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sábado, dezembro 26, 2020

Perdido

Perdemos 0-2 frente ao CRAC na 4ª feira em Aveiro e vimos mais uma Supertaça ir ao ar. São já 11 derrotas frente a eles em 12 jogos deste troféu, o que é absolutamente inacreditável (mesmo que saibamos que tivemos Donatos Ramos e afins pelo caminho). Mas nem é preciso ir tão longe: esta foi a quarta derrota consecutiva frente ao CRAC, o que deveria constituir motivo de vergonha para todos os que têm a honra de vestir o manto sagrado. Mas, infelizmente, ainda há muitos que não sabem o que isso representa e implica, especialmente nestes jogos.
 
Com o Pizzi infectado com Covid-19, o meio-campo foi formado pelo Weigl e Taarabt, e até nem entramos mal, com o Everton muito activo na 1ª parte. No entanto, não criámos grandes oportunidades e, numa transição a meio-campo, o Taarabt fez a sua habitual figura de corpo presente, o Taremi isolou-se, caiu à saída do Vlachodimos e os VAR Luís Godinho e Bruno Esteves consideraram que era penalty, porque segundo as linhas o iraniano estava 18 cm em jogo. Para mim, o avançado do CRAC espera o contacto do nosso guarda-redes e deixa-se cair, mas enfim... O Sérgio Oliveira marcou bem o penalty e fez o 0-1 aos 25’. Logo a seguir, poderíamos ter empatado, mas o remate de primeira do Grimaldo, a passe do Waldschmidt, foi defendido pelo Marchesín. Até ao intervalo, nada mais de relevante se passou.
 
Na 2ª parte, houve mais oportunidades, mas maior domínio para o CRAC. Valeu-nos o Vlachodimos num remate do Uribe e um corte acrobático do Otamendi, quando o mesmo Uribe se preparava para cabecear para a baliza deserta. Do nosso lado, um livro do Grimaldo permitiu uma boa defesa ao Marchesín e, já muito perto do final, outro livre do nosso defesa-esquerdo resultou na já proverbial bola ao poste, que empataria a partida. Praticamente na resposta, o Luis Díaz, entretanto entrado, acabou com o jogo ao fazer o 0-2 em cima dos 90’.
 
Em termos individuais, o Grimaldo foi de longe o melhor, ao ser o nosso jogador mais perigoso, o Everton fez uma boa 1ª parte, mas depois desapareceu completamente, os centrais (Otamendi e Vertonghen) não estiveram mal, bem como o Gilberto na lateral-direita (confesso que me custa a perceber a perseguição que tem sido alvo; está longe de ser o pior a ocupar aquele lugar nos últimos anos), e raramente é pelo Vlachodimos que não ganhamos jogos. O Weigl esteve muito desacompanhado no meio-campo, o Rafa infeliz e algo complicativo na direita, e o Darwin praticamente não teve jogo de jeito a chegar-lhe. O Waldschmidt, à parte a abertura para o Grimaldo logo a seguir ao primeiro golo, esteve completamente fora dela e o Taarabt é verdadeiramente um caso de polícia como pode ter feito os 90’! Teve 20, repito, VINTE(!!) perdas de bola, foi um espectador privilegiado nos lances dos dois golos, emperrou completamente a nossa (já de si pouca) fluidez atacante e conseguiu estar em campo até final. Aliás, as substituições que o Jesus fez também são um caso de estudo: com o Waldschmidt completamente desaparecido, resolveu tirar o Rafa pouco depois da hora de jogo para colocar o Seferovic. Ou seja, o alemão passou a (não) jogar na linha, o que afunilou ainda mais o nosso jogo. Depois, o Jesus lembra-se de fazer três substituições aos 87’...! Repito: 87’!!! Para quê...?! Ainda por cima, nem assim o Taarabt saiu de campo!
 
O jogo não foi nada de especial, mas a diferença das duas equipas foi evidente: uma esteve (está sempre) com os dentes de fora quando joga contra a outra, a outra raramente faz o mesmo. O meu amigo Bakero assinou uma magnífica crónica aqui, onde diz tudo. Falta-nos isso mesmo: alma! Não duvidemos que, se a tivéssemos, não estaríamos a chorar a quarta derrota seguida contra o CRAC, duas das quais resultaram em dois troféus perdidos. As coisas TÊM mesmo de mudar!

segunda-feira, dezembro 21, 2020

Vlachodimos

Vencemos o Gil Vicente ontem em Barcelos por 2-0 e mantivemos distância de dois pontos para a lagartada(1-0 em casa ao Farense com um pseudo-penalty aos 90’ – valeu a pena a choradeira na semana passada em Famalicão...), com o CRAC a dois de nós (2-0 em casa frente ao Nacional).
 
O Jesus fez algumas alterações e o Otamendi, Gabriel e Rafa ficaram fora dos convocados, quiçá a pensar na Supertaça nesta 4ª feira (embora pareça que o Gabriel está lesionado e não vai mesmo poder jogar). O Jardel, Weigl e Pedrinho entraram nos seus lugares e, comparativamente com os últimos jogos, acho que nem estivemos muito mal na 1ª parte. O Gil Vicente tentava sair a jogar desde trás, mas por mais de uma vez maus passes proporcionaram-nos intercepções de bola, infelizmente desaproveitadas por bastante inépcia da nossa parte. Um remate de primeira do Everton a centro do Gilberto, uma recarga do Vertonghen em boa posição na área e um remate do Gilberto de fora da área, que ainda ressaltou num adversário, terão sido as nossas melhores oportunidades neste período. Todavia, do outro lado, bastou um livre para a área e um desvio de cabeça para dar a sensação de golo. Em cima do intervalo, o defesa Ygor Nogueira, apesar de já ter um amarelo pela mesma situação, achou que poderia continuar a saltar com os braços abertos e deixou o Gil Vicente naturalmente a jogar com dez.
 
Na 2ª parte, esperava-se que soubéssemos aproveitar a vantagem numérica e jogássemos ainda melhor. Não aconteceu. De todo! O Taarabt entrou logo no reinício para o lugar do Pedrinho, mas foi o Gil Vicente a criar enorme perigo de cabeça na sequência de dois cantos consecutivos: no primeiro, o Vlachodimos fez uma fantástica defesa e no seguinte a bola foi à barra! Inacreditavelmente o Gil Vicente estava a conseguir criar-nos mais perigo com dez do que com onze e até se pode dizer que nos colocámos em vantagem aos 59’ ‘contra a corrente do jogo’: centro do Gilberto na direita, cabeçada do Everton e desvio de cabeça do Rodrigão para a própria baliza. Pouco depois, foi novamente o Vlachodimos a salvar-nos com uma dupla defesa na sequência de um contra-ataque (sofrer um contra-ataque destes quando se está em vantagem numérica deveria dar multa de, pelo menos, meio mês de ordenado!): a defesa à recarga feita em cima da pequena-área, com o Grimaldo também a cortar a bola, é simplesmente fabulosa! Aos 65’, o Seferovic inventou uma jogada na direita e centrou para a cabeçada vitoriosa do Everton, quase em cima da linha de golo. Assim do nada (na 2ª parte,) vimo-nos com dois golos de vantagem, que fomos bem-sucedidos em manter até final. O Gil Vicente também acusou alguma descrença, o que é habitual, e nós terminámos a partida a circular a bola entre os jogadores, num magnífico futebol sem balizas...
 
