segunda-feira, janeiro 26, 2015
Desperdício de ouro
Perdemos em Paços de Ferreira (0-1) e não conseguimos aproveitar a vitória
do Marítimo ontem frente ao CRAC. Mais: perdemos uma oportunidade soberba de
possivelmente dar o xeque-mate ao campeonato, porque nove pontos de vantagem só
muito dificilmente seriam ultrapassáveis. Quando nada levava a crer, escolhemos o pior timing possível para fazer uma exibição
muito distante das que vínhamos fazendo e para quebrar a nossa série de jogos sempre a marcar para o campeonato. Foi uma
machadada muito grande na nossa moral.
É por estas e por outras que eu prefiro jogar primeiro que os rivais: já
não é a primeira vez que desperdiçamos maus resultados alheios. Parece que os
jogadores acusam a pressão e se desconcentram quando têm hipóteses de alargar
distâncias. Até entrámos bem na partida, com uma soberana oportunidade do Jonas
logo a abrir. Praticamente não deixávamos o Paços respirar e aos 18’ o sr.
Bruno Paixão apitou penalty a nosso favor por pretensa mão na bola na área. A
minha opinião é muito simples: eu não marcaria penalty, mas já vi lances ainda
menos evidentes que este serem considerados falta. Depende muito do critério do
árbitro, mas para mim não é penalty. Infelizmente, o Lima atirou ao poste e
desperdiçou uma chance óptima de nos colocar em vantagem. Pior do que isso, a
equipa desconcentrou-se e a partir daqui nunca mais foi a mesma. Pouco depois,
uma boa combinação atacante fez o Salvio atirar ao poste, numa bola ainda
desviada por um defesa, mas foi o nosso canto do cisne em termos de jogadas bem
conseguidas. O Paços galvanizou-se com o falhanço do penalty e começou a
criar-nos perigo através principalmente de bolas paradas.
Ao intervalo, em trocas de mensagens com alguns benfiquistas, a apreensão não
era um exclusivo meu. Infelizmente, a 2ª parte veio dar-nos razão: fomos uma
sombra do que temos sido até aqui. O Paços fechou-se muito bem e nós não
tínhamos ninguém para furar, porque o Salvio esteve abaixo do que é habitual e
é nestas alturas em que mais se sente a falta de um Gaitán (e de um Enzo, já
agora). O Jonas bem tentava, mas poucas coisas lhe saíam bem, o Talisca mal de
viu e o Lima é como se nem estivesse em campo. O Ola John, que nem estava a ser
dos piores na 1ª parte, baixou na 2ª e foi o primeiro a ser substituído (eu não
o teria tirado, porque a entrada do Pizzi implicou o desvio do Talisca para o
flanco, lugar em que manifestamente não rende). Mesmo estando a léguas do que
já mostrámos neste Janeiro, ainda atirámos mais uma bola ao poste pelo Lima, o
Derley, entretanto entrado, falhou uma recarga facílima depois de uma defesa do
guarda-redes e com este batido (daquelas que o Tacuara metia nas calmas e depois muita gente dizia “ah ok, mas era
só encostar”… Pois era!), e o Talisca demonstrou que em termos cerebrais lhe
falta também qualquer peça, porque estando em excelente posição para dominar a
bola e rematar, quando só tinha o guarda-redes pela frente, resolveu rematar de
primeira, falhando completamente a bola. No último minuto, aconteceu o
impensável: o idiota do Eliseu não acompanhou o movimento do adversário e
resolveu fazer um carrinho. Claro que tocou nele e foi penalty. O Sérgio
Oliveira não fez como o Lima e marcou. Com a assistência ao guarda-redes adversário
por duas vezes, o sr. Bruno Paixão deu oito minutos de compensação e ainda
tivemos uma óptima ocasião, em que o Salvio isolado sobre a direita depois de
um livre, centrou para a área, mas ninguém chegou a tempo do desvio. Pareceu-me
que o argentino poderia ter tentado o remate directo.
Em termos individuais, não vou destacar ninguém. A equipa esteve
inexplicavelmente muitos furos abaixo do habitual e sinceramente não entendi o
porquê daquela desconcentração com o penalty falhado. Deu a impressão que nos esquecemos
de como jogar à bola e mostrávamos uma exasperante lentidão de processos,
tornando tudo mais fácil para quem defendia.
Tínhamos tudo a nosso favor: o Paços não ganhava há uma série de jogos,
tinha os dois centrais lesionados, o estádio estava lotado e jogávamos
praticamente em casa, e o CRAC tinha perdido. NÃO SE PODE desperdiçar
oportunidades destas! NÃO SE PODE! Se não formos campeões, este jogo será a
razão principal desse fracasso. Demos um balão de oxigénio a quem já estava
praticamente morto e deixámos escapar a oportunidade de poder perder no WC daqui
a duas jornadas e mesmo assim ficar com a concorrência a seis pontos. Depois da
eliminação na Taça de Portugal em casa frente ao Braga, esta é a segunda grande
desilusão da época (ok, há a Europa, mas essa doeu menos e foi muito sui generis). É bom que não tenhamos
muitas mais até final da época. (Nove pontos, PORRA! Seriam nove pontos de
distância!!!)
P.S. – O Jesus veio dizer no final, à
la Trapattoni, que “se não ganhas, não podes perder”. É bom que diga isso
ao idiota do Eliseu que NÃO pode disputar um lance daquela maneira quando está
na nossa área. Se falha a bola, é imediatamente penalty. Já não é a primeira
vez que faz isto. Duvido que o André Almeida fizesse o mesmo.
sexta-feira, janeiro 23, 2015
A melhor notícia do ano!
O adeus de Pedro Proença
Eu disse do ano?! Dos últimos 14 anos! Já fiz mais do que um post com estas imagens, mas nunca é demais recordar os momentos mais inolvidáveis do "melhor árbitro do século" em Portugal. Vai respirar-se melhor nos relvados a partir de hoje. E não te preocupes, nós não te esqueceremos. Nunca! E jamais te perdoaremos. Obviamente!
Da minha parte, revejo pela enésima vez os dois lances no Bessa e especialmente o do Lisandro, e a tua posição no campo diz-me tudo o que preciso de saber sobre ti. Não tenhas receio, nós sabemos bem que não "erraste dentro de campo".
Infelizmente para nós, acabaste a carreira com 14 anos de atraso. Não deixas saudades. Nenhumas!
* Publicado em simultâneo com a Tertúlia Benfiquista.
Eu disse do ano?! Dos últimos 14 anos! Já fiz mais do que um post com estas imagens, mas nunca é demais recordar os momentos mais inolvidáveis do "melhor árbitro do século" em Portugal. Vai respirar-se melhor nos relvados a partir de hoje. E não te preocupes, nós não te esqueceremos. Nunca! E jamais te perdoaremos. Obviamente!
Da minha parte, revejo pela enésima vez os dois lances no Bessa e especialmente o do Lisandro, e a tua posição no campo diz-me tudo o que preciso de saber sobre ti. Não tenhas receio, nós sabemos bem que não "erraste dentro de campo".
Infelizmente para nós, acabaste a carreira com 14 anos de atraso. Não deixas saudades. Nenhumas!
* Publicado em simultâneo com a Tertúlia Benfiquista.
quinta-feira, janeiro 22, 2015
Personalidade
Vencemos em Moreira de Cónegos (2-0) e fizemos o pleno na Taça da Liga,
qualificando-nos naturalmente para as meias-finais. Num jogo em que bastava o
empate para o apuramento, não facilitámos e o triunfo foi indiscutível numa
exibição muito agradável.
Numa equipa em que metade eram titulares e os outros nem tanto, vimos o
Moreirense entrar melhor e durante os primeiros 15’ criou-nos alguns problemas.
Mas a partir daí, deixou de existir muito por nosso mérito. No entanto, em
termos atacantes não criámos tantas oportunidades como é habitual,
destacando-se um remate cruzado do Jonas que passou perto do poste como o lance
mais perigoso.
Na 2ª parte, o Jesus fez entrar logo de início o Sílvio para o lugar do
Eliseu para lhe dar tempo de jogo. Acelerámos os processos e, numa boa
combinação entre o Jonas e o Derley, o nº 17 marcou um golão aos 65’: remate de
primeira que deixou o guarda-redes sem capacidade de reacção. A partir daí, o
desfecho do apuramento ficou resolvido de vez e quatro minutos depois o Derley
fez um resultado final num lance que o define enquanto jogador: dominou mal uma
bola, mas lutou para ganhar o ressalto, isolou-se e, quando o guarda-redes saiu
e já com um defesa a estorvá-lo, deu um pequeno toque na passada que desviou a
bola para o fundo das redes. Golo à ponta-de-lança.
Até final, o guarda-redes Marafona ainda fez duas ou três defesas que impediram
um resultado mais alargado.
Destaque para o Jonas que é o melhor marcador da equipa no conjunto de
todas as competições: 13 golos em 15 jogos. Para além da enorme eficácia, é um
jogador que faz toda a equipa jogar, mesmo que ontem tenha tido uma ou outra
decisão que não lhe saiu tão bem. Que grande contratação! O Derley, que cria
alguns anticorpos em pessoas que conheço, é um jogador que aprecio. Está (bastante)
longe de ser um craque, mas é muitíssimo lutador e, mesmo que algo trapalhão,
geralmente consegue levar a sua avante. Marcou um excelente golo e é muito bom
nas tabelinhas à entrada da área (o Jonas que o diga e não foi só no seu golo).
O Pizzi esteve muito mexido na 1ª parte, mas falhou o 0-3 de forma algo
escandalosa. O Ola John começou na direita, mas melhorou nitidamente quando
passou para o seu flanco de origem. Ao invés, o Sulejmani esteve mais discreto
do que esperaria e acabou por sair tocado. O Jesus ainda deu minutos ao Gonçalo
Guedes, mas o miúdo voltou a mostrar que ainda está muito verde (salvo seja!) para estas andanças.
O que é notável no Benfica do Jesus é que não há grande diferença entre os
titulares e os suplentes no que toca à organização do jogo. Ou seja, todos
sabem o que têm que fazer em campo e a equipa joga sempre da mesma maneira.
Claro que a qualidade individual é que faz alguns jogarem mais vezes do que
outros, mas aqueles tempos em que, quando rodávamos os jogadores, parecia que
entrava outra equipa em campo, estão definitivamente afastados. E isso só pode
ser mérito do treinador. Por outro lado, volta a confirmar-se a tendência dos
últimos anos, em que chegamos a Janeiro e elevamos o nosso nível exibicional. Gostei
imenso do que vi ontem e espero que isto se mantenha para os próximos jogos.
segunda-feira, janeiro 19, 2015
Grande resposta
Vencemos na Madeira o Marítimo por esclarecedores 4-0 e mantivemos a
concorrência a seis pontos. Foi a última jornada da 1ª volta e os números são
impressionantes: 15 vitórias(!), um empate e uma derrota. Em termos pontuais, é
o melhor Benfica dos últimos 30 anos. Isto numa época em que perdemos cinco
titulares (Oblak, Garay, Siqueira, Markovic e Rodrigo, mais o Cardozo e André
Gomes; Matic em Janeiro passado e Enzo Pérez agora) e em que a pré-época (com
seis derrotas em oito jogos) fazia temer o pior. Afinal, chegamos a metade do
campeonato e é isto… Fabuloso!
Confesso que estava com bastante receio desta partida, pelo nosso histórico
no Funchal (ainda no ano passado lá perdemos) e pelo facto de o jogo ser
arbitrado pelo sr. Carlos Xistra. Para piorar as coisas, o Gaitán teve uma
lesão muscular logo aos 13’ anulando em mim o optimismo pelos regressos do
Luisão e Salvio à titularidade. No entanto, o Ola John entrou muitíssimo bem na
partida e aos 18’ teve uma abertura fantástica para o Salvio dominar de
primeira e rematar sem deixar a bola cair no chão para inaugurar o marcador. Depois
daquele revés inicial com a lesão do melhor jogador do campeonato, a resposta
não poderia ter sido melhor. Estávamos bastante concentrados no jogo e
praticamente não deixávamos o Marítimo respirar. Até ao intervalo, o Jonas
poderia ter sentenciado a partida, mas resolveu passar ao Lima (remate intercepcionado
por um defesa) quando só tinha o guarda-redes pela frente, numa excelente
combinação ofensiva. Mesmo em cima dos 45’, o Talisca arriscou bastante um
segundo amarelo por ter pisado um adversário na disputa de uma jogada, mas o
sr. Carlos Xistra começou a redimir-se de tantas decisões ao longo dos anos
contra nós (uma, duas, três) e deu-nos esta abébia. Mediante isto,
achei que seria muito prudente tirar o brasileiro ao intervalo.
A 2ª parte começou com o mesmo onze, numa atitude corajosa do Jesus (mais à
frente percebeu-se porquê). Esperava que o Marítimo carregasse mais sobre nós,
mas os madeirenses continuaram a ser inofensivos durante grande parte do tempo.
Quanto a nós, alargámos a vantagem logo na primeira oportunidade que tivemos
aos 53’: boa abertura do Talisca para o Ola John picar sobre o guarda-redes,
quando este saiu ao seu encontro. Bom golo do holandês em nítida subida de
forma. O Marítimo foi-se muito abaixo com este golo e nós selámos
definitivamente o triunfo aos 57’ num bis
do Salvio: passe do Jonas para o argentino descaído sobre a direita, que olhou
para o meio para ver a quem fazia o passe e enganou o guarda-redes rematando à
baliza. Logo a seguir grande defesa do Júlio César, desviando o remate do
Danilo para a barra, a continuar a manter as nossas balizas invioladas pelo sétimo
jogo consecutivo para a Liga. Aos 64’ provavelmente na melhor jogada colectiva
do campeonato marcámos o quarto golo pelo Lima, num lance que para além dele
também teve o Salvio e o Jonas como protagonistas. Golão! Até final, o Jesus
aproveitou para ir fazendo as restantes substituições (entraram Pizzi e Derley)
e o Talisca provocou a expulsão mesmo o último minuto para poder cumprir
castigo na Taça da Liga e jogar na Mata Real para a semana.
Em termos individuais, destaque para o Salvio pelo bis e pela assistência para o Lima. Boa entrada em jogo, como já
referi, do Ola John, o que se saúda especialmente pelo facto de o Gaitán
provavelmente ficar de molho uns
tempo por causa da lesão. A equipa esteve toda ela num nível bastante elevado,
com o Samaris também a destacar-se no meio-campo. O Talisca terá de ter mais
cuidado no futuro, especialmente quando já tiver amarelos, porque poderia
ter-se tornado o réu deste jogo. O Luisão não esteve nos seus melhores dias, o
que é normal sempre que regressa de lesão, mas o Jardel compensou isso com uma
exibição sem falhas. O Eliseu esteve bem a atacar, mas a defender nem tanto e
os (poucos) lances de perigo do adversário tiveram origem no seu flanco.
A meio da semana teremos a Taça da Liga, onde um empate nos garante a ida à
meia-final e na próxima 2ª feira a ida ao Paços. Até agora, Janeiro trouxe-nos
as melhores exibições da época. Esperamos que seja para continuar.
P.S. – É bom que os adversários não venham com histórias sobre o lance do
Talisca. O CRAC conseguiu a proeza de
marcar três golos irregulares(!) em Penafiel (dois foras-de-jogo e uma mão) na
vitória por 3-1 e o penalty que dá o primeiro golo à lagartada frente ao Rio Ave vai ficar na história como uma das
maiores anedotas deste campeonato. Portanto, bico calado que não têm moral
nenhuma para falar!
quinta-feira, janeiro 15, 2015
Treino
Vencemos o Arouca por 4-0 e só precisamos de um ponto para nos
qualificarmos para as meias-finais da Taça da Liga. Foi uma partida em que o
Jesus aproveitou para fazer grandes mudanças, mas em que repetimos o resultado
do campeonato.
Com o regresso do Sílvio e as estreias a titular do Gonçalo Guedes e Rui
Fonte (este em estreia absoluta pela equipa principal), a 1ª parte foi mais
agradável do que a 2ª, principalmente porque o Arouca ainda tentou disputar o
jogo neste período. Tivemos um par de ocasiões antes de haver um penalty
indiscutível a nosso favor aos 30’ do qual resultou a expulsão de um
adversário, que rasteirou o Rui Fonte impedindo-o de acertar na baliza quase
deserta. O Pizzi, apesar de duas paradinhas
que me irritam sobremaneira, enganou o guarda-redes e abriu o marcador. Aos
42’, acabámos de vez com a partida, com o Cristante a fazer o 2-0 num potente
remate fora da área, num lance em que a bola sofreu um desvio de um defesa que
enganou o guarda-redes.
Na 2ª parte, o Jesus fez entrar o Salvio e o Jonas para os lugares dos dois
estreantes e, apesar de o brasileiro ter tido logo uma cabeçada perigosíssima
nos minutos iniciais, o jogo baixou de qualidade, porque o Arouca não passava
do seu meio-campo e nós também não tínhamos grande vontade de acelerar uma
partida que já estava ganha. Só o fizemos nos últimos 10’ em que obtivemos dois
golos em minutos consecutivos (83’ e 84’): aberturas do Pizzi em ambos os casos
para o Jonas e Derley fazerem as jogadas para o Salvio e o mesmo Jonas
concretizarem.
Em termos individuais o Pizzi destacou-se por estar envolvido em três dos
quatro golos, mas atirou por cima num lance em que tinha a baliza praticamente
escancarada. Voltei a gostar da capacidade de luta do Derley e só é pena que
lhe tenha ficado a faltar um golo, objectivo que persegue há muito tempo. O
Gonçalo Guedes ainda tem muito que crescer e o Rui Fonte confirmou algo que já
suspeitava que é de ter um bom toque de bola. Saído de uma lesão não pode
apresentar um ritmo muito elevado. Boa partida igualmente por parte do
Cristante, se bem que o Arouca foi inofensivo. De negativo realçar só a lesão
do César, que não se sabe se estará apto para o Marítimo, embora o Jesus tenha
vindo garantir que tanto o Luisão como o Lisandro estarão disponíveis para essa
importante partida.
Este jogo foi um bom treino para as verdadeiras finais que se aproximam (Madeira
e Paços de Ferreira). Entre elas, haverá a ida a Moreira de Cónegos para
(espera-se) selar a qualificação para as meias-finais da Taça da Liga. Vai ser
uma semana muito intensa com três partidas fora.
domingo, janeiro 11, 2015
Melhor do ano
Vencemos o V. Guimarães por 3-0 na nossa melhor exibição da época até ao
momento. O timing não poderia ser
mais apropriado, porque foi o jogo em que se homenageou o grande Eusébio por
ocasião do primeiro aniversário da sua morte. Com esta vitória, mantivemos a
distância para o CRAC e vamos ver como é que a lagartada se vai sair neste domingo em Braga.
Ainda com o Luisão lesionado, mas já com o Eliseu em campo e o Salvio no
banco, tivemos uma entrada a todo o gás. O Gaitán viu o corpo do guarda-redes
Assis defender um remate seu, mas marcámos logo aos 14’: livre do mesmo Gaitán
para a área e grande cabeceamento do Jonas. Numa partida perante o terceiro
classificado, que se antevia muito difícil, era essencial inaugurarmos o
marcador o mais cedo possível e assim aconteceu. O golo galvanizou-nos e
embalámos para uns primeiros 45’ de excelência. Atirámos três(!) bolas aos
postes (Gaitán, Talisca e Jonas) em apenas 14 minutos, mas perto do final da 1ª
parte, foi o Júlio César a salvar-nos do empate, com uma defesa por instinto
num canto, seguida de um alívio com o pé, quando estava no chão. Cheguei ao
intervalo maravilhado com a nossa exibição, mas com uma sensação de déjà vu. O meu medo era que na 2ª parte
baixássemos o ritmo e somente um golo de vantagem poderia ser curto. Além disso
era tremendamente injusto para o que produzimos.
Felizmente que isso não aconteceu, porque mantivemos a pressão após o
intervalo. Aos 54’, demos um golpe muito forte nas aspirações do V. Guimarães
com o 2-0: grande jogada do Lima pela direita, centro para a área, o Ola John
falhou o remate com o pé direito, mas teve sorte com o ressalto e a bola ficou
ao jeito do seu pé esquerdo, que fuzilou a baliza. Este golo veio acalmar (e de
que maneira) as tentativas do V. Guimarães, que entregou o jogo a partir daqui.
Nos últimos 10’, o Jesus fez as substituições e o Salvio teve participação no
terceiro golo, ao cruzar para o Gaitán concluir. Até final, o Júlio César ainda
conseguiu impedir o golo adversário num remate forte.
Destaque individual para o mágico Gaitán: uma assistência e um golo não
está nada mal, mas para além disso ainda teve pormenores de grande classe.
Fez-lhe bem a braçadeira de capitão na sequência da lesão do Luisão e de
castigo do Maxi Pereira. O Ola John melhorou em relação a partidas anteriores,
com a mais-valia de ter marcado o golo da tranquilidade. O Jonas voltou a
marcar um grande golo de cabeça e o Lima, apesar de ter ficado em branco,
fartou-se de batalhar, como é seu hábito. O Samaris também está muito mais
consistente e o Talisca subiu de produção em relação a Penafiel (apesar de ter
ficado em branco desta vez). Na defesa, o Júlio César é um senhor e o
regressado Eliseu fez-se valeu da sua experiência para anular o Hernâni, o mais
perigoso dos vimaranenses. Os centrais (César e Jardel) estiveram atento
durante o jogo todo, bem como o André Almeida, que é dos jogadores mais úteis
que temos.
A meio da semana recebemos o Arouca para a Taça da Liga e espera-se alguma
rotação na equipa. É que o jogo do próximo fim-de-semana é nos Barrreiro e é o
primeiro de três saídas seguidas que serão fundamentais (mais Paços de Ferreira
e lagartada). Acho que muito do
campeonato se vai decidir nestes jogos, pelo que esta subida de produção é
muito bem-vinda nesta altura.
P.S. – O sr. Rui Gomes Costa sabe mesmo como é que se controla um jogo…
segunda-feira, janeiro 05, 2015
Complicado
Vencemos em Penafiel por 3-0 e mantivemos a distância para os rivais. O
resultado final não espelha as dificuldades que tivemos, porque até à expulsão
de um adversário aos 65’ o jogo esteve longe de estar decidido.
Com o Enzo Pérez no Valência e o Samaris a cumprir castigo por amarelos, o
nosso meio-campo foi dos teenagers
Cristante e Talisca, mas a nossa entrada na partida não foi nada famosa. O
Penafiel mostrava muito mais garra que nós na disputa dos lances e só a partir
dos 15’ é que começámos a mostrar qualquer coisa. O Ola John teve duas boas
jogadas nas duas primeiras vezes que tocou na bola, mas depois voltou ao
marasmo habitual. Até ao nosso golo aos 37’, o único perigo que criámos foi num
frango do guarda-redes, que largou
uma bola vinda de um cruzamento, mas o Jonas não estava atento e, quando
rematou, o próprio guarda-redes conseguiu desviar para canto. O golo surgiu
numa magnífica abertura de mais de 30 m do Gaitán, excelente recepção do Lima,
finta ao defesa e toque para o isolado Talisca, quando tinha o guarda-redes
quase em cima dele: o nosso melhor marcador só teve que encostar para a baliza
deserta. Estava feito o mais importante e mesmo em cima do intervalo um pontapé
de ressaca do Gaitán não decidiu o jogo por muito pouco.
A 2ª parte ia começando mal não fosse um indiscutível fora-de-jogo ser a
causa da invalidação do golo do Penafiel, na sequência de um livre para a nossa
área. Nós recuámos no terreno e não conseguíamos meter os contra-ataques para
aproveitar a subida da equipa da casa. Aos 65’, o sr. Paulo Baptista mostrou o
segundo amarelo ao defesa-direito adversário, o veterano Tony, por este ter
agarrado os calções do Jonas, depois de o nosso jogador lhe ter roubado a bola.
Há causa legal para a amostragem do cartão? Há. Eu mostraria o segundo amarelo
num lance daqueles? Não. Mas, verdade seja dita, desde o início do jogo que o
Tony se revelava dos jogadores mais faltosos em campo. A partir daqui, a
partida tornou-se mais fácil para nós e marcámos mais dois golos, aos 78’ e 88’
através do Jonas e Jardel. O primeiro num combinação entre Ola John e Maxi, com
centro deste ainda a bater num defesa e o nosso avançado com o peito(!) a
desviar do guarda-redes. O do Jardel foi de cabeça depois de um canto do
Gaitán. Aleluia por termos finalmente visto um golo do Jardel! Sinceramente não
me lembro da última vez que vimos um golo dele… Será o primeiro de sempre com a
camisola principal do Benfica? Nos últimos quatro minutos, o Jesus fez três
substituições (para quê…?!) fazendo entrar o Sulejmani, Derley e permitindo a
estreia do Gonçalo Guedes na equipa principal. Naturalmente que mal tocaram na
bola.
Sem termos feito uma grande exibição colectiva, também individualmente não
é fácil destacar alguém de caras.
Talvez o Gaitán, por ser dos poucos a conseguir dar o toque de classe que ajuda
muito a resolver jogos e o Lima pelo trabalho no primeiro golo. O Jesus voltou
a apostar no Lisandro para o centro da defesa em vez do César e sinceramente
prefiro o argentino. Tem mais experiência e parece-me mais jogador que o
brasileiro, a que não será alheio o facto de também ser ligeiramente mais
velho. O Talisca no lugar do Enzo precisa de ter mais cuidado nos passes e o
Cristante precisa de saber como não ser batido mais vezes do que seria desejável
pelos adversários, porque os seus passes longos são uma imagem de marca a
aproveitar. O Ola John era bom que mantivesse a concentração durante o jogo
todo, porque a qualidade está lá, mas falta muita cabecinha. O Jonas não estava a fazer uma exibição por aí além,
quando inscreveu o seu nome nos marcadores da partida e isso merece sempre
realce.
Para a semana frente ao V. Guimarães, não vamos ter o Maxi por causa dos
amarelos. Se não recuperarem alguns dos lesionados, especialmente o Luisão, a
nossa defesa não vai ter voz de comando. Teremos o Samaris de volta, mas será
sempre um jogo muito difícil em que é fundamental para estabilizar a equipa
nesta fase pós-férias e pós-Enzo mais uma vitória.
quinta-feira, janeiro 01, 2015
Ano Novo
Depois de um 2014 inesquecível, infelizmente já sabemos que o 2015 não vai ser tão bom em termos desportivos. Mesmo assim, se fizermos o bicampeonato será também um ano histórico, por matarmos um borrego com mais de 30 anos. Que tenham todos os leitores do blog um óptimo 2015!
terça-feira, dezembro 30, 2014
Triunfo na abertura
Vencemos o Nacional por 1-0 na 1ª jornada da fase de grupos da Taça da Liga
e terminamos o magnífico ano de 2014 a ganhar. Esteve muito longe de ser um
jogo brilhante, mas o que se pedia na volta das férias de Natal era uma vitória
numa competição que nos é muito cara e que este ano, infelizmente, é a única
para além do campeonato onde ainda estamos inseridos.
Na primeira partida sem o Enzo Pérez, colocámo-nos em vantagem logo aos 11’
numa jogada similar à que nos deu o golo frente ao Braga na Taça de Portugal:
centro do Maxi na direita e magnífica cabeçada do Jonas. Pensei que partiríamos
para uma exibição interessante, mas o jogo foi todo muito sofrível. Alinhámos
praticamente com a equipa titular, com o Cristante (o Samaris não vai poder
jogar em Penafiel) e o Talisca no meio, mas faltou-nos muito ritmo e velocidade.
Até ao intervalo, só tivemos mais um lance de perigo, num remate de pé esquerdo
do Maxi à barra. O que valeu foi que o Nacional foi praticamente inofensivo.
Ao contrário dos treinadores, achei a 2ª parte mais interessante. O Júlio
César por duas vezes safou o golo do Nacional, o Jonas teve uma cabeçada que
deveria ter tido melhor destino depois de uma assistência perfeita do Gaitán,
anularam-nos (bem) um golo do Ola John por fora-de-jogo do Lima, que interveio
no lance e o Sulejmani, que entrou para os últimos 10’, mostrou que será um
jogador a ter em conta para a segunda parte da época. Mas o resultado não se
alterou e já lá vão sete anos desde a última derrota na Taça da Liga.
Em termos individuais, destaque para os homens que intervieram no golo,
Jonas e Maxi. Quanto à mais-valia do brasileiro já ninguém deve ter dúvidas, em
relação ao paraguaio, espero bem que renove de vez. Não me interessa quanto
pede de ordenado, mas será certamente merecido. Ainda por cima, nos últimos
tempos tem acertado nos centros! Óbvia palavra para o Júlio César, que nos
safou por duas vezes e, do lado negativo, para o Ola John, que começa a ter o
público contra ele por ser molengão
muito mais vezes do que seria desejável. O que é uma enorme pena, porque é um
jogador cheio de potencial, mas viu-se bem a diferença quando o Sulejmani
entrou.
Foi um jogo que não ficará na memória, mas em que cumprimos o objectivo
principal. Concentremo-nos agora no campeonato, porque geralmente as idas a
Penafiel não são nada fáceis e nestes próximos tempos, em que os olhos vão
estar postos em nós para verem se sentimos a falta do Enzo Pérez, não convém
nada mostrar fraqueza.
quinta-feira, dezembro 25, 2014
Feliz Natal
Os meus desejos habituais de um Glorioso Natal a todos os que seguem este blog. Que o Pai Natal mantenha estes seis pontinhos no sapatinho pelo menos até ao próximo Maio.
domingo, dezembro 21, 2014
À CRAC
Vencemos o Gil Vicente (1-0) e mantivemos os seis pontos de diferença em
relação ao 2º classificado. No entanto, terá sido o pior jogo da época com a
agravante de o golo ter sido obtido na sequência de um fora-de-jogo não
assinalado ao Maxi Pereira. Ou seja, ficámos a saber como é que é ganhar à
CRAC. E o sabor pelo menos para mim não é nada bom, mas há uma coisa ainda pior
do que ganhar com um erro do árbitro: é perder com um erro do árbitro! Nesse
aspecto, o nosso historial de há 30 anos ainda nos deixa com um enorme défice.
Para esta paupérrima exibição muito contribuiu a ausência de quatro
titulares indiscutíveis: Luisão, Eliseu/André Almeida, Enzo Pérez e Salvio.
Ficou mais uma vez demonstrado que o nosso plantel é muito curto e que não
somos capazes de superar estes impedimentos. Um remate do Talisca proporcionou
uma boa defesa ao Adriano e chegámos ao golo aos 30’ numa óptima abertura do
Ola John, que desmarcou o Maxi Pereira (que estava em fora-de-jogo), este
desviou a bola do guarda-redes para o poste e o Gaitán na recarga fez o único
golo da partida. Até ao intervalo, uma cabeçada do Jonas poderia ter tido
melhor destino.
Se a 1ª parte já não tinha sido grande espingarda,
a 2ª foi de fugir. Não criámos praticamente oportunidades de golo, o que valeu
foi com o Gil Vicente demonstrou por que está em último lugar sem nenhuma
vitória. O avançado deles ainda se isolou, mas o César foi rápido a compensar e
atirou para canto aos 54’ e já perto do final se o defesa-direito deles tivesse
pé esquerdo teríamos o nosso Natal ainda mais estragado. Quanto a nós, um
remate do Talisca que foi bem defendido foi a única jogada de jeito que
fizemos. Quando soou o apito final, sentiu-se um enorme alívio no estádio.
Em termos individuais, destaque para o Gaitán pelo golo, para o Maxi
Pereira pela entrega e para o Talisca por ser o nosso único jogador que acerta
na baliza com remates fora da área. O Jonas teve uns furos abaixo do que é
habitual, assim como o complicativo Ola John apesar de ter sido dele a abertura
para o golo. Quando ao negativo, destaque novamente para o Bebé. Já frente ao
Leverkusen não levantou a cabeça e não viu o Talisca isolado na área, mas muitos
disseram que só tinha cabeça para a baliza numa situação daquelas. Hoje foi
ainda pior: na recuperação de bola depois de um canto do Gil Vicente, tínhamos
dois jogadores isolados sob a linha do meio-campo. E aquela abécula
descerebrada voltou a não levantar a cabeça e prosseguir a jogada por ele! Era
o golo da tranquilidade a pouco menos de 10’ do fim. Passei-me completamente!
Deveríamos fazer um favor à ciência e oferecer-lhe aquilo que ele tem no lugar
do cérebro para ser estudado devidamente. Como é que se pode ser tão burro?!
Num jogo para esquecer, conseguimos o mais importante que era os três pontos,
mas se não recuperarmos alguns dos lesionados o panorama fica bastante negro,
porque os suplentes não estão claramente à altura.
sexta-feira, dezembro 19, 2014
Besta negra
E pronto, já me
estragaram o Natal! Perdemos em casa (1-2) com o Braga e já não vamos ao Jamor
esta época. Independentemente das vicissitudes do jogo, o que ficará para a
história é que a primeira vitória do Braga na Luz (só nos tinha ganho em casa
uma vez nos anos 50, mas tinha sido no Estádio Nacional) fez com que
perdêssemos a oportunidade de fazer um bis
na Taça de Portugal e quiçá uma inédita a nível nacional bi-dobradinha. Dois jogos com o Braga,
duas derrotas. Incrível!
Estava com bastante
receio desta partida por causa da vitória no Dragão. Dito assim, pode parecer
contraditório, mas na ressaca de um grande triunfo daqueles pode tender a haver
alguma descompressão, tanto da parte dos jogadores como dos adeptos. Só que
essa descompressão, neste jogo, significaria sermos eliminados da segunda prova
mais importante do calendário nacional. Não acho que tenha havido essa
descompressão, até jogámos razoavelmente bem, mas o que importa é que perdemos.
Outra razão para a minha apreensão é que já se sabia que iríamos jogar sem o Salvio
e o Luisão, situação agravada com o impedimento do Samaris e, principalmente, a
saída forçada do Enzo Pérez ao intervalo. A baixa de quatro titulares
indiscutíveis foi demais para nós e nomeadamente na 2ª parte foi bastante
notória. Claro está que poderíamos ter chegado ao intervalo com o jogo
decidido, mas só marcámos um golo numa excelente cabeçada do Jonas depois de um
dos poucos centros que o Maxi Pereira acerta ao longo do ano. Estávamos no
minuto 33 e já antes o Júlio César tinha feito uma enorme defesa a um remate do
Pardo. Pardo esse que deveria ter sido expulso logo aos 11’, por ter derrubado
o Jonas quando este estava isolado. Aliás, o sr. Artur Soares Dias teve uma 1ª
parte para esquecer, porque pouco antes desse lance deveria ter havido um
penalty contra nós por mão do Jardel num livre para a área (não sei porque raio
de carga de água é que o 33 resolveu dar uma palmada na bola!!). A partida
decorria com ataques para ambos os lados, mas já perto do intervalo o Jonas
rematou muito fraco na sequência de uma das melhores jogadas do encontro,
quando estava em excelente posição para resolver a eliminatória.
Não sei porquê, mas
senti este falhanço do Jonas como um mau prenúncio para o que aí vinha. Mau
prenúncio esse que se avolumou com a saída forçada do Enzo. Entrámos
completamente desconcentrados na 2ª parte. O nosso meio-campo, com Cristante e
Pizzi, está a léguas de ser Samaris–Enzo Pérez e o Braga passou a explorar isso
muito bem. Empatou logo aos 48’ através de um canto, em que o André Almeida
falhou clamorosamente o corte ao primeiro poste e depois nenhum defesa reagiu
permitindo que o Santos marcasse de recarga ao seu próprio remate. Até nem
demos uma má resposta ao golo sofrido, o problema foi que o Braga este ano
parece que contratou guarda-redes especialistas em defenderem (quase) tudo o
que venha das nossas bandas. Já tínhamos levado com o Matheus para o
campeonato, agora apareceu um tal de Kritsyuk que defendeu tudo e mais alguma
coisa. Logo a seguir a uma excelente defesa a um remate do Lima e uma recarga
do Jonas que iria para a baliza se não fosse desviada para canto por um defesa,
o Braga colocou-se em vantagem aos 58’. O Pardo (o tal que já não devia estar
em campo…) arrancou desde o seu meio-campo(!), foi acompanhado generosamente pelo Pizzi (só faltou estender-lhe uma
passadeira vermelha), perto da área o Cristante quase que se desviou para o deixar passar e rematou perante a fraca
oposição do César para o lado contrário do Júlio César. Outro golo
inacreditável, que jamais aconteceria com Samaris e Enzo. Naturalmente, um
deles ter-lhe-ia dado uma pantufada e
não o permitiria andar a passear-se por
metade do nosso relvado. Ainda havia mais 30’ para jogar, mas também havia o Kritsyuk
na baliza. Jonas por mais que uma vez, Lima e Talisca tornaram o russo o melhor
em campo. Houve um lance na área em que pareceu que o Lima foi claramente
derrubado pelas costas, mas o sr. Artur Soares Dias também teve um critério
largo e nunca permitiu a entrada da maca quando os bracarenses simulavam
lesões.
Em termos
individuais, o Ola John foi um substituto à altura para o Salvio e o nosso
melhor jogador. O Jonas fica com um registo excelente de golos na Taça de
Portugal, mas hoje ficou a dever-nos pelo menos mais dois. O Enzo também esteve
muito bem até ao intervalo. Ao invés, o André Almeida fez uma exibição para
esquecer (aquele falhanço no canto é inacreditável) e o Gaitán pareceu que não
recuperou fisicamente de Mordor. O Pizzi, que tão bem tinha jogado frente ao Leverkusen,
mostrou ontem que ainda não é opção válida para a titularidade no lugar do
Enzo.
Se há jogo que mais
me custa perder todas as épocas é o que nos elimina da Taça de Portugal. Por
várias razões: adoro ir ao Jamor; temos um registo de Taças conquistadas que é
importante manter; é o último jogo da época e quem a ganha faz a última festa
antes do defeso; o CRAC farta-se de mandar vir contra o Estádio Nacional e a
minha ética republicana obriga-me a gostar de tudo o que eles não gostam; e é
uma derrota que não tem hipótese de redenção. Ainda por cima, esta época seria
a oportunidade de tentarmos a tal inédita bi-dobradinha.
Por tudo isto, estou mesmo FURIOSO! Não contra a equipa, porque como já disse
até jogámos bem, mas com o facto de termos sido eliminados.
P.S. – Espero
SINCERAMENTE que esta derrota faça os nossos responsáveis abrirem os olhos para
as deficiências do nosso plantel, nomeadamente para o facto de haver jogadores
para os quais não há substitutos à altura. Luisão, como já se sabia, e, principalmente,
Enzo Pérez. Viu-se bem a falta que ele fez na 2ª parte, porque não tivemos
nenhum médio rompedor quando
estávamos a pressionar o Braga. Uma saída dele em Janeiro seria uma baixa
enorme a meio da época e peço aos nossos responsáveis que, se a saída for mesmo
inevitável, pelo menos negoceiem a sua permanência até final da época, mesmo
que se faça um desconto valente no preço a pagar. Tipo Garay. É que, pelo que
se viu ontem, a sua ausência fará com que os seis pontos de avanço comecem a
parecer muito pouco…
P.P.S. – O Rúben
Micael é possivelmente o jogador mais asqueroso que alguma vez pisou um relvado
de futebol. Cão!
segunda-feira, dezembro 15, 2014
Lima no Olimpo
Nove anos depois voltámos a ganhar em Mordor para o campeonato, com o
resultado fetiche sempre que triunfamos no antro do Mal: 2-0. Foi uma vitória
justa que sinceramente não esperava, não só porque o CRAC tem um plantel
superior ao nosso, como pelo facto de a partida ser arbitrada pelo sr. Jorge
Sousa. No entanto, revelámos imensa personalidade e manietámos tacticamente o
CRAC, que só conseguiu criar perigo com a lesão do Luisão nos últimos 15
minutos.
As forças do Mal entraram mais velozes e logo aos 2’ o Tello sacou um
amarelo ao André Almeida. Fiquei imediatamente preocupado, porque estava mesmo
a ver o filme de ficarmos a jogar com 10 na próxima falta do nosso improvisado
defesa-esquerdo. O CRAC criou perigo num remate cruzado do Herrera ainda na
fase inicial e teve uma excelente oportunidade pelo Jackson Martinez numa boa
jogada atacante, em que o Júlio César fez uma defesa assombrosa. Nós íamos tentando
responder, com remates do Gaitán e Talisca, e abrimos o marcador aos 36’ através
do Lima. Lançamento lateral do Maxi Pereira (podem repeti-lo ad nauseam na Sport TV para ver se
descobrem que ele pisou o terreno de jogo na altura do lançamento, mas não vão
ter sorte nenhuma…) e o Lima antecipou-se ao Danilo, marcando com a anca! Até
ao intervalo, era fundamental manter a vantagem, o que foi conseguido.
O início da 2ª parte trouxe uns quantos livres para o CRAC, mas sem nunca
criar perigo, enquanto nós alargámos a vantagem aos 56’: remate de fora da área
do Talisca, o Fabiano defende para o lado e o Lima só teve que encostar. Logo a
seguir, o Lima não conseguiu fazer o seu centro para o Talisca, que estava em
boa posição para fazer o terceiro golo. Seria o golpe de misericórdia! Uma boa iniciativa
do recém-entrado Quaresma criou-nos perigo, mas foi só depois da lesão do Luisão
aos 76’ que o CRAC teve as melhores oportunidades: duas bola de cabeça do
Jackson à barra, em lances em que o César não teve bem. Nós poderíamos ter
aumentado a vantagem num contra-ataque em que o Lima centrou para o Salvio, mas
um defesa antecipou-se e quase ia fazendo autogolo. E já perto do final, o
molengão do Ola John não conseguiu colocar a bola no Gaitán, que ficaria numa
situação de 2x1.
Em termos individuais, ÓBVIO destaque para o Lima. O futebol tem destas
coisas muito engraçadas: o Lima não estava a jogar nada desde o inicio da época,
discutiu-se muito sobre se seria de utilizar o Jonas e depois entra e qual César
Brito ou Nuno Gomes decide a partida. Pode já não fazer nada no resto do seu
percurso no Benfica, que o lugarzinho na história (e nos nossos corações) já ninguém
lhe tira. Também gostei bastante dos suspeitos
do costume, Gaitán e Enzo Pérez, que emprestam um toque de classe a tudo o
que fazem. Grande exibição do Samaris, que só levou um amarelo perto do final e
foi essencial para contar a avalanche atacante do CRAC. O Maxi Pereira foi uma máquina a parar o Brahimi e não sei por
que esperam os nossos responsáveis para renovar com ele… Regra geral a equipa
esteve toda bem, muito concentrada e entrando sem medo no campo. O Júlio César traz
muita confiança a todo o sector defensivo e resta-nos esperar que a lesão do
Luisão não seja grave, porque se viu bem a falta que ele faz (as duas bolas aos
poste foram na zona do César).
Com o CRAC a seis pontos e a lagartada (empatou com Moreirense já nos
descontos) a dez, temos uma tarefa muito importante no futuro próximo que é não
perder a concentração e achar que o campeonato já está ganho. Aliás, essa
concentração pode ser testada no jogo frente ao Braga para a Taça de Portugal. Os
minhotos estão a subir de forma e tenho medo que entremos em excesso de
euforias… E melhor que o bicampeonato era uma bidobradinha…
P.S. – Como tem sido habitual em casos semelhantes, aguardo com especial
entusiasmo a renovação de contrato do Lopetegui! Mas, se calhar, faziam-lhe uma
cura de desintoxicação antes, não? É que aquelas declarações não lembram ao
careca… (depois deste jogo ainda está mais confiante que vai ser campeão…?!)
quarta-feira, dezembro 10, 2014
500 mil euros
Empatámos com o
Bayer Leverkusen (0-0), mas poderíamos ter terminado a nossa participação nas
competições europeias com uma vitória. Dado que alinhámos só com um titular
(André Almeida, que já de si é um lateral-esquerdo emprestado), a nossa exibição foi muito melhor do que eu estava à
espera e alguns jogadores mostraram que poderão ser uma opção válida para jogar
com os crescidos num futuro próximo.
E sempre foram meio milhão de euros que entraram para os nossos cofres.
Os alemães também
jogaram com os habituais suplentes, o que lhes acabou por custar o 1º lugar do
grupo, já que o Mónaco derrotou o Zenit. Na parte final, quando o treinador se
lembrou de colocar titulares em campo, já não foi a tempo. Eles lá saberão, mas
se eu fosse seu adepto estaria furioso, porque não será propriamente a mesma
coisa jogar com o Chelsea ou com a lagartada…
Voltando ao jogo, entrámos bem e uma boa jogada do Ola John permitiu ao Lima
entrada directa nos maiores falhanços que a nova Luz já viu: em cima da linha
da pequena área, conseguiu acertar na
barra. O Leverkusen pouco incomodava o Artur, o Pizzi abria o livro durante
toda a 1ª parte e tivemos ocasiões mais do que suficientes para resolver o
jogo: o Lima rematou ao lado quando tinha o Derley sozinho no meio, o Bebé não
conseguiu meter a bola no Lima num contra-ataque de dois para um e o Ola John
tirou dois adversários do caminho, mas depois não conseguiu rematar.
A 2ª parte começou
com os alemães a acercarem-se mais da nossa baliza, mas isto só durou 15’ e
mesmo assim apenas criaram perigo relativo. Um corte do César contra um
adversário, que fez a bola passar perto do poste do Artur, foi o lance mais
perigoso. Quanto a nós, o Pizzi perdeu imenso gás e a equipa ressentiu disso. O Jesus colocou o Talisca no lugar
do Lima por volta da hora de jogo e as coisas melhoraram um bocado. O Ola John,
apesar de alguma molenguice, ia
criando qualquer coisa na esquerda, enquanto na direita o Bebé confirmou mais
uma vez que sem cérebro não se pode ser jogador de futebol. O expoente máximo
disso foi já perto do fim quando, com o Talisca c-o-m-p-l-e-t-a-m-e-n-t-e
isolado no meio, resolve continuar a jogada pela direita, com um adversário a
estorvá-lo e rematar sem grandes condições de êxito. Passei-me completamente e o Jesus provavelmente também, porque o
retirou pouco depois para fazer entrar o João Teixeira. Entretanto, também já
tinha entrado o Nelson Oliveira para o lugar do sempre esforçado Derley, que
também construiu uma boa jogada perto do final, em que um defesa impediu que a
bola chegasse ao Pizzi, que ficaria isolado.
Um jogo destes
serve sobretudo para ver quem está apto para a primeira equipa e o Pizzi, assim
que aguentar os 90’, poderá ser uma opção muito válida. Que grande 1ª parte! O
Cristante também não esteve mal, apesar de me parecer que lhe continua a faltar
alguma agressividade na recuperação depois de ser batido pelo adversário. O
Derley mostrou novamente que está em melhor forma que o Lima e, apesar de não
ser nenhum génio (também estávamos mal habituados com Cardozo e Rodrigo…),
continua a ser um jogador que me agrada bastante pela entrega e alguma
qualidade que coloca na partida. O Ola John é uma pena, porque com um pouco
mais de intensidade e constância (e menos moleza)
seria um jogador fabuloso. Assim, limita-se
a criar dois ou três bons lances por jogo. Os centrais (César e Lisandro)
também estiveram muito concentrados e praticamente sem falhas. O Nelson Oliveira
teve dois bons pormenores, mas não sei se alguma vez deixará de ser uma eterna promessa. O João Teixeira, que já se tinha destacado na pré-época, jogou os
últimos minutos e ainda deu para ver qualquer coisa, nomeadamente uma finta de
corpo em que provocou um segundo amarelo a um adversário. Para seguir com
atenção.
Negativamente
destacaram-se o Lima (aquele falhanço é imperdoável) e sobretudo o Bebé. Será
que podemos alegar que está em período experimental e devolvê-lo ao Manchester
United sem custos? De qualquer maneira, espero que lhe comecemos a descontar os
500.000€ do ordenado por conta daquela bola que não passou ao isolado Talisca e
que certamente nos daria a vitória no jogo. Que descerebrado!
Passado este
interlúdio, continuemos a nossa concentração para domingo. E há uma coisa que
não percebi: se o Jesus poupou a equipa quase toda, porque é que colocou um
titular em campo que é apenas o nosso
melhor marcador? O Talisca pregou-nos um valente susto no joelho, quis
continuar em campo, mas dizem os jornais que saiu do estádio a coxear. Vamos lá
a ver se não temos uma enorme baixa para Mordor…
domingo, dezembro 07, 2014
Enganador
Vencemos o Belenenses por 3-0 e mantivemos a distância para o CRAC a uma
semana de irmos a Mordor. Quem olhar para o resultado sem ter visto o jogo,
pode ser levado a pensar que foi fácil para nós, mas está muito enganado. O
Belenenses trouxe o autocarro muito
bem calibrado e confesso que até aos 64’ vi o caso muito malparado. Felizmente,
o golo do Lima veio abrir várias portas e lançou-nos numa vitória de mérito
inquestionável.
O Jesus repetiu a mesma equipa de Coimbra, com o Talisca e o Jonas na
frente, mas cedo se percebeu que isso tinha sido um erro. Em jogos na Luz
perante equipas maioritariamente defensivas, tem que se jogar com um
ponta-de-lança de raiz, que prenda os centrais e seja uma presença constante na
área. Sempre! Um remate ao lado do Gaitán e uma cabeçada a rasar o poste do
Luisão foram dos poucos lances de perigo que criámos. Em termos defensivos,
praticamente não tivemos problemas já que o Belenenses mal saía do seu
meio-campo.
Na 2ª parte, o Jesus tirou o apagado Talisca e lançou o Lima. O Belenenses
cada vez recuava mais e tapava bem os caminhos da sua baliza, tornando os
nossos ataques de difícil resolução. Conseguimos finalmente desembrulhar a
partida na sequência de um canto, com a bola a ser cabeçada por três jogadores:
Jardel, Jonas e Lima, que acabou por voltar aos golos. Já estávamos com 64’ e,
apesar de a equipa não dar mostras de ansiedade, eu dava, por isso foi com
grande alívio que vi o marcador mexer a nosso favor! Seis minutos depois, o
encontro ficou praticamente resolvido, num penalty sobre o Enzo Pérez, que o
próprio converteu com um remate rasteiro e para a esquerda do guarda-redes. No
estádio, fiquei com a nítida sensação que tinha havido um empurrão
(desnecessário) ao Enzo e na televisão confirmei isso mesmo. Empurrão nas
costas não é carga de ombro, razão pela qual para mim o penalty foi bem
assinalado. O Jesus começou a rodar a equipa, tirando o Enzo (que, se visse o
amarelo, não ia a Mordor) e colocando o Pizzi, mas ainda conseguimos meter mais
um: grande jogada do Gaitán (possivelmente a melhor jogada do campeonato até
agora), a arrancar do meio-campo, passar por vários adversários e cruzar para o
Salvio só ter que encostar de cabeça. Foi aos 83’ e terminámos o jogo com elevada
nota artística.
Em termos individuais, destaque para o Gaitán pela jogada do terceiro golo.
Quem faz uma obra-prima daquelas, tem que naturalmente constar das figuras da
partida. Gostei bastante do Samaris, que com bom sentido posicional se fartou
de cortar bolas. O Enzo também me parece a subir de forma e estreou-se a marcar
esta época.
Terça-feira vamos ver se teremos uma saída digna das competições europeias
(têm a palavra os suplentes e não-convocados habitualmente). É certo que há 1
M€ para uma possível vitória, mas temos que nos concentrar é em ir a Mordor e
fazer um bom resultado. Se conseguirmos não perder em casa das forças do Mal,
daremos um passo muito importante (principalmente a nível da confiança) para
alcançarmos o tão desejado bicampeonato.
P.S. – É inevitável que a lei mude e se torne esclarecedora acerca dos
jogadores emprestados não jogarem (ou terem lesões
muito oportunas) frente aos seus clubes de origem. O Miguel Rosa e Deyverson
(os melhores marcadores do Belenenses) não jogaram contra nós e isso não foi
bonito. Prefiro que o Benfica não adopte este tipo de comportamentos, mas
sempre é preferível do que o jogador emprestado fazer um penalty desnecessário
ou dar um frango.
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