origem

quarta-feira, novembro 16, 2005

Instantâneos II

No seguimento de um dos assuntos comentados no jantar de bloguiquistas e em sugestões que me fizeram, resolvi abrir uma rubrica aqui no blog dedicada às figuras impagáveis que pululam no nosso audiovisual desde há 20 anos. Os dois ou três segundos que se deixam entre a gravação de um resumo e outro deste projecto permitem que se recorde o seu aspecto. E, tal como no primeiro post acerca deste assunto, volto ao melhor cromo do nosso jornalismo desportivo. Cá está ele:



Reparem bem no ar dele, preparado para disparar mais uma verdade absoluta ou uma perspectiva inédita acerca do jogo em questão: Benfica – 3 – clube regional – 1 da época 82/83 (encontro sobre o qual o TMA já escreveu nas suas memórias). O comentário do nosso amigo Gabriel começa assim: “(…) pensamos que Alder Dante na lei da vantagem não esteve bem, mas quanto ao mais não se deu muito por ele (…)” É impressão minha ou não estará aqui uma contradição?!

segunda-feira, novembro 14, 2005

Rescaldo do II Jantar de Bloguiquistas

1) Quando 15 pessoas, a maioria das quais desconhecidas entre si, se juntam à mesa para jantar o motivo que os une só pode ser forte;
2) Quando esse jantar começa às 20h e só termina à 1h30 devido a uma abrupta carga de água que faz dispersar os convivas no exterior do estádio (entretanto, o restaurante já os tinha expulso) é porque o que têm em comum é imenso;
3) Quando quatro resistentes (D’Arcy, MB, Superman Torras e eu próprio) preferem abrigar-se da chuva, suportam a noite mais fria do ano, continuam o falatório, a chuva pára entrementes, só que não se pode deixar a meio uma conversa sobre o Isaías e os seus remates quase de meio-campo, o falhanço do Mostovoi nas Antas e o do Futre no Bessa, alguma coisa muito poderosa os liga;
4) Quando o segurança quer fechar o perímetro exterior do estádio às 2h00, a conversa prossegue já na rua e só termina meia-hora depois porque a chuva ataca de novo, é porque o assunto debatido é inesgotável (entretanto, para o MB e para mim a noite só acabou às 3h30 porque estávamos nós a começar a fugir da carga de água quando vejo o meu amigo M.R. dos No Name Boys e tivemos direito a uma visita guiada pela sua sala de convívio com mais discussão sobre o Glorioso pelo meio);
5) Quando sete horas se passam e parecem sete minutos é porque a ocasião é decididamente para ser repetida. No I jantar fomos sete, agora mesmo apesar de algumas baixas de última hora ultrapassámos o dobro, no próximo seremos certamente muitos mais;
6) As caras por detrás dos teclados nem sempre são como nós as imaginávamos, mas a sensação de cumplicidade que se estabelece devido a este Glorioso clube faz com que o conhecimento ao vivo seja apenas um pró-forma (Et Blogirus Unum). Foi um prazer partilhar a mesa com os seguintes bloggers benfiquistas: HMémnon (deste e deste), D'Arcy, TMA (deste e deste), Antitripa (vindo propositadamente da mui nobre e invicta cidade do Porto), T-Rex, MB, Superman Torras (comentador regular ainda sem blog), Laura (deste e deste), Papo-Seco (deste e deste), Corto Maltese e a Anita.


Por tudo isto, resta-me agradecer a quem deu origem a este convívio fantástico: Obrigado, BENFICA!

quarta-feira, novembro 09, 2005

Projecto Resumos – update I

Tal como prometi na semana passada, cá está o update sobre este projecto. Depois de 34 DVDs gravados em HQ (cerca 1h de imagem) e um backup de 17 em SQ (2h), está na altura de fazer um balanço. Neste momento, cheguei ao fim da época 89/90 (a da final da Taça dos Campeões contra o Milan), ou seja tenho oito (das 23) épocas transcritas. A qualidade da imagem do velho Betamax ainda é bastante aceitável (como se pode ver neste post do D’Arcy ou nas memórias do TMA) considerando o facto de que as cassetes não são vistas praticamente desde a altura da sua gravação e de que as condições de armazenamento não são as ideais (gostaria muito de ser o ANIM, mas infelizmente não há verba para isso… :-). Ao fazer o índice dos conteúdos de cada um dos DVDs tenho aproveitado para rever algumas imagens que fazem parte do meu imaginário benfiquista (e não só) desde 1982. Com efeito, para além dos resumos do Glorioso (que incluem todas as finais da Taça dos Campeões em que participámos e alguns jogos importantes desde os anos 60), as cassetes têm igualmente resumos da maioria (para não dizer totalidade) dos jogos oficiais da Selecção Nacional, das finais das competições europeias, dos Europeus e Mundiais de futebol e outros marcos importantes do desporto português, como por exemplo as conquistas olímpicas, mundiais e europeias do Carlos Lopes e Rosa Mota.

Por outro lado, esta visualização ajudou-me a dissipar uma dúvida que este post me tinha lançado. Qual seria o melhor guarda-redes do Benfica que eu tenha visto ao vivo: Bento ou Preud’Homme? O Preud’Homme foi considerado o melhor guarda-redes do Mundial 94, mas o Bento era o Bento, um dos melhores de sempre do Benfica e capitão durante alguns anos. E nisto de escolher o melhor, a mística e a influência sobre a equipa é definitivamente um ponto a considerar. Só que não me lembrava de um pequeno pormenor: o Bento dava o seu franguito de vez em quando, ao contrário do Preud’Homme. Para além disso, por vezes perdia a cabeça e isso geralmente custava-nos caro (o soco ao Manuel Fernandes em 81/82, ou no estádio do clube regional em 82/83 quando já com a bola nas mãos passou uma rasteira ao Walsh, mas redimiu-se ao defender o penalty). Portanto, fiquei sem dúvidas: o Preud’Homme foi o melhor de todos.

Voltando às gravações, da época de 81/82 tenho muito poucos resumos: oito em 30 para o campeonato (mas está lá o tal jogo do soco e também a vitória frente ao clube regional em casa), três em sete para a Taça de Portugal (incluindo a nossa vitória em casa do clube regional já no prolongamento com um grande golo do Néné) e os dois jogos frente ao Bayern Munique para a Taça dos Campeões. Como os resumos não foram gravados de forma sistemática, esta época não entra para a estatística geral que a seguir apresento dos jogos do Benfica (resumos gravados/jogos efectuados).