Em termos individuais, destaque quase absoluto para o Vlachodimos: evitar o 0-1 e depois o 1-1, tornam-no indiscutivelmente a chave da vitória. O Everton fica um bom lugar-tenente, dado que está nos dois golos. Eu sou suspeito, porque gosto dele, mas é impressão minha ou com o Weigl a 6 a nossa circulação de bola melhora consideravelmente? Quanto aos outros, não saíram da mediania, com o Darwin a ter de ter o seu contrato revisto para lhe retirarem a cláusula que o impede de rematar à baliza em jogos do campeonato... O que é que foram aqueles passes para... ninguém, por mais de uma vez, quando estava em boa posição de remate...?!
 
Nesta 4ª feira, estará em disputa o primeiro troféu oficial da temporada. Será frente ao CRAC e espera-se uma atitude dos jogadores do Benfica consonante com a importância real e simbólica deste jogo.

sexta-feira, dezembro 18, 2020

Final Four

Vencemos na 4ª feira na Luz o V. Guimarães nos penalties (4-1 depois de 1-1 nos 90’) e qualificámo-nos para a final four da Taça da Liga. Alinhámos praticamente com a equipa titular, mas a exibição voltou a ser muito pobre e inclusive estivemos a perder até aos 83’.
 
A primeira ocasião foi nossa, através do Darwin num remate na passada muito ao lado, mas foi o V. Guimarães a inaugurar o marcador aos 16’ numa jogada do Marcus Edwards, que entrou pelo nosso meio-campo adentro e depois libertou na esquerda no Rochinha, que passou pelo João Ferreira como se ele não estivesse lá e assistiu o colombiano Estupinãn para o 0-1. A partir daqui, o jogo teve praticamente só um sentido, mas invariavelmente nós mostrávamos dois tipos de velocidade: devagar e parados. O V. Guimarães fechou-se bem na defesa e, para além de não termos tido a rapidez necessária para a transpor, ligávamos o ‘complicómetro’ na hora de rematar à baliza. Um disparo fraco do Taarabt e uma dupla oportunidade do Everton foi tudo o que conseguimos até ao intervalo. Do outro lado, o Miguel Luís teve um bom remate, na sequência de uma fífia do Jardel, mas o Helton Leite defendeu.
 
Para a 2ª parte, o Jesus fez entrar o Gilberto e Seferovic para os lugares do Waldschmidt e João Ferreira, mas foi só com as entradas do Pizzi e, mais tarde, do Pedrinho que as coisas começaram efectivamente a melhorar. Um cruzamento do brasileiro proporcionou ao Darwin uma excelente oportunidade, mas a cabeçada saiu com a direcção totalmente errada. O V. Guimarães ia tentando o contra-ataque e chegou a aproximar-se com algum perigo da nossa área, enquanto do nosso lado foi um remate do Pizzi, em boa posição, depois de uma finta do Darwin na linha de fundo, que deveria ter saído com mais força. Até que aos 83’ lá conseguimos finalmente empatar do jogo, num penalty do Pizzi a punir falta indiscutível do Poha sobre o Pedrinho. Houve, claro, o saltinho ridículo que me tira do sério, mas o guarda-redes começou a movimentar-se para o lado oposto e, quando corrigiu, felizmente já não foi a tempo de chegar à bola. Até final, ainda pressionámos o V. Guimarães, mas o Darwin viu o guarda-redes Trmal fazer bem a mancha e não o conseguiu desfeitear. Nos penalties, fomos nós a começar primeiro, o que é sempre uma vantagem, e não falhámos nenhum. Ao invés, no V. Guimarães, um dos remates foi ao poste e o Poha, o mesmo que tinha feito o penalty, permitiu a defesa do Helton Leite.
 
Em termos individuais, destaque para o Pizzi e o Pedrinho, que vieram dar o dinamismo que faltava ao nosso jogo, sempre muito mastigado pelo meio e com pouco uso das faixas laterais. Foram praticamente os únicos que se aproveitaram no marasmo total. O Helton Leite voltou a ser titular nas taças, mas já é altura de aprender a dimensão da grande-área. E que jogar com as mãos só se pode fazer dentro dela... E que há timings para sair da área e, uma vez saído dela, não é para estar com dúvidas sobre se joga com as mãos ou os pés...
 
O objectivo foi cumprido sem brilhantismo nenhum. Aliás, dos quatro semifinalistas que jogaram todos em casa (CRAC, lagartada e Braga) só nós é que precisámos dos penalties para passar. O Jesus deve é ter visto outro jogo, porque na flash interview e conferência de imprensa disse que “tivemos qualidade”...

segunda-feira, dezembro 14, 2020

Cinco

Vencemos ontem o Vilafranquense (5-0) na Luz e qualificámo-nos para os oitavos-de-final da Taça de Portugal. O resultado evidencia as facilidades que encontrámos, até porque aos 15’ já tínhamos marcado três golos.
 
O Jesus tinha anunciado que iria rodar a equipa e assim o fez. Logo nos instantes iniciais, o Vilafranquense obrigou o Helton Leite a uma saída corajosa e o Pedrinho conseguiu ganhar posição na área, mas atirou de pé esquerdo muito por cima. No entanto, o golo não tardou muito e foi marcado por um dos que entraram, o Gonçalo Ramos, aos 11’, depois de ser isolado pelo Gabriel e ter contornado muito bem o guarda-redes. Três minutos volvidos aumentámos a vantagem através do Pizzi, de primeira, na sequência de um centro rasteiro do Nuno Tavares na esquerda. Aos 15’, acabámos definitivamente com as dúvidas, noutro bom movimento desta feita do Seferovic, que, após ser assistido pelo Pedrinho, tirou um adversário do caminho com um toque de calcanhar e rematou rasteiro sem hipóteses para o guarda-redes, com a bola ainda a bater no poste antes de entrar. A meio da 1ª parte, o Gonçalo Ramos esteve a centímetros de marcar um golão, ao ser isolado pelo Pedrinho numa bola aérea, dominar de peito e atirar com estrondo de primeira à barra! Do outro lado, a bola bateu igualmente no poste, num livre indirecto dentro da nossa área, mas que não deveria ter valido, porque o adversário só tocou na bola e não a fez rolar antes de o colega rematar. Em cima do intervalo, aos 42’, fizemos o quarto golo num bis do Seferovic, numa boa iniciativa do Nuno Tavares, depois de o Rafa não ter libertado a bola quando devia, com esta a sobrar para um defesa que se deixou antecipar pelo nosso lateral-esquerdo. A assistência do Nuno Tavares não foi nada perfeita, mas o que valeu foi que o Seferovic fez um carrinho e conseguiu colocar a bola na baliza.
 
