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quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Amargo

Perdemos ontem em Madrid frente ao Real por 2-1 e fomos eliminados da Liga dos Campeões. Depois da supremacia espanhola no jogo da 1ª mão, assistiu-se a uma partida muito mais equilibrada, em que o resultado mais justo teria sido o empate. Seríamos eliminados na mesma, mas a nossa exibição não justificou de todo a derrota.
 
Com o Prestianni castigado preventivamente, o Mourinho apostou no Richard Ríos para fechar pela direita, mantendo a equipa-tipo dos últimos encontros mais importantes. Entrámos muitíssimo bem neste, confundindo completamente o Real Madrid e não o deixando praticamente sair a jogar. Claro que as ausências por lesão do Huijsen e principalmente Mbappé muito contribuíram para um Real mais fraco do que em Lisboa, mas ainda assim era o Real Madrid no Bernabéu e em muitos períodos da 1ª parte tivemos a personalidade que se exigia a quem tinha necessariamente de ganhar. Uma cabeçada do Leandro Barreiro colocou à prova a segurança do Courtois e aos 14’ inaugurámos mesmo o marcador através do Rafa, com uma recarga a um seu remate, depois de uma assistência do Pavlidis na direita, bem desmarcado pelo Ríos. Empatávamos a eliminatória e estávamos por cima do Real Madrid, pelo que as perspectivas eram boas. Só que... apenas dois minutos depois, sofremos o empate! Perda de bola do Otamendi a sair a jogar, contra-ataque adversário, com centro atrasado do Valverde para o Tchouaméni rematar à vontade à entrada da área, sem hipóteses para o Trubin. Foi muito frustrante dado que nem tivemos tempo de gozar a eliminatória empatada e o efeito que isso eventualmente teria na equipa espanhola. No entanto, até ao intervalo fomos criando perigo, muito por acção do Schjedlderup na esquerda, que voltou a ser dos nossos melhores jogadores. Porém, pouco depois da meia-hora, vimos a bola entrar novamente na nossa baliza, mas fomos salvos por um fora-de-jogo de VAR. Todavia, o Trubin não esteve nada bem quando se fez à bola, sendo muito lento a chegar ao relvado, o que permitiu que o Arda Güler metesse a bola na baliza. Teria sido outro golo muito consentido... De qualquer forma, poderíamos ter ido para o intervalo outra vez em vantagem, não fosse o caso de o guarda-redes adversário se chamar Coutrois... Bom remate rasteiro do Ríos quase em cima da área e magnífica defesa do belga, que nos tirou um golo certo.
 
Na 2ª parte, o jogo foi mais equilibrado, embora com menos intensidade do que na 1ª, mas continuou a haver hipóteses para os dois lados. Os espanhóis faziam por desacelerar o ritmo de jogo e nós não tivemos tanto sucesso a condicionar a saída deles como na etapa inicial. O Alexander-Arnold teve duas jogadas em que criou perigo para a nossa baliza, com um centro rasteiro tenso que ninguém conseguiu desviar e um remate que saiu ao lado, mas a grande oportunidade foi nossa com um remate de trivela do Rafa, que desviou num defesa e bateu na barra. Tivemos outra jogada muito semelhante à do primeiro golo do Real Madrid, em que o remate do Pavlidis ia com boa direcção, mas foi cortado a meias pelo Rüdiger e Carreras. A equipa estava a pedir mexidas, mas o nosso banco só reagiu depois do 2-1, que surgiu aos 80’ pelo Vinícius Júnior. Uma tentativa falhada de corte em antecipação do Tomás Araújo espoletou um contra-ataque fatal, finalizado com muita classe pelo brasileiro. Só a partir daqui é que vieram as substituições e, claro está, o Schjedlderup é sempre o primeiro a sair, quer esteja a jogar bem ou mal, e o Ivanović foi pelo segundo jogo consecutivo para extremo-esquerdo. Decisão mais uma vez incompreensível com o resultado que se esperava: deixámos de criar perigo por aquele lado. Esta questão das (não-)substituições é um mistério: num jogo como este não fazer entrar em campo nem o Sudakov, nem o Lukebakio (entrou o Sidny Cabral...), mesmo que fosse nos minutos finais, é muito pouco compreensível. Especialmente, dado que o Rafa e o Pavlidis acabaram o encontro muito esgotados...
 
Em termos individuais, o Schjedlderup e o Dahl foram de longe os melhores e mais consistentes ao longo de toda a partida. O Ríos também não esteve mal, em especial se levarmos em consideração que veio de lesão há pouco tempo. O Aursnes não está no seu melhor momento em termos físicos, mas já não vai sair daquele lugar de seis. O Leandro Barreiro esteve igualmente bastante combativo e o Dedić conseguiu controlar o grande perigo do lado contrário, Vinícius Júnior, na medida do possível. Os dois centrais, ao invés, tiveram um jogo para esquecer, em especial o Otamendi, cuja falha está indelevelmente ligada ao destino desta partida e quiçá eliminatória: nunca saberemos o que teria sido o Real Madrid com tudo empatado... O Pavlidis e o Rafa não atravessam as suas melhores fases, apesar de terem participado directamente no nosso golo. Eu teria colocado o Ivanović e o Sudakov nos seus lugares a partir de determinada altura.
 
Poderíamos (e deveríamos) ter feito mais para alcançar outro resultado, mas estamos no final de Fevereiro e só temos o campeonato como objectivo. A sete pontos de distância. Estou muito curioso para ver o que é que a equipa vai levar desta eliminatória, que, apesar de tudo, conseguimos disputar taco a taco com o Real Madrid, para o resto da temporada. Não foi uma boa participação europeia, porque não obtivemos o resultado mínimo, que era atingir os oitavos, mas teremos sempre aquele momento do golo do Trubin para recordar para sempre.

quarta-feira, fevereiro 25, 2026

Sem stress

Vencemos o AVS por 3-0 no passado sábado na jornada entre as duas mãos do play-off da Champions. Tivemos sorte no sorteio do campeonato, porque nos calhou um jogo em casa contra o último classificado e conseguimos o que era pretendido, com rotação de jogadores e o jogo decidido ao intervalo.

Antes da ida a Madrid, o Mourinho fez o expectável, ou seja, rodou meia equipa, com destaque para a estreia absoluta do Bah nesta temporada, finalmente regressado de lesão com mais de um ano(!), e para a primeira titularidade do José Neto na lateral-esquerda. E o Bah não poderia ter tido um melhor regresso, dado que foi ele a inaugurar o marcador aos 11’ numa recarga a um remate do Pavlidis depois de uma boa abertura do Schjelderup. Não descansámos com a vantagem e continuámos à procura do segundo, que surgiu aos 30’ pelo Barrenechea, depois de assistência de cabeça do Richard Ríos na sequência de um canto. Antes disso, também o Pavlidis e o Rafa tiveram oportunidades claras, mas permitiram a defesa ao guarda-redes Adriel. O Schjelderup mostrou-se em grande forma, assistindo primorosamente os colegas, que foram desperdiçando muito mais golos do que o que seria desejável, especialmente o Pavlidis que não conseguiu marcar e viu o Luis Suárez ultrapassá-lo nos melhores marcadores. Ainda assim, aos 43’ fechámos a contagem no regresso aos golos do Rafa, que marcou de letra(!) depois de uma assistência do Sidny Cabral na direita.

Se o ritmo já não tinha sido muito intenso na 1ª parte, com a partida praticamente decidida, ainda o baixámos mais na 2ª. Continuando o descanso dos titulares, o Otamendi já não regressou dos balneários, entrando o Tomás Araújo no seu lugar. O Schjelderup continuava a seu recital e colocou o Ríos na cara do golo, mas o colombiano atirou incrivelmente por cima. Pouco depois, foi o Sidny Cabral a atirar ao poste e a ver a recarga ser cortada pela mão de um adversário. Nem o Sr. João Martins, nem o VAR Paulo Barradas acharam que era penalty...! Inacreditável! Até final, o Ivanović, Lukebakio, Anísio Cabral e Diogo Prioste ainda tiveram direto a alguns minutos, mas não conseguimos marcar nenhum golo.

Em termos individuais, destaque óbvio para o Schjelderup, que foi de longe o melhor em campo. Claro que voltou a não fazer os 90’, mas isso já se sabe... O Mourinho salientou no final a exibição do sub-17 José Neto e, de facto, parece que não engana. Temos ali lateral-esquerdo para alguns anos (espero...). Foi pena o Pavlidis não ter aproveitado este adversário para aumentar o seu cabaz goleador, mas acabou por ficar em branco... Quanto ao resto da equipa exibiu-se num plano razoável, numa partida óptima para relaxar antes do compromisso europeu.

