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sexta-feira, outubro 16, 2020

Pausa para selecções

Jornada tripla para a selecção com as recepções à Espanha e Suécia e a ida a França. Frente aos espanhóis foi um jogo particular, mas os outros dois foram para a Liga das Nações e o balanço é claramente positivo, com dois empates (0-0) frente a duas das melhores selecções do mundo e a vitória frente aos suecos por 3-0. Posto isto, continuamos na liderança do nosso grupo, em igualdade com os franceses, mas com vantagem na diferença de golos.

Na partida frente aos espanhóis, até foram eles que dominaram, mas nós atirámos duas bolas aos postes pelo Cristiano Ronaldo e Renato Sanches. No Stade de France, dominámos na 1ª parte, embora com um semi-regresso ao futebol sem balizas, mas na segunda a tendência inverteu-se. Contra a Suécia, o Diogo Jota deu show, com dois golos e uma assistência para o Bernardo Silva inaugurar o marcador, num jogo que ficou marcado pela ausência do C. Ronaldo, entretanto infectado com Covid-19. A boa notícia é que se confirma mais uma vez que a selecção não é ‘Ronaldodependente’ e está bastante consistente quer em termos exibicionais, quer de resultados, mesmo sem ter o seu jogador mais famoso.


O apuramento para a fase final da Liga das Nações ficou assim adiado para os jogos de Novembro, em que receberemos a França e terminaremos na Croácia. ‘Bastar-nos-á’ fazer os mesmo resultados dos franceses nos dois jogos, para podermos defender o título que conquistámos na 1ª edição.

terça-feira, outubro 06, 2020

Complicado

Vencemos o Farense na Luz por 3-2 no domingo e estamos neste momento isolados à frente do campeonato, mercê da fantástica vitória do Marítimo em Mordor (pelo mesmo resultado) no dia anterior. A lagartada, que tem o jogo em atraso da 1ª jornada, é a única equipa que ainda pode fazer o pleno de vitórias.
 
Depois das boas exibições em Famalicão e frente ao Moreirense, esperava-se alguma continuidade nesta partida, mas isso não veio a suceder. Com a saída do Rúben Dias e a lesão do Vertonghen, o Jesus faz alinha o Jardel e em estreia absoluta o Otamendi. O Farense fez um óptimo jogo, bastante desinibido e a criar-nos muitas dificuldades. Mesmo assim, chegámos à vantagem logo aos 15’ num remate do Pizzi que ainda foi desviado por um defesa, depois de uma perda de bola dos algarvios e rápida jogada do Rafa, que assistiu o nº 21. Pensei que o mais difícil estava feito relativamente cedo, o que seria um bom tónico para o resto do encontro. Puro engano! O Farense reagiu muito bem e, não fosse uma óptima defesa do Vlachodimos a um cabeceamento, teria chegado à igualdade ainda antes do intervalo. Quanto a nós, as combinações atacantes não saíram com o esclarecimento das duas jornadas anteriores e, por conseguinte, não conseguimos criar tantas oportunidades.
 
Na 2ª parte, entrámos ainda pior do que na 1ª e o Farense chegou à igualdade logo aos 54’. Erro tremendo do Otamendi a pisar um adversário que o VAR puniu com penalty, o Vlachodimos defendeu dois(!) do Ryan Gauld (o primeiro foi mandado repetir por supostamente ter saído da linha de baliza) e, na sequência do canto, o Lucca cabeceou à vontade para o 1-1. Desconcentrámo-nos por completo e só não ficámos a perder pouco depois, porque o Gauld estava em fora-de-jogo quando fez a assistência para golo. Entretanto, já tinham entrado o Pedrinho, Weigl e Seferovic para os lugares do Rafa, Gabriel e Waldschmidt. O Farense continuou por cima, sendo que finalmente a cerca de 25’ do final acordámos. Apesar disto, não criámos assim tantas oportunidades até nos termos colocado novamente em vantagem aos 79’ numa fantástica cabeçada do Seferovic a centro teleguiado do Grimaldo. E foi mesmo o suíço a bisar aos 87’, com um remate enrolado que ainda bateu no poste, depois de uma assistência do Darwin, que não foi egoísta dado que estava em boa posição para marcar. Até final, ainda sofremos mais um golo já na compensação, quando o Otamendi perdeu a bola em zona proibida (embora tenha sido mais que falta a que o Sr. Tiago Martins e o VAR Sr. Vasco Santos fizeram vista grossa) e o Patrick não teve dificuldades em marcar isolado.
 
Em termos individuais, destaque para o bis do Seferovic que foi essencial para a vitória e para o Vlachodimos por ter segurado essa mesma vitória com algumas intervenções importantes. Os restantes jogadores não fugiram muito da mediania e uma menção especial para a estreia do Otamendi, que fez uma 1ª parte com cortes que eu não via desde o Gamarra, mas uma 2ª para esquecer, tendo estado ligado aos dois golos do adversário.
 
O campeonato irá agora parar para as selecções e esperemos que as boas exibições regressem quando voltar. Sim, o Farense jogou bastante bem (mérito para o treinador Sérgio Vieira), mas uma caída assim tão a pique na qualidade do nosso jogo em apenas uma semana não deixa de causar apreensão.

segunda-feira, setembro 28, 2020

Perdulários

Vencemos o Moreirense no sábado na Luz por 2-0 e continuamos na frente e do campeonato, juntamente com o CRAC (5-0 no Bessa) e o Santa Clara. Se há jogos em que se costuma dizer que o resultado foi melhor do que a exibição, neste foi precisamente o contrário: a exibição foi (muito) melhor do que o resultado. Trocando por miúdos, acho que nem nos 10-0 ao Nacional tivemos tantas oportunidades como nesta partida!
 
Com a lesão do Taarabt, o Jesus apostou no Pizzi para o meio-campo. Quando a equipa entrou em campo, percebeu-se logo que seria o último jogo do Rúben Dias pelo Benfica, porque foi o capitão com o André Almeida e o Pizzi igualmente titulares. E a despedida não poderia ter corrido melhor, porque foi o próprio Rúben Dias a inaugurar o marcador de cabeça, na sequência de um canto, logo aos 20’. Já antes, o Darwin tinha falhado isolado perante o guarda-redes, atirando ao lado, e até ao intervalo criámos oportunidades suficientes para ganhar os próximos quatro jogos! Eu nem vou enumerá-las aqui, porque senão este postseria maior do que Os Maias. O Moreirense só tive uma chance na 1ª parte (quer serviu para o jogo inteiro), mas o Vlachodimos defendeu bem para canto um remate desviado.
 
