sexta-feira, março 28, 2025
Benfica FM | Temporada 2001/02
Nesta 4ª feira, voltei a ter o prazer de estar com os meus amigos Nuno Picado e Bakero do Benfica FM para fazermos mais uma temporada do Glorioso. Como só me chamam para o Vietname, aqui vai mais uma sessão da nossa travessia do deserto de 11 anos sem ganharmos o campeonato (e oito sem qualquer troféu...). No entanto, esta época de 2001/02 foi a que nos permitiu voltar a sonhar com alguma consistência, porque a qualidade do plantel foi substancialmente melhorada, tendo dado frutos dois anos depois com a conquista da Taça (e o campeonato no ano seguinte). Foi a época em que Simão, Mantorras, Zahovic e Tiago (a meio dela), só para dizer alguns nomes, vieram para o Benfica. E também foi a época em que houve o último jogo no velho Estádio da Luz completo, por sinal uma roubalheira daquelas frente aos lagartos. Aliás, esta temporada foi marcada por alguns jogos em que houve autênticos assaltos à mão armada (nomeadamente essa trilogia Paços de Ferreira, lagartos e Boavista). Desfrutem!
quinta-feira, março 27, 2025
O Centro de Dia da Selecção
As provas nacionais pararam na semana passada para os quartos-de-final da Liga da Nações, em que a selecção nacional começou por ser derrotada na Dinamarca por 0-1, para três dias depois conseguir dar a volta à eliminatória e apurar-se para a final four com um 5-2, após prolongamento. Estes resultados são ambos muito enganadores, porque poderíamos ter trazido um cabaz de Copenhaga e aos 86’ do jogo da 2ª mão estávamos eliminados (2-2)...
A atitude burguesa da equipa na Dinamarca só não nos custou muito caro, por inépcia dos dinamarqueses e algumas boas defesas do Diogo Costa. Fizemos apenas dois(!) remates enquadrados com a baliza, ambos pelo Pedro Neto, e tivemos o Cristiano Ronaldo a jogar os 90’, com o Gonçalo Ramos na bancada... Só sofremos o golo aos 78’ pelo Höjlund, mas foi um milagre a eliminatória não ter ficado decidida.
Na 2ª mão, no estádio do outro lado da Segunda Circular, começámos por ter um penalty oferecido, que o Cristiano Ronaldo fez o favor de transformar num passe ao guarda-redes e só marcámos porque um defesa fez um autogolo aos 38’ num canto. Os dinamarqueses jogaram muitíssimo melhor do que nós em Copenhaga e empataram cedo na 2ª parte (Nissen, 56’). Revelámos sempre imensas dificuldades em criar perigo e só num remate de fora da área do Bruno Fernandes, com recarga do Cristiano Ronaldo depois de defesa do Kasper Schmeichel, aos 72’, voltámos a igualar a eliminatória. No entanto, um tremendo erro do Rúben Dias pouco depois (76’) permitiu ao Eriksen empatar o jogo e desempatar de novo a eliminatória. A quatro minutos do fim, foi o substituto Trincão a possibilitar irmos para prolongamento ao fazer o 3-2. Logo no primeiro minuto deste, o mesmo Trincão colocou Portugal finalmente na frente da eliminatória, para o também substituto Gonçalo Ramos (que só entrou porque o Cristiano Ronaldo pediu para ser substituído no final dos 90’...) fechar a contagem aos 115’.
Saímos deste duplo confronto praticamente com a certeza de que não é com o Roberto Martínez que iremos a algum lado. A selecção continua a estar montada em torno do Cristiano Ronaldo, só que ele já tem... 40 anos! Foi um peso morto em ambos os jogos, com a excepção do golo que marcou, mas viu-se bem a diferença na dinâmica da equipa no prolongamento, quando entrou o Gonçalo Ramos. Por outro lado, com tantos bons jogadores na selecção e alguns em grande forma, é incompreensível a insistência no Francisco Conceição, quando o Trincão está no banco. Entrou e decidiu o jogo a nosso favor (espero é que tenha gasto os golos todos até final da época nesta partida...!). Há lugares cativos na equipa e isso é imperdoável. Iremos defrontar a Alemanha nas meias-finais da final four, mas ou as coisas levam uma volta de 180º (o que não se está a ver bem como) ou vamos sofrer mais uma desilusão numa grande competição.
quarta-feira, março 19, 2025
Susto
Vencemos o Rio Ave em Vila do Conde (3-2) no passado domingo, mas, como todos os outros também ganharam, as distâncias mantiveram-se na frente. Depois de uma jornada europeia intensa, devo dizer que a equipa deu uma resposta bem melhor do que eu estava à espera e o resultado foi escasso perante tão grande domínio da nossa parte.
