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quarta-feira, dezembro 06, 2017

Humilhação histórica

Perdemos com o Basileia (0-2) na Luz e fizemos o pleno na Liga dos Campeões deste ano: seis jogos, seis derrotas! Mais: 1-14 em golos! Eu repito: 1-14 em golos! Apenas meio ano depois de conseguirmos o inédito tetra, voltamos a entrar na história pelos piores motivos. E não é só numa história, é em várias histórias.

Não vou estar com falinhas mansas e ODEIO o politicamente correcto, portanto cá vai: o que se passou este ano na Liga dos Campeões é a maior vergonha desportiva da nossa história! Esqueçam os 0-7 em Vigo, os 0-5 na Supertaça com o CRAC, os 1-7 com a lagartada, todos os (felizmente poucos) resultados destes que tivemos. Porque eles são apenas isso mesmo: resultados pontuais. Acontecem. Agora, em seis jogos não fazer um único ponto, marcar somente um golo (segundo o que ouvi na rádio, o Dínamo Zagreb foi a única equipa a não marcar nenhum golo numa fase de grupos), tornar-se a pior equipa portuguesa e o pior cabeça-de-série de sempre da competição, não é apenas um resultado pontual. É algo que nos deve envergonhar a todos. Porque nós somos o que somos graças à história. Não é por termos ganho um campeonato que somos a maior equipa portuguesa. É por termos ganho 36. Portanto, não podemos desprezar nem desvalorizar a história. Da mesma maneira que não o fazemos quando corre bem, também não o devemos fazer quando corre mal. Porque a história (ao contrário do que alguns acham), não se apaga.

E o que se fez ontem foi precisamente desvalorizar a história. Isto não era a Taça da Liga para andar a rodar a equipa. Era a Liga dos Campeões que todo o mundo vê. Eu já nem falo do 1,5M€ de prémio de vitória. Porque o lucro não me interessa enquanto adepto. Ninguém vai para o Marquês comemorar a venda do Renato Sanches por 35M€ ou os lucros do relatório & contas. Interessam-me as vitórias, os títulos e o prestígio do Benfica. E nada disto foi acautelado este ano. A equipa que o Rui Vitória apresentou, somente com dois titulares (Jardel e Pizzi), foi logo um indício que defender o nosso prestígio era algo que não nos assistia, como diria o outro. Sofremos um golo aos 5’ (Elyounoussi) e outro aos 65’ (Oberlin), e em ambos o Douglas foi um espectador privilegiado (a propósito, quem é que foi descobrir esta abécula?!). Pelo meio fomos tentando, mas com muita falta de jeito e um empenho q.b.

Acho bem que toda a estrutura do Benfica se mentalize que só há uma maneira de compensar esta humilhante participação: o penta. Isto não é um desejo, nem uma vontade. É uma exigência para amenizar esta nódoa indelével em 113 anos de gloriosa história. QUE VERGONHA!

segunda-feira, dezembro 04, 2017

Na luta

Empatámos em Mordor (0-0) na passada 6ª feira e mantivemo-nos a três pontos do CRAC, que agora tem a companhia da lagartada (1-0 ao Belenenses) no 1º lugar. Para o futebol que tínhamos vindo a demonstrar até há bem pouco tempo, não foi um mau resultado e esteve em consonância com o que pretendíamos, porque jogámos a maior parte do tempo para não perder. No entanto, e percebendo que estávamos no estádio que maiores dificuldades nos tem criado ao longo da história, se mostrássemos um pouco mais de ambição não teria feito mal nenhum.

O Rui Vitória manteve a equipa que goleou o V. Setúbal e entrámos muito bem no jogo, surpreendendo o CRAC. O Jonas teve logo no início uma grande oportunidade de cabeça, mas o José Sá conseguiu defender. A 1ª parte não teve assim grandes oportunidades de golo em nenhuma das balizas, porque os (poucos) remates acabaram por ser interceptados ou saíram com má direcção. Para quem estava à espera que fôssemos massacrados, os planos saíram furados, até porque o jogo foi muito repartido.

A 2ª parte foi diferente, porque nós nunca conseguimos sair a jogar como na 1ª. O que implicou que o CRAC passasse muito mais tempo no nosso meio-campo e criasse mais oportunidades. O que nos valeu foi que o Bruno Varela se assumiu como um dos melhores em campo e foi defendendo (às vezes, a dois tempos) o que lhe apareceu à frente, nomeadamente remates do Brahimi e Marega. O Rui Vitória percebeu que estávamos a perder o meio-campo e fez entrar o Samaris para o lugar do inoperante Pizzi. As coisas melhoraram um pouco e a cerca de 15’ do fim entrou o Zivkovic para o lugar do Cervi. Finalmente conseguimos esticar o jogo e a área do CRAC deixou de ser um one man’s land. No entanto, o sérvio viu dois amarelos em apenas 2’ e a parte final do jogo foi muito difícil para nós, valendo-nos a falta de pontaria do Marega em dois lances em que só tinha que encostar.

Em termos individuais, grande jogo do Bruno Varela, que terá ganho uma segunda vida depois do erro clamoroso do Bessa. Neste momento, a baliza é mais que dele. Os centrais Luisão e Jardel também estiveram bem, especialmente este último cujas últimas exibições vinham sendo uma desgraça. O André Almeida raramente compromete nos jogos grandes, mas do outro lado o Grimaldo esteve péssimo, tendo sido responsável por duas das grandes oportunidades falhadas pelo Marega. O Fejsa subiu em relação a partidas anteriores, ao contrário do Pizzi que continuou a revelar uma pobreza franciscana (se protestou com alguém pela substituição, espero que tenha sido com ele próprio!). O Krovinovic foi dos melhores na 1ª parte e na 2ª pertenceram-lhe as nossas grandes oportunidades, especialmente uma em que, depois de um ressalto, ficou isolado, mas permitiu que o José Sá lhe saísse aos pés e evitasse o golo numa altura em que já estávamos com dez. Nas alas, o Cervi e o Salvio lutaram bastante, mas não se mostraram muito em termos atacantes. O Jonas fartou-se de levar pancada, mas passou muito ao lado do jogo. O Samaris foi importante ter entrado para segurar o meio-campo que estava perdido na altura e o Jiménez na parte final foi a nossa primeira linha da defesa. A última palavra é para o Zivkovic: estivemos à beira de ter um novo Carlos Martins. Independentemente da justeza ou não do primeiro cartão, ter aquela entrada já sabendo que estava amarelado revela uma acefalia gritante! Espero que tenha um mês de multa no ordenado! Jogadores muito talentosos, mas que se esquecem do cérebro em casa quando vão para o campo não servem. É bom que ele perceba isso, senão adeusinho e boa viagem! Estou convencido que sem aquela idiotice se calhar ainda poderíamos ter ganho o jogo, porque estávamos a conseguir apanhá-los em contrapé. Além disso, as grandes oportunidades do CRAC surgiram só depois da expulsão, pelo que o sérvio acabou por ter sorte por não se ter tornado o responsável pelo nosso afundanço. 

