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sexta-feira, maio 07, 2021

Fechado

Empatámos ontem com o CRAC na Luz (1-1) e resolvemos o campeonato. Iremos ficar num inesperado e muito desapontante terceiro lugar, com a lagartada (que já tinha ganho no dia anterior em Vila do Conde por 2-0) a igualar, mas não bater, o recorde do CRAC de 19 anos sem ganhar o campeonato. Conseguir apenas dois pontos nos três últimos jogos, com dois em casa, acho que nem eles conseguem dar cabo disso...!
 
Perante a nossa besta negra de jogos na Luz, tínhamos uma boa oportunidade de amenizar a diferença entre vitórias e derrotas no novo Estádio, mas mais uma vez não conseguimos. O CRAC foi sempre muito mais agressivo na disputa dos lances (com tudo de bom e de mal que isso tem) e, com excepção dos minutos finais, fechou sempre melhor os caminhos para a sua área do que nós. Entrámos em campo com os três centrais e o Pizzi novamente ao lado do Weigl, e o jogo começou dividido, como seria de esperar. As oportunidades rareavam até que com um lance de génio do Everton aos 23’, passando por três adversários e fazendo uma tabelinha com o Rafa, inaugurámos o marcador, num remate rasteiro de fora da área sem hipóteses para o Marchesín. A reacção do CRAC foi forte e até ao intervalo o jogo foi todo deles, apesar de não terem tido nenhuma oportunidade flagrante de golo, já que ou a última bola não chegava ao destino ou a pontaria estava desafinada. Quanto a nós, só em cima do intervalo criámos perigo, com o Sr. Artur Soares Dias a assinalar um penalty a nosso favor por falta sobre o Rafa, mas o VAR viria a invalidar o lance por fora-de-jogo do nosso extremo.
 
Na 2ª parte, conseguimos dividir mais a posse de bola, mas a primeira defesa foi do Helton Leite a um remate cruzado do Marega. Saíamos principalmente em contra-ataque, mas, lá está, sem criar perigo iminente, dado que o (mau) timing dos passes continuava a ser um grande problema. À passagem da hora de jogo, novo penalty revertido pelo VAR, que considerou (e bem) que o Diogo Gonçalves é que pisou o Zaidu antes de ser tocado por este. Entretanto, o Sr. Artur Soares Dias ia recheando de amarelos os nossos jogadores e o Jesus achou por bem tirar dois deles, o Weigl e Rafa, lançando o Gabriel e Taarabt. A substituição do alemão veio revelar-se um erro, com o Gabriel na sua lentidão a perder uma bola em zona muito perigosa, pouco depois de ter entrado, e ao deixar todo o espaço do mundo já na área para o Uribe rematar com êxito aos 75’, fazendo o golo do empate. Claro que o Taarabt é muito mal batido perto da linha, permitindo o centro atrasado à vontade, mas é inconcebível como é que se pode deixar um adversário solto na área, numa jogada que decorre de um pontapé de canto. E preencher esse espaço é da responsabilidade do trinco. O Sr. Artur Soares Dias entrou em acção a dez minutos do fim e influenciou o resultado com duas decisões erradas consecutivas: é ÓBVIO que o Pepe deveria ter visto o segundo amarelo por pisão ao Seferovic (que inacreditavelmente pouco depois vê o amarelo por um lance igualzinho), num lance a meio do meio-campo, e depois o árbitro não deixou que o livre fosse marcado rapidamente num lance que culminou num chapéu vitorioso do Everton. Ora, como o livre foi a meio do meio-campo, não se costuma formar barreira nestes casos. Portanto, o lance é interrompido por... nada! Nem para amarelo! Estávamos naturalmente a reagir depois de sofrer o golo, mas o Jesus demorou muito tempo a lançar o Darwin que, quando entrou, se tornou (como seria de prever) uma dor de cabeça para o adversário. Ainda fomos a tempo de ter mais duas oportunidades flagrantes já nos descontos, com um remate de fora da área do Taarabt que o Marchesín defendeu para... a barra(!), tendo depois a bola ressaltado para as suas mãos (a sorte que acompanha esta equipa hedionda é algo que me revolve as entranhas...!) e, mesmo em cima do apito, chegámos a festejar o segundo golo pelo Pizzi, mas o Darwin estava 30 cm em fora-de-jogo no início da jogada...! Foi um enorme balde de água fria!
 
Em termos individuais, o Everton finalmente abriu o livro e foi o melhor jogador do Benfica. O golo é bestial e só lhe falta maior constância exibicional ao longo dos 90’. Demorou quase uma época inteira, mas até que enfim que estamos a vê-lo criar desequilíbrios! Também gostei do Diogo Gonçalves, com o senão de ter procurado o penalty em vez de criar perigo no tal lance que foi revertido. O resto da equipa exibiu-se a um nível aceitável, embora lhe faltasse alguma agressividade na disputa da bola, especialmente quando do outro lado estão jogadores inenarráveis como o Otávio... Ao contrário do que o próprio disse na conferência de imprensa, tirando a entrada do Taarabt, não acho nada que o Jesus tenha estado bem nas substituições.
 
Esta é uma época perdida e só a conquista da Taça de Portugal a poderá salvar de ter o advérbio ‘totalmente’ antes do adjectivo. Espero que sirva para que finalmente se tire ilações (coisa que, nunca é demais repetir, não foi feita no ano passado), porque, apenas um campeonato ganho (e de um modo milagroso...) nos últimos quatro, é mau de mais para se poder compactuar com isto durante muito mais tempo...

segunda-feira, maio 03, 2021

Mediano

Vencemos em Tondela por 2-0 na passada 6ª feira, mas, como os que estão à nossa frente também ganharam (o CRAC 3-2 em casa contra o Famalicão e a lagartada 2-0 também em casa frente ao Nacional, com o primeiro golo a acontecer já nos 10’ finais, para não-variar...), continuamos à distância de quatro e dez pontos, respectivamente. Ao invés, o Braga perdeu no Marítimo por 0-1 e a diferença para nós aumentou para oito pontos. Foi uma vitória que se construiu na 1ª parte e valeu-nos o Helton Leite na segunda para ser mais ou menos tranquila.
 
Com o Otamendi castigado, voltámos aos quatro defesas, com o Gilberto em vez do Diogo Gonçalves (talvez para o poupar do quinto amarelo, se bem que o brasileiro também esteja com quatro). Na frente, o Waldschmidt voltou a fazer companhia ao Seferovic. O suíço, melhor marcador do campeonato, se perder este título por menos de quatro golos já sabe onde os pode procurar: depois de dois frente ao Santa Clara, houve outros dois falhanços escandalosos neste jogo. O primeiro, ainda antes dos dez minutos, num centro rasteiro do Grimaldo com o Seferovic sozinho perante o guarda-redes a atirar de primeira por cima. O Everton parece estar a subir de forma (finalmente!) e teve de cabeça, depois de um ressalto, outra oportunidade, defendida pelo Trigueira. No entanto, aos 12’, inaugurámos mesmo o marcador através do Pizzi, depois de nova boa jogada do Everton pela esquerda, com um centro que apanhou o nº 21 no extremo oposto para um remate cruzado sem hipóteses para o guarda-redes. O Waldschmidt deveria ter feito melhor num canto, mas o remate de pé direito em boa posição saiu muito por cima. Aos 19’ aumentámos a vantagem através de um golão do Everton: na sequência de um contra-ataque, flectiu da esquerda para o meio e rematou em arco tornando inglório o voo do Trigueira. Ainda antes da meia-hora, o Tondela reagiu e o Helton Leite fez bem a mancha ao Mario González impedindo que fôssemos para o intervalo com a vantagem mínima. Nós fomos baixando o ritmo com o 2-0 e foi o Tondela a criar outra oportunidade mesmo em ciam do descanso, com o Lucas Veríssimo a interceptar bem um remate do mesmo Mario González.
 
Na primeiro quarto-de-hora da 2ª parte, o jogo não se alterou muito e podemos agradecer ao Helton Leite ter tirado dois golos ao Tondela e à falta de pontaria do Mario González outro. Entretanto, o Jesus já tinha feito duas substituições, com as entradas do Chiquinho, especialmente, e Pedrinho (para os lugares do Waldschmidt e Rafa) a começarem a produzir efeito a seguir à segunda enorme defesa do Helton Leite, conseguindo nós finalmente reequilibrar o meio-campo e controlar muito melhor as investidas dos beirões. A cerca de 20’ do fim, o Seferovic falhou novo golo literalmente na cara do Trigueira, depois de bem isolado pelo Pizzi, proporcionando a defesa deste com o pé. Pouco depois, foi mesmo o Pizzi num remate em arco, também em boa posição, a fazer a bola sair por cima. Até final, um livre do Grimaldo a rasar o poste e nova defesa do Trigueira perante o entretanto entrado Cervi, isolado, poderiam ter-nos feito aumentar o marcador.
 
Em termos individuais, destaque óbvio para o Everton com um golo e uma assistência. Já não era sem tempo de um dos reforços mais importantes da época mostrar que o é efectivamente e pode ser que esta sequência de jogos seja o wake up call que todos esperamos desde o início da temporada. Voltei a gostar bastante do Chiquinho, cuja entrada estabilizou o nosso jogo e continuo sem não perceber porque é que ele não está mais tempo em campo... O Rafa esteve discreto, bem como o Waldschmidt e o Seferovic não, mas pelas piores razões: que falhanços inconcebíveis! Palavra final para o Helton Leite, cujas intervenções foram fulcrais para manter as nossas redes em branco.
 
Iremos agora defrontar o CRAC na Luz, num jogo fundamental para as aspirações do 2º lugar. Ou ganhamos e ainda nos mantemos na luta, ou não ganhamos e falhamos também esse objectivo. Por outro lado, e dado que temos um histórico miserável em jogos contra o CRAC na Luz, nunca será tarde começarmos a inverter isso. Pode ser já nesta 5ª feira.

terça-feira, abril 27, 2021

Sofrível

Vencemos o Santa Clara na Luz por 2-1 e reduzimos a diferença para o CRAC para quatro pontos, dado que eles empataram em Moreira de Cónegos por 1-1. Por seu lado, aumentámos para cinco a distância para o Braga, que perdeu em casa com a lagartada (0-1), apesar de estar a jogar com mais um jogador desde os 18’! Em termos objectivos, acabou por ser uma jornada positiva, se bem que o nosso resultado é quase lisonjeiro dado que a exibição voltou aos fracos patamares de quase toda esta temporada.
 
Apesar da especulação, continuámos com o esquema de três centrais, e o Weigl e Everton regressaram à titularidade, por troca com o castigado Gabriel e o Taarabt a fazer o Ramadão. A nossa bipolaridade exibicional dos últimos jogos voltou a revelar-se em todo o seu esplendor. Jogamos muito melhor fora de casa do que na Luz e o Santa Clara, à semelhança do Gil Vicente, fez um jogo bastante bom e com um pouco mais de sorte estaríamos aqui agora a chorar pontos perdidos. Um dado singelo resume bem a partida: tivemos apenas um(!) remate enquadrado com a baliza, contra sete(!) dos açorianos. O jogo começou muito dividido e, numa boa combinação atacante, o Pizzi rematou rente ao poste de pé esquerdo. O Santa Clara respondeu pouco depois, num lance em que o Helton Leite ia colocando a bola na baliza, na sequência de uma defesa com o braço. Aos 26’ inaugurámos o marcador, através do segundo autogolo consecutivo na Luz, desta vez do Carlos Júnior, que cabeceou para a sua própria baliza na tentativa de cortar um centro do Everton, depois de uma boa jogada deste. Ainda antes da meia-hora, foi o Seferovic a falhar um golo cantado, atirando por cima praticamente na pequena-área e só com o guarda-redes pela frente, não conseguindo materializar uma óptima assistência do Diogo Gonçalves. Até ao intervalo, foi o Santa Clara a rematar mais vezes, mas felizmente a pontaria não esteve afinada.
 
Esperava-se que a 2ª parte, à semelhança de Portimão, fosse melhor, mas aconteceu exactamente o oposto. Até sofrermos o golo do empate, ficámos nos balneários. O Helton Leite teve uma defesa magistral a um livre sob o lado esquerdo, mas aos 62’ já não conseguiu fazer nada perante um remate à entrada da área do Anderson Carvalho, depois de uma recuperação de bola dos açorianos, quando nós tentávamos sair a jogar e o Otamendi viu o seu passe interceptado por um adversário. Pouco antes do golo, já tinha entrado o Chiquinho para o lugar no Everton, na tentativa de reequilibrar o meio-campo, em que o Pizzi a oito via o jogo passar todo ao lado dele... Mas também não demorou muito para o nº 21 sair, entrando o Darwin. Fomos voltando a estar mais por cima da partida e aos 73’ recolocámo-nos na frente, com uma boa jogada pela direita do Rafa e Diogo Gonçalves, com este a cruzar atrasado para a entrada de rompante do Chiquinho a atirar de pé esquerdo já na área, sem hipóteses para o guarda-redes Marco Rocha. A cerca de 10’ do fim, noutro bom centro do Diogo Gonçalves, o Seferovic tirou-me do sério quando tentou rematar de calcanhar, em vez de ser normalmente, falhando assim uma oportunidade clamorosa de acabar com as dúvidas quanto ao vencedor. Logo a seguir, o Jesus esgotou as substituições com as entradas do Gilberto, Pedrinho e Waldschmidt para os lugares do Diogo Gonçalves, Seferovic e Rafa. Até final, ainda deu para o Darwin fazer igual a Portimão e tentar assistir um colega (neste caso, o Waldschmidt), quando estava em boa posição, mas a falhar de maneira quase escandalosa o passe, e para o Santa Clara assustar com um remate já em tempo de compensação que o Helton Leite só segurou à segunda. O Weigl e o Otamendi também viram amarelos neste período e vão ser baixas para a deslocação a Tondela.
 
Em termos individuais, destaque para o Chiquinho não só por ter marcado o golo da vitória, como por ter mexido com o nosso meio-campo. Já aqui o disse e volto a repetir: não percebo a razão da sua ostracização, porque o acho bastante melhor do que o Pizzi e Taarabt para a posição oito. Tem mais dinâmica sozinho do que aqueles dois em conjunto, defensa muito melhor que ambos, não emperra o jogo e faz a bola circular com muito mais rapidez, chega com muito mais perigo à área do que o marroquino, enfim, um sem-número de características que, no mínimo, justificariam bastantes mais oportunidades. Outro elemento que esteve bem foi o Diogo Gonçalves, com um par de assistências perfeitas a serem ingloriamente desperdiçadas pelo Seferovic. Quanto aos outros, estiveram todos num patamar muito inferior.
 