Num terreno tradicionalmente difícil, entrámos bastante bem na partida e começámos a criar perigo logo desde início. O Amdouni, a grande novidade no onze, teve uma boa oportunidade a passe do Aursnes, mas o remate rasteiro já dentro da área saiu ao lado. O Rio Ave respondeu num contra-ataque, mas o Clayton rematou muito por cima. Nós continuámos a tentar, numa dupla chance no mesmo lance pelo Bruma e Aursnes, ambas defendidas pelo guarda-redes Miszta. Eu estava com medo de ser um daqueles jogos em que nos fartamos de tentar, não conseguimos e o adversário marca na primeira ocasião real que tem, mas felizmente aos 30’ o Kökçü acabou com os meus temores com um golão de fora da área. Em cima do intervalo, o Pavlidis continuou o desperdício ao falhar um desvio já na pequena-área, na sequência de uma brilhante jogada do Amdouni na esquerda. Deveríamos ter chegado ao intervalo com a partida resolvida, mas estávamos só com a vantagem mínima.
Era fundamental alargar o marcador o mais cedo possível na 2ª parte, para nos colocarmos a salvo de um percalço e assim fizemos com um penalty sobre o Pavlidis, que o próprio marcou de maneira indefensável aos 53’. Com 2-0 a nosso favor e o jogo controlado, nada faria prever o que se passou a seguir. Uma perda de bola a meio-campo e uma falta intempestiva do Florentino provocou um livre perigoso à entrada da nossa área aos 64’, marcado pelo Aguilera com a bola a desviar no Pavlidis na barreira e a trair o Trubin. O Bruno Lage refrescou a equipa aos 75’, mas poucos segundos depois o Florentino teve um erro inacreditável numa saída de bola, deixando-se bater pelo Clayton, que só teve de fintar o Trubin e marcar...! Inimaginável! A 15’ do fim, estávamos empatados num jogo que já deveria estar resolvido há séculos. Felizmente, demos uma resposta cabal logo a seguir, aos 81’, com um passe fabuloso do Aursnes a desmarcar o entretanto entrado Aktürkoğlu, que contornou o guarda-redes e atirou para a baliza deserta. Poucos minutos volvidos, o mesmo Aktürkoğlu ficou cara-a-cara com o guarda-redes, depois de uma assistência do também entrado Leandro Barrreiro, mas a bola bateu caprichosamente no poste. O Rio Ave não mais criou perigo até final e resgatámos uma vitória justa, mas escusamente complicada.
Em termos individuais, o Kökçü terá sido dos melhores e não só pelo golão que marcou. O nosso jogo ofensivo passou muito por ele, o qual, apesar do Ramadão, se apresentou em boa condição física. O Pavlidis continua a sua senda goleadora, com um penalty marcado de forma exemplar, no entanto, deveria ter feito um bis, porque aquele falhanço em cima do intervalo é quase imperdoável. O Amdouni teve algumas acções de génio, mas por vezes ausenta-se muito do jogo. O Belotti entrou muito bem na parte final e foi importante para tornarmos a estar na frente, porque o golo da vitória começou nele. Do lado negativo, destaque absoluto para o Florentino, que está ligado aos dois golos do adversário.
O campeonato irá parar agora para o play-off da Liga das Nações e, quando voltar, espera-nos um calendário muito complicado. Temos saídas dificílimas e há que manter o foco durante os 90’, porque o que se passou neste jogo não se pode voltar a passar, sob pena de não termos tanta sorte...
quinta-feira, março 13, 2025
Previsível
Fomos derrotados pelo Barcelona (1-3) na 3ª feira e dissemos
adeus à Liga dos Campeões. Se não tínhamos aproveitado para ganhar um jogo em
casa contra 10 na semana passada, era muito difícil ser agora que o iríamos
fazer contra onze no terreno de um dos adversários mais temíveis do futebol
europeu. Até entrámos bem na partida, mas o Barcelona é muito superior e nem
teve de atingir os seus limites para ganhar com tranquilidade.
