sábado, junho 25, 2016
Croácia - 0 - Portugal - 1 (a.p.)
Quando todos já pensávamos que íamos a penalties, o Quaresma marcou aos
117’ e estamos nos quartos-de-final do Euro 2016. Perante o adversário mais
difícil que encontrámos até agora (de longe), fizemos a nossa melhor exibição.
O Fernando Santos tirou o Vieirinha, Ricardo Carvalho e Moutinho, colocando o
Cédric, José Fonte e Adrien e a equipa melhorou substancialmente. Foi uma
partida sem grandes oportunidades, mas tacticamente evoluímos sobremaneira em
relação ao regabofe perante os húngaros.
Durante os 90’, o jogo esteve bastante fechado e uma mão basta para contar
os lances de perigo das duas equipas (e ainda ficam a sobrar dedos…). Nós
subimos bastante de produção com a entrada do Renato Sanches (que surpresa…!) aos 50’ para o lugar do
lentíssimo André Gomes e foi dele a nossa melhor jogada, numa tabelinha com o
João Mário, mas com o remate do Renato a sair muito torto. Por volta da hora de
jogo, há um lance na área croata que me pareceu penalty sobre o Nani. No
prolongamento, a Croácia veio para cima de nós e teve duas oportunidades
flagrantes: uma saída em falso do Rui Patrício num canto só não deu golo,
porque a bola bateu na cara do Vida em vez da testa e noutro cruzamento o
Perisic atirou ao poste. Na resposta, fizemos o golo: arrancada do Renato desde
o meio-campo, abertura para o Nani na esquerda, assistência para o único
remate(!) do C. Ronaldo em duas horas de futebol, defesa do Subasic e o
Quaresma só teve de encostar de cabeça na recarga (pareceu o Gaitán contra o
Zenit…). Até final, ainda apanhámos um susto, mas o remate do Vida passou a
rasar o poste.
Se o futebol fosse uma questão de merecimento, provavelmente não teríamos
passado. Mas felizmente não é. Fomos inteligentes na abordagem à partida, os
jogadores que entraram fizeram-no muitíssimo bem (mérito para o Fernando
Santos) e o Renato foi considerado o homem do jogo. Iremos agora defrontar a
Polónia nos quartos-de-final e espera-se que esta subida de produção seja para
continuar.
quinta-feira, junho 23, 2016
Hungria - 3 - Portugal - 3
Terceiro jogo, terceiro empate. Numa das piores fases de grupos de sempre,
conseguimos a qualificação para os oitavos-de-final sem ganhar nenhuma partida.
Ficámos em terceiro lugar e, caso não tivesse havido alargamento do número de
selecções participantes, teríamos vindo para casa. Isto num grupo em que
estávamos com a Hungria, Áustria e Islândia. Acho que não é preciso dizer mais
nada…
Quando entrámos em campo, já sabíamos que o empate nos bastaria. E a equipa deu mostras disso nos primeiros minutos, ao jogar a duas velocidades: devagar e parada. Só que a Hungria resolveu abanar as coisas e fez o 0-1 aos 19’ pelo Gera. Nós sentimos muito o golo e não fizemos nada para merecer o 1-1 pelo Nani aos 42’ depois de uma óptima abertura do C. Ronaldo. Mas o que interessa é que marcámos. Quando se esperava que o golo e o intervalo nos acalmasse, assistimos a uma 2ª parte de loucos. Aos 47’, o Dzsudzsák marcou um livre, a bola desviou no André Gomes na barreira e foi para dentro da nossa baliza. Três minutos depois, o C. Ronaldo surgiu finalmente e marcou um dos melhores golos do Europeu, de calcanhar depois de um centro do João Mário. Mas aos 55’, novo remate do Dzsudzsák de fora da área, novo desvio desta feita do Nani e Portugal de fora dos oitavos outra vez. O Quaresma entrou e aos 62’ cruzou para a cabeça do C. Ronaldo fazer o 3-3. Voltámos a entrar nos oitavos. Pouco depois, a Hungria começou a pagar a sorte dos ressaltos nos golos e atirou uma bola ao poste. Até final, o C. Ronaldo ainda nos poderia ter dado a vitória, mas o remate saiu por cima. Entretanto, no outro jogo, a Islândia e a Áustria estiveram empatadas até ao último minuto, quando os islandeses marcaram e ficaram com o 2º lugar do grupo, atirando-nos para o terceiro que, em termos de adversários futuros, é bastante mais simpático.
Destaque óbvio para o C. Ronaldo com dois golos e uma assistência. Mas, se calhar, era melhor alguém dizer-lhe que não é preciso estar sempre a rematar à baliza… Remates a 35 ou 40 m da baliza têm poucas hipóteses de dar em golo… É só estragação de jogo. A entrada do Renato Sanches ao intervalo mexeu (e de que maneira!) com a equipa e, por exemplo, fez com que o João Mário subisse imenso de produção. No entanto, a defesa está uma desgraça, o Ricardo Carvalho já era, o William fez figura de corpo presente no meio-campo e o Eliseu não substituiu nada bem o lesionado Raphael Guerreiro.
Como a Croácia derrotou a Espanha, iremos encontrá-la nos oitavos em vez de nuestros hermanos. A benesse dos islandeses fez com que só possamos defrontar a França, Inglaterra, Itália, Espanha ou Alemanha na final! Mas não nos deixemos enganar, se não conseguimos ganhar à Islândia, Áustria ou Hungria, não estou mesmo nada a ver como poderemos, a manter o mesmo nível exibicional, ganhar aos croatas. A não ser que a estratégia passe por ir sendo apurado sempre nos penalties até à final… Já sei que há-de vir gente falar da Itália de 82, que também teve três empates na fase de grupos e depois foi campeã do mundo, mas é impossível alguém não ficar preocupado com o que a selecção (não) tem mostrado até agora. Arriscamo-nos a sair sem honra nem glória. O que, principalmente depois do discurso do “vamos lá para ganhar o Euro”, vai parecer muito mal. Esperemos que, ao fim de três jogos, as coisas melhorem daqui para a frente.
Quando entrámos em campo, já sabíamos que o empate nos bastaria. E a equipa deu mostras disso nos primeiros minutos, ao jogar a duas velocidades: devagar e parada. Só que a Hungria resolveu abanar as coisas e fez o 0-1 aos 19’ pelo Gera. Nós sentimos muito o golo e não fizemos nada para merecer o 1-1 pelo Nani aos 42’ depois de uma óptima abertura do C. Ronaldo. Mas o que interessa é que marcámos. Quando se esperava que o golo e o intervalo nos acalmasse, assistimos a uma 2ª parte de loucos. Aos 47’, o Dzsudzsák marcou um livre, a bola desviou no André Gomes na barreira e foi para dentro da nossa baliza. Três minutos depois, o C. Ronaldo surgiu finalmente e marcou um dos melhores golos do Europeu, de calcanhar depois de um centro do João Mário. Mas aos 55’, novo remate do Dzsudzsák de fora da área, novo desvio desta feita do Nani e Portugal de fora dos oitavos outra vez. O Quaresma entrou e aos 62’ cruzou para a cabeça do C. Ronaldo fazer o 3-3. Voltámos a entrar nos oitavos. Pouco depois, a Hungria começou a pagar a sorte dos ressaltos nos golos e atirou uma bola ao poste. Até final, o C. Ronaldo ainda nos poderia ter dado a vitória, mas o remate saiu por cima. Entretanto, no outro jogo, a Islândia e a Áustria estiveram empatadas até ao último minuto, quando os islandeses marcaram e ficaram com o 2º lugar do grupo, atirando-nos para o terceiro que, em termos de adversários futuros, é bastante mais simpático.
Destaque óbvio para o C. Ronaldo com dois golos e uma assistência. Mas, se calhar, era melhor alguém dizer-lhe que não é preciso estar sempre a rematar à baliza… Remates a 35 ou 40 m da baliza têm poucas hipóteses de dar em golo… É só estragação de jogo. A entrada do Renato Sanches ao intervalo mexeu (e de que maneira!) com a equipa e, por exemplo, fez com que o João Mário subisse imenso de produção. No entanto, a defesa está uma desgraça, o Ricardo Carvalho já era, o William fez figura de corpo presente no meio-campo e o Eliseu não substituiu nada bem o lesionado Raphael Guerreiro.
Como a Croácia derrotou a Espanha, iremos encontrá-la nos oitavos em vez de nuestros hermanos. A benesse dos islandeses fez com que só possamos defrontar a França, Inglaterra, Itália, Espanha ou Alemanha na final! Mas não nos deixemos enganar, se não conseguimos ganhar à Islândia, Áustria ou Hungria, não estou mesmo nada a ver como poderemos, a manter o mesmo nível exibicional, ganhar aos croatas. A não ser que a estratégia passe por ir sendo apurado sempre nos penalties até à final… Já sei que há-de vir gente falar da Itália de 82, que também teve três empates na fase de grupos e depois foi campeã do mundo, mas é impossível alguém não ficar preocupado com o que a selecção (não) tem mostrado até agora. Arriscamo-nos a sair sem honra nem glória. O que, principalmente depois do discurso do “vamos lá para ganhar o Euro”, vai parecer muito mal. Esperemos que, ao fim de três jogos, as coisas melhorem daqui para a frente.
domingo, junho 19, 2016
Portugal - 0 - Áustria - 0
Segundo jogo, segundo empate de Portugal. E lá voltamos nós à matemática do
apuramento na última jornada, contas essas que são muito fáceis: ou ganhamos ou
teremos a pior prestação de sempre em fases finais de grandes competições.
O Fernando Santos colocou o Quaresma de início, juntamente com o C. Ronaldo
e o Nani, voltando portanto ao 4-3-3, e o que é certo é que a exibição foi
melhor do que no jogo anterior. Tivemos algum azar, com duas bolas aos postes,
uma delas num penalty falhado pelo C. Ronaldo aos 79’, mas o maior problema é
que não podemos fazer quase 50 remates em dois jogos e marcar apenas um golo. Outro
aspecto que voltou a ser negativo foram as substituições: o João Mário tinha
sido dos piores frente à Islândia e foi o primeiro a sair do banco, e o Rafa só
entrou aos 88’ quando o Nani já não fazia nada há muito tempo.
Para quem chegou ao Europeu a dizer que era favorito a ganhá-lo, a coisa não
está muito famosa. Temos mais que equipa para ganhar à Hungria, mas também tínhamos
para vencer a Islândia e a Áustria. E no entanto…
quarta-feira, junho 15, 2016
Portugal - 1 - Islândia - 1
Contra muitas das expectativas, empatámos
ontem na estreia no Euro 2016 perante uma selecção que está a fazer a sua estreia nas
grandes provas internacionais. O Nani ainda nos colocou em vantagem aos 31’,
mas os islandeses empataram pouco depois do intervalo (50’) pelo Bjarnason. Entrámos
muito nervosos e, não fosse o Rui Patrício, poderíamos ter ficado a perder
ainda antes dos 10’. Lá nos recompusemos e tivemos o nosso melhor período na
última meia-hora da 1ª parte, onde, para além do golo, ainda tivemos mais uma
grande ocasião pelo C. Ronaldo depois de ser brilhantemente desmarcado pelo
Pepe. A 2ª parte foi mais fraca, sentimos muito o golo e só demos um ar da
nossa graça depois das substituições a partir dos 70’. Até final, o C. Ronaldo
teve outra grande oportunidade de cabeça, mas atirou à figura e, no último
lance da partida, rematou contra a barreira num livre muito perigoso.
