Fomos derrotados pelo Braga na final da Taça de Portugal (0-2) e, no ano de maior investimento de sempre na equipa, acabamos a temporada com zero títulos. Era difícil antever pior, mas no fundo o resultado de ontem é de uma maneira distorcida a cereja no topo do bolo, que estava estragado quase desde o início.
Com a lesão do Lucas Veríssimo, o Jesus continuou a aposta no Morato para manter os três centrais, mas não foi por aí que a corda partiu. Desde o início do jogo que o Braga foi sempre muito mais agressivo do que nós nas disputas de bola e terminou a partida com bem mais do dobro das nossas faltas (24 vs. 9), o que diz tudo acerca da nossa falta de comprometimento. É que para se jogar é preciso ter a bola e se não há ninguém que corra atrás dela e que faça pressão para a recuperar... Mesmo tendo entrado melhor do que nós, é impossível dissociar esta vitória do Braga da decisão inacreditável do Sr. Nuno Almeida aos 17’, que o Sr. João Pinheiro no VAR não reverteu: numa bola lançada nas costas da nossa defesa, o Abel Ruiz passou pelo Helton Leite e caiu, e o árbitro considerou falta e expulsou o nosso guarda-redes! É que não só o nosso guarda-redes nem toca no adversário, como este faz a finta para o lado e não na direcção da baliza. Mesmo que se considerasse falta, jamais seria para cartão vermelho! A nossa temporada foi uma vergonha, é um facto, mas lances destes e dois(!) penalties em 34 jornadas também a ajudam a explicar. O jogo ficou logo estragado nesta altura e a nossa vida muito complicada. O Jesus sacrificou o Pizzi para entrar o Vlachodimos, mas até acabámos por defender melhor no resto da 1ª parte só com dez do que o que tínhamos feito com a equipa completa. O Braga só teve uma clara oportunidade, já perto do intervalo, com um corte fabuloso do Otamendi que literalmente salvou um golo, impedindo que a bola chegasse ao Ricardo Horta, que só teria de encostar. No entanto, o nosso ataque era quase inofensivo, porque só o Taarabt levava a bola para a frente e o Seferovic e Everton não são jogadores explosivos, que possam ganhar aos adversários em velocidade. Mesmo assim, tivemos uma óptima oportunidade, na sequência de um ressalto num canto, em que a bola sobrou para o Weigl, que rematou para defesa do Matheus. Quando toda a gente já esperava o intervalo, sofremos o primeiro golo já no final da compensação: saída escusada e disparatada do Vlachodimos, o Vertonghen não cortou bem a bola, que ficou à mercê do Piazon, que fez um chapéu ao nosso guarda-redes. É a segunda final da Taça consecutiva em que o Vlachodimos é muito culpado no primeiro golo.
Na 2ª parte, esperava que o Jesus colocasse o Darwin logo no reinício, porque o Seferovic era claramente um peixe fora de água (nem fechava bem à direita, nem estava na frente), mas não houve substituições. Os minutos iniciais foram claramente do Braga, que só não aumentou a vantagem graças ao Vlachodimos e também por alguma aselhice na hora do remate. Teve no mínimo umas quatro oportunidades para decidir logo ali a partida. Quanto a nós, só aos 55’ resolvemos mexer, com as entradas do Darwin, Rafa e Nuno Tavares para os lugares do Seferovic, Everton e Diogo Gonçalves. Continuo sem perceber o porquê de colocar um esquerdino a defesa-direito, mas o Jesus lá terá as suas razões... Reagimos a partir de meio da 2ª parte, com o Darwin a falhar um desvio na área, depois de um livre bem marcado pelo Taarabt, e o Rafa a não conseguir rematar com êxito em excelente posição, num lance em que houve uma série de ressaltos. Foram as duas únicas jogadas em que estivemos relativamente perto da igualdade, enquanto do outro lado o Vlachodimos ainda defendeu um remate do Abel Ruiz, mas já não conseguiu fazer nada aos 85’ perante o Ricardo Horta, que apareceu isolado à sua frente depois de uma perda de bola do Rafa perto da lateral no nosso meio-campo. A equipa estava descompensada e o contra-ataque foi venenoso. É incompreensível como é que o Rafa tenta sair a jogar daquela maneira! Até final, ainda deu para o entretanto entrado Chiquinho falhar o nosso golo de honra e para o animal do Eduardo, ex-guarda-redes e treinador dos do Braga, agredir com uma peitada o Taarabt, que lhe respondeu, tendo ido os dois para a rua.
Em termos individuais, destaco o Otamendi e Weigl, porque foram os únicos que demonstraram algumas ganas em campo. E que falta nos faz que todos sejam assim...! O Taarabt até estava a fazer um jogo bem mais razoável do que lhe é habitual, mas perdeu a cabeça no final e deitou tudo a perder. O Vlachodimos fez uma série de defesas na 2ª parte, mas fica indelevelmente ligado ao primeiro golo e, portanto, é um dos rostos da derrota. A única boa notícia desta partida é que o Morato não destoou dos outros centrais e pode ser que tenhamos ali uma opção válida para o futuro.
O balanço da época ficará para um post futuro, mas não é difícil de adivinhar qual é. Correu mesmo tudo mal, o que, dadas as opções bastante discutíveis que foram tomadas, não se pode constituir propriamente como uma surpresa. Até digo mais: se acontecesse a outro clube que não o nosso, até consideraríamos que era bem feito e que os astros se teriam alinhado para punir quem merecia ser punido. O problema é que é do Benfica que estamos a falar e, mesmo que seja impossível ter um distanciamento deste género, se conseguirmos fazer esse exercício em teoria, estaremos mais perto de corrigir a situação. Situação, essa, que eu continuo à espera que me expliquem qual foi e que levou à inacreditável implosão da 2ª volta da época passada, tendo aparentemente continuado por esta época toda.