Mesmo a jogar um futebol muito sofrível, o que é certo que que chegamos a Dezembro, já com a ida a Mordor, a três pontos do 1º lugar. O que nos leva a pensar que, se melhorarmos um bocado, podemos chegar mais além. Como infelizmente fomos corridos da Europa, temos mais que obrigação de nos concentrar no penta.

P.S. – O Sr. Jorge Sousa exibiu uma dualidade de critérios gritante, especialmente a nível disciplinar. O Felipe é um herdeiro muito competente de animais como o Bruno Alves ou o Paulinho Santos e é inacreditável que tenha chegado ao fim do jogo sem nenhum cartão. Mesmo assim, o CRAC está farto de ladrar com um suposto golo mal anulado, num lance em que o Grimaldo é ensanduichado e não consegue saltar à bola (sim, não há fora-de-jogo, mas o árbitro também já tinha apitado logo no primeiro remate), e com uma bola que bate na perna do Luisão, mas eles querem à força toda que seja braço. Dizem eles que foram “roubados”...! A sério...?! Quem mesmo falar em roubos na casa deles...? Vamos lá, então, recordar isto pela enésima vez, porque, ao contrário do que eles fazem no seu próprio museu (com uma foto onde a Carolina Salgado deixou de aparecer), a história não se apaga: um, dois, três e, o meu favorito, quatro.

quinta-feira, novembro 30, 2017

Obrigado, Imperador!

Na passada 3ª feira, dia 28 de Novembro, um grande senhor do futebol mundial despediu-se do Benfica. Obrigado tudo nestes 3,5 anos, grande Júlio César! Foi uma honra ter-te vestido com a nossa camisola, assim como sabemos que foi uma honra para ti vesti-la. Esperamos-te cá em Maio para receberes a medalha do penta!

terça-feira, novembro 28, 2017

Podcast Benfica FM

Já conheço o Nuno há vários anos e foi com o maior prazer que estive ontem à conversa com ele no seu excelente podcast Benfica FM. Subscrevam-no!

segunda-feira, novembro 27, 2017

Goleada imprevista

Vencemos ontem o V. Setúbal por 6-0 e reduzimos a diferença para o CRAC para três pontos, devido ao empate deles (1-1) na Vila das Aves, mantendo o ponto de desvantagem para os lagartos (ganharam em Paços de Ferreira por 2-1). Depois de selarmos a eliminação das competições europeias, com a pior prestação de toda a nossa história e o estabelecimento de um recorde negativo (nunca uma equipa do pote 1 tinha chegado à 5ª jornada da Champions com cinco derrotas), havia curiosidade de como reagiríamos a esse facto e ao empate do CRAC no dia anterior. E a resposta foi boa, embora não nos devamos deslumbrar com o resultado dilatado.

O Rui Vitória manteve a aposta no Bruno Varela, relegando o regressado Svilar para o banco. Julgo que será pelo facto de o Varela ter mais experiência e aproximar-se o decisivo jogo em Mordor para a semana. De resto, a equipa esperada com a entrada do Cervi para o lugar do Diogo Gonçalves, que nem no banco se sentou. Entrámos bem na partida, marcando logo aos 7’ pelo Luisão na sequência de uma assistência de cabeça do Jardel, depois de um livre do Pizzi. Pensei que iríamos fechar a loja, à semelhança dos jogos anteriores, mas felizmente isso não aconteceu. O V. Setúbal tentou responder, mas sem nos ter criado as dificuldades da semana passada para a Taça. Mesmo assim, teve uma boa oportunidade pelo Gonçalo Paciência, cortada in extremis pelo André Almeida depois de o Jardel ter sido muito mal batido em velocidade pelo Costinha. Pouco depois, foi o mesmo Jardel a cabecear num canto para boa defesa do Cristiano. Aos 39’, aumentámos a vantagem para o 2-0 no centésimo golo do Jonas pelo Benfica: canto do Pizzi na direita e entrada fulgurante do brasileiro. Conseguíamos dois golos na 1ª parte, coisa raramente vista este ano. As coisas tornaram-se ainda mais fáceis, porque em cima do intervalo o Nuno Pinto rasteira o Luisão e vê o segundo amarelo. Num dos últimos lances, ainda atirámos uma bola ao poste, numa cabeçada do Jonas.

A 2ª parte não poderia ter começado melhor com o 3-0 aos 48’ pelo Salvio, depois de nova assistência do Pizzi. O único remate do V. Setúbal neste período resultou de um erro do Fejsa que atrasou mal uma bola, mas o Varela defendeu a tentativa do Gonçalo Paciência. Aos 66’, o Jonas bisou num grande remate à meia-volta, depois de um centro do Salvio ter embatido num defesa e o André Almeida ter dado de cabeça para trás, descobrindo o brasileiro na área. Dois minutos depois, fizemos o 5-0 pelo André Almeida, desmarcado exemplarmente pelo Jonas, numa recarga a uma tentativa de assistência dele próprio, que tinha sido cortada por um defesa. O Zivkovic, que tinha entrado à hora de jogo para o lugar do amarelado Grimaldo (nunca fiando, porque Mordor aproxima-se), fez uma jogada genial pela esquerda, passando por vários adversários, mas o Seferovic (que tinha substituído o Salvio) deveria ser multado, porque falhou um remate fácil à meia-volta, que tornaria este um dos golos do ano. Aos 87’, fechámos o marcador pelo Zivkovic num frango inacreditável do Cristiano.
 
Em termos individuais, vários destaques: para o Jonas pelo bis e para a assistência para o golo do André Almeida; para o Pizzi, que finalmente deixou de ser corpo presente no relvado desde o jogo da Supertaça; para o Krovinovic, especialmente pela 1ª parte, onde foi o jogador que imprimiu mais velocidade ao nosso jogo; e para o capitão Luisão, regressado aos golos para o campeonato mais de 2,5 anos depois e inultrapassável na defesa. O Zivkovic entrou muitíssimo bem e, de facto, não se percebe porque tem jogado tão pouco. O Diogo Gonçalves foi bom enquanto durou, mas vá lá crescer mais um bocadinho, porque a diferença para o Cervi e Zivkovic é enorme nesta altura. O Samaris também veio dar outra dinâmica à equipa, fazendo uma série de passes a rasgar para a frente e é incompreensível que o Rui Vitória ache que o Filipe Augusto é melhor do que ele...! O Bruno Varela não teve grande trabalho, mas terá uma prova de fogo para a semana. Quem me continua a parecer muito longe do seu melhor é o Jardel, que foi batido nalguns lances de forma patética e para a semana terá de se haver com o Aboubakar...
 
