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sexta-feira, outubro 30, 2020

Superioridade (e rescaldo eleitoral)

Vencemos ontem o Standard Liège por 3-0 e estamos na liderança do nosso grupo na Liga Europa com seis pontos, na companhia do Rangers, no final da 2ª jornada. Foi uma vitória indiscutível perante uma equipa que se limitou a defender e fê-lo bem, dado que não tivemos assim tantas oportunidades de golo.

 

Comecemos pelo mais importante e que torna este jogo memorável: ao fim de sete meses e 27 dias, pudemos finalmente regressar à Luz para ver um jogo! Desde 2001 que eu não estava tanto tempo sem ver o Benfica ao vivo! Foi uma emoção enorme poder voltar e, ainda por cima, consegui bilhete para o meu lugar no estádio. Para além disto, uma vitória por 3-0 com uma exibição segura foi a cereja no topo do bolo.

 

O Jesus fez algumas alterações em relação ao Belenenses SAD, com a maior novidade a ser o Diogo Gonçalves a defesa-direito. Embalada pelo público, que passou boa parte do jogo a cantar e aplaudir (as saudades eram incríveis), a equipa começou muito pressionante e a tentar furar a bem fechada defensiva contrária. Mas como os belgas estavam invariavelmente com os 11 jogadores no seu meio-campo, tivemos dificuldades em arranjar espaço, de tal forma que só perto do intervalo o Pizzi, numa recarga de fora da área sem o guarda-redes na baliza, teve a única oportunidade flagrante para marcar.

 

A 2ª parte começou com o Rafa no lugar do inconsequente Pedrinho (ainda está muito verde...) e passámos a jogar com bastante mais velocidade. Aos 49’ fizemos o 1-0 através do Pizzi de penalty, depois de uma falta sobre o Waldschmidt. Logo a seguir, foi o Rafa a falhar o desvio a um cruzamento do alemão e o Standard Liège teve a sua única oportunidade de golo num canto, mas o Vlachodimos defendeu bem (não se percebe, todavia, é como é que num canto dois jogadores adversários ficaram sozinhos na nossa área...). O jogo estava muito mais movimentado e o Darwin teve um remate perigoso ao lado, depois de assistência do Waldschmidt. Até que aos 66’ dissipámos todas as dúvidas, com novo penalty, desta feita, a punir falta sobre o Nuno Tavares, com o Pizzi a deixar o Waldschmidt marcar, o que este fez com um remate colocadíssimo ao ângulo superior direito da baliza. A partir daqui, ambas as equipas começaram a fazer gestão de esforço com as substituições e o resultado final foi feito aos 76’ num bis do Pizzi com um remate em arco que desviou ligeiramente num defesa e não deu hipóteses ao guarda-redes. Até final, ainda vimos a estreia do Gonçalo Ramos na Luz, mas já não teve tempo para nada de relevante.

 

Em termos individuais, destaque para o Pizzi com dois golos, para o Gabriel que permite que a equipa jogue bastante adiantada, pois é quase um muro a meio-campo (embora às vezes se ponha a fintar em local perigoso...) e para o Nuno Tavares que está a ganhar confiança, agora que sabe que será titular nos próximos jogos por causa da lesão do Grimaldo. O Darwin desta vez não marcou, mas não pára quieto o jogo todo e o Waldschmidt também não engana de bom jogador que é. Quanto ao Diogo Gonçalves, depois de uma 1ª parte mais cautelosa, libertou-se na 2ª e pode ser que tenhamos ali uma opção muito válida para fazer o corredor direito.

 

Estamos bem lançados para passar a fase de grupos, mas convém termos noção da importância de ficar em primeiro lugar para evitar adversários teoricamente mais fortes nos 1/16 avos de final. E, para isso, uma vitória para a semana frente ao Rangers na Luz será fundamental.

 

P.S. – Tivemos anteontem nas eleições uma imensa demonstração de benfiquismo. 38.102 pessoas foram votar, estilhaçando em 68%(!) o recorde anterior de eleições em clubes em Portugal, estabelecido por nós em 2012 com 22.676 votantes. Portanto, o grande vitorioso da noite é indiscutivelmente o Sport Lisboa e Benfica. Tal como era de esperar, o Luís Filipe Vieira ganhou com 62,59% dos votos (correspondentes a 22.787 votantes), o João Noronha Lopes teve 34,71% (14.337 votantes) e o Rui Gomes da Silva foi o grande derrotado da noite com apenas 1,64% (603 votantes). Houve ainda 375 sócios que votaram em branco (1,06%). A fila no estádio da Luz demorou umas boas três horas durante a maior parte do dia, o que prova bem a vitalidade do nosso clube, porque duvido que para qualquer outra eleição uma pessoa se dispusesse a perder tanto tempo só para fazer ouvir a sua voz.

 

Como tornei público no post anterior, não votei no Luís Filipe Vieira e preferia que tivesse ganho o João Noronha Lopes, mas a democracia não é só boa quando é a nosso favor. A vitória do actual presidente é incontestável, tanto mais que ganhou em toda a linha: em cada categoria de número de votos e em número de votantes. É certo que teve a mais baixa percentagem desde que é presidente, mais de 1/3 dos votantes preferiam que ele não tivesse continuado (algo que certamente há apenas seis meses estaria longe de lhe passar pela cabeça), mas a maioria dos benfiquistas assim o decidiu e está decidido. Resta-me esperar que este último (tal como ele prometeu) mandato seja pleno de conquistas desportivas. É bom que um dos mais importantes presidentes da história do Benfica saia na mó de cima. Desejo igualmente que daqui a quatro anos, quando voltar a haver eleições, possa haver aquilo que não tem havido desde 2001: debates entre todos os candidatos e cobertura noticiosa da campanha eleitoral de todas as listas por parte dos órgãos de informação do clube. A democracia, tal como se viu pela participação massiva nestas eleições, é muito apreciada por todos nós. E a democracia é mais plena, quando há informação e troca de ideias.


Viva o BENFICA!

terça-feira, outubro 27, 2020

Eleições do Benfica – Os meus 50 votos

Por respeito a quem tem a pachorra de me ler e em nome da transparência, aqui vai o que eu tenho a dizer sobre as eleições para os órgãos sociais do Sport Lisboa e Benfica, que decorrerão amanhã. Peço antecipadamente desculpa por o texto ser longo, mas a ocasião é muito importante. Quem só quiser saber o final, está três parágrafos abaixo.

Em primeiro lugar, quero deixar bem explícito que o actual presidente, Luís Filipe Vieira, já tem o seu nome gravado na história do nosso clube. E não é de agora, é de há muito tempo. Portanto, qualquer que seja o resultado de amanhã, isso não sairá minimamente beliscado. Novo estádio + Seixal + recuperação financeira + tetracampeonato são razões mais do que suficientes para que ele seja um dos mais importantes presidentes da história do Sport Lisboa e Benfica.
 
Em segundo lugar, quero tornar bem claro que, das cinco eleições em que ele se candidatou até agora, votei nele em quatro delas e abstive-me em 2009, por causa disto (foi uma questão formal, mas não pude de todo ser conivente com aquele tipo de procedimentos).
 
Em terceiro lugar, quero dizer que desta vez os meus 50 votos vão para João Noronha Lopes. E passarei a explicar porquê, começando pelas razões por que não voto em Luís Filipe Vieira.
 
1) As eleições servem para avaliar o trabalho que foi feito desde o último acto eleitoral e as propostas para o futuro. Não servem para demonstrações de gratidão, nem para avaliar a obra dos últimos 17 anos. E, nestes últimos quatro anos, este mandato poderia ter sido bastante melhor. Fomos duas vezes campeões, mas falhámos um penta, por falta de investimento na equipa, e ainda estou à espera que me expliquem o que se passou na temporada passada, em que desbaratámos uma vantagem de sete(!) pontos na 2ª jornada da 2ª volta. Não houve até agora nenhuma palavra a explicar este descalabro, que culminou com aquela vergonha na final da Taça.
 