Na 2ª parte,  criámos oportunidades para vencer os próximos dois jogos e a mais escandalosa de todas foi do Waldschmidt que permitiu a intercepção de um defesa depois de o Darwin lhe ter feito uma assistência à saída do guarda-redes. Inacreditável! O jogo ia decorrendo sem que o Moreirense conseguisse criar perigo, mas naturalmente uma vantagem de um só golo deixaria tudo em aberto até final. Pela maneira como a bola parecia não querer entrar, eu já estava a antecipar um sofrimento até ao apito do árbitro, quando, aos 80’ o Darwin se desmarcou pela direita e assistiu primorosamente o entretanto entrado Seferovic, que só teve de encostar. Finalmente podíamos respirar, mas ainda faltava a proverbial bola ao poste (que nunca falha em jogos como este) cortesia do André Almeida quase em cima dos 90’.
 
Em termos individuais, o Rafa foi dos melhores, porque, para além dos piques no ataque, também os fez a defender e recuperou pelo menos umas três bolas graças à sua velocidade. O Everton voltou a mostrar que temos ali um craque, mas infelizmente só deverá durar um ano com a nossa camisola. O Darwin continua sem marcar, mas compensa isso com assistências para golo. O Rúben Dias fica com um jogo para mais tarde recordar para a despedida e irá deixar saudades.
 
Para a semana, jogaremos novamente em casa frente ao Farense e espera-se que a melhoria exibicional se mantenha, porque estamos a jogar já um futebol bastante agradável. E não me venham dizer que é por ser o Famalicão e Moreirense, porque são (pelo menos) da valia do Tondela e Santa Clara e eu ainda me lembro muito bem das nossas exibições frente a eles na Luz na época passada...
 
P.S. – O Rúben Dias irá para o Manchester City por 53M€. Isto porque o Otamendi virá para o Benfica por 15M€. Portanto, os 68M€ não são bem 68M€, porque o Otamendi está claramente sobrevalorizado. Mesmo assim é uma boa verba por um central, ainda por cima nos tempos de pandemia que corremos, e o Jesus foi frontal ao vir dizer que esta venda também foi por causa dele, porque falhámos o acesso à Champions. No entanto, não sei se não teria sido à mesma vendido independentemente do resultado na Grécia, porque já se sabe que, entre resultados económicos e resultados desportivos, aqueles têm sempre primazia. Infelizmente.

segunda-feira, setembro 21, 2020

Goleada

Vencemos em Famalicão por 5-1 na passada 6ª feira e entrámos da melhor maneira no campeonato nacional. Depois da desilusão da Grécia, não poderíamos ter dado uma melhor resposta perante um adversário que foi a grande surpresa da época passada, mas que tendo perdido metade da equipa titular não deve ter uma tarefa fácil este ano.
 
Com somente três dias de intervalo entre os jogos, o Jorge Jesus retirou o Weigl, Pizzi, Pedrinho e Seferovic, e deu a titularidade ao Gabriel, Rafa, Waldschmidt e Darwin. Entrámos muito bem e num livre o Darwin cabeceou por cima, com o Vertonghen logo atrás (o belga teria certamente marcado se a bola lhe tivesse chegado). Continuámos a pressionar o Famalicão e o Waldschmidt atirou às malhas laterais já de ângulo difícil. Mas o alemão acabou mesmo por ser o primeiro marcador deste campeonato ao fazer o 0-1 aos 19’, com um toque de classe por cima do guarda-redes depois de ser isolado pelo Darwin. Logo a seguir foi o Vlachodimos a impedir o empate com uma boa defesa a remate do Guga. Aos 21’, elevámos a contagem numa boa jogada pela direita, com o Rafa a abrir no André Almeida, que centrou atrasado para o Everton rematar rasteiro sem hipóteses para o Zlobin. O jogo estava a correr de feição e o Waldschmidt por pouco não conseguiu fazer o desvio a um centro do Rafa, mas o 0-3 surgiu mesmo antes do intervalo através do Grimaldo (42’) num livre directo perfeito.
 
A 2ª parte começou também muito bem, com o 0-4 a surgir logo aos 52’, numa jogada de insistência do Everton, que apesar de ter escorregado ainda conseguiu assistir o Rafa, para um remate sem hipóteses para o guardar-redes. À semelhança de boa parte das épocas do Jorge Jesus e início da do Bruno Lage, continuávamos a jogar como se estivesse sempre 0-0 e o Waldschmidt teve outra boa oportunidade de cabeça que o pé do Zlobin evitou que entrasse. Mas o alemão acabaria mesmo por bisar aos 66 numa jogada iniciada por ele, que desmarcou o Darwin na direita e correu velozmente para a área, onde recebeu a assistência do uruguaio para um grande golo. No minuto seguinte, o Grimaldo foi inapelavelmente batido pelo Rúben Lameiras, que centrou atrasado para o Guga voltar a marcar-nos, tal como na época passada. Até final, ainda deu para o entretanto entrado Pizzi falhar escandalosamente a meia-dúzia com um remate muito por cima na marca de penalty.
 
Em termos individuais, destaque óbvio para o Waldschmidt pelo bis, o Darwin não marcou, mas fez duas assistências (embora revele alguns problemas de domínio de bola que não se espera de quem custou 24M€...), o Everton não precisa de provar mais nada (e até qu’enfim que, depois do Cardozo, o nº 7 vai para um craque, em vez de andar pelos Corchias e Caios Lucas desta vida...), o Rafa pareceu muito motivado depois do golo na Grécia e o Taarabt não durou só meia-parte. Embora tenha marcado um golão, o Grimaldo ainda está muito longe do seu nível habitual e parecia um infantil no lance do golo sofrido.
 
Eu disse logo que não me pareceu que tivéssemos jogado mal na Grécia e este jogo confirmou isso mesmo. A exibição foi muito boa e tivemos a eficácia que nos faltou em Salónica (embora obviamente o adversário fosse mais fraco). Teremos agora duas partidas em casa para poder comprovar esta evolução em termos exibicionais e amealharmos naturalmente mais seis pontos.
 
