terça-feira, maio 03, 2016
Sétima final
Vencemos o Braga por 2-1 e em nove edições da Taça da Liga vamos marcar
presença pela sétima vez na final. Naturalmente que esperamos obter a sétima
vitória. Foi uma partida com duas partes completamente distintas, em que na 1ª
quase não se viu a nossa equipa, mas a 2ª foi bastante razoável.
Com o decisivo jogo na Madeira no próximo domingo, o Rui Vitória só fez
alinhar o Ederson, Lindelof e Renato Sanches dos habituais titulares. Destaque
para o regresso do capitão Luisão, quase cinco meses depois do penalty que
sofreu no jogo da Taça no WC lhe ter partido o braço. Até nem entrámos mal no
jogo, mas sofremos um golo relativamente cedo (19’) através de um remate do
Rafa que ainda embateu no poste antes de entrar. Logo a seguir, um remate cruzado
do Braga saiu um pouco ao lado e a produção atacante do adversário ficou por
aqui até ficar em desvantagem no segundo tempo. A nossa 1ª parte foi
exasperante: o Renato está muito fora de forma e emperrou muito o nosso jogo a
meio-campo. Nos extremos, o Salvio está irreconhecível e o Carcela no outro
lado também não dispôs de grandes oportunidades. O Braga fechava-se muito bem e
sem velocidade da nossa parte era impossível marcarmos. Um remate do Jiménez
foi a única hipótese que tivemos.
Na 2ª parte, o Rui Vitória colocou de reinício o Jonas no lugar do Renato e
as coisas melhoraram a olhos vistos. A velocidade foi logo outra e chegámos ao
empate aos 58’ pelo brasileiro depois de uma abertura fantástica do Carcela,
que o isolou. Pouco depois, o Jiménez e o Jonas atrapalharam-se mutuamente e o
remate do mexicano saiu enrolado e ao lado. No entanto, aos 71’ colocámo-nos
finalmente na posição de vencedor numa abertura do Jonas em que o Matheus sai
da baliza, mas falha clamorosamente o pontapé o Jiménez só teve que encostar
para a baliza deserta. Até final, o Braga lembrou-se que havia baliza do outro
lado do campo e ainda nos criou perigo por duas ocasiões, mas a nossa vitória é
mais do que justa.
Em termos individuais, destaque para o Jonas que, com um golo e uma
assistência, foi o homem do jogo. Também gostei do Jiménez, sempre muito
batalhador, e do Lindelof, que está feito um senhor central. O Luisão acusou
naturalmente falta de ritmo, bem como o Sílvio. O Grimaldo demorou um bocado a
libertar-se, mas acabou por fazer uma boa 2ª parte. O Salvio está ainda longe
de se poder constituir como uma opção e é pena, porque o Pizzi também não está
jogar nada. O Renato parece-me estar a precisar urgentemente de férias.
O nosso foco está todo centrado no jogo de domingo, mas esta partida era
importante por causa do nosso magnífico registo nesta competição. Além de que,
esta vitória e o modo como foi obtida (com reviravolta do marcador), são um bom
elemento de motivação para o Marítimo. Fecharmos a época sempre com a presença
numa final é algo que nos fica muito bem.
domingo, maio 01, 2016
Check-up cardíaco
Vencemos na 6ª feira o V. Guimarães por 1-0 e continuamos na liderança do
campeonato com dois pontos de vantagem sobre a lagartada, que foi ganhar ontem a Mordor por 3-1. Foi a quinta
vitória pela margem mínima nos últimos seis jogos e voltou novamente a ser
muito sofrida. Esta parte final da época está a ser um teste ao funcionamento
cardíaco de seis milhões de pessoas.
Com 60.351 espectadores nas bancadas, não esperava um jogo fácil, mas
também não um tão sofrido. Voltámos a apresentar a melhor equipa, mas
deparámo-nos com o V. Guimarães a jogar uma final da Champions… Nada contra isto, pelo contrário, mas escusavam era de
ter abusado do antijogo logo na 1ª parte (e depois admiram-se dos cinco minutos
de descontos…). Fecharam a baliza a sete chaves e nós só tivemos uma
oportunidade de golo num remate de recarga do Mitroglou que passou ao lado. Foi
muito pouco para 45’ e a apreensão ao intervalo era geral. A equipa não
conseguia imprimir velocidade, principalmente porque há muitos jogadores, que
têm sido decisivos, em nítido abaixamento de forma.
Entrar forte na 2ª parte era essencial, porque o tempo estava a correr
contra nós. E felizmente assim foi! Livre para a área do Gaitán logo aos 47’ e
cabeçada fantástica do Jardel para o fundo das redes. Um golo muito semelhante
ao do Jonas frente ao Zenit. Foi uma explosão de alegria no estádio e
esperava-se que, estando o mais difícil feito, o V. Guimarães abrisse e nós
tivemos oportunidade de acabar com o jogo. No entanto, nada disto aconteceu.
Quer dizer, aconteceu que o adversário veio à procura do empate, mas nós não
tivemos nem arte nem engenho para fazer perigar a baliza deles durante a maior
parte do tempo. Uma fífia do Jardel só não deu o empate, porque o André Almeida
foi decisivo por duas vezes e noutro lance foi uma mancha fabulosa do Ederson a
impedir o golo contrário. O Salvio tinha entrado aos 61’ para o lugar do inconsequente
Pizzi, mas não trouxe nada de novo, ao contrário do Jiménez, que substituiu o
Mitroglou aos 68’. O mexicano teve os nossos dois melhores lances de golo, num
remate de letra que foi defendido pelo João Miguel (mas o sr. Bruno Paixão
assinalou pontapé de baliza) – seria um dos golos do campeonato – e outro
remate de fora da área que embateu estrondosamente na barra. Até final,
estivemos sempre em suspense, mas o
V. Guimarães não criou mais nenhuma situação de golo, e ainda deu para o André
Almeida forçar o segundo amarelo para ficar de fora na meia-final da Taça da
Liga e ficar disponível para a ida ao Marítimo. Foi um alívio imenso quando o
árbitro apitou para o final e saí do estádio novamente com a sensação de ter
perdido 10 anos de vida.
O melhor em campo foi indiscutivelmente o Fejsa. Um verdadeiro tampão a
meio-campo, se estivesse sempre fisicamente disponível as coisas seriam muito
mais fáceis para nós. Basta comparar os golos que sofremos com e sem ele em
campo. Tendo marcado o golo da vitória, é óbvio que também tem que se referir o
Jardel, embora aquele falhanço incrível pudesse ter deitado tudo a perder. Foi
pena, porque tirando isso esteve impecável. Nova vitória com o carimbo do
Ederson e desta feita também do André Almeida, com dois cortes que entrarão
para os lances decisivos do campeonato se ganharmos o 35. Do meio-campo para a frente
é que estão os problemas: o Renato Sanches é humano e muito já fez ele nesta
época, o Gaitán só fez uma aceleração em toda a partida (mas a assistência
primorosa no livre é dele), o Pizzi é uma não–existência nos tempos que correm,
e os avançados têm muito pouca bola em zonas de finalização. O problema é que
olhamos para o banco e, tirando o Jiménez, não vemos ninguém que possa
substituir estes titulares. Até agora, a força de vontade dos jogadores e, já
agora, também dos adeptos tem ajudado a superar estas limitações. Esperemos que
seja suficiente para mais dois jogos.
Teremos nesta 2ª feira a meia-final da Taça da Liga e obviamente é para
ganhar. Jogamos em nossa casa e temos um registo invejável nesta competição.
Mas, apesar de irmos defrontar um adversário difícil como o Braga, o Rui
Vitória irá certamente rodar a equipa, porque o jogo na Madeira no próximo
domingo é absolutamente fundamental e, neste momento, não temos frescura física
para termos os titulares em ambos.
P.S. – Quando nos dava jeito que a lagartada
tirasse pontos às forças do Mal, a maior parte das vezes perdia.
Excepcionalmente, ontem era melhor para nós o contrário e foram lá ganhar. A
aliança anti-Benfica funciona sempre a preceito e, de facto, só podemos contar
connosco próprios.
segunda-feira, abril 25, 2016
Sofrimento
Vencemos em Vila do Conde (1-0) e mantivemos a distância de dois pontos
para a lagartada, quando faltam agora
três jornadas para o final do campeonato. Tal como se previa, foi uma partida
tremendamente difícil e, embora não tenhamos feito uma exibição por aí além, a
nossa vitória é mais do que justa.
Entrámos com a equipa habitual e logo no primeiro minuto um defesa do Rio
Ave desvia com a cabeça uma bola cabeceada pelo Jardel que estava prestes a
entrar na baliza, na sequência de um canto do Gaitán. Tivemos um outro lance de
perigo, com um remate do argentino, que passou muito perto do poste, com o
Cássio especado no terreno. Na nossa baliza, à excepção de uma cabeçada ao lado
do Vilas Boas num livre, nunca estivemos em verdadeiro perigo. Dois lances para
golo em 45’ é manifestamente pouco e eu estava muito apreensivo para a 2ª
parte, até porque o Rio Ave estava a conseguir controlar-nos muito bem.
