segunda-feira, março 30, 2015
Final Europeia no Voleibol
Não poderia deixar passar
em claro uma referência para a nossa equipa de Voleibol, que conseguiu
brilhantemente a qualificação inédita para uma final europeia ao derrotar o CMC
Ravenna (3-2 em Itália já depois de um 3-0 em Lisboa), equipa italiana que já
foi tricampeã europeia. É apenas a segunda vez que uma equipa portuguesa consegue
acesso a uma final europeia, neste caso da Challenge
Cup (a única competição a que as equipas portuguesas, por via do ranking de
Portugal, podem aceder nesta altura), e esperemos que seja o segundo troféu ganho
(o outro foi do Espinho na Top Teams Cup
em 2000/2001).
Desde os jogadores,
treinadores, secção e direcção, os meus sinceros parabéns a todos os que
possibilitaram esta página de ouro na história do Sport Lisboa e Benfica.
VIVA O BENFICA!
Portugal - Sérvia
Vencemos a Sérvia
por 2-1 e estamos em excelente posição para nos qualificarmos para o Euro 2016.
Já estamos na frente do grupo com nove pontos em quatro jogos e dois de
vantagem sobre a concorrência e portanto só uma calamidade impediria tal
desiderato.
Faço sempre questão
de ir ver jogos oficiais da selecção na Luz. Para já, como nunca fico no meu
lugar, é sempre uma oportunidade de ver a perspectiva de outro local no estádio
(e tenho confirmado que se vê bem praticamente de todo o lado) e, para variar, gosto
de ir à bola sem estar excessivamente nervoso com o jogo. Claro que gosto que a
selecção ganhe, mas não comparemos a importância desta com o Glorioso.
Obviamente!
Entrámos bem na
partida e o Ricardo Carvalho fez o 1-0 logo aos 11’ num cabeceamento depois de um centro do Fábio Coentrão num canto curto. Adormecemos um bocado e,
aos 61’, o Matic fez a igualdade num semi-pontapé de bicicleta. Ia levantar-me
para festejar um golão do Matic frente ao Rui Patrício, mas lembrei-me a tempo que
era um jogo de selecções e, principalmente, que já não estamos no início da
época passada… Felizmente, a resposta foi imediata e fizemos o 2-1 dois minutos
depois. Golo do Coentrão depois de um bom centro do Moutinho. Até final,
a Sérvia praticamente não criou perigo nenhum e a vitória foi justa.
No meio-campo de
Portugal, esteve a chave da vitória: o Tiago continua com uns pés maravilhosos
e o Moutinho também fez uma bela exibição. Com um golo e uma assistência, o Fábio Coentrão foi indiscutivelmente o homem do jogo. O C. Ronaldo não marcou, mas esteve
muito em jogo e com uma capacidade de luta nada habitual. Ao lado do jogo
passaram o Nani e o Danny. E o Bosingwa teve o condão de praticamente não
conseguir cortar um único lance ao extremo-esquerdo contrário.
Quando saiu o
sorteio destas qualificações, tínhamos três jogadores na equipa da Sérvia. Como
disse, de certa maneira, ainda bem que o jogo foi só agora, porque assim não
estive muito dividido a ver o Matic, o Markovic e (muito menos) o Djuricic do
outro lado. Aliás, não se percebe como é que uma selecção com tão bons
jogadores está apenas com um ponto em quatro jogos e em risco de nem ir aos play-off…
domingo, março 22, 2015
Inadmissível
Perdemos em Vila do Conde (1-2) e as coisas só não ficaram terrivelmente
complicadas, porque duas horas depois o Nacional empatou com o CRAC (1-1) na
Choupana. Assim sendo, vimos a diferença reduzir para apenas três de vantagem,
o que parece uma enormidade a comparar com um único ponto com que muitos de nós
contávamos assim que terminou o jogo contra o Rio Ave.
O fato de o Gaitán ter levado uma amarelo idiota frente ao Braga deixou-me
logo de pé atrás. Esta saída era bem complicada e nós sem o argentino somos
outra equipa. No entanto, as coisas não poderiam começar melhor, porque logo
aos 5’ uma abertura fabulosa do Pizzi isolou o Salvio que desviou com sucesso
do guarda-redes. Pensei eu que o mais difícil estava feito e ainda por cima na
1ª parte o Rio Ave ficou sem dois dos seus melhores jogadores por se terem
magoado sozinhos (Marcelo e Hassan). O Talisca, que substituiu o Gaitán, esteve
ligeiramente melhor do que em outros jogos a extremo, mas o que é facto é que
não conseguíamos criar situações claras de golo.
Esperava eu que na 2ª parte aumentássemos um pouco o ritmo para dar a estocada final, mas nada disso
aconteceu. De certo modo, fomos deixando o jogo correr, sempre a atacar, mas
sem grande velocidade. Aos 60’, o Pedro Martins colocou o Diego Lopes e o jogo
mudou: foi ele mesmo a dar o aviso, atirando à trave aos 63’. Até que aos 72’,
o Samaris meteu o braço à bola na sequência de um livre lateral. Temos o
primeiro prémio indiscutível da estupidez do ano! Como geralmente acontece
nestas ocasiões, lá tivemos um ex-CRAC a marcar o penalty, Ukra, e não falhou.
O golo abananou-nos um bocado, mas
mesmo assim aos 82’ tivemos uma fantástica oportunidade, numa boa jogada do
entretanto entrado Ola John, que centrou para o Lima, só com o Ederson pela
frente, conseguiu não acertar na
baliza. É uma das perdidas do ano! A seguir, deixámos o Tiago Pinto seguir à
vontade e teve que ser o Luisão a derrubá-lo à entrada da área. Resultado: viu
naturalmente o vermelho directo. A partir daqui, pensei sinceramente que a
equipa tivesse aprendido com o que se passou em Paços. Não estou a dizer para
abdicarmos do ataque (obviamente!), mas para fazê-lo só em segurança. É que,
como dizia muitas vezes a velha raposa Trapattoni, “se não podes ganhar, ao
menos não percas.” E foi isso que mais uma vez não conseguimos fazer e, de modo
incrível, consentimos o golo da derrota nos descontos na sequência de um
lançamento lateral a nosso favor! O Maxi lançou mal, houve o contra-ataque e
bola no fundo das redes. É difícil de acreditar. O jogo terminaria pouco
depois.
Em termos individuais, há muitos mais destaques pela negativa do que pela
positiva. O único a estar num nível alto foi o Salvio, que melhorou inclusive
em relação a partidas passadas, mais objectivo e menos complicativo. Também o
passe do Pizzi merece destaque, mas pouco mais fez até ser substituído. O Jonas
teve um choque de cabeças logo no início e pareceu que nunca mais se recompôs.
Quando ao Lima, desde Mordor que já tem o seu lugar no Olimpo, mas o que é facto
é que o penalty falhado em Paços e esta perdida inacreditável nos colocariam
agora com nove pontos de vantagem… E o Samaris NÃO pode voltar a fazer aquilo!
É completamente injustificável e custou-nos muito caro.
Confesso que, quando acabou o jogo, pensei “lá se foi o campeonato”. O momentum estava todo do lado do CRAC,
que poderia ter estado a nove pontos e agora estaria teoricamente só a um.
Nunca pensei que não ganhassem na Madeira, mas felizmente temos um grande
aliado em Mordor: o fantástico Lopetegui!
Um mestre no comportamento canino de seguir a voz do dono, mas que quanto a
treinador deixa muito a desejar. Mesmo assim, é bom que o Lucas João não me
apareça à frente nos próximos jogos (aquele falhanço na pequena área é
inacreditável…!). Os estragos foram reduzidos em relação ao que se esperava,
mas temos que ver o que é que se passa nos jogos fora, em que as dificuldades
são enormes e nada habituais. Isto vai ser um campeonato muito coladinho com
cuspo.