Quando se deixa em Portugal um lateral
tricampeão e se coloca um extremo adaptado na lateral-direita (Vieirinha), não
se devem esperar muitos milagres. Duvido que o André Almeida não cortasse de
cabeça a bola do golo islandês… Para além disso, o Fernando Santos demorou eternidades
a fazer substituições, porque o meio-campo já não estava a funcionar bem desde
há muito tempo. Bastou entrar o Renato para ver a diferença abissal em relação
ao Moutinho, João Mário e mesmo André Gomes. Infelizmente, só esteve 20’ em
campo. Para além disso, o Quaresma também deveria ter entrado mais cedo, porque
não havia ninguém para imprimir velocidade ao nosso jogo nas alas.
Este balde de água fria teve o condão de
fazer descer à terra muito boa gente que achava que éramos favoritos de caras.
Obviamente que nada está perdido, mas um pouco de humildade nunca fez mal a
ninguém.
sexta-feira, maio 27, 2016
O balanço da época – parte II
2) A nível desportivo
Comecemos pelo início: depois de termos conseguido algo pela primeira vez em 31 anos, o bicampeonato, fizemos uma das piores pré-épocas de sempre. Algo que nunca saberemos é como teria sido o nosso arranque de temporada se não tivéssemos passado o mês de Julho e Agosto a viajar pelas Américas. Eu percebo que houvesse compromissos para serem respeitados, mas com uma (tão grande) mudança desportiva, com um treinador novo que tinha o (enorme) fantasma do outro com que lidar, estava na cara que aquele género de preparação fosse correr tudo menos bem. E o grande problema é que iríamos encontrar o antigo treinador logo na primeira competição oficial da temporada. Que naturalmente perdemos.
Aliás, aqueles primeiros meses de futebol continuaram a deixar-me muito de pé atrás. Tivemos vitórias sofridas (Estoril e Moreirense) e derrotas incríveis (Arouca), com exibições globalmente medíocres, onde só a espaços conseguíamos apresentar bons momentos (os últimos 15’ do Estoril, por exemplo), intercaladas com derrotas em jogos em que estivemos bem (Mordor) e triunfos históricos (Madrid). Tivemos durante muito tempo uma montanha-russa exibicional, mas o que é certo é que íamos ganhando jogos, mesmo em campos bastante complicados onde no passado isso não acontecia. Como, por exemplo, em Braga (com alguma dose de sorte, 0-2 aos 11’ e três bolas sofridas nos ferros) ou em Guimarães (génio do Renato Sanches a resolver a 15’ do fim). Pelo meio, tivemos a derrota traumática na Luz frente à lagartada (mas em que a reacção do público no célebre minuto 70 foi um dos despertadores da época), a eliminação da Taça e a partida em que eu pensei que tínhamos entregue a época. Percebo muito disto…! Felizmente!
Devo dizer que o primeiro jogo do Benfica que me encheu as medidas em termos exibicionais foi o da Choupana frente ao Nacional. Já tínhamos tido algumas goleadas, mas em termos de futebol foi o primeiro a ser brilhante. A partir especialmente daí, entrámos na nossa melhor fase, com resultados convincentes, aliados a grandes exibições (Moreira de Cónegos e Belém, por exemplo). A equipa subia nitidamente de rendimento e, mais importante do que isso, de confiança, caso contrário aquela derrota injusta com o CRAC na Luz ter-nos-ia deitado abaixo. Outra questão que ajudou ao aumento dessa confiança foi a Champions, especialmente o facto de termos de termos eliminado o Hulk, Witsel, Garay, Javi García & Cia. com duas vitórias, tendo a da Rússia sido conseguida com Lindelof e Samaris como centrais(!), e os dois magníficos jogos frente ao Bayern (empatámos na Luz sem Gaitán, Jonas e Mitroglou!). No meio da eliminatória contra os russos, tivemos a vitória mais importante de todas, aquela que bem vistas as coisas foi essencial para o tri. Como se disse, podemos não ganhar os derbies todos, desde que ganhemos o certo! (Aliás, a bem da sã convivência, assim fica tudo contente: daqui a 20 anos, eles vão recordar e celebrar as três vitórias que tiveram sobre nós, tal como ainda fazem hoje em dia com os 7-1 em ano de dobradinha para os nossos lados, e nós faremos o mesmo por causa do tricampeonato. Cada clube celebra aquilo que é mais importante para ele.)
Depois do Bayern, a equipa pareceu mais cansada, mas aí valeu-lhe o coração: triunfos muito sofridos no Bessa (especialmente), Coimbra e Vila do Conde, e em casa frente aos dois Vitórias. Valeu-lhe o coração e valemos-lhe nós, o verdadeiro “colinho” como jogadores e técnicos se fartaram de reconhecer durante e no final da época.
Houve obviamente vitórias dentro do campo muito importantes, por diferentes razões (Braga, Estoril, WC e Bessa, por exemplo), mas um dos momentos-chave da época para mim foram as inacreditáveis declarações do Jesus acerca do Rui Vitória (a história do “não o qualifico como treinador”, “não sabe conduzir um Ferrari”, etc.). A partir daí, acabou-se o meu luto pelo anterior treinador. Há limites que não podem ser ultrapassados e o Jesus, ao ultrapassá-los, perdeu o respeito que ainda subsistia em alguns benfiquistas por ele. As declarações são inclassificáveis sob todos os pontos de vistas: um ataque nojento e desmedido a um colega de profissão, ao treinador do Benfica e, no limite, a nós, benfiquistas. Não deixa de ser significativo que, na sequência disso, o toque a reunir da equipa e dos adeptos, que já era forte (volte a lembrar-se o minuto 70), se tenha tornado inquebrável. Estávamos juntos.
Olhando exclusivamente para o futebol jogado pelas equipas do Benfica nos últimos anos, o do Jesus até pode ter sido mais espectacular (a célebre nota artística), mas é difícil preferi-lo a ele quando temos o recorde de pontos, recorde de golos e recorde de vitórias esta temporada (para além do melhor marcador e da segunda melhor defesa). E depois, há outra coisa que é secundária para mim (porque o que fica para a história são os títulos), mas que para quem vive as situações no presente sabe muito bem: temos um treinador civilizado, que tem nível, que diz sempre “nós”, e que sabe que o Benfica já era grande sem ele e vai continuar a ser grande quando ele sair. Como se diz, e estou completamente de acordo, agora ganhamos à Benfica: no campo e na atitude. Para além disso, o Rui Vitória é muito melhor treinador do que eu estava à espera. Fomos campeões alinhando nos últimos três meses da época com o ex-guarda-redes do Rio Ave, um suplente do ano passado, um ex-central da equipa B, um ex-jogador do Olhanense e o… Eliseu! Basta só comparar com a defesa titular do primeiro ano do tricampeonato (Oblak, Maxi Pereira, Luisão, Garay e Siqueira) para se ver a diferença… Se isto não demonstra qualidade do treinador, não sei o que a demonstrará…! E já para não falar na coragem de apostar no Nélson Semedo, Gonçalo Guedes, Lindelof e Renato Sanches. Mesmo que alguns deles não tenham sido titulares durante a época toda, sempre foram mais importantes e úteis do que um Patrick, um Djaló, um Sidnei ou um Felipe Menezes, não…?
Foi um ano inesquecível e um dos títulos mais saborosos que tivemos. Não só por ter sido um tricampeonato histórico, como principalmente por causa de todas as condicionantes que tivemos. Muito obrigado a todos os que tornaram isto possível, com especial ênfase ao Luís Filipe Vieira e ao Rui Vitória!
Comecemos pelo início: depois de termos conseguido algo pela primeira vez em 31 anos, o bicampeonato, fizemos uma das piores pré-épocas de sempre. Algo que nunca saberemos é como teria sido o nosso arranque de temporada se não tivéssemos passado o mês de Julho e Agosto a viajar pelas Américas. Eu percebo que houvesse compromissos para serem respeitados, mas com uma (tão grande) mudança desportiva, com um treinador novo que tinha o (enorme) fantasma do outro com que lidar, estava na cara que aquele género de preparação fosse correr tudo menos bem. E o grande problema é que iríamos encontrar o antigo treinador logo na primeira competição oficial da temporada. Que naturalmente perdemos.
Aliás, aqueles primeiros meses de futebol continuaram a deixar-me muito de pé atrás. Tivemos vitórias sofridas (Estoril e Moreirense) e derrotas incríveis (Arouca), com exibições globalmente medíocres, onde só a espaços conseguíamos apresentar bons momentos (os últimos 15’ do Estoril, por exemplo), intercaladas com derrotas em jogos em que estivemos bem (Mordor) e triunfos históricos (Madrid). Tivemos durante muito tempo uma montanha-russa exibicional, mas o que é certo é que íamos ganhando jogos, mesmo em campos bastante complicados onde no passado isso não acontecia. Como, por exemplo, em Braga (com alguma dose de sorte, 0-2 aos 11’ e três bolas sofridas nos ferros) ou em Guimarães (génio do Renato Sanches a resolver a 15’ do fim). Pelo meio, tivemos a derrota traumática na Luz frente à lagartada (mas em que a reacção do público no célebre minuto 70 foi um dos despertadores da época), a eliminação da Taça e a partida em que eu pensei que tínhamos entregue a época. Percebo muito disto…! Felizmente!
Devo dizer que o primeiro jogo do Benfica que me encheu as medidas em termos exibicionais foi o da Choupana frente ao Nacional. Já tínhamos tido algumas goleadas, mas em termos de futebol foi o primeiro a ser brilhante. A partir especialmente daí, entrámos na nossa melhor fase, com resultados convincentes, aliados a grandes exibições (Moreira de Cónegos e Belém, por exemplo). A equipa subia nitidamente de rendimento e, mais importante do que isso, de confiança, caso contrário aquela derrota injusta com o CRAC na Luz ter-nos-ia deitado abaixo. Outra questão que ajudou ao aumento dessa confiança foi a Champions, especialmente o facto de termos de termos eliminado o Hulk, Witsel, Garay, Javi García & Cia. com duas vitórias, tendo a da Rússia sido conseguida com Lindelof e Samaris como centrais(!), e os dois magníficos jogos frente ao Bayern (empatámos na Luz sem Gaitán, Jonas e Mitroglou!). No meio da eliminatória contra os russos, tivemos a vitória mais importante de todas, aquela que bem vistas as coisas foi essencial para o tri. Como se disse, podemos não ganhar os derbies todos, desde que ganhemos o certo! (Aliás, a bem da sã convivência, assim fica tudo contente: daqui a 20 anos, eles vão recordar e celebrar as três vitórias que tiveram sobre nós, tal como ainda fazem hoje em dia com os 7-1 em ano de dobradinha para os nossos lados, e nós faremos o mesmo por causa do tricampeonato. Cada clube celebra aquilo que é mais importante para ele.)
Depois do Bayern, a equipa pareceu mais cansada, mas aí valeu-lhe o coração: triunfos muito sofridos no Bessa (especialmente), Coimbra e Vila do Conde, e em casa frente aos dois Vitórias. Valeu-lhe o coração e valemos-lhe nós, o verdadeiro “colinho” como jogadores e técnicos se fartaram de reconhecer durante e no final da época.
Houve obviamente vitórias dentro do campo muito importantes, por diferentes razões (Braga, Estoril, WC e Bessa, por exemplo), mas um dos momentos-chave da época para mim foram as inacreditáveis declarações do Jesus acerca do Rui Vitória (a história do “não o qualifico como treinador”, “não sabe conduzir um Ferrari”, etc.). A partir daí, acabou-se o meu luto pelo anterior treinador. Há limites que não podem ser ultrapassados e o Jesus, ao ultrapassá-los, perdeu o respeito que ainda subsistia em alguns benfiquistas por ele. As declarações são inclassificáveis sob todos os pontos de vistas: um ataque nojento e desmedido a um colega de profissão, ao treinador do Benfica e, no limite, a nós, benfiquistas. Não deixa de ser significativo que, na sequência disso, o toque a reunir da equipa e dos adeptos, que já era forte (volte a lembrar-se o minuto 70), se tenha tornado inquebrável. Estávamos juntos.
Olhando exclusivamente para o futebol jogado pelas equipas do Benfica nos últimos anos, o do Jesus até pode ter sido mais espectacular (a célebre nota artística), mas é difícil preferi-lo a ele quando temos o recorde de pontos, recorde de golos e recorde de vitórias esta temporada (para além do melhor marcador e da segunda melhor defesa). E depois, há outra coisa que é secundária para mim (porque o que fica para a história são os títulos), mas que para quem vive as situações no presente sabe muito bem: temos um treinador civilizado, que tem nível, que diz sempre “nós”, e que sabe que o Benfica já era grande sem ele e vai continuar a ser grande quando ele sair. Como se diz, e estou completamente de acordo, agora ganhamos à Benfica: no campo e na atitude. Para além disso, o Rui Vitória é muito melhor treinador do que eu estava à espera. Fomos campeões alinhando nos últimos três meses da época com o ex-guarda-redes do Rio Ave, um suplente do ano passado, um ex-central da equipa B, um ex-jogador do Olhanense e o… Eliseu! Basta só comparar com a defesa titular do primeiro ano do tricampeonato (Oblak, Maxi Pereira, Luisão, Garay e Siqueira) para se ver a diferença… Se isto não demonstra qualidade do treinador, não sei o que a demonstrará…! E já para não falar na coragem de apostar no Nélson Semedo, Gonçalo Guedes, Lindelof e Renato Sanches. Mesmo que alguns deles não tenham sido titulares durante a época toda, sempre foram mais importantes e úteis do que um Patrick, um Djaló, um Sidnei ou um Felipe Menezes, não…?
Foi um ano inesquecível e um dos títulos mais saborosos que tivemos. Não só por ter sido um tricampeonato histórico, como principalmente por causa de todas as condicionantes que tivemos. Muito obrigado a todos os que tornaram isto possível, com especial ênfase ao Luís Filipe Vieira e ao Rui Vitória!
VIVA O BENFICA!
* Publicado em
simultâneo com a Tertúlia
Benfiquista.
terça-feira, maio 24, 2016
O balanço da época – parte I
O prometido é devido e cá está o post a fazer o balanço final da época. Como
isto ia ficar quilométrico, resolvi excepcionalmente dividi-lo em dois: balanço a nível
pessoal e balanço a nível desportivo.
1) A nível pessoal
Uma das pessoas mais brilhantes deste país já disse muito daquilo que eu queria dizer. Para quem esteve em Marte e ainda não viu, cá está:
Uma das pessoas mais brilhantes deste país já disse muito daquilo que eu queria dizer. Para quem esteve em Marte e ainda não viu, cá está:
De tudo o que o grande RAP disse (incluindo obviamente o tom em que o disse), eu só alteraria uma coisa: no meu caso, não é a saúde das miúdas, é a saúde dos miúdos. Tudo o resto subscrevo integralmente.
Também eu deixei muito claro (uma e outra vez) que, se ganhássemos o campeonato, teria “todo o gosto em vir aqui no final da época dizer que eu afinal não percebo nada disto e que sou um idiota por não ter acreditado nos tricampeões.” Pois bem, eu sou um IDIOTA porque não acreditei (absolutamente NADA) que pudéssemos ser tricampeões! Quem se satisfizer com esta explicação (aliás, completamente verdadeira), pode ficar por aqui.
Também eu deixei muito claro (uma e outra vez) que, se ganhássemos o campeonato, teria “todo o gosto em vir aqui no final da época dizer que eu afinal não percebo nada disto e que sou um idiota por não ter acreditado nos tricampeões.” Pois bem, eu sou um IDIOTA porque não acreditei (absolutamente NADA) que pudéssemos ser tricampeões! Quem se satisfizer com esta explicação (aliás, completamente verdadeira), pode ficar por aqui.
Para todos vocês, os cinco, que não se satisfizeram, continuarei. O facto
de eu me assumir como idiota, não faz com que me arrependa do que escrevi (um
leitor perguntou por este,
este
e ambos os posts do parágrafo anterior, e eu
ainda acrescento este
e este).
Incoerência? Talvez não. Porque eu posso ter muitos defeitos, mas assumo sempre
tudo o que escrevo e detesto quem reescreve ou oculta propositadamente a
história para favorecer um determinado argumento. São ridículos aqueles posts à luz de hoje? Claro que sim!
Eram-no na altura? Claro que não! A não ser por quem não tem espírito crítico
ou tinha uma fé incomensurável fundada… em coisa nenhuma! Quantas pessoas,
depois do empate na Choupana frente ao União, seriam capazes de apostar que
iríamos ganhar 20 dos 21 jogos seguintes…?! Pois…! Meus caros leitores, é muito
mais fácil fazer o Totobola à 2ª feira ou nunca expressar opiniões vinculativas
para não sermos apanhados na curva. Mas eu não fui, não sou e jamais serei
assim. Não é por um qualquer Patrick ou Pesaresi vestir a camisola do Benfica
que se torna imediatamente no melhor lateral do mundo. Eu não sou abutre, mas
também não sou foca. Critico quando acho que tenho que criticar e elogio quando
acho que tenho de elogiar. Nunca tive feitio para defender publicamente aquilo em
que não acredito. Pode ser um grande defeito no mundo contemporâneo, mas é como
eu sou. Só defendo com unhas e dentes aquilo em que acredito profundamente e já
estou velho demais para mudar. Agora, se me garantirem que, se eu fizer figura
de idiota, ganharemos o campeonato todos os anos, vamos lá embora a isso, então: o Paulo Almeida foi indiscutivelmente um dos melhores trincos que passaram
pelo campeonato português!
Não, o RAP sabe que não estava
sozinho. Eu também não via mesmo luz nenhuma ao fundo do túnel
desta época. Manifestei-o publicamente e não me arrependo de o ter feito.
Arrepender-me-ia é se tivesse estado na posição confortável de nada dizer ou de
fingir que a pré-época era ‘apenas’ a pré-época ou que chegar à 8ª jornada com
quatro vitórias e três derrotas era ‘normal’ em período de transição. E porque
é que me arrependeria? Porque, caros leitores, citando o grande RAP, estamos a falar da minha vida! Tal como ele
diz, não se trata de querer ou desejar que o Benfica ganhe: trata-se de
PRECISAR que o Benfica ganhe. Porque muita da minha vida está organizada à
volta do Benfica e, se o Benfica não ganhar, ela nunca fará sentido na
totalidade. Digo-vos sinceramente que eu poderia estar com o Euromilhões ganho que,
se estivéssemos a fazer uma época tal como as dos finais dos anos 90, eu não
estaria nada realizado. Acredite quem quiser, mas quem me conhece sabe bem que
é verdade. Eu não pretendo evangelizar, nem ser modelo para ninguém, mas também ninguém me dá lições
de benfiquismo. Não sou menos benfiquista por criticar, nem mais benfiquista
por apoiar as decisões de quem representa o Benfica. E, por muito que até possam merecer, também não passo cheques em branco a ninguém. Se eu critico decisões que dirigentes, treinador e/ou jogadores do
Benfica tomam, é porque acho que aquele não é o melhor caminho para o sucesso.
FELIZMENTE que me engano às vezes (não sou como o outro que nunca se enganava e
raramente tinha dúvidas…). No entanto, tal como referiu igualmente o RAP, o princípio que motivou as minhas críticas no
início da época estava errado. E continua a estar hoje: em teoria, não se deixa
ir para o rival um treinador bicampeão. No fundo bem fundo, isso sempre me pareceu (e ainda continua a parecer) que era o presidente Luís Filipe Vieira a querer provar a toda a gente que poderia ganhar sem o Jorge Jesus. E AINDA BEM(!) que o conseguiu e que tudo correu ao contrário
da teoria (também com a ajuda do próprio Jesus,
mas isso fica para a segunda parte deste post),
porém isso só aconteceu porque fizemos história. Nunca uma equipa campeã tinha
feito tantos pontos num campeonato, nunca tinha marcado tantos golos e,
principalmente, nunca tinha recuperado de uma desvantagem de sete pontos à 13ª
jornada. Está explicada a razão pela qual a prática superou a teoria. Teve de
haver história. E, graças a Eusébio, que houve! E, como houve, o mérito do LFV é total e é ele o principal responsável por este título, porque tenho a certeza que houve alturas em que ele era mesmo o único a acreditar que isto seria possível.
Dos 338 jogos (oficiais e particulares) que se disputaram na nova Luz desde que foi
inaugurada, eu faltei a dois (este
e este),
já fiz pausas
em casamentos, o jantar do 89º aniversário da minha avó teve de ser adiado
por um dia, a celebração de um aniversário da minha mulher teve de ser ao
almoço, porque ao jantar
não podia ser, o segundo aniversário de um dos miúdos teve de ser lanche
ajantarado, porque à tarde
era impossível. Estes factos não servem para mostrar que sou mais benfiquista
do que o próximo, porque comparações de benfiquismos sempre me pareceram muito estúpidas. A maioria de nós faz coisas pelo Glorioso que
(incompreensivelmente) muitas pessoas não acham “normal”. Se eu conto isto, é
para que se perceba que o Benfica não é uma brincadeira para mim. Eu levo isto
muito a sério e, por consequência, ganhar ou não ganhar não é indiferente. Eu
nunca gozo com amigos dos rivais no momento em que perdem, porque não admito
que eles gozem comigo em caso inverso. Isso fazem todos aqueles que levam isto
na desportiva. Eu não levo, portanto nenhum amigo tem sequer a veleidade de
começar esse tipo de conversa comigo. Tendo o Benfica a importância que tem na minha vida, eu não o consigo viver sem paixão. E isso faz com que eu não me
consiga calar quando acho que as coisas estão a ir por maus caminhos ou que
estamos na iminência de cometer erros. Históricos ou não.