A 2ª parte começou bem melhor e em minutos consecutivos (54’ e 55’)
falhámos duas clamorosas situações, com remates à figura do Gaitán e Jonas quando
estavam sós com o Cássio pela frente. Pouco depois, foi o Mitroglou num desvio
num canto a atirar a rasar o poste. O Rui Vitória percebeu finalmente que o
Pizzi estava uma nulidade e lançou o Salvio. Mas foi a entrada do Jiménez para
o lugar do Mitroglou que decidiu a partida: centro do André Almeida para a
área, aos 73’, corte defeituoso do André Villas Boas a levar a bola em balão
para a trave e, na recarga, o mexicano a atirá-la finalmente para dentro da
baliza. Até final, não houve mais nada a registar, somente o facto de o Jiménez
também ter sido decisivo na defesa, ao interceptar uma cabeçada ao primeiro
poste num canto no último minuto da compensação.
Em termos individuais, destaque inteirinho para o Jiménez, que voltou a ser
decisivo. Os centrais voltaram a estar seguríssimos e o Ederson foi um
espectador durante os 90’. O Jonas fartou-se de vir buscar bolas cá atrás,
porque as mesmas não lhe chegavam em condições. Mas o nosso maior problema
actualmente é o abaixamento de forma de uma série de jogadores na frente: o Pizzi
voltou a fazer uma partida de fugir e não foi por acaso que foi o primeiro a
ser substituído; o Renato em termos atacantes já foi mais decisivo do que é
agora; ao Gaitán, falta-te ritmo depois de tantas lesões; se as bolas não lhes
chegam em condições, é difícil ao Jonas e Mitroglou fazerem melhor…
Este era um jogo crucial e portanto eu estava inusitadamente nervoso. Todos
sabíamos que uma escorregadela nossa colocava a lagartada eufórica em vésperas de ir a Mordor. Felizmente isso não
aconteceu e com enorme sofrimento conseguimos manter a liderança isolados.
Faltam três jogos…
P.S. – Esta arbitragem do sr. Artur Soares Dias tem muito que se lhe diga…
A falta e o amarelo ao Eliseu, depois de ter sofrido uma falta muito pior na
área em que o árbitro nada assinalou, entra directamente para o anedotário
nacional
terça-feira, abril 19, 2016
Gelar
Vencemos o V. Setúbal por 2-1 e mantivemos a distância para a lagartada que tinha ganho (1-0) em
Moreira de Cónegos, com um golo do Slimani um metro fora-de-jogo. Os jogos
seguintes a eliminatórias europeias costumam ser sempre complicados, mas eu esperava
que este, com cinco dias de intervalo e o tridente ofensivo de volta, não o
fosse. Mal sabia eu…
Entrada pior só com um golo directo do meio-campo! Sofremos o 0-1 aos 14
segundos de jogo pelo André Claro! Repito: 14 segundos!!! Não é que o Braga não
tivesse já prometido com a bola ao poste, mas tivemos novamente uma desconcentração
inacreditável da nossa equipa. Com o Nelson Semedo no lugar do André Almeida
(possivelmente poupado para Vida do Conde por causa dos amarelos) e os já
referidos Gaitán, Jonas e Mitroglou de volta, embalámos para os melhores 25’ da
temporada. A pressão sobre o V. Setúbal foi sufocante e as coisas começaram
logo a cheirar-me mal, quando o guarda-redes Ricardo, emprestado pelo CRAC,
começou a fazer grandes defesas. Era inevitável lembrar-me de uma reedição disto. Jonas, Mitroglou (por
duas vezes) e Jardel ou permitiam que ele brilhasse, ou falhavam o último
desvio. No meio deste vendaval, os sadinos tiveram outra grande oportunidade,
mas o cabeceamento em balão do André Claro saiu felizmente ao lado do poste.
Aos 19’, chegávamos finalmente ao empate pelo inevitável Jonas após um
cruzamento do Eliseu desviado de cabeça pelo Gaitán. Aos 24’, demos a volta ao
marcador num canto bem apontado pelo génio argentino com cabeçada brilhante do
Jardel. Até ao intervalo, a partida baixou inevitavelmente de ritmo e mesmo
antes da saída para os balneários o Pizzi falhou isolado o golo da
tranquilidade ao levantar demasiado a bola num chapéu sobre o guarda-redes, que deu tempo a um defesa de ir lá
cortar de cabeça. À semelhança de Coimbra, o Pizzi voltou a falhar um golo
muito importante perto do intervalo. Mas isto não era nada perante o que se
passou depois…
A 2ª parte é muito rápida de contar: demos o estoiro fisicamente e só
tivemos um lance de perigo numa cabeçada do Fejsa que o Ricardo defendeu para
canto. Do outro lado, os 200 mil euros que se diz que a lagartada ofereceu aos jogadores vitorianos pareciam estar a sortir
efeito, porque passámos por alguns calafrios, com o Arnold na frente a dar
muito trabalho ao Jardel, o Ederson a fazer uma mancha sobre o Ruça e um par de cortes providenciais do Lindelof a
cruzamentos muito perigosos. As nossas substituições não resultaram e a equipa
não conseguia controlar a jogo. Nos últimos 10’, embalados pelo público, lá
jogámos mais no meio-campo adversário, mas falta-nos alguma ratice para, por
exemplo, marcar os cantos curtos e ficar com a bola na bandeirola de canto
quando já estamos em tempo de compensação. Até que chegámos ao minuto 92’, que
tão fatídico foi num passado recente. Há lances que marcam os jogos e os
jogadores para todo o sempre: irei viver menos cinco anos por o Nuno Gomes (jogador
que eu adorava) ter resolvido simular um penalty em vez de fazer o 2-2 em
Trondheim, lançando-nos para uma 2ª parte em que o Moreira se tornou um herói;
penso muitas vezes no que teria acontecido se esta bola do Simão tem entrado; iríamos
provavelmente à final se o Nuno Gomes não tem tirado este golo certo ao Simão;
para mim, mais do que o Roderick, foi o desequilibrado mental do Carlos Martins
que nos impediu de estar agora a lutar por um inédito tetra. Tudo isto para
dizer, que a um minuto do final da compensação, o Pizzi resolveu poupar uma
fortuna ao SNS a fazer check-ups ao
coração de seis milhões de pessoas… Do meio-campo(!), resolveu atrasar uma bola
para o Ederson, que saiu curta demais e isolou o Arnold…! Foi a primeira vez
num jogo que, num lance de iminente golo, eu virei a cara para o lado por
décimos de segundos. O mundo parou e eu gelei! Já sei o que se sente quando se
vê a vida toda a passar-nos perante os olhos em fracções de segundo. Por
aqueles breves momentos, eu vi o 35 a ir ao ar e o Pizzi a tornar-se, como me
disseram no final, o novo Carlos Martins. Aquela corrida do Arnold pareceu
demorar uma eternidade e o mundo estava em suspenso… Felizmente, o avançado
adiantou ligeiramente a bola a tentar dominá-la e o Ederson, rapidíssimo,
conseguiu cortá-la com os pés, com a recarga do André Claro a sair ao lado, mas
sendo a trajectória da bola controlada pelo Lindelof. No mínimo, no MÍNIMO, o
Pizzi deveria oferecer metade do seu ordenado ao Ederson por o ter livrado de
ter toda uma carreira marcada por este lance. E marcar o golo do tri. E do
tetra. E do penta. Aí estará desculpado por ter dado um passo em frente quando
estávamos à beira do abismo…
Em termos individuais, é difícil destacar alguém, quando toda a equipa
esteve brilhante nos primeiros 25’ (menos os 14 segundos iniciais) e tão
sofrível no resto do tempo. Menção para o 31º golo do Jonas, que voltou a ter
sete golos de vantagem para o Slimani nos melhores marcadores, e para o
excelente cabeceamento do Jardel. E, claro, uma grande palavra para o Ederson,
cuja defesa, caso sejamos tricampeões, entrará directa para a nossa história.
Ao invés, o Nelson Semedo terá feito uma das piores exibições da sua carreira.
Jogámos indiscutivelmente com menos um.
À semelhança de Coimbra, uma hora depois de o jogo ter acabado, eu ainda
estava com o coração ao pé da boca. Isto já vai ser difícil e sofrido o
suficiente até ao fim, não é preciso que os jogadores do Benfica façam
assistência de golo para os adversários…! Acho que só daqui a dois dias é que
cairei em mim. Mas aí já estarei em sofrimento por causa de Vila do Conde.
Aliás, já estou agora…!
quinta-feira, abril 14, 2016
Grandes
Empatámos com o Bayern (2-2) e a nossa brilhante participação deste ano na Champions terminou nos quartos-de-final.
Foi um jogo muito intenso em que, com um bocadinho de sorte, até poderíamos ter
ganho. Para quem desejava duas goleadas germânicas, ver o Benfica ser eliminado
apenas por um golo, com uma derrota e um empate, constitui certamente uma
desilusão. A mim, esta eliminatória encheu-me de orgulho.
A minha vida sem o Benfica não fazia sentido. Não obstante isto, eu não sou cego. Sei perfeitamente ver que um qualquer Paulo Almeida não se torna o melhor trinco do mundo, só porque tem a nossa camisola vestida. Serve este preâmbulo para dizer que, se já se sabia que eliminar o Bayern seria tremendamente difícil, entrarmos no jogo da 2ª mão sem os nossos três melhores jogadores (Gaitán e Mitroglou lesionados, e Jonas castigados) tornava a tarefa praticamente impossível. Aliás, até acho que seria da mais elementar justiça entregarem-nos já a taça caso isso acontecesse. Portanto, sentei-me bastante calmo no meu lugar e com vontade de desfrutar do jogo. O Rui Vitória não tinha muitas opções e apostou no Salvio, Carcela e Jiménez para o ataque. O jogo foi o que se esperava: o Bayern roça a perfeição no aspecto da circulação de bola. A percentagem de passes bem sucedidos de flanco a outro é absolutamente inacreditável. No entanto e à semelhança de Munique, nós defendemos muito bem. Tivemos um livre perigoso pelo Eliseu logo no início, mas o remate desviou na barreira para canto e os alemães tiveram um desvio do Muller depois de um cruzamento que passou ao lado da baliza. Ou seja, não houve assim grandes ocasiões de perigo até aos 27’, quando o Eliseu fez a melhor assistência da sua carreira num centro largo para área e o Jiménez se antecipou ao Neuer, batendo outros dois defesas pelo caminho. Igualávamos a eliminatória e as fundações do estádio portaram-se muito bem perante o vulcão que explodiu! Logo a seguir, o mesmo Jiménez não contou com um falhanço de um defesa e rematou já em dificuldades, quando estava em óptima posição para fazer o segundo golo, depois de um centro rasteiro do Salvio. Teria sido fantástico fazer dois golos de rajada…! Ao ver-se em desvantagem, o Bayern desconcentrou-se nos minutos seguintes e o futebol matemático não saiu tão perfeito. Sonhámos durante 11’, porque aos 38’ o Arturo Vidal, num fabuloso remate de primeira de fora da área depois de um centro tenso do Lahm, que o Ederson aliviou, voltou a empatar a partida e a colocar os bávaros bem na frente da eliminatória. Foi uma pena não termos conseguido chegar ao intervalo em vantagem.
Na 2ª parte, os alemães continuaram com a sua pornográfica posse de bola a roçar os 70% e aos 52’ deram a machadada final na decisão ao fazer o 1-2 pelo Muller, num desvio depois de uma assistência de cabeça do Javi Martínez na sequência de um canto. A partir daqui, esperei que a nossa equipa não se desconcentrasse na tentativa de pelo menos não perder a partida. Entretanto, o Rui Vitória fez entrar o Gonçalo Guedes para o lugar do apagadíssimo Pizzi, mas os alemães continuavam a pressionar e, não fosse uma saída fantástica do Ederson aos pés de um adversário e o poste que defendeu o remate do Douglas Costa, o jogo teria ficado decidido. O Talisca também entrou para o lugar do Salvio e aos 76’ teve um livre à entrada da área mesmo à sua medida: o Gonçalo Guedes escapou-se à defesa do Bayern e foi derrubado pelo Javi Martínez, num lance em que o sr. Björn Kuipers bem poderia ter mostrado o vermelho. O brasileiro concentrou-se na marcação e fez um golão! Pouco depois, o mesmo Talisca noutro livre fez a bola passar muito perto do poste. E na última jogada do encontro, o Jovic (que tinha substituído o Eliseu) não conseguiu dominar na perfeição um passe do Talisca, mas mesmo assim rematou para defesa do Neuer. Teria sido lindo acabar o jogo com o golo da vitória…!
Em termos individuais, destaque principal para o Jiménez e o André Almeida. O mexicano foi durante largos minutos o nosso melhor jogador, com a mais-valia de ter marcado um golo e o defesa-direito voltou a estar muito bem com o Ribéry pela frente. O Ederson teve uma exibição quase perfeita, só com o senão de um lance em que ia dando um frango descomunal perante um remate do Vidal com 1-2 no marcador. Os centrais, Lindelof e Jardel, mostraram-se novamente muito seguros e mesmo o Eliseu viu a sua exibição coroada com a assistência para o primeiro golo. No meio-campo, o Fejsa teve a importância habitual e o Renato Sanches impressiona pela forma como parece que defronta monstros do futebol europeu há imenso tempo… O Salvio ainda está longe de forma que o notabilizou, mas mesmo assim esteve muito melhor do que o Carcela e o Pizzi, que passaram ao lado do jogo. O Gonçalo Guedes e o Talisca entraram muito bem, e bastaria ter um só neurónio para o brasileiro ser um grande jogador…! É que qualidade técnica não lhe falta e tem a grande vantagem de rematar muito bem. O Jovic teria uma estreia épica na Champions, caso aquela bola tivesse entrado…
A enorme ovação com que o público brindou a equipa no final da partida deu bem mostra do grau de satisfação com que saímos do estádio. Sem os três principais jogadores, enfrentámos o colosso alemão de frente e mostrámos que somos, de facto, muito grandes. Enquanto outros no passado, apesar de terem ganho um jogo, foram de tal forma humilhados depois que essa vitória não ficou na história, nós tivemos uma prestação muito digna e a alegria com que os alemães festejaram o apuramento diz bem da dificuldade que sentiram. Olhando para os números a frio, fomos eliminados por um golo… Um golo! Agora, é descansar bem e aproveitar esta embalagem para assegurar o 35. É que tanto quem está lá dentro, como nós cá fora, merecemos! (E, principalmente, quem está a conseguir inacreditavelmente suplantar o nível de nojeira que era típico de um clube mais a norte é que não merece mesmo!)
A minha vida sem o Benfica não fazia sentido. Não obstante isto, eu não sou cego. Sei perfeitamente ver que um qualquer Paulo Almeida não se torna o melhor trinco do mundo, só porque tem a nossa camisola vestida. Serve este preâmbulo para dizer que, se já se sabia que eliminar o Bayern seria tremendamente difícil, entrarmos no jogo da 2ª mão sem os nossos três melhores jogadores (Gaitán e Mitroglou lesionados, e Jonas castigados) tornava a tarefa praticamente impossível. Aliás, até acho que seria da mais elementar justiça entregarem-nos já a taça caso isso acontecesse. Portanto, sentei-me bastante calmo no meu lugar e com vontade de desfrutar do jogo. O Rui Vitória não tinha muitas opções e apostou no Salvio, Carcela e Jiménez para o ataque. O jogo foi o que se esperava: o Bayern roça a perfeição no aspecto da circulação de bola. A percentagem de passes bem sucedidos de flanco a outro é absolutamente inacreditável. No entanto e à semelhança de Munique, nós defendemos muito bem. Tivemos um livre perigoso pelo Eliseu logo no início, mas o remate desviou na barreira para canto e os alemães tiveram um desvio do Muller depois de um cruzamento que passou ao lado da baliza. Ou seja, não houve assim grandes ocasiões de perigo até aos 27’, quando o Eliseu fez a melhor assistência da sua carreira num centro largo para área e o Jiménez se antecipou ao Neuer, batendo outros dois defesas pelo caminho. Igualávamos a eliminatória e as fundações do estádio portaram-se muito bem perante o vulcão que explodiu! Logo a seguir, o mesmo Jiménez não contou com um falhanço de um defesa e rematou já em dificuldades, quando estava em óptima posição para fazer o segundo golo, depois de um centro rasteiro do Salvio. Teria sido fantástico fazer dois golos de rajada…! Ao ver-se em desvantagem, o Bayern desconcentrou-se nos minutos seguintes e o futebol matemático não saiu tão perfeito. Sonhámos durante 11’, porque aos 38’ o Arturo Vidal, num fabuloso remate de primeira de fora da área depois de um centro tenso do Lahm, que o Ederson aliviou, voltou a empatar a partida e a colocar os bávaros bem na frente da eliminatória. Foi uma pena não termos conseguido chegar ao intervalo em vantagem.
Na 2ª parte, os alemães continuaram com a sua pornográfica posse de bola a roçar os 70% e aos 52’ deram a machadada final na decisão ao fazer o 1-2 pelo Muller, num desvio depois de uma assistência de cabeça do Javi Martínez na sequência de um canto. A partir daqui, esperei que a nossa equipa não se desconcentrasse na tentativa de pelo menos não perder a partida. Entretanto, o Rui Vitória fez entrar o Gonçalo Guedes para o lugar do apagadíssimo Pizzi, mas os alemães continuavam a pressionar e, não fosse uma saída fantástica do Ederson aos pés de um adversário e o poste que defendeu o remate do Douglas Costa, o jogo teria ficado decidido. O Talisca também entrou para o lugar do Salvio e aos 76’ teve um livre à entrada da área mesmo à sua medida: o Gonçalo Guedes escapou-se à defesa do Bayern e foi derrubado pelo Javi Martínez, num lance em que o sr. Björn Kuipers bem poderia ter mostrado o vermelho. O brasileiro concentrou-se na marcação e fez um golão! Pouco depois, o mesmo Talisca noutro livre fez a bola passar muito perto do poste. E na última jogada do encontro, o Jovic (que tinha substituído o Eliseu) não conseguiu dominar na perfeição um passe do Talisca, mas mesmo assim rematou para defesa do Neuer. Teria sido lindo acabar o jogo com o golo da vitória…!
