliza. Dois minutos depois, as coisas ficaram mais fáceis, com nova investida do Tengstedt na direita, a fazer com que o Otávio o derrubasse quando se ia isolar, resultando naturalmente num vermelho directo (azar onomástico, se fosse o outro e ainda jogasse cá, provavelmente veria amarelo...). O destino da partida ficou selado aos 77’ com o 2-0 através do Rafa, depois de assistência do João Mário na sequência de uma bola recuperada por este a meias com o João Neves. O nº 27 flectiu da esquerda para o meio e rematou cruzado sem hipóteses para o guarda-redes. Até final, o Schmidt ainda fez algumas substituições, tendo promovido o regresso do Kökçü depois de lesão e também do Tiago Gouveia, que continua a justificar mais minutos em campo, porque é dos poucos jogadores que temos a quebrar linhas.

Em termos individuais, destaque para o Tengstedt que esteve em dois lances fundamentais na nossa vitória: o primeiro golo e a expulsão. O João Neves, já se sabe, não consegue jogar mal, assim como o Aursnes, que esteve bastante activo na direita. O Morato na lateral-esquerda não resulta em jogo em casa em que temos maioritariamente de atacar, porque simplesmente... não vai à linha dado que... é defesa-central! Era bom que o Schmidt percebesse isso. O João Mário lá continua com o seu lugar cativo no onze, apesar de continuar a funcionar a diesel. Do século passado. A única coisa que fez de jeito em 90’ foi ter participado na jogada do segundo golo. Já o Trubin, foi importante na manutenção a zeros da nossa baliza.

Iremos ter hoje o sorteio dos oitavos-de-final da Taça, mas teremos de elevar o nosso nível de jogo se quisermos chegar ao Jamor.

terça-feira, novembro 28, 2023

Percurso perfeito

Trabalho fora de Portugal, impediu-me de postar mais cedo acerca das duas últimas jornadas da selecção nacional na qualificação para o Euro 2024. Aconteceram na semana a seguir ao derby e na 5ª feira, dia 16 de Novembro, fomos ao Liechtenstein ganhar por 2-0 com ambos os golos a acontecerem só na 2ª parte, através do Cristiano Ronaldo aos 46' e do João Cancelo aos 57'. O Roberto Martínez aproveitou para estrear o José Sá, o Toti Gomes, dando-lhes a titularidade, numa táctica só com três defesas que não resultou, porque a exibição foi cinzenta, perante um adversário que praticamente não atacou. Acho que a equipa não estava de todo preparada para jogar naquela táctica.
 
Três dias depois, na 2ª feira, 19 de Novembro, concluímos um percurso imaculado com dez vitórias em dez jogos ao derrotar a Islândia em Alvalade também por 2-0, com golos do Bruno Fernandes aos 37' e do Ricardo Horta aos 66'. Foi uma exibição melhor do que a anterior, num regresso à táctica normal de 4-3-3. É certo que o grupo era fácil, mas também já os tivemos no passado sem este resultado. Vejamos como a selecção se comporta perante adversários mais fortes, mas já ouvi algo que me deixa um pouco apreensivo: é que aparentemente não vamos defrontar nenhum nos jogos de preparação em Março. Parece-me um mau princípio, mas logo se verá...

quarta-feira, novembro 15, 2023

Lisonjeiro

Vencemos a lagartada no passado domingo (2-1) e subimos ao 1º lugar do campeonato em igualdade pontual com eles, mas com vantagem no confronto directo e na diferença de golos. Quando se voltar a fazer uma história dos derbies, este vai ter certamente uma página à parte dado que até aos 93’ o resultado era 0-1 para a lagartada...
 
O Schmidt surpreendeu na disposição táctica com os jogadores que foram titulares. Em relação a San Sebastian, só trocou o Arthur Cabral pelo Musa, mas quando toda a gente esperava um 3-4-3, apresentámos o habitual 4-4-2, com o Morato a defesa-esquerdo, o Aursnes a direito, e o João Neves no meio. Depois das miseráveis exibições dos últimos tempos, mostrámos uma outra atitude e tivemos três grandes oportunidades na 1ª parte, com o Rafa a atirar ao lado quando estava em boa posição e à barra num outro lance, e o Florentino a falhar o tempo de salto num centro-remate do João Mário, quando era só encostar para a baliza deserta. Do outro lado, o Pedro Gonçalves apareceu isolado frente ao Trubin, mas este conseguiu defender com o pé, enquanto o Gyokeres demonstrava que é um jogador superlativo. Em cima do intervalo, o João Mário resolveu pautar a sua miserável exibição com uma perda de bola infantil, que se tornou assistência para o Edwards, que desmarcou o Gyokeres e este rematou forte já quase sem ângulo, fazendo um golão. Sofríamos um golo na pior altura, mesmo em cima do intervalo, numa partida em que, apesar do equilíbrio, até tivemos mais oportunidades.
 
Para a 2ª parte, o Schmidt continuou inacreditavelmente a deixar o João Mário em campo, mas aos 51’ o Gonçalo Inácio fez uma falta escusada sobre o Rafa e viu o segundo amarelo. Ficámos finalmente em igualdade numérica com 10 para 10 (o João Mário não contava, claro...!). Intensificámos um pouco a pressão e a lagartada deixou de sair tanto para o ataque, mas não conseguimos criar muitas oportunidades. Aos 64’, o Schmidt mexeu na equipa. E mal! Tirou o Musa (que até estava a ser dos melhorzitos) e o Florentino (que permitia à equipa defender mais à frente e tinha recuperado bastantes bolas), e colocou o Arthur Cabral e o Tengstedt em campo. Deixando igualmente o João Mário no relvado!! Piorámos consideravelmente, até porque o Rafa descaiu para a esquerda, com o Tengstedt no meio, e o Rafa já não jogava naquela posição há praticamente dois anos... Só um remate do Di María de fora da área proporcionou ao Adan uma defesa difícil. A lagartada ia fazendo substituições e refrescando a equipa, mas do nosso lado, nada! Três substituições para fazer e o nosso treinador a dormir. O estádio ficou impaciente, até que aos 87’(!) o Schmidt lá se decidiu fazer-nos jogar com 11 e tirou o João Mário para entrar o Gonçalo Guedes. Muitos benfiquistas foram abandonando o estádio antes do apito final, numa demonstração de grande inteligência, já que, se há um golo de diferença, é óbvio que o resultado está decidido, certo...? Até que aos 94’, começou o milagre: canto a nosso favor, o Trubin sobe para a grande-área, cria alguma confusão no posicionamento dos defensores lagartos, o Di María cobra o canto e a bola sobre para o João Neves na marca de penalty fuzilar o Adan. Eu estava tão chateado com a forma como as coisas estavam a decorrer, que praticamente nem festejei este golo! Aos 97’, o golpe de teatro aconteceu! Recuperação da bola a meio-campo, ataque rápido, centro do Aursnes na direita, o Rafa tenta desviar de calcanhar, mas felizmente não acerta, e o Tengstedt atira lá para dentro. O fiscal-de-linha levantou a bandeirola e o Sr. Artur Soares Dias teve de esperar pelo VAR. Que validou o golo por 4 cm! Foi o delírio no estádio e espanta-me como é que ele não ficou com rachas na estrutura com os festejos...! Este golo, claro que já comemorei intensamente. Não foi nada merecido, mas ganhávamos um jogo que esteve perdido até muito perto do final.
 