Iremos agora a Tondela com aquelas duas baixas já confirmadas, antes de recebermos o CRAC. Não podemos facilitar se ainda queremos ter esperanças de alcançar o segundo lugar, mas como o jogo é fora de casa a expectativa é que corra melhor. Porque deve haver certamente alguma coisa no ar da Luz que nos faz jogar bastante pior em casa do que fora...

domingo, abril 25, 2021

Benfica FM | Temporada 1989/90

Mais uma viagenzinha no tempo com os meus amigos Nuno Picado e Bakero do Benfica FM, desta feita à época em que fomos pela última vez à final da Taça dos Campeões Europeus, a segunda no espaço de três anos. Foi no regresso do muito desejado Eriksson e foi igualmente a grande temporada do Magnusson no Benfica, com uns incríveis 40 golos em 44 jogos (33 em 34 no campeonato). Mas claro que o que toda a gente mais se recorda é da inolvidável meia-final com o Marselha. Acabámos por só ganhar a Supertaça (ao Belenenses), o que fez desta uma temporada negativa, mas pudemos sonhar até ao fim e estivemos perto do Olimpo.

sexta-feira, abril 23, 2021

180º

Goleámos em Portimão por 5-1 e a diferença para a lagartada reduziu-se para dez pontos por via do seu empate caseiro frente ao Belenenses SAD (2-2, com um penalty no último lance do encontro a manter-lhes a invencibilidade). À nossa frente continua o CRAC a seis pontos (1-0 em casa frente ao V. Guimarães) e dois pontos atrás de nós está o Braga (2-1 em casa contra o Boavista).
 
Com o Weigl a ficar inesperadamente de fora por causa da gravidez da mulher, voltou o Gabriel para a posição seis, e o Pizzi entrou para o lugar do Waldschmidt. A nossa 1ª parte foi absolutamente de fugir! Muito lentos e previsíveis, praticamente sem sequer conseguir chegar à baliza do Portimonense, foi o regresso de um marasmo que pensávamos já estar definitivamente para trás. Os algarvios não se limitavam a defender e inauguraram o marcador aos 43’ através do Beto, numa desmarcação nas costas da nossa defesa. As perspectivas eram as piores, porque não estávamos a jogar nada e víamo-nos em desvantagem em cima do intervalo. Felizmente, no único lance de jeito mesmo no final do tempo de compensação da 1ª parte, o Vertonghen abriu no Grimaldo, este assistiu de cabeça o Pizzi, que se antecipou a um defesa e só com o guarda-redes pela frente não falhou. Foi essencial não termos chegado ao intervalo a perder.
 
Na 2ª parte, o Jesus tirou o Gabriel (que estupidamente tinha visto um cartão amarelo logo aos 5’...!), colocou o Darwin e a nossa transfiguração foi completa. Foi arriscado ter tirado o trinco e deixar o meio-campo entregue só ao Pizzi e Taarabt, que não são propriamente reconhecidos pelas suas capacidades defensivas e de recuperação de bola, mas o que é facto é que correu bem. Ainda nem um minuto tinha decorrido, quando o Darwin completamente à vontade não conseguiu acertar na baliza, depois de uma boa triangulação na direita entre o Diogo Gonçalves, Rafa e Pizzi, culminada com um centro deste. Mas foi o próprio Darwin a colocar-nos em vantagem aos 50’ numa arrancada como só ele consegue fazer, depois de um passe em balão do Taarabt, em que bateu dois defesas e nem acertou em cheio na bola como queria, mas foi o suficiente para bater o guarda-redes Samuel. O jogo ficou completamente partido, com o Beto ainda a dar dores de cabeça ao Helton Leite, que se teve de aplicar a fundo num remate de fora da área, mas connosco também a tentar aumentar a vantagem, com o Darwin a serviu mal o Seferovic, quando estavam os dois isolados, dando tempo ao defesa para recuperar. Porém aos 64’, o jogo pendeu definitivamente para o nosso lado, com o 1-3 numa boa jogada do Diogo Gonçalves na direita para servir o Seferovic na área, que rematou colocadíssimo com o pé direito. Nove minutos depois, o suíço bisou, desta feita com assistência do Grimaldo, e colocou-se na frente dos melhores marcadores do campeonato com 18 golos. O Jesus começou então a gerir o plantel e foi o entretanto entrado Everton que fez o resultado final de 1-5, quando desmarcado pelo Pedrinho (que também tinha entrado) se antecipou ao guarda-redes e não perdeu a frieza já de ângulo difícil, colocando a bola entre o defesa e o poste. 
 
Em termos individuais, destaque para novo bis do Seferovic e a entrada do Darwin mexeu muito com a equipa. Apesar de um falhanço incrível e uma assistência mal feita, foi com o golo do uruguaio que a reviravolta se consumou. Mas em geral a equipa subiu muitíssimo de produção na 2ª parte, dando uma autêntica volta de 180º em relação ao que tinha acontecido nos primeiros 45 minutos.
 
Até final do campeonato, vamos ter jogos também a meio da semana, mas esperemos que a equipa consiga manter este nível da 2ª parte de forma mais constante. Iremos receber os dois primeiros classificados e seria muito bom que não tivéssemos interferência nenhuma na luta pelo título, agora que a lagartada desbaratou seis pontos e só tem quatro de avanço frente ao CRAC. Ganhemos os jogos todos e vejamos em que lugar isso nos colocará no final.

segunda-feira, abril 19, 2021

Desastre

Perdemos no sábado na Luz frente ao Gil Vicente (1-2) e não só dissemos adeus definitivo às (parcas) hipóteses de ainda tentarmos o 1º lugar (a lagartada ganhou 1-0 em Faro e está agora a 12 pontos), como também colocámos o 2º muito difícil (o CRAC foi ganhar à Choupana também por 1-0). As coisas só não ficaram piores, porque o Braga empatou 0-0 em Vila do Conde e assim ainda ficou a dois pontos de nós.
 
Depois de sete vitórias consecutivas, sem golos sofridos, nada fazia prever o que se passou. Poderia ter sido daqueles jogos em que tivéssemos tido um azar enorme, com uma pressão asfixiante que não resultou em golos e o adversário ia lá uma vez e pronto. Mas não. Perdemos e perdemos bem, porque o Gil Vicente foi sempre melhor equipa do que nós. Dominou em muitos períodos da 1ª parte e jogou para ganhar. Com a boa experiência dos jogos passados, voltámos a apresentar o esquema de três centrais, mas os primeiros 45 minutos foram oferecidos ao adversário. De tal forma, que o Gil Vicente inaugurou o marcador aos 35’, através de um remate bem colocado de fora da área do Leautey. Quanto a nós, só no período de compensação(!) é que rematámos à baliza, ou melhor, ao lado da baliza, num cabeceamento mal dirigido do Waldschmidt.
 
Na 2ª parte, o Jesus desfez os três centrais, tirando o amarelado Lucas Veríssimo, e fez entrar o Everton. Logo na primeira jogada, o Everton, com o caminho livre à sua frente para correr pela esquerda, fez o habitual: travou e flectiu para o meio... Percebeu-se logo ao que vinha...! Melhorámos um pouco depois do intervalo (também melhor fora...), mas foi do Gil Vicente a primeira oportunidade, num remate rasteiro ao segundo poste, depois de um centro largo, que passou perto do alvo. Quanto aos nossos lances de perigo, os poucos que houve foram desperdiçados pelo Seferovic: uma recarga a rasar o poste, depois de um remate seu à meia-volta que tinha sido interceptado, um toque meio de calcanhar por cima, depois de o guarda-redes ter desviado um cruzamento, e, o pior de todos, um remate de pé esquerdo em excelente posição, sozinho na área, ao lado depois de um centro do Rafa na direita. Entretanto, já o Jesus tinha tirado o Taarabt, que está estava a ser dos melhores, para colocar o Pizzi, o que se revelou um grande erro (e eu sou absolutamente insuspeito para dizer isto) e o Waldschmidt para dar lugar ao Darwin, que, este sim, entrou bastante bem. O tempo ia decorrendo, nós não conseguíamos marcar e o Gil Vicente atacava menos, mas quando o fez aumentou a vantagem: aos 81’, numa boa jogada pela esquerda, o Lourency desfeiteou o Helton Leite, que não foi expedito a sair da baliza e acabou por ver a bola entrar pelo ângulo que ele supostamente deveria estar a proteger. Tantas loas pelos minutos sem sofrer golos e depois é isto... Ainda tivemos um assomo de dignidade e reduzimos a vantagem na única acção positiva do Pizzi, que fez um passe de 40 m a desmarcar o Rafa na direita, que rematou para defesa do guarda-redes, tendo a bola ressaltado no Vítor Carvalho e entrado na baliza. Só com um autogolo é que conseguíamos marcar... Até final, o entretanto entrado Pedrinho rematou ao lado de fora da área, quando poderia eventualmente ter continuado a jogada, e, mesmo no final da compensação, o Otamendi à entrada da área, depois de boa jogada de insistência do Darwin, rematou ao lado com o guarda-redes já batido.
 