Com o regresso do Florentino ao onze e alinhando com possivelmente a camisola mais feia de toda a nossa história (é inacreditável como alguém no Benfica tenha deixado passar isto...!), tentámos fazer pressão alta logo desde o início, mas, a partir do momento em que o Barça a ultrapassava, criava o pânico na nossa defesa. Aos 11’, o inefável Raphinha continuava o seu caminho de ser a nossa besta negra deste ano ao inaugurar o marcador depois de um remate mal efectuado pelo Lamine Yamal, que se converteu numa assistência para o brasileiro. Reagimos muito bem e o Otamendi empatou no minuto seguinte, numa cabeçada, depois de um canto do Schjelderup, aproveitando um ligeiro desvio do Lewandowski. O Barça era naturalmente mais dominador, enquanto nós falhávamos algumas vezes por adornarmos os lances na parte final, em vez de ser mais pragmáticos. Aos 27’, os catalães puseram-se novamente em vantagem pelo Lamine Yamal num golão em arco de fora da área. Depois disto, tivemos mais dificuldades em responder e o Barça sentenciou a eliminatória aos 42’ no bis do Raphinha, depois de um contra-ataque que se seguiu a uma má decisão do Aktürkoğlu perto da baliza adversária (calcanhar em vez de um passe mais fácil e fomos apanhados em contrapé pela arrancada do Baldé).
Na 2ª parte, os catalães baixaram (e muito) o ritmo, mas sem nunca perderem o controlo do jogo. Ainda metemos a bola na baliza pelo Aursnes, mas o Pavlidis estava fora-de-jogo no início da jogada. Continuámos a tentar ao longo dos segundos 45 minutos, mas sem nunca conseguimos verdadeiramente colocar o Barça em sentido. O Bruno Lage, para variar, lá tirou o Schjelderup (é sempre dos primeiros a sair, não há que saber...) e colocou o Amdouni (também saiu o Aktürkoğlu para entrar o Renato Sanches), mas ficámos a perder, porque o suíço passou um pouco ao lado da partida. O Barça só não alargou a vantagem, porque o De Jong falhou uma emenda perto da pequena-área. Até final, ainda houve uma boa jogada individual do Renato Sanches culminada com um péssimo remate de pé esquerdo muito por cima e uma cabeçada do Amdouni que iria na direcção da baliza, se não fosse ter ficado nos pés do Koundé antes de lá chegar.
Em termos individuais, o Otamendi terá sido o melhor e não só pelo golo, já que se fartou de cortar bolas, estando sempre muito em jogo. Saúda-se o regresso do Florentino, embora se tenha percebido que não estava na sua melhor forma. O Aursnes também esteve muito bem, especialmente na 2ª parte. Já os turcos (Kökçü e Aktürkoğlu) estiveram no pólo oposto, provavelmente como consequência do Ramadão. O Schjelderup, infelizmente, deve ter feito dos últimos minutos da temporada, porque já se percebeu que o Lage não gosta nada dele e vai preferir sempre o Bruma para aquela posição. O Pavlidis não esteve mal, com a ressalva negativa para os inúmeros foras-de-jogo em que foi apanhado.
Iremos no domingo a Vila do Conde antes da pausa para a selecções. Terá havido tempo de descanso suficiente desde Barcelona e espera-se uma vitória, apesar de ser um campo tradicionalmente difícil. Foco total no campeonato a partir de agora!
