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segunda-feira, outubro 30, 2023

Descalabro

Empatámos no sábado frente ao Casa Pia (1-1) na Luz e deixamos fugir a lagartada na frente (2-0 no Bessa), estando agora a três pontos deles, tendo sido igualados pelo CRAC (2-0 em Vizela). Ou seja, perdemos pontos em todos os campos nesta jornada. Depois do desaire europeu a meio da semana, esperava-se uma resposta veemente da nossa parte, mas nada disso aconteceu.
 
O Schmidt mexeu muito na equipa por via das lesões do Bah, Kökçü e Musa, tendo entrado o Florentino, Arthur Cabral, com o Aursnes a passar do meio para a lateral direita. A fase lamentável que estamos a atravessar é bem exemplificada pelo facto de praticamente não termos criado oportunidades de golo na 1ª parte, fruto de uma lentidão exasperante de processos. Um remate do David Neres defendido pelo Ricardo Baptista foi a única ocasião antes de marcarmos um golo autenticamente vindo do céu: aos 44’ o João Mário fuzilou o guarda-redes, depois de assistência do Aursnes na direita, e livrou-se assim de uma substituição certa ao intervalo.
 
A 2ª parte foi bastante diferente e, infelizmente para nós, com o Casa Pia a mostrar-se muito mais em termos atacantes. Aos 52’, o Florentino tentou um corte na área, mas atingiu um adversário e fez penalty. Perante o Felippe Cardoso, o Trubin fez uma grande defesa e manteve-nos na frente do marcador. Depois deste golpe de sorte, era bom que acordássemos e tentássemos marcar mais um golo para colocar o resultado a salvo, mas foi o Casa Pia a continuar a criar oportunidades, tendo o Trubin cortado com o pé um centro muito perigoso. Entretanto, o Di María já tinha substituído o David Neres e teve uma grande ocasião num remate em arco, em que o Ricardo Baptista fez a defesa do encontro. Mas era o Casa Pia quem ameaçava mais e, depois de nova incursão pela direita em que não teve ninguém a desviar no centro da área, chegou mesmo à igualdade aos 81’ num lance caricato em que o entretanto entrado Jurásek foi novamente batido pelo Larrazabal, que ficou quase sem ângulo, mas ainda rematou para o Trubin deixar passar a bola por entre as pernas. Com aquele ângulo, a bola não pode simplesmente entrar! O lance foi tão inacreditável que houve um enorme silêncio no estádio e mesmo os adeptos do Casa Pia demoraram a celebrar. No pressing final nos últimos dez minutos, não fomos bafejados pela sorte, porque ainda atirámos duas bolas de cabeça aos ferros pelo Florentino e António Silva, uma cabeçada do Rafa foi defendida pelo guarda-redes e há um lance muito duvidoso de eventual empurrão ao entretanto entrado Tengstedt, que não foi assinalado pelo Sr. Cláudio Pereira.
 
Em termos individuais, ninguém se destacou por aí além, tal como frente à Real Sociedad. O Florentino regressou ao onze e, apesar de não estar na forma que o notabilizou na temporada passada e de ter feito um penalty imprevidente, é o único jogador de meio-campo com capacidade para roubar a bola ao adversário. O João Neves voltou a ser dos mais inconformados, mas não consegue fazer tudo sozinho. O Arthur Cabral roça cada vez mais o patético e é completamente um peixe fora de água. O João Mário fez o golo e foi só, e os laterais-esquerdos estiveram muito fracos, com o Jurásek a perder incontáveis bolas e a ser o responsável por deixar o pior acontecer sempre pelo seu lado. Quanto ao Trubin, eu prefiro guarda-redes que não defendam tantos penalties, mas que não deixem bolas quase sem ângulo passar por entre as pernas...
 
Defrontaremos amanhã o Arouca para a Taça da Liga e, para não ajudar nada à estamos com muitos problemas com lesões. Mas mais do que isso, é preciso que o Roger Schmidt perceba o que se passa e como nos deixámos chegar a esta situação. Há uma diferença abissal para o ano passado e o marasmo que vemos do banco é um sinal nada prometedor.

quinta-feira, outubro 26, 2023

Equívocos

Perdemos na 3ª feira frente à Real Sociedad na Luz (0-1) e só um milagre nos fará passar à próxima fase da Champions. Aliás, sinceramente, neste momento estou mais preocupado em mantermo-nos nas competições europeias do que propriamente irmos aos oitavos da Liga dos Campeões. Depois de duas épocas consecutivas em que chegámos aos quartos-de-final da maior prova de clubes do mundo, a perspectiva de sairmos da Europa em Dezembro é uma enorme desilusão.
 
Há jogos em que ganhamos e não merecemos, há jogos em que perdemos e devíamos ter ganho, e depois há jogos como este em que perdemos e bem. Para colocar as coisas em modo muito simples: sim, levámos um banho de bola dos bascos! Com o Kökçü recuperado de lesão, mas no banco, o Schmidt apostou no Aursnes e João Neves no meio-campo, com o João Mário na esquerda e o David Neres na direita (o Di María também estava lesionado). Na frente, esteve o Musa com o Rafa. Ou seja, o problema começou logo na constituição inicial: o Aursnes não joga a seis há séculos e, para não variar, não tínhamos ninguém para correr atrás do adversário e tentar roubar bolas. A Real Sociedad manobrou sempre muito à vontade no nosso meio-campo e não se percebe esta não-utilização do Florentino em jogos como este. Florentino, esse, que recordemos liderou as intercepções de bola na Champions do ano passado (sim, eu sei, não jogou nada bem no Estoril, mas também quem é que jogou bem nesse jogo? Além de que esta era uma partida com características muito diferentes das da Amoreira). E era tão fácil resolver isto: Florentino no meio e Aursnes no lugar onde mais se salientou na temporada passada, o lado esquerdo do meio-campo, que teria tido igualmente a enorme vantagem de não termos de levar com a lesma do João Mário. Praticamente não conseguimos criar perigo na 1ª parte, excepção a um golo anulado por fora-de-jogo do Rafa. Do outro lado, também houve um golo anulado, mas a Real Sociedad esteve sempre muito mais perto da nossa baliza.
 
Para a 2ª parte, era obrigatório uma melhoria do nosso lado. É certo que o Schmidt fez mudanças, mas colocou o Kökçü no lugar do João Mário e o Arthur Cabral no do Musa. Passámos a jogar num 4-3-3 com o turco na posição seis, ladeado pelo Aursnes e João Neves, e a inutilidade ambulante do Arthur Cabral na frente, quando o Musa até estava a dar luta aos defesas, ganhando algumas bolas de cabeça, mas sem ter praticamente jogo nenhum a chegar-lhe em condições. Ou seja, não se justificava de todo que fosse substituído! Ora bem, foi pior a emenda do que o soneto: o Kökçü era um passador a meio-campo, porque não só não tem características para jogar naquela posição, como também me pareceu estar longe dos 100% em termos físicos. O inevitável golo da Real Socidad surgiu aos 63’, num lance em que o Bah não fez tudo o que estava ao seu alcance e depois o Brais Méndez só teve de encostar. Pouco depois, ainda vimos uma bola rematada pelo japonês Kubo embater na nossa barra e só com a entrada do Tiago Gouveia a vinte minutos do fim agitámos um pouco as águas, mas sem nunca conseguirmos remeter os espanhóis à sua área, nem criar lances de golo iminente.
 