2) Não se pode criticar em Setembro do ano passado a hipotética vinda de “um demagogo qualquer que o que queria era investir para ter uma superequipa, mas se não resultasse aquilo caía num instante” e não se pode ter o CEO da SAD do clube a anunciar uma redução do investimento em finais de Junho passado, e depois gastar-se muito mais do que noutros anos. Como na época do penta, por exemplo. Eu prefiro que o presidente do Benfica invista para ganhar títulos e não para ganhar eleições. E, já agora, não se pode dizer que com ele determinado treinador jamais voltará ao clube e, passado apenas um ano, esse treinador estar de volta. Quem dá o dito por não dito tantas vezes, não se pode admirar que depois não se acredite nele. Pode mudar-se de opinião, mas não um ano depois. Ou, pior ainda, em apenas dois meses...
 
3) Eu continuo a crer que não ganhámos os títulos que ganhámos de forma desonesta. Nomeadamente, obtendo favores de árbitros, como outros fizeram no passado. Mas ter o nome do Benfica envolvido em tantos processos judiciais é algo que me custa imenso e me deixa uma enorme sensação de desconforto. Se fossem só um ou dois, ainda aceitaria, mas infelizmente são muitos mais do que isso.
 
4) Dezassete anos é muito tempo. Tempo demais. Seja para o Luís Filipe Vieira, seja para outra pessoa qualquer. Eu não quero que o meu clube seja igual a outros em termos de longevidade de pessoas no poder. Porque isso inevitavelmente cria vícios e tende a confundir-se o clube e a pessoa. E obviamente o Sport Lisboa e Benfica tem de estar sempre acima das pessoas que o representam. Por alguma razão existe limitação de mandatos para as Autarquias e a Presidência da República. No Benfica, devia ser igual.
 
5) Há um erro que o nosso presidente comete (que é, aliás, apanágio de pessoas que estão em cargos de poder) e que é, a meu ver, grave: confundir críticas a si com críticas ao clube. Não, não é de todo a mesma coisa! Porque isso faria com que nunca se pudesse criticar o presidente, logo ele teria carta branca para fazer o que quisesse. E as eleições eram escusadas, enquanto ele decidisse recandidatar-se. Imaginem que teria sido assim com o Vale e Azevedo. Só não seria ainda hoje presidente do Benfica, porque provavelmente já não existiria Benfica... E não é assim que a democracia funciona. Aliás, a democracia não é algo que nós defendamos só quando nos der jeito. Se for para chegar à presidência através de eleições, tudo bem, mas se for para debater com outros candidatos, sendo-se já presidente, aí já é “ruído”. Não, não se chama “ruído”, chama-se debate de ideias e é absolutamente fundamental num clube democrático. Só é “ruído” se os intervenientes assim o quiserem. Ainda neste ponto, os órgãos de comunicação do clube devem ser órgãos de comunicação... do clube! E não da direcção que está no poder. Seja ela qual for. Dito isto, é óbvio que esta campanha eleitoral deveria ter sido acompanhada quer pela Benfica TV, quer pelo jornal “O Benfica”. Deveria ter havido não só um debate entre todos os candidatos, como tempo de antena para as diferentes candidaturas nesses dois veículos de comunicação do clube. Chama-se democracia e, como disse o Churchill, “é o pior dos regimes, à excepção de todos os outros.” Não é negociável, nem é moldável. Ponto.
 
6) Um pequeno episódio que me marcou: quando o Luisão se tornou o jogador com mais títulos pelo Benfica (a seguir à Supertaça de 2017), houve um evento no relvado da Luz que passou na Benfica TV em que estavam o presidente, o Luisão e as outras glórias mais tituladas (Humberto Coelho, Shéu, Simões e mais um ou outro, que sinceramente não me lembro). Olhei para aqueles craques todos e comecei a pensar no que poderíamos conquistar com eles hoje. Comentário do presidente: “a fortuna que nós faríamos hoje com vocês todos, se ainda jogassem.” É apenas um pormenor, mas significativo para mim. Representa uma diferente maneira de pensar. Muito boa para um gestor de uma empresa. Mas não de um clube. Ninguém vai festejar relatórios & contas para o Marquês. Acho eu.
 
Em relação à outra candidatura, não voto em Rui Gomes da Silva, porque, jamais pondo em causa o seu benfiquismo, nunca votaria em alguém que andou anos a fio a dizer, em plena televisão, que nunca se candidataria contra Luís Filipe Vieira. Ou se tem palavra e se é coerente, ou não se tem e não se é. Além disso, não me esqueço da dificuldade que o Rui Gomes da Silva teve em lidar com a opinião contrária, quando foi ministro, tendo criticando tanto os comentários do Marcelo Rebelo de Sousa ao domingo na TVI, a ponto de este se ter demitido na sequência de pressões que sofreu do director do canal. Pessoas que lidem mal com o contraditório, não, obrigado!
 
Então, porquê votar em João Noronha Lopes?
 
1) Se é verdade que era para mim um total desconhecido até se apresentar a estas eleições, a sua candidatura nasceu no seio de um conjunto de pessoas que me merecem bastante credibilidade e que têm tomado posições públicas sobre o destino do nosso clube ao longo dos anos, nas quais me revejo em muitas delas. Algumas dessas pessoas são candidatas aos seus órgãos sociais na sua lista, o que contribui para reforçar bastante esta candidatura. Para além disso, o seu currículo profissional é irrepreensível e a sua experiência em gestão numa multinacional mais do que o qualifica para gerir um ‘monstro’ como o nosso clube.
 
2) Convenceu-me logo no discurso de anúncio de candidatura ao propor uma revisão estatutária que limite a duração dos mandatos (demonstrando que não se irá perpetuar no poder) e acabe com este absurdo de uma pessoa poder ser candidato a presidente da República mais cedo do que a presidente do Benfica. Outra questão essencial: segunda volta nas eleições quando um candidato não obtiver maioria absoluta. E uma última: as pedras e os edifícios não devem votar. As casas do Benfica são dirigidas e frequentadas por pessoas. Que já são sócias do Benfica. É outro absurdo as casas terem direito de voto também.
 
3) O seu programa eleitoral é suficientemente abrangente e beneficiou de vários contributos que foi tendo ao longo do seu périplo pelas casas do Benfica, e inclusive de outras candidaturas que entretanto desistiram. Isto demonstra uma abertura de espírito que é muito salutar, porque não são só as nossas ideias que são válidas. Para além disso, o facto de existir um programa eleitoral é algo que nos permitirá no futuro responsabilizá-lo, ao verificarmos o seu grau de cumprimento.
 
4) Logo na noite da derrota com o PAOK, veio dizer que não era altura para críticas (leia-se aproveitamento político/eleitoral de desaires), o que, juntamente com as entrevistas e declarações que tive oportunidade de ler e ver, demonstram uma postura que aprecio bastante. É uma lufada de ar fresco em relação a tudo o que temos visto no futebol português nos últimos tempos.
 
Dito isto, se o candidato em quem vou votar não ganhar, obviamente não esperem de mim que me torne oposição do vencedor. Eu sou do Benfica. Não sou da pessoa A ou B. Quem ganhar será o presidente do meu clube que irei elogiar ou criticar, consoante esteja ou não de acordo com as suas decisões. Tal como tenho feito sempre até agora.
 