Jogaremos daqui a umas horas o nosso futuro na Champions. Estamos em desvantagem na eliminatória e o favoritismo está obviamente do lado do Real Madrid, portanto não temos nada a perder. Será preciso um milagre, mas também o era no final de Janeiro para irmos ao play-off. E no entanto...!

sábado, fevereiro 21, 2026

Intenso

Perdemos na passada 3ª feira (0-1) frente ao Real Madrid na 1ª mão do play-off de acesso aos oitavos-de-final da Champions e temos naturalmente a nossa vida bastante complicada. Depois da jornada épica de há três semanas, o Real Madrid apresentou-se de maneira bem diferente, de escaldado que estava, e foi superior a nós durante a maior parte do jogo.
 
Com o Aursnes de regresso ao onze, o Mourinho manteve a tendência atacante com o Rafa atrás do Pavlidis e o Prestianni e Schjelderup nas alas. Nem entrámos mal, com uma cabeçada do Tomás Araújo à figura do Courtois num canto, e um remate de fora da área do Aursnes desviado por um defesa, que o guarda-redes belga defendeu com um fantástico golpe de rins. No entanto, a iniciativa atacante foi quase toda do Real Madrid, com muita paciência a rodar a bola por todos os jogadores na tentativa de encontrar uma brecha na nossa defesa. Não foi fácil, dado que nos fechámos bem, mas, graças à sua qualidade individual, lá foram criando uma ou outra oportunidade que, ou saiu ao lado ou por cima, ou esteve lá o Trubin para garantir a nossa baliza a zeros até ao intervalo. Quanto a nós, raramente conseguimos criar perigo, fruto principalmente de uma noite muito desinspirada do Rafa, que não conseguiu dar fluidez aos nossos contra-ataques. Ou fazia uma finta a mais, sofria falta e o momentum perdia-se ou perdia mesmo a posse de bola. Raramente tomou a decisão certa e, perante adversários com a valia dos merengues, não há segundas hipóteses de criar perigo na mesma jogada.
 
A 2ª parte ficou marcada pelo único golo do encontro, que surgiu logo aos 50’. Contra-ataque do Real Madrid, com o Mbappé a dar na esquerda para o Vinícius Júnior, que fez a sua jogada habitual de flectir para o meio e rematar em arco, sem hipóteses para o Trubin. Foi um golão, mas o que se seguiu foi muito feio. Em vez de ir comemorar para junto dos seus adeptos, o Vinícius Júnior não encontrou melhor sítio para o fazer do que junto à claque do Benfica. Sambou e virou-se para os adeptos de forma nitidamente provocatória. Tanto assim foi que, não só o Rüdiger foi lá empurrá-lo para o centro do campo, enquanto pedia desculpa aos adeptos, como o próprio árbitro mostrou um amarelo ao brasileiro. O estádio ficou em polvorosa, como seria expectável. Quando o jogo ia recomeçar, o brasileiro foi a correr para o árbitro, o Sr. Francois Letexier, a denunciar o Prestianni por alegados insultos racistas. O jogo esteve parado cerca de 10 minutos e o caldo foi definitivamente entornado. Sobre o que foi ou não dito, só ambos os jogadores saberão. Eu não meto as mãos no fogo por ninguém e, se houve insultos racistas, o Prestianni deve ser castigado. Até por ser idiota, porque com tanto bom insulto para fazer, com tanto animal para escolher, alguns até mais apropriados para a situação (o Vinícius Júnior tem tanto de bom jogador como de porco provocador, a sua cor é completamente indiferente), foi alegadamente escolher um que insulta uma raça inteira. Quanto ao Vinícius Júnior, apenas uma questão: com tanto jogador negro, porque será que ele é o que se queixa regularmente de racismo nos estádios. É que já não é nem a primeira, nem a quinta vez que acontece... E não, isto não é o argumento da “mini-saia”! É só uma questão de bom senso: jogador que vai festejar para junto da claque adversária e provoque nitidamente os adeptos contrários vai ser insultado. Seja de que forma for. Tenha cor da pele que tiver. Não dar azo a que se chegue a esse ponto, não dando pretextos para que isso aconteça, é provavelmente o que todos os jogadores deverão fazer no futuro. Que este caso permita, ao menos, mudar os comportamentos. De todos os envolvidos. Dentro do campo e nas bancadas. Mas há insultos e insultos. Racismo é crime e é bom que seja penalizado. Ponto final. Na minha bancada, tive de mandar calar um consócio mais velho e perguntar-lhe se também fazia aqueles urros quando o Eusébio ou agora o Anísio Cabral tocava na bola... Para além de poder prejudicar o próprio Benfica com aquele comportamento! Acéfalo idiota!
 
O jogo ficou definitivamente marcado por esta situação e até final já não foi o mesmo. No entanto, há coisas que nunca mudam e o Schjelderup foi o primeiro a sair...! Só num livre do entretanto entrado Sidny Cabral causámos algum perigo, porque a bola desviou na barreira e passou por cima da barra, com o Courtois desequilibrado. Do outro lado, um outro remate do Vinícius foi bem defendido pelo Trubin.
 
Em termos individuais, o Tomás Araújo fez uma exibição irrepreensível, muito bem secundado pelo Leandro Barreiro. O Aursnes, apesar de não ter durado o jogo todo por limitações físicas, esteve ao seu nível habitual e o Schjelderup estava a ser o mais dinâmico no ataque, mas nunca acaba um jogo... Quanto ao Rafa, para se exibir desta forma, é bom que fique no banco, porque o Sudakov teria sido bastante mais útil, porque ao menos conseguia reter a posse de bola.
 
Iremos receber hoje o AVS numa partida em que o Mourinho irá fazer certamente muitas alterações, porque vamos ao Bernabéu na próxima 4ª feira tentar um milagre. Mas convém não desvalorizar o adversário só porque está em último lugar, porque é bem provável que, a partir da próxima semana, só tenhamos o campeonato para nos preocupar.
 
P.S. – É muito giro o Presidente da FIFA vir mostrar-se chocado com esta situação, especialmente depois de ter inventado um “Prémio da Paz” para dar a um líder autoritário, que está a expulsar emigrantes do seu país exclusivamente por causa da cor da sua pele... Hipócrita de m****!

segunda-feira, fevereiro 16, 2026

Escusado

Vencemos o Santa Clara nos Açores na 6ª feira (2-1), mas a desvantagem para os da frente manteve-se em sete e três pontos, respectivamente, porque eles também ganharam pela margem mínima (ambos por 1-0): o CRAC na Madeira ao Nacional e a lagartada na recepção ao Famalicão (desta vez o golo não foi depois dos 90’, foi aos 83’...!). A nossa superioridade foi indiscutível e não deveríamos ter deixado a partida em aberto até final.
 
Com o Tomás Araújo na lateral-direita, o António Silva no meio e o Enzo Barrenechea no lugar do lesionado Aursnes, fizemos uma bela 1ª parte. Muito dinâmicos na frente, com o Prestianni em grande rotação, criámos bastantes oportunidades para termos o jogo mais do que resolvido ao intervalo. Só o Rafa teve três oportunidades, com um remate bem defendido pelo guarda-redes Gabriel Batista e outras duas (de cabeça e num desvio ao primeiro poste) ao lado. Inaugurámos o marcador relativamente cedo, aos 16’, num cabeceamento do Pavlidis, que só teve de encostar depois de um centro magnífico do Tomás Araújo. Aos 38’, o grego esteve novamente na jogada do golo, com um trabalho bestial sobre a esquerda, centro para a área para o Prestianni, que não conseguiu o desvio, mas o defesa que estava atrás dele, Paulo Victor, teve azar e fez autogolo. Entre o primeiro e o segundo golo, houve um lance na área com o Leandro Barreiro, que tanto o Sr. António Nobre, como o VAR Manuel Oliveira não consideraram faltoso, mas não tenho a mais pequena dúvida que a decisão seria diferente com outras duas camisolas... Em cima do intervalo, houve outro lance na área em que me pareceu que o Prestianni foi pisado, mas a Sport TV não deu nenhuma repetição... Que conveniente...!
 
A 2ª parte não poderia ter começado pior, com um frango monumental do Trubin! Num canto, houve um cabeceamento relativamente fraco do Gonçalo Paciência e o nosso guarda-redes deixou a bola passar por entre as pernas...! Inacreditável! Baixámos imenso de produção e as oportunidades de golo foram muito escassas. O Mourinho fez entrar o Sidny Cabral e o Sudakov, mas o aspecto positivo a reter é que não deixámos o Santa Clara aproximar-se mais da nossa baliza. O cabo-verdiano ainda teve um par de remates, mas sem grande perigo.
 
Em termos individuais, óbvio destaque para o Pavlidis com um golo e uma assistência. Outro que esteve num patamar muito elevado foi o Leandro Barreiro que, jogando na sua posição de origem, a oito, está muito mais à-vontade em campo. O Prestianni também esteve bem, em especial na 1ª parte, bem secundado, embora num plano inferior, pelo Schjelderup. O Rafa vai aproximando-se dos níveis físicos ideais e a sua preponderância nos nossos ataques vai acompanhando essa subida. Quanto ao Trubin, está feito, já deu o frango da época, é bom que não o repita mais...!
 
Amanhã, iremos receber o Real Madrid na 1ª mão dos play-off de acesso aos oitavos-de-final da Champions. Depois do jogo épico de há três semanas, veremos o que este nos trará, mas, com a concentração devida e alguma dose de sorte, acho que poderemos voltar a ganhar.

sexta-feira, fevereiro 13, 2026

Anísio Cabral

Vencemos o Alverca na Luz no passado domingo (2-1) e, com o empate entre o CRAC e a lagartada no dia seguinte (1-1), reduzimos a diferença para ambos, cingindo-se agora nos sete e três pontos, respectivamente. Era fundamental ganhar para recuperarmos pontos, mas só o conseguimos nos últimos minutos através do novo herói da Luz.
 
O Mourinho manteve a base dos últimos jogos, com excepção na titularidade do Rafa em detrimento do Sudakov. Entrámos mais devagar do que frente ao Tondela, mas inaugurámos o marcador logo aos 16’ numa recarga vitoriosa do Schjelderup a remate de trivela do Rafa, que o Matheus tinha defendido. Aparentemente o mais difícil estaria feito, só que os ribatejanos empataram aos 30’ pelo Lucas Figueiredo (já depois de terem ameaçado num lance anterior) a desviar a bola na área depois de um centro da esquerda. A partir daqui, o Sr. Bruno Costa tornou-se uma das figuras da partida, com uma série de decisões, ou melhor, não-decisões, que muito nos prejudicaram. Auxiliado pelo VAR João Casegas, houve quatro(!) lances na área do Alverca que não mereceram reparo, sendo que dois deles (na 1ª parte, empurrão ao Schjelderup e, na 2ª, atropelamento ao Leandro Barreiro), me pareceram claramente penalty. Outra figura do encontro foi o guarda-redes habitualmente suplente do Alverca, o Matheus, que fez uma série de defesas que nos impediram de marcar mais cedo.
 
Na 2ª parte, uma bela jogada do Schjelderup acabou dentro da baliza pelo Pavlidis por volta da hora de jogo, mas a bola tocou ligeiramente na mão dele antes de bater no peito e entrar. Ridículo estes lances! Antes disso, um desvio do Rafa tinha ido parar ao poste e, depois dele, um remate do Prestianni foi defendido pela cabeça(!) do Matheus. Parecia que tudo estava enguiçado, até que o miúdo Anísio Cabral entrou aos 86’ e, na primeira vez que tocou na bola, meteu-a dentro da baliza! Bom cruzamento do Dahl na esquerda e cabeceamento bestial do Anísio, com a bola a entrar no canto inferior direto da baliza do Matheus! Foi o delírio no estádio e a confirmação de que temos ali homem. Quer dizer, rapaz, por enquanto!
 
O Schjelderup foi o nosso melhor jogador quanto a mim, mas o Anísio merece destaque por ter sido decisivo. O Prestianni também esteve bem, assim como o Aursnes na posição seis. O Pavlidis atravessa uma fase de menor fulgor, mas teve azar no golo que foi invalidado.
 
Iremos entrar em campo daqui a pouco nos Açores frente ao Santa Clara antes nova recepção ao Real Madrid para a Champions. Não temos estado a jogar mal, mas está muito difícil fazermos golos com regularidade. Há que corrigir isso rapidamente.

sábado, fevereiro 07, 2026

Desperdício

Empatámos 0-0 em Tondela no passado domingo e perdemos a oportunidade de reduzir ainda mais a diferença para o CRAC, que perdeu no dia seguinte em Rio Maior frente ao Casa Pia (1-2). Só lhes ganhámos um ponto (estamos agora a nove), mas deixámos fugir a lagartada no segundo lugar (cinco pontos à nossa frente), dado que ganharam em casa ao Nacional (2-1), com o golo da vitória já nos descontos!
 