Ninguém merece um destaque individual, porque foi tudo demasiado mau. Mesmo assim, foram os miúdos da formação (António Silva, João Neves e Tiago Gouveia) quem se mostrou mais informado. Sinceramente, não percebo algumas das opções do Schmidt, que me parecem perfeitamente injustificadas com aquilo que vamos vendo em campo: já não é só a ausência do Florentino, é a insistência em fazer o Aursnes saltar entre várias posições no mesmo jogo (acabou este a defesa-direito!) e a nunca sair mesmo se estiver a jogar mal, esta entrada do Arthur Cabral não lembrou ao diabo, o Gonçalo Guedes no banco o tempo todo é inexplicável, enfim, toda uma série de equívocos que terão de ser corrigidos rapidamente, sob pena de termos aqui uma reedição da segunda temporada do Bruno Lage: depois de uma primeira brilhante, espalhámo-nos ao comprido com estrondo.
 
É que não são só os zero pontos ao fim da 3ª jornada. Temos igualmente zero golos marcados em 270’ de futebol! Ou arrepiamos caminho rapidamente ou arriscamo-nos a igualar aquela temporada ignóbil do Rui Vitória das seis derrotas na Champions.

segunda-feira, outubro 23, 2023

Em frente na Taça

Vencemos o Lusitânia nos Açores por 4-1 na passada 6ª feira e apurámo-nos para a 4ª eliminatória da Taça de Portugal. Ao contrário da época passada, encarámos esta partida com outro nível de concentração e não passámos por sobressaltos. Claro que também ajudou o facto de o Roger Schmidt só ter deixado de fora os jogadores que estiveram nas selecções nacionais.
 
Inaugurámos o marcado logo aos 9’ através do João Mário, de calcanhar, depois de assistência do Aursnes. O mais complicado foi feito relativamente cedo, o que me tranquilizou até porque não parava de chover nos Açores e perspectivava-se que o relvado começasse a ficar pesado, o que teoricamente não nos favoreceria. Aos 36’, aumentámos a vantagem através do Rafa, a corresponder muito bem à assistência do Chiquinho, que o isolou. Como nesta eliminatória ainda não há VAR, pudemos festejar os golos à vontade e não tivemos de esperar pela confirmação de que o Rafa estava mais do que em jogo. Em cima do intervalo e na sequência de um canto, o Aursnes teve uma paragem cerebral e saltou à bola com os braços esticados, tendo atingido um adversário. O óbvio penalty foi convertido pelo Ferrara e fomos para o descanso com a vantagem mínima, quando tudo já deveria estar decidido.
 
Na 2ª parte, entraram o Gonçalo Guedes e o Jurásek para os lugares do apagado Tengstedt e do Bernat. O Lusitânia começou a acusar o facto de estar num campeonato inferior ao nosso e as pernas foram cedendo, não lhes permitindo quase passar do meio-campo. Nós fomos pressionado mais, tivemos algumas oportunidades e acabámos por fazer o 3-1 aos 68’ na estreia do Arthur Cabral a marcar pelo Benfica: assistência do Gonçalo Guedes e o avançado brasileiro picou a bola por cima do guarda-redes, tendo esta ainda batido no poste antes de entrar. O Guedes ainda viu dois golos seus invalidados (um por fora-de-jogo e outro por falta sobre o defesa), mas fechámos a contagem aos 87’ num óptimo golo do Tiago Gouveia, entretanto entrado, que correu desde o meio-campo, bateu um defesa e também picou a bola sobre o guarda-redes.
 
Em termos individuais, o João Neves encheu o campo todo. O Guedes entrou muito bem na 2ª parte e deu um dinamismo que o Tengstedt não conseguiu. Também o Jurásek me parece com melhor pedalada neste momento do que o Bernat, mas nenhum deles nos vai deixar de ter saudades do Grimaldo... O Arthur Cabral lá marcou finalmente, mas não acho de todo que esteja em condições de assumir a titularidade, até porque o Musa é muito mais dinâmico do que ele, especialmente quando se trata de dar luta aos defesas.
 
O nosso histórico na Taça de Portugal no último quarto de século é algo que não pode deixar de nos envergonhar enquanto benfiquistas. Gosto muito que o nosso treinador tenha percebido isso (especialmente depois da estreia miserável com o Caldas na época passada) e tenha dito que quer ir ao Jamor em Maio. Eu também!

sexta-feira, outubro 20, 2023

No Euro 2024

E ao 7º e 8º jogo da era Martínez, finalmente começámos a jogar algum futebol de jeito. Vencemos a Eslováquia em casa por 3-2 na passada 6ª feira e selámos logo ali a qualificação para o Euro 2024, até porque o Luxemburgo empatou na Islândia (1-1), e, não contentes com isso, fomos golear (5-0) à Bósnia na 3ª feira, num resultado algo surpreendente.
 
Para a recepção à Eslováquia, o Roberto Martínez inovou ao colocar o Gonçalo Ramos ao lado do Cristiano Ronaldo. Dado que este bisou e aquele inaugurou o marcador, pode dizer-se que a experiência foi bem-sucedida. A 1ª parte do jogo foi do melhor que se tem visto até agora e a vantagem de 2-0 ao intervalo pecava bastante por escassa, tal o volume de jogo e oportunidades que tivemos. Na 2ª parte, desconcentrámo-nos, permitimos que os eslovacos reduzissem, ainda aumentámos para 3-1 pouco depois, mas voltámos a permitir novo golo do adversário. Sofremos os dois primeiros golos desta fase de qualificação, mas a nossa vitória nunca esteve em causa.
 
Sinceramente esperava que, estando a qualificação garantida e com o histórico sempre complicado da visita à Bósnia, tirássemos um pouco o pé de acelerador e passássemos por dificuldades. Ao invés, chegámos ao intervalo a ganhar por 5-0! Dois golos do C. Ronaldo com os outros a serem apontados por Bruno Fernandes, João Cancelo e João Félix foram uma demonstração inequívoca da boa forma actual da nossa selecção. Na 2ª parte, abrandámos, o que é natural, mas este jogo permitiu ainda na parte final a 1ª internacionalização do João Neves.
 
Com quatro golos em dois jogos e um total de nove nesta fase de qualificação, o C. Ronaldo merece obviamente destaque. Com duas assistências no primeiro jogo e um golo no segundo, o Bruno Fernandes é outros dos imprescindíveis desta selecção. O João Félix entrou muito bem contra os eslovacos e deu um verdadeiro show na Bósnia. Dá gosto ver a alegria com que está novamente a jogar, depois de alguns anos perdidos numa equipa que não é de todo para ele. O Rafael Leão é que esteve um pouco discreto nestes dois jogos, mas é sempre alguém que pode partir o jogo na esquerda. No meio-campo, o João Palhinha e o Danilo deram consistência, cada um fazendo um dos jogos, e na defesa parece que abandonámos de vez os três centrais, com o Rúben Dias a fazer dupla com o António Silva no primeiro e com o Gonçalo Inácio no segundo.
 