Foi uma das melhores exibições da época, mas temos que colocar as coisas em perspectiva: quando se passa um jejum enorme, qualquer pedaço de pão parece opíparo. Na próxima semana, teremos uma noção mais exacta de quanto valemos nesta altura, porque passámos do (menos) 8 de 4ª feira para o 80 de ontem. É fundamental não perder o jogo em Mordor, mas uma vitória seria um rombo muito grande na confiança deles e poderia virar o campeonato.

quarta-feira, novembro 22, 2017

Deprimente

Perdemos em Moscovo frente ao CSKA por 0-2 e esta é indiscutivelmente a mais vergonhosa campanha europeia da nossa história. Cinco derrotas em cinco jogos, um golo marcado e 12 sofridos fazem de nós a pior equipa da fase de grupos da Liga dos Campeões. É (infelizmente) histórico, porque nunca uma equipa cabeça-de-série se viu nesta situação. É inacreditável que uma equipa que fez algo inédito como a conquista do tetracampeonato, somente meio ano depois entre novamente na história pelos piores motivos.

Numa partida em que era imperioso ganhar, marcando preferencialmente dois golos, alinhámos de início com o Filipe Augusto. I rest my case…! O post poderia terminar aqui… Com a inexplicável não-inscrição do Krovinovic, alguém tinha que entrar, mas eu não percebo porque é que não se repetiu a fórmula de Manchester, com o Samaris. É que acabámos por não jogar mal em Old Trafford. Mas não, lá tínhamos que levar com o Filipe Augusto, o que, com o Pizzi numa forma abaixo de cão, fez com que não existíssemos durante a maior parte do tempo. Aos 13’, sofremos o 0-1 pelo Schennikov (lance difícil, mas em fora-de-jogo), mas três minutos depois tivemos uma flagrante oportunidade pelo Jonas, que acertou mal na bola só com o guarda-redes pela frente, depois de uma assistência do Diogo Gonçalves. E, pronto, as nossas oportunidades na 1ª parte ficaram por aqui.

Na 2ª parte, o segundo golo apareceu aos 56’ num lance infeliz do Jardel, que fez um carrinho e a bola bateu nele e entrou. O Cervi já tinha substituído ao intervalo o apagadíssimo Diogo Gonçalves, mas nós revelámos sempre uma exasperante lentidão de processos (então o Pizzi…!) e raramente conseguimos chegar com perigo à baliza contrária. De tal modo, que a melhor oportunidade que tivemos foi um remate do André Almeida, que saiu fraco. Os russos também não aceleraram muito, o que ajudou a que não tivemos uma segunda edição de Basileia…

Num jogo tão paupérrimo da nossa parte, não vou destacar ninguém. Nesta senda de recordes negativos, acrescenta-se mais um: o CSKA sofria golos para a Champions há mais de 40 jogos seguidos! Desde 2006! Hoje voltou a não sofrer…

Nem nos nossos piores pesadelos nos imaginámos fora da Europa logo em Novembro. Não alinho nada da tese de “é melhor, porque assim concentram-se mais nas competições nacionais”. Isto é péssimo para o nosso prestígio e para o ranking. Só o pentacampeonato poderá compensar isto. Mas a jogar desta maneira, vai ser impossível.

segunda-feira, novembro 20, 2017

Em frente

Vencemos o V. Setúbal no sábado por 2-0 e qualificámo-nos para os oitavos-de-final da Taça de Portugal. Foi uma vitória justa, se bem que a exibição não tenha sido nada por aí além, embora não tão má quanto a frente ao Feirense.

Já se sabe que os jogos depois da paragem das selecções são sempre complicados. Ainda por cima, tivemos que defrontar uma equipa da I Liga contra a qual no ano passado fizemos um em seis pontos possíveis. O Rui Vitória manteve o 4-3-3 de Guimarães, desta feita com o Rafa e Cervi nas alas. Entrámos bem na partida e a 1ª parte não foi má. O Luisão teve um par de oportunidades de cabeça em cantos, mas foi o Cervi a inaugurar o marcador aos 25’ num canto estudado: o Pizzi marcou-o rasteiro para a entrada da área, o Luisão deixou a bola passar e o argentino atirou cruzado sem hipóteses para o Cristiano. Até qu’enfim que um lance destes resulta! Até ao intervalo, não abrandámos tanto como em jogos anteriores depois de marcarmos primeiro, mas não conseguimos criar grandes oportunidades de golo. 

A 2ª parte foi totalmente diferente para pior. Abrandámos claramente o ritmo e deixámos o V. Setúbal manobrar o jogo à vontade, embora verdade seja dita sem nos criar muito perigo. As excepções foram um remate fora da área do Arnold, que o regressado Bruno Varela (o Svilar estava com gripe) defendeu bem e ainda teve tempo para parar igualmente a recarga do José Semedo, e um outro lance em que o Jardel é batido em velocidade (quem o viu e quem o vê...) pelo João Amaral, que fica isolado, mas não consegue bater o Varela. O V. Setúbal protestou penalty neste lance, mas o Sr. João Capela (que fez uma arbitragem em que se fartou de apitar faltas contra nós em lances de disputa de bola, frise-se) nada assinalou. O Varela tenta atabalhoadamente aliviar a bola e embrulha-se com o adversário, embora só olhando para a bola. Para mim, não é penalty, mas se fosse marcado não seria um escândalo. Na resposta a este lance, fizemos o 2-0 na estreia do Krovinovic a marcar com o manto sagrado, depois de uma assistência do Cervi. Estávamos no minuto 81 e até final ainda vimos o João Teixeira a rematar com perigo à nossa baliza. 

Em termos individuais, destaque óbvio para o Cervi com um golo e uma assistência. O Jonas está só a um golo de chegar aos 100 pelo Benfica, mas não teve muitas chances nesta partida de o fazer. Aliás, esta nova colocação dele a ponta-de-lança não o favorece e fá-lo desgastar-se imenso na disputa de bolas com os defesas, mas a verdade é que a equipa mostra mais consistência desta maneira, até porque com o Pizzi numa forma péssima, outro médio que participe na nossa manobra atacante é fundamental. E o Krovinovic está a fazer bem esse papel. Nota-se que é jogador, se bem que ainda tenha que crescer um bocado. Falando em crescer, o Rui Vitória promoveu a estreia do norte-americano Keaton Parks neste jogo (substituindo o Pizzi a cerca de 15’ do fim) e percebeu-se que ele sabe o que tem a fazer em campo, embora me tivesse parecido um pouco mole, mas podia ser nervos da estreia. O Rafa nem começou mal, mas foi decrescendo ao longo do tempo e perdeu mais uma oportunidade de mostrar a razão pela qual pagámos 16M€ por ele. O Douglas confirmou mais uma vez o que já se tinha percebido: bom a atacar, mas o jogador com menos capacidade defensiva que eu alguma vez me lembro de ter visto (e atenção que eu vi o Dudic, o Okunowo, o Luís Felipe e o Patric...!). Acho que até eu passaria por ele! Tivemos um azar tremendo com a apendicite do Rúben Dias, porque o Jardel está a léguas do que vale e o Lisandro é... o Lisandro. 

Depois da vitória e boa exibição em Guimarães, confesso que estava à espera de um bocado mais. Mas o fundamental mesmo era prosseguir em prova, porque somos os detentores do título e conquistar a Taça de Portugal deve ser sempre o nosso objectivo nº 2 da época.

segunda-feira, novembro 06, 2017

Surpreendente

Vencemos ontem o V. Guimarães na cidade-berço por 3-1 e reduzimos para um ponto a desvantagem para a lagartada (empatou 2-2 aos 94’ de penalty com o Braga em casa), mantendo os cinco para o CRAC (venceu no sábado o Belenenses em Mordor). Quatro meses depois do início da temporada e depois da Supertaça e da 1ª jornada com o Braga, voltámos a apresentar algum futebol! Já não era sem tempo!

O Rui Vitória inovou ao apresentar um onze com o Krovinovic em campo e o Jonas como ponta-de-lança. Confesso que tive bastantes dúvidas acerca disto, porque me lembro sempre deste jogo de tão má memória com o Jonas sozinho na frente, mas desta feita a coisa correu muito bem. Fundamentalmente por uma razão: ter alguém no meio-campo que jogue para a frente e arraste a equipa com ele faz toda a diferença. O Krovinovic foi ontem esse jogador e foi dele a tabelinha com o André Almeida, que lhe proporcionou um cruzamento rasteiro para o Jonas abrir o marcador aos 22’. Claro que muitos de nós terão imediatamente pensado: “pronto, acabou-se o nosso futebol, vai ser sempre sofrer até ao fim.” No entanto, ao contrário da quase totalidade dos nossos encontros anteriores, conseguimos continuar a jogar à bola depois de marcarmos primeiro! Milagre! O V. Guimarães praticamente não se acercou da nossa baliza e, até ao intervalo, poderíamos ter aumentado o marcador, com remates do Diogo Gonçalves ao lado num canto do Pizzi directo para ele e do Salvio defendido pelo Miguel Silva.

Na 2ª parte, como seria expectável, o V. Guimarães entrou mais pressionante e nós andámos ali a patinar durante um bocado. Um remate em arco do Heldon passou perto do poste, mas quando o Rui Vitória decidiu colocar o Samaris para reequilibrar o meio-campo, voltámos a ter o controlo do jogo. E foi mesmo o grego a dar a machadada final, ao marcar o segundo golo aos 76, depois de uma tabelinha com o Jonas lhe ter proporcionado uma arrancada desde meio-campo, aguentando uma tentativa de carga de um defesa e rematando para o ângulo mais perto do guarda-redes, enganando-o. Nunca na vida o Pizzi faria uma jogada destas, porque raramente corre para a frente e na carga teria ido logo ao relvado. Três minutos depois, uma abertura perfeita do Diogo Gonçalves isolou o Salvio que, à saída do guarda-redes, lhe picou a bola por cima fazendo o 0-3. O Rui Vitória já tinha o Jiménez pronto para entrar, mas estou convencido que este terceiro golo o fez tirar o Fejsa (já com um amarelo) do que o Jonas. Depois também entrou o Cervi, que acabou por estar ligar ao golo do V. Guimarães, ao fazer um mau corte que fez com que a bola sobrasse para o Rafael Martins, que rematou para meio da baliza com o Svilar a ser apanhado em contrapé num lance em que tinha a obrigação de estar melhor posicionado. Mesmo em cima do tempo de compensação, o André Almeida agarrou inexplicavelmente um adversário já dentro da área, mas felizmente o avançado Tallo marcou o penalty bem por cima.

Em termos individuais, destaque para o Jonas, que esteve nos três golos do Benfica. Dizem os jornais que igualou a marca do gente ilustre como Julinho e Eusébio com nove jornadas consecutivas a marcar. É obra! Apesar de ter algumas arestas para limar, o Krovinovic não engana nas suas capacidades. Os extremos (Salvio e Diogo Gonçalves) estiveram muito activos no ataque. A defesa teve uma noite relativamente tranquila, com o Svilar a cometer ainda alguns erros de principiante, felizmente sem consequências de maior.

O campeonato irá agora para durante cerca de duas semanas para as selecções e a Taça de Portugal, e regressará para a segunda das nossas sessões com o V. Setúbal em casa (a outra é precisamente para a taça numa semana antes). Iremos então ver se esta melhoria exibicional tem sequência no futuro.

sábado, novembro 04, 2017

Manchester United - 2 - Benfica - 0

Perdemos na passada 3ª feira em Old Trafford e vai ser preciso um milagre para não vermos as competições europeias no sofá a partir de Dezembro.

Uma semana infernal, com vários trabalhos a competir entre eles, impediu-me de postar mais cedo, mas de qualquer maneira achei que mais valia tarde do que nunca… O Filipe Augusto fez o favor de se lesionar no aquecimento e entrou o Samaris em vez dele. O Douglas regressou à equipa e fez uma das maiores idiotices que eu já vi, ao derrubar com as mãos um adversário na grande área. O que valeu foi que o Svilar foi buscar o remate do Martial ao canto. Pouco depois, tivemos das nossas melhores oportunidades com um remate em arco do Diogo Gonçalves, muito bem defendido pelo De Gea. No entanto, aos 41’ sofremos mesmo o golo, num remate de longe do Matic, que bateu no poste e nas costas do Svilar, acabando por entrar na baliza! Falando em falta de sorte…

Na 2ª parte, foi novamente o Diogo Gonçalves a criar perigo, com o De Gea novamente em destaque. Aos 65’, tivemos uma ocasião soberana, com um erro clamoroso de um defesa do Man Utd a isolar o Jiménez, que acossado por um adversário atirou ao poste. A pouco mais de 10’ do fim, o Samaris faz um penalty escusado sobre o Rashford e o Blind rematou para o meio da baliza, enganando o Svilar. Até final, ainda poderíamos ter reduzido o marcador, mas terminou tudo na mesma.

