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sábado, fevereiro 21, 2026

Intenso

Perdemos na passada 3ª feira (0-1) frente ao Real Madrid na 1ª mão do play-off de acesso aos oitavos-de-final da Champions e temos naturalmente a nossa vida bastante complicada. Depois da jornada épica de há três semanas, o Real Madrid apresentou-se de maneira bem diferente, de escaldado que estava, e foi superior a nós durante a maior parte do jogo.
 
Com o Aursnes de regresso ao onze, o Mourinho manteve a tendência atacante com o Rafa atrás do Pavlidis e o Prestianni e Schjelderup nas alas. Nem entrámos mal, com uma cabeçada do Tomás Araújo à figura do Courtois num canto, e um remate de fora da área do Aursnes desviado por um defesa, que o guarda-redes belga defendeu com um fantástico golpe de rins. No entanto, a iniciativa atacante foi quase toda do Real Madrid, com muita paciência a rodar a bola por todos os jogadores na tentativa de encontrar uma brecha na nossa defesa. Não foi fácil, dado que nos fechámos bem, mas, graças à sua qualidade individual, lá foram criando uma ou outra oportunidade que, ou saiu ao lado ou por cima, ou esteve lá o Trubin para garantir a nossa baliza a zeros até ao intervalo. Quanto a nós, raramente conseguimos criar perigo, fruto principalmente de uma noite muito desinspirada do Rafa, que não conseguiu dar fluidez aos nossos contra-ataques. Ou fazia uma finta a mais, sofria falta e o momentum perdia-se ou perdia mesmo a posse de bola. Raramente tomou a decisão certa e, perante adversários com a valia dos merengues, não há segundas hipóteses de criar perigo na mesma jogada.
 
A 2ª parte ficou marcada pelo único golo do encontro, que surgiu logo aos 50’. Contra-ataque do Real Madrid, com o Mbappé a dar na esquerda para o Vinícius Júnior, que fez a sua jogada habitual de flectir para o meio e rematar em arco, sem hipóteses para o Trubin. Foi um golão, mas o que se seguiu foi muito feio. Em vez de ir comemorar para junto dos seus adeptos, o Vinícius Júnior não encontrou melhor sítio para o fazer do que junto à claque do Benfica. Sambou e virou-se para os adeptos de forma nitidamente provocatória. Tanto assim foi que, não só o Rüdiger foi lá empurrá-lo para o centro do campo, enquanto pedia desculpa aos adeptos, como o próprio árbitro mostrou um amarelo ao brasileiro. O estádio ficou em polvorosa, como seria expectável. Quando o jogo ia recomeçar, o brasileiro foi a correr para o árbitro, o Sr. Francois Letexier, a denunciar o Prestianni por alegados insultos racistas. O jogo esteve parado cerca de 10 minutos e o caldo foi definitivamente entornado. Sobre o que foi ou não dito, só ambos os jogadores saberão. Eu não meto as mãos no fogo por ninguém e, se houve insultos racistas, o Prestianni deve ser castigado. Até por ser idiota, porque com tanto bom insulto para fazer, com tanto animal para escolher, alguns até mais apropriados para a situação (o Vinícius Júnior tem tanto de bom jogador como de porco provocador, a sua cor é completamente indiferente), foi alegadamente escolher um que insulta uma raça inteira. Quanto ao Vinícius Júnior, apenas uma questão: com tanto jogador negro, porque será que ele é o que se queixa regularmente de racismo nos estádios. É que já não é nem a primeira, nem a quinta vez que acontece... E não, isto não é o argumento da “mini-saia”! É só uma questão de bom senso: jogador que vai festejar para junto da claque adversária e provoque nitidamente os adeptos contrários vai ser insultado. Seja de que forma for. Tenha cor da pele que tiver. Não dar azo a que se chegue a esse ponto, não dando pretextos para que isso aconteça, é provavelmente o que todos os jogadores deverão fazer no futuro. Que este caso permita, ao menos, mudar os comportamentos. De todos os envolvidos. Dentro do campo e nas bancadas. Mas há insultos e insultos. Racismo é crime e é bom que seja penalizado. Ponto final. Na minha bancada, tive de mandar calar um consócio mais velho e perguntar-lhe se também fazia aqueles urros quando o Eusébio ou agora o Anísio Cabral tocava na bola... Para além de poder prejudicar o próprio Benfica com aquele comportamento! Acéfalo idiota!
 
O jogo ficou definitivamente marcado por esta situação e até final já não foi o mesmo. No entanto, há coisas que nunca mudam e o Schjelderup foi o primeiro a sair...! Só num livre do entretanto entrado Sidny Cabral causámos algum perigo, porque a bola desviou na barreira e passou por cima da barra, com o Courtois desequilibrado. Do outro lado, um outro remate do Vinícius foi bem defendido pelo Trubin.
 
Em termos individuais, o Tomás Araújo fez uma exibição irrepreensível, muito bem secundado pelo Leandro Barreiro. O Aursnes, apesar de não ter durado o jogo todo por limitações físicas, esteve ao seu nível habitual e o Schjelderup estava a ser o mais dinâmico no ataque, mas nunca acaba um jogo... Quanto ao Rafa, para se exibir desta forma, é bom que fique no banco, porque o Sudakov teria sido bastante mais útil, porque ao menos conseguia reter a posse de bola.
 
Iremos receber hoje o AVS numa partida em que o Mourinho irá fazer certamente muitas alterações, porque vamos ao Bernabéu na próxima 4ª feira tentar um milagre. Mas convém não desvalorizar o adversário só porque está em último lugar, porque é bem provável que, a partir da próxima semana, só tenhamos o campeonato para nos preocupar.
 
P.S. – É muito giro o Presidente da FIFA vir mostrar-se chocado com esta situação, especialmente depois de ter inventado um “Prémio da Paz” para dar a um líder autoritário, que está a expulsar emigrantes do seu país exclusivamente por causa da cor da sua pele... Hipócrita de m****!

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