Em termos individuais, o João Neves foi de longe o melhor do Benfica. Fartou-se de recuperar bolas e está a desenvolver uma capacidade muito bonita de marcar à lagartada em tempo de compensação! Também gostei do Florentino enquanto esteve em campo e o Rafa subiu na 2ª parte. Do lado negativo, o destaque vai inteirinho para o João Mário.
 
Espero que esta vitória não esconda muitos aspectos que não correram nada bem neste jogo. Então, nós estamos a perder com a lagartada em casa por 0-1 e o nosso treinador só faz duas substituições até aos 87’?! Com o Guedes, Tiago Gouveia e um defesa-esquerdo do raiz no banco?! O Morato até nem jogou mal defensivamente, mas em termos atacantes foi muito fraquito, o que é normal, dado que aquele não é o seu lugar de origem. Ao invés, o Jurásek é péssimo a defender, também a lagartada não estava a atacar na 2ª parte por causa da inferioridade numérica. E mesmo assim não entrou...! Por outro lado, o Schmidt substitui o Musa pelo Arthur Cabral e deixa o João Mário quase até ao fim em campo...?! Há lugares cativos na equipa, é isso...?!
 
Iremos ter agora a paragem para as selecções e espero que o Schmidt faça uma reflexão séria acerca do que está a ser a época até agora. A Champions já foi e o campeonato não ficou a uma distância de seis pontos por um verdadeiro milagre. A equipa não só não está a carburar como no ano passado (está a anos-luz disso até), como do banco raramente vêm boas decisões na altura de mudar alguma coisa. Estamos em 1º lugar, é certo, mas a continuar assim, não se augura nada de bom...

sexta-feira, novembro 10, 2023

Derrocada

Caímos com estrondo na Champions, com a quarta derrota consecutiva, em San Sebastian frente à Real Sociedad (1-3) na 4ª feira. No entanto, dado que à meia-hora de jogo, já tínhamos levado três, mais dois anulados e um penalty falhado, até que o resultado acabou por não ser mau de todo... Depois do brilharete do ano passado até aos quartos-de-final, estávamos longe de pensar que iríamos passar por este pesadelo. Temos ainda uma hipótese de chegar à Liga Europa, dado que o Inter Milão ganhou em Salzburgo, mas teremos de ganhar os dois próximos jogos.
 
Mantendo a táctica dos três centrais, o Schmidt só trocou de avançado em relação a Chaves: saiu o Gonçalo Guedes e entrou o Arthur Cabral. A nossa 1ª parte foi absolutamente catastrófica! Sofremos golos aos 6’ (Merino), 11’ (Oyarzabal) e 21’ (Barrenetxea), vimos outros dois invalidados aos 15’ e 19’, e tivemos um penalty contra que foi ao poste aos 29’! Ou seja, a todos nós passou o fantasma de Vigo pela cabeça...! À passagem da meia-hora, o Schmidt tirou o amarelado Florentino (culpado no segundo golo por um péssimo atraso) e colocou o Jurásek, mudando o Aursnes para a direita e o João Neves para o meio. A sangria felizmente estancou, até porque os bascos tiraram um pouco o pé do acelerador.
 
Na 2ª parte, marcámos o nosso primeiro golo na Champions deste ano através do Rafa logo aos 49’, depois de assistência do Otamendi. O mesmo Otamendi teve um remate perigoso fora da área, mas foi defendido para canto pelo guarda-redes Remiro. No entanto, não conseguimos fazer mais nada de relevante e nunca revelámos capacidade de fazer perigar a vantagem dos bascos. Do outro lado, eles não tiveram a mesma intensidade da 1ª parte e não causaram tantos estragos à baliza do Trubin.
 
Com uma exibição destas, seria até ofensivo estar a destacar alguém. Iremos receber a lagartada no domingo com a equipa completamente esfrangalhada, sem sistema táctica e com muitos jogadores fora de forma. Teme-se o pior.
 
P.S. – Como se não bastasse a exibição miserável no campo, nas bancadas ainda aconteceu pior: uma cambada de acéfalos atirou novamente tochas contra os adeptos contrários, à semelhando do que fizeram em Milão na época passada. Muito dificilmente escaparemos a uma interdição da Luz. Eu juro que não entendo isto! Depois de todos os avisos que se fizeram, depois de termos sido proibidos de ter adeptos em Milão, há autênticos erros da humanidade que ainda fazem isto! Claramente gentalha que está uns quantos passos atrás em termos da evolução da espécie. Parece que se já conseguiu identificar alguns deles e, se assim for, espero que sejam banidos de vez dos estádios de futebol e que, se forem sócios, sejam naturalmente expulsos! Não podemos continuar a compactuar com esta escória!

segunda-feira, novembro 06, 2023

Medíocre

Vencemos em Chaves no sábado (2-0) e alargámos a diferença para o CRAC para três pontos, dado que o Estoril foi magnificamente ganhar a Mordor por 1-0, estando ainda a três da lagartada que ganhou 3-2 em casa do E. Amadora (depois de estar a perder 1-2 já na 2ª parte...). Foi uma boa vitória num terreno em que perdemos na época passada, mas o futebol que mostrámos não me deixou nada confiante para difíceis os jogos que se avizinham.
 
O Roger Schmidt gostou do que se passou em Arouca e repetiu o onze, mantendo os três centrais e o Gonçalo Guedes a ponta-de-lança. No entanto, a nossa 1ª parte foi absolutamente pavorosa, do pior que temos visto nos últimos tempos (e a concorrência até é de peso...!). Não criámos uma única situação de golo, com um jogo lento, previsível, sem rasgo, em que a enorme percentagem de posse de bola não serviu para mais do que a circular sem objectividade. Remates por cima do Di María e do Morato de cabeça num canto foi o melhor que conseguimos apresentar. Do outro lado, também o Chaves atirou uma bola ao lado e mais nada.
 
Para a 2ª parte, o Schmidt colocou o Arthur Cabral no lugar do apagadíssimo Gonçalo Guedes. Colocámos um pouco mais de intensidade no jogo e tivemos a felicidade de marcar ainda relativamente cedo. Foi aos 59’ que o João Neves inventou uma jogada na direita, passou por três adversários, centrou atrasado, o guarda-redes tocou ligeiramente na bola, o que fez com que o Arthur Cabral não a conseguisse tocar bem, mas mesmo assim fê-lo o suficiente para a colocar na direcção da baliza, um defesa cortou supostamente sobre a linha (pareceu-me nitidamente já dentro) e o Aursnes na recarga só teve de empurrar. Tanto VAR e tanto investimento, e depois uma coisa simples como a tecnologia da linha de golo não há! Se o Aurnses não estivesse ali, como seria...?! Teríamos um golo roubado, é isso...?! Tínhamos feito o mais difícil, mas no lance a seguir o Chaves só não empatou porque o tiro do Bruno Langa foi ligeiramente desviado pela mão do Trubin e embateu com estrondo na barra. Depois deste enorme susto, controlámos melhor a vantagem no marcador e uma boa iniciativa do Otamendi foi mal finalizada por este depois de um centro do Rafa. No entanto, aos 80’ fizemos mesmo o 2-0 num penalty do João Mário a castigar uma estalada na cara do João Neves. Como o Di María já tinha sido (e bem) substituído pelo Tengstedt, foi o nº 20 a marcar o penalty. Enganou o guarda-redes e foi o que lhe valeu, porque se ele tem acertado o lado defendia facilmente... Até final, ainda vimos um remate desastrado do entretanto entrado Musa e um golo anulado a este por ridículos nove cm. Já disse e repito: esta história do VAR a contar centímetros nos foras-de-jogo irrita-me sobremaneira! Via-se a olho nu e era muito simples: ou está claramente fora-de-jogo ou, se houvesse dúvidas, beneficiava-se a equipa que ataca. Anular golos por aquela margem é simplesmente patético!
 
Em termos individuais, destaque inteirinho para o João Neves, que teve participação activa nos dois golos. O Aursnes também não esteve mal, assim como o Florentino no seu papel de recuperador, e aquele toque ligeiro do Trubin poderá ter salvo o resultado. De resto, tudo muito fraquito.
 
Iremos na 4ª feira ter o jogo decisivo para a continuidade na Europa, em San Sebastian, e no domingo receberemos a lagartada. Se se salvarem os resultados, como em Chaves, ficarei bastante satisfeito, mas se isso acontecer mantendo este nível exibicional será pouco menos do que um milgare...

quinta-feira, novembro 02, 2023

Positivo

Arrancámos bem a fase de grupos da Taça da Liga com uma vitória em Arouca por 2-0. Com a continuidade na Champions, melhor dizendo na Europa, muito tremida, e a atravessar um período nada bom, o Roger Schmidt não fez poupanças e a equipa deu uma resposta melhor do que tem dado.
 
Inovando tacticamente com três centrais, alinhámos igualmente com o Gonçalo Guedes na frente, secundado pelo Rafa e Di María. E começámos logo com duas boas chances, com o Di María no seu movimento habitual da direita para o meio a atirar em arco ao lado e o Gonçalo Guedes a rematar muito por cima depois de um bom movimento a desenvencilhar-se de dois defesas. O Rafa e o Aursnes também tiveram ocasiões, porém ambos os remates saíram ao lado. Até que aos 26’ inaugurámos o marcador pelo Di María num livre directo semelhante ao que teve em Vizela. O Arouca justificava o facto de estar num péssimo momento com uma série de derrotas consecutivas e praticamente não conseguiu criar perigo.
 
Na 2ª parte, o cariz do jogo manteve-se o mesmo, com o Arouca com muitas dificuldades para dar trabalho ao Trubin. Colocámos de novo a bola na baliza pelo João Mário, mas o Gonçalo Guedes estava fora-de-jogo no início da jogada, uns bons 10’’ ou 15’’ antes de a bola entrar na baliza...! Acho isto ridículo! É muito pior um canto mal assinalado que dá golo, e aí o VAR já não intervém, do que uma jogada destas que ainda passa por não-sei-quantos jogadores antes de entrar na baliza! O Schmidt começou a rodar a equipa e tirou os três da frente para colocar o Arthur Cabral, Tengstedt e Tiago Gouveia. Naturalmente que a qualidade baixou, embora o Tiago Gouveia tenha dado outra vez mostras de merecer mais oportunidades. Mesmo assim, ainda tivemos direito a um momento muito pouco vulgar, ou seja, um golo do Arthur Cabral! Assistência do Tengstedt com o brasileiro a partir ainda do nosso meio-campo, a aguentar o defesa e a rematar muito bem à saída do guarda-redes. Grande golo! Até final, o Tiago Gouveia ainda rematou com perigo por cima e o Arouca teve a sua única oportunidade, mas o Trubin encaixou bem.
 
Em termos individuais, realce para o Di María enquanto esteve em campo, continuo a achar que o Florentino tem de ser titular, apesar de ainda não estar na sua melhor forma, o João Neves fez o corredor direito, mas é um desperdício jogar aí, e o Guedes, mesmo um pouco desastrado, é um sério candidato ao lugar de avançado. Menção honrosa para o Arthur Cabral por causa do golo, que pode ser que lhe dê a confiança devida para sair do marasmo em que está desde que chegou ao Benfica.
 
Com este resultado, basta-nos um empate frente ao AVS em casa para nos qualificarmos para a final fourdesta competição. É certo que é a terceira na ordem de importância das provas nacionais, mas não só temos um prestígio a manter por sermos o clube que a conquistou mais vezes, como também há que ultrapassar esta seca de sete anos sem a conquistar.

segunda-feira, outubro 30, 2023

Descalabro

Empatámos no sábado frente ao Casa Pia (1-1) na Luz e deixamos fugir a lagartada na frente (2-0 no Bessa), estando agora a três pontos deles, tendo sido igualados pelo CRAC (2-0 em Vizela). Ou seja, perdemos pontos em todos os campos nesta jornada. Depois do desaire europeu a meio da semana, esperava-se uma resposta veemente da nossa parte, mas nada disso aconteceu.
 
O Schmidt mexeu muito na equipa por via das lesões do Bah, Kökçü e Musa, tendo entrado o Florentino, Arthur Cabral, com o Aursnes a passar do meio para a lateral direita. A fase lamentável que estamos a atravessar é bem exemplificada pelo facto de praticamente não termos criado oportunidades de golo na 1ª parte, fruto de uma lentidão exasperante de processos. Um remate do David Neres defendido pelo Ricardo Baptista foi a única ocasião antes de marcarmos um golo autenticamente vindo do céu: aos 44’ o João Mário fuzilou o guarda-redes, depois de assistência do Aursnes na direita, e livrou-se assim de uma substituição certa ao intervalo.
 