No entanto (e termino esta primeira – e longa - parte deste post, tal como
a comecei), ainda bem que eu sou um idiota e que me enganei!
segunda-feira, maio 23, 2016
Carta aberta a Maxi Pereira

Falhaste ontem um penalty que acabou por ser decisivo para a vitória do
Braga na final da Taça. Neste momento, certamente difícil para ti, há muitos
benfiquistas que estão a gozar-te por isso. Devo dizer-te que não me
revejo nada nessa atitude. Sempre te admirei e deste-me muitas alegrias durante
oito anos. Não percebo que haja benfiquistas que, não só se esqueçam disso,
como, MAIS IMPORTANTE QUE TUDO,
não te agradeçam por nos continuares a dar alegrias! Posso ter muitos defeitos,
mas a falta de gratidão não é um deles, portanto deixa-me dizer-te do fundo do
meu coração bem vermelho: muito obrigado, Maxi! Um grande bem-haja para ti!
Um abraço sentido de um tricampeão e continua a sentir-te “valorizado”
porque isso é o mais importante.
S.L.B.
sábado, maio 21, 2016
A sétima
Fechámos a época em grande com o triunfo sobre o Marítimo por 6-2, que nos
deu a sétima Taça da Liga em nove edições da prova! Não admira que os outros
dois não gostem nada desta prova…! Foi um jogo muito aberto, com um resultado
dos antigos, em que a justeza do nosso triunfo é incontestável.
O Rui Vitória colocou o Luisão e o Samaris de início, em vez do Lindelof e
Fejsa, mantendo a aposta no Grimaldo na esquerda. Eu, como habitualmente, já
estava preocupado com esta partida, porque vinha no final de uma semana de
festejos (lembro-me sempre disto…) e, dado que o Marítimo nada mostrou na
partida do campeonato, o nosso favoritismo era abissal e isso poderia
deslumbrar os jogadores. Portanto, vi aquelas duas opções do nosso treinador com
algum cepticismo e o que é facto é que a nossa entrada no jogo foi terrível.
Não fosse o Ederson e poderíamos estar a perder por 0-2 logo aos 5’. A história
diz-nos que, depois de uma lesão, o Luisão demora quase sempre dois meses a
estar em plena forma. E isto a jogar sempre! Ora, como nos últimos seis meses,
só tinha feito um(!) jogo, era um risco enorme e o nosso capitão pareceu sempre
muito perdido em campo. Como, ainda por cima, não estava o Fejsa para tapar o
meio-campo, as coisas poderiam ter corrido bastante mal. Mas felizmente
marcámos logo na primeira oportunidade que tivemos, através do Jonas aos 11’,
depois de uma jogada de insistência do Mitroglou, em que o genial brasileiro se
conseguiu meter entre o defesa e o guarda-redes e fazer a recarga com êxito. Aos
18’, elevámos para 2-0 numa assistência do Pizzi, desmarcado pelo Jonas, para o
Mitroglou. Apesar da desvantagem, o Marítimo dava óptima réplica e viu o
Ederson negar-lhe mais uma vez o golo, antes de nós fazermos o terceiro:
abertura do Gaitán para o Grimaldo na esquerda centrar atrasado e o Mitroglou
fuzilar o guarda-redes iraniano Haghighi. Estávamos no minuto 38 e eu esperava
que as coisas estivessem decididas. Mas infelizmente, já no período de
compensação, o Marítimo reduziu para 1-3 pelo João Diogo de cabeça,
aproveitando uma saída extemporânea do Ederson, num lance em que o Jardel ficou
no meio de dois avançados contrários. Onde estava o resto da defesa…?! Logo a
seguir, o Gaitán poderia ter mantido a vantagem que tínhamos, mas o remate com
pé direito saiu ao lado.
No início da 2ª parte, voltámos a não entrar bem. O Ederson corrigiu uma
saída em falso, com uma defesa fantástica que impediu a diferença mínima. O
Marítimo insistia maioritariamente pelo nosso flanco esquerdo, teve um ou outro
lance em que nos colocou problemas, mas a partir dos 60’ voltámos a assumir as
rédeas da partida. O Renato subiu de produção e o Talisca, entretanto entrado
para o lugar do Mitroglou, também ajudou a consolidar o nosso meio-campo. Um
remate de pé esquerdo do Renato foi defendido com dificuldade pelo Haghighi e
aos 77’ dávamos a machadada final na partida pelo Gaitán, depois de uma
assistência do Jonas. O argentino, com a baliza à mercê, não atirou logo de
primeira e sentou um defesa antes. Aqueles décimos de segundo gelaram-me o
sangue, mas a classe do mágico Nico resolveu. Logo a seguir, ele saiu (entrou o
Gonçalo Guedes) a bater com a mão no peito e a dizer adeus para os adeptos.
Sentou-se no banco e começou a chorar. Percebeu-se logo o que se passada… Foi o
momento (muito) triste da noite para mim, mas a saída do Nico merecerá um post à parte. Com o nosso quarto golo,
pensei que ficaria descansado até final, mas aos 84’ o Samaris fez penalty que
o Fransérgio (que raio de nome!) aproveitou para fazer o 2-4. Voltei a
preocupar-me, porque ainda faltavam para aí 10’ para o final, mas o que é certo
é o Marítimo nunca mais se aproximou da nossa baliza. O Jiménez entrou para que
o Jonas pudesse receber os merecidos aplausos e já em cima dos 90’, num livre a
nosso favor, o Jardel fez o 5-2 de cabeça depois de o sr. Fábio Veríssimo (que enorme
dualidade de critérios!) não ter visto um agarrão nítido ao Luisão na área. Estava
tudo mais que decidido, mas ainda deu para um penalty indiscutível a nosso
favor, por rasteira do guarda-redes ao Jiménez, que o próprio mexicano cobrou à
Panenka (não gosto nada de penalties assim, mas enfim…), fazendo assim o 6-2
mesmo antes de o árbitro apitar para o final.
Em termos individuais, o Gaitán recebeu o prémio de homem do jogo, mas o
Jonas e o Mitroglou também estiveram muito bem. Foi uma merecida última
homenagem ao argentino. Gostei igualmente do Renato e mesmo o Pizzi esteve uns
furos acima do que tem sido habitual. Quem tem uma grande quota-parte nesta
conquista é obviamente o Ederson, que salvou pelo menos três golos do Marítimo.
Confesso que o Luisão me assustou, mas espero que as férias e a pré-época o
voltem a revelar como o grande e imprescindível capitão que tem sido ao longo
destes anos. Pelo sim pelo não, de todas as saída de que se fala, há um jogador
que NÃO pode sair: Jardel! Primeiro, porque o que receberíamos pelo seu passe,
não compensaria o rombo desportivo que teríamos. Segundo e mais importante, porque
é preciso que haja referências do balneário na equipa titular.
Gosto sempre muito das finais em Coimbra, porque permitem um almoço de
leitão antes e uma taça no final! Voltámos a marcar muitos golos e terminámos
em beleza uma época inesquecível.
VIVA O BENFICA!
segunda-feira, maio 16, 2016
TRICAMPEÕES NACIONAIS
Vencemos o Nacional por 4-1 e 39 anos depois voltámos a ser tricampeões
nacionais! Foi uma vitória justa numa partida que, pelo que estava em jogo, foi
mais complicada do que o resultado deixa transparecer. Mas o que importou no
final foi que, não dependendo de escorregadelas de adversários e portanto
devendo indirectamente favores a terceiros, chegámos ao fim em 1º lugar.
Para substituir os castigados Renato Sanches e Eliseu, o Rui Vitória optou sem surpresa pelo Talisca e Grimaldo. À semelhança de muitos jogos anteriores, iniciámo-lo um pouco a passo, os jogadores pareciam tensos (a ocasião também não era para menos) e todos tínhamos consciência de que marcar o primeiro golo o mais cedo possível era fundamental. No entanto, foi o Nacional o primeiro a criar perigo, mas felizmente o remate do Salvador Agra saiu muito torto. Pouco depois, num livre para nossa área, o Talisca falhou o cabeceamento e acabou por tocar a bola com a mão. Se o sr. Nuno Almeida tivesse marcado penalty, não seria um escândalo. O Nacional jogava com garra, ao contrário do Braga e já se estava à espera que a lagartada ganhasse fácil, o que não só acabou por acontecer, como foram eles a marcar primeiro. Mas felizmente nem deve ter dado tempo para os nossos jogadores se aperceberem, porque o Gaitán inaugurou o marcador pouco depois aos 23’, numa boa tabelinha do Mitroglou que isolou o Pizzi, o Gottardi saiu-lhe aos pés e a bola sobrou para o argentino, que atirou de ângulo difícil para o estádio explodir de alegria. Já festejei muitos golos na Luz, mas neste o estádio reagiu de maneira diferente: foi como se tivesse soltado a pressão da panela. O barulho que se ouviu fez-me lembrar o do primeiro golo do Rui Águas frente ao Steaua e o do Vata frente ao Marselha. O mais complicado estava feito, mas era importante chegarmos ao intervalo com margem de manobra. Ela poderia ter chegado a seguir à meia-hora, mas o Jonas atirou ao lado depois de uma assistência de calcanhar em voo(!) do Grimaldo. Poderia ter feito melhor o génio brasileiro, mas aos 39’ numa fantástica abertura do Gaitán, o mesmo Jonas ficou isolado, o Gottardi saiu-lhe aos pés, mas a bola tabelou novamente no Jonas e entrou na baliza. Foi de novo a loucura, incluindo a do Jonas que tirou a camisola e viu o amarelo (não deve haver regra mais estúpida do futebol...).