P.S. – Oh Jorge Jesus, deixe lá isso, homem! É mais do que justa a expulsão
do Luisão e não há interferência nenhuma do adversário perante o Júlio César no
lance do segundo golo. Desta vez, o Sr. Marco Ferreira até esteve bem.
domingo, março 15, 2015
Sem mácula
Vemos o Braga por 2-0 e, na pior das hipóteses, vamos manter a distância
pontual para o CRAC. Era um jogo que nos preocupava (pelo histórico negro desta
época) e nos quais os anti tinham
grandes esperanças, mas felizmente tudo foi diferente desta vez. Entrámos bem,
dominámos completamente, o Braga foi inofensivo e a vitória foi justíssima.
Depois de duas derrotas era expectável que tivéssemos estudado melhor o
adversário e assim aconteceu. Começámos a todo o gás e o Jardel teve um
cabeceamento num livre que poderia ter tido melhor sorte. Continuámos a
pressionar e aos 21’ inaugurámos o marcador através de um excelente remate fora
da área, muito colocado, do Jonas depois de uma fantástica triangulação entre o
Lima, Gaitán e ele próprio. Os 60.222 rejubilaram com o 90º(!) jogo seguido do
Benfica para o campeonato a marcar na Luz. Até ao intervalo poderíamos ter
aumentado o marcador, noutro óptimo lance atacante com o Pizzi a isolar-se, a
desviar bem do Matheus, mas o defesa Santos a tirar quase sob a linha de golo.
Em termos atacantes, o Braga não criou perigo nenhum para a nossa baliza.
A 2ª parte principiou de maneira diferente, connosco a baixar o ritmo e o
Braga a jogar mais no nosso meio-campo, mas sem conseguir entrar na área.
Pareceu ser estratégia do Benfica, mas durou pouco menos de 10’, porque depois
voltámos a ser mais incisivos na procura do golo que selasse a vitória. Aos
59’, o Tiago Gomes rasteira o Salvio na direita e leva naturalmente o segundo
amarelo. Haverá certamente alguns acéfalos que virão ladrar contra mais uma
expulsão de um nosso adversário, mas enquanto não se criar uma nova lei no
futebol que dirá que contra o Benfica ninguém pode ser expulso, não se pode
fazer nada… No livre que resultou desta jogada, o Lima teve uma grande
oportunidade, mas o Matheus fez bem a mancha
e o Jonas desviou a recarga posterior ligeiramente ao lado. À semelhança da
semana passada, desconcentrámo-nos um pouco a jogar contra dez. A equipa
pareceu que ficou naquele limbo entre “temos que marcar mais um” e “é
inadmissível que soframos um golo a jogar contra dez”, e durante um período
deixou de atacar como estava a fazer. Claro que o facto de o Braga se ter
fechado a sete chaves também ajudou a que não se encontrassem os espaços
necessários. O Eliseu já tinha ensaiado antes, mas o guarda-redes defendeu, no
entanto, aos 76’ o jogo terminou com um grande remate do defesa-esquerdo depois
de uma boa abertura do Samaris e com o Gaitán a inteligentemente deixar passar
a bola. Colocámo-nos a salvo de qualquer eventualidade a até final o Braga teve
a única oportunidade, numa recarga que passou ligeiramente ao lado.
Em termos individuais, destaque para o Jonas pelo golo e pelo que fez
jogar. Além disso, aquele domínio na 1ª parte, com a bola a cair a pique, pagou
por si só o preço do red pass! Também gostei bastante do meio-campo com o
Samaris e o Pizzi, e da segurança do Jardel na defesa, à qual acrescentou um
par de iniciativas atacantes bem conseguidas (sabe centrar e tudo!). O Salvio
esteve esforçado, mas o Gaitán passou um pouco ao lado do jogo com a agravante
de ter simulado um penalty e ter levado um amarelo que o vai tirar de Vila do
Conde. Foi a nota negativa do jogo. Menção igualmente para os 40.000 minutos(!)
do Luisão com a águia ao peito.
Numa partida de elevado grau de dificuldade, passámos com nota mais do que
positiva. Temos pena, cambada de aziados que pululam por aí! Segue-se a ida ao
Rio Ave, na qual é preciso concentração máxima, porque temos tido muitos mais
problemas fora de casa. E é obrigatório não perdermos pontos até à visita do
CRAC.
domingo, março 08, 2015
Sofrimento
Vencemos em Arouca
(3-1) e mantivemos a distância de quatro pontos para o CRAC que venceu no amigável em Braga por 1-0. A diferença
de dois golos não deixa transparecer o quão complicado foi este jogo, em que
pela quarta vez consecutiva fora de casa sofremos um golo primeiro e em que, à
semelhança de Moreira de Cónegos, chegámos ao intervalo a perder.
Fico sempre nervoso
quando joga o Benfica, mas principalmente neste dia, especial para mim
(refiro-me obviamente ao facto de fazer nove anos desde que conseguimos um dos
nossos melhores resultados europeus… :-), ainda estava mais. Confesso que não
gosto nada de fazer anos em dias em que joga o Benfica, porque como sou
pessimista tenho sempre medo que corra mal e me estrague o dia. E a 1ª parte de
ontem ia-me deixando à beira de um ataque de nervos. Entrámos pessimamente e o
Arouca marcou logo aos 7’ num grande golo do Iuri Medeiros, cedido pela lagartada, mas em que o Eliseu andou completamente aos papéis. Até aos 15’ estivemos a vê-las passar, mas depois lá
estabilizámos e demos um arzinho da
nossa graça, mas sempre perante uma oposição muito forte, que parecia que
estava a jogar a final da Champions. O
empenho e a vontade era tão grande quanto a do Braga frente ao CRAC… Já sabemos
o que a casa gasta e só é pena que estas equipas não sejam sempre assim nos
jogos contra um determinado adversário, e que não haja um crescimento súbito da
relva e tempestades de areia sobre o
terreno de jogo nessas alturas… Apesar de termos melhorado, ainda estávamos
muito longe do exigível, mas mesmo assim o Salvio teve duas boas hipóteses para
marcar, entre as quais a habitual bola à barra, o Lima também, mas o intervalo
lá chegou e o meu nível de ansiedade a bater no vermelho.
Na 2ª parte, o
Jesus colocou o Talisca, mas em vez do Pizzi (uma nulidade na 1ª parte) tirou o
Samaris. O brasileiro entrou bem na partida, começámos a pressionar mais o
adversário e aproveitámos da melhor maneira um erro num pontapé para a frente
do guarda-redes Goicoechea,
que atirou a bola contra o Lima, sobrando esta para o Jonas ainda de fora da
área ter feito um remate muito colocado para dentro da baliza. Estávamos no minuto
51’ e deu logo a sensação que o Arouca dificilmente nos poderia conter. E assim
aconteceu logo quatro minutos depois, com um centro em esforço do Gaitán, um
bom lance do Jonas a tirar um adversário do caminho e quase sem ângulo a
proporcionar uma boa defesa ao guarda-redes, com a bola a sobrar para o Lima
praticamente em cima da linha rematar para um defesa em carrinho desviar para o poste e a bola ressaltar já para dentro da
baliza! O guarda-redes ainda a agarrou, mas a bola claramente transpôs a linha.