Conseguimos inéditas oito vitórias consecutivas o que só por si já dá um lugar na história ao Roberto Martínez. Sim, o grupo era bastante acessível, mas já os tivemos no passado e sem este rendimento. Vejamos o que nos traz a preparação para o Euro 2024 e, principalmente, a nossa performance no torneio. Mas, de facto, já fazia falta alguém que soubesse potenciar deviamente a qualidade ofensiva dos nossos jogadores.

domingo, outubro 08, 2023

Preocupante

Numa das piores exibições desde que o Roger Schmidt é nosso treinador, vencemos ontem no Estoril por 1-0 e aguardamos hoje pelos jogos dos rivais para ver se a nossa liderança deixa de ser provisória. Depois da derrota em Milão, exigia-se uma resposta à altura, até porque o campeonato vai parar para as selecções e convinha não perder a vantagem adquirida sobre o CRAC na jornada passada. No entanto, nada disto aconteceu e a nossa exibição foi inenarrável, com o golo da vitória a surgir só aos 93’...!

O Roger Schmidt promoveu uma autêntica revolução no onze e as coisas não correram nada bem. O meio-campo foi novo com o Florentino e Chiquinho nos lugares do João Neves e Kökçü (lesionado), o Jurásek alinhou na lateral esquerda com o bombeiro Aursnes a substituir o lesionado Bah na direita, o João Mário no lugar do também lesionado Di María e a maior surpresa foi o Tengstedt na frente. A 1ª parte foi de fugir com raríssimas ocasiões de golo da nossa parte, uma percentagem pornográfica de perdas de bolas nas transições, velocidade de execução era algo que não nos assistia e incapacidade inesperada de conter os contra-ataques dos canarinhos. O Tengstedt fez dois bons movimentos de desmarcação, mas estragou tudo com os remates, quando até estava em boa posição, o David Neres proporcionou ao guarda-redes Marcelo Carné a melhor defesa da partida, com o Jurásek na recarga a atirar para as nuvens, e do outro lado o Estoril chegou a assustar o Trubin mais do que uma vez. É certo que a nossa exibição estava a ser paupérrima, mas isso não invalida que nem o árbitro, Sr. André Narciso, nem o VAR, sr. Rui Gomes Costa, tenham feito vista grossa a um penalty sobre o Tengstedt por empurrão evidente, depois de o dinamarquês cabecear a bola. É indiferente se foi antes ou depois do toque na bola, é empurrão na área, é penalty. Ponto.

Na 2ª parte, conseguimos o feito de jogar ainda pior do que na 1ª! Até foi o Estoril a criar as melhores oportunidades, com destaque para um remate ao poste do Heriberto. Perante este cenário, tornou-se absolutamente incompreensível como é que o Roger Schmidt demorou 70’(!) a começar a fazer substituições...! Mais: o João Mário, que se arrastou a partida inteira, só saiu aos 85’! Um remate um pouco à figura, mas com força, do Otamendi terá sido das poucas oportunidades que tivemos, mas o guarda-redes voltou a defender, Otamendi, esse, que já em cima dos 90’ falhou incrivelmente o remate na sequência de um canto, quando tinha a baliza a mercê. Até que aos 93’, o milagre aconteceu também num canto, com amortecimento do Musa e cabeçada muito oportuna do António Silva, quase deitado, a fazer o 1-0. Mesmo assim, ainda permitimos ao Estoril uma enorme ocasião, também num canto, com um remate que o António Silva defendeu com a cabeça(!), salvando o vitória mesmo sob o apitou final. Em termos individuais, o destaque vai inteirinho para o António Silva. Um golo e a defesa de cabeça que permitiu manter o empate justificam-no completamente. De resto, poucos mais se safaram de uma avaliação muito negativa. O Florentino e o Chiquinho perderam imensas bolas a meio-campo, o Tengstedt está a anos-luz do Musa, o João Mário precisa de ir para a bancada durante uns tempos, enfim, foi tudo mau demais para ser verdade.

Mas quem mais me preocupa é o Roger Schmidt. Aquele marasmo desde o banco não é normal. É impossível que não tenha visto ontem que uma série de jogadores simplesmente não estavam em campo. E, mesmo assim, demorou séculos a mexer na equipa! Não sei o que quis provar, mas peço-lhe encarecidamente que não volte a fazer o mesmo. Infelizmente, esta temporada está a assemelhar-se demasiado à segunda do Bruno Lage. Depois de arrasarmos na primeira, parece que desaprendemos de jogar. As consequências disso toda a gente ainda se lembra. Esperemos que, desta feita, o filme tenha um final diferente.

quinta-feira, outubro 05, 2023

Justo

Perdemos na 3ª feira em Milão (0-1) frente ao Inter e continuamos com zero pontos na Liga dos Campeões desta temporada. Depois de uma 1ª parte, em que tivemos algum domínio, embora sem criar grandes oportunidades de golo, fomos completamente arrasados na 2ª e o resultado só peca por escasso.
 
O Schmidt surpreendeu na equipa inicial, com a estreia absoluta do Bernat na lateral esquerda e a subida do Aursnes para o meio-campo em detrimento do Musa, tendo o ataque móvel sido entregue ao David Neres, Rafa e Di María. Esta táctica de não alinhar com um ponta-de-lança não resultou na 1ª parte na Supertaça (e eu estava muito céptico em relação a ela), mas não correu assim muito mal pelo menos nos primeiros 45’. Já a não-presença do Florentino no onze, numa partida com estas características, é algo que não compreendo. O Inter Milão jogou à italiana na 1ª parte, tendo-nos dado a bola, mas criado perigo em transições rápidas, com o Dumfries a falhar um par de oportunidades. Nós só tivemos uma verdadeira ocasião, pelo Aursnes depois de um lançamento lateral, em que aproveitámos a desconcentração deles, mas o Sommer defendeu bem para canto. Quase a meio da 1ª parte, tivemos o contratempo da lesão do Bah, que foi substituído na lateral direita pelo central Tomás Araújo (não se arranjou um concorrente directo para o dinamarquês e depois é isto...).
 
Na 2ª parte, fomos autenticamente massacrados pelos italianos. E devemos ao Trubin termos saído de Milão só com um golo sofrido, dado que só à sua conta deve ter salvado uns três golos certos, dois deles ao Lautaro Martínez, que não só viu também o Otamendi cortar um remate dele que ia entrar na baliza, como ainda atirou mais duas bolas aos ferros! Só aqui estaria uma meia-dúzia de golos na nossa baliza. Acabou por só entrar um, aos 62’, pelo Marcos Thuram a rematar de primeira depois de um centro atrasado do Dumfries na direita, num lance no limite do fora-de-jogo. Apesar de estarmos a ser completamente empurrados para trás desde o início da 2ª parte, o Schmidt só mexeu na equipa depois de sofrer o golo. E voltou a cometer o erro de não colocar o Florentino, mas sim o Chiquinho. Ou seja, continuámos sem conseguir parar a avalanche italiana, mas verdade seja dita nenhuma das outras substituições resolveu grande coisa, mesmo tendo nós terminado o encontro com dois pontas-de-lança (Musa e Arthur Cabral). Mesmo assim, o Arthur Cabral rematou ao lado num lance em que deveria ter feito melhor, depois de ser assistido pelo Neres.
 