Para terminar, apelo veemente a que vão votar amanhã. Seja em quem for. Porque o Benfica sairá tanto mais reforçado, quanto maior seja a afluência às urnas. Não deixem que outras vozes se façam ouvir no lugar das vossas. Votem!
 
VIVA O BENFICA!

Regular

Vencemos o Belenenses SAD na Luz por 2-0 e conseguimos a 5ª vitória nos cinco primeiros jogos do campeonato. Algo que aparentemente não conseguíamos desde a primeira época do Eriksson em 1982/83. Foi um triunfo justo, mas só selado definitivamente a quinze minutos do fim, numa partida que fica entre jogos europeus e onde se notou uma menor intensidade da nossa parte.
 
No entanto, entrámos muitíssimo bem, abrindo o marcador logo aos 6’ numa boa cabeçada do Seferovic a centro do Grimaldo. O suíço juntamente com o Weigl foram as novidades no onze, nos lugares do Waldschmidt e do Gabriel. Parecia que estávamos embalados para um resultado tranquilo, até porque o Everton teve uma grande jogada pouco depois em que se isolou, mas o remate foi defendido pelo André Moreira. E, num canto, foi o Seferovic novamente de cabeça a fazer a bola passar perto do poste e a pôr um ponto final no nosso bom futebol perto dos 10’. A partir daqui e até ao intervalo, o Belenenses SAD reequilibrou as coisas, teve um remate que saiu perto do poste do Vlachodimos, enquanto nós passámos a ter alguma dificuldade em conseguir furar a defesa contrária. Uma boa combinação entre cabeças do Everton e Darwin, que terminou com o remate deste à figura do guarda-redes, foi o nosso lance mais perigoso.
 
Na 2ª parte, o jogo não se alterou muito com o Belenenses SAD a ter mais bola durante alguns períodos, mas sem conseguir perigo iminente. O Jesus fez entrar o Waldschmidt e o Pizzi para os lugares do Seferovic e Taarabt (dois a quem pouco saiu bem, tirando o golo do suíço, obviamente) por volta da hora de jogo e as coisas melhoraram, com o alemão a dar outra qualidade ao último passe. Alemão, esse, que teve uma boa oportunidade pouco depois de entrar, mas o remate cruzado saiu ao lado. O Darwin andava atrás de outro golo e até marcou um, mas estava ligeiramente fora-de-jogo, enquanto noutro lance o guarda-redes fez uma boa defesa a um remate seu de pé esquerdo. No entanto, o uruguaio conseguiu mesmo estrear-se a marcar no campeonato aos 75’, quando com uma simulação fintou o guarda-redes e atirou entre as pernas de um defesa, depois de ser isolado do Waldschmidt. Podíamos finalmente suspirar de alívio e não tivemos dificuldade em controlar a partida até ao apito final.
 
Em termos individuais, destaque novamente para o Darwin pelo golo e por nunca desistir de uma jogada. O Weigl deu solidez ao meio-campo e o Gilberto parece estar a subir de forma na direita. O Grimaldo fez uma óptima assistência para o golo do Seferovic, mas saiu lesionado aparentemente com alguma gravidade na 2ª parte. Isto está bonito com os dois laterais titulares lesionados...!
 
Boa vitória, continuação da liderança isolada no campeonanto, mas não podemos descansar, porque teremos novo jogo já na próxima 5ª feira frente ao Standard Liège. Uma partida que irá ser relembrada no futuro por, passado quase oito(!!!) meses, podermos finalmente voltar a ver um jogo ao vivo na Luz (ainda que em número reduzido de espetadores). Até qu’enfim!

sexta-feira, outubro 23, 2020

Instável

Vencemos o Lech Poznan na Polónia por 4-2 e começámos da melhor maneira a fase de grupo das Liga Europa. Somos claramente melhor equipa do que os polacos e a vitória é justa, apesar de os números não reflectirem as dificuldades por que passámos.
 
Especulava-se que iria haver algumas alterações na equipa, mas em relação a Vila do Conde acabou só por entrar o Taarabt, regressado de lesão, e sair o Rafa, tendo o Pizzi ido para a direita. Entrámos muito bem no jogo e inaugurámos o marcador logo aos 9’ num penalty do Pizzi a castigar mão na bola na área, depois de um centro do Waldschmidt. Pensei que íamos embalar para uma exibição semelhante à do Rio Ave, mas sofremos o empate pouco depois, aos 15’, através do Ishak numa jogada em que a nossa defesa foi apanhada em contrapé (e não seria a única vez...). Os polacos poderiam inclusive ter passado para a frente do marcador, mas o remate foi à barra depois de um canto. Nós tínhamos mais posse de bola, mas não criámos grandes oportunidades de golo, porque o último passe estava a custar a entrar. Também a nossa defesa estava longe de ser uma muralha e os polacos conseguiram ultrapassá-la com relativo à-vontade no nosso meio-campo. Perto do intervalo, aos 42’, passámos novamente para a frente na estreia do Darwin a marcar, com uma cabeçada portentosa a um bom centro do Gilberto na direita. Até ao intervalo, o Everton teve um lance em que ficaríamos em superioridade numérica, mas infelizmente adiantou muito a bola e o defesa interceptou-a.
 
A 2ª parte poderia ter começado com o nosso golo da tranquilidade, mas o remate do Waldschmidt foi salvo quase sobre a linha. Ao invés, foram os polacos a igualar outra vez a partida aos 48’, novamente pelo Ishak, numa recarga de cabeça a um remate defendido pelo Vlachodimos, noutro lance em que o adversário entrou sem dificuldades na nossa área. Felizmente, o Darwin estava com a corda toda e, numa excelente jogada individual, tirou um defesa do caminho e fez o 2-3 aos 60’, depois de assistência do Everton. O Jesus tentou solidificar a equipa e fez entrar o Weigl, o Pedrinho e, pouco depois, o Nuno Tavares (o Rafa já tinha entrado ao intervalo). Se, num primeiro momento, até conseguimos manter-nos por cima do jogo, com alguns remates interceptados, o que é certo é que por volta dos 70’ sentimos uma enorme pressão do Lech Poznan, de tal forma que o Jesus teve de fazer entrar o Jardel já perto do fim. Ainda apanhámos mais do que um susto, mas acabámos por selar a vitória já nos descontos (93’) no hat-trick do Darwin depois de uma boa combinação atacante na direita, que terminou num centro do Rafa para o uruguaio só ter de encostar de cabeça.
 
Em termos individuais, óbvio destaque para o Darwin que quebrou a malapata dos golos e logo em grande estilo a triplicar. Quanto aos outros, ninguém mais sobressaiu, com o Gilberto a evidenciar o que já tínhamos percebido (é muito melhor a atacar do que a defender), o Waldschmidt a estar uns furos abaixo de Vila do Conde, o Pizzi a continuar a muito fora dela e o Everton a não conseguir ainda fazer uma exibição de encher o olho, o que é pena, porque a qualidade é indiscutível.
 
O que fica para o futuro é o que interessa mais, o resultado, mas a maneira como (não) defendemos não pode deixar de nos preocupar, porque se dá para o campeonato português, na Europa torna-se manifestamente insuficiente. Mesmo perante equipas europeias de segunda linha como é o Lech Poznan.
 