Em termos individuais, não vou destacar ninguém, porque perder um jogo destes em casa frente ao Gil Vicente é mau demais para se poder ter alguma condescendência.
 
Resta-nos lutar para assegurar o 3º lugar e esperar que não nos saia um PAOK qualquer desta vida nas pré-eliminatórias da Liga dos Campeões. E, claro, assegurar a conquista da Taça de Portugal. Independentemente de tudo, espero que no final, ao contrário da temporada passada, se faça um balanço para saber o que, de facto, correu mal. Porque, neste momento, o que está em dúvida é saber se esta temporada vai ser apenas má ou péssima.

segunda-feira, abril 12, 2021

Seferovic

Goleámos no sábado em Paços de Ferreira (5-0) e aumentámos a diferença para três pontos em relação ao Braga (1-1 em casa frente ao Belenenses SAD), reduzindo igualmente para nove para a lagartada (1-1 em casa frente ao Famalicão). Só o CRAC (2-0 em Tondela) não perdeu pontos para nós nesta jornada, mantendo-se três à nossa frente. Neste caso, o resultado não é enganador e fizemos mesmo um dos melhores jogos da temporada num campo difícil perante um adversário que está a ser a surpresa do campeonato e irá muito provavelmente conseguir o apuramento para a Liga Europa.
 
O Jesus voltou ao esquema de três centrais e, neste momento, parece mesmo a melhor opção essencialmente por duas razões: os laterais ficam bastante mais libertos e verticais, especialmente o Grimaldo na esquerda sem o Everton à sua frente (que pára constantemente o jogo) e o Taarabt toca menos vezes na bola, o que é uma enorme vantagem dado que deixa de emperrar tanto o nosso jogo. A partida começou com mais um penalty não marcado a nosso favor logo aos 4’, por empurrão ao Waldschmidt que, por causa disso, chocou com o guarda-redes Jordi. Nem o Sr. Hugo Miguel nem o sr. Tiago Martins no VAR quiseram ver alguma coisa... Típico! Pouco depois, foi o Seferovic a ser isolado e derrubado fora da área pelo guarda-redes, mas o inefável VAR assinalou fora-de-jogo. O Paços tentava jogar taco-a-taco connosco, mas o seu desiderato ruiu aos 22’, quando o Eustáquio atingiu com os pitons a perna do Weigl e foi naturalmente expulso, depois de o Sr. Hugo Miguel consultar o VAR, dado que lhe tinha mostrado o amarelo em primeiro lugar. Ficávamos em vantagem numérica relativamente cedo e poderíamos ter chegado à vantagem no marcador logo a seguir, com um remate do Waldschmidt quase na pequena-área para uma defesa por instinto do Jordi. O Rafa teve igualmente uma excelente oportunidade, mas o remate de trivela na área perfeitamente à vontade saiu à figura do guarda-redes. Até que aos 38’ colocávamo-nos finalmente em vantagem (mais do que merecida), com uma saída de bola do Paços que foi interceptada pelo Diogo Gonçalves, que rematou forte com a bola a passar por baixo do corpo do Jordi. Os nossos minutos finais da 1ª parte foram muito fortes, com o Waldschmidt a falhar escandalosamente o segundo golo, com um remate defendido pelo Jordi quando a baliza estava aberta e o guarda-redes fora dela(!), remate esse que iria para fora se o guarda-redes não lhe tivesse tocado! A brilhante assistência foi do Seferovic, que aos 45’ repetiu a dose na sequência de um contra-ataque, isolando o Rafa ainda no nosso meio-campo, com o nº 27 a contornar o guarda-redes e correr para a baliza deserta fazendo o 0-2. Com tantas consultas ao VAR, a 1ª parte teve nove minutos de compensação e o Seferovic, isolado pelo Tarrabt, meteu a bola na baliza, mas estava outra vez fora-de-jogo. A mesma dupla voltou a ser protagonista numa jogada semelhante mesmo em cima do intervalo, mas desta feita com tudo legal e o suíço praticamente fechou o jogo a nosso favor com o 0-3.
 
Na 2ª parte, o Diogo Gonçalves, que estava amarelado, ficou nos balneários, entrando o Gilberto, mas, ao contrário do que tem sido habitual, não baixámos a guarda e tentámos sempre aumentar a vantagem. Infelizmente, o Jesus veio dizer no final que foi por estarmos a jogar contra dez, o que é uma pena, porque deveria ser sempre assim. Por volta da hora de jogo, entraram o Pizzi e o Everton para os lugares do Waldschmidt e Rafa, e o brasileiro teve um óptimo remate de fora da área para outra magnífica intervenção do Jordi. Que nos tirou mais um golo logo a seguir, desta feita ao Grimaldo, na cobrança de um livre directo que ia ao ângulo da baliza. Até que aos 78’, lá marcámos o quarto golo num bis do Seferovic, que fez uma boa rotação e rematou de primeira com o pé esquerdo de fora da área, chegando assim aos 16 golos e à liderança dos melhores marcadores. Entretanto, entraram o Cervi e Darwin, para os lugares do Grimaldo e Weigl, e o uruguaio ainda teve tempo de voltar aos golos, fazendo o 0-5 aos 89’, noutra assistência primorosa do Seferovic, em que só teve de encostar.
 
O destaque da partida vai obviamente para o Seferovic: dois golos, duas assistências e outro conjunto de jogadas em que esteve muito bem (só os foras-de-jogo é que precisam de ser afinados...) fazem desta provavelmente a melhor exibição individual de um jogador do Benfica nesta temporada. Muitas vezes um mal-amado, o suíço tem o grande mérito de, de vez em quando, dar a volta por cima (já o fez no ano em que fomos campeões e ele o melhor marcador) e, mesmo falhando alguns relativamente fáceis no percurso, já ter um número de golos bem apreciável com a gloriosa camisola. Dos centrais, o Otamendi e Vertonghen estiveram muito bem, mas o Lucas Veríssimo nem tanto. O Helton Leite vai no sétimo jogo seguido sem sofrer golos e já bateu o recorde do Manchester City de mais tempo com a baliza inviolada. O Waldschmidt não esteve feliz na finalização, mas é peça-chave na manobra atacante com as suas movimentações a desestabilizarem a defensiva contrária. No meio-campo, o Weigl continua imperial e até o Taarabt esteve bem! Esperamos que o golo do Darwin, que inclusive o fez comover-se, o catapulte para níveis exibicionais que já mostrou.
 
Com nova escorregadela da lagartada, o campeonato de súbito animou-se. Faltam oito jogos e temos nove pontos de desvantagem, quando ainda os iremos receber na Luz. O CRAC está a seis deles, mas também virá à Luz. Veremos o que nos reservam os próximos jogos, mas uma coisa é certa: este campeonato vai ser épico! Se a lagartada o ganhar, por finalmente colocar fim a um jejum de 19 anos. Se o conseguir perder, depois de estar com 10 pontos de vantagem a 10 jogos do fim, ainda o será mais!

terça-feira, abril 06, 2021

Escasso

O primeiro penalty à 25ª jornada(!) concretizado pelo Waldschmidt deu-nos ontem uma vitória tangencial perante o Marítimo (1-0) na Luz. Foi um resultado tremendamente parco para as oportunidades que tivemos, algumas delas falhadas de forma que deveria dar multa. Claro que, quando assim é, colocamo-nos a jeito e poderíamos ter tido um enorme dissabor já perto do final do jogo. Como o Braga (2-1 em Faro) e o CRAC (2-1 em Mordor frente ao Santa Clara) ganharam já em tempo de compensação, mantém-se tudo igual em relação a estes, mas a lagartada finalmente provou do seu próprio veneno e consentiu o empate em Moreira de Cónegos também já nos 90’ (1-1), tendo agora nós 11 pontos de distância para eles.
 