82/83.................83/84................84/85
Camp: 26/30........Camp: 27/30........Camp: 26/30
T. Port: 5/7.........T.Port: 3/4..........T. Port: 6/7
T. Uefa: 11/12......T. Camp: 6/6.......T. Camp: 4/4
........................Supert: 2/2..........Supert:3/4
Total: 86%...........Total: 90%...........Total: 87%

85/86.................86/87................87/88
Camp: 27/30........Camp: 29/30........Camp: 33/38
T. Port: 6/8.........T.Port: 7/8..........T. Port: 3/7
T. Taças: 4/4.......T. Taças: 3/4.......T. Camp: 8/8
Supert: 2/2..........Supert: 2/2.........Supert: 2/2
Total: 87%...........Total: 93%...........Total: 84%

88/89...................89/90
Camp: 37/38..........Camp: 34/34
T. Port: 4/6...........T.Port: 2/2
T. Uefa: 4/4...........T. Camp: 9/9
...........................Supert: 2/2
Total: 94%.............Total: 100%

P.S. - Quem quiser o índice detalhado dos conteúdos de cada um dos DVDs é favor enviar-me um email ou requisitá-lo nos comentários.

segunda-feira, novembro 07, 2005

Erros grosseiros

Tal como disse o nosso treinador, não ganhámos ao Rio Ave muito por culpa própria, mas já é a segunda jornada consecutiva em que equívocos de um fiscal-de-linha nos custam uma vitória. No entanto, pelo que ambas as equipas produziram, o empate 2-2 seria justo não fosse o segundo golo do Rio Ave ter sido obtido na sequência de um claríssimo fora-de-jogo. O Rio Ave, ao invés do Gil Vicente, fez um jogo honesto, a trocar bem a bola entre os seus jogadores, sem constantes perdas de tempo e sem fazer pontaria às pernas dos nossos jogadores. Foi até agora a equipa adversária que melhor futebol praticou na Luz.

Sem o Simão (que sem estar em condições nunca deveria ter jogado contra o Villarreal) pela segunda vez consecutiva para o campeonato, o Koeman resolveu deixar o Manuel Fernandes e o Karyaka no banco e colocar o Beto e o João Pereira de início. Não percebi. Segundo o nosso treinador, a justificação para a não–titularidade do Manuel Fernandes é que ele é muito jovem, fez muitos jogos seguidos e estava muito cansado. Ora bem, um jogador com 19 anos não estará mais capacitado para resistir a uma série de jogos seguidos do que um de 30? Além disso, é impressão minha ou os campeonatos vão parar para a semana? Será que o Koeman quis poupar o Manuel Fernandes para o play-off dos Sub-21? Incompreensível... Quanto ao João Pereira, não se justifica a sua titularidade no lado direito do ataque num jogo em casa, ainda para mais com o Karagounis como nº 10. Como já aqui e noutros pontos da blogosfera benfiquista se escreveu, com o Karagounis naquela posição o Nuno Gomes fica muito desacompanhado no ataque, já que o grego tem tendência a vir atrás buscar a bola em vez de dar apoio ao ponta-de-lança e se constituir como segundo avançado. Assim sendo, não espanta que o nosso jogo tenha sido algo fraco e muito pouco fluido.

Ainda assim, tivemos o azar de sofrer dois golos em dois dos três remates que o Rio Ave fez à nossa baliza. Tal como na semana passada, um ligeiro desvio de um nosso defesa (neste caso, a cabeça do Luisão) fez com que o Rui Nereu não defendesse o remate do 1º golo. Foi um desvio tão subtil que só deu para reparar na repetição do lance no ângulo inverso na televisão, mas foi o suficiente para o Rui Nereu não poder chegar à bola. Conseguimos empatar num livre do Petit na sequência de uma falta sobre o Karagounis quase em cima da linha de grande-área. No estádio pareceu-me falta, mas não penalty (havia essa dúvida), só que estava a ouvir rádio e disseram que não tinha sido falta. No entanto, confirmei mais tarde pela televisão e houve MESMO falta (deveria ter suspeitado do antibenfiquismo típico da TSF). Há um toque na perna direita do Karagounis que o derruba, pelo que as afirmações do treinador do Rio Ave a contestar a legalidade do lance são injustificadas. A magnífica equipa de arbitragem liderada pelo Sr. Paulo Pereira já tinha assinalado anteriormente um fora-de-jogo inexistente ao Léo (que ficaria isolado) e mesmo no final da 1ª parte conseguiu não ver (ou não querer ver) o corte com a mão de um defensor na barreira a um livre do Karagounis. Mau demais para ser verdade...

Na 2ª parte, o mesmo fiscal-de-linha (Sr. José Carlos Santos) que assinalou o tal fora-de-jogo inexistente, não assinalou outro em que o jogador do Rio Ave está meio metro plantado à frente da nossa defesa, no lance de que resultaria o 2º golo do Rio Ave. Uma coisa é um lance em que os jogadores estão a correr e o fora-de-jogo é milimétrico, outra é um como este em que o jogador está parado na grande-área bem à frente dos defesas. Inacreditável... Ao contrário do que sucedeu em jogos anteriores quando estivemos em desvantagem, a nossa reacção neste não foi nada boa. A equipa pareceu cansada (7º jogo em 23 dias, não esqueçamos) e à falta dos jogadores referidos acrescente-se o jogo menos conseguido do Nélson e um Nuno Gomes muito marcado que justificam muito da nossa inoperância. Mesmo assim, conseguimos empatar novamente noutro livre do Petit a cinco minutos do fim. No estádio fiquei com a sensação de que não tinha sido falta sobre o Mantorras, mas mais tarde na televisão verifiquei que a falta existiu mesmo (o angolano foi agarrado pelo Idalécio). Até ao fim poderíamos ter sofrido mais um golo, no terceiro remate do Rio Ave (uma cabeçada na sequência de um canto, em que os nossos defesas se esqueceram do avançado), mas poderíamos igualmente ter marcado num remate fabuloso do Nuno Assis que passou a rasar a barra. Gostei de ver no final do jogo a equipa recolher aos balneários sem a assobiadela que costuma caracterizar os resultados negativos nosso estádio. Os adeptos estavam desiludidos com o desfecho do jogo, mas continuam com a equipa.

Os nossos rivais não tiveram tanta sorte como nós nos seus jogos. Em Paços de Ferreira, o clube regional demonstrou a vantagem de poder jogar com dois guarda-redes. Para além de o Vítor Baía ser o único guardião no mundo que pode defender com as mãos fora-de-área sem ser expulso, agora temos o César Peixoto que pode cortar bolas com a mão dentro da área sem ser assinalado o respectivo penalty (que poderia ter dado o 1-1 na altura). Na 2ª parte, há um golo anulado ao clube regional por um fora-de-jogo mal assinalado (deve ter sido em jeito de compensação). Em Alvalade assistimos ao ESCÂNDALO do ano! Se os lagartos tiverem um pouco de decência e vergonha na cara (eu sei que é difícil...) nunca mais falarão em “levados em colo” pelo menos até ao final do ano. Como é que um guarda-redes pode estar com as costas quase a bater na rede do fundo da sua baliza, esticar a mãos e defender uma bola em cima da linha de golo? Será o Ricardo o novo Plastic Man? Segundo o fiscal-de-linha António Neiva, sim. A bola estava mais de meio metro dentro da baliza e o golo que daria o empate ao União de Leiria não foi sancionado. Hão-de me dizer quando é que o Benfica teve um lance tão escandaloso como este decidido a nosso favor... E depois os grandes escândalos aconteceram no ano passado quando o Estoril mudou o lugar do jogo frente ao Benfica para não fazer as figuras tristes do V. Setúbal este ano, ou quando um jogador do Belenenses levantou os braços, a bola bateu neles e o árbitro assinalou penalty a nosso favor. Tenham dó...!

A brincar a brincar, nós temos menos quatro pontos em dois jogos e outros têm mais do que deveriam. Assim se ganham e perdem campeonatos...

sábado, novembro 05, 2005

Lembrete – II Jantar de Bloguiquistas

É só para relembrar os mais distraídos que falta uma semana para o jantar de bloggers benfiquistas, cujos detalhes podem ser encontrados aqui. Neste momento, temos as seguintes pessoas inscritas: HMémnon, D’Arcy, TMA, Ry, Álvaro de Campos, T-Rex, Superman Torras e Papo-Seco. Quase certos no jantar estão também o Antitripa, o Quetzal Guzman, o MB e a Anita. Ficaram de confirmar a sua presença o Gwaihir, a equipa do Mar Vermelho, o Plaka, o Guitarrista, o Corto Maltese e as Catarinas. Infelizmente não vão poder estar connosco a Magnolia Azul, o FPVC e o TMC.

Agradecia as confirmações e outras inscrições (vamos lá, há muita gente aí na coluna da esquerda que ainda não me respondeu) até à próxima 6ª feira, dia 11, às 18h. O email é naosemencioneoexcremento@hotmail.com. Relembrando: o jantar é no sábado, dia 12, às 20h na Catedral da Cerveja dentro do Estádio da Luz.
VIVA O BENFICA!

quinta-feira, novembro 03, 2005

Imerecido

No duelo de estatísticas entre a equipa que não perde fora para as competições europeias há mais de um ano e a equipa que nunca tinha perdido em casa contra espanhóis foram aqueles que ganharam. Pela segunda vez em quatro dias o futebol foi ingrato para connosco. Não merecíamos ter empatado com a Naval e não merecíamos ter perdido com o Villarreal. Infelizmente, um frango do Rui Nereu aos 81 minutos deu aos espanhóis uma vitória com a qual já nem eles próprios contavam naquela altura.

Ao contrário do que tem sido habitual na Liga dos Campeões, entrámos muito mal no jogo. A 1ª parte foi totalmente do Villarreal, que teve dois lances de perigo: um remate do Forlán que passou ao lado e um do Riquelme que o Rui Nereu defendeu. Quanto a nós, com o Karagounis em campo em vez do Karyaka, o Nuno Gomes fica muito mais desacompanhado na frente, e com o Simão a 50% e a intermitência habitual do Geovanni não criámos uma verdadeira oportunidade de golo. O Villarreal melhorou imenso em relação ao jogo de há 15 dias e muito disso se deveu ao Josico e ao Senna (o “Petit” e o “Manuel Fernandes” deles) que, ao contrário da outra vez, estavam ambos disponíveis (no outro jogo, só o Jozico entrou e apenas na 2ª parte, e viu-se a diferença). Ainda por cima, foi um remate do Senna que decidiu a partida.

Na 2ª parte o jogo foi completamente diferente. Estivemos muito melhor, mais pressionantes e rápidos sobre a bola, e o Villarreal apostou tudo no contra-ataque. Infelizmente, não tivemos a sorte da Naval e o fiscal-de-linha anulou um golo ao Nuno Gomes por fora-de-jogo milimétrico, num lance igualzinho ao de sábado. Pouco depois criámos a melhor oportunidade de golo de todo o encontro quando o Nuno Gomes, descaído sobre a direita na grande-área, remata à figura do guarda-redes na sequência de uma óptima abertura do Petit. Com as entradas do Mantorras e do João Pereira (para os lugares do extenuado Karagounis e do Geovanni) a mensagem que veio do banco foi clara: o jogo era para ganhar! No entanto, a menos de 10 min. do fim o inesperado acontece. Num remate a 35 m da baliza, o Villarreal conta com a colaboração do Rui Nereu e coloca-se em vantagem. É certo que ninguém saiu ao caminho do Senna, permitindo-lhe rematar completamente à vontade, mas também estava a mais de três dezenas de metros da baliza! Não vamos crucificar um jovem de 19 anos, mas é óbvio que tem muitas culpas no golo (será que se o Quim tivesse sido operado quando devia, logo a seguir ao jogo em Villarreal, não estaria já disponível para jogar ontem?). Até ao fim do encontro demos mais uma prova de que somos uma grande equipa. Depois de o Koeman ter tirado um defesa (Anderson) e colocado um médio-ofensivo (Nuno Assis) - numa substituição que seria mais provável o clube regional ter respeito pelos adversários do que o Trapattoni a fazer - fomos para cima do Villarreal e tivemos dois lances que poderiam ter dado o empate: um remate do Petit que passou a rasar o poste e mesmo no último minuto uma boa jogada atacante que permitiu ao Léo ficar à vontade na grande-área e rematar, mas para nosso azar a bola foi interceptada por um defesa quando seguia na direcção da baliza.

Ficou demonstrado que a falta do Miccoli e o Simão a 50% nos fazem perder muito poder de fogo. Para complicar ainda mais as coisas, o Nélson deve ter feito o seu pior jogo com a camisola do Benfica em termos de cruzamentos, não tendo acertado um único da meia-dúzia que fez (acontece...). O meio-campo andou aos papéis na 1ª parte, mas recompôs-se na 2ª e o Nuno Gomes, muito desacompanhado, está com a pontaria afinada só a nível interno. Não percebi a titularidade do Anderson (com duas fífias nos dois últimos jogos deveria ter ficado no banco), que teve um grande erro ao deixar-se bater pelo Forlán no tal lance de perigo na 1ª parte. O Luisão esteve imperial como habitualmente, mas o melhor do Benfica foi o Léo. Que grande defesa-esquerdo! Não só se limita a defender como também cria bastante perigo quando avança no terreno.