Foi um golo demasiado confuso para o que deveria ter sido, porque o Lima estava
de facto muito perto da baliza e tinha obrigação de fazer a bola entrar directamente
(aliás, logo a seguir ao primeiro golo, o Lima em excelente posição atirou por
cima da barra, quando só tinha o guarda-redes pela frente). O que interessa é
que entrou mesmo e pouco depois o Sr. Vasco Santos não assinalou um penalty
clamoroso por braço de um defesa depois de uma finta do Jonas (logo no início
da 2ª parte, ainda com 0-0, julgo que há falta sobre o Gaitán na área, porque o
defesa se atirou completamente para cima dele e não para jogar a bola). Aos
62’, o Lima fez a bola passar por cima de um defesa e ia isolar-se quando foi
agarrado. Só gente profundamente desonesta em termos intelectuais é que pode
achar que não era lance para expulsão. Parecia que o jogo se poderia tornar
mais fácil, mas era imperativo não abrandar o ritmo para nos colocarmos a salvo
de qualquer lance fortuito, até porque o Arouca era perigoso nas bolas paradas.
E foi só quando o Lima bisou aos 75’, depois de uma boa desmarcação do
entretanto entrado Ola John, que pudemos finalmente descansar. Até final,
referência para uma cabeçada por cima do Lima, que lhe poderia ter dado o hat-trick, e para o amarelo (algo forçado)
ao Talisca que o vai tirar do difícil jogo frente ao Braga.
Em termos
individuais, realce óbvio para o Lima: dois golos, intervenção decisiva no
primeiro e a expulsão provocada fazem dele o homem do jogo. O Jonas também
esteve bem, principalmente na 2ª parte. O Gaitán, mesmo ainda longe dos 100%,
continua a ser o nosso jogador mais decisivo. Em menor destaque, estivram o
Salvio, que passou ao lado do jogo apesar da bola ao poste e o Pizzi, que
baixou imenso em relação à partida anterior. O Júlio César voltou à baliza, mas
praticamente não tocou na bola.
Já se percebeu que
isto vai ser assim até ao fim: contra nós, é como se a vida deles dependesse
disso, atitude que não se reflecte quando defrontam outra equipa. Aliás, vai
ser curioso observar no próximo fim-de-semana como é que o Braga e o Arouca vão
jogar. Aposto que vão inverter posições! Temos que nos manter muito
concentrados até final e não podemos de todo perder pontos antes do CRAC nos
visitar.
domingo, março 01, 2015
De gala
Os melhores 45’ da época ajudaram-nos a golear o Estoril por 6-0 e
conseguir o resultado mais desnivelado do campeonato até agora. No dia do seu
111º aniversário, o Benfica resolveu brindar os seus sócios com a melhor prenda
possível, porque não foram só os golos, mas também a elevada nota artística que
nos entusiasmou todos.
Treinada pelo lagarto Couceiro,
não é de espantar que o Estoril não tenha respeitado o acordo tácito que existe
entre as equipas de deixar a equipa da casa escolher o lado do campo para onde
vai atacar. Só que essa esperteza saloia saiu-lhes mal e foi na baliza talismã
da Luz que lhes enfiámos quatro batatas na 1ª parte. As coisas começaram com um
habitué que é a nossa bola ao poste,
novamente pelo Jonas (tal como em Moreira de Cónegos). Com o Gaitán de regresso
à equipa, o Benfica parecia outro em relação à má exibição da jornada passada.
É que não é só o que o argentino joga, é o que os companheiros se motivam por vê-lo
em campo, elevando igualmente os seus níveis exibicionais. Com os dois centrais
titulares castigados, o Estoril abria brechas por tudo o que era lado e sofreu
o primeiro golo aos 17’ pelo Luisão numa cabeçada na sequência de um canto. Aos
26’, foi a vez do Salvio aumentar o marcador, depois de um centro do Lima,
invertendo os papéis habituais. Aos 33’, um golão do Pizzi de fora da área
punha-nos a salvo de qualquer eventualidade. E dois minutos depois, uma das
melhores jogadas do campeonato, com tabelinhas e primeiros toques entre vários
jogadores, culminou no quarto golo do Jonas. Até ao intervalo, poderíamos ter
aumentado o score através do Gaitán,
depois de uma abertura magnífica do Samaris que o isolou, mas a bola saiu ao
lado.
Na 2ª parte, diminuímos um bocado o ritmo, mas ainda fizemos mais dois
golos, através de um penalty do Lima aos 56’, a castigar uma falta sobre o
Jonas, e com este a bisar aos 86’ na recarga a um remate do Ola John. Como
disse (e bem) o Jesus, a parte menos boa foi o amarelo escusado ao Gaitán que o
deixa com quatro e à beira da suspensão quando se aproximam jogos com o Braga e
CRAC… O Estoril só teve uma verdadeira oportunidade de golo, mas o Artur
conseguiu desviar a bola para o poste perante um adversário isolado. Referência
obrigatória para a arbitragem do Sr. João Capela. Foi das piores que tenho
visto! Aliás, quem se lembra do modo de ele apitar (critério muito largo, a
deixar jogar), pôde constatar que o condicionamento de que foi alvo modificou-o
completamente. Lei da vantagem era mentira, qualquer toque (especialmente da
nossa parte) era falta, enfim um sem-número de interrupções completamente
escusadas. O penalty é indiscutível, mas foi a primeira vez que vi um árbitro
esperar por uma substituição para mostrar um amarelo (que, por acaso, foi o
segundo, o que torna tudo ainda mais caricato, porque houve espectadores que não
se aperceberam do que se passou). Ridículo!
Em termos individuais, como referiu o JJ, é de facto difícil destacar
alguém. A equipa esteve toda muito bem, com o Pizzi a movimentar-se cada vez
melhor (só lhe falta ser agressivo a defender), o Samaris a confirmar o bom
momento de forma, o Jonas com um veia goleadora de registar, o Salvio menos
trapalhão e individualista, e o Gaitán a tornar tudo mais fácil. E foi bonito
ser o capitão a abrir o marcador em dia de festa.
Infelizmente, a lagartada
confirmou hoje a sua inutilidade ao ir perder a Mordor por 3-0, quando confesso
que estava com alguma esperança que pudesse sacar pelo menos um empatezito. Por
isso, mantemos os quatro pontos de vantagem perante as forças do Mal, vendo
agora os lagartos a 12 pontos. Será
sem dúvida uma corrida a dois, em que o nosso calendário é teoricamente mais
favorável. Se as lesões tiverem acabado de vez e mantendo este nível
exibicional, poderemos ser muito felizes em Maio.
domingo, fevereiro 22, 2015
Sabor diferente
Vencemos em Moreira de Cónegos por 3-1 e, na pior das hipóteses, iremos
manter os quatro pontos de avanço, mas aguardemos pelo que o CRAC irá fazer no
Bessa. Numa partida com várias vicissitudes e em que a expulsão de um
adversário foi decisiva, acabou por ser uma vitória justa, apesar de o
resultado poder esconder as dificuldades que tivemos.