Já se sabe que, depois de interrupções para as selecções, os jogos são sempre mais complicados, porque inevitavelmente se perde a rodagem. Ainda por cima, estávamos numa boa fase, pelo que esta pausa não veio nada a calhar. No entanto, recebendo um dos últimos classificados em casa, esperar-se-ia que conseguíssemos ultrapassar essas dificuldades. O Jesus voltou ao esquema habitual do 4-4-2, com o regresso do Everton à ala esquerda, mas entrámos um pouco lentos e sem a dinâmica dos últimos jogos. Porém, o Marítimo também não conseguia criar grande perigo, mostrando um futebol que justifica que esteja nos piores lugares da classificação. Um remate do Everton em boa posição não deveria ter ido à figura do guarda-redes Amir e aos 21’ o Sr. Luís Godinho fez história ao assinalar o primeiro penalty a nosso favor em 25 jornadas! Falta do Hermes sobre o Rafa e o Waldschmidt apesar de ter feito uma aproximação à bola que me dá cabo dos nervos (passinhos curtos!) rematou colocadíssimo, sem hipóteses para o guarda-redes. Marcávamos ainda antes do meio da 1ª parte, o que se esperava que nos tranquilizasse e permitisse gerir o jogo de maneira a aumentar a vantagem sem a pressão do primeiro golo. Logo a seguir, o Seferovic brilhantemente desmarcado pelo Grimaldo teve um domínio excelente, mas se calhar rematou rápido demais e a bola saiu ao lado, quando só tinha o guarda-redes pela frente. O suíço continuava a tentar, mas uma boa combinação ao primeiro toque com o Rafa esbarrou novamente nas pernas do Amir. O Waldschmidt falhou uma recepção de bola que o colocaria isolado, mas, em cima do intervalo e num livre para a área, o Marítimo assustou o Helton Leite com um remate de joelho que, se tivesse acertado bem na bola, teria certamente dado a igualdade.
 
A 2ª parte fica marcada por três falhanços absolutamente imperdoáveis da nossa parte, com jogadores completamente isolados a não conseguiram desfeitear o Amir. Logo no reinício, foi o Otamendi num livre estudado com uma triangulação a ficar com a baliza à mercê, sem o guarda-redes(!), e a acertar mal na bola, não a conseguindo meter lá dentro. Pouco depois, foi inacreditável como um jogador do Marítimo não viu o segundo amarelo, depois de uma entrada sobre o Otamendi perto da linha lateral! À passagem da hora de jogo, foi o Helton Leite a segurar a nossa vantagem com uma óptima mancha perante um jogador que ficou à sua frente praticamente na pequena-área, depois de um ressalto na sequência de um canto. A jogada prosseguiu com um contra-ataque nosso, em que o Seferovic ficou literalmente isolado, mas o remate rasteiro foi bem defendido pelo Amir com a perna, à guarda-redes de andebol. O jogo aproximou-se então da fase perigosa, a caminho do final, connosco a não conseguir fechá-lo e o Marítimo a acreditar que poderia fazer algo mais. E, de facto, em cima dos 90’ um ataque rápido pela esquerda proporcionou ao Correa um remate em boa posição, mas felizmente a bola saiu ao lado. Mesmo antes do apito final, tivemos novo falhanço incrível noutro contra-ataque, em que o Rafa poderia ter isolado o entretanto entrado Darwin ainda antes do meio-campo, mas perdeu o timing de passe e acabou por passar ao Chiquinho (que tinha substituído o Waldschmidt um pouco antes) que, depois de tirar um defesa da frente, também ficou só com o Amir pela frente, mas rematou-lhe contra o peito...! Felizmente que estes falhanços todos não tiveram consequência pontual, mas poderíamos estar agora a chorar uma perda de pontos que seria imperdoável.
 
Em termos individuais, não houve ninguém que se destacasse por aí além. O Waldschmidt parece mais entrosado com os movimentos da equipa e o Seferovic atravessa uma fase de confiança, mas não deveria ter ficado em branco. O Everton continua a passar muito ao lado dos jogos e o Taarabt não há maneira de não me exasperar. Gostaria de ver uma estatística dos jogadores que mais vezes tocam na bola na nossa Liga. Aposto que ele ganha destacado! A defesa está sólida, com o Lucas Veríssimo a ter entrado bem e o Helton Leite a continuar com a baliza a zeros, tornando a vida do Vlachodimos mais difícil (claro que dar entrevistas a dizer que talvez esteja na altura de se ir embora também não ajuda, embora para mim ele tenha perdido a titularidade injustamente).
 
Recuperámos dois pontos à lagartada e foi uma pena que não os tivéssemos recuperado igualmente frente ao Braga e CRAC. Para a semana, teremos uma ida difícil a Paços de Ferreira, mas com uma semana de treinos seguida espera-se que ao menos a equipa apresente uma muito maior eficácia do que neste encontro.

quinta-feira, abril 01, 2021

Selecção a triplicar

Iniciámos a qualificação para o Mundial do Qatar de 2022 com sete pontos em três jogos. Poderíamos (e deveríamos) ter feito o pleno, mas descontrações imperdoáveis e um erro clamoroso da arbitragem não nos permitiram ganhar na Sérvia.
 
O primeiro jogo decorreu na casa de Turim (por causa das limitações das viagens para Portugal dos jogadores que actuam em Inglaterra) na 4ª feira da semana passada. Ganhámos 1-0 ao Azerbaijão com um autogolo aos 37’. Pronto, é o único facto positivo a destacar. Foi uma exibição muito fraca da selecção, perante um adversário que se defendeu bem e que nós não tivemos inspiração para ultrapassar.
 
No último sábado, fomos a Belgrado empatar 2-2 com a Sérvia. É o adversário mais forte que temos (a República da Irlanda perdeu em casa com o Luxemburgo neste dia, portanto estamos conversados) e chegámos ao intervalo a ganhar por 2-0, graças a dois golos de cabeça do Diogo Jota, aos 11’ e 36’. O que se passou na 2ª parte foi muito demérito nosso, entrámos literalmente a dormir e aos 46’ e 60’ a partida já estava igualada. Até final, voltámos a reassumir o controlo e, na última jogada, o Cristiano Ronaldo (que esteve praticamente 180’ incógnito até esse lance) fez a bola passar a linha de golo, mas o árbitro holandês Danny Makkelie não validou. É absolutamente incompreensível que a UEFA deixe a cargo das federações onde se realize o jogo a implementação da linha de golo. Sim, não era preciso o inefável e odioso VAR para ter visto isto! Bastaria a tecnologia da linha de golo. Na sequência do lance, o C. Ronaldo irritou-se, atirou a braçadeira ao chão e saiu do campo segundos antes do apito final. Ficou-lhe muito mal a atitude, mas veio retratar-se pouco depois.
 