Em termos individuais, o Trubin está no bom caminho no seu processo de des-robertização, tendo sido indiscutivelmente o nosso melhor jogador. O David Neres na 1ª parte ainda deu um ar de sua graça, mas tal como o resto da equipa afundou-se depois do intervalo. O Bernat é bom jogador, mas nota-se uma natural falta de ritmo. (Já agora, estando ele livre para que é que se foi gastar 14M€ no Jurásek...?) Outro que tem de jogar mais nestes jogos é o Kökçü, até pelo preço que custou. O João Neves tem uma capacidade de luta inacreditável, mas perante estas equipas mais possantes às vezes perde-se um pouco. O Rafa e o Di María já estiveram em melhor forma, mas quem me começa a preocupar verdadeiramente é o Arthur Cabral, que parece completamente um peixe fora de água...
 
O próximo encontro frente à Real Sociedad vai ser decisivo. Ou ganhamos ou estaremos fora da Champions. Aliás, nos dois jogos contra eles, teremos de conseguir pelo menos quatro pontos. Mas antes disso há que voltar a concentrar-nos no campeonato, com a ida ao Estoril já neste fim-de-semana.

ADENDA: alertado por um comentário, OBVIAMENTE que faço aqui um mea culpa por não ter referido o penalty sobre o David Neves na 1ª parte, quando ainda estava 0-0, num lance em que não se compreende como o VAR (Rob Dieperink) não alertou o árbitro (Danny Makkelie) de tão evidente que ele é nas imagens. Ficam aqui os respectivos nomes deste holandeses para memória futura. Aliás em três jogos frente ao Inter Milão, fazemos o pleno de três penalties que ficaram por assinalar, um em cada um deles. Inacreditável!

segunda-feira, outubro 02, 2023

Chouriço

Vencemos o CRAC na passada 6ª feira na Luz (1-0) e ultrapassámo-los na classificação, tendo agora dois pontos de vantagem perante eles e mantendo-nos a um da lagartada, que foi ganhar 3-2 a Faro (com o golo da vitória em cima dos 90’ num penalty muito duvidoso...).
 
O nosso histórico perante as forças do Mal na Nova Luz é uma desgraça, tendo conseguido agora apenas a 5ª vitória em 21 encontros para o campeonato (contra 9 do adversário). No entanto, para além do plantel actual deles estar a anos-luz do que já chegaram a ter, ainda se encontravam privados de ambos os centrais (Pepe e Marcano). Portanto, o CRAC apresentou-se na Luz com o Fábio Cardoso e David Carmo no eixo da defesa(!), e as coisas ainda ficaram piores com a (justa) expulsão daquele aos 19’ por derrubar o David Neres, que ia isolado para a baliza. Ou seja, estava tudo a nosso favor para uma vitória tranquila e quiçá dilatada para vingar tantos anos em que as coisas nos foram desfavoráveis, certo...? Errado! Porquê? Porque, para mim, o Roger Schmidt falhou na constituição inicial da equipa. Quer dizer, perante Vizela, E. Amadora e outros que tais, o Neres e o Di María não jogaram juntos, agora contra o CRAC já jogam? Por outro lado, o Florentino era muito importante nesta partida para que pudéssemos subir as linhas e fazer pressão mais à frente. Nada disto aconteceu e passámos pela vergonha de o CRAC ter sido a melhor equipa na 1ª parte, mesmo estando a jogar com 10. Aliás, foram deles as duas melhores oportunidades para marcar, com o Trubin a sair bem aos pés do Taremi e a defender igualmente bem um remate de fora da área. Com 10, o CRAC criou mais perigo do que nós, dado que só tivemos um remate por cima do Di María logo a abrir o jogo e um centro do Neres desviado por um defesa para a baliza, com o Diogo Costa a defender para canto. Muito, muito pouco.
 
Na 2ª parte, lá acordámos, pressionámos bem e o CRAC não teve tanto tempo para pensar e sair a jogar. O Musa atrapalhou-se num desvio depois de jogada do David Neres na esquerda, mas foi do Kökçü o lance mais perigoso, com uma bola ao poste depois de um alívio na área a seguir a um centro do Di María na direita. O David Neres também teve uma boa chance, porém o Diogo Costa fez bem a mancha, e o Otamendi falhou o alvo quando estava em boa posição, na sequência de um centro do João Neves a seguir a um canto. Até que aos 68’, finalmente inaugurámos o marcador num remate enrolado do Di María, que ainda tabelou num defesa e enganou o Diogo Costa, depois de jogada do David Neres na direita. Um autêntico chouriço! Até final, o Otamendi poderia ter fechado o jogo num remate já na área que saiu por cima, depois de um centro atrasado num canto, mas o CRAC também nunca revelou engenho para nos criar perigo.
 
Em relação aos destaques, referência para o David Neres, que voltou a ser o melhor do Benfica com a mais-valia de ter feito a assistência para o golo. Em mais uma prova de que o futebol é um desporto incrível, o Di María terá feito dos piores jogos desde que regressou, mas marcou o golo da vitória! Nada lhe saiu bem na 1ª parte e mesmo na 2ª esteve longe de deslumbrar, mas fica indelevelmente ligado ao resultado final. O João Neves subiu muito na etapa complementar, assim como o Rafa. O Trubin fez duas boas defesas, manteve as redes a zeros e pode ser que isso lhe dê a confiança que necessita para afastar o fantasma do Roberto que ainda paira sobre ele (sim, é a minha opinião pelo que vi até agora).
 
Devo dizer que, para mim, foi das vitórias menos saborosas perante o CRAC. Porquê? Porque, se fosse ao contrário (expulsão nossa aos 20’), teríamos sido completamente atropelados. Não só os deixámos ser melhor do que nós na 1ª parte, como tirámos totalmente o pé do acelerador assim que nos vimos em vantagem. O que me chateia mais nisto é que tenho grandes dúvidas de que tivéssemos conseguido ganhar com igualdade numérica. Tal como aconteceu em Mordor no ano passado. Ou seja, temos três vitórias nos últimos quatro jogos, mas duas delas em superioridade numérica. As expulsões foram justas em ambos os jogos, sem dúvida nenhuma, mas o CRAC conseguiu equilibrar as coisas mesmo com 10. Algo que duvido muito que nós conseguíssemos fazer. E isso deve-se à maneira como eles continuam a encarar os jogos contra nós. Caramba, eles conseguiram equilibrar o jogo com David Carmos, Zé Pedros, Wendels e Eustáquios...! Quantos jogadores deles entrariam de caras na nossa equipa? Duvido que fossem mais do que dois. E mesmo assim nós perdemos mais uma oportunidade de lhes dar um grande rombo na moral com um resultado categórico. Aliás, não é por acaso que o Sérgio Conceição disse que podem ganhar mais neste jogo do que os pontos que perderam. Eusébio queira que esteja errado!

quarta-feira, setembro 27, 2023

Repetição

Vencemos em Portimão por 3-1 no passado domingo e mantemo-nos a um ponto dos líderes do campeonato. Foi uma partida à semelhança das outras que realizámos fora de casa nesta temporada, em que entramos bem, dominamos completamente, colocamo-nos em vantagem, não matamos o jogo, apanhamos valentes sustos, mas felizmente lá acabamos por ganhar.
 
