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segunda-feira, novembro 10, 2014

Suadíssimo

Vencemos na Madeira o Nacional por 2-1 e depois tivemos o duplo brinde dos empates dos assumidamente corruptos no Estoril (2-2) e da lagartada em casa com o Paços de Ferreira (1-1). Foi um fim-de-semana (quase) perfeito!

Com o Enzo Pérez a trinco e o Jonas ao lado do Lima, não poderíamos ter entrado pior na Choupana, ao sofrer um golo logo aos 52 segundos de jogo! “Olha que bom”, pensei eu, uma partida tremendamente difícil iniciar-se logo em desvantagem…! Felizmente, a nossa resposta não tardou com a igualdade pela cabeça do Salvio aos 7’ num frango do guarda-redes Rui Silva. Era fundamental não ficarmos muito tempo em desvantagem, o que felizmente aconteceu. O encontro disputava-se num ritmo muito rápido, com ambas as equipas a tentarem marcar. Numa dessas ocasiões, valeu-nos o Júlio César numa excelente defesa a um remate rasteiro à entrada da área (zona de onde já tinha surgido o golo). Colocar o Enzo a trinco tem essa desvantagem de deixar a zona central mais desguarnecida… Um remate do Jonas proporcionou igualmente uma boa defesa ao guarda-redes e, na sequência desse canto, o mesmo Jonas fez o nosso segundo golo: bola para a área, lance confuso, toque do Luisão que encontrou o nº 17 em linha (sim, parece-me em linha! A não ser que queiramos andar a medir o tamanho do calçado dos jogadores…) e desvio deste para a baliza. Dávamos a volta aos jogo aos 19’, o que era excelente, porque já se sabe que, a seguir aos jogos europeus, as nossas segundas partes são sempre piores do que as primeiras. Até ao intervalo, um remate do Gaitán poderia ter tido melhor destino, mas foi o Salvio que falhou inacreditavelmente o 1-3 numa péssima cabeçada quando estava sozinho só com o guarda-redes pela frente. Imperdoável!

A nossa 2ª parte foi, tal como se previa, muito pior. Acusámos desgaste físico (difícil de compreender, já que só decorreram pouco mais de três meses na época e o jogo europeu foi há cinco dias…), o que fez com que não criássemos perigo quase nenhum. Ao invés, como estamos muito longe da segurança defensiva da época passada, passámos por alguns calafrios. O Jesus colocou o Samaris no lugar do Lima, para tentar controlar o meio-campo, mas o grego teve um par de passes errados que resultaram em oportunidades para o outro lado… O Júlio César acabou por não fazer nenhuma defesa de golo, mas o jogo decorreu com enormes sobressaltos até final. Aos 70’, o fiscal-de-linha tem um erro muito grave ao assinalar fora-de-jogo inexistente ao ataque do Nacional, quando um jogador deles ficaria isolado. O Júlio César nem se fez ao lance quando o jogador rematou para a baliza, pelo que tentar converter isto num golo anulado é inequívoco sintoma de má-fé. Resta acrescentar que, já na 1ª parte, o fiscal do outro lado tinha errado em três(!) foras-de-jogo, dois deles com prejuízo para nós. O Sr. Bruno Paixão anda muito mal auxiliado. Desta feita o Jesus esgotou as substituições, mas ficou provado porque é que raramente o faz: o Samaris não teve a melhor das entradas e o Pizzi nos minutos finais falhou na tentativa de reter a posse de bola. Quando o apito final surgiu, o meu suspiro de alívio deve ter-se ouvido na Choupana…

Não houve ninguém que se tivesse destacado por aí além, também porque a nossa exibição colectiva esteve a léguas de ser brilhante. Menção para o Jonas pelo golo da vitória e para o Júlio César pela segurança na baliza. O Salvio também foi obviamente importante pelo golo do empate, mas aquele falhanço escandaloso só não me fica atravessado, porque ganhámos. O Talisca esteve mais discreto, mas quando teve bola geralmente decidiu bem. O Enzo a trinco apaga-se um bocado.

Com os resultados deste fim-de-semana, temos agora o Guimarães a dois pontos, o CRAC a três (e estragou a perfeição do fim-de-semana, ao não ter ficado a quatro, por causa do empate que surgiu já aos 93’…!) e a lagartada a oito! O campeonato vai agora parar para as selecções e para a Taça de Portugal, e espero que consigamos recuperar alguns dos lesionados quando voltar daqui a três semanas. Pode ser que o nosso nível exibicional melhore, mas, enquanto continuarmos a ganhar, não me vou queixar…!

P.S. – A lagartada está muito indignada com a arbitragem do seu jogo, mas no golo anulado ao Montero o Slimani faz-se à bola, pelo que o fora-de-jogo é bem assinalado. [Adenda: manda a honestidade intelectual que faça aqui uma correcção: não sabia que a lei tinha mudado. Consultei o site da FIFA relativo às regras de jogo e agora só é assinalado fora-de-jogo a um jogador nesta situação se ele tocar na bola - pág. 111, exemplo 3. Como o Slimani, apesar de correr para a bola, não lhe tocou, não lhe deveria ter sido assinalado fora-de-jogo. O fiscal-de-linha errou e o golo foi mal anulado.] Quanto ao CRAC, depois de um penalty incrível não assinalado ao Casimiro na 1ª parte (o que valeu foi que do canto resultou o golo do empate do Estoril), o Sr. Artur Soares Dias já não teve coragem de não assinalar outro descarado a 10’ do fim. Palavra de apreço ao Tozé, emprestado pelo CRAC ao Estoril, que não fez como o guarda-redes Hilário aqui há uns anos, e foi profissional na altura de o marcar fazendo o 2-1. Infelizmente, tratando-se de um clube que envergonha o desporto, não lhe auguro grande futuro nele…

quarta-feira, novembro 05, 2014

Balão de oxigénio

Vencemos o Mónaco por 1-0 e mantivemo-nos na luta por um lugar nos oitavos da Champions, até porque o Bayer Leverkusen nos fez o favor de ir ganhar ao Zenit (2-1) e assim nós ficámos igualados com os russos e a um ponto dos franceses. Foi uma partida tremendamente complicada, em que só conseguimos marcar muito perto do final pelo inevitável Talisca.