Nesta 3ª feira, fomos vencer ao Luxemburgo por 3-1, mas entrámos pessimamente na partida e sofremos o 0-1 aos 30’ através do luso-descendente Gerson Rodrigues. As coisas estavam bastante complicadas, mas felizmente conseguimos empatar já no tempo de compensação com novo golo de cabeça do Diogo Jota. A 2ª parte foi melhor e colocámo-nos na frente logo aos 50’ através do C. Ronaldo, que assim chegou aos 103 golos pela selecção (desesperado que anda em tentar bater o recorde de 109 do Ali Daei pelo Irão...). O Luxemburgo reagiu, nós parecemos que adormecemos um pouco, mas o entretanto entrado João Palhinha acabou com as dúvidas aos 80’ com o 3-1 de cabeça na sequência de um canto.
 
Num calendário absolutamente louco, houve três jogos em seis dias. O Fernando Santos rodou razoavelmente a equipa, mas o Cristiano Ronaldo esteve em campo durante os 270’. Recorde a quanto obrigas...! Quem mais se evidenciou foi obviamente o Diogo Jota com três golos e parece-me claro que deve ser titular absoluto da selecção neste momento. O Renato Sanches entrou bem a titular frente ao Luxemburgo, ao contrário do João Félix que esteve muito discreto e até saiu lesionado. O seleccionador tem várias opções de qualidade e acho muito bem que não haja lugares cativos, porque a selecção não deve estar dependente de nenhum jogador, por muito bom que ele seja.

segunda-feira, março 22, 2021

Categórico

Vencemos em Braga por 2-0 e subimos ao terceiro lugar do campeonato por troca com eles (um ponto atrás), mantendo os três de distância para o CRAC (2-1 em Portimão) e os 13 para a lagartada (1-0 ao V. Guimarães). Foi das melhores exibições da temporada, com um triunfo indiscutível perante uma equipa bastante complicada que nos tinha vencido nos últimos três jogos.
 
O Jesus surpreendeu e voltou ao esquema de três centrais, com o Waldschmidt a manter a titularidade na frente, com o Seferovic e Rafa. Conseguimos manietar o Braga praticamente desde o início da partida e criámos logo uma excelente ocasião pelo Grimaldo, brilhantemente isolado pelo Waldschmidt, que permitiu a defesa do Matheus. Pouco depois, foi uma jogada do Taarabt na direita, que centrou para a área, mas ninguém conseguiu desviar. E, por fim, na sequência de um livre, um cabeceamento a meias entre o Seferovic e um defesa proporcionou ao Matheus, que tinha ficado a meio do caminho, outra defesa que evitou o golo. Até que aos 39’, o Fransérgio viu o segundo amarelo, foi naturalmente expulso e o jogo ainda tombou mais para o nosso lado. Mas, lá está, mesmo 11 contra 11 poderíamos já estar a ganhar por 3-0...  Em cima dos 45’, um erro enorme do Otamendi num atraso ao guarda-redes ia dando o golo ao Braga, mas o Helton Leite fez bem a mancha. Seria a maior das injustiças, mas, ao invés, já em tempo de compensação conseguimos colocar-nos em vantagem, numa óptima abertura do Seferovic a isolar o Rafa, que rematou fora do alcance do Matheus.
 
Na 2ª parte, o jogo manteve a mesma tendência, connosco a dominar completamente. O Waldschmidt falhou um domínio de bola que o deixaria isolado, mas o Braga também assustou com uma bola à trave num livre do João Novais. Nós íamos tentando colocar-nos a salvo de uma qualquer eventualidade e o Rafa teve um remate ao lado, que deveria ter tido melhor direcção. Aos 60’, o jogo tombou definitivamente para nós com o golo do Seferovic, numa inversão de papéis em relação ao primeiro: desta feita, foi o Rafa a isolar o suíço, que não falhou perante o Matheus com um remate indefensável em arco à sua saída (o JJ veio dizer no final que anda a trabalhar a finalização com ele; se assim é, está a resultar!). O Jesus começou a fazer substituições e tirou o Waldscmidt para fazer entrar o Pizzi. Coincidentemente (ou talvez não) baixámos de produção ofensiva, mas sempre a defender bem e a não deixar que o Braga criasse perigo. Até fomos nós a poder dilatar a margem, com um cabeceamento fabuloso do Seferovic (saltou para trás e fez uma rotação à laJoão Vieira Pinto com a cabeça!) a permitir ao Matheus a defesa da noite. Até final, o entretanto entrado Sporar rematou à figura do Helton Leite, mas este defendeu com a cabeça(!) e o Pizzi também deveria ter inscrito o seu nome nos marcadores da partida, mas conseguiu rematar ao lado quando estava sozinho(!) praticamente à entrada da área e, mesmo em cima dos 90, permitiu que um defesa interceptasse o seu remate, depois de uma boa tabelinha com o Seferovic.
 
Em termos individuais, novo destaque para o Seferovic, que, com mais um golo, está a apenas um da liderança dos melhores marcadores, vem numa sequência de quatro jogos seguidos a marcar e ainda assistiu o Rafa para a abertura do marcador! Este também fez um bom jogo, valorizado não só pelo golo como pela assistência. O Weigl voltou a ser imperial no meio-campo e a defesa esteve bem, nomeadamente o regressado Vertonghen. O Waldschmidt, apesar de ter falhado um ou outro domínio de bola que o colocaria em boa posição, dá imensas soluções ao nosso ataque e é criativo nas suas acções. Exactamente o oposto do Taarabt, cujos constantes passes para o lado e para trás continuam a tirar-me completamente do sério!
 
Estamos possivelmente a atravessar a melhor fase da época, mas infelizmente vamos parar agora duas semanas por causa das selecções. Esperemos que ninguém se lesione nestas idas, porque seria uma pena perder este embalo. Só dependemos de nós para conseguirmos o segundo lugar, que é o objectivo mínimo nesta altura do campeonato.

segunda-feira, março 15, 2021

Perdulários

Vencemos no sábado o Boavista na Luz por2-0, mas as distâncias para a lagartada (1-0 em Tondela novamente nos últimos 10’; é o 17º(!) ponto que eles ganham a partir dos 80’) e o CRAC (2-0 ao Paços de Ferreira em casa, também com golos só no último quarto-de-hora) mantêm-se nos 13 e três pontos, respectivamente (o Braga só joga hoje). Foi uma vitória tranquila, num jogo que ficou marcado pela expulsão do Chidozie logo aos 8’.
 
Em relação ao Belenenses SAD, entraram o Taarabt e o Pedrinho em vez do Pizzi e Everton. Numa raridade nos últimos tempos, entrámos bem na partida, apesar de o primeiro remate ter sido do Elis, com a bola a sair ligeiramente por cima. Aos 4’ o Waldschmidt foi derrubado na área e tínhamos o primeiro penalty a nosso favor em 23 jornadas... Só que não! Lá se perderam mais 5’ nas idas e vindas ao VAR e, no final, o Sr. Manuel Mota decidiu que tinha sido fora da área e retirou o amarelo ao jogador do Boavista, expulsando-o. O agarrão começa fora, mas eu acho que acaba dentro. De qualquer maneira, foi mais um momento inesquecível proporcionado por essa tecnologia maravilhosa, o VAR, que veio acabar com toda a polémica que existe no futebol e tornou o jogo ainda mais emocionante do que era...! Quão melhor é não celebrar logo as coisas e estarmos séculos à espera de decisões que são sempre inatacáveis, hein...?! Sem dúvida que o futebol está bastante melhor desde que ele existe: bem-dito sejas, VAR...! A partir daqui, o jogo passou a ter um só sentido e nós começámos a nossa saga de falhar golos, com o Seferovic em destaque com três cabeçamentos, dois fora do alvo e um inacreditavelmente à figura do guarda-redes, depois de bons centros do Taarabt, Rafa e Diogo Gonçalves, respectivamente. Parecia que íamos chegar ao intervalo a zeros, até porque tivemos um golo (mal) anulado ao Taarabt, num remate de longe, por pretensa utilização dos braços, quando excepcionalmente o marroquino não fez falta (tanta porra com o VAR e depois aqui não pode intervir, porque o árbitro apitou 0,2 segundos antes de a bola entrar na baliza...!). Até que à quarta foi de vez e o Seferovic lá inaugurou o marcador 42’, depois de uma excelente arrancada do Diogo Gonçalves na direita e centro rasteiro para a pequena-área, com o suíço a ter só de encostar.
 