Com o regresso do Florentino ao onze e alinhando com possivelmente a camisola mais feia de toda a nossa história (é inacreditável como alguém no Benfica tenha deixado passar isto...!), tentámos fazer pressão alta logo desde o início, mas, a partir do momento em que o Barça a ultrapassava, criava o pânico na nossa defesa. Aos 11’, o inefável Raphinha continuava o seu caminho de ser a nossa besta negra deste ano ao inaugurar o marcador depois de um remate mal efectuado pelo Lamine Yamal, que se converteu numa assistência para o brasileiro. Reagimos muito bem e o Otamendi empatou no minuto seguinte, numa cabeçada, depois de um canto do Schjelderup, aproveitando um ligeiro desvio do Lewandowski. O Barça era naturalmente mais dominador, enquanto nós falhávamos algumas vezes por adornarmos os lances na parte final, em vez de ser mais pragmáticos. Aos 27’, os catalães puseram-se novamente em vantagem pelo Lamine Yamal num golão em arco de fora da área. Depois disto, tivemos mais dificuldades em responder e o Barça sentenciou a eliminatória aos 42’ no bis do Raphinha, depois de um contra-ataque que se seguiu a uma má decisão do Aktürkoğlu perto da baliza adversária (calcanhar em vez de um passe mais fácil e fomos apanhados em contrapé pela arrancada do Baldé).
Na 2ª parte, os catalães baixaram (e muito) o ritmo, mas sem nunca perderem o controlo do jogo. Ainda metemos a bola na baliza pelo Aursnes, mas o Pavlidis estava fora-de-jogo no início da jogada. Continuámos a tentar ao longo dos segundos 45 minutos, mas sem nunca conseguimos verdadeiramente colocar o Barça em sentido. O Bruno Lage, para variar, lá tirou o Schjelderup (é sempre dos primeiros a sair, não há que saber...) e colocou o Amdouni (também saiu o Aktürkoğlu para entrar o Renato Sanches), mas ficámos a perder, porque o suíço passou um pouco ao lado da partida. O Barça só não alargou a vantagem, porque o De Jong falhou uma emenda perto da pequena-área. Até final, ainda houve uma boa jogada individual do Renato Sanches culminada com um péssimo remate de pé esquerdo muito por cima e uma cabeçada do Amdouni que iria na direcção da baliza, se não fosse ter ficado nos pés do Koundé antes de lá chegar.
Em termos individuais, o Otamendi terá sido o melhor e não só pelo golo, já que se fartou de cortar bolas, estando sempre muito em jogo. Saúda-se o regresso do Florentino, embora se tenha percebido que não estava na sua melhor forma. O Aursnes também esteve muito bem, especialmente na 2ª parte. Já os turcos (Kökçü e Aktürkoğlu) estiveram no pólo oposto, provavelmente como consequência do Ramadão. O Schjelderup, infelizmente, deve ter feito dos últimos minutos da temporada, porque já se percebeu que o Lage não gosta nada dele e vai preferir sempre o Bruma para aquela posição. O Pavlidis não esteve mal, com a ressalva negativa para os inúmeros foras-de-jogo em que foi apanhado.
Iremos no domingo a Vila do Conde antes da pausa para a selecções. Terá havido tempo de descanso suficiente desde Barcelona e espera-se uma vitória, apesar de ser um campo tradicionalmente difícil. Foco total no campeonato a partir de agora!
terça-feira, março 11, 2025
Tranquilo
Vencemos o Nacional no passado sábado por 3-0 e mantivemos os
três pontos de distância para a lagartada (com menos um jogo), que ganhou
no Casa Pia por 3-1, tendo aumentado para seis frente ao CRAC, que foi
derrotado em Braga (0-1). Não gosto nada de ter jogos do Benfica no dia dos meus
anos (apesar deste momento inultrapassável), porque, se por acaso corre mal,
fico com o dia obviamente estragado, mas claro que uma vitória do Glorioso e uma
derrota do CRAC deram-me uma dupla prenda muito saborosa.