Na 2ª parte, o Vilafranquense conseguiu fechar melhor os caminhos para a sua baliza, mas nós também tirámos o pé do acelerador, dado que a partida estava ganha. Mesmo assim, ainda tivemos o momento de inspiração do Pedrinho, que se estreou a marcar com um golão num remate em arco com o pé esquerdo, que entrou no cantinho superior esquerdo da baliza contrária. A partir dos 65’, o Jesus, incompreensivelmente, começou a colocar os habituais titulares em campo (Darwin, Taarabt, Everton e Waldschmidt). Depois veio dizer no final que eles não entraram tão bem quanto deviam. Pois claro! O jogo estava ganho, eles têm imensos minutos nas pernas, vamos voltar a jogar já na 4ª feira na eliminatória da Taça da Liga, para quê entrarem com 5-0 a nosso favor...?! Haveria algum problema em o Gonçalo Ramos fazer os 90’, por exemplo...? Até final, a única nota saliente foi mais uma bola ao poste por parte do Vilafranquense. Portanto, mesmo num jogo contra um adversário manifestamente inferior, só não sofremos dois golos, porque a baliza tem postes...!
 
Em termos individuais, destaque para o Pedrinho, que começa a ser candidato à titularidade: um golão, um par de assistências (uma que deu golo e outra uma bola na barra) e muito dinamismo na direita é um bom programa eleitoral. Agora, só falta jogar assim perante adversários mais conceituados. O Seferovic, um eterno mal-amado, marcou outro bis e superou a meia-centena de golos pelo Benfica. Apesar de às vezes nos exasperar, não está nada mal... O Jardel voltou a ser titular, tal como na Bélgica, mas desta feita teve a braçadeira de capitão de volta. Na Bélgica, foi o Vertonghen. Deve ser por não ser preciso falar português na Liga Europa, a justificação que o Jesus deu para que o Otamendi, apesar do seu passado, fosse capitão em vez do belga... Enfim, é melhor nem comentar isto...
 
Veremos o que nos reserva o sorteio dos oitavos, mas estou com o meu amigo Bakero, que nos lembra constantemente a VERGONHA que é para a nossa história termos quatro(!) taças de Portugal ganhas nas últimas 25 épocas!! Há que reverter isto nem é rapidamente; é ontem!!!
 
P.S. – Dado que não éramos cabeças-de-série, já sabíamos que havia a forte probabilidade de apanhar um tubarão no sorteio dos 1/16 avos de final da Liga Europa. Calhou-nos o Arsenal, numa reedição da histórica eliminatória em 1991/92, que deu acesso à fase de grupos da primeira edição da Liga dos Campeões (imortal Isaías!). Considerando todo o peixe graúdo que andava por lá, o sorteio poderia ter sido bem pior, porque os londrinos estão a fazer um campeonato muito fraco até agora. No entanto, têm excelentes jogadores e a eliminatória é só daqui a dois meses, portanto muito pode mudar até lá. E é bom que nós mudemos também... Para bem melhor!

sábado, dezembro 12, 2020

Desesperante

Empatámos em Liège frente ao Standard na passada 5ª feira (2-2) e ficámos em 2º lugar no nosso grupo da Liga Europa. Na realidade (para citar a frase preferida do seleccionador nacional), mesmo que tivéssemos ganho não teria servido de nada, dado que o Rangers ganhou na Polónia ao Lech Poznan (2-0) e tinha vantagem no confronto directo connosco.
 
Com o apuramento já decidido, o Jesus fez algumas alterações na equipa, mas até nem entrámos mal, como Everton muito mexido na esquerda, embora com o eonorme pecado de ter atirado para as nuvens já na área, quando estava em óptima posição. Do outro lado, a primeira vez que o Standard foi à nossa baliza marcou: aos 12’ o Raskin, que tem para aí metade da altura do Jardel, ganhou-lhe de cabeça(!) e atirou sem hipóteses para o Helton Leite. Reagimos bem e restabelecemos a igualdade aos 16’, numa boa combinação entre o Pedrinho e o Taarabt, com este a cruzar para a área à saída do guarda-redes e o Everton a atirar de cabeça de cima para baixo para dentro da baliza. Até ao intervalo, ambas as equipas foram tentando o golo, com o Benfica a começar a desesperar-me com últimos passes invariavelmente mal feitos ou feitos para o jogador que não estava em melhor posição. Quando as coisas saíam bem, o guarda-redes Bodart começou a dar nas vistas para se tornar o melhor em campo.
 
A 2ª parte continuou na mesma onda, apesar de o Standard ter equilibrado a posse de bola. Aos 59’, a enésima má decisão do Taarabt a meio-campo resultou num contra-ataque que acabou no fundo da nossa baliza: o Tapsoba deve ter corrido uns bons 30 metros sem ninguém o importunar e rematou de fora da área para a bola ainda sofrer um desvio no Vertonghen. Apesar da mudança de trajectória, o Helton Leite deveria ter feito bem melhor, dado que a bola acabou por entrar numa zona muito central da baliza. Como o Rangers já ganhava na Polónia, as nossas hipóteses de ficar em primeiro lugar diminuíam exponencialmente. Mesmo assim, o Jesus começou a colocar a artilharia pesada (Pizzi e Rafa) e chegámos novamente à igualdade com um pseudo-penalty sobre o João Ferreira, que não desdenharia ao CRAC nos saudosos anos 90: não há puxão absolutamente nenhum sobre o lateral-direito, que se deixou cair assim que sentiu a mão do adversário. O Pizzi marcou o penalty com o saltinho ridículo antes de rematar (típico do Bruno Fernandes) que me irrita profundamente, porque basta o guarda-redes adivinhar o lado para defender a bola sem dificuldade, dado que ela vai com pouquíssima força. Ainda entraram o Gabriel, Seferovic e Cervi, este para defesa-esquerdo, mas não conseguimos marcar mais nenhum golo. Já na compensação, houve um lance que se tivesse sido na nossa baliza daria certamente golo, mas, como foi na dos belgas, a excelente recepção e não menos fantástico remate do Pizzi de pé esquerdo foi esbarrar no poste.
 
Em termos individuais, não houve assim nenhum jogador que se destacasse muito. O Everton acabou por fazer uma exibição mais bem conseguida do que as últimas e o Pizzi entrou bem. Ao invés, o Waldschmidt atravessa um período de menor fulgor e pareceu contagiado pelo Taarabt nas más decisões no último passe. Falando em Taarabt, na 2ª parte houve um lance paradigmático quando ele, com dois colegas sozinhos na direita, resolveu tentar isolar o Darwin no meio, mas a bola acabou interceptada por um defesa... Dos que jogam menos, ninguém aproveitou a oportunidade, com o Nuno Tavares a confirmar cada vez mais que, se for o futuro lateral-esquerdo da selecção, esta estará mesmo muito mal e o Helton Leite a dar novamente a sensação de que poderia fazer mais nos golos sofridos.
 
Tendo o objectivo da Champions no início da temporada, era só o que mais faltava não conseguirmos o apuramento na fase de grupos da Liga Europa! No entanto, apesar de sermos cabeças-de-série, fizemos apenas os serviços mínimos e ficámos em segundo lugar. Portanto, na próxima 2ª feira, em vez do Young Boys, Slavia Praga, Molde, Maccabi Tel-Aviv ou Antuérpia, pode calhar-nos o Milan, Arsenal, Manchester United, Nápoles ou Tottenham... Enfim, mas não deve haver problemas nenhum, até porque estamos a “jogar o triplo” e “vamos arrasar”...

segunda-feira, dezembro 07, 2020

Milagre

Vencemos ontem o Paços de Ferreira na Luz (2-1) e, com o empate da lagartada em Famalicão (2-2) e a derrota do Braga frente ao Belenenses SAD (1-2), estamos agora no 2º lugar do campeonato a dois pontos dos nossos vizinhos e a manter dois de vantagem perante o CRAC (4-3 em casa frente ao Tondela). Foi a chamada vitória arrancada a ferros, dado que o golo do triunfo surgiu a segundos do final do tempo de compensação!
 
Em nova jornada no meio das provas europeias e com apenas três dias entre jogos, já se calculava que esta partida não seria fácil. Para além disso, íamos defrontar uma equipa que tinha ganho ao CRAC e estava no 5º lugar. Depois de ter entrado bem na 5ª feira e até ter marcado um golo, o Weigl foi titular e o Taarabt também regressou ao onze. Até nem começámos mal, com oportunidades flagrantes para o Darwin e Pizzi, ambos só com o guarda-redes pela frente, mas a não conseguirem colocar a bola na baliza. Do outro lado, o Paços tentou sempre jogar e teve igualmente uma óptima oportunidade com o Douglas Tanque a cabecear na pequena-área (lamentável a forma como o Otamendi foi batido...), mas o Vlachodimos a fazer uma enorme defesa. E foi o Paços mesmo a chegar à vantagem através de um bom remate do lateral-esquerdo Reabciuk na sequência de um canto, depois de o Vlachodimos ter socado a bola e o Rafa não a ter conseguido dominar. No entanto, se o VAR deveria servir para alguma coisa (em vez de invalidar golos por foras-de-jogo de 5 cm...), deveria ser para ter visto que o Vlachodimos estava tapado por um avançado em claro fora-de-jogo na altura do remate. Porém, aparentemente o Sr. Bruno Esteves estava distraído... Desconcentrámo-nos e, logo a seguir, tivemos sorte em não ficar a perder por 0-2, com o Douglas Tanque em óptima posição a atirar por cima. Até ao intervalo, ainda colocámos a bola na baliza, mas esta bateu na mão do Rafa antes da recarga dele, o Taarabt rematou ao lado com o guarda-redes batido, mas do outro lado, num canto, deixámos um adversário saltar completamente à vontade(!) e tivemos sorte, porque a bola também saiu ao lado.
 
Para a 2ª parte, o Jesus resolveu tirar um dos poucos que estava a jogar ao primeiro toque, o Weigl, e o Pizzi, fazendo entrar o Gabriel e Seferovic. Fizemos a igualdade relativamente cedo, aos 58’, numa assistência do Gilberto na direita para bom remate do Rafa na passada. Jogámos pelas laterais e marcámos. Que surpresa...! Entretanto, entrou o Waldschmidt (literalmente) para o lugar do Everton e também não melhorámos nada, porque o alemão não é obviamente extremo. Talvez para tentar contrariar os muitos hatersque (incompreensivelmente) tem por aí, o Gilberto fez a segunda assistência da noite, mas infelizmente foi para o Seferovic ter a sua enésima perdida escandalosa. Logo a seguir, o Darwin, que estava a passar completamente ao lado do jogo, teve uma simulação brilhante e disparou à barra! Quase a chegar aos dez minutos finais, o Jesus resolveu tirar o único jogador que estava a levar a equipa para a frente com as suas arrancadas e, para além disso, que tinha marcado o golo, o Rafa, e colocar o Pedrinho, que deve ter alguma claúsula no contrato que o impede de ir à linha e, portanto, faz sempre a mesma movimentação da direita para o centro. O que segue a tendência da equipa de afunilar constantemente o jogo... O que valeu foi que, com 78’ de atraso, saiu o Taarabt e entrou o Chiquinho, que, apesar de estar longe de ser brilhante, ao mesmo dá alguma fluidez ao nosso futebol e não tem de dar 376 toques na bola antes de a libertar. Aos 94’, o Gabriel, que estava igualmente péssimo, a falhar n passes e a demorar séculos a libertar a bola, teve a única boa acção na partida e cruzou largo da esquerda para o Waldschmidt de cabeça aproveitar a meia-saída em falso do guarda-redes e atirar lá para dentro. Olha, outra jogada pela lateral, outra bola na baliza...! Foi daqueles golos que nos faz amaldiçoar (ainda mais) esta pandemia para o todo sempre por não o poder festejar ao vivo no estádio.
 
Em termos individuais, o Rafa foi o melhor e foi pena que não o pudesse ser durante os 90’. Ao invés, o Darwin e o Waldschmidt raramente fizeram as coisas bem, mas é um privilégio ter jogadores destes que a única acção de jeito que têm em campo pode decidir uma partida (um esteve quase e o outro decidiu mesmo). Continuo sem perceber este sacrifício do Weigl e não é por ter feito o centro do golo que vou achar que o Gabriel é melhor do que ele na posição 6. Prefiro, de longe, jogadores que fazem a bola correr do que aqueles que correm muito, mas emperram o jogo todo. Como é igualmente o caso do Taarabt, cujo timing de libertar a bola tem de levar uma volta de 180º.
 
A exibição foi muito má, salvou-se o resultado. Sim, é de realçar o facto de nunca desistirmos e termos conseguido marcar perto do final em alguns jogos, mas, com este plantel, temos OBRIGAÇÃO de estar a render muito mais! Continuo (sentado) à espera que alguém me explique o que se passou na temporada passada, principalmente o facto de termos feito a melhor primeira volta de uma equipa, desde que existem os três pontos, e uma das piores segundas voltas da nossa história. Tudo na mesma temporada! É que dá a sensação de que é algo que extravasa a questão do treinador, porque se está a repetir esta época, mas em muito menos tempo: começámos bem, todavia, a partir do Bessa, houve uma debacle em termos exibicionais (com naturais consequências em alguns resultados). Aguardo explicações de quem de direito.

sexta-feira, dezembro 04, 2020

Goleada

Vencemos o Lech Poznan na Luz por 4-0 e, a uma jornada do fim, qualificámo-nos para a fase a eliminar da Liga Europa. Foi um triunfo sem espinhas, perante um adversário muito fraco que não só está em 9º lugar no respectivo campeonato, como ainda se apresentou sem alguns titulares.
 