Quando me perguntavam por este jogo, a minha resposta era sempre a mesma: se estivéssemos a ganhar por 3-0 aos 85’, eu começava a achar que poderíamos ser campeões. E que a marcha do marcador que queria era dois golos na 1ª parte e outro a abrir a segunda. E ele poderia ter surgido pelo Mitroglou, que atirou por cima logo aos 46’ depois de uma boa jogada do Jonas. Já se sabe que o 2-0 é uma boa vantagem, desde que o adversário não marque, porque isso voltaria inevitavelmente a tornar o jogo aberto. O Samaris entrou logo aos 53’, ainda pensei que fosse para o lugar do Talisca, que já tinha amarelo, mas foi para substituir o Fejsa, que tinha ficado com um corte no sobrolho no lance de que resultou o nosso segundo golo. Até que aos 65’, veio o tão desejado terceiro golo, noutra boa jogada do Jonas, que assistiu o Mitroglou que conseguiu atirar à barra quando estava na pequena-área e com a baliza escancarada(!), mas felizmente o Gaitán estava atento e de cabeça no ressalto atirou lá para dentro. O estádio começou logo a cantar “campeões”, mas o Rui Vitória, e muito bem, tentou refrear os ânimos da equipa, até porque logo a seguir o Pizzi perdeu uma bola a meio-campo que deu origem a um contra-ataque perigoso. Era fundamental a equipa não perder a concentração. O Jiménez entrou para o lugar do Mitroglou, mas o estádio pedia o Paulo Lopes e o Rui Vitória, e novamente muito bem, fez-lhe a vontade a cerca de 10’ do fim. O Nacional já não conseguia ligar bem o jogo, a pressão e o barulho do estádio era ensurdecedora, e aos 84’, em nova assistência do Jonas, o Pizzi fuzilou o Gottardi. A partir daqui, relaxei e tive a certeza que seríamos tricampeões! J Mas como não há bela sem senão, voltámos a sofrer um golo nos descontos, pelo Agra, que nos tirou a possibilidade de sermos igualmente a melhor defesa do campeonato (22 contra 21 da lagartada). Resta-nos contentarmo-nos com termos o melhor ataque (uns incríveis 88 golos, média de 2,6/jogo, a nove de distância do segundo classificado), o melhor marcador (Jonas, com 32 golos) e a maior pontuação de sempre num campeonato! Coisa pouca, portanto...
Em termos individuais, e depois de uma época em que não esteve a 100% por causa das malfadadas lesões, foi bom o mágico Gaitán ter contribuído com dois golos e uma assistência para o 35. Realce igualmente para o Jonas, pelo golo e duas assistências (além disso, gosto sempre bastante que ganhemos os melhores marcadores). O Grimaldo voltou a mostrar bons pormenores e qualidade técnica, mas não sei se o seu físico lhe permitirá ser uma opção constante para o futuro, porque bolas divididas inevitavelmente perde-as sempre. O resto da equipa esteve bem.
O balanço desta época merecerá um post próprio depois dela acabar, mas este foi dos títulos mais sofridos de que me lembro. Foi inevitável caírem as lágrimas a rodos quando o árbitro apitou para o final, porque foi o libertar de muita tensão acumulada (estes últimos jogos tiraram-me anos de vida...). Com o que se passou no início da época, nunca acreditei que isto fosse possível. FELIZMENTE que me enganei redondamente!
TRICAMPEÕES, TRICAMPEÕES, NÓS SOMOS TRICAMPEÕES!
VIVA O BENFICA!
Para substituir os castigados Renato Sanches e Eliseu, o Rui Vitória optou sem surpresa pelo Talisca e Grimaldo. À semelhança de muitos jogos anteriores, iniciámo-lo um pouco a passo, os jogadores pareciam tensos (a ocasião também não era para menos) e todos tínhamos consciência de que marcar o primeiro golo o mais cedo possível era fundamental. No entanto, foi o Nacional o primeiro a criar perigo, mas felizmente o remate do Salvador Agra saiu muito torto. Pouco depois, num livre para nossa área, o Talisca falhou o cabeceamento e acabou por tocar a bola com a mão. Se o sr. Nuno Almeida tivesse marcado penalty, não seria um escândalo. O Nacional jogava com garra, ao contrário do Braga e já se estava à espera que a lagartada ganhasse fácil, o que não só acabou por acontecer, como foram eles a marcar primeiro. Mas felizmente nem deve ter dado tempo para os nossos jogadores se aperceberem, porque o Gaitán inaugurou o marcador pouco depois aos 23’, numa boa tabelinha do Mitroglou que isolou o Pizzi, o Gottardi saiu-lhe aos pés e a bola sobrou para o argentino, que atirou de ângulo difícil para o estádio explodir de alegria. Já festejei muitos golos na Luz, mas neste o estádio reagiu de maneira diferente: foi como se tivesse soltado a pressão da panela. O barulho que se ouviu fez-me lembrar o do primeiro golo do Rui Águas frente ao Steaua e o do Vata frente ao Marselha. O mais complicado estava feito, mas era importante chegarmos ao intervalo com margem de manobra. Ela poderia ter chegado a seguir à meia-hora, mas o Jonas atirou ao lado depois de uma assistência de calcanhar em voo(!) do Grimaldo. Poderia ter feito melhor o génio brasileiro, mas aos 39’ numa fantástica abertura do Gaitán, o mesmo Jonas ficou isolado, o Gottardi saiu-lhe aos pés, mas a bola tabelou novamente no Jonas e entrou na baliza. Foi de novo a loucura, incluindo a do Jonas que tirou a camisola e viu o amarelo (não deve haver regra mais estúpida do futebol...).
Quando me perguntavam por este jogo, a minha resposta era sempre a mesma: se estivéssemos a ganhar por 3-0 aos 85’, eu começava a achar que poderíamos ser campeões. E que a marcha do marcador que queria era dois golos na 1ª parte e outro a abrir a segunda. E ele poderia ter surgido pelo Mitroglou, que atirou por cima logo aos 46’ depois de uma boa jogada do Jonas. Já se sabe que o 2-0 é uma boa vantagem, desde que o adversário não marque, porque isso voltaria inevitavelmente a tornar o jogo aberto. O Samaris entrou logo aos 53’, ainda pensei que fosse para o lugar do Talisca, que já tinha amarelo, mas foi para substituir o Fejsa, que tinha ficado com um corte no sobrolho no lance de que resultou o nosso segundo golo. Até que aos 65’, veio o tão desejado terceiro golo, noutra boa jogada do Jonas, que assistiu o Mitroglou que conseguiu atirar à barra quando estava na pequena-área e com a baliza escancarada(!), mas felizmente o Gaitán estava atento e de cabeça no ressalto atirou lá para dentro. O estádio começou logo a cantar “campeões”, mas o Rui Vitória, e muito bem, tentou refrear os ânimos da equipa, até porque logo a seguir o Pizzi perdeu uma bola a meio-campo que deu origem a um contra-ataque perigoso. Era fundamental a equipa não perder a concentração. O Jiménez entrou para o lugar do Mitroglou, mas o estádio pedia o Paulo Lopes e o Rui Vitória, e novamente muito bem, fez-lhe a vontade a cerca de 10’ do fim. O Nacional já não conseguia ligar bem o jogo, a pressão e o barulho do estádio era ensurdecedora, e aos 84’, em nova assistência do Jonas, o Pizzi fuzilou o Gottardi. A partir daqui, relaxei e tive a certeza que seríamos tricampeões! J Mas como não há bela sem senão, voltámos a sofrer um golo nos descontos, pelo Agra, que nos tirou a possibilidade de sermos igualmente a melhor defesa do campeonato (22 contra 21 da lagartada). Resta-nos contentarmo-nos com termos o melhor ataque (uns incríveis 88 golos, média de 2,6/jogo, a nove de distância do segundo classificado), o melhor marcador (Jonas, com 32 golos) e a maior pontuação de sempre num campeonato! Coisa pouca, portanto...
Em termos individuais, e depois de uma época em que não esteve a 100% por causa das malfadadas lesões, foi bom o mágico Gaitán ter contribuído com dois golos e uma assistência para o 35. Realce igualmente para o Jonas, pelo golo e duas assistências (além disso, gosto sempre bastante que ganhemos os melhores marcadores). O Grimaldo voltou a mostrar bons pormenores e qualidade técnica, mas não sei se o seu físico lhe permitirá ser uma opção constante para o futuro, porque bolas divididas inevitavelmente perde-as sempre. O resto da equipa esteve bem.
O balanço desta época merecerá um post próprio depois dela acabar, mas este foi dos títulos mais sofridos de que me lembro. Foi inevitável caírem as lágrimas a rodos quando o árbitro apitou para o final, porque foi o libertar de muita tensão acumulada (estes últimos jogos tiraram-me anos de vida...). Com o que se passou no início da época, nunca acreditei que isto fosse possível. FELIZMENTE que me enganei redondamente!
TRICAMPEÕES, TRICAMPEÕES, NÓS SOMOS TRICAMPEÕES!
VIVA O BENFICA!
segunda-feira, maio 09, 2016
Fulcral
Vencemos o Marítimo nos Barreiros por 2-0 e estamos a uma vitória de
alcançar o tricampeonato, feito que não conseguimos há 39 anos. Tal como se
esperava foi um jogo muito difícil, mas em que ao contrário dos últimos
(especialmente Rio Ave a V. Guimarães) subimos o nível exibicional e
consequentemente voltámos a criar várias oportunidades de golo.
Com o Gaitán novamente lesionado, o Rui Vitória apostou no Carcela e
durante a 1ª parte o marroquino foi dos poucos que acelerava o nosso jogo.
Justiça lhe seja feita que o Marítimo, apesar de inexplicavelmente ter deixado
vários titulares amarelados de fora frente ao Estoril na jornada anterior, não
deu a cacetada nem fez o antijogo de alguns dos adversários anteriores.
Começámos a partida melhor do que as anteriores, mas não estávamos a conseguir
chegar com perigo à área contrária, até que aos 30’ o Jonas resolveu pegar na
bola, fintar alguns adversários e rematar com estrondo… à barra! Logo a seguir,
uma cabeçada do brasileiro foi optimamente defendida pelo Salin. Antes destas
oportunidades, já o Renato Sanches tinha caído na área contrária num lance
bastante duvidoso (para dizer o mínimo), em que o sr. Fábio Veríssimo resolveu
mostrar-lhe amarelo por simulação em vez de assinalar penalty. Aliás, a
arbitragem já vinha dando nota de um critério bastante apertado, porque
qualquer toque num jogador maritimista era logo falta. Aos 37’, eu vi o
campeonato todo a andar para trás: inexplicavelmente o Renato Sanches derrubou
com um toque por trás um adversário, quando não tinha hipótese nenhuma de jogar
a bola. Ia o adversário isolado para a baliza…? Não! Era um lance de iminente
perigo…? Não! Estava na linha lateral! Foi um lance à la Carlos Martins, que poderia ter significado o sonho do 35… A
idade não é desculpa! Dezoito anos já é considerado maior e um jogador de
futebol tem que saber usar o cérebro a jogar. Se já tem amarelo, tem que se
conter, caso contrário pode colocar toda uma época em jogo. Inadmissível! Felizmente
reagimos bem ao facto de estarmos com dez e, até ao intervalo, ainda houve um
remate do Mitroglou que passou perto do poste.