Com o regresso dos suplentes por estarmos a meio da eliminatória da Champions frente ao Barcelona, eu tinha pedido um jogo calmo e decidido relativamente cedo para não me enervar em dia de aniversário, e o Benfica fez-me a vontade. Abrimos o marcador logo aos 5’ pelo Amdouni, depois de uma recuperação do Dahl a aproveitar um mau passe do guarda-redes Lucas França na saída de bola. No entanto, este guarda-redes esteve em grande minutos depois ao defender um remate do Belotti e principalmente outro do Amdouni, que ainda estou para saber como não entrou... Aos 19’, penalty a nosso favor, por derrube sobre o Belotti, que o Kökçü converteu sem hipóteses para o Lucas França, fazendo o 2-0. Até ao intervalo, poderíamos (e deveríamos) ter resolvido a partida de vez, mas o guarda-redes continuava a exibir-se em bom plano e os nossos avançados mantinham-se perdulários, com realce para uma boa jogada de combinação entre o Amdouni, Kökçü e Belotti, com este a permitir a intervenção do guarda-redes na cara deste. Em cima do intervalo, o VAR Sr. Ricardo Baixinho sinalizou um pequeno toque do António Silva num avançado e o árbitro Sr. André Narciso assinalou penalty contra nós. Teria sido péssimo ir para o descanso com o jogo, que já deveria estar mais do que resolvido nesta altura, em aberto, mas felizmente o Samuel Soares fez uma magnífica defesa ao penalty do Dudu.
A 2ª parte começou praticamente com uma bola à barra do Bruma numa jogada de contra-ataque e, pouco depois, o mesmo Bruma estava em fora-de-jogo quando fez a assistência para o Dahl, que assim viu ser anulado um golão seu de pé direito de fora da área. Dez minutos depois do recomeço, uma perda de bola em zona perigosa do Amdouni deu ao Nacional a única verdadeira oportunidade, mas o remate do Dudu já na pequena área saiu felizmente ao lado. Daqui até final, a partida foi-se arrastando sem que nós conseguíssemos criar grande perigo, mesmo com a entrada de alguns titulares, até que mesmo em cima dos 90’, num livre para a área, um defesa do Nacional colocou a mão na bola e o entretanto entrado Pavlidis marcou um dos melhores penalties de que me lembro: golo ao canto superior esquerdo da baliza, sem a mínima hipótese para o Lucas França. Fazíamos o 3-0 selando uma vitória tranquila, tal como eu tinha pedido.
Em termos individuais, o Amdouni esteve em destaque durante a 1ª parte, mas depois decaiu a seguir ao intervalo, assim como o Kökçü. Quanto ao Dahl, é mesmo para exercer a opção o mais depressa possível, porque já ninguém duvida que é uma mais-valia. O Belotti falhou um golo feito, mas é um upgrade em relação ao Cabral como suplente do Pavlidis. O Samuel Soares foi muitíssimo importante com aquele penalty defendido que, a ser concretizado, tornaria a 2ª parte muito mais stressante. O Otamendi atravessa uma das melhores fases do ano.
Jogamos daqui a algumas horas em Barcelona o acesso aos quartos-de-final da Liga dos Campeões. Será uma missão (quase) impossível, mas o que se exige é que a equipa esteja à altura da história do clube e dê a maior luta que conseguir. De qualquer forma, o jogo em Vila do Conde no próximo domingo é que é fundamental.
Com o regresso dos suplentes por estarmos a meio da eliminatória da Champions frente ao Barcelona, eu tinha pedido um jogo calmo e decidido relativamente cedo para não me enervar em dia de aniversário, e o Benfica fez-me a vontade. Abrimos o marcador logo aos 5’ pelo Amdouni, depois de uma recuperação do Dahl a aproveitar um mau passe do guarda-redes Lucas França na saída de bola. No entanto, este guarda-redes esteve em grande minutos depois ao defender um remate do Belotti e principalmente outro do Amdouni, que ainda estou para saber como não entrou... Aos 19’, penalty a nosso favor, por derrube sobre o Belotti, que o Kökçü converteu sem hipóteses para o Lucas França, fazendo o 2-0. Até ao intervalo, poderíamos (e deveríamos) ter resolvido a partida de vez, mas o guarda-redes continuava a exibir-se em bom plano e os nossos avançados mantinham-se perdulários, com realce para uma boa jogada de combinação entre o Amdouni, Kökçü e Belotti, com este a permitir a intervenção do guarda-redes na cara deste. Em cima do intervalo, o VAR Sr. Ricardo Baixinho sinalizou um pequeno toque do António Silva num avançado e o árbitro Sr. André Narciso assinalou penalty contra nós. Teria sido péssimo ir para o descanso com o jogo, que já deveria estar mais do que resolvido nesta altura, em aberto, mas felizmente o Samuel Soares fez uma magnífica defesa ao penalty do Dudu.