Com o Di María lesionado, o David Neres voltou ao onze e foi o melhor em campo. Fizemos o 1-0 logo aos 5’ num golão do Bah de fora da área assistido pelo Kökçü. Pouco depois, foi o Neres, bem desmarcado pelo Rafa, a proporcionar ao guarda-redes Vinícius Silvestre defesa com pé, mas aos 17’ fizemos mesmo o 2-0 através do Musa, que só teve de encostar depois de ser assistido pelo Neres, que por sua vez recebeu um passe a rasgar do Kökçü. O jogo poderia ter ficado definitivamente decidido à passagem da meia-hora, quando o Rafa se isolou, mas perdeu ângulo de remate depois de contornar o guarda-redes. Até ao intervalo, foi novamente o Rafa a poder marcar, mas o seu remate foi defendido pelo Vinícius Silvestre. Do outro lado, não há praticamente nada a registar, excepto um remate de fora da área que o Trubin deixou passar por baixo das mãos..., mas felizmente a bola saiu ao lado.
 
Para a 2ª parte, o Roger Schmidt deixou o Kökçü, o Bah e o Musa nos balneários, tendo entrado o João Neves, Jurásek e Arthur Cabral para os seus lugares. Ainda criámos perigo por este e pelo Neres, mas foi mesmo o Portimonense a reduzir para 1-2 aos 56’ num contra-ataque pela esquerda, em que a nossa defesa demorou muito a recuperar, e o Trubin não conseguiu parar o remate do Jasper. A partida voltava a ficar em aberto e poderia mesmo ter havido uma igualdade, porque aos 60’ o Morato resolveu esticar a mão num remate e o Sr. Hélder Malheiro, alertado pelo VAR, marcou o respectivo penalty. Felizmente o Trubin adivinhou o lado e conseguiu defender, tendo o Otamendi sido igualmente muito importante ao atirar para canto na recarga. Depois deste susto, resolvemos voltar a jogar à bola e voltámos a alargar a vantagem aos 66’ através do David Neres, que correspondeu muito bem a um contra-ataque do Rafa. Pouco depois foi o João Mário, que falhou o desvio à boca da baliza, porque o guarda-redes ainda desviou ligeiramente com o pé o centro do Neres na esquerda. Até final, ainda tivemos mais algumas oportunidades que transmitiriam uma melhor ideia da nossa superioridade, mas que infelizmente não entraram.
 
Em termos individuais, o David Neres foi o melhor em campo e vai ser difícil ao Schmidt continuar a arranjar desculpas para não o colocar no onze. O Rafa é outro que está em excelente forma, algo que costuma ser natural em jogadores em final de contrato.  O Morato substituiu o António Silva, que ficou no banco, mas não esteve bem, nomeadamente na questão do penalty escusado. O Trubin foi importante no penalty, mas aquela bola que passou debaixo das mãos deu-me muitos calafrios... O Bah também está longe da melhor forma, mas marcou um golão e pode ser que isso o anime. No meio-campo, regressou (e bem) o Florentino e cada meia-parte do Kökçü e do João Neves foi em alta rotação.
 
Iremos receber o CRAC nesta 6ª feira e é fundamental conseguirmos uma vitória para passar à frente deles. É que, parecendo que não, já têm uma série de pontos a mais com golos depois dos 90’ (voltou a acontecer nesta jornada frente ao Gil Vicente...).

sábado, setembro 23, 2023

Em falso

Perdemos na passada 4ª feira em casa frente ao Salzburgo (0-2) na estreia da Champions desta temporada. Uma semana de loucos em termos de trabalho não me permitiu escrever mais cedo acerca deste jogo. Mas também não é que houvesse uma enorme vontade de discorrer sobre esta tremenda desilusão.

Perante possivelmente o adversário mais acessível do grupo, não poderíamos ter entrado pior: o Trubin saiu pessimamente dos postes num canto e acertou com os punhos na cabeça de um avançado, fazendo naturalmente penalty logo aos 2’. Valeu-lhe o facto de o Konate ter atirado por cima. Respondemos razoavelmente bem, com o João Mário a rematar e a bola a embater na mão de um adversário (para mim, é penalty, mas o árbitro assim não considerou). Logo a seguir, o mesmo João Mário atirou ao poste numa boa combinação ofensiva. No entanto, aos 13’ foi o António Silva a colocar a mão na bola depois de ela ter embatido no poste, na sequência de um lance que se iniciou com um péssimo passe atrasado do Bah. Vermelho directo e 0-1 para o Salzburgo num penalty do Simic. O Roger Schmidt sacrificou o João Mário para fazer entrar o Morato e compor o quarteto defensivo. Mesmo com 10, ainda tivemos algumas oportunidades, com o Di María a fazer o guardião contrário Schlager brilhar num canto directo. Em cima do intervalo, foi o Musa a ter uma boa jogada, mas o remate saiu muito ao lado. Com um pouco mais de manha, o croata poderia ter-se deixado cair quando foi empurrado e eventualmente teria ganho um penalty.

Logo no início da 2ª parte, foi o mesmo Musa a ter um remate cruzado, que o Schlager voltou a defender. No entanto, aos 51’ as coisas complicaram-se ainda mais com um mau passe do Morato na saída para o ataque a resultar no 0-2 para o Salzburgo através do Gloukh que só teve de encostar depois de assistido pelo Simic, num lance de dois contra o guarda-redes, dado que o Aursnes também falhou a intercepção. O Musa ia tentando, mas o guarda-redes adversário revelava-se um dos melhores em campo, tendo igualmente defendido quase em cima da linha um cabeceamento do João Neves num canto. O Roger Schmidt demorou muito a voltar a mexer na equipa e teve de ouvir o estádio quase todo a gritar pelo David Neres a determinada altura do jogo. Finalmente lá entrou, para o lugar do Di María, mas o jogo estava irremediavelmente perdido.