P.S. – Já não basta termos entrado em campo, perante uma equipa que alinha de branco, com as camisolas da Académica, como ainda apresentámos esta semana o terceiro equipamento, que é branco e... dourado! Ou seja, nos três equipamentos desta época não há um único que tenha o emblema do Benfica na sua cor original! Louve-se, ao menos, a coerência e o facto de termos feito jackpot: são todos pavorosos! O que me espanta aqui é que ainda ninguém tenha sido despedido depois de aprovar tais aberrações. (Calculo que haja alguém que aprove isto no Benfica, certo? Ou qualquer dia corremos o risco de algum equipamento alternativo apresentar uns belos tons de... verde? Acho que já esteve mais longe...)

quarta-feira, setembro 16, 2020

Fracasso

Perdemos ontem em Salónica contra o PAOK (1-2) e falhámos a possibilidade de entrar pelo 11º ano consecutivo na Liga dos Campeões ao sermos eliminados na 3ª pré-eliminatória. Ou seja, esta temporada não poderia ter começado pior.

Há duas maneiras de comentar jogos: olhando para o resultado ou olhando para a exibição. Eu preferirei sempre a segunda, porque nem tudo está bem quando se ganha, como nem tudo está mal quando se perde. Dito isto, para mim, o resultado de ontem foi injusto. Fomos claramente superiores, em especial na 1ª parte, em que a falta de um avançado eficaz, o guarda-redes Zivkovic e o poste nos impediram de resolver logo ali a eliminatória. O PAOK limitou-se a defender neste período e, mesmo antes de marcar na 2ª parte, tivemos mais uma clamorosa oportunidade pelo Everton, isolado, que permitiu a defesa do guarda-redes. Claro que não pode acontecer que o adversário vá duas vezes à nossa baliza e marque dois golos (63’ e 75’). Ainda reduzimos aos 94’ pelo entretanto entrado Rafa, mas já não fomos a tempo de evitar derrota. Custou-nos bastante, mas também há que ter em conta as vicissitudes  peculiares deste jogo: em tempo de pandemia, foi a uma só mão e o próprio Abel Ferreira, treinador do PAOK, disse que em dois jogos seria muito complicado eliminar-nos e, numa daquelas ironias em que o futebol é fértil, foi um jogador dispensado por nós, Zivkovic, a marcar o segundo golo dos gregos (e o Vertonghen a marcar o primeiro num autogolo...).

Em termos individuais, na 1ª parte, gostei bastante do Everton que, de facto, não engana, é craque, o Pedrinho mostrou mais nos jogos de preparação, mas teve um remate bestial de fora da área que só não golo devido ao guarda-redes (juntamente com o Everton parece rematar bem de longe, o que é logo uma mais-valia dado que desde o Talisca que não temos ninguém que o faça), o Pizzi foi outro dos azarados já que a bola ao poste num livre foi dele, e o Vertonghen pode ser importante na maneira como coloca a bola na frente. Não podemos é atacar uma ida à Champions com o Seferovic a ponta-de-lança. A este nível, não se pode falhar um desvio de cabeça praticamente na cara do guarda-redes. O Mitroglou ou o Jiménez (nem é preciso falar do Jonas) chamar-lhe-iam um figo. Ainda não deu para perceber o grau de eficácia do Darwin, mas lá mexido é ele, conforme se viu quando entrou na 2ª parte. No entanto, é difícil de perceber que o jogador mais caro de sempre do futebol português não tenha entrada directa no onze de qualquer equipa, mas enfim... Mas mesmo não o utilizando, não há é grande justificação para não dar a titularidade ao melhor marcador da Liga do ano passado (com 18 golos) e preferir um avançado que marcou cinco... Não há milagres, de facto.

O lugar natural do Sport Lisboa e Benfica é obviamente na Liga dos Campeões. Portanto, não há como não estar profundamente chateado com o que se passou ontem. Em primeiro lugar, isto é um rombo muito importante nas nossas finanças porque deixámos de ganhar 40 M€. E isto, para quem dá mais importância à parte financeira do que à desportiva, acredito que se sinta ainda pior do que eu. Porém, eu não vou para o Marquês festejar contas consolidadas e vendas de jogadores por 120 M€. Não sendo ingénuo e sabendo como o futebol actual funciona (era muito difícil manter um jogador com uma proposta daquelas), eu teria preferido vendê-lo por 60 M€ e ter ganho mais dois ou três campeonatos com ele entretanto. Tenho é a certeza que nem toda a gente pensaria assim. Porque há quem olhe para as nossas ex-glórias e se ponha a pensar quanto é que valeriam hoje, enquanto eu prefiro contabilizar os títulos que nos ajudaram a ganhar. São maneiras diferentes de se pensar.

Posto isto, e voltando a esta eliminação muito precoce, da mesma maneira que o Rodrigo não passar a bola ao Nolito em Camp Nou também nos custou uma eliminação da Champions, mas iniciou o nosso caminho até Amesterdão, se chegarmos a 26 de Maio de 2021 e virmos em Gdansk o Jardel com os dois braços no ar a segurar um objecto com 65cm de altura e 15kg de peso, eu darei este desaire por bem empregue. Porque já está mais do que na altura de voltarmos a vencer uma competição europeia. Há quase 60 anos, e oito finais depois, que isso não acontece! E a Champions nunca teríamos possibilidade de ganhar. Sim, eu sei, só o facto de entrar na fase de grupos da Champions representa um encaixe duas vezes maior(!) do ganhar a Liga Europa, mesmo vencendo todos os jogos. Mas desculpem, chamem-me lírico ou que quiserem, eu preferirei sempre títulos. E nunca vi ganharmos um europeu. Está na hora!