A 2ª parte começou praticamente com uma bola à barra do Bruma numa jogada de contra-ataque e, pouco depois, o mesmo Bruma estava em fora-de-jogo quando fez a assistência para o Dahl, que assim viu ser anulado um golão seu de pé direito de fora da área. Dez minutos depois do recomeço, uma perda de bola em zona perigosa do Amdouni deu ao Nacional a única verdadeira oportunidade, mas o remate do Dudu já na pequena área saiu felizmente ao lado. Daqui até final, a partida foi-se arrastando sem que nós conseguíssemos criar grande perigo, mesmo com a entrada de alguns titulares, até que mesmo em cima dos 90’, num livre para a área, um defesa do Nacional colocou a mão na bola e o entretanto entrado Pavlidis marcou um dos melhores penalties de que me lembro: golo ao canto superior esquerdo da baliza, sem a mínima hipótese para o Lucas França. Fazíamos o 3-0 selando uma vitória tranquila, tal como eu tinha pedido.
Em termos individuais, o Amdouni esteve em destaque durante a 1ª parte, mas depois decaiu a seguir ao intervalo, assim como o Kökçü. Quanto ao Dahl, é mesmo para exercer a opção o mais depressa possível, porque já ninguém duvida que é uma mais-valia. O Belotti falhou um golo feito, mas é um upgrade em relação ao Cabral como suplente do Pavlidis. O Samuel Soares foi muitíssimo importante com aquele penalty defendido que, a ser concretizado, tornaria a 2ª parte muito mais stressante. O Otamendi atravessa uma das melhores fases do ano.
Jogamos daqui a algumas horas em Barcelona o acesso aos quartos-de-final da Liga dos Campeões. Será uma missão (quase) impossível, mas o que se exige é que a equipa esteja à altura da história do clube e dê a maior luta que conseguir. De qualquer forma, o jogo em Vila do Conde no próximo domingo é que é fundamental.
quinta-feira, março 06, 2025
Desperdício
Perdemos ontem na Luz com o Barcelona (0-1) e irá ser preciso um milagre para nos qualificarmos para os quartos-de-final da Champions. Até porque esse milagre aconteceu nesse jogo, com a expulsão do central Cubarsí logo aos 22’, que nos deixou em superioridade numérica durante grande parte do encontro e permitiu que o nivelássemos, porque enquanto estivemos 11 para 11, o domínio dos catalães foi enorme. Infelizmente, não soubemos aproveitar essa vantagem e não só não conseguimos marcar, como ainda nos demos ao luxode sofrer, estabelecendo um recorde negativo (nunca uma equipa da casa tinha perdido um jogo na Champions estando tanto tempo a jogar com mais um...).
O Bruno Lage não inventou e colocou a equipa expectável, com o regresso do Leandro Barreiro ao meio-campo e o Dahl no banco. Logo aos 20 segundos(!), tivemos uma óptima ocasião através do Aktürkoğlu, que viu o seu remate ser defendido pelas pontas dos dedos(!) do Szczesny para canto. O Leandro Barreiro também teve uma chance nos minutos iniciais, mas não acertou com a baliza, enquanto do outro lado foi o Dani Olmo a atirar a rasar o nosso poste. A partir daí e até à expulsão, o Barça dominou completamente, com o Trubin a efectuar uma magnífica defesa a três tempos(!), provavelmente, a melhor desde que chegou à Luz. Até que se deu aquele lance em que o Pavlidis furou brilhantemente no meio da defesa contrária e sacou a expulsão ao Cubarsí. No livre, o Szczesny defendeu o remate do Kökçü e o domínio do jogo passou a ser naturalmente nosso a partir daí. No entanto, só numa cabeçada do Aktürkoğlu perto do intervalo é que estivemos perto do golo, com nova defesa do guarda-redes polaco. Logo depois da expulsão, o Hansi Flick tirou o Dani Olmo e colocou outro central, o Ronald Araújo, e conseguiu fechar bem os caminhos para a sua baliza durante a maior parte do tempo.