Iniciámos o jogo com o Jardel e o Derley, nos lugares do Lisandro e do Lima, e com o Gaitán supostamente recuperado dos problemas nas costas. A 1ª parte foi fraquita, mas dever-nos-íamos ter colocado em vantagem logo aos 5’, quando o Salvio, isolado pelo Talisca na direita e só com o guarda-redes pela frente, atirou ao lado. A partida foi muito dividida e com poucas ocasiões para ambos os lados, acabando uma magnífica defesa do Júlio César numa cabeçada num livre por não contar por ter sido assinalado fora-de-jogo. Em cima do intervalo, tivemos a melhor ocasião numa boa combinação atacante, em que o Gaitán rematou dentro da área, mas a perna de um defesa desviou a bola que aparentemente ia direita à baliza.

A 2ª parte foi mais interessante e jogada a um ritmo mais alto. O Mónaco criou uma grande situação, com o Carrasco a desembaraçar-se do André Almeida e Jardel, ficar só com o Júlio César pela frente, mas este fez uma mancha excelente e impediu a bola de ir para a baliza. Aos 64’, o Jesus mexeu e colocou o Lima no lugar do amarelado Samaris, mas curiosamente a equipa demorou um bocado a encontrar-se depois desta alteração, até porque o Enzo Pérez dava mostras de dificuldades físicas e perdemos um pouco o controlo do meio-campo. Porém, nos últimos 15’ começámos a carregar mais e chegámos ao golo aos 82’ num canto do Gaitán para o primeiro poste, excelente desvio de cabeça do Derley para o segundo e o Talisca a aparecer isolado a fuzilar o guarda-redes. Foi um enorme alívio! Alívio esse que poderia ter tido o seu efeito anulado logo a seguir, quando o Jardel arriscou muito num carrinho e tocou a bola com o braço dentro da área. O Sr. Fernandez Borbalán, que minutos antes tinha inacreditavelmente cortado uma jogada nossa de três para um para assinalar falta… a nosso favor(!), poderia bem ter marcado penalty. Até final, conseguimos circular bem a bola e manter o Mónaco afastado da nossa baliza.

Em termos individuais, destaque natural para o Talisca pelo golo decisivo, para o Derley, que se fartou de lutar, receber bem a bola de costas para a baliza e arriscar nas movimentações e passes (acho óbvio que está em muito melhor forma do que o Lima), e do Jardel (apesar de uma ou outra falha, mas já se sabe que ele não é nenhum Garay). O Salvio continua tremendamente complicativo, o Enzo Pérez pouco disponível fisicamente e o Gaitán parece ainda condicionado pela lesão. Assim se justifica a nossa pouca produção atacante, porque o Talisca não pode fazer tudo. O Samaris melhorou em relação ao Rio Ave, mas continua muito longe de justificar um investimento de 10M€. Nem metade disso… Mantemos o problema no banco, porque sem o Ola John estamos reduzidos a 12 jogadores. Antes do golo, a opção era entrar… o Bebé. Estamos conversados quanto a isto… Por isso é que o Gaitán e Enzo são espremidos até ao tutano.

O fundamental agora é não perder na Rússia, porque presumivelmente o Leverkusen ganhará em casa ao Mónaco e ficará automaticamente apurado, o que poderá querer dizer que virá jogar à Luz na última jornada sem alguns titulares. Assim sendo, fazendo nós quatro pontos e não ganhando o Zenit no Mónaco, apurar-nos-íamos. Mas mesmo que o Zenit ganhasse, teríamos a Liga Europa. Sim, porque o que eu não quero mesmo é ver a Europa no sofá a partir de Janeiro.

sábado, novembro 01, 2014

Muito sofrido

Vencemos o Rio Ave por 1-0 e vamos continuar na liderança isolada do campeonato. Foi um triunfo imensamente complicado perante uma equipa que já nos tinha complicado a vida na Supertaça. A incerteza pairou durante toda a partida e o final foi um enorme alívio para todos nós.

Não entrámos nada bem e a 1ª parte foi praticamente para esquecer. Com o Gaitán a revelar problemas físicos e a ficar no banco, o Jesus colocou o Talisca na esquerda e o André Almeida para substituir o lesionado Eliseu. Mas o brasileiro a jogar a extremo é um enorme desperdício e, com o Salvio muito complicativo, não tínhamos ninguém para criar grandes situações de perigo. Um remate do Lima que o Cássio defendeu (mas incrivelmente não foi canto) e uma cabeçada do Lisandro López num canto, foi tudo o que tivemos para apresentar. O Rio Ave só teve um remate com algum perigo, mas o Júlio César defendeu bem.



Na 2ª parte, o Jesus tirou o inoperante Samaris, colocou o Gaitán e a música foi logo outra. Entrámos mais pressionantes, mais velozes e o argentino poderia ter aberto o marcador logo de início quando, só com o Cássio pela frente, rematou por cima na recarga a um livre do Lima. O Rio Ave aproveitava o nosso balanceamento atacante para contra-atacar e também se começou a acercar com perigo da nossa baliza. O único golo surgiu aos 60’ num remate em arco de fora da área do inevitável Talisca. Perdão, não foi um golo, foi um golão! O mais difícil estava feito, mas até final ainda passámos por muitos sobressaltos, porque resolvemos dar uma de tiki-taka e querer entrar com a bola colada ao pé dentro da baliza, quando o que se pedia era remates. Como não matávamos o jogo, o Rio Ave foi sempre acreditando e chegou a marcar um golo, anulado devido a fora-de-jogo. É no limite, mas está fora-de-jogo, portanto vou achar muita piada a esta nova teoria que se vai ouvir durante a semana de “poderia não ter marcado”. Pois poderia, mas o jogador está ligeiramente adiantado! Já quase no final, uma cabeçada do Tarantini passou muito perto do nosso poste e gelou-me o sangue. Com o derradeiro apito, voltei a conseguir respirar, mas saí logo do estádio algo chateado por termos feito tanta cerimónia na altura de rematar à baliza e nos termos sujeitado a um “lance fortuito” que esteve em vias de acontecer. (Sim, eu sei, ganhámos, mas saí chateado. Acontece, porque nem sempre está tudo mal quando se perde, como também não tem que estar tudo bem só porque se ganha.)