Em termos individuais, os melhores foram os miúdos: à cabeça o Rúben Dias, com uma exibição muito personalizada e a não se atemorizar perante o tanqueLukaku; bem secundado pelo Svilar, com a mais-valia de ter defendido um penalty; finalmente, o Diogo Gonçalves ao qual, apesar ainda de não durar o jogo todo, pertenceram os nossos melhores remates. 

Os números são frios e não mentem: ao fim de quatro jornadas de Champions, vindos do pote 1, temos zero pontos e 1-10 em golos! Não há como enganar e assumir que esta é, até agora, a pior campanha de sempre. Apesar de o objectivo principal ser o penta, uma carreira europeia deste calibre é uma vergonha para a nossa história.

segunda-feira, outubro 30, 2017

Confrangedor

Vencemos o Feirense por 1-0 na passada 6ª feira, mas como os outros dois também ganharam continuamos a três pontos da lagartada e a cinco do CRAC. Há sempre coisas positivas a serem tiradas dos jogos, mas no caso deste isso resume-se aos três pontos. Tudo o resto foi mau demais para ser verdade.

Quando aos 11’ o Jonas marcou um golo na sequência de um ressalto num canto, depois de um início interessante da nossa parte e em que o brasileiro já tinha tido uma oportunidade depois de jogada do Diogo Gonçalves, comentei jocosamente com os meus companheiros de bancada: “bem, já podemos ir embora, porque, seguindo a tradição deste ano, vamos deixar de jogar à bola...!” Sinceramente, num jogo em casa, frente ao Feirense (não desfazendo...), não acreditava que isso acontecesse. Mas, pela enésima vez, aconteceu mesmo! A partir do momento em que nos vemos em vantagem no marcador, parece que deixamos de estar interessados em jogar à bola! Houve um lance paradigmático perto do final da 1ª parte, em que numa jogada rápida ganhamos um lançamento lateral no meio-campo adversário, estamos praticamente em igualdade numérica e com hipóteses de apanhá-los em contrapé e... o Salvio deixa a bola para o André Almeida fazer o lançamento calmamente, enquanto a defesa do Feirense se recompõe. Ok, já sei: estávamos a ganhar...! Foi exasperante!

A 2ª parte não foi muito diferente da primeira e só tivemos uma real oportunidade, em que o Salvio isolado permitiu a defesa com alguma sorte do guarda-redes Caio para canto. É certo que o Feirense acabou por não criar grande perigo, mas como estamos agora a jogar com dois(!) trincos (Fejsa e Filipe Augusto) também melhor fora...

A nossa exibição foi tão paupérrima que, por uma questão de decoro, não vou mencionar ninguém individualmente. Aliás, saí do estádio bastante chateado (podemos sair chateados mesmo quando ganhamos da mesma maneira que, às vezes, há derrotas que não nos fazem muita mossa, certo?) e com a certeza de que, a (chamemos-lhe) jogar assim, não vamos longe de certeza. É que já estamos em Novembro, a época já se iniciou há quatro meses e não se vêem melhorias nenhumas. Antes pelo contrário! Ainda por cima, agora estamos a jogar na máxima força, nem sequer há as desculpas das lesões. Eu sei que saíram jogadores importantes e que essas saídas não foram colmatadas, mas o plantel actual tem mais que capacidade para ser melhor frente ao...Feirense... em casa! Custa-me a crer que fomos afortunadamente enganados durante dois anos, mas este “marcamos e depois vamos todos lá para trás” só pode ser ordem do treinador. É que está sempre a suceder nesta época. E isto, lamento, mas é táctica de equipa pequena. Desde a época do Quique que não víamos futebol tão mau na Luz.

Amanhã iremos a Old Trafford e antevê-se o pior. Ainda por cima, sem Luisão nem André Almeida na defesa. Mas o que me preocupa mesmo é o jogo do próximo domingo em Guimarães. Nesta jornada, os outros dois foram ganhar a campos onde nós perdemos pontos (os lagartos 1-0 em Vila do Conde e o CRAC 3-0 no Bessa) e, portanto, nós continuamos com tolerância zero. Mas a jogar desta maneira, não sei como iremos conseguir ganhar.

segunda-feira, outubro 23, 2017

Regresso

Depois de dois meses e uma semana (14 de Agosto), voltámos finalmente às vitórias fora de casa, ao derrotar o Aves por 3-1. Como seria de esperar, não foi um jogo fácil, porque na nossa forma actual isso é simplesmente impossível, mas fizemos uma exibição ligeiramente melhor do que as anteriores (também pior era impossível), onde conseguimos não adormecer totalmente depois de nos colocarmos em vantagem.

O Rui Vitória manteve a aposta no Svilar e Diogo Gonçalves, mas colocou o Pizzi e o Jiménez no banco, alinhando com o Filipe Augusto e Seferovic. O início da partida foi movimentado, com uma oportunidade para nós (grande remate em arco do Diogo Gonçalves e defesa não menos vistosa do Quim) e para o adversário (remate do Vítor Gomes com o Svilar quase a ser enganado pela trajectória da bola, mas a corrigir a tempo – seria um novo frango...). O Salvio ainda teve dois lances em que o Quim foi novamente protagonista, mas aos 28’ o Washington fez uma falta tão escusada quanto evidente sobre o Diogo Gonçalves na área. No respectivo penalty, o Jonas não perdoou e atirou com força para o meio da baliza. Até ao intervalo, ainda tivemos uma oportunidade soberana pelo Salvio, mas quando só tinha que encostar de cabeça num óptimo centro do André Almeida, conseguiu atirar a bola por cima... No entanto, para não destoar, foi o Aves a vir para cima de nós, sem que conseguíssemos manter a bola longe das imediações da nossa área: o Svilar andou aos papéis num centro e foi o Rúben Dias a salvar, um remate em boa posição do Vítor Gomes saiu ao lado e uma cabeçada do Defendi bateu na parte superior da barra. Felizmente, entretanto veio o intervalo, porque mais um bocadinho e muito possivelmente sofreríamos um golo.