Em termos individuais, destaque principal para o Jiménez e o André Almeida. O mexicano foi durante largos minutos o nosso melhor jogador, com a mais-valia de ter marcado um golo e o defesa-direito voltou a estar muito bem com o Ribéry pela frente. O Ederson teve uma exibição quase perfeita, só com o senão de um lance em que ia dando um frango descomunal perante um remate do Vidal com 1-2 no marcador. Os centrais, Lindelof e Jardel, mostraram-se novamente muito seguros e mesmo o Eliseu viu a sua exibição coroada com a assistência para o primeiro golo. No meio-campo, o Fejsa teve a importância habitual e o Renato Sanches impressiona pela forma como parece que defronta monstros do futebol europeu há imenso tempo… O Salvio ainda está longe de forma que o notabilizou, mas mesmo assim esteve muito melhor do que o Carcela e o Pizzi, que passaram ao lado do jogo. O Gonçalo Guedes e o Talisca entraram muito bem, e bastaria ter um só neurónio para o brasileiro ser um grande jogador…! É que qualidade técnica não lhe falta e tem a grande vantagem de rematar muito bem. O Jovic teria uma estreia épica na Champions, caso aquela bola tivesse entrado…
A enorme ovação com que o público brindou a equipa no final da partida deu bem mostra do grau de satisfação com que saímos do estádio. Sem os três principais jogadores, enfrentámos o colosso alemão de frente e mostrámos que somos, de facto, muito grandes. Enquanto outros no passado, apesar de terem ganho um jogo, foram de tal forma humilhados depois que essa vitória não ficou na história, nós tivemos uma prestação muito digna e a alegria com que os alemães festejaram o apuramento diz bem da dificuldade que sentiram. Olhando para os números a frio, fomos eliminados por um golo… Um golo! Agora, é descansar bem e aproveitar esta embalagem para assegurar o 35. É que tanto quem está lá dentro, como nós cá fora, merecemos! (E, principalmente, quem está a conseguir inacreditavelmente suplantar o nível de nojeira que era típico de um clube mais a norte é que não merece mesmo!)
segunda-feira, abril 11, 2016
Coração
Vencemos no sábado a Académica em Coimbra por 2-1 e a distância para a lagartada manteve-se nos dois pontos, já
que eles derrotaram o Marítimo (3-1). Foi mais do mesmo em relação ao jogo do
Bessa: uma equipa com dois autocarros
à frente da baliza e nós a conseguirmos o golo da vitória muito perto do fim
(85’). Nesta fase da época, os jogadores do Benfica revelam grande coração e
ainda bem, porque o meu não conseguirá sobreviver a muitos jogos destes… (e já
vamos no segundo seguido!)
Em relação a Munique, só ficou o Fejsa no banco e entrou o Samaris. A Champions é muito bonita e tal, é óptima
para o prestígio e para os cofres, mas depois é isto: basta comparar a nossa
velocidade de execução do jogo frente ao Braga para este. Estou absolutamente
convencido de que teríamos goleado em Coimbra, caso não tivéssemos jogado em
Munique quatro dias antes. Entrámos muito a passo e, para agravar as coisas,
aos 17’ o Eliseu resolveu fazer uma assistência
através de um corte defeituoso para o Pedro Nuno fazer o golo. Logo ali sentia-se
que as coisas seriam muito difíceis, porque, se eles já estavam com uma postura
hiperdefensiva, ainda mais iriam ficar depois de se verem em vantagem. Verdade
seja dita que antes deste golo, nós só tínhamos tido uma oportunidade, mas o
Gaitán em vez de atirar de cabeça para a baliza, preferiu assistir o Mitroglou,
que rematou por cima. Não era preciso ser-se vidente para perceber que era
fundamental empatarmos ainda antes do intervalo, até porque pelo histórico
desta época, as nossas segundas partes a seguir a jogos da Champions são muito menos intensas do que as primeiras. E esta já
não estava a ser nada famosa! Felizmente, conseguimo-lo aos 39’ num excelente
cruzamento do Pizzi (a única coisa de jeito que fez enquanto esteve em campo) e
cabeçada exemplar do Mitroglou. Mesmo antes do intervalo, na nossa melhor
jogada de toda a partida, o Jonas isolou o Pizzi, que contornou muito bem o
guarda-redes Trigueira, mas depois atrapalhou-se a dominar a bola, perdeu tempo
de remate e, quando o fez, já tinha um adversário na baliza, que desviou para
canto (até me pareceu que o remate foi tão mal feito que a bola iria para fora
de qualquer maneira). Perdíamos uma oportunidade soberana de resolver logo ali
o jogo, o que era essencial por tudo o que já disse atrás.
Como se esperava, a 2ª parte ainda foi mais difícil que a primeira, porque
os onze da Académica estavam todos nos últimos 30 metros do campo e nós não
tínhamos a velocidade suficiente para desposicioná-los. Tivemos uma boa
oportunidade logo a abrir num livre do Gaitán, em que a barreira abriu, mas o
guarda-redes defendeu para canto. No entanto, só a partir dos 65’ conseguimos
pressionar mais e criar chances, mas o Trigueira defendeu bem uma cabeçada do
Jonas e um remate do Gaitán (que não acertou bem na bola). O Rui Vitória ia
fazendo as alterações que se impunham, com as entradas do Carcela, Talisca e
Jiménez, e foi o mexicano a ser essencial (à semelhança de São Petersburgo) na
vitória, porém desta vez como protagonista: centro do André Almeida para a
área, toque dele em habilidade a dominar a bola e fuzilamento do guarda-redes.
Foi o delírio em Coimbra e também cá em casa! Faltavam cinco minutos para os
90’ e finalmente conseguíamos colocar-nos na frente! Até final, continuei a
perder vários anos de vida, porque estávamos a jogar com os três
pontas-de-lança e sem lateral-esquerdo, e a atitude nojenta da Académica (há
muito tempo que não via um antijogo destes, só o guarda-redes deve ter recebido
assistência umas três vezes!) acabou por ser compensada com os seis minutos de
desconto, que passaram a correr a favor dela. Acho que as regras deveriam ser
revistas e, nestes casos, quem provoca deliberadamente as paragens não pode ser
beneficiado no fim com o prolongamento da partida se entretanto ficar em
situação de desvantagem. Felizmente não houve nenhuma injustiça e uma equipa
que fez um remate(!) à baliza não empatou o jogo.
Em termos individuais, não acho que tenha havido nenhum jogador a
destacar-se por ali além. A equipa pareceu nitidamente cansada do jogo europeu
e a espaços algo desconcentrada (por exemplo, o Lindelof e o Jardel,
especialmente na 1ª parte, e claro o Eliseu no golo adversário). Menção honrosa
para o Mitroglou e para o Jiménez pelos golos. Aliás, o mexicano limpou a honra do Pizzi, cujo falhanço
se poderia arriscar a ser o duplo amarelo ao Carlos Martins desta época…
Este cansaço do Benfica não é de espantar: o Bayern (que é o Bayern…!) fez
descansar vários titulares para o jogo da próxima 4ª feira (mercê obviamente
dos pontos de avanço que tem) e mesmo o Barça foi derrotado. A Champions deixa marcas em todas as
equipas. Eu gostaria de ter o melhor dos dois mundos, como isso não é possível
quero mesmo é o 35!
P.S. – O CRAC perdeu pela segunda jornada consecutiva, desta feita em Paços
de Ferreira (1-2), e está agora a 12 pontos de nós. É uma pena que raramente possamos usufruir das coisas boas
da vida na sua plenitude…! Uma pessoa estava à espera disto há 30 anos, logo
esta época, que não convém nada que eles percam na antepenúltima jornada, é que
isto acontece… Por isso, é que não consigo celebrar já agora este facto com a
pompa e circunstância que isto merecia! Raios!
quarta-feira, abril 06, 2016
Personalidade
Um golo logo aos 2’ derrotou-nos
(0-1) em Munique na 1ª mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões. Se é
certo que as vitórias morais não valem de nada e que este resultado nos coloca
em sérias dificuldades para passar a eliminatória (não estou a ver o Bayern
ficar em branco em Lisboa...), é impossível não ficarmos orgulhosos com a
exibição que produzimos. Para o que muita gente desejava e outra (incluindo eu)
estava à espera, não só não tivemos uma derrota pesada, como poderíamos até ter
marcado um golo (e quiçá empatado o jogo) e deixámos a eliminatória em aberto.
Na equipa inicial, começámos logo
bem e aí mérito TOTAL para o Rui Vitória: ao contrário de outras equipas não há
muito tempo, não nos apresentámos no Allianz Arena com quatro centrais e a
equipa completamente descaracterizada. Não, jogámos com a mesma formação que
goleou o Braga, com o Jonas e Mitroglou na frente. Se tivéssemos que ser
derrotados, sê-lo-íamos de peito aberto e com a equipa habitual! Confesso que,
com o golo do Vidal logo aos 2’, temi o pior. Uma troca atacante desposicionou
a nossa equipa, o Lindelof deixou o Bernat centrar à vontade e o Vidal
antecipou-se ao Eliseu, cabeceando sem hipóteses para o Ederson. Foi um lance
parecido (até na altura do jogo) daquele que sofremos contra o Braga, mas
felizmente neste a bola foi ao poste. Os primeiros minutos foram muito
difíceis, porque a pressão alta do Bayern mal nos deixava passar do meio-campo,
mas na nossa baliza o Ederson começava a dar nas vistas com uma segurança e
rapidez impressionantes. A partir dos 20’, começámos a reagir com uma cabeçada
ao lado do Mitroglou e também tivemos bons lances atacantes, com destaque para
um mesmo em cima do intervalo, em que o Vidal cortou com a perna uma recarga de
primeira do Gaitán que muito provavelmente iria na direcção da baliza. Claro
está que, nesta fase da Champions e à
semelhança de épocas anteriores, tivemos uma arbitragem que finge não ver uma mão clara na área a nosso favor nós: aos 29’, o Gaitán faz uma jogada pela esquerda, centra para a área
e o Lahm em carrinho corta a bola com
o braço. Penalty descarado que o polaco Szymon Marciniak não quis marcar (aliás, o segundo amarelo
ao Fernando Torres numa altura em que o Barça perdia em casa com o Atlético
Madrid – e depois ganhou 2-1, obviamente – denuncia de modo evidente a
preferência da Uefa por quem seguirá para as meias-finais... Uma vergonha!).