Com a vitória do Lille frente ao Manchester, descemos para último lugar no grupo, mas a apenas dois pontos do 1º. Estamos no grupo mais equilibrado da Liga dos Campeões, mas temos impreterivelmente que ganhar em Paris daqui a três semanas. Nem o empate serve, já que se empatarmos continuaremos em último. De qualquer dos modos, o jogo frente ao Manchester vai ser decisivo para a nossa continuidade nas competições europeias (Champions ou Uefa) e seria muito frustrante se ficássemos de fora com o futebol que temos vindo a apresentar. A ilação a tirar deve ser “não deixes para amanhã o que podes fazer hoje” e o nosso calculismo em Macnhester e Villarreal (“o empate basta, é um bom resultado fora de casa”) pode vir a sair-nos muito caro. Poderíamos, e deveríamos, ter feito mais para ganhar esses dois jogos (a realidade mostrou que estavam ambos ao nosso alcance) e, assim sendo, um remate a 35 m a oito minutos do fim já não teria feito tanta mossa. Mas vamos ter fé! Estamos a jogar bastante bem e a sorte não nos pode ser sempre tão madrasta.

domingo, outubro 30, 2005

Injustiça na Figueira da Foz

É uma frase feita, mas é verdade: se houvesse justiça no futebol, o Benfica teria ganho o jogo contra a Naval. Como não há, tivemos que nos contentar com um empate 1-1 depois de sofrermos um golo (irregular) a 20 minutos do fim. Quando ouvi a equipa inicial fiquei um pouco apreensivo, já que, perante a ausência do Simão e Geovanni, o Koeman optou por utilizar dois defesas (João Pereira e Léo) na posição de extremos. Em teoria entrámos com seis defesas em campo, mas o tipo de futebol que praticámos desmentiu todos os receios defensivos que os adeptos pudessem ter. É claro que se notou a falta do Simão e Geovanni (não nos esqueçamos que, juntamente com a falta do guarda-redes, a do Miccoli e ainda com o Karagounis no banco, estavam cinco titulares de fora), mas estamos de facto a jogar muito bem. Fomos superiores durante quase toda a partida e só não ganhámos por manifesta infelicidade (e, já agora, um dedinho da arbitragem).

Para além da falta dos jogadores referidos, ainda nos tivemos que deparar com um dilúvio, que já não acontecia há dois anos. Sim, o campo estava igual para os dois, mas é óbvio que a equipa mais prejudicada é aquela que tem que construir lances atacantes. Ainda assim, na 1ª parte tivemos uma ocasião claríssima de golo quando o Anderson atira por cima da barra a dois (!) metros da baliza, depois de um remate do Nuno Gomes na sequência de um livre do Manuel Fernandes, que o guarda-redes defendeu com dificuldade para a frente. A Naval também teve uma boa oportunidade, com um remate de cabeça ao lado, na única falha do Nélson em toda a partida, quando se deixou antecipar por um adversário.

Na 2ª parte jogámos com maior velocidade e, com as entradas do Mantorras e Nuno Assis (não percebi a saída do Karyaka, que até nem estava a ser dos piores, e a manutenção do João Pereira na equipa), fomos ainda mais pressionantes. Só que o balde de água fria surgiu aos 70 minutos. Numa inacreditável perda de bola do Petit a meio-campo, a Naval faz um contra-ataque e o Bruno Fogaça (de longe, o melhor jogador deles) é lançado em velocidade, só que está ligeiramente adiantado em relação ao Anderson. Curiosamente (ou talvez não…) o fiscal-de-linha do Sr. António Costa nada assinala e a Naval marca num lance em que o Anderson é mal batido pelo Fogaça (com a simulação deste, sai disparado pela linha-de-fundo e dá o interior do campo a um jogador esquerdino no lado direito do ataque; duvido que o Ricardo Rocha, que tinha sido substituído, tivesse permitido isto) e em que a bola ressalta num jogador nosso e passa por baixo das pernas do Rui Nereu (que, caso contrário, estou convencido teria defendido com o pé). No entanto, felizmente temos um defesa como o Nélson e um ponta-de-lança como o Nuno Gomes. O primeiro é um perigo sobre a linha e centra como poucos, e o segundo está numa forma fantástica e já tem nove golos em nove jogos. Ambos impediram aquilo que teria sido uma das maiores injustiças que já se teria visto em jogos de futebol. Até ao fim da partida a nossa pressão foi enorme e ainda tivemos oportunidades para ganhá-la, mas infelizmente não o conseguimos. Deste modo, não aproveitámos o deslize do clube regional, que empatou em casa com o V. Setúbal, para o ultrapassar na classificação (de qualquer maneira, a diferença na forma como nós e eles acabámos os respectivos jogos foi directamente proporcional à diferença entre o desportivismo e o clube regional).

Resta agora descansarmos bem e recuperarmos o Simão e o Quim para o decisivo jogo da próxima 4ª feira frente ao Villarreal. Ainda por cima, o Manchester está numa fase péssima (perdeu 4-1 frente ao Middlesbrough neste fim-de-semana) e não deve ganhar na casa do Lille. Assim sendo, e como as quatro equipas estão todas muito próximas (2, 3, 4 e 5 pontos), todas elas ainda devem ter possibilidades de qualificação para os oitavos-de-final depois desta jornada. Por causa disto, estes três pontos são importantíssimos para nos tornarmos um dos favoritos a este objectivo. Espero que os benfiquistas tenham consciência disto e não repitam a vergonhosa assistência do jogo contra o Lille. Estamos a jogar um futebol como já não se via há uns bons anos pelo que a equipa mais que merece que o estádio esteja cheio.

sexta-feira, outubro 28, 2005

Azeite Gabriel (Instantâneos I)

A dizer mal do Benfica desde (pelo menos) 1982...



(Para além das relíquias dos resumos em si, uma das curiosidades deste projecto – que será objecto de um post com um update muito proximamente - é poder recordar o aspecto destas grandes figuras do nosso meio audiovisual há 20 anos atrás)

quinta-feira, outubro 27, 2005

O capitão

Estava com bastante receio deste jogo para a Taça contra o Leixões, por várias razões: vimos de uma série de jogos consecutivos de três em três dias; o Leixões adiou o seu jogo do campeonato no passado fim-de-semana e estaria supostamente mais fresco do que nós; como era contra uma equipa da Liga de Honra, havia a possibilidade de o Benfica relaxar e achar que o jogo seria mais fácil; a maioria dos jogadores titulares não iria jogar de início; como estamos num bom momento no campeonato e Liga dos Campeões poderíamos tender a desprezar um pouco a Taça de Portugal. Só que felizmente temos... Simão!

No entanto, entrámos bem no jogo e foi com naturalidade que chegámos ao golo, aliás, a um golaço do Simão que fez um chapéu por cima do guarda-redes. Já antes o Mantorras tinha-se isolado e caído na área num despique com um defesa num lance que me deixou algumas dúvidas. A seguir ao golo, uma grande defesa do guarda-redes impediu que o Karagounis se estreasse a marcar pelo Benfica. No entanto, nunca conseguimos controlar completamente o meio-campo, apesar de o Leixões não ter propriamente criado situações claras de golo. Só que os adversários tinham liberdade de manobra quase até à nossa grande-área, demonstrando que o Petit faz muita falta à equipa, já que o Beto fez uma 1ª parte muito má e não foi o trinco que precisávamos. Aliás, foi numa falta escusada dele (dominou mal uma bola e ajeitou-a com a mão) que o Leixões chegou ao empate na sequência de um livre perto da linha lateral. Um golo que foi um grande frango do Rui Nereu, que não estica o braço e deixa a bola passar-lhe por cima. Sem ter criado perigo, o Leixões chegou ao intervalo empatado.

Na 2ª parte o Leixões deu o berro em termos físicos, o que é muito estranho dado que não jogavam há 15 (!) dias, e começou a fazer faltas sucessivas que quebraram o ritmo da partida. Quanto a nós, só melhorámos com as entradas do Nuno Gomes e Karyaka. Este falhou duas boas oportunidades antes de a cinco minutos o Simão ter resolvido mais um jogo a nosso favor com um golo monumental fora-da-área. Como disse o Trapattoni no ano passado, “graças a Deus que temos o Simão”! O destaque do jogo vai inteirinho para ele, demostrando mais uma vez que é um jogador insubstituível no nosso plantel (nem quero pensar o que sucederá se ele sair em Janeiro...). Jogando bem ou mal, de uma coisa não pode ser acusado: falta de empenho. Aquela camisola chega ao fim do jogo, seja contra a Oliveirense ou seja contra o Manchester United, sempre ensopada em suor. Faz lembrar o João Pinto que, enquanto esteve no Benfica, também nunca vi fazer um frete em campo. E o que é um capitão senão um jogador destes que dá sempre tudo pela camisola que representa e é um exemplo para os companheiros? (Só no clube diferente é que um capitão tenta separar companheiros desavindos num treino e acaba por agredir um deles a soco; ainda bem que nós somos um clube igual). O Manuel Fernandes demonstrou mais uma vez a sua boa forma e o Léo que é bom jogador e em condições normais (ou seja, se não apanharmos muitas vezes o Lucílio Baptista) é dele o lado esquerdo da defesa. Quanto ao resto toda a equipa esteve num nível sofrível: o Rui Nereu teve culpas no golo, mas não teve que fazer nenhuma defesa digna desse nome; o João Pereira, o Beto e o Mantorras não são o Nélson, o Petit ou o Nuno Gomes; o Anderson teve uma falha imperdoável a 10 minutos do fim (deixando-se bater e fazendo com que o adversário se isolasse) que nos ia custando muito caro; o Carlitos continua a não existir (neste momento é um caso perdido e terá de rodar num outro clube para ver se recupera a confiança e demonstra que pode ser útil no futuro, ou então que vai engrossar o rol de “grandes promessas não concretizadas do futebol português”); o Karagounis tem muita classe, mas continua em má forma física. Na ausência do Miccoli, o Karyaka é definitivamente uma opção a ter em conta, porque cria sempre muito perigo na grande-área contrária com as suas entradas vindo detrás e respectivos remates, além de dar muito mais apoio ao ponta-de-lança que o grego.


Na 2ª parte demos sempre a ideia que estávamos à espera do momento certo para a estocada final e livrámo-nos mesmo a tempo de um prolongamento que seria muito prejudicial nesta altura da época. Enfim, não foi brilhante mas conseguimos o mais importante. Sim, porque eu quero estar pela 3ª vez consecutiva no Jamor!

P.S. – Tenho bastante simpatia de Manuel Cajuda (basta ter tido a coragem de ter dito, há uns anos atrás na casa do clube regional, que ia tirar um jogador seu - do Braga - poucos minutos depois de ter sido amarelado, mas que infelizmente não foi a tempo porque o árbitro se antecipou e mostrou-lhe o segundo amarelo logo na jogada seguinte), todavia não compreendo a sua resposta ao Koeman. Eu também acho que o Benfica teve receio em Manchester, mas se a Naval não teve medo do Benfica porque é que adiou o jogo da Taça? Terá sido culpa do Pontassolense?

segunda-feira, outubro 24, 2005

5ª seguida

Há dois anos, desde os tempos de Camacho, que não conseguíamos mais de um mês de vitórias consecutivas no campeonato. Finalmente quebrámos a malapata no sábado, com um triunfo de 2-0 sobre o Estrela da Amadora. Considero que o Benfica fez um jogo muito inteligente e que a vitória é mais do que justa, apesar de o E. Amadora ter feito um bom jogo. O futebol é de facto muito injusto, já que uma equipa como o Gil Vicente, que simulou lesões e queimou tempo desde o 1º minuto (a partir desse jogo tornou-se o meu favorito número um para descer de divisão), veio ganhar à Luz e o futebol agradável e honesto do E. Amadora leva zero pontos.

Na 1ª parte o nosso jogo não foi muito bem conseguido, mas há que não esquecer que tivemos dois jogos bastante difíceis no espaço de uma semana e é perfeitamente natural que os jogadores se ressintam disso. Por outro lado, a falta do Miccoli sente-se mais nestes jogos em que temos que atacar durante a maior parte do tempo e nos faz falta um segundo ponta-de-lança para acompanhar o Nuno Gomes. Pertenceram ao Karyaka, que jogou em vez do Karagounis (uma opção acertada quanto a mim, já que ele dá muito mais apoio ao Nuno Gomes do que o grego) as duas únicas oportunidade de golo na 1ª parte, com um remate acrobático que embateu num defesa e um outro defendido pelo guarda-redes. No resto do tempo estivemos bastante lentos e não conseguimos criar perigo, mas tanto a equipa como o público não desesperaram, e bem (como disse o Koeman no final, os jogos têm 90 minutos).