Na 2ª parte, havia a curiosidade para saber se o Aves conseguiria manter o ritmo, mas levou logo um balde de água fria aos 50’ com o 0-2 pelo Seferovic, depois de um remate de longe do Jonas bater no suíço e ressaltar para o Salvio na área, que rematou cruzado em esforço, com o mesmo Seferovic a confirmar o golo sobre a linha. E ainda bem que o fez, porque não sei se um defesa em carrinho não teria conseguido cortá-la. O adversário sentiu bastante o golo e não conseguiu, nem de perto nem de longe, criar o mesmo perigo da 1ª parte. Ao invés, fomos nós que estivemos mais perto de aumentar o marcador, mas o Jonas rematou muito fraco e à figura, e o Seferovic num ressalto proporcionou nova magnífica intervenção do Quim. Como muitas vezes sucede esta época, bastou ao adversário ir uma vez com perigo à nossa área para marcar e isso aconteceu num pontapé de canto aos 76’, com uma cabeçada ao primeiro poste do Defendi. Adivinhavam-se uns minutos finais complicados, mas isso acabou por não acontecer, porque aos 80’ fizemos o 1-3. Há uma falta do Jonas no meio-campo que o Sr. Nuno Almeida não assinalou e, na sequência do lance, o entretanto entrado Pizzi foi derrubado na área. O Jonas mais uma vez não perdoou, atirando a meia altura para o lado esquerdo da baliza. Até final, ainda deu para o Seferovic ser derrubado na área num contra-ataque nosso, sem ser marcada falta (claro que para os antis isto não vai compensar a falta do Jonas a meio-campo, mas sinceramente já não tenho paciência para estas discussões em que uma falta a meio-campo é equiparável a um penalty não assinalado ou um golo mal anulado), para o Derley atirar ao nosso poste (como é que nós permitimos nessa altura uma bola ao poste num contra-ataque?!), e para o Krovinovic (que tinha substituído o Jonas) fazer o Quim brilhar novamente. O jogo não terminou sem antes o Pizzi e o Fejsa terem visto dois escusados amarelos.

Em termos individuais, destaque para o Jonas pelos golos (de penalty, mas é preciso marcá-los) e para a 1ª parte do Diogo Gonçalves. Nota-se que o miúdo ainda está verde (salvo seja!), não consegue manter um rendimento constante nos 90’, mas tem definitivamente qualidade. Outro que também está verde é o Svilar, mas este é bom que amadureça depressa, porque joga numa posição em que não pode mesmo falhar. O Filipe Augusto no meio-campo não esteve tão horrível quanto em jogos anteriores, o que é sempre de saudar. O Fejsa anda longe da sua melhor forma, assim como o Seferovic, embora este tenha melhorado em relação a partidas anteriores e pode ser que o regresso aos golos lhe faça bem. O Rúben Dias teve uma escorregadela comprometedora na 1ª parte, mas o lugar é indiscutivelmente dele nesta altura.

Receberemos o Feirense na próxima 6ª feira e veremos se esta relativa melhoria tem continuidade ou não. Como os outros dois golearam em casa (o CRAC 6-1 ao Paços de Ferreira e a lagartada 5-1 ao Chaves), as distâncias mantêm-se e continuamos sem margem de manobra para perder pontos.

P.S. - Estando ainda fora do país, quero aqui dizer uma coisa: a VPN é a melhor invenção desde a roda! (E da internet, vá...)

quinta-feira, outubro 19, 2017

Erro

Perdemos com o Manchester United na Luz (0-1) e, não só reduzimos as hipóteses de qualificação para os oitavos da Champions a uma questão matemática (do género: é matematicamente possível que o Tondela ainda seja campeão), como também corremos o enorme risco de voltar a passar pela vergonha de ficarmos fora da Europa no novo ano. Nós, que viemos do pote 1, recordemo-nos...! Os mais optimistas dirão que ganhámos o bicampeonato no ano em que também ficámos fora da Europa, mas entre as fezadas e o que vemos em campo, eu tendo a seguir mais o que vemos em campo.

Por motivos profissionais, tive que me ausentar do país, o que fez com que tenha perdido ao vivo o terceiro jogo do Benfica nos 371 que houve desde que o novo Estádio da Luz foi inaugurado. Depois de uma vitória e um empate, a minha terceira ausência saldou-se por uma derrota. No entanto, graças às novas tecnologias, consegui ver o jogo em diferido sem saber o resultado. Comecei logo por ficar surpreendido pelo onze inicial: o Rui Vitória manteve a aposta no Svilar (tornou-se no mais jovem guarda-redes de sempre a ser titular na Champions), o Douglas tinha mesmo que jogar (o André Almeida está castigado), mas o que foi verdadeiramente novo foi que jogámos em 4-3-3, com o Filipe Augusto no meio-campo e o Diogo Gonçalves na primeira titularidade em jogo oficiais (e logo numa partida destas!) na esquerda, a acompanhar o Salvio e o Jiménez. O nosso começo foi muito bom, com a equipa junta a não permitir muitas veleidades atacantes ao Man. United e a tentar atacar com rapidez. Porém, quando chegámos ao capítulo ‘rematar à baliza’ é que estava tudo estragado. Tivemos uma boa oportunidade numa grande jogada do Grimaldo, com intervenção do Diogo Gonçalves e remate do Salvio ao lado, mas a partir da meia-hora os ingleses assumiram o jogo e criaram-nos algumas dificuldades. Apesar disso, acabámos por estar bem na defesa, com realce para o Rúben Dias a demonstrar que foi um erro enorme não ter sido titular em Basileia.

A 2ª parte foi diferente, dado que já não tivemos capacidade física para pressionar o United. O jogo ia decorrendo com os ingleses a controlarem-no sem grandes oportunidades, até que aos 64’ o Rashford cobra um livre directamente para a nossa área e o Svilar, mal colocado, vai recuando e, em vez de socar a bola, agarra-a e entra com ela pela baliza adentro. Erro de principiante que nos custou muito caro. O Zivkovic já tinha entrado para o lugar do Pizzi (continua numa forma lamentável), entraram igualmente o Jonas e o Cervi, mas não tivemos capacidade para chegar sequer à grande-área contrária. Só num canto é que o Rúben Dias em boa posição atirou por cima, mas a bola também não era fácil. Para tornar as coisas piores, o Luisão viu o segundo cartão amarelo e vai falhar o jogo em Old Trafford (uma defesa com o Lisandro ou com o Jardel na sua forma actual, vai ser lindo...!).