Com o Samaris castigado e o Gaitán ainda lesionado (entrou o André Almeida
para o meio-campo e manteve-se o Ola John no onze), nós até entrámos razoavelmente
no jogo e atirámos a habitual bola ao poste logo aos 13’ pelo Jonas, num lance
em que me pareceu que ele não tocou bem na bola, caso contrário teria feito
golo. Criámos outras situações de perigo com um remate rasteiro do Lima
ligeiramente ao lado e um grande lance do Pizzi a fazer passar a bola por cima
de um defesa e rematar de pé esquerdo sem a deixar cair no chão, mas um pouco
por cima. Além disso, íamos acumulando cantos, alguns deles com perigo, mas sem
obrigarmos o Marafona a grandes defesas. No início do jogo, o Moreirense teve
um remate cruzado perigoso, mas quando nada o faria prever adiantou-se no
marcador aos 35’, numa perda de bola infantil do Salvio e o Pizzi a ver de cadeirinha o João Pedro rematar à
vontade. Pouco depois, chegou o intervalo e na cabeça de muitos de nós terá
pairado o fantasma de Paços…
Entrámos com mais vontade na 2ª parte e chegámos à igualdade aos 58’
através do Luisão, de cabeça, depois de um canto bem marcado pelo Pizzi. O
lance que dá origem ao canto é uma simulação do Salvio, que até foi o último a
tocar na bola. Sim, era pontapé de baliza, mas considerar um engano destes do
fiscal-de-linha um crime lesa-pátria é ridículo. O mais difícil estava feito e
tínhamos mais de meia-hora para marcar mais um. No entanto, aos 60’ o jogo
ficou estragado com o sr. Jorge Ferreira a expulsar o André Simões por
palavras. Os dois treinadores entraram em campo e acabaram também por ser os
dois expulsos. Com mais um em campo, pusemo-nos em vantagem aos 66’ pelo
Eliseu, num remate fora da área de pé direito, em que o guarda-redes foi mal
batido. A partida ficou praticamente decidida, mas selámo-la em definitivo com
o terceiro golo da autoria do Jonas, a dar a melhor sequência a um centro do
Maxi. Até final, destaque para um remate de longe do recém-entrado Talisca com
a bola a passar muito perto do poste.
Em termos individuais, não houve ninguém que se destacasse por aí além.
Menção para o Luisão pela importância do primeiro golo e para o Pizzi,
especialmente na 1ª parte, em que procurou sempre colocar a bola jogável nos
companheiros. A ala esquerda (Eliseu e Ola John) esteve muito longe do que é exigível
e na direita o Salvio continua a sua preocupante tendência para a complicação.
O André Almeida cumpre, mas não é o Samaris.
Vamos lá falar do que interessa: vai contestar-se a decisão do canto em vez
de pontapé de baliza, mas isso só é notícia porque… resultou em golo. São erros
que acontecem frequentemente no futebol e portanto não me lixem! Quanto à
expulsão, que obviamente nos facilitou a vida, há que relembrar que ela
aconteceu já com 1-1 no marcador. No entanto, eu não gosto nada de estar no
futebol sem perceber o que se passa. O que é o caso da expulsão por palavras em
que nós, adeptos, nunca sabemos bem a razão. Acho que tudo deveria mais
transparente, porque esta história de ficar ao critério do árbitro tem muito
que se lhe diga: alguns são surdos e outros quase que exigem mais boas maneiras
do que a Paula Bobone. O Miguel Leal, treinador do Moreirense, acabou por dizer
que compreendia a expulsão, mas eu acho que seria muito mais fácil se se
decidisse das duas uma: ou bocas ao
árbitro são sempre amarelo e nunca vermelho; ou então, nos casos de expulsão,
seriam tornadas públicas as palavras que levaram a tal. Facilita muito as coisas
e acabaria com muita suspeição que inevitavelmente surge.
Como eu não tenho (felizmente) a falta de vergonha na cara dos adeptos do
CRAC, não tenho problema nenhum em dizer que não gosto de ganhar desta
maneira. Não sabendo o que levou à expulsão do jogador do Moreirense, não sei
se foi justa ou não e portanto ter o critério do árbitro a nosso (aparente)
favor é algo que me deixa desconfortável. Razão pela qual não festejei esta
vitória com a exuberância que ela merecia. Mas ganhámos e isso é o mais
importante de tudo nesta fase, para podermos recuperar a confiança nos jogos
fora, depois duas saídas consecutivas em que não vencemos.
segunda-feira, fevereiro 16, 2015
Fácil
Vencemos o V. Setúbal novamente por 3-0 e, mantendo a distância de quatro
pontos para os assumidamente corruptos, alargámos para nove em relação à lagartada, que foi empatar ao Restelo
com um golo aos… 94’ (espero que não tenham festejado, já que nos recriminaram
tanto por o termos feito na semana passada).
Quando o jogador do momento – o grande Jardel – inaugurou de cabeça o
marcador aos 9’ na sequência de um canto bem marcado pelo Pizzi, fiquei logo
mais descansado. Pelo que se viu na 4ª feira, o V. Setúbal muito dificilmente
teria capacidade para nos criar problemas estando nós em vantagem. E só o fez
por uma única vez, num livre para a área, quando um avançado deles com a mão(!)
proporcionou ao Artur uma intervenção de recurso. Ainda sem o Gaitán, mas desta
vez com o Ola John em melhor plano, fomos criando algumas oportunidades pelo
Salvio (de cabeça), pelo Maxi (que embateu no peito de um defesa sobre a linha)
e pelo Luisão (também de cabeça). Aos 40’, praticamente sentenciámos a partida
ao fazer o 2-0 pelo Lima, num bom remate de primeira de pé esquerdo, depois de
uma assistência do Ola John na esquerda. Os jogadores adversários protestaram
empurrão do Ola John na jogada, mas, apesar de ele colocar o braço para ganhar
o lance, é a velha questão da intensidade. Acho que o defesa, se quisesse,
poderia não ter caído e, além disso, ele nem vai logo reclamar com o árbitro.
Se na 1ª parte o V. Setúbal ainda teve uns quantos remates fora da área
para testar o Artur, que os defendeu a todos sem dificuldades de maior, na 2ª
praticamente não existiu em termos atacantes. Quanto a nós, o Lima foi tentando
o bis por algumas vezes, o Luisão
teve um chapéu que saiu ligeiramente por cima e o Jonas estava em dia não no
capítulo de rematar à baliza. Faltava um golo para a tranquilidade absoluta e
ele surgiu aos 71’ num roubo de bola do Salvio para assistir o Lima de cabeça.
Boa rotação de cabeça do brasileiro a fazer lembrar o Rui Águas e o João V.
Pinto. Estava tudo decidido e o Jesus resolveu dar minutos ao Gonçalo Guedes e
ao Ruben Amorim. Até final, o guardião adversário, Ricardo Baptista, fez uma
defesa incrível com o pé a um remate do Jonas que tinha sido desviado por um
defesa.
Em termos individuais, destaque óbvio para o Lima com dois golos e também
para o Pizzi. Gostei bastante dele, com muita qualidade no passe e boas
desmarcações para os companheiros, o que é especialmente importante nesta
altura, em que o Talisca começa a acusar o facto de estar há um ano consecutivo
a jogar. O Salvio na direita melhorou em relação a jogos anteriores, assim como
o Ola John na esquerda, que parece inclusive mais magro. Outro que está em
nítida subida de forma é o Samaris, mas levou um amarelo e não vai jogar em
Moreira de Cónegos. Palavra igualmente para o Jardel, que atravesse
indubitavelmente o melhor período desde que chegou ao Benfica.
Esta exibição do V. Setúbal, à semelhança da do Boavista há duas semanas,
por exemplo, prova que há equipas a mais na I Liga. E falo destas duas para nem
referir o Penafiel, Gil Vicente e Académica, que estão em posição de descida. Dão
pouca réplica e assim que sofrem um golo o jogo poderia acabar logo aí.
Como infelizmente vamos ver a Europa do sofá durante esta semana, resta-nos
esperar que esses jogos façam mossa nos nossos adversários. É que era muito bom
podermos voltar a ter a margem de distância que já tivemos.
quinta-feira, fevereiro 12, 2015
Expectável
Vencemos o V.
Setúbal por 3-0 e pela sexta vez em oito edições iremos marcar presença na
final da Taça da Liga. Naturalmente que espero que consigamos o sexto troféu,
porque mantermo-nos invictos numa final de uma prova oficial fica sempre no historial
(tivéssemos conseguido isso nas provas europeias… ui, ui…).
O Jesus arriscou
bastante ao colocar em campo apenas quatro titulares de Alvalade e foi sem
surpresa que se viu o V. Setúbal, com os habituais titulares, a entrar melhor
no jogo. Uma fífia do Eliseu logo no início só não os colocou em vantagem,
porque o Lisandro López cortou de carrinho
uma bola que ia directa para a baliza. Sem muita velocidade no aspecto
ofensivo, o nosso jogo arrastava-se bastante, até porque o adversário
fechava-se bem na defesa. Tirando duas desmarcações do Gonçalo Guedes
culminadas com remates ao lado, não estávamos a criar grandes oportunidades até
que aos 41’ um passe do Pizzi isolou o miúdo que foi puxado por um defesa
dentro da área. Penalty indiscutível e óbvia expulsão. O Talisca atirou para o
lado contrário do guarda-redes e inaugurou o marcador. Se com a dupla vantagem
no marcador e nos homens em campo, as coisas estavam bem encaminhadas, com o
segundo penalty aos 45’ ficaram praticamente resolvidas: roubo de bola do
Cristante perto da área adversária, passe para o Talisca e este foi nitidamente
derrubado por trás quando se preparava para rematar. Depois de alguma
indecisão, acabou por ser o Pizzi a marcar o penalty, com um bom remate a meia
altura para o lado contrário do guarda-redes. Um penalty como eu gosto:
indefensável, mesmo que o guarda-redes tivesse acertado no lado.
Na 2ª parte, o
Jesus resolveu tirar o Cristante e colocar o Jonas. Contra dez, um meio-campo
com Pizzi e Talisca era suficiente, mas confesso que tenho sempre medo destas
substituições em que entram titulares com o jogo praticamente resolvido.
Parece-me sempre escusado e um risco desnecessário. A 2ª parte teve sentido
único, mesmo que nunca acelerássemos muito o ritmo. Um grande remate de fora da
área do Gonçalo Guedes só não deu um dos golos do ano, porque a bola foi à
barra. Pouco antes de hora de jogo, o Jesus colocou o Salvio e tirou o miúdo.
Com o Gaitán e o Sulejmani ainda magoados, achei novamente uma substituição
escusada, ainda por cima porque se prevê que o Ola John jogue no domingo
(poderia ter sido ele a sair) e o Gonçalo Guedes estava a ganhar confiança com
a bola na barra. Aos 73’, demos a estocada final com um bom lance do Ola John, que
encontrou o Jonas sozinho na área para este enganar o guarda-redes. O
brasileiro marcou em todos os quatro jogos desta competição. Logo a seguir, o
Jesus promoveu a entrada do Ruben Amorim, aplaudidíssimo, depois do calvário de
quase seis meses lesionado. Nas poucas vezes em que tocou na bola, ela saiu
sempre mais redonda do seu pé.
Em termos
individuais, não houve ninguém que sobressaísse muito. O nível global foi
razoável, gostei do Ola John, especialmente depois de ter estado horrível no WC
(também pior era impossível…), o Gonçalo Guedes ainda precisa de crescer muito,
mas é bem possível que dê alguma coisa, o Talisca melhorou imenso quando recuou
na 2ª parte para o meio-campo e o Pizzi tem a virtude de nunca se esconder do
jogo, mesmo quando as coisas não lhe saem bem. Destaque igualmente para o
Lisandro, com um corte magnífico a evitar ficarmos em desvantagem logo no
início. Aliás, se o argentino tiver a paciência que o Jardel teve enquanto o
Garay fazia parte do plantel, pode ser o substituto natural do Luisão quando
este arrumar as botas.
Enquanto os outros
dois rivais não a ganharem, é natural que continuem a desdenhar esta taça.
Cabe-nos a nós assegurar que isto continue assim pelo menos mais um ano. Foquemo-nos
agora no campeonato e na nova sessão com o V. Setúbal no próximo domingo, que esperemos
tenha um desfecho semelhante.
terça-feira, fevereiro 10, 2015
Delirium lacerta
Se
o derby não foi muito bem jogado e só teve emoção nos últimos sete
minutos, o que se passou à volta dele merece realce por si só. Já se sabe que
está cientificamente provado que nunca ninguém aprendeu nada a discutir bola com
um lagarto. Porque aquelas criaturas vivem numa dimensão paralela cuja
semelhança com a realidade anda aproximadamente ao nível do… zero. Como prova o
facto de todos eles terem visto um jogo que… não aconteceu!
Ainda
só ouvi lagartos dizerem que “massacraram” o Benfica, que o resultado foi
“muito injusto”, que tiveram “muito mais oportunidades” de golo, que o Artur
fez uma série de “defesas de golo” e foi o “melhor em campo”, etc. Eu sei que é
escusado mostrar a realidade a um lagarto, porque vivendo eles num mundo
paralelo, nunca a conseguirão ver, mas for the record: 1) o Artur fez
uma grande defesa na primeira das duas únicas oportunidades de golo que tiveram
(não conto a defesa ao remate anterior ao golo, porque ele aconteceu na
recarga); 2) dez cantos que não criaram perigo e maior posse de bola não é
“massacre”, porque, lá está, há aquelas coisas que se chamam balizas nas quais
é preciso tentar meter a bola…; 3) dois remates perigosos à baliza, um golo,
não é assim “muito mais oportunidades” do que um remate, um golo. Quanto à “injustiça”
do resultado, estamos conversados.
Outra crítica que
se ouve é que o Benfica parecia o Arouca, a jogar para o empate. E que só criou
um lance de perigo. E que marcou um golo fortuito. Isto vindo de adeptos do
clube que esteve sete(!) anos sem marcar um golo na Luz. Repito: sete anos! Nenhuma outra equipa da I Liga esteve este tempo todo em branco na Luz. Nem o Arouca.
Foram avalanches atacantes nesses sete anos, que nem vos digo nada… É como diz
o Nuno
Aleixo, quando é o Mourinho a jogar com o Inter em Barcelona ou com o Pepe
a trinco também frente ao Barça, ou o Simeone a conseguir fechar os caminhos da
sua baliza ao Real Madrid, são ambos génios da táctica. Quando é o Jesus e o
Benfica, já é péssimo. Porque o Benfica deveria é jogar à maluca e
golear no WC. Mas mesmo assim, é como comentou o meu amigo F.S.C., “sim, foi um
Benfica mauzinho; sim, foi um bom Esportem. Conclusão: um mau Benfica chegou
para um bom Esportem”. O que o jogo revelou foi que o Jesus está perfeitamente
consciente de que este nosso plantel é possivelmente o mais fraco de todos os
que teve e há que saber adaptar-se a isso para continuar a conseguir bons
resultados. E que, se não se pode ganhar no WC, ao menos que não se perca. Para
este peditório do “não jogam nada”, eu recuso-me a dar: como se nós não
tivéssemos sido DE LONGE a equipa que melhor futebol jogou nas duas épocas em
que perdemos o campeonato para o Vítor Pereira. E isso não nos valeu de nada!
Prefiro obviamente o pragmatismo deste ano.
Pelo que se vai
lendo e ouvindo por aí, só tenho pena é de não ter acções da farmacêutica do
Kompensan, porque iria ficar rico por estes dias. A lagartada está muito desalentada por terem perdido aos 94’ a
possibilidade de… ficar a quatro pontos(!) do 1º lugar. Como se nós não
tivéssemos perdido muito recentemente um campeonato e uma Liga Europa aos 92’ e
com quatro dias de intervalo! Esqueçam… “vocês sabem lá”!
A lagartada
está sempre a dizer que é um “clube diferente”, mas depois o speaker do
estádio não anuncia a equipa do Benfica e quando diz o resultado refere-se ao
Benfica como “visitante”. Não me parece que seja muito “diferente” do que se
passa em Mordor (ou em Braga). Revela apenas tacanhez e mediocridade. Por outro
lado, a noção do ridículo é algo que não lhes assiste (como diria o outro):
antes do jogo, pediu-se uma “grande ovação” para os campeões nacionais de 81/82
que subiram ao relvado! Foi o delírio… na nossa bancada! Aplausos e vivas com fartura! Eu até percebia se
subisse ao relvado um jogador ou se fosse o próprio dia em que tivessem ganho
aquele campeonato, mas agora a equipa toda só porque iam jogar contra o
Benfica… por favor! Eu sei que estamos a falar de um clube que detém o recorde
de estar 18 anos sem ganhar um campeonato, cuja nova série já vai em 12 e que
nos últimos 32 anos ganhou… dois(!), mas mesmo assim um bocadinho de noção do
ridículo não lhes ficaria mal. Falta de noção do ridículo igualmente com a
enésima entrevista do speaker ao Manuel Fernandes para falar de um
resultado numa época em que o Benfica… ganhou a dobradinha! Enfim, cada
clube tem os títulos que merece.
Mas de uma coisa
pode a lagartada estar tremendamente orgulhosa e ter motivos para
festejar efusivamente: é que é a primeira vez nas últimas sete(!) épocas que
não vão perder uma única vez com o Benfica. Mais um título para o museu!
P.S.
– Como de costume, houve adeptos do Benfica que entraram com o encontro a
decorrer e eu vi uma série de lagartos a sentarem-se no seu lugar aos
27’ de jogo! Não resolvam o problema das entradas naquele estádio que não é
preciso…
[Post publicado em simultâneo com a Tertúlia Benfiquista.]
[Post publicado em simultâneo com a Tertúlia Benfiquista.]
segunda-feira, fevereiro 09, 2015
Motivador

Empatámos no WC
(1-1) e mantivemos a distância para a lagartada
(sete pontos), enquanto temos agora o CRAC a quatro pontos de distância (que
deveriam ser sete, mas enfim…). O empate na casa de um concorrente directo para
o título não é a priori um mau
resultado, mas o modo como este foi obtido (aos 94’ depois de sofrer o golo aos
87’) pode dar-nos a motivação extra que necessitamos para conseguir gerir esta
diferença pontual até ao fim do campeonato. Devido a estas circunstâncias,
aquele golo do Jardel foi um dos que melhor me soube festejar no WC.
Já se sabia que não
tínhamos Júlio César e acabámos por não ter igualmente o Gaitán, pelo que não
ia nada confiante para o jogo. O Jesus resolveu (e muito bem) colocar o André
Almeida a meio-campo (ele que já aí tinha jogado na 1ª volta) em detrimento do
Talisca e revelámos uma segurança defensiva de assinalar. Aliás, à semelhança
da segurança da defesa da lagartada,
o que fez com que o jogo, apesar de bem disputado, não tivesse sido nada de
especial, com poucas situações de perigo. Entrámos melhor na 1ª parte, com uns
bons 20’, mas sem criar verdadeiras oportunidades, e a lagartada esteve melhor na 2ª, mas o Artur só fez uma defesa
difícil num cabeceamento do Carrillo. Antes disso, o André Almeida tinha
isolado o Jonas, mas esteve preferiu passar ao Lima (que acabou desarmado) em
vez de rematar, quando só tinha o Rui Patrício pela frente. Uma péssima
intervenção do Samaris isolou o João Mário, que proporcionou uma boa defesa ao
Artur, mas na recarga o Jefferson atirou em arco e bateu o nosso guarda-redes.
Estávamos no minuto 87 e era um balde de água fria enorme, porque nenhuma
equipa estava a merecer ganhar este jogo. O sr. Jorge Sousa (não esteve mal,
mas o critério das faltas na 2ª parte fê-lo inclinar um pouco o campo; e não
foi a nosso favor, mas pronto…) deu quatro minutos de compensação e foi no
último desses minutos que, numa jogada de insistência depois de um lançamento
lateral, o Pizzi fez um balão para a área, o Jonas dominou bem a bola, mas o Jefferson
ao cortá-la assistiu primorosamente o
Jardel, que rematou de primeira, rasteiro, fazendo um grande golo (com um golo
e uma assistência, o Jefferson foi o
melhor em campo…! :-). Foi o delírio no nosso sector! Como já disse, foi dos
golos que mais celebrei no WC. Por tudo o que ele representa: não só fez com
que se tivesse que alagar as portas do estádio, para os melões em que se
transformaram instantaneamente as cabeças dos lagartos passarem, como principalmente porque lhes torna a vida
muito complicada no que toca ao título e nos faz ainda ter a margem de
segurança de uma derrota ou dois empates em relação ao CRAC. Veremos no final,
mas se formos campeões este pontinho será um dos momentos-chave na época.
Destaque individual
ÓBVIO para o Jardel! Golo importantíssimo, mas não só. Esteve irrepreensível a
defender, sempre muito concentrado, e na 1ª parte pareceu-me que deslocou o
polegar, a equipa médica entrou, o Eliseu pediu a substituição, mas o homem
levantou-se pouco depois e quis continuar a jogar. Que raça! Por mim, pode
fazer o resto da carreira toda no Benfica, porque compensa com querer e vontade
as limitações que tem. Está sempre disponível, nunca faz grandes ondas e
globalmente cumpre sempre que entra. O mesmo é válido para o André Almeida. Jogo
também muito bom naquela missão sempre difícil que é correr atrás dos
adversários. É importante que estas segundas linhas (jogadores que sabem que
nunca serão titulares indiscutíveis) do plantel tenham este tipo de atitude e
sintam a camisola. E, quantos mais anos de Glorioso, melhor. O Samaris estava a
ser provavelmente o melhor do Benfica, mas aquele atraso (ou lá o que foi
aquilo…) aos 87’ não lembra ao diabo! O Maxi meteu literalmente o Nani no bolso
e, citando o João Bizarro, pode renovar até 2045 com mais um ano de opção. O Jonas fez
uma 1ª parte tecnicamente muito boa, teve acção preponderante no golo, só foi
pena não ter acertado com a baliza nos dois remates de fora da área que fez.
Ah, e ter resolvido passar ao Lima, quando deveria ter rematado naquele lance… Luisão
imperial, como habitualmente, nos grande jogos e uma palavra para o Artur, que
não comprometeu. O que já me satisfaz plenamente. Pela negativa, acima de todos
os outros, o Ola John. Meu rico Gaitán! Com ele em campo, duvido que não
tivéssemos ganho. Houve pelo menos uns três lances de um para um na 1ª parte em
que o holandês não conseguiu passar por um lagarto
e o argentino chamar-lhes-ia um figo. Já se sabe: se as primeiras duas ou três
intervenções não lhe saem bem, nunca mais faz nada o jogo inteiro. Outro que
esteve muito sofrível foi o Eliseu. Aliás, a nossa ala esquerda… valha-me
Eusébio!
O post já vai longo, pelo que as
considerações acerca de todo o circo
que se montou principalmente depois do jogo ficam para um próximo texto. Onde também
será abordada a questão de este clube pequenino estar cada vez mais ridículo,
triste e patético. Quanto a nós, concentração para as próximas jornadas é tudo
o que se pede. Faltam 14 jogos com oito em casa e seis fora. Teoricamente, as
saídas que nos restam (Moreirense, Arouca, Rio Ave, Belenenses, Gil Vicente e
Guimarães) não são muito complicadas, exceptuando talvez Guimarães, mas que é
só na penúltima jornada. Temos tudo a nosso favor. Saibamo-lo aproveitar.
domingo, fevereiro 01, 2015
Agridoce
Vencemos tranquilamente o Boavista por 3-0, mas o jogo fica marcado pela
lesão muscular do Júlio César que o vai certamente afastar dos relvados durante
umas semanas, impedindo-o assim de ir ao WC para a semana. Por isso, saí da Luz
quase tão chateado como se não tivéssemos ganho (eu disse “quase”…!).
Com o Talisca (em risco por causa dos amarelos) no banco e o Gaitán a
recuperar para a lagartada, assim que
a partida se iniciou percebeu-se logo o que iria acontecer: o Boavista
concentrava os seus 11 jogadores a meio do seu meio-campo. É que nem era na
linha divisória! Ficou muito claro que a grande questão seria conseguir furar
aquela dupla muralha e marcar o primeiro golo. Algo que estivemos por duas
vezes muito perto de conseguir, mas o Ola John e o Salvio, ambos só com o guarda-redes
pela frente(!), não acertaram na baliza. Apesar da concentração na zona
defensiva, conseguíamos encontrar espaços e criar perigo, e foi com
naturalidade que aos 23’ inaugurámos o marcador numa excelente assistência em
chapéu do Maxi para o Lima de cabeça fazer também um chapéu por cima do Mika.
Dez minutos depois, tudo ficou praticamente decidido com o 2-0 através do Maxi
na sequência de um canto: remate com o pé esquerdo, que ainda fez a bola
desviar num defesa. Até ao intervalo, ficámos a dever-nos mais dois golos, com
o Salvio, novamente isolado(!), a atirar ao lado e um centro da esquerda do Ola
John que o Lima não conseguiu desviar.
Na 2ª parte, não baixámos o ritmo até marcar o terceiro e acabar com
imponderáveis, que às vezes surgem aos pares. O Luisão teve uma boa chance, mas
o Mika defendeu e aos 55’ o Samaris teve uma iniciativa a lembrar o Enzo: foi
rompendo pelo meio de vários adversários até ser derrubado à entrada da área. O
sr. Hugo Miguel, mal, assinalou penalty. Mas antes que as virgens ofendidas venham dizer alguma coisa, há que referir que
este mesmo sr. Hugo Miguel já não tinha assinalado um empurrão ao Lima dentro
da área antes deste lance, como também não sancionou na parte final uma clara
rasteira ao mesmo Lima. Entre o deve e o haver dos penalties, perdemos por 2-1.
O Jonas pegou na bola e atirou rasteiro para o lado contrário do guarda-redes.
Até final, tivemos mais uma série de ocasiões para dilatar o marcador e o jogo
poderia ter terminado com números históricos. Na nossa baliza, só uma cabeçada
num livre fez com que o Júlio César brilhasse. O Jesus fez entrar o Talisca
(achei um disparate arriscar, mas pronto) e aproveitou para dar mais minutos ao
Gonçalo Guedes, que se revelou menos nervoso do que das outras duas vezes e
teve um par de intervenções interessantes. Mas a pior notícia da noite (e das
próxima semanas) surgiu a pouco mais de 10’ do fim, quando o Júlio César fez um
sprint para impedir um inexistente
canto (era pontapé de baliza) e ficou agarrado à coxa de tal maneira que teve
que vir o carro-maca para o tirar de campo. Fiquei pior que estragado e perdi
(quase) toda a satisfação que estava a ter pelo resultado! Vai ser uma baixa
muito importante para ir à lagartada
e nenhum de nós se esqueceu ainda do jogo da 1ª volta, pois não? Felizmente que
o Jesus ainda não tinha feito as três substituições e pode entrar o Artur.
Em termos individuais, destaque óbvio para o Maxi: uma assistência, um golo
e a entrega habitual. Aguarda-se com ansiedade a notícia da sua renovação o
mais breve possível. O Salvio criou muito jogo, mas esteve desastrado na
finalização. Também gostei do Pizzi, com pormenores interessantes. E o Ola
John, com confiança, parece logo outro jogador.
Lamento ter que dizer isto, até porque gosto muito do Petit, mas não
percebo o que é que equipas como o Boavista estão a fazer na I Liga. Mal passam
do meio-campo, limitam-se a defender e demonstram falhas incríveis em lances
básicos, como passes laterais. E o mais preocupante é que nem está em posição
de descida. Quiseram passar uma esponja no “Apito Dourado” e fazê-lo subir de
novo, tudo bem (tudo mal, mas enfim…), mas na época seguinte deveriam
obviamente descer quatro equipas para voltarmos a ter um campeonato com 16. É
que até deveriam ser menos clubes. Jogos como o de ontem são pouco mais que treinos.
segunda-feira, janeiro 26, 2015
Desperdício de ouro
Perdemos em Paços de Ferreira (0-1) e não conseguimos aproveitar a vitória
do Marítimo ontem frente ao CRAC. Mais: perdemos uma oportunidade soberba de
possivelmente dar o xeque-mate ao campeonato, porque nove pontos de vantagem só
muito dificilmente seriam ultrapassáveis. Quando nada levava a crer, escolhemos o pior timing possível para fazer uma exibição
muito distante das que vínhamos fazendo e para quebrar a nossa série de jogos sempre a marcar para o campeonato. Foi uma
machadada muito grande na nossa moral.
É por estas e por outras que eu prefiro jogar primeiro que os rivais: já
não é a primeira vez que desperdiçamos maus resultados alheios. Parece que os
jogadores acusam a pressão e se desconcentram quando têm hipóteses de alargar
distâncias. Até entrámos bem na partida, com uma soberana oportunidade do Jonas
logo a abrir. Praticamente não deixávamos o Paços respirar e aos 18’ o sr.
Bruno Paixão apitou penalty a nosso favor por pretensa mão na bola na área. A
minha opinião é muito simples: eu não marcaria penalty, mas já vi lances ainda
menos evidentes que este serem considerados falta. Depende muito do critério do
árbitro, mas para mim não é penalty. Infelizmente, o Lima atirou ao poste e
desperdiçou uma chance óptima de nos colocar em vantagem. Pior do que isso, a
equipa desconcentrou-se e a partir daqui nunca mais foi a mesma. Pouco depois,
uma boa combinação atacante fez o Salvio atirar ao poste, numa bola ainda
desviada por um defesa, mas foi o nosso canto do cisne em termos de jogadas bem
conseguidas. O Paços galvanizou-se com o falhanço do penalty e começou a
criar-nos perigo através principalmente de bolas paradas.
Ao intervalo, em trocas de mensagens com alguns benfiquistas, a apreensão não
era um exclusivo meu. Infelizmente, a 2ª parte veio dar-nos razão: fomos uma
sombra do que temos sido até aqui. O Paços fechou-se muito bem e nós não
tínhamos ninguém para furar, porque o Salvio esteve abaixo do que é habitual e
é nestas alturas em que mais se sente a falta de um Gaitán (e de um Enzo, já
agora). O Jonas bem tentava, mas poucas coisas lhe saíam bem, o Talisca mal de
viu e o Lima é como se nem estivesse em campo. O Ola John, que nem estava a ser
dos piores na 1ª parte, baixou na 2ª e foi o primeiro a ser substituído (eu não
o teria tirado, porque a entrada do Pizzi implicou o desvio do Talisca para o
flanco, lugar em que manifestamente não rende). Mesmo estando a léguas do que
já mostrámos neste Janeiro, ainda atirámos mais uma bola ao poste pelo Lima, o
Derley, entretanto entrado, falhou uma recarga facílima depois de uma defesa do
guarda-redes e com este batido (daquelas que o Tacuara metia nas calmas e depois muita gente dizia “ah ok, mas era
só encostar”… Pois era!), e o Talisca demonstrou que em termos cerebrais lhe
falta também qualquer peça, porque estando em excelente posição para dominar a
bola e rematar, quando só tinha o guarda-redes pela frente, resolveu rematar de
primeira, falhando completamente a bola. No último minuto, aconteceu o
impensável: o idiota do Eliseu não acompanhou o movimento do adversário e
resolveu fazer um carrinho. Claro que tocou nele e foi penalty. O Sérgio
Oliveira não fez como o Lima e marcou. Com a assistência ao guarda-redes adversário
por duas vezes, o sr. Bruno Paixão deu oito minutos de compensação e ainda
tivemos uma óptima ocasião, em que o Salvio isolado sobre a direita depois de
um livre, centrou para a área, mas ninguém chegou a tempo do desvio. Pareceu-me
que o argentino poderia ter tentado o remate directo.
Em termos individuais, não vou destacar ninguém. A equipa esteve
inexplicavelmente muitos furos abaixo do habitual e sinceramente não entendi o
porquê daquela desconcentração com o penalty falhado. Deu a impressão que nos esquecemos
de como jogar à bola e mostrávamos uma exasperante lentidão de processos,
tornando tudo mais fácil para quem defendia.
Tínhamos tudo a nosso favor: o Paços não ganhava há uma série de jogos,
tinha os dois centrais lesionados, o estádio estava lotado e jogávamos
praticamente em casa, e o CRAC tinha perdido. NÃO SE PODE desperdiçar
oportunidades destas! NÃO SE PODE! Se não formos campeões, este jogo será a
razão principal desse fracasso. Demos um balão de oxigénio a quem já estava
praticamente morto e deixámos escapar a oportunidade de poder perder no WC daqui
a duas jornadas e mesmo assim ficar com a concorrência a seis pontos. Depois da
eliminação na Taça de Portugal em casa frente ao Braga, esta é a segunda grande
desilusão da época (ok, há a Europa, mas essa doeu menos e foi muito sui generis). É bom que não tenhamos
muitas mais até final da época. (Nove pontos, PORRA! Seriam nove pontos de
distância!!!)
P.S. – O Jesus veio dizer no final, à
la Trapattoni, que “se não ganhas, não podes perder”. É bom que diga isso
ao idiota do Eliseu que NÃO pode disputar um lance daquela maneira quando está
na nossa área. Se falha a bola, é imediatamente penalty. Já não é a primeira
vez que faz isto. Duvido que o André Almeida fizesse o mesmo.
sexta-feira, janeiro 23, 2015
A melhor notícia do ano!
O adeus de Pedro Proença
Eu disse do ano?! Dos últimos 14 anos! Já fiz mais do que um post com estas imagens, mas nunca é demais recordar os momentos mais inolvidáveis do "melhor árbitro do século" em Portugal. Vai respirar-se melhor nos relvados a partir de hoje. E não te preocupes, nós não te esqueceremos. Nunca! E jamais te perdoaremos. Obviamente!
Da minha parte, revejo pela enésima vez os dois lances no Bessa e especialmente o do Lisandro, e a tua posição no campo diz-me tudo o que preciso de saber sobre ti. Não tenhas receio, nós sabemos bem que não "erraste dentro de campo".
Infelizmente para nós, acabaste a carreira com 14 anos de atraso. Não deixas saudades. Nenhumas!
* Publicado em simultâneo com a Tertúlia Benfiquista.
Eu disse do ano?! Dos últimos 14 anos! Já fiz mais do que um post com estas imagens, mas nunca é demais recordar os momentos mais inolvidáveis do "melhor árbitro do século" em Portugal. Vai respirar-se melhor nos relvados a partir de hoje. E não te preocupes, nós não te esqueceremos. Nunca! E jamais te perdoaremos. Obviamente!
Da minha parte, revejo pela enésima vez os dois lances no Bessa e especialmente o do Lisandro, e a tua posição no campo diz-me tudo o que preciso de saber sobre ti. Não tenhas receio, nós sabemos bem que não "erraste dentro de campo".
Infelizmente para nós, acabaste a carreira com 14 anos de atraso. Não deixas saudades. Nenhumas!
* Publicado em simultâneo com a Tertúlia Benfiquista.
quinta-feira, janeiro 22, 2015
Personalidade
Vencemos em Moreira de Cónegos (2-0) e fizemos o pleno na Taça da Liga,
qualificando-nos naturalmente para as meias-finais. Num jogo em que bastava o
empate para o apuramento, não facilitámos e o triunfo foi indiscutível numa
exibição muito agradável.
Numa equipa em que metade eram titulares e os outros nem tanto, vimos o
Moreirense entrar melhor e durante os primeiros 15’ criou-nos alguns problemas.
Mas a partir daí, deixou de existir muito por nosso mérito. No entanto, em
termos atacantes não criámos tantas oportunidades como é habitual,
destacando-se um remate cruzado do Jonas que passou perto do poste como o lance
mais perigoso.
Na 2ª parte, o Jesus fez entrar logo de início o Sílvio para o lugar do
Eliseu para lhe dar tempo de jogo. Acelerámos os processos e, numa boa
combinação entre o Jonas e o Derley, o nº 17 marcou um golão aos 65’: remate de
primeira que deixou o guarda-redes sem capacidade de reacção. A partir daí, o
desfecho do apuramento ficou resolvido de vez e quatro minutos depois o Derley
fez um resultado final num lance que o define enquanto jogador: dominou mal uma
bola, mas lutou para ganhar o ressalto, isolou-se e, quando o guarda-redes saiu
e já com um defesa a estorvá-lo, deu um pequeno toque na passada que desviou a
bola para o fundo das redes. Golo à ponta-de-lança.
Até final, o guarda-redes Marafona ainda fez duas ou três defesas que impediram
um resultado mais alargado.
Destaque para o Jonas que é o melhor marcador da equipa no conjunto de
todas as competições: 13 golos em 15 jogos. Para além da enorme eficácia, é um
jogador que faz toda a equipa jogar, mesmo que ontem tenha tido uma ou outra
decisão que não lhe saiu tão bem. Que grande contratação! O Derley, que cria
alguns anticorpos em pessoas que conheço, é um jogador que aprecio. Está (bastante)
longe de ser um craque, mas é muitíssimo lutador e, mesmo que algo trapalhão,
geralmente consegue levar a sua avante. Marcou um excelente golo e é muito bom
nas tabelinhas à entrada da área (o Jonas que o diga e não foi só no seu golo).
O Pizzi esteve muito mexido na 1ª parte, mas falhou o 0-3 de forma algo
escandalosa. O Ola John começou na direita, mas melhorou nitidamente quando
passou para o seu flanco de origem. Ao invés, o Sulejmani esteve mais discreto
do que esperaria e acabou por sair tocado. O Jesus ainda deu minutos ao Gonçalo
Guedes, mas o miúdo voltou a mostrar que ainda está muito verde (salvo seja!) para estas andanças.
O que é notável no Benfica do Jesus é que não há grande diferença entre os
titulares e os suplentes no que toca à organização do jogo. Ou seja, todos
sabem o que têm que fazer em campo e a equipa joga sempre da mesma maneira.
Claro que a qualidade individual é que faz alguns jogarem mais vezes do que
outros, mas aqueles tempos em que, quando rodávamos os jogadores, parecia que
entrava outra equipa em campo, estão definitivamente afastados. E isso só pode
ser mérito do treinador. Por outro lado, volta a confirmar-se a tendência dos
últimos anos, em que chegamos a Janeiro e elevamos o nosso nível exibicional. Gostei
imenso do que vi ontem e espero que isto se mantenha para os próximos jogos.
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