P.S. – O Jorge Jesus pode ter lá as suas teorias todas sobre os capitães das suas equipas, mas no Sport Lisboa e Benfica um jogador não pode ser capitão no terceiro jogo feito no clube. NÃO pode ponto final! Seja ele quem for e tenha passado pelos clubes por que passou. A questão nem é essa (mas está longe de ajudar, claro). Com Vlachodimos, Rafa e Gabriel em campo, é incompreensível que a braçadeira tenha passado para o Otamendi aquando da saída do Pizzi ao intervalo. Isto é o Sport Lisboa e Benfica! Que já foi capitaneado por nomes como Coluna, Humberto Coelho, Nené e Bento. Um pouco de noção, por favor. Obrigado.

segunda-feira, outubro 19, 2020

Categórico

Vencemos ontem o Rio Ave em Vila do Conde por 3-0 e, com o empate do CRAC no WC (2-2) no dia anterior, estamos agora com cinco pontos de vantagem sobre ambos, embora a lagartada tenha um jogo em atraso. Com apenas quatro jogos decorridos e 12 pontos em disputa, não se pode dizer que saiba mal esta vantagem numa fase tão precoce da competição.
 
Perante uma das melhores equipas do campeonato anterior e que esta temporada só não eliminou o Milan da fase de grupos da Liga Europa porque falhou três(!) penalties, voltámos a rubricar uma excelente exibição e a conseguir uma vitória indiscutível. Confesso que estava com alguma expectativa para esta partida, para ver se a menor qualidade exibicional frente ao Farense era uma excepção ou não. Aparentemente, foi. Entrámos muito bem no jogo e abrimos o marcador logo aos 6’, numa excelente intercepção do Gabriel já no meio-campo adversário, a bola sobra para o Rafa, que centra para a área, o Darwin toca de cabeça para trás, o Everton tira o guarda-redes do caminho com uma assistência de calcanhar para o Waldschmidt e o alemão fuzila. Grande golo! O Rio Ave teve uma boa reacção nos minutos seguintes, apesar de não ter conseguido criar grandes oportunidades de golo, e fomos nós a meter mais duas vezes a bola na baliza, através do Darwin e Waldschmidt, mas ambos os lances foram anulados pelo VAR por centímetros. Entretanto, já o André Almeida tinha sido substituído pelo Gilberto com suspeita de uma lesão nos ligamentos do joelho. Estávamos com uma malapata com o VAR, mas lá conseguimos marcar o segundo golo antes do intervalo, num bis do Waldschmidt depois de assistência do Darwin, que ganhou muito bem uma bola em profundidade a um defesa e não foi egoísta ao assistir o alemão em melhor posição.
 
Na 2ª parte, continuámos a estar por cima do jogo, com o Darwin logo de início a ter um remate rasteiro que saiu perto do poste. No entanto, o Rio Ave reequilibrou a posse de bola e o Piazon obrigou o Vlachodimos a uma boa defesa com o pé, num lance em que um avançado em fora-de-jogo estorva a movimentação do Vertonghen. Queria ver se tivesse sido golo... Começaram as substituições de parte a parte e ainda vimos um penalty ser revertido novamente pelo VAR por pretenso fora-de-jogo do Darwin no início da jogada. Das duas, uma: ou a relva estava mal cortada ou as linhas estavam tortas. É que não pareceu nada fora-de-jogo na repetição. Já se sabe que, com vantagem de dois golos, basta um do adversário para reabrir o jogo e esse esteve quase a vir, caso o Gilberto não tivesse interceptado muito bem com o peito um remate do Gabrielzinho já na área. E não foi o ‘zinho’, mas o nosso Gabriel a terminar com as dúvidas aos 84’, numa recarga vitoriosa a um cabeceamento muito torto do entretanto entrado Seferovic, depois de um centro do Pizzi na direita. Até final, o Sr. João Pinheiro entreteve-se a mostrar amarelos aos nossos jogadores, quando lances semelhantes do outro lado não valeram este tipo de sanções.
 
Com dois golos, seria difícil que o Waldschmidt não fosse o melhor em campo, mas também gostei bastante do Gabriel e do Vertonghen. O Gilberto não entrou mal e ainda bem, dado que ele será o titular nos próximos tempos por causa da lesão do André Almeida. Toda a equipa esteve globalmente bem, com o Darwin a somar mais uma assistência, mas ainda a não ter conseguido estrear-se a marcar.
 
Iremos entrar agora numa série frenética de jogos com o regresso das competições europeias e, se o campeonato é o objectivo principal, temos este ano por via do falhanço na Champions uma oportunidade muito boa de levar muito a sério a Liga Europa. Que é, deixemos de lirismos, a competição europeia que podemos almejar conquistar nos tempos mais próximos. E não é preciso recordar há quanto tempo não ganhamos um troféu europeu, pois não...?

sexta-feira, outubro 16, 2020

Pausa para selecções

Jornada tripla para a selecção com as recepções à Espanha e Suécia e a ida a França. Frente aos espanhóis foi um jogo particular, mas os outros dois foram para a Liga das Nações e o balanço é claramente positivo, com dois empates (0-0) frente a duas das melhores selecções do mundo e a vitória frente aos suecos por 3-0. Posto isto, continuamos na liderança do nosso grupo, em igualdade com os franceses, mas com vantagem na diferença de golos.

Na partida frente aos espanhóis, até foram eles que dominaram, mas nós atirámos duas bolas aos postes pelo Cristiano Ronaldo e Renato Sanches. No Stade de France, dominámos na 1ª parte, embora com um semi-regresso ao futebol sem balizas, mas na segunda a tendência inverteu-se. Contra a Suécia, o Diogo Jota deu show, com dois golos e uma assistência para o Bernardo Silva inaugurar o marcador, num jogo que ficou marcado pela ausência do C. Ronaldo, entretanto infectado com Covid-19. A boa notícia é que se confirma mais uma vez que a selecção não é ‘Ronaldodependente’ e está bastante consistente quer em termos exibicionais, quer de resultados, mesmo sem ter o seu jogador mais famoso.


O apuramento para a fase final da Liga das Nações ficou assim adiado para os jogos de Novembro, em que receberemos a França e terminaremos na Croácia. ‘Bastar-nos-á’ fazer os mesmo resultados dos franceses nos dois jogos, para podermos defender o título que conquistámos na 1ª edição.

terça-feira, outubro 06, 2020

Complicado

Vencemos o Farense na Luz por 3-2 no domingo e estamos neste momento isolados à frente do campeonato, mercê da fantástica vitória do Marítimo em Mordor (pelo mesmo resultado) no dia anterior. A lagartada, que tem o jogo em atraso da 1ª jornada, é a única equipa que ainda pode fazer o pleno de vitórias.
 
Depois das boas exibições em Famalicão e frente ao Moreirense, esperava-se alguma continuidade nesta partida, mas isso não veio a suceder. Com a saída do Rúben Dias e a lesão do Vertonghen, o Jesus faz alinha o Jardel e em estreia absoluta o Otamendi. O Farense fez um óptimo jogo, bastante desinibido e a criar-nos muitas dificuldades. Mesmo assim, chegámos à vantagem logo aos 15’ num remate do Pizzi que ainda foi desviado por um defesa, depois de uma perda de bola dos algarvios e rápida jogada do Rafa, que assistiu o nº 21. Pensei que o mais difícil estava feito relativamente cedo, o que seria um bom tónico para o resto do encontro. Puro engano! O Farense reagiu muito bem e, não fosse uma óptima defesa do Vlachodimos a um cabeceamento, teria chegado à igualdade ainda antes do intervalo. Quanto a nós, as combinações atacantes não saíram com o esclarecimento das duas jornadas anteriores e, por conseguinte, não conseguimos criar tantas oportunidades.
 