A 2ª parte foi bastante diferente e, infelizmente para nós, com o Casa Pia a mostrar-se muito mais em termos atacantes. Aos 52’, o Florentino tentou um corte na área, mas atingiu um adversário e fez penalty. Perante o Felippe Cardoso, o Trubin fez uma grande defesa e manteve-nos na frente do marcador. Depois deste golpe de sorte, era bom que acordássemos e tentássemos marcar mais um golo para colocar o resultado a salvo, mas foi o Casa Pia a continuar a criar oportunidades, tendo o Trubin cortado com o pé um centro muito perigoso. Entretanto, o Di María já tinha substituído o David Neres e teve uma grande ocasião num remate em arco, em que o Ricardo Baptista fez a defesa do encontro. Mas era o Casa Pia quem ameaçava mais e, depois de nova incursão pela direita em que não teve ninguém a desviar no centro da área, chegou mesmo à igualdade aos 81’ num lance caricato em que o entretanto entrado Jurásek foi novamente batido pelo Larrazabal, que ficou quase sem ângulo, mas ainda rematou para o Trubin deixar passar a bola por entre as pernas. Com aquele ângulo, a bola não pode simplesmente entrar! O lance foi tão inacreditável que houve um enorme silêncio no estádio e mesmo os adeptos do Casa Pia demoraram a celebrar. No pressing final nos últimos dez minutos, não fomos bafejados pela sorte, porque ainda atirámos duas bolas de cabeça aos ferros pelo Florentino e António Silva, uma cabeçada do Rafa foi defendida pelo guarda-redes e há um lance muito duvidoso de eventual empurrão ao entretanto entrado Tengstedt, que não foi assinalado pelo Sr. Cláudio Pereira.
 
Em termos individuais, ninguém se destacou por aí além, tal como frente à Real Sociedad. O Florentino regressou ao onze e, apesar de não estar na forma que o notabilizou na temporada passada e de ter feito um penalty imprevidente, é o único jogador de meio-campo com capacidade para roubar a bola ao adversário. O João Neves voltou a ser dos mais inconformados, mas não consegue fazer tudo sozinho. O Arthur Cabral roça cada vez mais o patético e é completamente um peixe fora de água. O João Mário fez o golo e foi só, e os laterais-esquerdos estiveram muito fracos, com o Jurásek a perder incontáveis bolas e a ser o responsável por deixar o pior acontecer sempre pelo seu lado. Quanto ao Trubin, eu prefiro guarda-redes que não defendam tantos penalties, mas que não deixem bolas quase sem ângulo passar por entre as pernas...
 
Defrontaremos amanhã o Arouca para a Taça da Liga e, para não ajudar nada à estamos com muitos problemas com lesões. Mas mais do que isso, é preciso que o Roger Schmidt perceba o que se passa e como nos deixámos chegar a esta situação. Há uma diferença abissal para o ano passado e o marasmo que vemos do banco é um sinal nada prometedor.

quinta-feira, outubro 26, 2023

Equívocos

Perdemos na 3ª feira frente à Real Sociedad na Luz (0-1) e só um milagre nos fará passar à próxima fase da Champions. Aliás, sinceramente, neste momento estou mais preocupado em mantermo-nos nas competições europeias do que propriamente irmos aos oitavos da Liga dos Campeões. Depois de duas épocas consecutivas em que chegámos aos quartos-de-final da maior prova de clubes do mundo, a perspectiva de sairmos da Europa em Dezembro é uma enorme desilusão.
 
Há jogos em que ganhamos e não merecemos, há jogos em que perdemos e devíamos ter ganho, e depois há jogos como este em que perdemos e bem. Para colocar as coisas em modo muito simples: sim, levámos um banho de bola dos bascos! Com o Kökçü recuperado de lesão, mas no banco, o Schmidt apostou no Aursnes e João Neves no meio-campo, com o João Mário na esquerda e o David Neres na direita (o Di María também estava lesionado). Na frente, esteve o Musa com o Rafa. Ou seja, o problema começou logo na constituição inicial: o Aursnes não joga a seis há séculos e, para não variar, não tínhamos ninguém para correr atrás do adversário e tentar roubar bolas. A Real Sociedad manobrou sempre muito à vontade no nosso meio-campo e não se percebe esta não-utilização do Florentino em jogos como este. Florentino, esse, que recordemos liderou as intercepções de bola na Champions do ano passado (sim, eu sei, não jogou nada bem no Estoril, mas também quem é que jogou bem nesse jogo? Além de que esta era uma partida com características muito diferentes das da Amoreira). E era tão fácil resolver isto: Florentino no meio e Aursnes no lugar onde mais se salientou na temporada passada, o lado esquerdo do meio-campo, que teria tido igualmente a enorme vantagem de não termos de levar com a lesma do João Mário. Praticamente não conseguimos criar perigo na 1ª parte, excepção a um golo anulado por fora-de-jogo do Rafa. Do outro lado, também houve um golo anulado, mas a Real Sociedad esteve sempre muito mais perto da nossa baliza.
 
Para a 2ª parte, era obrigatório uma melhoria do nosso lado. É certo que o Schmidt fez mudanças, mas colocou o Kökçü no lugar do João Mário e o Arthur Cabral no do Musa. Passámos a jogar num 4-3-3 com o turco na posição seis, ladeado pelo Aursnes e João Neves, e a inutilidade ambulante do Arthur Cabral na frente, quando o Musa até estava a dar luta aos defesas, ganhando algumas bolas de cabeça, mas sem ter praticamente jogo nenhum a chegar-lhe em condições. Ou seja, não se justificava de todo que fosse substituído! Ora bem, foi pior a emenda do que o soneto: o Kökçü era um passador a meio-campo, porque não só não tem características para jogar naquela posição, como também me pareceu estar longe dos 100% em termos físicos. O inevitável golo da Real Socidad surgiu aos 63’, num lance em que o Bah não fez tudo o que estava ao seu alcance e depois o Brais Méndez só teve de encostar. Pouco depois, ainda vimos uma bola rematada pelo japonês Kubo embater na nossa barra e só com a entrada do Tiago Gouveia a vinte minutos do fim agitámos um pouco as águas, mas sem nunca conseguirmos remeter os espanhóis à sua área, nem criar lances de golo iminente.
 
Ninguém merece um destaque individual, porque foi tudo demasiado mau. Mesmo assim, foram os miúdos da formação (António Silva, João Neves e Tiago Gouveia) quem se mostrou mais informado. Sinceramente, não percebo algumas das opções do Schmidt, que me parecem perfeitamente injustificadas com aquilo que vamos vendo em campo: já não é só a ausência do Florentino, é a insistência em fazer o Aursnes saltar entre várias posições no mesmo jogo (acabou este a defesa-direito!) e a nunca sair mesmo se estiver a jogar mal, esta entrada do Arthur Cabral não lembrou ao diabo, o Gonçalo Guedes no banco o tempo todo é inexplicável, enfim, toda uma série de equívocos que terão de ser corrigidos rapidamente, sob pena de termos aqui uma reedição da segunda temporada do Bruno Lage: depois de uma primeira brilhante, espalhámo-nos ao comprido com estrondo.
 
É que não são só os zero pontos ao fim da 3ª jornada. Temos igualmente zero golos marcados em 270’ de futebol! Ou arrepiamos caminho rapidamente ou arriscamo-nos a igualar aquela temporada ignóbil do Rui Vitória das seis derrotas na Champions.

segunda-feira, outubro 23, 2023

Em frente na Taça

Vencemos o Lusitânia nos Açores por 4-1 na passada 6ª feira e apurámo-nos para a 4ª eliminatória da Taça de Portugal. Ao contrário da época passada, encarámos esta partida com outro nível de concentração e não passámos por sobressaltos. Claro que também ajudou o facto de o Roger Schmidt só ter deixado de fora os jogadores que estiveram nas selecções nacionais.
 
Inaugurámos o marcado logo aos 9’ através do João Mário, de calcanhar, depois de assistência do Aursnes. O mais complicado foi feito relativamente cedo, o que me tranquilizou até porque não parava de chover nos Açores e perspectivava-se que o relvado começasse a ficar pesado, o que teoricamente não nos favoreceria. Aos 36’, aumentámos a vantagem através do Rafa, a corresponder muito bem à assistência do Chiquinho, que o isolou. Como nesta eliminatória ainda não há VAR, pudemos festejar os golos à vontade e não tivemos de esperar pela confirmação de que o Rafa estava mais do que em jogo. Em cima do intervalo e na sequência de um canto, o Aursnes teve uma paragem cerebral e saltou à bola com os braços esticados, tendo atingido um adversário. O óbvio penalty foi convertido pelo Ferrara e fomos para o descanso com a vantagem mínima, quando tudo já deveria estar decidido.
 
Na 2ª parte, entraram o Gonçalo Guedes e o Jurásek para os lugares do apagado Tengstedt e do Bernat. O Lusitânia começou a acusar o facto de estar num campeonato inferior ao nosso e as pernas foram cedendo, não lhes permitindo quase passar do meio-campo. Nós fomos pressionado mais, tivemos algumas oportunidades e acabámos por fazer o 3-1 aos 68’ na estreia do Arthur Cabral a marcar pelo Benfica: assistência do Gonçalo Guedes e o avançado brasileiro picou a bola por cima do guarda-redes, tendo esta ainda batido no poste antes de entrar. O Guedes ainda viu dois golos seus invalidados (um por fora-de-jogo e outro por falta sobre o defesa), mas fechámos a contagem aos 87’ num óptimo golo do Tiago Gouveia, entretanto entrado, que correu desde o meio-campo, bateu um defesa e também picou a bola sobre o guarda-redes.
 
Em termos individuais, o João Neves encheu o campo todo. O Guedes entrou muito bem na 2ª parte e deu um dinamismo que o Tengstedt não conseguiu. Também o Jurásek me parece com melhor pedalada neste momento do que o Bernat, mas nenhum deles nos vai deixar de ter saudades do Grimaldo... O Arthur Cabral lá marcou finalmente, mas não acho de todo que esteja em condições de assumir a titularidade, até porque o Musa é muito mais dinâmico do que ele, especialmente quando se trata de dar luta aos defesas.
 
O nosso histórico na Taça de Portugal no último quarto de século é algo que não pode deixar de nos envergonhar enquanto benfiquistas. Gosto muito que o nosso treinador tenha percebido isso (especialmente depois da estreia miserável com o Caldas na época passada) e tenha dito que quer ir ao Jamor em Maio. Eu também!

sexta-feira, outubro 20, 2023

No Euro 2024

E ao 7º e 8º jogo da era Martínez, finalmente começámos a jogar algum futebol de jeito. Vencemos a Eslováquia em casa por 3-2 na passada 6ª feira e selámos logo ali a qualificação para o Euro 2024, até porque o Luxemburgo empatou na Islândia (1-1), e, não contentes com isso, fomos golear (5-0) à Bósnia na 3ª feira, num resultado algo surpreendente.
 
Para a recepção à Eslováquia, o Roberto Martínez inovou ao colocar o Gonçalo Ramos ao lado do Cristiano Ronaldo. Dado que este bisou e aquele inaugurou o marcador, pode dizer-se que a experiência foi bem-sucedida. A 1ª parte do jogo foi do melhor que se tem visto até agora e a vantagem de 2-0 ao intervalo pecava bastante por escassa, tal o volume de jogo e oportunidades que tivemos. Na 2ª parte, desconcentrámo-nos, permitimos que os eslovacos reduzissem, ainda aumentámos para 3-1 pouco depois, mas voltámos a permitir novo golo do adversário. Sofremos os dois primeiros golos desta fase de qualificação, mas a nossa vitória nunca esteve em causa.
 
Sinceramente esperava que, estando a qualificação garantida e com o histórico sempre complicado da visita à Bósnia, tirássemos um pouco o pé de acelerador e passássemos por dificuldades. Ao invés, chegámos ao intervalo a ganhar por 5-0! Dois golos do C. Ronaldo com os outros a serem apontados por Bruno Fernandes, João Cancelo e João Félix foram uma demonstração inequívoca da boa forma actual da nossa selecção. Na 2ª parte, abrandámos, o que é natural, mas este jogo permitiu ainda na parte final a 1ª internacionalização do João Neves.
 
Com quatro golos em dois jogos e um total de nove nesta fase de qualificação, o C. Ronaldo merece obviamente destaque. Com duas assistências no primeiro jogo e um golo no segundo, o Bruno Fernandes é outros dos imprescindíveis desta selecção. O João Félix entrou muito bem contra os eslovacos e deu um verdadeiro show na Bósnia. Dá gosto ver a alegria com que está novamente a jogar, depois de alguns anos perdidos numa equipa que não é de todo para ele. O Rafael Leão é que esteve um pouco discreto nestes dois jogos, mas é sempre alguém que pode partir o jogo na esquerda. No meio-campo, o João Palhinha e o Danilo deram consistência, cada um fazendo um dos jogos, e na defesa parece que abandonámos de vez os três centrais, com o Rúben Dias a fazer dupla com o António Silva no primeiro e com o Gonçalo Inácio no segundo.
 
Conseguimos inéditas oito vitórias consecutivas o que só por si já dá um lugar na história ao Roberto Martínez. Sim, o grupo era bastante acessível, mas já os tivemos no passado e sem este rendimento. Vejamos o que nos traz a preparação para o Euro 2024 e, principalmente, a nossa performance no torneio. Mas, de facto, já fazia falta alguém que soubesse potenciar deviamente a qualidade ofensiva dos nossos jogadores.

domingo, outubro 08, 2023

Preocupante

Numa das piores exibições desde que o Roger Schmidt é nosso treinador, vencemos ontem no Estoril por 1-0 e aguardamos hoje pelos jogos dos rivais para ver se a nossa liderança deixa de ser provisória. Depois da derrota em Milão, exigia-se uma resposta à altura, até porque o campeonato vai parar para as selecções e convinha não perder a vantagem adquirida sobre o CRAC na jornada passada. No entanto, nada disto aconteceu e a nossa exibição foi inenarrável, com o golo da vitória a surgir só aos 93’...!