Depois da épica jornada europeia, o regresso à realidade nacional poderia ter mudado completamente o chipda nossa equipa, mas isso não aconteceu. Não acho que tenhamos feito um mau jogo, a entrega dos jogadores perante condições atmosféricas difíceis foi plena, mas falhámos clamorosamente na finalização. As entradas do Banjaqui e António Silva na defesa foram as únicas alterações relativamente ao Real Madrid e a história do jogo é basicamente a história dos nossos falhanços e das defesas do guarda-redes Bernardo Fontes. Do outro lado, só por uma vez o Tondela esteve à beira de marcar, a meio da 1ª parte, com um desvio de calcanhar ao poste do Trubin. Por esta altura, já o Pavlidis tinha tentado desfeitear o Bernardo Fontes, depois de levar um toque de um defesa na área, que eventualmente teria sido penalty se o grego tivesse caído. O Prestianni teve um belo remate já dentro da área, que o guarda-redes defendeu com a ponta dos dedos. Logo depois, foi o Pavlidis a não ter visto o Banjaqui completamente sozinho, deixando que o seu remate embatesse no Bernardo Fontes, que estava em cima dele. Perto do intervalo, o Sr. Luís Godinho assinalou penalty a nosso favor, por agarrão ao Leandro Barreiro, mas o VAR Sr. Manuel Mota reverteu-o. Fosse noutros campos, com outras duas equipas, e não tenho a menor dúvida que a decisão teria sido mantida. Mesmo em cima dos 45’, o Banjaqui rematou de fora da área, mas o guarda-redes defendeu para canto.
 
A 2ª parte ainda foi mais intensa do nosso lado, com o Bernardo Fontes a negar novamente o golo ao Prestianni, outra vez com um remate no limite da área, logo no reinício. O Mourinho mexeu na equipa à passagem da hora de jogo, com as entradas do Rafa e do Sidny Cabral para os lugares do Schjelderup e Banjaqui, e foi o cabo-verdiano a centrar muito bem para o Pavlidis rematar de cabeça ao lado, quando o Rafa estava em excelente posição atrás dele e marcaria quase de certeza... Novo centro do Sidny Cabral encontrou o Aursnes sozinho na área, mas o norueguês, em vez de rematar de primeira, tentou dominar a bola e permitiu que o guarda-redes caísse logo em cima dele. Já nos últimos dez minutos, o Aursnes rematou de pé esquerdo dentro da área, o guarda-redes defendeu, a bola sobrou para ele novamente, que centrou para o Pavlidis não cabecear bem a bola, quando estava na pequena-área e o guarda-redes batido! É certo que foi perturbado por um defesa, mas deveria ter feito muito melhor! Entretanto, o Mourinho colocou o Anísio Cabral e o regressado Bruma, saindo o Sudakov (que deveria ter ido para o meio e ter saído o Leandro Barreiro...!) e o Prestianni, e foi o sub-17 a ter a derradeira oportunidade, com uma boa rotação na área, mas o remate saiu à figura do guarda-redes. Do outro lado, o Tondela mal passou do meio-campo...
 
Em termos individuais, o Prestianni foi o melhor na 1ª parte, mas depois perdeu um pouco o gás. Já o Schjelderup já não esteve tão bem como contra o Real Madrid, complicando em demasia os lances. O Pavlidis não atravessa de todo uma boa fase, embora continue a ser um jogador de equipa. O Sudakov a dezé outra coisa e não deveria ter sido substituído. O Banjaqui não esteve tão bem como contra o Estrela da Amadora, mas temos ali lateral para o futuro. O Aursnes já não deve sair da posição seis, que é a sua de origem e na qual quase nunca jogou desde que está no Benfica e o Leandro Barreiro dá mais fluidez ao jogo do que o Richard Ríos. O Anísio Cabral voltou a entrar muito bem, já o Rafa está claramente com falta de ritmo e o Sidny Cabral fez dois belos centros entrando para a lateral-direita.
 
O resultado é bastante injusto para o que produzimos, mas a derrota do CRAC não acabou de vez com as nossas esperanças. Na próxima 2ª feira, há um CRAC – lagartada e espero que recuperemos pontos para um deles (ou os dois). No entanto, para isso há que ganhar ao Alverca em casa amanhã.