Ao invés, nós apresentámos a melhor equipa, reforçada com o regresso do Darwin depois da Covid-19. No entanto, os primeiros minutos foram de domínio dos polacos, embora sem criarem oportunidades de golo. O avançado deles levou um cartão amarelo logo aos 2’, facto que seria impossível numa competição portuguesa, em que não só ninguém leva amarelo sem que os árbitros abram os braços primeiro a sinalizar “é a última vez que fazes isso”, como a maior parte das vezes nos nossos jogos é um jogador do Benfica a levar o primeiro... Adiante. Nós estávamos a deixar correr um pouco o marfim, quando o Darwin amorteceu para o Pizzi proporcionar uma boa defesa ao guarda-redes, com o uruguaio a falhar inacreditavelmente a recarga. Até que aos 36’, inaugurámos o marcador, num canto do Pizzi para a cabeça do Vertonghen, que assim se estreou a marcar com a gloriosa camisola. Curiosamente, marcámos num canto quando ele foi batido directamente para a área. Ele há com cada coincidência...
 
A 2ª parte foi bem melhor, com os polacos a serem remetidos para o seu meio-campo durante praticamente todo o tempo. Começámos logo com uma oportunidade do Pizzi, que resolveu rematar contra um defesa em vez de abrir para o lado para o Rafa, que estava praticamente isolado. O Jesus preparava-se para refrescar a equipa, quando resolvemos a partida em dois minutos: aos 57’, nova assistência do Pizzi para o Darwin não falhar, e aos 58’ foi mesmo o Pizzi a marcar, com um remate rasteiro de pé esquerdo vindo do lado direito. Logo a seguir, foram ambos para o merecido descanso, juntamente com o Chiquinho, entrando o Waldscmidt, Seferovic e o regressado Weigl. O suíço ainda conseguiu falhar um golo completamente isolado, mas a um minuto do final o Weigl, com um óptimo remate rasteiro de fora da área, fechou o marcador.
 
Em termos individuais, com um golo e duas assistências o Pizzi foi obviamente o melhor em campo. Exaspera qualquer um com os passes para o lado e para trás, com emperrar muitas vezes o jogo, mas depois está nos três primeiros golos e uma pessoa vai dizer o quê...? Também gostei do regresso do Darwin e o facto de ter marcado pode ser muito importante para retomar a confiança. Falando em regressos da Covid-19, saúda-se igualmente o do Weigl e também com um golo. Espero que sirva para entrar de vez na equipa, porque é um jogador que nunca trava a bola e dá enorme fluidez ao nosso jogo. Entre um jogador que corra muito e outro que faça a bola correr, prefiro de longe este último. O não-aproveitamento do Weigl é um dos grandes pecados do Benfica actual. Por fim, gostaria de dizer que ou eu estou muito gagá (o que pode ser) ou o Gilberto está longe, muito longe de ser o pior lateral-direito da nossa história. Vejo toda a gente a cascarimenso nele, mas sinceramente acho que é exagerado. Não é nenhum Nélson Semedo, mas parece-me que as pessoas se esqueceram que tivemos um Douglas, um Corchia ou um Pedro Pereira não há muito tempo... O Gilberto tem algumas lacunas a defender, mas no ataque não se esconde no jogo e de vez em quando tem alguma criatividade a resolver as situações. Não me parece de todo que joguemos com menos um quando ele está em campo. (Agora se, para fazer o que ele faz, valeu em pena ele ter vindo e ter deixado sair o Tomás Tavares, isso já é outra história...)
 
Na última jornada, decidir-se-á quem fica em primeiro lugar no grupo. O Standard Liège ainda esteve a vencer por duas vezes na Escócia, mas no final foi o Rangers que prevaleceu. Assim sendo, teremos de fazer melhor resultado do que eles na 6ª jornada, mas era muito conveniente que ficássemos à frente no grupo para sermos cabeças-de-série no sorteio.

quarta-feira, dezembro 02, 2020

Melhoria

Vencemos o Marítimos nos Barreiros (2-1) na 2ª feira e mantém-se tudo igual na classificação, dado que a lagartada, o Braga e o CRAC também triunfaram nesta jornada. Já se sabe que os jogos depois das competições europeias costumam ser mais complicados (caso que piora este ano, com as jornadas da Uefa a serem condensadas por duas vezes em três semanas seguidas), mas acabámos por fazer uma exibição bastante acima das últimas.
 
Num onze sem surpresas, entrámos bem e o Everton teve um magnífico remate de fora da área que ainda tocou na barra, com o guarda-redes Charles preso ao relvado. No entanto, aos 14’, o Marítimo colocou-se em vantagem pelo Rodrigo Pinho, depois de um falhanço clamoroso do Otamendi. Sentimos um pouco o golo, mas fizemos a igualdade aos 32’ através do Pizzi, com um remate com o pé esquerdo já na área depois de um centro do Grimaldo. Até ao intervalo ainda criámos mais duas boas chances, com um centro do Pizzi que acabou por ser um remate, bem defendido pelo guarda-redes, e uma excelente rotação do Rafa na área a um passe magistral do Everton, infelizmente interceptada por um defesa. De outro lado, houve um cabeceamento perigoso que saiu ao lado.
 
A 2ª parte começou novamente bem e desta feita com o nosso golo da vitória: aconteceu aos 51’. Num bom envolvimento atacante, com uma assistência do Seferovic para o Everton passar por entre dois defesas e rematar rasteiro sem hipóteses para o Charles. A Sport TV mostrou o lance uma dezena de vezes, para ver se conseguia arranjar alguma falta do Gabriel no início da jogada, mas não é por se repetir uma mentira muitas vezes que ela se torna verdadeira. Milagrosamente, a partir daqui o Marítimo deixou de ter lesionados e dividiu o jogo connosco, embora sem criar grandes oportunidades de golo. Também nós não tivemos grande engenho para dar a machadada final na partida, apesar das substituições operadas pelo Jorge Jesus.
 
Em termos individuais, o Everton terá feito dos melhores jogos com a nossa camisola, o que se saúda, dado que a qualidade está lá. O Rafa e o Gabriel estiveram igualmente melhor do que em encontros anteriores e a nossa fluidez atacante agradece o facto. O Seferovic passou despercebido a maior parte do tempo, mas fez a assistência para o golo da vitória. Quando aos piores, acima de todos está naturalmente o Otamendi, que se não quer dar razão às teorias da conspiração, que dizem que ele é um infiltrado, está a disfarçar muito mal...
 