P.S. – Um dos candidatos à presidência do Benfica aproveitou este desaire (que tinha acontecido há pouco mais de uma hora) para vir logo criticar o actual presidente, nomeadamente pelo investimento feito. Outro dos candidatos esperou pela tarde do dia seguinte para vir dizer que... temos de gostar ainda mais do Benfica quando não ganha. Estamos esclarecidos quanto a posturas.

quarta-feira, setembro 09, 2020

Vitórias na Liga das Nações

A selecção nacional entrou com um duplo triunfo na II edição da Liga das Nações. No sábado, goleou a vice-campeã do mundo Croácia por 4-1 em casa, e ontem foi ganhar à Suécia por 2-0. Como a França também ganhou a estes dois adversários, estão ambas as selecções empatadas com seis pontos no 1º lugar e os confrontos com os franceses irão decidir quem se apurará para a fase final.

No sábado, o Cristiano Ronaldo não pode jogar, mas a selecção deu show na mesma. Quatro bolas nos postes na 1ª parte, poderiam ter conduzido o resultado para números históricos, mas os golos do João Cancelo, Diogo Jota, João Félix (finalmente estreou-se a marcar pela selecção) e André Silva é que materializaram uma vitória indiscutível.

Ontem, na Suécia, o Fernando Santos repetiu 10 jogadores, só entrando o Cristiano Ronaldo, que fez dois golões. O jogo estava bastante complicado até um jogador sueco fazer hara-kiri com um segundo amarelo ainda na 1ª parte, que alterou completamente a partida. Ainda por cima, na sequência dessa falta que valeu a expulsão, fizemos o 1-0 de livre. A exibição não foi tão exuberante como no sábado, até porque se notou algum cansaço dos titulares (não percebo porque é que não entraram um ou outro jogador novo...), mas ganhámos que era o que interessava.
 
Em meados de Outubro regressa esta competição, com a ida a França e a recepção à Suécia.

Pré-época vitoriosa

Vencemos as três partidas efectuadas no Estádio da Luz neste início de pré-temporada 2020/21. No dia 30 de Agosto, 2-1 ao Bournemouth (golos do Taarabt e Everton), no dia 2 de Setembro, mesmo resultado frente ao Braga (bis do Carlos Vinícius), e no passado sábado, dia 5 de Setembro, 2-0 ao Rennes (golos do Pizzi, de penalty, e Gabriel). Houve outros jogos não-televisionados no Seixal, também só com vitórias, mas naturalmente que não posso falar do que não vi.

E do que vi, acho que só por manifesta má vontade é que alguém poderá dizer que não se vêem já bastantes diferenças entre o futebol que apresentámos nestes três jogos e a hedionda parte final da temporada passada. E não cola a desculpa de que o plantel é melhor (embora sendo-o efectivamente), porque nos três onzes titulares a maioria dos jogadores já cá estava na temporada passada. Há muito mais intensidade, maior clarividência atacante, muito mais rapidez na transição ofensiva, a equipa joga muito mais junta, as bolas paradas defensivas deixaram de ser uma aflição constante, enfim, um sem-número de diferenças.

Claro que os olhos estão todos nos reforços, para se ver se merecem o nome, e acho que é seguro dizer que o Everton é-o efectivamente (grande golo e pode ser que tenhamos finalmente alguém, desde o Talisca, que remate regularmente com perigo de fora da área), o Vertonghen, embora só tenha feito o primeiro jogo por causa das selecções, tem um currículo acima de suspeita, gostei de pormenores do Waldschmidt (também só no primeiro jogo) e do Pedrinho (em especial frente aos franceses), e o Gilberto parece um upgrade em relação ao Corchia e Douglas (embora precise de melhorar muito em termos defensivos). Também acho que precisávamos de alguém como o Diogo Gonçalves, que rompesse pela linha (desde a saída do Salvio que não temos ninguém assim), e nem me passa pela cabeça que não fique no plantel. Do novo ponta-de-lança, Darwin Nuñez, não deu para ver grande coisa em 15’. (Espero enganar-me redondamente, mas 24 M€ por um jogador que vem da 2ª divisão espanhola, que só tem uma internacionalização pelo Uruguai e que já tem algum historial de lesões graves no joelho, parece-me um exagero descabido. Repito: oxalá me engane!).

Nesta semana, há selecções e, portanto, não teremos mais nenhum jogo de preparação antes do importantíssimo confronto com o PAOK na 3ª pré-eliminatória da Champions na próxima 3ª feira. Será apenas um jogo, ainda por cima na Grécia, e começamos logo com uma final no primeiro jogo oficial da temporada. As indicações foram boas até agora, mas jogos a sério são outra coisa. Veremos.

segunda-feira, agosto 03, 2020

Vexame

A selecção da Holanda, perdão, o Benfica foi derrotado pelo CRAC por 1-2 na final da Taça de Portugal no passado sábado. Foi a ‘cereja no topo de (um dos piores) bolos’ da nossa gloriosa história, uma época absolutamente pavorosa cujas explicações vou aguardar para nos serem dadas.

 

Não, a vergonha não é perder uma final pela vantagem mínima para o campeão nacional. A vergonha é, depois de tudo o que se passou na temporada, depois de sete pontos de vantagem atirados ao ar, disputar uma final da Taça perante o adversário que nos tirou o título e apresentar aquele futebol, aquela garra e aquela (falta de) vontade de vencer! Vergonha é conseguir perder uma final depois de o adversário ficar a jogar com 10 aos 38’! Vergonha é ter a capacidade de sofrer dois golos de um adversário em inferioridade numérica! Vergonha é não se demonstrar por uns quantos minutos que fosse durante o jogo todo que se merecia ganhá-lo! Vergonha é fazer-nos a todos sentir que, se aquela bola ao poste do Jota já na compensação entrasse e houvesse prolongamento, isso seria uma injustiça (apesar de, obviamente, eu viver muito bem com isso)!

 

Numa partida muito fraca, o CRAC foi ligeiramente melhor enquanto estiveram 11 para 11. Depois de o Sr. Soares Dias ter mostrado o segundo amarelo (e bem, já que até seria vermelho directo) ao Luis Diaz, praticamente em cima do intervalo, passámos a ter naturalmente maior posse de bola, mas sem criar grandes oportunidades. A 2ª parte começou pessimamente, com um frango do Vlachodimos aos 47’ (soca mal uma bola quando só estava rodeado de jogadores do Benfica) num livre para a nossa área e o Mbemba a fazer o 0-1 de cabeça. Logo aí, pela expressão facial dos jogadores do Benfica, se viu que seria muito complicado dar a volta àquilo. E ainda faltava praticamente toda a 2ª parte para jogar! Pior se tornaram as coisas aos 58’ quando, em novo livre para a nossa área, o Mbemba bisou novamente de cabeça. Com as entradas do Taarabt e Carlos Vinícius por volta da hora de jogo, as coisas melhoraram um pouco, porque aquele conseguiu finalmente levar o nosso jogo para a frente. O melhor marcador do campeonato falhou um golo inacreditável ao cabecear pessimamente a bola num cruzamento do André Almeida a cerca de 15’ do fim, mas bateu bem o penalty por falta sobre o Rafa aos 84’, reduzindo a vantagem do CRAC. Já na compensação, o também entrado Jota teve o tal remate de primeira de pé esquerdo ao poste, que teria levado o jogo para um injusto prolongamento.