A 2ª parte foi uma cópia da primeira, com excepção do momento do golo, que foi logo aos 52’, obra dos suspeitos do costume: óptimo centro do Diogo Gonçalves na direita e cabeceamento vitorioso do Seferovic (é sempre de cima para baixo, pá, percebeste...?!) sem hipóteses para o Leo Jardim. Quatro minutos depois, o Jesus tirou os amarelados Weigl, Taarabt e também o Waldschmidt, entrarando o Gabriel, Pizzi e Darwin, e a equipa baixou de rendimento. O uruguaio, regressado de lesão, está fora de forma, o Gabriel não teve, não tem nem nunca terá a rapidez de processos do Weigl, e só o Pizzi teve um ou outro lamiré. Até final, ainda tivemos direito a mais uma utilíssima intervenção do VAR, que invalidou o hat trick do Seferovic por escandalosos 7 cm! Repito: é tão boa esta sensação de nunca se estar à vontade para festejar golos, porque pode sempre haver estes roubos de 7 cm, não é...?! Que bom que é esta sensação de um futebol justo e isento de polémicas desde que surgiu o VAR, não é...? Entretanto entraram o Everton e depois o Chiquinho, e foi deste o último lance de perigo, com um remate bem defendido pelo guarda-redes.
 
Em termos individuais, destaque óbvio para o Seferovic por mais dois golos (somando agora 13), que o colocaram a apenas dois da liderança dos melhores marcadores e para o Diogo Gonçalves por duas magníficas assistências. O Weigl continua um pêndulo no meio-campo e a equipa sobe de produção proporcionalmente à sua subida de forma. A defesa não teve praticamente trabalho nenhum, com o Lucas Veríssimo a ter provavelmente agarrado o lugar. O Pedrinho deu bastante mais dinâmica ao flanco esquerdo do que o Everton e, pelo menos, não passa a vida a flectir para o meio.
 
Para a semana, teremos a decisiva ida a Braga que irá determinar se temos ou não estofo para ainda chegar ao 2º lugar. Qualquer resultado que não a vitória afastar-nos-á certamente desse objectivo mínimo. A equipa está a subir de forma, mas veremos se isso será o suficiente para ganhar na Pedreira.

sábado, março 13, 2021

Benfica FM | Temporada 1997/98

Foi novamente um privilégio partilhar mais uma viagem no tempo com os meus amigos Nuno Picado e Bakero do Benfica FM, ainda que fosse a um vietnamezinho. Mas também faz parte da nossa história e até conseguimos alguns resultados interessantes como os 4-1 na lagartada e os 3-0 ao fcp (ainda não era CRAC na altura) na Luz. E, claro, esta temporada fica ainda marcada por ser a primeira (das 12!) do grande Nuno Gomes com a gloriosa camisola.

quarta-feira, março 10, 2021

Noite e dia

Vencemos na 2ª feira no Jamor o Belenenses SAD por 3-0, mas, como todos os outros também ganharam, as distâncias para os da frente continuam as mesmas (lagartada a 13 pontos, Braga a quatro e CRAC a três). O facto de ter andado cheio de trabalho e de 2ª feira ter sido um dia muito especial para mim (por causa disto, obviamente!) fez com que só hoje pudesse escrever este post.
 
Com o Vertonghen e o Darwin ainda impedidos por lesão, o Jesus praticamente repetiu a equipa que defrontou o Rio Ave com excepção da entrada do Pizzi para o lugar do Taarabt. E, à semelhança do Rio Ave, a 1ª parte foi de fugir! A diferença é que o Belenenses SAD não criou tantas ocasiões como os vila-condenses, mas a nossa exibição foi igualmente inenarrável, com os crónicos problemas a evidenciarem-se em todo o seu esplendor: falta de velocidade nas transições, uso e abuso de jogo pelo meio, ir à linha parecia proibido, enfim, uma excelente amostra de tudo o que está mal no nosso futebol desde a 2ª volta da temporada passada. Mesmo assim, ainda conseguimos ter duas ocasiões flagrantes com o Pizzi isolado pelo Grimaldo a permitir a defesa do Kritciuk e o Seferovic a antecipar-se de cabeça ao guarda-redes, mas a falhar escandalosamente a baliza. O Belenenses SAD teve uma grande oportunidade com o Silvestre Varela em boa posição a rematar à figura do Helton Leite.
 
Ao intervalo, eu estava mesmo a ver que iria ter a noite de aniversário estragada... No entanto, ainda bem que me enganei redondamente! Entrámos com outra disposição para a 2ª parte e inaugurámos o marcador logo aos 55’ num centro da esquerda do Grimaldo e desvio de primeira do Seferovic com o pé esquerdo. Ena, ena, parece que pelas linhas cria-se oportunidades que de vez em quando dão golo... Quem diria, Benfica...?! Três minutos depois, alargámos a vantagem novamente pelo Seferovic, que foi brilhantemente desmarcado nas costas da defesa pelo Diogo Gonçalves e rematou de pé esquerdo sem hipóteses para o Kritciuk. Por volta da hora de jogo, o Rafa primeiro e o Everton no fim, com o Waldschmidt pelo meio falharam a hipótese de selar a vitória, com o guarda-redes a fazer bem a mancha no primeiro caso e um remate por cima com a baliza à mercê no último, depois de o alemão a rematar na atmosfera. Mas a confirmação da vitória surgiu aos 65’ na estreia do Lucas Veríssimo a marcar pelo Benfica, de peito, depois de outro centro do Grimaldo, curiosamente na mesma baliza do mesmo estádio perante o mesmo adversário que o anterior proprietário da camisola nº 4 do Glorioso, o grande Luisão. Esperemos que seja bom augúrio para o futuro...! Até final, o Seferovic poderia ter marcado mais dois golos, mas depois de uma boa rotação o remate saiu ao lado e noutro lance, depois de contornar o guarda-redes fora da área, não quis arriscar o remate. Do outro lado, o Helton Leite fez bem a mancha a um adversário que ficou à sua frente na sequência de um canto mesmo em cima dos 90’.
 
Em termos individuais, destaque para os dois golos do Seferovic, que o colocam no segundo lugar dos melhores marcadores com 11 golos (a quatro do Pedro Gonçalves da lagartada), para as duas assistências do Grimaldo, para as acelerações do Rafa especialmente na 2ª parte, para a nítida subida de forma do Diogo Gonçalves, que é dos poucos jogadores do Benfica que corre para a frente quando tem a bola (e só isso já é de saudar!), e para a segurança da defesa, que voltou a não sofrer golos. O Waldschmidt também parece a subir de rendimento, embora não tenha estado feliz na hora de rematar à baliza. Quanto aos menos, o Pizzi passou completamente ao lado do jogo e o Everton demora a confirmar o valor que tem, além de manter o terrível hábito de vir para o meio e nunca procurar a linha.
 
A nossa exibição não poderia ter sido mais diferente nas duas partes do jogo. É bom que passemos rapidamente a jogar durante os 90 e não só 45’. É que frente ao Belenenses SAD ainda vai dando, mas iremos a Braga daqui a duas jornadas num encontro fundamental para o 2º lugar. E se só jogarmos 45’ é praticamente impossível conseguirmos a vitória. Mas antes ainda vamos receber o Boavista na Luz, outra equipa que está a subir de rendimento e contra a qual começou o nosso descalabro nesta época. Portanto, todo o cuidado é pouco!

sábado, março 06, 2021

Tranquilo

Vencemos na 5ª feira o Estoril por 2-0 e qualificámo-nos para a final da Taça de Portugal. Numa partida em que o Jorge Jesus trocou 10 jogadores em relação ao jogo anterior, fizemos uma exibição agradável e até acima do que era expectável com tantas mudanças.
 