Em termos individuais, gostei do Rúben Dias, que perante o tanque Lukaku não se atemorizou (volto a repetir: a ausência em Basileia é injustificável), e das primeiras partes do Diogo Gonçalves, que demonstra algum potencial (pelo menos mais do que o corredor de 100 m que já nem convocado foi...), e do Salvio. O Jiménez teve pouco jogo e poucos companheiros com quem combinar, o Filipe Augusto não destoou completamente, mas ainda falhou um ou outro passe comprometedor, no entanto, neste capítulo o óscar vai indiscutivelmente para o Douglas, que confirmou tudo o que vimos em Olhão: alguma criatividade a atacar, mas defender não é com ele, com a agravante de ter lançado uns quantos contra-ataques... do adversário! Ora, dado que joga a defesa-direito, temos aqui um problema pelo menos para as partidas teoricamente mais complicadas... O Svilar teve um jogo histórico no bom e mau sentido da palavra, mas percebe-se que há ali potencial indiscutível. O problema é que a nossa margem de manobra é diminuta e, depois do Bruno Varela no Bessa, é o segundo jogo que perdemos por causa de um frango... Aliás, esta época do Benfica resume-se muito facilmente: três jogos na Liga dos Campeões, três guarda-redes utilizados. Acho que não é preciso acrescentar mais nada.

Já se sabe que os encontros pós-Champions são sempre muito complicados e este ano calham-nos todos fora. Iremos à Vila das Aves no domingo e aí, sim, teremos de mostrar que conseguimos mais do que o ‘futebol sem balizas’ que apresentámos ontem. A ver a Europa por um canudo, temos ainda mais que apostar as fichas todas no campeonato. Até porque, convém sempre relembrar, que, quanto mais não seja, o terceiro lugar deixou de dar acesso à Champions...

segunda-feira, outubro 16, 2017

Paupérrimo

Vencemos no sábado o Olhanense (1-0) no Estádio do Algarve e qualificámo-nos para a 4ª eliminatória da Taça de Portugal. Depois da paragem das selecções e com a promessa do nosso treinador de que iríamos ter um “ciclo de melhoria”, estava curioso para ver como seria este jogo. De facto, tivemos uma “melhoria”, mas só porque ganhámos, dado que quanto ao resto...

Correndo o risco de me tornar repetitivo, podia bem remeter esta crónica para uma das anteriores: marcámos muito cedo (4’), num golão do Gabriel Barbosa de chapéu na sequência de uma óptima abertura do Pizzi, e depois foi uma modorra até final. Alinhámos com alguns titulares e outros menos utilizados, mas não se notou diferença nenhuma em relação ao que temos visto: futebol muito previsível, pouca velocidade e uma grande incapacidade de criar muitas situações de perigo. O Rafa e o Rúben Dias ainda tiveram boas hipóteses, mas os remates foram interceptados por um defesa e guarda-redes, respectivamente.

Na 2ª parte, o Olhanense teve a sua melhor chance logo no início (remate à rede lateral, com o guarda-redes batido), mas a melhor de todas foi nossa num remate fabuloso do Diogo Gonçalves de fora da área, que levou a bola a embater com estrondo na barra. Até final, lá conseguimos manter a baliza a zeros, porque do outro lado estava uma equipa do Campeonato de Portugal (o terceiro escalão). Caso contrário, muito provavelmente aconteceria o mesmo que nos jogos anteriores.

Em relação aos jogadores, salvou-se a estreia do Svilar na baliza. Com apenas 18 anos, deixou boas indicações (rápido a sair dos postes, por exemplo) e pode ser que tenhamos guarda-redes para dois anos (se for mesmo bom, irá acontecer-lhe o mesmo que ao Ederson, não tenhamos ilusões com a história do “guarda-redes para o futuro”, porque isso não existe). Outra estreia absoluta foi a do Douglas: a atacar esteve razoavelmente bem, mas a defender desde o Okunowo que não via ninguém assim... Perdi a conta às vezes que o extremo contrário (Jefferson Encada), emprestado pelo lagartada, o ultrapassou, o que vale é que os jogadores do Manchester United não devem ser tão bons como ele... O Gabriel Barbosa marcou um grande golo, com uma boa desmarcação, mas a partir daí só fez disparates. O Pizzi fez a abertura para o golo, mas é indisfarçável a sua má forma. Falando em má forma, o Grimaldo também está a anos-luz do seu real valor e o Seferovic parece que desaprendeu de jogar. O Rafa, bem, continua a não haver muito a acrescentar: está claramente na modalidade errada. O Krovinovic andou um pouco perdido em campo e chocou muitas vezes com o Pizzi. Só a entrada do Diogo Gonçalves agitou um pouco as coisas já na 2ª parte e o João Carvalho, embora durante menos tempo, justificou uma nova oportunidade.

Se olharmos para o lado positivo, podemos sempre dizer que foi a 3ª eliminatória da Taça mais fácil dos últimos três anos. Mas este nosso nível exibicional não engana e não iremos longe a jogar assim.

P.S. - Nós jogámos no Estádio do Algarve, que sempre é mais perto de Olhão, do que o Restelo é de Évora, onde jogou o CRAC frente ao Lusitano. No entanto, se é para não jogar nos estádios dos clubes originais, mais vale acabar com esta regra de as equipa da I Liga terem que actuar como visitantes na primeira eliminatória em que entram. A festa da Taça é suposto levá-la aos locais de onde são originários os clubes. Que estupidez!

quinta-feira, outubro 12, 2017

No Mundial

Dois triunfos por 2-0, no sábado em Andorra e na 3ª feira na Luz frente à Suíça, colocaram-nos no Mundial da Rússia. Numa fase de qualificação muito competitiva, tudo se resumiu à diferença de golos entre nós e os suíços (32-4 vs. 23-7), embora, como referiu o Fernando Santos, pelo critério antigo do confronto directo também seríamos nós a ter o apuramento directo.

Na partida frente a Andorra, o Fernando Santos começou por poupar alguns jogadores, incluindo o Cristiano Ronaldo. Num relvado sintético e bastante pequeno, a nossa 1ª parte foi muito sofrível e teve que entrar o capitão ao intervalo para resolver o jogo. O C. Ronaldo marcou o primeiro golo aos 63’ e teve papel determinante no segundo aos 86’ pelo André Silva. Fomos a única equipa a vencer por dois golos no principado, o que demonstra a dificuldade de jogar num campo daqueles.

No tudo ou nada frente ao concorrente directo, a Luz naturalmente encheu. A Suíça, à qual bastaria um empate, até entrou melhor do que nós, a trocar bem a bola, embora sem criar oportunidades de golo. O jogo foi decorrendo praticamente sem balizas (só um remate do Bernardo Silva foi defendido pelo guarda-redes) até que aos 41’ acabámos por ter a estrelinha de campeão, num bom centro rasteiro do Eliseu na esquerda com o João Mário a tentar antecipar-se ao guarda-redes, mas este a defender contra o Djourou, que fez a bola entrar na baliza. Como estava o jogo na altura, foi um golo caído do céu. A 2ª parte foi completamente diferente, connosco a dominar o tempo todo, e fazendo o segundo golo logo aos 57’, numa bela jogada pela direita com assistência do Bernardo Silva para o André Silva. Até final, ainda poderíamos ter aumentado o marcador (o C. Ronaldo falhou só com o Sommer pela frente) e não permitimos que a Suíça tivesse uma única oportunidade.