 

Foi abster-me de fazer apreciações individuais e termino só com o seguinte:

- Alguém considerou que, com a saída do Bruno Lage, o seu treinador-adjunto seria uma boa escolha para o que faltava jogar da temporada, nomeadamente a importantíssima final da Taça de Portugal.

- Alguém considerou que, com a saída do Bruno Lage, o responsável pelo treino das bolas paradas (que tão bons resultados deu durante a época...) seria o melhor para nos permitir ganhar a segunda prova mais importante do calendário nacional. (Que perdemos, oh que surpresa(!), em dois lances de bolas paradas...!)

- Alguém considerou que, com a saída do Bruno Lage, a equipa ficava bem entregue a quem diz, na véspera desta final, que este não era “o jogo mais importante da época” (nem é preciso comentar...).

 

Claro que alguém deveria ser responsabilizado por esta vergonha que se passou no sábado. E, obviamente, pela péssima época que fizemos!

 

P.S. – Agora a sério, que m**** de equipamento é aquele?! Vermelho alaranjado?! Sem um pingo de branco na camisola?! Números a preto nos calções?! Patrocínio da Emirates a preto sobre vermelho alaranjado que faz com que pura e simplesmente seja indecifrável à distância?! Que o marketing da Adidas precise de inovar eu ainda compreendo, mas que não haja ninguém responsável do Benfica que olhe para aquilo e diga “eh, desculpem lá, mas nem pensar!” isso é absolutamente incompreensível! É o equipamento principal do clube, PORRA, “vermelho e branco”(!), é assim tão difícil de entender?!?!

 

Quem acha que basta ter o emblema do Benfica para um qualquer equipamento ser bonito, suponho que não se importe que no futuro a camisola alternativa passe a ser toda verde ou azul, certo?!

segunda-feira, julho 27, 2020

Vitória no derby

Vencemos a lagartada no sábado (2-1) na Luz na última jornada deste triste campeonato e não só os impedimos de ficar em 3º lugar (o Braga venceu o CRAC em casa por 2-1), como ainda vimos o Carlos Vinícius suceder ao Seferovic como o melhor marcador da Liga.

 

No primeiro derby que falhei ao vivo na Luz desde o 3-0 do Mourinho e João Tomás (2000/01) (e esperemos bem que seja o último jogo sem adeptos no estádio), e perante uma das mais fracas equipas da lagartadaque me lembro, o nosso triunfo só peca por escasso (ao contrário do que disse o Rúben Amorim no final). É certo que os lagartos entraram melhor do que nós, mas isso só durou uma dezena de minutos. A partir daí, perante a insistência deles de sair a jogar desde a baliza, mas sem jogadores de qualidade para o fazerem, pressionámo-los, começámos a recuperar a bola no último terço do campo e só a inépcia na altura do remate impediu que fôssemos marcando golos. Felizmente nas bolas paradas fomos mais eficazes e inaugurámos a cotnagem aos 28’ através de uma cabeçada do Seferovic a responder a uma assistência também de cabeça do Rúben Dias na sequência de um canto. Até ao intervalo, ainda vimos o mesmo Rúben Dias a cabecear ao poste noutro canto.

 

Na 2ª parte, forçámos novamente nos minutos iniciais e o Jardel, Gabriel (no mesmo lance) e Cervi tiveram óptimas ocasiões para marcar, mas ou o guarda-redes, ou pontapés na atmosfera ou remates muito tortos impediram-nos de avolumar o marcador. Perante isto, a lagartada reagiu, também atirou uma bola ao poste pelo ainda júnior Tiago Tomás num falhanço incrível do Jardel e aos 69’ conseguiu a igualdade pelo Sporar num remate cruzado de pé direito na sequência de um contra-ataque. Entretanto, já o Carlos Vinícius tinha entrado e foi ele que aos 88’ fez o 2-1 a desviar de pé esquerdo um cruzamento teleguiado do Pizzi, conseguindo assim o seu 19º golo (para a Liga são 18, porque o Sr. Fábio Veríssimo resolveu roubar-lhe um golo frente ao Marítimo) e conquistando o troféu de melhor marcador.

 

Em termos individuais, o Pizzi está nos dois golos, mas continua a ser exasperante na forma como sucessivamente joga para o lado e para trás em jogadas de ataque nossas, emperrando-as sobremaneira, a equipa melhorou bastante (outra vez) com a entrada a meio da 2ª parte do Florentino (não percebo porque é que não foi titular...), o Tomás Tavares na esquerda mostrou-se mais fiável do que o Nuno Tavares (espero que continue assim para a final da Taça) e o Carlos Vinícius mereceu ficar com o troféu de goleador deste campeonato.

 

Em condições normais, teríamos obrigação de golear esta lagartada. A diferença entre os plantéis é abismal, mas ainda assim arriscámos bastante (desacelerando muitas vezes o jogo quando só estava 1-0) e só perto do final garantimos os três pontos. Que não adiantaram nada em relação à nossa classificação, mas os derbies são sempre para ganhar! Para a semana, teremos a partida mais importante da temporada, mas sinceramente não estou nada confiante para a final da Taça. Oxalá me engane, mas a única diferença entre estes jogos do Nélson Veríssimo em relação aos últimos do Bruno Lage é que a bola resolveu entrar. A (pouca) qualidade exibicional mantém-se inalterada.

quarta-feira, julho 22, 2020

Expectável

Vencemos o já despromovido Aves (4-0) em sua casa, numa partida que esteve em risco de não se realizar por causa dos graves problemas financeiros da SAD do Aves, que não paga salários há seis meses e nem sequer o seguro obrigatório para que a equipa possa jogar. Ou seja, alguns anos depois do triste episódio com a U. Leiria, a história repete-se no futebol português. Obrigou-se os clubes a fazerem SADs, estas podem não ser controladas por eles e depois temos situações como a do Belenenses e, pior ainda, esta do Aves. Vem alguém do estrangeiro sem qualquer identificação com o clube nem com o futebol português, compra a SAD e depois, quando o dinheiro falta, é só fechar a porta e o clube e respectivos adeptos que se lixem. Triste, muito triste!