Num ritmo infernal, iremos já amanhã defrontar o Lech Poznan e, esperemos nós, selar a qualificação para os 1/16 avos da Liga Europa. As boas notícias são que o Darwin e o Weigl já recuperaram da Covid-19, pelo que vão permitir rodar mais a equipa. Confesso que estou curioso com o jogo para tentar perceber se esta melhoria exibicional frente ao Marítimo segue na mesma tendência ou não.

sexta-feira, novembro 27, 2020

Recuperação – parte II

Empatámos em Glasgow (2-2) frente ao Rangers e mantemo-nos em igualdade pontual com eles na frente do grupo da Liga Europa, embora com desvantagem no confronto directo por via dos golos marcados fora nos dois jogos. Por outro lado, aumentámos a vantagem para cinco pontos perante o Lech Poznan e o Standard Liège. Dado que aos 77’ estávamos a perder por 0-2, o resultado acaba por ser positivo, à semelhança do jogo na Luz.
 
O Jesus surpreendeu ao dar a titularidade ao Helton Leite na baliza e ao Chiquinho no meio-campo, mas o facto de estarmos com o Weigl, Taarabt e Darwin com covid-19 cria naturalmente dificuldades adicionais na constituição da equipa. À semelhança das partidas anteriores, fizemos uma exibição paupérrima na maior parte do tempo. Sofremos um golo logo aos 7’ pelo Scott Artfield na recarga a uma excelente defesa do Helton Leite e uma bola à barra! Tivemos sempre imensas dificuldades em criar perigo, ou porque o Everton rematava muito por cima em boa posição, ou porque o Seferovic não chegava de cabeça a um bom centro, ou porque uma boa movimentação do Rafa acabava com um remate interceptado por um defesa.
 
A 2ª parte até começou com uma boa oportunidade pelo Waldschmidt, mas a bola saiu ao lado, só que depois continuámos com o enorme problema em entrar na área contrária. E, como não temos ninguém que saiba rematar decentemente de fora da área, a questão era saber quando é que o Rangers marcava o segundo, mesmo sem ter também muitas oportunidades. Fê-lo aos 69’ pelo Roofe num remate de fora da área (lá está, dá jeito ter alguém que o saiba fazer...), depois de ter tido muito pouca oposição da nossa parte (o Vertonghen encolheu-se inclusive na altura do remate!). Caso houvesse VAR nesta competição arriscávamo-nos mesmo a estar já a perder por 0-3, dado que o Vertonghen desviou com a mão um centro da direita. O Jesus foi fazendo alterações e foi o Gonçalo Ramos a ter intervenção directa no 1-2 aos 78’, um autogolo do Tavernier, depois de um remate do nº 88 ter sido defendido pelo guarda-redes e ter ressaltado nele para dentro da baliza. Esse remate do Gonçalo Ramos foi uma recarga a um falhanço enorme do Seferovic, que se encontrava em boa posição. Estávamos por cima dos escoceses, mas mesmo assim poderíamos ter sofrido a machadada final pouco depois, quando um remate defendido pelo Helton Leite subiu na vertical e bateu na barra na descida. Mas lá fizemos a igualdade aos 81’, na nossa melhor jogada entre o Rafa, Gonçalo Ramos e Pizzi, com este a rematar forte de pé esquerdo já na área. Até final, ainda deu para um remate de recarga do Gabriel que saiu ligeiramente por cima.
 
Em termos individuais, não é fácil destacar muita gente, dado que durante a maior parte do tempo jogámos muito pouco. Só com as substituições as coisas melhoraram um pouco e, por isso, mérito para o Pizzi e Gonçalo Ramos, principalmente. Quanto aos ‘menos’, há muitos candidatos, com o Gabriel à cabeça (perdi a conta aos passes errados e perdas de bola), o Waldschmidt esteve igualmente muito longe dos seus dias e o Vertonghen está em ambos os lances de golo sofridos (salta mal na bola à barra no primeiro) e encolhe-se no segundo. O Helton Leite fez duas boas defesas, mas tem de aprender a não as fazer para cima, porque assim a bola vai cair na mesma posição da qual saiu.
 
Só um cataclismo fará com que não consigamos pelo menos um ponto nos dois jogos que faltam. No entanto, seria muito importante ficarmos em primeiro lugar, por causa da vantagem no sorteio dos 1/16 avos de final, mas para isso já dependemos de outros para tirarem pontos ao Rangers.

quarta-feira, novembro 25, 2020

Diego Armando Maradona (1960-2020)

 

Hoje morreu uma (boa) parte do futebol. Numa altura em que não havia YouTubes e afins, tínhamos esperas de quatro anos para poder ver meia-dúzia de 90 minutos deste génio com regularidade. Lembro-me vagamente da desilusão de 82, com a expulsão frente ao Brasil, e tinha dez anos quando o vi ganhar o Mundial 86 sozinho. Marcou-me profundamente a infância e era impossível não achar que estávamos perante alguém de outro mundo, porque efectivamente ele tornava a bola uma extensão do seu próprio corpo. Vi-o fintar adversários com um simples domínio de bola (Argentina - URSS no Mundial 90: aqui aos 1'15'')! A sua vida plena de excessos tornava este momento infelizmente previsível, mas o que vai ficar para a eternidade é o facto de ele ter ajudado a tornar o futebol uma obra de arte. Obrigado, Maradona!

segunda-feira, novembro 23, 2020

Samaris

Vencemos em Paredes (1-0) no sábado e qualificámo-nos para a próxima eliminatória da Taça de Portugal. Num jogo paupérrimo da nossa parte, salvou-se o mais importante.

O Jorge Jesus arriscou bastante ao deixar grande parte dos titulares fora da convocatória e colocar no banco exclusivamente jogadores da equipa B, para além de ter recuperado o Ferreyra para fazer dupla de ataque com o Gonçalo Ramos. Perante uma equipa do campeonato de Portugal, dominámos completamente como seria de esperar, mas não tivemos assim tantas oportunidades de golo. Só marcámos de bola parada, aos 26’ num livre do Cervi e bom cabeceamento do Samaris. O mesmo Cervi e o Ferreyra de cabeça tiveram igualmente boas oportunidades, mas pouco mais de realce conseguimos fazer até ao intervalo.
 
Na 2ª parte, o Paredes lembrou-se que havia uma linha de meio-campo que se podia passar, mas continuou a esquecer-se da baliza contrária. No entanto, nós não melhorámos antes pelo contrário. As coisas foram estando cada vez piores em termos exibicionais, com a escassez de oportunidades de golo a confirmá-lo. O Jesus foi mexendo na equipa, mas, como o próprio disse no final, sem grandes proveitos. Houve muita gente que desperdiçou a oportunidade de se constituir como uma alternativa válida a curso prazo.
 
