Vencemos o Real Madrid na passada 4ª feira (4-2) e conseguimos o milagre de nos qualificarmos para o play-off de acesso aos oitavos-de-final da Champions. O que vai tornar esta jogo inesquecível para todos os que o viram foi naturalmente a forma como o conseguimos. Não é meu costume colocar fotos aqui nos posts, mas esta não podia falhar. Um golo do guarda-redes no (literalmente) último segundo do tempo de compensação(!) dá entrada directa desta partida nas melhores de sempre que vimos na nova Luz. E na nossa vida.
Vou fazer um esforço para que este post não seja um segundo volume d’Os Maias, tal a quantidade de factos que merecem ser relatados. A equipa titular estava em consonância com a absoluta necessidade de vitória, que podia não bastar, porque estávamos dependentes de cinco (ou seis) resultados alheios. Prestianni e Schjelderup nas alas, Sudakov atrás do Pavlidis. Demos um verdadeiro amasso ao Real Madrid durante a maior parte dos primeiros 45’, de tal forma que um jogador adversário (não me lembro qual) disse no final que poderiam ter chegado ao intervalo a perder por 4 ou 5, em vez de ser só por 2-1. Falhámos golos em catadupa e foi até o Mbappé a inaugurar o marcador aos 30’, numa cabeçada sem hipóteses para o Trubin, connosco a conseguir dar a volta pelo Schjelderup (36’) também de cabeça a centro do Pavlidis e por este, de penalty, em cima do intervalo, a castigar derrube ao Otamendi num canto a nosso favor. Mas o Aursnes com um remate frouxo só com o Courtois pela frente, o Leandro Barreiro com um desvio ao lado de cabeça também só com o guarda-redes pela frente, uma bola defendida ao poste pelo Courtois a remate do Prestianni e novamente o Schjelderup numa recarga tirada em cima da linha por um defesa poderiam ter espantado o mundo do futebol com uma goleada ao Real Madrid...Seria eventualmente um 6-2, porque do outro lado o Trubin também defendeu muito bem uma cabeçada num canto. Mas não deixaria de ser uma goleada.
A 2ª parte não foi tão frenética, pelo menos até se aproximar do final, dado que nós recuámos um pouco as linhas, esperando pelo embate do lado contrário. No entanto, nunca descurámos o contra-ataque e foi através dele que aos 54’ alargámos para 3-1, num bis do Schjelderup, com a sua jogada típica de flectir da esquerda para o meio e rematar, não dando hipóteses ao Courtois. Tínhamos de estar à espera de outros resultados, mas, sem uma vitória nossa, nada valeria a pena e, portanto, dois golos de vantagem eram muito importantes. Porém, essa vantagem não durou muito, dado que aos 58’ também o Mbappé fez um bis num remate rasteiro dentro da área, depois de uma boa jogada do Arda Güler na direita. A derrota também atirava os espanhóis para fora do top-8 da qualificação directa, pelo que eles foram tentando a igualdade, mas nós defendemos sempre muito bem e o Trubin lá foi defendendo remates de fora da área do Vinicius Júnior, do Güler e do Rodrygo. Do nosso lado, foi o Leandro Barreiro a fazer um desvio na pequena-área que o Courtois defendeu e no tempo de compensação ficámos a jogar com mais dois, porque o Asencio viu o segundo amarelo e o Rodrygo o vermelho directo por palavras. O árbitro italiano Sr. Davide Massa tinha dado 5’ de compensação, mas com estas paragens todas estendeu até aos 8’. E foi numa falta já perto desses oito minutos que o milagre aconteceu. Como o nosso jogo recomeçou mais tarde do que os outros, todos estes já tinham acabado e nós precisávamos de mais um golo para poder passar à fase seguinte, ficando à frente do Marselha. Como estava a dizer, livre para a área, batido pelo Aursnes e o Trubin pediu licença para subir. Foi, então, que vimos uma lenda nascer em directo, com o ucraniano a cabecear na perfeição a bola batida pelo norueguês e a dar-nos a nós todos, benfiquistas, uma das maiores alegrias de sempre! Ainda hoje estou para saber como é que o estádio sobreviveu ao vulcão que entrou em erupção com este momento inolvidável! Disse aos meus filhos no final que, momentos destes, não há dinheiro nenhum no mundo que pague! Ganhar ao Real Madrid, com um golo marcado no último segundo da compensação, pelo guarda-redes e que nos dá uma qualificação para a fase seguinte, é matéria de filme...! It doesn’t get better than this...!
Em termos individuais, toda a equipa merece naturalmente uma palavra pela abnegação, entrega e bom futebol produzido, mas os dois alas (Prestianni e, principalmente, Schjelderup foram os melhores). Aliás, quanto mais não fosse, espero que este jogo tenha convencido de vez o Mourinho que jogar com verdadeiros alas e não médios-centro adaptados aos flancos nos coloca muito mais perto das vitórias. Outra palavra, como é óbvio, tem de ser dada ao Trubin, que conquistou um lugar eterno no imaginário de todos os benfiquistas. Nunca mais ninguém se irá esquecer deste momento!
Para o play-off, cujo sorteio foi ontem, calhou-nos... o Real Madrid! Outra vez! Vai ser a duas mãos e eles hão-de querer vingança pelo que se passou, mas mesmo assim prefiro-os à outra hipótese, que era o Inter de Milão. Contra os italianos, jogámos quatro vezes nos últimos anos, tendo sido roubados em todos os quatro jogos! Não temos nada a perder, o favoritismo é do Real e logo veremos o que vamos conseguir (ou não) fazer, mas esta alegria (que será provavelmente a última deste ano) não só já ninguém nos tira, como irá ser lembrada para sempre.
P.S. – Um dos meus colegas de bancada já me estava a dizer, ainda antes dos 90’ que, com aquela derrota do Marselha, dependíamos de nós e só tínhamos de marcar mais um golo. É INACREDITÁVEL e INDESCULPÁVEL que ninguém na estrutura do Benfica tenha passado essa informação ao Mourinho e aos jogadores. De tal forma que o Mourinho mete o António Silva, como terceiro central, e o Trubin está a perder tempo na reposição de bola já na compensação, com o Ivanović um-para-um no meio-campo...! Isto quando todos nós na bancada já sabíamos que era preciso mais um golo e daí o “só mais um” gritado em uníssono para dentro do campo...! Não se percebe este amadorismo! De todo!
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