Na 2ª parte, entrámos ainda pior do que na 1ª e o Farense chegou à igualdade logo aos 54’. Erro tremendo do Otamendi a pisar um adversário que o VAR puniu com penalty, o Vlachodimos defendeu dois(!) do Ryan Gauld (o primeiro foi mandado repetir por supostamente ter saído da linha de baliza) e, na sequência do canto, o Lucca cabeceou à vontade para o 1-1. Desconcentrámo-nos por completo e só não ficámos a perder pouco depois, porque o Gauld estava em fora-de-jogo quando fez a assistência para golo. Entretanto, já tinham entrado o Pedrinho, Weigl e Seferovic para os lugares do Rafa, Gabriel e Waldschmidt. O Farense continuou por cima, sendo que finalmente a cerca de 25’ do final acordámos. Apesar disto, não criámos assim tantas oportunidades até nos termos colocado novamente em vantagem aos 79’ numa fantástica cabeçada do Seferovic a centro teleguiado do Grimaldo. E foi mesmo o suíço a bisar aos 87’, com um remate enrolado que ainda bateu no poste, depois de uma assistência do Darwin, que não foi egoísta dado que estava em boa posição para marcar. Até final, ainda sofremos mais um golo já na compensação, quando o Otamendi perdeu a bola em zona proibida (embora tenha sido mais que falta a que o Sr. Tiago Martins e o VAR Sr. Vasco Santos fizeram vista grossa) e o Patrick não teve dificuldades em marcar isolado.
 
Em termos individuais, destaque para o bis do Seferovic que foi essencial para a vitória e para o Vlachodimos por ter segurado essa mesma vitória com algumas intervenções importantes. Os restantes jogadores não fugiram muito da mediania e uma menção especial para a estreia do Otamendi, que fez uma 1ª parte com cortes que eu não via desde o Gamarra, mas uma 2ª para esquecer, tendo estado ligado aos dois golos do adversário.
 
O campeonato irá agora parar para as selecções e esperemos que as boas exibições regressem quando voltar. Sim, o Farense jogou bastante bem (mérito para o treinador Sérgio Vieira), mas uma caída assim tão a pique na qualidade do nosso jogo em apenas uma semana não deixa de causar apreensão.

segunda-feira, setembro 28, 2020

Perdulários

Vencemos o Moreirense no sábado na Luz por 2-0 e continuamos na frente e do campeonato, juntamente com o CRAC (5-0 no Bessa) e o Santa Clara. Se há jogos em que se costuma dizer que o resultado foi melhor do que a exibição, neste foi precisamente o contrário: a exibição foi (muito) melhor do que o resultado. Trocando por miúdos, acho que nem nos 10-0 ao Nacional tivemos tantas oportunidades como nesta partida!
 
Com a lesão do Taarabt, o Jesus apostou no Pizzi para o meio-campo. Quando a equipa entrou em campo, percebeu-se logo que seria o último jogo do Rúben Dias pelo Benfica, porque foi o capitão com o André Almeida e o Pizzi igualmente titulares. E a despedida não poderia ter corrido melhor, porque foi o próprio Rúben Dias a inaugurar o marcador de cabeça, na sequência de um canto, logo aos 20’. Já antes, o Darwin tinha falhado isolado perante o guarda-redes, atirando ao lado, e até ao intervalo criámos oportunidades suficientes para ganhar os próximos quatro jogos! Eu nem vou enumerá-las aqui, porque senão este postseria maior do que Os Maias. O Moreirense só tive uma chance na 1ª parte (quer serviu para o jogo inteiro), mas o Vlachodimos defendeu bem para canto um remate desviado.
 
Na 2ª parte, só criámos oportunidades para vencer os próximos dois jogos e a mais escandalosa de todas foi do Waldschmidt que permitiu a intercepção de um defesa depois de o Darwin lhe ter feito uma assistência à saída do guarda-redes. Inacreditável! O jogo ia decorrendo sem que o Moreirense conseguisse criar perigo, mas naturalmente uma vantagem de um só golo deixaria tudo em aberto até final. Pela maneira como a bola parecia não querer entrar, eu já estava a antecipar um sofrimento até ao apito do árbitro, quando, aos 80’ o Darwin se desmarcou pela direita e assistiu primorosamente o entretanto entrado Seferovic, que só teve de encostar. Finalmente podíamos respirar, mas ainda faltava a proverbial bola ao poste (que nunca falha em jogos como este) cortesia do André Almeida quase em cima dos 90’.
 
Em termos individuais, o Rafa foi dos melhores, porque, para além dos piques no ataque, também os fez a defender e recuperou pelo menos umas três bolas graças à sua velocidade. O Everton voltou a mostrar que temos ali um craque, mas infelizmente só deverá durar um ano com a nossa camisola. O Darwin continua sem marcar, mas compensa isso com assistências para golo. O Rúben Dias fica com um jogo para mais tarde recordar para a despedida e irá deixar saudades.
 
Para a semana, jogaremos novamente em casa frente ao Farense e espera-se que a melhoria exibicional se mantenha, porque estamos a jogar já um futebol bastante agradável. E não me venham dizer que é por ser o Famalicão e Moreirense, porque são (pelo menos) da valia do Tondela e Santa Clara e eu ainda me lembro muito bem das nossas exibições frente a eles na Luz na época passada...
 
P.S. – O Rúben Dias irá para o Manchester City por 53M€. Isto porque o Otamendi virá para o Benfica por 15M€. Portanto, os 68M€ não são bem 68M€, porque o Otamendi está claramente sobrevalorizado. Mesmo assim é uma boa verba por um central, ainda por cima nos tempos de pandemia que corremos, e o Jesus foi frontal ao vir dizer que esta venda também foi por causa dele, porque falhámos o acesso à Champions. No entanto, não sei se não teria sido à mesma vendido independentemente do resultado na Grécia, porque já se sabe que, entre resultados económicos e resultados desportivos, aqueles têm sempre primazia. Infelizmente.

segunda-feira, setembro 21, 2020

Goleada

Vencemos em Famalicão por 5-1 na passada 6ª feira e entrámos da melhor maneira no campeonato nacional. Depois da desilusão da Grécia, não poderíamos ter dado uma melhor resposta perante um adversário que foi a grande surpresa da época passada, mas que tendo perdido metade da equipa titular não deve ter uma tarefa fácil este ano.
 
Com somente três dias de intervalo entre os jogos, o Jorge Jesus retirou o Weigl, Pizzi, Pedrinho e Seferovic, e deu a titularidade ao Gabriel, Rafa, Waldschmidt e Darwin. Entrámos muito bem e num livre o Darwin cabeceou por cima, com o Vertonghen logo atrás (o belga teria certamente marcado se a bola lhe tivesse chegado). Continuámos a pressionar o Famalicão e o Waldschmidt atirou às malhas laterais já de ângulo difícil. Mas o alemão acabou mesmo por ser o primeiro marcador deste campeonato ao fazer o 0-1 aos 19’, com um toque de classe por cima do guarda-redes depois de ser isolado pelo Darwin. Logo a seguir foi o Vlachodimos a impedir o empate com uma boa defesa a remate do Guga. Aos 21’, elevámos a contagem numa boa jogada pela direita, com o Rafa a abrir no André Almeida, que centrou atrasado para o Everton rematar rasteiro sem hipóteses para o Zlobin. O jogo estava a correr de feição e o Waldschmidt por pouco não conseguiu fazer o desvio a um centro do Rafa, mas o 0-3 surgiu mesmo antes do intervalo através do Grimaldo (42’) num livre directo perfeito.
 