 

Voltando ao jogo, e depois de um primeiro minuto em que os jogadores do Aves não se mexeram em sinal de protesto, começámo-lo praticamente a ganhar com o golo do Rafa aos 4’ num grande passe do Pizzi, que isolou o extremo. Perante uma equipa que, decorrente daqueles problemas todos, nem sequer treinou todos os dias, esperava-se que isto fosse o mote para uma superioridade mais evidente da nossa parte. Puro engano. Estivemos, como em partidas anteriores, muito lentos de processos e o Aves teve uma atitude muito digna, embora sem conseguir criar grande perigo para a nossa baliza.

 

Na 2ª parte, o Aves quebrou fisicamente e nós praticamente resolvemos o jogo com o 2-0 aos 52’ num penalty muito bem marcado pelo Pizzi (ena, ena!!!), que assim passou para a frente dos melhores marcadores com 18 golos, tendo o Carlos Vinícius e o Paulinho do Braga menos um golo. Começou a haver substituições e inexplicavelmente o Veríssimo tirou o C. Vinícius de campo. É certo que o brasileiro não estava a fazer um jogo brilhante, mas está na luta pelos melhores marcadores e, com a classificação já definida e o jogo quase ganho, o nosso treinador acha que é boa ideia tirá-lo de campo aos 64’...?! Sinceramente, não percebi...! A cinco minutos do fim, o Gonçalo Ramos estreou-se com a camisola principal do Benfica e as coisas não lhe poderiam ter corrido melhor: bis aos 87’ e 93’! O primeiro, num desvio de calcanhar muito a propósito na sequência de um livre para a área, e o segundo, num remate sem hipóteses depois de uma assistência do também entretanto entrado Dyego Sousa.

 

Em termos individuais, destaque óbvio para o Gonçalo Ramos e para a influência do Pizzi no marcador, com um golo e uma assistência. O Florentino teve igualmente uma prestação positiva, ao contrário do seu colega de sector, o Gabriel, demasiado lento com a bola. O Svilar, que se estreou na baliza esta temporada, foi apenas um espectador.

 

Iremos receber a lagartada para a despedida do campeonato, antes da final da Taça frente ao CRAC. Eu sei que as atenções mediáticas estão todas viradas para o Jesus, mas é bom que a ‘estrutura’ se capacite que o segundo troféu mais importante do calendário nacional ainda está em disputa. E é fundamental nós ganharmo-lo!

domingo, julho 19, 2020

Regresso de Jorge Jesus

Uma das vantagens de já ter um blog há 16 anos é poder revisitar o que escrevi no passado e verificar se continuo a pensar o mesmo. Claro que o exercício é mais fácil com o considerando “se eu soubesse o que sei hoje”, mas, como não se pode voltar atrás com o conhecimento que entretanto se adquiriu, a principal questão para mim é sempre a mesma: pensar se, com os dados que eu tinha na altura, voltaria hoje a ter a mesma opinião? Serve este preâmbulo para dizer que, apesar de (FELIZMENTE) me ter enganado com a previsão do 35 (ou melhor, da falta dele), cinco anos depois mantenho tudo o resto que escrevi na altura da saída do Jorge Jesus (eventualmente retiraria o “histórico” do erro, porque afinal fomos três vezes campeões, mas ter sido um erro foi indirectamente admitido pelo próprio presidente do Benfica ao ir buscá-lo novamente).

 

Por outro lado, muito se falou, muito se fala e muito se irá falar (pelo menos nestes primeiros tempos) de tudo o que se passou na altura da saída, em especial naquele primeiro ano de Jorge Jesus na lagartada. O que ele disse sobre nós, a maneira como tratou o nosso treinador da altura, as desconsiderações e faltas de respeito, etc. Foi feio. Muito feio! Mas, da mesma maneira que eu acho que os meus filhos, se fizerem asneira na escola, não merecem um tratamento especial só por serem meus filhos, o Benfica só por ser o Benfica não é inimputável perante tudo o que faça. Sim, o Benfica também erra! E, naquela altura, os dirigentes do Benfica (ou melhor, a inefável ‘estrutura’) não se portaram nada bem com o Jesus. Acusações de roubo de material informático, pedido de indemnização numa soma ridícula em tribunal, etc. É como naqueles lances de bola parada em que na área o defesa e o avançado se estão a agarrar mutuamente. Não se marca falta. Neste caso, houve culpas mútuas na falta de nível do pós-separação (separação essa que partiu da nossa parte, convém recordar). Portanto, para mim, ainda estar ressabiado com o Jesus pelo que ele disse na altura sobre nós não faz sentido (até porque isso acabou por ser importante para o ‘reunir das tropas’ que conduziu ao tri, logo até lhe podemos agradecer o facto). Se nós dissemos o que dissemos dele, não estávamos à espera que ele tivesse nível e não respondesse, certo? Era preciso que não o conhecêssemos bem.

 

Agora, a parte desportiva. Também aqui mantenho o que disse na altura: a passagem de Jesus pelo Benfica foi globalmente muito positiva. Em seis campeonatos, jogámos muito bem em cinco deles e ganhámos três. Na Europa, só um dos anos foi péssimo com a saída das competições em Dezembro. Fomos a duas finais da Liga Europa, a uma meia-final (perdida com o Braga, eu sei, mas era uma meia-final) e a uns quartos-de-final, e na Champions a outros quartos-de-final (portanto, nas seis épocas, cinco com pelo menos quartos-de-final; nas últimas cinco, fomos duas vezes aos quartos...). Na Taça de Portugal, é que só uma vitória em duas finais é muito pouco para seis anos. Na menos importante de todas as competições, mas ainda assim uma competição oficial, a Taça da Liga, tivemos cinco vitórias naqueles seis anos (por contraponto a uma vitória nos últimos cinco...). Outros olharão para resultados embaraçosos que tivemos (e sim, houve uns quantos), mas eu prefiro ver a capacidade que o Jesus teve para se reinventar durante aquele tempo: o Benfica de 2014/15 não jogava da mesma maneira do que o de 2009/10. Para jogadores diferentes, tácticas e processos de jogo diferentes. E isso, para mim, é sinal de sagacidade de um treinador. Sagacidade essa que manteve nos outros três clubes que treinou, onde o impacto foi imediato e ganhou sempre títulos (felizmente menos num deles, do que nos outros dois).