A 2ª parte correu-nos bastante melhor muito devido ao golo logo aos cinco minutos. Um bom golo de cabeça do Karyaka na sequência de um centro teleguiado com o pé esquerdo do Nélson. A partir daí o nosso jogo foi mais agradável, não obstante o E. Amadora ter criado a sua única oportunidade de golo pouco depois, num remate do Semedo ao lado. Com o Karagounis em campo, passámos a controlar a posse de bola e a circulação da mesma melhorou bastante. Um outro centro bestial do Nélson fez com que o Nuno Gomes marcasse um golão também de cabeça e praticamente acabasse com o jogo. O resultado poderia ter sido ainda mais desnivelado se o árbitro tivesse visto uma excelente defesa com a mão do Amoreirinha que impediu o Nuno Gomes de bisar. Já na parte final do jogo oiço um dos repórteres da rádio dizer que o jogo estava ganho e o público estava a “saborear a vitória”. Foi isso mesmo e o sabor foi muito bom. Raramente no ano passado pudemos “saborear vitórias” durante um jogo, já que invariavelmente acabávamos com o coração nas mãos. É inquestionável que estamos a jogar muito melhor agora do que quando fomos campeões, o que só nos pode dar mais confiança.

O destaque individual vai inteirinho para o Nélson que (acho que não é exagero considerar desde já) é melhor que o Miguel. Para além de atacar e defender como ele tem a grande vantagem de saber fazer (e bem) aquilo que o Miguel era incapaz: cruzamentos. Quatro assistências para golo em apenas oito jogos não é para todos, ainda para mais tratando-se de um defesa. Há males que vêm por bem e devemos agradecer ao Miguel (e sua corja) ter feito o que fez (como refere o D'Arcy), bem como ao Wolfsburgo por ter vindo buscar o Alex (e ao Scolari por o ter promovido, como já ouvi dizer por aí). Outro que esteve em destaque foi o Nuno Gomes que realmente parece ter voltado a ser o jogador de antigamente. Para além do golito da ordem, ganhou algumas bolas de cabeça (e não esqueçamos que do outro lado estava o Maurício, um dos jogadores mais altos da Liga) e fez jogar os companheiros. Apesar do golo que marcou, acho que o Karyaka poderia ter estado melhor, já que teve alguns domínios de bola dignos do Karadas (o que me surpreendeu já que me parece ser um jogador tecnicamente bom) e algumas perdas da mesma a meio-campo (terá sido o nervosismo da titularidade?). O Simão, depois de uma 1ª parte algo fraca, melhorou imenso na 2ª e o Geovanni sobe lentamente de forma (foi uma insistência dele que permitiu ao Nélson fazer o cruzamento do 1º golo). Os médios-centro estiveram igualmente bem, com o Manuel Fernandes a estar cada vez mais exímio na protecção da bola. Os centrais não deram abébias, mas não gosto de ver o Ricardo Rocha à esquerda. Se os jogos são em casa e o adversário é teoricamente mais fraco não percebo porque é que, na impossiblidade de jogar o Léo, não joga o Dos Santos. Ou então, porque é que o Dos Santos está no plantel se não conta?

Na baliza temos um grande, ou melhor, dois grandes problemas. Como se já não bastasse o Moreira estar de baixa por seis meses, o Quim também vai ser operado e estar fora dos relvados por duas a três semanas. Agora pergunto: porque é que ele jogou contra o E. Amadora se ao primeiro pontapé na bola com mais força teve que ser substituído? Não terá agravado a lesão por causa disso? Não teria sido preferível que ele recuperasse durante uma semana a arriscar ter que ser operado? Parece que vamos pedir permissão à Liga e à FIFA para ir buscar outro guarda-redes, o que acho uma medida bastante sensata. Sim, porque milagres como o de Villarreal não acontecem sempre e não podemos colocar a responsabilidade toda num jovem de 19 anos. Como se viu frente ao E. Amadora, o Rui Nereu ainda está muito verde. É muito mal batido naquela bola de calcanhar que entra na nossa baliza no fim da 1ª parte, mas que não foi golo porque o árbitro já tinha (e bem) cortado a jogada devido ao facto de a bola ter sido centrada fora de campo. Na 2ª parte também falhou o tempo de saída a um jogador do E. Amadora e depois teve que ceder um canto in extremis. Espero bem que sejamos autorizados a inscrever outro guarda-redes, porque temos jogos muito importantes à porta e seria muito frustrante não obter bons resultados por causa destes azares na baliza.

sexta-feira, outubro 21, 2005

II Jantar de Bloguiquistas

Na sequência do retumbante êxito do I jantar de bloguiquistas (bem expresso aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), vem a “comissão organizadora” (o HMémnon, o D’Arcy e eu próprio) propor uma 2ª edição. Assim, estão desde já convidados todos os bloggers benfiquistas (os que estão na coluna aí do lado esquerdo e não só) que desejem juntar-se a este magnífico evento. A “comissão organizadora” chegou à conclusão que o melhor dia para o repasto será no sábado, 12 de Novembro, principalmente por duas razões: por ser um sábado, o que facilitará a vida a quem vive fora de Lisboa, e por ser um fim-de-semana sem campeonato (vão decorrer os play-off do apuramento para o Mundial). O local e a hora serão os mesmos da outra vez, ou seja, a Catedral da Cerveja em pleno Estádio da Luz, às 20h. Claro que a data é passível de ser alterada, caso haja uma maioria interessada nisso. Todavia, pelas razões acima referidas convém ser sempre num sábado e não poderá ser num dia em que o Benfica jogue na Luz.

Quem estiver interessado em participar (ou fazer sugestões) é favor enviar um email para naosemencioneoexcremento@hotmail.com. VIVA O BENFICA!

quinta-feira, outubro 20, 2005

Deus não existe

Caso contrário como é que se explica a inacreditável sorte que o clube regional teve ontem frente ao Inter? Ganhou por 2-0 com dois golos absolutamente incríveis: no 1º há um centro para a grande-área do Inter, o Materazzi estava virado para o seu meio-campo, a bola bate nele e ressalta para trás, para dentro da baliza!; no 2º, num livre à entrada da área, o McCarthy remata, a bola bate na barreira, ressalta para ele que volta a rematar e a bola iria passar ao lado da baliza se não batesse outra vez num jogador da barreira e entrasse! Para além de tudo isto, o Inter tem quatro, q-u-a-t-r-o (!) claríssimas oportunidades de golo (uma das quais do Cruz isolado frente ao Baía ainda antes do 1-0 e outra do Figo ao poste) e não marca nenhum golo! Como se não bastasse tudo isto, no outro jogo aconteceu o resultado que mais convinha ao clube regional: 0-0. Ou seja, continua em último lugar no grupo, mas apenas com menos um ponto do que o 2º classificado. Se a sorte protege quem tem frequentes atitudes de antidesportivismo, desrespeito pelo adversário e intimidação de tudo e de todos (leiam este post, sff) o que será isto senão uma prova cabal da não-existência de Deus?