Entre os menos maus encontram-se o Samaris (pelo golo), o Cervi (muito lutador como de costume) e o Chiquinho (que se entregou ao jogo, embora com alguns passes mal feitos). Ao invés, um daqueles sobre os quais eu tinha mais expectactivas, o Gonçalo Ramos, desperdiçou a oportunidade, bem como o Ferreyra, que não deverá ter outra tão cedo.
 
Daqui a três semanas, teremos já nova eliminatória e é bom que joguemos bastante mais do neste encontro, já que a Taça de Portugal é um troféu que não tem merecido a atenção devida por parte do Benfica, com as três conquistas nas últimas 24 épocas(!) a comprovarem-no vergonhosamente, e isso TEM necessariamente DE mudar.

quarta-feira, novembro 18, 2020

Afastamento da Final Four

Perdemos no sábado (0-1) no Estádio da Luz frente à França e não estaremos na final four da Liga das Nações para defender o nosso título. Foi uma derrota justa perante os campeões do mundo, que se mostraram sempre muito mais perigosos do que nós. O Rui Patrício foi adiando o inevitável na 1ª parte, com umas quantas defesas fantásticas, mas teve alguma culpa o golo do Kanté aos 53', ao largar para a frente um remate. O José Fonte ainda atirou uma bola ao poste, mas não conseguimos bater o Lloris.

Ontem, numa partida sem interesse competitivo para nós, fomos vencer a Croácia em Split por 3-2. Destaque óbvio para o bis do Rúben Dias, com o golo da vitória a ser obtido já na compensação e depois de estarmos a jogar contra dez durante quase toda a 2ª parte. Chegámos ao intervalo a perder por 0-1, com golo do Kovacic aos 29', empatámos pelo Rúben Dias aos 52' na sequência do lance que valeu o segundo amarelo a um defesa contrário, demos a volta ao marcador pouco depois (60') pelo João Félix, numa jogada em que o Diogo Jota ajeitou a bola com a mão (mas não há VAR na Liga das Nações...), porém permitimos a igualdade a uma equipa a jogar com dez aos 64' num bis do Kovacic. Tivemos sorte ao marcar já depois dos 90', num frango do guarda-redes num canto, com a bola a sobrar para o Rúben Dias fazer o segundo golo.

Em termos exibicionais, poderíamos e deveríamos ter feito melhor nestas duas partidas. Contra a França, alinhámos muito a medo e oferecemos praticamente a 1ª parte. Quando quisemos reagir, já fomos um pouco tarde. Contra os croatas, a selecção esteve algo desconcentrada e é incompreensível que tenha sofrido um golo com um remate à vontade de fora da área de uma equipa que estava em desigualdade numérica.

Haverá agora um enorme hiato em termos de selecções e só voltaremos a jogar em Março, com as eliminatórias do Mundial.

terça-feira, novembro 10, 2020

Queda

Perdemos no domingo na Luz frente ao Braga (2-3) e estamos no terceiro jogo consecutivo sem vencer, com duas derrotas seguidas para o campeonato. Com tudo isto, ficámos com quatro pontos de desvantagem para a lagartada no 1º lugar (goleou em Guimarães por 4-0) e apenas dois de vantagem para o CRAC (3-1 ao Portimonense). Ou seja, depois do melhor início de campeonato de há quase 40 anos, com seis vitórias consecutivas, estamos nitidamente a perder gás. Parece a época passada, só que muito mais cedo...
 
O Jorge Jesus surpreendeu ao estrear o Samaris a titular no meio-campo e até nem entrámos mal no jogo. O problema foi que isso só durou 10’ e tivemos apenas uma oportunidade de golo, com um remate acrobático do Vertonghen num canto, mas o guarda-redes Matheus defendeu. O Braga, muito bem comandado pelo Carvalhal, foi muito eficaz a fechar todos os espaços para a baliza e inaugurou o marcador aos 38’, depois de um passe inacreditável do Otamendi, na sequência de um pontapé de baliza, permitir que o Braga recuperasse a bola e o Iuri Medeiros rematasse em arco sem hipóteses para o Vlachodimos.
 
Na 2ª parte, entraram o Seferovic e Gabriel para os lugares do Everton e Samaris, mas o reinício foi desastroso: sofremos o 0-2 aos 50’ pelo Francisco Moura, numa jogada em que a nossa defesa esteve completamente a dormir e permitiu que ele se isolasse, e o 0-3 aos 63’ num erro inacreditável do Vlachodimos, que ficou indeciso entre cabecear e rematar a bola, e acabou por perdê-la para o bis do Francisco Moura. Pouco antes deste golo, foi o Seferovic a cabecear para onde estava virado, quando tinha a baliza completamente à mercê.... Mas foi o suíço a reduzir para 1-3 aos 68’ num bom desvio com o pé direito a um centro do Rafa na direita. Entretanto, o Jesus já tinha feito entrar o Taarabt e Grimaldo para os lugares do Pizzi e Nuno Tavares, e depois à semelhança de 5ª feira substituiu o outro lateral, entrando o Diogo Gonçalves e saindo o Gilberto. Foi o nosso melhor período, com o Seferovic, com uma defesa por instinto do Matheus, e o Waldschmidt, com um falhanço inacreditável na pequena-área, a terem óptimas ocasiões para igualarem o encontro. Do outro lado, o Galeano permitiu um desvio precioso do Vlachodimos e aos 86’ reduzimos mesmo para a diferença mínima, num bis do Seferovic, depois de uma assistência de cabeça do Grimaldo. Fizemos um pressing final e o suíço ainda colocou a bola na baliza nos descontos, mas infelizmente estava em fora-de-jogo.
 
Em termos individuais, o Seferovic, com um bis, tem obviamente destaque e o Rafa terá sido dos mais constantes durante a partida. Tudo o resto esteve muito sofrível, com referência negativa para a defesa com nove golos sofridos em três jogos.
 
De recordar que na temporada passada também fizemos a melhor 1ª volta de sempre e depois o balãoestoirou de uma maneira ensurdecedora. Estes últimos três jogos deixaram-me extremamente preocupado. A equipa demonstra imensas dificuldades em defender e a conseguir dar a volta a resultados negativos. Com o investimento que se fez, é incompreensível que estejamos a assistir a um filme parecido ao do ano passado. Ainda não defrontámos o CRAC e já estamos a quatro pontos de distância da lagartada. Seria bom que os levássemos a sério, porque não só têm um bom treinador como, não estando nas competições europeias, têm muito mais tempo para preparar os jogos caseiros. Corremos o risco de estar a assistir a um Leicester no campeonato português.

sexta-feira, novembro 06, 2020

Recuperação

Empatámos ontem com o Rangers na Luz (3-3) e mantivemos o 1º lugar do nosso grupo na Liga Europa, ex-aequo com eles. Dado que tivemos um jogador expulso aos 19’ e que aos 76’ estávamos a perder por 1-3, foi um excelente resultado.
 