 

Dito isto, esta decisão do Luís Filipe Vieira é obviamente um all in da sua parte. Mas infelizmente não é para ganhar um inédito penta ou o bicampeonato deste ano perante um CRAC intervencionado pela Uefa, cuja vida seria muitíssimo complicada se não fosse campeão. Para isso, não houve nenhum investimento semelhante a este. Este é um all in para ganhar eleições. Porque o Jesus é o treinador que mais probabilidade lhe dá de resultar no imediato e o LFV, depois do que se passou esta época, não pode correr o risco de as coisas começarem tortas, sob pena de perder essas mesmas eleições. E isso, meus caros, eu não gosto de ver: não gosto que altos responsáveis do meu clube dêem piruetas e consigam fazer um oito com a coluna vertebral só para ganharem eleições. Porque isso é indefensável, pelo menos para mim. Que fosse para conquistas desportivas, eu ainda admitia, há sapos que eu não me importaria de engolir para ganhar títulos. Agora, engolir sapos com objectivos eleitorais faz-me sentir vergonha alheia e sentir isso de altos responsáveis do meu clube é o pior que me podem fazer. Porque, como óbvio, depois do que a ‘estrutura’ do Benfica disse do Jesus, ele nunca poderia voltar com essa mesma ‘estrutura’ ainda em vigor. Porque do Jesus eu não espero mais do que pôr a equipa a jogar (bem) à bola. A personalidade dele é por demais conhecida e levar com ela é um preço que eu estou disposto a pagar para ganhar títulos (e só estou disposto a pagá-lo, porque eu não disse do Jesus o que a ‘estrutura’ do Benfica disse). Agora, dos dirigentes do meu clube eu espero um pouco mais de rectidão nos valores e nas atitudes que se tomam. Se se diz que se manda embora um treinador porque “não apostava nos jovens da formação”, se se reitera há pouco mais de um mês que o projecto da formação era para se manter, não se vai buscar esse mesmo treinador de volta. Então, e o projecto do clube? Era tudo conversa fiada e o importante é a manutenção do poder a todo o custo? Há coisas que se dizem das quais não há retorno possível. Muito menos para a prossecução de objectivos pessoais. Como é ganhar umas eleições.


* Publicado em simultâneo com a Tertúlia Benfiquista.

quarta-feira, julho 15, 2020

De feição

Vencemos ontem o V. Guimarães por 2-0 e não permitimos que o CRAC fosse campeão no sofá. Terá de (pelo menos) empatar hoje com a lagartada em Mordor para o conseguir. De qualquer maneira, será apenas uma questão de tempo até o campeonato mais mal perdido da nossa história ter um epílogo.

 

A grande diferença entre o Benfica do Bruno Lage (desde a retoma da Liga) e o do Nélson Veríssimo é... a sorte. Contra o Boavista, marcámos na primeira vez em que fomos à baliza, contra o V. Guimarães, quando inaugurámos o marcador aos 37’ pelo Chiquinho (correspondendo na área a um centro rasteiro do Nuno Tavares), o jogo só não estava já perdido, porque o Vlachodimos fez duas defesas do outro mundo e ainda vimos uma outra bola do Marcus Edwards a bater na barra e no poste. Tão simples quanto isto! De resto, durante boa parte do primeiro tempo, continuou o nosso futebol muito lento e sem ideias. Porém, ontem as coisas começaram a melhorar a partir dos 33’, quando o Veríssimo fez sair (e bem) o já amarelado Weigl (que depois do cartão teve duas entradas imprudentes que o colocaram na iminência da expulsão) e fez entrar o Florentino. Florentino, esse, que já não jogava para a Liga desde o jogo do Santa Clara nos Açores em... Novembro! O miúdo entrou muitíssimo bem, não só estando sempre no caminho da bola quando ela estava com o adversário, como fazendo um par de passes verticais que abriram brechas na retaguarda contrária. Precisamente aquilo que... ninguém tem conseguido fazer nos últimos tempos!

 

Depois do intervalo, o jogo mudou completamente com o V. Guimarães a ser muito menos perigoso e nós a controlarmos os tempos do jogo. No entanto, como não marcámos logo o segundo golo para arrumar a questão, nos últimos 20’ o V. Guimarães veio para cima de nós e ainda passámos por alguns calafrios. O que nos valeu foi que o Vlachodimos continuou seguro e a única bola que entrou na nossa baliza foi rematada por um adversário em fora-de-jogo (mas deu para comprovar que continuamos a defender pessimamente as bolas parada!). Praticamente na jogada a seguir, fizemos finalmente o segundo golo aos 87’ pelo entretanto entrado Seferovic, a corresponder bem a um centro do também substituto Rafa. Marcámos sempre depois de podermos ter sofrido e, de facto, o jogo não nos poderia ter corrido melhor.

 

Em termos individuais, destaque óbvio para o Vlachodimos, sem o qual estaríamos certamente agora a lamentar mais três pontos perdidos, para o Florentino, que foi o grande responsável pela nossa melhoria exibicional (ele estava em muito má forma quando saiu da equipa, mas porquê tanto tempo até ter nova oportunidade...?!), e para o Chiquinho, que longe de ser um craque continua a ser o melhor do plantel naquele lugar.

 

Temos mais dois jogos para cumprir calendário (Aves e lagartada) antes da final da Taça de Portugal, infelizmente o único dos grandes objectivos da época que ainda podemos conquistar. Mas temos absolutamente de o conseguir!

segunda-feira, julho 13, 2020

Tropeção (outra vez...)