Dois Lexotans de 1,5mg fazem maravilhas no que toca a não ficar num estado
de nervos absolutamente explosivo e, com esta expulsão, ainda mais calmo fiquei,
porque as minhas esperanças ficaram reduzidas aos serviços mínimos. Mas graças
a Eusébio os jogadores do Benfica, mais uma vez, mostraram que assimilaram bem
a grandeza do clube e fizeram uma 2ª parte brilhante. Depois de azar da bola na
barra do Jonas, tivemos sorte em marcar logo aos 48’ numa jogada em que acabou
por ser um corte defeituoso do jogador do Marítimo a isolar o Mitroglou, que
desviou a bola do Salin. Foi uma explosão de alegria lá em casa! Pouco depois,
num canto, houve um choque de cabeças entre o Jardel e um central adversário,
Maurício, que perdeu os sentidos e teve que ser levado para o hospital.
Felizmente foi só um susto. Quando a partida foi retomada sete minutos depois (houve
10’ de compensação), o Rui Vitória tinha decisões para tomar, porque não tinha
feito (e bem) nenhuma substituição depois da acefalia do Renato Sanches, mas
agora só o Fejsa no meio-campo parecia pouco: entrou o Talisca para o lugar do
Carcela (embora eu achasse que fazia mais sentido ter entrado o Samaris) aos
66’. Três minutos depois, o Salin voltou a entrar em acção por duas vezes num
grande remate de fora da área do Jonas e na recarga do Pizzi, em que defendeu
com a anca! O Marítimo ia fazendo substituições, mas não conseguia criar um
lance de verdadeiro perigo, com excepção de um golo bem anulado por
fora-de-jogo 78’. Um minuto depois (não esquecer que ainda faltavam 21’ para o
final), lá entrou o Samaris para o lugar do Jonas e o nosso meio-campo ficou
mais consistente. Até que aos 83’, este mesmo Samaris é derrubado numa zona
mesmo a pedir um remate de pé esquerdo. Todos nós nos lembrámos do Bayern, o
Talisca também, concentrou-se bastante e atirou lá para dentro! Confesso que me
vieram as lágrimas aos olhos! Até final, ainda entrou o Jiménez para o lugar do
Mitroglou, que atirou a nossa segunda bola à barra já em período de compensação!
Pouco depois terminava o jogo, que foi curiosamente o mais calmo dos últimos cinco,
apesar de termos tido um jogador a menos durante a maior parte do tempo.
Em termos individuais, destaque para o Fejsa, o tampão impressionante do
meio-campo, para o Mitroglou por mais uma vez não falhar quando está só com o
guarda-redes pela frente e para o Talisca, que para além do golo que selou a
vitória fartou-se de lutar em termos defensivos. Ao Jonas couberam as melhores
oportunidades e foi pena que não tivesse marcado, porque era mais que justo. Os
centrais Lindelof e Jardel foram os esteios do costume. Quando ao Renato, não
vale a pena acrescentar mais ao que já disse, bem pode agradecer aos colegas
por não se tornar no novo Carlos Martins. Se é bem verdade que a nossa subida
exibicional a partir de determinada altura tem a sua assinatura, nos últimos
jogos tem descido a pique e é com muito pouca insatisfação que o vejo de fora
frente ao Nacional.
Estamos a apenas uma vitória de sermos campeões. Mas é bom que estejamos
consciente que estamos a ainda uma vitória de sermos campeões. A nós
ninguém nos dá nada de mão beijada e os jogos não se ganham antes de serem
disputados. Temos exemplos por essa Europa fora que nos têm que fazer estar
alerta. Faltam três pontos. Ainda faltam três pontos.
terça-feira, maio 03, 2016
Sétima final
Vencemos o Braga por 2-1 e em nove edições da Taça da Liga vamos marcar
presença pela sétima vez na final. Naturalmente que esperamos obter a sétima
vitória. Foi uma partida com duas partes completamente distintas, em que na 1ª
quase não se viu a nossa equipa, mas a 2ª foi bastante razoável.
Com o decisivo jogo na Madeira no próximo domingo, o Rui Vitória só fez
alinhar o Ederson, Lindelof e Renato Sanches dos habituais titulares. Destaque
para o regresso do capitão Luisão, quase cinco meses depois do penalty que
sofreu no jogo da Taça no WC lhe ter partido o braço. Até nem entrámos mal no
jogo, mas sofremos um golo relativamente cedo (19’) através de um remate do
Rafa que ainda embateu no poste antes de entrar. Logo a seguir, um remate cruzado
do Braga saiu um pouco ao lado e a produção atacante do adversário ficou por
aqui até ficar em desvantagem no segundo tempo. A nossa 1ª parte foi
exasperante: o Renato está muito fora de forma e emperrou muito o nosso jogo a
meio-campo. Nos extremos, o Salvio está irreconhecível e o Carcela no outro
lado também não dispôs de grandes oportunidades. O Braga fechava-se muito bem e
sem velocidade da nossa parte era impossível marcarmos. Um remate do Jiménez
foi a única hipótese que tivemos.
Na 2ª parte, o Rui Vitória colocou de reinício o Jonas no lugar do Renato e
as coisas melhoraram a olhos vistos. A velocidade foi logo outra e chegámos ao
empate aos 58’ pelo brasileiro depois de uma abertura fantástica do Carcela,
que o isolou. Pouco depois, o Jiménez e o Jonas atrapalharam-se mutuamente e o
remate do mexicano saiu enrolado e ao lado. No entanto, aos 71’ colocámo-nos
finalmente na posição de vencedor numa abertura do Jonas em que o Matheus sai
da baliza, mas falha clamorosamente o pontapé o Jiménez só teve que encostar
para a baliza deserta. Até final, o Braga lembrou-se que havia baliza do outro
lado do campo e ainda nos criou perigo por duas ocasiões, mas a nossa vitória é
mais do que justa.
Em termos individuais, destaque para o Jonas que, com um golo e uma
assistência, foi o homem do jogo. Também gostei do Jiménez, sempre muito
batalhador, e do Lindelof, que está feito um senhor central. O Luisão acusou
naturalmente falta de ritmo, bem como o Sílvio. O Grimaldo demorou um bocado a
libertar-se, mas acabou por fazer uma boa 2ª parte. O Salvio está ainda longe
de se poder constituir como uma opção e é pena, porque o Pizzi também não está
jogar nada. O Renato parece-me estar a precisar urgentemente de férias.
O nosso foco está todo centrado no jogo de domingo, mas esta partida era
importante por causa do nosso magnífico registo nesta competição. Além de que,
esta vitória e o modo como foi obtida (com reviravolta do marcador), são um bom
elemento de motivação para o Marítimo. Fecharmos a época sempre com a presença
numa final é algo que nos fica muito bem.
domingo, maio 01, 2016
Check-up cardíaco
Vencemos na 6ª feira o V. Guimarães por 1-0 e continuamos na liderança do
campeonato com dois pontos de vantagem sobre a lagartada, que foi ganhar ontem a Mordor por 3-1. Foi a quinta
vitória pela margem mínima nos últimos seis jogos e voltou novamente a ser
muito sofrida. Esta parte final da época está a ser um teste ao funcionamento
cardíaco de seis milhões de pessoas.
Com 60.351 espectadores nas bancadas, não esperava um jogo fácil, mas
também não um tão sofrido. Voltámos a apresentar a melhor equipa, mas
deparámo-nos com o V. Guimarães a jogar uma final da Champions… Nada contra isto, pelo contrário, mas escusavam era de
ter abusado do antijogo logo na 1ª parte (e depois admiram-se dos cinco minutos
de descontos…). Fecharam a baliza a sete chaves e nós só tivemos uma
oportunidade de golo num remate de recarga do Mitroglou que passou ao lado. Foi
muito pouco para 45’ e a apreensão ao intervalo era geral. A equipa não
conseguia imprimir velocidade, principalmente porque há muitos jogadores, que
têm sido decisivos, em nítido abaixamento de forma.
Entrar forte na 2ª parte era essencial, porque o tempo estava a correr
contra nós. E felizmente assim foi! Livre para a área do Gaitán logo aos 47’ e
cabeçada fantástica do Jardel para o fundo das redes. Um golo muito semelhante
ao do Jonas frente ao Zenit. Foi uma explosão de alegria no estádio e
esperava-se que, estando o mais difícil feito, o V. Guimarães abrisse e nós
tivemos oportunidade de acabar com o jogo. No entanto, nada disto aconteceu.
Quer dizer, aconteceu que o adversário veio à procura do empate, mas nós não
tivemos nem arte nem engenho para fazer perigar a baliza deles durante a maior
parte do tempo. Uma fífia do Jardel só não deu o empate, porque o André Almeida
foi decisivo por duas vezes e noutro lance foi uma mancha fabulosa do Ederson a
impedir o golo contrário. O Salvio tinha entrado aos 61’ para o lugar do inconsequente
Pizzi, mas não trouxe nada de novo, ao contrário do Jiménez, que substituiu o
Mitroglou aos 68’. O mexicano teve os nossos dois melhores lances de golo, num
remate de letra que foi defendido pelo João Miguel (mas o sr. Bruno Paixão
assinalou pontapé de baliza) – seria um dos golos do campeonato – e outro
remate de fora da área que embateu estrondosamente na barra. Até final,
estivemos sempre em suspense, mas o
V. Guimarães não criou mais nenhuma situação de golo, e ainda deu para o André
Almeida forçar o segundo amarelo para ficar de fora na meia-final da Taça da
Liga e ficar disponível para a ida ao Marítimo. Foi um alívio imenso quando o
árbitro apitou para o final e saí do estádio novamente com a sensação de ter
perdido 10 anos de vida.
O melhor em campo foi indiscutivelmente o Fejsa. Um verdadeiro tampão a
meio-campo, se estivesse sempre fisicamente disponível as coisas seriam muito
mais fáceis para nós. Basta comparar os golos que sofremos com e sem ele em
campo. Tendo marcado o golo da vitória, é óbvio que também tem que se referir o
Jardel, embora aquele falhanço incrível pudesse ter deitado tudo a perder. Foi
pena, porque tirando isso esteve impecável. Nova vitória com o carimbo do
Ederson e desta feita também do André Almeida, com dois cortes que entrarão
para os lances decisivos do campeonato se ganharmos o 35. Do meio-campo para a frente
é que estão os problemas: o Renato Sanches é humano e muito já fez ele nesta
época, o Gaitán só fez uma aceleração em toda a partida (mas a assistência
primorosa no livre é dele), o Pizzi é uma não–existência nos tempos que correm,
e os avançados têm muito pouca bola em zonas de finalização. O problema é que
olhamos para o banco e, tirando o Jiménez, não vemos ninguém que possa
substituir estes titulares. Até agora, a força de vontade dos jogadores e, já
agora, também dos adeptos tem ajudado a superar estas limitações. Esperemos que
seja suficiente para mais dois jogos.
Teremos nesta 2ª feira a meia-final da Taça da Liga e obviamente é para
ganhar. Jogamos em nossa casa e temos um registo invejável nesta competição.
Mas, apesar de irmos defrontar um adversário difícil como o Braga, o Rui
Vitória irá certamente rodar a equipa, porque o jogo na Madeira no próximo
domingo é absolutamente fundamental e, neste momento, não temos frescura física
para termos os titulares em ambos.