O Roger Schmidt promoveu uma autêntica revolução no onze e as coisas não correram nada bem. O meio-campo foi novo com o Florentino e Chiquinho nos lugares do João Neves e Kökçü (lesionado), o Jurásek alinhou na lateral esquerda com o bombeiro Aursnes a substituir o lesionado Bah na direita, o João Mário no lugar do também lesionado Di María e a maior surpresa foi o Tengstedt na frente. A 1ª parte foi de fugir com raríssimas ocasiões de golo da nossa parte, uma percentagem pornográfica de perdas de bolas nas transições, velocidade de execução era algo que não nos assistia e incapacidade inesperada de conter os contra-ataques dos canarinhos. O Tengstedt fez dois bons movimentos de desmarcação, mas estragou tudo com os remates, quando até estava em boa posição, o David Neres proporcionou ao guarda-redes Marcelo Carné a melhor defesa da partida, com o Jurásek na recarga a atirar para as nuvens, e do outro lado o Estoril chegou a assustar o Trubin mais do que uma vez. É certo que a nossa exibição estava a ser paupérrima, mas isso não invalida que nem o árbitro, Sr. André Narciso, nem o VAR, sr. Rui Gomes Costa, tenham feito vista grossa a um penalty sobre o Tengstedt por empurrão evidente, depois de o dinamarquês cabecear a bola. É indiferente se foi antes ou depois do toque na bola, é empurrão na área, é penalty. Ponto.

Na 2ª parte, conseguimos o feito de jogar ainda pior do que na 1ª! Até foi o Estoril a criar as melhores oportunidades, com destaque para um remate ao poste do Heriberto. Perante este cenário, tornou-se absolutamente incompreensível como é que o Roger Schmidt demorou 70’(!) a começar a fazer substituições...! Mais: o João Mário, que se arrastou a partida inteira, só saiu aos 85’! Um remate um pouco à figura, mas com força, do Otamendi terá sido das poucas oportunidades que tivemos, mas o guarda-redes voltou a defender, Otamendi, esse, que já em cima dos 90’ falhou incrivelmente o remate na sequência de um canto, quando tinha a baliza a mercê. Até que aos 93’, o milagre aconteceu também num canto, com amortecimento do Musa e cabeçada muito oportuna do António Silva, quase deitado, a fazer o 1-0. Mesmo assim, ainda permitimos ao Estoril uma enorme ocasião, também num canto, com um remate que o António Silva defendeu com a cabeça(!), salvando o vitória mesmo sob o apitou final. Em termos individuais, o destaque vai inteirinho para o António Silva. Um golo e a defesa de cabeça que permitiu manter o empate justificam-no completamente. De resto, poucos mais se safaram de uma avaliação muito negativa. O Florentino e o Chiquinho perderam imensas bolas a meio-campo, o Tengstedt está a anos-luz do Musa, o João Mário precisa de ir para a bancada durante uns tempos, enfim, foi tudo mau demais para ser verdade.

Mas quem mais me preocupa é o Roger Schmidt. Aquele marasmo desde o banco não é normal. É impossível que não tenha visto ontem que uma série de jogadores simplesmente não estavam em campo. E, mesmo assim, demorou séculos a mexer na equipa! Não sei o que quis provar, mas peço-lhe encarecidamente que não volte a fazer o mesmo. Infelizmente, esta temporada está a assemelhar-se demasiado à segunda do Bruno Lage. Depois de arrasarmos na primeira, parece que desaprendemos de jogar. As consequências disso toda a gente ainda se lembra. Esperemos que, desta feita, o filme tenha um final diferente.

quinta-feira, outubro 05, 2023

Justo

Perdemos na 3ª feira em Milão (0-1) frente ao Inter e continuamos com zero pontos na Liga dos Campeões desta temporada. Depois de uma 1ª parte, em que tivemos algum domínio, embora sem criar grandes oportunidades de golo, fomos completamente arrasados na 2ª e o resultado só peca por escasso.
 
O Schmidt surpreendeu na equipa inicial, com a estreia absoluta do Bernat na lateral esquerda e a subida do Aursnes para o meio-campo em detrimento do Musa, tendo o ataque móvel sido entregue ao David Neres, Rafa e Di María. Esta táctica de não alinhar com um ponta-de-lança não resultou na 1ª parte na Supertaça (e eu estava muito céptico em relação a ela), mas não correu assim muito mal pelo menos nos primeiros 45’. Já a não-presença do Florentino no onze, numa partida com estas características, é algo que não compreendo. O Inter Milão jogou à italiana na 1ª parte, tendo-nos dado a bola, mas criado perigo em transições rápidas, com o Dumfries a falhar um par de oportunidades. Nós só tivemos uma verdadeira ocasião, pelo Aursnes depois de um lançamento lateral, em que aproveitámos a desconcentração deles, mas o Sommer defendeu bem para canto. Quase a meio da 1ª parte, tivemos o contratempo da lesão do Bah, que foi substituído na lateral direita pelo central Tomás Araújo (não se arranjou um concorrente directo para o dinamarquês e depois é isto...).
 
Na 2ª parte, fomos autenticamente massacrados pelos italianos. E devemos ao Trubin termos saído de Milão só com um golo sofrido, dado que só à sua conta deve ter salvado uns três golos certos, dois deles ao Lautaro Martínez, que não só viu também o Otamendi cortar um remate dele que ia entrar na baliza, como ainda atirou mais duas bolas aos ferros! Só aqui estaria uma meia-dúzia de golos na nossa baliza. Acabou por só entrar um, aos 62’, pelo Marcos Thuram a rematar de primeira depois de um centro atrasado do Dumfries na direita, num lance no limite do fora-de-jogo. Apesar de estarmos a ser completamente empurrados para trás desde o início da 2ª parte, o Schmidt só mexeu na equipa depois de sofrer o golo. E voltou a cometer o erro de não colocar o Florentino, mas sim o Chiquinho. Ou seja, continuámos sem conseguir parar a avalanche italiana, mas verdade seja dita nenhuma das outras substituições resolveu grande coisa, mesmo tendo nós terminado o encontro com dois pontas-de-lança (Musa e Arthur Cabral). Mesmo assim, o Arthur Cabral rematou ao lado num lance em que deveria ter feito melhor, depois de ser assistido pelo Neres.
 
Em termos individuais, o Trubin está no bom caminho no seu processo de des-robertização, tendo sido indiscutivelmente o nosso melhor jogador. O David Neres na 1ª parte ainda deu um ar de sua graça, mas tal como o resto da equipa afundou-se depois do intervalo. O Bernat é bom jogador, mas nota-se uma natural falta de ritmo. (Já agora, estando ele livre para que é que se foi gastar 14M€ no Jurásek...?) Outro que tem de jogar mais nestes jogos é o Kökçü, até pelo preço que custou. O João Neves tem uma capacidade de luta inacreditável, mas perante estas equipas mais possantes às vezes perde-se um pouco. O Rafa e o Di María já estiveram em melhor forma, mas quem me começa a preocupar verdadeiramente é o Arthur Cabral, que parece completamente um peixe fora de água...
 