Em termos individuais, óbvio destaque para o Talisca. Nove jogos, oito golos é um cartão de visita tremendo e, tal como disse do Markovic no ano passado, é bom que desfrutemos dele durante esta época, porque a continuar assim a probabilidade de o manter para o ano é muito pouca. Gostei do esforço do André Almeida na esquerda, embora tenha inventado num lance que nos poderia ter saído caro. O Júlio César praticamente não teve trabalho e vamos lá a ver se acaba o seu entra-sai da equipa. O Enzo Pérez esteve um pouco melhor que nas partidas anteriores, ao invés do Samaris que, apesar de se perceber que não é mau jogador, tarda em justificar os 10M€ investidos nele. Por aquele valor, tem que mostrar mais e pode começar já a fazê-lo não passando a vida a jogar para o lado e para trás. O Lima continua numa forma muito sofrível, apesar de ser um constante batalhador. Quanto ao Salvio, temos que lhe oferecer um descomplicómetro.


Na próxima 3ª feira, temos uma partida decisiva para a nossa continuidade nas competições europeias. Qualquer resultado que não uma vitória, afasta-nos delas. Se o campeonato é (e bem) a prioridade, não me passa pela cabeça ver a Europa no sofá a partir de Janeiro. Espero que esta vitória volte a dar à equipa alguma confiança e tranquilidade perdidas com a derrota em Braga.

segunda-feira, outubro 27, 2014

Encomenda

Perdemos em Braga (1-2) e vimos a nossa vantagem reduzida para um ponto em relação ao CRAC. A partida foi muito difícil, como já se esperava, dentro, à volta e fora do relvado. Desde há uns anos para cá que as idas a Braga têm sempre umas encomendas extra-futebol e esta não foi excepção: ou são agressões no túnel ao intervalo, ou é a luz que falta não-sei-quantas vezes na 1ª parte ou são agressões no relvado que só a muito custo levam… amarelo. Enfim, é sempre cá um destes azaresCurioso é também o facto de os cinco pontos que perdemos até agora para o campeonato terem em comum… os jogos serem arbitrados pelo Sr. Marco Ferreira.

Não poderíamos ter um início mais auspicioso com o nosso golo logo aos 2’ numa boa combinação atacante pela esquerda, com o Gaitán a desmarcar o Eliseu, que temporizou muito bem e assistiu o Talisca na marca de penalty para um desvio precioso sobre o guarda-redes. Para um jogo difícil, nada melhor que um começo destes, que aliás se prolongou durante a primeira meia-hora. O Braga estava completamente às aranhas, o Lima proporcionou ao guarda-redes Matheus a primeira de uma série de defesas decisivas, o Talisca teve um bom remate fora da área que também criou perigo, o nosso domínio era total. O problema é que não conseguimos marcar o (merecido) segundo golo, que nos daria outra tranquilidade. Aos 28’, num contra-ataque nosso muito mal resolvido pelo Lima, a bola aliviada pela defesa do Braga encontra um jogador deles no meio-campo que dá origem a um contra-ataque que terminou com o Éder a fazer a igualdade. Foi um balde de água fria muito imerecido naquela altura. Até ao intervalo, o Salvio e o Talisca ainda tiveram remates que poderiam ter tido melhor destino.

Nestes jogos após as competições europeias, as nossas segundas partes costumam não ser tão boas como as primeiras e ontem não foi excepção. Ainda para mais, este ano há a agravante de não termos um banco à altura. O Braga entrou muito melhor que nós e foi aproximando-se da nossa baliza, com alguns remates que o Artur foi defendendo. Cerca da uma hora de jogo, o Jesus fez entrar o Jonas para o lugar do amarelado Samaris e o jogo virou a nosso favor. Acelerámos os processos atacantes e fomos começando a criar perigo para a baliza do Braga. O problema é que o Lima está muito fora de forma e não temos matador à altura neste momento. O Braga lá ia contra-atacando com menos frequência, mas num desses lances aos 81’ deu a volta ao marcador num remate da esquerda do Salvador Agra, que passou por entre as pernas do Maxi e bateu no poste antes de entrar na baliza do Artur. Em directo pareceu-me frango, até porque a bola entra no ângulo mais próximo, mas na repetição vê-se que o remate é muito puxado e com força. Poderia ser defensável se o Artur fosse mais rápido, mas não o qualificaria como frango. Até final, quase não houve jogo, como é habitual naquele sítio e com o inevitável sururu perto do banco do Braga, mas mesmo assim mesmo no último minuto de compensação, o Matheus fez duas defesas impossíveis no mesmo lance a uma cabeçada do Gaitán e à recarga do Maxi. A sorte não quis mesmo nada connosco.

Em termos individuais, gostei do Talisca naquela primeira meia-hora e também a espaços do Gaitán e do Eliseu. O Salvio está muito individualista e precisa de soltar mais a bola, o Enzo Pérez é bom que se mentalize que a época já começou, e o Lima convinha que melhorasse rapidamente, porque precisamos de um avançado que marque com regularidade. Todos os outros estiveram a um nível mediano e é significativo que num jogo que perdemos o Jesus só tenha feito uma substituição.

O grande objectivo que era chegar a Mordor com os quatro pontos de vantagem já não vai ser conseguido. Marcámos passo na primeira deslocação difícil, num jogo em que até nem jogámos mal, mas em que sofremos em dois contra-ataques. Agora é manter a cabeça fria e tornar este desaire fortuito com vitórias nos próximos jogos.

P.S. – O Sr. Marco Ferreira teve uma arbitragem muito habilidosa (aliás na senda do que já tinha feito no jogo frente aos lagartos ao Boavista). O Danilo do Braga teve três(!) lances para amarelo na 1ª parte e só viu um. Acabou o jogo com cinco(!) lances para amarelos, só vendo o segundo já no período de compensação. O Ruben Micael agride o Jonas com os pitons e só vê amarelo. O Braga fez o dobro(!) das nossas faltas, deu trancada à moda antiga e amarelos só a muito custo. Para além do aspecto disciplinar que nos condicionou muito, há uma placagem clara na área ao Gaitán na 2ª parte, num lance onde está a bola(!), portanto nem se pode dizer que o árbitro não estava a olhar para lá, e penalty nem vê-lo. O Braga queixa-se de dois penalties a favor deles, mas o primeiro é uma jogada embrulhada entre o Eliseu e o Pardo, e no segundo há falta do Lisandro, sim senhor, mas o que eles se esqueceram de referir é que o avançado arrancou de um metro(!) fora-de-jogo, que não foi assinalado.

quinta-feira, outubro 23, 2014

Empate

Para não variar nos jogos da Liga dos Campeões, entrámos pessimamente no encontro. Os primeiros 25’ foram todos do Mónaco que se fartou se nos pressionar e falhou uma bola de baliza aberta, por causa de um ressalto no (mau) relvado do seu estádio. Nós alinhámos com a equipa previsível, com o André Almeida a trinco, e até ao intervalo também tivemos uma boa chance através do Lima, que o guarda-redes defendeu bem.

Os franceses voltaram a ter uma situação de golo no início da 2ª parte, com um remate a rasar o poste, mas depois acabaram ofensivamente. Nós fomos melhorando de nível e obrigámos o guarda-redes deles a difíceis defesas juntamente com uns quantos remates que deveriam ter tido melhor direcção. Foi pena aquela jogada e posterior remate do Gaitán não ter entrado… A cerca de 15’ do final, o Lisandro, já com amarelo, teve uma entrada estúpida sobre o João Moutinho (olha quem…) e foi naturalmente estúpido. Se estávamos por cima do encontro até essa altura, deixámos rapidamente de estar e o objectivo passou a ser manter a igualdade, porque não dava mesmo para mais.

Em termos individuais, elejo o André Almeida como o melhor do Benfica. Muito certo a defender e a libertar rapidamente a bola, foi o que se pede a um trinco. Gostei a espaços do Talisca, mas a 100% do Maxi Pereira e Luisão, que souberam sempre transmitir calma aos colegas. O Artur está mais confiante, embora devesse ter saído a um ou outro cruzamento. Ao invés, esperava mais do Gaitán e Enzo Pérez, que me pareceram longe da condição física ideal. E o Lisandro simplesmente NÃO pode ter um lance daqueles depois de já estar amarelado!

Sinceramente, eu já só faço contas ao apuramento para a Liga Europa: se ganharmos os dois jogos em casa e empatarmos no Zenit, devemos lá chegar. Sim, porque as finais perdidas ingloriamente ainda me estão (muito) atravessadas. Mas antes disso temos é que nos concentrar no campeonato e o próximo encontro em Braga vai ser bastante complicado. É fundamental trazer os três pontos, para manter a pressão do lado dos rivais.

sábado, outubro 18, 2014

Jonas

Um hat-trick do Jonas, numa estreia de sonho a titular, permitiu-nos eliminar o Covilhã (3-2) na 3ª eliminatória da Taça de Portugal. Foi um jogo muito mais difícil do que se esperava, também porque alinhámos com uma equipa constituída maioritariamente por segundas linhas.

Não poderíamos ter entrado melhor, com uma arrancada do Ola John logo no minuto inicial que terminou num claro derrube na área. Penalty indiscutível e o Jonas a enganar o guarda-redes. Pensei que seria um passeio, mas não poderia ter estado mais errado. Uma oferta do Benito (como é que se pode não cortar uma bola daquelas?!) deixou que um adversário se isolasse e repusesse a igualdade aos 9’. A partida estava muito repartida e o Covilhã dava boa réplica. Nós até mostrávamos vontade, mas as coisas não nos estavam a sair nada bem. Outra contrariedade ainda na 1ª parte, com a lesão do Ola John e a estreia do ainda júnior Gonçalo Guedes, que deu muito boa conta do recado. Uma boa jogada colectiva terminou num remate do Pizzi, que o guarda-redes defendeu por instinto, mas ao 43’ aconteceu um balde de água fria com o 2-1 para os locais. Falta escusada do Gonçalo Guedes, centro para a área e os centrais a dormir.

Confesso que estava a ver as coisas muito mal paradas, porque o Jesus arriscou ao não levar nenhum titular nem para o banco e teriam de ser os que estavam em campo a dar a volta ao jogo. O que felizmente acabou por acontecer na 2ª parte. Aos 54’ golão do Jonas numa grande abertura do Cristante! O brasileiro, sem deixar a bola cair no chão, deu um toque com a parte exterior do pé e desviou a bola do guarda-redes. Que golo fabuloso! A partir daqui, deu sempre a sensação que era uma questão de tempo até nos colocarmos em vantagem, porque o Covilhã começava a quebrar fisicamente. O golo da vitória lá surgiu aos 71’ numa grande arrancada do Gonçalo Guedes e num óptimo passe do Pizzi a desmarcar o Jonas, que fez a bola passar por cima do guarda-redes. Até final, ainda permitimos que o Covilhã jogasse mais no nosso meio-campo do que seria desejável, mas conseguimos manter o nulo.

Em termos individuais, óbvio destaque para o Jonas. Três golos, sendo dois deles muito bons, e uma série de pormenores de classe demonstraram que este não engana: é mesmo craque! Também gostei bastante do Gonçalo Guedes que, com 17 anos, é uma enorme pérola e só foi pena que não tivesse marcado no último lance de encontro. O Cristante melhorou em relação a Leverkusen (também não era difícil…) e a abertura para o segundo golo é fantástica. O Bebé ainda fez duas ou três arrancadas, mas tem que melhorar (e muito) a qualidade dos centros. Nota negativa para o Benito, que até me tinha surpreendido favoravelmente na pré-época, mas hoje esteve completamente desastrado (e ligado ao 1º golo do Covilhã). O Pizzi no lugar do Enzo também não me convence, embora me pareça bom jogador.

Seguimos em frente que é o que era importante, mas arriscámos demasiado ao não convocar praticamente nenhum titular. Agora temos que nos concentrar na partida em Braga, porque é imperioso que cheguemos a casa do CRAC no mínimo com a vantagem actual.

P.S. – A lagartada foi ganhar a casa do CRAC (3-1) e eliminou-os da Taça de Portugal. Acho que o presidente do CRAC, como pessoa coerente que é, só tem uma atitude a tomar: renovar já com o Lopetegui!

quarta-feira, outubro 15, 2014

Estrelinha

Vencemos na Dinamarca por 1-0 com um golo do Cristiano Ronaldo aos 95’! A falta de sorte sempre presente na cara do Fernando Santos deve ter-se esquecido de apanhar o avião para Copenhaga. A vitória caída do céu até acaba por ser justa, porque se contabilizarmos as oportunidades de golo nós tivemos mais, apesar de os dinamarqueses terem atirado uma bola ao poste.