Se no jogo de Andorra, o destaque individual tem que ir para o C. Ronaldo, frente aos suíços, o Bernardo Silva foi o melhor em campo, muito bem secundado pelo William Carvalho (espero que perca esta boa forma rapidamente…!). Mas no geral toda a equipa esteve em bom plano, sabendo sempre o que fazer em campo e nunca se desconcentrando, mesmo quando as coisas não estavam a correr particularmente bem na 1ª parte.

Iremos ao Mundial como campeões da Europa, o que nos dá um estatuto que nunca tivemos até agora. Veremos como decorrerão as coisas, sabendo de antemão que os milagres raramente se repetem. Mas raramente não é nunca…

segunda-feira, outubro 02, 2017

Adeus ao penta

Empatámos na Madeira com o Marítimo (1-1) e deixámos fugir uma oportunidade de ouro para reduzir distâncias para os outros dois que também empataram (0-0) no WC. Ou seja, continuamos a cinco pontos do CRAC e a três da lagartada. Antes da paragem para as selecções, depois do descalabro de Basileia e já sabendo o resultado deles quando entrámos em campo, teríamos de dar uma resposta capaz e ganhar o jogo. No batatal em que o relvado estava transformado, desse como desse, com a desvantagem que tínhamos, se quiséssemos ser pentacampeões, não poderia haver desculpas e não poderíamos desperdiçar esta oportunidade. Ainda por cima, colocámo-nos em vantagem logo aos 2’! Mas à semelhança de jogos anteriores, não só não a conseguimos manter, como se olha para a equipa e é um deserto de ideias. E é principalmente por isso que o sonho do penta se esfumou ontem para mim. Porque não se vê como é que as coisas podem melhorar.

Com o Salvio no lugar do Zivkovic, eu poderia copiar um dos posts anteriores para resumir o jogo. Não poderíamos ter entrado melhor com um golão do Jonas logo aos 2’ (já antes tínhamos criado perigo pelo Salvio), mas quando nos colocámos em vantagem, deixámos de jogar à bola. E foi assim durante toda a 1ª parte. A história repete-se consecutivamente este ano. Sempre. É certo que o Marítimo não teve lances de golo iminente, mas dominou-nos quase por completo neste período e já se sabe que esta época a nossa defesa é tudo menos fiável. Portanto, é escusado tentar manter o resultado só com um golo de vantagem. O que mais me custa aceitar é precisamente esta falta de inteligência da nossa parte de não ver as nossas próprias limitações e achar que esse tal golo de vantagem é suficiente. Porque, caso contrário, não se percebe porque é que não aproveitamos o facto de a equipa contrária ter necessariamente que subir no terreno porque está a perder, para contra-atacar e tentar marcar o segundo golo. Isto acontece há n jogos! Assim que ganhamos a posse da bola, desaceleramos imediatamente e jogamos para o lado e para trás. Com a defesa adversária recomposta, são raros os lances de perigo que criamos. Depois do nosso golo, só num remate do Jonas na sequência de um lançamento lateral é que obrigámos o Charles a uma defesa apertada.

No início da 2ª parte, voltámos a ter uma boa oportunidade, mas o Cervi atirou de pé direito por cima. Antes de o Rodrigo Pinho proporcionar ao Júlio César uma óptima defesa num remate em arco de fora da área, há um lance do Salvio na área do Marítimo que poderia bem ter sido penalty por mão na bola, mas o Sr. Jorge Sousa nada assinalou. Logo a seguir, o mesmo Salvio teve das nossas melhores oportunidades, num trabalho individual colmatado com um remate de pé esquerdo que o guarda-redes defendeu com o pé. Até que aos 65’, o inevitável golo contrário lá surgiu: centro largo da direita (o Rui Vitória disse que a equipa estava avisada que poderia sofrer golos assim; o que faria se não estivesse…!!!), o André Almeida fica nas covas e o Rodrigo Valente cabeceou sem hipóteses para o Júlio César. O Rui Vitória ia fazer entrar o Filipe Augusto, mas claro que teve que ser o Krovinovic a substituir o Pizzi, que terá feito dos piores jogos de sempre pelo Benfica. Ainda entraram o corredor de 100m e o Seferovic, mas só conseguimos criar verdadeiro perigo já nos descontos com um remate de fora da área do Jiménez que o Charles defendeu e um defesa cortou a recarga do Salvio, que até ia com boa direcção. Portanto, em 25 minutos, criámos uma oportunidade flagrante de golo! E mesmo assim não tão flagrante quanto a do Marítimo, numa escorregadela imperdoável do Jardel que fez com que um avançado se isolasse, mas valeu-nos o Júlio César que defendeu para canto.

O Salvio foi o único que se salvou do marasmo quase total. O Jonas marcou um golão e sete dos últimos nove golos que marcámos para o campeonato, mas mesmo assim o Rui Vitória lembrou-se de o tirar nos últimos dez minutos...! O Pizzi está numa forma lastimável, assim como o Jardel, que só não nos custou a derrota, porque o Júlio César fez frente a um adversário isolado. Aliás, um dos erros crassos do Rui Vitória foi ter tirado o Rúben Dias sem este ter feito nada que o justificasse (ao contrário do Bruno Varela). Outro, ontem, foi apostar no corredor de 100m, quando tinha o Zivkovic no banco. Não se percebe...!

É certo que só agora entrámos em Outubro e nada me dará mais prazer do que vir aqui no final da época engolir tudo isto, mas depois de ontem acho que o penta só por milagre (e, pelo que se tem visto, já gastámos a nossa quota de milagres nos dois anos anteriores…). Por várias razões, mas uma essencial: o discurso não cola com o que se vê em campo. “Equipa de campeões”, que “vai dar a resposta devida”, “homens de carácter”, “grande união entre todos”, mas depois o que se vê em campo é esta pobreza franciscana: equipa cheia de medo, vê-se em vantagem e parece que não aconteceu nada, deserto de ideias a maior parte do tempo, incapacidade gritante de ir para cima do adversário assim que sofre um golo, escassíssimas oportunidades de golo, ninguém para pegar no nosso jogo atacante (o Pizzi está num estado deplorável), duas velocidades utilizadas: devagar e parado, e nunca a dar a sensação de que podemos ir lá.

O campeonato só regressa daqui a três semanas, porque depois da pausa das selecções há Taça de Portugal frente ao Olhanense e Champions na Luz frente ao Manchester United (que deu 4-1 em Moscovo frente ao CSKA). Ou acontece um milagre ou teme-se o pior…