O próximo encontro frente à Real Sociedad vai ser decisivo. Ou ganhamos ou estaremos fora da Champions. Aliás, nos dois jogos contra eles, teremos de conseguir pelo menos quatro pontos. Mas antes disso há que voltar a concentrar-nos no campeonato, com a ida ao Estoril já neste fim-de-semana.

ADENDA: alertado por um comentário, OBVIAMENTE que faço aqui um mea culpa por não ter referido o penalty sobre o David Neves na 1ª parte, quando ainda estava 0-0, num lance em que não se compreende como o VAR (Rob Dieperink) não alertou o árbitro (Danny Makkelie) de tão evidente que ele é nas imagens. Ficam aqui os respectivos nomes deste holandeses para memória futura. Aliás em três jogos frente ao Inter Milão, fazemos o pleno de três penalties que ficaram por assinalar, um em cada um deles. Inacreditável!

segunda-feira, outubro 02, 2023

Chouriço

Vencemos o CRAC na passada 6ª feira na Luz (1-0) e ultrapassámo-los na classificação, tendo agora dois pontos de vantagem perante eles e mantendo-nos a um da lagartada, que foi ganhar 3-2 a Faro (com o golo da vitória em cima dos 90’ num penalty muito duvidoso...).
 
O nosso histórico perante as forças do Mal na Nova Luz é uma desgraça, tendo conseguido agora apenas a 5ª vitória em 21 encontros para o campeonato (contra 9 do adversário). No entanto, para além do plantel actual deles estar a anos-luz do que já chegaram a ter, ainda se encontravam privados de ambos os centrais (Pepe e Marcano). Portanto, o CRAC apresentou-se na Luz com o Fábio Cardoso e David Carmo no eixo da defesa(!), e as coisas ainda ficaram piores com a (justa) expulsão daquele aos 19’ por derrubar o David Neres, que ia isolado para a baliza. Ou seja, estava tudo a nosso favor para uma vitória tranquila e quiçá dilatada para vingar tantos anos em que as coisas nos foram desfavoráveis, certo...? Errado! Porquê? Porque, para mim, o Roger Schmidt falhou na constituição inicial da equipa. Quer dizer, perante Vizela, E. Amadora e outros que tais, o Neres e o Di María não jogaram juntos, agora contra o CRAC já jogam? Por outro lado, o Florentino era muito importante nesta partida para que pudéssemos subir as linhas e fazer pressão mais à frente. Nada disto aconteceu e passámos pela vergonha de o CRAC ter sido a melhor equipa na 1ª parte, mesmo estando a jogar com 10. Aliás, foram deles as duas melhores oportunidades para marcar, com o Trubin a sair bem aos pés do Taremi e a defender igualmente bem um remate de fora da área. Com 10, o CRAC criou mais perigo do que nós, dado que só tivemos um remate por cima do Di María logo a abrir o jogo e um centro do Neres desviado por um defesa para a baliza, com o Diogo Costa a defender para canto. Muito, muito pouco.
 
Na 2ª parte, lá acordámos, pressionámos bem e o CRAC não teve tanto tempo para pensar e sair a jogar. O Musa atrapalhou-se num desvio depois de jogada do David Neres na esquerda, mas foi do Kökçü o lance mais perigoso, com uma bola ao poste depois de um alívio na área a seguir a um centro do Di María na direita. O David Neres também teve uma boa chance, porém o Diogo Costa fez bem a mancha, e o Otamendi falhou o alvo quando estava em boa posição, na sequência de um centro do João Neves a seguir a um canto. Até que aos 68’, finalmente inaugurámos o marcador num remate enrolado do Di María, que ainda tabelou num defesa e enganou o Diogo Costa, depois de jogada do David Neres na direita. Um autêntico chouriço! Até final, o Otamendi poderia ter fechado o jogo num remate já na área que saiu por cima, depois de um centro atrasado num canto, mas o CRAC também nunca revelou engenho para nos criar perigo.
 
Em relação aos destaques, referência para o David Neres, que voltou a ser o melhor do Benfica com a mais-valia de ter feito a assistência para o golo. Em mais uma prova de que o futebol é um desporto incrível, o Di María terá feito dos piores jogos desde que regressou, mas marcou o golo da vitória! Nada lhe saiu bem na 1ª parte e mesmo na 2ª esteve longe de deslumbrar, mas fica indelevelmente ligado ao resultado final. O João Neves subiu muito na etapa complementar, assim como o Rafa. O Trubin fez duas boas defesas, manteve as redes a zeros e pode ser que isso lhe dê a confiança que necessita para afastar o fantasma do Roberto que ainda paira sobre ele (sim, é a minha opinião pelo que vi até agora).
 
Devo dizer que, para mim, foi das vitórias menos saborosas perante o CRAC. Porquê? Porque, se fosse ao contrário (expulsão nossa aos 20’), teríamos sido completamente atropelados. Não só os deixámos ser melhor do que nós na 1ª parte, como tirámos totalmente o pé do acelerador assim que nos vimos em vantagem. O que me chateia mais nisto é que tenho grandes dúvidas de que tivéssemos conseguido ganhar com igualdade numérica. Tal como aconteceu em Mordor no ano passado. Ou seja, temos três vitórias nos últimos quatro jogos, mas duas delas em superioridade numérica. As expulsões foram justas em ambos os jogos, sem dúvida nenhuma, mas o CRAC conseguiu equilibrar as coisas mesmo com 10. Algo que duvido muito que nós conseguíssemos fazer. E isso deve-se à maneira como eles continuam a encarar os jogos contra nós. Caramba, eles conseguiram equilibrar o jogo com David Carmos, Zé Pedros, Wendels e Eustáquios...! Quantos jogadores deles entrariam de caras na nossa equipa? Duvido que fossem mais do que dois. E mesmo assim nós perdemos mais uma oportunidade de lhes dar um grande rombo na moral com um resultado categórico. Aliás, não é por acaso que o Sérgio Conceição disse que podem ganhar mais neste jogo do que os pontos que perderam. Eusébio queira que esteja errado!

quarta-feira, setembro 27, 2023

Repetição

Vencemos em Portimão por 3-1 no passado domingo e mantemo-nos a um ponto dos líderes do campeonato. Foi uma partida à semelhança das outras que realizámos fora de casa nesta temporada, em que entramos bem, dominamos completamente, colocamo-nos em vantagem, não matamos o jogo, apanhamos valentes sustos, mas felizmente lá acabamos por ganhar.
 