Empatámos na passada 5ª feira em Famalicão (1-1) e deixámos o CRAC a apenas um ponto do título (venceu em Tondela por 3-1). Já se esperava uma partida difícil, mas até nem foi dos nossos piores jogos. No entanto, continuamos numa senda terrível, agora com 15 jogos e apenas três vitórias...

 

Com a mesma equipa que derrotou o Boavista, entrámos fortes na 1ª parte e o Cervi poderia ser inaugurado o marcador logo nos minutos iniciais com um remate rasteiro que o Defendi defendeu com o pé. Pouco depois, o argentino caiu na área e inacreditavelmente o Sr. Jorge Sousa mostrou-lhe... o amarelo! O Famalicão equilibrou as coisas, chegou a colocar o Vlachodimos à prova, mas fomos nós a colocar-nos em vantagem aos 37’: jogada do Cervi na esquerda, centro rasteiro para a área, o remate do Seferovic foi defendido pelo Defendi, mas o Pizzi na recarga só teve de encostar.

 

Na 2ª parte, o Famalicão naturalmente reagiu, porém as melhores oportunidades foram nossas com o Pizzi e o Cervi a verem defesas interceptar remates seus que dariam o 0-2. Nos últimos 20’, o Famalicão carregou mais, o Fábio Martins atirou ao poste de ângulo difícil, um disparate do André Almeida só não deu o empate, porque o remate do Walterson saiu a rasar, mas aos 84’ aconteceu mesmo a igualdade através do Guga: jogada pela direita, em que o entretanto entrado Samaris não conseguiu evitar o centro atrasado, e remate sem hipóteses para o Vlachodimos.

 

Em termos individuais, voltei a gostar do Chiquinho, cuja não-titularidade a número 10 se confirma como o grande equívoco do Bruno Lage. Todos os outros estiveram a um nível mediano, mas esforçado.

 

Faltam três jogos para acabar o martírio deste campeonato que eu espero seja objecto de profunda reflexão por quem de direito. Vamos conseguir perder um campeonato que esteve ganho... Não me venham faltar do trauma do Kelvin. Este é muito pior! Nunca me conformarei com isto.

segunda-feira, julho 06, 2020

Vitória, finalmente!

Vencemos no sábado o Boavista na Luz (3-1) e regressámos finalmente aos triunfos, com o terceiro nos últimos 14 jogos! No entanto, como o CRAC atropelou ontem o Belenenses SAD em Mordor (5-0), os seis pontos (sete na prática) de vantagem mantiveram-se, o que faz com que eles estejam a apenas duas vitórias de ganharem um campeonato que esteve mais do que nas nossas mãos. (Vai custar muito conformar-me com isto...)

 

Com o Veríssimo, adjunto do Bruno Lage, no banco, entrámos bastante mal na partida, com o Boavista a dominar, embora sem criar grandes oportunidades. A grande diferença em relação a partidas anteriores foi a nossa enorme eficácia: marcámos na primeira vez em que fomos à baliza aos 11’, numa bola lançada pelo Gabriel para o André Almeida, que o guarda-redes Helton Leite não conseguiu agarrar, tendo o nosso defesa-direito rodado bem e atirado para a baliza já de ângulo relativamente difícil. A partir daqui, o jogo mudou. O Boavista deixou praticamente de conseguir passar de meio-campo e nós tivemos uma série de oportunidades, muitas delas bem defendidas pelo Helton Leite (negou-nos o golo umas boas três ou quatro vezes). Todavia, aos 31’, fizemos o 2-0 noutra assistência do Gabriel para uma óptima cabeçada do Pizzi. O jogo estava bem encaminhado, mas todos nos lembramos de Portimão e, portanto, foi com satisfação que vi o 3-0 em cima do intervalo (42’), num remate rasteiro do Gabriel ao canto inferior esquerdo da baliza. Pouco antes disso, o Boavista tinha marcado um golo numa bola parada, mas o jogador estava fora-de-jogo.

 

Mesmo para o estado actual do Benfica, convenhamos que não seria fácil dar cabo de uma vantagem de três golos ao intervalo e a 2ª parte acabou por ser muito mais calma. Não insistimos tanto no ataque e sofremos um golo aos 68’ outra vez numa bola parada (cada lance destes é praticamente um penalty contra nós...), através do Dulanto num remate por cima do Vlachodimos (que me pareceu poder ter feito mais), mas também tivemos um golo anulado (do entretanto entrado Carlos Vinícius) por fora-de-jogo.

 

Em termos individuais, destaque para o Gabriel pelas duas assistências e pelo golo, mas para mim o melhor em campo foi o Chiquinho, que é definitivamente o único elemento do plantel a conseguir fazer a posição 10 de maneira satisfatória. Dá imensa fluidez ao nosso jogo, procura sempre a melhor solução de passe e só é pena que não tenha golo. Caso contrário, muito provavelmente não o teríamos para o ano.

 

O campeonato está obviamente perdido, mas temos mais quatro jogos para nos prepararmos convenientemente para a final da Taça de Portugal. Temos um óptimo histórico em finais contra o CRAC e, especialmente esta época, depois de lhes termos oferecido o campeonato, não podemos falhar esta conquista.

quinta-feira, julho 02, 2020

Treinador interino

Vamos lá a ver se eu percebi bem isto: o treinador principal, Bruno Lage, pede a demissão, o presidente do Benfica aceita e, ainda com seis jogos importantes até final da época (há que manter o 2º lugar e ganhar mais uma Taça de Portugal), nomeia como treinador o... adjunto do Bruno Lage, Veríssimo. Portanto, o principal elemento da equipa técnica não servia, mas o adjunto já serve. Ainda por cima, o adjunto que tinha como responsabilidade o treino das bolas paradas, que tão bons resultados tem tido ao longo da época... 'Tá certo, isto tem tudo para continuar a correr muito bem...

 

P.S. - Eu não conheço o Renato Paiva de lado nenhum, mas ainda não vi ninguém que não lhe reconheça competência, gostei do pouco que vi as equipas dele a jogar e de cada entrevista dele que li. Se era preciso "agitar as águas" neste momento, sendo ele o treinador da equipa B, parecia-me a escolha mais lógica. Que pena que quem de direito não tenha visto a luz...

 

* Publicado em simultâneo com a Tertúlia Benfiquista.