 

Em termos individuais, o Musa foi o melhor do Benfica. Muito trabalhador, muito rematador (nem sempre com grande pontaria), neste momento é um indiscutível da equipa. O Rafa, enquanto teve discernimento, também foi dos que mais tentou rematar contra o estado das coisas. O Di María esteve melhor na 1ª do que na 2ª parte e vai perdendo discernimento à medida que vai baixando fisicamente. Quanto aos que se evidenciaram pela negativa, o Bah está numa forma péssima e espero bem que o Trubin confirme rapidamente o seu (suposto) valor, porque neste jogo tive visões do fantasma do Roberto... Não é só o penalty por socar a cabeça de um adversário, como principalmente outro lance na 1ª parte, em que falhou redondamente a intercepção a um cruzamento, que só não resultou em golo por inépcia do adversário. Não tivemos nenhum problema na baliza durante quase seis anos, temo muito que tenhamos arranjado um agora. Contratámos o Trubin para fazer concorrência ao Vlachodimos, porque o Samuel Soares não servia. Gerimos muito mal o que se passou com o grego e agora temos o Samuel Soares a fazer concorrência ao Trubin... Ou seja, ou o ucraniano entra rapidamente nos eixos, ou criámos aqui um enorme problema.

 

Perante este resultado desastroso, valeu-nos o empate no outro jogo entre a Real Sociedad e o Inter Milão (1-1). Na próxima jornada, iremos a Milão e, se quisermos ter hipóteses de seguir em frente, não podemos perder.

terça-feira, setembro 19, 2023

Escusado

Vencemos em Vizela no passado sábado por 2-1 e mantemo-nos um ponto atrás dos da frente. Por motivos profissionais, foi-me impossível postar antes de hoje e foram esses mesmos motivos que me fizeram ter visto o jogo em diferido fora de Portugal. Foi uma vitória mais do que justa, que só peca por ter sido pela margem mínima, quando o mais justo seriam pelo menos três golos de diferença, tal a nossa superioridade.

 

O Roger Schmidt promoveu a estreia do Trubin na baliza, que não teve quase trabalho nenhum. Entrámos muito bem na partida e inaugurámos o marcador logo aos 9’ através do Musa, depois de uma boa jogada com desmarcação do Rafa pelo Kökçü e assistência daquele para o croata rematar, com a bola ainda a sofrer um desvio num defesa. O Kökçü esteve em destaque ao falhar um desvio só com o guarda-redes pela frente e a fazer um livre directo roçar ainda na barra. A nossa pressão no adversário era imensa, que mal saía do meio-campo, e aos 39’ fizemos o 2-0 através de um livre directo muito bem executado pelo Di María.

 

Na 2ª parte, continuámos a dominar fortemente a partida, com o guarda-redes Buntic a defender um golo certo do Musa, depois de assistência do Rafa. O terceiro golo fecharia completamente a partida, mas foi o Vizela a reduzir para 1-2 aos 70’ num penalty escusado do Aursnes por empurrão a um adversário. O Samu enganou o Trubin no remate. O desfecho da partida voltava a estar em aberto escusadamente, por culpa da nossa ineficácia, mas conseguimos controlar os danos até final. Até foram nossas a melhores oportunidades, com o João Mário e o Rafa a proporcionarem defesas do Buntic, enquanto do outro lado só um cabeceamento quase no final da compensação criou algum perigo, com a bola a sair ao lado.

 

Em termos individuais, o Rafa foi o melhor do Benfica, com as suas arrancadas a dar cabo da cabeça dos adversários. O João Neves também encheu o campo e dá muita dinâmica à equipa. O Di María marcou mais um golo, mas continua a estar tempo a mais no campo (sendo a culpa obviamente do Schmidt), porque por volta dos 70’ inevitavelmente rebenta. O Musa, sendo ponta-de-lança, marcou e ainda bem, porque isso lhe irá dar mais confiança. O João Mário e o Bah é que ainda continuam fora da forma habitual.

 

Foi uma vitória importante num campo difícil, mas na 2ª parte sentiu-se que muitos jogadores já estavam mais com a cabeça na Champions, que começa nesta 4ª feira frente ao Salzburgo. Sendo o primeiro jogo em casa, é fundamental começar com uma vitória.

 

P.S. – A arbitragem do Sr. Luís Godinho teve muito que se lhe dissesse. Não só o Otamendi levou amarelo num lance em que foi pisado no tornozelo(!), como tivemos uma expulsão perdoada ao guarda-redes adversário por suposto fora-de-jogo do Rafa no início da jogada, sendo que a bola ainda foi desviada pelo David Neres e, nessa altura, o Rafa já não estava adiantado. Surreal...!

segunda-feira, setembro 18, 2023

Eslovénia e Luxemburgo

Na semana passada, tivemos a pausa para as selecções e praticamente selámos a qualificação para o Euro 2024 com vitórias na Eslováquia (1-0) e recepção ao Luxemburgo (9-0). No primeiro jogo, fizemos uma exibição muito frouxa, só com o golo do Bruno Fernandes no final da 1ª parte para poder mostrar. A selecção pareceu sempre muito perra e o empate não seria de todo um resultado injusto. Frente ao 3º classificado do grupo, batemos o nosso recorde ao marcar nove golos num só jogo. Sem o C. Ronaldo, que viu um amarelo frente aos eslovacos, a equipa pareceu muito mais solta e sem a obrigatoriedade de jogar sempre para o mesmo (se não tem, disfarça bem). O Gonçalo Inácio, o Gonçalo Ramos e o Diogo Jota bisaram, com os restantes golos a serem marcados pelo Ricardo Horta, Bruno Fernandes e João Félix.

 

Há que não embandeirar em arco com esta campanha, porque, quando o 3º classificado do grupo leva nove golos, está tudo dito acerca da dificuldade deste grupo... Além de que a selecção ainda está num patamar abaixo daquilo que a mais-valia dos jogadores justificaria.

segunda-feira, setembro 11, 2023

Benfica FM | Temporada 1998/99

Quase um ano depois, tive o prazer de voltar a fazer um programa destes com os meus amigos Nuno Picado e Bakero do Benfica FM. 'Prazer' só mesmo na companhia deles, porque esta temporada é do nosso Vietnam. Começou com um balão muito cheio, com ida à Champions, mas a brigada do reumático inglesa, apadrinhada por um treinador casmurro, e um presidente que era um foco permanente de instabilidade (e vigarice, desconfiávamos na altura e tivemos a certeza alguns anos depois) deitaram tudo a perder e terminámos a época num lamentável 3º lugar.

Bem, mas sempre dá para verem grandes jogadas do João Pinto e Poborsky (com um inesquecível golo à Maradona frente ao Braga na Luz), golos à fartazana do grande Nuno Gomes e exibições sublimes do Hugo Leal, que deitou tudo a perder no final da época, com uma saída do clube pela porta pequena. Posto isto, ainda assim, enjoy!

terça-feira, setembro 05, 2023

Categórico

Vencemos o V. Guimarães no passado sábado e recuperámos pontos em relação aos rivais, que empataram (o CRAC em casa com o Arouca 1-1, com o golo do empate a ser marcado, em fora-de-jogo, aos 19’!!!! do tempo de compensação, e a lagartada 1-1 em Braga). Temos agora um ponto de desvantagem perante ambos.