Na 2ª parte, aumentámos o ritmo e consequentemente criámos mais perigo. Mas, nessa altura, entrou em grande o factor desperdício. Começou logo pelo Pavlidis a desviar por cima um centro da esquerda, para logo a seguir ser o Aursnes a rematar fraco quando estava em óptima posição, depois de nova jogada na esquerda do Schjelderup. As nossas jogadas de ataque eram todas predominantemente por este lado e o Schjelderup teve outra oportunidade, com um remate mal enquadrado. Até que aos 60’, aconteceu o balde de água fria com um mau passe do António Silva (que até estava a fazer um bom jogo...) numa saída para o ataque a ser interceptado pelo Raphinha, que rematou de fora da área, com a bola ainda a ser ligeiramente desviada pelo Otamendi e caprichosamente a entrar no canto inferior direito da baliza do Trubin. Deu a sensação que, sem esse desvio, iria ao lado. Sentimos bastante o golo sofrido e nunca mais tivemos a preponderância desses primeiros 15’ da segunda parte, embora, logo a seguir ao golo, o Kökçü tenha tido um remate de pé esquerdo à entrada da área, que saiu ao lado, quando poderia ter feito bem melhor. Para a nossa baixa de produção, muito contribuiu o Bruno Lage na altura das substituições. O Tomás Araújo já tinha saído antes do golo por problemas físicos para a entrada do Dahl, mas aos 70’ o Lage resolveu tirar o Schjelderup, que estava a ser de longe o nosso jogador mais perigoso, e o Leandro Barreiro para entrarem o João Rêgo e Belotti. E isto com o Aktürkoğlu a estar completamente fora dela desde o início da 2ª parte...! É incompreensível que o Bruno Lage vá para o campo já com ideias definidas sobre a saída do Schjelderup, independentemente do modo como ele esteja a jogar... É que só pode ser isso, não há outra explicação! Por isso, pela segunda vez na vida, assobiei veementemente uma substituição de um treinador do Benfica (só comparável à saída do João Neves contra o Farense no ano passado, feita pelo Schmidt)! Como se isso já não bastasse, nunca até hoje jogámos grande coisa com dois pontas-de-lança em campo, mas havia mesmo de ser contra o Barça que o iríamos fazer... Enfim...! Mas lá fomos tendo mais algumas oportunidades, nomeadamente com um remate do Aktürkoğlu já na área (que tirou a bola ao Aursnes que vinha embalado de trás!) a ser defendido sem grande dificuldade pelo Szczesny, e, já no final, com outro do regressado Renato Sanches a ser defendido com mais dificuldade pelo polaco. Pouco antes disso, houve um penalty sobre o Belotti, mas que foi revertido pelo VAR, por milimétrico fora-de-jogo do italiano.
Em termos individuais, o Schjelderup foi dos melhores, especialmente na 2ª parte, mas infelizmente, o Bruno Lage nunca o deixa jogar até aos 90’. O Pavlidis também esteve muito bem, exceptuando no que se refere à finalização, mas é indiscutível que atravessa uma fase de grande confiança. O Carreras levou um amarelo e irá fazer muita falta em Barcelona. O Trubin teve aquelas três defesas no mesmo lance e, só por isso, merece igualmente uma menção. O António Silva acaba por estar ligado ao resultado, o que é pena, porque nem tinha estado nada mal até então. Já o Otamendi fez o seu 100º jogo na Champions com uma boa exibição.
Graças a esta norma da UEFA que nunca ninguém me conseguiu explicar (porque é que umas equipas têm oito dias entre jogos e outras seis...!), não vamos ter descanso quase nenhum com a partida frente ao Nacional no sábado e a ida a Barcelona na 3ª feira. Dito isto, é bom que não nos desconcentremos frente aos madeirenses, principalmente depois deste resultado que nos coloca praticamente fora da Liga dos Campeões.