Aliás, esta vaca descomunal tem vindo a acompanhar o clube regional nas competições europeias desde há uns tempos para cá. Senão vejamos:
- No (trágico) ano em que foram campeões europeus tiveram a sorte de o árbitro ter anulado por fora-de-jogo um golo limpo ao Scholes que daria o 2-0 ao Manchester e terem marcado o golo do empate (e da qualificação para os quartos-de-final) aos 90 minutos;
- Nesse mesmo ano tiveram a sorte de ver três tubarões eliminados nos quartos-de-final, ou alguém acha que com Real Madrid, Arsenal e Milão, em vez de Mónaco, Deportivo da Corunha e Chelsea (pré-Mourinho) as coisas ter-se-iam passado da mesma maneira?
- No ano passado chegaram à penúltima jornada da fase de grupos sem vitórias e apenas com dois pontos, precisavam de ganhar os dois últimos jogos e esperar resultados favoráveis nos outros dois para passarem aos oitavos-de-final e... conseguiram!

Parece isto tudo muito rebuscado? Admito que sim. Afinal a sorte faz parte do futebol, mas tê-la de maneira tão frequente no próprio jogo e em outros jogos em que não se é interveniente, já acho um pouco demais. Ainda por cima uma equipa sempre tão “cheia” de fair-play como é o clube regional. Porque será que a sorte os protege? Terão feito um pacto com o Diabo?

quarta-feira, outubro 19, 2005

Com um pouco mais de ambição…

Confesso que estava com muito medo deste jogo. Só passaram 72 horas sobre a soberba vitória de Sábado, a equipa não deveria estar tão fresca quanto desejável e o Villarreal tinha feito descansar o Riquelme e o Forlán no fim-de-semana tendo o Sorin jogado só durante uma hora. Na constituição inicial, o Koeman surpreendeu ao colocar o Ricardo Rocha a defesa-esquerdo, tendo o Léo ficado no banco. Fiquei um pouco céptico em relação a isto, já que presumivelmente abdicaríamos de ter um defesa-esquerdo que apoiasse o (contra-)ataque, o que se veio mais ou menos a confirmar, embora sem consequências negativas.

Todavia, este meu temor não se justificava de todo já que assim que começou o jogo ficou bem visível a diferença de potencial neste momento entre as duas equipas. O Villarreal desiludiu-me bastante, já que entrou com muito medo e não conseguiu ligar o jogo do meio-campo para a frente. Nós controlámos perfeitamente a situação durante toda a 1ª parte, tendo criado algumas situações de perigo. Infelizmente, não as concretizámos pelo que o empate ao intervalo me pareceu algo injusto. Para além de tudo, ainda tivemos o azar da lesão do Quim que fez com que um guarda-redes de 19 anos, Rui Nereu, fizesse a estreia na equipa principal logo na Liga dos Campeões e no campo do (teoricamente) 2º adversário mais difícil!

Na 2ª parte a pressão dos espanhóis foi ligeiramente superior, mas só tiveram uma verdadeira oportunidade de golo, em que o Rui Nereu faz uma defesa magistral para canto num remate à queima-roupa. No entanto, acabaríamos por sofrer um golo num penalty um pouco polémico. Não me parece que o Ricardo Rocha vá com intenção de fazer falta, mas o que é certo é que não toca na bola e toca no adversário. Se tivesse entrado menos à bruta, certamente não teria cometido a infracção. É esta a diferença em relação ao Anderson, que para o bem e para o mal é muito mais cuidadoso a disputar a bola. Estávamos a pouco mais de um quarto-de-hora do fim do jogo e o sentimento de injustiça era enorme. Logo na jogada seguinte, o Simão cai na área, mas o árbitro não assinala nada (como não houve repetição não se percebeu bem se era falta ou não, mas o lance parece-me semelhante ao do Ricardo Rocha…). O que valeu foi que o momento do jogo (atrevo-me a dizer de toda a Liga dos Campeões até agora) aconteceu pouco depois. Na sequência de uma tabela com o Nuno Gomes (a meias com o defesa contrário), a bola ressalta para o Manuel Fernandes que a domina com o peito e, sem a deixar cair na relva, remata de primeira fazendo a bola passar por cima do guarda-redes! Um golão! Aproveitem para apreciar bem ao vivo o Manuel Fernandes durante esta época que para o ano de certeza não vai haver mais… A justiça estava reposta e até final voltámos a controlar completamente o jogo e tivemos uma grande oportunidade, em que o Nuno Gomes isolado frente ao guarda-redes lhe faz um passe para as mãos.

Quanto aos jogadores estiveram outra vez todos muito bem, tal como na casa do clube regional, sendo o destaque desta vez para o Manuel Fernandes não só pelo golão que marcou como por ter anulado o Riquelme durante a maior parte do jogo. O Nuno Gomes voltou a mostrar que está em forma, só foi pena ter falhado o 2-1 perto do fim, o Petit foi o tampão do costume e o Nelson é cada vez mais uma certeza. O Rui Nereu entrou a frio, mas portou-se muito bem (pareceu-me pela sujidade na sua camisola no início a 2ª parte - não tendo ele feito nenhuma defesa até ao intervalo - que durante o descanso esteve a trabalhar com o treinador de guarda-redes; se assim aconteceu, foi uma medida acertadíssima do nosso treinador).

A impressão com que se ficou deste jogo é que o Benfica jogou para o empate e conseguiu, mas com um pouco mais de audácia poderíamos perfeitamente ter ganho o jogo. É um óptimo resultado fora de casa, mas poderia ter sido ainda bem melhor. Não sei se teve a ver com um pouco de cansaço trazido de Sábado, mas houve momentos em que me exasperei por passarmos a bola para o lado e para trás, em vez de procurarmos a baliza. Ainda por cima com o empate em casa do Manchester com o Lille teríamos voltado ao 1º lugar do grupo. Este resultado em Old Trafford não nos favorece, já que as equipas estão todas muito juntas (2, 3, 4 e 5 pontos) e a última coisa que precisamos é que o Manchester necessite do último jogo na Luz para se apurar para os oitavos-de-final. Daqui a 15 dias é fundamental ganhar ao Villarreal, já que assim certamente pelo menos a Taça Uefa não nos fugirá. Com o que se viu até agora somos claramente uma das equipas mais fortes do grupo e a passagem à fase seguinte está perfeitamente ao nosso alcance.

terça-feira, outubro 18, 2005

Ooooohhhhh!!!