Depois do descalabro do Bessa, o Jesus fez descansar os dois da frente, fazendo entrar o Seferovic e deslocando o Pizzi para as suas costas, com o Rafa a entrar na equipa do lado direito. No meio-campo, também alinhou o Weigl em vez do Gabriel, com o Diogo Gonçalves a repetir a lateral-direita. Não podíamos ter tido melhor entrada, com o primeiro golo a acontecer logo no minuto inicial, numa arrancada do Rafa na direita e centro para a pequena-área, onde o central Goldson fez autogolo. Estávamos a demonstrar alguma dinâmica para afastar os fantasmas do Bessa, quando o Otamendi foi expulso aos 19’, por pretensa falta sobre um jogador isolado. Na repetição, não dá para ver o toque, mas o lance foi muito rápido e tudo bem. Entrou o Jardel, saindo o Pizzi, mas desconcentrámo-nos completamente nos minutos seguintes, com o Rangers a virar o resultado em apenas dois minutos: autogolo do Diogo Gonçalves, que colocou pessimamente o pé à bola (24’), e um remate de fora da área sem oposição do Kamara (25’). Até ao intervalo, conseguimos minimizar mais danos, apesar do Rangers ter estado muito perto do terceiro golo.
 
Não marcou mais golos na primeira, mas marcou logo no início da 2ª parte. O Jesus substituiu os laterais, entrando o Gilberto e Grimaldo (bem-vindo de volta!), mas de nada resultou, porque o Rangers fez o 1-3 aos 51’, numa jogada em que a nossa defesa esteve completamente a dormir e o Morelos só teve de encostar num centro da direita. A perder por dois e com menos um, o jogo estava perdido, certo? Por isso mesmo, não percebi a lógica da entrada do Waldschmidt e Darwin. Ir-se-ia cansá-los para quê? Demonstrando que eu percebo muito disto, o uruguaio foi absolutamente decisivo, ao fazer uma excelente jogada de insistência aos 77’ e oferecer o golo ao Rafa. De repente, nascia uma réstia de esperança, que se efetivou no primeiro minuto de compensação, numa abertura fenomenal do Waldschmidt a isolar o Darwin e este a desfeitear o guarda-redes. O estádio viria abaixo, certamente, se não estivéssemos em tempos de pandemia. Que pena!
 
O destaque individual vai obviamente para o Darwin. Confesso que estranhei o valor que pagámos por ele, mas já não há dúvidas que temos ali uma pérola. Que espero que valha vários títulos antes de valer milhões. O Waldschmidt foi igualmente decisivo na reviravolta e o Rafa terá sido o jogador mais consistente nos 90’. Quanto aos outros, estiveram sofríveis, com destaque negativo para a forma como (não) defendemos, ao deixar o Rangers entrar com relativo à-vontade na nossa defesa durante grande parte do jogo.
 
Estamos numa boa posição na Liga Europa, mas domingo teremos um jogo muito difícil frente ao Braga na Luz, em que a condição física de ambas as equipa não será a melhor. Espero obviamente uma vitória, mas lamento profundamente que esta pandemia não nos deixe dar um enorme aplaudo ao Gaitán, quando ele for substituído ou entrar a substituir alguém. Seria um momento muito merecido a um dos grandes nomes que tivemos o privilégio de ver vestido com nossa camisola nos últimos anos.

terça-feira, novembro 03, 2020

Hecatombe

Caímos com estrondo ontem no Bessa, perdendo inapelavelmente por 0-3 com o Boavista, e não aproveitámos para alargar a vantagem para o CRAC (mantém-se nos cinco pontos), que tinha sido derrotado em Paços de Ferreira (2-3). Para cúmulo, quando toda a gente pensava que este ano iria ser único por causa da pandemia, temos outro facto ainda mais raro: a lagartada está isolada no 1º lugar, com mais um ponto do que nós...!
 
Não há muito a dizer sobre o jogo de ontem. O Jorge Jesus veio dizer no final que se calhar deveria ter feito mais alterações nos titulares (só entrou o Gilberto em vez do Diogo Gonçalves em relação ao Standard Liège), o que me parece óbvio, dado que a equipa simplesmente não esteve em campo. Com tão pouco tempo de recuperação entre jogos e com um plantel tão vasto, não se percebe esta opção de jogar praticamente sempre com os mesmos. Tivemos um golo anulado ao Darwin por fora-de-jogo (já não é o primeiro nem o segundo, definitivamente o uruguaio tem de melhorar neste aspecto), mas no resto da 1ª parte (e a bem da verdade em praticamente todo o jogo) levámos um banho de bola. O Boavista marcou aos 18’ e 38’, respectivamente pelo Angel Gomes (num penalty escusado do Everton) e Alberth Elis, e as estatísticas dizem tudo: a 1ª parte terminou com 11-1(!) em remates a favor dos axadrezados...
 
Depois do intervalo, entraram o Weigl, Seferovic e Rafa, mas só este mostrou algum inconformismo. O Darwin teve um livre directo a rasar o poste logo no início e ficámos por aí. O Jesus esgotou as substituições à passagem da hora de jogo (com o Diogo Gonçalves e Cervi), mas nunca conseguimos criar verdadeiro perigo, perante um adversário que fez pressão à nossa saída de bola até aos 90’! Aos 76’, tudo ficou definitivamente selado com o terceiro golo através do Hamache.
 
Desde este jogo, curiosamente no mesmo local com o mesmo adversário, que não se assistia a um desastre destes para o campeonato contra uma equipa que não os outros dois rivais. Vou naturalmente abster-me de nomear individualmente algum jogador e apenas desejo que este jogo fique recordado por todos como exemplo a não repetir. Temos obrigação de fazer MUITO mais!
 
P.S. – Independentemente do resultado, não se pode deixar passar em claro o odorzinho inconfundível aos anos 90 no Paços de Ferreira – CRAC, cortesia do Sr. João Pinheiro Nuno Almeida e do Sr. André Narciso no VAR: golo inacreditável anulado ao Paços (seria o 2-0 na altura) e penalty fantasma por pretensa mão na bola para o CRAC (que lhe deu o 1-2 antes do intervalo). O Sr. Donato Ramos ou o Sr. Fortunato Azevedo não desdenhariam uma arbitragem destas.
 
P.S. 2 – Quando a fantástica Madga me convidou para fazer o rescaldo na Bancada Independente, eu tinha-lhe dito que se calhar era melhor não, dado que as últimas vezes em que tinha participado no Benfica FM tinham sido antes do jogo do Herrera, depois da vergonha na meia-final da Taça da Liga e a seguir ao último jogo ao vivo antes do confinamento. Não ouviu o que eu disse e o resultado está à vista...! Enfim, para quem queira ter companhia na ingestão de álcool para esquecer o que se passou ontem, pode sempre ver esta catarse colectiva aqui.