Na 2ª parte, melhorámos
substancialmente a nossa produção. O Bayern não foi tão pressionante (chegaram
a ouvir-se assobios dos alemães à sua exibição) e nós estivemos muito perto do
empate em duas ocasiões pelo Jonas: numa delas o Neuer defendeu para a frente e
noutra foi o Javi Martinez a cortar com o peito, não tendo nem o Mitroglou nem
o mesmo Jonas acertado bem na bola nas recargas. Estávamos no minuto 64 e foi o
lance de maior perigo que tivemos. Uma pena! Do outro lado, claro que o Bayern
também criou ocasiões, mas o Ederson defendeu bem com a perna um remate do
Ribéry e bem perto do final um passe mal feito não permitiu que dois jogadores
isolados conseguissem desfeitear o nosso guarda-redes.
É quase injusto referir um jogador
em particular quando toda a equipa esteve muito bem, mas tem que ser dada uma
palavra especial para o Ederson (não estou a ver o Júlio César conseguir
regressar à equipa), para o Renato (impressionante a forma como um miúdo de 18
anos se impõe no meio-campo no Allianz Arena) e para o André Almeida (utilidade
a toda a prova e conseguiu secar o
Ribéry durante largos minutos). Os centrais Lindelof e Jardel estiveram
globalmente bem, embora o sueco pudesse ter feito mais para impedir o centro à
vontade no primeiro golo, e o Eliseu sentiu muitas dificuldades no início, mas
depois lá se recompôs. No meio-campo, o Fejsa é fundamental para que não haja
espaços livres perto da nossa área. O Pizzi voltou a começar mal e a subir de
produção ao longo do tempo, e o Gaitán conseguiu dar um ar da sua graça. No
ataque, o Mitroglou lutou imenso e o Jonas teve as melhores ocasiões, mas não
conseguiu marcar. Infelizmente, viu um amarelo que o vai impedir de alinhar na
2ª mão (tirar a camisola - no golo frente ao Zenit - tem os seus custos mais à
frente!). Quem entrou (Jiménez, Salvio e Samaris) também não destoou.
Num estádio em que muito boa equipa é
goleada (Arsenal, Roma, Barcelona, lagartada,
CRAC), nós impusemo-nos e, apesar de derrotados, conseguimos o melhor resultado
de sempre das quatro vezes que defrontámos o Bayern (tínhamos sofrido sempre
quatro ou mais golos nas décadas de 70, 80 e 90). Apesar de eu achar que vai
ser quase impossível passarmos, os alemães não podem vir fazer turismo à Luz,
onde se deseja lotação esgotada que permita um apoio tão bom quanto os 5.000
benfiquistas que se fizeram ouvir durante largos minutos na Alemanha.
Independentemente do que vier a suceder, já nada nos poderá tirar este orgulho
de ver a nossa equipa bater-se de igual para igual com as melhores do mundo.
Somos um grande clube!
VIVA O BENFICA!
terça-feira, abril 05, 2016
Emoldure-se

Eu sei que, em termos estratégicos para
nós, era melhor que o CRAC não se afastasse muito da luta pelo segundo lugar,
por conta do jogo que irá ter na antepenúltima jornada, mas é mais forte do que eu.
É algo mesmo do âmago do ser. Quando as forças do Mal perdem em casa com o
último classificado, que só tinha ganho três em 27 jogos e que, mesmo com esta
vitória, está a oito pontos da linha de
água, é impossível uma pessoa não se regozijar com um magnífico resultado
destes.
Muito obrigado, Tondela! Muito
obrigado, Petit! Sempre foste o maior!
segunda-feira, abril 04, 2016
Festival
Goleámos na passada 6ª feira o Braga por 5-1 e vamos manter-nos isolados na
liderança do campeonato, independentemente do resultado da lagartada hoje em Belém. Esta era uma partida em que muitos
apostavam que iríamos escorregar, mas a nossa resposta, apesar de termos tido
sorte nalguns momentos, foi brilhante. Temos pena…!
Eu confesso que estava extremamente nervoso para este jogo. Não só por ser
contra uma das melhores equipas do campeonato (o que foi comprovado durante os
90’), mas porque foi numa 6ª feira, três dias depois dos jogos das selecções.
Estava especialmente preocupado com as viagens transatlânticas do Jonas.
Felizmente, e ao contrário do que costuma suceder, ninguém se magoou na
selecção e apresentámo-nos na máxima força (descontando as lesões prolongadas
do Luisão e Júlio César). Perante um estádio com lotação esgotada (61.042
espectadores), tudo poderia ter começado muito mal, porque sofremos uma bola ao
poste logo aos 30 segundos! Ainda antes dos 15’, o Rafa surgiu isolado, mas felizmente
o chapéu saiu por cima. Ou seja, a
sorte que tivemos em Braga de marcar dois golos ainda antes dos 15’ foi a sorte
que tivemos na Luz de não os termos sofrido. Fomos manifestamente surpreendidos
por esta entrada dos minhotos, mas aos 17’ o jogo virou: pressão alta do
Benfica na saída de bola da grande-área do Braga, um defesa perde-a, um
ressalto e sobra para o Mitroglou que de primeira a mete na baliza. Foi o
delírio no estádio! A partir daqui, começámos nós a estar por cima e aos 37’
fizemos o segundo: mão na bola na área, depois de uma jogada brilhante do
Renato Sanches, penalty e o Jonas a atirar para o lado direito, enganando
completamente o Matheus que a esperava para o lado contrário (onde
habitualmente o Jonas a coloca). Três minutos depois é que as fundações do
estádio foram mesmo postas à prova, com o terceiro golo pelo Pizzi, num remate
rasteiro de fora da área depois de uma assistência de costas(!) do Jonas.
Fiquemos contentes por saber que a construção é sólida!
Para a 2ª parte, eu continuava com algum receio, porque poderíamos cair na
tentação de relaxar por causa de Munique e um golo do Braga muito cedo voltaria
a tornar o jogo algo aberto. Felizmente, nada disso aconteceu. Entrámos
muitíssimo bem e tivemos mais que oportunidades para fazer o quarto golo logo
de início, com um remate do Gaitán que embateu no… Mitroglou(!) e recarga do
Eliseu ao lado, e um chapéu do Pizzi
e depois recarga do Gaitán para duas óptimas defesa do Matheus. À passagem da
hora de jogo, o Hassan atirou rasteiro ao poste. Foi a 5ª(!) bola nos ferros
que sofremos do Braga este campeonato. Acho que é o que se chama “estrelinha de
campeão”…! Aos 65’ entrou o Samaris para o lugar do Fejsa, substituição que só
se justificava se o sérvio estivesse esgotado, porque a diferença fez-se logo
sentir (o sérvio é muito melhor a suster o meio-campo contrário do que o grego).
Aos 72’, ficou tudo mesmo decidido com uma boa abertura do Gaitán a isolar o
Jonas, este a não ser nada egoísta e assistir o Mitroglou, que se ia
atrapalhando a fintar um adversário, mas atirou com sucesso para a baliza. Três
minutos depois lá voltámos a marcar um golo de livre directo (disseram-me que a
última vez teria sido o Lima em Vila do Conde em 2013/14), obra do insuspeito
Samaris! Até final, ainda deu para o Rui Vitória fazer experiências com a
entrada do Nelson Semedo para o lugar do Jardel e foi o lateral-direito a fazer
um penalty escusado já nos descontos que permitiu ao Pedro Santos (bom jogador)
marcar o golo de honra do Braga que, a bem da verdade, era mais que merecido.
No entanto, isto não me tira a irritação de ver, pela segunda jornada
consecutiva na Luz, o adversário a marcar um golo na última jogada do encontro!
Ao mesmo tempo, parece que a lagartada
andava muito indignada por não haver um penalty contra nós há quase um ano (esquecem-se é que são a equipa que
esteve quatro, q-u-a-t-r-o épocas sem ter visto um penalty contra…!! Hipócritas
de m****!). Julgávamos que isto iria calá-los, mas não, continuam indignados
por termos tido um penalty contra em tempo de descontos e com o jogo decidido.
Enfim, de seres rastejantes espera-se tudo.
Foi uma vitória muito importante nesta fase da época, abrilhantada pelos
números. Amanhã iremos jogar a Munique, sem nada a perder e tudo a ganhar.
Aguardemos com serenidade o que irá acontecer, mantendo-nos sempre cientes que
o fundamental será ganhar em Coimbra no próximo sábado.
segunda-feira, março 21, 2016
A betão armado
Um golo do Jonas ao 93’ deu-nos uma vitória suadíssima em casa do Boavista
e permite-nos ir para a paragem das selecções isolados na frente do campeonato.
Pela maneira como foi conseguido (foi muito mais do que a ferros!), fui um
triunfo muito importante e, caso sejamos (como todos desejamos) campeões, vai
ser lembrado como um dos momentos da época.
