origem

sexta-feira, março 14, 2014

Banho de bola

Uma exibição de gala permitiu-nos derrotar o Tottenham em White Hart Lane por 3-1 e colocar-nos em posição privilegiada para atingirmos os quartos-de-final de uma competição europeia pela 5ª época consecutiva. À semelhança do que sucedeu em Salónica, fizemos um jogo muito personalizado e controlámo-lo durante grande parte dos 90’.

Sem o Maxi, Enzo Pérez, Gaitán e Lima, o Jesus fez menos alterações do que na Grécia, mas nesta fase a equipa está tão madura e confiante que praticamente não há oscilação exibicional jogue quem jogue. Não começámos bem a partida, ou antes, o Tottenham começou melhor do que nós. No entanto, apesar de alguma pressão inicial, os ingleses não criaram uma verdadeira situação de golo. Ao invés, na primeira vez que atacámos com perigo marcámos: boa arrancada do Rúben Amorim e abertura fantástica a isolar o Rodrigo na direita, que, com o Lloris pela frente, rematou em arco para o poste mais distante. Estávamos com 29’ e mais uma vez não íamos ficar a zeros num jogo. Até ao intervalo, nada de relevante se passou.

A 2ª parte foi mais movimentada, porque nós aumentámos a velocidade nas transições ofensivas. Porém, foi o Tottenham a ter a primeira (e única) grande oportunidade com o Adebayor a rematar torto quando só tinha o Oblak pela frente. Pouco depois, o Amorim recuperou bem uma bola, tabelou com o Rodrigo e obrigou o Lloris a uma defesa para canto. Desse mesmo canto, marcado pelo Amorim, resultou o 0-2 numa cabeçada do Luisão aos 58’. Dávamos passos firmes no sentido de resolver não só jogo, como a própria eliminatória, mas uma falta um pouco escusada do Sílvio fez com que o Tottenham fizesse o 1-2 através de um livre directo do Eriksen aos 64’. Ainda receei que os ingleses fizessem alguma pressão para chegarem ao empate, mas nada disso aconteceu. O Jesus trocou o Cardozo e Sulejmani pelo Gaitán e Enzo Pérez, e controlámos definitivamente o meio-campo. Um erro clamoroso do Lloris (deixou a bola passar por cima dele) ia-nos proporcionando ao Rodrigo um bis, mas o guarda-redes francês corrigiu-o a tempo. No entanto, o 1-3 acabou mesmo por surgir aos 84’, novamente pelo Luisão, numa recarga depois de uma cabeçada do Garay (que o guarda-redes defendeu para a frente) no seguimento de um livre do Gaitán. Até final, ainda poderíamos ter feito o quarto golo, mas o Siqueira falhou isolado perante o Lloris, depois de nova abertura do Gaitán.

Em termos individuais, há vários destaques a fazer: antes de mais, o Luisão. Grande jogo do nosso capitão, a bisar pela primeira vez num jogo europeu e a ser novamente irrepreensível na defesa, com cortes fantásticos. Se não fosse o Girafa, o melhor em campo seria o Rúben Amorim pelas duas assistências nos dois primeiros golos. O Fejsa, depois de algum desnorte nos primeiros minutos, esteve em todo o lado e foi um tampão essencial às investidas inglesas. Grande primeira parte do Sulejmani, com a mais-valia de ter ajudado a defender. Também o resto da defesa (Sílvio, Garay e Siqueira) esteve muito bem e felizmente o Jesus fez-me a vontade expressa no post anterior, colocando o Oblak em campo. O esloveno esteve novamente bem, embora no golo talvez se pudesse ter estirado. É certo que o livre é muito bem marcado, mas não gosto de ver guarda-redes a sofrerem golos sem se fazerem à bola. O Rodrigo já fez jogos mais conseguidos, mas marcou um grande golo e esteve perto de fazer o segundo. Os outros dois avançados (Cardozo e Markovic) é que estiveram mais discretos. Boa entrada em campo do Gaitán, nem tanto do Enzo Pérez.

Com 1-3 fora, seria um verdadeiro cataclismo se não nos qualificássemos para a próxima eliminatória. Neste sentido, acho que o Gaitán e/ou o Enzo Pérez talvez pudessem ter forçado um amarelo depois do terceiro golo, porque estão ambos tapados. No entanto, obviamente, há que manter a concentração e tentar mais uma vitória para a semana. É bom não só para o ranking, como para o nosso prestígio.

P.S. – O Jesus está naturalmente de parabéns pela forma como armou a equipa para esta grande vitória, mas mostrar três dedos ao treinador do Tottenham depois de terceiro golo é que era bem escusado. Não gosto que o treinador do meu clube exiba esta falta de nível (além de que, para agravar as coisas, já não é a primeira vez que faz uma cena deste género).

Sem comentários: