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segunda-feira, janeiro 26, 2015

Desperdício de ouro

Perdemos em Paços de Ferreira (0-1) e não conseguimos aproveitar a vitória do Marítimo ontem frente ao CRAC. Mais: perdemos uma oportunidade soberba de possivelmente dar o xeque-mate ao campeonato, porque nove pontos de vantagem só muito dificilmente seriam ultrapassáveis. Quando nada levava a crer, escolhemos o pior timing possível para fazer uma exibição muito distante das que vínhamos fazendo e para quebrar a nossa série de jogos sempre a marcar para o campeonato. Foi uma machadada muito grande na nossa moral.

É por estas e por outras que eu prefiro jogar primeiro que os rivais: já não é a primeira vez que desperdiçamos maus resultados alheios. Parece que os jogadores acusam a pressão e se desconcentram quando têm hipóteses de alargar distâncias. Até entrámos bem na partida, com uma soberana oportunidade do Jonas logo a abrir. Praticamente não deixávamos o Paços respirar e aos 18’ o sr. Bruno Paixão apitou penalty a nosso favor por pretensa mão na bola na área. A minha opinião é muito simples: eu não marcaria penalty, mas já vi lances ainda menos evidentes que este serem considerados falta. Depende muito do critério do árbitro, mas para mim não é penalty. Infelizmente, o Lima atirou ao poste e desperdiçou uma chance óptima de nos colocar em vantagem. Pior do que isso, a equipa desconcentrou-se e a partir daqui nunca mais foi a mesma. Pouco depois, uma boa combinação atacante fez o Salvio atirar ao poste, numa bola ainda desviada por um defesa, mas foi o nosso canto do cisne em termos de jogadas bem conseguidas. O Paços galvanizou-se com o falhanço do penalty e começou a criar-nos perigo através principalmente de bolas paradas.

Ao intervalo, em trocas de mensagens com alguns benfiquistas, a apreensão não era um exclusivo meu. Infelizmente, a 2ª parte veio dar-nos razão: fomos uma sombra do que temos sido até aqui. O Paços fechou-se muito bem e nós não tínhamos ninguém para furar, porque o Salvio esteve abaixo do que é habitual e é nestas alturas em que mais se sente a falta de um Gaitán (e de um Enzo, já agora). O Jonas bem tentava, mas poucas coisas lhe saíam bem, o Talisca mal de viu e o Lima é como se nem estivesse em campo. O Ola John, que nem estava a ser dos piores na 1ª parte, baixou na 2ª e foi o primeiro a ser substituído (eu não o teria tirado, porque a entrada do Pizzi implicou o desvio do Talisca para o flanco, lugar em que manifestamente não rende). Mesmo estando a léguas do que já mostrámos neste Janeiro, ainda atirámos mais uma bola ao poste pelo Lima, o Derley, entretanto entrado, falhou uma recarga facílima depois de uma defesa do guarda-redes e com este batido (daquelas que o Tacuara metia nas calmas e depois muita gente dizia “ah ok, mas era só encostar”… Pois era!), e o Talisca demonstrou que em termos cerebrais lhe falta também qualquer peça, porque estando em excelente posição para dominar a bola e rematar, quando só tinha o guarda-redes pela frente, resolveu rematar de primeira, falhando completamente a bola. No último minuto, aconteceu o impensável: o idiota do Eliseu não acompanhou o movimento do adversário e resolveu fazer um carrinho. Claro que tocou nele e foi penalty. O Sérgio Oliveira não fez como o Lima e marcou. Com a assistência ao guarda-redes adversário por duas vezes, o sr. Bruno Paixão deu oito minutos de compensação e ainda tivemos uma óptima ocasião, em que o Salvio isolado sobre a direita depois de um livre, centrou para a área, mas ninguém chegou a tempo do desvio. Pareceu-me que o argentino poderia ter tentado o remate directo.

Em termos individuais, não vou destacar ninguém. A equipa esteve inexplicavelmente muitos furos abaixo do habitual e sinceramente não entendi o porquê daquela desconcentração com o penalty falhado. Deu a impressão que nos esquecemos de como jogar à bola e mostrávamos uma exasperante lentidão de processos, tornando tudo mais fácil para quem defendia.

Tínhamos tudo a nosso favor: o Paços não ganhava há uma série de jogos, tinha os dois centrais lesionados, o estádio estava lotado e jogávamos praticamente em casa, e o CRAC tinha perdido. NÃO SE PODE desperdiçar oportunidades destas! NÃO SE PODE! Se não formos campeões, este jogo será a razão principal desse fracasso. Demos um balão de oxigénio a quem já estava praticamente morto e deixámos escapar a oportunidade de poder perder no WC daqui a duas jornadas e mesmo assim ficar com a concorrência a seis pontos. Depois da eliminação na Taça de Portugal em casa frente ao Braga, esta é a segunda grande desilusão da época (ok, há a Europa, mas essa doeu menos e foi muito sui generis). É bom que não tenhamos muitas mais até final da época. (Nove pontos, PORRA! Seriam nove pontos de distância!!!)

P.S. – O Jesus veio dizer no final, à la Trapattoni, que “se não ganhas, não podes perder”. É bom que diga isso ao idiota do Eliseu que NÃO pode disputar um lance daquela maneira quando está na nossa área. Se falha a bola, é imediatamente penalty. Já não é a primeira vez que faz isto. Duvido que o André Almeida fizesse o mesmo.

sexta-feira, janeiro 23, 2015

A melhor notícia do ano!

O adeus de Pedro Proença

Eu disse do ano?! Dos últimos 14 anos! Já fiz mais do que um post com estas imagens, mas nunca é demais recordar os momentos mais inolvidáveis do "melhor árbitro do século" em Portugal. Vai respirar-se melhor nos relvados a partir de hoje. E não te preocupes, nós não te esqueceremos. Nunca! E jamais te perdoaremos. Obviamente!

Da minha parte, revejo pela enésima vez os dois lances no Bessa e especialmente o do Lisandro, e a tua posição no campo diz-me tudo o que preciso de saber sobre ti. Não tenhas receio, nós sabemos bem que não "erraste dentro de campo".

Infelizmente para nós, acabaste a carreira com 14 anos de atraso. Não deixas saudades. Nenhumas!



* Publicado em simultâneo com a Tertúlia Benfiquista.

quinta-feira, janeiro 22, 2015

Personalidade

Vencemos em Moreira de Cónegos (2-0) e fizemos o pleno na Taça da Liga, qualificando-nos naturalmente para as meias-finais. Num jogo em que bastava o empate para o apuramento, não facilitámos e o triunfo foi indiscutível numa exibição muito agradável.

Numa equipa em que metade eram titulares e os outros nem tanto, vimos o Moreirense entrar melhor e durante os primeiros 15’ criou-nos alguns problemas. Mas a partir daí, deixou de existir muito por nosso mérito. No entanto, em termos atacantes não criámos tantas oportunidades como é habitual, destacando-se um remate cruzado do Jonas que passou perto do poste como o lance mais perigoso.

Na 2ª parte, o Jesus fez entrar logo de início o Sílvio para o lugar do Eliseu para lhe dar tempo de jogo. Acelerámos os processos e, numa boa combinação entre o Jonas e o Derley, o nº 17 marcou um golão aos 65’: remate de primeira que deixou o guarda-redes sem capacidade de reacção. A partir daí, o desfecho do apuramento ficou resolvido de vez e quatro minutos depois o Derley fez um resultado final num lance que o define enquanto jogador: dominou mal uma bola, mas lutou para ganhar o ressalto, isolou-se e, quando o guarda-redes saiu e já com um defesa a estorvá-lo, deu um pequeno toque na passada que desviou a bola para o fundo das redes. Golo à ponta-de-lança. Até final, o guarda-redes Marafona ainda fez duas ou três defesas que impediram um resultado mais alargado.

Destaque para o Jonas que é o melhor marcador da equipa no conjunto de todas as competições: 13 golos em 15 jogos. Para além da enorme eficácia, é um jogador que faz toda a equipa jogar, mesmo que ontem tenha tido uma ou outra decisão que não lhe saiu tão bem. Que grande contratação! O Derley, que cria alguns anticorpos em pessoas que conheço, é um jogador que aprecio. Está (bastante) longe de ser um craque, mas é muitíssimo lutador e, mesmo que algo trapalhão, geralmente consegue levar a sua avante. Marcou um excelente golo e é muito bom nas tabelinhas à entrada da área (o Jonas que o diga e não foi só no seu golo). O Pizzi esteve muito mexido na 1ª parte, mas falhou o 0-3 de forma algo escandalosa. O Ola John começou na direita, mas melhorou nitidamente quando passou para o seu flanco de origem. Ao invés, o Sulejmani esteve mais discreto do que esperaria e acabou por sair tocado. O Jesus ainda deu minutos ao Gonçalo Guedes, mas o miúdo voltou a mostrar que ainda está muito verde (salvo seja!) para estas andanças.

O que é notável no Benfica do Jesus é que não há grande diferença entre os titulares e os suplentes no que toca à organização do jogo. Ou seja, todos sabem o que têm que fazer em campo e a equipa joga sempre da mesma maneira. Claro que a qualidade individual é que faz alguns jogarem mais vezes do que outros, mas aqueles tempos em que, quando rodávamos os jogadores, parecia que entrava outra equipa em campo, estão definitivamente afastados. E isso só pode ser mérito do treinador. Por outro lado, volta a confirmar-se a tendência dos últimos anos, em que chegamos a Janeiro e elevamos o nosso nível exibicional. Gostei imenso do que vi ontem e espero que isto se mantenha para os próximos jogos.

segunda-feira, janeiro 19, 2015

Grande resposta

Vencemos na Madeira o Marítimo por esclarecedores 4-0 e mantivemos a concorrência a seis pontos. Foi a última jornada da 1ª volta e os números são impressionantes: 15 vitórias(!), um empate e uma derrota. Em termos pontuais, é o melhor Benfica dos últimos 30 anos. Isto numa época em que perdemos cinco titulares (Oblak, Garay, Siqueira, Markovic e Rodrigo, mais o Cardozo e André Gomes; Matic em Janeiro passado e Enzo Pérez agora) e em que a pré-época (com seis derrotas em oito jogos) fazia temer o pior. Afinal, chegamos a metade do campeonato e é isto… Fabuloso!

Confesso que estava com bastante receio desta partida, pelo nosso histórico no Funchal (ainda no ano passado lá perdemos) e pelo facto de o jogo ser arbitrado pelo sr. Carlos Xistra. Para piorar as coisas, o Gaitán teve uma lesão muscular logo aos 13’ anulando em mim o optimismo pelos regressos do Luisão e Salvio à titularidade. No entanto, o Ola John entrou muitíssimo bem na partida e aos 18’ teve uma abertura fantástica para o Salvio dominar de primeira e rematar sem deixar a bola cair no chão para inaugurar o marcador. Depois daquele revés inicial com a lesão do melhor jogador do campeonato, a resposta não poderia ter sido melhor. Estávamos bastante concentrados no jogo e praticamente não deixávamos o Marítimo respirar. Até ao intervalo, o Jonas poderia ter sentenciado a partida, mas resolveu passar ao Lima (remate intercepcionado por um defesa) quando só tinha o guarda-redes pela frente, numa excelente combinação ofensiva. Mesmo em cima dos 45’, o Talisca arriscou bastante um segundo amarelo por ter pisado um adversário na disputa de uma jogada, mas o sr. Carlos Xistra começou a redimir-se de tantas decisões ao longo dos anos contra nós (uma, duas, três) e deu-nos esta abébia. Mediante isto, achei que seria muito prudente tirar o brasileiro ao intervalo.

A 2ª parte começou com o mesmo onze, numa atitude corajosa do Jesus (mais à frente percebeu-se porquê). Esperava que o Marítimo carregasse mais sobre nós, mas os madeirenses continuaram a ser inofensivos durante grande parte do tempo. Quanto a nós, alargámos a vantagem logo na primeira oportunidade que tivemos aos 53’: boa abertura do Talisca para o Ola John picar sobre o guarda-redes, quando este saiu ao seu encontro. Bom golo do holandês em nítida subida de forma. O Marítimo foi-se muito abaixo com este golo e nós selámos definitivamente o triunfo aos 57’ num bis do Salvio: passe do Jonas para o argentino descaído sobre a direita, que olhou para o meio para ver a quem fazia o passe e enganou o guarda-redes rematando à baliza. Logo a seguir grande defesa do Júlio César, desviando o remate do Danilo para a barra, a continuar a manter as nossas balizas invioladas pelo sétimo jogo consecutivo para a Liga. Aos 64’ provavelmente na melhor jogada colectiva do campeonato marcámos o quarto golo pelo Lima, num lance que para além dele também teve o Salvio e o Jonas como protagonistas. Golão! Até final, o Jesus aproveitou para ir fazendo as restantes substituições (entraram Pizzi e Derley) e o Talisca provocou a expulsão mesmo o último minuto para poder cumprir castigo na Taça da Liga e jogar na Mata Real para a semana.

Em termos individuais, destaque para o Salvio pelo bis e pela assistência para o Lima. Boa entrada em jogo, como já referi, do Ola John, o que se saúda especialmente pelo facto de o Gaitán provavelmente ficar de molho uns tempo por causa da lesão. A equipa esteve toda ela num nível bastante elevado, com o Samaris também a destacar-se no meio-campo. O Talisca terá de ter mais cuidado no futuro, especialmente quando já tiver amarelos, porque poderia ter-se tornado o réu deste jogo. O Luisão não esteve nos seus melhores dias, o que é normal sempre que regressa de lesão, mas o Jardel compensou isso com uma exibição sem falhas. O Eliseu esteve bem a atacar, mas a defender nem tanto e os (poucos) lances de perigo do adversário tiveram origem no seu flanco.

A meio da semana teremos a Taça da Liga, onde um empate nos garante a ida à meia-final e na próxima 2ª feira a ida ao Paços. Até agora, Janeiro trouxe-nos as melhores exibições da época. Esperamos que seja para continuar.

P.S. – É bom que os adversários não venham com histórias sobre o lance do Talisca. O CRAC conseguiu a proeza de marcar três golos irregulares(!) em Penafiel (dois foras-de-jogo e uma mão) na vitória por 3-1 e o penalty que dá o primeiro golo à lagartada frente ao Rio Ave vai ficar na história como uma das maiores anedotas deste campeonato. Portanto, bico calado que não têm moral nenhuma para falar!

quinta-feira, janeiro 15, 2015

Treino

Vencemos o Arouca por 4-0 e só precisamos de um ponto para nos qualificarmos para as meias-finais da Taça da Liga. Foi uma partida em que o Jesus aproveitou para fazer grandes mudanças, mas em que repetimos o resultado do campeonato.

Com o regresso do Sílvio e as estreias a titular do Gonçalo Guedes e Rui Fonte (este em estreia absoluta pela equipa principal), a 1ª parte foi mais agradável do que a 2ª, principalmente porque o Arouca ainda tentou disputar o jogo neste período. Tivemos um par de ocasiões antes de haver um penalty indiscutível a nosso favor aos 30’ do qual resultou a expulsão de um adversário, que rasteirou o Rui Fonte impedindo-o de acertar na baliza quase deserta. O Pizzi, apesar de duas paradinhas que me irritam sobremaneira, enganou o guarda-redes e abriu o marcador. Aos 42’, acabámos de vez com a partida, com o Cristante a fazer o 2-0 num potente remate fora da área, num lance em que a bola sofreu um desvio de um defesa que enganou o guarda-redes.

Na 2ª parte, o Jesus fez entrar o Salvio e o Jonas para os lugares dos dois estreantes e, apesar de o brasileiro ter tido logo uma cabeçada perigosíssima nos minutos iniciais, o jogo baixou de qualidade, porque o Arouca não passava do seu meio-campo e nós também não tínhamos grande vontade de acelerar uma partida que já estava ganha. Só o fizemos nos últimos 10’ em que obtivemos dois golos em minutos consecutivos (83’ e 84’): aberturas do Pizzi em ambos os casos para o Jonas e Derley fazerem as jogadas para o Salvio e o mesmo Jonas concretizarem.

Em termos individuais o Pizzi destacou-se por estar envolvido em três dos quatro golos, mas atirou por cima num lance em que tinha a baliza praticamente escancarada. Voltei a gostar da capacidade de luta do Derley e só é pena que lhe tenha ficado a faltar um golo, objectivo que persegue há muito tempo. O Gonçalo Guedes ainda tem muito que crescer e o Rui Fonte confirmou algo que já suspeitava que é de ter um bom toque de bola. Saído de uma lesão não pode apresentar um ritmo muito elevado. Boa partida igualmente por parte do Cristante, se bem que o Arouca foi inofensivo. De negativo realçar só a lesão do César, que não se sabe se estará apto para o Marítimo, embora o Jesus tenha vindo garantir que tanto o Luisão como o Lisandro estarão disponíveis para essa importante partida.

Este jogo foi um bom treino para as verdadeiras finais que se aproximam (Madeira e Paços de Ferreira). Entre elas, haverá a ida a Moreira de Cónegos para (espera-se) selar a qualificação para as meias-finais da Taça da Liga. Vai ser uma semana muito intensa com três partidas fora.

domingo, janeiro 11, 2015

Melhor do ano

Vencemos o V. Guimarães por 3-0 na nossa melhor exibição da época até ao momento. O timing não poderia ser mais apropriado, porque foi o jogo em que se homenageou o grande Eusébio por ocasião do primeiro aniversário da sua morte. Com esta vitória, mantivemos a distância para o CRAC e vamos ver como é que a lagartada se vai sair neste domingo em Braga.

Ainda com o Luisão lesionado, mas já com o Eliseu em campo e o Salvio no banco, tivemos uma entrada a todo o gás. O Gaitán viu o corpo do guarda-redes Assis defender um remate seu, mas marcámos logo aos 14’: livre do mesmo Gaitán para a área e grande cabeceamento do Jonas. Numa partida perante o terceiro classificado, que se antevia muito difícil, era essencial inaugurarmos o marcador o mais cedo possível e assim aconteceu. O golo galvanizou-nos e embalámos para uns primeiros 45’ de excelência. Atirámos três(!) bolas aos postes (Gaitán, Talisca e Jonas) em apenas 14 minutos, mas perto do final da 1ª parte, foi o Júlio César a salvar-nos do empate, com uma defesa por instinto num canto, seguida de um alívio com o pé, quando estava no chão. Cheguei ao intervalo maravilhado com a nossa exibição, mas com uma sensação de déjà vu. O meu medo era que na 2ª parte baixássemos o ritmo e somente um golo de vantagem poderia ser curto. Além disso era tremendamente injusto para o que produzimos.

Felizmente que isso não aconteceu, porque mantivemos a pressão após o intervalo. Aos 54’, demos um golpe muito forte nas aspirações do V. Guimarães com o 2-0: grande jogada do Lima pela direita, centro para a área, o Ola John falhou o remate com o pé direito, mas teve sorte com o ressalto e a bola ficou ao jeito do seu pé esquerdo, que fuzilou a baliza. Este golo veio acalmar (e de que maneira) as tentativas do V. Guimarães, que entregou o jogo a partir daqui. Nos últimos 10’, o Jesus fez as substituições e o Salvio teve participação no terceiro golo, ao cruzar para o Gaitán concluir. Até final, o Júlio César ainda conseguiu impedir o golo adversário num remate forte.

Destaque individual para o mágico Gaitán: uma assistência e um golo não está nada mal, mas para além disso ainda teve pormenores de grande classe. Fez-lhe bem a braçadeira de capitão na sequência da lesão do Luisão e de castigo do Maxi Pereira. O Ola John melhorou em relação a partidas anteriores, com a mais-valia de ter marcado o golo da tranquilidade. O Jonas voltou a marcar um grande golo de cabeça e o Lima, apesar de ter ficado em branco, fartou-se de batalhar, como é seu hábito. O Samaris também está muito mais consistente e o Talisca subiu de produção em relação a Penafiel (apesar de ter ficado em branco desta vez). Na defesa, o Júlio César é um senhor e o regressado Eliseu fez-se valeu da sua experiência para anular o Hernâni, o mais perigoso dos vimaranenses. Os centrais (César e Jardel) estiveram atento durante o jogo todo, bem como o André Almeida, que é dos jogadores mais úteis que temos.

A meio da semana recebemos o Arouca para a Taça da Liga e espera-se alguma rotação na equipa. É que o jogo do próximo fim-de-semana é nos Barrreiro e é o primeiro de três saídas seguidas que serão fundamentais (mais Paços de Ferreira e lagartada). Acho que muito do campeonato se vai decidir nestes jogos, pelo que esta subida de produção é muito bem-vinda nesta altura.

P.S. – O sr. Rui Gomes Costa sabe mesmo como é que se controla um jogo…

segunda-feira, janeiro 05, 2015

Complicado

Vencemos em Penafiel por 3-0 e mantivemos a distância para os rivais. O resultado final não espelha as dificuldades que tivemos, porque até à expulsão de um adversário aos 65’ o jogo esteve longe de estar decidido.

Com o Enzo Pérez no Valência e o Samaris a cumprir castigo por amarelos, o nosso meio-campo foi dos teenagers Cristante e Talisca, mas a nossa entrada na partida não foi nada famosa. O Penafiel mostrava muito mais garra que nós na disputa dos lances e só a partir dos 15’ é que começámos a mostrar qualquer coisa. O Ola John teve duas boas jogadas nas duas primeiras vezes que tocou na bola, mas depois voltou ao marasmo habitual. Até ao nosso golo aos 37’, o único perigo que criámos foi num frango do guarda-redes, que largou uma bola vinda de um cruzamento, mas o Jonas não estava atento e, quando rematou, o próprio guarda-redes conseguiu desviar para canto. O golo surgiu numa magnífica abertura de mais de 30 m do Gaitán, excelente recepção do Lima, finta ao defesa e toque para o isolado Talisca, quando tinha o guarda-redes quase em cima dele: o nosso melhor marcador só teve que encostar para a baliza deserta. Estava feito o mais importante e mesmo em cima do intervalo um pontapé de ressaca do Gaitán não decidiu o jogo por muito pouco.

A 2ª parte ia começando mal não fosse um indiscutível fora-de-jogo ser a causa da invalidação do golo do Penafiel, na sequência de um livre para a nossa área. Nós recuámos no terreno e não conseguíamos meter os contra-ataques para aproveitar a subida da equipa da casa. Aos 65’, o sr. Paulo Baptista mostrou o segundo amarelo ao defesa-direito adversário, o veterano Tony, por este ter agarrado os calções do Jonas, depois de o nosso jogador lhe ter roubado a bola. Há causa legal para a amostragem do cartão? Há. Eu mostraria o segundo amarelo num lance daqueles? Não. Mas, verdade seja dita, desde o início do jogo que o Tony se revelava dos jogadores mais faltosos em campo. A partir daqui, a partida tornou-se mais fácil para nós e marcámos mais dois golos, aos 78’ e 88’ através do Jonas e Jardel. O primeiro num combinação entre Ola John e Maxi, com centro deste ainda a bater num defesa e o nosso avançado com o peito(!) a desviar do guarda-redes. O do Jardel foi de cabeça depois de um canto do Gaitán. Aleluia por termos finalmente visto um golo do Jardel! Sinceramente não me lembro da última vez que vimos um golo dele… Será o primeiro de sempre com a camisola principal do Benfica? Nos últimos quatro minutos, o Jesus fez três substituições (para quê…?!) fazendo entrar o Sulejmani, Derley e permitindo a estreia do Gonçalo Guedes na equipa principal. Naturalmente que mal tocaram na bola.

Sem termos feito uma grande exibição colectiva, também individualmente não é fácil destacar alguém de caras. Talvez o Gaitán, por ser dos poucos a conseguir dar o toque de classe que ajuda muito a resolver jogos e o Lima pelo trabalho no primeiro golo. O Jesus voltou a apostar no Lisandro para o centro da defesa em vez do César e sinceramente prefiro o argentino. Tem mais experiência e parece-me mais jogador que o brasileiro, a que não será alheio o facto de também ser ligeiramente mais velho. O Talisca no lugar do Enzo precisa de ter mais cuidado nos passes e o Cristante precisa de saber como não ser batido mais vezes do que seria desejável pelos adversários, porque os seus passes longos são uma imagem de marca a aproveitar. O Ola John era bom que mantivesse a concentração durante o jogo todo, porque a qualidade está lá, mas falta muita cabecinha. O Jonas não estava a fazer uma exibição por aí além, quando inscreveu o seu nome nos marcadores da partida e isso merece sempre realce.

Para a semana frente ao V. Guimarães, não vamos ter o Maxi por causa dos amarelos. Se não recuperarem alguns dos lesionados, especialmente o Luisão, a nossa defesa não vai ter voz de comando. Teremos o Samaris de volta, mas será sempre um jogo muito difícil em que é fundamental para estabilizar a equipa nesta fase pós-férias e pós-Enzo mais uma vitória.

quinta-feira, janeiro 01, 2015

Ano Novo

Depois de um 2014 inesquecível, infelizmente já sabemos que o 2015 não vai ser tão bom em termos desportivos. Mesmo assim, se fizermos o bicampeonato será também um ano histórico, por matarmos um borrego com mais de 30 anos. Que tenham todos os leitores do blog um óptimo 2015!

terça-feira, dezembro 30, 2014

Triunfo na abertura

Vencemos o Nacional por 1-0 na 1ª jornada da fase de grupos da Taça da Liga e terminamos o magnífico ano de 2014 a ganhar. Esteve muito longe de ser um jogo brilhante, mas o que se pedia na volta das férias de Natal era uma vitória numa competição que nos é muito cara e que este ano, infelizmente, é a única para além do campeonato onde ainda estamos inseridos.

Na primeira partida sem o Enzo Pérez, colocámo-nos em vantagem logo aos 11’ numa jogada similar à que nos deu o golo frente ao Braga na Taça de Portugal: centro do Maxi na direita e magnífica cabeçada do Jonas. Pensei que partiríamos para uma exibição interessante, mas o jogo foi todo muito sofrível. Alinhámos praticamente com a equipa titular, com o Cristante (o Samaris não vai poder jogar em Penafiel) e o Talisca no meio, mas faltou-nos muito ritmo e velocidade. Até ao intervalo, só tivemos mais um lance de perigo, num remate de pé esquerdo do Maxi à barra. O que valeu foi que o Nacional foi praticamente inofensivo.

Ao contrário dos treinadores, achei a 2ª parte mais interessante. O Júlio César por duas vezes safou o golo do Nacional, o Jonas teve uma cabeçada que deveria ter tido melhor destino depois de uma assistência perfeita do Gaitán, anularam-nos (bem) um golo do Ola John por fora-de-jogo do Lima, que interveio no lance e o Sulejmani, que entrou para os últimos 10’, mostrou que será um jogador a ter em conta para a segunda parte da época. Mas o resultado não se alterou e já lá vão sete anos desde a última derrota na Taça da Liga.

Em termos individuais, destaque para os homens que intervieram no golo, Jonas e Maxi. Quanto à mais-valia do brasileiro já ninguém deve ter dúvidas, em relação ao paraguaio, espero bem que renove de vez. Não me interessa quanto pede de ordenado, mas será certamente merecido. Ainda por cima, nos últimos tempos tem acertado nos centros! Óbvia palavra para o Júlio César, que nos safou por duas vezes e, do lado negativo, para o Ola John, que começa a ter o público contra ele por ser molengão muito mais vezes do que seria desejável. O que é uma enorme pena, porque é um jogador cheio de potencial, mas viu-se bem a diferença quando o Sulejmani entrou.

Foi um jogo que não ficará na memória, mas em que cumprimos o objectivo principal. Concentremo-nos agora no campeonato, porque geralmente as idas a Penafiel não são nada fáceis e nestes próximos tempos, em que os olhos vão estar postos em nós para verem se sentimos a falta do Enzo Pérez, não convém nada mostrar fraqueza.

quinta-feira, dezembro 25, 2014

Feliz Natal

Os meus desejos habituais de um Glorioso Natal a todos os que seguem este blog. Que o Pai Natal mantenha estes seis pontinhos no sapatinho pelo menos até ao próximo Maio.

domingo, dezembro 21, 2014

À CRAC

Vencemos o Gil Vicente (1-0) e mantivemos os seis pontos de diferença em relação ao 2º classificado. No entanto, terá sido o pior jogo da época com a agravante de o golo ter sido obtido na sequência de um fora-de-jogo não assinalado ao Maxi Pereira. Ou seja, ficámos a saber como é que é ganhar à CRAC. E o sabor pelo menos para mim não é nada bom, mas há uma coisa ainda pior do que ganhar com um erro do árbitro: é perder com um erro do árbitro! Nesse aspecto, o nosso historial de há 30 anos ainda nos deixa com um enorme défice.

Para esta paupérrima exibição muito contribuiu a ausência de quatro titulares indiscutíveis: Luisão, Eliseu/André Almeida, Enzo Pérez e Salvio. Ficou mais uma vez demonstrado que o nosso plantel é muito curto e que não somos capazes de superar estes impedimentos. Um remate do Talisca proporcionou uma boa defesa ao Adriano e chegámos ao golo aos 30’ numa óptima abertura do Ola John, que desmarcou o Maxi Pereira (que estava em fora-de-jogo), este desviou a bola do guarda-redes para o poste e o Gaitán na recarga fez o único golo da partida. Até ao intervalo, uma cabeçada do Jonas poderia ter tido melhor destino.

Se a 1ª parte já não tinha sido grande espingarda, a 2ª foi de fugir. Não criámos praticamente oportunidades de golo, o que valeu foi com o Gil Vicente demonstrou por que está em último lugar sem nenhuma vitória. O avançado deles ainda se isolou, mas o César foi rápido a compensar e atirou para canto aos 54’ e já perto do final se o defesa-direito deles tivesse pé esquerdo teríamos o nosso Natal ainda mais estragado. Quanto a nós, um remate do Talisca que foi bem defendido foi a única jogada de jeito que fizemos. Quando soou o apito final, sentiu-se um enorme alívio no estádio.

Em termos individuais, destaque para o Gaitán pelo golo, para o Maxi Pereira pela entrega e para o Talisca por ser o nosso único jogador que acerta na baliza com remates fora da área. O Jonas teve uns furos abaixo do que é habitual, assim como o complicativo Ola John apesar de ter sido dele a abertura para o golo. Quando ao negativo, destaque novamente para o Bebé. Já frente ao Leverkusen não levantou a cabeça e não viu o Talisca isolado na área, mas muitos disseram que só tinha cabeça para a baliza numa situação daquelas. Hoje foi ainda pior: na recuperação de bola depois de um canto do Gil Vicente, tínhamos dois jogadores isolados sob a linha do meio-campo. E aquela abécula descerebrada voltou a não levantar a cabeça e prosseguir a jogada por ele! Era o golo da tranquilidade a pouco menos de 10’ do fim. Passei-me completamente! Deveríamos fazer um favor à ciência e oferecer-lhe aquilo que ele tem no lugar do cérebro para ser estudado devidamente. Como é que se pode ser tão burro?!

Num jogo para esquecer, conseguimos o mais importante que era os três pontos, mas se não recuperarmos alguns dos lesionados o panorama fica bastante negro, porque os suplentes não estão claramente à altura.

sexta-feira, dezembro 19, 2014

Besta negra

E pronto, já me estragaram o Natal! Perdemos em casa (1-2) com o Braga e já não vamos ao Jamor esta época. Independentemente das vicissitudes do jogo, o que ficará para a história é que a primeira vitória do Braga na Luz (só nos tinha ganho em casa uma vez nos anos 50, mas tinha sido no Estádio Nacional) fez com que perdêssemos a oportunidade de fazer um bis na Taça de Portugal e quiçá uma inédita a nível nacional bi-dobradinha. Dois jogos com o Braga, duas derrotas. Incrível!

Estava com bastante receio desta partida por causa da vitória no Dragão. Dito assim, pode parecer contraditório, mas na ressaca de um grande triunfo daqueles pode tender a haver alguma descompressão, tanto da parte dos jogadores como dos adeptos. Só que essa descompressão, neste jogo, significaria sermos eliminados da segunda prova mais importante do calendário nacional. Não acho que tenha havido essa descompressão, até jogámos razoavelmente bem, mas o que importa é que perdemos. Outra razão para a minha apreensão é que já se sabia que iríamos jogar sem o Salvio e o Luisão, situação agravada com o impedimento do Samaris e, principalmente, a saída forçada do Enzo Pérez ao intervalo. A baixa de quatro titulares indiscutíveis foi demais para nós e nomeadamente na 2ª parte foi bastante notória. Claro está que poderíamos ter chegado ao intervalo com o jogo decidido, mas só marcámos um golo numa excelente cabeçada do Jonas depois de um dos poucos centros que o Maxi Pereira acerta ao longo do ano. Estávamos no minuto 33 e já antes o Júlio César tinha feito uma enorme defesa a um remate do Pardo. Pardo esse que deveria ter sido expulso logo aos 11’, por ter derrubado o Jonas quando este estava isolado. Aliás, o sr. Artur Soares Dias teve uma 1ª parte para esquecer, porque pouco antes desse lance deveria ter havido um penalty contra nós por mão do Jardel num livre para a área (não sei porque raio de carga de água é que o 33 resolveu dar uma palmada na bola!!). A partida decorria com ataques para ambos os lados, mas já perto do intervalo o Jonas rematou muito fraco na sequência de uma das melhores jogadas do encontro, quando estava em excelente posição para resolver a eliminatória.

Não sei porquê, mas senti este falhanço do Jonas como um mau prenúncio para o que aí vinha. Mau prenúncio esse que se avolumou com a saída forçada do Enzo. Entrámos completamente desconcentrados na 2ª parte. O nosso meio-campo, com Cristante e Pizzi, está a léguas de ser Samaris–Enzo Pérez e o Braga passou a explorar isso muito bem. Empatou logo aos 48’ através de um canto, em que o André Almeida falhou clamorosamente o corte ao primeiro poste e depois nenhum defesa reagiu permitindo que o Santos marcasse de recarga ao seu próprio remate. Até nem demos uma má resposta ao golo sofrido, o problema foi que o Braga este ano parece que contratou guarda-redes especialistas em defenderem (quase) tudo o que venha das nossas bandas. Já tínhamos levado com o Matheus para o campeonato, agora apareceu um tal de Kritsyuk que defendeu tudo e mais alguma coisa. Logo a seguir a uma excelente defesa a um remate do Lima e uma recarga do Jonas que iria para a baliza se não fosse desviada para canto por um defesa, o Braga colocou-se em vantagem aos 58’. O Pardo (o tal que já não devia estar em campo…) arrancou desde o seu meio-campo(!), foi acompanhado generosamente pelo Pizzi (só faltou estender-lhe uma passadeira vermelha), perto da área o Cristante quase que se desviou para o deixar passar e rematou perante a fraca oposição do César para o lado contrário do Júlio César. Outro golo inacreditável, que jamais aconteceria com Samaris e Enzo. Naturalmente, um deles ter-lhe-ia dado uma pantufada e não o permitiria andar a passear-se por metade do nosso relvado. Ainda havia mais 30’ para jogar, mas também havia o Kritsyuk na baliza. Jonas por mais que uma vez, Lima e Talisca tornaram o russo o melhor em campo. Houve um lance na área em que pareceu que o Lima foi claramente derrubado pelas costas, mas o sr. Artur Soares Dias também teve um critério largo e nunca permitiu a entrada da maca quando os bracarenses simulavam lesões.

Em termos individuais, o Ola John foi um substituto à altura para o Salvio e o nosso melhor jogador. O Jonas fica com um registo excelente de golos na Taça de Portugal, mas hoje ficou a dever-nos pelo menos mais dois. O Enzo também esteve muito bem até ao intervalo. Ao invés, o André Almeida fez uma exibição para esquecer (aquele falhanço no canto é inacreditável) e o Gaitán pareceu que não recuperou fisicamente de Mordor. O Pizzi, que tão bem tinha jogado frente ao Leverkusen, mostrou ontem que ainda não é opção válida para a titularidade no lugar do Enzo.

Se há jogo que mais me custa perder todas as épocas é o que nos elimina da Taça de Portugal. Por várias razões: adoro ir ao Jamor; temos um registo de Taças conquistadas que é importante manter; é o último jogo da época e quem a ganha faz a última festa antes do defeso; o CRAC farta-se de mandar vir contra o Estádio Nacional e a minha ética republicana obriga-me a gostar de tudo o que eles não gostam; e é uma derrota que não tem hipótese de redenção. Ainda por cima, esta época seria a oportunidade de tentarmos a tal inédita bi-dobradinha. Por tudo isto, estou mesmo FURIOSO! Não contra a equipa, porque como já disse até jogámos bem, mas com o facto de termos sido eliminados.

P.S. – Espero SINCERAMENTE que esta derrota faça os nossos responsáveis abrirem os olhos para as deficiências do nosso plantel, nomeadamente para o facto de haver jogadores para os quais não há substitutos à altura. Luisão, como já se sabia, e, principalmente, Enzo Pérez. Viu-se bem a falta que ele fez na 2ª parte, porque não tivemos nenhum médio rompedor quando estávamos a pressionar o Braga. Uma saída dele em Janeiro seria uma baixa enorme a meio da época e peço aos nossos responsáveis que, se a saída for mesmo inevitável, pelo menos negoceiem a sua permanência até final da época, mesmo que se faça um desconto valente no preço a pagar. Tipo Garay. É que, pelo que se viu ontem, a sua ausência fará com que os seis pontos de avanço comecem a parecer muito pouco…

P.P.S. – O Rúben Micael é possivelmente o jogador mais asqueroso que alguma vez pisou um relvado de futebol. Cão!

segunda-feira, dezembro 15, 2014

Lima no Olimpo

Nove anos depois voltámos a ganhar em Mordor para o campeonato, com o resultado fetiche sempre que triunfamos no antro do Mal: 2-0. Foi uma vitória justa que sinceramente não esperava, não só porque o CRAC tem um plantel superior ao nosso, como pelo facto de a partida ser arbitrada pelo sr. Jorge Sousa. No entanto, revelámos imensa personalidade e manietámos tacticamente o CRAC, que só conseguiu criar perigo com a lesão do Luisão nos últimos 15 minutos.

As forças do Mal entraram mais velozes e logo aos 2’ o Tello sacou um amarelo ao André Almeida. Fiquei imediatamente preocupado, porque estava mesmo a ver o filme de ficarmos a jogar com 10 na próxima falta do nosso improvisado defesa-esquerdo. O CRAC criou perigo num remate cruzado do Herrera ainda na fase inicial e teve uma excelente oportunidade pelo Jackson Martinez numa boa jogada atacante, em que o Júlio César fez uma defesa assombrosa. Nós íamos tentando responder, com remates do Gaitán e Talisca, e abrimos o marcador aos 36’ através do Lima. Lançamento lateral do Maxi Pereira (podem repeti-lo ad nauseam na Sport TV para ver se descobrem que ele pisou o terreno de jogo na altura do lançamento, mas não vão ter sorte nenhuma…) e o Lima antecipou-se ao Danilo, marcando com a anca! Até ao intervalo, era fundamental manter a vantagem, o que foi conseguido.

O início da 2ª parte trouxe uns quantos livres para o CRAC, mas sem nunca criar perigo, enquanto nós alargámos a vantagem aos 56’: remate de fora da área do Talisca, o Fabiano defende para o lado e o Lima só teve que encostar. Logo a seguir, o Lima não conseguiu fazer o seu centro para o Talisca, que estava em boa posição para fazer o terceiro golo. Seria o golpe de misericórdia! Uma boa iniciativa do recém-entrado Quaresma criou-nos perigo, mas foi só depois da lesão do Luisão aos 76’ que o CRAC teve as melhores oportunidades: duas bola de cabeça do Jackson à barra, em lances em que o César não teve bem. Nós poderíamos ter aumentado a vantagem num contra-ataque em que o Lima centrou para o Salvio, mas um defesa antecipou-se e quase ia fazendo autogolo. E já perto do final, o molengão do Ola John não conseguiu colocar a bola no Gaitán, que ficaria numa situação de 2x1.

Em termos individuais, ÓBVIO destaque para o Lima. O futebol tem destas coisas muito engraçadas: o Lima não estava a jogar nada desde o inicio da época, discutiu-se muito sobre se seria de utilizar o Jonas e depois entra e qual César Brito ou Nuno Gomes decide a partida. Pode já não fazer nada no resto do seu percurso no Benfica, que o lugarzinho na história (e nos nossos corações) já ninguém lhe tira. Também gostei bastante dos suspeitos do costume, Gaitán e Enzo Pérez, que emprestam um toque de classe a tudo o que fazem. Grande exibição do Samaris, que só levou um amarelo perto do final e foi essencial para contar a avalanche atacante do CRAC. O Maxi Pereira foi uma máquina a parar o Brahimi e não sei por que esperam os nossos responsáveis para renovar com ele… Regra geral a equipa esteve toda bem, muito concentrada e entrando sem medo no campo. O Júlio César traz muita confiança a todo o sector defensivo e resta-nos esperar que a lesão do Luisão não seja grave, porque se viu bem a falta que ele faz (as duas bolas aos poste foram na zona do César).

Com o CRAC a seis pontos e a lagartada (empatou com Moreirense já nos descontos) a dez, temos uma tarefa muito importante no futuro próximo que é não perder a concentração e achar que o campeonato já está ganho. Aliás, essa concentração pode ser testada no jogo frente ao Braga para a Taça de Portugal. Os minhotos estão a subir de forma e tenho medo que entremos em excesso de euforias… E melhor que o bicampeonato era uma bidobradinha

P.S. – Como tem sido habitual em casos semelhantes, aguardo com especial entusiasmo a renovação de contrato do Lopetegui! Mas, se calhar, faziam-lhe uma cura de desintoxicação antes, não? É que aquelas declarações não lembram ao careca… (depois deste jogo ainda está mais confiante que vai ser campeão…?!)

quarta-feira, dezembro 10, 2014

500 mil euros

Empatámos com o Bayer Leverkusen (0-0), mas poderíamos ter terminado a nossa participação nas competições europeias com uma vitória. Dado que alinhámos só com um titular (André Almeida, que já de si é um lateral-esquerdo emprestado), a nossa exibição foi muito melhor do que eu estava à espera e alguns jogadores mostraram que poderão ser uma opção válida para jogar com os crescidos num futuro próximo. E sempre foram meio milhão de euros que entraram para os nossos cofres.

Os alemães também jogaram com os habituais suplentes, o que lhes acabou por custar o 1º lugar do grupo, já que o Mónaco derrotou o Zenit. Na parte final, quando o treinador se lembrou de colocar titulares em campo, já não foi a tempo. Eles lá saberão, mas se eu fosse seu adepto estaria furioso, porque não será propriamente a mesma coisa jogar com o Chelsea ou com a lagartada… Voltando ao jogo, entrámos bem e uma boa jogada do Ola John permitiu ao Lima entrada directa nos maiores falhanços que a nova Luz já viu: em cima da linha da pequena área, conseguiu acertar na barra. O Leverkusen pouco incomodava o Artur, o Pizzi abria o livro durante toda a 1ª parte e tivemos ocasiões mais do que suficientes para resolver o jogo: o Lima rematou ao lado quando tinha o Derley sozinho no meio, o Bebé não conseguiu meter a bola no Lima num contra-ataque de dois para um e o Ola John tirou dois adversários do caminho, mas depois não conseguiu rematar.

A 2ª parte começou com os alemães a acercarem-se mais da nossa baliza, mas isto só durou 15’ e mesmo assim apenas criaram perigo relativo. Um corte do César contra um adversário, que fez a bola passar perto do poste do Artur, foi o lance mais perigoso. Quanto a nós, o Pizzi perdeu imenso gás e a equipa ressentiu disso. O Jesus colocou o Talisca no lugar do Lima por volta da hora de jogo e as coisas melhoraram um bocado. O Ola John, apesar de alguma molenguice, ia criando qualquer coisa na esquerda, enquanto na direita o Bebé confirmou mais uma vez que sem cérebro não se pode ser jogador de futebol. O expoente máximo disso foi já perto do fim quando, com o Talisca c-o-m-p-l-e-t-a-m-e-n-t-e isolado no meio, resolve continuar a jogada pela direita, com um adversário a estorvá-lo e rematar sem grandes condições de êxito. Passei-me completamente e o Jesus provavelmente também, porque o retirou pouco depois para fazer entrar o João Teixeira. Entretanto, também já tinha entrado o Nelson Oliveira para o lugar do sempre esforçado Derley, que também construiu uma boa jogada perto do final, em que um defesa impediu que a bola chegasse ao Pizzi, que ficaria isolado.

Um jogo destes serve sobretudo para ver quem está apto para a primeira equipa e o Pizzi, assim que aguentar os 90’, poderá ser uma opção muito válida. Que grande 1ª parte! O Cristante também não esteve mal, apesar de me parecer que lhe continua a faltar alguma agressividade na recuperação depois de ser batido pelo adversário. O Derley mostrou novamente que está em melhor forma que o Lima e, apesar de não ser nenhum génio (também estávamos mal habituados com Cardozo e Rodrigo…), continua a ser um jogador que me agrada bastante pela entrega e alguma qualidade que coloca na partida. O Ola John é uma pena, porque com um pouco mais de intensidade e constância (e menos moleza) seria um jogador fabuloso. Assim, limita-se a criar dois ou três bons lances por jogo. Os centrais (César e Lisandro) também estiveram muito concentrados e praticamente sem falhas. O Nelson Oliveira teve dois bons pormenores, mas não sei se alguma vez deixará de ser uma eterna promessa. O João Teixeira, que já se tinha destacado na pré-época, jogou os últimos minutos e ainda deu para ver qualquer coisa, nomeadamente uma finta de corpo em que provocou um segundo amarelo a um adversário. Para seguir com atenção.

Negativamente destacaram-se o Lima (aquele falhanço é imperdoável) e sobretudo o Bebé. Será que podemos alegar que está em período experimental e devolvê-lo ao Manchester United sem custos? De qualquer maneira, espero que lhe comecemos a descontar os 500.000€ do ordenado por conta daquela bola que não passou ao isolado Talisca e que certamente nos daria a vitória no jogo. Que descerebrado!

Passado este interlúdio, continuemos a nossa concentração para domingo. E há uma coisa que não percebi: se o Jesus poupou a equipa quase toda, porque é que colocou um titular em campo que é apenas o nosso melhor marcador? O Talisca pregou-nos um valente susto no joelho, quis continuar em campo, mas dizem os jornais que saiu do estádio a coxear. Vamos lá a ver se não temos uma enorme baixa para Mordor…

domingo, dezembro 07, 2014

Enganador

Vencemos o Belenenses por 3-0 e mantivemos a distância para o CRAC a uma semana de irmos a Mordor. Quem olhar para o resultado sem ter visto o jogo, pode ser levado a pensar que foi fácil para nós, mas está muito enganado. O Belenenses trouxe o autocarro muito bem calibrado e confesso que até aos 64’ vi o caso muito malparado. Felizmente, o golo do Lima veio abrir várias portas e lançou-nos numa vitória de mérito inquestionável.

O Jesus repetiu a mesma equipa de Coimbra, com o Talisca e o Jonas na frente, mas cedo se percebeu que isso tinha sido um erro. Em jogos na Luz perante equipas maioritariamente defensivas, tem que se jogar com um ponta-de-lança de raiz, que prenda os centrais e seja uma presença constante na área. Sempre! Um remate ao lado do Gaitán e uma cabeçada a rasar o poste do Luisão foram dos poucos lances de perigo que criámos. Em termos defensivos, praticamente não tivemos problemas já que o Belenenses mal saía do seu meio-campo.

Na 2ª parte, o Jesus tirou o apagado Talisca e lançou o Lima. O Belenenses cada vez recuava mais e tapava bem os caminhos da sua baliza, tornando os nossos ataques de difícil resolução. Conseguimos finalmente desembrulhar a partida na sequência de um canto, com a bola a ser cabeçada por três jogadores: Jardel, Jonas e Lima, que acabou por voltar aos golos. Já estávamos com 64’ e, apesar de a equipa não dar mostras de ansiedade, eu dava, por isso foi com grande alívio que vi o marcador mexer a nosso favor! Seis minutos depois, o encontro ficou praticamente resolvido, num penalty sobre o Enzo Pérez, que o próprio converteu com um remate rasteiro e para a esquerda do guarda-redes. No estádio, fiquei com a nítida sensação que tinha havido um empurrão (desnecessário) ao Enzo e na televisão confirmei isso mesmo. Empurrão nas costas não é carga de ombro, razão pela qual para mim o penalty foi bem assinalado. O Jesus começou a rodar a equipa, tirando o Enzo (que, se visse o amarelo, não ia a Mordor) e colocando o Pizzi, mas ainda conseguimos meter mais um: grande jogada do Gaitán (possivelmente a melhor jogada do campeonato até agora), a arrancar do meio-campo, passar por vários adversários e cruzar para o Salvio só ter que encostar de cabeça. Foi aos 83’ e terminámos o jogo com elevada nota artística.

Em termos individuais, destaque para o Gaitán pela jogada do terceiro golo. Quem faz uma obra-prima daquelas, tem que naturalmente constar das figuras da partida. Gostei bastante do Samaris, que com bom sentido posicional se fartou de cortar bolas. O Enzo também me parece a subir de forma e estreou-se a marcar esta época.

Terça-feira vamos ver se teremos uma saída digna das competições europeias (têm a palavra os suplentes e não-convocados habitualmente). É certo que há 1 M€ para uma possível vitória, mas temos que nos concentrar é em ir a Mordor e fazer um bom resultado. Se conseguirmos não perder em casa das forças do Mal, daremos um passo muito importante (principalmente a nível da confiança) para alcançarmos o tão desejado bicampeonato.

P.S. – É inevitável que a lei mude e se torne esclarecedora acerca dos jogadores emprestados não jogarem (ou terem lesões muito oportunas) frente aos seus clubes de origem. O Miguel Rosa e Deyverson (os melhores marcadores do Belenenses) não jogaram contra nós e isso não foi bonito. Prefiro que o Benfica não adopte este tipo de comportamentos, mas sempre é preferível do que o jogador emprestado fazer um penalty desnecessário ou dar um frango.