Já sabíamos que iríamos ter as contrariedades dos castigados Jardel e
Mitroglou (este de maneira bem escusada), mas o que não contávamos era com as
ausências do Fejsa e Gaitán. O sérvio parece feito de cristal: joga um ou dois
jogos e lesiona-se logo, o que é uma grande chatice, porque neste momento é
fundamental no nosso meio-campo. Quis isto então dizer que, da equipa mais
utilizada pelo Benfica, jogaram Eliseu, Renato Sanches, Jonas, André Almeida e
Pizzi (estes dois com a agravante de terem sido fora do seu lugar)! Ou seja,
não há milagres e a nossa exibição esteve longe de ser brilhante. Mesmo assim,
deveríamos ter ido para o intervalo a ganhar, fosse com aquela bicicleta do
Jiménez, bem defendida pelo Mika, ou pelo remate do Pizzi, que passou a rasar o
poste.
Na 2ª parte, os nervos começaram a vir ao de cima conforme o tempo ia
passando e a igualdade se mantinha. E o pior foi que o Boavista se lembrou que
também havia baliza do nosso lado e conseguiu criar-nos perigo. Muito correram
e muito lutaram os jogadores do Boavista, é um pouco incompreensível como estão
na posição que estão… Vimos um remate deles quase bater no nosso poste, depois
de ter ressaltado na perna do Lindelof, mas também tivemos uma grande
oportunidade novamente pelo Pizzi, num remate que não teve a força desejada,
quando estava em excelente posição já na área. No entanto, em período de
compensação veio a justiça ao mundo com um grande golo do Jonas: despejo do
Eliseu para a entrada da área, assistência de cabeça do entretanto entrado
Carcela para o Jonas, que de primeira e pé esquerdo atirou rasteiro cruzado,
sem hipóteses para o guarda-redes. Foi a loucura absoluta lá em casa e eu não
festeja tanto um golo desde o Jardel no WC na época passada!
Com tantas baixas, é natural que a exibição tenha ficado muito aquém do
desejável e um desses casos é o Jonas: o jogo não lhe saiu nada bem, mas marcou
um dos golos mais importantes da época e obviamente merece destaque por isso.
Bom jogo do Samaris novamente a central e também do Lindelof, ambos muito
concentrados. Também gostei bastante da maneira como o Carcela entrou e, neste
momento, está indiscutivelmente em melhor forma do que o Salvio. Menos bem
esteve a ala direita, com o Nélson Semedo e o (pela primeira vez titular esta
época) Salvio, que se fartou de perder bolas.
A lagartada que não fique muito
aziada, porque só esta época, assim de repente, lembro-me de cinco jogos que
ganharam muito perto do fim ou mesmo já em períodos de compensação (Tondela,
Arouca, Nacional, Belenenses e Académica). São 10 pontos a mais, portanto temos
pena, mas nós temos não há muito tempo um campeonato e uma competição europeia
perdidas em quatro dias com golos fora de horas. Não foi a melhor das
exibições, mas foi o melhor dos resultados e a alegria que todos sentimos no fim foi bem elucidativa disto!
P.S. – Um dos avançados magoou-se e o Jonas foi chamado à selecção brasileira. Que grande chatice! Ainda por cima, porque os jogos são todos oficiais de qualificação para o próximo Mundial. Tenho sempre imenso medo destes jogos das selecções, porque o nosso histórico é infelizmente muito prejudicial. E nesta altura da época, não nos podemos dar ao luxo de perder mais ninguém, muito menos o melhor marcador do campeonato! Também por isso, espero que o jogo com o Braga seja no sábado, mesmo com a ida a Munique na 3ª feira seguinte. Prefiro ter os jogadores das selecções todos descansados mais um dia, do que ter quatro dias antes de Munique. Até porque, palpita-me, isso será irrelevante em casa do Bayern…
sábado, março 19, 2016
Sorteio da Liga dos Campeões
Bayern Munique - BENFICA
As bolinhas
não nos poderiam ter sido mais madrastas ontem. Calhou-nos a fava maior (a par
do Barcelona) de todas as equipas possíveis (Real Madrid, Manchester City, PSG,
Wolfsburgo e Atlético Madrid). Como um mal nunca vem só, ainda por cima a 1ª mão
é fora, o que pode eventualmente comprometer a receita do jogo da Luz no caso
de um resultado muito desfavorável. Espero que o nosso estádio esgote ainda antes do jogo
em Munique…
No entanto, o meu maior receio não é
obviamente a receita, mas como é que a equipa vai reagir psicologicamente a
este confronto. Eu não me iludo: o Bayern é uma equipa quase intransponível
treinada por um dos melhores treinadores de sempre. Se como é lógico ninguém
espera uma surpresa da nossa parte, não é bem verdade que não tenhamos nada a
perder: entre 0-1 e 0-5 vai um abismo de diferença.
A única coisa boa é termos oito dias de
intervalo entre os jogos (jogamos a uma 3ª e depois a uma 4ª feira). Há quatro
equipas que só têm seis dias. Aliás, se alguém me conseguir explicar porque
raio isto acontece, agradecia muito. Isto já se passa há algum tempo, mas nunca
percebi porque é que as equipas não podem jogar 3ª e 3ª e as outras 4ª e 4ª, em
vez de serem em dias alternados. Em termos de descanso, parecia-me muito mais
justo.
terça-feira, março 15, 2016
Tranquilo
Vencemos o Tondela por 4-1 e recuperámos a liderança isolada da Liga com
dois pontos de vantagem sobre a lagartada,
que tinha ganho (2-1) no Estoril no sábado. Na ressaca de compromissos
europeus, os jogos tendem a ser mais difíceis, mas os golos cedo descomplicaram
a nossa tarefa.
Com o Renato Sanches castigado, o Rui Vitória voltou a apostar no Talisca
para o meio-campo, mantendo igualmente o Fejsa e o Nelson Semedo que já tinham
jogado na Rússia. A 1ª parte não nos poderia ter corrido melhor, porque
marcámos nas duas oportunidades que tivemos. Inaugurámos o marcador aos 11’
através do Jardel na sequência de um canto do Gaitán na esquerda. O Tondela não
trouxe o autocarro e até estava
relativamente por cima do jogo, quando uma das melhores jogadas do campeonato
nos proporcionou o 2-0: combinação atacante entre Eliseu, Talisca e Pizzi, com
abertura na esquerda para o Gaitán assistir o Jonas para um remate rasteiro de
pé esquerdo. Até ao intervalo, nada de muito relevante se passou, connosco a
conseguirmos controlar melhor o Tondela do que até aos 2-0.
Na 2ª parte, o adversário entrou melhor e teve dois remates que poderiam
ter levado perigo, caso os jogadores tivessem melhor pontaria. O Rui Vitória
não estava a gostar do que estava a ver e fez entrar o Salvio para a saída do
Talisca. Achei que poderia ter saído o Pizzi, que também não estava a fazer um
grande jogo. Logo depois de ter entrado, o Salvio assistiu o Mitroglou, mas o
calcanhar deste bateu num defesa e foi parar devagarinho às mãos do guarda-redes.
Ainda antes dos 60’, tivemos mais uma contrariedade com a lesão na coxa do
Gaitán (espero que não seja grave) e entrada do Gonçalo Guedes, que teve um
remate que passou a rasar o poste. Enquanto não marcássemos o terceiro golo, o
jogo poderia renascer com um golo contrário, mas felizmente fomos nós a marcar
aos 69’ numa cabeçada de Jonas na sequência de um lançamento lateral. A partir
daqui, descansei e ainda tivemos tempo para marcar mais um através do
Mitroglou, depois de um alívio em balão do Jardel que acabou por se converter
em assistência! Inexplicavelmente o grego tirou a camisola para comemorar o
golo e vai falhar o Bessa. Achei uma enorme estupidez! Estávamos no minuto 87’,
mas infelizmente ainda sofremos o golito da ordem aos 91’, pelo Nathan Jr., depois
de termos perdido a bola a meio-campo e dado azo a um contra-ataque vitorioso.
Em termos individuais, destaque para o Jonas, que voltou a repor a
diferença de oito golo para o Slimani com novo bis e tem agora 28 golos em 26 jornadas. Brilhante! Gostei bastante
do Eliseu e do Fejsa, que realmente é fundamental como tampão no meio-campo
(viu-se bem a diferença quando entrou o Samaris). Jogo muito esforçado e com
bons pormenores do Mitroglou, abrilhantado pelo golo, mas aquele amarelo provocado
carece de explicação. Vai falhar o jogo no Bessa, assim como o Jardel.
Esta partida foi o culminar perfeito de uma semana inesquecível para mim,
que começou no passado sábado em casa da lagartada,
passou pelos 40 e São Petersburgo, e terminou com esta vitória. Apesar de sua
posição na tabela classificativa, o Boavista vem de uma vitória no Marítimo por
3-0, portanto não se avizinha um jogo nada fácil no Bessa. Há que manter o
sangue frio e a concentração, porque não temos margem de manobra para escorreganços.
quinta-feira, março 10, 2016
Alma
Vencemos o Zenit por 2-1 em São Petersburgo e qualificámo-nos para os
quartos-de-final da Liga dos Campeões pela primeira vez em quatro anos. Foi um
triunfo brilhante em que conseguimos superar uma série de adversidades, num
jogo que sem dúvida nenhuma honra a nossa história centenária.