A 2ª parte começou também muito bem, com o 0-4 a surgir logo aos 52’, numa jogada de insistência do Everton, que apesar de ter escorregado ainda conseguiu assistir o Rafa, para um remate sem hipóteses para o guardar-redes. À semelhança de boa parte das épocas do Jorge Jesus e início da do Bruno Lage, continuávamos a jogar como se estivesse sempre 0-0 e o Waldschmidt teve outra boa oportunidade de cabeça que o pé do Zlobin evitou que entrasse. Mas o alemão acabaria mesmo por bisar aos 66 numa jogada iniciada por ele, que desmarcou o Darwin na direita e correu velozmente para a área, onde recebeu a assistência do uruguaio para um grande golo. No minuto seguinte, o Grimaldo foi inapelavelmente batido pelo Rúben Lameiras, que centrou atrasado para o Guga voltar a marcar-nos, tal como na época passada. Até final, ainda deu para o entretanto entrado Pizzi falhar escandalosamente a meia-dúzia com um remate muito por cima na marca de penalty.
 
Em termos individuais, destaque óbvio para o Waldschmidt pelo bis, o Darwin não marcou, mas fez duas assistências (embora revele alguns problemas de domínio de bola que não se espera de quem custou 24M€...), o Everton não precisa de provar mais nada (e até qu’enfim que, depois do Cardozo, o nº 7 vai para um craque, em vez de andar pelos Corchias e Caios Lucas desta vida...), o Rafa pareceu muito motivado depois do golo na Grécia e o Taarabt não durou só meia-parte. Embora tenha marcado um golão, o Grimaldo ainda está muito longe do seu nível habitual e parecia um infantil no lance do golo sofrido.
 
Eu disse logo que não me pareceu que tivéssemos jogado mal na Grécia e este jogo confirmou isso mesmo. A exibição foi muito boa e tivemos a eficácia que nos faltou em Salónica (embora obviamente o adversário fosse mais fraco). Teremos agora duas partidas em casa para poder comprovar esta evolução em termos exibicionais e amealharmos naturalmente mais seis pontos.
 
P.S. – Já não basta termos entrado em campo, perante uma equipa que alinha de branco, com as camisolas da Académica, como ainda apresentámos esta semana o terceiro equipamento, que é branco e... dourado! Ou seja, nos três equipamentos desta época não há um único que tenha o emblema do Benfica na sua cor original! Louve-se, ao menos, a coerência e o facto de termos feito jackpot: são todos pavorosos! O que me espanta aqui é que ainda ninguém tenha sido despedido depois de aprovar tais aberrações. (Calculo que haja alguém que aprove isto no Benfica, certo? Ou qualquer dia corremos o risco de algum equipamento alternativo apresentar uns belos tons de... verde? Acho que já esteve mais longe...)

quarta-feira, setembro 16, 2020

Fracasso

Perdemos ontem em Salónica contra o PAOK (1-2) e falhámos a possibilidade de entrar pelo 11º ano consecutivo na Liga dos Campeões ao sermos eliminados na 3ª pré-eliminatória. Ou seja, esta temporada não poderia ter começado pior.

Há duas maneiras de comentar jogos: olhando para o resultado ou olhando para a exibição. Eu preferirei sempre a segunda, porque nem tudo está bem quando se ganha, como nem tudo está mal quando se perde. Dito isto, para mim, o resultado de ontem foi injusto. Fomos claramente superiores, em especial na 1ª parte, em que a falta de um avançado eficaz, o guarda-redes Zivkovic e o poste nos impediram de resolver logo ali a eliminatória. O PAOK limitou-se a defender neste período e, mesmo antes de marcar na 2ª parte, tivemos mais uma clamorosa oportunidade pelo Everton, isolado, que permitiu a defesa do guarda-redes. Claro que não pode acontecer que o adversário vá duas vezes à nossa baliza e marque dois golos (63’ e 75’). Ainda reduzimos aos 94’ pelo entretanto entrado Rafa, mas já não fomos a tempo de evitar derrota. Custou-nos bastante, mas também há que ter em conta as vicissitudes  peculiares deste jogo: em tempo de pandemia, foi a uma só mão e o próprio Abel Ferreira, treinador do PAOK, disse que em dois jogos seria muito complicado eliminar-nos e, numa daquelas ironias em que o futebol é fértil, foi um jogador dispensado por nós, Zivkovic, a marcar o segundo golo dos gregos (e o Vertonghen a marcar o primeiro num autogolo...).

Em termos individuais, na 1ª parte, gostei bastante do Everton que, de facto, não engana, é craque, o Pedrinho mostrou mais nos jogos de preparação, mas teve um remate bestial de fora da área que só não golo devido ao guarda-redes (juntamente com o Everton parece rematar bem de longe, o que é logo uma mais-valia dado que desde o Talisca que não temos ninguém que o faça), o Pizzi foi outro dos azarados já que a bola ao poste num livre foi dele, e o Vertonghen pode ser importante na maneira como coloca a bola na frente. Não podemos é atacar uma ida à Champions com o Seferovic a ponta-de-lança. A este nível, não se pode falhar um desvio de cabeça praticamente na cara do guarda-redes. O Mitroglou ou o Jiménez (nem é preciso falar do Jonas) chamar-lhe-iam um figo. Ainda não deu para perceber o grau de eficácia do Darwin, mas lá mexido é ele, conforme se viu quando entrou na 2ª parte. No entanto, é difícil de perceber que o jogador mais caro de sempre do futebol português não tenha entrada directa no onze de qualquer equipa, mas enfim... Mas mesmo não o utilizando, não há é grande justificação para não dar a titularidade ao melhor marcador da Liga do ano passado (com 18 golos) e preferir um avançado que marcou cinco... Não há milagres, de facto.

O lugar natural do Sport Lisboa e Benfica é obviamente na Liga dos Campeões. Portanto, não há como não estar profundamente chateado com o que se passou ontem. Em primeiro lugar, isto é um rombo muito importante nas nossas finanças porque deixámos de ganhar 40 M€. E isto, para quem dá mais importância à parte financeira do que à desportiva, acredito que se sinta ainda pior do que eu. Porém, eu não vou para o Marquês festejar contas consolidadas e vendas de jogadores por 120 M€. Não sendo ingénuo e sabendo como o futebol actual funciona (era muito difícil manter um jogador com uma proposta daquelas), eu teria preferido vendê-lo por 60 M€ e ter ganho mais dois ou três campeonatos com ele entretanto. Tenho é a certeza que nem toda a gente pensaria assim. Porque há quem olhe para as nossas ex-glórias e se ponha a pensar quanto é que valeriam hoje, enquanto eu prefiro contabilizar os títulos que nos ajudaram a ganhar. São maneiras diferentes de se pensar.

Posto isto, e voltando a esta eliminação muito precoce, da mesma maneira que o Rodrigo não passar a bola ao Nolito em Camp Nou também nos custou uma eliminação da Champions, mas iniciou o nosso caminho até Amesterdão, se chegarmos a 26 de Maio de 2021 e virmos em Gdansk o Jardel com os dois braços no ar a segurar um objecto com 65cm de altura e 15kg de peso, eu darei este desaire por bem empregue. Porque já está mais do que na altura de voltarmos a vencer uma competição europeia. Há quase 60 anos, e oito finais depois, que isso não acontece! E a Champions nunca teríamos possibilidade de ganhar. Sim, eu sei, só o facto de entrar na fase de grupos da Champions representa um encaixe duas vezes maior(!) do ganhar a Liga Europa, mesmo vencendo todos os jogos. Mas desculpem, chamem-me lírico ou que quiserem, eu preferirei sempre títulos. E nunca vi ganharmos um europeu. Está na hora!

P.S. – Um dos candidatos à presidência do Benfica aproveitou este desaire (que tinha acontecido há pouco mais de uma hora) para vir logo criticar o actual presidente, nomeadamente pelo investimento feito. Outro dos candidatos esperou pela tarde do dia seguinte para vir dizer que... temos de gostar ainda mais do Benfica quando não ganha. Estamos esclarecidos quanto a posturas.

quarta-feira, setembro 09, 2020

Vitórias na Liga das Nações

A selecção nacional entrou com um duplo triunfo na II edição da Liga das Nações. No sábado, goleou a vice-campeã do mundo Croácia por 4-1 em casa, e ontem foi ganhar à Suécia por 2-0. Como a França também ganhou a estes dois adversários, estão ambas as selecções empatadas com seis pontos no 1º lugar e os confrontos com os franceses irão decidir quem se apurará para a fase final.