Depois do ensaio em França, onde perdemos num particular na 6ª feira por 1-2, a equipa esteve melhor em termos defensivos, mas a criar poucas oportunidades de golo. O que valeu foi que os dinamarqueses pouco fizeram também, pelo que deu a sensação que o jogo estava sempre controlado. No último minuto dos descontos, o Quaresma sacou um bom centro e o C. Ronaldo teve uma elevação fantástica para fazer o golo da vitória. Corrigimos assim da melhor maneira a derrota caseira frente à Albânia e já só estamos a um ponto dos dois da frente. Podemos decididamente começar a pensar na qualificação directa.

segunda-feira, outubro 06, 2014

Enganador

Vencemos o Arouca por 4-0 e mantivemos a vantagem na Liga. Quem olhar para o resultado sem ter visto o jogo, pensará certamente que tivemos uma partida fácil. Mas bastará olhar para o minuto do primeiro golo (75’) para se perceber que sofremos bastante na Luz.

Não entrámos nada bem na partida. Sem o Enzo Pérez, que nem no banco ficou (consequências de Leverkusen), a equipa entrou muito apática, com falta de dinâmica, perante um Arouca que me surpreendeu, pois esteve longe de só vir defender. Aliás, o Artur foi absolutamente essencial até ao intervalo para manter o nulo (tal como referiu o Jesus no final), ao efectuar pelo menos três brilhantes defesas. Quanto a nós, foram os remates do Talisca e pouco mais. Convém acrescentar que o guarda-redes do Arouca, o Goicoechea, também se fartou de defender. Perto do intervalo, o Lima lesionou-se o que permitiu a estreia do Jonas.

No início da 2ª parte, houve poucas alterações no desenrolar do jogo. O Arouca continuava muito bem organizado e teve novamente uma grande oportunidade, mas o remate saiu felizmente ao lado. O Sr. Hugo Miguel lá continuava a tentar irritar os nossos jogadores e perdoou escandalosamente o segundo amarelo ao Bruno Amaro. O Pedro Emanuel, que não é parvo nenhum, tirou-o logo a seguir. Nós começámos a carregar com mais força e o Lisandro López (outra estreia) atirou de cabeça ao poste, tendo o Jonas falhado a recarga. Até que a 15’ do fim, o Talisca arrancou de meio-campo, tabelou muito bem com o Derley e finalizou de pé direito só com o guarda-redes pela frente. Foi uma explosão de alegria no estádio e teve-se a sensação que a partir daqui as coisas só podiam melhorar. O Arouca foi completamente abaixo e marcámos mais três golos: grande jogada do Salvio e concretização do Derley (que ia falhando, já que a bola ainda bateu no poste…!), e duas óptimas iniciativas do Ola John pela esquerda, com centros para o Salvio (de cabeça) e o Jonas marcarem. Foi um resultado muito pesado para o Arouca, mas a justeza da nossa vitória é indiscutível.

Em termos individuais, gostei bastante do Derley que, apesar de um pouco trapalhão, é muito esforçado e ficou com um golo e uma assistência para o seu currículo, do Talisca (já é o melhor marcador do campeonato e mesmo os remates da 1ª parte, foram todos à baliza) e do Ola John, que parece com vontade de regressar aos bons velhos tempos. Depois de uma 1ª parte onde terá acusado a paragem de quatro meses, o Lisando López subiu bastante na 2ª e aparenta mais classe do que o Jardel. Palavra imprescindível também para o Artur, sem o qual teríamos chegado a perder ao intervalo, e uma referência para o Jonas, ainda naturalmente longe da melhor forma física, mas com um toque de bola que não engana.

Confesso que cheguei a ver isto muito mal parado: o Arouca não usou o autocarro, nem fez antijogo e nós estávamos a certa altura sem o Enzo Pérez, Gaitán e Lima. Felizmente, temos o Talisca e por enquanto isso vai bastando. Estes jogos depois das competições europeias são regra geral muito complicados e na nossa capacidade de resposta vai estar uma das chaves para o campeonato. A Liga vai parar agora para as selecções e depois Taça de Portugal, mas quando regressar vamos ter uma difícil saída a Braga que, lá está, será depois do decisivo jogo no Mónaco. Veremos o que acontecerá, mas nunca é demais repetir que era muito importante no mínimo manter esta vantagem até à ida a Mordor.

quinta-feira, outubro 02, 2014

Confrangedor

Perdemos em Leverkusen (1-3) e comprometemos seriamente a passagem aos oitavos-de-final da Champions. Está a tornar-se um triste hábito fazer por esta altura o pior jogo do ano nas competições europeias. No ano passado, foi em Paris, esta época na Alemanha.

A partida conta-se muito rapidamente: não entrámos em campo na 1ª parte e na 2ª parte já foi tarde demais. Os alemães chegaram ao intervalo a ganhar por 2-0 e com mais oportunidades para aumentar o marcador. Quanto a nós, a produção roçou o zero…

Na 2ª parte melhorámos, mas só porque o Leverkusen tirou o pé. No entanto, raramente conseguimos criar perigo e o nosso golo caiu um bocado do céu, porque não tínhamos feito nada para o justificar. Foi aos 62’ através do Salvio. Só que no minuto seguinte, o árbitro de baliza inventou um penalty do Jardel sobre o Kiessling e o desfecho da partida ficou logo ali selado.

Em termos individuais, destaques só se for pela negativa. O Jesus fez uma grande asneira, que foi lançar às feras o Cristante logo de início. Convém não esquecer que o miúdo tem 19 anos e só tinha jogado 15’ em Setúbal, ainda por cima num jogo que já estava mais que ganho. O Leverkusen entrava como queria na 1ª parte e o resultado foi lisonjeiro para nós. Na 2ª parte, o nosso treinador lá emendou a mão e fez entrar o Maxi e o Lima. A estreia do Júlio César na Champions com a nossa camisola ficou marcada pelo enorme frango do 1º golo (largou uma bola fácil para a frente). O Gaitán e o Enzo só se fizeram notar pelos amarelos que levaram. O Salvio não esteve melhor, mas tem o golo para contrabalançar um pouco. É nestes jogos que podemos ver as limitações do Jardel e do Eliseu. E mesmo assim, o central foi dos menos maus, assim como o André Almeida na 1ª parte! Aliás, percebemos que algo está mal na equipa quando são estes dois os jogadores que se destacam. O Luisão e o Maxi ainda foram segurando as pontas, mas ninguém fez um jogo para mais tarde recordar.

Sim, o objectivo principal é o campeonato e, sim, é preferível uma final da Liga Europa (com o troféu já agora) do que os quartos-de-final da Liga dos Campeões, mas não podemos fazer este tipo de exibições na maior montra do futebol europeu. A equipa esteve amorfa, apática e sem reacção. Não se percebe. Não saímos goleados por alguma sorte e convém não esquecer que já este ano tivemos uma passagem para esquecer pela Emirates Cup. O nosso prestígio internacional não se coaduna com o que mostrámos hoje. Uma coisa é não nos qualificarmos para os oitavos da Champions, outra é sairmos das competições europeias já em Dezembro. Isso é impensável, mas corremos esse sério risco.

domingo, setembro 28, 2014

Sofrimento escusado

Vencemos o Estoril na Amoreira (3-2) e, juntamente com o empate entre a lagartada e o CRAC no WC, aumentámos a distância para seis e quatro pontos, respectivamente. Depois da pré-época que tivemos, estarmos com esta vantagem à 6ª jornada não me passaria pela cabeça nem nos meus sonhos mais optimistas (que raramente os tenho quanto ao Benfica).

Não poderíamos ter melhor entrada em campo: o Talisca, que esteve em dúvida depois da trancada que sofreu frente ao Moreirense, arrancou de meio-campo e só parou quando meteu a bola na baliza logo aos 3’. Que golão! Cinco minutos depois, o Gaitán roubou uma bola perto da área adversária e ofereceu o bis ao Talisca. Estava a ser fácil demais e mais tarde a equipa deslumbrou-se por causa disso. A 1ª parte foi toda nossa e, para além de boas combinações atacantes, atirámos duas bolas aos postes (Lima e Jardel, este já depois de 1-2). O Estoril foi aparecendo no jogo, fruto do nosso relaxamento, e reduziu a diferença aos 38’ na mesma jogada em que também atirou ao poste. De um jogo completamente controlado, passámos para uma situação de vantagem mínima que não augurava nada de bom.

Voltámos a entrar bem na 2ª parte, mas foi o Estoril a empatar a partida aos 53’ numa boa jogada atacante. Estive mesmo a ver a nossa vida andar para trás… Com uma vantagem de dois golos desperdiçada e o jogo da Champions a aproximar-se, temi que desperdiçássemos esta magnífica oportunidade de alagar a vantagem. Mas aos 66’ a partida tornou-se mais fácil com o duplo amarelo (justíssimo) a um jogador do Estoril por derrube ao Enzo Pérez. O Jesus já tinha feito entrar o Derley e o Ola John, e foi o brasileiro a estar na jogada do golo da vitória aos 70’ ao desmarcar-se bem, aproveitar o falhanço do guarda-redes, rematar quase sem ângulo para o Lima só ter que encostar (pareceu-me nas imagens da televisão que a bola não entraria se não fosse o toque do Lima). Até final, nunca mais deixámos o Estoril voltar a criar perigo, enquanto nós ainda poderíamos ter metido mais um (o Lima tem que afinar rapidamente a pontaria…).

Em termos individuais, destaque óbvio para o Talisca, que já leva cinco golos no campeonato, gostei dos extremos (Gaitán e Salvio) e a espaços do Enzo. Não é que tenha cometido grandes erros defensivos, mas o Jardel não pode ser o nosso segundo central. Para terceiro, é perfeito, mas ser titular do Benfica exige outra classe (a quantidade de passes mal feitos é assustadora). O Eliseu também não esteve nada feliz. Ao invés, voltei a gostar do Samaris, que desta vez só foi sacrificado mais tarde no jogo.

Temos um avanço interessante sobre os rivais, que nos permite neste momento ir perder a Mordor e continuar no comando. Mas que este jogo nos sirva de lição para o futuro, porque não podemos estar com dois golos de vantagem e oferecer o empate ao adversário. Sofremos de uma maneira perfeitamente evitável.

P.S. – Convinha que a Liga e os clubes tivessem um pouco mais de respeito pelos espectadores que pagam bilhetes para ir aos jogos. Placards publicitários são muito bonitos e certamente muito úteis financeiramente, mas já agora convinha não taparem a visão aos espectadores! Experimentem sentar-se na segunda fila da bancada nascente da Amoreira e só vêm as cabeças dos jogadores, porque as lonas publicitárias no gradeamento tapam completamente a visão do relvado. Ah, e outra coisa, eu também gosto de ver a linha lateral do lado da minha bancada. Se pudessem não a tapar, por mais alto que se esteja sentado na bancada, e recuassem um pouco mais os painéis publicitários seria óptimo…!

segunda-feira, setembro 22, 2014

Muito suado

Vencemos o Moreirense e, como as três equipas que estavam connosco na frente (Rio Ave, V. Guimarães e CRAC) não ganharam, somos líderes isolados à 5ª jornada. Quem só vir o resultado e não souber como correu a partida, pode pensar que foi uma vitória fácil. Nada mais errado, já que até aos 68’ estivemos a perder e cheguei a temer o pior.

O Jesus lá resolver estrear o Júlio César na nossa baliza, mas este não teve grande trabalho. Fomos nós a dar o pontapé inicial e demos logo o tom para toda a 1ª parte: passe errado na saída de bola e o Moreirense a ficar com ela. Um brilhante passe do Talisca isolou o Lima, que permitiu a defesa do guarda-redes e foi a única coisa de jeito que fizemos em toda a 1ª parte. Foi ainda antes dos 16’, altura do golo do Moreirense: cruzamento para a área, Eliseu a hesitar e um adversário a cabecear à vontade para a baliza. Era importante chegar ao intervalo pelo menos empatados, mas criámos muito poucas oportunidades de golo para o justificarmos. Numa decisão praticamente inédita, o Jesus fez a primeira alteração ainda na 1ª parte e colocou o Derley em vez do Samaris aos 34’. Estava mais do que visto que tínhamos de jogar com dois avançados, como sempre fizemos na maior parte dos jogos nos cinco anos anteriores do Jesus.

A 2ª parte foi muito melhor conseguida, já que sufocámos o Moreirense e praticamente não os deixámos respirar. Foram progressivamente acusando o desgaste de estarem a jogar no campo todo na 1ª parte e as coisas ficaram piores para eles aos 56’ num justíssimo segundo amarelo a castigar uma falta sobre o Talisca (que acabou por sair uns minutos mais tarde), depois de uma brilhante jogada deste. Com 10, o Moreirense praticamente não saiu do seu meio-campo, mas nós revelámos muita inépcia atacante. Quando, num livre para a área, tanto o Jardel como o Luisão não conseguiram marcar, comecei a pensar que aquele não era o nosso dia. Felizmente, o Eliseu (que até então estava a fazer um jogo horrível) descontou de vez o preço que custou ao atirar uma bomba de longíssimo da área, fazendo a bola entrar ao canto superior direito da baliza. Foi aos 68’ e até final ainda tínhamos mais de 20’ para tentar a reviravolta. Que surgiu 10’ depois, numa boa jogada do Ola John (entretanto entrado para o lugar do Talisca), centro do Gaitán e o Maxi Pereira a fuzilar. Dificilmente a vitória nos fugiria e ainda fizemos o terceiro golo num penalty sobre o Lima, que o próprio converteu, terminando assim uma seca de golos que já durava desde a Juventus a 24 de Abril…

Em termos individuais, destaque para o Eliseu, por ter desengatado o jogo, para o Ola John, cuja entrada deu cabo da cabeça do Moreirense, e para o Maxi pela sua inesgotável energia e por mais um golito decisivo. O Derley, à semelhança de 3ª feira, não entrou nada mal e, apesar de ter algumas limitações técnicas, pode ser um jogador muito importante contra este tipo de equipas. O Salvio continua longe da sua forma habitual e hoje praticamente não se viu, o Enzo Pérez ainda parece distante da sua forma física ideal (embora a arrancada perto dos 90’ não esteja ao alcance de qualquer um) e o Gaián também poderia ter-se envolvido mais no jogo.

O Petit, que sempre foi o maior(!), resolveu dar-nos uma grande prenda e foi empatar com Boavista em Mordor a zero. Não estava nada à espera disto e são quatro pontos que as forças do Mal desperdiçam em duas jornadas consecutivas! Continuem lá entretidos com os BATE Borisovs desta vida e a rodar não-sei-quantos jogadores por jogo, sff. Para a semana o CRAC vai ao WC e pode ser que os lagartos demonstrem que, afinal, servem para alguma coisa…

quarta-feira, setembro 17, 2014

Relativizar

Perdemos em casa com o Zenit (0-2) e entrámos da pior maneira na fase de grupos da Liga dos Campeões. Já se sabia que os russos tinham melhores jogadores do que nós, mas a sua superioridade foi ajudada pelo facto de o Artur ter sido expulso logo aos 18’ quando ainda por cima já estavam a ganhar por 1-0. Como o 2º golo surgiu pouco depois, o jogo ficou praticamente decidido, embora nós tenhamos dado uma grande demonstração de brio profissional e lutado sempre para pelo menos marcar um golo.

Entrámos muito mal na partida e um mau passe do Jardel deu origem ao golo do Hulk logo aos 5’. Pouco mais de 10’ depois, outro mau passe do Jardel iniciou o lance da expulsão do Artur, da qual ele também não está isento de culpas, porque demorou os séculos habituais a sair da baliza e depois derrubou o Danny. O Witsel fez o 0-2 aos 22’ (sem comemorar) e a partir daqui o meu medo era que fôssemos goleados. Felizmente, os russos tiraram um pouco o pé do acelerador e assim chegámos ao intervalo sem maiores danos.

A 2ª parte foi mais repartida, com ocasiões para ambos os lados, mas ninguém mais conseguiu marcar. Deu sempre a sensação que o Zenit tinha o jogo na mão e, com um homem a mais, trocava a bola com maior à-vontade fazendo assim a gestão da partida. Nós tivemos algumas boas chances, com uma cabeçada do Luisão e um remate do Lima, ambos defendidos pelo guarda-redes, mas por outro lado ainda vimos o Zenit atirar uma bola ao poste pelo inevitável Hulk e o Rondón a falhar um lance isolado.

Em termos individuais, voltei a gostar do Samaris e o Salvio melhorou em relação a Setúbal. O Enzo continua a parecer-me longe do seu melhor em termos físicos e o Gaitán também não se destacou como habitualmente. Em termos negativos, menção óbvia para o Jardel que serve para os Setúbais e Moreirenses desta vida, mas isto é outro nível e talvez fosse melhor começar a dar jogo ao 5º central da selecção vice-campeã mundial… O Artur voltou igualmente a comprometer, porque se tem sido mais expedito a sair da baliza teria chegado primeiro à bola. Além disso, não deveria ter feito a falta para expulsão, porque era preferível ter sofrido o 2º golo a jogar com 11. É bom que o Júlio César recupere depressa…

Fui para este jogo mais tranquilo que o habitual. Isto era para desfrutar, porque o essencial é o bicampeonato. Esta época não temos um plantel (especialmente um banco) que nos dê muitas esperanças na Europa, pelo que é bom que concentremos energias na principal prova interna. Claro que odeio perder (coisa que já não acontecia em casa há quase dois anos), mas quero é que a equipa se apresente bem no domingo perante o Moreirense.

P.S. – Este jogo vai ficar na memória pelo magnífico espectáculo que os No Name deram nos últimos minutos contagiando todo o estádio no apoio à equipa. Foram momentos belíssimos, especialmente raros neste contexto de iminente derrota (aconteceu o mesmo frente ao Galatasaray na época do Quique), mas que nos enchem a alma de benfiquismo. Todos nós percebemos que a equipa deu tudo em campo e que honrou a camisola, merecendo sem dúvida este enorme tributo.

sexta-feira, setembro 12, 2014

Goleada

Vencemos em Setúbal por 5-0 e regressámos da melhor maneira às vitórias. Foi uma partida mais fácil do que estava à espera e um modelo daquilo que eu gostava que fossem sempre os jogos do Benfica: 3-0 ao intervalo, mas um par de golitos na 2ª parte.

O Júlio César lesionou-se durante a semana, pelo que voltou a jogar o Artur. Felizmente o V. Setúbal foi inofensivo e portanto o nosso guarda-redes não teve trabalho nenhum. A chave para a nossa vitória foi marcarmos muito cedo: aos 10’, o Salvio fez um golão num remate em arco de pé esquerdo de fora da área. O adversário, que até tinha entrado bem, nunca mais se encontrou depois do golo e até ao intervalo o Talisca falhou dois desvios na área, mas compensou isso com dois golos (38’ e 43’). O descanso chegava com a vitória praticamente garantida.

Na 2ª parte, o jogo manteve-se inalterado e era apenas uma questão de tempo até aumentarmos a vantagem, o que aconteceu aos 54’ no hat-trick do Talisca. Ficou tudo decidido e até final ainda marcámos mais um (76’) numa assistência do Lima para o Ola John só ter que encostar. Em termos defensivos, o V. Setúbal não nos criou perigo nenhum.

Em termos individuais, óbvio destaque para o Talisca. Não só marcou três golos, como ainda fez jogar os seus companheiros. O grego Samaris estreou-se e gostei bastante: farta-se de correr atrás dos adversários, tem critério no passe e compleição física que impõe respeito. O Lima não está numa boa fase em termos de finalização (não marca há uma série de tempo), mas entrega-se muito ao jogo. O Salvio marcou um golão, mas não fez absolutamente mais nada e estragou muito jogo. O Enzo Pérez e o Gaitán estiveram mais discretos desta vez. Realce ainda para a estreia do Cristante, que entrou a cerca de 15’ do fim com o jogo já resolvido e não deu para ver grande coisa.

Foi uma exibição agradável apesar da fraca oposição. Espero que isto sirva para a equipa aumentar a confiança, porque na próxima 3ª feira já aí temos a Champions.

segunda-feira, setembro 08, 2014

Humilhante

Perdemos em casa frente à Albânia (0-1) no 1º jogo de qualificação para o Euro 2016 em França. Foi apenas a 3ª vitória dos albaneses numa qualificação para o Euro e certamente o momento mais alto da sua história futebolística. Poder-se-ia falar dos 19 remates que fizemos versus os dois(!) dos albaneses, mas a estatística que talvez melhor explique o resultado é que dos 19 apenas quatro foram à baliza, enquanto o adversário acertou na baliza os dois remates que fez.

Sem o Cristiano Ronaldo, somos uma selecção que roça a vulgaridade. Facto exponenciado pela má forma de alguns jogadores e falta de qualidade de muitos deles. Só o João Moutinho jogou alguma coisa de forma constante, acompanhado a espaços pelo Coentrão. Todos os outros foram de uma mediocridade atroz, com o João Pereira e o Éder à cabeça. O Ivan Cavaleiro, que entrou na 2ª parte, mostrou a razão pela qual foi emprestado pelo Benfica, enquanto ainda não foi desta que o André Gomes me convenceu que não fizemos um óptimo negócio em vendê-lo por 15 M€.

Como os dois primeiros são classificados directamente e o 3º ainda vai a um play-off, seria uma catástrofe que não nos qualificássemos para o Euro. Mas temos que melhorar muito nos próximos jogos, caso contrário o panorama torna-se mesmo muito negro.

segunda-feira, setembro 01, 2014

Obrigado e adeus, Artur!

Empatámos com a lagartada (1-1) e perdemos os primeiros pontos no campeonato. É um ponto com um sabor muito amargo, porque tivemos mais e melhores oportunidades, e porque oito anos depois o Artur resolveu oferecer um golo aos lagartos na Luz, tornando este certamente (nem outra coisa me passa pela cabeça!) o seu último jogo com a camisola do Benfica.

Entrámos muito fortes na partida e marcámos logo aos 12’ numa boa combinação entre Maxi e Salvio finalizada pelo Gaitán com o pé direito! A lagartada tremeu, acusou o golo e esperava-se que nós aproveitássemos este facto para aumentar a vantagem e dar a sentença final à partida. Infelizmente, entrámos em campo com 10, o que, se já é mau por si só, muito pior se torna quando quem falta é o guarda-redes! O espectáculo Artur começou logo com uma saída em falso num canto ainda nos primeiros minutos, que só não resultou em golo, porque o lagarto cabeceou ao lado. Pouco depois, noutro canto houve uma bola muito mal socada e finalmente aos 20’ cometeu a proeza de virar o sentido do jogo ao rematar contra um adversário, escorregar e deixar que o Slimani cabeceasse à vontade para a baliza deserta. Um frango monumental! Até ao intervalo, nada mais fizemos de relevante, porque a equipa se intranquilizou imenso com o galináceo que estava na baliza e nunca conseguiu sair a jogar como costuma fazer. A lagartada teve uma grande oportunidade, quando o Slimani, em ligeiro fora-de-jogo, fez um passe ao Artur quando estava só com ele pela frente (creio que o argelino deve ter julgado que estava mesmo fora-de-jogo, porque o remate é ridículo).

No regresso dos balneários, voltámos a entrar bem e criámos uma série de oportunidades. Só o Salvio teve três(!) à sua conta, houve remates do Talisca e Enzo Pérez também perigosos, cabeceamento do André Almeida para grande defesa do Rui Patrício e outro do Gaitán por cima num canto. A lagartada teve uma grande oportunidade mesmo a acabar o jogo, com um desvio do Slimani e boa defesa do Artur, que segurou o empate que ele próprio provocou.

Em termos individuais, gostei muito do André Almeida (neste jogos em que o trinco tem mais que destruir do que construir, as suas limitações nesse campo são menos evidentes), que se fartou de cortar bolas e correr atrás dos adversários. O Gaitán teve os seus habituais toques de classe e marcou o golo. O Luisão também esteve bem na defesa, assim como o Maxi e o Eliseu (boa contratação!). O Artur insiste em jogar com o Jardel como se este fosse o Garay, mas não pode ser. Boa resposta também do Talisca no seu primeiro derby, embora tenha rebentado aos 70’. O Lima fartou-se de lutar, mas continua sem molhar o bico. Já se sabe que o Enzo Pérez não sabe jogar mal, mas não esteve nos seus dias, assim como o Salvio que falhou belíssimas oportunidades para nos fazer ganhar o jogo. Quando ao Artur, depois do jogo é fácil dizer o contrário, mas se eu fosse o Jorge Jesus também o teria posto de início. Porque até agora ele nada tinha feito que justificasse a perda da titularidade e, se por acaso o Júlio César desse um frango logo na estreia, era difícil justificar a troca. Mas também assumo claramente que eu tê-lo-ia tirado ao intervalo. Aquela 1ª parte foi de bradar aos céus e arriscámo-nos mesmo a perder o jogo por causa dele. Agradeço-lhe a conquista da Supertaça desta época, já está na história do Benfica, mas adeus até nunca mais. Já chega!

O campeonato vai agora parar por causa das selecções e, quando voltar, teremos logo aí à porta a 1ª jornada da Champions. Espero que dia de hoje de fecho do mercado não traga surpresas desagradáveis (Enzo, fica por favor!) e se nos caísse no plantel um avançado que desse garantias de golos dava algum jeito…