Entrámos muito bem na partida, personalizados e a jogar no meio-campo dos russos. Um livre do Jonas foi bem defendido pelo Lodygin, mas logo na jogada seguinte o gigante Dzyuba bateu o central improvisado Samaris e atirou ao lado com o Ederson já batido. A 1ª parte decorreu com o jogo muito repartido, connosco muito coesos na defesa e também a criar perigo na baliza contrária, nomeadamente através de remates do Renato Sanches (passou a rasar o poste) e do Nelson Semedo para defesa algo complicada do guarda-redes. Na nossa baliza, o Ederson saiu muito bem aos pés do Dzyuba e evitou o golo, numa boa jogada de combinação do Zenit. Os russos só criavam perigo quando a bola chegava aos pés do Danny, porque o Witsel esteve muitíssimo apagado durante o jogo todo e a nossa defesa não tremia perante o Hulk. O intervalo chegava com o jogo controlado da nossa parte, mas o Zenit, a bem da verdade, também nunca exerceu uma pressão avassaladora.
A 2ª parte foi diferente, porque a equipa da casa tinha de arriscar mais para marcar. Teve uma boa oportunidade, outra vez pelo Dzuyba, mas a bola saiu por cima. Na resposta, nós tivemos igualmente a nossa melhor ocasião, com o Jonas a isolar-se na extrema-esquerda e a rematar já de ângulo difícil para a defesa do Lodygin. Aos 69’, entrou em acção o sr. Viktor Kassai: falta evidente e descarada sobre o Nelson Semedo que não foi assinalada, o Zhirkov ficou com o corredor esquerdo todo para ele e centrou para o Hulk de cabeça inaugurar o marcador. Que roubo!! A eliminatória ficava igualada, mas estranhamente (ou talvez não) os russos deixaram de pressionar tanto. Parecia que queriam levar o jogo para prolongamento (aliás, desde este jogo, em que estiveram a jogar 84’ com mais um e sempre na retranca, só conseguindo marcar quase por favor perto do fim, que nunca percebi muito bem que raio de futebol estes tipos praticam; e se é para jogarem assim, escusam de gastar milhões em jogadores…). Logo a seguir ao golo, o Lindelof tem uma cabeçada perigosíssima num canto, com o Lodygin a fazer uma defesa impossível, mas o Zenit também teve uma excelente oportunidade, com o Ederson a fazer muito bem a mancha ao Dzyuba. Pouco antes do golo, o Rui Vitória já tinha feito entrar o Jiménez para o lugar do Mitroglou e o mexicano justificou a contratação pelo Benfica com uma bomba do meio da rua aos 85’, que o Lodygin defendeu para a barra, ficando a bola a saltitar à frente da baliza para o Gaitán, muito rápido de cabeça, só ter que encostar. Foi o delírio! Empatávamos com toda a justiça e tínhamos a eliminatória à mercê, embora ainda faltassem para aí 10’ e eu estivesse com muito medo do húngaro que estava a arbitrar o jogo. Mas felizmente a nossa baliza nunca esteve verdadeiramente em perigo. O Rui Vitória fez entrar o Talisca já nos descontos e na última jogada do jogo, aos 95’, o brasileiro deu-nos a vitória com um remate de pé direito. Ainda por cima, ganhámos o jogo! Foi a cereja no topo do bolo!
Em termos individuais, destaco indiscutivelmente o Fejsa. Que jogão! Controlou toda a sua zona, fartou-se de cortar bolas, deu luta ao Hulk, parecia que estava em todo o lado. Grande jogo igual e novamente do Lindelof, bem secundado pelo seu improvisado companheiro de sector Samaris. O Nelson Semedo, que tinha estado um susto frente ao U. Madeira, portou-se muitíssimo bem, assim com o Eliseu, com imensa experiência (espero bem que as notícias da sua possível renovação sejam verdadeiras; não é um génio, mas um tipo de jogador que faz sempre falta num plantel, além de que é titular indiscutível). O Renato Sanches não está na superforma em que já esteve, mas continua imprescindível. Jogo menos conseguido do Pizzi, à semelhança dos últimos e também do Gaitán, embora este com a enorme ressalva de ter marcado o golo da igualdade. O Jonas e o Mitroglou fartaram-se de lutar na frente, e a entrada do Jiménez foi decisiva. Aliás, ambos os suplentes, também o Talisca, tiveram participação directa no resultado.
Conseguimos a qualificação para as oito melhor equipas da Europa, alinhando sem 4/5 da nossa defesa titular. Repito: tivemos quatro titulares de fora na defesa! Ou seja, ganhámos ao campeão russo na sua casa nos oitavos-de-final da maior competição do mundo sem o Júlio César, o Luisão, o Jardel e o habitual titular à direita, André Almeida. Na época passada, o Ederson jogava no Rio Ave, o Nelson Semedo e o Lindelof na equipa B, e o Samaris a trinco. Ouvi o David Borges na SIC Notícias no final do jogo a dizer que não tinha sido uma qualificação épica, nem brilhante… Foi lá agora…!!!
P.S. – É obrigatório deixar uma palavra para o Rui Vitória. Nunca acreditei que isto fosse possível, mas o mérito é todo dele. A maneira como os jogadores vão entrando na equipa, em jogos a doer, e não se nota quebra de rendimento só tem um responsável: Rui Vitória. Estou a engolir o sapo com enorme satisfação!
P.P.S. – Vitória no WC com ida para o 1º lugar, 40 anos e quartos-de-final da Champions. Que semana de sonho!!!
Entrámos muito bem na partida, personalizados e a jogar no meio-campo dos russos. Um livre do Jonas foi bem defendido pelo Lodygin, mas logo na jogada seguinte o gigante Dzyuba bateu o central improvisado Samaris e atirou ao lado com o Ederson já batido. A 1ª parte decorreu com o jogo muito repartido, connosco muito coesos na defesa e também a criar perigo na baliza contrária, nomeadamente através de remates do Renato Sanches (passou a rasar o poste) e do Nelson Semedo para defesa algo complicada do guarda-redes. Na nossa baliza, o Ederson saiu muito bem aos pés do Dzyuba e evitou o golo, numa boa jogada de combinação do Zenit. Os russos só criavam perigo quando a bola chegava aos pés do Danny, porque o Witsel esteve muitíssimo apagado durante o jogo todo e a nossa defesa não tremia perante o Hulk. O intervalo chegava com o jogo controlado da nossa parte, mas o Zenit, a bem da verdade, também nunca exerceu uma pressão avassaladora.
A 2ª parte foi diferente, porque a equipa da casa tinha de arriscar mais para marcar. Teve uma boa oportunidade, outra vez pelo Dzuyba, mas a bola saiu por cima. Na resposta, nós tivemos igualmente a nossa melhor ocasião, com o Jonas a isolar-se na extrema-esquerda e a rematar já de ângulo difícil para a defesa do Lodygin. Aos 69’, entrou em acção o sr. Viktor Kassai: falta evidente e descarada sobre o Nelson Semedo que não foi assinalada, o Zhirkov ficou com o corredor esquerdo todo para ele e centrou para o Hulk de cabeça inaugurar o marcador. Que roubo!! A eliminatória ficava igualada, mas estranhamente (ou talvez não) os russos deixaram de pressionar tanto. Parecia que queriam levar o jogo para prolongamento (aliás, desde este jogo, em que estiveram a jogar 84’ com mais um e sempre na retranca, só conseguindo marcar quase por favor perto do fim, que nunca percebi muito bem que raio de futebol estes tipos praticam; e se é para jogarem assim, escusam de gastar milhões em jogadores…). Logo a seguir ao golo, o Lindelof tem uma cabeçada perigosíssima num canto, com o Lodygin a fazer uma defesa impossível, mas o Zenit também teve uma excelente oportunidade, com o Ederson a fazer muito bem a mancha ao Dzyuba. Pouco antes do golo, o Rui Vitória já tinha feito entrar o Jiménez para o lugar do Mitroglou e o mexicano justificou a contratação pelo Benfica com uma bomba do meio da rua aos 85’, que o Lodygin defendeu para a barra, ficando a bola a saltitar à frente da baliza para o Gaitán, muito rápido de cabeça, só ter que encostar. Foi o delírio! Empatávamos com toda a justiça e tínhamos a eliminatória à mercê, embora ainda faltassem para aí 10’ e eu estivesse com muito medo do húngaro que estava a arbitrar o jogo. Mas felizmente a nossa baliza nunca esteve verdadeiramente em perigo. O Rui Vitória fez entrar o Talisca já nos descontos e na última jogada do jogo, aos 95’, o brasileiro deu-nos a vitória com um remate de pé direito. Ainda por cima, ganhámos o jogo! Foi a cereja no topo do bolo!
Em termos individuais, destaco indiscutivelmente o Fejsa. Que jogão! Controlou toda a sua zona, fartou-se de cortar bolas, deu luta ao Hulk, parecia que estava em todo o lado. Grande jogo igual e novamente do Lindelof, bem secundado pelo seu improvisado companheiro de sector Samaris. O Nelson Semedo, que tinha estado um susto frente ao U. Madeira, portou-se muitíssimo bem, assim com o Eliseu, com imensa experiência (espero bem que as notícias da sua possível renovação sejam verdadeiras; não é um génio, mas um tipo de jogador que faz sempre falta num plantel, além de que é titular indiscutível). O Renato Sanches não está na superforma em que já esteve, mas continua imprescindível. Jogo menos conseguido do Pizzi, à semelhança dos últimos e também do Gaitán, embora este com a enorme ressalva de ter marcado o golo da igualdade. O Jonas e o Mitroglou fartaram-se de lutar na frente, e a entrada do Jiménez foi decisiva. Aliás, ambos os suplentes, também o Talisca, tiveram participação directa no resultado.