P.S. – Quando nos dava jeito que a lagartada
tirasse pontos às forças do Mal, a maior parte das vezes perdia.
Excepcionalmente, ontem era melhor para nós o contrário e foram lá ganhar. A
aliança anti-Benfica funciona sempre a preceito e, de facto, só podemos contar
connosco próprios.
segunda-feira, abril 25, 2016
Sofrimento
Vencemos em Vila do Conde (1-0) e mantivemos a distância de dois pontos
para a lagartada, quando faltam agora
três jornadas para o final do campeonato. Tal como se previa, foi uma partida
tremendamente difícil e, embora não tenhamos feito uma exibição por aí além, a
nossa vitória é mais do que justa.
Entrámos com a equipa habitual e logo no primeiro minuto um defesa do Rio
Ave desvia com a cabeça uma bola cabeceada pelo Jardel que estava prestes a
entrar na baliza, na sequência de um canto do Gaitán. Tivemos um outro lance de
perigo, com um remate do argentino, que passou muito perto do poste, com o
Cássio especado no terreno. Na nossa baliza, à excepção de uma cabeçada ao lado
do Vilas Boas num livre, nunca estivemos em verdadeiro perigo. Dois lances para
golo em 45’ é manifestamente pouco e eu estava muito apreensivo para a 2ª
parte, até porque o Rio Ave estava a conseguir controlar-nos muito bem.
A 2ª parte começou bem melhor e em minutos consecutivos (54’ e 55’)
falhámos duas clamorosas situações, com remates à figura do Gaitán e Jonas quando
estavam sós com o Cássio pela frente. Pouco depois, foi o Mitroglou num desvio
num canto a atirar a rasar o poste. O Rui Vitória percebeu finalmente que o
Pizzi estava uma nulidade e lançou o Salvio. Mas foi a entrada do Jiménez para
o lugar do Mitroglou que decidiu a partida: centro do André Almeida para a
área, aos 73’, corte defeituoso do André Villas Boas a levar a bola em balão
para a trave e, na recarga, o mexicano a atirá-la finalmente para dentro da
baliza. Até final, não houve mais nada a registar, somente o facto de o Jiménez
também ter sido decisivo na defesa, ao interceptar uma cabeçada ao primeiro
poste num canto no último minuto da compensação.
Em termos individuais, destaque inteirinho para o Jiménez, que voltou a ser
decisivo. Os centrais voltaram a estar seguríssimos e o Ederson foi um
espectador durante os 90’. O Jonas fartou-se de vir buscar bolas cá atrás,
porque as mesmas não lhe chegavam em condições. Mas o nosso maior problema
actualmente é o abaixamento de forma de uma série de jogadores na frente: o Pizzi
voltou a fazer uma partida de fugir e não foi por acaso que foi o primeiro a
ser substituído; o Renato em termos atacantes já foi mais decisivo do que é
agora; ao Gaitán, falta-te ritmo depois de tantas lesões; se as bolas não lhes
chegam em condições, é difícil ao Jonas e Mitroglou fazerem melhor…
Este era um jogo crucial e portanto eu estava inusitadamente nervoso. Todos
sabíamos que uma escorregadela nossa colocava a lagartada eufórica em vésperas de ir a Mordor. Felizmente isso não
aconteceu e com enorme sofrimento conseguimos manter a liderança isolados.
Faltam três jogos…
P.S. – Esta arbitragem do sr. Artur Soares Dias tem muito que se lhe diga…
A falta e o amarelo ao Eliseu, depois de ter sofrido uma falta muito pior na
área em que o árbitro nada assinalou, entra directamente para o anedotário
nacional
terça-feira, abril 19, 2016
Gelar
Vencemos o V. Setúbal por 2-1 e mantivemos a distância para a lagartada que tinha ganho (1-0) em
Moreira de Cónegos, com um golo do Slimani um metro fora-de-jogo. Os jogos
seguintes a eliminatórias europeias costumam ser sempre complicados, mas eu esperava
que este, com cinco dias de intervalo e o tridente ofensivo de volta, não o
fosse. Mal sabia eu…
Entrada pior só com um golo directo do meio-campo! Sofremos o 0-1 aos 14
segundos de jogo pelo André Claro! Repito: 14 segundos!!! Não é que o Braga não
tivesse já prometido com a bola ao poste, mas tivemos novamente uma desconcentração
inacreditável da nossa equipa. Com o Nelson Semedo no lugar do André Almeida
(possivelmente poupado para Vida do Conde por causa dos amarelos) e os já
referidos Gaitán, Jonas e Mitroglou de volta, embalámos para os melhores 25’ da
temporada. A pressão sobre o V. Setúbal foi sufocante e as coisas começaram
logo a cheirar-me mal, quando o guarda-redes Ricardo, emprestado pelo CRAC,
começou a fazer grandes defesas. Era inevitável lembrar-me de uma reedição disto. Jonas, Mitroglou (por
duas vezes) e Jardel ou permitiam que ele brilhasse, ou falhavam o último
desvio. No meio deste vendaval, os sadinos tiveram outra grande oportunidade,
mas o cabeceamento em balão do André Claro saiu felizmente ao lado do poste.
Aos 19’, chegávamos finalmente ao empate pelo inevitável Jonas após um
cruzamento do Eliseu desviado de cabeça pelo Gaitán. Aos 24’, demos a volta ao
marcador num canto bem apontado pelo génio argentino com cabeçada brilhante do
Jardel. Até ao intervalo, a partida baixou inevitavelmente de ritmo e mesmo
antes da saída para os balneários o Pizzi falhou isolado o golo da
tranquilidade ao levantar demasiado a bola num chapéu sobre o guarda-redes, que deu tempo a um defesa de ir lá
cortar de cabeça. À semelhança de Coimbra, o Pizzi voltou a falhar um golo
muito importante perto do intervalo. Mas isto não era nada perante o que se
passou depois…
A 2ª parte é muito rápida de contar: demos o estoiro fisicamente e só
tivemos um lance de perigo numa cabeçada do Fejsa que o Ricardo defendeu para
canto. Do outro lado, os 200 mil euros que se diz que a lagartada ofereceu aos jogadores vitorianos pareciam estar a sortir
efeito, porque passámos por alguns calafrios, com o Arnold na frente a dar
muito trabalho ao Jardel, o Ederson a fazer uma mancha sobre o Ruça e um par de cortes providenciais do Lindelof a
cruzamentos muito perigosos. As nossas substituições não resultaram e a equipa
não conseguia controlar a jogo. Nos últimos 10’, embalados pelo público, lá
jogámos mais no meio-campo adversário, mas falta-nos alguma ratice para, por
exemplo, marcar os cantos curtos e ficar com a bola na bandeirola de canto
quando já estamos em tempo de compensação. Até que chegámos ao minuto 92’, que
tão fatídico foi num passado recente. Há lances que marcam os jogos e os
jogadores para todo o sempre: irei viver menos cinco anos por o Nuno Gomes (jogador
que eu adorava) ter resolvido simular um penalty em vez de fazer o 2-2 em
Trondheim, lançando-nos para uma 2ª parte em que o Moreira se tornou um herói;
penso muitas vezes no que teria acontecido se esta bola do Simão tem entrado; iríamos
provavelmente à final se o Nuno Gomes não tem tirado este golo certo ao Simão;
para mim, mais do que o Roderick, foi o desequilibrado mental do Carlos Martins
que nos impediu de estar agora a lutar por um inédito tetra. Tudo isto para
dizer, que a um minuto do final da compensação, o Pizzi resolveu poupar uma
fortuna ao SNS a fazer check-ups ao
coração de seis milhões de pessoas… Do meio-campo(!), resolveu atrasar uma bola
para o Ederson, que saiu curta demais e isolou o Arnold…! Foi a primeira vez
num jogo que, num lance de iminente golo, eu virei a cara para o lado por
décimos de segundos. O mundo parou e eu gelei! Já sei o que se sente quando se
vê a vida toda a passar-nos perante os olhos em fracções de segundo. Por
aqueles breves momentos, eu vi o 35 a ir ao ar e o Pizzi a tornar-se, como me
disseram no final, o novo Carlos Martins. Aquela corrida do Arnold pareceu
demorar uma eternidade e o mundo estava em suspenso… Felizmente, o avançado
adiantou ligeiramente a bola a tentar dominá-la e o Ederson, rapidíssimo,
conseguiu cortá-la com os pés, com a recarga do André Claro a sair ao lado, mas
sendo a trajectória da bola controlada pelo Lindelof. No mínimo, no MÍNIMO, o
Pizzi deveria oferecer metade do seu ordenado ao Ederson por o ter livrado de
ter toda uma carreira marcada por este lance. E marcar o golo do tri. E do
tetra. E do penta. Aí estará desculpado por ter dado um passo em frente quando
estávamos à beira do abismo…
Em termos individuais, é difícil destacar alguém, quando toda a equipa
esteve brilhante nos primeiros 25’ (menos os 14 segundos iniciais) e tão
sofrível no resto do tempo. Menção para o 31º golo do Jonas, que voltou a ter
sete golos de vantagem para o Slimani nos melhores marcadores, e para o
excelente cabeceamento do Jardel. E, claro, uma grande palavra para o Ederson,
cuja defesa, caso sejamos tricampeões, entrará directa para a nossa história.
Ao invés, o Nelson Semedo terá feito uma das piores exibições da sua carreira.
Jogámos indiscutivelmente com menos um.
À semelhança de Coimbra, uma hora depois de o jogo ter acabado, eu ainda
estava com o coração ao pé da boca. Isto já vai ser difícil e sofrido o
suficiente até ao fim, não é preciso que os jogadores do Benfica façam
assistência de golo para os adversários…! Acho que só daqui a dois dias é que
cairei em mim. Mas aí já estarei em sofrimento por causa de Vila do Conde.
Aliás, já estou agora…!
quinta-feira, abril 14, 2016
Grandes
Empatámos com o Bayern (2-2) e a nossa brilhante participação deste ano na Champions terminou nos quartos-de-final.
Foi um jogo muito intenso em que, com um bocadinho de sorte, até poderíamos ter
ganho. Para quem desejava duas goleadas germânicas, ver o Benfica ser eliminado
apenas por um golo, com uma derrota e um empate, constitui certamente uma
desilusão. A mim, esta eliminatória encheu-me de orgulho.