 

O V. Guimarães era o líder do campeonato até esta jornada e apresentou-se desinibido na Luz. No entanto, as linhas muito subidas eram um chamariz aos nossos contra-ataques e foi num deles que inaugurámos o marcador aos 11’ num autogolo do Jorge Fernandes de cabeça (um golão, a propósito), depois de um centro do Di María na direita. Marcámos cedo o que é sempre bom para soltar ainda mais a equipa. Aos 19’, o João Mendes levantou o pé de modo muito imprudente, acertou na cara do Otamendi e foi naturalmente expulso. Foi uma entrada violenta, embora não tenha sido de propósito. Curiosamente, baixámos de produção durante uns minutos assim que nos vimos a jogar contra 10, o que foi pena, porque estávamos a fazer uma exibição muito agradável. Voltámos a subir logo depois de termos feito o 2-0 aos 33’ através do Di María, que só teve de encostar depois de uma assistência do Rafa, bem desmarcado pelo João Mário. O V. Guimarães tinha naturais dificuldades em reagir e já na compensação da 1ª parte aconteceu o melhor golo do jogo, num pontapé soberbo do Kökçü de fora da área, a passe do Di María.

 

Se a 1ª parte tinha terminado com um golo, a 2ª começou literalmente com outro! Aos 24 segundos(!) o Aursnes fez o 4-0 num remate contra a relva para fazer a bola passar por cima do Bruno Varela, depois de este ter defendido um remate do João Mário, que estava isolado, tendo a bola sobrado para o norueguês. O jogo foi progressivamente baixando de ritmo, embora ainda tenhamos enviado uma bola à barra pelo Musa depois de assistência do Aursnes na esquerda. O João Neves e o João Mário também tiveram remates perigosos, mas quem meteu mesmo a bola na baliza foi o V. Guimarães, já na parte final do encontro, num lance em que o Samuel Soares andou aos papéis, mas o VAR anulou por braço na bola do avançado. Com o jogo ganho, até final, o Schmidt resolveu dar minutos aos defesas suplentes e entraram o João Victor, Tomás Araújo e Morato.

 

Em termos individuais, destaque para o Rafa cuja pancada que se farta de levar é bem um sintoma da sua importância na equipa: é ele quem cria a maior parte dos desequilíbrios e as defesas contrárias têm andado à nora para o travar. O João Mário deve ter feito uma lobotomia, porque parecia outro em relação aos últimos jogos... Igualmente em grande esteve o Aursnes ainda a defesa-esquerdo. Apesar de não ter marcado, o Musa deu imenso trabalho aos defesas e, nesse aspecto, é o jogador mais parecido com o Gonçalo Ramos que temos no plantel. O Di María lá acrescentou mais um golito à sua conta, mas continua em campo até ao fim, apesar de as pilhas se gastarem bem antes... O João Neves e o Kökçü estiveram excelentes no meio-campo. Quanto aos que entraram, o David Neres não esteve ao seu nível habitual e o João Victor confirmou que é bom que nada aconteça ao Bah, porque não há substituto à altura dele...

 

Agora que começámos a jogar bem outra vez é que surge a pausa para as selecções...! É sempre o mesmo filme! Ainda na senda das repetições, o Schmidt voltou a dar cinco dias de folga ao plantel. Esperemos que, quando voltarmos, não acusemos nem as selecções nem as mini-férias...

segunda-feira, agosto 28, 2023

Equívocos

Vencemos o Gil Vicente em Barcelos por 3-2 no sábado noutra partida que se complicou bastante quando nada o deixava antever. Para além da natural reacção do adversário à desvantagem no marcador, considero que houve igualmente bastantes culpas nossas (e do nosso treinador) no modo como não soubemos controlar o jogo. 

A entrada do Florentino para o lugar do João Neves foi a única alteração em relação ao E. Amadora e a nossa 1ª parte foi bastante boa. Pressionámos bastante o Gil Vicente, que praticamente não chegou à nossa baliza, mas mais uma vez não criámos as oportunidades que o nosso domínio justificaria. Mesmo assim, chegámos à vantagem aos 19’ num penalty do Di María a castigar derrube ao João Mário. Espero sinceramente que o Di María mude a sua maneira de marcar penalties, porque só tem 50% de possibilidades de marcar, dado que se o guarda-redes adivinha o lado para onde vai a bola, não terá dificuldades nenhumas em defender. Pouco depois, o Arthur Cabral teve a única intervenção boa no jogo, com um cabeceamento à ponta-de-lança na sequência de um livre que o guarda-redes Andrew defendeu por instinto. Houve ainda outra jogada em que o Di María tentou assistir o João Mário com nota artística, em vez de lhe colocar a bola jogável facilmente, o que teria certamente resultado em golo, porque o nº 20 estava sozinho. Em cima do intervalo, o Gil Vicente teve o único lance de relativo perigo, com um cabeceamento num livre a ser defendido pelo Samuel Soares. No entanto, não se compreende que um lance de bola parada quase no meio-campo resulte em remate à nossa baliza em apenas dois toques...!

Na 2ª parte, o Gil Vicente naturalmente reagiu, foi bastante mais ofensivo, o que nos proporcionou uma série de jogadas de contra-ataque, nem sempre bem decididas. Um livre do Di María ainda longe da baliza foi defendido para canto, mas aos 53’ aumentámos a vantagem num contra-ataque bem delineado pelo Rafa, João Mário e Aursnes, com centro deste e concretização do nº 27. Todos pensámos que o jogo seria relativamente tranquilo, até porque nós dávamos mostras de não deixar de tentar marcar mais um, embora em termos defensivos o Gil Vicente manobrasse com mais liberdade do que se fosse desejável dado que Kökcü já tinha visto um amarelo e o Florentino veria outro mais adiante. Apesar dos dois golos de vantagem, o Roger Schmidt fez duas substituições e tirou o apagado Arthur Cabral para colocar o Tengstedt, e fez o deveria ter feito logo no início do jogo, que era colocar o David Neres no lugar do João Mário. No entanto, o Gil Vicente dava mostras de conseguir criar perigo, especialmente depois das substituições que fez, e o Roger Schmidt não deu a resposta devida a isso, nomeadamente refrescando o meio-campo até por causa dos amarelos. O Rafa ainda teve um remate perigoso por cima, mas aconteceu o esperado com o Gil Vicente a fazer o 1-2 aos 74’ num remate do Tidjany Touré com o Samuel Soares a ser muito mal batido, com a bola a passar-lhe por baixo das mãos. Um jogo que já deveria estar fechado a nosso favor tornou-se de repente aberto... O nosso treinador lá se decidiu trocar o meio-campo, fazendo entrar o João Neves e Chiquinho, mas o jogo estava agora muito repartido. Uma má saída do Samuel Soares felizmente não teve consequências, porque o chapéu adversário saiu sem direcção, mas em termos atacantes não estávamos a conseguir ser perigosos. Até que já na compensação, o Schmidt tirou o Rafa para colocar o Musa e o croata fez o 3-1 aos 94’, poucos segundos depois de ter entrado: abertura em chapéu do João Neves e remate com força do nº 33, que ainda desviou num defesa e traiu o guarda-redes Andrew. O resultado era suposto ter ficado assim, mas infelizmente este ano a nossa performance defensiva ainda está muito aquém do esperado. Aos 98’, numa insistência do Gil Vicente, o Chiquinho não foi lesto a aliviar a bola e fez uma falta muito perigosa quase em cima da linha da grande-área. O livre foi marcado a dois tempos, a nossa barreira abriu, a bola passou por aí e o Dominguez anotou um golo que não deveria ter marcado, dado que o Sr. João Pinheiro lhe poupou o segundo amarelo ainda na 1ª parte por falta sobre o Rafa. Acabámos o jogo a sofrer um golo, que é algo que me irrita sempre muito.