Conseguimos a qualificação para as oito melhor equipas da Europa, alinhando sem 4/5 da nossa defesa titular. Repito: tivemos quatro titulares de fora na defesa! Ou seja, ganhámos ao campeão russo na sua casa nos oitavos-de-final da maior competição do mundo sem o Júlio César, o Luisão, o Jardel e o habitual titular à direita, André Almeida. Na época passada, o Ederson jogava no Rio Ave, o Nelson Semedo e o Lindelof na equipa B, e o Samaris a trinco. Ouvi o David Borges na SIC Notícias no final do jogo a dizer que não tinha sido uma qualificação épica, nem brilhante… Foi lá agora…!!!
P.S. – É obrigatório deixar uma palavra para o Rui Vitória. Nunca acreditei que isto fosse possível, mas o mérito é todo dele. A maneira como os jogadores vão entrando na equipa, em jogos a doer, e não se nota quebra de rendimento só tem um responsável: Rui Vitória. Estou a engolir o sapo com enorme satisfação!
P.P.S. – Vitória no WC com ida para o 1º lugar, 40 anos e quartos-de-final da Champions. Que semana de sonho!!!
domingo, março 06, 2016
lagartada - 0 - BICAMPEÕES NACIONAIS - 1
Vencemos no WC com um golo do Mitroglou e estamos isolados na frente do
campeonato com dois pontos de vantagem dos lagartos.
Foi um triunfo brilhante assente numa capacidade de sacrifício de louvar e que
nos coloca como única equipa que depende dela própria para ser campeã.
Tivemos (mais) uma grande contrariedade ainda antes de começar o jogo: o
Júlio César lesionou-se num treino e vai estar parado por algum tempo (segundo
o próprio Rui Vitória). O Ederson estreou-se no campeonato e deu muito bem
conta do recado. Com a equipa habitual (Jonas e Mitroglou na frente), entrámos
bem na partida e colocámo-nos em vantagem aos 20’ na sequência de um remate do
Samaris, que ressaltou num central e sobrou para o Mitroglou, que desviou bem
do Rui Patrício. Foi o delírio na bancada, embora como estava num sector
rodeado de lagartos tenha sido a
primeira vez que não me levantei num golo do Benfica (o ambiente estava algo
tenso e fui aconselhado a não arriscar). Mas compensei com um grito vindo das
entranhas! (Sabe Eusébio e quem me conhece a ver jogos do Benfica, o sacrifico
que foi limitar os meus festejos a isto…). A lagartada sentiu o nosso golo e demorou algum tempo a recompor-se. No
entanto, na parte final da 1ª parte, veio para cima de nós e tiveram uma grande
oportunidade num remate à barra do Jefferson.
A 2ª parte começou no mesmo tom com que tinha acabado a 1ª, ou seja, com
pressão lagarta. Nós não conseguíamos
manter a bola durante muito tempo e criar perigo na baliza contrária era uma
miragem. Passámos alguns calafrios na nossa, especialmente com dois falhanços
do Ruiz, o último dos quais vai certamente entrar no Guiness. As substituições do Rui Vitória tiveram o condão de
refrear o ímpeto lagarto, em especial
a entrada do Fejsa a pouco mais de 15’ do fim. Mesmo assim, o Ederson ainda
defendeu bem uma tentativa de chapéu do Ruiz e outro remate do João Mário
passou perto do poste. Quanto a nós, tivemos logo no reinício um remate do
Renato Sanches e depois outro do Gaitán que deveriam ter tido melhor destino.
Faltou conseguir ligar melhor o jogo e sair para o ataque com a bola
controlada.
Em termos individuais, destaque para o Mitroglou pelo golo e para o
Lindelof por ter secado completamente o Slimani. Tal como já referi, o Ederson
esteve seguro, assim como o grande Jardel. A equipa teve globalmente um grande
coração, embora com o Pizzi e o Gaitán muitos furos abaixo do normal em termos
exibicionais. As entradas do Jiménez e do Salvio foram importantes para nos dar
sangue novo na parte final da partida.
Depois de ter estado 90’ a conter-me na medida do possível (foi a primeira
vez que fui ao WC e o cachecol ficou no bolso), no final do jogo não aguentei e
extravasei toda a alegria enquanto os jogadores nos agradeciam. Foi uma vitória
muitíssimo importante e agora há que manter a cabeça fria para conseguirmos o
grande objectivo da época. Apesar de o calendário teoricamente nos favorecer,
não temos nenhuma margem de manobra para facilitar.
P.S. – As declarações do Jorge Jesus no final do jogo são absolutamente
lamentáveis. A sua qualidade enquanto treinador é directamente proporcional à
sua execrabilidade enquanto pessoa. Tentar menorizar a nossa vitória, dizendo
que foi uma exibição de equipa pequena, revela no mínimo uma grande falta de
memória em relação ao jogo que lá fizemos na época passada. É uma grande
desfaçatez e falta de vergonha na cara. A equipa “pequena” é bicampeã nacional
e tem 34 campeonatos ganhos. A equipa “grande” que ele treina actualmente ganhou
dois campeonatos nos últimos 33 anos e está a lutar pelo 19º título, algo que a
equipa “pequena” conseguiu em 1972…! Por causa destas declarações, mas
especialmente por causa do desequilibrado mental que preside àquela agremiação,
esta vitória ainda teve mais gozo!
P.P.S. - Quando eu fiz 30 anos, aconteceu isto. Agora, a dias dos 40, acontece isto. Muito obrigado, meu querido Benfica, que grande prenda antecipada que me deste!
VIVA O BENFICA!
terça-feira, março 01, 2016
Jonas
Vencemos o U. Madeira por 2-0 e, com o empate da lagartada em casa do V. Guimarães (0-0), a uma semana do derby, a distância foi reduzida para
apenas um ponto. Conseguimos o que era essencial, o que relega para segundo
plano a nossa fraca exibição.
Por causa dos amarelos, o Rui Vitória deixou o André Almeida e o Renato
Sanches no banco, e principalmente a falta deste foi bastante notória. O
Talisca, que substituiu o miúdo, até nem esteve muito mal na 1ª parte, mas a 2ª
foi uma desgraça até ser substituído. A preponderância que o Renato tem actualmente no
nosso jogo é impressionante. Mesmo assim, não poderíamos ter
entrado melhor, porque inaugurámos o marcador logo aos 5’ através do inevitável
Jonas: livre para a área, alívio de um defesa e remate de primeira do
brasileiro ainda dentro da área, que fez com que o guarda-redes Gudiño (emprestado pelo CRAC) nem se
mexesse. Como neste tipo de jogos o mais difícil é marcar o primeiro, pensei
que poderíamos ter uma noite relativamente calma. Não foi bem assim. O União
trouxe o autocarro (defendia com
todos os jogadores a meio do seu meio-campo!), mas conseguia esticar o jogo com
relativa rapidez. Nós tivemos algumas oportunidades até ao intervalo, com
remates do Pizzi a rasar o poste e do Mitroglou para boa defesa com a perna do
guarda-redes, mas o Júlio César também foi determinante ao sair da área e
conseguir desarmar em carrinho um
avançado contrário que estava isolado. Mesmo à beira dos 45', uma assistência em balão
do Gaitán merecia que o Pizzi tivesse cabeceado melhor quando só tinha o Gudiño
pela frente.
Na 2ª parte, o União já não conseguiu partir para o ataque com a mesma
desenvoltura, mas já se sabe que, até se marcar o segundo golo, as coisas nunca
estão garantidas. A equipa denotava que não estava confortável com o resultado
apesar de ter uma posse de bola avassaladora. Conseguimos criar algumas
oportunidades, nomeadamente um remate quase à queima-roupa do Mitroglou que o
guarda-redes defendeu por instinto, mas a tranquilidade só chegou aos 76’ com o
bis do Jonas, a desviar um remate do
avançado grego que o Gudiño provavelmente defendia. Até final, gerimos o jogo
relativamente bem, apesar de ainda termos visto o Jardel desarmar um avançado
contrário que estava isolado. Outro pormenor muito importante foi o Jardel não
ter visto amarelo, já que também estava tapado.
Destaque individual óbvio para o Jonas, que chegou ao seu 26º golo em 24
jornadas e tem agora oito de vantagem para o Slimani nos melhores marcadores. Também
gostei da estreia a titular do Grimaldo, que ataca com muito a-propósito e
centra bem. O Gaitán, vindo de lesão, esteve uns furos abaixo do habitual e
numa rotação muito baixa. Algo que me preocupa é o Nelson Semedo, que está
muito longe da forma que exibiu antes de se lesionar e me faz temer o pior para
São Petersburgo.
No entanto, antes disso e mais importante, teremos o derby da próxima semana. Está tudo em aberto e, sinceramente, não
sei o que esperar. Vou ao WC mais confiante do que na última vez e acho que, se
conseguirmos a vitória e olhando para o calendário das equipas até final do
campeonato, esta poderá ser decisiva. Mas mesmo um empate, pelas mesmas razões,
não será mau.
P.S. - A rábula dos problemas com o voo (é curioso que houve uma série de
aviões que aterraram da Madeira no domingo, só os do União é que tiveram
problemas…), que fez adiar o jogo de domingo para segunda, custou-nos 13.000
espectadores na Luz, porque estavam 57.000 bilhetes vendidos e acabaram por
estar só 44.485 espectadores. Espero que o U. Madeira desça de divisão, porque dois jogos,
dois adiamentos é demais.
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