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quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Amargo

Perdemos ontem em Madrid frente ao Real por 2-1 e fomos eliminados da Liga dos Campeões. Depois da supremacia espanhola no jogo da 1ª mão, assistiu-se a uma partida muito mais equilibrada, em que o resultado mais justo teria sido o empate. Seríamos eliminados na mesma, mas a nossa exibição não justificou de todo a derrota.
 
Com o Prestianni castigado preventivamente, o Mourinho apostou no Richard Ríos para fechar pela direita, mantendo a equipa-tipo dos últimos encontros mais importantes. Entrámos muitíssimo bem neste, confundindo completamente o Real Madrid e não o deixando praticamente sair a jogar. Claro que as ausências por lesão do Huijsen e principalmente Mbappé muito contribuíram para um Real mais fraco do que em Lisboa, mas ainda assim era o Real Madrid no Bernabéu e em muitos períodos da 1ª parte tivemos a personalidade que se exigia a quem tinha necessariamente de ganhar. Uma cabeçada do Leandro Barreiro colocou à prova a segurança do Courtois e aos 14’ inaugurámos mesmo o marcador através do Rafa, com uma recarga a um seu remate, depois de uma assistência do Pavlidis na direita, bem desmarcado pelo Ríos. Empatávamos a eliminatória e estávamos por cima do Real Madrid, pelo que as perspectivas eram boas. Só que... apenas dois minutos depois, sofremos o empate! Perda de bola do Otamendi a sair a jogar, contra-ataque adversário, com centro atrasado do Valverde para o Tchouaméni rematar à vontade à entrada da área, sem hipóteses para o Trubin. Foi muito frustrante dado que nem tivemos tempo de gozar a eliminatória empatada e o efeito que isso eventualmente teria na equipa espanhola. No entanto, até ao intervalo fomos criando perigo, muito por acção do Schjedlderup na esquerda, que voltou a ser dos nossos melhores jogadores. Porém, pouco depois da meia-hora, vimos a bola entrar novamente na nossa baliza, mas fomos salvos por um fora-de-jogo de VAR. Todavia, o Trubin não esteve nada bem quando se fez à bola, sendo muito lento a chegar ao relvado, o que permitiu que o Arda Güler metesse a bola na baliza. Teria sido outro golo muito consentido... De qualquer forma, poderíamos ter ido para o intervalo outra vez em vantagem, não fosse o caso de o guarda-redes adversário se chamar Coutrois... Bom remate rasteiro do Ríos quase em cima da área e magnífica defesa do belga, que nos tirou um golo certo.
 
Na 2ª parte, o jogo foi mais equilibrado, embora com menos intensidade do que na 1ª, mas continuou a haver hipóteses para os dois lados. Os espanhóis faziam por desacelerar o ritmo de jogo e nós não tivemos tanto sucesso a condicionar a saída deles como na etapa inicial. O Alexander-Arnold teve duas jogadas em que criou perigo para a nossa baliza, com um centro rasteiro tenso que ninguém conseguiu desviar e um remate que saiu ao lado, mas a grande oportunidade foi nossa com um remate de trivela do Rafa, que desviou num defesa e bateu na barra. Tivemos outra jogada muito semelhante à do primeiro golo do Real Madrid, em que o remate do Pavlidis ia com boa direcção, mas foi cortado a meias pelo Rüdiger e Carreras. A equipa estava a pedir mexidas, mas o nosso banco só reagiu depois do 2-1, que surgiu aos 80’ pelo Vinícius Júnior. Uma tentativa falhada de corte em antecipação do Tomás Araújo espoletou um contra-ataque fatal, finalizado com muita classe pelo brasileiro. Só a partir daqui é que vieram as substituições e, claro está, o Schjedlderup é sempre o primeiro a sair, quer esteja a jogar bem ou mal, e o Ivanović foi pelo segundo jogo consecutivo para extremo-esquerdo. Decisão mais uma vez incompreensível com o resultado que se esperava: deixámos de criar perigo por aquele lado. Esta questão das (não-)substituições é um mistério: num jogo como este não fazer entrar em campo nem o Sudakov, nem o Lukebakio (entrou o Sidny Cabral...), mesmo que fosse nos minutos finais, é muito pouco compreensível. Especialmente, dado que o Rafa e o Pavlidis acabaram o encontro muito esgotados...
 
Em termos individuais, o Schjedlderup e o Dahl foram de longe os melhores e mais consistentes ao longo de toda a partida. O Ríos também não esteve mal, em especial se levarmos em consideração que veio de lesão há pouco tempo. O Aursnes não está no seu melhor momento em termos físicos, mas já não vai sair daquele lugar de seis. O Leandro Barreiro esteve igualmente bastante combativo e o Dedić conseguiu controlar o grande perigo do lado contrário, Vinícius Júnior, na medida do possível. Os dois centrais, ao invés, tiveram um jogo para esquecer, em especial o Otamendi, cuja falha está indelevelmente ligada ao destino desta partida e quiçá eliminatória: nunca saberemos o que teria sido o Real Madrid com tudo empatado... O Pavlidis e o Rafa não atravessam as suas melhores fases, apesar de terem participado directamente no nosso golo. Eu teria colocado o Ivanović e o Sudakov nos seus lugares a partir de determinada altura.
 
Poderíamos (e deveríamos) ter feito mais para alcançar outro resultado, mas estamos no final de Fevereiro e só temos o campeonato como objectivo. A sete pontos de distância. Estou muito curioso para ver o que é que a equipa vai levar desta eliminatória, que, apesar de tudo, conseguimos disputar taco a taco com o Real Madrid, para o resto da temporada. Não foi uma boa participação europeia, porque não obtivemos o resultado mínimo, que era atingir os oitavos, mas teremos sempre aquele momento do golo do Trubin para recordar para sempre.

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