Com o Di María lesionado, o David Neres voltou ao onze e foi o melhor em campo. Fizemos o 1-0 logo aos 5’ num golão do Bah de fora da área assistido pelo Kökçü. Pouco depois, foi o Neres, bem desmarcado pelo Rafa, a proporcionar ao guarda-redes Vinícius Silvestre defesa com pé, mas aos 17’ fizemos mesmo o 2-0 através do Musa, que só teve de encostar depois de ser assistido pelo Neres, que por sua vez recebeu um passe a rasgar do Kökçü. O jogo poderia ter ficado definitivamente decidido à passagem da meia-hora, quando o Rafa se isolou, mas perdeu ângulo de remate depois de contornar o guarda-redes. Até ao intervalo, foi novamente o Rafa a poder marcar, mas o seu remate foi defendido pelo Vinícius Silvestre. Do outro lado, não há praticamente nada a registar, excepto um remate de fora da área que o Trubin deixou passar por baixo das mãos..., mas felizmente a bola saiu ao lado.
 
Para a 2ª parte, o Roger Schmidt deixou o Kökçü, o Bah e o Musa nos balneários, tendo entrado o João Neves, Jurásek e Arthur Cabral para os seus lugares. Ainda criámos perigo por este e pelo Neres, mas foi mesmo o Portimonense a reduzir para 1-2 aos 56’ num contra-ataque pela esquerda, em que a nossa defesa demorou muito a recuperar, e o Trubin não conseguiu parar o remate do Jasper. A partida voltava a ficar em aberto e poderia mesmo ter havido uma igualdade, porque aos 60’ o Morato resolveu esticar a mão num remate e o Sr. Hélder Malheiro, alertado pelo VAR, marcou o respectivo penalty. Felizmente o Trubin adivinhou o lado e conseguiu defender, tendo o Otamendi sido igualmente muito importante ao atirar para canto na recarga. Depois deste susto, resolvemos voltar a jogar à bola e voltámos a alargar a vantagem aos 66’ através do David Neres, que correspondeu muito bem a um contra-ataque do Rafa. Pouco depois foi o João Mário, que falhou o desvio à boca da baliza, porque o guarda-redes ainda desviou ligeiramente com o pé o centro do Neres na esquerda. Até final, ainda tivemos mais algumas oportunidades que transmitiriam uma melhor ideia da nossa superioridade, mas que infelizmente não entraram.
 
Em termos individuais, o David Neres foi o melhor em campo e vai ser difícil ao Schmidt continuar a arranjar desculpas para não o colocar no onze. O Rafa é outro que está em excelente forma, algo que costuma ser natural em jogadores em final de contrato.  O Morato substituiu o António Silva, que ficou no banco, mas não esteve bem, nomeadamente na questão do penalty escusado. O Trubin foi importante no penalty, mas aquela bola que passou debaixo das mãos deu-me muitos calafrios... O Bah também está longe da melhor forma, mas marcou um golão e pode ser que isso o anime. No meio-campo, regressou (e bem) o Florentino e cada meia-parte do Kökçü e do João Neves foi em alta rotação.
 
Iremos receber o CRAC nesta 6ª feira e é fundamental conseguirmos uma vitória para passar à frente deles. É que, parecendo que não, já têm uma série de pontos a mais com golos depois dos 90’ (voltou a acontecer nesta jornada frente ao Gil Vicente...).

sábado, setembro 23, 2023

Em falso

Perdemos na passada 4ª feira em casa frente ao Salzburgo (0-2) na estreia da Champions desta temporada. Uma semana de loucos em termos de trabalho não me permitiu escrever mais cedo acerca deste jogo. Mas também não é que houvesse uma enorme vontade de discorrer sobre esta tremenda desilusão.

Perante possivelmente o adversário mais acessível do grupo, não poderíamos ter entrado pior: o Trubin saiu pessimamente dos postes num canto e acertou com os punhos na cabeça de um avançado, fazendo naturalmente penalty logo aos 2’. Valeu-lhe o facto de o Konate ter atirado por cima. Respondemos razoavelmente bem, com o João Mário a rematar e a bola a embater na mão de um adversário (para mim, é penalty, mas o árbitro assim não considerou). Logo a seguir, o mesmo João Mário atirou ao poste numa boa combinação ofensiva. No entanto, aos 13’ foi o António Silva a colocar a mão na bola depois de ela ter embatido no poste, na sequência de um lance que se iniciou com um péssimo passe atrasado do Bah. Vermelho directo e 0-1 para o Salzburgo num penalty do Simic. O Roger Schmidt sacrificou o João Mário para fazer entrar o Morato e compor o quarteto defensivo. Mesmo com 10, ainda tivemos algumas oportunidades, com o Di María a fazer o guardião contrário Schlager brilhar num canto directo. Em cima do intervalo, foi o Musa a ter uma boa jogada, mas o remate saiu muito ao lado. Com um pouco mais de manha, o croata poderia ter-se deixado cair quando foi empurrado e eventualmente teria ganho um penalty.

Logo no início da 2ª parte, foi o mesmo Musa a ter um remate cruzado, que o Schlager voltou a defender. No entanto, aos 51’ as coisas complicaram-se ainda mais com um mau passe do Morato na saída para o ataque a resultar no 0-2 para o Salzburgo através do Gloukh que só teve de encostar depois de assistido pelo Simic, num lance de dois contra o guarda-redes, dado que o Aursnes também falhou a intercepção. O Musa ia tentando, mas o guarda-redes adversário revelava-se um dos melhores em campo, tendo igualmente defendido quase em cima da linha um cabeceamento do João Neves num canto. O Roger Schmidt demorou muito a voltar a mexer na equipa e teve de ouvir o estádio quase todo a gritar pelo David Neres a determinada altura do jogo. Finalmente lá entrou, para o lugar do Di María, mas o jogo estava irremediavelmente perdido.

 

Em termos individuais, o Musa foi o melhor do Benfica. Muito trabalhador, muito rematador (nem sempre com grande pontaria), neste momento é um indiscutível da equipa. O Rafa, enquanto teve discernimento, também foi dos que mais tentou rematar contra o estado das coisas. O Di María esteve melhor na 1ª do que na 2ª parte e vai perdendo discernimento à medida que vai baixando fisicamente. Quanto aos que se evidenciaram pela negativa, o Bah está numa forma péssima e espero bem que o Trubin confirme rapidamente o seu (suposto) valor, porque neste jogo tive visões do fantasma do Roberto... Não é só o penalty por socar a cabeça de um adversário, como principalmente outro lance na 1ª parte, em que falhou redondamente a intercepção a um cruzamento, que só não resultou em golo por inépcia do adversário. Não tivemos nenhum problema na baliza durante quase seis anos, temo muito que tenhamos arranjado um agora. Contratámos o Trubin para fazer concorrência ao Vlachodimos, porque o Samuel Soares não servia. Gerimos muito mal o que se passou com o grego e agora temos o Samuel Soares a fazer concorrência ao Trubin... Ou seja, ou o ucraniano entra rapidamente nos eixos, ou criámos aqui um enorme problema.

 

Perante este resultado desastroso, valeu-nos o empate no outro jogo entre a Real Sociedad e o Inter Milão (1-1). Na próxima jornada, iremos a Milão e, se quisermos ter hipóteses de seguir em frente, não podemos perder.