P.S. – Andaram a tentar durante vários anos e finalmente parece que vão conseguir...! Por volta dos 35’, os No Name não se lembraram de melhor do que reeditar o que fizeram no jogo frente ao CRAC e que, na altura, desconcentrou a equipa a ponto de sofrer o golo do empate: acenderam uma quantidade inacreditável de pirotecnia e fizeram com que o jogo tivesse de ser interrompido durante uns minutos! Como estávamos com uma pena suspensa da UEFA por causa disto mesmo, agora é que eles devem mesmo conseguir interditar o Estádio da Luz! Espero é que tenhamos sorte e que seja só o sector onde eles estão, tal com o aconteceu com as claques da lagartada. Eu gostava muito de perceber o que vai na cabeça desta cambada de acéfalos para, depois de todos os avisos que tivemos da UEFA, continuar a fazer isto! Ou melhor, se calhar até, sei: não vai nada na cabeça deles, porque simplesmente não há nada lá dentro! Só isso explica este comportamento infame!
sábado, março 01, 2025
A caminho do Jamor
Vencemos o Braga (1-0) na Luz na passada 4ª feira e qualificámo-nos para as meias-finais da Taça de Portugal, onde iremos defrontar o Tirsense do Campeonato de Portugal. Dado que é um adversário do quarto escalão do futebol nacional, que está a lutar para não descer às distritais e que é uma eliminatória a duas mãos, era só o que mais faltava não irmos à final da Taça em Maio. Seria o maior escândalo da nossa história.
Sabedor que este era verdadeiramente o jogo que decidida a ida à final, o Bruno Lage voltou a apostar na equipa mais forte, com as novidades Dahl e Bruma em vez dos habituais Leandro Barreiro e Schjelderup (de quem decididamente o Lage não gosta muito...). Entrámos muito bem na partida e o Aktürkoğlu atirou ao poste, depois de um bom lance individual, com o Pavlidis a não conseguir marcar na recarga. Pouco depois, o Braga teve a única verdadeira oportunidade numa cabeçada do Racic num canto que saiu a rasar o poste, num lance em que o António Silva foi, à semelhança de muitos outros iguais, mais uma vez batido... O Bruma ainda meteu a bola na baliza, mas o Pavlidis estava fora-de-jogo no decurso da jogada e o guarda-redes Horníček defendeu um remate do Aktürkoğlu, bem desmarcado pelo Kökçü, até que aos 38’ marcámos finalmente num bom remate do Pavlidis de fora da área, depois de uma assistência do Dahl, que a aproveitou um mau passe do Paulo Oliveira. Era um golo mais do que merecido tamanhas foram as oportunidades que tivemos e, em cima do intervalo, foi o Kökçü a não conseguir desviar quase sobre a linha um centro do Carreras. Ou seja, deveríamos ter chegado ao descanso com a eliminatória resolvida e o jogo ainda ficou em aberto.
Na 2ª parte, o ritmo não foi tão elevado, mas tivemos uma soberana ocasião para fechar a partida, pouco depois do reinício, com o Bruma isolado pelo Carreras a permitir a defesa do Horníček. Logo a seguir, foi o Pavlidis a não conseguir acertar bem na bola depois de um centro do Aktürkoğlu, que desviou num defesa. O extremo Roger era o jogador mais perigoso do Braga, mas conseguimos controlá-los minimamente e não permitimos grandes chances para marcarem. Foi, aliás, nossa a melhor ocasião até final, com o entretanto entrado Schjelderup a ter uma boa jogada individual, culminada com um remate defendido pelo guarda-redes, mas o norueguês deveria ter dado para o lado, porque o Belotti estava isolado... Não merecíamos ter ansiado tanto pelo final do jogo pelas enormes oportunidades que tivemos para o resolver mais cedo.
Em termos individuais, o Pavlidis merece destaque por ter decidido a eliminatória. O Kökçü também esteve em bom plano, especialmente na 1ª parte, juntamente com o Aktürkoğlu na direita. O Dahl não esteve tão bem como em partidas anteriores, mas existem já poucas dúvidas sobre termos de exercer a opção de compra. O Bruma fez o jogo mais fraco desde que está no Benfica, o Otamendi esteve imperial na defesa e o Samuel Soares acabou por ter pouco trabalho.
Teremos agora uma semana para preparar o Barcelona, dado que a ida ao Gil Vicente foi adiada para o final do mês. Mas convém não nos esquecermos que o campeonato (e a Taça) são as nossas prioridades.
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