A minha vida sem o Benfica não fazia sentido. Não obstante isto, eu não sou cego. Sei perfeitamente ver que um qualquer Paulo Almeida não se torna o melhor trinco do mundo, só porque tem a nossa camisola vestida. Serve este preâmbulo para dizer que, se já se sabia que eliminar o Bayern seria tremendamente difícil, entrarmos no jogo da 2ª mão sem os nossos três melhores jogadores (Gaitán e Mitroglou lesionados, e Jonas castigados) tornava a tarefa praticamente impossível. Aliás, até acho que seria da mais elementar justiça entregarem-nos já a taça caso isso acontecesse. Portanto, sentei-me bastante calmo no meu lugar e com vontade de desfrutar do jogo. O Rui Vitória não tinha muitas opções e apostou no Salvio, Carcela e Jiménez para o ataque. O jogo foi o que se esperava: o Bayern roça a perfeição no aspecto da circulação de bola. A percentagem de passes bem sucedidos de flanco a outro é absolutamente inacreditável. No entanto e à semelhança de Munique, nós defendemos muito bem. Tivemos um livre perigoso pelo Eliseu logo no início, mas o remate desviou na barreira para canto e os alemães tiveram um desvio do Muller depois de um cruzamento que passou ao lado da baliza. Ou seja, não houve assim grandes ocasiões de perigo até aos 27’, quando o Eliseu fez a melhor assistência da sua carreira num centro largo para área e o Jiménez se antecipou ao Neuer, batendo outros dois defesas pelo caminho. Igualávamos a eliminatória e as fundações do estádio portaram-se muito bem perante o vulcão que explodiu! Logo a seguir, o mesmo Jiménez não contou com um falhanço de um defesa e rematou já em dificuldades, quando estava em óptima posição para fazer o segundo golo, depois de um centro rasteiro do Salvio. Teria sido fantástico fazer dois golos de rajada…! Ao ver-se em desvantagem, o Bayern desconcentrou-se nos minutos seguintes e o futebol matemático não saiu tão perfeito. Sonhámos durante 11’, porque aos 38’ o Arturo Vidal, num fabuloso remate de primeira de fora da área depois de um centro tenso do Lahm, que o Ederson aliviou, voltou a empatar a partida e a colocar os bávaros bem na frente da eliminatória. Foi uma pena não termos conseguido chegar ao intervalo em vantagem.
Na 2ª parte, os alemães continuaram com a sua pornográfica posse de bola a roçar os 70% e aos 52’ deram a machadada final na decisão ao fazer o 1-2 pelo Muller, num desvio depois de uma assistência de cabeça do Javi Martínez na sequência de um canto. A partir daqui, esperei que a nossa equipa não se desconcentrasse na tentativa de pelo menos não perder a partida. Entretanto, o Rui Vitória fez entrar o Gonçalo Guedes para o lugar do apagadíssimo Pizzi, mas os alemães continuavam a pressionar e, não fosse uma saída fantástica do Ederson aos pés de um adversário e o poste que defendeu o remate do Douglas Costa, o jogo teria ficado decidido. O Talisca também entrou para o lugar do Salvio e aos 76’ teve um livre à entrada da área mesmo à sua medida: o Gonçalo Guedes escapou-se à defesa do Bayern e foi derrubado pelo Javi Martínez, num lance em que o sr. Björn Kuipers bem poderia ter mostrado o vermelho. O brasileiro concentrou-se na marcação e fez um golão! Pouco depois, o mesmo Talisca noutro livre fez a bola passar muito perto do poste. E na última jogada do encontro, o Jovic (que tinha substituído o Eliseu) não conseguiu dominar na perfeição um passe do Talisca, mas mesmo assim rematou para defesa do Neuer. Teria sido lindo acabar o jogo com o golo da vitória…!
Em termos individuais, destaque principal para o Jiménez e o André Almeida. O mexicano foi durante largos minutos o nosso melhor jogador, com a mais-valia de ter marcado um golo e o defesa-direito voltou a estar muito bem com o Ribéry pela frente. O Ederson teve uma exibição quase perfeita, só com o senão de um lance em que ia dando um frango descomunal perante um remate do Vidal com 1-2 no marcador. Os centrais, Lindelof e Jardel, mostraram-se novamente muito seguros e mesmo o Eliseu viu a sua exibição coroada com a assistência para o primeiro golo. No meio-campo, o Fejsa teve a importância habitual e o Renato Sanches impressiona pela forma como parece que defronta monstros do futebol europeu há imenso tempo… O Salvio ainda está longe de forma que o notabilizou, mas mesmo assim esteve muito melhor do que o Carcela e o Pizzi, que passaram ao lado do jogo. O Gonçalo Guedes e o Talisca entraram muito bem, e bastaria ter um só neurónio para o brasileiro ser um grande jogador…! É que qualidade técnica não lhe falta e tem a grande vantagem de rematar muito bem. O Jovic teria uma estreia épica na Champions, caso aquela bola tivesse entrado…
A enorme ovação com que o público brindou a equipa no final da partida deu bem mostra do grau de satisfação com que saímos do estádio. Sem os três principais jogadores, enfrentámos o colosso alemão de frente e mostrámos que somos, de facto, muito grandes. Enquanto outros no passado, apesar de terem ganho um jogo, foram de tal forma humilhados depois que essa vitória não ficou na história, nós tivemos uma prestação muito digna e a alegria com que os alemães festejaram o apuramento diz bem da dificuldade que sentiram. Olhando para os números a frio, fomos eliminados por um golo… Um golo! Agora, é descansar bem e aproveitar esta embalagem para assegurar o 35. É que tanto quem está lá dentro, como nós cá fora, merecemos! (E, principalmente, quem está a conseguir inacreditavelmente suplantar o nível de nojeira que era típico de um clube mais a norte é que não merece mesmo!)
A minha vida sem o Benfica não fazia sentido. Não obstante isto, eu não sou cego. Sei perfeitamente ver que um qualquer Paulo Almeida não se torna o melhor trinco do mundo, só porque tem a nossa camisola vestida. Serve este preâmbulo para dizer que, se já se sabia que eliminar o Bayern seria tremendamente difícil, entrarmos no jogo da 2ª mão sem os nossos três melhores jogadores (Gaitán e Mitroglou lesionados, e Jonas castigados) tornava a tarefa praticamente impossível. Aliás, até acho que seria da mais elementar justiça entregarem-nos já a taça caso isso acontecesse. Portanto, sentei-me bastante calmo no meu lugar e com vontade de desfrutar do jogo. O Rui Vitória não tinha muitas opções e apostou no Salvio, Carcela e Jiménez para o ataque. O jogo foi o que se esperava: o Bayern roça a perfeição no aspecto da circulação de bola. A percentagem de passes bem sucedidos de flanco a outro é absolutamente inacreditável. No entanto e à semelhança de Munique, nós defendemos muito bem. Tivemos um livre perigoso pelo Eliseu logo no início, mas o remate desviou na barreira para canto e os alemães tiveram um desvio do Muller depois de um cruzamento que passou ao lado da baliza. Ou seja, não houve assim grandes ocasiões de perigo até aos 27’, quando o Eliseu fez a melhor assistência da sua carreira num centro largo para área e o Jiménez se antecipou ao Neuer, batendo outros dois defesas pelo caminho. Igualávamos a eliminatória e as fundações do estádio portaram-se muito bem perante o vulcão que explodiu! Logo a seguir, o mesmo Jiménez não contou com um falhanço de um defesa e rematou já em dificuldades, quando estava em óptima posição para fazer o segundo golo, depois de um centro rasteiro do Salvio. Teria sido fantástico fazer dois golos de rajada…! Ao ver-se em desvantagem, o Bayern desconcentrou-se nos minutos seguintes e o futebol matemático não saiu tão perfeito. Sonhámos durante 11’, porque aos 38’ o Arturo Vidal, num fabuloso remate de primeira de fora da área depois de um centro tenso do Lahm, que o Ederson aliviou, voltou a empatar a partida e a colocar os bávaros bem na frente da eliminatória. Foi uma pena não termos conseguido chegar ao intervalo em vantagem.
Na 2ª parte, os alemães continuaram com a sua pornográfica posse de bola a roçar os 70% e aos 52’ deram a machadada final na decisão ao fazer o 1-2 pelo Muller, num desvio depois de uma assistência de cabeça do Javi Martínez na sequência de um canto. A partir daqui, esperei que a nossa equipa não se desconcentrasse na tentativa de pelo menos não perder a partida. Entretanto, o Rui Vitória fez entrar o Gonçalo Guedes para o lugar do apagadíssimo Pizzi, mas os alemães continuavam a pressionar e, não fosse uma saída fantástica do Ederson aos pés de um adversário e o poste que defendeu o remate do Douglas Costa, o jogo teria ficado decidido. O Talisca também entrou para o lugar do Salvio e aos 76’ teve um livre à entrada da área mesmo à sua medida: o Gonçalo Guedes escapou-se à defesa do Bayern e foi derrubado pelo Javi Martínez, num lance em que o sr. Björn Kuipers bem poderia ter mostrado o vermelho. O brasileiro concentrou-se na marcação e fez um golão! Pouco depois, o mesmo Talisca noutro livre fez a bola passar muito perto do poste. E na última jogada do encontro, o Jovic (que tinha substituído o Eliseu) não conseguiu dominar na perfeição um passe do Talisca, mas mesmo assim rematou para defesa do Neuer. Teria sido lindo acabar o jogo com o golo da vitória…!
Em termos individuais, destaque principal para o Jiménez e o André Almeida. O mexicano foi durante largos minutos o nosso melhor jogador, com a mais-valia de ter marcado um golo e o defesa-direito voltou a estar muito bem com o Ribéry pela frente. O Ederson teve uma exibição quase perfeita, só com o senão de um lance em que ia dando um frango descomunal perante um remate do Vidal com 1-2 no marcador. Os centrais, Lindelof e Jardel, mostraram-se novamente muito seguros e mesmo o Eliseu viu a sua exibição coroada com a assistência para o primeiro golo. No meio-campo, o Fejsa teve a importância habitual e o Renato Sanches impressiona pela forma como parece que defronta monstros do futebol europeu há imenso tempo… O Salvio ainda está longe de forma que o notabilizou, mas mesmo assim esteve muito melhor do que o Carcela e o Pizzi, que passaram ao lado do jogo. O Gonçalo Guedes e o Talisca entraram muito bem, e bastaria ter um só neurónio para o brasileiro ser um grande jogador…! É que qualidade técnica não lhe falta e tem a grande vantagem de rematar muito bem. O Jovic teria uma estreia épica na Champions, caso aquela bola tivesse entrado…
A enorme ovação com que o público brindou a equipa no final da partida deu bem mostra do grau de satisfação com que saímos do estádio. Sem os três principais jogadores, enfrentámos o colosso alemão de frente e mostrámos que somos, de facto, muito grandes. Enquanto outros no passado, apesar de terem ganho um jogo, foram de tal forma humilhados depois que essa vitória não ficou na história, nós tivemos uma prestação muito digna e a alegria com que os alemães festejaram o apuramento diz bem da dificuldade que sentiram. Olhando para os números a frio, fomos eliminados por um golo… Um golo! Agora, é descansar bem e aproveitar esta embalagem para assegurar o 35. É que tanto quem está lá dentro, como nós cá fora, merecemos! (E, principalmente, quem está a conseguir inacreditavelmente suplantar o nível de nojeira que era típico de um clube mais a norte é que não merece mesmo!)
Subscrever:
Mensagens (Atom)