Em termos individuais, o Rafa foi o melhor do Benfica (simplesmente ridículo a Sport TV ter considerado o João Mário o “homem do jogo”...!). O Florentino deu alguma consistência ao meio-campo e, lá está, permite-nos defender mais à frente. O Di María esteve muito activo na 1ª parte, mas foi decaindo ao longo do tempo e, independentemente do que diga, não é para jogar os 90’, Sr. Roger Schmidt! O Samuel Soares deu um frango e não me inspira confiança nenhuma. O João Mário esteve um pouco melhor, mas, Sr. Roger Schmidt, o lugar é para o David Neres! Assim como o lugar do Aursnes não é a defesa-esquerdo, por amor de Eusébio! Por último, festejei muito o golo do Tengstedt na semana passada, mas entre ele e o Musa há um universo de distância neste momento. Aliás, mesmo o Arthur Cabral, se calhar, deveria recuperar a sua condição a 100% antes de eventualmente ser titular, até porque o Musa, mau grado o azar que teve no Bessa, merece alinhar de início nesta altura.

Ganhámos que era o que interessava, mas acabei o jogo com mais preocupações do que satisfeito. Há muitas coisas erradas na equipa, muitos equívocos, alguns lugares-cativo que são incompreensíveis, algumas injustiças perante outros jogadores, enfim, toda uma série de coisas que não me fazem ter muita confiança nesta altura. Espero que o nosso treinador mude de rumo rapidamente, porque a continuar assim e perante equipas mais complicadas não antevejo nada de bom no futuro...

terça-feira, agosto 22, 2023

Sofrido

Vencemos o E. Amadora (2-0) no passado sábado e conseguimos a primeira vitória no campeonato. Foi um jogo bastante mais complicado do que se previa, com o golo inaugural a surgir somente aos 79’...!

Depois da péssima exibição no Bessa, o Vlachodimos foi afastado da titularidade pelo Roger Schmidt. Tendo aparentemente havido uma discussão entre ambos, nem no banco se sentou. Sim, eu acho que o grego tem culpas na derrota no Bessa, mas tem sido o titular indiscutível nos últimos cinco anos e muitas vitórias lhe são devidas. Para além do mais, o Roger Schmidt entregou a baliza ao Samuel Soares e não ao Trubin, como se esperava. Lamento, mas não tenho confiança nenhuma no Samuel Soares e acho que o Roger Schmidt não lidou nada bem com esta situação. No entanto, não foi a única decisão incompreensível do nosso treinador nesta partida: o Aursnes jogou a dessa-esquerdo em vez do Ristic! Quer dizer, se o sérvio não serve para jogar em casa frente ao E. Amadora, serve para quê...?! Está longe de ser um génio, mas há mínimos para se jogar no Benfica. E este era um deles, em casa, frente ao E. Amadora (com o devido respeito, claro). Entrou o João Mário para a frente, juntamente com a estreia do Arthur Cabral, dado o castigo ao Musa. Com Aursnes e João Mário na esquerda, não foi propriamente uma surpresa que estivéssemos coxos daquele lado durante grande parte do tempo. Com o E. Amadora com as linhas muito juntas, mas sem autocarro, tivemos dificuldades em criar perigo e, apesar de algumas tentativas, o guarda-redes Bruno Brígido só foi verdadeiramente colocado à prova uma vez num remate do Di María já em cima do intervalo, que defendeu magnificamente. Antes disso, o reforço Arthur Cabral tinha rematado cruzado de ângulo um pouco apertado, mas o Bruno Brígido defendeu com o corpo. 

Para a 2ª parte, esperava-se que o Roger Schmidt mexesse na frente de ataque, nomeadamente colocando o David Neres, mas quem entrou foi o Florentino para o lugar do amarelado João Neves. Até achei que quem deveria ter entrado era o Chiquinho, por ser um médio mais atacante, mas com o Florentino conseguimos defender bem mais à frente e recuperar a bola no meio-campo contrário. Por conseguinte, começámos a empurrar o E. Amadora para o seu último reduto e praticamente não conseguiram passar para o nosso meio-campo. No entanto, continuávamos com grandes dificuldades em criar perigo e foi outra vez o Di María a colocar o Bruno Brígido em destaque. Até que aos 69’, o Roger Schmidt lá se lembrou que tinha o abre-latas David Neres no banco e lançou-o felizmente ainda a tempo de o tornar no “homem do jogo”, tirando a inutilidade do João Mário. Com quase uma hora e dez minutos de atraso! Assim que entrou, o brasileiro partiu a loiça toda e criámos uma série de oportunidades. O Bruno Brígido ainda defendeu remates do Kökçü e Arthur Cabral, depois de jogadas do Neres na esquerda, mas já não conseguiu fazer nada aos 79’: o Tengsted tinha entrado no minuto anterior para substituir o esgotado Arthur Cabral e na primeira vez que tocou na bola no Estádio da Luz foi para a colocar dentro da baliza! Com nova jogada do Neres na esquerda, obviamente. Foi um enorme respirar de alívio no estádio com a perspectiva da vitória, que ficou definitivamente selada aos 93’ com nova assistência do Neres para o Rafa isolado desfeitear o guarda-redes. O jogo terminava pouco depois com três pontos muito difíceis, mas muito justos. O melhor em campo foi obviamente o David Neres e seria um crime lesa-pátria que não saltasse já para a titularidade. O Rafa também esteve muito bem, especialmente na 1ª parte, e o Florentino foi igualmente importante para empurrar o nosso jogo para a frente. O Kökçü voltou a subir de produção na 2ª parte, quiçá pela presença do Florentino nas suas costas. O Arthur Cabral mostrou bons pormenores, mas ainda está longe da forma ideal. Quanto ao Samuel Soares, não teve muito trabalho, mas largou uma bola relativamente fácil na 1ª parte e deixou passar um cruzamento na 2ª... Só espero que não percamos nenhuns pontos graças a ele, porque para Bruno Varela já me bastou um... 

Como os outros dois ganharam (a lagartada 2-1 no Casa Pia e o CRAC com o mesmo resultado conseguido aos 100’ em casa frente ao Farense!), continuamos três pontos atrás de ambos. No próximo fim-de-semana, teremos uma deslocação difícil a Barcelos, para defrontar o Gil Vicente, e vermos que opções o Roger Schmidt irá tomar. Sendo que espero bem que o Aursnes deixe a lateral-esquerda...