Convenhamos que entrámos em campo praticamente com a qualificação selada, fruto da vantagem de 3-1 na 1ª mão na Amoreira, mas mesmo assim imprimimos um ritmo relativamente forte desde início. O Pedrinho teve um bom remate fora da área que o guarda-redes, Thiago Silva, defendeu e o Cervi, desmarcado pelo mesmo Pedrinho, ficou só com o guardião pela frente, mas, sem ângulo para marcar, tentou o cruzamento. Pouco depois da meia-hora, foi o Otamendi a falhar clamorosamente um cabeceamento, depois de uma saída em falso do Thiago Silva. Até que aos 43’ inaugurámos finalmente o marcador, através do Gonçalo Ramos, depois de uma perda de bola comprometedora do Estoril em zona defensiva, com o Chiquinho a assistir o nosso ponta-de-lança. Ainda antes do intervalo, foi o Pizzi completamente à vontade à entrada área a rematar ao lado, quando poderia ter feito bem melhor.
 
Na 2ª parte, o jogo manteve-se praticamente na mesma, porque o Estoril continuou a ter muitas dificuldades para criar perigo para o Vlachodimos. O Cervi teve nova oportunidade para marcar, mas o seu cabeceamento em boa posição saiu ligeiramente por cima. O Chiquinho e Pedrinho também poderiam ter molhado o bico, mas no primeiro caso o guarda-redes defendeu e, no segundo, o remate saiu ao lado. Pouco depois da hora de jogo, o Jesus resolveu tirar o Pedrinho e o Gonçalo Ramos para as entradas do Seferovic e Everton. Nunca perceberei esta necessidade recorrente do Jesus em fazer entrar titulares em jogos de taças que já estão praticamente decididos, não dando oportunidade a algumas segundas escolhas de jogarem os 90’, mas enfim... Íamos tentando alargar a vantagem, mas a pontaria não estava nos melhores dias, até que a cerca de 20’ do fim, entraram o Taarabt e o Waldschmidt para os lugares do Pizzi e Chiquinho. O alemão teve um dos melhores remates do jogo que o Thiago Silva defendeu para canto, também o Everton viu um defesa impedir que um remate seu chegasse à baliza, já com o guarda-redes batido, e mesmo em cima dos 90’, num contra-ataque (ena, ena...!), o Taarabt isolou o Waldschmidt que, mesmo de pé direito, não falhou, selando o resultado final.
 
Em termos individuais, gostei do Chiquinho, cuja dinâmica me parece bastante superior à do Taarabt e Gabriel, o Cervi na esquerda é um lutador constante, mesmo que as coisas às vezes não lhe saiam na perfeição, e o Gonçalo Ramos marcou um golo, mas teve outras duas outras ocasiões em que a finta, que o colocaria frente-a-frente com o guarda-redes, foi cortada por um defesa. O Gabriel, a jogar a seis, perante um adversário que não lhe criou muitos problemas exibiu-se razoavelmente, mas o lugar é mais do que do Weigl.
 
Estaremos pelo segundo ano consecutivo na final da Taça de Portugal, que se voltará a disputar em Coimbra (ainda me hão-de explicar porque é que o Belenenses SAD pode jogar no Jamor e a final da Taça não pode ser lá...). Iremos defrontar o Braga que foi a Mordor eliminar o CRAC (3-2, depois do 1-1 na Pedreira). O Braga deu um banho de bola na primeira meia-hora, chegando aos 3-0, e só a expulsão do Borja é que lhe cortou o ímpeto. É certo que o jogo é só daqui a mais de dois meses, mas é preciso estarmos muito alerta, porque o jogo será bastante complicado. No entanto, depois da exibição miserável na final do ano passado, espera-se que este ano não falhemos.

terça-feira, março 02, 2021

Até qu’enfim!

Quatro jogos depois, voltámos a vencer ao derrotar o Rio Ave por 2-0 na Luz. Com o empate da lagartada em Mordor, estamos agora a 13 pontos deles e a três do CRAC, com o Braga a quatro. Depois de uma 1ª parte horrível, melhorámos na 2ª e acabámos por justificar a vitória.
 
Com o Otamendi castigado e o Vertonghen e Darwin lesionados, o Lucas Veríssimo, Jardel e Waldschmidt ocuparam os seus lugares. Na 1ª parte, jogámos 10’, tempo em que o Seferovic cabeceou fraco em boa posição e atirámos uma bola ao poste através do Everton. E foi isto. O resto do tempo foi ver o Rio Ave jogar e criar as melhores oportunidades, atirando igualmente uma bola ao poste pelo Gelson Dala e proporcionando ao Helton Leite um par de boas defesas. Quanto a nós, mostrámos pela enésima vez o conjunto de problemas que vimos relevando desde a temporada passada: a nossa incapacidade de acelerar o jogo, ser mais objectivo a atacar a baliza e deixarmo-nos de toques a mais na bola. Pode até dizer-se que, ao intervalo, o resultado era lisonjeiro para nós.
 
Na 2ª parte, felizmente tudo mudou. Controlámos muito melhor as investidas dos vila-condenses, acelerámos processos e começámos a criar mais situações de golo. O Waldschmidt teve um bom par delas, mas os remates não saíram bem, e uma oferta da defesa contrária colocou o Seferovic sozinho com o guarda-redes pela frente, mas deixou que este defendesse o seu remate. Até que aos 59’ marcámos finalmente, através do Seferovic, que aproveitou uma insistência do Everton para rematar em boa posição, mas não sem que a bola também fosse tocada por um defesa, o que a fez desviar a trajectória e desfeitear o Kieszek. Ainda tentaram que o VAR anulasse o golo, mas o suíço estava 7 cm em jogo e a mão que se viu numa repetição foi de um jogador do Nacional. O Jesus, que já estava a preparar substituições antes do golo, manteve a sua decisão e entraram o Pizzi e Chiquinho para os lugares do Waldschmidt e Taarabt. Se o alemão até estava a subir de rendimento, a saída do marroquino fez-nos melhorar ainda mais. O Rio Ave também fez substituições, tentou responder, mas não criou tanto perigo como no primeiro tempo. Um remate do Seferovic que o guarda-redes não segurou fez com que o Pizzi só tivesse que encostar, mas a sua recarga deve ter chegado ao terceiro anel...! Até que aos 78’ acabámos finamente com as dúvidas, com o 2-0 através do Pizzi, num remate frontal à figura, em que o Kieszek foi talvez traído com um ligeiro desvio da bola. De qualquer maneira, acho que poderia ter feito mais. Até final, ainda ficámos a dever-nos mais dois golos, com o Seferovic e Pizzi a terem outra vez falhanços em óptima posição.
 
Em termos individuais, voltei a gostar muito do Weigl, que está de pedra e cal no meio-campo. E pensar que estivemos a um pequeno passo de deitar fora um jogador destes...! Os marcadores dos golos merecem uma palavra por terem-no feito e duas por terem falhado outros dois lances cada um em excelente posição. O Diogo Gonçalves tem a confiança a subir fruto do golão frente ao Arsenal, o que é uma boa notícia. Ao invés, o Everton continua bastante fora dela, o que é má.
 
Objectivamente, o melhor que podemos alcançar é o 2º lugar e, neste sentido, foi bom recuperar dois pontos ao CRAC, mas vamos ter de levar com a lagartada campeã 19 anos depois. É pena só igualarem o seu lindo recorde e não o ultrapassarem, mas valha-nos o conforto de saber que só daqui a 19 é que teremos de os aturar novamente com o título.