Agora é que foi de vez! Os Indomáveis ficaram sem quem os domasse. O José Peseiro demitiu-se e o Dias da Cunha foi “forçado e violentado” (sic!) a aceitar. Que grande chatice! Disse o Dias da Cunha, numa conferência de imprensa surreal, que “é um dia triste para o Sporting”. Meu caro Dias da Cunha, não é só um dia triste para o Sporting, há pelo menos mais seis milhões de almas que também estão destroçadas...

Acho que só há uma maneira de tentar amenizar esta tristeza e estou a pensar fazer uma petição online (agora está muito na moda) para além de organizar manifestações só com duas palavras de ordem (pelo que tenho visto na blogosfera, acho que há seis milhões de pessoas que me acompanham nisto): LU-ÍS CAM-POS! LU-ÍS CAM-POS!

P.S. – Um já está! Queres ver que esta minha previsão natalícia de 19 de Agosto se confirma ainda antes do S. Martinho?

domingo, outubro 16, 2005

Épico

Digo sem nenhum exagero que ontem, dia 15 de Outubro de 2005, foi um dos dias mais felizes da minha vida. Não foi apenas uma vitória num jogo e na casa de um clube onde já não ganhávamos há mais de uma década. Foi muito mais do que isso. Foi uma vitória contra tudo o que sofremos desde há 14 anos para cá: incontáveis expulsões, penalties inventados contra e outros não assinalados a favor, agressões sofridas sem serem sancionadas, enfim um sem-número de roubos de igreja que tivemos que engolir em jogos consecutivos a jogar contra 14. Para além do que se passou no campo, há ainda toda a estratégia de intimidação que sofremos sempre que vamos àquele antro. Desde o célebre jogo de há 14 anos, com os golos do César Brito mesmo contra a lixívia no balneário, as agressões do guarda Abel aos nossos dirigentes, até aos petardos e ameaças de bomba da madrugada de ontem no nosso hotel (ainda há dúvidas porque é que eu não os menciono?), muito se passou neste período de tempo que torna o gozo de ganhar na casa do clube regional substancialmente maior.

Por outro lado, estamos a ouvir desde o início da época as hossanas da nossa imprensa ao “futebol-espectáculo”, à “cultura de ataque”, à “lufada de ar fresco” que a vinda do treinador do clube regional trouxe ao nosso futebol. Um treinador “muito conceituado”, mas que curiosamente com 58 anos tem… ZERO títulos conquistados! E que perante o nosso treinador tem a excelente performance de sete derrotas e dois empates. Bestial, sem dúvida! Ontem demos, há que dizê-lo com todas as letras, um banho de bola. O clube regional teve uma (!) oportunidade de golo durante o jogo todo (McCarthy ainda na 1ª parte), enquanto nós tivemos pelo menos três (para além dos golos, a cabeçada do Simão no final da 1ª parte, já para não falar do remate do Geovanni às malas laterais). Defensivamente estivemos seguríssimos e FINALMENTE fizemos uma óptima transição defesa-ataque, criando várias situações de perigo através de contra-ataque. Concordo com o Koeman quando ele diz que a nossa 1ª parte foi fraca, apesar de o clube regional só ter criado perigo uma única vez. Mas na 2ª o nosso domínio foi avassalador. Aquela jogada de três para um, em que o Simão não consegue passar a bola para o Geovanni ou o Nuno Gomes vai ficar-me atravessada durante muito tempo. Seria o 3-0! O desportivismo daquele clube inominável foi mais uma vez expresso na atitude do Bruno Alves, que depois de lhe ver perdoada a expulsão ao agredir o Petit num canto, teve uma atitude que honra grandes nomes daquela casa como o Paulinho Santos, André ou Jorge Costa ao atingir à cabeçada (!), depois de uma entrada a matar, o Nuno Gomes (“é bem feito, para ver se da próxima vez não marcas dois golos!”). A tradição ainda é o que era para aqueles lados...

Em relação aos nossos jogadores, estiveram quase todos brilhantes. Acima de todos, claro está, o Nuno Gomes que, como já vi escrito na blogosfera, esteve a afinar a pontaria no jogo da selecção naquele mesmo estádio para aplicá-la contra o clube regional (eh, eh, eh!). O último dos borregos que tinha para matar (marcar golos ao clube regional) foi morto ontem e ainda por cima a dobrar! Gostei especialmente dele a apontar para as quinas depois de cada golo. Mas afinal quem é que são os campeões? Embrulha! Na defesa, o Quim esteve muito seguro no pouco trabalho que teve, o Luisão foi imperial como é hábito, o Anderson é melhor que o Ricardo Rocha nestes jogos porque é muito menos faltoso, o Léo esteve igualmente muito bem (teve o azar de ter sido o primeiro jogador nosso já amarelado a fazer uma falta depois da expulsão do Bruno Alves, já que o Lucílio Baptista estava mortinho por repor a igualdade no número de jogadores de ambas as equipas; sim, porque é mais fácil Cristo voltar à Terra do que o Benfica acabar um jogo contra o clube regional em superioridade numérica) e o Nélson esteve brilhante (o centro para o 1º golo foi fabuloso). No meio-campo, o Petit e o Manuel Fernandes parece que voltaram à boa forma (a rápida transição para o ataque passou muito pela pouca retenção de bola que fizeram), o Karagounis esteve discreto, mostrando não estar na melhor forma física, e o Karyaka não pareceu que esteve dois meses sem jogar, constituindo-se como uma mais-valia e sendo determinante no lance do 2º golo. O Simão lutou muito como de costume (só foi pena aquela cabeçada não ter entrado e aquele passe no lance dos três isolados não ter sido concretizado), o Geovanni entrou mal no jogo, mas melhorou imenso na 2ª parte e foi dele o centro para o 2º golo. Baixa importante vai ser o Miccoli que aparentemente tem uma rotura muscular que o vai impedir de jogar nas próximas semanas. Como já aqui escrevi, espero sinceramente que contratemos outro ponta-de-lança em Janeiro, já que para além das possíveis lesões e castigos, o Mantorras estará na Taça das Nações Africanas durante um mês.

Com esta saborosíssima vitória, e como previu o Pl@ka aqui a seguir à nossa derrota em Alvalade, já só estamos a um ponto do clube regional e a quatro do 1º lugar. Quem diria, quando somente há quatro jornadas atrás estávamos a oito pontos dos dois grandes rivais? VIVA O BENFICA!

P.S. – O jogo da próxima 3ª feira contra o Villarreal vai ser muito complicado, porque para além de só termos três dias de descanso, o Miccoli está lesionado, o Karagounis saiu com aparentes dificuldades físicas e o Villarreal poupou o Riquelme e o Forlán neste fim-de-semana. Vamos ver se damos sequência a esta vitória épica, mas eu já ficava contente com um empatezito.