No sábado, o Cristiano Ronaldo não pode jogar, mas a selecção deu show na mesma. Quatro bolas nos postes na 1ª parte, poderiam ter conduzido o resultado para números históricos, mas os golos do João Cancelo, Diogo Jota, João Félix (finalmente estreou-se a marcar pela selecção) e André Silva é que materializaram uma vitória indiscutível.

Ontem, na Suécia, o Fernando Santos repetiu 10 jogadores, só entrando o Cristiano Ronaldo, que fez dois golões. O jogo estava bastante complicado até um jogador sueco fazer hara-kiri com um segundo amarelo ainda na 1ª parte, que alterou completamente a partida. Ainda por cima, na sequência dessa falta que valeu a expulsão, fizemos o 1-0 de livre. A exibição não foi tão exuberante como no sábado, até porque se notou algum cansaço dos titulares (não percebo porque é que não entraram um ou outro jogador novo...), mas ganhámos que era o que interessava.
 
Em meados de Outubro regressa esta competição, com a ida a França e a recepção à Suécia.

Pré-época vitoriosa

Vencemos as três partidas efectuadas no Estádio da Luz neste início de pré-temporada 2020/21. No dia 30 de Agosto, 2-1 ao Bournemouth (golos do Taarabt e Everton), no dia 2 de Setembro, mesmo resultado frente ao Braga (bis do Carlos Vinícius), e no passado sábado, dia 5 de Setembro, 2-0 ao Rennes (golos do Pizzi, de penalty, e Gabriel). Houve outros jogos não-televisionados no Seixal, também só com vitórias, mas naturalmente que não posso falar do que não vi.

E do que vi, acho que só por manifesta má vontade é que alguém poderá dizer que não se vêem já bastantes diferenças entre o futebol que apresentámos nestes três jogos e a hedionda parte final da temporada passada. E não cola a desculpa de que o plantel é melhor (embora sendo-o efectivamente), porque nos três onzes titulares a maioria dos jogadores já cá estava na temporada passada. Há muito mais intensidade, maior clarividência atacante, muito mais rapidez na transição ofensiva, a equipa joga muito mais junta, as bolas paradas defensivas deixaram de ser uma aflição constante, enfim, um sem-número de diferenças.

Claro que os olhos estão todos nos reforços, para se ver se merecem o nome, e acho que é seguro dizer que o Everton é-o efectivamente (grande golo e pode ser que tenhamos finalmente alguém, desde o Talisca, que remate regularmente com perigo de fora da área), o Vertonghen, embora só tenha feito o primeiro jogo por causa das selecções, tem um currículo acima de suspeita, gostei de pormenores do Waldschmidt (também só no primeiro jogo) e do Pedrinho (em especial frente aos franceses), e o Gilberto parece um upgrade em relação ao Corchia e Douglas (embora precise de melhorar muito em termos defensivos). Também acho que precisávamos de alguém como o Diogo Gonçalves, que rompesse pela linha (desde a saída do Salvio que não temos ninguém assim), e nem me passa pela cabeça que não fique no plantel. Do novo ponta-de-lança, Darwin Nuñez, não deu para ver grande coisa em 15’. (Espero enganar-me redondamente, mas 24 M€ por um jogador que vem da 2ª divisão espanhola, que só tem uma internacionalização pelo Uruguai e que já tem algum historial de lesões graves no joelho, parece-me um exagero descabido. Repito: oxalá me engane!).

Nesta semana, há selecções e, portanto, não teremos mais nenhum jogo de preparação antes do importantíssimo confronto com o PAOK na 3ª pré-eliminatória da Champions na próxima 3ª feira. Será apenas um jogo, ainda por cima na Grécia, e começamos logo com uma final no primeiro jogo oficial da temporada. As indicações foram boas até agora, mas jogos a sério são outra coisa. Veremos.

segunda-feira, agosto 03, 2020

Vexame

A selecção da Holanda, perdão, o Benfica foi derrotado pelo CRAC por 1-2 na final da Taça de Portugal no passado sábado. Foi a ‘cereja no topo de (um dos piores) bolos’ da nossa gloriosa história, uma época absolutamente pavorosa cujas explicações vou aguardar para nos serem dadas.

 

Não, a vergonha não é perder uma final pela vantagem mínima para o campeão nacional. A vergonha é, depois de tudo o que se passou na temporada, depois de sete pontos de vantagem atirados ao ar, disputar uma final da Taça perante o adversário que nos tirou o título e apresentar aquele futebol, aquela garra e aquela (falta de) vontade de vencer! Vergonha é conseguir perder uma final depois de o adversário ficar a jogar com 10 aos 38’! Vergonha é ter a capacidade de sofrer dois golos de um adversário em inferioridade numérica! Vergonha é não se demonstrar por uns quantos minutos que fosse durante o jogo todo que se merecia ganhá-lo! Vergonha é fazer-nos a todos sentir que, se aquela bola ao poste do Jota já na compensação entrasse e houvesse prolongamento, isso seria uma injustiça (apesar de, obviamente, eu viver muito bem com isso)!

 

Numa partida muito fraca, o CRAC foi ligeiramente melhor enquanto estiveram 11 para 11. Depois de o Sr. Soares Dias ter mostrado o segundo amarelo (e bem, já que até seria vermelho directo) ao Luis Diaz, praticamente em cima do intervalo, passámos a ter naturalmente maior posse de bola, mas sem criar grandes oportunidades. A 2ª parte começou pessimamente, com um frango do Vlachodimos aos 47’ (soca mal uma bola quando só estava rodeado de jogadores do Benfica) num livre para a nossa área e o Mbemba a fazer o 0-1 de cabeça. Logo aí, pela expressão facial dos jogadores do Benfica, se viu que seria muito complicado dar a volta àquilo. E ainda faltava praticamente toda a 2ª parte para jogar! Pior se tornaram as coisas aos 58’ quando, em novo livre para a nossa área, o Mbemba bisou novamente de cabeça. Com as entradas do Taarabt e Carlos Vinícius por volta da hora de jogo, as coisas melhoraram um pouco, porque aquele conseguiu finalmente levar o nosso jogo para a frente. O melhor marcador do campeonato falhou um golo inacreditável ao cabecear pessimamente a bola num cruzamento do André Almeida a cerca de 15’ do fim, mas bateu bem o penalty por falta sobre o Rafa aos 84’, reduzindo a vantagem do CRAC. Já na compensação, o também entrado Jota teve o tal remate de primeira de pé esquerdo ao poste, que teria levado o jogo para um injusto prolongamento.

 

Foi abster-me de fazer apreciações individuais e termino só com o seguinte:

- Alguém considerou que, com a saída do Bruno Lage, o seu treinador-adjunto seria uma boa escolha para o que faltava jogar da temporada, nomeadamente a importantíssima final da Taça de Portugal.

- Alguém considerou que, com a saída do Bruno Lage, o responsável pelo treino das bolas paradas (que tão bons resultados deu durante a época...) seria o melhor para nos permitir ganhar a segunda prova mais importante do calendário nacional. (Que perdemos, oh que surpresa(!), em dois lances de bolas paradas...!)

- Alguém considerou que, com a saída do Bruno Lage, a equipa ficava bem entregue a quem diz, na véspera desta final, que este não era “o jogo mais importante da época” (nem é preciso comentar...).

