origem

segunda-feira, outubro 16, 2017

Paupérrimo

Vencemos no sábado o Olhanense (1-0) no Estádio do Algarve e qualificámo-nos para a 4ª eliminatória da Taça de Portugal. Depois da paragem das selecções e com a promessa do nosso treinador de que iríamos ter um “ciclo de melhoria”, estava curioso para ver como seria este jogo. De facto, tivemos uma “melhoria”, mas só porque ganhámos, dado que quanto ao resto...

Correndo o risco de me tornar repetitivo, podia bem remeter esta crónica para uma das anteriores: marcámos muito cedo (4’), num golão do Gabriel Barbosa de chapéu na sequência de uma óptima abertura do Pizzi, e depois foi uma modorra até final. Alinhámos com alguns titulares e outros menos utilizados, mas não se notou diferença nenhuma em relação ao que temos visto: futebol muito previsível, pouca velocidade e uma grande incapacidade de criar muitas situações de perigo. O Rafa e o Rúben Dias ainda tiveram boas hipóteses, mas os remates foram interceptados por um defesa e guarda-redes, respectivamente.

Na 2ª parte, o Olhanense teve a sua melhor chance logo no início (remate à rede lateral, com o guarda-redes batido), mas a melhor de todas foi nossa num remate fabuloso do Diogo Gonçalves de fora da área, que levou a bola a embater com estrondo na barra. Até final, lá conseguimos manter a baliza a zeros, porque do outro lado estava uma equipa do Campeonato de Portugal (o terceiro escalão). Caso contrário, muito provavelmente aconteceria o mesmo que nos jogos anteriores.

Em relação aos jogadores, salvou-se a estreia do Svilar na baliza. Com apenas 18 anos, deixou boas indicações (rápido a sair dos postes, por exemplo) e pode ser que tenhamos guarda-redes para dois anos (se for mesmo bom, irá acontecer-lhe o mesmo que ao Ederson, não tenhamos ilusões com a história do “guarda-redes para o futuro”, porque isso não existe). Outra estreia absoluta foi a do Douglas: a atacar esteve razoavelmente bem, mas a defender desde o Okunowo que não via ninguém assim... Perdi a conta às vezes que o extremo contrário (Jefferson Encada), emprestado pelo lagartada, o ultrapassou, o que vale é que os jogadores do Manchester United não devem ser tão bons como ele... O Gabriel Barbosa marcou um grande golo, com uma boa desmarcação, mas a partir daí só fez disparates. O Pizzi fez a abertura para o golo, mas é indisfarçável a sua má forma. Falando em má forma, o Grimaldo também está a anos-luz do seu real valor e o Seferovic parece que desaprendeu de jogar. O Rafa, bem, continua a não haver muito a acrescentar: está claramente na modalidade errada. O Krovinovic andou um pouco perdido em campo e chocou muitas vezes com o Pizzi. Só a entrada do Diogo Gonçalves agitou um pouco as coisas já na 2ª parte e o João Carvalho, embora durante menos tempo, justificou uma nova oportunidade.

Se olharmos para o lado positivo, podemos sempre dizer que foi a 3ª eliminatória da Taça mais fácil dos últimos três anos. Mas este nosso nível exibicional não engana e não iremos longe a jogar assim.

P.S. - Nós jogámos no Estádio do Algarve, que sempre é mais perto de Olhão, do que o Restelo é de Évora, onde jogou o CRAC frente ao Lusitano. No entanto, se é para não jogar nos estádios dos clubes originais, mais vale acabar com esta regra de as equipa da I Liga terem que actuar como visitantes na primeira eliminatória em que entram. A festa da Taça é suposto levá-la aos locais de onde são originários os clubes. Que estupidez!

Sem comentários: