quarta-feira, julho 13, 2016
Portugal - 1 - França - 0 (a.p.)
E o impensável aconteceu! Somos campeões da Europa de futebol! O dia 10 de
Julho vai sempre ser lembrado como o dia mais importante da história do futebol
português. Podemos sentir maior alegria quando são os nossos clubes a ganhar
(não vejo mal nenhum nisso e obviamente fiquei muito mais contente com o
tricampeonato), mas a dimensão que esta conquista atingiu a nível mundial é
incomparável. E a alegria que se sentiu no país (e fora dele – as imagens de
Timor são incríveis) extravasa (e muito) as fronteiras do futebol. Aliás, basta
perguntar a qualquer emigrante (e as televisões entrevistaram centenas deles) a
importância que isto tem para a vida deles. E, podem crer, quando vivemos fora
de Portugal sentimos o país de outra maneira. Não tenham dúvidas disso! Há quem
prefira armar-se em racional e frio, e desvalorizar um triunfo destes. Eu
prefiro celebrá-lo.
Disse a algumas pessoas antes do jogo que estava com alguma fezada para o
mesmo. Logo eu, que sou um pessimista inveterado! Por três razões:
1) Porque há 12 anos éramos a equipa da casa e, contrariando todas as
previsões, perdemos uma final contra a…Grécia;
2) Porque neste Europeu apresentámos um futebol muito parecido ao da…
Grécia em 2004!
3) Porque há 41 anos que não ganhávamos à França e nada faria mais sentido
do que quebrar este jejum numa final do Europeu em pleno… Stade de France! Ou
seja, uma vitória nossa permitiria fechar um círculo quase perfeito.
(Há que dizer que só tive esta fezada, porque para todos os efeitos não era
o Benfica e, se perdêssemos, o meu desgosto não seria de todo comparável ao que
tive em Amesterdão e Turim, por exemplo.)
Tivemos nos minutos iniciais um bom lance do Nani, que atirou por cima, mas
confesso que, quando o C. Ronaldo se lesionou aos 8’ num choque com o Payet, vi
(acho que todos vimos) a coisa tornar-se muito negra. Aliás, a cara dele a olhar
para o banco logo na altura não augurava nada de bom. Ainda fez um esforço para
continuar, saiu duas vezes de campo, mas não dava mais e acabou por ser
substituído aos 25’ pelo Quaresma, mais uma vez lavado em lágrimas. Como na
final de 2004. E aqui começa a fazer mais sentido o lado verdadeiramente cinematográfico
de toda esta conquista. Perdíamos o nosso melhor jogador, como é que era possível
ganharmos à equipa anfitriã? A uma selecção que da última vez que derrotámos eu
nem era nascido?! A nossa melhor hipótese eram os penalties, mas ainda
estávamos a uma hora e meia deles! A França carregou (e bem) e o Rui Patrício
foi decisivo. Para mim, foi de longe o melhor jogador da final. Aliás, não foi
surpresa para mim, porque o Rui Patrício tem-me dado várias alegrias ao longo
dos anos…! :-) Quatro ou cinco defesas decisivas dele e uma bola do Gignac ao
poste ao minuto… 92 (eu nem queria acreditar… logo no minuto 92!) e
conseguíamos chegar ao prolongamento.
Entretanto, já tinha entrado aos 78’ o Éder para o lugar do Renato Sanches.
Foi a última substituição de Portugal (o Moutinho já tinha substituído o
Adrien). O Éder?! Perdão, sr. Eng. Fernando Santos, o Éder em vez do Renato?!
Mas o senhor está maluco? Agora deve achar que vamos ganhar o Europeu com um
golo do Éder, não? Um ponta-de-lança que só tinha marcado três golos pela
selecção (em jogos particulares) em 27 internacionalizações! O que é certo é
que, logo desde que entrou, a bola começou a ficar mais tempo retida no nosso
ataque e o homem ganhou lances de cabeça e fez boas tabelinhas. Afinal, não foi
assim tão mal pensado… Mas daí a marcar o golo da vitória… Só se isto fosse um
filme, não…?! O filme tornou-se realidade ao minuto 108! Que golão num remate
fora da área, quase sem balanço, com o corpo todo desengonçado! Épico, épico!
Até final, só faltou ao C. Ronaldo entrar em campo com as indicações que dava
no banco, mas a equipa aguentou estoicamente e os franceses quase nem criaram
perigo.
Quanto mais penso nisto, mais acho que somos privilegiados por termos
assistido a algo deste calibre conseguido desta maneira. Só um argumentista
muito rebuscado se lembraria de um guião assim: em sete jogos, só ganhar um nos
90’(!); terceiro lugar num grupo com a Hungria, Islândia e Áustria, e mesmo
assim calhar no lado oposto do quadro onde estavam França, Alemanha, Espanha,
Itália e Inglaterra(!), selecções que só se encontraria na final; chegar a essa
mesma final perante a equipa da casa, que há quatro décadas não se conseguia
derrotar, perder o melhor jogador logo no início e ganhar o jogo com um golo do
jogador mais contestado e gozado dos 23! Incrível! In-crí-vel!
VIVA PORTUGAL!
quarta-feira, julho 06, 2016
Portugal - 2 - País de Gales - 0
Contra todas as expectativas, estamos na final do Euro! Estou desconfiado
que só o Fernando Santos é que se levava a sério ao dizer, desde o início, que
íamos à final. O que é certo é que lá estamos. Com um sorteio favorável, não há
como esconder isso, mas igualmente com mérito.
No final da 1ª parte, eu disse “espero sinceramente que com o mesmo
desfecho, mas os nossos jogos conseguem ser piores do que os da Grécia em 2004”.
Tínhamos acabado de assistir a mais uns entendiantes 45’ de um jogo onde
Portugal interveio. Na 2ª parte, lá nos consciencializámos que havia uma baliza
onde era suposto meter a redondinha e
ganhámos com muita naturalidade, porque somos melhores que os galeses. O C.
Ronaldo marcou um belo golo de cabeça depois de um centro do Raphael Guerreiro
num canto aos 50’ e três minutos depois rematou de fora da área, e o Nani
desviou a bola do guarda-redes. Até final, defendemos muito bem, o País de
Gales não teve praticamente oportunidade nenhuma de golo e o nosso primeiro
triunfo nos 90’(!) foi mais que merecido.
O homem do jogo foi naturalmente o C. Ronaldo com um golo (igualou o
Platini com nove golos em Europeus, mas o francês só necessitou de um enquanto
o madeirense vai no quarto) e uma assistência (involuntária). O Bruno Alves fez
a estreia para substituir o lesionado Pepe e não foi o animal do costume, sendo
dos melhores em campo, assim como o José Fonte. O Danilo está em bem melhor
forma do que o William Carvalho (e espero que jogue na final), que felizmente
estava castigado. O Renato não fez um jogo tão bom como os anteriores, mas
estava a subir quando foi substituído pelo André Gomes (que continua a jogar
devagar e parado). Também gostei do Adrien.
Amanhã saberemos se iremos defrontar a Alemanha ou a França. Têm sido dois
pesadelos sempre que jogámos contra eles, mas acho que preferia os alemães,
porque a outra é a equipa da casa que ganhou sempre Europeus e Mundiais quando
jogou no seu país.
sexta-feira, julho 01, 2016
Polónia - 1 - Portugal - 1 (3-5 pen.)
Eliminámos ontem a Polónia nos penalties e estamos nas meias-finais do Euro
2016. Mais um empate nos 90’, que desta vez se estendeu para os 120’, mas, ao
contrário da partida frente à Croácia, nesta fomos superiores e a vitória
assenta-nos bem.
Entrámos completamente desconcentrados e logo aos 2’ o Lewandowski
inaugurou o marcador depois de um falhanço incrível do Cédric. No entanto,
tivemos o mérito de não nos irmos abaixo e conseguimos a igualdade pelo Renato
Sanches aos 33’ num remate fora da área, depois de uma excelente tabelinha com
o Nani, que foi ligeiramente desviado por um defesa. Antes disso, pareceu-me
que ficou um penalty por marcar por empurrão pelas costas ao C. Ronaldo, mas o
sr. Félix Brych traz-nos péssimas recordações… A partir daqui, as equipas foram
mais cautelosas e o jogo foi um longo bocejo. O C. Ronaldo falhou duas
oportunidades clamorosas (uma em cima dos 90’ depois de uma assistência
brilhante do Moutinho e outra já no prolongamento, em que rematou com o pé
esquerdo em vez do direito), o Rui Patrício segurou o empate numa outra
ocasião, mas ambas as selecções estavam mais preocupadas em não sofrer do que
em marcar. Nos penalties, tivemos sorte em sermos os primeiros a marcar e todos
os cinco remataram sem hipóteses para o Fabianski. Destaque para o Renato
Sanches que não se coibiu de marcar (e que pontapé!) e para o penalty da
vitória do Quaresma.
O Renato Sanches voltou a ser eleito o homem do jogo e mais do que
justificou a titularidade, aproveitando a lesão do André Gomes. O Eliseu também
substituiu em bom nível (especialmente defensivo) o lesionado Raphael
Guerreiro. Voltei a gostar do Adrien a meio-campo, ao contrário do João Mário e
William Carvalho, cuja lentidão é exasperante (nomeadamente deste último, mas
como vai ficar de fora nas meias-finais, pode ser que a coisa melhore). O Rui
Patrício esteve muito seguro e defendeu o único penalty da noite. O Pepe foi
imperial e o José Fonte também esteve muito bem perante o Lewandowski.
O País de Gales, que ganhou surpreendentemente à Bélgica por 3-1 (mas de
forma totalmente merecida), é o último adversário no caminho para a final. Em
cinco jogos, temos quatro empates e só uma vitória. Mas estou como o Fernando
Santos: é para o lado que eu durmo melhor. Não damos espectáculo, não jogamos
um futebol por aí além, não conseguimos sequer ganhar nos 90’, mas estamos nas
meias-finais do Europeu de futebol. E o que importa no final é isso.
sábado, junho 25, 2016
Croácia - 0 - Portugal - 1 (a.p.)
Quando todos já pensávamos que íamos a penalties, o Quaresma marcou aos
117’ e estamos nos quartos-de-final do Euro 2016. Perante o adversário mais
difícil que encontrámos até agora (de longe), fizemos a nossa melhor exibição.
O Fernando Santos tirou o Vieirinha, Ricardo Carvalho e Moutinho, colocando o
Cédric, José Fonte e Adrien e a equipa melhorou substancialmente. Foi uma
partida sem grandes oportunidades, mas tacticamente evoluímos sobremaneira em
relação ao regabofe perante os húngaros.
Durante os 90’, o jogo esteve bastante fechado e uma mão basta para contar
os lances de perigo das duas equipas (e ainda ficam a sobrar dedos…). Nós
subimos bastante de produção com a entrada do Renato Sanches (que surpresa…!) aos 50’ para o lugar do
lentíssimo André Gomes e foi dele a nossa melhor jogada, numa tabelinha com o
João Mário, mas com o remate do Renato a sair muito torto. Por volta da hora de
jogo, há um lance na área croata que me pareceu penalty sobre o Nani. No
prolongamento, a Croácia veio para cima de nós e teve duas oportunidades
flagrantes: uma saída em falso do Rui Patrício num canto só não deu golo,
porque a bola bateu na cara do Vida em vez da testa e noutro cruzamento o
Perisic atirou ao poste. Na resposta, fizemos o golo: arrancada do Renato desde
o meio-campo, abertura para o Nani na esquerda, assistência para o único
remate(!) do C. Ronaldo em duas horas de futebol, defesa do Subasic e o
Quaresma só teve de encostar de cabeça na recarga (pareceu o Gaitán contra o
Zenit…). Até final, ainda apanhámos um susto, mas o remate do Vida passou a
rasar o poste.
Se o futebol fosse uma questão de merecimento, provavelmente não teríamos
passado. Mas felizmente não é. Fomos inteligentes na abordagem à partida, os
jogadores que entraram fizeram-no muitíssimo bem (mérito para o Fernando
Santos) e o Renato foi considerado o homem do jogo. Iremos agora defrontar a
Polónia nos quartos-de-final e espera-se que esta subida de produção seja para
continuar.
quinta-feira, junho 23, 2016
Hungria - 3 - Portugal - 3
Terceiro jogo, terceiro empate. Numa das piores fases de grupos de sempre,
conseguimos a qualificação para os oitavos-de-final sem ganhar nenhuma partida.
Ficámos em terceiro lugar e, caso não tivesse havido alargamento do número de
selecções participantes, teríamos vindo para casa. Isto num grupo em que
estávamos com a Hungria, Áustria e Islândia. Acho que não é preciso dizer mais
nada…
Quando entrámos em campo, já sabíamos que o empate nos bastaria. E a equipa deu mostras disso nos primeiros minutos, ao jogar a duas velocidades: devagar e parada. Só que a Hungria resolveu abanar as coisas e fez o 0-1 aos 19’ pelo Gera. Nós sentimos muito o golo e não fizemos nada para merecer o 1-1 pelo Nani aos 42’ depois de uma óptima abertura do C. Ronaldo. Mas o que interessa é que marcámos. Quando se esperava que o golo e o intervalo nos acalmasse, assistimos a uma 2ª parte de loucos. Aos 47’, o Dzsudzsák marcou um livre, a bola desviou no André Gomes na barreira e foi para dentro da nossa baliza. Três minutos depois, o C. Ronaldo surgiu finalmente e marcou um dos melhores golos do Europeu, de calcanhar depois de um centro do João Mário. Mas aos 55’, novo remate do Dzsudzsák de fora da área, novo desvio desta feita do Nani e Portugal de fora dos oitavos outra vez. O Quaresma entrou e aos 62’ cruzou para a cabeça do C. Ronaldo fazer o 3-3. Voltámos a entrar nos oitavos. Pouco depois, a Hungria começou a pagar a sorte dos ressaltos nos golos e atirou uma bola ao poste. Até final, o C. Ronaldo ainda nos poderia ter dado a vitória, mas o remate saiu por cima. Entretanto, no outro jogo, a Islândia e a Áustria estiveram empatadas até ao último minuto, quando os islandeses marcaram e ficaram com o 2º lugar do grupo, atirando-nos para o terceiro que, em termos de adversários futuros, é bastante mais simpático.
Destaque óbvio para o C. Ronaldo com dois golos e uma assistência. Mas, se calhar, era melhor alguém dizer-lhe que não é preciso estar sempre a rematar à baliza… Remates a 35 ou 40 m da baliza têm poucas hipóteses de dar em golo… É só estragação de jogo. A entrada do Renato Sanches ao intervalo mexeu (e de que maneira!) com a equipa e, por exemplo, fez com que o João Mário subisse imenso de produção. No entanto, a defesa está uma desgraça, o Ricardo Carvalho já era, o William fez figura de corpo presente no meio-campo e o Eliseu não substituiu nada bem o lesionado Raphael Guerreiro.
Como a Croácia derrotou a Espanha, iremos encontrá-la nos oitavos em vez de nuestros hermanos. A benesse dos islandeses fez com que só possamos defrontar a França, Inglaterra, Itália, Espanha ou Alemanha na final! Mas não nos deixemos enganar, se não conseguimos ganhar à Islândia, Áustria ou Hungria, não estou mesmo nada a ver como poderemos, a manter o mesmo nível exibicional, ganhar aos croatas. A não ser que a estratégia passe por ir sendo apurado sempre nos penalties até à final… Já sei que há-de vir gente falar da Itália de 82, que também teve três empates na fase de grupos e depois foi campeã do mundo, mas é impossível alguém não ficar preocupado com o que a selecção (não) tem mostrado até agora. Arriscamo-nos a sair sem honra nem glória. O que, principalmente depois do discurso do “vamos lá para ganhar o Euro”, vai parecer muito mal. Esperemos que, ao fim de três jogos, as coisas melhorem daqui para a frente.
Quando entrámos em campo, já sabíamos que o empate nos bastaria. E a equipa deu mostras disso nos primeiros minutos, ao jogar a duas velocidades: devagar e parada. Só que a Hungria resolveu abanar as coisas e fez o 0-1 aos 19’ pelo Gera. Nós sentimos muito o golo e não fizemos nada para merecer o 1-1 pelo Nani aos 42’ depois de uma óptima abertura do C. Ronaldo. Mas o que interessa é que marcámos. Quando se esperava que o golo e o intervalo nos acalmasse, assistimos a uma 2ª parte de loucos. Aos 47’, o Dzsudzsák marcou um livre, a bola desviou no André Gomes na barreira e foi para dentro da nossa baliza. Três minutos depois, o C. Ronaldo surgiu finalmente e marcou um dos melhores golos do Europeu, de calcanhar depois de um centro do João Mário. Mas aos 55’, novo remate do Dzsudzsák de fora da área, novo desvio desta feita do Nani e Portugal de fora dos oitavos outra vez. O Quaresma entrou e aos 62’ cruzou para a cabeça do C. Ronaldo fazer o 3-3. Voltámos a entrar nos oitavos. Pouco depois, a Hungria começou a pagar a sorte dos ressaltos nos golos e atirou uma bola ao poste. Até final, o C. Ronaldo ainda nos poderia ter dado a vitória, mas o remate saiu por cima. Entretanto, no outro jogo, a Islândia e a Áustria estiveram empatadas até ao último minuto, quando os islandeses marcaram e ficaram com o 2º lugar do grupo, atirando-nos para o terceiro que, em termos de adversários futuros, é bastante mais simpático.
Destaque óbvio para o C. Ronaldo com dois golos e uma assistência. Mas, se calhar, era melhor alguém dizer-lhe que não é preciso estar sempre a rematar à baliza… Remates a 35 ou 40 m da baliza têm poucas hipóteses de dar em golo… É só estragação de jogo. A entrada do Renato Sanches ao intervalo mexeu (e de que maneira!) com a equipa e, por exemplo, fez com que o João Mário subisse imenso de produção. No entanto, a defesa está uma desgraça, o Ricardo Carvalho já era, o William fez figura de corpo presente no meio-campo e o Eliseu não substituiu nada bem o lesionado Raphael Guerreiro.
Como a Croácia derrotou a Espanha, iremos encontrá-la nos oitavos em vez de nuestros hermanos. A benesse dos islandeses fez com que só possamos defrontar a França, Inglaterra, Itália, Espanha ou Alemanha na final! Mas não nos deixemos enganar, se não conseguimos ganhar à Islândia, Áustria ou Hungria, não estou mesmo nada a ver como poderemos, a manter o mesmo nível exibicional, ganhar aos croatas. A não ser que a estratégia passe por ir sendo apurado sempre nos penalties até à final… Já sei que há-de vir gente falar da Itália de 82, que também teve três empates na fase de grupos e depois foi campeã do mundo, mas é impossível alguém não ficar preocupado com o que a selecção (não) tem mostrado até agora. Arriscamo-nos a sair sem honra nem glória. O que, principalmente depois do discurso do “vamos lá para ganhar o Euro”, vai parecer muito mal. Esperemos que, ao fim de três jogos, as coisas melhorem daqui para a frente.
domingo, junho 19, 2016
Portugal - 0 - Áustria - 0
Segundo jogo, segundo empate de Portugal. E lá voltamos nós à matemática do
apuramento na última jornada, contas essas que são muito fáceis: ou ganhamos ou
teremos a pior prestação de sempre em fases finais de grandes competições.
O Fernando Santos colocou o Quaresma de início, juntamente com o C. Ronaldo
e o Nani, voltando portanto ao 4-3-3, e o que é certo é que a exibição foi
melhor do que no jogo anterior. Tivemos algum azar, com duas bolas aos postes,
uma delas num penalty falhado pelo C. Ronaldo aos 79’, mas o maior problema é
que não podemos fazer quase 50 remates em dois jogos e marcar apenas um golo. Outro
aspecto que voltou a ser negativo foram as substituições: o João Mário tinha
sido dos piores frente à Islândia e foi o primeiro a sair do banco, e o Rafa só
entrou aos 88’ quando o Nani já não fazia nada há muito tempo.
Para quem chegou ao Europeu a dizer que era favorito a ganhá-lo, a coisa não
está muito famosa. Temos mais que equipa para ganhar à Hungria, mas também tínhamos
para vencer a Islândia e a Áustria. E no entanto…
quarta-feira, junho 15, 2016
Portugal - 1 - Islândia - 1
Contra muitas das expectativas, empatámos
ontem na estreia no Euro 2016 perante uma selecção que está a fazer a sua estreia nas
grandes provas internacionais. O Nani ainda nos colocou em vantagem aos 31’,
mas os islandeses empataram pouco depois do intervalo (50’) pelo Bjarnason. Entrámos
muito nervosos e, não fosse o Rui Patrício, poderíamos ter ficado a perder
ainda antes dos 10’. Lá nos recompusemos e tivemos o nosso melhor período na
última meia-hora da 1ª parte, onde, para além do golo, ainda tivemos mais uma
grande ocasião pelo C. Ronaldo depois de ser brilhantemente desmarcado pelo
Pepe. A 2ª parte foi mais fraca, sentimos muito o golo e só demos um ar da
nossa graça depois das substituições a partir dos 70’. Até final, o C. Ronaldo
teve outra grande oportunidade de cabeça, mas atirou à figura e, no último
lance da partida, rematou contra a barreira num livre muito perigoso.
Quando se deixa em Portugal um lateral
tricampeão e se coloca um extremo adaptado na lateral-direita (Vieirinha), não
se devem esperar muitos milagres. Duvido que o André Almeida não cortasse de
cabeça a bola do golo islandês… Para além disso, o Fernando Santos demorou eternidades
a fazer substituições, porque o meio-campo já não estava a funcionar bem desde
há muito tempo. Bastou entrar o Renato para ver a diferença abissal em relação
ao Moutinho, João Mário e mesmo André Gomes. Infelizmente, só esteve 20’ em
campo. Para além disso, o Quaresma também deveria ter entrado mais cedo, porque
não havia ninguém para imprimir velocidade ao nosso jogo nas alas.
Este balde de água fria teve o condão de
fazer descer à terra muito boa gente que achava que éramos favoritos de caras.
Obviamente que nada está perdido, mas um pouco de humildade nunca fez mal a
ninguém.
sexta-feira, maio 27, 2016
O balanço da época – parte II
2) A nível desportivo
Comecemos pelo início: depois de termos conseguido algo pela primeira vez em 31 anos, o bicampeonato, fizemos uma das piores pré-épocas de sempre. Algo que nunca saberemos é como teria sido o nosso arranque de temporada se não tivéssemos passado o mês de Julho e Agosto a viajar pelas Américas. Eu percebo que houvesse compromissos para serem respeitados, mas com uma (tão grande) mudança desportiva, com um treinador novo que tinha o (enorme) fantasma do outro com que lidar, estava na cara que aquele género de preparação fosse correr tudo menos bem. E o grande problema é que iríamos encontrar o antigo treinador logo na primeira competição oficial da temporada. Que naturalmente perdemos.
Aliás, aqueles primeiros meses de futebol continuaram a deixar-me muito de pé atrás. Tivemos vitórias sofridas (Estoril e Moreirense) e derrotas incríveis (Arouca), com exibições globalmente medíocres, onde só a espaços conseguíamos apresentar bons momentos (os últimos 15’ do Estoril, por exemplo), intercaladas com derrotas em jogos em que estivemos bem (Mordor) e triunfos históricos (Madrid). Tivemos durante muito tempo uma montanha-russa exibicional, mas o que é certo é que íamos ganhando jogos, mesmo em campos bastante complicados onde no passado isso não acontecia. Como, por exemplo, em Braga (com alguma dose de sorte, 0-2 aos 11’ e três bolas sofridas nos ferros) ou em Guimarães (génio do Renato Sanches a resolver a 15’ do fim). Pelo meio, tivemos a derrota traumática na Luz frente à lagartada (mas em que a reacção do público no célebre minuto 70 foi um dos despertadores da época), a eliminação da Taça e a partida em que eu pensei que tínhamos entregue a época. Percebo muito disto…! Felizmente!
Devo dizer que o primeiro jogo do Benfica que me encheu as medidas em termos exibicionais foi o da Choupana frente ao Nacional. Já tínhamos tido algumas goleadas, mas em termos de futebol foi o primeiro a ser brilhante. A partir especialmente daí, entrámos na nossa melhor fase, com resultados convincentes, aliados a grandes exibições (Moreira de Cónegos e Belém, por exemplo). A equipa subia nitidamente de rendimento e, mais importante do que isso, de confiança, caso contrário aquela derrota injusta com o CRAC na Luz ter-nos-ia deitado abaixo. Outra questão que ajudou ao aumento dessa confiança foi a Champions, especialmente o facto de termos de termos eliminado o Hulk, Witsel, Garay, Javi García & Cia. com duas vitórias, tendo a da Rússia sido conseguida com Lindelof e Samaris como centrais(!), e os dois magníficos jogos frente ao Bayern (empatámos na Luz sem Gaitán, Jonas e Mitroglou!). No meio da eliminatória contra os russos, tivemos a vitória mais importante de todas, aquela que bem vistas as coisas foi essencial para o tri. Como se disse, podemos não ganhar os derbies todos, desde que ganhemos o certo! (Aliás, a bem da sã convivência, assim fica tudo contente: daqui a 20 anos, eles vão recordar e celebrar as três vitórias que tiveram sobre nós, tal como ainda fazem hoje em dia com os 7-1 em ano de dobradinha para os nossos lados, e nós faremos o mesmo por causa do tricampeonato. Cada clube celebra aquilo que é mais importante para ele.)
Depois do Bayern, a equipa pareceu mais cansada, mas aí valeu-lhe o coração: triunfos muito sofridos no Bessa (especialmente), Coimbra e Vila do Conde, e em casa frente aos dois Vitórias. Valeu-lhe o coração e valemos-lhe nós, o verdadeiro “colinho” como jogadores e técnicos se fartaram de reconhecer durante e no final da época.
Houve obviamente vitórias dentro do campo muito importantes, por diferentes razões (Braga, Estoril, WC e Bessa, por exemplo), mas um dos momentos-chave da época para mim foram as inacreditáveis declarações do Jesus acerca do Rui Vitória (a história do “não o qualifico como treinador”, “não sabe conduzir um Ferrari”, etc.). A partir daí, acabou-se o meu luto pelo anterior treinador. Há limites que não podem ser ultrapassados e o Jesus, ao ultrapassá-los, perdeu o respeito que ainda subsistia em alguns benfiquistas por ele. As declarações são inclassificáveis sob todos os pontos de vistas: um ataque nojento e desmedido a um colega de profissão, ao treinador do Benfica e, no limite, a nós, benfiquistas. Não deixa de ser significativo que, na sequência disso, o toque a reunir da equipa e dos adeptos, que já era forte (volte a lembrar-se o minuto 70), se tenha tornado inquebrável. Estávamos juntos.
Olhando exclusivamente para o futebol jogado pelas equipas do Benfica nos últimos anos, o do Jesus até pode ter sido mais espectacular (a célebre nota artística), mas é difícil preferi-lo a ele quando temos o recorde de pontos, recorde de golos e recorde de vitórias esta temporada (para além do melhor marcador e da segunda melhor defesa). E depois, há outra coisa que é secundária para mim (porque o que fica para a história são os títulos), mas que para quem vive as situações no presente sabe muito bem: temos um treinador civilizado, que tem nível, que diz sempre “nós”, e que sabe que o Benfica já era grande sem ele e vai continuar a ser grande quando ele sair. Como se diz, e estou completamente de acordo, agora ganhamos à Benfica: no campo e na atitude. Para além disso, o Rui Vitória é muito melhor treinador do que eu estava à espera. Fomos campeões alinhando nos últimos três meses da época com o ex-guarda-redes do Rio Ave, um suplente do ano passado, um ex-central da equipa B, um ex-jogador do Olhanense e o… Eliseu! Basta só comparar com a defesa titular do primeiro ano do tricampeonato (Oblak, Maxi Pereira, Luisão, Garay e Siqueira) para se ver a diferença… Se isto não demonstra qualidade do treinador, não sei o que a demonstrará…! E já para não falar na coragem de apostar no Nélson Semedo, Gonçalo Guedes, Lindelof e Renato Sanches. Mesmo que alguns deles não tenham sido titulares durante a época toda, sempre foram mais importantes e úteis do que um Patrick, um Djaló, um Sidnei ou um Felipe Menezes, não…?
Foi um ano inesquecível e um dos títulos mais saborosos que tivemos. Não só por ter sido um tricampeonato histórico, como principalmente por causa de todas as condicionantes que tivemos. Muito obrigado a todos os que tornaram isto possível, com especial ênfase ao Luís Filipe Vieira e ao Rui Vitória!
Comecemos pelo início: depois de termos conseguido algo pela primeira vez em 31 anos, o bicampeonato, fizemos uma das piores pré-épocas de sempre. Algo que nunca saberemos é como teria sido o nosso arranque de temporada se não tivéssemos passado o mês de Julho e Agosto a viajar pelas Américas. Eu percebo que houvesse compromissos para serem respeitados, mas com uma (tão grande) mudança desportiva, com um treinador novo que tinha o (enorme) fantasma do outro com que lidar, estava na cara que aquele género de preparação fosse correr tudo menos bem. E o grande problema é que iríamos encontrar o antigo treinador logo na primeira competição oficial da temporada. Que naturalmente perdemos.
Aliás, aqueles primeiros meses de futebol continuaram a deixar-me muito de pé atrás. Tivemos vitórias sofridas (Estoril e Moreirense) e derrotas incríveis (Arouca), com exibições globalmente medíocres, onde só a espaços conseguíamos apresentar bons momentos (os últimos 15’ do Estoril, por exemplo), intercaladas com derrotas em jogos em que estivemos bem (Mordor) e triunfos históricos (Madrid). Tivemos durante muito tempo uma montanha-russa exibicional, mas o que é certo é que íamos ganhando jogos, mesmo em campos bastante complicados onde no passado isso não acontecia. Como, por exemplo, em Braga (com alguma dose de sorte, 0-2 aos 11’ e três bolas sofridas nos ferros) ou em Guimarães (génio do Renato Sanches a resolver a 15’ do fim). Pelo meio, tivemos a derrota traumática na Luz frente à lagartada (mas em que a reacção do público no célebre minuto 70 foi um dos despertadores da época), a eliminação da Taça e a partida em que eu pensei que tínhamos entregue a época. Percebo muito disto…! Felizmente!
Devo dizer que o primeiro jogo do Benfica que me encheu as medidas em termos exibicionais foi o da Choupana frente ao Nacional. Já tínhamos tido algumas goleadas, mas em termos de futebol foi o primeiro a ser brilhante. A partir especialmente daí, entrámos na nossa melhor fase, com resultados convincentes, aliados a grandes exibições (Moreira de Cónegos e Belém, por exemplo). A equipa subia nitidamente de rendimento e, mais importante do que isso, de confiança, caso contrário aquela derrota injusta com o CRAC na Luz ter-nos-ia deitado abaixo. Outra questão que ajudou ao aumento dessa confiança foi a Champions, especialmente o facto de termos de termos eliminado o Hulk, Witsel, Garay, Javi García & Cia. com duas vitórias, tendo a da Rússia sido conseguida com Lindelof e Samaris como centrais(!), e os dois magníficos jogos frente ao Bayern (empatámos na Luz sem Gaitán, Jonas e Mitroglou!). No meio da eliminatória contra os russos, tivemos a vitória mais importante de todas, aquela que bem vistas as coisas foi essencial para o tri. Como se disse, podemos não ganhar os derbies todos, desde que ganhemos o certo! (Aliás, a bem da sã convivência, assim fica tudo contente: daqui a 20 anos, eles vão recordar e celebrar as três vitórias que tiveram sobre nós, tal como ainda fazem hoje em dia com os 7-1 em ano de dobradinha para os nossos lados, e nós faremos o mesmo por causa do tricampeonato. Cada clube celebra aquilo que é mais importante para ele.)
Depois do Bayern, a equipa pareceu mais cansada, mas aí valeu-lhe o coração: triunfos muito sofridos no Bessa (especialmente), Coimbra e Vila do Conde, e em casa frente aos dois Vitórias. Valeu-lhe o coração e valemos-lhe nós, o verdadeiro “colinho” como jogadores e técnicos se fartaram de reconhecer durante e no final da época.
Houve obviamente vitórias dentro do campo muito importantes, por diferentes razões (Braga, Estoril, WC e Bessa, por exemplo), mas um dos momentos-chave da época para mim foram as inacreditáveis declarações do Jesus acerca do Rui Vitória (a história do “não o qualifico como treinador”, “não sabe conduzir um Ferrari”, etc.). A partir daí, acabou-se o meu luto pelo anterior treinador. Há limites que não podem ser ultrapassados e o Jesus, ao ultrapassá-los, perdeu o respeito que ainda subsistia em alguns benfiquistas por ele. As declarações são inclassificáveis sob todos os pontos de vistas: um ataque nojento e desmedido a um colega de profissão, ao treinador do Benfica e, no limite, a nós, benfiquistas. Não deixa de ser significativo que, na sequência disso, o toque a reunir da equipa e dos adeptos, que já era forte (volte a lembrar-se o minuto 70), se tenha tornado inquebrável. Estávamos juntos.
Olhando exclusivamente para o futebol jogado pelas equipas do Benfica nos últimos anos, o do Jesus até pode ter sido mais espectacular (a célebre nota artística), mas é difícil preferi-lo a ele quando temos o recorde de pontos, recorde de golos e recorde de vitórias esta temporada (para além do melhor marcador e da segunda melhor defesa). E depois, há outra coisa que é secundária para mim (porque o que fica para a história são os títulos), mas que para quem vive as situações no presente sabe muito bem: temos um treinador civilizado, que tem nível, que diz sempre “nós”, e que sabe que o Benfica já era grande sem ele e vai continuar a ser grande quando ele sair. Como se diz, e estou completamente de acordo, agora ganhamos à Benfica: no campo e na atitude. Para além disso, o Rui Vitória é muito melhor treinador do que eu estava à espera. Fomos campeões alinhando nos últimos três meses da época com o ex-guarda-redes do Rio Ave, um suplente do ano passado, um ex-central da equipa B, um ex-jogador do Olhanense e o… Eliseu! Basta só comparar com a defesa titular do primeiro ano do tricampeonato (Oblak, Maxi Pereira, Luisão, Garay e Siqueira) para se ver a diferença… Se isto não demonstra qualidade do treinador, não sei o que a demonstrará…! E já para não falar na coragem de apostar no Nélson Semedo, Gonçalo Guedes, Lindelof e Renato Sanches. Mesmo que alguns deles não tenham sido titulares durante a época toda, sempre foram mais importantes e úteis do que um Patrick, um Djaló, um Sidnei ou um Felipe Menezes, não…?
Foi um ano inesquecível e um dos títulos mais saborosos que tivemos. Não só por ter sido um tricampeonato histórico, como principalmente por causa de todas as condicionantes que tivemos. Muito obrigado a todos os que tornaram isto possível, com especial ênfase ao Luís Filipe Vieira e ao Rui Vitória!
VIVA O BENFICA!
* Publicado em
simultâneo com a Tertúlia
Benfiquista.
terça-feira, maio 24, 2016
O balanço da época – parte I
O prometido é devido e cá está o post a fazer o balanço final da época. Como
isto ia ficar quilométrico, resolvi excepcionalmente dividi-lo em dois: balanço a nível
pessoal e balanço a nível desportivo.
1) A nível pessoal
Uma das pessoas mais brilhantes deste país já disse muito daquilo que eu queria dizer. Para quem esteve em Marte e ainda não viu, cá está:
Uma das pessoas mais brilhantes deste país já disse muito daquilo que eu queria dizer. Para quem esteve em Marte e ainda não viu, cá está:
De tudo o que o grande RAP disse (incluindo obviamente o tom em que o disse), eu só alteraria uma coisa: no meu caso, não é a saúde das miúdas, é a saúde dos miúdos. Tudo o resto subscrevo integralmente.
Também eu deixei muito claro (uma e outra vez) que, se ganhássemos o campeonato, teria “todo o gosto em vir aqui no final da época dizer que eu afinal não percebo nada disto e que sou um idiota por não ter acreditado nos tricampeões.” Pois bem, eu sou um IDIOTA porque não acreditei (absolutamente NADA) que pudéssemos ser tricampeões! Quem se satisfizer com esta explicação (aliás, completamente verdadeira), pode ficar por aqui.
Também eu deixei muito claro (uma e outra vez) que, se ganhássemos o campeonato, teria “todo o gosto em vir aqui no final da época dizer que eu afinal não percebo nada disto e que sou um idiota por não ter acreditado nos tricampeões.” Pois bem, eu sou um IDIOTA porque não acreditei (absolutamente NADA) que pudéssemos ser tricampeões! Quem se satisfizer com esta explicação (aliás, completamente verdadeira), pode ficar por aqui.
Para todos vocês, os cinco, que não se satisfizeram, continuarei. O facto
de eu me assumir como idiota, não faz com que me arrependa do que escrevi (um
leitor perguntou por este,
este
e ambos os posts do parágrafo anterior, e eu
ainda acrescento este
e este).
Incoerência? Talvez não. Porque eu posso ter muitos defeitos, mas assumo sempre
tudo o que escrevo e detesto quem reescreve ou oculta propositadamente a
história para favorecer um determinado argumento. São ridículos aqueles posts à luz de hoje? Claro que sim!
Eram-no na altura? Claro que não! A não ser por quem não tem espírito crítico
ou tinha uma fé incomensurável fundada… em coisa nenhuma! Quantas pessoas,
depois do empate na Choupana frente ao União, seriam capazes de apostar que
iríamos ganhar 20 dos 21 jogos seguintes…?! Pois…! Meus caros leitores, é muito
mais fácil fazer o Totobola à 2ª feira ou nunca expressar opiniões vinculativas
para não sermos apanhados na curva. Mas eu não fui, não sou e jamais serei
assim. Não é por um qualquer Patrick ou Pesaresi vestir a camisola do Benfica
que se torna imediatamente no melhor lateral do mundo. Eu não sou abutre, mas
também não sou foca. Critico quando acho que tenho que criticar e elogio quando
acho que tenho de elogiar. Nunca tive feitio para defender publicamente aquilo em
que não acredito. Pode ser um grande defeito no mundo contemporâneo, mas é como
eu sou. Só defendo com unhas e dentes aquilo em que acredito profundamente e já
estou velho demais para mudar. Agora, se me garantirem que, se eu fizer figura
de idiota, ganharemos o campeonato todos os anos, vamos lá embora a isso, então: o Paulo Almeida foi indiscutivelmente um dos melhores trincos que passaram
pelo campeonato português!
Não, o RAP sabe que não estava
sozinho. Eu também não via mesmo luz nenhuma ao fundo do túnel
desta época. Manifestei-o publicamente e não me arrependo de o ter feito.
Arrepender-me-ia é se tivesse estado na posição confortável de nada dizer ou de
fingir que a pré-época era ‘apenas’ a pré-época ou que chegar à 8ª jornada com
quatro vitórias e três derrotas era ‘normal’ em período de transição. E porque
é que me arrependeria? Porque, caros leitores, citando o grande RAP, estamos a falar da minha vida! Tal como ele
diz, não se trata de querer ou desejar que o Benfica ganhe: trata-se de
PRECISAR que o Benfica ganhe. Porque muita da minha vida está organizada à
volta do Benfica e, se o Benfica não ganhar, ela nunca fará sentido na
totalidade. Digo-vos sinceramente que eu poderia estar com o Euromilhões ganho que,
se estivéssemos a fazer uma época tal como as dos finais dos anos 90, eu não
estaria nada realizado. Acredite quem quiser, mas quem me conhece sabe bem que
é verdade. Eu não pretendo evangelizar, nem ser modelo para ninguém, mas também ninguém me dá lições
de benfiquismo. Não sou menos benfiquista por criticar, nem mais benfiquista
por apoiar as decisões de quem representa o Benfica. E, por muito que até possam merecer, também não passo cheques em branco a ninguém. Se eu critico decisões que dirigentes, treinador e/ou jogadores do
Benfica tomam, é porque acho que aquele não é o melhor caminho para o sucesso.
FELIZMENTE que me engano às vezes (não sou como o outro que nunca se enganava e
raramente tinha dúvidas…). No entanto, tal como referiu igualmente o RAP, o princípio que motivou as minhas críticas no
início da época estava errado. E continua a estar hoje: em teoria, não se deixa
ir para o rival um treinador bicampeão. No fundo bem fundo, isso sempre me pareceu (e ainda continua a parecer) que era o presidente Luís Filipe Vieira a querer provar a toda a gente que poderia ganhar sem o Jorge Jesus. E AINDA BEM(!) que o conseguiu e que tudo correu ao contrário
da teoria (também com a ajuda do próprio Jesus,
mas isso fica para a segunda parte deste post),
porém isso só aconteceu porque fizemos história. Nunca uma equipa campeã tinha
feito tantos pontos num campeonato, nunca tinha marcado tantos golos e,
principalmente, nunca tinha recuperado de uma desvantagem de sete pontos à 13ª
jornada. Está explicada a razão pela qual a prática superou a teoria. Teve de
haver história. E, graças a Eusébio, que houve! E, como houve, o mérito do LFV é total e é ele o principal responsável por este título, porque tenho a certeza que houve alturas em que ele era mesmo o único a acreditar que isto seria possível.
Dos 338 jogos (oficiais e particulares) que se disputaram na nova Luz desde que foi
inaugurada, eu faltei a dois (este
e este),
já fiz pausas
em casamentos, o jantar do 89º aniversário da minha avó teve de ser adiado
por um dia, a celebração de um aniversário da minha mulher teve de ser ao
almoço, porque ao jantar
não podia ser, o segundo aniversário de um dos miúdos teve de ser lanche
ajantarado, porque à tarde
era impossível. Estes factos não servem para mostrar que sou mais benfiquista
do que o próximo, porque comparações de benfiquismos sempre me pareceram muito estúpidas. A maioria de nós faz coisas pelo Glorioso que
(incompreensivelmente) muitas pessoas não acham “normal”. Se eu conto isto, é
para que se perceba que o Benfica não é uma brincadeira para mim. Eu levo isto
muito a sério e, por consequência, ganhar ou não ganhar não é indiferente. Eu
nunca gozo com amigos dos rivais no momento em que perdem, porque não admito
que eles gozem comigo em caso inverso. Isso fazem todos aqueles que levam isto
na desportiva. Eu não levo, portanto nenhum amigo tem sequer a veleidade de
começar esse tipo de conversa comigo. Tendo o Benfica a importância que tem na minha vida, eu não o consigo viver sem paixão. E isso faz com que eu não me
consiga calar quando acho que as coisas estão a ir por maus caminhos ou que
estamos na iminência de cometer erros. Históricos ou não.
No entanto (e termino esta primeira – e longa - parte deste post, tal como
a comecei), ainda bem que eu sou um idiota e que me enganei!
segunda-feira, maio 23, 2016
Carta aberta a Maxi Pereira

Falhaste ontem um penalty que acabou por ser decisivo para a vitória do
Braga na final da Taça. Neste momento, certamente difícil para ti, há muitos
benfiquistas que estão a gozar-te por isso. Devo dizer-te que não me
revejo nada nessa atitude. Sempre te admirei e deste-me muitas alegrias durante
oito anos. Não percebo que haja benfiquistas que, não só se esqueçam disso,
como, MAIS IMPORTANTE QUE TUDO,
não te agradeçam por nos continuares a dar alegrias! Posso ter muitos defeitos,
mas a falta de gratidão não é um deles, portanto deixa-me dizer-te do fundo do
meu coração bem vermelho: muito obrigado, Maxi! Um grande bem-haja para ti!
Um abraço sentido de um tricampeão e continua a sentir-te “valorizado”
porque isso é o mais importante.
S.L.B.
sábado, maio 21, 2016
A sétima
Fechámos a época em grande com o triunfo sobre o Marítimo por 6-2, que nos
deu a sétima Taça da Liga em nove edições da prova! Não admira que os outros
dois não gostem nada desta prova…! Foi um jogo muito aberto, com um resultado
dos antigos, em que a justeza do nosso triunfo é incontestável.
O Rui Vitória colocou o Luisão e o Samaris de início, em vez do Lindelof e
Fejsa, mantendo a aposta no Grimaldo na esquerda. Eu, como habitualmente, já
estava preocupado com esta partida, porque vinha no final de uma semana de
festejos (lembro-me sempre disto…) e, dado que o Marítimo nada mostrou na
partida do campeonato, o nosso favoritismo era abissal e isso poderia
deslumbrar os jogadores. Portanto, vi aquelas duas opções do nosso treinador com
algum cepticismo e o que é facto é que a nossa entrada no jogo foi terrível.
Não fosse o Ederson e poderíamos estar a perder por 0-2 logo aos 5’. A história
diz-nos que, depois de uma lesão, o Luisão demora quase sempre dois meses a
estar em plena forma. E isto a jogar sempre! Ora, como nos últimos seis meses,
só tinha feito um(!) jogo, era um risco enorme e o nosso capitão pareceu sempre
muito perdido em campo. Como, ainda por cima, não estava o Fejsa para tapar o
meio-campo, as coisas poderiam ter corrido bastante mal. Mas felizmente
marcámos logo na primeira oportunidade que tivemos, através do Jonas aos 11’,
depois de uma jogada de insistência do Mitroglou, em que o genial brasileiro se
conseguiu meter entre o defesa e o guarda-redes e fazer a recarga com êxito. Aos
18’, elevámos para 2-0 numa assistência do Pizzi, desmarcado pelo Jonas, para o
Mitroglou. Apesar da desvantagem, o Marítimo dava óptima réplica e viu o
Ederson negar-lhe mais uma vez o golo, antes de nós fazermos o terceiro:
abertura do Gaitán para o Grimaldo na esquerda centrar atrasado e o Mitroglou
fuzilar o guarda-redes iraniano Haghighi. Estávamos no minuto 38 e eu esperava
que as coisas estivessem decididas. Mas infelizmente, já no período de
compensação, o Marítimo reduziu para 1-3 pelo João Diogo de cabeça,
aproveitando uma saída extemporânea do Ederson, num lance em que o Jardel ficou
no meio de dois avançados contrários. Onde estava o resto da defesa…?! Logo a
seguir, o Gaitán poderia ter mantido a vantagem que tínhamos, mas o remate com
pé direito saiu ao lado.
No início da 2ª parte, voltámos a não entrar bem. O Ederson corrigiu uma
saída em falso, com uma defesa fantástica que impediu a diferença mínima. O
Marítimo insistia maioritariamente pelo nosso flanco esquerdo, teve um ou outro
lance em que nos colocou problemas, mas a partir dos 60’ voltámos a assumir as
rédeas da partida. O Renato subiu de produção e o Talisca, entretanto entrado
para o lugar do Mitroglou, também ajudou a consolidar o nosso meio-campo. Um
remate de pé esquerdo do Renato foi defendido com dificuldade pelo Haghighi e
aos 77’ dávamos a machadada final na partida pelo Gaitán, depois de uma
assistência do Jonas. O argentino, com a baliza à mercê, não atirou logo de
primeira e sentou um defesa antes. Aqueles décimos de segundo gelaram-me o
sangue, mas a classe do mágico Nico resolveu. Logo a seguir, ele saiu (entrou o
Gonçalo Guedes) a bater com a mão no peito e a dizer adeus para os adeptos.
Sentou-se no banco e começou a chorar. Percebeu-se logo o que se passada… Foi o
momento (muito) triste da noite para mim, mas a saída do Nico merecerá um post à parte. Com o nosso quarto golo,
pensei que ficaria descansado até final, mas aos 84’ o Samaris fez penalty que
o Fransérgio (que raio de nome!) aproveitou para fazer o 2-4. Voltei a
preocupar-me, porque ainda faltavam para aí 10’ para o final, mas o que é certo
é o Marítimo nunca mais se aproximou da nossa baliza. O Jiménez entrou para que
o Jonas pudesse receber os merecidos aplausos e já em cima dos 90’, num livre a
nosso favor, o Jardel fez o 5-2 de cabeça depois de o sr. Fábio Veríssimo (que enorme
dualidade de critérios!) não ter visto um agarrão nítido ao Luisão na área. Estava
tudo mais que decidido, mas ainda deu para um penalty indiscutível a nosso
favor, por rasteira do guarda-redes ao Jiménez, que o próprio mexicano cobrou à
Panenka (não gosto nada de penalties assim, mas enfim…), fazendo assim o 6-2
mesmo antes de o árbitro apitar para o final.
Em termos individuais, o Gaitán recebeu o prémio de homem do jogo, mas o
Jonas e o Mitroglou também estiveram muito bem. Foi uma merecida última
homenagem ao argentino. Gostei igualmente do Renato e mesmo o Pizzi esteve uns
furos acima do que tem sido habitual. Quem tem uma grande quota-parte nesta
conquista é obviamente o Ederson, que salvou pelo menos três golos do Marítimo.
Confesso que o Luisão me assustou, mas espero que as férias e a pré-época o
voltem a revelar como o grande e imprescindível capitão que tem sido ao longo
destes anos. Pelo sim pelo não, de todas as saída de que se fala, há um jogador
que NÃO pode sair: Jardel! Primeiro, porque o que receberíamos pelo seu passe,
não compensaria o rombo desportivo que teríamos. Segundo e mais importante, porque
é preciso que haja referências do balneário na equipa titular.
Gosto sempre muito das finais em Coimbra, porque permitem um almoço de
leitão antes e uma taça no final! Voltámos a marcar muitos golos e terminámos
em beleza uma época inesquecível.
VIVA O BENFICA!
segunda-feira, maio 16, 2016
TRICAMPEÕES NACIONAIS
Vencemos o Nacional por 4-1 e 39 anos depois voltámos a ser tricampeões
nacionais! Foi uma vitória justa numa partida que, pelo que estava em jogo, foi
mais complicada do que o resultado deixa transparecer. Mas o que importou no
final foi que, não dependendo de escorregadelas de adversários e portanto
devendo indirectamente favores a terceiros, chegámos ao fim em 1º lugar.
Para substituir os castigados Renato Sanches e Eliseu, o Rui Vitória optou sem surpresa pelo Talisca e Grimaldo. À semelhança de muitos jogos anteriores, iniciámo-lo um pouco a passo, os jogadores pareciam tensos (a ocasião também não era para menos) e todos tínhamos consciência de que marcar o primeiro golo o mais cedo possível era fundamental. No entanto, foi o Nacional o primeiro a criar perigo, mas felizmente o remate do Salvador Agra saiu muito torto. Pouco depois, num livre para nossa área, o Talisca falhou o cabeceamento e acabou por tocar a bola com a mão. Se o sr. Nuno Almeida tivesse marcado penalty, não seria um escândalo. O Nacional jogava com garra, ao contrário do Braga e já se estava à espera que a lagartada ganhasse fácil, o que não só acabou por acontecer, como foram eles a marcar primeiro. Mas felizmente nem deve ter dado tempo para os nossos jogadores se aperceberem, porque o Gaitán inaugurou o marcador pouco depois aos 23’, numa boa tabelinha do Mitroglou que isolou o Pizzi, o Gottardi saiu-lhe aos pés e a bola sobrou para o argentino, que atirou de ângulo difícil para o estádio explodir de alegria. Já festejei muitos golos na Luz, mas neste o estádio reagiu de maneira diferente: foi como se tivesse soltado a pressão da panela. O barulho que se ouviu fez-me lembrar o do primeiro golo do Rui Águas frente ao Steaua e o do Vata frente ao Marselha. O mais complicado estava feito, mas era importante chegarmos ao intervalo com margem de manobra. Ela poderia ter chegado a seguir à meia-hora, mas o Jonas atirou ao lado depois de uma assistência de calcanhar em voo(!) do Grimaldo. Poderia ter feito melhor o génio brasileiro, mas aos 39’ numa fantástica abertura do Gaitán, o mesmo Jonas ficou isolado, o Gottardi saiu-lhe aos pés, mas a bola tabelou novamente no Jonas e entrou na baliza. Foi de novo a loucura, incluindo a do Jonas que tirou a camisola e viu o amarelo (não deve haver regra mais estúpida do futebol...).
Quando me perguntavam por este jogo, a minha resposta era sempre a mesma: se estivéssemos a ganhar por 3-0 aos 85’, eu começava a achar que poderíamos ser campeões. E que a marcha do marcador que queria era dois golos na 1ª parte e outro a abrir a segunda. E ele poderia ter surgido pelo Mitroglou, que atirou por cima logo aos 46’ depois de uma boa jogada do Jonas. Já se sabe que o 2-0 é uma boa vantagem, desde que o adversário não marque, porque isso voltaria inevitavelmente a tornar o jogo aberto. O Samaris entrou logo aos 53’, ainda pensei que fosse para o lugar do Talisca, que já tinha amarelo, mas foi para substituir o Fejsa, que tinha ficado com um corte no sobrolho no lance de que resultou o nosso segundo golo. Até que aos 65’, veio o tão desejado terceiro golo, noutra boa jogada do Jonas, que assistiu o Mitroglou que conseguiu atirar à barra quando estava na pequena-área e com a baliza escancarada(!), mas felizmente o Gaitán estava atento e de cabeça no ressalto atirou lá para dentro. O estádio começou logo a cantar “campeões”, mas o Rui Vitória, e muito bem, tentou refrear os ânimos da equipa, até porque logo a seguir o Pizzi perdeu uma bola a meio-campo que deu origem a um contra-ataque perigoso. Era fundamental a equipa não perder a concentração. O Jiménez entrou para o lugar do Mitroglou, mas o estádio pedia o Paulo Lopes e o Rui Vitória, e novamente muito bem, fez-lhe a vontade a cerca de 10’ do fim. O Nacional já não conseguia ligar bem o jogo, a pressão e o barulho do estádio era ensurdecedora, e aos 84’, em nova assistência do Jonas, o Pizzi fuzilou o Gottardi. A partir daqui, relaxei e tive a certeza que seríamos tricampeões! J Mas como não há bela sem senão, voltámos a sofrer um golo nos descontos, pelo Agra, que nos tirou a possibilidade de sermos igualmente a melhor defesa do campeonato (22 contra 21 da lagartada). Resta-nos contentarmo-nos com termos o melhor ataque (uns incríveis 88 golos, média de 2,6/jogo, a nove de distância do segundo classificado), o melhor marcador (Jonas, com 32 golos) e a maior pontuação de sempre num campeonato! Coisa pouca, portanto...
Em termos individuais, e depois de uma época em que não esteve a 100% por causa das malfadadas lesões, foi bom o mágico Gaitán ter contribuído com dois golos e uma assistência para o 35. Realce igualmente para o Jonas, pelo golo e duas assistências (além disso, gosto sempre bastante que ganhemos os melhores marcadores). O Grimaldo voltou a mostrar bons pormenores e qualidade técnica, mas não sei se o seu físico lhe permitirá ser uma opção constante para o futuro, porque bolas divididas inevitavelmente perde-as sempre. O resto da equipa esteve bem.
O balanço desta época merecerá um post próprio depois dela acabar, mas este foi dos títulos mais sofridos de que me lembro. Foi inevitável caírem as lágrimas a rodos quando o árbitro apitou para o final, porque foi o libertar de muita tensão acumulada (estes últimos jogos tiraram-me anos de vida...). Com o que se passou no início da época, nunca acreditei que isto fosse possível. FELIZMENTE que me enganei redondamente!
TRICAMPEÕES, TRICAMPEÕES, NÓS SOMOS TRICAMPEÕES!
VIVA O BENFICA!
Para substituir os castigados Renato Sanches e Eliseu, o Rui Vitória optou sem surpresa pelo Talisca e Grimaldo. À semelhança de muitos jogos anteriores, iniciámo-lo um pouco a passo, os jogadores pareciam tensos (a ocasião também não era para menos) e todos tínhamos consciência de que marcar o primeiro golo o mais cedo possível era fundamental. No entanto, foi o Nacional o primeiro a criar perigo, mas felizmente o remate do Salvador Agra saiu muito torto. Pouco depois, num livre para nossa área, o Talisca falhou o cabeceamento e acabou por tocar a bola com a mão. Se o sr. Nuno Almeida tivesse marcado penalty, não seria um escândalo. O Nacional jogava com garra, ao contrário do Braga e já se estava à espera que a lagartada ganhasse fácil, o que não só acabou por acontecer, como foram eles a marcar primeiro. Mas felizmente nem deve ter dado tempo para os nossos jogadores se aperceberem, porque o Gaitán inaugurou o marcador pouco depois aos 23’, numa boa tabelinha do Mitroglou que isolou o Pizzi, o Gottardi saiu-lhe aos pés e a bola sobrou para o argentino, que atirou de ângulo difícil para o estádio explodir de alegria. Já festejei muitos golos na Luz, mas neste o estádio reagiu de maneira diferente: foi como se tivesse soltado a pressão da panela. O barulho que se ouviu fez-me lembrar o do primeiro golo do Rui Águas frente ao Steaua e o do Vata frente ao Marselha. O mais complicado estava feito, mas era importante chegarmos ao intervalo com margem de manobra. Ela poderia ter chegado a seguir à meia-hora, mas o Jonas atirou ao lado depois de uma assistência de calcanhar em voo(!) do Grimaldo. Poderia ter feito melhor o génio brasileiro, mas aos 39’ numa fantástica abertura do Gaitán, o mesmo Jonas ficou isolado, o Gottardi saiu-lhe aos pés, mas a bola tabelou novamente no Jonas e entrou na baliza. Foi de novo a loucura, incluindo a do Jonas que tirou a camisola e viu o amarelo (não deve haver regra mais estúpida do futebol...).
Quando me perguntavam por este jogo, a minha resposta era sempre a mesma: se estivéssemos a ganhar por 3-0 aos 85’, eu começava a achar que poderíamos ser campeões. E que a marcha do marcador que queria era dois golos na 1ª parte e outro a abrir a segunda. E ele poderia ter surgido pelo Mitroglou, que atirou por cima logo aos 46’ depois de uma boa jogada do Jonas. Já se sabe que o 2-0 é uma boa vantagem, desde que o adversário não marque, porque isso voltaria inevitavelmente a tornar o jogo aberto. O Samaris entrou logo aos 53’, ainda pensei que fosse para o lugar do Talisca, que já tinha amarelo, mas foi para substituir o Fejsa, que tinha ficado com um corte no sobrolho no lance de que resultou o nosso segundo golo. Até que aos 65’, veio o tão desejado terceiro golo, noutra boa jogada do Jonas, que assistiu o Mitroglou que conseguiu atirar à barra quando estava na pequena-área e com a baliza escancarada(!), mas felizmente o Gaitán estava atento e de cabeça no ressalto atirou lá para dentro. O estádio começou logo a cantar “campeões”, mas o Rui Vitória, e muito bem, tentou refrear os ânimos da equipa, até porque logo a seguir o Pizzi perdeu uma bola a meio-campo que deu origem a um contra-ataque perigoso. Era fundamental a equipa não perder a concentração. O Jiménez entrou para o lugar do Mitroglou, mas o estádio pedia o Paulo Lopes e o Rui Vitória, e novamente muito bem, fez-lhe a vontade a cerca de 10’ do fim. O Nacional já não conseguia ligar bem o jogo, a pressão e o barulho do estádio era ensurdecedora, e aos 84’, em nova assistência do Jonas, o Pizzi fuzilou o Gottardi. A partir daqui, relaxei e tive a certeza que seríamos tricampeões! J Mas como não há bela sem senão, voltámos a sofrer um golo nos descontos, pelo Agra, que nos tirou a possibilidade de sermos igualmente a melhor defesa do campeonato (22 contra 21 da lagartada). Resta-nos contentarmo-nos com termos o melhor ataque (uns incríveis 88 golos, média de 2,6/jogo, a nove de distância do segundo classificado), o melhor marcador (Jonas, com 32 golos) e a maior pontuação de sempre num campeonato! Coisa pouca, portanto...
Em termos individuais, e depois de uma época em que não esteve a 100% por causa das malfadadas lesões, foi bom o mágico Gaitán ter contribuído com dois golos e uma assistência para o 35. Realce igualmente para o Jonas, pelo golo e duas assistências (além disso, gosto sempre bastante que ganhemos os melhores marcadores). O Grimaldo voltou a mostrar bons pormenores e qualidade técnica, mas não sei se o seu físico lhe permitirá ser uma opção constante para o futuro, porque bolas divididas inevitavelmente perde-as sempre. O resto da equipa esteve bem.
O balanço desta época merecerá um post próprio depois dela acabar, mas este foi dos títulos mais sofridos de que me lembro. Foi inevitável caírem as lágrimas a rodos quando o árbitro apitou para o final, porque foi o libertar de muita tensão acumulada (estes últimos jogos tiraram-me anos de vida...). Com o que se passou no início da época, nunca acreditei que isto fosse possível. FELIZMENTE que me enganei redondamente!
TRICAMPEÕES, TRICAMPEÕES, NÓS SOMOS TRICAMPEÕES!
VIVA O BENFICA!
segunda-feira, maio 09, 2016
Fulcral
Vencemos o Marítimo nos Barreiros por 2-0 e estamos a uma vitória de
alcançar o tricampeonato, feito que não conseguimos há 39 anos. Tal como se
esperava foi um jogo muito difícil, mas em que ao contrário dos últimos
(especialmente Rio Ave a V. Guimarães) subimos o nível exibicional e
consequentemente voltámos a criar várias oportunidades de golo.
Com o Gaitán novamente lesionado, o Rui Vitória apostou no Carcela e
durante a 1ª parte o marroquino foi dos poucos que acelerava o nosso jogo.
Justiça lhe seja feita que o Marítimo, apesar de inexplicavelmente ter deixado
vários titulares amarelados de fora frente ao Estoril na jornada anterior, não
deu a cacetada nem fez o antijogo de alguns dos adversários anteriores.
Começámos a partida melhor do que as anteriores, mas não estávamos a conseguir
chegar com perigo à área contrária, até que aos 30’ o Jonas resolveu pegar na
bola, fintar alguns adversários e rematar com estrondo… à barra! Logo a seguir,
uma cabeçada do brasileiro foi optimamente defendida pelo Salin. Antes destas
oportunidades, já o Renato Sanches tinha caído na área contrária num lance
bastante duvidoso (para dizer o mínimo), em que o sr. Fábio Veríssimo resolveu
mostrar-lhe amarelo por simulação em vez de assinalar penalty. Aliás, a
arbitragem já vinha dando nota de um critério bastante apertado, porque
qualquer toque num jogador maritimista era logo falta. Aos 37’, eu vi o
campeonato todo a andar para trás: inexplicavelmente o Renato Sanches derrubou
com um toque por trás um adversário, quando não tinha hipótese nenhuma de jogar
a bola. Ia o adversário isolado para a baliza…? Não! Era um lance de iminente
perigo…? Não! Estava na linha lateral! Foi um lance à la Carlos Martins, que poderia ter significado o sonho do 35… A
idade não é desculpa! Dezoito anos já é considerado maior e um jogador de
futebol tem que saber usar o cérebro a jogar. Se já tem amarelo, tem que se
conter, caso contrário pode colocar toda uma época em jogo. Inadmissível! Felizmente
reagimos bem ao facto de estarmos com dez e, até ao intervalo, ainda houve um
remate do Mitroglou que passou perto do poste.
Dois Lexotans de 1,5mg fazem maravilhas no que toca a não ficar num estado
de nervos absolutamente explosivo e, com esta expulsão, ainda mais calmo fiquei,
porque as minhas esperanças ficaram reduzidas aos serviços mínimos. Mas graças
a Eusébio os jogadores do Benfica, mais uma vez, mostraram que assimilaram bem
a grandeza do clube e fizeram uma 2ª parte brilhante. Depois de azar da bola na
barra do Jonas, tivemos sorte em marcar logo aos 48’ numa jogada em que acabou
por ser um corte defeituoso do jogador do Marítimo a isolar o Mitroglou, que
desviou a bola do Salin. Foi uma explosão de alegria lá em casa! Pouco depois,
num canto, houve um choque de cabeças entre o Jardel e um central adversário,
Maurício, que perdeu os sentidos e teve que ser levado para o hospital.
Felizmente foi só um susto. Quando a partida foi retomada sete minutos depois (houve
10’ de compensação), o Rui Vitória tinha decisões para tomar, porque não tinha
feito (e bem) nenhuma substituição depois da acefalia do Renato Sanches, mas
agora só o Fejsa no meio-campo parecia pouco: entrou o Talisca para o lugar do
Carcela (embora eu achasse que fazia mais sentido ter entrado o Samaris) aos
66’. Três minutos depois, o Salin voltou a entrar em acção por duas vezes num
grande remate de fora da área do Jonas e na recarga do Pizzi, em que defendeu
com a anca! O Marítimo ia fazendo substituições, mas não conseguia criar um
lance de verdadeiro perigo, com excepção de um golo bem anulado por
fora-de-jogo 78’. Um minuto depois (não esquecer que ainda faltavam 21’ para o
final), lá entrou o Samaris para o lugar do Jonas e o nosso meio-campo ficou
mais consistente. Até que aos 83’, este mesmo Samaris é derrubado numa zona
mesmo a pedir um remate de pé esquerdo. Todos nós nos lembrámos do Bayern, o
Talisca também, concentrou-se bastante e atirou lá para dentro! Confesso que me
vieram as lágrimas aos olhos! Até final, ainda entrou o Jiménez para o lugar do
Mitroglou, que atirou a nossa segunda bola à barra já em período de compensação!
Pouco depois terminava o jogo, que foi curiosamente o mais calmo dos últimos cinco,
apesar de termos tido um jogador a menos durante a maior parte do tempo.
Em termos individuais, destaque para o Fejsa, o tampão impressionante do
meio-campo, para o Mitroglou por mais uma vez não falhar quando está só com o
guarda-redes pela frente e para o Talisca, que para além do golo que selou a
vitória fartou-se de lutar em termos defensivos. Ao Jonas couberam as melhores
oportunidades e foi pena que não tivesse marcado, porque era mais que justo. Os
centrais Lindelof e Jardel foram os esteios do costume. Quando ao Renato, não
vale a pena acrescentar mais ao que já disse, bem pode agradecer aos colegas
por não se tornar no novo Carlos Martins. Se é bem verdade que a nossa subida
exibicional a partir de determinada altura tem a sua assinatura, nos últimos
jogos tem descido a pique e é com muito pouca insatisfação que o vejo de fora
frente ao Nacional.
Estamos a apenas uma vitória de sermos campeões. Mas é bom que estejamos
consciente que estamos a ainda uma vitória de sermos campeões. A nós
ninguém nos dá nada de mão beijada e os jogos não se ganham antes de serem
disputados. Temos exemplos por essa Europa fora que nos têm que fazer estar
alerta. Faltam três pontos. Ainda faltam três pontos.
terça-feira, maio 03, 2016
Sétima final
Vencemos o Braga por 2-1 e em nove edições da Taça da Liga vamos marcar
presença pela sétima vez na final. Naturalmente que esperamos obter a sétima
vitória. Foi uma partida com duas partes completamente distintas, em que na 1ª
quase não se viu a nossa equipa, mas a 2ª foi bastante razoável.
Com o decisivo jogo na Madeira no próximo domingo, o Rui Vitória só fez
alinhar o Ederson, Lindelof e Renato Sanches dos habituais titulares. Destaque
para o regresso do capitão Luisão, quase cinco meses depois do penalty que
sofreu no jogo da Taça no WC lhe ter partido o braço. Até nem entrámos mal no
jogo, mas sofremos um golo relativamente cedo (19’) através de um remate do
Rafa que ainda embateu no poste antes de entrar. Logo a seguir, um remate cruzado
do Braga saiu um pouco ao lado e a produção atacante do adversário ficou por
aqui até ficar em desvantagem no segundo tempo. A nossa 1ª parte foi
exasperante: o Renato está muito fora de forma e emperrou muito o nosso jogo a
meio-campo. Nos extremos, o Salvio está irreconhecível e o Carcela no outro
lado também não dispôs de grandes oportunidades. O Braga fechava-se muito bem e
sem velocidade da nossa parte era impossível marcarmos. Um remate do Jiménez
foi a única hipótese que tivemos.
Na 2ª parte, o Rui Vitória colocou de reinício o Jonas no lugar do Renato e
as coisas melhoraram a olhos vistos. A velocidade foi logo outra e chegámos ao
empate aos 58’ pelo brasileiro depois de uma abertura fantástica do Carcela,
que o isolou. Pouco depois, o Jiménez e o Jonas atrapalharam-se mutuamente e o
remate do mexicano saiu enrolado e ao lado. No entanto, aos 71’ colocámo-nos
finalmente na posição de vencedor numa abertura do Jonas em que o Matheus sai
da baliza, mas falha clamorosamente o pontapé o Jiménez só teve que encostar
para a baliza deserta. Até final, o Braga lembrou-se que havia baliza do outro
lado do campo e ainda nos criou perigo por duas ocasiões, mas a nossa vitória é
mais do que justa.
Em termos individuais, destaque para o Jonas que, com um golo e uma
assistência, foi o homem do jogo. Também gostei do Jiménez, sempre muito
batalhador, e do Lindelof, que está feito um senhor central. O Luisão acusou
naturalmente falta de ritmo, bem como o Sílvio. O Grimaldo demorou um bocado a
libertar-se, mas acabou por fazer uma boa 2ª parte. O Salvio está ainda longe
de se poder constituir como uma opção e é pena, porque o Pizzi também não está
jogar nada. O Renato parece-me estar a precisar urgentemente de férias.
O nosso foco está todo centrado no jogo de domingo, mas esta partida era
importante por causa do nosso magnífico registo nesta competição. Além de que,
esta vitória e o modo como foi obtida (com reviravolta do marcador), são um bom
elemento de motivação para o Marítimo. Fecharmos a época sempre com a presença
numa final é algo que nos fica muito bem.
domingo, maio 01, 2016
Check-up cardíaco
Vencemos na 6ª feira o V. Guimarães por 1-0 e continuamos na liderança do
campeonato com dois pontos de vantagem sobre a lagartada, que foi ganhar ontem a Mordor por 3-1. Foi a quinta
vitória pela margem mínima nos últimos seis jogos e voltou novamente a ser
muito sofrida. Esta parte final da época está a ser um teste ao funcionamento
cardíaco de seis milhões de pessoas.
Com 60.351 espectadores nas bancadas, não esperava um jogo fácil, mas
também não um tão sofrido. Voltámos a apresentar a melhor equipa, mas
deparámo-nos com o V. Guimarães a jogar uma final da Champions… Nada contra isto, pelo contrário, mas escusavam era de
ter abusado do antijogo logo na 1ª parte (e depois admiram-se dos cinco minutos
de descontos…). Fecharam a baliza a sete chaves e nós só tivemos uma
oportunidade de golo num remate de recarga do Mitroglou que passou ao lado. Foi
muito pouco para 45’ e a apreensão ao intervalo era geral. A equipa não
conseguia imprimir velocidade, principalmente porque há muitos jogadores, que
têm sido decisivos, em nítido abaixamento de forma.
Entrar forte na 2ª parte era essencial, porque o tempo estava a correr
contra nós. E felizmente assim foi! Livre para a área do Gaitán logo aos 47’ e
cabeçada fantástica do Jardel para o fundo das redes. Um golo muito semelhante
ao do Jonas frente ao Zenit. Foi uma explosão de alegria no estádio e
esperava-se que, estando o mais difícil feito, o V. Guimarães abrisse e nós
tivemos oportunidade de acabar com o jogo. No entanto, nada disto aconteceu.
Quer dizer, aconteceu que o adversário veio à procura do empate, mas nós não
tivemos nem arte nem engenho para fazer perigar a baliza deles durante a maior
parte do tempo. Uma fífia do Jardel só não deu o empate, porque o André Almeida
foi decisivo por duas vezes e noutro lance foi uma mancha fabulosa do Ederson a
impedir o golo contrário. O Salvio tinha entrado aos 61’ para o lugar do inconsequente
Pizzi, mas não trouxe nada de novo, ao contrário do Jiménez, que substituiu o
Mitroglou aos 68’. O mexicano teve os nossos dois melhores lances de golo, num
remate de letra que foi defendido pelo João Miguel (mas o sr. Bruno Paixão
assinalou pontapé de baliza) – seria um dos golos do campeonato – e outro
remate de fora da área que embateu estrondosamente na barra. Até final,
estivemos sempre em suspense, mas o
V. Guimarães não criou mais nenhuma situação de golo, e ainda deu para o André
Almeida forçar o segundo amarelo para ficar de fora na meia-final da Taça da
Liga e ficar disponível para a ida ao Marítimo. Foi um alívio imenso quando o
árbitro apitou para o final e saí do estádio novamente com a sensação de ter
perdido 10 anos de vida.
O melhor em campo foi indiscutivelmente o Fejsa. Um verdadeiro tampão a
meio-campo, se estivesse sempre fisicamente disponível as coisas seriam muito
mais fáceis para nós. Basta comparar os golos que sofremos com e sem ele em
campo. Tendo marcado o golo da vitória, é óbvio que também tem que se referir o
Jardel, embora aquele falhanço incrível pudesse ter deitado tudo a perder. Foi
pena, porque tirando isso esteve impecável. Nova vitória com o carimbo do
Ederson e desta feita também do André Almeida, com dois cortes que entrarão
para os lances decisivos do campeonato se ganharmos o 35. Do meio-campo para a frente
é que estão os problemas: o Renato Sanches é humano e muito já fez ele nesta
época, o Gaitán só fez uma aceleração em toda a partida (mas a assistência
primorosa no livre é dele), o Pizzi é uma não–existência nos tempos que correm,
e os avançados têm muito pouca bola em zonas de finalização. O problema é que
olhamos para o banco e, tirando o Jiménez, não vemos ninguém que possa
substituir estes titulares. Até agora, a força de vontade dos jogadores e, já
agora, também dos adeptos tem ajudado a superar estas limitações. Esperemos que
seja suficiente para mais dois jogos.
Teremos nesta 2ª feira a meia-final da Taça da Liga e obviamente é para
ganhar. Jogamos em nossa casa e temos um registo invejável nesta competição.
Mas, apesar de irmos defrontar um adversário difícil como o Braga, o Rui
Vitória irá certamente rodar a equipa, porque o jogo na Madeira no próximo
domingo é absolutamente fundamental e, neste momento, não temos frescura física
para termos os titulares em ambos.
P.S. – Quando nos dava jeito que a lagartada
tirasse pontos às forças do Mal, a maior parte das vezes perdia.
Excepcionalmente, ontem era melhor para nós o contrário e foram lá ganhar. A
aliança anti-Benfica funciona sempre a preceito e, de facto, só podemos contar
connosco próprios.
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