 

Claro que alguém deveria ser responsabilizado por esta vergonha que se passou no sábado. E, obviamente, pela péssima época que fizemos!

 

P.S. – Agora a sério, que m**** de equipamento é aquele?! Vermelho alaranjado?! Sem um pingo de branco na camisola?! Números a preto nos calções?! Patrocínio da Emirates a preto sobre vermelho alaranjado que faz com que pura e simplesmente seja indecifrável à distância?! Que o marketing da Adidas precise de inovar eu ainda compreendo, mas que não haja ninguém responsável do Benfica que olhe para aquilo e diga “eh, desculpem lá, mas nem pensar!” isso é absolutamente incompreensível! É o equipamento principal do clube, PORRA, “vermelho e branco”(!), é assim tão difícil de entender?!?!

 

Quem acha que basta ter o emblema do Benfica para um qualquer equipamento ser bonito, suponho que não se importe que no futuro a camisola alternativa passe a ser toda verde ou azul, certo?!

segunda-feira, julho 27, 2020

Vitória no derby

Vencemos a lagartada no sábado (2-1) na Luz na última jornada deste triste campeonato e não só os impedimos de ficar em 3º lugar (o Braga venceu o CRAC em casa por 2-1), como ainda vimos o Carlos Vinícius suceder ao Seferovic como o melhor marcador da Liga.

 

No primeiro derby que falhei ao vivo na Luz desde o 3-0 do Mourinho e João Tomás (2000/01) (e esperemos bem que seja o último jogo sem adeptos no estádio), e perante uma das mais fracas equipas da lagartadaque me lembro, o nosso triunfo só peca por escasso (ao contrário do que disse o Rúben Amorim no final). É certo que os lagartos entraram melhor do que nós, mas isso só durou uma dezena de minutos. A partir daí, perante a insistência deles de sair a jogar desde a baliza, mas sem jogadores de qualidade para o fazerem, pressionámo-los, começámos a recuperar a bola no último terço do campo e só a inépcia na altura do remate impediu que fôssemos marcando golos. Felizmente nas bolas paradas fomos mais eficazes e inaugurámos a cotnagem aos 28’ através de uma cabeçada do Seferovic a responder a uma assistência também de cabeça do Rúben Dias na sequência de um canto. Até ao intervalo, ainda vimos o mesmo Rúben Dias a cabecear ao poste noutro canto.

 

Na 2ª parte, forçámos novamente nos minutos iniciais e o Jardel, Gabriel (no mesmo lance) e Cervi tiveram óptimas ocasiões para marcar, mas ou o guarda-redes, ou pontapés na atmosfera ou remates muito tortos impediram-nos de avolumar o marcador. Perante isto, a lagartada reagiu, também atirou uma bola ao poste pelo ainda júnior Tiago Tomás num falhanço incrível do Jardel e aos 69’ conseguiu a igualdade pelo Sporar num remate cruzado de pé direito na sequência de um contra-ataque. Entretanto, já o Carlos Vinícius tinha entrado e foi ele que aos 88’ fez o 2-1 a desviar de pé esquerdo um cruzamento teleguiado do Pizzi, conseguindo assim o seu 19º golo (para a Liga são 18, porque o Sr. Fábio Veríssimo resolveu roubar-lhe um golo frente ao Marítimo) e conquistando o troféu de melhor marcador.

 

Em termos individuais, o Pizzi está nos dois golos, mas continua a ser exasperante na forma como sucessivamente joga para o lado e para trás em jogadas de ataque nossas, emperrando-as sobremaneira, a equipa melhorou bastante (outra vez) com a entrada a meio da 2ª parte do Florentino (não percebo porque é que não foi titular...), o Tomás Tavares na esquerda mostrou-se mais fiável do que o Nuno Tavares (espero que continue assim para a final da Taça) e o Carlos Vinícius mereceu ficar com o troféu de goleador deste campeonato.

 

Em condições normais, teríamos obrigação de golear esta lagartada. A diferença entre os plantéis é abismal, mas ainda assim arriscámos bastante (desacelerando muitas vezes o jogo quando só estava 1-0) e só perto do final garantimos os três pontos. Que não adiantaram nada em relação à nossa classificação, mas os derbies são sempre para ganhar! Para a semana, teremos a partida mais importante da temporada, mas sinceramente não estou nada confiante para a final da Taça. Oxalá me engane, mas a única diferença entre estes jogos do Nélson Veríssimo em relação aos últimos do Bruno Lage é que a bola resolveu entrar. A (pouca) qualidade exibicional mantém-se inalterada.

quarta-feira, julho 22, 2020

Expectável

Vencemos o já despromovido Aves (4-0) em sua casa, numa partida que esteve em risco de não se realizar por causa dos graves problemas financeiros da SAD do Aves, que não paga salários há seis meses e nem sequer o seguro obrigatório para que a equipa possa jogar. Ou seja, alguns anos depois do triste episódio com a U. Leiria, a história repete-se no futebol português. Obrigou-se os clubes a fazerem SADs, estas podem não ser controladas por eles e depois temos situações como a do Belenenses e, pior ainda, esta do Aves. Vem alguém do estrangeiro sem qualquer identificação com o clube nem com o futebol português, compra a SAD e depois, quando o dinheiro falta, é só fechar a porta e o clube e respectivos adeptos que se lixem. Triste, muito triste!

 

Voltando ao jogo, e depois de um primeiro minuto em que os jogadores do Aves não se mexeram em sinal de protesto, começámo-lo praticamente a ganhar com o golo do Rafa aos 4’ num grande passe do Pizzi, que isolou o extremo. Perante uma equipa que, decorrente daqueles problemas todos, nem sequer treinou todos os dias, esperava-se que isto fosse o mote para uma superioridade mais evidente da nossa parte. Puro engano. Estivemos, como em partidas anteriores, muito lentos de processos e o Aves teve uma atitude muito digna, embora sem conseguir criar grande perigo para a nossa baliza.

 

Na 2ª parte, o Aves quebrou fisicamente e nós praticamente resolvemos o jogo com o 2-0 aos 52’ num penalty muito bem marcado pelo Pizzi (ena, ena!!!), que assim passou para a frente dos melhores marcadores com 18 golos, tendo o Carlos Vinícius e o Paulinho do Braga menos um golo. Começou a haver substituições e inexplicavelmente o Veríssimo tirou o C. Vinícius de campo. É certo que o brasileiro não estava a fazer um jogo brilhante, mas está na luta pelos melhores marcadores e, com a classificação já definida e o jogo quase ganho, o nosso treinador acha que é boa ideia tirá-lo de campo aos 64’...?! Sinceramente, não percebi...! A cinco minutos do fim, o Gonçalo Ramos estreou-se com a camisola principal do Benfica e as coisas não lhe poderiam ter corrido melhor: bis aos 87’ e 93’! O primeiro, num desvio de calcanhar muito a propósito na sequência de um livre para a área, e o segundo, num remate sem hipóteses depois de uma assistência do também entretanto entrado Dyego Sousa.

 

Em termos individuais, destaque óbvio para o Gonçalo Ramos e para a influência do Pizzi no marcador, com um golo e uma assistência. O Florentino teve igualmente uma prestação positiva, ao contrário do seu colega de sector, o Gabriel, demasiado lento com a bola. O Svilar, que se estreou na baliza esta temporada, foi apenas um espectador.

 

Iremos receber a lagartada para a despedida do campeonato, antes da final da Taça frente ao CRAC. Eu sei que as atenções mediáticas estão todas viradas para o Jesus, mas é bom que a ‘estrutura’ se capacite que o segundo troféu mais importante do calendário nacional ainda está em disputa. E é fundamental nós ganharmo-lo!